Trazes, com o teu abraço, a carícia do arminho
com que tua mão lirial me perturba os sentidos
como a asa de um cisne a tocar, de mansinho,
a cítara do amor que me freme aos ouvidos…

Tuas mãos, sinto-as em mim: são dois vasos partidos
a entornar, no meu corpo, um rubro e estranho vinho
que me queima e embriaga e em surtos incontidos
faz-me vibrar no ardor do teu doce carinho…

Tuas mãos têm tal sabor quando as colho num beijo!
e não sei que atração se, ao levá-las ao seio,
sinto a alma vibrar em mais rápido arpejo…

Tuas mãos são dois faróis me salvando de escolhos!
Mãos que me fazem rir no mais vívido anseio
e que, quando eu morrer, irão fechar-me os olhos…

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2 Comentários

  1. joaquimfrancisco disse:

    Bonito e gostoso de se ler.

  2. violante pimentel disse:

    Soneto belíssimo da consagrada poetisa Maria Braga Horta!
    Muito lirismo e sensibilidade e um final emocionante!

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