Casa de Carne Mineira – Anápolis, 1953

Era um vez, agora há pouco, um jovem açougueiro que se estabeleceu em Anápolis. O cara veio com disposição, sabia abater gado, tinha um pequeno rebanho e era bom negociante. Em pouco tempo a “Casa de Carnes Mineira” atendia não apenas a clientela local, como também fornecia carne para outros açougues da cidade e redondezas. Logo ficou conhecido na região como “Zé Mineiro” e passou a dominar o mercado da carne naquela região.

No começo abatia cinco bois por dia e distribuía a carne numa Kombi. Com apenas 23 anos seu negócio crescia a olhos vistos e já podia se considerar um empresário bem-sucedido. Não mais que de repente, como dizia o poeta, surge uma metrópole na região, Brasília, a nova capital do Brasil. Em 1957 acorreram para o local centenas de nordestinos, que adoram carne. Depois de 1960, com a inauguração da cidade, surgem centenas de cariocas, que apreciam carne e gente de toda parte do Brasil. Incluindo os gaúchos, que aproveitaram para montar suas churrascarias.

Quando se fala da “pessoa certa, na hora e local certo”, é o caso do “Zé Mineiro”. Afinal, quem poderia abastecer de carne toda aquela população? Em contato com as empresas construtoras, ele começou a fornecer carnes para os refeitórios dos “candangos”. Passou a abater 30 bois por dia com perspectivas de ampliação, pois a construção da cidade se dava em ritmo acelerado. Logo mais seria preciso atender também os açougues que surgiriam na cidade. O negócio foi se afirmando, tornando-se a principal fornecedora de carnes de Brasília e redondezas. Em 1969, foi o primeiro frigorífico do Brasil a usar o selo SIF. Até ali não havia a exigência de um “Serviço de Inspeção Federal” para controlar a qualidade da carne.

Em 1960, junto com a fundação da cidade, nasceu o primeiro filho, que recebeu o mesmo nome do pai, certamente com a intenção de dar continuidade à empresa JBS, as letras iniciais de seu nome. Com Brasília inaugurada, os negócios foram alavancados rapidamente. Em 1962 arrendaram um matadouro em Luiziânia, passando a abater 50 bois por dia. ”Zé Mineiro”, maneiro e hábil nos negócios, logo travou bons contatos com os políticos e passou a atender também o novo governo que ali se estabelecia. Com isso, sua empresa deu um salto surpreendente.

Em 1968 foi adquirido um matadouro em Planaltina, e passou a abater 200 bois por dia. O império da carne do Zé Mineiro vai se afirmando e criaram um novo nome para a empresa: “Friboi”, que logo virou marca consagrada no mercado. Na condição de fornecedor quase exclusivo de carne para toda a região, os negócios foram crescendo de forma vertiginosa com a aquisição de novas instalações nos arredores de Brasília. Em 1972 nasceram os gêmeos Joesley e Wesley, quando o filho mais velho já era conhecido por “Júnior Friboi”. Curioso é que mesmo carregando esse apelido, o rapaz não deu continuidade aos negócios do patriarca. Mais tarde enveredou para a política e os caçulas gêmeos é quem substituíram o velho no comando da empresa.

A partir daí a empresa passou a crescer exponencialmente, com a aquisição e diversos abatedouros e fábricas de conservas de carne e diversificação de produtos, chegando a ter uma fábrica de sabão e cosméticos. Em 1993 instalou em Anápolis uma indústria com capacidade de desossar carne e abater 1000 bois por dia. A essa altura já estavam abastecendo os mercados do Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades. No período 1996-1999 instalaram novas unidades de processamento em Goiânia, Barra do Garça (MT) e Andradina (SP) e partiram para a exportação de carne para os EUA e Europa. O abate agora é de 5.800 cabeças por dia, e representou uma nova guinada na empresa.

Em 2004 é chegada a hora de estabelecer o império da carne. A sede corporativa da empresa foi transferida para São Paulo junto com 150 funcionários e centralizando as operações de sete unidades instaladas em outros locais. Por esta época, os gêmeos já estão com 32 anos e aos poucos passam assumir o comando da empresa. “Aos poucos” é força de expressão; pois os rapazes, seguindo a tradição familiar de bons relacionamentos com os políticos, deram rapidamente um impulso gigantesco à empresa com a chegada do Governo Lula em 2003. Não perca a 2ª parte desta fábula, e veja até onde estes gêmeos levaram o empreendimento do seu “Zé Mineiro”.

5 Comentários

  1. Goiano disse:

    Interessantíssima a narrativa! Estou ansioso pela continuidade da saga dos Batista!

  2. J.D. Brito disse:

    Calma Goiano

    A 2ª parte virá no próximo domingo, só não sei se será a última, pois a fábula ainda está vivissima

  3. Jonas disse:

    Na segunda parte que vem os escândalos de corrupção e benefícios indevidos, quero ler!

  4. Miriam disse:

    E quando vem a segunda parte, Biscoito? Vc está que nem novela: todo mundo esperando pelo próximo capítulo!!

  5. J.D. Brito disse:

    E quando vem a segunda parte, Biscoito? Vc está que nem novela: todo mundo esperando pelo próximo capítulo!!

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