NOTAS

A greve dos caminhoneiros revelou outra fragilidade da economia. Para escoar a produção, o país depende basicamente do modal rodoviário. Mas, deixar um país submetido somente à estrada, aceitar que interesses políticos defendam o caminhão e o diesel para transportar mais da metade da produção nacional, especialmente quando as dimensões territoriais são extensas, é um erro. A Europa e a maioria dos países desenvolvidos do mundo, em vez de priorizar o caminhão, optou também pela ferrovia. Por óbvias razões. O trem transporta muito mais carga, muito mais minério e grãos, além de passageiros, numa única viagem, a um custo bem mais barato. A via férrea é menos poluente e bem atrativa para a infraestrutura. Enquanto a vida útil do caminhão não ultrapassa dez anos, a do trem chega aos trinta. Quem desmotivou a utilização da ferrovia no Brasil foi a indústria automobilística, implementada por JK, na década de 1950, com base apenas em opiniões políticas, ao invés de empregar planejamento técnico como é praxe nas melhores economias. Para piorar a situação, a decisão de JK foi reforçada pela ditadura militar com a privatização da RFFSA. A partir da expansão do parque industrial automobilístico, claro os investimentos na ferrovia caíram e permanecem parados até o momento, apesar do modal ferroviário ser abrangente por desdobrar-se em trem de carga, de passageiros, metrô e VLT-veículo leve sobre trilhos. A malha ferroviária brasileira, que um dia superou a dos Estados Unidos, com 37 mil km de trilhos, atualmente só dispõe de 29 mil km, com o inconveniente de boa parte das ferrovias encontrar-se sucateada, ou em estado de abandono ou então deteriorada pela ferrugem. Para construir uma ferrovia, existem obstáculos. O projeto geralmente acarreta longo prazo e como o governo muda de quatro em quatro anos, a descontinuidade no planejamento logístico desmotiva os investimentos. Ocasiona, evidentemente, deficiência neste meio de transporte e a falta de concorrência. O transporte rodoviário é importante na economia. Ajuda a agrupar valor aos produtos, porém é sujeito aos engarrafamentos, às estradas esburacadas, mal conservadas e à demora nos descarregamentos. No mundo, a predominância do meio de transporte é o ferroviário, seguido do rodoviário e hidroviário. Somente o Brasil não costuma diversificar os modais de transporte, preferindo concentrar-se no basicamente no rodoviário que tem custado caro à economia porque, além de travar o progresso, não diversificar o escoamento da produção, encarece, e como encarece o preço.

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As eleições se aproximam. Convém ao eleitor tomar consciência da importância do voto. Quando bem sufragado, o voto evita dissabores e decepções. Na atual legislatura, aprovada nas urnas em 2014, por causa da eleição de péssimos parlamentares, o país sofre consequências. Absorve impactos negativos. Atualmente, o Brasil tem a pior representação política desde 1985, é mais conservadora do que a de 1964. Aliás, quando começou a atual legislatura, em 2015, a quantidade de partidos registrava 28 partidos. Hoje, o número de partidos pulou para 35 parece que para dificultar a governabilidade por falta, justamente de iniciativas ideológicas. Então, cabe ao eleitor não se esquecer das frases que marcaram nas últimas eleições, como propaganda política. “Quer transar, o governo dá camisinha. Engravidou, busque o Bolsa Família. Tá desempregado, procure o seguro desemprego, Matou ou roubou, proteja-se com o auxílio reclusão” que tudo se ajeita. De fato, brincadeira ou não, o voto tem um significado muito importante. Na verdade, o voto expressa a vontade, determina a preferência do eleitor por determinado candidato que, uma vez eleito, o vitorioso procure trabalhar com afinco, sinceridade e honestidade para não decepcionar quem lhe presenteou com um mandato legislativo nas urnas.

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Pense num trem cinco estrelas. Será que existe na face da Terra é fantasia ou mera utopia. A tecnologia japonesa tem feito prodígio neste meio de transporte ferroviário que impacta e repercute. Quem procura o trem cinco estrelas, é bem recebido por uma comitiva de primeira linha, educada, cortês e sorridente. Ao entrar na locomotiva, as surpresas para o passageiro. O luxo no compartimento, a poltrona superconfortável, a visão panorâmica, a sala de estar de primeiro ordem, a mesa no restaurante, a cozinha sofisticada, o fino serviço gastronômico, o quarto, o conforto da cama e o requintado banheiro. Para completar, a mordomia inclui até pianista. O problema é a vontade de nunca mais querer sair de um ambiente tão acolhedor. Como se esta novidade não bastasse, o Japão inaugurou outro trem moderníssimo. Bem mais luxuoso. Trata-se do trem Shiki-Shima de dois andares com janelas panorâmicas, salas de descanso compartilhadas, refinado restaurante e 17 suítes com capacidade para duas pessoas. Para fazer uma viagem de dois dias, o passageiro paga o preço de R$ 8.8 mil. Mas, apesar do preço salgado, até março passado a lotação do trem mais luxuoso do mundo estava completa e a fila, extensa. É justamente poir causa dessas requintadas regalias que servem a tecnologia e o desenvolvimento. Qualidades usufruidas somente por quem tem o privilégio de morar em países de primeira linha.

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A qualidade do servidor público permanece desagradando o cidadão. Segundo um instituto suíço, dentre 59 países analisados, o serviço público brasileiro foi enquadrado no 5º lugar, dentre os que apresentaram os piores índices de funcionamento. As causas das críticas se baseavam em má gestão, indicação política e o reduzido salário pago à categoria. Os países que apresentaram melhor nota no serviço público foram Hong Kong, Cingapura e Suíça. Em Pernambuco, de acordo com outro levantamento feito internamente, o quadro apresentado em 185 municípios, constata que quase 7 mil indicados pela política e contratados pelo poder público não tem o ensino fundamental. Todavia, a política não avalia o grau de instrução do candidato ao cargo público, muitas vezes nomeado para exercer a função de comissionado, pensando apenas em assegurar a reeleição do indicador. Na França, especialistas apontam que esse tipo de expediente para o serviço público, através da indicação política, ignorando a qualificação profissional, tem os seus inconvenientes. Não traz economia nenhuma para os cofres públicos porque só faz é desorganizar o serviço. Ser alvo de críticas da população. Então, para evitar dessabores, o gestor público tem de se empenhar em contratar funcionário que realmente demonstre eficiência para a função. Mas, para evitar dispêndios, a contratação de funcionários deve seguir os parâmetros da competitividade. Aliás, as críticas também atingem o concurso público. Na opinião do professor de Direito da FGV, Rio de Janeiro, Fernando Fontainha, o concurso público tem suas imperfeições. Beneficia quem tem dinheiro para garantir a aprovação em boa colocação, alimenta uma indústria de cursos destinada a cobrar caro pelo ensinamento das matérias do concurso, cria, enfim, um sistema de arrecadação para desfigurar o processo seletivo., Ao invés de cobrar taxa de inscrição e elaborar provas de múltipla escolha, Fontainha recomenda que no momento da seleção, o candidato apresente competência e experiência profissional para a função. Devidamente comprovadas.

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O banheiro químico oferecido ao público nos eventos ao ar livre parece sucata. O cheiro é insuportável, o produto químico para diminuir o odor do xixi, é fraco. Não tira o mau cheiro. Por isso, o banheiro químico brasileiro incomoda o nariz, dar nojo entrar num deles. Apesar do tempo evoluir, a figura da cabine química não mudou nada, com o passar dos anos. Tem o mesmo formato, inclusive a cor, de quando foi inventado na Califórnia em 1940. Percebendo que o trabalhador perdia tempo nas obras ao precisar fazer as necessidades fisiológicas, e que não dispunham de banheiros fixos próximos para resolver o problema, um chefe bolou a cabine que todo mundo conhece, feita com paredes de fibras de vidro, tipo de plástico reciclável leve e higiênico, com capacidade para armazenar até 264 litros de excrementos humanos. Cada cabine atende 220 pessoas, durante um evento com uma hora de duração. Como não evoluiu, o cheiro do banheiro químico brasileiro é intolerável. Aliás, o país não pensou no deficiente físico, apesar de ser exigida instalação obrigatória e adaptada em eventos realizados ao ar livre nos espaços públicos e privados. Ao contrário do Brasil, a toilette oferecida ao público em Paris, França, é decente. A cabine é autolimpante. Após cada uso, o banheiro leva um banho de água para limpar a sujeira, ficar agradável de novo e devidamente pronto para receber outro usuário. Somente quando acender a luz verde, o novo cliente fazer uso do banheiro. Na Rússia, os jornalistas que cobriram a Copa tinham à disposição, banheiros ultrassofisticados. Daí os diversos elogios do pessoal da imprensa mundial ao país que sediou esta Copa do Mundo. Enquanto isso, a limpeza dos banheiros químicos brasileiro sõ são limpos, quando recolhidos do local onde foram instalados na vespera de eventos esportivos, públicos ou artísticos. Situação de estrumeira que é ignorada até pela Vigilância Sanitária.



IMUNDIÇA

Não transformem o Brasil numa imundiça. Não classifiquem o país como um território inútil, abarrotado de porcarias, pronto para receber mais porqueiras. Tudo bem, defeitos, existem muitos por aqui.

Não se pode negar, em absoluto. Muitos defensores de poder só plantaram babaquices. Das mãos dessa gente improdutiva só saíram sujeiras, asneiras. A desordem e a balbúrdia germinou rapidamente em política nojenta, desonesta e aproveitadora, em gestores indigestos e desleais, em desigualdade social, insegurança, corrupção, em corruptores que se desdobraram em deslealdade, em querer levar vantagem em tudo.

A desconsideração com as pessoas alheias ao círculo de amizades, o oportunismo, o desrespeito, a agressividade ao meio ambiente, a tendência para o descumprimento de leis, fato corriqueiro internamente, a burocracia, a péssima qualidade do serviço público, os impostos elevados, a carestia de vida, o baixo salário, a saúde pública despreparada, os estados endividados, as cidades quebradas e submetidas ao comando das drogas, a decepcionante infraestrutura. Foi o que restou dessa galera.

Por isso é verdade que atacado de máculas, o Brasil não pode ser comparado com a qualidade de vida oferecida pela Holanda, Suécia, Canadá e os Estados Unidos. Nem chega perto.

Mas, queira ou não, existem coisas boas por aqui, merecedoras de elogios. O futebol, a biodiversidade da fauna e da flora, o clima tropical, os 7.500 mil quilômetros de litoral, as belas praias, a música empolgante, a saborosa gastronomia, a gostosa pinga, a cordialidade do povo, o multiculturalismo, as cachoeiras e as festas, a maioria, inesquecível, tornam a vida do brasileiro menos sofrida.

Todavia, o que é inadmissível são as brigas internas, o desejo de se mostrar superior a todos que predomina no Poder Judiciário. Alguns juízes chegam ao descalabro de se julgarem deuses perante a sociedade. Desqualificando o cidadão comum.

No entanto, a disputa de vaidades entre os homens de toga, enoja. A guerra de poderes, aborrece. O prende e solta do ex-presidente Lula na semana passada mostrou que, de fato, existe um tremendo impasse judicial. E que não deve continuar.

Por outro lado, a soltura de 19 condenados do Lava Jato aumenta a desconfiança da população contra a Justiça do país que parece não saber como eliminar o excesso de processos, a inaceitável morosidade com a falta de estrutura para responder à demanda de serviços e a dificuldade do cidadão que permanece menosprezado para ter acesso à Justiça.

Como tem um custo elevado, em 2015, as despesas do Judiciário orçaram em R$ 79,2 bilhões, superando em gastos a Espanha, os Estados Unidos e a Alemanha, a sociedade espera resposta da Justiça para encontrar solução no sentido de dar adeus à lentidão nos serviços.

De forma a diminuir de forma gradativa o excesso de citações e de intimações, reduzir a demora para o oficial de Justiça localizar testemunhas. Afinal, a exagerada quantidade de despachos num mesmo processo, são medidas que deveriam desafogar as gavetas entulhadas de casos judiciais. O que faz o Poder Judiciário ser tremendamente burocrático. Muito pouco aplaudido.

Enquanto a Justiça brasileira leva 4 anos para sentenciar uma questão jurídica, em 1ª instância, a Dinamarca, a Áustria e a Hungria gastam menos de quatro meses para sentenciar um processo nas instâncias inferiores. Grande diferença.

O incrível é que nem com a adoção da tecnologia na Informática, da Súmula Vinculante, para orientar os juízes e tribunais estaduais, e da repercussão geral, para evitar o julgamento de questões semelhantes entre a Corte superior e as inferiores, as medidas tem ajudado a desengavetar processos. Acelerar sentenças.

Por todos estes inconvenientes, a Justiça brasileira acaba cometendo injustiça na opinião da sociedade. Para o povo, a verdadeira causa da impunidade é a crença do bandido, assaltante, homicida, sequestrador e estuprador julgar que o crime realmente compensa. Basta contratar um bom advogado para não passar temporadas atrás das grades. E ficar livre para agir continuadamente. Sem medo de ser feliz nas empreitadas.

Situação gozada pela maioria dos corruptos da Lava Jato que, embora tenha cometido crimes de corrupção ativa ou passiva, vive em liberdade, no convívio das pessoas de bem. Como se não tivesse cometido delitos de espécie alguma. Fosse as pessoas mais honesta do país como alguns políticos e empresários dessa laia se auto definem.



NOTAS

Recife, a capital de Pernambuco, ainda não apagou a imagem de desigualdade que ostenta. Faz tempo, a capital pernambucana é considerada uma das mais desiguais cidades do país. Deficiente em infraestrutura, a população sofre com a precariedade de serviços de saneamento, distribuição de água, coleta de esgoto e de lixo, inclusive de drenagem urbana. As famílias recifenses, particularmente as de baixa renda, ainda tem de tolerar as deficiências disponíveis em educação e saúde. Quando necessitam de assistência do poder públivco, penam. Além de abrigar grande número de pessoas pobres nos subúrbios, as famílas da periferia, especialmente os que moram vizinhos a bairros com muitos prédios, como é o caso dos residentes no Morro da Conceição, Zona Norte da cidade, sentem de perto o resultado das desigualdades. Embora vizinhos, a convivência social não é saudável. Enquanto a pobreza se ressente do precário acesso aos serviços públicos, os descendentes de famílias de alta renda dispõem do bom e do melhor. Boa assistência médica e educacional. Embora todos sejam recifenses.

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A questão é polêmica, de difícil interpretação. Ora, se a taxa Selic-Sistema Especial de Liquidação e Custódia despencou pra valer, os juros bancários não baixam. A Selic, a taxa básica de juros que regulamenta o financiamento interbancário de operações, garantida por títulos públicos federais, atualmente ocupa razoável patamar, graças aos esquemas empregados pelo Banco Central. Então, por que os juros bancários não caem também, permanecem lá em cima. Não cedem um pouco, não baixam nem a pau. Os bancos alegam bons motivos para cobrar juros tão caros. Argumentam pendências com as taxas de risco, a inadimplência, os impostos e o compulsório recolhido em função dos spreads, a diferença de juros entre o que o banco cobra do cliente e o que paga para captar dinheiro no mercado financeiro. No entanto, os economistas culpam a concentração de bancos como desculpa pelos juros altos. De fato, quem domina o mercado financeiro são apenas quatro bancos. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o Bradesco e o Itaú. O grupo dos fortes é composto por dois bancos públicos e dois privados. Juntos, o quarteto bancário domina 72,98% dos ativos financeiros do país. Das 21.579 agências bancárias em funcionamento no Brasil, 78% pertencem a essas feras bancárias. Todavia, mesmo poderosos, os gigantes sentem a compressão do crédito. A falta de financiamento para faturar altos lucros. Porém, não cedem uma vírgula sequer para baixar os juros.

