O QUE OS COXINHAS FIZERAM COM O NOSSO PAÍS

Críticos à era de ouro, o governo Lula – os oito anos do seu mandato, de 2003 a 2010 – costumam dobrar-se ao fato de que foi essa, realmente, uma época de prosperidade, mas insistem em afirmar que o progresso obtido foi às custas de um aproveitamento irresponsável dos recursos do Estado, de modo que a conta viria para ser paga mais tarde.

Esse “mais tarde” só viria, então, muito tempo depois, praticamente no início do segundo governo da Dilma, uma vez que o primeiro período, de 2011 a meados de 2014, manteve os índices favoráveis do governo de Lula.

Ou seja, a conta de Lula só veio a ser cobrada doze anos após os gastos por ele realizados.

Eu apreciaria muito que os meus débitos pendentes também demorassem tanto a serem cobradas!

A verdade salta aos olhos: não é crível que a crise que se instalou em meados de 2014, indo para o fim do primeiro mandato de Dilma Roussef, tenha sido ocasionada por desvarios de doze anos de prosperidade!

Mas, dessa postura crítica um resultado se revela: mesmo os críticos aos governos do Partido dos Trabalhadores entendem que aquela foi uma época feliz, só que, como odeiam Lula, sabe-se lá por que, apegaram-se a um factóide: Como uma criança que toma uma casquinha de sorvete e a mãe atribui a sua tosse, na realidade vinda de um resfriado, ao fato de ter tomado o gelado.

Lula, porém, foi descartado, não poderá voltar e criar vinte milhões de empregos, recuperar a economia e revigorar a indústria, o comércio e os serviços. Estará impedido de criar um monte de escolas técnicas, uma porrada de universidades, ferrovias, portos e rodovias, refinarias e estaleiros. Não poderá construir casas e abrir canais, furar poços ou financiar pequenos agricultores. Nem nada.

Será tarde demais, quando nos apercebermos, para reavermos os lucros do petróleo e as conquistas perdidas do trabalhismo.

Felizmente, as cíclicas crises econômicas tendem a arrefecer com o tempo e se o governo não atrapalhar poderemos voltar a, pelo menos, uma fase de calmaria – mas com medidas recessivas, como as que o governo vem tomando, a recuperação que Lula faria virá incompleta e a passos de tartaruga.

Se Lula pudesse voltar – e não poderá – os críticos engoliriam por pelo menos mais oito anos sua fúria, para, após viverem novas épocas de ouro, voltar ao combate insano e atribuírem aos tempos de felicidade as agruras que porventura surjam no futuro.

Enfim, Temer vai-se indo, vem aí algum outro ou outra, vejamos no que vai dar.

Bom proveito, coxinhas.



LULA PRESO, LULA SOLTO, LULA PRESO, LULA SOLTO

Vivemos um momento de perplexidade: o Brasil foi eliminado da disputa da Copa do Mundo de Futebol.

E não foi eliminado por uma das potências tradicionais do futebol mundial, mas pela Bélgica, que sequer chegou a vice nas disputas anteriores.

Os resultados, desde 1930, foram os seguintes:

Como perplexidade pouca é bobagem, fora da paixão do futebol somos surpreendidos pela notícia de que o Desembargador Rogério Fraveto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, estando de plantão no fim de semana, concedeu medida liminar em habeas corpus para libertar o ex-presidente Lula.

Mas como perplexidade só é boa mesmo de montão, vimos o juiz Sérgio Moro, de primeira instância, declarar a incompetência do desembargador para dar a ordem de soltura e manter Lula preso.

Aí, para completar a enxurrada de perplexidades, o desembargador João Paulo Gebran Neto, presidente da 8ª Turma do mesmo TRF4, determinou que a Polícia Federal mantenha Lula preso.

Por que a perplexidade com a decisão de Gebran? É que, tanto quanto se noticiou (e só poderemos confirmar isso a partir de informações mais amplas sobre o inteiro teor das decisões), Gebran não cassou a liminar, formalmente: mandou que a liminar seja descumprida!

Pois bem, seja o que for, aconteça o que acontecer, haja o que hajar, o rolo está formado.

Para falar mal de Fraveto, os opositores de Lula buscam em sua vida pregressa informações que possam apontá-lo como tendencioso a favor do Partido dos Trabalhadores, o que não é usual, de modo que quando um juiz toma uma decisão contrária a criadores de gado ninguém vai ver se ele é ou já foi vegetariano.

Para defender Lula, seus seguidores realçam a tese de que os acontecimentos de hoje, histórico 8 de julho de 2018, dia da emancipação do Estado de Sergipe, servem para deixar clara, para quem ainda não percebeu, a perseguição que Lula vem sofrendo.

Inúmeros questionamentos serão colocados, sendo que sobram evidências de que os detentores de poder travam quedas e mais quedas de braço para ver quem é mais forte.

Como se sabe, nem só de força dependem as quedas de braço, já que há técnicas, truques, malicias e manhas que também podem decidir quem ganha e quem perde.

Pelo que nos tem sido apresentado, Lula mais uma vez será dobrado.



UTILIDADE PÚBLICA DO JBF – QUANTO COLOCAR NO CURRÍCULO COMO PRETENSÃO SALARIAL

Até ontem eu acreditava que só quem ganhava bem no Brasil era jogador de futebol, mas, aí, deparei-me com um artigo no UOL, de 2018, dizendo que um presidente do Itaú ganha três milhões e quatrocentos mil reais por mês.

Esse está nas cabeças, porque o próximo da lista, na ordem decrescente, que é o presidente do Santander, embolsa dois milhões e quinhentos mil mensais.

Mesmo diminuindo os valores, os rendimentos dessa gente não é pouca coisa não: o presidente da Vale ganha cerca de um milhão e seiscentos mil reais, o do Bradesco um milhão e trezentos mil.

Saindo da área do milhão mensais vêm os da TIM, com seiscentos e oitenta mil, o do Iguatemi, com seiscentos e setenta mil, o da Alpargatas, com seiscentos e dez mil e o da Vivo, com quinhentos e cinqüenta mil.

Fiquei, é claro, imaginando se trata-se de salário mesmo, ou se é algum tipo de participação societária, mas, seja como for, é rendimento pra ninguém botar defeito.

Então resolvi pesquisar como é a coisa a nível de direção, gerência, os demais graus da administração na iniciativa privada. Achei uma publicação da Exame, de 2016, com dados mostrando alguns diretores e outros administradores que, naquele ano, tinham as seguintes remunerações:

Diretor de “Distressed Credit”, na área de Bancos: R$ 35 a 45 mil reais.

Diretor Tributário, na área de Finanças: R$ 30 a 40 mil reais.

Diretor de Tesouraria, na área de Finanças: R$ 30 a 40 mil reais.

Especialista sênior em “Treasury Sales”, na área de Bancos: R$ 25 a 40 mil reais.

Diretor de Operações, na área de Engenharia: R$ 25 a 35 mil reais.

Por aí vai, passando por outros níveis, tendo sido relacionados 29 cargos dos mais elevados nos níveis hierárquicos, chegando à remuneração entre 13 e 18 mil reais para algum tipo de gerência.

Convém anotar que, em todos esses casos, há uma série de benefícios que acompanham a remuneração, como, por exemplo, auxílio alimentação, auxílio transporte, comissões em certos casos, plano de saúde.

Em seguida, o texto mostra inúmeros outros empregos de níveis menos elevados, em termos hierárquicos e salariais – para conhecê-los basta acessar os sites e verificar caso a caso.

Analisando esses dados, o candidato aos empregos pode, procedendo a um reajuste relativo ao período decorrido, de 2016 até hoje, ter uma idéia de quanto poderá propor para os seus ganhos, caso seja selecionado para ocupar a vaga.

Também poderá fazer planos para o ingresso nas mais altas situações do setor público, sabendo que se chegar à presidência da república ganharia, hoje, uns R$ 34 mil, que é o teto estabelecido para o serviço público limitado pela remuneração dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.

É claro que em alguns casos existem os chamados “penduricalhos”, como os auxílios-moradia. E também é certo que alguns itens podem assegurar outras vantagens sem estarem incluídas na remuneração, como liberação de telefones, carros oficiais e certas verbas que diminuem o impacto do custo de vida sobre os profissionais favorecidos.

Visto isso, vamos dar uma olhada na remuneração dos norte-americanos, segundo o Portal Payscale:

Assistente Administrativo: U$$ 3.200 em média, por mês, aproximadamente. Anualmente, essa média representa um total de US$ 38.625.

Engenheiro de Software: Ao ano, o rendimento médio está em US$ 81.884.

Mecânico Automotivo: Valor médio anual de US$ 45.133.

Assistente de Enfermagem: Média anual US$ 24.518.

Professor: para o ensino básico, anualmente a média fica em torno de US$ 43.938.

Diretor Executivo: para esse cargo, leva-se muito em consideração a experiência do profissional para estipular o salário. Em um ano, o salário médio seria de US$ 75.287.

Engenheiro Civil: Entre US$ 63.851 e US$ 99.046 anuais.

Designer Gráfico: Média anual de US$ 42.078.

Fisioterapeuta: US$ 69.220 anuais, aproximadamente.

Recepcionista: Ao ano, o cargo rende a média de US$ 30.731.

Garçom: Com as gorjetas, a média anual é de US$ 23.148, podendo chegar a US$ 39.397.

Com esses dados, e sabendo que o dólar está hoje a R$ 3,90, você já sabe que pode escolher entre ficar aqui ou sair fora.



SETENTA E SEIS BILHÕES DE REAIS

Notícias nos informam que para dar prosseguimento às obras iniciadas e paralisadas, o governo precisaria gastar setenta e seis bilhões de reais.

É claro, o governo atual não vai torrar essa grana. A política atual é de contenção de despesas e venda de ativos, tudo voltado ao equilíbrio financeiro.

Com dinheiro em caixa, o mundo olha para nós com bons olhos – e isso não é ruim. Multinacionais se arriscam a pôr dinheiro aqui, isso pode render bons frutos, embora possa também gerar um círculo especulativo – e esse aspecto não é dos melhores.

