27 fevereiro 2012ÁRVORE SÃO OS OUTROS
Não sou árvore.
Tentei.
Li todos os poemas de Manoel de Barros*, mas não escutei a cor do passarinho.
Não agarrei o rabo do vento nem peguei a voz do peixe.
Sou asfalto. E poeira, e fios, e poluição e viadutos. Nasci na cidade, nos prédios altos, no calor do Recife, no cheiro das pontes.
Não sou árvore, sou poste.
Poste com fios e energia elétrica. A mesma energia feita pela Chesf*, onde meu pai trabalhou a vida inteira. A energia que virava luz, a luz que vinha de um rio com nome de homem: Francisco!
E o senhor Rio São Francisco pagava nossas contas.
Na casa do poeta Manoel, o rio era uma cobra de vidro mole, na minha vinha em forma de contra-cheque. Um rio-salário líquido (que sempre tinha uma grande diferença em relação ao rio-salário bruto).
Coisa que eu nunca entendi, se tratando de um rio.
Imaginava apenas que um rio líquido era um rio sem barragens nem adutoras.
Um rio que circulava livremente e que tinha, dentro dele, novas espécies da fauna ainda não descobertas pelos biólogos especialistas: o jacaré Xingó, a garça Paulo Afonso e a sucuri Itaparica.
O rio do poeta conversa com as rãs e por lá falam de poesia.
O meu rio é amigo das hidroelétricas e os dois, velhos conhecidos, versam sobre linhas de transmissão.
Manoel de Barros é árvore.
Meu pai é rio.
Eu sou poste. Mas, sabe que pode haver muita poesia num poste?
*Chesf – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco
* Manoel de Barros – Poeta Mato Grossense, autor do poema “Árvore”









































27 fevereiro 2012 às 17:48
Ganhei minha segunda feira: cheguei mais cedo em casa e li essa inspirada cronica de Téta. Linda.
27 fevereiro 2012 às 18:19
Energia eu sei que tem. E muita!!!!!!!!Xêro.
27 fevereiro 2012 às 18:36
Que legal! A analogia é ótima, ficou gostosa de ler… São inspirações que eu realmente não pensaria… Muito bom!
27 fevereiro 2012 às 18:51
dona téta, parabéns pelo texto (o que não é novidade). só discordo de você num ponto: mesmo na cidade, nos prédios altos, a gente pode abrir a janela da aurora, escutar a cor do passarinho e trocar o cheiro das pontes pelo perfume dos peixes.
27 fevereiro 2012 às 19:00
Téta: poste eu duvido que vc seja. Poste jamais terá a mobilidade que vc tem em tudo que faz. A mobilidade e a eficiência. A única coisa que lhe aproximaria do conceito de poste é a LUZ que vc irradia. Quem lhe conhece, sabe. Que texto fantástico e quanta poesia vc soube extrair dessa idéia. Parabéns !
27 fevereiro 2012 às 19:13
Brigaduuu!
27 fevereiro 2012 às 20:10
Ótima crônica, Téta. Se você tiver tempo, leia minha matéria que deve sair amanhã e de outros colunistas desta nossa igreja. Minha coluna se intitula “Glórias e Inglórias”, e ainda não tive o prazer de receber um comentário seu. Não precisa elogiar, aceito críticas também. Não vejo você também nas colunas dos outros colunistas fazendo algum comentário. Acho gostoso essa troca. A maioria dos colunistas não faz isso, mas acho que faz parte e dá alegria pra gente. Como eu disse para a Sheila, acho importante a troca de comentários. É a comunhão dos confrades e confreiras da ICAS. E ói a Sheila aí em cima, comentando sua crônica! Estou dando apenas uma sugestão, visse? Vai ver que é porque você os muitos outros não dispõem de tempo para essa comunhão ou não gostam. Caso seja esse o seu caso, ignore minha sugestão.
27 fevereiro 2012 às 21:56
Téta, muito boa a tua inspirada crônica.
Lembrar do original Manoel de Barros, merece nota 10…
Parabéns.
27 fevereiro 2012 às 23:24
Muito bom!Os rios passam e a energia fica…
27 fevereiro 2012 às 23:29
Menina Téta,
Tenho acompanhado você aqui no JBF. Fico cada vez mais entusiasmado com o seu texto. A sua prosa é poesia pura e gostosa.
