STAND-UP COM POESIA

MUNDO IMUNDO

Deus criou o homem
Depois de fazer o mundo
Antes de todo mundo…
Fez ali a sua imagem
Encheu-se de coragem
E lhe deu livre arbítrio
Lhe disse ao terminar:
Não é permitido errar
Ganhe o pão com seu suor
Que agora vou descansar

Aí o homem fez o resto
E o que mais fez foi errar

Somos um caso perdido
Se o Mestre sabia disso
Por que nos deu livre arbítrio?

MEU POEMA

Te vejo como um poema
Em gestação ou nascida
Sublime, bela, vivida,…
No palco, atriz serena,
Tinteiro, papel e pena
Às vezes, noite sombria
Quero numa manhã fria
Contigo um dedo de prosa
Um jardim cheio de rosas
Pra transformar em poesia

PENA DA PENA

Não me dá pena quando a pena
Seca pra dar vida ao poema.
Mas, me dá pena quando a pena…
Seca pra não dar vida a cena.

Aí dá dó.

BARCO A DERIVA

Meu barco
Está a deriva
Você na proa …
Eu na popa
Você nuinha
Eu sem roupa…
Perdidos em alto mar
Nós dois, eu e você
Nem queremos saber
Em qual praia iremos parar

Tomara seja deserta.

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O AMOR

O amor só é possível,
fora do tempo,
No seu curso normal
vive intercalado por contratempo.

DECLARAÇÃO

Não posso mais ser rei!
Doei o meu condado
Aos meus vassalos, doei
Minhas moedas de prata
E os meus moinhos leiloei
Libertei os meus escravos
E suas dividas perdoei

Pai, console meus parentes
Que não chorem a partilha
Proteja toda essa gente
Abençoe minha família

Deixarei a barba crescer
E me tornarei profeta
Usarei batina pra ser frei
Ou então, falarei francês
Pra quem sabe, ser poeta

Já que não posso ser rei
Andarei nu pelo deserto
Me alimentarei de insetos
E serei feliz, sendo plebeu

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JUSTIÇA INJUSTA

Socorro, alguém me ajude,
sou inocente, eu juro!

Nunca assediei Cleópatra
Nem queimei Joana D’Arc
Tô fora, da minha parte…
As duas que sigam em paz

Eu nunca peguei a Dalila
Não por medo de “Sansões”
Ela não era moça de família
E eu tive muit’outras opções

Não sou nenhum filisteu
Para temer “queixadada”
Nunca fui nenhum Romeu
Com Julieta não tive nada

Agora criaram-me um impasse
Assédio a Jacqueline, nunca
Pois eu era amigo de Onassis

Agora vejam o despautério
Pobre de mim, estão dizendo
Que fui conivente com nero.

Eu sou inocente, eu juro!!!

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CROMOS (SOMOS)

Somos como
Unha e esmalte
Lábios e batom
Tímpanos e som
Ferimento e dor
Nariz e odor
Sutiã e seio
Até que a morte
Nos separe
O resto, não sei.

QUEM SOU EU?

0 problema me induz
A busca de solução
A solução só revela
O quanto inculto sou eu
A solução só revela
Que vim da tempestade
E sou somente poeira
Sou só paz e calmaria
Sou extinção da violência
Sou verso, talvez, poesia
Isso tudo aí sou eu.

SUICÍDIO

Pensei em matar-me
Rodopiando contigo
No meio de um salão
Ao som de uma canção
Em cores e ao vivo,
Cair nos teus braços
Morrer de cansaço…
E no impedimento
De uma morte assim
É que eu ainda vivo

MORADOR DE RUA E O POETA

O morador de rua
Engana a fome
Durante o dia
Nada come
À noite ele dorme
O poeta insone
Engana à noite
Com poesia
Durante o dia
Poeta dorme

A PALAVRA

Procuro uma palavra que me defina,
não encontro. Na falta de identidade,
me finjo poeta. Acho que é isso que sou.

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SONHO ADIADO

Meu coração encontra-se
Deveras, amarelecido
Na Rússia fomos vencidos
No gramado, pelos belgas
Bando de filhos da égua
Adiaram nosso sonho
Por quatro anos, suponho
Aí sim, seremos hexa
Ou então voltamos nessa
Envergonhado e tristonho

SEM TE CONHECER

Um certo dia
Desenhei no chão
Com minhas mãos
Nossa moradia
Nem te conhecia
Mas de antemão
Ou premonição
Resolvi construir
No meu presente
O lar, do porvir

MAÇÃ PROIBIDA

A primeira maçã
A gente só esquece
Quando a segunda maçã
Proibida aparece.

