Categoria: MAURICIO ASSUERO – PARE, OLHE E ESCUTE

DELAÇÃO PREMIADA

Acredita-se que o sucesso da Lava Jato tem relação com as delações premiadas. Não se descarta essa associação, mas não se pode conceber que a justiça assista, passivamente, essa corja de ladrões que tomou o estado brasileiro, usar este instrumento como uma válvula de escape da lei. A questão é a postura dos saqueadores do erário. Vejamos o caso de Palocci. Desde seu depoimento a Moro que ele tenta um acordo de deleção premiada que o Ministério Público Federal não aceitou. O descaramento de Palocci ao dizer que tinha informações que poderiam prorrogar a Lava Jato por mais tempo é absurdo. Deveria mofar na cadeia porque acima dos interesses pessoais deveria estar o interesse da sociedade. Agora, a Polícia Federal colheu seu depoimento e encaminhou a proposta de delação para o STF4, apesar da posição contrária do MPF. A briga está na posição do MPF que entende que apenas ele pode firmar tais acordos. Mas, já existe maioria no STF sobre acordos firmados com a PF, por isso o pedido de vistas do processo é somente uma protelação.

Outro exemplo de abuso (diga-se com todas as letras: abuso) é o caso de Paulo Preto que decidiu não fazer deleção premiada, por enquanto. Veja bem: por enquanto. Então, fica a pergunta: quando fará? Quando perceber que não haverá socorro suficiente para lhe tirar da cadeia. Então, o que se tem é uma pessoa que conhece as nuances de um crime e por interesse próprio não denúncia. Alguns dirão: a constituição diz que ninguém é obrigado a produzir provas contra si, mas neste caso não é mais contra ele, propriamente dito, porque já se tem sua digital em dinheiro podre.

Fica, absolutamente, claro que estas pessoas sabem muito mais do que externam e que não relatam, imediatamente, porque usam a delação como moeda de troca não apenas para reduzir seu tempo atrás das grades, mas para pressionar os possíveis delatados a se mover no sentido de falar com o ministro certo e este influenciar outro para tirar o sacripanta da cadeia. No caso de Gilmar Mendes, independe de credo, cor, raça, religião, tamanho do roubo ou qualquer outra prerrogativa. Qualquer um que estiver preso por roubo ou falcatrua tem em Gilmar um santo protetor. São Gilmar Mendes, indicado por Fernando Henrique Cardoso, soltou o operador do PSDB antes que ele se desesperasse e entregasse Alkmin e companhia bela. Gilmar Mendes soltou o operador do MBD, antes que ele intensificasse as denúncias contra Temer, por exemplo.

Ao longo dos depoimentos das pessoas no processo do Guarujá, um dos argumentos de Lula era que a PF ou MPF só fechavam acordos se os delatores prometessem envolver o seu nome. Na verdade, os delatores fizeram de tudo para não envolver Lula nas falcatruas, mas é preciso dizer que o pessoal que investiga não é burro. O cara conta uma história fantasiosa e, imediatamente, as pessoas percebem que aquilo não poderia ocorrer sem a interferência de alguém com mais poder. Então, rejeitam por ocultação de informação. O cara tripudiou da sociedade desviou recursos públicos e agora quer tripudiar dos investigadores contando lorotas.

Gilmar Mendes já criticou publicamente, inúmeras vezes, as prisões preventivas de Curitiba. Já comentou que os presos só seriam soltos mediante delação. Mas, na essência não deveria haver mais rigidez com a soltura? Está se colocando nas ruas uma pessoa que cometeu crimes isolada ou coletivamente; que sabe quem mais participou daquela tramoia, então o correto não seria deixar o cara pensando um bom tempo nas bobagens que fez para que ele entendesse que o crime não deveria compensar?

