DESENTERRAMOS O BATRÁQUIO!!!

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UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA!

Doze vezes UFA! Treze vezes, não, porque aí já seria por demais urucubaca com o azarado treze!

Foram doze longuíssimos anos sem ganharmos o Campeonato Carioca! Doze anos em que o estigma de vice foi uma pedra em nosso sapato!

Falar em pedra, lembrei-me dum personagem mitológico que foi condenado a rolar enorme pedra de mármore até o alto de íngreme montanha, sendo que, todas as vezes em que quase estava chegando lá em cima, a pedra despencava ladeira abaixo, vez que o sujeito achava-se impiedosamente sentenciado ao eterno recomeço. Assim fomos nós, os vascaínos. Nadávamos, nadávamos, mas morríamos na praia, pertinho dos títulos, que nos fugiam, fazendo de nós uns eternos vices. Sabem como era o nome do cara da montanha? Era Sísifo. Igualmente a ele, nós, por doze anos, simplesmente se sifu!

A maldição sempre pairou sobre nossas cabeças, por meio das mais diversas e malignas pragas advindas de funestos torcedores, que só se dão bem na vitória, que tripudiam sobre cadáveres, tal qual sanguinolentas hienas.

Vale aqui lembrar a mais satânica delas, rogada por um torcedor andaraiense nos Anos 1930.

Em 1934, quando o Andaraí disputava o Campeonato Carioca, o Vasco impôs-lhe fragorosa derrota pelo placar de 12 x 0. É lenda que um tal de Arubinha, torcedor fervoroso do Andaraí, enterrou um sapo lá em São Januário, ajoelhou-se, elevou as mãos para o alto e clamou:

– Se praga de urubu pegar, o Vasco da Gama ficará doze anos sem ganhar o Campeonato Carioca!

Minino, nem te conto! Ganhamos ainda em 1936, mas, daí pra frente, a maldição nos pegou, colou em nosso couro, ficou grudada na sorte dos vascaínos que nem catarro na parede!

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O sapo do Arubinha

Os anos foram-se passando, e nada do Vasco conquistar mais o título. Só em 1945, atendendo a insistentes súplicas, dizem que o Arubinha foi lá e desenterrou o sapo. E o Vasco sagrou-se Campeão naquele ano.

No presente século, parece que enterraram novamente um batráquio lá em São Januário, desta vez para que não ganhássemos título algum. E quem sepultou em nosso estádio se maléfico anuro? O último campeonato que ganhamos foi em 2003, vencendo o Fluminense. De lá pra cá, foram esses sofridos 12 anos, numa reedição da praga do Arubinha, agora concretizada com implacável impiedade.

Volto a perguntar: quem enterrou o batráquio em 2003? Os tricolores não foram, pois é bem conhecido seu espírito fleumático, de verdadeiros lordes! Os alvinegros, também não, haja vista o belíssimo espetáculo de fair play diante da conquista vascaína no último domingo. Os rubro-negros, nem pensar, eis que seus interesses não estavam em jogo. Então, só pode te sido obra individual. Mas de quem? De quem? Assim pensava eu, quando a ficha caiu, ao ver essa postagem da flamenguista Luciene – não vou dedurar sobrenome – no Facebook:

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Como vocês estão carecas de saber o sapo, vulgo batráquio, é uma pronta e acabada metamorfose ambulante. Ao revelar-se, a coveira Luciene mostrou que não foi um sapo, mas sim um batráquio, metamorfoseado em morcego, que ela enterrara em São Januário.

De nossa parte, com lindas vitórias, pacíficas, límpidas, tranquilas, mansas e incontestes, tornamos imperiosa, urgente e irreversível a exumação! Sai pra lá, batráquio alado azarento da peste!

Nossa conquista do Campeonato Carioca/2015 foi tão acachapante para ela que, sem precisar de nossas súplicas, resolveu liberar a maldição que tanto nos oprimia. Espero que, agora, para sempre.

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Ícones do Vasco, Campeão da Copa do Brasil/2011

A Cruz de Malta, ou Cruz de São João, é o símbolo da união das energias cósmicas e telúricas, a sintonia da Terra com o Céu. Por isso, o Papa Francisco carrega-a em seu manto. A faixa branca no escudo representa a conquista dos navegantes portugueses, vencendo a escuridão em que vivia a humanidade antes de suas grandes descobertas. A caravela foi o meio para a realização desse desbravamento.

Assim seguiremos nós, doravante, e com Doriva no comando, rumo ao futuro, na busca de novas conquistas, sempre respeitando os adversários, livres de imprecações e sob a proteção da Divina!

“Minha galera dos verdes mares não teme o tufão”.

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Para alegrar a Torcida Vascaína, aqui vai a marchinha No Boteco do José, do flamenguista Wilson Batista, em parceria com Augusto Garcez, na voz de Linda Batista, sucesso estrondoso no Carnaval de 1946.

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ESCRITOR: QUEM ME DERA SER!

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A Revista do Correio publicou, mês passado, esta chamada, que muito me despertou a curiosidade:

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Em seguida, o desdobramento da matéria:

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Mais importante que ser escritor é ser lido. E ser lido em sua paróquia, em sua Quadra, no seio de sua família, no meio de seus colegas de trabalho é, simplesmente, a glória!

Coincidentemente, a Voz Ativa de março de 2015, trouxe este incitante tópico.

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Isso balançou mais ainda meu coreto, e positivamente, pois sou um leitor compulsivo. Meu amor à leitura data de 1946, quando, aos 10 anos de idade, fui presenteado por um irmão com meu primeiro livro extraclasse, lúdico, o romance A Volta e Tarzan, de Edgar Rice Burroughs. Desde então, foram mais de 1.500 obras lidas e anotadas.

Com o prazer da leitura, veio o gosto de escrever. Mas, vejam bem, não sou um escritor! Quem dera! Apenas adoro manchar a brancura do papel – ou da tela do micro – com o que estou pensando, e disso resultou um acervo de seis livros lançados. Com esse rasteiro cabedal, posso até ser considerado um plumitivo, um escrevinhador, um escriba.

Os livros dum escriba de meu porte só acontecem no lançamento. Felizmente, aqui em Brasília, onde se dá o Lançamento Nacional, e em Balsas, com o Lançamento Umbilical, o comparecimento vem-se revelando consagrador. Quem tem amigo na praça, tem dinheiro no caixa!

No último, o do Memorial Balsense, no Restaurante Carpe Diem – o de Balsas acontecerá a 12 de junho -, vivi a alegria da presença de mais de 200 pessoas, em que pese a forte chuva que caía. Depois, é um pinga-pinga vagaroso, e o esquecimento chega com muita rapidez.

Com meus quatro últimos rebentos, não deixei que tal acontecesse. Acabada a festa, passei a remeter exemplares para minha lista de endereços, aí compreendidos familiares, amigos, conhecidos e, principalmente, colegas aposentados da Câmara dos Deputados, sem consulta prévia, e solicitando-lhes pequena ajuda para cobrir as despesas de produção.

O retorno era mínino. Particularmente, no universo de meus colegas aposentados, a “rejeição” era superior a 80%. Mas eu ignorava o fato, fechava os olhos, pois o que me interessava mesmo era que me soubessem atuante, terem em sua casa o produto de minha teimosia intelectual.

O que nuca avaliei era o constrangimento que essa minha atitude causava na outra ponta, no lar do destinatário. Jamais avaliei a saia-justa que lhe provocava com meu impensado procedimento.

Até que, no dia 15 deste mês de abril, recebi, de uma colega aposentada, o Memorial Balsense que eu lhe remetera, devidamente intocado, dentro de outro envelope, acompanhado deste sucinto mas decisivo ultimato:

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Verdadeiro “simancol”! Preciso dizer mais? Quem toma um desses e não se sente, tem a cara de demente!

Por isso, diletos amigos, familiares e colegas aposentados, assumo aqui o compromisso de não mais os perturbar.

Meu próximo livro, Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, com os ansiosamente esperados Versos Sacânicos, a ser lançado em julho de 2016, nas comemorações de meus 80, será remetido apenas àqueles que manifestarem, expressamente, seu desejo de recebê-lo.

E me perdoem por todo esse aborrecimento, fruto de minha leviana inconsequência!

TROMBONE NO FORRÓ BALSENSE

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Domingos no triângulo, este colunista no trombone, Mestre Riba na sanfona, Coxa na bateria, Cabeludo no reco-reco e Félix no Pandeiro

Nas férias de julho de 1974, à noite, Balsas era igualzinho a um Parque da Disney, com atração pra todo lado. Ô povo que sabe se divertir pra valer!

No item jogatina, então, competia de igual para igual com Las Vegas. Havia o Bingo do Severino, atração internacional, onde procurei, inutilmente, ser um milionário sul-maranhense:

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Este colunista tentando a sorte

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Outros apostadores – A jovem à esquerda era carinhosamente conhecida como Periquita

Outra grande atração internacional era o Caipira do Surdo. Jogava-se 1 para ganhar 5:

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Jogo Caipira: Quem menos bota, mais tira

No Clube Recreativo Balsense, todo final de semana, apresentava-se um conjunto musical de fora. Na época, a sensação era o carimbó, e a juventude dançava pra valer.

Tempo bom aquele em que os prazeres da vida eram dez: 1 – nascer chorando; 2 – comer gostando; 3 – dormir roncando; 4 – sonhar voando; 5 – jogar ganhando; 6 – pescar pegando; 7 – dançar colando; 8 – transar beijando; 9 – cagar fumando: e 10 – morrer peidando.

Dançar colando! Vocês se lembram disso? Coisa de meu tempo de rapaz!

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Em 1974, dois saudosos amigos meus, que não me deixam mentir

Mas o que eu quero mesmo é falar do Forró que, toda noite, corria maneiro na Boate Popular. A foto que encabeça esta matéria é o registro de uma delas em que fui, com meu trombone, dar uma canja ao amigo Mestre Riba. As imagens dirão tudo. Apenas tarjei as frontais, por não saber identificar os personagens.

Naquelas férias, a minissaia era o hit, o fashion, no vestuário feminino. No masculino, a calça boca-de-sino.

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Jovens bailarinas esperando a Boate Popular abrir

Aberta a Boate Popular, começou a dança no salão:

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Esta bailarina era carinhosamente chamada de Gaivota

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Lembrei-me até dum samba muito cantado lá pelos Anos 1940, cujo refrão dizia assim: Na Galeria Cruzeiro/Gastava todo o meu dinheiro/Mas eu sambava o ano inteiro/Ai, ai, ai/Meu tempo e rapaz solteiro.

Para relembrar mesmo aquele tempo feliz, nada melhor que ouvirmos o carimbó intitulado Sirimbó, sucesso absoluto no Norte/Nordeste, composição de Pinduca, com ele e Seu Conjunto. 

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BRASÍLIA, 55 ANOS: PASSANDO-A A LIMPO!

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Neste 55º Aniversário de Brasília, podemos proclamar aos quatro ventos que chegou a hora da virada! Estamos dando o troco! Estamos passando nossa querida Capital Federal a Limpo!

Há muito tempo, sofríamos o complexo de vira-latas. Brasília era citada como um continente de corruptos, sem o resto da população do país raciocinar que grande parte do lixo que aqui se acumulava era mandada de fora.

Nas eleições de 2014, mostramos que o eleitorado brasiliense, agora composto, em sua maioria, pelos aqui nascidos, sabe o que quer. Nos Primeiro e Segundo Turnos, demos um banho contra o Partido no Governo, denegando a reeleição presidencial. Para o Senado, mandamos um oposicionista. Para a Câmara dos Deputados, apenas um governistas, este brigado com a legenda. E, para nos governar, erradicamos de vez a vermelhidão que nos dominava.

Em 15 de março deste ano, na grande demonstração de repulsa contra a mentira e a enganação praticadas na campanha eleitoral, Brasília assim se comportou:

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Agora, no dia 12 de abril, novamente, Brasília lançou seu grito na grande demonstracão denominada FORA, DILMA! A Polícia Militar calculou a multidão em 25 mil. Já os manifestantes afirmam que eram, no mínimo, 60 mil. Vocês aí tirem suas conclusões:

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Em todo o Brasil, coincidentemente, a presença dos manifestantes foi subavaliada pela imprensa. Vejamos a massa popular no Rio e no Recife:

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Foi o Brasil acordando em tudo que é canto, liberando um grito há muito sufocado. Parabéns!!!

Um especial aspecto que infla o peito dos brasilienses de orgulho é o respeito à Faixa de Pedestre. Nisso, damos exemplo para todo o Brasil.

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Agora, em 2015, o respeito à Faixa de Pedestre completou 18 aninhos, ou seja, atingiu a maioridade. Na época de sua implantação, por exigência do Código de Trânsito Brasileiro, o Distrito Federal vivia sob a administração petista. Por isso, o Governador da época até hoje se vangloria de ter inculcado na população candanga esse sentimento que tanto hoje nos envaidece. Mas ele mesmo, com sua equipe, não o praticava, como mostra esta foto publicada no Correio Braziliense, durante a campanha educativa:

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Brasília agora é nossa. Como diz o samba de Benedito Lacerda, é nossa, tem dono e ninguém põe a mão!

E fiquem certos os que receberam nossa consagração nas urnas em 2014: mijou fora do caco, pode esperar a bordoada na próxima eleição!

Para comemorar esse importante momento cívico que vivemos, ouçamos o dobrado Brasília, composição do Maestro Élcio Álvares, com a Banda de Música da EsSA – Escola de Sargentos das Armas:

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NEIDE SANTOS – DESAFIO AOS CORDELISTAS FUBÂNICOS

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Raimundo Floriano e Neide Santos: dois sorrisos fubânicos

Cleneide Maria Ramos dos Santos é o nome desse precioso Diamante Negro! Dessa Nega/Fulô

Neide Santos é algo de bom que aconteceu em minha vida neste Século XXI!

Conheci-a em 2009, na posse da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, sendo a ela apresentado pelo Papa Berto, que já a nomeara Madre Superiora da Igreja Sertaneja.

Foi amor à primeira vista. A partir dali, nossa amizade grudou que nem catarro na parede. De volta a Brasília, nosso contato tem sido direto, com vantagens somente para meu lado. Faz pesquisas a meu pedido, adquire-me raros CDs de Forró; quando não os encontra, faz a abordagem direta com os artistas, conseguindo-me cópia do trabalho solicitado. E tudo isso sem me cobrar um puto sequer.

Neide é figurinha presente em todos os eventos culturais recifenses, adorada por todos os astros forrozeiros, que fazem questão de registrar em foto o momento com ela. Seu álbum de fotos no Facebook é um banho de reportagem sobre o movimento cultural nordestino na atualidade.

Ela já foi homenageada pelo Papa Berto com o acima citado título de Madre Superiora. Não havendo como encontrar um posto maior aqui em meu Cardinalato, a não ser o de Cardealesa, ora ocupado por minha Primeira-Dama, só um poema traduziria meu amor por ela.

Assim, resolvi homenageá-la da forma que sei, fazendo-lhe um cordelzinho, mas me enrasquei no logo na primeira estrofe. Qual a rima para Neide? Pensei em Chupicleide, mas isso seria nepotismo, em se tratando da Secretária da Redação deste nosso Jornal da Besta Fubana. O Dicionário de Rimas em nada me ajudou. Para safar-me, recorri até à Língua Inglesa. E o resultado vocês verão mais adiante.

A concluí-lo, submeti-o, através do Facebook, ao crivo de nossa querida Musa, obtendo dela esta reação:

– KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

Pois bem, ao publicá-lo, logo abaixo, eu desafio o repto! Ou seja, desafio todos os cordelistas fubânicos a também fazerem uma septilha de loa a essa querida amiga, e cito alguns: Ismael Gaião, Jessier Quirino, Xico Bizerra, Violante Pimentel, Dalinha Catunda, Marcos Mairton, Walter Jorge, Jesus de Rita de Miúdo, Madre Superiora Glorinha, José de Oliveira Ramos, Carlito Lima, Zelito Nunes, Fred Monteiro, Francisco Itaerço, Bruno Negromonte, Paulo Carvalho, e outros mais.

Agora, vejam o que, a duras penas consegui, aqui publicando com o beneplácito da homenageada:

Se você quer bufar, bufe
Se você quer peidar, peide
Mas nunca o faça dijunto
Dessa dama, dessa Lady
Por ela o mundo palpita
Se quer ver mulher bonita
Bote o nome de Cleneide

MANOEL BRIGADEIRO SE ENCANTOU

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No dia 10.10.2011, eu publicava aqui no Jornal da Besta Fubana esta matéria:

MANOEL BRIGADEIRO, O EMBAIXADOR DO SAMBA

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Brigadeiro e Raimundo Floriano – Carnaval 1996

Nestes tempos cabeludos de campanhas eleitorais cheias de bravatas e promessas mirabolantes – jamais cumpridas – para engabelar o eleitoranta, digo, o eleitorado, tempos de avacalhação do ensino da Língua Portuguesa, fico a lembrar-me de meu amigo Manoel Brigadeiro, por duas de suas composições, premonitórias, das quais adiante lhes falarei.

Manoel Frederico Soares nasceu no dia 25 de maio de 1922, em Natividade (RJ) e foi batizado com o sobrenome dos patrões de seus ancestrais, remanescentes dos tempos da escravatura.

De família bastante humilde, mudou-se para o Rio de Janeiro aos oito anos de idade, começando a trabalhar muito cedo como empregado doméstico, na casa dum militar, Antônio Guedes Muniz, que chegou a Marechal-do-ar. A cada promoção que o patrão recebia, os amigos, carinhosamente, também o elevavam de posto. Daí seu pseudônimo artístico: Manoel Brigadeiro.

Embora não tenha estudado Música, Manoel Brigadeiro iniciou-se, ainda na adolescência, na arte da composição de música popular. Frequentava todas as Escolas de Samba, nas quais até hoje tem trânsito livre, andou fazendo uns sambas de enredo, mas logo desistiu desse gênero, passando a dedicar-se a sambas de meio de ano e a marchinhas.

Em sua discografia, constam mais de 60 peças de sua autoria, gravadas por ele mesmo e por grandes nomes da MPB, como Alcides Gerardi, Carmen Costa, Isaurinha Garcia e Mário Genari Filho.

O convívio no meio aeronáutico lhe rendeu a profissão de mecânico de aviões e um cargo no então Ministério da Viação e Obras Públicas. Em 1974, foi transferido para Brasília, lotado no Ministério dos Transportes, vindo aqui residir, acompanhado de Gilda, sua mulher, e dos filhos do casal.

E foi naquele mesmo ano que o conheci. Todos os dias, nosso grupo de amigos ligados ao Samba e ao Carnaval se reunia na Estação Rodoviária, após o expediente, num boteco ao qual denominávamos Escritório, para bater papo, jogar conversa fora, compor, paquerar as transeuntes, combinar armações, tomar a saideira, esta acompanhada de caprichado tira-gosto, tudo isso até as 20h00, quando a cambada batia em retirada rumo ao sagrado conforto do lar.

Turminha boa aquela, de vários órgãos da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes: Tarcísio Marujo, Alvinho Barbicha, Walter Passarela, Waldir Pajaraca, Vovô Ozório, Tonico da Portela, José Guedes – pai do saxofonista e gaitista Mílton Guedes -, Lourenço Rodrigues, os Irmãos Pequeno – um deles pai da voleibolista Paula Pequeno –, Salvador da ARUC, Edson Coroa, Ney Coroa, Caju, Roberto Derrubada, José Cordeiro, Capitão Benon, Heitor Brandão, João Quarela, Antônio Patrício, Tenente Fogo Eterno, Juvêncio Das Quebras, Sacramento, Joãozinho Monteiro.

Foi no Escritório que aquele inconfundível negão, com seus característicos terno e boné brancos, se revelou para mim como o compositor, em parceria com João Correia da Silva, do samba Tem Bobo Pra Tudo, que eu já conhecia desde 1963, época de seu lançamento, na voz de Alcides Gerardi, o qual retrata a maioria do eleitoranta, digo, eleitorado de hoje:

Quem não sabe tocar violão, nem pistom, toca surdo.
Sempre agrada porque neste mundo tem bobo pra tudo.

Camelô na conversa ele vende algodão por veludo.
Não tem bronca porque neste mundo tem bobo pra tudo.

A mulher que é bonita consegue o que quer, não me iludo.
E concordo porque neste mundo tem bobo pra tudo.

Todo mal do sabido é pensar que não é enganado.
Quantas vezes também como bobo já fui apontado.

Tem alguém que é bobo de alguém, apesar do estudo.
Está provado porque neste mundo tem bobo pra tudo.

Aqui na Capital Federal, Manoel Brigadeiro pode ser facilmente localizado na ARUC – Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro, Escola de Samba mais antiga de Brasília, da qual assisti ao nascimento. Mas ele não toma partido pela ARUC. Promove todas as Escolas, divulga seus trabalhos, representa-as onde se faça necessário, tendo sido, por isso mesmo, nomeado Embaixador do Samba. No período carnavalesco, sua presença em atos oficiais, em clubes, em batalhas de confetes e no Ceilanbódromo – local dos desfiles das Escolas de Samba do Distrito Federal – é tão importante e imprescindível quanto a do Rei Momo e da Rainha do Carnaval.

Manoel Brigadeiro é atração onde quer que chegue. Vez em quando, apresenta-se em casas de espetáculos, como em recente temporada com o compositor portelense Carlos Elias, também radicado em Brasília, este com músicas gravadas por Paulinho da Viola, Clara Nunes, Nara Leão e Beth Carvalho. A foto abaixo registra dois desses momentos:

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Manoel Brigadeiro e Carlos Elias, duas atrações da Capital Federal

Para o Carnaval de 1976, Manoel Brigadeiro, em parceria com Lourival Faissal, brindou-nos com a marchinha Ana-Alfa-Beta, em alusão ao MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização, que procurava tirar grande parcela do povo da escuridão literária, em contrapartida com o atual Ministério da Educação, que distribuiu centenas de milhares de livros desensinando o uso correto da Língua Portuguesa:

Vai pro MOBRAL
Aprender a ler
O MOBRAL vai lhe ensinar
Por que
Não se deve dizer

Nóis vai subir pra cima
Nóis vai descer pra baixo
Foi ontem que eu vi ela
Olha a boca dela

Quem não sabe ler
É um verdadeiro pateta
Se você não aprender
Vai ser Ana-Alfa-Beta

* * *

Pois bem, no dia 24.3.2015, há menos de um mês, Manoel Brigadeiro, se encantou, aos 92 anos de idade, quase 93.

Emblematicamente, deixou-nos este ano quando, em Brasília não, se realizou desfile de Escolas de Samba, por falta de patrocínio dos cofres públicos. Em meu entender, foi o fim desse Carnaval plastificado, chapa-branca, sem a participação efetiva do povão.

O que dominou nas ruas brasilienses foi o que, antigamente, chamávamos blocos de sujos, movimento do qual Luiz Berto e eu, aqui, fomos os pioneiros.

Em 1972, fundamos a Banda da Capital Federal, com músicos de sopro e percussão, que, tocando marchinhas, frevos e sambas carnavalescos, saía pelas superquadras e ganhava as avenidas, arrastando multidões atrás de si. A foto abaixo, publicada pelo Correio Braziliense, no Carnaval de 1973, dá uma ideia do que fomos:

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Em nosso vácuo, e seguindo nosso bom exemplo, surgiram estes Blocos de Rua: Pacotão, do qual fui trombonista desde o início; Suvaco da Asa, Virgens da Asa Norte, Ó do Borogodó, Samba do Peleja, Cafuçu do Serrado, Babydoll de Nylon, Populares do Pânico, Aparelhinho, Baratona, Baratinha, Raparigueiros e outros menos falados, todos sem o intuito de competição, apenas como objetivo de alegrar a população candanga, calculada, no último Carnaval, em um milhão e quinhentos mil foliões.

Amigo Brigadeiro, segure na Mão de Deus e Vá. Você foi a força e ícone de uma Era que, com seu encantamento, salvo melhor juízo, também conhece seu final.

Em sua homenagem, aqui vão duas de suas composições.

Tem Bobo Pra Tudo, samba, gravação de Alcides Gerardi em 1963:

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Ana-Alfa-Beta, marchinha, gravação de Carmen Costa para o Carnaval de 1976:

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QUIBEBE – PRATO PARA A SEMANA SANTA

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Foto de Elba Albuquerque

INTRODUÇÃO

Há quase cinco anos, precisamente no dia 5.4.2010, publiquei aqui no JBF matéria com o título A Fábula do Ovo e do Pré-Sal, onde contava as agruras de Dona Chiquinha Comboieiro, boleira balsense, não dando conta dos 500 cacetes encomendados pela PETROBRAS – só conseguiu 300 –, para um café da manhã em que se comemoraria naquele sertão o jorro do petróleo na torre que, há muito tempo, perfurava o solo na Fazenda Testa Branca, o que não veio a acontecer, acabando aquela estatal por cimentar o poço, relegando-o, definitivamente, ao olvido.

No dia 8 de agosto de 2014, a leitora Sebastiana Rodrigues de Sousa postou um comentário no jornal, assim se expressando: “Gostei dos contos, mas quero a receita do bolo cacete”.

Assim instigado, mostro o cacete, digo, o pau, depois de macerar a cobra, esta representada, evidentemente, pelo teste, aqui em casa, de todas as receitas, para não dar chabu.

Quando não houver menção específica, o resgate delas foi uma gentileza da amiga Maria do Socorro Ferreira Vieira, minha Assessora Cultural e Plenipotenciária balsense.

No tempo de minha infância, Balsas ainda não contava com a existência de padaria. A dona de casa, assim, tinha de usar de muita criatividade, todas as manhãs, para botar na mesa o quebra-jejum da família, as mais das vezes com beiju, cuscuz, frito de carne, farofa de ovo mexido ou os bolos cujas receitas aqui apresento.

Havia famosas boleiras balsenses, como Dona Dolores Lima e Madrinha Ritinha Pereira. Outras, como Dona Febrônia Tourinho, Dona Chiquinha, Dona Úrsula, Dona Biloca Botelho e Dona Maria Bezerra, minha saudosa mãezinha, faziam-nos, não só para o consumo domiciliar, mas também para vender.

E era aí que eu entrava na dança. Toda boca-de-noite, eu saía de casa, carregando na cabeça uma gamela cheia de bolos diversos, oferecendo-os de porta em porta, ou apregoando-os em alta voz.

Não preciso nem dizer a saia-justa que isso me causava, quando batia à porta de casa onde havia meninas colegas minhas do Grupo Escolar, principalmente na de Seu Jonas Bonfim, pai da Maria Núbia, menina de 8 anos, pela qual eu era perdidamente apaixonado. E esse acanhamento ficou maior, depois que passei a estudar em Floriano, pois nas férias, minha mãe me entregava a gamela, sem levar em consideração meu novo status de ginasiano.

Na Semana Santa balsense de minha infância, que ia de quarta a sexta-feira, quando se obedecia a rigorosa abstinência de carne, o prato mais comum nas mesas daquele sertão era o quibebe, cuja receita passo apresentar.

QUIBEBE

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Fotos de Elba Albuquerque

(Receita resgatada pela Comadre Maria Júlia, criada por minha mãe e residente em Anápolis)

Ingredientes:

Jerimum picado
Macaxeira picada
Maxixe picado
Batata doce em rodelas
Mandioquinha picada
(Todos em partes iguais)
Folhas de quiabo picadas (um molho)

01 garrafa de leite de coco

Modo de preparo: Após cozinhar os ingredientes, adicionar o leite de coco, sal, alho, cebolinha, coentro, e outros temperos, a gosto.

Tempo de duração: Melhor consumir no mesmo dia.

O ingrediente mais difícil de ser encontrado é a folha de quiabo. No ano passado, meu irmão Rosimar trouxe-as de São Luís de Montes Belos, sertão goiano, onde mora.

No último Natal, pedi a minha sobrinha e afilhada Lara, a qual não mede esforços para me agradar, que, como presente de natalino, plantasse no jardim de sua casa, na 714 Sul, um pé de quiabo, para que o ingrediente ficasse à mão com facilidade. Poderia ter pedido a outras sobrinhas queridas que têm quintal, mas aí morava o perigo, pois os cachorros que guardam casas adoram mijar nos canteiros de hortaliças.

Aí esta o resultado das providências da Lara:

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Foto de Lara Maria

É bem verdade que lagartinhas andaram testando o alimento, mas não faz mal, lagarta é Natureza, se não morreram, é porque o produto é de qualidade.

Para os que não gostam de comer as folhas, mas adoram comer o fruto, proponho, quebrando a seriedade o assunto, que repitam, cem vezes, este trava-língua:

Eu como quiabo cru, eu como quiabo cru, eu como quiabo cru, eu como quiabo cru…

MEMORIAL BALSENSE – LANÇAMENTO EM BRASÍLIA – A FESTA

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Memorial Balsense aconteceu em Brasília! Não importando a chuva torrencial que caiu no horário do evento – chuva é coisa boa -, que durou das 18h30 às 22h30, a festa foi sucesso absoluto de público e venda. Com a Graça de Deus e as bênçãos de São José em seu dia, 19 de março, dia de muito chover! Compareceram mais de 200 pessoas, algumas delas adquirindo quatro exemplares!

A organização, como sempre, ficou a cargo da empresa A&C Eventos, de minha comadre e sobrinha Ana Alice, que destacou três de suas funcionárias para contato telefônico direto com todos os convidados de Brasília, às vésperas do evento, e demais procedimentos pertinentes a um lançamento de livro. Abaixo, o Espaço e a Mesa Receptora:

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Restaurante Carpe Diem – Martina, Ana Alice Daiane e Lusélia

Logo no início, dois lances emocionantes: o comparecimento de meu primo Esmaragdo de Sousa e Silva (93), Desembargador aposentado, que, há 3 anos, após o falecimento de sua esposa, namoradinha da adolescência, não sai mais de casa e me fez essa especial deferência; e o Cosme Noleto (79) meu amigo de infância, o primeiro na vida a comprar um livro meu, dando crédito a meus escritos:

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Esmaragdo de Sousa e Silva – Cosme Noleto

A seguir, flagrantes da festa.

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Minha família: Vinícius, Mara, eu, Veroni, Elba e Fábio – Paula, eu, Anna Paula e Zezinho

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Com colegas do BPEB: Arnaldo – Bandeira e Terezinha, sua mulher

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MEMORIAL BALSENSE – LANÇAMENTO EM BRASÍLIA – 2

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MEMORIAL BALSENSE, MEU LIVRO DERRADEIRO

Derradeiro livro sério, quero dizer. Até a edição do Memorial, minha ousadia literária produziu estes títulos: Regras de Pontuação e Sinais de Revisão; O Acordo PTB/PDS, Do Jumento ao Parlamento, De Balsas Para o Mundo, e Pétalas do Rosa:

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Chega de santa pesquisa, história, dados biográficos! Em meu próximo trabalho, que espero lançar em 2016, quando farei 80 anos, com o título Caindo na Gandaia, incorporarei, realizando um sonho de infância, dois tipos que venho tentando ser, em todos os locais que frequento e que agora, na octogenariedade, afloram com toda a força: Palhaço Seu Mundinho e o Velho Fulô:

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Pauleira pura, pimenta e sacanagem do primeiro ao quinto, impróprio até para menores de 80 anos, como você hão de ver.

Agora, tratemos do Memorial Balsense.

Com formato de 22 cm x 15,5 cm, 312 páginas, 236 figuras e índice onomástico com cerda de 1.300 verbetes, tiragem de mil exemplares, o livro traz, a seu final, uma homenagem a Sua Majestade o Leitor, que tem me apoiado desde os primeiros escritos, adquirindo-os, lendo-os, comentando-os, criticando-os, aplaudindo-os e, nas mais das vezes, concitando-me a prosseguir.

Para economizar palavras, aqui vão suas capa, contracapa orelhas e folha de falso rosto:

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Haverá dois lançamentos: um, o umbilical, a na noite de 12.6.2015, no Arraial do Festejo de Santo Antônio, em Balsas; o segundo, o nacional, aqui em Brasília, no Restaurante Carpe Diem, no dia 19.3.2015, uma quinta-feira. Na próxima semana, postarei aqui o convite.

A edição foi totalmente bancada por mim. As duas logomarcas constantes da contracapa são enfeites, uma da empresa A&C Eventos, com cancha internacional, de minha comadre e sobrinha Ana Alice, que tem organizado meus lançamentos, e outra da PadrãoAP, de projetos e consultoria, de meu filho Zezinho, por motivos óbvios.

Aqui, o selo personalizado, peça promocional, com o apoio da ECT:

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Com a edição de De Balsas Para o Mundo quase esgotada, passarei a publicá-lo semanalmente, aqui no JBF, entremeando seus episódios com matérias outras que, durante isso, vierem a merecer minha atenção.

Para reavivar a memória dos leitores, aqui vai sua capa:

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MEU NATAL FORA DE ÉPOCA, E DE CASA TAMBÉM

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Papai Noel da Academia RECOR

Sim, amigos, existe isso também! Não é privilégio apenas das micaretas!

Aqui em Brasília, por exemplo, havia, no passado, a loja General Novilar, que lançou, durante muitos anos, a promoção PAPAI NOEL EM AGOSTO. Natal fora época, pelo menos nestas terras candangas, não é tão esquisito como se pode julgar.

Mas não vamos tão longe. No assunto em colação, refiro-me às festinhas de confraternização que acontecem, geralmente, no final de novembro, nas três comunidades das quais sou membro ativo: a Academia RECOR, A Drogaria Drogasil – São José e a Hidroterapia. Comecemos pela ordem.

Primeiramente, a Academia RECOR, especializada em Terceira Idade e Cardiopatas, onde malho há 13 anos. Qualidade de Vida é seu lema.

Em 2016, quando completarei 80 nos couros, incorporarei de vez as personalidades do que tenho sido por toda esta existência, Palhaço e Velho do Pastoril, ou seja, Mundinho Bico Doce e Velho Fulo, consagrando essa metamorfose no livro Caindo na Gandaia, totalmente ilustrado, já pronto e em fase de acabamento digital.

No dia em que não compareço à atividade, o que raramente acontece, todo o pessoal sente a falta de minha irreverência, de minhas piadas apimentada, de minhas cançonetas, de minhas charadas, enfim, de mina alegria.

Tudo isso faz com que eu encontre imenso prazer na malhação, assim como minora o padecer de todos nós que ali estamos por indicação médica.

Desse modo, nada mais natural e apropriado que eu inicie a festinha. Na última, comecei declamando a poesia A Flor do Maracujá, do maranhense Catulo de Paixão Cearense, e executando, na gaita de boca, a marchinha natalina Boas Festas, de Assis Valente. Aí vão os flagrantes desse dois momentos.

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Registro, também, duas tomadas dos malhadores e professoras:

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Dando prosseguimento à brincadeira, chegou a hora da revelação do amigo oculto e da distribuição dos presentes, antecipadamente escolhidos Eu havia pedido uma lanterna de duas pilhas. Mas presente meu tem de ter uma gozação. E meu amigo oculto, o colega Rômulo, não perdeu a oportunidade. Vejam o que ele me aprontou:

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Uma lamparina, com prazo de validade vencido

Passado o efeito da pegadinha, ele me entregou o presente almejado:

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Cabia-me, por sorteio, presentear minha amiga oculta, a colega Sônia. Inicialmente, dei-lhe um caixote contendo, apenas uma nota de 1 dólar. Depois, presenteei-a com a prenda escolhida, uma caixa de chocolate da Kopenhagen:

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Feita a revelação de todos os amigos ocultos, passamos às comedorias, após o que se deu por encerrada a festança.

Prossigamos com o Natal Fora de Época na Drogaria Drogasil – São José, da Rua das Farmácias, da qual sou cliente fiel desde há muito tempo. Não me restrinjo apenas a comprar medicamento, mas enriqueço meu cabedal humano fazendo de cada funcionário daquela filial um amigo. Esse proceder me trouxe inusitada surpresa, que me deixou muito feliz. Vou contar com foi.

Eu havia encomendado o medicamento Forxiga, em falta no mercado brasiliense. Certo dia, no final de novembro, telefonaram-me avisando que o pedido havia chegado e marcando hora para a entrega. Em lá adentrando, todo o corpo de funcionários me esperava e, com grande alegria, me brindou com esta linda caravela, quase toda confeccionada com palitos de picolé:

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O terceiro Natal Fora da Época foi na Academia Consciência Corporal, em cuja piscina a Doutora Ayda Jamal e sua equipe ministra sessões de hidroterapia, o que, há 10 anos, me proporciona condições de me locomover e muita interação com os colegas hidroterapatas. Ali, um grande sentimento nos une em fraternal empatia: a dor!

Este ano, meu número de abertura já foi descrito acima: declamação de poesia e música na gaita de boca. A seguir, o grupo de Fisioterapeutas e Hidroterapatas:

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O amigo oculto foi sorteado na hora. Ganhei uma garrafa térmica da colega Michelle e presenteei o colega Gustavo com uma caixa de chocolates da Kopenhagen:

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Ao final da brincadeira, declamei A Flor do Maracujá e executei na gaita de boca a marchinha Boas Festas e a guarânia Meu Primeiro Amor, de Hermínio Gimenez, acompanhado ao violão pelo garoto César, filho da colega hidroterapata Edmeia, ambos neste flagrante:

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O número musical foi registrado pela Doutora Ayda neste youtube:

ALVARENGA E RANCHINHO E CARNAVAL

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Alvarenga e Ranchinho

Dupla sertaneja formada por Murilo Alvarenga, o Alvarenga, nascido em Itaúna (MG), a 22.5.1912, e falecido a 18.1.1978, e Diésis dos Anjos Gaia, o Ranchinho, nascido em Jacareí (SP), a 23.5.1913, e falecido a 5.7.1991, estrelaram o elenco original que, apesar dos percalços, encontros e desencontros, acertos e desacertos, dissoluções e retornos, foi o mais conhecido, famoso e duradouro.

Murilo, conhecido desde cedo pelo sobrenome, trabalhava em circos como trapezista, malabarista e cantor de tangos. Diésis atuava como cantor na Rádio Clube de Santos, apresentando repertório romântico do qual o samba-canção No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo, era uma de suas músicas prediletas, daí se originando o apelido Rancho. Conhecido também como Baixinho, em função do seu porte físico, aproveitou o apelido e o colocou no diminutivo – Ranchinho.

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Em 1928, numa seresta na cidade de Santos, Murilo e Diésis resolveram cantar juntos. De início, atuaram em circos, apresentando repertório variado, com valsas, modinhas, tangos, chorinhos e calangos, entremeando uma música e outra com causos e piadas, dos quais o público achava muita graça, aplaudindo-os em aprovação.

No ano de 1933, a dupla teve início efetivo, cantando no Circo Pinheiro, em Santos, e, logo depois, em São Paulo, na Companhia Bataclã. No ano seguinte, passou a fazer parte do elenco da Rádio São Paulo. Estava consolidada no cenário artístico nacional.

Em 1935, conheceu o compositor e humorista Silvino Neto, pai do ator global Paulo Silvino, com quem formou um trio, Os Mosqueteiros da Garoa, de curtíssima duração.

Refeita a dupla, passou ela a atuar em filmes, nas mais famosas estações de rádio do país e em casas de espetáculos até do exterior, assim como a gravar seus sucessos, incluindo-se neles vários carnavalescos, como Seu Condutor, de Alvarenga e Ranchinho, em 1938, e A Charanga do Flamengo, de Felisberto Martins e Fernando Martins, em 1947

Durante sua existência, a dupla teve outros componentes, em substituição a Ranchinho, que sempre voltava, pois não havia outro com talento igual para seu lugar.

Em 1936, integrando o elenco do Cassino da Urca, começou a fazer sátiras políticas, que se tornaram um dos seus pontos fortes, o que lhe acarretou sérios problemas com a censura oficial.

Mas em 1939, Alzira Vargas, filha do Presidente Getúlio Vargas, ditador na época, convidou a dupla para tocar no Palácio das Laranjeiras para seu pai. Getúlio, depois de ouvir todas as músicas e sátiras, algumas referentes a ele, deu ordem para que suas composições fossem liberadas em todo o território nacional.

Alvarenga e Ranchinho não alisavam os lombos dos poderosos, descendo-lhes, com suas sátiras, vigorosas cipoadas, com exceção de um, porque apoiavam seu governo: Juscelino Kubitscheck.

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Na primeira metade dos Anos 80, Ranchinho fez parte do elenco fixo do programa Som Brasil, nas manhãs de domingo, apresentado inicialmente por Rolando Boldrin e depois por Lima Duarte.

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Imagem do livro Rolando Boldrin – Ed. do Autor

Nesta segunda-feira de Carnaval, deixo com vocês três sucessos carnavalescos da dupla, até hoje cantados e tocados nos salões onde ainda se preserva a Memória da Música Popular Brasileira.

A Charanga do Flamengo, marchinha de Felisberto Martins e Fernando Martins, lançada em 1947;

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Bebé, marchinha de Alvarenga, lançada em 1949;

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e Seu Condutor, marchinha de Alvarenga e Ranchinho, lançada em 1938.

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CARMEN MIRANDA E O CARNAVAL

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Carmen Miranda (9/Fev/1909 – 5/Ago/1955)

Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em Marco de Canavezes, Portugal, a 9.2.1909. Tinha apenas 10 meses quando veio para o Brasil com sua mãe, Maria Emília Miranda da Cunha e a irmã mais velha, Olinda, seguindo o pai, o barbeiro José Maria Pinto da Cunha, que aqui já se encontrava, o qual lhe dera o cognome Carmen devido à sua grande paixão pela ópera.

Nunca voltou à sua terra natal, o que não impediu que a Câmara do Conselho de Carmo de Canavezes, muitos anos mais tarde, desse seu nome ao Museu Municipal.

Fez os primeiros estudos no colégio de freiras Escola Santa Teresa, do Rio de Janeiro e, desde essa época, revelou jeito extraordinário para cantar. Apresentou-se no colégio declamando para o Núcleo Apostólico, chamando a atenção por sua peculiar gesticulação.

Dificuldades financeiras da família obrigaram-na a trabalhar. Aos 15 anos, conseguiu emprego de balconista e, mais tarde, de chapeleira, numa loja de artigos femininos. Costumava cantar com as irmãs Olinda e Cecília na pensão que a mãe instalara, sempre freqüentada por músicos.

Em 1929, o violonista Josué de Barros, seu descobridor e protetor artístico, levou-a para a Rádio Sociedade. Para sua primeira gravação, realizada na Brunswick, recém-inaugurada, Josué compôs os sambas Não Vá-se Embora e Se o Samba é Moda. Em seu segundo disco, já na RCA Victor, lançou as toadas Triste Jandaia e Dona Balbina, ambas também de Josué.

Para o Carnaval de 1930, gravou as marchinhas Iaiá, Ioiô, de Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto, e Taí (Pra Você Gostar de Mim), escrita especialmente para ela por Joubert de Carvalho, a qual teve sucesso estrondoso é até hoje é tocada nos salões e nos blocos de sujo em que se cultuam os sucessos carnavalescos do passado.

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Daí pra frente, sua carreira teve ascensão meteórica. Trabalhou em teatros, revistas, clubes, participou de filmes e excursionou pelo Brasil e países da América do Sul. Sua discografia de quase 500 faixas consigna todos os grandes autores de sua época.

Em 1933, começou a gravar composições de Assis Valente, de quem se tornaria a principal intérprete, lançando entre as primeiras as marchinhas e Etc. e Good Bye. No ano seguinte, vieram novos êxitos: Alô, Alô, samba de André Filho, Isto É lá com Santo Antônio, marcha de Lamartine Babo, em dupla com Mário Reis, e nova excursão ao exterior, dessa vez à Argentina, com Aurora Miranda, sua irmã mais nova, e o Bando da Lua.

Em 1938, ao lado de Dircinha Batista, Linda Batista, Emilinha Borba, Carlos Galhardo, Orlando Silva e Aurora Miranda, atuou no filme Banana da Terra, de J. Ruy, no qual se apresentou pela primeira vez vestida de baiana para interpretar, acompanhada pelo Bando da Lua, o samba de Dorival Caymmi O Que É Que a Baiana Tem, também lançado em disco, em dueto com Caymmi, para o Carnaval de 1939.

Acompanhada pelo Bando da Lua, apresentava-se no Cassino da Urca, no Rio de janeiro, com roupa de baiana estilizada que, assim como sua característica gesticulação com os braços, marcou fundamentalmente sua imagem pública.

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Em 1939, quando era a cantora de maior prestígio da Música Popular Brasileira, seguiu para os Estados Unidos, contratada pelo empresário norte-americano Lee Schubert, estreando, com o Bando da Lua – que lá ficou conhecido como The Moon Gang – na revista musical Streets of Paris, na Broadway, onde cantava Mamãe, Eu Quero, de Jararaca e Vicente Paiva, Marchinha do Grande Galo, de Lamartine Babo e Paulo Barbosa), Touradas em Madrid, de João de Barro e Alberto Ribeiro, e South American Way, de Al Dubin e Jimmy Mc Hugh, um de seus grandes sucessos na Terra de Tio Sam. Nesse mesmo ano, exibiu-se com a Orquestra de Romeu Silva na Feira Mundial de Nova Iorque.

Em 1940, apresentou-se na Casa Branca para o presidente Franklin Delano Roosevelt, já sendo considerada a terceira personalidade mais popular de Nova Iorque. Era então conhecida como The Brazilian Bombshell. Nesse período, manteve casos amorosos com os atores John Wayne e Dana Andrews e também com o brasileiro Aloysio de Oliveira, integrante do Bando da Lua.

Em julho do mesmo ano, voltou ao Brasil e, apesar da calorosa recepção durante sua chegada, sua re-estréia no Cassino da Urca foi marcada pela frieza do público.

Acusada de voltar “americanizada”, reformulou então seu repertório – naquela fase com ritmo muito à base de rumbas – e apresentou-se novamente no Cassino, obtendo êxito esmagador. Gravou, pela Odeon, as músicas que cantava no show e que eram, de certa maneira, uma resposta às críticas: Disseram Que Voltei Americanizada, Disso É Que eu Gosto, Voltei Pro Morro, as três de Vicente Paiva e Luiz Peixoto, e Diz Que Tem, de Vicente Paiva e Hannibal Cruz.

Em 1941, voltou para os Estados Unidos, contratada para atuar no cinema, em Hollywood, onde viveu até o fim da vida. Trabalhou em Uma Noite no Rio, de Irving Cummings, Aconteceu em Havana, de Walter Lang, Minha Secretária Brasileira, de Irving Cummings, Entre a Loura e a Morena, de Busby Berkeley, Serenata Boêmia, de Walter Lang, e mais outros filmes. Em 1944, chegou a ser uma das artistas mais bem pagas naquele país, trabalhando em show, filmes e rádio. Anos mais tarde, estrelou o filme Copacabana, de Alfred Green, ao lado de Grouxo Marx, apresentou-se com grande sucesso no teatro Palladium, em Londres. Também atuou no Havaí.

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Em 1947, casou-se com o americano David Sebastian. Esse matrimônio é apontado por todos os biógrafos e estudiosos de Carmen Miranda como o começo de sua decadência física. O marido, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se seu “empresário” e conduzia mal os negócios contratados. Também era alcoólatra, e pode ter induzido Carmen a consumir bebidas alcoólicas, das quais se tornou dependente.

O casamento entrou em crise já nos primeiros meses, mas ela não aceitava o divórcio, pois era católica convicta. Engravidou em 1948, mas sofreu aborto espontâneo depois de uma apresentação.

Em 1954, consagrada internacionalmente, voltou ao Brasil para rever a família e descansar de esgotamento nervoso, realizando alguns espetáculos.

Retornou para os Estados Unidos em 1955 e, quatro meses depois, a 5 de agosto, com apenas 46 anos de idade, vinha a falecer do coração em sua casa, em Beverly Hills, Hollywood. Suas últimas atuações foram em Havana, em Las Vegas e na TV americana, em shows de Jimmy Durante.

Seu enterro no Rio de Janeiro foi acompanhado por cerca de 500 mil pessoas, cantando Taí, seu primeiro sucesso.

A Pequena Notável, como era também conhecida, que marcava suas apresentações cantando e dançando com turbante na cabeça, tamancos altíssimos e muitos balangandãs, gesticulando com as mãos e revirando os olhos, deixou sua imagem registrada em 19 filmes e mais de 150 discos, norte-americanos e brasileiros. Além da aura que sempre cercou sua personalidade esfuziante, capaz de fascinar a juventude, tantos anos depois de sua morte.

Seu repertório carnavalesco é riquíssimo, com sucessos que ficaram gravados na memória dos brasileiros para todo o sempre. A seguir, quatro títulos, que ainda hoje são tocados e cantados pelos foliões onde ainda se preserva a Cultura Musical Brasileira.

Alô, Alô, samba de André Filho, em dupla com Mário Reis, de 1934;

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Como “Vaes” Você, marchinha de Ary Barroso, em dupla com Ary, de 1937;

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Minha Terra Tem Palmeiras, marchinha de João de Barro e Alberto Ribeiro, de 1937:

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e Taí (Pra Você Gostar de Mim), marchinha de Joubert de Carvalho, de 1930.

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PARTITURAS CARNAVALESCAS – 2015

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No intuito de divulgar o Carnaval Brasileiro, no dia 28 de fevereiro de 2011, há quase quatro anos, portanto, e atendendo a solicitações de músicos nacionais e estrangeiros, tive a satisfação de disponibilizar 100 partituras das marcinhas e 100 dos sambas carnavalescos mais cantados e tocados em todos os tempos.

Elas se encontram em meu álbum de foto do Facebook. Basta copiar, colar e imprimir! São preciosidades que não se encontram nas casas especializadas do setor musical.

Naquela época, as 200 partituras citadas referiam-se, apenas, a TROMBONE E SAX ALTO. Logo em seguida, postei as mesmas partituras para o naipe de PISTOM, CLARINETA E SAX TENOR.

Este é um serviço de utilidade pública que só o Jornal da Besta Fubana pode oferecer. Nenhum outro site ou blog possui tal acervo. Assim também o ECAD, arrecadador de direitos autorais, e a Ordem dos Músicos do Brasil. Meu arquivo se formou ao longo de mais de quatro décadas. No passado, o ECAD distribuía álbuns carnavalescos, o que hoje não faz mais.

Desde então, venho trabalhando para digitalizar mais peças, sendo 147 para trombone e sax alto e 156 para pistom, clarineta e sax tenor. Ao término, contarei com 1.526, para ambos os naipes, que serão colocadas à disposição de todos. Para a consecução deste ideal, tenho contado com a primorosa e imprescindível colaboração do Maestro Antonio Gomes Sales, de Caraúbas (RN), que vem realizando essa árdua tarefa sem me cobrar um puto sequer. Adiante, vemos nosso benfeitor à frente da Banda de Música Joaquim Amâncio, de Caraúbas:

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E os pedidos, com a proximidade do Carnaval, não param de chegar, tendo como fonte de informação o Jornal da Besta Fubana:

“Boa tarde!!! À procura de algumas partes para carnaval, machinhas e sambas, achei uma publicação sobre (JBF) esse e-mail. Gostaria de saber se ainda existem esses arquivos e se teria condições de vc enviá-las pra mim. Aguardo resposta. Desde já, agradeço. Leandro.”

“Olá, sou saxofonista e moro no interior do Estado de São Paulo. Sou grande entusiasta do frevo, porém confesso não possuir muitos recursos para buscar uma especialização sobre o ritmo. Em uma de minhas pesquisas, cheguei até a página (JBF) que cita em seu trecho que os interessados em receber material sobre frevo deveriam lhe escrever. Sendo assim, escrevo para me informar a respeito e agradeço desde já pela atenção. Carlos.”

“Bom dia! Gostaria de obter informações de como posso receber as partituras a seguir (chorinhos), bem como outras relacionadas a carnaval que tiver em seu arquivo. Celso.”

“Ola, Sr. Raimundo, por favor, poderia me mandar em pdf as partituras das marchinhas? Poderei retribuir com vários livros de musica. Meus agradecimentos de avanço. Renato.”

“Bom dia! Será que vc tem as partituras de Balzaquiana, Não Sou Manoel e a do Rei Zulu? Se tiver, pode me enviar??? Uma maravilha aquela sua pagina (JBF) disponibilizando todas essas partituras!!!! Serviço de utilidade publica!!!!! Mageca.”

“Caro Raimundo, primeiramente gostaria de agradecer seu esforço e dedicação. Com certeza, ações como as suas são essenciais para ajudar a manter viva esta parte tão importante da cultura brasileira.

Sou saxofonista (sax alto) do Rio de Janeiro e amante do carnaval de rua. Estou iniciando um bloco de carnaval de rua, no qual vamos tocar um repertorio de marchinhas e maxixes. Sendo assim, adoraria poder ter acesso ao seu acervo. Grato pela atenção. Juan.”

“Olá, vi o blog (JBF) falando das partituras. Pode me mandar? Obrigado! Badeco.”

“Boa tarde, Raimundo, meu noivo toca trombone e, em fevereiro, irá fazer carnaval, e ele precisava muito de diversas partituras. Teria como vc me disponibilizar algumas? Obrigada pela atenção. Kemilly.”

“Bom dia, por gentileza, você poderia me enviar partituras de marchas de carnaval (marchas, marchas-rancho e samba) para sopros, cordas e teclado? Muito obrigado! Maestro Alexandre.”

“Boa tarde, Raimundo, meu pai tem um banda de carnaval há mais de 40 anos. Ocorre que seu braço direito, um saxofonista, veio a falecer no final de 2014. Diante do fato, os repertórios de meu pai se perderam, pois o saxofonista os guardava. Dessa forma, se possível for, gostaria de receber as partituras para sax/trombone e trompete, de marchinhas e sambas-enredo, pois meu pai tem 73 anos e está profundamente chateado com a situação. Desde já, agradeço a atenção. Rodrigo.”

“Boa tarde, gostaria de lhe pedir, por gentileza, se possível, que me enviasse o caderno de partituras carnavalescas. Abraços. Léo.”

“Oi, Raimundo, tudo bem? Vi um post seu muito antigo (JBF) sobre as partituras para trombone de marchinhas de carnaval. Você as tem ainda? Poderia me passar? Bjs. Obrigada. Belle.”

“Olá! Gostaria que você me enviasse as 100 partituras das marchinhas e 100 dos sambas carnavalescos para sax e trombone. Desde já, agradeço. Abraço. Naathe.”

“Muito obrigado, Sr. Raimundo, quero fazer de tudo para manter a tradicionalidade das músicas carnavalesca e conto com o seu apoio, que é uma referência nacional neste quesito que eu tanto aprecio. A partir de agora, tenho o compromisso de divulgá-las nas Escolas Estaduais aqui em Goiás. Grato pelo apoio. Marcos.”

“Boa tarde! Vi o seu site (JBF) e me interessei pelas partituras de carnaval. Como devo proceder? Muito obrigado. João.”

“Boa tarde, Seu Floriano, sou um simples iniciante aprendiz de saxofone e gostaria que o senhor me enviasse as partituras dos frevos mais tocados e das marchinhas. Por favor, Seu Floriano, um abraço e saiba que o senhor estará me ajudando muito me enviando essas partituras. Renato.”

“Bom dia, sou músico, trompetista, na cidade de Batatais e tenho algumas apresentações de marchinhas de carnaval para fazer pela região. Poderia me disponibilizar partituras? Jaderson.”

‘Olá, Raimundo! Entrei no site Besta Fubana e vi que você esta disponibilizando partituras: carnaval e outras. Sou professor de iniciação musical e não é fácil encontrar partituras de música popular de boa qualidade, bem escritas. Agradeço se você puder compartilhar seu arquivo comigo. Abraço. Magano.”

“Oi Raimundo, tudo bem? Achei o seu site (JBF) no Google e vi que você disponibiliza partituras de marchinhas. Poderia me enviar? Agradeço antecipadamente! Att. Ricardo.”

“Olá, amigo! Gostaria de, primeiro, parabenizá-lo pela iniciativa e pelo repertório. Fiquei, realmente, impressionado! Estou aqui também para pedir-lhe que, se possível, enviasse pra mim as partituras referentes às machinhas, pois estou fazendo um trabalho com minha banda de música, o primeiro no carnaval, e gostaria de estudar seu repertório para ver o que melhor se adéqua à turma de novatos e veteranos da banda! Obrigado pela atenção!!!! Um grande Abraço!!! Luís.”

“Boa tarde, estava procurando umas partituras de marchinhas e encontrei o site (JBF) em que vc dá esse e-mail para explicar como posso obter as marchas e sambas. Desde já, agradeço. Henrique.”

“Olá Raimundo, tudo bem? Estive lendo uma matéria no Besta Fubana e vi que o sr. possui partituras de marchinhas que pode disponibilizar. Isso ainda é possível? Se sim, como fazer para consegui-las? Abraços! Bruno.”

“Bom dia, sou músico trombonista. Por favor, me mande um álbum de carnaval com as partituras de machinhas que o senhor tenha. Obrigado! Charles.”

“Sei que nem ao menos me conhece, mas virei sua fã desde quando conheci seu repertorio carnavalesco. Já fui agraciada com as partituras de carnaval para outro tipo de instrumento. Agora, se possível, gostaria de receber as partituras carnavalesca de marchas e sambas para sax tenor e pistom. Desde já, muito obrigada. Malúsia.”

“Olá Raimundo! Bacana seu trabalho, parabéns! Estou interessada nas marchinhas para sax alto e, se tiver, soprano. Maravilha ! Grata desde já. Helena”

“Vi uma publicação sua (JBF) na Internet sobre as partituras de marchinhas de carnaval. Teria como estar enviando para mim uma cópia delas? Fico o aguardo. Willians.”

