Na final da década de 1990, a Friboi encontrava-se no melhor dos mundos. Zé Mineiro, Júnior e os gêmeos tocavam a empresa com empenho e, sobretudo, uma vontade de crescer ainda mais. Com o livre trânsito estabelecido com os políticos de Brasília, o velho abriu os olhos de Júnior para a vida pública. Por que não? O bom relacionamento mantido com deputados, ministros e a administração local poderia melhorar em muito o desenvolvimento da empresa. Dinheiro para isso não faltava, e popularidade no meio daquele eleitorado era fácil de se conquistar.

Assim, o novo milênio se apresentava com as melhores perspectivas para a família Batista. Brasília, de novo, surge com enormes promessas de alavancar a empresa, tal como no passado. A chegada do governo Lula ao poder, em 2003, representou uma oportunidade extraordinária de alavancar os negócios. A partir de agora, a expansão se dá rumo ao mercado externo, com a aquisição da Swift argentina, em 2005. O processo de expansão foi intensificado dois anos depois com a abertura do capital, tendo suas ações negociadas na Bolsa de Valores. No mesmo ano encontraram uma “mina de ouro”, o BNDES com um negócio melhor do que emprestar dinheiro. Conseguiram firmar uma parceria, onde o Governo ficou sócio da empresa.

Assim, adquiriram a Swift americana, tornaram-se a maior empresa de processamento de carne do mundo e iniciaram um período de aquisições nunca visto no mercado. Ainda em 2007 adquiriram 50% da italiana “Inalca” e entraram no mercado europeu de alimentos. Em 2011 tiveram de se desfazer do negócio, devido a desentendimentos com a “Cremonini”, detentora dos outros 50%. Mas, isso não é problema, as aquisições continuaram de vento em popa. Em 2008 mais duas aquisições se realizam: a australiana “Tasman Group” e a divisão de bifes da americana “Smithfields Beef”. Tentaram comprar, também, a “National Beef”, mas o governo dos EUA resolver barrar essa aquisição, temendo uma diminuição da concorrência e um aumento de preços para os consumidores.

Em 2009 a expansão se dá no Brasil, com a compra da “Bertin”, e de novo nos EUA, com a aquisição da “Pilgrim’s Pride”. Com isso, fez sua estreia no mercado de frangos. No ano seguinte, voltam à Austrália e adquirem a “Rockdale Beef”. Em seguida, com a venda dos 50% da Inalca, adquirem a italiana “Rigamonti”, especializada em alimentos embutidos. Em 2011 adquiriu a divisão de cosméticos da “Bertin” e ampliou sua participação no ramo de sabonetes e produtos de limpeza. A divisão da JBS neste ramo, chamada Flora, já atuava no setor desde a década de 1980.

Em 2012 foi criada a holding J&F Investimentos para abarcar todas as empresas do conglomerado, que agora não é apenas de carne. Envolve papel e celulose, banco, usina de biodiesel, etc. Mas é de carne que os Batistas mais entendem, e assim pegam pesado no mercado de frangos. No mesmo ano adquirem, no Brasil, a “Frangosul”, “Tramonto” “Agrovêneto” e “Seara”. No Canadá, compram a XL Foods e as aquisições não param por aí. Mas, uma amiga me alertou para o fato desta “novela” estar ficando chata, só tem compra de empresas! Não tem casamento, não?

Tem, e dos grandes. Em 25/12/2012 Joesley se casou com Ticiana Villas Boas, uma bonita apresentadora de TV. O casamento, disse a coluna social, chegou a parar São Paulo e se deu em três etapas: primeiro, sem a presença de familiares e amigos, no Taj Mahal, na Índia; o segundo foi em Bora Bora, ilha da Polinésia Francesa; o terceiro foi em São Paulo numa festa cinematográfica para mil convidados, decorada com 50 mil orquídeas brancas e shows de Ivete Sangalo e a dupla sertaneja Bruno e Marrone. Entre os convidados estavam políticos de todos os calibres no âmbito nacional e regional. Quem quiser ver a grandiosidade da festa, pode dar uma olhada no site Inesquecível Casamento. O irmão Wesley também se casou em dezembro de 2012, mas ao contrário do irmão Joesley optou por um esquema mais discreto, na Casa Fasano.

