O FALAR BRASILEIRO

Suricate deitando a falação brasileira

Lusofonia é a comunidade formada por todos os povos e as nações que compartilham a língua e cultura portuguesas como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Goa, Damão e Diu e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo. O Dia da Lusofonia é comemorado em 5 de maio, dia esse dedicado à língua cultura e expressão portuguesa. É consagrada a Nossa Senhora da Conceição. (Transcrito do Wikipédia)

Ser ou não ser – eis a questão. Falar, ou não falar – eis o problema. O mundo inteiro fala vários idiomas, mas, o que se fala mais, mesmo, são os dialetos. E esses são incontáveis.

No que toca especificamente ao brasileiro, um dos países da comunidade lusofônica, é mais preocupante ainda a questão do “falar corretamente”. Escrever, então, nem se pretende discutir.

De uma ponta a outra do nosso mapa continental, muitas palavras com a mesma escrita tem significado completamente diferenciado, independente de região. E há quem se divirta com isso.

Muito mais com a pretensão de divertir que orientar de forma pedagógica, o cearense editou e distribuiu um “dicionário cearensês”, explicando o significado de várias expressões utilizadas no dia a dia entre as pessoas nascidas na “santa terrinha”.

No Ceará, o falar não é assim tão acentuado de forma que ninguém entenda – é mais para o lado do deboche das coisas. Há expressões puramente cearenses, mas já difundidas e conhecidas em outros continentes.

O “Arre égua” – por exemplo. É uma expressão que tende mais a algum tipo de admiração, mas pode e certamente tem outros significados, sempre de acordo com a situação em que está sendo usada.

Já a expressão “cagou o pau”, no Ceará é utilizada como o hoje abrasileirado, “foi mal”, “não deu certo”, “deu tudo errado”, “pisou na bola” e daí por diante.

Fulano “cagou o pau”. Significa que fulano errou, fez bobagem.

Falar assim não é de difícil compreensão. O mais difícil é pessoas se adaptarem a essa forma disforme de falar.

No Maranhão, onde vivo há exatos 32 anos, encontrei dificuldades para me adaptar totalmente. Achava estranho e ainda acho, a forma sem nexo de falar do maranhense.

“Mamãe, fulano quer me dá-lhe”. É um filho comunicando à mãe que alguém está querendo lhe bater. Tudo errado, gramaticalmente falando.

E quando o maranhense resolve reduzir as palavras?

Como é que fica?

Fica muito mais difícil de entender.

Veja, apenas uma palavra que, para o maranhense, encerra toda uma expressão. Ele fala: “zulive”, pretendendo dizer – “Deus o livre”, disso ou daquilo.

No Pará, que fica logo ali, algum parente, com intimidade e conhecendo o (a) filho(a), o(a) adverte, falando:

“Te mete a besta, que pau te acha.”

E o que isso significa? Não se atreva a fazer isso ou aquilo, que a coisa pode não terminar bem para você.

Além do mais existe também o falar com intenção chula, ofensiva, mas que no fundo não diz muita coisa:

– Vá tomar onde as patas tomam!

– Vá para a casa do caralho!

– Vá pra puta que o pariu!

– Beeeesta, fela da puta!

Onde é que as patas “tomam”? Na lagoa? Tomam o que? Tomam banho?!

Onde é mesmo a casa do caralho? A casa do caralho tem CEP? É a xereca? E, se for a xereca, a casa do caralho é um mal lugar?

Onde fica mesmo a puta que o pariu?



A TÁTICA DO MATUTO

Lula Dejeto da Silva vai continuar “querendo abrir o olho”

Joaquim Albano viveu lá pelos anos 30, 40 e 50 no município de Pacajus, mais propriamente no mesmo povoado onde este escriba nasceu: Queimadas. Nasceu mais pobre que Jó, e morreu mais rico que os ricos de hoje. Foi o que chamam, hoje, de “posseiro” ou “invasor de terras”.

Esperto como poucos, ainda que sem Mestrado ou Doutorado, Joaquim Albano criava e adotava táticas de domínio sobre o povo, no mais tradicional “cala boca”. Foi “coroné” por dezenas de anos.

Para não chamar muito a atenção da já enveredada fiscalização no caminho da corrupção, usava a tática matuta de “descentralizar o domínio e a posse das terras”, criando e disseminando a figura do meeiro. Ou seja, “dava as terras” para os moradores nela viverem e trabalharem, garantindo 50% do que era produzido e criado nas suas propriedades.

Ora, quem que, não tendo nada de seu, seria louco para receber tudo aquilo de mão-beijada para viver, e ainda teria coragem de sair por ai falando aos quatro ventos?

Já naqueles tempos existia o “Plano B” da tática do matuto Joaquim Albano (roubalheira e esperteza no pior sentido, são coisas antigas neste nosso Brasil): mantinha num grande terreno de sua “propriedade”, uma quantidade enorme de estacas e arame farpado. De vez em quando reunia vários “empregados sob sua custódia” e mandava brocar o mato e cercar a nova propriedade. Como quase sempre não aparecia o dono, a terra passava a ser dele.

Quer dizer: “se colar, colou”.

Exatamente como tem feito ao longo dos seus 73 anos, um pernambucano de Caetés, com tudo que possui até os dias de hoje, utilizando a famosa “tática do matuto”.

Soldado de folga no quartel quer cadeia ou plantão

José Eduardo, que na “numeração” dada pelo Quartel recebeu o número 22, era pelos demais amigos apelidado de “Dadinho”. Tinha o nome de guerra: Eduardo, 22.

No ano de 1961 servíamos ao Exército Brasileiro no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva) de Fortaleza, que tinha o quartel na Avenida Bezerra de Menezes.

“Dadinho” era louco pelo Exército, e fez de tudo para servi-lo. Morava no interior do Estado, mais propriamente em Crateús, distante da capital por aproximadamente 350 Km. Sem familiares na capital, “Dadinho” pretendia seguir carreira no Exército Brasileiro. Fez curso para cabo e continuou estudando para fazer curso para sargento. Literalmente, morava no quartel.

Era o soldado Eduardo, 22, que “resolvia” muitos problemas dos colegas, “recebendo” uns trocados para tirar serviços nos domingos e feriados. Como era um bom rapaz, prezava pela hierarquia, “cadeia” não era com ele. Preferia o “plantão”.

Pois saibam que, é num “plantão” de algum local de trabalho, que muitas coisas acontecem. Plantão de quartel, plantão de delegacia, plantão de hospital (vixe, como acontecem coisas nos plantões dos hospitais brasileiros), plantão dos tribunais… êêêêpppa!

E aí este pequeno texto me fez relembrar de Joaquim Albano, o “invasor” de terras em Pacajus, o mesmo do, se colar, colou!

Tem hora e vez que não cola!

Judiciário em altíssima baixa

A nova faixa presidencial do Brasil

Já escrevi minhas bobagens aqui muitas vezes, e, em algumas delas já informei que, da matéria “Direito”, entendo tanto quanto entendo de pesca submarina. Água muita para mim, só para beber, ou no chuveiro, depois de um dia de trabalho.

Mas, se por um lado não entendo nada de “Direito”, por outro lado tenho a primazia de “observar” – e, nisso, eu sou tão bom quanto aquele que seja o melhor. Empatamos, com certeza.

Ora, e não perdi de vista que, há pelo menos dois anos, todos os dias e “di-a-ri-a-men-te” o Judiciário brasileiro e suas principais decisões ocupam as principais manchetes dos jornais e noticiosos de rádios e televisões. Não há outro assunto que tenha chamado mais a atenção do brasileiro que as ações do nosso Judiciário.

Isso seria bom, convenhamos, se todos esses espaços fossem ocupados para dar bons exemplos, para uma pedagogia construtivista – mas, infelizmente, não tem sido esse o objetivo nem o caminho. Não são bons os exemplos. E o Judiciário brasileiro acaba entrando no descrédito – e isso é péssimo para um País eternamente em construção como o nosso.

O fim de semana passado foi caótico. Deprimente. Exótico. Uma mixórdia, que só nos empurra cada vez mais para a falta de credibilidade total.

Por que, e para que tantas instâncias, tantos recursos, tantos issos e aquilos?

Por que, não foi a “defesa constituída” quem tentou o HC, e, sim, três deputados com mandatos?

Pela certeza absoluta da impunidade, e de algum comprometimento do Judiciário. Uma pena.

Pelo andar da carruagem, a próxima faixa presidencial vai ter que ser entregue para alguém com usufruto de uma tornozeleira eletrônica. Não duvidem!

Vai fazer alguma diferença, se for o Marcola, o Escadinha ou se o “Palácio do Governo” for a Papuda?



