OSWALDO NUNES

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Oswaldo Nunes – Acervo Recanto das Letras

Oswaldo Nunes, cantor compositor, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), no dia 2.12.1930, cidade onde veio a falecer, no dia 18.6.1991, aos 60 anos de idade, assassinado misteriosamente em seu apartamento.

Foi autor de grandes sambas carnavalescos que se incorporaram a meu repertório de trombonista, quando aprendi a tocar o instrumento, 1972/1973, época em que ele dominava os salões de clubes e blocos de sujos, com suas belíssimas composições.

Não chegou a conhecer os pais e foi criado em instituições de caridade. Trabalhou como baleiro, engraxate e camelô, além de artista ambulante. Já adulto, enveredou pela marginalidade, chegou a ser preso, mas, frequentando Escolas de Sambas e Blocos de Carnaval, acabou por abraçar a carreira artística.

Nunca se afastou do Bairro da Lapa, onde chegou a conhecer Madame Satã. Quando deixou a marginalidade, fez sua primeira composição, isso aos 20 anos, o samba Real Melodia. Em 1951, seu samba Vidas Iguais, com Ciro de Souza, e o samba-canção Estranho, com Cabeção, foram gravados por Leny Eversong na Continental.

Em 1955, o samba-canção Aquele Quarto, com Aníbal Campos, foi gravado por Dalva de Andrade, na Continental. Em 1962, gravou seu primeiro disco, no selo pernambucano Mocambo/Rozemblit, com os sambas Lar Vazio e Agradecimento, ambos de sua autoria. No mesmo ano, gravou o twist Vem, Amor, parceria com Lino Roberto, o samba Fim, de Lino Roberto, e, juntamente com o Bloco Carnavalesco Bafo da Onça, gravou aquele que seria seu maior sucesso, o samba Oba (Bafo da Onça), que continuou a embalar os desfiles do bloco nas décadas seguintes e se tornou o Hino Oficial daquele Bloco.

Ainda em 1962, embalado pelo sucesso de Oba, lançou, também pela Mocambo, seu primeiro LP, com o mesmo título, no qual gravou composições próprias como Alô, Meu Bem, Chorei, Chorei, Lar Vazio, e Nunca Mais, esta última em parceria com Ruy Borges, além de Volta Por Cima, de Paulo Vanzolini, Diário de Amor, de Senô, Gosto de Você de Graça e Zé da Conceição, de João Roberto Kelly, Oito Mulheres, de José Batista, Faço Um Iê, Iê, Iê, de Luiz Reis e Haroldo Barbosa, e Fim, de Lino Roberto.

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Em 1963, gravou os sambas Zé da Conceição, de João Roberto Kelly, e Alô! Meu Bem, de sua autoria. Nesse ano, seu Samba do Saci, com Lino Roberto, foi gravado por Clóvis Pereira, em interpretação de órgão, e os sambas Chorei, Chorei e Samba do Saci foram registrados pelo Bloco Carnavalesco Bafo da Onça.

Gravou, para o Carnaval de 1965, o do Quarto Centenário do Rio de Janeiro, as marchinhas A Dança da Pulga, de sua autoria e Pernambuco, e Saudações ao Rei Momo, de sua autoria. Nesse ano, fez grande sucesso com o samba Na Onda do Berimbau, de sua autoria.

No Carnaval de 1967, dominou com a marchinha Mãe-iê, de sua autoria. Destacou-se, em 1968, com o samba Voltei, e, em 1969, com o samba Levanta a Cabeça.

Na segunda metade da Década de 1960, apresentou-se em shows, acompanhado pelo Grupo The Pop’s, com o qual gravou, em 1969, o LP Tá Tudo Aí, no qual interpretou as músicas Tá Tudo Aí, Você Deixa, Tamanqueiro, Dendeca, Doce Canção, Chorei, Chorei, e Canto da Sereia, todas de sua autoria, além de Outro Amor de Carnaval, com Raul Borges e Humberto de Carvalho, Cascata, com A. Marcilac, e Mulher de Malandro, com Celso Castro.

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Em 1970, obteve o Segundo Lugar no IV Festival de Músicas de Carnaval com o samba Não Me Deixes, de sua autoria, em parceria com Milton de Oliveira e Élton Menezes. No mesmo festival, foi finalista com o samba A Escola Vai Descer, com Aristóteles II.

Em 1971, sagrou-se Tricampeão do Concurso Oficial de Músicas de Carnaval da Guanabara promovido pela Secretaria de Turismo da Guanabara, TV Tupi e jornais O Dia e A Notícia, com o samba Saberás, parceria com J. Aragão e Rubem Gerardo. No mesmo ano, lançou, pela CBS, o LP Você Me Chamou, no qual cantou, apenas de sua autoria, a faixa Real Melodia (apud Dicionário Cravo Albin da MPB).

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Em 1978, já pela RCA Victor, lançou o LP Ai, Que Vontade, no qual interpretou as músicas Êh Viola, de Joel Menezes e Noca da Portela, Dança do Bole-bole, de João Roberto Kelly, Ai, Que Vontade, de Dão e Beto Sem Braço, Se Você Me Quer, de Anézio, Vou Tomar Um Porre, de Jurandir Bringela e Paulinho da Mocidade, O Dono da Justiça, de Marco Polo e Genaro da Bahia, e Se Você Quiser Voltar, de Gerson Alves e Jorginho Pessanha, além de composições suas como Tem-tem, com Celso Castro, A Dança do Jongo, com Geraldo Martins, Tim-tim-tim, ô-lê-lê, com Zé Pretinho da Bahia, Dendê na Portela, com Hilton Veneno, e O Que É Que Eu Faço.

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O samba Ai, Que Vontade alavancou e consolidou minha carreira como trombonista popular, no Clube de Balsas, no Carnaval de 1978, nos bailes de sábado, domingo, e segunda-feira, e na cidade de Riachão, na terça-feira gorda, onde, junto com Leonizard Braúna e seu Conjunto, fizemos o primeiro Carnaval de Rua, e à noite, fomos sucesso estrondoso no Clube. A malícia da letra em muito contribuiu para isso. Até hoje, foliões daquela época, atualmente na casa dos 50/60 anos, quando me veem, relembram esse samba, com muita saudade.

Oswaldo Nunes, talentoso cantor de tanto ritmo, excelente voz e também grande compositor, era um homossexual assumido. Não dava bandeira, tinha cara de mau, era valente e adotava uma postura de cabra macho. Muitas vezes, quebrou o pau lá pelo bairro boêmio onde sempre viveu.

Em 18.6.1991, foi assassinado enquanto dormia, em seu apartamento na Lapa. Onze anos depois, a Justiça deu a sentença do espólio do cantor. Em testamento, o sambista deixou um apartamento e todos os seus direitos autorais, compreendendo mais de 40 composições, para o Retiro dos Artistas, no Rio.

Como mostra de seu trabalho, disponibilizarei aqui cinco de seus mais conhecidos sambas, que ficaram para sempre na memória dos foliões de outrora.

Oba (Bafo da Onça), de sua autoria, maior sucesso dele em todos os tempos, gravado em 1962:

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Voltei, seu, com Denis Lobo e Celso de Castro, muito lembrado hoje, com menção às diligências da Operação Lava Jato, gravado em 1968:

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Não Me Deixes, seu, com Élton Menezes e Milton de Oliveira, de 1970, Segundo Lugar IV Festival de Músicas de Carnaval:

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Saberás, seu, com J. Aragão e Rubem Gerardo, Campeão do Carnaval Carioca de 1971, que ressalta o efeito do trombone em sua melodia, gravado em 1971:

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Ai, Que Vontade, de Beto Sem Braço e Dão, gravado em 1978, cuja letra maliciosa é, lembrada até hoje pelos foliões daquele tempo:

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ADELAIDE CHIOZZO

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Adelaide Chiozzo, acordeonista, cantora, compositora e atriz, nasceu em São Paulo (SP), no dia 8.5.1931, filha de Afonso Chiozzo e Silvinha Chiozzo.

Aos oito anos de idade, começou a aprender acordeon, e, aos 15, por sugestão da compositora Irani de Oliveira, participou do Programa Papel Carbono, de Remato Murce, na Rádio Clube do Brasil – depois, Mundial –, imitando o sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo.

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Adelaide Chiozzo em duas fases de sua carreira

Estreou no cinema em 1946, atuando em dupla com o pai, Afonso Chiozzo, na comédia Segura Esta Mulher, de Watson Macedo, no qual apareciam acompanhando o cantor Bob Nelson na marchinha country Boi Barnabé, de Bob e Afonso Simão. Ainda em dupla com o pai, trabalhou nas comédias cinematográficas carnavalescas Este Mundo É Um Pandeiro, de Watson Macedo, em 1947, e É com Este Que Eu Vou, de José Carlos Burle, em 1948.

Contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro e artista exclusiva do selo Copacabana, teve seu apogeu no rádio, disco e cinema na Década de 1950, fazendo sucesso como intérprete de músicas juninas e canções brejeiras.

Estreou no disco em 1950, na etiqueta Star – depois, Copacabana –, com a rancheira Tempo de Criança, de João Sousa e Eli Turquine, e a polca Pedalando, de Anselmo Duarte e Bené Nunes.

No rádio e em disco, chegou a fazer dupla com a atriz Eliana Macedo, ao lado de quem apareceu, cantando e atando, em diversos filmes, em sua carreira cinematográfica de 23 títulos.

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Adelaide Chiozzo e Eliana Macedo

Entre seus maiores sucessos, estão Beijinho Doce, valsa de Nhô Pai, Cabeça Inchada, baião de Hervê Cordovil, Sabiá na Gaiola, baião de Hervê Cordovil Mário Vieira, Orgulhoso, rasqueado de Nhô Pai e Mário Zan, e Lá Vem Seu Tenório, marchinha de Manoel Pinto e Aldari de Almeida Airão, Cabecinha no Ombro, rasqueado de Paulo Borges, Meu Sabiá, toada de Carlos Matos e A. Amaral, e Queria Ser Patroa, marchinha de Manoel Pinto e Aldari de Almeida Airão.

De 1948 a 1957, atuou em chanchadas como Carnaval no Fogo, Aviso aos Navegantes, É Fogo na Roupa, O Petróleo É Nosso, Barnabé, Tu És Meu e Sai e Baixo.

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Também em 1957, participou de dois LPs da gravadora Copacabana: Carnaval de 57 – Nº 1, com a marchinha A Sempre Viva, de Paulo Gracindo e Mirabeau, e do LP Festas Juninas, com o baião Papel Fino, de Mirabeau, Cid Ney e Don Madrid. Em 1958, gravou, com Silvinha Chiozzo, sua mãe, o rasqueado Cabecinha no Ombro, de Paulo Borges, que se tornou um grande sucesso e um clássico da Música Popular Brasileira.

Ainda em 1958, lançou o LP Lar… Doce Melodia pela gravadora Copacabana no qual cantou três faixas: Vá Embora, de Geraldo Cunha e Carlos Matos; Pagode em Xerém, de Alcebíades Barcelos, o Bide, e Sebastião Gomes; e Meu Veleiro, de Lina Pesce. As demais nove músicas ela interpretou ao acordeom: Viagem a Cuba, de I. Fields e H. Ithier; Night and Day, de Cole Porter; É Samba, de Vicente Paiva, Luis Iglesias e Walter Pinto; Inspiração, de Paulus e Rubinstein; Deixa Comigo, de Índio; Icaraí, de Silvio Viana; Padan-padan, de Glanzberg e Contel; Dance Avec Moi, de Hornez e Lopez; e Granada, de Agustin Lara.

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Em 1966, sua gravação da toada Meu Veleiro foi incluída no LP Lina Pesce – Seus Grandes Sucessos, lançado pela Copacabana. Em 1972, Adelaide participou do LP Alma do Sertão, produzido a partir do programa de Renato Murce na Rádio Nacional que levava o mesmo nome. Nesse disco, interpretou, com Eliana, a toada Pingo D’água, de Raul Torres e João Pacífico, e o rasqueado Campo Grande, de Raul Torres.

Em 1975, apresentou-se ao lado do marido e violonista Carlos Mattos no show Cada Um Tem o Acordeom Que Merece, no Rio de Janeiro e em Niterói.

Em 1976, a gravadora Philips lançou dois LPs, um relembrando a Era de Ouro dos filmes musicais brasileiros e outro sobre os 40 Anos da Rádio Nacional. No primeiro, intitulado Assim Era a Atlântida, foram remasterizados vários fonogramas apresentados durantes os filmes, incluindo três de suas interpretações: Pedalando, do filme Carnaval no Fogo, que ela cantou sozinha, e Recruta Biruta, de Antônio Almeida, Antônio Nássara e Alberto Ribeiro, e Beijinho Doce, ambas do filme Aviso aos Navegantes, interpretadas juntamente com Eliana.

No segundo LP, gravado a partir de acetatos obtidos durante programas da Rádio Nacional, foi incluída sua interpretação para o baião Nós Três, de Garoto, Chiquinho do Acordeom, Fafá Lemos e Badaró, cantado juntamente com Carlos Matos.

Em 1978, atuou na novela Feijão Maravilha, na TV Globo, em 1992, na novela Deus Nos Acuda, na mesma emissora.

A partir de então, realizou shows pelo Brasil, acompanhada pelo marido e, eventualmente, pelos três netos. Em 1996, participou do Projeto Seis e Meia, no Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro, juntamente com o cantor Francisco Carlos, no show Ídolos da Atlântida. Em 2001, teve lançado pelo selo Revivendo o CD Tempinho Bom, com 21 de seus maiores sucessos.

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Em 2012, Adelaide passou a integrar o Grupo As Cantoras do Rádio, em sua nova formação, que estreou no show A Volta das Cantoras do Rádio, récita única, no Auditório Raimundo Magalhães Jr., com criação, roteiro e apresentação de Ricardo Cravo Albin. Em 2014, participou, juntamente com as cantoras Lana Bittencourt e Ellen de Lima, do espetáculo A Noite – Nas Ondas da Rádio Nacional, apresentado no Teatro Rival BR.

Os LPs de Adelaide Chiozzo, 34 faixas remasterizadas de bolachões 78 RMP e coletâneas em CDs são facilmente encontráveis nos sites de busca especializados.

Aqui vai uma pequena amostra de seu trabalho, por ordem alfabética:

Beijinho Doce, valsa de Paulo Gracindo e Mirabeau Pinheiro, com participação de Eliana Macedo, gravada em 1951:

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Cabecinha no Ombro, rasqueado de Paulo Borges, com participação de sua mãe, Silvinha Chiozzo, gravado em 1958:

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Meu Sabiá, toada de Carlos Matos e A. Amaral, gravada em 1954:

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Pedalando, polca de Anselmo Duarte e Bené Nunes, com participação de Alencar Terra no acordeom, gravada em 1949:

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Sabiá na Gaiola, baião de Hervê Cordovil, com a participação de Eliana Macedo, gravado em 1951:

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LOUVAÇÃO AO COOPERRAIA DA QUADRA 2.008

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(Cordelzinho feito a pedido de um Aspone de certo supermercado brasiliense, cujos nome e endereço aqui vão modificados, para não configurar propaganda comercial)

Sou Raimundo Floriano
Mão de onça, pé de pano
Do Maranhão natural
Trombonista brasileiro
Cordelista, presepeiro
Heterossexual

No Exército, Sargento
Trabalhei no Parlamento
A nobre missão cumpri
Com invejável memória
Em livros, conto a história
De Balsas, onde nasci

Bravatas não me consomem
Pois bicho que mata o homem
Mora é debaixo da saia
E digo, com garantia
Para fazer economia
Só compro no CooperRaia

Tem louça, conveniência
Itens pra subsistência
Açougue, pão e biscoito
Verdura, óleo de soja
Bebidas, tudo na loja
Da Quadra Dois Mil e Oito

Café e chá na entrada
Mordomia franqueada
Excelentes energéticos
Com açúcar e adoçante
Opções para o talante
Dos fregueses diabéticos

Seu pessoal, bem treinado
Competente e educado
Com satisfação no cenho
Me faz lembrar com prazer
E orgulhoso enaltecer
Os amigos que ali tenho

Começo por um Aspone
Que anuncia ao microfone
Promoções e o preço certo
Com cordura e gentileza
Sagacidade e nobreza
O nome dele é Roberto

No Caixa, com segurança
Quer no peso, ou na cobrança
Esperta, chega nem pisca
Tem a terna maranhense
Morango mangabeirense
Que atende por Francisca

As burrinhas arrastadas
Pesando até toneladas
Pra ele, que toma cálcio
É trabalho de menino
Refiro-me ao vascaíno
Batizado como Dálcio

Na frente, com galhardia
Ajudando a freguesia
Já conquistou nossa estima
Sempre muito atencioso
Devotado e prestimoso
Esse mancebo é o Lima

Aqui vou me retirando
Se não estou agradando
Pode falar quem quiser
Neste mundo colorido
Continuo convencido
Que bicho bom é mulher

Glossário:

Burrinhas – Plataformas com rodízios, usadas no transporte de mercadorias, dos caminhões para o interior da loja.

LOUVAÇÃO A UMA DAMA DE ESCOL

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“Na alta sociedade, tudo se sabe”

(Cordelzinho feito a pedido de uma dama da alta sociedade, cujo nome aqui vai modificado, por motivos óbvios)

Sou Raimundo Floriano
Mão de Onça, Pé de Pano
Do Maranhão natural
Trombonista brasileiro
Cordelista, presepeiro
Heterossexual

No Exército, Sargento
Trabalhei no Parlamento
A nobre missão cumpri
Com invejável memória
Em livros, conto a história
De Balsas, onde nasci

E por ser muito acanhado
Só saio desse riscado
Pra matéria correlata
A pedido, como agora
Feito por gentil senhora
Colega hidroterapata

Refiro-me à Florinês
Viúva na binubês
Em ambas, provou do aço
Mas coisa estranha lhe ocorre
Sempre que o marido morre
Ela ganha outro c@b@ço

Florinês, a inesquecível
Possui um feitiço incrível
Que vem de eras remotas
Se um cabra se atrever
E a maçã dela comer
No outro dia bate as botas

Eu cá fico observando
E essas coisas anotando
Sem julgar, pois nada maldo
Só sei que ela é feliz
Pois Brasília inteira diz
Que ainda dá um bom caldo

Meio ano já se passa
E ela com jeitinho e graça
Deixa todo mundo in love
E se é que bem me lembro
A Flor vai até dezembro
Fazendo sessenta e nove

Nas colunas sociais
Ela é uma das dez mais
No jet set domina
E com sua hilaridade
Pra nossa felicidade
É a alegria da piscina

Essa mineira danada
Nasceu careca e pelada
Analfabeta e banguela
Mas, hoje, com seus encantos
Tem cabra pedindo, aos prantos
Pra morrer nos braços dela

Glossário:

Hidroterapata – Paciente de hidroterapia, neologismo por mim criado.

Binubês – Condição da mulher que se casou por duas vezes, outro neologismo que criei.

REENCONTRO POTIGUAR

Eu já falei aqui em raridade, a 25.05, com o Trio Mossoró, a 22.06, com Mister Six, o Hexadátilo do Cavaquinho, e, a 29.06, com a cantora Linda Rodrigues. Agora, volto com algo mais RARO ainda, que é este Encontro de Intérpretes Potiguares.

Há um mês, eu nem sabia de sua existência. Fui instigado pelo Maestro Antonio Gomes Sales, de Caraúbas (RN), a quem muito aqui já me referi, por seu trabalho na elaboração de partituras carnavalescas, colaborando em meu projeto de resgate da memória da MPB, particularmente no que tange ao Carnaval. Só nesta nova faze, são mais e 50º peças que, após formatadas, colocarei à disposição dos músicos do mundo inteiro.

Ele me pedia o áudio destas 13 joias de nosso cancioneiro pátrio e internacional: Devolvi, com Núbia Lafayette, Não Me Perguntes, com Ângela Maria, Cabecinha no Ombro, com Ângela Maria e Agnaldo Timóteo, Orgulho, com Ângela Maria, Alguém Me Disse, com Anísio Silva, Al Di Lá, com Connie Francis, Siboney, com Connie Francis, Diana, com Carlos Gonzaga, Quase, com Carmen Costa, Não Chores Por Mim, Argentina, com Cláudia, Iolanda, com Simone, Iracema, com os Demônios da Garoa e Praieira, com Paulo Tito.

As 12 primeiras foram moleza. Dormiam em minas prateleiras. Mas essa Praieira, meus amigos, foi pedreira pura, parada pra desmantelo. Eu nunca ouvira falar nela nem no nome do cantor. Mas resolvi enfrentar todos os obstáculos, todas as dificuldades, para não deixar de atender o amigo que, com imensa boa vontade vem cooperando na concretização de meus ideais.

Como primeiro passo, recorri ao Google, que me informou ser Praieira, também conhecida como Serenata do Pescador, uma canção com letra de Otoniel Menezes e música de Eduardo Menezes, composta em 1922 e, pelo Decreto-lei nº 12, de 22 de novembro de 1971, do governo municipal de Natal, declarada o Hino Oficial da Cidade, assim considerada por todos os norte-rio-grandenses.

Sobre o Cantor Paulo Tito, consegui as informações a seguir. Batizado Paulo Peres Tito, cantor, músico, compositor e produtor, nasceu em Natal, a 8 de abril de 1929. Herdou o gosto musical do pai e estreou como cantor aos 13 anos de idade, na Rádio Educadora de Natal.

Participou de diversos programas de calouros em sua cidade. Em 1951, assinou contrato com a Rádio Jornal do Commercio do Recife, atuando, também, como cantor, na Orquestra Tabajara.

Em 1954, foi para o Rio de Janeiro, a convite de Luiz Gonzaga, para cantar na Rádio Mayrink Veiga. Em 1955, estreou em disco na Copacabana com o samba-canção Missão de Amor, de Renê Bittencourt, e a rancheira No Meu Sertão, de Luperce Miranda e Gildo Moreno. Em 1956, gravou os sambas-canções Nossa Senhora de Copacabana, de Heitor dos Prazeres e Kaumer Teixeira e Linhas Paralelas, de Valdemar Gomes e Jair Amorim. Em 1959, gravou, na Polydor, os sambas Sai do Bar, de sua autoria e Ricardo Galeno e Compromisso Com a Saudade, de Billy Blanco.

Em 1961, gravou, na Continental, os baiões O Vendedor de Biscoito, de Gordurinha e Nelinho, e A Vassoura da Comadre, de Gordurinha. Do mesmo Gordurinha, gravou o rojão Pedido Legal, e, de Miguel Lima e Liesse Miranda, o xote Confusão em Família.

Em 1975, integrou uma caravana de artistas potiguares e retornou ao Rio Grande do Norte, fazendo apresentações em diversas cidades do interior. Em 1977, gravou o LP Balanço, pela Tapecar, interpretando músicas de Vinícius de Moraes, Noel Rosa e Chico Buarque.

Como compositor, fez parcerias, entre outros, com Roberto Faissal, Romeu Nunes e Zé Gonzaga. Teve composições gravadas por Altemar Dutra, Carequinha, Cauby Peixoto, Os Cariocas, Elis Regina, Zé Gonzaga e alguns mais.

A partir de 1978, voltou a residir em Natal, passando a lecionar violão no Instituto de Música Waldemar de Almeida, além de se apresentar em casas noturnas.

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Outras composições suas: Amor de Nordestino, parceria com Chico Anysio; Canção Pra Mamãe, com Renê Bittencourt; Candidata a Triste, com Ricardo Galeno; Cantiga de Um Homem Triste, com Roberto Faissal; Domingo em Copacabana, Roberto Faissal; Gamação, com Zé Gonzaga; O bom… bardino, com Álvaro Menezes; O Importante É Ter Você, com Belo Xis; Quero Você, com Ricardo Galeno; Questão Moral, com Roberto Faissal; Samba Feito Pra Mim Só, com Renê Bittencourt; Vou Comprar Um Coração, com Romeu Nunes; Vou Me Aposentar do Meu Amor, com Ricardo Galeno, e Yê-yê-yê Baiano.

Sua discografia é extensa, com alguns títulos em discos 78 RPM disponíveis no mercado virtual.

Faltava, agora, localizar o áudio da Praieira. Valendo-me dos dados LP – PAULO TITO – PRAIEIRA, fui direcionado pelo Google para um site de vendas, o único, onde eram anunciados dois exemplares do LP Reencontro. Adquiri de menor preço, cujo valor era de R$35,00. Mais adiante, falarei sobre o mais caro.

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Esta coletânea, com intérpretes potiguares, é uma promoção do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, na gestão de José Cortez Pereira de Araújo, Governador Biônico, com mandato entre 1971/1975, sendo, posteriormente, Prefeito de Serra do Mel, no período 2001/2004. Nascido em Currais Novos (RN), a 17.10.1924, e falecido a 21.2.2004, em Natal, Cortez Pereira deixou esse grande do documento fonográfico em prol da Cultura Musical Potiguar.

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Governador Cortez Pereira e Dona Aída, sua mulher

Antes de apresentar o áudio de Praieira e de outras melodias potiguares, vou falar do outro exemplar – o único restante – do LP Reencontro, ainda disponível no site de venda. Enquanto o que eu adquiri me custou apenas 35 reais, conforme dito acima, este remanescente acha-se disponível pela bagatela de 490. Vejam o reclame:

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Aqui vai pequena amostra do trabalho desses intérpretes e compositores potiguares:

Praça Pio X, samba de Airton Ramalho, na voz de José Alves;

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Prece ao Vento, toada de Gilvan Chaves, Fernando Cascudo e Alcyr Pires Vermelho, na voz de Ademilde Fonseca;

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Ranchinho de Paia, toada de Francisco Elion, com o Trio Irakitan;

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Royal Cinema, valsa de Tonheca Dantas, com Orquestra e Coro sob a regência de Paulo Tito;

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e, finalmente, a raridade solicitada pelo Maestro Antonio Gomes:

Praieira, toada de Otoniel Menezes e Eduardo Medeiros, na voz de Paulo Tito.

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DELEGADO NO ARRAIAL VITALRECOR/2015

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Aconteceu na Academia VitalRecor, em Brasília, DF, especializada em reabilitação cardíaca e qualidade de vida para os terceiridosos, onde dou um duro lascado para manter-me nesta linda forma que vocês estão cansos de elogiar e de também invejar, em cujo Arraial sou Delegado Vitalício.

A organização do Arraial ficou a cargo da Doutora Cristina Calegaro, cada vez mais brejeira do que nunca, Presidente do CREFI, proprietária da Academia e Santa Protetora nossa aqui na Terra – No Céu, é Nossa Senhora Aparecida -, coadjuvada na operacionalidade pela Secretária e Sócia Luciene Silva Lu, formanda em Educação Física.

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Cristina Calegaro e Luciene Silva Lu

Este ano, não houve novidades. Apresentei-me com minha incrementada espingarda, linda e artisticamente confeccionada pelo casal de amigos Jorge e Mércia. E, novamente, aconteceram as porradas que o noivo levou na cara, quando a noiva, já embuchada, descobriu que ele é o maior raparigueiro da paróquia. Aqui, minha primeira aparição como Delegado:

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A fogueira e a decoração do Arraial

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Convidados ao casório

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O Bispo, com os acólitos – O Delegado conduzindo o noivo

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A noiva – a Rapariga do noivo

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Final feliz – O suspeito

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O Delegado e Secretária Lu – Delegado e Professora Cleide

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Terceira Idade, infância e adolescência, tudo junto e misturado

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Detalhes da Quadrilha

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Fim de Festa

SEU MUNDINHO – OU VELHO FULÔ – AOS 79

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Na verdade, os aniversariantes eram dois: Ana Alice, minha cobrinha digo, sobrinha e comadre, do dia 2, e eu, do dia 3. Sempre que possível, comemoramos juntos.

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Nossa família, os Albuquerque e Silva e os Sousa Silva, ultrapassam, só aqui em Brasília, a casa das 200 pessoas. Como este ano foi apenas uma previa do que acontecerá no próximo, quando comemoraremos números redondos, Ana Alice, 60, e eu, 80, os convites foram restritos a um círculo bem íntimo de nossa laia. Mesmo assim, 83 compareceram à festa.

Família solidária, alegre e feliz. Pedíramos que, em vez de presentes, trouxessem cobertores ou agasalhos, para distribuirmos com entidades assistenciais, neste tempo de intenso frio brasiliense: arrecadamos mais de uma centena de peças.

O evento ocorreu no dia 4, sábado, das 12h às 18h, na ampla casa da Ana Alice, na Park Way, especialmente construída para a diversão desta nossa família, festeira por demais.

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Veroni, com a sobrinha Luciana

Maior parte da administração da festa ficou a cargo da Veroni, minha mulher, que se desdobrou para que tudo saísse a contento, com perfeição, nos mínimos detalhes, como de fato ocorreu.

O cardápio constou de maria-isabel, paçoca vinda de Balsas, vatapá, ovo frito e banana-prata. Para sobrfemesa, tortas diversas, bombons, bolo de arroz e bolo de puba, preciosidades da cozinha de Dona Maria Bezerra, minha saudosa e santa mãezinha. Para beber, cerveja, refrigerantes, vinhos e cachaça.

A parte musical ficou a cargo de um sanfoneiro, um zabumbeiro, um violonista e uma cantora. Depois das tantas, a prata da casa também mostrou sua arte, e até eu me aventurei com minha gaita. Pena que os músicos tenham ficado, involuntariamente de nossa parte, escondidos pela folhagem do jardim.

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Elaine, cantora, Giane, violonista, Lico, sanfoneiro, e Raimundo

Grata gentileza foram as presenças de Izaura Maria, minha prima e cunhada, casada com meu irmão Bergonsil, seus filhos Valéria e Maurício, este com Luciana, sua mulher, e as filhas Martinha e Mariana, que vieram de Niterói especialmente para nos prestigiar com seu carinho.

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Raimundo e Izaura Maria – Raimundo e Valéria

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Maurício, Luciana, Martinha e Mariana

A seguir, outros flagrantes da festa:

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Meu filho Zezinho, com Paula, sua mulher, e Anna Paula, minha neta

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Minhas filhas Elba, com Fábio, seu marido, e Mara, com Vinícius, seu namorado

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Lara, sobrinha, com Rodrigo, seu marido – Sobrinas Ceres e Fernanda

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* * *

Alguns amigos, ao me encontrarem na rua, ficam muito preocupados com o tamanho de minha barriga e me recomendam dietas milagrosas. A última novidade é o livro Barriga de Trigo, do americano William Davis. Aos 79 anos, agora é que vou parar de comer pão? De que adiantaria isso nesta idade provecta? Eu, que fui criado comendo beiju, cacete e cuscuz?

* * * 

Causou-me espanto a quantidade de mensagens recebidas no Facebook, onde contabilizo 953 amigos: 194 postagens, entre parabéns e curtidas! A todos respondi, individualmente, com este cordelzinho:

PELOS PODERES DE DEUS, AQUI CHEGUEI!

Sou Raimundo Floriano
Mão de Onça, Pé de Pano
Do Maranhão natural
Trombonista brasileiro
Cordelista, presepeiro
Heterossexual

No Exército, Sargento
Trabalhei no Parlamento
A nobre missão cumpri
Com invejável memória
Em livros, conto a história
De Balsas, onde nasci

Setenta e nove nos couros
Vida coberta de louros
Provei o gosto de tudo
Desfrutei do bom bocado
Mas fui até governado
Por um tal Sapo Barbudo

Da jumenta tomei leite
Do coco tirei azeite
Pro beiju amanteigar
E pra rimar com jumenta
Taí uma Presidenta
Ainda a nos governar

Meu medo é de certa hoste
Que elege qualquer poste
Fique a trocar as bolas
E venha com o xaveco
De balançar meu fuleco
E coçar meus caxirolas

Saiba, amigo ou amiga
Que é preciso que lhe diga
Com toda a sinceridade
Gosto muito de você
Por isso, que Deus lhe dê
Saúde e felicidade

Pra todos tiro o chapéu
Que vivam como num céu
De muita fartura e paz
Nesta vida tudo passa
Mas nunca vira fumaça
O bem que a gente faz

Você de mim se lembrou
E parabéns me enviou
No meu dia, 3 de julho
Por isso, quero que entenda
Valeu mais que qualquer prenda
Ou presente num embrulho

MEMORIAL BALSENSE – LANÇAMENTO EM BALSAS – A FESTA

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Como vocês já estão carecas de saber, e foi repisado aqui na última segunda-feira, aconteceu, na noite de 12 de junho passado, no Arraial do Festejo de Santo Antônio, nosso Padroeiro, o lançamento de meu livro Memorial Balsense em minha cidade natal, à qual ele é dedicado.

Aqui vão duas imagens parciais do Arraial, uma obtida durante o dia, e duas, à noite:

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Como vem acontecendo desde 2003, com Do Jumento ao Parlamento, passando por 2010, com De Balsas Para o Mundo, a apresentação do evento ficou a cargo da Professora Marlene Garcez, minha amiga dos velhos tempos e Diretora da Escola Normal:

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A Mesa dos Autógrafos foi composta por Fábio Chiappetta, meu genro, encarregado das vendas; France Farias, funcionária do BASA e filha do saudoso amigo Chico Farias, anotando os nomes dos leitores; Isaurinha Fonseca, querida sobrinha, como Relações Públicas; e Elba Chiappetta minha filha, a tudo fotografando:

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Fábio Chiappetta – France Farias e Raimundo Floriano

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Elba, Raimundo e Isaurinha

Foram autografados 102 exemplares, 85 vendidos e 17 doados a pessoas diversas, em duas noites. Na primeira, 12 de junho, aconteceu a festa propriamente dita. Na segunda, dia 13, já sem o aspecto solene, foram atendidos alguns retardatários.

É meu dever fazer menção especial à família do saudoso Patriarca Elias Miranda, pioneiro balsense, que muito me prestigiou com seu comparecimento. Assim como às viúvas de meus também saudosos amigos José do Egito Bucar, o Dué, e Pedro Caetano, desbravador do sertão sul-maranhense com seus caminhões transformados em ônibus, carinhosamente denominados de “tetéus”, pois neles os passageiros não conseguiam dormir, quando muito, cochilar. Causou-me grande alegria a enorme afluência de professores universitários à busca dos conhecimentos contidos no livro.

A seguir, alguns dos inúmeros flagrantes da festa:

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Pessoal da Família Miranda – Família de Antônio Pereira

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Gilda e Marilourdes Solino, minhas amigas de infância

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Japhet Filho e Larissa – Diacuí e Rubens Takemoto

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Professoras Cristiane e Célia Leite, esta com Adelmar, seu marido

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Walber e Laurenice – Adalberto e Vânia

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Cazuzinha, meu primo, e Família – Natana e Raimundinho, meus sobrinhos

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Professores Angelino Barbosa e Martinha Lopes, amigos tradicionais

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Universitários balsenses

Em Balsas, ficaram 150 exemplares com minha Assessora Plenipotenciária Maria do Socorro Ferreira Vieira, à Rua 11 de Julho, 228, que os administrará, como vem fazendo com os remanescentes de De Balsas Para o Mundo, lançado em 2010, que também se encontram à venda na Livraria e Papelaria ABC, de propriedade da amiga Ivany Agnol, à Avenida Raimundo Félix, 43, Centro. Aqui, essas duas preciosas colaboradoras:

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Maria do Socorro e Ivany Agnol

A reportagem completa encontra-se em meu álbum de fotos do FACEBOOK, página RAIMUNDO FLORIANO, sob o título MEMORIAL – LANÇAMENTO EM BALSAS.

* * *

Em junho de 2016, comemorando meus oitentões, com a Graça de Deus e as bênçãos de Santo Antônio, estarei em Balsas novamente, na noite de 12, no Arraial do Festejo de nosso Padroeiro, lançando meu novo livro, Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, contendo episódios publicados no Jornal da Besta Fubana, com os nomes de alguns atores modificados, para não constranger seus familiares. Eis sua capa provisória:

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Seu Mundinho e o Velho Fulô

THE MAN WHO SHOT LIBERTY VALANCE

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Desenho do artista Dió, índio paraguaio

Calma, querido leitores! Don’t be cruel with this old seventy-niner! Please! O título acima, extraído do excelente western de 1962, dirigido por John Ford, com John Wayne, James Stewart, Lee Marvin, Vera Miles, Edmond O’Brien e Andy Devine nos principais papéis, é apenas uma alegoria. No texto abaixo, não há morte alguma, nem matada, nem morrida.

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Quando preparava o lançamento de livro Do Jumento ao Parlamento, em Brasília, no ano de 2003, eu contava como certíssima a divulgação pela Rede Globo. Isso porque um amigo do peito, colega aposentado da Câmara dos Deputados, meu vizinho de Quadra, era Assessor Jurídico daquela emissora. Ao solicitar-lhe a deferência, ele não se fez de rogado e pediu-me que lhe levasse um exemplar do livro na sede da TV, o que foi feito. E o resultado disso? Até hoje!

Com tal insucesso, já fiquei sabendo que para ser notícia na mídia o buraco é mais embaixo. Precisa-se de algo mais.

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Em 2010, ao lançar novo trabalho, De Balsas Para o Mundo, não perdi tempo, já escolado, com a mídia da Capital Federal. Mas imaginei que, na noite de autógrafos em Balsas, minha terra natal, tudo seria diferente, pois naquele sertão sul-maranhense quase nada acontece de novo, e um nativo da região, ao escrever um livro, seria notícia, pelo menos para os conterrâneos.

Assim pensando, e com o auxílio da Maria do Socorro Ferreira Vieira, minha Assessora Plenipotenciária balsense, foi contatada a TV Rio Balsas, afiliada da Rede Globo, cuja apresentadora é filha de um amigo meu de infância, e o apresentador Manoel Carvalho, da Rede TV, que me pôs no ar a partir de minha chegada em Balsas e ficou postando flashes sobre o lançamento na programação da emissora. Quanto à Globo, vou contar.

Com o evento marcado para a noite de 12 de junho, no Arraial do Festejo de Santo Antônio, nosso Padroeiro, tive um contato inicial na véspera com a apresentadora, para que ela conhecesse o livro e pudesse preparar a matéria a exibir. Ficou acertado, então, que, no dia seguinte, ao meio-dia, seríamos entrevistados por ela, eu e Comandante Puçá, um de meus personagens, marinheiro de 88 anos – hoje com 93 -, que passou maior parte e sua vida navegando de Balsas ao Oceano Atlântico, quase 1.700 km de água, rio abaixo, rio acima.

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Comandante Puçá – Em 1940 e em 2010, com sua irmã Maria Rodrigues

Pois bem, às 9 horas da manhã do dia 12, recebemos um telefonema da TV Rio Balsas/Globo, informando que a entrevista fora cancelada. Desapontamento enorme para mim e para o Comandante, que já se achava todo paramentado, pronto para contar suas experiências de velho marinheiro.

À noite, o apresentador Manoel, da Rede TV, compareceu à festa, com sua equipe, colocando-me novamente no ar, em tempo integral:

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E, no auge do acontecimento, aparece-me por lá uma equipe da TV Rio Balsas/Globo, solicitando uma entrevista. Ainda em off, argumentei que, àquelas alturas, isso de nada mais valeria, pois o que interessava era a divulgação antes do evento, como fizera a Rede TV. No entanto, assim mesmo, concedi-lhes o que me pediam:

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Cinco anos se passaram. Em maio de deste ano, com novo livro, Memorial Balsense, já lançado em Brasília, procurei acautelar-me, para que os fatos relativos à Globo não se repetissem.

Como providência inicial, remeti um exemplar para a mesma apresentadora, agora na TV Mirante/Globo, que se mostrou muito receptiva e, desde então, por ser minha amiga no Facebook, curtia tudo o que eu ali postava referente ao livro. Minha Assessora fez com ela o contato telefônico, ficando acertado que combinaríamos o horário de entrevista tão logo eu chegasse a Balsas.

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Porém, foi só eu chegar, os telefones da apresentadora entraram em pane, ficaram fora de área, ou não atendiam, tal situação permanecendo imutável até a hora dos autógrafos, como sempre, na noite de 12 de junho, no Arraial do Festejo de Santo Antônio.

Paralelamente, desde o início de junho, a Rádio e TV Boa Notícia, ligada à Igreja Católica, colocava meu Convite no ar, em flashes que se repetiram até o início do evento.

Já às 19h do dia 11, quando cheguei a Balsas, fui agraciado pela radialista Maria da Conceição, da Rádio Boa Notícia, com entrevista ao vivo, postada no Facebook, no ato, por minha filha Elba que, com meu genro Fábio, me acompanhou em todos os momentos:

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No dia seguinte, 12, às 9h, o apresentador Francisco de Assis, da TV Boa Notícia, franqueou-me as câmeras em logo papo, ao vivo, sem limite de tempo:

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Ao meio-dia, novamente na TV Boa Notícia, foi a vez do consagrado apresentador Cantidiano, o bam-bam-bam, o bom-de-sela, deixar-me à vontade, em longa entrevista:

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Tudo isso resultou no retumbante sucesso que foi o lançamento. Quem já viveu isso sabe o que é autografar 85 exemplares, conversando com cada leitor, personalizando a dedicatória e posando com ele para a foto. Bote três horas, no mínimo. Durante esse tempo, novamente a TV Boa Notícia reportava tudo para seus telespectadores:

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E, quando a festa atingia o ápice, o apogeu, a culminância, quem me aparece por lá? Exatamente isso que você pensou, querido leitor: uma equipe da TV Mirante/Globo, procurando entrevistar-me.

Em não quis nem papo. Apenas perguntei: – É da TV Mirante? É da Globo? O Canal do Plim-Plim? Diante das respostas afirmativas, firmemente proclamei:

– Vocês fizeram cafajestada comigo durante todo o dia! Agora, que a mesa está posta, e satisfeitos os comensais, vocês me aparecem querendo as rebarbas? Nada feito!

Alguém a meu lado argumentou que a Globo transmite para todo o Estado do Maranhão, ao que eu respondi:

– Pode transmitir até para a Lua, para Marte, mas comigo, michou!

Lavei a alma!

LINDA RODRIGUES

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Encantadores olhos verdes

No dia 25 de maio passado, tive o prazer de postar, aqui no JBF, matéria focalizando o Trio Mossoró, verdadeira raridade, que esta coluna fez renascer, para deleite de seus leitores. Agora, retorno com outra preciosidade, configurada nesta cantora, ícone da MPB há muito tempo no ostracismo, no baú do esquecimento da Memória Nacional.

Linda Rodrigues, batizada Sofia Gervazone, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), a 11 de agosto de 1919, onde faleceu em novembro de 1997. Foi considerada uma das cantoras que melhor representaram a dor de cotovelo.

Carioca, nascida na Tijuca, sua formação moral foi das mais rígidas, pois fez o Curso Primário e o Ginasial na Escola Maria Raythe, um colégio de freiras do bairro, sendo seu padrinho de crisma o Cardeal Dom Sebastião Leme, que gostava muito dela. Atendendo um pedido de sua mãe, formou-se em Enfermeira pela Escola Ana Nery, embora nunca tenha exercido a profissão. Começou a estudar Medicina em Belém do Pará, onde morou 2 anos com a irmã e o cunhado, que era comandante da Marinha de Guerra. Pouco depois, sua mãe falecia.

Sua primeira experiência artística aconteceu em 1936, no Rio de Janeiro, quando cantou na Radio Transmissora, sob a orientação de Renato Murce, atuando ao lado de Odete Amaral, Ciro Monteiro, Orlando Silva e Emilinha Borba, que era igualmente amadora como Linda.

Poucos são os dados biográficos sobre essa grande cantora da Velha Guarda, por isso, vou ater-me, daqui pra frente, ao que consta do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Começou a carreira artística em 1945, na Continental, onde gravou os sambas Enxugue as Lágrimas, de Elpídio Viana e Carneiro da Silva e Abaixo do Nível, de Alvaiade e Odaurico Mota. Daí em diante, consolidou seu nome no mercado fonográfico.

Em 1946, gravou a marchinha Atchim, de J. Piedade e Príncipe Pretinho, e o samba Claudionor, de Cândido Moura e Miguel Bauso. Em 1948, gravou a rumba Jack, Jack, Jack, de Haroldo Barbosa e Armando Castro, e o samba-canção Mais Um Amor, Mais Uma Desilusão, de José Maria de Abreu. Em 1951, gravou, pela Star, o samba-canção Os Dias Que Lhe Dei, de Newton Teixeira e Airton Moreira, e o samba Raça Negra, de Ailce Chaves e Paulo Gesta. Em 1952, gravou o samba Lama, de Paulo Marques e Ailce Chaves, que veio a ser, não apenas seu maior sucesso como um dos sambas-canções mais celebrados no repertório da fossa, e o bolero Nossos Caminhos, de Airton Amorim e Nogueira Xavier.

Lama embalou os momentos seresteiros de minha juventude e mereceu inúmeras regravações, inclusive de outras consagradas intérpretes, como Ângela Maria, Núbia Lafayette, Maria Bethânia e, há bem pouco tempo, relançada pelo forrozeiro/brega João Bandeira.

Em 1953, gravou, pela Sinter, o samba Sombra e Água Fresca, de Geraldo Mendonça e Russo do Pandeiro, e a marchinha Bambeio Mas Não Caio, de Elvira Pagã, Ailce Chaves e Paulo Marques. Em 1954, gravou o samba Sereno Cai, de Raul Sampaio e Ricardo Galeno, e a marchinha Tá Tão Bom, de Três Amigos. Em 1955, gravou, pela Continental, o samba Ninguém me Compreende, de Peterpan, e o samba-canção Vício, de sua autoria e José Braga, com acompanhamento de Guaraná e sua Orquestra. No mesmo ano gravou, pela Todamérica, a marchinha Rico É Gente Bem, de A. Rebelo, Jorge Rupp e Ari Monteiro, e o samba Folha de Papel, de Paulo Marques, Sávio Barcelos e Ari Monteiro.

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Em 1956, gravou os sambas-canções Farrapo Humano, de sua autoria e Ailce Chaves, e Queimei Teu Retrato, de Noel Rosa e Henrique Brito. Em 1957, gravou os sambas Violeta, de Mirabeau e Dom Madri, e Recompensa, de Tito Mendes, Nilo Silva e Osvaldo França. No mesmo ano, gravou os sambas-canções Pianista, de Irani de Oliveira e Ari Monteiro, e Comentário Barato, de Jaime Florence e J. Santos. Em 1958, gravou os sambas Chorar Pra Quê?, de Aldacir Louro e Silva Jr., e Quando o Sol Raiar, de Mirabeau, Sebastião Mota e Urgel de Castro. No mesmo ano, registrou ainda o samba Sereno no Samba, de Aldair Louro e Dora Lopes, e o bolero Nada Me Falta, de sua autoria e Aldacir Louro, e teve a marchinha Copa do Mundo e o samba Samba da Vitória, ambos com Aldacir Louro, gravados na RCA Victor pelo Coro e Orquestra RCA Victor. Em 1959, gravou, pela RCA Victor, o samba Tem Areia, de sua autoria e José Batista, e a marchinha Marcha da Folia, de sua autoria, Aldacir Louro e Silva Jr.

Em 1960, gravou os sambas-canções Negue, de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, e Tenho Moral, de sua autoria e Castelo. No mesmo ano, gravou Companheiras da Noite, samba-canção de sua autoria, Ailce Chaves e William Duba. Em 1961, lançou, pela Chantecler, o LP Companheiras da Noite:

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FAIXAS DESSE ÚNICO LP DE LINDA RODRIGUES:

LADO A
1 – Lama (Ailce Chaves e Paulo Marques)
2 – Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos)
3 – Tião (Jair Amorim e Dunga)
4 – Pedro no Caminho (Aldacyr Louro e Linda Rodrigues)
5 – Documento (Aldacyr Louro e Linda Rodrigues)
6 – Final de Nosso Drama (Aldacyr Louro e Linda Rodrigues)

LADO B
1 – Aquelas Mãos (Aldacyr Louro e Linda Rodrigues)
2 – Pó do Asfalto (Aldacyr Louro e J. Portela)
3 – Cigarra Noturna (Aldacir Louro e Genival Melo)
4 – Companheiras da Noite (Ailce Chaves e William Duba)
5 – Tenho Moral (Linda Rodrigues e Castelo)
6 – Escondida (Luiz Alcarez; versão de Martha de Almeida)

Como visto acima, Além de cantar, Linda Rodrigues era compositora e fez parcerias com grandes criadores como J. Piedade, Ailce Chaves, Aldacir Louro, José Batista, Castelo, José Braga e outros.

No ano de 1955, o samba-canção Vício, fruto de uma parceria com José Braga, levou-a às paradas de sucesso. Sua discografia, que vai de 1945 a 1961, gira em torno de 50 títulos.

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O início da Década de 1960, com o aparecimento da Bossa Nova e o incremento do Rock, foi cruel para o pessoal da Velha Guarda e marcou a retirara voluntária de Linda Rodrigues do meio artístico. Poderia, com suja esfuziante beleza, ser uma das estrelas da TV. Mas os tempos modernos requeiram novas caras, o que resultou em impiedosa iconoclastia.

Esta foi uma das poucas estrelas do sul-maravilha que conheci em Teresina (PI), onde estudava, em 1953, quando, após o retumbante sucesso de Lama, fez uma turnê pelo Nordeste, sendo por lá praticamente desconhecida.

Linda Rodrigues nadou de braçada pelos ritmos dominantes em sua época. Como amostra disso, aí vai esta pequena seleção:

Chorinho – Banco da Praça, Paquito, Ciro de Souza e João Bastos Filho;

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Marchinha – Barca da Cantareira, de Arnaldo Ferreira e J. Rupp;

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Samba – Cantora de Samba, de Armando Régis;

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Rumba – Jack, Jack, Jack, de Haroldo Barbosa e Armando Castro;

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Bolero – Nossos Caminhos, de Airton Amorim e Nogueira Xavier, tremendo sucesso em 1952;

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e Samba-canção – Lama, de Paulo Marques e Ailce Chaves, sucesso absoluto ontem, hoje e sempre.

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MISTER SIX, O HEXADÁTILO DO CAVAQUINHO

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Francisco de Assis Carvalho da Silva (Mister Six)

Hexadátilo, como vocês estão cansos de saber, é a pessoa que tem seis dedos. E Francisco de Assis Carvalho da Silva, os possuía em ambos as mãos e em ambos os pés, herança genética de uns antepassados indígenas. Ele gostava de ser chamado de Mister Six e tudo que fazia era relacionava a esse pseudônimo.

Mister Six transmitiu essa polidatilia para grande parte de sua prole. Dos quatro filhos que teve, apenas o mais velho não nasceu com os seis dedos. Os outros três herdaram a genética do pai. Ao todo, são 14 membros da família que têm essa diferenciação.

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Filha de Six, orgulhosa da hexadatilia

Aliás, ser hexa é o desejo que todos nós, os brasileiros, acalentamos desde a conquista do penta em 2002. Não querendo meter política pelo meio, mas já enfiando, não custa lembrar que, como também todos estão cansos de saber, a dupla Itamar/FHC ganhou duas Copas e foi vice noutra, enquanto que a dupla Lula/Dilma já perdeu três. Como o brasileiro nunca desiste, a família de Mister Six, desde 2006, torce para que concretizemos tão almejado sonho, igualando-nos a ela ao hexa com que a Natureza os presenteou:

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Mister Six nasceu em São Luís do Maranhão, a 11 de dezembro de 1933, e faleceu em 1999, aos 66 anos de idade, aqui em Brasília, onde era pioneiro. Funcionário do Banco do Brasil e, formado em direito, exerceu a advocacia em seu escritório particular e dando assessoria a diversos órgãos governamentais.

Exímio tocador de cavaquinho, fez da música e da boemia seu estilo de vida. Cercado de grandes instrumentistas que o acompanhavam, era figura carimbada na noite brasiliense, nos inferninhos, nas boates, em bares, em clubes, em festas familiares, enfim, onde quer que o convidasse, sempre se apresentando graciosamente, pelo prazer de tocar, de alegrar a vida. Principalmente onde houvesse mulher e farta munição de boca: tira-gosto, uísque, cachaça, cerveja e outros mais.

Mister Six tinha um grupo seleto: violão de 7 cordas, violão de 6 cordas, bandolim, cavaquinho centro, cavaquinho solo – ele mesmo -, sanfona e pandeiro. Mas não era um grupo fechado. Admitia qualquer um que com ele quisesse tocar, com foi comigo e meu trombone.

Aconteceu em 1973. Maria Alcina acabara de ressuscitar Carmen Miranda, ao incluir em seu LP Maria Alcina, recém-lançado, dois sucessos da Pequena Notável: Alô, Alô, samba de André Filho, e Como “Vaes’ Você, marchinha de Ary Barroso. Foi tremendo sucesso no mundo gay, que organizou um desfile de travestis, na Boate Sereia, não mais existente, todos eles caracterizados de Carmen. Convidado para animar a festa, compareci, lá encontrando já em ação a turma do Mister Six, à qual me incorporei. Noite de esfuziante brilho, tanto dos trajes dos desfilantes, quanto do conjunto musical, modéstia à parte.

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Em 1998, pouco antes de morrer, Mister Six me presenteou com esse livro, lançado naquele ano, cujo tema dominante e, segundo suas próprias palavras no autógrafo é “minhas lembranças orgíricas.”

Há muito, ele vinha cobrado pelos familiares e amigos para que escrevesse suas memórias. Mas só se dispôs a começar o trabalho porque quebrou o pé direito, numa leve topada no Aeroporto do Recife, quando retornava a Brasília, depois de uma batalha jurídica para a retomada da gerência de TV O Norte aos seus legítimos proprietários. Na convalescença, achou tempo para transformar-se em escritor.

São histórias hilariantes mesmo, nas quis se comprovam seu espírito seresteiro, boêmio e putanheiro. Vou contar-lhes duas.

A VISITA FRUSTRADA ÀS GENITORAS – Numa Semana Santa, Mister Six aproveitou para visitar Dona Neuza, sua mãe, em são Luís. Ao entrar no avião, encontrou seu amigo Manoel Lopes, o Manolo, funcionário da Câmara dos Deputados e exímio sapateador, que ia à Capital Ludovicense com o mesmo propósito. Ao chegarem lá, não havia parente algum para recebê-los. Resolveram pegar o mesmo táxi rumo à cidade. Já embarcados, perguntaram ao motorista se, no trajeto, havia algum local para molharem a goela. O motorista respondeu que, se eles gostavam de “casas de mulheres”, havia, bem perto, o Solar de Dona Neuza, com lindas moçoilas. Ao ouvir o nome de sua genitora, Mister Six aprovou no ato. Em lá chegando, foram fidalgamente recebido pela Diretora do ambiente, que os acomodou, informando que as meninas estavam na praia, mas logo retornariam Enquanto esperavam, Mister Six pegou o cavaquinho, dando início a uma tocata regada a cerveja, uísque e tira-gosto, com o Manolo a sapatear. Por lá se hospedaram e por lá foram ficando. Com o retorno das meninas, a coisa esquentou. A temporada durou cerca de uma semana de choro, sapateado e raparigagem, após o que regressaram a Brasília, sem verem as respectivas genitoras, com as quais só falaram por telefone, após sua chegada na Capital Federal.

A MERDIFICAÇÃO DA CABELEIRA DO MAESTRO – O astro é o exímio violinista Ricardo Wagner, famoso por sua imensa prole legal, acrescida de outros descendentes oriundos de aventuras extraconjugais, pelo que era reconhecido com raparigueiro juramentado. Estando Mister Six hospedado no antigo Empire Hotel, no Rio de Janeiro, recebeu ele visita do amigo violinista no último andar, onde funcionava um requintado restaurante de comidas baianas. O virtuoso chegou acompanhado de uma de suas concubinas, linda gauchinha descendente de italianos chamada Sofia. No almoço, caruru, efó, vatapá, moqueca de siri mole, bobó de camarão, etc., tudo com leite de coco de dendê, bem apimentado e regado a vinho branco. Terminado o ágpe, Ricardo pediu a Mister Six a chave do apartamento para uma rápida incursão sentimental, sendo imediatamente atendido pelo amigo, que ali ficou esperando a volta dos pombinhos. De repente, quem lhe aparece é o mensageiro do hotel, comunicando que o músico devia estar com algum problema, pois acabara de fazer estranha encomenda: seis vidros de xampu, condicionadores de teores diversos, dois pentes finos, três vidros de sabonete líquido, além de meia dúzia de tolhas de rosto. Diante do inusitado, Mister Six rumou para o apartamento, sendo interceptado pela garota Sofia, que descreveu a ocorrência: estando os dois em prefeita coalizão amorosa, resolveram apelar para um posicionamento invertido, cognominado soixante-et-neuf, quando ela, por cima, se sentiu, repentinamente, mal da barriga, explodindo, sem querer, um violento jato de merda, com perfume de dendê, sobre a cabeleira do parceiro que, em defesa, empurrou suas nádegas para a frente, ocasionando um segundo jato, ainda mais forte sobre seus olhos. E ao pobre maestro, cego e merdificado, só restou correr para o banheiro, em busca de assepsia geral.

Esta, por ter acontecido muito comigo durante meu tempo útil de trombonista, merece transcrição.

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“Até hoje, por incrível que pareça, os músicos são discriminados, porque a maioria pensa que eles, não obstante exercerem essa magnífica profissão, exibem-se não como meio de vida, porém como divertimento. Dentro desse equivocado entendimento, vêm sendo explorados, principalmente os instrumentistas, pela distorcida demanda do mercado. Do mesmo modo, com raríssimas exceções, também são considerados de nível social inferior.

“Vários de nossos artistas ligados ao gênero chorístico, entre os quais pessoas de alto gabarito em outras atividades, foram convidados para uma recepção numa mansão do Lago Sul, bairro elegante, onde reside a classe alta de Brasília

“Formamos, então, uma pequena caravana, e partimos, juntos, para o endereço indicado. Éramos, mais ou menos, dez cavalheiros, cada qual empunhando seu instrumento.

“Ao tocarmos a campainha, no interfone, a dona da casa perguntou quem éramos.

“- Somos os músicos! – eu respondi displicentemente.

“Vejam o que ela disse:

“- Está bem! Um momentinho! Vou mandar abrir a entrada de serviço!

“Em fila indiana, já combinados, atendemos à recomendação.

“Na sala principal, cumprimentamos todos os convidados e os donos da casa, saindo pela imponente porta social, sem dizermos absolutamente mais nada.

“A festa, simplesmente, em respeito a nós mesmo, ficou sem música.”

Mister Six, além desse divertidíssimo livro, deixou-nos este maravilhoso CD, verdadeira raridade, não encontrada no mercado fonográfico, para marcar sua passagem entre nós, secundado por seu excelente grupo de amigos chorões:

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Como amostra da arte de Mister Six e seu cavaquinho, escolhi o chorinho Rossinando, composição sua em homenagem ao bandolinista recifense Rossini Ferreira, produtor do CD que, com ele, aparece na capa. Vamos ouvi-lo:

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BALSAS, MA: DO FUTURO PARA O PASSADO

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Como já foi amplamente divulgado aqui no JBF, no Facebook, urbi et orbi, estarei autografando, com a Graça de Deus, na noite do dia 12 próximo, no Arraial do Festejo de Santo Antônio, meu último livro, Memorial Balsense. Trata-se do lançamento umbilical, eis que o nacional já ocorreu a 19 de março último, Dia de São José, no Restaurante Carpe Diem, aqui em Brasília, quando choveu a cântaros, o que é normal na data consagrada pelos nordestinos ao Padroeiro da Chuva.

Hoje, 9 de junho, quinta-feira, estou escrevendo esta matéria por antecipação, para ir ao ar no dia 15, segunda-feira próxima. Faço-o porque, de 10 a 15, estarei longe de casa e deste micro, dileto companheiro. Por isso, vou tentar aqui prever o futuro, levando em conta tudo o que já foi combinado e esperando que nada saia diferente do adredemente previsto.

O FUTURO

Dia 10 de junho, quarta-feira – Saímos de Brasília, de madrugada, eu, minha primogênita, seu marido e minha caçula, na Ford Ranger de meu genro. Minha mulher não nos acompanhou, devido ao período de provas na Faculdade onde estuda. Na bagagem, 250 exemplares do livro. Percurso total: 1.614 km de chão! Ao escurecer, paramos no primeiro hotel encontrado, onde pernoitamos.

Dia 11 de junho, quinta-feira – Reiniciamos a viagem, às 06h00, paramos em Carolina, para abraçarmos meu irmão Pedro Silva e, logo após, pegamos a estrada, chegando a Balsas no maio da tarde. À noite, entrevista na TV Boa Notícia, afiliada da Rede Vida, para irem ao ar no dia seguinte.

Dia 12 de junho – sexta-feira – Entrevista na TV Mirante, afiliada da Rede Globo, com a apresentadora Alzira Coelho, reza do Terço na Matriz de Santo Antônio, ao meio-dia, com retreta ao final. À noite, às 21h00, depois da Santa Missa, e com a apresentação a Professora Marlene Costa Garcez, Diretora da Escola Normal, autografei cerca de 50 exemplares – é a média. Os volumes restantes do livro serão entregues à amiga Maria do Socorro Ferreira Vieira, que os administrará. Tomando parte no Festejo, jantei, na barraca principal, comidas típicas balsenses: marizabel, vatapá, paçoca e banana, acompanhadas de refrigerante diet.

13 de junho, sábado – Dia de Santo Antônio, nosso Padroeiro. Participamos do encerramento do Festejo, com reza do Terço ao meio-dia, Procissão ao final da tarde, seguida pela Santa Missa, culminando com jantar da barraca e arremate de joias no leilão.

Dia 14 de junho, domingo – Saída de Balsas, às 06h00, fazendo o percurso inverso, com pernoite a 600 km de Brasília.

Dia 15 de junho, segunda-feira – Chegada a Brasília no meio da tarde. Nessas alturas, esta premonitória matéria já foi ao ar, mercê das gentilezas da equipe técnica do Jornal da Besta Fubana, que a recebera por antecipação.

O PASSADO

Em homenagem a meus conterrâneos, que tão bem nos receberam durante essa breve estada entre eles, tenho o prazer de apresentar-lhes uma foto rara, batida em 1940, pequena amostra da mocidade balsense daquele tempo, identificando cada personagem:

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Foto do acervo particular deste colunista

01 – Raymunda Pires, a Dica, filha de Álvaro e Marina Pires, depois casada com meu primo Pedro Maranhense Costa.

02 – Yolete Pires, filha de Alexandre e Justina Pires, depois casada com Jorge Clemenceau Kury.

03 – Conceição Borges, filha de Tunda Borges e Ester Barbosa, a Cotinha. Rainha do Festejo de 1946 e coroada na noite de 13 de junho, foi covardemente assassinada por seu namorado, a tiros, cinco dias depois.

04 – Terezinha Pereira, filha de João Batista da Silva Pereira e Nemézia Santiago Pereira, depois casada com Miguel Lima, o Miguelzinho.

05 – Nízia Crisólida Pires, filha de Alexandre e Justina Pires.

06 – Yolanda Borges, Filha de Tunda Borges e Cotinha, depois casada do meu primo Esmaragdo de Sousa e Silva.

07 – Terezinha Coelho, irmã de Absalão Coelho.

08 – Antonieta Barbosa, filha de Sadoc Barbosa.

09 – Raimunda Rocha, a Mundiquinha, filha de Zefinha Rocha, depois casada dom Gumercindo Tourinho.

10 – Ceci Pires, filha de Álvaro e Marina Pires.

11 – Rute Rocha, Diretora do Grupo Escolar Professor Luiz Rêgo e mulher do fotógrafo Rochinha, que registrou esse flagrante.

12 – Mary. Bandolinista, Mary é a na única na foto que não residia em Balsas. Estava por lá a passeio, mas deixou isso registrado, assim como esta pose com seu instrumento:

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13 – Miriam Rocha, filha de Zefinha Rocha e irmã da Mundiquinha.

14 – Raimundinha Pires, depois casada com Pedro Pires e mãe do lendário Luiz Pires.

15 – Marica Rocha, filha da outra Zefinha Rocha e tia do Luiz Piauí, garoto muito levado.

16 – Maria Augusta Borges, filha de Tunda e Cotinha Borges, depois casada com Luiz Viana da Fonseca.

17 – Maria de Jesus Pires, filha de Alexandre e Justina Pires, depois casada com Moisés Coelho e Silva.

18 – Magnólia Pires, fila de Álvaro e Marina Pires, irmã de Ceci e Dica.

19 – Maria Isaura Albuquerque e Silva, minha irmã, depois casada com Pedro da Costa e Silva.

20 – Rosinha, irmã da Branca de Neve. Nada se conhece sobre seus genitores.

21 – Emerenciana Coelho, depois casada com Omar Ribeiro.

22 – Yolanda Coelho, filha de Parsondas e Wady Coelho, a Didi, depois casada com Tarquínio Noleto.

23 – Luíza Rocha, filha de Raimundo Rocha, o Mundico Rocha.

24 – Pedro Albuquerque e Silva, meu irmão, depois casado com Naide Noleto

25 – Luiz Pires, filho de Álvaro e Marina Pires, e irmão de Dica, Ceci e Magnólia.

26 – Miguel Borges, filho de Tunda e Cotinha Borges e irmão de Maria Augusta, Conceição e Yolanda.

27 – Adelman Pires, filho de Álvaro e Marina Pires e irmão de Dica, Ceci, Magnólia e Luiz Pires.

Para botar música na conversa, aqui vai o samba Balsas, Cidade Sorriso, de 1946, composto por Martinho Mendes, nosso saudoso e inesquecível saxofonista, com letra de um caixeiro viajante desconhecido, e gravado por Felipe Rodrigues, do Estúdio Verbo Vivo, de Brasília, em youtube produzido por Jorge Rocha, meu Assessor Performático.

MEMORIAL BALSENSE – LANÇAMENTO EM BALSAS

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É neste Arraial que autografarei:

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Para vocês, o Hino de Santo Antônio, música e letra de Eleutério Resende, na interpretação de Mércia Cairis e Felipe Rodrigues, do Estúdio Verbo Vivo, de Brasília, em youtube produzido por Jorge Rocha, meu Assessor Performático:

CARNAVAL EM TIBAU: MATANDO A PAU

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Carnaval de rua de Tibau

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Tibau – encantado balneário potiguar

Neste ano de 2015, com a ausência das Escolas de Samba brasilienses, vivemos, em compensação, fenômeno inusitado, com o povão acorrendo espontaneamente a todas as armações de folia, sem patrocínio oficial, sem a intromissão do governo, na abolição definitiva – assim espero – do Carnaval plastificado.

Para mim, o Carnaval é festa de rua, com os blocos de sujos e troças gandaieiras surgindo de cada beco, de cada esquina, em cada viela. Foi assim que vi meus irmãos mais velhos e seus amigos saindo pelas ruas balsenses, entrando nas residências levando a alegria e também se reabastecendo de bebida e tira-gosto.

Cresci curtindo essa lembrança e tive a oportunidade, juntamente com Luiz Berto, de carregar o povão pelas superquadras de Brasília, enquanto durou a Banda da Capital Federal, até que autoridades governamentais tolhessem nossa aprontação, sob o pretexto de que, com nossa música, fazíamos barulho, prejudicando o repouso de figurões coroados da República.

Aprendi a tocar trombone visando apenas um objetivo: alegrar os desapercebidos que, sem condições financeiras de frequentarem salões de clubes sociais, fazem da rua seu espaço durante o período momesco. O flagrante abaixo mostra que realizei esse ideal. Numa segunda-feira de Carnaval, em 1979, pela manhã, voltava eu duma armação. Ao passar por Sobradinho, cidade-satélite de Brasília, vi um grupo que desfilava pelas ruas, dançando, cantando e pulando, ao som de reduzidíssimo instrumental: um surdo, um tarol com o couro furado, um reco-reco e latas. Desci de meu fusquinha e incorporei-me àquela moçada, o que ficou para sempre registrado:

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Mas voltemos ao Carnaval Brasília/2015.

Este ano, segundo avaliação da imprensa e da Polícia Militar, compareçam à Praça do Cruzeiro, onde se concentraram os blocos vindos de pontos diversos, mas de um milhão e quinhentas mil pessoas. As imagens abaixo dão duma ideia de como isso foi:

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Lindo!! Maravilhoso!!! Desbundante!!!

Em todas as imagens pesquisadas, procurei, como quem procura agulha no palheiro, a figura imprescindível, indispensável, característica do Carnaval de minhas quimeras:

Sua Excelência, o Músico de Sopro!

E é agora que passo a me referir do Carnaval de Tibau!

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Antonio Gomes e este colunista

Há muito tempo, venho falando aqui no Maestro Antonio Gomes Sales, de Caraúbas (RN), que continua realizando, a meu pedido, um trabalho importantíssimo no resgate de partituras de marchinhas, frevos e sambas carnavalescos, em suas horas de folga, sem nada cobrar por isso. Até o próximo Carnaval, estaremos com 500 novas peças que, somadas às já digitalizadas, perfarão a marca de l.720, que serão colocadas à disposição de todos os músicos do Brasil e do Exterior, via Internet, e tudo isso grátis. Será nossa contribuição para o a perenidade da Música Carnavalesca Brasileira. Ei-lo aqui com a Banda de Música de Caraúbas, da qual é o Regente:

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Pois bem, este ano, o Maestro Antonio Gomes foi convidado pelo Maestro da Orquestra Enrick Frevo para dar uma canja no Carnaval de rua de Tibau, e ele não se fez de rogado.

Tibau é um pequeno município potiguar à beira-mar, emancipado há 19 anos e com menos de 4 mil habitantes, sabendo estes aproveitar os bons momentos da vida. É o que se deduz vendo a população seguindo a Orquestra no Carnaval, com a participação de Antonio Gomes Sales, o primeiro saxofonista da esquerda para a direita.

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Músicos e foliões tibauenses na Segunda-feira Gorda

No vídeo abaixo, gravado com celular na Terça-feira Gorda, a Orquestra interpreta o frevo de rua Cabelo de Fogo, composição de José Nunes, no qual se tem o prazer de apreciar o perfeito diálogo entre as palhetas e os metais:

Vocês notaram os foliões seguindo a orquestra? Verdadeiro bloco se sujos! É por isso que eu não me canso de proclamar:

No Carnaval, Tibau matou a pau!

TRIO MOSSORÓ

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 João Batista, Hermelinda e Oséas Lopes

O Trio Mossoró habita minhas prateleiras desde 1980, quando adquiri o LP O Melhor do Trio Mossoró:

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Mas é, praticamente, um ilustre desconhecido no Brasil, quiçá em sua própria terra. Há poucos dias, Beto Potiguar, o técnico de cuida dos computadores daqui de casa, natural de Caraúbas (RN), ficou surpreso ao ver um CD do Trio, que e eu montara para meu acervo, e disse que jamais ouvira falar dele, acrescentando que vai muito a Mossoró, pois tem um irmão lá residente. O fato é marcante, pois o Beto é zabumbeiro de um conjunto brasiliense de Forró.

No dia 6 de maio de 2014, foi lançado, em Mossoró, o livro Minha História, de Oséas Lopes, contando detalhes da trajetória do Trio. Tentei adquiri-lo, mas em vão:

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Minha intenção é mostrar aqui um pouco do trabalho desse Conjunto, dizer algo sobre seus três componentes. Como as contracapas de seus elepês nada informam, e não querendo me valer de dados não muito confiáveis, vou ater-me ao pouquinho que consta do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

O Trio Mossoró é composto pelos irmãos Carlos André Batista, o Oséas Lopes, João Batista, o João Mossoró, e Hermelinda Batista, a Ana Paula.

Foi fundado no princípio dos anos 1950, pelo sanfoneiro Carlos André Batista, que já havia atuado na Rádio Tapuyo de Mossoró. Pouco depois, Carlos André mudou-se para o Rio de Janeiro, para onde chamou os irmãos visando a dar continuidade ao trabalho do Trio.

No Rio de Janeiro, o líder e fundador já atuava nas rádios Mayrink Veiga e Nacional, mantendo contato e intercâmbio com o compositor maranhense João do Vale.

Em 1954, recebeu em cerimônia, no Teatro Municipal no Rio de Janeiro, o troféu Elderbe, o mais importante prêmio musical naquele momento.

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Em 1962, gravou o primeiro disco, o LP Rua do Namoro. Depois disso, lançou, ao longo da carreira, cerca de 10 elepês, destacando-se, entre os quais, Trinta Dias de Forró e Forró do Mexe Mexe.

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Participou, ainda, de inúmeras coletâneas de música forrozeira.

Em 1972, o Trio se separou, com seus integrantes partindo para autuações individuais.

Possuo em meu acervo 25 títulos de seu repertório, alguns deles garimpados no baú do amigo Paulo Carvalho, Cardeal da Igreja Sertaneja e Membro da Academia Passa Disco da Música Nordestina.

