PALHAÇADA E CANALHICE EM DELAÇÕES PREMIADAS

A considerar verdadeiras as notícias de que um delator foi pressionado a caprichar nas delações contra Lula, caso contrário o que apresentara até então, considerado pouco consistente, não valeria prêmios, estaríamos frente a um tipo de tortura: um prisioneiro, segundo Jânio de Freitas e mais dezenas de outras fontes, foi pressionado a “melhorar” suas delações contra Lula. Algo do tipo “ou tu tens algo melhor ou tu inventas, se não tás lascado”.

Está espalhado por tudo quanto é canto: trata-se de Léo Pinheiro, ex-diretor executivo da empreiteira OAS, que mudou do vinho para água o que dizia a respeito de Lula.

Em artigo intitulado “Ao ordenar que Lula compareça a 87 audiências, Moro tem atitude rasteira”, Jânio de Freitas, além de expor sua estranheza a respeito desse fato, estendeu-se a comentar as supostas pressões acima referidas, chegando ao ponto de dizer que tal tipo de comportamento “reacende o problema do facciosismo com que procuradores deturpam a função constitucional do Ministério Público”, o que, para mais que os argumentos expostos nesse artigo, nos remete imediatamente ao “Show do Power Point”.

Ao que tudo indica, não se exigiu apenas que Léo Pinheiro “melhorasse” sua delação; ele foi compelido, ainda, a delatar algo que pudesse levar Lula à prisão, de imediato.

E assim, Léo Pinheiro surgiu com a novidade da destruição de provas: se Lula pediu isso, que provas fossem apagadas, sua prisão pode ser imediatamente justificada pelo chamado “periculum libertatis” (na verdade, possivelmente não pode, dadas as circunstâncias; mas, ainda dadas outras circunstâncias, pode servir de apoio a alguma arbitrariedade).

Constituissem apenas palhaçadas as delações encomendadas, não teriam tanta gravidade, mas ocorre que constituem, também, canalhices, com o fito de, por um lado, incriminar pessoas por interesses políticos e quaisquer inconfessados e inconfessáveis, e por outro lado garantir ao prisioneiro delator a diminuições da pena ou, até, a liberdade – um indivíduo mediano, submetido à iminente privação da liberdade por alguns ou muitos anos, e já provando o gosto da cadeia, frente a uma oferta tentadora de liberdade pode fazer o diabo, e tudo indica que o indigitado não foge à regra.

Aliás, já que falamos em fugir, não é à toa que a fuga de prisioneiro não é crime e não está disposta no rol dos delitos, porque tentar se livrar da cadeia e recuperar a liberdade é um instinto tão forte que pode-se admitir que para consegui-lo o prisioneiro considere que tudo é permitido, até mesmo mentir.

Chegamos ao ponto em que delações são simplesmente lançadas ao vento das possibilidades, atitude que parece estar sendo estimulada por quem deveria zelar pela busca e preservação da verdade.

Proliferam neste momento as delações aparentemente vazias, do tipo “fulano sabia”, “eu disse a ele (ou a ela)”, “ele estava presente”, “não podia deixar de saber”, “entreguei a ele”, “foi em dinheiro vivo” e assim por diante.

Só falta agora alguém garantir em delação que efetivamente as cinco palestras que Lula deu para a OAS foram efetivamente realizadas e pagas, mas…

… – Como? Não falta mais?!

PACOTE DE SACANAGENS

Entrevista concedida pelo presidente ao grande repórter científico Dr. Goyambú Bigeyes

ENTREVISTADOR: Senhor presidente, muitos estão com medo das medidas que vêm sendo anunciadas para reforçar o caixa do governo. É verdade que o senhor decidiu cobrar IPVA de quem não possui carro?

PRESIDENTE: Sim, cobrá-lo-emos! Os pedestres, como diz o próprio nome “pé-destres”, andam pelas ruas e devem participar do esforço nacional!

ENTREVISTADOR: Parece justo. Mas o senhor acha mesmo que cobrar tarifa de energia elétrica dos carros também é uma medida justa, uma vez que os carros produzem sua própria energia? Alguns setores têm receio de que o senhor realmente fará isso!

PRESIDENTE: Claro que fá-lo-emos! Os carros consomem energia elétrica! Quem não quiser pagar use bicicleta para locomover-se! Todos precisam colaborar. Não estamos inventando nada, quem tem poço de água em casa já tem de pagar pelo consumo há muito tempo!

ENTREVISTADOR: E o imposto de renda para quem não tem renda? Como se pretende justificar isso, presidente? As pessoas estão com medo…

PRESIDENTE: O que deva sê-lo sê-lo-há! A cobrança do imposto de renda a quem não tenha renda funcionará como um incentivo para que a pessoa passe a tê-la-la. Sabendo que tem de pagar, o sem renda tratará de dar um jeito de trabalhar para ter dinheiro para arcar com o imposto.

ENTTREVISTADOR: E se não conseguir pagar?

PRESIDENTE: Logicamente, prendê-se-lo-á! Ninguém deve furtar-se!

ENTREVISTADOR: E quanto à reforma da previdência – deve-se mesmo temer que o aposentado passe a recolher a contribuição previdenciária?

PRESIDENTE: Claro-lo-lo! Isso é uma medida de justiça que apenas estará sendo estendida ao trabalhador privado! Os servidores públicos aposentados já a pagam-na-la! Estamos apenas nos inspirando no Lula. Foi no governo dele que eles foram solicitados a continuarem morrendo em onze por cento para a previdência. Devemos imitar o que é bom.

ENTREVISTADOR: Voltando às medidas gerais para zerar o déficit orçamentário: Todos devemos, então, temer que será mesmo cobrado um imposto sobre praia?

PRESIDENTE: Sim, haverá-lo-á. E também cobraremos multa pesada de quem cuspir seco na rua, atravessar dentro ou fora da faixa, beber antes do meio-dia e chupar manga e tomar leite. Pretendemos, ainda, instituir a taxa de gás em elevadores e a contibuição de melhoria para o doente que estiver se recuperando.

ENTREVISTADOR: Grato por suas palavras, senhor presidente! Aqui nos despedimos informando que já recolhemos o tributo sobre entrevistas presidenciais.

PRESIDENTE: De nada-do-lhe meu caro! E, por favor, parem de chamar essas providências de Pacote de Sacanagens. Isso não contribui em nada para o progresso da Nação.

O REINO DAS INCONSTITUCIONALIDADES BAFOMÉTRICAS E DEENEALÍSTICAS!

Digamos que você mora em um País onde o Direito se rege pelo princípio de que as pessoas NÃO PODEM SER FORÇADAS A SE AUTOINCRIMINAREM, o que corresponde à orientação latina de que “nemo tenetur se detegere”, ou seja, “ninguém é obrigado a se mostrar”.

Imaginemos que nesse País exista uma Constituição, ou seja, uma lei fundamental e suprema da nação, contendo normas relativas à formação dos poderes públicos, à forma de governo, à distribuição das competências, aos direitos e deveres dos cidadãos, aos princípios fundamentais do direito.

Suponhamos que nessa Constituição exista uma disposição garantindo que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

E mais, que nessa disposição, como decorrência de uma interpretação sistemática, que considere regras como a de que são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos, o direito de permanecer calado e outros, esteja previsto o direito da pessoa a não produzir prova contra si mesmo.

Agora, por hipótese, digamos, mais, que um país – não o Brasil – adote todas essas regras e tenha, também, em seu direito, prevista a pena de morte.

Vamos pensar na possibilidade de um caso concreto: o indivíduo é preso, acusado de um crime cuja pena prevista pode ser a de morte.

Esse indivíduo é solicitado a fazer um exame que pode comprovar ser ele o autor do crime.

Como vimos, ele poderá recusar-se a fazer o exame, pois a lei lhe assegura o direito de não produzir provas contra si próprio.

E, pela lei desse país, se lhe for imposta qualquer coação, que vise a obrigá-lo a se confessar, ela será ilícita e configurará crime de tortura

Mas, por incrível que isso possa parecer, consideremos que nesse mesmo país a norma infraconsticucional, ou seja, a lei ordinária, disponha que se o suspeito não aceitar fazer o exame sua culpa estará determinada.

Assim, o indivíduo que se recusou a fazer o exame será condenado à pena de morte, porque a recusa em fazer prova contra si mesmo equivale a prova de que o suspeito confessou a sua culpa pelo crime.

Podemos afirmar que esse País, exceto pelo fato de que aqui não existe a pena de morte (salvo em caso de guerra) , é o Brasil.

A despeito do aparente exagero – uma vez que no Brasil a recusa a fazer o chamado “teste do bafômetro” não determina culpa por crime, somente impõe pena administrativa, o princípio é exatamente o mesmo daquele que conduziria à hipótese penal de determinação de culpa por crime.

Ou seja, a regra do Código de Trânsito – impondo que a recusa a ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa – é claramente inconstitucional; e as autoridades competentes para sua anulação não a promovem!

Poderia ser pior do que isso? Sim, poderia! No caso de ação de paternidade, se o pretenso pai se recusar a fazer o exame de DNA a jurisprudência, com base no art. 359 do Código de Processo Civil, dispõe que se presume verdadeira nesse caso a alegação da outra parte de que o acusado é o pai. A não ser que o acusado prove que a mãe da criança cuja paternidade é investigada teve relações sexuais com outro homem!

Ou seja, nos deparamos com jurisprudência que fere as disposições constitucionais relativas à auto-incriminação e, até, à tortura, e ninguém faz nada!?

Concluindo, alguém poderá perguntar-me: Então, se não é possível compelir alguém a fazer os exames que comprovarão sua culpa, nem aplicar-lhe penalidades por não fazer os exames, como poderá ser feita a comprovação – seja da embriaguês, seja da paternidade?…

– E eu é que sei?!

BOMBA, BOMBA!

Penúltimas Notícias! (Agência GoyambúNews)

Tão dizendo que agora não tem mais jeito, Cunha vai abrir a boca e jogar uma bomba que vai explodir o mundo empresarial; e, pior, se cuidem os frigoríficos, um dos alvos é o setor de carnes.

Consta que a coisa da delação que ele vai fazer decorreu de diálogo tipo assim:

Conversa entre um aconselhador e o cara:

“Aconselhador”: – Tu tens que delatar para seres premiado.

Acusado: – Mas deletar o quê? Não sobrou mais nada, já inventaram tudo o que podia ser inventado.

“Aconselhador”: – Não, ainda tem uma coisa.

Acusado: – O qüê?

“Aconselhador”: – Caixa 1.

Acusado: – Mas caixa 1 não é crime!

“Aconselhador”: – Mas é a tua salvação. Dirás que todas as doações de caixa 1 para tais e quais candidatos eram oriundas de transações ilícitas e foram feitas como propina…

Acusado: – Valeu! Já é!

“Aconselhador”: – E tem mais, tu tens de dizer que toda aquela grana que tava em contas lá fora e que tu sacaste foi toda dada pras bolas da vez da hora, são alvos fáceis.

Acusado: Deixa comigo! Tá tudo bem escondidinho.

“Aconselhador”: – Faz isso, te encontro semana que vem lá fora. Leva o meu.

CANTO E ENCANTO

MEDIDAS TEMERÁRIAS

Um leitor assíduo de Arco, Tarco e Verva, minha coluna no Jornal da Besta Fubana, adverte: – Não se deve votar e eleger ninguém de PT, PSOL, PCdoB, PSTU e REDE.

Isso, no espaço que me é reservado no jornal, soa como uma heresia! Defendo sistematicamente nesse local os governos do PT, com destaque para os A.L. (Anos Lula), e o faço apresentando dados, números, estatísticas, testemunhos, publicações e a minha palavra de honra, tornando árduas as frustradas tentativas de contestação, o que torna a conclamação, de não votar no Partido dos Trabalhadores e em seus aliados de esquerda, uma nota destoante, algo como falar de corda em casa de enforcado.

Ou, poderíamos apelas para o ditado popular de que quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado dos outros. Falar mal dos outros é fácil, o difícil é falar bem.

Muitas vezes o mal está nos olhos de quem vê, pois eu posso garantir que o PT é bom, não é da banda podre, ou, sendo menos benevolente, não é pior do que ninguém, sendo, a meu modesto ver, até bem melhor do que os outros: atesto e dou fé.

Mas, a questão é a seguinte: nosso presidente da república, considerado por muitos O Usurpador, e por outros chamado de O Legítimo Apanhador de Cargos, a depender do ângulo que se o vê – para fugir à mesóclise e adentrar à próclise, raspando na ênclise – anda mal de avaliação.

Não somos nós, petralhas, que o dizemos. Um instituto de pesquisas está espalhando isso aí.

Por esse apanhado, o governo peemedebista, apoiado por PSDB, DEM, PSD, PP, PSB, PR, PTB, PPS, PRB e PV está no sal. E, é claro, esses apoiadores vão para o brejo junto, porque onde vai a corda vai a caçamba.

O que se sabe, ouvido à boca pequena, é que Temer não está tão mal cotado assim: a média de aprovação nacional, neste mês de março de 2017, foi de dez por cento.

Mas, se a média nacional de reprovação foi de 55% , o que ninguém observa é que, em assim sendo, existe um vácuo aí, de trinta e cinco por cento, que pode significar que parte do grupo classificado como coxinha está quieto, esperando para ver no que vai dar, pondo a barba de molho para não dar o braço a torcer.

Sim, meu caro articulista, mas, afinal, a quê vens?

Acordo de minha letargia ouvindo a voz da consciência chamando às falas para explicar o que, afinal, sabendo que manda o politicamente incorreto que onde canta a galo não canta a galinha, devo concluir de toda essa exposição.

Simples: Se 55% estão reprovando o governo, apesar de suas medidas para diminuir juros, cortar gastos, criar impostos, reformar a previdência, criar lista de votação, descriminalizar caixa 2, jogar uma responsabilidade em cima de delegados, promotores e juízes, liberar o FGTS de contas inativas, diminuir prazo para pagamento de débito de cartão de crédito e mais umas outras aí, o que se pode pensar?

Que esses cinqüenta e cinco por cento que estão contra os pacotes de medidas dão os safados dos petistas e seus cupinchas!

Oh, horror! Isso quer dizer que, na pior das hipóteses, o PT já tem mais da metade do eleitorado – esses cinqüenta e cinco por cento com o governo atravessado na garganta – a seu favor?

Sei lá. Mas, pelo andar da carruagem, se Temer não conseguir dar um nó em pingo dágua e reverter essa panorama, tratando de livrar-se dos estorvos que o cercam e de criar realizações próprias, ao invés de rezar pelo São Francisco dos outros, seu partido e os demais que constituem sua base de apoio pagarão o preço superfaturado do fisiologismo.
A não ser que Lula seja preso… Preso e definitivamene condenado – recomendaria O Príncipe.

Não há de ser tão difícil. Cesteiro que faz um cesto faz um cento.

TESTE DE INTEGRIDADE NA TV

Vez por outra surge na televisão algum programa apresentando as chamadas “pegadinhas”, sendo uma delas a de submeter um indivíduo a uma situação de extrema tentação sexual: pega-se um homem casado, noivo ou namorado, coloca-se o cara em uma situação na qual uma bela mulher vai tentá-lo a cometer a traição, enquanto a esposa, noiva ou namorada do infeliz fica assistindo à cena.

Pode ser, por exemplo, um sujeito que vai entregar pizza e já de cara a mulher que vai recebê-la abre a porta semi-nua, convida-o a entrar enquanto simula preparar o cheque e insinua-se o quanto pode, até que o pobre coitado não consegue vencer a tentação e avança no flagrante preparado. Vai pagar caro por isso: nem terá a oportunidade de ir aos finalmente, nem escapará da fúria da parceira, quiçá com a separação definitiva do casal.

Essa é, comparativamente, a situação proposta em um dos itens das 10 Medidas Contra a Corrupção apresentadas pelo Ministério Público Federal ao Congresso Nacional, para que se transformasse em lei.

Faz parte do item 1 – Prevenção à Corrupção, Transparência e Proteção à Fonte de Informação, como segunda proposta, nos seguintes termos:

“Outra proposta é a previsão da possibilidade da realização de testes de integridade, isto é, a “simulação de situações, sem o conhecimento do agente público ou empregado, com o objetivo de testar sua conduta moral e predisposição para cometer crimes contra a Administração Pública”. A realização de tais testes pode ser feita por órgãos correicionais e cercada de cautelas, incluindo a criação de uma tentação comedida ao servidor, a gravação audiovisual do teste e a comunicação prévia de sua realização ao Ministério Público, o qual pode recomendar providências. O pressuposto desses testes não é a desconfiança em relação aos agentes públicos, mas sim a percepção de que todo agente público tem o dever de transparência e accountability, sendo natural o exame de sua atividade. A realização desses testes é incentivada pela Transparência Internacional e pela ONU.

Imagino que um servidor público, nesse “teste de fidelidade”, seria submetido á tentação de, por algum pixuleco, propina ou coisa que o valha, vender-se a alguém para garantir a uma pessoa ou empresa alguma vantagem, como vencer uma licitação, fechar os olhos a uma irregularidade, dar parecer favorável, compactuar com superfaturamento de preços, por exemplo.

Tratar-se-ia de uma “Pegadinha Legal”, preparada e executada pelo governo; e é estranhável que os autores da idéia não tenham proposto, também, que ela fosse apresentada em transmissão nacional pela televisão, podendo, além do resultado de pegar o agente público pelo pé, divertir os telespectadores e conseguir um rendimento extra para os cofres da Nação pago pelos patrocinadores.

Ora, direis: – Por que desenterrar coisa tão absurda que, até, já foi eliminada das propostas legislativas?

– Porque é importante que exercitamos nosso espírito crítico e autocrítico a respeito das questões que sobrepairam a vida nacional, para que não incorramos em excessos condenatórios e pré-condenatórios, para que não nos afoitemos a criar leis que desacordem com a filosofia e com os princípios mais básicos do Direito, elaborados ao longo de séculos e cristalizados em leis as quais, no fundamental, se teceram cuidadosamente, observando, inclusive, os usos e costumes, atentas à psicologia e à sociologia e nunca descuidando de atentar para a natureza humana e o comportamento esperado dos indivíduos em geral.

A proposta de instituição do chamado Teste de Integridade deve servir-nos para que fiquemos atentos à tendência das massas e, até, de operadores do direito imaturos, que se ponham a tentar resolver os problemas do mundo com normas esdrúxulas, que não resistem ao confronto com os princípios básicos do Direito.

O teste de fidelidade das pegadinhas não surpreende, necessariamente, o infiel – ele cria um infiel.

Assim como o Teste de Integridade poderá, ao invés de pegar corruptos, criar corruptos, submetendo pessoas à situação que diz que a ocasião faz o ladrão.

O Estado não deve promover a criação de corruptos e ladrões, invertendo os valores, mas, antes, cuidar de educar o cidadão, seja agente público ou não, nos princípios da moralidade e da ética.

Os fins não devem justificar os meios. Felizmente, os cuidados técnicos e jurídicos de profissisonais da área estão, ainda, sendo eficientes para impedir que prosperem aberrações como essa e, para fechar o raciocínio, para barrar o desvio da aceitação de provas ilicitamente obtidas, outra tolice que corria na esteira da insuficiência de densidade jurídica e que tem muito a ver com o tema.

TEMER UM USURPADOR

Temer um usurpador
Não vale a pena temer
No céu já surge o rubor
Do dia que vai nascer
O povo com seu valor
No seu lugar vai repor
O que antes devia ser
Porque dele é o poder
Depois de Deus.
E o Sol
Rebrilhará no Brasil
Para que um novo arrebol
No céu tingido de anil
Em dezoito mostre a força
Do brasileiro de raça
Cada um valendo mil
Mostraremos que o sucesso
Virá com Lula de volta
Pondo fim ao retrocesso
E a tudo que nos revolta.
VEM, LULA!
O teu regresso
Trará de novo o progresso!

PENÚLTIMAS NOTÍCIAS IMPARCIAIS

TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL CONTRA O LULA

Lula, nosso fantástico ex-presidente da república, Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula e Léo Pinheiro, da OAS, foram envolvidos em uma ridícula ação penal movida pelo Ministério Público Federal, que em mais uma louca tentativa de criminalizar nosso fantástico ex-presidente da república afoitamente considerou que o armazenamento de bens de valor do acervo do fantástico ex-presidente bancado por uma entidade de direito privado caracterizaria lavagem de dinheiro e outros bichos, isso porque querem porque querem enrolar nosso fantástico ex-presidente fazendo crer que ele recebia propinas de empresas e que tudo, assim como se fala das palestras remuneradas, era uma forma de Lula, nosso fantástico ex-presidente, levar um porforinha, por ter sido comprado por essas empresas. Agora, o Ministério Público Federal, à vista de argumentos imbatíveis apresentados pelos advogados de nosso fantástico ex-presidente, teve de botar o galho dentro e pedir o trancamento da ação penal.

Dou essa notícia avisando desde logo que o faço com a mais absoluta imparcialidade, como convém a qualquer órgão da imprensa que tenha de informar com isenção ao público.

* * *

O CAIXA DOIS É A FAVELA DOS POLÍTICOS

Em meio a essa celeuma sobre se “Caixa 2” é crime ou não; ou se, sendo crime, é ou não pior do que crime de corrupção, cabe notar que essa prática de guardar dinheiro não contabilizado não é uma “técnica contábil”, porque o dinheiro que não é contabilizado provém, sem dúvida, de atos ilícitos – em geral, a sonegação de impostos, que se faz usualmente mediante os mais variados artifícios. Sonegação fiscal é crime, de acordo com a Lei nº 4.729/1965. Manter Caixa 2 é crime.

No caso dos partidos políticos (e dos políticos envolvidos) o Caixa 2 se desenvolveu como crescem as favelas: alguém (ou um grupo) invade uma área pública e constrói um barraco. É pouca gente, o governo ignora. Aí vem outro, mais outro e mais outro e temos a Favela da Rocinha estabelecida com seus duzentos e cinqüenta mil moradores, em geral muito pobres, que não dispunham de outra forma de ter moradia na cidade, em lugar acessível à fonte de sustento da família.

Qual é a analogia?: – A inatividade do Estado!

Primeiro, por não ter providenciado moradia digna para essas pessoas. E segundo, por ter fechado os olhos ao crescimento da invasão, chegando ao ponto de nada mais poder fazer para recuperar o espaço tomado em face da proporção do problema social criado. Imaginem o governo derrubando doze milhões de barracos, palafitas, casas e outros tipos de moradia nas incontáveis favelas brasileiras.

Assim o Caixa 2 dos políticos: cresceu a tal ponto que não se tem conhecimento de partido político que não o pratique e de parlamentares que não recebam dinheiro de doações não declaradas.

Agora, o impasse: a chapa Dilma/Temer será condenada?

Se o for, será como se o governo fosse ao Complexo do Alemão e derrubasse um barraco por ocupação irregular… e deixasse os outros milhões de pé.

Sai dessa, TSE.

* * *

LULA PRESO

A notícia tão esperada pelos golpistas e pelos apoiadores do processo de golpe que se desenvolve no Brasil ainda não foi dada: – Lula, o nosso fantástico ex.presidente da repùblica, (ainda) não foi preso.

“Sê-lo-á”, seria a forma como se expressaria o nosso formalíssimo e impopular usurpador. Por enquanto, os que contam com o seu impedimento para concorrer às eleições presidenciais de 2018, para o período de 2019/2022, terão (e o digo com a mais absoluta isenção e imparcialidade, como convém a quem se dispõe ao uso da imprensa para informar) de se contentar com a língua presa do nosso fantástico ex-presidente e candidato que certamente será vitorioso se não for barrado por forças ostensivas que se pretendem ocultas.

Hoje, Lula, nosso fantástico ex-presidente, é como um pássaro que já está na gaiola, mas a porta ainda está aberta.

A MÃE-DO-OURO

Quando Berto propôs dar um nome às colunas que assinamos no Jornal da Besta Fubana (as que eram indicadas apenas pelo título de “A Coluna do Fulano de Tal”), me veio à mente uma expressão que conheci em minha cidade da infância, Lajinha, no interior de Minas Gerais: – Arco, tarco e Verva!

É uma expressão que, lá, queria dizer, mais ou menos, “põe tudo”.

A origem vem do sujeito que sentava no salão para fazer a barba e comandava ao barbeiro: – Arco, tarco e Verva, ou seja, para fazer a barba e passar “álcool, talco e Água Velva”, a “Verva”que era uma loção que se usava antigamente para depois de barbear, nem sei se ainda existe.

Esse indivíduo, sentado na cadeira do barbeiro, era um senhor exigente, que não queria um atendimento mínimo, queria serviço completo, como o indivíduo que pega a garota de programa e pede “cabelo e barba”.

A expressão pode significar “quero tudo!”, respondendo à pergunta “o que tu queres?”

Ou, ainda, um lugar onde tem de tudo (que pretendo ser o caso da minha coluna).

Aprovado o nome para a coluna, a partir de agora, pensei em, por assim dizer, inaugurá-la republicando um conto que tem suas origens naquela mesma cidade, de modo a estabelecer uma afinidade sutil entre nome, criador e criatura (bota sutileza nisso!).

Enfim, aí vai o texto, que espero que meus queridos leitores apreciem.

* * *

Estou voltando. Sinto o ar da minha terra, o cheiro familiar na brisa. O capim verde nos montes arredondados, os cupinzeiros, os anuns, os canarinhos-da-terra, tudo é como se jamais tivesse se afastado do meu dia-a-dia, como se os revisse de ontem, de anteontem, de todos os dias. O barulho dos bambus ao vento chama a atenção para o aumento da intensidade da brisa, que traz odores, perfumes, folhas, poeiras. Céu azul, ah! céu azul! Nuvens com beirais de prata e de ouro. Sol ameno. E o chão da estrada põe sob meus pés um contato de pedras redondas de tamanhos e formas conhecidas; uma poeira fina que resiste como um colchão de espuma de deliciosa maciez. Conheço tudo. Parece que o lugar e eu somos feitos da mesma matéria, temos o mesmo corpo e a mesma emoção.

Penso na cidade que logo verei, após uma curva da estrada, depois de uma ponte do pequeno rio pedregoso. A lembrança das casas brancas pequeninas, da torre da igreja caiada, das sinuosidades das ruas estreitas de terra batida ou de blocos de pedra, das copas das mangueiras dos quintais, ao longe, acelera-me o coração e faz-me quase sufocar de tanta ansiedade.

Agora, parece-me que o vento me leva. Bate-me às costas, empurrando-me como se tivesse pressa em retornar-me ao reduto amigo. Minhas pernas correm, algo trôpegas, mas não sinto seu movimento. Vejo-me nas asas da aragem, voando, deslizando, depressa mas suave.

Meu Deus! Quem sou? O que sou? Um pássaro, também? Como posso, agora, ver do alto o curso do rio, mas logo molhar meus pés em suas águas quase geladas, sentado no barranco úmido da margem? Como consigo não explodir de alegria, nem cair, de tanto estonteado, do dorso em pêlo deste animal suado que corre pelos campos, alucinadamente, e parece furar o espaço em cada salto sobre cercas e arbustos? Como posso ver-me, sim, a mim mesmo, de longe, passando com a fieira repleta de lambaris espelhados, pulsando de vida? Ou não serei, aquele, eu? Nem posso ter certeza. Na verdade, não consigo reconhecer nele a mesma pessoa que sou hoje. Não encontro, na memória, a seqüência de vida ligando um ao outro. Não somos a mesma pessoa. Tenho certeza.

Mas a memória me lembra daquele menino deslizando nas águas verdes do rio lerdo em seu insondável leito de lodo, pedra e areia. No bote calmo, abrindo um rombo esguio no dorso das águas, criando ondas espaçadas a perderem-se no roçar das ervas ribeirinhas. Na jangada roliça e escorregadia de bananeiras, os troncos verdes e brilhosos a rangerem nas embiras. Me lembra do contato fresco do chão da minha terra no meu corpo, da sensação levitante da rede suspensa nas goiabeiras, dos raios de sol por entre as folhagens, do cheiro de café, do fogão de lenha, das vozes queridas das pessoas amadas, do calor e do abrigo de seus corpos. Me lembra.

Mil anos! Mas foi ontem, é agora! E eu estou voltando, não sei de quando, nem de onde, nem bem por quê, para quem, para quê… Mas volto correndo, empurrado, como se voltasse para tudo, como se não tivesse ido, como se o tempo desmoronasse sobre si próprio no abismo do universo, reconstruindo-se e me refazendo, repondo-me como espectador de minha própria trajetória.

Duvido de saber ao certo como tudo aconteceu. Mas tenho a noção de saber que foi por causa da mãe-do-ouro.

Os outros meninos diziam que viam e eu não via nada. Mas eu dizia que também via. Alá! No fundo! Como ela brilha! É a mãe-do-ouro!

Agora, na estrada, eu tinha certeza de que estava de volta ao meu lugar. Por todo o mundo, onde estivesse, faltava-me um pedaço de bem dentro, talvez a própria alma, presa onde ficara enterrado o umbigo. Não é ali que ela fica? Por quê a sensação de ser estrangeiro em lugares onde construíra tantas vidas? Agora, na estrada, esperando desdobrar-se a curva do caminho para ver descortinar-se de dentro da paisagem, encravada no vale, a cidadezinha bonita, de sons alegres, antevejo-a, ou revejo-a, do alto, de cima da Pedra da Baleia, como um ente vivo, um bicho manso, descansado e amigo. Daqui, as casas são casinhas, as pessoas coisinhas que se mexem lentamente, sem formas definidas, muito embora dê para reconhecê-las a todas. Entre já, menino! As vozes chegam aqui como se produzidas pelo vazio, nascidas do nada. São palavras do vento. Ninguém parece dizê-las, mas elas chegam de longe, claras e ribombantes. Entra pra dentro! Como se em sintonias distintas, embora misturadas, chegam canções de algum rádio, latidos compassados dos cachorros, entremeados de risos e das batidas sonoras do martelo na bigorna do ferreiro. São sons de ferradura. Posso vê-lo batendo, moldando, o ferro rubro tirado com o alicate de dentro das brasas, vermelho como elas ao sopro do fole. O chiado dela na água não posso ouvir daqui. Mas sinto-o. E vejo-a emergindo da água ferruginosa do barril, em meio ao vapor borbulhante, pronta, a ferradura.

Quando subíamos o morro em direção à base da pedreira, parando aqui e ali para arrancar carrapichos dos cadarços ou para colher amoras pretinhas, alguém batizou-a Pedra da Baleia. Nada mais apropriado para uma gigantesca baleia de granito, de formas perfeitas, sobre uma imensa onda verde, o morro de pasto liso, de onde, por entre árvores escuras, a enorme montanha de pedra brotava, estendendo-se por quilômetros. Ninguém diria, assim, para ela olhando, que ela escondia um mistério. A certeza de com ele nos depararmos colocava-nos os corações às bocas. Mas, logo, distraíamo-nos ao correr da trilha, melando as meias no capim-gordura, impregnando-nos do ranço do seu cheiro.

Será que esta enorme lasca de pedra que desprendeu-se da montanha e escorreu até quase a sua base, retendo-se em grandes saliências e em outras pedras roladas, há tanto tempo que a vegetação esconde seus contornos, não irá, justamente agora, voltar a soltar-se, conosco dentro, soterrando-nos, esmagando-nos? Por quê não? Quem pode saber qual é o momento das coisas acontecerem? Não acontecerá, certamente, um dia? Amanhã? Em duzentos anos? Agora? Que dia terá fim esta caverna, tão certo como o apagar do sol, ou a explosão do universo?

Pois nada, nem esse medo, nem cobras, escorpiões, lagartos, nada demove-nos de esgueirarmo-nos por entre as pedras, para baixo, em direção ao brilho fantástico que repousa bem fundo, na escuridão mais estreita e inacessível da caverna. Ela! a mãe-do-ouro.

Volto depressa! Talvez ainda encontre a boiada espremida, de olhos arregalados, nas ruelas, empurrada pelos boiadeiros sobre cavalos inquietos, deixando atrás de si a rua viscosa de placas verdes, moles, cheirosas, espalhadas pelos cascos frenéticos. Se correr, quem sabe ainda me encontre a mim mesmo.

Não quero mais perder o ar úmido e gelado da madrugada enevoada, nas ruas desertas, silenciosas, escuras, alumiadas por fracas lâmpadas que se esforçam por sobressair entre as brumas, como estrelas raiadas. A noite fará de nossas vozes cristais límpidos e emoldurará canções lânguidas entoadas sob a sonoridade das cordas de uma viola.

Ouvirei de manhã a goteira que pinga, pinga, dos beirais dos telhados de telha de barro, anunciando dias e dias de chuva fina incessante? Tenho que correr!

O que vejo, ainda, é o menino com a fieira de lambaris e acarás cintilantes, pulsantes, adiantado à minha frente, e o que sinto é o vento voltando a tanger-me pressuroso pela estrada.

Só eu não vi a mãe-do-ouro. Mas não contei para ninguém. Não sei bem porquê. Não queria parecer bobo, pequeno. Quem sabe justamente por ser o menor da turma. Talvez isso me enchesse dessa coragem louca, que me faz agora subir sozinho esta montanha redonda, já na base da pedreira, passando por lugares tão íngremes que meus joelhos por vezes encostam no peito. Morro de medo. A entrada da caverna parece-me agora mais escura e maior, enorme. Os barulhos dos bichos rasteiros, do vento, da folhagem, dos grilos e dos pássaros, tão familiares, sobressaltam-me, assombram-me, apavoram-me. Tenho que subir para entrar. A abertura fica alguns metros mais alto que a base da pedra lascada que se desprendeu do resto da montanha e formou a câmara misteriosa. Entro e sinto-me fremir na mudança do ar quente e do corpo suado para o frescor pesado guardado dentro da pedra. Realmente, não é bem uma caverna. O chão é irregular, cheio de grandes pedras, poucos metros de largura, e a escuridão, que parecia total, desfaz-se ao acostumar da vista, deixando ver todo o ambiente. Aqui tudo é silêncio. Tenho que descer ao perigo, ao fundo, à pequena abertura da entrada da verdadeira caverna onde está a mãe-do-ouro, onde todos viram, admirados, a figura magnífica, descrita como uma luminosidade, como um brilho dourado, como um reflexo magnético de ouro, como algo, afinal, indescritível.

Agora eu quero olhar bem, procurar, tenho que ver. Desço ao fundo, ralando minhas pernas nas pedras, desprotegidas em calças curtas, ágeis de menino solto.

Meu espírito parece arrancado da caverna de volta à curva da estrada, avizinhando-se da entrada da cidade, mas reajo. Quero descer ao fundo. O vento volta a empurrar-me pelas costas, para a frente, depressa! Estou voltando! Como posso voltar sem nunca ter ido?

Minha cabeça chega à boca da entrada da morada da mãe-do-ouro. Olho a escuridão total. Vou-me enfiando mais fundo. O ar aqui me oprime, entra-me forçadamente pela garganta, pelas narinas, pelos pulmões.

Fofo-fofo-fofo-fofo. Lembro-me do trem-de-ferro no meio da estrada, parado, bebendo água, levando-me embora. A paisagem de puro campo é tão tranqüila, tão marcante, que nunca mais poderei esquecer este momento. A maria-fumaça descansa e fumega, soltando vapores, chiados, calores e odores. Agora, já vai. Fofo-fofo-fofo-fofo. Devagarinho. Fofo-fofo-fofo-fofo. Ai! uma faísca nos olhos. Ai! me queimei, mas não foi nada. Montanhas e mais montanhas. À noite, as fagulhas saindo da chaminé parecerão estrelas rolando na imensidão. Passarei horas fascinado, com este vento gelado enchendo-me os olhos dágua, crispando-me o rosto.

Ai, que vou; ai, que volto. Quero virar a curva da estrada, levantar-me desta pedra, retirar meus pés molhados do rio e seguir. Voltar.

Enfio a cabeça dentro do buraco da caverna e sinto-me arrastar, levado para longe.

Ai, saudades do meu galho, saudades do berço meu. Minha cabeça zune, meus cabelos se arrepiam, meu corpo vibra como o tinir do metal puro, como o soar do címbalo. Meus olhos procuram na escuridão do túnel a mãe-do-ouro, que só eu não vi. Mas agora pressinto-a. Um brilho fulgurante começa a aparecer ao fundo. Quanto aumenta sua intensidade, mais meu coração pulsa e minhas veias latejam. Meu corpo perde as proporções, desintegra-se, pulveriza-se. E eu a vejo! É linda, brilhante, púrpura, ouro e bonina, azul e prateada, onça e borboleta, sal e mel. Mergulho no seu abismo profundo e rodopio no espaço sem fim.

Para onde me leva que assim me arranca? Que estranha viagem, sem estrada, sem paisagem, sem o boi pastando através da janela? Ai, que a mãe-do-ouro me pegou. Mas é tão doce o seu canto, tão fina a sua voz, que sem querer assim me vou. Vou que vou-me, assim, embora, deixando tudo pra trás, arrastado por essas mãos cariciosas, pelo brilho desse olhar. Adeus, sonhos de menino, vãos castelos de ilusões.

Adeus, terra querida; adeus, pássaros; adeus, flores; até mais ver, ou nunca mais! Vou nos braços da mãe-do-ouro, sem pressa, sem resistir. Deslizo nos seus encantos, como pétala carregada mansamente pelas águas do rio.

Ai, minha terra. Minha terra, minha terra, minha terra tem palmeiras! Quero rever minhas serras.

Onde canta o sabiá?

Ali, por trás da curva da estrada, logo depois o desdobrar-se, que vem chegando, o vento às minhas costas, empurrando-me.

Meu Deus! Estou voltando!

O MISTÉRIO DO GROTÃO RONCADOR

Dizia-se na cidade que existia na floresta próxima um lugar encantado no qual havia uma grota, uma enorme depressão, ou ribanceira, conhecida como Grotão Roncador, de onde provinham barulhos estranhos e inesperados que faziam correr de medo quem por dentro dele se aventurasse ou que desavisada ou desapercebidamente adentrasse suas entranhas.

Não se sabia exatamente sua localização, apenas que ficava em uma parte das mais recônditas da extensa e espessa mata virgem.

Apesar da proximidade com algumas cidadezinhas e lugarejos, era certo que dentro da floresta havia ainda feras que talvez jamais tivessem saído dos seus limites, tão grande e tão fechada que era. Quantos da região já haviam esbarrado com onças pintadas, jaguatiricas, gatos do mato, jaguares negros e cobras de comprimentos inacreditáveis!

Alguns poucos homens destemidos, amantes da caça e de aventuras, embrenhavam-se por dias nessa mata e aproveitavam para tentar localizar o famoso Grotão Roncador, que, afinal, mais parecia uma lenda, vez que tantos dele falavam e a seu respeito contavam causos e mais causos, sem que se conseguisse, no entanto, identificar quem quer que realmente provasse ter estado lá, a não ser o centenário ex-escravo Nhonhô, que dizia, fugitivo, ter errado por dias e dias e, enfraquecido e delirante, rolado por suas ribanceiras e quedado desmaiado por quem sabe quanto tempo, na sua parte mais profunda e úmida, onde corre, entre areia e pedras lodosas, um filete de água límpida e gélida.

Nhonhô contava que voltou a si sendo cuidado por lindas negras, de cabelos floridos, que, nuas, pareciam deusas encarnadas. Os ferimentos e o cansaço o fizeram adormecer logo. Quando acordou, não havia ninguém, perto ou longe. Gritou, mas seus gritos se abafaram nas folhagens. Começou a arrepiar-se de medo ao ouvir vozes, que pareciam bailar com as folhas ao vento. As vozes, que não formavam palavras inteligíveis, mas sussurros e murmúrios, passaram a entremear gritos e gemidos, para, em seguida, transformarem-se em grunhidos e rosnares de feras invisíveis.

O velho, então ainda um preto jovem e vigoroso, embora naquele momento alquebrado pelas agruras da fuga, recuperou as forças e pôs-se em desabalada carreira barranco acima.

Caiu várias vezes de volta para dentro do grotão; mas o pavor era tanto que retornava à escalada até que, dedos das mãos e dos pés, joelhos e cotovelos sangrando, viu-se fora da grota.

Nhonhô teve um momento de lucidez e de inumana coragem para parar e olhar para baixo, para o fundo.

O barulho agora era o de um ronco, como o de uma cachoeira, que, porém, provinha de onde só se via calmaria, como se viesse do nada!

O ronco às vezes parecia avançar para ele e recuar para o mais fundo do grotão, de novo avançar, ameaçadoramente, e de novo recuar. Quando Nhonhô deu por si, estava longe, correndo como louco, sem saber de onde tirava tanta energia.

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BRINDE DO JBF

QUADRO PARA DEPENDURAR NA PAREDE

AS CONTAS

Vai-se a primeira nota inflacionada
Vão-se o dólar, o euro e o real
Aumenta o preço até da goiabada
Vou acabar limpando com o jornal
À tarde, quando pego uma amassada
Nota de dez eu choro a duras penas
Valia dez e agora vale apenas
Menos de dois merréis, não vale nada!
Também os meus cartões todos se foram
Para o fundo do poço onde moram
Os cheques, a esperança e tudo o mais
Para o azul as contas não retornam
À minha porta os credores voltam:
– Eu vou mandar todos tomarem atrás!

POR QUE PRECISAM PRENDER O LULA

1) Reduziu a inflação de 12,5% (2002) para 5,91% (2010) ao ano.

2) Aumentou o salário-mínimo para o seu maior patamar em 40 anos, com um aumento real de 74% entre 2003/2010.

3) Reduziu a relação dívida/PIB de 51,3% (2002) para 39% do PIB(2010).

4) Acumulou um superávit comercial de US$ 252 Bilhões (2003/2010).

5) Pagou toda a dívida com o FMI e com o Clube de Paris e o Brasil se tornou credor do FMI.

6) Reduziu o déficit público nominal de 4% do PIB (2002) para 2,6% do PIB (2010).

7) Aumentou as exportações de US$ 60 Bilhões/ano (2002) para US$ 201,916 bilhões/ano (2010) , recorde histórico.

8) Aumentou as reservas internacionais líquidas de US$ 16 Bilhões (2002) para US$ 285 Bilhões (Novembro de 2010).

9) Ampliou o Pronaf ( Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar que se destina a estimular a geração de renda e melhorar o uso da mão de obra familiar, por meio do financiamento de atividades e serviços rurais agropecuários e não agropecuários) de R$ 2,5 Bilhões/ano (2002) para R$ 16 Bilhões/ano (2010).

10) Gerou 15 milhões de empregos formais entre 2003/2010.

11) Reduziu o percentual da população brasileira que vive abaixo da linha de pobreza de 28% (2002) para 6,1% (2010), segundo o IPEA.

12) Elevou os gastos sociais públicos de 0,60 % em 2002 para 15,54% do PIB em 2010.

13) Incrementou a assistência social, com programas sociais inclusivos, como o Bolsa-Família, ProUni (Programa Universidade para Todos (ProUni) criado pelo governo federal em 2004, que oferece bolsas de estudos, integrais e parciais (50%), em instituições particulares de educação superior, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, a estudantes brasileiros sem diploma de nível superior ), Brasil Sorridente, Farmácia Popular, Luz Para Todos, entre outros, que beneficiaram aos pobres e miseráveis e contribuíram para melhorar a distribuição de renda.

14) Iniciou novas grandes obras de infraestrutura (rodovias, ferrovias, usinas hidrelétricas, etc) financiadas tanto com recursos públicos como privados. Exemplos: Usinas do Rio Madeira, Transnordestina, Ferrovia Norte-Sul, recuperação das rodovias federais, duplicação de milhares de quilômetros de rodovias.

15) Iniciou a construção de dezenas de Institutos Superiores de Educação Tecnológica (são 214 novas escolas técnicas federais construídas entre 2003/2010).

16) Criou o Reuni, que iniciou um novo processo de expansão das universidades públicas, aumentando consideravelmente o número de universidades, de campus e de vagas nas mesmas (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que tem como principal objetivo ampliar o acesso e a permanência na educação superior. Com o Reuni, o governo federal adotou uma série de medidas para retomar o crescimento do ensino superior público, criando condições para que as universidades federais promovam a expansão física, acadêmica e pedagógica da rede federal de educação superior. Os efeitos da iniciativa podem ser percebidos pelos expressivos números da expansão, iniciada em 2003.

17) Elevou o volume de crédito na economia brasileira de cerca de 23% do PIB, em 2002, para 46% do PIB, em 2010.

18) Criou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em 2007.

19) Reduziu a taxa de desemprego de 10,5% (2002) para 6,7% (2010)

20)Transposição de águas do rio São Francisco:
“Uma das principais obras do PAC, o Projeto de Integração do Rio São Francisco tem o objetivo de assegurar a oferta de água para 12 milhões de habitantes de 390 municípios do Semiárido Nordestino, distribuídos entre os estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.O empreendimento é dividido em dois eixos – Leste e Norte – e conta com investimento de R$ 8,2 bilhões. São 470 km de canais, túneis, aquedutos e barragens. São ainda 38 ações socioambientais, como o resgate de bens arqueológicos e o monitoramento da fauna e flora, num investimento total de quase R$ 1 bilhão. A obra emprega 11 mil trabalhadores. : “O sertão nunca mais voltará a ser motivo de estudos sociais para medir a fome e a miséria. O sertão vai fazer parte do Brasil desenvolvido”, disse Lula.

21) PAC – 2007 a 2009: “Obras estruturantes na área de recursos hídricos – Somado à integração do São Francisco, são R$ 33 bilhões para obras que vão garantir a tão sonhada segurança hídrica no Nordeste.
Os investimentos do PAC na construção de adutoras, estações de tratamento e reservatórios de água são realizados em parceria com governos estaduais e municipais e setor privado. De 2007 a 2009, o programa contratou R$ 9,3 bilhões para executar 3.045 empreendimentos, para ampliar e melhorar os sistemas de abastecimento de água de 1.596 municípios de 26 estados e Distrito Federal.”

22) Lula trouxe a Copa do Mundo de Futebol 2014 para o Brasil.
Além do afluxo de turistas estrangeiros, trazendo divisas para o Brasil e aquecendo a indústria hoteleira, criando empregos temporários e incrementando o comércio em geral, o evento determinou a recuperação e construção de estádios e determinou a ampliação das obras da chamada “mobilidade urbana”, frutos dos quais muitos estão aí; e se nem todas foram concluídas deverão sê-lo e as que estão prontas já representaram uma melhora no setor para a população.

23) Ao trazer a Copa do Mundo de Futebol 2014 para o Brasil, Lula sabia que seria preciso ampliar a estrutura aeroportuária e não deu outra: aeroportos foram objeto de concessão para o setor privado e foram investidos de 2011 a 2014 onze bilhões e trezentos milhões de reais, aquecendo o setor de obras, criando empregos e ampliando em 70 milhões de passageiros por ano a capacidade dos aeroportos.

24) Lula trouxe as Olimpíadas de 2016 para o Brasil. Repete-se aquela conversa: construção da vila olímpica no Rio de Janeiro, incremento do setor de obras, criação de empregos, entrada de turistas estrangeiros, plena ocupação de hotéis, mais empregos para hotelaria e comércio, desenvolvimento do esporte nacional, utilização de estádios preparados para a Copa de 2014 pela Olimpíada… etc!

25) Lula e as concessões, que os opositores chamam de privatizações, confundindo institutos diferentes (é como confundir “calúnia” com “difamação” que se parecem mas não são):
O governo Lula concedeu à administração privada 2.600 quilômetros de rodovias federais.

26) Algumas privatizações na época do Lula:

1 – Banco do Estado do Ceará;
2 – Banco do Estado do Maranhão;
3 – Hidrelétrica Santo Antônio;
4 – Hidrelétrica Jirau;
5 – Linha de transmissão Porto Velho (RO)–Araraquara (SP);
6 – Alguns campos da bacia de petróleo do pré-sal descoberta em 2006, a exemplo do Campo de Libra.

27) Lula e o Índice de Gini (criado pelo matemático italiano Conrado Gini, é um instrumento para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo).Ele aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos.
No governo do Lula, ou melhor, de 2003 a 2011, a desigualdade, ou a concentração de renda, caiu 9,22%, resultado considerado muito bom.

28) No governo Lula o poder de compra de cestas básicas dobrou em 2010, alcançando o patamar de 2,17%, ou seja, cada cidadão já podia comprar duas cestas básicas com o mesmo rendimento.

29) “A Justiça Federal, que, em 2003, tinha cerca de 100 Varas em todo o País, chegou a 513 Varas, em 2010. Ou seja, 413 novas Varas da Justiça Federal, com um juiz titular e um substituto, foram criadas nesse período, no período do Governo Presidente Lula”.

30) Total das operações da Polícia Federal de 2003 até 2011, durante os oito anos de Lula: 1.273.
Isso ocorreu porque a Polícia Federal foi fortalecida nessa época.

31) Segundo o UOL, ao deixar o cargo de presidente dia 1º de janeiro de 2011, Luiz Inácio Lula da Silva legou, em oito anos de governo, avanços nos setores de economia e inclusão social, com índices históricos de crescimento econômico e redução da pobreza.
Isso anda meio esquecido agora, na fase da perseguição ao grande estadista.

32) É O GLOBO QUE DIZ: a taxa de mortalidade infantil caiu no Brasil, de 2003 a 2012, 47,6% (sendo que no Nordeste a diminuição foi de 50%).
Para saber mais: de 1990 a 2012 essa taxa caiu 75%.

33) A taxa de juros que já fora, anteriormente, entre 38% e 25%, comportou-se no governo do Lula da seguinte forma:

09/12/2010 – 19/01/2011 =10,75
10/12/2009 – 27/01/2010 = 8,75
11/12/2008 – 21/01/2009 =13,75
06/12/2007 – 23/01/2008 =11,25
30/11/2006 – 24/01/2007 =13,25
15/12/2005 – 18/01/2006 =18,00
16/12/2004 – 19/01/2005 =17,75
18/12/2003 – 21/01/2004 =16,50

34) O Brasil era a 15ª economia quando Lula assumiu o governo. Em 2010, quando ele deixou o governo, o Brasil era a 7ª Economia mundial.

35) evolução do PIB no governo do Lula:

PIB (nominal)e Tamanho do Crescimento (real) *

2010 – R$ 3,887 trilhões – 7,6%
2009 – R$ 3,328 trilhões – -0,2%
2008 – R$ 3,108 trilhões – 5,0%
2007 – R$ 2,718 trilhões – 6,0%
2006 – R$ 2,410 trilhões – 4,0%
2005 – R$ 2,172 trilhões – 3,1%
2004 – R$ 1,959 trilhão – 5,7%
2003 – R$ 1,720 trilhão – 1,2%

* Nota: Ao dividir o PIB de um ano pelo ano anterior não resulta o valor do crescimento. Isto se deve à diferença entre o PIB nominal e o PIB real que desconta a inflação. O tamanho do crescimento é medido pelo PIB real que desconta a inflação.

COISAS QUE A MENTE HUMANA AINDA NÃO É CAPAZ DE ENTENDER

A mente humana, assim como a desumana, não pode entender o infinito.

Por mais que se pense, e por mais que a Amanda Dutra afirme, em música que compôs e canta, que o Infinito é Aqui, quem sabe imaginando que tudo vem de lá para cá e aqui se acaba, ou coisa parecida, o nosso cérebro não compôs ainda uma idéia adequada disso.inf

Enquanto raciocinamos sobre essa coisa incompreensível, ficamos tentando entender por que é que o Otávio tenha desmentido que a saída do Raul Gil do SBT tenha intervenção dele, Otávio Mesquita.

Desculpem, houve um engano, não era sobre esse Otávio, era o outro!

De fato, a questão difícil de entrar no cérebro humano foi a de que o Otávio, não aquele, mas o empreiteiro Otávio Marques de Azevedo, disse que tinha dado um cheque de um milhão de propinas para a campanha da Dilma, mas quando foi provado que o cheque não foi dado para a Dilma, mas para o Temer, ele disse que era mentirinha e que o cheque não era de propina, nada a ver com fundo de gaiola de passarinho – era limpinho.cp

Tudo bem, mas o infinito aí está, continuando a nos assombrar enquanto o Cerveró vem agora e diz que não foi indicado para o cargo na Petrobras pelo Lula, afirma que nem conhecia o Lula naquela época, e garante que antes da nomeação não fez nenhum acordo de sacanagens para ser nomeado, embora em depoimento no dia 8 de novembro Cerveró tivesse dito que Lula o teria indicado ao cargo de diretor financeiro na estatal, em 2008, como agradecimento pela atuação dele pelo perdão de uma dívida de R$ 12 milhões do PT, junto ao banco Schahin, com recursos de um contrato da estatal.

Minha mente volta para o infinito, mas… outro mistério da existência me assombra! É comum afirmarem uns e outros que o juiz Sérgio Moro não erra, tanto assim que suas decisões em geral não são reformadas pelas instâncias superiores. Isso seria uma aberração no universo de acertos e erros, acertos e erros que parecem gerir a própria evolução da natureza! Isso seria uma garantia de que é melhor nem perder tempo com recursos, porque o recorrente não teria chance contra a infabilidade desse personagem. Mas o mistério da existência vai permanecer misterioso, porque o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) absolveu agorinha mesmo, dia 23 de novembro de 2016, dois executivos da empreiteira OAS condenados em primeira instância pelo juiz federal Sérgio Moro, na Operação Lava Jato, o Mateus Coutinho de Sá Oliveira, que havia sido condenado a 11 anos de prisão, e o Fernando Augusto Stremel Andrade a quatro anos em regime aberto, porque, segundo a decisão que os absolveu, restaram “dúvidas razoáveis sobre sua atuação no esquema”.cp2

Retorno ao infinito concentrando-me no fato de que Paulinho da Viola disse: – Quem sabe de tudo, não fale! Quem não sabe de nada, se cale!

Ele, Paulinho esse, não aquele outro, queria silêncio, pois naquele momento ele ia fazer um samba sobre o infinito. E fez.

Mas, então, aquele outro, o Paulo Roberto Costa, considerado o maior operador da corrupção na Petrobras, sabe e fala?! Ontem, 23 de novembro de 2016, ele prestou depoimento perante a Justiça Federal de Curitiba aquela, disse nunca ter tido nenhuma reunião sozinho com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, muito menos qualquer conversa a respeito de atividades fraudulentas, negou qualquer intimidade com Lula, negando inclusive ser chamado por Lula pelo apelido de “Paulinho” (como se publicava a torto e a direito por aí, tentando-se estabelecer uma amizade de infância entre eles).

Ora, direis ouvir treze estrelas? Ter-se-ia perguntado a Pedro Barusco, outro envolvido nas falcatruas da Petrobras, procurando-se visualizar uma relação entre os versos de Bilac e o PT com alguma falta de senso. Mas… Pedro Barusco, também não fez qualquer acusação pessoal contra Lula.

Não, não vou falar aqui de “power points” nem de ex-amigo que tenha ouvido dizer e que vende o peixe pelo preço que comprou.

Vou apenas começar a notar que, afinal, o infinito talvez seja ainda mais compreensível do que este texto e do que essas coisas, sô.

cp3

FAZENDO PARTE

Em anos anteriores, fiz campanha de Natal para a doação, em dinheiro, para entidade beneficente que atende a pessoas desamparadas, idosos, gestantes e, especialmente, crianças – a OASIS, que é uma obra de assistência social administrada por pessoas abnegadas que o fazem sem qualquer outra remuneração que não seja a satisfação de estar ajudando o próximo.

Agora a OASIS e outras duas entidades estão sendo objeto de uma campanha de solidariedade agrupadas em um único projeto, que já funcionou em exercícios anteriores.

Trata-se de realização séria, que oferece, passo a passo, a demonstração dos resultados e, ao final, apresenta a demonstração do apurado e comprova a entrega total do dinheiro às entidades destinatárias.

Por isso, uso este espaço no Jornal da Besta Fubana para pedir doações para a campanha NATAL SOLIDÁRIO. Não precisa ser muito; a soma de vários dez ou vinte reais resultará em alguns milhares de reais que farão toda a diferença para os necessitados.

O organizador dessa campanha é o jovem André; e os dados para o depósito bancário são:

Banco do Brasil (nº 001)
Agência: 5190-X
Conta Corrente: 27593-X
CPF: 536.870.191-87
Titular: André G S Assumpção

Desta vez o André criou uma página no Facebook, onde podem ser encontradas mais informações – (Clique aqui para acessar)

As organizações beneficentes e não governamentais que receberão a ajuda são a Casa da Vó Amparo, na Ceilândia, a Creche OASIS, de São Sebastião, e o Abrigo Dos Excepcionais de Ceilândia, todas no Distrito Federal.

Pode ter certeza: nossa ajuda faz toda a diferença.

fn

SOBRE O DIREITO DEMOCRÁTICO DE CRITICAR JUÍZES E SUAS DECISÕES SEM OFENDÊ-LOS

A par de ofensas graves, feitas por fanáticos, ou de descuidos verbais, como o produzido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que constituem exceções, convém estarmos atentos à possibilidade de influências capazes de comprometerem o equilíbrio em determinadas ações – que envolvem investigações (por exemplo, pela Polícia Federal), que envolvem os desdobramentos dessas investigações, tais sejam as análises dos dados, fatos, provas e elaboração de denúncia (por exemplo, pelo Ministério Público) e que envolvem o próprio julgamento, consistente na avaliação dos elementos do processo judicial decorrente, o convencimento e a sentença (por exemplo, por um juiz federal) – e por isso cuidarmos de fazer críticas e observações pertinentes (e, até, impertinentes…).

Antes de mais nada, tenho que adiantar que, como observador desvinculado, diretamente, de determinados fatos, não disponho de legitimidade para praticar determinados atos em certos processos – o que elimina a possibilidade de neles agir como parte.

Assim, não poderia, por exemplo, entrar com algum recurso a respeito da ação da Polícia Federal no Senado, determinada por uma ordem judicial que, se inepta, deve invalidar o procedimento.sm

Entretanto, é de todos o direito de vir a público fazer críticas e, até, de declarar o convencimento, prévio a alguma decisão final superior, de que a medida feriu a Justiça (no caso da ação no Senado, decisão definitiva do STF, pelo andar da carruagem).

Nesse caso específico, do Senado, manifestei meu convencimento da inépcia da ordem ou autorização judicial; e se estava errado na avaliação, deverá estar equivocado também o ministro Teori, do STF, que… considerou, em decisão monocrática, ter havido usurpação de competência e, assim, suspendeu o processo e mandou que seja enviado para o Supremo.

Enfim, alguém nessa oportunidade pôde usar e usou recurso próprio, acionou a instância adequada e o ato do juiz foi impugnado, com as conseqüências disso.

Se recurso não tivesse ocorrido, muitos de nós teríamos gritado, reclamado, criticado, manifestado opinião contrária ao ato do juiz e de suas conseqüências, sem que houvesse nisso qualquer ofensa ao Meritíssimo, mas… as ações excessivas permaneceriam válidas!

Estou chegando lá onde pretendo chegar.

Em um clima diferente do atual universo social, político e judicial, deste nosso grave momento histórico, talvez o juiz não tivesse se sentido apto a dar tal ordem – aquela, de invadir o Senado.

Esta a filigrana que nós, que estamos de um lado da política, neste momento crucial, estamos considerando cuidadosamente, ao acompanharmos os processos que envolvem personalidades importantes da nossa política, como, por exemplo, o ex-presidente Lula, para apontar, quando parece surgir, a noção de que algo parece estar interferindo nas tendências gerais, quando da avaliação dos elementos que têm gerado processos judiciais, interferência que por vezes surge claramente desde os atos iniciais, como as operações policiais, passando pelas atividades do Ministério Público, podendo interferir, mesmo, na fase judiciária, seja pela forma como o processo chega ao juiz e aí se desenvolve, ou – ouso afirmar – pela interferência, que prefiro considerar seja em geral inconsciente, na avaliação e decisão do juiz.

Mais do que eu, qualquer juiz deve convir que tanto é possível julgar um mesmo processo de maneiras diametralmente opostas, que, por vezes – e não são poucas – processos idênticos obtêm sentenças diametralmente opostas em juízos diferentes, às vezes praticamente ao mesmo tempo (é mesmo para evitar a profusão desses casos que existe a uniformização forçada da jurisprudência, pelas súmulas vinculantes…).

Não é surpreendente que muitos – eu inclusive – mantenhamos, hoje, um grau de desconfiança na imparcialidade dos julgamentos que envolvem políticos, muito particularmente dos que têm estado acima de quaisquer suspeitas, mas que vêm sendo envolvidos de modo suspeito.

Se alguém protestar contra nossa desconfiança, logo haveremos de argüir o caso emblemático da conhecida “espetacularização” feita recentemente pelo Ministério Público Federal em denúncia envolvendo Lula, “espetacularização” que contém muito mais gravidade do que a simples acusação, no espetáculo, por crime que não constava da denúncia.

Há mais, muito, muito mais. Mas não devemos, neste momento, nos alongar em levantar e expor tantos elementos que alimentam nossas suspeitas, por desnecessário.

Quero garantir que em momento algum das nossas ponderadas e embasadas manifestações, queixas, críticas, gritas e revoltas pretendemos desrespeitar, agredir, ofender juízes e o judiciário, embora afirme que muito do que está ocorrendo nos processos – das origens mais remotas às delações, das denúncias até as decisões finais – pode, sim, estar sendo eventualmente contaminado por viezes que minam a segurança jurídica.

Como não temos ação, o que podemos fazer é continuar manifestando vigorosamente nossos pontos de vista, aqui e onde pudermos, sabedores de que temos o dever de, com nossas atitudes, colaborar na promoção da conscientização dos agentes envolvidos, para que fiquem atentos não só aos próprios atos, como aos daqueles produzidos nas escalas que lhes são anteriores.

Sabemos que não podemos recorrer nos processos, mas acreditamos que podemos influir beneficamente nesse sentido de promover a disposição à autocrítica e à revisão das crenças arraigadas e das escalas de valores enrijecidas.

Somos apenas meninos ocupando tribunais.

BRASÍLIA, A NOSSA LAS VEGAS

Pelos idos de 2007, Fausto Wolff (*), que foi um dos articulistas do Pasquim, escreveu uma matéria no caderno B do Jornal do Brasil de 28 de julho, intitulada “Dom Bosco fazia a sua fezinha?”, na qual voltava-se a propor uma idéia salvadora da política: – A volta da Capital da República para o Rio de Janeiro.

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Fausto Wolff 

Dizia ele:

– “Tempos atrás escrevi um artigo sobre a necessidade de transformar Brasília numa Las Vegas e transferir o Palácio do Planalto, a vice-presidência, o Senado, a Câmara e os ministérios para o Rio.

Seria mais difícil roubar, porque da Avenida Rio Branco ninguém escapa.

Os maus elementos teriam de tomar uísque no Lidador devidamente encapuzados e seriam rapidamente reconhecidos”.

Ao assim iniciar o texto, ele completa que, na época, recebeu muitas cartas e que uma chamou-lhe a atenção sobremaneira.

Fausto Wolff guardou-a num lugar secreto com um nome secreto no computador dele e é claro que quando ele quis publicá-la não encontrou nem o nome secreto, nem o lugar secreto, que ficaram secretos até para ele.vr

Ele continua – e é aí que eu entro:

– ”Ontem (ou seja, no dia 27 de julho de 2007), fazendo uma faxina neste monstro (o computador) que já me custou dez vezes o que paguei por ele, acabei encontrando a carta-crônica do leitor Goiano Braga Horta, de Petrópolis.

Eis o que ele diz:

(E a partir daí ele transcreveu a carta deste que vos fala)

“À parte o sadismo que parece – mas só parece – transparecer das conseqüências imagináveis de tal reconhecimento, a pergunta sobre a mudança da capital para o Rio reacende um interessante debate que aparecia, vez por outra, aqui e ali, na internet: acompanhei em algumas oportunidades a colocação dessa questão na rede. A proposta era exatamente essa, transformar Brasília em uma cidade-cassino e retornar a sede do Governo Federal para o Rio de Janeiro.

E as justificativas iam além dessa trazida por Fausto Wolff: dizia-se que o poder deve estar onde o povo está; alegava-se que os políticos vivem hoje em uma Ilha da Fantasia, de onde não vêem, não sentem e não reconhecem as necessidades, agruras e angústias do povo brasileiro.

Afirmava-se que, estando lá no Planalto Central, distantes de tudo e de todos, nossos homens públicos podem fazer o que for que a pressão popular não se faz sentir, ao contrário do que acontece em uma cidade como o Rio, ou São Paulo, onde qualquer deslize coloca dezenas ou centenas de milhares de cidadãos às suas portas.

Para arrematar tudo isso (e mais alguns argumentos contundentes), observava-se que Brasília já teria alcançado os objetivos para os quais fora construída. Especialmente o da interiorização, de ‘levar o progresso’ para o centro do País, e que de algum tempo para cá tornara-se auto-suficiente, não dependendo mais da presença dos órgãos federais – a cúpula dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e o que mais os acompanha, – podendo viver do seu comércio, da sua indústria, da sua economia própria.alv

Mas que, para promover o enriquecimento do País, através do turismo e do ingresso de turistas, deveria ser a única cidade desta nossa terra a explorar livremente os jogos de azar, pois Brasília é tão longe que para lá só se dirigiriam aqueles que dispusessem – e aqui o termo é empregado com absoluta adequação – de ‘cacife’.

Assim, a Capital Federal deveria voltar a ser o Rio, com o que se alcançariam outros objetivos, especialmente o de proporcionar aos políticos uma visão mais adequada da realidade brasileira e o de permitir ao povo o exercício da influência cidadã.Ou seja, pressão mesmo!

Bem, isso pode ser um anseio utópico, mas não deixa de ser instigante.

Entretanto, as discussões que vi a esse respeito – como bem convém ao brasileiro – começaram a ficar engraçadas, porque uns diziam que adeririam à idéia desde que a nova capital passasse a ser Niterói. Outros, se fosse São Paulo, e uns poucos se fosse Lajinha, uma cidade minúscula do interior de Minas Gerais. E assim por diante, cada qual defendendo ferrenhamente sua candidata.

Pois que seja! Divaguemos imaginando Brasília como uma Las Vegas à brasileira: alguns palácios da cidade dariam hotéis suntuosos; outros, cassinos e teatros de primeira, e se podem antever os luminosos, a agitação, o rebuliço, os shows internacionais, os reais, dólares, euros e ienes rolando.

Em 30 de agosto de 1883, Dom Bosco, santo italiano, nascido em 1815 e fundador da Ordem dos Salesianos, teve um inspirado sonho que se afirma ter servido para estabelecer a localização de Brasília, de cujo relato temos o seguinte excerto: ‘Entre os paralelos de 15º e 20º havia uma depressão bastante larga e comprida, partindo de um ponto onde se formava um lago. Então, repetidamente uma voz assim falou: … quando vierem escavar as minas ocultas, no meio destas montanhas, surgirá aqui a terra prometida, vertendo leite e mel. Será uma riqueza inconcebível…’

Não fica bem atribuir a um santo a previsão de uma cidade dedicada ao jogo e às diversões mundanas como sendo ‘a terra prometida’.

Mas que a ‘riqueza inconcebível’ e a ‘escavação das minas ocultas’ conferem com o ouro que jorra em uma cidade como Las Vegas, lá isso confere…”.

Pois bom, concluindo: Brasília continua onde sempre esteve, a roubalheira imperou e o povo ficou lá, só olhando, de longe.

(*) Em 1968 Fausto Wollf exilou-se na Europa, onde passou 10 anos, na Dinamarca e na Itália. Ainda no exílio, foi um dos editores do Pasquim, além de diretor de teatro e professor de literatura nas universidades de Copenhague e Nápoles. Faleceu no Rio de Janeiro em 5 de setembro de 2008, aos 68 anos.

DESENHANDO A “BABAQUICE DO GOLPE”

Há quem diga que o impeachment de Dilma Roussef não foi um golpe, mas o resultado de um processo constitucional, legalmente constituído, desenvolvido conforme os preceitos jurídicos, com direito a ampla defesa e tudo o mais.dg

Muitos fatos levam a contestar isso, mas à alegação de que é “babaquice” dizer que houve golpe temos a demonstração inequívoca de que houve, sim.

Não bastasse a expressa declaração de vários deputados e senadores de que votariam pelo impeachment por motivos outros que não a prática de crimes de responsabilidade, a própria votação no Senado, em si, comparando o resultado quanto ao impeachment e quanto à perda dos direitos políticos, deixa claro que que foi dado o golpe, pois se houve crime os direitos políticos tinham de ser também condenados e suspensos por quem votou a favor do impeachment.

Vejamos:

a) Eram necessários 54 votos para determinar o impeachment de Dilma Roussef.

b) Foram obtidos 61 votos dos senadores a favor do impeachment, razão pela qual ele foi decretado.

c) Portanto, houve 7 votos abundantes, isto é, houve sete votos além dos 54 necessários.

d) Isto quer dizer que 54 senadores, mais 7, julgaram, como juízes, que Dilma Roussef praticou crime de responsabilidade – pois é o crime de responsabilidade que pode determinar o impeachment.

e) Porém, dos 61 senadores que votaram contra o impeachment, 18 votaram a favor da manutenção dos direitos políticos e 3 se abstiveram; ou seja, a babaquice do golpe está cabalmente demonstrada: esses 21 (quem diria, Cristóvam Buarque…) votaram pelo impeachment, que decorreria do julgamento de que houve a prática de crime, mas votaram contra a perda dos direitos políticos, confessando que não acreditam que houve crime.

São eles:

CONTRA A PERDA DOS DIREITOS POLÍTICOS

1) Acir Gurgacz – PDT-RO
2) Antonio Carlos Valadares – PSB-SE
3) Cidinho Santos – PR-MT
4) Cristovam Buarque – PPS-DF
5) Edison Lobão – PMDB-MA
6) Eduardo Braga – PMDB-AM
7) Hélio José – PMDB-DF
8) Jader Barbalho – PMDB-PA
9) João Alberto Souza – PMDB-MA
10) Raimundo Lira – PMDB-PB
11) Randolfe Rodrigues – Rede-AP
12) Regina Sousa – PT-PI
13) Renan Calheiros – PMDB-AL
14) Roberto Rocha – PSB-MA
15) Rose de Freitas – PMDB-ES
16) Telmário Mota – PDT-RR
17) Vicentinho Alves – PR-TO
18) Wellington Fagundes – PR-MT

ABSTENÇÕES

19) Eunício Oliveira – PMDB-CE
20) Maria do Carmo Alves – DEM-SE
21) Valdir Raupp – PMDB-RO

f) 20 senadores votaram contra o impeachment.

g) Seria necessário o voto de 28 senadores para decidir contra o impeachment; desse modo, enquanto a favor do impeachment abundaram 7 votos, contra o impeachment desabundaram 8 votos.

h) Se esses 21 traidores da Constituição, da lei, da dignidade e da Pátria tivessem votado corretamente, de acordo com o que ia efetivamente em suas consciências, o resultado da votação a respeito do impeachment seria de 40 votos a favor do impeachment e 41 contra! Não haveria sequer maioria simples!

i) Isso deve bastar para que o Supremo Tribunal Federal, quando for decidir o mérito da ação que Dilma Roussef moveu contra a votação no Senado, dê provimento ao pedido e anule a condenação.

O FALSO E GOLPISTA DEVIDO PROCESSO LEGAL

Em comentário feito a um texto publicado na coluna É a Glória, do JBF – mas não só ao texto em si, como também ao conjunto de comentários feitos pela autora do texto e por inúmeros leitores – o colunista Marcos Mairton faz algumas observações interessantes e que levam a refletir; mas levam a refletir muito particularmente sobre algumas crenças que precisam ser, urgentemente, desmistificadas: – As de que as atuais atividades dos órgãos policiais, investigativos, judiciais e políticos estão-se dando, no presente momento histórico, de forma absolutamente isenta e segundo os preceitos constitucionais e legais em geral, inclusive os processualísticos; e que as apurações, denúncias e julgamentos se dão com absoluta isenção.

– Nada mais equivocado!

Seria excesso de ingenuidade ignorar o clima que o partidarismo imprimiu ao andamento dos procedimentos nas diversas áreas citadas, policial, investigativa, judicila e política.

Se é verdade que o espírito oposicionista se esforça por dar foros de legalidade às suas ações, é forçoso constatar que a aparente correção formal oculta – e como oculta! – os desvios que sob ela se cometem.

Os exemplos das irregularidades nas diversas fases dos processos contra o PT e contra personalidades a ele ligadas, desde Lula a Dilma, passando por figuras de relevo da política, pululam e ululam; mas nos fixaremos em alguns mais recentes, altamente reveladores do que estamos procurando demonstrar.

Assim, abandonando as tentativas de contestar a vitória de Dilma nas eleições, as tendenciosidades nas denúncias do chamado Mensalão, as de envolver o ex-presidente Lula em negócios escusos, a aceitação do pedido de impeachment por Cunha nas condições em que se deu, a pieguice inapropriada na votação do impeachment (impeach”mente”?) – e mais algumas coisinhas que vamos também deixar de lado para irmos direto e incontestavelmente ao ponto, – vejamos dois fatos:

1) O impeachment no Senado: foi sempre insistentemente declarada a obediência aos princípios legais para o julgamento “político” da presidenta Dilma, esforçava-se por alegar que não pode ser classificado de ilegal um julgamento onde são observadas as determinações constitucionais e os princípios legais que regem a matéria, notadamente o da ampla defesa, mas…:

a) grande parte dos julgadores declaravam, muito antes da fase de votação, que seu voto a favor do impeachment já estava decidido, fossem quais fossem os elementos e provas trazidos pela defesa, uma vez que, diziam, a responsabilidade da presidente já estava provada (!);

b) durante e após o julgamento, que decidiu pelo impeachment, senadores declararam – o que deveria determinar nulidade em um julgamento pautado pela constitucionalidade e juridicidade – que a condenação que aplicavam não estava ligada a crimes de responsabilidade, mas, digamos assim (como foi amplamente dito), pelo “conjunto da obra”; ou, trocando em miúdos, a votação pelo impeachment se devia à insatisfação de uma parte dos eleitores com o governo (na verdade, a uma insatisfação dos políticos com a “temporária perpetuação” do PT no poder.

2) Todo o mundo viu, mas foi preciso o Ministro Teori Zavaski puxar as orelhas do Ministério Público Federal para cair completamente a ficha de que Lula está sendo politicamente perseguido pelo MPF. Ao despachar um processo de interesse de Lula, no dia 4 de outubro de 2016, o Ministro criticou a “espetacularização” do MPF ao divulgar as bases da denúncia contra o ex-presidente, disse que ela não era compatível com a seriedade exigida do órgão E NEM COMPATÍVEL COM A DENÚNCIA! Ora, não bastaria essa constatação – a de que, por exemplo, Lula estava sendo classificado como o chefe de uma organização criminosa para, dentre outras alegações, basear a denúncia – para invalidar a denúncia? Contudo, o que se quer aqui destacar é como o “parti pris” está envolvendo policiais, acusadores e juízes no clima de perseguição política, que, apesar de todos os esforços para não deixar patente que isso ocorre, a História pinçará tudo isso, muito mais do que ora verificamos, para mostrar como foi cruel, ilegal e injusto o golpe que os poderosos deram contra a sociedade brasileira, descarrilhando o processo democrático.

Concluo por contestar o ilustre colega do Jornal da Besta Fubana não só quanto ao mérito “in abstrato” (legalidade e justiça dos atos comentados contra o PT, Lula, Dilma e companheiros), como também quanto à pretensa isenção e legalidade material (e até formal!) da denúncia contra o Lula e, mais, da possibilidade de “os prejudicados” terem segurança jurídica de que, sentindo-se prejudicados e recorrendo, obterão análise isenta e imparcial, no atual momento político.

Se o pouco que sabemos dos bastidores, somado ao que se deixa aqui e ali escapar, nos permite uma análise sociológica, política, psicológica e até jurídica da bem sucedida perseguição sistemática de que falamos, pode-se imaginar o quanto de encoberto existe – e suspeitar de quanta ignomínia tem sido praticada para que as oposições atinjam seu intento de alcançar o poder.

Em outras oportunidades, pudemos observar que, historicamente, o “devido processo legal” tem sido contaminado por interferências de ordem religiosa, política, ideológica, sociológica, vale dizer, por interesses do poder dominante ou ascendente, de modo a servir a tais interesses.

Estamos vendo isso acontecer hoje, aqui e agora. E muitos estão servindo, inconscientemente, a esses interesses, sem perceberem que rompem, subrepticiamente, com o Direito.

DILMA CASSADA, MAS NEM TANTO OU VÃO-SE OS DEDOS MAS FICAM OS ANÉIS

CC

Hoje vivemos um momento histórico: o Senado federal cassou o mandato da presidente Dilma Roussef.

61 SENADORES QUE VOTARAM “SIM”, A FAVOR DO IMPEACHMENT:

• Acir Gurgacz – PDT-RO
• Aloysio Nunes – PSDB-SP
• Alvaro Dias – PV-PR
• Ana Amélia – PP-RS
• Antonio Anastasia – PSDB-MG
• Antonio Carlos Valadares – PSB-SE
• Ataídes Oliveira – PSDB-TO
• Aécio Neves – PSDB-MG
• Benedito de Lira – PP-AL
• Cidinho Santos – PR-MT
• Ciro Nogueira – PP-PI
• Cristovam Buarque – PPS-DF
• Cássio Cunha Lima – PSDB-PB
• Dalirio Beber – PSDB-SC
• Davi Alcolumbre – DEM-AP
• Dário Berger – PMDB-SC
• Edison Lobão – PMDB-MA
• Eduardo Amorim – PSC-SE
• Eduardo Braga – PMDB-AM
• Eduardo Lopes – PRB-RJ
• Eunício Oliveira – PMDB-CE
• Fernando Bezerra Coelho – PSB-PE
• Fernando Collor – PTC-AL
• Flexa Ribeiro – PSDB-PA

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DILMA E O DEVIDO PROCESSO LEGAL

Seria cômico, se não fosse trágico, o argumento de que no processo de impeachment de Dilma Roussef não se esconde um golpe político, uma vez que, afirmam os golpistas, o processo está sendo feito de acordo com a Constituição, que – sublinham – prevê o impeachment.

Também alegam que está sendo cumprido o devido processo legal, com ampla defesa e todas as demais garantias legais.

No entanto, independente de acusação e defesa que se fizeram, se façam e se farão, o destino da presidente da república está definido: seu mandato será cassado.PLG

Os votos que o determinarão não se prendem a razões jurídicas e isso transpira das declarações à imprensa dos chamados “atores” desse drama, que declaram seu voto muito antes da fase de julgamento: eles “já sabem” que Dilma cometeu os crimes e por isso votarão a favor do impeachment.

Isso não é incrível? Imaginem um júri em que os jurados declarassem publicamente, antes de concluídas as fases de acusação e defesa, bem como da análise definitiva das provas, que votarão pela condenação do réu!

É claro que esse julgamento seria nulo, independente de o réu ser ou não culpado.

Processo legal? – Acho-te uma graça! Pela noção (até algo imprecisa) da Inquisição na Idade Média, somos informados de que havia, então, um devido processo legal, instituído pelo sistema jurídico da Igreja Católica Romana, mas daí a acreditar que esse era um procedimento isento equivale a crer que são isentos, neste momento político e social do Brasil, os nomes dos que comporão esse corpo de jurados, senadores (desinteressados?!) tais como Aécio Neves, Blairo Maggi, Cássio Cunha Lima, Garibaldi Alves Filho, Ivo Cassol, José Agripino, José Serra se votar fosse, Lúcia Vânia, Magno Malta, Raimundo Lira, Ronaldo Caiado, Tasso Gereissati, Antonio Anastasia, Aloysio Nunes Ferreira, Álvaro Dias e muitos outros, sendo que deixo de incluir nessa lista os nomes de alguns inocentes inúteis que votarão pela fogueira, como Romário e o incrível Cristovam Buarque, este, principalmente, considerado em geral reto e legalista, mas que no momento deixou-se levar pela onda, como um camarão que dorme.

Qualquer tribunal assim composto em um sistema jurídico válido seria imediatamente condenado, dissolvido, invalidado, anulado de pleno direito.

Mas, a hora não é de legalidade, a hora é de aproveitar a deixa, a oportunidade de ouro, para dar um golpe legal – mas ilegítimo.

Digam o que quiserem os que apóiam essa farsa, mas não que está sendo feito tudo dentro da lei, pois acreditar que esse é um processo legal é o mesmo que crer que as bruxas que a Inquisição queimou eram mesmo bruxas.

Da decisão do Senado não haverá recurso e estranham os incautos que dão sustentação ao golpe que a prejudicada tenha recorrido a uma instância internacional, sem se ater ao fato de que não há mais a quem recorrer de um processo nulo mas não anulável internamente.

Espera-se que essa vitória dos golpistas, da qual ninguém duvida, venha a ser uma Vitória de Pirro, mal comparando, que lançará à obscuridade, ao ostracismo, ao desaparecimento da vida política os deputados e senadores que fisiologicamente venderam sua alma.

Nisso serão arrastados, certamente, Michel Temer , Eliseu Padilha et caterva. A História não perdoa os covardes.

O LOBO E A OVELHA OU DILMA E OS LOBOS

Adaptação de uma fábula de Esopo, que não é sopa

Dilma estava bebendo água no rio quando Janaína Paschoal apareceu.

De dentes à mostra ela pôs-se a berrar:

– Sua Dilma porcalhona, vou devorá-la por ter assinado decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso!LO

– Como pode isso ser irregular agora, se em mais de quinze anos isso foi feito e ninguém comeu ninguém por causa disso? – disse Dilma.

– Está bem – disse Janaina, tratando de achar outra justificativa – então vou devorá-la porque soube que no ano passado você pedalou.

– Sim, pedalei, mas andar de bicicleta não é crime!

– Mas eu estou falando de pedaladas fiscais, disse Janaína.

– Porém, está atestado que essas pedaladas, que também foram feitas por alguns de meus antecessores, não constituem crime. O Ministério Público Federal, os peritos do Senado Federal e muitos outros técnicos concluíram que não houve crime! – alegou desesperadamente Dilma.

Janaína, impaciente, vendo que a conversa já ia longe demais pro seu gosto, berrou furiosa:

– Se não houve crime na assinatura dos decretos, nem houve crime nas pedaladas, isso não importa, já combinei com minha matilha que vamos devorá-la de qualquer jeito! Não gostamos de você, achamos você chata, feia e boba, está ocupando a cadeira que desejamos e não queremos perder esta oportunidade de jeito maneira. Prepare-se para ser comida!

MORAL DA HISTÓRIA. Quando as intenções não são boas, não há argumentos convincentes.

ALMANAQUE DO DR. GOYAMBÚ BIGEYES

FRASES DE HOMENS FAMOSOS:

“A crise está tão braba que tem gente cagando pouco para economizar cu.” (Dr. G.B.)

“Se pedalar fosse crime, todo ciclista estaria na cadeia!” (Vânia Russa)

“Duas coisas sem graça para comer: pão sem glútem e mulher sem glúteo” (Jair Boçaunaro)

“Quanto mais poder se tem, mais se perde” (Luzinaço da Cilva)

“O tamanho do pinto não importa para as mulheres, desde que seja grande e grosso” (Loura Mülher)

Não confunda o homem-morcego com o amor cego de um homem” (Robin)

“Todos os dias me oferecem produtos na Internet para eu aumentar o tamanho do meu pênis – e eu me pergunto: – Para que eu iria querer um pênis de mais de vinte centímetros e meio?” (G. Braga)

ADIVINHAÇÃO:

Papai Noel tem sete renas. Enquanto seis carregam o trenó para Papai Noel, voando pelos ares para que Santa Claus entregue os presentes de Natal para as crianças do mundo inteiro, uma rena cuida da contabilidade e por mais que refaça as contas não está conseguindo fechar a contabilidade. O trabalho se torna tão pesado que pelas tentativas da sétima rena de fazer as contas que ela acaba tendo se ser levada às pressas para o hospital. Pergunta-se: O que está ocorrendo para as contas não estarem sendo fechadas pela sétima rena a ponto de ela ter de ser hospitalizada?

Solução: A sétima rena estava com problema de cálculo renal! Felizmente foi operada e passa bem.

POESIA MODERNA PARA CACHORRO:

Eu não tenho um duplex no Guarujá
E nem comprei um sítio em Atibaia
Nunca plantei pé de maracujá
E nem fui de cair na gandaia
Mas se o juiz Sérgio Moro quiser
Dar para mim o que ninguém me deu
Eu aceito tudo o que ele me der
Pois eu não sou nenhum dum Zebedeu
Pode mandar passar a escritura
Que eu aceito de muito bom grado
Mas o juiz parece um gandula
Que quer favorecer no jogo só um lado
Em vez de dar pra mim ele vai dar para o Lula!
Esse juiz é mesmo um bom magistrado…

NÃO IMPORTA SE HOUVE CRIME DE RESPONSABILIDADE

O julgamento de um presidente da república com vistas ao impeachment deveria ater-se exclusivamente ao aspecto jurídico, isto é, de definir a existência, ou não, de crime (de responsabilidade).

O chamado “aspecto político”, que também vem sendo invocado como elemento da apuração, não pode existir como tal; o que se poderia avaliar como “aspecto político” seria somente o fato de tratar-se de um julgamento de um político feito por políticos, mas a lei não autoriza que se considere nada mais do que o crime de responsabilidade para a decisão negativa ou positiva.

O que estamos vendo é, pelo menos, a preponderância, da política: opositores do governo, acompanhados dos oportunistas, votam pelo impeachment, sendo para eles irrelevante analisar a questão jurídica fundamental. Os governistas votam contra o impeachment, e muitos provavelmente não fizeram a análise técnico-jurídica aprofundada dos elementos envolvidos nos decretos e nas “pedaladas”, mas corre a seu favor a regra do “in dubio, pro reu”, aliada ao fato de que o ônus da prova cabe aos acusadores.

A verdade é que, analisando ou não mais profundamente, as opiniões pela existência ou inexistência do crime se dividem, de tal modo que há inequívoca indefinição sobre a realização da tipicidade – dúvida que não poderia favorecer à condenação.

No entanto, Dilma sofrerá o impeachment (a Comissão do Senado hoje mesmo, 6 de maio de 2016, foi favorável ao prosseguimento do processo, o que deverá ocorrer também no Plenário, mesmo sabendo-se que a dúvida procede – ou seja: o julgamento é político, no sentido mais perverso desse termo).

Haja ou não, na substância, crime, isso sequer está sendo objeto de real avaliação por deputados e senadores, de modo que a imperfeição desse julgamento, até o presente, fatalmente passará para a História como uma farsa, um golpe, ou, melhor ainda, como um julgamento que se fez exclusivamente por critérios políticos. E isso não é bom. Pior, é inconstitucional, é injurídico.

E é assim que o argumento de que o impeachment está previsto na Constituição e na lei, as comparações com os processos que correm no poder judiciário, bem como as alegações de que o processo foi instaurado e segue regularmente conforme os procedimentos legais, não servem ao processo de impeachment que estamos presenciando.

Existe um alento, que é a possibilidade de que deputados e senadores, ao votarem na comissão, tenham dado prosseguimento ao processo apenas tomados pela dúvida da existência, ou não, de crime de responsabilidade, encaminhando ao Plenário do Senado a decisão final, considerando-o uma instância mais apurada e analítica, com prazo alargado para o exame detalhado de provas e para o pleno exercício da acusação e da defesa.

É uma esperança, remota, uma vez que as declarações de voto têm sido, em geral, marcadamente políticas, o que parece prenunciar a conclusão do processo.

GOLPE AGORA É BISCOITO

GB

Comenta o Dr. Mamed a respeito do golpe o seguinte:

“Golpe.

Assim como temos a palavra saudade, a jabuticaba, e a pororoca, únicas no Planeta e, quiçá, no Universo ou Multiverso, agora temos também um golpe sui generis.

Um golpe sem armas, sem quebra da Ordem, da Constituição, avalizado pela mais alta Corte, com amplo e irrestrito direito de defesa e contraditório (estranho o golpeado participar do processo de golpe e sair vivo!), com participação ampla da sociedade civil (a verdadeira, não ONGs pagas), das instituições republicanas, no mais absoluto império das leis.

Bom. A NASA precisa mesmo estudar os brasileiros, em especial os petistas, que chamam de golpe isso que estamos vendo.

No estudo da lógica jurídica, aprendi que chamar biscoito de vaca, em absolutamente nada altera a natureza do biscoito. Ele vai continuar com sua mesma composição de trigo, margarina vegetal etc… Jamais vai dar leite ou parir um bezerro.

Então, vão morrer chamando um instituto legal, jurídico, constitucional, de golpe, mas ele não vai produzir uma única ruptura da ordem, das leis, nenhum cadáver, nenhum prédio implodido, nenhum tanque na rua, nenhum preso político (talvez uns políticos presos, mas por crimes comuns), nenhum exilado, nenhum perseguido político, ninguém na clandestinidade).

Então, pode chamar de Golpe à vontade, mas ele não vai dar leite, nem parir bezerro.”

Assim, a partir dessas ponderadas considerações não diremos mais que vai ter golpe, diremos que “vai ter biscoito”. Ou exclamaremos que “vai ter vaca”!

Tanto faz : – É tudo golpe mesmo!

– Vai ter biscoito!

GB2GB3

ENXURRADA

ENXURRADA DE AÇÕES JUDICIAIS CONTRA GOVERNADORES, DEPUTADOS E SENADORES QUE PRATICARAM IRREGULARIDADES SEMELHANTES AOS ATOS UTILIZADOS PARA PEDIR O IMPEACHMENT DE DILMA ROUSSEF PODE LEVAR AO APROFUNDAMENTO DA ANÁLISE DE QUESTÕES JURÍDICAS RELACIONADAS AO PROCESSO DA PRESIDENTE

Uma das questões levantadas pela defesa de Dilma Roussef é a de que as chamadas “pedaladas fiscais”, consistentes no atraso da reposição de valores aos bancos contratados para intermediarem pagamentos de despesas do governo, não constituem crime, por não se enquadrarem, tecnicamente, nas previsões da Lei 1079, de 1950, apelidada de “Lei do Impeachment”, uma vez que não constituem operações de crédito, mas adiantamento de pagamento de despesas contratuais.

A mesma defesa garante, também, que a edição de decretos para a abertura de créditos suplementares não determinou aumento de despesas e que, sendo assim, não houve irregularidade capaz de caracterizar crime de responsabilidade.pnc

Como reforço, nessa contestação feita às acusações referidas, insiste-se em que todas essas práticas vinham sendo comuns tanto no governo federal quanto nos governos estaduais, atuais e anteriores, sem que implicassem na rejeição das respectivas contas; e mais, que quando o Tribunal de Contas da União decidiu, recentemente, pôr reparos a certos procedimentos ora condenados, que vinha aceitando, o governo federal deixou de praticá-los.

E, embora certos fatos não tenham sido incluídos no processo de impeachment, é notório que os que defendem sua aplicação insistem em que os senadores levem em consideração conteúdos da “Operação Lava-Jato”, como afirmou, mesmo, a Dra. Janaína Paschoal, que assinou o pedido de impeachment.

Ao ampliar assim o leque de bases para o impeachment, indo além dos termos do pedido, demonstra-se o afã de condenar ainda que seja necessário, para tanto, basear-se em processos, inquéritos e investigações em andamento e, até mesmo, sabendo-se que neles inexiste o envolvimento da presidente da república que se quer retirar do cargo.

Mas, o que se pretende ora destacar é o seguinte: Digamos que Dilma Roussef sofra o impeachment pela prática de todos os atos relatados no pedido da Dra. Janaína, do Dr. Miguel Reale Júnior e do Dr. Hélio Bicudo e que eles mesmos, ou qualquer outro cidadão, decidam, a partir dessa vitória, ampliar ao infinito seu senso de justiça e abram processos de impeachment contra o vice-presidente Michel Temer e as outras autoridades que praticaram alguns desses atos, acompanhados de ações populares, denúncias, pedidos de perda de mandato parlamentar e seja lá mais o que for contra, dentre outros, os mesmos senadores que decretaram o afastamento da presidenta, pelas variadas irregularidades que pesam sobre suas cabeças.

Como se sabe, o senador Randolfe Rodrigues, na sessão de 18 de abril deste 2016, dedicada a ouvir os denunciantes, fez uma explanação apresentando a edição de decretos de créditos suplementares específicos e pediu, em seguida, a opinião da Dr. Janaína, que defendeu que os créditos suplementares sem a autorização do Congresso Nacional configuram crime de responsabilidade e devem ser punidos com o impeachment; ao que o senador respondeu ficar muito feliz com a opinião dela, porque ela acabava de concordar com o pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer. “Essas ações que eu li foram tomadas pelo vice”, Michel Temer, disse Randolfe (Apenas algumas horas antes ela havia dito que não havia indícios suficientes para pedir o impeachment de Temer…).

Descortina-se um panorama de pânico geral?

Chiiii…

PIEGUICE EXPLÍCITA

O processo de impeachment da presidente da república Dilma Roussef foi admitido e vai ao Senado.

“As ruas”, segundo os apoiadores da continuidade do processo, assim decidiram.

Assistindo à votação, ficou claro que além da decisão das ruas, o processo sobe à Câmara Alta por decisão, também, da maioria qualificada das esposas, dos filhos e dos netos dos parlamentares.

Grande parte deles abriu mão de sua competência, e de sua responsabilidade, transferindo-as para os entes queridos.sw

Além da sessão de pieguice explícita, onde muitos chegaram a declinar os nomes de esposa e prole, ou a cumprimentar a netinha, devidamente nomeada, pelo seu aniversário, ao melhor estilo de programas de auditório, falsearam-se bases ufanistas para mascarar a ausência de fundamento consciente para os votos por assim dizer condenatórios.

Jamais se fariam reparos às expressões que se referissem ao patriotismo, à honra, à ètica, à nonestidade, à defesa de valores e tantos outros predicados que caem bem nos encaminhamentos de voto que defendem ideais.

Mas não basta, em um julgamento de suma importância, tanto pela responsabilização da mais alta autoridade da república por crimes de responsabilidade, quanto pelas conseqüências drásticas do ato, que o voto seja fundamentado apenas no desejo de mudança do comando da Nação, na necessidade de moralização geral, na superação de uma crise econômica, na vontade de experimentar novos líderes: É indispensável que o voto tenha, no caso concreto, razões exclusivamente jurídicas, porque não se pode julgar um criminoso por motivos e intenções que não digam respeito ao crime cometido.

Tudo bem, que se rogue a Deus que derrame suas bênçãos sobre o Brasil e o povo no dia seguinte, em que se pretende que o mandatário do País esteja derrubado; que se invoquem valores, que se realce o relevo da família, que se afirme que a decisão é pelo eleitorado, pelos correligionários, pela região, pela safra agrícola, pela honra e pela Pátria, mas… nada disso poderá substituir a consciência e a certeza de que o que se decide funda-se na lei.

Durante todo o processo, desde a apreciação do parecer do relator na Comissão de Impeachment, até à votação, não houve quem se preocupasse em debater os argumentos da defesa – aqueles que afirmam que não houve operação de crédito nas chamadas pedaladas fiscais e os que asseveram que os decretos referentes a abertura de crédito suplementar foram baixados concorde à lei; sequer se ativeram aos importantíssimos argumentos da fundamentação dos atos em pareceres técnicos competentes e à questão da ausência de dolo.

Decorre disso o caráter puramente político para que fosse alcançada a votação necessária, de um terço da Casa, para o prosseguimento do impeachment de nossa presidente.

Poucos foram capazes, também, de reconhecer que a lealdade partidária e a subserviência ao “clamor populi” podem determinar, se contrárias à lei, um comprometimento definitivo capaz de contaminar negativa e definitivamente a sua vida pessoal e política.

Muitos descumpriram seu compromisso de votar com o governo e essa atitude só é considerada traição pela tibieza moral de quem descumpriu o compromisso – pois uma coisa é mudar de idéia por razões de ideais elevados e outra é fazê-lo para obter vantagens pessoais de qualquer espécie de valor.

Estas considerações não têm o caráter de queixa, de reclamação, de inconformismo, pois sabe-se que a decisão tomada no dia 17 de abril de 2016 pelo Plenário da Câmara dos Deputados é soberana e, certamente, irrecorrível. Quanto a ela, nada há a fazer que não acatá-la, aceitá-la, cumpri-la.

Visam, sim, a encaminhar a esperança pessoal de que o Senado Federal, ao julgar a presidente, ao invés de atender à parcela da população que tem ido às ruas para pedir o impeachment e no lugar de cada senador decidir pela queda da presidente em razão de ligações emocionais com a esposa, os filhos, os netinhos e o cachorro de estimação, apresente ao povo um resultado condizente, sem a menor dúvida, com as provas e sua relação com a lei – para que não se consuma, perante a História, um julgamento ignóbil.

DESISTO: VAI TER GOLPE

Até agora há pouco eu me envolvia em debates acalorados nas redes sociais e em blogues que freqüento, nos quais procuro defender o que creio ser a tese da legalidade, traduzida na frase: – Não vai ter golpe!

Nessas discussões, havia de tudo, de um lado e de outro – desde argumentações lógicas, sólidas, estudadas, baseadas em análises e amparadas em posicionamentos políticos e ideológicos, até à mais pura ingenuidade, passando pela arrogância, pelo ódio, pela desinformação.

Nesse vale-tudo, surgiram muitas informações importantes, inúmeros dados de relevo, uma série de idéias interessantes, ao lado das baboseiras de quem só se presta a atacar com palavras de ódio e xingamentos.

Valia a pena.

Deviam-se pesar os prós e contras e espremer para tirar um caldo, o qual, passado no filtro, podia deixar um resultado positivo, que reforçava umas posições, ou aniquilava algumas crenças.OC

Assim girava o mundo, dentro de um universo de extremas possibilidades. Nelas, tanto poderia ocorrer o “impeachment” da presidenta Dilma Roussef, quanto ser arquivado o processo.

Mas, aconteceram os debates na comissão da Câmara dos Deputados que aprovaria ou não o pedido de afastamento, onde se pôde assistir ao espetáculo da farsa sem máscaras: as posições pela derrubada do governo já estavam tomadas, de nada adiantavam os argumentos de natureza jurídica demonstrando a improcedência do relatório, o resultado haveria de ser, mesmo, puramente político – é hora de tomar o poder, de alijar o PT do comando; e como se sabe, de antemão, que não pode ser pelas urnas, que seja pela força, força disfarçada de legalidade, para não ferir os brios democráticos.

Pouco importavam o teor do relatório, as alegações a favor e contra o impedimento e a defesa do advogado da presidente da república: estávamos diante de um júri previamente decidido a condenar, pouco importando a demonstração da fragilidade das acusações.

Deu-se a votação e, por cerca de sessenta por cento de apoiadores do impeachment, o processo vai ao Plenário da Câmara dos Deputados, onde, por dois terços da composição da Casa Legislativa, poderá ser decidido que o processo prossegue; ou, por um terço mais um, se é arquivado.

Da ida do processo ao Plenário no domingo, 17 de abril de 2016, não restam mais dúvidas: o Supremo Tribunal Federal decidiu que inexistem inconstitucionalidades no curso dos trabalhos da Comissão de Impeachment.

Então, me pergunto: – Para que continuar insistindo na questão irrelevante para os golpistas de que não houve crime de responsabilidade, se isso não interessa para a decisão final?

Pelo andar da carruagem deverá haver golpe. A oportunidade para a política da elite é única. Para apear o governo, juntaram-se condições excelentes, que, embora alheias à hipótese de crime de responsabilidade, não podem ser perdidas. Unidos, os partidos de oposição, a fina flor da sociedade e a imprensa elitista, com o apoio da massa de manobra popular, emprenhada pela propaganda midiática, juntam seus esforços com tal força que parece, a cada dia, mais próxima a sua vitória.

Com isso, os políticos que se pretendem espertos correm para o lado dos que, de acordo com os prognósticos, deverão ser os vencedores. Se o barco está afundando, salve-se quem puder, é o lema.

Respondendo a mim mesmo de que de nada adiantará persistir no combate, resolvi: – Eu desisto!

Como conseqüência da desistência, apaguei todas as postagens políticas das redes sociais de que participo, não aceito mais provocações para discutir o assunto e continuarei deletando as publicações, sejam contra ou a favor. E quem me enviar mensagens pelo correio eletrônico sobre esse assunto já pode ficar sabendo que apagarei tudo e o destino é um só, a caixa de lixo da História.

Apoiado apenas na ridícula afirmação alardeada aos quatro ventos, para otários se convencerem, de que o “impeachment” da presidenta Dilma é legal porque “impeachment” está previsto na Constituição, nada mais é necessário e o resultado é evidente: – Vai ter golpe.

VEJA, É PIG

Em 24 de outubro de 2014 estava nas bancas a revista Veja, mostrando na capa as imagens de Dilma e Lula, com a chamada sensacional: “PETROLÃO – O doleiro Alberto Youssef, caixa do esquema de corrupção na Petrobras, revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público, na terça-feira passada, que Lula e Dilma Roussef tinham conhecimento das tenebrosas transações na estatal – ELES SABIAM DE TUDO.

