Coluna: DALINHA CATUNDA – EU ACHO É POUCO

SONETILHO DE AMOR

Fotos da colunista

Às vezes sou lua
Que nua vagueia
A todos enleia
Porém sou só sua.

Ás vezes sou sol
Trazendo calor
Derreto de amor
Em nosso lençol.

Às vezes sou brisa
Que ofega em seu rosto,
Ladina lhe alisa.

E sempre sou nós
Depois do sol posto
Juntinhos e a sós…

UMA GLOSA

Sofra com sua desgraça,
E aguente minha alegria.

Mote desta colunista

Meu sorriso lhe incomoda
Minha atitude também
Não sou mulher de desdém
Mas não vou sair da roda
Cara feia não me poda
Nem de noite, nem de dia,
Nem venha com zombaria
Que não vou perder a graça
Sofra com sua desgraça,
E aguente minha alegria.

A REVOLTA DE SANTO ANTÔNIO

Foto desta colunista

Santo Antônio aperreou-se
E sentiu-se até perdido
Quando viu tanta mulher
Todas querendo marido:
– Uma coisa vou dizer
Não sei o que vou fazer
Em meio a tanto pedido.

Ficou logo revoltado
E falou para Jesus
Eu não aguento mais
O peso da minha cruz
Ser santo casamenteiro
E com todo esse salseiro
Vos digo: Não me seduz.

Jesus Cristo preocupado
Com aquela situação
Disse para Santo Antônio
É só sua essa missão
Mas pode no céu buscar
Uns Santos pra lhe ajudar
Eu não faço objeção.

Santo Antônio se alegrou
Começou a organizar
As virgens ele casaria
Isso não ia mudar
Delas ele tinha dó
Deixá-las no caritó
Não dava nem pra pensar.

Falou com o São Gonçalo,
E Com São Judas Tadeu
Achou por bem convidar
São Jorge o amigo seu
Nessa mesma ocasião
Fez a distribuição
Com o aval que Jesus deu.

As chamadas periguetes
São Gonçalo vai casar
Também as raparigueiras
Que gostam de badalar
Pois é santo violeiro
Em cabaré ou terreiro
Ele não paga pra entrar.

Já o São Judas Tadeu
É com as tribufus que fica
Santo das causas perdidas
Já casou baranga rica
E as donas sem embaraço
Que já não tem mais cabaço
E gostam mesmo é de pica.

Para São Jorge Guerreiro
Com sua espada na mão
Ele fica responsável
Por todo e qualquer canhão
Pelas mocreias da vida
Que o pessoal apelida
As coitadas de dragão.

Eu acho que Santo Antônio
Abusou da rebeldia
E mesmo estando irritado
Com penas que recebia
De tanto ser afogado
Devia estar conformado
E com a cabeça fria.

Não pedi licença a musa
Mas a Deus peço perdão
Por esses versos que fiz
Com tanta profanação
Não me queimem na fogueira
Foi só uma brincadeira
Sem reza e sem oração.

NÃO AOS POLÍTICOS LADRÕES

Eu não sei se meus amigos
Notaram. Uns talvez, não.
Resolvi ficar calada
Por ter consideração
A cada amigo querido
Que os meus versos tem lido
A eles tenho atenção.

Porém o meu pensamento
Que inda continua são
Me diz e ainda repete
Que não temos solução
Ao ver na tela um político
O meu senso analítico
Me diz é mais um ladrão.

E quem quiser se rasgar
Brigar por politiqueiro
Vá brigar noutro lugar
Aqui não é picadeiro
Pegue boné e bandeira
Vá junto com a bandalheira
Gritar e fazer salseiro.

  Uma dedada desta colunista para os políticos ladrões

Diante de tantos réus
Eu não vejo um inocente
Assaltaram nossa pátria
Iludiram nossa gente
Eu quero é ver na cadeia
E até debaixo de peia
Eu não vou ser complacente.

Quem tiver sua paixão
Oferte cumplicidade
Quem tiver seus interesses
Distorça a realidade
Em Bangu ou na papuda
Minha gente não se iluda
Só tem ladrão de verdade.

O Julgado e condenado
Não é inocente não
Pra tirar um da Cadeia
Tira a lista de ladrão
Pra voltar a pindaíba
Soltem os de Curitiba
E elejam nessa eleição.

Estou fora de política
E vou ficar bem calada
Pois aqui em minha página
Eu não quero presepada
Nesse Brasil de bandido
Eu que não tenho partido
Não quero ser arrolada.

DOUTORA INTÉ OUTRO DIA

Parodiando Zé Praxedes

Doutora inté outro dia
Se quiser me visitar
A choupana não é grande
Mas posso lhe acomodar

Pros almoço tem baião
E tem cuscuz pro jantar
Agua só tem de cacimba
Pra vosmecê se banhar,

Um cafezinho da serra
Eu faço ao amanhecer
Com tapioca e manteiga
Pro seu desjejum fazer.

Foto da colunista

Caso aprecie uma pinga
Tenho a branquinha serrana
Pra sua égua mimosa
Aqui tem um mói de cana.

Pra vosmecê merendar
Rapadura tem um lote
Água fresca e bem coada
Pra vosmecê tem no pote.

Uma rede bem cheirosa
Tem pra vosmecê deitar
Só peço leve o marido
Que o meu não vou emprestar.

