INEZITA BARROSO, O FIM DE UM CICLO DOURADO

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Inezita Barroso

Morreu Inezita Barroso! E, com ela, desaparece o que ainda restava da pureza de nossa Música Sertaneja, ou Caipira, na mídia! Ela jamais terá substituto, porque era única!

Inês Madalena Aranha de Lima, a Inezita Barroso, cantora, instrumentista, arranjadora, compositora, folclorista e atriz, nasceu em São Paulo (SP), no dia 4.3.1925, cidade onde veio a falecer, no dia 8.3.2015, aos 90 anos de idade.

Começou a cantar e estudar violão aos sete anos e, aos 11, iniciou seu aprendizado de piano. Fez o curso de Biblioteconomia. Iniciou a carreira nos anos 40, cantando músicas folclóricas recolhidas por Mário de Andrade na Rádio Clube do Recife.

Em 1947, aos 22 anos, ela casou-se com Advogado Adolfo Cabral Barroso, grande incentivador de sua carreira, amor que foi eterno enquanto durou. Depois de casada, voltou ao canto e ao violão, estreando, em 1950, na Rádio Bandeirantes de São Paulo, a convite do compositor e radialista Evaldo Rui.

Participou, em seguida, da transmissão inaugural da TV Tupi, Canal 3, e trabalhou como cantora exclusiva da Rádio Nacional de São Paulo, transferindo-se, mais tarde, para a Rádio Record. Ainda em 1950, estrelou o filme Ângela, de Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida, e realizou recitais no T. B. C., no Teatro de Cultura Artística e no Teatro Colombo.

Em 1951, gravou seu primeiro disco, interpretando Funeral de um Rei Nagô, de Hekel Tavares e Murilo Araújo e Curupira, de Waldemar Henrique. Em 1953, gravou O Canto do Mar, e Maria do Mar, de Guerra Peixe e José Mauro de Vasconcelos. No mesmo ano, gravou um de seus discos de maior sucesso, a moda Marvada Pinga, de Cunha Jr., que trazia, no Lado B, o samba-canção Ronda, de Paulo Vanzolini, que só veio a se tornar sucesso muito tempo depois, quando foi gravado pela cantora Márcia, mas que no disco de Inezita ficou totalmente eclipsado pelo êxito da moda Marvada no Lado A.

Ainda em 1953, voltou a atuar no cinema, estrelando os filmes Destino em Apuros, de Ernesto Remani, e Mulher de Verdade, de Alberto Cavalcanti. Em 1954, atuou em É Proibido Beijar, de Ugo Lombardi, e O Craque, de José Carlos Burle, recebendo, ainda, o Prêmio Roquete Pinto, como a melhor cantora de rádio da MPB, e o Prêmio Guarani, como a melhor cantora de disco.

Em 1953, gravou, na RCA Victor, Canto do Mar, canção de Guerra Peixe, Benedito Pretinho, canção, e Dança de Caboclo, coco, ambos de Hekel Tavares e Olegário Mariano, e os sambas Os Estatutos da Gafieira, de Billy Blanco, e Isso É Papel, João?, de Davi Raw e Cícero Galindo Machado.

A partir de 1954, passou a apresentar-se semanalmente em programas folclóricos da TV Record de São Paulo. Em 1955, atuou no filme Carnaval em Lá Maior, de Ademar Gonzaga, e, como atriz e cantora, representou o Brasil no Festival de Cinema de Punta del Este, Uruguai, excursionando, em seguida, pelo Paraguai.

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No mesmo ano, foi novamente agraciada como Prêmio Roquete Pinto e com o Prêmio Saci, como melhor atriz do cinema, e realizou gravações de divulgação do folclore brasileiro, ilustrando uma série de conferências de professores na Universidade de São Paulo.

Ainda em 1955, lançou, pela Copacabana, seu primeiro LP, Inezita Barroso, com um repertório folclórico que incluía Banzo, de Hekel Tavares e Murilo Araújo, Funeral dum Rei Nagô, de Hekel e Murilo, Viola Quebrada, de Mário de Andrade, e Mineiro Tá Me Chamano, de Zé do Norte. Em seguida, lançou os LPs Danças Gaúchas, Coisas do Meu Brasil e Lá Vem o Brasil.

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Nessa época, os atores Jean Louis Barrault, Marian Anderson, Vittorio Gassman e Roberto Inglês, em visita ao Brasil, levaram seus discos para a Europa, onde foram divulgados nas principais emissoras.

Seus dois LPs seguintes foram Vamos Falar de Brasil e Inezita Apresenta, ainda pela Copacabana, reunindo, nesse último, composições de Babi de Oliveira, Juraci Silveira, Zica Bergami, Leyde Olivé e Advina Andrade, do folclore baiano, mineiro e paulista.

Em 1956, publicou o livro Roteiro de Um Violão. Em 1960, lançou o LP Eu Me Agarro na Viola, título da faixa de abertura. Em 1961, lançou o LP Inezita Barrroso.

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Em 1968, lançou o LP O Melhor de Inezita. Em 1969, o LP Clássicos da Música Caipira, Volume 1. Nesse mesmo ano, ganhou o Troféu do I Festival de Folclore Sul-Americano, em Salinas, Uruguai. Em 1970, lançou o LP Modinhas e produziu um documentário que representou o Brasil na Expo-70, no Japão. Em 1972, lançou o LP Clássicos da Música Caipira, Volume 2.

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Em 1975, lançou o LP Inezita de Todos Cantos, incluindo números folclóricos recolhidos na Bahia, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1978, o LP Jóia da Música Sertaneja.

A partir de 1980, começou a apresentar o Programa Viola Minha Viola, aos domingos, pela TV Record de São Paulo, depois na TV Cultura. Gravou, na Copacabana, no mesmo ano, o LP Joia da Música Sertaneja 2. Por essa mesma época, realizou recitais e conferências pelo Brasil, além de apresentar-se com Oswaldinho do Acordeon em shows do Projeto Pixinguinha.

De 1982 a 1996, lecionou Folclore na Universidade de Mogi das Cruzes. A partir de 1983, começou a lecionar na Faculdade Capital de São Paulo. Em 1985, foi homenageada pela Escola de Samba Oba-Oba, de Barueri, que cantou sua vida e obra em enredo de carnaval. No mesmo ano, após cinco sem gravar, lançou, no selo independente Líder, o LP Inezita Barroso: A Incomparável, cujo repertório foi escolhido pelos fãs.

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Nesse período, apresentou, por cinco anos, na Rádio Universidade de São Paulo, o Programa Mutirão. A partir de 1990, e durante nove anos, levou ao ar, na Rádio Cultura AM, o Programa Estrela da Manhã, das cinco às sete horas. Em 1992, apresentou-se no Teatro do SESC, em São Paulo, ao lado da violeira Helena Meirelles e da dupla Pena Branca e Xavantinho.

Em 1996, gravou, com o violeiro Roberto Corrêa, o CD Voz e Viola. Em 1997, com o mesmo Roberto Corrêa, gravou o CD Caipira de Fato No mesmo ano, recebeu o Prêmio Sharp de Melhor Cantora Regional. Em 1998, participou, juntamente com Zé Mulato e Cassiano, Paulo Freire e Pereira da Viola, do CD Feito na Roça, de Braz da Viola e Sua Orquestra de Violeiros, de São José dos Campos.

Fez apresentações na França, União Soviética, Itália, Estados Unidos, Israel, Paraguai e Uruguai, entre outros países. Seu disco Danças Gaúchas, era considerado por ela como um dos mais importantes de sua carreira, por sua inclusão como material básico de estudo no currículo de muitas escolas brasileiras.

Ficou conhecida como A Rainha do Folclore. Em 2000 lançou, pela CPC/UMES o CD Sou Mais Brasil. Em 2011, o produtor musical Rodrigo Faour lançou a caixa de CDs O Brasil de Inezita Barroso, com parte significativa de sua discografia.

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Em dezembro de 2014, Inezita levou uma queda na casa de sua filha, em Campos do Jordão. Internada no Hospital Sírio-Libanês, em 19 de fevereiro de 2015, vítima de insuficiência respiratória, em 8 de março do mesmo ano, quatro dias depois de completar 90 anos de vida.

Considerada uma das cantoras veteranas brasileiras que melhor conservou a qualidade da sua voz com o passar dos anos, Inezita se notabilizou por sua defesa das raízes da música regional brasileira e por também comandar o programa Viola, Minha Viola, ultimamente na TV Cultura, nos últimos 35 anos de vida.

Esta longa matéria é apenas um pequeno resumo do que foi a carreira dessa grande artista de suma importância para a Música Brasileira, e, em meu entender, a mulher mais linda e talentosa da TV nacional. Dia 30 da agosto, a TV Cultura apresentou o filme Mulher de Verdade, estrelado por Inezita e Colé, no qual pude constatar a esfuziante e natural beleza dessa Grande Dama da Música Caipira.

A prolífera discografia e filmografia de Inezita encontra-se facilmente à disposição nos sites especializados, além de 46 faixas remasterizadas de bolachões 78 RPM.

Viola, Minha Viola continua no ar, todos as manhãs de domingo, das 9 às 10, com reprises, pois até agora, penso eu, a emissora não encontrou um substituto para Inezita. E jamais o encontrará. Se Nashville, nos Estados Unidos, é o ponto de partida de qualquer novato que deseja conquistar seu lugar ao sol na country music, Viola, Minha Viola foi, nesses últimos 35 anos, sob a proteção de Inezita, o berço de onde saíram grandes astros de nossa atual Música Caipira de raiz. Isso ninguém mais o fará!

E verdade que ainda sobrevive o Programa Sr. Brasil, com Rolando Boldrin na batuta, apresentando o que resta de nossa pureza, embora não tenha a características eminentemente caipira do Viola, Minha Viola.

No dia 2 de agosto, a mesma TV Cultura levou ao ar, maravilhosa homenagem a Inezita, com o título Tributo a Inezita – Quanta Saudade Você Me Traz.

Durante 2 horas e meia de programa, ali compareceram nomes do primeiro time da Música Caipira, alguns representando falecidos ícones do gênero, contando, no total, mais de 50 artistas, dentre eles Renato Teixeira, Ivan Lins, Lourenço e Lourival, Renato Borghetti, Rick Solo, Mococa e Paraíso, Paulo Freire, João Mulato e Douradinho, Pereira da Viola, Roberto Correa, Irmãs Barbosa, Toninho Ferragutti, Daniel e o Coral da USP.

A maioria atuou acompanhada pelo Regional Viola, Minha Viola, com Joãozinho, violão, Arnaldo Freitas, viola caipira, Leandro Madeira, baixo, Escurinho, percussão, e os convidados, Maestro Marinho, sanfona, e Márcio, percussão. Eles formaram o grupo que esteve ao lado de Inezita nos últimos nos da emissora.

O repertório do tributo refletiu a vasta obra de Inezita e as apresentações se dividiram entre os clássicos de seu cancioneiro e também algumas peças que marcaram os artistas presentes ao show. Ao final, todos os participantes cantaram a inesquecível Lampião de Gás, valsinha marca registrada da estrela.

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O grande elenco do espetáculo

Como pequena amostra do trabalho de Inezita Barroso, escolhi estas cinco faixas de seu repertório:

Tristeza do Jeca, toada de Angelino de Oliveira:

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De Papo Pro Á, toada de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano:

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Ronda, samba-canção de Paulo Vanzolini:

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Moda da Pinga, moda de Laureano e Raul Torres:

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Lampião de Gás, valsa de Zica Bergami e Hervé Cordovil:

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TRIO PARADA DURA

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Mangabinha (Corinto, MG, 15.3.1942 – Belo Horizonte, 23.4.2015)

Mangabinha encantou-se! Partiu no dia 23 de abril passado! Com ele, desaparece um dos últimos artistas que faziam música brega muito de meu agrado!

Carlos Alberto Mangabinha Ribeiro, o Mangabinha, foi um acordeonista, compositor e Fundador, em 1973, do grupo musical Trio Parada Dura.

Sua trajetória musical começou em sua infância, aprendendo a tocar a sanfona de oito baixos, que pegava escondido de seu pai, seguindo a tradição familiar, daí alcançando sua realização profissional, através do estilo sertanejo, consagrando-se no Trio Parada Dura tanto como instrumentista como compositor.

Sua carreira artística começou já em 1950, quando passou a se apresentar em festas e forrós, usando uma sanfona de 8 baixos. Em 1970, mudou-se para Belo Horizonte. Na capital mineira formou um trio juntamente com Gino e Geno com os quais lançou um LP. Em 1973, mudou-se para São Paulo onde atuou na Rádio 9 de Julho. Nessa ocasião, atuou com Delmir e Delmon na Primeira Formação do Trio Parada Dura.

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Em sua carreira solo , Mangabinha gravou 21 elepês instrumentais como acordeonista nas gravadoras Chororó, Copacabana e Chantecler. Seus maiores sucessos como compositor foram Furando o Couro, Nova República, Forró Número 2, Chão Mato-grossense, Balaio de Gato e Com Amor e Com Carinho.

Em 1991, o Trio Parada Dura gravou de sua autoria as composições Trovão Azul, com Rossi e Alcino Alves, Não Aceito Seu Adeus, com Ronaldo Adriano, Por Te Querer, com Rossi e Alcino Alves, Vestido Branco, com Ronaldo Adriano e Benedito Seviero, Bebendo e Chorando, com Ronaldo Adriano, Adeus, Palavra Cruel, com Alcino Alves e Rosa Quadros, Tentei Viver Sem Você, com Alcino Alves e Parrerito, Me Guardando Pra Você, com Alcino Alves, Coração Só Quer Você, com Alcino Alves e Rossi e Filho do Sertão, com Ronaldo Adriano.

Em 1999, a gravadora EMI lançou, na Série Raízes Sertanejas, o CD Mangabinha, com 20 de seus sucessos:

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Após a dissolução do Trio Parada dura, Mangabinha passou a gerenciar uma Casa de Festa com seu nome, mas não abandonou o acordeon e continuou tocando, sempre se valendo dos sucessos conquistados pelo conjunto.

Morreu na manhã 23 de abril, uma de quinta-feira, Mangabinha faleceu em Belo Horizonte, vítima de infarto em decorrência da diabetes.

O Trio Parada Dura teve quatro formações. A Primeira já vimos acima. A Segunda contou com Segunda Formação: (Creone, Barrerito e Mangabinha)

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A terceira formação veio com Creone, Parrerito e Mangabinha:

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A Quarta formação, que gravou até 2013, compunha-se de Leone, Leonito e Mangabinha:

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A seguir, uma pequena amostra do trabalho desse inesquecível conjunto brega. Pode não ser da curtição de todos, mas representam o que mais gosto de ouvir, quando quero relembrá-lo:

Telefone Mudo (Guarânia) Franco e Peão Carrero;

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Bicho Bom É Mulher (Batidão) Vicente Dias, Luiz de Lara e Barrerito;

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As Andorinhas (Toada) Alcino Alves, Rossi e Rosa Quadros;

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Arapuca (Batidão) Solevante e Itamaracá;

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Folia de Reis (Toada) Tradicional, adaptação de Mangabinha.

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NEOLOGISMOS DE SEU MUNDINHO

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Charge inspiradora

A ilustração acima, de autoria do chargista paranaense Sponholz, colaborador assíduo Jornal da Besta Fubana, despertou em mim o desejo de falar sobre as palavras novas que tenho inventado para melhor fazer-me entender em meus escritos, diante da pobreza da Língua Portuguesa que, às vezes, exige três ou mais termos para definir o que poderia ser resumido num só.

Diante dessa minha produção neologista, fruto de minha embasbacante sapiência lexiológica, Chico Fogoió, meu Aspone piauiense, não conteve sua perplexidade e seu chaleirismo:

– Mundinho, tu podias te candidatar a uma vaga na Academia Brasileira de Letras! – Ao que respondi:

– Chico, ABL, não! Quem pode mais, pode menos! Se já sou Titular da Cadeira Número 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, como me sujeitaria a descer no nível de minha imponência para associar-me a um sodalício inferior importância? Para mim, só o Nobel de Literatura que, além de me projetar internacionalmente, trar-me-ia uns bons caraminguás, na casa do mi, em dólar, é bom dizer, o que magnífica, por demais, a importância de sábios que nem eu!

Falar nisso, quero deixar aqui consignados meu aplauso e agradecimento aos Imortais da ABL que, ao elaborarem o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, mantiveram os termos paraolimpíada e paraolímpico, desprezando os nefastos paralimpíada e parlímpico, macaquice tão em moda nos dias atuais.

Diante desse irrebatível argumento, Fogoió concordou comigo, mas instou que, para justificar minha pretensão, eu desse a público a relação do que tenho maquinado em prol da Língua Pátria. E, para o conhecimento e ilustração de todos os Países Lusófonos, assinantes do último Acordo Ortográfico, aí vai a enriquecedora produção com que tenho iluminado minhas páginas. São palavras que, até agora, não constam de dicionários, tratados de Direito ou de Medicina:

Apilodar – Estocar músicas em sites de busca.
Atricósico – O mesmo que glabro, alopécico, falacrosiano e careca.
Daunlodar – Baixar músicas de site de busca.
Bengalante – Aquele ou aquela que faz uso de bengala.
Binubês – Condição de quem, legalmente, se casou duas vezes.
Biquiaberto – Sentimento de estupefação vivenciado por pessoa bicuda.
Curyosidades – Fatos interessantes na vida de mau amigo Said Cury.
Falacrosiano – O mesmo que glabro, alopécico, atricósico e careca.
Fisicopedeuta – Educador Físico.
Fisioterapata – Paciente de Fisioterapia.
Flatófilo – Cheirador de bufa ou de peido.
Ginecófago – Aquele ou aquela que come – devora – a mulher.
Gupsósfago – Comedor de giz em salões de sinuca ou em salas de aula.
Hetairófilo – Raparigueiro.
Hidrossaponiterapia – Tratamento à base de água e sabão, eficaz em quase todo tipo de doença.
Hidroterapata – Paciente de Hidroterapia.
Homogamia – Casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.
Inélido – Escritor não lido.
Precipúcio – Empreitada na qual o sujeito corre grande risco de ficar sem o prepúcio.
Repetivo – Que se repete uma vez.
Repetitivo – Que se repete duas vezes.
Repetititivo – Que se repete três vezes, e assim sucessivamente.
Terceiridoso – Pessoa pertencente ao grupo da melhor idade.
Trinubês – Condição de quem, legalmente, se casou três vezes, e assim sucessivamente.
Uroprestígio – Respeito, encanto ou sedução conseguido através das vias urinárias.
Urubucídio – Matança de urubu.
Urubusservação – Estudo sobre as aves ciconiiformes.

E, para terminar, a imagem que me inspirou esta crônica, aqui repetida para que fique bem gravada na mente de meus queridos leitores:

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Pterofalo – Caralho de asas.

Devo, nesse processo de criação, os ensinamentos de meu saudoso colega e amigo Sebastião Corrêa Côrtes, filólogo, latinista, poliglota e helenista, um de meus espelhos na vida, cuja segura orientação nos assuntos etimológicos e semânticos agora muita falta me faz.

Mas nem eu, nem o Côrtes, jamais chegaríamos à perfeição nobelística do cara que, neste ano de 2015, criou um neologismo, o qual, de imediato, se incorporou ao linguajar jurídico e caiu na boca do povo de modo indelével, permanente, definitivo. Refiro-me ao iluminado inventor do vocábulo que, em si, já diz o que é, entendido até pela massa ignara, dispensando qualquer explicação: pixuleco!

Com ele, forçosa e reconhecidamente, dividirei a grana do Nobel!

FLORIANENSES 4

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Esta coletânea traz em seu bojo o excepcional condão de resgatar personagens que fizeram a História Florianense, até agora completamente esquecidos na memória de seus conterrâneos. Começou timidamente, apenas 130 páginas no Volume 1, ganhou impulso no Volume 2, com 320, consolidou-se no Volume 3, fato que repete neste Volume 4, com 382 páginas.

No Evangelho de São Lucas, Jesus já dizia que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. Era uma espécie de queixa, ao constatar a iconoclastia das pessoas com relação aos que lhe estão próximos. Nos dias de hoje, é fácil observar como, para alguns falsos amigos e até mesmo em certos círculos familiares, o sucesso de um é ofensa pessoal para os demais.

Sob a égide da Fundação Floriano Clube, organizado por Cristóvão Augusto Soares de Araújo Costa, piauiense, funcionário aposentado do Senado Federal, ora residindo em Teresina, e capitaneado por Teodoro Ferreira Sobral Neto, o Teodorinho, este maravilhoso empreendimento traz à luz nomes que se encontravam apagados nos anais piauienses. Como o de Seu Emigdio Rosa e Silva, o Rosa Ribeiro, meu pai, nascido na Fazenda Brejo, no ano de 1891, integrante de uma tropa composta de 1.500 patriotas que, partindo de Floriano, em 1916, chegou a Teresina, onde depôs o governo miguelista e deu posse ao legítimo Governador, Eurípedes de Aguiar. Naquele mesmo ano, Rosa Ribeiro mudou-se para Balsas, sendo figura de proa na colonização do sertão sul-maranhense. Sua biografia, fartamente ilustrada, encontra-se no Volume 3.

Teodorinho é proprietário do Laboratório Sobral, que fabrica medicamentos diversos, fornecendo-os para farmácias de todo o Brasil. Seu perfil foi publicado aqui no Jornal da Besta Fubana, no dia 07.07.2014, que vocês poderão acessar aqui Teodoro Sobral, o Gigante da Cultura Piauiense.

Este foi o convite original, para o lançamento do Volume 4, em Floriano, a 7 de julho, nas comemorações de seu 118º Aniversário:

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Em Brasília, o evento ocorreu no Restaurante Xique Xique, conforme esta notificação:

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Este Volume 4 começa apresentando fotos das personalidades que marcaram o início de Floriano: Agrônomo Francisco Parente, Raymundo Arthur de Vasconcelos, Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro, e Padre Antônio Marques doa Reis. Prossegue com as fotos dos 27 Prefeitos Municipais nesses 118 anos da cidade. Em seguida, os perfis destes 28 nobres florianenses:

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Nele, minha família encontra-se regiamente agraciada, com dois perfis, ambos por mim redigidos. O de Pedro Maranhense Costa, meu primo, e o de José de Sousa e Silva, o Cazuza Ribeiro, meu tio, irmão de meu pai.

A iconografia do perfil de Pedro Maranhense, com 12 páginas, ressalta estes belos flagrantes de sua vida:

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Com Dica, sua mulher – Dica e as três Marias, filhas do casal

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Sua mãe de criação – Seus irmãos de criação

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Com sua irmã de Sangue – Capela de São Pedro em sua Fazenda Santa Rosa

Cazuza Ribeiro, Patriarca que, com sua mulher, Ritinha Pereira a Madrinha Ritinha, gerou uma prole contando hoje com perto de 180 membros, é, neste Volume 4, focalizado em 14 páginas, que enfatizam, na parte iconográfica, o casal e seus 11 filhos, com os respectivos cônjuges:

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Cazuza Ribeiro e Ritinha Pereira – Antônio e Maria das Mercês

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Esmaragdo e Yolanda – Ludovico e Neusa

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Raimundo e Maria Alice – Manoel de Jesus e Gracy

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Violeta e Roosevelt Kury – Iracy e Adelmar Neiva

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Pedro Ivo e Leonor – João Ribeiro e Mariinha

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Cazuzinha e Ana Paula – Izaura e Bergonsil

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COMO ADQUIRIR O LIVRO:

Aqui em Brasília, ficaram comigo 15 exemplares, cujos pedidos podem ser feitos por intermédio de minha página no Facebook ou pelo Fone (61) 3346-7713.

Em Floriano, o atendimento fica a cargo do Laboratório Sobral, Fone (89) 3522-1406.

REVISTA FOCUS BALSAS: UM SONHO DE BERNADETE

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Bernadete Alencar

A Fazenda Araçás ficava a quatro quilômetros da Tresidela, bairro balsense separado do Município-sede pelo Rio Balsas. Era propriedade do Patriarca José Miranda, que ali vivia com Dona Luísa, sua mulher, cercado da família, tendo como fonte de renda a criação de gado, a lavoura e, em especial, um engenho de cana-de-açúcar, movido por tração animal, produzindo aguardente, rapadura, alfenim, tijolos de frutas diversas e outros derivados.

Todos os anos, era rezada nos Araçás uma novena em louvor ao Divino Espírito Santo, que tinha como apoteose o Dia de Pentecostes. Na véspera do último dia, grande parte da população urbana se dirigia para lá, a pé, ou no lombo de jumento, cavalo e burro, em romaria, para tomar parte na festa e também render louvor ao Divino.

A estrada era uma trilha por onde passava, no máximo, carro de boi ou carroça. Hoje, parece que quatro quilômetros – pouco mais de meia légua – é bem ali, como dizia o matuto, apontando o rumo com o beiço inferior! Mas, em meu tempo de criança, no último Festejo do qual lá participei, com 11 anos de idade, achava uma lonjura pra mais da conta.

Embora a Araçás fosse rodeada de serras e densa floresta, o Festejo era noticiado, desde seu início, e durante os nove dias de sua duração, pelos tiros de potentes ronqueiras, que mais pareciam estrondos de canhão. Nas últimas noites, o céu era enfeitado por todo tipo de fogos de artifício, fabricados ali por Seu Elias Miranda, filho de Zé Miranda, com casa no pátio da fazenda.

Como eu dizia, o afluxo de romeiros se dava na véspera de Pentecostes. Toda aquela multidão era alimentada pelos Festeiros, numa boca-livre como jamais vi naquele sertão. Nunca me esqueço do picadinho de carne-de-sol com macaxeira!

À noite, havia uma Procissão no pátio, após a qual era rezado o Terço. Em seguida, era realizado um leilão, em benefício do Festejo, com joias nas quais predominavam itens artesanais, ali mesmo confeccionados, capões cheios, leitoas assadas, bolos e doces diversos. Terminado o leilão, começava a dança na latada, devidamente iluminada por lamparinas de três bicos, com música a cargo de sanfoneiros das redondezas, que ia até o amanhecer.

Ninguém dormia. A meninada se arranjava de qualquer jeito. Quem levava rede, atava-a em qualquer árvore, ao ar livre. Outros dormiam no chão mesmo. Pela manhã, era servido café para todos, com bolo cacete, rosca, orelha-de-macaco, frito de carne de porco, beiju e cuscuz, novamente por conta dos anfitriões.

A seguir, era celebrada a Santa Missa pelo Padre Clóvis, nela se realizando batizados e casamentos de moradores das cercanias.

Após a Santa Missa, o engenho era liberado para quem quisesse beber caldo de cana – ou garapa, com a gente falava –, saborear guloseimas diversas e, no caso dos adultos, tomar lapadas de aguardente direto do alambique. Havia também o caxixi, subproduto da borra da garapa, vinho fraco, que até crianças podiam degustar. Ao meio-dia, após o banho no riacho, era servido o almoço, e estava na hora de todo mundo voltar pra casa, ficando o ato religioso na última noite a cargo dos festeiros.

Para relembrarmos a Festa dos Araçás, ouçamos o Hino do Divino Espírito Santo – A Nós Descei, Divina Luz, de domínio público, com o Coral da Basílica do Carmo – Campinas:

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Com o passar do tempo, tudo isso acabou. Em busca de proporcionar estudo para a prole, quase toda a família se mudou para a cidade, com alguns fixando residência na Tresidela. Como foi o caso de Seu Elias Alencar e Dona Adiles, sua mulher. Montando lá variado comércio, Seu Elias também participou da Administração Municipal, elegendo-se Vereador.

Também na Tresidela morava Seu Aprígio Alencar, casado com Dona Joana Miranda, mais conhecida pelo carinhoso apelido de Quinô, irmã de Seu Elias.

Um dos filhos de Seu Aprígio, José Djalma – mais tarde conhecido como Zé do Cine Éden – casou-se com uma filha de Seu Elias, de nome Maria Luísa, a Marilu, que vinha a ser sua prima-irmã. Desse casamento, nasceu Bernadete.

Em meados dos Anos 1950, Balsas possuía dois cinemas: o Cine Santo Antônio, que funcionava na Casa Paroquial, e o Cine Éden, propriedade de Enoque Miranda, filho de Seu Zé Miranda, instalado esse em sua residência, na então Praça de São Sebastião, esquina com a Rua do Frito, ou 11 de Julho. Ambos enfrentavam dificuldades advindas do fato de Balsas não possuir luz elétrica pública, ficando muito onerosa cada exibição de filme. Em pouco tempo, essa diversão se acabou.

Mas o Zé Djalma tinha um grande sonho: ressuscitar o Cine Éden. De início, quase ainda adolescente, mas já casado, deixou a família em Balsas e foi tentar a vida em São Paulo, só retornando no raiar dos Anos 1960, com os projetores e possante motor elétrico próprio, concretizando, com pompa e circunstância, o sonho perseguido. Daí, o nome pelo qual ficou para sempre conhecido: Zé do Cine Éden.

Foi um sonho que durou 22 anos! Nesse interregno, a TV chegou àquele sertão, com sua força lúdica, suas instigantes novelas e publicidade arrasadora. Tal crudelíssimo tsunami levou de roldão todas as pequenas salas brasileiras. E, assim, em 1982, o Cine Éden, aquele nosso Cinema Paradiso sertajeno, conheceu sua última sessão.

Mas não pensem que a saga cultural desse ilustre clã acabou por aí! Entra em cena Bernadete Alencar, com outro grande sonho, lindo sonho, deveras encantador: criar uma revista em sua cidade natal!

Filha do Zé e da Marilu, com 10 anos de idade já ajudava no Cine Éden. Aos 17, foi para Goiânia, com o objetivo de concluir o ensino médio e obter o diploma universitário, graduando-se em Marketing. Em Goiânia, trabalhou em algumas empresas, mas sua vocação era negociar por conta própria, daí ter aberto uma loja de confecções de roupas, diversificando essa atividade com artigos para presente.

Casada com Joaquim Nogueira dos Santos, teve três filhos: Bianca, Beatriz e João Felipe. Visando a proporcionar-lhes instrução adequada e melhor qualidade de vida, retornou para Balsas no ano de 1999, onde, com o apoio da família, criou uma Biblioteca Comunitária, que chegou a contar com acervo em torno de 10 mil volumes.

Não encontrando retorno na Comunidade para esse trabalho voluntário, doou essa riqueza para estas unidades educacionais: UNIBALSAS, Colégio São Pio X, Colégio Padre Clóvis Vidigal, Biblioteca Municipal de Balsas, ajudando, ainda, a montar duas Bibliotecas na Zona Rural, nos povoados de Jenipapo e Santa Luzia.

Em dezembro de 2004, conseguiu, enfim, concretizar o belo sonho de sua vida, com a publicação do Número 1 da revista Focus Balsas, de circulação mensal:

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Primeiro número da Focus

Isso deixou todos os balsenses que amam seu torrão natal impregnados de imenso orgulho, com a autoestima nas alturas estratosféricas. Tiro isso por mim, que logo hipotequei integral apoio, colaborando com meus escritos e indicando endereços de possíveis assinantes.

Todos os começos são flores. Para funcionar a pleno vapor, no entanto, empreendimento desse porte depende, mais que dos leitores, da indispensável colaboração financeira de patrocinadores. E isso começou a rarear, com o decorrer do tempo, fazendo com que a Focus Balsas perdesse a regularidade mensal de suas edições.

Percebendo um desenlace anunciado, enviei para a Bernadete, em março de 2007, a correspondência abaixo, que passo a transcrever na íntegra, o que a faz repetitiva do que acima já foi dito:

“A Revista Focus Balsas é uma ousadia!

“Petulância sem tamanho dessa tal de Bernadete Alencar, que ousou desafiar o paradeiro cultural do sertão sul-maranhense, num momento em que o assunto em voga girava em torno do plantio, da colheita, da pecuária, da exportação de grãos. Ideia tão prafrentex só poderia mesmo sair da cabeça de pessoa com a coragem dessa guabiraba – assim chamado, carinhosa ou pejorativamente, dependendo da hora e do local, o habitante da Tresidela.

“Pioneirismo pra mais de metro!

“Mas ações pioneiras sempre marcaram a família dessa balsense metida a sebo! Elias Miranda, seu avô, foi o único fabricante de fogos de artifício do nosso sertão. Lindos fogos, maravilhosos fogos, que embelezavam os Festejos dos Araçás, fazenda do seu bisavô, o patriarca José Miranda. Um erro do Seu Elias, pequenino que fosse, e pelos ares iriam suas mãos, seus braços, seus olhos, o corpo todo. Pólvora é fogo, e ninguém com ele brinca. Seu pai, José Djalma, o Zé do Cinema, foi um bravo idealista, lutador incansável no incremento da diversão cinematográfica em nossa cidade.

“Porém, ai, porém, tocar uma revista…. Sei lá! É preciso tutano pra lascar, ter comido muito pequi com farinha e rapadura! E Bernadete Alencar assim foi criada!

“Alguns fariseus logo aparecem para depreciar o valor desse empreendimento, dizendo que, se Balsas já tem mais de 5 Faculdades, qual a serventia duma revista? E eu respondo a esses derruba-serviço: Faculdade é educação, ensino; a Revista é cultura!

“Grande falta nos fazia um periódico assim. Há muito, eu desejava que meus conterrâneos tomassem conhecimento de meus escritos. Aqui em Brasília, tudo o que escrevo é publicado por um dos maiores jornais do país, o Correio Braziliense, na Seção de Cartas ou na parte destinada aos colaboradores. Os jornais da ASA-CD – Associação dos Aposentados da Câmara dos Deputados e da ASCADE – Associação dos Servidores da Câmara dos Deputados sempre estampam matérias minhas. Cheguei a assinar coluna semanal no O Diário de Alagoas, editado em Maceió. De que me valia tudo isso, pergunto, se em minha terra natal ninguém me lia?

“Meu primeiro livro, Do Jumento ao Parlamento, lançado na noite de 12 de junho de 2003, em frente á Igreja Matriz de Santo Antônio de Balsas, teve aceitação acima da esperada e continua procurado até hoje. Livro, no entanto, é lido e guardado, não tem a dinâmica que uma revista mensal nos proporciona. O surgimento da Focus Balsas veio ao encontro de nossos anseios. Nossos sim, pois, com o seu advento, muitas pessoas saíram dos seus casulos, apontaram os lápis e se entregaram às letras. Caso do comerciante balsense Cláudio Pires que, septuagenário, se revelou excelente cronista. E do octogenário conterrâneo Sileiman Kalil, inspirado poeta, cujos versos só eram conhecidos no sul-maravilha. E doutros mais.

“Quando nossa revista chegou à vigésima edição, em agosto de 2006, exultei de contentamento e orgulho. Contentamento, por ver que a idéia germinara, medrara em terreno que parecia árido e infértil. Orgulho, por ter, com minhas maltraçadas, ajudado nessa fabulosa seara. Na ocasião, exortei os jovens universitários balsenses a mostrarem suas caras, virem à tona e exibirem na Focus sua sabedoria, sua competência, sua criatividade. No número seguinte, positiva reação!

“É com temor que, ao ver sair a Edição 26, constato já não haver mais a periodicidade – 6 números em 8 meses –, denotando que, agora, a ida ao prelo depende quase exclusivamente do bom tempo que Deus lhe concede, representado esse pela abertura da mão de seus patrocinadores. É o vil metal ditando as regras, e a falta dele suplantando o saber.

“Será que o sonho está se acabando? Ou já se acabou?”

Infelizmente, eu estava prenhe de razão. Com aquele Número 26, lançado em março de 2007, a querida Focus Balsas exalava seu último suspiro:

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Atualmente, Bernadete é funcionária pública da Prefeitura Municipal de Balsas e trabalha como artesã, juntamente com o Joaquim, seu marido, na arte e design em pneus sucateados. Adiante, o casal, esbanjando simpatia e criatividade:

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Joaquim e Bernadete

Nos Anais e História Balsense, ficará registrado para a posteridade que Balsas, um dia, fora do período eleitoreiro, teve um jornal, o Jornal de Balsas, nos idos dos Anos 1930, fruto do pioneirismo de Thucydides Barbosa e Ascendino Pinto, e uma revista, a Focus Balsas, efêmera concretização do Sonho de Bernadete.

Hoje, é propalado que Balsas possui, entre duas grandes Universidades, Faculdades e Entidades de Ensino Superior à Distância, 7 estabelecimentos. Ao mesmo tempo, nenhuma revista, nenhum jornal. Sob essa estreita ótica, num confronto Cultura X Instrução Balsense, a Cultura está em pior momento que a Seleção Brasileira de Futebol na Copa/2014, nos fatídicos 7 X 1:

Perdendo de 7 X 0!

MARCHA DA GUARDA EM REVISTA

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Presidentes passando em revista a Guarda de Honra

No dia 13 de janeiro de 2014, fiz uma postagem aqui no Jornal da Besta Fubana, colocando à disposição de todos os leitores o resultado de pesquisa sobre Toques de Clarim, com as imagens das partituras e indicação do local onde ouvi-los, no site 4Shared, ou copiar as partes, em meu álbum de fotos no Facebook.

A matéria rendeu 22 comentários, entre perguntas e respostas. Um deles requereu de mim especial atenção. Era do leitor Rafael Frank Benzecry, a 10.5.2015, que assim se expressou:

– O senhor teria gravada a Marcha da Guarda em Revista, tocada quando o Presidente da República passa a tropa e revista? Forte abraço.

Respondi-lhe assim:

– Não é de meu conhecimento haver marcha especial para essa solenidade. Mas não vou deixá-lo sem resposta. Dia 14 deste, quarta-feira próxima, irei à festa dos 55 anos de meu Batalhão e lá procurarei me informar com o Mestre de sua Banda de Música. Aguarde.

Com efeito, no 55° Aniversário do BPEB – Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, conversei com o Mestre, que me esclarecer haver, sim, a Marcha da Guarda em Revista, composta especialmente para substituir, em solenidades com a presença de Presidentes, a Marcha dos Cônsules, do francês J. Furgeot, que nunca fora oficializada, a qual vocês ouvirão aqui com a Banda de Música do BGP – Batalhão da Guarda Presidencial:

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Embora me fornecesse importantes informações, o Maestro lamentava não possuir o áudio da marcha.

Chegando em casa, telefonei para meu amigo Lima, Capitão Músico, pioneiro do BGP, hoje reformado, que me adiantou ser a Marcha da Guarda em Revista uma composição de nosso amigo Sargento Osvaldo Pinto Barboza, o Vavá, paraibano, na época servindo no BGP, hoje na Reserva e morando em João Pessoa.

De posse dessa orientação, enviei, tempos depois, esta correspondência para o Coronel Comandante do BGP:

“Brasília, DF, 25 de julho de 2015.

“Senhor Comandante,

“No mês de abril passado, encaminhei a V. Sa. um exemplar de meu livro Memorial Balsense, solicitando-lhe a gentileza de estudar a possibilidade de incorporá-lo à Biblioteca dessa Unidade de Elite do Exército Nacional.

“À página 145, no episódio Meu Querido Pé de Pau, é contada a história da Avenida das Palmeiras, que, infelizmente, não vingou, com foto da única imperial remanescente, agora símbolo de nossa passagem pioneira pelo BGP, representando, em si, aquela que cada um de nós plantou. Será, para nós, que amamos o Brasil, o Exército Brasileiro, a Infantaria, o BPEB e o BGP, um ícone, um pedacinho de nós no interior desse quartel.

“Embora longe da caserna há 48 anos, tenho dedicado parte de minha vida à pesquisa da Música Militar e à divulgação de nossas Forças Armadas.

“Assim, tenho disponibilizado na Internet mais de 600 hinos, dobrados e canções militares, assim como 290 toques de corneta, 218 deles gravados aí no BGP, em 2006, com o auxílio de 2 Cabos Corneteiros, a mim gentilmente cedidos pelo Comandante da época. Paralelamente, postei no Facebook as partituras desses toques, o que hoje serve de base para o estudo de corneteiros nas três Forças e nas Polícias Militares.

“Agora, devido a insistentes pedidos, venho solicitar de V. Sa. a gravação, pela Banda de Música dessa Unidade, da Marcha da Guarda em Revista, que veio substituir a Marcha dos Cônsules nas solenidades presidenciais.

“Como tal peça não existe à disposição em lugar algum, esta foi a única maneira que encontrei de consegui-la, pelo que lhe peço desculpas por estar ocupando seu precioso tempo.

“Uma vez PE, sempre PE!

“Uma vez Granadeiro, sempre Granadeiro!

“Atenciosamente,
“RAIMUNDO FLORIANO DE ALBUQUERQUE E SILVA
2º Tenente QOA/R2
SQS 215 – BLOCO D – AP. 408 – FONE: 3346-7713
70294-040 – BRASÍLIA – DF
ramundofloriano@brturbo.com.br

O Comandante do BGP, de imediato respondeu-me, comunicando que determinara ao Mestre da Banda da Música daquela Unidade que providenciasse a gravação solicitada.

Mesmo dentro das limitadas possibilidades tecnológicas da Banda e do assoberbamento com os diversos compromissos oficiais de recepção de autoridades, seu Mestre encontrou uma brecha para efetuar a gravação e dela me fez a entrega num CD, o que ocorreu no dia 3 de setembro. Com ele, por escrito, alguns necessários esclarecimentos:

“A Marcha da Guarda em Revista foi introduzida nas solenidades e modo informal, por solicitação de Autoridade Superior do Poder Executivo. Não há documento que, de modo expresso, determine que ela é a peça a ser tocada nas solenidades presidenciais. O previsto, para qualquer autoridade, é a execução da Marcha da Guarda Presidencial – Marcha dos Cônsules, conforme P. 12 do Vade-Mécum 01, SGEx, 2000, ficando, desse modo, isento o Batalhão da Guarda Presidencial e o Exército de qualquer conflito de autoria, de questões de direitos autorais ou incompatibilidades protocolares, decorrentes de sua livre, execução e publicação.”

Feita essa ressalva, sinto-me regiamente recompensado por ter persistido nesse projeto, até a obtenção de seu resultado final, e, com orgulho, disponibilizo-lhes o áudio dessa composição cerimonial, genuinamente brasileira: 

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VELHO FULÔ, UM SINO BADALANDO NO DESERTO

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Terceiridosos moucos – Acervo Google

Meu isolamento veio acontecendo aos poucos. Começou assim, da forma que adiante lhes conto.

Em dezembro de 2006, em consulta com um médico otorrinolaringologista, a cada pergunta que ele fazia, eu pedia para repetir. A certa altura, ele já muito agastado, indagou:

– Seu Raimundo, por que o senhor não usa aparelho auditivo? – ao que respondi:

– Doutor, ninguém gosta de conversar com velho! – Aí, o doutor, diante de minha teimosia, retrucou gritando, aos berros:

– ENGANO SEU! NINGUÉM GOSTA DE CONVERSAR É COM SURDO!

Meti o rabo entre as pernas, saí de lá de fininho, e resisti um bom tempo até que, em fevereiro de 2014, convencido eu mesmo da necessidade de adaptar-me ao mundo e à socialização com meus familiares – há 10 anos, não ouvia a voz de minha mulher, precisando que minhas filhas a retransmitisse em altas vozes – rendi-me à inovação tecnológica e adquiri um par de amplificadores auriculares:

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Foi um renascimento! Uma felicidade! Ao sair da Clínica, Fonoaudiológica comecei a ouvir uma sinfonia de pardais e outros avoantes na densa arborização brasiliense. Ao chegar em casa – fizera testes e demais procedimentos em segredo -, nem precisei falar nada. Meu comportamento à mesa, no almoço, já denotava essa minha nova fase de reintegração à vida. E foi uma festa junto aos demais parentes, amigos e até desconhecidos. Isso no sábado. No domingo, na Santa Missa, aconteceu algo inédito há mais de um década: ouvi, por completo, sem perder uma palavra, a homilia do Frei Lisâneos.

Mas aí, comecei a dar o troco aos macróbios renitentes, por conta do que até então vivera. Adotei este princípio: perto de meus 80, não mais converso com velho surdo ou que não tenha Internet! Quer dizer, com a totalidade dos terceiridosos, com 101 por cento do universo gagá. Recebendo, em contrapartida, o silêncio dos jovens que, hoje, com esse tal de WhatsApp, já não conversam mais com Seu Ninguém! Ou seja, nem lá nem cá! Por conta disso, virei o que intitula esta matéria: um sino badalando no deserto!

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Todos os dias úteis, depois de deixar minha mulher na Faculdade, lá pelas 8 da manhã, dou uma passadinha na Av. W2, onde ficam os fundos e meu Banco. Ali, na escadaria da entrada, ou mesmo na sala das caixas eletrônica, posicionam-se alguns jovens funcionários que pegam cedo no batente, esperando as portas se abrirem para eles. E todos – eu disse todos -, cabisbaixos, digitando no WhatsApp, sem dar sequer uma palavra com o colega lado. Comentar o momento político, o capítulo da novela, o jogo de futebol, problemas caseiros, nem pensar.

O fenômeno mundial é – por que não dizer? – fenomenal.

E já chegou à culminância de chamar a atenção da revista Veja, que estampou, na Edição 2442, de 9.9.2015, esta matéria:

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A coisa começou no início da Década de 1990, quando demonstrava pertencer a status superior a pessoa que possuísse um aparelho celular. Havia muitas que chegavam em restaurante badalado, ocupavam mesa bem visível e ficavam teclando, às vezes para si mesmas, apenas no intuito de mostrar sua prevalência ante a ralé.

Hoje, status mesmo, no duro, goza quem possui uma linha fixa, o que significa ter residência fixa, endereço certo, local para cair vivo.

Mas, como eu dizia, a coisa começou na última década do século XX. Para se possuir um aparelho celular era necessário, primeiro, comprar a geringonça, depois, inscrever-se em extensa lista e aguardar ser sorteado. Entrei nessa, adquirindo dois tijolões do modelo abaixo:

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Dois anos depois, fui contemplado com duas linhas no sorteio, mas, quando compareci para a instalação, os dois monstrengos já estavam fora de linha, e eu tive que arcar com nova despesa para adaptar-me à modernidade da tecnologia.

Eu mesmo nunca quis carregar comigo tal equipamento, nem aprender a manuseá-lo, por motivo que adiante relatarei.

Voltando aos primórdios do celular, acho interessante este diálogo, constante do livro Número Zero, de Umberto Eco, ocorrido na fictícia redação de um jornal, a 21 de abril de 1992:

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Como se enganaram nobres jornalistas!

E, agora, vou dizer por que, desde o início, só desejo uma coisa do celular: distância! Fui criado no sistema antigo, quando não se interrompia o diálogo de duas pessoas sem pedir licença. Pois o celular, penso eu, é o tipo do menino mal-educado, que se mete inopinadamente nas conversas dos outros, sem ao menos ficar com a cara vermelha de vergonha.

Ano retrasado, escritor amigo meu convidou-me para o lançamento de livro seu na maravilhosa mansão onde reside, no Setor Park Way. O evento era só uma desculpa para um ágape de primeira, boca-livre de comida e bebida. Compareceu a nata da intelectualidade candanga, inclusive nosso editor, de nacionalidade portuguesa.

Meu amigo, que cheio de criativas bolachões, programara o hasteamento das Bandeiras de Portugal e do Brasil, ao meio-dia, sol a pino, calor saaral. Por deferência especial, a solenidade começou pelo Lábaro Lusitano.

Estávamos todos em frente aos mastros, e nosso editor deu início ao hasteamento de seu Pavilhão. Já chegara ao meio do processo, quando seu celular tocou. Aí, ele susteve o içamento, para atender. Como a conversa demorava, meu amigo resolveu antecipar-se e hastear nossa Bandeira. Pois não é que, no meio do ato, seu celular também tocou? Tratava-se de um convidado retardatário, pedindo instruções de como chegar até a mansão.

Foi a maior saia-justa! As Bandeiras a meio-pau, nós no solão de rachar, e os dois hasteantes no telefone a falar!

Mesmo eu sendo completamente reacionário quanto à nova moda que tomou de assalto todo o planeta, recebi uma Notificação de Trânsito, dia desses, por estar dirigindo falando ao celular.

E agora, como sair dessa sinuca de bico? A prova afirmativa é a maior moleza. Basta dizer fui eu mesmo, fi-lo porque qui-lo! E pronto! Mas a negativa, meus amigos, é diabólica! Antepõe sua honrada palavra contra a do resto do mundo. E, em se tratando de autoridade oficial, quem leva no fim?

Embora sabedor dessa circunstância toda, resolvi estrebuchar, espernear, como fazem os enforcados, recorrendo contra o Ato de Infração, que ainda não foi julgado, como segue:

1 – O Notificado é o único condutor da viatura em tela, eis que suas duas filhas possuem veículo próprio, e sua esposa não dirige, em virtude de jamais ter-se interessado por isso;

2 – Neste AI, foi reportado que o Notificado, às 3:52, dirigia a viatura utilizando-se de telefone celular;

3 – O Notificado não porta, nunca portou e jamais portará aparelho celular consigo, simplesmente por não saber usá-lo, recusar-se a aprender a manuseá-lo e não ter dele necessidade, vez que, aposentado, em nada o aparelho contribui para seu viver;

4 – A bem da verdade, o Notificado já possuiu uma linha celular em seu nome, a 9974-2523, sendo, por nunca usá-la, instado pela VIVO a desativá-la, pagando taxas e emolumentos (Documento 6);

5 – Diante de sua resistência ao aprendizado/uso do aparelho celular, o Notificado vem sofrendo bullying por parte de familiares, amigos e até desconhecidos, por ser o único brasileiro que, dentre os 282,5 milhões de linhas usadas por seus patrícios, não se adapta a essa modernidade;

6 – Assim, o Notificado deduz, salvo melhor juízo por parte de Vossa Senhoria, que houve um lapso no que se refere à pessoa e à viatura, no momento da anotação da infração;

7 – Se, com essa argumentação, tiver comprovado não ter sido ele o infrator, o Notificado requer a Vossa Senhoria que torne o Auto de Infração ora em exame insubsistente, no que estará praticando ato de inteira JUSTIÇA.

Vemos aguardar!

Outra saia-justa em minha vida, é quando me telefonam – no fixo – em meu aniversário, dão os parabéns e ficam silentes, sem mais assunto! É de torrar o saco!

Eu, quando vou parabenizar – no fixo, sempre no fixo – alguém, preparo uma pauta antecipada, visando a termos assunto, para não ficarmos ambos com cara de paisagem.

E foi o que aconteceu no mês passado, quando tentava felicitar pessoa muito querida – com quem só falo nessa ocasião – pela passagem de seu aniversário. Com a pauta em mão, comecei abordando a má educação do celular, o hasteamento interrompido, a solidão que as pessoas a si mesmas impuseram, e já ia me referir à Notificação de Trânsito, quando ela me interrompeu e perguntou: – Você não está escutando?/ – O quê?/- Meu celular tocando? Não está ouvindo? Tenho que atender!

O jeito foi dar tchau e recolher-me à solidão, neste mundo velho sem porteira!

BELMONTE E AMARAÍ, UM MARCO NA MÚSICA SERTANEJA

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Belmonte e Amaraí

No dia 2 de agosto passado, um domingo, fui régia e duplamente premiado por minha devoção à genuína Música Popular Brasileira.

Começou às 10 horas da manhã, na TV Cultura, Canal 510, no Programa Sr. Brasil, comandado pelo veterano Rolando Boldrin. Durante uma hora, exibiram-se ali dois magníficos cantores completamente desconhecidos para mim: Júlio Carvalho e Cláudia Cunha, acompanhados por excelente regional, contando com clarineta, baixo acústico, violão de 6 cordas, violão de 7 cordas, bandolim, cavaquinho e outros de percussão. Além da arte de cada astro, casos e mais casos, como é do feitio de Boldrin, enriqueceram o espetáculo.

Durante, os comerciais, era anunciada, para as 8 da noite, uma homenagem à recém-falecida estrela Inezita Barroso, apresentadora do Viola, Minha Viola.

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Inezita Barroso em duas fases de sua carreira

À noite, a hora marcada, enquanto a maioria dos telespectadores se plugavam, suponho, no Faustão ou no Silvio Santos, eu voltava à TV Cultura para conferir. O título da homenagem era Tributo a Inezita – Quanta Saudade Você Me Traz.

Durante 2 horas e meia de programa, ali compareceram nomes do primeiro time da Música Sertaneja, alguns representando falecidos ícones do gênero, contando, no total, mais de 50 artistas, dentre eles Renato Teixeira, Ivan Lins, Lourenço e Lourival, Renato Borghetti, Rick Solo, Mococa e Paraíso, Paulo Freire, João Mulato e Douradinho, Pereira da Viola, Roberto Correa, Irmãs Barbosa, Toninho Ferragutti, Daniel e o Coral da USP.

A maioria atuou acompanhada pelo Regional Viola, Minha Viola, com Joãozinho, violão, Arnaldo Freitas, viola caipira, Leandro Madeira, baixo, Escurinho, percussão, e os convidados, Maestro Marinho, sanfona, e Márcio, percussão. Eles formaram o grupo que esteve ao lado de Inezita nos últimos nos da emissora.

O repertório do tributo refletiu a vasta obra de Inezita e as apresentações se dividiram entre os clássicos de seu cancioneiro e também algumas peças que marcaram os artista presentes ao show. Ao final, todos os participantes cantaram a inesquecível canção Lampião de Gás, marca registrada da estrela.

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Alguns astros da apoteose

Espero que a produção desse show disponibilize um DVD com a sua íntegra, para o deleite de todos os aficionados gênero, com é meu caso.

Embora eu tenha curtido adoidado o programa integralmente, lamentei a ausência de representante de uma dupla que, para mim – vocês têm todo o direito de discordarem –, representou um marco na Música Sertaneja: Belmonte e Amaraí.

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Belmonte e Amaraí

Pascoal Zanetti Todarelli, o Belmonte, nasceu em Barra Bonita (SP), no dia 2 de novembro de 1937, e faleceu num acidente automobilístico em Santa Cruz das Palmeiras, interior paulista, no dia 9 de setembro de 1972. Domingos Amaraí Sabino da Cunha, o Amaraí, nasceu em Rui Barbosa (BA), no dia 11 de outubro de 1940.

Belmonte, conhecido carinhosamente como Lico em Barra Bonita, formou duplas com Belmiro e também com Miltinho Rodrigues que, mais tarde, por sua vez, formou dupla com Tibagi.

Amaraí, por outro lado, com apenas 16 anos, em Rio Verde (GO), já cantava em dupla com Amoroso. A dupla foi desfeita, e Amaraí seguiu para São Paulo, onde passou a se apresentar sozinho, cantando na noite e chegando a formar dupla com Tibagi, algum tempo depois.

Com apenas 16 anos, Belmonte também já se aventurava pela capital paulista atrás do sonho de cantar, e foi com 18 anos que conheceu Belmiro e formou com ele a dupla Belmiro e Belmonte, gravando o LP Aquela Mulher, pela gravadora Sabiá, que foi o primeiro disco em sua carreira.

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O sucesso demorou e só chegou em 1964, quando Belmonte, já com 26 anos de idade, conheceu o Amarai, no Café dos Artistas; formando a dupla Belmonte e Amaraí, a qual se apresentava em casas noturnas e bares, interpretando os mais diversos estilos musicais, em vários idiomas.

No ano seguinte, Nenete, da dupla Nenete e Dorinho, sendo diretor artístico da gravadora RCA, propôs à dupla um contrato de gravação. E, em 1967, Belmonte e Amaraí lançaram o primeiro LP, no qual o sucesso da faixa-título Saudade de Minha Terra, de Belmonte e Goiá, se encarregou de imortalizar a dupla, com mais de 1.650.000 cópias vendidas, número até hoje raramente igualado.

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Eu, nordestino e seresteiro, que até hoje faço serenatas pelas superquadras de Brasília, até então só conhecia uma canção obrigatória em nossas cantorias noturnas: Luar do Sertão, do maranhense Catulo da Paixão Cearense. Aí chegou Saudade de Minha Terra! E chegou para ficar! Em qualquer rodada musical de amigos, possa ser em residência ou boteco, ela é cantiga obrigatória.

O impacto de Saudade de Minha Terra foi tamanho, que grandes nomes da MPB a regravaram: Milionário e José Rico, João Paulo e Daniel, Chitãoinho e Chororó, Sérgio Ferraz e Júlia Arantes, Mauro Sérgio, Francisco Petrônio, Sérgio Reis, Marcelo Costa, e muitos outros.

No pouco tempo em que durou, a dupla Belmonte e Amaraí deixou sua história na música caipira de raiz. Belmonte e Amaraí possuíam as vozes mais afinadas e que melhor se casavam na época. Tornaram-se um marco dentro da música sertaneja, considerado por alguns como sendo os precursores do sertanejo moderno. Inovaram na instrumentação, incluindo harpa paraguaia, piano, bongô e pistons, instrumentos musicais praticamente inéditos nas músicas do gênero.

Gosto não se discute! Aqui externei minha sincera opinião, fruto de muita pesquisa, acurada observação!

Os LPs e CDs da dupla são facilmente encontráveis no mercado virtual.

Ah! Ia-me esquecendo, são imperdíveis as manhãs de domingo na TV Cultura: de 9 às 10, Viola, Minha Viola; De 10 às 11, Sr. Brasil; e, de 11 ao meio-dia, Samba na Gamboa. É Música Popular Brasileira da melhor qualidade.

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Para vocês, Saudade de Minha Terra, guarânia de Belmonte e Goiá, divisor das águas na Música Sertaneja, com Belmonte e Amaraí, seus criadores: 

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AVANTE, CAMARADAS

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Ícone das Forças Armadas Brasileiras

Comemora-se hoje, 7 de setembro de 2015, o 193º Aniversário da Independência do Brasil! É o Dia d Pátria!

Por esse motivo, trago à baila crônica antiga, escrita no ano de 2006, mas que se torna atual, neste dia em que revivemos em nossos corações momentos cívicos e patrióticos. Vamos a ela.

O jornal Correio Braziliense publicou, a 20.03.06, matéria de pagina inteira informando que o dobrado Avante, Camaradas foi composto para homenagear, na cidade baiana de Angical, em 1920, a passagem da Coluna Prestes, chefiada por Luís Carlos Prestes, o mesmo que, em 1935, liderou a Intentona Comunista. Para restabelecer a verdade, enviei esta carta ao jornal:

“Senhor Redator,

“O dobrado 220, mais conhecido como Avante, Camaradas, jamais poderia ser sido composto em homenagem à Coluna Prestes, nos Anos 1920, conforme consta do Caderno C do Correio Braziliense de 20.03.06. E por uma razão incontestável: seu autor, Antônio (ou Antonino) Manuel do Espírito Santo, da Banda da Força Pública da Bahia, nasceu em 1884 e faleceu em 1913, com apenas 29 anos de idade.

“Embora seu sobrenome fosse Espírito Santo, creio que seu santo espírito não baixou em Angical para reger no citado evento. A música, composta em 1910, recebeu mais tarde a letra do então tenente Lyra Tavares e se tornou numa das mais belas canções entoadas em todas as unidades militares do Brasil.

“São também do grande compositor os dobrados 182, 207, Sargento Caveira, Quatro Dias de Viagem e Bombardeio da Bahia. Outra linda composição sua de 1910, cujo nome inicial era Sargento Calhau, depois Garcinha Branca e, mais tarde, Cisne Branco, é, hoje, a Canção do Marinheiro, com letra de Benedito Xavier de Macedo.

“Os dados aqui constantes foram pesquisados na Enciclopédia da Música Popular Brasileira, da Art. Editora Ltda., acervo da Revivendo Músicas, site de busca Google e Vade-Mécum de Marchas Militares do Exército Brasileiro.”

Pois É! Não deixo barato, quando é para resgatar a verdade histórica.

Para relembrar, aqui vai a letra dessa linda canção:

Avante, camaradas
Ao tremular do nosso pendão
Vençamos as invernadas
Com fé suprema no coração
Avante, sem receio
Que em todos nós a Pátria confia
Marchemos com alegria, avante!
Marchemos sem receio.

Aqui não há quem nos detenha
E nem quem turbe a nossa galhardia
Quem nobre missão desempenha
Temer não pode a tirania, a tirania
E nunca seremos vencidos
Porque marchamos sob a luz da crença!
Marchemos sempre convencidos
Não há denodo que nos vença!

Havemos, sempre audazes
Afrontar o perigo
E seremos perspicazes
Ante o mais férreo inimigo
Por isso, não tememos
Sempre fortes, sobranceiros
E com bravura sempre lutaremos!
Brasileiros nós somos
Nós somos brasileiros!

HIP! HURRA!

(Apud Hinos & Bandeiras Nacionais e Estaduais, Página 149)

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Daqui deste meu Escritório de Criação, a partir de 9 da manhã, estarei vibrando, frente à TV, agitando a Bandeira do Brasil, ao ver as Unidades Militares em desfile. Por isso, quero compartilhar com vocês tão felizes momentos, postando aqui, a melodia e o canto do dobrado Avante, Camaradas:

Instrumental, com a Oficina de Frevos e Dobrados, de Salvador (BA), sob a regência do Maestro Josias dos Santos:

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Vocal, com a Banda de Música do 12º Batalhão de Infantaria, de Belo Horizonte (MG), sob a regência do Maestro Teófilo Helvécio Rodrigues:

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Estou fora da caserna há 48 anos, mas parte das raízes de meu bem-querer permanece para sempre fincadas por lá. Assim, hoje vibro ao relembrar aqueles bons tempos, recordações que ora divido com vocês, neste youtube montado pelo amigo Jorge Rocha, sobre a melodia do dobrado Tenente Raimundo Floriano, composição e arranjo do jovem carioca Filipe Fonseca, gravado pela Fanfarra do 1º RCG – Regimento de Cavalaria de Guarda:

OSWALDO NUNES

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Oswaldo Nunes – Acervo Recanto das Letras

Oswaldo Nunes, cantor compositor, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), no dia 2.12.1930, cidade onde veio a falecer, no dia 18.6.1991, aos 60 anos de idade, assassinado misteriosamente em seu apartamento.

Foi autor de grandes sambas carnavalescos que se incorporaram a meu repertório de trombonista, quando aprendi a tocar o instrumento, 1972/1973, época em que ele dominava os salões de clubes e blocos de sujos, com suas belíssimas composições.

Não chegou a conhecer os pais e foi criado em instituições de caridade. Trabalhou como baleiro, engraxate e camelô, além de artista ambulante. Já adulto, enveredou pela marginalidade, chegou a ser preso, mas, frequentando Escolas de Sambas e Blocos de Carnaval, acabou por abraçar a carreira artística.

Nunca se afastou do Bairro da Lapa, onde chegou a conhecer Madame Satã. Quando deixou a marginalidade, fez sua primeira composição, isso aos 20 anos, o samba Real Melodia. Em 1951, seu samba Vidas Iguais, com Ciro de Souza, e o samba-canção Estranho, com Cabeção, foram gravados por Leny Eversong na Continental.

Em 1955, o samba-canção Aquele Quarto, com Aníbal Campos, foi gravado por Dalva de Andrade, na Continental. Em 1962, gravou seu primeiro disco, no selo pernambucano Mocambo/Rozemblit, com os sambas Lar Vazio e Agradecimento, ambos de sua autoria. No mesmo ano, gravou o twist Vem, Amor, parceria com Lino Roberto, o samba Fim, de Lino Roberto, e, juntamente com o Bloco Carnavalesco Bafo da Onça, gravou aquele que seria seu maior sucesso, o samba Oba (Bafo da Onça), que continuou a embalar os desfiles do bloco nas décadas seguintes e se tornou o Hino Oficial daquele Bloco.

Ainda em 1962, embalado pelo sucesso de Oba, lançou, também pela Mocambo, seu primeiro LP, com o mesmo título, no qual gravou composições próprias como Alô, Meu Bem, Chorei, Chorei, Lar Vazio, e Nunca Mais, esta última em parceria com Ruy Borges, além de Volta Por Cima, de Paulo Vanzolini, Diário de Amor, de Senô, Gosto de Você de Graça e Zé da Conceição, de João Roberto Kelly, Oito Mulheres, de José Batista, Faço Um Iê, Iê, Iê, de Luiz Reis e Haroldo Barbosa, e Fim, de Lino Roberto.

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Em 1963, gravou os sambas Zé da Conceição, de João Roberto Kelly, e Alô! Meu Bem, de sua autoria. Nesse ano, seu Samba do Saci, com Lino Roberto, foi gravado por Clóvis Pereira, em interpretação de órgão, e os sambas Chorei, Chorei e Samba do Saci foram registrados pelo Bloco Carnavalesco Bafo da Onça.

Gravou, para o Carnaval de 1965, o do Quarto Centenário do Rio de Janeiro, as marchinhas A Dança da Pulga, de sua autoria e Pernambuco, e Saudações ao Rei Momo, de sua autoria. Nesse ano, fez grande sucesso com o samba Na Onda do Berimbau, de sua autoria.

No Carnaval de 1967, dominou com a marchinha Mãe-iê, de sua autoria. Destacou-se, em 1968, com o samba Voltei, e, em 1969, com o samba Levanta a Cabeça.

Na segunda metade da Década de 1960, apresentou-se em shows, acompanhado pelo Grupo The Pop’s, com o qual gravou, em 1969, o LP Tá Tudo Aí, no qual interpretou as músicas Tá Tudo Aí, Você Deixa, Tamanqueiro, Dendeca, Doce Canção, Chorei, Chorei, e Canto da Sereia, todas de sua autoria, além de Outro Amor de Carnaval, com Raul Borges e Humberto de Carvalho, Cascata, com A. Marcilac, e Mulher de Malandro, com Celso Castro.

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Em 1970, obteve o Segundo Lugar no IV Festival de Músicas de Carnaval com o samba Não Me Deixes, de sua autoria, em parceria com Milton de Oliveira e Élton Menezes. No mesmo festival, foi finalista com o samba A Escola Vai Descer, com Aristóteles II.

Em 1971, sagrou-se Tricampeão do Concurso Oficial de Músicas de Carnaval da Guanabara promovido pela Secretaria de Turismo da Guanabara, TV Tupi e jornais O Dia e A Notícia, com o samba Saberás, parceria com J. Aragão e Rubem Gerardo. No mesmo ano, lançou, pela CBS, o LP Você Me Chamou, no qual cantou, apenas de sua autoria, a faixa Real Melodia (apud Dicionário Cravo Albin da MPB).

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Em 1978, já pela RCA Victor, lançou o LP Ai, Que Vontade, no qual interpretou as músicas Êh Viola, de Joel Menezes e Noca da Portela, Dança do Bole-bole, de João Roberto Kelly, Ai, Que Vontade, de Dão e Beto Sem Braço, Se Você Me Quer, de Anézio, Vou Tomar Um Porre, de Jurandir Bringela e Paulinho da Mocidade, O Dono da Justiça, de Marco Polo e Genaro da Bahia, e Se Você Quiser Voltar, de Gerson Alves e Jorginho Pessanha, além de composições suas como Tem-tem, com Celso Castro, A Dança do Jongo, com Geraldo Martins, Tim-tim-tim, ô-lê-lê, com Zé Pretinho da Bahia, Dendê na Portela, com Hilton Veneno, e O Que É Que Eu Faço.

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O samba Ai, Que Vontade alavancou e consolidou minha carreira como trombonista popular, no Clube de Balsas, no Carnaval de 1978, nos bailes de sábado, domingo, e segunda-feira, e na cidade de Riachão, na terça-feira gorda, onde, junto com Leonizard Braúna e seu Conjunto, fizemos o primeiro Carnaval de Rua, e à noite, fomos sucesso estrondoso no Clube. A malícia da letra em muito contribuiu para isso. Até hoje, foliões daquela época, atualmente na casa dos 50/60 anos, quando me veem, relembram esse samba, com muita saudade.

Oswaldo Nunes, talentoso cantor de tanto ritmo, excelente voz e também grande compositor, era um homossexual assumido. Não dava bandeira, tinha cara de mau, era valente e adotava uma postura de cabra macho. Muitas vezes, quebrou o pau lá pelo bairro boêmio onde sempre viveu.

Em 18.6.1991, foi assassinado enquanto dormia, em seu apartamento na Lapa. Onze anos depois, a Justiça deu a sentença do espólio do cantor. Em testamento, o sambista deixou um apartamento e todos os seus direitos autorais, compreendendo mais de 40 composições, para o Retiro dos Artistas, no Rio.

Como mostra de seu trabalho, disponibilizarei aqui cinco de seus mais conhecidos sambas, que ficaram para sempre na memória dos foliões de outrora.

Oba (Bafo da Onça), de sua autoria, maior sucesso dele em todos os tempos, gravado em 1962:

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Voltei, seu, com Denis Lobo e Celso de Castro, muito lembrado hoje, com menção às diligências da Operação Lava Jato, gravado em 1968:

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Não Me Deixes, seu, com Élton Menezes e Milton de Oliveira, de 1970, Segundo Lugar IV Festival de Músicas de Carnaval:

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Saberás, seu, com J. Aragão e Rubem Gerardo, Campeão do Carnaval Carioca de 1971, que ressalta o efeito do trombone em sua melodia, gravado em 1971:

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Ai, Que Vontade, de Beto Sem Braço e Dão, gravado em 1978, cuja letra maliciosa é, lembrada até hoje pelos foliões daquele tempo:

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ADELAIDE CHIOZZO

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Adelaide Chiozzo, acordeonista, cantora, compositora e atriz, nasceu em São Paulo (SP), no dia 8.5.1931, filha de Afonso Chiozzo e Silvinha Chiozzo.

Aos oito anos de idade, começou a aprender acordeon, e, aos 15, por sugestão da compositora Irani de Oliveira, participou do Programa Papel Carbono, de Remato Murce, na Rádio Clube do Brasil – depois, Mundial –, imitando o sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo.

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Adelaide Chiozzo em duas fases de sua carreira

Estreou no cinema em 1946, atuando em dupla com o pai, Afonso Chiozzo, na comédia Segura Esta Mulher, de Watson Macedo, no qual apareciam acompanhando o cantor Bob Nelson na marchinha country Boi Barnabé, de Bob e Afonso Simão. Ainda em dupla com o pai, trabalhou nas comédias cinematográficas carnavalescas Este Mundo É Um Pandeiro, de Watson Macedo, em 1947, e É com Este Que Eu Vou, de José Carlos Burle, em 1948.

Contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro e artista exclusiva do selo Copacabana, teve seu apogeu no rádio, disco e cinema na Década de 1950, fazendo sucesso como intérprete de músicas juninas e canções brejeiras.

Estreou no disco em 1950, na etiqueta Star – depois, Copacabana –, com a rancheira Tempo de Criança, de João Sousa e Eli Turquine, e a polca Pedalando, de Anselmo Duarte e Bené Nunes.

No rádio e em disco, chegou a fazer dupla com a atriz Eliana Macedo, ao lado de quem apareceu, cantando e atando, em diversos filmes, em sua carreira cinematográfica de 23 títulos.

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Adelaide Chiozzo e Eliana Macedo

Entre seus maiores sucessos, estão Beijinho Doce, valsa de Nhô Pai, Cabeça Inchada, baião de Hervê Cordovil, Sabiá na Gaiola, baião de Hervê Cordovil Mário Vieira, Orgulhoso, rasqueado de Nhô Pai e Mário Zan, e Lá Vem Seu Tenório, marchinha de Manoel Pinto e Aldari de Almeida Airão, Cabecinha no Ombro, rasqueado de Paulo Borges, Meu Sabiá, toada de Carlos Matos e A. Amaral, e Queria Ser Patroa, marchinha de Manoel Pinto e Aldari de Almeida Airão.

De 1948 a 1957, atuou em chanchadas como Carnaval no Fogo, Aviso aos Navegantes, É Fogo na Roupa, O Petróleo É Nosso, Barnabé, Tu És Meu e Sai e Baixo.

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Também em 1957, participou de dois LPs da gravadora Copacabana: Carnaval de 57 – Nº 1, com a marchinha A Sempre Viva, de Paulo Gracindo e Mirabeau, e do LP Festas Juninas, com o baião Papel Fino, de Mirabeau, Cid Ney e Don Madrid. Em 1958, gravou, com Silvinha Chiozzo, sua mãe, o rasqueado Cabecinha no Ombro, de Paulo Borges, que se tornou um grande sucesso e um clássico da Música Popular Brasileira.

Ainda em 1958, lançou o LP Lar… Doce Melodia pela gravadora Copacabana no qual cantou três faixas: Vá Embora, de Geraldo Cunha e Carlos Matos; Pagode em Xerém, de Alcebíades Barcelos, o Bide, e Sebastião Gomes; e Meu Veleiro, de Lina Pesce. As demais nove músicas ela interpretou ao acordeom: Viagem a Cuba, de I. Fields e H. Ithier; Night and Day, de Cole Porter; É Samba, de Vicente Paiva, Luis Iglesias e Walter Pinto; Inspiração, de Paulus e Rubinstein; Deixa Comigo, de Índio; Icaraí, de Silvio Viana; Padan-padan, de Glanzberg e Contel; Dance Avec Moi, de Hornez e Lopez; e Granada, de Agustin Lara.

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Em 1966, sua gravação da toada Meu Veleiro foi incluída no LP Lina Pesce – Seus Grandes Sucessos, lançado pela Copacabana. Em 1972, Adelaide participou do LP Alma do Sertão, produzido a partir do programa de Renato Murce na Rádio Nacional que levava o mesmo nome. Nesse disco, interpretou, com Eliana, a toada Pingo D’água, de Raul Torres e João Pacífico, e o rasqueado Campo Grande, de Raul Torres.

Em 1975, apresentou-se ao lado do marido e violonista Carlos Mattos no show Cada Um Tem o Acordeom Que Merece, no Rio de Janeiro e em Niterói.

Em 1976, a gravadora Philips lançou dois LPs, um relembrando a Era de Ouro dos filmes musicais brasileiros e outro sobre os 40 Anos da Rádio Nacional. No primeiro, intitulado Assim Era a Atlântida, foram remasterizados vários fonogramas apresentados durantes os filmes, incluindo três de suas interpretações: Pedalando, do filme Carnaval no Fogo, que ela cantou sozinha, e Recruta Biruta, de Antônio Almeida, Antônio Nássara e Alberto Ribeiro, e Beijinho Doce, ambas do filme Aviso aos Navegantes, interpretadas juntamente com Eliana.

No segundo LP, gravado a partir de acetatos obtidos durante programas da Rádio Nacional, foi incluída sua interpretação para o baião Nós Três, de Garoto, Chiquinho do Acordeom, Fafá Lemos e Badaró, cantado juntamente com Carlos Matos.

Em 1978, atuou na novela Feijão Maravilha, na TV Globo, em 1992, na novela Deus Nos Acuda, na mesma emissora.

A partir de então, realizou shows pelo Brasil, acompanhada pelo marido e, eventualmente, pelos três netos. Em 1996, participou do Projeto Seis e Meia, no Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro, juntamente com o cantor Francisco Carlos, no show Ídolos da Atlântida. Em 2001, teve lançado pelo selo Revivendo o CD Tempinho Bom, com 21 de seus maiores sucessos.

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Em 2012, Adelaide passou a integrar o Grupo As Cantoras do Rádio, em sua nova formação, que estreou no show A Volta das Cantoras do Rádio, récita única, no Auditório Raimundo Magalhães Jr., com criação, roteiro e apresentação de Ricardo Cravo Albin. Em 2014, participou, juntamente com as cantoras Lana Bittencourt e Ellen de Lima, do espetáculo A Noite – Nas Ondas da Rádio Nacional, apresentado no Teatro Rival BR.

Os LPs de Adelaide Chiozzo, 34 faixas remasterizadas de bolachões 78 RMP e coletâneas em CDs são facilmente encontráveis nos sites de busca especializados.

Aqui vai uma pequena amostra de seu trabalho, por ordem alfabética:

Beijinho Doce, valsa de Paulo Gracindo e Mirabeau Pinheiro, com participação de Eliana Macedo, gravada em 1951:

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Cabecinha no Ombro, rasqueado de Paulo Borges, com participação de sua mãe, Silvinha Chiozzo, gravado em 1958:

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Meu Sabiá, toada de Carlos Matos e A. Amaral, gravada em 1954:

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Pedalando, polca de Anselmo Duarte e Bené Nunes, com participação de Alencar Terra no acordeom, gravada em 1949:

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Sabiá na Gaiola, baião de Hervê Cordovil, com a participação de Eliana Macedo, gravado em 1951:

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LOUVAÇÃO AO COOPERRAIA DA QUADRA 2.008

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(Cordelzinho feito a pedido de um Aspone de certo supermercado brasiliense, cujos nome e endereço aqui vão modificados, para não configurar propaganda comercial)

Sou Raimundo Floriano
Mão de onça, pé de pano
Do Maranhão natural
Trombonista brasileiro
Cordelista, presepeiro
Heterossexual

No Exército, Sargento
Trabalhei no Parlamento
A nobre missão cumpri
Com invejável memória
Em livros, conto a história
De Balsas, onde nasci

Bravatas não me consomem
Pois bicho que mata o homem
Mora é debaixo da saia
E digo, com garantia
Para fazer economia
Só compro no CooperRaia

Tem louça, conveniência
Itens pra subsistência
Açougue, pão e biscoito
Verdura, óleo de soja
Bebidas, tudo na loja
Da Quadra Dois Mil e Oito

Café e chá na entrada
Mordomia franqueada
Excelentes energéticos
Com açúcar e adoçante
Opções para o talante
Dos fregueses diabéticos

Seu pessoal, bem treinado
Competente e educado
Com satisfação no cenho
Me faz lembrar com prazer
E orgulhoso enaltecer
Os amigos que ali tenho

Começo por um Aspone
Que anuncia ao microfone
Promoções e o preço certo
Com cordura e gentileza
Sagacidade e nobreza
O nome dele é Roberto

No Caixa, com segurança
Quer no peso, ou na cobrança
Esperta, chega nem pisca
Tem a terna maranhense
Morango mangabeirense
Que atende por Francisca

As burrinhas arrastadas
Pesando até toneladas
Pra ele, que toma cálcio
É trabalho de menino
Refiro-me ao vascaíno
Batizado como Dálcio

Na frente, com galhardia
Ajudando a freguesia
Já conquistou nossa estima
Sempre muito atencioso
Devotado e prestimoso
Esse mancebo é o Lima

Aqui vou me retirando
Se não estou agradando
Pode falar quem quiser
Neste mundo colorido
Continuo convencido
Que bicho bom é mulher

Glossário:

Burrinhas – Plataformas com rodízios, usadas no transporte de mercadorias, dos caminhões para o interior da loja.

LOUVAÇÃO A UMA DAMA DE ESCOL

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“Na alta sociedade, tudo se sabe”

(Cordelzinho feito a pedido de uma dama da alta sociedade, cujo nome aqui vai modificado, por motivos óbvios)

Sou Raimundo Floriano
Mão de Onça, Pé de Pano
Do Maranhão natural
Trombonista brasileiro
Cordelista, presepeiro
Heterossexual

No Exército, Sargento
Trabalhei no Parlamento
A nobre missão cumpri
Com invejável memória
Em livros, conto a história
De Balsas, onde nasci

E por ser muito acanhado
Só saio desse riscado
Pra matéria correlata
A pedido, como agora
Feito por gentil senhora
Colega hidroterapata

Refiro-me à Florinês
Viúva na binubês
Em ambas, provou do aço
Mas coisa estranha lhe ocorre
Sempre que o marido morre
Ela ganha outro c@b@ço

Florinês, a inesquecível
Possui um feitiço incrível
Que vem de eras remotas
Se um cabra se atrever
E a maçã dela comer
No outro dia bate as botas

Eu cá fico observando
E essas coisas anotando
Sem julgar, pois nada maldo
Só sei que ela é feliz
Pois Brasília inteira diz
Que ainda dá um bom caldo

Meio ano já se passa
E ela com jeitinho e graça
Deixa todo mundo in love
E se é que bem me lembro
A Flor vai até dezembro
Fazendo sessenta e nove

Nas colunas sociais
Ela é uma das dez mais
No jet set domina
E com sua hilaridade
Pra nossa felicidade
É a alegria da piscina

Essa mineira danada
Nasceu careca e pelada
Analfabeta e banguela
Mas, hoje, com seus encantos
Tem cabra pedindo, aos prantos
Pra morrer nos braços dela

Glossário:

Hidroterapata – Paciente de hidroterapia, neologismo por mim criado.

Binubês – Condição da mulher que se casou por duas vezes, outro neologismo que criei.

REENCONTRO POTIGUAR

Eu já falei aqui em raridade, a 25.05, com o Trio Mossoró, a 22.06, com Mister Six, o Hexadátilo do Cavaquinho, e, a 29.06, com a cantora Linda Rodrigues. Agora, volto com algo mais RARO ainda, que é este Encontro de Intérpretes Potiguares.

Há um mês, eu nem sabia de sua existência. Fui instigado pelo Maestro Antonio Gomes Sales, de Caraúbas (RN), a quem muito aqui já me referi, por seu trabalho na elaboração de partituras carnavalescas, colaborando em meu projeto de resgate da memória da MPB, particularmente no que tange ao Carnaval. Só nesta nova faze, são mais e 50º peças que, após formatadas, colocarei à disposição dos músicos do mundo inteiro.

Ele me pedia o áudio destas 13 joias de nosso cancioneiro pátrio e internacional: Devolvi, com Núbia Lafayette, Não Me Perguntes, com Ângela Maria, Cabecinha no Ombro, com Ângela Maria e Agnaldo Timóteo, Orgulho, com Ângela Maria, Alguém Me Disse, com Anísio Silva, Al Di Lá, com Connie Francis, Siboney, com Connie Francis, Diana, com Carlos Gonzaga, Quase, com Carmen Costa, Não Chores Por Mim, Argentina, com Cláudia, Iolanda, com Simone, Iracema, com os Demônios da Garoa e Praieira, com Paulo Tito.

As 12 primeiras foram moleza. Dormiam em minas prateleiras. Mas essa Praieira, meus amigos, foi pedreira pura, parada pra desmantelo. Eu nunca ouvira falar nela nem no nome do cantor. Mas resolvi enfrentar todos os obstáculos, todas as dificuldades, para não deixar de atender o amigo que, com imensa boa vontade vem cooperando na concretização de meus ideais.

Como primeiro passo, recorri ao Google, que me informou ser Praieira, também conhecida como Serenata do Pescador, uma canção com letra de Otoniel Menezes e música de Eduardo Menezes, composta em 1922 e, pelo Decreto-lei nº 12, de 22 de novembro de 1971, do governo municipal de Natal, declarada o Hino Oficial da Cidade, assim considerada por todos os norte-rio-grandenses.

Sobre o Cantor Paulo Tito, consegui as informações a seguir. Batizado Paulo Peres Tito, cantor, músico, compositor e produtor, nasceu em Natal, a 8 de abril de 1929. Herdou o gosto musical do pai e estreou como cantor aos 13 anos de idade, na Rádio Educadora de Natal.

Participou de diversos programas de calouros em sua cidade. Em 1951, assinou contrato com a Rádio Jornal do Commercio do Recife, atuando, também, como cantor, na Orquestra Tabajara.

Em 1954, foi para o Rio de Janeiro, a convite de Luiz Gonzaga, para cantar na Rádio Mayrink Veiga. Em 1955, estreou em disco na Copacabana com o samba-canção Missão de Amor, de Renê Bittencourt, e a rancheira No Meu Sertão, de Luperce Miranda e Gildo Moreno. Em 1956, gravou os sambas-canções Nossa Senhora de Copacabana, de Heitor dos Prazeres e Kaumer Teixeira e Linhas Paralelas, de Valdemar Gomes e Jair Amorim. Em 1959, gravou, na Polydor, os sambas Sai do Bar, de sua autoria e Ricardo Galeno e Compromisso Com a Saudade, de Billy Blanco.

Em 1961, gravou, na Continental, os baiões O Vendedor de Biscoito, de Gordurinha e Nelinho, e A Vassoura da Comadre, de Gordurinha. Do mesmo Gordurinha, gravou o rojão Pedido Legal, e, de Miguel Lima e Liesse Miranda, o xote Confusão em Família.

Em 1975, integrou uma caravana de artistas potiguares e retornou ao Rio Grande do Norte, fazendo apresentações em diversas cidades do interior. Em 1977, gravou o LP Balanço, pela Tapecar, interpretando músicas de Vinícius de Moraes, Noel Rosa e Chico Buarque.

Como compositor, fez parcerias, entre outros, com Roberto Faissal, Romeu Nunes e Zé Gonzaga. Teve composições gravadas por Altemar Dutra, Carequinha, Cauby Peixoto, Os Cariocas, Elis Regina, Zé Gonzaga e alguns mais.

A partir de 1978, voltou a residir em Natal, passando a lecionar violão no Instituto de Música Waldemar de Almeida, além de se apresentar em casas noturnas.

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Outras composições suas: Amor de Nordestino, parceria com Chico Anysio; Canção Pra Mamãe, com Renê Bittencourt; Candidata a Triste, com Ricardo Galeno; Cantiga de Um Homem Triste, com Roberto Faissal; Domingo em Copacabana, Roberto Faissal; Gamação, com Zé Gonzaga; O bom… bardino, com Álvaro Menezes; O Importante É Ter Você, com Belo Xis; Quero Você, com Ricardo Galeno; Questão Moral, com Roberto Faissal; Samba Feito Pra Mim Só, com Renê Bittencourt; Vou Comprar Um Coração, com Romeu Nunes; Vou Me Aposentar do Meu Amor, com Ricardo Galeno, e Yê-yê-yê Baiano.

Sua discografia é extensa, com alguns títulos em discos 78 RPM disponíveis no mercado virtual.

Faltava, agora, localizar o áudio da Praieira. Valendo-me dos dados LP – PAULO TITO – PRAIEIRA, fui direcionado pelo Google para um site de vendas, o único, onde eram anunciados dois exemplares do LP Reencontro. Adquiri de menor preço, cujo valor era de R$35,00. Mais adiante, falarei sobre o mais caro.

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Esta coletânea, com intérpretes potiguares, é uma promoção do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, na gestão de José Cortez Pereira de Araújo, Governador Biônico, com mandato entre 1971/1975, sendo, posteriormente, Prefeito de Serra do Mel, no período 2001/2004. Nascido em Currais Novos (RN), a 17.10.1924, e falecido a 21.2.2004, em Natal, Cortez Pereira deixou esse grande do documento fonográfico em prol da Cultura Musical Potiguar.

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Governador Cortez Pereira e Dona Aída, sua mulher

Antes de apresentar o áudio de Praieira e de outras melodias potiguares, vou falar do outro exemplar – o único restante – do LP Reencontro, ainda disponível no site de venda. Enquanto o que eu adquiri me custou apenas 35 reais, conforme dito acima, este remanescente acha-se disponível pela bagatela de 490. Vejam o reclame:

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Aqui vai pequena amostra do trabalho desses intérpretes e compositores potiguares:

Praça Pio X, samba de Airton Ramalho, na voz de José Alves;

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Prece ao Vento, toada de Gilvan Chaves, Fernando Cascudo e Alcyr Pires Vermelho, na voz de Ademilde Fonseca;

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Ranchinho de Paia, toada de Francisco Elion, com o Trio Irakitan;

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Royal Cinema, valsa de Tonheca Dantas, com Orquestra e Coro sob a regência de Paulo Tito;

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e, finalmente, a raridade solicitada pelo Maestro Antonio Gomes:

Praieira, toada de Otoniel Menezes e Eduardo Medeiros, na voz de Paulo Tito.

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DELEGADO NO ARRAIAL VITALRECOR/2015

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Aconteceu na Academia VitalRecor, em Brasília, DF, especializada em reabilitação cardíaca e qualidade de vida para os terceiridosos, onde dou um duro lascado para manter-me nesta linda forma que vocês estão cansos de elogiar e de também invejar, em cujo Arraial sou Delegado Vitalício.

A organização do Arraial ficou a cargo da Doutora Cristina Calegaro, cada vez mais brejeira do que nunca, Presidente do CREFI, proprietária da Academia e Santa Protetora nossa aqui na Terra – No Céu, é Nossa Senhora Aparecida -, coadjuvada na operacionalidade pela Secretária e Sócia Luciene Silva Lu, formanda em Educação Física.

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Cristina Calegaro e Luciene Silva Lu

Este ano, não houve novidades. Apresentei-me com minha incrementada espingarda, linda e artisticamente confeccionada pelo casal de amigos Jorge e Mércia. E, novamente, aconteceram as porradas que o noivo levou na cara, quando a noiva, já embuchada, descobriu que ele é o maior raparigueiro da paróquia. Aqui, minha primeira aparição como Delegado:

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A fogueira e a decoração do Arraial

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Convidados ao casório

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O Bispo, com os acólitos – O Delegado conduzindo o noivo

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A noiva – a Rapariga do noivo

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Final feliz – O suspeito

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O Delegado e Secretária Lu – Delegado e Professora Cleide

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Terceira Idade, infância e adolescência, tudo junto e misturado

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Detalhes da Quadrilha

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Fim de Festa

SEU MUNDINHO – OU VELHO FULÔ – AOS 79

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Na verdade, os aniversariantes eram dois: Ana Alice, minha cobrinha digo, sobrinha e comadre, do dia 2, e eu, do dia 3. Sempre que possível, comemoramos juntos.

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Nossa família, os Albuquerque e Silva e os Sousa Silva, ultrapassam, só aqui em Brasília, a casa das 200 pessoas. Como este ano foi apenas uma previa do que acontecerá no próximo, quando comemoraremos números redondos, Ana Alice, 60, e eu, 80, os convites foram restritos a um círculo bem íntimo de nossa laia. Mesmo assim, 83 compareceram à festa.

Família solidária, alegre e feliz. Pedíramos que, em vez de presentes, trouxessem cobertores ou agasalhos, para distribuirmos com entidades assistenciais, neste tempo de intenso frio brasiliense: arrecadamos mais de uma centena de peças.

O evento ocorreu no dia 4, sábado, das 12h às 18h, na ampla casa da Ana Alice, na Park Way, especialmente construída para a diversão desta nossa família, festeira por demais.

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Veroni, com a sobrinha Luciana

Maior parte da administração da festa ficou a cargo da Veroni, minha mulher, que se desdobrou para que tudo saísse a contento, com perfeição, nos mínimos detalhes, como de fato ocorreu.

O cardápio constou de maria-isabel, paçoca vinda de Balsas, vatapá, ovo frito e banana-prata. Para sobrfemesa, tortas diversas, bombons, bolo de arroz e bolo de puba, preciosidades da cozinha de Dona Maria Bezerra, minha saudosa e santa mãezinha. Para beber, cerveja, refrigerantes, vinhos e cachaça.

A parte musical ficou a cargo de um sanfoneiro, um zabumbeiro, um violonista e uma cantora. Depois das tantas, a prata da casa também mostrou sua arte, e até eu me aventurei com minha gaita. Pena que os músicos tenham ficado, involuntariamente de nossa parte, escondidos pela folhagem do jardim.

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Elaine, cantora, Giane, violonista, Lico, sanfoneiro, e Raimundo

Grata gentileza foram as presenças de Izaura Maria, minha prima e cunhada, casada com meu irmão Bergonsil, seus filhos Valéria e Maurício, este com Luciana, sua mulher, e as filhas Martinha e Mariana, que vieram de Niterói especialmente para nos prestigiar com seu carinho.

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Raimundo e Izaura Maria – Raimundo e Valéria

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Maurício, Luciana, Martinha e Mariana

A seguir, outros flagrantes da festa:

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Meu filho Zezinho, com Paula, sua mulher, e Anna Paula, minha neta

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Minhas filhas Elba, com Fábio, seu marido, e Mara, com Vinícius, seu namorado

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Lara, sobrinha, com Rodrigo, seu marido – Sobrinas Ceres e Fernanda

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* * *

Alguns amigos, ao me encontrarem na rua, ficam muito preocupados com o tamanho de minha barriga e me recomendam dietas milagrosas. A última novidade é o livro Barriga de Trigo, do americano William Davis. Aos 79 anos, agora é que vou parar de comer pão? De que adiantaria isso nesta idade provecta? Eu, que fui criado comendo beiju, cacete e cuscuz?

* * * 

Causou-me espanto a quantidade de mensagens recebidas no Facebook, onde contabilizo 953 amigos: 194 postagens, entre parabéns e curtidas! A todos respondi, individualmente, com este cordelzinho:

PELOS PODERES DE DEUS, AQUI CHEGUEI!

Sou Raimundo Floriano
Mão de Onça, Pé de Pano
Do Maranhão natural
Trombonista brasileiro
Cordelista, presepeiro
Heterossexual

No Exército, Sargento
Trabalhei no Parlamento
A nobre missão cumpri
Com invejável memória
Em livros, conto a história
De Balsas, onde nasci

Setenta e nove nos couros
Vida coberta de louros
Provei o gosto de tudo
Desfrutei do bom bocado
Mas fui até governado
Por um tal Sapo Barbudo

Da jumenta tomei leite
Do coco tirei azeite
Pro beiju amanteigar
E pra rimar com jumenta
Taí uma Presidenta
Ainda a nos governar

Meu medo é de certa hoste
Que elege qualquer poste
Fique a trocar as bolas
E venha com o xaveco
De balançar meu fuleco
E coçar meus caxirolas

Saiba, amigo ou amiga
Que é preciso que lhe diga
Com toda a sinceridade
Gosto muito de você
Por isso, que Deus lhe dê
Saúde e felicidade

Pra todos tiro o chapéu
Que vivam como num céu
De muita fartura e paz
Nesta vida tudo passa
Mas nunca vira fumaça
O bem que a gente faz

Você de mim se lembrou
E parabéns me enviou
No meu dia, 3 de julho
Por isso, quero que entenda
Valeu mais que qualquer prenda
Ou presente num embrulho

MEMORIAL BALSENSE – LANÇAMENTO EM BALSAS – A FESTA

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Como vocês já estão carecas de saber, e foi repisado aqui na última segunda-feira, aconteceu, na noite de 12 de junho passado, no Arraial do Festejo de Santo Antônio, nosso Padroeiro, o lançamento de meu livro Memorial Balsense em minha cidade natal, à qual ele é dedicado.

Aqui vão duas imagens parciais do Arraial, uma obtida durante o dia, e duas, à noite:

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Como vem acontecendo desde 2003, com Do Jumento ao Parlamento, passando por 2010, com De Balsas Para o Mundo, a apresentação do evento ficou a cargo da Professora Marlene Garcez, minha amiga dos velhos tempos e Diretora da Escola Normal:

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A Mesa dos Autógrafos foi composta por Fábio Chiappetta, meu genro, encarregado das vendas; France Farias, funcionária do BASA e filha do saudoso amigo Chico Farias, anotando os nomes dos leitores; Isaurinha Fonseca, querida sobrinha, como Relações Públicas; e Elba Chiappetta minha filha, a tudo fotografando:

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Fábio Chiappetta – France Farias e Raimundo Floriano

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Elba, Raimundo e Isaurinha

Foram autografados 102 exemplares, 85 vendidos e 17 doados a pessoas diversas, em duas noites. Na primeira, 12 de junho, aconteceu a festa propriamente dita. Na segunda, dia 13, já sem o aspecto solene, foram atendidos alguns retardatários.

É meu dever fazer menção especial à família do saudoso Patriarca Elias Miranda, pioneiro balsense, que muito me prestigiou com seu comparecimento. Assim como às viúvas de meus também saudosos amigos José do Egito Bucar, o Dué, e Pedro Caetano, desbravador do sertão sul-maranhense com seus caminhões transformados em ônibus, carinhosamente denominados de “tetéus”, pois neles os passageiros não conseguiam dormir, quando muito, cochilar. Causou-me grande alegria a enorme afluência de professores universitários à busca dos conhecimentos contidos no livro.

A seguir, alguns dos inúmeros flagrantes da festa:

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Pessoal da Família Miranda – Família de Antônio Pereira

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Gilda e Marilourdes Solino, minhas amigas de infância

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Japhet Filho e Larissa – Diacuí e Rubens Takemoto

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Professoras Cristiane e Célia Leite, esta com Adelmar, seu marido

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Walber e Laurenice – Adalberto e Vânia

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Cazuzinha, meu primo, e Família – Natana e Raimundinho, meus sobrinhos

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Professores Angelino Barbosa e Martinha Lopes, amigos tradicionais

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Universitários balsenses

Em Balsas, ficaram 150 exemplares com minha Assessora Plenipotenciária Maria do Socorro Ferreira Vieira, à Rua 11 de Julho, 228, que os administrará, como vem fazendo com os remanescentes de De Balsas Para o Mundo, lançado em 2010, que também se encontram à venda na Livraria e Papelaria ABC, de propriedade da amiga Ivany Agnol, à Avenida Raimundo Félix, 43, Centro. Aqui, essas duas preciosas colaboradoras:

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Maria do Socorro e Ivany Agnol

A reportagem completa encontra-se em meu álbum de fotos do FACEBOOK, página RAIMUNDO FLORIANO, sob o título MEMORIAL – LANÇAMENTO EM BALSAS.

* * *

Em junho de 2016, comemorando meus oitentões, com a Graça de Deus e as bênçãos de Santo Antônio, estarei em Balsas novamente, na noite de 12, no Arraial do Festejo de nosso Padroeiro, lançando meu novo livro, Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, contendo episódios publicados no Jornal da Besta Fubana, com os nomes de alguns atores modificados, para não constranger seus familiares. Eis sua capa provisória:

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Seu Mundinho e o Velho Fulô

THE MAN WHO SHOT LIBERTY VALANCE

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Desenho do artista Dió, índio paraguaio

Calma, querido leitores! Don’t be cruel with this old seventy-niner! Please! O título acima, extraído do excelente western de 1962, dirigido por John Ford, com John Wayne, James Stewart, Lee Marvin, Vera Miles, Edmond O’Brien e Andy Devine nos principais papéis, é apenas uma alegoria. No texto abaixo, não há morte alguma, nem matada, nem morrida.

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Quando preparava o lançamento de livro Do Jumento ao Parlamento, em Brasília, no ano de 2003, eu contava como certíssima a divulgação pela Rede Globo. Isso porque um amigo do peito, colega aposentado da Câmara dos Deputados, meu vizinho de Quadra, era Assessor Jurídico daquela emissora. Ao solicitar-lhe a deferência, ele não se fez de rogado e pediu-me que lhe levasse um exemplar do livro na sede da TV, o que foi feito. E o resultado disso? Até hoje!

Com tal insucesso, já fiquei sabendo que para ser notícia na mídia o buraco é mais embaixo. Precisa-se de algo mais.

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Em 2010, ao lançar novo trabalho, De Balsas Para o Mundo, não perdi tempo, já escolado, com a mídia da Capital Federal. Mas imaginei que, na noite de autógrafos em Balsas, minha terra natal, tudo seria diferente, pois naquele sertão sul-maranhense quase nada acontece de novo, e um nativo da região, ao escrever um livro, seria notícia, pelo menos para os conterrâneos.

Assim pensando, e com o auxílio da Maria do Socorro Ferreira Vieira, minha Assessora Plenipotenciária balsense, foi contatada a TV Rio Balsas, afiliada da Rede Globo, cuja apresentadora é filha de um amigo meu de infância, e o apresentador Manoel Carvalho, da Rede TV, que me pôs no ar a partir de minha chegada em Balsas e ficou postando flashes sobre o lançamento na programação da emissora. Quanto à Globo, vou contar.

Com o evento marcado para a noite de 12 de junho, no Arraial do Festejo de Santo Antônio, nosso Padroeiro, tive um contato inicial na véspera com a apresentadora, para que ela conhecesse o livro e pudesse preparar a matéria a exibir. Ficou acertado, então, que, no dia seguinte, ao meio-dia, seríamos entrevistados por ela, eu e Comandante Puçá, um de meus personagens, marinheiro de 88 anos – hoje com 93 -, que passou maior parte e sua vida navegando de Balsas ao Oceano Atlântico, quase 1.700 km de água, rio abaixo, rio acima.

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Comandante Puçá – Em 1940 e em 2010, com sua irmã Maria Rodrigues

Pois bem, às 9 horas da manhã do dia 12, recebemos um telefonema da TV Rio Balsas/Globo, informando que a entrevista fora cancelada. Desapontamento enorme para mim e para o Comandante, que já se achava todo paramentado, pronto para contar suas experiências de velho marinheiro.

À noite, o apresentador Manoel, da Rede TV, compareceu à festa, com sua equipe, colocando-me novamente no ar, em tempo integral:

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E, no auge do acontecimento, aparece-me por lá uma equipe da TV Rio Balsas/Globo, solicitando uma entrevista. Ainda em off, argumentei que, àquelas alturas, isso de nada mais valeria, pois o que interessava era a divulgação antes do evento, como fizera a Rede TV. No entanto, assim mesmo, concedi-lhes o que me pediam:

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Cinco anos se passaram. Em maio de deste ano, com novo livro, Memorial Balsense, já lançado em Brasília, procurei acautelar-me, para que os fatos relativos à Globo não se repetissem.

Como providência inicial, remeti um exemplar para a mesma apresentadora, agora na TV Mirante/Globo, que se mostrou muito receptiva e, desde então, por ser minha amiga no Facebook, curtia tudo o que eu ali postava referente ao livro. Minha Assessora fez com ela o contato telefônico, ficando acertado que combinaríamos o horário de entrevista tão logo eu chegasse a Balsas.

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Porém, foi só eu chegar, os telefones da apresentadora entraram em pane, ficaram fora de área, ou não atendiam, tal situação permanecendo imutável até a hora dos autógrafos, como sempre, na noite de 12 de junho, no Arraial do Festejo de Santo Antônio.

Paralelamente, desde o início de junho, a Rádio e TV Boa Notícia, ligada à Igreja Católica, colocava meu Convite no ar, em flashes que se repetiram até o início do evento.

Já às 19h do dia 11, quando cheguei a Balsas, fui agraciado pela radialista Maria da Conceição, da Rádio Boa Notícia, com entrevista ao vivo, postada no Facebook, no ato, por minha filha Elba que, com meu genro Fábio, me acompanhou em todos os momentos:

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No dia seguinte, 12, às 9h, o apresentador Francisco de Assis, da TV Boa Notícia, franqueou-me as câmeras em logo papo, ao vivo, sem limite de tempo:

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Ao meio-dia, novamente na TV Boa Notícia, foi a vez do consagrado apresentador Cantidiano, o bam-bam-bam, o bom-de-sela, deixar-me à vontade, em longa entrevista:

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Tudo isso resultou no retumbante sucesso que foi o lançamento. Quem já viveu isso sabe o que é autografar 85 exemplares, conversando com cada leitor, personalizando a dedicatória e posando com ele para a foto. Bote três horas, no mínimo. Durante esse tempo, novamente a TV Boa Notícia reportava tudo para seus telespectadores:

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E, quando a festa atingia o ápice, o apogeu, a culminância, quem me aparece por lá? Exatamente isso que você pensou, querido leitor: uma equipe da TV Mirante/Globo, procurando entrevistar-me.

Em não quis nem papo. Apenas perguntei: – É da TV Mirante? É da Globo? O Canal do Plim-Plim? Diante das respostas afirmativas, firmemente proclamei:

– Vocês fizeram cafajestada comigo durante todo o dia! Agora, que a mesa está posta, e satisfeitos os comensais, vocês me aparecem querendo as rebarbas? Nada feito!

Alguém a meu lado argumentou que a Globo transmite para todo o Estado do Maranhão, ao que eu respondi:

– Pode transmitir até para a Lua, para Marte, mas comigo, michou!

Lavei a alma!

LINDA RODRIGUES

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Encantadores olhos verdes

No dia 25 de maio passado, tive o prazer de postar, aqui no JBF, matéria focalizando o Trio Mossoró, verdadeira raridade, que esta coluna fez renascer, para deleite de seus leitores. Agora, retorno com outra preciosidade, configurada nesta cantora, ícone da MPB há muito tempo no ostracismo, no baú do esquecimento da Memória Nacional.

