ESCOLA SEM PARTIDO

O ponto de discórdia atual é o projeto da Escola sem Partido. Uma proposta na qual a doutrinação política não teria espaço dentro da escola. Lógico que o debate é extensivo e desperta paixão de vários lados. Independente de qualquer posição eu creio que a primeira pergunta que se faz é “qual o papel da escola?”.

Um dos grandes baluartes da educação no Brasil, Paulo Freire, desenvolveu um método de alfabetização de adultos e no primeiro experimento com 5 adultos, 3 começaram a ler e escrever em 30 horas. O método consistia em utilizar palavras do cotidiano. Por exemplo: um pedreiro usava “tijolo”, “telha”, “cimento”, etc.. e das silabas de cada palavra eles iam juntando silabas de outras e formando novas palavras, como numa palavras cruzadas. Este método foi adotado por João Goulart para alfabetizar o Brasil.

No momento seguinte, não há como admitir, as palavras geradoras poderiam ser relacionadas à política (“voto”, “veto”, etc.) e a partir daí surgiu esse segmento de doutrinação partidária. O regime militar agregou nas capitais e região metropolitanas as tendências contrárias, enquanto o interior do estado tinha uma relação mais direta com o regime. No interior, comunista era um “comedor de criancinhas”. Isso talvez justifique o fortalecimento das esquerdas e o uso da educação como forma de implantar uma doutrina.

Mas, e o papel da escola? Vai ser dissociado da realidade política? A escola não seria o ambiente para se debater ideias? Francamente não vejo como a escola transmitir competências dissociadas da realidade. Não se pode apagar a História e esta precisa ser contada da forma correta, com a participação de alunos concordando, discordando, se posicionando em relação aos temas. Agora, há que se ter respeito pelas opções e, me parece, que esse é bojo da discussão.

O que há é intolerância com ideias contrárias. As universidades públicas são alvos de ocupações estudantis, vez por outra. Os centros ligados aos cursos de Humanas e Artes, são os primeiros que são invadidos e depredados. Equipamentos (computador, datashow, etc.) são danificados ou roubados e a gente se surpreende em saber que aquilo ali foi feito por estudantes! Os centros ligados a tecnologia (informática, engenharias) são mais resistentes a este tipo de coisa. Tentei orientar uma aluna para entender os motivos da invasão nas Humanas e o questionário do trabalho dela não foi aceito pela diretoria do centro.
O que está em jogo, na verdade, não é Escola sem Partido. O que, efetivamente, vai se discutir é o papel do professor e da escola na educação dos filhos. Então, dentro em breve, teremos uma subdivisão das opções de ensino: escolas voltadas a doutrinação esquerdista, escolas centristas, escolas direitas, escolas neutras…. não é por aí. Assuntos políticos devem sim constar na pauta do debate educacional, mas os alunos precisam ter discernimento suficiente para afastar o que não concorda, tomar uma posição e ser respeitado por isso.

Agora o que se pretende fazer é impingir uma doutrina e criar o clima do “nós” contra “eles”, dividindo a sociedade. Bater em teclas vazias por pura paixão política e querer que o mundo se adeque aos seus objetivos particulares? Na Universidade de Brasília um professore ofertou uma disciplina para discutir o “golpe”. Note: tratava-se de uma disciplina que não constava na grade curricular e foi criada para discutir uma situação que simplesmente não existiu. Dilma saiu porque tomou empréstimo sem autorização do Congresso. O procurador Júlio Marcelo de Oliveira chamou as pedaladas de Dilma de “grande plano de fraude fiscal”, ou seja, tem laudo técnico atestando que houve erro fiscal. Não adianta sustentar essa idiotice e gastar dinheiro público para isso. Se um pesquisador não consegue obter resultados numa pesquisa ele é capaz de devolver os recursos. Essa disciplina totalmente desvirtuada da realidade foi ministrada, até onde sei sem autorização das instâncias (colegiado do curso, conselho departamental, conselho administrativo, conselho universitário).

A doutrinação ocorre de diversas formas. O filme “A onda” mostrou a ação de um professor doutrinador. Alunos que embarcaram na ideia se decepcionaram. O tráfico doutrina seus membros. No livro de Caco Barcelos (Abusado), a expressão mais comum do traficante é que “ele está do lado certo da vida errada”. O Estado Islâmico usa bonecas para ensinar menores de 14 anos com degolar reféns. Na África, revolucionários vendam as crianças e as mandam atirar contra uma parede. Nela estão perfilados prisioneiros. As crianças são percebem que mataram quando retiram as vendas. Os regimes totalitários ensinam de forma contundente (matando o opositor) que suas regras devem ser cumpridas. Seguramente, não é isso que queremos nas nossas escolas e aí vai muito da responsabilidade de cada professor.

Honestamente, embora as disciplinas que leciono sejam de Matemática/Estatística, nas minhas aulas se fala de tudo, incluindo política, religião, poesia, e vai por ai. Ninguém nunca foi reprovado, humilhado, perseguido. Por isso, eu me sentiria tolhido se tivesse que ser vigiado, afinal, o professor tem também responsabilidade de formar cidadãos, não soldados. A gente precisa formar cidadãos que respeitem as regras socias e não guerreiros de arma na mão prontos para degolar que pensa ao contrário.

De todo modo, nem modelo de educação funciona distante da família. Cabe aos pais avaliar o conteúdo acadêmico, com o mesmo rigor que se cuida para afastar os filhos das drogas. Cabe aos pais participar de reuniões escolares, discutir o projeto pedagógico da escola. A parte difícil é o ensino superior no qual o filho já se sente dono, absoluto, de suas próprias decisões. Eu já fui jovem sintonizado com as esquerdas. Até que um dia apareceu um troço chamado Mensalão e este nem bem esfriou apareceu Petrolão, Triplex, Sítio, terreno, que jogaram no lixo minhas convicções. Respeito, integralmente, que ainda navega por estes mares. Eu sou favorável ao “leia e analise tudo, mas retenha o que for melhor”.

QUANTO PIOR… MELHOR

Há uma congregação de pensamentos, no Brasil, torcendo contra qualquer vencedor. Acabou a eleição e os discursos continuam inflamados, em todas as diretrizes. Em qualquer economia o mercado é um grande sinalizador de temeridade e uma decisor eleitoral. Quando Lula se aproximou da vitória em 2002 o dólar chegou a R$ 4,00; quando Dilma resistia ao impeachment o dólar foi para as alturas novamente. O gráfico abaixo usa informações do Banco Central sobre o valor do dólar a partir de 01/08/2018.

Fonte: Banco Central

Como a série é longa, vamos olhar algumas datas a partir de agosto. A primeira é 15/08. Nesta data foi protocolado no TSE o pedido de registro da candidatura de Lula. O dólar foi a R$ 3,92, ou seja, cresceu 1,29%. A incerteza sobre o sucesso dos recursos impetrados para garantir sua candidatura manteve o dólar em R$ 4,13 (29/08). Começou a cair a partir na primeira semana de outubro com o cancelamento do registro, mas em 28/09 estava cotado a R$ 4,00 sendo o fato gerador a autorização de Lewandowski para entrevista de Lula. Aproximava-se o primeiro turno e entre 08 de 25/10, com o PT na disputa pelo segundo turno, a cotação média chegou a R$ 3,71. Em 25/10, já havia sinalização da vitória de Bolsonaro, de modo que em 29/10, a paridade estava em R$ 3,67. Ou seja, da autorização de Lewandowski até o fechamento das urnas, o dólar caiu 8,25%. Ele voltou a subir no dia 01/11, mas os motivos não estavam mais atrelados ao processo eleitoral. O aumento ocorreu por excesso de demanda da moeda.

Se colocar contra isso é uma grande imbecilidade. Torcer para “merda virá boné” é falta de patriotismo e uma declaração de egoísmo sem precedente. Fica aquela ideia de que “eu sou capaz e você não”. Esta porcaria de país se diz democrático, a campanha política foi respaldada na defesa da democracia e agora que os resultados estão definidos as pessoas ainda ficam inflando raiva através das redes sociais, nos interiores das universidades, etc. Defensores dos vencidos estão tanto errados quando os vencedores. Ficar perseguindo quem se veste com cores brasileiras é babaquice. Ficar ameaçando petistas e afins também.

Nesse contexto, uma declaração de Bolsonaro é imediatamente rebatida como uma bola de tênis. Vamos comentar duas:

1ª – Abrir a caixa preta do BNDES – todo mundo sabe que os contratos de financiamentos feitos pelo BNDES para países como Cuba, Venezuela, etc. não foram aprovados por critérios técnicos. O banco é sério, tem técnicos sérios, mas tem o lado político que prevaleceu. Estes financiamentos não deveriam ter sido realizados. Agora o custo é do tesouro nacional e pronto. A população tem o direito de saber em que condições financeiras isso foi feito, porque não poderiam ser mais vantajosa do que para uma empresa brasileira que pleiteasse uma operação.

2ª – O questionamento sobre a forma de cálculo da taxa de desemprego, mesmo sendo um mecanismo numérico, não reflete a realidade. Em 2014, a pesquisa ampliada do IBGE para desemprego foi suspensa por decisão política de Dilma. Era um ano eleitoral e a divulgação dos dados reais jogaria a tese de reeleição no lixo. Além disso, ninguém é infalível, pois este órgão divulgou a PNAD – Pesquisa Nacional por amostragem de domicílios, em setembro/2014, com “erros graves”. Wasmália Bivar, então presidente do órgão, pediu desculpas e as contas.

Dessa forma, considerando o comportamento do mercado, as pessoas precisam entender que o aumento da bolsa para 89,5 mil pontos após o anúncio de Moro como ministro significa que o mercado está acreditando no que virá a ponto de se colocar uma previsão de crescimento do PIB em 3%.

Atacar isso é babaquice. Uma babaquice tão grande quanto a babaquice postada pelo babaca Leonardo Boff sobre a coluna de Nelson Motta publicada em O Globo. Motta fez uma ironia dizendo que Moro não tinha estudado em Harvard, mas sim tinha sido treinado pela CIA para criar a Lava Jato e enfraquecer a Petrobras para que o capital estrangeiro a adquirisse. O babaca acreditou e postou isso como verdade. Está na internet e corram que ainda dá tempo zonar. Tais comportamentos indicam que a esquerda intelectual está se imbecializando cada vez mais.

UM RESUMO DA ÓPERA

Ciro Gomes, entrevistado pela Folha de São Paulo, disse que Lula o traiu. Nas suas palavras: “Fomos miseravelmente traídos por Lula, não farei mais companha para o PT”. Eu não sei se é pra rir ou pra chorar. Ele percebeu isso agora? Deveria ter reagido dessa forma e ter se comportado como “macho” – como se diz no Ceará – no dia que começou a campanha, mas não fez isso. Queria ser ungido por Lula e ganhar a eleição com o apoio do PT. Tanto é assim que, com medo de perder votos no Nordeste, defendeu publicamente a inocência de Lula, disse que, como advogado, não via provas contra Lula, ou seja, armou toda uma estratégia para usar a imagem de benfeitor de Lula e conseguir votos. Agora, Ciro declara que Lula sabia do mensalão, do petróleo, porque ele mesmo tinha avisado que “Sérgio Machado estava roubando para Renan Calheiros”.

Além das palavras dirigidas a Lula, ele não poupou seu entorno. Falou que Lula estava cercado de bajuladores e citou, nominalmente, Gleisi Hoffman, Frei Betto e Leonardo Boff. Todos nós sabemos o quanto Gleisi tem de imbecilidade. Se a gente for pesquisar os erros publicados por ela, com o papo do Lula livre, a gente vai ficar em dúvida se há na cabeça dela um cérebro humano. Leonardo Boff, com sua Teologia da Libertação, conseguiu ser expulsão da Igreja Católica e Frei Betto, participou do primeiro governo de Lula e saiu rapidinho quando viu o tamanho da roubalheira que havia se metido.

Bolsonaro era a última das opções, mas seu discurso antipetista convenceu a população de que era preciso mudar. Sua eleição é uma tentativa de mudança, mas parece que vai causar impacto porque sua vitória está preocupando os governos de Cuba, da Venezuela e da Bolívia. As três piores doenças venéreas da humanidade.

Uma das coisas mais preponderantes que o presidente eleito prometeu: médicos cubanos que forem aprovados no Revalida (sistema de revalidação de diplomas obtidos no exterior) poderão trazer sua família e o valor que recebe via o programa Mais Médicos será pago integralmente ao profissional. SALVE! Todo mundo sabe que esse programa foi feito para nós brasileiros mandarmos dinheiro para Cuba sob o manto da legalidade. Já tivemos prejuízo demais com esse país, haja vista o Porto de Muriel ter sido construído com nosso dinheiro, com o dinheiro que deveria estar sendo aplicado no investimento de empresas brasileiras para gerar, aqui, renda e emprego. Mas, o que gerou foi faturamento exorbitante para a Odebrecht.

Maduro externou preocupação com a eleição de Bolsonaro. Quer, urgentemente, que as esquerdas latino-americanas se articulem para mitigar esse risco. Na verdade, ele está apavorado que este exemplo brasileiro se propague e lhe atinja os fundilhos. Maduro, vai cair e não vai demorar muito. O maior prazer do povo venezuelano será ver Maduro fugindo do país com uma mão na frente e outra atrás. É bom avisar: não venha aqui para o Brasil porque a orientação do governo é outra.

Outro fato que merece destaque é o caso do terrorista Cesare Batistti. Acusado na Itália pelo assassinato de quatro pessoas, teve seu pedido de extradição negado por Lula. Uma promessa de Bolsonaro é mandar o safado de volta imediatamente. O medo desse canalha foi tão grande que ele sumiu da cidade onde mora, ao tomar conhecimento das pesquisas. Desapareceu e reapareceu dizendo que “tinha ido a São Paulo”. Está claro que ele está observando sua rota de fuga, então um grande favor que a Polícia Federal poderia fazer é aumentar a vigilância na fronteira e nos aeroportos. Será um enorme prazer ver esse terrorista de volta a sua terra para pagar pelos crimes cometidos.

Agora, temos a noticia da confirmação de Sérgio Moro como Ministro da Justiça. Isso tem um lado muito positivo porque ele é um cara competente e preocupado com a aplicação da lei. Sua experiência e seu comando sobre a PF será, extremamente, útil no combate aos crimes de corrupção. Não faz muito tempo Haddad disse no SBT que ele estava fazendo um bom trabalho na Lava Jato (errou apenas quando condenou Lula) e agora os advogados de Lula vão entrar com HC defendendo que Moro agiu por motivação política. A gente sabe que a defesa de Lula já pediu suspeição de Moro por uma foto com Aécio e com Dória. O fato é que a Bolsa bateu recorde só com essa indicação. Foi com a ação da Lava Jato que este país viu empresário e políticos trancafiados. Que continue assim.

Finalmente, cabe alertar que Alckmin pretende fazer palestras. Quiçá estas não ocorram na prisão e sejam usadas para reduzir seu tempo de pena. Ciro, percebeu agora que ser antipetista elege. Seja coerente, porque seu discurso tem sido acompanhado ao longo do tempo e você já foi pego mentido. Paulo Boullos, desculpem-me… quem é mesmo esse cara?