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O nordestino nem desconfia. Mas, na opinião de médicos especialistas, o câncer encontra favorável ambiente no Nordeste para atacar pessoas com mais intensidade. A Paraíba conta com 223 municípios, porém, em quinze cidades, o câncer é o foco das mortes. Em Serra Grande, município do Sertão paraibano, quase a metade das mortes é provocada pela temível doença. Embora alguns tipos de câncer possam ser evitados com antecedência, mas, devido às dificuldades para diagnosticar a tempo as neoplasias, o crescimento anormal do tumor no organismo, adiando a prevenção e o tratamento, os óbitos aumentam. Segundo cancerologistas, existem naquelas paragens, boas condições para o aparecimento do câncer. A alta exposição do sertanejo ao sol, a falta de protetor solar para passar na pele, como dica protetiva, o uso de amianto na fabricação de canos para o saneamento, cuja utilização foi proibida, o consumo de água de açude, sem ser analisada antecipadamente, o vício do fumo e da bebida expandem elevam as mortes na Região. Por outro lado, não se deve esquecer que o estresse, o sedentarismo, a obesidade, quando não tratados convenientemente, também facilitam a incidência ddo câncer.

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Realmente, quem pesquisa, descobre segredos. O escritor e mestre em Administração Moderna, o austríaco Peter Drucker, falecido em 2005, disse com muita propriedade. “Não existe país subdesenvolvido. Existem, sim, países mal administrados”. Quando falta qualidade, com certeza, o cliente mostra insatisfação com o produto comprado. O contribuinte reclama contra a desatenção do Poder Público, a pessoa prejudicada protesta, quando precisa se utilizar de serviço de seu interesse, no entanto, é presenteado com negligência ou deslealdade por parte do atendente. Inchado e ineficaz, o Brasil peca por falta de produtividade. Falha na produção, trabalha demais para produzir pouco, gasta muito e se endivida. Por isso, a população se queixa contra a carência dos serviços básicos. Critica o elevado custo Brasil, em função do excesso de burocracia, do festival de corrupção, da deslealdade de políticos despreparados para o mandato, de gestores incapazes e desonestos, de péssimos empresários que, donos do dinheiro, enfeitiçam os agentes públicos, levando-os para a intolerância, da abusiva desigualdade reinante e da tradiconal dependência econômica do petróleo.

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Em país ordeiro, o bom comportamento é imprescindível, sob todos os aspectos. No trabalho, então, o Japão não perdoa erros, não releva espertezas, contesta indisciplina. A regra para o japonês jamais pode ser desrespeitada. Lá, o regulamento não pode ser ferido. De modo algum. Daí o bordão, “comeu, não leu, leva cacete”. Um velho funcionário de uma empresa do Estado, com 64 anos de idade, resolveu sair três minutos adiantados para o almoço. Avaliada a conduta do subordinado, os chefes descobriram que a prática de antecipar a saída para as refeições já se repetia em 26 vezes. Avaliada em conjunto pelos gestores, a conduta profissional do velho trabalhador foi classificada como de péssimo exemplo. Então, não restou outra alternativa para a empresa, senão repreender e punir o empregado, pedir desculpas à sociedade pelos escândalos que desvirtuam do tradicional padrão japonês de organização. O Japão faz questão cerrada de não fugir da regra de organização. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão sofreu muitos ataques dos adversários. Os bombardeios destruíram muitas indústrias. Na ânsia de reconstruir a base produtiva, os japoneses copiaram o modelo Ford de produção, criado por Henry Ford, em 1914, para engrenar a produção em massa. A metodologia ficou batizada como Fordismo. O Fordismo, criado por Henry Ford, seguia a seguinte estratégia para atingir a produção em massa. Elevar a produção, segurar os preços baixos, de modo a tornar o produto atrativo e bem disputado pelo consumidor. Para compensar o trabalhador, Ford adotou outra a regra. Oficializar o expediente de oito horas e cinco dólares. A ideia pegou, e com disciplina e eficiência, a linha automática de montagem em pouco tempo atingiu alta produtividade. O forte do Fordismo visava padronização, a produção em massa de bens homogêneos, formar grandes estoques e seguidos testes de qualidade. O Fordismo deu tão certo que foi copiado pelos japoneses na criação da metodologia do 5S, baseado na introdução de cinco palavres iniciadas pela letra S em japonês. As palavras são, Seiri, que significa senso de utilização, Seiton, simbolizando o senso de organização, Seiso, senso de limpeza, Seiketsu, senso de saúde, e Shitsuke, traduzida como senso de auto disciplina. Aprovada, a metodologia serviu para levantar a indústria japonesa, destruída pela guerra e dar moral para o Japão se reorganizar como nação em desenvolvimento. Seguindo o roteiro da ordem e da disciplina como fonte de progresso.



ROTEIRO

É como diz o ditado popular. “Uma andorinha só não faz verão”. Então, tá na cara. Pensou em desenvolvimento, de jeito algum pode-se ignorar dois itens básicos. Investimentos e infraestrutura. Investimento e infraestrutura são semelhantes a duas passadas que devem seguir unidas, cadenciadas, como dois irmãos siameses. Um complementando o outro. Se acaso um item falhar, automaticamente o outro se ressente. Padece. No campo econômico, isoladamente, atividade produtiva nenhuma consegue seguir adiante, caso haja bloqueio num dos dois itens essenciais.

Investimento é um desembolso financeiro visando obter benefícios futuros. Pode ser injetado em pesquisa, tecnologia e em educação. Infraestrutura é um suporte construído para suportar a base do progresso. Enquanto investimento pressupõe dinheiro, infraestrutura engloba estradas, portos, aeroportos, ferrovias, telecomunicações, centros de distribuição de produtos, de água, esgoto e de energia. Com alto teor de de modernizaçaão.

Cada país define o tipo de característica que deve focar nos investimentos. Os Estados Unidos são o país que mais investe no mundo. Em 2013, os americanos aplicaram US$ 450 bilhões, algo em torno de 2,8% do PIB, em pesquisa e desenvolvimento. Em seguida, vem a China, que se dedicou durante dez anos a investir pesado em desenvolvimento, priorizando a educação como item inicial. De acordo com os planos chineses, está previsto até 2020, a China aplicar quase metade dos investimentos na ciência básica. Área destinada a desvendar o interesse pelo conhecimento.

Com característica definida, o Japão especializou-se em investir na microinformática. A França na tecnologia da informática. Por isso, possui um dos seis supercomputadores mais potentes do planeta.

Todavia, nem todos os países tem a sorte de saber investir com eficiência e determinação nas áreas de maior projeção de desenvolvimento. O Brasil é um dessas desafortunadas nações que se perde no emaranhado de melhorias técnicqas, por falta de atitudes, condições financeiras e reduzido conhecimento no campo científico. Embora invista até bem em educação, mas o investimento é mal feito. Desordenadamente. Obténdo, em consequência, pouca repercussão. Inaproveitado impacto.

O baixíssimo nível técnico nacional começa pela fragilidade do sistema educacional. Prossegue no nanico investimento no campo das pesquisas cientificas. Passa pela falta de regulamentação da profissão de cientista. Aí, evidentemente, a consequência lógica e natural é a carência de investimentos resultar em atraso tecnológico. Crítica situação enfrentada pelo Brasil, no momento.

Aliás, em matéria de investimentos, a decisão praticamente fica restrita ao setor público. Até a década de 90, em função da pobreza da iniciativa privada, competia ao Estado, como o senhor do dinheiro, o direito de investir. Posteriormente, depois que surgiram as privatizações e as parcerias público e privado, as conhecidas parcerias PPP, os aportes para os investimentos começaram a rolar com maior intensidade no setor empresarial.

No início, pintaram os primeiros indicativos de investimentos, derivados de contratos de concessões. Todavia, o balde esfriou em virtude das universidades públicas, consideradas os principais centros de pesquisas e produção cientifica nacionais virem se arrastando nos projetos por falta de recursos. Decorrentes de cortes no orçamento.

Por esta razão, o país anda super devagar na luta pelo progresso. Não tem qualidade no ensino, as empresas somente agora pensam em descobrir o segredo da logística, como produzir melhor, de que forma podem introduzir a avançada tecnologia na fabricação. Patamar que os países mais industrializados, como Estados Unidos, China e Japão, dominam a técnica de produção há tempo. Empregando a tecnologia de ponta.

Apesar de ter uma população superior a 200 milhões de habitantes, o Brasil segue em marcha lenta. Por causa de sofrível nível de produtividade, o país tem pouca participação no contexto produtivo mundial.

O incrível é que, embora detenha boas qualificações, possua extensa base territorial, tenha expressivo mercado consumidor, diversidade de recursos naturais, o país sente dois atropelos. Capital pouco utilizado, e quando utilizado é mal empregado, além de recursos humanos com péssimo nível de qualificação profissional. Por falta, justamente, de preparação de mão de obra. De pessoal qualificado à altura da velocidade no avanço da tecnologia empregada no universo.



DESCASO

O serviço público é cheio de erros e defeitos que deixam a população em polvorosa, jogada no meio da rua, totalmente desprotegida. A culpa é dos agentes que não dão bolas para as necessidades carentes. É certo que a maioria do servidor público não ganha salário suficiente para se sentir confortado com a precária situação vivida nas instituições do governo.

No entanto, a minoria que recebe altos salários, Legislativo e Judiciário, se faz de cego e mouco, diante das reclamações do povo, para não ser perturbado, não se meter em furadas. Não procurar sarnas para se coçar por culpa de gestores incompetentes e desinteressados em sentir a ansiedade do povo, que apesar de buscar uma maneira de viver com dignidade, tem as carências desrespeitadas pelos administradores.

Como geralmente não dispõe de condições e nem de equipamentos para desempenhar um trabalho proveitoso no expediente, o servidor parte para o improviso. Então, diante das carências, da incompreensível falta de estrutura, é difícil o contribuinte encontrar no serviço público a esperada ajuda, o cobiçado calor humano para ser bem atendido.

O que salva no serviço público é a diminuta quantidade de gente devotada no atendimento, pessoas competentes, prestativas e humanas que fazem até o impossível para atender a quem procura as repartições, na ânsia de receber aquela gentil atenção no serviço social de qualidade.

Diariamente o cidadão sofre barbaridade no transporte público, ônibus, trens, metros sempre superlotados e ultrapassados.

Nos hospitais, postos de saúde e prontos socorros, o paciente enfrenta filas por falta de equipamentos adequados e, principalmente, pela ausência de profissionais preparados em quantidade para não deixar o povo na aflição. Entregue às baratas. Padecendo em macas nos corredores hospitalares.

Para o descaso no serviço público existem aceitáveis explicações. Desinteresse do governante, ineficiência administrativa, falta de recursos, oportunos desvios financeiros praticados pela corrupção, bandidagem de falsos representantes do povo no poder.

Na saúde, embora seja um direito constitucional do brasileiro, mas, quem manda é a negligência. Na Carta Magna está bem claro. Compete ao Estado, como dever, dispensar ao cidadão a devida atenção no atendimento. Mas, este procedimento acontecer de verdade é balela.

Para o dependente do SUS-Sistema Único de Saúde, em especial, o normal é o doente receber desumano atendimento. Péssima atenção. Desrespeito até nas urgências.

Foi o que aconteceu com o bebê, Alice Emanuele, de apenas dois meses de vida, filha da mãe Ariany Duarte da Fonseca, de 26 anos, de Santa Barbara d’Oeste, pequena cidade de São Paulo, com apenas 180 mil habitantes, que sofrendo de problemas respiratórios, procurou o pronto-socorro Afonso Ramos, do município, para atendimento emergencial.

Mas por falta de UTI neonatal, o bebê foi atendido provisoriamente numa caixa de papelão para fazer inalação. A sorte é que a improvisação deu certo, salvou a criança, até surgir socorro imediato em outra cidade.

A sorte é que na cidade vizinha, Sumaré, distante 114 quilômetros da capital, o Hospital Estadual ofereceu ajuda à criança que sofria de bronquiolite.

O curioso é a Secretaria de Saúde se pronunciar, enaltecendo a criatividade da equipe de médicos e de enfermeiros de Santa Bárbara d’Oeste que prontamamente salvou o bebê Alice.

Porém, desconhecer que o sofrimento da família deu-se justamente em função do descaso e da omissão do Estado, que não equipa as unidades hospitalares de acordo com as recomendações médicas mínimas exigidas para o perfeito atendimento da população é dose. É querer fazer o povo de besta. É enoralção de fato e de direito.



NOTAS

Desmandos. Por mais que deseje, o país não consegue eliminar duas lástimas que infernizam a vida do cidadão, mesmo borrifando repetidas gotas de pesticidas. As pragas formadas pelos gestores públicos incompetentes e os políticos desonestos, chegados à corrupção, e cientes da impunidade, parecem imunes à prevenção. Essa dupla, sempre atuando de forma criminosa, quando entra em cena deixa muitos estragos como rastro de má gestão e de improdutividade. Até que a Lei das Estatais, de 2016, engatilhe de verdade, produza efeitos, a política do Q.I., de quem indica, prevalece, sempre aprontando. Em 2016, o Brasil ocupou o 2º lugar na indicação de cargos políticos, depois da Austrália. A lista de estatais que caíram nas mãos da corrupção, e sofreram miséria, é vergonhosa. Petrobrás, BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Correios reclamam do tempo que ficaram expostas na direção de gangues desqualificadas ocupando cargos de gestão.

Em 2016, a Petrobrás lançou um plano de reestruturação para sair da pior crise de sua história, provocada por desvios de recursos arquitetados por escândalos de corrupção. O plano foi tão bom que no primeiro trimestre deste ano, a empresa contabilizou um lucro em torno de R$ 7 bilhões, o maior deste 2013. A Petrobrás saiu do vermelho para a lucratividade. Como banco nacional de desenvolvimento, o BNDES se lascou. Por causa de ineficiência governamental, gastos absurdos, falta de planejamento de gestores que não se incomodam se as obras financiadas param ou são abandonadas, o BNDES entra na dança dos prejuízos. Em Natal, RN, construíram um píer turístico, no valor de R$ 72 milhões, que não recebe navio de cruzeiro. Por dois bons motivos. A ponte Newton Navarro impede a passagem de embarcações com altura acima de 55 metros e a área de manobra não comporta grandes navios. Por suspeitas de irregularidades, três vice-presidentes indicados por partidos políticos foram afastados dos cargos na Caixa Econômica para atender recomendação do Ministério Público e do Banco Central.