“Boa noite, Raimundo, sou músico e professo na Faculdade de Música de São Paulo. No intuito de ensinar meus alunos a aprender as marchas de carnaval e sambas, estou à procura de partituras e descobri seu blog (JBF), porém não descobri seu Facebook. Tem como você mandar essas partes e-mail, ou se for mais fácil, mandar o link do seu Facebook? Em 2012, eu montei a minha banda de carnaval mas, com a mudança de residência para outra cidade, não consigo descobrir o paradeiro das poucas partituras carnavalescas de que dispunha. Tenho uma prática de banda, e vc mandando esse material, consigo talvez, até amanha, fazer um ensaio com o meu grupo. Muito agradecido. Gilberto.”

“Bom dia! Estava pesquisando partituras de marchinhas de carnaval na internet e encontrei seu blog (JBF). O sr. poderia me enviar algumas marchinhas? Tem elas digitalizadas? Vou enviar um arquivo anexo que são as que eu e meus colegas queremos tocar aqui no carnaval. Se puder, me enviar, serei muito grato. Att. Geraldo.”

* * *

Por ora, e nada havendo de novo no acervo, recomendo a todos a leitura da matéria publicada em minha coluna, aqui no Jornal da Besta Fubana, no dia 28.2.2011, com detalhes sobre as partituras disponibilizadas, onde poderão deixar suas solicitações. Basta clicar aqui.

JOÃOZINHO, UM ANJO EM NOSSAS VIDAS

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A solenidade começou na hora aprazada e foi presidida pelo Frei Manoel, mercedário, recém-chegado da cidade piauiense de Corrente. Embora não seja salmista, eu solicitara permissão para cantar o Salmo, como última homenagem que faria ao Joãozinho – assim pensava. Por isso, posicionei-me ao lado esquerdo do altar, junto aos acólitos.

Na Liturgia da Palavra, após a Primeira Leitura, dirigi-me ao púlpito e cantei este salmo, com refrão respondido por toda a assembleia:

Adorai o Senhor Deus, vós anjos todos!

Deus é rei! Exulte a terra de alegria,
E as ilhas numerosas rejubilem!
Treva e nuvem o rodeiam no seu trono,
Que se apoia na justiça e no direito.

E assim proclama o céu sua justiça,
Todos os povos podem ver a sua glória.
Aos pés de Deus vêm se prostrar todos os deuses!

Porque vós sois o Altíssimo, Senhor,
Muito acima do universo que criastes,
E de muito superais todos os deuses.

Em seguida, o Frei Manoel leu o Evangelho, mas não pronunciou homilia.

Antes da Bênção, ele me entregou um envelope contendo uma oração de Santo Agostinho. Nesse momento, pedi-lhe permissão para usar da palavra, o que me foi concedido. Assim, ocupando novamente o púlpito, pronunciei a fala que, adiante, procurarei, fielmente, reproduzir, acrescentando imagens para quebrar a monotonia do texto.

“Queridos familiares e demais amigos, sem qualquer preparação anterior para este ato, não consegui conter o impulso de deixar bem marcada junto a vocês a razão pela qual nos encontramos aqui nesta celebração.

“O primeiro romance que li na vida foi A Volta de Tarzan, de Edgar Rice Burroughs, em 1946, quando eu tinha 10 anos de idade, presente de meu irmão Bergonsil, que viria a ser, 52 anos mais tarde, avô do Joãozinho. Contava a volta do nobre inglês Lord Greystoke à Selva Africana, seu habitat natural.

“Para mim, garoto sertanejo acostumado a bater canoa rio abaixo, rio acima, fazer armadilhas em caçadas, armar arapucas e pegar passarinhos, Tarzan era um personagem real.

“Um ano depois, Bergonsil, sabendo que eu gostara da leitura, presenteou-me com o segundo romance de minha vida, Memórias da Emília, de Monteiro Lobato. A ação se passava no Sítio do Picapau Amarelo, onde um anjinho, com asa quebrada, ficou ali convalescendo, aos cuidados de Tia Nastácia e paparicado por Emília, que dele se apropriou.

“A presença do anjinho no Sertão Brasileiro virou notícia no mundo inteiro, razão pela qual muitos personagens dos contos infantis para ali acorreram, no intuito de conhecê-lo: Peter Pan, Alice, Popeye, Brutus, Capitão Gancho e outros. Da Inglaterra, veio um navio cheio de crianças comandado pelo Almirante Brown e enviado por Sua Majestade o Rei Eduardo VIII, com o mesmo propósito. Eis a capa do livro:

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“Mas tudo que é bom dura pouco! Um dia, o anjinho, sentindo sua asa perfeitamente curada, sobrevoou o Sitio como a dizer adeus e partiu para o Firmamento, deixando a desolação e muita saudade no coração de todos.

“Novamente, meu imaginário aceitou aquele anjinho como real, sua existência perfeitamente concebível. Nunca duvidei de sua possível estadia entre os meninos de meu tope.

“Minhas filhas foram criadas e educadas acreditando em Papai Noel, em Fadas e Duendes. Jamais deixei que a magia, o sonho e a fantasia se desfizessem em sua imaginação, pois o tempo se encarregaria de lhes mostrar outra realidade. Como é maravilhoso manter-se a pureza enquanto isso é possível!

“E foi vivendo nesse mundo de fantasia que, há 16 anos, um anjo foi trazido para o seio de nosso clã pelas mãos de seus pais, João Geraldo e Valéria, minha sobrinha, como se vê nesta foto:

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“Joãozinho foi um novo Sol em nosso Universo Familiar. Nunca uma criança interagiu tanto com todos os membros de nossa família e com nosso círculo de amigos. Em Niterói, em Brasília, no Ceará e no Maranhão, todos têm uma história vivida com ele para contar.

“Menino esperto, inteligente, desportista, paquerador, músico, cantor e, acima de tudo, muito afeiçoado a seus entes queridos, deixou sua marca por onde passou:

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“Vejamo-lo em cenas do Forró de meus 70 Anos.

“Nesta, quando a família se vestiu de Palhaço para lembrar meu tempo circense:

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“Nestes dois outros detalhes, em tomadas diversas:

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“No dia 8 de dezembro, ao deparar-me com esta foto no Facebook, pouca atenção lhe dei:

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“Achei que era coisa passageira. Quem já criou menino, sabe que sentir-se mal, internar-se, tomar soro e voltar pra casa é a rotina normal da criançada. Ainda mais para um adolescente hígido feito o Joãozinho. Engano meu!

“Com o diagnóstico, o Mundo desabou sobre nós: Síndrome de Guillain-Barré, implacável e impiedosamente letal, no caso de nosso anjo!

“A partir daquele momento, Joãozinho começou a encantar-se. E, no dia 5 de janeiro, deu por cumprida sua missão na Terra, conforme definido no Santinho de lembrança: anjo celestial, sonho terrestre que se encantou e retornou à Morada do Pai.

“Eneida Botelho, nossa amiga e conterrânea, postou, para nós, edificante mensagem no Fecebook, mais ou menos assim: “Não questionem Deus, deixem Deus ser Deus, um dia, vocês entenderão!”

“E é o que eu peço neste momento, queridos parentes e amigos, que Deus me dê o entendimento para que se desfaça o sentimento de perplexidade que de mim se apossou! Apenas perplexidade é o que sinto agora!”

* * *

Hoje, 30 de janeiro, penso que Deus me atendeu. A perplexidade transformou-se na certeza de que Joãozinho era realmente um anjo e que esteve entre nós apenas para fazer o bem e trazer novo alento à vida de várias pessoas. Antes de ser cremado, “deu a visão ao homem que nunca viu o sol; o coração a uma pessoa cujo órgão só lhe causou intermináveis dores; os rins a uma pessoa que depende de máquina para existir; sangue, músculos, ossos e nervos para fazer uma criança aleijada andar; células para que um garoto mudo possa um dia gritar quando seu time marcar um gol, e uma menina possa ouvir a chuva batendo em sua janela.”

Joãozinho, nuvem passageira, anjo celestial, sonho terrestre, felicidade efêmera, deixou, ainda, suas cinzas espalhadas ao vento para, assim, enriquecer a Natureza e fertilizar a Terra.

E hoje, 30 de janeiro, é o aniversário da Valéria, mãe do Joãozinho, uma de minhas mais queridas cobrinhas, digo, sobrinhas, e também comadre em dose dupla.

Valéria carrega o carinho e a afeição em tudo que faz. Um abraço seu é pra valer e transmite todo o amor que seu corpo encerra. Nunca deixou de ser aquela meninona da folia, que ignorava o Carnaval Carioca para comigo ir até o Sertão Maranhense, desfilar nos Blocos de Fofão, nos Sujos e botar pra derreter no Clube Recreativo Balsense.

Por isso, sei que já está superando os dolorosos momentos vividos, sabendo que para sempre presente em nossos corações está a figura do Joãzinho, moleque marrento, garoto ladino, que nunca será esquecido!

Eternamente, a encarnação de nosso sonho sonhado!

OS LANDWEHR: DO HOLOCAUSTO AO PARAÍSO BRASILIENSE

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Mapa da Romênia

O Holocausto é tema deveras recorrente. Muitos livros já li e a muitos filmes tenho assistido sobre o tema, e isso é bom, para que não caia no esquecimento esse bárbaro crime que foi perpetrado contra o povo judeu na Segunda Grande Guerra. Ainda mais agora, quando vemos nossos últimos governantes acenando com simpatia para ditadores que o negam.

O conhecimento que tenho sobre o assunto me foi totalmente passado por escritores e diretores cinematográficos de países distantes. Por isso, venho falar de uma pessoa que o viveu, e que está aqui, praticamente a nosso lado, moradora num dos Condomínios de Brasília, fácil de ser contatada por um simples telefonema, ou mesmo ser encontrada na praça de alimentação de um shopping qualquer. Trata-se de Lulu Landwehr.

Lulu, judia como toda sua família, nasceu na Romênia, numa pequena aldeia chamada Peteneye, no dia 23 de maio de 1925. Era filha de Moritz Weiss e Eszter Katz Weiss. No próximo mês de maio, completará 90 anos, linda como sempre.

Devido a dificuldades financeiras, seu pai mudou-se com a família para próspera cidade de Oradea, capital do judet – distrito – de Bihor, onde passou a operar como pequeno agricultor.

Oradea, pela proximidade com a Hungria, ora era anexada àquele país, ora era devolvida, e vice-versa, de forma que muitos romenos dali achavam que eram húngaros, e muitos húngaros pesavam que fossem romenos. Toda a região é conhecida por Transilvânia, famosa na literatura como a terra dos vampiros.

Em 1944, a Hungria, com Oradea sob seu domínio, era simpática à causa alemã. E, em maio daquele ano, toda a família da Lulu, por ser judia, foi embarcada num vagão de gado rumo aos campos de concentração de Auschwitz, operados pelo Terceiro Reich, nas áreas polonesas anexadas pela Alemanha Nazista e maior símbolo do Holocausto.

Lulu estava com 19 anos!

O vivido, desde o embarque, em maio de 1944, até a libertação, pelos americanos, a 14 de abril de 1945, encontra-se narrado neste impressionante e contundente livro, editado pela Thesaurus Editora. Dos 85 que li em 2014, este é o de maior conteúdo, o de maior valor histórico:

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Para dizer o mínimo, em Auschwitz Lulu perdeu o pai, a mãe, as irmãs Erzsi e Iren e o irmão Sanyi, nos fornos crematórios. Com ela, sobreviveram Duci e os irmãos Miki e Ioska.

Ao retornar para Oradea, o ambiente já não era o mesmo entre seus concidadãos, onde reinava intenso preconceito contra os libertados. Vejam só, na própria pátria!

Foi quando Lulu começou a namorar o compatriota Dan, judeu, que teve participação ativa na Segunda Guerra Mundial, lutando como partisan ao lado de Charles de Gaulle até a libertação da França em 1944.

O romance começou em 1948. Logo em seguida, Lulu foi internada num sanatório, por ter contraído tuberculose, doença quase impossível de ser combatida na época. Foi quando Dan mostrou a ela o grande amor que lhe devotava, nunca lhe negando carinhos e beijos quando a visitava. Um ano depois, ou seja, em 1949, com Lulu totalmente curada, Dan buscou-a no sanatório e levou para a casa dos pais dele, em Paris, onde se casaram.

Tendo que lutar pela vida e contra a discriminação, o casal viveu em Paris, e Buenos Aires e, finalmente, chegou ao Brasil, em 1952, onde fixou residência definitiva, motivado pelo aspecto de que nosso país é o único onde não existe preconceito contra seu povo. Vejam bem no que desejam transforma o povo brasileiro agora, lançando olho castanho contra olho azul, cabelo escuro contra cabelo loiro, pobres contra ricos, nordestinos contra sulistas, apedeutas contra estudados e, para o cúmulo dos cúmulos, criando as famigeradas quotas raciais!

No Brasil, Lulu e Dan tiveram dois filhos, Roby e Vivi.

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Lulu e Roby, em 1956 – São Paulo

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Lulu, Vivi, Roby, Dan e Duci – Início de Brasília

Iniciando suas atividades, primeiramente em São Paulo, Dan logo se transferiu com mala e cuia para Brasília, onde chegou com a família, antes da Inauguração.

E o que os faz tão perto de nós, tão palpáveis, tão gente da gente? Vou lhes contar!

Dan vem a ser Bâzu Dan Landwehr, que montou em Brasília a primeira e maior fábrica de móveis de qualidade, a Mainline Móveis, fornecedora, mediante licitação, para todos os órgãos públicos da Nova Capital e exportadora em grande escala. Um meu primo, Pedro Ivo, foi Contador da empresa desde 1970, e mais adiante, um de seus sócios.

Paralelamente, Dan montou na Galeria do Hotel Nacional a loja DAN – Decorações a Artes Nacional, de alto nível, gerenciada por Lulu e freqüentada pela socialites da Corte.

Para ter-se uma ideia do nível de seus produtos, vou contar-lhes uma historinha. Em 1968, por ocasião da visita da Rainha Elizabeth II ao Brasil, o Congresso Nacional viu-se em palpos de aranha, por não dispor de dependências condignas para recebê-la. Aí Seu Dan entrou em ação: montou um gabinete com móveis, tapeçaria, decoração e tudo o mais, nada ficando a dever ao ambiente mais sofisticado do Palácio de Buckingham. No dia seguinte ao da partida da Rainha, retirou todo o material, fazendo tudo isso graciosamente! Bâzu Dan Landwehr sabia negociar!

Seu Dan faleceu ainda no vigor de sua produtividade, em 1982. Para perpetuação do clã, deixou-nos a filha Vivi e o filho Roby, do qual passo a falar.

Roberto Landwehr é meu colega na Hidroterapia, atividade a que comparecemos três vezes por semana. Nasceu em São Paulo, no ano de 1956, e veio morar em Brasília juntamente com os pais, em 1960. Iniciou seus estudos no Colégio Dom Bosco, como se vê a seguir:

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Seu currículo é extenso e valioso: licenciatura em Educação Física pela Faculdade Dom Bosco de Brasília, DF; especialização em Fitness pelo Instituto de Pesquisas Aeróbicas, em Dallas, Texas, EUA; especialização em Ciência do Treinamento Desportivo pela Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro, RJ; doutorado pela The University of New Mexico, Albuquerque, EUA; professor de Educação Física na Fundação Educacional do Distrito Federal; professor de matérias diversas, com ênfase em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício, nas Faculdades Dom Bosco de Educação Física, Santa Terezinha, Em Brasília, Anhanguera, em Brasília, na Universidade Católica, em Brasília…

Na maturidade, é a cópia xerocada do pai:

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Com esse invejável cabedal, acaba de lançar, com parceiros, também por nossa Editora, a Thesaurus, este livro de bolso cuja qualidade já me fez comprar 10 exemplares para presentear meus professores de malhação e minha reumatóloga, e a cujo lançamento compareci, quando tive oportunidade de apertar a mão da Lulu:

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Para avaliar-se o tamanho de sua aceitação, basta saber que, na noite de autógrafos, no Restaurante Carpe Diem, saíram 135! Recorde editorial brasiliense no ano de 2014!

Era o que tinha a declarar!

Os livros E Pilatos Lavou as Mãos e Pílulas do Dr. T encontram-se à disposição no site de vendas da Thesaurus Editora (clique aqui para acessar).

Em homenagem ao amigo Roby e a sua família, aqui vai o Hino Nacional da Romênia:

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O SENHOR DAS ARMAS

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Juvenal Antunes Pereira é meu amigo. Conhecemo-nos bem no começo do ano de 1961, eu, formado pela EsSA – Escola de Sargentos das Armas, Turma/1957, transferido do 12º RI, sediado em Belo Horizonte, e ele mais 8 colegas da Turma/1960 – Arnaldo, Bandeira, Coimbra, Dantas, Loiola, Montibeller, Pinheiro e Silva -, vindo diretamente para Brasília, onde formaríamos o embrião do que seria o BPEB – Batalhão de Polícia do Exército de Brasília.

Apesar desse reduzidíssimo efetivo de Sargentos – 10 ao todos – para dar conta da Administração e da Instrução da Unidade, além dos serviços de Adjunto, Sargento de Dia, Comandante da Guarda, Patrulha, Policiamento e Segurança a Autoridades, todos nós achamos tempos para estudar, cursar o Ensino Médio e, quando isso se tornou possível nos cursos noturnos, conquistar o Grau Superior. Juvenal foi muito mais além!

Concluiu o Curso de Técnico em Contabilidade no Elefante Branco e matriculou-se, após aprovação em vestibular, na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, campus de Uberaba, que funcionava nos finais de semana. Sacrificando suas horas de lazer e o convívio familiar, Juvenal colou Grau em dezembro de 1969. Em setembro de 1970, deu baixa do Exército, para dedicar-se à Advocacia Criminal e preparar-se para concursos públicos.

Começava aí sua trajetória de sucesso na vida civil. Aprovado em concurso público de provas e títulos, tomou posse no cargo de Procurador do Distrito Federal, vindo aposentar-se, em 1996, no último cargo da carreira.

Paralelamente, integra a Secretaria-Geral do Gabinete do Grão-Mestre, como Assessor Jurídico, foi Venerável Ministro do Superior Tribunal Eleitoral Maçônico, por mais de 20 anos, é membro da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal, da Academia de Artes, Ciências e Letras do Grande Oriente do Brasil e da Academia Maçônica Internacional de Letras.

Autor de vários artigos e livros sobre temas diversos é também Membro da Academia de Letras de Brasília, a cuja posse compareci. Para fechar com chave de ouro esse invejável currículo, é formado pela Escola Superior de Guerra.

Tendo eu deixado o Serviço Ativo do Exército há 47 aos, e ele, há 44, nem por isso se viram interrompidos nossos laços fraternais. Pelo menos uma vez por ano, os remanescentes daquele efetivo do BPEB, mais alguns seus colegas da Turma EsSA/1960, nos reunimos, com nossas famílias, na casa do Bandeira, por ser o espaço mais apropriado para esse tipo de grande evento, como aconteceu nas proximidades do último Natal. E, também, no Aniversario de nosso Batalhão, ali comparecemos, para desfilarmos no Pelotão da Saudade. A seguir, três flagrantes das comemorações do Jubileu de Ouro do BPEB, ocorrido em 2010:

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No destaque, Juvenal

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No destaque, Floriano, Bandeira e Arnaldo

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Juvenal, Éden, Floriano e Macedo

Uma vez PE, sempre PE!

Nos últimos anos do Juvenal no BPEB foram por demais espinhosos: Comandante do PIC – Pelotão de Investigações Criminais, tinha em seu mister diário o contato com terroristas, assaltantes de bancos, arrombadores de cofres, emboscadores, frios assassinos e guerrilheiros. Nesse contexto, Juvenal, cumpria seu dever como partícula do Exército que, com sua intervenção vigorosa, procurou estancar a ação deletéria que estava levando a Sociedade Brasileira a um confronto entre irmãos.

Havia um guerrilheiro codinome Juca, perigosíssimo, atuando na Região Centro-Oeste, que organizava uma grande investida contra a Ordem Constituída e para isso aliciou e plantou elementos diversos nos quartéis, para roubarem armas e munições. Por isso, ganhou o epíteto de O Senhor das Armas!

No BPEB, o aliciado, a que darei o nome de Assecla, tinha duas missões impostas por Juca: subtrair armas e assassinar o Juvenal!

Na primeira, teve êxito. Apoderando-se de chaves das Reservas, conseguiu surrupiar 6 metralhadoras INA, 8 pistolas Colt. 45, mais de 10 caixas de munição e umas 20 granadas, além de apetrechos de campanha privativos do Exército, tudo entregue ao guerrilheiro Juca.

Na segunda, deu azar. Havia uma combinação tácita de que quem fosse preso seria eliminado no xadrez por outro aliciado, para que não abrisse o bico. E o Assecla se deu mal. Preso na rua pela Patrulha, por uma transgressão qualquer, ao ser trancafiado, viu-se apossado de grande terror de ser ali assassinado, razão pela qual procurou o Juvenal e lhe contou tudo, não só o plano de Juca, mas sobre onde lhe entregara o armamento roubado, revelando seus esconderijos e disfarces.

A prisão de Juca se deu, logo depois, no final de julho de 1969, às 19h, num ponto de ônibus da 207 Sul, e é um dos lances mais emocionantes do livro cuja capa aí vai:

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Feita a campana por vários dias, chegou o momento decisivo. No citado ponto de ônibus, Juvenal, encarando o terrorista guerrilheiro, olho no olho – pois era ali que o alvejaria, em caso de reação armada -, deu-lhe o veredicto:

– Acabou, Juca! Somos agentes do Pelotão de Investigações Criminas da Polícia do Exército! Você está preso! Ponha as mãos na cabeça, ajoelhe-se e não se mexa, porque senão, você morre!

Era um ou o outro! Até hoje, tanto tempo depois, Juvenal agradece a Juca por não ter reagido e assim salvado a própria vida e, igualmente, a dele Juvenal. Naquele momento, o perigoso guerrilheiro, O Senhor das Armas, o sanguinário, o brabo, o bom-de-sela, o trinca-ferro, preferiu, humildemente, ajoelhar-se e depor seu armamento no solo!

O tempo fluiu. A situação do País mudou. Juca, agora com seu nome verdadeiro, cuja menção aqui não interressa, passou a ocupar cargos importantes na ordem política nacional. Mas não ficou só nisso.

Juvenal, embora ocupando o alto cargo de Procurador do Distrito Federal, passou a carregar o estigma de ter sido militar. E cada posto direção a que era indicado, logo surgia uma denúncia de Juca para que fosse destituído.

Assim foi, em 1998, no Governo de Cristovam Buarque, ao assumir a Chefia da Procuradoria Jurídica do Detran.

E, a partir daí, sucessivamente!

Aconselho a todos a leitura desse livro, O Senhor das Armas, para que se saiba um pouco do outro lado da História do Brasil, agora que a Lei da Anistia só vale para um lado de seus atores – os derrotados em 1964.

Em homenagem a nosso passado na caserna, aí vão duas peças musicais que cantávamos e continuamos cantando em solenidades no pátio da Polícia do Exército.

Canção do Exército (Capitão Caçulo), de Teófilo Magalhães e Alberto Augusto Martins, com a Banda de Música da EsSA:

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Canção do BPEB, de Paulo Roberto Yog de Miranda Uchôa, com a Banda de Música do BPEB:

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HOJE É DIA DE SANTO REIS

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Em minha infância sertaneja sul-maranhense, no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, a meninada saía, de porta em porta, declamando, na esperança de ganhar alguma prenda, o que faço agora para vocês também:

Eu plantei um pé de rosa
Pra nascer no dia seis
Ele nasce, e eu lhes peço
Ano-bom, Festas e Reis

E acrescento:

Os Três Magos do Oriente
Seguindo a Estrela-guia
Louvaram o Deus Menino
Na Sagrada Epifania

Pastores em serenata
Idolatraram com fé
A santíssima Família
Jesus, Maria e José

O cantar do Santo Reis
É um cantar excelente
Acorda quem está dormindo
Consola quem está doente

Belchior veio da Pérsia
Da Etiópia, Baltazar
E Gaspar veio da Índia
Todos a Jesus saudar

Belchior portando ouro
Com mirra veio Gaspar
Baltazar trouxe o incenso
Pra Jesus presentear

Senhora dona da casa
Em sua porta tivemos
Pagando uma promessa
Que pra Santo Reis fizemos

O dono desta promessa
Tava de vela na mão
Se não fosse Santo Reis
Tava debaixo do chão

Para vocês, Reisado de São José, folia de Raimundo Monte Santo, na interpretação da saudosa forrozeira Clemilda, recentemente falecida.

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TOCANDO CORNETA QUARTÉIS AFORA

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2015! Chegando ao limiar da faixa octogenária, ainda nutro incontida veneração pelo Exército Brasileiro, profundo amor! Muito me orgulha o fato de ter pertencido a suas fileiras, de 7 de fevereiro de 1955 a 28 de março de 1967, quando fui licenciado por motivo de posse em cargo na Câmara dos Deputados, em virtude de aprovação em concurso público de âmbito nacional.

Ao Exército Brasileiro devo quase tudo o que hoje sou. Foi meu primeiro emprego. Consolidou a formação moral e cívica recebida no seio familiar. Ensinou-me a trabalhar. Proporcionou-me condições para estudar. Fortaleceu em meu coração os alicerces para fazerem de mim um homem devotado a Deus, à Pátria e à Família.

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BPEB: desfile dos veteranos no Pelotão da Saudade

Quarenta e sete anos após deixar a caserna, o verde-oliva permanece vívido em meu ser. Todos os anos, compareço ao aniversário de minha Unidade, o Batalhão de Polícia do Exército de Brasília – BPEB, Batalhão Brasília, do qual sou um dos fundadores, em solenidade em que entoamos o Hino Nacional, a Canção do Exército, a Canção da PE e nós, os veteranos, diante da Tropa formada e das Autoridades no palanque, desfilamos no Pelotão da Saudade. São momentos especiais em que sinto extrema vibração, como se fosse um recruta a proferir seu Juramento à Bandeira Brasileira.

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Detalhe da Tropa do BPEB

No desfile do Batalhão, admiro o devotamento daqueles homens inteiramente dedicados ao Serviço da Pátria, prontos a morrer por ela, e lastimo que maus brasileiros, em outro âmbito governamental, estejam a dilapidá-la a envergonhar-nos com seus atos de corrupção, ao ponto de levar quase ao aniquilamento nossa maior empresa estatal.

E eu? O que tenho feito em retribuição a tudo isso que o Exército Brasileiro me concedeu, sem nada pedir? Pouco! Muito pouco mesmo! Mas vou tentando, com o auxílio desta maravilhosa ferramenta que é a Internet!

Considerado como o maior colecionador de Música Militar no Brasil, o que proclamo sem falsa modéstia, postei, no site 4Shared, os seguintes itens, à disposição de qualquer internauta: 360 Dobrados Instrumentais: 111 Dobrados 78 RPM; 65 Hinos e Canções Militares; 27 Hinos Estaduais; 23 Exórdios; 290 Toques de Corneta; e 21 Toques de Clarim.

Os Toques de Corneta exigiram de mim esforço pessoal. Já existiam 92 navegando por aí. Com o auxílio de 2 Cabos Corneteiros do Batalhão da Guarda Presidencial – BGP, produzi mais 218, comuns às Três Forças Armadas, e os coloquei no ar, merecendo aceitação surpreendente: o Toque de Alvorada, 1ª Parte, com 11.484 acessos até agora, e o de Alarme Aéreo, campeão, com 15.709!

Minha grande vitrine é o Jornal da Besta Fubana, onde assino, semanalmente, A COLUNA DE RAIMUNDO FLORIANO. Sem esse blog, nada de meu trabalho seria conhecido. Concomitantemente à criação de sua página no Facebook, um sobrinho meu criou ali a RAIMUNDO FLORIANO – PIONEIRO DAS DESCIDAS NO RIO BALSAS. Isoladamente, sou apenas uma pessoa: Ninguém! Prova disso é que, hoje, a página JORNAL DA BESTA FUBANA contabiliza 22.271 curtidas, enquanto a RAIMUNDO FLORIANO marca passo em 266.

Leitores do JBF têm-me procurado, desde a postagem dos Toques, solicitando as respectivas partituras. Inicialmente, eu comprava os manuais no Estabelecimento General Cordeiro de Farias – EGCF e os remetia, graciosamente. Como a edição naquele órgão se encontra esgotada, na havendo previsão de nova tiragem, escaneei todo o C 20-5, Manual de Toques do Exército, e o disponibilizei em meu álbum de fotos do Facebook.