AMEAÇAS À DEMOCRACIA

De tanto ouvir que a democracia brasileira está ameaçada passou pela minha cabeça que a pobre coitada está andando numa rua de qualquer cidade brasileira e os marginais de plantão, defendidos pelos Direitos Humanos, estão a espreita para roubar, violentar, matar essa jovem indefesa. Recentemente fiz um comentário aqui dizendo que se “uma facada é uma grave ameaça à democracia, então essa droga de democracia é um saco furado”.

Para mim, a maior afronta à democracia são as mentiras propagadas. Não acho que, num possível governo de Bolsonaro, arquitete-se o sentimento mesquinho de inviabilizar projetos que possam tirar o Brasil dessa crise. Então, essa conversa de volta da tortura, volta da ditadura, não passa de um artifício babaca para assustar quem não tem conhecimento. A democracia não existe sem o respeito da escolha feito pela maioria e ponto final. A gente precisa mudar o ritmo da vida. Então, se prender a palavras ditas num contexto e querer generalizar é, simplesmente, um absurdo. Alimentar esse clima de intolerância é apagar o fogo com gasolina.

No primeiro turno uma jovem prestou queixa se dizendo atacada por eleitores de Bolsonaro e a imolaram fazendo uma suástica na sua pele. Esta semana, ela foi indiciada por falsa comunicação de crime, mas Manuela D´Ávila aproveitou o caso para inflar as pessoas dizendo que foram simpatizantes de Bolsonaro que fizeram aquilo. Geraldo Azevedo acusou Mourão de lhe ter torturado e Haddad replicou essa acusação numa entrevista. E agora? Vai agir como? Vai pedir desculpas? Acho a tortura algo abominável. Sou radicalmente contra qualquer ameaça a integridade humana.

A forma de governo do Brasil permite que qualquer pessoa, brasileiro nato, com mais de 35 anos possa ser votado para presidente do Brasil, independente se é militar, civil, negro, branco, índio, cafuso, mameluco, gay, trans ou qualquer outra denominação atual presente no dicionário social. Se tiver a maioria dos votos é eleito e pronto. Então, não vejo o menor sentido em associar uma possível vitória de Bolsonaro a um clima de tortura ou de ditadura no Brasil. Eu sou tão inocente, que acredito que essa bosta de democracia que temos suporta e supera qualquer afronta.

As pessoas parecem acreditar que o processo de abertura política iniciado em 1978, no governo Geisel, foi uma decisão dele e não da vontade popular. Em 1984, a emenda das “diretas já”, de Dante de Oliveira, ganhou as ruas e já na década de 1980 tivemos eleições diretas para governador e prefeito das capitais, antes indicados pelo governo. No final da década tivemos eleição direta para presidente com disputa entre Lula e Collor. Enfim, chegamos a um ponto de organização social que não permite retrocesso. É imperioso alertar que todos, sem exceção, devem observar as regras constitucionais, mas do jeito que colocam as coisas parece que no dia seguinte, a uma possível vitória de Bolsonaro, os tanques do exército estarão nas ruas passando por cima das pessoas.

Agora, existe um mal na nossa democracia que se chama Medida Provisória. No governo militar era o Decreto-Lei. A medida provisória é legislação criada pelo executivo e isso é uma aberração em qualquer estado democrático de direito, como dizem os defensores da democracia. Quem cria lei é o congresso, não o executivo, no entanto, estes presidentes democratas FCH, Lula, Dilma fizeram uso desse instrumento para governar. Das medidas provisórias de Lula, segundo Palocci, 90% tinha propina envolvida. Então, vamos ser democratas na essência? Comecemos acabando com esse instrumento ridículo!

Até parece que Bolsonaro sendo eleito no dia seguinte vai decretar o fechamento do congresso. O perigo não é Bolsonaro, mas, sim, o congresso. Ali tem calhordas interessados em se locupletar e, por dinheiro, podem aprovar qualquer desgraça. Então, nós eleitores somos diretamente responsáveis pelas pessoas que colocamos lá. Não custa lembrar que Temer teve seu processo de investigação barrado no congresso porque liberou R$ 15 bilhões de emendas. Não custa lembrar que o mensalão foi a forma encontrada pelo PT para que a maioria da base parlamentar aprovasse seus projetos. Então, se você votou num canalha corrupto, a responsabilidade é sua.

Democracia deve ser feita com alternância no poder. Não tem motivo para um único partido desejar comandar o país por muitos anos. O PT passou 13 anos. Dilma foi eleita pela influência de Lula, mas tem um instrumento constitucional chamado impeachment que serve para tirar do poder presidentes que violaram a constituição. Tivemos dois casos no Brasil e Bolsonaro ou Haddad também correm o mesmo risco caso a constituição seja desrespeitada.

Então, vamos parar com essa babaquice de volta de tortura porque o povo precisa saber é como o próximo governo pretende retomar o crescimento da economia, como pretende fazer a reforma da previdência, a reforma tributária, etc… como vai gerar emprego para acabar com a tortura de quem precisa pagar contas e não tem de onde tirar.

A CULPA NÃO É SÓ DO CABRAL

As eleições presidências de 2018 mostraram, talvez o Ceguinho Teimoso ou o fanático do Goiano não queiram enxergar, o quanto o papel de Lula foi decisivo para criar esse acirramento de forças antagônicas. Se nas pesquisas eleitorais ele aparecia com 30% das intenções de votos, o movimento antipetismo era a fração complementar. Até onde foi possível, Lula se manteve candidato sabendo que não teria a menor chance de concorrer, mas isso era importante para seus objetivos de manter o status de vítima. Ao longo do tempo, já havia de decidido por Haddad, mas o manteve no mesmo cabresto de Manuela D´Ávila, aliás do PCdoB ameaçando o partido de não conseguir vencer a barreira eleitoral.

Lula acabou com as aspirações de Ciro Gomes e se formos analisar com mais cuidado bastava não ter atrapalhado Ciro que ele estaria no segundo turno. Medalhões petistas se mostraram favoráveis ao apoio da candidatura de Ciro, ficando com a vice, no entanto, com receio de surgir um novo líder das esquerdas no país, Lula preferiu Haddad porque ele é um mero pau mandado. A foto abaixo é altamente explicativa: para ganhar apoio numa eleição tendo o PT como cabeça de chapa não importa fazer coligações com ladrões, bandidos, corruptos….

A tônica do PT é ser apoiado e nunca apoiar ninguém. Não para presidência. Além do mais, existe a resistência em admitir os erros. Cid Gomes foi enfático nas suas palavras: erraram feio, aparelharam o estado, fizeram besteiras e ninguém admite. O próprio Haddad já disse que a corrupção foi culpa das empresas, agora disse que foram os diretores das estatais, na entrevista ao SBT disse que Sérgio Moro tem feito um bom trabalho, mas que errou ao condenar Lula. Não diz que foram 9 votos a favor da condenação. Não diz uma palavra sobre os bandidos correligionários que estão na cadeia, nem sequer uma palavra sobre seu coordenador de campanha, que também é investigado. Não diz que Lula foi condenado, essa semana, por litigância de má-fe. A prefeitura embargou obras numa propriedade (opa!!!!) porque ele não colocou no projeto que haveria movimento de terra. Havia. Sinceramente: Lula precisava fazer isso? Goiano ou Ceguinho Teimoso, vocês que ficariam presos no lugar de Lula, respondam: precisa fazer isso?

As decisões monocráticas de Lula (aliás, como o PT fala em democracia se as decisões são tomadas por uma única pessoa?) levaram o partido para a “dançar na beira do abismo”. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste é melhor falar no cão do que em Haddad. No Sul, 52% dos eleitores declaram não votar nele de jeito nenhum. Se ele tivesse concorrendo sozinho perderia para os votos nulos e brancos, como aconteceu em São Paulo.

O mais interessante de tudo isso será o pós-eleitoral. Haddad perdendo a eleição deixará de ser “advogado” de Lula, logo as visitas da segunda-feira ficarão sem o menor sentido. Nunca apresentou uma petição em favor de Lula. Ia lá apenas para saber como se comportar, que cidades visitar, o que deveria falar e quem deveria procurar. Todos sabem de sua frágil relação com Gleisi Hoffman. Haddad não tem cargo no PT, não tem o que fazer depois do dia 28 e por isso, voltará para sala de aula e pronto. Candidaturas futuras? Esquece Haddad! Você só teria espaço com Lula e ninguém lhe quer em São Paulo.

Gleisi, como presidente do PT, deverá ainda sobrevoar a carniça, mas está de olho na prefeitura de Curitiba em 2020. Vai, pouco a pouco, se afastar de Lula, mas vai empregar Lindbergh Farias no seu gabinete. Lindinho se aliou fortemente a Amante porque precisa de um emprego. Tudo indica que outras cabeças seguiram esse afastamento. Quem é inteligente percebeu que o PT, hoje, é bom ver somente de telescópio.

E quanto a Lula, tudo indica que ele vai continuar preso se Bolsonaro for eleito e colocar Sérgio Moro no STF. O PT vai ficar esperando Palocci demonstrar que Kadafi contribuiu com a campanha de Lula. Se for provado, o PT será apenas uma lembrança.

AVANÇAMOS UM POUCO

Apurado os resultados das urnas no primeiro turno observamos que fomos felizes em vários pontos. Alguns canalhas como Romero Jucá, Eunício Oliveira, Edison Lobão, Beto Richa, Lindbergh Farias, Wadih Damous e, principalmente, Dilma Rousseff foram dizimados pelo voto, como deve ser feito em todo processo democrático. Se o candidato é corrupto, se ele não presta basta não se vota nele e pronto. É simples. Infelizmente, Gleisi Hoffman encontrou 210 mil abestados para assegurar-lhe um cargo na Câmara Federal.

Sem sombra de dúvida, a maior, e mais prazerosa, derrota foi, por enquanto, a de Dilma Rousseff. Até sexta feira já se sentia senadora eleita pronta para ir ao senado fazer tudo para tirar Lula da cadeia. Pronta para votar os interesses de Lula porque ela não tem vontade própria. Se ela for guiada por um cão guia irá acertar mais o caminho do que se andar sozinha. Aquele poço de insensatez, imbecilidade e incompetência recebeu um sonoro não do povo mineiro (que enganou direitinho os pesquisadores) e como Dilma tem o lado bom de destruir tudo que toca (Midas ao contrário) sobrou para a candidatura de Pimentel chegar ao quinto dos infernos. Agora Pimentel, não há mais a mais a conivência daqueles que lhe protegeram na assembleia por puro interesse.

Uma questão que precisa ser melhorada é o respeito pela democracia. Eleger Bolsonaro ou qualquer outro é prerrogativa da maioria e o que é passível de ser feito é oposição, não agressão. Outra questão é o posicionamento dos candidatos derrotados. Pedem votos o tempo inteiro e quando não são eleitos deixam de votar e, pior ainda, induzem seus seguidores a não votar. Alckmin errou feio em atacar Bolsonaro. Nesse ponto, Lula foi mais esperto do que ele porque trabalhou arduamente para colocar o PT no segundo turno contra Bolsonaro. Alckmin não apoia Bolsonaro porque não é digno suficientemente para criticar a corrupção do PT.

O que existe de fato na cabeça desses políticos é o projeto de poder. Ninguém está interessado num projeto de governo que tire o país dessa situação caótica. Nos dias finais da campanha houve uma proposta para unir as diversas candidaturas apresentando um nome e enfrentar Bolsonaro. Eleito este nome, haveria um governo colegiado. Assim, pela preferência do eleitorado Ciro Gomes seria indicado, todavia, Alckmin disse “Se Marina e Ciro quiserem me apoiar, serão bem vindos”, Marina Silva sequer se prontificou a conversar, Álvaro Dias aceitou sob a condição de não ser Alckmin esse nome de consenso. A ideia nasceu morta porque as vaidades pessoais estão acima dos interesses coletivos.

Não se pode deixar de comentar o clima de hostilidade que permeia o país. Precisamos abrir mão do preconceito e respeitar as pessoas pelas suas escolhas. Nós, nordestinos, somos alvo frequente da discriminação por parte das pessoas do sul ou do sudeste. Suas economias cresceram graças a força bruta do povo nordestino. Existe, no nordestino, um sentimento de gratidão e de fé muito grande. Frei Damião, Padre Cícero são exemplos de adoração, mas não o Santuário de Aparecida, em São Paulo, atrai pessoas de toda parte do Brasil e os políticos interesseiros estão sempre lá, em época de eleição.

Os comentários racistas contra os nordestinos “Nordestino vota no PT, mas depois vem para o sul procurar emprego”, “Povo nordestino voltou em Haddad por causa do Bolsa Família. Ninguém quer trabalhar”, “Pelo amor de Deus, vamos separar o nordeste do resto do país”, não deveriam ser proferidos sem o reconhecimento de que Haddad teve votos no sul, no sudeste e também lidera as pesquisas nessa região dentre aqueles de baixa renda. Nesse contexto como é que eleitores de Curitiba elegeram Gleisi Hoffman deputada federal com mais de 210 votos? E como o Rio Grande do Sul elegeu Paulo Pimenta, depois da sacanagem que ele fez para soltar Lula? João Rodrigues, deputado presidiário, teve 68 mil votos em Santa Catarina, diga-se, número suficiente para reeleição. Então, como se vota num cara que está preso por improbidade administrativa? Sob esse ponto de vista, a gente ver que erros são cometidos independentemente da região que se habita.

O momento é de se desarmar e buscar meios para reconstruir o país. A destruição pode ser feita em frações de segundos, mas a reconstrução pode levar décadas. Essa reconstrução passa, necessariamente, por uma faxina eleitoral: ficha limpa acima de tudo. Não dê procuração a bandido seja de qual partido ele for.

CANALHICE TOGADA

Ricardo Lewandowski não passa mesmo de um canalha. Sujeito de caráter duvidoso que, lamentavelmente, ocupa uma cadeira no SFT revestido da toga de defensor da Constituição. Uma ova! Um cara benevolente com corrupção, já se colocou em diversos momentos favorável aos desvios de conduta praticados por integrantes do PT. Este mui excelentíssimo canalha violou a constituição brasileira quando não retirou os direitos políticos de Dilma. Anteriormente, este canalha se reuniu em Portugal com Dilma e José Cardozo, então ministro da Justiça, para colocar um anteparo nos “ventos frios que sopravam de Curitiba”. Acha pouco?

Além dos jabutis criados por esse cafajeste, veio agora sua autorização para Lula dar entrevista. No momento em que se apreende, exaustivamente, “santinhos” de candidatos com a foto de Lula para presidente, Lewandowski ouve uma minoria e concede tal autorização. Insurgiu-se contra a presidência e vice-presidência do SFT porque vetaram tal autorização alardeando que a decisão de um ministro não pode ser anulada por outro. Mas, isso é reconhecer que cada um decide como se fosse, ele próprio, o tribunal. Lewandowski tem, nitidamente, nteresses políticos envoltos nesse comportamento. Uma forma de atuar em favor daquele que lhe concedeu um lugar vitalício na corte suprema do país. Ele não deixa, em nenhum momento, de fazer besteiras supremas.

