MINHA AVERSÃO ÀS BOAZINHAS

Eu tenho medo de várias pragas, mas a tal mulher carente é a pior delas. A mulher carente dá uma de boazinha e de coitadinha, mas, na verdade, é dissimulada que só vendo. A casada diz que está mal em casa, que o marido não lhe “procura”. Aí, sai apelando pra tudo o que é de homem. Desde que o mundo é mundo que a mulher usa o priquito para conseguir o que quer. E tem besta que se deixa seduzir, em vez de apenas comer. Tem mulher que não merece sequer uma ligação de pós-venda. É comer e dizer tchau. Homem também.

Tenho pânico das que fingem ser boazinhas para atingirem seus objetivos. Quengas falsas. Agora, tem tabacudo pra tudo, né? Até para aguentar as lamentações da moça sofrida. Cada Zé Mané que eu não sei não. Tem mulher que é bicho ardiloso. Faz de tudo para conseguir o que quer. Começa com vozinha de boa moça, termina com priquito. “ah, você paga para mim? Ah, não sei se tenho dinheiro… Ah, será que você poderia…Ah, você faria por mim?” Ah, vai tomar no cu. E tem homem que é burro, viu? Tem homem que merece ser enganado pela víbora que se finge de boazinha.

Gente é para ser de carne, osso, pescoço. As boazinhas são víboras que têm coração no rabo. Não há nada pior do que ver alguém dissimulado tentando dominar um besta que se sente culpado. É fácil identificar uma Madre Teresa fake: fala manso, faz biquinho, quer ser sua amiga e te lasca no final. Tenho é nojo! Eu sei é que boazinha de cu é rola. Quer dar uma de boa moça? Vá pra puta que a pariu. Vai te enforcar, Judas! Volte pro sal, bacalhau! De hoje em diante, é pé no bucho e mão na goela! Vai aperrear o trem, problemática!

O casamento tá ruim? Quer se separar? Dê o lavra, minha filha. Não fique por aí querendo que os outros tenham pena de você. Pena de cu é rola. Acho que deu para notar que estou levemente chateada com as moças frescas e fingidas. Agora estou aliviada.

ELE NÃO VAI SE SEPARAR, TÁ?

Eu não entendo por que quando a gente se apaixona o juízo vai embora da cabeça. Que o coração pule, que a mão gele, que a barriga esfrie e que as mãos fiquem trêmulas eu até entendo. Eu não entendo é como é que tem gente que se abestalha tanto a ponto de acreditar em 100% do que o outro diz. Eu não acredito em 100% nem do que eu digo, avalie do que os outros falam.

Pois bem, amiga próxima envolveu-se com homem casado e com filhos, caso clássico na literatura peni-vaginal. Nem gosto muito desses assuntos, pois, por conta de minha cornofobia aguda, temo de a traída ser sempre eu, mas, vamos levar em consideração que a moça se apaixonou verdadeiramente pelo boy de granja. Sim, era um boy de granja, pois não posso entender de outra maneira um homem que usa calça jeans, com cinto de fivela enorme, sapato bico fino e meia soquete. Eu não sou muito exigente de beleza não, viu, mas andar com alguém pronto para uma quadrilha junina é de lascar… Voltando, a doida surtou por conta de míseros 14 competentes centímetros do galináceo (já que o assunto é granja).

A bichinha chora, rapaz, chora de dar pena porque o danado prometeu que ia se separar e nunca o fez. O argumento é dos mais clássicos: está esperando a melhor hora. O patife disse outras obviedades só aceitas por um ser sem cérebro: “não gosto de minha mulher, estou com ela só por causa dos filhos, sequer transo com ela e durmo no quarto dos meninos.”

Será que ainda há anormal que crê nessas lendas? As histórias são todas iguais, meninas! Por que vocês acham que com vocês vai ser diferente? Mesmo que o Zé Buceta se apaixone, dificilmente, mas muito dificilmente ele deixará o lar-doce-lar. Sabe por que? Porque a sociedade os “perdoa” por ter amantes. Sair de casa para quê, se dá para ficar com as duas? Agora, vá você, mulher, querer fazer a mesma coisa! Vai ser taxada de prostigaliranha.

Amiga, prestenção! Arruma outros três para tirar o foco desse agroboy!

ATRAÇÕES TURÍSTICAS DO CARIRI

Brejo Santo, Porteiras, Crato e Juazeiro do Norte. Estive nessas cidades recentemente para fazer algumas colonoscopias especiais. Enquanto tanta gente quer ir para locais rústicos, eu prefiro o luxo e as atrações das cidades parecidas com minha Caruaru. É difícil fingir simplicidade quando se cresceu no bairro Salgado, com foie-gras e geléia de blueberry.

São inúmeras estações de esqui, campos de golfe climatizados, boates com montanha-russa, cinemas em 7D, além da Torre da Igreja, que serviu de inspiração para aquela torre na França cujo nome me some agora da memória, dada a sua ínfima importância. Para quem gosta de compras, uma boa opção é a Rua João Lucena e o Cariri Mall, com as badaladas marcas internacionais Rita´s, Kokotinha´s, Staile e as joalheirias Natampa e a H. Sperm. Todas essas grifes lançam suas coleções primeiramente para os cearenses para, só então, fornecer para a Louis Vuilton, Prada ou Chanel. Não deixe de comprar um legítimo casaco de pele de tamanduá, que podem ser vistos na 5ª Avenida de Brejo Santo.

As vinícolas mostram para o mundo o que o Cariri tem de melhor e são um dos pilares da economia da região: suas uvas finas produzem vinhos reconhecidos em todo o mundo. Destaque-se aqui o Padim Ciço Gran Cru. Não deixarei de trazer para casa uma garrafa do raríssimo Alencar Y Sampaio. Irei rever restaurantes marcados pelo Guia Michelin, com especialidades como cuscuz com prima-dona e tapioca de foie-gras, além de uma fruta pouco conhecida dos brasileiros, já que toda a produção se destina aos restaurantes italianos, o pequi. Do pequi se faz um óleo essencial à cozinha mediterrânea, já estudado pelo FDA como uma das melhores armas para se combater o colesterol. O pequi é um grande aliado de seu coração.

Os canions do Araripe mostram uma paisagem ainda intocada, daquelas em que só Franciso José (repórter nativo do Crato) consegue chegar. A Globo vai ter a única equipe a ficar frente a frente com uma espécime rara de felino, o gato-do-mato, encontrado apenas em Crato Falls. Do alto do Juazeiro Empire State, está a estátua de Padim Ciço, de onde se podem tirar as melhores fotos de viagem.

Gostou? Então visite o Cariri. Existe apenas o incômodo de entrar em fila de espera para a hospedagem, pois ficam permanentemente com taxa de ocupação 100% o Hilton, Palms Casino Resort, Ritz Carlton, Park-Hyatt e o Four Seasons. Se você não se incomodar com a extrema simplicidade, pode optar pelos mais populares Sheraton ou Sofitel.

VAMOS BRINCAR DE MÉDICO?

Não há nada mais pueril que uma boa brincadeira de médico.  Conhecer o seu corpo e o do outro faz parte de uma infância feliz e sem traumas. Proporciona, inclusive, que mulheres não se tornem queijudas, cheias de tabus, mas que valorizem seu corpo e saibam pra que servem alguns remédios. Obviamente que cresci querendo conhecer vários corpos e, como valorizo o conhecimento, sigo no constante aprendizado.

Meu primo Roberto Carlos (que não é o cantor e nem com ele não se parece), ganhou uma importada e cara cartela de apetrechos médicos e me chamou para fazer um exame. Tínhamos uns sete ou oito anos. Eu estava quieta na minha, mas o boyzinho quis cutucar onça com vara. Curta, claro.

“Lela, vamos brincar de médico?”, convidou-me o futuro cardiologista.

Estávamos sozinhos em casa. Isso porque a babá que tínhamos, uma preta retinta e sem dentes, não conseguia resistir à hora da siesta, com a televisão ligada no mais alto volume. Todos os dias, por volta das duas da tarde, com um calor de endoidecer o juízo, ela nos punha no quarto para dormir enquanto ia se esparramar em seu quarto também. Fechávamos os olhos e, quando a preta virava as costas, iniciávamos a brincadeira.

Ora eu era a médica, ora Betinho é quem vestia o jaleco. Eu perguntava: “O que você está sentindo?” E Betinho respondia: “Acho que estou com uma forte dor aqui embaixo da barriga”. Quando era ele o doutor, eu dizia: “Estou com dor no peito. Acho que é problema no coração”, falando em UTI, injeção e internamento. E nós nos examinávamos em demoradas consultas.

Certo dia, Tonha trouxe o filho Kleyton para brincar conosco e deu procedimento a seu ritual diário: colocou os três para dormir no quarto e foi dormir na cadeira da sala. Três minutinhos depois, o moreno, já estava dormindo. Ele tinha uns 12 anos, mas era baixinho, olhos claros e bonito, mas um tanto atarrancado. Resolvemos incluí-lo na brincadeira também.

Acordamos e perguntamos se ele queria brincar com a gente e fomos explicar as regras. Vesti a bata, peguei o estetoscópio e perguntei: ”O que você está sentindo?” E ele: “Acho que estou com caganeira”. Emudecemos, né, mas resolvemos ir em frente: Beto explicou: “Você tem que dizer que está com dor embaixo da barriga”.  Ele fez cara de entendimento, mas disse: “Estou com gastura na barriga”.

A gente ficou pensando no que diabos era gastura. Hoje, eu vejo em meus atendimentos o quão diferentes são as queixas de ricos e pobres. Enquanto os primeiros têm sensações mais refinadas, como mal-estar, doença do refluxo gastro-esofágico, cefaléia, infecção inestinal e depressão, os menos informados são mais simples e diretos. Para aquelas mesmas queixas acima, eles dizem simplesmente: gastura, gastura na barriga, agonia na cabeça, agonia no bucho e agonia no juízo.