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Inesperadamente, estudantes dos Cursos de Corneteiro das Três Forças Armadas e das Polícias Militares de todo o Brasil passaram a me consultar, achando que sou alguma autoridade competente, governamental, sobre diversos temas, como precedência e toques regulamentares. Vou respondendo, usando o bom senso e a experiência dos tempos de caserna. Vejamos esta mensagem aqui chegada no dia 20.12.2014

“Boa tarde, meu nome é Andrey e moro em Florianópolis (SC). Fui corneteiro da FAB, 6 anos, e agora estou na PMSC. Estou precisando do Manual de Toques do Exército C 20-5. Se você puder me mandar, meu e-mail é (xxxxxxxxx). Abraço, Feliz Natal e Feliz Ano Novo”.

Para este caso, a resposta simples. Digo-lhe que o Manual já não se encontra à venda, mas que ele pode pinçar os toques em meu álbum de fotos do Face.

Peço-lhes permissão para contar um pouco de meu tempo de recruta, para voltar aos Toques. No ano de 1955, servindo no 25º Batalhão de Caçadores, em Teresina (PI), o anúncio da visita do General Comandante da 10ª Região foi feito com uns três meses de antecedência, e para isso era devotado todo o treinamento. Para nós, um General era quase o mesmo que o Presidente da República – que aliás, nunca deu as caras quando por lá estive –, e nossa emoção era indizível.

O mesmo acontece hoje com os soldados que servem no Interior do Brasil e nas Fronteiras. A propósito, aqui vão as imagens de dois de seus quartéis:

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Real Forte Príncipe da Beira

Esse quartel localiza-se em Costa Marques (RO), às margens do Rio Guaporé, na Fronteira do Brasil com a Bolívia, e hospeda o Primeiro Pelotão Especial de Fronteira.

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17º Regimento de Cavalaria Mecanizada

Essa Unidade está sediada na cidade de Amambaí (MS), Fronteira do País com o Paraguai. Vejam o garbo, a disciplina, o elã de cada militar da foto acima, homens dedicados inteiramente ao Serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições ora se encontram tisnadas por brasileiros outros, que se esmeram na prática de seus malfeitos, haja vista os Mensalões e Petrolões da vida, conforme amplamente noticiado pela mídia.

Foi de um Quartel de Fronteira que recebi, há algum tempo, urgente pedido de socorro: o Corneteiro, sem a posse do Manual, desejava saber qual era o toque para o Comandante do Exército, que visitaria sua Unidade.

Respondi-lhe que não existe um Toque específico, personalizado, mas combinação de Toques. Que ele a fizesse com os que já conhecia. Diante de sua insistência, resolvi montar o Toque para facilitar sua vida, como abaixo se vê:

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1 – Toque de Oficial General – Áudio

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2 – Toque de Comandante – Áudio

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3 – Toque Indicativo do Exército – Áudio

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4 – Toque de Apresentar Arma e Sinal de Execução – Áudio

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Guarda do Quartel

Quando a recepção e feita pela Guarda do Quartel, executam-se os toques acima, acrescidos Dos 12 últimos compassos da Marcha Batida.

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5 – Marcha Batida – Áudio

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06 – Toque completo de General Comandante do Exército, com recepção pela Guarda do Quartel

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Guarda de Honra


Quando a recepção é feita pela Guarda de Honra, substitui-se a Marcha Batida pelos 12 compassos da Marcha grave General Barbosa, como abaixo se vê:

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7 – Marcha Grave General Barbosa – 12 compassos – Áudio

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8 – Exórdio completo de General Comandante do Exército, com recepção pela Guarda de Honra – Áudio

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MARIA DOS MARES E O ELEFANTE BRANCO

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Maria dos Mares é minha irmã caçula. Nascida em Balsas (MA), no dia 24 de junho de 1942, é filha de Emigdio Rosa e Silva, o Rosa Ribeiro, e Maria de Albuquerque e Silva, a Maria Bezerra, meus pais. É a última de uma prole de dez, da qual sou o sétimo.

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Rosa Ribeiro e Maria Bezerra

Na realidade, foi batizada com o nome de Maria das Dores Albuquerque e Silva, mas após, fixar residência nas praias paraibanas, achou que os ares marinhos lhe traziam muitos eflúvios positivos e benfazejos, como de fato, e decidiu mudá-lo para Maria dos Mares, mudança esta sacramentada pelo jamegão dum Juiz de Direito.

E não ficou só nisso não. Vivendo sempre inconformada com o status quo, ao casar-se, como o sobrenome do marido era Silva, acrescentou-o ao seu, ficando Maria das Dores Albuquerque Silva e Silva, mais tarde Maria dos Mares, como já dito. Parece até sobrenome de gringo latino-americano.

Esta é sua mais antiga foto, pelo que me consta. Nela, aparecem Maria Alice e Maria Isaura, irmãs, Pedro Silva, marido da última, Raimundo Floriano, irmão, João Emigdio, sobrinho, Maria dos Mares e Rosimar, irmão:

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Foto batida em 1948

E este flagrante e da última reunião dos irmãos, ocorrida no ano de 1990:

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Afonso, Raimundo, Bergonsil, José, Rosimar e Pedro; Maria Isaura, Maria dos Mares, Maria Alice e Maria Iris

Maria dos Mares estudou no Grupo Escolar Professor Luiz Rêgo, no Primário, e no Ginásio Balsense, no Secundário. Concluído esses dois cursos, qualquer aluno estava apto a enfrentar o mercado de trabalho no sul-maravilha e conquistar seu lugar ao sol. Na imagem a seguir, ela e duas colegas do Ginásio, as irmãs sambaibenses Maria da Cruz e Maria de Fátima Rêgo:

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Da Cruz, Fátima e Maria dos Mares

No início de 1961, veio para Brasília, onde já morávamos 4 de seus irmãos: Maria Isaura, José, Afonso e eu. Hoje, aqui, só eu resto, talvez para contar a saga de nós todos. Mercê de Deus, o que muito agradeço.

Dando continuidade a seus estudos, cursou o Centro Educacional Elefante Branco, concluindo o Curso de Normalista em 1964. Mais adiante, me alongarei sobre o isso. Com o diploma de Professora, passou a fazer parte dos quadros da Fundação Educacional do Distrito Federal.

De extrema sensibilidade e vivendo no meio intelectual brasiliense, conheceu Natanael Rhor da Silva, Professor de Física de UnB, com quem se casou, no dia 15 de agosto de 1970. Pouco tempo depois, mudou-se para Londres, acompanhando o marido, que ali faria o Doutorado. Adiante, foto do casal:

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Permaneceu na Inglaterra por quatro anos, após o que o casal retornou para o Brasil, fixando residência em João Pessoa (PB), onde Natanael iria chefiar o Departamento de Física da Universidade Federal da Paraíba. Nessa mesma instituição de ensino universitário, Maria dos Mares conquistou o Grau Superior de Assistente Social.

Poeta, pintora, desenhista e escultora, Maria dos Mares desenvolveu na Capital Paraibana intensa atividade cultura, e assistencial o que se prolonga até os dias de hoje.

Fissurada pelo Mar, sempre morou à beira dele, primeiramente, na Praia do Bessa – por algum tempo era conhecida como Maria da Praia do Bessa –, depois, na Avenida Oceano Atlântico, Cabedelo, em confortável e amplo apartamento, de cuja varanda, e com um bom binóculo, pode-se obrervar os navios passando ao largo e até flagrar, em suas cabines, algum casal em atitude de sexo explícito.

Especializada em cerâmica, Maria dos Mares é uma referência municipal e estadual, quer em seu meio social e profissional, quer no âmbito governamental.

Dando asas a sua inspiração e seu poder criativo, montou, em João Pessoa, a Cerâmica Maria dos Mares, cujos artesanatos são amiúde procurados pelos turistas que visitam a cidade. A seguir, dois de seus postais alusivos ao Natal:

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Voltemos agora ao Elefante Branco, um dos temas desta matéria.

Tradicionalmente, elefante branco é expressão idiomática que designas posse valiosa da qual o proprietário não pode se livrar e cujo custo, especialmente o de manutenção, é desproporcional a sua utilidade ou valor.

O termo tem origem nos elefantes albinos mantidos pelos monarcas do Sudeste Asiático em Myanmar, Tailândia Laos e Cambodja, onde são considerados sagrados.

No Brasil, a construção da Nova Capital, bem como tudo que nela se continha eram considerados, pela Oposição a Juscelino Kubitschek, um elefante branco. Era o Velho do Rastelo pra todo lado, a dar de pau nas costelas do Presidente.

Mas isso não foi o caso de nosso Elefante Branco, colégio onde Maria dos Mares estudou. A denominação surgiu porque o prédio, visto de certo ângulo, assemelha-se a um elefante branco, conforme vocês veem acima em sua logomarca.

Agora, neste ano de 2014, foi comemorado, com toda a pompa e circunstância o Cinquentenário da Primeira Turma de Normalistas do Elefante Branco. Acorreram ex-formandas de todos os cantos do Brasil, a exemplo de minha irmã Maria dos Mares, que veio com Natanael, de João Pessoa, para a grande festa, organizada pelas colegas Marilena, Janaína, Leda, Heloísa, Maria Luíza, Maria Abadia e Rosecler, que aparecem na nesta pose publicada pelo Correio Braziliense:

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Histórica é este documento fotográfico, apresentando-nos a Turma de 1964, onde Maria dos Mares aparece em evidência:

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Primeira Turma de Normalistas do Elefante Branco

Quer dizer, Maria dos Mares fez parte da História de Brasília, ao formar-se em seu principal Estabelecimento de Ensino Médio da época, e. hoje, participa da História João-pessoense, paraibana e nordestina, com sua atividade profissional, conforme acima foi dito.

Para saber um pouco mais sobre Maria dos Mares, veja o vídeo abaixo:

CHAME O PÉ DE CHUMBO

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Irmãos Metralha

Esta é uma parábola sobre Futebol e Política, assuntos sobre os quais sou completamente analfabeto, entendo porra nenhuma, como ficou provado neste ano de 2014, ora findante.

No Futebol, gramei, com meu Vascão as agruras da Segundona, e foi um sufoco para sairmos dela. Na Copa do Mundo, os 7 x 1 deixaram-me completamente engasgado. Na final, torci doidamente pela Argentina, e novo ferro levei.

Na política, naveguei na contramão da História. Apenas consegui eleger o Governador do Distrito Federal, e isso ajudado pelo eleitorado brasiliense que, cheio de brio, votou maciçamente no sentido de mudar o rumo das coisas. Votação inglória, mas Brasília deu exemplo para todo o Brasil. Se vier lixo federal para cá, culpa alguma nos cabe!

Isso dito, passemos à parábola.

No ano de 1958, quando eu servia como 3º Sargento no 12º Regimento de Infantaria, sediado em Belo Horizonte, a Companhia de Petrechos Pesados do 1º Batalhão – CPP-1, da qual eu era Furriel, estava nas semifinais do Campeonato Interno de Futebol. No jogo que a levaria ao final, estávamos perdendo de 2 x 0. Terminado o primeiro tempo, o Capitão Comandante da CPP-1 interpelou o Técnico, Sargento Dorgival, querendo saber o motivo daquele fracasso, vez que contávamos em nosso time com o artilheiro do certame. Deu-se este diálogo:

– Sargento Dorgival, cadê aquele índio nosso artilheiro? Por que não está jogando?

– Capitão, é o Pé de Chumbo. Não foi escalado porque está preso!

– Preso? Por quê?

– Capitão, o Pé de Chumbo, ontem à noite, deu a maior alteração na ZBM, e a Patrulha o recolheu ao xadrez!

Ouvindo isso, o Capitão falou:

– Vou soltar o Pé de Chumbo!

Usando de seu prestígio, conseguiu que o Pé de Chumbo fosse liberado para o jogo. E o resultado foi o que se esperava: o índio virou o jogo para 3 x 2. Saímos de campo vitoriosos, com o Pé de Chumbo carregado nos ombros da soldadesca e conduzido de volta ao Xadrez!

Falemos, agora, de Política, na atual conjuntura!

Ainda há pouco, um Advogado de Empreiteira declarou que, no Brasil, sem uma propinazinha por baixo do pano, não se coloca nem um paralelepípedo em qualquer empreendimento, seja federal, estadual ou municipal.

Um Ministro do Executivo, por sua vez, opinou que todos nós, vez quando, praticamos atos de corrupção, ativa ou passiva.

No Jornal da Besta Fubana, edição de 08.12.14, saiu esta matéria:

“UM MAGISTRADO PERPLEXO

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, considera que existem indícios de que os crimes de corrupção e propinas ‘transcenderam a Petrobras’.

Ele demonstra perplexidade com a planilha de dados sobre cerca de 750 obras públicas, ‘nos mais diversos setores de infraestrutura, que foi apreendida com Alberto Youssef’.

Doleiro e alvo central da Lava Jato, Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa fizeram delação premiada e relataram a ação do cartel das empreiteiras na estatal petrolífera. A planilha que incomoda o juiz da Lava Jato foi apreendida no dia 15 de março, quando a operação saiu à caça dos investigados.

Na terça-feira, em Brasília, durante sessão da CPI mista da Petrobras, Costa afirmou que o esquema de propinas é generalizado no País. Funciona, segundo o delator, ‘nas rodovias, portos, ferrovias e aeroportos’.”

Quer dizer, tá tudo dominado!

Estamos no mato sem cachorro! E, com o objetivo de que o País não pare por completo, já que não podemos contratar empresas do Exterior, ou mesmo de outro Planeta, o jeito é entregarmos tudo para quem foi pego com as fuças na ratoeira. E, novamente, convocarmos o Pé de Chumbo. Esta matéria, publicada pelo Correio Braziliense no dia 30.11.14, é bom exemplo do que aqui se afirma:

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Precisa-se dizer mais?

Pelo que vêm propalando certas autoridades, temos de concordar com o Cego João Mandioca, um de meus gurus, que afirmava:

– Mundinho, todo brasileiro tem calo! Quando não tem no pé, tem na consciência!

Dia 12.12.14, esta matéria já finalizada, deparei com a seguinte figura no Facebook, originada no MCC – Movimento Contra a Corrupção, postagem de meu amigo Roberto Oliveira:

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Não dá pra segurar! Explode, coração brasileiro! Por isso, vamos relembrar o que diz o malandro Bezerra da Silva em seu inspirado Pega Ladrão, samba de sua autoria:

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FLORIANENSES 3 – LANÇAMENTO EM BRASÍLIA

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Esta coletânea traz em seu bojo o excepcional condão de resgatar personagens que fizeram a história florianense, até agora completamente esquecidos na memória de seus conterrâneos. Começou timidamente, apenas 130 páginas no Volume 1, ganhou impulso no Volume 2, com 320, e se consolida na edição deste Volume 3.

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No Evangelho e São Lucas, Jesus já dizia que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. Era uma espécie de queixa, ao constatar a iconoclastia das pessoas com relação aos que lhe estão próximos. Nos dias de hoje, é fácil observar como, para alguns falsos amigos e até mesmo em certos círculos familiares, o sucesso de um é ofensa pessoal para os demais.

Sob a égide da Fundação Floriano Clube, organizado por Cristóvão Augusto Soares de Araújo Costa, piauiense, funcionário aposentado do Senado Federal, ora residindo em Teresina, e capitaneado por Teodoro Ferreira Sobral Neto, o Teodorinho, este maravilhoso empreendimento traz à luz nomes que se encontravam apagados nos anais piauienses. Como o de Seu Emigdio Rosa e Silva, o Rosa Ribeiro, meu pai, nascido na Fazenda Brejo, no ano de 1891, integrante de uma tropa composta 1.500 patriotas que, partindo de Floriano, em 1916, chegou a Teresina, onde depôs o governo miguelista e deu posse ao legítimo Governador, Eurípedes de Aguiar. Naquele mesmo ano, Rosa Ribeiro mudou-se para Balsas, sendo figura de proa na colonização do sertão-sul-maranhense.

Teodorinho é proprietário do Laboratório Sobral, que fabrica medicamentos diversos, fornecendo-os para farmácias de todo o Brasil. Adiante, vemos detalhes dessa produção:

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Seu perfil foi publicado aqui no Jornal da Besta Fubana, sob o título Teodoro Sobral, o Gigante da Cultura Piauiense, no dia 07.07.2014, que vocês poderão acessar clicando aqui.

Após o lançamento em Floriano e Teresina, o evento ocorreu aqui em Brasília, no dia 22.11.2014, conforme se vê no convite abaixo:

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A Colônia Florianense compareceu em peso. Foi uma festa inesquecível, na qual tive a oportunidade de reencontrar várias pessoas que fizeram parte de minha trajetória, quando estudei em Floriano, a Princesa do Sul Piauiense. Especialmente convidado, ali compareci, acompanhado de Veroni, minha mulher, Elba, minha filha, e Fábio, meu genro, além de primos diversos.

Inicialmente, usaram da palavra Teodoro Sobral que fez a apresentação, e Jofran Frejat, um dos perfilado neste volume 3. Em seguida, foi-me concedida a oportunidade de falar um pouco sobre meu nome, Raimundo Floriano, em louvor à cidade, e sobre o de meu pai, Rosa Ribeiro, também personagem do livro, que deveria ser Emigdio de Sousa e Silva, mas, por ter nascido muito rosado, recebeu no batismo o nome de Emigdio Rosa e Silva, ficando para sempre conhecido como Rosa Ribeiro, por causa de seus dois meios-irmãos, João Ribeiro e Raimundo Ribeiro, o Mundico, filhos do primeiro casamento de meu avô.

A seguir, flagrantes da bela reunião cultural:

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Jofran Frejat e Teodoro Sobral – Paulo Viana e Teodoro Sobral

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Raimundo Floriano, Veroni, Teodoro e Cristóvão – Visão geral do lançamento

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Paulo Kalume, com Rosa, Karina e Fernanda Mazuad

Este magnífico projeto tem contado com a colaboração das famílias dos vultos focalizados, que vêm orientando na redação dos textos e fornecendo fotografias garimpadas no fundo do baú do esquecimento. Como o de meu pai, por exemplo, cuja pesquisa e ficou completamente a meu cargo.

Em julho do próximo ano, será lançado o Volume 4. Minha família novamente será homenageada com três personagens: meu tio José de Sousa e Silva, o Cazuza Ribeiro, e meu primo Pedro Maranhense Costa, ambos com pesquisa iconográfica e textos meus; e meu tio João Clímaco da Silva, o Comandante João Clímaco, com pesquisa a cargo de seus filhos Airton, médico, e Nilson, arquiteto.

Aguardemos, pois!

YOUTUBARAM O TENENTE

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Na vida, com 78 nos couros, pensam que nada mais é novidade? Pois bem!

Entrei para o Orkut no ano de 2005 e logo procurei inscrever-me como membro das Comunidades relacionadas às pesquisas fonográficas a que venho me dedicando desde há muito: a Música Militar, o Carnaval, o Forró e a Velha Guarda da MPB. De cara, e auxiliado por minhas filhas, que me orientaram nos passos iniciais, aderi às seguintes: SÓ DOBRADOS, MÚSICA MILITAR, SAMBA DE RAIZ, com mais de cem mil membros, MARCHINHAS DE CARNAVAL e JACKSON DO PANDEIRO.

A Só Dobrados ainda engatinhava, e seus membros não perfaziam uma centena. Chegamos a atingir a casa de 3.000! Qualidade era sua maior característica!

A Música Militar, com um milheiro membros, vinha crescendo aos poucos, em razão de que a Só Dobrados se tornou mais conhecida, talvez por causa da sua inspirada denominação, fazendo-a mais fácil de ser localizada.

Na Samba de Raiz, onde comecei postando meu vasto repertório de Noel Rosa, Pixinguinha, Sinhô, Donga, Ary Barroso e outros cobras, recebi esta premiação: fui expulso! Não era isso o que eles queriam.

Não foi diferente na Marchinhas de Carnaval. Meu estoque de mais de 12 mil músicas carnavalescas do passado não agradou àquela gente. Resultado: cartão vermelho! Depois, ela passou a ser administrada pela pesquisadora Patrícia Rodrigues, que extinguiu, de vez, o regime de expulsão.

Na Comunidade Jackson do Pandeiro, não havia interação. Apenas eu postava músicas, literatura referente ao Rei do Ritmo, homenagens, mas não obtinha qualquer tipo de retorno, crítica alguma, quer positiva, quer negativa. Saí por conta própria!

À vista disso, resolvi formar minha própria Comunidade, onde pudesse divulgar meu acervo sem qualquer perigo de exclusão ou interferência deletéria. Assim, nasceu a Comunidade DOBRADOS, CARNAVAL E FORRÓ, que chegou a contar com mais de 900 seletos membros. Era este seu ícone:

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E foi em decorrência de meu trabalho de divulgação nessas Comunidades que me vieram os honrosos reconhecimentos sobre os quais adiante me estenderei.

NO CARNAVAL – Todas as manhãs de sábado, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro FM, o veteraníssimo radialista Gerdal dos Santos apresenta, no programa Onde Canta o Sabiá, o quadro intitulado Alguém Muito Especial, assessorado pela Pesquisadora Patrícia Rodrigues, a das Marchinhas, enaltecendo vultos da Velha Guarda. Sempre que necessitam de alguma peça musical rara, difícil de se conseguir, é de meu acervo que se valem.

No período carnavalesco, fico lotado de pedidos de partituras de marchinhas, sambas e frevos, a maioria solicitada por jovens músicos que assinaram contrato com algum clube, mas não conhecem os sucessos mais tocados e cantados pelos foliões de todo os tempos. Tais pedidos têm chegado também do Exterior, de países como Alemanha, França, Japão, Estados Unidos, Portugal, Uruguai, Finlândia, Argentina e muitos outros.

NO FORRÓ – Minha dedicação a esse gênero, abarcando todos seus compositores e intérpretes, me levaram a tomar posse, no Recife, na Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, tendo como Patrona a cantora Elba Ramalho. Não preciso dizer mais nada!

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NO DOBRADO – Ao formar a Comunidade Dobrados, Carnaval e Forró, além de permanecer fiel à Só Dobrados, disponibilizei nesta grande parte de meu acervo de dobrados, hinos e canções, atendendo às constantes solicitações que me chegavam. Uma delas, os Hinos Estaduais, pesquisa que me tomara mais de três anos de persistência e teimosia. Outra, os Toques de Corneta. Existiam apenas 72 na Internet. Fui à luta. Coadjuvado por dois Cabos Corneteiros do BGP, gravei mais 218 e postei o total de 290 nas duas Comunidades. O Toque de Alvorada, hoje, contabiliza 15.433 downloads! Confiram clicando aqui.

O que eu não sabia, nem desconfiava, era que olhos atentos observavam esse meu prazeroso trabalho. E laboravam na surdina, preparando-me uma homenagem que jamais imaginei merecer, mas que comoveu não só a mim, mas a toda minha família.

Essa deferência partiu do jovem que, na foto abaixo, está tocando seu bombardino. Chama-se ele Filipe Fonseca, reside no Rio de Janeiro e, na época do sucedido, tinha apenas 18 anos de idade!

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Filipe Fonseca

Pois esse moleque, sem me conhecer pessoalmente, sem ao menos ser meu amigo no Orkut, surpreendeu a todos, a mim e à totalidade da Só Dobrados, no dia 14 de dezembro de 2009, com inspirada composição sua, um belíssimo dobrado, ao qual deu o título de Tenente Raimundo Floriano. Surpreendeu-nos, não só pelo impacto da urdidura, feita em segredo, como pela beleza da linha melódica de sua criação, enriquecida pelos arranjos para 21 instrumentos, todos de sua lavra.

Minhas camaradas, meus camaradas, eu já me meti a compositor. Sentava-me num boteco com alguns amigos do ramo e danávamo-nos a fazer marchinhas, sambas, o escambau. Mas no caso em tela, o buraco é muito mais embaixo.

Pasmem! Um jovem de apenas 18 anos, tendo à disposição o vigor da idade e as maravilhosas e infindáveis alternativas de diversão da vida carioca, deixa tudo isso de lado para queimar as pestanas e elaborar uma peça musical dedicada a quem só conhece virtualmente! E o resultado taí: 4:31 de talento e criatividade! Sublime invenção!

É ou não é para sensibilizar qualquer coração empedernido?

A Fanfarra do 1º RCG – Regimento da Cavalaria de Guarda, da qual fui nomeado AMIGO, esmerou-se na gravação desse tesouro musical, que coloco à disposição de meus queridos leitores.

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Fanfarra do Primeiro Regimento da Cavalaria de Guarda

Para baixá-lo e salvá-lo, clique aqui.

Muito do que foi dito acima está hoje ultrapassado, com a extinção do Orkut. Venho compensando essa lacuna, postando as partituras em meu álbum de fotos do Facebook, onde já se encontram estes títulos: Marchinhas e Sambas Carnavalescos para os dois naipes – trombone e sax alto; e pistom, clarineta e sax tenor –, Chorinhos, Toques de Corneta e Toques de Clarim.

MAIS EMOÇÕES:

Há poucos dias, o amigo Jorge Rocha, meu Assessor Tecnológico, ex-baterista do Gera Samba, capturou, no Google, imagens diversas postadas por mim nas diversas matérias que venho publicando, e youtubou-me, ou seja, brindou-me com este vídeo, que tenho o prazer de colocar à disposição de todos vocês:

O URANISTA

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Símbolo do urânio

Outro dia, sem ter o que fazer – como sói acontecer a todo aposentado -, eu garrei a maginar como as coisas ocorreram, tão rapidamente, que quase não tô achando tempo nem pra me coçar. Com seis livros no acervo, mantendo, ininterruptamente, esta coluna semanal no Jornal da Besta Fubana, desde sua fundação, em 2008, prefaciando obras de amigos e com artigos publicados no Jornal da ANE – Associação Nacional de Escritores, de ampla circulação, posso dizer que tudo isso me espanta! A coisa começou, pra valer, da forma que adiante lhes conto.

Eu já andava escrevendo umas coisinhas aqui e ali, meu fraterno colega Vili até me abrira espaço na Voz Ativa, da ASA-CD, quando, no inicio de 1993, o amigo Gilberto Melo, nosso Giba, redator do jornal O Diário de Alagoas, de Maceió, propriedade do então Deputado Cleto Falcão, ora já falecido, me convidou para assinar ali uma página semanal. Com esse apoio moral, meti os peitos, criando a coluna Do Jumento ao Parlamento, título do livro que viria a lançar, em 2003, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados.

E, relembrando aqueles bons tempos do Diário, vem-me à memória outro colunista do jornal, que também fazia parte de seu corpo editorial, tio do Giba, o grande escritor José Roberto de Melo, atualmente morando no Recife, dono de um texto saboroso e mordaz, com quem muito aprendi ao ler suas criações.

Uma delas, denominada “O Uranista”, nunca me saiu da lembrança. Como o Diário deixou, desde há muitos anos, de circular, não se tendo notícia de haver alguma coleção dele arquivada, vou tentar reproduzi-la, procurando, pelo menos, ser fiel ao espírito do tema.

No sertão alagoano – contava o Zé Roberto -, em cidade da qual não me recordo o nome, havia um fazendeiro, Seu Chicão Trombetas, pai de 18 filhos varões, que andava muito preocupado, contrariado, pode-se dizer, com o caçula, o Geribaldo. Na Fazenda Vão da Urucu, de sua propriedade, onde a rotina diária era amansar burro brabo, ferrar touro marrento, laçar boi mandingueiro e botar ferraduras nos cascos das montarias, dentre outros afazeres da lida no sertão bravio, o adolescente só queria saber era de ficar lendo revistas de fotonovelas, tirando mel de abelhas, assistindo a programas matinais de TV, fazendo renda na almofada, ajudando na cozinha, dormindo à tarde, brincando com a molecada do eito à noite, nada de pegar no pesado, solapando, assim, a rústica tradição da Família Trombetas.

À vista disso, Seu Chicão levou o rapazinho parra consultar um psicólogo e um urologista. Ambos os médicos, após examinarem o mancebo e nada encontrando de anormal, aconselharam o pai a mandá-lo para outras plagas, conhecer novas paragens, talvez a mudança de ambiente e de amizades o ajudasse a modificar seu comportamento.

O velho, mais que depressa, acatou a abalizada sugestão dos doutores, e até exagerou, mandando o jovem estudar nos Estados Unidos, onde lhe conseguiu uma bolsa para a Universidade do Texas, em Austin, sua capital, por ser aquele Estado famoso pelos caubóis, com exuberante indústria na área da agricultura, petroquímica, energia, informática, eletrônica, ciência biomédica e aeroespacial, aí incluindo os astronautas e as naves interplanetárias.

Com quatro anos, Geribaldo regressou para a Vão da Urucu assaz modificado, cheio de bossa, esperto, vistoso, queimadão de sol, falando Inglês e distribuindo a todos este cartão de visita:

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Foi a glória! Para a Família Trombetas e para todo aquele sertão, que passava a contar com um cientista dentre seus habitantes, especializado em urânio, o que possibilitaria ao Brasil, se assim o quisesse, fabricar sua primeira bomba atômica!

Mas a bomba que estourou por lá foi bem outra! Certo dia, Geribaldo desapareceu! Procura daqui, procura dali, descobriram que o garoto fugira de Vão da Urucu com um caminhoneiro que puxava coco-da-baía para São Paulo.

