MEUS MELHORES BREGAS – FOLHETIM

Folhetim: brega original de Chico Buarque

“Folhetim” focaliza a figura da prostituta que oferece seus encantos– “se acaso me quiseres/ sou dessas mulheres/ que só dizem sim” – tema idêntico ao da composição “Love for Sale”, de Cole Porter, proibida e depois liberada nos anos 1930.

Essa composição, de Chico Buarque, me encanta desde que foi lançada na “Ópera do Malandro”, baseada na “Ópera dos Três Vinténs”, de Kurt Weil e Bertold Brecht, e na “Ópera dos Mendigos”, de John Gay.

É o caso típico de uma música brega, acomodada passivamente numa obra linda de um compositor de griffe: Chico Buarque. Na versão-standard, participação de Wagner Tiso e arranjo de Perinho Albuquerque e Jorginho Ferreira da Silva, em intervenção ao sax-alto (show).

Folhetim, com Gal Costa, Acustico – MTV – 1992

Não é mais uma música sobre mulher, considerada uma das mais importantes correntes témáticas de Chico – músicas em alusão ao feminino, ou do feminino mesmo.

Mesmo antes de terminá-la para o personagem da Ópera do Malandro, CB já pensava em entregá-la a Gal Costa para gravar.

É música trabalhada por encomenda, gente, para compor essa versao maravilhosa da opera original.

Pode ou não fazer parte daquela lista interminável das músicas femininas de Chico, como “Geni e o Zeppelin’ e “O Meu Amor”, que também compõem a Ópera.

Folhetim, com Tania Alves, Lucinha Lins e Virginia Rosa

“Folhetim” é pura metalinguagem. O brega e mais popular possível nas palavras de um mestre das letras.

“Folhetim” não é uma mera avaliação semiótica de como se faz uma canção com esse tema, nesse gênero.

Ela pode e deve ser cantada a plenos pulmões, de forma desabrida e despudorada, como a personagem que se dispõe em corpo e alma para sempre dizer sim.

Ah, importante notar: a “Ópera dos Mendigos”, uma sátira à sociedade inglesa do século XVIII, é considerada uma obra revolucionária por ter levado canções populares ao teatro operístico.

Agora, com Vanusa:

Semana que vem tem mais..



MEUS MELHORES BREGAS – NEGUE

Brega é estado de espírito

Ouço “Negue”, do português Adelino Moreira e do paulista Enzo de Almeida Passos, desde a gravação de Nelson Gonçalves.

Aliás, na casa de vovô, no Recife, só tinha uma vitrola para vários moradores e seus gostos musicais. Um chegava com Orlando Dias, outro com Genival Lacerda, outros com Lana Bittencourt.

Os integrantes do fã-clube de Nelson Gonçalves, o maior cantor do Brasil abasteciam nosso acervo. Eram “Flor Do Meu Bairro”, “Deusa do Asfalto”, “A Volta do Boêmio”, e a insuperável “Negue”, na época, digamos, ainda num limbo entre um grande bolero, samba-canção e um brega envergonhado. A confusão fazia parte do enquadramento careta dos ‘experts’ da música, então. Ou é bom e MPB. Ou é brega, de qualidade duvidosa.

Na verdade, era tudo questão de estado de espírito: quando cheguei um dia com “Pedro Pedreiro”, de Chico, perguntaram: quem fez essa coisa sem graça. Isso vinha acompanhando de um “então, não ouça mais nossos bregas, tá!”.

Meu problema era Nelson. Tive que voltar aos bregas tradicionais para restabelecer minha relação com Nelson:

O inverso também me aborrece muito! É quando um sujeito como Peninha, que não busca títulos, nem paetês – somente o reconhecimento de seu trabalho – só passam a ter músicas como ‘Sonhos’ e ‘Sozinho’ reconhecidas, depois que Caetano as grava. É muita hipocrisia..

Numa terceira via, cantores extraordinários, como Cauby Peixoto, são forçados a sair de seu repertório comum para gravar, por imposição de produtores e gravadoras, músicas como “Bastidores”, que seria linda na voz de qualquer um, numa tentativa de elevar o music-status do grande intérprete. Imaginem com Cauby. Tentaram a fraude com Nelson e Ângela Maria também. Não deu certo!

A gravação que elevou “Negue” ao patamar de clássico da MPB foi a de Maria Betânia, que, de resto, sempre cantou tudo o que quis e como quis.

Agora, para finalizar, gostaria que observassem como se destrói uma música, seja ela de que gênero for e com qual estado de espírito seja ouvida. Vejam que porcaria:

Sem mais, semana que vem tem mais…



GEOGRAFIA MUSICAL – CACHOEIRO DO ITAPERIMIM

Raul Sampaio: “Meu Pequeno Cachoeiro”

Tenho uma relação antiga, quase umbilical, com o Espírito Santo. Ainda guri, anualmente, um dos grandes eventos era reunirmos-nos na casa de tia Alice e ti Agenor, para receber tio Jorge, Marita, e os meninos (alternadamente) Gilton, Nicinha, Eduardo, Bolivar, Beth e Jenny, pernambucanos com sabor capixaba.

Tio Jorge Marques era funcionário de alta patente do Banco do Brasil, lotado no estado capixaba. Naquela época, ser funcionário do BB e com posição de proeminência, equivalia a um título de nobreza.

Mas para mim, Zeca, Robinson, Sandra, Ricardinho e outros primos nos interessava menos a patente de ti Jorge do que o que ele trazia na bagagem como presente: caixas e mais caixas de chocolate Garoto – do antigo, não essa coisa malamanhada de hoje em dia. Era dia da festa a chegada de tio Jorge, de Vitória-ES.

Outros tantos episódios consolidaram minha ligação atávica com os capixabas. Com a grande generosidade e cuidado de meu primo Eduardo Marques, pude passar tempos de depuração e limpeza dos desenganos da vida, ainda em 1975. Arranjou-me trabalho e vida em fazenda do sogro Augusto (pai de Bel) na bela Santa Tereza. Foram momentos de cura e reflexão importantes para o meu proseguir.

Depois, só voltei a Vitória-ES, agora no ano 2000, quando eu e Eva dormimos na área do porto e curtimos a passagem do século na praia de Camburi, com vista para Tubarão.

Sempre tive na ala capixaba da família uma parte alegre e solidária entre meus parentes.

Raul Sampaio

Por tudo isto, vez por outra, lembro de “Meu Pequeno Cachoeiro”, do excelente compositor cachoeirense Raul Sampaio. Verdade que conheci a cidade de Rubem Braga, Sérgio Sampaio e Roberto Carlos muito de pressa, quase sem ver o Itapemirim.

Raul Sampaio está com 89 anos, nascido em Cachoeiro, em 6 de julho de 1928 e mora em Marataízes-ES.

“Meu Pequeno Cachoeiro”, com Raul Sampaio

Autor de mais de 200 canções, Raul Sampaio participou em duas formações do Trio de Ouro, composto por ele, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.

Em 1969, o conterrâneo Roberto Carlos tornou famosa nacionalmente a canção de Raul, que desde 1966 é também o hino da cidade.

“Meu Pequeno Cachoeiro”, com Roberto Carlos

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GEOGRAFIA MUSICAL, O SENTIMENTO – LAMENTO SERTANEJO

Lamento Sertanejo: a lembrança marcante da terra original

Quando estou de calundu, me apego a “Lamento Sertanejo”, essa obra-prima de Dominguinhos e Gilberto Gil, que é um tratado musical de alta sensibilidade, amor, dor, saudade dos que sua terra natal deixaram, mas não a afastaram do coração.

Mais ainda, o “viver contrariado” nem depende tanto hoje da pureza e da singela beleza sertaneja, mas muito mais o que criamos em nossas mentes globalizadas, cibernéticas e apressadas, poluídas.

Aliás, nem preciso estar de calundu para evocar “Lamento Sertanejo”. É tão grandiosa sua melodia e dizem tanto seus versos que eu me alimento mesmo quando só estou contemplando o céu.

Lamento Sertanejo – Gilberto Gil (1975)

Sou frequentador o quanto posso das terras de meu pai, meus avós, primos e primas, ali na querida São Bento do Una, com emanações de Capoeiras, Garanhuns e Pesqueira.

Ali me acostumei com a natureza, nas férias de menino. Agora adulto, vou sempre pedir a benção aos que representam a minha terra, muitos já passados dos 60, como eu.

Lamento Sertanejo, com Hamilton de Holanda, Mayra Andrade e Yamandu Costa

 

São Bento do Una

Zeca, Bianca e Dayne (toadas)

O nosso sertão semi-árido e verde

Pós-café da manhã na casa de Totonho

Agora uma versão que eu não conhecia:

Lamento Sertanejo , com Marinês e Ney Matogrosso

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“VOU DANADO PRÁ CATENDE” E OUTRAS DE ASCENSO

Alceu Valença traz Ascenso Ferreira para a atualidade. Um trabalho intransferível

Hora de comer — comer!
Hora de dormir — dormir!
Hora de vadiar — vadiar!
Hora de trabalhar?
— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!

Ascenso Ferreira

Poemas são muitos, sempre bons, a descoberta dos sons atrás das palavras e a onomatopéia que sonoriza o barulho dos objetos e se som não tiverem ele acabará por inventá-los. Este foi o grande Ascenso:

“Oropa, França e Bahia”

Para os 3 Manuéis:
Manuel Bandeira
Manuel de Souza Barros
Manuel Gomes Maranhão

Num sobradão arruinado,
Tristonho, mal-assombrado,
Que dava fundos prá terra.
(“para ver marujos,
Ttituliluliu!
ao desembarcar”).

…Morava Manuel Furtado,
português apatacado,
com Maria de Alencar!

“Oropa, França e Bahia”, com Alceu Valença

Maria, era uma cafuza,
cheia de grandes feitiços.
Ah! os seus braços roliços!
Ah! os seus peitos maciços!
Faziam Manuel babar…

Vou Danado pra Catende (Trem de Alagoas), com Alceu, Zé Ramalho, Lula Cortes e parte do Ave Sangria – De Ascenso Ferreira, adapt. Alceu Valença – 1975 – Festival Abertura

De Alceu falarei pouco. A época de cada um encarregou-se de separar a pífia mídia do primeiro para a barulhenta do segundo.

Ascenso Ferreira, poeta, boêmio, escritor e jornalista, nasceu em Palmares, zona da Mata de Pernambuco, em 09 de maio de 1895, filho único do comerciante Antônio Carneiro Torres e da professora Maria Luiza Gonçalves Ferreira, cujo apelido era Dona Marocas.

Faleceu a 5 de Maio de 1965, na cidade de Recife, PE. Em 1917, aquele menino, registrado como Aníbal Torres, decidia mudar o seu nome para Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira. Aprendera a ler e a escrever graças aos esforços de Dona Marocas, uma dedicada professora de escola pública, porque aos 6 anos de idade ficara órfão de pai.

Aos 13 anos, devido à carência de recursos materiais, aquele jovem tinha que trabalhar 10 horas por dia: havia se empregado como balconista na loja ‘A Fronteira’, de propriedade de Joaquim Ribeiro, seu padrinho de batismo.

Trem de Alagoas (c/Vou Danado pra Catende), com Inezita Barroso

Aprenderia muito na vida vendendo meias quartas de carne seca, bicadas de aguardente, cuias de farinha e meias garrafas de querosene.

Em 1911, publica no jornal A Notícia de Palmares, o seu primeiro poema, “Flor Fenecida”.

No ano de 1916, juntamente com outros poetas, Ascenso fundava a sociedade “Hora Literária”. Mas, por defender o abolicionismo, ele passava a ser perseguido politicamente. Mais tarde, sobre essa fase da vida, o poeta escreveria:

“Mamãe foi demitida com 25 anos de serviço! Tivemos a casa pichada; fui vaiado um dia na rua; corrido acintosamente pela polícia; ameaçado de prisão… O estabelecimento de meu padrinho, devido a sua morte, entrara em liquidação. Fiquei sem emprego e sem ter ninguém em Palmares que me quisesse aproveitar os serviços, pois todos tinham receio de desagradar os senhores da situação.”

Em 1920, mudou-se para o Recife, conseguiu um emprego administrativo, indo trabalhar como escriturário do Tesouro do Estado de Pernambuco. Como poeta, entretanto, ele era lançado pelos estudantes da Faculdade de Direito do Recife, que o obrigaram, em certa ocasião, a declamar seus versos no palco do Teatro Santa Isabel. Passa a colaborar com o Diário de Pernambuco e outros jornais.

Em 1921, no Recife, Ascenso Ferreira se casa com a jovem palmarense Maria Stela de Barros Griz, filha do poeta Fernando Griz. No ano seguinte, publicava seus poemas nos jornais Diario de Pernambuco e A Província. Tornava-se um grande amigo de Luís da Câmara Cascudo, Joaquim Cardozo, Souza Barros e Gouveia de Barros.

Em 1925, participa do Movimento Modernista de Pernambuco e, em 1927, publica seu primeiro livro, Catimbó, incentivado por Manuel Bandeira. Viaja a vários estados brasileiros para promover recitais. No ano seguinte, saía no Recife a segunda edição do seu livro, que já tinha sido lançado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nesta cidade, o poeta dava um recital no Teatro de Brinquedos, sendo muito aplaudido, e fazia amizade com vários intelectuais e artistas do sul do País: Mário de Andrade, Cassiano Ricardo, Anita Malfatti, Eugênia Alvaro Moreira, Oswald de Andrade, Olívia Penteado, Afonso Arinos de Melo Franco e Tarsila do Amaral.

Ascenso publicou seu segundo livro Cana Caiana, em 1939, com as ilustrações de Lula Cardoso Ayres. Nessa época, tornara a viajar para o Rio de Janeiro, onde conheceu Cândido Portinari, Sérgio Milliet, Osvaldo Costa, entre outras personalidades.

No início da década de 1940, Ascenso se aposentava como diretor da Receita do Tesouro do Estado de Pernambuco e, já um homem maduro, vem a se apaixonar por uma jovem adolescente – Maria de Lourdes Medeiros – indo viver em sua companhia.

Em 1948, nasceria a sua filha Maria Luíza. Esta menina foi a sua maior fonte de preocupação na fase final da vida, porque ele temia não viver mais tanto tempo e ter que deixá-la, ainda bem nova, órfã de pai.

Em 1941 o terceiro livro Xenhenhém está pronto para ser editado, mas só sairia em 1951, incorporado à edição de “Poemas”, com o título de Poemas e xenhehém, que foi o primeiro livro surgido no Brasil apresentando disco de poesias recitadas pelo seu autor – a edição continha, ainda, o poema “O Trem de Alagoas”, musicado por Villa Lobos.

Dessa vez, ele viajou para o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, por um período de três meses, para realizar conferências, gravações e dar recitais. No Congresso de Escritores, ocorrido em Goiânia, ele se tornou amigo do célebre Pablo Neruda.

Em 1955, participa ativamente da campanha presidencial de Juscelino Kubitschek, inclusive participando de comícios no Rio de Janeiro.

Em 1966, é nomeado por JK para a direção do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, no Recife, mas a nomeação é cancelada dez dias depois, porque um grupo de intelectuais recifenses não aceita que o poeta e boêmio irreverente assuma o cargo.

É nomeado, então, assessor do Ministério da Educação e Cultura, onde só comparecia para receber o salário.

O poeta assinou um contrato com José Olympio Editora, em 1956, para uma nova edição dos seus poemas. Pouco tempo depois, lançava um álbum duplo de discos com as suas obras completas “64 poemas escolhidos e 3 historietas populares”, com a apresentação de Câmara Cascudo. Além do mais, ele seria o quarto poeta brasileiro a ter a sua voz gravada para a Biblioteca do Congresso, em Washington.

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – PETROLINA-PE, JUAZEIRO-BA

Petrolina-PE e Juazeiro-BA: Pólo de turismo, cultura, produção agrícola,
vinícolas e o São Francisco no meio!

Na época de caixeiro-viajante, anos 1970, dei um pulo em Petrolina-PE, decisão tomada de última hora quando me preparava para voltar ao Recife, pela BR-232.

Tinha à disposição para exercer as vendas de tecidos, confecções, artigos de armarinho, pelas industrias Jomack S.A e Sigra S.A., uma imenso território – do Oeste do Maranhão ao Sul da Bahia, ou seja o Nordeste inteirinho.

Estiquei até Petrolina por saber que iria faturar bem – cidade grande, pólo regional – e principalmente para conhecer aquele lugar ainda não encaixado nas poções de Nordeste que conhecia bem: litoral, mata, agreste, sertão.

Panorâmica de Petrolina, vista de Juazeiro-BA

Que mistérios guardaria uma cidade do Alto Sertão, banhada pelo São Francisco e ainda vizinha da Bahia.

Foi tudo bom, as vendas e os passeios. Paixão à primeira vista.

Só voltei à região agora em 2015, em férias com a família.

Petrolina Juazeiro – Fagner e Jorge de Altinho, do olindense Jorge de Altinho

Conhecia outras travessias do Velho Chico, importantes e históricas: Penedo-AL-Neópolis-SE; e Propriá-SE-Porto Real do Colégio-AL. Estas por conta de passeios avulsos ou rotas de trabalho.

Petrolina Juazeiro, com Trio Nordestino

As duas cidades são férteis como berço de grandes nomes da Música Brasileira: Juazeiro é terra de João Gilberto, Ivete Sangalo e Galvão (Novos Baianos). Petrolina, nos deu o consagrado Geraldo Azevedo e o novo expoente do piano bossa-novista Zé Manoel.

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – EDU LOBO-CORDÃO DA SAIDEIRA

Cordão da Saideira: a lembrança do bonde de Olinda-PE

Nasci na rua Jose de Alencar, na Boa Vista, cidade do Recife. Na época, meus pais moravam na Yputinga, Norte do município.

Era uma época de mudanças, de progresso econômico e social para a família. Fomos residir no Umuarama – bairro popular de Olinda – e depois Boa Viagem, na rua dos Navegantes, outro padrão, status.

O super bairro ainda se desenhava, em 1966. Foi nessa época que Edu Lobo lançou “No Cordão da Saideira”.

Com 12 anos, comecei a descobrir as melhores peculiaridades e atrações turísticas de nossa Capital metropolitana – Recife/Olinda, que sempre tiveram diferenças históricas irreversíveis, mas nunca deixaram ser irmãs siamesas.

No Cordão da Saideira – Coral Madeira de Lei – part. esp. Naná Vasconcelos

Aquele bonde a que se referia Edu, eu tomava de vez em quando. Pongava o bonde com meu pai, o que me trazia imensa alegria.

Depois, encaixei a letra em todas as referências que vivia e já conhecia: “agulha frita, munguzá, cravo e canela. Cheiro de lança no lar. Me lembro tanto que é tão grande a saudade, que até parece verdade que o tempo ainda pode voltar….”

Sempre tive a sensação de que Edu fosse pernambucano. Sua fase de Corrida de Jangadas, Candeias, Casa Forte me induzia a pensar assim.

Edu Lobo & Metropole Orkest – No Cordão Da Saideira

Cantor, compositor, arranjador e instrumentista, Edu Lobo, nasceu no Rio de Janeiro em agosto de 1943 (74 anos).

Filho do jornalista e compositor pernambucano Fernando Lobo (Chuvas de Verão), era a cara do pai e passava todas as férias esscolares entre o Recife e Olinda, com seus familiares.

Reconhecido e admirado em todo o mundo, Edu Lobo era chamado jocosa e respeitosamente por Tom Jobim de “neto de Heitor Villa-Lobos”.

Fernando, Bena e Edu Lobo

Ah, curiosidade: Edu Lobo criou “Cordão da Saideira”, no gelado frio de Paris, no Inverno de 1966…

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – BRANT E MILTON

Itamarandiba-MG, preciosidade do Vale do Jequitinhonha

Itamarandiba-MG, afamada e feita canção pelo excelente Fernando Brant (morto em 2015) e Milton Nascimento, é município possui extensa e diversificada área no Alto Vale do Jequitinhonha, sendo um dos principais municípios da região que estende-se sobre os domínios da Mata Atlantica – a leste – e Cerrado.

O relevo é marcado pelas grandes chapadas e pela Serra do Espinhaço – designada Reserva da Biosfera pela UNESCO.

A origem do município remonta ao século XVII, com a chegada do bandeirante Fernão Dias – o caçador de esmeraldas – no processo de expansão da América Portuguesa. A etimologia da palavra é de origem indígena e significa “pedra miúda que rola juntamente com as outras pedras”.

Antiga sede da prefeitura

Em 1997, Itamarandiba recebeu o título de Cidade Solidária do Brasil, pela presidência da República. A implantação de programas sociais, ligados à agricultura familiar, e a crescente preocupação com a assistência social no município levaram à conquista.

Itamarandiba, de Fernando Brandt e Milton Nascimento

A cidade hoje possui dois grandes centros sociais, instalaçoes da APAE e Ginásio Poliesportivo.

Itamarandiba abriga várias associações de assistência, entre elas a “Fazenda de Recuperação de Dependentes Químicos”, referência nacional no assunto.

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – “I WANNA TO GO BACK DO BAHIA”

Paulo Diniz: inglês de Joel Santana, numa letra homenageando Caetano Veloso

Alguns tinham-no como desparecido, outros como morto, havia ainda os que, precisos nas minúcias, falavam de doença terminal.

Nos últimos tempos, Paulo Diniz vinha realizando shows em cidades do interior, mas a doença que o acometeu (esquistossomose) agora já não o premite sair de casa, inspirar-se com o cotidiano.

Diniz compôs e cantou muitos sucessos nacionais, principalmente entre os anos 1970 e 1980.

O seu maior grande hit foi a canção “I wanna to go back do Bahia”, na qual homengeou Caetano, então auto-exilado em Londres.

De 12 aos 16 anos, Diniz trabalhou numa fábrica de doces da sua cidade natal Pesqueira-PE.

Mais tarde, mudou-se para o Recife, onde tentou ganhar a vida engraxando sapatos, como crooner e baterista em casas noturnas, locutor de casas comerciais e, em seguida, locutor e ator da Rádio Jornal do Commercio.

Do Recife seguiu para Caruaru-PE, depois para Fortaleza-CE. Em 1964 foi para o Ro de Janeiro.

Nascido em 1940 (78 anos), Paulo Diniz compôs inúmeros sucessos como: Chorão, Ponha um Arco-Iris na sua Moringa, Pingos de Amor, “E agora, José” (poema de Drummond), Um chopp para distrair, entre outros. Odibar foi o principal parceiro de Paulo Diniz.

Suas canções foram gravadas por Clara Nunes, Emílio Santiago e Simone.

Eu Vim de Piri-Piri (Paulo Diniz/Odibar)

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – RIACHO DO NAVIO”

Riacho do Navio, caminho para o Pajeú; de lá ao São Francisco

O riacho do Navio é um curso d’água intermitente e afluente do rio Pajeú, atravessando o sertão pernambucano.

Sua fama se deve à música “Riacho do Navio”, composta por Luiz Gonzaga e Zé Dantas.

O riacho recebe esse nome por causa de uma pedra – na Fazenda dos Algodões, na zona rural de Floresta-PE, que lembra um navio.

A música propõe a filosofia de voltar para o simples, quando sugere que “se fosse um peixe” trocaria o imenso mar pela simplicidade do riacho do Navio. Para isso, porém, o tal peixe, mencionando na música, teria que nadar contra as águas.

Riacho do Navio – Luiz Gonzaga/Zé Dantas, com Gonzaga

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – “PINDURADO NO VAPOR”

“Pindurado no Vapor”: o rock rural magistral de Sá, Rodrigues e Guarabyra

“Pindurado no Vapor” é uma das mais lindas melodias produzidas por Sá, Rodrix e Guarabyra, o ponto alto do movimento de rock-rural brasileiro. Tomo a liberdade de chamá-los de fundadores da road-music nacional, mesmo que a viagem seja de trem ou de vapor.

O trio aparece num momento pouco antes ou pouco depois, do ocaso precipitado do samba-canção, da nova onda, a bossa-nova, da música de protesto, dos festivais, da psicodelia e por aí vai.

Ecológicos de primeira hora, poetas do vento, do pó da estrada, e da madeira dos vapores, sabiam da importância das matas ciliares e da necessidade da conservação de um Brasil rural, por preservação e contemplação.

É possível que tenham deixado escola – Renato Teixeira, Almir Sater e indicado professores – Helena Meirelles – mas como eles e com tanta qualidade não vi tantos.

Sá e Guarabyra – já sem a presença fundamental de Rodrix – continuam na estrada e nos palcos, pois os rock-rural ainda não acabou.

“Pindurado no Vapor”, Sá Rodrix e Guarabyra (1973)

Em Pindurado no Vapor, os três cantores-compositores-músicos-arranjadores, descrevem uma longa e aventureira viagem no vapor Benjamim Guimarães (o úlimo a funcionar), de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, a Pirapora, em Minas.

Foram cinco dias pendurados no vapor, subindo a correnteza do rio São Francisco. Ninguém registrou isso melhor do que eles..

Velho Chico: Trecho entre Bahia e Minas Gerais

O ‘Benjamim’, foi um dos três últimos dos tradicionais vapores que há mais de um século, desde 1871, singravam as águas do rio São Francisco. Na época, os vapores tinham extrema importância para o transporte de passageiros e mercadorias, atuando como forte fator de integração social e econômica no país.

Vapor que fez o trajeto Bom Jesus da Lapa-BA a Pirapora-MG

Esse tipo de embarcação se tornou parte integrante da paisagem, compondo a cultura e o imaginário popular de todo o trecho médio e alto da da Bacia do São Francisco.

Chegaram a coexistir mais de 30 vapores de linha, fazendo o trajeto de Pirapora, em Minas, até os sertões nordestinos.

Em meados do século passado, foram considerados obsoletos e antieconômicos.

Substituídos por rebocadores a diesel, foram enconstados, sucateados e desmantelados. A hegemonia do transporte rodoviário foi o golpe de misericórdia.

Para quem não conhece, vale a pena escutar com atenção o som dos meninos. Um bônus com outros trabalhos do trio:

Casa no Campo/Caçador de Mim/Espanhola

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – PEGUEI UM ITA NO NORTE

Dorival Caymmi (1914-2008)

Em 1945, Dorival Caymmi narra a viagem costeira a bordo do vapor “Itapé”, quando o genial baiano migrou em 1938 para o Rio de Janeiro, então capital federal, numa bela melodia “Peguei um Ita no Norte”.

A composição tornou-se tremendo sucesso, sendo gravada por cantores e cantoras da nata da música nacional.

Desta feita, porém, não vou refenrenciar ‘apenas’ a música e as históricas e maravilhosas cidades de Belém-PA, e de São Sebastião do Rio de Janeiro-RJ.

Foco mesmo é na viagem feita por mar, que, algum dia, em nosso país, tornou-se sinônimo de modo de viajar: “vou pegar um “Ita” para Salvador; vou de “Ita” para Porto Alegre”. Explorava a navegação mercante, entre os portos nacionais.

ITA – era o nome que designava a classe de navios, ou qualquer um dos navios a vapor brasileiros, pertencentes à Companhia Nacional de Navegação Costeira*. Faziam a chamada “cabotagem”, transportando cargas e passageiros de Norte a Sul do Brasil, na primeira metade do século XX.

Concepção artística do navio a vapor Itapagé, torpedeado pelo submarino alemão U-161, em 1943

Tinham nomes em tupi-guarani iniciados pela síbala ita: ita, itaberá, itagiba, itaguassu, itahité, itaimbé, itaipu, itajubá, itanajé, itapajé, itapé (o de Caymmi), itapema, itapuca, itapuhy, itapura, itaquara, itaquatiá, itaquera, itaquicé, itassucê, itatinga, itaúba etc.

*Companhia Nacional de Navegação Costeira (também conhecida como ‘Costeira’) foi uma firma de navegação, brasileira, fundada em 1882 por imigrantes portugueses.

O primeiro nome da empresa foi Lage & Irmãos. A frota inicial era composta por quatro vapores adquiridos na época da companhia Norton & Megaw.

A Costeira, com sede na cidade do Rio de Janeiro, operou entre os anos de 1891 até 1965.

“Peguei um ITA no Norte”, de Dorival Caymmi, 1945

De acordo com Laire José Giraud e a “Tribuna de Santos”, a empresa operava em comum acordo os navios identificados como Itas com o Lloyd Brasileiro em data não precisa e finalmente incorporada ao Lloyd Brasileiro em 1965.

Os paquetes (nome que precedia os de batismo do navio) servia aos seguintes portos: Manaus, Belém, São Luiz, Fortaleza, Natal, Cabedelo, Recife, Maceió, Penedo-AL, Aracaju, Salvador, Ilhéus-BA, Vitória, Rio de Janeiro, São Sebastião-SP, Florianópolis, Rio Grande-RS e Porto Alegre.

Peguei um ITA no Norte, de Caymmi, com Gal Costa, 1993

Em 1993, a tradicional Acadêmicos do Salgueiro apresentou como tema para o seu carnaval a canção homônima, num enredo desenvolvido pelo carnavalesco Mário Borrielo.

Retratava a viagem de um migrante nortista até o Rio de Janeiro. A escola fez uma apresentação memorável, considerada uma das melhores da história do concurso, conquistando seu oitavo título no carnaval carioca, encerrando um jejum de 18 anos.

O refrão ficou famoso no país inteiro, sendo até hoje cantado nos estádios de futebol:” Explode coração/ Na maior felicidade/ É lindo o meu Salgueiro/ Contagiando e sacudindo esta cidade.”

GRES Salgueiro ‘Peguei um ITA no Norte’, de Demá Chagas/ Arizão/ Bala/ Guaracy/ Celso Trindade, campeão de 1993// Samba-enredo inspirado na música original de Caymmi

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – O MENINO DE BRAÇANÃ

Braçanã, Rio Bonito-RJ

Braçanã é um distrito de Rio Bonito, no Rio de Janeiro. Ali está a Cachoeira de Braçanã, nome conhecido nacionalmente pela belíssima canção do caruarense Luiz Vieira, em parceria com Arnaldo Passos.

Localizada em Braçanã de Baixo, a cerca de 3 quilômetros da entrada da BR-101, a bela cachoeira recebe milhares de visitantes no verão. As águas, do rio Caceribu, formam o Salto e suas piscinas naturais.

Agora ouçam a mesma melodia com Rita Lee:

O manancial abriga remanescentes da Mata Atlântica e também uma captação de água, que é tratada e abastece parte do 3º distrito de Rio Bonito, Basílio, e o vizinho município de Tanguá.

Luiz Vieira nasceu em Caruaru-PE, em outubro de 1929, contando, portanto hoje com 89 anos. Pode-se dizer que Vieira era a música nordestina e sertaneja na Baixada Fluminense. Autor de “Menino Passarinho” (Prelúdio Pra Ninar Gente Grande), em 1962. No ano seguinte gravou outro grande sucesso “Paz do Meu Amor” (prelúdio nº 2). Chegou a fazer 5 programas de televisão, ao vivo, por semana. Viajava do Ceará ao Rio Grande do Sul, semanalmente. Atualmente, é locutor da Rádio Manchete. Não gosta de ser chamado de cantor e sim de cantador.

De Arnaldo Passos, o que se sabe é que era um divulgador de músicas, entrando eventualmente em parceiras, a partir de 1930, a era do rádio.

Mais uma versão de Braçanã:

E com Betânia, como fica o clássico?

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – BODOCONGÓ

Bodocongó, Campina Grande-PB

O açude de Bodocongó é um reservatório criado na cidade de Campina Grande-PB, para dar conta da escassez de água na região, vez que os açudes Novo e Velho já não supriam as necessidade da população.

Além disso, Bodoncongó fica muito distante dos antidos açudes, podendo abastecer gente que morava longe do centro da cidade.

O início de suas instalações se deu no antigo sítio Ramada. Em 1915 foi iniciada sua construção, que terminou em janeiro de 1917, sendo entregue à população.

Em seu entorno foram surgindo industrias de transformação e, por fim o bairro que recebeu esse nome, por causa do riacho.

Na década de 1950, existia um clube aquático no Açude de Bodocongó, porém ele faliu nos anos 1960.

Popularmente, o bairro foi ocupando toda a área do bairro Universitário.

Assim, Bodocongó é conhecido por ter as duas universidades públicas da cidade, bem como a Escola Técnica Redentorista.

Além do mais, há ali pelo menos 4 escolas estaduais e 2 municipais, 2 unidades básicas de saúde da família e um tradicional mercado público, a feirinha do Conjunto Severino Cabral.

O bairro possui níveis de qualidade de vida extremamente variados, sendo a parte centro-leste do bairro mais rica e próspera que o sul, norte e oeste do bairro.

Bodocongó, de Humberto Teixeira e Cícero Nunes (1966) – com Jackson do Pandeiro

Agora, na voz de Elba Ramalho, com participação de Dominguinhos.

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – MARACANGALHA

Maracangalha-BA

O primeiro esclarecimento é que Maracangalha existe mesmo. É um distrito do município de São Sebastião do Passe, na Bahia.

A localidade hoje é ponto turístico, tendo como umas das atrações a Praça Dorival Caymmi – em forma de violão, inaugurada em 1972. Há ainda a Capela de Nossa Senhora da Guia, de 1963, e a Usina Cinco Rios, de 1912, que já chegou a produzir 300 mil sacas de açúcar por ano.

A praça

A História – Caymmi tinha um amigo de infância, Zezinho, que costumava dizer a Dorival “Eu vou para Maracangalha…”.

O assunto surgiu porque Zezinho contou ao compositor baiano que tinha uma amante, Áurea, em Itapagipe, e, com ela, 4 filhos.

Zezinho era casado com Damiana e ‘tinha’ de arrumar um jeito para ver sua outra família.

Para isso, bolou um esquema para ter o motivo de saída de casa e a prova, na volta, de que havia sido sincero…

Usina Cinco Rios

Zezinho se abriu com o amigo compositor: explicou que ele enviava um telegrama a si mesmo, onde dizia que sua presença era necessária em Maracangalha, pois sua presença era necessária no vilarejo.

A partir daí, ele avisava em casa que precisava viajar e estava coberto pela própria lorota. Na volta, trazia um saco de açúcar, para provar que tinha ido a Maracangalha. A Usina Cinco Rios era uma das maiores fontes de movimentação econômica da regiao. O ‘álibi perfeito’…

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GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – MANGARATIBA

Mangaratiba- RJ

Quando miúdo ouvia muito “Mangaratiba”, na voz de Luiz Gonzaga, parceria do rei com Humberto Teixeira.

A vitrola ficava acesa o dia inteiro. O aparelho servia para tocar a trilha de cada um dos que se hospedavam ali, na faixa, na casa de vovô, no bairro de São José, Recife-PE

Eram Gonzagão, Jakcson, Gordurinha, Ary Lobo, Marinês, Nelson, Ãngela Maria, Dalva, Marlene, Emilinha, Trio Irakitan, Dick Franey, Lucio Alves e uns novatos – Edu Lobo, Chico Buarque, Ivan Lins, João Donato, Zimbo Trio, além de outro bocado de músicas de todos os gêneros.

Eu, parcularmente, era muito chato e usava da prerrogativa de ser neto do dono da casa para interromper Orlando Dias, por exemplo…

Uma música que sempre me deixou curioso foi “Mangaratiba”, principalmente pelo título que me parecia muito próximo da prosódia e de um termo de origem nordestina e não conhecia, não sabia se era cidade, fruto ou nome de um pau.

Mais tarde, vim saber que era um dos mais belos balneários do Rio, lugar onde todo high-society carioca tinha casa, mansão.

Mangaratiba é um munípio da microrregião de Itaguaí-RJ, contíguo à Regiao Metropolina do Rio de Janeiro, estado do Rio. Está a 85 km da capital e possui cerca de 40 mil habitantes, segundo o IBGE.

Mangaratiba é um termo originário do Tupi antigo e significa “ajuntamento de mangarás”, da junção de mangará (termo que designa plantas da famílias da aráceas) e tyba (ajuntamento).

Mangaratiba (Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira), com Gonzagão

Ôi, lá vai o trem rodando estrada arriba
Pronde é que ele vai ?
Mangaratiba! Mangaratiba! Mangaratiba!
Adeus Pati, Araruama e Guaratiba
Vou parar Ibacanhema, vou até Mangaratiba!

Adeus Alegre, Paquetá, adeus Guaiba
Meu fim de semana vai ser em Mangaratiba!
Oh!Mangarati, Mangarati, Mangaratiba!
Mangaratiba!

Lá tem banan, tem palmito e tem caqui
E quando faz luar, tem violão e parati
O mar é belo, lembra o seio de Ceci
Arfando com ternura, junto à praia Guity
Oh!Mangarati, Mangarati, Mangaratiba!
Mangaratiba!

Lá tem garotas tão bonitas quanto aqui:
Zazá, Carime, Ivete, Ana Maria e Leni

Amada vila junto ao mar Sepetiba
Recebe o meu abraço, sou teu fã
Mangaratiba!
Mangaratiba! Mangaratiba!

Prá falar a verdade, fiquei sabendo das peculiaridades de Mangaratiba há pouco tempo. Além de originária de um povoado de pescadores, depois tornado um dos mais bonitos templos do litoral do Rio, a escondida cidade ficou muito famosa para nós, não fluminenses, principalmente por conta da presença da nata da máfia da corrupção nacional, incluindo o ex-governador Sergio Cabral e o interessante Fernando Cavendish.

Sim, Neymar também está lá numa bela mansão, tratando do dedinho, tão valioso, que poderá nos ajudar a ganhar mais uma Copa. Mas, este não é um meliante, ganha seu dinheiro fazendo gols e lances mágicos pelos campos do mundo inteiro…

Semana que vem, tem mais..