Voltemos ao trio da questão. Eu já estava agoniada com o bichinho burro e disse que não queria mais brincar. Beto realmente estava a fim de me ver examinando aquele paciente e disse para ele pedir que colocasse o escutador abaixo na barriga dele. E o fi de uma égua disparou:

“Ah, já sei! Estou com uma agonia na rola, inzamina aqui” e abaixou o calção feliz da vida. Tomei um susto, pois até então só conhecia pitocas, mas aquilo lá era algo descomunal. Olhei para a pinta, olhei para Beto e ele me disse: “Vai, examina, doutora Lela!!!!!”. E eu comecei a chorar, chamei a preta e disse que o filho dela tava mostrando a pitoca para mim. O coitado apanhou tanto que nem sei como ficou vivo.

11 dezembro 2010 A COLUNA DE HELLEN QUIRINO

EU QUERO PICA NO MEU CENTRAL, MAS A PICA É DOS AFLITOS

Soube esta tarde que o Náutico vai contratar o jogador Pica para a equipe. Pois é, quem pensa que a Barbie gosta do Ken tá enganado. Ela quer mesmo é Pica. Para um time que já teve Kuki, levar Pica para os Aflitos não é uma ideia tão esdrúxula. Aliás, poderia ser até uma campanha solidária: Vamos levar Pica para os Aflitos.

Eu mesma gostei e estou até querendo criar um fã-clube de Pica. Eu sou da Patativa, mas irei onde Pica estiver. Fiquei imaginando a narração de um jogo: Pica vai pra frente, Pica entra com bola e tudo, Pica tá no chão, Pica está muito atrás, Pica fazendo cera, Vai, Pica, entra com bola e tudo!. E as manchetes dos jornais? Pica acaba com o Sport, Pica cai mas levanta, Pica enfia três tentos no Santa, Pica leva torcida ao delírio…

E Será que os jornalistas vão querer entrevistar Pica? Pica no Bom Dia PE, Pica em Graça Araújo, Pica em Geraldo Freire e Pica em Luiz Berto também! Ele vai até servir para criar eufemismos. Quando uma queijuda estiver no auge do desespero, a gente vai poder dizer que ela está sentindo falta do jogador do Náutico. Ou seja, falta de Pica.

E continuo atrás de um amor que fica…

23 novembro 2010 A COLUNA DE HELLEN QUIRINO

MACHOS MACHISTAS E SEUS SACOS ARRIADOS

Esta semana li um artigo de Lya Luft em que ela se estarrecia com um taxista que dizia, entre tantas absurdidades, que todo homem precisa ter um namorinho fora, mas que a mulher de casa, “a boazinha, limpinha e que cuida das crianças” será sempre a preferida. Antes de mais nada, forneça o rugoso, macho imbecil. Aí, comecei a analisar as opiniões machistas e me lembrei de um namorado que tive uns meses atrás, a pessoa mais vaidosa (e afrangalhada) que conheci até hoje. Érico era seu nome. Ovo na meia era seu apelido.

Érico notava cada nova ruga que saía em mim, sem falar os cabelos brancos e celulites. Todo dia tinha um comentário besta sobre beleza que eu deixava passar porque achava imbecilidade pura, pois o resto dele prestava. Com o lado machista (de buscar controlar meus horários, entre outras vãs tentativas de cercear minha livre personalidade) também não me importava, posto que só fazia eu o que queria eu.

Apesar da neurose com a estética, o cidadão, não era exatamente um exemplo de lindeza, era desprovido de beleza, bonitinho de longe, fraco de feição o moço. E entre alguns defeitinhos que ele tinha, o mais notável era o saco. Ele não tinha o caimento apropriado para a idade. Sei e sinto na pele que tudo cai com o passar dos anos. Mas o saco de Érico era algo fora do normal. A bolsa escrotal chegava a ser maior que seu pênis, mesmo em estado de alegria plena. E não era hidrocele nem varicocele não… Era sacão mesmo, parecia uma meia de seda com uma bolinha ferrança dentro.

Quando Érico estava de sunga, enganava as incautas com o volume total geral global. Mas, sunga abaixo, o saco ia abaixo também. Eu achei estranho, mas também não comentei. Mas um dia ele me pegou de ovo virado e veio falar de uma protuberância abdominal que se apresentava quando eu estava deitada nua, de lado.

Prestou não. Olhei para o infeliz e só disse isso: em vez de você se preocupar com meu bucho, vá fazer uma suspensão de escroto! Corte meio metro dessa porra pra ver se seu pinto aparece! Faça uma lipoaspiração de saco, jogue a pele fora, faça de tamborim. Aproveite tire seu pau do avesso, meu filho. Porque com essa fimose, vejo mais pele do que rola, a gente não sabe do que é couro, a gente não sabe o que é pica…

Érico vestiu a roupa e foi embora. Para sempre. Não entendo os homens.

.

ABRIR E-MAILS PODE CAUSAR DEPRESSÃO

Ontem à noite fui checar minha caixa postal e me deparei com um e-mail de alguém dizendo que tinha fotos comprometedoras minhas. Outra, dizia que meu nome foi comentado não sei onde. Tentei abrir, mas não vi foto alguma. Fiz de conta que não vi e continuei na lista: o Bradesco me envia um novo protocolo de segurança e que eu tenho que mudar minha senha urgentemente. Engraçado é que nem conta no Bradesco eu tenho, mas eu digitei uma senha assim mesmo. Na sequência, um site me prometia um remédio para enlarguecer o pênis. Como ainda não tenho o dito, encaminhei a informação para todos os amigos homens. Abaixo, lá vinha uma grande oferta de Viagra e Cialis, tudo pela metade do preço. Mandei também para a ala masculina.

O Tribunal de Justiça me mandou uma intimação, mas quando abri o link, era de um site com imagens de gays na intimidade. Adorei, mas precisava ler o restante de minha caixa postal. O Banco do Brasil também me informou gentilmente que roubaram a minha senha. Respondi agradecendo e explicando que minha conta é na Caixa Econômica, que deveria haver algum engano.

Por último, um site não sei das quantas me mandou uma previsão astrológica para meu signo: “Pedras poderão chover em seus turvos e úmidos pensamentos, ainda que não direcione explicações para suas constantes nebulosidades mórbidas. Mantenha-se calmo e confie na força infinita superior que nos marca a alma”. Como não acredito em porra nenhuma (e, nesse caso, não entendi bulhufas), mandei o remetente dirigir-se ao orifício central rugoso.

Acho que eles ficaram com raiva, pois meu notebook travou de vez.

.

22 setembro 2010 A COLUNA DE HELLEN QUIRINO

DIA DOS AMANTES

ddam

Hoje é dia dos amantes. Você, que já foi (ou é) uma, sabe o quanto é brilhante ter um homem apaixonado por você. Flores, joias, e-mails aguadinhos e mil presentes. A conquista e os primeiros três meses do relacionamento dos amantes são a melhor coisa do universo: ninguém trabalha direito, o telefone toca o tempo inteiro e almoço é só no motel. Aliás, nem almoça! Pra quê perder tempo com refeições? Bom mesmo é ficar agarrado. Passado os três meses, o distinto começa a falar dos filhos e a reclamar da esposa. Aí vem a desgraça. Um bom teletubbie diz: é hora de dar tchau!

Algumas mulheres tiram isso de letra, mudando ligeirinho de assunto e indo para a parte boa. Xô, problemas! Bora para o ralirrola? Mas as incautas são boazinhas, ficam querendo ajudar o indeciso, fazendo de penico as suas valiosas orelhinhas. Nós viemos aqui para dar uma ou para conversar? Atenção que essa pode ser a hora de sair de fininho…

Os casados são de lascar. Para conquistar, a maioria diz que tem problemas em casa, que está para se separar ou que a mulher é doente. Claro que dormem no quarto dos filhos, claro que sim… Moças, eles NÃO vão se separar. Contentem-se com o sexo! Se quiser mais do que isso, favor procurar um homem desocupado, que, por si só, já é uma complicação.

Fora isso, ser amante vale a pena. O homem fala mais doce, chama a gente de “meu amor”, “coração”, “tesouro”. E a gente nem precisa partilhar das indesejáveis intimidades, não escuta o Zé Mané reclamar das contas, dos filhos, do emprego e outras partes ruins do porco que acompanham a salsicha.

Feliz dia dos amantes para todos.

.

19 setembro 2010 A COLUNA DE HELLEN QUIRINO

EU E EU MESMA

Tenho andado especialmente triste. Não me diagnostiquem como depressiva. Primeiro, porque vocês não são médicos, mas artistas. E dos bons. Segundo, porque sou alguém que cuida da saúde e que já teve essa maldita doença quando me foram rompidos alguns laços afetivos. Se você disser que é a crise dos 40 e poucos, talvez eu acredite. Meu corpo passa por mudanças e, mesmo que eu as aceite, gostaria, sim, que ele fosse mais jovem. Vejo celulites, gorduras sobrando, cabelos embranquecendo, rugas e muito pouca firmeza na pele. Mas isso não é o mais grave. Passaria por isso sem problemas se eu tivesse mais certezas na vida. Os talvezes me consomem.

Sei que a graça da vida são as incertezas, mas muitas vezes eu me olho no espelho e vejo que o destino bem poderia ser mais gentil comigo. Imagino que muitos que me leem me analisam e se questionam se tive problemas na infância ou na adolescência. Sim, tive tudo isso e acho que muita gente os teve também. Não é mérito, nem demérito.  Muitas vezes nem sei se quando escrevo sou apenas uma personagem ou se meu outro ego (o que sente) é que é a invenção. Quem será a inventada? A que sente ou a que escreve?  Quem faz o papel de quem? Às vezes sou-me muitas e posso ser pouca coisa também. Sinto-me simples, mas para mim se voltam todas as complexidades da vida.

As tristezas que senti e sobretudo o sofrimento que vejo em alguns pacientes, especialmente as crianças,  meus não me permitem acreditar em deus. Não me recomendem, portanto, nenhuma oração. Um ser superior que tudo sabe, tudo vê e que está em todos os lugares não permitiria que uma menina de cinco anos fosse violentada pelo próprio pai. Sou ateísta e nem a esquizofrenia de Chico Xavier me fará mudar isso.

Nunca permiti que as sacanagens do destino me deixassem esmorecer. Sonhei desde criança em ser médica. E eis-me aqui olhando com orgulho para meu diploma, relembrando os muitos cursos, as especializações que fiz, pois jamais admitiria ter sido pouco. Sempre me quis grande. Jarra cheia para os terapeutas, eu fui traída, traí e nunca deixei de acreditar em amor para a vida toda. Ou, sendo mais modesta nos sonhos, em um amor de extremo respeito enquanto existirem os bons sentimentos.