Baseado nesse cabedal, aventuro-me em dizer que o Trio Mossoró, foi, enquanto durou, o grande intérprete da dupla Antônio Barros e Cecéu. Deles são 15 peças dos 25 títulos acima citados.

Como pequena amostra, escolhi cinco ritmos nordestinos diferentes, para que vocês possam curtir um pouco as preciosidades que esses maravilhosos artistas nos legaram:

Eta Coração, rojão, de Antônio Barros;

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Era Fogo, xote, de Cecéu;

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São João Chegou, arrasta-pé, de Cecéu;

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Carcará, baião, de João do Vale e José Cândido, ressaltando a voz de Ermelinda/Ana Paula;

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e Praça dos Seresteiros, toada, de Antônio Barros e Oséas Lopes.

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SERÁ QUE LEEM MEUS ESCRITOS?

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Tenho cá minhas dúvidas.

No Facebook, quase certeza de que sou pouco lido. Embora conte já com 899 amigos, a página Raimundo Floriano – Escritor, crida há quase um ano, onde posto matérias semanalmente, mereceu, até hoje, 293 curtidas.

Aqui no Jornal da Besta Fubana, médio, a coisa anda a meia-trave. No dia 13.4.15, postei a matéria NEIDE SANTOS – DESAFIO AOS CORDELISTAS FUBÂNICOS, esperando que a turma apresentasse seus reptos ao cordel de minha autoria enaltecendo nossa Madre Superiora, mas ninguém se pronunciou, retorno algum mereci.

Teimoso que sou, retomo o assunto aqui postado no dia 4.5.15, sob o título ESCRITOR: QUEM ME DERA SER!

E recomeço pinçando fragmento de notícia publicada na Revista do Correio, sobre profissões mais paqueradas:

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No dia 4, falei sobre o escritor. Agora, tecerei algumas considerações sobre a carreira de bibliotecário, a segunda mais desejada no Império Britânico.

Quando tomei possa na Câmara dos Deputados, em março de 1967, falaram-me que aquele prédio parecendo um caixote, no Anexo II, era a Biblioteca, superlotada de bibliotecárias cada qual a mais linda. Aliás, em matéria de beleza feminina, já naquele tempo só era feia quem optasse por isso. Todas as porteiras das fazendas, na estrada de Brasília para Goiânia, traziam esta mensagem publicitária: “Mulher bonita usa perfume Liz Taylor”. Hoje, com o domínio da TV, sabemos que “não existe mulher feia; existe mulher que não conhece os produtos da Jequiti”.

Mas retomemos o assunto do qual, com esta digressão, quase me perdi.

Nove anos depois de entrar na Câmara dos Deputados, fui lotado na Biblioteca, com exercício na Seção de Publicações. E, ai, conheci a verdadeira natureza do trabalho das bibliotecárias.

Claro que, no item boniteza, elas continuavam imbatíveis – não existe mulher feia. Porém havia mais, muito mais.

A etimologia de seu nome já indica a que vieram: do grego biblion = livro.

Se o escritor é o pai, a bibliotecária é a mãe do livro. E que mãe carinhosa e dedicada! Com que prazer ela manuseia um exemplar, classifica-o, assume sua guarda!

A bibliotecária conhece cada volume que passa por suas mãos. Sabe sua história e tem ciência de seu conteúdo. Basta que alguém informe vagamente o tema sobre o qual pesquisa, para que ela vá direta e rapidamente ao ponto. Tudo isso porque é leitora fiel e atenta.

Falar em leitor fiel, outro dia, uma bibliotecária amiga me chamou a atenção sobre o conto-título do livro de que encabeça esta matéria, escrito pelo francês Guy de Maupassant no ano de 1880. Eu falei 1880!

Instigado pela amiga, aproveito o ensejo para testar a atenção de meus leitores, no sentido de que eles procurem detectar a semelhança do conto Bola de Sebo, com algo lido ou ouvido mais recentemente, na segunda metade do século passado.

A trama se passa em dezembro de 1880, sob o governo de Luís Napoleão Bonaparte – que assumira o título de Napoleão III, Imperados dos Franceses. Num conflito que durou poucas semanas, o Exército Prussiano dominava a França. Alguns comerciantes de Ruão tinham grandes transações no Havre, cidade ainda ocupada pelo Exército Francês e buscavam alcançar aquele Porto, indo por terra até Diepe, onde tomariam um barco. Valendo-se eles da influência de oficiais alemães com os quais haviam travado conhecimento, obtiveram do Comandante local autorização para viajar.

Uma grande diligência foi reservada para a viagem, devendo sair na madrugada duma terça-feira, para evitar ajuntamento. Às 4 horas da manhã, partiram. Eram dez passageiros: a Sra. e o Sr. Loiseau, negociante de vinho por atacado; o Sr. Carré-Lamadon, proprietário de tecelagens de algodão, portador da Legião de Honra e membro do Conselho Geral, e a Sra. Carré-Lamadon, consolo dos Oficiais de boa família que iam servir em Ruão; o Conde e a Condessa Hubert, ele também membro do Conselho Geral; duas Freiras, uma velha, marcada pela varíola, e a outra, fraquinha, de cara bonita e doentia; O Sr. Cornudet, o democrata, herdeiro do pai, antigo confeiteiro; e, por último, uma mulher dessas chamadas “de vida fácil”, ou puta, famosa por sua gordura, o que lhe valera o apelido de Bola de Sebo.

Baixinha, redonda, banhuda, com os dedos rechonchudos, pele brilhante e esticada, uma peitaria avolumada, ela continuava apetitosa e atraente. O rosto era uma maçã, de onde saltavam dois magníficos olhos negros. A boca era encantadora, própria para o beijo, com dentes brilhantes e microscópicos. Diziam que era dotada de qualidades fora de série.

Logo que a reconheceram, correu entre as mulheres um murmúrio com as palavras “prostituta”, “vergonha pública”, ao que Bola de Sebo ergueu a cabeça, passeando um olhar atrevido e desafiador pela vizinhança. A presença da rapariga tornava as damas de bem subitamente amigas, quase íntimas, pois compunham um buquê de esposas dignas diante daquela descarada, pois sempre o amor legal trata do alto seu companheiro livre.

A carruagem seguia lentamente. Às dez horas da manhã, ainda não tinha percorrido quatro léguas. A fome começou a aperrear as mentes e barrigas de todos. Os homens, procuravam, comida nos sítios na beira da estrada, mas em vão.

Às três horas da tarde, com todos esfomeados, Bola de Sebo puxou lá debaixo do banco um grande cesto coberto por uma toalha, cheio de todo tipo de comida, bebida e frutas, que prepara para uma viagem de três dias. Delicadamente, começou a comer uma asa de frango com um pãozinho. Todos a olhavam com inveja. O desprezo das damas pela rapariga tornou-se feroz, uma vontade de matá-la, atirá-la para fora, ela, as garrafas de vinho, o cesto de mantimentos.

Mas Bola de Sebo, magnânima, ofereceu a comida para todos, repartiu o que trazia com as damas e o senhores ricaços para os quais, naquele momento, o estômago falava mais alto que o orgulho.

A viagem prosseguiu. À noite, chegaram a uma vila, parando diante do Hotel do Comércio, onde pernoitariam. Ali, foram recebidos por soldados alemães que os acolheram e agasalharem na estalagem. Na hora da ceia, o dono do albergue perguntou:

– Quem é a Senhorita Elizabeth Rousset? Bola de Sebo respondeu:

– Sou eu!

– Senhorita, o Oficial prussiano quer falar-lhe imediatamente!

– Comigo?

– É, se a senhorita for Elizabeth Rousset.

Bola de Sebo ficou meio confusa, refletiu um instante, depois declarou petulantemente:

– É possível, mas não irei!

Para encurtar a história, o Comandante prussiano queria que Bola de Sebo fosse servi-lo na cama, dormir com ele.

As senhoras de bem ficaram injuriadas, por não ter sido uma delas a escolhida para transar com o Comandante. Bola de Sebo, cheia de brios, endureceu o jogo: com ele não se deitaria!

De seu lado, o Comandante prussiano também tesou: se ela não lhe proporcionasse uma noite de amor, a carruagem não daria continuidade à viagem. Os passageiros tentaram convencer Bola de Sebo com estes argumentos:

– Vai com ele, vai, Bolinha! Você dá para todo mundo! É só mais um!

Mas a rapariga mantinha-se inflexível.

Diante do impasse, todos passaram a tratar Bola de Sebo com carinho e simpatia, chamando-a de Madame Rousset, Senhora Rousset, Senhorita Rousset, até de queridinha. E ela, to m aí!

E o tempo foi passando. Até que um dia, condoída pela situação dos demais companheiros de viagem, Bola de Sebo tomou uma decisão

– Hoje à noite, eu vou! Só faço isso por todos, exclusivamente!

Naquela noite, houve festa na estalagem, com muita bebida, champanhe, música, dança e cantoria, enquanto Bola de Sebo se submetia ao sacrifício pelo bem de todos.

Na manhã seguinte, com a carruagem já liberada, todos só esperando a chagada de Bola de Sebo, de repente ela apareceu, um pouco sem jeito, meio envergonhada. Com timidez, caminhou em direção aos outros, que, num movimento único, lhe viraram as costas, como se nunca a tivessem visto.

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Todos lhe viraram as costas

Dessa vez, Bola de Sebo não prepara seu farnel para a viagem. E, durante o resto do percurso, os companheiros, providos de alimentos e vinho, fartavam-se nas refeições, mas sem nada oferecer àquela que os salvara. Nem ao menos a palavra lhe dirigiam.

E Bola de Sebo, vez em quando, sem conseguir conter as lágrimas, chorava baixinho, provocando este comentário das senhoras de bem:

– Está chorando de vergonha! Bem feito!

* * *

Querido leitor, se você me suportou até aqui, sou-lhe eternamente grato. E é a você, dileto amigo, que tenho a curiosidade de perguntar: já ouviu ou leu essa história, contada por outro autor, em algum momento de sua vida?

DESENTERRAMOS O BATRÁQUIO!!!

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UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA! UFA!

Doze vezes UFA! Treze vezes, não, porque aí já seria por demais urucubaca com o azarado treze!

Foram doze longuíssimos anos sem ganharmos o Campeonato Carioca! Doze anos em que o estigma de vice foi uma pedra em nosso sapato!

Falar em pedra, lembrei-me dum personagem mitológico que foi condenado a rolar enorme pedra de mármore até o alto de íngreme montanha, sendo que, todas as vezes em que quase estava chegando lá em cima, a pedra despencava ladeira abaixo, vez que o sujeito achava-se impiedosamente sentenciado ao eterno recomeço. Assim fomos nós, os vascaínos. Nadávamos, nadávamos, mas morríamos na praia, pertinho dos títulos, que nos fugiam, fazendo de nós uns eternos vices. Sabem como era o nome do cara da montanha? Era Sísifo. Igualmente a ele, nós, por doze anos, simplesmente se sifu!

A maldição sempre pairou sobre nossas cabeças, por meio das mais diversas e malignas pragas advindas de funestos torcedores, que só se dão bem na vitória, que tripudiam sobre cadáveres, tal qual sanguinolentas hienas.

Vale aqui lembrar a mais satânica delas, rogada por um torcedor andaraiense nos Anos 1930.

Em 1934, quando o Andaraí disputava o Campeonato Carioca, o Vasco impôs-lhe fragorosa derrota pelo placar de 12 x 0. É lenda que um tal de Arubinha, torcedor fervoroso do Andaraí, enterrou um sapo lá em São Januário, ajoelhou-se, elevou as mãos para o alto e clamou:

– Se praga de urubu pegar, o Vasco da Gama ficará doze anos sem ganhar o Campeonato Carioca!

Minino, nem te conto! Ganhamos ainda em 1936, mas, daí pra frente, a maldição nos pegou, colou em nosso couro, ficou grudada na sorte dos vascaínos que nem catarro na parede!

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O sapo do Arubinha

Os anos foram-se passando, e nada do Vasco conquistar mais o título. Só em 1945, atendendo a insistentes súplicas, dizem que o Arubinha foi lá e desenterrou o sapo. E o Vasco sagrou-se Campeão naquele ano.

No presente século, parece que enterraram novamente um batráquio lá em São Januário, desta vez para que não ganhássemos título algum. E quem sepultou em nosso estádio se maléfico anuro? O último campeonato que ganhamos foi em 2003, vencendo o Fluminense. De lá pra cá, foram esses sofridos 12 anos, numa reedição da praga do Arubinha, agora concretizada com implacável impiedade.

Volto a perguntar: quem enterrou o batráquio em 2003? Os tricolores não foram, pois é bem conhecido seu espírito fleumático, de verdadeiros lordes! Os alvinegros, também não, haja vista o belíssimo espetáculo de fair play diante da conquista vascaína no último domingo. Os rubro-negros, nem pensar, eis que seus interesses não estavam em jogo. Então, só pode te sido obra individual. Mas de quem? De quem? Assim pensava eu, quando a ficha caiu, ao ver essa postagem da flamenguista Luciene – não vou dedurar sobrenome – no Facebook:

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Como vocês estão carecas de saber o sapo, vulgo batráquio, é uma pronta e acabada metamorfose ambulante. Ao revelar-se, a coveira Luciene mostrou que não foi um sapo, mas sim um batráquio, metamorfoseado em morcego, que ela enterrara em São Januário.

De nossa parte, com lindas vitórias, pacíficas, límpidas, tranquilas, mansas e incontestes, tornamos imperiosa, urgente e irreversível a exumação! Sai pra lá, batráquio alado azarento da peste!

Nossa conquista do Campeonato Carioca/2015 foi tão acachapante para ela que, sem precisar de nossas súplicas, resolveu liberar a maldição que tanto nos oprimia. Espero que, agora, para sempre.

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Ícones do Vasco, Campeão da Copa do Brasil/2011

A Cruz de Malta, ou Cruz de São João, é o símbolo da união das energias cósmicas e telúricas, a sintonia da Terra com o Céu. Por isso, o Papa Francisco carrega-a em seu manto. A faixa branca no escudo representa a conquista dos navegantes portugueses, vencendo a escuridão em que vivia a humanidade antes de suas grandes descobertas. A caravela foi o meio para a realização desse desbravamento.

Assim seguiremos nós, doravante, e com Doriva no comando, rumo ao futuro, na busca de novas conquistas, sempre respeitando os adversários, livres de imprecações e sob a proteção da Divina!

“Minha galera dos verdes mares não teme o tufão”.

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Para alegrar a Torcida Vascaína, aqui vai a marchinha No Boteco do José, do flamenguista Wilson Batista, em parceria com Augusto Garcez, na voz de Linda Batista, sucesso estrondoso no Carnaval de 1946.

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ESCRITOR: QUEM ME DERA SER!

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A Revista do Correio publicou, mês passado, esta chamada, que muito me despertou a curiosidade:

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Em seguida, o desdobramento da matéria:

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Mais importante que ser escritor é ser lido. E ser lido em sua paróquia, em sua Quadra, no seio de sua família, no meio de seus colegas de trabalho é, simplesmente, a glória!

Coincidentemente, a Voz Ativa de março de 2015, trouxe este incitante tópico.

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Isso balançou mais ainda meu coreto, e positivamente, pois sou um leitor compulsivo. Meu amor à leitura data de 1946, quando, aos 10 anos de idade, fui presenteado por um irmão com meu primeiro livro extraclasse, lúdico, o romance A Volta e Tarzan, de Edgar Rice Burroughs. Desde então, foram mais de 1.500 obras lidas e anotadas.

Com o prazer da leitura, veio o gosto de escrever. Mas, vejam bem, não sou um escritor! Quem dera! Apenas adoro manchar a brancura do papel – ou da tela do micro – com o que estou pensando, e disso resultou um acervo de seis livros lançados. Com esse rasteiro cabedal, posso até ser considerado um plumitivo, um escrevinhador, um escriba.

Os livros dum escriba de meu porte só acontecem no lançamento. Felizmente, aqui em Brasília, onde se dá o Lançamento Nacional, e em Balsas, com o Lançamento Umbilical, o comparecimento vem-se revelando consagrador. Quem tem amigo na praça, tem dinheiro no caixa!

No último, o do Memorial Balsense, no Restaurante Carpe Diem – o de Balsas acontecerá a 12 de junho -, vivi a alegria da presença de mais de 200 pessoas, em que pese a forte chuva que caía. Depois, é um pinga-pinga vagaroso, e o esquecimento chega com muita rapidez.

Com meus quatro últimos rebentos, não deixei que tal acontecesse. Acabada a festa, passei a remeter exemplares para minha lista de endereços, aí compreendidos familiares, amigos, conhecidos e, principalmente, colegas aposentados da Câmara dos Deputados, sem consulta prévia, e solicitando-lhes pequena ajuda para cobrir as despesas de produção.

O retorno era mínino. Particularmente, no universo de meus colegas aposentados, a “rejeição” era superior a 80%. Mas eu ignorava o fato, fechava os olhos, pois o que me interessava mesmo era que me soubessem atuante, terem em sua casa o produto de minha teimosia intelectual.

O que nuca avaliei era o constrangimento que essa minha atitude causava na outra ponta, no lar do destinatário. Jamais avaliei a saia-justa que lhe provocava com meu impensado procedimento.

Até que, no dia 15 deste mês de abril, recebi, de uma colega aposentada, o Memorial Balsense que eu lhe remetera, devidamente intocado, dentro de outro envelope, acompanhado deste sucinto mas decisivo ultimato:

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Verdadeiro “simancol”! Preciso dizer mais? Quem toma um desses e não se sente, tem a cara de demente!

Por isso, diletos amigos, familiares e colegas aposentados, assumo aqui o compromisso de não mais os perturbar.

Meu próximo livro, Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, com os ansiosamente esperados Versos Sacânicos, a ser lançado em julho de 2016, nas comemorações de meus 80, será remetido apenas àqueles que manifestarem, expressamente, seu desejo de recebê-lo.

E me perdoem por todo esse aborrecimento, fruto de minha leviana inconsequência!

TROMBONE NO FORRÓ BALSENSE

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Domingos no triângulo, este colunista no trombone, Mestre Riba na sanfona, Coxa na bateria, Cabeludo no reco-reco e Félix no Pandeiro

Nas férias de julho de 1974, à noite, Balsas era igualzinho a um Parque da Disney, com atração pra todo lado. Ô povo que sabe se divertir pra valer!

No item jogatina, então, competia de igual para igual com Las Vegas. Havia o Bingo do Severino, atração internacional, onde procurei, inutilmente, ser um milionário sul-maranhense:

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Este colunista tentando a sorte

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Outros apostadores – A jovem à esquerda era carinhosamente conhecida como Periquita

Outra grande atração internacional era o Caipira do Surdo. Jogava-se 1 para ganhar 5:

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Jogo Caipira: Quem menos bota, mais tira

No Clube Recreativo Balsense, todo final de semana, apresentava-se um conjunto musical de fora. Na época, a sensação era o carimbó, e a juventude dançava pra valer.

Tempo bom aquele em que os prazeres da vida eram dez: 1 – nascer chorando; 2 – comer gostando; 3 – dormir roncando; 4 – sonhar voando; 5 – jogar ganhando; 6 – pescar pegando; 7 – dançar colando; 8 – transar beijando; 9 – cagar fumando: e 10 – morrer peidando.

Dançar colando! Vocês se lembram disso? Coisa de meu tempo de rapaz!

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Em 1974, dois saudosos amigos meus, que não me deixam mentir

Mas o que eu quero mesmo é falar do Forró que, toda noite, corria maneiro na Boate Popular. A foto que encabeça esta matéria é o registro de uma delas em que fui, com meu trombone, dar uma canja ao amigo Mestre Riba. As imagens dirão tudo. Apenas tarjei as frontais, por não saber identificar os personagens.

Naquelas férias, a minissaia era o hit, o fashion, no vestuário feminino. No masculino, a calça boca-de-sino.

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Jovens bailarinas esperando a Boate Popular abrir

Aberta a Boate Popular, começou a dança no salão:

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Esta bailarina era carinhosamente chamada de Gaivota

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Lembrei-me até dum samba muito cantado lá pelos Anos 1940, cujo refrão dizia assim: Na Galeria Cruzeiro/Gastava todo o meu dinheiro/Mas eu sambava o ano inteiro/Ai, ai, ai/Meu tempo e rapaz solteiro.

Para relembrar mesmo aquele tempo feliz, nada melhor que ouvirmos o carimbó intitulado Sirimbó, sucesso absoluto no Norte/Nordeste, composição de Pinduca, com ele e Seu Conjunto. 

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BRASÍLIA, 55 ANOS: PASSANDO-A A LIMPO!

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Neste 55º Aniversário de Brasília, podemos proclamar aos quatro ventos que chegou a hora da virada! Estamos dando o troco! Estamos passando nossa querida Capital Federal a Limpo!

Há muito tempo, sofríamos o complexo de vira-latas. Brasília era citada como um continente de corruptos, sem o resto da população do país raciocinar que grande parte do lixo que aqui se acumulava era mandada de fora.

Nas eleições de 2014, mostramos que o eleitorado brasiliense, agora composto, em sua maioria, pelos aqui nascidos, sabe o que quer. Nos Primeiro e Segundo Turnos, demos um banho contra o Partido no Governo, denegando a reeleição presidencial. Para o Senado, mandamos um oposicionista. Para a Câmara dos Deputados, apenas um governistas, este brigado com a legenda. E, para nos governar, erradicamos de vez a vermelhidão que nos dominava.

Em 15 de março deste ano, na grande demonstração de repulsa contra a mentira e a enganação praticadas na campanha eleitoral, Brasília assim se comportou:

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Agora, no dia 12 de abril, novamente, Brasília lançou seu grito na grande demonstracão denominada FORA, DILMA! A Polícia Militar calculou a multidão em 25 mil. Já os manifestantes afirmam que eram, no mínimo, 60 mil. Vocês aí tirem suas conclusões:

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Em todo o Brasil, coincidentemente, a presença dos manifestantes foi subavaliada pela imprensa. Vejamos a massa popular no Rio e no Recife:

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Foi o Brasil acordando em tudo que é canto, liberando um grito há muito sufocado. Parabéns!!!

Um especial aspecto que infla o peito dos brasilienses de orgulho é o respeito à Faixa de Pedestre. Nisso, damos exemplo para todo o Brasil.

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Agora, em 2015, o respeito à Faixa de Pedestre completou 18 aninhos, ou seja, atingiu a maioridade. Na época de sua implantação, por exigência do Código de Trânsito Brasileiro, o Distrito Federal vivia sob a administração petista. Por isso, o Governador da época até hoje se vangloria de ter inculcado na população candanga esse sentimento que tanto hoje nos envaidece. Mas ele mesmo, com sua equipe, não o praticava, como mostra esta foto publicada no Correio Braziliense, durante a campanha educativa:

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Brasília agora é nossa. Como diz o samba de Benedito Lacerda, é nossa, tem dono e ninguém põe a mão!

E fiquem certos os que receberam nossa consagração nas urnas em 2014: mijou fora do caco, pode esperar a bordoada na próxima eleição!

Para comemorar esse importante momento cívico que vivemos, ouçamos o dobrado Brasília, composição do Maestro Élcio Álvares, com a Banda de Música da EsSA – Escola de Sargentos das Armas:

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NEIDE SANTOS – DESAFIO AOS CORDELISTAS FUBÂNICOS

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Raimundo Floriano e Neide Santos: dois sorrisos fubânicos

Cleneide Maria Ramos dos Santos é o nome desse precioso Diamante Negro! Dessa Nega/Fulô

Neide Santos é algo de bom que aconteceu em minha vida neste Século XXI!

Conheci-a em 2009, na posse da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, sendo a ela apresentado pelo Papa Berto, que já a nomeara Madre Superiora da Igreja Sertaneja.

Foi amor à primeira vista. A partir dali, nossa amizade grudou que nem catarro na parede. De volta a Brasília, nosso contato tem sido direto, com vantagens somente para meu lado. Faz pesquisas a meu pedido, adquire-me raros CDs de Forró; quando não os encontra, faz a abordagem direta com os artistas, conseguindo-me cópia do trabalho solicitado. E tudo isso sem me cobrar um puto sequer.

Neide é figurinha presente em todos os eventos culturais recifenses, adorada por todos os astros forrozeiros, que fazem questão de registrar em foto o momento com ela. Seu álbum de fotos no Facebook é um banho de reportagem sobre o movimento cultural nordestino na atualidade.