Lewandowski tem como meta principal tirar Lula da cadeia. Queria, inclusive, que Dias Toffoli pautasse prisão em segunda instância, imediatamente, para que a decisão beneficiasse Lula e alterasse o cenário eleitoral. Eu não consigo entender como tais procedimentos permanecem impunes. O SFT é um colegiado e como tal deve prevalecer a decisão da maioria, ou seja, basta 6 votos para definir uma demanda, seja para que lado for. O caso da condução coercitiva foi votado e por 6 x 5 o SFT proibiu tal procedimento. Ninguém tem interesse em rever isso. Por 6 x5 o STF decidiu que prisão em segunda instância não viola a constituição e a trinca Marco Aurélio, Lewandowski e Toffoli tramam para que isso volte ao plenário. Essa trinca de canalhas toma decisões à margem da decisão da maioria como se cada um deles fosse um supremo tribunal.

Lewandowski cede a qualquer tipo de sugestão que tenha Lula como alvo. Aqueles patetas do PT (Wadih Damous, Paulo Pimenta, Paulo Teixeira) que participaram daquela trama para soltar Lula no plantão de outro canalha, são responsáveis pelo pedido dessa entrevista. O motivo é simples e basta olhar na internet. Faltarão votos para elegê-los. Wadih Damous, por exemplo, colocou no ar um apelo no qual ele diz que ainda não está eleito e que precisa do seu voto. O povo do Rio, vítima desse esquema de corrupção absurdo, que levou o estado a situação de calamidade que se encontra, deve se lembrar do que fizeram com o estado. Não custa lembrar Lula dizendo que o “eleitor carioca tinha o dever moral de eleger Sérgio Cabral”.

Não custa lembrar que em 2016 o STF se posicionou a favor da prisão em segunda instância. Naquela ocasião a Ministra Rosa Weber se posicionou contra, mas foi voto vencido, desde então ela tem decidido de acordo com a decisão colegiada. Em abril desse ano, face a possibilidade de prisão de Lula, por esse entendimento, foi votado um habeas corpus que pedia o direito do presidente Lula recorrer em liberdade. Por 6 x 5, este pedido foi negado e votaram a favor do pedido Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello. Contra, ficaram Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

A questão é clara: pautando novamente o tema, Rosa Weber pode manter sua posição de 2016 e votar contra a prisão em segunda instância. Pronto! Depois disso ninguém falará mais no assunto e quem estiver na cadeia vai feliz e saltitante para os braços da impunidade. Tudo devidamente arranjado sob o manto de uma legalidade inquestionável. De outra banda, a opinião de 59% dos eleitores que desejam Lula continuar preso, não importa. Importa que essa maldita corja de canalhas (Marco Aurélio, Lewandowski, Toffoli e Gilmar Mendes), investidos de poder para defender a constituição brasileira, age de acordo com interesses de poderoso e pouco se prestam a olhar as necessidades dos menos favorecidos. Não ficarão impunes porque a uma lei maior que a todos submete.

Por outro lado, não se pode deixar de reconhecer a culpa da população. As pessoas não querem votar, preferem pagar a multa eleitoral que é irrisória, no entanto, não sabem que esta multa se destina ao fundo partidário. Este mesmo fundo que é distribuído entre partidos e políticos para custear suas campanhas. As pessoas preferem votar em branco, iludidos que se 50% dos votos + 1, for nulo/branco, ninguém será eleito. Eleição majoritária leva que tiver maior número de votos válidos. Então, precisamos nos posicionar. Seja de que forma for.

ESFORÇOS PERDIDOS

Embora parte da população desejasse que o PT fosse alijado da disputa presidencial e do cenário político, eis que ele está de volta com chance de ganhar a eleição no segundo contra Bolsonaro. O discurso do ódio e do sentimento de vingança, o discurso da ameaça de perseguição, de colocar juízes e promotores “nos seus lugares”, parece que está se materializando ante a inoperância e a falta de dignidade da população brasileira. No Brasil inteiro acirra-se o debate dos bons contra o mal e os pobres coitados, paus mandados, iletrados políticos que chamam Haddad de Andrade, terão um papel decisivo na eleição.

Bolsonaro é acusado de ser ultraconservador, de ter agredido, verbalmente, gays, mulheres e negros, de ter praticado crimes de ódio. Em 2012 a PF prendeu algumas pessoas na Operação Intolerância e, recentemente, em maio passado, mais uma pessoa foi presa por este tipo de crime. Isso quer dizer duas coisas: a primeira é que existe prisão por esse tipo de crime, ou seja, não há impunidade; a segunda é que Gilmar Mendes não soltou ninguém envolvido nesse tipo de crime. Então, por esta ótica, é melhor roubar e roubar muito porque se for preso Gilmar solta.

Os crimes de corrupção só levam para a cadeia alguns poucos, preferencialmente quem não tem cargo político. Do mensalão, por exemplo, apenas Marcos Valério continua preso cumprindo uma sentença de 40 anos de reclusão. Todos os integrantes da quadrilha, que tinha José Dirceu como chefe, foram indultados. Todos ganharam o mesmo benefício que Lula ganhará com a eleição de Haddad. Eu fico pensando nos filhos dos pobres que contam com a Defensoria Pública e não com bancas advocatícias famosas. Estes dificilmente receberão qualquer benefício porque representam uma grande ameaça para sociedade. O corrupto, não. O corrupto é ovacionado por onde passa. É carregado nos ombros como salvador da pátria. É paparicado porque distribui com todos, do seu entorno, os recursos públicos de merenda, de remédios, de obras.

É absolutamente estranho que pessoas prefiram ser comandados por corruptos. Eu não consigo entender como pessoas com discernimento, com formação superior e com nível de educação diferenciada apoiam candidatos corruptos. O único sentido que vejo nisso é o fato de que tais pessoas são movidas por interesses particulares. Não consigo entender como professores apoiam corruptos e depois reclamam que falta dinheiro para a educação; do mesmo jeito o pessoal da área de saúde vendo o sucateamento do SUS por conta de desvio de verbas, por compras equivocadas e superfaturadas, votam e defendem corruptos.

O retrato da política atual é catastrófico. Se formos olhar o que aconteceu com a campanha presidencial veremos que Geraldo Alckmin, picolé de chuchu, mais conhecido como o SANTO nas planilhas da Odebrecht não chamou ninguém do PT de corrupto. Pelo contrário, fez um pacto de não agressão. O motivo é simples: falta de hombridade, de caráter, de honradez. Picolé de chuchu derreteu, sucumbiu na própria covardia, no medo de dizer que o PT provocou essa roubalheira toda no Brasil. Ele não tem moral para falar disso porque tem telhado de vidro. Beto Richa, Aécio Neves (tudo indica que terá a maior votação do estado de Minas para deputado federal! Mineiros, acordem! Ainda há tempo!) são corruptos do PSDB e ele, como presidente do PSDB, não tem coragem de expulsar.

Ciro Gomes tem o hábito de chamar alguns de canalha. Deveria parar diante de um espelho e gritar bem alto: Canalha! Ciro viu o movimento do PT para reduzir sua chance de apoio. Viu a capacidade que Lula tem ao determinar que candidatos potenciais, como Marilia Arraes, fossem rifados das campanhas apenas porque precisa isolar Ciro. O caro deveria ter partido para briga naquele momento, mas preferível criticar o PT de forma branda. Falava mal do partido e defendia Lula publicamente. Agora ele entendeu que Lula e o PT formam uma simbiose.

Não se pode deixar de reconhecer que Lula mexeu bem as peças. Sabendo que Bolsonaro estaria no segundo turno, ele arquitetou bem o plano para colocar o PT na disputa. O argumento foi bastante simples: considerando que Picolé de chuchu, num estado que governou em quatro ocasiões, não tinha liderança na corrida presidencial, eliminou a principal ameaça que era Ciro Gomes. Isolando Ciro ele favoreceu que Bolsonaro crescesse em São Paulo, porque para ele o importante era chegar ao segundo turno e colocar o debate do perigo que Bolsonaro representa para a democracia. Não custa lembrar a cena da campanha eleitoral de Dilma no qual se dizia que se Aécio fosse eleito iria faltar comida dentro de casa. Então vamos nos preparar para vermos Lula, Lindbergh Farias Gleisi Hoffman, ministros do próximo governo.

Com isso, Lula criou um cenário propício para ganhar a eleição e o indulto. Criou-se uma campanha do Ele Não e foi muito agradável ver Dado Dolabela engajado nessa campanha (para quem não lembra Dado foi preso porque bateu em Luana Piovani, na camareira, na namorada, etc.) Choca bastante ver artistas cobrar posicionamento e adesão pública de outros artistas contra Bolsonaro. Falo, especificamente, do caso de Daniela Mercury que vendeu 1 milhão de discos no passado, mas depois não conseguiu vender mais de 200 mil. Daniela só voltou aos holofotes por conta do seu namoro com outra mulher. Não fosse isso, ninguém saberia mais que ela existe. Pois bem: Daniela cobrou de Anitta um posicionamento contra Bolsonaro. Mas, Anitta não é livre para escolher em quem votar? Por ser artista deve ajoelhar e rezar perante a vontade dos outros “famosos”?

A reação de Bolsonaro foi certeira. Atacou as benesses desses artistas com a Lei Rouanet. José de Abreu, petista, foi condenado a devolver R$ 300 mil captados através dessa lei. Se olharmos os beneficiados, 2017, encontraremos Cláudia Leite, Luan Santana, Maria Bethania, etc. Esse povo precisa desse tipo de incentivo?

Vivemos numa democracia e qualquer pessoa tem o direito de expressar sua vontade. A constituição diz que “ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude da lei”. Agredir por escolhas feitas é intolerância. Uma vez gay sempre gay? Se um gay procura ajuda para mudar a orientação sexual então vamos prender o profissional que o atendeu por tentativa de “cura gay”? Não se deve respeitar as individualidades?

ATENTADO À DEMOCRACIA

Tenho lido, visto e ouvido os comentários diversos sobre o episódio envolvendo Bolsonaro e o assassinato de Marielle Franco como atentados à democracia brasileira. As mortes de Toninho do PT e de Celso Daniel entraram na vala do crime comum, insolúvel. O assassinato de qualquer pessoa, sendo político ou não, afronta a Constituição que, no seu artigo 6º, coloca a segurança como um dos direitos sociais. Cumpra-se essa porcaria e você deveria ter emprego, renda, educação, polícia bem remunerada e bem aparelhada, etc. e não precisaria colocar câmeras de segurança na sua residência e andar livremente pelas ruas sem medo de ser atingindo por uma bala perdida.

Se uma facada é uma grave ameaça à democracia, então essa droga de democracia é um saco furado. Mataram Kennedy e o os Estados Unidos continuam se colocando como o país mais democrático do mundo; Ronald Reagan sofreu um atentado por um cara chamado Jonh Hinckley Jr porque ele era apaixonado por Jodie Foster (que não gosta de homem) e se inspirou no personagem de Robert de Niro que no filme Taxi Driver tentou matar um senador candidato a presidente. A democracia americana continuou intacta. O Papa João Paulo II sofreu um atentando por parte do turco Ali Agca e isso foi um atentado à Igreja Católica?

Esse tipo de comportamento nasce de uma única fonte: intolerância. Luther King morreu pelas ideias que pregou, pois lutar contra a segregação racial era servir de alvo natural. Atentou-se contra a democracia? Mas, o que se diz dos demais anônimos que sucumbiram diante da intolerância? Crimes comuns? No Brasil, nós temos milhares de Jair, de João, Joaquim ou de “meninas sem nome” enfeitando cruz de cemitério porque se perderam na vida como aviões do tráfico ou se prostituindo porque o dinheiro da merenda escolar foi desviado para as contas pessoais de um político canalha. Qualquer candidato a presidente conta com uma equipe de segurança altamente capacitada, então se alguém atenta contra um deles, francamente, se isso ameaçar a democracia é porque essa digníssima cidadã não vale bosta. Uma democracia que se abala por qualquer perturbação não merece esse título. Um atentado a Toffoli significa que é um atentado à justiça? Não poderia ser, simplesmente, alguém puto da vida com as sacanagens que ele faz em defesa de canalhas quer dizer que discorda?

Adélio merece cadeia e ponto final. O que ele fez contra Bolsonaro merece uma punição exemplar, mas deveria ser exemplar se fosse feito contra qualquer pessoa. O problema é o sistema legal deveria funcionar e aqui só funciona esporadicamente. Mark Chapman, em 08/12/1980, matou John Lennon. Condenado a prisão perpétua, continua atrás das grades, teve diversos pedidos de condicional negados. Aqui não existe prisão perpétua. A constituição não permite que ninguém fique engaiolado por mais de 30 anos e com um 1/6 da pena cumprido já se encaminha para a progressão. Muito bom! Condenado a 12 anos, com dois anos cumprido já está na eminência do regime semi-aberto. Leia um livro. Reduz a pena. Desgraçado por que não lestes antes de cometer crime? Talvez o ensinamento te livrasse da cadeia.

Cabe ressaltar que o verdadeiro atentando à democracia é a libertação de políticos envolvidos em desvios de verbas (como anda o projeto que considera corrupção como crime hediondo?); atentado à democracia é permite Paulo Maluf receber salários quanto estava na cadeia; é ter um deputado condenado que passa o dia no Congresso, mesmo vazio, e de noite vai dormir na cadeia; é ver José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, etc. perdoados pela ladroagem que fizeram no mensalão.

Atentado à democracia é o aparelhamento do estado colocando em pontos chaves pessoas simpatizantes à causa que tomarão decisões em seu benefício no futuro porque isso viola o princípio constitucional da isonomia. Favreto e Toffoli atentaram contra a democracia. O primeiro fez aquela lambança combinada com deputados do PT, enquanto o segundo concedeu liberdade plena, geral e irrestrita a José Dirceu e num breve espaço de tempo estará fazendo o mesmo por Lula. Atentando á democracia é ver, diariamente, Gilmar Mendes soltando bandidos e desmoralizando o trabalho da polícia, dos juízes de primeira instância e dos promotores do Ministério Público.

Atentado à democracia é ver Fernando Haddad, se eleito, prometendo indultar Lula e fazer disso seu maior objetivo na corrida presidencial. Embora o PT tenha feito todo tipo de falcatrua nos seus governos, tenha sido o responsável pela geração de 13 milhões de desempregados, seu candidato aparece em segundo lugar das preferências de eleitores. Atentando à democracia é ver até que ponto chega a amnésia eleitoral. Essa opção pelo PT parece o vicio em nicotina: o viciado prefere correr o risco de um câncer de pulmão do que parar de fumar.

Eleger Fernando Haddad significa terceirizar a presidência. Ele indulta Lula e o coloca na Casa Civil para ele indicar como fazer para perseguir os promotores, juízes, policiais que o prenderam. Como controlar a mídia para não divulgar suas falcatruas. Impor um regime ao Brasil semelhante ao que vemos hoje na Venezuela e na Bolívia. Ciro é tão bosta que ao invés de atacar o PT ataca Bolsonaro. Com isso, amarga 7 pontos percentuais de diferença para Haddad que começou a campanha a 7 dias. Alckmin ataca Bolsonaro porque não pode falar da corrupção do PT quando ele próprio está envolvido em falcatruas e tem

Aécio Neves e Beto Richa como aliados.