Pesquisa do Datafolha deste junho de 2018, que já comentei, revelou que um terço dos pesquisados acredita que Lula seria o presidente da república capaz de recuperar a economia brasileira.

Eu acredito nisso. E sabe por quê?

Porque penso que Lula mandaria o pau, no popular. Quero dizer: creio que Lula não hesitaria em colocar setenta e seis bilhões de reais na economia, para obter alguns objetivos.

O primeiro deles seria concluir obras que, certamente, são importantes para a vida do povo, para o conforto, para as facilidades, para o progresso. Enfim, obras paradas, se deteriorando, que acabadas resultariam em realizações úteis para todos nós.

O segundo seria reaquecer a economia. Que se dane o equilíbrio das finanças! Dinheiro é para investir; e investir no que seja preciso.

Esse reaquecimento tem vários vórtices: enriquece o empresariado de toda uma cadeia, na fase da construção, e continua gerando dinheiro com as obras prontas e transformadas em usinas, represas, escolas, hospitais, postos de saúde e tudo mais.

Outra conseqüência é a absorção da mão de obra, a criação de empregos, desde o servente de obras ao engenheiro, além das partes burocráticas consumindo outros tipos de materiais, da caneta e do cafezinho aos computadores.

Além desses reflexos diretos, diversos setores desse conjunto vão influir indiretamente em outros, como nos transportes, nas linhas de crédito, no consumo, na poupança, enfim, na economia como um todo.

Porém, Lula está preso e sem dúvida inelegível.

Desse modo, setenta e seis bilhões de reais não serão aplicados, ficarão guardadinhos no cofre, ou, caso ainda não estejam em caixa, deixarão de ser alocados; e valas negras continuarão a provocar doenças, represas não sairão do papel, usinas jamais produzirão energia, estradas continuarão esburacadas, salas de aula ficarão nos sonhos, construtoras falirão e mais alguns milhões de desempregados engrossarão estatísticas, aumentando a fome, a violência…

E Lula condenado…

E Lula… preso!



DE MÃOS LIMPAS ATADAS

Lula Iria Acelerar a Economia

Lula continua sendo um problema político insuperável: recentíssima pesquisa Datafolha acaba de revelar que trinta e dois por cento dos entrevistados estão certos de que o pré-candidato à presidência da república mais indicado para acelerar a economia do País é ele, O Cara, The Guy, O Bicho Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas…

Há um problema, que também parece insuperável: os interessados em afastá-lo da disputa presidencial conseguiram atingir o seu intento, de modo que Lula não só está preso como considera-se que ele não poderá concorrer por estar impedido pela Lei da Ficha Limpa.

O Justiçamento

A condenação de Lula, advinda de um processo persecutório nascido no momento propício oferecido pelas condições políticas, momento que tornou possível contaminar determinados setores da sociedade, por meio do concurso da mídia interessada e reforçado pelas redes sociais, não teria ocorrido se inexistisse no núcleo judiciário dessa condenação, condensado na figura do juiz Sérgio Moro, como o carrasco da chamada Operação Lava-Jato, o comprometimento com o fazer justiça a qualquer preço, para garantir força e amplitude no combate à corrupção (Ver “SENTENÇA DE MORO PARTE DE ILAÇÃO ABSTRATA”, de Ruy Samuel Espíndola, advogado, professor de Direito Constitucional, membro vitalício da Academia Catarinense de Letras Jurídicas e da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais do Conselho Federal da OAB).

Tanto assim é que nos momentos condenatórios mais frágeis da 13ª Vara da Justiça Federal, de Curitiba, Paraná, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região teve de se curvar à insuficiência de provas (tidas como robustas na 1ª instância) para anular sentenças, muito embora essa turma esteja, também, algo contaminada pelo espírito de justiçamento vigente.

Gleisi Como Denúncia

Agora, a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, de absolver a senadora Gleisi Hoffmann e seu marido, o ex-Ministro das Comunicações de Dilma e do Planejamento de Lula, Paulo Bernardo, das acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, por falta de provas de que tenham recebido propinas relacionadas à Petrobras (ou, mesmo, que tenham praticado o chamado caixa-dois, eufemisticamente chamado de falsidade ideológica na prestação de contas nas despesas da campanhas eleitoral dela em 2010, o que prejudica a tese de lavagem de dinheiro, se não devesse, mesmo, tornar sem objeto a denúncia por crime de corrupção passiva), essa decisão da Segunda Turma, dizíamos, põe a nu as tendências denuncistas e justiceiras que serviram para acusar e condenar o ex-presidente Lula.

Se

Se Lula tivesse sido julgado pelo STF, em lugar de Moro, provavelmente a ausência de provas teria sido considerada como prevalente às delações comprometidas com a necessidade de premiações; e a decisão apoiar-se-ia em provas concretas e não nas chamadas circunstanciais, isto é, em suspeitas, ilações, deduções, ou na lógica de que “dado isso, deve ser aquilo”. A absolvição de Gleisi e de seu marido nos despertam a atenção para isso.

Ensinamento da História

Sabemos que tal tipo de clima dominou também a Itália, por ocasião de sua Operação Mãos Limpas, assim como temos notícias de excessos desse clima decorrentes, sendo fato que muitos consideram que aquele processo, desencadeado em 1992 por Procuradores da Itália (e sendo o modelo que fascina colegas pelo mundo afora, inclusive no Brasil, prendeu 2.993 pessoas, investigou mais de 6.000, durou 4 anos, tinha como eixo a delação, de modo que um delatava 5, 5 delatavam 10 e o processo gerava uma multiplicação geométrica de réus, delatados pelos réus anteriores), a par de muitos resultados benéficos obtidos também deu causa a um desastre político e econômico que ainda se reflete naquele país (segundo análise de Motta Araújo).

Oportunidade Perdida

Desse modo, aquele que estaria apto, por sua vontade política e pela capacidade de concretizar suas idéias e projetos, nada poderá fazer, vencido que foi por uma guerra suja – vestida de uniformes limpinhos, o que nos traz à mente aquela idéia de “Law Fare”.

Efeito Colateral

Há campanhas, divulgadas notadamente nas redes sociais, incluído o Whatsapp, que pretendem coisas como a maciça anulação dos votos ou a votação exclusivamente em candidatos novos, rejeitando-se todo e qualquer candidato que tenha estado ou esteja no exercício de mandatos executivos e parlamentares.
Pois, alertam estudiosos da Mãos Limpas, que um dos efeitos dela foi que o vazio de poder causado pela liquidação dos partidos políticos tradicionais abriu espaço para aventureiros fora do sistema político, muito piores que os políticos tradicionais.

Será que a substituição, como regra, dos políticos tradicionais por novatos nos garantirá uma vantagem em relação ao passado?



A CIRANDA INVADINDO A FRANÇA

Há na França muitos músicos brasileiros divulgando a nossa música popular, sendo que o Samba é o ritmo mais freqüentemente apresentado ao público francês.

Um desses artistas é o Célio Mattos, guitarrista, cantor e compositor, chefe da Jiripoca Band, radicado há tempos em Lyon.

Somos parceiros de inúmeras composições, para mais de cem, e não se passa um ano sem que façamos mais algumas.

A novidade é que meu parceiro acaba de criar mais um grupo, chamado Ritmo Brasil, para realizar um projeto que tem por objetivo mostrar a nossa riqueza musical, evidenciando que a música brasileira não se resume a Samba e Bossa-Nova, pois dispomos de uma grande diversidade de ritmos, influências e estilos.

Acontece que faço parte desse Projeto Ritmo Brasil, do qual tenho o prazer de apresentar uma das minhas participações, a Ciranda Nova, aos queridos leitores do Jornal da Besta Fubana, em primeira mão:

Coincidindo com o fato de ser esta publicação marcantemente nordestina, trata-se de uma Ciranda, modalidade característica do Nordeste, ora apresentada na linda voz da Patrícia Tinôco (RJ), com Célio Mattos na guitarra (SP), Damilton Viana na bateria (PB), Marcos Dias na percussão (BA) e os franceses Thomas Picot no baixo e Inaê da Costa no saxofone.

Espero que agrade e que tenham em vista o nosso interesse na divulgação da arte e cultura brasileiras no exterior.



OS JUSTICEIROS E OS LEGALISTAS

Ao reunirmos um colegiado no Poder Judiciário, como os onze Ministros do Supremo Tribunal Federal, é possível que tenhamos uma amostragem do pensamento jurídico nacional e de suas tendências contida nesse grupo.

Poderíamos, eventualmente, identificar em cada um desses juízes um determinado pensamento jurídico a respeito, por exemplo, do aborto; uma tendência individual quanto à liberação do uso de drogas, os conceitos e preconceitos quanto à união entre pessoas do mesmo sexo, e assim por diante quanto aos diversos temas, notadamente os mais polêmicos, que envolvem a sociedade.

Parece ser possível, da análise dos votos e respectivas decisões, termos uma visão do grupo, como um todo, representando o pensamento predominante da sociedade, quando o tribunal se une para julgar unanimemente determinada questão, a indicar um entendimento coeso a respeito de um caso; ou, verificar a própria divisão do pensamento popular quando as divergências entre os juízes são profundas sobre certo tema.

Assim podemos, também, dividir o povo por determinadas tendências ou preferências: os que gostam e os que não apreciam futebol, os que acham que uma erva recreativa podia muito bem ser liberada e os que são contra até cheirar tampa; os democratas e os que desejam que os militares tomem conta da gente; os defensores dos direitos humanos e os que preferem que bandido bom seja bandido morto.

Neste momento solene, em que o STF votou a questão de ser, ou não, constitucional a chamada condução coercitiva de pessoas para serem ouvidas em processos judiciais, talvez possamos identificar duas correntes entre os onze magistrados: uma legalista e uma justiceira.

Tratava-se de decidir se pode haver condução coercitiva de acusado ou de testemunha para comparecer perante a autoridade. Em outras palavras, o STF devia dizer se o juiz pode mandar que a pessoa seja levada à força para depor.