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Decepção geral!

– Mas ele não é uranista? – perguntavam uns!

– Para isso é que estudou quatro anos na Universidade do Texas? – indagavam outros.

E foi aí que um sertanejo metido a ladino, letrado, pegou o último volume do Grande Dicionário Brasileiro Melhoramentos Ilustrado, há muito tempo comendo poeira em sua estante, e desvendou o mistério, ao ler para os circunstantes os seguintes verbetes:

Uranismo: (S. m.) Homossexualidade, pederastia.

Uranista: (S. m. e f.) Pessoa que pratica o uranismo.

RECEITAS SERTANEJAS

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Há mais de quatro anos, precisamente no dia 5.4.2010, publiquei aqui no JBF matéria com o título A Fábula do Ovo e do Pré-Sal, onde contava as agruras de Dona Chiquinha Comboieiro, boleira balsense, não dando conta dos 500 cacetes encomendados pela PETROBRAS – só conseguiu 300 -, para um café da manhã em que se comemoraria naquele sertão o jorro do petróleo na torre que, há muito tempo, perfurava o solo na Fazenda Testa Branca, o que não veio a acontecer, acabando aquela estatal por cimentar o poço, relegando-o, definitivamente, ao olvido.

Três meses atrás, no dia 8 de agosto, a leitora Sebastiana Rodrigues de Sousa postou um comentário no jornal, assim se expressando: “Gostei dos contos, mas quero a receita do bolo cacete”.

Assim instigado, mostro o cacete, digo, o pau, depois de macerar a cobra, esta representada, evidentemente, pelo teste, aqui em casa, de todas as receitas, para não dar chabu.

Quando não houver menção específica, o resgate delas foi uma gentileza da amiga Maria do Socorro Ferreira Vieira, minha Assessora Cultural e Plenipotenciária balsense.

No tempo de minha infância, Balsas ainda não contava com a existência de padaria. A dona de casa, assim, tinha de usar de muita criatividade, todas as manhãs, para botar na mesa o quebra-jejum da família, as mais das vezes com beiju, cuscuz, frito de carne, farofa de ovo mexido ou os bolos cujas receitas aqui apresento.

Havia famosas boleiras balsenses, como Dona Dolores Lima e Madrinha Ritinha Pereira. Outras, como Dona Febrônia Tourinho, Dona Chiquinha, Dona Úrsula, Dona Biloca Botelho e Dona Maria Bezerra, minha saudosa mãezinha, faziam-nos, não só para o consumo domiciliar, mas também para vender.

E era aí que eu entrava na dança. Toda boca-de-noite, eu saía de casa, carregando na cabeça uma gamela cheia de bolos diversos, oferecendo-os de porta em porta, ou apregoando-os em alta voz.

Não preciso nem dizer a saia-justa que isso me causava, quando batia à porta de casa onde havia meninas colegas minhas do Grupo Escolar, principalmente na de Seu Jonas Bonfim, pai da Maria Núbia, menina de 8 anos, pela qual eu era perdidamente apaixonado. E esse acanhamento ficou maior, depois que passei a estudar em Floriano, pois nas férias, minha mãe me entregava a gamela, sem levar em consideração meu novo status de ginasiano.

Mas deixemos de papo furado e passemos ao que nos interessa e me faz estar aqui a desperdiçar o precioso tempo dos leitores. Vamos às receitas!

CACETE

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Fotos de Elba Albuquerque

Ingredientes:

1 kg de tapioca ou polvilho doce
8 ovos
2 copos americanos (250 ml) de óleo ou azeite de coco
½ (meio) copo de leite
Sal a gosto

(No caso de usar a tapioca, peneirá-la)

Modo de preparo: Pôr a tapioca (ou o polvilho doce) numa vasilha, juntar o óleo, o leite (sem ferver) e o sal. Em seguida, acrescentar os ovos aos poucos (gemas e claras), sem bater. Sovar bastante a massa até ela ficar bem consistente e um pouco ligada. Deixar a massa descansar por uma hora.

Depois de descansada a massa, colocar certa porção numa tábua, modelar de forma cilíndrica (com o diâmetro aproximada de um ovo) e cortar com uma faca em roletes de 10 a 15 centímetros. Modelar as pontas dos roletes, de modo que fiquem de forma oval. Envolver os roletes em folha de bananeira e pô-los no forno para assar. Quando não se dispõe de folha de bananeira, assa-se o bolo diretamente na fôrma, sem untar. (No caso de usar folha de bananeira, quando esta estiver bem amarelada, tirá-las e deixar os bolos no forno até ficarem corados).

Tempo de duração: Se guardados em vasilha plástica, dura até 15 dias.

ROSCA BALSENSE

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Fotos de Elba Albuquerque

Ingredientes:

1 kg de tapioca (ou polvilho)
08 ovos
01 xícara de leite
01 xícara de óleo (azeite de coco babaçu)
Sal a gosto

Modo de preparo: Molhar a tapioca com água de sal, de modo que fique temperada, um pouco menos de como se molha para fazer beiju. Em seguida, assá-la na frigideira, em porções pequenas, não deixando endurecer como ao fazer o beiju.

Bater os ovos (primeiro, as claras; depois, as gemas, tudo junto). Feito isso, colocar toda a tapioca meio assada numa vasilha grande, acrescentar o óleo, o leite e os ovos batidos, misturando-os, até conseguir uma massa uniforme, que fica meio grudenta. (Se a massa ficar um pouco seca, adicionar mais leite ou ovo, à escolha)

Modelar a massa, em fôrma untada, dando-lhe a aparência de uma roda.

Levar ao forno, até ficar corada.

Tempo de duração: Bolo para consumo imediato, fica ressecado a partir do segundo dia.

BOLO DE MILHO

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Fotos de Elba Albuquerque

Ingredientes:

03 xícaras de flocão de milho
01 lata de milho verde
04 ovos
1,5 (uma e meia) xícara de açúcar
01xícara de óleo
01,5 (uma e meia) xícara de leite
1 colher (sopa) de fermento
01 xícara de queijo (ralado)

Modo de preparo: Colocar no liquidificador todos os ingredientes, exceto a massa de milho e o milho em lata. Depois de tudo batido acrescenta-se a o milho em flocão e em lata até misturar, sem desligar o liquidificador.

Observação: Para o preparo do bolo de milho DIET, substituir o açúcar por metade do pote do adoçante em pó Tal e Qual, Forno &Fogão, de 136 gramas.

Assar em fôrma untada.

Tempo de duração: Se guardado em geladeira e consumido diariamente, dura até acabar.

BOLO DE ARROZ

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Fotos de Elba Albuquerque

Ingredientes:

03 xícaras de flocão de arroz
04 ovos
01,5 (uma e meia) xícara de açúcar, ou mel de uma rapadura
01 xícara de óleo
02 xícaras de leite
1 colher (sopa) de fermento
06 bananas de quina (marmelo)
01 colher (de chá) de canela
1 xícara de queijo ralado
Cravo a gosto

Modo de preparo: Colocar no liquidificador todos os ingredientes, exceto a massa de arroz. Depois de tudo batido, acrescentar a massa de arroz até misturar, sem desligar o liquidificador.

Observação: Para o preparo do bolo de arroz DIET, substituir o açúcar por metade do pote do adoçante em pó Tal e Qual, Forno &Fogão, de 136 gramas.

Assar em fôrma untada.

Tempo de duração: Se guardado em geladeira e consumido diariamente, dura até acabar.

BOLO DE PUBA

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Fotos de Elba Albuquerque

(Receita resgatada pela Banca das Baianas da Feira do Guará)

Ingredientes:

1 kg de massa puba
3 ovos
3 colheres de margarina
2 xícaras de açúcar
500 ml de leite
l colher (de sopa) de fermento
Sal a gosto

Modo de preparo: Bater o açúcar, no liquidificador, a margarina e as gemas dos ovos. Acrescentar a massa puba, o coco ralado e o leite. Misturar tudo, colocando o fermento, o sal e as claras em neve.

Assar em fôrma untada com margarina.

Observação: Para o preparo do bolo de puba DIET, substituir o açúcar por um quarto do pote do adoçante em pó Tal e Qual, Forno &Fogão, de 136 gramas.

Tempo de duração: Se guardado em geladeira e consumido diariamente, dura até acabar.

BISCOITO BALSENSE

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Fotos de Elba Albuquerque

(Originalmente denominado Eternas Saudades, receita de Dona Dolores Lima, resgatada por seu filho Antônio de Pádua)

Ingredientes:

½ (meio) kg de polvilho doce, ou tapioca peneirada
½ (meio) kg de açúcar
Um pouco de sal
4 ovos
1 copo americano (250 ml) de óleo
3 colheres de manteiga ou margarina
Pedacinhos de casca de limão, para dar o sabor sertanejo.

Modo de preparo: Juntar tudo, amassar bem e, depois disso, dar o feitio de biscoitinhos, assando-os em fôrma untada.

Observação: Para o preparo dos biscoitos DIET, substituir o açúcar por metade do pote do adoçante em pó Tal e Qual, Forno &Fogão, de 136 gramas.

Tempo de duração: Se guardado em vasilha plástica e consumido diariamente, dura até acabar.

BROA BALSENSE

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Fotos de Antônia Sônia

Ingredientes:

01 kg de tapioca ou polvilho doce
05 ovos
02 xícaras de açúcar
02 xícaras de óleo
02 colheres de fermento
Pedacinhos de casca de limão, para dar o sabor sertanejo.

Modo de preparo: Colocar a tapioca ou polvilho numa vasilha. Em seguida, o óleo, o leite (sem ferver) e a casca de limão. Acrescentar os ovos aos poucos, sem bater (gema e clara junto). É necessário sovar até a massa ficar consistente, bem macia, de modo que solte da mão com facilidade. Feito isso, moldar as porções em uma tábua, usando um garfo e apertando em cima, para não ficar roliça. Antes de colocar o óleo, leite e os ovos, molhar um pouquinho a tapioca ou polvilho, com, mais ou menos, meia xícara de água. Isso para facilita a textura da massa.

Observação: Para o preparo dos biscoitos DIET, substituir o açúcar por metade do pote do adoçante em pó Tal e Qual, Forno &Fogão, de 136 gramas.

Tempo de duração: Se guardada em vasilha plástica e consumida diariamente, dura até acabar.

ORELHA DE MACACO

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Foto de Maria do Socorro Vieira

Ingredientes:

0,5 kg massa de arroz
03 ovos
01 colher (de sopa) de fermento
01 copo americano de leite
01 xícara (de chá) de açúcar
Erva doce a gosto
Sal a gosto

Modo de preparo: Misturar todos os ingredientes e sovar, de modo que a massa não fique muito dura, nem muito mole. Fritar, na gordura quente, em panela funda – não pode ser frigideira -, porções correspondentes a uma xícara de café.

Observação: Para o preparo da orelha de macaco DIET, substituir o açúcar por um quarto do pote do adoçante em pó Tal e Qual, Forno &Fogão, de 136 gramas.

Tempo de duração: No máximo, até o dia seguinte ao preparo.

MANDULÃO

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Fotos de Antônia Sônia

(Receita resgatada por Dona Eleuza Maria Rosa Vieira, sogra do Geraldo, proprietário do Quiosque da Mineira, na Feira dos Importados)

De todos, é o bolo mais fácil e rápido de preparar. É zás-trás, como se diz no sertão.

Ingredientes:

Meio litro de polvilho
3 ovos
1 copo americano de óleo
1 copo americano de queijo ralado
Um e meio copo americano de leite
Sal a gosto

Modo de preparo: Bater tudo no liquidificador. Assar em fôrma furada e untada.

Tempo de duração: Parecidíssimo com a rosca, mas, ao contrário dela, se guardado em vasilha plástica, fora da geladeira, e consumido diariamente, permanece macio até acabar.

Saindo do departamento de bolos, apresento-lhes a receita de um prato muito apreciado na Sexta-Feira Santa, que todos os anos repito aqui em casa, relembrando a arte culinária de Maria Bezerra.

QUIBEBE

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Fotos de Elba Albuquerque

(Receita resgatada pela Comadre Maria Júlia, criada por minha mãe e residente em Anápolis)

Ingredientes:

Folhas de quiabo picadas
Jerimum picado
Macaxeira picada
Maxixe picado
Batata doce em rodelas
Mandioquinha picada
(Todos em partes iguais)

01 garrafa de leite de coco

Modo de preparo: Após cozinhar os ingredientes, adicionar o leite de coco, sal, alho, cebolinha, coentro, e outros temperos, a gosto.

Tempo de duração: Melhor consumir no mesmo dia.

Para terminar, uma receita energética, natural e sertaneja que, há 15 anos, consumimos todas as manhãs aqui em casa. Além de rica em cálcio e vitaminas, é desintoxicante, limpa o organismo, protege a pele, tira a fome, evitando “beliscadas” entre as refeições, e dá mais disposição para começar o dia.

SUCO VERDE

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Imagem colhida no Google

(Receita resgatada e reformulada por Maria Veroni, minha mulher)

Ingredientes básicos (para uma pessoa):

1 pepino
1 folha de couve
2 folhas de alface
l galho de hortelã
l pedacinho de gengibre
1 maçã

(Ingredientes opcionais: agrião, acelga, batata yacon, cenoura, uva verde sem caroço, rúcula, salsa, brócolis. Não usar espinafre, por possuir bastante oxilato, por isso impróprio para o consumo cru)

Modo de preparo em liquidificador: Cortar o pepino em pedaços bem pequenos e triturar no liquidificador até ficar bem líquido. Coá-lo no voal ou outro coador qualquer. Voltar com o suco do pepino para o liquidificador, acrescentar a couve, a alface, a hortelã e a gengibre e bater até ficar bem líquido. Coar novamente e espremer bastante o coador. Cortar a maçã e misturar ao suco, bater novamente no liquidificador e coar tudo. Findo isso, o suco estará pronto.

Modo de preparo em centrífuga: No caso de utilizar uma centrífuga, basta pôr nela todos esses ingredientes, in natura, e ligá-la. O suco já sai ponto, sem muita mão-de-obra. É vapt-vupt!

Tempo de duração: Consumir logo após o preparo.

A CHAVE MÁGICA

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Chave mágica de meus sonhos infantis

Em 1986, um dia pós a chegada de Luiz Berto de sua gloriosa turnê cultural de 6 meses pelos Estados Unidos e Canadá, eu e Veroni, minha mulher, fomos visitá-lo, não só para lhe desejarmos boas-vindas, como também para sabermos das muitas novidades, pois ainda não conhecíamos país algum do estrangeiro.

Berto, de cara, foi logo me surpreendendo, mostrando que, lá na terra dos gringos, não se esquecera de mim. Pelo contrário, ao passar por Nova Orleans, comprou e trouxe-me de lembrança estas duas preciosidades do traditional jazz, o que mais curto da extraordinária música americana, atualmente transformadas em CD:

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O papo corria solto quando, a certa altura, Berto levantou-se e dirigiu-se rumo ao quarto, dizendo: – Vou mostrar para vocês uma chave que abre todas as portas em qualquer país do mundo!

Eu pensei logo na chave mágica de meus sonhos de menino, de cuja existência tomara conhecimento nas histórias de trancoso. Mas, ao voltar, em vez de uma chave convencional, Berto nos exibiu uma nota de 1 dólar:

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A partir daquele momento, passei a admirar a magnitude da força que esse dinheiro tem, o que vim a constatar in loco, quando visitei os Estados Unidos e o México, em 1998 e 2001. Lá, tanto naquele tempo como agora, se você comprar algo por U$l.99 e pagar com uma nota de dois dólares, recebe 1 centavo de troco. Enquanto que, aqui no Brasil, a moeda de 1 centavo há mito tempo foi abolida.

Aliás, enquanto o dólar permanece impávido, impertérrito, impoluto, portentoso, de 1986 para cá nosso padrão monetário sofreu estas metamorfoses: cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro novamente, URV, cruzeiro real e, finalmente, real.

A partir de então, resolvi presentear os jovens casais a cujo himeneu sou convidado, com, além de algo de utilidade no lar – geralmente eletrodoméstico ou móvel –, deterioável com o uso, um mimo perene, para toda a vida, configurado na cédula de 1 dólar.

Isso com a recomendação de que o noivo a use em sua carteira, junto às demais notas que possui, sem nunca dela se desfazer. E o faço com a garantia de que a vida do casal será sempre afortunada. Palavra de Cardeal da Igreja Sertaneja.

Explico o poder magnificente da nota de 1 dólar. Ela traz em seu verso a figura de uma pirâmide, símbolo da prosperidade, cujo vértice, seccionado, estampa um olho luminoso, símbolo da vigilância. Para que não se conectem esses dois símbolos à magia negra ou à macumba, é ali também impressa a frase IN GOD WE TRUST, que eu traduzo como CONFIAMOS EM DEUS!

Mas há um porém. Não adianta você comprar uma dessas notas e colocá-la em sua carteira. Ela tem que ser ganha. Quem me presenteou com a que carrego comigo desde então foi a amiga e colega Filó, em 1991, na época funcionária da Câmara dos Deputados e Chefe de Seção na Coordenação de Apoio Parlamentar, onde o Papa Berto I também exercia uma chefia. No mesmo momento, agraciei-a com igual dádiva. Detalhe curioso: Filó e eu somos gêmeos. Embora de pais e mães diferentes, nascemos ambos no dia 3 de julho!

E o resultado aí está. Filó, aposentada, é hoje fazendeira em Formosa (GO), onde fabrica seus queijinhos para vender aos domingos na feira semanal da cidade. E eu, jogador inveterado em loterias, vez em quando faço o terno da Quina, a quadra da Dupla Sena, a quina da MegaSena no Bolão, e livro o apostado na Loteria Federal. A qualquer momento, estouro a boca do balão!

Como tarefa a cumprir, de quando em quando, o portador do dólar tem de recitar esta quadrinha, tipo de mantra muito prafrentex:

DINHEIRO EM MEU BOLSO
É COMO FOLHA DE MANGABA
QUE É POUCO
MAS NÃO SE ACABA

Nos flagrantes a seguir, o momento em que, junto a minha Bênção Cardinalícia, presenteio jovens casais com o infalível e auspicioso talismã.

K

Karina, minha hidroterapeuta e Márcio, vendo-se a hidroterapata Mariângela

MM

Maurício Melo, Elba, Raimundo, Veroni e o casal Janaina e Samuel

MOC

Mara, o casal Thiago e Milena, Veroni, Raimundo e Elba

CL

Carolina Leal, minha filha adotiva, Luiz Felipe e Raimundo

RR

Raimundo, Rafael e Denize

FE

Fábio, Elba, minha filha, e este Cardeal

Em algumas celebrações, não havia fotógrafo por perto, o que motivou a ausência de muitos desses especiais momentos de sinceras e abençoadas alvíssaras.

Juntado os bons augúrios com o agradável, aqui vai pequena amostra do trabalho da Preservation Hall Jazz Band of New Orleans. Escolhi uma faixa do LP New Orleans’s Sweet Emma, de 1964, Just a Closer Walk With Thee, peça tradicional do jazz e gospel norte-americano e mundial, arranjo de Emma Barrett, a Sweet Emma, pianista e cantora, nascida a 23.03.1897, que a interpreta aos 67 anos de idade:

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E, para sacramentar minhas Bênçãos Cardinalícias sobre tudo o que acima foi dito, aqui vai mais outra linda peça do tradicional jazz e gospel norte-americano e mundial, Amen, constante do LP, For Concert Sale Only, de 1977, na voz de Willie Humphrey, nascido a 29.11.1900:

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CHORO, CHORINHOS E CHORÕES

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O chorinho, assim como o frevo, é uma invenção genuinamente brasileira.

Os primeiros conjuntos de choro surgiram por volta de 1880, no Rio de Janeiro. Eram pequenos grupos de músicos, muitos deles modestos funcionários da Alfândega, dos Correios e Telégrafos e da Estrada de Ferro Central do Brasil, que se reuniam aos domingos nos fundos dos quintais dos subúrbios cariocas ou das residências do bairro Cidade Nova, onde muitos moravam.

Do caráter plangente, choroso, da música que esses pequenos conjuntos faziam, surgiu o nome CHORO.

A composição instrumental desses primeiros grupos girava em redor do terno – flauta, violão e cavaquinho. A flauta como solista, o cavaquinho como “centro” e o violão na “baixaria”. A esse núcleo inicial do choro se dava também nome de “pau-e-corda”, por serem de ébano as flautas usadas.

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As mais antigas referências a esses grupos de músicos mencionam o nome do flautista Antônio Callado – Joaquim Antônio da Silva Callado – como o iniciador e organizador desses conjuntos pioneiros. Músico de boa formação, ele congregou em torno de si os melhores executantes da época, que, movidos pelo único desejo e o prazer desinteressado de fazer música, se reuniam por acaso, sem qualquer idéia prévia quanto à composição instrumental ou quanto ao número de figurantes.

A partir dos primeiros anos da República, há menção de conjuntos já com outros instrumentos de corda, assim como instrumentos de banda, com função de solistas ou concertantes dentro do grupo: bandolim, clarineta, saxofone, trombone, pistom, sanfona. pandeiro, bombo de marcação, etc.

O choro foi também o recurso de que se utilizou o músico popular para executar, a seu modo, a melodia importada, que era consumida, a partir da segunda metade do século XIX, nos salões e bailes da alta sociedade.

Tal melodia, sob o impulso criador e improvisatório dos chorões, logo perdeu as características de origem, adquirindo feição e caráter perfeitamente brasileiro, a ponto de se tornar impossível confundir uma polka da Boêmia, um schottische teuto-escocês, ou uma walsa alemã ou francesa com a respectiva similar brasileira, saída da inventiva desses chorões.

O choro nasceu, portanto, da necessidade inconsciente que esses músicos sentiram de nacionalizar a música estrangeira importada. Ao chorão não bastava só repetir a música que entrava pela Alfândega, era preciso criá-la.

Originado nas biroscas dos bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro, o choro era elemento indispensável nos pagodes e nas tocatas domingueiras dos fins do século XIX e início do século XX, nos quais era preceito uma mesa farta e bem regada. Da capital fluminense, difundiu-se por todo o país, adquirindo, assim, uma identidade nacional e perdendo a plangência de outrora, vindo a alegria a nele também se instalar.

Em meu incessante trabalho de pesquisa, tenho o prazer de contar em meu acervo com exemplares da maravilhosa criação desses geniais chorões, dentre outros: Alvaiade, Anacleto de Medeiros, Andre Victor Costa, Antônio Calado, Ary dos Santos, Benedito Lacerda, Bonfiglio de Oliveira, Bororó, Carioca, Casimiro Rocha, Catulo da Paixão Cearense, Claudino Costa, Claudionor Cruz, Dante Santoro, Del Loro, Érica Rego, Ernesto Nazareth, Felisberto Martins, Fonfom, Garoto, Hamilton de Holanda, Hermínio Bello de Carvalho, Honório Lopes, João de Barro, João Pernambuco, José Benedito de Freitas, José Leocádio, José Menezes, K-Ximbinho, Lino Pesce, Lourival Faissal, Louro, Luiz Bittencourt, Paulinho da Viola, Pedro Caetano, Porfiro Costa, Toquinho, Ubaldo Sciangula e Zequinha de Abreu.

Muito deles passaram, com a invenção do disco, além de compositores, também a gravar suas obras, algumas das quais aqui apresento. Junto a esses, relaciono também os grandes intérpretes, de outrora e de hoje, que muito fizeram e fazem pela consolidação do gênero. Gente como Abel Ferreira, Ademilde Fonseca, Altamiro Carrilho, Baby Consuelo, Chico Caju, Conjunto Brasília, Conjunto Dois de Ouro, Conjunto Os Coroas, Dilermando Reis, Evandro do Bandolim, Hélcio Brenhas, Hugo Cantarino, Ivanildo, Jacob do Bandolim, Luiz Americano, Luiz Sérgio, Luperce Miranda, Manezinho do Sax, Mario Gennari Filho, Mário Zan, Nilze Carvalho, Orlando Silva, Paulinho do Sax, Pixinguinha, Ratinho, Raul de Barros, Robertinho e Sua Sanfona, Roberto Barbosa e Seu Cavaquinho, Saraiva, Silvério Pontes, Sivuca, Teixeira de Manaus, Toco Preto, Toquinho, Vinícius de Moraes, Waldir Azevedo e Zé da Velha.

Nos dias atuais, o chorinho se revigora cada vez com mais pujança. A Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, em Brasília, é referência mundial. Com professores altamente gabaritados, prepara, anualmente, grande quantidade de jovens adolescentes, que se encarregam de propagar o choro em palcos espalhados por todo o Brasil. Exemplo disso é o garoto Pedro Henrique, neto do Papa Berto I, que, aos 13 anos, com seu bandolim, já deixava boquiabertos os que assistiam à sua magistral interpretação.

Também o Clube do Choro de Brasília, competentemente presidido pelo virtuose Reco do Bandolim, é uma das famosas atrações turísticas da Capital Federal, arrebatando imenso público de todas as faixas etárias para seus espetáculos semanais, com casa sempre lotada. A seguir, o Espaço Cultural do Choro, projeto de Oscar Niemeyer, onde funcionam as duas instituições acima citadas:

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Na seleção abaixo para lhes mostrar um pouco desse vibrante ritmo, escolhi quatro faixas, com estes virtuosos intérpretes: Ademilde Fonseca, no vocal; Ratinho, no saxofone; Altamiro Carrilho, na flauta, e Waldir de Azevedo, no cavaquinho.

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Ademilde Fonseca, Ratinho, Altamiro e Waldir Azevedo

Vamos ouvi-los:

Com Ademilde Fonseca, no vocal, de Alvaiade e Zé Maria, O Que Vier Eu Traço;

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Com Ratinho, no saxofone, de sua autoria, Saxofone, Por Que Choras?

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Com Altamiro Carrilho, na flauta, de Pixinguinha e João de Barro, Carinhoso;

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E com Waldir Azevedo, no cavaquinho, de sua autoria, Brasileirinho.

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MAXIXE, INVENÇÃO BEM BRASILEIRA

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Maxixeiros

O Maxixe é Dança urbana, surgiu nos forrós do bairro Cidade Nova e nos cabarés da Lapa, no Rio de Janeiro (RJ), por volta de 1875.

Estendendo-se aos clubes carnavalescos e aos palcos dos teatros de revista, enriqueceu-se com grande variedade de passes e figurações: parafuso, saca-rolha, balão, carrapeta, corta-capim, etc. Dançado inicialmente ao ritmo de tango, havaneira, polca ou lundu, só nos fins do século XIX as casas editoras o consideraram gênero musical com essa qualificação.

Primeira dança genuinamente brasileira, do ponto de vista musical, resultou da fusão do tango e da havaneira pela rítmica, da polca pela andadura, com adaptação da síncopa afro-lusitana.

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Três ilustrações daqueles tempos pioneiros do Maxixe

Foi num baile da famosa sociedade carnavalesca Estudantes de Hieldeberg que um dançarino apelidado Maxixe – daí o nome do ritmo -, com a desenvoltura que o Carnaval propicia, dançou exageradamente um choro, dando-lhe tais toques de audácia que logo o tornaram admirado e divulgado. Daí por diante, o Maxixe seria dança preferida dos foliões das sociedades de maior liberalidade.

Combatido como licencioso e imoral, nem por isso perdeu o Maxixe o prestígio que o levaria dos salões aos palcos. A revista teatral teve no Maxixe o prato indigesto mas trivial dos seus maiores sucessos. Foi o teatro que o fez conhecido no Brasil.

No início do século XX, o Maxixe alcançou grande êxito nos palcos europeus, sendo apresentada com requintes coreográficos pelo dançarino Antônio Amorim Diniz, o Duque, tendo como parceiras a atriz brasileira Maria Lino, e depois as francesas Arlette e Gaby, em Paris, França, e Londres, Inglaterra, em 1914 e 1922, o qual o trouxe de volta para aqui exibi-lo em reuniões elegantíssimas e no Teatro Trianon, no Rio de Janeiro.

Confundido por historiadores com o tango espanhol e a habanera cubana, distingue-se, entretanto, desses gêneros pelo caráter lúbrico e lascivo da dança, pela sincopação, pela vivacidade rítmica e pela utilização frequente da gíria carioca, quando cantado.

Como sói acontecer a cada novidade que surge, o Maxixe teve crítica acirrada, tanto a favor, quanto contra. Houve uma época no Rio de Janeiro em que a se a Polícia flagrasse salões onde se estivesse a dançar o Maxixe, prendia todo mundo!

