Coluna: FRANCISCO ITAERÇO – OS CONTOS NOSSOS DE CADA DIA

STAND-UP COM POESIA

PRESSA

Meus olhos azuis
Atirei sobre ti
Nada mais vi
Deixaste comigo
O melhor de nós
Na pressa de partir
Pelo sim, pelo não
As lembranças deixadas
Só entregarei em mãos.

POEMA INACABADO

Pode ser que minha pena
Seque a tinta, que horror
Eu use a tela de um pintor
E com algumas pinceladas
Eu termine o meu poema
Usando um lápis de cor
E nessa linda aquarela
Tendo a vida como tela
Vou pintando o meu amor!

COMO TE VEJO

“Vejo o mundo com bons olhos”
Com os olhos que eu te vejo
Imagine se eu o beijasse
Com os lábios que te beijo
Talvez, me condenassem
E até me crucificassem
Por isso reprimo meu desejo.

MEUS PECADOS

Minha matéria é pura
Meu espírito é promíscuo
Enquanto eu durmo
Meu espirito vaga
Em busca de vicio.

MEU MAIOR BEM

Meu maior bem
Está na essência
A minha aparência
É apenas o casulo
Guardião do meu bem
Guardado comigo
Não serve a ninguem

STAND-UP COM POESIA

QUEM PERGUNTA QUER SABER

Nunca duvidei da existência dos anjos
Eu só queria saber: se quando os anjos crescem
Eles se tornam santos ou idosos?

IMPOSSIVEL DE ESQUECER

Aonde quer que eu vá
O calor do teu último abraço
O sabor do teu último beijo
Seguem-me
E é isso que me impede
De esquecer-me de ti.

TUDO É PÓSSÍVEL

A cidade dorme
Só o poeta vaga
Em busca de
Uma janela aberta
Ou um balde d’água

Tudo é possível.

DEUS ME LIVRE!

Deus me livre
De ser sempre o mesmo
Quero amanhecer
Com outros desejos
E ser sempre assim
Pra melhorar o mundo
A partir de mim
Pode ser que não seja
Mas eu tentei
Louvado seja.

PECADO

Naquele tempo
Pegar naquilo
podia
Não era pecado
Porque eu não sabia.
Hoje que eu sei
É pecado mortal
Só porque peguei.

STAND-UP COM POESIA

MEU MEDO

Depois que me tornei imortal
me veio o medo de morrer.
Vai que a morte não reconhece…
esse título que me foi outorgado
pelos homens e me leva de vez

PICHAÇÃO

Pichei meu coração de cinza
Para confundir o amor
Que sinto por ti…
De nada serviu
O amor floriu
E deu frutos
De um por mil.
Retoquei a pintura
Com cores zem
O amor frutificou
E produziu frutos
De um por cem.
Amor demais, mata

QUANDO

Quando meus dias
Amanhecem cinza
Eu os pinto de verde
Pra que meus olhos azuis
Vejam a esperança

TRIBUTO A CORA CORALINA – IN MEMORIAM

A gente, Cora
Também faz poesia…
E quando o dia se finda
Cora de alegria
Como você
Cora Coralina.

ÚLTIMA LÁGRIMA

Já chorei minha última lágrima,
De hoje em diante é só alegria
Faço de conta que não há mais dor
E eu não preciso mais chorar
Pois minha vida é só poesia

IGUALDADE

Todas as noites são iguais,
Escuras, frias, sem sol…
E de você nem sombra

STAND-UP COM POESIA

IMPERATRIZ

O Sol se põe chorando
A Lua já nasce triste
As estrelas inexistem
Não há poetas a contá-las
A poesia nem se fala
Tudo está ultrapassado
O velho está encostado
O moderno pede vênia
A Imperatriz boemia
Só existiu no passado

QUESTÃO DE GOSTO

Não gosto de maçãs
Nem as do teu rosto
Prefiro os teus lábios
Têm melhor gosto

COMO SABER?

“MANGA” de mim
Uma palavra
Dispersa em mil
Confusão sem fim.
Nosso português
Não é tão simples assim
CRIANÇA X ADULTO
A criança que fui deixei
chorando pelos caminhos.
Para me tornar o adulto que sou
sorrindo pelas estradas.

FOGO DA PAIXÃO

Mantive a meia chama
O fogo da nossa paixão
Por isso ainda há fumaça
Nos lençóis da nossa cama
Com um sopro, talvez
A fumaça vire fogueira
E queime a noite inteira
Talvez, quem sabe, talvez.

