A JUVENTUDE TRANSVIADA DE JAMES DEAN

Às 17h45min de um dia como outro qualquer, apesar do crepúsculo e o brilho do sol poente que deslumbrava no horizonte, em 1955, o ator JAMES DEAN, de apenas 24 anos, MORRIA EM UM ACIDENTE DE CARRO, na Califórnia, quando o seu Porsche que tinha o apelido de “Little Bastard” (“Pequeno Bastardo”), atingiu um Ford Sedan em um cruzamento. O motorista do outro carro, o estudante de 23 anos, Donald Turnupseed, estava atordoado após o acidente, mas, praticamente, sem ferimentos. No trágico dia, o filme VIDAS AMARGAS (1955), estrelado por Dean, era um sucesso nos cinemas. Depois de sua morte, ainda seriam lançando dois filmes póstumos: JUVENTUDE TRANSVIADA (1955) e ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE (1956). Apesar de ser jovem e iniciando a carreira, DEAN estava no caminho para o estrelato, e o acidente o transformou em uma lenda. Ele é considerado um ícone cultural, como personificação da rebeldia e angústias da juventude da década de 1950.

Dean viajava para uma corrida de carros em Salinas junto com o seu mecânico, o alemão Rolf Wütherich, que ficou gravemente ferido e, após se recuperar, jamais falou sobre a tragédia. DUAS HORAS ANTES, O ATOR TINHA SIDO MULTADO POR EXCESSO DE VELOCIDADE. Batizado de “O REBELDE DA AMÉRICA” por Ronald Reagan também ator e mais tarde presidente dos Estados Unidos, Dean morreu na hora, em decorrência de várias lesões graves, incluindo uma fratura de pescoço. A beleza e a atitude rebelde, desafiadora e ao mesmo tempo vulnerável e angustiada ajudaram a definir a juventude do pós-guerra.

Dean era um apaixonado por velocidade. Porém, testemunhas alegam que DEAN não estava correndo no exato momento do acidente, e que o outro carro poderia estar rápido. Contudo, o brilho do sol ardente pode ter impedido Turnupseed de ver o Porsche chegando… Talvez não haja no mundo alguém tão simbólico quando se fala em “REBELDIA JUVENIL”. Sua imagem e sua aura de garoto revoltado, flertando com o perigoso mundo marginal, com um cigarro aceso entre os dedos, tornou-se um modelo para gerações mundo afora. E até Michael Jackson se inspirou no ator: a jaqueta vermelha do clipe de BEAT IT é uma referência óbvia ao famoso figurino de DEAN no filme JUVENTUDE TRANSVIADA, seu maior clássico entre os três longas-metragens épicos que estrelou entre 1954 e 1955.

No início dos anos 50, atuou em vários filmes, mas seu estrelato só veio após o estrondoso sucesso alcançado por suas atuações em “Juventude Transviada”, de 1955(o título original do filme denomina-se REBEL WITHOUT A CAUSE, traduzido para o português, REBELDE SEM CAUSA. Só que no Brasil, ele ficou com a denominação de JUVENTUDE TRANSVIADA. Logo em seguida vieram “Vidas Amargas”, de 1955, e “Assim Caminha a Humanidade”, de 1956, tendo os dois últimos lhe valido indicações ao Oscar de Melhor Ator. Sua morte repentina, aos 24 anos, quando seu carro Porsche se chocou com outro veículo, associada ao prestígio obtido por suas ótimas performances em seus últimos filmes, o transformou num dos maiores mitos de Hollywood.

Por muito pouco JAMES DEAN não atuou em um filme de faroeste que já tinha sido o escolhido pelo escritor e diretor Gore Vidal para protagonizar o filme de cawboy UM DE NÓS MORRERÁ no papel de Billy the Kid. Conforme nos conta o cinéfilo Darci Fonseca, Vidal sonhava com James Dean como protagonista. Dean, porém, estava preso às filmagens de “ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE” que se prolongaram acima do esperado e PAUL NEWMAN foi então convidado para substituir James Dean. O teleteatro “The Death of Billy the Kid” foi ao ar na noite de 24 de julho de 1955, obtendo êxito de público. Por ser exibida na televisão o ator William Bonney não foi mostrado como homossexual conforme Vidal deixara evidente em seu texto. Em 1957 a Warner Bros adquiriu os direitos de “The Death of Billc the Kid” escalando o roteirista Leslie Stevens para reescrever a peça de Gore Vidal. O WESTERN baseado no teleplay foi intitulado “The Left Handed Gun” (O Pistoleiro Canhoto), recebendo o título brasileiro de “UM DE NÓS MORRERÁ”.

Em janeiro de 1951, Dean tinha decidido abandonar as aulas e entrar totalmente em Hollywood, onde daria seus primeiros passos em representações teatrais exibidas pela televisão, onde dividiu palco com Natalie Wood, sua futura companheira de elenco em “Rebelde sem causa”. Muitos se perguntam o que teria sido de Dean se tivesse vivido mais. Há quem acredite que teria tido uma carreira como a de Marlon Brando ou Cary Grant. Ou que talvez teria optado por se envolver profissionalmente no mundo das corridas de carros que tanto amava. Ou que teria aberto o caminho para muitos ao tornar pública sua suposta homossexualidade. Mas James Dean viveu e morreu de acordo com sua própria filosofia, com frases que entraram para o imaginário de Hollywood como “a gratificação vem ao fazer, não com os resultados”. Além da célebre “sonhe como se fosse viver para sempre e viva como se fosse morrer hoje”. Na época, enquanto o outro rebelde lançou a camiseta também no cinema, quem? MARLON BRANDO!!! Viva os REBELDES!!! Ele, James Dean , também inventou moda: as pessoas usam Jeans porque ele “EXISTE”!!! Não, ele não inventou o Jeans… Mas basicamente lançou no cinema…

Aproveitando a deixa, eis um sucesso Inesquecível, uma música belíssima na linda voz do brasileiro LUIZ MELODIA, intitulada JUVENTUDE TRANSVIADA que tem o mesmo nome do filme do norte-americano JAMES DEAN. Curta aqui, este clipe!!!

JOHN WAYNE: O PAPA DO FAROESTE

Se vivo fosse estaria completando 111 anos, John Wayne, um dos atores mais emblemáticos dos filmes faroestes era considerado o PAPA dessa modalidade de cinema. Não era preciso ninguém dizer a John Wayne que ele não se comportava como um bom ator. Ele era o primeiro a dizer, conforme nos confidencia o bom crítico de cinema Inácio Araujo. Na minha simplória análise, Henry Fonda pode ter sido a efígie da virtude; Lee Van Cleef a encarnação do mal; George Hilton ou Terence Hill o bonitão ou até mesmo o galhofeiro do Oeste; James Stewart, a prova de que o valor moral precede a virtude física. Foram caubóis absolutos. Mas WAYNE ia além. Ele era dotado de uma vulgaridade que ninguém mais tinha. O grandalhão de um metro e noventa e três nasceu em 26 de maio de 1907, com o nome de MARION MICHAEL MORRISON, no CONDADO de Winterset, Iowa.

Em que pese meus singelos conhecimentos a respeito do assunto e um pesquisador como também um estudioso nato dos ícones do cinema de faroeste, caubói ou bangue bangue, lendo sobre o Papa do faroeste, percebe-se claramente que John Wayne não se espantava. Era dotado de um conhecimento prático. Sua sabedoria podia ser limitada, mas era enormemente precisa. Se outros grandes caubóis encarnaram as virtudes da América, Wayne trazia também seus defeitos. Não era apenas um adepto da vida em liberdade dotado de espírito de conquista. Era quase sempre truculento, não raro ambicioso demais, por vezes sádico. Nos melhores papéis, está longe de ser um mocinho: o Ethan Edwards de “Rastros de Ódio” (1956) e o Dunson de “Rio Vermelho” (1948) estão longe de ser figuras que possuíam algumas virtudes de caráter. Só Duke(apelido dele na infância) poderia ser cheio de ódio, vingativo, racista, violento. Isso sem deixar de suscitar a admiração do espectador pelo homem mal. Seu início de carreira em Hollyood foi bastante conturbado, haja vista que o ator foi condenado a uma série infindável de filmes “B” até ser resgatado por John Ford para estrelar “NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS” (1939). O filme emplacou. E também a imagem de Wayne como protótipo do herói americano em tempo de guerra. Guerra, aliás, por conta da qual fez uma pilha de filmes secundários.

Em se tratando dos monstros sagrados do cinema mundial, entre atuações e participações, o norte-americano possui cerca de 150 filmagens como ator. Mas o que marca realmente John Wayne, tanto quanto o seu contemporâneo Kirk Douglas que ainda é vivo e completou recentemente, 102 anos de idade (os dois trabalharam juntos no filme Gigantes em Luta), é o seu primórdio como galã, em uma época onde os “DURÕES” eram o que ditavam a indústria do faroeste. Tanto Wayne como Kirk são lendas atualizadas do cinema de bang bang com aquele aspecto de brutamontes. Os dois são os últimos de uma geração diferente de galãs. Naquela época os valores eram outros. O homem, por exemplo, não podia demonstrar fraqueza. Imperavam regras como “homem não chora”. Hoje em dia a viadagem tomou conta do pedaço e essa “gueizada” que aí estar só sabe rebolar e mostrar a bunda em suas “paradas gay”. Hoje, esse papo furado que homem não chora ou mesmo rótulo dessa natureza, não passa de um título de música brega na voz do bom, romântico e inesquecível Waldick Soriano…

É de bom alvitre destacar que, Wayne era um reacionário de carteirinha. Talvez para mostrar seu apreço, naquela hora difícil em que todo mundo o ridicularizava, Hollywood concedeu-lhe o Oscar de melhor ator de 1969 por “Bravura Indômita”, um filme que não estar com esse balaio todo de Henry Hathaway. Fumante inveterado desde a juventude, a essa altura o câncer já o atormentava. Deixou de fumar seus cinco maços de cigarro diários. Isso não impediu a progressão do mal, que o levaria a uma notável interpretação, em “O ÚLTIMO PISTOLEIRO” (1976), de Don Siegel, em que interpreta, justamente, um atirador que está morrendo de câncer. A última imagem não foi boa: o homem enorme debilitado e abatido recebia o Oscar Honorário, imensamente aplaudido pela plateia. Aquele homem parecia um fantasma do John Wayne que conhecíamos. Morreria poucos anos depois, em 11 de junho de 1979, aos 72 anos.

Por fim, aconselha-se aos amantes do faroeste assistir ao filme O ÚLTIMO PISTOLEIRO que é uma obra imprescindível. Em 1976, Wayne se despediu das telas e fez seu derradeiro filme, O Último Pistoleiro, ao lado da excepcional atriz Lauren Bacall, no papel de um velho caubói morrendo de câncer, mas ainda lutando. O roteiro tem muito a ver com a própria vida do ator, traz a história de um velho e lendário pistoleiro que sofre de câncer e procura um local, onde possa morrer em paz. Porém, não consegue escapar de sua reputação. Além da atriz Lauren Bacall contracena com ele James Stewart, que faz o papel de médico e dá-lhe o diagnóstico do câncer e apenas três meses de vida. John Wayne, perfeito em seu último papel, também sofria da mesma doença na vida real. Este foi o último filme da carreira do Papa dos filmes de faroestes. Em 11 de julho de 1979, o homem que melhor se identificou com os heróis da colonização americana, morreu vítima de câncer nos pulmões, mas entrou para sempre no Olimpo dos deuses da sétima arte. Sem sombra de dúvida, O ÚLTIMO PISTOLEIRO é uma obra imprescindível. Recomendo-a. Para assistir, clique na ilustração abaixo:

O DURÃO RICHARD BOONE, AMEDRONTADOR E VILÃO CRUEL

Para os amantes do faroeste, o truculento Richard Boone foi um dos grandes bandidos do cinema(aos moldes de Lee Marvin e Lee Van Cleff). Possuidor de uma cara de poucos amigos e modos nada educados, deixou uma marca bastante forte nos filmes em que atuou, grande parte deles westerns. Conforme nos conta o estudioso e pesquisador de filmes de bang bang, o paulista Darci Fonseca, Richard Boone que morreu com apenas 63 anos de idade era descendente do pioneiro Daniel Boone, àquele que fez grande sucesso nas famosas séries de televisão, na antiga TV TUPI. A bem da verdade, mesmo sendo mau, Richard Boone tem um lugar cativo na memória de quem curtiu e ainda gosta dos filmes de cowboys.

Mesmo com o tipo durão com feição ameaçadora e incapaz de sorrir, Richard Boone também fez sucesso nas famosas series de televisão. Nos anos de 1957 a 1963 dedicou-se quase que inteiramente à televisão como o inesquecível Paladin da série O Paladino do Oeste (Have a Gun, Will Travel). Durante praticamente todo esse tempo O Paladino do Oeste esteve entre as dez séries de maior audiência, com enorme popularidade também no Brasil. A principal razão desse sucesso era devida à magnífica elaboração da personagem que Boone criou, ou seja, um pistoleiro elegante, charmoso e erudito(apesar de sua feiura), que alugava seus serviços apenas para as causas que considerava justas.

No Cinema participou também em diversos filmes, atuando ao lado de astros como John Wayne, Charlton Heston, Marlon Brando e Richard Widmark. No tocante ao Papa do faroeste norte-americano, Boone trabalhou três vezes com John Wayne nos filmes: O Último Pistoleiro, Jake Grandão e O Álamo. Por ser um bandido feio, sujo e malvado, quase repulsivo, Richard Boone foi o escolhido para contracenar com o Papa John Wayne no filme Jake Grandão(Big Jake-1971). Big Jack é sim um bom filme. Considero um dos bons bang bang da fase final da vida do Wayne que morreu 8 anos depois. Nas filmagens de Jake Grandão, o já doente e cansado John Wayne, com seus 65 anos de idade fora acompanhado por um batalhão de dublês, inclusive, o dublê, hoje, de Clint Eastwood.

Neste faroeste cheio de ação, John Wayne interpreta o Grande Jake McCandles, um marido que não vê sua esposa há mais de 10 anos, mas que resolve voltar para casa quando seu neto é raptado por um sórdido bando de fora-da-lei. Na captura do bandido sequestrador, Enquanto a lei roda em velhos automóveis (baratinhas) & motocicletas (bicicletas malucas), Jake cavalga com um ajudante índio e uma caixa de dinheiro – ainda que pagar o resgate não seja o que Jake planeja para executar a velha e boa justiça do Oeste. Temperado com humor e tiroteios de primeira, esta é uma vibrante versão dos últimos dias do Oeste bravo. Para John Wayne, este foi um filme em família. Seu filho mais velho produziu e dois outros, Patrick e John Ethan, trabalharam nele. O filme também marcou a terceira vez que Richard Boone e John Wayne atuaram juntos e a quinta vez que Wayne contracenou com a extraordinária atriz Maureen O’Hara(irlandesa, era muito amiga de John Wayne, morreu em 2015 aos 95 anos).

Como curiosidades na película cinematográfica de Jake Grandão, estrelada por Wayne, Boone e a deslumbrante Maureen O’Hara, este foi o derradeiro filme dirigido por George Sherman. Amigo de Wayne desde os anos 30, ele já não ia bem de saúde e por conta disso o ator assumiu a direção em algumas sequências. Outras curiosidades, além do reencontro dos amigos Boone e Wayne foram as misturas do velho com o novo, a tentativa da troca no Velho Oeste, como sinal de modernidade, do cavalo pelas três baratinhas e a bicicleta maluca que se perderam nas veredas dos grandes e perigosos desfiladeiros montanhosos do território texano. Outra novidade foi a junção da grande família Wayne trabalhar junta, principalmente o garotinho de 10 anos, Ethan Wayne, que interpreta o neto de Jake, quando na verdade é o filho legítimo de John Wayne.

Outra brilhante atuação de Richard Boone foi no filme HOMBRE, tendo Paul Newman como protagonista. Nesse filme, Paul Newman, praticamente sozinho, enfrenta em “Hombre” a quadrilha chefiada por Richard Boone. Um dos mais cruéis homens maus dos faroestes, Boone liderou nesse filme David Canary, Skip Ward, Frank Silvera e Cameron Mitchell, atores que dispensam apresentações. O Hombre é um Filme tenso e arrebatador com atuações impecáveis do bonito Paul Newman e do feioso Richard Boone. Não é à toa que, Hombre, foi, merecidamente, um grande sucesso de bilheteria e disparado o melhor faroeste de 1967.

E ainda tem O Último Pistoleiro, que é um filme profundo e onde o mais famoso cowboy feio do cinema, Boone, tem a chance de trabalhar pela última vez com seu amigo Duke(John Wayne). Aliás, O Último Pistoleiro, filme que eu recomendo por uma simples peculiaridade: “O Wayne se despediu da vida com uma pistola na mão”, duelando com Richard Boone. O Último Pistoleiro é de 1976 e o Duke nos abandonou para sempre em 1979. A obra, além do teor dramático de sua narrativa, ganha um caráter ainda mais melancólico e, é claro, histórico – este foi o último trabalho de Wayne, que morreria apenas três anos depois, em 1979, aos 72 anos, graças ao câncer em seu estômago, condição que o seu personagem deste filme compartilha. Richard Boone faleceu da mesma doença de John Wayne, câncer, em 10 de janeiro de 1981, com apenas 63 anos de idade. Seu corpo foi cremado e suas cinzas espalhadas em terras do Havaí.

