MEDO DE TERRA

Epaminondas (esse não era seu nome verdadeiro, que foi omitido para garantir sua privacidade: de batismo era Olzenir ReboldoPintalfo, que mais parecia, esse sim, um pseudônimo), procurou um, como diziam para ocultar a verdadeira natureza das coisas, terapeuta.

Dizer “psicólogo” seria revelar-se um louco, maníaco, desequilibrado; e esse não era o seu caso.

Epaminondas tinha lá as suas esquisitices, ah, isso lá tinha, talvez até nem poucas, como se podia pressentir pelas reações de pessoas a ele mais próximas, mas não se classificaria como doido (desculpe, acho que você leu errado: eu não disse doído, sim doido; dôido, entendeu?).

Ele foi logo esclarecendo para o Dr. Restrúcio (que pediu que seu verdadeiro nome, Gorfégio Dindalfo, não fosse divulgado, por razões de ética profissional):

– Seu probleminha era medo de avião. De todas as formas, desde andar num a temer que algum lhe caísse sobre a cabeça.

O diagnóstico não se fez esperar. O doutor esclareceu – ele sofria de fobia, de um tipo bastante comum.

Estava bem acompanhado, figuras ilustres da política, dos esportes, das artes (especialmente das artes, o que parecia indicar ao cientista uma certa tendência) sofriam de pânico de avião.

As outras morbidezas que Epaminondas demonstrava seriam examinadas posteriormente, já que delas não apresentava queixas.

O tratamento era simples. Consistia em enfrentar o problema. Mas não de cara e sim aos pouquinhos, para não ocasionar graves traumas e seqüelas.

Primeiro, conversariam sobre vôos. Epaminondas confessou que às vezes sonhava estar voando, mas voava baixinho, rasante mesmo, para não se esborrachar no chão, no caso de cair.

O medo estava presente até nos sonhos.

Depois, falariam de aviões, de pilotos, de comissários (e sárias!), de aeromoças, de aeroportos. Iam ficar puxando assunto, de uma particularidade para outra, sempre envolvendo aviões e coisas de aviões, sessões após sessões.

Algumas semanas depois, Epaminondas deveria visitar um aeroporto.

Se fosse possível penetraria num hangar, conversaria com o pessoal do “check in”, entraria na fila de compra de passagens e de lá, sem adquirir nenhuma, iria ao mirante observar, quantas horas pudesse gastar nisso, as aeronaves subindo e descendo, assistiria a toda a série de filmes Aeroporto e quantos mais pudesse encontrar nas locadoras de vídeo sobre desastres de avião.

Compraria obras especializadas em aeronáutica, montaria aeromodelos, iria àquela praça onde o pessoal se reúne para manobrar suas miniaturas e, finalmente, um dia, meses depois, entraria num avião, por obra e graça do Dr. Restrúcio, que tinha um amigão na administração de uma companhia aérea.

Foi, entrou, conheceu tudo, até o compartimento de bagagens, sentou-se na poltrona do piloto, mexeu nos aparelhos.

Seu medo, revelou ao psicólogo, aumentava dia a dia. Fazia tudo isso borrando-se todo.

Quanto mais executava esses passos, mais aumentava o pânico.

Epaminondas começou a ter que se amarrar à cama para dormir, com medo de sonhar que estava voando e entrar em queda livre.

Ao passar de carro pela via que tinha uma placa indicando “aeroporto” começava a suar frio. Experimentava seguir um impulso louco, virava na direção indicada, fazia mais uma visita, olhava os aviões, observava as pessoas saindo pela porta do desembarque e saía de lá com a roupa ensopada, quase em estado de choque.

Pois bem, disse o Dr. Resquício… digo, Restrúcio, já que a abordagem progressiva, clássica, não dava certo, vamos partir para a ignorância e praticar o enfrentamento moderno, radical, da escola norte-americana: – Vais entrar num avião e não vai ser para uma pontezinha Rio-São Paulo, nada disso! Vais à Europa (e, em pensamento, completava: “seu safado!”).

Um mês de preparativos, um mês de uma pedra de gelo pesando vinte quilos dentro do estômago de Epaminondas, conversas na agência de viagens, compra de dólares, emissão de passaporte e lá vamos nós!

Esta sensação Epaminondas já conhecia, vinha convivendo com ela diariamente, desde que iniciou o tratamento: secura na boca, vertigem, confusão mental, suores abundantes, calor intenso, frio lancinante, aquela pedra gelada se mexendo dentro da barriga, vontade de desmaiar, de gritar, de sair correndo.

Mas, afinal, somos homens ou ratos? Somos ou não somos machos?

Assento tomado, perto da janela, em cima da asa, para sentir bem todas as sensações terríveis e maravilhosas de estar a dez mil metros de altura, lembrou-se da música do Belchior e pediu à aeromoça para segurar a sua mão. Ela aquiesceu, gentilmente, sentou-se ao seu lado, passou a mão em sua testa, enxugou-lhe com um lenço o suor que lhe escorria pelo pescoço.

Aí até eu que sou mais bobo, né?

E lá se foram eles.

O mais pesado que o ar (por que fui me lembrar disso?) venceu a força da gravidade, trepidando assustadoramente, empinou em direção ao sol e depois de alguns minutos nessa desconfortável subida estabilizou-se nas alturas e nem barulho mais fazia.

A aeromoça levantou-se e deu lugar para um passageiro bonachão, que percebeu o pavor de Epaminondas e, durante horas, o convenceu de que ali estavam mais seguros do que em qualquer lugar do Universo.

Olhe lá para baixo, meu amigo, veja aquela bola pesada, a Terra, deslizando no espaço a milhares de quilômetros por hora, sem direção, sem piloto, sem freio, mergulhando num espaço vazio, escuro e sem fim, sabe-se lá se em rota de colisão com algum outro corpo celeste, ou, então, prestes a receber um impacto de algum meteoro gigantesco, ou de um cometa – não viu o que caiu sobre Júpiter? Se fosse no nosso Planeta tinha acabado com tudo! – isso sim, é que é uma aventura perigosa, amedrontadora, aterrorizante!

Epaminondas ouvia, ouvia e ouvia. Uma calma estranha, mágica, milagrosa, foi aos poucos tomando conta de seu espírito, seu medo esvaiu-se, seu pânico de avião dissipou-se, completamente.

O avião chegou à Itália, Epaminondas não desceu, nem a pau.

Voltou na mesma aeronave para o Brasil.

No Rio de Janeiro, cadê que saía lá de dentro? Nem ver! Gritava, esperneava, agarrava-se às poltronas, abria as pernas e os braços para não passar pelas portas.

Epaminondas adquiriu uma doença emocional estranha, inusitada, que os cientistas, com uma indisfarçável satisfação, deram nome a ela e ora a estudam febrilmente:

– Epaminondas foi tomado de “Pânico de Terra”.

Epaminondas obteve do tratamento de Pânico de Avião um sucesso desmedido, tanto quanto inesperado. Não quer sair do ar, só quer ficar dentro de aviões, voando, sem desembarcar jamais.

Agora, o tratamento é para que ele apeie, pise em terra firma (firme?!)

O Dr. Restrúcio cuida de Epaminondas para que ele entenda que aquela imensa e pesada bola que rola como louca pelo espaço sem fim, o nosso Planeta, a Terra… é segura!

LULA TERÁ JULGAMENTO IMPARCIAL E JUSTO, DE NOVO!

No interrogatório de Lula pela juíza Gabriela Hardt, dia 14 de novembro de 2018, pareceu claro e assustador o ânimo desfavorável ao ex-presidente também neste processo do Sítio de Atibaia.

Certamente, será assegurado, como o fez o juiz Sérgio Moro, que Lula terá um julgamento isento.

Mas a animosidade sempre transpareceu, por mais que a necessidade de ser mantida a imagem de integridade se esforce por evitar que os reflexos inconscientes tomem conta dos julgadores.

MAIS MALDADES

Quando escrevo textos defendendo a tese de que o julgamento de Lula sobre o tal apartamento do Guarujá, o tríplex, recebeu do juiz Sérgio Moro sentença condenatória desvinculada de provas concretas, o que determinaria uma condenação injusta, recebo acusações apaixonadas daqueles que pensam o contrário, dizendo que sou isso e aquilo, me apelidando de Ceguinho Teimoso, por não enxergar a realidade, e chegando até a dizerem que sou “defensor de bandidos”.

Isso a despeito de fundamentar minhas convicções com análises lógicas, fundadas no acompanhamento da vida política de Lula, nos depoimentos em vídeos, nas fases do processo disponíveis nas publicações, no noticiário da imprensa, nas opiniões de juristas e, muito especialmente, nas circunstâncias do momento histórico quanto aos interesses políticos envolvidos e às distorções decorrentes.

Um dos argumentos a respeito da carência de provas, a demonstrar a afoiteza do sentenciado, é o de que não existe, tanto quanto podemos analisar sem participarmos do processo judicial, relação demonstrada, ou provada, o nexo de causalidade entre a reforma e demais benefícios feitos no imóvel e a ação de Lula para favorecer o realizador da reforma em suas relações em contratos com a Petrobras.

Supondo suficientemente demonstrado que o imóvel estava efetivamente destinado a Lula, supondo que as reformas foram feitas gratuitamente a seu favor, ainda assim seria necessário, para sentenciar Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, existir a prova clara e concreta de que uma coisa está ligada a outra: a reforma foi feita para pagar a Lula propina por sua ação efetiva, real, para que a empresa que fez os serviços conseguisse vantagens ilícitas em contratos com a estatal.

Você que me lê estará se perguntando por que volto ao assunto hoje, quando Lula está preso há meses, não participou das eleições, Bolsonaro está eleito e as atividades de apoio a Lula se enfraquecem sob o peso do tempo, bem como anunciam-se novas condenações do ex-presidente por semelhantes acusações de corrupção.

Pois, respondo: Um dos principais delatores de Lula (e nem vou discorrer sobre o fato de ser delator interessado em ter seus argumentos aceitos como procedentes para obter a liberdade) está afirmando, em depoimento sobre o caso do Sítio de Atibaia, que AS REFORMAS QUE ELE, DELATOR, FEZ NO SÍTIO DE ATIBAIA NÃO TÊM RELAÇÃO COM CONTRATOS DA PETROBRAS.

Quem tem o gozo público ou secreto de ver Lula preso não quer saber desse detalhe e vai se contentar com as alegações, pretensamente decisivas, de que “os serviços foram pagos mediante o abatimento em contas de propina” que as empresas mantinham, sem se aterem ao fato de que esse era um procedimento contábil das empresas para justificarem seus gastos com tudo que não fosse, por assim dizer, “regular”, quer dizer, relacionado diretamente aos objetivos comerciais regularmente contabilizáveis, no que também se incluem os gastos relacionados a favores.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa: não se pode condenar alguém por corrupção sem que a corrupção seja provada, ainda que alguma irregularidade possa ter ocorrido no caso.

Na situação específica do apartamento do Guarujá, algumas coisas a respeito de irregularidades podem-se até suspeitar, com a participação de Lula ou não, como algum favorecimento, que as próprias empresas afirmam que fazem parte de suas práticas para manterem-se influentes e estarem “bem na fita”, mas daí a pesar a mão no julgamento e tomar uma coisa por outra vai uma longa, e injusta, distância.

Pois, apesar de tudo, o processo do Sítio de Atibaia vai pelo mesmo caminho tortuoso.

A continuarem as coisas nesse rumo, talvez venha a ser necessário criar mais quatro ministérios, um para cada um dos heróis da hora , por condenarem e confirmarem a nova sentença – e quem sabe talvez ao confirmarem até acrescentem mais uma pitada de maldade ao caldeirão das injustiças.

O depoimento do Marcelo Odebrecht contendo as verdades ocultas foi dado em interrogatório no dia 7 de novembro de 2018.

BOLSONARO, O CAÇADOR DE PARDAIS

Em fevereiro de 2012, a revista Veja informava que Jair Bolsonaro pretendia candidatar-se a prefeito do Rio de Janeiro e que, dizia a reportagem, surpreendentemente, ele não tinha como alvo principal os homossexuais, tendo escolhido como os inimigos daquele ano a chamada “máfia dos pardais” – tal seja, a “indústria de multas de trânsito” realizada por meio da instalação de controladores eletrônicos de velocidade, os chamados pardais.

Em 2916 Bolsonaro, já visando à presidência da república, posta um vídeo no YouTube reafirmando o absurdo, com que todos em geral concordam, da instalação dos tais pardais em ruas e estradas de modo aparentemente indiscriminado, apenas para multar os motoristas, pois não parece haver razão para a redução da velocidade de 110, 100 ou 80 km por hora, para 30 ou 40 km por hora, a todo momento.

Tanto nas cidades quanto nas estradas os motoristas sofrem, realmente, com a aparentemente injustificada colocação dessas barreiras eletrônicas. Quem sai de Brasília para Luziânia, por exemplo, sairá do Plano Piloto de algum ponto respeitando 40km/hora, passará por 50, 60, 70 e 80 e logo após deixar a cidade começara o sofrimento de cair para 60, 40, 60, 30, 40, 30, 60, 40, 60… por uma quantidade inacreditável dessas máquinas de fazer dinheiro.

À menor distração, mais uma multa o motorista acrescentará ao seu prontuário.

O problema é que não é só a multa que causa prejuízos: além de tirar a atenção do condutor para a estrada, como Bolsonaro observa, as freiadas constantes aumentam o consumo de combustível e o desgaste de pneus e de freios – aumentando as despesas com a gasolina, o álcool e o diesel, bem como com a manutenção do veículo com esses gastos desnecessários.

É oportuno observar, ainda, uma impropriedade que os departamentos do trânsito não deviam cometer: confundem “fiscalização de velocidade” com “redutor de velocidade” – de modo que os aparelhos destinados a fiscalizar a velocidade deveriam registrar apenas se a velocidade da pista (80, 100, 110 km por hora) está sendo respeitada e somente os que visassem forçar a redução da velocidade, pela aproximação de cruzamentos, escolas, travessias de pedestres e outros é que determinariam a diminuição para uma velocidade mais compatível e segura para aquele determinado local e momento.

E já que falamos em transportes, há um outro nó nessa área, que impede que os serviços de transporte público atendam convenientemente à população: a concessão.

A revolução das vans e dos aplicativos tipo Uber revelaram que é possível ampliar o atendimento ao público com sistema de transporte feito exclusivamente pela livre concorrência, sem necessidade de licitações e de licenças altamente seletivas e burocratizadas.

É claro que o problema não é de tão simples solução, como liberar geral, mas esses exemplos indicam que é possível regulamentar menos, licitar menos, distribuir mais. Do jeito que está, poucas empresas dominam o mercado de cada cidade ou região e atendem precariamente, pois uma vez que obtêm e assumem as linhas não precisam se ater a concorrências: é o lucro pelo lucro e ponto final. Disso resultam ônibus caindo aos pedaços, sem manutenção adequada, sem conforto e em quantidade insuficiente para atender à demanda, resultando em superlotações.

Se Bolsonaro mandar tirar noventa e nove por cento desses pardais das vias públicas e conseguir melhorar o sistema de transporte da população, marcará seu governo por duas importantes realizações.

 

DICIONÁRIO PAJUBÁ PARA O ENEM 2019

A redação do ENEM do ano que vem deverá ser escrita em Pajubá e as questões serão formuladas exclusivamente nesse dialeto, tudo com a finalidade ministerial do novo governo de expandir a viadagem no meio estudantil.

Por isso, o Jornal da Besta Fubana, oferece aos jovens estudantes o Novo Dicionário da Língua Pajubense:

A
Amapô – Mulher.
Amapôa – O mesmo que amapô: mulher.
Amapô de canudo – Travesti que jura ser mulher.
Aqué / Aqüé – Dinheiro.
Aquendar – Olhar, paquerar, mas também pode ser usado como transar. Pode ser entendido ainda como pegar, esconder.
Atender – Ato de ir até a casa de alguém, ou qualquer lugar íntimo, para transar.
Arrasou! – Expressão de admiração em relação a um ato bem-sucedido. Às vezes pode ser usado em tom irônico.
Abalou – O mesmo que arrasou.

B
Bafo / Babado – Fato que pode dar o que falar! Tanto “bafo” quanto “babado” podem significar tanto briga/ confusão, quanto algo muito bom, dependendo do contexto. Ex.1: “rolou um babado/bafo na festa” = “aconteceu uma briga/ confusão na festa”. Ex.2: “a festa foi um bafo/ babado” = “a festa foi muito legal”.
Bajé – Sangue.
Bajubá – O mesmo que Pajubá.
Barbie – Homem homossexual malhado e afeminado.
Banheirón – Banheiro festivo com diversas finalidades, entre elas o uso de drogas, conversas e sexo.
Bater bolacha – Ato sexual entre mulheres homossexuais.
Bater um bolo – Masturbação entre homens homossexuais.
Benga – O mesmo que jeba. Pau grande.
Bigodón – Bigode; mulher com buço; pelos pubianos que saem pra fora da sunga/ cueca.
Bilú – Homossexual metido a rico.
Bofe – Homem heterossexual ou homossexual com perfil bem masculino.
Biba – Homem homossexual. Designação carinhosa.
Bixa – Homem homossexual
Bicudo – Feição de quem está fazendo o uso da cocaína.
Bee – Homem homossexual, abreviação de “bixa”; ou simplesmente uma forma de se referir a alguém durante uma conversa, tipo: “Bee, me passa o sal?”
Bilôca – Homem homossexual, com comportamento não muito bem aceito socialmente.
Bolacha – Mulher homossexual.
Boy magia – homem bonito e másculo.
Boneca – O mesmo que travesti.
Buatchy – Casa noturna.

C
Careta – Mulher heterossexual e/ou pessoa que não está sob efeito de drogas.
Carimbar – Transmitir doença sexualmente transmissível.
Cafuçú – Indivíduo grosseiro, selvagem, roceiro, peão.
Caminhoneira – Mulher homossexual masculinizada
Carão – Fazer pose, ser esnobe, debochar.
Cagô no maiô – Fez uma besteira muito grande.
Cagô no maiô de tricot – Fez uma besteira maior ainda.
Climão – Saia-justa, clima pesado ou tenso entre duas ou mais pessoas.
Cheque – Restos de fezes que borram a cueca ou o órgão sexual do parceiro
Chuca – Lavagem retal: “faça a chuca para não passar o cheque”.
Chuca Vaporetto – Lavagem retal com água quente.
Chupeta – sexo oral, chupar o pau.
Colar velcro – Ato sexual entre duas mulheres
Colocação – Ficar alterado por uso de bebida alcoólica e/ ou drogas.
Cunete – Beijo e/ou lambida no anus.
Cu preso – O mesmo que “bixa enrustida”, ou pessoa que não assume seu homossexualismo.

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REFLEXOS DAS ELEIÇÕES

O PRIMEIRO TOMA-LÁ-DÁ-CÁ (OU, COMEÇOU A OPOSIÇÃO!)

Papa Berto Primeiro e Único, Rei de Pernambuco, Editor em Chefe do Jornal da Besta Fubana, acumulando com a Presidência das Organizações JBF, costuma afirmar, em sua página ainda crota, que segue à risca o preceito de Millôr Fernandes de que Imprensa é Oposição, o Resto é Armazém de Secos e Molhados.

A sociedade atual, salvo os de sessenta anos de idade ou mais, desconhece absolutamente que porra é essa de Armazém de Secos e Molhados.

Por isso, tentaremos oferecer uma nova imagem, dizendo que imprensa é oposição, o resto é “shoping center”.

Ou supermercado.

Espero que esteja dando para entender o que os caras complicaram para dizer simplesmente uma coisa: Imprensa é oposição. Ponto final.

Entendido?

Então, Jair Bolsonaro, O Messias, está eleito – metamos mãos à obra!

Te segura, malandro!

Bozo, Bolsaunaro, o Mito, #Ele Não, Bolsomito, Parmito, Mitonaro, Capitão, Bolsonaro e, agora, Senhor Quase Presidente, estabeleceu-se a si e ao eleitorado alguns compromissos de campanha.

Um deles: diminuir radicalmente o número de ministérios. Ou seja, racharia ao meio, cortaria para a metade. Como são 29, passaríamos a ter quatorze ministérios e meio, mas, como não é possível, vamos deixar por 15. Isso poderia compreender em alguns casos a transformação de dois ministérios em um.

Antes de continuar, vamos agregar ao assunto outro juramento, importantíssimo, do então candidato: a transformação radical do contaminado processo político em uma coisa séria e não fisiológica, acabando, dentre outras coisas, com o sistema do toma-lá-dá-cá.

De hoje em diante, seja, a partir de 1º de janeiro de 2019, a política será feita de tal modo que, por exemplo, os cargos não serão mais distribuídos como elemento de troca, abjurando a forma que os governos anteriores agiam!

Doravante – eu prometo! tudo vai mudar! – as indicações serão técnicas, o governo vai parar com esse meio pernicioso de fazer as coisas pressionado por interesses políticos e tudo agora é técnico, prático, pragmático, os partidos podem espernear que não vai ter doce! Para o Ministério da Saúde teremos um médico, porra! Ficou tristinho? Vai chorar na cama que é lugar quentinho!

Pois bom, voltemos aos ministérios, à redução deles pelo quase-o-meio, voltemos ao ” toma-lá-dá-cá nunca mais”.

O Presidente, ou quase, decidira: – Para reduzir a quantidade de ministérios, vamos começar pela junção do Ministério da Agricultura com o Ministério do Meio Ambiente, de modo que já passamos de 29 para 28 numa lapada só!

Nem vamos nos deter no fato de que se tratando de meio ambiente e não do ambiente inteiro esse ministério já devia ser apenas meio ministério, mas essa especulação poderia tumultuar o raciocínio e por isso passaremos batido nessa questão.

Pois bom, vamos ao fato:

Os ruralistas não aprovaram a idéia e disseram nem fudendo! E mandaram mudar isso.

Então, o presidente da tal UDR – União Democrática Ruralista, junto com 40 cabras do setor, foram ao então presidenciável e o encostaram na parede. Bolsa, ou seja lá o apelido que preferirem, reuniu-se com deputados da Frente Parlamentar Agropecuária, e o poder dos “lobbies” se impôs: ou dá ou desce!

E assim, a incômoda presença da filosofia e ideologia da proteção ao meio ambiente junto ao mesmo órgão que quer aumentar a produção agropecuária foi para as cucuias, face aos interesses dos agropecuaristas; imagina só, de repente a gente quer usar um defensivo do tipo PQPLT e não pode, porque o Puta Que Pariu Lascou-se Tudo triplica a produção dos grãos e dos frutos mas mata as viadas das abelhas que não servem para bosta nenhuma, só para fazer mel, liquida com os putos dos passarinhos que ficam enchendo o saco de manhã cantando nas janelas e acordando a gente e lasca com outros bichos que só prestam para comer a lavoura.

O que aconteceu? Os donos das terras, que antes acharam boa a idéia de juntar tudo para acabar com uma tal indústria das multas perceberam, de repente, que poderia ser um tiro no pé submeter em uma mesma instância interesses divergentes, a seu favor e contra.

Bolsonaro, como deputado de várias legislaturas, mais de quinze anos lá dentro, deveria saber, pelas práticas parlamentares de trocas indispensáveis à aprovação de projetos e demais interesses dentro do legislativo, que o presidente da república não consegue governar sem obter o apoio de maiorias e que esse papo de fim do toma-lá-dá-cá é conversa para boi dormir.

Pois, babou.

HADDAD VAI GANHAR

A pesquisa de 23/10/2018, do IBOPE, revelou que o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, tem, na capital onde ele teria governado mal, a mesma quantidade de votos que seu opositor.

A idéia geral é de que esse é um dos anúncios da virada a favor do candidato do PT.

É que São Paulo deveria ser, como centro do capital, pela força de sua indústria e comércio e por liderar o Paìs em todos os índices de crescimento e expansão, o reduto de maior importância para o candidato da extrema-direita, como o define a imprensa internacional, o que não aconteceu.

O neo-liberalismo surpreendeu ao perder sua supremacia ante a política popular do PT, que visa ao crescimento mediante a justa distribuição da renda nacional, impulsionando o consumo sem concentração do capital.

Corre a idéia de que Haddad, contra as previsões de âmbito nacional, deverá ganhar as eleições.

Circula pelas redes a mensagem, como notícia de última hora:

– Haddad vai ganhar.