CRIA DO MATO

Sou cria do mato,
tanto é que na cidade,
fico perdido: que só cego
em tiroteio, feito peixe
fora d’água, ou botão
fora de casa.

BALAS PERDIDAS

As balas perdidas são cegas,
não distingue um traficante
de uma mãe com uma criança no colo.
Que as balas se percam, antes
de se tornarem perdidas.

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SOCORRO

Socorro
Eu quero ser preso
O Lula está solto
Livre e ileso

Com o Lula livre
Não tem pra ninguém
Eu não consigo roubar
Nem um vintém.

Socorro…

MOMENTO

Um momento só
O Lula voltou
Eu quero ser solto
A cela é pequena
Só cabe um só
Que seja o Lula
Que chegou primeiro
Tem triplex em Guarujá
Sitio em Atibaia
E mala de dinheiro.

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A poesia é essa coisa meio louca,
feita por um louco, meio poeta.

Escrevo para que não se perca o
poema nem esqueçam o poeta.

FRUTO PROIBIDO

Nunca comi
Fruto proibido
Nada adiantou
Acabei sozinho
Aqui no paraiso
Com fome
Sem maçã
Sem Eva
Desvestido
E sem uma costela.

O POETA

O poeta
É como um cão farejador
Farejando tudo
Em plena luz do dia
Até no monturo
Encontra poesia

PESCARIA IMPRODUTIVA

Atirei minha rede
Nas águas deste rio
Você andava cheia …
Nuinha, nuinha
Deitada na areia
Tremendo de frio
Eu quase me afogando
Tentando, tentando
Pescar lambari

RESISTÊNCIA INÚTIL

Resisti enquanto pude
Mas cedi aos teus encantos
E como sou homem rude…
Não te ofereci meu pranto
Só minha alegria, meu canto,
Meus versos e minha poesia
No momento isso me basta
O resto faremos juntos:

MINHAS LEMBRANÇAS

Tomei banho tibungando
De cima duma pinguela
Bebi água de gamela…
Andei descalço fungando
Morceguei carro andando
Carreguei pote com rodia
Comigo ninguém bulia
Vivia o verde da esperança
Essas são minhas lembranças
E eu era feliz e sabia

TIBUNGAR = pular dentro do rio de cima de uma ribanceira ou de uma árvore…
PINGUELA = ponte rustica feita de madeira sobre córregos
GAMELA = vasilha de madeira feita de tronco de árvore para colocar água e ração para animais
FUNGAR = absorver pelo nariz; resmungar
MORCEGAR = pendurar-se em carroceria de caminhão em movimento
RODIA = o mesmo que RODILHA, rosca de pano em que se assenta a carga na cabeça.
BULIR= mexer com quem está quieto

Quando bate a saudade
Nesse meu peito ferido
Coração fica partido
Sangra, segrega, a vontade
Lembrando da mocidade
Dói em mim por todo canto
A vida perde o encanto
O poeta vira calouro
“Eu fui temperar o choro
Acabei salgando o pranto”

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PRESSA

Meus olhos azuis
Atirei sobre ti
Nada mais vi
Deixaste comigo
O melhor de nós
Na pressa de partir
Pelo sim, pelo não
As lembranças deixadas
Só entregarei em mãos.

POEMA INACABADO

Pode ser que minha pena
Seque a tinta, que horror
Eu use a tela de um pintor
E com algumas pinceladas
Eu termine o meu poema
Usando um lápis de cor
E nessa linda aquarela
Tendo a vida como tela
Vou pintando o meu amor!

COMO TE VEJO

“Vejo o mundo com bons olhos”
Com os olhos que eu te vejo
Imagine se eu o beijasse
Com os lábios que te beijo
Talvez, me condenassem
E até me crucificassem
Por isso reprimo meu desejo.

MEUS PECADOS

Minha matéria é pura
Meu espírito é promíscuo
Enquanto eu durmo
Meu espirito vaga
Em busca de vicio.