ELI WALLACH, UM COWBOY EM CONFLITO

Acredite se quiser!!! Eli Wallach que viveu durante 98 anos foi um dos atores mais produtivos de Hollywood e se manteve em atividade até completar 90 anos, trabalhando em filmes como “Wall Street: o dinheiro nunca dorme”, de 2010.

Em seus mais de 150 papéis, WALLACH, trabalhou ao lado de figuras como Michael Douglas, Omar Sharif, Clint Eastwood, John Ford, Clark Gable, John Huston, Sergio Leone, Marilyn Monroe, Al Pacino, Gregory Peck e tantos astros e estrelas daquele famoso club hollywoodyano. Com o diretor Sergio Leone, conseguiu ficar famoso no mundo todo após protagonizar “Três Homens em Conflito”, no qual interpretou o bandido mexicano Tuco, que acompanhava Clint Eastwood e Lee Van Cleef, no longa que inaugurou o gênero ‘’spaguetti-western’’.

Eli Wallach foi uma das lendas do faroeste americano. Ao longo de mais de cinco décadas no cinema, Wallach atuou em diversos filmes importantes: O Poderoso Chefão 3, Os Desajustados, Como Roubar um Milhão de Dólares e A Conquista do Oeste foram alguns deles. O ator ficou marcado por personagens interpretados em dois ícones do faroeste: Três Homens em Conflito – 1966 – (Personagem: TUCO, o feio) e Sete Homens e Um Destino – 1960 – (Personagem: o bandido CALVERA). Embora tenha participado em mais de uma centena de filmes, porém, nunca recebeu uma indicação ao Oscar. Em 2010, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas concedeu um prêmio honorário ao ator.

O historiador, pesquisador e cinéfilo de filmes faroestes, o paulista Darci Fonseca, escreveu um artigo fenomenal intitulado DOIS HOMENS E UM DESTINO a respeito do excelente ator Eli Wallach e o excepcional diretor Sergio Leone. Pois bem!!! Não confundam com um dos filmes de maior sucesso da carreira de Eli Wallach que foi “Três Homens em Conflito” (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo), que deu início à amizade do ator novaiorquino com o diretor Italiano Sergio Leone. Eli chegou a declarar que depois de muito atuar na Broadway, rendeu-se ao personalíssimo ‘MÉTODO LEONE’ de atuar.

Vamos aos fatos: a amizade perdurou por vários anos e Sergio Leone disse a Eli que tinha um grande projeto em mente que era rodar uma nova trilogia com um dos filmes nos Estados Unidos, ambientado em Nova York. Eli que nascera e crescera no Brooklyn, filho de judeus poloneses, fez questão de ciceronear Leone, levando-o para conhecer a casa onde morara (na Union Street n.º 166), a escola em que estudara e outros locais. Leone fotografou esses lugares e nunca mais esqueceu deles, tanto que o referido filme que se chamou “ERA UMA VEZ NA AMÉRICA” e que viria a ser filmado em 1983 teve muitas de suas externas onde Eli Wallach vivera. Porém Eli NÃO participou desse filme porque ele e Sergio Leone deixaram de ser amigos muito antes, mais exatamente em 1970.

Eli estava na Itália quando recebeu um telefonema de Sergio Leone que queria conversar com ele. No encontro Leone agradeceu ao amigo Eli por este ter ajudado o grande ator Henry Fonda a aceitar atuar em “Era Uma Vez no Oeste”. Quando foi convidado para trabalhar com o diretor italiano, Fonda nunca havia ouvido falar de Leone uma vez que a famosa trilogia com Clint Eastwood só foi exibida nos Estados Unidos em 1967. Henry Fonda procurou Eli Wallach e lhe perguntou sobre Leone. Eli disse maravilhas do amigo italiano, afirmando que Fonda não se arrependeria de ser dirigido por ele.

Daí, Leone então falou a Eli sobre seu novo filme que se chamaria “Giù la Testa”, dizendo a ele que o papel principal do personagem ‘’Juan Miranda’’ seria dele. Durante toda a conversa Leone se referia a esse western como “O nosso filme”. Eli então lembrou a Sergio que ele já havia assumido um compromisso para trabalhar num filme ao lado de Jean-Paul Belmondo. Leone retrucou dizendo que “O nosso filme” Giù la Testa(traduzindo: Abaixo da Cabeça) seria muito mais importante, produzido pela United Artists, com distribuição no mundo todo e com grande campanha publicitária, isto porque o nome de Leone vinha sendo tão aclamado quanto o de Federico Fellini.

Eli Wallach então rompeu o contrato que havia assumido com o produtor francês para o filme com Belmondo. Quando Eli falou novamente com Leone, por telefone, sobre o início das filmagens, o diretor disse ao ator que a United Artists havia bancado a maior parte do dinheiro para o filme, tornando-se o estúdio sócio majoritário na produção. Leone prosseguiu dizendo que quando apresentou o elenco com o nome de Eli Wallach no papel principal, os executivos da United Artists disseram que Leone teria que utilizar Rod Steiger para interpretar ‘’Juan Miranda’’.

Na verdade, Steiger, o ator que veio a barrar Eli wallach devia um filme para a United Artists de um contrato ainda em vigência. Leone tentou explicar que insistiu com o nome de Eli Wallach mas que a United Artists estava irredutível, ainda mais porque Rod Steiger era um nome mais forte nas bilheterias e havia ganhado um Oscar dois anos antes com “No Calor da Noite”. Eli Wallach então disse a Leone que o diretor lhe devia uma compensação financeira pois ele acabara perdendo dois trabalhos. Leone respondeu que não poderia fazer nada quanto a isso e Eli então foi taxativo: Sergio, vou processar você!!! Leone bateu o telefone e eles nunca mais voltaram a se falar.

Eis o que disse o analista cinematográfico, Jurandir Lima, sob este delicado episódio entre OS DOIS HOMENS EM CONFLITO por questões contratuais: ‘’Eli Wallach se sentiu golpeado com a novidade que o Leone lhe trouxe. Foi uma pancada sim, porém o fato, olhado pelo lado do Wallach, poderia ser absorvido de maneira menos drástica, já que o diretor estava nas mãos do Estúdio e nada poderia ter feito contra a determinação de tamanha força. Romper uma relação de anos por algo que um homem sozinho não teria poder para alterar foi, no mínimo, uma insensatez. Com todo o respeito e valor que dou ao Wallach por ser o ator que é. Ademais, o personagem TUCO, que nasceu do diretor Leone e deu mais velocidade a carreira de Wallach, foi um prêmio para o ator, que ficou internacionalmente muito mais famoso e, com isto, angariou muitos novos trabalhos’’…

Lamentando-se de todo o acontecido ou do trato rompido entre os dois, os fãs de Wallach são da opinião que, Leone poderia ter feito mais força para que os executivos da United aceitassem Eli Wallach no lugar de Steiger. Ele possuía personalidade e prestígio para tanto. Mas… Fazer o quê?!?!?! Agora, para os fãs de faroestes Eli Wallach será sempre o brilhante ator que interpretou os inesquecíveis bandidos de “Sete Homens e Um Destino” e “Três Homens em Conflito”. Parabéns, Eli ‘’Tuco-Calvera’’ Wallach!!!

Logo abaixo, assista ao vídeo de apenas 6 minutos do final de “TRÊS HOMENS EM CONFLITO” da cena impecável pelo suspense, pela música, pelos atores e pelo cenário, donde, espetacular duelo, você se sente o quarto na ação, pois tamanha é a tensão dessa obra de arte. Essa belíssima e perfeita cena está entre um dos maiores momentos da história das películas cinematográficas da modalidade faroeste.

LEE MARVIN: UM DOS PRIMEIROS DURÕES DA HISTÓRIA DO CINEMA

A dupla de atores de filmes Cawboys, LEE MARVIN/LEE VAN CLEEF, nada carismática, porém, os dois eram bandidos maus, ruins como o capeta, além A dupla de atores de filmes Cawboys, LEE MARVIN/LEE VAN CLEEF, nada carismática, porém, os dois eram bandidos maus, ruins como o capeta, além de cruéis, cínicos e perversos, pois representavam perfeitamente o que poderíamos chamar de maiores vilões dos filmes de faroestes. Os dois personagens malvados desempenharam papéis memoráveis em praticamente todos os filmes de bangue bangue que tão bem representaram em suas belas carreiras e se transformaram em inesquecíveis bandidões. Na verdade, os dois foram os melhores homens maus do cinema que deram muito trabalho aos mocinhos. É bom que se diga que esses dois excelentes atores sempre foram fadados a serem eternos coadjuvantes em Hollyood e, por incrível que pareça, no filme O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA(Com John Wayne & James Stewart), os dois LEE trabalham juntos e são parceiros…

LEE MARVIN trabalhou com John Wayne em O Homem que Matou o Facínora, este filme dirigido por John Ford, é um western inserido historicamente num momento de mudanças. O Homem que Matou o Facínora se passa numa era de transição, na qual palavras como “VOTO” e “DEMOCRACIA” passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas. O enredo vem à tona, através do distinto senador dos EUA, Ransom Stoddard (James Stewart) retorna meio incógnito à pequena Shinbone, cidade onde há muitos anos iniciou sua carreira política e de onde partiu famoso, não apenas por ter insistido na importância da lei e da ordem para a prosperidade, mas, e, sobretudo, por ser o responsável pela morte de Liberty Valance (Lee Marvin) o bandido mais temido das redondezas. Porém, na verdade, este equívoco foi desvendado mais tarde, haja vista que, quem matou o bandido Casca Grossa Liberty Valance (Lee Marvin) foi Tom Doniphon(John Wayne). ESTE FILME É IMPERDÍVEL, RECOMENDO-O!!!

A galinha dos ovos de ouro chegou ou apareceu para Lee Marvin foi mesmo no ano de 1965 com o premiadíssimo filme CAT BALLOU, que no Brasil teve a denominação de DÍVIDA DE SANGUE. O bandido durão e casca grossa ganhou o Oscar de melhor ator por seu PAPEL DUPLO como o temível assassino sem nariz (foi arrancado por uma mordida numa luta) Tim Strawn e como Kid Shelleen, um atrapalhado beberrão que luta contra o mal. A excelente e linda JANE FONDA co-estrela como Catherine Cat Ballou, a ex-professora transformada em fora-da-lei associada ao beberrão Kid(Marvin). O cantor Nat King Cole e o comediante Stubby Kaye, também participam interpretando a canção-título, A Balada de Cat Ballou. Esta viva e alegre aventura é o exemplar máximo do western norte-americano.

A Película Cat Ballou é um Tremendo Bang Bang com um excelente musical comandado por Nat King Cole. O filme tem cenas antológicas, vale a pena assisti-lo. Pois é uma mistura de comédia faroeste de aventura, ação e caiu bem por ter um bom elenco. Aliás, a última aparição do GRANDE Nat King Cole, ele morreria logo após as filmagens com câncer no pulmão, diga-se de passagem sua morte foi prematura com apenas 45 anos de idade. Quanto a Lee Marvin morreu em 1987 com 63 anos, no “Tucson Medical Center” em Tucson (Arizona – EUA), vítima de um ataque cardíaco fulminante (infarto).

Como já fora dito, Marvin ganhou o Oscar de melhor ator em 1965, por DÍVIDA DE SANGUE – “Cat Ballou” -, que fez ao lado de Jane Fonda. Nesse filme ele faz duplo papel: o do pistoleiro BOM, eternamente bêbado e que ajuda a personagem de Fonda, e o pistoleiro MAL. O filme foi indicado em quatro categorias para o Oscar, recebendo somente o de MELHOR ATOR, entregue para LEE MARVIN. Na entrega do Oscar Lee fez um dos agradecimentos mais rápidos da história daquela premiação dizendo apenas: “Metade deste prêmio pertence a um cavalo que está por aí pelo vale” . Se soubesse o rumo que sua carreira tomaria após “Cat Ballou”, passando a integrar o rol dos astros mais bem pagos de Hollywood, Lee poderia dizer que devia também ao cavalo BORRACHÓN ter se tornado um milionário.

HÁ 5O ANOS, “IL SIGNORE” SERGIO LEONE NOS CONTAVA UMA HISTÓRIA: ERA UMA VEZ NO OESTE…

Corria o ano de 1968… Com um orçamento de três milhões de dólares que a Paramount colocou à sua disposição Leone entendeu que era o momento de mostrar ao mundo com “ERA UMA VEZ NO OESTE” que seu nome decididamente merecia figurar no templo consagrado dos maiores diretores dos filmes de faroeste. Como diz o cinéfilo e estudioso do assunto Darci Fonseca: “A Paramount colocou à disposição de Leone um orçamento ainda maior que sua volumosa barriga: três milhões de dólares”. Com toda essa grana na mão, a primeira atitude do diretor italiano, aceitando uma preciosa sugestão de Eli Wallach, foi contratar o ator perfeccionista nato, o experimentado Henry Fonda, pela bagatela de 250 mil dólares, que àquela altura estava no auge da fama e da forma com 63 anos de idade.

Já o adicional desse filme é a presença imponente da figura de Jill McBain, interpretada pela sensual e exuberante Claudia Cardinale, uma ex-prostituta que se casa com um irlandês, dono de terras que são do interesse de Morton, que era um empresário ganancioso da companhia ferroviária que estava sendo construída naqueles arredores ou cercanias das esturricadas terras do monumental vale do Arizona, mas o lucro das indenizações era algo de cobiça do sanguinário empresário. No tocante ao papel desempenhado pela divina e maravilhosa Claudia Cardinale há de se entender que, ela é uma presença completamente resplandecente e isso tem a ver com um carisma muito pessoal, a tal qualidade de estrela ou como dizem os norte-americanos: “star quality”… Este importante papel feminino que ficou por conta de Cardinalle foi em razão de, naquele momento, entre as atrizes italianas, só perdia em prestígio para Sophia Loren.

O extravagante diretor sonhava alto e para este filme, Leone acabou contratando também Charles Bronson, ator fadado a ser eterno coadjuvante nos Estados Unidos e que havia se tornado famoso na Europa. Também fez parte do elenco o excelente Jason Robards que em 1977 conquistou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pela atuação em “Todos os Homens do Presidente”. A maior atração ou a cena mais cativante do espetacular filme, Era Uma Vez no Oeste, acontece com o DUELO mais longo da história dos faroestes com Henry Fonda e Charles Bronson(a cena durou 8 minutos). Desnecessário informar do estupendo cenário, onde se passou as filmagens externas que foram realizadas em MONUMENT VALLEY, nos Estados Unidos e no deserto de Almeria, na Espanha.

Depois de pronto o roteiro como nos fala o pesquisador Darci Fonseca, a maior preocupação de Leone era o início do filme: como começá-lo?!?!?! O novo faroeste de Sergio Leone teria uma cena marcante em seu início, envolvendo Harmônica e três bandidos. A participação desses atores seria pequena e o delirante Leone imaginou como ficaria espetacular aquele início se os três bandidos que morrem na estação fossem interpretados por Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach. Convidado, Clint Eastwood foi curto e grosso em sua resposta a Leone: “Sergio, no more Italian westerns” (Sergio, chega de faroestes italianos). Com isso Leone resolveu esquecer de Van Cleef e Wallach. Os três bandidos mortos no início do filme acabaram sendo os norte-americanos Jack Elam, o NEGÃO Woody Strode e o canadense Al Mulock.

Como costuma afirmar o bom apreciador de filmes de cowboys, o nosso colunista fubânico, o pernambucano de Carpina, CÍCERO TAVARES: “O cinema atual perdeu a magia: Os efeitos especiais, as pirotecnias acabaram com o cinema-arte!). Perfeito o pensamento de TAVARES, pois antigamente não tinha disso não!!! Não é à toa que, há filmes consagrados que dispensam palavras para descrevê-los: São títulos que carregam uma aura maior que qualquer cartão de visitas, integram o apogeu ou o ápice do cinema e superam qualquer gênero ou classificação como obras de arte que atravessam gerações sem perder o brilho e se sustentando através do tempo como verdadeiros clássicos. Era Uma Vez No Oeste, que está fazendo seu QUINQUAGÉSIMO ANIVERSÁRIO este ano, é um dos nomes presentes nesse escalão de filmes que transcende o cinema e as artes cênicas e audiovisuais de forma geral.

Como filme cinquentenário, seria uma enorme redundância encher de adjetivos esta belíssima obra. Poucas vezes a vingança, a cobiça, a luta pela sobrevivência e o sonho da vida ideal foram apresentados de maneira tão sublime e ao mesmo tempo tão amargo e doce. Mesmo em meio à violência e o jorrar desnecessário de sangue, o filme não passa nem perto de ser uma tragédia ou algo parecido. Era Uma Vez no Oeste, é, talvez, o ponto alto da carreira do diretor, que demonstra uma impressionante maturidade de temas, fotografia, cenografia, montagem, trilha sonora e um controle absoluto de seu elenco, para alcançar um resultado de se aplaudir de pé. Com 1,70 de altura e mais de 100 quilos de peso, Sergio Leone era um autêntico falastrão e teve uma morte prematura ao falecer com apenas 60 anos de idade.

Para os apreciadores e estudiosos dessa modalidade de filme que é o bang bang, todos hão de saber que o nome de Ennio Morricone está ligado aos filmes de Sergio Leone. Ambos formaram uma dupla vencedora, tal como Fellini com seu parceiro, Hitchcock e tantos outros em seus respectivos estilos, tipos ou forma. Uma coisa não se pode negar: esta dupla deu prestígio aos SPAGHETTI WESTERN. Agora, Ennio Morricone é muito mais do que um compositor de trilhas de filmes famosos. Ele é, provavelmente, o mais fecundo e produtivo compositor da história do cinema, principalmente no gênero faroeste. A prova é tanta que, o produto ou valor final dessa simbiose entre o Maestro Morricone e o Diretor Leone foi esta operação fantástica que se transformou em ERA UMA VEZ NO OESTE, com cinematografia e trilha sonora impecáveis, com cenas líricas e personagens inesquecíveis.

