Frei Damião 1898-1997

Entre os nossos homenageados Frei Damião é o único duplamente honorário: Pernambucano desde 1977 e Recifense desde 1995

Frei Damião de Bozzano (Pio Giannotti) nasceu em 5/11/1898, na Toscana, Italia. Frade radicado no Brasil em processo de beatificação. Oriundo de uma família de sólida formação católica, teve um irmão padre e uma irmã freira. A primeira experiência religiosa se deu aos 10 anos, em sua primeira comunhão. Na volta para casa, o menino desapareceu e sua irmã foi procurá-lo. Encontrou-o no sótão da casa, ajoelhado junto a um crucifixo chorando a paixão de Cristo. Durante toda sua vida jamais se separou deste crucifixo.

Sua formação religiosa iniciou aos 13 anos, na Ordem dos Frades Menores Capuchinos. Aos 17 emitiu os primeiros votos, recebendo o nome de Damião de Bozzano, indicando sua cidade de origem. Em 1918 foi convocado para o serviço militar na Primeira Guerra Mundial. De volta ao convento, no ano seguinte, retomou a vida monástica. Em 1920 iniciou os estudos de Filosofia e Teologia e foi enviado à Universidade Gregoriana de Roma, onde foi laureado em Direito Canônico e Teologia Dogmática, tendo se ordenado sacerdote em 1923.

Dois anos após, passou a vice-mestre de noviços, e no ano seguinte foi nomeado diretor e professor dos frades estudantes, cargo que exerceu até 1931, ano de sua vinda para o Brasil. Aqui foi eleito Conselheiro da então Custódia Geral dos Capuchinhos de Pernambuco e dedicou-se às Santas Missões durante 66 anos. Sua primeira missa foi na cidade de Gravatá, na capela de São Miguel, no Riacho do Mel. Anualmente, no mês de maio, realiza-se naquela cidade as Festividades de Frei Damião: uma grande caminhada sai da Igreja Matriz Nossa Senhora de Santa’Ana (centro de Gravatá) e vai até a Capela do Riacho do Mel.

As “Santas Missões”, que ele realizava, começava na segunda-feira. Ao cair da tarde, o missionário era recebido na entrada da cidade e conduzido, geralmente em carreatas, à igreja matriz. Ali dirigia as primeiras palavras à multidão que esperava, sedenta, ouvir a voz do Peregrino de Deus. À noite, rezava o terço com o povo, fazia o grande sermão, seguido da bênção do Santíssimo Sacramento, e, em seguida, confissão para os homens até meia-noite ou mais. Nas primeiras horas do amanhecer, às 4h30min., com a campainha na mão, acordava os cristãos: “Vinde pais e vinde mães…”, chamando as pessoas para a caminhada de penitência, seguida do canto do Ofício de Nossa Senhora ou das benditas Almas do Purgatório, e da celebração da missa e das confissões.

Durante a semana da Missão, havia encontros com as mulheres, com os homens, com os jovens, catecismo para as crianças, visitas aos doentes e aos encarcerados. O encerramento dava-se no domingo com a procissão dos motoristas e bênção dos automóveis pela manhã e, á noite, o grande sermão com os últimos conselhos do missionário. Sua pregação de conteúdo moral e apologético, propondo, assim, demonstrar a verdade da doutrina cristã católica, sistematizando a fé cristã católica, sua origem, credibilidade e autenticidade.

Como companheiros de missões, contava com o apoio de Frei Antônio de Terrinca, Frei Cipriano de Ponteccio, Frei Eduardo de Strettoia, Frei Félix de Pomezzana e, principalmente, Frei Fernando Rossi. Confessava mais de 12 horas por dia, celebrava com o povo o Sacramento do Perdão de Deus, era carinhoso e, às vezes, severo. Tinha uma resistência extraordinária. Até 1990, pregou missões no mesmo ritmo, de segunda a domingo, de 10 de janeiro a 31 de dezembro, parando apenas quando estava doente e, mesmo no hospital, não deixava de atender ao povo. Arrastava multidões. Todos queriam ouvir sua voz e tocá-lo. Era querido pelo povo como um pai, um padrinho, alguém da família. Não falava simplesmente à multidão, mas ao coração de cada um em particular.

Em 1975, recebeu a medalha cunhada em ouro de “Amigo da Cidade de Sousa”, na Paraíba, quando permitiu que se construísse a primeira estátua em sua homenagem, tendo colocado a pedra fundamental e no ano seguinte com a missa de inauguração. Obra do escultor pernambucano Abelardo da Hora, a estátua foi erguida no Alto da Bênção de Deus, e se constitui num local de visitação por milhares de fieis. Em 2004, foi inaugurado o “Memorial Frei Damião” em Guarabira, Paraíba. Outras estátuas suas encontram-se localizadas no mirante de algumas cidades nordestinas. Em São Joaquim do Monte (PE), todos os anos milhares de romeiros chegam para prestar suas homenagens ao Frade. A “Romaria de Frei Damião” ocorre todos os anos no inicio de setembro. O ponto central da peregrinação é a sua estátua erguida no Cruzeiro.

Durante muito tempo, sofreu de erisipela, devido à má circulação sanguínea. Em 1990, após ter sofrido uma embolia pulmonar, diminuiu o ritmo das Santas Missões, passando apenas para os finais de semana. Na casa que lhe fora construída como enfermaria, viveu cercado pelo carinho do seu povo que, aos milhares, vinha ao seu encontro. Mas, em 1997, sua saúde agravou-se e foi internado várias vezes no Real Hospital Português do Recife, Ele pregou sua última Santa Missão na cidade de Capoeiras-PE, em fevereiro de 1997. Depois, adoeceu novamente tendo que ser levado ao Hospital Sara Kubitschek, em Brasília-DF, para que lhe fosse confeccionada uma cadeira ortopédica que o ajudasse a respirar melhor.

Em 12/5/1997 foi novamente internado no Recife, mas em dado momento foi encontrado rezando com o povo numa das salas do hospital. Fora sua última missão: rezar com o povo o rosário de Nossa Senhora. No dia seguinte, sofreu um derrame cerebral e faleceu em 31/5/1997. No Convento de São Félix, onde se encontra sepultado, ocorrem diversas celebrações em sua memória, todo final de maio. Sua biografia – Frei Damião: O Missionário dos Sertões – foi bem detalhada e publicada pelo escritor Luis Cristovão dos Santos. Entre os nordestinos sua santidade é reconhecida por quase todos e o Processo de Beatificação e Canonização, vem tramitando desde 2003.

1 Comentário

  1. Adail Augusto Agostini disse:

    A tua bênção, Frei Damião!!!
    Muitíssimo obrigado, já te manifestaste!!!

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