Olegário Mariano 1889-1958

Olegário Mariano Carneiro da Cunha nasceu no Recife, em 24/03/1889. Poeta, político e diplomata. Filho dos abolicionistas e republicanos José Mariano Carneiro da Cunha e Olegária Carneiro da Cunha. Concluiu os cursos primário e secundário no Colégio Pestalozzi, e no inicio do século XX mudou-se para o Rio de Janeiro. Estreou na vida literária aos 22 anos, com o livro Angelus (1911), uma poesia identificada com os preceitos do Simbolismo, já em decadência. Integrou o círculo de poetas, composto por Olavo Bilac, Guimarães Passos, Emílio de Menezes, Coelho Neto, Martins Fontes etc.

Sua poesia lírica é simples, de fundo romântico, na fase do sincretismo parnasiano-simbolista de transição para o Modernismo. Ficou conhecido como o “poeta das cigarras”, por causa de um de seus temas prediletos. Segundo um crítico da época, sua poesia “foi breve e faiscante como a das cigarras que tão bem cantou. Não foi um navegador de águas profundas, nem era esse o seu desígnio. Foi, entretanto, mestre e mago nas águas cristalinas, correntes e cantantes de um lirismo arrebatador.

Exerceu diversas atividades, tais como inspetor do ensino secundário e censor de teatro; representou o Brasil, em 1918, como secretário de embaixada na Bolívia, na Missão Melo Franco. Em 1926 entrou para a ABL-Academia Brasileira de Letras. Na política, participou ativamente da Assembléia Constituinte, que elaborou a Carta de 1934 e, três anos depois, foi eleito deputado federal.

Antes de se tornar diplomata, manteve laços culturais com Portugal, sendo designado ministro plenipotenciário no terceiro centenário da Restauração de Portugal, em 1940. Em seguida foi delegado da ABL na Conferência Interacadêmica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945. O cargo de embaixador em Portugal viria a ser ocupado no período em 1953-54. Assim como ocorrera com o pai, que recebeu um cartório do presidente Rodrigues Alves, ganhou o seu de Getúlio Vargas, em 1930.

O lirismo de sua poesia levou-o a vencer o concurso promovido pela revista “Fon-Fon”, em 1938, onde foi aclamado Príncipe dos Poetas Brasileiros, sucedendo Alberto de Oliveira. Sua obra – Toda uma vida de poesia – foi reunida em dois volumes, publicada pela editora José Olympio em 1957. Além de poesia, publicou durante anos, sob o pseudônimo de João da Avenida, nas revistas “Careta” e “Para Todos”, crônicas mundanas em versos humorísticos. Mais tarde esse material foi reunido e publicado em dois livros: Bataclan (1927) e Vida, caixa de brinquedos (1938).

Joubert de Carvalho musicou diversas de suas poesias: Cai, cai balão. Tutu marambá, De papo pro ar, Dor de recordar etc e levou-o a gostar da experiência, fazendo parceria com outros compositores, como Gastão Lamounier (Remiscência, Arrependimento e Suave recordação), entre outros.

Deixou uma espécie de autobiografia, sob o título: Se não me falha a memória. Sua obra é composta de 23 livros, dentre os quais destacam-se: Últimas Cigarras (1920), Sonetos (1921), Cidade Maravilhosa (1922), Canto da minha terra (1931), Poemas de amor e de saudade (1932), O amor na poesia brasileira (1933), O enamorado da vida (1937), A vida que já vivi, memórias (1945) e Cantigas de encurtar caminho (1949). Faleceu em 28/11/1958, no Rio de Janeiro.

1 Comentário

  1. Carlos Eduardo disse:

    Meu pai declamava versos de Olegário Mariano em muitas festas que comparecia.

    E quando estava inspirados ouvíamos dos lábios deles os maravilhosos versos declamados com o maior entusiasmo.

    São muitas lembranças que estavam numa gaveta e que você agora abriu, com tanta sensibilidade.

    A propósito, tenho algumas dessas faladas gravadas em fita magnéticas.

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