MAUREEN, A ETERNA JANE DOS FILMES DE TARZAN

Maureen O’Sullivan(irlandesa como sua xará Maureen O’hara), pois foi a mais popular de todas as JANE, companheira de “Tarzan”. A Metro Goldwin Mayer jogou todo o seu poderio para reviver o personagem de Tarzan e fazer deste filme(“Tarzan, o Filho das Selvas” de 1932), o melhor até então sobre o personagem de Edgar Rice Burroughs. Foi o primeiro filme falado de Tarzan, o diretor era dos melhores do estúdio e o elenco escolhido a dedo. Sua grande oportunidade viria quando mudou da FOX para os estúdios MGM(Metro Goldwin Mayer). Surgiu o papel de Jane, companheira de Tarzan. Com Johnny Weismuller no papel do homem macaco, ela estrelou “Tarzan dos Macacos” (1932) seguido de mais quatro filmes da série. Foi durante as filmagens que ela conheceu seu marido o diretor John Farrow.

E por falar em o Homem das Selvas, Johnny Weismuller e Maureen O’Sullivan foram os mais famosos Tarzan e Jane do cinema e também considerados os mais perfeitos. Mas fora a dupla romântica havia um protagonista que roubava a cena: CHITA, o macaco. Infelizmente o famoso macaco (sim, era macho) faleceu no dia 24 de dezembro de 2011 aos 81 anos de idade em consequência de problemas renais no refúgio de animais ou num santuário de primatas no estado da Flórida, nos Estados Unidos. Chita constava desde 2001 no livro dos Recordes como o macaco mais velho do mundo. Ai que saudade nos dá, de quando íamos ao cinemas por esse Brasil afora, com cupons que recortávamos das caixas de sabão em pó da marca OMO, íamos todos felizes assistir Tarzan, Jane, Boy e a maravilhosa e de bem com a vida Cheeta!!! Pois, não é à toa que, voltando-se ao túnel do tempo, enterrou-se, junto com Chita, também um pedaço de nossa infância…

Como nos conta o pesquisador e estudioso dos filmes de Tarzã, Sávio Soares, O macaco Chita nasceu na Libéria, se chamava Jiggs, no cinema foi rebatizado de Cheeta(Chipanzé), no mundo latino devido a grafia tornou-se Chita. Em 2008 o macaco mais famoso do cinema teve uma biografia em forma de ficção lançada pelo escritor inglês James Lever intitulada “Eu, Chita” (“Me, Cheeta”), inédita no Brasil, em que o chipanzé traçava comentários sobre a era de ouro de Hollywood, nos anos 1930. Por três vezes tentaram imortalizar suas patas na Calçada da Fama, mas não conseguiram. Apenas os cachorros Rin Tin Tin e Lassie obtiveram tamanha conquista…

O Tarzan Johnny Weissmiller, interpretado pelo campeão olímpico de natação (de 1924 e 1928) foi considerado o melhor Tarzan do cinema. Nos filmes, o Homem-Macaco tinha a companhia da Jane, papel que ficou com a bela atriz Maureen O’Sullivan (mãe da atriz Mia Farrow), a macaca Chita, e o filho adotivo Boy, interpretado pelo ator Johnny Sheffield. Pergunta-se: Quem inventou o grito do Tarzan?!?!?! Na verdade, o famoso grito foi produzido em estúdio: um mix de vozes e ruídos, entre os quais uma soprano de ópera e sirenes, conta Ruy Castro no Livro “Um filme é para sempre” (Companhia das Letras, 2006). Impossível um ser-humano reproduzir todos àqueles sons através apenas da voz. Segundo o escritor Ruy Castro. “Afumalakatchumba!!!” era como o ator-nadador Tarzan chamava os elefantes. O criador do personagem foi o escritor americano Edgar Rice Burroughs que escreveu ao todo 23 romances sobre o Homem das Selvas. A título de curiosidade, muitas das cenas dos filmes de Tarzan eram gravadas no Brasil, mais precisamente nas cataratas de Foz do Iguaçu.

No dia 20 de janeiro de 1984, o homem que ajudou a revolucionar o esporte e a criar um mito das telonas morria aos 80 anos em Acapulco, no México, Johnny Weismuller. Deixava, então, o cinema órfão daquele que é considerado o melhor Tarzan da história e a natação sem sua primeira grande lenda. Porém, nem tudo são flores. Os últimos anos de vida foram difíceis. Chegou a sofrer uma série de derrames e de ataques cardíacos. Em 1979, foi internado em Los Angeles, onde especialistas diagnosticaram um “desequilíbrio mental progressivo e incurável”, segundo obituário do ator escrito pela Folha de S. Paulo na década de 80. Acreditava, diz o registro, que ainda era o TARZAN e gritava, com voz falha, a plenos pulmões o som que tinha inventado para o personagem. No seu enterro, em vez de honras ao nadador que elevou a natação norte-americana a um outro patamar, um som se destacou. Enquanto o caixão de Peter Johann Weissmuller baixava, o grito de Tarzan ecoou três vezes de um gravador.

Em se tratando de Maureen O’Sullivan eis alguns dos bons filmes protagonizados por ela: Hannah e Suas Irmãs (1986), com direção de Woody Allen; – O Resgate de um Bandoleiro (1957), com Randolph Scott e Richard Boone; – O Relógio Verde (1948), Tendo como Diretor seu marido John Farrow; – A Fuga de Tarzan (1936), com direção de John Farrow. Nos créditos de “A Fuga de Tarzan” aparecia pela primeira vez um jovem assistente e futuro diretor chamado John Farrow. Maureen e John se conheceram em filmagem e se casaram em setembro de 1936. Do casamento tiveram vários filhos entre eles uma filha que posteriormente seria a famosa atriz Mia Farrow.

No tocante aos filmes faroestes, Maureen O’Sullivan fez “Resgate de Bandoleiros”, com Randolph Scott e Richard Boone. Longe dos dias que encantava (e provocava) o mundo como Jane, O’Sullivan é a única figura feminina do elenco. Isso faz com que sua personagem desperte nos jovens Skip Homeier e Henry Silva os naturais desejos masculinos há muito represados. E a grande cena de Maureen em “Resgate de Bandoleiros” é justamente quando um dos bandidos se projeta sobre ela para estuprá-la. Como diz o cinéfilo Jurandir Lima: “Resgate de Bandoleiros é um filme de um roteiro muito simples, mas que foi feito com um esmero acima da média de filmes B. Seus cenários são lindos, suas interpretações são todas relevantes (Scott/Boone/Maureen) e a história é bem amarrada e muito bem desenrolada”.

GARY COOPER, O VAQUEIRO MAIS ELEGANTE DO OESTE

Chic, sofisticado, sexy, enigmático…

Assim era Gary Cooper. Como diz o pesquisador da Sétima Arte, Paulo Telles, Gary Cooper estava longe de ser um grande ator pela crítica, mas esta o respeitava porque ele tinha, realmente, uma presença enigmática e sofisticada. Exercia admiração tanto por parte do público feminino quanto pelos homens, que chegavam a declarar que queriam ser como ele. Gary Cooper era o herói ideal de uma Hollywood que não mais existe.

Gary Cooper é, até hoje, mesmo para os mais jovens um ícone interessante, pois em qualquer época sua galanteria e sua beleza estão em evidência, e nunca caem de moda. Gary é admirado pelas mulheres como um dos mais belos homens do cinema, mas sua beleza não era apenas exterior. Seu modo de proceder era tão exemplar que jamais interpretou em seus filmes algum papel de vilão. Quando existem fãs após sua geração e que continuam a se perpetuar, esteja certo que o mito está mais vivo do que nunca, e jamais morrerá!!!

Ele sempre se posicionou como um ator em oposição ao exagero, ao excessivo. O seu tipo de atuação era composto por formas simples e por poucas cores, o que não quer dizer que não fosse um bom ator, mas ele tinha um único estilo (tal qual John Wayne), o padrão de herói americano por excelência, ideal este que ele representava como ninguém nas telas. Contudo, um ator deve fazer de tudo (ou quase), seja na ação e na interpretação em si, afinal em sua grande parte, vimos Burt Lancaster, Lee Marvin, Charlton Heston, Kirk Douglas, entre tantos, atuarem de forma ativa em todas as fitas que cada um participou. Se notar, cada um deles personificou heróis e vilões, o que não era o caso do bonitão Gary Cooper.

O pesquisador Eddie Lancaster faz uma trajetória de Gary Cooper ao afirmar que ele começou sua carreira, ainda no cinema silencioso, participando como extra de vários filmes mormente nos westerns, fazendo papel até de índio por ser um grande cavaleiro. Gary projetava na tela e incorporava a figura do americano ideal: um cavalheiro, alto, bonito, de fala mansa, com inabalável integridade, vencendo as adversidades a despeito das possibilidades contrárias ou situação crítica. Por isso muitos o consideravam o maior dos atores e outros, entretanto, se referiam a ele apenas como um astro de personalidade marcante, nada mais, especialmente durante o período de sua maior atividade, de 1935 a 1945.

A linha indecisa que separava Gary Cooper de John Wayne era definitivamente suas ideologias políticas, muito embora fossem republicanos, no entanto Cooper era mais moderado, e Wayne, radical. Cooper foi um cavaleiro e nobre perante a comissão de Atividades Antiamericanas, e tal depoimento foi filmado, onde vemos Gary declarar que não existia nenhum movimento comunista em Hollywood e quando foi perguntado se conhecia algum comunista, ele alegou que não – não entregou ninguém e manteve uma dignidade ímpar até o fim. Wayne e Cooper foram amigos, e sabemos que lidar com o Duke não era fácil. Mas Wayne não se importou em receber para o amigo o Oscar ganho por MATAR OU MORRER, já que Gary filmava Sangue na Terra no México. MATAR OU MORRER uma das primeiras escolhas foi justamente Wayne para o papel de Will Kane, mas tão logo leu o script não gostou e recusou, pois não era de sua índole um homem pedir por socorro.

Na filmografia de Gary Cooper constam clássicos arrebatadores como Matar ou Morrer(1952) com o feioso Lee Van Cleef e a encantadora Grace Kelly; neste mesmo ano ele filma Renegado Heroico; outro clássico de Gary surgiu em 1954, um filme polêmico em seu conteúdo, até porque Gary Cooper contracena com o excelente Burt Lancaster, trata-se de, VERA CRUZ, A película possui grandes estrelas dos westerns norte-americanos e influenciou muitos filmes do gênero, que ainda viriam a dar as caras num futuro próximo, como Sete Homens e um Destino (John Sturges), Três Homens em Conflito (Sergio Leone) e Meu Ódio Será tua Herança (Sam Peckinpah).

No ano de 1958 aparece o filme O Homem do Oeste. Enfim, um western de qualidade, com um fundo até melancólico e violento, mas um retrato do que foi aquela parte do país Americano. O Homem do Oeste tornou-se em um dos seus mais marcantes trabalhos. Mesmo porque foi uma obra dirigida pelo grande Anthony Mann, diretor que fez grandes clássicos do cinema, como por exemplo; O Preço de um Homem, Whinchester 73, O Homem dos Olhos Frios, E O Sangue Semeou a Terra, dentre outros. Mann parece que deu um presente a Cooper, que andava muito adoentado do mal que lhe tirou a vida, proporcionando ao grande ator uma de suas melhores interpretações.

Cooper que tinha 1,91 de altura estreou no cinema Entre 1925 e 1926, Começava, assim, uma carreira vitoriosa de cerca de 100 filmes, até sua morte aos 60 anos de idade, de câncer. Gary Cooper recebeu dois Oscars de Melhor Ator por seus desempenhos em “Sargento York” e “Matar ou Morrer”. Adicionalmente, foi indicado ao Oscar por suas atuações em mais dois e o lendário filme “POR QUEM OS SINOS DOBRAM”. Em 1961, pouco antes de sua morte, recebeu ainda da Academia de Hollywood um Prêmio Especial pelo conjunto de sua obra. Não podendo comparecer à cerimônia, James Stewart o aceitou em seu nome. Ao contrário da maioria dos atores e atrizes que colecionam casamentos, Gary Cooper casou-se apenas uma vez, em 15 de dezembro de 1933, com Sandra Shaw, com quem viveu até o dia de sua morte. O casal teve uma filha, Maria Cooper.

Apesar de ter sido casado durante todo esse tempo, o ator ficou famoso pela sua extensa lista de amantes ao longo do casamento. Em 1960 fez duas cirurgias para retirada de câncer de próstata e em seguida no cólon. Os médicos acreditavam que ele estava curado, até que em 1961, quando estava filmando na Inglaterra, o ator começou a sentir fortes dores no pescoço e no ombro e após uma consulta descobriu que o câncer havia se espalhado para o pulmão e os ossos. Assista ao vídeo abaixo e sinta essa sólida rocha que era GARY COOPER, forte, genuíno, leal, calmo, bondoso, caloroso e viril, mas que, lamentavelmente, o câncer de próstata o levou muito novo com apenas 60 anos de idade.

O PERFECCIONISTA HENRY FONDA

Há 72 anos, o ator Henry Fonda (pai de Jane Fonda) foi protagonista do filme “PAIXÃO DOS FORTES”, película cinematográfica em preto e branco realizado pelo grande cineasta e diretor norte-americano John Ford, corria o ano de 1946 e o ótimo ator Fonda estava na flor da idade com 41 anos de vida. Na direção, embora não atinja os níveis alcançados em “No Tempo das Diligências”, “Como Era Verde o Meu Vale”, “Depois do Vendaval” e “Vinhas da Ira”, dentre outros, o diretor John Ford nos brinda com um belo trabalho. A fotografia em preto e branco é outro quesito que merece ser destacado. No elenco, chamam atenção as atuações de Henry Fonda e Walter Brennan, seguidas pelo bom ator Victor Mature, que no filme é o médico Holliday e o cawboy pistoleiro da cidade por nome estranho de Cemitério. Enfim, “Paixão dos Fortes” é um filme imperdível para os amantes do gênero faroeste. Recomendo-o.

O cenário desértico do filme é esplendoroso, haja vista as cidades cinematográficas são compostas, geralmente, de apenas uma avenida principal onde se destacam o SALOON e, no caso de Paixão dos Fortes tem um requisito ou ingrediente a mais: O lugarejo fora construído ao lado do Munument Valley, que apresenta uma visão panorâmica deslumbrante. Deixamos de apresentar a sinopse do filme, no entanto John Ford(que tantas vezes dirigiu John Wayne), com sutileza e com sequências de seu enternecedor lirismo, como nos brinda o cinéfilo e pesquisador Darci Fonseca, o diretor de “Paixão dos Fortes” envolve o espectador fazendo-o acompanhar os passos de um homem com os ideais de Lincoln e a nobreza de Tom Joad, personagens interpretados pelo mesmo Henry Fonda em filmes de Ford (“A Mocidade de Lincoln” e “Vinhas da Ira”).

A chegada dos novos hábitos indicando o processo de civilização do Velho Oeste foi o que Ford imprimiu a este western com pouca ação, mas denso em sentimentos e conflitos entre os personagens. O salão de barbeiro com suas loções recendendo ao cheiro de frondosas flores trepadeiras; a troca das roupas de vaqueiro pelos ternos com estilo importado do Leste; o médico-pistoleiro-jogador que recita Shakespeare quando o ator esquece o texto; a própria presença da companhia que apresentará uma peça clássica numa cidade onde gente de bem se mistura a assassinos e ladrões de gado. A simplicidade, idealismo e poesia das imagens de “Paixão dos Fortes” fazem desse western um sublime exemplo da “Americana” do excelente diretor, John Ford.

Não importa a geração à qual o adepto de filmes de faroestes pertença, pois pode ter conhecido Henry Fonda de formas diferentes. Para alguns, mais jovens, ele pode ser lembrado como o avô da sumida Bridget Fonda. Para outros, o pai dos premiados Jane e Peter Fonda. Mas muito mais do que o patriarca de uma prole de dedicados talentos, Henry Fonda foi um astro. Um dos mais respeitados em Hollywood, figura que trabalhou com os maiores diretores do cinema – Fritz Lang, John Ford, Alfred Hitchcock, Sidney Lumet e o excelente Sergio Leone, no filme Era Uma Vez no Oeste – e contracenou com tantos outros gigantescos nomes da sua época – James Stewart, John Wayne, Bette Davis, Woody Strode, Claudia Cardinale, Charles Bronson, entre tantos outros.

O crítico de cinema Rodrigo Oliveira, grande estudioso da vida artísticas da família FONDA, nos confidencia que, ele tinha um grande laço de amizade tanto com o ator James Stewart quanto com o diretor John Ford. Os bem sucedidos trabalhos ao lado do diretor continuaram em O Fugitivo (1947) e Forte Apache (1948), este último com uma bela dobradinha com o cowboy John Wayne, e a parceria teria tudo para continuar não fosse um terrível desentendimento durante as filmagens de Mister Roberts (1955). Em certo momento, houve uma conversa acalorada entre ator e diretor (que estava sob influência do álcool no momento) acabou em um soco desferido por Ford no astro. Pedidos de desculpas foram feitos, mas a relação azedou. O cineasta nem chegou a terminar o filme, por causa dos seus problemas com a bebida, e Fonda prometeu nunca mais trabalhar com seu antigo diretor do filme Paixão dos fortes.