VAMOS COMBINAR, ISSO SIM É FANATISMO

Fanático é, por definição, aquele que tem uma adesão obsessiva a uma pessoa ou a uma idéia, que pode levar ao extremo da intolerância.

Creio ser possível intuir que daí vem a palavra fã, que tem um significado mais suave, significando a pessoa que tem grande admiração por outra, que torce por determinado clube esportivo, ou que tem grande afeição por outra.

No entanto, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Explico: admirar alguém e, logo, sendo fã, não inclui no conceito a desavença com outrem, nem a intolerância por outra pessoa não compartilhar do mesmo sentimento.

Já o fanático, ao admirar alguém, ou ao aderir a uma idéia, torna-se intolerante a quem não compartilha dessa admiração ou não adere a uma idéia.

Eis, então, o surgimento do fenômeno Bolsonaro mediante a admiração, por ele, de pessoas que não admitem que eu não seja também seu admirador, consistente, ainda, na adesão dessas pessoas a suas idéias e sendo extremamente intolerantes com quem não esteja com elas de acordo.

Antes do aparecimento desse fenômeno, os fãs de Lula eram chamados de fanáticos, pelo simples fato de continuarmos a crer em sua inocência a despeito de sua condenação como corrupto pelo juiz Sérgio Moro e, em seguida, pela confirmação da sentença, com aumento de pena, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Nós podemos explicar, e o temos feito, nossas razões plenamente racionais para mantermos nossa convicção nessa inocência, baseadas essas razões no acompanhamento do processo respectivo e na verificação da inexistência de provas, no seu sentido jurídico estrito, capazes de sustentar a certeza da culpa do nosso líder.

Quanto a Bolsonaro, essa explicação parece menos provável.

É que trata-se de personagem que não apresenta, para tornar-se um líder, mais do que idéias estapafúrdias a respeito da segurança pública e sobre a aceitação das diferenças, tendo, a esse respeito, manifestado posições que repercutem como propostas retrógradas de comportamento social.

Uma delas consiste em possibilitar o acesso às armas de fogo pelas pessoas em geral, sem maiores dificuldades, como forma de garantir seu direito de autodefesa.

Trata-se de forma de resistência em geral desaconselhada por quem entende do riscado, sendo, mesmo, que o fato de o bandido supor que eu esteja armado pode não só não desestimulá-lo a assaltar-me, como pode aumentar-lhe a cobiça de levar-me também a arma.

As razões que determinaram a instituição do Estatuto do Desarmamento levaram em conta os debates a respeito da segurança pública e individual e consideraram que o estilo “faroeste” não levar à pacificação, mas ao aumento da violência – sendo que não parece haver uma relação entre o aumento da violência e a redução do porte de armas, devendo-se esse aumento a outros fatores sociais.

Mas – e aí o fanatismo entra em cena como um fator consciente em uns, psíquico e inconsciente em outros – a idéia de estar dotado do poder de armas de fogo tem o poder de despertar nos indivíduos sentimentos ancestrais algo instintivos de segurança.

Contudo, a humanidade resolveu delegar, a entidades e pessoas habilitadas, a nossa proteção, tais sejam as polícias e as forças armadas (e até mesmo, de forma indireta, a lei e o poder judiciário), de modo que retroagir a estados anteriores chega a ter aspecto até infantil, da criança que brinca, com armas de brinquedo, de matar inimigos fictícios.

Outro aspecto desse fanatismo nos conduz ao domínio de nossas idéias mais retrógradas e sórdidas, de superioridades raciais e de repúdio a certas minorias.
Deixamo-nos levar – ao aderir de modo irracional e intolerante a quem toca essa flauta – pelo pensamento de que negro é gente inferior, de que índios são preguiçosos e de que quilombolas são aproveitadores.

Também, a despeito de discursos demagógicos em contrário, reforçamos nossa convicção íntima a respeito da meritocracia, acreditando que a assistência social é, além de uma forma de manter e ampliar redutos eleitorais, algo que estimula a inércia, a indolência e a preguiça, esquecidos de que muitos, muitos milhões de indivíduos, passam pela absoluta falta de condições de trabalho capaz de levar o sustento a si e suas famílias.

E repetimos o triste refrão, equivocadamente aplicado aos que recebem auxílios como o Bolsa-Família, que “a esmola ao indivíduo que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

Ouvir esse tipo de argumento a esse respeito me mata de vergonha.

Pois, a cortina de fumaça que os fanáticos por Bolsonaro e por sua política atrasada utilizam é a luta contra a corrupção: todos esses defeitos citados são aceitáveis e até desejáveis, desde que o nosso líder ponha todos os bandidos na cadeia, nos dê um revólver para nos defendermos, coloque negros, índios e quilombolas em seus lugares, restaure a moralidade isolando os homossexuais para que parem de nos incomodar com sua presença e pare de dar dinheiro para vagabundo.

E quem não quiser seguir Bolsonaro e não estiver de acordo com suas idéias e ideais é bandido, safado, defensor de corrupto, traidor da Pátria e descrente em Deus.

Para completar, uma pitada de anticomunismo irracional e desprovido de base, fundado nas mais estapafúrdias teorias da conspiração, acompanhado das bandeiras ufanistas e religiosas – e o caldo esá pronto e servido.

Mas quem quer saber de racionalidade e dessas outras bobagens? Estamos falando de fanatismo!

TU E AS TUAS FALSAS IDÉIAS

Vocês – católicos e não católicos – votarão em Bolsonaro mas não por esses motivos que usam para esconder a sua verdadeira face.

Quem votar em Bolsonaro o fará porque curtiu a ditadura militar, acha que tortura é necessária para o cara abrir o pico na base da porrada, crê que a polícia precisa de licença para matar, acha que homossexuais, negros, índios e quilombolas são gente de terceira categoria, pensa que as mulheres também, tem certeza de que é preciso colocar um fuzil na mãos dos fazendeiros para que eles possam matar os Sem Terra (o “Efeito Bolsonaro” o justificará, como fazendeiros eliminaram tribos inteiras de índios em várias partes do Brasil a tiros para ocuparem suas terras).

Quem votar em Bolsonaro é a favor da privatização do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e de outros instrumentos que o Estado usa para a regulação da economia e do equilíbrio social, quer um Estado mínimo para que o capital possa expandir-se sem regras.

Quem votar em Bolsonaro é a favor da supressão de direitos dos trabalhadores para que os empresários aumentem sua margem de lucro e possam investir mais para enriquecer o País.

Quem votar em Bolsonaro quer uma reforma da previdência que sacaneie o segurado.

Seu vice vai mais além, gostaria de suprimir o décimo-terceiro salário e é a favor de um tal de auto-golpe, mas esses dois itens o candidato a presidente desautorizou dizendo que Mourão é general, mas imaturo politicamente e que embora ele seja general e Bolsonaro capitão, Bolsonaro é quem manda. Reze, se és religioso.

É estarrecedor como as pessoas crêem nas falsas idéias e as transformam em bases para suas atitudes concretas: – Eleitores de Bolsonaro parece terem vergonha de serem eleitores de Bolsonaro e usam de argumentos cortina-de-fumaça para justificar seu voto nele, ao invés de declararem que apóiam suas idéias atrasadas.

Circula por aí um quadro elaborado por carolas da Igreja Católica dizendo o seguinte:

1) HADDAD É A FAVOR DO SOCIALISMO/COMUNISMO:

Em seu primeiro discurso como candidato à Presidência pelo PT, Haddad lembrou os avanços sociais dos doze anos de governos do partido e questionou como eles incomodam setores da elite. “Sentar ao lado de um negro no avião ou nos bancos universitários: isso é comunismo na cabeça dessa elite?”.

Muitos acham que ser comunista, ou socialista no sentido estrito do termo, é praticar a assistência social, distribuir bolsa-família, proporcionar mais médicos para os destituídos, realizar programas de construção de moradia, fazer reforma agrária, facultar acesso de negros à universidade, dar dignidade aos pobres, reduzir mortalidade infantil e botar em avião gente que malemá andava de ônibus.

2) HADDAD É A FAVOR DO ABORTO

Lembremos manifestação de Haddad, afirmando que é preciso respeitar a Constituição. “No caso do aborto, eu pessoalmente sou contra. As mulheres enfrentam os desafios da vida de maneira própria. Temos que evoluir, temos que estabelecer políticas públicas oferecendo às mulheres condições de planejar suas vidas.”

3) HADDADE É CONTRA A LEGÍTIMA DEFESA

Dizer que Haddad é contra a legítima defesa é uma maluquice, pois ser contra a liberação do porte e uso de armas não quer dizer que se seja contra a defesa da própria vida:

A POSIÇÃO DO PT SOBRE LIBERAÇÃO DE ARMAS: No primeiro ano de seu governo, em 2003, Lula sancionou o Estatuto do Desarmamento, que restringiu o porte e a posse de armas no Brasil. O texto estabelecia também referendo popular, que foi realizado em 2005 e não proibiu a comercialização de armamento no país. “Esta lei do desarmamento certamente não será solução para tudo, mas é um passo excepcional que vai poder nos dar, até a realização do referendo, o grau de maturidade que o povo brasileiro tem para enfrentar esse problema”, disse Lula na ocasião.

4) HADDAD É CONTRA A FAMÍLIA TRADICIONAL

Dizer que Haddad, casado, pai de família consciente e amoroso, é “contra a família tradicional” baseia-se no fato de que Haddad é contra a discriminação contra homossexuais e demais minorias: Se isso é ser contra a família tradicional, eu também sou contra a família tradicional.

5) HADDAD É A FAVOR DAS DROGAS

Sobre Haddad ser “a favor das drogas”, trata-se de uma distorção, ou de uma meia verdade, Haddad está de acordo com proposta aceita pelo PT de estudo da discriminalização do uso de certas drogas, como a maconha, e sua venda e consumo serem objeto de regulamentação. Não se trata da liberação total e desregrada, mas de um dos elementos de combate ao tráfico. A proposta de Haddad é de que a legislação sobre o assunto seja revista e que as propostas decorrentes sejam objeto de estudo no Congresso Nacional, para deliberação. As opiniões sobre esse assunto são divididas.

6) HADDAD É CONTRA O LIVRE MERCADO

Dizer que Haddad é contra o livre mercado é uma forma de sugerir que Haddad é comunista e pretende instaurar comunismo no Brasil quando assumir o governo. Essa bobagem vem sendo dita contra o PT desde que o partido assumiu o poder em 2003 e, ao contrário disso, estimulou o livre mercado e a democracia vigorou com o livre mercado funcionando, a indústria, o comércio e os bancos crescendo e lucrando e o povo em liberdade, a imprensa livre e o pobre comendo e sendo feliz. É mais uma mentira para tirar apoio de Haddad.

7) HADDAD É CONTRA A RELIGIÃO

Haddad se define como cristão ortodoxo. Durante as eleições à prefeitura de São Paulo em 2012, acusou líderes evangélicos de atacarem sua honra e difundirem mentiras sobre o governo de Dilma Rousseff.

Sua mãe, Norma Teresa Goussain, é espírita (kardecista). O avô de Haddad, Cury Habib Haddad, tornou-se padre da Igreja Ortodoxa Grega de Antioquia após ficar viúvo. Fernando Haddad é casado e tem dois filhos: Frederico e Ana Carolina.

Dizer que Haddad é “contra a religião” é tão ridículo que nem dá vontade de comentar. Dizem isso porque acreditam que ele é comunista e comunista, segundo o pensamento geral, é contra a religião. Pois, Haddad nem é comunista, nem é contra a religião.

8) HADDAD É A FAVOR DA IDEOLOGIA DE GÊNERO

Sobre “ideologia de gênero” é preciso, primeiro, dizer que o candidato Bolsonaro produziu vários vídeos com inverdades sobre a política do Ministério da Educação quando Haddad era Ministro da pasta. A verdade: Haddad é favorável à educação sexual nas escolas, ao ensinamento das diferenças, sua compreensão e aceitação; é favorável à educação das crianças, adolescentes e jovens contra a homofobia. Já Bolsonaro, suas declarações foram em várias ocasiões homofóbicas – algo como ser contra a existência de viados e lésbicas.

PAPO DO ELEITOR ODARA COM TESÃO DE VOTAR

Eu queria enfiar meu voto dentro da urna, como era antigamente.

Antigamente, havia uma simbologia sexual na forma de votar.