MEU MAIOR BEM

Meu maior bem
Está na essência
A minha aparência
É apenas o casulo
Guardião do meu bem
Guardado comigo
Não serve a ninguem

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QUEM PERGUNTA QUER SABER

Nunca duvidei da existência dos anjos
Eu só queria saber: se quando os anjos crescem
Eles se tornam santos ou idosos?

IMPOSSIVEL DE ESQUECER

Aonde quer que eu vá
O calor do teu último abraço
O sabor do teu último beijo
Seguem-me
E é isso que me impede
De esquecer-me de ti.

TUDO É PÓSSÍVEL

A cidade dorme
Só o poeta vaga
Em busca de
Uma janela aberta
Ou um balde d’água

Tudo é possível.

DEUS ME LIVRE!

Deus me livre
De ser sempre o mesmo
Quero amanhecer
Com outros desejos
E ser sempre assim
Pra melhorar o mundo
A partir de mim
Pode ser que não seja
Mas eu tentei
Louvado seja.

PECADO

Naquele tempo
Pegar naquilo
podia
Não era pecado
Porque eu não sabia.
Hoje que eu sei
É pecado mortal
Só porque peguei.

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MEU MEDO

Depois que me tornei imortal
me veio o medo de morrer.
Vai que a morte não reconhece…
esse título que me foi outorgado
pelos homens e me leva de vez

PICHAÇÃO

Pichei meu coração de cinza
Para confundir o amor
Que sinto por ti…
De nada serviu
O amor floriu
E deu frutos
De um por mil.
Retoquei a pintura
Com cores zem
O amor frutificou
E produziu frutos
De um por cem.
Amor demais, mata

QUANDO

Quando meus dias
Amanhecem cinza
Eu os pinto de verde
Pra que meus olhos azuis
Vejam a esperança

TRIBUTO A CORA CORALINA – IN MEMORIAM

A gente, Cora
Também faz poesia…
E quando o dia se finda
Cora de alegria
Como você
Cora Coralina.

ÚLTIMA LÁGRIMA

Já chorei minha última lágrima,
De hoje em diante é só alegria
Faço de conta que não há mais dor
E eu não preciso mais chorar
Pois minha vida é só poesia

IGUALDADE

Todas as noites são iguais,
Escuras, frias, sem sol…
E de você nem sombra

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IMPERATRIZ

O Sol se põe chorando
A Lua já nasce triste
As estrelas inexistem
Não há poetas a contá-las
A poesia nem se fala
Tudo está ultrapassado
O velho está encostado
O moderno pede vênia
A Imperatriz boemia
Só existiu no passado

QUESTÃO DE GOSTO

Não gosto de maçãs
Nem as do teu rosto
Prefiro os teus lábios
Têm melhor gosto

COMO SABER?

“MANGA” de mim
Uma palavra
Dispersa em mil
Confusão sem fim.
Nosso português
Não é tão simples assim
CRIANÇA X ADULTO
A criança que fui deixei
chorando pelos caminhos.
Para me tornar o adulto que sou
sorrindo pelas estradas.

FOGO DA PAIXÃO

Mantive a meia chama
O fogo da nossa paixão
Por isso ainda há fumaça
Nos lençóis da nossa cama
Com um sopro, talvez
A fumaça vire fogueira
E queime a noite inteira
Talvez, quem sabe, talvez.

CÔNCAVO X CONVEXO

Já rolamos na lama
Na grama, na cama
No serrado, na fama…
Quarenta anos depois
Eu continuo côncavo
Você ainda convexa
Muito pouco ainda rola
Mas o amor nos conexa

ISTO SOU EU

Eu sou assim:
Interiorano,
Indefinido
Abstrato,
Vazio,
Mal escrito
Sem fim definido…
Acho que sou
Um rascunho de mim
Isto sou eu

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CÔNCAVO X CONVEXO

Já rolamos na lama
Na grama, na cama
No serrado, na fama…
Quarenta anos depois
Eu continuo côncavo
Você ainda convexa
Muito pouco ainda rola
Só o amor se conexa

ISTO SOU EU

Eu sou assim:
Interiorano,
Indefinido
Abstrato,
Vazio,
Mal escrito
Sem fim definido…
Acho que sou
Um rascunho de mim
Isto sou eu

