Coluna: WELLINGTON VICENTE – CORDÉIS VOLANTES

MULHER SEM JUÍZO

Toda mulher sem juízo
Tira o juízo da gente.

Mote de Ramifram Gomes

Lampião, o cangaceiro
Que foi o rei do cangaço
Caiu de quatro no laço
Da mulher do sapateiro.
Por Maria o bandoleiro
Chorou e ficou carente
Esqueceu de ser valente
E se entregou ao seu riso
Toda mulher sem juízo
Tira o juízo da gente.

Jr. Adelino

Eu conheci Ana Rita
(Musa da minha ribeira)
Quase perco a estribeira
Por esta mulher bonita
Uma paixão esquisita
Se apossou da minha mente
E o neguim de Zé Vicente
Quase leva prejuízo
Toda mulher sem juízo
Tira o juízo da gente.

Wellington Vicente

CORAÇÃO

Meu coração sofredor
Já se acostumou no tédio
Inquilinas do amor
Abandonaram seu prédio
E nas clínicas das paixões
Não encontra um só remédio.

Francisco Evangelista

Meu coração sofre assédio
Diário da solidão
Quando quer se levantar
Vem outra desilusão
E bota pra beijar a lona
De novo meu coração.

Jr. Adelino

O meu não tem jeito não
Parece que por pirraça
Se ilude com toda dama
Tropeça em qualquer trapaça
Se não surgir quem lhe salve
Termina em banco de praça.

Wellington Vicente

A VIDA

Mote:

“A vida dá muitas voltas
Mas Deus é quem faz o laço”.

Eu mesmo fico pensando
Na minha rede, deitado,
Tudo o que fiz no passado
E pelo que estou passando.
Por horas fico rezando
E nas orações que faço,
Meu Anjo dá-me um abraço
E me livra das revoltas.
“A vida dá muitas voltas
Mas Deus é quem faz o laço”.

IMITANDO ZÉ LIMEIRA

Se não acabar o mundo,
Isso fica pra História.

Mote de Abílio Neto

A Linha do Equador
Quando foi inaugurada,
O Bonifácio de Andrada
Disse pro Imperador:
– Queira saber o senhor
Que é pouca a sua glória
Porque o prefeito Dória
Aliou-se com Edmundo!
Se não acabar o mundo,
Isso fica pra História.

O bravo Antônio Silvino
Com a sua cabroeira
Lá na serra do Teixeira
Topou-se com Jesuíno.
Dali tomaram destino
Numa caminhada inglória
Para votarem em Vitória
No grande Pedro Segundo.
Se não acabar o mundo,
Isso fica pra História.

GENÉTICA

Abrindo um velho baú
Me encontrei bem novinho
Na Primeira Comunhão
Lá na Matriz de Altinho
E como o tempo não para
Hoje vejo a minha cara
Na cara do meu sobrinho.