O CONSCIENTE COLETIVO NO JULGAMENTO DE LULA

O dia 24 de janeiro se aproxima, falta menos de uma semana para o julgamento do recurso da decisão do juiz Sérgio Moro, que condenou Lula a nove anos e meio de prisão.

O País se divide:

Mais de um terço dos eleitores se movimenta reclamando que Lula foi condenado sem provas, vítima de uma perseguição política e midiática: algo como 55 milhões de pessoas que estão certas de que três juízes do TRF4 cometerão uma barbaridade – nos termos, guardadas as devidas proporções e peculiaridades, dos processos da Idade Média.

Enquanto isso, outros cerca de 90 milhões consideram que Lula é o Chefe cuspido e escarrado de uma quadrilha que arrombou os cofres da Petrobras, unindo-se aos corruptores, os empresários que pagaram propinas para obter contratos bilionários com a estatal.

Nada se pode dizer dos restantes 65 milhões, mais ou menos, que não votam, uma vez que a pesquisa considerada levou em conta a opinião de eleitores.

A questão que se pretende focar é a da pressão inédita da opinião pública sobre esse julgamento: creio ser impossível a um ser humano, mesmo sendo juiz, ficar insensível às manifestações populares, contra e a favor.

Talvez Durkheim, vivo fosse, se espantasse com esse fenômeno do chamado consciente coletivo, polarizado, então, em dois blocos que se tornaram distintos dos pensamentos individuais e que se cristalizaram, independente de detalhes, em duas situações que já não se prendem a detalhes e argumentos; são simplesmente o bloco do “a favor”, de um lado, e o do “contra”, do outro.

Cada um desses blocos perdeu qualquer sinal de lógica e de racionalidade, em meio ao turbilhão de fatos, notícias, boatos, argumentos, idéias, verdades e equívocos que se juntaram para formá-los. Hoje um bloco tem a certeza, pura e simples, independente, já, de qualquer esclarecimento, de que Lula é inocente; enquanto o outro sabe que Lula é culpado.

O grande problema é que isso, como um fenômeno social – e por isso nos referimos a Durkheim e ao “consciente coletivo” – pode ter afetado, de uma forma ou de outra, a todos os membros da sociedade, à qual estão incorporadas as instituições e seus componentes humanos, inclusive, é claro, os envolvidos diretamente nas investigações e no julgamento dos fatos, desde a Polícia Federal, passando pelo Ministério Público e alcançando o Poder Judiciário (para não falar dos participantes indiretos, como a imprensa e as redes sociais, por exemplo).

Aí, a pergunta final: – Em qual grupo do consciente coletivo se inclui cada juiz que julgará caso?

Estejam certos, isso tem tudo a ver com o resultado do julgamento, que teremos em seis dias. Hoje, como na Idade Média.

NO PLANETA AMARELO

– Alô, base de Alcântara, estamos descendo.

– Sim, Brasil Seis. Prossiga.

– Chzzzzchzzzzchzzzz…

– Chzzzzchzzzzchzzzz…

– Perdemos contato.

– Ligação perdida.

Gravando: – Pousamos a nave no Planeta Amarelo para exploração. Com atraso de duas semanas, chegamos em sexta-feira, 13, agosto de 2039. Nossa missão é verificar condições de habitabilidade para colonizar outro mundo. Nossa Terra se degrada em rápido processo de aquecimento desde que o Brasil desmatou completamente a Amazônia. Algumas florestas de replantio não são suficientes para sustentar o equilíbrio climático, o ambiente se torna insustentável, a água escasseia…

. . .

– Ainda sem contato, Haroldo.

. . .

Quando chegamos aqui, descemos em uma área desabitada. Até o momento não foi possível saber como será a vida e a natureza locais, mas verificamos que a mata é extensa e densa. Conseguimos uma área grande de areia para o pouso, à beira de um rio enorme, como pudemos verificar antes da descida. Haverá vida inteligente aqui? Nossos sinais jamais foram respondidos, nem mesmo quando nos aproximamos e agora que já estamos no solo deste novo planeta. Tudo aqui se mostra perfeito. Já sabíamos das condições de temperatura, as análises do ar mostram ser respirável, tudo perfeito para abrigar seres humanos.

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Nossas explorações pelas redondezas revelaram animais pouco diferentes dos nossos, são dóceis, não se assustam nem se interessam por nossa aproximação. Há pássaros, mamíferos e insetos. Nenhum sinal de gente.

Procuramos não molestar nada, andamos com cuidado e não arrancamos uma folha sequer, apenas registramos sons e imagens…

– Mas o que é isso?!

Até agora só víramos flores estranhas, de aparência metálica e formas angulares. Mas observamos ao longe, nas árvores muito altas, algo que seriam frutos, mas com a aparência e o formato de rolos de papel. Vamos registrar com aproximação de imagem. É incrível, assemelham-se a rolos de papel, como papel de cozinha, papel higiênico, bobinas das nossas antigas máquinas de calcular…

Vimos uma clareira e caminhamos para ela. Quase ao sair da mata densa, nos deparamos com árvores cheias de lâmpadas presas no meio da folhagem! Então temos humanos aqui!

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Chegamos à clareira, é uma grande área plana, pensamos estar ficando malucos: ela está repleta de aparelhos de televisão de todos os tipos e modelos, telefones celulares, geladeiras, máquinas de lavar, fogões e binóculos, lap tops e muitos outros tipos de computadores, relógios…

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Andamos pelo meio de tudo isso, sem compreender nada e quando caminhamos cerca de dois quilômetros em meio a essa enorme quantidade de aparelhos de todos os tipos encontramos veículos parecidos com os nossos, de nossas marcas variadas, em todas as cores imagináveis…

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Mas..

Eles parecem sair o chão!

Nosso oficial-explorador, que ia sempre à frente, voltou-se para nós e exclamou, horrorizado, que tudo aquilo não tinha sido colocado ali, estava brotando do solo, nascendo como abóboras!

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O pavor tomou conta de nós, ordenei que voltássemos correndo à nave. Enquanto corríamos podíamos agora notar que todos os aparelhos estavam ligados a espécies de ramos que saíam do chão, esparramando-se como se esparramam batatas, melões e melancias… Aquilo tudo estava mesmo nascendo!

Tomamos outra trilha para a volta e nos deparamos com árvores dando copos, xícaras, pratos, talheres, roupas e calçados, uma infinidade de produtos, como se o planeta fosse uma imensa fábrica de tudo, de tudo que se possa imaginar!

As plantas aqui não dão frutos, o que nasce são objetos, aparelhos, veículos, utensílios… ainda não conseguimos saber se em outras partes as plantas dão coisas comestíveis, como frutas, sementes, legumes…

Hoje retornamos à nave. Amanhã sairemos cedo para continuar a exploração em territórios mais distantes (vimos peixes no rio, mas muitos deles pareciam brinquedos de plástico…)…

BAHIA, O NOVO DESTINO DOS ESQUERDISTAS

2018 veio chegando, veio chegando, chegou! E eu cheguei com ele.

– De onde?

– Da Bahia, meu rei.

Fui pegar uma prainha numa pequenina cidade do litoral, ainda não estragada pelo turismo.

Sim, é que os turistas ainda são em número que a cidade comporta, de modo que não falta água, as filas do pão são toleráveis e os preços das coisas honestos.

Ao contrário do que se imagina, nem só de Paris, ou de Europa, vivem os goianos. Essa raça, de goianos, baixou lá nas águas mornas, na minha pessoa e na de vários outros malucos que se aventuram centenas e centenas de quilômetros pelas estradas, ou de avião os mais impacientes, para pegar um bronze em um local não tanto contaminado pelas modernidades: tente conectar Internet naqueles cantos para entender o que estou dizendo.

Lá, em Nova Viçosa, a vida segue outro ritmo, o andar, a malemolência, a calma e a tranqüilidade baianas.

Podem pensar que é exagero, mas não é. Baianice é mesmo a falta de pressa, junto à delicadeza e à beleza de um povo que guarda a cor e muito do jeito dos escravos africanos que por lá desembarcaram. E muito da cultura. E muito da música. E muito do gingado. E muito de tudo.

Baianidade pode ser bem representada pelo balanço das redes com baianos dentro.

Pois foi assim que, tendo ido pelas estradas, verifiquei logo um fenômeno impressionante: Liguei o GPS para me garantir de estar sempre no caminho certo e assim que saímos de Minas Gerais, atravessamos a fronteira e entramos na Bahia o GPS deixou de dar informações. Preocupado, examinei-lhe o visor e… pasmem! Estava escrito na tela: “Procurando rede”!

Até o GPS! Mal pôs os pés na Bahia e já queria sombra e água fresca.

Atendi seu desejo, levei-o para a rede comigo.

E toma-lhe cachaça. Branca. Nova. Da boa.

EU TENTEI DE UM TUDO

Durante todo este ano, e nos muitos anos anteriores, eu gastei meus incontáveis neurônios para mostrar a todos a verdade, para iluminar suas mentes e a elas revelar que Lula é mais que O Cara, como declarado pelo presidente dos Estados Unidos em pessoa, à época, Barack Obama, Lula é O Bixo, e merece nosso respeito, por ter sido o presidente que foi, e merece nosso apoio ante à tenaz perseguição política e judiciária que ora sofre.

Gastei páginas e mais páginas com as informações claras e seguras das realizações desse grande líder, bateladas e bateladas sobre Produto Interno Bruto, PIB per capita, dívida líquida do setor público, lucro do BNDES, lucro do Banco do Brasil, lucro da Caixa Econômica Federal, produção de veículos, safra agrícola, investimento estrangeiro direto, reservas internacionais, índice Bovespa, empregos gerados, taxa de desemprego, valor de mercado da Petrobras. lucro médio da Petrobras, falências requeridas, salário mínimo, dívida externa em relação às reservas, posição do Brasil entre as economias do mundo, PROUNI, salário mínimo convertido em dólares, passagens aéreas vendidas, exportações, inflação anual média, PRONATEC, taxa Selic, FIES, Minha Casa Minha Vida, Luz Para Todos, capacidade energética, criação creches, Ciência Sem Fronteiras, Mais Médicos, Brasil Sem Miséria, criação de universidades federais, criação de escolas técnicas, desigualdade social, produtividade, taxa de pobreza, taxa de extrema pobreza, Índice de Desenvolvimento Humano, mortalidade infantil, gastos públicos em saúde, gastos públicos em educação, estudantes no ensino superior, Risco Brasil, operações da Polícia Federal, varas da Justiça Federal, pessoas que ascenderam à Nova Classe Média (Classe C), pessoas que saíram da miséria, transposição do rio São Francisco…

– … Adiantou alguma coisa?

– Que nada! As pessoas só falam em recibo de aluguel para cá, recibo de aluguel para lá!

Enfim, fazer o quê?

Feliz Natal para todos assim mesmo.

DECRETADA PRISAO PREVENTIVA DE PAPAI NOEL

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, a pedido do Ministério Público Federal acaba de decretar a prisão preventiva de Papai Noel, suspeito de lavagem a jato de renas, sem alvará, e da compra superfaturada de brinquedos para funcionários da Petrobras, a troco de propina para ele, para o rebanho e para os gnomos que cuidam da preparação dos presentes, muitos deles ideologicamente falsos (os gnomos, não os presentes).

A polícia verificou, ainda, que os renas e as renas, cujos nomes são Rudolph, Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner e Blitzen, e que no Brasil atendem pelas alcunhas de Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago, vinham sendo mantidos em estado de clandestinidade no País e trabalhavam em regime de escravidão, dormindo em alojamento precários, alimentando-se de MacDonalds e misturados com pacas e tatus, cotias não.

A polícia prendeu o rena-chefe do trenó, Rodolfo, conhecido na comunidade como Galhudo. Ameaçado de mofar na cadeia, decidiu fazer delação premiada e entregou Papai Noel que, segundo ele, é o chefe da organização criminosa.

Rodolfo Galhudo pediu que, como prêmio, se confirmada a delação, lhe seja garantido que não mais será tratado de veado, pois em países adiantados rena é rena, alce é alce, cervo é cervo, corço é corço, baitola é baitola e viado é viado.

O mandado de prisão foi expedido, com a ordem de muito cuidado pois Papai Noel manda bala.

Até o momento, as buscas realizadas em shopping centers resultaram na prisão de 4.680 papais noéis, que se acham detidos para averiguação.

O Ministério Público Federal preparou um Power Point que prova cabalmente que Papai Noel é mesmo O Chefe (ou The Boss, segundo Donald Trump):

POWER POINT

24 DE JANEIRO

Às vezes sinto vergonha de escrever minhas asneiras no Jornal da Besta Fubana, não tanto pelo conteúdo (embora freqüentemente também pelo conteúdo) e mais pela forma, quando leio textos de pessoas ilustres que escrevem bem e exprimem adequadamente suas idéias.

Muitas ocasiões, ao ler o Maurício Melo Júnior, no Canto do Arribado, deixo o queixo cair vendo as idéias brotarem das letras com tanta clareza e elegância. Em geral, fala de cultura, não de política.

E ao me envolver, de pé atrás, com as exposições delirantes de José Nêumanne Pinto, não posso deixar de me admirar com a precisão com que ele vai Direto ao Assunto e articula com lógica impecável seus ataques ao Lula, ao PT e a quem mais se colocar no caminho do seu rolo compressor construído na base de inegáveis conhecimentos da política.

Esses são apenas dois exemplos, dentre muitos, do que quero dizer: é preciso ter cara de pau para partilhar de espaço assim repleto de gente que se manifesta com clareza, nobreza, lógica e perfeição, que trata o Português com carinho e esmerada cultura, que raras vezes deixa escapar uma palavra mal educada, uma gíria grosseira, uma idéia despropositada.

Mas, alguém precisa vir aqui, enfrentando a barreira da baixa auto-estima, da precariedade, da vulgaridade e da informalidade para soltar o verbo, dizer o contrário, espernear, ainda que para isso tenha de se contrapor a verdades tidas como sabidas e gritar que o “impeachment” de Dilma Roussef foi golpe, que o Ministério Público é verde, imaturo e apaixonado, que o juiz Sérgio Moro exorbita ao fazer o papel de justiceiro e assim por diante. Se ninguém o fizer, falsos deuses se apoderarão da consciência popular e permanecerão no alto da montanha executando, sob aplausos, suas barbaridades.

Vivemos, sim, o momento das arbitrariedades na política, quando um golpe de estado pode ser dado descaradamente, usando a esfarrapada justificação de que por Deus, esposa e filhos, pode-se rasgar a Constituição, condenar quem não cometeu crime, sabendo-se intimamente que as razões para fazê-lo são ligadas à ambição e à sede de poder.

Vivemos, sim, o momento das arbitrariedades judiciárias, quando é possível condenar considerando suspeição como prova, amparando-se o julgador em seu momento divino de varrer do mundo a corrupção, a qualquer preço, procedimento estreitamente ligado ao conceito de que os fins justificam os meios.

Vivemos um momento de massificação e cooptação da opinião pública aos métodos bárbaros de disputa pelo poder e de adesão à filosofia do linchamento e do desrespeito às pessoas, julgando-as apressadamente, considerando-as culpadas à primeira nota da imprensa. Neste sentido, acontece de para o público os juízes serem honestos quando mandam prender e vendidos quando mandam soltar – não importa se prendem contra a lei e se soltam em observância a ela.

Dilma e Lula são vítimas incontestáveis desse sistema perverso: não importa ser ou não culpado, a condenação passa por cima disso – baseia-se, simplesmente, na vontade e no poder de condenar.

É nesse clima de desordem política e jurídica que os destinos do Brasil estão lançados: pelo menos um quarto da população do Brasil, cerca de cinqüenta milhões de pessoas, o que corresponde a um terço dos eleitores, permanece, contra todo o processo persecutório em andamento, apoiando Lula, acreditando em sua inocência, face às circunstâncias de sua biografia e da ausência de provas concretas de que tenha praticado corrupção e lavagem de dinheiro, mas, por um sistema típico da Inquisição no processo de caça às bruxas, é possível que ele, Lula, fique fora da disputa pela presidência da república.

E isso pode fazer toda a diferença: – A que custo a oposição ao petismo cristalizado na figura e na atuação de Lula assumirá o poder; que tipo de País seremos ao permitir que o poder continue sendo tomado pela força, antidemocraticamente, com o uso do legislativo e do judiciário em última análise contra a lei.

Talvez seja prematuro posicionar-se de forma tão pessimista antes do julgamento em segunda instância: afinal, nem todas as sentenças condenatórias de primeiro grau têm sido confirmadas.

Mas pessimismo é ao que nos conduz o andar da carruagem.

NOTÍCIAS NÃO CONFIRMADAS SOBRE NACIONALIDADES FALSAS DE PRESIDENTES E DO PAPA SEVERINO

DONALD TRUMP – Conforme acaba de ser divulgado, mais um presidente ameaça perder o cargo por não ser nascido no País. O Massachussets Herald’s, um jornal desconhecido, fez uma investigação e descobriu que Donald Trump não nasceu nos Estados Unidos, é natural de Dubrovovinick, na Croácia, que já pertenceu à União Soviética, tanto que seu pai é comunista do antigo partido. O jornal revelou, ainda, que o verdadeiro nome de Donald Trump é Oslo Roskoff. Se isso for confirmado ele poderá perder o cargo de presidente.

BARACK OBAMA – Outro que passou por problema semelhante, mas teve a sorte de não ser descoberto antes do fim do mandato. Hoje todos sabem e o assunto foi destaque nacional nos EUA na revista Globe, na edição de 12 de julho de 2010, mas a Casa Branca conseguiu que a CIA encobrisse tudo. A revelação é que Obama nasceu na África, no Quênia, na então capital Mombasa, ou na Indonésia, e seu verdadeiro nome é Barry Suetoro. Quem quiser basta pesquisar usando esses dados e a verdade saltará aos olhos.

DILMA ROUSSEF – Essa questão de candidatos se passarem por brasileiros já assume ares preocupantes. Aqui no Brasil afirma-se que Dilma Roussef não poderia ter concorrido nem sido eleita. O Supremo Tribunal Eleitoral de Contas declarou que ela não poderá candidatar-se ao Senado nem a coisa alguma porque é nascida na Bulgária, na cidade de Sofia, e seu nome nem é Dilma, ela na verdade se chama Vanna Catibiribana Roussef.

PAPA FRANCISCO – Considerado como argentino, esse é outro que usou nacionalidade diversa da verdadeira para conseguir o papado. Sabendo da resistência do Vaticano em nomear papa um brasileiro, Severino Pinto (seu verdadeiro nome) nasceu no Crato, Ceará, e mudou-se para Santa Fé, na Argentina, onde formou-se padre visando a tornar-se o sumo pontífice. Foi por isso que Crato foi a única cidade do Nordeste a ser visitada secretamente por ele em 2013.

MICHEL TEMER – Não poderia estar ocupando a presidência da república do Brasil, vez que dados secretos dos registros policiais e federais demonstram que Temer é natural da Transilvânia, sendo, assim, cidadão romeno. Uma anedota que circula na rede diz que é por isso que ele está sugando o sangue dos brasileiros. O seu verdadeiro nome é Béla Lugosi Jr., mesmo nome do seu pai húngaro.

RECADO AO TRF4 – NÃO PRECISAM PRENDER LULA, BOLSONARO O VENCERIA NO SEGUNDO TURNO

Está cada vez mais difícil ter Lula candidato a presidente da república em 2018: o judiciário apressa-se para julgá-lo e confirmar sua condenação em prazo recorde, de modo a que ele fique fora da disputa.

Sim, é claro, é preciso que ele seja afastado. Caso contrário, o Brasil pode ser obrigado, novamente, a ver pobre tomando iogurte, comendo frango, andando de avião e freqüentando universidades.

Se Lula competir, haveria o risco de, de novo, um operário analfabeto e cachaceiro ser festejado pela comunidade internacional como grande estadista e O Cara voltar a receber diplomas disso e daquilo nas universidades do mundo inteiro.

Mas… será mesmo assim tão grande o risco de Lula ser eleito?!

Bem, segundo a mais recente pesquisa, se as eleições ocorressem agora, um dos panoramas do primeiro turno ficaria assim:

Lula…….. = 34%
Bolsonaro = 17%
Marina….. = 9%
Alckmin…. = 6%
Ciro…….. = 6%
Joaquim..= 5%
Álvaro…..= 3%
Manuela..= 1%
Temer…..= 1%
Meirelles.= 1%
Paulo……= 1%

Total……84%

Visto que Bolsonaro e Lula cruzariam os bigodes no segundo turno, o que deveria acontecer? Façamos as contas: Bolsonaro, com 17%, pega 1% de Paulo, mais 1% de Meirelles, mais 1% de Temer, mais 3% de Álvaro, mais 5% de Joaquim, mais 6% de Alckmin. Até aí temos Bolsonaro com 34% na certa. Como a perseguição a Lula detonou sua imagem a tal ponto que uma considerável parte dos que seriam eleitores seus debandaram para Marina, podemos crer que os 9% dela irão para Bolsonaro, que, assim, pula para possíveis 43%.

Lula, já sabemos, tem 34% e mais 1% de Manuela. Até aí temos Lula com 35% na certa.

Quem decidirá as eleições, portanto, são os 6% de Ciro, somados aos votos de alguns porcento de indecisos, que se quiserem ter uma arma de fogo para se defenderem – programa de governo de Bolsonaro para garantir a segurança pública – aumentarão o índice de Bolsonaro para os incríveis 49%, 50%, 51% ou, quem sabe, 52% !

Fim do papo: Bolsonaro presidente com esmagadora maioria..

Isso posto, não há a menor necessidade de prender Lula, viu TRF4?

TÁ COM PENINHA DO BANDIDO? LEVA ELE PARA CASA!

Volta a circular nas redes sociais um texto, publicado em 10 de janeiro de 2014 na Folha de São Paulo, no qual o desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima faz “uma sugestão ao professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Janio de Freitas, à ministra Maria do Rosário e a outros tantos admiráveis defensores dos direitos humanos no Brasil”.

A sugestão é: “Criemos o programa social ‘Adote um Preso’, pelo qual “cada cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos humanos”.

Segundo o aplaudido desembargador, “os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e ajudariam, filantropicamente, a solucionar o problema carcerário do País”.

Isso equivale a afirmar que infratores não dispõem de direitos; e que quem defende que bandidos e marginais não sejam tratados arbitrariamente e presos sem a observância das prescrições legais está “com peninha deles” e deve solicitar ao juízo sua liberação, mediante o compromisso de levá-los para casa.

Para os chamados neo-reacionários, defender direitos legais de transgressores das leis equivale a defender a bandidagem e a impunidade de bandidos.

Tal tipo de raciocínio, retrógrado e ignorante, pode ser compreendido em pessoas de pouca cultura e de nenhum conhecimento da filosofia do Direito, mas é espantoso que um magistrado não só o produza como o defenda publicamente em um dos jornais mais importantes do País.

Que o público ignaro o aplauda é reação esperada, pois vem de quem não se alimenta da mídia, mas é alimentado por ela.

A condenação de políticas de direitos humanos costuma ser professada por pessoas que defendem o chamado justiçamento, a prisão arbitrária, os linchamentos e as torturas como forma de reparação de crimes.

Tomo a liberdade de, sobre isso, transcrever partes de artigo publicado em fevereiro de 2014, escrito pelo promotor Marinho Mendes Machado, de Jacaraú, na Paraíba:

“Recentemente, o Desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e a Jornalista Raquel Sheherazade, apresentadora de um telejornal do SBT, destilaram odientos, cáusticos e solertes comentários aviltando os Defensores dos Direitos Humanos no Brasil e ambos mostraram intenso despreparo no tocante ao tema, ao desconhecerem que Direitos Humanos são indispensáveis à construção da cidadania plena, além de ignorarem que os Direitos Humanos englobam não somente os direitos criminais, mas principalmente os direitos sociais, civis, econômicos e políticos.