Enfim, o maior atentado à democracia se retrata nas coligações feitas para esta eleição. Assim, sugiro que você, leitor fubânico, elenque mais fatos que, em sua opinião, sejam atentados à democracia.

AFUNDANDO UM POUCO MAIS

O Brasil cresce como rabo de cavalo: para baixo. Cada dia afundando um pouquinho mais em relação ao dia anterior. A cada dia a prisão de um político envolvido em falcatruas. Tivemos agora a prisão do ex-governador Beto Richa, levando a tiracolo a esposa e o irmão, candidato a Senador pelo Paraná. Na outra ponta, Fernando Haddad, agora ungido ao cargo de candidato após a aprovação de Lula que no depoimento ao juiz Sérgio Moro disse não ter influencia no PT. Haddad usa o velho chavão: são denúncias requentadas. Vale uma Mega Sena acumulada o comentário do soltador de bandidos, Gilmar Mendes, falando sobre a prisão de Beto Richa: “Acho que é preciso moderação. Do contrário, daqui a pouco podemos, inclusive, tumultuar o pleito eleitoral. Sabemos lá que tipo de consórcio há entre um grupo de investigação e um dado candidato?”.

Notem que ele sugere que o Ministério Público está servindo de instrumento para beneficiar um candidato, ou seja, a prisão de Beto Richa tem caráter político e não de é decorrência da roubalheira gravada, onde ele falava do tico-tico com o assessor. Também foi ilusão de ótica o vídeo com o tal Pepe guardando dinheiro. Lógico que corrupção existe em qualquer lugar e o MP não é isento disso. No entanto, até o momento, seus procuradores atuam no combate a corrupção. Deve incomodar a Gilmar Mendes os prêmios internacionais que a Lava Jato vem ganhando. Ontem, foi anunciado mais um: a Internacional Association of Presecutors concedeu o prêmio Special Achievment Award a, nada mais nada menos do que 47 membros do MPF que integrantes da Lava Jato. Isso deve matar Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Lewandowski e Marco Aurélio de inveja.

A prisão de político deixou de ser fato surpreendente. É isso que a Lava Jato tem mostrado ao mundo e é isso que Moro diz nas suas palestras: a operação condenou e prendeu empresário e político poderosos. Esse pessoal muito abusou na certeza de que continuariam impunes e que a amnésia do eleitor brasileiro é mais forte do que reza de macumbeira. Por isso, faça o que fizer o canalha terá sempre dinheiro para comprar voto de um idiota que não enxerga um palmo a frente do nariz e que fica feliz porque ganhou o dinheiro da cachaça ou o tijolo para fazer a fossa na qual ele deveria habitar.

Não consigo entender como Dilma Roussef está em primeiro lugar nas pesquisas para Senado em Minas Gerais. Se ela tivesse cometidos erros há 10, 15 anos, tudo bem, mas o neurônio solitário foi expulso do poder há dois anos! Como se esquece tão fácil a venda de Pasadena que trouxe prejuízos absurdos para a Petrobras? Pergunte-se: o que Dilma vai fazer no senado? Ideias próprias ela não tem, então, como primeiro poste de Lula, Dilma vai propor leis em benefício dos corruptos. Pau mandado. Vai colocar tudo que é petista não eleito como assessor parlamentar e nós vamos pagar essa conta. Cabe lembrar que ela anistiou José Genoíno, José Dirceu, etc. que foram condenados no mensalão. Cabe lembrar o termo de posse, como ministro da Casa Civil, que “Bessias” entregaria a Lula para ele assinar antes de abrir a porta para a Polícia Federal entrar. Os mineiros não estão enxergando a presença nociva de Dilma no Senado. Espero que Minas tenha mais fubânico do que eleitor de Dilma.

Talvez o maior alento seja o fim da vitimização de Lula. Trabalha comigo uma pessoa que atua em serviços gerais e que vive numa casa alugada pagando aluguel com um salário que não deveria ser chamado de renda. Há alguns anos ela não teve condições de pagar o cartão de crédito (Hipercard) e procurou a administradora para negociar a dívida. A renegociação foi feita a uma taxa de juros de 17,99% ao mês ou 628,025 ao ano. Ela não aguentou pagar e teve seu nome negativado. Há 6 meses, entrou no programa Minha Casa, Minha Vida, e depois de acertos financeiros, teve seu crédito negado por essa negativação.

Lula teve sua sentença em segunda instância confirmada e a lei permite que ele faça seu registro como candidato ao cargo mais alto do país. Isso acabou com o segundo poste confirmado. Não cabe mais falar de perseguição política. O problema é que a casta de canalhas que orbitam em torno de Lula, ávidos para continuar mamando abusa da prerrogativa legal num cenário claro de desespero. Sem Lula, esse povo dificilmente se elege. Gleisi Hoffman, conhecida como Amante nas planilhas da Odebrecht, vai para o gabinete de Dilma. Lindbergh Farias, em 3º lugar nas pesquisas no Rio de Janeiro, perdendo para o filho de Bolsonaro, também. Salários altos pagos com o nosso dinheiro. Suplicy está bem cotado, Marília Arraes deve ter uma estrondosa votação. Agora, mineiros, mais uma vez: Dilma Roussef? Deixa esse trem pra lá. Esse tem já se desgovernou, pula fora enquanto é tempo.

ELEIÇÕES 2018: VOTE OU VÔTE?

Impressionante o que está acontecendo, do Oiapoque ao Chuí, nesse Brasil de fuxico em termos de eleições e de coligações partidárias para eleições desse ano. Lula preso tenta ganhar na justiça o direito a disputar as eleições baseado num documento ridículo assinado por dois membros da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Se eleito deverá transferir a sede do governo para a sala da Polícia Federal onde se encontra, mas como se sabe Dias Toffoli será presidente do SFT a partir do próximo dia 13. Então, vamos aguardar de volta pressão contra a prisão em segunda instância.

Fernando Haddad, o vice que tem vice, discursa e perambula pelo país com jeito de candidato, postura de candidato, mas não pode dizer que é candidato. Como se diz é a candidatura sítio de Atibaia: está em nome de um, mas pertence a outro. Ele esperava ser anunciado como candidato após o julgamento do TSE, no entanto, o voto de Edson Fachin deu alento a uma nova investida junto a ONU. Este despacho da ONU alegrou a defesa de Lula. Eugênio Aragão, que foi ministro de Dilma e que foi o primeiro a dizer a Lula que ele estava inelegível, ganhou R$ 900 mil pela ação junto a TSE. Então, a coisa é simples: o pessoal dá esperança a Lula e ao PT, mas todo mundo cobra pelos serviços prestados, ou seja, não tem ninguém trabalhando de graça, trabalhando por convicção da inocência dele. É todo mundo apresentando a conta!

Geraldo Alckmin recebeu o apoio do centrão, incluindo o PR de Valdemar Costa Neto, que já apoia outras candidaturas contrárias a Alckmin nos estados. Parece aquele pedido de apoio que um país fez aos Estados Unidos para entrar numa guerra. A resposta foi sucinta: SACO. Depois de muito debate decodificaram a mensagem: SACO. A gente apoia, mas não entra.

Nos estados a situação é mais do que confusa. Vejamos o caso de Pernambuco. O senador Armando Monteiro, que foi ministro de Dilma e votou contra o impeachment, está sendo apoiado por dois ministros que tiveram participação direta no processo. Mendonça Filho, que nunca fez nada além de conspiração, participava do G8 que era um grupo de políticos que se reunia semanalmente para tirar Dilma (não que ela não merecesse). Bruno Araújo é dos caciques do PSDB e como estas duas figuras apoiam Alckmin, uma das condições do apoio ao senador ao candidato do PSDB. Sua campanha apresenta uma estrela (qualquer semelhança terá sido mera coincidência?) e ele não se define se apoia PSDB ou PT. O pior: promete apoio a ambos.

O senador Jarbas Vasconcelos rasgou seu discurso e sua coerência ao participar de uma chapa tendo Humberto Costa. Isso tudo para não entregar o comando do partido a Fernando Bezerra Coelho. Paulo Câmara cometeu um ato de infantilidade ao se aliar ao PT. Primeiro porque isso pode fazê-lo perder votos e segundo porque apesar de o PT está na chapa, não há apoio do partido à sua reeleição. O partido queria Marília Arraes e como não teve, não estará no palanque do governador. Em outros estados, como o Ceará, a loucura se repete. Eunício Oliveira, o índio nas planilhas da Odebrecht, apoia Lula, mas o MDB apoia Ciro Gomes. Em alagoas Renan Calheiros ao lado de Fernando Haddad e em Minas Gerais Dilma com maioria nas pesquisas para senado. Como dizia Silvio Brito: “pare o mundo que eu descer”.

Fica mais do que claro que a ideologia no Brasil é do “primeiro eu”. A nojeira é tamanha e estes canalhas só pensam em se dar bem. Não aparece um sequer interessado em discutir questões em benefício da população. Transferência de responsabilidades é o mecanismo mais comum. É muito engraçado ver Guilherme Boulos, Lindbergh Farias, etc. acusarem Temer pelas chamas que consumiram o Museu. Os caras afundaram esse país e agora querem convencer a população de que a culpa é do sucessor. Li uma nota digna de divulgação sobre esse assunto.

Dilma querendo se aproveitar da situação e acusar as pessoas por um golpe que não existiu disse: “O incêndio do Museu Nacional é um retrato do descaso e do desinvestimento promovido por Temer, Meirelles e o PSDB. O golpe tenta transformar nossa história em terra arrasada. Não conseguirão.” Meirelles respondeu: “O Brasil se entristece com a tragédia que tirou parte irrecuperável de nossa história. Tão lamentável quanto o incêndio é ver gente oportunista tentando tirar proveito da situação para esconder nas cinzas do que sobrou a sua incapacidade de governar.” Ponto para ele. Transferir responsabilidade é a tônica de quem é incompetente.

Diante de tudo isso, cabe perguntar. Vote ou Vôte?

SOBERANIA NACIONAL

Quando as missões do FMI chegavam ao Brasil, principalmente na década de 1980, para acompanhar o ajustamento das contas públicas, dado o alto índice inflacionário, a reação dos partidos que não apoiavam o governo era de escárnio. Quantos e quantos bradavam aos quatro ventos que o FMI desrespeitava a Soberania Nacional. Outros, mais arraigados, defendiam a expulsão dos técnicos porque o Brasil tinha lei, porque a Constituição Brasileira era soberana, etc. etc. etc. É bom lembrar que o FMI vinha aqui na tentativa de impor restrições ao modo de condução da política econômica porque naquele tempo o governo emitia moeda quando queria e no valor que queria, elevando a oferta de moeda, diminuindo taxa de juros e fazendo a inflação bater na estratosfera.

Semana passada, nós fomos surpreendidos com decisão da Comissão de Direitos Humanos da ONU que “concedeu” habeas corpus para Lula participar da campanha, participar de debates e ter seus direitos políticos respeitados. Assusta o desrespeito às leis brasileiras. A ONU, se sabe, atende muito bem aos interesses dos poderosos em detrimento ao dos necessitados. O lamentável genocídio de Ruanda, em 1994, vimos uma ONU omissa no que diz respeito a direitos humanos.

Em 1994, com a morte do presidente Juvénal Habyariman, os hutus partiram para dizimar os tutsis. Durante os meses de abril a julho de 1994, 800 mil pessoas foram mortas, mas os correspondentes falavam de 1 milhão de pessoas. Todas as mulheres foram estupradas. O interessante é que jornalistas que cobriram essa carnificina e historiadores do mundo inteiro colocaram nos seus trabalhos que o genocídio dos tutsis era algo discutido em reuniões de trabalhos de ministros, ou seja, a matança planejada e financiada com dinheiro de projetos sociais oriundos de organismos como o Banco Mundial. Ao invés de projetos sociais, compraram armas que foram distribuídas aos hutus.

A ONU teve um papel fundamental nesse genocídio, a saber: deixou os tutsis á mercê da própria sorte. Trabalhos acadêmicos mostram que a ONU e, particularmente, as potências mundiais, tinham totais condições de evitar a guerra civil em Ruanda. A ONU preferiu trilhar caminhos diversos e não enviou, por exemplo, força policial para coibir o massacre. Na verdade, os soldados da ONU saíram do país, juntamente com estrangeiros, deixando os tutsis nas mãos armadas dos hutus. Esse massacre foi registrado em filmes, dentre os quais Hotel Ruanda. Basta assistir para se ter uma ideia do que aconteceu por lá. Somente em novembro daquele ano a ONU criou um tribunal para julgar os casos. Apenas por conta da pressão da opinião pública, afinal sua preferência foi atender a Bósnia que tinha mais apelo econômico e fatores importantes para a ONU.

Agora, como num passe de mágica a comissão de direitos dessa “senhora de má fama” viola todos os princípios, todos os requisitos de respeito às leis e as instituições brasileiras para emitir um parecer sem o menor respaldo jurídico, cujo efeito é, apenas, tumultuar o cenário político brasileiro. Tentam apagar o fogo jogando gasolina. Apenas por uma questão de isonomia e de imparcialidade, tal comissão deveria ter reivindicado também o registro e o respeito para André Vargas, Paulo Maluf, Eduardo Cunha, Pedro Correia, apenas para lembrar alguns dos políticos bandidos presos por corrupção.

Em contrapartida, a morosidade nas decisões judiciais propicia a deterioração desse ambiente político. Em tempos de alta tecnologia, o TSE deveria usar um mecanismo bem simples: quando um político fosse registrar sua candidatura, a primeira informação seria o CPF e se houvesse condenação em segundo instância ou por órgão colegiado, apareceria a mensagem: “registro negado por condenação em segunda instância ou por órgão colegiado”. Para sanar o problema o candidato apresentaria uma certidão negativa de condenação. Simples. Bastava interligar os sistemas e ninguém discutia mais o assunto. Nesse sentido, Dilma Rousseff foi condenada por um órgão colegiado. O TSE vai aceitar o registro dela? Se aceitar, serão dois pesos e duas medidas e o “pau que bate em Chico, tem de bater em Francisco”.

O caso de Lula, segundo Gilmar Mendes, é de uma “clareza aritmética”. Luiz Fux comentou que a situação de Lula é “chapada”, ou seja, sem margem de dúvida. Então, permite-se o registro de uma candidatura para fazer o jogo do partido que tenta arrastar as decisões até o dia 13/09 para que não haja mais tempo de substituir a foto de Lula pela do poste de plantão, tumultuando a eleição, desnorteando o mercado. O dólar chegou a R$ 4,00 levando pelos resultados das pesquisas. A economia brasileira está se acabando e as pessoas guerreando juridicamente para uma situação sem volta. Mesmo que Lula estivesse solto, ele continuaria dono absoluto de uma certidão que diz que ele foi condenado em segunda instância e pronto!

Acredito que a chegada de Rosa Weber à presidência do TSE trará equilíbrio nesse processo eleitoral. Ela tem agido de forma respeitosa aos preceitos constitucionais. Que seja, então, a padroeira das eleições. Agora, não custa nada integrar sistemas para eliminar dejetos.

ERROS PRIMÁRIOS DO PT

Acredito que o PT tenha sido o partido de oposição mais ferrenho que já existiu no Brasil. Lembro-me da expulsão de Bete Mendes, atriz que era deputada pelo PT – RJ, porque voltou em Tancredo Neves no colégio eleitoral. Em 1992, o PT expulsão uma das suas várias correntes, chamada Convergência Socialista que gerou o PSTU, mas o que é mais marcante foi a expulsão de Heloísa Helena, o deputado Babá, Luciana Genro e o deputado João Fontes (SE). Todos criticaram a política econômica do governo Lula (Palocci era o Ministro da Fazenda) e esta ação levou HH às lágrimas. Uma cena antológica é Lula conversando com Heloísa Helena para ela votar a favor da aprovação de Meirelles para o Banco Central. No caso dos três primeiros houve um processo, um debate, uma votação. No caso do último a expulsão foi sumária e tudo porque João Fontes divulgou um discurso no qual Lula defendia, nos idos anos 1980, posições contrárias aquelas adotadas pelo seu governo.

Pregar uma coisa e mudar de acordo com a maré é uma prática normal do político. É como comentarista de futebol que critica o time exaustivamente até o momento do gol. Depois disso é só elogios, mesmo o gol sendo contra. Então, numa primeira análise, a postura que afastou históricos contrários ao PT-governo e bem distantes do PT-oposição, mostra uma ruptura no discurso e depois com a constatação de que jamais chegaria ao poder sem coligações, o PT se vendeu aos corruptos da vez que negociavam apoio em troca de propina.

Cabe lembrar que Sérgio Moro perguntou a Lula se ele tinha usado a influência dele no PT para apurar os desvios e ele respondeu que não, que o MP achava que ele tinha influência porque não conhecia o PT. Hoje, preso, integrantes do PT sofrem as decisões tomadas por Lula. Primeiro, o senador petista José Pimentel foi defenestrado no Ceará onde o partido optou por apoiar Eunício Oliveira que, até um dia desses, era chamado de golpista. Em outros estados petistas e golpistas estão de mãos dadas.

O caso mais intenso, talvez, tenha sido visto em Pernambuco onde a candidatura de Marília Arraes foi implodida com o apoio do PT ao PSB somente para que este não se coligasse com Ciro Gomes. De uma tacada só lascou dois nomes, dois aliados. Tudo isso para garantir, também, a candidatura de Humberto Costa ao senado, que dificilmente será eleito. A candidatura de Marília tinha reais condições de chegar ao segundo turno porque tecnicamente ela estava empatada com o atual governador e com o senador Armando Monteiro tendo, em termos absolutos, mais votos do que este. Observe, então a lógica: num fundo a decisão de Lula ajuda a candidatura de Armando Monteiro. Simples assim.

Com o trauma causado no diretório estadual, Lula fez com que o partido não vote em Paulo Câmara. A militância queria Marília e não vai votar em Paulo porque o PSB votou a favor do impeachment. Então, tenderão a votar em Armando Monteiro que defendeu o governo Dilma, sendo, inclusive, um dos seus ministros. O PT enganou o governador pernambucano, sacrificou Marília e quem irá se beneficia será Armando Monteiro.

Em termos de senado, Humberto Costa não terá votos. Ele foi visto como um dos mentores da decisão de rifar Marília, como ele fez com o ex-prefeito João da Costa. Existem grandes mágoas. Assim, pelo Pernambuco deverá eleger Jarbas Vasconcelos senador com certa tranquilidade.

No bojo de tudo isso, o PT acabou com discurso das esquerdas. Ninguém acredita mais em qualquer proposta vindo das chamadas esquerdas. E na essência, as defesas públicas que são feitas das esquerdas, de Lula, do PT, são apenas meras tentativas de ressureição de um defunto insepulto. O PT errou quando apostou, e viveu, do carisma de Lula, mas ao que se sabe, isto era algo bem planejado por ele. Suplicy, no passado, colocou seu nome para disputar com Lula, na convenção do partido, a indicação para ser candidato a presidente da república e Lula não aceitou. Não haveria eleição, haveria aclamação. Ou ele seria aclamado candidato ou não participaria da convenção. Depois disso, Suplicy foi relegado ao ostracismo, recebeu chá de cadeira no Planalto tanto de Dilma quanto de Lula, inúmeras vezes quando era senador.

Depois de tanta besteira feita por uma pessoa que não tem influência sobre o partido, tem uma questão em aberto: Palocci afirma que o PT recebeu dinheiro de Kadafi. Se provar isso, então o PT não será sepultado, mas sim, cremado. Em praça pública.

DIGA-ME COM QUEM ANDAS QUE EU TE DIREI QUEM ÉS

Velho dito popular que ouvi muitas vezes dos meus pais (e não só eu!) como um alerta para que eu mantivesse distancia das más influências. Julgamento de valor? Até que poderia ter uma parcela disso envolvida, no entanto, acredito que se formos investigar a fundo os julgamentos equivocados cometidos no uso desse adágio, talvez a gente não encontre nada significativo. No meu caso ele foi bem empregado.

Geraldo Alckmin deve ter ouvido algo totalmente diferente. Algo assim: “meu filho, se quiseres ser presidente do Brasil, faça aliança com o que há de pior, com a corja mais desqualificada que há na classe política do Brasil e serás eleito”. O ex-governador demonstrou, sem nenhuma sombra de dúvida, o quanto ele está disposto a se doar para ser presidente. Pense bem: se ele foi capaz de se aliar com corruptos da espécie de Roberto Jefferson, Paulinho da Força, Valdemar Costa Neto, apenas para citar alguns, com o intuito de ficar com 40% do tempo de propaganda, imagine o tamanho da conta que ele receberá se for eleito.

Há Bandidos e bandidos. Um bandido famoso que sabia das coisas foi Lúcio Flávio que criou uma linha imaginária e filosófica entre “bandidos e mocinhos” com sua célebre frase “polícia é polícia, bandido é bandido”, ou seja, cada uma na sua “caixinha”, como defende Ciro Gomes. Alkmin e associados poderiam parafrasear Lúcio Flávio e criar um jargão do tipo “Bandido é Bandido e eleitor é um besta”. Esses conchavos feitos sob o manto de apoio político, base de apoio, etc. não passam de uma forma desavergonhada dos canalhas atestarem que o eleitor é manipulável, não tem memória política, etc. Na conta deles, pode se juntar a qualquer outro canalha que o eleitor não enxergará isso. Lula fez um comício ao lado de Jader Barbalho, o maior assaltante dos cofres do BASA – Banco da Amazônia e chamou o encontro de “sociologia política”.

Daí, eu fico numa dúvida tremenda em entender porque Alckmin defenestrou publicamente a campanha de Aécio Neves para o senado, enquanto se alia a um canalha como Roberto Jefferson, mas vejo como explicação o fato de Aécio não ter tempo de televisão para dar, enquanto Jefferson tem. Definido agora que Aécio irá concorrer a uma vaga na câmara, resta a dúvida se haverá cartaz com a foto dele e de Alckmin juntos. Se não, significa que ele se incomoda que esse corrupto, mas não se incomoda com os demais. Se houver, então ele só reforça sua postura de crápula. Muitas vezes uma pessoa tem simpatia por outro apesar de saber pequenos deslizes. “Fulano é mentiroso, mas é gente boa”. Aécio Neves, ao longo dos anos vendeu publicamente uma imagem de honestidade. O cara chegou ao ponto de receber, quando era presidente do PSDB, uma deputada mineira que tinha lhe procurado para falar sobre desvios de verbas e ele disse que “infelizmente nem todos são como nós” (se referindo a ambos). Alckmin é dissimulado. Não diz uma palavra sobre seus desvios, mas em qualquer parte que vai promete dar todas as respostas. Quando? Por que não começa a falar sem que seja necessário perguntar?

Sob o manto de Alckmin, o PSDB deitou e rolou em desvios de recursos de obras do Rodoanel. Seu ex-secretário de obras fui denunciado por desvios; Paulo Preto foi preso e se sabe que ele tem milhões depositados em bancos suíços. Alckmin era designado com o SANTO nas planilhas da Odebrecht e teve seu processo encaminhado para STE e não para a primeira instância. A alegação de caixa 2 é mais leve e como se sabe isso foi arranjado por um procurador que tinha trabalhado com ele. Lula e vários do PT chamaram isso de “recursos não contabilizados”. O que se sabe é que tais recursos vieram das falcatruas, mas a estratégia permite responder por um crime menor.

Alckmin é o que há de pior nesse cenário. Não pode nem dizer que “Fulano venderia a mãe para ser presidente” porque, nitidamente, ele já fez isso para ter tempo na propaganda política de rádio e televisão. Alckmin não quer que FHC apareça pedindo votos para ele, mas está bem resolvido se Roberto Jefferson, Valdemar, Paulinho da Força, fazendo isso. Seria muito importante que a população entendesse que Alckmin eleito a fatura virá para ser paga pela população. Uma delas está na volta do imposto sindical. Embora publicamente diga não via mexer nisso, a gente sabe que ele busca alternativas e qualquer alternativa envolve o bolso do trabalhador.

O momento atual do Brasil mostra o quanto temos políticos ruins. Quando o candidato é bom, são os partidos que lhe procuram para dar apoio. Quando ele não presta, então ele corre atrás de todo tipo de apoio para continuar no poder. A política tem se caracterizado como um grande monturo sobrevoado por uma enorme quantidade de moscas. Geraldo Alckmin não é o lixo nessa história. Ele é a mosca. De lixo em lixo em busca de migalhas que sustentem seus voos. Vote nesse canalha e você está elegendo Jefferson, Cristiane Brasil, Valdemar Costa Neto e outros com currículos semelhantes.

APOIO POLÍTICO

Decididamente a vontade de ser presidente da república, governador, prefeito ou até mesmo vereador, está acima de qualquer ideologia. Pelo regime que vivemos é certo que o presidente não governa sem a maioria no congresso, mas o que se faz para continuar ou chegar ao cargo supera, e muito, qualquer expectativa política. Daí, nós eleitores precisamos avaliar o candidato não apenas pelos critérios fundamentais de probidade, desempenho, lisura, etc., mas também pela qualidade de apoio que ele pleiteia.

Considero simplesmente estarrecedor ver os diversos partidos tratando Valdemar da Costa Neto como a “bala que matou Kennedy” ou “a última Coca-Cola do deserto”. Parece que tais pessoas esqueceram, simples e propositadamente, que este canalha dono do PR, foi condenado no mensalão, teve seus direitos políticos cassados, mas, apesar disso, comanda o PR como uma extensão de suas empresas particulares. Vimos Tiririca ocupar a tribuna, uma única vez nos seus dois mandatos, para se dizer decepcionado e adicionalmente vemos o esforço do partido em mantê-lo candidato porque ele é um grande puxador de votos. Então, pelo critério de proporcionalidade, o partido teria condições de fazer uma boa bancada. Pra quê? Para votar propostas que beneficiem a população? Duvido! A ideia é continuar aparelhando o estado de modo que eles continuem ganhando.

Geraldo Alckmin, que convive tranquilamente com o canalha Mineirinho que recebeu R$ 2 milhões numa mala, trabalha para fechar um acordo com o PTB de Roberto Jefferson. Isso, mesmo: o pai de Cristine Brasil que foi impedida de se tornar ministra do trabalho, mas que nem por isso deixou de exercer influência no ministério tendo em vista que colocaram lá uma pessoa submissa aos interesses do PTB, que é presidido por Jefferson, o mesmo Jefferson que denunciou o mensalão, não por sentimento ético ou patriótico, mas porque estava perdendo espaço na roubalheira. Sabe aquela história do “se não me der também, eu conto a tudo mundo”? Isso é o PTB, isso é o partido político no Brasil. Uma instituição falida, embora aqui ou acolá a gente encontre pessoas sérias que necessitam de uma filiação para concorrer. Não seria o caso de candidatos avulsos? Gilmar Mendes foi contra isso, logo deve ser uma proposta interessante.

Outra coisa que achei deveras interessante foi o telefonema de Ciro Gomes para Luciana Santos, presidente do PCdoB perguntando até que ponto poderia ceder para ter o apoio do DEM. Ora, PCdoB é um partido de esquerda com pensamentos e propostas totalmente antagônicos aos interesses do DEM. Então, você cede uma fração de suas crenças, de sua ideologia, apenas para tentar se eleger? Como acreditar num candidato dessa natureza?

No âmbito estadual, a coisa não é tão diferente. Cito o caso de Pernambuco. O governador, alucinadamente tenta o apoio do PT para conseguir mais tempo de programa eleitoral obrigatório (gratuito uma pinoia porque rádio e televisão abatem do imposto de renda os custos, então nós financiamos essa porcaria) e barrar a candidatura de Marília Arraes. Esta candidatura teve todo apoio do candidato Armando Monteiro, no começo, porque ele queria tirar votos do governador. Marília foi usada como um objeto manipulável e esta semana, numa entrevista a um programa de rádio, ela atacou tanto o governador quanto o senador Armando Monteiro. O engraçado é que todos usam Lula como instrumento de captação de votos. Numa conversa recente com um colega ele disse: “eu tinha intenção em votar no governador, mas se ele fizer aliança com o PT, eu não voto. O PT vai ocupar cargos no governo, então vai tudo ficar na mesma”. O apoio político diz tudo das candidaturas.

Nesse sentido, é um fato emocionante a gente vê Raul Castro, Evo Morales e Nicholas Maduro pedirem eleições livres no Brasil. Castro herdou o poder com a doença do irmão. Como se a gestão de um país fosse um bem particular. Caso tenha participado de eleições livres foi como eleitor no tempo de Fulgêncio Batista. Desde 1959 que a família Castro está no poder. Castro é o presente do verbo castrar e foi isso que eles fizeram em Cuba: castraram a liberdade do povo; castraram adversários políticos. O presidente Lula devolveu os lutadores de boxe Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara que vieram para o Pan-Americano no Rio de Janeiro em 2007 e fugiram da delegação. Tarso Genro, este mesmo que defende a candidatura de Boulos, então ministro da justiça chegou a dizer que os cubanos pediram para voltar! O governo Lula fez isso, sabendo o que aconteceria com eles. Fernando Morais, amigo de José Dirceu, tem um livro chamado Olga, no qual escracha a entrega de Olga Benário Prestes ao governo alemão, em 1933. Ela foi assassinada por governo nazista porque era judia. Esse cara não disse uma palavra sobre os cubanos devolvidos à ditadura de Castro.