Filmes imprescindíveis de henry fonda: As Vinhas da Ira (1940), sua primeira indicação ao Oscar; – Filme esquecível: Tentáculos (1977), co-produção Itália/EUA, primeiro filme-catástrofe de Henry Fonda; – Maior sucesso de bilheteria: Num Lago Dourado (1981), arrecadando US$ 120 milhões em uma produção de orçamento modesto; – PRIMEIRO FILME: Amor Singelo (1934), já vivendo o protagonista da história; – ÚLTIMO FILME: Nos cinemas, Num Lago Dourado (1981); – OSCAR: Indicado em As Vinhas da Ira (1940) e vencedor em Num Lago Dourado (1981). Por incrível que pareça, o excelente ator Henry Fonda É até hoje o recordista de maior intervalo entre indicações na Academia: 41 anos. Em 12 de agosto de 1982, poucos meses depois de ter vencido o Oscar, Henry Fonda faleceu, aos 77 anos, vítima de doença no coração.

Henry Fonda desempenhou muitos papéis diferentes. Interpretou bons rapazes, bandidos, soldados, cowboys, presidentes e assim por diante. Era tão real em qualquer papel que nunca se sentia que ele estava agindo. Seu rosto e olhos eram altamente expressivos. Ele era o magnífico homem dos olhos frios. Também foi o ator mais velho a ganhar um Oscar, tendo 76 anos ao receber o prêmio por “NUM LAGO DOURADO”. Henry Fonda nem precisou do Oscar honorário. Eu acho que ele é o único ator de Hollywood que já ganhou um Oscar honorário e mais tarde ganhou um Oscar competitivo. O interessante é que ele ganhou por seu papel final no cinema. A Academia estava atrasada para reconhecê-lo, mas pelo menos ele estava vivo quando recebeu o Oscar.

TRIBUTO AO DEMOCRATA GREGORY PECK

Na Sétima Arte, Gregory Peck ficou conhecido como o galã das causas sociais. Embora tivesse um talento limitado e não muito vibrante (sem aptidão de um James Stewart, a efígie da virtude de um Henry Fonda ou a energia de Kirk Douglas), porém, Gregory Peck irradiava integridade, consideração, honestidade, e solicitude, conseguindo atrair plateias, especialmente o público feminino. O galã das épocas douradas do cinema dos meados do Século XX, entre suas principais ladys, Peck contracenou com Ingrid Bergman, Jennifer Jones, Carroll Baker, Susan Hayward , Ava Gardner, Lauren Baccal e Sophia Loren. Na década de 1950, época bem recheada de westerns, caiu em seu colo a interpretação de um papel do filme DA TERRA NASCEM OS HOMENS(1958) – Um dos Melhores Westerns de Todos os Tempos, Obra Prima do afamado diretor William Wyler. Recomendo-o.

Pois bem!!! Na década de 1950, época bem recheada de westerns, sem sombra de dúvidas o filme Da Terra Nascem os Homens Foi o primeiro Western a ser, de fato, uma superprodução, já que, em 1958, a televisão invadia os lares estadunidenses, lançando muitas séries de faroestes, como As Aventuras de Rin Tin Tin, Zorro & Tonto, entre outros – e no entanto, seria imperioso um investimento alto para não perder a concorrência com a telinha de TV. Para isto, nada como reunir um cineasta premiado e de renome internacional, como o diretor boca de caieira William Wyler e atores consagrados como Gregory Peck e Charlton Heston num mesmo rolo de fita ou película de bang bang. Na época, estas duas feras possuíam idades de 42 e 35 anos e ambos morreram já no Século XXI, em 2003 e 2008, com 87 e 85 anos, respectivamente.

De acordo com o cinéfilo Paulo Telles, Gregory Peck sempre teve afinidade com a política, não era à toa que carregava a marca de galã das causas sociais. Durante sua plena mocidade, o seu país viveu sua grande crise econômica, com a miséria rondando milhares de famílias. Era a época da Depressão dos anos de 1929. O Fascismo e o Nazismo invadindo a Europa; uma tremenda guerra civil na Espanha. E o jovem Peck não poderia ficar alheio a todos estes acontecimentos. Ele mesmo confidenciou que, como estudante, sofria influências de ideias políticas. Peck lia muito jornais de tendência comunista. Foi também um adepto fervoroso do governo Roosevelt, tão combatido pela Imprensa e pelos banqueiros de sua terra. Entretanto, isso não o tornou um MILITANTE DA PUTADA “INCARNADA”. Com o passar dos anos, com a América recobrando o ânimo da gestão de Roosevelt, ele não se contaminou com a praga do COMUNISMO e correu dele como o cão foge da cruz. O comunismo perdeu Gregory Peck, mas a Broadway iria, em breve, conhecer sua arte.

O ator principal do monumental filme Os Canhões de Navarone – um clássico dos filmes de aventura que bateu recorde de bilheteria no mundo inteiro lhe rendeu muito sucesso na década de 1960, mas o seu filão de ouro, veio em 1962 com O Sol é Para Todos que concorreu ao Oscar de melhor filme (perdendo para Lawrence da Arábia, o grande favorito do ano de 1962), mas ganhou para melhor ator (Gregory Peck). No filme O Sol é Para Todos quando foi consagrado com o Oscar, ele faz um papel voltado para o humanismo, Gregory Peck aceitou fazer um advogado sulista, porém, íntegro e respeitado na cidade, que atende gratuitamente aos mais pobres. Um clássico supremo, com roteiro, direção de arte, trilha sonora e direção impecáveis; atuação memorável, talvez a melhor, de Gregory Peck. Em que pese não ser faroeste(filme de drama), ele representa um papel arrebatador que eu recomendo com todo louvor para que seja assistido a quem interessar possa. A propósito, o seu primeiro filme de bang bang, Gregory Peck estrelou quando tinha a idade de 3O anos e já disse pra que veio com um papel irretocável no bom filme Duelo ao Sol, realizado em 1946.

Da sua vasta obra, eis os principais filmes de cawboys estrelado pelo galã das causas sociais: Duelo de Sol(1946); – Céu Amarelo(1948); – O Matador(1950); – Resistência Heroica(1951); Em 1958 ele foi estrela do filme DA TERRA NASCEM OS HOMENS(O melhor de todos); – A conquista do Oeste(1962); – A noite da Emboscada(1968); – O Ouro de Mackena(1969); – O Parceiro do Diabo(1971); Matando sem Compaixão(1974).

Em que pese nunca ter havido um trabalho em conjunto dos monstros sagrados da Sétima Arte, apesar da diferença de idade era de razoáveis 14 anos, o REPUBLICANO Clint Eastwood e o DEMOCRATA Gregory Peck, Na verdade, Clint, hoje com 88 anos tinha como ídolo o ator Gregory Peck (1916-2003), do qual considera sua melhor atuação em O Matador. As performances vindas de Clint para compor seus durões, segundo ele, se inspiravam em Gregory Peck nesta película O Matador datado de 1950. Finalmente, como curiosidade, o Partido DEMOCRATA chegou a cogitar o nome de Gregory Peck para Governador da Califórnia na década de 1970, para enfrentar o também ator mixuruca Ronald Reagan, então do Partido REPUBLICANO. Entretanto, Peck não deu bola e recusou “tão amado convite”. Daí, por todo este humanitarismo que lhe era peculiar, Hollywood o convidou a presidir a Presidência da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, onde foi o gestor entre 1967 a 1970.

STEVE MCQUEEN, O HOMEM DA ESCOPETA

Steve Mcqueen protagonizou um papel de um ex-soldado do Exército Confederado, personagem conhecido como Josh Randall que se transformou em um ser temido, determinado e solitário caçador de recompensas. Esse personagem comum no Velho Oeste não era tolerado em muitas cidades e era visto com antipatia pela Justiça. Randall, ao invés do tradicional Colt 45, usava uma arma bastante estranha que era um rifle Winchester com dois canos, ambos cortados, e que disparavam cartuchos de diferentes calibres (.30 e .40). Medindo aproximadamente 50 cm, esse tipo de escopeta é também chamado de PATADA DE MULA. Uma arma assim especial tinha também uma cartucheira especial que Josh Randall tanto carregava na cintura ou no ombro. E o caçador de recompensas manuseava a arma com incrível habilidade e pontaria certeira.

O cineasta, cinéfilo e pesquisador Darci Fonseca estudioso da biografia de Steve Mcqueen costuma afirmar que ele tinha a indiferença e frieza de Humphrey Bogart somadas porém à rebeldia de James Dean, isto nos conturbados anos 60 em que os jovens procuravam no cinema o que haviam encontrado na música com Bob Dylan e com os Beatles. Steve McQueen parecia ser essa resposta e seu amor pela velocidade completou uma das imagem mais perfeitas de uma época. Milhões de jovens no mundo inteiro tinham na parede o famoso poster de McQueen pilotando uma motocicleta alemã, foto extraída do filme Fugindo do Inferno. Mesmo fazendo poucos westerns Steve é também lembrado como um cowboy, ainda que tenha declarado que não gostava muito de cavalos. Porém quando empunhou seu rifle(escopeta), colocou o surrado chapéu e saiu à caça dos bandidos Steve McQueen deixou uma marca muito forte e pode-se afirmar sem medo de errar que nunca houve um cowboy tão anti-herói como Steve McQueen.

Mais lembrado por seu papel em “PAPILLON” (1973), e uma série de outros filmes de ação. É considerado um dos maiores atores de todos os tempos. Em 1974, Steve McQueen se tornou o astro de cinema mais bem pago do mundo. Ele foi também um piloto ávido de motocicletas e carros de corridas. Passava os finais de semana competindo em corridas de moto. Steve também é lembrado por dispensar o uso de “dublês” em seus filmes, pois ele mesmo realizava as cenas de ação. McQueen continuou a se equilibrar entre o cinema e a TV até que tirou a sorte grande ao conseguir um dos principais papéis de Sete Homens e um Destino(1960), faroeste clássico de John Sturges, com Yul Brynner comandando um elenco repleto de outros jovens candidatos a astros, como Robert Vaughn, James Coburn e Charles Bronson.

Durante quatro anos, de 1958 a 1961, Steve McQueen estrelou a série “Procurado Vivo ou Morto” que era transmitido pela CBS sempre com ótima audiência. Esse programa transformou Steve McQueen numa celebridade interpretando o caçador de recompensas Josh Randall, sempre armado com sua famosa escopeta. Sucesso na televisão é quase uma garantia de melhores filmes em Hollywood e Steve McQueen atuou em “Quando Explodem as Paixões” com Frank Sinatra e fez o papel principal numa produção mediana intitulada “O Grande Roubo de St. Louis”. Em 1960 John Sturges estava compondo o cast para a versão norte-americana de “Os Sete Samurais” e chamou Steve McQueen para ser um dos sete homens desse western intitulado “Sete Homens e Um Destino”. Esse filme fez bastante sucesso nos Estados Unidos, e ainda bateu recordes de público em todos os países em que foi exibido, inclusive no Brasil. Depois de “Sete Homens e um Destino” Steve McQueen passou a ser um nome famoso também no cinema mas ainda não era o grande ídolo que estava destinado a ser.

Steve McQueen mesclou papeis de ação, como no filme de corrida de carros “As 24 Horas de Le Mans”, com papéis como no drama “PAPILLON”, demonstrando que, além de galã, era também bom ator. Depois de “O Inferno na Torre”, uma das melhores fitas de catástrofe realizada em 1974, onde dividiu a tela com ator do porte de Paul Newman. McQueen foi um grande aficionado da adrenalina, especialmente em automobilismo e motociclismo – no transcurso da carreira chegou a considerar seriamente converter-se em piloto de corrida. Foi amigo pessoal do mestre em artes marciais Bruce Lee, Casou-se com sua terceira e última esposa, Bárbara, em janeiro de 1980, dez meses antes de falecer.

O sucesso continuou em diversas películas bem acolhidas pelo público, com PAPILLON e logo após veio O Inferno na Torre. No entanto, McQueen era um solitário por natureza e sua insociabilidade atingiu o ápice entre 1974 e 1978, quando preferia ficar trancado em casa, bebendo cerveja e engordando. Chegou a recusar convites milionários, como atuar em “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola ou trabalhar ao lado de Sophia Loren. Seu único interesse eram os carros e chegou ao ponto de pedir a seu mecânico para ler os roteiros que recebia e mostrar a ele apenas os mais interessantes. Finalmente, voltou ao cinema no fracassado “O Inimigo do Povo” (1978). Sua última atuação foi no “Caçador Implacável” (1980), já debilitado pela doença que o levaria à morte.

Steve McQueen morreu em 07/11/1980 com apenas 50 anos de idade, no “Tucson Medical Center” em Tucson (Arizona – EUA), vítima de uma ataque cardíaco (Infarto), após uma cirurgia para tratamento de “mesotelioma” (câncer na membrana que envolve os pulmões), também chamada de “doença do amianto”. Quando Steve faleceu, possuía sua própria empresa cinematográfica, a SOLAR e era um dos mais populares astros norte-americanos. O Corpo de Steve McQueen foi cremado e suas cinzas foram espalhadas no Oceano Pacífico, conforme sua vontade.

Assista ao trailer de um bom filme de guerra com esta cena histórica de uma das mais belas tomadas do cinema do meio motociclístico: Steve McQueen no filme FUGINDO DO INFERNO (Sem dúvida um dos maiores filmes da história e que ao lado de o Resgate do Soldado Ryan, seguramente, se tornaram nos melhores filmes sobre a Segunda Guerra Mundial), numa fuga mirabolante dos alemães. Uma grande cena que ficou marcada e reconhecida por grandes astros do cinema como a melhor tomada sobre duas rodas do antigo cinema. McQueen não usava dublês. Lembrando-se de que a cena se passa em 1963.

DEZ ANOS DA MORTE DO FRANK SINATRA BRASILEIRO

Quem és tu? / Para querer manchar meu nome / Quem és tu? / Se fui eu quem matou tua fome / Quem és tu? Não és ninguém, não és nada / Quando eu te conheci / Vivias pelas ruas / Sempre desprezada / Tive pena, de te ver no abandono / Sem amor, sem guarida / Um coração sem dono / Foste dona do meu lar / Limpei o teu nome / Quem és tu? / Para manchar meu nome. Aí é pra arrombar a tabaca de xolinha!!! Quem não tem cão caça com gato. Pois, nós temos, também, o nosso Frank Sinatra, ora bolas!!! Isto é o que podemos chamar de BOLERO 100% nostalgia… Este foi o Waldick que conhecemos que encantou-se em setembro 2008, precisamente há dez anos. O cara tinha em seus melosos boleros aquelas temáticas da vida noturna, bares sombrios, amores perdidos e puteiros que varavam toda uma noite. Esta música só parece com ‘’BUTECO’’. Ela é uma homenagem à Associação Protetora dos Cachaceiros.

A sua trajetória de vida foi traçada aos 25 anos, quando Eurípedes Waldick Soriano foi influenciado pelo cinema de faroeste e resolveu adotar o estilo do personagem Durango Kid –foi assim que acessórios como o chapéu preto passaram a fazer parte de seu visual. Em 1958, como tantos outros nordestinos resolveu ir “tentar a vida” em São Paulo. Queria ser cantor ou artista de cinema. Para sobreviver, enquanto a oportunidade nas rádios não surgia, foi engraxate, servente de pedreiro, garimpeiro e motorista de caminhão.

O primeiro contrato profissional como cantor e compositor foi assinado em 1960, com a gravadora Chantecler, ano em que lançou seu primeiro disco, um 78 rpm com os boleros “QUEM ÉS TU” e “Só Você”. O sucesso absoluto veio na década de 70, quando ele se tornou ícone da música conhecida como BREGA, mas que ele preferia dizer ROMÂNTICA. Suas canções eram tocadas nas rádios populares. Nesse período, sua presença era disputada por programas de televisão como o “Cassino do Chacrinha” e o “Programa Silvio Santos”. O maior sucesso foi a música “EU NÃO SOU CACHORRO, NÃO”, do disco lançado em 1972.

O nome da música se tornou expressão popular no Brasil. Nos anos 90, Soriano foi homenageado por Falcão, outro cantor da música brega, que regravou “Eu Não Sou Cachorro, Não” em inglês, na versão “I’M NOT DOG NO”. No fim dessa década, o cantor se mudou para Fortaleza, no Ceará e excursionou pelo Nordeste. Dois anos antes de morrer, o cantor foi tema do documentário “Waldick, sempre no meu coração”, dirigido pela atriz Patrícia Pillar, que abordou a carreira e a vida íntima do artista no filme.

Em 2007, foram lançados pela Som Livre os CD e DVD “Waldick Soriano – Ao Vivo”. O cantor se casou três vezes. Sua última mulher foi Walda Soriano, uma galegona ao molho pardo de dois metros de altura. Por natureza, Waldick era um manguaceiro nato e também um mulherengo machista a toda prova. Eurípedes Waldick Soriano deixou uma das frases mais bem cunhadas nos anais da boemia e dos cabarés da vida: “Digo sempre que, cachaça moderada e mulher em exagero não fazem mal a ninguém”.

