20 março 2017UM PASSEIO PELO PASSADO



Ontem, domingo, fomos tomar o café da manhã numa padaria aqui perto de casa, a Pan Jovem, na Praça da Jaqueira, um dos vários aprazíveis recantos de mundo que este Recife nos dá de presente.

Depois de me deliciar com frutas, com carne de sol, com queijo de coalho frito, com suco de caju e de comer um baita dum pão-doce, fomos dar um passeio, aproveitando a bela manhã de sol.

Dirigir nosso automóvel é um dos meus prazeres mais caros, depois que me restabeleci do piripaque cardiológico e passei pelos pesados exercícios de fisioterapia.

E pensei comigo mesmo, sem falar nada pra Aline ou pro João: “Vou direto pra Olinda, matar as saudades. Faz um bom tempo que não vejo aquela amada paisagem“.

Eu estava no meio do pensamento quando escutei João falando: “Pai, vamos passear em Olinda, a cidade onde eu nasci?

Chega se assustei-me com aquela espantosa coincidência de pensamentos.

Vôte!

E disse isto pro João. “Que coisa, meu filho, eu estava pensando o mesmo!

E ele me respondeu na bucha, com a cara mais lavada do mundo:

– Isto é a ligação de pai e filho.

Filosofofeiro da porra, este menino!!!

Subi emocionado – como sempre acontece quando vou lá -, a comprida ladeira que leva ao Alto da Sé. Uma rua daquela cidade que mora na minha estima e que descrevo num trecho do meu livro O Romance da Besta Fubana.

Lá em cima, fui rever o Seminário de Olinda, hoje em dia decadente, em ruínas, caindo aos pedaços. Uma lástima. 

Na porta do seminário abandonado

Lembrei-me logo de Henrique, um amigo muito querido, uma figura que passou à história como O Padre Henrique, um ser humano que foi vitima da brutalidade e da pavorosa capacidade do ser humano de incorporar os piores espíritos malignos que podem existir nos Quintos dos Infernos.

Sobre Henrique escrevi uma crônica que foi publicada aqui no JBF há alguns anos. Quem quiser ler, é só clicar aqui.

Subi pela ladeira que vai pra Sé e desci pela Ladeira da Misericórdia, mais conhecida pelo povo como Ladeira do Quebra-Bunda.

Um passeio arretado.

Só não foi igual aos antigos passeios que eu fazia por lá, porque faltou a parada obrigatória no Restaurante Gameleira, com direito a moqueca de peixe, lapadas de aguardente e cerveja gelada.

A abstinência compulsória a que estou submetido depois do piripaque cardiológico, fiscalizada rigorosamente por Aline, não me permite alguns luxos do passado recente.

Mesmo assim, foi um ótimo domingo.

Lá em cima, na quase em pé Ladeira da Misericórdia

Com João no Alto da Sé; ao fundo, a imensidão azul do Atlântico

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8 Comentários

  1. violante pimentel disse:

    Prezado Editor Luiz Berto:

    É gratificante vê-lo tão saudável, passeando com Aline e João, numa manha de sol tão bonita! Adorei ver as fotos e o bonito cenário!
    Um grande abraço para os três, muita saúde e paz! Uma ótima semana!

  2. joaquimfrancisco disse:

    Li vou direto para Palmares matar a saudade ,Só depois que vi que era Olinda. Muitas horas em um computador atrapalham as vistas,mas apreciei a leitura.

  3. C Eduardo disse:

    Paty Not Set do Alferes, 20/03/2017

    Editor quem está de dieta é você. Bem que Aline e Joao poderiam degustar as delicias do restaurante enquanto você traçava um mingau de aveia. Eles merecem. Eles são solidários. Você também precisa ser.

  4. Arthur Tavares disse:

    Eita porra …!!!!

    Morrendo de inveja da descrição do passeio e dos desejos “gourméticos”…..

    Saudades desta terra …… Abraços fubânicos

  5. José de Oliveira Ramos disse:

    Berto: já tá ficando gigante. Vai ser jogador de Basquete?

  6. Arael M. da Costa disse:

    Só faltou uma coisa: ouvir, enquanto trafegava pelas ruas saudosas, um CD com músicas de Capiba, entremeadas com o imortal “Olinda, cidade eterna”, na voz inconfundível de Paulo Molin.

  7. Goiano disse:

    Passeei por Olinda, como turista, por umas poucas horas, já faz alguns anos, e esta crônica me despertou o desejo de voltar, com mais tempo, um dia.

  8. CÍCERO TAVARES DE MELO disse:

    Luiz Berto:

    Só não tive mais inveja do nobríssimo editor dessa Gazeta Escrota que é o Jornal da Besta Fubana, descendo e subindo essas ladeiras olindenses históricas com dona Aline e João Berto, que está crescendo mais do que jogador de basquete, porque eu estive por aí na sexta-feira e contemplei essas mesmas paisagens e casarões, que andam mais conservados do que os do Maranhão que a família dos sarneys cupins destruíram TUDO!

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