Bastos Tigre

Manuel Bastos Tigre nasceu no Recife, em 12/3/1882. Bbibliotecário, engenheiro, jornalista, poeta, compositor, humorista, dramaturgo e publicitário. Realizou o curso secundário no Colégio Diocesano de Olinda, onde compôs os primeiros versos e criou o jornalzinho humorístico O Vigia. Formou-se engenheiro pela Escola Politécnica, em 1906, mas não seguiu esta profissão. No entanto, chegou a trabalhar na General Electric e no DNOCS – Departamento Nacional de Obras contra as Secas.

Era um homem de múltiplos talentos, particularmente como pioneiro da publicidade brasileira. O slogan “Se é bayer é bom”, que correu o mundo, é dele. Em 1934, fez a letra de um jingle musicado por Ary Barroso e cantado por Orlando Silva: “Chopp em garrafa”. Naquele ano a Brahma passou a engarrafar o produto. Assim, foi o criador do primeiro jingle no mercado da publicidade brasileira.

Em 1915, prestou concurso para bibliotecário do Museu Nacional com uma tese sobre classificação bibliográfica. Mais tarde, transferiu-se para a Biblioteca Central da Universidade do Brasil, onde serviu por mais de 20 anos. Exerceu a profissão por 40 anos, é considerado o primeiro bibliotecário concursado no Brasil. No dia do seu aniversário – 12 de março – é comemorado o Dia do Bibliotecário, que foi instituído em sua homenagem.

Segundo o historiador Marcelo Balaban, que acabou de lançar o e-book pela Editora da Unicamp (2017) Estilo moderno: humor, literatura e publicidade em Bastos Tigre, analisando sua trajetória, “ele viveu no início do século XX, o dilema enfrentado até hoje por grande parte dos artistas: agradar o grande público, viver do seu ofício ou ser aceito entre os grandes. Melhor dizendo era mais um “trilema” do que um “dilema”, pois ele vivia entre alta literatura (poesia), o humor ligeiro e o mercado publicitário. Ainda conforme o historiador, “Apesar de reconhecido como mestre do gênero humorístico pelo público e mesmo por seus pares, Tigre foi sendo esquecido pela crítica literária e abandonado por muitos de seus colegas escritores. Seu legado resumiu-se a slogans publicitários”.

O humor trocadilhesco, os epigramas, os sonetos humorísticos e as peças de teatro do chamado gênero ligeiro, como revistas de ano e vaudevilles, garantiram-lhe prestígio em sua época. Fazia sucesso junto ao público que consumia avidamente esse tipo de literatura. Por outro lado, era olhado com desconfiança por seus colegas escritores que o viam mais interessado em agradar um público pouco ilustrado do que em desenvolver uma arte maior, José Domingos de Brito nasceu em 9/8/1950, em Jupi, Pernambuco. Bibliotecário, professor, pesquisador e editor. Fundador, presidente e diretor cultural do Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São Paulo no período 1979-1992. Organizador ou reorganizador dos centros de documentação e bibliotecas dos órgãos e empresas: Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (1985-1986); Companhia de Engenharia de Tráfego-CET/SP (1976-1980); Companhia Municipal de Transportes Coletivos-CMTC (1983-1986); Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (1986-1992); Parlamento Latino-Americano (1993-2007); União Brasileira de Escritores (2008-atual).

No final da década de 1910, ele encontrou na publicidade uma oportunidade de reforçar o orçamento doméstico. Dedicou boa parte de seu tempo a esta atividade, chegando a abrir um escritório especializado, o simulacro de uma agencia de publicidade. Sua produção literária, além da veia humorística, conta também com uma crítica política contundente, conforme se vê no poema abaixo:

ESTA REPÚBLICA

É certo que a República vai torta;
Ninguém nega a duríssima verdade.
Da pátria o seio a corrupção invade
E a lei, de há muito tempo, é letra morta.

A quem sinta altivez, força e vontade
Ficou trancada do Poder a porta:
Mas felizmente a vida nos conforta
De esperança, uma dúbia claridade.

Porque (ninguém se iluda), “isto” que assim
A pobre Pátria fere, ultraja e explora,
Jamais o sonho foi de Benjamin.

Os motivos do mal não são mistério:
– É que a gentinha que governa agora
É o rebotalho que sobrou do Império

Veja-se a atualidade de seu poema: a corrupção entre nós é um problema já no nascimento da República. Publicou mais de 30 livros, dos quais destacamos os títulos abaixo: Saguão da Posteridade (1902), Versos Perversos (1905), Moinhos de Vento (1913), Bolhas de Sabão (1919), Arlequim (1922), Fonte da Carioca (1922), Penso, logo… eis isto (1923), A Ceia dos Coronéis (1924), Carnaval: poemas em louvor ao Momo (1932), Entardecer (1935), As Parábolas de Cristo (1937), Senhorita Vitamina (1942), Aconteceu ou Podia ter Acontecido (1944), Conceitos e Preceitos (1946). Musa Gaiata (1949) e Sol de Inverno (1955).

Em 1982, a Associação Brasileira de Imprensa-ABI em parceria com a FUNARTE publicou As vidas de Bastos Tigre, 1882-1982. Catálogo da exposição comemorativa do centenário de nascimento. Faleceu em 1/8/1957.

2 Comentários

  1. Joaquimfrancisco disse:

    Se ainda fosse vivo, escreveria que a gentinha que governa agora é o rebotalho que sobrou do governo lula.

  2. Brito disse:

    Joaquim

    Realmente teriamos um crítico mordaz. Você viu seu poem “Esta República”?

Deixe o seu comentário!


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa