VIAGEM DAS ÁGUAS

À sombra de uma mangueira, no quintal da casa de minha avó, vejo o rio passar. Um filete de água, apenas, mas o rio mais bonito que conheço. Igual a ele, nenhum outro. Nem o rio da aldeia de Pessoa. Todos os rios dos Poetas são bonitos, mas o da minha Aldeia é mais. À frente, ele se juntará a outros rios e estes a outros e outros até desembarcarem, todos de mãos dadas, ainda doces, no salgado do mar. Chove e a chuva fininha tenta encher o bucho do rio mas o bucho é grande e a chuva, pouca. Os pingos são apenas gotas minguadas em seu ventre. Servem apenas para molhar as pedras, pintadas de verde pelo lodo. Minha avó se preocupa que eu não vá à margem, que eu não escorregue. Não vou. Consola-me o distante olhar. Penso no mistério dos peixes quando, à tarde, o sol se afoga em suas poucas águas. É o rio parindo sossego e alegrando a pupila de meus versos. No dia seguinte, de sóis e claras manhãs, tento decifrar a correnteza e imaginar a viagem das águas. E eu, pequenino diante do mundo, diante do rio, também pequenino, respiro a vida daquela água limpinha que corre para o mar.

PÉS DE TODO MÊS

Plantações de Janeiro, se não tiverem o adubo de Dezembro, dificilmente chegam a Março. E o local a ser plantado tem que ser bem escolhido, perto dos sonhos e bem distante do poço da ganância de jardineiros que vestem paletó e viajam pro Planalto para se esconderem de nós nas poucas esquinas que aparecem por ali. Para aguar, a água tem que ser colhida na fonte dos desejos solidários e terá que ter a cor da esperança misturada com o amarelo do sol. E água tem cor? – perguntarás. Claro que tem. Veja a chuva caindo maneira, pouco mais que um chuvisco e você entenderá o que quero dizer. No mais, é deixar o pé-de-janeiro por conta das estrelas sorridentes e da lua alcoviteira. Ele florescerá e, quando você menos esperar, será setembro e ele fará sombra para as flores que chegarão ansiosas por lhe fazer companhia. Que venham os Outubros …

DOR DE FLOR

Um amigo meu disse sofrer de árvore. Ele sempre acorda com pássaros pousados nos cabelos desgrenhados solfejando ventos, declamando brisas e cantando tempestades. Disse-lhe que essa dor eu quero ter. Sofrer de árvore é tão doce como padecer de flor, coisa que bem conheço por comigo acontecer sempre. E desperto cantando aromas e cheirando amores, misturado com sorrisos alegres. Outro dia senti dores de mar. Ondas e marés suaves e ternas embalaram meu despertar e ensolararam meus pés ansiosos por andar, de areia em areia, até o paraíso de uma floresta verde enfeitada por rios e riachos, árvores e frutos, borboletas e pirilampos. E fui ao encontro do padecimento que só encontro na flor. E se me aparece um analgésico, eu o enterro no primeiro jardim, perto da roseira mais bonita. Deixem-me a dor de flor …

VOTO ABERTO

Já sei em quem vou votar. Declarei meu voto ao amigo Paulo Rocha, candidato que promete uma equipe de duendes, fadas e elfos para cuidar do Ministério das Coisas Impossíveis. Um agente social muito bem intencionado que visite as casas do povo para tomar um cafezinho e falar da vida alheia … Também serão fundadas a Assessoria de Sonhos e Prevenção a Pesadelos, a Comissão Interministerial de Visitas a Senadores, com tudo pago, o Centro de Ócio Permanente e uma Procuradoria Geral Para Assuntos Irrelevantes e outras ideias que são “contra tudo que está aí”, como a Ouvidoria Especial de Poetas, a Diretoria Consultiva de Afazeres Domésticos Noturnos e o Conselho de Nuances Semânticas. Tantas promessas boas que já me fizeram decidir em quem votar. Condiciono meu sufrágio, porém, a que ele inclua no seu programa o Bolsa Sorriso, disponibilizando-o a todos que sofrem com diarreia, cáries dentárias e desamor. Também exijo que ele determine, de imediato, a construção de uma fábrica de fazer carinho e de uma escola de ensinar abraços. Se não for muito condicionar, peço que não esqueça de derramar muitas flores na estrada dos encantos juvenis e na beira do açude dos prazeres inadiáveis. Com o meu voto e de outros tantos que ainda acreditam na felicidade geral, ele estará eleito no curral eleitoral dos homens e mulheres de boa vontade, onde cada voto é trocado por um beijo sincero e um piscar de olhos sedutor, fugaz e cheio de encanto.

