
A DIFERENÇA
A economia brasileira parece sentir o balanço da crise mundial de forma mais aguda. Um dos sinais é o arrefecimento do consumo e a queda na produção industrial que sofre uma concorrência desleal frente as importações, principalmente chinesas, que aqui aportam a preços irrisórios ante o produto similar da nossa indústria. O custo dos chineses, por exemplo, na produção e formação de preço final está restrita a utilização da matéria prima e de maquinários. Já o custo Brasil é assombroso para a mesma produção. Esta situação impede o crescimento industrial e sua expansão interna e externa e comprimem salários perante a impossibilidade de maiores ganhos, lucros. O investimento é moroso.
Expandir o crédito e tão somente isso não vai ser item impulsionador para esse investimento e muito menos ainda para a sustentabilidade econômica do trabalhador brasileiro. O foco está desvirtuado. O crédito tem seu efeito positivo momentâneo, passageiro. Com a alta do preço dos produtos básicos, o assalariado em pouco tempo começa a perceber que não há a mesma proporcionalidade nos aumentos do seu ganho. Muito melhor e eficaz a redução de impostos/tributos aos produtos essenciais a sobrevivência do brasileiro do que redução em tributos para indústria automobilística, IOF e por aí vai. Isto porque esses produtos, via maquiagens, podem subir de preços rapidamente e a alíquota some nos cálculos.
Não só os pátios das montadoras de automóveis estão abarrotados. Os pátios dos bancos que financiaram também estão. As commodities estão sofrendo quedas acentuadas de preços e de encomenda. A dependência da nossa economia da China está trazendo enormes riscos. A indústria chinesa está em processo de retração e com isso a sua necessidade de importação está desacelerada. Como a China e a Europa são os maiores importadores, o sinal de alerta está mais que vermelho, está rubro. A austeridade de governos europeus impôs queda de salários e consumo e com isso redução da atividade industrial. A China como fornecedora desse mercado acusou o golpe e este é repassado ao Brasil, resultado de uma economia global. Os tempos são outros.
Acredito que existem, no momento atual, poucas propostas de soluções que realmente resolvam na construção do muro para reter esses efeitos na economia brasileira. Uma delas é a redução ampla da carga tributária, não apenas setoriais, que na verdade são repassadas a outros setores. É aberrante o resultado dos cálculos que demonstram que os brasileiros pagam anualmente cerca de 200 bilhões de juros, o que vai dar para cada cliente bancário 3,6 mil reais. Estes cálculos da empresa Austin Rating, de Erivelto Rodrigues, permitem uma visão cruel do sistema financeiro com a população. Os lucros são astronômicos. O governo tem por obrigação reduzir a sua participação nessa ciranda para então fazer cobrança por justa causa.
Outra solução proposta, já explicada neste espaço, é a construção de novas formas de funcionamento de nossa economia. Ela se baseia na formatação de duas semanas em uma, ou seja, de segunda a quinta feira seria o turno normal e existente de trabalho. Teria um dia reduzido e com vigência de todos os direitos e obrigações existentes para a semana de 40 horas.
Para a segunda semana, de sexta feira ao domingo, uma legislação especial normatizaria a relação emprego e trabalho. Sugeri que ficasse a cargo do setor produtivo apenas o recolhimento da parte do sistema previdenciário e excluídos todos os benefícios deste nas rescisões contratuais, com liberação imediata do fundo de garantia, nos casos de responsabilidade do empregador, o equivalente ao mínimo mensal para a subsistência. A indústria estaria isenta de qualquer recolhimento de tributos para a produção efetuada nesse período, mas com a obrigação de investir em sua expansão um mínimo do arrecadado nessa semana de três dias. Estaria proibida a contratação de empregados que tivessem registro no turno semanal normal, exceto se comprovada a necessidade da mão de obra especializada. O salário seria calculado em dias de trabalho, baseado no salário correspondente da semana normal.
Nessa situação de funcionamento da produção brasileira, aumentaria a circulação de riquezas e teria enorme expansão o mercado de trabalho. Muitos serão os pontos de melhoria para a economia, até mesmo para a formação profissional dos trabalhadores ante o tempo ofertado pelo sistema proposto. Isto fará a diferença.

COTAS POLÍTICAS

Nenhuma dúvida me resta de que o Supremo Tribunal Federal-STF se tornou uma extensão do Executivo, assim como o Congresso Nacional. O julgamento das cotas raciais deixou bem caracterizado que as decisões são políticas naquilo em que ela se fizer presente. Vou mais além, deixa sob suspeita a não influência de políticas de governos populistas nos julgamentos, até mesmo resquícios de apadrinhados. Morre com isso, para mim, a esperança de qualquer resultado que penalize os atos de políticos mensaleiros no julgamento que se aproxima (?). Está evidente que forças ocultas, para não falar do ex presidente, terão enorme atividade no campo magnético das decisões na busca de final feliz aos detratores dos costumes, da moral, da ética e do respeito à Nação brasileira.
Pétalas de rosas cairão sobre o plenário do STF nas poéticas oratória dos ministros, assim como o foi no caso das cotas raciais. Paladinos da defesa contra a miséria cultural de um segmento social. Há que se colocar que a população afro-descendente tem seu maior habitat nos centros urbanos, poucos permaneceram nos campos ou na atividade agrícola, seja como produtor ou como empregado. Escolas públicas não são invenção dos últimos tempos. Estão disponíveis a todos que queiram estudar e crescer cultural e economicamente. Como ficam os milhares de euro-descendentes que estão em grande massa populacional dispersos pelo interior do Brasil, principalmente no agreste nordestino, e que vivem a margem das possibilidades de acesso às universidades? Por que não cotas para eles? Por que discriminá-los?
Sim, a decisão foi uma discriminação, foi um aceite à uma ação de governo, foi política e não jurídica. Não cabe ao STF como guardião da Constituição Federal impingir inobservância. Ainda que a decisão fosse de cunho global, ou seja, de alcance para todos e não segmentária, ela estaria, mesmo que de viés, observando princípios constitucionais, os seus ditames que são de alcance único e total, jamais fracionados. Estaria, assim, encorpada pelo espírito social da norma constitucional que ordena em seu “art. 3º Constituem Objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – Construir uma sociedade livre, justa e solidária…. IV – Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Mais ainda, estaria com isso atendendo o inciso III do mesmo artigo que também compõe os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil que determina em seu texto “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”. Não diz segmentos sociais e regionais, mas sim, de um todo.
Na minha avaliação, considero a decisão do STF uma ação indigna com os “euro-descendentes” que vivem pelos guetos e agrestes deste Brasil, segregados pela sociedade, governo e por votos como estes dos tribunais. A filosofia e o romantismo proferido nos votos dos ministros obstaram um momento oportuno, grandioso e justo a uma sociedade. Ao invés de fazer prevalecer as normas ditadas pela Constituição Federal, aderiram a um posicionamento frontal, até mesmo de confronto, com os objetivos do art. 3º da CF. Vestiu de racialidade o termo e a palavra raça constante do texto constitucional em seu inciso IV. Mais que isso, voltou a segregar a sociedade brasileira.
Não há neste artigo qualquer sentido discriminatório. Existe sim, uma indignação ante uma atitude da maior corte em fazer política e jogo de agrado social como se a ela coubesse determinar o que pode ou não ser feito acima do que determina a Constituição Federal. Extrapolaram e abusaram do baixo nível cultural do povo brasileiro, da dependência do Congresso Nacional inerte e do governo federal cheio de malfeitos. A decisão tem que levar no seu bojo a questão social da pobreza que não tem oportunidades, e não somente para os afro-descendentes.
Mas como somos um país de analfabetos funcionais, pequenos grupos de ativistas somados a interesses políticos partidários oportunistas, imprimem ao consciente popular posturas alienadas. O incrível é que a corte acompanha, vide marcha da maconha, demarcação em Roraima, quilombolas etc. Com o mensalão, são possíveis novos votos filosóficos e o roubo será considerado apenas desvios. E viva o Brasil varonil.

COISA NOSSA
O assessor estava pensativo em um canto da sala quando Fernando Haddad perguntou: que está acontecendo? Ao que respondeu: jacaré voa? Irritado Haddad respondeu: que estupidez é essa, onde já se viu jacaré voar, tá louco, quem lhe disse isso? O Lulla, respondeu o assessor. Então voa, baixinho mais voa, tem até umas asinhas atrás das perninhas, nunca viu? Argumentou um nervoso Haddad. Esta é a história que cabe aos partidos brasileiros, desfigurados, subservientes e meros passaportes para oficializar candidaturas.
Despojados de personalidade programática, ideológica e de identificação com o eleitor, que os subestimam em prol dos chefes ou caciques, os partidos políticos do Brasil se tornam “cachoeiras” de interesses personalistas e de agrupamentos dos mais escusos interesses. Sem qualquer estrutura de sobrevida própria, ficam a mercê dos chefes políticos mais abastados que os sustentam e, por essa razão, determinam o seu caminhar. As regras partidárias engessam seus movimentos e os colocam inertes e frágeis aos interesses de pequenos grupos dominantes.
É nesse cenário que está em curso a escolha de candidatos as prefeituras por esse Brasil afora. Eles, candidatos, são impostos pelos chefes dominantes, tenham ou não o perfil de homem preparado para administrar o bem público. A “ficha limpa” veio a reduzir o campo dessa imposição porque são poucos os que a tem e estes, em grande número, não se sujeitarão aos tortuosos caminhos da chefia política. Nesta primeira edição de eleição com a “ficha limpa”, os detentores dela ainda não conseguirão entender o seu poder de fogo na sua indicação e serão, obviamente, pressionados por cartilhas dos comandantes partidários. O impacto maior se dará nas candidaturas às Câmaras de Vereadores. É lá também que se poderá formar bloco ético e pressionar por governos honestos nas municipalidades. Movimento nesse sentido pode mudar a história política do Brasil em 2014. É possível.
Esta demanda de candidatos “ficha limpa” para 2014 terá seu marco no julgamento do mensalão. Toda artimanha está sendo utilizada para evitar tal julgamento. Querem a todo custo prescrever crimes que tornarão inelegíveis políticos e acompanhantes citados na lide. Até mesmo o ex presidente poderá ser alcançado, dependendo da vontade do Tribunal em estender a busca pelo “fio da meada”. A Justiça luta bravamente contra os obstáculos colocados, inclusive de alguns próprios membros que se utilizam de meios não muito razoáveis e até mesmo imoral, apesar de legal, para postergar a sua ação.
O limiar de uma geração destrutiva de políticos, fortemente estabelecida em grande número após 2003, está prestes a desaparecer no horizonte do mundo da política. É verdade que para isso não bastam apenas às leis. A população tem que entender que sua vida está sendo joguete nas mãos dos detentores do poder. Juros baixos acompanhados de créditos fáceis em momentos críticos da economia mundial são pura compra de voto para as eleições de outubro. O sonho de ascensão social aos poucos está sendo desfeito com a dificuldade de pagar as prestações dos carnês.
O aumento do custo de vida está impondo frustrações à camada social mais baixa e, principalmente, aos ascendentes a classe média criada pelo governo para massagear o ego desse povo sofrido por essas políticas passageiras e enganadoras. O massacre ao setor industrial via tributação, está reduzindo o campo de geração de empregos que hoje está concentrado no setor de serviços que, pela excessiva oferta de mão de obra, comprime salários. A preocupação dos últimos dias com as condições de sobrevivência das indústrias é mero jogo de cena. Não vai reduzir os problemas do setor industrial que além de tudo, sofre com incentivos do governo aos produtos importados.
O crescimento desenfreado de vagas aos estudantes sem o preparo de qualificação da educação leva milhares de jovens ao subemprego, mesmo com diploma nas mãos. Criam-se faculdades até em fundos de quintal, onde não há a menor estrutura para tal, para atender caprichos de candidatos e de eleitores no Congresso Nacional, deputados e senadores, e dos detentores de títulos eleitorais, o povo. É cosa nostra, digo, coisa nossa.

