5 fevereiro 2012E-MAIL NÃO É LIXEIRA!

Comecemos por Marshall MacLuhan! Foi ele que, na década de 60, criou o termo. Iniciavam-se os tempos da comunicação via satélite. Cada vez mais, as visões e imagens do mundo chegavam até nós. Eram os primórdios da cultura do simulacro. Estávamos na aldeia global.
Para alguns, a partir dali, a humanidade se transformaria. As características culturais de cada povo se enriqueceriam. A comunicação intensa provocaria um nivelamento por cima. Para outros, no entanto, o mundo se tornaria mais chato e prevísivel, perdendo cada povo as suas características individuais.
Como consequência da nova forma de comunicação mundial, nós, brasileiros, aqui no Terceiro Mundo, pudemos assistir à chegada do Homem na Lua, em 1969. No ano seguinte, em plena época da ditadura militar e ainda em preto em branco, assistimos à Seleção Brasileira ser tricampeã mundial de futebol no México. O mundo parecia encolher. Encolhidos também parecíamos nós, aqui em Pindorama, sob a tutela do governo Garrastazu Médici. O futuro, porém, nos parecia promissor. Este era um país que ia para a frente!
A nossa modernidade chegou assim: Caetano Veloso, exilado na Inglaterra pelo regime militar, mandava, via Intelsat, notícias para o Pasquim. A ditadura militar que matou, esfolou, sequestrou e exilou centenas (ou milhares) de brasileiros, concomitantemente, mandava para o espaço sideral os satélites que abririam os caminhos para nos comunicarmos com o resto do mundo. Era o progresso chegando no bojo da repressão. Quem viveu aquela época sabe disso. Quem não viveu, precisa saber.
Com a ditadura militar, criou-se também a Rede Globo de Televisão, hoje uma das três maiores do planeta, com transmissões simultâneas para quase todo o mundo. Partíamos para atingir a maturidade na área da comunicação. Se não tínhamos um regime político adequado, tínhamos a possibilidade de ver e escutar as cores e os sons do mundo. E o mundo que também nos aguardasse.
Passou o tempo, veio a normalização democrática do nosso país e a evolução da rede mundial de comunicação. Surge a Internet. Com a popularização dos microcomputadores, aumenta cada vez mais o número de brasileiros com acesso à rede internacional. E a grande novidade com o surgimento da Internet passa a ser o controle individual da mensagem comunicativa. No entanto, com a democratização cada vez maior da Internet e com o surgimento do controle individual da mensagem comunicativa, aparece um novo problema: o lixo internáutico. Dominamos a forma, mas ainda não dimensionamos de maneira correta o valor conteudístico das mensagens.
Portanto, companheiros internautas, ao enviarem suas mensagens lembrem-se de que e-mail não é lixeira!









































5 fevereiro 2012 às 23:54
Era o progresso chegando no bojo da repressão. Quem viveu aquela época sabe disso. Quem não viveu, precisa saber.
Muito bem lembrado. Foi uma época de grandes feitos.
As distâncias entre as capitais dos estados encolheram devido às estradas de rodagem que cortaram o país de norte a sul e de leste a oeste; os tropeiros deram lugar aos caminhoneiros.
As usinas hidroelétricas enterraram os velhos geradores nas cidades do interior, onde só “tinha luz” das 18 até as 22 h. Isto mais a telecomunicação e o povão do interior assistiu o Flávio Cavalcante quebrando o disco do Caetano Veloso.
Ah! durante o regime militar, além da tv globo, também foi criada a TV Pública/Educativa.
Ótimo texto.
6 fevereiro 2012 às 7:25
São muitas as viúvas da ditadura. Com todo o respeito.
6 fevereiro 2012 às 9:14
E são muitos os canalhas que ergueram bandeiras contra o Governo Militar para arrumar um espaçozinho na mídia ou na vida pública! Sem o menor respeito!
6 fevereiro 2012 às 13:55
A sua carapuça não coube na minha cabeça, camarada Washington. A recíproca, porém, não sei se é verdadeira… Outra coisa: respeito a gente traz de casa, da educação doméstica. Acho que esse não foi o seu caso.
