A PROCISSÃO DA BOIADA

UM CARTA DE PERAÍ

REBULIÇO – POEMA DE RENATO CALDAS

CONVERSA DE MANICURE

COM LÍNGUA, COM BOCA E TUDO

TREM DA GREAT WEST

O MATUTO NO CINEMA

I LOVE YOU MATUTADO

Meu cumpade, eu não lhe conto
O que foi que deu in nêu
Quando vi, da vez primeira
A fia do Arinêu
A cabôca mais bonita
Uma virgenzinha escrita
Que pra mim apareceu.

Foi me dando uma gastura
Me faltou suspiração
Fiquei todo escabriado
Sulerou o coração.

No juízo, um friviôco
Nos estrombo, um brubuim
Fui ficando avermelhado
Foi me dando um farnizim
Que eu lhe digo, meu cumpade
Se foi coisa dos amor
Perante Nosso Senhor
Os amor bateu em mim.

Tou agora apaixonado
Tá sem ela é um castigo
Dou de garra com o trabalho
Mas trabalhar não consigo.

Tou dengoso e alesado
Só pensando nos amar.
Ontem mesmo eu chiqueirando
As novilha no currá
Com pouco mais eu me vejo
Quase, quase dando um beijo
Nos beiço do boi fubá.

Vou me desfolhar pra ela
Vou dizer como é que eu tou
Que nem filme de novela
Vou cantar música de amor.

Vou fazer uma cantiga
Amostrando o que ela fez
Que amor é feito bexiga
Só dá na gente uma vez
Já que eu sou mei aprendiz
Me diga como se diz:
I love you em inglês.

RASGA RABO BAGUNÇADOR DE BAGUNÇA

O GAÚCHO E O MATUTO

COMÍCIO DE BECO ESTREITO

COISAS PRA SE DIZER BENZÓ DEUS

PAISAGEM DE INTERIOR

CALÇA BRANCA

O MATUTO E O BARBEIRO

*LUTO*

SENTIMENTO COR DE ANUM

PELA MORTE DO MUSEU NACIONAL DO RIO DE JANEIRO

Querendo apenas tentar
Rezar sem dizer amém:

Foi-se embora a memória
De um Brasil inda rapaz.
Daqui a pouco é futuro
E o tempo não volta mais.

Foto do colunista

COMÍCIO DE BECO ESTREITO

PANO DE LEITE

PAIXÃO DE ATLÂNTICO NA BEIRA DO MAR

ESCUTAÇÃO DE ‘MEI’ DE FEIRA

MANÉ CABELIM E A INTERNET

AGRURAS DA LATA D’ÁGUA

CAMINHÃO DE MUDANÇA

A PROCISSÃO DA BOIADA

Entre Rui Barbosa e Os Sertões de Euclides

Tô matutando o porquê
Da força que tem o nada
Mode falar do estalo
Do espanto e do estouro
De dentro do passadouro
Da procissão da boiada.

Ao invés de rezas rezes
Gadaria arrebanhada
Tropel de cascos, mugidos
De mansidão ritmada.

Ditongos ois! De um vaqueiro
Conduzidor e freteiro
Chiqueirador da manada.

Chifre de cabeça acima
Pelanca pescoço abaixo
Rabos de abana mosca
Tilintar de chocalhada…

Revelação de cadência
Retrato da paciência
É a procissão da boiada.

Eis que, ao revés do sossego,
Um trisco de não sei quê
Talvez um voo diminuto
De um inocente tizio…

…Assusta o passo da rês
Que chispa desbandeirada
Abala o manso dos bois
E arrasta toda boiada.

Daí pra frente é arrasto
Tropeço de déu em déu
É uma torre de babel
Disparando ababelada:

Atropelo, desadoro
Carreira desenfreada
Desvario, agitação
Boi fugido de roldão
Boi perdido em bololô
Boi avoado em tumulto
Vaqueiro bradando ôôôô!!!!!

Mas nada desalvoroça
O abalo instigador.

…Eis que o fôlego das ventas,
De exaustão redobrada,
Acalma o povão dos bois
Alenta toda a boiada
E a procissão segue lorde
Como se fosse uma ordem
Da força hercúlea do nada.


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