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Grandes intérpretes e divulgadores do Maxixe

O crítico Antônio Torres, inimigo do Carnaval Carioca, assim se referiu ao Maxixe no final do século XIX: “Diversão que não fatiga, não alegra a mocidade. Explica-se, destarte, a sedução do Maxixe sobre o brasileiro, povo moço. As distensões musculares dos membros inferiores; os movimentos quase arrítmicos; os passos acelerados pela cadência lesta da canalhesca música afro-americana; o desregramento da atitude fecunda em imprevistos; a possibilidade de ostentar aos olhos de tanta gente uma mulher em posições pouco plásticas e muito equívocas; tudo isso nos encanta ao mesmo tempo que satisfaz o ruído de ostentação. A nossa ausência de bom gosto enquadra-se admiravelmente dentro da canalhice bárbara do Maxixe. Se se perdessem todos os monumentos históricos do Brasil atual, bastaria a cópia de um Maxixe e a fotografia de um carro carnavalesco para que se reconstituísse a nossa fisionomia reles”.

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Maxixe: “mulher em posição pouco plástica”

E arremata: “O Maxixe dá bem a idéia das nossas baixas tendências musicais e coreográficas”.

O cronista português João Chagas assim se expressou, em 1897: “O brasileiro vai aos bailes dançar o Maxixe. Mas o Maxixe é como o “can-can”, o “chaut”, uma dança banida dos lares, por indecorosa. Então, o brasileiro vai aonde sabe encontrá-la, e se não é em bailaricos pagos a mil-réis a entrada, é nos bailes das sociedades carnavalescas que o procura. De resto, o Maxixe, como os jogos clandestinos, dança-se por toda a parte, com exceção, já se vê, dos lares onde esboçá-lo, sequer no movimento de uma mazurca, é praticar um ato da mais revoltante indecência. Os pares enlaçam-se pelas pernas e pelos braços, apóiam-se pela testa num quanto possível gracioso movimento de marrar, e, assim, unidos, dão a um tempo três passos para adiante, três passos para trás, com lentidão. Súbito, circunvoluteiam, guardando sempre o mesmo abraço, e, nesse rápido movimento, dobram o corpo para a frente e para trás, tanto quanto o permite a solidez dos seus rins”.

E conclui o valoroso português: “Dança-se com doçura e dança-se com frenesi. Os maxixeiros de paixão dançam-no com frenesi, incessantemente, e nem a fadiga nem o calor os vence. Quando cessam de dançar é dia, e ainda não estão saciados. Não me pareceu que o Maxixe fosse dança excessivamente culta, mas, como dança licenciosa, é de se lhe tirar o chapéu”.

Aqui, duas as mostra desse brasileiríssimo ritmo, com Pixinguinha e Sua Gente nos ma parte instrumental, com arranjos desse grande compositor.

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Pixinguinha e Sua Gente

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Do primeiro LP, em versão instrumental, Maxixe de Ferro, de Pixinguinha e José Nunes, com Pixinguinha e Sua Gente, em gravação original:

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Do segundo, Gavião Calçudo, de Pixinguinha e Cícero de Almeida, na interpretação de Almirante, também em gravação original:

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PROSTOTITE AGUDA: A REDENÇÃO!

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Megafones invertidos?

Aconteceu no tempo em que eu era surdo!

Na Feira do Livro de Brasília do ano passado, aproveitei para dar uma reciclada em minhas caricaturas, como de costume. Todos os desenhistas atuando no evento eram velhos conhecidos meus, inclusive o Juarez Leite, que ilustrara meu último livro, De Balsas Para o Mundo, recém-lançado, e fizera meu retrato de Mono Liso, publicado no Jornal da Besta Fubana no dia 27.12.2010. Nenhum dos resultados, porém, me agradou. Pedi ao Juarez que refizesse o trabalho, retratando-me fielmente, sem tirar nem pôr, tendo em vista meu descontentamento, meu desagrado com o trabalho de seus colegas. Ele, com segurança em seu taco, me garantiu:

– Deixe comigo, Seu Raimundo! O senhor vai sair daqui completamente satisfeito!

– Sentei-me diante dele, que começou rabiscar, enquanto conversávamos. Depois de uns vinte minutos, apresentou-me o produto final, isso que ilustra esta matéria. Quase caí pra trás! Minha reação foi de pânico:

– Que troço é esse, Juarez? Tá de gozação comigo?

O artista, então, calmamente, me explicou que, enquanto ele desenhava e conversávamos, eu sempre lhe pedia para repetir o que falava, pois não escutara bem. Daí, ele concluiu que minhas orelhas, por um sistema natural de autodefesa, autopreservação, estavam crescendo, na tentativa de melhorar minha audição. E acrescentou:

– Quando o senhor chegar em casa, mire-se bem num espelho e depois me diga se estou certo ou errado!

Foi o que fiz, e a triste constatação me obrigou a aceitar a defesa biológica na qual meus dois abanos auriculares se esforçam para proteger-me da surdez! Pra que lutar contra a Natureza?

Tudo o que falei até aqui tem a ver com certo episódio acontecido comigo há quase dez anos, adiante relatado.

Em novembro de 2002. Eu estava com viagem marcada para Balsas, a fim de participar duma pescaria de surubim, fidalgo e mandubé e da tradicional apanha de bacuri. Viajaria de avião até Imperatriz, onde meu amigo e sacanólogo assessor piauiense Chico Fogoió me esperaria para levar-me até Balsas, na van alugada para a aventura, onde a comitiva se reuniria.

Seria só alegria e diversão, se antes eu não tivesse feito a visita rotineira ao urologista. Depois de estudar os resultados de meus exames laboratoriais – no toque, recuso-me a falar –, o médico opinou:

– Raimundo, está quase tudo dentro dos conformes, glicemia e colesterol normais, PSA abaixo do compatível com sua idade, apenas um sério detalhe requer maiores cuidados. Sua próstata apresentou considerável crescimento desde a última consulta, atingindo o peso de 90 gramas. Vou passar-lhe um medicamento recém-lançado, e, se o processo não regredir, teremos de encarar a cirurgia!

Aquilo foi um balde d’água fria em meu entusiasmo quanto ao programa sertanejo que me aguardava. Peguei o avião muito relutante e só não desisti da viagem para não decepcionar os diletos amigos de Balsas.

Na viagem para Imperatriz, aconteceu como em todos os percursos em avião pequeno, no caso, um Fokker 100 da TAM, que voa baixo. Na hora de aterrissar, começa um zumbido agudo e dolorido em meus ouvidos, dor quase insuportável, como se afiada broca me penetrasse cabeça adentro, e a surdez absoluta apodera-se de mim, o que perdura por vários dias. Dessa vez, foi do mesmo jeitinho. E eu, além disso, preocupadíssimo com o problema da próstata, pois fazia pouco mais de um ano que me submetera a delicadíssimo procedimento cirúrgico para revascularizar meu coração, com duas pontes, mamária e radial, cujo processo de recuperação fora por demais traumático, cheguei a Imperatriz inteiramente desacorçoado.

Ao desembarcar, Chico Fogoió me estranhou:

– Quequiéisso, Mundinho? Que cara é essa? Parece até que vai prum velório!

Silêncio sepulcral! Apenas falei:

– HEM?

Chico Fogoió, gritando, continuou:

– A turma toda só tá te esperando! Luizão, Gonzaguinha, Mestre Rubens, Airton Pamonha, Ribamar da Alice, Alneto, Cosme Noleto, Mestre Riba da Sanfona…

E eu de cara fechada, sem dar um pio, sem o mínimo interesse no que ele falava. Pra ver se quebrava o gelo, Chico Fogoió começou a brincar, de gozação, parodiando o linguajar gaúcho, como sempre faz quando quer sacanear o Alneto:

– Já compremos carne seca pra maria-isabel, fritemos linguiça, abarrotemos o freezer de cerveja, consertemos a tralha de pesca, encomendemos cacetes, petas, bolo de arroz e orelha de macaco…

E eu fechadão, sem dar um palpite, sem esboçar um risinho sequer. Aí o Chico não se aguentou:

– Porra, Mundinho, qual é? Desse jeito tu vai ser o estraga-prazer! Nunca te vi assim! O quiéquihá?

Saí do mutismo e contei-lhe minha tribulação com o diagnóstico da próstata.

Chico Fogoió ganhou ânimo novo:

– Marrapaz! Que Coincidência! Mundinho, teu problema tá resolvido! Amanhã mesmo, iremos a um Terreiro, onde acontecerão centenas de curas, feitas por Mãe Nezira! Ela vem produzindo maravilhas no sertão sul-maranhense todo e nesta semana atuará em Balsas.

Tentei recusar essa solução:

– Chico, não vou não! Sou católico e não acredito nesses milagres que apregoam por aí!

Mas ele rebateu:

– Não se trata de milagre, Mundinho! É operação! Mãe Nezira é uma fateira lá do Brejo da Porta, opera sem corte, e a pessoa sai da mesa cientificamente curada!

Aí, eu fiquei confiante! Tenho comigo em minha Biblioteca o folheto Discussão dum Fiscal com uma Fateira, do cordelista Manoel Campina e ilustrado pelo xilógrafo J. Borges, no qual certa velha liderou verdadeira uma revolução de fateiras, levando a melhor na demanda com o fiscal cobrador de impostos municipais, botando até a polícia pra correr:

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Sem mais argumentos contrários, e desesperado quanto à hipótese de submissão a nova cirurgia em Brasília, eis que ainda malrecuperando da última, concordei com a sugestão do Terreiro.

No dia seguinte, estávamos lá! Num casarão muito bem cuidado, coberto de palha, no meio do mato, a uns dois quilômetros do antigo Bairro Catumbi. A multidão era imensa. Chico Fogoió ficou na sala de espera, enquanto eu era conduzido à Secretaria, onde preenchi uma ficha com todos os detalhes inerentes a minha enfermidade, ressaltando bem o pormenor da hiperplasia prostática. Idade, ocupação, tipo sanguíneo, taxas de glicemia e colesterol, medicamentos em uso, tudo ficou registrado na ficha, como em qualquer hospital. Só não perguntavam sobe plano de saúde, e isso seria mesmo desnecessário, pois naquele Terreiro a gratuidade imperava, não se falava no vil metal.

Feito o registro, fui encaminhado a outra sala, onde diversas pessoas já se encontravam sentadas em cadeiras com os encostos colados às paredes, formando uma espécie de círculo humano, como se para relaxarem e conhecerem uns aos outros. Depois de algum tempo, dirigiram-me ao vestiário, onde troquei toda minha roupa por uma bata aberta na frente, sem ao menos a cueca por baixo. Em seguida, levaram-me para o centro cirúrgico. Era uma sala com 12 macas, forradas com alvíssimos lençóis, nas quais nós, os operandos, nos deitamos. Começaram, então, as cirurgias.

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Mãe Nezira, fateira e milagreira

Mãe Nezira, agradável senhora de seus 70 anos, começou pela primeira maca à esquerda e veio operando cada um dos enfermos. Rapidamente, porque a fila dos que lá fora aguardavam sua vez era enorme. Ao chegar em mim, abriu-me a bata e, vendo meu tórax todo retalhado e costurado, perguntou-me algo como:

– O que foi isso?

Podia ser que a pergunta se referisse aos cortes, pois a moléstia que me levara àquela maca estava toda relatada em minha ficha. Mas, não entendendo o que ela falara, tentei esclarecê-la, para que repetisse a pergunta mais alto:

– Eu escuto pouco!

Aí, Mãe Nezira operou-me os dois ouvidos!

Eu olhava para o teto, imóvel feito uma pedra, enquanto Mãe Nezira procedia à operação. O sangue parecia-me escorrer das orelhas indo até o queixo, e eu sentia que um objeto cortante e frio era introduzido em minha carne. Ao término, Mãe Nezira aplicou dois curativos em cada ouvido e me desejou feliz viagem.

Na saída, Chico Fogoió, ansiosa e jubilosamente, me aguardava:

– E aí, Mundinho, como foi? Deu tudo certo?

E eu:

– HEM? FALA MAIS ALTO, CHICO!

Faltara-me a fé, sem a qual nada de prodigioso se realiza!

Hoje, quase dez anos depois, como vai minha próstata? Vai bem, obrigada!

Enquanto isso, minhas orelhas continuam crescendo, crescendo e crescendo!

* * *

A REDENÇÃO!

Bom, isso aconteceu no tempo em que eu ainda era surdo. Agora, vencida a resistência contra o uso de aparelhos auditivos, estou escutando até demais, e muita gente, desconhecendo meu novo status, fica cochichando perto, de mim, revelando segredos, alguns até muito cabeludos. Por isso, aconselho a todos a observar este velho e sábio ditado:

– Quem cochicha, o rabo espicha!

SÃO LUIZ GONZAGA, TERRA GAÚCHA QUE ME ADOTOU

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Mês de julho passado, em concorrida reunião social, dileta amiga, muito influente no meio cultural brasileiro e europeu, sinalizou-me com a possibilidade de indicar-me para membro de diversas academias literárias a que pertence. Diplomaticamente, com muito jeitinho, declinei do convite, informando-lhe que já fazia parte da Academia Passa Disco da Música Nordestina, que tem tudo a ver com meu trabalho de pesquisa musical; da Associação Nacional de Escritores, que publica textos meus em seu jornal, de ampla circulação; além de assinar coluna semanal aqui no Jornal da Besta Fubana, que me exige quase dedicação integral, tudo isso fazendo com que não me sobre tempo para mais nada.

Naquele momento, esqueci-me de citar outro importante sodalício a que pertenço, como sócio-correspondente, o Instituto Histórico e Geográfico de São Luiz Gonzaga – IHG, no Rio Grande do Sul. Vou contar como isso se deu.

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Cheguei a Brasília em dezembro de 1960, como 3º Sargento do Exército Brasileiro, para formar o embrião do que seria o Batalhão de Polícia do Exército de Brasília – BPEB, criado a 13 de maio daquele ano. Logo no começo de 1961, chegariam mais 9 Sargentos, estes egressos da Escola de Sargentos das Armas – EsSA.

Esse efetivo original, tantos anos depois, continua coeso, unido e, embora todos já reformados ou aposentados, com alguns membros residentes em outras cidades, reúne-se periodicamente, em locais diversos, tendo como principal encontro a Confraternização de Natal. Hoje, além dos pioneiros do BPEB, juntaram-se a nós alguns componentes da Turma EsSA/1960 residentes em Brasília, dentre eles o gaúcho Ariel dos Santos Peres.

Ariel, assim como eu, é leitor compulsivo e gosta dos textos que escrevo, já tendo comentado alguns aqui no JBF. Tal aprovação fez com que ele me falasse do IHG, do qual já era sócio, e pediu-me os exemplares de meus últimos trabalhos publicados para enviá-los a sua irmã, Lia Magda, outra sócia do Instituto. Iso feito, recebi, dias depois, uma ficha para minha competente inscrição. Tudo cumprido e sacramentado, gaúcho sou por adoção.

São Luiz Gonzaga, situada no noroeste do Rio Grande Sul, em região chamada Território das Missões, foi fundada em 1687, mas só obteve sua emancipação administrativa em 1880. Tendo uma população em torno de 35.000 habitantes, respira cultura por todos os poros.

Com meus livros Do Jumento ao Parlamento, De Balsas para o Mundo e Pétalas do Rosa incorporados ao acervo do IHG, recebi, em retribuição, os dois compêndios abaixo, que passo comentar.

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Vultos e Fatos da História de São Luiz Gonzaga, de autoria de Anna Olívia do Nascimento, considerada a Matriarca do Instituto, e de Maria Ivone de Ávila Oliveira, esta irmã de Dorival Neves Ávila, meu colega da Turma EsSA/1957 – até as pedras se encontram -, é uma coletânea de textos de vários autores, focalizando ilustres personagens que fizeram a glória daquele município: Virgílio Gonçalves do Nascimento, Darwin Genro Pereira, João Belchior Loureiro, José Gattiboni Filho, José Grisolia, Justino Marques Oliveira, Monsenhor Estanislau Wolski, Paula de Miranda Garcia, Virgilino Martins Coimbra e o Grupo de Educadoras municipais, ressaltando seu trabalho e dedicação desde as primeiras escolas ao advento da universidade.

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Praça da Matriz, também de Anna Olívia e Maria Ivone, é um conjunto de reminiscências contando a bela saga dessa Praça, centro de todas as atividades culturais e políticas da urbe.

São Luiz Gonzaga, que foi a mais exuberante das missões jesuíticas, enfrentou alguns revezes políticos, vendo seu esplendor esvair-se pouco a pouco, quase desaparecendo do mapa, situação que só veio a ser revertida em 1905, com a instalação na Praça da Matriz do 3º Regimento de Cavalaria, que trouxe novos fatores de progresso à população são-luizense.

Começaram os militares pela a arborização da Praça e com suas retretas, o que inspirou, tempos depois, a criação da Banda Municipal, a qual passou a fazer audições públicas vespertinas e em festas comunitárias, com este romântico efetivo inicial: Maestro Ernani Darci Kamphorst, sax tenor; Hermes da Silva Ávila, sax alto; José Orlando Liell, contrabaixo; Itamar Pimentel Vieira, surdo; Aristotelino Ferreira Machado, pratos; e João Luiz Jacques Terra, tarol.

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Praça da Matriz: Paróquia São Luiz Gonzaga

O povo gaúcho é, por natureza – observação minha -, guerreiro e patriótico, haja vista suas vestimentas tradicionais, que relembram os grandes feitos brasileiros nas batalha de antanho. Impregnados desse sentimento, as famílias são-luizenses veem, com muito orgulho, seus filhos serem integrados ao Exército, sentindo-se, com isso, prestigiadas e valorizadas.

Como falei anteriormente, São Luiz Gonzaga respira cultura por todos os poros. Vejam bem, com população de apenas, repito, apenas 35 mil habitantes, publica, todas as quartas-feiras e sábados, o jornal A Notícia, fundado a 29 de julho 1934, ou seja, há 80 anos, com 26 páginas, trazendo um Segundo Caderno, com dicas de TV, música, cinema, sociedade, livros, moda, beleza, quadrinhos e entrevistas.

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E foi nele que, em 04 de dezembro de 2013, também notícia fui:

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A Cultura Nordestina também deu o ar de sua graça em São Luiz Gonzaga, com nosso ídolo maior animando a vida musical daquela cidade sua xará. Em março de 1953, Luiz Gonzaga, O Rei do Baião, lá se apresentou, em memorável show, no Cine Lux, numa promoção da Rádio São Luiz, sob com o patrocínio dos Laboratórios Mora Brasil e Orlando Rangel, com renda destinada ao Asilo dos Velhos, atual Lar do Idoso.

Não preciso dizer mais nada! Depois dessa louvação ao o povo de São Luiz Gonzaga, e em agradecimento aos intelectuais são-luizenses que me adotaram, é com imenso prazer que lhes ofereço, para sua degustação auditiva, o Hino Rio-grandense, composição de Joaquim José de Mendanha e Francisco Pinto de Fontoura, com a Banda da PM do Rio Grande do Sul e Coro. Vamos ouvi-lo:

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VERA BRANT, VERAZ ESTIRPE CANDANGA

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 Vera Brant: na adolescência e como sempre

As fotos acima representam dois momentos de Vera Brant. A primeira, na adolescência, ainda em sua terra natal. A segunda, em Brasília, espelho da fase em que a conheci. Nestes 45 anos, de 1969 a 2014, sua fisionomia permaneceu imutável, como parecendo haver descoberto para si o segredo da eterna juventude!

Ela nasceu em Diamantina (MG), há 87 anos, onde iniciou seus estudos, completados em Belo Horizonte, com especialidade no Magistério. Após obter o grau universitário, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi admitida no cargo de Inspetora de Ensino do Ministério da Educação.

Em 1960, a convite de seu amigo e conterrâneo Juscelino Kubitscheck, então Presidente da República, mudou-se para Brasília, com a finalidade de ajudar outro mineiro, Darcy Ribeiro, seu amigo de infância, a criar a Universidade Brasília, onde lecionou até 1964, quando foi demitida após a instauração do governo militar.

Vera e eu tivemos uma trajetória candanga bem semelhante. Também cheguei a Brasília em 1960, mas nossos caminhos só vieram a se cruzar no ano de 1969, numa simbiose bem providencial.

A demissão de Vera coincidiu com a cassação de vários amigos seus, que tiveram de se exilar no Exterior, deixando aqui no Brasil seus interesses entregues à sorte, ao léu, sem terem quem deles cuidasse, principalmente casas e apartamentos.

Também, naquele ano, outro mineiro, o deputado Simão da Cunha, seu amigo, fora cassado pelo Ato Institucional nº 5. Ambos, Vera e Simão, gozavam da plena confiança de todos os expatriados, razão pela qual foram por eles instados a que assumissem aqui as funções de seus procuradores, alugando seus imóveis.

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Simão da Cunha em close e com Maria Beatriz, sua mulher

O volume das operações chegou a tal magnitude que exigiu o registro da personalidade jurídica do empreendimento. E foi aí que nos conhecemos.

Funcionário da Câmara dos Deputados e com o Congresso Nacional fechado, vi-me obrigado, para manter meu padrão de vida, a exercer a profissão de Contador, para a qual era legalmente habilitado. Assim, com o Congresso funcionando apenas no turno vespertino, estabeleci meu Escritório Contábil no Edifício Casa de São Paulo, Setor Bancário Sul, onde Vera e Simão operavam.

Contratado por eles, concretizei o registro em todas as repartições distritais e federais da empresa, denominada Imobiliária Minas Gerais, passando a funcionar como seu Contador. Além disso, era sempre solicitado a acompanhar diplomatas estrangeiros, nas visitas a imóveis a serem alugados, servindo-lhes como intérprete com meu Inglês macarrônico, aprendido aqui mesmo no Brasil.

Vera e Simão pensavam grande. No lançamento de qualquer empreendimento de vulto, anunciavam-no apenas uma vez, no Jornal Nacional, o que era bastante para que, no dia seguinte, todas as unidades estivessem vendidas. E, quando o dinheiro era grosso, concediam, a cada funcionário, a título de abono, um mês de salário, inclusive ao Contador.

Em meados dos Anos 1970, a sociedade com Simão de Cunha se desfez, passando Vera Brant a atuar como sócia majoritária e diretora da Vera Empreendimentos Imobiliários Limitada. Nessa mesma época, com o Congresso Nacional já funcionando a pleno vapor, e com a implantação, na Câmara dos Deputados, do Plano de Classificação de Cargos, que exigia dedicação exclusiva, encerrei as atividades de meu Escritório.

Desde então, meu contato com Vera Brant, passou a ser apenas na área intelectual, eis que ambos iniciados na faina literária, de que adiante falarei.

Para Vera Brant, os amigos eram o que existia de mais valor, pouco importando serem figuras de destaque ou não. Durante os árduos anos, sua casa foi o refúgio dos cassados e perseguidos, como Juscelino que, proibido de visitar a cidade que criara, foi, inúmeras vezes, por Vera recebido e, na calada das noites, ciceroneado, quando lhe mostrava o progresso da Capital da Esperança.

Juscelino, nosso ídolo maior, mereceu dedicação especial no bem-querer de Vera, assim como os demais membros de sua família, que compunham a maravilhosa e fantástica Corte Brasiliense de outrora. Estas fotos confirmam tal empatia:

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Vera e Juscelino, em três felizes momentos

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Vera com a Primeira-Dama Sara e com as meninas Márcia e Maristela

O álbum fotográfico de Vera diz muito da quantidade de sinceros amigos que amealhou durante toda sua existência. Isso sem bancar o “papagaio de pirata”, como se diz das pessoas que fazem de tudo para aparecerem ao lado de gente badalada. Quase cem por cento das imagens de seu álbum foram tomadas em sua aprazível e acolhedora residência, à QI 19 do Lago Sul.

Não custa lembrar os nomes de alguns personagens que fizeram a História do Brasil contemporâneo:

Afonso Arinos, Marcos Freire, Sepúlveda Pertence, Carlos Castelo Branco, Waldyr Pires, Glênio Bianchetti, Alfredo Ceschiatti, Afonso Heliodoro, Tônia Carrero, Athos Bulcão, Aloysio Campos da Paz, Gilberto Amaral, Lúcio Costa, Carlos Veloso, Ayres Britto, Arthur Virgílio, Artur da Távola, José Richa, Ivo Pitangui, Carlos Murilo, Ronaldo Costa Couto, Carlos Monforte, Celso Furtado, Gilmar Mendes, Cora Rónai, Millôr Fernandes, Danilo Caymmi, Dorival Caymmi, Ernesto Silva, Evandro Lins, Fernanda Montenegro, Fernando Henrique Cardoso, Francisco Rezek, Gustavo Capanema, Hildegard Angel, Jorge Amado, Zélia Gattai, José Aparecido, Lêda Nagle, Lúcia Flexa de Lima, Márcio Moreira Alves, Mário Covas, Mauro Santayana, Miguel Arraes, Milton Nascimento, Nelson Pereira dos Santos, Oscar Niemeyer, Roberto Freire, Severo Gomes, Tom Jobim, Vinícius de Moraes…

Paralelamente à atividade comercial e vida social intensa, Vera dedicou-se também, de corpo e alma, à Literatura, com obras de sucesso, publicadas no Brasil e no Exterior:

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Compareci ao lançamento de seu primeiro livro, A Ciclotímica, no dia 12 de fevereiro de 1976, no qual ela já se apresenta como escritora feita e acabada, com humor irônico e cortante, não salvando a cara nem dos entes mais queridos, hipotéticos tios e primos.

Ciclotímica, como sempre foi, alternando momentos de euforia com outros de reflexão, Vera diz, nos últimos parágrafos desse livro: “Não pretendo ter filhos, porque não quero me fincar na vida, não quero compromisso com este mundo”. Mas se fincou. Embora não tenha se casado, criou três sobrinhos como filhos, que lhe deram netos e encheram sua casa de alegria.

Outro trecho: “Fico pensando: o que será que vai me entusiasmar neste mundo? Amor? Será? Pode ser. Mas se esta vida continuar nesta chatice, vou desertar aos quarenta anos. Não vou ficar velhinha numa cama, esperando a morte’.

E nisso estava certíssima. No dia 14 de setembro, Vera, aos 87 anos, encantou-se, deixou a vida terrena, aparentando não mais que 60 anos, com a eterna fisionomia, constante, que sempre a caracterizou na fase adulta.

O velório transcorreu em sua residência, e a Missa de Sétimo Dia, Missa da Redenção, à qual compareci, em seu quintal, à sombra do majestoso flamboyant que domina o local.

À solenidade, realizada às 17 horas, compareceram inúmeros amigos, mais de três centenas, em cerimônia simples, sem a mídia para documentar, mas onde prevaleceu a emoção dos presentes. Além de ternos depoimentos, na Liturgia da Palavra, as leituras ficaram a cargo de Gilberto Amaral, colunista social, e de Carlos Ayres Brito, ministro aposentado do STF, autor deste belíssimo poema laudatório:

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Junto com o folheto para acompanharmos a celebração, foi distribuído este marca-páginas, com textos escritos por Vera:

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Essa foi Vera Brant!

Relembrando a força que deu, nos momentos de dificuldades e sobressaltos, a seus fraternais, diletos e cordiais amigos, quero lembrar que, em momento algum, ela se achegou a terroristas, assaltantes de bancos, dilapidadores do Erário, salteadores, guerrilheiros, arrombadores de cofres, estelionatários, gente dessa espécie. Vera Brant esteve sempre, incondicionalmente, do lado do bem! De gente com vergonha na cara!

Fernando Brant, escritor e compositor, seu primo em segundo grau, parceiro mais constante de Milton Nascimento, assim a definiu:

– Certa vez, levei Gonzaguinha até a casa dela, no Lago Sul, eles bateram um longo papo. Vera convivia com os bons e se mantinha à distância dos canalhas!

MARIA RODRIGUES, NOSSO ANGELITO NEGRO

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Maria Rodrigues

Maria Rodrigues da Silva nasceu em Floriano (PI), no dia 29.09.1929, filha de Laurindo Rodrigues da Silva e Cesária Maria da Conceição. Aos três anos de idade, ficou órfã de pai e mãe. Dona Cesária morreu em decorrência de males oriundos de sua intensa exposição ao calor nas bocas dos fornos das olarias onde trabalhava. Seu Laurindo, também, vítima de infecção no calcanhar, provocada pela mordida de um gato, no rabo do qual pisara.

Seu irmão mais velho, num total de sete, Fernando, já casado e com três filhos, residente em Uruçuí (PI), ciente dos demais irmãos desamparados, foi buscá-los. A viagem de volta, num percurso de 208 km, foi feita a pé, levando seis dias na caminhada. Um dos pousos foi a Fazenda Brejo, antiga propriedade do meu avô paterno, Capitão Pedro José da Silva, hoje em poder do meu primo Airton, médico residente em Teresina, filho do Comandante João Clímaco, o Tio Joãozinho.

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Maria Rodrigues e Comandante Puçá

Maria Rodrigues era irmã de José Rodrigues dos Santos, o Comandante Puçá, que a trouxe para Balsas na Década de 1940, quando começou a tripular embarcações pertencentes a armadores de nossa cidade.

Sua família está, desde o início da Década de 1950, intimamente ligada à minha. Fernando é o pai da Maria Júlia, que foi morar conosco em 1951, ainda menina, sendo, praticamente, criada por Dona Maria Bezerra, minha mãe. Seguiu ela com minha irmã Maria Alice para Engenheiro Dolabela (MG), quando esta se casou, acompanhando-a nas mudanças para Brotas-(SP), Anápolis (GO), e, finalmente, Balsas. Em 1974, veio cuidar de minha residência aqui em Brasília. Mais tarde, casou-se com Odílio Silva, seu primo, antigo craque da Seleção Balsense de Futebol, com o qual teve um filho, o Reinaldo, meu afilhado, hoje Engenheiro da Computação, todos residentes em Anápolis, Odílio já falecido, e ela aposentada pelo INSS.

Maria Rodrigues, a Maria, como sempre a chamei, veio a ser um forte esteio para minha gente em Balsas, nas ocasiões mais delicadas. Fechou os olhos de minha mãe, em seu último suspiro, tendo-a velado como se parente fosse. Igualmente, esteve à cabeceira de Seu Rosa Ribeiro, meu pai, até que expirasse. Desde 1969, constituiu-se em amiga, conselheira, companheira, praticamente mãe de minha irmã Maria Alice, falecida de mal súbito em 2002.

Lembram-se daquele filme Mary Poppins, em que uma fada apareceu do espaço sideral, navegando em seu guarda-chuva, para dar jeito numa família inglesa toda desnorteada? Pois bem assim aconteceu conosco!

Na madrugada de 17 de fevereiro de 1969, estávamos todos os irmãos perplexos, apavorados, inertes, diante do leito de morte de nossa mãe – era o primeiro ente querido que perdíamos na família -, quando se materializou no quarto, enviado pelo firmamento celeste, aquele angelito negro, que se impôs perante nós e os demais presentes, encomendando a alma de Maria Bezerra aos braços do Senhor, fechando-lhe os olhos, dando-lhe banho, amortalhando-a, colocando-a no caixão e passando, desde então, a cuidar de todos nós.

Depois da Missa do Sétimo Dia, retornamos às cidades onde morávamos, ficando em Balsas apenas a Maria Alice, que lá exercia o cargo de Tabeliã do 2° Ofício.

Maria Bezerra deixou-nos para sempre, mas sua partida legou-nos outra Maria que passou a substituí-la no papel de nossa mãe. Aos 40 anos de idade, Maria Rodrigues assim se impunha pelo carisma e pela dedicação demonstrada até seus momentos finais.

Maria Alice, desde o início dessa maravilhosa simbiose, teve a premonição de que um dia deixaria o mundo antes de Maria Rodrigues. Por isso, a partir de quando foi por ela perfilhada, passou a contribuir para o INSS em seu nome, garantindo-lhe futura aposentadoria. E mais, ao constatar que o valor de seus proventos seria ínfimo, conseguiu, com o prestígio de que gozava, sua nomeação como funcionária pública do Estado do Maranhão. Dessa forma, ao completar 70 anos, Maria se aposentou com duas fontes de renda.

Há muito, Maria se constituíra como arrimo de Raimunda, sua irmã, e de grande quantidade de sobrinhos e parentes afins que ainda batalhavam na luta pela subsistência.

Nesse tempo, residia na Rua Nova, em casa alugada, bem distante da Rua do Frito, hoje 11 de Julho, onde Maria Alice morava. Esta, visando a garantir uma velhice tranquila para Maria e sua irmã, mandou construir, na metade do terreno onde morava, belíssima casa de esquina, na Rua Isaac Martins, que lhe foi entregue com escritura passada em cartório. Adiante, a frente da simpática moradia, escondida por um muro, exigência de segurança no modernismo balsense:

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Pelos arbustos floridos que a enfeitam, pode-se avaliar como seria o jardim, entre sua casa e a de Maria Alice, do qual Maria cuidava com esmero, sendo o local preferido para a foto oficial dos casais menos apercebidos que contraíam matrimônio no Cartório, situado na esquina da Rua do Frito.

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Maria Rodrigues em seu impecável jardim

Maria era pessoa antenada com os acontecimentos da cidade e com a sociedade balsense. Zeladora do Sagrado Coração de Jesus, como foram Maria Bezerra e Maria Alice, participava, anualmente, da Comissão Organizadora dos Festejos de Santo Antônio.

Maria viveu num tempo em que não havia esse negócio chamado selfie, e as raras fotografias que temos dela são todas esmaecidas, razão pela qual pedi ao amigo Juarez Leite, artista plástico, que as reproduzisse, dando-lhes mais vigor.

Maria Alice, como previra, foi embora primeiro. No dia 3 de março de 2002, partiu mansamente, como dito acima. Maria, que já desempenhara competentemente o papel de sua mãe, irmã e amiga, assumia, tacitamente, esse mesmo papel junto a seus filhos. A seguir, vêmo-la, já em idade avançada, em companhia do Doutor Raimundinho, filho da Maria Alice, que, diariamente, tomava refeições em sua casa.

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Maria Rodrigues e Raimundinho

Maria teve um grande amor na vida. Chamava-se Camilo. Durante a construção de Brasília, ele para aqui arribou, com a promessa de mandar buscá-la tão logo se ajeitasse financeiramente, porém jamais deu notícia. Por essa razão, Maria nunca mais quis saber de homem.

No dia 9 de novembro de 2013, aos 84 anos de idade, nosso angelito negro encantou-se, voltando à Casa do Pai, de onde viera para cuidar de todos nós.

Hoje, 29 de setembro, Maria Rodrigues comemora mais um aniversário. Desta vez no Paraíso, juntamente com sua grande amiga, como todos os anos acontecia em sua vida terrena. Lá no Céu, em singelo congraçamento, enquanto ela corta o bolo, Maria Alice canta-lhe “Parabéns pra você”.

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O Angelito e Maria Alice: Festa no Céu

Para musicar essa festa, nada melhor que um bolerão das antigas, como Angelitos Negros, poema do venezuelano Adrés Eloy Blanco, com letra do mexicano Manuel Álvarez Macisto, na interpretação da madrilenha Nati Mistral. Vamos ouvi-lo:

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DUZINDA: O BRIO DO BRASILEIRO POBRE DE OUTRORA

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Leitor compulsivo que sou, ultimamente tenho procurado conhecer trabalhos de autores contemporâneos, preferencialmente moradores no Distrito Federal e Entôrno – com acento, para não pensarem que estou derramando o Distrito –, pessoas facilmente encontráveis em shoppings, salas de espera, feiras, pontos de ônibus, restaurantes, enfim, aonde quer que se vá. Gente da gente!

Isso me é deveras facilitado pela Thesaurus, minha editora, cujas prateleiras concentram mais de noventa por cento da produção literária brasiliense e adjacente.

Quando o trabalho não me agrada, calo-me. Se gosto, dou um jeito de entrar em contado com o autor e expressar-lhe minha aprovação. No caso de embevecer-me por demais, não me contenho e faço tudo para apregoar isso aos os quatro cantos, como é o caso deste em evidência.

Vocês sabem qual é o melhor chá para o careca? É o chapéu! Para o veado? A chapada! Para a lavadeira? O chafariz! Para o fumante, charuto! Para o inglês, a chávena! Para o gaúcho? A chaleira! Para o caipira? A chácara! Para o ginecófago? A chavasca! Para o gatuno? A chave! Para o estudante? A chamada! Para o meliante? A chapuletada! Para a boazuda? O chanel! Para o fogueteiro? O chabu! Para o showman? A chacrete! Para o terrorista? A chacina! Para o gozador, a chacota! Para o barqueiro? A chalana! Para o hóspede? O chalé! Para o namorado? O chamego! Para o açougueiro? O charque! Para o enigmático? Para o antipático? A chatura! A charada! Para o escritor? O chá de cadeira na sala de espera das editoras!

E foi num desses chás que tive minha atenção voltada para a capa deste livro, exposto nas prateleiras da Thesaurus, pela fisionomia sofrida ostentada pela Duzinda, seu personagem-título. Imediatamente, dirigi-me ao setor competente e comprei um exemplar começando a leitura ali mesmo na espera. O que me foi muito gratificante, compensador.

Ele me fez relembrar o caráter da população pobre brasileira de um passado que vivi, quando os nordestinos desapercebidos, ao receberem donativos dos sulistas ou do governo, o faziam com acara no chão, morrendo de vexame, embora agradecidos pelo socorro. O brio de meus conterrâneos daquele tempo foi bem retratado por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, ao declarar, em Vozes da Seca “Mas doutô uma esmola a um homem qui é são/Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

A população de Duzinda é toda constituída de pessoas carentes, sofridas, algumas famélicas, porém sem jamais pensar em entrar na mendicância ou se valer das benesses governamentais, que viciam, fazem o homem perder a vergonha, nessa compra de votos em que se transformaram as inúmeras bolsas ora distribuídas aos desvalidos deste país, sem que vislumbrem um mínimo de dignidade.

Duzinda, já na terceira edição, recebeu versões em Espanhol e Inglês, além de um lançamento em audiolivro, este contido em CD.

Suas contracapa e orelhas dizem muito de seu conteúdo e um tanto de sua autora:

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A seguir, correspondência enviada à Clotilde Chaparro, com minha apreciação sobre seu livro, que recomendo a todos vocês.

Doutora Clotilde,

Peguei seu livro na Thesaurus. Sempre que dou as caras por lá, faço uma garimpada nos títulos de escritores de Brasília, eis que aspirante a plumitivo candango sou, além de viciado no mais gratificante prazer existente no Planeta Terra: a leitura.

Duzinda foi uma boa novidade. Chegando a seu final, ficou-me a vontade de conhecer outros textos da autora, motivo pelo qual a você me dirijo.

Eu gostara de, em algum dia no futuro, escrever assim, simples, sem circunlóquios, direto ao ponto, narrando o cotidiano de pessoas comuns, com tramas que fazem parte de nosso dia a dia, sem surpresas, tudo plausível, com final feliz para poucos, como na vida real.

Os personagens compõem que o universo de Duzinda, a maioria gente trabalhadora, seriam, hoje, fatalmente, clientela dependente do Bolsa-Família, acomodados com a esmola, jamais saindo dali um Vitório que, por seus méritos, progrediu na vida. Sucesso, na atualidade, é ofensa pessoal.

Em regimes onde a população se acostumou a depender das espórtulas dos governantes, como o de Cuba, só há duas espécies de indivíduos, tal qual bem ressaltou a revista Veja, há duas semanas: os dirigentes e os indigentes.

É nisso que querem transformar o Brasil, desvirtuando o caráter da gente trabalhadora brasileira, como era, naqueles Anos 1930, a maioria do povo humilde do bairro do Tatuapé.

Iolanda era uma mulher instigante. Visualizei nela a figura da cantora Emilinha Borba, um de meus ídolos de MPB, que sempre usou uma pinta na bochecha, ora à esquerda, ora à direita, conforme lhe desse na veneta.

Não vou mais tomar seu tempo. Dou-lhe parabéns pelo excelente livro e digo-lhe que quero mais.

Atenciosamente,

Raimundo Floriano
Brasília

P. S. Em meu último livro, tal qual farei nos próximos, fiz questão de apor este recorte na folha de rosto, num alerta àqueles que só veem em nosso trabalho motivos para a crítica negativa:

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O VELHO DO RESTELO

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Leitor compulsivo que sou, ultimamente tenho procurado conhecer trabalhos de autores contemporâneos, preferencialmente moradores no Distrito Federal e Entôrno – com acento, para não pensarem que estou derramando o Distrito -, pessoas facilmente encontráveis em shoppings, salas de espera, feiras, pontos de ônibus, restaurantes, enfim, aonde quer que se vá. Gente da gente!

Isso me é deveras facilitado pela Thesaurus, minha editora, cujas prateleiras concentram mais de noventa por cento da produção literária brasiliense e adjacente.

Quando o produto não me agrada, calo-me. Se gosto, dou um jeito de entrar em contado com o autor e expressar-lhe minha aprovação. No caso de embevecer-me por demais, não me contenho e faço tudo para apregoar isso aos os quatro cantos, como é o caso deste em evidência.

Vocês sabem qual é o melhor chá para o careca? É o chapéu! Para o veado? A chapada! Para a lavadeira? O chafariz! Para o fumante? O charuto! Para o inglês, a chávena! Para o gaúcho? A chaleira! Para o caipira? A chácara! Para o ginecófago? A chavasca! Para o gatuno? A chave! Para o estudante? A chamada! Para o meliante? A chapuletada! Para a boazuda? O chanel! Para o fogueteiro? O chabu! Para o showman? A chacrete! Para o terrorista? A chacina! Para o gozador? A chacota! Para o barqueiro? A chalana! Para o turista? O chalé! Para o namorado? O chamego! Para o açougueiro? O charque! Para o decifrador? A charada! Para o antipático? A chatura! Para o escritor? O chá de cadeira na sala de espera das editoras!

E foi num desses chás que tive minha atenção voltada para a capa deste livro, exposto nas prateleiras da Thesaurus, apenas pela beleza de sua capa. Lendo a contracapa e as orelhas, interessei-me sobremaneira em conhecer o inteiro teor, razão pela qual me dirigi ao setor competente e comprei um exemplar, dando continuidade à leitura ali mesmo na espera.

Aficionado pelas águas, pelos oceanos, pelos rios, por tudo que diz respeito à navegação, mergulhei de ponta-cabeça, indo cada vez mais fundo. Em dois dias, cheguei à última página, num total de 182, completamente fascinado pela história de Camões.

Quem imagina esse grande poeta como intelectual sentado numa mesa e escrevendo sua obra-prima, a mãe da Língua Portuguesa, nem de leve supõe como sua vida foi agitada, recheada de trepidantes episódios. Vejamos um resumo desse arriscoso viver.

Aos 23 anos, alistou-se como soldado e foi mandado para Ceuta, no Marrocos, onde perdeu o olho direito num combate. De volta a Lisboa, foi preso, por ferir a espada um servidor do Rei. Perdoado, partiu para a Índia, onde participou de várias expedições militares. Viajou para a China, para exercer um cargo administrativo em Macau. Retornando à Índia, naufragou na foz do Rio Mekong, conseguindo salvar-se a nado, com parte dos manuscritos de Os Lusíadas. Após algum tempo de ostracismo, foi encontrado em Moçambique pelo historiados Diogo do Couto, que assim o descreveu: “tão pobre, que comia de amigos.” Regressando a Portugal, teve publicado Os Lusíadas, em 1572, por concessão do Rei Dom Sebastião, a quem dedicou o livro.

A Espada de Camões é toda essa saga romanceada, com belas mulheres, partícipes de lances amorosos dignos das mais picantes e imaginosas novelas. A contracapa e as orelhas da obra dizem um pouco de seu conteúdo.

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Terminada a leitura, em me encontrava tão fascinado pelo universo camoniano, que não contive o ímpeto de reler Os Lusíadas, agora com outra visão, bem diferente fase de análise lógica – hoje sintática – de meus tempos de colegial.

Ao saber disso, o português Victor Alegria, dono da Thesaurus, pôs-me em contato telefônico com Jarbas Junior, seu autor, a quem expressei meu desvalido aplauso, merecendo dele emocionados agradecimentos.

O livro narra, basicamente, a vitoriosa jornada de Vasco da Gama, que chefiou uma esquadra portuguesa na primeira viagem marítima da Europa para Índia. As quatro naus, denominadas São Gabriel, comandada por Vasco da Gama; São Rafael, sob o comando de Paulo da Gama, irmão de Vasco; São Miguel, tendo como capitão Gonçalo Nunes; e Bérrio, comandada por Nicolau Coelho, partiram da Praia do Restelo, em 8 de julho de 1497, dobraram o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África – façanha já realizada dez anos antes por Bartolomeu Dias -, em expedição que durou dois anos, chegaram até Calicute, na Índia, onde foram estabelecidas relações comerciais com a Coroa Portuguesa, e retornaram à Foz do Rio Tejo sem perder sequer uma embarcação.

O ridículo dessa aventura é o que aconteceu bem no início, quando os homens embarcavam, fato que ficou para sempre conhecido como O Velho do Restelo, ficando esse personagem estigmatizado como o Arauto da Catástrofe!

A população de Lisboa comparecera em peso à Praia do Restelo para assistir à partida da esquadra, com a saudade e a tristeza estampadas em cada semblante. Os marinheiros caminhavam para o embarque acompanhados por uma procissão solene de religiosos. Mulheres choravam pelos maridos, pais choravam pelos filhos, enfim, todos temiam pela sorte dos entes queridos envolvidos na perigosa aventura. Tal como hoje acontece com os astronautas tripulando foguetes enviados ao espaço sideral.

Movido pela ira, quiçá inveja, um velho que estava na praia entre a multidão, meneou a cabeça três vezes e começou a falar, levantando a voz de tal forma a ser ouvidos pelos que estavam na faina das naus.

Maldizia a glória de mandar, a vã cobiça da vaidade chamada fama, o engano estimulado pelo que se conhece como honra. E falava em castigos, mortes, tormentas, perigos, desastres, crueldade, pecado, ferocidade, guerras com os mouros e acenando com o eterno castigo do Inferno. Vide, hoje, a Presidenta e o Senador Candidato apavorados diante da meteórica ascensão da Boia-Fria nas pesquisas eleitorais.

Era, na linguagem do povão, um autêntico boca de azar!

Enquanto o velho vociferava suas blasfêmias, os navegantes abriram as velas ao vento tranquilo e partiram rumo ao que seria mais um memorável feito da Pátria Lusitana!

JOSÉ ALBUQUERQUE, O CARIOQUINHA DAS MENINAS

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José Albuquerque e Silva, o Carioquinha das Meninas, meu irmão, nasceu em Balsas (MA), no dia 8 de junho de 1928. Filho de Emigdio Rosa e Silva, o Rosa Ribeiro, e Maria de Albuquerque e Silva, a Maria Bezerra, era o quarto de uma prole de dez, da qual sou o sétimo. Coincidentemente, seu aniversário caía no dia de outro irmão, o Afonso, nascido em 1933. Esta é a foto mais antiga que temos dele, em 1928, no colo do velho Rosa:

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Rosa Ribeiro, Maria Bezerra, José, Pedro, Maria Isaura e Maria Alice

Sempre que lhe perguntavam por que a alcunha de Zé Carioca, se nascido no sertão maranhense, ele dizia que fizera um curso de carioca por correspondência. Mas a explicação é bem outra. No ano de 1942, o americano Walt Disney, dentro da Política de Boa Vizinhança, criou o personagem Zé Carioca, no filme Alô, Amigos, que se encaixou como uma luva no José, dono de olhos meio esverdeados e, naquele tempo, já fazendo suas papagaiadas, como enfiar a cabeça numa lata de querosene vazia, para ampliar a voz ao cantar. Assim, Zé Carioca passou ele a se chamar.

Neste flagrante, vemos nossa família em 1938, com José aos 10 anos, e eu de cabelos cacheados:

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Maria Alice, Maria Isaura, Magnólia, prima, e Pedro; Bergonsil, Afonso, Maria Bezerra, Maria Iris, Rosa Ribeiro, Raimundo Floriano e José

José fez o Curso Primário em Balsas, após o que, como todos os que queriam conquistar o futuro, embarcou numa balsa rumo ao saber, primeiramente em Floriano, depois em Teresina. Era de Balsas para Mundo.

Concluído o Ginásio, conseguiu emprego na Companhia de Fiação e Tecidos União Caxiense S/A. Trabalhava durante o dia e, à noite, preparava-se para o dificílimo concurso para o Banco do Brasil, o melhor emprego do país na época. Aprovado, foi admitido nos quadros do Banco no início de 1948, tomando posse em Teresina.

Sendo o que maior remuneração recebia em toda a família, transformou-se, desde então, em fonte segura na ajuda aos que a ale recorriam, parentes ou amigos.

Na data de hoje, 5 de setembro, quando elaboro este perfil, comemora-se o Dia do Irmão. Nada mais apropriado, pois, para que eu lhe renda um preito de gratidão pelo que representou em minha vida, não só nestes últimos 54 anos aqui em Brasília, em que nos apoiamos e socorremos mutuamente, mas também por dois benefícios marcantes com que me agraciou, decisivos para meu sucesso profissional, pelos quais constantemente lhe agradecia e deixo aqui patenteados: o primeiro, ao custear meus estudos, no Ginásio e no Científico, inclusive em colégio interno; o segundo, ao cortar por completo qualquer ajuda financeira, quando percebeu que eu não queria nada com a dureza.

José trabalhou em Teresina até 1951 quando, desejando residir à beira-mar e também procurando integrar-se ao meio artístico nordestino predominante no eixo Paraíba-Pernambuco, pediu transferência para João Pessoa.

Na Capital Paraibana e no Recife, cidades-gêmeas, conviveu com grandes estrelas nordestinas como Nélson Ferreira, Capiba, Claudionor Germano, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Severino Araújo, Marinês e outros, bem como com os que vinham de fora, em temporadas artísticas. Nos flagrantes abaixo, vemo-lo, todo enfatiotado, em companhia de Carmélia Alves, Abel Ferreira, Ary Barroso e pessoal da Orquestra Tabajara:

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Dono de potente e educada voz, José tocava gaita de boca e violão, o que o deixava à vontade na convivência com o pessoal envolvido no meio artístico:

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Também era muito enfronhado no esporte, especialmente no futebol, atuando como goleiro em times da AABB:

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Com todos os pré-requisitos – jovem, solteiro, desportista, músico, alto salário -, José era excelente partido para as moças casadoiras de então, aprovado por 10 entre 10 pais de família da região. Por isso, teve muitas namoradas, namoro inocente, como do costume, de apenas pegar na mão, dançar colado, e pronto. Beijo? Só depois de casar. Algumas de suas namoradas, que mudaram sua alcunha apenas para Carioquinha, deixaram-lhe estas lembranças:

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Embora grande romântico, namorador, seresteiro e paquerador, Carioquinha vangloriava-se como vacinado contra o casamento, chegando a compor marchinhas carnavalescas nas quais proclamava que jamais cairia no laço.

Em 1960, com dois de nossos irmãos já morando em Brasília – Afonso, desde 1957, e Maria Isaura, desde 1958 -, Carioquinha transferiu-se para cá, logo após a inauguração, tendo eu chegado em dezembro daquele ano. Em 1961, veio a Maria dos Mares que, nos Anos 1970, se mudou para o Estado da Paraíba, onde mora até hoje.

Foi um período em que a vida noturna de Brasília, para os rapazes solteiros, era intensa nos arredores, com muitas boates lotadas de meninas cortesãs, que preenchiam a vidas dos mancebos solitários da Capital Federal. Por ser frequentador assíduo daquela dolce-vita, José passou a ser conhecido como o Carioquinha das Meninas, pseudônimo que adotou para sempre. Por ficarem os principais cabarés na região denominada por Sete Quedas, nos arredores de Luziânia, ficou também conhecido como Embaixador Sete Quedas.

José foi o primeiro em nossa família a possuir automóvel zerado, um DKW-Vemag Belcar, sedã, verde-escuro, capota creme, que passou a servir de transporte de luxo para todos nós.

Seu currículo escolar estendeu-se até a conclusão do Ginásio. Desde então, passou a instruir-se como autodidata, adquirindo saber enciclopédico, notadamente no campo da Biologia, Filosofia, Esoterismo, Fisioterapia, Literatura, Ciências Sociais, Astrologia, Astronomia e Espiritualismo. Versado em Inglês, Espanhol, Latim e Francês, era bamba na Língua Portuguesa e atualizadíssimo com o Novo Acordo Ortográfico, sendo um dos revisores de dois de meus livros, o primeiro, Do Jumento ao Parlamento, e o último, Memorial Balsense, já na gráfica.

Ele foi nosso guru, nosso doutor, nosso consultor, e nos orientava em qualquer tipo de problema, mormente os de saúde, às vezes até prescrevendo o medicamento correto.

Além de mestre no cordel sarcástico, era humorista e dotado de incrível capacidade de construir frases de efeito. É dele esta, quando avaliava o comportamento de certa dama: “É direita, só entorta quando se deita”. Sabia desmontar, no ato, argumentos que lhe pareciam descabidos. Como no lance que passo a lhes contar.

No comecinho de Brasília, quando acontecia uma batida de carro – não falo em acidente, mas simples encostada -, acorriam ao local a televisão, os jornais, a perícia, o escambau. Uma dessas aconteceu com um sobrinho nosso adolescente, amassada besta, hoje resolvida pelos “martelinhos” de qualquer oficina, tendo ocasionado a presença de grande parte de nossa família e de toda a mídia brasiliense. Um coroa baixinho, ao ver nosso sobrinho com cara de criança, foi logo condenando: – É nisso que dá um menino desses dirigindo na rua!

Ao ouvi-lo, o José rebateu: – Você está enganado! Menino, não! Ele é maior de idade e tem Carteira de Motorista!

Não contente, o coroa retrucou: – Ainda bem que isso aconteceu, porque eu estava mesmo sem assunto para publicar amanhã em meu jornal.

Aí, funcionou a ferina verve do Carioquinha das Meninas. Encarando o jornalista coroa, falou-lhe: – Pois quando você estiver sem assunto, reúna um bando de garotos, leve-os para o cerrado, dê para todos eles e, no dia seguinte, publique esta manchete: VELHO SAFADO DANDO O C* NO MEIO DO MATO!

Durante muito tempo, manteve-se por aqui o reinado do Carioquinha das Meninas, solteirão cobiçado, autovacinado contra a instituição matrimonial.

Mas um dia ele mesmo decretou o fim dessa vida de folgazão, ao apaixonar-se por uma colega de trabalho do Banco, a bela capixaba Lúcia Maria Garcia Frias, com quem se casou no dia 26 de setembro de 1970, na Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima. O casal teve três filhos: Lara Maria, Ima Aurora e Alden Garcia.

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José e Lúcia

Esse casamento durou até o início da Década de 1980, quando lhe adveio o divórcio, voltando o José a ser novamente o Carioquinha das Meninas e solteiro juramentado.

Sua atenção voltou-se totalmente para a Música, a Poesia, as Artes Manuais, o Espiritualismo e a Beneficência. Sem grandes ambições, gostava de proclamar que, enquanto pudesse andar com um carro velho pelas ruas e comer carne todos os dias, o Mundo estaria bom para ele.

Montou em sua garagem uma oficina profissional de serralheria – em que se especializou – e de conserto de bicicleta, atendendo a quem o procurasse, com um detalhe: nada cobrava! Não há morador nas redondezas de sua quadra, a 714 Sul, hoje na idade dos 30, que não teve uma bicicleta arrumada por ele.

Apaixonava-se facilmente, o que lhe inspirava montões de poemas, porém a “vacina” não deixava os romances prosperarem.

Formou, com amigos violonistas, trupes que se apresentavam nas noites candangas, notadamente em festas beneficentes, Embaixadas e domingueiras na AABB, dentre eles o Alencar Sete Cordas, o Alberto Vasconcelos e o Expedito Dantas, seu parceiro mais constante.

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Carioquinha, Expedito e Alencar – Expedito, Carioquinha, Alberto e Raimundo Moura

Em meados da Década de 1990, o Carioquinha das Meninas, solteirão inveterado, quase depôs as armas ao inebriar-se por mimosa goiana, com quem vivenciou paixão adulta e avassaladora, que, embora efêmera, lhe rendeu alentada produção de românticas poesias. Ei-lo com sua Musa Inspiradora, Sonhado Sonho, no Réveillon 1994/1995:

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Ao completar 80 anos, gravou, em dupla com o Expedito, este CD:

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Capa do CD – Expedito e Carioquinha no Estúdio

Desde 1960, quando nos reunimos em Brasília, José sempre foi para mim mais que um irmão, ajudando-me nas dificuldades, orientando-me nas atribulações, participando de todos os momentos, tristes ou, a mais das vezes, alegres de minha vida: meu primeiro filho tem seu nome, sou padrinho de sua primeira filha, e minha caçula é sua afilhada.

José, talvez incorporando o Zé Carioca americano, sempre gostou de exibir-se e de fazer suas mungangas, como adiante se vê:

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De uns poucos anos para cá, ele andava um tanto depressivo, cabisbaixo, silente, preocupando a todos nós, parentes e amigos, que não lhe compreendíamos esse comportamento. Na certa, ele, lá nos esconsos de seu coração, percebia, sem contar para ninguém, que the end was near, como fala a canção My Way, uma de suas preferidas.

No dia 15 de julho, ele partiu. Na véspera, deitou-se para dormir, na hora costumeira, e amanheceu sem vida. Saiu do palco do jeito que sempre pediu em seus trabalhos espiritualistas e, além disso, fazendo piada: a todos os amigos que comunico seu falecimento, tenho que escutar esta, em tom amenizador de nossa tristeza: – Quando acordou, tava morto!