O Código de Processo Penal estabelece, quanto à oitiva do acusado, que se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença.
Pois bem, correm hoje no Brasil duas correntes populares:

Justiceiros: Uma parte da sociedade entende que para vencer a corrupção os poderes policiais, investigativos e judiciários não precisam se prender ao rigor da norma, é preciso atentar para o interesse social acima de tudo e se a lei, a seu juízo, não o contempla é preciso que a lei seja interpretada além de sua letra fria para que o criminoso possa ser punido. Seria algo como um tipo de “law fare”, ou uma guerra jurídica, mediante o uso indevido da lei para alcançar um objetivo, no caso a eficiência no combate ao crime. Em termos menos sofisticados, corresponde à aplicação do jargão de que os fins justificam os meios.

Legalistas: Outra parte da sociedade entende que nada pode ser feito sem o estrito amparo legal, ainda que para justificar o combate ao crime. Isso quer dizer que um testemunho obtido sob qualquer tipo de coação, como a condução coercitiva, deve ser nulo, por desrespeitar princípios constitucionais e normas legais. Os legalistas consideram um absurdo, por exemplo, as tentativas de restringir o “habeas corpus”, de diminuir as possibilidades de recursos judiciais, de considerar válidas provas obtidas de forma ilegal e assim por diante, ao passo que os justiceiros defendem o contrário, desde que seja para ter sucesso na luta do bem contra o mal.

O que divisamos, no STF que julgou o tema da condução coercitiva, foi o tribunal dividido, também, entre legalistas e justiceiros – o que, aliás, já se vislumbrara em outros julgamentos.

O grupo dos legalistas fundamenta coerente e objetivamente seu posicionamento no respeito aos princípios constitucionais e às leis que com a Constituição mantêm coerência. E afirmam que não são legisladores, de modo que só podem interpretar a Constituição no limite em que não a contrariem, sendo-lhes vedado ir além dela ou contra ela, o que equivaleria a criar a lei. Marco Aurélio sustentou que “um juiz não pode julgar a partir de uma ideologia”, que todos querem um Brasil melhor, mais justo, sem corrupção, “mas não podemos partir para o justiçamento, de não ter-se mais segurança jurídica, colocando a sociedade em sobressaltos”.

Os justiceiros afirmam que a Constituição tem de ser aplicada de tal forma que atenda aos anseios sociais, independente do que esteja escrito nela. Assim, tu, ou eu,podemos ser interpelados no meio da rua e levados. Esse negócio de direito de ir e vir, liberdade, não ser coagido nem depor contra si próprio só vale para gente boa.

Nessa oportunidade confirmou-se e ficou bastante claro que são legalistas os Ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e a algo difusa Rosa Weber.

E também esclareceu-se e confirmou-se que os justiceiros, capitaneados pelo discurso freqüente de Luís Roberto Barroso de que a Constituição deve ser interpretada de forma a atender aos anseios populares, tendo como prócer Edson Fachin, são esses dois mais Luiz Fux (o José Bonitinho – desculpem, não resisti), Cármen Lúcia que sempre os acompanha e o algo ainda difuso Alexandre de Moraes.
Assim, estamos todos representados. Basta saber quem te representa e o que tu és.

Em tempo convém lembrar que o significado de “justiceiro” neste texto é tomado pejorativamente, por extensão de fazer justiça com as próprias mãos.



LULA: PRISIONEIRO POLÍTICO

Um apanhado de textos sobre o processo de condenação de Lula, no caso do apartamento triplex do Guarujá, resultou nos seguintes itens.

1) Os abusos do poder judiciário contra Lula da Silva configuram uma perseguição política mal disfarçada sob manto legal.

2) Os defensores da democracia e da justiça social do mundo inteiro devem se unir a um movimento global para exigir a libertação de Lula.

3) As circunstâncias nas quais o ex-presidente Lula foi julgado e preso causam profundas preocupações.

4) Sobram evidências de que Lula foi vítima de uma guerra jurídica, mediante Lawfare, ou seja, abuso de poder judicial para fins políticos.

5) Tanto os brasileiros quanto a comunidade internacional devem considerá-lo e tratá-lo como um preso político.

6) O julgamento de Lula, conduzido como parte da Operação Lava Jato, que é uma investigação sobre pagamentos de propina a executivos da Petrobras e políticos, alguns dos quais ocorreram enquanto Lula era presidente, funda-se na noção juridicamente inválida de que “Lula deveria saber” ou de que “Lula deve ter ganho algo”, mas não há evidências de sua participação no pagamento e recebimento de propinas.

7) Como, de acordo com a lei, a corrupção é uma relação de troca, para condenar Lula por corrupção o Ministério Público teria de provar que ele participou das fraudes a licitações ou recebeu bens e valores em contraprestação por tais atos ilícitos, o que não ocorreu.

8) Lula teria recebido um apartamento da OAS, o triplex. Na verdade, ele era o dono de uma cota no prédio, com a indicação de outro apartamento, e consta que o triplex teria sido visitado com a possibilidade da troca de um pelo outro, o que bastou para que se tenha decidido que Lula fez a troca e passou a ser dono do triplex, isso que nunca foi provado senão por ilações, do tipo, se ele visitou o apartamento e se a OAS realizou reformas cuja utilidade teria sido aventada pelo casal, isso foi tomado como prova de que o apartamento passou a ser de Lula.

9) Sendo o apartamento de Lula, como se intuiu e suspeitou, e tendo sido realizadas reformas nele, decidiu-se que as reformas só podiam ser propinas.

10) Sendo propinas, deveria haver uma contraprestação; ou seja: Lula tem de ter realizado ato de contrapartida em favor da empresa que fez as reformas.

11) Como a empresa que fez a reforma afirma que manteria uma conta-corrente em um determinado setor dela, e essa conta era vinculada a corrupção na Petrobras, decidiu-se que a matéria estava ligada á Operação Lava-Jato, decorrendo que o juízo prevento seria a vara da Justiça Federal a cargo do Juiz Sérgio Moro.

12) Embora inexistam sequer indícios de que Lula tenha praticado atos concretos de corrupção, foi possível determinar que sendo ele responsável – o que sequer foi provado – pela colocação dos agentes corruptos dentro dos postos-chave da Petrobras, teve-se que, por A mais B, Lula recebeu o apartamento e as reformas como propina por atos de corrupção, atos assim considerados por ilação, já que prova concreta alguma disso se obteve.

13) Os indícios em sentido contrário não foram tidos como valiosos: Lula teria, por sua posição destacada, a figura máxima da república, de ser o personagem principal na trama, não importando se inexistiam fatos anteriores desabonadores de sua conduta, sendo de nenhuma monta o fato de que sua arrecadação, face ao obtido pelos demais agentes, subalternos, teria sido irrisória, pois, dentre propinas de centenas de milhões de reais auferidas pelos demais indicados e condenados, decorrentes de contratações de obras e serviços bilionários, Lula recebeu, na forma do apartamento e dos serviços de reforma, dois milhões duzentos e cinqüenta e dois mil e quatrocentos e setenta e dois reais… enquanto os demais envolvidos levaram centenas de milhões de reais, bastando dizer que de uma tacada só Paulo Roberto Costa devolveu oitenta milhões de reais aos cofres públicos. Consta que a Lava-Jato devolveu aos cofres da Petrobras um bilhão e quatrocentos e setenta milhões de reais até dezembro de 2017. A parte de Lula na corrupção do triplex, contra centenas de milhões de reais pagos aos verdadeiros corruptos, foi o que se chama no Brasil, grosseiramente, de “uma merreca”, que ganhou o novo apelido de “pixuleco”.

14) A falta de provas incriminatórias foi desconsiderada por Sergio Moro; o juiz baseou sua decisão em “colaboração informal” (nem mesmo uma delação premiada) de Leo Pinheiro, proprietário da OAS. Pinheiro já havia sido condenado a 26 anos de prisão quando decidiu “colaborar” e envolver Lula. Ele afirmou que o apartamento era “destinado” a Lula, uma acusação que contradiz outros 73 depoimentos, mas que foi considerada suficiente para o juiz Moro condenar Lula da Silva. A sentença de Pinheiro, por sua vez, foi reduzida para três anos e ele foi posto em regime semiaberto. Valeu a pena para ele contar sua versão da história.

15) Além de não provar que Lula era proprietário do apartamento, o Ministério Público não pôde apontar nenhuma ação ou omissão específica que Lula tenha executado para beneficiar a OAS. Lula havia sido acusado de beneficiar essa empresa com três contratos de fornecimento para a Petrobrás. Após meses de
investigações, nenhuma prova material nesse sentido foi encontrada. Moro então condenou Lula por ter praticado “atos indeterminados de corrupção” que teriam beneficiado a OAS. Essa categorização inverte o ônus da prova e a presunção de inocência e simplesmente não existe no ordenamento jurídico.

16) Uma das críticas ao processo contra Lula afirma que, inadvertidamente, o próprio juiz Moro admitiu que não tinha jurisdição sobre o caso. Ao julgar um recurso apresentada pela defesa, ele declarou que “jamais afirmou… que os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobrás foram utilizados para pagamento da vantagem indevida para o ex-Presidente”. Se o caso não tem relação com a corrupção da Petrobrás, ele não deveria ter sido julgado por Moro.

17) Existe, ainda, a crítica no sentido de que no processo de Lula,o magistrado escolheu o réu e, atuando como investigador, promotor e juiz, condenou-o por ter cometido “atos de ofício indeterminados de corrupção”. Tal sentença, pelo seu próprio texto, não encontra sustentação legal e constitucional, uma vez
que se refere a “atos indeterminados”; e que uma sentença que se refere a crimes “indeterminados” não resiste a qualquer escrutínio jurídico lógico e razoável, “sendo completamente Kafkiana”, complementando que a referência a “atos de ofício” é irreal, pois as acusações infundadas que motivaram a sentença de Moro “se referem a uma narrativa que começa em 2013, bem depois de Lula ter deixado o cargo”.