Houve uma época em que o PT indicava diretores no Banco do Brasil com a finalidade de levantar fundos destinados a fins políticos. Por causa de interferências políticas que prejudicam planejamentos comentam inclusive que num dia qualquer o Banco do Brasil talvez entre no esquema da privatização. E para finalizar, convém esclarecer de que com uma só canetada um juiz federal, de Brasília, afastou seis vice-presidentes simplesmente por falta de qualificação profissional. Em termo vulgar por incompetência para assumir tão importantes cargos. Os ex-vice-presidentes depostos dos Correios não tiveram os currículos analisados devidamente, antes da nomeação. É isto, quando não se lê as regras contidas na Lei das Estatais, em vigor desde 2016, o pau come. Mas, infelizmente, as consequências de tantas demissões forçadas nas empresas sob o comando do governo acabam caindo diretamente nas costas da sociedade que não tem a ver com os desmandos.

O povo é apenas vítima de tantas falcatruas nas esferas políticas. No caso dos Correios, os funcionários foram convocados para cobrir o rombo que ultrapassou a casa dos R$ 2 milhões. Tá na cara, que quando o gestor é inapto, incapaz, contagia o ambiente de trabalho. Desmotiva o subordinado. É sinônimo de prejuízo na certa. No conceito americano, se o gestor é incapaz, o destino da empresa é viver sufocada por intrigas, mentiras, que afeta o funcionalismo, agride a criatividade. Então, para escapar de infortúnios, a nomeação de verdadeiros líderes é de suma importância para manter os planos nos esquemas de produtividade. Não atrapalhar a busca incessante de resultados. Afinal, o bom desempenho dos chefes é fundamental na execução de um bom relacionamento interpessoal.

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É cada mandiga na política que espanta até lobisomem. Os candidatos paulistas às próximas eleições usam e abusam do mandato de deputado vigor. Para garantir a reeleição, na maior pressa possível, os deputados de São Paulo, aprovaram um projeto meio duvidoso para equiparar o teto salarial de selecionadas categorias aos vencimentos dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado. A autoria do projeto é do deputado Campos Machado, do PTB-SP, que não se preocupou se o astronômico aumento causa estragos no cofre do Estado. Afinal, caso o projeto seja sancionado, o Estado vai ter de arcar com mais de R$ 1 bilhão em quatro anos para beneficiar apenas 4 mil altos servidores. O curioso é que como não depende de sanção governamental a decisão deve valer imediatamente. A categoria beneficiada, lógico, tem comparecido frequentemente à galeria da Assembleia paulista, desse o final de 2017, para acompanhar o desenrolar do projeto e dar aquela força na aprovação e entrada em vigor da medida, imediatamente. O estranho é o fato de outras categorias formadas por professores, policiais militares e civis e profissionais da saúde terem sido esquecidos na questão. Outro problema que ficou de lado na tramitação do projeto, refere-se à queda da arrecadação estadual e o fato da situação política e econômica de modo geral não ser favorável ao imediatismo do complexo projeto.

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DUREZA

Em 2010, sem alternativas, a Grécia caiu em desgraça. Desesperado com a dívida pública que só fazia crescer, que na época ultrapassava a casa de 200 bilhões de euros, enquanto a arrecadação despencava e o risco da moratória circundava os ares gregos, o país afrouxou. Entregou os pontos. Reconheceu ter sido abatido pela crise da economia e das finanças.

Na tentativa de contornar o embaraço e aconselhado pelo FM e a União Europeia, a Grécia, cujo governo era criticado internacionalmente, adotou antipáticas medidas de austeridade para escapar da enroscada. Programou controlar os gastos públicos, excessivos, congelar o salário de servidores de empresas do governo e estudou demitir em massa a quantidade de funcionários de empresas estatais. O que acabou acontecendo.

No entanto, revoltada com as prometidas decisões a serem implementadas na ocasião, a população radicalizou contra a redução do salário, o aumento de impostos, a inflação que começava a incomodar, o corte de crédito, o fechamento de bancos durante sete dias corridos, a limitação de saques de no máximo 60 euros diários e, sobretudo, com o plano de privatização preste a vigorar. Sem perder tempo, o povo ganhou as ruas para protestar. As manifestações realizadas de modo violento, gerou conflitos entre a polícia e manifestantes, cujo resultado findou em mortes. Até parece que o brasileiro já viu este filme, algumas vezes.

Todavia, acontece que a ajuda financeira externa, os vultosos empréstimos concedidos ao governo grego só fizeram atrapalhar os planos. O impacto das fortes medidas repercutiu negativamente. Travou a economia, encolheu riquezas. A atividade produtiva recuou por causa da recessão. O PIB desmoronou, de 5% obtido em 2004 para apenas 0,14% em 2014. Os negócios enfraqueceram drasticamente em função de retração, impondo a taxa de desemprego atingir a temerosa marca de 26,5%. Deixando, enfim, mais da metade da população jovem desocupada. Curtindo estressante ociosidade.

Nos oito anos de intensa luta, a Grécia ainda sofre graves consequências. Nem as ajudas financeiras foram suficientes para vencer a dura crise. Apesar de se tornar viável, a dívida deixou marcas. A população, obrigada a cortar despesas no lazer e nas compras necessárias para levar uma vida confortável, perdeu a confiança no governo. Depois, então que a dívida pública subiu para mais de 100% do PIB, as rígidas reformas nos impostos, na aposentadoria e no salário do servidor, fez o caldo entortar mais ainda. Forçou o grego a pedir arrego.

Hoje, atribui-se a tormenta sofrida pela Grécia aos erros econômicos cometidos por diversos gestores públicos e pela maldita herança do capitalismo, que temendo calotes, sugou os recursos gregos até enquanto pode. Os governos gastavam mais do que os cofres públicos conseguiam arrecadar. O país não combateu a corrupção com punhos de ferros. Não impediu a evasão fiscal. Não evitou a economia encolher. Ao contrário, deixou tudo correr fora dos trilhos.

Adotar medidas de austeridade é fácil, basta ter a caneta na mão. Mas, recuperar a economia, na sua plena atividade é dificílimo. Cortar gastos públicos não custa nada, porém cumprir a promessa, fechar a mão é outra coisa porque o ato mexe com a vaidade e o egoísmo pessoal, cujo ato é dificultoso. Nem todos os gestores públicos tem coragem para tomar audaciosa medida. Por outro lado, é mais lucrativo aumentar impostos do que promover reformas na política, na área tributária, na previdência e no mercado de trabalho. Nesse campo o trabalho é mais duvidoso porque tira o sono das autoridades que não tem aquilo roxo. E nem peito para enverdar por temerosos caminhos.

A experiência que a Grécia sofreu com a crise de economia e finanças foi dolorosa. Além do povo enfrentar duradoura depressão, ainda teve de amargar outros graves problemas. Com a força de trabalho desempregada, as demissões em massa, as greves gerais, o tesouro saqueado, o corte de salário e nas pensões, o penhor de moradias, o grego penou demais. O esgotamento mental, o abatimento físico abateu o grego por várias gerações. Levou, inclusive, muita gente ao suicídio.

Todavia, caso tudo ocorra dentro das previsões, a Grécia, singrado o mar revoltoso, este ano tem tudo para atravessar uma fase de estabilidade econômica. Afinal, o pior já passou. Após nove anos de completa baixa, vencido os efeitos dos destruidores ciclones, para 2018 as estimativas apontam que a economia grega deve crescer em 2018 com uma taxa de 2,8%.

O ruim é que os últimos acontecimentos gregos parecem um ato de déjá vu. O curioso é que outros povos vivenciaram, passaram por semelhantes e nebulosas atitudes no passado. De rachar o cano. Sem tirar nem por.



NOTAS

Apesar de ter sido beneficiado pela natureza com grandes reservas de água doce, o Brasil, por deficiência técnica, realiza um serviço irregular na distribuição do produto. A água coletada nas fontes contém impurezas. Então, antes de ser distribuída à população para consumo e uso industrial, a água recebe tratamento específico para limpar a poluição e torná-la potável. Um dos grandes problemas na distribuição da água está na desigualdade do fornecimento. Áreas menos povoadas, como a região Norte, possuem gigantescas bacias hidrográficas. Embora abrigue poucos habitantes, o Norte possui 70% dos recursos hídricos do país. A bacia do rio Amazonas é exemplo. O Nordeste, ao contrário, apesar de acomodar uma população maior, é vítima constante da seca. Sofre carência de chuvas. A falta de políticas públicas faz a Região sofrer constantes racionamentos. A região Centro-Oeste é beneficiada pelo Pantanal, detentor de excelentes recursos hídricos. O Sudeste, por não ser muito bem servido por bons mananciais, tem cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte que reclamam da escassez de água. Os sulistas, raramente chiam por falta do produto nas torneiras. O impressionante é que devido a falhas tecnológicas, as distribuidoras estaduais sofrem prejuízos. O alto custo na conta de energia, os furtos, os vazamentos, o desperdício e as ligações clandestinas, aliados à precária infraestrutura, aos escassos investimentos e a fraca logística baixam o faturamento das estatais, responsáveis pelo abastecimento. Complicam o caixa das empresas. Por isso, dos 5.565 municípios brasileiros, a metade pena com o irregular abastecimento. É vítima do racionamento. Nem a Lei de Saneamento Básico, sancionada em 2007, no intuito de generalizar os serviços de abastecimento de água e tratamento da rede esgotos, de modo a garantir a saúde da população, obriga as empresas fornecedoras a divulgar as metas de expansão dos serviços, de qualidade, eficiência e de uso racional do líquido nas cidades. Por outro lado, nem a Política Nacional de Saneamento autoriza a Agência Nacional das Águas a fiscalizar e aplicar multas no caso de irregularidades encontradas nos serviços de fornecimento de água e de coleta de esgotos. Daí o sofrimento da população que fica desprotegida para reclamar os seus direitos.

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A descoberta do corpo da menina Vitória Gabrielly, de apenas 12 anos, desaparecida há mais de uma semana e encontrado numa estrada de terra ao lado dos patins, na zona rural de Araçariguama, reforça a tese de que a mulher permanece vítima da violência. Pela frequência e selvageria dos crimes, deduz-se que os motivos que levam às tragédias são diversos. Não se restringe apenas às questões sócio/econômicas. Muitas outras causas podem levar o agressor ao crime contra a mulher. O machismo, fatores culturais, as desavenças nas famílias, o alcoolismo, a discriminação, drogas, o desrespeito aos direitos humanos, e, sobretudo, as deficiências do aparelho preventivo e repressor devem ser enquadradas nas análises sobre os casos de femicidios ocorridos. O flagelo é mundial, não é exclusividade do Brasil. Porém, um fator é determinante. Ao Estado compete a função de atuar permanentemente para reduzir tantas barbaridades contra um ser que tem sido vítima de crimes hediondos. A mulher tem figurado como a parte mais vulnerável para os brutais crimes, cometidos com requintes de selvageria que chocam. Como o assassinato da menina Vitória que chocou o país. Sem permitir pelo menos a menor chances de defesa para a vítima. A desigualdade de gênero faz parte da cultura do nosso povo. Acontece regularmente, porém o responsável, o criminoso, geralmente não recebe a merecida punição. Convém esclarecer que a violência contra a mulher não existe apenas na forma de agressão física como socos, agressão com objetos, chutes, abuso sexual, lesão corporal, mutilação. Pode ser descrita também como as que são praticadas com chantagens, mentiras, desconsideração, ofensas e humilhação em público.

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É danado, apesar de decepcionado contra a gastança de dinheiro público no Congresso para pouco resultado, o eleitor vai ter de aguentar mais um período legislativo com a maioria dos atuais parlamentares que complicados, recebem a insatisfação da quase totalidade do brasileiro. Por razões óbvias. Em vez de demonstrar preocupação com a governabilidade do país, eles preferem trabalhar para não perder a participação no poder. Todavia, embora o cidadão critique e reprove a conduta de parlamentares que demonstram claramente não representar o povo, especialmente aqueles adeptos da corrupção. Como tem político desonesto e pouco representativos na conduta, pouco deve mudar na composição da Câmara e do Senado. A causa da permanência dos indesejáveis é o curto tempo de campanha. Então, o gigantesco fundo eleitoral vai basicamente servir para reeleger velhos caciques. O sonho de mudanças, a renovação de lideranças políticas deve ser adiada novamente. Aqueles tradicionais políticos que só visam aproveitar a mamata, fortalecer o mandato e trabalhar para engajar herdeiros no mesmo caminho. É o que sido visto ultimamente nas lides políticos, onde pais e filhos navegam no mesmo barco. Pai defende o mandato de senador, enquanto o filho responde pelo t´titulo de deputado ou de prefeito.

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Tem relatos que impressionam pela frieza e sinceridade com que são narrados. Na Sibéria, região super fria da Rússia, um homem resolveu preparar a terra do jardim de casa para plantar batatas. Mas, no arado da terra descobriu ossos e um crânio enterrados no local. Ao contar a surpresa para a esposa, ela, de forma seca e insensível nem se tocou com o assunto. Em 1997, após sofrer agressão do marido, que chegou em casa bêbado, a mulher, matou o primeiro marido a machada. Ao perceber o estado de óbito do companheiro, a mulher não teve dúvida. Despedaçou o corpo inerte do antigo esposo e enterrou os restos mortais no jardim. Agora, preparando a terra para a plantação de batatas, o segundo e atual companheiro, atônito e tremendo de medo, correu para avisar a polícia sobre a ocorrência, cometida há 21 anos e nunca descoberta por falta de parentes do marido assassinado para reclamar da ausência do infeliz homem. É isso que dá, quando o homem, na ânsia de casar, não se preocupa em procurar uma mulher mais feminina e dócil do que a destemida que não tem medo de reagir na hora precisa, com frieza e determinação.

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O desperdício no país é tremendo. O esbanjamento com o dinheiro público, então, é absurdo. Fora de controle. Por conta da falta de planejamento, bilhões de recursos financeiros são empregados em obras, algumas paralisadas, outras se tornaram elefante branco, sem estimativa de conclusão ou de devido uso. Mas, o que leva o país pobre de caixa jogar tanto dinheiro no lixo. A conclusão é simples. Má fé, incompetência e gestões duvidosas, o que tem de montão pelo território brasileiro, que são estimuladas pela desqualificada fiscalização, por falta de cobrança do povo e principalmente pela ausência de punibilidade do Estado, totalmente despreparado para funcionar de acordo com o figurino. Atos de improbidade são praticados constantemente por agentes públicos considerados devassos, falsos e tremendamente enganador, daí boa quantidade deles respondendo processos judiciais, presos por condenação processual, e sob investigação policial. O que deixa a população pasma é o fato de existir a Lei de Improbidade Administrativa, vigorando desde 1992, complementada pela Lei de Responsabilidade Fiscal, pela Lei da Transparência, Lei da Ficha Limpa, Lei de Acesso à Informação e Lei Anticorrupção, mas são poucas as medidas de repressão ao ilícito. Aliás, de acordo com a Transparência Internacional, dentre 176 países listados, o Brasil aparecia em 1917 na 79ª posição. Há 10 anos, o escândalo do Mensalão, que engloba o pagamento de propinas a parlamenteares para votar a favor de projetos apresentados pelo governo, contabilizava desvio calculados em mais de R$ 100 milhões. No Lava Jato, a roubalheira é maior. Pelo menos, cerca de R$ 10 bilhões provenientes de desvios foram recuperados pelos cofres públicos. Outros R$ 6 bilhões é a estimativa referente ao prejuízo sofrida pela Petrobrás com o pagamento de propinas. De tudo o quanto foi descoberto até agora, o resultado que ficou é a falta de credibilidade do país no conceito mundial, o crédito mais caro à disponibilidade do povo, a desconfiança do investidor internacional, possibilidades que diretamente afetam o emprego, a renda do cidadão e o pleno desenvolvimento da Nação. Como sonha e espera o cidadão.