PAÍS CONFUSO
Certas declarações me deixam em enorme preocupação. O curioso é que ninguém se rebela ou contesta determinadas falas, e são muitas, que, no seu âmago, são impositivas e de fortes objetivos. Assim, a verborragia do ex presidente Lulla vai se colocando na mente dos infortunados brasileiros que por serem despojados de formação educacional e cultural, a absorvem como uma verdade. “Vou voltar à vida política porque o Brasil precisa continuar crescendo”. Dilma, onde fica nisso?
Não há diferença, em princípio, entre a fala do ex presidente Lulla e a do senador Demóstenes Torres. Ambos se consideram os paladinos da verdade na imagem que apresentam a população. Na vida real, “interna corporis”, os métodos de ação para obter proveitos é que são diferenciados. Um se relaciona com mensaleiros, corruptos, malversadores do dinheiro público, aloprados etc. O outro com contraventor. Na essência, os objetivos são os mesmo: tirar proveito para si.
O candidato Haddad e seu mentor se reúnem com Kassab para fechar apoio ao candidato do PT a prefeitura de São Paulo. Nem mal esfriou a cadeira que sentou na convenção do PT e o Kassab já estava de braços dados com José Serra, o candidato do PSDB. O PT, paladino da ética e da verdade, está até o pescoço envolvido com o mesmo contraventor, amigo de Demóstenes, via secretário de governo, governador etc. Neste caso, governador, com agravantes. Nomeou inúmeros correligionários nos cargos da administração do Distrito Federal, o governo de Brasília. Falcatruas por todo lado e o eleitor pouco dando bola para tal situação. Pensa: não tenho nada a ver com isso. Ah! Se soubesse como tem, mas vai levar tempo para entender.
A presidente vai aos Estados Unidos dizer ao presidente americano como deve administrar o País. Reclama do tsunami de dinheiro como se apenas o Brasil fosse o afetado, esquecendo que o mesmo vale para todos no mundo, inclusive América Latina. O Brasil apresentou o pior desempenho da América do Sul. Dizem que não está ocorrendo a “desindustrialização”, mas a indústria manufatureira está em baixa na sua produção e toda a arrecadação do Brasil nas exportações se baseia em valores (preços) e não em volumes, que tem se reduzido a cada ano, o que é perigoso.
Uma queda nos preços das commodities e lá vamos nós para o saco, até porque somos sustentados apenas pelo petróleo, soja, carne, ferro, açúcar e café, sendo que os dois últimos estão em queda. O governo arrecada 55% de ICMS em apenas três setores: energia, comunicação e combustível. A carga tributária esmaga a empresa nacional, mas produtos importados recebem incentivos mesmo tendo similares nacionais. As Instituições bancárias têm lucros astronômicos, muito maiores até que os bancos americanos, mas não reduzem o spread e seguram os créditos, sem falar nos juros aplicados e na enormidade de taxas e penduricalhos para o correntista. Até despesas de telefonia são lançadas, via distribuição nas contas, pelas agências bancárias. Não tem interesse na população e sim, só no que financia o governo onde o lucro é alto e garantido. O aperto do governo para que os bancos soltem o dinheiro está fundamentado na eleição de outubro. Depois passa.
O Supremo Tribunal Federal-STF, fica meses analisando, estudando e coisas mais o processo de Cesare Battisti para ao fim decidir entregar ao Lulla a decisão. Deveria ter começado então pelo fim, decidir primeiro se ia ou não dar a palavra final ao Lulla. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, João Paulo Cunha, é um mensaleiro que vai a julgamento dentro em pouco.
Colocamos banca como sexta economia do mundo, mas o sétimo, Inglaterra, tem renda per capita quatro vezes maior. Nossa fatia de participação no bolo de exportação mundial é de apenas 1,4%, ajudada pelo preço das commodities. Nosso IDH é nas alturas de ruim. Nosso resultado na avaliação educacional promovida pela OCDE- Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, o PISA, é nada animador, estamos caindo pelas tabelas assim como somos o 22º em exportação. Isto posto, fica a sensação de um País confuso quando não, mentiroso.

LIVRE PENSAR
As notícias dos resultados da indústria nacional não são nada boas. As perdas estão acontecendo desde 2003. Há uma constante queda na produção brasileira e isto é perigoso para a economia do Brasil. Os dados de que 55% da arrecadação de ICMS vem de somente três fontes que são energia, telecomunicações e combustível, e elas importantes à produção industrial do País, é deveras preocupante. É sinal de que o setor produtivo está pesadamente onerado para manter sua produtividade. É sinal também que o governo está tirando fôlego do setor produtivo e do emprego para se manter. Substituir com crédito ao trabalhador a melhoria do emprego é preocupante. Manter o alto custo da energia é sangrar a indústria. O custo excessivo da produção liquida a produtividade.
O professor da USP José Pastore destrincha o custo de cada trabalhador na iniciativa privada. Este custo da despesa de contratação de um empregado chega a 102% sobre o salário. O peso disso na competitividade para a indústria brasileira é astronômico. Os penduricalhos são imensos e vão desde os benefícios com participação nos lucros, auxílio creche, convênios médicos, previdência privada, cotas para deficientes e aprendizes, medidas de saúde e segurança, dispêndio com contencioso trabalhista e das indenizações agora acrescidas de aviso prévio proporcional com adicional de 10%, o custo da burocracia, licenças e afastamento, treinamento, adaptação e transferência de empregados e vem aí o ponto eletrônico, licença de 180 dias para gestante e 15 dias para o pai, dia de folga para aniversário e um curioso, citado pelo professor Pastore: auxílio solidão. Como agüentar isso e competir?
Em artigos passados mencionei aqui a minha proposta para, talvez, ser um caminho de forma a resolver a “impossibilidade” de retirar os “direitos adquiridos” que tanto oneram a folha de pagamento das indústrias. Cheguei a enviá-la ao deputado federal Thomaz Nonô, hoje vice governador em Alagoas, que, em gesto de aceite, encaminhou a assessoria da Câmara Federal para análise e avaliação da proposta. No parecer, os assessores, após elogios, consideraram que para tal iniciativa ser implementada, teria que se utilizar de Projeto de Emenda Constitucional – PEC o que seria muito difícil de ser aprovada em razão das medidas e normas especiais exigidas e inerentes a proposta. Para a solução dos entraves não há alternativa a não ser via PEC.
A minha proposta, em resumo, consiste em manter o “status quo”, sem alterar qualquer dispositivo da legislação vigente. Será criada em regime especial, daí a PEC, legislação que normatiza o trabalho do empregado em três dias da semana que seria composto de sexta feira, sábado e domingo, o que implica em redução da atual semana para cinco dias de trabalho conforme a legislação em vigor. O empregado da semana de cinco dias estaria impedido de atuar no período especial em empregos formais. Todos os direitos em vigor estariam preservados a este trabalhador.
À indústria caberá, na relação trabalhista no regime especial, a responsabilidade de recolher apenas o fundo de garantia que lhe é cabível e a parte da contribuição previdenciária do empregado. Todos os demais direitos pecuniários são cessantes no regime especial. Quanto aos tributos do período especial, sexta feira, sábado e domingo, a produção, inclusive de exportação, estaria isenta de recolhimento. Os ganhos do período serão considerados como investimento de forma a alavancar a produção industrial e sua conseqüente produtividade. Extenso campo de ocupação de mão de obra será ofertado ao mercado de trabalho.
Outro ponto que estaria dentro do contexto é a questão dos feriados nacionais e locais que seriam extintos já que a força de trabalho teria sobra de tempo para lazer e outras atividades. Talvez o maior gargalo está na produção de energia para atender o aumento da demanda. Pelo muito que explorei o tema, é possível sim este formato de trabalho + produção desde que queira o Congresso Nacional e governo, sua composição. Basta criar grupo de trabalho com competências tais como do professor Pastore para que tal iniciativa ou outra de melhor aplicabilidade seja criada.

BRASIL EM RISCO
Na minha juventude ouvia-se falar muito pelas rodas de conversas que a dificuldade de desenvolvimento do Brasil era a falta de dinheiro, principalmente de “dólares”. Era a razão de não termos estradas, hospitais, universidades e insuficiente parque industrial para gerar produção e riqueza para a população. O Brasil vivia de samba e futebol. Empregos estavam a cargo do poder público e como cresciam as necessidades dos alojamentos aos amigos e apadrinhados, foi-se inflando a máquina de governos para atender o alto crescimento da “mão de obra” emergente. O Estado para suportar tal demanda, tinha que buscar por dinheiro para o sustento de sua estrutura funcional, nada produtiva. Como a riqueza da Nação não tinha ciclo que pudesse acompanhar essa demanda, os governos não viam alternativas de suprimento, senão buscar empréstimos no exterior.
Hoje, a dificuldade de desenvolver ainda faz parte da história desta Nação. Agora são os dólares excessivos que prejudicam o nosso desenvolvimento. Continuamos como um País pobre, onde a média da renda do trabalhador não ultrapassa a casa do salário e meio. Para desenvolver a produção, o governo levou a população a se endividar abruptamente sem o devido preparo educacional e profissional para suportar, via ganhos, os aumentos das despesas fixas como resultado no seu salário em razão de aumentos tarifários etc.
Como os preços aumentam no decorrer do ano, via milhares de artifícios, o percentual oferecido nos aumentos salariais, não acompanham a escalada da dívida pessoal e familiar. Exemplo, uma coisa é 10% sobre R$ 800,00 (= 80,00) e outra é sobre R$ 8.000,00 (= 800,00). Os R$ 80,00 são consumidos antes de chegar ao bolso do trabalhador, porque na verdade este já estava negativo nos seus compromissos financeiros antes de receber o aumento. É só dar uma volta nos supermercados e verá se é ou não consistente esta colocação. Uma queda/promoção aqui outra acolá e no fim passa despercebido os custos da alimentação e higiene.
O dinheiro está ai e não podemos perder a chance disso. É lorota para efeitos políticos dizer que o Real está valorizado, como se fosse pela eficiência de governo. O dólar é que caiu no mundo e mesmo assim não há qualquer efeito positivo consistente para a economia brasileira. Sustentar o Brasil em exportação de commodities é loucura pura. São poucos os produtos ofertados e o mercado está restrito a poucos compradores sendo que cabe a China a maior fatia do bolo de compras, e as notícias do crescimento de lá não são nada boas. Mais, as empresas chinesas na África estão em acelerado caminho de eficiência produtiva, até de alimentos. Criar restrição aos produtos chineses neste momento é tiro de canhão no calcanhar.
Dinheiro sobrando e o Brasil não sabe o que fazer. Sua infra-estrutura em petição de miséria, saúde aos frangalhos, educação formando analfabetos funcionais, portos, aeroportos etc. em moratória, obras públicas sem sair do papel, e por aí vai, mostram o quadro de desqualificação em que está o País. Brasília se transformou em uma isolada ilha no mar das necessidades brasileiras. Não consegue ordenar a aplicação/entrada do dinheiro ou mesmo estabelecer uma política de direcionamento com estímulos as áreas mais necessitadas. A política fiscal é de remendos a teia esgarçada sem atenção a um projeto global.
Os vazamentos através de rachaduras no pré sal é uma gigantesca preocupação. Maior ainda a preocupação com as rachaduras políticas no governo e sua equipe. Nesta altura dos acontecimentos, fica de lado o crescimento industrial que para tal depende de mudanças de normas legais para deslanchar, a “reciclagem” da CLT por exemplo. O Código Florestal vai “goela abaixo”.
O consumo cresce 5% ao ano. Quem muito recebe desse crescimento é a importação. Com isso o governo sufoca a pressão inflacionária, mantém juros altos (9%) como isca à entrada de dólares e arrecadar via impostos, é dinheiro fácil. Isso sem falar na pesadíssima carga tributária ao produtor nacional. Exportação em queda, investimento baixo (o pior do G20), educação sem metas científicas e tecnológicas, comando político desorientado, cargos preenchidos por pessoas sem mínimo conhecimento técnico e tantas outras “disfunções orgânicas políticas”, colocam ou não o Brasil em risco?

O DESASTRE JURÍDICO BRASILEIRO
Está em processo de deterioração um dos maiores pilares da organização do Estado brasileiro. Posso até estar enganado, mas os fatos não mostram alternativas para um pensar diferente. O Supremo Tribunal Federal-STF, última instância jurídica da Nação, tem tomado decisões que já provocam arrepios à população, pelo menos aos dotados de mente sadia. Não sei se o que está acontecendo no STF é resultado de um tribunal formado por elementos fora da magistratura, como bem frisa uma advogada amiga, em miúdos, é um tribunal político. São todos sabatinados pelo Senado Federal e nomeados pelo Presidente da República, dotados de notório e exímio saber jurídico.
Para que lado pende esse saber jurídico é a dúvida que está trazendo a insegurança das decisões. Este saber deveria em princípio e como finalidade, defender a aplicação da lei na sua plenitude e ser o guardião no seu vigor. Manter o respeito, a observância e obediência a norma jurídica, ao regime legal estabelecido e a lei maior que organiza o Estado que é a Constituição Federal, ordenadora de todas as leis brasileiras. Pelas últimas decisões, a tendência do saber jurídico está no atendimento das mazelas do governo federal que vem ocorrendo de forma intensa nos últimos anos. Temos como exemplo, o caso Cesare Battisti, um criminoso comum com a guarida governamental e que para tal quebrou-se com acordos internacionais para atender correntes ideológicas. O Tribunal entregou graciosamente a decisão para o presidente Lulla.
Diz a Constituição Federal em seu artigo 62, parágrafo 9º: “caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional” (grifo nosso). Em decisão acertada, o STF considerou inconstitucional a criação do Instituto Chico Mendes que funcionava ha dois anos, criado através de lei aprovada pelo Congresso Nacional sem observância o texto constitucional.
Para esta alquimia foi aprovada pelo Congresso, a toque de caixa para atender o governo Lulla, uma “resolução” que determinava que após 14 dias, em não apreciada a matéria, se daria um “pulo” nas exigências do texto constitucional acima, evitando assim o longo processo estabelecido pela lei maior e outras negociações que envolvem aprovação em plenário. “A lei, ora a lei”, existe para ser desobedecida, é o pensamento do governo nos últimos tempos. Notem os leitores, que a resolução foi uma atitude pensada, dolosa, feita com intuito de enganar, de iludir para atendimento exclusivo do presidente.
E não é que os membros do saber jurídico voltaram atrás na sua decisão? Atendendo um pedido de revisão da decisão pela Advocacia Geral da União – AGU, que é governo, absurdamente o STF reconsiderou sua postura de defesa constitucional e criou a aberração de que até esta data (08/03/12), atos inconstitucionais são válidos, tornando-os “legais” mesmo que no seu nascedouro tenham afrontado DOLOSAMENTE a Constituição Federal. Apoiou-se em dispositivos da lei 9868/99 e 9882/99 previstas para situações não quadrilhescas. A justificativa é de que mais de 500 Medidas Provisórias, inclusive a que instituiu o “Bolsa Família”, foram aprovadas dessa forma desvirtuada.
A ironia está em que ao fazer valer o ditame constitucional, criaria uma grave insegurança jurídica. Seria cômico se não fosse sério. Criou-se com essa absurda decisão, um precedente perigoso e que, com toda certeza, será motivo de fundamentos de ações de defesa de prejudicados por muitos atos considerados anteriormente inconstitucionais. Basta que para tal, o pedido prove o prejuízo que tal decisão de inconstitucionalidade resultou a centenas de portadores de boa fé, ou seja, a justificativa para tal está consolidada na própria motivação da decisão do STF.
O STF perdeu o rumo. A decisão atenta ao estado de direito. A prerrogativa abre brecha para a politização e é o que tem norteado os julgamentos daquela corte. Cesare Battisti, mensalão, eleição de 2006 e 2010 e agora esta tomada de posição, são claros exemplos dessa proximidade com o legislativo e executivo. Como disse Zeno Veloso, “o STF é servo do Direito e não da política, é o guardião da supremacia da Constituição”. No caso em pauta, o que nos parece é que vale mais a decisão dos “procuradores” do que a própria Carta Magna.
Não importam as consequências da malandragem congressual para tentar burlar a Constituição. O Congresso tem que responder pela leviandade e pela sua incapacidade de legislar decentemente, mesmo que com isso sejam atingidos congressistas corretos. Atropelaram e burlaram a Constituição Federal e devem pagar por isso. Não podem agora essas Instituições, Executivo, Congresso e STF ignorar a LEGALIDADE, a ÉTICA e a MORALIDADE via artifícios e brechas.

VERDADE OU MENTIRA
Os dados sobre o rombo do sistema previdenciário brasileiro é algo de assustar, e não é de hoje. Nenhuma iniciativa responsável foi tomada até hoje por qualquer governo. Campanhas políticas são desenvolvidas sobre o tema e após as eleições nada é realizado, continua tudo como estava. Por outro lado, a população não toma atitude porque no fundo é extremamente conservadora e qualquer sinal de mudança representa risco de perda de direitos. Por trás de tudo isso está a ameaça do voto que impede alterações profundas em um sistema falido e deficitário por ações administrativas. Parlamentar nenhum se atreve a mexer nos direitos constituídos da velha geração e que irá massacrar as novas gerações.
É inadmissível que menos de um milhão de servidores públicos estourem o sistema previdenciário que tem mais de 25 milhões de aposentados da iniciativa privada. É um escândalo que só pode acontecer onde o poder público está destituído de vergonha e capacidade de administração. A maldade maior, a crueldade mor está nas disparidades salariais do público, que nada produz, daquele privado que produz. É do trabalho da iniciativa privada a fonte de recursos que vão para a distribuição dos gastos de governo e dos fantásticos ganhos dos servidores públicos, principalmente federais. É o trabalho privado que sustenta a máquina pública e na sua aposentadoria recebem míseros trocados se comparados aos dos servidores públicos. É uma “entrega” ou não é?
A discrepância é assustadora, foi bem apresentada por um canal de TV quando mostrou o limite de recebimento da aposentadoria na iniciativa privada, que não chega a quatro mil reais, e o sem limite de recebimento do aposentado da esfera pública. Esta situação, entre outras, que provocou um rombo de 95 bilhões de reais aos cofres do governo. São trinta e cinco bilhões da iniciativa privada com mais de 25 milhões de aposentados e sessenta bilhões do funcionalismo público com menos de um milhão. Não há argumento que resista a esses fatos. O interessante de toda essa história é que ano após ano esse rombo vem crescendo tronando insustentável o sistema previdenciário e pouco se faz para tapar essa sangria. Existe uma forma?
Esta forma penso poder ser, tem por base a limitação do valor de pagamento de aposentadoria, igualitária, entre público e privado. Caso queira ganhar uma aposentadoria mais polpuda, contribua com um sistema suplementar. Todo mundo fala isso, de mídia a governo e não há nenhuma atitude concreta a respeito. É o fator voto. Com eleição a cada dois anos, nenhum político se aventura nesse vespeiro. Eu sempre defendi a tese de que sendo o dinheiro da contribuição descontado do salário do servidor público ou privado, esse dinheiro deveria ser depositado em conta pessoal do contribuinte que só após sua aposentadoria ele poderia ter acesso das parcelas mensais. Caso continuasse no trabalho, apenas um percentual do montante poderia ser pago. Caberia ao governo junto com instituição privada a administração do fundo em aplicações e tão somente isso. Ao servidor a decisão de quanto descontar para tal aposentadoria, com teto máximo e mínimo, podendo variar em períodos.
O que é inadmissível é usar o dinheiro das contribuições para variadas outras finalidades tais como “bolsa família” e outros programas sociais. Sem esta utilização, não teríamos rombo na previdência brasileira e, talvez, os valores pagos mensalmente aos aposentados poderiam ter outros dígitos mais promissores. Acontece que o governo sempre lança mão do dinheiro dos contribuintes para atender outras finalidades, além de benesses, sacrificando o sistema previdenciário. Quem recolheu contribuição no teto máximo durante anos, ou seja, de 20 salários mínimos, recebe hoje pouco mais de quatro salários, cerca de R$ 2.400,00. Caso o recolhimento de acordo com a lei e a proposta da previdência fosse séria, estaria recebendo cerca de R$ 12.300,00. A mágica disso eu até hoje não sei, levou o povo na conversa. Muito foi alterado após a Constituição de 1988, e leis seguintes, que organizou a assistência social. Os trabalhadores mais jovens vivem a sensação de que nada disso lhes compete. Só terão a percepção do erro quando entrarem com pedido de aposentadoria. Verdade ou mentira?

DILMA, ACORDE
E volta o governo federal a agir para conter a “valorização” do Real. Acredito muito que tudo isso está no planejamento do governo para manter em alta a reserva monetária brasileira. A enxurrada de dólares no mercado financeiro, como todos sabem, é patrocinada pelo governo com as altas taxas de juros. Estas taxas estimulam que muitos brasileiros e até estrangeiros façam empréstimos lá fora a juros de no máximo 0,5% e se esbaldem no mercado financeiro do Brasil. Como diria meu avô, enchem a “burra” de tanto dinheiro fácil.
Este dinheiro tem rendido ao governo enorme arrecadação para seus gastos políticos e suas benesses. Ao aumentar o IOF para aplicações financeiras, o bolso do governo empanturrou de tanto dinheiro. Como o problema dos governantes é manter o poder político, ou seja, o governo, pouco estão se importando com o que está acontecendo com a indústria brasileira. Tal “status quo” é do maior interesse do governo federal e tudo que faz e fizer não tem nada de política tributária consistente e eficaz, ou seja, que vá resolver o problema de destruição da indústria brasileira.
Não está nas importações e muito menos no gerenciamento e “valorização” do real o problema da falta de competitividade, como bem frisa Celso Ming. A voz geral, aliás, o grito geral do empresário brasileiro, que em grande parte já adota a captação externa barata para aplicar no nosso mercado, é que esta “valorização” do real está acelerando o processo de desindustrialização. Gritam que é preciso mais incentivo e com isso satisfazem o governo que os atendem com medidas paliativas e que nunca irão atingir uma solução pelo menos plausível.
Assim, governo e empresários fazem do seu dia-a-dia uma relação que visa aos interesses individuais em detrimento do geral. Os grandes grupos são os carros chefes dessas escolas de samba da economia brasileira que deixam ao léu os blocos dos pequenos empresários, que no final pagam a maior parte da conta, da fatura do custo Brasil. Da forma que está não oferece risco ao controle político e com isso as partes beneficiadas ajustam de tempos em tempos, os seus interesses. Nesse bolo está o recheio dos sindicatos que hoje são meros grudes do governo federal e vivem sob o seu feudo.
Há muito eu e milhares de outros articulistas estamos a escrever sobre o assunto da destruição da indústria manufatureira brasileira. Nada muda porque a enorme massa da população do Brasil é formada por analfabetos funcionais que têm sua visão da lógica e do comprometimento dessas atitudes de governo com os efeitos na economia e no futuro desta. Mesmo com a sensível mudança que já começa a ocorrer no seu custo familiar, não se manifestam. Isto é contido com pequenos mimos de redução de impostos para barateamento de certa cesta de produtos. Mal sabem que uma consistente e eficaz política tributária e de juros teriam benefícios enormes aos seus ganhos e qualidade de vida. Esta política exige concessões do governo federal e ele não abre mão delas.
Só há uma saída para evitar a convulsão financeira e econômica que está a caminho. Ela está na redução dos juros extorsivos que liquidam a capacidade de investimento da empresa brasileira, na revisão da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT e seus custos na folha de pagamento, no investimento massivo na infra-estrutura do País em estado de calamidade que faz o preço de transporte entre Santos e São Paulo (77km) ter o mesmo valor do trecho China-Brasil. Nas cataratas de impostos que deixam o produto brasileiro nas prateleiras e aumentam as importações o que agrada o governo. Na urgente capacitação técnica e tecnológica das nossas universidades para desenvolvimento de tecnologias de ponta e na busca imediata da independência de receita somente com base nas exportações de produtos de commodities o que é enorme risco ainda mais se considerarmos que cerca de 70% dependem do mercado chinês.
São quatro produtos a sustentar a arrecadação das exportações: petróleo, soja, ferro e carne. É ou não é um risco? Acorda Dilma. Lembre-se de que você parte e muitos ficam sorrindo ou sofrendo pelas conseqüências de suas ações. Aproveite a oportunidade tão presente em suas mãos.

BRASIL ENTRA EM 2012
Sábado de carnaval e o Brasil está a uma semana de começar o ano de 2012. É uma semana de festas carnavalescas, muita bebida e com ela muitas inconseqüências. Milhares de abortos serão praticados em pouco tempo e muitos exames de DST serão confirmados. Inúmeros óbitos provocados por acidentes nas estradas relacionados à “mardosa” serão atestados. E, infelizmente, ninguém será culpado dolosamente já que no carnaval todos os atos são impensados e justificados. O que será que tem levado a essa “inimputabilidade” os infratores?
Acredito eu que a sensibilidade humana está em decréscimo ante a substituição do sentimento do homem pela frieza das máquinas, que tem imposto nova relação na convivência da sociedade. A vida parece que perde a cada dia seu valor e o sentido de preservação da espécie já não serve de freios a matança geral, não somente de seres humanos, mas da moral, da ética e do respeito à organização social e suas regras legais. Quem faz estas regras? Quem as produz e as tornam, presumivelmente, o estabelecido para reger a Nação?
Em todos os lados essa percepção de que pouco importa a norma legal é observada, já não somente no meio da bandidagem, mas até mesmo áreas em que o respeito profissional era a regra, e não a exceção. Ainda ontem, ao socorrer uma pessoa muito querida, tive acesso à emergência de um grande hospital no interior paulista. É revoltante a forma de pouco caso que vigora nesse nicho hospitalar. De cara demos de encontro com enfermeiro conduzindo pelos corredores uma velha senhora em cadeira de rodas como se estivesse sentado em um fórmula 1, inclusive “cantando” pneus. Antes, próximo ao hospital, carro de madame em fila dupla provocando o maior engarrafamento e travando espaço para o fluxo de uma ambulância aos “berros”.
Abro o jornal e leio o desrespeito com a “idoneidade” da Câmara Federal provocado por um dos seus membros. E não foi só ele a usar do registro de presença para garantir os R$ 2.000,00 que recebe por dia e se mandar, provavelmente com o Abadá dentro da mala e já com os indicadores em movimentos alternados sendo ensaiado. Qual será a análise que faz disso um adolescente? O Supremo Tribunal Federal-STF aprovou a valia da ficha limpa para este ano. Como sempre há o “porém”, existem alternativas de contorno a essa decisão. Ainda não avaliei, mas pelo que me foi ensinado na minha PUC-RIO, percebo, grosso modo, que o confronto ainda vai longe. O próprio texto está me parecendo conflitante nos seus objetivos.
Nas estradas do Denit, milhares de crateras levarão a muitos sofrimentos nesta semana. A justiça deveria acatar de pronto atitudes judiciais de ressarcimento por prejuízos causados, além de criminalizar os responsáveis pelo comprovado desleixo administrativo dos órgãos e governos responsáveis pela manutenção das estradas no Brasil. Acionada a justiça, tais procedimentos deveriam ser estendidos aos chefinhos, chefetes, chefes e chefões. Alguém desta “linhagem” foi relapso no cuidado e na responsabilidade a ele confiada.
O que se vê é que a sociedade brasileira, leia-se população, traduza-se povo, está em estado catatônico, anestesiada e caminhando para um individualismo perigoso e destrutivo. Não há mais a vontade de se agrupar ou mesmo de reunião. Está em vigor, ao que parece, a vontade de quebrar valores, mas não pelo lado da sabedoria, da inteligência, do conhecimento ou mesmo até do aprendizado. O vetor que move essa quebra está na desorganização social e suas regras e na prevalência do escracho, de desmoronar os conceitos éticos, morais e do respeito ao próximo sem se dar conta que os resultados de tudo isso se voltará contra a própria existência.
Sexo, debaixo de cobertores em um programa que só prega o ócio e a estupidez, educacional e cultural, estimula e incentiva, assim como as atitudes de nossos governantes, a esse caminho. Este, nesta semana, justifica a enorme quantidade de seios e bundas que estarão nas telas dos nossos melhores canais de televisão, ao livre acesso de milhões de crianças deste País. Para ajudar nessa promoção, o Maranhão tem dinheiro, mas na semana que vem, milhares de pequenos estudantes estarão sem carteiras, livros e alimentação por todo o estado. A sorte é que uma parcela do Brasil começa o 2012 também nessa semana.