O DIÁLOGO DO POLVO COM A CENTOPEIA

Polvo resolver dar uma voltinha pelo cabaré do fundo do mar

O mar, mais uma vez não está pra peixe. Quem está tirando muito proveito disso é o polvo, que, com esperteza, usa todas as suas ventosas para garantir, se não a multiplicação da espécie, pelo menos a garantia de não aumentar tanto o seu tempo de quarentena sexual. E, até onde se sabe, não é sem mais nem menos que o polvo tem tantos “elementos penetrantes”.

Na juventude, quando as facilidades atuais ainda não existiam para “fazer amor”, os irmãos mais velhos, e em algumas situações os próprios pais lembravam que os meninos tinham uma namorada predileta: a “Maria cinco Dedos”. Somente anos depois, foi que apareceram as bonecas infláveis para os homens, enquanto as mulheres conheceram os vibradores.

E, no fundo do mar, a coisa não funciona assim. Tem que dar certo alguma coisa. Tem que acontecer um namorico, ainda que entre espécies diferentes. Dizem até que, no desespero, tartarugas marinhas “fazem sexo” com baleias e tubarões. Será que as “tartarugas ninjas” são produtos desse namoro?

Centopeia quando está “subindo de costas pelas paredes” entra no mar e transa com o polvo

Eis que, cansada de “rodar bolsinha” debaixo dos tapetes, nas frestas das portas, por debaixo dos latões de lixo, e por não encontrar nada para comer e pelo visto nada que tivesse a coragem de comê-la, a Centopeia resolveu dar um mergulho, mudando de rumo. Quando menos esperava, embora desejasse muito, sentiu aquela coisa pegajosa, como se fosse uma pedra no seu caminho. Felizmente, não era.

Era uma das ventosas do polvo. Como no fundo do mar não havia nenhuma condição para acender fogo para ferver água numa panela, Centopeia imaginou que, naquele momento, só poderia ser “comida” da forma que há muito desejava: a única forma de comilança em que os prazeres são divididos. E, tome ferro. Digo, tome ventosa.

Cavalo marinho – a viadagem no fundo do mar

E a Centopeia “deu” para a ventosa do Polvo. Meses depois, a natureza se encarregou de agir, e o resultado foi o nascimento do “Cavalo marinho”, único “macho” no planeta Terra que “engravida” – coisa que muitos baitolas, frescos, gays e esconde espadas ainda não conseguiram descobrir.

Eita meleca, quando neguinho que adora transformar o traseiro em objeto de prazer – será que é “prazer” mesmo, em alguns casos de relacionamento com alguns negões da vida? Sei não visse – esse mundo velho vai ficar mais esculhambado que os “bastidores” de algumas instituições superiores deste Brasil.

Zulive!

Cactos na caatinga – bem que poderia ser filho do Polvo com a Centopeia

Acontece que, satisfeita a sua vontade de “dar”, indiferentemente de saber “para quem”, a Centopeia resolveu que era hora de tirar para fora, e resolveu sair do mar. Com tantas pernas, não demorou a encontrar a caatinga, onde resolveu enterrar seus últimos ovos daquela “transa” no fundo do mar.

Com os ovos enterrados, a chegada da chuva, ainda que esporádica, possibilitou o nascimento de vários tipos de cactos – algo que é a mais provável justificativa de existência de algo tão ridículo, cuja única utilidade é ceder espinhos para as almofadas de bilros da minha falecida Avó.

É exatamente como questionava Chico Anysio, querendo entender qual a utilidade do “rinoceronte”. Esse bicho é algo que se coma? É algo que tem carne ou só banha?

Assim, qual é a utilidade do cactos?



GENARINHO – O ORNITÓLOGO QUE ADORAVA ROLAS

A rola – preferência de Genarinho

Lá pelas bandas da Timbaúba, povoado que hoje recebe os benefícios da construção do açude Castanhão, vivia a família de Sebastião Romão e de Jesuílta da Anunciação, composta por mais seis saudáveis filhos – sendo cinco meninas, e apenas um menino.

As meninas e os meninos gostavam de, sempre que Jesuílta matava uma “galinha da terra” para o almoço dominical, aproveitar tripas, mucuim, fígado, coração e moela para fazer um guisado – às vezes, até aumentavam a comida e esqueciam de brigar pelo “ganhador”.

A medida que o tempo passava, as meninas cresciam, viam crescer seios, nascer pelos pubianos e nas axilas – e a mais velha até já “virara mocinha” por conta da primeira menstruação. O sinal era dado por conta do varal de roupas repleto de “paninhos” (também chamados de “panos de bunda”).

Por alguns anos seguidos, as “crianças” dormiram juntas no mesmo quarto. Eram três beliches – e aquele que deitasse por último tinha a obrigação de apagar a lamparina.

Meninas e um menino juntos, na mesma camarinha. Sem maldades, porquanto todos irmãos. As meninas cresciam, e os mamilos idem. Os seios afloravam redondos e rígidos. Os pelos pubianos também, coxas arredondadas, cabelos compridos, tudo, enfim.

Genarinho, o menino, começou a perceber as diferenças. Seus mamilos incharam e cresceram no fácil sinal da puberdade, os pelos também, e da mesma forma o pênis, que cresceu, engrossou e pontificou na diferença. Foi quando a irmã mais velha, Cacilda, menstruou pela primeira vez. Genarinho ficou esperando sua vez de também “menstruar” – e essa hora nunca chegou.

Durante o dia, nas brincadeiras depois da chegada da escola, as meninas brincavam e até faziam um verdadeiro Clube da Luluzinha, “queimando” Genarinho para as brincadeiras, a maioria apropriadas para meninas.

Sem dar muita importância ao isolamento proposital das irmãs, Genarinho procurou as suas brincadeiras. Acabou se “apaixonando” por aves (galinhas, pavões, perus, patos) e pássaros, até que na matéria curricular da escola, investiu forte em Ciências Naturais. Resolveu que seria “Ornitólogo” – e seria o melhor de todos.

Por conta da infância, onde por anos esperou “menstruar”; por dormir no mesmo cômodo com as cinco irmãs; por viver serrilhando e esmaltando as unhas; e, principalmente por adorar rolas, Genarinho acabou se transformando num excelente profissional e no maior apreciador e conhecedor de rolas. Algumas, valiosas, grandes e diferentes, tinha o hábito de escondê-las.

OBSERVAÇÃO: “mucuim” é o órgão que fica ao lado da moela; “ganhador”, é um osso em forma de forquilha, que também é conhecido como “titela”, e dá sustentação ao peito do galináceo.

* * *

SEÇÃO SAUDADE

Hoje bateu uma saudade danada de muitos entes queridos. Saudades do pai, Alfredo; da mãe, Jordina; do irmão, Francisco (que teria comemorado mais um aniversário no último dia 24, dedicado a São João); da irmã, Jandira, e de muitos amigos e amigas queridas que fizeram parte e foram importantes no amoldamento da minha vida, e no meu amadurecimento.

Aqui neste JBF, a saudade que está doendo, doendo muito, é da amiga querida e inesquecível, Glória Braga Horta, que ainda não conseguiu sumir, ao dobrar a esquina da nossa amizade. Ainda está ali, visível, acenando com a mão. Cantando Maísa Matarazzo: “Meu mundo caiu”!

Xêro, querida!

Glória Braga Horta

Não é diferente a saudade desse irreverente amigo, visivelmente de personalidade muito forte nas ocasiões e nas horas de defender valores próprios. Falo de Cícero Cavalcanti, um dos ícones da “banda séria” desse esculhambado e desmoralizado Brasil.

Aqui, apesar de sentir grande saudades desses dois amigos que não tivemos a felicidade de conhecer pessoalmente, torcemos para que estejam num bom lugar ao lado do Pai Todo Poderoso.

Cícero Cavalcanti



POR QUE SÓ O GILMAR SOLTA?

Ministro do STF Gilmar Mendes – o “soltador” oficial e especial

Já escrevi mais de uma vez, desde que fui convidado a formar no time (na verdade, na seleção da Hungria de 1954) de colunistas do Jornal da Besta Fubana, sob a edição, comando, e “administração financeira” do palmarense Luiz Berto – único que consegue ganhar alguma coisa jogando na Roleta do Cu-Trancado no tradicional município pernambucano de Palmares – que entendo tanto de Direito quanto entendo do buraco negro no mundo escuro das galáxias.

Não entendo mesmo porra nenhuma – e, neste momento, parece que quase todos “entendem”, mas poucos usam o que aprenderam para praticar a chamada “justiça dos homens”.

E, há ainda a “Justiça de Deus”, aquela que ninguém entende, mas todos sabem que ela acontece. E sem falhas. Demora, mas chega.

Ou, será que a “Justiça” que se pratica no Brasil é que é diferente da “Justiça” que se pratica noutros países?

Vamos direto ao assunto. Por que quase todo “problema judicial” tem ido para o STF (o que pode significar para alguns analfabetos como eu, que a coisa já não vai terminar como me ensinaram meus avós) – ou será apenas nos populares e chulos casos dos “chamados picas-grossas”?

Por que raios, os casos do “Zé Povinho” não chegam às instâncias superiores (STF, STJ, STE)?

Conjunto de tramelas, correntes e cadeados inexiste para as ordens de Gilmar Mendes

Melhor, por que só o Senhor Ministro Gilmar Mendes tem “mandado soltar” esse e aquele?

Na Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, com certeza tem gente que já cumpriu a pena, sem ter sido julgado. É sério! E por que o Senhor Ministro Gilmar Mendes não “manda soltar” esse pobre miserável?

Repito: nada conheço de Direito (e não me interessa conhecer, ora!), mas alguém “condenado” por um “colegiado” pode ser “solto” por uma decisão monocrática?

E o “colegiado” tem mesmo que ficar com cara de “nhô zé”?

E o que parece mais lamentável: sem que o “colegiado” que julgou e “condenou” seja sequer consultado.

Esse privilégio é algo pessoal que só cabe ao Senhor Ministro Gilmar Mendes, ou só ele é suficientemente “macho” e o único conhecedor das nossas leis?

Ei, psiu, me “exprique” isso daí, vosmecê que “opera o Direito”.



O GALO BAITOLA

Galo “Cumpade Ozias” tinha porte invejável

Minha falecida Avó, aquele mesma tão participativa nesta coluna escrita pelo neto favorito (dela), teve duas filhas. Só essas duas. Minha mãe, Jordina; e Maria, minha tia. Só Maria. Não tinha nenhum outro nome acrescendo. Era Maria, e ponto final.

Diferente da minha avó, minha mãe (Jordina) teve 7 filhos (Cléber, Chico, Didi, Zealfredo – este que vos escreve -, Badeco, Dadi e Jorge Luís) e ainda se atreveu a adotar mais uma menina (Eugênia, há mais de 30 anos vivendo na Itália), nos tempos em que ser menina era algo bom e prazeroso.

Tia Maria também teve uma “reca”. Tinha filhos nascidos no mesmo ano. Um em janeiro e outro em dezembro. Também pudera, pois resolveu casar com uma lapa de macho que beirava os 2 metros de altura e, no povoado Queimadas, era apelidado de “Tripé”. Imaginem por quê. E ela, Tia Maria, gostava que só!

Pois, Antônio Luciano, apelidado “Tripé”, era um cabra muito trabalhador, agricultor de primeira linha, mas ignorante do mesmo nível, quando se tratava de saber das coisas da vida comum de qualquer cidadão. Picava fumo, e fazia o próprio cigarro.

“Seu Lunga” seria uma dama inglesa ao lado dele.

Tia Maria, nas conversas em rodas da própria família, desconjurava “Tripé” e afirmava que, quando o sujeito urinava, para “guardar” o elemento, tinha que dobrar em três partes. Desconjuro!

Como diz o maranhense: “zulive” (querendo dizer: Deus o livre!).

Pois, provavelmente por conta dessa particularidade exagerada, “Tripé” achava que todo animal vivente que não fosse “fêmea”, só procriaria se penetrasse a parceira. Nem valeria à pena tentar explicar para ele o que era a “cloaca”. Pra ele tinha que ter o “penduricalho” para ser macho.

Pois, num dia de domingo daqueles idos tempos, depois de assistir a Santa Missa – que ele só frequentava para fazer o “sinal da cruz” – precisou ir na casa do Compadre Tião, para buscar um frasco de banha de galinha, para dar umas pinceladas na garganta inflamada de Anunciada, uma das filhas dele com Tia Maria.

Ao ultrapassar a porteira da frente da moradia, Antônio Luciano apeou do cavalo e, antes de chamar a dona da casa, ficou observando o galo carijó, “Cumpade Ozias”, cobrir uma galinha. Observou bem, olhou atentamente, e não viu nada “penetrando”, como sempre acreditava que deveria ser o “ato sexual” de reprodução de qualquer ser vivo.

Pegou a encomenda que fora buscar, montou novamente o cavalo, e procurou o caminho que levava à casa onde morava. Ao chegar em casa, foi logo dizendo para Tia Maria:

– Maria, minha véia, eu num sabia que na casa da nossa cumade tinha um “Cumpade Ozias”!

EM TEMPO: “Cumpade Ozias”, desde que o mundo é mundo; a luz ilumina a Terra e os céus; e a água lava o que está sujo; foi o único “baitola” que apareceu naquelas paragens.



“DEI UM TIRO SÓ! – FOI, PEIBUFO”

Gatilho da espingarda bate-bucha do meu Avô

A chuva fina e contínua não parava de cair. Meu avô João Buretama vestiu um trapo velho como blusa e foi para a roça com a amiga enxada no ombro. Ele precisava garantir que as ervas daninhas não atrapalhariam o crescimento do feijão nascido havia apenas 15 dias, mas já “muito bonito”. O milho também começava a dar o ar da graça, chegando numa altura de 30 centímetros. Precisava ter cuidados para assegurar o crescimento total.

As “manivas” da mandioca cresciam e novas mudas caminhavam para garantir uma boa raiz e uma grande farinhada daqui a três meses – mais que isso a mandioca fica com muitas fibras e a farinha não fica boa. E também seria a garantia de uma boa goma para os beijus e tapiocas da meninada.

Capina daqui, capina dali e meu avô foi surpreendido pela “friviação” das covas da maravilhosa batata doce branca, uma espécie rara que começa a desaparecer do mercado consumidor. Algum bicho do mato tinha “bulido” ali. Ora, se tinha!

A labuta da carpina tinha acabado ali, naquele momento. Alguém tinha que tomar uma providência – e esse “alguém” era ele, meu avô. Pegou de volta seus “terens” e caminhou para casa.

A chegada intempestiva do meu avô chamou a atenção e aguçou a curiosidade da minha avó Raimunda Buretama:

– Já vortou véi? Prumode quê tanta pressa?

– Tem um bicho miserávi me atrapaiano. Fuçou as covas da batata doce e comeu tudo. Vou agorinha percurar esse miserávi e só volto quando arresolvê isso!

– Hômi, tome cuidado com o que vosmecê vai fazê!

Porco do mato (Javali) foi comida para uma semana

Vovô foi até a “camarinha” e de lá retirou de dentro do baú, uma muito bem conservada “espingarda bate-bucha”, que ele trocara por duas novilhas de cabra, com pessoa conhecida das redondezas – mas que ele concordara em manter o anonimato.

Pegou a “bicha” que permanecera enrolada nuns paninhos velhos e foi para o alpendre “carregar” a peça. Levantou, pegou o chapéu e a espingarda e saiu célere na direção do mato.

Após mais de meia hora embrenhado nas matas, levando apenas o companheiro Joli, um cachorro vira latas bom de faro e de caça. De repente Joli começou a latir um latido desesperado. Tinha encontrado o porco do mato que comera as três covas de batata doce plantada na roça.

O bicho estava numa “madorna”, bucho cheio, depois de comer tanta batata. Os latidos de Joli acordaram o bicho preto e feio, com quase 2 metros de tamanho. Enorme!

Vovô entendeu que um tiro só podia resolver o problema. Aproximou-se bem devagar, fazendo sinal para Joli se aquietar. Fez a mira e disparou, acertando no meio da cabeça do animal. Aquela cabeça não serviu mais para nada. Correu, e “sangrou” o bicho, esperando que a sangria terminasse ali mesmo.

Após muita luta para carregar o bicho morto (por conta do tamanho e do peso), Vovô finalmente chegou em casa.

– Véi, você matou o disgramado?!

– Ora véia, o bicho tava ressonado de tanta batata que comeu. Fiz a mira no meio da cabeça, puxei o disparador, e atirei. Foi só um tiro, e peibufo!



A GREVE DOS CAMINHONEIROS

Nem todos dependem dos caminhoneiros

A greve dos caminhoneiros pode ter sido apenas um palito de fósforo riscado num cordão de pólvora. Não se iludam aqueles que ainda não viram muitas coisas. Entre outras coisas, esse movimento paredista serviu para mostrar que o País está à deriva. Sem comandante, e agora sem combustível (em muitos sentidos).

Não. O Brasil não está à beira de uma catástrofe. O país já é uma catástrofe – espiada e expiada por todos os poderes. Parece “pau de dar em doido”, ou como disse um dia Ibrahim Sued, “o samba do crioulo doido”.
Ficou visível que, por qualquer “dá cá mil réis”, as Forças Armadas são acionadas – o que evidencia que, neste momento, alguém quer empurrar goela do povo à baixo, que “só as Forças Armadas” merecem e impõem respeito. E aí é que “espirra” de todos os narizes, a falta de um comandante neste País.

Precisamos voltar a usar os nossos bois sem que seja só para comer a carne

Tenho estreita e perene ligação com a roça, com a vida rural, com as coisas das capoeiras abertas ao pastar do gado, ao relinchar dos jumentos e aos toques dos chocalhos dos bodes e cabras.