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A modernização econômica levada a efeito pelo Brasil acontece de forma lenta e gradual. A compra de 80% do patrimônio do Walmart pelo Fundo Advent de Investimento comprova o fechamento da operação. Desestimulado pelas incertezas e a instabilidade política, o Walmart prefere sair do ramo de hipermercado no Brasil. No entanto, motivado pelo crescimento do setor, que já abriga 500 lojas no país, fatura algo em torno de R$ 80 bilhões e emprega 75 mil pessoas, o Advent entra no mercado para explorar o ramo de atacarejo, nova norma de comércio idealizado em 1964 na Alemanha. No atacarejo, a diferença está no preço baixo, para incentivar a competição mercadológica, na estrutura enxuta, ao contraído do tradicional modelo adotado pelos supermercados, que sofisticam mais, visando aumentar o volume de vendas. No atacarejo, o setor vislumbra misturar atacado com o varejo para seguir uma nova tendência de mercado internacional para atender o interesse do consumidor final que nutre um só pensamento. Comprar o produto para uso próprio ou destinado a outros objetivos por um preço baixo para não comprometer o orçamento familiar.



ANOS DE PROTESTOS

O ano de 2013 foi parada dura para o brasileiro que teve de enfrentar manifestações de todo tipo. Mais precisamente no mês de junho, pipocaram manifestações em 388 cidades, comandados pelos manifestantes de 22 capitais que conseguiram juntar mais de um milhão de pessoas, concentradas num único objetivo. Lutar de todas as formas possíveis pelo direito do cidadão.

Para mostrar indignação geral contra os desacertos, o pau cantou. Incentivada pelas redes sociais, a sociedade, ousada, foi às ruas protestando contra diversos temas. Reajuste nas passagens de ônibus, corrupção política, precariedade do serviço público.

A marcha exigiu a redução de R$ 0,20 na passagem de ônibus, condenou a violência policial, quando na Rua da Consolação, área central da capital de São Paulo, os policiais investiram contra a massa, deixando 150 pessoas feridas, condenou a representação política, que permanece desatenta, criticou o inaceitável serviço de transporte público, sem perspectivas de melhora. Como o metrô paulista não presta bom serviço, o povo, na época, invadiu os trilhos. Parou os comboios, cortou a circulação de trens, passou a caminhar nas linhas.

A tensão aumentou quando os manifestantes decidiram invadir o Congresso e o Palácio da Alvorada e depredar o Palácio do Itamaraty. Foi cacete. O caldo engrossou. O povo enfureceu. Os políticos fecharam o bico, se recolheram aos seus aposentos. Abandonando as bases na surdina.

Na pauta de objeção dos militantes no protesto constava também a desaprovação contra os gastos com as obras para a Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2014 que desviou verbas da saúde, educação e segurança para as monstrengas e desaprovadas construções.

O interessante é que 80% da população aprovou a manifestação de 2013. O movimento, na ocasião, chegou a ser comparado ao da classe estudantil, que em 1992, pintou a cara e saiu às ruas para pleitear o impeachment do presidente Collor.

A nova geração, conhecida como os “caras-pintadas”, com o rosto pintado nas cores verde e amarelo, saiu às ruas para denunciar a corrupção, que estava insuportável, protestar contra a medidas impopulares adotadas por Collor que congelou a dívida pública e o confisco da poupança. Medidas aprovadas com o intuito de barrar a hiperinflação que entre 1989 e 1990 chegou ao impressionante patamar de 4.853%.

A marcha dos caras-pintadas foi ferrenha, brava. Durou 2 anos de passeatas, tumultos e vandalismo. Começou no final de 1989 com o objetivo de conquistar passe livre nos transportes e meia entrada nos cinemas e varou anos.

As manifestações tiveram um final feliz. Em setembro de 1992, a Câmara aprovou o impeachment do presidente. Decisão que foi acolhida pelo Senado em dezembro. No entanto, temendo o pior, e para não perder os direitos políticos, Collor se antecipou. Apresentou carta de renúncia ao cargo. Entretanto, depois de dezesseis horas de sessão no Senado, Collor saiu, considerado como inabilitado para o exercício de função pública pelo prazo de oito anos.

Infelizmente, decorrido cinco anos dos protestos de 2013, pouca coisa, muito pouca mesmo melhorou no país na questão de qualidade de vida do brasileiro. O serviço público permanece burocrático. Imprestável. O processo eleitoral quase não sofreu alteração. A taxa de renovação nas Câmaras de Vereadores, nas Assembleias Legislativas e no Congresso Federal é insignificante. Muitos políticos se eternizam, estendo o mandato para os familiares.

No campo econômico/social poucas alterações também aconteceram. No geral, a sociedade continua desigual. Os ricos, enricaram mais. A única vantagem reservada para a maioria da população, é a abertura para a classe menos favorecido ter acesso a determinados tipos de serviços, antes restritos às classes mais altas.

A política não se desgruda do mito centenário e, embora passe a página, o cenário não muda. Sustenta os mesmos problemas. Desemprego, corrupção, saúde, violência, educação desqualificada, custo de vida alto, drogas mandando no pedaço, até de dentro dos presídios, incêndio de ônibus, quebra-quebra de caixas eletrônicos e de carros fortes, desconfiança na política, alta carga tributária, baixo salário mínimo, gastos públicos em excesso, overdose de mordomias, fragilidade econômica, decadência da renda familiar, submissão ao petróleo, dependência do modal transporte rodoviário, carência de moradia e saneamento, inercia de governos, além de intensos sinais de pobreza fome e miséria.

Até quando os problemas vão existir no país, só depende da consciência do cidadão. Acordar na hora do voto. Votar somente em quem mostrar honradez e honestidade.



NOTAS 

Como geralmente são desprezados pelo setor produtivo, em virtude do despreparo e da inexperiência profissional, do pouco estudo e nível cultural abaixo da média, o pobre, para sobreviver tem se virar, como pode. A maneira mais fácil de fazer um bico, ganhar dinheiro para descolar o jantar dos filhos, livrar-se das dificuldades financeiras, é entregar-se de corpo e alma em pequenas atividades lucrativas. Engajar-se no mercado informal, exercer ocupações de serviços gerais, vender coisas miúdas ou improvisar barracas, especialmente na praia para garantir uns trocados. Por conta do elevado estágio do desemprego é que muita gente vira camelô, monta quitanda, resolve vender até passarinhos nas proximidades das feiras livres, apenas com o intuito de sobreviver. O que move a iniciativa de uma pessoa a driblar as necessidades financeiras nesta terra de intensa desigualdade social é cair em campo. Ter força de vontade. Nutrir perseverança e não ficar enrolado com as falsas promessas das autoridades que prometem mundos e fundos na hora do voto, mas, depois da vitória o esquecimento é o que vale. A coisa tá feia até mesmo para quem é formado, tem curso superior e não encontra vaga disponível. ´É nessa enrascadas que o brasileiro se encontra metido até o pescoço. Ouvindo lorotas dos gestores do poder público. Os desempregados reclamam a falta de projetos de desenvolvimento no país, as empresas reivindicam cursos para qualificar pessoas para o trabalho eficiente. A população, tem de virar como pode para sobreviver nesta terra de ninguém.

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A ganância, mata. A cobiça motiva o “olho grande” a cometer todo tipo de atrocidade. Praticar barbaridade, executar ações de deslize ético, moral, inclusive, penal. Caso seja necessário, o malfeitor, geralmente de sangue frio, não se importa com os resultados. Aliás, por dinheiro o homem endoida o cabeção, a mulher às vezes perde a linha, não se incomoda e nem se envergonha de largar a compostura. Segundo os registros policiais, muitas mortes foram cometidas por causa de dinheiro. Inúmeros assassinatos foram praticados visando apenas o patrimônio da vítima, levando gente da família, assassinar pais, irmãos. Amigos eliminar camaradas com a intensão de zerar débitos. Mas, por que o dinheiro altera comportamentos, modifica o modo de agir dos homens, se a riqueza é apenas uma peça para proporcionar conforto e comodidade ao dono. Sem incutir nas pessoas indícios estimulantes para comprar a vida de alguém abastado. Financiar o trabalho de criminosos, custear farras, viagens e vaidades. A lógica diz que se uma pessoa tem coragem para se vender, simplesmente com o intuito de abater alguém, em nome de outro indivíduo, tendo o dinheiro como pano de fundo, o sujeito não passa simplesmente de pistoleiro profissional, caçador de recompensas que a Polícia, desestruturada, e o Judiciário, moroso, não tem condições de evitar. Daí as mortes por encomenda, os assaltos a bancos e a carros fortes, a destruição de caixa eletrônicos e a queima de ônibus por aí a fora.

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Acredite, se quiser. Fort Lauderdale, cidade do condado de Broward, banhada pelo Oceano Atlântico e localizada no estado norte-americano da Flórida e distante 45 quilômetros de Miami, é tampa. Dar show de bola, apesar de ser considerada uma das cidades que oferece menos segurança aos habitantes dos Estados Unidos. Por ser cortada por uma rede de canais, a cidade é apelidada de Veneza Americana. Em população, Lauderdale se destaca. Abriga milhares de habitantes que se juntam aos turistas que fervilham pela metrópole, constantemente, especialmente no verão. Todavia, não se equipara ao nível de desenvolvimento de muitas cidades brasileiras de mesmo porte demográfico e econômico. Por uma simples razão, possui mais de quatro mil restaurantes, 63 campos de golfe, 12 shopping centers, 16 museus, 278 parques de campismo e 100 marinas para ancorar milhares de barcos e iates milionários, locais e de fora que chegam de várias partes do mundo. Famosa, Lauderdale recebe anualmente mais de 12 milhões de visitantes, nativos e estrangeiros, que chegam à cidade, atraídos pelo potencial turístico da cidade. O município é tão chique que conta, inclusive com serviço de táxis que navegam nas águas dos canais inúmeros canais da metrópole. Tudo o que o turista quer, encontra em Fort Lauderdale. Muitos barzinhos se responsabilizam pelo agito noturno, praias de areia branca e fina. Arborização ao gosto do visitante. Luxuosas casas com piscina de água azulada, em vez das românticas gôndolas da Veneza Italiana. Enquanto isso, muitas das cidades brasileiras, sem chances de competir em pé de igualdade com Fort Lauderdale, ficam apenas no desejo. Com inveja do grau de progresso de muitas metrópoles americanas. Por falta de planejamento e de garra dos governantes nacionais.

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Os números indicam que, enquanto não modernizar a legislação, introduzindo leis fortes, o brasileiro permanecerá assistindo a deflagração de uma guerra civil no país. Pelo menos os registros revelam que em 10 anos de anotações de óbitos, entre 2006 e 2016, foram assassinados mio milhão de pessoas. Pela frieza das estatísticas, o Brasil é classificado como um dos mais violentos do mundo. As maiores vítimas da exagerada matança são os jovens negros e pobres. O incrível é verificar que os homicídios aconteceram justamente na fase em que o país ingressa na lista de economia emergente. Infelizmente, vários estados nordestinos, foram considerados os mais violentos. Pela ordem figuram Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Para, Amapá, Pernambuco e Bahia. Enquanto isso, São Paulo e Rio de Janeiro vibram por estarem registrando queda nos assassinatos. Parece até que o Brasil compete em criminalidade com a Síria quem em 7 anos de conflitos, desde 2011, mais de 511 pessoas tombaram sem vida, sendo que dos mortos, 350 mil tiveram a identificação nominal revelada. Outro fato lamentável é que dentre as vítimas da guerra síria, mais de 106 mil são civis, e 20 mil são crianças que perderam a vida em nome da violência humana.

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Sem forças para debater com os caminhoneiros, o governo teve que ceder. Abrir as pernas durante a paralisação, conceder subsídios a algumas empresas, onerar importantes setores produtivos como a da exportação e a indústria química. O prêmio distribuído pela área governamental foi na forma de isenção do CIDE e na redução da cobrança do PIS/Cofins. O Cofins é a contribuição federal que financia a Seguridade Social que por sua vez cobre a Previdência, a Assistência Social e a Saúde Pública. O benefício governamental derivado do corte de tributos sobre o diesel também favoreceu outros importantes setores da produção. Contemplou novamente a indústria automotiva, que já tinha sido beneficiada no governo Lula, além de estender as benesses para outras empresas de tecnologia, da informação. Preparados os caminhoneiros deram uma boa lição ao país. Reivindicaram a isenção de pedágio para a categoria, exigiram a revisão da Lei do Caminhoneiro, engavetada no Congresso, sem solução. Infelizmente, diante da fragilidade econômica, o movimento colocou o país no centro das turbulências. Forçou a economia a reviver os mesmos problemas enfrentados em 2013, quando o governo de Dilma Rousseff se recusava a negociar com os manifestantes. As consequências geradas pelos protestos de agora, trouxeram também serias consequências para a população. Faltou combustíveis nos postos, fez o preço subir. Comprometeu o transporte público, cancelou voos nos aeroportos, desbasteceu supermercados, suspendeu aulas e a merenda nas escolas na escola, afetou o mercado automobilístico, interrompendo a produção de veículos, abalou o atendimento nos hospitais, parou o serviço de ambulâncias e da segurança pública, E assim, por descaso de gestores, a economia teve de se virar aos trancos e barrancos para resolver a grave questão. Sem comprometer ainda mais a fragilidade econômica do país.

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O Brasil possui diversificada fontes de energia. Passou um bom tempo dependendo basicamente da energia hidrelétrica, atualmente conta com dez usinas em atividade, até partir para a exploração de outras fontes energéticas como a derivada do petróleo, carvão mineral, biocombustíveis, gerada de produtos vegetais como a mamona e a cana de açúcar, gás natural e a mais sofisticada, a energia nuclear. Percebendo que a Europa tem um mercado limitado na produção de energia eólica, o Brasil caiu em campo para explorar este tipo de energia limpa e renovável. Aproveitando, então, a abundância de ventos fortes e de terrenos, o país precisou apenas aliar os investimentos para a compra de equipamentos para copiar a invenção dos persas no século V. Cobiçado pelos fabricantes europeus de Aerogeradores, que visavam reduzir de custos com a mão de obra barata, o parque de fabricantes diversificou-se no país. Atualmente, a capacidade de produção de energia eólica passa de 12.76 GW, distribuídos em 458 parques eólicos espalhados por várias regiões brasileiras. A liderança cabe ao Rio Grande do Norte, seguido da Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul, Piauí, Pernambuco, Santa Catarina, Maranhão e a Paraíba. Convém lembrar que a primeira turbina de energia eólica foi instalada em Fernando de Noronha, no ano de 1992. Com a expansão dos parques eólicos, o país assegura três objetivos. Garante a segurança energética, reduz as emissões de gases de efeito estufa e gera empregos. Um fator positivo é que em 2017, a energia mais consumida no Nordeste, cerca de 60%, foi gerada pelas usinas eólicas. Outro detalhe que desperta atenção, é a certeza de que o Brasil se tornou o oitavo maior produtor mundial de energia eólica. Antecedido pela China, Estados Unidos, Alemanha, Índia, Espanha, Reino Unido e França.