DIA DOS AVÓS

Inventaram o dia dos Avós. Foi ontem. Penso que todo dia é o dia deles. Ainda que assim não seja, é muito bom ser avô, todo dia. Sobre isso, disse Rachel de Queiróz (e quem sou para dela discordar?) “Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu… É como dizem os ingleses, um ato de Deus” … “Completamente grátis – nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade, longe de ser um estranho, é um filho seu que é devolvido.“ …Disse ainda Rachel: “E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono abre o olho e diz: “Vô!”, seu coração estala de felicidade, como pão no forno!” Salve Bernardo, que me dá a alegria de ser avô.

TRISTEZA

Era triste. Tão triste quanto um jardim deserto de flor ou uma terra que não vê chuva, vários invernos ausentes. Não se sabia exatamente a razão da tristeza daquela mulher. Sabia-se, apenas, que ela era triste. E sua tristeza era plenamente perceptível aos olhos até dos mais desatentos: bastava olhar para senti-la triste, talvez desesperançada. Por certo, algum amor não correspondido ou uma saudade escondida no fundo do peito. Na verdade, toda tristeza é quase igual, seja de saudade, seja de desalento ou mágoa. Fere a alma e magoa o coração da mesma forma, quase. Nunca me atrevi a perguntar-lhe a razão de tamanha tristeza. Talvez, com receio de que também ficasse triste ao saber. Temor de que tristeza fosse algo contagiante. E é. Só de vê-la triste também entristeci.

ONDE O VENTO FAZ A CURVA

Lá onde Judas perdeu as botas e o vento costuma fazer a curva, pedi ao senhor dos ares, com a maior das humildades, que, antes de fazer a volta, viesse acariciar minha alma e afagar meu coração. Estava precisado. E o vento atendeu ao meu pedido, sorrindo com jeito de conivência. Também sorri satisfeito por saber que há razões ainda para cantar e fazer versos. E os farei. E cantarei. Enquanto razões houver estarei atento para saudar o dia, o céu, o sol, a noite e as estrelas. Quanto à lua, esta eu sempre reverenciei e assim vou continuar fazendo, retribuindo tudo o que dela recebo. E não é pouco.

O DIA SEM SOL E NOSSOS POLÍTICOS

Essa Copa de algumas surpresas serviu também para revelar-me uma região da Rússia, onde está situada a cidade de São Petersburgo, onde o sol permanece ‘aceso’ por 18 horas durante o dia, por conta do fenômeno relacionado à sua posição geográfica. Hoje, por exemplo, dia da semifinal da copa, sábado, 14 de julho de 2018, o nascer do Sol ocorreu às 4:01 h e seu pôr se dará às 22.07 h, perfazendo um dia com 18 horas, 5 minutos e 29 segundos.

Há outras regiões em que isto ocorre com maior intensidade, não havendo noites, literalmente. A lua vive de férias e o sol trabalhando 24 horas por dia. No verão no Polo Sul , durante quatro meses, a noite é inexistente, ou seja, vários dias de 24 horas com o sol brilhando no céu.

Em outros lugares a natureza se diverte de forma diferente: são vários dias de escuridão, sol escondido e muito mais frio durante o inverno. Em Norilsk, por exemplo, três meses por ano, de novembro a fevereiro, o sol não nasce e somente a aurora boreal rompe a escuridão da longa noite. Ventos e o frio são quase eternos.

