Aloísio Sérgio Barbosa de Magalhães nasceu no Recife, em 5/11/1927. Advogado, artista plástico, gravador, cenógrafo, professor e designer gráfico, formou-se em Direito, em 1950, pela UFPE-Universidade Federal de Pernambuco e nunca exerceu a profissão. Por essa época esteve mais interessado em teatro, participando do TEP-Teatro do Estudante de Pernambuco, sob a direção de Hermilo Borba Filho, como cenógrafo e figurinista, além de dirigir o Teatro de Bonecos. Em seguida, ganhou uma bolsa de estudos do governo francês e passou dois anos em Paris, onde estudou museologia na Escola do Louvre e estagiou no atelier 17, do gravador Stanley Willer Hayter.

A carreira artística tem início na pintura, mas logo se encaminhou para a pesquisa no domínio da tipografia e artes gráficas. Em 1954 fundou – junto com os amigos Gastão de Holanda, José Laurênio de Melo e Orlando da Costa Ferreira – o “Gráfico Amador”, uma oficina experimental de artes gráficas, com o objetivo de publicar breves textos literários em pequenas tiragens para distribuição entre os 57 sócios (artistas e intelectuais do Recife). A oficina contava com o estímulo da “Le Corbusier Graphique”, de Paris e da “Curwen Press”, de Londres. Estas publicações, apresentado uma excepcional qualidade artística, constituem-se hoje em raridades editoriais. Em 1959 foram apresentadas numa exposição na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Pode-se dizer que foi o berço do que viria a ser o “Design brasileiro” pouco depois.

Em 1956 ganhou outra bolsa de estudos, agora do governo americano, e passa a estudar artes gráficas e programação visual nos EUA. Lá publicou os livros Doorway to portuguese e Doorway to Brasília sobre a arquitetura do País, em parceria com o designer Eugene Feldman, fundador da editora Falcon Press e lecionou na Philadelphia Museum of Art. Retornou ao Brasil em 1960, e passou a residir no Rio de Janeiro, onde monta seu escritório de comunicação visual – o M+N+P – em sociedade com Luiz Fernando Noronha e Artur Lício Pontual. Pouco depois, montou o escritório “Aloisio Magalhães Programação Visual Desenho Industrial Ltda”, onde, ao lado dos colaboradores Roberto Lanari, Joaquim Redig e Rafael Rodrigues, e começa a realizar projetos para empresas públicas e privadas. Via o design como uma obra artística e defendia que seu uso comercial era uma maneira dela ser usufruída pela comunidade e não restrita apenas às casas dos colecionadores.

“Achei que por meio do design, em trabalhos pragmáticos de uso coletivo, poderia encontrar uma fonte de questões muito mais viva e dinâmica. A ideia de participação do coletivo era o que mais me interessava. A atividade do pintor demasiadamente subjetiva, isolou muito o artista da comunidade e o que me interessava era retomar este contato de maneira direta e participante.”

Em 1963, junto com outros profissionais da área, participou ativamente da criação da ESDI-Escola Superior de Desenho Industrial, onde vai lecionar comunicação visual. No ano seguinte, surge o primeiro trabalho de grande visibilidade: o símbolo do 4º Centenário do Rio de Janeiro. Em seguida, surgem outros trabalhos importantes: identidade visual da Petrobrás; criação da primeira marca da TV Globo; símbolo da Fundação Bienal de São Paulo, Sesquicentenário da Independência; marcas das empresas Light, Unibanco, Banespa, Souza Cruz, Itaipu Binacional. Na criação de símbolos, sua técnica consiste em partir, na maioria das vezes, de uma unidade que é refletida, explorando a tridimensionalidade e a rotação do volume no espaço. Nessa época intensifica a editoração de livros de arte. Em 1966 é convidado pela Casa da Moeda para desenhar as cédulas e moedas do cruzeiro novo.

