DÁ PARA ACREDITAR NO BRASIL?

Faixa presidencial – por que nem os eleitos respeitam?

Dava para acreditar, sim. Hoje, a resposta não mostraria tanta certeza.

No final dos anos 50, quando o mineiro Juscelino Kubitschek conseguiu inaugurar a parte já construída de Brasília, transferindo a capital federal para o Planalto Central, havia sim, quem acreditasse no Brasil.

Com mais precisão, este colunista tinha, na época, 18 anos, quando o ex-prefeito de São Paulo, Jânio da Silva Quadros, eleito, assumiu a presidência da República. Havia uma descontrolada euforia.

Ainda no governo Juscelino, então cursando o quarto ano ginasial, me inscrevi (na verdade, me aventurei) para o concurso para a ESA (Escola de Sargento das Armas) que ainda hoje funciona em Três Corações/MG. Fui aprovado em vigésimo-segundo lugar entre os cearenses. Fiz todos os exames psicotécnicos e de saúde. Fiquei esperando, na certeza que ingressaria nas fileiras do Exército Brasileiro.

No dia 31 de janeiro de 1961, Jânio da Silva Quadros assumiu a presidência da República. Em fevereiro veio a informação que dava conta de um “corte” no número de aprovados para o curso de sargentos. Do Ceará foram chamados apenas 20. Em vigésimo-segundo lugar, fiquei fora.

Não sei se foi bom. Mas, com a mudança de caminho, servi ao Exército Brasileiro como soldado, no CPOR de Fortaleza, e fui cuidar da minha vida após ter dado baixa.

Concluí o Curso Científico em 1964. Mas, no dia 31 de março de 1964, a vida mudou para muitos. Os anos se passaram, e eu, que pensava em cursar Medicina, acabei optando por Comunicação Social (Jornalismo).

Depois de viver muitos anos no Rio de Janeiro, onde me profissionalizei, eis-me aqui, hoje, no Maranhão, indagando à mim mesmo: “Dá para acreditar no Brasil”?

E, em seguida vieram os “anos de chumbo”. Sim, “anos de chumbo”, mas apenas para quem mijava fora do caco e insistia em transgredir, ou, ainda, quem pretendia ser sempre de “oposição”.

Veio o Sarney, o Collor, o Itamar, o FHC, e, finalmente, o Lula e a Dilma. E aí a “coisa pegou”.

Brasil é o país da contramão e do errado é que está certo

Não é justo afirmar que tudo piorou com os governos petistas. Na verdade, o Brasil nunca deu certo. E isso vem desde o tempo dos “santos do pau oco”. Desde esse tempo que se rouba no Brasil – apenas ninguém se atrevia a investigar, descobrir e punir os responsáveis.

Acontece que, nos últimos dezesseis anos, o país foi esbandalhado, entrou para o mundo da chacota e os gestores perderam o controle de tudo – principalmente da educação, da segurança, e da saúde pública.

A corrupção, que existe neste país desde quando se inventou a posição de cagar, apenas foi institucionalizada pelo PT, com “trade mark” e tudo. E, “trade mark” com cores avermelhadas e de forma a não deixar dúvidas.

E, agora, exatamente quando estamos no final do “mandato dos 16 anos de governos petistas”, as coisas chegaram para desmoralizar. Desmoralizar, mesmo. Achincalhar, levar para a lama.

Entramos na contramão de tudo, e hoje o errado é que está certo. Quem não adere, é “fascista”, coxinha e outras merdas mais.

Chegamos a um ponto que, “dar o rabo”, usar o bufante para satisfazer suas taras sexuais é “bonito”, é “moderno”. Feio, é ser “contra”. Feio é ser preconceituoso. Cagar pra dentro é belo, e é um direito de quem quiser fazer isso. Quem é contra é que não tem o direito de ser contra.

Pois, coroando tudo isso, toda essa beleza, circulam nas redes sociais, afirmações dando conta de que, ao final deste ano de 2018, o “Mágico das Espadas”, Pablo Vittar, será eleita a “mulher” mais sexy do Brasil; ao mesmo tempo que Thammy, será eleito o “homem” mais sexy do Brasil; e, para não ficar atrás, Lula Nove Dedos será “eleito” o homem mais honesto do Brasil.

Sinceramente, dá para acreditar no Brasil?

Os filhotes de Polodoro esperam calmamente na fila

Dá. Claro que dá. Tanto dá, que os amigos do Polodoro resolveram entrar na “fila” para resolver, definitivamente, o problema e a carência de quem gosta e precisa.

Nada contra, pois, “feio” é ser preconceituoso. Arre égua!

CORRUPÇÃO É MAL ANTIGO

Ronald Biggs comprovou que o Brasil é um paraíso para os ladrões

Com certeza, a etapa da vida que nos faz sentir mais saudades, é aquela da passagem da infância para a adolescência, e, em seguida, a da juventude. O menino está ansioso para ser considerado rapaz, pouco se dando conta de que ainda terá que ultrapassar a adolescência. A fase da afirmação, aquela em que saímos da dúvida na direção da consciência total. Quando acontece a mudança da voz, agora mais grave. Voz de homem!

As lembranças da infância são sempre as mais gostosas, as que nos machucam mais – é a certeza de que, o que aconteceu de errado foi algo involuntário, que acaba ficando gostoso de reviver.

Uma das boas lembranças da fase de criança, além das famosas fases do, “engole o choro”, “te mete comigo, que pau te acha” ou apenas o sonoro, “quando chegar em casa, a gente conversa”, foi aquela em que você, de forma inocente, mas esperando um retorno, se deixava usar para alguma coisa.

Nunca discordamos de alguns petistas educados, aqueles que não se acham donos do mundo, os que sabem de tudo e vivem dizendo que outros não sabem de nada, aqueles que só eles são homens retos e corajosos, quando, de forma acertada, dizem que, “corrupção” não foi inventada pelo PT. É verdade, sim. Corrupção é algo antigo e alguns quadros petistas apenas modernizaram essa prática, incutindo nela a tecnologia. A Petrobras é a melhor prova prática disso.

E por que essa afirmativa?

Ora, lá pelos idos dos anos 50, na minha infância sofrida, mas feliz por ter sido honesta, lembro que o bairro tinha apenas um campo de futebol, local onde a meninada passava as tardes aprendendo a jogar. E, vez por outra, pelo menos em duas vezes por ano, o único campo de futebol era “cedido a troco de alguma coisa” (imagina-se o que, né não?) para a instalação e funcionamento do Circo Garcia, um dos mais longevos do nordeste.

Elefantes, macacos, leão, malabaristas e demais membros de uma trupe que dava inveja aos concorrentes. Três ou quatro dias antes, o circo chegava, e a montagem começava. No mesmo dia da estreia, por volta das 14/15 horas um aprendiz de palhaço, megafone à mão e sobre pernas de paus, se fazia acompanhar por dezenas de crianças, caminhando a anunciando a esperada estreia da noite.

Ao fim do anúncio ou de cada parte dele, pedia à meninada para ser acompanhado na algazarra:

– E arrocha, negrada!

Mas, o mais importante daquela tralha toda, era que, o menino que quisesse ter direito ao acesso gratuito, tinha que acompanhar o “anunciante” até o circo, e, lá, receber uma marca ou um carimbo num dos braços, uma espécie de “passe livre”.

Era dolorido enfrentar a mãe na hora do banho, pois ela queria sempre “esfregar o filho” para garantir a higiene completa. E ficava aquela celeuma (na verdade, para não apagar o “passe livre”):

– Mãe, deixa que eu sei banhar sozinho!

Moral da lembrança: a corrupção pagou para alguém para usar o campo de futebol, único lazer da meninada. Alguém recebeu para ceder temporariamente, algo que não lhe pertencia. Tivemos algo parecido com isso.

Mas, não há como mudar isso, pois, se o PT não inventou essa doença, acabou encontrando campo e tempo para disseminar e até modernizar sua prática.
O Brasil sempre foi um paraíso para a escória vinda da Europa. Um dos melhores exemplos: o ladrão inglês Ronald Biggs.

* * *

CORRIDA DE ROLIMÃS

Antigo carrinho de rolimãs

Um pedaço de tábua, uma lata velha com pregos, um pequeno martelo, cola, uma serra tico-tico, liberdade para criar e disposição – eram esses os ingredientes para construir um brinquedo. Não havia shopping, não havia play-ground e muito menos a fábrica Estrela.

Nós éramos nossas fábricas. Nós éramos nossas alegrias – e quando saíamos dos limites impostos pelos nossos pais, e nunca pela polícia, o relho comia. Sem frescura ou mimimi. Ninguém ficava esquizofrênico, ninguém fazia psicanálise, e ninguém se achava vítima de bullying.

Campos abertos repletos de soltadores de pipas; praças cheias de buracos de jogos de peteca; campeonatos de pião. Atitude comum: jogando bola na rua, era obrigatória a parada para a passagem de alguém. E ninguém reclamava nada.

Comum, também, era a bola cair dentro do quintal de algum vizinho. Affmaria!

O dia da criança era todo dia!

Havia sempre o cuidado de “escolher o time” com meninos que morassem na mesma rua – para o caso da bola cair no quintal de alguma mãe brava. O menino que orava na casa onde a bola caía, ia pegar de volta.

Assim, foi durante anos a meninada de muitos lugares brasileiros – que, hoje, o tempo de quando não havia celular está deixando muita saudade.

Sem tablete, mas com carrinho de rolimãs. Sem celular, mas com peteca. Sem vídeo game, mas com uma enorme coleção de gibis mensais.

Quando surgiram as primeiras ruas asfaltadas em alguns bairros, os meninos mais engenhosos e criativos logo inventaram as corridas de rolimãs – com certeza foi ali que foi inventada a Fórmula 1.

Por anos, esse foi o “kit-man” dos muitos coxinhas e homofóbicos de hoje.

A RAPOSA DO SERTÃO

A raposa que Vovó criava solta

Por diversas vezes já narrei aqui, fatos ocorridos na minha infância vivida em grande parte no povoado Queimadas, então pertencente ao Município de Pacajus, hoje Região Metropolitana de Fortaleza. E, da maioria desses casos, minha falecida Avó sempre fez parte – foi inserida no enredo e até tinha fala em várias cenas. A novela da vida.

Também já disse aqui, que minha Avó era meeira (criava animais domésticos para o dono das terras onde morávamos – e a quantidade era dividida ao meio e de forma equânime), parte do contrato de cessão das terras para plantar, colher e viver.

Era comum “jantar nada” acompanhado de “coisa nenhuma”. Invariavelmente, o almoço era aquele prato de feijão de corda com toucinho, para fazer “capitão”, que a gente comia com uma ou duas batatas doces assadas na brasa, e um naco de rapadura. Vacina garantida para a longevidade.

Havia uma proibição: comer galinha caipira, principalmente se fosse da parte que nos tocava. Tia Maria foi a mulher mais parideira que conheci. E, sempre que paria, Vovó a levava para casa. Era a garantia que tínhamos de que, por alguns dias comeríamos algumas galinhas – a tal da “galinha de parida”.

Fora disso, quem sempre comia algumas galinhas era o galo do quintal ou a Doninha, uma raposa que Vovó dizia que era dela, embora vivesse sempre solta nas brenhas do mato alto.

Mas, Vovó não era “gente”. Quando queria comer uma galinha fora dos momentos especiais, tinha a preocupação de separar as tripas e todas as penas, além de parte do pescoço com a cabeça. Jogava tudo bem longe de casa, onde alguém que vivesse na “casa grande” pudesse encontrar.