Dentro da utopia que às vezes nos ajuda a sonhar, fiquei a imaginar fosse o Brasil situado vizinho à Norilsk, num lugar em que não existisse dias e que o sol não aparecesse. Seriam 24 horas de lua, de muitas luas, de noites longas, escuro total. Seria o local ideal onde deveriam morar nossos políticos: talvez as 24 horas às escuras os estimulassem a dormir e, dormindo, não pudessem nos roubar. Talvez sonhassem com o roubo, como sonho com a existência desse lugar. Sonhar ainda pode.

SER PASSARINHO

Acordei querendo ser passarinho. Outra vez. Mas não fui capaz. Tentei. Há dois minutos, não mais, pela última vez e soltei-me a cantar. Mas ninguém ouviu. Estavam todos preocupados com a Síria e com Trump. Meu canto era mais desimportante que o ditador coreano ou a malvadeza dos tiranos. Lembrei-me que há dois mil anos quem foi passarinho, de tanto cantar o bem, teve as asas espetadas numa cruz e ali ficou. De nada adiantou ter voado sementes e abençoado colinas. Voei dez mil anos atrás: foi quando descobri-me dinossauro, que não sabia voar. Que não adiantava cantar. Mas vou continuar tentando. Passarinho serei. Não tenho vocação para dinossauro.

TEMPO DE DRUMONDS E BANDEIRAS

Um dia, eu também quis ir pra Pasárgada dos meus sonhos, mas no caminho do meio tinha uma pedra colocada pela nora que nunca tive. E nem adiantou dizer que era amigo do rei, pois tinha uma pedra no meio do caminho que não me deixava passar, tornando impossível aquele caminho. Não adiantou invocar Joana, a louca da Espanha: não houve meio de tirar a pedra do caminho. Chamei, chorei, clamei, e mãe-d’água não veio me contar as histórias do meu tempo de menino, dos tempos de Rosa, porque tinha um caminho de pedra no meio e minha água foi pouca para bater e furá-la deixando o caminho sem pedras tal e qual as estradas da Pasárgada verdadeira, onde não existe a vontade de se matar, onde as pedras são pequeninas, quase grãos. Onde todos são apenas Carlos, alguns Manoel. Tantos Drumonds e tantos Bandeiras. E hoje, aprendido o caminho, retiro as pedras e volto à Pasárgada. É que lá sou amigo de Bandeira. Pode perguntar a Drumond …

CASAMENTO MATUTO

Era semana pré-carnavalesca e o Anjo da Guarda de Bastião, mermo de ressaca, nesse dia tava de prontidão e foi ele quem segurou a mão de seu Benedito de Dora, que já tava se coçando em procura da lambe-suvaco amolada, num sei quantas polegadas. O ‘bigodim de beiço de gato mijado’ do caba fazedor da mal à fia dele chega arrupiou-se todim. E Francisquim, ali quieto e embuchado já há cinco meses, só assistindo, de camarote, à solenidade. O cabra do Cartório já tava meio invocado com o lero-lero do vigário, falando da riqueza e da pobreza, da doença e da saúde, aquele papo que rola em todo casório. Quando Padre Luiz, afinal, perguntou se tinha alguém contra aquele casamento, Francisquim arretou-se, levantou o dedo, de dentro do bucho cutucou o umbigo da mãe menininha do Crato e gritou em alto e bom som pra todo o sertão do Araripe escutar: ‘tem não, seu Pade, se avexe e acabe logo esse babado que eu tô querendo descansar um pouquim’. Descansou por mais quatro meses, sonolento e preguiçoso desembuchou, e hoje tá aí, contando história, fazendo poesia bonita que só a gota e aumentando a prole. Benedito Neto que o diga. E inté hoje são felizes que só a gota serena!