Semana passada, li uma pesquisa que dizia que um novo amor separa dois amigos íntimos. Pode procurar no Google que está lá.  Acho que foi esse novo amor (ou que eu julguei que fosse amor) que me separou de meus mais íntimos amigos, os de todos mais importantes: o teclado, as letras, as frases, o parágrafo, o pensamento, a ideia, a lágrima, o riso. É escrevendo que consigo expurgar minha melancolia. Não me vejo escritora, apesar de ter a pretensão de um dia aprender alguma coisa, mas acho que procedi tal qual já assisti em alguns filmes: travei, travei e não conseguia escrever mais uma linha. O novo amor, o trabalho e a família, consumiam-me o tempo que deveria ser partilhado com aqueles amigos íntimos.

Foi tudo culpa minha. Sem meus textos, senti saudades do papa, da papisa, de Goiano, de Leo Lion, Gaião, de Neide, Jorge Filó, Zelito, Joãozinho Veiga, Cícero, Abílio, Zé Irlando e até do Zé Mané do Maçaroca. Por onde andará Lux mãe de 2? Nunca mais li nada. E vi que a única coisa que me aproximava dessas pessoas era a escrita de meus sentimentos.

Não atribuo culpa ao meu noivo. Eu é que quis, mais uma vez, tentar. E vocês não podem imaginar o quanto penei. Quem é acostumado a ver a Hellen dona de seu nariz e mandando os idiotas dirigirem-se ao orifício central talvez não possa conceber uma mulher romântica, que gosta de receber flores e que passou por um verdadeiro périplo para ter este noivo. Briguei com amigos, enfrentei família preconceituosa, uma cunhada não comida, pus-me a ser artificialmente paciente com pessoas mimadas, vesti-me de forma diferente, sacrifiquei meu trabalho, fui a lugares que não queria, jantei com quem não tinha vontade… Fiz, enfim, tudo que uma mulher apaixonada faz, mas que eu já houvera estabelecido que nunca mais o faria.

Errei? Vocês vão me consolar dizendo que não. A paixão cegou meus olhos, ensinou um amigo meu, citando Maiakovski. Apenas o amei mais do que ele a mim.  Fiz poemas açucarados, compus músicas com rimas pobres, escrevi longos e-mails com declarações clichês, comprei-lhe presentes mais caros do que meu salário poderia pagar, passei o dia inteiro preparando jantares, cortei o cabelo, tirei sobras de mim com uma lipoaspiração, aumentei os peitos com silicone, passei a gostar de jazz e blues, quando minhas preferências eram MPB e forró. Alguém aí achou uma identidade? Meu nome completo é Hellen Quirino dos Santos.  Podem me devolver a mim mesma?

Hoje, eu me arrumei inteira para sair. Comprei roupas novas e fiz uma maquiagem especial. Aguardei um telefonema que nunca chegou. Telefonei e meu noivo nãos atendeu. Fui ao computador e lá estava um e-mail dele dizendo que apesar de gostar muito de mim, as minhas circunstâncias impediam o nosso relacionamento. E o blábláblá segue como em qualquer fim de caso. Tudo igual… Logo imaginei o que poderia ter sido as tais “circunstâncias”. Será que é porque não posso ter filhos? Ou porque não abro mão de meu trabalho? Será que é porque engordei três quilos? É tudo isso e não é nada disso. Ele acabou simplesmente porque não quis mais. Só isso. E eu não vou ficar insistindo. Para ficar com ele, a pena é muito pesada. E talvez ele não a valha. Acabou.

Todo sofrimento é um aprendizado, pois o que não nos mata, certamente nos ensina a viver. E o que posso lhes dizer com estes olhos molhados como vocês nunca viram é que o maior amor que devemos ter é o amor-próprio. E mais: os amores passam e as amizades ficam!

Minha pressão é 12/8; meu colesterol bom é elevadíssimo, uma raridade; o ruim é normal; não tenho problemas cardíacos; a glicose sempre esteve em ordem; não tenho alergia à farinha e nem a bode; tenho tudo no lugar. Estou pronta para recomeçar.

Estou de volta.

.

COMO DESCOBRIR SE VOCÊ ESTÁ SENDO TRAÍDA?

Aproveitando o escândalo de Sorocaba, das duas abestalhadas brigando por conta de um Zé Ruela, somando-se à minha crônica cornofobia, aqui vão algumas dicas sobre como descobrir se você está sendo traída. Recomendo que antes de ficar na neurose de virar agente secreto, melhor lembrar que chifre trocado dói menos. Quem procura acha, viu?

1 – Amor ao celular – O traidor tem uma paixão incrível pelo celular. Ele o conduz onde estiver. Tá na sala, leva o aparelho; vai pro banheiro, o celular vai junto; sai pra cozinha, coloca o danado no bolso. Isso porque a qualquer momento pode vir uma ligação inoportuna ou uma mensagem. Desconfie também se ele desliga o celular assim que chega em casa e se o alerta de mensagens é no modo silencioso.

2 – Celular desligado – Hoje não existe mais telefone fora da área de cobertura. Só acredite se for no elevador ou subsolos. Como ninguém passa muito tempo nesses locais, não há desculpa. O celular tava no bolso e não pegou???? Pode não, é mentira! E se ele alega que estava descarregado, por que não pediu emprestado?

3 – Ligações apagadas – Você pega o celular dele e não há ligações recentes e nem mensagens? Ele está apagando os rastros.

4 –Cuecas novas – homens não ligam muito para roupas íntimas, diferente das mulheres, que se desdobram para agradar em lingeries. Se antes ele não se incomodava com as cuecas furadas, folgadas e agora se esforça em tê-las impecáveis, olho aberto.

5 – Perfumes – Pelo mesmo motivo acima. Na verdade, mudanças de comportamento em geral, indicam alguma mudança pessoal. Se ele nunca usou perfume e agora só sai após um banho de cheiro e até chegou a comprar um vidrinho, olhe bem para sua testa à procura de algum adorno.

Clique aqui e leia este artigo completo »

HELLEN NA COZINHA

Nada contra as donas de casa, mas para minha pessoa isso não dá certo. Entre preparar um jantar para o ser amado e fazer uma simples ligação para o delivery, vou ficando com a segunda opção. Hoje, quase não acreditei quando Bóris me liga dizendo que está no Recife e quer que eu prepare esta receita,”facinha” para ele

Minifritatta

- 5 ovos
- 1 tomate sem sementes
- 2 colheres de sopa de requeijão
- 1/2 mandioquinha ralada
- 1 pacote pequeno de cogumelos (paris ou shimeji)
- 1/2 xícara de leite integral
- sal a gosto
- pimenta do reino

Pique os tomates e os cogumelos em minúsculos pedaços. Em uma tigela,misture todos os ingredientes. Despeje nas forminhas de muffin untadas e
asse em fogo médio por cerca de 25 minutos, ou até as bordas dourarem. Sirva com saladinha.

Eu respondi o seguinte:

Bóris, você está me desconhecendo? Quem cozinha é você! Mas posso tentar a receita, sim, em consideração aos bons serviços por você prestados. Só que como só entendo coisas absolutas, tenho algumas dúvidas:

1 – Que tipo de ovo? Capoeira, codorna, branco, médio, com ômega 3…. Qual?
2 – Como quebra um ovo? É preciso lavar antes?
3 – Qual é mesmo a colher de sopa?
4 – Como tira as sementes do tomate?
5 – O que é mandioquinha? É uma macaxeirazinha?
6 – Onde compro a mandioquinha?
7 – Xícara de cafezinho ou de café grande?
8 – O que é sal a gosto? A gosto de quem?
9 – A pimenta do reino é para ser moída, cozida, crua?
10 – Minúsculos pedaços têm que tamanho?
11 – Que tigela? Que tamanho?
12 – O que são forminhas de muffin?
13 – Aliás, o que é muffin?
14 – Você mandou servir com saladinha. Como faz essa saladinha?

 

TÁ DIFÍCIL ACHAR HOMEM!

Com essa moda dos homens saírem da caixa, estou um tanto quanto receosa com minhas quase paixões. Como se já não bastasse o Adroaldo, que apenas queria me mostrar os jardins da babilônia (e eu a fim de ver o tronco), agora me aparece outro ser, digamos, “romântico”.

Trata-se de um gringo belíssimo. Minha idade ou um pouquinho mais, loirinho de olho verde, quase um metro e noventa de boniteza e ainda aquele sotaque franco-lusitano que está fazendo minha imaginação viajar no catchup. O problema é: já faz um mês que a gente está na paquera e não sai das conversas virtuais. Outro dia, ele me mostrou foto da cadela Zetta e, ontem à noite foi pior: me mostrou a foto da mãe. Ele passa horas na internet e no telefone comigo, falando de seus assuntos pessoais, do quanto ele ama o Brasil e também da saudade que tem de Paris. Nunca vi homem nenhum dizer que tem saudade de Paris, mesmo que tenha.

Quando eu digo que o mundo está gay, dizem que generalizo demais. Mas, sério: um quarentão me mostrar foto da mãe foi de lascar. Pior é que ele só se despede de mim ao telefone dizendo “beijo-beijo”. Putz, dizer duas vezes a mesma palavra é um autêntico sinal de boiolagem. Eu sei que cada um tem o direito de dar o seu, mas dá para me avisar, antes, para eu não perder tempo? Já tenho amigos o suficiente e não tô a fim de ser terapeuta de seu ninguém… 

Acho que o mundo não está sendo legal com as  quarentonas.

 

A ARTE DE COMER

Aproveitando que vem aí o Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, vou encabeçar uma campanha em favor do cu, já que nesse dia ninguém vai poder usufruir da cara preta. A regra será oferecer o marquês de rabicó, fazer as coisas de trás para frente, andar de ré. Vocês já seguiram meus conselhos? Sem querer me gabar, vão por mim: dar a bunda é bom! Largue de preconceitos, seja homem ou mulher, vamos todos oferecer o redondo, viver na paz, dar sem olhar a quem…

Outro dia, pensei em fundar o DCA – Dadores de Cu Assumidos, mas vi que o problema maior não está em quem oferece, mas em quem tenta aceitar a oferta. Resolvi, então, escrever um livro cujo título já foi escolhido: Enrabation, com o objetivo de ajudar os ignorantes no assunto. É que nem todo homem domina a arte de comer um cu. Vai na ignorância, sem amor, sem açúcar, sem afeto, tira de nós todas as preguinhas e a coisa não pode ser assim. 