E vivia desconjurando a raposa Doninha, que comia, principalmente, as galinhas gordas do patrão.

E quando me lembro disso, fico me perguntando: “por que o PT (Partido dos Trabalhadores) nunca é culpado de nada, nunca responde nada, e nunca assume nada”?

Será que minha falecida e santa Avó algum dia foi petista? Comer a galinha e culpar a raposa, tem algo muito próximo com o cometimento de delitos e culpar outros.

* * *

São Luís – a cidade e as pessoas

Corina – a vida em pirulitos

No passado dia 8 de setembro deste ano de 2018, São Luís, capital do Maranhão, chegou aos 406 anos – foi fundada em 1612 – e continuou mostrando muitos dos seus problemas, sem conseguir esconder várias de suas belezas e maravilhas.

Peculiaridades à parte, vida e valores culturais diferenciados que embevecem os visitantes, a cidade maranhense como um todo – é algo fantástico. Não incluiremos entre os seus males e defeitos, o contumaz abandono dos gestores municipais, por décadas de anos envolvidos apenas com eleições e com vantagens partidárias e pessoais.

Quase ninguém se preocupa em reparar o pôr do sol a partir da rampa e da mureta do Palácio dos Leões; tampouco com a precária arborização, o que acaba sufocando pessoas que continuarão procurando sombras – onde possam sentir a brisa diferente e salitrada tangida desde o mar.

Defeito gritante da cidade e de grande parte do seu povo, é o desconhecer, o não querer saber e o olvidar a gente que, em quanto seres vivos já fizeram por merecer a transformação em estátuas – estátuas de reconhecimento.

E, uma dessas pessoas que quero mostrar hoje, é Corina. Dona Corina – a mulher do pirulito. A morena bonita e envelhecida que ganhou e continua ganhando a vida e o sustento, carregando para cima e para baixo, subindo e descendo ladeiras com uma tábua cheia de furos. Em cada furo, um pirulito e vários sabores.

Dia desses, andando pelo Centro de São Luís, por volta das 16 horas, encontrei Dona Corina sob a marquise do antigo Hotel Central. Carregava na tábua furada, seis pirulitos.

– Ainda na luta, Dona Corina? Perguntei.

– Falta vender esses seis! – respondeu Ela.

Olhei fixamente para aqueles olhos cansados pintados com alguns sinais do glaucoma, braços e rosto enegrecidos pelo sol, e me senti culpado por alguma coisa, enquanto ser humano que imagino ser. Nem pensei em responsabilizar ninguém. Comprei o seis pirulitos, paguei com uma nota de R$10,00 e “pedi” para ela ficar com o troco.

Em casa distribuí os pirulitos, ao mesmo tempo que pensava que Dona Corina, pela retidão, pela força do viver independente, sem enveredar pelo caminho da escória e das drogas, merecia bem mais que o troco daqueles R$10,00. Merecia uma estátua, por fazer a sua parte na construção da cidade, de uma forma tão digna. É, apesar da incompreensão, uma grande vitória. Melhor: é ganhar a vida distribuindo doçura.

78 ANOS E 60 DE “REINADO”

Arte sem limites do eterno “Rei do Futebol”

Falta dizer alguma coisa a respeito desse homem, desse mito, desse “Rei”?

Acho que não. Mas, o brasileiro, sem cultura, sem caráter, que vê erro em tudo, quando não acontece consigo, ou com familiar, cavuca, cavuca e cavuca e sempre encontra algo para meter o malho.

E brasileiro é chegado a se intrometer na vida pessoal dos outros, esquecendo principalmente da sua.

Tem por aí uma plêiade de gênios que, babando o saco, diz que “a cota de acesso às universidades públicas” acabou definitivamente com a discriminação racial. Mentira! Vai no Ceará, vai!

Assim, se alguém procurar defeitos no Pelé e não encontrar, vai falar da cor da pele dele, como falava de Joaquim Barbosa.

Tivesse Pelé nascido na Áustria ou na Inglaterra, e tivesse a pele branca e os olhos azuis, jogando bola ou não, seria ungido a um novo Deus. Mais, teria tido a discriminação amenizada, se tivesse jogado no Flamengo ou no Coríntians.

Pois ontem, 23 de outubro foi o aniversário de nascimento de Pelé – e nem espere que aqui falemos da vida pessoal dele, dos filhos, etc. e tal. Fale você, que é chegado a essas coisas.

“Edson Arantes do Nascimento nasceu em 23 de outubro de 1940 em Três Corações, Minas Gerais, Brasil, sendo filho de Dondinho (João Ramos do Nascimento, jogador do Fluminense) e Celeste Arantes; era o mais velho de dois irmãos. Pelé recebeu seu primeiro nome em homenagem ao inventor norte-americano Thomas Edison. Seus pais decidiram remover o “i” e chamaram-no de “Edson”, mas houve um erro na certidão de nascimento, levando muitos documentos a mostrar seu nome como “Edison”, não “Edson”, como é chamado. Ele foi originalmente apelidado de “Dico” por sua família. Edson recebeu o apelido “Pelé” durante seu tempo de escola por conta da forma que pronunciava o nome de seu jogador favorito, o goleiro Bilé do Vasco da Gama, o qual falava de forma equivocada e, quanto mais se queixava, mais o nome pegava. Em sua autobiografia, Pelé afirmou que não tinha ideia do que o nome significava, nem seus velhos amigos. Além da afirmação de que o nome é derivado de Bilé, e que significa “milagre” em hebreu (פֶּ֫לֶא), a palavra não tem nenhum significado em português.” (Transcrito do Wikipédia)

* * *

Reunião da alta cúpula (ops! Quase escrevo “cópula”) para acabar com o décimo-terceiro salário dos coitados

Reunião “ministerial” para altas decisões

Passadas as eleições para o primeiro turno, aquelas que garantiram as mudanças nas novas composições de bancadas na Câmara Federal e no Senado, e a volta à quase normalidade nos cabarés das leis, agora que estão acirradas as discussões das comissões temáticas.

Na próxima sexta-feira, 26, estará em pauta mais uma vez, na Comissão de Ética e de oficialização da putaria, o tema iniciado na semana passada: “Como acabar de uma única lambida, o décimo-terceiro salário dos velhinhos aposentados” e de um monte de Mané que tem por hábito pular a cerca.

Na foto acima as lideranças dos partidos majoritários estão nos finalmente. A discussão está emperrada, e precisa ser decidido se, vai valer cartão de crédito (no débito) ou se vai valer cheque em branco e parcelado.

A tabela das ações já foi aprovada. Hoje, o item final da discussão será se, pós-“nhanhação”, quem vem retirar os cadáveres dos velhinhos que bateram a biela apenas olhando – sem direito a pôr a mão! – para essas coisas valorizadas em dólar.

Claro, temos que respeitar a preferência de todos. Mas, tem gente que nunca gostou disso!

E quem gosta é que é preconceituoso e homofóbico.

LICEU DO CEARÁ CHEGA AOS 173 ANOS

Frente (foto antiga) do Liceu do Ceará

Hoje, quarta-feira, 17 de outubro de 2018, peço licença aos amigos que aparecem por aqui, para dar uma “curiada” nas linhas que escrevo, pois me rendo e me entrego totalmente numa homenagem especial.

Bato continência, e agradeço os 7 anos que essa instituição de ensino me abrigou, e me deu a honra de fazer parte da sua bela e edificante história. Falo do LICEU DO CEARÁ, nos dias de hoje conhecido como Colégio Estadual Liceu do Ceará.

Na próxima sexta-feira, 19, o Liceu completará 173 anos de fundação e de magnífico trabalho prestado à educação cearense e brasileira. Fundada no dia 19 de outubro de 1845, a secular instituição de ensino está situada na Praça Gustavo Barroso desde a sua fundação até os dias atuais.

Por essa instituição pública de ensino passaram inúmeras personalidades que têm referência na boa construção do Estado do Ceará, do Brasil e do mundo. Não há como nominar todos, haja vista que incontáveis gerações tiveram a honra de frequentar suas salas de aulas.

Parte interna do Liceu do Ceará – estudei dois anos nessa sala ao lado direito da escada na foto

O Liceu do Ceará se transformou na mais importante e melhor instituição pública de ensino do Estado, mantendo os melhores e mais renomados professores. Disciplina rígida, grade curricular de excelência, e, por mais de duas dezenas de anos, dirigida pelo magnífico Professor Boanerges Cysne de Farias Sabóia.

Professor Boanerges era rígido ao extremo – mas era igualmente justo e ao mesmo tempo amigo dos funcionários, dos professores e dos alunos. Não fora assim, não teria permanecido tanto tempo na direção desse colégio.

Professores importantes foram tantos que, com a memória já iluminada pela idade, correria o risco de cometer algumas injustiças por omissão de nomes. Mas, como esquecer Padre Hélio e Professor Osvaldo, ambos professores de Latim? Como não lembrar do Professor Mamede, um mestre nas aulas de Matemática? Como esquecer de Sigefredo Pinheiro, professor de Química; de Euclides Tupá Milério, professor de Francês; ou de Caio, professor de Geografia Geral e do Brasil?
Como esquecer Orlando Leite, professor de Canto Orfeônico; Dilson, professor de Desenho?

Ao lado da esposa, o Professor Boanerges, eterno e querido Diretor do Liceu do Ceará

Entrei para o “cast de estrelas” do Liceu do Ceará em janeiro de 1958, para cursar a então primeira série Ginasial. Nunca fui “reprovado”. Assim, saí ao final de 1964, após concluir o curso Científico.

As duas melhores lembranças do Liceu do Ceará:

1 – As exageradas presepadas que fazíamos nos ônibus da linha Jacarecanga: os alunos do Liceu, por decisão própria, não pagavam passagens;

2 – Não adiantava “colar” em nenhuma prova escrita: havia a prova oral a cada final de ano. O aluno tinha que saber o que foi ensinado. Caso contrário, seria “reprovado”.

A INLEIÇÃO DO CUMPADE

Seu Manel tava cortando pau e parou prumode ir votar

Engraxar as botinas ou lavar as alpargatas, engomar a calça de brim e retirar a blusa de cambraia do baú, numa preparação para “votar na inleição do cumpade Janjão”, não é mais a cena que qualquer um ganharia se apostasse, anos atrás, pelo menos no povoado Queimadas, onde nasci e vivi a felicidade da infância.

Em alguns lugares essa coisa mudou, pois inventaro um tá de instagrama que fala cozoutros sem dizê nadica de nada.

Dizem que é o modernismo, me parece que isso num qué dizê mermo é nada. As coisa muda, mas os pessoá continua os mesmim, mesmim, cuma se nunca tivesse ido pra escola istudá!

Eles estuda, estuda e estuda, e fazem as sugêra deles, e nóis que veve na roça que paga a culpa qui nóis num tem. O que nóis faiz aqui é trabaiá, e trabaiá muito, prumode dá dicumê para uma cambada que num si dá ao respeito!

É assim que seu “Manel” pensa. Seu “Manel” não vive preocupado com manifestações das viadagens na Avenida Paulista, onde as pessoas com doutorado, gênios, pesquisadores, teimam em desmentir as coisas de Deus; seu “Manel” não tem conta no Facebook para ficar repetindo a mentira de dizer que é “democrata” e não permitir que esse ou aquele tenha o direito de escolher em quem votar (e quem não estudou foi o seu “Manel”); seu “Manel” fuma um cachimbinho desde muito tempo, mas nunca “deu um tapa na cara nem fez a cabeça”; seu “Manel” é pai de três rapazes que gerou com Dona Carmencita, e desde cedo ensinou esses meninos a trabalhar na roça (vai alguém me dizer que, hoje, ser Doutor significa alguma coisa?) para garantir o sustento honesto com o suor do rosto; seu “Manel” nunca “permitiu” (é isso mesmo: “permitir”) que os três meninos vivessem esmaltando as unhas ou mostrando tendências para a viadagem – e seu “Manel” diz que: quem quisé fazê isso, pode fazê. Mas pegue a trouxa e vá vivê longe da minha casa!