18) As críticas não param por aí: diz-se que a guerra jurídica contra Lula incluiu táticas para manter seu caso sob a jurisdição de Moro a qualquer custo. Em março de 2016, Moro vazou ilegalmente escutas telefônicas envolvendo a presidente em exercício, Dilma Rousseff, que tratavam da nomeação de Lula como Ministro Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Moro alegou, novamente sem provas, que essa nomeação era um meio de “obstrução da justiça”, já que, uma vez nomeado para o governo, Lula seria julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e não pelo próprio Moro. Embora a imparcialidade de Moro tenha sido questionada, o Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF-4), a instância a rever imediatamente o caso de Lula na estrutura judiciária brasileiro, considerou que a Operação Lava Jato era “excepcional” e que as regras “ordinárias” não se lhe aplicavam. Sequer se considerou, então, que a transposição de uma jurisdição ou competência da instância mais baixa, a primeira, para a mais alta Corte do País, de modo algum pode ser considerada “obstrução da justiça”. Equivaleria a declarar que o Supremo Tribunal Federal é incapaz e que as causas sob sua responsabilidade não obterão decisão justa e conforme ao Direito!

19) Consta que o afã de condenar Lula restou evidente: A natureza Kafkiana do julgamento de Lula foi reforçada quando, em agosto de 2017, o Presidente do TRF-4 declarou que a sentença de Moro contra Lula era “tecnicamente irrepreensível”, embora admitisse que nem havia lido o caso. Enquanto isso, sua chefe de gabinete postava em sua página no Facebook uma petição solicitando a prisão de Lula da Silva.

20) Em seguida, o TRF-4 acelerou a apreciação do caso. O julgamento da apelação contra a sentença de Moro que condenou Lula foi colocado à frente de 257 outros casos pendentes. O relator levou apenas seis dias para concluir sua análise do caso, em um processo que tinha literalmente milhares de páginas e horas
de depoimentos. A turma do Tribunal levou 196 dias para julgar a apelação quando, em média, necessita de 473 dias para julgar casos semelhantes. O TRF-4 também ordenou a prisão de Lula tão logo do julgamento da apelação, o que aconteceu com apenas 3 dos outros 20 acusados na Lava Jato, cujos mandados de prisão foram emitidos apenas meses depois.

21) Muitas das observações aqui registradas seriam desnecessárias se o julgamento de Lula fosse um julgamento comum e não de um político que no momento histórico brasileiro precisa ser afastado da disputa presidencial, para que o poder seja transferido do âmbito de um partido político popular e voltado para as causas sociais, para outra esfera de filosofias e atitudes, a chamada ideologia, o que não se descortinava possível por meio democrático, vale dizer, pelo voto. Essa tendência persecutória, acirrada por determinados e poderosos meios de comunicação, que envolveu as massas e repercutiu nas redes sociais em seus setores mais conservadores, chegou a ser reforçada por determinada patente militar, que teria afirmado que se a Justiça não realizasse o seu papel, vale dizer, manter Lula preso, as Forças Armadas teriam de intervir – não que esse seja um pronunciamento, nem oficial, nem oficioso, das Forças Armadas, mas ainda assim, dadas suas origens capaz de exercer uma pressão intimidatória, quase uma chantagem.

22) Não é de surpreender, diz um documento que garante que Lula é um prisioneiro político, que pesquisa recente revelou quel 55% dos entrevistados acreditam que “Lula está sendo perseguido pelo Judiciário” e 73% concordam com a afirmação de que “os poderosos o querem fora das eleições” nas quais ele ainda é, de longe, o candidato favorito, contando atualmente – junho de 2018, com mais de 31% das intenções de voto, a despeito de estar preso.

23) Conclui-se reforçando a tese difundida de que a perseguição política a Lula, deflagrada pelos políticos e partidos interessados, teve como corolário o envolvimento dos poderes públicos, da Polícia Federal, passando pelo Ministério Público, aos abusos do poder judiciário contra ele: Configurou-se uma perseguição política mal disfarçada sob manto legal.

24) A História demonstrará a violência cometida e espera-se que antes desse julgamento posterior alguma providência, como uma revisão criminal, restabeleça a ordem democrática.

25) Lula é um preso político.

26) Verificar-se-á que o processo indicou que quando a OAS assumiu as obras do edifício seu dirigente sabia que havia uma cota de apartamento comprada pelo presidente Lula; que o fato de Lula ter um apartamento no prédio era fator favorável à valorização e venda das unidades; que a OAS reservou o apartamento triplex para Lula por sua posição de destaque perante a opinião pública; que, com o fito de agradar a Lula, a OAS esmerou-se em preparar o imóvel para ele, segundo as observações que o pretenso comprador havia feito quanto às necessidades do imóvel; que Lula desistiu da compra, seja por ter realmente perdido o interesse, seja porque a repercussão e a ação judicial a isso levou, como medida preventiva; que a justiça ignorou essas circunstâncias, claras, não só pelos elementos do processo, como pela evidência geral de que Lula não participou de atos de corrupção na Petrobras; que os poderes investigatórios, acusatórios e julgadores, envolvidos pelo clima de justiçamento, e providos de elementos capazes de sustentar com certa lógica a inculpação de Lula, procederam ao uso desses elementos puramente indiciários para realizar o procedimento que se pode categorizar como “lawfare” – o uso inapropriado da lei para obter uma condenação – em um clima de justiçamento que elege o princípio de que os fins justificam os meios para alcançar um ideal (no caso, o combate à corrupção instaurada entre empresariado, funcionalismo e políticos de forma generalizada); que tal clima invadiu corações e mentes, apropriando-se do sistema para, afinal, servir aos fins políticos de afastar Lula da disputa presidencial; que processo semelhante, quanto ao fundo, foi usado para afastar Dilma Roussef da presidência, mediante “impeatchment”, fato que dá maior vigor á tese de que Lula foi condenado, em análise de profundidade, por um processo de perseguição política insuspeitada pelos próprios executores de sua condenação.



A MODA AGORA

Para culpar o desgoverno golpista, inaugurado com o “impeachment” de Dilma Roussef, os anta gonistas ao Partido dos Trabalhadores apontam o dedo para os petistas, acusando que “foram vocês que elegeram o Temer”, responsabilizando o PT pelos descaminhos e alegando que petistas não podem reclamar nem manifestar-se contra o governo, por serem os responsáveis por Temer estar na presidência.

É claro que todos sabem que a inclusão de Temer como candidato à vice-presidência na chapa de Dilma nada mais foi do que a composição que os partidos precisam fazer com seus aliados, independente da coincidência de programas de governo, filosofias, ideologias e estatutos.

Vejamos alguns exemplos:

1) João Goulart, o Jango, do PTB, foi “escolhido” para compor com os presidentes Juscelino, do PSD, e Jânio, do PTN.

2) Itamar, do PRN e PMDB, compôs com Collor, do PTC.

3) Marco Maciel, do PFL, compôs com o FHC, do PSDB.

4) José de Alencar, do PL e PRB, compôs com Lula, do PT.

5) Temer, do PMDB (hoje MDB), não por acaso o maior partido no Congresso, compôs com Dilma, do PT.

E, ainda, dizer que Temer foi uma “escolha” do PT é algo como uma falácia ou, na melhor das hipóteses, uma ingenuidade: Temer foi aceito e não escolhido, assim como os demais componentes de chapas acima citados. “Ter sido escolhido” faz parte das aparências convenientes do jogo político, nada mais que isso.

Agora – e aí sim – colocar Temer na presidência, embora seja uma conseqüência natural da vacância da presidência, foi escolha de quem acusa os petistas de o terem colocado na vice-presidência, pois foi graças ao apoio maciço dos chamados “coxinhas”, que serviram de massa de manobra, como inocentes úteis, para as forças antidemocráticas que queriam se apossar do governo por meios escusos (forças essas compostas pelos partidos políticos que desejavam o poder e se viam impossibilitados de fazê-lo pelo voto popular, uma vez que o PT ameaçava continuar vencendo as eleições futuras, como fizera nas quatro oportunidades anteriores), foi graças a esse apoio que Dilma foi tirada à força da presidência, dando lugar à assunção de Temer, onde ele permanece apesar de sua rejeição popular ameaçar atingir os cem por cento!

Para tirar Dilma do poder, por um processo que ainda há quem diga regular (teriam sido cumpridos os trâmites legais e respeitada a Constituição… parece piada!), os congressistas não se envergonharam de fazê-lo mesmo convencidos de que não se provara o cometimento de crime de responsabilidade.

A situação está posta, quem deu e quem apoiou o golpe deve assumir essa responsabilidade e arcar com as conseqüências: Dilma está fora, Lula inelegível, o caos implantado e nos aproximamos das eleições na iminência de eleger aquele que represente os anseios populares mais retrógrados que se possa imaginar, iludidos com as idéias infantis e ilusórias do tipo de que nos basta ter uma arma na cintura para acabar com a violência.

Vamos lá: em breve estarão, novamente, batendo panelas.



O DESEJO DE MARINA

Conto Erótico, Quase Pornográfico

Marina lia o seu livro, como fazia diariamente, de segunda a sexta-feira, durante a meia hora que durava sua viagem no metrô de casa ao trabalho.

Colocava em dia, com essa leitura, as necessidades de alimentar-se e atualizar-se para as aulas de Literatura que dava na faculdade desde que, há oito ou nove anos, conseguira passar na seleção em primeiro lugar e obter o cargo.

Sempre estudiosa, quase não tinha tempo para as coisas mundanas e o que restava, entre as atividades de classe, as preparações da próxima aula, e as correções de testes e provas, era dedicado ao lar. Todos sabem que mulheres que trabalham fora têm o expediente dobrado.

Casada há onze anos, pouco passava dos trinta e tinha uma vida pacata e feliz, sem maiores preocupações do que conseguir transmitir aos alunos conhecimentos sólidos e duráveis, que pudessem ser úteis na vida profissional de cada um, e dedicar-se ao marido.

Distraída, como sempre estava com a leitura, não pôde compreender por que chamou-lhe a atenção o jovem que acabava de entrar no vagão em uma das paradas do trem.

Não conseguiu desviar os olhos do rapaz que, ao sentar-se, percebeu-se olhado e timidamente desviou o olhar dos olhos e das pernas de Marina.