OPORTUNIDADE E O SONHO
Em bate papo com amigos um deles, o Emerson, disse que nos Estados Unidos o sonho e a oportunidade/realização são muito próximos. Fiquei a pensar as razões dessa afirmativa tão consistente e percebi que, sem quaisquer outras alternativas, essa possibilidade tem por base a educação formal e social, a cultura, o conhecimento e o respeito às leis. Raras exceções, nenhum outro País do mundo oferece essas condições para o sucesso profissional. Lá, se você trabalhar o resultado vem e com melhoras a cada ano, não importa a atividade. No Brasil essa possibilidade é muito reduzida.
Ao pensar nessas alternativas que conduzem ao sucesso, sem dúvida nenhuma, o centro de tudo está na educação imprimida no sistema de ensino americano e que está sendo reavaliada. É fácil verificar que as nações que mais se destacam no mundo globalizado fizeram e fazem altos investimentos na área educacional. Promovem a distribuição, com forte suporte, dos seus jovens pelo mundo na busca de conhecimento científico via cursos de pós graduação. Neste quesito destaca-se a China com mais de 700 mil alunos espalhados pelo mundo enquanto nós, brasileiros, contemplamos cerca de 20 mil.
Na questão de boa educação, ciência e tecnologia, nós estamos ficando cada vez mais longe das possibilidades de competição no mercado mundial e até mesmo como uma sociedade avançada. No Brasil a área educacional está desandando. Os últimos relatórios sobre o assunto são estarrecedores. Em universo de 163 mil escolas, menos de mil de cerca de 35 cidades tem 50% dos estudantes com conhecimento matemáticos aceitáveis para sua série. Já na língua portuguesa, apenas 67 municípios alcançaram tal percentual. No ensino superior, 43% dos médicos não foram aprovados em exames realizados no estado de São Paulo e menos de 12% dos advogados foram aprovados nos exames da OAB. Caso avaliações ocorressem em outros cursos, o mesmo desastre seria observado.
Isto prova que a tese de que a educação tem que se desvincular da política e da estrutura de governo é uma premente necessidade. Defendo esta tese há anos que é sempre vista como utópica. O foco da educação está fora de eixo e totalmente desvirtuada, na meta, na aplicação, na formatação e na operação do ensino. Repito o que digo sempre: é preciso uma ruptura com o que aí está. Não há como criar e estabelecer um ensino de qualidade sem o cuidado com a formação daqueles que vão ensinar. Há necessidade de investimento forte e contínuo na formação de professores desde os do ensino da educação infantil até os da universidade. Não há mistérios nisso, falta é visão de política governamental e nada vai mudar com criações de novas universidades que jogam no mercado um monte de analfabetos funcionais, raras exceções.
Esta situação reflete frontalmente no desempenho de nossa economia. O trabalho não recebe sua valorização devida e vê com isso o seu fruto, que é o ganho, ter o seu valor cada vez mais achatado se compararmos com outras economias no mundo. Um estivador americano, por exemplo, vai estar no carnaval do Recife e o estivador brasileiro brigando por um prato de comida para a família. Os absurdos das obras do PAC, destaque dos noticiários, são provas da incompetência técnica, administrativa e de formação cultural e profissional que acontece no Brasil. Esta situação jamais ocorreria na Alemanha, como exemplo. Esta situação também reflete a distância entre a oportunidade e o sonho. Em países desenvolvidos, obras como essas, são motivos que permitem o estreitamento da distância entre oportunidades e sonhos. Existe a oportunidade de realização de sonhos. Basta trabalhar, ter formação profissional de qualidade e estímulo de querer realizar.
Estamos envolvidos pela síndrome de esperança passiva, isto é um fato. Não estamos estimulados a ter e a exercer a esperança ativa. É este comodismo que alguns denominam “zona de conforto”, que prostra o povo brasileiro que fica a esperar de governos e outras atitudes, benefícios. Empregados nada criam e patrões nada esperam e nesta relação, bons salários não se justificam. Não há uma ação estimuladora de desenvolvimento humano no exercício empresarial e governamental. É ínfima tal ação. E assim caminha o povo brasileiro, mantendo sempre distantes entre si, as oportunidades e os sonhos.

CASO SELENA: JURÍDICO
O caso Selena que serviu de base para artigos anteriores, tem agora a sua continuidade na Justiça em razão da reparação solicitada, perante o judiciário, da avó da menina que morreu tragicamente por descaso médico. Em meu texto sobre o assunto “Descaso médico” foi demonstrada a situação de abandono de atendimento de que foi vítima a menina de 16 anos que sonhava em ter um corpo escultural via emagrecimento dos seus 103 kilos. Tratada com Sibutramina 16mg, Selena teve várias complicações de saúde e foi a óbito 48 dias após o início do tratamento, mesmo com toda peregrinação da família por consultórios, ambulatórios e hospitais. A avó perdeu a neta e pouco depois a filha que não resistiu psicologicamente a perda e se suicidou.
Motivos justos para pleitear reparação por danos morais e materiais embasam a solicitação da avó em face do médico Dr. Kassa Niquel de Incautos pela sua imperícia, negligência e não estar profissionalmente preparado para tal especialidade da atividade médica. A avó de Selena, D. Seleta, mãe de Celina, só manifestou tal desejo de reparação em dezembro de 2011, quase cinco anos após o falecimento da neta. A lei determina que tal pleito tem prazo prescricional de três anos. Há, entretanto, o “porém” e nele se encaminhou a linha das advogadas para buscar pelo direto em vigor da D. Seleta.
A propositura rebate tal prescrição legal com base também em texto da lei que prevê a suspensão do prazo prescricional quando “qualquer ato, ainda que extra judicial, importe reconhecimento do direito do devedor”. Este ato foi gerado pela Sindicância Administrativa do Conselho Regional de Medicina logo após o óbito da Selena, acontecimento de grande repercussão na mídia. Sendo assim, cessa o prazo de contagem para a prescrição a partir da instauração da sindicância, terminada em fins de 2008 a partir de quando o prazo prescricional voltou a correr.
Mesmo que pudesse ser discutível tal linha de ação, supracitada, dos advogados da D. Seleta, estes ainda reforçam o posicionamento legal do pedido da ação de reparação de danos em outros mandamentos legais contidos no Código de Defesa do Consumidor – CDC. Fundamentam que a relação de prestação do serviço pelo médico à paciente, se condensa na esfera de consumo como prevê os dispositivos nele contidos. Um deles estabelece em cinco anos a prescrição da reparação dos danos. Como as decisões dos tribunais firmam a posição de que na relação médico e paciente existe uma relação contratual, a força dos dispositivos do CDC vigora para sequelas do caso Selena.
Hipócrates, considerado o pai da medicina, disse que o princípio básico do médico é ”primo non nocere”, primeiro não prejudicar. Caso isto aconteça, causado o prejuízo, para o médico causador do dano existe o dever de repará-lo. Para dano tão gigantesco, a reparação é imprescindível e de pleno direito e se esquivar dela na linha do tempo é inaceitável até porque é infindável a dor provocada e os danos a vida causada.
As advogadas reforçam que, mesmo com a sua formação profissional, o Dr. Kassa Niquel de Incautos foi irresponsável na sua atitude de propor tratamento que implicaria em transformações metabólicas sem ter conhecimento de causa, ou seja, especialização adequada, no que importou em ato de imperícia no tratamento, negligência no atendimento da paciente ante a rejeição da medicação e imprudência na prescrição da medicação por falta de conhecimento consistente dela e de seus efeitos.
Estes fatores citados induziram de forma consciente a atitude do Dr. Kassa Niquel em querer distância da paciente ao se recusar em atendê-la quando começaram a se manifestar as reações do organismo de Selena ao medicamento Sibutramina. Fica patente que o médico não tinha conhecimento de alternativas a essas reações de rejeição e muito menos como investigá-las. Tal acontecimento se estendeu ao hospital Santa Casa dos Sofredores e sua equipe médica. A Instituição será convocada na sua responsabilidade solidária. Não há reparação que consiga reverter tais danos, resultante do caso Selena.

DESCASO MÉDICO – FINAL
Somadas as maratonas plantonistas ao baixo salário e remuneração das empresas de saúde, ao ridículo honorário de R$ 3,00 por consulta médica paga pelo SUS além das péssimas condições de trabalho oferecida pela rede pública e particular na maioria dos hospitais é que canalizam milhares como Selena a cair nas mãos desses médicos esgotados física e mentalmente o que, obviamente e como consequência, reflete em péssima assistência médica aos pacientes. A jovem percebe então que a propaganda de governo de melhoria na saúde, não vai além das novas pinturas e móveis novos dos postos de atendimento.
Mal Selena chegou em casa e novamente os sintomas se manifestaram com maior intensidade ainda. Mãe e avó em desespero rumaram para a Santa Casa dos Sofredores, um dos hospitais de referência daquela rica cidade. Em situação de emergência foi recebida e medicada sem qualquer investigação clínica. Ao receber alta, ainda na sala de estar do hospital, nova e grave crise ocorreu. Intensa dor de cabeça, taquicardia, dores no peito, falta de ar e convulsão seguida de vômito. Tal quadro levou o médico do hospital a solicitar uma tomografia que nada acusou. Em razão, deu alta a menor.
Sem qualquer melhora considerável no seu estado de saúde, a jovem Selena foi no dia seguinte em busca do Dr. Kassa Nikuel que se recusou atendê-la. Em razão de vômitos provocados por mais uma convulsão dentro da sala de espera do consultório, não restou alternativa ao Dr. Kassa, senão, atendê-la. Preocupado com os acontecimentos, o médico encaminhou a jovem para ser avaliada por uma cardiologista de plantão em um posto de saúde.
Esta, diante de nova convulsão, retornou com a Selena para a Santa Casa dos Sofredores que, apesar de atendida por uma nova profissional, também nada investigou e ainda teve o desplante de dizer a avó que o problema da Selena era o estado psicológico da mãe Celina. Mais, deu alta dizendo que a jovem teria que se habituar com a falta de ar, já que nada foi diagnosticado. Apesar de constante dificuldade respiratória não ocorreu nenhuma investigação clínica nos pulmões.
Em desespero, Selena pediu que não lhe dessem alta porque sentia o agravamento do seu caso a cada hora ao que retrucou a doutora que ela estava abalada emocionalmente e precisava de tratamento psiquiátrico. Desesperadas pelo andar dos atendimentos, avó, mãe e filha não sabiam o que fazer ante o descaso e negligência da equipe médica. Às 18 horas Selena seguiu para casa, mesmo em péssimas condições de saúde.
Sentia que a vida e as pessoas a abandonavam e não conseguia encontrar alternativas para isso. Seus dezesseis anos não lhe tinham ensinado as lições de vida. Talvez tendo o belo corpo que tanto sonhava a sua história poderia ser outra. Uma conta bancária, quem sabe se não seria diferente. Mesmo assim, Selena lutava para viver. Buscava forças nas suas lembranças de reuniões com os amigos e a turma da escola. Lembrava-se do seu objetivo na sua vida futura: se formar em medicina. Seus futuros colegas a recusaram muito antes.
As 04 da madrugada, ante grave crise respiratória e dores generalizadas, novamente foi levada para o Posto de Saúde e o médico plantonista repetiu que o problema era psiquiátrico, ministrando soro e máscara de oxigênio. Alegou que já estivera por duas vezes na Santa Casa dos Sofredores e que nada foi constatado. Disse ainda que a Santa Casa dos Sofredores negou-se recebê-la novamente. Pediu licença e voltou para descansar no alojamento.
Sem forças para ficar em pé, permaneceu com a mãe e avó no salão de espera do Posto. Logo após, Selena entrou novamente em convulsão acompanhada de parada respiratória e diminuição de seus batimentos cardíacos. Atendida pelos funcionários da enfermaria, que não conseguiram lograr êxito em reanimá-la, Selena, a jovem sonhadora de 16 anos veio a falecer às 06 horas da manhã de tromboembolia pulmonar. A esperança do renascer para a vida transformou-se na certeza da morte após 48 dias. Celina, após meses, não suportando o vazio, se atirou nele em busca da filha.

DESCASO MÉDICO – PARTE III
Radiante, a família saiu alegre da consulta, menos a avó que pelos costumes de atendimento médicos antigos, sentia que algo ficou em falta. Selena mal consumiu o primeiro comprimido e já se sentia alguns kilos mais magra. O sonho estava se tornando uma realidade, uma feliz realidade.
Quinze dias depois e com cinco kilos a menos, Selena foi para uma nova consulta de acompanhamento do tratamento. Tal performance trouxe confiança ao Dr. Kassa Nikuel que manteve o referido medicamento com dosagem de um comprimido ao dia e nova consulta em vinte dias. A esperança de perda de novos cinco kilos já fazia Selena a sair para escolha de roupas novas. Algumas compras antecipadas com números menores já a enchiam de esperanças de um novo dia em pouco tempo. O relógio estava acelerado para a jovem que não notava que o ritmo, a velocidade da vida é ditado pelo ponteiro de segundos. Nem mais, nem menos, este é o velocímetro do viver, não há como alterar. Tirar o pé ou acelerar não resolve nada.
Passados os vinte dias para nova consulta, Selena retornou dois kilos e meio mais magra, porém com alguns acontecimentos clínicos. Sentia muitas tonturas, dores de cabeça, sensação de desmaios, falta de ar, dores no peito e uma enorme dificuldade para pegar no sono. Era um mal estar generalizado que a fazia sentir-se intranquila. O grau de alegria e da vontade de realizar seus sonhos de consumo para a nova vida começou a se arrefecer ante a possibilidade de que algo poderia não dar certo. A insegurança começou a expulsar a satisfação do tratamento. Apesar de toda a informação fornecida pela paciente, o Dr. Kassa Niquel, não tomou nenhuma providência na realização de exames mais específicos, mais investigativos e se resumiu em receitar apenas remédios para alívio das dores.
Sem uma solução medicamentosa ou de uma atitude para dar fim aos problemas de mal-estar da filha, Celina e avó começaram a se preocupar ante os sintomas que se agravavam a cada dia, inclusive com falta de ar sentida com freqüência por Selena. Dada a gravidade do caso, passados dois dias, foi feita ligação ao Dr. Kassa que, após escutar toda a explanação da jovem, disse que eram normais tais acontecimentos e receitou um dorflex. Os sintomas evoluíram nas horas seguintes e o Dr. Kassa, após suspender o medicamento Sibutramina 16mg, marcou nova consulta para dois dias. Com todo aquele mal estar, Selena já não pensava no peso perdido e as butiques passaram a se tornar algo meio sem sentido para sua vida. A sua nova meta era o seu bem estar e em retornar ao seu equilíbrio emocional.
Novas convulsões, intensa falta de ar, taquicardia acentuada anteciparam atendimento médico que se realizou em uma Unidade Básica De Saúde em situação de emergência. Sem qualquer investigação clínica e apesar de todo histórico, o médico da unidade pública de saúde, dentro do padrão quase normal dessas unidades, realizou apenas um aerosol com aplicação de soro e liberou a esperançosa Selena. Sim, cheia de esperanças, mas que tinham outro conteúdo, o de continuar viva. Em momento algum já não passava mais pela sua mente os sonhos de uma calça de menor número de cintura. A sua luta, o seu sonho, trocou de foco. O sonho agora era viver. Mesmo em desespero, percebia que os profissionais da saúde que a atenderam pareciam ter outro objetivo naquela unidade de saúde. Pedia ao destino que mudasse o rumo de sua vida das mãos daqueles doutores, indiferentes.
Selena, ainda jovem, ignorava as condições de atendimento exercida, na sua quase totalidade, pelos médicos que tem seus préstimos explorados o que afeta diretamente a qualidade da medicina oferecida. Não sabia que esta situação de exploração do serviço médico, principalmente pela administração pública, leva os profissionais da saúde a uma jornada de trabalho extenuante que os sobrecarregam e influenciam diretamente na prestação qualitativa de seus serviços. A remuneração não é compatível com responsabilidade de sua atividade. Daí a maratona de muitos plantões e outros empregos para atender suas necessidades básicas e que a profissão requer via especializações e aprimoramentos profissionais. É essa disponibilidade para plantão médico que pressiona os valores deste para baixo. (continua – parte final)

DESCASO MÉDICO – PARTE II
Aos poucos, com o passar do tempo, Selena começa a sentir-se diferente das demais amigas. Percebe que elas tem um corpo com melhor formação escultural. Essa percepção a incomoda e se torna quase um problema ao ser preterida em alguns relacionamentos com os colegas. A consciência do fator estético imposto pela roda de amigos começa a exercer uma força psicológica no seu comportamento e ao mesmo tempo, trazer implicações emocionais em toda a sua atividade.
Celina, sem se dar conta dessas mudanças na vida da filha, defende que tal fato é passageiro, coisa da puberdade e mantém o ritmo alimentar da casa. Os problemas com o corpo com o passar do tempo começam a se multiplicar e a filha desenvolve certas defesas, sendo uma delas o isolamento. Aos treze anos o processo de se sentir discriminada a atinge com alto grau. Mesmo não sofrendo de parte das colegas e amigos tal comportamento discriminatório, Selena entendia que qualquer olhar observador ou dizer relativo a peso ou número de roupas tinha um endereço certo: ela. Para tal, se isolar era o melhor remédio. Aos poucos já não se comunicava com ninguém.
Aos quinze anos, pesando cerca de 90 kilos, Selena já não dava muita importância as brincadeiras de que toda gordinha é alvo. Descontraída, começa em novo ambiente escolar outra roda de amizades, mas sem deixar de lado a idéia de que logo conseguiria fazer um tratamento para a obesidade. Desde os quatorze anos esse pensamento foi se desenvolvendo em sua jovem mente e o sonho de uma nova vida corporal trouxe de volta a alegria de sua juventude e a fase do isolar começava a se desmoronar. Apenas a expectativa de voltar a ter um corpo dentro dos padrões normais retirou Selena do palco da tristeza e a conduziu ao brilho da felicidade.
Com apoio da mãe e da avó, começaram a planejar financeiramente o tratamento. Uma operação estava fora dos planos dado o custo médico particular para tal. Esperar por uma avaliação e internamento dentro do programa público de saúde contra a obesidade era algo demorado demais para sua ansiedade jovem de ver as coisas logo realizadas. O caminho mais rápido e factível seria um tratamento a base de medicamentos e dietas. Pelo menos serviria como resposta a sua vida emocional e social de adolescente. Traçada a estratégia do tratamento e a composição financeira e dos custos, começava a busca pelo profissional da saúde para realização do sonho e da volta à vida saudável.
Aos dezesseis anos, pesando 105 kilos, Selena e mãe fizeram muitas pesquisas e encontraram algumas informações sobre os médicos que realizavam tal tratamento que com o passar dos meses a trariam de volta a sua forma corporal escultural, como de suas amigas. Definido o profissional médico, a consulta foi marcada para após 30 dias. Um médico particular era sinal de bom atendimento e isso a fazia sentir-se segura. Foram longas as noites e intermináveis os dias de espera pela consulta, para iniciar o retorno a vida feliz. Vitrines de muitos shoppings foram visitadas e cada vestido que via se imaginava dentro dele. Era o sinal que esperava e que a levava a ter fé de que sonhos são possíveis de se realizar.
Trigésimo dia e lá estava Selena para a decantada consulta médica e início de um novo tempo. Hora marcada, mas existia a sensação de que alguma coisa podia acontecer e a consulta não se realizar, tal a ansiedade. Eis que a secretária chama por Selena e a conduz junto com a mãe e avó para a sala de atendimento. Para ela o Doutor tinha a face de sua felicidade. Com largo sorriso foi recebida pelo Dr. Kassa Níkuel de Incautos que logo foi falando ela estar bem clinicamente e que pela idade a resposta ao tratamento seria ótima.
Verificação da pressão arterial e algumas anotações e em poucos minutos elaborou a receita indicando a substância Sibutramina 16mg como o caminho a seguir para o processo de emagrecimento. Sem qualquer exame complementar e apenas uma dieta alimentar acompanhada de um comprimido do remédio prescrito ao dia, marcou nova consulta para 15 dias. Radiante, a família saiu alegre da consulta, menos a avó que pelos costumes de atendimento médicos antigos, sentia que algo ficou em falta. (continua – parte III)

DESCASO MÉDICO – PARTE I
É uma história, mas com base na vida real. Será contada em alguns artigos. Envolve a área médica, entretanto, não é uma crítica ou uma ofensa a classe, porém retrata a irresponsabilidade de alguns desse setor profissional ao qual não é permitido o erro já que a vida subentende-se, é o bem mais precioso do ser humano. Também será mencionada a situação da contrapartida de honorários, salarial, hospitalar e operacional que é calamitosa. Os que podem e tem assegurado o bom atendimento não estão muito preocupados com aqueles que necessitam da resposta pública para o atendimento da saúde.
1º de outubro de um ano qualquer, Selena brincava alegremente nos jardins de sua casa que tinha como endereço um bairro de classe média em uma rica cidade do interior. Sua mãe, Celina, observava a alegria da filha no balanço do quintal cheio de árvores frutíferas e a sua felicidade era mais que notada por todos que faziam parte de sua roda de amizades e conhecidos. Já se passaram cinco anos e o resultado de muita dedicação e amor estava ali naquele balançar cheio de prazer. Celina estava sempre presente na vida da filha única e a sua preocupação se estendia em todos os campos do seu viver.
Os cuidados com a educação familiar, higiene, estudo e alimentação tinham na vida da menina uma importância fundamental. Cabia a Celina, e somente a ela, esta responsabilidade. O pai ausente já não fazia parte e há muito não dava notícias. Formou nova família e foi morar bem longe da filha que para ele foi um erro na vida e a presença desta gerava uma cobrança constante a sua consciência que o perturbava e o oprimia. Sentia-se algemado àquele fruto de uma inconsequência momentânea e de puro instinto. Afinal, Selena nasceu aos quinze anos de Celina. Longe, talvez as algemas pudessem se dissolver no tempo.
Religiosa, Celina levava todos os domingos à filha para assistir a missa. Isto incomodava um pouco a criança que já estava com seus sete anos, mas sentia-se à parte daquele evento religioso. A missa, nos moldes em que é ministrada em geral, nada dizia a pequena e linda menina de lindos olhos azuis e afilado rosto composto por cabelos negros como noite nos campos em que a lua não comparece. Aliás, este molde é uma das deficiências da Igreja Católica que não cria programação eucarística as crianças e menos ainda aos adolescentes. A fala e rituais não tem nada do linguajar dessas faixas etárias. Não ocorre uma identificação com o seu mundo e modo de vida. Ganha-se adeptos imprimindo medo do existir pós morte, a imortalidade que será no céu ou no inferno.
Selena sempre se sentiu intrigada com o Cristo pregado na cruz. Aos nove anos não entendia, apesar de muitas explicações da mãe, o que levava a Igreja Católica a apresentar Jesus sofrendo de tamanha violência. Aquela imagem era agressiva para ela ainda mais na fase em que começava a entender de que na vida é preciso muito amor e carinho com o próximo. Isto a levou pensar com seus botões, que a Igreja pregava a violência. A imagem era mais forte que as palavras de solidariedade, paz e amor lançadas no sermão pelo padre da paróquia. Mal sabia Selena que este é o foco da mensagem, do filho de Deus pregado na cruz, que o cristianismo se utiliza para arrebanhar fiéis.
Aos dez anos, entrando na adolescência, Selena começa a sofrer os primeiros sinais da transformação do corpo que aos poucos vai sofrendo. Celina, na tarefa de ser boa mãe, não mede preocupações com a saúde alimentar da filha e vê no volume do alimento consumido um sinal de resistência e imunidade a doenças e como suporte ao melhor desenvolvimento intelectual dentro do princípio de que criança bem alimentada é uma criança sadia. Desconhecedora da qualidade alimentar, tal dito pecava pela composição nutricional em sua maioria de péssimo teor.
Aos poucos, com o passar do tempo, Selena começa a sentir-se diferente das demais amigas. Percebe que ela tem um corpo com melhor formação escultural. Essa percepção a incomoda e se torna quase um problema ao ser preterida em alguns relacionamentos com as colegas. A consciência do fator estético imposto pela roda de amigos começa a exercer uma força psicológica no seu comportamento e ao mesmo tempo, trazer implicações emocionais em toda a sua atividade.

COVARDIA PLANEJADA
Uma semana se passou e o meu inconformismo não termina. O Santos F.C. é detentor do melhor plantel hoje existente no futebol brasileiro. Jogadores de muita qualidade e criatividade surgem há muito no time da Vila Belmiro. São inúmeras revelações na última década pouco aproveitadas pela falta de estrutura em todo o futebol do Brasil. Atualmente já despontam cerca de seis jogadores que vão dar o que falar nos próximos anos e estão sendo preparados para entrarem em campo já no próximo campeonato paulista.
Pelo nível dos jogadores e da estrutura do Santos F.C., o papel desempenhado pelos jogadores no jogo contra o Barcelona foi algo assustador. Nesse jogo não funcionou a alegria de jogar dos meninos da vila e muito menos ainda a decantada capacidade do treinador Murici que ficou mais perdido que os jogadores, que com sua tática, perderam todo o senso do ridículo e análise do que estava acontecendo, inexistindo qualquer iniciativa em campo para evitar o vexame.
Pelo semblante dos jogadores ao entrarem em campo já se percebia que algo não estava correndo bem. Havia um aspecto de terror e medo no psique dos craques santistas. O próprio Neymar não parava de olhar para o Messi meio cara amarrada como que prevendo os acontecimentos. Nenhum deles, jogadores e comissão técnica, apresentava um único sorriso. Estavam entrando para o caldeirão da agonia.
Este comportamento era o sinal de que o comandante Murici dera ordens que taticamente já prenunciavam um Santos totalmente fora de suas características. E assim o foi. Um time descaracterizado na sua alegria de jogar. Vilipendiado na sua criação e anulado na sua arte de fazer futebol. Em nenhum momento, mínimo que fosse, o time santista usou de sua capacidade e criatividade. Perdeu por completo a sua ousadia e seus jogadores se viram desorientados sem conseguir se livrar da amarra técnica estabelecida pelo comandante. Este, na verdade, desenhou o sistema de jogo para não perder de muito. Sonhou em um placar menos impactante que no fim não foi elástico para equipes de alto nível. O problema é que foi um banho de futebol.
O futebol do Santos F.C. há muito vem sendo destruído pelas vaidades dos treinadores. Dorival Jr. quase conseguiu. Retirava o Neymar sempre aos 15 minutos do segundo tempo visando domar o menino. Na final do paulista do ano passado contra o São José, substituiu o André, Robinho e Neymar, um ataque que segurava os avanços da zaga adversária. Como finalização espetacular da burrice, tentou fazer a substituição do Ganso que se recusou a sair em atitude vista pelo Brasil inteiro. Os meninos da vila começaram a ser cassados naquele jogo. Falar de Adilson Batista é chover no molhado.
O salvador Murici chegou adotando o discurso que o Santos é ataque e que não fugiria dessa característica. Aos poucos foi colocando três zagueiros e tornando o time mais defensivo.
Contra o Barcelona foi o ápice dessa performance. O que se vê no Barcelona é a total liberdade de ação dos seus jogadores que se movimentam de acordo com o andamento do jogo. Existe o padrão que é formatado em cima de Iniesta e Xavi, mas cabe aos outros definirem o que é mais conveniente no momento. Isto foi bem mostrado com as movimentações de Messi, Busquet, Daniel Alves e Fabregas. E no Santos¿ Esse estilo de jogar existia no Santos dos meninos. Havia um constante deslocamento de jogadores que davam maior velocidade ao jogo e aí os placares elásticos da equipe.
A verdade é que técnicos estão cada vez mais buscando pelo seu currículo em detrimento de toda uma instituição que são os times de futebol. Imaginem os senhores os milhares de craques que estão sendo massacrados e destruídos no futebol brasileiro por esses tipos de profissionais. É uma covardia planejada como foi o acontecimento desastrado do ultimo domingo. Nenhum técnico pode falar que não conhece o futebol praticado pelo Barcelona. Ignora-lo é burrice, não observa-lo é ignorância. A liberdade de jogar tem que prevalecer, essa é a lição do Barcelona.

SÓCRATES

Durante a minha juventude sempre tive a felicidade de ver pelos gramados brasileiros, Maracanã principalmente, vários craques do futebol que nos faziam sonhar em ser participantes dos espetáculos. Como era impossível tal sonho, fazíamos das peladas a nossa realidade e o campo de nossas limitações, mas sempre com aquele ar profissional. Era interessante ver alguns participantes encarar tais peladas como se, na arquibancada imaginária, milhares estariam a exigir uma performance de gênio do futebol, um Zico, Pelé, Garrincha, Rivelino, Tostão etc.
Amigos como Rubão, Marcelo, Glauco, finado Santana, Jean Asckar, Salim Nadaf, Eduardo Povoas, Paulo César Figueiredo, e tantos outros saudosos companheiros, se mostravam como mestres e se irritavam com jogadas erradas ou uma derrota.
Esse comportamento tinha por finalidade exigência na plástica da arte do futebol. Foram muitas as gerações que agruparam este comportamento de vibração na torcida e na prática do futebol. É muito difícil ver os jovens de ontem com o comportamento da maioria desvirtuada dos homens de hoje. Isso mostra a importância do esporte na vida da nossa juventude. Os campos de peladas imprimiam posturas de compromissos desde os primeiros agrupamentos gerados pelos terrenos baldios em que a prática do futebol era formatadora de amizades.
Foi assim também o berço de milhares de craques do nosso futebol. Garrincha praticava suas peladas em terreno com buracos e lombadas a beira de um barranco até conhecer um verdadeiro gramado, um campo real. Não tenho conhecimento de nenhum jogador profissional com essa origem que tenha, após sua aposentadoria, percorrido o caminho do desvirtuamento moral e ético. Meu amigo Eurico, grande lateral do Palmeiras e seleção brasileira, é um grande exemplo. Alguns se perderam por caminhos nefastos da vida e da loucura por não aceitar a imposição da natureza física. Outros se isolaram da vida pelos mesmos motivos e pela falta da arquibancada delirante.
Sócrates, o Doutor ou Magrão como era conhecido, é produto dessa geração dos campos de peladas. Homem de muita honestidade, integridade moral e de generoso coração foi um dos revolucionários do futebol dentro e fora de campo. Era interessante conversar com Sócrates e perceber que o ídolo de milhares de jovens aspirantes a um espaço no mundo do futebol despia-se de qualquer vaidade ou pretensão para usufruir de toda a sua popularidade. Muitas foram as tentações de partidos em tirar proveito de tal poder de voto, todas recusadas por ele. Sócrates sempre se manteve solicito aos seus admiradores. Pessoa de fácil acesso nunca se negou a uma fala ou mesmo curto papo, menos ainda a fotos.
Aos amigos dedicava especial atenção. Manifestava suas opiniões sempre com lisura e posicionamento, evitando críticas mesmo que procedentes pelos acontecimentos. Sabia com muita educação recusar convites que lhe eram feitos para inúmeros eventos, os quais muitas vezes de fundo político ou de exploração social. Disse-me certa vez que o pantanal lhe fascinava, mas que era um homem urbano, sem qualquer identificação com a região a qual lhe metia medo e que por isso relutava muito a um passeio.
Mesmo com toda a seriedade que os seus problemas de saúde impunham, Sócrates sempre manteve inalterado o seu bom humor e espírito de exímio gozador. A uma pergunta se consumia bebida durante todo dia, pensativamente respondeu: “não, todo dia não, um pouco pela manhã e um pouco a tarde”. O Doutor se foi e mesmo com sua morte deixou mensagem aos seus admiradores de que é possível ser jogador de futebol e se formar em medicina, ser conhecido mundialmente sem se abater ao estrelismo, ser celebridade e ao mesmo tempo não deixar de ser povo.
Ao Sócrates, que me permitiu tomar cerveja com ele e o privilégio de sua companhia em algumas ocasiões, fica aqui o meu adeus e a admiração pelo que representou e representará, mesmo que ausente fisicamente, a uma geração necessitada de postura e atitudes como as dele. Braço erguido e punho fechado, símbolo de ruptura e contestação, deram novos rumos aos jogadores e ao futebol brasileiro.

CONCORDATA
A situação do Brasil não é das piores, mas também não é melhor que isso. Estamos na linha de tiro. O governo chinês está dando sinais de que por lá a economia começou a sentir os primeiros sintomas da crise que vive, há algum tempo, o seu maior consumidor: os Estados Unidos. Como crise acessória veio a do mercado da União Europeia. Com isso a China tomou algumas medidas para manter seu mercado interno em expansão. Mas como tudo em economia existe atrelamento, internamente já não é possível manter o crescimento de forma a não afetar a produção industrial chinesa dissociada da economia mundial. De imediato, os juros da China estão em baixa como paliativo aos efeitos externos da crise mundial.
É a mesma atitude que está em curso na economia brasileira. Baixar juros e impostos não deixa de ser uma alternativa mais imediata para se defender de um processo de estanque abrupto do mercado em razão da retração do consumidor interno e da exportação. Há tempo que escrevo que o Brasil está muito dependente do mercado chinês, consumidor de commodities que representa, aproximadamente, 60% de nossas exportações. Essa dependência econômica é séria. Muito mais ainda quando sabemos que há uma desindustrialização em nossa economia de semi/manufaturados. O nosso País está voltando ao período colonialista, de exportador de matéria prima. Esta postura de política econômica é perigosa e de drásticos resultados.
Com mercado exportador reduzido e produção industrial em queda, é bem provável que vamos passar por grandes problemas dentro de curto prazo. Financiar o governo via abertura de créditos fáceis para consumo é um risco de grande monta. Seria mais prática e eficiente uma ação de redução de gastos da máquina pública, acompanhada da redução da carga tributária, como forma de acumular capitais em investimentos. Não creio em outra saída com maior efeito para ter suspiro diante dos acontecimentos que estão em curso na economia mundial. Comprar tem como contrapartida pagar e o brasileiro tem baixa média de renda. A renda familiar, de cerca de 50% da população, ou seja, não individual e geralmente de família de 4/5 membros, não passa dos 2,5 salários mínimos. Acima de 20 salários apenas 2% dos domicílios brasileiros recebem esse milagre.
Somados a isso, temos um reduzido quadro de desenvolvimento de tecnologias, de poucos resultados no avanço industrial com tecnologia de ponta que nos faz reféns de importação delas. Isto tem alto preço para o brasileiro que está transformando o seu trabalho em interessante custo de mão de obra às montadoras internacionais. Assim como é a China nos dias de hoje onde cerca de 90 mil empresas americanas instalaram seu parque industrial em razão dos custos de produção que são baixíssimos. A grande diferença é que lá os chineses imprimem outro ritmo no seu desenvolvimento industrial e exigem compartilhamento de tecnologias lá aplicadas, ou seja, adquirem com isso propriedade. Fora a quebra de patentes de remédios, qual outra partilhamos e temos propriedade?
Acredito que sem uma mudança radical de visão de governo, não conseguiremos pular a “marolinha” do ex presidente. Muito dinheiro está sendo canalizado para atendimento ao social, aos benefícios da doação e outros fermentadores de voto. O PAC mostrou seus pífios resultados. Obras em atraso se espalham por todos os canteiros do Brasil, grande parte paralisada. A presidente tem que encontrar novas estradas para evitar solavancos na “condução” Brasil. Esta atitude tem que ser imediata. O estoque de sorte que tivemos está no fim. As conseqüências serão duras com a Nação.
O radicalismo partidário tem que dar lugar à racionalidade na busca de solução que amenize os impactos da crise na nossa economia, no bolso de nosso povo. Girar a economia apenas na base do crédito fácil para consumo é uma ação temerária porque não demanda expansão de mercado e de geração de empregos. Isso está provado após 2008 e não podemos nos iludir com a formalização dos empregos, antes informais. O ritmo de surgimento de novas plantas industriais não estará compatível com o crescimento necessário para atendimento das expectativas. O modelo atual está em concordata.