Hoje, sabemos, alguns pais até dizem: “filho(a), viva sua vida, use o quarto para suas coisas, não vá pra rua, faça aqui mesmo.” E depois querem ter moral, dizem que são dignos, e na primeira dor de barriga recorrem à Deus. Mas são favoráveis às indecências que estão postas aí no dia a dia.

Pois esse é o seu “Manel”, sertanejo analfabeto, que nunca vai sê dotô, mas aprendeu distinguir entre merda e bosta. Para seu “Manel”, merda é de gente, e bosta é de boi.

E seu “Manel” ainda diz que: tem gente que num sabe por causa de que, que o pato come tudo duro e só caga ralim, ralim; que cabra e bode só come capim, e caga aquelas bolinhas, e adispois qué intendê de inleição e dizê nim quem os zoutros devem de votar.

Apois esse mesmim seu “Manel” já se decidiu: se fosse jogar no bicho, jogaria toda a poupança que juntou no porquim de barro no grupo do 17, macaco. Mas, cuma é na inleição, vai votá mermo é no Bolsonaro por causa de que, além de ser favorável ao Brasil e pela família, é contra um bando de fela-da-puta que só pensa nim dá o traseiro e fumá maconha.

* * *

Os sábados cariocas

Quindim da Cavé é uma “maravilha”

Uma semana inteira de trabalho, com três horas acrescidas de “serão” a cada dia (ou plantão, para outros), e aí chega a noite de sexta-feira. Todas as noite de sextas-feiras são “feriadas” no Rio de Janeiro. Os bares comemoram e os garçons adoram a abundância das “caixinhas”.

Ser “carioca” é um estado de espírito!

E, horas depois, o sábado. Ressaca, caldo verde, praia para outros. Mas, eu preferia resolver alguns problemas: visitar livrarias, comprar livros, olhar vitrines, e, principalmente, fazer uma visita demorada à Cavé, que a gente nunca sabe se fica na Rua Sete de Setembro, 133, ou na Rua Uruguaiana. É uma esquina.

Naquela hora, nenhum chope, nenhuma praia, nenhuma vitrine é melhor que comer dois doces, especialidades seculares da casa: quindim e fio d´ovos.

TRAGO A VIDA AGORA CALMA – UM TANGO DENTRO D’ALMA

Ângela Maria – a cantante Rainha do Rádio

“A luz do cabaré já se apagou, em mim
O tango na vitrola, também chegou ao fim
Parece me dizer
Que a noite envelheceu
Que é hora de lembrar
E de chorar . . . . .”

Sei que o especialista desta área é o “Mestre” Peninha. E que ninguém se atreva a dizer que não. Mas, hoje peço permissão ao mestre, apenas para externar um momento de tristeza, na tentativa de tentar diminuí-la. Será em vão, sei disso.

No começo da década de 60 eu era ainda um jovem e entusiasmado namorador. Vivia me apaixonando por qualquer “rabo de saia” (dizer da minha falecida Avó) e até evitava me aproximar do cheiro do bacalhau. Me vigiei e me cuidei para não virar maníaco.

Sempre gostei de voltar ao lugar onde me tratam bem. Onde me sinto relaxado e à vontade. Em Fortaleza, naqueles tempos que o vento já levou, existiam dois lugares do meu preferido convívio.

Nas sextas-feiras à noite, o Bar Caravelle, ainda hoje localizado na Avenida Luciano Carneiro. Um bom vinho tinto, e a moldura do som maravilhoso de um piano que cismava em continuar tocando o “jazz” que dominava aquele tempo. Fosse “jazz”, estava bom. Aquele som nostálgico e ao mesmo tempo alegre, entrava pelos poros como anestesia. Na verdade, a anestesia era o vinho – o som era um acalanto.

Aos sábados, a partir do meio dia, o Clube do Advogado, naquele tempo instalado na Rua Guilherme Rocha. Ali, além da excelente feijoada, o show proporcionado pela cantora cearense Aíla Maria, que, antes de atender qualquer pedido de clientes, cantava algumas músicas interpretadas por Ângela Maria, a Rainha do Rádio.

“Angela Maria, nome artístico de Abelim Maria da Cunha nasceu em Conceição de Macabu, Rio de Janeiro, a 13 de maio de 1929, e faleceu em São Paulo, São Paulo, a 29 de setembro de 2018. Foi uma cantora e atriz brasileira, expoente da Era do Rádio e considerada dona de uma das melhores vozes da MPB.

Intérprete de canções como Babalu (Margarita Lecuona), Gente Humilde (Garoto/Chico Buarque/Vinicius de Moraes), Cinderela (Adelino Moreira) e Orgulho (Waldir Rocha/Nelson Wederkind), serviu como fonte de inspiração para artistas como Elis Regina, Djavan, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Cesária Évora e Gal Costa, além de ter sido, comprovadamente pelo Ibope, por um longo período, a cantora mais popular do Brasil e conquistado a admiração de personalidades como Édith Piaf, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Amália Rodrigues e Louis Armstrong.” (Transcrito do Wikipédia)

Por que pessoas morrem?

Ou, por que morrem tantas pessoas?

Quantos seríamos, os humanos, se ninguém tivesse morrido nos últimos 300 anos?

Pois é. No fim de semana morreram Ângela Maria e Charles Aznavour. Mas a gente sabe que não morreram apenas eles. Eles morreram. Outros foram mortos.

Charles Aznavour desfalca a boa música francesa

“La bohème, la bohème
Ça voulait dire on est heureux
La bohème, la bohème
Nous ne mangions qu’un jour sur deux”

Charles Aznavour nasceu em Paris, a 22 de maio de 1924, e faleceu em Mouriès, a 1 de outubro de 2018. Foi um cantor francês de origem armênia, também letrista e ator. Além de ser um dos mais populares e longevos cantores da França, ele foi também um dos cantores franceses mais conhecidos no exterior. Atuou em mais de 60 filmes, compôs cerca de 850 canções (incluindo 150 em inglês, 100 em italiano, 70 em espanhol e 50 em alemão). Charles Aznavour vendeu quase 200 milhões de discos em todo o mundo. O cantor começou sua turnê global de despedida no fim de 2006. Após reconhecer sua nacionalidade armênia em dezembro de 2008, Aznavour aceita em 12 de fevereiro de 2009 ser nomeado embaixador da Armênia na Suíça.” (Transcrito do Wikipédia)

A COR PÚRPURA

Irene no Céu

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:
– Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Poema de Manuel Bandeira

A foto não é colorida – mas a rosa é negra

Preta, é a cor. Negra, é a raça – poucos fazem essa distinção.

Aceite ou não, quem assim desejar. A tão comemorada Lei Áurea, para o brasileiro foi apenas uma fantasia. A diferenciação (e os preconceitos) da raça é algo mundial.

Princesa Isabel, uma ova!

A questão é cultural e, por ser assim, cultural. Nos EUA, na Inglaterra, na África do Sul e provavelmente na África maior, raiz dos nossos antepassados.
Abolição da escravidão. O que foi isso? Onde isso aconteceu?

Em pleno século XXI o “Governo” brasileiro, deu um baita reforço à cultura da escravidão e da discriminação, quando sancionou a “lei das cotas” para acesso na universidade pública.

Babacas! Governo de babacas! Filhos da puta!

Exemplo: 60 vagas para o curso de Medicina de uma universidade pública, sendo 30 paras cotistas, e 30 para não cotistas. E aí vem o resultado do Vestibular. 50 cotistas são aprovados, mas apenas os 30 melhores classificados são chamados e matriculados.

E aí vem a sacanagem. Os 20 cotistas que “sobraram”, todos tem notas e médias superiores aos 30 não cotistas. E aí, como fica?
Qual o benefício da “lei das cotas”?

Me ajude e escreva uma legenda para essa foto

Vivo no Maranhão há exatos 31 anos. Vim do Rio de Janeiro, depois de ter saído de Fortaleza na tenra idade. O Ceará é sem nenhuma dúvida o Estado mais “racista” do Brasil – e, dizem, foi antes da assinatura da Lei da Abolição, que o Ceará no município de Redenção – zona de grande produção açucareira naqueles tempos – resolveu “libertar” os escravos das fazendas. Mas a discriminação permanece até os dias de hoje.

Não tenho informações oficiais que possa assegurar, mas o Maranhão, provavelmente é o Estado onde permanece o maior número de Quilombos e remanescentes de escravos. Talvez isso explique a perseverança, a disseminação e o sucesso de danças como Tambor de Crioula e Cacuriá, manifestações vivas transportadas da África mãe.

La belle de nuit

A raça negra é bela. Bela, também. Quaisquer “defeitos” ou discordâncias jamais dirão respeito à cor da pele – mas, talvez ao caráter.

Alguém já parou para refletir quantos “negros” estão enrolados, denunciados e condenados nesse lamaçal que “brancos” e muitos de cabelos brancos resolveram colocar a empresa Petrobras?

Literalmente, nenhum.

Mas, esse não é o assunto da postagem. Aqui viemos hoje para falar de beleza e especialmente da beleza negra, começando com a rosa, que não fala, apenas exala o perfume que rouba de outras belezas.

Muitos que aqui comparecem e que não são mais crianças, com certeza lembram da bela francesa Catherine Deneuve, a “Belle de jour”, que Luís Buñuel pintou e bordou num dos maiores sucessos cinematográficos de todos os tempos.

E quem pensa que a mulher negra ficaria atrás, se lhe fosse dada a oportunidade de representar, por exemplo, num filme com o nome “Belle de nuit”? É, é essa beleza de cima.

Ou, quem sabe, esse desenho selvagem da foto abaixo?

Muita beleza além das curvas insinuantes

AS ABÓBORAS DE CIPRIANO

Na roça a abóbora tem peso no café da manhã

Vira e mexe entendo que é importante compartilhar a voz da experiência em algumas situações e em alguns fatos.

Faz muito tempo, sem ser pretensioso, deixei de aceitar falas ou citações desse, dessa, daquele ou daquela, apenas porque tenha atingido um patamar de popularidade maior que outros. Às vezes, o citado fala uma bobagem sem tamanho e ninguém se lembra da citação.

Deixando de lado Einstein, mas, sem deixar de citá-lo, nunca é demais lembrar que, certa vez ele disse que, “a vida é como andar de bicicleta. Se parar, vai cair.”

E, como não conheço tantos famosos, resolvi recorrer à minha Avó (aquela mesma que virou personagem de algumas crônicas ou contos de minha autoria, apenas pelo fato de ser minha Avó, e muito menos pelo fato de “mijar” em pé), para lembrar que ela, sempre que sabia que alguém estava “enrolado” ou “comprometido”, ou ainda “lascado”, lembrava a história de Cipriano, um dono de roça que, para pegar ladrões, plantava também carrapichos.

A roça de Cipriano era enorme. Media tantas “braças” de frente e muito mais “braças” de fundo. Traduzindo: a frente tinha uns 300 metros e o fundo uns 800 metros. Era trabalho grande para limpar, plantar, vigiar e colher a produção – principalmente para quem fazia isso manualmente e sem ajudantes.