E essas pseudas autoridades e formadores de opinião, nos mais terríveis dos abissais e assombrosos mundos das trevas do apedeutismo, da incultura, da insciência obscurantista, como no ensaio de Platão, só vêem sombras, não vislumbram as luzes da lucidez e do bom senso e se esquecem que onde existem militantes de Direitos Humanos, temos cobrança de atitudes das autoridades omissas no tocante a proteção da cidadania, à justiça, à honestidade, à transparência política, à participação e democracia, ao invés de ameaça, de prisão, de tortura, de negação dos direitos sociais e econômicos. “

E continua:

“O Desembargador não aprendeu (…) não teve lições de que os Direitos Humanos são condições essenciais para se assegurar a satisfação das necessidades vitais do ser humano para a vida digna em sociedade: saúde, educação, salário mínimo decente, esporte e lazer, cultura, infra-estrutura, emprego, moradia, desenvolvimento econômico, respeito ao meio ambiente, redistribuição da terra, participação popular nas decisões e administrações públicas, direito de se organizar, participar, ir, vir e ficar e sem a proteção desses direitos, não existe cidadania (…)”.

O ilustre promotor manifesta a sua admiração por pessoas e instituições que, por defenderem os direitos humanos, desassombrada e destemidamente,

“enfrentam e carregam sobre os seus ombros o rótulo de “defensores de bandidos”, e são obrigadas a ouvir, quando identificadas como militantes de Direitos Humanos, chavões fascistas, reacionários, retrógrados e opressivos como: “direitos humanos é para bandido”, “bandido bom é bandido morto”, adote um bandido”, “leve um marginalzinho para casa”, “e se um bandido estuprar sua filha?”e outras situações desagradáveis, mas todas lamentavelmente equivocadas, pois brotadas das vísceras de indivíduos com formação incompleta, uma vez que mesmo com diplomas universitários, não conseguiram alcançar ainda conceitos indispensáveis para a formação da cidadania integral. “

Defender os direitos humanos significa filiar-se à noção de que todos os indivíduos devem receber, em qualquer situação, o tratamento determinado pela lei, pois os direitos humanos são os direitos e liberdades básicas de todos os seres humanos, enumerados pelas Nações Unidas (ONU) na Declaração dos Direitos do Homem, dentre eles o direito à vida, à liberdade, à não discriminação, a não ser escravizado, a não ser torturado, à igualdade perante a lei, ao tratamento justo, a não ser detido ilegalmente, a ser julgado com isenção, a ter privacidade, dentre outros, incluindo o de que todos são inocentes até prova em contrário.

Defender a barbárie está na moda e significa que a sociedade, ao invés de prover-se de meios para conter a violência, retorna à época dos instintos primitivos, à lei das selvas, ao olho por olho e dente por dente, ao sangue nos olhos e ao modelo de direito como vingança social.

EM DEFESA DA MINISTRA LUISLINDA VALOIS

Juca aposentou-se com o teto máximo do INSS. Recebe$5.579,06 por mês e desde que passou à inatividade não recolhe mais a contribuição social.

Como Juca tinha um nível de vida bem mais elevado do que a remuneração da aposentadoria permite, ele, apesar de ter mais de 70 anos de idade, conseguiu um novo emprego, onde ganha R$ 6.000,00 mensais.

Hoje, Juca acumula as duas remunerações mensais, somando R$ 11.579,06 brutos.

Se a Constituição determinasse que ao voltar à ativa Juca perderia a remuneração da aposentadoria, a norma sofreria severas críticas, nacionais e internacionais. Possivelmente seria revogada, dada a injustiça flagrante: o que recebe pela aposentadoria é o fruto do seu trabalho por mais de trinta anos e para fazer jus á remuneração contribuiu por todo esse tempo com a Previdência Social.

Quanto a ele perder o direito a receber o salário pelo novo emprego, seria impensável, de tão absurdo, pois não lhe interessaria trabalhar sem receber.

Se esta hipótese, de trabalhar sem receber, fosse possível, ele ter-se-ia submetido a trabalho sem remuneração. Entretanto, a lei não o permite. Ainda que Juca o fizesse por extrema amizade com o dono da empresa, ao ser esta submetida à fiscalização do trabalho a situação de Juca teria de ser regularizada, no sentido de que sua carteira de trabalho teria de ser assinada, todos os direitos, inclusive o salário (é claro!) teriam de ser garantidos.

Enquanto a regularização da situação de Juca segundo a lei trabalhista não ocorresse, poderia o fiscal do trabalho, ainda face à lei, dizer, metaforicamente, que Juca estaria prestando trabalho escravo, ainda que o próprio Juca assegurasse que o fazia voluntariamente. É o que se costuma dizer, usando figuras de linguagem, quando se presta algum trabalho sem receber remuneração, salvo, evidentemente, nas prestações de serviços de atendimento social voluntário em que a lei o admite.

Passando ao caso concreto de Luislinda Valois, que pretendeu acumular proventos da aposentadoria como desembargadora com a remuneração do cargo de ministra dos Direitos Humanos, requerendo isso, vejamos, guardadas as peculiaridades relativas à aposentação pelo INSS e pelo sistema de previdência do servidor público..

Em manifestação a respeito da celeuma que se seguiu ao seu pedido, a ministra argumentou que deixar de receber uma das remunerações assemelharia a situação à de trabalho escravo – e a comparação vem a propósito, pelo fato de a ministra ser negra.

Creio pertinente voltar no tempo, para analisar o absurdo de alguns brasileiros serem obrigados a perder substancial parte de seus ganhos em face do teto constitucional.

Independente de ser, ou não, legal a acumulação pretendida por Luislinda Valois, de dever ou não submeter-se ao teto constitucional, cabe inquirir se a disposição que criou tal teto é constitucional!

Para quem não sabe, pois lá se vão uns trinta anos, estabeleceu-se uma “caça aos marajás” do serviço público, determinada pela verificação de irregularidades que consistiam em altos ganhos obtidos por alguns servidores. Essas distorções eram ocasionadas em geral pela obtenção de sentenças judiciais, talvez irregulares; ou calcadas em interpretação de leis quem sabe mal elaboradas.

Embora constituissem fatos absolutamente isolados, essas distorções serviram para acontecer tal caçada, que serviu mesmo de plataforma para a campanha de Fernando Collor à presidência da república (15 de março de 1990 – 29 de dezembro de 1992).

Em seguida, para limitar ganhos considerados muito elevados por servidores públicos, na Constituição de 1988 dispôs-se, originalmente, no art. 37, XI, como remuneração máxima para os servidores públicos, os valores percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal, evoluindo para a redação atual de que a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.

O que isso significa?

– Simples. Significa que alguns servidores públicos ganham mas não levam.

Essa disposição constitucional que determina que um servidor público, mesmo fazendo jus a uma remuneração superior à de um ministro do STF, por ter trabalhado muitos anos, quem sabe trinta a mais, por exemplo, do que um ministro do STF que tenha sido empossado há um dia, não poderá receber aquilo a que teria direito pelo nível do seu cargo, por promoções porventura obtidas, por acumulações legais de situações efetivas com comissionadas e por tantos outros direitos determinados pela lei.

Significa, por exemplo, que um servidor público, que acumulou em dezenas de anos de carreira, anuênios, gratificações, incorporações de qualquer natureza, fazendo jus, pelas regras legais, a, digamos, R$ 45.000,00, deixará de receber,pela aplicação do teto, R$ 14.000,00 por mês, ou mais de R$ 170.000,00 por ano!

É um terço de sua remuneração. Como se, além do imposto de renda que esse servidor paga, ele descontasse mais 30% para o Estado. Ninguém paga tanto imposto assim!

Voltamos à “inconstitucionalidade da Constituição”, o que, em termos de lógica, paraceria intrinsecamente impossível. Mas… o que diríamos se duas norma constitucionais dispuzessem, por exemplo, uma, que a escravidão é crime; outra, que a permitisse somente quando o escravo fosse servidor público… Haveria, ou não, conflito de normas dentro da própria Constituição?

Pois, a Constituição assegura que todos são iguais perante a lei, mas nesse caso ressalvou dessa igualdade o servidor público, determinando essa desigualdade em relação aos direitos gerais.

E essa é a mesma constituição que em seu art. 1º garante que a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento, dentre outros, “os valores sociais do trabalho”.

E também é a Lei Maior que garante, no art. 5º, que “a lei não prejudicará o direito adquirido “.

A par de tudo, essa é a Constituição cuja máxima em termos de direitos assegura que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, garantindo a todos “o direito à propriedade”, e devemos, aquí, expor a aberração: Todos, menos os servidores pùblicos, tem direito à propriedade (a remuneração é propriedade do trabalhador); todos são iguais perante a lei, menos os servidores públicos, que perdem o direito à remuneração à qual fizeram jus; e todos têm a salvo seus direitos adquiridos, menos os servidores públicos,que adquiriram o direito à remuneração mas não a recebem.