Não desdenho nem condeno a preferência de ninguém, mas prefiro um fim de semana numa fazenda, na roça, que nos restaurantes luxuosos de Paris ou de New York. Quem quiser que curta seus vinhos das melhores e diferentes castas. Eu me inebrio mais com o barulho ordenado e louvável da cigarra. E me dá uma vontade enorme de orgasmo, ouvindo o relinchar do jumento querendo subir na parceira. Aquele relinchar resfolegante dele tem o verdadeiro som da natureza e dos campos.

Ainda não descobri como uma greve de caminhoneiros pode afetar o meu dia ou a minha vida. Mas, infelizmente, vejo e percebo o drama de pessoas, apenas pelo fato de que, no posto não tem gasolina ou que no depósito faltou o gás de cozinha.

Nesse caso, entendo, muitos trocam os significados e a importância de várias coisas. Deixa de ser “gasolina” para ser “combustível”, no sentido de que é vital e importante para tudo. Se não tiver gasolina no posto ou no tanque do seu carro, você não consegue rezar, você não consegue fazer um bom sexo, e provavelmente você não conseguirá dar uma boa cagada. Tudo exagero.

– Gente, o comerciante está roubando: está cobrando R$150,00 num botijão de gás butano!

Mas, espere, quem rouba você, é o comerciante ou você que aceita pagar esse valor para resolver um problema que pode ter outra solução?

Se você tiver uma família pequena, com R$150,00 você compra pelo menos 7 “bandecos”. Ou pode comprar um fogareiro a carvão ou ainda uma churrasqueira elétrica. São muitas as opções de solução, sem que, necessariamente, te leve ao desespero.

E aí você responde: mas um botijão de gás atende suas necessidades em quase um mês.
Pode ser. Mas o pior é você alimentar uma roubalheira que pode estar prejudicando a você e a muitos. Como dizem os “aproveitadores” do Judiciário, “você cria uma jurisprudência”.

Como se tudo que gerou a greve não fosse suficiente – as estradas brasileiras são assim

Dizer aqui que a greve teve objetivo político, eu não digo. Deixo a critério das instituições que existem para investigar, e dizer sim ou não. Inicialmente, a reivindicação sinalizou para o “preço do óleo diesel”. O “Governo” foi quem acenou com o corte de alguns insumos – ou a transferência desses para outros itens de consumo da população.

Não se falou – inicialmente – em reivindicações na direção do aumento de tarifas dos fretes ou coisa parecida, e até um item muito forte que atrapalha não apenas a vida dos caminhoneiros, mas de toda a população: a qualidade das estradas brasileiras.

Infelizmente, a incompetência dos gestores só vislumbra uma solução: dar esmola com o chapéu dos outros, botando direto no furico do povo consumidor. E aí vem o aumento do gás de cozinha, da própria gasolina, do etanol (sem que necessariamente ninguém tenha “tocado” nesse combustível).

As televisões mostraram cenas hilárias. Filas e mais filas de pessoas com galões (não é algo proibido?) esperando nos postos – e para pagar o valor cobrado sem qualquer chiadeira. Além disso, uma “dona de casa” comprando de uma vez só, 20 pés de alface. O brasileiro precisa ser realmente estudado pela NASA. Ô povinho bosta!



BRANCO – A COR DA PAZ

Bandeira com o branco da Paz

Bandeira branca, amor
Não posso mais
Pela saudade
Que me invade
Eu peço Paz.

Amigos, a quantas anda o mundo?

Por que, e para que tantos tiros, tantas balas, tantas guerras e tantas mortes?

Que resultado prático isso nos traz?

Será que já não passa da hora de tentarmos agir em prol da Paz e da vida?

Não bastam as mortes naturais, por doenças, por envelhecimento e por tantas outras causas que ceifam vidas?

A pomba branca da Paz

Se eu quiser falar com Deus,
Tenho que ficar a sós,
Tenho que apagar a luz,
Tenho que calar a voz,
Tenho que encontrar a Paz,
Tenho que folgar os nós.

Sou cético. Nas minhas limitações de raciocínio e conhecimentos, entendo que apenas a família, sem as invenções paradisíacas sazonais (entender que é “normal” dar o rabo, por exemplo) que contaminam as ações a caminho de mudanças reais, pode mudar o atual panorama. É na família que tudo começa.

Família, assim como mãe, é igual em Recife, em Curitiba, em Montreal, em Santiago, em Paris ou em qualquer uma das coréias. Ela (a família) é a célula-mater de tudo.

E, exatamente por conta desse meu convencimento, entendo que, pelo menos no Brasil, tudo começou a caminhar para esse abismo em que estamos, quando as mães aceitaram a ideia de “terem que sair de casa para ajudar na despesa da casa.” Tudo começou aí. Os filhos ficaram sem guarda, sem vigia, sem direção – e para onde estão hoje, foi uma viagem pequena e rápida.

Quem hoje olha para Israel e outros países daquele continente, se mudar o olho e espiar para o Rio de Janeiro e algumas capitais do nordeste, vai perceber que, apenas a forma de matar é diferente. Lá, o motivo é político. Aqui, o motivo é o domínio do rendoso investimento da vendas das drogas.

A Paz transmitida pelo lobo-branco

Lobo-branco (nome científico:Canis lupus) é uma espécie de mamífero canídeo do gênero Canis. É um sobrevivente da Era do Gelo, originário do Pleistoceno Superior, cerca de 300 mil anos atrás. É o maior membro remanescente selvagem da família canidae. O sequenciamento de DNA e estudos genéticos reafirmam que o lobo é ancestral do cão doméstico (Canis lupus familiaris), contudo alguns aspectos desta afirmação têm sido questionados recentemente.” (Transcrito do Wikipédia)

Não é de bom alvitre esquecer a luta pela vida. Em alguns países os regimes políticos-administrativos são a causa maior da “guerra pela sobrevivência” travada pelo ser humano. Uns contra outros – às vezes sem conhecimento do que lhes motiva.

Olhemos para Darfur, no Sudão. Mas não deixemos que nossos olhos e nossas vontades não olhem para a Venezuela. Tão rica e ao mesmo tempo tão pobre – está virando um novo Darfur.

Aparentemente dócil o urso-branco só transmite Paz

O urso-polar (nome científico: Ursus maritimus), também conhecido como urso-branco, é uma espécie de mamífero carnívoro da família Ursidae encontrada no círculo polar Ártico. Ele é o maior carnívoro terrestre conhecido e também o maior urso, juntamente com o urso-de-kodiak, que tem aproximadamente o mesmo tamanho. Embora esteja relacionado com o urso-pardo, esta espécie evoluiu para ocupar um estreito nicho ecológico, com muitas características morfológicas adaptadas para as baixas temperaturas, para se mover sobre neve, gelo e na água, e para caçar focas, que compreende a maior porção de sua dieta.

A espécie está classificada como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), com oito das dezenove subpopulações em declínio. Entre as ameaças que atingem o urso estão o desenvolvimento da região com a exploração de petróleo e gás natural, contaminação por poluentes, caça predatória e efeitos da mudança climática no habitat. Por centenas de anos, o urso-polar têm sido uma figura chave na vida cultural, espiritual e material dos povos indígenas do Ártico, aparecendo em muitas lendas e contos desses povos.” (Transcrito do Wikipédia)

A bandeira içada como primeira foto, é algo que tem que ser feito por nós. Devemos nos mirar e tirar como exemplos, os entreveros iniciais, quando, brincando, discordamos desse ou daquele conceito e dessas atitudes não tão politicamente corretas, e, com vendas grossas, permitimos que a bactéria das desavenças nos contaminem em defesas de políticos que sequer sabem da nossa existência.

A agora inimizade, cresceu como uma bola de neve. Criou ranços, e você perdeu uma amizade em defesa, muitas vezes, de um político vagabundo qualquer.

Com certeza, não foi em nada diferente desse pequeno começo, que as muitas guerras tiveram início. Tá passando da hora de conhecer o branco da bandeira.



A ESPOSA DO SOL

Lavei a burra. É assim, e sempre será essa, a forma de falar no Ceará, quando tudo dá certo. Quando todo o “planejamento” acontece sem desvios.

Dei uma volta rápida em Fortaleza para “matar a saudade” e rever familiares – pena que muitas coisas vividas no passado, já não estejam nos mesmos lugares. Pena maior, que algumas amizades já tenham partido para o convívio com as estrelas – certamente será por conta disso que o firmamento está mais brilhante.

Meus olhos viram e meu coração aceitou: a cidade não é mais a mesma de cinco dezenas de anos atrás, mas continua desposada do sol. Cresceu. Cresceu muito e virou mania nacional e preferência internacional.