Paulo Preto sabe muito dos roubos do PSDB ao longo de todos esses anos governando São Paulo. A prisão dele seria a oportunidade de descobrirmos quem mais de locupletou dos recursos públicos. Precisa dizer que Gilmar Mendes colocou na rua um cara que tem R$ 113 milhões depositados em contas de bancos suíços? Esquecemos que na campanha presidencial de Serra, este cidadão fez sumir R$ 4 milhões de doações e ainda ameaçou Serra com recados diretos e públicos alegando ter documentos com a assinatura dele? José Serra chegou a ponto de dizer que não conhecia Paulo Preto.

O Brasil só mudará certos costumes se houver mudança na lei. Enquanto nós tivermos o interesse social abaixo dos interesses individuais e enquanto tivermos canalhas fazendo leis em benefício próprio, não seremos capazes de erguer a bandeira da credibilidade. Veremos dinheiro da educação, saúde, segurança, etc. sendo canalizado para contas particulares, preferencialmente no exterior, de pessoas que deveriam trabalhar pela sociedade.

Em outros países, a corrupção é combatida com rigor. A ladroagem é punida com execuções, até. Aqui, precisamos do trânsito em julgado para dizer que um cara que enriqueceu ilicitamente é culpado..

TERRA DE NINGUÉM

Os depoimentos das testemunhas no processo relacionado com o Sítio de Atibaia, “o que é, sem nunca ter sido”, estão sendo colhidos. Esta semana tivemos Paulo Okamotto falando do interesse de Lula em comprar o sítio e, instigado pela advogada de Fernando Bittar, responde sobre um almoço no qual foi discutido essa compra. Nas suas palavras: “Teve um almoço. Lula, Kalil, Fernando, não sei se o Fábio também. Esse tema tinha sido tratado. O presidente Lula, já há algum tempo, achava que tinha que comprar o sítio como presente para dona Marisa. Ele tinha um pouco de dúvida, mas tinha essa impressão”. Se Okamotto estava presente nessa reunião ele deveria ter dito “não lembro se o Fábio também”. Ao dizer “não sei”, nitidamente, ele demonstra que isso não passa de uma balela. Se não sabe, então não estava presente e, como tal, deveria se recolher a sua nobre insignificância.

Em 2006, Paulo Okamotto, na CPI dos bingos, foi acareado com Paulo de Tarso Venceslau, ex-petista, e a sensação que se teve foi de absoluta culpa dele em desvios de recursos do então “valerioduto”. Na ocasião ele se manteve firme em não permitir a quebra do seu sigilo bancário para explicar a origem de R$ 29 mil que ele emprestou a Lula. Até Tião Viana, senador do PT, defendeu a quebra desse sigilo, mas ele invocou os direitos individuais para não permitir. Faltou pulso para a justiça decidir, mas a CPI não achou culpados. Como sempre.

O segundo depoimento marcante foi de Gilberto Carvalho. O homem que ficou no governo para vigiar Dilma. Ele disse uma coisa bela de se reproduzir: Lula pensou em comprar o sítio, mas achava longe. A justiça tem registro de 112 viagens de Lula ao sítio. Imagine se fosse perto.

Insistentemente, as pessoas, inclusive a defesa de Lula, não entendem a questão. Lula não está sendo processado pela propriedade do sítio, mas sim por não ter assumido tal propriedade. O delito é ocultação de patrimônio e, por isso, alegar que a escritura está em nome de Fernando Bittar, não afasta a questão, pelo contrário, reforça o uso de laranjas na formação do patrimônio dele. Até hoje, não houve, um esclarecimento sequer por parte da defesa, sobre o motivo da Odebrecht e OAS investirem recursos numa propriedade de Fernando Bittar. Então que se solicite a Marcelo Odebrecht um detalhamento das relações da empresa com Fernando Bittar. Qual a justificativa para as empresas reformularem o sítio, sendo ele de Fernando e de Suassuna?

Cabe lembrar que Emílio Odebrecht, no final do governo Lula, esteve no palácio informando que as obras seriam concluídas em tempo. Que elas foram feitas a pedido de Marisa Letícia, mas que Lula deu a entender que já sabia do assunto. Ninguém até o momento foi capaz de dizer que Emilio está mentido. Sabe por quê? Porque ninguém é doido de desmentir um cara que sabe muito da vida de Lula.