Havia um buraco e a gente ia e enfiava lá.

É claro que o que a gente enfiava era um pedaço de papel, chamado cédula.

Mas, pergunte ao Freud se isso não era o mesmo que meter.

Hoje, ao votar tentei fantasiar que estava tocando com o dedo, entendes?

Mas não foi a mesma coisa.

Não senti aquele gozo que a gente sentia quando votava enfiando o voto no buraco.

Deu só um leve frisson.

Agora dizem que a tal da urna eletrônica é melhor, mais moderna, mais rápida

Mas… quem quer saber de uma rapidinha?

A gente gosta de demorar, acarinhar.

Eu mesmo, quando votava antigamente, fiava um tempo na cabine, brincando, enfiando e tirando, enfiando e tirando, até que o mesário gritasse como é que é e eu tinha de sair.

Hoje, o gozo só ocorrerá, se acontecer, quando anunciarem o resultado da votação e disserem: Haddad ganhou!

Porém, vou brochar se disserem Bolsonaro.

Aí fudeu.

Bem, se fudeu pelo menos fudeu.

Espero que não seja do tipo relaxa e aproveita.

Entende?

Ah, que saudades da urna com buraco.

Se pelo menos a urna eletrônica desse um choquinho.

Taí uma idéia, uma urna eletrônica com um buraco, em vez de botão.

Tu enfias o dedo, vota, e ainda levas um choquinho.

Ô tezão!

BOLSONARO JÁ GANHOU

Hora de abaixar as armas e voltar para casa.

Bolsonaro já ganhou. Hoje é o dia 4 de outubro de 2018, dia 7 teremos as eleições, graças às urnas eletrônicas, das quais o Brasil é pioneiro, teremos, sem qualquer fraude, o resultado quase que imediatamente divulgado.

É certo, favas contadas: Dia 1º de janeiro de 2019 assume a presidência da república federativa do Brasil o senhor Jair Messias Bolsonaro.

O Messias chegou. Não aquele, mas esse também esperado.

E todos esperamos que ele faça milagres.

Nascido em Glicério, SP, aos 21 de março de 1955, tendo atualmente, portanto, 63 anos de idade, nosso herói é católico apostólico romano, casado em segundas núpcias, é militar, capitão da reserva do exército, e político há muito tempo,pois começou como vereador na cidade do Rio de Janeiro em 1989..

Está em seu sétimo mandato atualmente, pelo PSL, e em seu oitavo partido político. Passou por PDC, PP, PPR, PPB, PTB, PFL e PSC (pelo PP passou duas vezes).

Foi o deputado mais votado â Câmara Federal em 2014 pelo Estado do Rio de Janeiro, é considerado o parlamentar mais influente nas redes sociais, e isso deve revelar ter sido um deputado atuante.

Millôr Fernandes disse que imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados.

Como não sou imprensa e armazém de secos e molhados a gente nem sabe mais o que é, vou apoiar o governo, qualquer que seja o governo, porque governo sem apoio afunda.

Só espero que depois da facada, tendo estado à beira da morte, ele tenha dado um grau nas suas idéias, que, segundo a Wikipédia, seriam mais ou menos as seguintes:

Bolsonaro “tornou-se conhecido por suas posições populistas, pela defesa da ditadura militar de 1964, por suas críticas à esquerda, por ter considerado a tortura uma prática legítima, por posições contrárias aos direitos LGBT e por várias outras declarações controversas, as quais lhe renderam cerca de trinta pedidos de cassação e três condenações judiciais. Apesar de seus posicionamentos serem amplamente classificados na extrema-direita do espectro político, ele rejeita tal categorização.

Em entrevista ao quadro Dois Dedos de Prosa do Programa do Ratinho, Bolsonaro foi questionado sobre sua opinião sobre a unificação das polícias militar e civil. Em resposta o político afirmou que não a apóia, justificando que “a polícia civil tem uma função e a polícia militar tem outra”, que “se as polícias forem unificadas, serão tirados os uniformes delas”, e que “terão problemas infindáveis nisso”.

Em 2016, se posicionou contrário a anistia ao caixa 2, uma emenda articulada principalmente por partidos e parlamentares envolvidos na Operação Lava Jato, para anistiar crimes de caixa 2. Em outubro de 2016, o parlamentar participou de um evento em Brasília em apoio à liberação da vaquejada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro já condenou publicamente a homossexualidade e se opõe à aplicação de leis que garantam direitos LGBT, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de filhos por casais homossexuais, além da alteração no registro civil para transexuais.

Também discorda da aplicação de ações afirmativas, como cotas raciais para afro-brasileiros. Em 2006, como forma de protesto contra a formulação de políticas de cotas nas universidades públicas, o deputado apresentou um projeto de lei complementar na Câmara dos Deputados, propondo o estabelecimento de cotas para deputados negros e pardos. Bolsonaro admitiu em seguida que, se o projeto fosse à votação, seria contra ele.

Ao ser questionado sobre se aumentaria a participação feminina em um eventual governo, Bolsonaro respondeu: “Tem que botar quem dê conta do recado. Se botar as mulheres vou ter que indicar quantos afrodescendentes?”

Também defende a revogação do Estatuto do Desarmamento e que o proprietário rural tenha direito de adquirir fuzis para evitar invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Além disto, apresentou um projeto de lei que estabelece a castração química voluntária como condição para que uma pessoa condenada por estupro possa progredir o regime de pena.

Ele se posiciona de forma contrária à legalização das drogas e, em entrevista dada ao programa CQC em abril de 2011, reiterou afirmações anteriores sobre o tema ao ser questionado sobre como reagiria caso seu filho fosse usuário de drogas: “Daria uma porrada nele, pode ter certeza disso”.

Em várias entrevistas, Bolsonaro também se posicionou favoravelmente à instituição da pena de morte no Brasil para casos de crimes premeditados pois, segundo ele, “o bandido, ele só respeita o que ele teme”. Também é a favor da redução da maioridade penalpara 16 anos.

Em 2000, Jair Bolsonaro defendeu, numa entrevista à revista IstoÉ, a utilização da tortura em casos de tráfico de droga e sequestro e a execução sumária em casos de crime premeditado. Ele justifica seu posicionamento ao dizer que “o objetivo é fazer o cara abrir a boca” e “ser arrebentado para abrir o bico”. De acordo com a entrevista de 2000 concedida à IstoÉ, Bolsonaro ainda defende a censura, embora não especifique de qual tipo. Apesar destas afirmações, recentemente o político afirmou que nunca foi favorável a tortura.

NÓS VAMOS TOMAR O PODER, MAS NUMA BOA

Como José Dirceu não é burro, nem imprudente de afirmar que o PT pretende tomar o poder à força, sem ganhar eleições, deveríamos, ao interpretar que ele está fazendo uma proposta de revolução armada, desconfiar de nossa capacidade de ler, interpretar e compreender.

Assim desconfiando, procuraríamos aguçar nossa inteligência para alcançar o sentido das palavras do entrevistado, quando perguntado, a certa altura, pelo jornal El País, sobre a implícita possibilidade de um golpe militar para impedir que o PT volte ao poder:

– Dentro desse contexto, o senhor acha que existe a possibilidade de o PT ganhar essas eleições e não levar?

Resposta do Zé: Acho improvável que o Brasil caminhará para um desastre total. Na comunidade internacional isso não vai ser aceito. E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição.

Evidentemente, a resposta considera que se o PT ganhar é improvável que não leve, pois se isso acontecesse o Brasil estaria caminhando para o desastre total, sendo que a comunidade internacional não aceitaria tal golpe, golpe que inviabilizaria muitos dos aspectos da governabilidade. Essa é a primeira parte da leitura correta.

A segunda parte considera, então, que se o PT vencer o PT assume. E assumindo, trabalhará para tomar o poder (o que será uma questão de tempo, não se dará de uma hora para outra, mas com trabalho para que ocorra), o que, como ele diz, é diferente de ganhar uma eleição (“uma eleição”, isto é, qualquer eleição).

Pois, o que ele quer dizer com “tomar o poder”?

Quem quer, realmente, saber, deveria ler a entrevista completa, para compreender que ele se reporta ao fato de o PT não ter podido fazer as reformas, enquanto governou, por não ter, de verdade, tido o poder tão amplo quanto deveria para fazê-lo.

Tomar o poder, na expressão de José Dirceu, que foi tida, burramente, como significando um ato de força, na verdade quer dizer revestir-se do poder que a assunção do governo permite em sua totalidade, para fazer tudo aquilo de que o País necessita, mas que forças em contrário se opõem com força maior.
Ou seja: Trata-se de ser tão forte quanto possível. Assumir paulatinamente o poder com coragem, força e disposição total.

Arrisco-me a ir ainda além na interpretação: José Dirceu acredita que esse poder, que vem do povo e em seu nome será exercido, deve, em nome desse mesmo povo, ser tomado em sua totalidade graças mesmo ao próprio povo, ao apoio popular, para que assim seja, o que não ocorreu nos governos petistas anteriores.

Pois, estamos a uma semana das eleições, e se até tentativa de matar um candidato já houve, não é de estranhar que atos menores de terrorismo, como esse de distorcer palavras para tentar alcançar a vitória, derrubando candidatos e partidos, se multipliquem – não foi o primeiro e não será o último.
Aguardem! Se Haddad vencer, se o povo der maioria ao PT, teremos, novamente, período de paz e prosperidade, de preferência sem “alianças espúrias”, mas, se necessário, com elas.

Tudo pelo povo e para o povo.

Enfim, não se preocupem, esqueçam as fantasias e as teorias da conspiração: José Dirceu não disse que o PT quer fazer uma revolução armada para transformar o Brasil numa Cuba, Venezuela ou Coréia do Norte.

FAZER PAPEL DE PALOCCI

Deixa eu explicar umas coisas, para vocês que estão abandonando a luta.

O PT é o partido político que tem os melhores ideais. É o que visa em primeiro lugar a assistência aos mais desprotegidos, sem descuidar da economia em geral e dos processos de desenvolvimento.

Digo isso baseado principalmente nos oito anos do governo do Lula.

O primeiro mandato da Dilma, de 2011 a 2014, também foi bom, segundo os indicativos econômicos e sociais e de acordo com as minhas apreciações pessoais.

O problema ocorreu no fim do primeiro mandato da Dilma, a partir de maio de 2014, crise que teve vários componentes, uns nacionais (como a situação climática, que levou à crise energética e a problemas na agricultura e na pecuária), uns internacionais (ligados ao preço internacional do petróleo, à exploração do xisto pelos Estados Unidos e à diminuição de compras pela China, especialmente do nosso ferro – dentre outros).

Além de tudo isso, a crise foi agravada pela crise política, artificialmente criada pelo oportunismo liderado por Cunha, levando ao “impeachment” da presidente Dilma Roussef.

Vamos lembrar: o “impeachment” foi um golpe de Estado, uma vez que, reconhecidamente pelos próprios deputados e senadores, não houve crime, mas sua retirada do poder “pelo conjunto da obra”, ou seja, tiraram porque queriam tirar e a oportunidade se apresentou.

Se abandonamos o PT agora, estamos apoiando o golpe de Estado que eles deram, estamos baixando a cabeça para o “impeachment”.

E quanto ao Lula:

O golpe tem seqüência com a perseguição a Lula. Alguns processos perderam força, por serem exageradamente ridículos: foi o caso do processo do armazenamento do acervo presidencial pago pela OAS, em que Lula foi absolvido.

Sabemos que é tudo uma armação, que Lula está sendo condenado, como foi no caso do apartamento triplex e será no caso do Sítio de Atibaia, sem provas, apenas por suspeitas e ilações, fundadas em delações premiadas feitas por interesse em obter vantagens.

Se abandonarmos Lula agora, estaremos concordando em que ele seja condenado e preso em processos sem provas.

Enfim: Nós vamos abandonar o PT e o Lula?

Nós vamos baixar a cabeça aos golpes?

Nós vamos nos filiar a um outro projeto de governo, diferente dos projetos do Lula e do PT, sabendo que Lula e o PT têm as melhores idéias e ações para o
Brasil?

Há muitas possibilidades de um bom governo, mas abandonar as nossas idéias e o velho companheiro agora é fazer papel de Palocci.