Administrativamente (provavelmente por ser Brasil, e por ter maioria de brasileiros) tem problemas; tem desgastes, tem carências em quase todas as áreas. Mas, reconheço, evoluiu muito, e está próxima de atingir o desejável.

Provavelmente por conta do crescimento populacional e urbanístico, teve crescimento paralelo na insegurança pública – um dos maiores problemas do Brasil inteiro.

Ficou evidente que, “policiar, não basta”. Há que ter radicalismo nesse item, principalmente para imposição de limites, de direitos do ser humano e de caminho reto e pedagógico para a cidadania.

Diferente disso não se vai a lugar algum.

Praça do Ferreira

“Praça do Ferreira é uma praça situada no Centro da cidade de Fortaleza, capital do estado do Ceará. Possui uma área de 7.603 metros quadrados. Seu nome é referência ao Boticário Ferreira que em 1871, enquanto presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, fez uma reforma na área e urbanizou o espaço. Após séries de pesquisas, a Praça do Ferreira foi oficialmente declarada Marco Histórico e Patrimonial de Fortaleza pela lei municipal 8605 de 20 de dezembro de 2001. Em 1839 era apenas um campo de areia com um grande poço no centro, que funcionou até 1920, quando o então prefeito Godofredo Maciel deu início a reforma.

O local é bastante conhecido pelo seu relógio, que é localizado no centro da praça. O relógio foi construído em 1933, foi projetado pelo engenheiro José Gonsalves da Justa, durante a gestão municipal de Raimundo Girão, em estilo Arte-Decó. Ficou popularmente conhecido como Coluna da Hora, mas em 1967 foi derrubado. Vindo a ser construída novamente em 1991, bastante diferente da primeira — que possuía estilo “Art Dèco” de cimento e pó de pedra — mas também significativa.” (Transcrito do Wikipédia)

A Praça do Ferreira continua como “ponto de encontro” de pessoas e referência urbanística no centro da capital cearense. Nos últimos anos, entretanto, passou a sofrer vandalismo e, também, a ser local preferido dos zumbis usuários de drogas – vez por outra sofre também intervenção policial para “limpeza geral”.

Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) é um centro cultural, um dos maiores do Brasil, localizado em Fortaleza, Ceará. São 30 mil metros quadrados de área dedicada à arte e à cultura, com atrações como o Museu da Cultura Cearense, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Planetário Rubens de Azevedo, Teatro Dragão do Mar, Salas do Cinema do Dragão – Fundação Joaquim Nabuco, Anfiteatro Sérgio Mota, Espaço Rogaciano Leite Filho, Biblioteca Leonilson, Auditório, Multigalerias e espaços para exposições itinerantes e Parque Verde.

O centro é vinculado ao Porto Iracema das Artes, à Biblioteca Pública Menezes Pimentel e à Escola de Artes e Ofícios Thomas Pompeu Sobrinho. Há ainda a Praça Verde, que abriga mais de quatro mil pessoas e também grandes shows nacionais e internacionais. O Centro Dragão do Mar é um espaço destinado ao encontro das pessoas, ao fomento e à difusão da arte e da cultura. O espaço foi idealizado pelo então secretário da Cultura e atual Presidente do Instituto Dragão do Mar, o jornalista Paulo Linhares, e o então Governador do Estado do Ceará, Ciro Gomes, na década de 90. O espaço foi entregue à população pelo governador Tasso Jereissati, em 28 de abril de 1999.

O Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC), também chamado de Instituto Dragão do Mar, foi a primeira Organização Social (OS) criada no Brasil na área da Cultura. Vinculado à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, o Instituto Dragão do Mar é atualmente responsável por gerenciar os quatro equipamentos culturais associados: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Porto Iracema das Artes, Escola de Artes e Ofícios Thomé Pompeu Sobrinho e Centro Cultural Bom Jardim.

O complexo foi batizado de Dragão do Mar em homenagem ao histórico personagem cearense Chico da Matilde, jangadeiro símbolo do movimento abolicionista no estado, que, em 1881 recusou-se a transportar escravos para serem vendidos no sul do país. (Transcrito do Wikipédia)

Eu ainda não conhecia “localmente” o Dragão do Mar. Mesmo agora, não deu para conhece-lo integralmente, haja vista que a visita aconteceu durante a noite, período em que parte desses equipamentos estão “fechados” – mas, o que funciona no período noturno foi demoradamente visitado. E aprovado.

Nas imediações do Dragão do Mar está sendo construído um aquário, que passou a sofrer intervenções jurídicas em função de entraves burocráticos. Quando for inaugurado, vai chamar a atenção, principalmente dos turistas que visitam a capital cearense. Como em outras capitais nordestinas, funcionam a todo vapor os carros elétricos, os bicicletários e outros bens que se tornaram comuns e de fácil acesso.

O Dragão do Mar está chamando a atenção dos visitantes, principalmente pelo atendimento colocado à disposição dos clientes de bares, cinemas e restaurantes. Coisa de primeiro mundo.

Shopping Iguatemi

“O Iguatemi Fortaleza é um shopping center de grande porte da cidade de Fortaleza, capital do estado brasileiro do Ceará. É de propriedade do empresário Tasso Jereissati, e considerado o segundo maior shopping do Ceará em ABL (Área Bruta Locável), com 92.000 m². Possui 26 lojas âncoras e mega lojas: Lojas Americanas, C&A, Renner, Riachuelo, Forever 21, Centauro, Ri Happy, Saraiva, Extra, UCI Kinoplex, Fast Shop, Magazine Luiza, Nagem, PB Kids, Polishop, Rabelo, Ricardo Eletro, Casas Bahia, Camicado, Kalunga, Le Biscuit, Macavi Conceito, Polo Wear, Sapataria Nova, Zara e Zara Home.

O Iguatemi Fortaleza foi inaugurado em 2 de abril de 1982. Um dos primeiros shoppings do estado do Ceará, foi considerado um marco do varejo neste mercado. O bairro Edson Queiroz, onde o shopping foi construído, era deslocado da principal região de compras da cidade, pois o comércio de Fortaleza concentrava-se, até então, no Centro da cidade e na Aldeota. O Iguatemi fortaleceu o polo de atrações implantadas na região, iniciado pela vizinha Unifor, desenvolvendo o processo de ocupação da área vizinha. Hoje, o local em que se localiza o Shopping Center Iguatemi e seu entorno, o bairro Guararapes, é uma das áreas mais valorizadas e arborizadas da cidade de Fortaleza, tendo cada vez mais atraído a construção de edifícios residenciais de alto padrão.

Em 1992, foi feita a primeira expansão, que quase dobrou seu número de lojas, com arquitetura inovadora, utilizando coberta de vidro em área de passeio interno. Novas lojas surgiam, totalizando, naquele momento, 240. Uma nova praça de alimentação e três novas salas de cinema foram construídas. No ano de 1995, foi inaugurada a loja C&A e, em 1999, o Hipermercado Extra entrou na quarta ampliação.” (Transcrito do Wikipédia)

Visitei também o Iguatemi. Funciona tudo, funciona fácil e com toda praticidade. Lojas modernas (e provavelmente por conta disso, os preços não são tão acessíveis) com bom atendimento. Muito bem servido de transporte de qualidade e amplo e seguro estacionamento para quem dirige seu próprio veículo.

Excelente Praça de Alimentação, com destaque para culinária nordestina, sem deixar de fora a culinária dos “gringos” – e às vezes, até com atendimento bilíngue pelos garçons. Há quem garanta que isso não é algo tão recente para ser novidade. Eu, apenas eu, provavelmente não conhecia.

Estação João Felipe – Museu Familly Search

A Estação Professor João Felipe é antiga. Existe há anos e está localizada numa praça onde se inicia a Rua Senador Pompeu, a maior rua do mundo, com mais de 70 kms. Por longos anos, abrigou a Estação de Trens da RVC (Rede Viação Cearense), extinta há mais de 30 anos. Este desativada por cotna da extinção dos trens por linhas do centro da capital cearense.

Por anos, abrigou numa das laterais, a ZBM (Zona do Baixo Meretrício) de Fortaleza, contígua à Cadeia Pública – nesses tempos, era apenas uma – e nos fundos da Santa Casa de Misericórdia.

Isso tudo, dito dessa forma, não significa muita coisa, e não configura qualquer novidade.

Mas, há uma grande novidade, sim. É na Estação João Felipe que está sendo instalada uma franquia, ou representação (como queiram definir) do Museu Familly Search, o maior e mais completo centro de informação de “árvore genealógica” do mundo, totalmente virtual, com registros de todas as famílias que têm assento no planeta Terra – independentemente de qual país ou data tenha nascido.

O endereço eletrônico pode ser acessado clicando aqui.