Waldick morreu sem possuir bens ou dinheiro e não deixou nenhum patrimônio para os seus familiares. Waldemar da Silva Soriano Sobrinho, filho do cantor e compositor, morto em 2008 vítima de câncer na próstata, afirmou que o pai faleceu pobre deixando apenas o imóvel onde a família morava. Segundo Waldemar, o pai –ícone do estilo brega nos anos 1960 e 1970 e responsável pelo sucesso “Eu Não Sou Cachorro Não”– deixou apenas os direitos autorais das músicas e que hoje são alvo de disputa pela família.

Considerado também, pelos seus fãs, como o DURANGO KID brasileiro, Waldick Soriano cantou o amor visceral, aquele amor destrambelhado de arrebentar a boca do balão. Cantor performático, muito atuante, ele criou estilo próprio, inesquecível para cantar sentimento de amor entre o homem e uma mulher do sentimento amoroso às mazelas do cotidiano que envolvem os casais. A sua carreira musical deslanchou nos anos 50, com a música “QUEM ÉS TU?”. Suas músicas se caracterizavam por tratar de relações amorosas, traições e de “dor de cotovelo”. Assista ao vídeo logo abaixo e ouça a última vez que ele interpretou a canção QUEM ÉS TU?.

YUL BRYNNER, O CARECA QUE SE VESTIA DE PRETO

O ator Yul Brynner nasceu no ano de 1920, em Vladivostok, na Rússia, batisado como Yuli Borisovich Brynner e Faleceu no mesmo dia que o cineasta norte-americano Orson Welles, 10 de outubro de 1985 com a idade de 65 anos. No entanto, o maior papel protagonizado por Yul Brynner foi na sua vida real, pois morreu com muita dignidade deixando um exemplar legado para a humanidade: tratava-se de sua doença pré-diagnosticada Enfrentando-a com muita coragem e dignidade depois da descrição de seu médico, recebendo a notícia de que seu câncer era irreversível e muito em breve, ele, Yul, poderia entrar em estado terminal.

Como fumante inveterado, do mesmo modo de John Wayne que morrera de câncer em razão do tabagismo, deixou uma poderosa herança de serviço público, denunciando o fumo como causador dos males do pulmão, gravando um TAPE que deveria ser divulgado logo após sua morte. Muitas emissoras de televisão, não só nos Estados Unidos, como no mundo, colocaram o tape no ar, gratuitamente. O texto, gravado em Janeiro de 1985 e só divulgado em Outubro daquele ano, dizia o seguinte: “Agora que eu já fui, digo a vocês: Não fumem, o que quer que vocês façam, apenas não fumem. Se eu pudesse voltar atrás, deixando de fumar, não estaríamos falando agora sobre nenhum tipo de câncer. Eu estou convencido disto”.

Yul era uma figura bastante excêntrica, além de super vaidoso, com 1,79 de altura, manteve a cabeça raspada como sua marca registrada para o papel de um monarca de um país exótico da Ásia. Nunca mais deixou o cabelo crescer, inclusive quando atuou em alguns westerns. Quando foi escalado para o papel de Faraó em “Os dez mandamentos” malhou seis horas diárias para manter um físico atlético, já que contracenava com Charlton Heston, que sempre ostentou condições atléticas invejável.

Em que pese ter abocando o seu Oscar com o filme “O Rei e Eu”, mas foi na película faroeste do famoso Sete Homens e um Destino de 1960, que o ator russo-americano se destacou mundialmente. Com a Cabeça completamente raspada, olhar firme e a voz profundamente autoritária, Yul Brynner tinha como marca registrada sua charmosa e elegante vestimenta que do Chapéu as botas eram mais preta do que a asa da graúna. Ele É o único ator a aparecer em ambos os Sete Homens E um Destino e sua primeira continuação, A Volta DOS Sete Homens (1966). Ele não fez, no entanto, aparecer em qualquer uma das outras sequelas, A Revolta dos Sete Homens (1969) e A Fúria DOS 7 Homens (1972).

Os Sete foram além de Yul Brynner como Chris Adams, o líder, Charles Bronson como Bernardo, sempre caladão, James Coburn como Britt, no filme é especialista como atirador de facas. Robert Vaughn (morreu recentemente, há menos de um ano em 11 de novembro de 2016 aos 84 anos). O alemão que faz Chico é Horst Bucholz. Steve McQueen que tirou a sorte grande ao conseguir um dos principais papéis. McQueen passou a ser um nome famoso também no cinema, mas ainda não era o grande ídolo que estava destinado a ser. Todos os sete atores que participaram deste filme estão mortos.

Há mais um ator com papel central, que é Eli Wallach, que faz o vilão e inimigo maior do punhado de pistoleiros. Não há equivalente a ele nesta versão. É, sem dúvida, o personagem mais bem aparelhado do filme, com sua indumentária típica de um bandido, seu chapelão que mais parece uma sombrinha de tão extravagante, e aqueles dentes de ouro, que brilham quando fala ou sorri com cinismo. Wallach dá um show de interpretação, seguido de Chico, Vin e Chris. Fica claro que McQueen (Vin) Wallach (Calvera) e Brynner (Chris) são os três personagens de Sete Homens e um Destino que mais têm presença na fita.

O original foi rodado no México em Cuernavaca, Cidade do México. O Hotel Jacarandas em Cuernavaca, jamais havia recebido uma equipe cinematográfica tão numerosa e com tantos astros de cinema, como aconteceu em março de 1960. Certo que nem todos eram muito conhecidos, mas a presença de Yul Brynner com sua reluzente careca já causava sensação. Os artistas e técnicos ocuparam todos os apartamentos do hotel onde passariam os próximos dois meses quando não estivessem na cidade de Morellos, bem perto de Cuernavaca. Em Morellos foram edificados o povoado de Ixcatlán e a cidadezinha de Los Toritos, locais onde seria filmada a produção norte-americana Sete Homens e um Destino “The Magnificent Seven”.

Alguns dos artistas trouxeram suas esposas, como o alemão Horst Buchholz (Miriam), Steve McQueen (Neille Adams) e Eli Wallach (Anne Jackson). Yul Brynner trouxe a noiva Doris Kleiner com quem se casaria na semana seguinte. Além deles o luxuoso, bucólico e muito confortável Hotel Jacarandas abrigou os solteiros Brad Dexter, Robert Vaughn, Charles Bronson, James Coburn e o diretor John Sturges, cuja esposa Dorothy também foi ao México, mas preferiu não permanecer. Foram necessários poucos dias de trabalho para que surgissem as diferenças entre alguns membros do grupo por vezes no próprio hotel, mas principalmente nos locais de filmagem.

Em sua nova versão Sete Homens e um Destino, refilmagem de 1960 de um clássico de faroeste, lançado em 2016, e foi um sucesso de bilheteria. Vale lembrar que o filme dos anos 60 era uma releitura do filme Os Sete Samurais de 1954 do conceituado diretor e roteirista japonês, Akira Kurosawa. Sete Homens e um Destino de 1960, conta a história de um grupo de mexicanos, residentes em um pequeno vilarejo, e que vivem aterrorizados pelo bandido Calvera e sua gangue, que invade o local com frequência para roubar mantimentos.

O brasileiro WAGNER MOURA ia fazer o papel do mexicano Vasquez na nova versão de Sete Homens e um Destino de 2016, mas saiu do elenco possivelmente por causa da série “Narcos”, da Netflix e foi substituído por Manuel Rufo. Esta foi última trilha do compositor James Horner, que teve morte acidental, mas havia composto com antecedência já toda a trilha para o filme porque era amigo do diretor.

E por fim, Yul Brynner, O Carequinha que se vestia de preto possui uma estrela na Calçada da Fama, localizada em Hollywood Boulevard. Foi com ‘’O REI E EU’’ que ele ganhou um Oscar, pelo filme, e um prêmio Tony, pelo musical da Broadway; em 1985, ano de sua morte, ganhou novo prêmio Tony ao atingir 4.525 representações do espetáculo. Foi o único ator dos sete interpretes do filme “Os magníficos sete”, que participou da seqüência “O retorno dos magníficos sete” em 1966. Pertence a um clube seletivo de oito atores que receberam o Oscar e o prêmio Tony, por participaram da versão do cinema e do teatro, na mesma história. A propósito, não tem como não chorar ao ver o final desse filme com sua magistral trilha sonora, um espetáculo à parte!!!

MAUREEN O´HARA, A RAINHA RUIVA DE HOLLYWOOD

Musa do grande diretor John Ford, Maureen O’hara era a rainha ruiva dos westerns americanos, e foi um par perfeito de John Wayne. O’Hara, Wayne e Ford, juntos formaram a memória viva dessas longínquas décadas douradas de 40 e 50. Era a última grande vedete, e grande atriz, sobrevivente da época clássica de Hollywood. Para muitos, O’Hara fica para a história como a cara-metade, nas grandes telas de cinema pelo mundo afora, do “eterno cowboy”, John Wayne, com quem contracenou em inúmeros filmes realizados por John Ford. O’Hara contracenou ainda como par romântico de outras grandes estrelas como James Stewart ou Henry Fonda. Participou em cerca de 65 filmes, mas nunca recebeu sequer uma nomeação para a estatueta de Hollywood. Porém, Maureen foi homenageada com um Oscar honorário em 2014. Foi musa nos filmes de faroeste americano e, viver 95 anos foi o seu Oscar…

Maureen O’hara, como diz o cinéfilo Darci Fonseca, foi a mais perfeita leading-lady que John Wayne teve no cinema. Entendiam-se maravilhosamente bem nas filmagens numa das mais bonitas amizades entre um ator e uma atriz. Foram dirigidos por John Ford no singelo “Rio Grande”, no sublime “Depois do Vendaval” e no regular “Asas de Águia”. Em 1963 Maureen e Duke se reencontraram no engraçado “Quando um Homem é Homem” e “Jake, o Grandão” (Big Jake), de 1971, marcou o quinto e último encontro de Duke com Maureen nas telas.

No filme “Rio Grande” de 1950, John Wayne encontra seu mais perfeito par romântico, primeiro de cinco encontros na tela, com Maureen O’Hara. A atriz irlandesa criou o mais forte personagem feminino em um western de John Ford, diretor que sempre ressaltou a importância da mulher na formação do Velho Oeste. “Rio Grande” foi bem recebido pelo público sendo um dos grandes sucessos de bilheteria de 1950 e fazendo com que John Wayne se tornasse (pela primeira vez) o campeão de bilheterias daquele ano nos Estados Unidos. “Rio Grande” recebeu no Brasil o título de “Rio Bravo”.

Rio Grande tinha como estrela a maravilhosa Maureen O’Hara e foi rodado em apenas 30 dias, sendo os primeiros 22 dias no Monument Valley e o restante nos estúdios. Todo o elenco teve que comer muita poeira e passar calor durante o dia e frio à noite naquele vale monumental que era o cenário preferido de Ford. Esse lugar de arrebatadora beleza natural era iluminado, todas as manhãs, pelo esplendoroso rosto da cativante irlandesa Maureen O’Hara que com seu sorriso e seu olhar irradiava inconfessáveis desejos em todos os homens.

Apelidada no meio cinematográfico de “A rainha do Technicolor”, a irlandesa Maureen O’Hara Ícone de beleza, com belos olhos verdes e cabelo ruivo, a irlandesa Maureen foi elogiada por cineastas como John Ford, com quem fez cinco filmes, pela sua combinação de doçura e gênio explosivo. O sorriso encantador era uma de suas principais características. Além de “Depois do vendaval”, ela foi a estrela de “Como era verde o meu vale” (1941), “Milagre na Rua 34” (1947), “O corcunda de Notre Dame” (1939), entre outros.

Depois de passar por dois casamentos, o primeiro com o produtor britânico, George Brown (12/06/1939 a 15/09/1941), e o segundo com o cineasta americano, Will Price (29/12/1941 a 11/08/1953), Maureen encontrou sua merecida felicidade pessoal ao se casar, em 11/03/1968, com o General Charles Blair, um famoso aviador e amigo de muitos anos de sua família. Em 1973, após atuar em “O Potro Vermelho”, Maureen retirou-se do cinema para trabalhar com o marido em sua empresa de aviação, “Antilles Airboats”, no Caribe. Após a morte de Blair, num desastre aéreo em 1978, Maureen foi alçada ao cargo de presidente da empresa, tornando-se a primeira mulher a dirigir uma Companhia Aérea nos Estados Unidos.

Maureen foi a protagonista de um dos beijos mais antológicos da história do cinema, no filme “Depois do vendaval”, de 1952, numa cena em que tenta escapar de um casebre e é puxada de volta para dentro e, em seguida, para os braços e os lábios de John Wayne. Segundo informa o jornal O Globo ao noticiar sua morte(24 de outubro de 2015, aos 95 anos), em seus últimos momentos, os parentes a homenagearam colocando para tocar a trilha de seu filme favorito, “DEPOIS DO VENDAVAL”.

Entre 1991 e 2000, Maureen ainda aceitou estrelar quatro outros filmes, todos realizados para a televisão. Importante nome da história do cinema, a artista ficou conhecida como “rainha do Technicolor” porque, quando o processo começou a ser usado, nada parecia mais impactante do que seus cabelos ruivos. De acordo com o jornal “The New York Times”, um crítico chegou a escrever, em 1950: “Em Technicolor, O’Hara parece significar mais do que um sol se pondo”.

PAUL NEWMAN – O HOMEM DOS OLHOS AZUIS

“Às vezes Deus cria seres perfeitos, e Paul Newman era um deles”, afirmou, certa vez, a atriz Sally Fields. “Há um ponto em que os sentimentos vão além das palavras. Perdi um verdadeiro amigo. Minha vida e este país são melhores porque ele esteve em ambos”, resumiu Robert Redford, amigo e companheiro do ator. Poucas vezes, se viu tanta unanimidade, admiração e respeito por um astro de Hollywood. O ator e diretor Paul Leonard Newman, que completaria 93 anos de idade, fumante e alcoólatra inveterado, morreu de câncer no pulmão, aos 83 anos, no dia 26 de setembro de 2008.

Atuou no filme “Gata em Teto de Zinco Quente” (1958), quando ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, “Exodus”(1960), ”Doce Pássaro da Juventude” (1962), Criminosos Não Merecem Prêmio (1963), O Indomado ( 1963) , Rebeldia Indomável (1967), Hombre (1967), e um dos maiores sucessos de sua carreira: “Butch Cassidy”/Dois Homens E Um Destino (1969), contracenando com o amigo Robert Redford. A dupla repetiria a fórmula, quatro anos depois, com “O Golpe de Mestre”, que ganharia o Oscar de melhor filme de 1973. Além de ator, Paul Newman dirigiu e produziu vários filmes, entre eles “Rachel, Rachel”(1968), estrelado por sua esposa, Joanne Woodward, pelo qual ganhou o Globo de Ouro de melhor diretor. Indicado uma dezena de vezes ao Oscar, finalmente acabou ganhando a estatueta pela atuação em “A Cor do Dinheiro”(1986).

Um dos homens mais bonitos do mundo, adepto da filantropia, casado por 50 anos com a mesma mulher, ainda com ares de apaixonado. A vida do ator Paul Newman parecia saída de um grande clássico das telas. Ao olhar de perto, no entanto, a história do astro tem detalhes nada glamorosos, como seu alcoolismo e um caso que teve com uma jornalista. Outro momento complicado é o drama com o filho Scott, que morreu de overdose de álcool e drogas aos 28 anos. – Ao morrer, o ator deixou seis filhas -, “Paul Newman bebia muito álcool e não sabia lidar com o vício do filho. E ele próprio já era filho de um homem com quem não tinha boa relação”, confirma seu biógrafo, o jornalista Shawn Levy.

Lenda indiscutível do cinema americano cujos olhos azuis, possivelmente os mais famosos de Hollywood e os que mais suspiros provocaram, serão tão lembrados quanto sua brilhante carreira. Eterno aspirante ao Oscar, ganhou um honorário pelo conjunto de sua carreira em 1986 e no ano seguinte finalmente o conquistou por seu papel em “A Cor do Dinheiro“, de Martin Scorsese, quando já tinha 61 anos e uma longa carreira nas costas. Conhecido como a “Lenda dos olhos azuis de Hollywood” era um fumante e alcoólatra inveterado. Em que pese ter tido um suposto caso fora do casamento, no campo da fidelidade ele costumava dizer que, “Porque circular por aí com um hambúrguer, quando você tem carne de primeira em casa?”.

Paul Newman atuou em 58 filmes, apenas seis deles westerns. Um de nós morrerá(1958); – Quatro confissões(1964); – Hombre(1967); – O Homem da Lei(1967); – Oeste Selvagem(1976); – Butch Cassidy(1969), sendo que o filme “Butch Cassidy” contracenando com o seu amigo Robert Redford é um dos westerns que maior bilheteria atingiu no cinema por ser um filme romântico, divertido e nostálgico. Paul Newman foi um dos mais consagrados atores do cinema norte-americano em todos os tempos. Nove vezes indicado ao prêmio Oscar de Melhor Ator e uma indicação como Melhor Ator Coadjuvante, Newman recebeu ainda um Oscar por seu trabalho humanitário e outro Oscar honorário por sua contribuição artística para a indústria cinematográfica.

No Filme Butch Cassidy, Um dos filmes de faroeste de maior sucesso da história do cinema. Um clássico premiado com o Oscar que mistura aventura, romance e comédia ao contar a história verídica dos fora-da-lei mais simpáticos do velho oeste. Ninguém é mais rápido que Butch Cassidy (Paul Newman) para bolar esquemas para ficar rico, e seu parceiro Sundance (Robert Redford) é imbatível com seu revólver. Quando estes dois atrapalhados ladrões de bancos e de trens se cansam de fugir da justiça partem para a Bolívia com a namorada de Sundance (Katharine Ross). Nenhum dos dois sabe espanhol o suficiente para dizer “isto é um assalto!!!”, mas isso é só detalhe sem importância para os dois “vilões” mais simpáticos que já cavalgaram pelo Oeste.