Nesta exposição, usamos um caso hipotético, de um servidor público chamado Juca, que perderia quatorze mil reais de sua remuneração, pelo corte.

No caso concreto, de Luislinda Valois, ela perde por volta de vinte e oito mil reais mensalmente: seus colegas, ministros de outras pastas, ganham R$ 33.763,00 reais por mês, mas ela, por trabalho da mesma natureza e complexidade, ganhará pouco mais de um décimo disso.

Está certo?

PAPAI, QUERIA LHE CONTAR UMA COISA: – SOU HOMEM CIS

Eu estava fazendo uma pesquisa na biblioteca da universidade e na mesa ao lado duas pessoas conversavam, não pude deixar de ouvir:

– Veja só, Luciano, eu estava interessado em tentar um curso de doutorado em uma universidade da Paraíba; fui na casa da minha namorada, que também pensou em se candidatar, para baixar o regulamento pela Internet.

– Acho que até já sei o que aconteceu, Marcos.

– Pois é, baixamos o formulário, fomos preencher. Mal comecei e levei um susto. No local destinado à informação do sexo do canditado não tinha masculino!

– E feminino também não, né?

– Também não! As opções eram as seguintes:

( ) Mulher Trans
( ) Muher Cis
( ) Homem Trans
( ) Homem Cis
( ) Travesti
( ) Não Binário

– E o que vocês escolheram?!

– Eu fiquei bolado! Você sabe, tenho alguma cultura, porém nunca vi isso, mas pensei que naquelas circunstâncias talvez fosse o mais ponderado assinalar “não binário”. Afinal, eu não sou binário, trinário, nem canário, sou, talvez, urinário. Resolvi deixar de lado essa. Então minha namorada sugeriu pularmos e irmos por eliminação; temos certeza de que não somos nem travestis e certamente nem trans. Sobraram Mulher Cis e Homem Cis. Perguntei à Lucinha: – Lucinha, tu és cis? E ela disse que não tinha certeza.

– E aí? Disse o Luciano. Pelo que te conheço se tivesse viado tu marcavas… mas como resolveram?

– Deixa de ser escroto. Resolvemos que não vamos fazer um curso em uma universidade onde não existe masculino e feminino. E na hora de ir ao banheiro?

– Tá certo, para ti e tua gata ficou ruim, quem manda serem certinhos? Eu não te disse logo, mas eu também estou me inscrevendo, não perderei tempo com discussões sobre definição de sexo, vou lá e marco qualquer coisa!

– E vai marcar o que: Binário? Ovário? Centauro? Ciscado?

– Vou marcar travesti.

– Mas tu nem és gay!

– E daí? Não tem branco dizendo que é preto para conseguir vaga? Que se dane! Ja encomendei a minha fantasia. Tchau, amor. Chiii, entrei no personagem…

Com essa despedida foi Marcos para um lado, Luciano para o outro. E eu resolvi ir para casa e conferir esse formulário. Encontrei, baixei, li e preenchi. Sim, fiz igual o Luciano e acabei me inscrevendo, não vou perder essa bagunça por nada!

DAS TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Há poucos dias eu conversava com uma pessoa que acredita em todas, mas todas, todas mesmo, teorias da conspiração.

Antes, eu procurava argumentar, demonstrar que a Terra não é plana, é redondinha igual uma bola de futebol. Quando eu explicava a questão da curvatura do mar, que faz os barquinhos desaparecerem a partir da linha do horizonte, ele retrucava que isso era ilusão de ótica, pois em um canal não sei onde,com tantos e quantos quilômetros de extensão, foi feito um teste e o barquinho não some, mesmo após determinados quilômetros que estabelecem a linha do horizonte. E ele completava, mais, que tanto a terra é plana que é impossível passar de avião além do Polo Norte (há nações que tomam conta e não deixam nem avião nem gente a pé ir além), e isso é incontestável, porque ninguém foi e como eu não fui tenho de ficar calado). Eu lhe observei que os satélites lançados pelo homem, tripulados ou não, mostram a Terra esférica e ele foi taxativo: não há satélites, é tudo farsa feita para encobrir a realidade. Eu quis saber qual é a realidade, porque parece que todos os demais sóis, planetas e luas são esféricos e aí vem o argumento estarrecedor: os Estados Unidos não querem que se saiba que a Terra é o único corpo celeste que é plano, e é plano porque é a única Criação de Deus feita para abrigar a vida, para receber o Homem. A Terra é plana e coberta por um dome, ou cúpula, ou redoma, de modo que nada pode sair dela para o espaço.

Surpreso eu estava e mais ainda fiquei quando, em complemento a isso, pude saber que, em assim sendo, o homem não foi à Lua. Foi tudo feito em Holywood, pelo Stanley Kubrick, autor de Odisséia no Espaço, que recebeu Oscar de melhores efeitos especiais. As cenas da Lua foram feitas em um deserto, talvez o do Arizona, e quando eu asseverei que vi tudo pela televisão, o lançamento do foguete, a transmisão das cenas do pouso e da caminhada dos astronautas no solo lunar, fui informado por ele que o que eu vi foi como se assistisse à Guerra dos Mundos, Flash Gordon, ou, mesmo, Perdidos no Espaço, aquela série com o incrível Dr. Smith, que sabotava tudo – era apenas um filme feito em locações externas e em estúdios. As provas? As estrelas não aparecem no filme! A câmera que devia estar filmando era postada no peito de um dos astronautas, entretanto havia tomadas tiradas “de cima”. E um outro argumento sobre reflexo no vidro dos capacetes que não me recordo bem o que era.

Uma coisa puxa a outra, ele discorreu sobre o World Trade Center: as Torres Gêmeas não foram derrubadas pelos aviões. O governo americano as implodiu, com explosivos. Há inúmeras provas disso, seja a forma como os prédios caíram, sobre si mesmos, seja um determinado composto químico encontrado nas ferragens, seja uma identidade de um dos pilotos achada intacta no meio dos escombros, o qual está vivo no Oriente Médio (foi entrevistado, existe o vídeo!) e mais mil informações difíceis de contradizer. Tudo isso para que os Estados Unidos tivessem uma desculpa para atacar não sei quem.

A picaretagem das Torres Gêmeas pode ser reforçada pelo falso avião que caiu no Pentágono: foi sobre uma área onde não havia ninguém, sob a falsa alegação de que estaria em reforma, o buraco feito no prédio não corresponde ao que faria um avião, não havia restos de combustível, o motor do avião não foi encontrado e um piloto para fazer a manobra teria de ser do outro mundo, porque conseguiu passar por um poste sem derrubá-lo. E por aí vão inúmeras certezas imbatíveis.

Como eu dizia de início, deixei de contrariar tanta argumentação, que inclui os Iliminati, a Maçonaria, a Ordem dos Templários, o Opus Dei e mais quantas sociedades secretas quiseres. É inútil debater, uma vez que as certezas adquiridas por essa pessoa são imunes a qualquer demonstração em contrário, por mais que sejam, também, contundentes.

Isso tudo agora me ocorreu de trazer à tona quando em torno do Lula correm tantas teorias da conspiração, nas quais ele acredita piamente, coroadas pelo caso dos tais recibos que diziam não existir, eram fruto da imaginação fértil de algum roteirista; mas finalmente apareceram, só que são cópias; ainda que o pagador declare até no imposto de renda que pagou, e ainda que o pretenso recebedor afirme que assinou e que declarou no imposto de renda que recebeu o dinheiro, será preciso ainda apresentar os originais; mas cogita-se de que devam ser periciados; e também que tenham a firma reconhecida; e é bom, para que sejam considerados verdadeiros, que estejam amarrotados e amarelecidos pelo tempo. Posso argumentar que em geral, basta que um recibo seja um recibo, pois, ao contrário de um charuto que às vezes é só um charuto, um recibo é sempre um recibo, mas argumentar-se-á, porém, que a Terra é plana, voltou a ser o Centro do Universo, está coberta por uma redoma, de modo que satélites não existem pois não poderiam passar por ela, tanto quanto o homem não foi à Lua, pois estamos aprisionados aquí dentro, e as sociedades secretas dominam o mundo para evitar que o povo saiba que o Reino dos Céus existe e por isso se afaste do mundo material, deixando de lado as delícias terrenas, paarando de consumir e de gastar dinheiro para delas usufruir, o que não interessa à dinastia Ford e nem a outros que trabalham secretamente para estabelecer a Nova Ordem Mundial…

– Parece maluquice?