O BRASIL QUE EU QUERIA

Usina Hidrelétrica de Itaipu – obras iniciadas e concluídas pela “ditadura militar”

O Brasil é um país excêntrico – cheio de gente que, com febre, chupa manga e ainda bebe leite, ainda que seja nas tetas das namoradas. Há quem garanta que deveríamos ser estudados detalhadamente pela NASA, para ver o que há de errado conosco ou de muito bom que nos faz pessoas diferentes de todos os outros habitantes da Terra.

Teimamos em afirmar que “somos um país do terceiro mundo”. Mentira. Dando uma ajudinha, poderíamos chegar ao “décimo mundo”.

Nosso povo é quem faz deste país, um país excêntrico. Há quatro anos atrás, por uma imensa maioria, o “povo brasileiro” reelegeu essa sumidade, exemplo de retidão e inteligência, batizada com o nome de Dilma Cavan. A senhora “Cavan” costurou (ou teria sido o Dr. Pirassununga?) uma chapa, a da reeleição, tendo como “vice”, o “temido” Michel, que nos dias atuais vive “tremendo”, parecendo um início de doença de Parkinson. Hoje, quem “elegeu” Michel vive querendo que ele se ferre.

Fazemos uma rápida parada, na sequência do assunto, para informar que, por longos anos vivemos um regime político-administrativo de exceção. Ditadura, para melhor definir e satisfazer à grande maioria que, como eu, viveu aqueles dias difíceis.

Pois, que tenhamos gostado ou não, que tenhamos sofrido ou não, que tenhamos sido sufocados ou não, que tenhamos sofrido nas mãos dos militares ou não – mas, ainda que diante de tudo isso, temos moral e condição para dizer que, desde que a “democracia” brasileira está instalada, só temos caminhado para trás. É só roubalheira. Não tenho condição para afirmar se o regime militar de exceção “roubou” ou não. Se isso aconteceu, aconteceu tão por debaixo dos panos, que ninguém tem condição de provar.

Mas, sinceramente, há algo que podemos comprovar: houve sim, algum tipo de “crescimento”. Vejamos o caso da construção e operacionalidade da Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional – iniciada e concluída por dois países que, na época viviam sob regime ditatorial.

“A Usina Hidrelétrica de Itaipu (em espanhol: Itaipú, em guarani: Itaipu) é uma usina hidrelétrica binacional localizada no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. A barragem foi construída pelos dois países entre 1975 e 1982, período em que ambos eram governados por ditaduras militares. O nome Itaipu foi tirado de uma ilha que existia perto do local de construção. Na família linguística tupi-guarani, o termo significa “pedra na qual a água faz barulho”, através da junção dos termos itá (pedra), i (água) e pu (barulho).

A Itaipu Binacional, operadora da usina, é a líder mundial em produção de energia limpa e renovável, tendo produzido mais de 2,5 bilhões de megawatts-hora (MWh) desde o início de sua operação. A Hidrelétrica das Três Gargantas, na China, produziu cerca de 800 milhões de MWh desde o início de sua operação, com uma potência instalada 60% maior do que a de Itaipu (22.500 MW contra 14.000 MW). Em termos de recorde anual de produção de energia, a usina de Itaipu ocupa o primeiro lugar ao superar seu próprio recorde que era de 98,6 milhões de MWh. Em 2016, a usina de Itaipu Binacional realizou um feito histórico ao produzir, em um único ano calendário, mais de 100 milhões de MWh de energia limpa e renovável. No total, em 2016, foram produzidos 103.098.366 MWh de energia.

O seu lago possui uma área de 1.350 km2, indo de Foz do Iguaçu, no Brasil e Ciudad del Este, no Paraguai, até Guaíra e Salto del Guairá, 150 km ao norte. Possuindo 20 unidades geradoras de 700 MW cada e projeto hidráulico de 118 m, Itaipu tem uma potência de geração (capacidade) de 14.000 MW. É um empreendimento binacional administrado por Brasil e Paraguai no rio Paraná na seção de fronteira entre os dois países, a 15 km ao norte da Ponte da Amizade.” (Transcrito do Wikipédia)

Usina de Belo Monte que está sendo construída pela “democracia” sem data para ser concluída

Está absolutamente correto que disser que, se essa “democracia” que está instalada no Brasil a partir de Tancredo Neves e Zé Sarney até chegar nos dias de hoje, essa Itaipu Binacional ainda estaria pela metade, somando uma montanha de aditivos e com valor aumentado em pelo menos umas vinte vezes. Tal como a transposição do rio São Francisco.

E faço então uma pergunta: alguém sabe da imensidão de problemas de todos os tipos (sem contar a evidente e profana corrupção), que está provocando a obra da Usina de Belo Monte, iniciada pelo Governo brasileiro em pleno “regime democrático”?

“A Usina de Belo Monte está sendo construída na bacia do Rio Xingu, próximo ao município de Altamira, no sudoeste do estado Pará.

Sua potência instalada será de 11 233 megawatt mas, por operar com reservatório muito reduzido, deverá produzir efetivamente cerca de 4 500 MW (39,5 TWh por ano) em média ao longo do ano, o que representa aproximadamente 10% do consumo nacional (388 TWh em 2009). Em potência instalada, a usina de Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo, atrás apenas da chinesa Três Gargantas (20 300 MW) e da brasileira/ paraguaia Itaipu (14 000 MW). Será a maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira.

O lago da usina terá uma área de 516 km² (1/10 000 da área da Amazônia Legal), ou seja 0,115 km³ por MW efetivo. Seu custo foi estimado pela concessionária em R$ 26 bilhões, ou seja R$ 5,7 milhões por MW efetivo. O leilão para construção e operação da usina foi realizado em abril de 2010 e vencido pelo Consórcio Norte Energia com lance de R$ 77,00 por MWh. O contrato de concessão foi assinado em 26 de agosto do mesmo ano e o de obras civis em 18 de fevereiro de 2011. O início de operação da usina estava previsto para 2015.

Desde seu início, o projeto de Belo Monte encontrou forte oposição de ambientalistas brasileiros e internacionais, de algumas comunidades indígenas locais e de membros da Igreja Católica. Essa oposição levou a sucessivas reduções do escopo do projeto, que originalmente previa outras barragens rio acima e uma área alagada total muito maior. Em 2008, o CNPE decidiu que Belo Monte seria a única usina hidrelétrica do Rio Xingu.

Em novembro de 2017, a usina estava com mais de 96% das obras concluídas e 12 de suas 24 turbinas produzindo energia em operação comercial. Belo Monte havia exigido, até o momento, R$ 38,6 bilhões de investimentos públicos e privados. A previsão é que a última turbina entre em operação em julho de 2020, tendo como capacidade total de geração 11.233 megawatts (MW) e 4.571 MW de energia assegurada, quantidade que pode ser comercializada pela empresa, que poderá atender 60 milhões de consumidores de 17 estados.” (Transcrito do Wikipédia)



UM FERIADO NO PARQUE

Minha bicicleta Monark pronta para o passeio

Dia 1 de maio. Feriado mundial dedicado ao trabalhador. Era um dia apropriado para um passeio no Parque, quando ainda não havia uma família formada – nesse caso, eu era o meu próprio pai. Eu me levava para o passeio e para a diversão.

Sem VLT, sem trens de Metrô e sem tantos meios de transportes que existem hoje, era bom e saudável pedalar a bicicleta. Fortalecia os músculos das panturrilhas, e queimava o excesso de gordura do fígado, além de “botar para fora” a cerveja consumida de forma sedentária nos dias da semana.

Uma Monark antiga, bem cuidada. Câmaras dos pneus testadas, selim ajustado, campainha da sirene também lubrificada, e lá ia eu na direção do Parque.

Pedalando, pedalando e lá estava eu chegando ao Parque, numa hora em que muitas famílias começavam a abrir as toalhas para as cestas com os vários lanches. Guaraná Wilson, Guaraná Taí, Mirinda, Grapette e Guaraná Kciki. Pão com queijo – ainda não existia o “pão de forma” – maçãs, bananas e o que mais alguém pudesse comprar naqueles tempos maravilhosos que não voltam mais.

Eu, continuava comendo minhas pipocas. Alguns metros depois da carrocinha do Pipoqueiro, outra carrocinha. Agora com um senhor de meia idade fazendo churros com recheio de leite condensado. As abelhas, provavelmente pelo cheiro de baunilha da mistura que se espalhava, atazanavam a vida daquele que ganhava o sustento da família fazendo a alegria das crianças. E eu ainda não era tão “velho” assim.

Pedalar e passear comendo pipocas – prazer sem igual

Pipocas comidas. Churros, idem. Continuo pedalando, vez por outra parando nas maravilhosas sombras das árvores para descansar as pernas.

De longe, observo um jovem pai jogando bola de borracha, provavelmente com um filho. No mesmo “magote” familiar, duas meninas pulam corda. De repente, aquela que parecia ser a mãe das duas crianças, pede para pular também. E pula, e pula e pula – provavelmente revivendo momentos da infância dela.