Para enrabar, é preciso muito mais que um pau bem duro. É preciso ser cusófilo, culogista e culólatra. Para enrabar, meus caros, é preciso amor, muito amor ao trunfo que todos temos e poucos usamos com essa prazerosa finalidade. Vá devagar, sinta o ambiente, deixe os músculos cunianos irem se adaptando ao tamanho de seu instrumento, não vá com muita sede ao pote, pois o pote é de barro. 

Tenha paciência. Se (você) não deu certo uma vez, tente outra vez. Lembre que você é brasileiro e não desiste nunca. Cada dia, você entra um pouquinho mais e, quando perceber, já estará analmente dentro e pulsante. Se “em se plantando, tudo dá”, “em se amando, todos dão”. Por isso, faço fé no ditado popular: com cuspe e jeito, se enraba qualquer sujeito.

 

QUEIJUDO, TABARÉU E BOITABACO

Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. Começo este texto com um trecho da música de meu amante, Chico Buarque. Minha sogra, aliás, faleceu ontem e nem sei como irei consolá-lo. Mas queria recomeçar meus textos no Besta Fubana falando de mulher. Por que caralhos a mulher gosta de retomar assuntos que já foram resolvidos? Por que uma pessoa não pode, simplesmente, deletar, apagar, esquecer um  assunto que já foi discutido 500 vezes? Eu não tenho paciência. Nem pra amigos, nem pra macho nenhum. Para mim, se o prego tá batido, a ponta tá virada.

Pois hoje estou emimesmada, pensando num feladaputa que, vez por outra, pergunta por que não fui ao casamento dele. Ele já tem dois anos de casado, mas eu devo ser uma pessoa de extrema importância, viu? É cobrança em cima de cobrança. Cansei do moço e disse: o que você quer que eu diga ou faça para nunca mais tocar nesse assunto? Eu não fui pra porra do seu casamento porque tava com coceira no furico e também porque peguei um DVD bom na locadora.  Dá para deixar de ser queijudo, tabaréu e boitabaco?

Acho que o moço não vai mais me cobrar nada. Quer coisa pior na vida do que ter gente que fica feito pulga de cós aperreando a vida da gente? Resolvido o assunto do Zé Ruela, volto a meu Chico, pois hoje estou me sentindo como quem partiu ou morreu. Vou interpretar como um renascimento, meu renascimento aqui nesse pardieiro. Mas, na boa, vocês acham que dar a bunda dói ou arde? É bom, amigos! É bom!

 

8 fevereiro 2010 A COLUNA DE HELLEN QUIRINO

Á MULHER MAL AMADA

Todos conhecemos pelo menos uma e bem de pertinho, um perto que beira o perigo. Pior é que toda família sempre tem como castigo um ser detestável que perfeitamente encarna um papel de gente que é de mal com a vida, que põe defeito em tudo, que resmunga por qualquer coisa. Normalmente é uma tia velha, uma cunhada ou, no ambiente de trabalho, é a própria chefe. O estereótipo vale para os homens também (falta de amor não escolhe gênero), mas aqui vou me ater a falar do universo feminino. Por experiência próxima.

Acho que posso afirmar que conheço bem o poder rolífero. E também a falta dele. Isto posto, veja se não estou certa: o que falta para a mulher ranzinha é cilindro, jeba, maranhão.  Não que o cone mágico seja a solução de todos os problemas, mas bem que um bom sexo nos faz esquecer as agruras do dia a dia. Há soluções paliativas, mas as mal-amadas torcem o nariz e ficam sem rola e sem orgasmo. Gente, vibrador é ótimo, é quase um pênis genérico, é como Nescau: energia que dá gosto! Toda mulher deve ter um para chamar de seu.

Toquei no assunto por conta deste final de semana, em que um réptil rastejante veio com sua língua bipartida para a minha pessoa. Uma pena o Instituto Butantã ficar tão longe do Recife. O brinquedinho do cão disparou tanto veneno que atingiu também quem ela não queria.Tsc, tsc, tsc, a tabacalesa inda levou um rela público. Sou da turma do deixa-disso e, por isso, nem quero mais desperdiçar energia com a “sem-rola”. Mas também vou ficar na distância com meu antiofídico e quando a Pomba-Gira falsamente me chamar de amiga, eu vou dizer que amiga de cu é rola!

 

O RISCO QUE CORRE O PAU CORRE A RACHADA 2

Não sou de ver novelas (por falta de tempo), mas ontem assisti um pedaço de Viver a Vida, uma cena emi que o gosotão da história, o Marcos (Zé Mayer), tava esganando Giovana Antonelli (não sei a personagem), dizendo que ela não iria acabar com o casamento dele. Fui perguntar como era a história e descobri ser um retrato do que muitos homens fazem por aí: traem a vida toda, mas são ciumentos, ostentam a fidelidade no casamento e dão em cima de tudo o que vestir saias. E, ainda assim, não querem ameaçar seus casamentos.

Aí, tem um tal Thiago Lacerda na história, né? O homem cuja masculinidade de beleza dá um banho no Zé Ruela do Zé Mayer. É esse Thiaguinho da Mamãe, a coisa fofa que vai comer a mulher de Zé Mayer, Thaís Araújo. Isso se a hipocrisia da televisão deixar, né? Porque o normal é a mulher aparecer com a imagem imaculada de coitadinha. Vez por outra aparece uma Norminha, mas já notaram que é sempre um papel de doidinha e de má? O Zé Ruela do Zé Mayer não é malvado. É APENAS safado. E homem pode né?

Pode um caralho. Na boa, vamos acordar para a realidade! Porque tem homem que quer ser o dono do mundo e controlador de tudo? O que acho engraçado é que são esses que terminam no fundo do poço quando levam meio dedinho de chifre. Gente, antes de atirar pedra no telhado do vizinho, veja aí se o seu não é de vidro. Portanto, não chame ninguém de corno sem ter certeza de que sua mulher está bem assistida afetivamente e sexualmente.  Homem que trai deve lembrar que sua mulher também tem desejos. E priquito.

 

30 novembro 2009 A COLUNA DE HELLEN QUIRINO

A FACA DA VAIDADE NÃO É CEGA!

Nunca fui exemplo de mulher vaidosa. Sempre briguei com os regulamentares três quilos excedentes de que a maioria dos humanos (especialmente as fêmeas) se queixam. E já que assim sou, ainda hoje não estou entendendo por que resolvi fazer a cirurgia que batizei de Robin Hood: aquela que tira dos ricos para dar aos pobres. Tirei das coxas para colocar na bunda, sequei os braços, a barriga, as costas… E o juízo foi junto também, pois coloquei alguns poucos mililitros no peito.

Resolvi me submeter às cânulas da vaidade quando cheguei à conclusão de que toda mulher quando começa a ficar sem variedades na manutenção preventiva e corretiva deve se submeter a uma revisão dos 100 quilômetros. A conta é simples: se para cada piroca que já acolhi em mim, eu atribuir uma média de 14 centímetros de comprimento; sabendo-se que a média semanal é de três pirocagens e que em cada uma dessas pirocagens o dito faz 100 movimentos de vaivém; levando-se em consideração também que, no arredondamento, já se passaram 100 rolas e minha carreira começou aos 21 anos, o resultado final me diz que já abriguei 414,96 quilômetros de mangueiras diversas. Colocando as pitocas uma atrás da outra, a partir do Marco Zero, no Recife, daria para passar de Arcoverde… QUE ORGULHO!

Ou eu me submetia à revisão gral ou ficaria mais difícil encontrar coisas boas no mercado. Fui, então, para o realinhamento, balanceamento, lanternagem e recauchutagem dos pneus. Marquei uma consulta com um colega chamado Maurício. Ele, aliás, bem se poderia chamar Gatício, dadas as suas virtudes em olhos, bocas, cabelo, corpo e todo o resto. O homem é cemporcentamente poderoso e nopontamente sedutor em seus prováveis 40 anos.

Quando falei de minhas queixas, ele disse: vamos ali para eu ver… Agora, bote reparo: eu nua e aquele homem me amolengando para dizer como eu ficaria depois da cirurgia. E ele olhava de longe e de perto como quem via uma massa mole a ser esculpida. Fiquei acanhada, mas a tirar pelas pacientes na sala de espera, eu até que não estava tão ruim. Mais dois dedos de intimidade e eu teria colocado aquele homem na maca para que ele fizesse os testes de antes e depois. Controlei-me.

Uma semana depois, lá estava eu internada. Antes da cirurgia, Gatício fez as tais marcas de canetas no meu corpo e eu me senti loteada em picanha, maminha, lombo e fraldinha. Quando cheguei à sala de cirurgia, lá estavam Zé Mota e Inês na anestesia. Eu também conhecia o instrumentador e as enfermeiras. Era fato: meu rabo ia virar comentário no hospital. Mas, como dizia o filósofo, o que é um flato para quem já está todo borrado?

 

Clique aqui e leia este artigo completo »

LIMPANDO O GUARDA-ROUPA E A VIDA

Tirando a parte em que fico com o nariz igual ao da rena Rodolfo, por conta da rinite eterna, fazer a limpeza do guarda-roupa é uma das coisas mais interessantes da casa.  Fiz isso seguindo as orientações da personal stylist (sim, eu contratei os serviços de uma delas), que me disse que eu fazia a imagem perfeita de primeira-dama. Uma mistura de Carla Bruni e Renata Campos. 