Acredito que há procedimentos elementares que podem esclarecer muitas coisas, mas que não se coloca nos depoimentos. Por exemplo: a OI instalou uma torre de telefonia junto ao sítio, a pedido de um sindicalista chamado José Zunga Alves de Lima. Logo, há uma ordem de serviços e, no mínimo, um estudo de viabilidade pata tal investimento. O sitio é de Fernando e foi entregue para uso indeterminado pela família de Lula, disse Carvalho. Vamos ouvir as gravações da Polícia Federal com o caseiro informando a Fábio sobre o assédio da imprensa. Vamos ouvir o irmão de Fernando pedindo autorização a Fábio para usar o sítio. Vamos entender os motivos que levaram o assessor de Lula, Rogério Aurélio Pimentel, ter aprovado as obras sem sequer pedir desconto, conforme depoimento prestado em 19/02/2018 pelo empreiteiro Carlos Rodrigo do Prado ao juiz Sérgio Moro. Certamente, tudo isso tem explicação, mas a sociedade espera uma explicação coerente.

A PF fez um laudo sobre o sítio e tem copia circulando na internet. O laudo é imparcial e relata, com fotos, a presença de Lula agindo como dono. Essa ação, se externa de forma tão intensa a ponto de o irmão do dono legal solicitar autorização do filho do suposto dono para frequentar, por um fim de semana, o sítio.

Muitos juristas dizem que as provas do sítio de Atibaia são mais robustas do que as provas do apartamento do Guarujá. A defesa de Lula é incompetente porque ao invés de focar a denúncia, eles preferem fazer firulas e emitir notas públicas dizendo “o presidente não é proprietário do sítio”, “o sítio está registrado em nome de Fernando Bittar”. Nesse ritmo, vão conseguir muitos anos de grade.

INGÊNUOS DE UM LADO E IMBECIS DO OUTRO

O mês de abril protagonizou dois exemplos fabulosos de ingenuidade. O primeiro foi o senador Aécio Neves flagrado metendo a mão no bolso de Joesley Batista para arrancar, míseros, R$ 2 milhões de reais, que o primo Fred foi buscar e encaminhou para um assessor do senador Zezé Perrella, aquele dono de um helicóptero que transportava meia tonelada de cocaína.

O argumento de Aécio parece uma prece de Madre Teresa de Calcutá. Aliás, quando eu vejo Aécio falando, tenho a impressão que ele está inspirado nas ações humanitárias de Madre Teresa. Só falta o hábito, quer dizer a vestimenta, porque o hábito de roubar ele já tem desde muito. Aécio quer convencer o Brasil de que aquilo ali foi um empréstimo e que ele foi vítima de um bandido delator. Empréstimo se faz à luz de um contrato, com regras, testemunhas e com recursos transitando pelo sistema financeiro. Ademais, se era um puro empréstimo qual o motivo de “manda um cara teu, que eu mando um cara meu. Um cara que se delatar, a gente mata. Eu vou mandar o Fred”? Se o STF aceitar tais argumentos, registre-se a falência do sistema judiciário.  

Poucos dias após essa argumentação de Aécio, eis que Rodrigo Loures nos brinda com uma declaração jamais esperada: ele não sabia que havia dinheiro na mala! Cabe lembrar que a mala com conteúdo desconhecido foi guardada na casa dos pais de Loures e que quando foi apreendida faltava R$ 35 mil. Estes R$ 35 mil foram depositados, em juízo, pela defesa de Loures, ou seja, Loures e seus advogados não devem ter juízo porque esqueceram que os R$ 35 mil foram entregues à Polícia Federal. Se ele não sabia que era dinheiro, quem tirou estes R$ 35 mil? Seus pais?  Não! Deve ter sido a coitada da empregada pobre, preta, mãe de não sei quantos filhos que vai assumir a culpa. Ainda não consigo entender porque o juiz não perguntou a Loures pela falta desse dinheiro ou pelo depósito feito em juízo. É provável que com esta afirmação, o coitado seja absolvido porque não se tem como comprovar seu conhecimento sobre o conteúdo da mala e aqui a constituição diz que “se é inocente até que se prove em contrário”, embora que conversa entre Temer e Joesley aquela mala era a primeira de uma série. Precisamos de uma máquina, urgente, que leia pensamentos.  Só assim, ficará provado por A mais B, se Loures tem razão ou não.