NOTAS

Neste cenário conturbado, contaminado pelas incertezas, instabilidade política e crise economica, o país ainda se debruça noutro problemão de lascar o cano. O panorama fiscal. O descontrole do governo que se endivida para pagar as despesas dos órgãos administrativos como o pagamento da folha dos servidores e de serviços de terceiros, os juros da dívida, a compra de bens de consumo, manutenção de equipamentos e liquidação das contas de luz, água e telefone. Tá errado. Segundo a Constituição Federal e a Lei de Reponsabilidade Fiscal determinam, o governo só deve se endividar, caso os recursos sejam destinados a investimentos. Porém, como vive sacolejado pelos desequilíbrios da política econômica, registrando alto índice de desemprego e expansivo déficit público, devido à queda de receita, o país não cumpre as regras fiscais. E nem pode. Tudo bem, em se tratando de país emergente, o Brasil arrecada excelente receita pública, mas, naufraga no raso, justamente por não saber gerir os gastos públicos, corte nas excessivas despesas e no endividamento, que permanece crescente, o país cochila em cima de uma bomba fiscal, prestes a explodir a qualquer momento. O corporativismo impede a aprovação das reformas, urgentes e necessárias. O desemprego reduz a receita da previdência. Por outro lado, a reforma tributária sinaliza que a situação fiscal se agrava desde o ano de 2009, quando o gasto primário começou a subir e não parou mais. Daí a necessidade de mudanças, imediata e inadiável. Durante a gestão do governo que caiu com o impeachment, recentemente, as economias reservadas para pagar os juros da dívida pública foram se esfacelando em função de duas reprováveis situações. Aumento das despesas e queda das receitas. Todos os estados brasileiros estão comprometidos com a falta de liquidez, a vinculação do orçamento com os gastos públicos e a ascendência da dívida pública. Aliás, desde 2016, quase 90% das prefeituras enfrentam condenável situação fiscal. Beirando a insolvência.

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Impressionante como a geração atual assimila o avanço tecnológico com a maior naturalidade. Parece que a juventude já nasce com o dom de interagir com a internet, os smartphones e a redes sociais, dando aquele show. Falando a mesma linguagem tecnológica, sem dar sinal de passar batido. Situação comumente vivida pelos adultos, principalmente os idosos que demonstram não entender patavina do mecanismo de manejo das máquinas com a mesma facilidade e compreensão. No passado, quando não havia celular, ipod, computador e videogame e as pessoas só dispunham da televisão em estágio atrasado, o cidadão, na volta do trabalho, procurava fazer menino, ler e conversar com os familiares, vizinhos e amigos. No entanto, atualmente, a primeira obrigação do homem é se integrar ao mundo da máquina, celular e internet para estar em dia com a tecnologia, em constante avanço porque, caso não consiga entender pelos menos o básico, sobra no dia a dia. Fica por fora da atual idade. Agora, tem um detalhe. A máquina é um auxiliar do homem. Quebra muitos galhos, porém, embora as pessoas cresçam utilizando a tecnologia, todavia, jamais o homem deve ficar dependente da máquina para avançar no trabalho e na vida. Por um simples motivo. Apesar da praticidade, a tecnologia não passa apenas de uma ferramenta para facilitar as atividades de produção e de entretenimento das pessoas.

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Dois assuntos inquietam os investidores. Recrudescem as incertezas na economia. A crise política, sem fim, e o engavetamento das reformas estruturais. Tão necessárias para tranquilizar o mercado. É justamente a indefinição sobre o rumo a tomar que desestimula o investidor. Enquanto a tecnologia avança no mundo, enriquecendo os empresários que fazem parte do seu contexto, duplicando o patrimônio deles muitos mais do que os exploradores do petróleo e banqueiros, os bancos centrais do mundo adotam novo esquema de crescimento. Incentivam a injeção de dinheiro na economia, de modo a puxar o consumo, a produção, o emprego e a renda para o alto. Despreocupado com a tese de que o crescimento provoca inflação. Todavia, com medo do amanhã, os investdores preferem se manter na defensiva com base nos seguintes dados. A falta de investimentos em infraestrutura faz o país perder competitividade. A carência de planejamento adia os problemas. Não resolve as pendências. A servidão da política econômica aos anseios da política partidária só causa prejuízos à economia. Perturba a máquina pública que fica incapacitada de equacionar os pepinos na saúde, educação e transportes. Finalmente, os escândalos que se eternizam e a impunidade faz a sociedade perder a confiança no governo.

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A cada ano surge novidade na praça. Aparece coisa nova, na tecnologia, na moda, transporte, gastronomia e consumo. Antes limitado a determinados grupos, atualmente cresce a quantidade de pessoas que deixou de comer carne. Essa gente adotou o vegetarianismo como opção alimentar. Segundo estatísticas, de 2012 em diante o mercado de vegetarianos cresce no mundo. A quantidade de pessoas que deixa de comer carne, expande. Passou de 8 para 12%, entre os adultos de 18 a 75 anos. Uns, alteram o hábito por recomendação médica. Outros mudam de gosto em função de rejeitar a matança de animais, discordar do abate de bichos apenas para encher a pança das pessoas. Por este motivo cresceu o consumo de vegetais, surgiram novos veganos que desaprovam a matança de animais para agradar a satisfação do homem. Quem anda vibrando com o novo costume do brasileiro são os restaurantes especializados e a Sociedade Vegetariana Brasileira. Na Ásia, a dieta do vegetariano é bem difundida. Aceita por algumas razões na visão de especialistas. Caso a humanidade fosse unanimemente carnívora, com certeza faltaria terra, água e insumos para alimentar bilhões de bocas famintas. No entanto, não comer carne conserva a saúde e a beleza, leva à longevidade, melhora a qualidade de vida porque o estômago se livra das toxinas constantes na carne vermelha. Todavia, para ser vegetariano, antes, o candidato tem de aprender a técnica de reequilibrar a dieta para não comprometer a saúde. De repente, pode se tornar obeso pela ingestão de maior quantidade de carboidratos.

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Não adianta espernear. O traficante de drogas e de armas, tido como mandão e durão, domina as comunidades e os morros. Lá, inimigo não entra, morre. Como verdadeiro líder e consagrado como chefe do crime organizado, o traficante, ousado, usa e abusa das favelas. Baixa normas para os moradores, dita regras para os transeuntes, baixa leis, coordena a distribuição de botijão de gás, de água e a cesta básica. Com isso, esfacela famílias, espalha terror, fecha comércio e colégios. Causa instabilidade social. Com a autoridade de um poderoso mandante, da droga e da violência, o traficante, além de garantir o direito e ir e vir, mantem a propriedade na favela a seu critério, sabendo administrar conflitos e o roubo de cargas. Confere a intrusão da polícia, castiga, quem se meter a besta, até com a morte se possível. Como o Estado se tornou fichinha, o mercador de drogas assume o posto de rei do pedaço. Manda e desmanda, cria raízes nas famílias, veste a sociedade com camisa de força, cortando o poder de reação. O domínio do traficante nas comunidades carentes começou por volta da década de 80. Omisso, o Estado cedeu. O embusteiro impediu de a Polícia subir o morro, proibiu o helicóptero levantar voo para combater o tráfico, que se tornou cabo eleitoral. Até os policiais que moravam na área dominada teve de se submeter às ordens do traficante. Começou organizando facções criminosas, passou a amotinar militares, moradores de casebres na área, conquistou funcionários públicos. Aliando tudo com o poderio financeiro e repressivo, o traficante de repente virou o rei do morro. Atualmente, está difícil o Estado combater em pé de igualdade o embromador. Por uma simples razão. O traficante possui armas de grosso calibre. Armamento pesado. Por isso, desafia a Polícia, autoridades e o Estado que demonstram não ser páreo na parada. Afinal, como não dorme no ponto, o traficante anda devidamente preparado para o revide.



NOTAS

O Brasil é terra abençoada. Terra tem aos montes, tanto que em se plantando, dá de tudo, devido a alguns benefícios ofertados pela natureza. Por isso, água doce, corre por todos os recantos brasileiros. Afinal, o país possui a maior bacia hidrográfica do planeta, daí a profusão de peixes. Vento e sol são abundantes, pena que pouco utilizados. Além dessas riquezas, possuímos a maior floresta tropical do mundo, tanto é verdade que a fauna é fantástica. Terras férteis, impossível não encontrar nos quadrantes brasileiros, produzindo vegetais, carne, mel e ovos. Gente simpática aparece em todos os municípios. Recursos minerais, principalmente ferro, ouro, cobre, urânio e o manganês para fabricar o aço, são encontrados em muitas direções, a ponto de colaborar na expansão das exportações de minérios. Petróleo, o Brasil acondiciona no subsolo, a terceira maior reserva do mundo. Só perde para a Venezuela, a campeão no óleo mineral natural e a Arábia Saudita. Porém, em compensação o país guarda também em suas fronteiras muitas e péssimas penúrias. Economia instável, altíssimo índice de pobreza, avantajada quantidade figurões roubando recursos públicos e praticando corrupção. Desonesto demais se beneficiando com mamatas, repartições públicas super burocráticas, tecnologia atrasada, roubo em demasia nas vias, assaltos em excesso, impunidade exagerada. Igual aos demais Poderes, o Judiciário, também concede gordas mordomias para os seus servidores, imitando os políticos e gestores egoístas que se limitam a fazer politicagem, e efetivar pouca ação construtiva, favorecendo as desigualdades sociais. Sem, no entanto, atinar para as necessidades básicas da sociedade que é obrigada a conviver com a escassez de saneamento, segurança, infraestrutura e o evoluído desemprego.

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Os americanos deram o exemplo, válido para os países reféns das armas de fogo. Em muitas cidades dos Estados Unidos, capitaneadas por Washington, que reuniu mais de 800 mil manifestantes, uma multidão saiu às ruas para protestar com afinco contra os tiroteios, os assassinatos e os acessos fáceis às armas. O importante foi a juventude dar os primeiros passos contra a violência nas vias públicas e nas escolas causadora mais de 30 mil mortes por ano. O americano anda insatisfeito com as matanças. Por isso, habitantes de importantes cidades como Nova York, Atlanta, Boston, Chicago, Dalas, Houston, Miami e Seattle saíram às ruas para mostrar a insatisfação. Ato que foi copiado por Londres e algumas cidades do Canadá. O que mais chamou a atenção foi o comparecimento de alguns sobreviventes do massacre de uma escola de Parkland, na Flórida, ocorrido recentemente, quando 14 estudantes e três adultos foram trucidados por tiros. Durante trinta anos, os americanos sofreram barbaridade com a criminalidade. Contudo, a bilionária reforma penal vem contribuindo para diminuir o registro de crimes. O combate às drogas, o policiamento intensivo e preventivo, a condenação de drogados, a redução do encarceramento, embora a Justiça adote longas penas, os baixos índices inflacionários, a vigilância e a boa remuneração na polícia para evitar a corrupção, a permanente luta para reduzir os problemas sociais e a certeza de castigo para quem se meter a cavalo do cão, tem servido para espalhar a segurança pelas cidades, apesar dos isolados casos de violência, logo contornáveis.

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As eleições de outubro são vitais para o país. Por isso, o eleitor não pode errar nas urnas. A sociedade tem de votar consciente, sob pena de entregar nossa pátria para uma nova etapa de bagunça, desordem e corrupção. Chega de erros. É justamente por causa de consecutivas escorregadelas nas urnas que o Brasil sofre duras consequências. A pobreza não desaparece. As reformas estruturais não engavetadas. Faz mais de sessenta anos que o país não acerta uma. A tão necessária e imprescindível reforma fiscal não pode ser mais adiada, por medo dos governantes que temem queimar o nome na vida política. Cansado de vivenciar más gestões, o brasileiro aspira por sérias transformações na economia. A decepção com os últimos governos é enorme. Afinal, durante os 13 anos de governança petista, os gestores tiveram tudo nas mãos para consertar as falhas e desacertos que se acumulavam, mas os homens do poder, abdicaram desse direito. Fugiram da raia ao realizar apenas alguns fracos arrumadinhos na estrutura política, econômica e social. Por isso, é enorme a esperança de novos acontecimentos, após as eleições. Decepcionados com o tempo perdido, que só plantou incertezas, os investidores, de pé no chão e calcinados contra a recessão, a insegurança e a instabilidade política, vão esperar 2019 para decidir investir e contratar mão de obra ou não. Afinal, a proposta para um Brasil melhor já foi dada. A inflação controlada e os preços livres são o ponto de partida. Chega da economia só alcançar desempenhos ruins. Reprováveis. Basta de custo logístico alto para massacrar as exportações. A economia não pode se submeter a um mercado fechado. Tem de se abrir. Como faz o mundo.

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O racismo, o preconceito de cor e a discriminação são pragas seculares que afastam as pessoas umas das outras. Distancia a atenção humana, principalmente quando entra em cena a pretensão de algum cidadão se julgar superior aos demais. A raça mais sofredora nessa questão é a negra. A desatenção com a cor negra vem de longe, quando os negros, feitos escravos, trabalhavam em precaríssimas condições e muitas vezes eram vendidos com um simples objeto de submissão. Durante o auge do nazismo, os negros, além dos judeus e homossexuais, também foram vítimas de atrocidades. Diminuta quantidade de negros chegou a sofrer execução nos campos de concentração. Embora pouco explorado no Brasil, todavia, aqui e ali surge a desconsideração com o negro na forma de piada e xingamentos. Infelizmente, embora combatido e punido por lei, algumas ações racistas costumam rolar no seio dos jovens, cuja reação descamba para a violência. Por causa de atitudes racistas, em 2009, cerca de 19 mil jovens negros foram mortos, intolerantemente no país. Como o Brasil possui a maior população negra, fora da África, o cidadão nativo se irmana no sentido de eliminar as diferenças que por venturam apareçam entre os jovens brancos e negros. Com uma finalidade plausível. Evitar prejuízos que possam interferir negativamente na luta pelo desenvolvimento econômico. Para evitar conflitos raciais, as crianças devem ser ensinadas a respeitar diferenças raciais, de cultura e de etnias. O cidadão deve denunciar os casos de discriminação, o adulto deve abominar o preconceito, que é crime.