CÔNCAVO X CONVEXO

Já rolamos na lama
Na grama, na cama
No serrado, na fama…
Quarenta anos depois
Eu continuo côncavo
Você ainda convexa
Muito pouco ainda rola
Mas o amor nos conexa

ISTO SOU EU

Eu sou assim:
Interiorano,
Indefinido
Abstrato,
Vazio,
Mal escrito
Sem fim definido…
Acho que sou
Um rascunho de mim
Isto sou eu

STAND-UP COM POESIA

CÔNCAVO X CONVEXO

Já rolamos na lama
Na grama, na cama
No serrado, na fama…
Quarenta anos depois
Eu continuo côncavo
Você ainda convexa
Muito pouco ainda rola
Só o amor se conexa

ISTO SOU EU

Eu sou assim:
Interiorano,
Indefinido
Abstrato,
Vazio,
Mal escrito
Sem fim definido…
Acho que sou
Um rascunho de mim
Isto sou eu

O ANDARILHO

Fui andarilho
Até encontrar você
Comi todas as maçãs
Tantas, quantas apareceram
Hoje na escassez
Maçãs não me atraem tanto
Não quanto os teus encantos
Vivo preso neste canto
Que também é o teu canto

JURO

Eu sou puro
Meu espírito é pecador
É ele que se aventura
Enquanto eu durmo
No período noturno
Criando sonhos eróticos
Bordando e pintando o sete
Quando ele volta
Se fingindo de bonzinho
Sou eu que pago o pato

POETA DE BAR

Sou um poeta de bar
Sem destino, sem lar
Fecharam todas as janelas
Me aparece numa delas
Me atira um balde d’agua
Mostra que te chamei atenção
Quem sabe um dia eu volte
E conquiste teu coração.

ESPERANDO SENTADO

Não cheguei porque era distante
Não alcancei porque era alto
Não lutei porque não era forte
Fiquei esperando a morte
E lamentando a falta de sorte.

TEMPO DE VIDA

Aprendi com o tempo
Que quem não ousa
Tem bem mais tempo
Pra viver bem menos

CORDEL DA INJUSTIÇA INJUSTA

Meu Deus, prenderam o Lula
Palocci e Cunha também
Esses três homens não tem
Nenhum centavo na Suíça
Mas partiram da premissa
Que os três se corrompia
Por todo canto em que ia
Quanto a isso não me iludo
“Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”

Eles não sabiam nada
Paulo Maluf também
Jader Barbalho em Belém
Andreia Neves foi citada
Foi presa, foi liberada
Porque também não sabia
Se eu soubesse não faria
Pois esse coelho é rabudo
“Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”

E prender ainda falta
O bandido Zé Dirceu
Mas só não aconteceu
Porque a justiça é cega
Tem igual comportamento
Conduta e sentimento
Quase uma parceria
De alma e corpo, contudo
“Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”…

Tancredo Neves lá do Céu
Deve estar envergonhado
Vendo o neto e afilhado
Metido neste escarcéu
Sendo citado como réu
Por tamanha patifaria
E dizendo que não sabia
Sem ter o avô como escudo
“Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”…

Também deve entrar na lista
Nosso presidente Temer
Que tem muito a temer
Co’o governo equilibrista
Junto com Dilma e Lula
Escabreado pululam
Seus mal-feitos, noite e dia
Preso, vão levar “cascudo”
Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”…

Não se esqueça do Gedel
Homem de muitos milhões
Vai enfrentar os grilhões
E passar a lua de mel
Trancado numa masmorra
Sem que ninguém lhe socorra
Vai ficar em cela fria
Por não ter grande estudo
“Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”…

STAND-UP COM POESIA

NADA TENHO

Já não tenho pai
Perdi o útero materno
Pra viver neste inferno.
Não tenho patrão,
Nem sou
Não sou rei,
Nem vassalo
Nem herói,
Nem guru,
Nada tenho,
Nada sou…
Tenho somente
Alguns amigos (as)
E a Ti Senhor
Isso me basta
Para ir vivendo.

CONTENTAMENTO

Eu me contento
Com tão pouco
Basta um olhar
Um beijo na boca
Um abraço apertado
No teu corpo molhado
As mãos feito loucas
Num frenesi danado
E algo mais.
Parece tão pouco
Mas me satisfaz.

O BRASIL QUE NÓS QUEREMOS

O Brasil que nós queremos
Tem o verde da esperança
Tem fartura em abundância
Tem um clima mais ameno…
Não é o Brasil que temos
Com tanta sede de saber
Calado por desconhecer
Até como falar direito
O Brasil ainda tem jeito
É só plantar e colher.

Desde o tempo de Caminhas
O Brasil é um celeiro
Desde um abacateiro
A um laranjal e vinhas
Já disseram por a cá
Em plantando tudo dá
É esperar para ver
Tudo aqui é está bem feito
O Brasil ainda tem jeito
É só plantar e colher…

MENINAS MOÇAS

As meninas de hoje
Já nascem moças…
As bonecas de louças
Vivem assustadas
Quem as embalarás
Nos braços, no porvir.
Não temos direito
De ser crianças.
Nem de brincar
Nem de sorrir…

PRISÃO DOMICILIAR

Teu corpo nu
É a tornozeleira eletrônica
Que me mantem
Em prisão domiciliar.