A cara de pau desses canalhas faz a gente sentir idiota. Puros idiotas. Talvez porque nunca fomos capazes de demonstrar o quanto somos ingênuos e talvez por essa razão a vida vai seguindo seu rumo e a gente se esforçando para não cometer um delito qualquer passível nos colocar diante de um juiz qualquer, pois não temos a certeza de que tal juiz é daquele tipo que não faz perguntas para  não incomodar o réu. 

Lamentável reconhecer que a ingenuidade dos bandidos, flagrados em delitos de todas as espécies, encontra o afago paternal de alguns ministros do STF. Ainda bem que a Polícia Federal não desiste, mas a impressão que fica é que a PF faz um papel semelhante ao do figurinista de filme pornô. Veste todos os atores e quando o diretor grita “ação” todo mundo tira a roupa. Quer inutilidade maior do que essa? A PF prende, desbarata, mostra provas e o STF diz que elas são insuficientes.

No bojo disso tudo tem uma questão fundamental que se aproxima chamada eleição. Nenhum dos partidos envolvidos em falcatruas tomou qualquer atitude para expulsar os praticantes de improbidade. Quando as denúncias contra Aécio se tornaram públicas e ele deixou a sessão do Senado com a mão na testa (cena hilária), o então presidente Tasso Jereissati não moveu uma palha para expulsá-lo porque nenhum deles tem moral para isso. Cada um conhece os pecados dos outros e por receio da publicidade agem na direção do protecionismo. Tasso, pelo contrário, trabalhou para que o Senado não aprovasse as medidas cautelares do STF contra Aécio e votou a favo da restituição do seu mandato. Na primeira oportunidade que Aécio teve, destituiu Tasso da presidência e colocou um pau mandado seu para dar as cartas.

Quero ver o discurso de Alckmin, o Santo nas planilhas da Odebrecht, sobre combate a corrupção. Ele bem que tentou afastar Aécio apelando para o “bom senso”. Ladrão não tem bom senso nem na hora da partilha do roubo. Geralmente, ele fica com 50% ou mais do butim e o resto é dividido entre os componentes da quadrilha. O primo Fred levou R$ 2 milhões para Aécio. Quanto ficaria para ele? Talvez o salário de assessor ou uns R$ 5 mil para ele fazer uma farra com amigos.

Para finalizar, tem um detalhe importante, além da possível saída de Lula da cadeia no próximo dia 10. A delação de Palocci. Ele disse, anteriormente, que o PT recebeu US$ 1 milhão de Kadafi e isto, de acordo com o item I do artigo 28 da Lei № 9.096/95, significa cancelamento do registro do partido. Imagine como ficariam os denunciados com foro privilegiado sem legenda para concorrer!

Os imbecis aguardam, ansiosamente, as novas declarações dos ingênuos. Quem sabe se com estas aulas de educação à distância num futuro próximo os imbecis serão promovidos a ingênuos?

SUPREMOS TRAMBIQUEIROS FALACIOSOS

Os embates proporcionados pelas excelências do STF, sob o argumento de guardiões da Constituição, são realizados numa linguagem entendível por eles, mas os feitos das belas palavras são sentidos nas costas dos pobres ou daqueles que não são possuem recursos suficientes para contratar uma banca de advogados de renome, porque alguns deles se consideram representante de Deus aqui na Terra. Alguns agem em consonância com interesses lastreados nos agradecimentos eternos da indicação para tal cargo.