E “Júnior Friboi”? Por onde anda? Seus contatos políticos se encaminharam tão bem que logo se afiliou ao PMDB através do presidente do partido e vice-presidente da República Michel Temer. Com um padrinho desse porte, ele se anima, a candidatar-se a governador de Goiás nas eleições de 2014. Para não restar dúvidas sobre a vitória, contrata, a peso de ouro, o melhor marqueteiro político: Duda Mendonça. O fato causou um tremor no interior do partido. Antigos correligionários queriam ver Íris Rezende de novo naquele pleito. Dá-se o racha partidário e Júnior acabou retirando sua candidatura. Marconi Perillo, do PSDB, venceu a eleição e Júnior foi recompensado com uma boa bolada. A imprensa noticiou que o govenador Perillo criou uma lei perdoando um bilhão de reais que a JBS devia ao Governo de Goiás. Foi negociada uma dívida de R$1,3 bilhões por R$320 milhões. Estes rapazes são realmente fantásticos. Júnior Friboi se afastou da JBF e criou sua própria JBJ

Tudo corria muito bem com mais aquisições de empresas como a Alpargatas, Sadia, Perdigão, Seara, Vigor etc. até que em 17/3/2017 surge a “Operação Carne Fraca”, da Polícia Federal, em alguns frigoríficos e a JBS foi enquadrada. Trata-se da adulteração da carne vendida no Brasil e no exterior.

Foi um “Deus nos acuda” no mercado internacional da carne e, consequentemente, na economia brasileira, a maior exportadora de carne do mundo.

Os grandes mercados importadores passaram a ameaçar a compra da carne brasileira. Os ministros da Economia, da Agricultura e o próprio presidente da República entraram em cena para desacreditar aquela operação policial e acalmar os compradores internacionais. No Palácio do Planalto foi montada uma operação política para minimizar o estrago feito, sem saber que outra operação política, esta sim, de proporções gigantescas, estava sendo tramada pelos irmãos gêmeos. 10 dias antes de ser deflagrada a “Operação Carne Fraca”, em 7/3/2017 Joesley pôs um gravadorzinho no bolso do paletó e foi conversar, na calada da noite, com o presidente da República num encontro “informal”, na garagem do Palácio do Jaburu. A conversa foi um acerto de contas referentes as contribuições que a Friboi vinha fazendo com o pagamento de uma suposta “compra do silencio” de Eduardo Cunha, preso em Curitiba.

Pouco depois, em 17/5/2017, Joesley entrou em contato com a Procuradoria Geral da República com a finalidade de fazer uma “delação premiada”. Entregou a fita gravada em troca de sua liberdade e toda a família, que se mudaria para os EUA. A delação de Joesley causou um estrago e tanto no já convalescente quadro político nacional. Com uma só pancada, derrubou um futuro presidente (Aécio Neves) e comprometeu seriamente o atual presidente. Minha intenção era concluir a “Fábula do Friboi” ou novela, por aqui. Porém, a fábula ainda não foi concluída. O presidente vem se defendendo como pode e como não pode também. Os benefícios recebidos com a “delação premiada” vêm sendo questionados. E assim a novela comporta um 3º capitulo, que não sei se farei.

6 Comentários

  1. sergio l soares disse:

    “Júnior Friboi se afastou da JBF e criou sua própria JBJ” .Nem tudo que parece é ;”iguais” mas “diferentes”. Falha técnica em homenagem à JBF que tem muuuuiiiittooo menos $$$$$$$$$$$ que a JBS.Esta é ORCRIM das grandes,planetárias..

  2. Carlos Eduardo disse:

    JÁ VI QUE VOCÊ É BOM MESMO.

    CADA VEZ APRENDO MAIS.

    CE

  3. Goiano disse:

    Essa novela está muito bem contada e eu espero ansioso o terceiro capítulo.

  4. J.D. Brito disse:

    Goiano

    Sei não se vou fazer. Os noveleiros da Globo ganham uma fortuna pra fazer umas drogas de novela, e eu com tô ganhando o que Lurdinha ganhou atrás da moita pra fazer essa novela da vida real

  5. Goiano disse:

    J.D.Britto, o histórico que fizeste é um resumo muito bem articulado e dá uma noção excelente dos principais pontos da histõria da família Batista.
    O que a Lurdinha ganhou atrás da moita a Luzia também ganhou e as duas nunca reclamou rsrsrs Já o que o JBF nos paga pode ser uma merreca, comparada aos ganhos da JBS, mas nem por isso é de jogar fora!

  6. Jonas disse:

    Essa novela é velha, se chama O Rei do Gado!

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