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O diesel, com o preço caríssimo, foi apenas um dos pretextos para os motoristas decretarem a greve de 11 dias. Pensando bem, dois outros motivos também reforçaram a decisão dos caminhoneiros em realizar a robusta e necessária manifestação que paralisou o país de cabo a rabo. Insatisfeitos também com a falta de planejamento e as péssimas condições de trabalho no exercício da profissão, os homens do volante tomaram uma firme e decidida iniciativa. Fecharam as estradas, de maneira a impedir o trânsito nas duas direções. Ida e volta. A intensão era na verdade proibir o transporte de alimentos, combustível, remédios e, sobretudo matéria prima e produtos manufaturados. Protestar contra o atual estado das estradas, malconservadas, cheias de buraco e pessimamente sinalizadas. Até se chegar ao consenso a luta será intensa. Enquanto não houver redução de impostos, atacar o ICMS cobrado pelos estados, o equilíbrio de preços, maior controle no câmbio, na constituição dos combustíveis e o despreparo reinante nas refinarias, o bicho vai pegar. Muita água há de passar por debaixo da ponte. Por uma boa temporada, a Petrobrás adotava a política de preços artificiais. Irreal. Todavia, como não manobrava o preço do barril de petróleo que segue as tendências mundiais, o caldo engrossou, estimulando a greve dos caminhoneiros. De todos os males advindo com a paralisação, subsidiar o preço do diesel foi uma péssima medida porque também contribui para aumentar o rombo das contas públicas. Distanciar o sonho da recuperação da recuperação econômica. De uma coisa, o povo tem absoluta certeza. Por causa de erros, o consumidor tá pagando o pato. Os preços no supermercado subiram, os prognósticos de crescimento tendem a cair, fragilizando ainda mais a economia que, no próximo ano, sentir enormes impactos. Tornando inadiáveis as reformas da previdenciária e tributária no governo que entrar.

A mania do povo em jogar plásticos por aí afora, tem causado sérios problemas. No estômago de uma baleia, na Tailândia, que morreu sufocada, foram retirados dezenas de quilos de sacolas jogadas no mar. A morte do animal, pesando quase três toneladas, foi provocada por vômitos, convulsões e obstrução intestinal que impediu do cetáceo se alimentar direito. Engolir apenas alimento nutritivo. Faz parte do costume do povo tailandês o uso de sacolas de plástico que acabam no mar, para enganar não só as baleias, mas, também tartarugas e golfinhos com fome. Pensando tratar-se de gordos e saudáveis peixes para matar a fome e deixá-los saudáveis. Infelizmente, o brasileiro também tem a mania de jogar plásticos no mar. Constantemente, milhares de garrafas pet, de sacos plásticos e restos de alimentos são jogados pelo mar na areia das praias. Para desespero de banhistas e de moradores da orla. Numa clara demonstração de total falta de consciência ambiental do brasileiro.



BATATA QUENTE

A fragilidade do governo, forçou Temer a incorrer em dias alguns dos erros cometidos pelos governos populistas do passado. A economia, que já andava claudicante, ficou de mal a pior e o povo que não teve participação no caso, penou demais. Pagou caro pelos desacertos dos outros, durante os 11 dias de paralisação nas rodovias que trouxeram prejuízos para vários setores.

A greve dos caminhoneiros fez o Brasil perceber que caiu mais uma vez numa sinuca de bico. Sem Rui Chapéu, já no andar de cima, para ajudar a desajustada economia escapar da embrulhada, o país se contorce. Sofreu demais. Filas quilométricas nos postos, desabastecimento, transporte público parado, caminhões estacionados no acostamento, produtos estragados, morte de um caminhoneiro a pedrada, perda de milhões de aves adultas e de filhotes por inanição, agressão covarde de bandidos em vantagem numérica a um indefeso e solitário cegonheiro.

A falta de matéria-prima acomodada nos caminhões estacionados nas estradas parou diversos setores industriais. Interrompeu a produção, principalmente na área de proteínas, produtoras de enzimas para a fabricação de detergentes, alimentos, têxteis, farmacêutico e química fina.

A paralisação desestruturou também a logística de algumas empresas, obrigando algumas, inclusive, a renegociar dívidas, além de enfraquecer o PIB, já em estágio cambaleante. Mas, o impacto da manifestação não parou aí, vai além. Causa incertezas de curto, médio e longo prazo. Mexe, sobretudo, na agropecuária, na construção civil e no ramo automotivo.

No longo prazo a desgraceira é a incerteza impelindo o investidor ficar meio atravessado com a falta de segurança no mercado. A escassez de produtos na praça deve trazer outras sérias consequências. Reajuste de preço, pressão inflacionária, comprometimento da política de juros, forçar o corte de gastos de onde não devia. Não é segredo, o corte de gasto público, subsidiando a política de preços da Petrobrás, indica que haverá redução na verba de educação e saúde.

Os gestores nem se lembraram dos deslizes cometidos pelo governo anterior que também usou o mecanismo do subsídio, indevidamente, para beneficiar empresas e congelar os combustíveis visando apenas garantir votos. Sem se preocupar com os impactos negativos a surgir posteriormente. Como de fato aconteceram nestes dois anos imediatos.

Um dos defeitos desse governo é o descumprimento de promessas. No início, Temer prometeu fazer diversas e necessárias reformas para organizar as finanças públicas em completa desarrumação. Porém, de repente esquece o prometido. Engavetou as reformas fiscal e tributária. Não esboçou iniciativa. Apesar das reformas estarem enquadradas como necessárias para ajustar essa economia em completo estágio de desajuste. A consequência do esquecimento fez a dívida líquida do setor público quase dobrar. Aumentando o azar do país em adiantado estado de desorganização.

Neste imbróglio, o governo cometeu alguns pecados. Um dos graves, foi ignorar o alerta da Associação Brasileira dos Caminhoneiros sobre possível a paralisação da categoria em decorrência da falta de medidas para compensar os reajustes do diesel que comprimiam o preço do frete. Como se achou superior aos anseios dos caminhoneiros, deixou acontecer e deu no que deu. Caos total com travamento econômico.

O cochilo da Agência Brasileira de Inteligência-ABIN que não avaliou a disposição dos motoristas a parar e introduzir sérios efeitos negativos na economia, foi outra displicência grave. Por outro lado, a lentidão governamental em reagir ao movimento, encorajou os manifestantes a robustecer o protesto a tal ponto que, em vez de usar inicialmente as polícias estaduais para conter os ânimos, a União preferiu utilizar o poderio das Forças Armadas. Numa clara demonstração de fraqueza, diante da resistente iniciativa dos grevistas.

Ora, a Petrobras é uma empresa petrolífera, obrigada a investir pesado na exploração do petróleo. Mas, em vez de investir, a estatal foi usada e abusada pela gangue de falsos diretores que implantou o pior esquema de corrupção em 60 anos de existência da empresa no campo petrolífero. A corrupção, comprovadamente, devastou um dos maiores e mais sólidos patrimônios do mundo. Causando extraordinário rombo. Jogado nas costas do povo para recuperar o arrasado acervo.

O escândalo de propinas na Petrobras começou em 2004 e se estendeu até 2014. Foram dez anos de fraudes que deixaram a petrolífera em completa turbulência. O desvio de recursos foi estimado em aproximadamente 10 bilhões de reais. O rombo, inclusive, supera o governo colonial quando mandou para Portugal navios carregados de ouro, prata e diamantes. Tendo o povo, na ocasião, apenas como mero e inativo espectador.

Contudo, arrombada, a Petrobras teve a sorte de encontrar um técnico com capacidade para reverter a terrível situação. Tirar a empresa do vermelho para colocar no seu devido lugar em curto espaço de tempo. Reerguer a instituição como uma organização altamente rentável. Isso, comprova que a Petrobrás tem de ser administrada por técnicos altamente preparados, sem ter o tino simplesmente político. Papel que cabe exclusivamente aos gestores públicos. Infelizmente, qualidade em escassez no cenário brasileiro. Dirigentes incapazes de tirar o país da lama. Resolvendo os graves problemas econômicos e sociais que acirram os ânimos. Tiram o sono do cidadão. Quebram o país.

O escandaloso negócio da corrupção na Petrobrás realmente foi desastroso,. Havia tanta sujeira debaixo do tapete, que em pouco tempo, o valor patrimonial da empresa caiu de repente. Avaliada em 2010 no patamar de R$ 380 bilhões, no entanto, em 2015, em apenas cinco anos, a estimativa desceu para apenas R$ 101 bilhões. Num incrível e criminoso declínio que a Lava Jato em boa hora tenta recuperar os robustos desfalques, punindo a curriola, às vezes protegida por membros do Judiciário, contra a negativa da sociedade que defende a imposição da lei, como forma de proteger a Nação de ricos, mais desonestos malfeitores, agindo às escondidas, por debaixo do pano.

Não adianta discutir, a única função social da Petrobrás é manter-se lucrativa para satisfazer os interesses dos acionistas internacionais que só visam lucros, dividendos crescentes. E pra isso, a estatal deve ter condições de investir maciçamente para manter-se no páreo, internacionalmente. A empresa não tem obrigação alguma em adotar uma política de preço para agradar a população. Sua missão, por ter investidores internacionais no quadro de associados, é produzir lucros, distribuir dividendos em expansão aos investidores. Acompanhar a variação cambial e do preço do petróleo no mercado externo e repassar o resultado obtido aos consumidores. Doa a quem doer.

O Brasil tem é que de se cuidar. Deixar de ser um país corrupto, adepto do tradicional jeitinho, vítima dos famosos quebra-galhos, sem decisões progressistas, provocando enormes sulcos econômicos e sociais, sem resultados positivos.

O país tem de fazer o dever de casa. Urgentemente. Sair do marasmo herdado de governos populistas que só querem garantir o voto. Manter-se na crista da onda, através do carisma de líderes, doutores em linguagem do povão, políticos devidamente preparados para o esquema, pensando apenas em ganhar notoriedade, via decisões autoritárias e meramente assistencialistas, para segurar a popularidade. Desprezar governantes que se julgam o salvador da pátria sem se importar com as divergências plantadas entre os poderes constituídos. Políticos alimentando o egoismo e a ganância para viver eternamente mergulhado em benesses e mordomias à custa da ignorância de um povo modesto. Incapaz de reagir e cobrar sinceras medidas para melhorar de vida. Escapa do cabresto do escravizo.

Enquanto não se livrar dos eternos problemas, como desemprego, violência, criminalidade, impunidade, poluição diversas, saúde, educação, desigualdade social, habitação, saneamento, transporte público, e gestores inativos e desonestos, o Brasil permanece com a cara no chão. Sendo pisoteado pela interesseira e improdutiva classe política que só quer mamar. Enganar, enricar da noite pro dia. Conservar o povo nas filas com fins eleitoreiro, absorvido nas necessidades.

Sendo aplaudidos pela inocência de uma sofrida, mas pacífica massa. Incapaz de reagir nas urnas, desconhecendo a força que a união possui, capaz de eliminar a eternidade de estéreis mandatos. São coisas da vida.



POSTURAS DA HUMANIDADE

É como diz o ditado, cada povo com suas manias, educação e maneiras de se comportar coletivamente. Em cada país, a população age de modo diferente das demais. Raramente procede de modo semelhante. Tudo depende do nível de cultura. Do modo como o homem atua em relação ao conhecimento, às artes, crenças, leis e a moral.

É pela cultura que o homem alicerça um país. Constrói a economia, forma a cidadania impondo a ordem, o respeito ao próximo e a obediência às leis ou então, desarruma a organização do país pela molecagem e bandidagem.

Sabendo usar com segurança, o conhecimento desenvolve uma economia com sustentabilidade. Permite implantar um desenvolvimento sustentável, baseado em ideias, estratégias e atitudes tremendamente corretas. Altamente viáveis.

Foi o que ocorreu em diversos países, depois que sofreram as consequências de desastres ecológicos, identificados por temporais, furacões e terremotos. Como nem tudo estava perdido, a população, atingida pelas intempéries do universo, soube tirar de letra os efeitos devastadores provocados por esses fenômenos naturais.

Em março de 2011, o Japão sofreu um dos piores terremotos da história. O fenômeno, com magnitude 8.9, causou enorme destruição no país. O tsunami que se formou após o abalo sísmico, formou ondas gigantescas com até 10 metros de altura que atingiram a costa Nordeste do país e por onde passou arrastou quase tudo por água abaixo.

Carros e barcos foram arrastado como se fossem de brinquedos. Destruiu 18 mil casas, danificou 130 mil edifícios, matou, segundo registros, mais de 11 mil pessoas.

A catástrofe foi tão forte que o país nipônico necessitou de cinco anos para reconstruir o que foi levado pelo tsunami.

Todavia, ordeiro e consciente dos deveres, o japonês soube trabalhar com equilíbrio e honradez, comprando somente o necessário, sem a tradicional esperteza de levar vantagem em tudo, para não afetar as pessoas prejudicadas.

Os americanos também souberam se comportar com cidadania, após sofrer os abalos do furacão katrina que arrasou o litoral Sul dos Estados Unidos, no ano de 2005. A cidade de Nova Orleans, em Luisiania, sofreu horrores. Perdeu turistas, moradores e muito dinheiro. Morreram 1.800 pessoas e mais de 100 mil perderam suas casas.

Porém, os americanos atingidos pelo furacao souberam se recompor da tragédia. O comércio, numa bela atitude, resolveu vender produtos com preços baratos para diminuir o sofrimento das pessoas vitimadas pelo fenômeno atmosférico.

Outro exemplo grandioso de educação e polidez foi dado pelos franceses depois que o terrorismo detonou ataques mortais à população de Paris e Saint-Denis em novembro de 2015. Na ocasião, os franceses sofreram fuzilamento em massa, atentados suicidas, explosões e uso de reféns.

Nos ataques terroristas mais de 180 pessoas morreram, grande parte no famoso teatro Bataclan, enquanto 350 ficaram feridas.

Mas, o bonito da história, foi a atitude dos taxistas franceses que resolveram fazer corridas gratuitas para ajudar a população abalada com os ataques.

Porém, impossível é engolir a sabedoria de alguns brasileiros que se passaram por comerciantes durante a greve dos caminhoneiros.

Com o intuito de ludibriar as pessoas necessitadas, os falsos comerciantes, num ato de desonestidade e banditismo, passaram a vender a gasolina a R$ 9,99 o litro, a alface a 7,00 o maço, enquanto a batata teve o preço reajustado em 90%.

Este é o tipo de comportamento de um tipo de gente desonesta e indecente que não devia jamais ser qualificada com brasileira. Mas, simplesmente ser tutelada como ladrão e receber as penas da lei por agredir o carater e as necessidades das pessoas vítimas das atrocidades da greve.



O RETRATO DA CRISE

O rebu em que meteram a economia já estava anunciada, faz tempo. Pena que as autoridades não percebiam e nem desconfiavam da insatisfação do povo contra os “Poderes” que faziam vista grossas para o desenrolar dos feitos que funcionavam meio atravessadas. Mas, a sociedade, sabendo de cor e salteado a série de mazelas que destrói as estruturas produtivas nacionais, já manifestava enorme preocupação. Embora, insignificante na questão, fosse esquecido. Desconsiderado como um zé ninguém. Obrigado a engolir a vaidade política na marra.

Foi graças à corrupção, aos desgovernos, à incompetência legislativa e à falta de ações políticas para sustentar a barra na posição correta, que a economia entortou, travou. Entrou em parafuso. É difícil admitir, mas a tristeza veio à tona tão logo os caminhoneiros resolveram protestar. Fazer justa greve. As repercussões foram imediatas. Paralizou meio mundo, causando impactos negativos em vários setores produtivos. Ocasionando embaraços na indústria, comércio, nos portos, postos, escolas, faculdades, aeroportos e, principalmente, nas centrais de abastecimento.