Ela já foi homenageada pelo Papa Berto com o acima citado título de Madre Superiora. Não havendo como encontrar um posto maior aqui em meu Cardinalato, a não ser o de Cardealesa, ora ocupado por minha Primeira-Dama, só um poema traduziria meu amor por ela.

Assim, resolvi homenageá-la da forma que sei, fazendo-lhe um cordelzinho, mas me enrasquei no logo na primeira estrofe. Qual a rima para Neide? Pensei em Chupicleide, mas isso seria nepotismo, em se tratando da Secretária da Redação deste nosso Jornal da Besta Fubana. O Dicionário de Rimas em nada me ajudou. Para safar-me, recorri até à Língua Inglesa. E o resultado vocês verão mais adiante.

A concluí-lo, submeti-o, através do Facebook, ao crivo de nossa querida Musa, obtendo dela esta reação:

– KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

Pois bem, ao publicá-lo, logo abaixo, eu desafio o repto! Ou seja, desafio todos os cordelistas fubânicos a também fazerem uma septilha de loa a essa querida amiga, e cito alguns: Ismael Gaião, Jessier Quirino, Xico Bizerra, Violante Pimentel, Dalinha Catunda, Marcos Mairton, Walter Jorge, Jesus de Rita de Miúdo, Madre Superiora Glorinha, José de Oliveira Ramos, Carlito Lima, Zelito Nunes, Fred Monteiro, Francisco Itaerço, Bruno Negromonte, Paulo Carvalho, e outros mais.

Agora, vejam o que, a duras penas consegui, aqui publicando com o beneplácito da homenageada:

Se você quer bufar, bufe
Se você quer peidar, peide
Mas nunca o faça dijunto
Dessa dama, dessa Lady
Por ela o mundo palpita
Se quer ver mulher bonita
Bote o nome de Cleneide

MANOEL BRIGADEIRO SE ENCANTOU

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No dia 10.10.2011, eu publicava aqui no Jornal da Besta Fubana esta matéria:

MANOEL BRIGADEIRO, O EMBAIXADOR DO SAMBA

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Brigadeiro e Raimundo Floriano – Carnaval 1996

Nestes tempos cabeludos de campanhas eleitorais cheias de bravatas e promessas mirabolantes – jamais cumpridas – para engabelar o eleitoranta, digo, o eleitorado, tempos de avacalhação do ensino da Língua Portuguesa, fico a lembrar-me de meu amigo Manoel Brigadeiro, por duas de suas composições, premonitórias, das quais adiante lhes falarei.

Manoel Frederico Soares nasceu no dia 25 de maio de 1922, em Natividade (RJ) e foi batizado com o sobrenome dos patrões de seus ancestrais, remanescentes dos tempos da escravatura.

De família bastante humilde, mudou-se para o Rio de Janeiro aos oito anos de idade, começando a trabalhar muito cedo como empregado doméstico, na casa dum militar, Antônio Guedes Muniz, que chegou a Marechal-do-ar. A cada promoção que o patrão recebia, os amigos, carinhosamente, também o elevavam de posto. Daí seu pseudônimo artístico: Manoel Brigadeiro.

Embora não tenha estudado Música, Manoel Brigadeiro iniciou-se, ainda na adolescência, na arte da composição de música popular. Frequentava todas as Escolas de Samba, nas quais até hoje tem trânsito livre, andou fazendo uns sambas de enredo, mas logo desistiu desse gênero, passando a dedicar-se a sambas de meio de ano e a marchinhas.

Em sua discografia, constam mais de 60 peças de sua autoria, gravadas por ele mesmo e por grandes nomes da MPB, como Alcides Gerardi, Carmen Costa, Isaurinha Garcia e Mário Genari Filho.

O convívio no meio aeronáutico lhe rendeu a profissão de mecânico de aviões e um cargo no então Ministério da Viação e Obras Públicas. Em 1974, foi transferido para Brasília, lotado no Ministério dos Transportes, vindo aqui residir, acompanhado de Gilda, sua mulher, e dos filhos do casal.

E foi naquele mesmo ano que o conheci. Todos os dias, nosso grupo de amigos ligados ao Samba e ao Carnaval se reunia na Estação Rodoviária, após o expediente, num boteco ao qual denominávamos Escritório, para bater papo, jogar conversa fora, compor, paquerar as transeuntes, combinar armações, tomar a saideira, esta acompanhada de caprichado tira-gosto, tudo isso até as 20h00, quando a cambada batia em retirada rumo ao sagrado conforto do lar.

Turminha boa aquela, de vários órgãos da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes: Tarcísio Marujo, Alvinho Barbicha, Walter Passarela, Waldir Pajaraca, Vovô Ozório, Tonico da Portela, José Guedes – pai do saxofonista e gaitista Mílton Guedes -, Lourenço Rodrigues, os Irmãos Pequeno – um deles pai da voleibolista Paula Pequeno –, Salvador da ARUC, Edson Coroa, Ney Coroa, Caju, Roberto Derrubada, José Cordeiro, Capitão Benon, Heitor Brandão, João Quarela, Antônio Patrício, Tenente Fogo Eterno, Juvêncio Das Quebras, Sacramento, Joãozinho Monteiro.

Foi no Escritório que aquele inconfundível negão, com seus característicos terno e boné brancos, se revelou para mim como o compositor, em parceria com João Correia da Silva, do samba Tem Bobo Pra Tudo, que eu já conhecia desde 1963, época de seu lançamento, na voz de Alcides Gerardi, o qual retrata a maioria do eleitoranta, digo, eleitorado de hoje:

Quem não sabe tocar violão, nem pistom, toca surdo.
Sempre agrada porque neste mundo tem bobo pra tudo.

Camelô na conversa ele vende algodão por veludo.
Não tem bronca porque neste mundo tem bobo pra tudo.

A mulher que é bonita consegue o que quer, não me iludo.
E concordo porque neste mundo tem bobo pra tudo.

Todo mal do sabido é pensar que não é enganado.
Quantas vezes também como bobo já fui apontado.

Tem alguém que é bobo de alguém, apesar do estudo.
Está provado porque neste mundo tem bobo pra tudo.

Aqui na Capital Federal, Manoel Brigadeiro pode ser facilmente localizado na ARUC – Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro, Escola de Samba mais antiga de Brasília, da qual assisti ao nascimento. Mas ele não toma partido pela ARUC. Promove todas as Escolas, divulga seus trabalhos, representa-as onde se faça necessário, tendo sido, por isso mesmo, nomeado Embaixador do Samba. No período carnavalesco, sua presença em atos oficiais, em clubes, em batalhas de confetes e no Ceilanbódromo – local dos desfiles das Escolas de Samba do Distrito Federal – é tão importante e imprescindível quanto a do Rei Momo e da Rainha do Carnaval.

Manoel Brigadeiro é atração onde quer que chegue. Vez em quando, apresenta-se em casas de espetáculos, como em recente temporada com o compositor portelense Carlos Elias, também radicado em Brasília, este com músicas gravadas por Paulinho da Viola, Clara Nunes, Nara Leão e Beth Carvalho. A foto abaixo registra dois desses momentos:

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Manoel Brigadeiro e Carlos Elias, duas atrações da Capital Federal

Para o Carnaval de 1976, Manoel Brigadeiro, em parceria com Lourival Faissal, brindou-nos com a marchinha Ana-Alfa-Beta, em alusão ao MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização, que procurava tirar grande parcela do povo da escuridão literária, em contrapartida com o atual Ministério da Educação, que distribuiu centenas de milhares de livros desensinando o uso correto da Língua Portuguesa:

Vai pro MOBRAL
Aprender a ler
O MOBRAL vai lhe ensinar
Por que
Não se deve dizer

Nóis vai subir pra cima
Nóis vai descer pra baixo
Foi ontem que eu vi ela
Olha a boca dela

Quem não sabe ler
É um verdadeiro pateta
Se você não aprender
Vai ser Ana-Alfa-Beta

* * *

Pois bem, no dia 24.3.2015, há menos de um mês, Manoel Brigadeiro, se encantou, aos 92 anos de idade, quase 93.

Emblematicamente, deixou-nos este ano quando, em Brasília não, se realizou desfile de Escolas de Samba, por falta de patrocínio dos cofres públicos. Em meu entender, foi o fim desse Carnaval plastificado, chapa-branca, sem a participação efetiva do povão.

O que dominou nas ruas brasilienses foi o que, antigamente, chamávamos blocos de sujos, movimento do qual Luiz Berto e eu, aqui, fomos os pioneiros.

Em 1972, fundamos a Banda da Capital Federal, com músicos de sopro e percussão, que, tocando marchinhas, frevos e sambas carnavalescos, saía pelas superquadras e ganhava as avenidas, arrastando multidões atrás de si. A foto abaixo, publicada pelo Correio Braziliense, no Carnaval de 1973, dá uma ideia do que fomos:

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Em nosso vácuo, e seguindo nosso bom exemplo, surgiram estes Blocos de Rua: Pacotão, do qual fui trombonista desde o início; Suvaco da Asa, Virgens da Asa Norte, Ó do Borogodó, Samba do Peleja, Cafuçu do Serrado, Babydoll de Nylon, Populares do Pânico, Aparelhinho, Baratona, Baratinha, Raparigueiros e outros menos falados, todos sem o intuito de competição, apenas como objetivo de alegrar a população candanga, calculada, no último Carnaval, em um milhão e quinhentos mil foliões.

Amigo Brigadeiro, segure na Mão de Deus e Vá. Você foi a força e ícone de uma Era que, com seu encantamento, salvo melhor juízo, também conhece seu final.

Em sua homenagem, aqui vão duas de suas composições.

Tem Bobo Pra Tudo, samba, gravação de Alcides Gerardi em 1963:

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Ana-Alfa-Beta, marchinha, gravação de Carmen Costa para o Carnaval de 1976:

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QUIBEBE – PRATO PARA A SEMANA SANTA

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Foto de Elba Albuquerque

INTRODUÇÃO

Há quase cinco anos, precisamente no dia 5.4.2010, publiquei aqui no JBF matéria com o título A Fábula do Ovo e do Pré-Sal, onde contava as agruras de Dona Chiquinha Comboieiro, boleira balsense, não dando conta dos 500 cacetes encomendados pela PETROBRAS – só conseguiu 300 –, para um café da manhã em que se comemoraria naquele sertão o jorro do petróleo na torre que, há muito tempo, perfurava o solo na Fazenda Testa Branca, o que não veio a acontecer, acabando aquela estatal por cimentar o poço, relegando-o, definitivamente, ao olvido.

No dia 8 de agosto de 2014, a leitora Sebastiana Rodrigues de Sousa postou um comentário no jornal, assim se expressando: “Gostei dos contos, mas quero a receita do bolo cacete”.

Assim instigado, mostro o cacete, digo, o pau, depois de macerar a cobra, esta representada, evidentemente, pelo teste, aqui em casa, de todas as receitas, para não dar chabu.

Quando não houver menção específica, o resgate delas foi uma gentileza da amiga Maria do Socorro Ferreira Vieira, minha Assessora Cultural e Plenipotenciária balsense.

No tempo de minha infância, Balsas ainda não contava com a existência de padaria. A dona de casa, assim, tinha de usar de muita criatividade, todas as manhãs, para botar na mesa o quebra-jejum da família, as mais das vezes com beiju, cuscuz, frito de carne, farofa de ovo mexido ou os bolos cujas receitas aqui apresento.

Havia famosas boleiras balsenses, como Dona Dolores Lima e Madrinha Ritinha Pereira. Outras, como Dona Febrônia Tourinho, Dona Chiquinha, Dona Úrsula, Dona Biloca Botelho e Dona Maria Bezerra, minha saudosa mãezinha, faziam-nos, não só para o consumo domiciliar, mas também para vender.

E era aí que eu entrava na dança. Toda boca-de-noite, eu saía de casa, carregando na cabeça uma gamela cheia de bolos diversos, oferecendo-os de porta em porta, ou apregoando-os em alta voz.

Não preciso nem dizer a saia-justa que isso me causava, quando batia à porta de casa onde havia meninas colegas minhas do Grupo Escolar, principalmente na de Seu Jonas Bonfim, pai da Maria Núbia, menina de 8 anos, pela qual eu era perdidamente apaixonado. E esse acanhamento ficou maior, depois que passei a estudar em Floriano, pois nas férias, minha mãe me entregava a gamela, sem levar em consideração meu novo status de ginasiano.

Na Semana Santa balsense de minha infância, que ia de quarta a sexta-feira, quando se obedecia a rigorosa abstinência de carne, o prato mais comum nas mesas daquele sertão era o quibebe, cuja receita passo apresentar.

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Fotos de Elba Albuquerque

(Receita resgatada pela Comadre Maria Júlia, criada por minha mãe e residente em Anápolis)

Ingredientes:

Jerimum picado
Macaxeira picada
Maxixe picado
Batata doce em rodelas
Mandioquinha picada
(Todos em partes iguais)
Folhas de quiabo picadas (um molho)

01 garrafa de leite de coco

Modo de preparo: Após cozinhar os ingredientes, adicionar o leite de coco, sal, alho, cebolinha, coentro, e outros temperos, a gosto.

Tempo de duração: Melhor consumir no mesmo dia.

O ingrediente mais difícil de ser encontrado é a folha de quiabo. No ano passado, meu irmão Rosimar trouxe-as de São Luís de Montes Belos, sertão goiano, onde mora.

No último Natal, pedi a minha sobrinha e afilhada Lara, a qual não mede esforços para me agradar, que, como presente de natalino, plantasse no jardim de sua casa, na 714 Sul, um pé de quiabo, para que o ingrediente ficasse à mão com facilidade. Poderia ter pedido a outras sobrinhas queridas que têm quintal, mas aí morava o perigo, pois os cachorros que guardam casas adoram mijar nos canteiros de hortaliças.

Aí esta o resultado das providências da Lara:

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Foto de Lara Maria

É bem verdade que lagartinhas andaram testando o alimento, mas não faz mal, lagarta é Natureza, se não morreram, é porque o produto é de qualidade.

Para os que não gostam de comer as folhas, mas adoram comer o fruto, proponho, quebrando a seriedade o assunto, que repitam, cem vezes, este trava-língua:

Eu como quiabo cru, eu como quiabo cru, eu como quiabo cru, eu como quiabo cru…

MEMORIAL BALSENSE – LANÇAMENTO EM BRASÍLIA – A FESTA

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Memorial Balsense aconteceu em Brasília! Não importando a chuva torrencial que caiu no horário do evento – chuva é coisa boa -, que durou das 18h30 às 22h30, a festa foi sucesso absoluto de público e venda. Com a Graça de Deus e as bênçãos de São José em seu dia, 19 de março, dia de muito chover! Compareceram mais de 200 pessoas, algumas delas adquirindo quatro exemplares!

A organização, como sempre, ficou a cargo da empresa A&C Eventos, de minha comadre e sobrinha Ana Alice, que destacou três de suas funcionárias para contato telefônico direto com todos os convidados de Brasília, às vésperas do evento, e demais procedimentos pertinentes a um lançamento de livro. Abaixo, o Espaço e a Mesa Receptora:

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Restaurante Carpe Diem – Martina, Ana Alice Daiane e Lusélia

Logo no início, dois lances emocionantes: o comparecimento de meu primo Esmaragdo de Sousa e Silva (93), Desembargador aposentado, que, há 3 anos, após o falecimento de sua esposa, namoradinha da adolescência, não sai mais de casa e me fez essa especial deferência; e o Cosme Noleto (79) meu amigo de infância, o primeiro na vida a comprar um livro meu, dando crédito a meus escritos:

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Esmaragdo de Sousa e Silva – Cosme Noleto

A seguir, flagrantes da festa.

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Minha família: Vinícius, Mara, eu, Veroni, Elba e Fábio – Paula, eu, Anna Paula e Zezinho

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Com colegas do BPEB: Arnaldo – Bandeira e Terezinha, sua mulher

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MEMORIAL BALSENSE – LANÇAMENTO EM BRASÍLIA – 2

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Façam seus pedidos pelo e-mail raimundofloriano@brturbo.com.br, informando seu endereço postal para o envio.

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MEMORIAL BALSENSE, MEU LIVRO DERRADEIRO

Derradeiro livro sério, quero dizer. Até a edição do Memorial, minha ousadia literária produziu estes títulos: Regras de Pontuação e Sinais de Revisão; O Acordo PTB/PDS, Do Jumento ao Parlamento, De Balsas Para o Mundo, e Pétalas do Rosa:

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Chega de santa pesquisa, história, dados biográficos! Em meu próximo trabalho, que espero lançar em 2016, quando farei 80 anos, com o título Caindo na Gandaia, incorporarei, realizando um sonho de infância, dois tipos que venho tentando ser, em todos os locais que frequento e que agora, na octogenariedade, afloram com toda a força: Palhaço Seu Mundinho e o Velho Fulô:

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Pauleira pura, pimenta e sacanagem do primeiro ao quinto, impróprio até para menores de 80 anos, como você hão de ver.

Agora, tratemos do Memorial Balsense.

Com formato de 22 cm x 15,5 cm, 312 páginas, 236 figuras e índice onomástico com cerda de 1.300 verbetes, tiragem de mil exemplares, o livro traz, a seu final, uma homenagem a Sua Majestade o Leitor, que tem me apoiado desde os primeiros escritos, adquirindo-os, lendo-os, comentando-os, criticando-os, aplaudindo-os e, nas mais das vezes, concitando-me a prosseguir.

Para economizar palavras, aqui vão suas capa, contracapa orelhas e folha de falso rosto:

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Haverá dois lançamentos: um, o umbilical, a na noite de 12.6.2015, no Arraial do Festejo de Santo Antônio, em Balsas; o segundo, o nacional, aqui em Brasília, no Restaurante Carpe Diem, no dia 19.3.2015, uma quinta-feira. Na próxima semana, postarei aqui o convite.

A edição foi totalmente bancada por mim. As duas logomarcas constantes da contracapa são enfeites, uma da empresa A&C Eventos, com cancha internacional, de minha comadre e sobrinha Ana Alice, que tem organizado meus lançamentos, e outra da PadrãoAP, de projetos e consultoria, de meu filho Zezinho, por motivos óbvios.

Aqui, o selo personalizado, peça promocional, com o apoio da ECT:

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Com a edição de De Balsas Para o Mundo quase esgotada, passarei a publicá-lo semanalmente, aqui no JBF, entremeando seus episódios com matérias outras que, durante isso, vierem a merecer minha atenção.

Para reavivar a memória dos leitores, aqui vai sua capa:

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MEU NATAL FORA DE ÉPOCA, E DE CASA TAMBÉM

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Papai Noel da Academia RECOR

Sim, amigos, existe isso também! Não é privilégio apenas das micaretas!

Aqui em Brasília, por exemplo, havia, no passado, a loja General Novilar, que lançou, durante muitos anos, a promoção PAPAI NOEL EM AGOSTO. Natal fora época, pelo menos nestas terras candangas, não é tão esquisito como se pode julgar.

Mas não vamos tão longe. No assunto em colação, refiro-me às festinhas de confraternização que acontecem, geralmente, no final de novembro, nas três comunidades das quais sou membro ativo: a Academia RECOR, A Drogaria Drogasil – São José e a Hidroterapia. Comecemos pela ordem.

Primeiramente, a Academia RECOR, especializada em Terceira Idade e Cardiopatas, onde malho há 13 anos. Qualidade de Vida é seu lema.

Em 2016, quando completarei 80 nos couros, incorporarei de vez as personalidades do que tenho sido por toda esta existência, Palhaço e Velho do Pastoril, ou seja, Mundinho Bico Doce e Velho Fulo, consagrando essa metamorfose no livro Caindo na Gandaia, totalmente ilustrado, já pronto e em fase de acabamento digital.

No dia em que não compareço à atividade, o que raramente acontece, todo o pessoal sente a falta de minha irreverência, de minhas piadas apimentada, de minhas cançonetas, de minhas charadas, enfim, de mina alegria.

Tudo isso faz com que eu encontre imenso prazer na malhação, assim como minora o padecer de todos nós que ali estamos por indicação médica.

Desse modo, nada mais natural e apropriado que eu inicie a festinha. Na última, comecei declamando a poesia A Flor do Maracujá, do maranhense Catulo de Paixão Cearense, e executando, na gaita de boca, a marchinha natalina Boas Festas, de Assis Valente. Aí vão os flagrantes desse dois momentos.

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Registro, também, duas tomadas dos malhadores e professoras:

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Dando prosseguimento à brincadeira, chegou a hora da revelação do amigo oculto e da distribuição dos presentes, antecipadamente escolhidos Eu havia pedido uma lanterna de duas pilhas. Mas presente meu tem de ter uma gozação. E meu amigo oculto, o colega Rômulo, não perdeu a oportunidade. Vejam o que ele me aprontou:

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Uma lamparina, com prazo de validade vencido

Passado o efeito da pegadinha, ele me entregou o presente almejado:

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Cabia-me, por sorteio, presentear minha amiga oculta, a colega Sônia. Inicialmente, dei-lhe um caixote contendo, apenas uma nota de 1 dólar. Depois, presenteei-a com a prenda escolhida, uma caixa de chocolate da Kopenhagen:

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Feita a revelação de todos os amigos ocultos, passamos às comedorias, após o que se deu por encerrada a festança.

Prossigamos com o Natal Fora de Época na Drogaria Drogasil – São José, da Rua das Farmácias, da qual sou cliente fiel desde há muito tempo. Não me restrinjo apenas a comprar medicamento, mas enriqueço meu cabedal humano fazendo de cada funcionário daquela filial um amigo. Esse proceder me trouxe inusitada surpresa, que me deixou muito feliz. Vou contar com foi.

Eu havia encomendado o medicamento Forxiga, em falta no mercado brasiliense. Certo dia, no final de novembro, telefonaram-me avisando que o pedido havia chegado e marcando hora para a entrega. Em lá adentrando, todo o corpo de funcionários me esperava e, com grande alegria, me brindou com esta linda caravela, quase toda confeccionada com palitos de picolé:

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O terceiro Natal Fora da Época foi na Academia Consciência Corporal, em cuja piscina a Doutora Ayda Jamal e sua equipe ministra sessões de hidroterapia, o que, há 10 anos, me proporciona condições de me locomover e muita interação com os colegas hidroterapatas. Ali, um grande sentimento nos une em fraternal empatia: a dor!

Este ano, meu número de abertura já foi descrito acima: declamação de poesia e música na gaita de boca. A seguir, o grupo de Fisioterapeutas e Hidroterapatas:

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O amigo oculto foi sorteado na hora. Ganhei uma garrafa térmica da colega Michelle e presenteei o colega Gustavo com uma caixa de chocolates da Kopenhagen:

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Ao final da brincadeira, declamei A Flor do Maracujá e executei na gaita de boca a marchinha Boas Festas e a guarânia Meu Primeiro Amor, de Hermínio Gimenez, acompanhado ao violão pelo garoto César, filho da colega hidroterapata Edmeia, ambos neste flagrante:

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O número musical foi registrado pela Doutora Ayda neste youtube:

ALVARENGA E RANCHINHO E CARNAVAL

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Alvarenga e Ranchinho

Dupla sertaneja formada por Murilo Alvarenga, o Alvarenga, nascido em Itaúna (MG), a 22.5.1912, e falecido a 18.1.1978, e Diésis dos Anjos Gaia, o Ranchinho, nascido em Jacareí (SP), a 23.5.1913, e falecido a 5.7.1991, estrelaram o elenco original que, apesar dos percalços, encontros e desencontros, acertos e desacertos, dissoluções e retornos, foi o mais conhecido, famoso e duradouro.

Murilo, conhecido desde cedo pelo sobrenome, trabalhava em circos como trapezista, malabarista e cantor de tangos. Diésis atuava como cantor na Rádio Clube de Santos, apresentando repertório romântico do qual o samba-canção No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo, era uma de suas músicas prediletas, daí se originando o apelido Rancho. Conhecido também como Baixinho, em função do seu porte físico, aproveitou o apelido e o colocou no diminutivo – Ranchinho.

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Em 1928, numa seresta na cidade de Santos, Murilo e Diésis resolveram cantar juntos. De início, atuaram em circos, apresentando repertório variado, com valsas, modinhas, tangos, chorinhos e calangos, entremeando uma música e outra com causos e piadas, dos quais o público achava muita graça, aplaudindo-os em aprovação.