Paul Newman passou sua vida tentando fugir do estigma de um belo rosto, por isso, geralmente interpretava personagens rebeldes que combatiam o sistema. Entretanto todos nós sabemos que seu belo rosto e seus penetrantes olhos azuis, sempre ajudaram muito a sua prodigiosa carreira. Por ironia do destino, o dono dos mais famosos olhos azuis de Hollywood era daltônico(pessoa que não consegue distinguir certas cores). Mas, apesar disto, enxergou como poucos as injustiças sociais de seu país e do mundo. Lutou e fez o que pode para repará-las. A vida digna, engajada e corajosa do cidadão Paul Newman foi o seu melhor papel. E o seu maior legado.

JAMES STEWART, O DEDO DURO DO FBI

Por ser possuidor de um caráter íntegro, James Stewart transformou-se num baita de um ator inesquecível ou memorável que foi reconduzido na personificação do herói nacional norte-americano em filmes como A Felicidade não se Compra (1946) ou A Águia Solitária (1957). Suas interpretações foram sempre marcadas pelo personagem desajeitado e pelo modo de falar inseguro. As colaborações com o diretor Alfred Hitchcock reforçaram a sua identificação com o modelo de norte-americano médio, de perfil simples e de enorme caráter, especialmente em Janela Indiscreta (1954) e Um Corpo que Cai (1958). Stewart nunca interpretou papéis de vilão, nem sequer nos muitos westerns que protagonizou como o espetacular filme, O Homem que Matou o Facínora (1961), ao lado do Papa dos filmes de faroestes, John Wayne.

Pois bem!!! O presidente americano Harry Truman costumava dizer que, se um dia tivesse um filho, queria que ele fosse como o ator James Stewart (1908-1997). O presidente democrata sabia do alcance de sua afirmação: não havia em Hollywood, e não houve até o aparecimento de Tom Hanks, nenhum ator com melhor imagem de pureza e honestidade como James Stewart. Patriota ao extremo, como também mulherengo que era, se tornou um convicto Monogâmico após se casar com a socialite Gloria Stewart e nunca mais foi visto na companhia de nenhuma outra mulher. Assim, diante desse anjo de candura e exemplo de bom-mocismo, James Stewart era racista e delator, tendo colaborado por livre e espontânea vontade com a caça às bruxas (entenda-se caça aos comunistas). Stewart foi informante direto do FBI em sua época, que via em Hollywood comunistas escondidos até em recheios de pasteis.

Pesquisando sobre a vida do ator percebe-se claramente que, o seu envolvimento com a deduragem afirmando que teria delatado apenas os comunistas mais notórios, tudo aquilo se valia do ator e futuro presidente americano Ronald Reagan como garoto de recados para a entrega de seus dossiês. A queda de Stewart para a delação “nasceu com bons propósitos” (se é que há propósito saudável num delator): o seu ideal era o de barrar a ascensão do crime organizado em Hollywood, como também o comunismo desembestado. As atividades do ator como informante do FBI, lhe custaram, inclusive, a perda da amizade de Henry Fonda – eles eram inseparáveis desde a juventude e chegaram a morar juntos numa fazenda em Hollywood. O FBI, de fato, investigava tudo e todos, e não poupou sequer o seu próprio informante: também a vida de James Stewart foi vasculhada devido à boataria de seu suposto envolvimento homossexual com Henry Fonda(pai de Jane Fonda).

Voltando-se a sua atividade cinematográfica, James Stewart foi um dos atores mais queridos do cinema norte-americano e um dos favoritos dos fãs de faroestes. Mas, conforme nos confidencia o crítico de cinema Darci Fonseca, Stewart poderia ter sido qualquer coisa na vida, menos ator. Magro demais, desengonçado, parecendo tropeçar nas próprias pernas, porém pior do que a presença física de James Stewart era sua voz meio fanhosa parecendo ter um ovo quente na boca e gaguejando nervosamente. Pois foi com todos esses “defeitos” que James Stewart venceu em Hollywood e pode-se afirmar que poucos atores participaram de um número tão grande de obras-primas e clássicos do cinema quanto ele.

Quando jovem James Stewart aprendeu a tocar acordeão, instrumento que fazia muito sucesso aqui no Brasil nos anos 50, época em que a RCA Victor praticamente só prensava discos de Luiz Gonzaga, “O Rei do Baião”. Instrumento da moda, as moçoilas iam aos conservatórios musicais sonhando em serem novas Adelaide Chiozzo, atriz e acordeonista brasileira, estrela da Atlântida Cinematográfica e renomada cantora da Rádio Nacional. E que ninguém chamasse o acordeão de “sanfona”, pois saía até briga… James Stewart nas horas vagas gostava de dedilhar seu acordeão e sonhava poder aparecer num filme tocando esse instrumento. A oportunidade surgiu com “A Passagem da Noite”, em que além de tocar, James Stewart se meteu a cantar também…

Em se tratando de filme faroeste, ninguém ganhou mais dinheiro que James Stewart nos anos 50, nem mesmo John Wayne, Gary Cooper ou Marlon Brando. A galinha dos ovos de ouro que apareceu na vida de Stewart foi o filme Winchester 73, o western que mudou Hollywood. Em 1950 James Stewart estava com 42 anos de idade e há 15 anos no cinema. Stewart deu um xeque-mate nos donos dos estúdios, justamente com o western “Winchester 73”, mudando radicalmente o sistema de se fazer cinema. Analisando a película cinematográfica, o Winchester 73 é um filme norte-americano passado em tempos áureos do velho-oeste, dirigido pelo consagrado diretor Anthony Mann que eu recomendo aos cinéfilos de bang bang. O rifle Winchester 1873, o qual dá título ao filme, é mostrado como a melhor e mais desejada arma do faroeste. Um dos grandes westerns da história. A arma acaba se tornando um dos personagens. Vale a pena assisti-lo!!!

Por fim, James Stewart foi um aclamado ator americano de cinema, teatro e televisão. Atuou em inúmeros filmes considerados clássicos, e foi indicado a cinco prêmios de Oscar de Melhor Ator, ganhando em 1941 por seu papel em Núpcias de Escândalo. Além disso, recebeu um Oscar Honorário, em 1985, pela sua carreira. James Stewart foi casado com Gloria Stewart por 45 anos, ou seja, até 1994, quando ela veio a falecer. O casal teve duas filhas gêmeas, Kelly e Judy. A morte da esposa fez com que sua vida deixasse de fazer sentido. Ele começou, então, a sofrer uma série de problemas de saúde que culminaram com sua morte em julho de 1997 de embolia pulmonar, aos 89 anos de idade. Logo abaixo, assista ao vídeo de 2 minutos do filme original Winchester 73.

BURT LANCASTER A UM PASSO DA ETERNIDADE

Há quem diga que um perfume masculino muito usado nos anos 60, por nome de LANCASTER seja proveniente ou tenha sido criado em razão da fama do ator norte-americano Burt Lancaster, o que não é verdade. No Brasil, o cantor brega Reginaldo Rossi, já falecido, tem uma música intitulada A Raposa e as Uvas do começo da década de 1980 que consta em uma das suas estrofes a seguinte frase: Eu todo cheiroso à “lancaster”/E você à “chanel”… Na verdade, Lancaster era um Perfume argentino muito usado na época, tendo dado até o nome a uma casa noturna de São Paulo, na Rua Augusta, muito badalada e o Lancaster era um perfume masculino intenso que se usava no ambiente. A empresa foi criada em Mônaco, por um ex-piloto do avião de bombardeio Lancaster, na Segunda Guerra Mundial, mas a fragrância tinha como país de origem: Argentina.

Pois bem!!! Além de ator e produtor, Lancaster foi também um empenhado ativista liberal, falando várias vezes em nome das minorias e defensor intransigente das causas indígenas. Foi um dos astros de Hollywood que participaram da marcha de Martin Luther King em Washington, em agosto de 1963 junto com Charlton Heston . Ele veio da Europa, onde estava rodando um filme, apenas para participar do evento. Burt Lancaster era o que se pode chamar de homem culto e distante da ostentação da maioria dos astros de cinema. No final da década de 60 ocorreram muitas manifestações sociais pelos direitos humanos, especialmente dos negros. Liberal por princípio e DEMOCRATA politicamente, Burt Lancaster associou seu nome a esses movimentos, ao lado de Marlon Brando, Paul Newman, Sidney Poitier, Harry Belafonte, Charlton Heston.

O bom cinéfilo paulista, Darci Fonseca, costuma afirmar que, Hollywood jamais teve outro ator como Burt Lancaster. Bonito, másculo, atlético, culto, autoritário, perfeccionista. Incansável na busca do aprimoramento artístico e de novos caminhos para sua carreira, Burt Lancaster deixou um conjunto de atuações memoráveis difícil de ser igualado. Nos anos 70, o quase sexagenário Burt Lancaster atuou em quatro westerns: “Revanche Selvagem”, “Mato em Nome da Lei”, “Quando os Bravos se Encontram” e “A Vingança de Ulzana”, este o melhor deles. Essa sequência de westerns é algo impensável para um ator veterano e nenhum outro astro de sua geração seria capaz de tal proeza.

Foi nos anos 1950 que alcançaria a maior popularidade, tendo sua primeira indicação ao Oscar de melhor ator, de 1953, pela atuação no filme “A Um Passo da Eternidade”. Receberia mais três indicações: em 1960 pelo já citado Entre Deus e o Pecado; em 1962 por O Homem de Alcatraz e em 1980 por Atlantic City. Além das interpretações dramáticas, Lancaster brilhou em filmes nos quais podia exibir sua excelente forma atlética(fora atleta de basquete e corredor de rua), como no drama Trapézio (1956). Trabalhou em seis filmes com o ator centenário Kirk Douglas: Sem Lei e Sem Alma(1957); – O Discípulo do Diabo(1959); – A Lista de AD(1962); – Sete Dias de Maio(1964), e o derradeiro em 1986: Os Últimos Durões.

Quando se fala em burt lancaster vem a nossa memória, “A Um Passo da Eternidade”. Para se ter ideia da importância desse filme, que teve a participação de Frank Sinatra, ele foi contemplado com 8 Oscars, inclusive o de Melhor Filme. Além de contemplado, também foi indicado para outros quatro. É uma excelente realização do cineasta Fred Zinnemann, que mostra um forte apelo para homens e mulheres. Há, ainda, um apelo ao patriotismo americano, especialmente na cena onde heroicos soldados liderados por Burt Lancaster derrubam um bombardeiro japonês. O foco do filme gira em torno dos romances vividos por Burt Lancaster e Deborah Kerr e por Montgomery Clift e Donna Reed. Esses quatro grandes atores, juntamente com Frank Sinatra, apresentam excelentes atuações. A performance de Lancaster pode ser considerada a coluna vertebral do filme.

Dez anos depois do sucesso do filme A um Passo da Eternidade, em 1963, aparece O Leopardo, uma produção bancada pela Itália/França, com um elenco composto por Burt Lancaster, Alain Delon e Claudia Cardinale. O Leopardo, filme de 1963, apresenta a história de uma família de nobres da Sicília nos anos de 1860, durante a unificação da Itália. No que diz respeito a FAROESTE, o melhor trabalho de Lancaster foi no filme Os Profissionais(1966), com um elenco de primeira grandeza a começar por ele, depois vem Lee Marvin, Jack Palance, Ralph Bellamy, o negão Woody Strode e a divina e maravilhosa Claudia Cardinale.

Por fim, após sofrer uma cirurgia de urgência no coração, teve uma trombose cerebral em 1990, que o deixou numa cadeira de rodas, vindo a falecer quatro anos depois de um ataque cardíaco. Encontra-se sepultado em Westwood Memorial Park, Los Angeles, Condado de Los Angeles, Califórnia nos Estados Unidos. Possui uma estrela na Calçada da Fama localizada em Hollywood Boulevard. Acredita-se que Lancaster fosse bissexual, e teria tido relações com outros atores famosos como Cary Grant e Rock Hudson. Burt Lancaster protagonizou uma das cenas mais lembradas do cinema até hoje: o ardente beijo no mar com a atriz Deborah Kerr em A Um Passo da Eternidade, um dos seus maiores sucessos do cinema preto & branco.

Curta aqui, neste blog, ao clássico A um Passo da Eternidade (1953), com ênfase para Frank Sinatra, um trailer de 20 minutos:

CHARLTON HESTON – DE DEMOCRATA A REPUBLICANO

Ao pesquisar a biografia desse ator, logo de cara constata-se que, Em 1952, o filme “O Maior Espetáculo da Terra”, transformou Heston numa estrela de primeira grandeza do cinema. A partir dali, seu porte ereto, sua altura e o perfil musculoso, lhe dariam os papéis mais simbólicos nas superproduções em séries dos anos 50 do cinema norte-americano. Em seguida apareceram, Os Dez Mandamentos (1956); – Ben-Hur (1959); – El Cid (1961). Em toda sua trajetória no mundo encantado de Hollyood, Charlton Heston, como profissional abnegado, teve uma vida inteira de austeridade e coerências que fez com que este exuberante ator de 1,88m, atlético, rosto forte, de ossos salientes, se encaixasse com perfeição a personagens como Moisés, Michelangelo, Ben-Hur, João Batista, El Cid ou o Cardeal Richelieu.

Quanto aos filmes faroestes estrelados por Heston, como diz o cinéfilo Darci Fonseca, nem bem encostou o cajado e o manto usados por Moisés em “Os Dez Mandamentos” Charlton Heston rumou para Tucson, Arizona para interpretar um cowboy no western “Trindade Violenta”. Para dirigir este faroeste melodramático passado no Texas foi escalado um profissional de primeira qualidade. O filme foi roteirizado por James Edward Grant, roteirista preferido de John Wayne e a bela cinematografia ficou a cargo de outro excelente profissional que três anos antes recebera um Oscar pela fotografia de “Os Brutos Também Amam”. Charlton Heston gostou do roteiro deste filme que encerraria seu contrato com a Paramount, especialmente porque seu personagem se distanciava em muito da bondade e dignidade de Moisés.

Outro faroeste indígena que não tinha nada a ver com a bondade do personagem Moisés foi a película O Último Guerreiro. Para se ter ideia da brutalidade desse filme eis o diálogo encontrado nele: “Não estou entre homens… Ao meu redor estão animais… Não sossegarei até que o último apache esteja morto”. Frases como estas são proferidas por Ed Bannon (ator Charlton Heston), o ‘herói’ de “O Último Guerreiro”, um dos filmes mais racistas e mais preconceituosos dos faroestes já produzidos por Hollywood. Os diretores e roteiristas Marquis Warren e Burnett, convidaram Charrlton Heston e Jack Palance para serem os respectivos protagonistas e conseguiram transformar um enredo ruim num bang-bang dos bons. Porém, O Último Guerreiro é um filme excessivamente cruel, maléfico, impiedoso, crudelíssimo!!! Atribui-se ao General Philip Sheridan, do Exército norte-americano, a frase “Índio Bom É Índio Morto”. Em “O Último Guerreiro” esse raciocínio é levado ao pé da letra e todos os apaches são mostrados como traiçoeiros, bárbaros, ingênuos e por fim, covardes!!!

A figura da qual estamos tratando foi um ator norte-americano notabilizado no cinema por papéis heroicos em superproduções da época de ouro de Hollywood. Heston se considerava um anti-astro, diante da ilusão que o público criava em torno dos atores de Hollywood, e que depois eram ridicularizados quando apareciam bêbados ou envolvidos em ocorrências policiais. Certa vez, quase oitentão, afirmou: “Sempre levei uma vida respeitável, sou casado com a mesma mulher há mais de 50 anos, tenho dois filhos normais e nunca saí por aí dando sopapos em ninguém depois de uma noitada”, disse ele. Mas Heston também estava enganado. Ele foi um astro de verdade, no sentido literal da palavra e exatamente por ser o oposto de tudo o que o termo representa em Hollywood.

Pois bem!!! Na política, Charlton Heston chegou a ser um liberal democrata e fez campanha para o candidato à presidência John Kennedy. Ativista pelos direitos civis aos negros, ele acompanhou Martin Luther King durante a Marcha pelos direitos civis a Washington, em 1963, chegando a usar uma faixa onde se lia “Todos os Homens Nascem Iguais”. Em 1968, após o assassinato do senador Robert Kennedy, ele apareceu num programa da TV americana junto com Gregory Peck e Kirk Douglas pedindo apoio para o presidente Lyndon Johnson e sua tentativa de aprovar no Congresso o Ato a favor do controle de armas(?) nos Estados Unidos.

Anos mais tarde diria que nesta ocasião era jovem e tinha sido bobo e tolo. Heston também ficou conhecido como um oponente do Macartismo e da segregação racial nos Estados Unidos, que, segundo ele, apenas ajudavam a causa do comunismo mundial, além de ter sido um grande crítico de Richard Nixon, que considerava um desastre. Entretanto, a partir dos anos 80, numa mudança brusca, Heston passou a ostentar posições mais conservadoras, trocando seu registro eleitoral do Partido Democrata para o Partido Republicano, apoiando o direito às armas de fogo e fazendo campanha para Ronald Reagan e os presidentes Bush pai e Bush filho.