O PINTO DE DÃO

Dão de Jaime em foto desta colunista

Contratei uma pessoa
Pra cuidar do meu pintinho
Nunca deixar ele à toa
Pra dar comida e carinho
Quando o dia amanhece
O meu pintinho entristece
Mas ela sabe ajeitar
Por incrível que pareça
Alisa sua cabeça
Pro bichim se levantar

Dão de Jaime

Eu não posso acreditar
Nesse pinto esmorecido
E que só sendo acudido
Consegue se levantar
Eu aqui vou confessar
E não falo com desdém
Pra comer do meu xerém
Pinto tem que ser raçudo
Pois pinto fraco e miúdo
Eu prefiro ficar sem.

Dalinha Catunda

Dão de Jaime, seu pintinho
Tá um pouco moleirão
Precisa passar a mão
Pra ficar animadinho
Apalpar, dá um jeitinho
Para ele se alegrar
Dê-lhe cuscuz no jantar,
Logo que o dia amanheça
“Alisa sua cabeça
Pro bichim se levantar”!

Bastinha Job

SORTILÉGIO

Quando o dia se fez noite
A lua com seu clarão
Foi tingindo a escuridão
Veio o vento feito açoite
Para fazer seu pernoite
Invadiu minha janela
O desejo se revela
A cada toque do vento
Eu sem pejo me contento
No alento que a mim se atrela.

Dalinha Catunda

Quando a noite se fez dia
E o Sol raiou no horizonte
Surgindo detrás do monte
A sua luz irradia
A mais completa alegria
No canto da passarada
Ao dar início à jornada
Para a moça da janela
Que, suspirando, revela
A donzela apaixonada!

José Walter Pires

Esta colunista com José Walter Pires, ambos membros da Academia Brasileira de Literatura de Cordel; José Walter é irmão do grande artista Morais Moreira

BULE -BULE BULIÇOSO

Bule-Bule com esta colunista

Encontrei com Bule-Bule
Pras bandas do Cariri
Bule-Bule é buliçoso
Digo isso porque vi
Comigo não bula não
Sou abelha do sertão
Não assanhe o enxuí.

Bule-Bule bem pimpão
Com seu jeitinho brejeiro
Cantando verso bonito
Não tinha dó do pandeiro
Ouvindo o bardo cantar
Comecei a requebrar
Para animar o terreiro.

Com viola ou com pandeiro
Bule-Bule vai além
Fazendo versos gaiatos
Argumento sempre tem
Bule-Bule não é mole
Com todo mundo ele bole
Não abre para ninguém.

* * *

BRASIL, SEM FREIO E SEM DIREÇÃO

Saí do meu canto agreste
Deixei longe meu sertão
Quase não chego ao destino
Presa em paralisação
Cheguei ao Rio de Janeiro,
E salve o caminhoneiro!
Salve a civilização!

Tudo está se resolvendo
Nas rodas do caminhão
O governo abre as pernas
Pra greve que é de patrão
Vai surgir imposto novo
Quem vai pagar é o povo
Vem mais contribuição.

É nesse país sem rumo,
Sem freio, sem direção,
Que brevemente teremos
Que votar em eleição,
Porém não fico contente
Meu medo é que novamente
Se eleja mais um ladrão.

UMA GLOSA

Campeei pelo sertão
Na garupa dum vaqueiro
No seu galope ligeiro
Mais veloz que um avião
Quando vi que faltou chão
Do céu abri a porteira
Jesus saiu na carreira
E me agarrou pelo braço
“Eu, querendo, também faço
Igualzinho a Zé Limeira.”

Mote sugerido por Marco Haurélio

A FORÇA DO POVO

Enquanto nesse país
Pregarem desunião
Não vai ter povo feliz
Com força nessa nação.

Botam pobres contra rico
Qualquer patrão nessa luta
Não vale nada é um tico
Tacham de filho da puta.

E a classe politiqueira
Que ao rico pede propina
Dá esmola para o pobre
E a ser contra o rico ensina.

Se o povo for pau mandado
De político ladrão
Seguirá desgovernado
Sem mostrar força a nação.

Sei que força o povo tem
Se ele resolver lutar
Unido ele vai além
Basta só saber somar.

Nesse Brasil dividido
Reino de tantos ladrões
Se o povo não for sabido
Se lasca nas eleições.

SÓ LIMEIRIANDO…

O mundo está se acabando
E eu lambendo rapadura
Fazendo versos rimados
E sem perder a estrutura
Ficar calada é um tédio
Pra garganta um bom remédio
É bunda de tanajura.

Eu ando de bicicleta
Porém já montei jumento
Jesus Cristo está no céu
O cão vive seu tormento
A roupa tá no varal
Da chuva não vi sinal
Mas lá vem um pé de vento.

Fiz um prato de pirão
Para comer com pimenta
Já queimei a minha língua
Mas o cheiro tá na venta
Nas contas do meu rosário
Rezei sem ser missionário
A ladainha que invento.

Trepei no mandacaru
Pras bandas do Ceará
Tirei um fruto bonito
Tinha mais de mil por lá.
Mamãe se casou com Chico
Nunca vi tanto fuxico
Pensei do lado de cá.

Eu conheço chumbo grosso
Também munição trocada
Pra não entrar em peleja
Eu dei uma de abestada
Salve quem morreu na cruz
E atendia por Jesus
Salve, salve a pátria amada!

UMA GLOSA

Estão matando o Brasil
Mas eu me finjo de morta.

Mote da colunista

Vejo o Brasil desgastado
Totalmente corrompido
Vejo o povo dividido
País desmoralizado
O supremo maculado
O caos ninguém mais suporta
Essa política torta
Cansou-me por ser tão vil
Estão matando o Brasil
Mas eu me finjo de morta.