E aqui, fazendo a rearrumação, estava pensando nessa história de primeira-dama e esposa: caso ou compro roupas novas? Não, não há nenhum pretendente em vista, mas até que idade eu vou aguentar viver só trabalhando e olhando o meu cardápio de homens? Não os quero tratar como objeto, mas é que grande parte dos que eu encontro só serve para isso mesmo. Com roupas, é mais fácil: se não servir mais, basta jogar fora., mas com o amor é complicado e aí, fucked the pussy´s Showlah (fudeu a tabaca de Showlah – esta xôla em questão é americana) 

Eu aqui, separando algumas coisas para dar e outras para remendar. e me lembrando de Onildo, um ex-namorado que eu nunca deveria ter conhecido. O único do qual me arrependo até hoje. Ele merece um texto à parte, mas o que eu penso sobre ele é: por que Carajos fui me envolver com um esquizofrênico? Da mesma forma pergunto: por que diabos comprei uma blusa amarela de cetim com mil babados? É a coisa mais horrível do mundo, devo ter usado uma ou duas vezes. LIXO! Bye, bye, esquizofrênico e roupa de palhaço.

Clique aqui e leia este artigo completo »

DESSA ÁGUA NÃO BEBEREI, ESSA COISA NÃO COMEREI MAIS

Às vezes me pego a pensar naquele ditadozinho de merda que diz que É MELHOR SE ARREPENDER DO QUE FEZ DO QUE ARREPENDER-SE DO QUE NÃO FOI FEITO. Que conversa… Pois eis que aqui me ponho a pensar emputecidamente em como caraio eu fui ficar com aquele mentecapto, energúmeno, calhorda, patife, aquele fariseu filho de uma égua… Estou falando do meu ex-marido, o Saulo.

Se eu já sei que não quero mais esse condenado, se já sei que o borogodó dele não é lá essa cajuína toda, que o Visconde nem é mais tão Sabugosa assim… Por que eu fui oferecer a Emília, o Narizinho e, pior, o Marquês de Rabicó para ele?

Principiemos do início: estava eu carente, sem a menor coragem para fazer qualquer esforço em olhar o meu cardápio (agenda telefônica) para solicitar uma FD, uma Foda Delivery. Mas sabe quando a mulher está, digamos… humm, digamos… NECESSITADA? Era eu: matando cachorro a grito, beliscando azulejo, viçando, piscando, com os lábios batendo palma. Não havia em mim, porém, qualquer resquício de vontade em resolver-me solitariamente, visto que uma tendinite de lascar acomete meu braço direito há anos. Também não estava a fim de tirar meu amigo vibrante da gaveta. Restou-me como opção mais fácil e rápida o prestativo ex-marido, que atua no esquema de: PRECISOU, TELEFONOU, CHEGOU!

Só que o cara tinha acabado de chegar do plantão de doze horas no Hospital da Restauração e, pela cara ensebada, não tinha tomado banho nem no dia anterior. Rapaz, em todo hospital que trabalho tem um banheiro decente para tomar banho. Não vou dizer que saio do plantão com maquiagem, mas asseada pode ter certeza que sim. Além do mais, acho que Saulo andou desleixado de si mesmo: o cabelo por cortar, a barba por fazer, gordinho, um bucho duro, a roupa era meio velha, amassada, a meia tava furada, a cueca tava rasgada. Tava tudo ruim naquela desgraça.

Clique aqui e leia este artigo completo »

ESTOU NO TWITTER

Pois é, fui na onda e agora também estou no Twitter, o microblog em que posso falar beeeem muito, mas sempre um pouquinho de cada vez.

É que, para cada postagem, são permitidos apenas 140 toques. Quem for prolixo tá ferrado. Quem quiser acessar o djábo, favor anotar:

www.twitter.com/hellenquirino.

 

POR QUE NUNCA FUI RAINHA DO MILHO?

Entre tantos traumas de infância que tenho na vida (quem não tem?), um  é o fato de nunca ter sido Rainha do Milho. No meu tempo de criança, lá em Caruaru, não tinha essa historinha de vender rifa e ganhar o título não… A Rainha do Milho era a mais bonita da série. E vocês devem fazer ideia do quanto isso é importante em Caruaru! Pois passei da primeira à quarta série ginasial aporrinhando o juízo da minha mãe porque nunca era escolhida para vestir a faixa, colocar a coroa e segurar o cetro…

Até que um dia minha mãe foi reclamar para o bispo. Chegou lá na escola e perguntou à diretora porque a filha dela tão linda nunca houvera sido convidada para ser o destaque da quadrilha. A diretora, que não estava ligando o nome à pessoa, pediu uma foto à minha mãe e ela mostrou esta abaixo:

 hhllqq

A diretora disse que eu era muito bonita, sim, mas as vagas para Rainha do Milho do Instituto de Educação Moderna de Caruaru já estavam encerradas até 2020. Outro dia desses, lá na minha terra, fui numa loja de aluguel de frangagens juninas e vesti a roupa, com coroa e tudo. Era um vestido verde de cetim e fiquei parecendo o Visconde de Sabugosa, misturado com a Princesa Fiona. Foi o máximo, mas ainda não superei essa rejeição. E até hoje não entendo o porquê.

Os óculos na foto acima não eram emprestados, eram meus mesmo. E eu também não estava fazendo careta para o click. Eu só enxergava por um olho. E mal. Aí, eu apertava o direito para focar o esquerdo, que era o que prestava. Apenas uma questão de foco. A boca ajudava a focar melhor… Até a oitava série, meu apelido era Silva, o personagem de Chico Anísio. Mas eu também não entendo a relação…
 
Pois é. Tá explicado por que gosto tanto de cetro, espiga e de coroa? Trauma de infância, meu filho… Trauma de infância…

O RISCO QUE CORRE O PAU CORRE A RACHADA

* RESPOSTA DE HELLEN QUIRINO AO TEXTO
“Entendendo definitivamente os homens. Uma visão real”, que vem circulando pela net.

“Foi lendo um monte de besteiras que as mulheres escrevem em livros sobre o ‘universo masculino’, que resolvi escrever esse e-mail. Não tenho objetivo de ‘revelar’ os segredos dos homens, mas amigos, me desculpem. Não se trata de quebrar nosso código de ética. Isso vai ajudar as mulheres a entenderem os homens e, enfim, pararem de tentar nos mudar com métodos ineficazes. Vou começar de sola. Se não estiver preparada nem continue a ler. E digo com segurança: o que escrevo aqui se aplica a 99,9% dos homens baianos e brasileiros (sem medo de errar).”

Vamos lá, não vou responder em tom de revanchismo e nem de feminismo. Mas, depois de ler o texto acima, que está circulando na internet, vi que alguns homens estão mais perdidos do que nunca. Consultei algumas amigas para fazer as considerações sobre o material e consegui opiniões bem uniformes que listo a seguir.

- VOU COMEÇAR DE SALTO: Homem tem código de ética? Engraçado, o melhor amigo do meu ex-namorado dá um mole danado pra cima de mim… Minhas amigas também contam coisas parecidas. Mas eles não notam nada, nem mesmo quando os companheiros olham descaradamente para o nosso decote. Tem artigo falando sobre isso nesse seu “código de ética?” Tem punição para quem cobiçar a mulher do próximo?

- CHIFRE MATEMÁTICO – O moço disse “com segurança” que 99,9% dos homens traem. Digamos que seja verdade e arredondemos para 100%, já que a margem de erro é ínfima. O censo de 2000 mostrou que quase 50% da população está casada (inclui os amancebados, amigados ou amasiados, como preferir). Vamos considerar que 60% da população é de mulheres e 40% é de homens (é mais ou menos isso). Se 30% das mulheres está casada, resta aos machões trair com os outros 30%. Logo, o raciocínio poderia ser que 40% da população do País (homens) está saindo com 30%. (mulheres não casadas). Homem a mais, não é? Então, levantamos algumas hipóteses: os homens estão traindo suas mulheres com outros homens e os homens estão traindo com mulheres casadas. Alow, uma delas pode ser a sua! E ela pode até ser eu!

Não existe homem fiel. Você já pode ter ouvido isso algumas vezes, mas afirmo com propriedade. Não é desabafo. É palavra de homem que conhece muitos homens e que conhecem, por sua vez, muitos homens. Nenhum homem é fiel, mas pode estar fiel, ou porque está apaixonado (algo que não dura muito tempo – no máximo alguns meses – nem se iluda) ou porque está cercado por todos os lados (veremos adiante que não adianta cercá-lo: isso vai se voltar contra você). A única exceção é o crente extremamente convicto. Se você quer um homem que seja fiel, procure um crente daqueles bitolados, mas agüente as outras conseqüências.

Clique aqui e leia este artigo completo »

EU COMIA SANDÁLIAS HAVAIANAS

Sabe o que é, eu sinto uma vontade ENORME de comer borracha, mas não uma borracha qualquer, dessas de apagar grafite. Sem insultos, meu apetite é exigente e requintado: o que me faz salivar a boca são as borrachas de pneus e sandálias havaianas (hummmmmm, nham, nham, nham). Só de pensar, o cheiro já invade meu cérebro e minhas papilas gustativas começam a funcionar, quase me deixando babar o teclado.

Bem, dizem que o problema é grave, chama-se perversão alimentar, mas nunca dei muita importância a isso. Quando era pequena (pequena mesmo, tá, tipo seis anos), ganhei um par das legítimas havaianas, das tradicionais azuis, novinhas, com aquele aroma… Não resisti: mordi a parte da frente e de trás e, em poucos minutos, meu novo calçado passava do número 30 para o 24. Hem-heim… Obviamente, joguei a culpa pro cachorro (danado!) e fiz toda a cena para ganhar novas havaianas, desta vez na cor amarela; queria ver se tinha outro sabor.

Não tinha. E o pior: desta feita, fui pega em flagrante, colocada no xilindró doméstico e, como se não bastasse, fui achincalhada por causa de um simples desejo. Não consigo esquecer, até hoje, meus companheiros de útero em coro: “comeu sandália!!! comeu sandália!!! comeu sandália!!!”. E o refrão: “EEEEEEEEEca”. Que eca que nada. O paladar foi até bem seletivo: as sandálias eram novas, não estavam sujas, unxenti. Depois disso, não comi mais sandálias (sério), mas passei a cheirar prazerosamente tudo o que é feito de borracha similar. Tive que me acostumar a usar Rider, sob a pena de ter que criar um cachorro para colocar a culpa. Hoje, erguendo-me sobre 40 anos, não posso passar na bendita seção de pneus do supermercado porque tenho que controlar a gana de cravar meus dentes nos redondos e sorver aquele aroma inesquecível. Ah, um adendo: também não é qualquer pneu. Daqueles carequinhas eu não gosto: só os bem cabeludinhos. Que foi? Vai dizer que não ficou com vontade?