O maxixe da roça de Cipriano além de orgânico era verdinho

Naquele “pequeno roçado”, ao fim de toda safra Cipriano colhia carradas e mais carradas de abóboras (jerimuns, para outros), comprovando o acerto na escolha da plantação dos produtos. A dificuldade maior era o agacha-agacha na hora da colheita.

Certo dia, contava minha Avó, Cipriano começou a “dar pela falta” das maiores abóboras, aquelas que pesavam mais e lhe garantiam uma boa freguesia e um bom lucro. Algumas sumiam como se carregadas pelo vento – e nunca se soube que raposa, cobra ou gato maracajá comessem jerimum.

Estava acontecendo algo estranho, e Cipriano resolveu tentar descobrir para acabar com a provável ladroagem. Apelou e resolveu plantar também umas sementes de maxixe, o que garantiria que, se alguém estivesse “roubando”, teria mais trabalho ao colher, também, um maxixe por vez.

Matuto pode ser ingênuo e analfabeto, mas não é burro como alguns políticos. Foi aí que Cipriano preparou uma armadilha. Semeou no caminho das abóboras e dos maxixes várias sementes de carrapicho, que acabaram nascendo quando as abóboras amadureciam e o maxixe estava na época da colheita.

Cipriano postou-se escondido atrás de uma moita que ficava antes da porteira de entrada e saída do roçado. Portava uma espingarda bate-bucha já pronta para atirar.

Para surpresa, quando avistou alguém colhendo os maxixes e duas grandes abóboras, acionou a espingarda e disparou para cima. O larápio só teve tempo de carregar as duas abóboras grandes e as escondeu noutro lugar. Ao sair pela porteira, as calças estavam apinhadas de carrapichos.

Carrapicho é pior que “pega-ladrão”

Pois, tal e qual, as artimanhas de Cipriano, na semana passada foi descoberto alguém com as calças repletas de carrapichos.

Não estava roubando abóboras nem maxixe. Estava fraudando “pesquisas” mentirosas na tentativa de favorecimento deslavado à quem a encomendara, e pagou caro para estar na frente do adversário com alto percentual de diferença. Coisa rotineira nas eleições brasileiras.

E sabem o que aconteceu?

Não foi minha Avó quem contou, pois ela há muito está noutro plano. A assinatura da pessoa responsável pelo envio dos números ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), era de alguém falecido há mais de seis meses.

Ah se Cipriano soubesse disso!

Com certeza deixaria de plantar abóboras e maxixe para montar uma agência de pesquisas.

Por falar nisso, você alguma vez já foi “pesquisado”?

Nem eu!

O VAQUEIRO – DESAFIANDO ESPINHOS E CASCAVÉIS

 

O vaqueiro e seus desafios

O galo cantou – mais um dia amanheceu. A mesa está posta para o café da manhã. É a repetição do dia a dia, na grande fazenda ou no mais humilde dos casebres.

Leite, coalhada, queijos e manteigas – todos produtos bovinos que tiveram a prestimosa e indispensável ajuda do “Vaqueiro” – aquele que tange, chicoteia, e, às vezes, também esporeia o boi e a vaca. É uma das muitas formas de “ordenar” a quem escuta mas não responde.

É o mister do Vaqueiro, a cada começo de dia. Seja na fazenda ou na misteriosa caatinga, cheia de garranchos, espinhos e cascavéis – tudo pronto a repelir e resistir, numa obediência apenas ao destino da caatinga.

E é ali, onde não há esconderijo, que o boi, a vaca, o garrote e o bezerro procuram se esconder do domínio humano.

A escuridão noturna se aproxima. Berrantes anunciam a hora da volta para os currais. Faltam bois, faltam bezerros e faltam rês (vacas) para o descanso preparatório para a ordenha da madrugada expulsa pela claridade de mais um dia – é a alvorada com o galo a cantar.

O sertanejo é antes de tudo um forte?

Imaginem o sertanejo Vaqueiro.

A vitória confronta desafios para “pegar” o boi

Oração do Vaqueiro

Deus pai todo-poderoso, luz do Universo. Vós que sois o criador da vida e de todas as coisas, concedei derramar sobre nós, teus filhos, cavalos, e vaqueiros que aqui estamos, as tuas bênçãos e a tua divina proteção.

Dai-nos Senhor:

– A saúde e o vigor, para que possamos competir com garra em busca da vitória…

– A lealdade, para que busquemos o podium com determinação e coragem, mas com respeito pelos nossos adversários, vendo em cada um deles um amigo e um companheiro de jornada…

– A prudência, para que não venhamos a nos ferir no ardor da disputa…

– A paciência, para que entendamos que a vitória, símbolo do sucesso, é o resultado do trabalho árduo e deve ser conquistada degrau a degrau…

– A humildade, para façamos de cada sucesso um estímulo para caminharmos sempre em frente e cada tropeço um aprendizado de que pouco sabemos, e é preciso aprender mais…

– A gratidão, para que, no momento da vitória, saibamos que a conquista só foi possível pelo trabalho e dedicação de muitos: cavalos, treinadores, tratadores, juízes, locutores, vaqueiros, promotores, veterinários, motoristas e até o do público que vem nos assistir…

Senhor, dai-nos também:

– A bondade, para tratarmos nossos animais com respeito, amor e atenção, jamais esquecendo de agradecer a eles pelo trabalho realizado…

– A generosidade, para que no futuro, quando nosso inseparável amigo de tantos galopes da vitória estiver velho e cansado, não mais podendo nos auxiliar nas conquistas, receba de nós o amor e os cuidados para que possa terminar seus dias com dignidade e, chamado por vós, galope feliz sentindo em seu dorso o nosso carinho e nossa saudade, pelos verdes campos de tua divina morada…

Pai, dai-nos finalmente:

– O patriotismo para que se um dia lograrmos merecer representar o nosso pais pelas pistas de vaquejadas do mundo, saibamos, como tantos outros, honrar o seu nome, sua gente e suas tradições.

– A virtude, para que jamais nos afastemos dos nobres ideais da vaquejada e para que antes de campeões, possamos ser cidadãos de bem…

E a fé, para crermos que tudo vem de vós, Senhor do Universo e nosso Pai eterno. Que assim seja! (Transcrito do Wikipédia)

A vitória reúne amigos (homens e animais)

É uma festa popular que atravessa séculos. Contando com o apoio religioso da Igreja Católica, todos os anos, no mês de agosto o município maranhense de Vargem Grande reúne centenas de milhares de fiéis, dando um colorido especial e uma verdadeira cascata de vozes diferentes em cantorias, repentes, orações – é a comemoração da devoção que se tem à São Raimundo Nonato dos Mulundus, o “Santo Vaqueiro”.

Faz tempo a cidade de Vargem Grande se apequena, nesses dias. A barafunda e a enorme confusão na cidade, com bois, vacas, cavalos, vaqueiros e fiéis, acabaram empurrando essa gente toda para a margem da rodovia numa extensão de até 40 Km, desde o povoado Paulica até os primeiros batentes da Igreja católica.

Tudo muda na cidade. A vida muda na cidade – só o Vaqueiro continua Vaqueiro, o irreverente e heroico trabalhador da caatinga repleta de espinhos e cascavéis.

FRUTAS E VOTO

I – Para alguns as uvas sempre estarão verdes

Uvas verdes

Best seller que fez a cabeça de muita gente nos anos 50, 60 e 70, o livro “O Pequeno Príncipe”, do autor francês Antoine de Saint-Exupèry já deve ter atingido centenas de milhões de unidades impressas e vendidas.

Sua primeira edição é do dia 6 de abril de 1943 e até hoje já vendeu centenas de milhares de unidades – continua influenciando os jovens (há quem pense que foi um livro escrito para crianças – e não foi), embora esses vivam nos dias atuais com novos valores, provavelmente sendo influenciados por novos autores.

Repleto de parábolas e frases marcantes, O Pequeno Príncipe detalha um rápido encontro desse com a raposa, habitantes de um pequeno planeta, onde é mais fácil e belo apreciar o pôr do sol.

A raposa queria comer as uvas mas não conseguiu alcançá-las. Resolveu desdenhar, dizendo:

– Elas estão verdes!

Para alguns, principalmente aqueles que desistem de viver e tentar buscar as vitórias na vida sem fazer qualquer esforço, preferindo justificativa esfarrapada, as uvas sempre estarão verdes.

* * *

II – As namoradas e as pitombas

Pitombas maduras

Namorar era algo bom naqueles anos que já dobraram a curva do tempo. A gente “se arrumava todo” para ir namorar, e a namorada “se arrumava toda” para receber a gente em casa. Sentar na frente da casa, de preferência num lugar não muito claro.

Beijar a namorada na boca, era bom. Sempre foi bom. Mas, nos tempos que já se foram e não voltam mais, a família da namorada precisava “permitir”, muito mais que a própria namorada.

Hoje tudo é diferente. Não precisa “permissão” para nada. A mãe, sempre ela, até já autoriza que o namorado fique mais tempo no quarto da namorada (fazendo sabe-se lá o que!) que escutando as conversas da família na sala onde quase todos sentam.

Antes, sempre acompanhados de alguém da família, o casal de namorados tinha o hábito de sair todas as noites para os festejos religiosos da Igreja Matriz, onde, uma vez por ano aconteciam as quermesses.

Maçã do amor, algodão doce, carrossel, jogo do preá, tiro ao alvo e mais duas coisas que nunca consegui compreender por que aquilo era vendido nesses festejos: roletes de cana e pitomba.

O que essas duas coisas tinham (ou tem) para entreter alguém que, em vez de mastigar ou chupar, prefere (ainda) beijar na boca?

* * *

III – As maiores “pencas” de bananas

Bananas em “penca”

Para nós nordestinos, uma “penca” sempre terá o significado de uma porção exagerada. Uma grande porção. Aplica-se a algumas coisas e nada tem a ver com outras tantas.

No Rio de Janeiro, a “penca” é a mesma coisa que uma “palma”. No caso da banana: uma penca de bananas será sempre uma palma de bananas.

Hoje, os conhecidos sacolões e as frutarias, ainda vendem bananas na dúzia, mas quase todos os supermercados já aderiram a venda dessa maravilhosa fruta (rica em tudo que o organismo humano necessita) ao peso. 1 Kg, 2 Kg, e daí em diante.

Dito isso, quero dizer mais ainda: o brasileiro que vive nesse continente desde o extremo sul ao extremo norte, não sabe quantas são as espécies de bananas.
Uma simples e pequena casca de banana nanica (por ser pequena) já serviu até de roupa para vestir a Chiquita Bacana. A da Martinica.

* * *

IV – Faltam 30 dias para a limpeza

Nova forma de eleição

Tenho e sempre tive minhas próprias ideias a respeito da Política. Ninguém jamais fez ou terá o privilégio de “fazer a minha cabeça” para tentar conquistar meu voto para esse ou aquele. Massa de manobra não me usa. Nunca usou. Desde os tempos de Liceu do Ceará, que, em termos de “Política”, eu sempre soube o que fazer. Sempre fiz o que quis e entendi como certo.

E, finalmente, chegou a hora de não querer mais fazer. E eu quero fazer agora. Não votarei mais em nenhum FDP – e, repito: nenhum desses merece o meu voto.

Aos que ainda votarão, sem sugerir nada ou qualquer nome, um recado: chegou a hora de fazer a limpeza. A hora de mandar de volta para casa ou para onde desejarem, todas essas bostas que ocupam mandatos eletivos.

