Categoria: JOSÉ NARCELIO – AO PÉ DA LETRA

ODE AO AMOR

É difícil falar de amor sem parecer piegas. Ainda assim, resolvi entoar este cântico, mesmo correndo o risco de enveredar por um caminho ridicularmente sentimental. Que seja!

Afinal, o que é o amor e como defini-lo? Viajemos no tempo. O termo tem origem no latim amor, e guarda o mesmo significado de agora: afeição, carinho, afeto. Entretanto, definir amor é tão difícil quanto complexo, pois ele se apresenta sob diferentes formas e significados variados.

O amor pode estar num abraço, num olhar, num beijo prolongado. Ele se propaga, naturalmente, entre um homem e uma mulher, porém pode acontecer entre dois homens ou entre duas mulheres. Quando ele é verdadeiro ultrapassa barreiras sociais, raciais e econômicas.

O amor pode ser fraternal, incondicional, próprio, entre amigos e amor ao trabalho. Dizem que o amor é cego, e que é uma bela jornada. Afirmam, também, que ninguém consegue viver sem tal sentimento, que pode até durar para sempre – não se trata aqui do amor espiritual ao Deus de cada um.

Alguns filósofos, da antiguidade, assim definiram o amor:

Sófocles – Uma palavra nos liberta de todo peso e da dor da vida: essa palavra é amor.

Platão – Ao toque do amor todas as pessoas se tornam poetas.

Aristóteles – O amor é formado por uma única alma habitando em dois corpos.

E o que dizer do amor platônico? Aquele que você sabe que nunca vai ter, mas que é bom assim mesmo. O beijo é a mais significativa expressão de amor que o ser humano conhece. No beijo também se esconde a manifestação do que chamamos paixão. Esperem! Amor e paixão não representam o mesmo sentimento?

A psicologia define a paixão como a atração pela idealização que fazemos do próximo, e não, necessariamente, pela pessoa como verdadeiramente é. Nas pessoas apaixonadas, as características de atração são as físicas. Ao contrário do amor, onde enxergamos muito além das aparências alcançando o interior das pessoas.

Estudos sobre o comportamento humano afiançam que a paixão pode durar semanas ou de um a dois anos. Após esse período ou finda o relacionamento, ou se inicia uma verdadeira história de amor.

O amor é o combustível para o romantismo e inspiração para a poesia. Daí textos e músicas que falam de amor, tocar tão fundo em almas sensíveis.

Poucos poetas cantaram tão bem o amor, e com tanta intensidade e profundidade, como o cronista e poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Uma das amostras é o pequeno retalho a seguir, extraído de uma de suas obras, O Amor:

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer o seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção, pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro ou, às vezes encontram, e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar sem deixa-lo acontecer verdadeiramente…

Evite que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

NA SAÚDE E NA DOENÇA

O noivo pode até ignorar detalhes da festa ou do vestido da noiva na cerimônia do casamento; a noiva, por sua vez, pode não lembrar o modelo do traje do amado ou do buquê que lançou para as amigas; porém, certamente ambos jamais esquecerão o instante do juramento proferido no altar durante a união do casal:

Eu (fulano ou fulana) recebo a ti, (fulana ou fulano), como minha legítima esposa (ou legítimo marido), e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias de nossa vida, até que a morte nos separe.

A empolgação daquele momento realça no imaginário de ambos somente os pontos positivos da promessa declarada: alegria, saúde, riqueza, amor e fidelidade. Ninguém atenta para o reverso da medalha, onde e quando poderão enfrentar tristezas, doenças ou a pobreza em algum momento da união.

Não importa e nem existe espaço para tais pensamentos. Ali eles vivenciam instantes felizes de propriedade exclusiva do casal. Na promessa, os nubentes dão ênfase ao amor. Cá entre nós, mas se forem somente frases lançadas ao vento? Impossível! O sentimento chamado amor não se resume a palavras.

O amor se faz presente nas ações espontâneos, em achados inesperados, na beleza da doação mútua, ao se entregar sem cobranças, no prazer de dividir e na felicidade de compartilhar. São manifestações que nunca deixarão a união entre casais que se amam verdadeiramente, perder-se no limbo.