O ANDARILHO

Fui andarilho
Até encontrar você
Comi todas as maçãs
Tantas, quantas apareceram
Hoje na escassez
Maçãs não me atraem tanto
Não quanto os teus encantos
Vivo preso neste canto
Que também é o teu canto

JURO

Eu sou puro
Meu espírito é pecador
É ele que se aventura
Enquanto eu durmo
No período noturno
Criando sonhos eróticos
Bordando e pintando o sete
Quando ele volta
Se fingindo de bonzinho
Sou eu que pago o pato

POETA DE BAR

Sou um poeta de bar
Sem destino, sem lar
Fecharam todas as janelas
Me aparece numa delas
Me atira um balde d’agua
Mostra que te chamei atenção
Quem sabe um dia eu volte
E conquiste teu coração.

ESPERANDO SENTADO

Não cheguei porque era distante
Não alcancei porque era alto
Não lutei porque não era forte
Fiquei esperando a morte
E lamentando a falta de sorte.

TEMPO DE VIDA

Aprendi com o tempo
Que quem não ousa
Tem bem mais tempo
Pra viver bem menos

CORDEL DA INJUSTIÇA INJUSTA

Meu Deus, prenderam o Lula
Palocci e Cunha também
Esses três homens não tem
Nenhum centavo na Suíça
Mas partiram da premissa
Que os três se corrompia
Por todo canto em que ia
Quanto a isso não me iludo
“Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”

Eles não sabiam nada
Paulo Maluf também
Jader Barbalho em Belém
Andreia Neves foi citada
Foi presa, foi liberada
Porque também não sabia
Se eu soubesse não faria
Pois esse coelho é rabudo
“Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”

E prender ainda falta
O bandido Zé Dirceu
Mas só não aconteceu
Porque a justiça é cega
Tem igual comportamento
Conduta e sentimento
Quase uma parceria
De alma e corpo, contudo
“Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”…

Tancredo Neves lá do Céu
Deve estar envergonhado
Vendo o neto e afilhado
Metido neste escarcéu
Sendo citado como réu
Por tamanha patifaria
E dizendo que não sabia
Sem ter o avô como escudo
“Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”…

Também deve entrar na lista
Nosso presidente Temer
Que tem muito a temer
Co’o governo equilibrista
Junto com Dilma e Lula
Escabreado pululam
Seus mal-feitos, noite e dia
Preso, vão levar “cascudo”
Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”…

Não se esqueça do Gedel
Homem de muitos milhões
Vai enfrentar os grilhões
E passar a lua de mel
Trancado numa masmorra
Sem que ninguém lhe socorra
Vai ficar em cela fria
Por não ter grande estudo
“Oh meu Deus prenderam tudo
Tanto bem que eu lhes queria”…

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NADA TENHO

Já não tenho pai
Perdi o útero materno
Pra viver neste inferno.
Não tenho patrão,
Nem sou
Não sou rei,
Nem vassalo
Nem herói,
Nem guru,
Nada tenho,
Nada sou…
Tenho somente
Alguns amigos (as)
E a Ti Senhor
Isso me basta
Para ir vivendo.

CONTENTAMENTO

Eu me contento
Com tão pouco
Basta um olhar
Um beijo na boca
Um abraço apertado
No teu corpo molhado
As mãos feito loucas
Num frenesi danado
E algo mais.
Parece tão pouco
Mas me satisfaz.

O BRASIL QUE NÓS QUEREMOS

O Brasil que nós queremos
Tem o verde da esperança
Tem fartura em abundância
Tem um clima mais ameno…
Não é o Brasil que temos
Com tanta sede de saber
Calado por desconhecer
Até como falar direito
O Brasil ainda tem jeito
É só plantar e colher.

Desde o tempo de Caminhas
O Brasil é um celeiro
Desde um abacateiro
A um laranjal e vinhas
Já disseram por a cá
Em plantando tudo dá
É esperar para ver
Tudo aqui é está bem feito
O Brasil ainda tem jeito
É só plantar e colher…

MENINAS MOÇAS

As meninas de hoje
Já nascem moças…
As bonecas de louças
Vivem assustadas
Quem as embalarás
Nos braços, no porvir.
Não temos direito
De ser crianças.
Nem de brincar
Nem de sorrir…

PRISÃO DOMICILIAR

Teu corpo nu
É a tornozeleira eletrônica
Que me mantem
Em prisão domiciliar.


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