FERNANDA E PAULO

Paulo esquivou-se. Fez que ia, não foi e terminou por mudar de calçada. O que temia? Aquele reencontro já fora seu sonho dourado, mas, àquele dia, não seria apropriado: ele estava triste, sem muita motivação e não queria que ela percebesse que ele envelhecera, que seus cabelos ficaram brancos e que as rugas já haviam lhe visitado. Fernanda, também, já tinha o branco a cobrir-lhe a cabeça e, pernas cansadas, andava lentamente, num compasso de valsa bem diferente do baião que outrora melodiava a trilha sonora de seu andar. Fernanda percebeu Paulo mas fez que não. Olhou pro lado de dentro das casas e pro lado de dentro de si enquanto ele, do outro lado, também virou o olhar pro lado contrário da rua e pro seu lado interior, cansado e desesperançado. Fernanda desapareceu no final da rua. Paulo sumiu do outro lado da mesma rua do mesmo mundo tão parecido e tão diferente. A exemplo de Fernanda, Paulo também andava lentamente, num compasso de valsa bem diferente do baião que outrora melodiava a trilha sonora de seu andar. De seus andares.

DEUS SALVE O CANÁRIO-BELGA 

Quando menino, encantava-me um canário-belga que pousava em minha janela, cantando alegre e belamente. Em sua homenagem resolvi torcer pela Bélgica nessa Copa que está chegando. Será minha modesta vingança em nome dos que se deitam no chão de hospitais da rede pública à espera de um atendimento que, muitas vezes, não acontecem: a morte chega antes. Será meu insignificante protesto contra a educação do País e o transporte público degradante a que o povo está submetido. Será o meu desagravo àqueles que passaram da extrema miséria ao desemprego e à pobreza enorme graças a alguns contos de réis oferecidos para calar a boca destes. Será o meu não-conformismo aos imensos ‘elefantes -brancos’ construídos às custas do povo que paga o maior imposto de todo o mundo. Será o meu Basta! ao roubo, à corrupção, aos malfeitos dos que se elegem e aos que habitam o entorno do nosso mundo político, não me interessando a coloração partidária de suas ‘ideologias’. E tem mais: se a Bélgica não conseguir ir adiante, estarei, de azul e branco, torcendo pela Argentina. Ou pela Espanha, por Portugal ou Uruguai. Quem sabe, a França? Nada de Pátria de chuteiras: a Pátria está descalça e o caminho é pedregoso.

A POESIA, O POETA E A MUSA

Ela detesta poesia. Verdade. Ela me disse. Jamais pararia para ouvir um Poema. Livros de Poesia, nunca os leu. Arredia, é um pé de parede em que a rima fugidia escapa pra casa vizinha onde mora um cabra que, um dia sem querer, inventou a palavra saudade e mandou todos à volta à puta que os pariu. Nunca ouviu falar de Joaquim Cardozo e pouco, ou quase nada, sabia sobre João Cabral. Mas gostava de flores e de pássaros e ficava feliz se o Poeta lhe falasse de luas e estrelas. Mas detestava Poesia, mesmo amando o Poeta. Adorava quando o Poeta lhe dizia – Eu Te Amo! Na verdade, ela ama Poesia.

NUVEM, NEBLINA, CHUVA

Escureço-me
e me faço bonito pra chover.
Sou nada suspenso no ar
precipitando-me até virar nuvem.
Vapores e partículas de gelo
enfeitam o céu
fazendo e desmanchando bichos no alto azul.
Elefantes, jacarés, em breve instante,
passeiam lá no alto
antes de se trasformarem em girafas e em nada.
Neblino.
O ar resfriado me faz líquido
e então gotejo e viro água.
Pinto de verde o chão
e assisto à parição de frutos doces.
O que era semente vira alimento.
Lavo sonhos e enxaguo mágoas.
Águas sou.
Tempo líquido de um quase inverno.
Sou chuva.

VERDE OU AZUL?

