José Ermírio de Moraes (1900-1973)

José Ermírio de Moraes nasceu em Nazaré da Mata, em 21/01/1900. Engenheiro, político, administrador e um dos maiores empreendedores brasileiros do século 20. Transformou uma pequena tecelagem em Sorocaba num conglomerado de empresas: o Grupo Votorantim. Filho de Ermírio Barroso de Morais e Francisca Jesuína Pessoa de Albuquerque Morais, uma família tradicional de usineiros pernambucanos. Concluiu os primeiros estudos no Recife e foi estudar engenharia na conceituada Colorado School of Mines, USA, onde foi diplomado em 1921.

Numa viagem pela Europa, conheceu o português António Pereira Inácio, que o convidou para trabalhar em sua fábrica de tecidos “Votorantim”, em Sorocaba, quando retornasse ao Brasil. Convite aceito, migrou de Pernambuco para São Paulo em dezembro de 1924, e passou a se dar muito bem com a família portuguesa. Deu-se tão bem que se casou com sua única filha, Helena. Comprou as ações da fábrica de tecidos, e em 1925 passou a dirigir a Sociedade Anônima Votorantim. A partir daí foi se consolidando como líder empresarial e fundou, junto com outros empresários, o CIESP-Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, em março de 1928.

Em 1931, o presidente Getúlio Vargas criou uma estrutura sindical ligada ao governo. Assim, o CIESP teve o nome alterado para FIESP-Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Só mais tarde, em 1939, os empresários conseguiram permissão para montar uma sociedade civil vinculada à FIESP. Desse modo, voltou a existir o CIESP com as finalidades originais, porém adaptadas ao momento. Hoje as duas sigas se confundem numa mesma instituição.

Nas eleições presidenciais de março de 1930, a classe empresarial paulista apoiou a chapa encabeçada por Júlio Prestes, vencedora do pleito. No entanto, em outubro irrompeu a revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. Os paulistas, contando com uma forte classe empresarial, não admitiram o Governo Provisório de Vargas e como consequência eclodiu, em julho de 1932, a Revolução Constitucionalista disposta a derrubar o Governo de Vargas. Ermírio de Moraes seguiu a maioria dos empresários e participou ativamente do movimento. Derrotados, assinaram um armistício com o governo federal, em 2 de outubro de 1932.

Dessa época em diante o que se vê é um estupendo crescimento da Votorantim, com uma grande diversificação das atividades industriais. Em 1933 iniciou a construção de sua primeira fábrica de cimento, inaugurada em 1936. No ano seguinte, foi criada a Companhia Nitro Química Brasileira, que passou a produzir seda artificial e fortaleceu substancialmente a indústria têxtil. Em seguida partiu para o setor siderúrgico e criou a Companhia Siderúrgica Barra Mansa. Em 1941, incrementou o setor com a criação da Companhia Brasileira de Alumínio e, em 1957, adquiriu o controle da Companhia Brasileira de Metais.

Em meados da década de 1950, passou a se interessar por política e, animado com o desempenho de Jânio Quadros no governo de São Paulo, ajudou no financiamento de sua campanha à presidência em 1960. Em junho de 1961, foi convidado pelo govenador Carvalho Pinto para dirigir a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Em 1962 ingressou no PTB-Partido Trabalhista Brasileiro, concorrendo ao Senado por Pernambuco. No mesmo pleito, financiou a candidatura de Miguel Arraes ao governo de Pernambuco, apoiado pelas esquerdas e pelos nacionalistas. Ambos foram eleitos.

Diante da efervescência política na época e a volta ao presidencialismo, João Goulart, ao constituir seu ministério em janeiro de 1963, nomeou-o para o Ministério da Agricultura. Sua primeira medida foi a criação do Estatuto do Trabalhador Rural, para regular as relações de trabalho entre os fazendeiros e o trabalhador rural. Em junho de 1963 foi substituído no Ministério e voltou a ocupar sua cadeira no Senado. Com o golpe militar de 1964, foi eleito presidente nacional do PTB, em maio de 1965 e permaneceu no cargo até outubro, quando todos os partidos foram extintos pela ditadura. Com a instituição do bipartidarismo, filiou-se ao MDB-Movimento Democrático Brasileiro, partido de oposição consentida pelos militares. Em 1970 tentou reeleger-se senador por Pernambuco, mas não conseguiu e abandonou a vida política.

Por essa época a direção do Grupo Votorantim já se encontrava sob o comando dos filhos Antônio Ermírio de Moraes e José Ermírio de Moraes Filho. Na história econômica do Brasil ele é um das personalidades mais representativas, que buscou a auto-suficiência no mercado nacional e diversificou a indústria na cidade de São Paulo, que se confunde com a industrialização brasileira. Veio a falecer em 09/08/1973. Em 2009 o Senado Federal criou o Diploma José Ermírio de Moraes, outorgado anualmente como reconhecimento aos empresários de destaque que contribuíram para a economia nacional e o progresso do país.

4 Comentários

  1. Jonas disse:

    Pelo visto esse cara foi um grande empreendedor Transformar uma tecelagem na grnade empresa que é hoje com atuação em tantas área é para poucos. Muito bom o texto.

  2. agnaldo nascimento rios araújo disse:

    Atualmente uma parte dos empresariado brasileiro quando se misturam com os políticcos bandidos tornam-se verdadeiros Capadócio da pior espécie !!!

    Analisem os Empresários da Atualidade como estão envolvidos com os “MALASSOMBRADOS DO CONGRESSO NACIONAL BRASILEIRO” em matéria das propinas !!!

  3. Adônis Oliveira disse:

    Vamos sugerir a instituição da medalha JOESLEY BATISTA para o empresário que conseguir dar o maior trambique e corromper a maior quantidade de políticos.
    Os primeiros agraciados com a comenda, no grau de cavaleiro, deveriam ser Léo (da OAS) e o “príncipe” (da ODEBRECHT). Este último, in absentia, pois encontra-se atualmente engaiolado.

  4. laurindo junqueira disse:

    Brito: alguns dados q mostram a importância do filho mais novo dele, Antonio Ermirio de Morais. Até o fim do milênio passado (1999), o Grupo Votorantin se compunha de 99 empresas, administradas sob seu comando. Trata-se de algo brilhante, muito destacado, mesmo, para um brasileiro. Admirável, sob esse ponto de vista.
    Mas a biografia do filho não tem muito a ver com o apoio a Arraes nem com a filiação ao MDB. As histórias de relações trabalhistas da Nitroquímica, em Sp, e da Votorantin em Sorocaba, não são muito favoráveis à história do Grupo Votorantin. Além disso, a tungada de US$ 2 bi dada em 2008/9, quando esse empresário especulou com dólares e arrumou um jeito de o Banco Votorantin ser comprado “na bacia das almas” (?) pelo Banco do Brasil, ainda está para ser contada, viu?
    Quando você for fazer a necessária, urgente e indispensável biografia do “Baiano” de Garanhuns q governou o Brasil recentemente, valeria a pena contar esse pequeno detalhe da biografia de ambos…

    Abçs.

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