Aqui abro um parêntese. Laura e Manoel, meus pais, partilharam um casamento de 65 anos. Ambos tinham a mesma idade. Nesse período, certamente houve turbulências, porém, nada que desestruturasse o enlace. Meu pai morreu primeiro, minha mãe, sete meses depois, de saudade e solidão.

Nada nem ninguém conseguia afastá-la da lembrança do esposo. Em suas orações rogava ao companheiro que viesse buscá-la. No aniversário de um dos netos, ela, eufórica, revelou aos presentes uma cena contumaz no seu sono noturno:

Nos meus sonhos, Manoel aparece postado sob a sombra de uma árvore. Uma cerca nos separa. Ele acena em despedida e parte. Ontem foi diferente. Manoel, antes de se afastar, me chama para acompanhá-lo. A cerca estava arriada.

No mesmo dia, dona Laura faleceu por força de um infarto anunciado. Não suportou a ausência daquele a quem havia prometido ser fiel, respeitar e amar durante toda a sua existência. Na ótica de minha mãe, somente a morte iria juntá-los novamente. Este exemplo define ou não um amor verdadeiro? Fecho parêntese.

No meu entender, das promessas contidas no juramento matrimonial, a mais significativa é a conservação do respeito, da fidelidade e do amor durante a doença de um dos cônjuges. Porque, uma coisa é amar na saúde e na beleza; a outra, é querer bem na decrepitude e na feiura com a mesma intensidade.

Ninguém casa com a expectativa de separação na cabeça, embora supondo que o cotidiano embote o brilho da convivência a dois. Imperceptível, também, é o mecanismo sublime que interfere a favor da união do casal que se ama.

Expondo a um amigo minha teoria para casamentos duradouros, perguntei-lhe qual a receita para o seu relacionamento de meio século. Ele respondeu:

Tolerância, meu caro! Justificamos muitos dos atos que praticamos creditando-os a carências masculinas, sem atentarmos que as mulheres possuem necessidades assemelhadas às nossas. O segredo é esbanjar tolerância!

Acolhamos a voz da experiência. Tenho dito!

SER AVÔ NA MODERNIDADE

Acabou-se o tempo em que as famílias se reuniam em torno da mesa para entabular conversas descontraídas durante o almoço ou jantar. A mania salutar dos papos nas salas de estar deixou de existir. Na atualidade, não se encontra espaço nem tempo no agitado cotidiano das pessoas, para a troca de ideias no seio familiar.

Pudera, o progresso inseriu novos procedimentos nos costumes de nossos antepassados com o advento da internet e de aplicativos inteligentes. Em anos não tão distantes, sabíamos o que ocorria no país e no mundo mediante o jornalismo impresso ou através de noticiários na televisão. Agora, toda e qualquer informação é obtida mediante consulta a aparelhos eletrônicos manuais, em tempo real.

A evolução tecnológica da pequena maquininha, antes denominada telefone celular porque funcionava somente como um telefone portátil, ocasionou mudanças bruscas em costumes e padrões comportamentais da sociedade brasileira e de diferentes civilizações deste mundão de meu Deus.

Dados da Anatel indicam que o Brasil terminou março de 2018 com 235,8 milhões de celulares, ou seja, com uma densidade de 112,98 celulares por 100 habitantes. Essa proporção aponta que o número de celulares em uso ultrapassou o de habitantes no país. Isso mesmo, cada brasileiro detém, hoje, 1 celular e fração de outro.

Ainda que sob o efeito deletério em costumes tradicionais, por conta do uso abusivo de telefones inteligentes (smartphone) e de computadores portáteis (tablet), muitas famílias insistem em preservar resquícios dos antigos hábitos. Talvez, para não deixar a modernidade se apossar das boas lembranças do passado.

Ser avô ou avó é uma delícia! Curtir os netos sem as responsabilidades do papel dos pais, deixa a relação mais leve e interessante. Eu insisto em manter um contato físico semanal com meus filhos, netos, genros e nora – nem sempre é possível reunir a todos. Entendo que tais bate-papos consolidam a noção de unidade familiar.

Os netos, porém, fogem à regra. Ao invés de participarem das conversas entabuladas preferem a companhia de aparelhos iMac, iPod, iPhone, iPad e iTunes, que os divertem e acalentam a curiosidade latente em cada um deles.

