Rossini Ferreira 1919-2001

Rossini Ferreira nasceu em Nazaré da Mata, em 7/7/1919. Músico e bandolinista. Filho do clarinetista Antonio Sabino, mestre de banda de música em Timbaúba e Nazaré da Mata, teve contato com o bandolim ainda criança e tirava os sons “por intuição”, conforme afirmava. Aos 12 anos, a família mudou-se para o Recife e, aos 17, formou o primeiro grupo, um conjunto vocal que imitava o “Bando da Lua”, que acompanhava Carmen Miranda. Aprendeu a tocar sozinho seu instrumento.

Na década de 1930, com a ascensão do rádio como meio de comunicação de massa, emergiram os grupos regionais. Os programas aconteciam nas rádios com música ao vivo, interpretada por grupos que tinham na figura de um dos instrumentistas – geralmente o mais performático dos solistas – a liderança do regional. Na Rádio Clube de Pernambuco, o som do regional e da orquestra era ditado pelo flautista Felinho. Quando este se afastou, Rossini deixou o Bando Pernambucano para se integrar ao cast da rádio. Ele se orgulhava ao recordar que tocava contratado como funcionário. “E de carteira assinada”.

A atividade de músico, no entanto, começava somente a partir das 20h. Durante o dia trabalhava no Setor de Carteira de Resseguro da empresa Seguradora Indústria e Comércio. “Naquele tempo não se ganhava dinheiro como músico”, explica. “Jacob (do Bandolim) mesmo, era escrivão em cartório”.

Em 1959 empreendeu uma lendária viagem de músicos pernambucanos ao Rio, onde foram recebidos com honras na casa de Jacob do Bandolim, numa reunião com músicos do porte de Radamés Gnattali, Pixinguinha, César Farias e o então garoto Paulinho da Viola. Dez anos após a viagem veio a morar no Rio de Janeiro, onde ganhou diversos concursos de choro, como o “Brasileiro”, promovido pela TV Bandeirantes. Aos 70 anos de idade foi convidado a voltar à Recife para lecionar no Conservatório Pernambucano de Música e ser solista de um dos mais geniais grupos instrumentais brasileiros, a “Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco”.

Nesta orquestra gravou um LP pela Funarte, posteriormente lançado em CD. Possui ainda um CD com 20 composições suas, gravado pela Kuarup (KCD 098) em 1999. Autor de dezenas de choros, maxixes, valsas, scottish etc. seu colega W. M. Santos editou em 1996, em Campina Grande, um livro de partituras com 55 composições suas. Recife é reconhecido como uma das “sedes” do choro, e ali estão alguns dos melhores bandolinistas da história da música brasileira, como Luperce Miranda e Rossini Ferreira.
Foi autor de uma obra invejável, grande parte desta inédita em gravação e publicação, e que merece maior atenção das gravadoras e editoras. A exemplo da maioria dos chorões de sua geração, o bandolinista teve que dividir as atividades de músico autodidata com profissões fora do perímetro artístico. Ainda assim, aposentado, mostrou-se aberto a novos desafios, como o de aprender a ler música e lecionar, já septuagenário. Faleceu em 16/3/2001.

1 Comentário

  1. Quincas disse:

    Rossini é espetacular..

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