Depois das pipocas veio o churro

Comi bem devagar, três churros. Deliciosos, mas apenas o primeiro estava quente, o que acabou mudando o estágio do leite condensado.

Resolvi sair da sombra e continuar pedalando a Monark. Já havia mais famílias no Parque e continuava chegando, à medida que o tempo passava. Mais famílias, mais bicicletas e mais vendedores ambulantes – para alegria das crianças e “martírio” de alguns pais.

Pedalei por mais uns quinze minutos, quando resolvi parar por mais algum tempo. De longe avistei um vendedor de picolés e fui ao encontro dele.

Sabores de maracujá, morango, abacate e acerola. Não tinha mais murici, nem graviola. Tomei um, tomei dois, tomei três. A cada dezena de minutos que passava, o sol se tornava mais causticante, me fazendo relembrar que, dali do Parque até minha casa, eu ainda precisaria pedalar mais alguns minutos.

Picolés para completar o passeio relembrando a infância distante

Era o tempo suficiente para completar a minha manhã de lazer.

Parecendo um momento inoportuno, a campainha do apartamento toca, e eu acordo do sonho que parecia profundo – muito bom, a gente relembrar as coisas e a vida da infância. Ainda que apenas em sonho.



LUCIDEZ AOS 75

Cheguei. Caminho difícil, repleto de obstáculos, mas cheguei. Não tenho um mínimo de dúvida, que, se cheguei, foi graças ao bom e generoso Deus, que tudo sabe, tudo pode, e tudo quer de bom para todos nós.

Não fosse Ele, não sei não, visse!…

Lembro que, em 31 de março de 1964 eu tinha “apenas” 21 anos. Foram outros tantos 21 anos de percalços, enfrentamento e vida muito difícil.

Mas, quem anda com Deus, não teme distância nem as “pedras no caminho”.

Terceiro filho de Dona Jordina Gurgel Ramos, e do Senhor Alfredo de Oliveira Ramos, nascido em 30 de abril de 1943, em Pacajus/CE, com passagem pelo Grupo Municipal São Gerardo no tempo que nem se sonhava em Ônibus Escolar e/ou Merenda Escolar, mas onde se cantava o Hino Nacional Brasileiro todos os dias antes do início das aulas; e depois, por mais 7 anos no Liceu do Ceará, onde se fazia provas mensais e ao final de cada semestre – escrita e oral; depois, duas universidades.

Foi ali, no Liceu do Ceará, há mais de 50 anos atrás, que aprendi a compreender os dias de hoje – onde o jovem não tem compromisso sequer consigo próprio, desconhece e desrespeita a família, e, com certeza, será “tragado” pelo redemoinho do futuro.

Cheguei aos 75 anos, sem fazer nada de que me envergonhe, ou aos familiares. Nunca. Faria tudo de novo, inclusive o envolvimento político/ideológico de 64/65/66.

Cinco filhos. Duas cariocas e três maranhenses. Só eu sei como, e por que saí de Fortaleza para o Rio de Janeiro. Não foi fácil – e, infelizmente, há quem cobre postura diferente da que tive. Prefiro que seja assim. O que enfrentei para cumprir o meu papel, levarei comigo quando voltar ao pó que, tenho ciência, não está tão distante. Melhor assim – mas, nem por um segundinho deixarei de acreditar em Deus, que tudo viu, tudo vê e tudo compreenderá.

Além do Pai Divino, não poderia omitir o apoio de quem me ajudou a chegar até aqui, hoje. Não tenho posses materiais para “pagar”, mas tenho respeito e consideração.

Cardíaco, hipertenso (revascularizado), mas lúcido com a bênção de Deus.



A PREGUIÇA DA JAQUEIRA

Bicho preguiça no laborioso descanso

A Preguiça – “Folivora é uma subordem de mamíferos, da ordem Pilosa, cujas espécies são conhecidas popularmente por preguiça, bicho-preguiça, aí, aígue e cabeluda.

Todos os dedos têm garras longas pelas quais a preguiça se pendura aos galhos das árvores, com o dorso para baixo. Seu nome advém do metabolismo muito lento do seu organismo, responsável pelos seus movimentos extremamente lentos. É um animal de pelos longos, que vive na copa das árvores de florestas tropicais desde a América Central até o norte da Argentina. Na Mata Atlântica, o animal se alimenta dos frutos da Cecropia (a embaúba, conhecida, por isto, como árvore-da-preguiça).

De hábitos solitários, a preguiça tem, como defesa, sua camuflagem e suas garras. Para se alimentar, a preguiça utiliza-se de “dentes” que se apresentam em forma de uma pequena serra. Herbívoro, tem hábitos alimentares restritos, o que torna difícil sua manutenção em cativeiro. Dorme cerca de catorze horas por dia, também pendurada nas árvores. Na reprodução, dá apenas uma cria. Apenas a fêmea cuida do filhote. Reproduz-se, como tudo que faz, na copa das árvores. Raramente desce ao chão, apenas aproximadamente a cada sete dias para fazer as suas necessidades fisiológicas. O seu principal predador é a onça-pintada.” (Transcrito do Wikipédia)

O “causo” aconteceu anos atrás. A divisão imaginária dos povoados Queimadas e Guaiúba, ambos pertencentes ao município de Pacajus, era marcada por uma frondosa jaqueira, fonte de alimento dos passantes e moradores da localidade. Há quem coma a polpa da fruta, e utilize, também, a semente. Cozida, para comer “in natura” ou fazer bolo e acompanhamento para carnes cozidas.

Independentemente de chamar atenção pela quantidade de frutos, todos os anos, a jaqueira se tornou importante, por abrigar durante anos, uma inquilina até então estranha aos moradores. Era uma “preguiça”, logo apelidada de “Zabelinha”. Maria Isabel Nogueira, a “Zabelinha”, que parecia ter nascido idosa, com certeza era a pessoa mais “preguiçosa” que já viveu naquelas paragens. Como se dizia, “não dava um prego numa barra de sabão, e tinha preguiça até para comer.”

Zabelinha era a atração da “divisa”. Muitos afirmavam que, quando Zabelinha morresse, a jaqueira pararia de frutificar; que o caroço da jaca viraria ouro; e que fazia amor com um lobisomem em noites de lua cheia.

Como dito nas informações acima, Zabelinha só descia da jaqueira para fazer necessidades fisiológicas. E foi assim, por conta da descida de Zabelinha que, certo dia, se teve notícias que a jaqueira parou de frutificar, morreu, secou e virou lenha para forno de padaria.

Acontece que, por conta da boa sombra da larga copa da jaqueira, muitos a usavam para amarrar os animais. Burros e jumentos com cambitos e outros utensílios.

Certo dia, Zabelinha precisou “jogar o barro fora”. Começou a descer por volta das 9 horas e quando chegou ao tronco, já passava das 11. Cagou. Cagou muito, e até esqueceu que estava cagando, esquecendo também o caminho da volta. Em vez de subir novamente no tronco, preferiu se acomodar num surrão velho colocado num dos caçuás do burro que descansava na sombra. Sem perceber nada, o dono do burro retomou a montaria e foi embora. Levou Zabelinha consigo. Nunca mais Zabelinha teve disposição para voltar. Mas, na jaqueira, sempre aparecia alguém para afirmar que Zabelinha virou churrasco.

Anos depois, a frondosa jaqueira renasceu, novos galhos, mas nunca mais frutificou. Talvez, e muito provavelmente, por preguiça. Arre égua!

* * *

O jumento Brinquedo

Brinquedo o jumento maravilhoso da Vovó

“O Asno (nome científico: Equus africanus asinus) é uma subespécie doméstica do Asno-selvagem-africano. É um mamífero perissodáctilo da família Equidae, cujo nome popular é jumento, jegue, jerico, burro ou ainda asno-doméstico. De tamanho médio (conforme a raça), focinho e orelhas compridas, é utilizado desde a Pré-história como animal de carga. Os ancestrais selvagens dos asnos foram domesticados por volta de 5 000 a.C., praticamente ao mesmo tempo que os cavalos, e, desde então, têm sido utilizados pelos homens como animais de carga e montaria.

No Brasil, o termo “burro” pode designar não a espécie Equus africanus asinus, mas o cruzamento entre essa espécie e a Equus ferus caballus (cavalo) quando resulta num animal de gênero macho, aquilo que em Portugal se designa como “macho”; quando esse mesmo cruzamento resulta num espécime fêmea, é designado como “mula”. Os asnos classificam-se dentro da ordem dos Perissodáctilos, e à família Equidae, à qual também pertencem os cavalos, pertencendo ambos a um único gênero, os Equídeos (Equus).” (Transcrito do Wikipédia)

Lembro como se fosse ontem. Era dia 7 de setembro, feriado nacional no Brasil inteiro. A Guaiúba comemorava realizando alguns eventos que acabaram se tornando tradicionais.

Um desses eventos era uma “Corrida de Jegues”. Tradição na Guaiúba, a “Corrida dos Jegues” já estava atingindo a sua décima terceira edição. A corrida acontecia em duas etapas: manhã, com 50 jumentos escritos; tarde, com apenas os 10 primeiros classificados na competição matinal.

Brinquedo, famoso por ter conquistado duas vezes o primeiro lugar, era o preferido na bolsa de apostas (ninguém apostava dinheiro) e havia quem o considerasse favorito. Sempre.

Quem montava Brinquedo, era Zé Luciano, um dos netos favoritos da minha Avó. Zé Luciano tinha um segredo que, só quem sabia era Brinquedo – os dois eram confidentes. Viviam aos cochichos.

A tática usada por Zé Luciano era: amarrava Brinquedo, bem amarrado e com cabresto curto. Duas vezes por dia Zé Luciano passeava com jumentas no cio, para provocar Brinquedo. Zé Luciano cochichava no ouvido de Brinquedo: “ganhe aquela corrida e eu te deixo passar um dia inteiro com cada uma dessas jumentas.”
No dia da corrida, só dava Brinquedo. A bolsa de apostas recolhia cambitos, caçuás novos, sacas de milho e um bode de 30 kg para o vencedor. Zé Luciano, montado em Brinquedo, cochichava no ouvido do animal: “vamos, aquela jumentinha tá te esperando, vamos”.

Primeiro lugar: Brinquedo!



O FIO DO MACHADO

João Buretama afiando o corte do machado

Todo dia era a mesma coisa. Aos primeiros sinais da claridade do novo dia, João Buretama levantava da rede tijubana, retirava a cinza do cachimbo para encher novamente, pegava um pedaço de cuia com água, caminhava para uma latada onde vivia o jumento Brinquedo e começava a amolar o machado.

Bom de corte, o machado velho da luta do dia a dia ficava afiado em minutos. Só então Buretama se encaminhava para a assepsia diária da boca e em seguida caminhava para o café matinal – um pedaço de carne de bode com macaxeira cozida, leite de cabra e café. Era quase um bom almoço para quem logo estaria suando no corte das árvores encomendado pelo proprietário das terras, ou na abertura de mais uma vereda para encurtar distâncias entre os caminhantes.

Pronto para sair para a labuta. No caçuá posto no jumento Brinquedo, uma cabaça com água, uma faca peixeira na bainha, um facão para desbastar o mato no caminho, e um unguento preparado para debelar veneno de cobra, caso fosse picado.

Parar só para comer. Comer o que a velha Raimunda levava – seria perda de tempo caminhar de ida e volta até a casa para almoçar – que não era muito diferente do que comera no café da manhã. Dez minutos, ou um pouco mais para beber água, e dar uma cachimbada.

Esse, por anos, foi o dia a dia de quem, de quatro em quatro anos, no comecinho de outubro, saía de casa a pedido do patrão, e ia votar para eleger uma cambada de filhos da puta que vivem roubando a nação. Sempre foi assim. Jamais será diferente, por gerações e mais gerações.

* * *

A genialidade de Roberto Ricci

Roberto Ricci fazendo mágicas no violão

Entre nós haverá sempre alguém que conversa com Deus. Em qualquer lugar do mundo haverá sempre esse tipo de gente. São os ungidos pelo Pai Celestial.

Lembro que, mais de uma vez, estávamos trabalhando na roça, limpando as ervas daninhas que subiam nas touceiras do milho ou sufocavam as ramas do feijão. Era nossa obrigação cortar a raiz das ervas e tirá-las da matança do feijão e do milho.

E, lembro também, que muitas vezes olhávamos para os céus com aquele azul maravilhoso, sem nenhuma nuvem que pudesse nos “dizer alguma coisa” – as nuvens, no sertão, as vezes se tornam um código decifrável para quem as conhece. Mas, há que conhecer, também, a Natureza de tudo que vive na Terra entre nós.

Por segundos, parávamos para secar o suor salgado que corria pela face, e ouvíamos o aconselhamento da Avó – que conversava com as aves e as árvores como se fossem da mesma espécie. Coisas de Deus.

– Cuide, se avexe que vai chover daqui mais cumpouco!

– Num vai chover não vó, com o céu limpo desse jeito num chove!

– Meu filho, o dizer da Natureza não está nos céus, que muda todo tempo ao gosto do vento. Está na terra, ao nosso lado, e entre nós. Espie aqui a pressa das formigas. Elas sabem mais do que nós!

E minutos depois o tempo mudava, e chovia.

Pois é. A Natureza está entre nós e alguns seres são ungidos. Deus lhes dá mãos, inteligência, humildade e até visão, se não tiver.

Ninguém precisa da visão para fazer o bem. O bem a gente faz é com o coração.

Pois, Deus se faz presente toda vez que ROBERTO RICCI pega o seu violão e mostra que o bem e a obra de Deus não têm limites nem atrapalhos. Filho de Raimundo José de Oliveira Ricci, e Terezinha de Jesus Ricci, Roberto Ricci nasceu em São Luís a 20 de maio de 1966.

Um equívoco no uso de medicamento para debelar um problema passageiro de saúde lhe levou a visão quando tinha pouco mais de um ano de idade. Hoje é considerado um dos maiores músicos instrumentistas do Maranhão – um gênio, para ser bem justo.

“Portador de deficiência visual desde um ano de idade – causada por excesso de medicamentos durante tratamento de saúde – Roberto Ricci é um artista de destaque na música maranhense pelos ritmos e sotaques de bumba-meu-boi que tira do violão com tanta proeza e eficiência. Ricci impressiona ao tirar das cordas do violão sons que se assemelham aos das matracas e pandeirões, além de todos os instrumentos da bateria do carnaval, produzindo todos esses sons sem mudar a afinação do instrumento, levando o público a ter a impressão de estar ouvindo uma orquestra ou mesmo um “batalhão pesado” de um grande grupo de boi. Começou a ter contato com a música com apenas sete anos de idade e desde então não parou mais. Autodidata, afirma não saber como nasceu todo o seu conhecimento musical, diz apenas que ele foi surgindo, o que ainda acontece até hoje. “

“Tudo aconteceu naturalmente, à medida que eu acompanhava os bumbas-bois e as escolas de samba. Nunca fiquei treinando, para ser mais claro, nem pego no violão quando estou em casa. Eu não tenho explicação para isso. É uma coisa espiritual, acho que vim cumprir uma missão aqui. Tenho certeza que não faço sozinho”, afirma.”



MENINOS E MENINAS, OU, O CÉU FICA AO LADO DO INFERNO

Meninos e meninas banhando na chuva – a inocência consagrada

A rua sempre foi o melhor cenário – se adapta à qualquer apresentação. E, sequer precisa de ensaios ou repasse de texto. É a peça no teatro da vida. E nem precisamos tanto de plateia, e quem entra não precisa pagar ingresso.

A gente corria. Caía. Levantava e continuava correndo. O joelho sangrava machucado, mas era confortado pelo coração alegre e feliz. Brincar era bom. Brincar é bom. Mas, já não se brinca mais e o coração não se alegra – agora, chora de dor.

Quando chovia a rua ficava mais enfeitada, pois os adultos se transformavam em crianças e reviviam os banhos, as brincadeiras e dividiam os jacarés (biqueiras) das casas.

Numa chuva demorada, o banho também se prolongava – os meninos e as meninas tremiam, e as mães, coitadas e preocupadas, traziam toalhas, e, juntas, as ordens: “chega de banho – você já está tremendo e vai ficar resfriado”!

Na “amarelinha” o céu fica ao lado do inferno

A Maria morava naquela casa. Aquela casa que ficava quase na esquina daquela rua onde aquelas pessoas também moravam. Todos se conheciam, todos tinham filhos, todos se cumprimentavam quando se encontravam.

Aos domingos, quase todos iam à missa. Quase todos tinham o que comer. Quase todos comiam. Quase todos viviam.

As crianças. Bom, as crianças todas se conheciam. Todas brincavam juntas. Brincavam de tudo, brincavam com tudo, faziam tudo, elas próprias. Pião, pipas, bambolê, cabra-cega, esconde-esconde, corrida do ovo na colher, chuço, triângulo, corda, cabo de guerra, peteca e amarelinha.

Amarelinha na calçada. Amarelinha no asfalto e amarelinha no chão de barro batido.

Naqueles dias que já vão longe, na imagem da amarelinha o céu ficava ao lado do inferno. Vizinho um do outro. Precisava ser bom, na amarelinha da vida, para chegar ao céu sem se queimar no inferno.

Maria, a que morava naquela casa, sabia da vida de quase todos. Maria falava da vida de quase todos. Quando quase todos paravam de brincar, Maria, sozinha, ia brincar na amarelinha. Passava pela casa 1, pela casa 2, pela casa 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10… mas parava no inferno.