Outro dia se passou. Novamente Marina lia, quando o jovem entrou e sentou-se no único lugar, bem a sua frente. Nesses dois dias os vagões iam relativamente vazios, pois então o horário de Marina só começava no terceiro período da manhã. E lá foram os dois, frente a frente, até à descida do jovem, uma estação antes de Marina.

Havia algo de constrangedor nessa situação. Ambos queriam olhar-se, mas evitavam o encontro dos olhares, embaraçados com a estranha atração que os dominava.

Quarta-feira, primeiro horário, Marina já pegou o trem cheio, o livro na mão sem poder abri-lo direito.

Desta vez, ninguém lhe ofereceu o lugar. Abriu o livro em pé mesmo, uma mão segurando a argola de apoio, a outra tentando manter o livro aberto, que dificuldade. O vagão enchendo, o livro espremido, teve de fechá-lo. Foi sendo apertada, empurrada e, quando viu, estava colada nas costas daquele jovem! Sentiu o calor do seu corpo, suas nádegas entrando pelo espaço entre suas coxas, sensação igual a quando dançava colada roçando o púbis no membro duro do seu par. O jovem percebeu-se espremido, a bunda apertada em algo macio, olhou para trás e seus olhares se encontraram, os rostos quase se encostando, e em vez da vergonha deram lugar ao prazer dos corpos juntos, extasiados. Marina deixou-se levar. Não estava tão apertado assim, mas ela encostou-se o mais que pôde e começou a sentir-se molhar. Fechou os olhos e o balanço do trem levou-a a esfregar-se eroticamente na bunda do seu inesperado parceiro. Começou a gozar, sentia-se quase desfalecer, teve medo de cair, a cabeça nas nuvens. Veio-lhe um orgasmo delicioso, demorado, molhando-lhe abundantemente a calcinha. O vagão começou a esvaziar, a estação do rapaz chegou, as portas se abriram, ele encaminhou-se para a saída lançando um olhar de surpresa, incredulidade, ou paixão, para Marina, que o viu sair com a pasta escondendo a calça molhada de esperma. O rapaz também gozara.

Voltando à casa, Marina encontrou o marido a sua espera, com a refeição à mesa. Quis sentir alguma culpa, mas não conseguiu. Nunca havia lhe acontecido algo assim antes. Jamais tivera interesse ou desejo por outros homens. Agora, impulsivamente se entregara a um prazer inusitado, diferente, em uma aventura no metrô. Enquanto comiam, sentiu um súbito desejo, exacerbado, pelo marido. Há muito não lhe vinha tanto tesão, tanta urgência de fazer amor.

Quando terminou com a cozinha, subiu para o quarto. O marido a esperava, deitado, de pijama, de pau duro à mostra sob o fino pano da calça. Veio-lhe um súbito desejo de chupar-lhe o pau. Nunca havia feito isso, mas puxou-lhe o pijama pelas pernas e chupou-lhe o pênis carinhosamente, lentamente, sentindo-o pulsar em sua boca, até que o orgasmo jorrou abundantemente em sua boca. Pensava que teria nojo, mas não teve. Foi ao banheiro, demorou-se no banho e quando voltou o marido já estava pronto novamente e ela fervia de desejo. Treparam apaixonadamente, na posição papai e mamãe, e gozaram juntos com tal intensidade que ambos se surpreenderam. Quando terminaram, beijaram-se e o marido lhe disse: – Obrigado, querida! E dormiram um sono profundo.

No dia seguinte, no outro e no outro, Marina não viu o rapaz. Ela entrava ansiosa, se conseguia lugar sentava-se, abria o livro mas não conseguia ler. Viajava com o livro aberto, depositado no colo, o olhar distraído entre pernas e bundas dos passageiros em pé.

Segunda-feira, o vagão vazio, o rapaz entrou, não havia lugar vago, ele ficou em pé, perto da porta. Marina teve um ímpeto, quando a porta se abriu ela levantou-se, pegou-o pela mão e o conduziu pelo corredor. Sem se falarem, subiram a escada rolante, saíram na avenida e ela o levou ao hotel do outro lado da rua. Pediu um quarto, subiram, ela tirou-lhe a roupa e chupou-lhe o pau com sofreguidão. Passaram todo o dia trepando e gemendo. Ela notou que o jovem era inexperiente, conduziu-lhe a cabeça para entre suas pernas e ensinou-o a chupá-la. O rapaz, tonto com o cheiro delicioso e pouco familiar da vagina, beijava, lambia e chupava com gosto o clitóris, os lábios, a buceta inteira. Ela o trazia para cima e o punha para mamar-lhe os belos seios e depois se beijavam como se quisessem engolir-se um ao outro. Marina não sentiu necessidade de mais alternativas que não fossem chupar e ser chupada e depois gozarem quantas vezes fosse possível, trepando com gosto e paixão na posição tradicional, ele por cima, entre suas pernas.

Assim foi por horas e horas. Ao fim da tarde, quando o rapaz adormeceu, Marina vestiu-se e foi embora. Passou na portaria, pagou e pediu que não o incomodassem. Foi para a faculdade apenas para justificar sua falta e voltou para casa. Exausta, preparou a refeição, o marido chegaria hoje um pouco mais tarde, e dormiu no sofá, vendo televisão.

O marido chegou, comeram e fizeram amor no sofá. Algo se havia reacendido na paixão entre os dois, o antigo tesão voltou e voltaram a amar-se quase todos os dias.

Marina não viu mais o jovem, mas não teve mais ansiedade nem vontade de encontrá-lo. Quando fizeram amor não se disseram uma palavra, não se sabiam os nomes, nem endereços, nem telefones, nem idades, nada. Eram dois completos desconhecidos mergulhados em uma única e estonteante aventura sexual.

Ele, no dia seguinte, foi para Madri, com uma bolsa de estudos, onde se apaixonou por uma colega do curso, com a qual veio a se casar, fazendo-a muito feliz com o que aprendera com a mulher do metrô e com o que, a partir, dali, sua sensibilidade e intuição o levaram a descobrir: novas formas de prazer.

Sua mulher surpreende-se todos os dias com um marido que não se apressa, mas se demora em lhe dar satisfação, com massagens por todo o corpo, beijos, carícias e muitas preliminares que fazem o prazer de uma mulher ser completo. E o de um homem também.

Marina e o jovem nunca mais se encontraram. Sua ligação permanecerá como uma distante e suave lembrança.



O QUE É QUE TEM A VER O CU COM AS CALÇAS?

Todos sabem, mas os que querem condenar Lula fingem não saber (assim como os que afastaram Dilma sabiam que ela não cometera crimes, mas a condenaram como se ela os tivesse praticado):

– Lula não praticou atos de corrupção.

Quer dizer:

– É sabido que Lula nunca executou, direta ou indiretamente, ações ilegais para favorecer empresas em contratos da Petrobras, seja mandando que licitações fossem dispensadas irregularmente, seja ordenando que licitações fossem fraudadas, seja comandando malfeitores que assim agiam para que isso fizessem.

Tanto assim é que não constam dos depoimentos e delações acusações diretas a Lula nesse sentido.

A necessidade de envolvê-lo não chegou ao ponto de algum depoente declarar: Fiz isso ou aquilo como pagamento de propina a Lula por ter ele praticado tal ato criminoso em meu favor.

O máximo que se tem são sugestões de que algo foi feito em favor de Lula com dinheiro de alguma conta pretensamente usada como um espécie de fundo para o pagamento de comissões a agentes públicos e a partidos políticos por toma-lá-dá-cá.

Não se cogita o evidente: que as empresas tinham e têm interesse em favorecer partidos e políticos “to leave a good impression”, ou para “estar bem na fita”, de modo a poder contar com alguma influência nos momentos em que isso possa vir a ser necessário – inclusive quando da realização de lobbies para obtenção de seus interesses.

Se assim não fosse, nenhuma “doação legal” por empresas a partidos políticos poderia ser compreendida como algo isento, de modo que de qualquer forma as contribuições teriam de ser entendidas como o tal toma-lá-dá-cá.

As doações legais não eram feitas como contrapartida por corrupção, do mesmo modo que outros favorecimentos feitos a políticos e empresários, como viagens para eventos, vôos em jatinhos emprestados e outras “cortesias” passam e passavam por marketing de relações sociais.

Observa-se, então, que tais cortesias de empresas a políticos eventualmente independem de contrapartida, como ocorria nos casos citados, desde as vultosas doações políticas até aos pequenos favores.

No caso do Sítio de Atibaia, uma das pretensas caracterizações de corrupção seria a instalação de uma antena de telefonia pela Oi próxima àquela propriedade, constando que feita para favorecer as comunicações do ex-presidente, uma vez que só isso justificaria a sua colocação próxima à propriedade.

Outra, seria a participação de José Carlos Bumlai, dono da Usina São Fernando e amigo de Lula, nas reformas do sítio.

No caso da Oi, nenhuma atividade corrupta de Lula para obter o favor de apontou, apenas sugere-se uma distante relação da empresa com a empreiteira Andrade Gutierrez.

No caso do Bumlai, jamais se falou de alguma possível contratação irregular da Usina São Fernando ou das atividades pecuárias dele com corrupção junto ao governo, a justificar seus favores a Lula.

Desse modo, questiona-se:

– O que é que tem a ver o cu com as calças?



O SÍTIO DE ATIBAIA

Já anunciei por mais de uma vez que Lula é vítima de uma armação oportunista e muito oportuna para delatores.

As empreiteiras sempre estiveram sedentas de fazer agrados a autoridades, para, como é sabido e como declararam mais de uma vez representantes e donos de empresas, estarem bem com os governantes, vale dizer, com presidentes da república, deputados, senadores, governadores, prefeitos, bem como seus satélites, ou seja, seus auxiliares com poder de influência.

Não necessariamente os favores envolvem contrapartida, embora a contrapartida, na forma de corrupção, seja freqüente.

A quem parte da convicção de que isso é impossível, cito vários fatos, dentre eles o de que inúmeras empresas têm feito doações de campanha a milhares de candidatos a cargos políticos sem que isso, em geral, represente toma lá dá cá; assim como verificou-se que no caso do processo do armazenamento dos bens de Lula não se configurou corrupção por troca de favores, mas apenas a disposição da empreiteira envolvida em colaborar.