No período 1975-1980 foi coordenador do projeto do Centro Nacional de Referência Cultural-CNRC e 1976-1980 integrou o Conselho de Cultura do Distrito Federal. Com tais atividades políticas, foi se afastando do design e passou a exercer, em tempo integral a função de gestor cultural, ocupando cargos relevantes na administração federal. Em 1979 foi nomeado diretor do IPHAN-Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e, no ano seguinte, presidente da Fundação Nacional Pró-Memória, quando inicia campanha pela preservação do patrimônio histórico brasileiro. Apresentou propostas de preservação especialmente em relação a Ouro Preto e as ruínas de São Miguel das Missões. Neste ponto, o País começa a ter uma visão do “design” e a se apropriar disso como patrimônio nacional. Em 1981 é designado Secretário da Cultura, do MEC-Ministério da Educação e Cultura. Pode-se dizer que, graças ao seu esforço e atuação política, os bens culturais e a preservação do patrimônio histórico nacional alcançam outro patamar. O design passa ser visto como um valioso bem intangível.

Em 1981 assume foi nomeado vice-presidente do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco e em junho do ano seguinte, viajou para a Itália para tomar posse como presidente da Reunião de Ministros da Cultura dos Países Latinos. Na ocasião sofreu um fulminante Acidente Vascular Cerebral (AVC) e veio a falecer em 13/06/1982. Logo após sua morte foi homenageado no Recife, dando nome à Galeria Metropolitana de Arte do Recife. Em 1999, o nome da instituição é alterado para “Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães-MAMAM”. Em seguida foi editado o livro E triunfo?, registrando seu pensamento e ação à frente dos organismos federais de cultura. Seu legado foi reunido no livro póstumo – A herança do olhar: o design de Aloísio Magalhães -, publicado pelo SENAC/RJ em 2003 e organizado pelo seu colega de trabalho João de Souza Leite, reunindo ensaios de vários autores. Na condição de artista plástico teve 20 exposições individuais, 16 coletivas e 21 póstumas no Brasil e no exterior.

Em 2014, o Itaú Cultural realizou, em São Paulo, uma grande exposição revendo toda sua obra. As salas expõem sua produção nas artes plásticas, no desenho e na política. São telas, fotografias de época e documentos sobre sua vida e influências artísticas. Atualmente, o IMGB-Instituto Memória Gráfica Brasileira mantém o site Aloísio Magalhães, trazendo o acervo do artista, dividido em 5 partes: 1 – trajetória pessoal, vida familiar, viagens e contatos internacionais; 2 – produção artística, ideias e concepção da arte; 3 – experimentos gráficos; 4 – o designer e sua vasta produção na área; 5 – o pensamento cultural, onde são retratadas suas ideias e o trato dos bens culturais no País.

5 Comentários

  1. Carlos Eduardo disse:

    Você continua relembrando os grandes valores humanos de Pernambuco.

    Mais uma vez, parabéns!

  2. Brito disse:

    Carlão

    Estamos no meio do ano e já divulgamos uns 30 pernambucanos ilustres. Até o fim deste ano comemorativo do bicentenário da Revolução de 1817, estaremos divulgando mais 20 e poucos. O ultimo é Luiz Gonzaga. Outros serão Capiba, Joaquim Nabuco, João Cabral, Oliveira Lima etc. Não teno todos ainda, Assim, peço-lhe sugerir nomes

  3. Marc Aubert disse:

    Tive o imenso prazer de breve convivência (social) com Aloísio Magalhães entre 1970 e a época de sua morte. Figura realmente inesquecível e grande contador de histórias.

  4. J.D. Brito disse:

    Caro Marc

    Você é um felizardo

  5. Arael M. Costa disse:

    Esses perfis pernambucanos deveriam receber mais divulgação, inclusive para servir de modelo para outros procedimentos semelhantes. Muitas vezes eles resgatam pernambucanidades importantes, mas esquecidas.

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