Dos cinco irmãos que éramos aqui em Brasília, agora só resta apenas eu para contar a história de todos nós. É a vida nos levando, como diz o samba do Zeca Pagodinho. Em sua Missa do Sétimo Dia, a Missa da Redenção, escolhi esta foto, bem representativa do que ele foi, para distribuir com os que à solenidade compareceram:

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Como lembrança auditiva de seu trabalho, escolhi estas três faixas, extraídas do CD que nos deixou, ao tornar-se octogenário:

Piscina, guarânia de Chrystian e Ralf,

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A Media Luz, tango de Carlos Cesar Lenzi e Edgardo Donato;

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e Índia, guarânia de M. Ortiz Guerrero, J. Assunción Flores e José Fortuna.

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A ECT E EU: ENTRE BEIJOS E TAPAS

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Homenagem à FEB e ao 5º Exército Americano

Meu relacionamento com o DCT – Departamento de Correios e Telégrafos, depois renomeado ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, começou em 1945, quando eu tinha 9 anos, ao dar início a minha coleção de selos, a partir dos que se veem acima, que quase todo menino brasileiro possuía, vez que refletiam o sentimento patriótico que vivíamos, com nossos pracinhas lutando na Europa durante a Segunda Guerra Mundial.

Decorridos quase 70 anos, parece-me que sou o único, dentre os conhecidos de meu tempo, a continuar com essa diversão, trazendo minha coleção de selos comemorativos brasileiros atualizada semestralmente, cujo acervo contabiliza desde o primeiro, lançado no início de 1900, em homenagem ao 4º Centenário do Descobrimento do Brasil, até as emissões atuais.

No ano de 1974, essa coleção ganhou o Prêmio Olho de Boi, ao concorrer, sob a representação de meu sobrinho Luís Fernando da Costa e Silva, por se tratar de certame dirigido aos adolescentes. Aí estão imagens da medalha:

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Frente e verso da Medalha do Prêmio Olho de Boi

Encerrada a exposição, partes dessa coleção, que mereceu o prêmio levando-se em conta sua apresentação, foram emprestadas à ECT que, durante 6 meses, a exibiu a filatelistas nos Estados Brasileiros e no Exterior.

Pela proximidade de onde moro, e pela facilidade de estacionamento, escolhi a Agência da 508 Sul para realizar as diversas operações envolvidas em lançamentos de livros, envio de convites e objetos diversos, e também a emissão de selos personalizados. Como estes:

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De tanto andar por lá, fiz amizade com todos os funcionários, e, a pedido deles, compus um cordelzinho, Louvação à ECT da 508 Sul, publicado aqui no JBF, como correspondência, no dia 22.12.2012.

No ano passado, fui presenteado pela Dorinea, gerente da agência, com esta folha de selos, comemorativa dos 350 Anos da ECT:

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Chamou-me a atenção, dentre todos, este selo, por referir-se a um Centro de Serviço Pneumático, do qual eu nunca ouvira falar, por isso não sabia do que se tratava:

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A folha veio acompanhada de um edital bilíngue, com informações sobre o lançamento, mas sem descer a detalhes sobre cada selo:

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Como bom filatelista, procurei tirar minha dúvida, primeiramente no Google, onde nada encontrei, e, depois, na própria ECT, a quem fiz uma consulta, recebendo esta resposta:

“No dia 5 de outubro de 1910, com uma carta do Diretor dos Telégrafos, Francisco Sá, do Edifício dos Telégrafos, no antigo Paço Imperial, ao Presidente da República Nilo Peçanha, no Palácio do Catete, era inaugurado, extraoficialmente, no Rio de Janeiro, o Serviço Pneumático, a cargo da Repartição-Geral dos Telégrafos. O sistema consistia de máquinas compressoras de ar e câmaras de vácuo, impulsionando ou sugando a correspondência, 20 a 30 cartas de cada vez, colocadas dentro de cursores – “balas” ou êmbolos em forma de projéteis, nos tubos de aço subterrâneos, de aproximadamente 70 mm de diâmetro, em velocidade de até 50 km/h, da origem ao destino.

“Criado pela Portaria nº 1.386, de 10 de novembro 1910, o nosso correio pneumático passou a fazer remessa expressa de cartas padronizadas e telegramas urbanos entre várias estações postais telegráficas da antiga Capital Federal. A rede subterrânea de tubos pneumáticos expandiu-se rapidamente pelo subsolo do Centro do Rio de Janeiro, a partir da Estação-Tronco, na Av. Rio Branco, possibilitando a troca de correspondências pneumáticas por duas linhas de tubos, entre a Estação Central da Praça XV, o Banco do Brasil, todos os ministérios, a Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, e vários bairros, como o Catete, Botafogo e Andaraí. As estações ou agências para a postagem de cartas pneumáticas chegaram a ser as seguintes: Largo do Machado, Lapa, Praça XV, Av. Rio Branco, Correio Central, Estação D. Pedro II, Estácio de Sá e São Cristóvão.”

Essa gentil e minuciosa explicação, veio acompanha desta imagem, para que se tenha uma ideia visual do que era o Serviço Pneumático:

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Isso funcionou muito a contento no Brasil durante algum tempo, até que a tecnologia bolasse outros métodos mais eficientes e modernos. Mas reparem bem, se fosse num país recém-criado, um tal de Banânia, até os tubos seriam surrupiados, como, no passado, os índios faziam com os fios telegráficos.

Agora, que deixei bem claro minha relação amorosa com a ECT, vou, depois dessa assoprada amiga, dar minha mordida. Vinha cuidando dos beijos, passando, doravante, a falar dos tapas – de um, pelo menos.

A demora na entrega de correspondência pela ECT é motivo de críticas, às vezes injustas, outras merecidamente, o que faz a festa dos chargistas:

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Desde que comecei a transacionar com a Agência da 508 Sul, calculo já ter postado ali, entre livros, convites, cartas e outros itens, mais de 10 mil objetos. Inteiramente satisfeito com os serviços prestados, é natural que, em algum momento, “de tanto o jarro ir à fonte”, acabe se quebrando. Foi o que ocorreu em 2010.

No dia 9 de agosto, enviei para meu sobrinho Cazuza Ribeiro, médico, o convite para o lançamento de meu livro De Balsas para o Mundo, conforme se vê no envelope carimbado abaixo. O consultório dele ficava na 716 Sul, quilômetro e meio da Quadra onde moro, a 215 Sul.

O tempo passou. Nem o Cazuza foi ao lançamento, pois dele não soube, nem o convite jamais chegou lá. Ficou zanzando por aí, dormiu em alguma gaveta e, em 2013, recebeu outra carimbada. Nova demora, e a informação “mudou-se”, esta sem data. Finalmente, no dia 21.02.2014, dois anos e seis meses depois de postada, a correspondência foi devolvida na portaria do Bloco onde resido.

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Preciso dizer mais?

É bonito isso?

ÚLTIMOS AFAGOS

O primeiro selo postal editado no mundo foi o Penny Black, na Inglaterra, em 1840. O Brasil foi o segundo país a editá-los, lançando, a 1º de agosto de 1843, o famoso Olho de Boi, com os valores de 30, 60 e 90 réis.

No dia 1º de agosto deste ano, em comemoração ao Dia do Selo Postal, uma equipe da TV Brasil, por indicação do Guichê Filatélico da ECT, compareceu aqui a meu apartamento, para fazer matéria sobre selos personalizados. O resultado é que vocês verão clicando aqui.

BARBOSINHA, UM AMANTE DA BOA MÚSICA

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Cesário Barbosa Bonfim, o Barbosinha, filho de Jonas Ferreira Bonfim e Maria Aracy Barbosa Bonfim, nasceu em Independência (CE), no dia 5.5.1934.

Em janeiro de 1944, quando eu estava com 7 anos e meio, a Família Bonfim mudou-se para Balsas, trazendo o Barbosinha, filho mais velho, e duas lindas meninas, a do meio, Leonor, e a mais novinha, Maria Núbia, regulando minha idade, pela qual, à primeira vista, fiquei perdidamente apaixonado, demonstrando meu amor com beliscões, tapas e puxões de cabelo. Esse romance unilateral durou só até o fim da Segunda Guerra Mundial, quando ficamos para sempre intrigados.

Em Balsas, Barbosinha estudou no Grupo Escolar Professor Luiz Rêgo, concluindo o Primário em dezembro de 1947, após o que embarcou numa balsa, rumo a Floriano, para cursar o Ginásio, daí partindo para outras plagas até formar-se em Direito e conquistar, mediante aprovação em concurso público, o cobiçado cargo de Fiscal de Tributos do Estado de Goiás e do Tocantins. De Balsas para o Mundo, como soía acontecer com todo garoto pobre que desejasse progredir na vida.

Arguto obeservador, de tanto viajar nas balsas, escreveu bela crônica sobre essa rústica embarcação, da qual me vali, com sua autorização, para ilustrar meu texto sobre a navegação fluvial de Balsas para o Oceano Atlântico.

Em Balsas, Seu Jonas exerceu as atividades de Promotor de Justiça e Agente da Companhia Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul.

A Agência da Cruzeiro foi um dos locais mais paquerados da cidade naquele tempo. Era onde se compravam passagens, e onde se despachavam as bagagens a embarcar e se recebiam as encomendas que chegavam, além dos carretéis com os filmes a serem exibidos no Cine Santo Antônio, a cargo do projecionista Zé Farias. Diante da algazarra que os curiosos e desocupados faziam, Seu Jonas não teve outro jeito senão afixar estas duas placas na parede atrás de seu birô:

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Os Bonfim eram grandes consumidores de palmas, roscas, cacetes, brevidades e biscoitos que Dona Maria Bezerra, minha saudosa mãezinha, fazia e me mandava vender na rua, deixando-me na maior saia-justa quando chegava na casa daquela família, morrendo de vergonha das duas meninas.

Em meados do século passado, surgiu riquíssimo Eldorado na região norte-goiana, hoje norte-tocantina, com terras devolutas, água farta, chovendo no tempo certo, atraindo nordestinos da periferia, que para ali acorreram na busca de vida melhor para si e suas famílias. Assim, em 1952, Seu Jonas e Dona Aracy mudaram-se em definitivo para Itacajá, onde ele assumiu o cargo de Administrador do Serviço de Proteção aos Índios – SPI, atual FUNAI.

Enquanto as meninas permaneceram em Balsas, para darem continuidade aos estudos, Barbosinha pontificava por aí, alhures e algures, na busca da conquista de seu espaço no mercado de trabalho.

Em 1956, ele foi visitar os pais em Itacajá, pretendendo ficar poucos dias, o que não conseguiu. Ali, enraizou-se e constituiu família, casando-se, em 25.7.1962, com a itacajaense Dulce Soares Bonfim, com quem teve os filhos Jonas, Sandra, Cláudia, Flávio, Stella e Cesário.

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Barbosinha e Dulce

Nas horas vagas, atuava como locutor da amplificadora Voz do Sertão, difundindo a Música Popular Brasileira em algo grau, pois os sons de seus alto-falantes alcançavam todos os recantos da cidade. De sua cabeça, saiu o nome do futuro município de Itapiratins, combinação de Ita, primeira sílaba de Itacajá, e piratins, parte final de Tupiratins, cidade vizinha.

Sua cartada genial veio em 1968, quando ele, Coletor Estadual, e João Pinheiro, Fiscal Arrecadador do Estado, juntamente com próceres da cidade, fundaram o Ginásio Progresso de Itacajá – GPI, possibilitando aos filhos daqueles colonos o estudo sem terem de buscá-lo em outros centros mais adiantados. Iniciado o primeiro ano letivo, Barbosinha tornou-se professor de História e OSPB.

Mas não parou aí a devoção de Barbosinha por Itacajá. Em 2011, ele a homenageou com este preciosíssimo documento:

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O livro conta a história de Itacajá, desde o início do povoamento, por volta de 1900, com nomes dos primeiros moradores, passando pela emancipação administrativa municipal, em novembro de 1953, e instalação em janeiro de 1954, consignando os nomes de todos os prefeitos desde então, e das primeiras-damas, com suas principais realizações. A importância desse trabalho é tamanha, que foi logo consagrado pela juventude da cidade, como demonstra a foto abaixo:

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Pelo conjunto da obra, a Câmara Municipal de Itacajá deveria já ter outorgado ao Barbosinha o título de Cidadão Itacajaense. Se ainda não o fez, viajou na maionese!

Minha amizade com o Barbosinha perdura desde sempre. Começou em Balsas, quando ainda éramos crianças, continuou em Floriano, ao cursarmos o Ginásio, notadamente no ano de 1949, nas férias de julho, ao viajarmos para Balsas, ele, meus primos Pedro Ivo e João Ribeiro e eu, na carroceria do caminhão do Pedro Duarte – dois dias de poeira -, e fortificou-se mais ainda, tempos depois, com o casamento do Pedro Ivo com sua irmã Leonor. Fraternos laços de família.

Baseado nesses laços, ele me enviou, em agosto de 2012, uma solicitação deveras instigante. Sabedor que detenho um acervo fonográfico superior a 100 mil títulos, pediu-me que gravasse para ele a trilha sonora dos principais momentos de sua vida, 296 peças, com esta justificativa:

“Desde muito cedo na vida, passei a apreciar a boa música, em todas as suas modalidades, variantes e formas. Creio que isso teve início, com as canções maternas que me embalaram nos primeiros sonos. Mais tarde, com as mudanças de idade e gostos, fui sentindo que cada etapa, se fazia acompanhar por uma trilha musical, sempre presente, nos devaneios e fantasias, como expressão máxima de meus sentimentos, embelezando cada momento de minha maneira de ser e de viver.

“Senti, desde que tomei conhecimento de alguma das melhores coisas da vida, que, a determinadas pessoas, a natureza concedeu dons especiais, justificando-se, dessa forma, a existência dos artistas, músicos, poetas, escritores, compositores e intérpretes, capazes de levar, aos demais viventes menos dotados, a beleza de suas artes e, especialmente, dos sons que, associados à poesia das letras, envolvem a nós outros, apreciadores, conduzindo-nos à importante tarefa de aplaudi-los e transformá-los meritoriamente em nossos ídolos. Foi assim que nasceu a figura do “fã”, provavelmente derivada da palavra fanático.

“São grupos distintos, porém integrados entre si. Um depende do outro. Que seria do artista se não tivesse ninguém que apreciasse o que faz? Roberto Carlos resume isso numa estrofe, quando se apresenta ao seu público: ‘Quando eu estou aqui eu vivo esse momento lindo’. Esse momento é dividido com todos aqueles que gostam dele e de sua música.

“Nisso tudo, o peso de nosso valor de ouvinte é incomensurável, pois somos uma imensa maioria e, sem o nosso apoio e aplauso, não tinha significado a existência dos artistas. Quem não gostaria de ser privilegiado com um desses dons que parecem até divinos? Contudo, satisfazemo-nos em aplaudir quem os possui, fazendo de seus sucessos o nosso próprio sucesso, levitando às suas sombras. Talvez seja por isso, que Ruy Barbosa tenha dito, como uma grande vantagem: ‘Não canto nem pinto, mas revejo e recordo’.

“Pertenço a esse imenso grupo. E foi justamente pensando assim que resolvi juntar minhas preferências musicais, através dos tempos, sem contar com os clássicos que, por falta de audiência, apenas aprecio aqueles mais divulgados e popularizados. Minha trilha musical, como creio que cada apreciador de música deve ter a sua, é essa que segue e que constantemente gosto de ouvir, para sentir-me vivo.

“Foi assim que selecionei as mais queridas, convertidas no que chamo de trilha musical, inserida nas diversas fases de minha vida, ocorridas, no Ceará, Maranhão, Piauí, Goiás e Tocantins, locais por onde passei, nas andanças da vida. E, como na vida tudo também passa com rapidez incrível, só as boas recordações ficam, e a música é uma delas, por estar geralmente associada a esses bons e inesquecíveis momentos.”

A Trilha Musical do Barbosinha, como ele bem frisou, contempla todas as localidades por onde passou, amarrando os períodos em que ali viveu, constituindo-se na história de sua vida: Independência (CE), 1939/1943; Balsas (MA), 1944/1947; Floriano (PI), 1948/1951; Fortaleza (CE), 1952/1954; Kraolândia (GO), 1956/1961; Apinagés (GO) 1962/1965; Itacajá (GO-TO), 1966/1972; Luziânia, 1973/1976; Goiânia (GO), 1977/1991; Palmas (TO), 1993/2004; e Velhos Carnavais.

Na lista, veio o samba Balsas Cidade Sorriso, de 1946, composição de Martinho Mendes e Caixeiro Viajante Desconhecido, do qual eu só possuía a letra e a partitura. Não querendo faltar com o amigo, mesmo que fosse em um só item, contratei um estúdio aqui de Brasília e concretizei a gravação. Depois de tudo providenciado, salvei as 296 faixas num pen-drive e o remeti para ele, o que foi muito de seu agrado.

Barbosinha, aos 80 anos, completados em maio passado, era um cara atualizado, por dentro, atuante, em dia com a tecnologia, com perfil no Facebook, na qual fazia postagens quase que diárias.

Além disso, era meu leitor fiel, adquirindo todos os livros que escrevi, bem como curtindo e elogiando as matérias por mim postadas semanalmente em minha coluna aqui no Jornal da Besta Fubana.

O Destino, em suas deliberações, é implacável: no dia 20 de julho passado, em Goiânia, uma embolia pulmonar fulminante levou o Barbosinha para o Plano Superior.

Para marcar musicalmente esta saudosa homenagem, escolhi duas faixas de seu pedido:

Adeus, foxe de Roberto Martins e Mário Rossi, na voz de Gilberto Alves, em 1941;

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e Balsas, Cidade Sorriso, cujos créditos se encontram neste Youtube:

MEU FILHO GANHOU UM CACHORRO. E AGORA?

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Sou leitor compulsivo. No ano de 2013, devorei 95 peças. Neste 2014, mesmo com o pé na freio, já estou na quadragésima primeira!

Ultimamente, tenho procurado conhecer trabalhos de autores contemporâneos, preferencialmente moradores no Distrito Federal e Entôrno – com acento, para não pensarem que estou derramando o Distrito -, pessoas facilmente encontráveis em shoppings, salas de espera, feiras, pontos de ônibus, restaurantes, enfim, aonde quer que se vá. Gente da gente!

Isso me é deveras facilitado pela Thesaurus, minha editora, cujas prateleiras concentram mais de noventa por cento da produção literária brasiliense e adjacente.

Quando o trabalho não me agrada, calo-me. Se gosto, dou um jeito de entrar em contado com o autor e expressar-lhe minha aprovação. No caso de embevecer-me por demais, não me contenho e faço tudo para apregoar isso aos os quatro cantos, como é o caso deste em evidência, a cujo lançamento compareci, acompanhado da Veroni, minha mulher.

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Raimundo, Cristina e Veroni

Para não derrapar na digitação, aqui exibo a contracapa e as duas orelhas:

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Satisfazendo o desejo do compartilhamento de minha satisfação com todos vocês, nada melhor do que me valer desta excepcional vitrine, o Jornal da Besta Fubana, maior movimento cultural brasileiro na atualidade, o que agora farei, tal qual meus fieis leitores, neste frio inverno, verão.

Em seu primeiro livro, Cristina Umpierre já vem arrebentando! Direta ao ponto, sem rebuscamento nem introspecção, dá o recado, diverte e instrui. Livre de consulta a dicionário, 103 páginas, li-o de uma lapada só. Além de ver nele qualidade no conteúdo, admirei sua correção gramatical. Num ponto, até temos algo em comum: evitar o uso de artigo definido antes de possessivos, a não ser para dar clareza ao enunciado.

Escrever é uma coceira. Quando começamos, não mais podemos parar. Em 2003, aos 67 de idade, lancei meu primeiro livro. Desde então, tomei gosto pela coisa e já estou no sexto, em fase de acabamento lá na Thesaurus. Mire-se Cristina em mim e mande brasa!

Porque ela tem talento, imaginação, bom humor, tudo, enfim, para conquistar o sucesso no mundo das letras.

Quando falo que seu livro instrui, refiro-me a meu caso pessoal, que passei, após sua leitura, a respeitar os cachorros e compreender seus donos. Pelo menos, tenho esse propósito, haja vista que, até agora, tinha – não sei se acabou mesmo – verdadeiro pavor de cachorro. Mais do que de alma do outro mundo ou de cobra cascavel. Quando chego à residência de alguém que o possui, vou logo cantando este refrão da axé-music: Segure o cão, amarre o cão, segure o cão, cão, cão, cão, cão!

Isso porque, aos 13 anos, fui mordido de cachorro, motivo que me fez proibir a entrada deles aqui em casa. Felizmente, minhas filhas nunca o desejaram. Doravante, com esse novo aprendizado, serei tolerante para com algum neto que, porventura, chegue aqui do colégio premiado com um exemplar.

Minha caçula, bióloga, possui uma tartaruga. Há dez anos, quando a ganhou, o bicho não passava de um palmo. Hoje, deve medir palmo e meio. Gosta de dormir enrolada nos fios do computador e periféricos, fazendo-nos supor que adora levar choque. É um tartarugo, macho. Durante o dia, fica na cozinha, apoiado no pé da empregada, se relando, denotando nisso algum apelo sexual. Esse tartarugo é uma compensação, uma transigência, em vista de meu veto a gatos, cachorros e assemelhados.

Curiosidade: por que é que os cachorros só andam de boca aberta? Não acho quem me explique esse fenômeno. A dupla Alvarenga e Ranchinho dizia que é para equilibrar o rabo. Sei não!

Para outras dúvidas, já consegui explicação nestes meus 78 anos de labuta. Por que é que o cachorro entra na igreja? Porque acha a porta aberta! Por que o cachorro sai da igreja? Porque entrou! Por que o cachorro corre atrás de automóveis e até de trens de ferro? Porque sua visão minimiza tudo o que enxerga, transformando o avistado numa escala menor que seu próprio tamanho! Assim falou Chico Fogió, meu Assessor em Assuntos Piauizeiros!

A autora refere-se à famosa “cheirada”! Isso não poderia faltar! É fenômeno internacional e até interplanetário. Não há cachorro no mundo, de qualquer raça, que, ao encontrar-se com outro, não lhe dê uma cheirada “naquele lugar”, e vice-versa. Conheço duas explicações.

A primeira: houve uma festa no céu para todos os cachorros do mundo. Na entrada, São Pedro, temendo a bagunça, determinou que eles retirassem os fiofós e os deixassem depositados na Portaria, para pegá-los ao término da função. Aconteceu que, de repente, surgiu uma briga entre a cachorrada, e todos debandaram em disparada, afobados, pegando qualquer fiofó na saída. Passado o susto, cada qual está até hoje conferindo para saber se o companheiro recém-avistado é o portador de sua peça anatômica trocada na festa.

A segunda: no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, houve uma desgraceira. Algum deles, às escondidas, comeu um dos laços linguiçais, de forma que, à noite, na hora da amarração, deu-se por falta da peça devorada pelo ladrão. Para descobrir o infrator e puni-lo, o Rei dos Cachorros determinou que todos os súditos cheirassem mutuamente o sub-rabo, costume que se mantém até hoje. E nada de identificar o guloso meliante!

Por que o cachorro, ao fazer xixi, levanta a perna? Porque, no início do Mundo, um cachorro foi mijar numa parede, que caiu por cima dele. Por precaução, eles agora seguram o apoio, antes da micção, seja parede, árvore, poste, carro, etc.

Na metade do livro, a autora narra a frustrada tentativa de acasalamento do vira-lata Bigu, herói da história, com uma cadela de sua laia, pertencente a um vizinho, a qual o rejeitou. Fiquei com peninha dele nesse malfadado lance, que só malogrou devido à fêmea não se encontrar no período propício à luxúria. Porque cachorra no cio dá até para bicicleta, velocípede e cano do tanque de lavar roupas.

No livro A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, há um episódio muito engraçado, faceto, hilariante, envolvendo um cachorro supostamente no cio. Vinha a mãe da Secretaria do Corregedor caminhando calmamente pela rua, quando foi assediada voluptuosamente por um cachorrão, que a enlaçou pela cintura, segurando-a com firmeza, e transou com suas pernas. No dizer popular, botou-lhe nas coxas!

Que a escritora Cristina Umpierre, assim como vocês, meus leitores, me desculpem o atrevimento e as saliências brincalhonas. O que eu quero dizer mesmo é que seu livro é Nota Dez, gostei muito dele, pois lúdico, inteligente, didático e educativo, merecendo a adoção nas escolas infantojuvenis, para a formação cívica de nossos estudantes.

À autora, meus parabéns! Que prossiga em sua trilha criativa, o que só engrandecerá a Literatura Brasileira!

 

SUASSUNA, TEJO E O ORDÁLIO DAS MÃOS POSTAS

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Ordálio, como todos vocês tão cansos de saber, era prova judiciária sem combate, usada na Idade Média. No cenário nordestino, sertanejo, cordelista e armorial, constitui-se em debate de ideias entre atores envolvidos com a criação literária.

No começo da Década de 1980, eu pertencia a um grupinho em que os ordálios aconteciam diariamente, no Salão do Café da Câmara dos Deputados, antes do início do expediente matinal.

Havia Maurício Melo Junior, iniciando-se nas letras, que viria mais tarde a ser o escritor mais prolífero da Editora Bagaço, inclusive com o vigoroso Paranã-puca, e o Berço da Pátria; Celestino Alves, cordelista, com sua alentada denúncia O Nordeste e as Secas; Manoel Damasceno, jornalista, autor de O Jerimum de Chico Melão; Esmeraldo Braga, com Danação em Terra Quente; Orlando Tejo, parceiro de Esmeraldo Braga em A Hora e a Vez do Jumento, e Luiz Berto, contando com o recém-lançado A Prisão de São Benedito.

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Éramos sete, todos nordestinos, todos dando os primeiros passos nessa coceira que é a arte de escrever, menos Orlando Tejo, Gigante de nossa Literatura, já consagrado em seu brilhante Zé Limeira, Poeta do Absurdo. Tejo era nosso guru, ali perto, ao vivo, extasiando-nos com suas histórias, seus versos, suas invenções, enquanto enchia ou pitava seu inseparável cachimbo. Eu pertencia ao grupo mais como ouvinte atento e extasiado, embora já contasse também com um folhetinho, normativo, lançado em 1977, Regras de Pontuação e Sinais de Revisão.

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Respirávamos o realismo fantástico por todos os poros. Gabriel García Marquez acabara de ganhar, em 1982, o Nobel de Literatura, e esse galardão teve o mérito de trazer à baila duas obras-primas mundiais do gênero que se encontravam um tanto esquecidas: Cem Anos de Solidão, de Gabriel, e O Romance d’A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna. Altamente influenciado por esses dois monumentos, Luiz Berto que já contabilizava A Prisão de São Benedito, preparava os originais do que viria ser outra obra-prima nordestina e brasileira, O Romance da Besta Fubana.

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Tejo era ouvido com respeito, e suas opiniões, acatadas sem restrições. Em certo dia, surgiu com uma novidade, dizendo haver encontrado um cochilo de Ariano em A Pedra do Reino. Era num episódio, à Página 44, em que o pai decepa o braço do filho, e a vítima, ajoelhada, bradava de mãos postas. Aí Tejo pegava no pé de Ariano, pois uma pessoa não poderia ter as mãos postas, se o braço fora decepado.

Até que, em evento literário em João Pessoa, esses dois gênios paraibanos, amigos fraternos, ícones da criatividade brasileira, foram personagens do ordálio esclarecedor dos fatos, que procurarei narrar da forma que me contaram.

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Ariano abriu o livro na Página 31 e mostrou-lhe o texto adiante por mim escaneado.

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Depois, explicou a Tejo que, assim como o subtítulo do livro era E o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, os episódios iam e voltavam, repetindo-se os já acontecidos nos futuros, com personagens diferentes. Ao escrever o lance evidenciado pelo Tejo, a redação original estava assim:

“Em seguida, José Vieira pega um filho de dez anos, coloca-o na Pedra dos Sacrifícios e decepa-lhe o braço do primeiro golpe. Na hora do sacrifício (grifo meu), a vítima, ajoelhando-se, bradava-lhe, de mãos postas…”

Prossegue Ariano:

– Um camarada meu ao ler os originais, chamou-me a atenção para esse trecho, no qual a palavra sacrifício tinha uma repetição muito próxima da primeira. Acatando-lhe a sugestão, e tendo em vista a anterioridade descrita na degolação à Página 31, cortei o eco “na hora do sacrifício”, e o resultado ficou como se vê à Página 44:

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E continuou:

– Jamais pensei, Tejo, que algum leitor fosse ter dúvidas, até porque a fala do menino sacrificado, neste caso, dava a entender que acontecera antes do decepamento, em analepse, técnica literária que vocês hoje chamam de flashback.

Dizem que Tejo, convencido, mas cabreiro, não querendo dar o braço a torcer por completo, tentou esta saída honrosa:

– Mestre Ariano, depois dessa explicação, tenho de concordar plenamente, com você, mas uma coisa não ficou bem clara: qual foi “o” braço decepado, o direito ou o esquerdo?

Ao que Ariano respondeu:

– Sei não, Tejo! Só sei que foi assim!


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