Maduro, se torno presidente por herança também. Era vice-presidente indicado por Hugo Chávez. É notório seu interesse em perpetuar-se no poder a custa da miséria do povo venezuelano. Usou de todas as prerrogativas para continuar no poder, prendendo opositores e matando pessoas. Evo Morales, ao assumir a presidência, a primeira coisa que fez foi nacionalizar investimentos brasileiros na Bolívia atingindo duramente a Petrobras e interesses de Eike Batista. O ex-senador boliviano Roger Pinto, saiu da Bolívia escondido e o diplomata que o tirou de lá foi perseguido pelo governo Dilma. O senador morreu num acidade de avião.

Pois bem: essa trinca de canalhas apoia e é apoiada por políticos brasileiros. Pense nisso para definir o seu voto.

E POR FALAR EM GOLPE

Desde o impeachment de Dilma Rousseff que seus defensores falam de golpe e ela, particularmente, diz que não cometeu crime embora tenha sido constatado que houve empréstimo sem autorização do congresso. Lembro que Lula chegou a dizer que não sabia o que era “pedalada”, mas num evento, se dirigindo a Jacques Wagner, disse que “as pedaladas foram dadas para pagar Bolsa Família”. Lembro também de uma entrevista do senador Humberto Costa, nas páginas amarelas da revista Veja, no qual ele dizia que o discurso do golpe estava vazio.

Creio que somente domingo passado, 08/07/2018, eu tive a noção completa como um golpe se processa. Lendo os bastidores desse movimento, em fontes diversas de jornalismo, nota-se como tudo foi orquestrado, negociado e encaminhado com a autorização da direção do PT, de Lula e dos seus advogados que não quiseram figurar no pedido de soltura porque já estão com outras demandas e se desse errado a imagem deles estaria, seriamente, afetada.

O que me espanta é o despacho do Roubério Favreto ter chegado às mãos de Lula antes da 10h da manhã do domingo. Ou seja, Lula está na carceragem da Polícia Federal e isso foi tramado ali dentro. Então, fica claro que a prerrogativa da juíza de execuções penais em permitir visitas a Lula por pessoas que não seus advogados e não são da família foi um grande equivoco passível de repensado. No sistema prisional, tentativa de fuga é punida duramente e no meu entender isso foi uma tentativa de fuga patrocinada por quatro canalhas, um deles com a incumbência de fazer valer a lei no país.

Os canalhas Wadih Damous, Paulo Pimenta e Paulo Teixeira jamais fariam algo dessa natureza sem a anuência dos advogados de Lula, sem o aval de Gleisi e do próprio Lula. Eles tinham plena consciência de que se algo desse errado, a defesa de Lula seria prejudicada. O contato com o Roubério também foi algo previamente realizado. Não tinha como isso acontecer exatamente na sexta. A justiça ficou em xeque por conta da ação desses moleques. É preciso investigar. A presença desses canalhas em Curitiba, a mobilização dos defensores, não tinha como ser organizada de uma hora para outra.

Logicamente, que qualquer cidadão tem o direito de entrar com um habeas corpus. Não me parece que o crime tenha sido esse. Na verdade, faz três meses que Lula está preso e eles não tiveram essa iniciativa porque a defesa não permitiria isso. Inclusive no despacho de Gebran Neto ele cita que a defesa diz que apenas ela tem autoridade de representação. Então, o crime está na forma articulada, no contato com um agente público para obter vantagens escusas. Muito provavelmente estes três canalhas não saberiam do plantão do Roubério, de modo que essa informação partiu dele, diretamente ou por terceiros.

Pacificado a questão com o despacho da ministra Laurita Vaz, fica a dúvida se haverá apuração dos fatos. Deveria ser aberta uma investigação com quebra de sigilo telefônico dos envolvidos para que se apure a participação de cada um e se ficar comprovado que o Roubério Favreto (esse já veio com o reto no nome!) orientou, acordou, instruiu, então ele deveria ser afastado das funções, aposentado sem direito a benefícios. Quanto aos demais, a resposta teve ser através das urnas.

Wadih Damous teve 37 mil votos e ficou com suplente no pleito de 2014, mas assumiu o cargo em 2015. Ele é autor de um projeto que veta delação para pessoas presas. Ou seja, um argumento forte para proteger políticos bandidos. Até o momento sua pré-campanha arrecadou, cerca, de R$ 13 mil e os eleitores do Rio de Janeiro (despertai fubânicos cariocas) não podem eleger este cafajeste novamente. Esse homem é um risco desmedido para a democracia do país. Votar neste pulha é aprovar o nível de corrupção instalado no Rio de Janeiro.

A região Sul mostrou total aversão à Caravana de Lula e tem sido contundente com na defesa da Lava Jato. Espero que essa postura atinja de frente a campanha de Paulo Pimenta e que o pessoal entenda que o Brasil não precisa desse tipo de político. Ele teve uma boa votação em 2010, mas naquele ano o momento político era outro. Lula estava fazendo o sucessor, a economia estava embalada e o eleitor, geralmente, perdoa deslizes quando tem emprego (o mensalão foi assim: o PT foi perdoado pelo eleitorado porque a economia estava bem), quando tem renda. Paulo Teixeira tem pela frente o asco do eleitorado de São Paulo em relação ao PT que nunca conseguiu eleger um governador nesse estado. Seu candidato atual samba nos traços das pesquisas eleitorais. Em São Paulo, Suplicy tem maior receptividade porque não incomoda ninguém, exceto quando canta Blowing the Wind.

Estes três deputados, assim como todos os demais ligados ao PT, sabem que sem Lula eles não terão votos.

Sem Lula, o PT não existe. Por isso, eles precisavam aparecer para os simpatizantes do partido como heróis da salvação. O que eles fizeram foi apenas pensando nos seus próprios futuros. Se estes canalhas tiveram votos para se elegerem, decididamente, a população prevista de um choque de realidade.

DIAS TOFFOLI: UM CANALHA SEM MÉRITO PARA JULGAR

As decisões da trinca de canalhas da segunda turma do STF tem um membro que merece destaque: Dias Toffoli. Incompetente, como profissional, formou-se pela Faculdade de Direito da USP em 1990 e começou a advogar no ano seguinte. Atuou como assessor jurídico da CUT no período entre 1993-1995. Obviamente, o vínculo da CUT com o PT serviu para este cidadão subir aos píncaros do poder visto que foi nomeado por Lula para Advogado Geral da União, após ter sido subordinado a José Dirceu quando este era Ministro da Casa Civil.

Sendo o PT o partido controlador do poder, Lula o promove para ministro do supremo federal (vou escrever com letras minúsculas mesmo para equiparar a envergadura do ministro) um cara que foi reprovado, duas vezes, num concurso para juiz estadual de primeira instância, em São Paulo. Temos, então, um ministro, que não é juiz na qualidade de defensor da constituição desse país. Em outra situação temos o juiz Sérgio Moro, mestre e doutor, que pediu exoneração do seu cargo de professor da UFPR para não entrar em conflitos com simpatizantes (alunos, professores e funcionários da instituição) do PT por conta de sua atuação na operação Lava Jato. Diante da intransigência, a prudência é um remédio adequado.

Dias Toffoli tem outras prerrogativas, diga-se de passagem. Por exemplo, a sua pose como ministro do supremo tribunal teve um patrocínio da Caixa Econômica Federal de R$ 40 mil. Até hoje não se sabe se o responsável (ou melhor, o irresponsável) por isso devolveu o dinheiro aos cofres públicos. O fato é que esse protótipo de ministro e modelo de canalha “declarou que não sabia dos fatos e que a festa não foi de sua iniciativa”. Não saber foi um grande argumento do PT no mensalão. O fato é ninguém foi responsabilizado pelo gasto do dinheiro público. Mas, isso não é tudo.

A advogada Christiane Araújo num depoimento prestado à PF, em fevereiro de 2012, disse ter tido encontros íntimos com Dias Toffoli, realizados no apartamento de Durval Barbosa (homem de folha corrida invejável), nos quais as relações sexuais ocorriam em troca de benevolências para envolvidos no escândalo do mensalão. Até onde sei o procurador Marcelo Miller está sendo acusado de ter recebido dinheiro de Joesley Batista para lhe favorecer. Se ele tivesse recebido favores sexuais, ele estaria sendo processado por isso? Corrupção só acontece se houver dinheiro envolvido ou favores de qualquer natureza não contam? Então, temos um cara ocupando o cargo de Advogado Geral da União, ganhando umas horas de sexo para proteger investigados e hoje esse cara se acha com moral para defender a constituição.

Faltando um curso de pós graduação strict sensu o ministro Dias Toffoli poderia se orgulhar de publicações conseguidas após se tornar ministro. Antes disso, publicava em jornais, mas nenhum da envergadura do Jornal da Besta Fubana, por exemplo. Tais publicações sem nenhum cunho científico eram apenas retalhos de opiniões pessoais.

Diante de tudo isso, perguntamos: os mecanismos de escolhas de ministro para o supremo são eficazes para o interesse do país? Alexandre de Morais defendeu uma tese na qual sugeria regras para essa escolha, dentre elas a não vinculação do candidato a partidos políticos. Ele próprio violou seus argumentos. A defesa de uma tese de doutorado, envolve um período de orientação, uma banca composta por 5 membros, enfim, um aparato para que depois aquele trabalho possa servir de referência e o candidato tenha um título de doutor. Ele próprio violentou o que defendeu.

Dessa forma, vamos entender de uma vez por toda que canalhas como Dias Toffoli são fundamentais para dar sustentação a impunidade e a manutenção da corrupção no país. Em qualquer país sério ele não seria, sequer, indicado por falta de capacidade técnica. Agora, este poço de sabedoria, indicado pelo seu “notório saber”, será presidente do SFT a partir de setembro. Sairá da segunda turma e por isso se justifica as recentes decisões desse colegiado e a pressa em julgar, na segunda turma, o habeas corpus de Lula. A partir de setembro, Cármen Lúcia volta para a segunda turma, então os canalhas remanescentes (Lewandowski e Gilmar Mendes), passarão a ser minoria no que diz respeito às decisões da Lava Jato. Então, imbuídos desse sentimento de que se não agirem rápido perderão o passo, a segunda turma tem dado celeridade a soltura de bandidos.

Existem tantas outras informações e matérias de revistas semanais sobre Dias Toffoli que qualquer um pode fazer um compêndio melhor que esse texto. O fato é que todas publicaram e nenhuma delas foi desmentida ou processada até agora. Nunca se soube que Dias Toffoli tenha entrado na justiça contra qualquer coisa publicada. Suas posições políticas são claras. Seu desempenho profissional mais claro ainda: ele chegou ao STF apenas por ter sido empregado do PT. Tem 51 anos e vai ficar por mais 24 anos no STF defendendo corruptos do seu partido ou coligados. Ficou rico como advogado do PT nas eleições.

Então, como se sabe hoje que o PT pagou com dinheiro de propina seus colaboradores nas campanhas políticas, não seria o caso de verificar a origem do dinheiro recebido por Toffoli para advogar pelo PT nas campanhas?

SUPREMOS CANALHAS

Não acho que estejamos em pleno gozo das nossas faculdades mentais. Se assim não for, então nascemos para sermos vilipendiados todos os dias por pessoas que deveriam defender a ordem e a lei. Não consigo entender a convivência pacífica e, até, elogiosa das pessoas frente a corruptos presos. Estes mesmos corruptos que desviaram recursos da saúde, da educação, da segurança, etc. para suas contas em paraísos fiscais e que são configurados como salvadores da pátria ou como o único caminho possível para o desenvolvimento econômico. Se não for por eles, o país nunca sairá dessa podridão ética que vive atualmente.

O mais interessante é o esforço de alguns juristas para tirar A ou B da cadeia apenas pela projeção de cargos ocupados. Se Lula fosse torneiro mecânico condenado por qualquer crime comum não haveria ministro do STF interessando em sua causa. Inconcebível o ministro Marco Aurélio dizer, publicamente, que a “prisão de Lula ia incendiar o país”. A tese do ministro, então, é bem simples: deixem Lula fora da cadeia para o país não correr riscos!

Os movimentos da segunda turma do STF são nítidos e decisivos na direção de acabar com a Lava Jato e avacalhar o trabalho de pessoas sérias. José Dirceu, que em recente entrevista a Folha de São Paulo, admitiu que as relações com Milton Pascowitch foram “equivocadas”, mas mesmo assim Dias Toffoli entendeu que Dirceu merece ficar fora da cadeia o tempo que for, até que se prove que ele é culpado. Vamos botar aí mais de 10 anos.

Assusta ouvir Gilmar Mendes dizer que o “supremo voltou a ser supremo” por conta das decisões da segunda turma. Vejamos um exemplo: em recente medida o STF proibiu a condução coercitiva por um placar de 6×5. Acabou-se. Ninguém pode mais ser conduzido coercitivamente, embora possa fazer como tem feito Fernando Pimentel que até hoje não consegue ser encontrado pelo oficial de justiça para receber a intimação para depor. Outros poderão fazer uso do mesmo instrumento e a justiça ficará à mercê da benevolência dos suspeitos. Essa decisão é colegiada e não vimos, até o momento, nenhum outro ministro tomando decisões a revelia.

Por 6×5 também o STF entendeu que o cumprimento da pena após segunda instância não viola a constituição, mas nesse caso Marco Aurélio e Gilmar Mendes defendem a revisão por o placar foi apertado. Não importa canalhas ministros ou ministros canalhas! O que importa é que o colegiado decidiu por maioria e isso deveria estar sendo observado. No entanto, estes canalhas libertaram tudo que criminoso, inclusive o mandante do assassino da missionária Dorothy Stang, no Pará. Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Lewandowski e Dias Toffoli representam, conjunta e isoladamente, o que há de mais podre nos bastidores da justiça. É preciso recorrer à justiça divina e lembrar a estes canalhas que “com a medida que julgares, serás julgado”. Uma pena que o encontro desses cafajestes com a verdade vai se dar em outra dimensão.

Direito não é ciência exata. As decisões dependem da interpretação do julgador, também. Julgamento é opinião, juízo sobre algo. Então, eu posso entender “rezar fumando” é um desrespeito ao Senhor, mas “fumar rezando” é uma ação nobre. No entanto, é mesma porcaria. Então, eu nesse sentido posso emitir minha opinião sobre “inocente até que se prove o contrário”. Tomemos como exemplo o caso de Lula. Foi feita uma denuncia pelo Ministério Público e que foi aceita pela justiça federal. O MP apresenta suas provas e a defesa as suas. O juiz com base no que viu, ouviu, teve acesso, emite sua sentença condenando. A defesa discorda, afinal é a opinião de uma pessoa e esta pessoa pode estar equivocada.

Remete-se o caso para segunda instância com a defesa apresentando os erros do julgamento do juiz. Agora, não mais uma pessoa, mas um colegiado vai olhar se a defesa tem razão. Se o entendimento fosse esse, então eles votariam pela absolvição de Lula. Acabou. No caso, a segunda instância além de concordar com a condenação entendeu que o juiz da primeira instância foi benevolente na dosimetria da pena. E aumentaram de 9,6 para 12 anos. A defesa agora tem dois problemas: a confirmação da condenação e o aumento da pena. Recorre novamente e agora, ou invés de 3 juízes, 5 confirmam a condenação. Ou seja, ao longo do processo 9 juízes disseram que Lula é culpado.

