Categoria: CARLOS EDUARDO – PENSAMENTO LIVRE

O BRASIL É UM NÓ CEGO

Essa situação que estamos enfrentando com a greve dos caminhoneiros, me leva a uma questão: O que é inviável, a Petrobrás ou as transportadoras?

Vivemos num país que tem problemas em 3D, de leste a oeste e de norte a sul, de cima para baixo e de baixo para cima. Se os caminhoneiros não podem pagar pelo combustível tão caro, a Petrobrás também não pode trabalhar como trabalhou no passado recente, vendendo mais barato do que comprava. Entre eles está a bocarra do Tesouro que cobra impostos exagerados dos dois lados.

Apesar da carga tributária enorme, isso não chega para os gastos descontrolados e crescentes do nosso Estado. Todo ano temos necessidade de aumentar um pouco mais o endividamento para cobrir o déficit. Quando o país começa a botar a cabeça de fora, vamos crescer depois de três anos sem crescimento econômico, quando a inflação não ameaça mais, os juros ficam menos pesados nas contas públicas. Quando o cidadão acredita que agora vai! Surge essa ameaça que sabemos como está começando, mas não sabemos como e quando pode acabar. Um golpe fulminante na nossa vida.

Fui ao mercado para comprar frutas e verduras e fiquei surpreso ao me deparar com uma imagem que estamos acostumados a ver nos noticiários da TV quando falam da situação da Venezuela. Prateleiras vazias, sem nenhuma verdura, poucas frutas, quase nada de ovos. Assustador. Ficou evidente a inconveniente dependência de um serviço mais do que essencial para o funcionamento do Brasil. O caminhão na estrada é vital (hoje mortal) para nós. Sempre soubemos que o trabalho dessa categoria era importante, mas foi a greve que mostrou a verdadeira dimensão dessa ameaçadora dependência.

Se não temos alternativas ao transporte rodoviário, também não temos alternativa ao monopólio obsoleto da Petrobrás. Falta concorrência em tudo nesse nosso país. Competição ao invés de proteção é o que faz a humanidade progredir. Porém não vemos ações concretas para facilitar a vida das empresas e estimular novos investimentos. As concessões e privatizações tão necessárias para a modernização ficam apenas como promessas. Se o Governo não tem poupança (nem competência) para investir que permita o setor privado fazer os investimentos. Precisamos dos serviços, não necessariamente que sejam estatais.

Vivemos num país por construir, numa época onde o capital está atrás de oportunidades, mas não oferecemos condições estáveis economicamente e confiáveis do ponto de vista legal, para grandes investimentos. Nem brasileiros, nem estrangeiros sentem-se seguros para injetar capital em projetos de longa maturação. Nossa fotografia que já não está bonita pode piorar ainda mais. Estamos às vésperas de uma eleição que tem chances de aumentar muito a incerteza. Temos dois candidatos que parecem misseis com ogiva nuclear desorientados, navegando para um alvo desconhecido. Duas balas perdidas. Aqueles que são previsíveis representam a continuidade desse quadro triste.

E agora? Ronald Reagan é quem tinha razão: Governo não é a solução, é o problema.

ORGANIZAÇÃO E FUTEBOL NA MEDIDA CERTA

Adoro futebol. Vivi muito tempo da minha vida bem próximo ao estádio do Maracanã, no tempo que ele era o maior do mundo e ainda desfilavam no seu gramado os maiores jogadores do Brasil e do planeta. Assisti Pelé, Rivelino, Tostão, Gerson, Paulo César, Ademir da Guia, Edu (irmão do Zico), o próprio Zico, Nelinho, Dinamite, Reinaldo, entre outros. Infelizmente só vi o final da carreira do Garrincha que mesmo perto da aposentadoria ainda era um debochado, com e sem a bola nos pés, fazendo os seus marcadores de “joão”.

O futebol mudou e hoje é um esporte muito mais competitivo do que espetacular, mas continua atraindo multidões e emocionando as plateias pelo mundo afora. Infelizmente aqui no nosso Brasil o esporte bretão não acompanhou a evolução ocorrida na Europa e outros centros. A desorganização dos clubes, federações e da CBF não permite planejar competições que consigam motivar o público a voltar a frequentar os estádios. A violência nas grandes cidades também é um complicador para termos grandes plateias nas arquibancadas. Futebol sem torcida é tão sem graça como dançar com a irmã.

Lá vem mais uma Copa do Mundo. A torcida brasileira não parece empolgada como em tempos passados. A realização do torneio anterior (2014) aqui no Brasil frustrou muita gente. A organização padrão FIFA não permitiu que nosso povo usasse sua criatividade para inventar seus balangandãs verde e amarelo. Não saboreamos a Copa, ela não pareceu um produto made in Brasil. Tudo tinha que ser no padrão FIFA com selo de qualidade. Os agrupamentos em lugares públicos, como existe num ponto clássico aqui do Rio de Janeiro, o Alzirão, onde os moradores da Rua Alzira Brandão e adjacências se reúnem para assistir os jogos de todas as Copas, precisaram se adaptar à organização da Copa 2014 e seus patrocinadores. Resultado: Ficou sem graça. Tentaram fazer uma festa europeia num país tropical. Quem se divertiu foram os alemães. Perdemos o campeonato e a empolgação.

Se por um lado, nossos clubes e federações não conseguem desenvolver um programa capaz de atrair público, patrocinadores e receitas para organizarmos campeonatos capazes de reter por aqui os grandes jogadores brasileiros e até mesmo trazer astros internacionais para termos um espetáculo técnico ao nível da nossa tradição, por outro, o excesso de regras impostas pela FIFA para promover sua Copa, não motiva nem encanta como a “bagunça organizada” que tínhamos até 35 anos atrás. Aproximadamente.

Podemos comprar, via internet, o bilhete para assistir um jogo na Europa. Imprimimos o ticket em casa e entramos nos campos europeus sem problema. Mas, aqui não é possível. Para assistir um jogo no Maracanã é preciso enfrentar filas e empurrões. Mesmo que compre via internet, é necessário trocar o bilhete na hora da entrada. Hoje é uma vitória colocar 40.000 pessoas nos estádios. Até o início da década de 80, os grandes jogos colocavam 100.000 espectadores no Maracanã. Sem computadores, sem smartphones, GPS, era possível decidir no dia se queria ou não ir no campo e comprar o bilhete na hora. Hoje é uma operação terrível. É preciso comprar com antecedência e sofrer na entrada, porque são longas filas, catracas antipáticas e apesar do sofrimento não existe conforto ou segurança dentro dos campos.

Minha conclusão é que o futebol no Brasil precisa se organizar a moda brasileira. Nem tanto para ficar sem graça como a FIFA faz, mas o suficiente para viabilizar torneios bem planejados e facilitar a vida de quem gosta de ver o espetáculo no campo. Tudo na medida certa.

HOMEM E MULHER, COISAS DO PASSADO

O criacionismo baseia-se na fé da criação divina, como escrito na Bíblia Sagrada, mais especificamente no livro de Gênesis na qual Deus criou todas as coisas, inclusive o homem. Embora na prática, são os homens quem criam os deuses.

O evolucionismo fundamenta-se em pesquisas cientificas, que surgiram com o experimento de Oparin-Haldane. Eles acreditavam que os gases existentes teriam formado as primeiras moléculas orgânicas e mais tarde os primeiros seres vivos.

Você escolhe qual versão acreditar. Não identificará em nenhuma das duas hipóteses a possibilidade de encontrar nenhum ser humano que não seja macho ou fêmea. Homem ou mulher.

Pois os seres humanos do Século XXI desenvolveram um novo gênero que não pode ser reconhecido nem como macho, nem como fêmea. Eles são diferentes, são os não-binários. Um troço que ninguém sabe direito o que é, mas que deve ser respeitado e não tratado como um louco (loucos somos nós). Se o bicho nasceu macho e quer viver como mulher é um direito dele (ou dela). Porém, não dá para a sociedade reconhece-lo legalmente como mulher, por mais operação que faça, hormônios que tome e o traje que use. E vice-versa.

Eu achei ao mesmo tempo ridículo, deprimente e cômico ver uma reportagem no Fantástico que tratava desse assunto. Jovens classificaram os seres humanos não como homens e mulheres, mas como cisgêneros e transgenêros.

Cisgênero é o termo utilizado para se referir ao indivíduo que se identifica, em todos os aspectos, com o seu “gênero de nascença”. Já os transgêneros são as pessoas que não se identificam com o seu sexo biológico, mas sim com um gênero diferente daquele que lhe foi atribuído biologicamente.

Para inovar ainda mais e confundir tudo que conhecemos sobre humanos, os jovens dizem que eles não são binários. Os transgêneros podem ser não-binários, ou seja, eles não se identificam nem como homem, nem como mulher. E agora??????? Diz a artista Triz, que nasceu Beatriz e hoje se identifica assim: “Quem a gente é, como a gente se sente tá exclusivamente responsável pelo nosso cérebro decidir. Então gênero tá ligado a nossa cabeça, enquanto sexo biológico é só a estrutura do seu corpo. Não vai dizer quem você é”. Os não binários não usam as letras O e A no final das palavras para identificar masculino e feminino. Não estão cansados, ou cansadas, estão cansades. Não são burros, ou burras, são burres.

Nascer homem e querer viver como mulher perdeu a graça. Assim como as meninas já não se contentam mais em se comportarem como meninos. A moda agora é ser não-binário. Nem macho nem fêmea.

O que não sei responder é se toda essa loucura é resultado de:

1- Muita droga

2- Muita informação

3- Muita senvergonhice

4- Muita falta do que fazer

Será que essa geração tão criativa vai poder fazer alguma coisa pelo nosso Brasil? Que futuro louco parece que vamos viver.

O SELETO CLUBE DA LAVA-JATO

Não sabemos ainda se a operação Lava-Jato está próxima do fim, ou se não chegou nem na metade.

“A previsão geral entre parlamentares e membros do governo é a de que as dores de cabeça de políticos estão longe do fim. A base para a crença de todos eles, está na pouca resistência à prisão de doleiros e operadores financeiros. Nesta quinta-feira (3), mais de 50 pessoas foram alvos da Operação Câmbio, Desligo. Um parlamentar chegou a afirmar que pode se esperar o terror para mais quatro anos, agravado com a restrição do foro privilegiado” (Revista Época)

Uma coisa está evidente, ela atinge quase exclusivamente, a parte superior da pirâmide social brasileira. Muitos bilionários, vários ricos e parte de cima da classe média alta. Olhando do ponto de vista do poder e dos cargos que os investigados ocupam, a coisa é ainda mais escandalosamente VIP. Foram alvejados os executivos das principais empreiteiras do país, empresas com capacidade técnica e financeira que as habilitava para participar de grandes obras no Brasil e no exterior. Acertaram em cheio o emergente brasileiro dono do Império X, candidato a homem mais rico do Mundo. Os irmãos goianos (não tem nada a ver com nosso estimado confrade) que haviam sido escolhidos pelo PT para tornarem-se os maiores exportadores de proteína do mundo. Ex-Presidente da República, governadores, senadores, deputados, banqueiros e doleiros. Entre outros.

Com números enormes e tanta gente importante envolvida de alguma forma no grande esquema montado para distribuir renda alheia, fica fácil para o cidadão ter alguma possível ligação, até involuntária e desconhecida com o esquemão. Por exemplo: muita gente pode estar preocupada por ter operado em algum momento com um desses doleiros e terem sido usados como contraparte na compra e venda de Dólares para um investigado. Tá enrolado!

No Rio de Janeiro, os joalheiros acabaram envolvidos pelo ex-governador que protegia uma parte da sua propina em joias. Custo a acreditar que essas empresas sejam mentores da ideia, mas gostaram da farra e confiando na força política do freguês e na histórica impunidade nacional, se lambuzaram e se complicaram na tramoia. A conta veio.

As empresas que forneceram para as obras do tríplex e do sítio do presidiário mais importante do Brasil também precisaram aparecer no inquérito.

Assim, um bom número de cidadãos foi manchado, ou promovido, com a tinta da Lava-Jato. Nada inocentes, mas de alguma forma forçados pela condição da nossa barafunda burocrática e exagerada cunha de impostos a ceder e aceitar um pequeno deslize para fazer negócio. Assim passaram a ser personagem do maior escândalo de corrupção nacional.

Aparecer sendo conduzido para depor, ou acordar com o carro da PF na sua porta, estou começando a achar que está deixando de ser uma vergonha e passando a ser um sinal de status. É como passar a fazer parte do luxuoso Clube Privê da Lava-Jato.

Enquanto isso a abundante teta de onde sugaram a propina que abasteceu os corruPTos do Petrolão não morreu. Petrobrás com uma gestão competente e com foco no negócio e não na política rasteira, conseguiu no primeiro trimestre de 2018 apresentar lucro igual ao do primeiro trimestre de 2013. Na época o barril do petróleo era negociado acima de US$ 100,00, durante o primeiro trimestre de 2018 o preço estava em torno de US$ 60,00. Os acionistas que participaram da oferta pública em 2010 estão conseguindo ver a luz no fim do túnel. Aquela operação que o Governo Próspero, do Presidiário Lulla vendeu ações da Petrobrás ao preço de R$ 26,30 e que hoje, passados 8 anos, custam R$ 23,00. Se o cidadão, ao invés de comprar as ações que Lulla vendeu, tivesse colocado seu dinheiro em títulos do Governo, teria hoje R$ 57,07. Fico imaginando a satisfação das pessoas que usaram seu FGTS para comprar essas ações.

UM DIÁLOGO FUBÂNICO

Aqui no nosso Boteco da Besta Fubana (peço vênia ao Berto) eu e José Ramos estávamos conversando numa mesa. A conversa é boa e gostaria de convidar outros confrades que queiram opinar sobre o assunto que matutamos, para puxar uma cadeira, sentar e estender a prosa.

Depois de ler a coluna Enxugando Gelo, sob o título Um Feriado no Parque, fiz a seguinte pergunta ao seu autor:

CE – Quero consultar sua sabedoria acumulada e sua sensibilidade para ajudar a projetar o que virá no futuro próximo. Um sujeito com sua capacidade de entender a vida, e os viventes, pode dar uma opinião muito válida sobre como nosso Brasil estará daqui uns 10 ou 15 anos. O brasileiro mudou muito? Mudou para melhor ou pior? Sei que você tem origem no interior, mas viveu nas metrópoles (estou certo?). Quem mudou mais, o brasileiro urbano, ou do campo?

JR – Essa é uma pergunta complicada, porque sempre se tratará de opinião pessoal.

CE – Por isso eu pergunto para quem tem capacidade e sensibilidade para opinar.

JR – A agricultura mecanizada já está mudando o mundo (e o Brasil) em todos os sentidos. Produz mais, por que a população triplicou. Desvaloriza a existência do homem do campo

CE – Não é só no campo que estamos vendo a automação (inteligência artificial) ameaçar o trabalho e o comportamento humano. Mas deve ter sido assim também na virada do século XVIII para XIX, no tempo da Revolução Industrial. No entanto, a humanidade progrediu em todos os aspectos. Difícil opinar sobre esse tema, como você mesmo disse com sabedoria. Mas eu acredito, que mais uma vez o homem saberá usar os novos métodos para evoluir. Embora, no curto prazo, teremos dificuldades de adaptação.

JR – Aí começa o êxodo rural… Sem teto e sem emprego, falta comida, falta escola, falta educação, falta saúde e falta quase tudo. Se torna presa fácil do crime. Infelizmente, tudo depende de nós (nós os eleitores que, também infelizmente, cagamos e andamos pela estrada da ignorância e da falta de sensibilidade).

CE – Depende do ponto de vista. Quando você diz: Infelizmente tudo depende de nós. Eu troco para: Felizmente tudo depende de nós. Concordo 100% quando diz: “Nós os eleitores que, também infelizmente, cagamos e andamos pela estrada da ignorância e da falta de sensibilidade”. Mas tenho esperança que os meios de comunicação e as redes sociais nos ajudem a conscientizar o eleitor. Principalmente os mais jovens.

O filósofo Mario Sérgio Cortella diz: – Esse mundo que aí está foi feito por nós, portanto, pode ser por nós reinventado.

Esse problema que você destaca, do crescimento desordenado dos centros urbanos é, de fato, um dos fatores mais preocupantes. Em especial nos países “em desenvolvimento”. Segundo estudo do Banco HSBC, até 2030, 90% do crescimento urbano no planeta acontecerá em países pobres e 42 entre as 50 maiores cidades do mundo estarão em países emergentes. Nosso Brasil precisa ter capacidade de lidar com esse problema.

Como você diz com muita propriedade, manter o homem no campo colabora para reduzir essa concentração comprometedora nas metrópoles. Aí voltamos para sua receita.

JR – Boas escolas, bons hospitais e principalmente juros os mais baixos possíveis para empréstimos bancários de agricultores não-mecanizados. Isso, com certeza garantiria a permanência dele no sertão e na roça dele, cortando pela raiz centenas de milhares de problemas existentes no mundo urbano das cidades grandes.

CE – Na mosca. Eu acrescento boas escolas técnicas. Estou vendo como alternativa para o agricultor de pequeno porte a produção “qualificada” (detesto essa palavra). Quantidade é com o produtor de grande porte e a qualidade, orgânicos e produtos selecionados, é com o pequeno e excelente produtor. Esse mercado de produtos de excelência cresce sem parar. As feiras de orgânicos são um sucesso. Para isso é preciso preparar os pequenos produtores para produzir com certificado de qualidade.

JR – Jamais direi que tem futuro um país que tem hoje uma grande maioria de drogados e viados, todos achando que “tudo isso é normal”

CE – Esse comportamento “deformado” do homem do Século XXI é curioso. O indivíduo faz uma operação para colocar argolas no nariz, na língua, no peito e etc., mas evita ir no posto tomar vacina porque dói.

JR – Tive a sorte de nascer de uma mistura de negro com índio, geneticamente forte… Aqui no meu cantinho, tendo certeza que o fim se aproxima. Mas, quem anda com Deus, não teme distância nem as “pedras no caminho”

CE – Não tenho esse sangue cafuzo, mas felizmente tenho boa saúde e espero chegar nos 75, estou no 61, com a mesma lucidez que o amigo. Sem pressa, sem pensar na hora de acertar as contas com a “Mulher da Foice”. Enquanto ela não vem, vamos continuar frequentando o Boteco Fubânico pelos próximos 10, 15, 20 anos.

Quem não tem medo da vida também não tem medo da morte. 

Agradeço a parceria de José Ramos neste texto. Fico honrado de assinar junto com o grande colunista fubânico.

A MULHER DE CÉSAR

A barafunda nacional cada dia complica mais o cidadão. Quando chegamos numa situação que era percebida como um possível ponto de mudança em que as mensagens “o crime não compensa” e “a lei é para todos” estariam claras depois da prisão do inimigo público número 1 (até nosso líder Berto criou os acrônimos AOLJ e DOLJ. Antes da Operação Lava Jato e Depois da Operação Lava Jato). Lá vem a Segunda Turma do STF (conhecida como Jardim do Éden) e embaralha tudo outra vez.

“A maioria dos ministros considerou que as informações dadas pelos delatores da Odebrecht sobre o sítio de Atibaia e sobre o Instituto Lula não têm relação com a Petrobras e, portanto, com a Operação Lava Jato. Por isso, os ministros entenderam que não há razão para os depoimentos dos delatores serem direcionados a Moro, que é o responsável pela Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal” (Site G1, 24/04/2018)

O símbolo da moralidade e maior representante da banda decente desse país, Dr Sérgio Moro, que julga os processos em que a “Alma Viva Mais Onesta do Brasil” é acusado de receber propinas em forma de obras no sítio que não é dele e um imóvel onde seria construída a nova sede cafona do Instituto Lulla, está impedido de usar as colaborações premiadas dos empreiteiros que fizeram a obra no sítio e compraram o terreno da nova sede cafona do IL.

Como é que o cidadão pode entender essa lógica? Quer dizer que uma coisa não tem relação com a outra? O juiz que tem o dever de julgar em nome da sociedade se houve abuso do cargo de Presidente da República para obter benefícios para si próprio, não pode usar como prova o depoimento dos corruptores ativos, réu confessos, porque essas declarações fazem parte de um processo que está registrado sob outro número e em outra vara. É isso mesmo?

O que está acontecendo nesta terra que um dia foi chamada de república? Eu sou um ignorante em matéria de leis e sempre imaginei que elas servissem para pôr ordem na casa, garantir os direitos do cidadão e a nossa democracia. Mas, não é o que estou entendendo nesse caso. Parece que o código penal (será que é isso?) não é um instrumento que facilite o entendimento da situação específica e que inspire confiança de que os criminosos serão punidos.

O que está sendo julgado na 13ª Vara Federal de Curitiba envolve um grande esquema corruPTo apelidado de Petrolão, por ter como maior centro de propinas a estatal Petrobrás, que tinha como Presidente do Conselho de Administração a futura Presidente da República Dilma Rousseff. Todos os diretores e o presidente da empresa foram indicados, ou aceitos e aprovados pelo Presidente da República na época, o atual presidiário Lulla. Vários corruPTos e corruPTores confessaram os crimes, mostraram registros de como era distribuído o produto do assalto a Empresa. Entre os que confessaram e firmaram acordo de delação premiada estão empreiteiros, diretores e gerentes da estatal (indicados e aprovados por Lulla), políticos, cambistas e lobistas. Como é que a confissão desses envolvidos pode não ter relação com as propinas recebidas pelo ex-presidente e atual presidiário Lulla?

Assim como a mulher de César não bastava ser honesta, ela tinha que parecer honesta, nossas leis não precisam apenas fazerem justiça elas precisam fazer com que o cidadão entenda e acredite nelas.

NOSSO VOTO NOSSA VIDA

Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostra que a taxa média de crescimento do PIB Latino-americano de 1960 a 2017 foi de 2,4%. A projeção para os próximos dois anos é de 2,6%, sendo que para o nosso Brasil a projeção é de apenas 2%. A expectativa de crescimento para os emergentes da Ásia é de 6,5% e para os emergentes da Europa 3,7, considerando o mesmo período. Se nada mudar continuaremos na mediocridade e com muito menos qualidade de vida quando comparados com os asiáticos e europeus emergentes. Não é o futuro que queremos. Sem crescimento econômico, sem empregos, mais violência.

Em 1960, segundo estudo do BID, o PIB per capita dos países emergentes do Continente Asiático representavam 11% do PIB per capita dos EUA. Hoje a relação é 58%. Enquanto isso aqui na América Latina o PIB per capita regional que era equivalente a 20% dos americanos, hoje está em apenas 24%. Pouco mudou. No Brasil especificamente essa relação está em 19%.

Não vamos culpar apenas as autoridades pelo nosso drama, afinal de contas, nós escolhemos quem nos governa. A incapacidade da sociedade em enxergar os reais problemas do nosso Brasil e fazer melhores escolhas explica a frustração de não alcançarmos melhor padrão de vida.

“A imagem (Lulla sendo preso) divide o Brasil em dois tempos: AOLJ e DOLJ. Antes da Operação Lava Jato e Depois da Operação Lava Jato” (Luiz Berto)

Torço para que a profecia do nosso grande Editor Berto seja confirmada e que a partir da operação conduzida pelo MPF, a PF e a Justiça do Paraná, nosso País Tropical consiga reduzir a corrupção e outros abusos para níveis controláveis e que o eleitor vote consciente, esquecendo as paixões. Sem mudanças no Congresso e no Executivo as chances de melhorar são baixas, podendo piorar assustadoramente em muito pouco tempo. Continuaremos com os Três Poderes de costas para a Nação e a sociedade se virando como pode. Com impostos cada vez mais altos e serviços públicos ausentes. Mergulhados na violência crescente.

Vejam esse caso apresentado pelo BID: “Os custos do crime e da Violência: novas evidências e constatações na América Latina e Caribe” O estudo analisa gastos com segurança em 17 países latino-americanos. No Brasil, as pessoas não acreditam mais na efetividade policial para prevenir crimes e contrata serviços de polícia privada, sistemas de alarme, etc. Isso tem pesados custos. O BID calcula que o custo direto com segurança no País foi de US$ 91 bilhões (R$ 283,5, em valor atual) no ano de 2014, ou 3,78% do Produto Interno Bruto (PIB). Famílias e empresas brasileiras são responsáveis por 47,9% dos gastos com segurança no País, valor acima da média da região.

“Seria melhor se não precisasse ter esse gasto, porque limita o desenvolvimento. A estrutura de custo afeta a possibilidade de investimento”, afirma Dino Caprirolo, especialista em segurança do BID. “Sem ele, daria, por exemplo, para duplicar o investimento em infraestrutura.” Outro componente é o “custo social”, estimado a partir da renda que deixou de ser gerada por pessoas presas ou que foram vítimas de homicídio. “Para isso, fizemos estudo dos perfis, com idade e gênero, por exemplo”, afirma Laura Jaitman, uma das autoras do estudo. No Brasil, ele representa 16% dos gastos com violência.

Também achei que o Mensalão seria uma virada na nossa história. Depois da exposição das autoridades envolvidas e mais adiante a condenação do segundo homem do PT por chefiar uma quadrilha que assaltava os cofres públicos, pensei que tudo seria diferente neste país. Porém, em pouco tempo aquele caso virou apenas uma página secundária nos registros obscenos do desinteresse com o bem público. Mudaram os métodos, mantiveram os mesmos meliantes e ampliaram o verdadeiro golpe. A mudança foi para pior.

Depois da podridão toda exposta, Mensalão + Petrolão + Quadrilhão, etc., de todo comprometimento dos partidos mais importantes da política nacional, da prisão do Messias de Garanhuns, das gravações escandalosas das conversas do Presidente Temer, do flagrante dos R$ 51 milhões, da voz de Aécio dizendo que mata antes do delator abrir a boca, as pesquisas ainda mostram que 30% dos eleitores acham que Lulla deveria governar o País de dentro da cadeia. Alagoas quer reconduzir Renan Calheiros para o Senado. Não é possível que o eleitor não consiga enxergar que repetindo as mesmas escolhas teremos sempre o mesmo resultado.

É impossível o PIB crescer apenas 2,4% ao ano como foi nos últimos 57 anos e termos um futuro brilhante. Nosso futuro depende do nosso voto.

Para quem gosta de slogans aqui vai um: “Nosso Voto Nossa vida”

SERÁ QUE TEM CURA?

Não foi Lulla quem inventou a corrupção, nem foi o primeiro a pratica-la aqui no Brasil, mas foi ele quem liberou geral. Ainda Presidente da República, com pouco tempo de eleito, com apoio da sociedade que se deliciava com o crescimento econômico e descuidou-se com o loteamento do serviço público, a destruição das Agências Reguladoras e a repartição do poder entre as diversas organizações criminosas que se odeiam e se protegem ao mesmo tempo, o Garanhuense mais honesto da história deu de ombros para o maior escândalo de corrupção no Brasil até aquele momento. “Eu não sabia de nada”

Deu certo. Sua estratégia de minimizar o fato, desacreditar a imprensa, e desviar as atenções para a maré alta da economia que subia no mundo inteiro fazendo alguns países emergentes crescerem a taxas de dois dígitos, funcionou. Brasil crescia modestos 4% e comemorava como se fosse uma vitória nossa, isso foi suficiente para acalmar a massa. Na verdade, eram as sobras de um fenômeno secular que apenas comemos as sobras enquanto chineses, principalmente, se deliciavam com o filé.

O Padim Ciço do século XXI fez o que quis com nosso dinheiro e com nossa dignidade. Perdoou dividas de nações africanas, cedeu refinarias da Petrobrás para a Bolívia em troca de um paletó que ainda usa como um deboche, comprou sucatas superfaturadas (Pasadena), jatos, campos de petróleo, jogou dinheiro fora com refinarias de petróleo que nunca funcionaram e nunca funcionarão (Comperj, Abreu e Lima), debochou de nós dizendo que nem nos EUA existia um programa de saúde como o SUS (Vou mandar o Obama fazer um SUS lá), entre outras bandalheiras.

Lulla comprou apoio parlamentar pagando caro e deixou a conta para todos os brasileiros pagarem. Mesmo os que não votaram nos corruPTos. Todo esforço realizado no final da década de 90 pela excelente equipe econômica liderada por Pedro Malan e Gustavo Franco organizando as contas públicas e condenando a morte a inflação, foi para o lixo com a Nova Matriz econômica que deixou como herança o bicampeonato da recessão e o quase invencível déficit orçamentário, além uma inflação ameaçadora acima de dois dígitos.

Hoje ele está atrás das grades, mas a desmoralização das instituições é consequência da sua passagem pelo cargo mais alto da República e pela deformação dos Três Poderes causada pelo descaso com que sua dinastia tratou a Pátria Amada e sua ainda insegura democracia. O Brasil está como um organismo contaminado por um mal que resiste aos antibióticos, a doença atingiu todos os órgãos do corpo e fazer a assepsia será um longo e difícil trabalho. As Instituições não funcionam de forma integral no interesse da nação, estão divididas e a impressão que temos é que a maior parte está programada para defender o “Mecanismo” e por isso a doença não regride, mesmo com o isolamento do Verme.

Demoramos muito para extirpar o núcleo da doença e o organismo está muito comprometido.

ALGUNS NÚMEROS DA VIOLÊNCIA

Trago para o debate fubânico um assunto importantíssimo, muito atual, que afeta nossas vidas de forma bastante perversa e que certamente será um dos temas centrais nas próximas eleições.

Um artigo da revista “The Economist” faz um interessante raio x da violência no mundo e em especial nos países em desenvolvimento. Chamar o Brasil de país em desenvolvimento é uma grande mentira, pois nos anos recentes passamos de emergentes a submergentes. Porém, a comunidade internacional continua nos identificando como “Developing Country”

A matéria começa com uma constatação difícil de ser percebida e aceita, mas que segundo a respeitada Revista é a real situação: “É raro o planeta viver um período tão pacífico. Apesar das guerras em andamento no Congo, Síria e Yemen. Guerras acontecem cada vez menos e provocam bem menos mortes. Das 560.000 mortes violentas contabilizadas em todo mundo no ano de 2016, 68% foram registradas como assassinatos, apenas 18% foram causadas por guerras”

Esse tipo de violência (assassinatos) está decadente em sociedades economicamente desenvolvidas, mas continua em níveis assustadores na América Latina e crescentes no sul da África, Oriente Médio e Ásia. O caso da América Latina é marcante, a região conta com 8% da população global e contabiliza 38% dos registros policias de assassinatos. Considerando os custos com policiamento, despesas médicas, perdas de produção causadas pela violência, estima-se que essa conta alcance 3,5% do PIB da região.

Apenas no Estado do Rio de Janeiro, no ano de 2016, foram registrados 5.033 homicídios dolosos. Esse número comparado com as informações da revista representam 3,5% dos assassinatos na região e 1,32% dos assassinatos sobre a Terra.

O crescimento de grandes áreas urbanas de forma desordenada é apontado pela “The Economist” como uma das principais causas dessa alta violência nas regiões em desenvolvimento. A revista ressalta os benefícios gerados pelo processo de urbanização com planejamento (facilita o crescimento econômico), mas aponta que as áreas que crescem de forma desordenada acabam alimentando um ciclo vicioso onde proliferam assassinatos, falta de confiança entre o cidadão e a policia, reduz a circulação de pessoas, limita os negócios, os indivíduos respeitam menos as autoridades, a impunidade toma conta e a violência se alastra. Conhecemos muito bem essa situação.

Segundo estudo do Banco HSBC, até 2030, 90% do crescimento urbano no planeta acontecerá em países pobres e 42 entre as 50 maiores cidades do mundo estarão em países emergentes. Apenas sete países da América Latina são responsáveis por 25% dos assassinatos registrados. Uma perspectiva pouco animadora para nós brasileiros.

Completo esse texto com uma classificação da Organização Verisk Maplecroft, de 2016, para os países mais violentos da Terra.

Numa pesquisa feita pela organização britânica a América Latina foi reconhecida como a região de maior criminalidade devido ao intenso transito de drogas e suas quadrilhas especializadas no tráfico, sequestro, extorsão, assaltos. Nessa situação infeliz estão incluídos os 4 maiores economicamente, Brasil, México, Argentina e Colômbia. Essa pesquisa avaliou o risco e consequências da violência e criminalidade, para o cidadão viver, os negócios e a economia de 198 países. Entre esses 13 foram classificados como “extremo risco” : 1- Afeganistão, 2 – Guatemala, 3 – México, 4 – Iraque, 5 – Síria, 6 – Honduras, 7 – Venezuela, 8 – El Salvador, 9 – Somália, 10 – Paquistão, 11 – Líbia, 12 – Colômbia, 13 Nigéria. O Brasil que ficou em 31º lugar e a Argentina em 43º, também são classificados como “alto risco”. Notem que entre os 13 classificados como risco extremo temos 6 latino-americanos. Segundo a mesma organização a causa para essa situação caótica são basicamente três: instituições politicas fracas, politica de segurança ineficiente e grande tráfico de drogas.

QUEM SÃO ELES, QUEM SOMOS NÓS?

Peço desculpas aos amigos pelo assunto repetitivo e cansativo, mas que infelizmente não se esgota. Ao ler mais um deboche com nossa, cada vez mais frágil, democracia, não me contenho e quero dividir minha revolta com os confrades fubânicos, pró e contra esse mau elemento. Um inconsequente que por oportunismo quer colocar brasileiros contra brasileiros. Nunca ouvi esse canalha pronunciar sequer uma frase conciliadora. É sempre nós contra eles e eles contra nós. Como se o nós, fosse o povo brasileiro e eles um ser distante, que deve habitar o mesmo planeta das forças ocultas de Jânio Quadros.

“Eu não respeito à decisão, porque se eu respeitar a decisão de uma mentira, a minha netinha, quando ela crescer, ela vai sentir vergonha do avô dela que foi covarde” (Foz do Iguaçu, 26/03/2018)

Pela cabeça desse elemento não passa nenhum respeito a nada que não seja do seu agrado e contemplação a Sua Majestade o Imperador Nine, que está acima das leis, da democracia e da Nação.

Faço votos que para o bem de sua neta, ela não assimile esse caráter torto, egoísta, desordeiro, inconsequente, desonesto, conflituoso, desagregador, presunçoso, amoral. Que apesar da carga comprometedora no seu DNA, para formação de sua personalidade ela tenha lucidez de compreender que é possível desvincular-se desse mau-caratismo genético e enxergar a beleza de viver em sociedade exercendo seus direitos e cumprindo as leis.

“Eu não estou acima da lei. A única coisa que eu quero é que julguem o mérito do meu processo… Querem me prender para quê? Para me tirar da rua? Eu estarei na rua pela vontade de vocês, pelas pernas de vocês”

A covardia desse individuo é manifestada de várias formas, mas aquela que ele mais gosta é se esconder atrás da multidão. Usar sem autorização a representação popular, como se ele tivesse um mandato do Povo Brasileiro para representa-lo indefinidamente. Sem limites e sem fronteiras. Ele que fale por ele e pela minoria que ainda acredita nas suas mentiras. Os tolos, ou cumplices de suas tramoias, esquemas e conspirações.

O ex-líder popular que consegue atrair cada vez menos seguidores para sua seita maldita, o pretenso imperador que conhece toda podridão dos Três Poderes da República e que não se importa com a discórdia entre o sofrido povo, quando se trata de promover acertos e acordos com outros criminosos tem muito mais cuidado e não compra briga com ninguém. Entre Mensalão, Petrolão, Quadrilhão, Supremão e etc, aí não tem desentendimento, todos estão do mesmo lado. Infelizmente o lado deles é contra nós.

Esse é o verdadeiro “Eles contra Nós”