Aliás, a greve dos caminhoneiros, rejeitando os abusivos e repetidos aumentos do diesel, diante da passividade administrativa do país, foi o estopim para bloquear estradas, melar viagens, congestionar o trânsito, reduzir a frota de ônibus no transporte de passageiros, permitir a formação de filas em diversas áreas, obrigar hospitais a cancelar cirurgias eletivas, virar o cotidiano das cidades pelo avesso. Enfim, deixar o cidadão pê da vida com a profusão de erros e desacertos que implantam anormalidade no país, de cabo a rabo. Impedindo o escoamento da produção.

Até os visíveis desentendimentos entre os poderes constituídos que, falando línguas diferentes, tornaram-se impotentes para evitar as crises, impedir a instalação do caos na economia. E lembrar que há pouco tempo ensaiava os primeiros passos de reorganização. Registrava dados animadores para confrontar com os disparates deixados pelos governos meramente neoliberais e populistas.

Dói na alma, ver a população, inocente, sofrer as consequências do desabastecimento, assistir na televisão produtores despejar milhares de litros de leite no chão em vez de aproveitar na fabricação de queijo e laticínios, tão necessários para o consumo, por falta de condições de escoamento.

O protesto, necessário, trouxe vultoso prejuízo à Nação. Face o descaso administrativo, deduz-se estar o país entregue na mão de corruptos e de incompetentes. Daí os elevados impostos, a pesada carga tributária. Aliás, na América Latina, o Brasil é o maioral na cobrança de impostos. Não tem pareia, não. Cobra pouco sobre os lucros, mas, em compensação, exagera na seguridade social. Além de cobrar extensa lista de impostos, faz de maneira incorreta. Penaliza uns, enquanto salva a pele de outros. Por sinal, a minoria, de bem com a vida.

Não é brincadeira, não. Segundo estudos, em 2014, o brasileiro reservou um terço do Produto Interno Bruto somente para pagar impostos, taxas e contribuições. Desde 2005, a incidência tributária brasileira tem beirado os 33% do PIB. Situação alta demais a incidir demasiadamente na compra de mercadorias e serviços. Penalizando a pobreza.

Consta nos registros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico-OCDE que a carga tributária brasileira é semelhante à cobradas pelos 34 países mais ricos do mundo. Quer dizer, um país moribundo metido a besta, metendo a lenha numa sociedade pobre, lascada, sem renda suficiente até para viver decentemente.

Alertam os tributaristas sobre outras anomalias que endurecem a onerosa carga tributária brasileira. A intrincada quantidade de normas confusas, o Código Tributário Nacional data de 1966, é velhor pra burro, só serve mesmo é para complicar a cobrança de impostos. Além da Federação, cada estado e cada um dos 5.564 municípios tem legislação própria de tributos. Uma diferente da outra. Então, durma-se com um trambolho desse.

De cara, na opinião de especialistas, a carga tributária do país não se renova. Mantem a mesma estrutura do passado moldada em três qualificações altamente criticadas. Obsoleto, burocrático e ineficaz. Qualidades apropriadas para desmotivar o empreendedor. Expulsar o empreendedorismo das fronteiras brasileiras.

Ora, por que, então, não se faz a tão cobrada reforma para eliminar o veneno da nociva e pesada carga tributária. Simplesmente porque faltam governos peitudos capazes de consertar os erros acumulados, desde então. As primeiras ideias para reformar a legislação tributária surgiram após a Constituição de 1988. Porém, o desinteresse, as discórdias e rivalidades políticas desencorajam os debates, preferindo engavetar os projetos a colocar o nome no fogo. No meio da população, a única fera do pedaço.

Propostas de reforma tributária, existem nas gavetas do Congresso. O que falta é disposição para limpar o país de mazelas. É muito papo furado sustentando governos fracos, Congresso de duas caras, preocupados apenas em se manter na mídia, enquanto empurra a economia para os confins da fragilidade. Deixando-a excessivamente fraca. Sem chances de dar o pulo do gato rumo ao equilíbrio.

Com o proposito de evitar o brutal impacto financeiro que a greve dos caminhoneiros, embora justa, causou no país. Colocando a corda no pescoço no povo, sem culpa no cartório e incapaz de ficar dormindo de touca. Hábito comum entre os governantes e políticos de meia tigela que tem aparecido comumente no Brasil para arruinar o já sofrido cidadão. Vítima constante da irresponsabilidade política. Mas, com certeza, o mais arrebentado nesta atual parada, sofrendo com o desabastecimento, a sinceridade e a falta de transporte para atender os compromissos.



NOTAS

A educação no Brasil é tão desestimulante que muita gente prefere abandonar os estudos, antes de completar o ensino médio. Muitos adolescentes, de até 25 anos, motivados pelo fracasso escolar, com a falta de uma didática atraente nos estudos que leva à repetência, com prédio da escola completamente desestruturado> Outros, forçados pelas necessidades, empurrados pelas desigualdades sociais e enlaçados pela baixa renda familiar trocam a escola pelo trabalho, antes do tempo. Na Bahia, de cada de dez jovens, seis não concluem o ensino médio. No país, são milhares de adolescentes enquadrados nessa situação. Uns, incentivados pela falta de merenda, que em algumas escolas é roubada, por incrível que possa parecer, outra quantidade, mais vulnerável de jovens, prefere enveredar pelo caminho dos atos ilícitos. Drogas, roubos e assaltos. O inconcebível é perceber as autoridades mostrando-se indiferentes e incompetentes diante de tão grave circunstância.

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James Harrison é australiano, atualmente, com 81 anos. Na adolescência, quando tinha 14 anos, Harrison passou por uma cirurgia no peito que necessitou de muitas transfusões de sangue. Como recebeu a atenção de muita gente, que lhe doaram sangue, James, detentor de raro anticorpo favorável para combater doenças hemolíticas, resolveu agradecer de uma forma prática. Ser doador para as pessoas necessitadas. Tornar-se eterno doador de sangue. Passou 60 anos salvando recém-nascidos e mulheres grávidas de sérias complicações. Agora, sendo oitentão, Harrison sente-se agradecido por ter ajudado com plasma a salvar da morte milhares de crianças e grávidas que apresentavam incompatibilidade do Fator RH no sangue da mãe e do bebê.

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Olinda, cidade história de Pernambuco, padece do mesmo defeito apresentado por muitos municípios brasileiros. Calçadas quebradas, ruas e vias esburacadas, crítico sistema de drenagem, péssima iluminação, precário saneamento, carência de recursos, ausência de indústria e escassez de comércio. Por conta disso, Olinda abriga enorme pobreza que se sente desassistida por gestores que só visam beneficiar a elite. Inseguros, os frequentadores da orla reclamam da falta de policiamento na praia, principalmente nos domingos e feriados. Agora, com a inauguração do primeiro shopping na cidade, o medo na população aumenta. Aliás, vizinho ao Patheo Shopping existe um lixão na calçada de uma casa abandonada, onde os carroceiros, cientes da falta de fiscalização, despejam toneladas de entulhos que sobram das reformas de casas de moradores. Pra completar o desânimo da população, até o serviço de requalificação da faixa de praia, onde foram gastos R$ 25 milhões, durante cinco anos da administração anterior, atualmente apresenta problemas. A pista de caminhada, pessimamente construída, se desgruda do chão, formando obstáculos pra o caminhante, muretas desaparecem pela ferrugem, os equipamentos de ginástica quebram fácil, bancos sem o encosto, brinquedos de recreação infantil somem e até os quiosques da orla, quando não estão degradados, apresentam nojento aspecto para a ocupação comercial.

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As regiões central e do Norte de Portugal enfrentaram intenso período de seca. A estiagem, causou sérios reflexos ambientais. Muitos transtornos. Incêndios florestais, destruição da vegetação, morte de animais, degradação do solo, erosão e prejuízos para a economia. Fora a chuva e o vento, que desempenham papel natural, compete aos animais polinizadores, insetos, aves e mamíferos, manter a biodiversidade em ordem, garantir a produção de frutos e sementes e a renovação da mata. Dentre os polinizadores, a abelha se destaca. Para produzir mel, a abelha visita as flores com o intuito de coletar néctar. No retorno à colmeia, a abelha converte o néctar em mel. Mas, com a seca a produção de mel em Portugal caiu 80%. Para reverter o prejuízo, o governo português distribuiu toneladas de açúcar com os apicultores que transformam o produto em melaço, que é o alimento alternativo da abelha. Desta maneira, Portugal combate a fome, mantém os apicultores em atividade, recupera a produção de mel por um determinado tempo, sustenta o setor em atividade. Evitando a queda da renda na apicultura e a respetiva arrecadação nos cofres públicos. Quer dizer, usando a cabeça e determinação, muitos dos problemas públicos são eliminados. Pelo menos, temporariamente.

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Não tem coisa mais ridícula e estrambólica do que constatar a prisão de três ex-governadores e duas primeiras damas que, apesar da fama e da riqueza, vêem ou viram o sol nascer quadrado, atrás das grades. Mas, ao contrário do normal, os ilustres prisioneiros, sob a complacência de alguém, gozaram da liberdade de festejar a vida na prisão, saboreando saborosos manjares. Deliciarem-se com regalias gastronômicas, enquanto faltou dinheiro para pagar a folha de pagamento dos servidores do Rio de Janeiro, quebrado e nú de moral e correção mental. A excessão, lógico, foi ver o Legislativo, Judiciario e Executivo estadual não terem o salário atrasado, um dia sequer. Aliás, a praga se alastrou. Não existe um dia para os telejornais e a mídia não se entopirem com notícias sobre a corrupção no país. São figurões, geralmente políticos e empresários envolvidos com esquemas criminosos, peculato, abuso de poder, suspeita de cobrança e recebimento de propinas, atos de favorecimento de empresas, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, desvio e roubo de recursos públicos, descoberta de malas cheias de dinheiro escondidas em apartamentos. O impressionante é que, engrossando a lista de presos, atrás das grades ou em casa, usando tornozeleiras, encontra-se um ex-presidente e vários ex-ministros enjaulados por condenação jurídica. Daqui a pouco, pelo andar da carruagem, pode faltar presídio para acomodar tantos envolvidos com crimes de lesa pátria. Como não cuidaram a tempo dos casos de suborno que foram aparecendo, desde a década de 1960, os escândalos se multiplicaram até a Lava Jato entrar em cena. Devido ao descaso e omissão de vários governos, a população vive estressada com a fraqueza da economia. completamente vulnerável. Então para reverter a crítica situação, só existe um caminho. A cobrança do povo pela transparência no foco da questão. Eliminar o suborno no âmbito do setor público.



ALTERAÇÃO DE CONCEITOS

Determinada, destemida, guerreira, confiante nas ações e voluntariosa, a mulher vence obstáculos. Conquista espaço, obtém poder e superação com a força que lhe é peculiar, neste mundo ainda dominado pelo machismo. Realmente, não é fácil ser mulher para enfrentar a ganância do homem que menospreza este ser delicado, elegante, humilde e inteligente. Consciente de seu papel na natureza.

Abaixo, expresso uma expressão que se eternizou na memória. Não desapareceu da boca do povo, simplesmente pelo fato de permanecer atual, apesar da passagem do tempo ocorrer em veloz mudança de costumes. Os costumes serem distintos, discrepantes da época do mitológico Zeus.

Como a raça humana é curiosa, quer saber de tudo, mesmo que o tema não interesse a todos, mas o homem adora utilizar a criação de terceiros para tirar dúvidas. A mitologia grega assegura que a humanidade para satisfazer suas curiosidades cometeu erros. Extrapolou.

No início da vida, não existiam mortais, somente deuses e titãs. Zeus era o mais poderoso dos deuses, pois exercia plenos poderes nos céus, na administração dos raios, relâmpagos, trovão e na chuva. Embora não se descuidasse de manter a ordem e a justiça na ordem do dia.

No quadro de relacionamento, Zeus tinha amizade com dois titãs, os irmãos Prometeu e Epimeteu. Como leais seguidores, Zeus recompensou os dois titãs, dando poderes para criar seres viventes na Terra. Epimeteu criou os animais. Mais ambicioso, Prometeu fez o homem, utilizando o barro e a água.

Achando-se mais esperto, Prometeu quis enganar Zeus ao utilizar o fogo para proteger a sua criação. Acontece que o fogo era propriedade dos desuses, que não permitiam o uso por quem não possuísse divinais poderes. Enfurecido, Zeus puniu Prometeu, amarrando-o numa montanha para que fosse devorado pelas águias.

Indiretamente, o homem também foi punido por aceitar o dom do fogo. Como punição, Zeus criou Pandora, a primeira mulher na mitologia grega, enviada à Terra.

Na moldagem, para ser diferente, Pandora, recebeu diversos dons, beleza, doçura, sabedoria, bondade, flexibilidade, generosidade e saúde. Satisfeito com a criação, Zeus mandou Pandora para a Terra para se casar com Epimeteu. Era o seu presente de casamento para o leal servidor.

Pandora recebeu de Zeus uma caixa com a recomendação de que o presente jamais poderia ser aberto. Mas, curiosa, tido como um defeito feminino, Pandora abriu a caixa de onde escaparam péssimos sentimentos. Ambição, inveja, ódio, dor, doença, fome, pobreza, guerra e morte.

Na caixa, sobrou apenas um sentimento, a esperança, que suplicava para sair, escapar do cubículo. Arrependida, pelo ato julgado injusto, Pandora resolveu soltar a esperança que imediatamente começou a lutar contra a dor e o sofrimento.

No entanto, como em todos os temas há divergência, neste caso de Pandora, também surgiram discordâncias, assegurando que a esperança nunca foi liberada. Permaneceu guardada na caixa, com um único propósito. Mesmo nos arrependimentos contra os seus erros, o homem tem de creditar que “a esperança é a única que morre”.

Por isso, a esperança é a maior arma contra as doenças e as guerras. Experiência que foi repetida na vida de Adão e Eva. De acordo com a religião de Deus, o homem também desobedeceu ao permitir que Eva comesse a maçã. E como castigo o casal foi expulso do paraíso.

Em síntese, a mulher não é a culpada por todos os males que acontecem na Terra. Ao contrário de ser julgada inferior, o homem, com o emprego do machismo e da submissão, adora violentar e matar as parceiras, sem nunca atentar para o debate, as conversas, a troca de ideias em busca da verdade, da razão e da compreensão.

Mulher alguma gosta de viver na dependência de alguém que, egoisticamente, adora pisar na cabeça do ser julgado inferior. Embora o homem e a mulher sejam preparados de maneiras distintas para desempenhar o seu papel num relacionamento, porém, com o poder da sedução, e sem se sentir inferior, a mulher tem o dom da conquista. Sabe empregar a aptidão para mudar pensamentos e posturas. Dobrar a insensatez masculina.

Embora a desigualdade social, entre o homem e a mulher seja visível, mas com raça e personalidade, a mulher vai ocupando posições, além do tradicional papel de mãe, esposa e dona de casa.

A mudança começou com a Revolução Industrial, fato acontecido no século XIX, na Inglaterra. Atualmente, é normal a mulher preencher, com determinação, cargos de liderança. Madre Teresa de Calcutá, exibindo apenas raça e dignidade, ganhou, com humildade, o prêmio Nobel da Paz.

De uma coisa o homem tem consciência. Demonstrando capacidade para não ser julgada apenas subalterna, a mulher recebeu vários dons divinos, além daquele liberado por descuido da caixa de pandora. Gera vida, fornece o leite materno para tonificar a saúde do bebê, educa, ensina a amar, distribui cortesia, luta por união na humanidade, cobra do homem, chegado à violência, somente amor e paz. Mas, raramente é compreendida.