Os recursos extraordinários destinam-se a análise do respeito constitucional, mas não alteram os fatos se tais respeitos foram observados. Então, no meu entender de leigo, o que está e discutindo não é a decisão de culpabilidade, mas o momento em que ela vai ser dita. Culpado o cara já é. Por isso, esses nobres defensores de corruptos querem apenas que se passe uma década para o STJ ou eles mesmos dizerem que o cara é culpado.

ESTAMOS PERDIDOS E MAL PAGOS

A confusão política que instalou nesse país, no segundo governo de Dilma, deixou sequelas de todo tamanho e que foram intensificadas pelo alcance da Operação Lava Jato. Num determinado momento, os principais implicados na operação passaram a defender a tese de que a Lava Jato estava aniquilando a economia porque as empresas estavam sendo sufocadas e obrigadas a demitir pessoas. Na verdade isso era só uma tentativa de jogar a população contra a operação. A grande perda da economia se deu pelos desvios praticados com empresas sendo vendidas a preços inferiores ao preço de compra.

Do ponto de vista econômico, o governo Dilma foi uma catástrofe. Antes mesmo do impeachment o mercado já havia se posicionado contra a permanência dela. Basta ver os indicadores econômicos e a variação do dólar para entender que ela deveria ter ido há mais tempo. Bem antes do impeachment, mais precisamente Nno início do período eleitoral, uma analista de um banco fez um estudo no qual dizia que a reeleição de Dilma traria riscos sérios para a economia. Ela foi demitida, a pedido de Lula, e ganhou, recentemente, uma indenização judicial de R$ 400 mil. Mas, o impeachment não trouxe as respostas que a população desejava. Primeiro porque foi feito como instrumento de vingança por parte de Eduardo Cunha, embora, tecnicamente auditoria do TCU tenha constado empréstimo a bancos públicos sem autorização do congresso. Atribuo Reputo a Eduardo Cunha parte da culpa do que aconteceu no hoje no Brasil, não pelo impedimento, mas pela pauta bomba que ele adotou e que inviabilizou mais a economia do que Dilma que já estava na extrema-unção. Não houve ato de heroísmo no seu gesto. O que ele fez, para a economia, foi pura sacanagem.

Cabe lembrar que assim que se tornou presidente, num programa de entrevistas, Temer admitiu que se Dilma tivesse atendido as demandas de Eduardo Cunha, ainda seria presidente. Vejam como o interesse particular dos donos do poder extrapolam, e muito, os interesses da população. O povo é o Z do alfabeto. Eles são o A. O fato é que Temer será lembrado como o pior presidente que Banânia já teve. Ele escolheu seu ministério baseado em agradecimentos pelo empenho no impeachment e não pela competência dos indicados. Teve um que chegou ao cargo de ministro porque deu o voto 342; outro porque participou ativamente do grupo G8 (um grupo de oito parlamentares que se reunião reuniam na casa de Heráclito Fortes, para tramar o impeachment de Dilma).

Ao assumir, extinguiu vários ministérios entre eles o da cultura e da ciência e tecnologia. O primeiro, por pressão pública da classe artística voltou e o segundo foi incorporado ao Ministério das Comunicações. Ciência e Tecnologia são bases para o desenvolvimento de qualquer nação. Pode-se pensar que houve falta de interesse dos cientistas brasileiros, mas o fato é que nossos bons cientistas conseguem recursos para pesquisas de organismos internacionais. Uma das melhores pesquisadoras do Brasil (Suzana Herculano-Houzelabto), numa entrevista em maio/2016, dizia que estava deixando o Brasil e explicava as razões. A entrevista está disponível na internet. Vale a pena para quem quer saber o que a ciência no Brasil faz. Então, a ciência do Brasil acaba sendo feita lá fora.

Então, com tudo isso, a gente chega a um cenário de caos econômico, recentemente reforçado pela greve dos caminhoneiros. Uma das pautas era frete mínimo. Empresas já conseguiram decisões judiciais para não cumprir. O desconto de R$ 0,46, que agora é R$ 0,41 e, terminou em R$ 0,34, precisava ter sido conversado com as distribuidoras e com os postos. O governo impõe que os governos estaduais reduzam o ICMS sobre o combustível. Como? Se estes estão além da margem de segurança da Lei de Responsabilidade Fiscal, como abrir de receita? Mas, mais uma vez E, mais uma vez, o governo teve qvoltou ue voltar atrás na questão da tabela do frete. A campanha publicitaria de Temer, “o Brasil voltou, 20 anos em 2”, estava correta porque o Brasil volta todo dia e assim a gente vai conseguir chegar a 20 anos atrás, em apenas estes dois anos de desgoverno.

O que nos espera com as eleições de 2018? Do ponto de vista econômico temos pouco a considerar. Nenhum dos candidatos tem a menor capacidade de tirar esse país do lamaçal atual. Imagina-se um candidato bem sucedido no mercado: . O Josué Alencar (filho do ex-presidente José de Alencar). Como posso confiar nesse nome se o partido que ele está conversando chama-se Partido da República, cujo dono (no Brasil partido político tem dono) é Valdemar da Costa Neto, condenado por corrupção? Se Josué for ele fosse eleito os bandidos, com procuração de Valdemar, estariam feitos. E a roubalheira continuaria.

Como entender o lançamento da candidatura de Lula, embora Eugênio Aragão tenha lhe dito que ele estava inelegível. Com base na Lei da Ficha Limpa, até o sacripanta, Gilmar Mendes, já disse que a inegibilidade de Lula é “aritmética”. Então, como se permite a captação de dinheiro para uma campanha que não vai ocorrer? Alguém precisa botar ordem nessa zona. Se não fizermos dificilmente teremos condições de atrairmos investimentos. Essa defesa pública da candidatura de Lula já deveria ter sido definida pelo TSE.

A GREVE DOS CAMINHONEIROS E ADJACÊNCIAS

Um dos bons costumes que a gente aprende na academia é mostrar fatos com provas. Digo isso para justificar algumas coisas que ouvi ou li esta semana com esse movimento grevista de caminhoneiros aprovado, segundo o Datafolha, por 87% dos entrevistados. Começo dizendo que Alexandre Garcia foi taxado de imbecil e outros adjetivos porque fez uma referência a politica de crédito do BNDES para financiar caminhões. A tabela 1 mostra a quantidade de caminhões no Brasil no período entre 2000 e 2017, sempre no mês de dezembro de cada ano.

No período observado, a quantidade de caminhões cresceu 96,05%, representando um crescimento médio de 4,04% ao ano. Em 2009 o BNDES emprestou R$ 14,136 bilhões em operações de transporte de carga, número que representa 895% do valor emprestado em 2000. Desde então, os financiamentos passaram a cair em função da crise.

Não tem como reconhecer que houve, sim, aumento na quantidade de veículos em função dos recursos do BNDES. O BNDES está aí para favorecer a economia nacional, não porto de em Cuba ou ponte na Venezuela. A queda da economia mundial cai é acompanhada pelo Brasil como consequência das medidas econômicas, equivocadas, adotadas pelo governo tanto de Lula quanto de Dilma (este responsável por toda desgraça que se seguiu. Os números mostram isso). Naturalmente, o excesso de oferta de frete fez o preço do serviço cair e com o aumento do combustível os caminhoneiros perceberam que iria acontecer com eles a mesma coisa que aconteceu com os taxistas no governo Collor quando obtiveram linha de crédito através de CDC – Crédito Direto ao Consumidor e tiveram que trabalhar quase 24 horas por dia para pagar a prestação do financiamento. Sinais da insatisfação foram dados em duas ocasiões em 2015 quando Dilma era presidente e Temer, vice.

No governo do PT o Brasil também importava combustível. No entanto, o governo preferiu manter o preço doméstico inferior ao preço internacional. Isso fez com que Petrobras, aliado a obrigatoriedade de reconhecer o impacto da corrupção nos seus balanços, perdesse valor de mercado. Vale lembrar que em janeiro de 2015, Graça Foster admitiu que as perdas, com a corrupção, seriam maiores a medida que fosse aparecendo mais contratos, mais envolvidos. Não custa lembrar que a Petrobras tinha um valor de mercado de R$ 510 bilhões em 2008 e que quando os escândalos se tornaram públicos ele perdeu quase 85% do seu valor tendo suas ações negociadas por menos de R$ 5,00.

Diante de tudo isso o senador Humberto Costa falando sobre a Petrobras disse “A Petrobras é uma vaca sagrada dos investidores internacionais e bilionários brasileiros”. Ele não comentou o fato de a Petrobras sustentar partidos políticos, inclusive o dele, com contratos superfaturados, refinarias compradas por um preço e vendida por outro menor, como Pasadena, ou mesmo uma refinaria com a Abreu e Lima que deveria custar US$ 2,4 bilhões e já custou US$ 17,8 bilhões, para ficar, depois de 8 anos, 79% pronta.

Então, em 2016 chega Pedro Parente com a missão de moralizar e resgatar o valor de mercado da empresa. Parente, fez o papel de um profissional sério, visto que a empresa recuperou parte do seu valor, suas ações estão sendo negociadas a R$ 25,00, indicado uma variação de 400% em relação aos R$ 5,00 do passado. A política de preço adotada foi correta, o que tem de errado a política econômica do governo.

Mais do que claro que o aumento dos preços de combustível, principalmente o óleo diesel, impactaria na economia. Mas que o que esse governo medíocre poderia fazer se a principal preocupação do presidente é liberar recursos para os canalhas não permitirem que ele seja investigado? A proposta de Temer é ridícula diante da necessidade econômica. Temos um déficit que não tem a menor perspectiva de ser coberto. No bojo das discussões o governo se compromete a subsidiar a Petrobras com R$ 5 bilhões. Vai tirar de onde? Do nosso bolso.

O que soa mais estranho é que parte dos funcionários da estatal se comporta na base do “quanto melhor, pior”. Em abril de 2017 funcionários da Petrobras fizeram um protesto contra o juiz Sérgio Moro que foi lá para devolver, isso mesmo: devolver, R$ 654 milhões recuperados da corrupção. Deveria ser aplaudido, mas foi vaiado. Alguém consegue entender isso?

Do ponto de vista de gestão, de visão de mercado, de atuação profissional, Pedro Parente agiu de acordo com as convicções. Tanto é assim que no primeiro trimestre desse ano, a Petrobras teve R$ 7 bilhões de lucro, após 4 anos consecutivos de prejuízos. Seus acionistas receberam R$ 656 milhões em dividendos. Foi para isso que ele foi chamado. Ele estava no lugar certo. Que está no lugar errado é Michel Temer. Envolvido em corrupção até a alma e incapaz de apresentar uma política econômica que tire o Brasil do desemprego.

HONESTIDADE PARA DAR E VENDER

A “alma mais honesta do Brasil’ acabou engaiolada em abril passado. Apesar da extrema honestidade, esta alma não foi capaz de perceber que, no seu entorno, pessoas designadas para fazer do Brasil um país melhor na verdade desviavam condutas e recursos em benefícios próprios. Não há como explicar três tesoureiros de um partido na cadeia. Aparentemente, a alma mais honesta, fazendo jus ao status, deveria ter investigado e ter feito cumprir o estatuto do partido que manda expulsar membros condenados com processo transitado em julgado. Delúbio foi condenado pelo STF, logo deveria ter sido expulso. Não satisfeito, volta a delinquir. Agora, leva mais 6 anos no lombo, quiçá, por enquanto.

Palocci, com sua empresa de consultoria, multiplicou por 20 seu patrimônio e agora se sabe que tudo isso foi através de falcatruas envolvendo os meandros do poder. A alma mais honesta não percebeu isso. E agora, o homem forte do PT, José Dirceu, voltou para as grades. José Dirceu foi responsável pela abertura do PT para se coligar com outros partidos e garantir a sua chegada ao poder. Dirceu, numa recente entrevista, mesmo com palavras amenas, admitiu ter recebido propina. Então, além de ter-se enclausurado as mentes pensantes de um partido político, os processos judiciais alcançam outras figuras, começando pela presidente denunciada e louca para fugir do vizinho Sérgio Moro. É explicável que quem está no poder tenha mais denunciados.

Um detalhe importante sobre Dirceu: ele se recusa, terminantemente, a fazer delação premiada, por conta de sua postura de guerrilheiro, sua “pós-graduação” em Cuba. O cara deixa de pensar na família, principalmente numa filha pequena que vai crescer sem sua presença. Tudo indica que Dirceu, pelo tempo de condenação, só sai morto. Tem a alternativa de delatar ou de pagar R$ 15 milhões para reduzir a pena. Se ele for pagar, vai usar o dinheiro roubado, então na verdade ele está apenas devolvendo o que levou às escondidas. O silêncio de Dirceu tem uma explicação: foi comprado. Essa lama que envolveu o Brasil mostrou, claramente, que comunistas deixam de sê-lo quando estão diante de grana viva. Os comunistas desse país usam o sistema capitalista melhor do que os capitalistas mais reacionários. Todos são proprietários de sítios, fazendas, aplicam no mercado financeiro, usam cartão de crédito e compram sanduiche da McDonald´s com Coca-Cola. Dirceu está salvaguardando o futuro da família. Só isso.

Semana passada, Geraldo Alckmin, conhecido como Santo nas planilhas da Odebrecht deu uma de Lula e saiu com essa; “Pode haver tão integro quanto eu, mas mais não tem”. Que lindo! Mesmo já se sabendo do quanto rolou de grana oriunda de propina entregue ao seu cunhado, esse canalha sai com uma dessas. Adicionalmente, achando que tem condições morais de presidir este país sugeriu que Aécio Neves não disputasse eleição para não contaminar sua campanha. Com a prisão de Eduardo Azeredo, o Santo disse que “a justiça não é vermelha nem azul”. Isso porque não é a vez dele, ainda, e quando for, tenhamos certeza de que ele mudará de opinião.

As pessoas cobravam, insistentemente, a prisão de um tucano de bico nobre. Embora, a Cunha, Argôlo não serem petistas, se falava muito que a Lava Jato era seletiva, com julgamento político e com o fito de não permitir a candidatura de Lula. Agora, temos na cadeia um tucano. Temos representantes de todos os partidos presos ou denunciados. Azeredo pode não ser o tucano dos sonhos, mas tem alta plumagem afinal foi governador, senador e presidente do partido. Falta, evidentemente, o nobre Aécio Neves e será uma festa quando esse canalha começar a chorar no cárcere.

O fato é que tudo isso ainda não completa a vontade da banda honesta desse país. Não tem como ficar feliz sabendo que Renan Calheiros, Romero Jucá e Michel Temer estão se lixando para as denúncias. Renan parece um muçum ensaboado, escorregando sempre das mãos da justiça. Renunciou ao cargo de presidente do senado e foi protegido pelo PT comandado, então, pelo senador Aloizio Mercadante, para salvar seu mandato. Há provas, além da dúvida razoável, de que a Mendes Júnior pagou as despesas da filha dele com uma jornalista e, desde que isso se tornou processo, não se consegue julgar.