No recente julgamento do recurso de Paulo Maluf, até então o maior símbolo de corrupção desse país, o ministro Ricardo Lewandowski disse: “Temos que analisar com a maior amplitude possível, generosidade possível […] No caso, o réu foi julgado em última e única instância. Por isso entendo que a via recursal deve ser potencializada e não restringida.” Embora não tendo formação nas Ciências Jurídicas, entendo que a lei não pode ser generosa e sua potencialidade deve estar ao alcance da sua abrangência. A lei ser cumprida independente de quem praticou um crime e precisa ser igual para todos. Só isso. No STF são julgados os canalhas com foro especial como Paulo Maluf, por isso, os julgamentos deveriam ser mais exemplares porque políticos são eleitos para trabalhar em prol da sociedade e não em beneficio próprio.

Estes nobres ministros que pretendem revisar prisão em segunda instância não o enxergam o crime. Por exemplo: o artigo 5º da constituição trata das garantias individuais e diz que “todos são iguais perante a lei”, mas aqueles que são julgados no STF são especiais. No inciso LII desse artigo é dito que “nenhum estrangeiro será extraditado por crime político ou de opinião”, mas um correspondente internacional foi ameaçado de expulsão do Brasil porque comentou a preferência de Lula por uma “caninha”. Adicionalmente, o art. 6º diz que “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência dos desamparados”, no entanto, o estado do Rio de Janeiro quebrou e nega a todos os seus cidadãos tais direitos por conta da corrupção desenfreada implantada pelo nobre governador Sérgio Cabral sobre o qual foi dito: “Votar em Sérgio Cabral é quase uma obrigação moral, ética, política. Um compromisso para garantir um futuro melhor para aqueles que amamos. Ele já provou que é um homem de bem, que gosta do Rio e tem competência para fazer o que os outros não fizeram. Se não votasse em São Paulo, transferia meu título para votar em você, no Rio de Janeiro.” O que esse poço de moral e ética fez vai precisar de umas 13 ou 15 reencarnações para corrigir.

Enquanto a corrupção se alastra, os recursos destinados a manutenção de programas que são obrigações do governo são extintos ou restringidos. Embora a constituição diga que “a saúde é um direito do cidadão e uma obrigação do estado”, não há recursos suficientes para manter a saúde da população; a insegurança campeia as cidades grandes; falta recursos para a educação e o mais engraçado é que quem paga a conta é o funcionário público honesto (existe, acredite) que trabalha muito. O governo Temer anunciou que não haverá reajuste dos salários dos funcionários até 2020. O orçamento para tal foi, devidamente, empregado em tríplex, sítios, reformas da casa da filha, almoços em Paris na festa dos guardanapos, obras em países estrangeiros, como Cuba, o maior exemplo de democracia do mundo!

Após a prisão de Lula, Gilmar Mendes criticou a escolha dos ministros do STF pelo governo do PT, agora não custa nada relembrar as palavras de Dalmo Dallari (“Gilmar Mendes no STF é a degradação do judiciário”). Muito engraçado Marco Aurélio dizer que a prisão em segunda instância passou “apertado” porque foram 6 votos favoráveis e 5 contra. Ora, não importa se foi 6 x5, importa que foi a maioria e como tal deveria ser seguida por todos.

Os fatos são claros: cada vez que se puxa um novelo da corrupção no outro lado da ponta tem um político que será protegido por Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio (ainda estou surpreso por ter votado pela culpabilidade de Aécio) e Dias Toffoli, não necessariamente nessa ordem.

ROSA WEBER x MORO

A decisão de Moro de mandar prender Lula 20 minutos após ter recebido o despacho do TRF4 causou surpresa em muitos. De acordo com o andamento de outros processos era esperado algo em torno de uns 50 dias para tal decisão. Uma consequência disso foi os inúmeros protestos em várias partes do país. Destaquem-se, também, as críticas de muitos contra a celeridade de Moro em relação a Lula. O próprio Lula chegou a dizer que ele era o sonho de consumo de Moro.

Todos sabem da pressão sobre o STF, não de agora, para por um fim a Lava Jato. Dilma, em conluio com Ricardo Lewandoswski, convidou Teori Zavascki para ir a Portugal para negociar uma forma de acabar com a Lava Jato. Só um canalha como Lewandoswski para aceitar uma proposta dessa natureza. No outro momento Lula, em conversa gravada com Jacques Wagner, falou sobre a necessidade de se conversar com Rosa Weber porque se “os homens não tem saco, quem sabe uma mulher não tem?”. A decisão sobre o habeas corpus de Lula caiu sobre os ombros de Rosa Weber e, mostrando que o STF deve ser um só e não cada ministro ser um STS, ela decidiu de acordo com a jurisprudência do tribunal que em 2016 entendeu que prisão em segunda instância não viola a constituição. A coerência de sua decisão nos permite dizer que Lula tinha razão: ROSA TEM SACO MESMO!

Estranho é a postura de Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio e Lewandoswki (eca!!!!). Em todas as votações pelo bem da verdade estes senhores estão contra. Principalmente se do lado de lá estiver uma pessoa importante. O exemplo mais recente foi o julgamento do HC de Palocci. Raquel Dodge argumentou que o pedido do HC havia sido anterior à decretação da prisão. O relator mostrou que havia um problema processual, mas os quatros renomados ministros não estavam, nem um pouco, preocupados com isso. Passam por cima da lei para beneficiar pessoas dos seus interesses. Como ninguém faz nada sem incentivo, pergunto qual o incentivo dessa corja? Não falo, essencialmente, de dinheiro, mas há que ter algo.

Notadamente, estes quatro ministros atuam como advogados dos poderosos. As visitas que Gilmar faz a Temer fora da agenda parecem as ações de Márcio Thomas Bastos no governo de Lula. Quem não se lembra da “assessoria” de Márcio a Palocci naquela questão do caseiro Francenildo? Era o ministro alí? Não! Era um advogado de defesa.

O fato é que Lula está preso e o mundo não acabou. O fato é que o PT se perdeu porque a prisão de Lula vai inviabilizar a candidatura de todos eles. Gleisi Hoffaman, já disse que não tem votos nem para ser eleger síndica de prédio. Nenhum senador do PT tem capacidade de conseguir, sem Lula, votos suficientes para voltar ao senado. Daí a necessidade urgente de botar o nome Lula no seu nome partidário. A ameaça se estende até a câmara. Não custa lembrar que Pernambuco não elegeu nenhum deputado do PT na última eleição e agora seu maior puxador de votos, o ex-prefeito do Recife, João Paulo, saiu do partido. O desespero dessas pessoas é isso e somente isso.

O que me surpreende são pessoas como Frei Betto cobrar reciprocidade da justiça no caso de Aécio Neves, Michel Temer, etc. Esses bandidos não são julgados na primeira instância, são julgados no STF onde os processos se arrastam até a prescrição dos crimes. A sociedade estava interessada que a denúncia contra Temer prosperasse. A culpa é de Moro, se não avançou?

O sonho de consumo de Moro e do Brasil, certamente, não era prender Lula. No julgamento ele disse que não sentia nenhum motivo de alegria no processo. Eu acredito nisso, porque é extremamente lamentável ver na cadeia um cara que, no passado, foi tido como a esperança de um povo. O sonho de consumo dos brasileiros decentes é ver este país livre da corrupção que tira salário de professores, remédios e equipamentos de hospitais, segurança das casas e das ruas. Lula preso não é mérito é consequência.

O trabalho de Moro poderia estar sendo desenvolvido por qualquer outro, mas não se pode deixar de reconhecer que ele tem lutado para tornar esse país mais digno.

No meu entender, ROSA WEBER TEM SACO e MORO TEM PEITO.

TUDO MUITO CLARO

Desde a condenação de Lula, em 24 de janeiro, que o Brasil está dividido: parte desejando vê-lo preso, parte desejando que a lei feche os olhos aos seus atos. Cada um torce por aquilo que gosta, mas não se pode querer que pessoas que pensem diferente do PT sejam tratadas como fascistas. A caravana de Lula no sul do país provocou uma onda de protestos com produtores rurais bloqueando as rodovias com tratores; com pessoas jogando pedras e ovos na comitiva. Isso é preocupante porque deveria partir dele, Lula, uma ação no sentido de reduzir as agressões e não alimentar ou sugerir formas de intensifica-las.

As pessoas, favoráveis a Lula, perderam a noção do que dizem. Esta semana li, ou melhor tentei ler, um texto publicado por um escritor e jornalista chamado Ribamar Fonseca, publicado no brasi247 (ficaria melhor se fosse brasil171) cujo título é “Carmen Lúcia dá tiro no pé e STF frustra a festa da globo”. Fala, o energúmeno, que a presidente do STF acreditava que diante das câmaras de televisão, os ministros não teriam coragem de votar a favor de Lula. Em uma passagem ele diz: ”Os quatro que votaram contra foram Edson Fachin, relator, Luís Barroso, Luís Fux e a própria Carmen, os dois primeiros nomeados por Dilma e os dois últimos pelo próprio Lula. Se eles agem desse modo com seu grande benfeitor, o que não farão com os outros?”

Resolvi destacar a última expressão para que se observe o tamanho do absurdo e a pequenez de raciocínio. Nesse entendimento, o que importa é o fato da indicação de Lula, chamando isso de benefício pessoal para os ministros. Não importa a lei. Se Lula colocou fulano de tal, não era para ele ser “guardião da constituição”, mas sim, para votar de acordo com a necessidade e conveniência dos interesses, particulares, de Lula.

Esse tipo de gratidão é visto, com frequência, em Ricardo Lewandowski e em Dias Toffoli. Este protótipo de ministro, advogado do PT, no julgamento de José Dirceu proferiu: “O que há contra José Dirceu? Nada. Por não haver provas para respaldar condenação de José Dirceu com relação ao delito corrupção ativa eu julgo improcedente a ação penal”. Simples assim. Hoje se sabe que Dirceu recebeu propina até mesmo enquanto estava na cadeia. Que construiu um patrimônio com dinheiro ilícito.

Não tem como deixar de observar que o comportamento interesseiro de alguns ministros tende a criar uma situação de insegurança jurídica para o país. Primeiro, fala-se da violação à Sumula 691 que, segundo alguns experts, faria o STF sequer analisar o pedido de Lula. Agora, por Lula, pressiona-se o STF para rever a possibilidade de prisão em segunda instância. Não foi por acaso que inúmeros advogados desses larápios presos já se mobilizaram pedindo análise de HC dos seus constituintes (Palocci, Geddel, tutti buena gente).

Alguém ainda tem esperança que se faça justiça por aqui? Desista! Se você não for poderoso, não for deputado, senador, presidente, vice, ou qualquer desgraça desse porte, ande na lei e não caia na malha da justiça porque uma multa de trânsito pode lhe levar às grades.

Marcos Mariano da Silva era um mecânico e em 1976 foi preso por um assassinato cometido por um homônimo. Foi condenado e passou 6 anos preso até o que o verdadeiro assassino foi pego. Soltaram o rapaz, mas 3 anos após ele foi parado numa blitz policial. Um dos policias o reconheceu e o prendeu novamente. O juiz o encarcerou novamente e ele ficou num presídio até 1998. Ficou doente, com diabetes e cegou. Requereu uma indenização do estado e ganhou a causa, mas teve um infarto e morreu em 2011.

Nunca ande só. Esteja sempre com alguém que lhe servirá de álibi. A verdade que permeia os guardiões constitucionais é uma só: defendem interesse privados dos bandidos de colarinho branco. Vejam os exemplos.

Se Suzane Richthofen, Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, tivessem sido julgados no STF eles seriam absolvidos por falta de provas ou na melhor das hipóteses responderiam em liberdade porque Celso de Mello, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio, acham que vítima não merece consideração. Há uma banca de advogados defendendo o crime. Tem um promotor pra fazer a acusação.