No ano de 1933, a dupla teve início efetivo, cantando no Circo Pinheiro, em Santos, e, logo depois, em São Paulo, na Companhia Bataclã. No ano seguinte, passou a fazer parte do elenco da Rádio São Paulo. Estava consolidada no cenário artístico nacional.

Em 1935, conheceu o compositor e humorista Silvino Neto, pai do ator global Paulo Silvino, com quem formou um trio, Os Mosqueteiros da Garoa, de curtíssima duração.

Refeita a dupla, passou ela a atuar em filmes, nas mais famosas estações de rádio do país e em casas de espetáculos até do exterior, assim como a gravar seus sucessos, incluindo-se neles vários carnavalescos, como Seu Condutor, de Alvarenga e Ranchinho, em 1938, e A Charanga do Flamengo, de Felisberto Martins e Fernando Martins, em 1947

Durante sua existência, a dupla teve outros componentes, em substituição a Ranchinho, que sempre voltava, pois não havia outro com talento igual para seu lugar.

Em 1936, integrando o elenco do Cassino da Urca, começou a fazer sátiras políticas, que se tornaram um dos seus pontos fortes, o que lhe acarretou sérios problemas com a censura oficial.

Mas em 1939, Alzira Vargas, filha do Presidente Getúlio Vargas, ditador na época, convidou a dupla para tocar no Palácio das Laranjeiras para seu pai. Getúlio, depois de ouvir todas as músicas e sátiras, algumas referentes a ele, deu ordem para que suas composições fossem liberadas em todo o território nacional.

Alvarenga e Ranchinho não alisavam os lombos dos poderosos, descendo-lhes, com suas sátiras, vigorosas cipoadas, com exceção de um, porque apoiavam seu governo: Juscelino Kubitscheck.

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Na primeira metade dos Anos 80, Ranchinho fez parte do elenco fixo do programa Som Brasil, nas manhãs de domingo, apresentado inicialmente por Rolando Boldrin e depois por Lima Duarte.

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Imagem do livro Rolando Boldrin – Ed. do Autor

Nesta segunda-feira de Carnaval, deixo com vocês três sucessos carnavalescos da dupla, até hoje cantados e tocados nos salões onde ainda se preserva a Memória da Música Popular Brasileira.

A Charanga do Flamengo, marchinha de Felisberto Martins e Fernando Martins, lançada em 1947;

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Bebé, marchinha de Alvarenga, lançada em 1949;

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e Seu Condutor, marchinha de Alvarenga e Ranchinho, lançada em 1938.

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CARMEN MIRANDA E O CARNAVAL

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Carmen Miranda (9/Fev/1909 – 5/Ago/1955)

Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em Marco de Canavezes, Portugal, a 9.2.1909. Tinha apenas 10 meses quando veio para o Brasil com sua mãe, Maria Emília Miranda da Cunha e a irmã mais velha, Olinda, seguindo o pai, o barbeiro José Maria Pinto da Cunha, que aqui já se encontrava, o qual lhe dera o cognome Carmen devido à sua grande paixão pela ópera.

Nunca voltou à sua terra natal, o que não impediu que a Câmara do Conselho de Carmo de Canavezes, muitos anos mais tarde, desse seu nome ao Museu Municipal.

Fez os primeiros estudos no colégio de freiras Escola Santa Teresa, do Rio de Janeiro e, desde essa época, revelou jeito extraordinário para cantar. Apresentou-se no colégio declamando para o Núcleo Apostólico, chamando a atenção por sua peculiar gesticulação.

Dificuldades financeiras da família obrigaram-na a trabalhar. Aos 15 anos, conseguiu emprego de balconista e, mais tarde, de chapeleira, numa loja de artigos femininos. Costumava cantar com as irmãs Olinda e Cecília na pensão que a mãe instalara, sempre freqüentada por músicos.

Em 1929, o violonista Josué de Barros, seu descobridor e protetor artístico, levou-a para a Rádio Sociedade. Para sua primeira gravação, realizada na Brunswick, recém-inaugurada, Josué compôs os sambas Não Vá-se Embora e Se o Samba é Moda. Em seu segundo disco, já na RCA Victor, lançou as toadas Triste Jandaia e Dona Balbina, ambas também de Josué.

Para o Carnaval de 1930, gravou as marchinhas Iaiá, Ioiô, de Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto, e Taí (Pra Você Gostar de Mim), escrita especialmente para ela por Joubert de Carvalho, a qual teve sucesso estrondoso é até hoje é tocada nos salões e nos blocos de sujo em que se cultuam os sucessos carnavalescos do passado.

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Daí pra frente, sua carreira teve ascensão meteórica. Trabalhou em teatros, revistas, clubes, participou de filmes e excursionou pelo Brasil e países da América do Sul. Sua discografia de quase 500 faixas consigna todos os grandes autores de sua época.

Em 1933, começou a gravar composições de Assis Valente, de quem se tornaria a principal intérprete, lançando entre as primeiras as marchinhas e Etc. e Good Bye. No ano seguinte, vieram novos êxitos: Alô, Alô, samba de André Filho, Isto É lá com Santo Antônio, marcha de Lamartine Babo, em dupla com Mário Reis, e nova excursão ao exterior, dessa vez à Argentina, com Aurora Miranda, sua irmã mais nova, e o Bando da Lua.

Em 1938, ao lado de Dircinha Batista, Linda Batista, Emilinha Borba, Carlos Galhardo, Orlando Silva e Aurora Miranda, atuou no filme Banana da Terra, de J. Ruy, no qual se apresentou pela primeira vez vestida de baiana para interpretar, acompanhada pelo Bando da Lua, o samba de Dorival Caymmi O Que É Que a Baiana Tem, também lançado em disco, em dueto com Caymmi, para o Carnaval de 1939.

Acompanhada pelo Bando da Lua, apresentava-se no Cassino da Urca, no Rio de janeiro, com roupa de baiana estilizada que, assim como sua característica gesticulação com os braços, marcou fundamentalmente sua imagem pública.

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Em 1939, quando era a cantora de maior prestígio da Música Popular Brasileira, seguiu para os Estados Unidos, contratada pelo empresário norte-americano Lee Schubert, estreando, com o Bando da Lua – que lá ficou conhecido como The Moon Gang – na revista musical Streets of Paris, na Broadway, onde cantava Mamãe, Eu Quero, de Jararaca e Vicente Paiva, Marchinha do Grande Galo, de Lamartine Babo e Paulo Barbosa), Touradas em Madrid, de João de Barro e Alberto Ribeiro, e South American Way, de Al Dubin e Jimmy Mc Hugh, um de seus grandes sucessos na Terra de Tio Sam. Nesse mesmo ano, exibiu-se com a Orquestra de Romeu Silva na Feira Mundial de Nova Iorque.

Em 1940, apresentou-se na Casa Branca para o presidente Franklin Delano Roosevelt, já sendo considerada a terceira personalidade mais popular de Nova Iorque. Era então conhecida como The Brazilian Bombshell. Nesse período, manteve casos amorosos com os atores John Wayne e Dana Andrews e também com o brasileiro Aloysio de Oliveira, integrante do Bando da Lua.

Em julho do mesmo ano, voltou ao Brasil e, apesar da calorosa recepção durante sua chegada, sua re-estréia no Cassino da Urca foi marcada pela frieza do público.

Acusada de voltar “americanizada”, reformulou então seu repertório – naquela fase com ritmo muito à base de rumbas – e apresentou-se novamente no Cassino, obtendo êxito esmagador. Gravou, pela Odeon, as músicas que cantava no show e que eram, de certa maneira, uma resposta às críticas: Disseram Que Voltei Americanizada, Disso É Que eu Gosto, Voltei Pro Morro, as três de Vicente Paiva e Luiz Peixoto, e Diz Que Tem, de Vicente Paiva e Hannibal Cruz.

Em 1941, voltou para os Estados Unidos, contratada para atuar no cinema, em Hollywood, onde viveu até o fim da vida. Trabalhou em Uma Noite no Rio, de Irving Cummings, Aconteceu em Havana, de Walter Lang, Minha Secretária Brasileira, de Irving Cummings, Entre a Loura e a Morena, de Busby Berkeley, Serenata Boêmia, de Walter Lang, e mais outros filmes. Em 1944, chegou a ser uma das artistas mais bem pagas naquele país, trabalhando em show, filmes e rádio. Anos mais tarde, estrelou o filme Copacabana, de Alfred Green, ao lado de Grouxo Marx, apresentou-se com grande sucesso no teatro Palladium, em Londres. Também atuou no Havaí.

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Em 1947, casou-se com o americano David Sebastian. Esse matrimônio é apontado por todos os biógrafos e estudiosos de Carmen Miranda como o começo de sua decadência física. O marido, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se seu “empresário” e conduzia mal os negócios contratados. Também era alcoólatra, e pode ter induzido Carmen a consumir bebidas alcoólicas, das quais se tornou dependente.

O casamento entrou em crise já nos primeiros meses, mas ela não aceitava o divórcio, pois era católica convicta. Engravidou em 1948, mas sofreu aborto espontâneo depois de uma apresentação.

Em 1954, consagrada internacionalmente, voltou ao Brasil para rever a família e descansar de esgotamento nervoso, realizando alguns espetáculos.

Retornou para os Estados Unidos em 1955 e, quatro meses depois, a 5 de agosto, com apenas 46 anos de idade, vinha a falecer do coração em sua casa, em Beverly Hills, Hollywood. Suas últimas atuações foram em Havana, em Las Vegas e na TV americana, em shows de Jimmy Durante.

Seu enterro no Rio de Janeiro foi acompanhado por cerca de 500 mil pessoas, cantando Taí, seu primeiro sucesso.

A Pequena Notável, como era também conhecida, que marcava suas apresentações cantando e dançando com turbante na cabeça, tamancos altíssimos e muitos balangandãs, gesticulando com as mãos e revirando os olhos, deixou sua imagem registrada em 19 filmes e mais de 150 discos, norte-americanos e brasileiros. Além da aura que sempre cercou sua personalidade esfuziante, capaz de fascinar a juventude, tantos anos depois de sua morte.

Seu repertório carnavalesco é riquíssimo, com sucessos que ficaram gravados na memória dos brasileiros para todo o sempre. A seguir, quatro títulos, que ainda hoje são tocados e cantados pelos foliões onde ainda se preserva a Cultura Musical Brasileira.

Alô, Alô, samba de André Filho, em dupla com Mário Reis, de 1934;

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Como “Vaes” Você, marchinha de Ary Barroso, em dupla com Ary, de 1937;

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Minha Terra Tem Palmeiras, marchinha de João de Barro e Alberto Ribeiro, de 1937:

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e Taí (Pra Você Gostar de Mim), marchinha de Joubert de Carvalho, de 1930.

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PARTITURAS CARNAVALESCAS – 2015

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No intuito de divulgar o Carnaval Brasileiro, no dia 28 de fevereiro de 2011, há quase quatro anos, portanto, e atendendo a solicitações de músicos nacionais e estrangeiros, tive a satisfação de disponibilizar 100 partituras das marcinhas e 100 dos sambas carnavalescos mais cantados e tocados em todos os tempos.

Elas se encontram em meu álbum de foto do Facebook. Basta copiar, colar e imprimir! São preciosidades que não se encontram nas casas especializadas do setor musical.

Naquela época, as 200 partituras citadas referiam-se, apenas, a TROMBONE E SAX ALTO. Logo em seguida, postei as mesmas partituras para o naipe de PISTOM, CLARINETA E SAX TENOR.

Este é um serviço de utilidade pública que só o Jornal da Besta Fubana pode oferecer. Nenhum outro site ou blog possui tal acervo. Assim também o ECAD, arrecadador de direitos autorais, e a Ordem dos Músicos do Brasil. Meu arquivo se formou ao longo de mais de quatro décadas. No passado, o ECAD distribuía álbuns carnavalescos, o que hoje não faz mais.

Desde então, venho trabalhando para digitalizar mais peças, sendo 147 para trombone e sax alto e 156 para pistom, clarineta e sax tenor. Ao término, contarei com 1.526, para ambos os naipes, que serão colocadas à disposição de todos. Para a consecução deste ideal, tenho contado com a primorosa e imprescindível colaboração do Maestro Antonio Gomes Sales, de Caraúbas (RN), que vem realizando essa árdua tarefa sem me cobrar um puto sequer. Adiante, vemos nosso benfeitor à frente da Banda de Música Joaquim Amâncio, de Caraúbas:

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E os pedidos, com a proximidade do Carnaval, não param de chegar, tendo como fonte de informação o Jornal da Besta Fubana:

“Boa tarde!!! À procura de algumas partes para carnaval, machinhas e sambas, achei uma publicação sobre (JBF) esse e-mail. Gostaria de saber se ainda existem esses arquivos e se teria condições de vc enviá-las pra mim. Aguardo resposta. Desde já, agradeço. Leandro.”

“Olá, sou saxofonista e moro no interior do Estado de São Paulo. Sou grande entusiasta do frevo, porém confesso não possuir muitos recursos para buscar uma especialização sobre o ritmo. Em uma de minhas pesquisas, cheguei até a página (JBF) que cita em seu trecho que os interessados em receber material sobre frevo deveriam lhe escrever. Sendo assim, escrevo para me informar a respeito e agradeço desde já pela atenção. Carlos.”

“Bom dia! Gostaria de obter informações de como posso receber as partituras a seguir (chorinhos), bem como outras relacionadas a carnaval que tiver em seu arquivo. Celso.”

“Ola, Sr. Raimundo, por favor, poderia me mandar em pdf as partituras das marchinhas? Poderei retribuir com vários livros de musica. Meus agradecimentos de avanço. Renato.”

“Bom dia! Será que vc tem as partituras de Balzaquiana, Não Sou Manoel e a do Rei Zulu? Se tiver, pode me enviar??? Uma maravilha aquela sua pagina (JBF) disponibilizando todas essas partituras!!!! Serviço de utilidade publica!!!!! Mageca.”

“Caro Raimundo, primeiramente gostaria de agradecer seu esforço e dedicação. Com certeza, ações como as suas são essenciais para ajudar a manter viva esta parte tão importante da cultura brasileira.

Sou saxofonista (sax alto) do Rio de Janeiro e amante do carnaval de rua. Estou iniciando um bloco de carnaval de rua, no qual vamos tocar um repertorio de marchinhas e maxixes. Sendo assim, adoraria poder ter acesso ao seu acervo. Grato pela atenção. Juan.”

“Olá, vi o blog (JBF) falando das partituras. Pode me mandar? Obrigado! Badeco.”

“Boa tarde, Raimundo, meu noivo toca trombone e, em fevereiro, irá fazer carnaval, e ele precisava muito de diversas partituras. Teria como vc me disponibilizar algumas? Obrigada pela atenção. Kemilly.”

“Bom dia, por gentileza, você poderia me enviar partituras de marchas de carnaval (marchas, marchas-rancho e samba) para sopros, cordas e teclado? Muito obrigado! Maestro Alexandre.”

“Boa tarde, Raimundo, meu pai tem um banda de carnaval há mais de 40 anos. Ocorre que seu braço direito, um saxofonista, veio a falecer no final de 2014. Diante do fato, os repertórios de meu pai se perderam, pois o saxofonista os guardava. Dessa forma, se possível for, gostaria de receber as partituras para sax/trombone e trompete, de marchinhas e sambas-enredo, pois meu pai tem 73 anos e está profundamente chateado com a situação. Desde já, agradeço a atenção. Rodrigo.”

“Boa tarde, gostaria de lhe pedir, por gentileza, se possível, que me enviasse o caderno de partituras carnavalescas. Abraços. Léo.”

“Oi, Raimundo, tudo bem? Vi um post seu muito antigo (JBF) sobre as partituras para trombone de marchinhas de carnaval. Você as tem ainda? Poderia me passar? Bjs. Obrigada. Belle.”

“Olá! Gostaria que você me enviasse as 100 partituras das marchinhas e 100 dos sambas carnavalescos para sax e trombone. Desde já, agradeço. Abraço. Naathe.”

“Muito obrigado, Sr. Raimundo, quero fazer de tudo para manter a tradicionalidade das músicas carnavalesca e conto com o seu apoio, que é uma referência nacional neste quesito que eu tanto aprecio. A partir de agora, tenho o compromisso de divulgá-las nas Escolas Estaduais aqui em Goiás. Grato pelo apoio. Marcos.”

“Boa tarde! Vi o seu site (JBF) e me interessei pelas partituras de carnaval. Como devo proceder? Muito obrigado. João.”

“Boa tarde, Seu Floriano, sou um simples iniciante aprendiz de saxofone e gostaria que o senhor me enviasse as partituras dos frevos mais tocados e das marchinhas. Por favor, Seu Floriano, um abraço e saiba que o senhor estará me ajudando muito me enviando essas partituras. Renato.”

“Bom dia, sou músico, trompetista, na cidade de Batatais e tenho algumas apresentações de marchinhas de carnaval para fazer pela região. Poderia me disponibilizar partituras? Jaderson.”

‘Olá, Raimundo! Entrei no site Besta Fubana e vi que você esta disponibilizando partituras: carnaval e outras. Sou professor de iniciação musical e não é fácil encontrar partituras de música popular de boa qualidade, bem escritas. Agradeço se você puder compartilhar seu arquivo comigo. Abraço. Magano.”

“Oi Raimundo, tudo bem? Achei o seu site (JBF) no Google e vi que você disponibiliza partituras de marchinhas. Poderia me enviar? Agradeço antecipadamente! Att. Ricardo.”

“Olá, amigo! Gostaria de, primeiro, parabenizá-lo pela iniciativa e pelo repertório. Fiquei, realmente, impressionado! Estou aqui também para pedir-lhe que, se possível, enviasse pra mim as partituras referentes às machinhas, pois estou fazendo um trabalho com minha banda de música, o primeiro no carnaval, e gostaria de estudar seu repertório para ver o que melhor se adéqua à turma de novatos e veteranos da banda! Obrigado pela atenção!!!! Um grande Abraço!!! Luís.”

“Boa tarde, estava procurando umas partituras de marchinhas e encontrei o site (JBF) em que vc dá esse e-mail para explicar como posso obter as marchas e sambas. Desde já, agradeço. Henrique.”

“Olá Raimundo, tudo bem? Estive lendo uma matéria no Besta Fubana e vi que o sr. possui partituras de marchinhas que pode disponibilizar. Isso ainda é possível? Se sim, como fazer para consegui-las? Abraços! Bruno.”

“Bom dia, sou músico trombonista. Por favor, me mande um álbum de carnaval com as partituras de machinhas que o senhor tenha. Obrigado! Charles.”

“Sei que nem ao menos me conhece, mas virei sua fã desde quando conheci seu repertorio carnavalesco. Já fui agraciada com as partituras de carnaval para outro tipo de instrumento. Agora, se possível, gostaria de receber as partituras carnavalesca de marchas e sambas para sax tenor e pistom. Desde já, muito obrigada. Malúsia.”

“Olá Raimundo! Bacana seu trabalho, parabéns! Estou interessada nas marchinhas para sax alto e, se tiver, soprano. Maravilha ! Grata desde já. Helena”

“Vi uma publicação sua (JBF) na Internet sobre as partituras de marchinhas de carnaval. Teria como estar enviando para mim uma cópia delas? Fico o aguardo. Willians.”

“Boa noite, Raimundo, sou músico e professo na Faculdade de Música de São Paulo. No intuito de ensinar meus alunos a aprender as marchas de carnaval e sambas, estou à procura de partituras e descobri seu blog (JBF), porém não descobri seu Facebook. Tem como você mandar essas partes e-mail, ou se for mais fácil, mandar o link do seu Facebook? Em 2012, eu montei a minha banda de carnaval mas, com a mudança de residência para outra cidade, não consigo descobrir o paradeiro das poucas partituras carnavalescas de que dispunha. Tenho uma prática de banda, e vc mandando esse material, consigo talvez, até amanha, fazer um ensaio com o meu grupo. Muito agradecido. Gilberto.”

“Bom dia! Estava pesquisando partituras de marchinhas de carnaval na internet e encontrei seu blog (JBF). O sr. poderia me enviar algumas marchinhas? Tem elas digitalizadas? Vou enviar um arquivo anexo que são as que eu e meus colegas queremos tocar aqui no carnaval. Se puder, me enviar, serei muito grato. Att. Geraldo.”

* * *

Por ora, e nada havendo de novo no acervo, recomendo a todos a leitura da matéria publicada em minha coluna, aqui no Jornal da Besta Fubana, no dia 28.2.2011, com detalhes sobre as partituras disponibilizadas, onde poderão deixar suas solicitações. Basta clicar aqui.

JOÃOZINHO, UM ANJO EM NOSSAS VIDAS

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A solenidade começou na hora aprazada e foi presidida pelo Frei Manoel, mercedário, recém-chegado da cidade piauiense de Corrente. Embora não seja salmista, eu solicitara permissão para cantar o Salmo, como última homenagem que faria ao Joãozinho – assim pensava. Por isso, posicionei-me ao lado esquerdo do altar, junto aos acólitos.

Na Liturgia da Palavra, após a Primeira Leitura, dirigi-me ao púlpito e cantei este salmo, com refrão respondido por toda a assembleia:

Adorai o Senhor Deus, vós anjos todos!

Deus é rei! Exulte a terra de alegria,
E as ilhas numerosas rejubilem!
Treva e nuvem o rodeiam no seu trono,
Que se apoia na justiça e no direito.

E assim proclama o céu sua justiça,
Todos os povos podem ver a sua glória.
Aos pés de Deus vêm se prostrar todos os deuses!

Porque vós sois o Altíssimo, Senhor,
Muito acima do universo que criastes,
E de muito superais todos os deuses.

Em seguida, o Frei Manoel leu o Evangelho, mas não pronunciou homilia.

Antes da Bênção, ele me entregou um envelope contendo uma oração de Santo Agostinho. Nesse momento, pedi-lhe permissão para usar da palavra, o que me foi concedido. Assim, ocupando novamente o púlpito, pronunciei a fala que, adiante, procurarei, fielmente, reproduzir, acrescentando imagens para quebrar a monotonia do texto.

“Queridos familiares e demais amigos, sem qualquer preparação anterior para este ato, não consegui conter o impulso de deixar bem marcada junto a vocês a razão pela qual nos encontramos aqui nesta celebração.

“O primeiro romance que li na vida foi A Volta de Tarzan, de Edgar Rice Burroughs, em 1946, quando eu tinha 10 anos de idade, presente de meu irmão Bergonsil, que viria a ser, 52 anos mais tarde, avô do Joãozinho. Contava a volta do nobre inglês Lord Greystoke à Selva Africana, seu habitat natural.

“Para mim, garoto sertanejo acostumado a bater canoa rio abaixo, rio acima, fazer armadilhas em caçadas, armar arapucas e pegar passarinhos, Tarzan era um personagem real.

“Um ano depois, Bergonsil, sabendo que eu gostara da leitura, presenteou-me com o segundo romance de minha vida, Memórias da Emília, de Monteiro Lobato. A ação se passava no Sítio do Picapau Amarelo, onde um anjinho, com asa quebrada, ficou ali convalescendo, aos cuidados de Tia Nastácia e paparicado por Emília, que dele se apropriou.

“A presença do anjinho no Sertão Brasileiro virou notícia no mundo inteiro, razão pela qual muitos personagens dos contos infantis para ali acorreram, no intuito de conhecê-lo: Peter Pan, Alice, Popeye, Brutus, Capitão Gancho e outros. Da Inglaterra, veio um navio cheio de crianças comandado pelo Almirante Brown e enviado por Sua Majestade o Rei Eduardo VIII, com o mesmo propósito. Eis a capa do livro:

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“Mas tudo que é bom dura pouco! Um dia, o anjinho, sentindo sua asa perfeitamente curada, sobrevoou o Sitio como a dizer adeus e partiu para o Firmamento, deixando a desolação e muita saudade no coração de todos.

“Novamente, meu imaginário aceitou aquele anjinho como real, sua existência perfeitamente concebível. Nunca duvidei de sua possível estadia entre os meninos de meu tope.

“Minhas filhas foram criadas e educadas acreditando em Papai Noel, em Fadas e Duendes. Jamais deixei que a magia, o sonho e a fantasia se desfizessem em sua imaginação, pois o tempo se encarregaria de lhes mostrar outra realidade. Como é maravilhoso manter-se a pureza enquanto isso é possível!