É assim que, no caso de Lula, empreiteiras pretenderam sempre estar um passo à frente dos interesses dele. Dotados de agudo sendo de oportunismo, sabiam que Lula não só se mantinha ativo dentro da política, como deveria voltar a ser a autoridade máxima do País.

Isso, que aconteceu na embrulhada do apartamento triplex do edifício Solaris, no Guarujá, repetiu-se no armazenamento dos bens do ex-presidente levados da presidência quando de sua saída do cargo, por força da legislação própria, bem como no interesse de Lula de adquirir um terreno para instalação de nova sede para o Instituto Lula e no de adquirir um sítio, no caso o de Atibaia, para usufruir de um recanto sossegado para o descanso dele e de sua família.

Assim como Dilma Roussef nunca cometeu o crime de responsabilidade pelo qual foi afastada, Luiz Inácio Lula da Silva jamais praticou atos de corrupção pelos quais foi condenado e está sendo investigado e processado.

Como de costume, quando se trata de Lula acompanho de perto desde às acusações, às investigações e denúncias ao julgamento e, quanto a este em andamento, além de ler o noticiário, com as revelações sobre os atos processuais, assisto aos vídeos dos depoimentos e, finalmente, assim como li no caso do triplex, lerei atentamente a sentença.

É claro, parto do princípio, pelos antecedentes, pelo que conheço de Lula, embora jamais tenha estado com ele, de que ele é um homem honesto, sem ignorar as concessões próprias da política – mas isso é outra história.

Concluindo: no caso “Sítio de Atibaia” os vídeos dos depoimentos de arrolados pela defesa de Jorge Bittar, do qual ele tem a escritura, adiantam a defesa de Lula, começando pelo de Paulo Okamoto, que diz saber que Lula já teve a intenção de adquiri-lo.

Espero que as pessoas que pensam conhecer o assunto, sem, muitas vezes, nada saber a respeito dos fatos, façam como eu e, além de inteirar-se do material disponível, usem o tempo necessário para assistir aos vídeos.

1) Depoimento de Paulo Okamoto:

2) Depoimento de João Muniz Leite, contador de Fernando Bittar:

3) Depoimento de Fernando Luiz Pinheiro:

4) Depoimento de Rafael Elias da Costa Leite:

5) Depoimento do empresário Paulo Fernandes:

6) Depoimento de Jorge Miguel Samek:

Assim, quem sabe, opiniões pertinentes poderão ser construídas, alheias à pura paixão.



O QUE CAUSA VERGONHA

Faz nem uma semana, publicou-se que um levantamento do instituto Paraná Pesquisa em todo o País mostra que o ex-presidente Lula, cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro, lidera a lista dos dez políticos que mais fazem vergonha aos brasileiros.

Lula envergonha 26,4% dos entrevistados, seguido de Michel Temer com 20,3% de vergonhura e Aécio Neves com 11,7% de envergonhamento.

Mas, sabem o que é engraçado?

Alguns noticiosos se esqueceram de publicar, também, que o mesmo Instituto Paraná, que apurou isso aí, também revelou, no mesmo dia, que Lula continua liderando nas pesquisas para a presidência da república.

O ex-presidente, cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro, lidera uma lista de onze políticos que pretendem concorrer à presidência.

A situação, em um dos chamados panoramas, seria a seguinte:

Lula: 27,6%
Bolsonaro: 19,5%
Nenhum deles: 9,6%
Joaquim Barbosa: 9,2%
Marina Silva: 7,7%
Geraldo Alckmin: 6,9%
Ciro Gomes: 5,5%
Alvaro Dias: 5,4%
Ainda não sabe: 3,2%
Manuela D’Ávila: 1,2%
Michel Temer: 1,1%

Sem nos aventurarmos a especulações, hipóteses e suposições que levassem em conta os eleitores que, embora votando em outros candidatos, não odeiam Lula, ficaremos com os 27,6% dos que declaram fidelidade a ele para considerar que, no quadro apresentado, 72,4% não declararam voto em Lula.

Evidentemente, uma pesquisa que se fizesse, como se fez, em uma população cuja a qual tivesse 72,4% de gente voltada para o lado direito (sem conotação ideológica, apenas para visualizar uma situação) e 27,6% voltada para o lado esquerdo, perguntados os cem por cento desse grupo de amostragem o que preferem, manutenção do programa bolsa-família ou bandido bom é bandido morto, certamente o resultado seria uma robusta maioria favorável a bandido bom é bandido morto – e espero que não vejam nessas hipóteses qualquer alusão a programas político-partidários.

Talvez, e apenas talvez, possamos deduzir que as provas de que Lula é o brasileiro que mais envergonha o País não levaram em conta, por exemplo, e apenas por exemplo, que Lula teve o seu governo elogiado por Moro e por Barroso, por Obama e por Joaquim Barbosa, dentre muitas outras autoridades nacionais e internacionais, tendo até mesmo se sentado ao lado da Rainha da Inglaterra, enquanto outros ficavam a chupar navios.

É assim que qualquer aparente, ainda que não mais que aparente, negatividade que se apresente contra o Lula é festejada com foguetório por aqueles que não nutrem simpatia pelo povo.

E é isso o que causa vergonha.



SABES SE SABES O QUE SABES?

Tive a oportunidade, varias vezes, de declarar que existe um indisfarçável clima de perseguição política ao presidente Lula que contamina, desde as origens, as ações que vêm sendo levantadas contra ele, desde o processo investigativo, às denúncias e condenações.

Os adeptos da formalidade, certamente também opositores do ex-presidente, dizem que sou louco; pois não são todos os atos praticados por instituições sérias, procuradores competentes, juízes ínclitos?

Como suspeitar de que tanta boa gente estaria agindo para condenar Lula, levá-lo à prisão e evitar que ele seja candidato à presidência da república?

Insisti, muito, que a maior parte dos dignos envolvidos em tal conduta o fazem inconscientemente: – Não sabem que estão envolvidos por uma campanha sórdida e mergulhados em um caldo social adverso, produzido por partidos e políticos que querem – e conseguiram – retirar o Partido dos Trabalhadores do poder e diminuir seu tamanho e influência, para que as políticas sociais por ele produzidas cedam lugar a uma filosofia mais eficiente, do ponto de vista do capitalismo.

É que ninguém acredita que, de alguma forma, agentes da lei e do judiciário possam deixar de ser imparciais, tenham seu juízo prejudicado por fatores externos ao seu estrito campo de atuação técnica.

Pois… podem!

E não só podem agir desviadamente pela ação do inconsciente, levando-os à tendenciosidade, como até, por incrível que pareça, podem eventualmente estar tomados por paixões políticas, por crenças pré-concebidas, por preconceitos, por escalas de valores condutoras de suas avaliações, análises e decisões.

Então prove! Dirá quem pode mesmo estar, também, tomado por tais circunstâncias.

Assumamos o ônus para exemplificar.

Sabem o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima aquele? Sim, um dos que trabalham à frente das operações do Ministério Público nos processos da Lava-Jato?

Pois bom, ele não aceita que os Ministros do Supremo Tribunal Federal possam tomar decisões contrárias as suas convicções próprias. E quer saber quais são os motivos pelos quais os ministros sacrificam o bom nome do tribunal. Em outras palavras, ele pretende sugerir que ministros do STF andam levando alguma vantagem para determinar que certas delações saiam do âmbito da Operação Lava-Jato.

Ora, se ele tem certeza de que a retirada das delações das suas mãos é imprópria, todos os demais seres vivos têm de pensar da mesma forma que ele…

Se não há nisso sinais de fumaça de facciosidade, precisaremos apontar algum fato mais concreto.

Talvez, quem sabe, o do promotor Ricardo Montemor, de São Paulo, que, contrariado com decisões, ainda de ministros do STF, só faltou chamá-los de bonitos: xingou-os de canalhas e classificou-os como bandidagem togada. Pior, disse que são uns filhos-da-puta.

Mas, o mais grave, no sentido de apontar a tendenciosidade de que falamos, é o fato de que em rede social ele sacaneava o PT; sim, o Partido dos Trabalhadores! Aí desenvolvendo uma atividade político-partidária ao posicionar-se declaradamente contra o PT.

Pior ainda? Dizia ele de sua felicidade em saber que Lula não seria capaz de conseguir melhorias, indulgência, ou remissão de sua pena pelo estudo ou pelo trabalho – brincando, jocosamente, com a idéia de que Lula é um ignorante, analfabeto e preguiçoso.

Fatos como esses reforçam a certeza de que o Power Point de Dalagnol, escandalosamente produzido ao arrepio do que constava das apurações, tem origem em tais tipos de sentimentos, uns inconscientes, como devo acreditar ter sido o caso dele, outros conscientes, como os expostos antes.

Perguntem-se qual seria a sentença de Lula, em qualquer processo, se os juízes das causas fossem Joice Hasselmann, Rachel Sheherazade, Alexandre Frota, Augusto Nunes, Lobão, Josias de Souza, Marco Antônio Villa ou, quem sabe, vós que me ledes, se sois tomado de ódio ao Lula e tendes sangue na boca pelo PT.

Talvez, e apenas talvez, teu “livre convencimento” se apoiasse mais nas tuas sombras que nos fatos.



FORO PRIVILEGIADO E IGUALDADE DE TODOS PERANTE A LEI

A norma legal que estabelece que “todos são iguais perante a lei” traduz um princípio: de que “a lei” deve tratar a todos nos termos que “determinada lei” estabelecer, pois não é possível dispor que todos serão tratados de forma igual perante o conjunto das leis que regulam as diferentes situações de um País.

Seria impossível estabelecer, por exemplo, faixas de imposto de renda segundo critérios diferenciados – e a aplicação absoluta de tal princípio de igualdade tornaria até mesmo impossível isentar alguém dessa obrigação, salvo se não dispusesse de renda alguma.

Assim, também, não se poderiam estabelecer, nas leis, critérios diferentes para menores de idade, adultos e idosos; nem entre incapazes e capazes; nem entre silvícolas e demais brasileiros; e assim por diante.