CAPAS DA VEJA QUE NUNCA VEREMOS

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GILMAR MANDA SOLTAR LULA E ANULAR TODOS OS SEUS PROCESSOS

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BOLSONARO RENUNCIA DOIS MESES APÓS ELEITO. GENERAL MOURÃO É O NOVO PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

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NEVE EM CUIABÁ PREJUDICA COMPARECIMENTO DE ELEITORES ÀS URNAS

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CIRO GOMES INDICADO NOVAMENTE AO NOBEL DA PAZ

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FINALMENTE PROVADO: NÃO EXISTIU O MENSALÃO. FOI TUDO ARMAÇÃO DE JEFFERSON

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JORNAL DA BESTA FUBANA COMPRA A REDE GLOBO SOB OS PROTESTOS DE SÍLVIO SANTOS

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GOVERNO DE SÃO PAULO RECUPERA O RIO TIETÊ PARA NATAÇÃO E PESCA

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BOLSONARO GANHA VÁRIOS PONTOS APÓS ATENTADO

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BRASIL É HEXA NO CURLING

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METADE DA POPULAÇÃO MUNDIAL ADERE E VEGANISMO CONTINUA AVANÇANDO

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BRASIL PRIMEIRO NO RANKING DOS MENOS CORRUPTOS

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FIM DO AUXÍLIO MORADIA

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EYMAEL E MEIRELLES VÃO PARA O SEGUNDO TURNO

A ABSOLVIÇÃO DE UM E A CONDENAÇÃO DE OUTRO

O julgamento de Renan Calheiros, que o Supremo Tribunal Federal acaba de fazer, é significativo para a comparação dos critérios usados por tribunais e juízes no momento de interpretar os elementos dos processos e decidir sobre condenação e absolvição.

Antes que se oponham críticas ideológicas à absolvição de Renan Calheiros, convém adiantar que o relator do processo, que a propôs, foi o, para os habituais opositores das decisões da Segunda Turma, insuspeito Edson Fachin, que,  fazendo jus a sua fama de jurista competente, desancou o Ministério Público,  renitente em oferecer meras suposições como sendo indícios e provas concretas, no mais das vezes apoiado em delações que não se podem tomar como insuspeitas.

Dentre outras coisas, disse ele que a narrativa desenvolvida pela Procuradoria Geral da República não dá suporte seguro para a ação penal iniciada.

Lembrando que na acusação se dizia que Renan e os demais  parlamentares indiciados teriam atuado para manter Paulo Roberto Costa em uma diretoria da Petrobras e, em contrapartida, que o ex-diretor teria agido para que a Serveng mantivesse contratos com a estatal e que entre os elementos que reforçariam a versão de delatores estaria a presença de Renan no velório de uma das pessoas supostamente envolvidas no esquema,  Fachin criticou o argumento absurdo.

Disse ele em seu voto, sobre isso, que  a pretensão de relacionar uma suposta facilitação no repasse de doações eleitorais à presença de Renan no velório de uma correligionária, que presidia, à época dos fatos, o comitê financeiro estadual para senador da República, bem como ao comparecimento ao seu enterro, reforça, pela simploriedade do argumento, a conclusão pela inexistência de justa causa para o recebimento da denúncia.

Outros defeitos foram analisados e serviram para fundamentar a decisão da Turma no sentido de absolver Renan Calheiros, que teve suas atividades parlamentares e particulares seriamente comprometidas por muitos anos de acusações insubsistentes.

É claro – e não quero deixar que se tomem minhas palavras como indiretas – que me refiro, ao falar da comparação entre certas decisões judiciais,  precisamente ao processo em que o Juiz Sérgio Moro condenou Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e à confirmação da sentença pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com aumento de pena.

No caso do Renan,  a decisão da 2ª Turma do STF considerou que sequer pode-se tornar ré uma pessoa com base em delação premiada que não esteja acompanhada de provas que corroborem a versão do delator.

No caso de Lula, a decisão do juiz Sérgio Moro, confirmada e agravada pelo TRF4, não parece firmar-se em provas concretas, mas em delações,  indícios e ilações que levaram ao chamado livre convencimento do juiz.

E é preciso entender – destaque que faço – que para o convencimento do julgador não devem entrar em cena, como provas, nem as delações premiadas, nem as suspeitas, nem os indícios, nem as meras ilações, e muito menos as convicções pessoais do juiz: é indispensável que, em face dos princípios de presunção de inocência e de que em dúvida deve-se julgar a favor do réu, há de a sentença condenatória fundar-se em provas irrefutáveis, vale dizer, concretas e cabais.

Sem isso, a justiça se tornará algo aleatória, o que não se pode admitir em um sistema onde se pretende que prevaleçam as leis e o senso de isenção e imparcialidade – o chamado Estado de Direito.

Vale lembrar a impressionante quantidade de juristas e operadores do Direito que se manifestaram publicamente contra a decisão que condenou Lula, apontando suas deficiências.

Por fim, reforça-se, do exposto, a tese de que  é danosa  a perda do foro especial por afastamento do cargo, submetendo o indiciado à possibilidade de interferências alheias ao mundo jurídico em seu julgamento, sejam a comoção social, a ação da imprensa, as preferências políticas e ideológicas, as simpatias e antipatias pessoais, as pressões inconscientes e, até mesmo, os interesses de grupos capazes de promover uma perseguição processual e o uso do “law fare”.

É preciso cuidado com a postura que se possa tomar em determinado momento histórico de realizar uma limpeza na sociedade a todo o custo ainda que justos paguem por pecadores – os fins justificando os meios em processos de justiçamento revestidos das formalidades legais, mas que em última instância constituem verdadeiros linchamentos.

PUM

Segundo inúmeros vídeos recentes no Youtube, pesquisas científicas revelam que cheirar peido melhora a saúde das pessoas em vários aspectos.
Parece gaiatice, mas não é.

Um desses vídeos informa que pesquisa realizada na Universidade de Exter, na Inglaterra, conduzida pelo Prof. Matt Witeman, descobriu que os gases intestinais expelidos e aspirados ajudam a combater doenças e a prolongar a vida.

Quanto mais se cheira, melhor saúde e longevidade garantida, se bem que com menos qualidade de vida, porque viver cheirando peido não melhora o IDH de ninguém.

Os benefícios da aspiração dos gases podres ocorrem graças ao sulfeto de hidrogênio, que fede pra dedéu; e quanto mais fedorento o pum, mais medicinal ele é, reduzindo os riscos de câncer, ataque cardíaco, artrite e demência.

Que ninguém se surpreenda se as farmácias começarem a vender peido engarrafado como remédio.

MEDALHA

Saiu numa revisa cientifica
Que é bom para o organismo cheirar pum.
Mereço então medalha honorífica
Porque acabo de soltar mais um.

Já muitos eu soltei recentemente,
Pois sei que segurar o meu fudum
Pode fazer até ficar demente:
– Melhor um pum do que ficar doente!

Os meus já espalhei o quanto pude!
Espero que a pressão sempre me ajude,
Pois a ciência eu sei que nunca mente.

Dizendo isso até pareço rude:
– Se cheirar peido é bom para a saúde,
Minha mulher vai viver eternamente.

CHAMEM O BESSIAS!

Lamentamos que Jair Bolsonaro tenha sofrido o atentado a sua vida, alegra-nos que ele tenha sido socorrido a tempo e esteja a salvo e que permaneça na disputa.

Em um emocionado discurso, no dia 16 de setembro de 2018, do leito do hospital, disponível no Youtube (disponível o discurso, não o leito no hospital), ele disse belas coisas, quanto a suas intenções para o Brasil – e nós compartilhamos das boas intenções para o nosso País, embora devamos usar métodos diferentes para concretizá-las,

E ele deu a nós, petistas, lulistas, esquerdistas brasileiros, mais uma importante razão para votarmos em Fernando Haddad para Presidente da República.

Afirmou que o primeiro ato de Haddad na presidência – e isso revestiu-se de um tom profético, de que Haddad será eleito presidente – será assinar o ato de indulto de Lula. (Ele disse que Haddad disse isso, mas Haddad não o disse; segundo o noticiário, foi o Pimentel que disse que Haddad o faria).

Jair Bolsonaro disse mais, que, em seguida, já, imediatamente, Haddad nomeará Lula para a Chefia da Casa Civil.

E assim, Jair Bolsonaro revelou-se o melhor garoto-propaganda que Haddad poderia ter.

Com essas afirmações, incita-nos a votar de olhos fechados em Haddad, de olho na graça a Lula e em sua nomeação à Chefia da Casa Civil!

Mas, tem uns probleminhas: a concessão da graça (que é o indulto individual) depende de certas circunstâncias, sendo uma delas o trânsito em julgado, embora haja alguma vacilação quanto à interpretação, se trata-se do trânsito em julgado quanto ao réu recorrente ou quanto ao Ministério Público, particularidade de compreensão pouco inteligível para nós, os “de fora”.

Seja como for, a decisão final depende de avaliação do Poder Judiciário a respeito dessas condições.

E sabemos, ainda, que o indulto apenas libera do cumprimento da pena, não restitui os direitos de cidadania.

De modo que o Bessias de terá de entrar novamente em cena para resolver essa parada.

Além da fala a respeito do indulto, devemos comentar a suspeita de Jair Bolsonaro de que as urnas serão fraudadas, e mais uma vez em favor do PT, (surpreendentemente, ainda que o PT esteja fora do governo ele conseguirá fraudar as urnas).

Essas suspeitas que nos obrigam, a nós, petistas, a votarmos maciçamente em candidatos do PT, tão maciçamente que o peso dos números deixará fora de dúvidas que não ocorre fraude em favor do PT: – Ocorre desfraldar – o desfraldar de nossas bandeiras, bandeira do partido e bandeira do Brasil.

Mas… essa questão de urnas fraudadas seria uma Teoria da Conspiração? Por que perguntamos isso? Ora, é porque pau que dá em Chico dá em Francisco! Se é tão fácil fraudar, se o PT pode fazer isso qualquer outro partido também pode!

Salve-se quem puder, porque os candidatos que vencerem as eleições serão todos suspeitos fraudadores de urnas! Que se preparem os “hackers” para a demanda de sua mão de obra!

Estará Jair Bolsonaro fazendo o inconveniente e contraditório convite ao voto em branco, passando a idéia de “por que votar no meu candidato se meu voto não vale nada?”. Mas Jair Bolsonaro é candidato! E o melhor colocado nas pesquisas de intenção de voto!

Concluo afirmando que um mínimo de bom senso indica que as Torres Gêmeas não foram derrubadas pelo governo norte-americano, que o homem foi, sim, à Lua, que a Terra não é plana e que os vencedores das eleições têm sido aqueles que o povo escolhe, sem essa balela de urnas fraudadas.

Pois, vamos às urnas! Voto consciente! Em peso nos candidatos do PT! Haddad na cabeça!

CARTA ABERTA, AO BERTO E AO POVO BRASILEIRO

Há poucos dias escrevi uma carta aberta ao Supremo Tribunal Federal. Os Ministros a estas alturas já leram e estão tomando as providências necessárias, das quais a primeira será tirar Cármen Lúcia da presidência e colocar Tóffoli em seu lugar.

Sabendo do que eu fiz, Lula resolveu me imitar e escrever uma carta ao povo brasileiro, o que lhe deve ter custado grande esforço, porque dizem que ele não sabe escrever, imaginem se soubesse!

Lula disse o seguinte, meus amigos e minhas amigas:

Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República. Na verdade, proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do país.

Nunca aceitei a injustiça nem vou aceitar. Há mais de 40 anos ando junto com o povo, defendendo a igualdade e a transformação do Brasil num país melhor e mais justo. E foi andando pelo nosso país que vi de perto o sofrimento queimando na alma e a esperança brilhando de novo nos olhos da nossa gente. Vi a indignação com as coisas muito erradas que estão acontecendo e a vontade de melhorar de vida outra vez.

Foi para corrigir tantos erros e renovar a esperança no futuro que decidi ser candidato a presidente. E apesar das mentiras e da perseguição, o povo nos abraçou nas ruas e nos levou à liderança disparada em todas as pesquisas.

Há mais de cinco meses estou preso injustamente. Não cometi nenhum crime e fui condenado pela imprensa muito antes de ser julgado. Continuo desafiando os procuradores da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e o TRF-4 a apresentarem uma única prova contra mim, pois não se pode condenar ninguém por crimes que não praticou, por dinheiro que não desviou, por atos indeterminados.