Linda Rodrigues, batizada Sofia Gervazone, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), a 11 de agosto de 1919, onde faleceu em novembro de 1997. Foi considerada uma das cantoras que melhor representaram a dor de cotovelo.

Carioca, nascida na Tijuca, sua formação moral foi das mais rígidas, pois fez o Curso Primário e o Ginasial na Escola Maria Raythe, um colégio de freiras do bairro, sendo seu padrinho de crisma o Cardeal Dom Sebastião Leme, que gostava muito dela. Atendendo um pedido de sua mãe, formou-se em Enfermeira pela Escola Ana Nery, embora nunca tenha exercido a profissão. Começou a estudar Medicina em Belém do Pará, onde morou 2 anos com a irmã e o cunhado, que era comandante da Marinha de Guerra. Pouco depois, sua mãe falecia.

Sua primeira experiência artística aconteceu em 1936, no Rio de Janeiro, quando cantou na Radio Transmissora, sob a orientação de Renato Murce, atuando ao lado de Odete Amaral, Ciro Monteiro, Orlando Silva e Emilinha Borba, que era igualmente amadora como Linda.

Poucos são os dados biográficos sobre essa grande cantora da Velha Guarda, por isso, vou ater-me, daqui pra frente, ao que consta do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Começou a carreira artística em 1945, na Continental, onde gravou os sambas Enxugue as Lágrimas, de Elpídio Viana e Carneiro da Silva e Abaixo do Nível, de Alvaiade e Odaurico Mota. Daí em diante, consolidou seu nome no mercado fonográfico.

Em 1946, gravou a marchinha Atchim, de J. Piedade e Príncipe Pretinho, e o samba Claudionor, de Cândido Moura e Miguel Bauso. Em 1948, gravou a rumba Jack, Jack, Jack, de Haroldo Barbosa e Armando Castro, e o samba-canção Mais Um Amor, Mais Uma Desilusão, de José Maria de Abreu. Em 1951, gravou, pela Star, o samba-canção Os Dias Que Lhe Dei, de Newton Teixeira e Airton Moreira, e o samba Raça Negra, de Ailce Chaves e Paulo Gesta. Em 1952, gravou o samba Lama, de Paulo Marques e Ailce Chaves, que veio a ser, não apenas seu maior sucesso como um dos sambas-canções mais celebrados no repertório da fossa, e o bolero Nossos Caminhos, de Airton Amorim e Nogueira Xavier.

Lama embalou os momentos seresteiros de minha juventude e mereceu inúmeras regravações, inclusive de outras consagradas intérpretes, como Ângela Maria, Núbia Lafayette, Maria Bethânia e, há bem pouco tempo, relançada pelo forrozeiro/brega João Bandeira.

Em 1953, gravou, pela Sinter, o samba Sombra e Água Fresca, de Geraldo Mendonça e Russo do Pandeiro, e a marchinha Bambeio Mas Não Caio, de Elvira Pagã, Ailce Chaves e Paulo Marques. Em 1954, gravou o samba Sereno Cai, de Raul Sampaio e Ricardo Galeno, e a marchinha Tá Tão Bom, de Três Amigos. Em 1955, gravou, pela Continental, o samba Ninguém me Compreende, de Peterpan, e o samba-canção Vício, de sua autoria e José Braga, com acompanhamento de Guaraná e sua Orquestra. No mesmo ano gravou, pela Todamérica, a marchinha Rico É Gente Bem, de A. Rebelo, Jorge Rupp e Ari Monteiro, e o samba Folha de Papel, de Paulo Marques, Sávio Barcelos e Ari Monteiro.

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Em 1956, gravou os sambas-canções Farrapo Humano, de sua autoria e Ailce Chaves, e Queimei Teu Retrato, de Noel Rosa e Henrique Brito. Em 1957, gravou os sambas Violeta, de Mirabeau e Dom Madri, e Recompensa, de Tito Mendes, Nilo Silva e Osvaldo França. No mesmo ano, gravou os sambas-canções Pianista, de Irani de Oliveira e Ari Monteiro, e Comentário Barato, de Jaime Florence e J. Santos. Em 1958, gravou os sambas Chorar Pra Quê?, de Aldacir Louro e Silva Jr., e Quando o Sol Raiar, de Mirabeau, Sebastião Mota e Urgel de Castro. No mesmo ano, registrou ainda o samba Sereno no Samba, de Aldair Louro e Dora Lopes, e o bolero Nada Me Falta, de sua autoria e Aldacir Louro, e teve a marchinha Copa do Mundo e o samba Samba da Vitória, ambos com Aldacir Louro, gravados na RCA Victor pelo Coro e Orquestra RCA Victor. Em 1959, gravou, pela RCA Victor, o samba Tem Areia, de sua autoria e José Batista, e a marchinha Marcha da Folia, de sua autoria, Aldacir Louro e Silva Jr.

Em 1960, gravou os sambas-canções Negue, de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, e Tenho Moral, de sua autoria e Castelo. No mesmo ano, gravou Companheiras da Noite, samba-canção de sua autoria, Ailce Chaves e William Duba. Em 1961, lançou, pela Chantecler, o LP Companheiras da Noite:

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FAIXAS DESSE ÚNICO LP DE LINDA RODRIGUES:

LADO A
1 – Lama (Ailce Chaves e Paulo Marques)
2 – Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos)
3 – Tião (Jair Amorim e Dunga)
4 – Pedro no Caminho (Aldacyr Louro e Linda Rodrigues)
5 – Documento (Aldacyr Louro e Linda Rodrigues)
6 – Final de Nosso Drama (Aldacyr Louro e Linda Rodrigues)

LADO B
1 – Aquelas Mãos (Aldacyr Louro e Linda Rodrigues)
2 – Pó do Asfalto (Aldacyr Louro e J. Portela)
3 – Cigarra Noturna (Aldacir Louro e Genival Melo)
4 – Companheiras da Noite (Ailce Chaves e William Duba)
5 – Tenho Moral (Linda Rodrigues e Castelo)
6 – Escondida (Luiz Alcarez; versão de Martha de Almeida)

Como visto acima, Além de cantar, Linda Rodrigues era compositora e fez parcerias com grandes criadores como J. Piedade, Ailce Chaves, Aldacir Louro, José Batista, Castelo, José Braga e outros.

No ano de 1955, o samba-canção Vício, fruto de uma parceria com José Braga, levou-a às paradas de sucesso. Sua discografia, que vai de 1945 a 1961, gira em torno de 50 títulos.

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O início da Década de 1960, com o aparecimento da Bossa Nova e o incremento do Rock, foi cruel para o pessoal da Velha Guarda e marcou a retirara voluntária de Linda Rodrigues do meio artístico. Poderia, com suja esfuziante beleza, ser uma das estrelas da TV. Mas os tempos modernos requeiram novas caras, o que resultou em impiedosa iconoclastia.

Esta foi uma das poucas estrelas do sul-maravilha que conheci em Teresina (PI), onde estudava, em 1953, quando, após o retumbante sucesso de Lama, fez uma turnê pelo Nordeste, sendo por lá praticamente desconhecida.

Linda Rodrigues nadou de braçada pelos ritmos dominantes em sua época. Como amostra disso, aí vai esta pequena seleção:

Chorinho – Banco da Praça, Paquito, Ciro de Souza e João Bastos Filho;

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Marchinha – Barca da Cantareira, de Arnaldo Ferreira e J. Rupp;

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Samba – Cantora de Samba, de Armando Régis;

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Rumba – Jack, Jack, Jack, de Haroldo Barbosa e Armando Castro;

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Bolero – Nossos Caminhos, de Airton Amorim e Nogueira Xavier, tremendo sucesso em 1952;

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e Samba-canção – Lama, de Paulo Marques e Ailce Chaves, sucesso absoluto ontem, hoje e sempre.

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MISTER SIX, O HEXADÁTILO DO CAVAQUINHO

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Francisco de Assis Carvalho da Silva (Mister Six)

Hexadátilo, como vocês estão cansos de saber, é a pessoa que tem seis dedos. E Francisco de Assis Carvalho da Silva, os possuía em ambos as mãos e em ambos os pés, herança genética de uns antepassados indígenas. Ele gostava de ser chamado de Mister Six e tudo que fazia era relacionava a esse pseudônimo.

Mister Six transmitiu essa polidatilia para grande parte de sua prole. Dos quatro filhos que teve, apenas o mais velho não nasceu com os seis dedos. Os outros três herdaram a genética do pai. Ao todo, são 14 membros da família que têm essa diferenciação.

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Filha de Six, orgulhosa da hexadatilia

Aliás, ser hexa é o desejo que todos nós, os brasileiros, acalentamos desde a conquista do penta em 2002. Não querendo meter política pelo meio, mas já enfiando, não custa lembrar que, como também todos estão cansos de saber, a dupla Itamar/FHC ganhou duas Copas e foi vice noutra, enquanto que a dupla Lula/Dilma já perdeu três. Como o brasileiro nunca desiste, a família de Mister Six, desde 2006, torce para que concretizemos tão almejado sonho, igualando-nos a ela ao hexa com que a Natureza os presenteou:

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Mister Six nasceu em São Luís do Maranhão, a 11 de dezembro de 1933, e faleceu em 1999, aos 66 anos de idade, aqui em Brasília, onde era pioneiro. Funcionário do Banco do Brasil e, formado em direito, exerceu a advocacia em seu escritório particular e dando assessoria a diversos órgãos governamentais.

Exímio tocador de cavaquinho, fez da música e da boemia seu estilo de vida. Cercado de grandes instrumentistas que o acompanhavam, era figura carimbada na noite brasiliense, nos inferninhos, nas boates, em bares, em clubes, em festas familiares, enfim, onde quer que o convidasse, sempre se apresentando graciosamente, pelo prazer de tocar, de alegrar a vida. Principalmente onde houvesse mulher e farta munição de boca: tira-gosto, uísque, cachaça, cerveja e outros mais.

Mister Six tinha um grupo seleto: violão de 7 cordas, violão de 6 cordas, bandolim, cavaquinho centro, cavaquinho solo – ele mesmo -, sanfona e pandeiro. Mas não era um grupo fechado. Admitia qualquer um que com ele quisesse tocar, com foi comigo e meu trombone.

Aconteceu em 1973. Maria Alcina acabara de ressuscitar Carmen Miranda, ao incluir em seu LP Maria Alcina, recém-lançado, dois sucessos da Pequena Notável: Alô, Alô, samba de André Filho, e Como “Vaes’ Você, marchinha de Ary Barroso. Foi tremendo sucesso no mundo gay, que organizou um desfile de travestis, na Boate Sereia, não mais existente, todos eles caracterizados de Carmen. Convidado para animar a festa, compareci, lá encontrando já em ação a turma do Mister Six, à qual me incorporei. Noite de esfuziante brilho, tanto dos trajes dos desfilantes, quanto do conjunto musical, modéstia à parte.

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Em 1998, pouco antes de morrer, Mister Six me presenteou com esse livro, lançado naquele ano, cujo tema dominante e, segundo suas próprias palavras no autógrafo é “minhas lembranças orgíricas.”

Há muito, ele vinha cobrado pelos familiares e amigos para que escrevesse suas memórias. Mas só se dispôs a começar o trabalho porque quebrou o pé direito, numa leve topada no Aeroporto do Recife, quando retornava a Brasília, depois de uma batalha jurídica para a retomada da gerência de TV O Norte aos seus legítimos proprietários. Na convalescença, achou tempo para transformar-se em escritor.

São histórias hilariantes mesmo, nas quis se comprovam seu espírito seresteiro, boêmio e putanheiro. Vou contar-lhes duas.

A VISITA FRUSTRADA ÀS GENITORAS – Numa Semana Santa, Mister Six aproveitou para visitar Dona Neuza, sua mãe, em são Luís. Ao entrar no avião, encontrou seu amigo Manoel Lopes, o Manolo, funcionário da Câmara dos Deputados e exímio sapateador, que ia à Capital Ludovicense com o mesmo propósito. Ao chegarem lá, não havia parente algum para recebê-los. Resolveram pegar o mesmo táxi rumo à cidade. Já embarcados, perguntaram ao motorista se, no trajeto, havia algum local para molharem a goela. O motorista respondeu que, se eles gostavam de “casas de mulheres”, havia, bem perto, o Solar de Dona Neuza, com lindas moçoilas. Ao ouvir o nome de sua genitora, Mister Six aprovou no ato. Em lá chegando, foram fidalgamente recebido pela Diretora do ambiente, que os acomodou, informando que as meninas estavam na praia, mas logo retornariam Enquanto esperavam, Mister Six pegou o cavaquinho, dando início a uma tocata regada a cerveja, uísque e tira-gosto, com o Manolo a sapatear. Por lá se hospedaram e por lá foram ficando. Com o retorno das meninas, a coisa esquentou. A temporada durou cerca de uma semana de choro, sapateado e raparigagem, após o que regressaram a Brasília, sem verem as respectivas genitoras, com as quais só falaram por telefone, após sua chegada na Capital Federal.

A MERDIFICAÇÃO DA CABELEIRA DO MAESTRO – O astro é o exímio violinista Ricardo Wagner, famoso por sua imensa prole legal, acrescida de outros descendentes oriundos de aventuras extraconjugais, pelo que era reconhecido com raparigueiro juramentado. Estando Mister Six hospedado no antigo Empire Hotel, no Rio de Janeiro, recebeu ele visita do amigo violinista no último andar, onde funcionava um requintado restaurante de comidas baianas. O virtuoso chegou acompanhado de uma de suas concubinas, linda gauchinha descendente de italianos chamada Sofia. No almoço, caruru, efó, vatapá, moqueca de siri mole, bobó de camarão, etc., tudo com leite de coco de dendê, bem apimentado e regado a vinho branco. Terminado o ágpe, Ricardo pediu a Mister Six a chave do apartamento para uma rápida incursão sentimental, sendo imediatamente atendido pelo amigo, que ali ficou esperando a volta dos pombinhos. De repente, quem lhe aparece é o mensageiro do hotel, comunicando que o músico devia estar com algum problema, pois acabara de fazer estranha encomenda: seis vidros de xampu, condicionadores de teores diversos, dois pentes finos, três vidros de sabonete líquido, além de meia dúzia de tolhas de rosto. Diante do inusitado, Mister Six rumou para o apartamento, sendo interceptado pela garota Sofia, que descreveu a ocorrência: estando os dois em prefeita coalizão amorosa, resolveram apelar para um posicionamento invertido, cognominado soixante-et-neuf, quando ela, por cima, se sentiu, repentinamente, mal da barriga, explodindo, sem querer, um violento jato de merda, com perfume de dendê, sobre a cabeleira do parceiro que, em defesa, empurrou suas nádegas para a frente, ocasionando um segundo jato, ainda mais forte sobre seus olhos. E ao pobre maestro, cego e merdificado, só restou correr para o banheiro, em busca de assepsia geral.

Esta, por ter acontecido muito comigo durante meu tempo útil de trombonista, merece transcrição.

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“Até hoje, por incrível que pareça, os músicos são discriminados, porque a maioria pensa que eles, não obstante exercerem essa magnífica profissão, exibem-se não como meio de vida, porém como divertimento. Dentro desse equivocado entendimento, vêm sendo explorados, principalmente os instrumentistas, pela distorcida demanda do mercado. Do mesmo modo, com raríssimas exceções, também são considerados de nível social inferior.

“Vários de nossos artistas ligados ao gênero chorístico, entre os quais pessoas de alto gabarito em outras atividades, foram convidados para uma recepção numa mansão do Lago Sul, bairro elegante, onde reside a classe alta de Brasília

“Formamos, então, uma pequena caravana, e partimos, juntos, para o endereço indicado. Éramos, mais ou menos, dez cavalheiros, cada qual empunhando seu instrumento.

“Ao tocarmos a campainha, no interfone, a dona da casa perguntou quem éramos.

“- Somos os músicos! – eu respondi displicentemente.

“Vejam o que ela disse:

“- Está bem! Um momentinho! Vou mandar abrir a entrada de serviço!

“Em fila indiana, já combinados, atendemos à recomendação.

“Na sala principal, cumprimentamos todos os convidados e os donos da casa, saindo pela imponente porta social, sem dizermos absolutamente mais nada.

“A festa, simplesmente, em respeito a nós mesmo, ficou sem música.”

Mister Six, além desse divertidíssimo livro, deixou-nos este maravilhoso CD, verdadeira raridade, não encontrada no mercado fonográfico, para marcar sua passagem entre nós, secundado por seu excelente grupo de amigos chorões:

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Como amostra da arte de Mister Six e seu cavaquinho, escolhi o chorinho Rossinando, composição sua em homenagem ao bandolinista recifense Rossini Ferreira, produtor do CD que, com ele, aparece na capa. Vamos ouvi-lo:

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BALSAS, MA: DO FUTURO PARA O PASSADO

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Como já foi amplamente divulgado aqui no JBF, no Facebook, urbi et orbi, estarei autografando, com a Graça de Deus, na noite do dia 12 próximo, no Arraial do Festejo de Santo Antônio, meu último livro, Memorial Balsense. Trata-se do lançamento umbilical, eis que o nacional já ocorreu a 19 de março último, Dia de São José, no Restaurante Carpe Diem, aqui em Brasília, quando choveu a cântaros, o que é normal na data consagrada pelos nordestinos ao Padroeiro da Chuva.

Hoje, 9 de junho, quinta-feira, estou escrevendo esta matéria por antecipação, para ir ao ar no dia 15, segunda-feira próxima. Faço-o porque, de 10 a 15, estarei longe de casa e deste micro, dileto companheiro. Por isso, vou tentar aqui prever o futuro, levando em conta tudo o que já foi combinado e esperando que nada saia diferente do adredemente previsto.

O FUTURO

Dia 10 de junho, quarta-feira – Saímos de Brasília, de madrugada, eu, minha primogênita, seu marido e minha caçula, na Ford Ranger de meu genro. Minha mulher não nos acompanhou, devido ao período de provas na Faculdade onde estuda. Na bagagem, 250 exemplares do livro. Percurso total: 1.614 km de chão! Ao escurecer, paramos no primeiro hotel encontrado, onde pernoitamos.

Dia 11 de junho, quinta-feira – Reiniciamos a viagem, às 06h00, paramos em Carolina, para abraçarmos meu irmão Pedro Silva e, logo após, pegamos a estrada, chegando a Balsas no maio da tarde. À noite, entrevista na TV Boa Notícia, afiliada da Rede Vida, para irem ao ar no dia seguinte.

Dia 12 de junho – sexta-feira – Entrevista na TV Mirante, afiliada da Rede Globo, com a apresentadora Alzira Coelho, reza do Terço na Matriz de Santo Antônio, ao meio-dia, com retreta ao final. À noite, às 21h00, depois da Santa Missa, e com a apresentação a Professora Marlene Costa Garcez, Diretora da Escola Normal, autografei cerca de 50 exemplares – é a média. Os volumes restantes do livro serão entregues à amiga Maria do Socorro Ferreira Vieira, que os administrará. Tomando parte no Festejo, jantei, na barraca principal, comidas típicas balsenses: marizabel, vatapá, paçoca e banana, acompanhadas de refrigerante diet.

13 de junho, sábado – Dia de Santo Antônio, nosso Padroeiro. Participamos do encerramento do Festejo, com reza do Terço ao meio-dia, Procissão ao final da tarde, seguida pela Santa Missa, culminando com jantar da barraca e arremate de joias no leilão.

Dia 14 de junho, domingo – Saída de Balsas, às 06h00, fazendo o percurso inverso, com pernoite a 600 km de Brasília.

Dia 15 de junho, segunda-feira – Chegada a Brasília no meio da tarde. Nessas alturas, esta premonitória matéria já foi ao ar, mercê das gentilezas da equipe técnica do Jornal da Besta Fubana, que a recebera por antecipação.

O PASSADO

Em homenagem a meus conterrâneos, que tão bem nos receberam durante essa breve estada entre eles, tenho o prazer de apresentar-lhes uma foto rara, batida em 1940, pequena amostra da mocidade balsense daquele tempo, identificando cada personagem:

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Foto do acervo particular deste colunista

01 – Raymunda Pires, a Dica, filha de Álvaro e Marina Pires, depois casada com meu primo Pedro Maranhense Costa.

02 – Yolete Pires, filha de Alexandre e Justina Pires, depois casada com Jorge Clemenceau Kury.

03 – Conceição Borges, filha de Tunda Borges e Ester Barbosa, a Cotinha. Rainha do Festejo de 1946 e coroada na noite de 13 de junho, foi covardemente assassinada por seu namorado, a tiros, cinco dias depois.

04 – Terezinha Pereira, filha de João Batista da Silva Pereira e Nemézia Santiago Pereira, depois casada com Miguel Lima, o Miguelzinho.

05 – Nízia Crisólida Pires, filha de Alexandre e Justina Pires.

06 – Yolanda Borges, Filha de Tunda Borges e Cotinha, depois casada do meu primo Esmaragdo de Sousa e Silva.

07 – Terezinha Coelho, irmã de Absalão Coelho.

08 – Antonieta Barbosa, filha de Sadoc Barbosa.

09 – Raimunda Rocha, a Mundiquinha, filha de Zefinha Rocha, depois casada dom Gumercindo Tourinho.

10 – Ceci Pires, filha de Álvaro e Marina Pires.

11 – Rute Rocha, Diretora do Grupo Escolar Professor Luiz Rêgo e mulher do fotógrafo Rochinha, que registrou esse flagrante.

12 – Mary. Bandolinista, Mary é a na única na foto que não residia em Balsas. Estava por lá a passeio, mas deixou isso registrado, assim como esta pose com seu instrumento:

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13 – Miriam Rocha, filha de Zefinha Rocha e irmã da Mundiquinha.

14 – Raimundinha Pires, depois casada com Pedro Pires e mãe do lendário Luiz Pires.

15 – Marica Rocha, filha da outra Zefinha Rocha e tia do Luiz Piauí, garoto muito levado.

16 – Maria Augusta Borges, filha de Tunda e Cotinha Borges, depois casada com Luiz Viana da Fonseca.

17 – Maria de Jesus Pires, filha de Alexandre e Justina Pires, depois casada com Moisés Coelho e Silva.

18 – Magnólia Pires, fila de Álvaro e Marina Pires, irmã de Ceci e Dica.

19 – Maria Isaura Albuquerque e Silva, minha irmã, depois casada com Pedro da Costa e Silva.

20 – Rosinha, irmã da Branca de Neve. Nada se conhece sobre seus genitores.

21 – Emerenciana Coelho, depois casada com Omar Ribeiro.

22 – Yolanda Coelho, filha de Parsondas e Wady Coelho, a Didi, depois casada com Tarquínio Noleto.

23 – Luíza Rocha, filha de Raimundo Rocha, o Mundico Rocha.

24 – Pedro Albuquerque e Silva, meu irmão, depois casado com Naide Noleto

25 – Luiz Pires, filho de Álvaro e Marina Pires, e irmão de Dica, Ceci e Magnólia.

26 – Miguel Borges, filho de Tunda e Cotinha Borges e irmão de Maria Augusta, Conceição e Yolanda.

27 – Adelman Pires, filho de Álvaro e Marina Pires e irmão de Dica, Ceci, Magnólia e Luiz Pires.

Para botar música na conversa, aqui vai o samba Balsas, Cidade Sorriso, de 1946, composto por Martinho Mendes, nosso saudoso e inesquecível saxofonista, com letra de um caixeiro viajante desconhecido, e gravado por Felipe Rodrigues, do Estúdio Verbo Vivo, de Brasília, em youtube produzido por Jorge Rocha, meu Assessor Performático.

MEMORIAL BALSENSE – LANÇAMENTO EM BALSAS

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É neste Arraial que autografarei:

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Para vocês, o Hino de Santo Antônio, música e letra de Eleutério Resende, na interpretação de Mércia Cairis e Felipe Rodrigues, do Estúdio Verbo Vivo, de Brasília, em youtube produzido por Jorge Rocha, meu Assessor Performático:

CARNAVAL EM TIBAU: MATANDO A PAU

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Carnaval de rua de Tibau

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Tibau – encantado balneário potiguar

Neste ano de 2015, com a ausência das Escolas de Samba brasilienses, vivemos, em compensação, fenômeno inusitado, com o povão acorrendo espontaneamente a todas as armações de folia, sem patrocínio oficial, sem a intromissão do governo, na abolição definitiva – assim espero – do Carnaval plastificado.

Para mim, o Carnaval é festa de rua, com os blocos de sujos e troças gandaieiras surgindo de cada beco, de cada esquina, em cada viela. Foi assim que vi meus irmãos mais velhos e seus amigos saindo pelas ruas balsenses, entrando nas residências levando a alegria e também se reabastecendo de bebida e tira-gosto.

Cresci curtindo essa lembrança e tive a oportunidade, juntamente com Luiz Berto, de carregar o povão pelas superquadras de Brasília, enquanto durou a Banda da Capital Federal, até que autoridades governamentais tolhessem nossa aprontação, sob o pretexto de que, com nossa música, fazíamos barulho, prejudicando o repouso de figurões coroados da República.

Aprendi a tocar trombone visando apenas um objetivo: alegrar os desapercebidos que, sem condições financeiras de frequentarem salões de clubes sociais, fazem da rua seu espaço durante o período momesco. O flagrante abaixo mostra que realizei esse ideal. Numa segunda-feira de Carnaval, em 1979, pela manhã, voltava eu duma armação. Ao passar por Sobradinho, cidade-satélite de Brasília, vi um grupo que desfilava pelas ruas, dançando, cantando e pulando, ao som de reduzidíssimo instrumental: um surdo, um tarol com o couro furado, um reco-reco e latas. Desci de meu fusquinha e incorporei-me àquela moçada, o que ficou para sempre registrado:

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Mas voltemos ao Carnaval Brasília/2015.

Este ano, segundo avaliação da imprensa e da Polícia Militar, compareçam à Praça do Cruzeiro, onde se concentraram os blocos vindos de pontos diversos, mas de um milhão e quinhentas mil pessoas. As imagens abaixo dão duma ideia de como isso foi:

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Lindo!! Maravilhoso!!! Desbundante!!!