E você não pode nem deve esquecer que, quando elege o(a) Presidente, vai dar autorização para que ele eleja ou indique, também, um alto percentual do Judiciário – esse que está aí e que você conhece.

A “JUSTIÇA” BRASILEIRA SEMPRE FOI “INJUSTA”

O macaco quer apenas entender

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

Na maioria das vezes, nos últimos 100 anos, a Justiça brasileira vive praticando injustiças com o seu povo – “caixa pagadora” de todas as suas despesas e receitas. Para que se tenha uma ideia, o enunciado do tão citado e referido Artigo 5 da Constituição Brasileira é a caixa preta da principal mentira constitucional da nossa sociedade.

Como pode, um artigo que pretende encerrar Justiça igual para todos, ter 78 itens e incontáveis parágrafos e alíneas, contendo explicações que não explicam nada e mimimis que só favorecem aos mais aquinhoados que reúnem “grana” para pagar advogados?

E, nesses casos as tais “Defensorias Públicas”, defendem quem e o que mesmo?

Não parece algo premeditado para nunca resolver nada?

Ora, o que se vê, realmente é a verdadeira intenção de intermediar tudo sem resolver (no sentido de punir) nada. Assim, a Justiça brasileira foi erigida (e se mantém assim) sobre três pilares inarredáveis:

– Foro privilegiado;

– Prescrição da acusação;

– Favorecimento gerando a impunidade;

– Diferentes interpretações de uma Lei que é redigida com esse pressuposto.

“O foro especial por prerrogativa de função – conhecido coloquialmente como foro privilegiado – é um dos modos de estabelecer-se a competência penal. Com este instituto jurídico, o órgão competente para julgar ações penais contra certas autoridades públicas – normalmente as mais graduadas nos sistemas jurídicos que a utilizam – é estabelecido levando-se em conta o cargo ou a função que elas ocupam, de modo a proteger a função e a coisa pública. Por ligar-se à função e não à pessoa, essa forma de determinar o órgão julgador competente não acompanha a pessoa após o fim do exercício do cargo.

Criado como uma resposta à irresponsabilidade penal dos governantes, típica do absolutismo, buscava garantir a responsabilização daqueles que exerciam altos cargos governamentais. Por isso, é ainda hoje utilizado nos ordenamentos jurídicos de vários países de tradição romano-germânica, especialmente no Direito brasileiro. Neste sentido, remonta a uma separação entre privilégio (ou privilégio pessoal) e prerrogativa (ou privilégio real – de res, coisa). O primeiro abarcaria os privilégios de nascimento, aqueles concedidos às pessoas devido à família na qual nasceram, isto é, à origem. A segunda refere-se aos direitos transitórios que uma função confere àquele que a ocupa, isto é, direitos que se ligam ao cargo e existem para permitir o seu melhor exercício.” (Transcrito do Wikipédia)

Qual é mesmo o objetivo e as intenção de um “pedido de vista” para interpretação de um caso que se resolve em cinco ou dez minutos?

Para que mesmo servem essas instâncias superiores, e por que esse absurdo de recursos, de liminares, disso e daquilo?

Será que que Juízes e Desembargadores vivem pensando que o povo brasileiro é idiota?

Afinal, de diabos de País é esse?

Por que os tribunais tratam de uma forma, por exemplo, os “defensores” do ex-presidente Lula, concedendo-lhes inúmeros tipos de protelações, de adiamentos, de recursos disso e daquilo; e tratam de forma diferenciada os defensores do ex-goleiro Bruno?

Por que para parecer legal, a condenação de Lula precisa de “provas” (mais que as inúmeras apresentadas), e por que todos se lixam para a apresentação das provas no caso da condenação de Bruno?

Afinal, a Lei não é igual para todos, como diz o Artigo 5 da Constituição Brasileira?

Ou, será que, no duro, no duro, a coisa não é bem assim?

Qual o conceito que tem um leigo (como eu, por exemplo) da Justiça brasileira no caso em que a jovem Cristiane Richthofen cumpre pena por ter assassinado o pai e a mãe, e consegue receber “indulto” temporário para visitar o Pai, no Dia dos Pais?

Como é que se consegue absorver isso?

Pior, muito pior que isso, é quando acontece, de forma premeditada para favorecer a alguém, a tão conhecida “prescrição” (ou engavetamento)?

“A Prescrição se caracteriza pela a perda do direito de punir do Estado pelo transcurso do tempo. De acordo com o artigo 61 do Código de Processo Penal, a prescrição deverá ser determinada de ofício, pelo juiz, ou por provocação das partes em qualquer fase do processo.

A prescrição pode se dar durante a pretensão punitiva ou durante a pretensão executória do Estado. Quando o agente comete a infração penal, surge a pretensão do Estado de punir a conduta (pretensão punitiva). Desta forma, o Estado perde o direito de punir antes de a sentença de primeiro grau transitar em julgado, extinguindo a punibilidade. A prescrição da pretensão punitiva (PPP) é calculada pela pena em abstrato, de acordo com a regra do artigo 109 do Código Penal.

De acordo com o mesmo artigo:

• se a pena em abstrato for superior a 12 anos, a prescrição ocorrerá em 20 anos;

• se a pena for superior a 8 anos e inferior a 12, a prescrição ocorrerá em 16 anos;

• se a pena for superior a 4 anos e inferior a 8, a prescrição se dará em 12 anos;

• se a pena for superior a 2 anos e inferior a 4, a prescrição se dará em 8 anos;

• se a pena for de 1 a 2 anos, a prescrição ocorrerá em 4 anos;

• e por fim, se a pena for inferior a 1 ano, a prescrição ocorrerá em 3 anos.

As mesmas regras se aplicam às contravenções penais.” (Transcrito de InfoEscola)

O “Fradim” do Henfil sintetiza tudo num gesto bem brasileiro

O DIÁLOGO DAS BORBOLETAS

Avó transmite ao neto a sabedoria do viver

O encontro não tinha nada mais, nem nada menos, do que um daqueles encontros que Deus põe nos nossos caminhos – o encontro casual para a transmissão da sabedoria e da experiência que a vida tatua em nós.

Uma rara peça no teatro da vida. Uma sombra, de onde se podia ver a mutação do humano na beleza que o sol nos impõe. Um diálogo repetido entre a Avó e o neto, na linha paralela, e no mesmo momento que duas borboletas desenhavam a vida com seus voos leves e invisíveis – os voos das vidas delas.

– Vó, espia aquelas duas borboletas – diz o neto, em êxtase visual!

– É. São muito bonitas – diz a Avó, aquiescendo.

– O que elas estão fazendo, vó? – indaga o pequeno.

– Elas estão conversando – responde a Avó.

– Como você sabe, vó? Você está escutando alguma coisa? O que elas estão conversando? – insiste o neto.

– Eu sei por que Deus me ensinou a ouvi-las, e a compreender o que elas falam – diz a Avó.

– Vó, um dia eu também vou ouvir e entender as borboletas? – pergunta o neto!

– Vai, sim! A gente só ouve bem, quando fica velho, e quando aprende a falar e a ouvir com o coração – dia a Avó.

Viver é melhor que sonhar

Viver é melhor que sonhar

“Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa”

Muitos, durante a vida inteira, estão sempre querendo ir para a cidade. Morar na cidade, trabalhar na cidade, estudar na cidade – ainda que enfrentando os problemas que estão na vida da cidade, em detrimento da paz e do sossego que encontramos todas as manhãs, depois de sermos acordados pelo cantar do galo.

Na cidade você (e acho que ninguém) não pode ter um galo. Ninguém aceita, na cidade, ser acordado todos os dias pelo cantar do galo. É um incômodo a mais acordar com aquele conhecido e tradicional co-co-ró-có. Ainda que o galo só cante uma vez, toda manhã.

Ou, em outros casos, com o glu-glu-glu do peru em resposta ao assovio. Com o relincho assoprado do jumento em “conversa” de namoro com a viçosa e “pronta” jumenta.

Polodoro que o diga!

E foi com base nessas teorias que, o sobralense Belchior, pela experiência vivida no interior cearense, escreveu:
“Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa”, parte da música eternizada por Elis Regina, “Como nossos pais”.

Elias, apenas 11 anos de idade, podia não ter a inteligência desenvolvida como os que estudam e colam grau em Harvard, mas sabia perfeitamente para que lado o vento sopra, por que a água evapora e, principalmente, por que a “vida na roça” é melhor e diferente da vida na cidade.

Profeticamente repetindo Belchior, Elias afirma: “Viver é melhor que sonhar.” Para Elias, quem vive na cidade grande nos dias atuais, apenas “sonha”. E repete: “viver é melhor que sonhar”.

A BOQUINHA DA NOITE

A noite chega trazendo pirilampos e poesia

A penumbra da noite vai chegando, caindo e caindo, como se fora o primeiro acorde de uma sonata, ou os primeiros versos de uma poesia escrita com o tilintar dos chocalhos das cabras e dos bodes a caminho, mais uma vez, do aconchego das camas de palhas secas do chiqueiro.

Plem, plem, plem, repetidas vezes bate do badalo do chocalho ecoando nas mais distantes paragens, fazendo coro com os berros dos esfomeados cabritos, pela mamada noturna antes da madorna caprina.

Chiqueiro cabra! Chiqueiro! Queiro, cabra! Repete a voz humana do comando, que aos poucos vai escasseando pela obediência, como se fora uma conversa codificada do mandar e do obedecer, entre o homem e o animal.

A noite acaba de cair. Caiu pesada, escura, para dividir mais uma vez a claridade do fim do dia, da claridade do amanhecer seguinte – o ciclo planetário da vida na Terra dos Homens criados e conduzidos por Deus.

A boquinha já se transformou na lugubridade da bocarra da noite. Luzes artificiais se fazem necessárias. Fósforos riscados trazem a claridade; lamparinas, velas e candeeiros são acesos nos avisos inconfundíveis para as mariposas.

Não longe dali, uma, duas, três cigarras cantam incansáveis num ritmo alucinante, fazendo coro com os pios lúgubres e alvissareiros das não sei quantas corujas. Naquele lugar, também são chamadas de “rasga-mortalha”.

Silêncio total e profundo, que permite escutar os lepo-lepos do bater do rabo do cavalo espantando mosquitos, mutucas e mariposas. A noite é assim.

Toda noite e a cada fim de dia, como o rasgar matinal da folhinha do calendário.

O susto do espermatozoide

O zoidinho andou, andou e andou até encontrar a bifurcação do caminho: era “entrar” e assumir o que pudesse vir depois, ou, “voltar” e cair no escárnio da vida mundana.

Pois, foi assim que tudo começou em Diamantino, numa das 31 noites do mês de março de 1955, quando um desesperado “zóide” saiu do cano provavelmente longo para se deparar com o primeiro grande dilema da sua já longa vida.

Atônito, percebeu que não havia mais como voltar – afinal, não custava nada tentar se dar bem. Eis que, ao se dar conta de onde estava, ficou boquiaberto, assustado com o lugar. E assim “permanece” até hoje.

Pacamão – peixe que tem a boca da largura da redondeza

Pacamão ou pacman (Batrachoides surinamensis) é o nome popular de também 5 espécies de peixes actinopterígeos marinhos do Brasil, que fazem parte da família Batrachoididae, onde se classificam mais 69 espécies em 19 gêneros no mundo todo.

No Brasil, a espécie também é chamada de peixe-sapo, tamboril, pacamã, pacamão ou peixe-cuíca. dependendo da região. É um peixes de couro, demersal, de vivência piscívora, cabeça grande e achatada, de cores pardas, capazes de se enterrar parcialmente, se camuflando no substrato marinho de onde surpreende suas presas em velozes ataques. Podem chegar a 57cm de comprimento. De aparência monstruosa semelhante um sapo.

Nas turvas (por conta das fortes correntes) águas do Maranhão, o pacamão existe em grandes quantidades nos municípios de Alcântara, Cedral e Mirinzal.

É bastante apreciado e não tem o hábito de “soltar” nada. Muito ao contrário. Pega.

POR QUE UM “TAPA NA CARA”?

Qual o “prazer” de bater na cara de alguém?

Hoje, pretendemos propor uma reflexão. Refletir sobre algo antigo, que até hoje não se tem conhecimento com explicações convincentes.

Qual é o “prazer” de bater na cara de outrem?

Qual é o “constrangimento” de quem apanha na cara?

Por que se diz há tanto tempo: “cara que mamãe beijou, vagabundo nenhum põe a mão”?

Afinal de contas, que “tara” (no sentido pejorativo e violento da palavra) é essa de ficar satisfeito, ou ter prazer de bater na cara de alguém?

Faz tempo, muito tempo, eu “apanhei” muito da minha mãe. Meu pai nunca me bateu, nem em meus seis irmãos. Quem batia, e hoje adultos, achamos que sempre merecíamos, era a mãe.

Mas, com uma corda ou um tamanco de madeira na mão, a mãe nos batia nas pernas, nos braços, nas costas. Na cara, nunca!

Por que dá prazer a quem bate, bater na cara de alguém?

Por que, cenas de filmes ou novelas mostram sempre alguém jogando algo na cara de alguém?

Por que, na cara?

Sigmund Freud – a Psicanálise tem explicação?

A Psicanálise é uma prática antiga para tentar encontrar algumas explicações, até para algo inexplicável, como o Autismo ou a Síndrome de Down. Mas, infelizmente, não se tem notícia oficial de que alguns “operadores” desse ramo tenha conseguido alcançar êxito. De forma convincente, diga-se.

Tido e sabido como ícone muito respeitado, Sigismund Schlomo Freud – popularmente conhecido como Sigmund Freud – que teria recebido influências de Carl Jung, Friedrich Nietzsche, foi um dos muitos disseminadores da Psicanálise, ramo da Psiquiatria.

Nascido em Freiberg in Mähren, naqueles tempos pertencente ao Império Austríaco em maio de 1856, formado em Medicina em Viena e faleceu em 1939. Nunca me deu o prazer de ter lido algo que se referisse ao assunto.

Jacques Lacan é outro “famoso” Psicanalista

Outro famoso que merece citação nessa curta reflexão, é Jacques-Marie Émile Lacan, inicialmente graduado em Medicina que caminhou rapidamente para a Psiquiatria, onde fez doutorado em 1932.

Nascido parisiense em 1901, faleceu em 1981 deixando algumas obras importantes. Teve influências de Sigmund Freud – embora não se tenha informações que tenha trabalho específico sobre o assunto agressividade comportamental (nesse caso, “tapa na cara”).

MENINOS E MENINAS, OU, O CÉU FICA AO LADO DO INFERNO

Meninos e meninas banhando na chuva – a inocência consagrada

A rua sempre foi o melhor cenário – se adapta à qualquer apresentação. E, sequer precisa de ensaios ou repasse de texto. É a peça no teatro da vida. E nem precisamos tanto de plateia, e quem entra não precisa pagar ingresso.

A gente corria. Caía. Levantava e continuava correndo. O joelho sangrava machucado, mas era confortado pelo coração alegre e feliz. Brincar era bom. Brincar é bom. Mas, já não se brinca mais e o coração não se alegra – agora, chora de dor.

Quando chovia a rua ficava mais enfeitada, pois os adultos se transformavam em crianças e reviviam os banhos, as brincadeiras e dividiam os jacarés (biqueiras) das casas.

Numa chuva demorada, o banho também se prolongava – os meninos e as meninas tremiam, e as mães, coitadas e preocupadas, traziam toalhas, e, juntas, as ordens: “chega de banho – você já está tremendo e vai ficar resfriado”!

Na “amarelinha” o céu fica ao lado do inferno

A Maria morava naquela casa. Aquela casa que ficava quase na esquina daquela rua onde aquelas pessoas também moravam. Todos se conheciam, todos tinham filhos, todos se cumprimentavam quando se encontravam.

Aos domingos, quase todos iam à missa. Quase todos tinham o que comer. Quase todos comiam. Quase todos viviam.

As crianças. Bom, as crianças todas se conheciam. Todas brincavam juntas. Brincavam de tudo, brincavam com tudo, faziam tudo, elas próprias. Pião, pipas, bambolê, cabra-cega, esconde-esconde, corrida do ovo na colher, chuço, triângulo, corda, cabo de guerra, peteca e amarelinha.

Amarelinha na calçada. Amarelinha no asfalto e amarelinha no chão de barro batido.

Naqueles dias que já vão longe, na imagem da amarelinha o céu ficava ao lado do inferno. Vizinho um do outro. Precisava ser bom, na amarelinha da vida, para chegar ao céu sem se queimar no inferno.

Maria, a que morava naquela casa, sabia da vida de quase todos. Maria falava da vida de quase todos. Quando quase todos paravam de brincar, Maria, sozinha, ia brincar na amarelinha. Passava pela casa 1, pela casa 2, pela casa 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10… mas parava no inferno.

Republicação

QUEM PODE MUDAR TUDO – NÓS, OS LEITORES!

Governantes incompetentes tiveram que recorrer à intervenção federal na Segurança Pública

Está chegando a hora. A hora que estamos esperando faz tempo. Estamos esperando essa chance há quase quatro anos – e, está chegando, também, a hora de você corrigir a bobagem que fez, quando acreditou nesses políticos que estão aí. Está chegando a hora de mudar, votar certo e tirá-los, definitivamente, da política. Só você pode fazer isso.

Está chegando a hora de você lembrar das madrugadas que foi obrigado a acordar e levantar, para enfrentar uma fila enorme para marcar uma consulta médica num hospital público, e, quando chegou sua vez, as fichas já tinham esgotado.

É você quem pode mudar isso. Só você.

Está chegando a hora de você lembrar dos riscos que correu de apanhar da Polícia, que é paga por você, por que você se postou em espaço público, apenas para reivindicar um direito seu, de ter o que os políticos cretinos prometeram e nunca cumpriram.

É você quem pode mudar isso. Só você.

Está chegando a hora de você lembrar das promessas do custeio da Educação pelo pré-sal, e, do que se transformou a Petrobras nos últimos anos, e que, para tapar os rombos da roubalheira ali institucionalizada, você é quem está pagando tudo através dos aumentos diários do diesel, da gasolina e afins.

É você quem pode mudar isso. Só você.

São centenas de milhares de esgotos jogados “in natura” por conta da má gestão pública

Está chegando a hora de você lembrar que não tem mais direito de, cada fim de tarde sentar numa cadeira colocada na frente da sua casa, por que não existe segurança; está na hora de você lembrar que não pode mais viajar tranquilamente num ônibus urbano, por que não existe segurança; está na hora de você lembrar que não pode fazer uma caminhada num local adequado, por que não existe segurança – e está na hora de você lembrar que tem direito a tudo isso, por que paga impostos.

É você quem pode mudar isso. Só você.

Está chegando a hora de você lembrar que, só o que se lê nas redes sociais são críticas ao Sistema Judiciário das instâncias superiores, mas já passa da hora de você lembrar que, quem coloca essa gente onde está, é você, quando elege fulano e beltrano, e delega poderes à quem cabe indica-los. Nos últimos dezesseis anos, foi você quem votou e assinou em baixo para a nomeação de todos que estão indicados nas instâncias superiores que decidem tudo – com exceção, claro, de quem chegou onde está através de concursos.

E quem os colocou onde estão, não o fez pela beleza da cor dos olhos de ninguém. Fez isso com algum interesse – “usar, quando necessário”. E, você tem sua parcela de responsabilidade nisso.

É você quem pode mudar isso. Só você.

Malha rodoviária brasileira – é para isso que pagamos IPVA

Lembre dos aumentos diários da gasolina, do gás de cozinha, do medicamento, da inexistência de leitos nos hospitais públicos, da ausência de atendimento para idosos, e até da não anuência do planos de saúde para a terceira idade.

Lembre dos aumentos das mensalidades escolares, das tarifas de ônibus, da imensidão de impostos que você paga, para não ter nada a seu favor.

Lembre do IPTU, do IPVA, da contribuição sindical, das blitzen que punem uns e “liberam” outros. Lembre de tudo.

Lembre das estradas brasileiras por onde os governantes te obrigam a trafegar; lembre da interminável Ferrovia Norte-Sul; lembre da transposição do Rio são Francisco; lembre dos muitos hospitais prometidos; lembre do sacrifício que pessoas enfrentam para fazer um tratamento de hemodiálise; lembre dos leitos dos hospitais públicos e que, na maioria das vezes, doentes são brigados e dormir no chão, em cadeiras e em macas improvisadas.

É você quem pode mudar isso. Só você.

Lembre disso e vote – mas não esqueça da “Lei da Ficha Limpa”!

Aproveite e lembre de quem vive mentindo dizendo que o povo saiu da miséria

O FALAR BRASILEIRO

Suricate deitando a falação brasileira

Lusofonia é a comunidade formada por todos os povos e as nações que compartilham a língua e cultura portuguesas como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Goa, Damão e Diu e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo. O Dia da Lusofonia é comemorado em 5 de maio, dia esse dedicado à língua cultura e expressão portuguesa. É consagrada a Nossa Senhora da Conceição. (Transcrito do Wikipédia)

Ser ou não ser – eis a questão. Falar, ou não falar – eis o problema. O mundo inteiro fala vários idiomas, mas, o que se fala mais, mesmo, são os dialetos. E esses são incontáveis.

No que toca especificamente ao brasileiro, um dos países da comunidade lusofônica, é mais preocupante ainda a questão do “falar corretamente”. Escrever, então, nem se pretende discutir.

De uma ponta a outra do nosso mapa continental, muitas palavras com a mesma escrita tem significado completamente diferenciado, independente de região. E há quem se divirta com isso.

Muito mais com a pretensão de divertir que orientar de forma pedagógica, o cearense editou e distribuiu um “dicionário cearensês”, explicando o significado de várias expressões utilizadas no dia a dia entre as pessoas nascidas na “santa terrinha”.

No Ceará, o falar não é assim tão acentuado de forma que ninguém entenda – é mais para o lado do deboche das coisas. Há expressões puramente cearenses, mas já difundidas e conhecidas em outros continentes.

O “Arre égua” – por exemplo. É uma expressão que tende mais a algum tipo de admiração, mas pode e certamente tem outros significados, sempre de acordo com a situação em que está sendo usada.

Já a expressão “cagou o pau”, no Ceará é utilizada como o hoje abrasileirado, “foi mal”, “não deu certo”, “deu tudo errado”, “pisou na bola” e daí por diante.

Fulano “cagou o pau”. Significa que fulano errou, fez bobagem.

Falar assim não é de difícil compreensão. O mais difícil é pessoas se adaptarem a essa forma disforme de falar.

No Maranhão, onde vivo há exatos 32 anos, encontrei dificuldades para me adaptar totalmente. Achava estranho e ainda acho, a forma sem nexo de falar do maranhense.