Minha condenação é uma farsa judicial, uma vingança política, sempre usando medidas de exceção contra mim. Eles não querem prender e interditar apenas o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Querem prender e interditar o projeto de Brasil que a maioria aprovou em quatro eleições consecutivas, e que só foi interrompido por um golpecontra uma presidenta legitimamente eleita, que não cometeu crime de responsabilidade, jogando o país no caos.

Vocês me conhecem e sabem que eu jamais desistiria de lutar. Perdi minha companheira Marisa, amargurada com tudo o que aconteceu a nossa família, mas não desisti, até em homenagem a sua memória. Enfrentei as acusações com base na lei e no direito. Denunciei as mentiras e os abusos de autoridade em todos os tribunais, inclusive no Comitê de Direitos Humanos da ONU, que reconheceu meu direito de ser candidato.

A comunidade jurídica, dentro e fora do país, indignou-se com as aberrações cometidas por Sergio Moro e pelo Tribunal de Porto Alegre. Lideranças de todo o mundo denunciaram o atentado à democracia em que meu processo se transformou. A imprensa internacional mostrou ao mundo o que a Globo tentou esconder.

E mesmo assim os tribunais brasileiros me negaram o direito que é garantido pela Constituição a qualquer cidadão, desde que não se chame Luiz Inácio Lula da Silva. Negaram a decisão da ONU, desrespeitando o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos que o Brasil assinou soberanamente.

Por ação, omissão e protelação, o Judiciário brasileiro privou o país de um processo eleitoral com a presença de todas as forças políticas. Cassaram o direito do povo de votar livremente. Agora querem me proibir de falar ao povo e até de aparecer na televisão. Me censuram, como na época da ditadura.

Talvez nada disso tivesse acontecido se eu não liderasse todas as pesquisas de intenção de votos. Talvez eu não estivesse preso se aceitasse abrir mão da minha candidatura. Mas eu jamais trocaria a minha dignidade pela minha liberdade, pelo compromisso que tenho com o povo brasileiro.

Fui incluído artificialmente na Lei da Ficha Limpa para ser arbitrariamente arrancado da disputa eleitoral, mas não deixarei que façam disto pretexto para aprisionar o futuro do Brasil.

É diante dessas circunstâncias que tenho de tomar uma decisão, no prazo que foi imposto de forma arbitrária. Estou indicando ao PT e à Coligação “O Povo Feliz de Novo” a substituição da minha candidatura pela do companheiro Fernando Haddad, que até este momento desempenhou com extrema lealdade a posição de candidato a vice-presidente.

Fernando Haddad, ministro da Educação em meu governo, foi responsável por uma das mais importantes transformações em nosso país. Juntos, abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, negros, indígenas, filhos de trabalhadores que nunca tiveram antes esta oportunidade. Juntos criamos o Prouni, o novo Fies, as cotas, o Fundeb, o Enem, o Plano Nacional de Educação, o Pronatec e fizemos quatro vezes mais escolas técnicas do que fizeram antes em cem anos. Criamos o futuro.

Haddad é o coordenador do nosso Plano de Governo para tirar o país da crise, recebendo contribuições de milhares de pessoas e discutindo cada ponto comigo. Ele será meu representante nessa batalha para retomarmos o rumo do desenvolvimento e da justiça social.

Se querem calar nossa voz e derrotar nosso projeto para o País, estão muito enganados. Nós continuamos vivos, no coração e na memória do povo. E o nosso nome agora é Haddad.

Ao lado dele, como candidata a vice-presidente, teremos a companheira Manuela D’Ávila, confirmando nossa aliança histórica com o PCdoB, e que também conta com outras forças, como o PROS, setores do PSB, lideranças de outros partidos e, principalmente, com os movimentos sociais, trabalhadores da cidade e do campo, expoentes das forças democráticas e populares.

A nossa lealdade, minha, do Haddad e da Manuela, é com o povo em primeiro lugar. É com os sonhos de quem quer viver outra vez num país em que todos tenham comida na mesa, em que haja emprego, salário digno e proteção da lei para quem trabalha; em que as crianças tenham escola e os jovens tenham futuro; em que as famílias possam comprar o carro, a casa e continuar sonhando e realizando cada vez mais. Um país em que todos tenham oportunidades e ninguém tenha privilégios.

Eu sei que um dia a verdadeira Justiça será feita e será reconhecida minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o governo do povo e da esperança. Nós todos estaremos lá, juntos, para fazer o Brasil feliz de novo.

Quero agradecer a solidariedade dos que me enviam mensagens e cartas, fazem orações e atos públicos pela minha liberdade, que protestam no mundo inteiro contra a perseguição e pela democracia, e especialmente aos que me acompanham diariamente na vigília em frente ao lugar onde estou.

Um homem pode ser injustamente preso, mas as suas ideias, não. Nenhum opressor pode ser maior que o povo. Por isso, nossas ideias vão chegar a todo mundo pela voz do povo, mais alta e mais forte que as mentiras da Globo.

Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República.

E peço que votem nos nossos candidatos a governador, deputado e senador para construirmos um país mais democrático, com soberania, sem a privatização das empresas públicas, com mais justiça social, mais educação, cultura, ciência e tecnologia, com mais segurança, moradia e saúde, com mais emprego, salário digno e reforma agrária.

Nós já somos milhões de Lulas e, de hoje em diante, Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros.

Até breve, meus amigos e minhas amigas. Até a vitória!

Um abraço do companheiro de sempre.

Aí ele assinou em baixo esse que é um convite para que elejamos Haddad e, de quebra, toda a nossa cambada petista, ou na falta delas os aliados, para a Câmara Federal, Senado, Governos, Câmaras estaduais e Prefeituras.

Vamos nessa! Mostrar nossa força e colocar novamente o povo na pauta do governo e da política.

O mundo é um moinho e nós somos água. Pura e cristalina.

CARTA ABERTA AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL SOBRE A NULIDADE DO PROCESSO QUE CONDENOU LULA

A condenação do ex-presidente Lula por sentença exarada pelo juiz da 13ª Vara da Justiça Federal, confirmada em segunda instância no Tribunal Federal da 4ª Região, criou o incômodo fenômeno de demonstrar que divergências internas, umas atuais e outras conflitantes no tempo, fragilizam a Suprema Corte, ao colocarem, em destaque, profundos conflitos de entendimento jurídico, os quais tornam o Direito instável e prejudicam a segura aplicação da Justiça.

Veremos que embora a matéria se refira ao cumprimento antecipado da pena por Lula, determinado por Acórdão da 8ª Turma do E. Tribunal Federal da 4ª Região, o principal responsável pela prisão irregular do ex-presidente da república é, em última instância, o STF.

Ficará claro que a competência para julgar ex-presidente da república por crime comum praticado no exercício do cargo é da alçada do STF.

O art. 101, b, da Constituição Federal, estabelece caber originariamente ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar originariamente o Presidente da República nas infrações penais comuns.

Interpretação corrente considerou que o dispositivo visa, ao ascender o julgamento do presidente da república à mais alta hierarquia do poder judiciário, a dar ao cargo, na pessoa do seu ocupante, o destaque, o relevo e a dignidade da presidência.

Essa visão procura compatibilizar o princípio da igualdade de todos perante a lei com um aparente privilégio; isto é, o foro especial não privilegiaria a pessoa do ocupante do cargo, mas o próprio cargo, o que dissiparia o favorecimento em razão da pessoa.

Mas, ao contrário disso, como será demonstrado, o chamado “foro privilegiado” não visa à importância do cargo, ou à preservação da dignidade de alguns cargos e de certas funções de relevo na administração pública.

O que se visa preservar – e este é o ponto central da argumentação – é, efetivamente, a pessoa do ocupante do cargo de relevo, para evitar que, no curso de ações penais, possa ser ele objeto de vitimização e de perseguições de toda ordem, ou, melhor dizendo, para criar obstáculos a que elementos externos ao mundo estritamente jurídico interfiram no processamento e no julgamento da ação penal, podendo favorecer processos persecutórios conscientes ou inconscientes.

Crer que o foro por prerrogativa de função está ligado ao cargo é, efetivamente, considerar que o cargo estabelece diferenças entre as pessoas, de modo que tal fundamento, este sim, contraria o princípio da aequalitas ante legem, atribuindo a determinada pessoa um privilégio ligado a sua importância na hierarquia administrativa e conseqüentemente na escala social.

Por isso, em contrário a tal crença, até 2001 prevalecia a Súmula 394 do Supremo Tribunal Federal, que estabelecia, in verbis:

SÚMULA 394: Cometido o crime durante o exercício funcional, prevalece a competência especial por prerrogativa de função, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exercício.

A Súmula 394 foi então cancelada ante o argumento de que, sendo a prerrogativa inerente à função, deve a prerrogativa cessar com o afastamento do ocupante do cargo “por não tê-la estendido mais além a própria Constituição”:

Ação Penal. Questão de ordem sobre a competência desta Corte para prosseguir o processamento dela. Cancelamento da Súmula 394. Depois de cessado o exercício da função, não deve manter-se o foro por prerrogativa de função, porque cessada a investidura a que essa prerrogativa é inerente, deve esta cessar por não tê-la estendido mais além a própria Constituição.

[AP 315 QO, rel. min. Moreira Alves, P, j. 25-8-1999, DJ de 31-10-2001.]

Dir-se-á que uma carta aberta não deve ser o instrumento para o debate da inconsistência jurídica de um posicionamento da Suprema Corte a respeito de determinado tema. Não o seria se os argumentos pudessem ser utilizados para um pedido de habeas corpus, por exemplo. Contudo, é o próprio STF, que construiu uma estrutura jurídica baseada em entendimentos controversos, que impede que tal tipo de pedido prospere, ao decidir que o foro por prerrogativa de função cessa em uma instância e se desloca “para baixo” quando o ocupante deixa o cargo. O fez de tal modo que, embora inadequado, o entendimento estabeleça barreira insuperável por outro meio que não seja o da revisão interna.

Não se trata de tema de pouca relevância: cuida-se da questão do foro competente para julgar um ex-presidente da república em clima de intensos embates políticos, no sentido estrito do termo “política”, em ambiente de vigorosa comoção social, de confrontos altamente polarizados politicamente, socialmente e, até, com importantes repercussões históricas.

Claramente, divergências ideológicas, no seu sentido mais amplo, estabeleceram e permanecem estabelecendo verdadeiro tumulto emocional, contaminando toda a ambiência social,

Disso decorre a impossibilidade de serem isentos “corações e mentes” de qualquer dos membros da sociedade, incluindo os encarregados de apurações e procedimentos relativos aos crimes atribuídos ao ex-presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva.

Os prejuízos à isenção dos envolvidos no processo que diz respeito à figura do ex-presidente Lula, que culminou com sua condenação em primeira instância na 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, PR, e da manutenção da decisão, com aumento de pena, pelo Tribunal Federal da 4ª Região, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, não precisam ser concretamente apontados, pois esses prejuízos à isenção decorrem do momento político, social e histórico por que passamos no Brasil.

Por isso é que cabe a revisão sumular, enfrentando a questão da nulidade do processo dada a incompetência do foro: – Verifica-se, objetivamente, situação capaz de demonstrar a necessidade de manutenção do entendimento de que o presidente da república (no caso específico) deve manter a prerrogativa de foro mesmo quando afastado do cargo que o justifica, uma vez que

a) É preciso manter a pessoa do presidente da república a salvo de interferências alheias ao mundo estritamente jurídico, por crimes pretensamente cometidos durante o exercício do cargo, salvaguarda que deve acompanhá-lo mesmo após a saída do cargo, uma vez que é o sujeito político que pratica o crime, não é o cargo que o pratica, e é o sujeito que a Constituição visa a proteger;

b) Não se pode processar o cargo; e decorre que o sujeito de direito é o seu ocupante, que somente perderia a condição de detentor do foro por prerrogativa de função se (1) a lei, no caso a Constituição, assim o dispusesse; ou (2) se a lei, ao estabelecer o foro por prerrogativa de função, visasse à dignidade do cargo e não à segurança jurídica do seu detentor – o que, como orientou acertadamente a edição da Súmula 394, não ocorre; isto é, o que se visa a preservar é a proteção do sujeito de direito das imprevisíveis interferências alheias ao mundo jurídico na pretensa aplicação da lei.

c) Se a Constituição não se refere à manutenção do foro especial após a saída do cargo respectivo, também não se refere a sua perda após, o que torna juridicamente simplificada a base de argumentação e interpretação para a modificação do entendimento que a Súmula 394 consagrava.