Minha cor preferida era o verde até Bernardo me confessar que sua cor predileta era o azul. Então vi como estava errado: claro que o azul é a cor mais bonita, muito mais bonita que o verde. A partir daí, minha cor preferida passou a ser o azul, não importa se claro ou escuro, mas o azul. Não há como discordar da sabedoria de Bernardo. Meu barquinho azul hoje navega no mar azul e as estrelas azuis povoam o azul do céu. E nós, eu e Bernardo, conseguimos vislumbrar barquinhos e estrelas. Nossos olhos vêem as cores que queremos ver. Doce e singelamente. E aí, todos os meus lápis de cor agora são de uma cor só que eu não posso revelar. Ganha um presente azul quem descobrir a cor dos meus lápis. São tão coloridos quanto os lápis azuis de Bernardo.

VIVA A MULHER, VIVA A MÃE

Súbito, a luz.

A claridão invade os olhos e tudo aquilo que não se via agora está à vista. Parece tão simples quanto um interruptor que, a um simples toque, permite que o dedo invente o claro e faça o escuro já não ser.

E é assim, tão simples quanto sublime, a invenção que antecedeu a de Thomas Edison, muito tempo antes de a lâmpada ter sido inventada.

Um homem, uma mulher, o amor. Depois de nove meses, a luz. Naturalmente. O desprisionamento, a liberdade, a vida.

O acolher no colo, o amar e o babar a cria, cumprindo o milagre divino da vida, dádiva de Deus.

Do óvulo à gente, a parição sublime, o dormir seu resguardo com as tetas cheias de leite para nutrir o novo cidadão que acaba de conhecer o claro.

Viva a luz e viva aquela que a produz!

Viva a mulher mãe!

(In BREVIÁRIO LÍRICO DE UM AMOR MAIOR QUE IMENSO, Xico Bizerra, Edições Bagaço, 2013)

NEBLINA E TEMPESTADE

Antes de tornar-me chuva, neblinei-me lentamente em meio às nuvens cinzentas que flutuavam sobre meu chapéu. Ao primeiro pingo mais grosso, pressenti o brotar de um pé de verso, carregado de poesia, rimas e amor, no jardim de minha casa, bem ao lado ao lado do meu pé de manacá. A semente do bem-querer virou flor. Já quase tempestade, deixei-me envolver no lençol das lembranças boas e dormi o sono dos que acreditam que pode haver um mundo feliz. E sonhei. E ainda sonho. E sonharei até quando for possível sonhar.

MORADA DOS LAGARTOS E DAS PEDRAS

Sinto-me sede e redescubro o pote que repousa, seco, à sombra de uma esquina esquecida dentro de casa. Sobre ele descansa o caneco de alumínio areado, quase inox, capaz de saciar-me, de amenizar o soluço doloroso da falta de saliva, a pouca água que me visita, às vezes. Mas nada se contém no pote além do seu destino frustrado de saciar sedes. Frustração de um barro que poderia ter sido um violeiro de Vitalino e transformou-se num artefato sem utilidade naquele sertão sem águas. Sou sede de justiça, do bem comum, tão incomum nas bandas de cá, das planícies distantes, da morada dos lagartos e das pedras. Sedo-me e aguardo a água, uma ribançã que seja voltando para casa com a asa molhada, um trovãozinho ‘peido-de-véia’ ou um relampo pequenininho, do tamanho de minha fé que está indo embora, no primeiro pau-de-arara que aparece levantando a poeira da vergonha. Sêde justo, meu Deus.

PAVÃO MYSTERIOZO – Revisita – Xico Bizerra

Misterioso pavão de colorida cauda: qual teu destino secreto senão o mistério dos céus desconhecidos? Tu és formoso e em tua cauda aberta em leque me guardarei moleque num eterno brincar, enquanto moço sou e serei. Voa, e diz àquela donzela que de tuas faíscas despejadas em trovões haverá de nascer a força para contar nossa história de amor no combate feroz contra os condes raivosos, que são muitos, eu sei, mas não sabem voar. Menos ainda nos nossos céus de anil em que misturas as cores de tuas penas de matizes tão fortes quanto o nosso amor.


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