6 fevereiro 2012 às 14:15
Caro Clóvis Campêlo,
Mais um feito: leitores nascidos no interior devem se lembrar dos jegues carregando corotes cheios de água para venda ou das mulheres com rodilhas carregando latas d´água. A “ditadura”, ao construir sistemas de captação e distribuição de água, levou água encanada para as torneiras e ajudou a transformar estas figuras em personagens literárias.
Com todo o respeito, não se trata de viúva disto ou daquilo. O fato é que o seu texto é justo, crítica o regime nos seus supostos excessos e reconhece pontos positivos.
6 fevereiro 2012 às 14:26
Meu caro Nonô, o meu texto fala de outra coisa. Mas, concordo contigo em um ponto: o regime da ditadura nos colocou ao nível do Primeiro Mundo em vários aspectos, embora isso tenha nos custado os olhos da cara e tenha jogado a dívida externa à estratosfera. Gostei da sua réplica. Já me desarmei.
6 fevereiro 2012 às 14:27
Nonoh:
Você é um extremista que me dá um alívio danado na minha tarefa de editoração, cujas decisões são dificílimas de tomar.
Grato pelo exemplo de civilidade e boa convivência que você sempra dá, mesmo nos mais acirrados debates.
Você de um lado e Goiano do outro, são duas figuras cujas palavras e comentários jamais me fizeram acionar o que já foi chamado por aqui de “censura”, quando, na verdade, é apenas o legítimo exercício do blogueiro de manter a ordem e a boa educação dentro desta casa de família.
6 fevereiro 2012 às 17:59
De minha parte, o blogueiro não terá mais esse trabalho.
Veja a pérola: “a ditadura militar que matou, esfolou, sequestrou ou exilou centenas (ou milhares) de pessoas…”
Isso é oportunismo barato. Foram ao todo 687 presos durante o Governo militar. Destes 291 foram exilados e repatriados num espaço de dois anos, salvo aqueles de reconhecida capacidade arrivista, como Brizola e Arraes. Do lado subversivo, foram contabilizadas em torno de 250 mortes. Em contra-partida, os subversivos promoveram 120 óbitos.
Engano seu, Senhor Campelo! Sou educadíssimo e as pessoas que frequentam este espaço e me conhecem pessoalmente, sabem disso. Sou filho e pai dedicado, cumpridor dos meus deveres e respeitador das leis. O Senhor jamais me verá escrevendo algo aqui sem que eu tenha provas cabais sobre o assunto que estiver em discussão.
Se não gostava do Governo Militar, eu respeito isso, apesar de ter sido militar do Exército e me doer ver que podemos ter errado tanto. O que não admito que se faça são ilações caluniosas. Da mesma forma que minha família de sangue, os verde-olivas também são minha família. Me dói vê-los sendo usados de maneira tão baixa, primeiro no Rio de Janeiro e agora na Bahia. Me dói ver o estado de penúria em que se encontram, me magoa esses achincalhes a que são expostos todos os dias.
Não lhe obrigo a gostar de mim, assim também como não gosto dos oportunistas que se criam nas bandeiras da desunião, dado o esforço de pacificação social pelo que passamos. Fique a vontade para escrever as veleidades que considerar adequadas as bandeiras que defende. Não vou mais tolerar ser censurado ou ser chamado atenção como menino travesso .
Passar bem!
6 fevereiro 2012 às 18:09
Passe bem, camarada. Pensei que quem estava levando o pito era eu. Admito que também me excedi. Não compreendi que o Nonoh estava sendo sincero no seu comentário. Entendi como uma ironia, daí ter revidado. Se isso adiantar alguma coisa, peço desculpas ao dois. Quanto às estatísticas, posso ter errado. Nunca fui bom nisso. Mas que houve uma ditadura, isso houve! Ainda me lembro bem.
6 fevereiro 2012 às 19:09
Virou moda essa cuanga de avacalhar com as Forças Armadas, elas não são o antro de pilantras e salafrários como querem fazer acreditar.
Trambiqueiros, pilantras e velhacos estão NESTE governo.
7 fevereiro 2012 às 6:33
Chegou tarde, camarada Djan. A “briga” já acabou.
7 fevereiro 2012 às 7:06
Democracia é isso: cada um diz o que pensa. Dificilmente isso aconteceria na ditadura militar. Todos estariam com o rabo entre as pernas.