Parabéns!
28 fevereiro 2012 às 0:13
Ah, visitei sua página http://www.batidasalvetodos.com.br . Parabéns outra vez…
28 fevereiro 2012 às 8:03
Muito bom o blog Téta.Vou precisar de bastante tempo para ler e aprender com os teus textos.Valeu biquinho.Deus te abençoe.
28 fevereiro 2012 às 8:43
Teta, Deus te proteja de olho gordo.
28 fevereiro 2012 às 10:51
A saudade do Vale do São Francisco, agora bateu com força. Parabéns pela crônica.
28 fevereiro 2012 às 10:54
Hahahahaha! Faz-me rir! A carapuça serviu, porque somente eu coloquei uma mensagem dando uma sugestão, mas não deixei de elogiar a ótima crônica de Téta. Eu não praeciso ter inveja de ninguém! É só entrar na minha coluna para constatar isso! Sempre que falo algumas verdades, como fiz na coluna da Sheila Liz e aqui, aparece uma “Marise” ou uma “Edinha” qualquer para encher o saco. É por isso que muita gente, inclusive amigos meus, não entram no JBF e muitas pessoas quando querem dar alguma sugestão ou crítica, usam de pseudônimos. Eu falo é na bucha, e acho que a sugestão foi válida e não ofendi e nem demonstrei “olho gordo”, coisa que, como já disse, não preciso, em nenhum sentido. Quem poderia precisar de proteção de “olho gordo” seria eu, mas tenho “corpo fechado”.
28 fevereiro 2012 às 12:40
Ué!!!!!!!!! Falei do olho gordo de Meca Moreno, o maior invejoso de Serro Azul, mas parece que enfiaram a carapuça até as péias!
Maninha tu tem razão mesmo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! é por isso que muita gente etc etc etc etc
Te cuida Meca!!!!
28 fevereiro 2012 às 15:53
Eu já conheço gente como você, cara Edinha. Critica, depois se faz de sonsa e vem com desculpa esfarrapada. Se não me engano, é a primeira vez que vejo comentário seu aqui no JBF… e o mais engraçado é que você não deixou elogio para a colunista… que coisa, né?
28 fevereiro 2012 às 18:30
O que eu comentei na coluna da linda Sheila Liz, e que ela com muita personalidade e educação aceitou foi:”… Há vários colunistas deste blog que se acham muito importantes para descerem de seus pedestais e postar comentários sobre os trabalhos de seus colegas e agradecer os elogios que recebem…”
Concordo com os comentários que Glória fez nesta coluna de Téta e com o elogio à crônica dela. Vejo a Glória como uma guerreira por falar o que pensa, sem apelar para o uso de pseudônimos. Não vi ofensa em nada do que ela falou e entendi o recado que ela quer passar aos colunistas deste jornal. Eu, sempre que possível, vou ajudá-la nesta tarefa, porque concordo com o ponto de vista dela.
28 fevereiro 2012 às 18:42
Amigos do JBF: Em dois posts recentes observei uma coisa que gostaria de não comentar, principalmente neste espaço que se destina a comentários sobre um excelente texto da Téta, mas alguns me obrigam a isso. Primeiro, porque na minha última postagem, acerca de um soneto que fiz para a minha avó Maria Anna, dos 14 comentários, quatro foram sobre o post propriamente dito.. os demais 10 foram somente briguinhas bobas que não levam a nada e somente fomentam a discórdia entre os participantes. Neste, Téta teve mais sorte..Dos 18 comentários 12 foram feitos sobre o post, o restante novamente de briguinhas bobas que só incentivam mais discórdia. Alguém, de algum lado precisa parar com isso.. Não sei quem tem razão nem me interessa. Mas de uma coisa estou certo. Uma arenga sadia sobre o conteúdo do post, seja crítica ou elogio, pode valer a pena e sempre vale.. mas briguinhas bobas paralelas, com certeza não constroem nada. Na verdade até desestimulam nossas publicações. É a minha opinião.
28 fevereiro 2012 às 22:11
Maninha Edna, perca as esperanças. É um caso perdido. Leia os comentários nos posts que te mandei. Beijos pra tu, pra Eliel e pra Meca. E pra Oião também!!!!!!!!!!!
28 fevereiro 2012 às 22:15
By the way: Téta, o Batida está cada vez melhor. Os 10 Mandamentos tá show! Entro lá todo dia. Biquinho pra tu!