“E foi vivendo nesse mundo de fantasia que, há 16 anos, um anjo foi trazido para o seio de nosso clã pelas mãos de seus pais, João Geraldo e Valéria, minha sobrinha, como se vê nesta foto:

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“Joãozinho foi um novo Sol em nosso Universo Familiar. Nunca uma criança interagiu tanto com todos os membros de nossa família e com nosso círculo de amigos. Em Niterói, em Brasília, no Ceará e no Maranhão, todos têm uma história vivida com ele para contar.

“Menino esperto, inteligente, desportista, paquerador, músico, cantor e, acima de tudo, muito afeiçoado a seus entes queridos, deixou sua marca por onde passou:

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“Vejamo-lo em cenas do Forró de meus 70 Anos.

“Nesta, quando a família se vestiu de Palhaço para lembrar meu tempo circense:

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“Nestes dois outros detalhes, em tomadas diversas:

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“No dia 8 de dezembro, ao deparar-me com esta foto no Facebook, pouca atenção lhe dei:

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“Achei que era coisa passageira. Quem já criou menino, sabe que sentir-se mal, internar-se, tomar soro e voltar pra casa é a rotina normal da criançada. Ainda mais para um adolescente hígido feito o Joãozinho. Engano meu!

“Com o diagnóstico, o Mundo desabou sobre nós: Síndrome de Guillain-Barré, implacável e impiedosamente letal, no caso de nosso anjo!

“A partir daquele momento, Joãozinho começou a encantar-se. E, no dia 5 de janeiro, deu por cumprida sua missão na Terra, conforme definido no Santinho de lembrança: anjo celestial, sonho terrestre que se encantou e retornou à Morada do Pai.

“Eneida Botelho, nossa amiga e conterrânea, postou, para nós, edificante mensagem no Fecebook, mais ou menos assim: “Não questionem Deus, deixem Deus ser Deus, um dia, vocês entenderão!”

“E é o que eu peço neste momento, queridos parentes e amigos, que Deus me dê o entendimento para que se desfaça o sentimento de perplexidade que de mim se apossou! Apenas perplexidade é o que sinto agora!”

* * *

Hoje, 30 de janeiro, penso que Deus me atendeu. A perplexidade transformou-se na certeza de que Joãozinho era realmente um anjo e que esteve entre nós apenas para fazer o bem e trazer novo alento à vida de várias pessoas. Antes de ser cremado, “deu a visão ao homem que nunca viu o sol; o coração a uma pessoa cujo órgão só lhe causou intermináveis dores; os rins a uma pessoa que depende de máquina para existir; sangue, músculos, ossos e nervos para fazer uma criança aleijada andar; células para que um garoto mudo possa um dia gritar quando seu time marcar um gol, e uma menina possa ouvir a chuva batendo em sua janela.”

Joãozinho, nuvem passageira, anjo celestial, sonho terrestre, felicidade efêmera, deixou, ainda, suas cinzas espalhadas ao vento para, assim, enriquecer a Natureza e fertilizar a Terra.

E hoje, 30 de janeiro, é o aniversário da Valéria, mãe do Joãozinho, uma de minhas mais queridas cobrinhas, digo, sobrinhas, e também comadre em dose dupla.

Valéria carrega o carinho e a afeição em tudo que faz. Um abraço seu é pra valer e transmite todo o amor que seu corpo encerra. Nunca deixou de ser aquela meninona da folia, que ignorava o Carnaval Carioca para comigo ir até o Sertão Maranhense, desfilar nos Blocos de Fofão, nos Sujos e botar pra derreter no Clube Recreativo Balsense.

Por isso, sei que já está superando os dolorosos momentos vividos, sabendo que para sempre presente em nossos corações está a figura do Joãzinho, moleque marrento, garoto ladino, que nunca será esquecido!

Eternamente, a encarnação de nosso sonho sonhado!

OS LANDWEHR: DO HOLOCAUSTO AO PARAÍSO BRASILIENSE

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Mapa da Romênia

O Holocausto é tema deveras recorrente. Muitos livros já li e a muitos filmes tenho assistido sobre o tema, e isso é bom, para que não caia no esquecimento esse bárbaro crime que foi perpetrado contra o povo judeu na Segunda Grande Guerra. Ainda mais agora, quando vemos nossos últimos governantes acenando com simpatia para ditadores que o negam.

O conhecimento que tenho sobre o assunto me foi totalmente passado por escritores e diretores cinematográficos de países distantes. Por isso, venho falar de uma pessoa que o viveu, e que está aqui, praticamente a nosso lado, moradora num dos Condomínios de Brasília, fácil de ser contatada por um simples telefonema, ou mesmo ser encontrada na praça de alimentação de um shopping qualquer. Trata-se de Lulu Landwehr.

Lulu, judia como toda sua família, nasceu na Romênia, numa pequena aldeia chamada Peteneye, no dia 23 de maio de 1925. Era filha de Moritz Weiss e Eszter Katz Weiss. No próximo mês de maio, completará 90 anos, linda como sempre.

Devido a dificuldades financeiras, seu pai mudou-se com a família para próspera cidade de Oradea, capital do judet – distrito – de Bihor, onde passou a operar como pequeno agricultor.

Oradea, pela proximidade com a Hungria, ora era anexada àquele país, ora era devolvida, e vice-versa, de forma que muitos romenos dali achavam que eram húngaros, e muitos húngaros pesavam que fossem romenos. Toda a região é conhecida por Transilvânia, famosa na literatura como a terra dos vampiros.

Em 1944, a Hungria, com Oradea sob seu domínio, era simpática à causa alemã. E, em maio daquele ano, toda a família da Lulu, por ser judia, foi embarcada num vagão de gado rumo aos campos de concentração de Auschwitz, operados pelo Terceiro Reich, nas áreas polonesas anexadas pela Alemanha Nazista e maior símbolo do Holocausto.

Lulu estava com 19 anos!

O vivido, desde o embarque, em maio de 1944, até a libertação, pelos americanos, a 14 de abril de 1945, encontra-se narrado neste impressionante e contundente livro, editado pela Thesaurus Editora. Dos 85 que li em 2014, este é o de maior conteúdo, o de maior valor histórico:

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Para dizer o mínimo, em Auschwitz Lulu perdeu o pai, a mãe, as irmãs Erzsi e Iren e o irmão Sanyi, nos fornos crematórios. Com ela, sobreviveram Duci e os irmãos Miki e Ioska.

Ao retornar para Oradea, o ambiente já não era o mesmo entre seus concidadãos, onde reinava intenso preconceito contra os libertados. Vejam só, na própria pátria!

Foi quando Lulu começou a namorar o compatriota Dan, judeu, que teve participação ativa na Segunda Guerra Mundial, lutando como partisan ao lado de Charles de Gaulle até a libertação da França em 1944.

O romance começou em 1948. Logo em seguida, Lulu foi internada num sanatório, por ter contraído tuberculose, doença quase impossível de ser combatida na época. Foi quando Dan mostrou a ela o grande amor que lhe devotava, nunca lhe negando carinhos e beijos quando a visitava. Um ano depois, ou seja, em 1949, com Lulu totalmente curada, Dan buscou-a no sanatório e levou para a casa dos pais dele, em Paris, onde se casaram.

Tendo que lutar pela vida e contra a discriminação, o casal viveu em Paris, e Buenos Aires e, finalmente, chegou ao Brasil, em 1952, onde fixou residência definitiva, motivado pelo aspecto de que nosso país é o único onde não existe preconceito contra seu povo. Vejam bem no que desejam transforma o povo brasileiro agora, lançando olho castanho contra olho azul, cabelo escuro contra cabelo loiro, pobres contra ricos, nordestinos contra sulistas, apedeutas contra estudados e, para o cúmulo dos cúmulos, criando as famigeradas quotas raciais!

No Brasil, Lulu e Dan tiveram dois filhos, Roby e Vivi.

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Lulu e Roby, em 1956 – São Paulo

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Lulu, Vivi, Roby, Dan e Duci – Início de Brasília

Iniciando suas atividades, primeiramente em São Paulo, Dan logo se transferiu com mala e cuia para Brasília, onde chegou com a família, antes da Inauguração.

E o que os faz tão perto de nós, tão palpáveis, tão gente da gente? Vou lhes contar!

Dan vem a ser Bâzu Dan Landwehr, que montou em Brasília a primeira e maior fábrica de móveis de qualidade, a Mainline Móveis, fornecedora, mediante licitação, para todos os órgãos públicos da Nova Capital e exportadora em grande escala. Um meu primo, Pedro Ivo, foi Contador da empresa desde 1970, e mais adiante, um de seus sócios.

Paralelamente, Dan montou na Galeria do Hotel Nacional a loja DAN – Decorações a Artes Nacional, de alto nível, gerenciada por Lulu e freqüentada pela socialites da Corte.

Para ter-se uma ideia do nível de seus produtos, vou contar-lhes uma historinha. Em 1968, por ocasião da visita da Rainha Elizabeth II ao Brasil, o Congresso Nacional viu-se em palpos de aranha, por não dispor de dependências condignas para recebê-la. Aí Seu Dan entrou em ação: montou um gabinete com móveis, tapeçaria, decoração e tudo o mais, nada ficando a dever ao ambiente mais sofisticado do Palácio de Buckingham. No dia seguinte ao da partida da Rainha, retirou todo o material, fazendo tudo isso graciosamente! Bâzu Dan Landwehr sabia negociar!

Seu Dan faleceu ainda no vigor de sua produtividade, em 1982. Para perpetuação do clã, deixou-nos a filha Vivi e o filho Roby, do qual passo a falar.

Roberto Landwehr é meu colega na Hidroterapia, atividade a que comparecemos três vezes por semana. Nasceu em São Paulo, no ano de 1956, e veio morar em Brasília juntamente com os pais, em 1960. Iniciou seus estudos no Colégio Dom Bosco, como se vê a seguir:

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Seu currículo é extenso e valioso: licenciatura em Educação Física pela Faculdade Dom Bosco de Brasília, DF; especialização em Fitness pelo Instituto de Pesquisas Aeróbicas, em Dallas, Texas, EUA; especialização em Ciência do Treinamento Desportivo pela Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro, RJ; doutorado pela The University of New Mexico, Albuquerque, EUA; professor de Educação Física na Fundação Educacional do Distrito Federal; professor de matérias diversas, com ênfase em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício, nas Faculdades Dom Bosco de Educação Física, Santa Terezinha, Em Brasília, Anhanguera, em Brasília, na Universidade Católica, em Brasília…

Na maturidade, é a cópia xerocada do pai:

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Com esse invejável cabedal, acaba de lançar, com parceiros, também por nossa Editora, a Thesaurus, este livro de bolso cuja qualidade já me fez comprar 10 exemplares para presentear meus professores de malhação e minha reumatóloga, e a cujo lançamento compareci, quando tive oportunidade de apertar a mão da Lulu:

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Para avaliar-se o tamanho de sua aceitação, basta saber que, na noite de autógrafos, no Restaurante Carpe Diem, saíram 135! Recorde editorial brasiliense no ano de 2014!

Era o que tinha a declarar!

Os livros E Pilatos Lavou as Mãos e Pílulas do Dr. T encontram-se à disposição no site de vendas da Thesaurus Editora (clique aqui para acessar).

Em homenagem ao amigo Roby e a sua família, aqui vai o Hino Nacional da Romênia:

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O SENHOR DAS ARMAS

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Juvenal Antunes Pereira é meu amigo. Conhecemo-nos bem no começo do ano de 1961, eu, formado pela EsSA – Escola de Sargentos das Armas, Turma/1957, transferido do 12º RI, sediado em Belo Horizonte, e ele mais 8 colegas da Turma/1960 – Arnaldo, Bandeira, Coimbra, Dantas, Loiola, Montibeller, Pinheiro e Silva -, vindo diretamente para Brasília, onde formaríamos o embrião do que seria o BPEB – Batalhão de Polícia do Exército de Brasília.

Apesar desse reduzidíssimo efetivo de Sargentos – 10 ao todos – para dar conta da Administração e da Instrução da Unidade, além dos serviços de Adjunto, Sargento de Dia, Comandante da Guarda, Patrulha, Policiamento e Segurança a Autoridades, todos nós achamos tempos para estudar, cursar o Ensino Médio e, quando isso se tornou possível nos cursos noturnos, conquistar o Grau Superior. Juvenal foi muito mais além!

Concluiu o Curso de Técnico em Contabilidade no Elefante Branco e matriculou-se, após aprovação em vestibular, na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, campus de Uberaba, que funcionava nos finais de semana. Sacrificando suas horas de lazer e o convívio familiar, Juvenal colou Grau em dezembro de 1969. Em setembro de 1970, deu baixa do Exército, para dedicar-se à Advocacia Criminal e preparar-se para concursos públicos.

Começava aí sua trajetória de sucesso na vida civil. Aprovado em concurso público de provas e títulos, tomou posse no cargo de Procurador do Distrito Federal, vindo aposentar-se, em 1996, no último cargo da carreira.

Paralelamente, integra a Secretaria-Geral do Gabinete do Grão-Mestre, como Assessor Jurídico, foi Venerável Ministro do Superior Tribunal Eleitoral Maçônico, por mais de 20 anos, é membro da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal, da Academia de Artes, Ciências e Letras do Grande Oriente do Brasil e da Academia Maçônica Internacional de Letras.

Autor de vários artigos e livros sobre temas diversos é também Membro da Academia de Letras de Brasília, a cuja posse compareci. Para fechar com chave de ouro esse invejável currículo, é formado pela Escola Superior de Guerra.

Tendo eu deixado o Serviço Ativo do Exército há 47 aos, e ele, há 44, nem por isso se viram interrompidos nossos laços fraternais. Pelo menos uma vez por ano, os remanescentes daquele efetivo do BPEB, mais alguns seus colegas da Turma EsSA/1960, nos reunimos, com nossas famílias, na casa do Bandeira, por ser o espaço mais apropriado para esse tipo de grande evento, como aconteceu nas proximidades do último Natal. E, também, no Aniversario de nosso Batalhão, ali comparecemos, para desfilarmos no Pelotão da Saudade. A seguir, três flagrantes das comemorações do Jubileu de Ouro do BPEB, ocorrido em 2010:

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No destaque, Juvenal

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No destaque, Floriano, Bandeira e Arnaldo

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Juvenal, Éden, Floriano e Macedo

Uma vez PE, sempre PE!

Nos últimos anos do Juvenal no BPEB foram por demais espinhosos: Comandante do PIC – Pelotão de Investigações Criminais, tinha em seu mister diário o contato com terroristas, assaltantes de bancos, arrombadores de cofres, emboscadores, frios assassinos e guerrilheiros. Nesse contexto, Juvenal, cumpria seu dever como partícula do Exército que, com sua intervenção vigorosa, procurou estancar a ação deletéria que estava levando a Sociedade Brasileira a um confronto entre irmãos.

Havia um guerrilheiro codinome Juca, perigosíssimo, atuando na Região Centro-Oeste, que organizava uma grande investida contra a Ordem Constituída e para isso aliciou e plantou elementos diversos nos quartéis, para roubarem armas e munições. Por isso, ganhou o epíteto de O Senhor das Armas!

No BPEB, o aliciado, a que darei o nome de Assecla, tinha duas missões impostas por Juca: subtrair armas e assassinar o Juvenal!

Na primeira, teve êxito. Apoderando-se de chaves das Reservas, conseguiu surrupiar 6 metralhadoras INA, 8 pistolas Colt. 45, mais de 10 caixas de munição e umas 20 granadas, além de apetrechos de campanha privativos do Exército, tudo entregue ao guerrilheiro Juca.

Na segunda, deu azar. Havia uma combinação tácita de que quem fosse preso seria eliminado no xadrez por outro aliciado, para que não abrisse o bico. E o Assecla se deu mal. Preso na rua pela Patrulha, por uma transgressão qualquer, ao ser trancafiado, viu-se apossado de grande terror de ser ali assassinado, razão pela qual procurou o Juvenal e lhe contou tudo, não só o plano de Juca, mas sobre onde lhe entregara o armamento roubado, revelando seus esconderijos e disfarces.

A prisão de Juca se deu, logo depois, no final de julho de 1969, às 19h, num ponto de ônibus da 207 Sul, e é um dos lances mais emocionantes do livro cuja capa aí vai:

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Feita a campana por vários dias, chegou o momento decisivo. No citado ponto de ônibus, Juvenal, encarando o terrorista guerrilheiro, olho no olho – pois era ali que o alvejaria, em caso de reação armada -, deu-lhe o veredicto:

– Acabou, Juca! Somos agentes do Pelotão de Investigações Criminas da Polícia do Exército! Você está preso! Ponha as mãos na cabeça, ajoelhe-se e não se mexa, porque senão, você morre!

Era um ou o outro! Até hoje, tanto tempo depois, Juvenal agradece a Juca por não ter reagido e assim salvado a própria vida e, igualmente, a dele Juvenal. Naquele momento, o perigoso guerrilheiro, O Senhor das Armas, o sanguinário, o brabo, o bom-de-sela, o trinca-ferro, preferiu, humildemente, ajoelhar-se e depor seu armamento no solo!

O tempo fluiu. A situação do País mudou. Juca, agora com seu nome verdadeiro, cuja menção aqui não interressa, passou a ocupar cargos importantes na ordem política nacional. Mas não ficou só nisso.

Juvenal, embora ocupando o alto cargo de Procurador do Distrito Federal, passou a carregar o estigma de ter sido militar. E cada posto direção a que era indicado, logo surgia uma denúncia de Juca para que fosse destituído.

Assim foi, em 1998, no Governo de Cristovam Buarque, ao assumir a Chefia da Procuradoria Jurídica do Detran.

E, a partir daí, sucessivamente!

Aconselho a todos a leitura desse livro, O Senhor das Armas, para que se saiba um pouco do outro lado da História do Brasil, agora que a Lei da Anistia só vale para um lado de seus atores – os derrotados em 1964.

Em homenagem a nosso passado na caserna, aí vão duas peças musicais que cantávamos e continuamos cantando em solenidades no pátio da Polícia do Exército.

Canção do Exército (Capitão Caçulo), de Teófilo Magalhães e Alberto Augusto Martins, com a Banda de Música da EsSA:

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Canção do BPEB, de Paulo Roberto Yog de Miranda Uchôa, com a Banda de Música do BPEB:

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HOJE É DIA DE SANTO REIS

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Em minha infância sertaneja sul-maranhense, no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, a meninada saía, de porta em porta, declamando, na esperança de ganhar alguma prenda, o que faço agora para vocês também:

Eu plantei um pé de rosa
Pra nascer no dia seis
Ele nasce, e eu lhes peço
Ano-bom, Festas e Reis

E acrescento:

Os Três Magos do Oriente
Seguindo a Estrela-guia
Louvaram o Deus Menino
Na Sagrada Epifania

Pastores em serenata
Idolatraram com fé
A santíssima Família
Jesus, Maria e José

O cantar do Santo Reis
É um cantar excelente
Acorda quem está dormindo
Consola quem está doente

Belchior veio da Pérsia
Da Etiópia, Baltazar
E Gaspar veio da Índia
Todos a Jesus saudar

Belchior portando ouro
Com mirra veio Gaspar
Baltazar trouxe o incenso
Pra Jesus presentear

Senhora dona da casa
Em sua porta tivemos
Pagando uma promessa
Que pra Santo Reis fizemos

O dono desta promessa
Tava de vela na mão
Se não fosse Santo Reis
Tava debaixo do chão

Para vocês, Reisado de São José, folia de Raimundo Monte Santo, na interpretação da saudosa forrozeira Clemilda, recentemente falecida.

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TOCANDO CORNETA QUARTÉIS AFORA

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2015! Chegando ao limiar da faixa octogenária, ainda nutro incontida veneração pelo Exército Brasileiro, profundo amor! Muito me orgulha o fato de ter pertencido a suas fileiras, de 7 de fevereiro de 1955 a 28 de março de 1967, quando fui licenciado por motivo de posse em cargo na Câmara dos Deputados, em virtude de aprovação em concurso público de âmbito nacional.

Ao Exército Brasileiro devo quase tudo o que hoje sou. Foi meu primeiro emprego. Consolidou a formação moral e cívica recebida no seio familiar. Ensinou-me a trabalhar. Proporcionou-me condições para estudar. Fortaleceu em meu coração os alicerces para fazerem de mim um homem devotado a Deus, à Pátria e à Família.

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BPEB: desfile dos veteranos no Pelotão da Saudade

Quarenta e sete anos após deixar a caserna, o verde-oliva permanece vívido em meu ser. Todos os anos, compareço ao aniversário de minha Unidade, o Batalhão de Polícia do Exército de Brasília – BPEB, Batalhão Brasília, do qual sou um dos fundadores, em solenidade em que entoamos o Hino Nacional, a Canção do Exército, a Canção da PE e nós, os veteranos, diante da Tropa formada e das Autoridades no palanque, desfilamos no Pelotão da Saudade. São momentos especiais em que sinto extrema vibração, como se fosse um recruta a proferir seu Juramento à Bandeira Brasileira.

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Detalhe da Tropa do BPEB

No desfile do Batalhão, admiro o devotamento daqueles homens inteiramente dedicados ao Serviço da Pátria, prontos a morrer por ela, e lastimo que maus brasileiros, em outro âmbito governamental, estejam a dilapidá-la a envergonhar-nos com seus atos de corrupção, ao ponto de levar quase ao aniquilamento nossa maior empresa estatal.

E eu? O que tenho feito em retribuição a tudo isso que o Exército Brasileiro me concedeu, sem nada pedir? Pouco! Muito pouco mesmo! Mas vou tentando, com o auxílio desta maravilhosa ferramenta que é a Internet!

Considerado como o maior colecionador de Música Militar no Brasil, o que proclamo sem falsa modéstia, postei, no site 4Shared, os seguintes itens, à disposição de qualquer internauta: 360 Dobrados Instrumentais: 111 Dobrados 78 RPM; 65 Hinos e Canções Militares; 27 Hinos Estaduais; 23 Exórdios; 290 Toques de Corneta; e 21 Toques de Clarim.

Os Toques de Corneta exigiram de mim esforço pessoal. Já existiam 92 navegando por aí. Com o auxílio de 2 Cabos Corneteiros do Batalhão da Guarda Presidencial – BGP, produzi mais 218, comuns às Três Forças Armadas, e os coloquei no ar, merecendo aceitação surpreendente: o Toque de Alvorada, 1ª Parte, com 11.484 acessos até agora, e o de Alarme Aéreo, campeão, com 15.709!

Minha grande vitrine é o Jornal da Besta Fubana, onde assino, semanalmente, A COLUNA DE RAIMUNDO FLORIANO. Sem esse blog, nada de meu trabalho seria conhecido. Concomitantemente à criação de sua página no Facebook, um sobrinho meu criou ali a RAIMUNDO FLORIANO – PIONEIRO DAS DESCIDAS NO RIO BALSAS. Isoladamente, sou apenas uma pessoa: Ninguém! Prova disso é que, hoje, a página JORNAL DA BESTA FUBANA contabiliza 22.271 curtidas, enquanto a RAIMUNDO FLORIANO marca passo em 266.

Leitores do JBF têm-me procurado, desde a postagem dos Toques, solicitando as respectivas partituras. Inicialmente, eu comprava os manuais no Estabelecimento General Cordeiro de Farias – EGCF e os remetia, graciosamente. Como a edição naquele órgão se encontra esgotada, na havendo previsão de nova tiragem, escaneei todo o C 20-5, Manual de Toques do Exército, e o disponibilizei em meu álbum de fotos do Facebook.

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Inesperadamente, estudantes dos Cursos de Corneteiro das Três Forças Armadas e das Polícias Militares de todo o Brasil passaram a me consultar, achando que sou alguma autoridade competente, governamental, sobre diversos temas, como precedência e toques regulamentares. Vou respondendo, usando o bom senso e a experiência dos tempos de caserna. Vejamos esta mensagem aqui chegada no dia 20.12.2014

“Boa tarde, meu nome é Andrey e moro em Florianópolis (SC). Fui corneteiro da FAB, 6 anos, e agora estou na PMSC. Estou precisando do Manual de Toques do Exército C 20-5. Se você puder me mandar, meu e-mail é (xxxxxxxxx). Abraço, Feliz Natal e Feliz Ano Novo”.

Para este caso, a resposta simples. Digo-lhe que o Manual já não se encontra à venda, mas que ele pode pinçar os toques em meu álbum de fotos do Face.

Peço-lhes permissão para contar um pouco de meu tempo de recruta, para voltar aos Toques. No ano de 1955, servindo no 25º Batalhão de Caçadores, em Teresina (PI), o anúncio da visita do General Comandante da 10ª Região foi feito com uns três meses de antecedência, e para isso era devotado todo o treinamento. Para nós, um General era quase o mesmo que o Presidente da República – que aliás, nunca deu as caras quando por lá estive –, e nossa emoção era indizível.

O mesmo acontece hoje com os soldados que servem no Interior do Brasil e nas Fronteiras. A propósito, aqui vão as imagens de dois de seus quartéis:

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Real Forte Príncipe da Beira

Esse quartel localiza-se em Costa Marques (RO), às margens do Rio Guaporé, na Fronteira do Brasil com a Bolívia, e hospeda o Primeiro Pelotão Especial de Fronteira.

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17º Regimento de Cavalaria Mecanizada

Essa Unidade está sediada na cidade de Amambaí (MS), Fronteira do País com o Paraguai. Vejam o garbo, a disciplina, o elã de cada militar da foto acima, homens dedicados inteiramente ao Serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições ora se encontram tisnadas por brasileiros outros, que se esmeram na prática de seus malfeitos, haja vista os Mensalões e Petrolões da vida, conforme amplamente noticiado pela mídia.

Foi de um Quartel de Fronteira que recebi, há algum tempo, urgente pedido de socorro: o Corneteiro, sem a posse do Manual, desejava saber qual era o toque para o Comandante do Exército, que visitaria sua Unidade.

Respondi-lhe que não existe um Toque específico, personalizado, mas combinação de Toques. Que ele a fizesse com os que já conhecia. Diante de sua insistência, resolvi montar o Toque para facilitar sua vida, como abaixo se vê:

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1 – Toque de Oficial General – Áudio

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2 – Toque de Comandante – Áudio

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3 – Toque Indicativo do Exército – Áudio

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4 – Toque de Apresentar Arma e Sinal de Execução – Áudio

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Guarda do Quartel

Quando a recepção e feita pela Guarda do Quartel, executam-se os toques acima, acrescidos Dos 12 últimos compassos da Marcha Batida.

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5 – Marcha Batida – Áudio

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06 – Toque completo de General Comandante do Exército, com recepção pela Guarda do Quartel

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Guarda de Honra


Quando a recepção é feita pela Guarda de Honra, substitui-se a Marcha Batida pelos 12 compassos da Marcha grave General Barbosa, como abaixo se vê:

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7 – Marcha Grave General Barbosa – 12 compassos – Áudio

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8 – Exórdio completo de General Comandante do Exército, com recepção pela Guarda de Honra – Áudio

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MARIA DOS MARES E O ELEFANTE BRANCO

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Maria dos Mares é minha irmã caçula. Nascida em Balsas (MA), no dia 24 de junho de 1942, é filha de Emigdio Rosa e Silva, o Rosa Ribeiro, e Maria de Albuquerque e Silva, a Maria Bezerra, meus pais. É a última de uma prole de dez, da qual sou o sétimo.

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Rosa Ribeiro e Maria Bezerra

Na realidade, foi batizada com o nome de Maria das Dores Albuquerque e Silva, mas após, fixar residência nas praias paraibanas, achou que os ares marinhos lhe traziam muitos eflúvios positivos e benfazejos, como de fato, e decidiu mudá-lo para Maria dos Mares, mudança esta sacramentada pelo jamegão dum Juiz de Direito.

E não ficou só nisso não. Vivendo sempre inconformada com o status quo, ao casar-se, como o sobrenome do marido era Silva, acrescentou-o ao seu, ficando Maria das Dores Albuquerque Silva e Silva, mais tarde Maria dos Mares, como já dito. Parece até sobrenome de gringo latino-americano.

Esta é sua mais antiga foto, pelo que me consta. Nela, aparecem Maria Alice e Maria Isaura, irmãs, Pedro Silva, marido da última, Raimundo Floriano, irmão, João Emigdio, sobrinho, Maria dos Mares e Rosimar, irmão:

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Foto batida em 1948

E este flagrante e da última reunião dos irmãos, ocorrida no ano de 1990:

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Afonso, Raimundo, Bergonsil, José, Rosimar e Pedro; Maria Isaura, Maria dos Mares, Maria Alice e Maria Iris

Maria dos Mares estudou no Grupo Escolar Professor Luiz Rêgo, no Primário, e no Ginásio Balsense, no Secundário. Concluído esses dois cursos, qualquer aluno estava apto a enfrentar o mercado de trabalho no sul-maravilha e conquistar seu lugar ao sol. Na imagem a seguir, ela e duas colegas do Ginásio, as irmãs sambaibenses Maria da Cruz e Maria de Fátima Rêgo:

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Da Cruz, Fátima e Maria dos Mares

No início de 1961, veio para Brasília, onde já morávamos 4 de seus irmãos: Maria Isaura, José, Afonso e eu. Hoje, aqui, só eu resto, talvez para contar a saga de nós todos. Mercê de Deus, o que muito agradeço.

Dando continuidade a seus estudos, cursou o Centro Educacional Elefante Branco, concluindo o Curso de Normalista em 1964. Mais adiante, me alongarei sobre o isso. Com o diploma de Professora, passou a fazer parte dos quadros da Fundação Educacional do Distrito Federal.

De extrema sensibilidade e vivendo no meio intelectual brasiliense, conheceu Natanael Rhor da Silva, Professor de Física de UnB, com quem se casou, no dia 15 de agosto de 1970. Pouco tempo depois, mudou-se para Londres, acompanhando o marido, que ali faria o Doutorado. Adiante, foto do casal:

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Permaneceu na Inglaterra por quatro anos, após o que o casal retornou para o Brasil, fixando residência em João Pessoa (PB), onde Natanael iria chefiar o Departamento de Física da Universidade Federal da Paraíba. Nessa mesma instituição de ensino universitário, Maria dos Mares conquistou o Grau Superior de Assistente Social.

Poeta, pintora, desenhista e escultora, Maria dos Mares desenvolveu na Capital Paraibana intensa atividade cultura, e assistencial o que se prolonga até os dias de hoje.

Fissurada pelo Mar, sempre morou à beira dele, primeiramente, na Praia do Bessa – por algum tempo era conhecida como Maria da Praia do Bessa –, depois, na Avenida Oceano Atlântico, Cabedelo, em confortável e amplo apartamento, de cuja varanda, e com um bom binóculo, pode-se obrervar os navios passando ao largo e até flagrar, em suas cabines, algum casal em atitude de sexo explícito.

Especializada em cerâmica, Maria dos Mares é uma referência municipal e estadual, quer em seu meio social e profissional, quer no âmbito governamental.

Dando asas a sua inspiração e seu poder criativo, montou, em João Pessoa, a Cerâmica Maria dos Mares, cujos artesanatos são amiúde procurados pelos turistas que visitam a cidade. A seguir, dois de seus postais alusivos ao Natal:

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Voltemos agora ao Elefante Branco, um dos temas desta matéria.

Tradicionalmente, elefante branco é expressão idiomática que designas posse valiosa da qual o proprietário não pode se livrar e cujo custo, especialmente o de manutenção, é desproporcional a sua utilidade ou valor.

O termo tem origem nos elefantes albinos mantidos pelos monarcas do Sudeste Asiático em Myanmar, Tailândia Laos e Cambodja, onde são considerados sagrados.

No Brasil, a construção da Nova Capital, bem como tudo que nela se continha eram considerados, pela Oposição a Juscelino Kubitschek, um elefante branco. Era o Velho do Rastelo pra todo lado, a dar de pau nas costelas do Presidente.

Mas isso não foi o caso de nosso Elefante Branco, colégio onde Maria dos Mares estudou. A denominação surgiu porque o prédio, visto de certo ângulo, assemelha-se a um elefante branco, conforme vocês veem acima em sua logomarca.

Agora, neste ano de 2014, foi comemorado, com toda a pompa e circunstância o Cinquentenário da Primeira Turma de Normalistas do Elefante Branco. Acorreram ex-formandas de todos os cantos do Brasil, a exemplo de minha irmã Maria dos Mares, que veio com Natanael, de João Pessoa, para a grande festa, organizada pelas colegas Marilena, Janaína, Leda, Heloísa, Maria Luíza, Maria Abadia e Rosecler, que aparecem na nesta pose publicada pelo Correio Braziliense:

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Histórica é este documento fotográfico, apresentando-nos a Turma de 1964, onde Maria dos Mares aparece em evidência:

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Primeira Turma de Normalistas do Elefante Branco

Quer dizer, Maria dos Mares fez parte da História de Brasília, ao formar-se em seu principal Estabelecimento de Ensino Médio da época, e. hoje, participa da História João-pessoense, paraibana e nordestina, com sua atividade profissional, conforme acima foi dito.

Para saber um pouco mais sobre Maria dos Mares, veja o vídeo abaixo:

CHAME O PÉ DE CHUMBO

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Irmãos Metralha

Esta é uma parábola sobre Futebol e Política, assuntos sobre os quais sou completamente analfabeto, entendo porra nenhuma, como ficou provado neste ano de 2014, ora findante.

No Futebol, gramei, com meu Vascão as agruras da Segundona, e foi um sufoco para sairmos dela. Na Copa do Mundo, os 7 x 1 deixaram-me completamente engasgado. Na final, torci doidamente pela Argentina, e novo ferro levei.

Na política, naveguei na contramão da História. Apenas consegui eleger o Governador do Distrito Federal, e isso ajudado pelo eleitorado brasiliense que, cheio de brio, votou maciçamente no sentido de mudar o rumo das coisas. Votação inglória, mas Brasília deu exemplo para todo o Brasil. Se vier lixo federal para cá, culpa alguma nos cabe!

Isso dito, passemos à parábola.

No ano de 1958, quando eu servia como 3º Sargento no 12º Regimento de Infantaria, sediado em Belo Horizonte, a Companhia de Petrechos Pesados do 1º Batalhão – CPP-1, da qual eu era Furriel, estava nas semifinais do Campeonato Interno de Futebol. No jogo que a levaria ao final, estávamos perdendo de 2 x 0. Terminado o primeiro tempo, o Capitão Comandante da CPP-1 interpelou o Técnico, Sargento Dorgival, querendo saber o motivo daquele fracasso, vez que contávamos em nosso time com o artilheiro do certame. Deu-se este diálogo:

– Sargento Dorgival, cadê aquele índio nosso artilheiro? Por que não está jogando?

– Capitão, é o Pé de Chumbo. Não foi escalado porque está preso!

– Preso? Por quê?

– Capitão, o Pé de Chumbo, ontem à noite, deu a maior alteração na ZBM, e a Patrulha o recolheu ao xadrez!

Ouvindo isso, o Capitão falou:

– Vou soltar o Pé de Chumbo!

Usando de seu prestígio, conseguiu que o Pé de Chumbo fosse liberado para o jogo. E o resultado foi o que se esperava: o índio virou o jogo para 3 x 2. Saímos de campo vitoriosos, com o Pé de Chumbo carregado nos ombros da soldadesca e conduzido de volta ao Xadrez!

Falemos, agora, de Política, na atual conjuntura!

Ainda há pouco, um Advogado de Empreiteira declarou que, no Brasil, sem uma propinazinha por baixo do pano, não se coloca nem um paralelepípedo em qualquer empreendimento, seja federal, estadual ou municipal.

Um Ministro do Executivo, por sua vez, opinou que todos nós, vez quando, praticamos atos de corrupção, ativa ou passiva.

No Jornal da Besta Fubana, edição de 08.12.14, saiu esta matéria:

“UM MAGISTRADO PERPLEXO

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, considera que existem indícios de que os crimes de corrupção e propinas ‘transcenderam a Petrobras’.

Ele demonstra perplexidade com a planilha de dados sobre cerca de 750 obras públicas, ‘nos mais diversos setores de infraestrutura, que foi apreendida com Alberto Youssef’.

Doleiro e alvo central da Lava Jato, Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa fizeram delação premiada e relataram a ação do cartel das empreiteiras na estatal petrolífera. A planilha que incomoda o juiz da Lava Jato foi apreendida no dia 15 de março, quando a operação saiu à caça dos investigados.

Na terça-feira, em Brasília, durante sessão da CPI mista da Petrobras, Costa afirmou que o esquema de propinas é generalizado no País. Funciona, segundo o delator, ‘nas rodovias, portos, ferrovias e aeroportos’.”

Quer dizer, tá tudo dominado!

Estamos no mato sem cachorro! E, com o objetivo de que o País não pare por completo, já que não podemos contratar empresas do Exterior, ou mesmo de outro Planeta, o jeito é entregarmos tudo para quem foi pego com as fuças na ratoeira. E, novamente, convocarmos o Pé de Chumbo. Esta matéria, publicada pelo Correio Braziliense no dia 30.11.14, é bom exemplo do que aqui se afirma:

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Precisa-se dizer mais?

Pelo que vêm propalando certas autoridades, temos de concordar com o Cego João Mandioca, um de meus gurus, que afirmava:

– Mundinho, todo brasileiro tem calo! Quando não tem no pé, tem na consciência!

Dia 12.12.14, esta matéria já finalizada, deparei com a seguinte figura no Facebook, originada no MCC – Movimento Contra a Corrupção, postagem de meu amigo Roberto Oliveira:

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Não dá pra segurar! Explode, coração brasileiro! Por isso, vamos relembrar o que diz o malandro Bezerra da Silva em seu inspirado Pega Ladrão, samba de sua autoria:

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FLORIANENSES 3 – LANÇAMENTO EM BRASÍLIA

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Esta coletânea traz em seu bojo o excepcional condão de resgatar personagens que fizeram a história florianense, até agora completamente esquecidos na memória de seus conterrâneos. Começou timidamente, apenas 130 páginas no Volume 1, ganhou impulso no Volume 2, com 320, e se consolida na edição deste Volume 3.

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No Evangelho e São Lucas, Jesus já dizia que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. Era uma espécie de queixa, ao constatar a iconoclastia das pessoas com relação aos que lhe estão próximos. Nos dias de hoje, é fácil observar como, para alguns falsos amigos e até mesmo em certos círculos familiares, o sucesso de um é ofensa pessoal para os demais.

Sob a égide da Fundação Floriano Clube, organizado por Cristóvão Augusto Soares de Araújo Costa, piauiense, funcionário aposentado do Senado Federal, ora residindo em Teresina, e capitaneado por Teodoro Ferreira Sobral Neto, o Teodorinho, este maravilhoso empreendimento traz à luz nomes que se encontravam apagados nos anais piauienses. Como o de Seu Emigdio Rosa e Silva, o Rosa Ribeiro, meu pai, nascido na Fazenda Brejo, no ano de 1891, integrante de uma tropa composta 1.500 patriotas que, partindo de Floriano, em 1916, chegou a Teresina, onde depôs o governo miguelista e deu posse ao legítimo Governador, Eurípedes de Aguiar. Naquele mesmo ano, Rosa Ribeiro mudou-se para Balsas, sendo figura de proa na colonização do sertão-sul-maranhense.

Teodorinho é proprietário do Laboratório Sobral, que fabrica medicamentos diversos, fornecendo-os para farmácias de todo o Brasil. Adiante, vemos detalhes dessa produção:

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Seu perfil foi publicado aqui no Jornal da Besta Fubana, sob o título Teodoro Sobral, o Gigante da Cultura Piauiense, no dia 07.07.2014, que vocês poderão acessar clicando aqui.

Após o lançamento em Floriano e Teresina, o evento ocorreu aqui em Brasília, no dia 22.11.2014, conforme se vê no convite abaixo:

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A Colônia Florianense compareceu em peso. Foi uma festa inesquecível, na qual tive a oportunidade de reencontrar várias pessoas que fizeram parte de minha trajetória, quando estudei em Floriano, a Princesa do Sul Piauiense. Especialmente convidado, ali compareci, acompanhado de Veroni, minha mulher, Elba, minha filha, e Fábio, meu genro, além de primos diversos.

Inicialmente, usaram da palavra Teodoro Sobral que fez a apresentação, e Jofran Frejat, um dos perfilado neste volume 3. Em seguida, foi-me concedida a oportunidade de falar um pouco sobre meu nome, Raimundo Floriano, em louvor à cidade, e sobre o de meu pai, Rosa Ribeiro, também personagem do livro, que deveria ser Emigdio de Sousa e Silva, mas, por ter nascido muito rosado, recebeu no batismo o nome de Emigdio Rosa e Silva, ficando para sempre conhecido como Rosa Ribeiro, por causa de seus dois meios-irmãos, João Ribeiro e Raimundo Ribeiro, o Mundico, filhos do primeiro casamento de meu avô.

A seguir, flagrantes da bela reunião cultural:

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Jofran Frejat e Teodoro Sobral – Paulo Viana e Teodoro Sobral

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Raimundo Floriano, Veroni, Teodoro e Cristóvão – Visão geral do lançamento

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Paulo Kalume, com Rosa, Karina e Fernanda Mazuad

Este magnífico projeto tem contado com a colaboração das famílias dos vultos focalizados, que vêm orientando na redação dos textos e fornecendo fotografias garimpadas no fundo do baú do esquecimento. Como o de meu pai, por exemplo, cuja pesquisa e ficou completamente a meu cargo.

Em julho do próximo ano, será lançado o Volume 4. Minha família novamente será homenageada com três personagens: meu tio José de Sousa e Silva, o Cazuza Ribeiro, e meu primo Pedro Maranhense Costa, ambos com pesquisa iconográfica e textos meus; e meu tio João Clímaco da Silva, o Comandante João Clímaco, com pesquisa a cargo de seus filhos Airton, médico, e Nilson, arquiteto.

Aguardemos, pois!

YOUTUBARAM O TENENTE

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Na vida, com 78 nos couros, pensam que nada mais é novidade? Pois bem!

Entrei para o Orkut no ano de 2005 e logo procurei inscrever-me como membro das Comunidades relacionadas às pesquisas fonográficas a que venho me dedicando desde há muito: a Música Militar, o Carnaval, o Forró e a Velha Guarda da MPB. De cara, e auxiliado por minhas filhas, que me orientaram nos passos iniciais, aderi às seguintes: SÓ DOBRADOS, MÚSICA MILITAR, SAMBA DE RAIZ, com mais de cem mil membros, MARCHINHAS DE CARNAVAL e JACKSON DO PANDEIRO.

A Só Dobrados ainda engatinhava, e seus membros não perfaziam uma centena. Chegamos a atingir a casa de 3.000! Qualidade era sua maior característica!

A Música Militar, com um milheiro membros, vinha crescendo aos poucos, em razão de que a Só Dobrados se tornou mais conhecida, talvez por causa da sua inspirada denominação, fazendo-a mais fácil de ser localizada.

Na Samba de Raiz, onde comecei postando meu vasto repertório de Noel Rosa, Pixinguinha, Sinhô, Donga, Ary Barroso e outros cobras, recebi esta premiação: fui expulso! Não era isso o que eles queriam.

Não foi diferente na Marchinhas de Carnaval. Meu estoque de mais de 12 mil músicas carnavalescas do passado não agradou àquela gente. Resultado: cartão vermelho! Depois, ela passou a ser administrada pela pesquisadora Patrícia Rodrigues, que extinguiu, de vez, o regime de expulsão.

Na Comunidade Jackson do Pandeiro, não havia interação. Apenas eu postava músicas, literatura referente ao Rei do Ritmo, homenagens, mas não obtinha qualquer tipo de retorno, crítica alguma, quer positiva, quer negativa. Saí por conta própria!

À vista disso, resolvi formar minha própria Comunidade, onde pudesse divulgar meu acervo sem qualquer perigo de exclusão ou interferência deletéria. Assim, nasceu a Comunidade DOBRADOS, CARNAVAL E FORRÓ, que chegou a contar com mais de 900 seletos membros. Era este seu ícone:

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E foi em decorrência de meu trabalho de divulgação nessas Comunidades que me vieram os honrosos reconhecimentos sobre os quais adiante me estenderei.

NO CARNAVAL – Todas as manhãs de sábado, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro FM, o veteraníssimo radialista Gerdal dos Santos apresenta, no programa Onde Canta o Sabiá, o quadro intitulado Alguém Muito Especial, assessorado pela Pesquisadora Patrícia Rodrigues, a das Marchinhas, enaltecendo vultos da Velha Guarda. Sempre que necessitam de alguma peça musical rara, difícil de se conseguir, é de meu acervo que se valem.

No período carnavalesco, fico lotado de pedidos de partituras de marchinhas, sambas e frevos, a maioria solicitada por jovens músicos que assinaram contrato com algum clube, mas não conhecem os sucessos mais tocados e cantados pelos foliões de todo os tempos. Tais pedidos têm chegado também do Exterior, de países como Alemanha, França, Japão, Estados Unidos, Portugal, Uruguai, Finlândia, Argentina e muitos outros.

NO FORRÓ – Minha dedicação a esse gênero, abarcando todos seus compositores e intérpretes, me levaram a tomar posse, no Recife, na Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, tendo como Patrona a cantora Elba Ramalho. Não preciso dizer mais nada!

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NO DOBRADO – Ao formar a Comunidade Dobrados, Carnaval e Forró, além de permanecer fiel à Só Dobrados, disponibilizei nesta grande parte de meu acervo de dobrados, hinos e canções, atendendo às constantes solicitações que me chegavam. Uma delas, os Hinos Estaduais, pesquisa que me tomara mais de três anos de persistência e teimosia. Outra, os Toques de Corneta. Existiam apenas 72 na Internet. Fui à luta. Coadjuvado por dois Cabos Corneteiros do BGP, gravei mais 218 e postei o total de 290 nas duas Comunidades. O Toque de Alvorada, hoje, contabiliza 15.433 downloads! Confiram clicando aqui.

O que eu não sabia, nem desconfiava, era que olhos atentos observavam esse meu prazeroso trabalho. E laboravam na surdina, preparando-me uma homenagem que jamais imaginei merecer, mas que comoveu não só a mim, mas a toda minha família.

Essa deferência partiu do jovem que, na foto abaixo, está tocando seu bombardino. Chama-se ele Filipe Fonseca, reside no Rio de Janeiro e, na época do sucedido, tinha apenas 18 anos de idade!

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Filipe Fonseca

Pois esse moleque, sem me conhecer pessoalmente, sem ao menos ser meu amigo no Orkut, surpreendeu a todos, a mim e à totalidade da Só Dobrados, no dia 14 de dezembro de 2009, com inspirada composição sua, um belíssimo dobrado, ao qual deu o título de Tenente Raimundo Floriano. Surpreendeu-nos, não só pelo impacto da urdidura, feita em segredo, como pela beleza da linha melódica de sua criação, enriquecida pelos arranjos para 21 instrumentos, todos de sua lavra.

Minhas camaradas, meus camaradas, eu já me meti a compositor. Sentava-me num boteco com alguns amigos do ramo e danávamo-nos a fazer marchinhas, sambas, o escambau. Mas no caso em tela, o buraco é muito mais embaixo.

Pasmem! Um jovem de apenas 18 anos, tendo à disposição o vigor da idade e as maravilhosas e infindáveis alternativas de diversão da vida carioca, deixa tudo isso de lado para queimar as pestanas e elaborar uma peça musical dedicada a quem só conhece virtualmente! E o resultado taí: 4:31 de talento e criatividade! Sublime invenção!

É ou não é para sensibilizar qualquer coração empedernido?

A Fanfarra do 1º RCG – Regimento da Cavalaria de Guarda, da qual fui nomeado AMIGO, esmerou-se na gravação desse tesouro musical, que coloco à disposição de meus queridos leitores.

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Fanfarra do Primeiro Regimento da Cavalaria de Guarda

Para baixá-lo e salvá-lo, clique aqui.

Muito do que foi dito acima está hoje ultrapassado, com a extinção do Orkut. Venho compensando essa lacuna, postando as partituras em meu álbum de fotos do Facebook, onde já se encontram estes títulos: Marchinhas e Sambas Carnavalescos para os dois naipes – trombone e sax alto; e pistom, clarineta e sax tenor –, Chorinhos, Toques de Corneta e Toques de Clarim.

MAIS EMOÇÕES:

Há poucos dias, o amigo Jorge Rocha, meu Assessor Tecnológico, ex-baterista do Gera Samba, capturou, no Google, imagens diversas postadas por mim nas diversas matérias que venho publicando, e youtubou-me, ou seja, brindou-me com este vídeo, que tenho o prazer de colocar à disposição de todos vocês:


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