LULA SERÁ COMIDO

1) Alega-se que o apartamento é de Lula, dado como propina pela Odebrecht, decorrente de contratos que ela firmou com a Petrobras e que foram conseguidos graças à propina que ela para isso pagou ao Lula;

2) Os delatores da Odebrecht, cujas delações parecem ter fé de ofício, isto é, são tidas como verdades do tipo falou tá falado, disseram que desconhecem qualquer relação das sacanagens da empresa com esse imóvel – o que por si só afastaria o processo da Lava-Jato e o tiraria da vara do juiz Sérgio Moro;

3) Entretanto, o apartamento foi alugado pela presidência da república quando Lula era presidente, para servir de apoio à segurança presidencial, e quando Lula deixou a presidência a família resolveu manter o aluguel, o que foi feito mediante contrato particular de locação firmado pela esposa do Lula com o proprietário do apartamento;

4) Isso demonstrado (que o apartamento não pertence a Lula, tanto assim é que foi por ele alugado), a acusação não acredita e pede comprovação.

5) Em depoimento o proprietário do apartamento diz que declarou no Imposto de Renda o recebimento dos aluguéis por vários anos, o fez por medo, mas não os recebeu, não viu a cor do dinheiro;

6) Lula declara, também, que uma prova de que pagou é que seu contador incluiu o pagamento dos aluguéis no seu Imposto de Renda;

7) O juízo, creio que a pedido do Ministério Público, não acha isso suficiente, e exige que os recibos dos aluguéis sejam apresentados;

8) Lula apresenta os recibos, mas confrontado com a presença física dos recibos o proprietário do apartamento diz que assinou todos, alguns ou muitos de uma só vez, quando estava hospitalizado;

9) Isso (o fato de os recibos terem sido assinados de uma só vez) é considerado importante e cogita-se de requisitar os vídeos gravados pelas câmeras de segurança do hospital, o que poderá provar a alegação;

10) O hospital não guarda as gravações, mas isso não será necessário, porque o contador do próprio Glauco informará que Glauco, que é o proprietário do imóvel e seu locador, assinou dez ou doze recibos do aluguel, que ele mesmo levou para colher as assinaturas; e diz que o acúmulo de recibos na mesma data era porque o dono do apartamento às vezes se ausentava por meses;

11) Ainda assim, surgem suspeitas de que os recibos são falsos: há dois recibos em que constam dias inexistentes, 31 de junho e 31 de novembro; e, também considerado grave, alguns recibos contém, dislexicamente, o nome da cidade grafado errado, em vez de “Bernardo” está “Bernanrdo”;

12) Lula diz que os assuntos do aluguel eram tratados por Dona Marisa – o contrato de locação é apresentado, está em nome dela, assim como os recibos – e na opinião de muitos isso é considerado como uma forma de Lula “jogar a culpa na falecida”;

13) Apesar da confissão do proprietário do imóvel e do seu contador que os recibos são verdadeiros, ainda põem-se em dúvida os fatos de terem eles o mesmo formato e de não estarem amassados e marcados pelo tempo;

14) O proprietário do imóvel, seu locador, declarou que assinou os recibos, seu contador confirmou, mas há quem fale em reconhecimento de firma Seja como for, nada disso interessa, o juiz quer que Lula declare expressamente que tem os originais dos recibos – è possível que nada afaste a certeza de que os recibos foram produzidos, caso alguma exigência processual referente à juntada de originais de documentos não se faça;

15) Para tentar abarcar a série de questões levantadas, existe ainda a de que não foram apresentados todos os recibos; possivelmente alegar-se-á que se há apenas uma parte dos recibos, isso é sinal de que a locação é falsa.

CONCLUINDO:

O desenvolvimento de dúvidas e questões tendentes a provar que os recibos de aluguel não provam que os aluguéis foram pagos e, assim, fica demonstrado que o apartameto pertence a Lula, não se detém ante as demonstrações feitas e em face dos depoimentos colhidos: Lula poderá provar cabalmente que os recibos são verdadeiros, como já deve estar provado, mas restará, como corolário, e nos extertores da acusação, a alegação de que “os recibos são ideologicamente falsos”.

Ou seja, afinal a acusação aceita a materialidade, dá por provado que os recibos foram expedidos, não tem como negar isso, mas pode garantir que se eles existem e não são falsos, são, sim, falsos. Trata-se de falsidade ideológica: os recibos são “ideologicamente falsos”.

A cartada é magistral: acusado de falsidade ideológica, Lula poderá ser condenado por mais uma infração, que prevê pena de até três anos de reclusão e multa.

Já lembrei, alhures, da história do lobo pego com as calças na mão: ele bebia água rio acima e acusou o cordeiro, que bebia rio abaixo, de estar sujando a água. O cordeiro alegou que não podia estar prejudicando o lobo, a sujeira não poderia estar indo contra a correnteza. O lobo, confrontado com a realidade das leis da natureza, ficou puto e comeu o cordeiro assim mesmo.

CHICAGO, BOSTON OU MÉRIDA?

Recordaçoes hilárias do Prof. Dr. Phd Goyambú Bigeyes

Eu era menino pequeno lá no interior deste Brasil imenso, ainda me chamavam de Goyambuzinho, e freqüentava o ginásio, que então se chamava Ruy Barbosa com ipicylone.

Tínhamos um professor muito engraçado, e competente, e o que mais nos fazia rir era um defeito dele no modo de falar. Ele tinha morado no Rio de Janeiro e por isso, além do exagero no “s” puxado, pronunciado como se fosse um “x”, ainda tinha um problema de dicção que tornava sua fala muito diferente.

Um dia ele decidiu resolver um problema da turma toda, que era o de os alunos não memorizarem nomes e datas, dentre outras coisas que faziam parte dos ensinamentos escolares.

Disse-nos ele: – Vou fager com vochêch algunch egerchíchioch de mnemônica, que é uma técnica utilizada para memorizar ach coisach.

Bem, para não ficar muito difícil de entender a representação escrita da fala dele, vou reduzir as falas diretas, diminuir as representações e falar algumas vezes por ele.

Ele disse que iríamos começar com algumas coisas meio chulas, para despertar bastante o interesse da turma e treinar a mnemônica. Pediu atenção.

– Digamos que vochês precisam lembrar o nome de uma cidade muito conhechida dos Estados Unidos em uma prova, e a questão diz que é a mais populosa do Estado de Illinois. Pois bem, bastaria vocês, ao estudarem, relacionarem o nome da cidade, Chicago, a uma necessidade fisiológica. Podem relacionar assim: “não chei chi mijo ou chi cago”. Pronto! Na hora da prova essa aí vocês nunca errariam

Ficamos todos entusiasmados com a novidade quando ele propôs mais um exemplo.

– Voltando aos Echtados Unidos: diga aí você, Robertinho (e dirigiu-se a um dos mais bagunceiros da classe): A mnemônica para o nome de uma outra importante cidade norte-americana são “dejetos intestinais”. Qual seria essa cidade?

E o Robertinho, de pronto:

– Pêidon!

O professor riu e corrigiu:

– Não, Robertinho! Passou perto, muito perto! Mas, o nome da cidade é Boston!

Foi quando Joãozinho, o mais safadinho da classe, levantou a mão e perguntou ao mestre, sob gargalhadas gerais:

– Professor, o senhor já foi à Mérida?

UMA IMAGEM

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Devo observar que nem sempre. Em tempos de hipercomunicação, como resultado da Internet, a partir da qual somos todos comunicadores, divulgando idéias, notícias e falsidades, muitas vezes as imagens são usadas para enganar, particularmente na forma de montagens.

Contudo, o dito popular tem sua razão de ser, porque o dito é verdadeiro quando a imagem é utilizada para transmitir a realidade, uma mensagem verdadeira, ou, além mesmo disso, um sentimento, uma mensagem, uma impressão, ou, simplesmente, a beleza!

Pois, quero falar da beleza. E de política: – De política e de beleza.