“Mamãe, fulano quer me dá-lhe”. É um filho comunicando à mãe que alguém está querendo lhe bater. Tudo errado, gramaticalmente falando.

E quando o maranhense resolve reduzir as palavras?

Como é que fica?

Fica muito mais difícil de entender.

Veja, apenas uma palavra que, para o maranhense, encerra toda uma expressão. Ele fala: “zulive”, pretendendo dizer – “Deus o livre”, disso ou daquilo.

No Pará, que fica logo ali, algum parente, com intimidade e conhecendo o (a) filho(a), o(a) adverte, falando:

“Te mete a besta, que pau te acha.”

E o que isso significa? Não se atreva a fazer isso ou aquilo, que a coisa pode não terminar bem para você.

Além do mais existe também o falar com intenção chula, ofensiva, mas que no fundo não diz muita coisa:

– Vá tomar onde as patas tomam!

– Vá para a casa do caralho!

– Vá pra puta que o pariu!

– Beeeesta, fela da puta!

Onde é que as patas “tomam”? Na lagoa? Tomam o que? Tomam banho?!

Onde é mesmo a casa do caralho? A casa do caralho tem CEP? É a xereca? E, se for a xereca, a casa do caralho é um mal lugar?

Onde fica mesmo a puta que o pariu?

A TÁTICA DO MATUTO

Lula Dejeto da Silva vai continuar “querendo abrir o olho”

Joaquim Albano viveu lá pelos anos 30, 40 e 50 no município de Pacajus, mais propriamente no mesmo povoado onde este escriba nasceu: Queimadas. Nasceu mais pobre que Jó, e morreu mais rico que os ricos de hoje. Foi o que chamam, hoje, de “posseiro” ou “invasor de terras”.

Esperto como poucos, ainda que sem Mestrado ou Doutorado, Joaquim Albano criava e adotava táticas de domínio sobre o povo, no mais tradicional “cala boca”. Foi “coroné” por dezenas de anos.

Para não chamar muito a atenção da já enveredada fiscalização no caminho da corrupção, usava a tática matuta de “descentralizar o domínio e a posse das terras”, criando e disseminando a figura do meeiro. Ou seja, “dava as terras” para os moradores nela viverem e trabalharem, garantindo 50% do que era produzido e criado nas suas propriedades.

Ora, quem que, não tendo nada de seu, seria louco para receber tudo aquilo de mão-beijada para viver, e ainda teria coragem de sair por ai falando aos quatro ventos?

Já naqueles tempos existia o “Plano B” da tática do matuto Joaquim Albano (roubalheira e esperteza no pior sentido, são coisas antigas neste nosso Brasil): mantinha num grande terreno de sua “propriedade”, uma quantidade enorme de estacas e arame farpado. De vez em quando reunia vários “empregados sob sua custódia” e mandava brocar o mato e cercar a nova propriedade. Como quase sempre não aparecia o dono, a terra passava a ser dele.

Quer dizer: “se colar, colou”.

Exatamente como tem feito ao longo dos seus 73 anos, um pernambucano de Caetés, com tudo que possui até os dias de hoje, utilizando a famosa “tática do matuto”.

Soldado de folga no quartel quer cadeia ou plantão

José Eduardo, que na “numeração” dada pelo Quartel recebeu o número 22, era pelos demais amigos apelidado de “Dadinho”. Tinha o nome de guerra: Eduardo, 22.

No ano de 1961 servíamos ao Exército Brasileiro no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva) de Fortaleza, que tinha o quartel na Avenida Bezerra de Menezes.

“Dadinho” era louco pelo Exército, e fez de tudo para servi-lo. Morava no interior do Estado, mais propriamente em Crateús, distante da capital por aproximadamente 350 Km. Sem familiares na capital, “Dadinho” pretendia seguir carreira no Exército Brasileiro. Fez curso para cabo e continuou estudando para fazer curso para sargento. Literalmente, morava no quartel.

Era o soldado Eduardo, 22, que “resolvia” muitos problemas dos colegas, “recebendo” uns trocados para tirar serviços nos domingos e feriados. Como era um bom rapaz, prezava pela hierarquia, “cadeia” não era com ele. Preferia o “plantão”.

Pois saibam que, é num “plantão” de algum local de trabalho, que muitas coisas acontecem. Plantão de quartel, plantão de delegacia, plantão de hospital (vixe, como acontecem coisas nos plantões dos hospitais brasileiros), plantão dos tribunais… êêêêpppa!

E aí este pequeno texto me fez relembrar de Joaquim Albano, o “invasor” de terras em Pacajus, o mesmo do, se colar, colou!

Tem hora e vez que não cola!

Judiciário em altíssima baixa

A nova faixa presidencial do Brasil

Já escrevi minhas bobagens aqui muitas vezes, e, em algumas delas já informei que, da matéria “Direito”, entendo tanto quanto entendo de pesca submarina. Água muita para mim, só para beber, ou no chuveiro, depois de um dia de trabalho.

Mas, se por um lado não entendo nada de “Direito”, por outro lado tenho a primazia de “observar” – e, nisso, eu sou tão bom quanto aquele que seja o melhor. Empatamos, com certeza.

Ora, e não perdi de vista que, há pelo menos dois anos, todos os dias e “di-a-ri-a-men-te” o Judiciário brasileiro e suas principais decisões ocupam as principais manchetes dos jornais e noticiosos de rádios e televisões. Não há outro assunto que tenha chamado mais a atenção do brasileiro que as ações do nosso Judiciário.

Isso seria bom, convenhamos, se todos esses espaços fossem ocupados para dar bons exemplos, para uma pedagogia construtivista – mas, infelizmente, não tem sido esse o objetivo nem o caminho. Não são bons os exemplos. E o Judiciário brasileiro acaba entrando no descrédito – e isso é péssimo para um País eternamente em construção como o nosso.

O fim de semana passado foi caótico. Deprimente. Exótico. Uma mixórdia, que só nos empurra cada vez mais para a falta de credibilidade total.

Por que, e para que tantas instâncias, tantos recursos, tantos issos e aquilos?

Por que, não foi a “defesa constituída” quem tentou o HC, e, sim, três deputados com mandatos?

Pela certeza absoluta da impunidade, e de algum comprometimento do Judiciário. Uma pena.

Pelo andar da carruagem, a próxima faixa presidencial vai ter que ser entregue para alguém com usufruto de uma tornozeleira eletrônica. Não duvidem!

Vai fazer alguma diferença, se for o Marcola, o Escadinha ou se o “Palácio do Governo” for a Papuda?

O DIÁLOGO DO POLVO COM A CENTOPEIA

Polvo resolver dar uma voltinha pelo cabaré do fundo do mar

O mar, mais uma vez não está pra peixe. Quem está tirando muito proveito disso é o polvo, que, com esperteza, usa todas as suas ventosas para garantir, se não a multiplicação da espécie, pelo menos a garantia de não aumentar tanto o seu tempo de quarentena sexual. E, até onde se sabe, não é sem mais nem menos que o polvo tem tantos “elementos penetrantes”.

Na juventude, quando as facilidades atuais ainda não existiam para “fazer amor”, os irmãos mais velhos, e em algumas situações os próprios pais lembravam que os meninos tinham uma namorada predileta: a “Maria cinco Dedos”. Somente anos depois, foi que apareceram as bonecas infláveis para os homens, enquanto as mulheres conheceram os vibradores.

E, no fundo do mar, a coisa não funciona assim. Tem que dar certo alguma coisa. Tem que acontecer um namorico, ainda que entre espécies diferentes. Dizem até que, no desespero, tartarugas marinhas “fazem sexo” com baleias e tubarões. Será que as “tartarugas ninjas” são produtos desse namoro?

Centopeia quando está “subindo de costas pelas paredes” entra no mar e transa com o polvo

Eis que, cansada de “rodar bolsinha” debaixo dos tapetes, nas frestas das portas, por debaixo dos latões de lixo, e por não encontrar nada para comer e pelo visto nada que tivesse a coragem de comê-la, a Centopeia resolveu dar um mergulho, mudando de rumo. Quando menos esperava, embora desejasse muito, sentiu aquela coisa pegajosa, como se fosse uma pedra no seu caminho. Felizmente, não era.

Era uma das ventosas do polvo. Como no fundo do mar não havia nenhuma condição para acender fogo para ferver água numa panela, Centopeia imaginou que, naquele momento, só poderia ser “comida” da forma que há muito desejava: a única forma de comilança em que os prazeres são divididos. E, tome ferro. Digo, tome ventosa.

Cavalo marinho – a viadagem no fundo do mar

E a Centopeia “deu” para a ventosa do Polvo. Meses depois, a natureza se encarregou de agir, e o resultado foi o nascimento do “Cavalo marinho”, único “macho” no planeta Terra que “engravida” – coisa que muitos baitolas, frescos, gays e esconde espadas ainda não conseguiram descobrir.

Eita meleca, quando neguinho que adora transformar o traseiro em objeto de prazer – será que é “prazer” mesmo, em alguns casos de relacionamento com alguns negões da vida? Sei não visse – esse mundo velho vai ficar mais esculhambado que os “bastidores” de algumas instituições superiores deste Brasil.

Zulive!

Cactos na caatinga – bem que poderia ser filho do Polvo com a Centopeia

Acontece que, satisfeita a sua vontade de “dar”, indiferentemente de saber “para quem”, a Centopeia resolveu que era hora de tirar para fora, e resolveu sair do mar. Com tantas pernas, não demorou a encontrar a caatinga, onde resolveu enterrar seus últimos ovos daquela “transa” no fundo do mar.

Com os ovos enterrados, a chegada da chuva, ainda que esporádica, possibilitou o nascimento de vários tipos de cactos – algo que é a mais provável justificativa de existência de algo tão ridículo, cuja única utilidade é ceder espinhos para as almofadas de bilros da minha falecida Avó.

É exatamente como questionava Chico Anysio, querendo entender qual a utilidade do “rinoceronte”. Esse bicho é algo que se coma? É algo que tem carne ou só banha?

Assim, qual é a utilidade do cactos?

GENARINHO – O ORNITÓLOGO QUE ADORAVA ROLAS

A rola – preferência de Genarinho

Lá pelas bandas da Timbaúba, povoado que hoje recebe os benefícios da construção do açude Castanhão, vivia a família de Sebastião Romão e de Jesuílta da Anunciação, composta por mais seis saudáveis filhos – sendo cinco meninas, e apenas um menino.

As meninas e os meninos gostavam de, sempre que Jesuílta matava uma “galinha da terra” para o almoço dominical, aproveitar tripas, mucuim, fígado, coração e moela para fazer um guisado – às vezes, até aumentavam a comida e esqueciam de brigar pelo “ganhador”.

A medida que o tempo passava, as meninas cresciam, viam crescer seios, nascer pelos pubianos e nas axilas – e a mais velha até já “virara mocinha” por conta da primeira menstruação. O sinal era dado por conta do varal de roupas repleto de “paninhos” (também chamados de “panos de bunda”).

Por alguns anos seguidos, as “crianças” dormiram juntas no mesmo quarto. Eram três beliches – e aquele que deitasse por último tinha a obrigação de apagar a lamparina.

Meninas e um menino juntos, na mesma camarinha. Sem maldades, porquanto todos irmãos. As meninas cresciam, e os mamilos idem. Os seios afloravam redondos e rígidos. Os pelos pubianos também, coxas arredondadas, cabelos compridos, tudo, enfim.