Em todas as imagens pesquisadas, procurei, como quem procura agulha no palheiro, a figura imprescindível, indispensável, característica do Carnaval de minhas quimeras:

Sua Excelência, o Músico de Sopro!

E é agora que passo a me referir do Carnaval de Tibau!

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Antonio Gomes e este colunista

Há muito tempo, venho falando aqui no Maestro Antonio Gomes Sales, de Caraúbas (RN), que continua realizando, a meu pedido, um trabalho importantíssimo no resgate de partituras de marchinhas, frevos e sambas carnavalescos, em suas horas de folga, sem nada cobrar por isso. Até o próximo Carnaval, estaremos com 500 novas peças que, somadas às já digitalizadas, perfarão a marca de l.720, que serão colocadas à disposição de todos os músicos do Brasil e do Exterior, via Internet, e tudo isso grátis. Será nossa contribuição para o a perenidade da Música Carnavalesca Brasileira. Ei-lo aqui com a Banda de Música de Caraúbas, da qual é o Regente:

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Pois bem, este ano, o Maestro Antonio Gomes foi convidado pelo Maestro da Orquestra Enrick Frevo para dar uma canja no Carnaval de rua de Tibau, e ele não se fez de rogado.

Tibau é um pequeno município potiguar à beira-mar, emancipado há 19 anos e com menos de 4 mil habitantes, sabendo estes aproveitar os bons momentos da vida. É o que se deduz vendo a população seguindo a Orquestra no Carnaval, com a participação de Antonio Gomes Sales, o primeiro saxofonista da esquerda para a direita.

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Músicos e foliões tibauenses na Segunda-feira Gorda

No vídeo abaixo, gravado com celular na Terça-feira Gorda, a Orquestra interpreta o frevo de rua Cabelo de Fogo, composição de José Nunes, no qual se tem o prazer de apreciar o perfeito diálogo entre as palhetas e os metais:

Vocês notaram os foliões seguindo a orquestra? Verdadeiro bloco se sujos! É por isso que eu não me canso de proclamar:

No Carnaval, Tibau matou a pau!

TRIO MOSSORÓ

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 João Batista, Hermelinda e Oséas Lopes

O Trio Mossoró habita minhas prateleiras desde 1980, quando adquiri o LP O Melhor do Trio Mossoró:

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Mas é, praticamente, um ilustre desconhecido no Brasil, quiçá em sua própria terra. Há poucos dias, Beto Potiguar, o técnico de cuida dos computadores daqui de casa, natural de Caraúbas (RN), ficou surpreso ao ver um CD do Trio, que e eu montara para meu acervo, e disse que jamais ouvira falar dele, acrescentando que vai muito a Mossoró, pois tem um irmão lá residente. O fato é marcante, pois o Beto é zabumbeiro de um conjunto brasiliense de Forró.

No dia 6 de maio de 2014, foi lançado, em Mossoró, o livro Minha História, de Oséas Lopes, contando detalhes da trajetória do Trio. Tentei adquiri-lo, mas em vão:

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Minha intenção é mostrar aqui um pouco do trabalho desse Conjunto, dizer algo sobre seus três componentes. Como as contracapas de seus elepês nada informam, e não querendo me valer de dados não muito confiáveis, vou ater-me ao pouquinho que consta do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

O Trio Mossoró é composto pelos irmãos Carlos André Batista, o Oséas Lopes, João Batista, o João Mossoró, e Hermelinda Batista, a Ana Paula.

Foi fundado no princípio dos anos 1950, pelo sanfoneiro Carlos André Batista, que já havia atuado na Rádio Tapuyo de Mossoró. Pouco depois, Carlos André mudou-se para o Rio de Janeiro, para onde chamou os irmãos visando a dar continuidade ao trabalho do Trio.

No Rio de Janeiro, o líder e fundador já atuava nas rádios Mayrink Veiga e Nacional, mantendo contato e intercâmbio com o compositor maranhense João do Vale.

Em 1954, recebeu em cerimônia, no Teatro Municipal no Rio de Janeiro, o troféu Elderbe, o mais importante prêmio musical naquele momento.

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Em 1962, gravou o primeiro disco, o LP Rua do Namoro. Depois disso, lançou, ao longo da carreira, cerca de 10 elepês, destacando-se, entre os quais, Trinta Dias de Forró e Forró do Mexe Mexe.

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Participou, ainda, de inúmeras coletâneas de música forrozeira.

Em 1972, o Trio se separou, com seus integrantes partindo para autuações individuais.

Possuo em meu acervo 25 títulos de seu repertório, alguns deles garimpados no baú do amigo Paulo Carvalho, Cardeal da Igreja Sertaneja e Membro da Academia Passa Disco da Música Nordestina.

Baseado nesse cabedal, aventuro-me em dizer que o Trio Mossoró, foi, enquanto durou, o grande intérprete da dupla Antônio Barros e Cecéu. Deles são 15 peças dos 25 títulos acima citados.

Como pequena amostra, escolhi cinco ritmos nordestinos diferentes, para que vocês possam curtir um pouco as preciosidades que esses maravilhosos artistas nos legaram:

Eta Coração, rojão, de Antônio Barros;

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Era Fogo, xote, de Cecéu;

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São João Chegou, arrasta-pé, de Cecéu;

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Carcará, baião, de João do Vale e José Cândido, ressaltando a voz de Ermelinda/Ana Paula;

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e Praça dos Seresteiros, toada, de Antônio Barros e Oséas Lopes.

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SERÁ QUE LEEM MEUS ESCRITOS?

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Tenho cá minhas dúvidas.

No Facebook, quase certeza de que sou pouco lido. Embora conte já com 899 amigos, a página Raimundo Floriano – Escritor, crida há quase um ano, onde posto matérias semanalmente, mereceu, até hoje, 293 curtidas.

Aqui no Jornal da Besta Fubana, médio, a coisa anda a meia-trave. No dia 13.4.15, postei a matéria NEIDE SANTOS – DESAFIO AOS CORDELISTAS FUBÂNICOS, esperando que a turma apresentasse seus reptos ao cordel de minha autoria enaltecendo nossa Madre Superiora, mas ninguém se pronunciou, retorno algum mereci.

Teimoso que sou, retomo o assunto aqui postado no dia 4.5.15, sob o título ESCRITOR: QUEM ME DERA SER!

E recomeço pinçando fragmento de notícia publicada na Revista do Correio, sobre profissões mais paqueradas:

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No dia 4, falei sobre o escritor. Agora, tecerei algumas considerações sobre a carreira de bibliotecário, a segunda mais desejada no Império Britânico.

Quando tomei possa na Câmara dos Deputados, em março de 1967, falaram-me que aquele prédio parecendo um caixote, no Anexo II, era a Biblioteca, superlotada de bibliotecárias cada qual a mais linda. Aliás, em matéria de beleza feminina, já naquele tempo só era feia quem optasse por isso. Todas as porteiras das fazendas, na estrada de Brasília para Goiânia, traziam esta mensagem publicitária: “Mulher bonita usa perfume Liz Taylor”. Hoje, com o domínio da TV, sabemos que “não existe mulher feia; existe mulher que não conhece os produtos da Jequiti”.

Mas retomemos o assunto do qual, com esta digressão, quase me perdi.

Nove anos depois de entrar na Câmara dos Deputados, fui lotado na Biblioteca, com exercício na Seção de Publicações. E, ai, conheci a verdadeira natureza do trabalho das bibliotecárias.

Claro que, no item boniteza, elas continuavam imbatíveis – não existe mulher feia. Porém havia mais, muito mais.

A etimologia de seu nome já indica a que vieram: do grego biblion = livro.

Se o escritor é o pai, a bibliotecária é a mãe do livro. E que mãe carinhosa e dedicada! Com que prazer ela manuseia um exemplar, classifica-o, assume sua guarda!

A bibliotecária conhece cada volume que passa por suas mãos. Sabe sua história e tem ciência de seu conteúdo. Basta que alguém informe vagamente o tema sobre o qual pesquisa, para que ela vá direta e rapidamente ao ponto. Tudo isso porque é leitora fiel e atenta.

Falar em leitor fiel, outro dia, uma bibliotecária amiga me chamou a atenção sobre o conto-título do livro de que encabeça esta matéria, escrito pelo francês Guy de Maupassant no ano de 1880. Eu falei 1880!

Instigado pela amiga, aproveito o ensejo para testar a atenção de meus leitores, no sentido de que eles procurem detectar a semelhança do conto Bola de Sebo, com algo lido ou ouvido mais recentemente, na segunda metade do século passado.

A trama se passa em dezembro de 1880, sob o governo de Luís Napoleão Bonaparte – que assumira o título de Napoleão III, Imperados dos Franceses. Num conflito que durou poucas semanas, o Exército Prussiano dominava a França. Alguns comerciantes de Ruão tinham grandes transações no Havre, cidade ainda ocupada pelo Exército Francês e buscavam alcançar aquele Porto, indo por terra até Diepe, onde tomariam um barco. Valendo-se eles da influência de oficiais alemães com os quais haviam travado conhecimento, obtiveram do Comandante local autorização para viajar.

Uma grande diligência foi reservada para a viagem, devendo sair na madrugada duma terça-feira, para evitar ajuntamento. Às 4 horas da manhã, partiram. Eram dez passageiros: a Sra. e o Sr. Loiseau, negociante de vinho por atacado; o Sr. Carré-Lamadon, proprietário de tecelagens de algodão, portador da Legião de Honra e membro do Conselho Geral, e a Sra. Carré-Lamadon, consolo dos Oficiais de boa família que iam servir em Ruão; o Conde e a Condessa Hubert, ele também membro do Conselho Geral; duas Freiras, uma velha, marcada pela varíola, e a outra, fraquinha, de cara bonita e doentia; O Sr. Cornudet, o democrata, herdeiro do pai, antigo confeiteiro; e, por último, uma mulher dessas chamadas “de vida fácil”, ou puta, famosa por sua gordura, o que lhe valera o apelido de Bola de Sebo.

Baixinha, redonda, banhuda, com os dedos rechonchudos, pele brilhante e esticada, uma peitaria avolumada, ela continuava apetitosa e atraente. O rosto era uma maçã, de onde saltavam dois magníficos olhos negros. A boca era encantadora, própria para o beijo, com dentes brilhantes e microscópicos. Diziam que era dotada de qualidades fora de série.

Logo que a reconheceram, correu entre as mulheres um murmúrio com as palavras “prostituta”, “vergonha pública”, ao que Bola de Sebo ergueu a cabeça, passeando um olhar atrevido e desafiador pela vizinhança. A presença da rapariga tornava as damas de bem subitamente amigas, quase íntimas, pois compunham um buquê de esposas dignas diante daquela descarada, pois sempre o amor legal trata do alto seu companheiro livre.

A carruagem seguia lentamente. Às dez horas da manhã, ainda não tinha percorrido quatro léguas. A fome começou a aperrear as mentes e barrigas de todos. Os homens, procuravam, comida nos sítios na beira da estrada, mas em vão.

Às três horas da tarde, com todos esfomeados, Bola de Sebo puxou lá debaixo do banco um grande cesto coberto por uma toalha, cheio de todo tipo de comida, bebida e frutas, que prepara para uma viagem de três dias. Delicadamente, começou a comer uma asa de frango com um pãozinho. Todos a olhavam com inveja. O desprezo das damas pela rapariga tornou-se feroz, uma vontade de matá-la, atirá-la para fora, ela, as garrafas de vinho, o cesto de mantimentos.

Mas Bola de Sebo, magnânima, ofereceu a comida para todos, repartiu o que trazia com as damas e o senhores ricaços para os quais, naquele momento, o estômago falava mais alto que o orgulho.

A viagem prosseguiu. À noite, chegaram a uma vila, parando diante do Hotel do Comércio, onde pernoitariam. Ali, foram recebidos por soldados alemães que os acolheram e agasalharem na estalagem. Na hora da ceia, o dono do albergue perguntou:

– Quem é a Senhorita Elizabeth Rousset? Bola de Sebo respondeu:

– Sou eu!

– Senhorita, o Oficial prussiano quer falar-lhe imediatamente!

– Comigo?

– É, se a senhorita for Elizabeth Rousset.

Bola de Sebo ficou meio confusa, refletiu um instante, depois declarou petulantemente:

– É possível, mas não irei!

Para encurtar a história, o Comandante prussiano queria que Bola de Sebo fosse servi-lo na cama, dormir com ele.

As senhoras de bem ficaram injuriadas, por não ter sido uma delas a escolhida para transar com o Comandante. Bola de Sebo, cheia de brios, endureceu o jogo: com ele não se deitaria!

De seu lado, o Comandante prussiano também tesou: se ela não lhe proporcionasse uma noite de amor, a carruagem não daria continuidade à viagem. Os passageiros tentaram convencer Bola de Sebo com estes argumentos:

– Vai com ele, vai, Bolinha! Você dá para todo mundo! É só mais um!

Mas a rapariga mantinha-se inflexível.

Diante do impasse, todos passaram a tratar Bola de Sebo com carinho e simpatia, chamando-a de Madame Rousset, Senhora Rousset, Senhorita Rousset, até de queridinha. E ela, to m aí!

E o tempo foi passando. Até que um dia, condoída pela situação dos demais companheiros de viagem, Bola de Sebo tomou uma decisão

– Hoje à noite, eu vou! Só faço isso por todos, exclusivamente!

Naquela noite, houve festa na estalagem, com muita bebida, champanhe, música, dança e cantoria, enquanto Bola de Sebo se submetia ao sacrifício pelo bem de todos.

Na manhã seguinte, com a carruagem já liberada, todos só esperando a chagada de Bola de Sebo, de repente ela apareceu, um pouco sem jeito, meio envergonhada. Com timidez, caminhou em direção aos outros, que, num movimento único, lhe viraram as costas, como se nunca a tivessem visto.

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Todos lhe viraram as costas

Dessa vez, Bola de Sebo não prepara seu farnel para a viagem. E, durante o resto do percurso, os companheiros, providos de alimentos e vinho, fartavam-se nas refeições, mas sem nada oferecer àquela que os salvara. Nem ao menos a palavra lhe dirigiam.

E Bola de Sebo, vez em quando, sem conseguir conter as lágrimas, chorava baixinho, provocando este comentário das senhoras de bem:

– Está chorando de vergonha! Bem feito!

* * *

Querido leitor, se você me suportou até aqui, sou-lhe eternamente grato. E é a você, dileto amigo, que tenho a curiosidade de perguntar: já ouviu ou leu essa história, contada por outro autor, em algum momento de sua vida?

DESENTERRAMOS O BATRÁQUIO!!!

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UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA!

Doze vezes UFA! Treze vezes, não, porque aí já seria por demais urucubaca com o azarado treze!

Foram doze longuíssimos anos sem ganharmos o Campeonato Carioca! Doze anos em que o estigma de vice foi uma pedra em nosso sapato!

Falar em pedra, lembrei-me dum personagem mitológico que foi condenado a rolar enorme pedra de mármore até o alto de íngreme montanha, sendo que, todas as vezes em que quase estava chegando lá em cima, a pedra despencava ladeira abaixo, vez que o sujeito achava-se impiedosamente sentenciado ao eterno recomeço. Assim fomos nós, os vascaínos. Nadávamos, nadávamos, mas morríamos na praia, pertinho dos títulos, que nos fugiam, fazendo de nós uns eternos vices. Sabem como era o nome do cara da montanha? Era Sísifo. Igualmente a ele, nós, por doze anos, simplesmente se sifu!

A maldição sempre pairou sobre nossas cabeças, por meio das mais diversas e malignas pragas advindas de funestos torcedores, que só se dão bem na vitória, que tripudiam sobre cadáveres, tal qual sanguinolentas hienas.

Vale aqui lembrar a mais satânica delas, rogada por um torcedor andaraiense nos Anos 1930.

Em 1934, quando o Andaraí disputava o Campeonato Carioca, o Vasco impôs-lhe fragorosa derrota pelo placar de 12 x 0. É lenda que um tal de Arubinha, torcedor fervoroso do Andaraí, enterrou um sapo lá em São Januário, ajoelhou-se, elevou as mãos para o alto e clamou:

– Se praga de urubu pegar, o Vasco da Gama ficará doze anos sem ganhar o Campeonato Carioca!

Minino, nem te conto! Ganhamos ainda em 1936, mas, daí pra frente, a maldição nos pegou, colou em nosso couro, ficou grudada na sorte dos vascaínos que nem catarro na parede!

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O sapo do Arubinha

Os anos foram-se passando, e nada do Vasco conquistar mais o título. Só em 1945, atendendo a insistentes súplicas, dizem que o Arubinha foi lá e desenterrou o sapo. E o Vasco sagrou-se Campeão naquele ano.

No presente século, parece que enterraram novamente um batráquio lá em São Januário, desta vez para que não ganhássemos título algum. E quem sepultou em nosso estádio se maléfico anuro? O último campeonato que ganhamos foi em 2003, vencendo o Fluminense. De lá pra cá, foram esses sofridos 12 anos, numa reedição da praga do Arubinha, agora concretizada com implacável impiedade.

Volto a perguntar: quem enterrou o batráquio em 2003? Os tricolores não foram, pois é bem conhecido seu espírito fleumático, de verdadeiros lordes! Os alvinegros, também não, haja vista o belíssimo espetáculo de fair play diante da conquista vascaína no último domingo. Os rubro-negros, nem pensar, eis que seus interesses não estavam em jogo. Então, só pode te sido obra individual. Mas de quem? De quem? Assim pensava eu, quando a ficha caiu, ao ver essa postagem da flamenguista Luciene – não vou dedurar sobrenome – no Facebook:

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Como vocês estão carecas de saber o sapo, vulgo batráquio, é uma pronta e acabada metamorfose ambulante. Ao revelar-se, a coveira Luciene mostrou que não foi um sapo, mas sim um batráquio, metamorfoseado em morcego, que ela enterrara em São Januário.

De nossa parte, com lindas vitórias, pacíficas, límpidas, tranquilas, mansas e incontestes, tornamos imperiosa, urgente e irreversível a exumação! Sai pra lá, batráquio alado azarento da peste!

Nossa conquista do Campeonato Carioca/2015 foi tão acachapante para ela que, sem precisar de nossas súplicas, resolveu liberar a maldição que tanto nos oprimia. Espero que, agora, para sempre.

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Ícones do Vasco, Campeão da Copa do Brasil/2011

A Cruz de Malta, ou Cruz de São João, é o símbolo da união das energias cósmicas e telúricas, a sintonia da Terra com o Céu. Por isso, o Papa Francisco carrega-a em seu manto. A faixa branca no escudo representa a conquista dos navegantes portugueses, vencendo a escuridão em que vivia a humanidade antes de suas grandes descobertas. A caravela foi o meio para a realização desse desbravamento.

Assim seguiremos nós, doravante, e com Doriva no comando, rumo ao futuro, na busca de novas conquistas, sempre respeitando os adversários, livres de imprecações e sob a proteção da Divina!

“Minha galera dos verdes mares não teme o tufão”.

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Para alegrar a Torcida Vascaína, aqui vai a marchinha No Boteco do José, do flamenguista Wilson Batista, em parceria com Augusto Garcez, na voz de Linda Batista, sucesso estrondoso no Carnaval de 1946.

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ESCRITOR: QUEM ME DERA SER!

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A Revista do Correio publicou, mês passado, esta chamada, que muito me despertou a curiosidade:

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Em seguida, o desdobramento da matéria:

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Mais importante que ser escritor é ser lido. E ser lido em sua paróquia, em sua Quadra, no seio de sua família, no meio de seus colegas de trabalho é, simplesmente, a glória!

Coincidentemente, a Voz Ativa de março de 2015, trouxe este incitante tópico.

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Isso balançou mais ainda meu coreto, e positivamente, pois sou um leitor compulsivo. Meu amor à leitura data de 1946, quando, aos 10 anos de idade, fui presenteado por um irmão com meu primeiro livro extraclasse, lúdico, o romance A Volta e Tarzan, de Edgar Rice Burroughs. Desde então, foram mais de 1.500 obras lidas e anotadas.

Com o prazer da leitura, veio o gosto de escrever. Mas, vejam bem, não sou um escritor! Quem dera! Apenas adoro manchar a brancura do papel – ou da tela do micro – com o que estou pensando, e disso resultou um acervo de seis livros lançados. Com esse rasteiro cabedal, posso até ser considerado um plumitivo, um escrevinhador, um escriba.

Os livros dum escriba de meu porte só acontecem no lançamento. Felizmente, aqui em Brasília, onde se dá o Lançamento Nacional, e em Balsas, com o Lançamento Umbilical, o comparecimento vem-se revelando consagrador. Quem tem amigo na praça, tem dinheiro no caixa!

No último, o do Memorial Balsense, no Restaurante Carpe Diem – o de Balsas acontecerá a 12 de junho -, vivi a alegria da presença de mais de 200 pessoas, em que pese a forte chuva que caía. Depois, é um pinga-pinga vagaroso, e o esquecimento chega com muita rapidez.

Com meus quatro últimos rebentos, não deixei que tal acontecesse. Acabada a festa, passei a remeter exemplares para minha lista de endereços, aí compreendidos familiares, amigos, conhecidos e, principalmente, colegas aposentados da Câmara dos Deputados, sem consulta prévia, e solicitando-lhes pequena ajuda para cobrir as despesas de produção.

O retorno era mínino. Particularmente, no universo de meus colegas aposentados, a “rejeição” era superior a 80%. Mas eu ignorava o fato, fechava os olhos, pois o que me interessava mesmo era que me soubessem atuante, terem em sua casa o produto de minha teimosia intelectual.

O que nuca avaliei era o constrangimento que essa minha atitude causava na outra ponta, no lar do destinatário. Jamais avaliei a saia-justa que lhe provocava com meu impensado procedimento.

Até que, no dia 15 deste mês de abril, recebi, de uma colega aposentada, o Memorial Balsense que eu lhe remetera, devidamente intocado, dentro de outro envelope, acompanhado deste sucinto mas decisivo ultimato:

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Verdadeiro “simancol”! Preciso dizer mais? Quem toma um desses e não se sente, tem a cara de demente!

Por isso, diletos amigos, familiares e colegas aposentados, assumo aqui o compromisso de não mais os perturbar.

Meu próximo livro, Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, com os ansiosamente esperados Versos Sacânicos, a ser lançado em julho de 2016, nas comemorações de meus 80, será remetido apenas àqueles que manifestarem, expressamente, seu desejo de recebê-lo.

E me perdoem por todo esse aborrecimento, fruto de minha leviana inconsequência!

TROMBONE NO FORRÓ BALSENSE

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Domingos no triângulo, este colunista no trombone, Mestre Riba na sanfona, Coxa na bateria, Cabeludo no reco-reco e Félix no Pandeiro

Nas férias de julho de 1974, à noite, Balsas era igualzinho a um Parque da Disney, com atração pra todo lado. Ô povo que sabe se divertir pra valer!

No item jogatina, então, competia de igual para igual com Las Vegas. Havia o Bingo do Severino, atração internacional, onde procurei, inutilmente, ser um milionário sul-maranhense:

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Este colunista tentando a sorte

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Outros apostadores – A jovem à esquerda era carinhosamente conhecida como Periquita

Outra grande atração internacional era o Caipira do Surdo. Jogava-se 1 para ganhar 5:

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Jogo Caipira: Quem menos bota, mais tira

No Clube Recreativo Balsense, todo final de semana, apresentava-se um conjunto musical de fora. Na época, a sensação era o carimbó, e a juventude dançava pra valer.

Tempo bom aquele em que os prazeres da vida eram dez: 1 – nascer chorando; 2 – comer gostando; 3 – dormir roncando; 4 – sonhar voando; 5 – jogar ganhando; 6 – pescar pegando; 7 – dançar colando; 8 – transar beijando; 9 – cagar fumando: e 10 – morrer peidando.

Dançar colando! Vocês se lembram disso? Coisa de meu tempo de rapaz!

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Em 1974, dois saudosos amigos meus, que não me deixam mentir

Mas o que eu quero mesmo é falar do Forró que, toda noite, corria maneiro na Boate Popular. A foto que encabeça esta matéria é o registro de uma delas em que fui, com meu trombone, dar uma canja ao amigo Mestre Riba. As imagens dirão tudo. Apenas tarjei as frontais, por não saber identificar os personagens.

Naquelas férias, a minissaia era o hit, o fashion, no vestuário feminino. No masculino, a calça boca-de-sino.

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Jovens bailarinas esperando a Boate Popular abrir

Aberta a Boate Popular, começou a dança no salão:

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Esta bailarina era carinhosamente chamada de Gaivota

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Lembrei-me até dum samba muito cantado lá pelos Anos 1940, cujo refrão dizia assim: Na Galeria Cruzeiro/Gastava todo o meu dinheiro/Mas eu sambava o ano inteiro/Ai, ai, ai/Meu tempo e rapaz solteiro.

Para relembrar mesmo aquele tempo feliz, nada melhor que ouvirmos o carimbó intitulado Sirimbó, sucesso absoluto no Norte/Nordeste, composição de Pinduca, com ele e Seu Conjunto. 

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BRASÍLIA, 55 ANOS: PASSANDO-A A LIMPO!

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Neste 55º Aniversário de Brasília, podemos proclamar aos quatro ventos que chegou a hora da virada! Estamos dando o troco! Estamos passando nossa querida Capital Federal a Limpo!

Há muito tempo, sofríamos o complexo de vira-latas. Brasília era citada como um continente de corruptos, sem o resto da população do país raciocinar que grande parte do lixo que aqui se acumulava era mandada de fora.

Nas eleições de 2014, mostramos que o eleitorado brasiliense, agora composto, em sua maioria, pelos aqui nascidos, sabe o que quer. Nos Primeiro e Segundo Turnos, demos um banho contra o Partido no Governo, denegando a reeleição presidencial. Para o Senado, mandamos um oposicionista. Para a Câmara dos Deputados, apenas um governistas, este brigado com a legenda. E, para nos governar, erradicamos de vez a vermelhidão que nos dominava.