No nariz de cera, a partir da página 58, a Veja justifica a razão de estar publicando a bombástica reportagem às vésperas da votação em segundo turno das eleições presidenciais, disputadas em 26 de outubro de 2014 entre Aécio Neves, do PSDB, e Dilma Roussef, do PT, para seu segundo mandato.

Veja considerou “um dever” publicar a reportagem, dizendo que seria uma temeridade não fazê-lo, mas esclareceu que “VEJA não publica reportagens com a intenção de diminuir ou aumentar as chances de vitória desse ou daquele candidato”.

Mas, ao mesmo tempo em que diz isso e informa que a reportagem transcreve fatos narrados por Youssef em sua delação premiada, Veja observa que só se poderia “ter certeza jurídica de que as pessoas acusadas são ou não culpadas” quando as provas fossem apresentadas pelo delator e consideradas conclusivas pelo Supremo Tribunal Federal.VP

Porém todavia, contudo, Veja tenta dar foro de certeza de que o conteúdo só pode ser absolutamente verdadeiro, alegando que se a delação for falsa o delator não só perde as vantagens da delação como pode, ainda, ter sua pena acrescida. É assim que Veja garante subrepiticiamente ao leitor (e eleitor!) que a delação é verdadeira. Deve ser verdadeira! Só pode ser verdadeira!

Assim encaminhando para os incautos leitores sua “reportagem”, em dado momento Veja diz que “faltava clarear o lado dos corruptores”, para, em seguida, sugerir que esses corruptores são Lula e Dilma: “Na terça-feira Youssef apresentou o ponto até agora mais “estarrecedor” – para usar uma expressão cara à presidente Dilma Roussef – de sua delação premiada. Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro foi taxativo:

– O Planalto sabia de tudo!

– Mas quem no Planalto? – perguntou o delegado.

– Lula e Dilma – respondeu o doleiro.”

Veja vai sublinhar, para influir nas eleições (embora diga que não tinha a intenção de fazer isso, mas publicando uma delação absolutamente até hoje sem provas contra Lula e Dilma há dois dias do segundo turno!) que “para conseguir os benefícios de um acordo de delação premiada, o criminoso atrai para si o ônus da prova. É de seu interesse, portanto, que não falsifique os fatos. Essa é a regra que Youssef aceitou. O doleiro não apresentou – e nem lhe foram pedidas – provas do que disse. Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados é ter certeza de que o depoente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades”.

Esse era o “dever” da Veja, que ela diz ser o de informar e não influir, exclamando já na capa que naquele momento, há dois dias das eleições, o eleitor podia ficar sabendo que Lula e Dilma eram os corruptores do “Petrolão”, porque um criminoso acabava de “revelar” isso e esse criminoso não seria besta de falar o que não podia provar.

Para se ter uma perfeita, ampla e completa noção da ignomínia praticada por Veja, se o que ora destaco não fosse mais do que suficiente para isso, basta buscar a reportagem e lê-la na íntegra: nas circunstâncias, é um nojo.

Às vezes leio a Veja. É uma boa revista, seria ótima se deixasse de lado o partidarismo golpista (ela e suas ramificações por irascíveis e comprometidos comentaristas televisivos – que abusam do direito de informar, taxando de criminosos, ladrões e corruptos – como se fossem amigos enchendo a cara na mesa de bar – àqueles que odeiam). Como ela publica coisas interessantes nas páginas amarelas, resenhas e comentários de filmes, discos livros, dvds, além de boas reportagens sobre assuntos nacionais e internacionais nos quais sua tendência política não pode interferir, ela nos engana que é uma boa revista (inclusive porque ela consegue aparentar, em épocas menos cruciais, com algumas capas e matérias, ser imparcial e tanto bater lá como cá – mas sua ação em momentos decisivos, como foi o caso exemplar, demonstram seu poder para influir na opinião pública no sentido de seus interesses e convicções).

É hora de concluir para informar que o título do presente texto não chama a atenção para um porco – “pig”, em Inglês – mas para uma imprensa que em dados momentos pode ser porca, em um jogo de palavras com a língua inglesa, e que constitui aqui se convencionou chamar de Partido da Imprensa Golpista.

E o que foi dito aqui e agora, para mostrar o que aconteceu nas eleições de 2014, há de alertar para o que está acontecendo também aqui e agora, quando esse tipo de imprensa pretende derrubar a presidente da república e impedir o avanço de Lula.

Sem a vírgula: VEJA é PIG!

OPORTUNISMO E VIOLÊNCIA CONTRA DILMA E LULA

Ao defender as razões do pedido de “impeachment” da presidente Dilma Roussef perante a Comissão Especial , Miguel Reale Jr. reconhece, dentre outras coisas, que governos anteriores usaram o recurso pelo qual ele quer que Dilma seja defenestrada mas… segundo ele, foi pouquinho, não foi esse montão da Dilma.

Para o jurista, as penas da lei devem ser assim: Se a pessoa furtar mil reais, a pena será de advertência. Até dez mil reais, puxão de orelha. Até cem mil reais, uma semana sem ver televisão. Mais de cem mil reais, tudo bem, vai levar puxão de orelha, ficar duas semanas sem videogame e não me faça mais isso, senão vai ver. Mais de cem mil reais vai irritar o juiz. Se passar de um milhão já pode ser o caso de pegar até uns três dias de cadeia. Agora tem um problema, se o gatuno for do PT aí o bicho vai pegar, é prisão perpétua se o furto for grande, mas se for de outro partido tudo bem, ninguém tá ligando para merreca, desde que seja de um partido legal.

Assim é o fundamento do pedido atual de Miguel Reale Jr.: Pedalada de presidente da república do PSDB, não tô nem aí porque é pouquinho, tipo furtar um pão para comer. Mas se for pedalada da Dilma, eitcha, pedaladão! Impeachment nela!

Ou seja, Reale não entrou com ação para apear os outros presidentes do cavalo porque, naturalmente, não era o caso, então, de oportunismo.ob

Ora, se não se trata de oportunismo, então alguém me explique aí. Porque para mim é oportunismo, sim. O PT cansou o PMDB, o PSDB, o DEM e outros, porque é só fazer uma eleição e pronto! O PT vai lá e ganha! Dezesseis anos ganhando eleição é dose, ninguém agüenta, ainda mais se estiver parecendo que vão vir mais uns quatro de PT pela frente.

O que parece claro é que a oposição vai perpetrar uma violência e para isso conseguiu contaminar uma grande parte da sociedade com mentiras e mais mentiras a ponto de um juiz federal, embora sério e realizando um importante trabalho para a sociedade, deixar patente em suas explicações ao Supremo Tribunal que algumas de suas ações, impugnadas por um ministro da Suprema Corte, basearam-se em, menos que indícios, suposições, que não se sustentam em razões jurídicas, mas na pura prevenção (aqui no sentido comum do termo, é claro).

Chegamos ao ponto do Dr. Janot, Procurador Geral da República, ter opinado, segundo o Jornal Nacional, que Lula deve ser nomeado ministro de estado, por ser uma prerrogativa da presidente da república proceder à nomeação, mas… deve continuar sob a alçada do juiz federal acima citado, o Dr. Sérgio Moro!

Precisarei rever meus conhecimentos do Direito para entender isso… A pessoa ter foro privilegiado garantido constitucionalmente, mas essa garantia constitucional ser relativa, ou relativizada.

Falei de violência e afirmo: O que se quer fazer com Lula, com Dilma e com o PT no panorama atual da política brasileira é uma violência.
Porém, a violência não gera bons frutos.

Como disse Jean-Paul Sartre, o belo filósofo francês do Existencialismo, “a violência, seja qual for a forma pela qual se manifeste, sempre resulta em fracasso”.

A sociedade inteira colherá os frutos do mal que se praticará, caso as elites consigam dar o pretendido golpe.

FLAGRANTES DO MUNDO ANIMAL

Pelo Dr. Goyambú Bigeyes

O Sr. Zebra ia saindo de casa e a Srª Zebra avisou:

– Não esquece de levar a lista!

z

* * *

Nasceu um filhotinho de lula no fundo do mar. O pai lula pegou o filhotinho recém-nascido no colo e com os olhos marejados de lágrimas disse:

– Um dia, meu filhote, em um mundo mais justo, tu poderás até mesmo chegar à presidência da república!

* * *

A Internet expandiu-se tanto que até um jumento abriu uma conta na Internet. Qual não foi sua surpresa ao ver em sua caixa de entrada no e-mail a oferta: “Aumente o tamanho do seu pênis!”

tp

* * *

A Srª Hipopótamo disse para o marido que queria começar um regime, ao que o marido lhe falou carinhosamente: – Não precisa, querida, você já está bem gordinha.

hp

* * *

O elefante resolveu montar um negócio, e como sua tromba servia para jogar água longe e com força resolveu que o negócio seria uma loja para lavar carros. Mal começou o negócio, o elefante foi preso pelo Tarzan na Operação Lava-Jato selvagem.

* * *

O onça brigou com sua namorada, a onça, e devolveu para ela o quadro dela que ela tinha dado para ele, dizendo : – Eu não quero mais te ver nem pintada!

* * *

A girafa foi verificar o seu e-mail e lá estava, na caixa de spam, a mensagem irritante que se repetia quase todos os dias: – Aumente o tamanho do seu pescoço!

* * *

O peixe foi no consultório consultar o Freud e Freud lhe perguntou:

– Qual é o seu problema?

E o peixe respondeu:

– Eu estou me sentindo como um peixe fora dágua…

* * *

Um boi disse para o outro:

– Olha lá, o Malhado está sendo traído pela Mimosa!

– Como é que você sabe?

– Repara bem! Ele não tem chifre!

boi

O ORÁCULO GARANTE: VAI TER GOLPE

Na atual situação política do Brasil criou-se um panorama de “culpa formada”. Nesse clima, tudo já se sabe, todas as culpas estão evidenciadas, não há necessidade de provar-se nada.

Assim, neste momento basta dizer que “Lula não só sabia de tudo como participou das irregularidades” que nada mais precisa ser dito. A prova? Algo como “a verdade sabida”. Um reforço da prova? Quem o diz era líder do governo. Ponto final.

Assim, também, Dilma, presidente do Conselho da Petrobras, “sabia de tudo”, pois um líder do governo, acusado de tentativa de obstrução da justiça, delatou isso porque acredita que sim.

Existe, na apreciação dos fatos e das irregularidades, uma estranha adesão a uma distorcida “Teoria do Domínio do Fato”, que faz com que qualquer suposição a respeito deles dissipe qualquer dúvida sobre a autoria e participação nos ilícitos sob apuração.

Lula já ocupou alguns imóveis cedidos ao candidato Lula e ao Lula presidente da república, sem que jamais o fato de estar, nesses momentos, como o senhor deles, levasse à suspeita de que ele fosse o seu proprietário. No caso do Sítio de Atibaia e do apartamento no Edifício Solaris tem-se como certo que Lula é o real proprietário. Por quê? Por que não for não há como incriminá-lo como destinatário de propinas da Petrobras, dadas na forma disfarçada de serviços nesses imóveis por empreiteiras envolvidas no esquema com aquela estatal.

Para incriminar Lula, tudo é válido, como evidência, inclusive o fato de ele ocupar o sítio como se seu dono fosse. Como assim? Ora, as evidências não podiam ser mais claras: tem pedalinho no laguinho, Marisa comprou um bote para usar no laguinho, Lulas guardou coisas lá, no sítio há objetos pessoais dos dois, o filho do Lula “autorizou” o irmão do dono a levar ao sítio uma certa pessoa para um churrasco, no sítio tem uma reprodução do Cristo Redentor… valha-me Deus! Não há dúvida, Lula não tem o título de propriedade, que está em nome dos seus anfitriões, mas ele é o dono! Está provado! E sendo o dono, certas propinas, cujo caráter e existência também não foram provados, foram destinadas a ele!

O apartamento não é dele, mas… é dele. Ele tinha uma opção de compra de uma unidade no prédio, que dava direito a sua aquisição, ele vistoriou o imóvel, dona Marisa idem, ele desistiu da aquisição, mas o apartamento é dele! Porque se não for dele, supostas propinas envolvidas na melhoria do imóvel não são destinadas a ele, por isso o apartamento tem de ser dele!

Em um grampo telefônico, há duas versões, mas a da presidente da república, embora verossímil, é mentira. A presidente mente. Existe uma outra versão verossímil que compromete a presidente e o Lula? Pois esta é a verdadeira!

Mandado de segurança não é ação própria para certo fim, o ministro pensava assim, decidira assim em outra ação anteriormente, mas agora é preciso decidir rápido que agora vale, antes que alguém o faça em outro processo de modo diferente, portanto, a partir de hoje volta-se atrás e o que não era passa a ser.

Face a essa situação, pela qual todos já sabem de tudo, qualquer suspeita ou suposição é prova, qualquer delação fala por si, ouçamos o oráculo sobre o que irá acontecer a seguir.

– Fale, oráculo:

orc

– Vou falar. Atenção que direi tudo o que irá acontecer:

1) Lula, já está liminarmente decidido, vai para o foro de Curitiba.

2) Moro mandará prendê-lo depressa, acatando o pedido do Ministério Público.

3) O STF voltará do recesso da Semana Santa e confirmará a decisão do ministro Gilmar Mendes.

4) O ato de nomeação do Lula será invalidado.

5) O processo de impeachment correrá rapuidamente.

6) O PMDB abandonará o governo para assumi-lo completamente quando o impeachment for comprovado – sem que Michel Temer seja incluído em perda de mandato.

7) O impeachment será declarado e Dilma perderá o mandato de presidente da República.

8) Temer assumirá a presidência.

9) O PT será afastado de todos os cargos, porque, convenientemente, não tem mais aliança com o PMDB.

10) Lula, em decisão tomada rapidamente, de 1.298 páginas, será condenado por Moro a prisão e a multas, mas não levará nem o sítio, nem o apartamento.

11) Lula perderá os direitos políticos sendo afastado de disputas próximas ou futuras.

12) Em 2018, Aécio Neves, e não Marina Silva, será eleito presidente da república.

– Pronto. Falei.

REALIZAÇÕES DO GOVERNO LULA – 2003 A 2010

Aqui e ali pessoas me cobram o porquê de eu defender o Lula. Outros me chamam de lambe-botas, puxa-saco, vendido, calhorda, canalha e, até, de senhor e de bonito, dizendo que eu merecia estar na cadeia com ele. Eu sempre explico que defendo o governo desse petista safado, porque ele uniu a vontade política à execução dessa vontade, realizando, assim, muitas das coisas que eu esperava de um governo – especialmente as atividades de cunho social.

Eu queria que Lula fizesse, como fez, um governo voltado para o povo, para o pobre de qualquer cor, para o negro maginalizado ; um governo afastado do elitismo.

Eu esperava, ainda, que a economia não fosse prejudicada e, para minha satisfação, ele manteve, nos oito anos de sua administração, comércio, indústria, serviços e bancos em alta.cb

Pois bem, para quem quer saber, defendo o governo do Lula porque Lula, em seu governo, dentre outras coisas :

1) Reduziu a inflação de 12,5% (2002) para 5,91% (2010) ao ano.

2) Aumentou o salário mínimo para o seu maior patamar em 40 anos, com um aumento real de 74% entre 2003/2010.

3) Reduziu a relação dívida/PIB de 51,3% (2002) para 39% do PIB(2010).

4) Acumulou um superávit comercial de US$ 252 Bilhões (2003/2010).

5) Pagou toda a dívida com o FMI e com o Clube de Paris e o Brasil se tornou credor do FMI.

6) Reduziu o déficit público nominal de 4% do PIB (2002) para 2,6% do PIB (2010).

7) Aumentou as exportações de US$ 60 Bilhões/ano (2002) para US$ 201,916 bilhões/ano (2010) , recorde histórico.

8) Aumentou as reservas internacionais líquidas de US$ 16 Bilhões (2002) para US$ 285 Bilhões (Novembro de 2010).

9) Ampliou o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar que se destina a estimular a geração de renda e melhorar o uso da mão de obra familiar, por meio do financiamento de atividades e serviços rurais agropecuários e não agropecuários) de R$ 2,5 Bilhões/ano (2002) para R$ 16 Bilhões/ano (2010).

10) Gerou 15 milhões de empregos formais entre 2003/2010.

11) Reduziu o percentual da população brasileira que vive abaixo da linha de pobreza de 28% (2002) para 6,1% (2010), segundo o IPEA.

12) Elevou os gastos sociais públicos de 0,60 % em 2002 para 15,54% do PIB em 2010.

13) Incrementou a assistência social, com programas sociais inclusivos, como o Bolsa-Família, ProUni (Programa Universidade para Todos (ProUni) criado pelo governo federal em 2004, que oferece bolsas de estudos, integrais e parciais (50%), em instituições particulares de educação superior, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, a estudantes brasileiros sem diploma de nível superior ), Brasil Sorridente, Farmácia Popular, Luz Para Todos, entre outros, que beneficiaram aos pobres e miseráveis e contribuíram para melhorar a distribuição de renda.

14) Iniciou novas grandes obras de infraestrutura (rodovias, ferrovias, usinas hidrelétricas, etc) financiadas tanto com recursos públicos como privados. Exemplos: Usinas do Rio Madeira, Transnordestina, Ferrovia Norte-Sul, recuperação das rodovias federais, duplicação de milhares de quilômetros de rodovias.

15) Iniciou a construção de dezenas de Institutos Superiores de Educação Tecnológica (são 214 novas escolas técnicas federais construídas entre 2003/2010)

16) Criou o Reuni, que iniciou um novo processo de expansão das universidades públicas, aumentando consideravelmente o número de universidades, de campus e de vagas nas mesmas (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que tem como principal objetivo ampliar o acesso e a permanência na educação superior. Com o Reuni, o governo federal adotou uma série de medidas para retomar o crescimento do ensino superior público, criando condições para que as universidades federais promovam a expansão física, acadêmica e pedagógica da rede federal de educação superior. Os efeitos da iniciativa podem ser percebidos pelos expressivos números da expansão, iniciada em 2003.

17) Elevou o volume de crédito na economia brasileira de cerca de 23% do PIB, em 2002, para 46% do PIB, em 2010.

18) Criou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em 2007.

19) Reduziu a taxa de desemprego de 10,5% (2002) para 6,7% (2010).

20) BOLSA FAMÍLIA – Lula não só « unificou o que já existia », ele criou o Programa Bolsa Família. E ao criá-lo incorporou o que já existia, especialmente os indicados no art. 1º da Lei 10.836, de 2004.
Mas não foi só unificar, como eu antecipei: o Programa Bolsa Família tem inovações e regras para a participação, diferentes das regras existentes, e, além do mais, ampliou bastante o universo de atendidos: em 2009 foram DOZE MILHÕES E NOVECENTAS MIL FAMÍLIAS ATENDIDAS! 12.900.000 multiplicados por três projeta um atendimento a TRINTA E OITO MILHÕES E SETECENTAS MIL PESSOAS! (se tomarmos a média de três pessoas por família).

21) TRANSPOSIÇÃO DE ÁGUAS DO RIO SÃO FRANCISCO:

“Uma das principais obras do PAC, o Projeto de Integração do Rio São Francisco tem o objetivo de assegurar a oferta de água para 12 milhões de habitantes de 390 municípios do Semiárido Nordestino, distribuídos entre os estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O empreendimento é dividido em dois eixos – Leste e Norte – e conta com investimento de R$ 8,2 bilhões. São 470 km de canais, túneis, aquedutos e barragens. São ainda 38 ações socioambientais, como o resgate de bens arqueológicos e o monitoramento da fauna e flora, num investimento total de quase R$ 1 bilhão. A obra emprega 11 mil trabalhadores. : “O sertão nunca mais voltará a ser motivo de estudos sociais para medir a fome e a miséria. O sertão vai fazer parte do Brasil desenvolvido”, disse Lula.

22) OUTROS RECURSOS HÍDRICOS:

Realizações do PAC na área de recursos hídricos (além da Transposição do rio São Francisco)durante o governo do Lula, que é o de que estamos tratando, de 2007 a 2009:

“Obras estruturantes na área de recursos hídricos – Somado à integração do São Francisco, são R$ 33 bilhões para obras que vão garantir a tão sonhada segurança hídrica no Nordeste.

Os investimentos do PAC na construção de adutoras, estações de tratamento e reservatórios de água são realizados em parceria com governos estaduais e municipais e setor privado. De 2007 a 2009, o programa contratou R$ 9,3 bilhões para executar 3.045 empreendimentos, para ampliar e melhorar os sistemas de abastecimento de água de 1.596 municípios de 26 estados e Distrito Federal.”

23) COPA DO MUNDO DE FUTEBOL 2014 NO BRASIL:

Além do afluxo de turistas estrangeiros, trazendo divisas para o Brasil e aquecendo a indústria hoteleira, criando empregos temporários e incrementando o comércio em geral, o evento determinou a recuperação e construção de estádios e determinou a ampliação das obras da chamada “mobilidade urbana”, frutos dos quais muitos estão aí; e se nem todas foram concluídas deverão sê-lo e as que estão prontas já representaram uma melhora no setor para a população.

24) CONCESSÃO DE AEROPORTOS:

Ao trazer a Copa do Mundo de Futebol 2014 para o Brasil, Lula sabia que seria preciso ampliar a estrutura aeroportuária e não deu outra: aeroportos foram objeto de concessão para o setor privado e foram investidos de 2011 a 2014 onze bilhões e trezentos milhões de reais, aquecendo o setor de obras, criando empregos e ampliando em 70 milhões de passageiros por ano a capacidade dos aeroportos.

25) OLIMPÍADAS DE 2016 NO BRASIL:

Olimpíadas de 2016 para o Brasil. Repete-se aquela conversa: construção da vila olímpica no Rio de Janeiro, incremento do setor de obras, criação de empregos, entrada de turistas estrangeiros, plena ocupação de hotéis, mais empregos para hotelaria e comércio, desenvolvimento do esporte nacional, utilização de estádios preparados para a Copa de 2014 pela Olimpíada.

26) CONCESSÕES NO GOVERNOLULA E PRIVATIZAÇÕES :
aSobre as concessões, que a oposição insiste em chamar de privatizações, confundindo institutos diferentes (é como confundir “calúnia” com “difamação” que se parecem mas não são) pode-se verificar o seguinte:
O governo Lula concedeu à administração privada 2.600 quilômetros de rodovias federais.

E já que falamos de privatizações, sejam elas concessão ou não, tivemos no governo Lula mais as seguintes, entre outras:

1 – Banco do Estado do Ceará;
2 – Banco do Estado do Maranhão;
3 – Hidrelétrica Santo Antônio;
4 – Hidrelétrica Jirau;
5 – Linha de transmissão Porto Velho (RO)–Araraquara (SP);
6 – Alguns campos da bacia de petróleo do pré-sal descoberta em 2006, a exemplo do Campo de Libra.

27) RISCO BRASIL:

Durante o governo Lula o Risco Brasil teve o mais baixo índice já visto na história do nosso País.

28) ÍNDICE GINI E A DESIGUALDADE SOCIAL:

O índice de Gini, criado pelo matemático italiano Conrado Gini, é um instrumento para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo. Ele aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos.

No governo do Lula, ou melhor, de 2003 a 2011, a desigualdade, ou a concentração de renda, caiu 9,22%, resultado considerado muito bom.

29) PODER DE COMPRA DOS SALÁRIOS:

No governo Lula o poder de compra de cestas básicas dobrou em 2010, alcançando o patamar de 2,17%, ou seja, cada cidadão já podia comprar duas cestas básicas com o mesmo rendimento.

30) AMPLIAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL:

A Justiça Federal, que, em 2003, tinha cerca de 100 Varas em todo o País, chegou a 513 Varas, em 2010. Ou seja, 413 novas Varas da Justiça Federal, com um juiz titular e um substituto, foram criadas nesse período, no período do Governo Presidente Lula.

31) FORTALECIMENTO DA POLÍCIA FEDERAL:

Total das operações da Polícia Federal de 2003 até 2011, durante os oito anos de Lula: 1.273.

Isso ocorreu porque a Polícia Federal foi fortalecida nessa época.

32) TAXA DE JUROS:

A taxa de juros que já fora, anteriormente, entre 38% e 25%, comportou-se no governo do Lula da seguinte forma:

09/12/2010 – 19/01/2011 =10,75
10/12/2009 – 27/01/2010 = 8,75
11/12/2008 – 21/01/2009 =13,75
06/12/2007 – 23/01/2008 =11,25
30/11/2006 – 24/01/2007 =13,25
15/12/2005 – 18/01/2006 =18,00
16/12/2004 – 19/01/2005 =17,75
18/12/2003 – 21/01/2004 =16,50

33) POSIÇÃO DO BRASIL NA ECONOMIA MUNDIAL:

Quando o Lula assumiu o governo o Brasil era a 15ª economia. Em 2010, quando ele deixou o gov erno, o Brasil era a 7ª Economia mundial.

34) CRESCIMENTO DO PIB:

PIB (nominal) e Tamanho do Crescimento (real) *
2010 – R$ 3,887 trilhões – 7,6%
2009 – R$ 3,328 trilhões – -0,2%
2008 – R$ 3,108 trilhões – 5,0%
2007 – R$ 2,718 trilhões – 6,0%
2006 – R$ 2,410 trilhões – 4,0%
2005 – R$ 2,172 trilhões – 3,1%
2004 – R$ 1,959 trilhão – 5,7%
2003 – R$ 1,720 trilhão – 1,2%

* Nota: Ao dividir o PIB de um ano pelo ano anterior não resulta o valor do crescimento. Isto se deve à diferença entre o PIB nominal
e o PIB real que desconta a inflação. O tamanho do crescimento é medido pelo PIB real que desconta a inflação.

LEGADO DOS GOVERNOS LULA:

Segundo o UOL, ao deixar o cargo de presidente dia 1º de janeiro de 2011, Luiz Inácio Lula da Silva legou, de oito anos de governo, avanços nos setores de economia e inclusão social, com índices históricos de crescimento econômico e redução da pobreza.

É o Globo que diz: a taxa de mortalidade infantil caiu no Brasil, de 2003 a 2012, 47,6% (sendo que no Nordeste a diminuição foi de 50%). Isso não vos comove?

Para saber mais: de 1990 a 2012 essa taxa caiu 75%.

Desse modo, espero estar explicado e, portanto, que parem de me cobrar justificativas, até porque tenho mais dezenas de itens selecionados.

EM TEMPO: Eu acabava de redigir esse texto (16/3/2016) quando o Jornal Nacional veio ao ar, completamente destrambelhado, na apresentação ( talvez pela pressa de organizá-lo e levá-lo ao ar) e no conteúdo (pela insistência vergonhosa de abraçar a interpretação de fatos banais como indícios de irregularidades que querem levar a crer que o Lula tenha praticado. A surpresa maior foi a mais nova ação política do Juiz Sérgio Moro, ao levantar, também apressadamente, o sigilo do processo que envolve o ex-presidente, para que pudessem ser divulgadas investigações antes que o foro privilegiado de Lula no STF se impusesse. Tal surpresa não aconteceu quanto ao pronunciamento carregado de partidarismo do Ministro Gilmar Mendes, por ser esse um mais que evidente e notório contra o Lula.

Eu, que cheguei a escrever para o Instituto Lula manifestando minha convicção, então, de que ele não deveria aceitar o ministério, convenci-me, hoje, de que a perseguição a ele, que poderia alcançá-lo nas instâncias atuais, é mais extensa do que eu poderia imaginar. Espero que seu ingresso institucional no governo, além de estratégico para a sua defesa contra a ignomínia que se vem praticando, sirva também para fortalecer o governo e beneficiar o País.

1964

cl

Ao passar por estes corredores sombrios, tenebrosos, os pulsos doídos, machucados, dias e dias algemados, o corpo curvado de tanta pancada, ainda penso em você, quase só penso em você, que na certa não sabe de mim, se vivo, se estou morto, o que terá acontecido a este pobre diabo. Tenho medo. Certamente vão jogar-me em um novo cubículo. Logo cuidam de transferir-me para novos algozes e recomeçam os interrogatórios, as mais inimagináveis torturas a que se possa ser submetido. Como se sobrevive a isto, por tanto tempo, sem perder completamente a razão? Como não perder de todo o equilíbrio, a coragem para, mesmo tendo pavor, preferir a morte a abrir a boca para estes insanos? Fraco como estou, alquebrado, semi-morto, não dou dois passos sem levar um safanão, uma porrada nos ossos, um tapa no pé-do-ouvido, um empurrão cheio de rancor. Acostumo-me a andar aos trancos, sentindo a dor nas costelas quebradas, nos músculos enrijecidos, na carne machucada, no corpo cheio de hematomas, inchaços, cortes, calombos e arranhões, como se tivesse sido jogado ribanceira abaixo, ralando-me nas pedras. Deixam-me na cela, já sei que o descanso é por pouco tempo. São espertos, logo virão arrastar-me, aos chutes, para alguma sala de bordoadas e eletrochoques, paus-de-arara e rodas dágua, queimaduras com pontas de cigarro e tapas na cara. Não se bate na cara de um homem! E quem é homem aqui! Me traz a vela! Acesa! Vamos ver quem é homem! Fala, seu cachorro! Mas eu não falo. Pode fazer o que quiser que eu não falo, não conto o que você quer saber. Você, sim! Porque senhor é só para quem se dá ao respeito, tem dignidade, honra as calças que veste! Com esta boca, com estes dentes quebrados, com este frio de gelo que me toma o corpo e a alma, com este sangue que me escorre dos lábios rachados, com esta língua grossa da sede e do sal com que me entopem a garganta, o que lhe digo é o que lhe digo, apanhe o que apanhar, sofra o que sofrer. Você quer saber? Pois eu lhe conto, não precisa ferir mais as suas mãos nos pedaços que restam do meu rosto, porque eu me lembro, eu me lembro muito bem. Era noite e estava muito escuro na entrada do prédio de apartamentos, mas ruídos vindos do lado de onde vinha o cheiro forte, de lixo, me chamam a atenção, porque penso ouvir vozes de crianças, quase uma algaravia, e é muito tarde. Acabo de chegar da festa gostosa, alegre, adolescente, já são horas de dormir, mas este barulho parece ter marcado encontro comigo esta noite. Estas vozinhas de criança não fazem sentido, tão tarde, noite tão escura e fria, quando todos dormem o sono tranqüilo e eu também ia dormir um sono repousante, sob um acolchoado macio e aconchegante, e sonhar com o calor dos seus lábios, meu amor. Mas alguma coisa não vai bem nesta noite sobressaltada em que sou arrastado para seguir este cheiro terrível de podridão, que me repugna e me arde as narinas, e estas vozes estranhas, sussurradas, que vêm com o cheiro que aumenta e me causa tanto asco ao ponto de quase vomitar. Nem por isso a noite deixa de ser bela e de impregnar-me de sentimentos vibrantes de felicidade, quase, meu amor, te sentindo nos meus braços, o calor maravilhoso do seu corpo junto ao meu, nesta dança colada, em que sentimos que fomos feitos um para o outro, querendo nunca mais nos separar. Eu fui correndo feito um louco, sem acreditar, meu amor, quando você me telefonou, chamando, que era verdade, que ia te ter novamente em meus braços e, quem sabe, desta vez lhe diria tudo, tudo! E você não pensaria mais em ninguém, seria minha namorada, só minha namorada. Quase piso nesta água escura que escorre pelo chão, vinda da lixeira; é um caldo preto, uma sopa de micróbios e de larvas, que pode me inutilizar definitivamente os sapatos reluzentes que eu mesmo engraxei para o nosso baile. Fiquei orgulhoso quando ela elogiou a minha estampa. Os panos do seu vestido enroscavam-se entre as minhas pernas ao som da música que nos enlevava e nos embriagava de emoção. Queria pôr a cabeça, agora, no travesseiro, e ficar no escuro do meu quarto olhando para o nada e vendo seu rosto sorridente e sentindo seus lábios chegando junto aos meus, quentes de paixão. Mas algo me tira do meu caminho. O vigia dormindo lá na ponta do prédio, sentado na cadeira recostada na parede, o quepe escondendo o rosto, como não cai? Não irá cair? Não escuta esse barulho, nem sente esse cheiro? Poderia eu imaginar que nunca mais te veria, que nunca mais deitaria na cama macia do meu quarto, por causa deste cheiro acre, destas vozes que me incomodam os ouvidos? Como, na calmaria desta noite, poderia eu saber? Quando der mais alguns passos, vou ver tudo, vou mergulhar no monte de lixo fétido e pegajoso, vou lambuzar-me e encher-me de bichos e de moscas, e meus cabelos ficarão pregados de gosma, minhas unhas ficarão cheias de sujeira preta, minhas roupas apodrecerão. E o que será dos meus sapatos reluzentes? O que será das minhas meias de seda? O que será do linho das minhas calças que ainda agora roçavam sinuosamente no meio das tuas pernas? O que será de mim com todas essas lembranças de um mundo bom e alegre, se enterrar-me no lixo até o pescoço? Olho-me bem. Ainda não estou sujo, nem fedorento, tenho os cabelos bem penteados, a barba bem feita, a camisa alva, cheirosa, impregnada do teu delicioso perfume que me enche de alegria, tanta alegria! Ela poderia até ver-se, como em um espelho, nos meus sapatos de bico fino, deslizante, reservados para dançar. Mas alguma coisa me atrai e eu percebo que é para sempre. São vozes. São vozinhas finas das crianças que revolvem o lixo com suas mãos encardidas, suas roupinhas em trapo, e comem aquelas nojeiras que jogamos fora pelos tubos das lixeiras dos apartamentos, que se misturaram, que acabaram de apodrecer e que viraram esta coisa malcheirosa, que lhes sacia o desespero da fome, caindo-me em cheio, como um tapa no rosto, como uma cusparada. O que será que me revolveu assim as entranhas, que me dissipou a alegria, que me puxou pelo braço para o sem-rumo da estrada de fuga e de medo? Que brutalidade é essa que agora me procura com violência? Eu, que dancei com você no baile, que te enlacei nos braços, que fui para casa para dormir satisfeito e sonhar nossos sonhos lindos para te amar para sempre, por quê fui arrastado para onde essas crianças comem lixo e adoecem de lixo e de miséria e vivem com as moscas, os vermes, os ratos e as baratas das lixeiras do abandono? Serão mesmo crianças esses seres pequeninos que disputam restos apodrecidos de comida com os animais? Queria estar deitando a cabeça no meu travesseiro, olhando para o escuro e vendo o teu rosto, mas o mundo entrou-me olhos a dentro e não sei se voltarei a sentir o veludo de tua pele e os anéis dos teus cabelos nas minhas faces ou se serei arrastado para o horror da lixeira onde as criancinhas devoram restos apodrecidos e nojentos de comida. Não deixe que eu seja arrastado. Não deixe que eu perca o contato macio do teu corpo, o embalo da dança sensual ouvindo esta música romântica que nos acalenta os sonhos e nos embriaga os sentidos. Suportarei a ausência dos seus beijos e dos panos de suas saias roçando em minhas pernas, meu amor, enquanto esse caldo do lixo se derrama sobre mim como uma onda negra de lama fétida e asquerosa, tornando-me repugnante aos seus sonhos e aos seus olhos? Agüentarei tudo, as ofensas e as agressões mais brutais, a desonra e a indignidade, aceitarei que me sangrem os lábios e me rompam os tímpanos, permitirei que me ponham no escuro e me deixem com as baratas no chão frio e molhado das latrinas, que me agridam e me façam gritar de dor e de terror, que me estraçalhem e me salguem as feridas e me quebrem os ossos e me dependurem as carnes e me violentem e me enlouqueçam de tanto ódio e tanta barbaridade, mas não posso deixar de sentir o frêmito do seu corpo junto ao meu peito, despencando-me neste abismo sem fundo e sem volta. Nem assim volto atrás. Não conto nada. Digo-lhes que olhem para dentro das lixeiras e vejam essas crianças comendo lixo com as carinhas sujas de anjinhos de dentes pretos de cáries e dedinhos inchados de bichos-de-pé, os cabelinhos emplastados, carregados de piolhos, tão magrinhos. Ninguém vê isso? Ninguém cuida? Ninguém faz nada? Ah! meu amor, não paro de pensar em você; é o que me dá alento. Acho que apaguei. Tenho um intervalo de sossego. Mas não lhes conto nada, só vou lhes falar de você, do meu amor por você, da minha saudade de você; vou lhes falar, lhes empurrar pelos ouvidos a dentro, vou lhes contar das criancinhas da lixeira, enquanto da minha garganta puder sair algum som, enquanto da minha boca machucada puder sair, com os tufos de sangue, um fio de voz. É só o que vou lhes contar e eles vão comentar que eu sou duro, macho mesmo, e vão me respeitar, vão ter de me matar para não ouvir mais o que lhes digo e espero que você venha a saber, meu amor, que foi tudo o que eles ouviram da minha boca e nunca se esqueça de mim, do nosso baile, quando dançamos colados como se nada jamais pudesse nos separar, o coração batendo forte, as saias roçando nas minhas pernas…

RESOLVIDO O MISTÉRIO DAS VIGAS, DO AIRBUS, DOS VAGÕES DE TREM E DO CHAVEIRINHO

Ao saber da história de uma mulher que disse ter avistado um disco-voador na zona rural aqui mesmo da minha cidade, procurei informar-se a respeito e corri ao sítio onde ela mora antes que a notícia se espalhasse e repórteres de todo o mundo chegassem a ela antes de mim.

Aproximei-me bem cedo do sítio e fui recebido na porteira pelo seu Onofre, marido de dona Zulmira, que me levou até à casa.

No caminho, perguntei-lhe se ele também tinha avistado o OVNI e ele me disse sei lá o que é isso e foi se afastando, enquanto dona Zulmira me mandava sentar no alpendre e me oferecia um cafezinho.

Já sentados, perguntei-lhe diretamente:

– Dona Zulmira, é verdade que a senhora viu um UFO?

– Ufa, meu fi, o que é isso?

– Ufa não, dona Zulmira, UFO – Unknow Flying Object.

– Qué isso, meu fi, palavrão aqui em casa nóis num adimete não.

– Não, dona Zulmira, é Inglês. Quer dizer disco-voador.

– Ah, então tá. Vou lhe contar. Eu estava sentada aqui mesmo, Onofre tava na roça, mei da tarde, de repente aquele negócio vei voando, grandão demais, parou na minha frente. Eu fiquei quetinha, não mexia um musco. Aí desceu uns home esquisito, disseram que vinham de outro praneta para fazer uma tar de pesquisa e queriam saber um montão de coisa, meu nome, idade, o que que a gente comia, se tinha televisão, rádio, enceradeira, máquina de lavar roupa, quantos fi, do que que a gente gosta de fazê, qual o time que troce e mais um montão de pregunta.

– Era muito grande, dona Zulmira?

– Enoooooorrrrmeee! Maió do que aquele campo de futebó que o senhor ta vendo ali na frente, umas duas veiz.

– E eles não quiseram levar a senhora com eles?

– Que nada! Eles queriam era deixar umas coisa guardada aqui no sítio.

– E deixaram?

– Deixaro, ta lá atrás. Disseram que era para ficar guardado uns tempo que adispois eles evinha buscá.

Nessa altura, fiquei muito curioso e pedi para ver. Quando cheguei lá no descampado atrás da casa quase caí para de costas!

Lá estavam, empilhadas, as seis vigas de quarenta metros de comprimento, pesando cada uma vinte toneladas, que sumiram da demolição da avenida Perimetral, no Rio de Janeiro há três anos e que ninguém viu serem retiradas do local.

Mas havia algo tão ou mais impressionante ainda, ao lado das vigas: – Um avião!

Mas não era um aviãozinho comum, tipo teto-teco, cesna, essas coisinhas; era um Airbus, enorme, desses que pesam cinqüenta toneladas e do tamanho de um edifício de treze andares. Logo me lembrei que, assim como as vigas desapareceram misteriosamente, sumiu também do Aeroporto de Cumbicas, em São Paulo, um avião desses, um Airbus, há poucos dias.

Só que o avião me atrapalhava a visão do que estava atrás dele! Cinqüenta e quatro vagões de trem! Aqueles que sumiram misteriosamente em 2014 no Rio de Janeiro!

Mal me recuperara do susto e dona Zulmira me chamou a atenção: – Ainda tem mais, seu moço!

Ela levou-me então para o galpão onde é estocado o milho e mostrou-me jogados em um canto vários sacos enormes cheios de dinheiro! Perguntei a ela o que era aquilo e ela explicou:

– Eles deixaram esses sacos lotadim de dinheiro, disseram que eram de uns amigos deles da Petrobras e que esses amigos deles viriam buscar assim que conseguissem “resolver uns probleminhas”. E aproveitaram para avisar que eles mesmos voltariam daqui a uns dias para deixar guardada comigo também uma tar de plataforma de petróleo que eles estavam pensando em pegar.

Resolvi me despedir de dona Zulmira, agradeci o cafezinho e fiz a pergunta final, se eles tinham deixado mais alguma coisa e ela me respondeu:

– Deixaram sim, seu moço, deixaram esse chaveirim do Vasco – mas esse, disseram que era presente para mim.

Agora todo o mundo já sabe onde estão essas coisas e se sumir uma plataforma de petróleo nem é preciso adivinhar quem foi que pegou.

E se alguém deu por falta de um chaveirinho do Vasco…

CHAVEIRO

PATA DE ELEFANTE

Era hora do almoço, ou do café da manhã, já nem me lembro mais. Só sei que estavam todos à mesa e que os talheres tilintavam. De repente, ele, ainda uma criança, levantou-se e passou a mão aberta pelo ar, agilmente, como quem pega um mosquito em pleno vôo. O punho fechado, chegou-o bem junto ao rosto. Aproximou a mão do ouvido e franziu o cenho, atentamente. Com o dedo indicador da outra mão puxou, cuidadosamente, o fura-bolo, com expressão muito séria; em seguida, puxou o pai-de-todos, mas não chegou a abri-lo completamente. Assustado, como que com medo de deixar escapar sua presa, fechou a mão de novo, rapidamente. Todos olhavam para ele, curiosos. Fez-se silêncio profundo. Alguém perguntou-lhe o que havia pegado e ele respondeu, gravemente:pde

– Um elefante!

Subiu as escadas correndo e trancou-se no seu quarto, no segundo andar, de onde, a partir daí, vinham barulhos estranhos – gritos, risos, arrastações. Ninguém podia entrar. Ele saía poucas vezes, quieto, não falava com ninguém, mas mantinha sempre um riso bonito e um brilho nos olhos, de quem guarda um segredo e detém um mistério exclusivo. De dia, subia com pacotes; de noite, descia com outros, sempre furtivamente. A porta sempre trancada a sete chaves. Conseguiram segurá-lo algumas vezes para que algum médico o examinasse, mas todos disseram que não tinha cura. Levado a bruxos, médiuns, videntes, passaram-lhe poções, dedicaram-lhe trabalhos e orações, mandaram que tratasse de desenvolver seus dons, mas nada conseguiam; ele desvencilhava-se rapidamente e voltava correndo para o seu quarto. Lá de dentro vinham barulhos cada vez mais pesados, como se tudo estivesse sendo destruído. Em baixo, diziam perceber o teto balançar; e que, às vezes, a lâmpada pendurada pelo fio oscilava como um pêndulo. Arregalavam os olhos para cima. Assustavam-se com o barulho da porta se abrindo. Às vezes descia sujo, despenteado. Outras vezes vinha de banho tomado, a barba feita. Ele trancava a porta, passava, como se não fosse deste mundo, voltava, trancava-se. Os barulhos recomeçavam. Soltava altas gargalhadas, entre ruídos de pulos, corridas e tombos, arrastar de coisas, pancadas de objetos caindo. Por vezes, o silêncio da noite era cortado por gritos selvagens de elefante, vindos do seu quarto. Os embrulhos com que entrava e saía aumentavam de tamanho. Vinha com braçadas de mato, capim, galhos e folhas; voltava à rua com sacos de estopa cheios, que retornavam para casa vazios. Tentou-se espionar pelo buraco da fechadura, sempre tampado, e pela alta janela, trancada e vedada. Essas tentativas foram desestimuladas por baldes de água suja e fedorenta lançados sobre algumas cabeças. O cheiro que vinha do quarto atingiu níveis insuportáveis, repugnantes. De manhã bem cedo, quando o sol nascia no horizonte, começava o tum-tum-tum pesado e compassado, indo e vindo, que não deixava ninguém dormir mais.

Um dia, finalmente, quando ninguém mais suportava a estranha situação, resolveu-se pela adoção de providências drásticas. Não era só por eles; era mais pelo bem dele mesmo, que, quem sabe, poderia um dia voltar a ser normal, viver uma vida decente, de gente.

Ao ser interceptado na saída, manteve o olhar sereno de quem adivinhava que um dia iria acontecer e que seria inútil reagir. Apenas levantou a cabeça, pregou os olhos na porta do quarto trancado e deixou-se levar, com a sensação de nunca mais, as mãos agarradas nos seus braços, conduzindo-o, o rosto banhado em lágrimas, a família atrás, seguindo-o, todos cabisbaixos, os mais velhos segurando a aba dos chapéus com as duas mãos, como quem acompanha um enterro.

Quando a família retornou para casa, deixando-o internado no hospício, traziam a mesma imagem de tristeza de quando saíram, no dia anterior, para levá-lo. Havia aquele silêncio profundo, sentia-se aquele vazio por dentro, aquela impressão de adeus para sempre. Não tinha cura mesmo, não iria voltar.

Abriram a porta da casa e entraram, de cabeça baixa. Espalharam-se pelos assentos, quietos, os olhares perdidos, os olhos vermelhos, parecendo um velório.

De repente, o silêncio foi quebrado. Do alto, veio o barulho descomunal, de destruição, de raiva, de ódio, de coisas pesadas batendo, se arrastando, pulando e caindo, como nunca.

Quando o barulho chegou a um nível insuportável, todos, cheios de horror, com os olhos espantados, voltados para cima, viram o teto arrebentar-se com estrondo bem no centro da sala e dele brotar, entre destroços e uma nuvem de poeira, a gigantesca, fantástica, extraordinária pata do elefante.

REFLEXÕES SOBRE A VIDA

Dr. Goyambú Bigeyes

Reflexão 1

Os anglofônicos costumam bater no peito que eles falam a língua de Shakespeare, para eles o maior escritor de todos os tempos, no que, ao dizer isso, menosprezam Paulo, Coelho & outros bichos. Acham que o Inglês é o máximo e que podem transmitir os mais completos pensamentos através de sua fala esquisita.

Pois bem, eu faço-lhes um desafio, senhores gargantas: Antigamente, em minha saudosa juventude, quando um cheiro catingava no ar logo alguém exclamava, se fazendo de engraçadinho!

– Alguém peidaram!

E um outro respondia na bucha, mais engraçadinho ainda:

– Eu não fomos!

Pois, digam isso em Inglês, meus lordes!

Reflexão 2

Se o mundo fosse um moinho, como alega Cartola, a farinha seria de graça. No entanto, vá comprar no supermercado, para ver se um sujeito decente pode se alimentar de farinha de pau. Esta reflexão me leva a concluir que não são só os políticos que mentem, os músicos também.

Reflexão 3

Se os petistas realmente são burros, como se explica que a China está querendo importar todos os anos, do Brasil, antro dos petistas, um milhão de jegues? Repito, nesta reflexão profunda: – Um milhão de asnos! Para quem ainda não entendeu reflito de novo que os comunistas, aquele bilhão de gente que come cachorro, quer que a gente mande para lá um milhão de burros por ano! Pergunto: – Vai sobrar petista para nós? Como elegeremos Lula em 2018? Alguém desconfia de quem é que pode estar por trás disso? Deixo em aberto a reflexão.

Reflexão 4

O erro mais craço do Universo são as palavras que foram adotadas para significar as coisas. Como a nossa reforma ortográfica ainda não está completamente em vigor, seria mesmo o caso de aprofundar-se-la, o que eu, com minha autoridade na língua, poderia ser encarregado de fazer. Por exemplo, veja o termo “estressado”. Um indivíduo com excesso de encargos e responsabilidades, no dizer do nosso mau Português fica “estressado”. Se ao invés de “estressado” a palavra fosse “relaxado”, toda vez que uma pessoa estivesse assoberbada de trabalho e muitas outras coisas para fazer diríamos que esse ser está “relaxado”. É outra coisa! Assim, a vida poderia ser modificada pelo uso das palavras! Usaríamos “alegre” no lugar de “triste”. Desse modo, a pessoa que fosse demitida do emprego pela crise estabelecida pelo PT estaria “alegre” com a demissão, de modo que quantas pessoas mais fossem demitidas maior seria a alegria geral. Pensem nisso!

Reflexão 5

Esta será a derradeira reflexão do dia, porque tenho de escovar os dentes e depois sair para comprar pão. Trata-se do seguinte, que guarda uma certa relação com outras reflexões. Como todos sabem, antes de o nosso País ser descoberto, os pampianos, seja lá que o que seja pampiano, ninguém sabe mesmo, chamavam esta terra de Pindorama. É claro que isso não nos representaria nos dias de hoje perante as Nações Unidas, que quando a Dilma fosse fazer um discurso fosse anunciada a representante de Pindorama! Logo algum engraçadinho iria dizer que “lá vem coisa”… por mais inteligente, clara e articulada que fosse sua fala as pessoas ficariam de gozação. Dizem que pensando nisso, resolveram que como aqui dava muito pau brasil o País se chamaria Brasil. É claro que essa versão não convence, porque aqui dava muita banana também e nem por isso deram o nome de Banânia. E, felizmente, temos muito coco mas ninguém pensou em chamar de Cocolândia. Eu acho que foi mais uma questão mesmo de sonância, alguém falou que tava na hora de mudar o nome do lugar, um sugeriu, “aqui faz um calor danado, quem sabe, Brazol?” O outro falou “ou então Brazal”. Um terceiro emendou, “acho que Brasil soa melhor e além disso é com “esse”! E assim ficou, porque “Caniculândia” já tinha sido descartado de início.

Reflexão 6

Ops, foi mal! A mulher disse que eu estou precisando mesmo de escovar os dentes. E de comprar o pão. Necessariamente nessa ordem, segundo ela. Vou nessa. Outro dia voltarei com mais reflexões, porque eu penso muito.

A CONSTRUÇÃO DO DESTINO

No início pensei que estivesse sonhando. Aquela sala, aquele laboratório de imagens, sons, cores, nomes, datas, estatísticas, formando uma bagunça infernal, controlada atabalhoadamente por um número imenso de pessoas se atropelando, se descabelando, parecendo enlouquecidas, como se jogassem um jogo onde cada lance fosse de vida ou de morte, os olhos esbugalhados nas telas, nas quais se movimentavam pessoas, seres, coisas, numa sucessão alucinante, apertando botões, virando manivelas, gritando e torcendo, não, não podia ser real.

Por outro lado, eu tinha plena consciência de estar são, lúcido e acordado.

Às vezes, sonhando, imaginamos estar vivendo um momento verdadeiro. Mas, quando isso acontece, não passa de uma impressão fugaz, que logo se desvanece pelo despertar ou pela simples apreensão de que aquilo é mesmo um sonho. Porém, aquele momento, eu podia sentir, sem dúvida, que estava presenciando uma cena concreta, que estava vivendo dentro dela, embora o seu absurdo.

A passagem para aquela realidade foi estranha. Eu dirigia meu carro pela estrada, durante horas e horas. Anoiteceu. O tempo estava fechado, úmido, e às vezes chovia um pouco. Andei ameaçando cochilar, mas conseguia vencer o sono, na esperança de encontrar algum lugar onde pudesse descansar. Em um dado momento, tive uma impressão fora do comum. Olhei para o foco dos faróis, iluminando fracamente a estrada, e tive a sensação de não me encontrar mais no mundo concreto. É difícil de explicar isto. A estrada era a estrada. As árvores que a ladeavam também eram árvores. O breu da noite era a escuridão do mundo, mesmo. Mas, por dentro, eu sentia que aquilo que via não pertencia à mesma dimensão onde estivera segundos atrás.

Finalmente, encontrei um posto para encher o tanque do carro, repousar um pouco, fazer um lanche. Não conseguia tirar de meu íntimo aquela impressão de que havia transpassado uma parede entre dois mundos, embora tudo o que visse não fosse em nada diferente do que sempre conhecera. Apenas o som parecia algo mais reverberante? Os movimentos escorriam mais lentos e o tempo parecia palpável, pastoso? Quem sabe… Talvez não devesse ter dado aquela carona. Mas, afinal de contas, eu mesmo a ofereci.

Quando entrei no bar para lanchar, sentei-me a uma mesa onde já havia alguém, pois todas as outras estavam também ocupadas com duas ou mais pessoas. Puxei conversa, fiquei sabendo que o homem ia para a mesma direção que eu e que aguardava alguma condução. Não titubeei em propor que fosse comigo. Quando saímos pela estrada, já era dia claro, o sol brilhava intensamente por entre restos de bruma. A estrada continuava me impressionando de um modo estranho, como se não fosse a lugar nenhum. Quando vi a indicação de “Destino” a dois quilômetros, por uma estrada secundária, senti ímpeto de entrar nela e o declarei ao companheiro de viagem, que sorriu condescendentemente… enigmaticamente, eu diria melhor, agora que o tempo passou e tudo aconteceu.dmt

Dois quilômetros depois, chegamos ao local anunciado. Era surpreendente! Uma edificação perdia-se de vista para ambos os lados, com uma enorme porta bem à nossa frente. O homem que viajava comigo tomou a frente, como se me conduzisse. Quando entramos, a surpresa foi ainda maior. Tratava-se de uma sala imensa, repleta de mesas, de aparelhos e de pessoas sentadas trabalhando. Era aquele lugar maluco de que eu lhe falava. Meu companheiro, que pouco dissera até então, começou a apontar-me as coisas e a dar explicações. Ali era onde os destinos das pessoas eram traçados, passo a passo. Os trabalhadores não eram mais do que projetistas da vida de cada um. Nas telas, as pessoas cujas sinas eles traçavam apareciam focalizadas no momento exato daquelas ações, “ao vivo”, como diríamos em uma programação para televisão. Pois as coisas que cada pessoa fazia em cada uma das telas focalizadas, assim como todas as circunstâncias que as envolviam naquele momento, eram as ditadas pelas emissões mentais dos controladores de destino. Era como se eles estivessem escrevendo a história de cada um, letra por letra, palavra por palavra. Passei por uma, duas, dezenas de mesas, acompanhando o trabalho daquelas pessoas e vendo-as conduzir a vida de cada um como se fossem participantes de um teatro de marionetes. Qualquer dos passos dos protagonistas daquela encenação era dirigido como se a pessoa que o fazia fosse aquela que estava do lado de cá da tela, não ela própria. As palavras eram postas na boca de cada um, como quem lê um texto de uma peça teatral. Não conseguia conter meu espanto. Lembro-me que, atônito, perguntei ao meu guia se nada do que as pessoas faziam era de seu próprio arbítrio. Fiquei menos chocado ao saber que sim, que havia atitudes que ficavam fora do controle daqueles agentes. Disse-me que cada controlador regulava o destino de dezenas de pessoas e, portanto, tinha que desfocalizar, a cada momento, todas as demais para controlar o destino de uma. Assim, ia alternando. Ora controlava o destino de uma pessoa, ora o de outra, e assim por diante. Deste modo, no tempo em que uma pessoa estava desfocalizada, suas ações corriam por sua própria conta. As conseqüências dessas ações autônomas seriam tão importantes na seqüência do destino de cada um quanto marcantes, graves e determinantes fosse o seu cunho. No mais das vezes, dizia-me o guia, as ações autônomas eram de pouca importância e não carregavam repercussões de monta, enquanto, por outro lado, os controladores estavam sempre atentos para imprimir ao destino de cada um atitudes de grande importância, que deveriam repercutir extensamente em suas vidas. Em alguns casos, por pura coincidência, uma determinada atitude tomada livremente por alguém faria com que o restante da vida daquela pessoa seguisse tal ou qual rumo, contra ou a seu favor. Certas pessoas, continuava dizendo, parece que têm a capacidade de intuir isso e, literalmente, acabam tomando as rédeas do seu destino, aproveitando-se dessas folgas para reverter tudo para o rumo que pretendem tomar, para o caminho que querem seguir.

O barulho, à medida que nos aprofundávamos no salão sem fim, tornava-se ensurdecedor, especialmente porque muitos dos controladores ditavam os movimentos dos seus controlados em voz alta, aos berros, exagerando os gestos e expressões que queriam que fossem feitos e gritando as palavras que queriam que fossem ditas.

Pensei em quanto aquilo tudo era terrível. Quer dizer que nossos destinos eram realmente predeterminados e que não aproveitávamos os espaços vazios deixados por esse controle para direcionarmos nossas vidas? Entendi que bastaria, para tomarmos os nossos destinos em nossas próprias mãos, observar o rumo que as coisas estivessem tomando, a cada momento, para, caso aquele não fosse o sentido que desejássemos, irmos tentando, insistentemente, adotar atitudes que mudassem aquele caminho para outro que julgássemos mais conveniente, até o conseguirmos, isto é, até que ocorresse aquela falha do controle do destino, que volta e meia aconteceria, para que nossa persistência tivesse efeito.

Minha vida, a partir daí, poderia ser outra. Eu não voltaria a ser vítima permanente da fatalidade, como acontecia desde que me entendia por gente. Não. A partir de agora observaria atentamente o correr da carruagem. Quando as coisas não estivessem me agradando, simplesmente usaria uma bateria de atitudes para mudar o passo da minha própria vida, virá-la para cá ou para lá, segundo me aprouvesse.

Queria sair. Peguei o guia pelo braço e falei-lhe do meu interesse em ir embora o mais rápido possível, interromper minha viagem, voltar à minha cidade, pôr em prática os novos conhecimentos.

O guia sorriu amigavelmente. Apontou-me uma escrivaninha com uma tela, papéis, manuais, livros e inúmeros aparelhos, como todas as outras, e disse-me:

– O seu destino já está traçado. Esta é a sua mesa.

MAIS DE UM BRASIL DE GLBT

Acabo de ler, sobre as estimativas do número de “gays no mundo”, que há um estudo de abril de 2011 divulgado pelo Instituto Williams, ligado à Universidade da Califórnia (UCLA), nos EUA, especializado em estudos de orientação sexual e identidade de gênero, o qual apresenta pesquisas realizadas em diferentes países a esse respeito:

How Many People are Lesbian, Gay, Bisexual and Transgender?
(Gary J. Gates, Williams Distinguished Scholar , April 2011)

As informações incluem a análise dos dados de 5 pesquisas realizadas nos EUA entre 2005 e 2009, e de uma pesquisa em cada um dos seguintes países: Canadá (2005), Austrália (2005), Noruega (2010); e também no Reino Unido (2009-2010).btr

As análises das diferentes pesquisas para os EUA, resultam em: 3,5% dos adultos nos EUA identificam-se como gays, lésbicas e bissexuais, e 0,3% como transgêneros.

Nas outras pesquisas, a porcentagem de pessoas que se identificam como sendo gays, lésbicas e bissexuais, apresentaram os seguintes números: Canadá: 1,9%; Austrália: 2,1%; Noruega: 1,2% e para o Reino Unido: 1,5% .

Uma média aventureira, que somasse os resultados das pesquisas em cada um desses países, desconsiderasse que as pesquisas se referem a adultos (já que a projeção indicaria que as crianças que se tornassem adultos manteriam a proporção) e fizesse a divisão da soma pelos cinco países resultaria em uma média de 2,1 % homossexuais (gays, lésbicas e bissexuais) em cada população.

Se minhas contas estão certas, teremos por volta de 150 milhões de GLBT no mundo, três quartos da população do Brasil. Quem sabe fazer conta de cabeça, por favor, confira esses números.

E, como a população brasileira gira pelos duzentos milhões de pessoas, teremos aqui, salvo os muito enrustidos, uns quatro milhões e duzentos mil nesse grupo englobado como homossexuais.

Algo como duas Recifes e meia.

Poderia ser mais, se resolvêssemos tomar como parâmetro nossos irmãos norte-americanos, que chegaram ao resultado de 3,5% de desviados (desculpem o politicamente incorreto, mas não poderia perder a oportunidade de brincar com as palavras). Nesse caso teríamos no mundo duzentos e quarenta e cinco milhões de bibas.

Pense em um Brasil cuja população inteirinha fosse de mordedores de fronha e ainda sobrando quarenta e cinco milhões : dava (!) mais uma Argentina e um Uruguai juntos.

Podes imaginar, mas ao fazê-lo, por favor, me inclua fora disso: – Duzentos milhões menos um!


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