AGORA EU TERMINEI MESMO

Terminei com Saulo e confesso que separação é de lascar, mesmo quando a gente não tá nem aí pro sujeito. Estou em casa no único objeto disponível para dormir deixado pelo energúmeno: um air-o-space remendado com fita isolante. Para quem não sabe, é aquele colchão de inflar que a gente usa pra acampar. Acho, inclusive, que o bicho tá vazando, pois tenho a impressão de estar mais próxima do chão. Não, não engordei, pelo contrário: estou quatro quilos mais gostosa, segundo meu Ludo.

Resolvi ficar apenas com ele. Sei que são 22 anos de diferença, mas, que importa? O que vale é o sentimento.  Minhas amigas dizem que só faço coisas pensando nele e que meu problema é falta de filho. Na verdade, ando mais vaidosa com a depilação e o emagrecimento, mas não tem nada a ver, faço por mim. Além do mais, a preocupação que tenho com ele é de namorada, não de mãe. Esse povo viaja demais.

É Ludo na porta, vou atender.

Ludo tá diferente…

Atendi ao meu mancebo na porta cheia de amor pra dar e ele estranhou a falta de mobiliário da casa. Expliquei que Saulo tinha levado tudo, mas que eu ficara com o apartamento. Eu o senti um tanto decepcionado, mas deve ser nóia minha. Mas o pior não foi isso….

Eu o esperei com uma calcinha especial que comprei no sex-shop, cheia de penugens na frente. Ele veio todo animado e quis tirá-la com a boca. Vocês não têm noção do que é uma criatura espirrar. E espirrava, e espirrava, e tossia, e cuspia pena…. Pense num desespero de vida. Ele mal falava e eu pensei: agora lascou foi tudo, o bicho tá com edema de glote. O que diabo é que eu fiz? Vou matar o menino… Como ele não tem plano de saúde, eu o mediquei eu mesma com broncodilatador e anti-alérgico.

Clique aqui e leia este artigo completo »

CHUPANDO O PAU DA BARRACA

Eu já aceitei a traição de Saulo, mas eu agora não estou mais conseguindo controlar meu ímpeto de pular a cerca. Não vou mentir: vingança tem um gosto bem bonzinho, melhor do que sarapatel com farinha. Ainda não me separei, mas resolvi chupar o pau da barraca e aviciei. Adotei o lema: É CANA, GRÉIA E GAIA! QUEM NÃO AGÜENTAR QUE SAIA!”  Não cheguei a me tornar a mais promíscua das mulheres, mas também não se pode dizer que não dei para quem quis. Deitei e rolei. No último final de semana, fui ao dentista (homem acredita em tudo) e resolvi chegar em casa só depois da meia-noite, pois queria juntar a fome com a vontade de comer..

Quase me acabo de tanto amar Alexandre Magno, nunca tinha visto tanta virilidade. Era um tal de joga pra cá, joga pra lá e não parava nunca. Com um nome desses, isso era o mínimo de poder que eu esperava do rapaz de olhos azulados e cabelo dourado que conheci ao acaso. Talvez, ele só tenha tido esse bom desempenho em virtude da garrafa de vinho que já estava contida no meu sangue.

Bem, cheguei em casa um tanto quanto zonza pelo vinho e pela luxúria. Eu cantarolava “eu não ponho a mão no fogo por ninguém pra não queimar e não quero andar na linha para o trem não me pegar!”. Consegui dar boa-noite ao porteiro, que não sei por que me avisou que meu marido estava em casa. Achei que ele ainda estivesse viajando ou quem sabe com a tribufu dos mares, a satanghost, a pestilência, mas também não fiquei preocupada, pois era mais uma lição para justificar o Código de Hamurábi: Olho por Olho, Dente por Dente. Subi o elevador e continuei: “mulher na linha o trem pega, o trem pega, o trem pega. Homem na linha o trem pega, o trem pega, o trem pega…”. Parei para me concentrar na dupla chave e fechadura, que dificilmente se encontram quando eu me emociono etilicamente. Quando finalmente consegui abrir a porta que girei o trinco, senti uma leve pressão e empurrei a porta com mais força. A partir daí, era o fim do mundo: panelas e mais panelas caíam umas em cima das outras pela sala, num barulho infernal, inacreditável numa casa. E me aparece o meu marido com cara de paisagem olhando pra uma cética mulher bêbada.

Clique aqui e leia este artigo completo »

CORTANDO O INÚTIL NO DIA DOS NAMORADOS

Cansei da diversidade peniana, acho que vou me separar. Tô com preguiça do meu marido, Saulo. Depois de tanto chifre que ele me meteu, ele nem se importa com minhas puladinhas de cerca. Puladinhas, não… Na verdade, tenho dado verdadeiros saltos ornamentais. De frente, de costa, com mortal e até o duplo carpado twist.

Sei que é errado descontar na mesma moeda, mas foi bom enquanto durou. Sabe que ele nem se importa mais? Chegou até a dizer que um homem sem chifres é um animal indefeso. Veja como são as coisas… Um amigo meu, companheiro de sina (vamos chama-lo de Jáquisson), que disse que sou cornófila e que eu jamais deixaria tal título. Mas a verdade é que a hellenzinha aqui não güenta mais esse macho em casa.

E pior: ele continua com a tribufu. E quando chega empestado com o perfume de feira dela (ou é Gellus ou é Gellato ou é Piment), minha bulimia vem à tona. Aliás, nem sei por que motivo ainda deixei que ele ficasse aqui em casa durante mais de um ano depois que descobri a traição. Queria fazê-lo sofrer e tava com medo de dividir o patrimônio, mas agora chega! Quero ficar com o apartamento, pois eu escolhi e decorei tudo. Ele que saia e leve o que quiser.

Além do mais, minha vida sentimental anda tão agitada quanto a função turbilhionamento da minha Brastemp (claro que tenho uma Brastemp). Eu mal tenho tempo para meus pacientes (como vocês sabem, sou médica generalista). Como trabalhar é essencial, tenho que cortar o inútil. Saulo mal me vê, mas me satisfaz nas horas vagas. Saio com Alexandre Magno para nosso barzinho favorito uma vez por semana (quintas), com direito a esticar para algo mais. Encontro virtualmente com Pedro duas vezes a cada sete dias (normalmente segundas ou quartas). O farmacêutico me encontra aos domingos. E Ludovicko vem marcando presença diariamente na minha cama, é mesmo que um ácaro, não desgruda nem a pau. Mesmo partindo do pressuposto que “lavou-tá-novo”, eu tô é de saco cheio dessa macharada toda.

Vou ficar só com Ludo que, como já deu pra perceber, ganhou meu coração maternal. Deve ser complexo de mãe, já que não tenho filhos. E eu que me importe…

VOU ACABAR ISSO HOJE!

COURO QUE ESTICA…

Estou de carro novo, um Livina, que já batizei de QUIRINA com o objetivo de nos tornarmos mais íntimas – eu e a veícula. Sim, esta é uma veícula, uma carra, uma automóvia, posto que é a primeira vez que tenho um carro mulher. Todos os outros foram homens: O Corsa, O Gol e O Idea. Se eu continuar na onda dos carros mulheres, posso chegar na BMW, na Merdeces e, quem sabe, na Ferrari. Pronto: CARRO CARO TEM GÊNERO FEMININO!

Elucubrações à parte, estou aqui telefonando para tudo o que é capotaria para colocar couro nos bancos e a maior diversão é quando o homem (sempre homem) atende e diz; Livinha? Livine? Não, querido, Livina, o lançamento da Nissan… Depois dizem que mulher é que não entende de carro… Adoro tirar umas ondinhas de leve…

Aí, liguei para um amigo de manutenção (sexual – preventiva e corretiva), que entende tudo sobre frangagens em carros, para que ele me indicasse que couro eu deveria colocar. São opções demais para quem não conhece do ramo. Com voz que era um misto de tarado da Sé e Cardinot, ele sussurra:

- Eu conheço um couro que cê vai adorar boneca!  E eu dou todinho pra você!

Saquei a patetice na hora e tasquei:

- Eu sei, mas… você entendeu bem? Não é para o banco do carrinho da Barbie… Preciso de algo maior…

E ele:

- Mas meu couro estica, baby!

E eu:

- Eu sei, meu bem, mas, mesmo todo esticadinho, não passa dos 14cm regulamentares. Acho que vou precisar de couro ecológico mesmo…

Ele riu e finalizou a conversa dizendo: esquece essa história de ecológico. Essas coisas de plástico não servem. Você mesma, prefere o natural ou o de plástico?????

CHUPA O QUÊ?

Segunda-feira modorrenta para um plantão e me chega um primo meu, Paulinho, que veio de São Bento do Una trazendo umas raspinhas de queijo para mim. Eita coisa boa… Já comeu?

Quando o matuto chegou, eu o convidei para tomar um sorvete aqui na lanchonete próxima. Eu já estava abrindo o freezer quando perguntei: e aí, vai querer o quê?

E ele: EU CHUPO O QUE TU CHUPAR…

Antes de rir, só consegui dizer: E É?!?!?!?!?!?

Eu fiquei imóvel. Não acreditei que Paulinho havia dito aquilo… Toda a lanchonete parou, acho que a rua, a Fusam, até a Conde da Boa Vista deve ter ouvido o matuto desconfiado falar besteira. Um negão (ops, afrodescendente) ao lado disparou:

HOMEM NÃO CHUPA, HOMEM LAMBE!

E Paulinho deu uma carreira maior do que as galinhas que ele bota nas raias da Corrida das Penosas lá de São Bento.

Saí de fininho, com Paulinho me fazendo jurar que eu nunca ia dizer isso a ninguém. ATENÇÃO SÃO BENTO DO UNA! PAULINHO CHUPA

O MESMO QUE EU CHUPO. No momento, um Magnum Branco, que deve ter umas duas mil calorias.

OBRIGAÇÕES PARA ANTES DOS 50

Em agosto deste ano, eu completarei 41 anos de existência. Não me telefonem, pois, desde que me senti mais para lá do que para cá, preferi comemorar meus aniversários emimesmada ou, se houver disponibilidade de algum amor-amigo, brincando de fazer menino.