Acontece de o vício decorrente do manuseio dessas geringonças haver extrapolado todos os limites admissíveis da racionalidade, fugindo do controle dos pais ou de responsáveis pela educação das crianças, por negligência ou descaso – é comum utilizarem os aparelhos para aquietar moleques renitentes ou malcriados.

No meu caso, quando em nossas reuniões, estipulei regras rígidas, claras e simples para a utilização de tais aparelhos: não é permitido o uso de nenhum deles na casa dos avós. Para compensar a proibição lancei mão de jogos manuais, quebra-cabeças, brincadeiras grupais e outros tantos artifícios para desviar a atenção deles das maquininhas, durante o rápido convívio conosco.

Como complemento, aprendi alguns truques de mágica que fazem tanto sucesso entre os netos, que eles já entram no apartamento gritando: Mágica!…Mágica!… Enquanto isso, o avô se diverte vendo-se alvo da atenção dos pirralhos numa interação saudável, mesmo assumindo o papel de um bobo-da-corte animador de plateias.

Certamente, tais momentos permanecerão vivos nas memórias de cada um deles, não deixando que se perca nas dobras do tempo o exemplo de como as coisas aconteciam num Lar Doce Lar… de antigamente.

RECORDANDO ROGER VADIM

Messier Roger Vadim foi um escritor, ator e diretor franco-argelino, nascido em 1927. Porém, não foi como cineasta que alcançou notoriedade, mas, por haver casado com belas mulheres: as francesas Brigitte Bardot e Catherine Denueve, a dinamarquesa Annette Stroyberg e a estadunidense Jane Fonda. Com exceção de Annette, as demais se transformaram em monstros sagrados do cinema.

Vadim, além de conquistar três das mais cortejadas atrizes do mundo, e as despir nas telas, ele também desnudou o íntimo de cada uma delas, com a mesma classe e elegância, enfatizando o que pensavam, como viviam e como amavam, no seu livro As Memórias de Roger Vadim – Bardot, Deneuve & Fonda.

Num relato fluente e picante, ele prende a atenção do leitor, do primeiro ao último parágrafo, como quando da iniciação sexual de Bardot: …enquanto se vestia, depois de fazer amor pela primeira vez, Brigitte perguntou: – Sou uma mulher de verdade, agora? – Não muito – respondi. – Talvez uns vinte e cinco por cento.

No segundo encontro, depois de termos feito amor, ela perguntou novamente: – Sou uma mulher de verdade, agora? – Uns cinquenta por cento – respondi.

Em sua terceira visita, anunciei: – Cem por cento. Brigitte bateu palmas, correu até a janela e abriu-a tanto quanto pôde. – Sou uma mulher de verdade! – exclamava ela, acenando para os transeuntes na rua, que olhavam para cima em estado de choque. Em seu entusiasmo, ela se esquecera de que estava completamente nua.

Ele resume o capítulo sobre Bardot, afirmando: Possuía um dom para a infidelidade, mas sempre sofria quando estava de caso com mais de um homem ao mesmo tempo.

Por essa e outras inconfidências, Brigitte e Deneuve processaram Vadim por violação de privacidade, o que retardou a publicação do livro na França. Ganho o embate judicial, o autor alcançou enorme sucesso com as suas memórias.

Quando Bardot o abandonou para viver com Jean-Louis Trintignant, Vadim conheceu Annette Stroyberg com quem casou após engravidá-la de Nathalie, sua primogênita. Ela não demorou muito, e já o estava traindo com Sacha Distel.

A paixão entre Roger Vadim e Catherine Deneuve foi arrasadora: menos de vinte e quatro horas depois de se conhecerem já foram para a cama. Assim ele descreveu o encontro: …entramos no quarto em que o abajur de Jean Genet, um pouco estiolado e inclinado para o chão, me fez lembrar que fizera amor com Brigitte, pela primeira vez, naquela mesma cama, dez anos antes.

Catherine deu-lhe um filho, Cristian, mas, ao se apaixonar por Johnny Halliday, não hesitou em largar Vadim. Conviveram durante cinco anos sem casar. Ele sintetiza o caso, assim: Tinha 17 anos, e eu, 32. Mas a idade não faz diferença. Nem a experiência, para mulheres que sabem das coisas sem precisar aprendê-las.

