Orlando Dias (1923-2001)

José Adauto Michiles nasceu no Recife, em 01/08/1923. Compositor e cantor representante do estilo chamado hoje de “brega-romântico”. Dedicou-se à música sob a influência de seu avô, violonista e poeta. Iniciou a carreira artística em 1938, num programa de calouros, na Radio Clube de Pernambuco, imitando Orlando Silva, o “Cantor das multidões”.

Casou-se no inicio da década de 1940 e mudou-se para o Rio de Janeiro. Conseguiu um contrato na Radio Mayrink Veiga, mas não ficou no Rio por muito tempo. Em 1946 voltou ao Recife e pouco depois viúvo. Desiludido, decidiu viver de novo no Rio, em 1950, onde veio a gravar seu primeiro disco pela gravadora “Todamérica”, em 1952. Tinha um estilo próprio composto de um gestual exagerado, teatral, com o lenço branco acenando para o público, muitas vezes se ajoelhando e declamando versos emotivos ou dando um “muito obrigado minhas fãs”. Para melhorar o visual romântico da época vestia roupas desalinhadas.

De 1953 em diante foi se afirmando como cantor romântico e gravando sucessos como o samba Não te quero bem nem mal, de J.Cascata e Leonel Azevedo; o fox-trote Façamos as pazes, de Luiz de França e Ubirajara Nesdan (1954); o baião Perigo de morte, de Gordurinha e Nelson Bastos (1955). Em 1959 estreou na gravadora Odeon com os boleros Se eu pudesse, de Valdir Machado e Nas tuas horas de tristeza, de Cid Magalhães. Na década de 1950 ainda não havia o que chamamos de MPB. O que existiam eram cantores ecléticos, que gravavam para todos os gostos, dos mais refinados aos menos exigentes. Foi aí que surgiram os primeiros cantores de um tipo de música popularesca, de sentimentalismo exagerado que, tempos depois, passou a ser chamado de brega-romântico.

Em 1960 atinge o auge de sua carreira e passa a ser cobiçado pelos compositores românticos. Gravou a guarânia Minha serás eternamente, de Arsênio de Carvalho e Lourival Faissal. No ano seguinte, lançou o bolero Tenho ciúme de tudo, um grande sucesso, de Valdir Rocha, de quem gravou outros boleros. Outro de seus grandes sucessos foi Perdoa-me pelo bem que te quero. Em 1963, gravou o LP Se a vida fosse um sonho bom, muito bem recebido pelo público, trazendo além da faixa-título, Beija-me, ambas de Valdir Machado. Para animar o carnaval de 1965, lançou o samba Saravá, de Zilda Gonçalves e Jorge Silva. No ano seguinte gravou mais um LP pela Odeon: O ator da canção, incluindo músicas de Arsênio Carvalho (Sonho de amor) e Ramirez (Uma esmola).

Junto com Anísio Silva e Altemar Dutra, ele fazia a tríade do gênero brega-romântico que influenciou músicos como Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo, Cauby Peixoto e Reginaldo Rossi. Em 1968, lançou o LP “O Atual”, pela Odeon , destacando as músicas Amor desesperado, de Dino Ramos e Perdoa-me, de Manzareno. Em 1973, gravou mais um LP pela Odeon, intitulado “O cantor mais popular do Brasil”, com destaques para Leva-me contigo, de sua autoria, e Tu partiste, de Pedrinho. Na década de 1980 passou a viajar pelo interior do país para divulgar seus discos e apresentação em rádios locais. Tais viagens estenderam-se em seguida pelo exterior: França, Holanda e Itália. Em 1997, regravou vários sucessos em CD intitulado “Vinte supersucessos”. Em 2000, teve dois discos relançados pela EMI Music dentro da Série BIS, comprovando uma carreira plena de sucessos.

Ao longo da carreira, vendeu cerca de 6 milhões de discos. Ele vivia com sua filha no Rio de Janeiro, e nos últimos anos sofria do mal de Parkinson. Faleceu em 11/08/2001, a 10 dias de completar 78 anos, vítima de um infarto.

2 Comentários

  1. Carlos Eduardo Carvalho dos Santos disse:

    Ôxe,

    sabia não…

    Fui fâ das invenções de mímica dele.

  2. J.D. Brito disse:

    Pois é Carlão, de vez em quando eu também me surpreendo com esses ilustres pernambucanos que eu desconhecia como tal.

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