A igualdade formal pretende garantir que a lei que se aplica a, ainda por exemplo, um grupo profissional, será aplicada de forma igual a todos desse mesmo grupo: a lei que regula o foro privilegiado será aplicada da mesma maneira a todos sujeitos a esse foro; a lei que garante a imunidade dos parlamentares por suas palavras e votos será aplicada a todos eles igualmente; a lei que permite ao idoso um tratamento privilegiado favorecerá a todos os idosos.

Podemos entender que a igualdade formal, aquela que diz que perante a lei todos são iguais, não dissipa as desigualdades entre as pessoas por determinadas condições de sua existência e de sua situação em certos campos da sociedade, caso contrário – (a interpretar-se de modo restritivo o dispositivo constitucional que diz quetodos são iguais perante a lei, SEM DISTINÇÃO DE QUALQUER NATUREZA” (o destaque é meu) – a maior parte das leis, que estabelecem critérios a serem aplicados a diferentes sujeitos, não poderia existir: crianças seriam condenadas por crimes, incapazes poderiam praticar todos os atos da vida civil, presidentes da república seriam julgados em primeira instância.

A questão relativa à igualdade, sem distinção de qualquer natureza, pode ter sua compreensão estendida pela inspiração constitucional de que é objetivo fundamental da nossa república “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, de modo que, aí sem sombra de dúvida, a lei não discriminará brancos e negros, homens e mulheres, crianças e adultos, pobres e ricos, etc., no sentido de estabelecer, diferenças, como vantagens e privilégios, entre uns e outros – ou até seria melhor dizer, entre uns “contra” outros.

Mas… as diferenças existem e elas poderão determinar que a mesma lei, que levaria um pobre à cadeia, por faltarem-lhe recursos para exercer plenamente a ampla defesa, poderá resultar de modo diferente no caso de um rico acusado de semelhante infração, não por a lei dizer que a aplicação é diferente, mas pelo mesmo motivo que um pobre não conseguirá, em geral, o mesmo tratamento de saúde que um rico. Ou seja, quem tem mais recursos consegue obter mais facilidades e melhores resultados sociais do que quem dispõe de menos.

Em face dessa visão a respeito da igualdade perante a lei, é possível justificar o “foro por prerrogativa de função” não como um “foro privilegiado”, como se costuma apelidá-lo, mas como um tratamento da lei específico para um grupo de pessoas que não os privilegia, mas os protege de arbitrariedades e perigos, como a perseguição política, a influência da comoção social e outros vieses.

Também a prisão especial não se inspira em privilégios: ela é concedida a policiais, integrantes do Ministério Público e do Judiciário ligados à justiça criminal por questões de segurança em razão dos riscos de vingança por parte dos outros prisioneiros. Mas é bom saber que a prisão especial para as demais categorias, como portadores de diploma de curso superior, por exemplo, só é concedida para as prisões em caráter provisório, cedendo o direito a partir do trânsito em julgado da sentença criminal condenatória.

Deve ser oportuno, em clima de idéias conturbadas, como este no qual estamos presentemente mergulhados, o aprofundamento no conhecimento das peculiaridades jurídicas pode ajudar a melhor compreender as aparentes aberrações do Direito que, melhor vistas, podem ser menos atacadas e, até, aceitas como benéficas para a estabilidade das instituições.



JUIZ DIZ QUE ABSOLVERIA LULA

Segundo o magistrado, “as provas são insuficientes”

No Jus Brasil o Dr. André Cavalcanti, bacharel em Direito e Analista Judiciário, informa que o juiz Cássio André Borges, que também é professor de Direito Penal, assegura que, fosse ele o julgador do caso, absolveria Lula, não por descrer que Lula possa, eventualmente, ser o destinatário do apartamento triplex, e do sítio de Atibaia, mas pela insuficiência de provas no processo.

Sérgio Moro não

Para ele, o juiz da causa, Sérgio Moro, sequer deveria julgar Lula, por sua contaminação intelectual revelada em palestras por ele proferidas a respeito do tema “corrupção”.

Histeria Coletiva

Quanto às manifestações contra Lula nas redes sociais, pedindo sua condenação, ele se refere a uma turba de “leigos, com sangue nos olhos” e, ao mesmo tempo que faz um paralelo entre eles e aqueles que fizeram Pilatos condenar Cristo à morte, ressalva que não comparou Lula a Cristo, e sim comparou a histeria coletiva daqueles que pediram a condenação de Cristo com a destes leigos, “cheios de verdades irracionais”.

Insuficiência de Provas

Mas, o que mais importa é sua avaliação de que não proferiria a sentença condenatória face à insuficiência de provas, aliado isso à atipicidade de todas as condutas a ele imputadas, registrando que insuficiência de provas é diferente de falta de prova, pois esta é a ausência total de provas e aquela significa que as provas colhidas não são suficientes para a condenação.

Crime Inexistente

Destaca o juiz que não só a propriedade do apartamento triplex não restou provada no curso do processo, como inocorreu a demonstração cabal de que Lula praticou ato em troca do alegado favorecimento.

Azar

Para muitos, o que vem ocorrendo é um certo azar de Lula, de cair nas mãos de juízes envolvidos com uma proposta de justiçamento que condena por indícios e suspeições, adotando de maneira radical a tese de que o juiz tem liberdade para decidir conforme o seu livre convencimento, ainda que as provas não determinem cabalmente a culpa.

Só que esse azar não é fruto do acaso, mas resulta de uma campanha voltada para um programa de assepsia a cujos resultados os fins justificam os meios.

Mais do Mesmo

Não bastassem Moro, Paulsen, Laus e Gebran, pairam sobre Lula as sombras de Bretas, em vara de Brasília, e de Fachin, Cármem Lúcia e Fux, no STF, envolvidos na sanha de justiçamento ainda que, para tanto, ajam de forma que a Constituição não lhes constitua embaraço.

A Cuma é Que Fica?

Seus eleitores garantem: – Votarão nele ou em quem ele indicar; e além disso descarregarão todos os votos exclusivamente em candidatos do PT, sejam quem forem, para todos os cargos eletivos…

Sem bola de cristal, resta aguardar para ver.

Conhecereis a Verdade…

(Muitos milhões de brasileiros foram criados ouvindo que Lula é comunista, ouvindo que Lula sabia de tudo, ouvindo que Lula tinha de saber, ouvindo que Lula é ladrão, ouvindo que Lula tinha de ser preso, ouvindo que Lula dá o dinheiro do cidadão honesto e trabalhador para o vagabundo, ouvindo que Lula é o chefe da organização criminosa, ouvindo que Lula furtou um crucifixo do Palácio do Planalto, ouvindo isso e aquilo do Lula e se emprenhando de mentiras).

… E a verdade libertará Lula.



O MEDO QUE ELES TÊM DE LULA LEVA À VIOLÊNCIA

Goiano Braga Horta

Teoria da Conspiração

Uma das primeiras coisas que ouvi, quando saiu a notícia dos tiros dados em dois ônibus da caravana do Lula no Paraná, foi que isso devia ser coisa deles mesmos.

Quem é Ele

Em seguida, jornais disseram que o pré-candidato pelo PSL – Partido Social Liberal, Jair Bolsonaro, manifestou sua opinião de que “está na cara que alguém deles deu os tiros”. Sua certeza é tanta que ele garante que a perícia revelará isso.

Talvez ele creia firmemente, também, que os “miguelitos”, espécie de prego com cinco pontas, que foram jogados na estrada para furar os pneus dos veículos da comitiva, que esvaziaram pneu de um dos ônibus, também foram espalhados ali pelo PT.

Crimes, Crimes e Crimes

Lançar esses pregos pode eventualmente redundar em crime, pois furar os pneus dos veículos pode causar sérios acidentes, levando até à morte.

Desânimo

Sinto-me, hoje, em desalento, abatido pelo futuro do meu País, que poderá ser entregue em mãos de pessoas de tanta irresponsabilidade, verdadeiras comadres fuxiqueiras, que não medem as conseqüências de suas palavras e que demonstram tamanha falta de ética ao abordarem questões tão contundentes do momento social e político.

Hipóteses

É claro que nada é impossível e, certamente, as autoridades apurarão quem fez os atentados e colocarão, dentre as suspeitas, a hipótese de que os próprios atingidos tenham feito o atentado com o fim de criar um clima na opinião pública que lhe seja favorável.

E é claro que seria uma loucura, mas há doido para tudo.

Enquanto divagávamos, as perícias foram feitas, nada se apurou, a não ser que foram tiros e pedradas mesmo.

Hipóteses Que Não Se Sustentam

Porém, os investigadores sem dúvida também, antes de chegar aos resultados, avaliarão o fato de que inúmeros ataques foram feitos, muitos atos de violência contra a caravana foram praticados, pessoas foram feridas por variados tipos de agressão, inclusive pedradas, sendo inafastável o clima aguerrido daqueles que não só isso fizeram, como bloquearam estradas para impedir a caravana de ir ao seu destino (em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, em Francisco Beltrão, no Paraná) causando tumultos e engarrafamentos quilométricos, demonstrando que paz, ordem, ética e democracia não fazem parte de sua educação.

A Verdade

O que revelam os acontecimentos é que muitos dos que querem ver Lula pelas costas têm medo de que ele consiga, apesar de tudo, candidatar-se e ser eleito presidente da república, fazendo com que eles percam privilégios exagerados, estando dispostos a tudo para evitar que ele chegue lá e volte a fazer a política de justiça social que distribui a riqueza nacional também entre os mais pobres; e os acontecimentos confirmam, ainda, que uma massa de manobra se formou, uma multidão de inocentes úteis de cabeça feita, envolvidos pelos reais interessados na queda do PT, para que seus privilégios não diminuam pela aplicação de recursos governamentais em uma política de assistência social.

A Política do PT

Sim, a política do PT, desenvolvida pela vontade política e realizadora do Lula, é aplicar recursos em Bolsa Família, em programas habitacionais, em atividades de saúde básica, em luz para todos, em infraestrutura de água e esgotos, em possibilitar aos mais pobres acesso a boa alimentação, escolaridade superior e outras regalias que até a chegada do PT ao poder só a classe média alta tinha acesso.