O caso de amor com Jane Fonda durou oito anos. Vadim a amava e à filha de ambos, Vanessa. Quando a paixão esmaeceu em Jane, ela o deixou para casar com Tom Haiden. Sobre a atriz, ele assim resumiu o relacionamento: …Nossa relação erótica era intelectualmente equilibrada entre a ternura e voos de grande fantasia.

Mesmo separado de suas ex-esposas, Vadim continuou íntimo de todas, e sempre foi um pai presente e um ombro amigo para o apoio delas. Faleceu em 2000, com 72 anos de idade. Todas compareceram ao funeral.
A leitura das memórias de Vadim é um regalo para indivíduos que, como eu, vivenciaram seus anos dourados nas décadas de 60 e 70 e acompanharam as trajetórias das personagens do livro, desmistificadas cruamente por quem amou a todas.

DESCOMPLICANDO O TOMAR VINHO

É comum assistirmos, em restaurantes, a cena em que o cliente prova o vinho antes que o garçom o sirva, ensejando a um observador desavisado a seguinte pergunta: o que acontece se o cidadão não gostar do vinho que lhe foi servido? Ele rejeita a garrafa deixando o estabelecimento com o prejuízo?

Essa prova consiste em descobrir se o vinho é bom, não se ele está bom. Verificar se a bebida se encontra na temperatura adequada ou não está oxidada, condições que habilitam a devolução da garrafa. Na maioria dos casos, cliente e garçom agem sem saber a que se prestam, encenando papéis ridículos beirando o grotesco.

O primeiro, segurando a taça pela haste, balança-a em movimentos circulares; em seguida, a encosta num guardanapo ou a coloca contra a luz para verificar a cor da bebida; por fim, bochecha o vinho e o engole, numa munganga adequada para sessões de degustações, não para uma simples refeição.

O garçom, por sua vez, oferece a rolha de material sintético, para o cliente cheirar e comprovar se o vinho está ou não contaminado pela doença da rolha (bouchonné), um fungo encontrado, tão somente, em rolhas de cortiça. Essa e mais outras anomalias comportamentais do tipo, são responsáveis pela fuga de potenciais adeptos da bebida. Eles merecem o nosso perdão, porque não sabem o que fazem!

Na verdade, não existe complicação alguma em tomar vinho, basta observarmos determinados tópicos que se responsabilizam pelo equilíbrio da bebida e nos fazem seus apreciadores. Alguns deles são o tanino, a acidez e o álcool.

Tanino – Está presente na casca e nas sementes das uvas tintas, e dá ao vinho estrutura para envelhecer. Em excesso, o tanino é áspero e deixa na boca a sensação parecida com a de banana verde. Um vinho com tanino equilibrado é uma bebida bem elaborada ou que já envelheceu por tempo suficiente.

Acidez – Um bom vinho precisa de acidez. Juntamente com o álcool e o tanino – no caso dos tintos -, a acidez responde pelo equilíbrio do vinho e por sua capacidade de envelhecimento. Ela ativa a salivação, tornando a bebida mais agradável.

Álcool – O álcool etílico no vinho resulta da fermentação do açúcar da uva e determina o corpo da bebida. Vinho muito alcoólico dá a sensação de doce, mas, se provocar calor e ardência na boca, indica que o álcool não está em equilíbrio com a acidez. É defeito.

Todavia, tudo tem a ver com o paladar do cidadão. Se o vinho lhe for agradável e lhe der prazer, certamente, se trata de uma bebida bem elaborada. Quando o vinho tinto parecer macio, levemente adocicado, não será surpresa se estiver diante de um vinho com alto teor alcoólico, acima dos 13%. Por outro lado, se o vinho estiver pegando, deixando a boca seca, não haverá dúvida: são taninos mal resolvidos.

O restante são penduricalhos que mais atrapalham do que ajudam o iniciante na arte de apreciar vinho. Porém, muita cautela para não parecer pedante ou cair no ridículo, ao atribuir a um vinho, sem a devida segurança, qualidades tais como: chato, amplo, austero, curto, magro, mofado, vinoso ou rançoso.

Para não ser tachado de alienado é de bom alvitre saber que o enófilo é aquele que gosta de vinho, o enólogo é a pessoa que trabalha o vinho e, o sommelier, é o responsável pelas cartas de vinhos e orientador da bebida ideal para combinar com o prato. Por fim, seja mais um descomplicado apreciador da bebida dos deuses.

Saúde!

ENTENDENDO A CRUCIFICAÇÃO

Este texto é obra de alguém com conhecimento de anatomia, possivelmente, um médico. Alguém, com conhecimento do corpo humano e de muita fé na crença que abraçou. Se o sacrifício de Jesus, para nos salvar, deu-se com o requinte de sofrimento aqui descrito, já seria razão suficiente para adorá-Lo incondicionalmente.

“Jesus entrou em agonia em Getsêmani ao suar sangue, ou seja, ao desenvolver hematidrose, que é um fenômeno raríssimo que acontece em alguém em condições excepcionais, quando possuída de terror, susto, angústia ou tensão extrema. Isto ocasiona o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, fazendo o sangue se misturar com o suor e escorrer por todo o corpo.

Ao ser preso Jesus foi levado a Pilatos que ordenou sua flagelação. As chibatadas que Lhe foram aplicadas, com tiras de couro contendo nas extremidades minúsculas bolas de chumbo e pequenos ossos, começaram a dilacerar e romper a pele de Jesus, que a cada golpe desferido reagia com sobressaltos de dor. Um suor frio impregnou-Lhe a fronte fazendo Sua cabeça girar em vertigem causada pela náusea.

Calafrios surgiram ao longo das costas em carne viva. Caso não estivesse preso pelas mãos, cairia e se banharia no próprio sangue. Em seguida, seus carrascos enfiaram-Lhe uma coroa de espinhos longos, que penetraram no couro cabeludo fazendo-o sangrar e causando-Lhe dores muito fortes.

A caminhada ao Calvário transportando uma cruz de aproximados 50 kg, deixaram Seus ombros cobertos de chagas. O percurso feito a pés descalços, por ruas cobertas de pedregulhos, arrastando um pé após o outro, além de puxões e chibatadas, ocasionaram frequentes quedas de Jesus, sobre os joelhos doloridos e sem forças.

Ao chegar ao local do sacrifício os soldados despojaram o condenado de Suas roupas, mas a túnica estava colada às chagas, que arrancaram sem qualquer cuidado causando imensa dor – basta lembrar o desconforto de retirar uma gaze de um ferimento. Então, o sangue de Jesus Lhe banhou o corpo.

Jesus foi preso na cruz a golpes de martelo em cravos fincados nos pulsos e nos pés. O penoso martírio do crucificado faz-Lhe contrair o rosto assustadoramente, em razão do nervo mediano ter sido lesado. A dor insuportável se difundiu pelos dedos e se espalhou pelos ombros, atingindo o cérebro – trata-se da sensação mais dolorosa que alguém possa provar, levando a vítima a inconsciência.

Mas, Jesus resistiu a mais essa provação já com os nervos parcialmente destruídos e uma lesão no tronco nervoso. O corpo, ao ser suspenso na cruz, faz o nervo se esticar como uma corda de violão, e a cada movimento da cruz acarretará dores lancinantes, no Seu caso, num suplicio que duraria horas.

Com sede, boca semiaberta, garganta seca, Jesus foi submetido a tortura atroz. A respiração curta, o rosto pálido, Ele respirava com o ápice dos pulmões, como um asmático em crise aguda. Os pulmões cheios de ar, mas sem poder esvazia-los, Jesus foi tomado pela asfixia. Com esforço sobre-humano, Ele tomou um ponto de apoio sobre o prego dos pés, elevou-Se, e aliviou a respiração, porque os pulmões se esvaziaram do oxigênio que acumulava.

O rosto recuperou a palidez, e Jesus pediu para absorver Seus algozes, dizendo: Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem!”. O processo de asfixia recomeçou e Ele se utilizou desse mecanismo para proferir as sete frases ditas na cruz.

Com rosto e corpo cobertos pelo próprio sangue, Jesus ainda teve o peito perfurado, por onde jorrou sangue e água, até o Seu último suspiro.”