Estamos acostumados a pensar em política como coisa feia; nos dias que correm, nos quais devassas policiais revelam a corrupção no meio político institucional, agrava-se a visão dessa feiúra.

Mas, política não é, em si, intrinsecamente, um elemento reprovável da sociedade: muito pelo contrário, é o meio escolhido pela democracia para que a Nação seja organizada e administrada, pois são os políticos que fazem a lei e administram o Estado, em nome e a favor da população.

A feiúra está nos desvios da ética e da correção, na falta de bom senso e de honestidade. Se pudéssemos tratar do tema estatisticamente, veríamos que há muito mais políticos corretos do que corruptos, e mais interessados no bem social do que em seus objetivos pessoais.

Temos, atualmente, cerca de sessenta mil vereadores no País, e são mais de onze mil prefeitos e vice-prefeitos, centenas de deputados federais e estaduais, além dos senadores, sem contar os suplentes. Podem ser incluídos na lista de políticos, formais, ministros, secretários de estado e muitos outros que participam das funções políticas do Estado, cujo ápice são o Presidente e o Vice-Presidente da República.

Um posicionamento, mais do que de esperança – de otimismo e de fé na natureza humana -, leva-nos à convicção de que o interesse público é a regra e a falta de compromisso social a exceção.

Voltando a imagem, beleza e política: – Como podem imagens revelar-nos beleza na política?

Escolhi uma cena para mostrar como.

E essa escolha recai em uma fotografia verdadeira, sem montagem, sem farsa, sem mentira, que revela a política envolvida com a beleza e com o humano, com a solidariedade e a proximidade, com o calor e o carinho, com o amor e o respeito:

TEMER FINALMENTE MANIFESTA-SE EM DEFESA DE LULA

O Palácio do Planalto acaba de sair em defesa contundente do ex-presidente Lula.

Inconformado com a perseguição que o ex-presidente sofre, Temer achou que chegou a hora de dar um basta e, em nota oficial, declarou, certamente referindo-se ao depoimento de Antonio Palocci, que “Bandidos constroem versões ‘por ouvir dizer’ a lhes assegurar a impunidade ou alcançar um perdão, mesmo que parcial, por seus inúmeros crimes”.

Sem citar o nome de Lula, a nota oficial da presidência da república afirma que “Garantias individuais estão sendo violentadas, diuturnamente, sem que haja a mínima reação”.

Deve ser certo que Temer se refere à psicótica denúncia de que Lula vendeu ato legislativo, com o apoio unânime do Congresso Nacional, ao dizer que “Muda-se o passado sob a força de falsos testemunhos. Vazamentos apresentam conclusões que transformam em crimes ações que foram respaldadas em lei”. Deve tratar-se do que andam chamando de “criminalização da política”, que faz com que qualquer ato legislativo que beneficie algum setor da economia, desde que praticado por Lula, tenha sido feito de encomenda e em troca de propina.

Temer, em sua sede de que Lula deixe de ser perseguido, não poupou críticas ao ferimento do Estado de Direito, ao observar que “O Estado Democrático de Direito existe para preservar a integridade do cidadão, para coibir a barbárie da punição sem provas e para evitar toda forma de injustiça” e que “o Brasil vem assistindo exatamente o contrário”.

Até agora muitos estranhavam que Temer, conhecido por sua fidelidade e companheirismo, não se pronunciasse em defesa dos seus aliados (a nota certamente também se refere à ex-presidente Dilma, embora da mesma forma não cite o nome dela).

Com essa atitude, o Presidente Temer recupera seu conceito junto ao Partido dos Trabalhadores e deverá receber os cumprimentos e o carinho de Dilma, de Lula e dos demais expoentes do PT, além de ser chamado para, frente ao juiz Sérgio Moro, testemunhar em favor do ex-presidente.

E OS BRANCOS?

Li em algum lugar certos comentários de pessoas pretendendo desmerecer Benedita da Silva, ativista em movimentos sociais de favelas, vereadora, deputada, senadora, ministra, governadora, negra, de origem humilde, chamando-a de feia, ignorante e, para completar, nepotista.

A Emenda Constitucional (EC) nº 1, de 1969, à Constituição de 1967, dispôs que a primeira investidura em cargo público dependeria de aprovação prévia em concurso público de provas e títulos, salvo os casos indicados em lei (art. 97, § 1º). Além de referir-se ao concurso público como condição apenas para a primeira investidura em cargo público, abrindo espaço à exegese de que o servidor concursado poderia ingressar em cargos superiores sem prestar novo concurso, o art. 97, § 1º, da Emenda, em sua parte final, concedeu ao legislador poderes para excepcionar até mesmo a exigência de concurso para o ingresso inicial no serviço público.

Ainda na vigência da redação original da Carta de 1967, normas estaduais vieram prever formas de ingresso em cargo público com dispensa do concurso, em flagrante descompasso com a Constituição Federal.

Inaugurou-se, então, a contratação de “empregados” para o serviço público, para burlar completamente a proibição constitucional de ingresso no serviço público sem a realização de concurso público. Empregado (o chamado “celetista”, ou seja, sob o regime da CLT) não era “funcionário”; e assim, podia ingressar por “processos simplificados”.

A coisa chegou a tal ponto que os tais processos simplificados passaram a nem ser realizados, ou a constituírem arremedos de seleção, para “pôr para dentro” os apaniguados, que ficaram conhecidos como “janeleiros”, porque “entravam pela janela” (haja aspas, meu Deus!).

Pois bem, entrando no assunto “nepotismo”, foi nessa época que milhares, milhares e milhares, de filhos, irmãos, cunhados, afilhados, sobrinhos, mulheres, netos, amantes, pais, mães, avôs e avós de políticos, dentre outros, entraram para o serviço público sem prestarem concurso público, realizando um festival de nepotismo jamais visto ou imaginado, que se agravou com a transformação posterior dos respectivos empregos em cargos, elevando-os à condição de “funcionários”, termo que hoje corresponde a “servidores”.

O mais grave: o filho do político (por exemplo), entrava em emprego de servente ou outro de categoria subalterna, não especializada, e seu emprego era transformado em cargo de nível médio e até superior, sob a complacência dos órgãos que deveriam exercer o controle – afinal, todo o mundo tinha parentes para empregar.

Não faço idéia de como Nilcéia (56) e Pedro Paulo (55), filhos de Benedita da Silva, entraram para o serviço público, consta que são servidores da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro desde 1987, um anos antes da entrada em vigor da Constituição de 1988, que endureceu completamente quanto ao ingresso nos quadros do serviço público sem concurso público; e que, cedidos à UERJ-Universidade do Estado do Rio de Janeiro, foram denunciados pelo Ministério Público porque recebiam sem ir trabalhar.

Não sei se foram condenados ou absolvidos, se há processo, se, havendo, foi julgado, está em andamento, ou foi arquivado – se alguém quiser pode informar ao distinto público.

Benedita da Silva disse, por ocasião da denúncia, que não usou de nepotismo quanto a seus filhos e que se eles fizeram algo errado teria sido por sua própria conta e risco.

O interessante é que como Benedita da Silva é negra, foi empregada doméstica e pobre, ativista em movimento de favela, e é do Partido dos Trabalhadores, o conhecido PT, as acusações caem como uma luva contra ela, mas ninguém está interessado quanto aos milhões e culhões de casos de nepotismo dos políticos brancos e ricos, bonitos e de olhos verdes, azuis e furta-cor, vindos de berços de cetim e formados em Harvard e pertencentes a outros partidos políticos. Nem os chamam de burros e de asquerosos.

Sim, vocês não sabiam de nada disso e portanto estão desculpados.

Esclareço que alguns elementos desta exposição foram chupados.

Chupados do Renato Monteiro de Rezende, em “Concurso Público: Avanços e Retrocessos”, e não de Gil Brother Away.

A GLÓRIA

Minha querida mana, Glorinha, que assina a coluna É a Glória aquI no Jornal da Besta Fubana, está se recuperando bem: os médicos, enfermeiros e acompanhantes garantem que embora os sinais de progresso possam ser imperceptíveis aos outros, quem, como eles, acompanha diariamente o seu tratamento, percebe melhoras que, ainda que pequenas, são promissoras.

Certamente, as vibrações positivas e as orações de todos vêm colaborando nos progressos. Como creio em milagres, levei para ela uma Medalha da Nossa Senhora Milagrosa, que eu trouxe da Chapelle Notre-Dame de la Médaille Miraculeuse, de Paris, e que carregava há anos no pescoço. Eu ainda estava a caminho de Brasília, com a determinação de passar para ela a medalhinha, quando meu irmão Arlyson, que acabara de estar com ela, me disse, satisfeito, que naquele dia vira significativas melhoras em seu estado.

Tenho transmitido a ela as mensagens carinhosas de todos, dizendo-lhe os nomes dos companheiros que perguntam por ela e desejam-lhe boa sorte e a cura total. Levo-a a ver imagens e a ouvir música, especialmente as que ela mesma gravou.

Com esse sentido, preparei o vídeo, bem simples, de uma gravação que fizemos em dueto, da bela composição de Tom e Vinícius, O Que Tinha de Ser, com fotos variadas de algumas de nossas apresentações, atendendo à recomendação de estimulá-la – vídeo que agora compartilho com vocês.

Agradeço pelo carinho de todos e pelas manifestações de apreço demonstrado, carregadas de amizade, solidariedade e humanidade.

ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS

Hoje eu encontrei um álbum de fotografias que há muito tempo eu não via.

Estava dentro de uma caixa, apertado em cima de fotos muito antigas também, soltas, espalhadas, como ficara a vida.

Tinha aquela cor envelhecida das coisas que ficam esquecidas.

Comecei a folheá-lo, rostos e corpos sucedendo-se, meus amigos velhos, meus velhos amigos, que saudade.

E entre tios e tias você me sorria.

Havia também as imagens queridas de meu pai, de minha mãe, dos meus avós, do meu avô e da minha avó com o cachorro deitado aos seus pés, quase em baixo da cadeira em que ela se sentava.

Muitos anos vão passando em um só dia, enquanto as folhas lentamente eu corro.

Vejo também meus primos e minhas primas… Meu Deus! Tanta gente que eu queria rever e não revejo, porque todos sumiram no mundo num lampejo!

Sumiram assim como você, que ainda mora nos meus sonhos, mas que também ficou perdida nos desvios e agora é só mais alguém na igualdade dos rebanhos desta vida.

Você me olha e me sorri. Mas sei que nunca mais vou rever esse sorriso, porque cada um de nós fez as suas próprias escolhas.

É difícil viver com elas, essas escolhas que temos que fazer, pelas quais ganhamos e perdemos, perdemos e ganhamos, mas não sabemos nunca se o saldo é positivo, se seguimos os rumos certos para nós e para aqueles que amamos.

Agora eu choro. E enquanto sua foto aliso, com carinho, vou fechando o álbum de fotografias, vou fechando o passado junto com estas folhas.

Guardo o tempo dentro da caixa.

CONFIRMADO: HÁ VIDA INTELIGENTE FORA DA TERRA!

(Matéria científica elaborada pelo Dr. Goyambú Bigeyes, PhD, adjunto da NASA)

A história que vou contar para vocês é difícil de acreditar, talvez pelo extraordinário ou quem sabe pela carência de uma perfeita situação no tempo e no espaço. Mas posso garantir que é verdadeira e possivelmente um dia todos os seus detalhes virão à tona. Hoje deve, realmente, ser difícil acreditar que se possa saber disso. Como? Não sei. Mas é fato que em um planeta do nosso próprio sistema solar, ainda desconhecido do grande público, sondas puderam verificar coisas impressionantes nesse globo que fica atrás de Vênus (as fontes não informam exatamente se se trata de um planeta ou de uma das luas pouco conhecidas desse gigante do espaço).

O fato é que foi possível captar a evolução da vida nesse local, através de contrastes de infra-vermelho, da distorção de raios alfa e de outros fenômenos cósmicos já visíveis e interpretáveis por radiotelescópios. Graças à constatação, feita por esses métodos, da existência de vida no local, foram enviadas sondas capazes de gravar vídeos e captar sons praticamente como se estivessem na superfície desse corpo celeste.

O que se viu deixou perplexa a NASA e a comunidade científica, que tenta a todo o custo esconder, seja porque a agência espacial norte-americana não quer que o assunto vaze, seja por preconceito de que cachorros possam ser tão ou mais inteligentes que os humanos.

É que nesse planeta, ou lua, como queiram, não só existe vida inteligente, mas… o mais interessante é que esses seres inteligentes têm a aparência de cães, ou melhor, são exatamente como os cães da Terra, andam e agem como os nossos cachorros.

Porém, por terem o corpo de cachorros, a manifestação de sua inteligência encontra obstáculos quase intransponíveis: primeiro, porque suas cordas vocais e o formato da boca e dos lábios não lhes permite a manifestação através da fala; segundo, porque suas patas, sem o famoso dedo polegar, e por isso sem a capacidade de pegar e segurar coisas, não lhes faculta o dom de fabricar; terceiro e muito importante, seu corpo não obedece ao pensamento, quase como se mente e corpo fossem entes separados.

Foi preciso, para que ali se desenvolvesse uma civilização – como de fato se desenvolveu – que a sábia Mãe Natureza interferisse encontrando soluções para problemas aparentemente insolúveis. Pois é assim que nesse planeta também existem macacos, sendo que os macacos não têm a menor inteligência.

Só que se os macacos ali não têm, por um lado, o intelecto desenvolvido, são, em compensação, dotados de expressão facial, de aparelho vocal apto a emitir sons bastante variados, podem andar eretos e, o mais importante, possuem a capacidade de pegar e segurar objetos, pois dispõem da articulação do dedo polegar, sim, dessa articulação que é responsável pelo progresso humano, mais do que qualquer outra coisa que exista.

Nessas condições, os macacos não poderiam, nesse planeta, fazer nada, a não ser procurar bananas e caçar insetos para se alimentarem.

Eis, então, que a natureza permitiu que os cães pudessem, ali, dominar completamente, por controle mental, as ações e movimentos dos macacos, pondo-os a trabalhar inteiramente ao seu comando: os cães produzem mentalmente, os macacos executam e realizam manual e corporalmente.

Há, então, um exército de macacos trabalhando para os cães, tornando realidade todas as suas ordens mentais, fabricando aparelhos, manuseando máquinas, escrevendo livros, produzindo shows, inventando rações, cursando veterinária, enfim, tudo aquilo possível de ser feito em uma verdadeira civilização.

A princípio parece que os cães tentaram comandar os macacos para produzirem aparelhos e coisas em geral que os próprios cães pudessem dirigir e controlar, como veículos com assentos adaptados a seus corpos, pedais e volantes com furos ou aberturas para que introduzissem seus pés, mas a ausência de controle racional dos seus pensamentos sobre seus corpos impediu que fosse dado seguimento a essa investida: não adianta ter um pedal sem que as pernas e os pés consigam controlá-los. Seus corpos somente obedecem a impulsos instintivos, como correr atrás de pequenos animais, latir perseguindo veículos, sair em disparada para pegar bolas, urinar em postes para marcar território e assim por diante.

Hoje, o que se vê naquele planeta, como se deixou entrever, é que os macacos agem em todos os sentidos, controlados pelos cães; e essa civilização evoluiu de uma forma tão característica que os cães se tornaram completamente dependentes dos macacos, pois deles necessitam não só para fazerem tudo como para poderem aproveitar os benefícios do progresso obtido: assim como são os macacos que produzem aparelhos e tudo o que se pode usar em um mundo evoluído, também são eles que manuseiam esses aparelhos, cuidam da agricultura e da pecuária, plantam e colhem, matam e limpam, congelam e assam, constróem e destróem, dirigem, consertam, trocam pneus – enfim, fazem de um tudo para os cachorros e sob o comando mental dos cachorros! Inclusive são os macacos que levam os cães a passear.

Se há uma guerra, são os macacos que vão ao campo de batalha, sob o comando mental dos cães, enquanto os cães ficam de longe, latindo e uivando, cavucando jardins e enterrando ossos.

Por enquanto, poucos somos os que tiveram acesso a estas informações guardadas a sete chaves, mas segredos de tal magnitude não conseguem ficar guardados para sempre e na certa os cientistas nos darão dentro de pouco tempo informações mais completas sobre o estranho planeta. E a NASA os liberará para que possamos dividi-los com o público em geral.

O Universo é um campo inesgotável de surpresas (anotem esta frase).


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