AUSÊNCIA DE CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO
Antes de tudo, tenho que expressar o sucesso de minha filha Ananda que superou 17.500 candidatos a vaga de estagiária na Unilever. Passou também na avaliação da Ambev. Como pai faço a minha parte, apesar de todas as dificuldades, de bem orientar e oferecer o possível, dentro do que há de melhor, para meus filhos. Facamp e Unesp são os territórios educacionais em que estudam.
Que bom seria se todos os estudantes brasileiros pudessem ter acesso ao mínimo, pelo menos, que as Instituições de ensino acima citadas oferecem aos que lá chegam. A história da Facamp é composta de ingredientes que faltam na educação brasileira. Não existem mais dúvidas de que a Faculdades de Campinas – Facamp representa, até na sua razão social “Promoção do Ensino de Qualidade”, o compromisso em construir o profissional de excelência. Seus fundadores são mestres oriundos da Unicamp e fazem da arte de educar o elixir da vida. Este comportamento também faz parte do corpo docente da Unicamp, USP e Unesp. São pessoas que tem como capital, o saber.
O que falta aos mestres da maioria das universidades do Brasil? Falta esse capital, a vontade de ganhar e acumular riquezas com essa fonte. A educação exige esse requisito. Por outro lado o ensino superior, seja público ou privado e raras exceções, não inova no seu estímulo aos professores. Nada de novo é proposto como forma de impulsionar a equipe de mestres à melhor desempenho na sua atividade. Salários de baixo nível aliados a quase precárias condições instrumentais e de equipamentos são verdadeiros freios a boa condição emocional estimuladora de entrega total dos professores no processo educacional. Os livros sempre ficam nas prateleiras. Não há tempo para dedicação ao estudo e preparo, os bicos não permitem.
Como prova da assertiva acima, estão as avaliações do ensino superior promovidas pelo MEC- Ministério da Educação. No ICG – Índice Geral de Cursos, somente 27 universidades de 1826 instituições avaliadas, conseguiram a nota máxima. À Unicamp coube a maior nota, a USP não participou e a Facamp a primeira das particulares. Este raquítico resultado de obtenção de nota máxima demonstra que o ensino superior continua, através dos anos, a passos de tartaruga, em busca da qualidade e da excelência educacional. Não importa quais cursos em avaliação pelo Enade – Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes e pelo CPC – Conceito Preliminar de Cursos, componente do ICG. A tônica é a mesma. Entra e sai governo, o cenário é o mesmo.
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REALIDADE DOS FATOS
Chegou a dar asco assistir as justificativas do ministro do Trabalho Carlos Lupi no Senado Federal. Nunca tinha presenciado alguém com tamanho cinismo querer contestar os fatos, o óbvio. O que valeu nessa audiência de exposição desavergonhada do Ministro foi a posição do Senador Pedro Taques (MT) ao abraçar a realidade e dizer que o seu partido tem que apear do ministério, “não temos mais condições de exercer esse ministério”. Ele e uns poucos formam uma ilha em um mar de lama e negociatas em que se transformou o Congresso nacional. Creio que esses poucos, cerca de 25% se for, deveriam começar um movimento de moralização interna da casa, do Congresso.
Em artigos anteriores já mencionei algumas causas que impulsionam os congressistas a transformar a instituição e ter relação promíscua com o governo, em algo “sine qua non” de sua sobrevivência política. Pelo menos para uma grande parte dos membros das duas casas do legislativo federal, extensivo as casas nos campos municipais e estaduais. A principal está no baixo grau educacional e de caráter da maioria dos postulantes a uma vaga no corpo político que se utilizam de métodos e armas pouco convencionais em termos éticos e morais. Outra, como conseqüência desta principal, está na necessidade de uso das mesmas armas e métodos pelos menos resistentes na busca de sucesso eleitoral. Onde está o cerne de tudo isso?
Tenho para mim que tudo está em quem dá o voto, o eleitor. Alvo de caça de todas as tribos partidárias seja lá quais forem os meios para obtê-los. O despreparo dos eleitores na compreensão do valor do voto e suas implicações na vida nacional é que permitem as tramas e abusos econômicos durante o processo eleitoral das candidaturas. A elite cultural e econômica brasileira, raras exceções, não participa do processo político eleitoral com candidaturas. Fica aos menos abastados, inclusive educacionalmente, a oportunidade de suprirem esse espaço.
Em razão do despreparo da população na sua visão do voto, a preocupação desta só se processa no período das eleições. Despida de conhecimento das ações de seus eleitos e postulantes e pouco interessada em saber, surge nesse campo fértil a germinação da semente do “tirar proveito”. A partir daí entranha-se no processo eleitoral os favores, pedidos e postulações além de mendigança de dinheiros aos candidatos. Em sua esmagadora maioria, estes detonam os pilares da ética, da moral e da legalidade no afã de serem os “escolhidos” pela população para representá-la nos legislativos municipais, estaduais e federais, incluso os cargos executivos.
Colabora com tudo isso a formação da maioria dos candidatos que são oriundos dessa massa populacional e que pouco procura se informar sobre os valores da política e sua função na vida da população. Esta, por sua vez, pelo seu pouco caso e pela sua falta de ação e exigência de qualidade na formação moral e ética dos candidatos, impulsiona os eleitos, durante o seu mandato, a buscarem por formação de caixa financeiro que irão dar sustentação ao seu prosseguimento na vida política. Sem dinheiro e diante das “exigências” do voto (eleitor) no período eleitoral, dificilmente prosseguirão. Raros são os que se projetam ou obtém sucesso desvinculado desse ritual amoral.
Enquanto o povo não entender o valor da política na sua vida, continuar como pedinte na utilização do voto como moeda de troca, o Congresso Nacional e casas legislativas e cargos executivos de governo, permanecerão sendo balcão de negócios que não se resume apenas em dinheiro, mas em favores e doações e até mais que isso, um verdadeiro banco de sangue do povo.
Esta colocação sobre o comportamento da população em relação a tudo que acontece no contexto político é tão patente quanto a sua participação nas marchas contra a corrupção. Vários órgãos da mídia nacional divulgaram sobre a marcha e a adesão foi baixíssima. Demonstra bem o interesse da população sobre o assunto corrupção que emperra e desmoraliza o Brasil pelo mundo todo. É esta permissividade que alimenta os ratos da Nação e encorpa o pântano de lama em que chafurda grande parte de nossos representantes políticos. Realidade dos fatos.

SÓ NO BRASIL
O governo está comemorando o avanço do número de matrículas no ensino superior. Tenho minhas reservas se esse número, que chega a 6,5 milhões de universitários, é realmente um avanço representativo para a educação brasileira. Incluem-se cerca de 175 mil em curso de pós graduação. Outros dados do governo federal informam que o Brasil tem taxa bruta de escolarização (relação percentual entre o número total de alunos matriculados num determinado ciclo de estudos, independentemente da idade, e a população residente em idade normal de frequência desse ciclo de estudo) em torno de 34,4% de escolaridade, ou seja, universitários de todas as faixas etárias sendo que, deste percentual 17% estão dentro da faixa correta escolar que vai dos 18 a 24 anos. É sabido que o ideal para esta faixa etária seria de 30 a 35% dos matriculados, de acordo com países minimamente desenvolvidos, Chile por exemplo.
Saindo desses dados induzidores de pujança e desenvolvimento suspeito, tenho para mim que o porém do “veja bem!” entra nesta questão. Segundo o MEC-Ministério da Educação, gerenciado pelo candidato do PT a Prefeitura de São Paulo, o que é um absurdo, o Brasil dobrou nos últimos dez anos a sua matrícula em curso superior. Ocorre que percentualmente estamos no mesmo patamar, aliás a menor, que em 2001. Continuamos com os mesmos 3% de alunos universitários, do total da população, nos cursos de bacharelado.
Há que se considerar que nos números atuais do MEC sobre o curso superior estão incluídos os chamados cursos técnicos superiores, tecnólogos, uma invenção e inclusão para inflar dados estatísticos governamentais e caixas das Instituições, além de estimular os alunos com meios mais acessíveis à um diploma universitário. Seria até válido caso não fossem os cursos, em sua esmagadora maioria, meras fábricas de diplomas. Estão em franca ascensão os chamados cursos de longa distância, EAD, também inclusos nos números do MEC. Representam cerca de 14,6% do montante dos matriculados em curso superior.
Estes dados festivos politicamente para catapultar candidatura, mostram que é da iniciativa privada o grande avanço nas matrículas de cursos superiores. Dos 6,5 milhões de alunos do ensino superior no Brasil, apenas e tão somente 938,7 mil está em instituições públicas, o que mostra um desequilíbrio de política de gerenciamento nos investimentos do governo na formação profissional qualificada. O mais grave é que o governo procura suprir tal deficiência com abertura de novas universidades sem a mínima acuidade com a sua estrutura pedagógica. Até a parte da estrutura física encontra-se sem término. Para que a aberração da falta de cuidados com a educação brasileira não seja total escândalo, criou-se a figura do Prouni como forma de reduzir a incompetência e descaso com o ensino superior. É mais fácil delegar a terceiros a responsabilidade da educação.
O descaso é tão patente que até cursos nobres como o de medicina estão com graves acontecimentos na sua trajetória educacional. No Estado de São Paulo, o exame de avaliação dos formandos pelo Conselho Regional de Medicina, reprovou 46% dos participantes. Estes, formandos, mostraram deficiências de conhecimento em várias áreas tais como clínica médica (44% de erro), obstretícia (45% de erro), pediatria (41% de erro) além de erros graves no diagnóstico e desconhecimento de farmacologia. Salvo engano, até bem pouco tempo,a Universidade de Dourados/MS só continuou o curso graças a médicos voluntários que a acodiram. Onde está o Ministro e sua equipe que não avaliam tal situação.
A verdade é que os brasileiros permitem tudo. Permitem que o seu Ministro da Educação continue no cargo sendo candidato a Prefeito de São Paulo, onde hoje está sua maior preocupação e presença. Aceita a absurda e grotesca declaração do Ministro do Trabalho dizendo que só sai a bala e depois dizer que ama a presidente, tudo para permanecer no cargo. É na mão desses (des)qualificados que está o País. Só no Brasil.

TEORIAS
“Hoje, quando olho para o meu título de eleitor, começo a entender o verdadeiro significado da palavra Zona eleitoral”. Este texto está correndo pela internet e diz bem o que sente o brasileiro a respeito do sistema político. Ao se dispor a ir até uma Zona eleitoral para dar o seu voto, o eleitor já está associando ao local que deveria ser de satisfação social e política e de definição de sua vontade na administração do País, em lugar de baixo meretrício. Os fatos diários, semanais e mensais de bandalheira, corrupção e desmandos na área de governo, estão amortecendo a anestesiando a sociedade brasileira de uma forma tal que a explosão com revolta popular, e para tal só precisa aparecer um líder, que se vier terá resultados piores do que a primavera arábe.
A frustração geral com os partidos políticos é enorme e está provocando uma situação social discriminatória entre os que fazem parte da política e os que estão fora dela. Esta explosão social ainda não se manifestou, em parte, porque temos 120 milhões de pessoas, segundo a Veja, que são dependentes do setor público. Dá então para ter uma idéia da pasmaceira e da falta de indignação do povo brasileiro em relação aos acontecimentos de corrupção e banditismo que assolam o governo. Além do analfabetismo funcional, existe o fator compadresco do funcionalismo público com a classe política. Calculo, superficialmente, que cerca de 60% dos funcionários públicos estão comprometidos com algum político e isso os torna reféns e impossibilitados de atitudes sob pena de colocar o sustento de sua família em risco.
Outra grande parte está comprometida com o partido e neste caso temos como maior exemplo aquele que prometia ser o organizador do estado pela “meritocracia”. O Partido dos Trabalhadores realmente funcionou, após 2002, como Partido dos trabalhadores. O seu grande líder, que nunca trabalhou por ter perdido o “dedo medinho” em situação até hoje sob suspeita, está aposentado como deficiente físico. Outros que estão até sem perna, batalham extenuadamente para conseguir tal aposentadoria e, mesmo assim, muitos são considerados aptos para trabalhos burocráticos. O PT aparelhou o Estado e açambarcou com os companheiros dos sindicatos os postos chaves, no estilo Chávez, e distribui aos asseclas um “cala boca” bem generoso como os milhões da UNE, da CUT e por aí vai.
Sentados a direita do Rei, os petistas, e outros partidos aderentes, procuram de todo modo manter-se, de forma anômala e aos olhos dos eleitores, como partido “oposicionista” (?) de esquerda. Alardeiam que são os legítimos representantes do povo sofrido pelas ações dos políticos de direita, até bem pouco tempo, os inimigos, ladrões e corruptos José Sarney, Renan Calheiros, Collor, Malouf etc. Hoje, alojados a direita do Rei, o poder, abraçam-se e até fazem “beija mão” com Jader Barbalho. A razão de tais aceitações dos direitistas e da junção com eles, está no fato de que os seus súditos estão bebendo da mesma fonte e assim, sendo saciados com os empregos e dinheiros sugados, pela safadeza, dos cofres públicos.
Aos poucos a gangue do ex presidente vai deixando lugar para novos sanguesugas. Os princípios ideológicos que moveram os partidos de “esquerda” (?) consistiram, na verdade, em tomada de poder e nunca de plataforma de ação política. Estranho os questionamentos da “esquerda” com a falta de uma ideologia teórica do novo Partido Social Democrático-PSD. O PSD apresenta, em palavras, como sua forma de agir aquele partido comprometido com a realização da satisfação social e não com dogmas. Não se coloca e nem se presta a teorias, fundamentos de meros discurso como os fundamentados em ideologias. Aliás, esta para realmente existir tem como presuposto um povo de alto grau cultural. Não quero fazer uma defesa do novo partido que surge como uma esperança (?) nesse tacho de escrachos em que se encontra a política brasileira e seus partidos. Há um longo caminho para a prática do que se propõe. Espero que não se deturpe por meras teorias.