Genarinho, o menino, começou a perceber as diferenças. Seus mamilos incharam e cresceram no fácil sinal da puberdade, os pelos também, e da mesma forma o pênis, que cresceu, engrossou e pontificou na diferença. Foi quando a irmã mais velha, Cacilda, menstruou pela primeira vez. Genarinho ficou esperando sua vez de também “menstruar” – e essa hora nunca chegou.

Durante o dia, nas brincadeiras depois da chegada da escola, as meninas brincavam e até faziam um verdadeiro Clube da Luluzinha, “queimando” Genarinho para as brincadeiras, a maioria apropriadas para meninas.

Sem dar muita importância ao isolamento proposital das irmãs, Genarinho procurou as suas brincadeiras. Acabou se “apaixonando” por aves (galinhas, pavões, perus, patos) e pássaros, até que na matéria curricular da escola, investiu forte em Ciências Naturais. Resolveu que seria “Ornitólogo” – e seria o melhor de todos.

Por conta da infância, onde por anos esperou “menstruar”; por dormir no mesmo cômodo com as cinco irmãs; por viver serrilhando e esmaltando as unhas; e, principalmente por adorar rolas, Genarinho acabou se transformando num excelente profissional e no maior apreciador e conhecedor de rolas. Algumas, valiosas, grandes e diferentes, tinha o hábito de escondê-las.

OBSERVAÇÃO: “mucuim” é o órgão que fica ao lado da moela; “ganhador”, é um osso em forma de forquilha, que também é conhecido como “titela”, e dá sustentação ao peito do galináceo.

* * *

SEÇÃO SAUDADE

Hoje bateu uma saudade danada de muitos entes queridos. Saudades do pai, Alfredo; da mãe, Jordina; do irmão, Francisco (que teria comemorado mais um aniversário no último dia 24, dedicado a São João); da irmã, Jandira, e de muitos amigos e amigas queridas que fizeram parte e foram importantes no amoldamento da minha vida, e no meu amadurecimento.

Aqui neste JBF, a saudade que está doendo, doendo muito, é da amiga querida e inesquecível, Glória Braga Horta, que ainda não conseguiu sumir, ao dobrar a esquina da nossa amizade. Ainda está ali, visível, acenando com a mão. Cantando Maísa Matarazzo: “Meu mundo caiu”!

Xêro, querida!

Glória Braga Horta

Não é diferente a saudade desse irreverente amigo, visivelmente de personalidade muito forte nas ocasiões e nas horas de defender valores próprios. Falo de Cícero Cavalcanti, um dos ícones da “banda séria” desse esculhambado e desmoralizado Brasil.

Aqui, apesar de sentir grande saudades desses dois amigos que não tivemos a felicidade de conhecer pessoalmente, torcemos para que estejam num bom lugar ao lado do Pai Todo Poderoso.

Cícero Cavalcanti

POR QUE SÓ O GILMAR SOLTA?

Ministro do STF Gilmar Mendes – o “soltador” oficial e especial

Já escrevi mais de uma vez, desde que fui convidado a formar no time (na verdade, na seleção da Hungria de 1954) de colunistas do Jornal da Besta Fubana, sob a edição, comando, e “administração financeira” do palmarense Luiz Berto – único que consegue ganhar alguma coisa jogando na Roleta do Cu-Trancado no tradicional município pernambucano de Palmares – que entendo tanto de Direito quanto entendo do buraco negro no mundo escuro das galáxias.

Não entendo mesmo porra nenhuma – e, neste momento, parece que quase todos “entendem”, mas poucos usam o que aprenderam para praticar a chamada “justiça dos homens”.

E, há ainda a “Justiça de Deus”, aquela que ninguém entende, mas todos sabem que ela acontece. E sem falhas. Demora, mas chega.

Ou, será que a “Justiça” que se pratica no Brasil é que é diferente da “Justiça” que se pratica noutros países?

Vamos direto ao assunto. Por que quase todo “problema judicial” tem ido para o STF (o que pode significar para alguns analfabetos como eu, que a coisa já não vai terminar como me ensinaram meus avós) – ou será apenas nos populares e chulos casos dos “chamados picas-grossas”?

Por que raios, os casos do “Zé Povinho” não chegam às instâncias superiores (STF, STJ, STE)?

Conjunto de tramelas, correntes e cadeados inexiste para as ordens de Gilmar Mendes

Melhor, por que só o Senhor Ministro Gilmar Mendes tem “mandado soltar” esse e aquele?

Na Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, com certeza tem gente que já cumpriu a pena, sem ter sido julgado. É sério! E por que o Senhor Ministro Gilmar Mendes não “manda soltar” esse pobre miserável?

Repito: nada conheço de Direito (e não me interessa conhecer, ora!), mas alguém “condenado” por um “colegiado” pode ser “solto” por uma decisão monocrática?

E o “colegiado” tem mesmo que ficar com cara de “nhô zé”?

E o que parece mais lamentável: sem que o “colegiado” que julgou e “condenou” seja sequer consultado.

Esse privilégio é algo pessoal que só cabe ao Senhor Ministro Gilmar Mendes, ou só ele é suficientemente “macho” e o único conhecedor das nossas leis?

Ei, psiu, me “exprique” isso daí, vosmecê que “opera o Direito”.

O GALO BAITOLA

Galo “Cumpade Ozias” tinha porte invejável

Minha falecida Avó, aquele mesma tão participativa nesta coluna escrita pelo neto favorito (dela), teve duas filhas. Só essas duas. Minha mãe, Jordina; e Maria, minha tia. Só Maria. Não tinha nenhum outro nome acrescendo. Era Maria, e ponto final.

Diferente da minha avó, minha mãe (Jordina) teve 7 filhos (Cléber, Chico, Didi, Zealfredo – este que vos escreve -, Badeco, Dadi e Jorge Luís) e ainda se atreveu a adotar mais uma menina (Eugênia, há mais de 30 anos vivendo na Itália), nos tempos em que ser menina era algo bom e prazeroso.

Tia Maria também teve uma “reca”. Tinha filhos nascidos no mesmo ano. Um em janeiro e outro em dezembro. Também pudera, pois resolveu casar com uma lapa de macho que beirava os 2 metros de altura e, no povoado Queimadas, era apelidado de “Tripé”. Imaginem por quê. E ela, Tia Maria, gostava que só!

Pois, Antônio Luciano, apelidado “Tripé”, era um cabra muito trabalhador, agricultor de primeira linha, mas ignorante do mesmo nível, quando se tratava de saber das coisas da vida comum de qualquer cidadão. Picava fumo, e fazia o próprio cigarro.

“Seu Lunga” seria uma dama inglesa ao lado dele.

Tia Maria, nas conversas em rodas da própria família, desconjurava “Tripé” e afirmava que, quando o sujeito urinava, para “guardar” o elemento, tinha que dobrar em três partes. Desconjuro!

Como diz o maranhense: “zulive” (querendo dizer: Deus o livre!).

Pois, provavelmente por conta dessa particularidade exagerada, “Tripé” achava que todo animal vivente que não fosse “fêmea”, só procriaria se penetrasse a parceira. Nem valeria à pena tentar explicar para ele o que era a “cloaca”. Pra ele tinha que ter o “penduricalho” para ser macho.

Pois, num dia de domingo daqueles idos tempos, depois de assistir a Santa Missa – que ele só frequentava para fazer o “sinal da cruz” – precisou ir na casa do Compadre Tião, para buscar um frasco de banha de galinha, para dar umas pinceladas na garganta inflamada de Anunciada, uma das filhas dele com Tia Maria.

Ao ultrapassar a porteira da frente da moradia, Antônio Luciano apeou do cavalo e, antes de chamar a dona da casa, ficou observando o galo carijó, “Cumpade Ozias”, cobrir uma galinha. Observou bem, olhou atentamente, e não viu nada “penetrando”, como sempre acreditava que deveria ser o “ato sexual” de reprodução de qualquer ser vivo.

Pegou a encomenda que fora buscar, montou novamente o cavalo, e procurou o caminho que levava à casa onde morava. Ao chegar em casa, foi logo dizendo para Tia Maria:

– Maria, minha véia, eu num sabia que na casa da nossa cumade tinha um “Cumpade Ozias”!

EM TEMPO: “Cumpade Ozias”, desde que o mundo é mundo; a luz ilumina a Terra e os céus; e a água lava o que está sujo; foi o único “baitola” que apareceu naquelas paragens.

“DEI UM TIRO SÓ! – FOI, PEIBUFO”

Gatilho da espingarda bate-bucha do meu Avô

A chuva fina e contínua não parava de cair. Meu avô João Buretama vestiu um trapo velho como blusa e foi para a roça com a amiga enxada no ombro. Ele precisava garantir que as ervas daninhas não atrapalhariam o crescimento do feijão nascido havia apenas 15 dias, mas já “muito bonito”. O milho também começava a dar o ar da graça, chegando numa altura de 30 centímetros. Precisava ter cuidados para assegurar o crescimento total.

As “manivas” da mandioca cresciam e novas mudas caminhavam para garantir uma boa raiz e uma grande farinhada daqui a três meses – mais que isso a mandioca fica com muitas fibras e a farinha não fica boa. E também seria a garantia de uma boa goma para os beijus e tapiocas da meninada.

Capina daqui, capina dali e meu avô foi surpreendido pela “friviação” das covas da maravilhosa batata doce branca, uma espécie rara que começa a desaparecer do mercado consumidor. Algum bicho do mato tinha “bulido” ali. Ora, se tinha!

A labuta da carpina tinha acabado ali, naquele momento. Alguém tinha que tomar uma providência – e esse “alguém” era ele, meu avô. Pegou de volta seus “terens” e caminhou para casa.

A chegada intempestiva do meu avô chamou a atenção e aguçou a curiosidade da minha avó Raimunda Buretama:

– Já vortou véi? Prumode quê tanta pressa?

– Tem um bicho miserávi me atrapaiano. Fuçou as covas da batata doce e comeu tudo. Vou agorinha percurar esse miserávi e só volto quando arresolvê isso!

– Hômi, tome cuidado com o que vosmecê vai fazê!

Porco do mato (Javali) foi comida para uma semana

Vovô foi até a “camarinha” e de lá retirou de dentro do baú, uma muito bem conservada “espingarda bate-bucha”, que ele trocara por duas novilhas de cabra, com pessoa conhecida das redondezas – mas que ele concordara em manter o anonimato.

Pegou a “bicha” que permanecera enrolada nuns paninhos velhos e foi para o alpendre “carregar” a peça. Levantou, pegou o chapéu e a espingarda e saiu célere na direção do mato.

Após mais de meia hora embrenhado nas matas, levando apenas o companheiro Joli, um cachorro vira latas bom de faro e de caça. De repente Joli começou a latir um latido desesperado. Tinha encontrado o porco do mato que comera as três covas de batata doce plantada na roça.

O bicho estava numa “madorna”, bucho cheio, depois de comer tanta batata. Os latidos de Joli acordaram o bicho preto e feio, com quase 2 metros de tamanho. Enorme!

Vovô entendeu que um tiro só podia resolver o problema. Aproximou-se bem devagar, fazendo sinal para Joli se aquietar. Fez a mira e disparou, acertando no meio da cabeça do animal. Aquela cabeça não serviu mais para nada. Correu, e “sangrou” o bicho, esperando que a sangria terminasse ali mesmo.

Após muita luta para carregar o bicho morto (por conta do tamanho e do peso), Vovô finalmente chegou em casa.

– Véi, você matou o disgramado?!

– Ora véia, o bicho tava ressonado de tanta batata que comeu. Fiz a mira no meio da cabeça, puxei o disparador, e atirei. Foi só um tiro, e peibufo!


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