A espera por Temer está se aproximando do fim. Protegido pelo congresso, ele sai no final desse ano e seu processo pode ser encaminhado para primeira instância. O bom começo para isso seria colocar Rodrigo Loures na cadeia. Aí, quem sabe, os corruptos que querem ser eleitos estes ano passem a ter mais cuidado com o dinheiro público.

DELAÇÃO PREMIADA

Acredita-se que o sucesso da Lava Jato tem relação com as delações premiadas. Não se descarta essa associação, mas não se pode conceber que a justiça assista, passivamente, essa corja de ladrões que tomou o estado brasileiro, usar este instrumento como uma válvula de escape da lei. A questão é a postura dos saqueadores do erário. Vejamos o caso de Palocci. Desde seu depoimento a Moro que ele tenta um acordo de deleção premiada que o Ministério Público Federal não aceitou. O descaramento de Palocci ao dizer que tinha informações que poderiam prorrogar a Lava Jato por mais tempo é absurdo. Deveria mofar na cadeia porque acima dos interesses pessoais deveria estar o interesse da sociedade. Agora, a Polícia Federal colheu seu depoimento e encaminhou a proposta de delação para o STF4, apesar da posição contrária do MPF. A briga está na posição do MPF que entende que apenas ele pode firmar tais acordos. Mas, já existe maioria no STF sobre acordos firmados com a PF, por isso o pedido de vistas do processo é somente uma protelação.

Outro exemplo de abuso (diga-se com todas as letras: abuso) é o caso de Paulo Preto que decidiu não fazer deleção premiada, por enquanto. Veja bem: por enquanto. Então, fica a pergunta: quando fará? Quando perceber que não haverá socorro suficiente para lhe tirar da cadeia. Então, o que se tem é uma pessoa que conhece as nuances de um crime e por interesse próprio não denúncia. Alguns dirão: a constituição diz que ninguém é obrigado a produzir provas contra si, mas neste caso não é mais contra ele, propriamente dito, porque já se tem sua digital em dinheiro podre.

Fica, absolutamente, claro que estas pessoas sabem muito mais do que externam e que não relatam, imediatamente, porque usam a delação como moeda de troca não apenas para reduzir seu tempo atrás das grades, mas para pressionar os possíveis delatados a se mover no sentido de falar com o ministro certo e este influenciar outro para tirar o sacripanta da cadeia. No caso de Gilmar Mendes, independe de credo, cor, raça, religião, tamanho do roubo ou qualquer outra prerrogativa. Qualquer um que estiver preso por roubo ou falcatrua tem em Gilmar um santo protetor. São Gilmar Mendes, indicado por Fernando Henrique Cardoso, soltou o operador do PSDB antes que ele se desesperasse e entregasse Alkmin e companhia bela. Gilmar Mendes soltou o operador do MBD, antes que ele intensificasse as denúncias contra Temer, por exemplo.

Ao longo dos depoimentos das pessoas no processo do Guarujá, um dos argumentos de Lula era que a PF ou MPF só fechavam acordos se os delatores prometessem envolver o seu nome. Na verdade, os delatores fizeram de tudo para não envolver Lula nas falcatruas, mas é preciso dizer que o pessoal que investiga não é burro. O cara conta uma história fantasiosa e, imediatamente, as pessoas percebem que aquilo não poderia ocorrer sem a interferência de alguém com mais poder. Então, rejeitam por ocultação de informação. O cara tripudiou da sociedade desviou recursos públicos e agora quer tripudiar dos investigadores contando lorotas.

Gilmar Mendes já criticou publicamente, inúmeras vezes, as prisões preventivas de Curitiba. Já comentou que os presos só seriam soltos mediante delação. Mas, na essência não deveria haver mais rigidez com a soltura? Está se colocando nas ruas uma pessoa que cometeu crimes isolada ou coletivamente; que sabe quem mais participou daquela tramoia, então o correto não seria deixar o cara pensando um bom tempo nas bobagens que fez para que ele entendesse que o crime não deveria compensar?

Paulo Preto sabe muito dos roubos do PSDB ao longo de todos esses anos governando São Paulo. A prisão dele seria a oportunidade de descobrirmos quem mais de locupletou dos recursos públicos. Precisa dizer que Gilmar Mendes colocou na rua um cara que tem R$ 113 milhões depositados em contas de bancos suíços? Esquecemos que na campanha presidencial de Serra, este cidadão fez sumir R$ 4 milhões de doações e ainda ameaçou Serra com recados diretos e públicos alegando ter documentos com a assinatura dele? José Serra chegou a ponto de dizer que não conhecia Paulo Preto.

O Brasil só mudará certos costumes se houver mudança na lei. Enquanto nós tivermos o interesse social abaixo dos interesses individuais e enquanto tivermos canalhas fazendo leis em benefício próprio, não seremos capazes de erguer a bandeira da credibilidade. Veremos dinheiro da educação, saúde, segurança, etc. sendo canalizado para contas particulares, preferencialmente no exterior, de pessoas que deveriam trabalhar pela sociedade.

Em outros países, a corrupção é combatida com rigor. A ladroagem é punida com execuções, até. Aqui, precisamos do trânsito em julgado para dizer que um cara que enriqueceu ilicitamente é culpado..

TERRA DE NINGUÉM

Os depoimentos das testemunhas no processo relacionado com o Sítio de Atibaia, “o que é, sem nunca ter sido”, estão sendo colhidos. Esta semana tivemos Paulo Okamotto falando do interesse de Lula em comprar o sítio e, instigado pela advogada de Fernando Bittar, responde sobre um almoço no qual foi discutido essa compra. Nas suas palavras: “Teve um almoço. Lula, Kalil, Fernando, não sei se o Fábio também. Esse tema tinha sido tratado. O presidente Lula, já há algum tempo, achava que tinha que comprar o sítio como presente para dona Marisa. Ele tinha um pouco de dúvida, mas tinha essa impressão”. Se Okamotto estava presente nessa reunião ele deveria ter dito “não lembro se o Fábio também”. Ao dizer “não sei”, nitidamente, ele demonstra que isso não passa de uma balela. Se não sabe, então não estava presente e, como tal, deveria se recolher a sua nobre insignificância.

Em 2006, Paulo Okamotto, na CPI dos bingos, foi acareado com Paulo de Tarso Venceslau, ex-petista, e a sensação que se teve foi de absoluta culpa dele em desvios de recursos do então “valerioduto”. Na ocasião ele se manteve firme em não permitir a quebra do seu sigilo bancário para explicar a origem de R$ 29 mil que ele emprestou a Lula. Até Tião Viana, senador do PT, defendeu a quebra desse sigilo, mas ele invocou os direitos individuais para não permitir. Faltou pulso para a justiça decidir, mas a CPI não achou culpados. Como sempre.

O segundo depoimento marcante foi de Gilberto Carvalho. O homem que ficou no governo para vigiar Dilma. Ele disse uma coisa bela de se reproduzir: Lula pensou em comprar o sítio, mas achava longe. A justiça tem registro de 112 viagens de Lula ao sítio. Imagine se fosse perto.

Insistentemente, as pessoas, inclusive a defesa de Lula, não entendem a questão. Lula não está sendo processado pela propriedade do sítio, mas sim por não ter assumido tal propriedade. O delito é ocultação de patrimônio e, por isso, alegar que a escritura está em nome de Fernando Bittar, não afasta a questão, pelo contrário, reforça o uso de laranjas na formação do patrimônio dele. Até hoje, não houve, um esclarecimento sequer por parte da defesa, sobre o motivo da Odebrecht e OAS investirem recursos numa propriedade de Fernando Bittar. Então que se solicite a Marcelo Odebrecht um detalhamento das relações da empresa com Fernando Bittar. Qual a justificativa para as empresas reformularem o sítio, sendo ele de Fernando e de Suassuna?

Cabe lembrar que Emílio Odebrecht, no final do governo Lula, esteve no palácio informando que as obras seriam concluídas em tempo. Que elas foram feitas a pedido de Marisa Letícia, mas que Lula deu a entender que já sabia do assunto. Ninguém até o momento foi capaz de dizer que Emilio está mentido. Sabe por quê? Porque ninguém é doido de desmentir um cara que sabe muito da vida de Lula.

Acredito que há procedimentos elementares que podem esclarecer muitas coisas, mas que não se coloca nos depoimentos. Por exemplo: a OI instalou uma torre de telefonia junto ao sítio, a pedido de um sindicalista chamado José Zunga Alves de Lima. Logo, há uma ordem de serviços e, no mínimo, um estudo de viabilidade pata tal investimento. O sitio é de Fernando e foi entregue para uso indeterminado pela família de Lula, disse Carvalho. Vamos ouvir as gravações da Polícia Federal com o caseiro informando a Fábio sobre o assédio da imprensa. Vamos ouvir o irmão de Fernando pedindo autorização a Fábio para usar o sítio. Vamos entender os motivos que levaram o assessor de Lula, Rogério Aurélio Pimentel, ter aprovado as obras sem sequer pedir desconto, conforme depoimento prestado em 19/02/2018 pelo empreiteiro Carlos Rodrigo do Prado ao juiz Sérgio Moro. Certamente, tudo isso tem explicação, mas a sociedade espera uma explicação coerente.

A PF fez um laudo sobre o sítio e tem copia circulando na internet. O laudo é imparcial e relata, com fotos, a presença de Lula agindo como dono. Essa ação, se externa de forma tão intensa a ponto de o irmão do dono legal solicitar autorização do filho do suposto dono para frequentar, por um fim de semana, o sítio.

Muitos juristas dizem que as provas do sítio de Atibaia são mais robustas do que as provas do apartamento do Guarujá. A defesa de Lula é incompetente porque ao invés de focar a denúncia, eles preferem fazer firulas e emitir notas públicas dizendo “o presidente não é proprietário do sítio”, “o sítio está registrado em nome de Fernando Bittar”. Nesse ritmo, vão conseguir muitos anos de grade.

INGÊNUOS DE UM LADO E IMBECIS DO OUTRO

O mês de abril protagonizou dois exemplos fabulosos de ingenuidade. O primeiro foi o senador Aécio Neves flagrado metendo a mão no bolso de Joesley Batista para arrancar, míseros, R$ 2 milhões de reais, que o primo Fred foi buscar e encaminhou para um assessor do senador Zezé Perrella, aquele dono de um helicóptero que transportava meia tonelada de cocaína.

O argumento de Aécio parece uma prece de Madre Teresa de Calcutá. Aliás, quando eu vejo Aécio falando, tenho a impressão que ele está inspirado nas ações humanitárias de Madre Teresa. Só falta o hábito, quer dizer a vestimenta, porque o hábito de roubar ele já tem desde muito. Aécio quer convencer o Brasil de que aquilo ali foi um empréstimo e que ele foi vítima de um bandido delator. Empréstimo se faz à luz de um contrato, com regras, testemunhas e com recursos transitando pelo sistema financeiro. Ademais, se era um puro empréstimo qual o motivo de “manda um cara teu, que eu mando um cara meu. Um cara que se delatar, a gente mata. Eu vou mandar o Fred”? Se o STF aceitar tais argumentos, registre-se a falência do sistema judiciário.  

Poucos dias após essa argumentação de Aécio, eis que Rodrigo Loures nos brinda com uma declaração jamais esperada: ele não sabia que havia dinheiro na mala! Cabe lembrar que a mala com conteúdo desconhecido foi guardada na casa dos pais de Loures e que quando foi apreendida faltava R$ 35 mil. Estes R$ 35 mil foram depositados, em juízo, pela defesa de Loures, ou seja, Loures e seus advogados não devem ter juízo porque esqueceram que os R$ 35 mil foram entregues à Polícia Federal. Se ele não sabia que era dinheiro, quem tirou estes R$ 35 mil? Seus pais?  Não! Deve ter sido a coitada da empregada pobre, preta, mãe de não sei quantos filhos que vai assumir a culpa. Ainda não consigo entender porque o juiz não perguntou a Loures pela falta desse dinheiro ou pelo depósito feito em juízo. É provável que com esta afirmação, o coitado seja absolvido porque não se tem como comprovar seu conhecimento sobre o conteúdo da mala e aqui a constituição diz que “se é inocente até que se prove em contrário”, embora que conversa entre Temer e Joesley aquela mala era a primeira de uma série. Precisamos de uma máquina, urgente, que leia pensamentos.  Só assim, ficará provado por A mais B, se Loures tem razão ou não.

A cara de pau desses canalhas faz a gente sentir idiota. Puros idiotas. Talvez porque nunca fomos capazes de demonstrar o quanto somos ingênuos e talvez por essa razão a vida vai seguindo seu rumo e a gente se esforçando para não cometer um delito qualquer passível nos colocar diante de um juiz qualquer, pois não temos a certeza de que tal juiz é daquele tipo que não faz perguntas para  não incomodar o réu. 

Lamentável reconhecer que a ingenuidade dos bandidos, flagrados em delitos de todas as espécies, encontra o afago paternal de alguns ministros do STF. Ainda bem que a Polícia Federal não desiste, mas a impressão que fica é que a PF faz um papel semelhante ao do figurinista de filme pornô. Veste todos os atores e quando o diretor grita “ação” todo mundo tira a roupa. Quer inutilidade maior do que essa? A PF prende, desbarata, mostra provas e o STF diz que elas são insuficientes.

No bojo disso tudo tem uma questão fundamental que se aproxima chamada eleição. Nenhum dos partidos envolvidos em falcatruas tomou qualquer atitude para expulsar os praticantes de improbidade. Quando as denúncias contra Aécio se tornaram públicas e ele deixou a sessão do Senado com a mão na testa (cena hilária), o então presidente Tasso Jereissati não moveu uma palha para expulsá-lo porque nenhum deles tem moral para isso. Cada um conhece os pecados dos outros e por receio da publicidade agem na direção do protecionismo. Tasso, pelo contrário, trabalhou para que o Senado não aprovasse as medidas cautelares do STF contra Aécio e votou a favo da restituição do seu mandato. Na primeira oportunidade que Aécio teve, destituiu Tasso da presidência e colocou um pau mandado seu para dar as cartas.

Quero ver o discurso de Alckmin, o Santo nas planilhas da Odebrecht, sobre combate a corrupção. Ele bem que tentou afastar Aécio apelando para o “bom senso”. Ladrão não tem bom senso nem na hora da partilha do roubo. Geralmente, ele fica com 50% ou mais do butim e o resto é dividido entre os componentes da quadrilha. O primo Fred levou R$ 2 milhões para Aécio. Quanto ficaria para ele? Talvez o salário de assessor ou uns R$ 5 mil para ele fazer uma farra com amigos.

Para finalizar, tem um detalhe importante, além da possível saída de Lula da cadeia no próximo dia 10. A delação de Palocci. Ele disse, anteriormente, que o PT recebeu US$ 1 milhão de Kadafi e isto, de acordo com o item I do artigo 28 da Lei № 9.096/95, significa cancelamento do registro do partido. Imagine como ficariam os denunciados com foro privilegiado sem legenda para concorrer!

Os imbecis aguardam, ansiosamente, as novas declarações dos ingênuos. Quem sabe se com estas aulas de educação à distância num futuro próximo os imbecis serão promovidos a ingênuos?


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