Em 15 de março deste ano, na grande demonstração de repulsa contra a mentira e a enganação praticadas na campanha eleitoral, Brasília assim se comportou:

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Agora, no dia 12 de abril, novamente, Brasília lançou seu grito na grande demonstracão denominada FORA, DILMA! A Polícia Militar calculou a multidão em 25 mil. Já os manifestantes afirmam que eram, no mínimo, 60 mil. Vocês aí tirem suas conclusões:

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Em todo o Brasil, coincidentemente, a presença dos manifestantes foi subavaliada pela imprensa. Vejamos a massa popular no Rio e no Recife:

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Foi o Brasil acordando em tudo que é canto, liberando um grito há muito sufocado. Parabéns!!!

Um especial aspecto que infla o peito dos brasilienses de orgulho é o respeito à Faixa de Pedestre. Nisso, damos exemplo para todo o Brasil.

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Agora, em 2015, o respeito à Faixa de Pedestre completou 18 aninhos, ou seja, atingiu a maioridade. Na época de sua implantação, por exigência do Código de Trânsito Brasileiro, o Distrito Federal vivia sob a administração petista. Por isso, o Governador da época até hoje se vangloria de ter inculcado na população candanga esse sentimento que tanto hoje nos envaidece. Mas ele mesmo, com sua equipe, não o praticava, como mostra esta foto publicada no Correio Braziliense, durante a campanha educativa:

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Brasília agora é nossa. Como diz o samba de Benedito Lacerda, é nossa, tem dono e ninguém põe a mão!

E fiquem certos os que receberam nossa consagração nas urnas em 2014: mijou fora do caco, pode esperar a bordoada na próxima eleição!

Para comemorar esse importante momento cívico que vivemos, ouçamos o dobrado Brasília, composição do Maestro Élcio Álvares, com a Banda de Música da EsSA – Escola de Sargentos das Armas:

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MANOEL BRIGADEIRO SE ENCANTOU

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No dia 10.10.2011, eu publicava aqui no Jornal da Besta Fubana esta matéria:

MANOEL BRIGADEIRO, O EMBAIXADOR DO SAMBA

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Brigadeiro e Raimundo Floriano – Carnaval 1996

Nestes tempos cabeludos de campanhas eleitorais cheias de bravatas e promessas mirabolantes – jamais cumpridas – para engabelar o eleitoranta, digo, o eleitorado, tempos de avacalhação do ensino da Língua Portuguesa, fico a lembrar-me de meu amigo Manoel Brigadeiro, por duas de suas composições, premonitórias, das quais adiante lhes falarei.

Manoel Frederico Soares nasceu no dia 25 de maio de 1922, em Natividade (RJ) e foi batizado com o sobrenome dos patrões de seus ancestrais, remanescentes dos tempos da escravatura.

De família bastante humilde, mudou-se para o Rio de Janeiro aos oito anos de idade, começando a trabalhar muito cedo como empregado doméstico, na casa dum militar, Antônio Guedes Muniz, que chegou a Marechal-do-ar. A cada promoção que o patrão recebia, os amigos, carinhosamente, também o elevavam de posto. Daí seu pseudônimo artístico: Manoel Brigadeiro.

Embora não tenha estudado Música, Manoel Brigadeiro iniciou-se, ainda na adolescência, na arte da composição de música popular. Frequentava todas as Escolas de Samba, nas quais até hoje tem trânsito livre, andou fazendo uns sambas de enredo, mas logo desistiu desse gênero, passando a dedicar-se a sambas de meio de ano e a marchinhas.

Em sua discografia, constam mais de 60 peças de sua autoria, gravadas por ele mesmo e por grandes nomes da MPB, como Alcides Gerardi, Carmen Costa, Isaurinha Garcia e Mário Genari Filho.

O convívio no meio aeronáutico lhe rendeu a profissão de mecânico de aviões e um cargo no então Ministério da Viação e Obras Públicas. Em 1974, foi transferido para Brasília, lotado no Ministério dos Transportes, vindo aqui residir, acompanhado de Gilda, sua mulher, e dos filhos do casal.

E foi naquele mesmo ano que o conheci. Todos os dias, nosso grupo de amigos ligados ao Samba e ao Carnaval se reunia na Estação Rodoviária, após o expediente, num boteco ao qual denominávamos Escritório, para bater papo, jogar conversa fora, compor, paquerar as transeuntes, combinar armações, tomar a saideira, esta acompanhada de caprichado tira-gosto, tudo isso até as 20h00, quando a cambada batia em retirada rumo ao sagrado conforto do lar.

Turminha boa aquela, de vários órgãos da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes: Tarcísio Marujo, Alvinho Barbicha, Walter Passarela, Waldir Pajaraca, Vovô Ozório, Tonico da Portela, José Guedes – pai do saxofonista e gaitista Mílton Guedes -, Lourenço Rodrigues, os Irmãos Pequeno – um deles pai da voleibolista Paula Pequeno –, Salvador da ARUC, Edson Coroa, Ney Coroa, Caju, Roberto Derrubada, José Cordeiro, Capitão Benon, Heitor Brandão, João Quarela, Antônio Patrício, Tenente Fogo Eterno, Juvêncio Das Quebras, Sacramento, Joãozinho Monteiro.

Foi no Escritório que aquele inconfundível negão, com seus característicos terno e boné brancos, se revelou para mim como o compositor, em parceria com João Correia da Silva, do samba Tem Bobo Pra Tudo, que eu já conhecia desde 1963, época de seu lançamento, na voz de Alcides Gerardi, o qual retrata a maioria do eleitoranta, digo, eleitorado de hoje:

Quem não sabe tocar violão, nem pistom, toca surdo.
Sempre agrada porque neste mundo tem bobo pra tudo.

Camelô na conversa ele vende algodão por veludo.
Não tem bronca porque neste mundo tem bobo pra tudo.

A mulher que é bonita consegue o que quer, não me iludo.
E concordo porque neste mundo tem bobo pra tudo.

Todo mal do sabido é pensar que não é enganado.
Quantas vezes também como bobo já fui apontado.

Tem alguém que é bobo de alguém, apesar do estudo.
Está provado porque neste mundo tem bobo pra tudo.

Aqui na Capital Federal, Manoel Brigadeiro pode ser facilmente localizado na ARUC – Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro, Escola de Samba mais antiga de Brasília, da qual assisti ao nascimento. Mas ele não toma partido pela ARUC. Promove todas as Escolas, divulga seus trabalhos, representa-as onde se faça necessário, tendo sido, por isso mesmo, nomeado Embaixador do Samba. No período carnavalesco, sua presença em atos oficiais, em clubes, em batalhas de confetes e no Ceilanbódromo – local dos desfiles das Escolas de Samba do Distrito Federal – é tão importante e imprescindível quanto a do Rei Momo e da Rainha do Carnaval.

Manoel Brigadeiro é atração onde quer que chegue. Vez em quando, apresenta-se em casas de espetáculos, como em recente temporada com o compositor portelense Carlos Elias, também radicado em Brasília, este com músicas gravadas por Paulinho da Viola, Clara Nunes, Nara Leão e Beth Carvalho. A foto abaixo registra dois desses momentos:

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Manoel Brigadeiro e Carlos Elias, duas atrações da Capital Federal

Para o Carnaval de 1976, Manoel Brigadeiro, em parceria com Lourival Faissal, brindou-nos com a marchinha Ana-Alfa-Beta, em alusão ao MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização, que procurava tirar grande parcela do povo da escuridão literária, em contrapartida com o atual Ministério da Educação, que distribuiu centenas de milhares de livros desensinando o uso correto da Língua Portuguesa:

Vai pro MOBRAL
Aprender a ler
O MOBRAL vai lhe ensinar
Por que
Não se deve dizer

Nóis vai subir pra cima
Nóis vai descer pra baixo
Foi ontem que eu vi ela
Olha a boca dela

Quem não sabe ler
É um verdadeiro pateta
Se você não aprender
Vai ser Ana-Alfa-Beta

* * *

Pois bem, no dia 24.3.2015, há menos de um mês, Manoel Brigadeiro, se encantou, aos 92 anos de idade, quase 93.

Emblematicamente, deixou-nos este ano quando, em Brasília não, se realizou desfile de Escolas de Samba, por falta de patrocínio dos cofres públicos. Em meu entender, foi o fim desse Carnaval plastificado, chapa-branca, sem a participação efetiva do povão.

O que dominou nas ruas brasilienses foi o que, antigamente, chamávamos blocos de sujos, movimento do qual Luiz Berto e eu, aqui, fomos os pioneiros.

Em 1972, fundamos a Banda da Capital Federal, com músicos de sopro e percussão, que, tocando marchinhas, frevos e sambas carnavalescos, saía pelas superquadras e ganhava as avenidas, arrastando multidões atrás de si. A foto abaixo, publicada pelo Correio Braziliense, no Carnaval de 1973, dá uma ideia do que fomos:

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Em nosso vácuo, e seguindo nosso bom exemplo, surgiram estes Blocos de Rua: Pacotão, do qual fui trombonista desde o início; Suvaco da Asa, Virgens da Asa Norte, Ó do Borogodó, Samba do Peleja, Cafuçu do Serrado, Babydoll de Nylon, Populares do Pânico, Aparelhinho, Baratona, Baratinha, Raparigueiros e outros menos falados, todos sem o intuito de competição, apenas como objetivo de alegrar a população candanga, calculada, no último Carnaval, em um milhão e quinhentos mil foliões.

Amigo Brigadeiro, segure na Mão de Deus e Vá. Você foi a força e ícone de uma Era que, com seu encantamento, salvo melhor juízo, também conhece seu final.

Em sua homenagem, aqui vão duas de suas composições.

Tem Bobo Pra Tudo, samba, gravação de Alcides Gerardi em 1963:

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Ana-Alfa-Beta, marchinha, gravação de Carmen Costa para o Carnaval de 1976:

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QUIBEBE – PRATO PARA A SEMANA SANTA

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Foto de Elba Albuquerque

INTRODUÇÃO

Há quase cinco anos, precisamente no dia 5.4.2010, publiquei aqui no JBF matéria com o título A Fábula do Ovo e do Pré-Sal, onde contava as agruras de Dona Chiquinha Comboieiro, boleira balsense, não dando conta dos 500 cacetes encomendados pela PETROBRAS – só conseguiu 300 –, para um café da manhã em que se comemoraria naquele sertão o jorro do petróleo na torre que, há muito tempo, perfurava o solo na Fazenda Testa Branca, o que não veio a acontecer, acabando aquela estatal por cimentar o poço, relegando-o, definitivamente, ao olvido.

No dia 8 de agosto de 2014, a leitora Sebastiana Rodrigues de Sousa postou um comentário no jornal, assim se expressando: “Gostei dos contos, mas quero a receita do bolo cacete”.

Assim instigado, mostro o cacete, digo, o pau, depois de macerar a cobra, esta representada, evidentemente, pelo teste, aqui em casa, de todas as receitas, para não dar chabu.

Quando não houver menção específica, o resgate delas foi uma gentileza da amiga Maria do Socorro Ferreira Vieira, minha Assessora Cultural e Plenipotenciária balsense.

No tempo de minha infância, Balsas ainda não contava com a existência de padaria. A dona de casa, assim, tinha de usar de muita criatividade, todas as manhãs, para botar na mesa o quebra-jejum da família, as mais das vezes com beiju, cuscuz, frito de carne, farofa de ovo mexido ou os bolos cujas receitas aqui apresento.

Havia famosas boleiras balsenses, como Dona Dolores Lima e Madrinha Ritinha Pereira. Outras, como Dona Febrônia Tourinho, Dona Chiquinha, Dona Úrsula, Dona Biloca Botelho e Dona Maria Bezerra, minha saudosa mãezinha, faziam-nos, não só para o consumo domiciliar, mas também para vender.

E era aí que eu entrava na dança. Toda boca-de-noite, eu saía de casa, carregando na cabeça uma gamela cheia de bolos diversos, oferecendo-os de porta em porta, ou apregoando-os em alta voz.

Não preciso nem dizer a saia-justa que isso me causava, quando batia à porta de casa onde havia meninas colegas minhas do Grupo Escolar, principalmente na de Seu Jonas Bonfim, pai da Maria Núbia, menina de 8 anos, pela qual eu era perdidamente apaixonado. E esse acanhamento ficou maior, depois que passei a estudar em Floriano, pois nas férias, minha mãe me entregava a gamela, sem levar em consideração meu novo status de ginasiano.

Na Semana Santa balsense de minha infância, que ia de quarta a sexta-feira, quando se obedecia a rigorosa abstinência de carne, o prato mais comum nas mesas daquele sertão era o quibebe, cuja receita passo apresentar.

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Fotos de Elba Albuquerque

(Receita resgatada pela Comadre Maria Júlia, criada por minha mãe e residente em Anápolis)

Ingredientes:

Jerimum picado
Macaxeira picada
Maxixe picado
Batata doce em rodelas
Mandioquinha picada
(Todos em partes iguais)
Folhas de quiabo picadas (um molho)

01 garrafa de leite de coco

Modo de preparo: Após cozinhar os ingredientes, adicionar o leite de coco, sal, alho, cebolinha, coentro, e outros temperos, a gosto.

Tempo de duração: Melhor consumir no mesmo dia.

O ingrediente mais difícil de ser encontrado é a folha de quiabo. No ano passado, meu irmão Rosimar trouxe-as de São Luís de Montes Belos, sertão goiano, onde mora.

No último Natal, pedi a minha sobrinha e afilhada Lara, a qual não mede esforços para me agradar, que, como presente de natalino, plantasse no jardim de sua casa, na 714 Sul, um pé de quiabo, para que o ingrediente ficasse à mão com facilidade. Poderia ter pedido a outras sobrinhas queridas que têm quintal, mas aí morava o perigo, pois os cachorros que guardam casas adoram mijar nos canteiros de hortaliças.

Aí esta o resultado das providências da Lara:

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Foto de Lara Maria

É bem verdade que lagartinhas andaram testando o alimento, mas não faz mal, lagarta é Natureza, se não morreram, é porque o produto é de qualidade.

Para os que não gostam de comer as folhas, mas adoram comer o fruto, proponho, quebrando a seriedade o assunto, que repitam, cem vezes, este trava-língua:

Eu como quiabo cru, eu como quiabo cru, eu como quiabo cru, eu como quiabo cru…

MEMORIAL BALSENSE – LANÇAMENTO EM BRASÍLIA – A FESTA

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Memorial Balsense aconteceu em Brasília! Não importando a chuva torrencial que caiu no horário do evento – chuva é coisa boa -, que durou das 18h30 às 22h30, a festa foi sucesso absoluto de público e venda. Com a Graça de Deus e as bênçãos de São José em seu dia, 19 de março, dia de muito chover! Compareceram mais de 200 pessoas, algumas delas adquirindo quatro exemplares!

A organização, como sempre, ficou a cargo da empresa A&C Eventos, de minha comadre e sobrinha Ana Alice, que destacou três de suas funcionárias para contato telefônico direto com todos os convidados de Brasília, às vésperas do evento, e demais procedimentos pertinentes a um lançamento de livro. Abaixo, o Espaço e a Mesa Receptora:

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Restaurante Carpe Diem – Martina, Ana Alice Daiane e Lusélia

Logo no início, dois lances emocionantes: o comparecimento de meu primo Esmaragdo de Sousa e Silva (93), Desembargador aposentado, que, há 3 anos, após o falecimento de sua esposa, namoradinha da adolescência, não sai mais de casa e me fez essa especial deferência; e o Cosme Noleto (79) meu amigo de infância, o primeiro na vida a comprar um livro meu, dando crédito a meus escritos:

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Esmaragdo de Sousa e Silva – Cosme Noleto

A seguir, flagrantes da festa.

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Minha família: Vinícius, Mara, eu, Veroni, Elba e Fábio – Paula, eu, Anna Paula e Zezinho

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Com colegas do BPEB: Arnaldo – Bandeira e Terezinha, sua mulher

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MEMORIAL BALSENSE – LANÇAMENTO EM BRASÍLIA – 2

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Façam seus pedidos pelo e-mail raimundofloriano@brturbo.com.br, informando seu endereço postal para o envio.

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MEMORIAL BALSENSE, MEU LIVRO DERRADEIRO

Derradeiro livro sério, quero dizer. Até a edição do Memorial, minha ousadia literária produziu estes títulos: Regras de Pontuação e Sinais de Revisão; O Acordo PTB/PDS, Do Jumento ao Parlamento, De Balsas Para o Mundo, e Pétalas do Rosa:

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Chega de santa pesquisa, história, dados biográficos! Em meu próximo trabalho, que espero lançar em 2016, quando farei 80 anos, com o título Caindo na Gandaia, incorporarei, realizando um sonho de infância, dois tipos que venho tentando ser, em todos os locais que frequento e que agora, na octogenariedade, afloram com toda a força: Palhaço Seu Mundinho e o Velho Fulô:

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Pauleira pura, pimenta e sacanagem do primeiro ao quinto, impróprio até para menores de 80 anos, como você hão de ver.

Agora, tratemos do Memorial Balsense.

Com formato de 22 cm x 15,5 cm, 312 páginas, 236 figuras e índice onomástico com cerda de 1.300 verbetes, tiragem de mil exemplares, o livro traz, a seu final, uma homenagem a Sua Majestade o Leitor, que tem me apoiado desde os primeiros escritos, adquirindo-os, lendo-os, comentando-os, criticando-os, aplaudindo-os e, nas mais das vezes, concitando-me a prosseguir.

Para economizar palavras, aqui vão suas capa, contracapa orelhas e folha de falso rosto:

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Haverá dois lançamentos: um, o umbilical, a na noite de 12.6.2015, no Arraial do Festejo de Santo Antônio, em Balsas; o segundo, o nacional, aqui em Brasília, no Restaurante Carpe Diem, no dia 19.3.2015, uma quinta-feira. Na próxima semana, postarei aqui o convite.

A edição foi totalmente bancada por mim. As duas logomarcas constantes da contracapa são enfeites, uma da empresa A&C Eventos, com cancha internacional, de minha comadre e sobrinha Ana Alice, que tem organizado meus lançamentos, e outra da PadrãoAP, de projetos e consultoria, de meu filho Zezinho, por motivos óbvios.

Aqui, o selo personalizado, peça promocional, com o apoio da ECT:

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Com a edição de De Balsas Para o Mundo quase esgotada, passarei a publicá-lo semanalmente, aqui no JBF, entremeando seus episódios com matérias outras que, durante isso, vierem a merecer minha atenção.

Para reavivar a memória dos leitores, aqui vai sua capa:

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MEU NATAL FORA DE ÉPOCA, E DE CASA TAMBÉM

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Papai Noel da Academia RECOR

Sim, amigos, existe isso também! Não é privilégio apenas das micaretas!

Aqui em Brasília, por exemplo, havia, no passado, a loja General Novilar, que lançou, durante muitos anos, a promoção PAPAI NOEL EM AGOSTO. Natal fora época, pelo menos nestas terras candangas, não é tão esquisito como se pode julgar.

Mas não vamos tão longe. No assunto em colação, refiro-me às festinhas de confraternização que acontecem, geralmente, no final de novembro, nas três comunidades das quais sou membro ativo: a Academia RECOR, A Drogaria Drogasil – São José e a Hidroterapia. Comecemos pela ordem.

Primeiramente, a Academia RECOR, especializada em Terceira Idade e Cardiopatas, onde malho há 13 anos. Qualidade de Vida é seu lema.

Em 2016, quando completarei 80 nos couros, incorporarei de vez as personalidades do que tenho sido por toda esta existência, Palhaço e Velho do Pastoril, ou seja, Mundinho Bico Doce e Velho Fulo, consagrando essa metamorfose no livro Caindo na Gandaia, totalmente ilustrado, já pronto e em fase de acabamento digital.

No dia em que não compareço à atividade, o que raramente acontece, todo o pessoal sente a falta de minha irreverência, de minhas piadas apimentada, de minhas cançonetas, de minhas charadas, enfim, de mina alegria.

Tudo isso faz com que eu encontre imenso prazer na malhação, assim como minora o padecer de todos nós que ali estamos por indicação médica.

Desse modo, nada mais natural e apropriado que eu inicie a festinha. Na última, comecei declamando a poesia A Flor do Maracujá, do maranhense Catulo de Paixão Cearense, e executando, na gaita de boca, a marchinha natalina Boas Festas, de Assis Valente. Aí vão os flagrantes desse dois momentos.

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Registro, também, duas tomadas dos malhadores e professoras:

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Dando prosseguimento à brincadeira, chegou a hora da revelação do amigo oculto e da distribuição dos presentes, antecipadamente escolhidos Eu havia pedido uma lanterna de duas pilhas. Mas presente meu tem de ter uma gozação. E meu amigo oculto, o colega Rômulo, não perdeu a oportunidade. Vejam o que ele me aprontou:

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Uma lamparina, com prazo de validade vencido

Passado o efeito da pegadinha, ele me entregou o presente almejado:

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Cabia-me, por sorteio, presentear minha amiga oculta, a colega Sônia. Inicialmente, dei-lhe um caixote contendo, apenas uma nota de 1 dólar. Depois, presenteei-a com a prenda escolhida, uma caixa de chocolate da Kopenhagen:

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Feita a revelação de todos os amigos ocultos, passamos às comedorias, após o que se deu por encerrada a festança.

Prossigamos com o Natal Fora de Época na Drogaria Drogasil – São José, da Rua das Farmácias, da qual sou cliente fiel desde há muito tempo. Não me restrinjo apenas a comprar medicamento, mas enriqueço meu cabedal humano fazendo de cada funcionário daquela filial um amigo. Esse proceder me trouxe inusitada surpresa, que me deixou muito feliz. Vou contar com foi.

Eu havia encomendado o medicamento Forxiga, em falta no mercado brasiliense. Certo dia, no final de novembro, telefonaram-me avisando que o pedido havia chegado e marcando hora para a entrega. Em lá adentrando, todo o corpo de funcionários me esperava e, com grande alegria, me brindou com esta linda caravela, quase toda confeccionada com palitos de picolé:

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O terceiro Natal Fora da Época foi na Academia Consciência Corporal, em cuja piscina a Doutora Ayda Jamal e sua equipe ministra sessões de hidroterapia, o que, há 10 anos, me proporciona condições de me locomover e muita interação com os colegas hidroterapatas. Ali, um grande sentimento nos une em fraternal empatia: a dor!

Este ano, meu número de abertura já foi descrito acima: declamação de poesia e música na gaita de boca. A seguir, o grupo de Fisioterapeutas e Hidroterapatas:

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O amigo oculto foi sorteado na hora. Ganhei uma garrafa térmica da colega Michelle e presenteei o colega Gustavo com uma caixa de chocolates da Kopenhagen:

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Ao final da brincadeira, declamei A Flor do Maracujá e executei na gaita de boca a marchinha Boas Festas e a guarânia Meu Primeiro Amor, de Hermínio Gimenez, acompanhado ao violão pelo garoto César, filho da colega hidroterapata Edmeia, ambos neste flagrante:

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O número musical foi registrado pela Doutora Ayda neste youtube:

ALVARENGA E RANCHINHO E CARNAVAL

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Alvarenga e Ranchinho

Dupla sertaneja formada por Murilo Alvarenga, o Alvarenga, nascido em Itaúna (MG), a 22.5.1912, e falecido a 18.1.1978, e Diésis dos Anjos Gaia, o Ranchinho, nascido em Jacareí (SP), a 23.5.1913, e falecido a 5.7.1991, estrelaram o elenco original que, apesar dos percalços, encontros e desencontros, acertos e desacertos, dissoluções e retornos, foi o mais conhecido, famoso e duradouro.

Murilo, conhecido desde cedo pelo sobrenome, trabalhava em circos como trapezista, malabarista e cantor de tangos. Diésis atuava como cantor na Rádio Clube de Santos, apresentando repertório romântico do qual o samba-canção No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo, era uma de suas músicas prediletas, daí se originando o apelido Rancho. Conhecido também como Baixinho, em função do seu porte físico, aproveitou o apelido e o colocou no diminutivo – Ranchinho.

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Em 1928, numa seresta na cidade de Santos, Murilo e Diésis resolveram cantar juntos. De início, atuaram em circos, apresentando repertório variado, com valsas, modinhas, tangos, chorinhos e calangos, entremeando uma música e outra com causos e piadas, dos quais o público achava muita graça, aplaudindo-os em aprovação.

No ano de 1933, a dupla teve início efetivo, cantando no Circo Pinheiro, em Santos, e, logo depois, em São Paulo, na Companhia Bataclã. No ano seguinte, passou a fazer parte do elenco da Rádio São Paulo. Estava consolidada no cenário artístico nacional.

Em 1935, conheceu o compositor e humorista Silvino Neto, pai do ator global Paulo Silvino, com quem formou um trio, Os Mosqueteiros da Garoa, de curtíssima duração.

Refeita a dupla, passou ela a atuar em filmes, nas mais famosas estações de rádio do país e em casas de espetáculos até do exterior, assim como a gravar seus sucessos, incluindo-se neles vários carnavalescos, como Seu Condutor, de Alvarenga e Ranchinho, em 1938, e A Charanga do Flamengo, de Felisberto Martins e Fernando Martins, em 1947

Durante sua existência, a dupla teve outros componentes, em substituição a Ranchinho, que sempre voltava, pois não havia outro com talento igual para seu lugar.

Em 1936, integrando o elenco do Cassino da Urca, começou a fazer sátiras políticas, que se tornaram um dos seus pontos fortes, o que lhe acarretou sérios problemas com a censura oficial.

Mas em 1939, Alzira Vargas, filha do Presidente Getúlio Vargas, ditador na época, convidou a dupla para tocar no Palácio das Laranjeiras para seu pai. Getúlio, depois de ouvir todas as músicas e sátiras, algumas referentes a ele, deu ordem para que suas composições fossem liberadas em todo o território nacional.

Alvarenga e Ranchinho não alisavam os lombos dos poderosos, descendo-lhes, com suas sátiras, vigorosas cipoadas, com exceção de um, porque apoiavam seu governo: Juscelino Kubitscheck.

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Na primeira metade dos Anos 80, Ranchinho fez parte do elenco fixo do programa Som Brasil, nas manhãs de domingo, apresentado inicialmente por Rolando Boldrin e depois por Lima Duarte.