O Medo

O que os praticantes da violência têm não é coragem, é medo. Mais que medo, pavor. Pavor do Lula, pavor das suas próprias perdas pessoais, pavor da justiça social que diminui privilégios injustificados para garantir maior igualdade social.

Lula Preso

Consumada a prisão do Lula, o medo diminuiu, os tiros e pedradas nos ônibus ficaram para trás, o perigo foi afastado e se faltava algo nem falta mais: o Partido Ecológico Nacional, que acreditava que o inciso LVII da Constituição tinha de ser respeitado, quando viu que sua ação perante o STF redundaria na possível soltura de Lula… voltou atrás! Agora diz o contrário. O Barroso do PEN passou a rezar no missal do Barroso do STF.

Haja oportunismo!



LULA E O ERRO JUDICIÁRIO DO SÉCULO VINTE E UM

Juiz Moro: – O senhor entende que o senhor deu a propriedade desse apartamento para o presidente Lula?

SE O APARTAMENTO ERA DO LULA NÃO PODIA SER PROPINA DA OAS

Léo Pinheiro: – O apartamento era do presidente Lula desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop. Já é me foi dito que era do presidente Lula e sua família, que eu não comercializasse que tratasse aquilo como uma coisa de propriedade do presidente. Só para complementar: Eu procurei o João Vaccari algumas vezes e ao Paulo Okamoto de como iríamos operacionalizar para passar, do nosso nome… Nós tínhamos um um elo entre o Instituto Lula com várias doações feitas, estão aí todas declaradas. E as palestras no exterior, fizemos, se não me falha a memória, cinco palestras. Só a OAS pagou, de palestras, mais de um milhão de dólares.

Juiz Moro: – Que foram dadas, as palestras.

Léo Pinheiro: – Que foram dadas, ninguém está falando o contrário, estou dizendo que existia um vínculo comercial que poderia ser resolvido isso, que já existia um hábito de uma tra… de transações comerciais entre a OAS e o Instituto Lula e as palestras, mas nunca foram resolvido esse assunto.

A BANCOOP DEU O APARTAMENTO A LULA COMO PROPINA?

Em 10 de março de 2010 o jornal O Globo publicou uma matéria sob a manchete: CASO BANCOOP: TRIPLEX DO CASAL LULA ESTÁ ATRASADO.

O casal tinha uma cota de um apartamento no empreendimento. A reportagem afirma que o casal estava há cinco anos na fila para receber o imóvel pela Bancoop, mas a reportagem continua dizendo que a solução encontrada pelos cerca de 120 futuros proprietários do empreendimento foi deixar de lado a Bancoop e entregar o empreendimento à OAS.

Ora, Lula foi acusado de receber o apartamento e suas reformas como propina por ter agido para beneficiar a OAS em contratos com a Petrobras, mas, segundo o próprio presidente da OAS o apartamento já estava destinado pela Bancoop a Lula desde quando a OAS assumiu o empreendimento.

A Bancoop nada tinha a ver com a Petrobras; logo, a possível destinação desse triplex a Lula, como troca pelo apartamento que originariamente constara no contrato, não podia ter origem em propina de contratos com a estatal.

O que se depreende: A OAS, ávida de agradar ao presidente, para garantir boas relações com uma das personalidades mais influentes da república, esmerou-se na preparação do imóvel para fazer a entrega.

Mas, a OAS foi flagrada como corruptora e superfaturadora em contratos com a Petrobras, Léo Pinheiro, para escapar ou obter reduções na pena de prisão, precisava de boas delações contra a cabeça mais caçada pelos interessados em afastar o PT do governo e em assumi-lo. As oportunidades lhe foram oferecidas: O Ministério Público queria envolver o ex-presidente Lula.

Para prender Lula sumariamente, cautelarmente, uma hipótese o possibilitaria: a destruição de provas por Lula.

Abraçada essa hipótese, Léo Pinheiro não titubeou, declarou no depoimento ao juiz Sérgio Moro que em um “encontro secreto”: – O presidente textualmente me fez a seguinte pergunta. “Léo” – eu notei que ele estava até um pouco irritado – “Léo, você fez algum pagamento ao Vaccari no exterior?” – Eu disse: “Não, presidente, eu nunca fiz pagamentos a essas contas que nós temos com o Vaccari no exterior”. “Como é que você tá procedendo os pagamentos para o PT?”. (Léo) “Através do João Vaccari, estou fazendo os pagamentos através de orientação do Vaccari, de caixa 2, de doações diversas que nós fizemos a diretórios e tal.” (Lula) “Você tem algum registro de algum encontro de conta, de alguma coisa feita de João Vaccari com você? SE TIVER, DESTRUA”. (Léo, continuando o depoimento) Ponto. Foi. Acho que quanto a isso não tem dúvida.

Ainda segundo Léo, dona Marisa teria solicitado que o apartamento ficasse pronto antes do Natal, ele disse que não teria problema e que “foi o que ocorreu”. Porém, se foi o que ocorreu, Lula não se mudou para o apartamento! Ele queria o apartamento pronto, o apartamento, ficou pronto, era dele, mas ele não ocupou o apartamento!

O DIA DO CAÇADOR

Essas e muitas outras particularidades revelam, claramente, que se o apartamento estava destinado a Lula desde antes de a OAS assumir o empreendimento, ELE NÃO FOI DADO COMO PROPINA PELA OAS. É claro que a Bancoop não deu o apartamento como propina a Lula por contratos com a Petrobras, porque a Bancoop nada tinha a ver com a Petrobras e não tinha motivos para dar propinas a Lula.

Voltamos à fábula do lobo e o cordeiro: não interessa se o cordeiro não podia sujar a água que o lobo bebia, pois estava abaixo dele no regato; o lobo comeria o cordeiro de qualquer forma.

Pois: o apartamento não podia ser propina da OAS a Lula, Léo disse que o apartamento ficou pronto e Lula não o ocupou, Léo disse que, em um encontro secreto (oportunamente secreto, só ele sabe desse encontro, pois foi secreto, Lula o mandou destruir provas, acusação que também não se provou.

Finalmente, não houve como Léo Pinheiro declarar que pagou propinas a Lula mediante contas no exterior. Esse era o mecanismo geral, mas no caso de Lula Léo Pinheiro não pôde declarar que o fez porque não o fez mesmo – essas contas a favor de Lula não apareceriam, como não apareceram, pois não existem.

TUA CABEÇA FOI FEITA

A ti, que encheste tua cabeça com as mentiras deslavadas que tão mal ajambradamente foram capazes de levar à condenação de Lula, por um processo persecutório tão evidente, advirto: Não se deixe enganar. A não ser que o queiras. Ou, a não ser que estejas, também, ardentemente engajado nesse sórdido objetivo.



LULA, O JUMENTO

Léo Pinheiro e Emílio Odebrecht marcaram um encontro discreto com o então presidente Lula, em 2004, para uns acertos.

– E aí, meus chefes, o que vai ser? Disse Lula.

Leo e Emílio se revezaram nas informações. Primeiro Emílio disse:

– Olha, tu botas gente comprometida lá e tu comandas a tua quadrilha para que a OAS e a Odebrecht tomem conta do pedaço. Queremos pegar uns contratos com licitações dirigidas ou, de preferência, sem licitação. Já vimos que tem um para 8 bilhões, outro para 7 bilhões e cem milhões de paus, mais um de 5 bilhões e trezentos milhões, tem o de 4 bilhões e seiscentos milhões, aquele de 6 bilhões e meio e o mixuruca de um bilhãozinho e trezentos milhões. Tem mais coisa, mas vamos cuidar só desses por agora.

– Isso é mole pra nós, disse Lula. Já está acertado com Paulinho, Renatinho, Pedrinho, Jorginho e Nestorzinho, além de uns doleiros e outros menos cotados. Tudo pronto, vão lá, digam pra eles que já falaram comigo e vão em frente.

Léo Tomou a palavra:

– Vamos dividir no mínimo assim:

1) Paulo Roberto Costa leva 263 milhões de reais;

2) Pedro Barusco fica com 100 milhões;

3) Renato Duque leva 80 mi;

4) O Nestor Cerveró pega 55 milhões; e

5) O Jorge Zelada terá direito a 41 milhões.

Tendo os dois ficado em silêncio, Lula viu que não ia sair mais nada e perguntou:

– Só?

Emílio completou:

– Não! Tem muito mais gente pegando grana alta, só de doleiro…

E Lula, inconformado:

– Péra aí, eu sou o chefe da organização criminosa, o capo di tutti i capi, o mandão, e até agora ninguém falou em algum para mim?!

Agora é Léo quem fala:

– Calma, tem pra tu também! Lembra daquele apartamento? Vamos trocar pelo triplex e reformar, só ali tu vais levar três milhões e oitocentos mangarotes! Vamos te dar também uma boa reforma em um sítio que te encherá a bolsa com mais oitocentos e cinqüenta mil reais. Aí, vais pegar 4 milhões e seiscentos e cinqüenta milhões de reais!

Lula achou pouco e disse:

– Quero mais, um terreno de pelo menos uns doze milhões. E um apartamento em frente ao meu, pode pensar em mais um milhãozinho aí para mim. Também quero ser convidado para umas palestras falsas que me rendam tipo uns sete milhões, e…

Emílio aparta, aborrecido:

– E na bunada, não vai dinha? Já estás querendo mamar em quase 25 milhões de reais! Tás maluco? És muito ganancioso! Vamos fazer o seguinte: armazenaremos as tuas tralhas como parte do pagamento e não se fala mais nisso!

E foi assim que o jumento do Lula comandou um esquema bilionário, onde as propinas, muito por baixo, ficaram em meio bilhão e picas de reais, para mamar numa mixaria, e mesmo assim tendo de fazer mais de setenta palestras para disfarçar parte da propina.

Como as palestras secaram, com a derrocada das empreiteiras, Lula agora passa o tempo se divertindo em dar tiros nos ônibus de sua própria caravana.

(Nota: O autor não se responsabiliza pela confiabilidade das fontes nem pela fidelidade dos fatos – The author is not responsible for the trust of the sources or for the fidelity of the facts)