Eu me lembrei do meu aniversário quando, vasculhando nas gavetas, encontrei uma lista antiga, relacionando tudo o que eu deveria fazer antes de chegar aos quarenta.

Vi que só consegui cumprir pouco mais da metade, mas gostaria de compartilhar com outras mulheres e me comprometer a cumprir tudo antes dos 50.


OBRIGAÇÕES PARA ANTES DOS 40

- Mapa astral para saber ascendente, descendente, condescendente e dissidente.

- Ter ido a uma jogadora de búzios, botadora de cartas ou um terreiro de umbanda

- Encarar a DP – Dupla Penetração

- Transar com um homem que acabou de conhecer

- Transar com um homem pelo menos 10 anos mais novo (pode ser esse que você acabou de conhecer)

- Transar com um homem pelo menos 10 anos mais velho

- Virar expert em pompoarismo, usando a teoria na prática

- Plantar uma árvore

- Escrever um livro (o papel pode vir da árvore que você plantou)

- Replantar uma árvore para ficar com créditos para um próximo livro

- Ter vivido a experiência de pelo menos um casamento

- Ter tocado em, pelo menos, 20 rolas diferentes

- Saber bem a diferença entre engolir e cuspir

- Ter chorado olhando para o espelho para ver se você fica bem chorando

- Ter feito SPA

- Fazer alguma frangagem como lipo ou plástica

- Ter experimentado ao menos dez tipos de dietas diferentes

- Assistir a um jogo do Santa Cruz e vê-lo vitorioso no Campeonato Brasileiro.

VOLTANDO À SUPERFÍCIE…

Quando digo que minha vida é mais ou menos, Joãozinho diz que mais ou menos é como cocô de jumento: mais ou menos quadrado e mais ou menos redondo… Pois eu estou achando tudo marromeno mermo, um saco essa minha vida de dar plantões e plantões, sem nunca mais ter sentido algo masculino próximo de mim… O mais masculino que tenho aqui é Severino Lôla, o Biu Lôla, mas ele não conta, é meu concorrente…

Hoje, minha amiga Sílvia disse que a maré está baixa para ela também. Não pega nem gripe! E olha que ela está magrinha, magrinha, fazendo a dieta da sopa: se der sopa, ela come! Fazer o quê, estou ficando velha e derrubada, deve ser…

Pra homem nunca tem tempo ruim! Qualquer desgraça que eles sejam, nunca ficam sozinhos. Meu irmão Heleno pega uma mulher diferente por semana. Se bem que a última parecia uma sabirila, que é uma mistura de sabiá com gorila. A bicha tinha perna fina e tórax gordo. O cão.

Melhor apostar na diversão solitária. Tenho um golfinho aqui em casa que é melhor do que muitos homens.  Em duas velocidades, eu uso quando quero e na hora que quero. Mulher gosta desses brinquedinhos porque quando está com dor de cabeça não precisa dar satisfações ao vitalício dono do sofá e do controle remoto. Sim, o resultado final é similar ou melhor…

Eu acho é que estou com saudades de Cid Ney… Tenho recusado suas ligações, mas não vou passar esse final de semana sem ele nem a pau!

SOBRE O EXAGERO: TUDO MUITO EM EXCESSO É POR DEMAIS DEMASIADO

Estou no Hospital e, dessa vez, não é trabalho. Eu estou internada com uma estafa gravíssima motivada sabe por quê? Excesso de Cid Ney no corpo. Passamos o feriadão no Rio de Janeiro e até estávamos namorando… Mas eu não tenho saúde para aguentar o tempo do moço não…

Vou-te, varei! Minha vida estava assim: cama – bolsa de gelo – cama – hipoglós – cama – banho de assento – e mais cama… Era todo dia nessa pisadinha de seis horas direto. Eu olhava pra Cid Ney e só via o Capitão Nascimento: PEDE PRA SAIR! PEDE PRA SAIR! PEDE PRA SAIR!

Pois eu pedi! Eu não quero mais saber de sexo tântrico nem a pau (nem sem). Oxente, eu sempre me achei a toda-poderosa, mas corri do pau, abri da parada… Nem conversar o camarada queria mais… Era só pêi, pêi, pêi!!!

Perdi três quilos de lá para cá, mal consegui trabalhar e estou escondida, com o celular desligado. Tomara que ele não me encontre!

CACHAÇA E ÁGUA DE ROSAS PARA CID NEY

Voltando ao Cid Ney, meu estado era de desesperança, convicta de que ia só ser muita conversa mesmo… Depois de tanta cachaça, meu filho, nem Jesus salva! Essa cobra não iria subir nem no encanto da flauta… Pois não é que Cid, Cidinho, Cidão (ainda não sei como lhe alcunhe – como acunhar já faço ideia), meu raquêro publistaru me faz uma proposta: “vamos andar na areia da praia, descalços sob o luar?”

Noççççççççça (o cedilha é para dizer que falei com a língua sibilando na arcada dental superior)…. E eu acostumada com: “vamos para um lugar onde possamos ficar mais à vontade?”.

Diferente da minha história com Percival, essa agora tinha um plus adicional a mais, havia algum envolvimento, nem sei. Mulé carente fica facinha, facinha. Quem me viu e quem me vê, né? Logo eu que sempre achei que o risco que corre o pau corre a rachada… Fiquei imaginando o tamanho e a cor do pinto de Cid Ney. Existe uma técnica para avaliar isso e nada tem a ver com o tamanho do pé ou do antebraço. É assim: pegue o seu dedo médio e estenda-o até onde puder, em direção à palma da mão… O tamanho do pênis é marromeno a distância entre o início do dedo e o ponto onde se conseguiu tocar. Pode medir que dá certo!

Aí, Cid Ney tem uma mão de Globetroters… Passeamos de mãos dadas e depois ele perguntou se eu queria ver um filme no seu flat. Eu, periguete confessa, com a totalidade de minhas mucosas hidratadas, nem precisava mais de preliminares. Disse-lhe: claro, podemos sim! E já fiquei pensando em filminho pornô.

Clique aqui e leia este artigo completo »

EU QUERO NAMORAR OU MULÉ CARENTE É FODA

Pense a urucubaca, nunca mais tinha pego ninguém, mas resolvi aderir ao hit do momento: “entrei na academia eu malhei-malhei… dei a volta por cima e apresenteeeei meu novo namoraduu…”  Na verdade, eu queria mesmo era namorar sério, pois, depois de Ludo, nunca mais alguém tinha tocado no lado esquerdo do meu peito (mulher carente é brega demais!). Daqui a pouco estarei escrevendo cartas de amor ridículas, como as denominou Fernando Pessoa: “todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas…”

Conheci no pilates um cara fantástico, conversa boa danada. Depois de muitas aulas juntos, ele me convida para jantar… Restaurante fino e o cara pede cachaça… Ah, não! Uma peste de um cearense fanático por Ypióca com caju? Mas eu tava perdoando tudo naquele dia… Depois dos desnecessários requintes de Percival, eu agora me punha à frente de um raqueiro. Sim, porque esse nem vaqueiro era. Ele falava assim: “ramo todo mundo correr de raquerrada?”

Mas o cabra era tchipo um sertanejo que ficou rico. Mesmo não tendo abandonado as raízes (dizia que as quatro melhores coisas da vida são bebida, bode, buchada e buceta) , o sujeito aprendeu coisas da cidade grande. Pois eis que eu lá estava, a pieguice em pessoa, mandando rajadas de coraçõezinhos para os olhos dele, suspirando por um sujeito que, antes mesmo da terceira dose de Ypióca com limão, já dizia que praticava Ioga (ele falava Iôga, né, que é pra quem é ninja da capa preta) e que já havia dado aulas de sexo tântrico.

Meu gin criando peixe, eu era só atenção aos detalhes do moço, já na fase da pré-paixão, doida pra me entregar de corpo e alma… Afe, daqui a pouco eu tô cantando as músicas de Fábio Júnior ou de José Augusto: “as metades da laranja, dois amantes, dois irmãos”. Mulher é fogo, por mais metida a cavalo do cão que seja, poderosa, dona de si, quer sempre dormir de conchinha, comer pipoca no cinema, andar de mãos dadas no shopping, tomar sorvete na roda gigante… Eita, aí eu exagerei, tomar sorvete na roda gigante nem no primeiro mês de namoro… Perdoem-me, é a fase carente.

Clique aqui e leia este artigo completo »

15 DICAS PARA DESCOBRIR SE VOCÊ ESTÁ SENDO TRAÍDA

Conversei com uma manada de cornas para montar um esquema básico de como descobrir a gaia. Chegamos à conclusão de que quem procura acha. É tudo empírico, mas você vai se ver em algumas situações abaixo. Se tiver mais dicas, faça a caridade de acrescentar.

1 – Amor ao celular – O traidor tem uma paixão incrível pelo celular. Ele o conduz onde estiver. Tá na sala, leva o aparelho; vai pro banheiro, o celular vai junto; sai pra cozinha, coloca o danado no bolso. Isso porque a qualquer momento pode vir uma ligação inoportuna ou uma mensagem. Desconfie também se ele desliga o celular assim que chega em casa e se o alerta de mensagens é no modo silencioso.

2 – Celular desligado – Hoje não existe mais telefone fora da área de cobertura. Só acredite se for no elevador, subsolo ou metrô. Como ninguém passa muito tempo nesses locais, não há desculpa. O celular tava no bolso e não pegou???? Pode não, é mentira! E se ele alega que estava descarregado, por que não pediu emprestado?

3 – Ligações apagadas – Você pega o celular dele e não há ligações recentes e nem mensagens? Ele está apagando os rastros.

4 –Cuecas novas – homens não ligam muito para roupas íntimas, diferente das mulheres, que se desdobram para agradar em lingeries. Se antes ele não se incomodava com as cuecas furadas, folgadas e agora se esforça em tê-las impecáveis, olho aberto.

Clique aqui e leia este artigo completo »

A SAGA DE UMA MULHER TRAÍDA

Casei-me cedo, aos 25 anos, com o meu segundo namorado. Não era virgem, mas tinha pouca experiência nas alcovas. Julgava que os dois tipos de pênis que conhecia fossem suficientes para categorizar os homens: era uma piroca grande e outra um pouco maior. Anos depois é que vi que, na verdade, tratava-se de uma pequena e outra pequena que só a porra.