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Imagem do livro Rolando Boldrin – Ed. do Autor

Nesta segunda-feira de Carnaval, deixo com vocês três sucessos carnavalescos da dupla, até hoje cantados e tocados nos salões onde ainda se preserva a Memória da Música Popular Brasileira.

A Charanga do Flamengo, marchinha de Felisberto Martins e Fernando Martins, lançada em 1947;

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Bebé, marchinha de Alvarenga, lançada em 1949;

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e Seu Condutor, marchinha de Alvarenga e Ranchinho, lançada em 1938.

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CARMEN MIRANDA E O CARNAVAL

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Carmen Miranda (9/Fev/1909 – 5/Ago/1955)

Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em Marco de Canavezes, Portugal, a 9.2.1909. Tinha apenas 10 meses quando veio para o Brasil com sua mãe, Maria Emília Miranda da Cunha e a irmã mais velha, Olinda, seguindo o pai, o barbeiro José Maria Pinto da Cunha, que aqui já se encontrava, o qual lhe dera o cognome Carmen devido à sua grande paixão pela ópera.

Nunca voltou à sua terra natal, o que não impediu que a Câmara do Conselho de Carmo de Canavezes, muitos anos mais tarde, desse seu nome ao Museu Municipal.

Fez os primeiros estudos no colégio de freiras Escola Santa Teresa, do Rio de Janeiro e, desde essa época, revelou jeito extraordinário para cantar. Apresentou-se no colégio declamando para o Núcleo Apostólico, chamando a atenção por sua peculiar gesticulação.

Dificuldades financeiras da família obrigaram-na a trabalhar. Aos 15 anos, conseguiu emprego de balconista e, mais tarde, de chapeleira, numa loja de artigos femininos. Costumava cantar com as irmãs Olinda e Cecília na pensão que a mãe instalara, sempre freqüentada por músicos.

Em 1929, o violonista Josué de Barros, seu descobridor e protetor artístico, levou-a para a Rádio Sociedade. Para sua primeira gravação, realizada na Brunswick, recém-inaugurada, Josué compôs os sambas Não Vá-se Embora e Se o Samba é Moda. Em seu segundo disco, já na RCA Victor, lançou as toadas Triste Jandaia e Dona Balbina, ambas também de Josué.

Para o Carnaval de 1930, gravou as marchinhas Iaiá, Ioiô, de Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto, e Taí (Pra Você Gostar de Mim), escrita especialmente para ela por Joubert de Carvalho, a qual teve sucesso estrondoso é até hoje é tocada nos salões e nos blocos de sujo em que se cultuam os sucessos carnavalescos do passado.

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Daí pra frente, sua carreira teve ascensão meteórica. Trabalhou em teatros, revistas, clubes, participou de filmes e excursionou pelo Brasil e países da América do Sul. Sua discografia de quase 500 faixas consigna todos os grandes autores de sua época.

Em 1933, começou a gravar composições de Assis Valente, de quem se tornaria a principal intérprete, lançando entre as primeiras as marchinhas e Etc. e Good Bye. No ano seguinte, vieram novos êxitos: Alô, Alô, samba de André Filho, Isto É lá com Santo Antônio, marcha de Lamartine Babo, em dupla com Mário Reis, e nova excursão ao exterior, dessa vez à Argentina, com Aurora Miranda, sua irmã mais nova, e o Bando da Lua.

Em 1938, ao lado de Dircinha Batista, Linda Batista, Emilinha Borba, Carlos Galhardo, Orlando Silva e Aurora Miranda, atuou no filme Banana da Terra, de J. Ruy, no qual se apresentou pela primeira vez vestida de baiana para interpretar, acompanhada pelo Bando da Lua, o samba de Dorival Caymmi O Que É Que a Baiana Tem, também lançado em disco, em dueto com Caymmi, para o Carnaval de 1939.

Acompanhada pelo Bando da Lua, apresentava-se no Cassino da Urca, no Rio de janeiro, com roupa de baiana estilizada que, assim como sua característica gesticulação com os braços, marcou fundamentalmente sua imagem pública.

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Em 1939, quando era a cantora de maior prestígio da Música Popular Brasileira, seguiu para os Estados Unidos, contratada pelo empresário norte-americano Lee Schubert, estreando, com o Bando da Lua – que lá ficou conhecido como The Moon Gang – na revista musical Streets of Paris, na Broadway, onde cantava Mamãe, Eu Quero, de Jararaca e Vicente Paiva, Marchinha do Grande Galo, de Lamartine Babo e Paulo Barbosa), Touradas em Madrid, de João de Barro e Alberto Ribeiro, e South American Way, de Al Dubin e Jimmy Mc Hugh, um de seus grandes sucessos na Terra de Tio Sam. Nesse mesmo ano, exibiu-se com a Orquestra de Romeu Silva na Feira Mundial de Nova Iorque.

Em 1940, apresentou-se na Casa Branca para o presidente Franklin Delano Roosevelt, já sendo considerada a terceira personalidade mais popular de Nova Iorque. Era então conhecida como The Brazilian Bombshell. Nesse período, manteve casos amorosos com os atores John Wayne e Dana Andrews e também com o brasileiro Aloysio de Oliveira, integrante do Bando da Lua.

Em julho do mesmo ano, voltou ao Brasil e, apesar da calorosa recepção durante sua chegada, sua re-estréia no Cassino da Urca foi marcada pela frieza do público.

Acusada de voltar “americanizada”, reformulou então seu repertório – naquela fase com ritmo muito à base de rumbas – e apresentou-se novamente no Cassino, obtendo êxito esmagador. Gravou, pela Odeon, as músicas que cantava no show e que eram, de certa maneira, uma resposta às críticas: Disseram Que Voltei Americanizada, Disso É Que eu Gosto, Voltei Pro Morro, as três de Vicente Paiva e Luiz Peixoto, e Diz Que Tem, de Vicente Paiva e Hannibal Cruz.

Em 1941, voltou para os Estados Unidos, contratada para atuar no cinema, em Hollywood, onde viveu até o fim da vida. Trabalhou em Uma Noite no Rio, de Irving Cummings, Aconteceu em Havana, de Walter Lang, Minha Secretária Brasileira, de Irving Cummings, Entre a Loura e a Morena, de Busby Berkeley, Serenata Boêmia, de Walter Lang, e mais outros filmes. Em 1944, chegou a ser uma das artistas mais bem pagas naquele país, trabalhando em show, filmes e rádio. Anos mais tarde, estrelou o filme Copacabana, de Alfred Green, ao lado de Grouxo Marx, apresentou-se com grande sucesso no teatro Palladium, em Londres. Também atuou no Havaí.

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Em 1947, casou-se com o americano David Sebastian. Esse matrimônio é apontado por todos os biógrafos e estudiosos de Carmen Miranda como o começo de sua decadência física. O marido, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se seu “empresário” e conduzia mal os negócios contratados. Também era alcoólatra, e pode ter induzido Carmen a consumir bebidas alcoólicas, das quais se tornou dependente.

O casamento entrou em crise já nos primeiros meses, mas ela não aceitava o divórcio, pois era católica convicta. Engravidou em 1948, mas sofreu aborto espontâneo depois de uma apresentação.

Em 1954, consagrada internacionalmente, voltou ao Brasil para rever a família e descansar de esgotamento nervoso, realizando alguns espetáculos.

Retornou para os Estados Unidos em 1955 e, quatro meses depois, a 5 de agosto, com apenas 46 anos de idade, vinha a falecer do coração em sua casa, em Beverly Hills, Hollywood. Suas últimas atuações foram em Havana, em Las Vegas e na TV americana, em shows de Jimmy Durante.

Seu enterro no Rio de Janeiro foi acompanhado por cerca de 500 mil pessoas, cantando Taí, seu primeiro sucesso.

A Pequena Notável, como era também conhecida, que marcava suas apresentações cantando e dançando com turbante na cabeça, tamancos altíssimos e muitos balangandãs, gesticulando com as mãos e revirando os olhos, deixou sua imagem registrada em 19 filmes e mais de 150 discos, norte-americanos e brasileiros. Além da aura que sempre cercou sua personalidade esfuziante, capaz de fascinar a juventude, tantos anos depois de sua morte.

Seu repertório carnavalesco é riquíssimo, com sucessos que ficaram gravados na memória dos brasileiros para todo o sempre. A seguir, quatro títulos, que ainda hoje são tocados e cantados pelos foliões onde ainda se preserva a Cultura Musical Brasileira.

Alô, Alô, samba de André Filho, em dupla com Mário Reis, de 1934;

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Como “Vaes” Você, marchinha de Ary Barroso, em dupla com Ary, de 1937;

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Minha Terra Tem Palmeiras, marchinha de João de Barro e Alberto Ribeiro, de 1937:

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e Taí (Pra Você Gostar de Mim), marchinha de Joubert de Carvalho, de 1930.

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PARTITURAS CARNAVALESCAS – 2015

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No intuito de divulgar o Carnaval Brasileiro, no dia 28 de fevereiro de 2011, há quase quatro anos, portanto, e atendendo a solicitações de músicos nacionais e estrangeiros, tive a satisfação de disponibilizar 100 partituras das marcinhas e 100 dos sambas carnavalescos mais cantados e tocados em todos os tempos.

Elas se encontram em meu álbum de foto do Facebook. Basta copiar, colar e imprimir! São preciosidades que não se encontram nas casas especializadas do setor musical.

Naquela época, as 200 partituras citadas referiam-se, apenas, a TROMBONE E SAX ALTO. Logo em seguida, postei as mesmas partituras para o naipe de PISTOM, CLARINETA E SAX TENOR.

Este é um serviço de utilidade pública que só o Jornal da Besta Fubana pode oferecer. Nenhum outro site ou blog possui tal acervo. Assim também o ECAD, arrecadador de direitos autorais, e a Ordem dos Músicos do Brasil. Meu arquivo se formou ao longo de mais de quatro décadas. No passado, o ECAD distribuía álbuns carnavalescos, o que hoje não faz mais.

Desde então, venho trabalhando para digitalizar mais peças, sendo 147 para trombone e sax alto e 156 para pistom, clarineta e sax tenor. Ao término, contarei com 1.526, para ambos os naipes, que serão colocadas à disposição de todos. Para a consecução deste ideal, tenho contado com a primorosa e imprescindível colaboração do Maestro Antonio Gomes Sales, de Caraúbas (RN), que vem realizando essa árdua tarefa sem me cobrar um puto sequer. Adiante, vemos nosso benfeitor à frente da Banda de Música Joaquim Amâncio, de Caraúbas:

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E os pedidos, com a proximidade do Carnaval, não param de chegar, tendo como fonte de informação o Jornal da Besta Fubana:

“Boa tarde!!! À procura de algumas partes para carnaval, machinhas e sambas, achei uma publicação sobre (JBF) esse e-mail. Gostaria de saber se ainda existem esses arquivos e se teria condições de vc enviá-las pra mim. Aguardo resposta. Desde já, agradeço. Leandro.”

“Olá, sou saxofonista e moro no interior do Estado de São Paulo. Sou grande entusiasta do frevo, porém confesso não possuir muitos recursos para buscar uma especialização sobre o ritmo. Em uma de minhas pesquisas, cheguei até a página (JBF) que cita em seu trecho que os interessados em receber material sobre frevo deveriam lhe escrever. Sendo assim, escrevo para me informar a respeito e agradeço desde já pela atenção. Carlos.”

“Bom dia! Gostaria de obter informações de como posso receber as partituras a seguir (chorinhos), bem como outras relacionadas a carnaval que tiver em seu arquivo. Celso.”

“Ola, Sr. Raimundo, por favor, poderia me mandar em pdf as partituras das marchinhas? Poderei retribuir com vários livros de musica. Meus agradecimentos de avanço. Renato.”

“Bom dia! Será que vc tem as partituras de Balzaquiana, Não Sou Manoel e a do Rei Zulu? Se tiver, pode me enviar??? Uma maravilha aquela sua pagina (JBF) disponibilizando todas essas partituras!!!! Serviço de utilidade publica!!!!! Mageca.”

“Caro Raimundo, primeiramente gostaria de agradecer seu esforço e dedicação. Com certeza, ações como as suas são essenciais para ajudar a manter viva esta parte tão importante da cultura brasileira.

Sou saxofonista (sax alto) do Rio de Janeiro e amante do carnaval de rua. Estou iniciando um bloco de carnaval de rua, no qual vamos tocar um repertorio de marchinhas e maxixes. Sendo assim, adoraria poder ter acesso ao seu acervo. Grato pela atenção. Juan.”

“Olá, vi o blog (JBF) falando das partituras. Pode me mandar? Obrigado! Badeco.”

“Boa tarde, Raimundo, meu noivo toca trombone e, em fevereiro, irá fazer carnaval, e ele precisava muito de diversas partituras. Teria como vc me disponibilizar algumas? Obrigada pela atenção. Kemilly.”

“Bom dia, por gentileza, você poderia me enviar partituras de marchas de carnaval (marchas, marchas-rancho e samba) para sopros, cordas e teclado? Muito obrigado! Maestro Alexandre.”

“Boa tarde, Raimundo, meu pai tem um banda de carnaval há mais de 40 anos. Ocorre que seu braço direito, um saxofonista, veio a falecer no final de 2014. Diante do fato, os repertórios de meu pai se perderam, pois o saxofonista os guardava. Dessa forma, se possível for, gostaria de receber as partituras para sax/trombone e trompete, de marchinhas e sambas-enredo, pois meu pai tem 73 anos e está profundamente chateado com a situação. Desde já, agradeço a atenção. Rodrigo.”

“Boa tarde, gostaria de lhe pedir, por gentileza, se possível, que me enviasse o caderno de partituras carnavalescas. Abraços. Léo.”

“Oi, Raimundo, tudo bem? Vi um post seu muito antigo (JBF) sobre as partituras para trombone de marchinhas de carnaval. Você as tem ainda? Poderia me passar? Bjs. Obrigada. Belle.”

“Olá! Gostaria que você me enviasse as 100 partituras das marchinhas e 100 dos sambas carnavalescos para sax e trombone. Desde já, agradeço. Abraço. Naathe.”

“Muito obrigado, Sr. Raimundo, quero fazer de tudo para manter a tradicionalidade das músicas carnavalesca e conto com o seu apoio, que é uma referência nacional neste quesito que eu tanto aprecio. A partir de agora, tenho o compromisso de divulgá-las nas Escolas Estaduais aqui em Goiás. Grato pelo apoio. Marcos.”

“Boa tarde! Vi o seu site (JBF) e me interessei pelas partituras de carnaval. Como devo proceder? Muito obrigado. João.”

“Boa tarde, Seu Floriano, sou um simples iniciante aprendiz de saxofone e gostaria que o senhor me enviasse as partituras dos frevos mais tocados e das marchinhas. Por favor, Seu Floriano, um abraço e saiba que o senhor estará me ajudando muito me enviando essas partituras. Renato.”

“Bom dia, sou músico, trompetista, na cidade de Batatais e tenho algumas apresentações de marchinhas de carnaval para fazer pela região. Poderia me disponibilizar partituras? Jaderson.”

‘Olá, Raimundo! Entrei no site Besta Fubana e vi que você esta disponibilizando partituras: carnaval e outras. Sou professor de iniciação musical e não é fácil encontrar partituras de música popular de boa qualidade, bem escritas. Agradeço se você puder compartilhar seu arquivo comigo. Abraço. Magano.”

“Oi Raimundo, tudo bem? Achei o seu site (JBF) no Google e vi que você disponibiliza partituras de marchinhas. Poderia me enviar? Agradeço antecipadamente! Att. Ricardo.”

“Olá, amigo! Gostaria de, primeiro, parabenizá-lo pela iniciativa e pelo repertório. Fiquei, realmente, impressionado! Estou aqui também para pedir-lhe que, se possível, enviasse pra mim as partituras referentes às machinhas, pois estou fazendo um trabalho com minha banda de música, o primeiro no carnaval, e gostaria de estudar seu repertório para ver o que melhor se adéqua à turma de novatos e veteranos da banda! Obrigado pela atenção!!!! Um grande Abraço!!! Luís.”

“Boa tarde, estava procurando umas partituras de marchinhas e encontrei o site (JBF) em que vc dá esse e-mail para explicar como posso obter as marchas e sambas. Desde já, agradeço. Henrique.”

“Olá Raimundo, tudo bem? Estive lendo uma matéria no Besta Fubana e vi que o sr. possui partituras de marchinhas que pode disponibilizar. Isso ainda é possível? Se sim, como fazer para consegui-las? Abraços! Bruno.”

“Bom dia, sou músico trombonista. Por favor, me mande um álbum de carnaval com as partituras de machinhas que o senhor tenha. Obrigado! Charles.”

“Sei que nem ao menos me conhece, mas virei sua fã desde quando conheci seu repertorio carnavalesco. Já fui agraciada com as partituras de carnaval para outro tipo de instrumento. Agora, se possível, gostaria de receber as partituras carnavalesca de marchas e sambas para sax tenor e pistom. Desde já, muito obrigada. Malúsia.”

“Olá Raimundo! Bacana seu trabalho, parabéns! Estou interessada nas marchinhas para sax alto e, se tiver, soprano. Maravilha ! Grata desde já. Helena”

“Vi uma publicação sua (JBF) na Internet sobre as partituras de marchinhas de carnaval. Teria como estar enviando para mim uma cópia delas? Fico o aguardo. Willians.”

“Boa noite, Raimundo, sou músico e professo na Faculdade de Música de São Paulo. No intuito de ensinar meus alunos a aprender as marchas de carnaval e sambas, estou à procura de partituras e descobri seu blog (JBF), porém não descobri seu Facebook. Tem como você mandar essas partes e-mail, ou se for mais fácil, mandar o link do seu Facebook? Em 2012, eu montei a minha banda de carnaval mas, com a mudança de residência para outra cidade, não consigo descobrir o paradeiro das poucas partituras carnavalescas de que dispunha. Tenho uma prática de banda, e vc mandando esse material, consigo talvez, até amanha, fazer um ensaio com o meu grupo. Muito agradecido. Gilberto.”

“Bom dia! Estava pesquisando partituras de marchinhas de carnaval na internet e encontrei seu blog (JBF). O sr. poderia me enviar algumas marchinhas? Tem elas digitalizadas? Vou enviar um arquivo anexo que são as que eu e meus colegas queremos tocar aqui no carnaval. Se puder, me enviar, serei muito grato. Att. Geraldo.”

* * *

Por ora, e nada havendo de novo no acervo, recomendo a todos a leitura da matéria publicada em minha coluna, aqui no Jornal da Besta Fubana, no dia 28.2.2011, com detalhes sobre as partituras disponibilizadas, onde poderão deixar suas solicitações. Basta clicar aqui.

JOÃOZINHO, UM ANJO EM NOSSAS VIDAS

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A solenidade começou na hora aprazada e foi presidida pelo Frei Manoel, mercedário, recém-chegado da cidade piauiense de Corrente. Embora não seja salmista, eu solicitara permissão para cantar o Salmo, como última homenagem que faria ao Joãozinho – assim pensava. Por isso, posicionei-me ao lado esquerdo do altar, junto aos acólitos.

Na Liturgia da Palavra, após a Primeira Leitura, dirigi-me ao púlpito e cantei este salmo, com refrão respondido por toda a assembleia:

Adorai o Senhor Deus, vós anjos todos!

Deus é rei! Exulte a terra de alegria,
E as ilhas numerosas rejubilem!
Treva e nuvem o rodeiam no seu trono,
Que se apoia na justiça e no direito.

E assim proclama o céu sua justiça,
Todos os povos podem ver a sua glória.
Aos pés de Deus vêm se prostrar todos os deuses!

Porque vós sois o Altíssimo, Senhor,
Muito acima do universo que criastes,
E de muito superais todos os deuses.

Em seguida, o Frei Manoel leu o Evangelho, mas não pronunciou homilia.

Antes da Bênção, ele me entregou um envelope contendo uma oração de Santo Agostinho. Nesse momento, pedi-lhe permissão para usar da palavra, o que me foi concedido. Assim, ocupando novamente o púlpito, pronunciei a fala que, adiante, procurarei, fielmente, reproduzir, acrescentando imagens para quebrar a monotonia do texto.

“Queridos familiares e demais amigos, sem qualquer preparação anterior para este ato, não consegui conter o impulso de deixar bem marcada junto a vocês a razão pela qual nos encontramos aqui nesta celebração.

“O primeiro romance que li na vida foi A Volta de Tarzan, de Edgar Rice Burroughs, em 1946, quando eu tinha 10 anos de idade, presente de meu irmão Bergonsil, que viria a ser, 52 anos mais tarde, avô do Joãozinho. Contava a volta do nobre inglês Lord Greystoke à Selva Africana, seu habitat natural.

“Para mim, garoto sertanejo acostumado a bater canoa rio abaixo, rio acima, fazer armadilhas em caçadas, armar arapucas e pegar passarinhos, Tarzan era um personagem real.

“Um ano depois, Bergonsil, sabendo que eu gostara da leitura, presenteou-me com o segundo romance de minha vida, Memórias da Emília, de Monteiro Lobato. A ação se passava no Sítio do Picapau Amarelo, onde um anjinho, com asa quebrada, ficou ali convalescendo, aos cuidados de Tia Nastácia e paparicado por Emília, que dele se apropriou.

“A presença do anjinho no Sertão Brasileiro virou notícia no mundo inteiro, razão pela qual muitos personagens dos contos infantis para ali acorreram, no intuito de conhecê-lo: Peter Pan, Alice, Popeye, Brutus, Capitão Gancho e outros. Da Inglaterra, veio um navio cheio de crianças comandado pelo Almirante Brown e enviado por Sua Majestade o Rei Eduardo VIII, com o mesmo propósito. Eis a capa do livro:

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“Mas tudo que é bom dura pouco! Um dia, o anjinho, sentindo sua asa perfeitamente curada, sobrevoou o Sitio como a dizer adeus e partiu para o Firmamento, deixando a desolação e muita saudade no coração de todos.

“Novamente, meu imaginário aceitou aquele anjinho como real, sua existência perfeitamente concebível. Nunca duvidei de sua possível estadia entre os meninos de meu tope.

“Minhas filhas foram criadas e educadas acreditando em Papai Noel, em Fadas e Duendes. Jamais deixei que a magia, o sonho e a fantasia se desfizessem em sua imaginação, pois o tempo se encarregaria de lhes mostrar outra realidade. Como é maravilhoso manter-se a pureza enquanto isso é possível!

“E foi vivendo nesse mundo de fantasia que, há 16 anos, um anjo foi trazido para o seio de nosso clã pelas mãos de seus pais, João Geraldo e Valéria, minha sobrinha, como se vê nesta foto:

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“Joãozinho foi um novo Sol em nosso Universo Familiar. Nunca uma criança interagiu tanto com todos os membros de nossa família e com nosso círculo de amigos. Em Niterói, em Brasília, no Ceará e no Maranhão, todos têm uma história vivida com ele para contar.

“Menino esperto, inteligente, desportista, paquerador, músico, cantor e, acima de tudo, muito afeiçoado a seus entes queridos, deixou sua marca por onde passou:

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“Vejamo-lo em cenas do Forró de meus 70 Anos.

“Nesta, quando a família se vestiu de Palhaço para lembrar meu tempo circense:

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“Nestes dois outros detalhes, em tomadas diversas:

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“No dia 8 de dezembro, ao deparar-me com esta foto no Facebook, pouca atenção lhe dei:

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“Achei que era coisa passageira. Quem já criou menino, sabe que sentir-se mal, internar-se, tomar soro e voltar pra casa é a rotina normal da criançada. Ainda mais para um adolescente hígido feito o Joãozinho. Engano meu!

“Com o diagnóstico, o Mundo desabou sobre nós: Síndrome de Guillain-Barré, implacável e impiedosamente letal, no caso de nosso anjo!

“A partir daquele momento, Joãozinho começou a encantar-se. E, no dia 5 de janeiro, deu por cumprida sua missão na Terra, conforme definido no Santinho de lembrança: anjo celestial, sonho terrestre que se encantou e retornou à Morada do Pai.

“Eneida Botelho, nossa amiga e conterrânea, postou, para nós, edificante mensagem no Fecebook, mais ou menos assim: “Não questionem Deus, deixem Deus ser Deus, um dia, vocês entenderão!”

“E é o que eu peço neste momento, queridos parentes e amigos, que Deus me dê o entendimento para que se desfaça o sentimento de perplexidade que de mim se apossou! Apenas perplexidade é o que sinto agora!”

* * *

Hoje, 30 de janeiro, penso que Deus me atendeu. A perplexidade transformou-se na certeza de que Joãozinho era realmente um anjo e que esteve entre nós apenas para fazer o bem e trazer novo alento à vida de várias pessoas. Antes de ser cremado, “deu a visão ao homem que nunca viu o sol; o coração a uma pessoa cujo órgão só lhe causou intermináveis dores; os rins a uma pessoa que depende de máquina para existir; sangue, músculos, ossos e nervos para fazer uma criança aleijada andar; células para que um garoto mudo possa um dia gritar quando seu time marcar um gol, e uma menina possa ouvir a chuva batendo em sua janela.”

Joãozinho, nuvem passageira, anjo celestial, sonho terrestre, felicidade efêmera, deixou, ainda, suas cinzas espalhadas ao vento para, assim, enriquecer a Natureza e fertilizar a Terra.

E hoje, 30 de janeiro, é o aniversário da Valéria, mãe do Joãozinho, uma de minhas mais queridas cobrinhas, digo, sobrinhas, e também comadre em dose dupla.

Valéria carrega o carinho e a afeição em tudo que faz. Um abraço seu é pra valer e transmite todo o amor que seu corpo encerra. Nunca deixou de ser aquela meninona da folia, que ignorava o Carnaval Carioca para comigo ir até o Sertão Maranhense, desfilar nos Blocos de Fofão, nos Sujos e botar pra derreter no Clube Recreativo Balsense.

Por isso, sei que já está superando os dolorosos momentos vividos, sabendo que para sempre presente em nossos corações está a figura do Joãzinho, moleque marrento, garoto ladino, que nunca será esquecido!

Eternamente, a encarnação de nosso sonho sonhado!


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