Além de ter se tornado um fiel republicano fanático, muito amigo de Ronald Reagan, também foi um firme defensor do direito dos americanos de usar armas, como demonstrou através da poderosa National Rifle Association, que presidiu durante muitos anos. Charlton Heston nunca escondeu que sempre foi a favor das armas. O astro ganhou o Oscar por seu papel em “Ben-Hur”. O ator americano Charlton Heston morreu em 05/04/2008, com 84 anos de idade em sua casa em Bevery Hills, Califórnia, devido às complicações físicas provocadas por uma doença degenerativa similar a “Alzheimer”.

CLIC no link logo abaixo para assistir as imagens dos 40 melhores filmes do ator Charlton Heston, tanto protagonizados pelo próprio, como também Incluindo filmes dele desempenhando o papel de ator coadjuvante:

OS 150 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS, SEGUNDO OS CRÍTICOS:

Ao longo da história do cinema, diversas produções cinematográficas se transformaram em verdadeiros marcos. Seja pela trama irreverente, pela direção genial e até pela atuação do elenco, esses títulos inovaram e reinventaram a sétima arte. Para relembrar os melhores deles, a Bula reuniu em uma lista os filmes mais aclamados pela crítica em todos os tempos. Foram consideradas para a seleção ficções, documentários e animações de longa-metragem. A classificação considerou a avaliação de críticos de cinema, filtradas a partir da plataforma do website americano Metacritic. Apesar de os clássicos terem se destacado mais, alguns filmes recentes também conquistaram boas posições no ranking, como é o caso de “Projeto Flórida” (2017), de Sean Baker; e “Lady Bird: A Hora de Voar” (2017), de Greta Gerwig.

150 — Quero ser John Malkovich (1999), Spike Jonze

149 — Antes do Pôr-do-Sol (2004), Richard Linklater

148 — Os Incríveis (2004), Brad Bird

147 — King Kong (1933), Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack

146 — Topsy-Turvy: O Espetáculo (1999), Mike Leigh

145 — Procurando Nemo (2003), Andrew Stanton e Lee Unkrich

144 — Isto Não É um Filme (2011), Mojtaba Mirtahmasb e Jafar Panahi

143 — My Perestroika (2010), Robin Hessman

142 — It’s Such a Beautiful Day (2012), Don Hertzfeldt

141 — Caminhos da Alma (2012), Zhang Yang

140 — O Doce Amanhã (1997), Atom Egoyan

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LEE VAN CLEEF, O FEIOSO DOS FILMES DE FARORESTE

Apesar de seus pais serem descendentes de holandeses, Cleef nasceu em solo americano em janeiro de 1925, em Somerville, New Jersey, com o nome de, Clarence Leroy Van Cleef Jr. Lee Van Cleef morreu em 1989 com 64 anos de idade em sua residência em Oxnard, Califórnia, vítima de um ataque cardíaco fulminante (infarto). Sua lápide diz “Lee Van Cleef – 9 de janeiro de 1925 – 16 de dezembro de 1989″ – Best of the Bad – Love and Light ” (Melhor dos Maus – Amor e Luz). Em 1958 aconteceu uma tragédia pessoal: Lee dirigia seu automóvel de retorno para casa com a esposa e os filhos quando o carro dele colidiu frontalmente com outro veículo e o ator fraturou o braço esquerdo em dois lugares e teve praticamente destruído o joelho esquerdo. Após delicadas cirurgias os médicos diagnosticaram que Lee só voltaria a caminhar com auxílio de uma bengala e que nunca mais poderia andar a cavalo. Episódio este, que ele superou tornando-se o cavaleiro mais elegante de sua época, no Velho Oeste, tanto no montar como ao descer do cavalo. Era um cavaleiro de quase um metro e noventa, sendo garboso, esbelto e cheio de estilo no manusear da rédea do cavalo.

Lee Van Cleef passou por um mau bocado. Nessa fase de vacas magras, poucos filmes e muitos bicos em séries de TV. Lee foi chamado para ser um dos capangas de Lee Marvin em “O Homem que Matou o Facínora”, estrelado pelo Papa do faroeste, John Wayne. Mas não demoraria muito para Lee ficar tão famoso quanto os astros de “A Conquista do Oeste”, conquistando seu espaço num território estranho, o território do Spaghetti Western. Posteriormente, foi oferecido a Van Cleef um salário de 17 mil dólares, enquanto este mesmo convite fora feito a Charles Bronson e a oferta havia sido de 50 mil dólares, pouco dinheiro, mas que ajudaria a resolver os problemas financeiros do ator. O filme foi “Por uns Dólares a Mais”. O público ficou impressionado com o personagem Mortimer que dividiu as atenções dos espectadores com o astro Clint Eastwood. Com o sucesso obtido Lee Van Cleef recebeu duas novas ofertas de trabalho dos produtores italianos.

Com uma grande ajuda do diretor e roteirista Sergio Leone, Lee chegou ao auge de sua carreira a ser considerado o feio mais adorado no mundo do bang bang – Os novos trabalhos de Lee Van Cleef seriam o próximo western de Sergio Leone um escritor e roteirista que se aventurava na direção de um spaghetti western. No filme de Leone, o feioso Lee Van Cleef se tornou também protagonista, pois o título escolhido foi “Il buono, Il brutto, Il Cativo”, traduzido para muitas línguas como “O Bom, o Mau, e o Feio”. Claro que Lee deveria ser o “FEIO’”, mas Lee é o “Mau”, ficando o “Feio” para Eli Wallach. Lançado no Brasil como “Três Homens em Conflito”, esse terceiro Spaghetti Western de Van Cleef se transformou num estrondoso sucesso no mundo todo e o público se dividia na preferência entre os três homens em conflito: Lee, Eli Wallach e Clint Eastwood. Foi com esse filme que o mercado norte-americano se abriu para o Spaghetti Western, mais especialmente para os faroestes de Sergio Leone que se tornaram grande influência no gênero também em produções de Hollywood.

O Bom, o Mau e o Feio, rebatizado como “Três Homens em Conflito(1966)” é uma obra-prima do cinema. Está entre os melhores faroestes de todos os tempos, disparado!!! Em que pese ser uma exibição de longa duração de quase três horas, o filme é perfeito: direção, roteiro, trilha sonora: “inigualáveis”. Os 3 atores – Clint, Eli Wallach e Van Cleef – são verdadeiros “Monstros Sagrados” em seus papéis. Nunca vi um filme tão perfeito em tudo, do começo ao fim é simplesmente espetacular!!! Nele, a interpretação encarnada pelo “Feio” é fantástica. Seu olhar, sua ironia, sua risada, ele chamando o Clint de “lourinho” durante todo o filme, dá o toque exato da perfeição!!! Se eu tivesse que escolher os três melhores filmes de bang bang que já vi em toda minha vida, sem sombra de dúvidas, este com certeza faria parte da trilogia do bom faroeste: Lee Van Ceef, Eli Valach e o inigualável Clint Eastwood que fez um papel exuberante nesta ótima película. Recomendo com louvor. É filme para se ter uma cópia em casa, para mostrar para os filhos, netos e todos aqueles que desejam apreciar um filme arte, e perfeito em tudo, com destaque, também, para a trilha sonora, que é inesquecível. Talvez, esta projeção, não seja o maior papel já interpretado por Lee Van Cleef, mas é o melhor filme de Clint Eastwood.

Entre os 50 westerns da carreira de Lee Van Cleef, destacam-se alguns bons filmes como: 1952 – Matar ou Morrer; – 1953 – Bando de Renegados; – 1954 – Duelo de Assassinos; – 1955 – Arizona Violento; – 1956 – Honra a um Homem Mau; – 1957 – O Revólver Silencioso; – 1957 – O Bandoleiro Solitário; – 1957 – O Homem dos Olhos Frios; – 1957 – E o Morto Venceu; – 1958 – Na Fúria de uma Sentença; – 1959 – O Homem que Luta Só; – 1961 – Quadrilha do Inferno; – 1962 – A Conquista do Oeste; 1965 – Por uns Dólares a Mais; – 1966 – O Dia da Desforra; – 1966 – Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo); – 1967 – A Morte Anda a Cavalo; – 1968 – Um Colt… para os Filhos do Demônio; – 1969 – Sabata, o Homem que Veio para Matar; – 1971 – Sabata Vem para Vingar; – 1972 – O Último Grande Duelo; – 1975 – Cavalgada Infernal; – 1976 – A Arma Divina; – 1977 – A Vingança.

Após virar um dos maiores nomes do bem sucedido filão descoberto pelos produtores italianos, Lee Van Cleef passou a atuar quase que exclusivamente em coproduções europeias. Garantia absoluta de bilheteria, Lee Van Cleef era o ator principal dos filmes em que atuava. Muito interessante observar que, no meu simplório modo de entender, os filmes de faroeste feito por italianos, são bem melhores do que os americanos em vários quesitos, um deles, as trilhas sonoras, os atores apresentam mocinhos e bandidos mais perto da realidade da época, sujos, dentes amarelados e sem o exagero de roupas JEANS. Já os americanos apresentam e se prendem mais aos mocinhos bonitinhos, porém os bandidos categoricamente são feios e “malamanhados”. Agora, uma coisa não se pode negar nos filmes de cawboy norte-americano: Os cenários… Neste quesito eles são impecáveis, magníficos, detalhistas, deslumbrantes!!!

Pois bem, o último filme que contou com a participação de Van Cleef foi “Thieves of Fortune”, rodado em 1989 e lançado após a morte do ator. Lee vinha há algum tempo lutando contra um câncer na garganta e um ataque cardíaco fulminante abreviou seu sofrimento. Como curiosidade, Cleef começou a fumar cachimbo quando estava na Marinha e nunca deixou o hábito, o que pode ser comprovado em inúmeros filmes em que seu cachimbo aparece na tela tanto quanto o arsenal de diferentes armas que Lee manejava com perícia. Além da elegância de andar, descer ou subir em um cavalo, e mais ainda a precisão e rapidez do saque de sua arma. Agora, seu charme maior e irresistível eram suas famosas baforadas nos famosos cachimbos que usou durante os seus filmes. Por último, rogo e recomendo com louvor, aos adeptos do faroeste assistirem ao filme O Bom, o Mau e o Feio, rebatizado como “Três homens em Conflito (1966)” . É uma baita exibição, uma grande projeção, um filme à altura de atores renomados como Cleef (O Mau), Eli (O Feio) e Clint (O Bom)…

MARLON BRANDO – UM ÍCONE DO CINEMA MUNDIAL

Sem a menor sombra de dúvida, Vito Corleone, o Poderoso Chefão, mais conhecido como Marlon Brando, está entre os dez homens mais bonitos que atuaram na cinematografia hollywoodiana. Ele morreu em 2004, aos 80 anos, em Los Angeles, vítima de insuficiência respiratória, pobre, amargurado e gordo, pesando mais de 120 quilos. Brando era magnético, elétrico, encantador. Foi o maior ator de sua época. Lindo, seduziu centenas de mulheres, dormiu com metade de Hollywood e destruiu a vida de muita gente. Segundo o crítico de cinema François Forestier, “Marlon Brando era um extraordinário sedutor. No livro que escrevi ele tinha tantas amantes que parecia mais um catálogo telefônico”, diz o escritor. O mito de Brando é tão esmagador que ele se torna mais importante que seus filmes. Sua arte transcende tudo basta ver ou assistir ao grande ator de obras primas como Sindicato de Ladrões (1954), Viva Zapata!!! Último Tango em Paris (1972) e O Poderoso Chefão(1972). Poucos ícones do cinema uniram dessa forma talento, beleza e aparência privilegiada.

Marlon Brando usava o sexo como forma de poder sobre as pessoas, pois tinha mais filhos do que pau-de-arara fugitivo da seca nordestina para São Paulo, e parece que tudo tinha nascido de uma ninhada só. três filhos que teve com sua empregada doméstica Christina Ruiz. Brando teve um lote de seis filhos mais de mulheres não identificadas, e outra tuia de sete, estes reconhecidos. Pela cama de Brando passaram mulheres famosas como Ava Gardner(mulher de Frank Sinatra que ameaçou castrá-lo), Marilyn Monroe, Grace Kelly, Shelley Winters, Ursula Andress e um cambada de anônimas. Entre os homens, enlouqueceu Tennessee Williams e Jean Cocteau. O diabo brando teve atrizes, homens, intelectuais, datilógrafas, costureiras, Hollywood, quem quisesse, todos aos seus pés. Os mais próximos chafurdaram no álcool e nas drogas, enlouqueceram, cometeram assassinato, se mataram, fugiram do brilho cego do monstro. “Era o Demônio”, dizia sua filha Cheyenne, que se suicidou aos 25 anos. Um dos filhos desastrados de Brando assassinou um homem e ele gastou uma tremenda grana para livrar o peça ruim da cadeia.

Marlon Brando foi um ator saudado por trazer um estilo realista emocionante na atuação de seus papéis, e é amplamente considerado como um dos maiores e mais influentes atores de todos os tempos. Considerado um dos mais importantes atores do cinema dos Estados Unidos, Brando foi um dos três únicos atores profissionais, juntamente com Charlie Chaplin e Marilyn Monroe, a fazer parte da lista de 100 pessoas mais importantes do século compilada pela revista Time, em 1999. Do lado positivo do homem Marlon Brando destacou-se, também, um ativista, apoiando diversas causas, mais notavelmente o movimento dos direitos civis dos negros e diversos movimentos em defesa dos índios. É mais conhecido pelos seus papéis como Emiliano Zapata em Viva Zapata!!! (1952), Durante os anos 70, ele foi mais famoso por seu desempenho vencedor do Oscar de melhor ator como Don Vito Corleone, em O Poderoso Chefão. Os filmes de faroestes que mais ele veio a se destacar foram: Duelo de Gigantes, Sangue em Sonora e A Face Oculta. Brando é considerado um dos maiores e mais influentes atores do século XX. Na opinião do cineasta Martin Scorsese, “Ele é o marco. Há o “antes de Brando” e “depois de Brando”.

Percorrendo as páginas de Marlon Brando – A Face Sombria da Beleza, biografia lançada no Brasil compreende-se a razão para o desconforto que a evocação da figura materna trazia ao grande mito do cinema. A proposta do jornalista francês François Forestier foi mergulhar na turbulenta vida privada daquele que um dia foi chamado de maior ator do mundo para iluminar a trajetória pública de Brando, astro que foi voluntariamente se apagando em vida até a morrer recluso em sua mansão, amargando tragédias familiares e problemas financeiros. Neste livro que eu tive o privilégio de lê-lo, Brando é mostrado como um gigante imponente e frágil moldado numa família desestruturada. Segundo o autor, foi determinante na vida e na carreira de Brando o desajuste afetivo e social germinado na convivência com o pai autoritário e infiel e a mãe, atriz frustrada apaixonada por Shakespeare que o filho adolescente passou a resgatar entorpecida de bares e camas que ela percorria entre as idas e vindas com o marido.

Outras tragédias marcante na vida pessoal de Marlon Brando foram os casamentos irresponsáveis que se mostrariam desastrosos para sua sanidade e seu bolso. Ele era um sujeito traumatizado pelo alcoolismo da mãe. Brando foi um gigante que sucumbiu ao próprio peso. Mas, por que um homem que passou a vida celebrando suas amizades morreu solitário assistindo televisão, alguns anos depois de ter um filho preso por assassinato e amargar o suicídio de uma filha?!?!?!. Tragédia à parte, cinematograficamente falando, falar de Brando é falar de um antes e um depois na história do cinema. Todas as estrelas posteriores beberam dele, de James Dean a Paul Newman, de Robert De Niro a Al Pacino. Seu legado é tal que não há um só intérprete que não use Brando, um dos maiores ícones do cinema mundial, como sua referência. Marlon Brando foi um ator que se recusou a receber um Oscar: Assista ao vídeo logo abaixo.

ALAIN DELON, SÍMBOLO DA BELEZA MASCULINA

Mais uma vez faço uma “viagem digital”, através das ondas eletromagnéticas da Internet, ao torrão natal da gabaritada escritora que também é colunista do JBF, Violante Pimentel, para me socorrer do excelente arquivista, estudioso e cinéfilo de mão cheia, Antonio Nahud – lá da terra do sol e do sal no agradável Estado do Rio Grande do Norte, donde, de cabo a rabo se come uma carne-de-sol suculenta com macaxeira amanteigada de aroma e sabor inigualáveis -, para digitar essas tortuosas e desalinhavadas linhas(minhas) sobre o ícone da beleza cinematográfica, Alain Delon, ator de uma formosura e boniteza de prender a respiração de quem quer que seja, senão vejamos:

O francês Alain Delon, que por mais de 20 anos foi considerado “o homem mais belo do mundo” tornou-se um ator em que, sua própria vida daria um filme emocionante. Quando fez quatro anos seus pais se divorciaram, passando a ser criado por um casal que morava perto de uma prisão, onde ele brincava com os guardas. Esses pais adotivos foram misteriosamente assassinados e ele voltou a conviver com sua mãe, então casada com outro homem. Teve uma infância problemática e cheia de rebeldia, inclusive sendo expulso de várias escolas. Nem bem atingiu os 15 anos de idade parou de estudar. Em Paris, na adolescência, trabalhou como porteiro, garçom, secretário, vendedor e açougueiro.

A sorte grande ou o bilhete premiado caiu em suas mãos quando, em 1957, então com 22 anos, despretensiosamente, foi ao Festival de Cannes e, chegando lá, de imediato foi logo chamando atenção por sua formosura e uma beleza de tirar o fôlego. Um produtor norte-americano sentiu firmeza naquele encanto de jovem e lhe fez um convite para conhecer Hollywood oferecendo-lhe um contrato por tempo determinado, desde que aprendesse a falar inglês. Retornando a Paris para estudar o idioma da Rainha da Inglaterra, conheceu outro cineasta, que o convenceu a começar a carreira no seu próprio país.

Alain Delon um dos mitos do cinema europeu, comparado aos atores Gérard Philipe e Jean Marais. Protagonizou cerca de 80 filmes, ficando marcado como a estampa ideal para personagens solitários, sombrios, frios, violentos, que tem algo a esconder ou estão remoídos pela revolta e vingança. Segundo a crítica internacional, os grandes filmes protagonizados por Alain Delon foram: Rocco e seus Irmãos(1960), contracenando com Claudia Cardinale; -O Leopardo(1963), também com Claudia Cardinale e Burt Lancaster; -O Samurai(1967), contracenando com outra sua namorada: Nathalie Delon; -Cidadão Klein(1976); -A Piscina(1969), contracenando com a namorada austríaca Romy Schneider, namoro este que teve uma duração de 5 anos. A relação findou por causa de outra mulher, Nathalie. Em 1977, cinco anos antes de morrer, Romy Schneider confessou que Alain Delon foi o homem mais importante de sua vida. O ator, depois de madurão, também declarou que Romy foi seu grande amor e ela marcou muito em toda a sua vida. Delon casou-se 4 vezes com as mulheres Nathalie Delon, Mireille Darc, Rosalie Van Bremen e Romy Schneider (namorada).

Alain Delon, este ator francês, hoje com 83 anos, que já foi considerado a Brigitte Bardot masculino, recentemente, confessou em entrevista publicada pela revista Paris Match, que perdeu “a paixão” pelo mundo que o rodeia e que passa a maior parte de seu tempo “à toa”, rodeado de seus animais de estimação enquanto tenta desfrutar ao máximo de seus filhos e seus netos para “não morrer sozinho”. O célebre galã francês reconhece que é um homem nostálgico que frequentemente olha para o passado. Confessou o ator de “O Leopardo”: “Fui tão feliz como não se pode ser toda a vida e quero compartilhar o máximo que puder com meus filhos, pois não quero morrer sozinho”.

Dos seus quatro filhos, há um, Christian, mais conhecido como Ari, que é o filho que Delon “abortou”. Mesmo namorando a belíssima austríaca Romy Schneider, o ator fazia questão de deixar claro que não era exclusividade de ninguém. Em uma de suas aventuras, Delon conheceu a modelo alemã Christa Paffgen, mais conhecida como Nico. Depois de fazerem “naná”, o fruto do breve e inconsequente affair entre a modelo e o ator francês, veio ao mundo dia 11 de agosto de 1962, com o nome de Christian Aaron Boulogne. Renegado pelo pai, que jamais assumiu sua paternidade e sempre se recusou a fazer qualquer exame que comprovasse tal parentesco, o jovem Ari, como é frequentemente chamado, foi criado por Edith Boulogne, mãe de Delon.

Durante muito tempo Alain Delon foi o astro francês mais rentável, tendo atraído às salas de cinema mais de 100 milhões de espectadores. A imprensa estrangeira costumava lhe chamar de “Brigitte Bardot masculino”, pelo físico atraente e sucesso internacional. Há cerca de 15 anos, após o lançamento de uma biografia não autorizada, do jornalista Bernard Violet, ele assumiu publicamente sua bissexualidade. O biógrafo revelou o caso do ator com Luchino Visconti, na época de “Rocco e seus Irmãos”, e Violet foi ainda mais longe, contando detalhes sobre suas aventuras amorosas com figuras de ambos os sexos e envolvimento com mafiosos e políticos de reputação duvidosa, além de problemas com álcool e drogas. Hoje, aos 83 anos, Cavaleiro da Legião de Honra Francesa, sem dúvida, Delon é uma das maiores estrelas europeias de todos os tempos.

Pela sua beleza com aquele rosto estonteante e contorno exuberantes, Na década de 70, muitos casais se recusavam a assistir seus filmes (evidentemente que os homens), por nada mais nada menos que Ciúmes. Na verdade, Alain Delon era um homem bonito por todos os ângulos. Para quem acompanhou automobilismo(Fórmula 1) na década de 70 seu rosto era muito parecido com o do piloto francês François Cevert que morreu durante os treinos para o Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1973. Assista ao vídeo logo abaixo com as fotos montagens do lindão Alain Delon.

FERNANDO SANCHO, O “GENIAL MALVADO”

Em se tratando de malvadeza, na arte da cinematografia, vem logo em nossa mente àquela figura excêntrica e afamada, além de galhofeira e debochada desse magistral ator que é Fernando Sancho, o nosso bom homem mau… Por esse “interiozão” das cidadelas brasileiras, dias de feiras livres, fãs de memoráveis westerns spaghetti procuravam avidamente pelo nome de Fernando Sancho nos cartazes dos filmes dependurados em postes ou acompanhava o “locutor” num carro de marca Jeep ou Rural, com um microfone enrolado num farrapo de flanela vermelha, anunciando a película cinematográfica de logo mais à noite em CinemaScope, que era uma tecnologia de filmagem e projeção que utilizava lentes de última geração, pois ninguém tinha dúvida em comprar o bendito ingresso com a certeza de boa diversão.

O Genial Malvado foi muitas vezes estigmatizado ou rotulado de modo negativo como um bandido mexicano quando na verdade ele nasceu em Zaragoza, viveu na Espanha e morreu em Madrid. Com aquele seu corpanzil pesado, o ator espanhol que passava facilmente por mexicano, normalmente por bandido mexicano. Ele é um ator espanhol que se notabilizou por interpretar bandoleiros com seu barrigão exagerado, rosto suado, vestes ensebadas e gargalhada que se ouvia à distância de um ou mais quilômetros antecipando alguma crueldade. O nome desse ator é Fernando Sancho, que por mais que tentasse ser sinistro e sanguinário, nunca deixava de conquistar o espectador que, muitas vezes, secretamente até a gente torcia por ele.

Quando o westerncinemania elaborou a desastrada enquete “Grandes Bandidos dos Faroestes”, alguns cinéfilos como Darci Fonseca, Joaílton de Carvalho e Edson Paiva não se conformaram com a ausência do europeu Fernando Sancho entre os 50 homens mais selecionados para a enquete. Escreveram: “Acho que na lista dos piores bandidos faltou Fernando Sancho, carismático, cruel, cínico e sujo”. Outros comentários: “Fernando Sancho foi uma ausência de peso. (…) Acho que nenhum dos 50 da lista interpretou a quantidade de vilões que fizeram a fama de Fernando Sancho. (…) Ele marcou os westerns spaghetti e muitas vezes os filmes só valiam à pena por sua presença”…

O cinema espanhol não poderia prescindir de um artista como Fernando Sancho que, mesmo sempre um pouco acima do peso, era capaz de interpretar galãs com a mesma facilidade com que interpretava policiais, oficiais fardados e, melhor que ninguém, hombres malos nos westerns spaghetti. Em sua briosa carreira, no auge, Sancho não parava de filmar e suas participações em produções na década de 60 é impressionante: sete filmes em 1961; – seis em 1962; – nove em 1963; – nove em 1964; – 14 em 1965; – 14 em 1966; – 12 em 1967; – nove em 1968; cinco em 1969. Nessa década Fernando Sancho fez desde pequenas participações em superproduções como “Lawrence da Arábia”, “O Rei dos Reis” e “55 Dias em Pequim” a papeis importantes como em “O Filho do Capitão Blood”. Ao todo foram mais de 200 filmes. Sancho participou de gravações cujos elencos eram liderados por campeões de bilheteria na Espanha como os astros infantis Pablito e Joselito. Foi pouco relevante mas que alcançou sucesso na Espanha interpretando “El Zorro” herói muito querido na terra de Cervantes. Em “A Vingança do Zorro” (1962), Fernando Sancho iniciou uma nova fase em sua carreira, agora no gênero western que atraía muito público na Europa. Além destes, Sancho atuou em muitos filmes com o italiano Giuliano Gemma, filmes como: “Uma Pistola Para Ringo”, “Ringo Não Discute: Mata”. Em “Uma Pistola para Ringo” ele é dublado por alguém bastante competente, o que deixa o filme ainda mais divertido. O melhor filme de Ringo com Sancho, donde, recomendo-o.

E haja filmes faroestes!!!, entre tantos: “Pelo Prazer de Matar; – “Até no Inferno Irei à Sua procura”; – “Django Atira Primeiro”; – “Clint, o Solitário”; – “Django Mata por Dinheiro. Em “Arizona Colt”, Giuliano Gemma e Fernando Sancho contracenam pela última vez num western. Dois spaghetti que alcançaram muito sucesso foram “O Dia da Desforra” e “Ódio por Ódio”, ambos com a presença de Sancho. São de 1967: “Um Homem e Um Colt”; – “Killer Kid” (com o brasileiro Anthony Steffen); – “Billy, o Sanguinário” (o personagem de Sancho é ‘El Bicho’); – “15 Forcas para um Assassino”; – “Rita no West” (com Rita Pavone e Terence Hill); – “A Outra Face da Coragem” (com Mark Damon e John Ireland e Sancho interpretando “Carrancha”, mais um nome bastante significativo para o ator).

Finalmente, como curiosidade, os filmes da dupla “O Gordo e o Magro” faziam grande sucesso na Espanha e o eclético Fernando se tornou o dublador oficial de Oliver Hardy, o Gordo. Fernando Sancho tinha como seu grande ídolo: John Wayne. Os últimos westerns da filmografia de Fernando Sancho, nos anos 70, tiveram qualidade bastante inferior uma vez que diretores como Corbucci, Sollima, Tessari e principalmente Leone (com quem Fernando Sancho nunca filmou) haviam dado adeus ao gênero. A fama de Fernando Sancho era tão grande na Europa de modo geral e mais especialmente em seu país, que a revista espanhola “INTERVIU” bateu recordes de tiragem quando estampou ensaio fotográfico com Maytita, a filha do ator. Já passado dos 60 anos de idade, o ritmo de trabalho de Fernando Sancho diminuiu sensivelmente, mas ainda assim nunca lhe faltou convites para atuar, no mais das vezes emprestando seu glorioso nome a produções de qualidade duvidosa. Sancho foi dirigido pelos principais diretores italianos e espanhóis de westerns, mas não teve oportunidade de atuar sob as ordens de Sergio Leone, o que aparentemente não o incomodou. Se vivo fosse Fernando Sancho teria completado 102 anos em janeiro de 2018. Morreu em 1990 aos 74 anos de idade de câncer. O gorducho nunca levava a sério, como também não ligava para certa discriminação que sofria de Hollywood. Porém, a única coisa que lamentava, isto sim, nunca ter participado de um filme com John Wayne, seu grande ídolo no cinema.

O GIGANTE ATOR NEGRO: WOODY STRODE

Quando se fala em atores negros de Hollywood vem logo à memória da gente as figuras de Sidney Poitier(91 anos) e Morgan Freeman(81 anos). Esquece-se desse gigante ator negro que é Woodrow Wilson Wolwine Strode, apelidado “Woody”, descendente de Índios Cherokee, além de naturalmente ser o que se convencionou chamar de afro-americano. Essa mistura de raças gerou um jovem fortíssimo, com 1,93m de altura e uma invejável musculatura. Em sua brilhante e promissora carreira como ator, Woody Strode fez parte de grandes filmes, conviveu com diretores do mais alto gabarito como John Ford e com atores famosos como John Wayne. Tudo isso em razão de sua boa índole, seu porte físico e altivez somados a seu razoável talento interpretativo, fizeram dele um dos mais requisitados atores negros de seu tempo. O Gigante Woody foi abatido por um câncer do pulmão que o levaria à morte aos 80 anos em 31 de dezembro de 1994, na Califórnia.

Essa figura extraordinária, Strode foi daqueles atores que tem uma presença tão marcante, em razão de seu porte, seu olhar, que mesmo tendo poucos diálogos, como na maioria de seus filmes, atraía o olhar da plateia para ele num piscar de olho, automaticamente. Todos os papéis que esse ator desempenhou, ele deixava um rastro de perfeição. Como sempre, impondo uma dignidade, uma altivez e uma grande sensibilidade em tudo que fazia ou o papel que desempenhava. Basta dizer, do seu desempenho de ator que dignificou cada personagem que interpretou, especialmente o Sargento Rutledge de “Audazes e Malditos”, o gladiador de “Spartacus” e o negro Pompey, empregado de John Wayne em “O Homem que Matou o Facínora”. Esses três filmes apenas bastariam para colocar Woody Strode no hall da memória dos verdadeiros amantes dos filmes de faroestes.

O competente historiador de filmes faroestes, Darci Fonseca, nos afirma que, na década de 1960 Woody Strode participou de diversos filmes importantes que o levaram a ser conhecido pelo nome e não apenas lembrado como “aquele negro forte” de tantos outros trabalhos no cinema. A magnífica sequência começou em 1960 com “Audazes e Malditos” (Sergeant Rutledge), western de John Ford que Woody protagonizou. No mesmo ano, um dos melhores momentos do épico “Spartacus” foi a brutal luta entre o gladiador africano Draba (Woody) contra Spartacus (Kirk Douglas). Indicado para o prêmio ‘Melhor Ator Coadjuvante’ do Globo de Ouro (1961), por sua atuação em “Spartacus”, Woody Strode recebeu, enfim, o reconhecimento da crítica quanto a seu talento como intérprete. Fazer parte do grupo de atores preferidos de John Ford é, sem dúvida, uma honra para qualquer intérprete e Woody Strode atuou sucessivamente em “Terra Bruta”, “O Homem que Matou o Facínora”, ambos do diretor John Ford que morreu no ano de 1973. Neste último, que foi a derradeira obra-prima de Ford, Woody Strode interpreta Pompey, numa atuação tão marcante quanto aquela em que personificou o Sargento Rutledge. E Woody estaria presente no elenco de “Os Três Desafios de Tarzan”, em que o Rei das Selvas é Jock Mahoney. Strode já estivera em outro filme do Rei das Selvas, que foi “Tarzan e a Tribo Nagasu”, com Gordon Scott.

Os anos 60 reservaria ainda dois filmes memoráveis para Woody Strode, ambos faroestes. Em 1966 Woody foi um dos quatro especialistas de “Os Profissionais”, como o atirador de flechas de Burt Lancaster E veio 1968, com Sergio Leone colocando Woody Strode na deslumbrante sequência inicial de “Era Uma Vez No Oeste”, com Woody como Stone, um dos bandidos que aguardam a chegada do trem. Depois desse conjunto de westerns Woody Strode poderia ser considerado o mais importante ator negro dos faroestes, ainda que nunca como ator principal. Provavelmente pelo grande preconceito de seu país, Woody não teve maiores oportunidades como protagonista, pois, em minha opinião, ele tinha talento, pena que não pôde desenvolvê-lo a contento. Outros westerns-spaghetti, já nos anos 70, que contaram com Woody Strode no elenco foram “Keoma”, com Franco Nero. Pois bem!!! Longe do gênero western, Woody Strode apareceu em “Travessia a Cuba”, como também em “Causa Perdida”: uma biografia do guerrilheiro argentino Che Guevara que fora protagonizado por Omar Shariff.

O filme Che que teve seu nome alterado, aqui no Brasil, para Causa Perdida. Apesar de ter sido filmado em 1969, só chegou às telas do Brasil em 1976, em pleno regime militar e com vários cortes… Esta é uma obra bastante controversa, em especial nas personagens centrais: Ernesto Che Guevara (Omar Sharif) e Fidel Castro (Jack Palance, caracterizado fisicamente de maneira perfeita). Como escreve o blogueiro Alexandre Maccari, o filme é uma produção hollywoodiana, com elenco mega estelar, que tinha o objetivo de retratar um símbolo da luta contra o imperialismo dos Estados Unidos. Principalmente se considerarmos ser um filme feito no cerne de acontecimentos importantes da Guerra Fria, como a luta no Vietnã e tão próximo da morte de Ernesto Che Guevara, em 1967. A obra está estruturada de forma que somos conduzidos por depoimentos pseudo-documentais, de partícipes da luta pró e também contra os ideais de Guevara, sendo exposto a trajetória do líder da chegada à Cuba (em fins de 1956), passando pelos conflitos ideológicos entre Fidel e Che, até o retrato do momento da guerrilha na Bolívia e seu desenlace trágico. O filme vale principalmente por seu caráter histórico. Destaca-se na produção os ótimos atores Frank Silvera e Woody Strode, que no filme acabam sendo meros coadjuvantes de Jack Palance e Omar Sharif.

Por fim, a esse “gigante” que com certeza ajudou abrir “muitas portas” para as futuras gerações de artistas negros que tão bem desempenhou o papel de Sargento Rutlegde, no filme “Audazes e Malditos”, o mais preto e branco dos filmes do diretor John Ford. E para fazer jus e dignificar cada personagem que o gigante ator negro interpretou, assista ao trailer de apenas 4 minutos de trechos exibidos como anúncio do filme CHE!!! – Causa Perdida – que está sendo projetado logo abaixo, tendo como pano de fundo uma excelente melodia de Carlos Puebla, cantor, compositor e guitarrista, muito conhecido como “El Cantor de la Revolución Cubana”, intitulada Hasta Siempre Comandante – Até Logo Comandante (Versão tradicional). Vale a pena conferir a seleção de 4 minutos do vídeo abaixo.


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