Dez anos usando esta aliança que hoje penso em jogar na rua, eis que Saulo (o da rola menor) resolve adornar descaradamente a minha testa. Estudos cornológicos estabelecem que chifre é psicológico, algo que colocam na sua cabeça, mas que, necessariamente, não existe. Só passa a existir se outras pessoas souberem. Por exemplo, se ninguém tivesse conhecimento dessa minha protusão na testa, certamente, eu não levaria a fama. E se ninguém sabe, ninguém viu, é igual a Saci: NÃO EXISTE!

Vá lá que um homem sem chifres é um animal indefeso, mas se entregar à lascívia no interior do MEU carro foi demais… Foi aí que tudo mudou na minha vida, resolvi chupar o pau da barraca.

Antes que eu encontrasse algum resquício de luxúria no automóvel e destruísse o pobre inocente, resolvi trocá-lo E Marcela me ligou: “Hellen, é melhor você comprar um carro com teto solar”. Não entendi e perguntei o porquê. E ela (cretina, energúmena, mentecapta): “pra caberem os chifres, mulher”. Não teve graça, nunca mais terão graça piadas de corno. Ela foi além: “que tal juntarmos nossas amigas que estão com o mesmo problema e formamos um time de futebol? Ou melhor, de futebol não, pois os chifres vão furar a bola, melhor de boliche, que a bola já vem com furos”. Que ódio de Marcela! Se bem que o time é grande: Rodrigo Santoro, Gisele Bündchen, Ivete Sangalo, Lady Di e tantos outros que já foram para o paredão do chifre.

Por falar em paredão, fui almoçar outro dia e passei numa rua que tinha um muro com a seguinte composição “Mário é corno!” COM EXCLAMAÇÃO E TUDO. Chorei, sofri por Mário e fiquei imaginando que o autor da frase teria sido o amante, e que deveria morar naquela rua, e que ele deve fingir que não é com ele. E Mário deve pensar todos os dias em apagar aquilo, mas se o fizer, estará “se auto-denunciando-se-si-próprio”. Ser corno é ser hiperbólico. Deu vontade de subescrever lá no muro. E QUEM NÃO É?

Clique aqui e leia este artigo completo »

A HISTÓRIA DA TOALHA AZUL

Fomos a Toritama fazer um atendimento num posto. Eu, de coordenadora do Agreste (o must!), dois enfermeiros (Paulinho e César) e Hilton, o chefe geral em Pernambuco, vulgo a bala que matou kennedy, a curva que matou Senna, o cavalo do cão, a besta-fera, o todo-poderoso, o fuckbila, o tchôba, o tchongão…

Fomos fazer uma cirurgia rápida e nem nos preocupamos em levar outra roupa para trocar… Fomos saindo um por um da cirurgia, de acordo com a função… Hilton saiu primeiro, e, na hora em que eu tava jogando a bata no cesto, um baixinho Toritamense chamado Nelson disse: se quiser, pode ir lá na pousada e usar minha toalha azul, na primeira gaveta. Nem pestanejei: fui lá tomar uma boa ducha, pois pense que tava calor!!!!

Era muita pretensão minha! Quando abri a porta do cafofo de Nelson, a primeira imagem foi da bunda branca de Hilton! Murchinha, mas toda organizadinha, sem nenhuma pereba (ou seria curuba?)…

Clique aqui e leia este artigo completo »

É TOMAR VIAGRA E IR PRA CAMA

Minha mãe me ligou para saber qual o comprimido que dava mais sono. Preocupada com minha veinha, questionei: O  que você tem? E ela:

- Nada, mas se eu não estiver dormindo bem e fosse no médico, ele me receitaria o quê?

E eu: oxi, mainha, depende de qual for o seu problema, sua necessidade. Tome um suquinho de maracujá e marque uma consulta em Doutor Oscar Aglio. E a bicha insistindo:

- Sim, mas, só por curiosidade, diz o nome de um remédio aí bem forte para dormir, é para colocar nas palavras cruzadas!”

Eu disse: se for com oito letras pode ser DIAZEPAN. Cabe? E dona Hercília não parou:

- Mas quantos miligramas?

Oxente, mainha, e tem miligramas nas palavras cruzadas?

- Só por curiosidade, Hellen.

Clique aqui e leia este artigo completo »

TÉCNICAS PARA FAZER O VERSO

Minha irmã Helga me envia o seguinte e-mail:

Hellen, meu namorado veio com aquela conversinha de querer o lá detrás, se é que me entende… E tá num arrodeio danado, dizendo que mulheres boas de cama têm que ser completas, com todas as habilidades. Já tentei, juro que fiz de tudo, mas o negócio não entra. É uma dor insuportável. Aliás, só quem já experimentou dar a bunda é que sabe que a pior praga que se pode desejar a alguém é mandá-la tomar no cu. O que eu faço? Não quero perdê-lo!

Cada cu com seus problemas Não é qualquer mulher que faz frente e verso, só as ninjas da capa preta, filiadas à ADA – Associação das Dalcuístas Anônimas. Relaxe o períneo que, com um pouco de prática, você chega lá soltando fogos. Faça assim: comece com algo menor. Conhece falange, falanginha e falangeta? Então, cada dia avance uma etapa. Depois disso, vá se acostumando até colocar dois dedos. É uma preparação para a recepção peniana. Como dizia o poeta, a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.

Para evitar a dor, muita gente usa Xilocaína, mas o artifício é perigoso. Pode anestesiar geral e terminar em merda, ambiguamente falando. Lubrificante ajuda um bocado, mas o que conta mesmo é ter um homem que saiba entrar, pois quem vai com muita sede ao pote termina arrombando a cuia. Nas primeiras vezes, é preciso pedir licença, mas, com o tempo, será possível adentrar o recinto sem bater, uma vez que o negocinho já terá adquirido a venerável complacência. Mas tem o seguinte: não é qualquer bilau que consegue penetrar nas partes cudendas. O bicho tem que ser daquela marca paupracu®, em ponto de bala, tinindo, enviagrado, quebrando castanha. Se estiver meio bambo, esqueça porque nem a forquilha dará jeito.

Clique aqui e leia este artigo completo »

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM FISIOTERAPIA ANAL?

Resolvi procurar Percival novamente… Não para fins libidinosos, pois figurinhas repetidas não completam álbum, a não ser que eu troque com as amigas. Enfim, Percival é proctologista e no meu 14º dia de ineficiência intestinal eu pedi penico (ai que trocadilho lastimável). Telefonei pra ele e disse:

- Perci, nem meu coquetel está dando jeito…

Ele, com aquela cara de paisagem, fez-me uma coleção de perguntas e me disse que eu poderia tentar o biofeedback. Eu conhecia vários usos do termo biofeedback, mas nenhum que se relacionasse à parte redonda e pregueada da minha vida. Eu não quis perguntar o que era, pois sou médica e talvez devesse saber. Fingi que a ligação caiu e fui procurar nos meus alfarrábios. Lá estava a definição:

“Consiste na demonstração objetiva da contração do assoalho pélvico através de transdutores de pressão colocados via retal ou vaginal ou ainda através de eletrodos de superfície para registro eletromiográfico. Estes, por sua vez, são conectados a um computador que elabora imagens gráficas demonstrando a contração do assoalho pélvico.”

Casa de ferreiro, espeto de pau! Santo de casa não faz milagre, mas eu entendi: é uma espécie de ginástica do furico em que eu ia botar um monte de pesos dentro de mim pra aprender a abrir e fechar a portinhola (juro que é). Pode um negócio desses? Era só o que me faltava… Haja esfíncter.

Liguei de novo para Percival e ele:

- Fique tranqüila, vai dar tudo certo. Depois de dois meses com essa fisioterapia anal, a musculatura já está melhor… O problema é que você sabe colocar para dentro, só não sabe expulsar…

O que esse miserável quis dizer com isso? Ele me chamou de afolozada, no mínimo… Tem nada não, bichinho… Vai ter volta.

ESTOU ENFEZADA

Os mais próximos sabem que vez por outra vivo enfezada. Esqueça tudo o que você aprendeu sobre etimologia das palavras. Enfezada pra mim é a pessoa que vive abusada por estar cheia de fezes. Isso, ENFEZADA, com raiva do mundo, a barriga protusa, no melhor estilo “daqui-não-saio-daqui-ninguém-me-tira”, as espinhas estourando pra todo lado e aquela sensação de mal-estar infinito. Já ouviram falar no Complexo de Bento? É o furico fechado com vento dentro.

Eu pra desenfezar, só mesmo fazendo um coquetel de Plan 30, Dulcolax, Almeida Prado, Eparema e Luftal. Tudo isso batido numa vitamina de mamão, ameixa, aveia, azeite e rum montilla. Essa minha ineficiência anal é mesmo um caso sério. Ate os lactobacilos vivos morrem quando vão pra minha barriga.

Eu nunca pari na vida, mas tenho certeza de que ir ao toalete é como um parto. Não pelo tamanho da criança (quem me dera…), mas pelo esforço em fazê-la nascer, descosturando até a prega-rainha. Quando eu era pequena lá em Caruaru (olha como tudo rima), a rezadeira colocava uma pedra na minha cabeça, pois dizia que ajudava a desentupir. Hoje, nem se eu colocar a Serra das Russas inteira, o de dentro sai… Por que será que eu não consigo fazer como todos os normais, comer e descomer?

Tenho um amigo que não entrou na contagem do meu taxímetro sexual porque tem uma namorada cangaceira, daquelas que falam pouco e observam muito. Mas o caso aqui é a inveja que sinto dele. Frederico (o nome até rima com furico) já depositou sua arte fecal em igrejas, teatros, livrarias e castelos pelo mundo afora. Não pode ver um museu que quer ir lá deixar sua obra também. Com ele, não tem esse negócio de timidez fora de casa. O intestino dele simplesmente se abre para a CUltura, o Louvre que o diga. O trocadilho é infeliz, mas a verdade é que já vi o moço colocar suas tristezas pra fora até mesmo em banheiro de Casa Cor. Sim, daqueles que a descarga é quase de mentira. Pode?


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa