Vicente do Rego Monteiro (1899-1970)

Vicente do Rego Monteiro nasceu no Recife, em 19/12/1899. Pintor, desenhista, escultor, professor e poeta. Sua mãe, Elisa Cândida Figueiredo Melo, era prima do pintor Perdo Américo. Ainda criança, iniciou-se na pintura sob a influência de sua irmã pintora Fédor. Em seguida foi estudar na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e complementou seus estudos artístiticos na França, nas academias Colarossi, Julian e Grande Chaumière. Em Paris, mantém contato com alguns dos grandes pintores da época: Modigliani, Fernand Léger, Gorges Braque, Joán Miró, Albert Gleizes, Jean Metzinger e Louis Marcoussis.

De volta ao Brasil, em 1915, se estabeleceu no Rio de Janeiro. Sua primeira exposição individual se deu em 1918, no Teatro Santa Isabel, no Recife. Dois anos depois, expõe pela primeira vez em São Paulo e mantém contato com Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Pedro Alexandrino e Victor Brecheret. Em 1921 retorna à Paris e manifesta interesse pelas estilizações da “Art Deco”. Não querendo perder a oportunidade de participar do grande evento que marcaria o início da arte moderna no país, deixou algumas obras, enfatizando a temática nacional, com o crítico e poeta Ronald de Carvalho, para incluir na exposição da Semana de Arte Moderna de 1922.

Em 1923, montou um ateliê em Paris e integrou-se ao grupo da “Galerie L’Effort Moderne” e fez desenhos de máscaras e figurinos para o balé Legendes Indiennes de Lamazonie. Inspirado na cerâmica marajoara e na cultura indígena, ilustrou o livro de P. L. Duchartre – Légendes, Croyances et Talismãs dês Indiens de l’Amazonie. Em 1930, depois de uma longa estada em Paris, veio ao Brasil trazendo a exposição da escola de Paris ao Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Exposição que inclui, entre outros, quadros de Pablo Picasso, Georges Braque, Joan Miró, Gino Severini, Fernand Léger e suas próprias obras. Essa exposição é importante por ser a primeira mostra internacional de arte moderna realizada no Brasil, com artistas ligados às inovações nas artes plásticas, como o cubismo e o surrealismo. Ao ser apresentada em São Paulo, a mostra foi acrescida de telas de Tarsila do Amaral, que o artista conhecera em Paris na década anterior.

A partir de 1930 fixou residência no Recife, alternando períodos no Brasil e na França até 1950. Era um pintor e poeta difenciado não apenas nas suas obras. Tinha gostos próprios, distintos dos demais artistas. Por exemplo, adorava carros e corridas. Em 1931 disputou o o Grand Prix do Automóvel Clube da França. Outra de suas paixões era a dança. Já em 1921, realizou o espetáculo Lendas, crenças e talismãs dos índios do Amazonas, no Teatro Trianon, no Rio de Janeiro. Diz-se que era também um exímio dançarino e chegou a vencer alguns concursos de dança de salão em Paris. Em 1938 foi nomeado diretor da Imprensa Oficial e Professor de Desenho do Ginásio Pernambucano. No ano seguinte fundou, junto com Edgar Fernandes, a Revista Renovação, dedicada à educação popular.

Em 1941, publica seus primeiros versos, Poemas de Bolso, organiza e promove vários salões e congressos de poesia no Brasil e na França. Entusiasmado com a editoração, fundou, em 1946, Paris a editora “La Presse à Bras”, dedicada a publicar poesias brasileiras e francesas. De volta ao Brasil, em 1950, viajou pelo país e passou a lecionar pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE no período 1957-1966. Seu segundo livro de poemas Broussais – La Charité foi contemplado com o Prêmio Guillaume Appolinaire, em 1960.

Segundo os críticos, sua pintura é marcada pela sinuosidade e sensualidade. Seu estilo se apresenta contido nas cores e contrastes, e reportam a um clima místico e metafísico. A temática religiosa é freqüente em sua pintura, chegando a pintar cenas do Novo Testamento, com figuras que, pela densidade e volume, se aproximam da escultura. A partir da década de 1950, volta a dedicar-se com maior intensidade à pintura, tornando mais constantes em suas obras temas regionais como, em O Vaqueiro e O Aguardenteiro. Frequentemente utilizava grande simplificação formal e uma gama cromática reduzida, às quais alia interpretação monumental do art deco. Faleceu em 5/6/1970 e no ano seguinte o MAC-Museu de Arte Contemporânea de São Paulo realizou uma retrospectiva póstuma; em 1997, o MAM-Museu de Arte Moderna (SP) realiza outra grande retrospectiva. Sua obra integra importantes acervos de museus brasileiros e europeus.

2 Comentários

  1. Quincas disse:

    Muito bom, Brito! E um gênio desse a gente tem que continuar reapresentando a toda hora…

  2. Brito disse:

    Grato Quincas, mas estou apresentando o Vicente pela primeira vez. Dê uma olhada no painel completo
    http://www.tirodeletra.com.br

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