NOTAS

Enquanto o brasileiro não apagar da memória as frases prontas, bastante utilizadas nos bastidores, justamente por falta de atitudes, as mazelas permanecerão ativas, sacrificando o futuro da população. Diariamente, é comum alguém pronunciar bordão como estes: “liberou geral, anistia ampla e restrita, é proibido proibir, lei não se discute, cumpre-se, o importante é levar vantagem, sempre”. Pensando bem, é por causa da divulgação de expressões como essas que determinados políticos, inexpressivos, ganham a mídia e alguns artistas, na ânsia de ocupar manchetes para manter o nome na boca do povo, que o país vive atolado. Metido em crises, sem encontrar o Norte para a fase construtiva de paz e progresso. Quem usa de artifícios maliciosos, evidentemente, o faz com segunda intenção. Com certeza, quer aplicar na inocência do povo e raramente se manifesta em protesto, exigindo correção no manejo da economia.

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Julgando profissão, os bandidos também procuram evoluir nas ações. Para não dar murro em ponta de faca e nem perder empreitadas, os bandidos resolveram esquematizar logística para obter sucesso nas investidas. Chamadas de logística de guerra, os assaltantes de bancos, além de convocar integrantes de vários estados, utilizam também armamento pesado, como fuzis, pistolas, explosivos e grossa quantidade de munições. Com a grana obtida nos assaltos a bancos, os criminosos aplicam em outras diretrizes. Além de empregar boa parte do dinheiro roubado na sobrevivência dos integrantes das quadrilhas, o restante serve para impulsionar os negócios como o tráfico de drogas e de armas, que geralmente são locadas para os serviços e não custam barato. Além disso, com muito dinheiro no bolso, os assaltantes gostam de se mostrar. Alugam palacetes em locais privilegiados, compram carrões para exibir status social, exageram na dose até a chegada da polícia para lhes conduzir para o lugar merecido. Atrás das grades. Enquanto não encontrarem um mecanismo de proibir as explosões de bancos, sistema de ação não existente em países decentes, o brasileiro é obrigado a viver atormentado com mais esses desmandos.

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Parece que o Brasil se preocupa mais com os acidentes de trabalho. Dos mais de 607 mil acidentes do trabalho registrados no ano de 2012, pelo menos em 2016 as notificações foram menores. Apenas 495 mil casos. É lógico, não se trata apenas de o país cobrar mais segurança no trabalho, mas o desemprego, com o fechamento de vagas, o corte na fiscalização, nas diárias e nas passagens de fiscais, reduzem as informações na área. Inclusive, por conta das crises econômicas que afetam principalmente as pequenas e médias empresas, setor onde se concentram a quase totalizada dos negócios formais do Brasil, especialmente no segmento da construção civil, os acidentes de trabalho tem diminuído por falta de obras. Os campos de trabalho onde mais acontecem acidentes do trabalho são na agropecuária, no setor elétrico, na indústria de transformação e na construção civil. Como a Previdência arca com as despesas provenientes dos acidentes de trabalho, que os empregadores demoram a ressarcir à União, o país gastou mais de R$ 26 bilhões nos últimos seis anos, com o pagamento de benefícios como auxilio doença, aposentadoria por invalidez e pensão por morte.

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A decisão do Supremo Tribunal Federal em remover alguns vícios do sistema político foi mais do que justa e necessária. Veio na hora certa. Afinal, o contexto político, contaminado faz tempo, pedia profundas transformações. Atualização de leis. Agora, quem quiser disputar mandato, a partir de 2018, vai ter de apresentar ficha limpa porque o candidato que estiver enquadrado na lista da ficha suja, sobra. Vai pastar noutro lugar. Foi muito bom o STF decidir oficializar a aplicação da lei que pune o político que tiver praticado abuso de poder ou malversação de recursos. Como emplacou o ano de 2016, época em que começaram os debates, a medida deve atingir governadores, prefeitos e vereadores que tiveram contas com irregularidades desvendadas pelos Tribunais de Contas da federação. Com esta determinação da Corte maior, clareou as ideias. Doravante, quem for flagrado com indícios de improbidade administrativa e prática de imoralidade no exercício do mandato, fica inelegível por determinado prazo. Os que foram flagrados de calças curtas na boca da botija, lei neles. Rigorosamente.

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Interessante. Falam em contenção de despesas para aliviar a barra do país que anda mal das pernas. Sem recursos. Com os cofres esvaziados. Mas, as autoridades parecem desconhecer a regra do jogo, imposta pela equipe econômica, que mandou apertar o cinto. A pretexto de participar de seminários internacionais, congressos, fazer palestras, cumprir missão oficial ou participar de cursos de capacitação, governadores, magistrados, senadores e deputados se enchem de privilégios. Às vezes, esticam as viagens para fazer turismo ao final dos compromissos para recarregar as energias gastas durante os compromissos oficiais. No Tribunal de Conta da União, órgão dedicado exclusivamente a fiscalizar os gastos do governo, os ministros e servidores do órgão adoram viajar também às custas do dinheiro público. Em 2017, o TCU desembolsou com diárias e passagens de servidores a quantia de R$ 5,9 milhões na verba viagens.



NOTAS

Apesar de ter sido beneficiado pela natureza com grandes reservas de água doce, o Brasil, por deficiência, realiza um serviço irregular na distribuição do produto. A água coletada nas fontes contém impurezas. Então, antes de ser distribuída à população para consumo e uso industrial, a água recebe tratamento específico para limpar a poluição e torná-la potável. Um dos grandes problemas na distribuição da água está na desigualdade da distribuição. Áreas menos povoadas possuem gigantescas bacias hidrográficas. É o caso da região Norte. Embora abrigue poucos habitantes, o Norte possui 70% dos recursos hídricos do país. A bacia do rio Amazonas é o exemplo. O Nordeste, ao contrário, apesar de acomodar uma população maior, é vítima constante da seca. A falta de políticas públicas faz a Região sofrer com a falta de água. A região Centro-Oeste é beneficiada pelo Pantanal, detentor de excelentes recursos hídricos. O Sudeste, por não ser muito bem servido, tem cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte que reclamam da escassez de água. Já os sulistas, raramente chiam por fata de água. Devido a falhas tecnológicas, as distribuidoras, geralmente estatais, sofrem prejuízos. O alto custo na conta de energia, os furtos, os vazamentos, o desperdício e as ligações clandestinas, aliados à precária infraestrutura, aos escassos investimentos e a fraca logística baixam o faturamento das companhias. Complicam o caixa das empresas. Por isso, dos 5.565 municípios brasileiros, a metade pena com déficit no abastecimento. É vítima do racionamento. Faz as famílias passar necessidades.

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Um dia o Cosmo foi um deslumbre. Contemplar o céu estrelado nas noites pelas cidades do interior era um verdadeiro encanto. Nas conversas de comadres na calçada de casa, enquanto o sono não chegava, era coisa pra cinema. As mulheres conversadeiras se deleitavam. No entanto, nos últimos 60 anos, desde que o espaço orbital da Terra começou a ser invadido pelo lançamento de foguetes espaciais, a coisa mudou de figura. De beleza natural o espaço passou a representar perigo ao se transformar num lixão de dejetos espaciais. Nas estimativas da ESA-Agência Espacial Europeia, o lançamento dos cinco mil foguetes espaciais já acumulou umas 7,5 mil toneladas de restos de naves espaciais. São objetos inúteis, oferecendo perigo para a humanidade, em caso de queda. Como a situação da nave chinesa, Tiangong-1, pesando 8,5 toneladas, e descontrolada desde 2006, que desabou no Oceano Pacífico, em abril passado. O impressionante é a velocidade desses resíduos espaciais. Viajando a uma velocidade de 28 mil quilômetros por hora, se colidir com a Terra, os efeitos são devastadores. Assombrosos, mesmos desintegrados.

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Dois assuntos inquietam os investidores. Recrudescem as incertezas na economia. A crise política, sem fim, e o engavetamento das reformas estruturais, tão necessárias para tranquilizar o mercado e a economia, persistem. É justamente a indefinição sobre o rumo a tomar que desestimula o investidor. Enquanto a tecnologia avança no mundo, enriquecendo os empresários que fazem parte do seu contexto, duplicando o patrimônio deles muitos mais do que os exploradores do petróleo e banqueiros, os bancos centrais do mundo adotam novo esquema de crescimento. Incentivam a injeção de dinheiro na economia, de modo a puxar o consumo, a produção, o emprego e a renda para o alto. Despreocupados com a tese de que o crescimento provoca inflação. Todavia, com medo do amanhã, os investidores preferem se manter na defensiva com base nos seguintes dados. A falta de investimentos em infraestrutura faz o país perder competitividade. A carência de planejamento, apenas adia os problemas. Não resolve as pendências. A servidão da política econômica aos anseios da política partidária só causa prejuízos à economia. Perturba a máquina pública que fica incapacitada de equacionar os pepinos na saúde, educação e transportes. Os escândalos que não se acabam e a impunidade em jogo faz a sociedade perder a confiança no governo. Desconfiada das desonestas atitudes.

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Chegaram as eleições. Redobram as atenções dos deputados por emendas parlamentares, aguçam o desejo parlamentar de aumentar as quotas orçamentárias. A caça aos recursos públicos para destinar verbas às bases eleitorais é a pedida do momento. Nessa hora, o deputado é tão bonzinho. Tão prestativo que faz dó. Atualmente, cada parlamentar tem direito a uma cota de R$ 4,5 milhões no Orçamento para destinar às suas bases. Por isso, o partido que tem mais força, ganha as maiores fatias do Orçamento. No momento, o PSDB comanda a distribuição de verbas das emendas parlamentares. A concentração de poder político é tremendamente injusta na distribuição de verbas pelo país. A razão é simples. Passada as eleições, os políticos esquecem que o eleitor existe e, normalmente, até o próximo pleito, o votante é substituído por escândalos, falsidade, corrupção. Enquanto o povo não conseguir eliminar essa desgraceira do cenário político, a pisada é essa. Não muda. Apenas se esconde, esperando o outro escrutínio.

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O Nordeste aguarda a conclusão da Transnordestina, pacientemente. Após uma década de desilusão, desapontamento, negligência e muitas promessas descumpridas, o CSN e o governo falam, apenas falam, na retomada das obras. Justamente em ano de eleição. O problema é o orçamento. Calculado inicialmente em R$ 4,5 bilhões, passou dos seis bilhões. Sem dúvida, a ferrovia é de suma importância para a Região. Com seus 1.753 Km de extensão, começando em Eliseu Martins, no Piauí, a Transnordestina passará por 81 municípios da Região. Cruza Pernambuco até o porto de Suape e o Ceará, finalizando no porto de Pecém. Os registros confirmam. Por onde passa, a locomotiva implanta progresso. Altera o quadro socioeconômico das cidades. Além de transportar passageiros, o trem, apesar de mais lento do que o transporte rodoviário e aéreo, garante reduzir os custos, cobrando preços mais baratos nas passagens e no escoamento da produção agropecuária. Na evoluída Europa, a sofisticação do trem substitui o avião, o carro e o ônibus nas viagens. Por vários motivos. Fácil acesso, praticidade, sociabilização, conforto, comodiade, paisagens, raro impacto ambiental, boa infraestrutura nas estações, geralmente centrais nas cidades e, sobretudo, na economia. Sem trem, o Nordeste não vence o atraso. Pelo contrário, afunda nele por falta de integração.



TIRO SAI PELA CULATRA

A coisa tá feia. Para parecer bonzinho com a dureza de caixa e de condições financeiras de alguns países, desde 1997, os governos brasileiros têm concedido empréstimos a vários países da América Central, do Sul, Caribe e África. Na lista de nações contempladas com o dinheiro nacional, figuram 15 países, considerados “amigos”. Apesar de intenção ser de exportar bens e serviços.

Alguns países devedores pagam as dívidas em dia, honram os compromissos. Todavia, outros, não. Botam banca. Justamente, esses maus pagadores que tiram o sono dos dirigentes do BNDES, do Fundo de Garantia de Exportação-FGE, que avalizou as transações para a Venezuela, Moçambique e Angola, o maior devedor no momento, nutrem forte laço de amizade com os dois ex-presidentes, pertencentes ao quadro do PT. Lula e Dilma Rousseff. Talvez, por isso, confiantes, custam a pagar os débitos vencidos.

Caso não paguem as parcelas vencidas, ameacem passar calote nas dívidas, a batata quente sobra para o Tesouro Nacional que é obrigado a liquidar o rombo. Usando dinheiro financiado pelo povo. O interessante é que alguns bancos privados entram no rolo dos calotes e estão calados.

Para as cinco construtoras nacionais, que, inclusive, umas aparecem na lista da Lava-Jato, o negócio foi ótimo. Na medida. Criaram fama no exterior, principalmente na América Latina e em algumas áreas da África, por terem trabalhado na construção de rodovias, portos, aeroportos, saneamento básico, hidrelétrica, barragens, unidades habitacionais e sistemas de transporte.

Coincidentemente, os países contemplados financeiramente pelo “endinheirado” e bondoso Brasil, com raras exceções, defendem ideologias idênticas. Foram e são administrados por governos ditadores e corruptos. Alguns, ademais, tem tendência comunista.

Todavia, como não pensaram nas consequências, a ajuda tá causando problemas internos. Sérias dificuldades. Abertamente, dois países financiados ameaçam passar calote no Brasil. A Venezuela tem parcelas vencidas e parece não apresentar justificativas concretas pelo atraso para honrar o compromisso, prestes a vencer.

Segundo apurou o TCU-Tribunal de Contas da União, os empréstimos aos países amigos totalizaram R$ 50,5 bilhões. Dinheiro suficiente para melhorar a assistência nos âmbitos da saúde, educação, segurança pública e saneamento básico. Arranjar um jeito de abrir vagas para empregar 13,7 milhões de pessoas desempregadas.

O chato é que, apesar da “gritaria”, e do pedido de ajuda, ninguém dar “ouvidos” aos gestores atuais. O inconcebível são as reclamações entrar por um ouvido e sair pelo outro. Sem uma providencia sequer. E ficar por isso mesmo até o dia em que o eleitor souber escolher o candidato certo nas urnas para, com capacidade, e de fato, “consertar o país”.

Infelizmente, os desaforos sobram para o governo de Temer, sem base e popularidade, que está vendo grilo junto ao Congresso, onde chegou pedindo arrego, para o Legislativo aprovar um reajuste urgente no Orçamento que lhe dê condições de saldar mais esta inesperada dívida. Verdadeiro presente de grego que vem para chafurdar ainda mais as deficitárias contas públicas. Sob descontrole total.

Como entrou de gaiato na parada, o governo Temer corre o risco de o país ficar inadimplente no mercado financeiro internacional. Caso não descasque o abacaxi azedo que herdou dos governos do PT.

Também pudera. Como pode um país mão fechada para a população, deixar o investimento público cair drasticamente. Pelo menos é o que consta nos registros contábeis dos últimos cinquenta anos. Lá, está escrito que o investimento público tá em pé de miséria. É o menor do período. Para azar do cidadão. Lamentavelmente.