Longe de ser pacífica a questão central – de manutenção do foro por prerrogativa de função após a saída do cargo – a própria existência da Súmula 394 e o seu cancelamento revelam a existência de divergências de discernimento dentro do próprio STF, e uma divergência de extrema importância, pois trata da interpretação do alcance de norma constitucional que garante a integridade, dentre outros, do ocupante do cargo de presidente da república, cujas ações se projetam no tempo mesmo após sua saída do cargo.

Neste passo, é possível cogitar de questões relativas a defeitos alegadamente havidos no curso de apurações e nos julgamentos do Lula em primeira e segunda instância, que também apontam para o que a Súmula 394 pretendia evitar: a perda do foro mais elevado e menos sujeito a interferências alheias ao mundo estritamente jurídico.

Quanto à fragilidade do posicionamento do STF sobre prisão após a condenação em segunda instância é forçoso reconhecer que tivesse o Plenário do Supremo Tribunal Federal enfrentado a rediscussão do tema “prisão a partir da condenação em segunda instância”, quando se previa, em bases concretas, a modificação do entendimento atual da Corte, essa revisão teria determinado a soltura de Lula, que só foi negada em sede de habeas corpus porque o voto da Ministra Rosa Weber, “mantendo solidariedade” com o posicionamento adotado pela Corte a respeito da questão objetiva, também recusou o write, assinalando, contudo, seu posicionamento pessoal contrário à prisão logo que mantida a condenação em segunda instância.

Não se trata, aqui, simplesmente, da hipótese “se”, mas do fato incontroverso que paira sobre a sociedade, consistente na insegurança determinada por um entendimento informalmente superado e que objetivamente deve mudar, como visto, tão logo seja submetido a voto!
Ainda que esta linha de argumentação não pudesse, agora, prevalecer em um processo judicial, presta-se a reforçar a alegada sensação de insegurança jurídica que permeia o processo da condenação de Lula.

É que, somado aos demais fatos que apontam para a necessidade da concessão da liberdade pretendida, mediante a absolvição e soltura de Lula, esse e outros argumentos gritam que é preciso considerar que quem está sendo objeto desse julgamento ora visado (e de outros), não é, absolutamente, uma pessoa comum: É um ex-presidente da república.

Contudo, não é apenas um ex-presidente da república, é Lula, cercado de todas as circunstâncias, notadamente a incômoda manutenção do seu partido político no poder e o aceno para nova investidura, ou até novas investiduras, dando possível seqüência a uma manutenção de incômodos 22 ou 24 anos no comando da política nacional, não fosse o interregno determinado pelo significativo “impeachment” de Dilma Roussef.

Por outro lado, a cautela deveria, mesmo, ser apta a determinar, em momento processual próprio, a concessão de habeas corpus “de ofício”, como garantia extrema em um momento social e jurídico incerto e claramente submetido a pressões inéditas e perigosas para a realização da Justiça

A insegurança jurídica, a instabilidade jurisprudencial, as especiais circunstâncias que envolvem o ex-presidente Lula são aptos a demonstrar que o discernimento da mais alta Corte do País passa por incertezas momentâneas, incertezas tanto quanto ao entendimento de que o foro especial por prerrogativa de função cessa com o afastamento do cargo, quanto ao entendimento de que é possível autorizar a prisão após a condenação na segunda instância sem comprometer o princípio da presunção de inocência, posto no art. 5º, LVII, da Constituição Federal, já que é sabido ser possível a anulação de condenação em terceira instância ainda que sem julgamento de mérito – e não se pode deixar de sublinhar a menção naquele dispositivo expressa ao trânsito em julgado, que só pode ser certificado a partir do esgotamento dos recursos cabíveis.

Para concluir, acrescente-se que é fato que dos aproximadamente cento e cinqüenta milhões de eleitores brasileiros, quase quarenta por cento, segundo recentes pesquisas de opinião, votariam em Lula para presidente da república no pleito que se aproxima – do qual ele está afastado em tais circunstâncias altamente discutíveis.

Isso representa quase sessenta milhões de pessoas, para falar apenas de eleitores, que vêm acompanhando os acontecimentos políticos e sociais, bem como o desenrolar do julgamento do Lula, e que formaram a convicção de que Lula está sendo vítima de mau uso do direito – algo como o chamado “law fare” – o que temos certeza acontecer por domínio de tendências inconscientes, pois sabemos que juízes são merecedores do máximo respeito e confiança.

Posso asseverar que fosse possível submeter estas razões ao público, milhões assinariam em baixo, pedindo, como se fosse um requerimento de habeas corpus:

– Absolvam e soltem o Lula, senhores Ministros!

O SEXO DAS PLANTAS

Meu filho Paulinho um dia me disse que alguns olham para o universo e conseguem enxergar a beleza e magia da vida. Mas que muitas pessoas só conseguem ver e focar o mundo dos homens, quase como se apenas fosse ele que existisse ou tivesse algum valor; e que abençoado é aquele que tem visão, que consegue tirar grandes alegrias de pequenas coisas desta existência: pode olhar uma tarde e a ver luminosa, apreciar uma borboleta amarela como o sol, um beija-flor de azul brilhante passando como um raio.

Ele notou que é comum em um dia nublado a pessoa reclamar que está frio, em um dia de sol reclamar de calor, com chuva dizer que poderia fazer um solzinho e no sol reclamar que não chove, que para esse tudo está ruim, sem cor e sem vida, não importa a situação.

E continuou dizendo que muitas vezes você sente ao olhar para alguém que ele não enxerga a luz, enquanto outros têm outra visão das coisas, fora do comum, não importa a situação, sempre conseguindo tirar um brilho desta vida, carregando, ao caminhar, um brilho no olhar, o brilho daquele que bebe luz: – Bem capaz de viver o Céu na Terra.

Volto a pensar nas coisas que ele disse, e me sinto abençoado, enquanto observo calmamente, nesta tarde luminosa, uma borboleta amarela como o Sol cintilando entre as plantas do jardim. Ela passa de uma flor a outra, titubeante, vai e volta, pára sobre uma folha e tremula.

Coincidentemente, um beija-flor de azul brilhante passa como um raio. Estanca. Enfia seu longo bico por entre pétalas, parado no ar.

Um zumbido me distrai quando um besouro encarapuçado chispa zangado.

Todos vêm atraídos pelas cores para sugar um quinhão de mel.

Se tivesse lentes potentes nos olhos eu veria os baldes de cada um desses pequeninos seres repletos de tesouros coloridos, sendo levados de flor em flor. Veria seus corpos borrifados dessas coisas minúsculas que vão se espalhar pela natureza e reproduzir a vida.

Essas lindas jóias que os bichos, as águas e os ventos transportam: são os grãos de pólen.

Não posso ver com os olhos esse fenômeno, mas sinto-o com a alma.

O besouro zangado volta carregado, saiu de dentro de um túnel vermelho de uma flor e agora entra em outro amarelo e azulado, remexendo-se nervosamente, como se quisesse penetrar mais e mais pelo espaço apertado.

Como seus companheiros colibri e mariposa, e como abelhas, moscas e morcegos, ele transporta o gameta masculino que irá fecundar o gameta feminino para a gestação vegetal.

O beija-flor, no seu movimento incessante, convida-me a olhar para dentro dele e a perscrutar os seus instintos.

O que o leva a realizar esse trabalho?

Ele próprio não sabe, como não o sabe o vento, nem a mariposa, nem as águas que correm, nem o besouro, a abelha, o mosquito e eu.

Apenas deseja sugar o néctar que lhe fornece energia para bater as asas mais de quatro mil vezes por minuto – e para isso é atraído pelas lindas cores, pelas formas sinuosas e pelo cheiro das flores, que lhe oferecem o delicioso mel.

Radiografo-o com minha mente, atravesso suas plumas e vejo-o, despido, inda mais minúsculo. E por dentro quase só uma pequena estrutura de finos ossos, com os órgãos – o cérebro, o coração e os demais – cabendo em um dedal.

Uma coisica de nada, esse passarinho veloz.

Como são coisicas de nada essa mariposa e aquela joaninha que só agora vejo zanzando pelo verdejal.

E aquele besouro que zumbiu e zuniu e sumiu.

Como é suave esse vento que agora balança a folhagem e carrega as minúsculas partículas.

A fresca chuva que virá também se encarregará dessa tarefa, dentre outras.

Caminharam pelo infinito e vieram das estrelas para fazer o trabalho da vida.

AS DÚVIDAS RAZOÁVEIS

PRIMEIRA DÚVIDA

1) Em 2005 a mulher de Lula, Marisa Letícia, adquiriu uma cota de associada ao Bancoop, cujo termo de adesão esclarecia que o objetivo da Cooperativa era proporcionar aos seus associados a aquisição, por autofinanciamento e a preço de custo, de unidades habitacionais.

2) A Cooperativa, por ocasião da construção dos prédios, indicava na documentação respectiva um número de apartamento destinado ao Cooperado., tendo indicado a reserva do apartamento 141 para Marisa Letícia, com 82,5 metros quadrados.

3) Em 2009 a OAS assumiu a obra do prédio que viria a ser o Edifício Solaris, em razão de dificuldades por que passava a Bancoop.

4) Em 10 de fevereiro de 2010, reportagem do jornal O Globo dizia que “a família Lula da Silva deverá ocupar o tríplex com vista para o mar”.

5) A família Lula da Silva passa a visitar o apartamento tríplex e isso deve indicar que esse imóvel estava destinado e reservado a Lula.

6) Reformas foram feitas no imóvel, acredita-se que para atender a indicações de Marisa Letícia, e de Lula, para adequá-lo às necessidades dos interessados.

DÚVIDA: É razoável acreditar que o apartamento estava destinado e reservado para Lula.

SEGUNDA DÚVIDA

1) Lula afirma que o apartamento triplex não era dele e que, apesar de ter-se interessado e irem visitá-lo, decidiu não adquiri-lo.

2) Lula não adquiriu formalmente o apartamento: não há promessa de compra e venda, não há escritura, não há sequer posse.

3) A busca de provas de que Lula é o dono do apartamento tende a que se firme a convicção em contrário. Funciona mais ou menos assim: – Se a pessoa tem a convicção de que empregadas domésticas não são confiáveis, se desaparece uma jóia a patroa tem a certeza de que foi a empregada que furtou, mesmo que não haja provas e ainda que aa jóia não tenha sido achada com ela

DÚVIDA: É razoável acreditar que o apartamento não era de Lula.

A RAZOABILIDADE SOBRE A QUESTÃO DA PROPRIEDADE

a) O tríplex poderia estar destinado a Lula;

b) O tríplex poderia ser de interesse de Lula;

c) O tríplex poderia ser de interesse apenas da mulher de Lula;

d) O tríplex poderia não ser de interesse de Lula;

e) O tríplex poderia ser de propriedade de Lula;

f) Lula desistiu do tríplex para descaracterizar a propriedade do imóvel;

g) Lula desistiu do tríplex porque perdeu o interesse pelo imóvel.

A RAZOABILIDADE SOBRE A CORRUPÇÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO

a) Acredita-se que Lula recebeu parte do imóvel (a parte excedente, uma vez que uma parte foi comprada e paga), assim como as reformas e a inclusão de um elevador privativo, como pagamento de propina.

b) A forma de pagar a propina mediante a dação do imóvel e sua reforma consiste na lavagem de dinheiro, pois lavagem de dinheiro consiste em dar aparência de legal a um valor obtido ilegalmente (por exemplo, o criminoso adquire do ganhador de um prêmio da loteria o bilhete de loteria premiado, pagando mais do que o valor do prêmio – desse modo ele pode declarar no imposto de renda o valor do prêmio recebido).

c) Não há provas cabais da corrupção de Lula porque corrupto não assina recibo.

A RAZOABILIDADE SOBRE A INSUFICIÊNCIA DAS PROVAS

a) Lula alega inocência, diz que o apartamento não é dele, afirma sua honestidade. Demonstra que a documentação não prova que o imóvel é dele, não há compromissos, promessa de compra e venda, escritura lavrada, testemunhos da compra e venda, que não sejam as delações comprometidas por interesses de criminosos confessos.

b) Lula não tem sinais aparentes de riqueza de origem não comprovável, seus bens não incluem dinheiro e outros tipos de valores além do compatível com seus ganhos declarados e não há contas no exterior.

c) A propina atribuída a Lula, como parte do tríplex, sua reforma, o sítio de Atibaia e sua reforma, o apartamento vizinho de Lula e a sede do Instituto Lula é incrivelmente menor do que a confessada pelos que seriam seus subordinados; só um deles devolveu aos cofres públicos mais de cem mil reais, enquanto toda a propina atribuída a Lula nem chegaria a um quinto disso.

d) É justo e razoável acreditar que quem não dispõe de valores compatíveis com o nível de corrupção alegado não praticou a corrupção, salvo se a corrupção for objeto de flagrante ou de qualquer tipo de prova concreta.

e) É justo e razoável acreditar que um presidente da república de passado honesto e honrado seja uma pessoa honesta e honrada até prova em contrário.

f) É justo e razoável acreditar que em um clima político conturbado e contaminado por interesses e por paixões populares e sociais, um julgamento de personalidade como Lula possa estar contaminado por vieses capazes de produzir avaliações, análises, interpretações resultados equivocados.

g) É justo e razoável acreditar que Lula é inocente.

h) É justo e razoável acreditar que Lula foi condenado sem provas suficientes de culpa.

PARA ANALISAR: (clique para ler)

SENTENÇA TRÍPLEX 
SENTENÇA CITA REPORTAGEM 
DENÚNCIA AP. VIZINHO 
DENÚNCIA SÍTIO
OBSTRUÇÃO JUSTIÇA 
DENÚNCIA PALESTRAS
DENÚNCIA ZELOTES/CAÇAS SUECOS/MEDIDA PROV.
DENÚNCIA BENEFÍCIOS FISCAIS
NOTA DOCUMENTOS GUARUJÁ

RESUMO DE UMA LIÇÃO DA HISTÓRIA A SER APRENDIDA – A OPERAÇÃO MÃOS LIMPAS

O Juiz

Em 1992, conduzida pelo então juiz Gherardo Colombo, instaurou-se na Itália a Operação Mãos Limpas, grande investigação contra a corrupção praticada por empresários e políticos.

Em 2007, esse juiz renunciou à magistratura, porque entendeu que não era possível combater a corrupção por meio da Justiça (a Operação, que resultou em 2.993 mandados de prisão, investigação de 6.059 pessoas – incluindo 872 empresários e 438 parlamentares, dos quais quatro haviam sido primeiros-ministros, não diminuiu a corrupção na Itália e resultou em certas conseqüências indesejáveis, como veremos).

Convém anotar: Gherardo Colombo renunciou à magistratura porque entendeu que não era possível combater a corrupção por meio da Justiça.

O Procurador

O coordenador da Operação Mãos Limpas foi o Procurador da República Antonio Di Pietro, que tornou-se o que se chama de “uma figura midiática”: virou “um símbolo”, usando a mídia, especialmente a televisão, para obter apoio para suas ações e criar a idéia de que ninguém estava a salvo, impondo o medo das algemas e da prisão.

Bomba atômica

Da Operação Mãos Limpas, a par do sucesso no desbaratamento de casos de corrupção em andamento, ocorreu o fenômeno da “terra arrasada”, ou seja, destruiu-se a indústria italiana e liquidaram-se os partidos políticos, a tal ponto que a partir dali considerou-se finda a Primeira República italiana.

Efeitos colaterais

Publicações dão conta de que a operação Mãos Limpas chegou a alterar a correlação de forças na disputa política da Itália, reduzindo o poder de partidos que haviam dominado o cenário político italiano. Todos os quatro partidos no governo em 1992, a Democracia Cristã (DC), o Partido Socialista Italiano (PSI), o Partido Social-Democrata Italiano e o Partido Liberal Italiano, desapareceram. O Partido Democrático da Esquerda, o Partido Republicano e o Movimento Social Italiano foram os únicos partidos de expressão nacional a sobreviver, e apenas o Partido Republicano manteve a sua denominação.

Batalha pessoal

Finda a Mãos Limpas, Antonio Di Pietro largou suas funções de Procurador e criou seu próprio partido político, que fracassou. E não só fracassou como chegou a ser investigado por uso irregular de financiamento de campanha.

Mea culpa

Após a extinção do seu partido político, Di Pietro declarou: “Estou fazendo uma crítica. Do fim da Primeira República deveriam ter emergido novas idéias e pessoas que a levassem adiante. No entanto, das investigações nasceu um grande vazio fazendo aparecer sobre a cena política personagens mais para eles próprios que para outros, começando comigo (…) O personalismo venceu”.

E, em outra oportunidade: “Fiz a investigação Mãos Limpas que destruiu tudo o que era considerado a Primeira República: o mal, que era a corrupção, e era muita, mas também as idéias. Fiz política baseando-a no medo e paguei as conseqüências”.

Resultados ruins

Analistas consideram que o extermínio da política praticada, pela Operação Mãos Limpas, deu lugar a novos atores despreparados para a política, como o próprio Di Pietro, ou aproveitadores do vazio deixado, especialmente o multibilionário Silvio Berlusconi, que reinou absoluto de 1994 a 2011, período durante o qual ocorreu um progressivo aumento da concentração de renda e a continuação do enfraquecimento da indústria italiana, grandes perdas no campo da ciência e da tecnologia e o crescimento do partido fascista, quando desapareceram completamente as figuras de Di Pietro e dos seus companheiros componentes da magistratura.

Resultados bons

Evidentemente, a realização da Operação Mãos Limpas recebeu o apoio da população, cansada de ver tanta corrupção e impunidade. E uma parte expressiva da corrupção praticada no momento foi extirpada e os praticantes condenados e presos, sendo que muitos políticos e industriais se suicidaram ao verem seus crimes descobertos. Infelizmente, alguns conseguiram fugir.

Críticas

Entretanto, muitos dos erros cometidos são ainda criticados, como o uso da mídia pelo vazamento de informações, transformando a Operação em um espetáculo público, e o uso inadequado das delações premiadas como provas. E fazem-se ressalvas aos prejuízos na política e na economia como efeitos colaterais da ação devastadora da Mani Pulite.

Voltando à vaca fria

Entender que não é possível combater a corrupção por meio da Justiça pareceria, à primeira vista, pensar que a Justiça não tem seu papel no combate à corrupção.

Tem, sim, é claro.

Ao aplicar a lei, nos termos justos em que a lei deve ser aplicada, seus rigores se fazem sentir. A competência, seriedade, ética, honestidade, imparcialidade e demais atributos de um juiz fazem toda a diferença no combate ao crime. Esmerando-se nisso, no cumprimento dos prazos e das garantias às partes, enfim, na regularidade processual, o juiz estará exercendo o seu papel na distribuição do direito, inclusive no combate à corrupção.

Juiz não é polícia

Entretanto, juiz não é combatente, na medida em que não lhe cabe tomar a si missões como a de combater o crime, pois isso poderá – e certamente ocorrerá – fazê-lo tomar desvios e aplicar convencimentos próprios, o que, se o fizer, afastá-lo-á de sua verdadeira missão: aplicar, imparcialmente, a lei.

VAMOS COMBINAR

Vamos combinar que a Globo não pagou propina a Lula quando o contratou para dar palestra remunerada, bem remunerada, como remuneraram os demais contratantes. O que a Globo possivelmente pretendia, deve-se imaginar, seria ficar bem na fita com um possível presidente da república, de novo.

Vamos combinar que dezenas de empresas que contrataram palestras do Lula não têm relação com a Operação Lava-Jato: a ABAD – Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industriais, a Associação de Bancos do México, a Abras – Associação Brasileira de Supermercados, a ALL América Latina Logística, a Ambev, o Banco Santander, o Bank of America, o BBVA Bancomer, o BTG Pactual, o Centro de Estudos Estratégicos de Angola, o CFELG – Centro de Formacion y Estudios en Liderazgo y Gestion (Colômbia), o Cumbre de Negócios (México), o Dufry do Brasil, a Elektra, a Endesa, a Gás Natural Fenosa, o Grupo Petrópolis, a Helibrás, a Iberdrola, a IDEA (Argentina), o Itaú BBA, a LG Electronics, as Lojas Americanas, a Microsoft, a Nestlé, a GDF Suez Energy Latin America, a Pirelli, a Quip, a Revista Voto, a Sinaval, a Telmex, a Telos Empreendimentos Culturais, a Terra Networks e a Tetra Park.

Das dezenas de empresas que o contrataram, são empreiteiras: a Camargo Corrêa, a OAS, a Odebrecht, a Queiroz Galvão, a Andrade Gutierrez e a UTC.

Vamos combinar que a fortuna de Lula, avaliada na relação de bens do casal, quando do falecimento de sua esposa, em onze milhões e setecentos mil reais, é compatível com seu nível de remunerações regulares e com os R$ 7.589.936,14 que ele recebeu como sua participação (lucros) da empresa LILS que ele criou para administrar essa atividade de palestrante.

Isso combinado, vamos combinar que a fabulosa fortuna de Lula, de onze milhões e setecentos mil reais, que inclui imóveis e veículos, tem origem lícita – ou precisaríamos acreditar que dezenas de empresas pagaram propina a Lula sem o menor motivo.

Agora vamos aos contratos da Petrobras, pelos quais Lula teria obtido fabulosas somas em propinas:

Além das delações anteriores, o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, condenado a mais de 40 anos de prisão, acaba de declarar ao juiz Sérgio Moro que dos contratos da Petrobras, aos quais ele se referiu, afetados pela corrupção, um por cento ia para propinas: um terço ficava “para a casa” e dois terços iam “para Lula, José Dirceu e o Partido” (o PT, é claro).

Vamos combinar: Duque, criminoso confesso e condenado, tem interesse em fazer delações para amenizar suas penas – o que não quer, absolutamente, dizer que as suas informações são inverídicas, inventadas para conseguir os benefícios da lei.

Vamos combinar, porém: – Onde estão os quinhentos milhões de reais das propinas de Lula, de Dirceu e do PT?

– Como assim, quinhentos milhões de reais?

Vejamos:

Duque fala que os contratos de que ele está tratando são da ordem de vinte bilhões DE DÓLARES.

Aos dias de hoje, 20 bilhões de dólares correspondem a mais ou menos 74 bilhões de reais.

Um por cento de 74 bilhões de reais dão R$ 740.000.000,00, setecentos e quarenta milhões de reais, se minhas contas estão certas.

Dois terços disso resultam, em redondos, os 500 milhões de reais de que falei.

Digamos que esses reais foram divididos em partes iguais entre Lula, José Dirceu e o PT.

Então, vamos combinar, o PT tem, ainda em números redondos, escondidos, cento e setenta milhões de reais.

E, vamos combinar, José Dirceu deve ter enfiado cento e setenta milhões de reais na lata de café, bem escondida no armário da cozinha.

Lula foi acusado e condenado porque teria recebido de propina, “em contratos da Petrobras”, um apartamento e sua reforma; está processado sob a acusação de ter ganhado, como propina também em contratos da estatal, mais um sítio e sua reforma.

Se essas ditas propinas somam uns três milhões de reais, e se fazem parte da fortuna declarada de Lula, ele precisa ainda dar conta de mais CENTO E SESSENTA E SETE MILHÕES DE REAIS.

Mas como Lula teria recebido mais algum das empreiteiras, por palestras, tendo sido a sua parte nos lucros da LILS de uns sete milhões de reais (incluindo palestras para a Globo que a gente ainda não compreendeu porque é que a Globo paga propina pro Lula), digamos que desses sete milhões (para engrossar bem as contas) o total foi de propina, ou seja, todas as palestras esconderam propinas.

Mesmo assim, Lula ainda tem de dar conta de CENTO E SESSENTA MILHÕES DE REAIS.

Vasculharam a vida de Lula e suas contas bancárias, não encontraram contas no exterior, nem cofres enterrados, nem bens em nome de laranjas, rastrearam tudo e não conseguem achar nada que não sejam os bens declarados, e ele teria de ter, pela declaração de Duque, mesmo que a divisão fosse em partes iguais (o que não deveria acontecer, pois se diz que ele “é o chefe da quadrilha”), pelo menos cento e sessenta milhões de reais absolutamente improváveis pelas investigações realizadas.

Vamos combinar, né gente?


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