DESCAMINHOS DA EDUCAÇÃO
Parece brincadeira, mas não é. A aprovação das medidas fiscais restritivas para importação de carros mostrou bem como anda a organização administrativa do governo. Será que a assessoria desconhecia que as medidas só poderiam vigorar após 90 dias como manda a regra constitucional? Eu não posso crer nisso, ou seja, o desconhecimento jurídico da norma legal pelos assessores governamentais. Acredito mais na falta de organização diretiva e de comando. Sabemos que grande parte dos membros da cúpula de governo acha-se conhecedora de todos os mandamentos legais assim como o ex presidente que, sem o menor pudor, mandava as leis para a lata de lixo e aplicava o seu poder de mando como regra geral, “a lei, ora a lei”, o Estado sou eu.
Dessa forma o Brasil viu no decorrer de anos a usurpação das regras jurídicas e que até hoje não foram contestadas, nem mesmo pela oposição. Algumas manifestações foram festivas. Estão aí várias obras em andamento que passaram por cima dos mandamentos legais tais como Belo Monte, transposição do São Francisco e outras em que as normas das licitações foram solenemente ignoradas. Para a Copa do Mundo estão atropelando todos os dispositivos da boa conduta legal, com prazos e valores sendo alterados e não observados de acordo com a vontade governamental e não em conformidade com as regras legais em vigor. Dinheiro público financiando obras privadas, banco oficial emprestando dinheiro a juros menores que aqueles pagos ao Tesouro Nacional, que é sustentado pelo bolso privado, e por aí vai.
O Brasil jurou que não seria protecionista, o que durou até a primeira volta do parafuso. Não é o mercado que está corroendo a economia brasileira, mas sim, a inoperância de políticas públicas e controle de gastos. A ocupação de cargos e posições vitais ao nosso desenvolvimento por pessoas desqualificadas e de péssima formação profissional, ética e intencional, sem nenhuma exceção nos ministérios, é que tem levado o País a não conseguir deslanchar no seu desenvolvimento econômico e com isso deixar passar a oportunidade de consolidar seu crescimento, assim como foi em períodos anteriores. Apesar de seu descontrole emocional que se traduz em visível perturbação mental, Collor deu uma mexida no tacho ao promover a abertura de mercado para inserir o Brasil na economia mundial. Aliado de Lulla, o ex presidente Collor não fez o mínimo movimento de defesa de sua política com a atitude atual de regresso ao útero do atraso.
A verdade é que o Brasil não tem ainda uma definição real daquilo que quer no cenário internacional. Não sabe se fica com Ahmadinejad ou com Obama. Busca mercados que, como nós, estão desorientados na sua organização econômica e mal estruturados politicamente. Ora a América Latina é tudo para nossas economias de exportação. A Bolívia de Evo Moralles, a Argentina de Kirchner, a Venezuela de Chávez e o Equador de Rafael Correa eram tudo aquilo que precisávamos e campo de nosso domínio econômico. Só que sumiu do mapa e já estamos dando volta ao mundo em busca de alternativas ao sonho bolivariano, do MERCOSUL, sul-sul e outras mazelas mais. Coisa da utopia de Lulla e seus asseclas.
A sorte é que o empresário brasileiro e o internacional não andam dando bolas para as atitudes do governo e sua equipe. Estão com ações racionais e equilibradas e aos poucos, sem ufanismos, continuam investindo e acreditando na economia brasileira apesar do governo. O grande perigo para os estrangeiros é que o País não tem uma legislação que estimule e promova o investimento fixo, e faz com que a maior parte da entrada de dinheiro no Brasil seja na forma especulativa. O Investimento Estrangeiro Direto-IED, está sendo utilizado como forma de retorno de capital de parte de maioria de empresas brasileiras e aplicadores financeiros, de maneira disfarçada. Tudo isso poderia ser de melhor proveito se o Brasil tivesse seu olhar maior para a educação. Está bem nítido que os ocupantes dos cargos chefes da política e do governo brasileiro estão carentes de conhecimento técnico e profissional, ou seja, de formação profissional e cultural, para exercerem atividades de mando e de administração de forma a dar alto grau evolutivo à economia do nosso País. Daí os descaminhos da educação.

DOIS PONTOS
Gostaria de escrever sobre um outro assunto que seria a educação, mas dois fatos ocorridos na semana que passou me deixaram indignado. O primeiro ponto é sobre o que aconteceu com um casal de amigos que iria à Curitiba para entrevista em um grande escritório jurídico. Marcada para 13 de outubro às 11:00 horas, os amigos compraram passagens para o dia anterior, no vôo da Gol de Campinas para a capital paranaense.
Ocorre que na sexta-feira da semana anterior à partida, foram comunicados da impossibilidade da entrevista, para a qual seria marcada uma nova data. Extinto o motivo da viagem, o casal procurou providenciar a remarcação do vôo para 02 de novembro, conforme comunicação da nova data da entrevista. Até aí, não havia nada de surpresa, a qual veio com o atendente da Gol no momento da remarcação.
O casal teria que pagar R$ 60,00 de multa por trecho de cada passageiro, ou seja, ida e volta, Campinas-Curitiba-Campinas, daria um total de R$ 240,00. O detalhe é que as passagens foram compradas com um mês de antecedência, já que a entrevista foi agendada em 30 de agosto. As passagens de ida e volta custaram R$ 385,00 para o casal. Isto quer dizer que a multa para o cancelamento e remarcação teria o valor de R$ 240,00, que calculado sobre o custo das passagens daria um percentual aproximado em torno de 70%.
É furto descarado. Não é admissível tal situação de penalização no sistema comercial brasileiro. Isto é uma aberração permitida pelo governo e suas agencias reguladoras, além da legislação. É infringir a Constituição Federal e o Código de Defesa do Consumidor, isto porque a cláusula é leonina em tal condição contratual, realizada com a compra das passagens. Isto é ilegal.
E tem mais, o atendente da Gol avisou ao casal amigo, que o saldo a ser reembolsado sofreria uma multa de 20% do cartão Visa, utilizado para a compra, na versão de pagamento à vista. Qual a justificativa de tal multa para receber o valor reembolsável? Fica a indignação sobre esses abusos praticados no país onde, pelo visto, a justiça é mera peça figurativa na estrutura de governo.
O segundo ponto está na apatia da população em relação aos acontecimentos e atos contra a corrupção que está disseminada em todo o governo. Muitos me contestam quando afirmo que o povo brasileiro, em sua esmagadora maioria, é massa de manobra de partidos, políticos e sindicatos. Nem mesmo as universidades, consideradas centros de excelência, tiveram a decência de manifestar-se. Estão entorpecidas pela falta de capacidade intelectual, que em seu meio são raras, e do entendimento do alcance do movimento na atual situação do Brasil. Não bastasse esse “analfabetismo funcional”, sofrem da apatia mental e da força do “cala boca” dado pela era Lula aos diretórios estudantis, via União Nacional dos Estudantes – UNE, a qual caberia melhor se vestir da sigla UNP – União Nacional dos Pelegos.
Nem mesmo a oposição política, tipo PSDB/DEM, se manifestou em um único momento. Foi um aceite total, já que não é o tipo de movimento social que lhe interessa. O que salta aos olhos é que, para a classe política, salvo alguns poucos, será melhor liberar de vez a corrupção, institucionalizá-la. Assim se evita os berros da mídia, a manifestação do judiciário em ter que julgar corruptos e atos da legislação como ficha limpa e até mesmo colocar no lugar comum negociações de sentença, tráfico de influência, nepotismo e por aí vai. Por outro lado, as verbas liberadas serão mais reais e verdadeiras, com preço justo, ou seja, o “bereré” ($$$) já estará incluído e com isso não serão necessários acordos secretos, aditivos etc.
Nessa toada, criminosos de outras partes do mundo terão menos trabalho para receberem a cidadania brasileira, sem necessidade de batatas quentes nas mãos do STF e de determinações e decisões do presidente da república.

VISÃO TORTUOSA
Em sua viagem ao exterior a presidente do Brasil prega a exuberância da nossa economia. Não há como negar, segundo o governo, que estamos melhores que muitos por esse mundo a fora. É preciso tomar cuidado nesta afirmativa vez que o Brasil se tornou um país midiático, construído pela mídia e pela propaganda e índices de pesquisas bem duvidosos. A fragilidade desta nossa sustentação econômica é visível e, não querendo ser pessimista, temos que tomar medidas factíveis para que a nossa dependência de exportações de matérias primas com restrito mercado comprador não nos apresentem surpresas que a economia mundial costuma pregar.
O Brasil tem hoje na exportação de commodities e semi faturados, cerca de 68% de sua receita. A China é a maior produtora dessa receita. Confiando no desenvolvimento chinês, o governo brasileiro vem desleixando da força produtiva nacional e com isso as nossas indústrias estão perdendo mercado interno para os importados que, de maneira avassaladora, esta ocupando espaços pela falta de competitividade da força produtiva das nossas empresas em razão da alta carga tributária e de falta de qualificação de mão de obra. Há uma clara incompetência da administração pública em coordenar uma política industrial com eficiência.
A equipe da diplomacia econômica não consegue estabelecer critérios válidos nas relações comerciais com outros países. A Argentina faz o que quer com as nossas indústrias e o nosso comércio sem sofrer qualquer resposta a altura na relação comercial. O que está sendo feito é mais para satisfação pública. No caso dos argentinos, extensivos ao Uruguai, Paraguai e Bolívia, ainda há o problema de servirem como parasitas para a exportação chinesa para o Brasil. É o caminho para que estes produtos chineses se beneficiem com menores impostos em razão das condições tarifárias Brasil-Argentina e com isso entram no mercado brasileiro com preços muito abaixo dos similares nacionais que recolhem altos tributos no seu processo de fabricação.
Um dos resultados disso é que o Brasil está gerando empregos para esses países. Enquanto isso, desprezamos os maiores mercados consumidores mundiais como Estados Unidos e a Europa que podem fortalecer a nossa indústria de manufaturas. Ao não participar de forma mais intensa nesses mercados, o Brasil está abrindo espaços enormes para os produtos asiáticos, especialmente para os chineses. Exportamos para a China cerca de 1,5 bilhões de dólares em produtos manufaturados neste ano, até agosto. Para Europa e Estados Unidos esses números atingem cerca de 20 bilhões de dólares (Estadão/Rolf Kuntz). Aliás, Kuntz expressa com clareza o papel colonial que o Brasil vem desempenhando na economia mundial, voltamos à era do colonialismo em que enviávamos a coroa portuguesa os produtos básicos e comprávamos os manufaturados a preços exorbitantes.
Esta depreciação política da indústria nacional, pela nossa política de desenvolvimento, reduz o campo de crescimento e de inovação na área tecnológica. O País não consegue impulsionar este campo e por conseqüência, puxa para baixo as possibilidades de evolução deste segmento de tecnologia nas universidades brasileiras. Proteger o mercado com uma forçosa participação de componentes nacionais em automóveis, por exemplo, não vai resultar em avanços no mercado industrial brasileiro e muito menos ainda na evolução de conhecimentos tecnológicos. Aliás, salvo engano, o único carro 100% nacional fabricado foi o Gurgel. O resultado foi a falência. Somos meros montadores das tecnologias produzidas lá fora.
Na verdade o Brasil tem sua política pública, para todas as áreas, determinada pelo marketing das agências publicitárias. São dessas agências que partem as linhas mestras da política do governo. Elas são determinantes para a administração pública, pois orientam nas tomadas de decisões que irão gerar resultados no jogo político, conseqüentemente nos índices de pesquisas e estes nos resultados eleitorais. Há uma leitura econômica e social no mercado e nas relações sócio-política, mas que o governo, por uma lesão ideológica, não consegue compreender.

UMA PROPOSTA À EDUCAÇÃO
Ainda bem que a questão educacional começa a tomar lugar nas rodas de conversa e na mídia brasileira. Estava esquecida e jogada ao léu até que o “Desenvolvimento” começou a perceber que a educação é parte fundamental e básica para ele prosperar. Não há como crescer e se desenvolver sem que o ensino educacional tenha qualidade na sua aplicação e a confiabilidade da população.
Há muitos caminhos para que a educação brasileira trilhe com segurança na formação da nossa juventude. O que é necessário é a vontade política de promover renovadas e profundas alterações no sistema em aplicação. Espanta o marasmo em que o Ministério da Educação vai “tocando” a educação no Brasil. Nem mesmo os resultados negativos em todos os testes de avaliações realizados, nos âmbitos interno e externo, são argumentos para o convencimento da premente necessidade de mudança. Sempre há movimentação e grande alarde para trocar seis por meia dúzia e tudo fica no mesmo lugar.
É visível que a fonte dos problemas está no preparo dos professores. As universidades pouco se interessam pelo curso de pedagogia e outros ligados a área da educação. É na universidade brasileira que se encontra a falta maior de vontade política de enfrentar esse caos em que está a educação no Brasil. É dela que deve partir os movimentos de combate a péssima qualidade do ensino ministrado em seu campus e que refletem diretamente na vida do País, da Nação. É dela que deve partir propostas e movimentos de apoio ao ensino básico que tem jogado milhares de jovens adolescentes na lata de lixo, onde existe um campo fértil para a marginalidade. A universidade deve ser a emanadora de levante em defesa dessas crianças que estão à mercê da irresponsabilidade dos governos.
Existem alguns movimentos esporádicos, como espasmos de um pulsar. Em São Paulo buscam pela mudança com redução da grade básica. É a conversa de inserção ideológica na educação, que mal sabe escrever, com aumento de carga horária de disciplinas como filosofia e sociologia. É essa praga de educadores de plantão que ocupam cargos de direção na educação brasileira pensando exclusivamente no seu grupamento político e metas eleitorais que vem aos poucos corroendo a nossa educação. É preciso rever a grade escolar desde o ensino fundamental e nela imprimir aprendizado voltado a conceitos matemáticos e da língua portuguesa, inglesa e espanhola. A matemática é a base do desenvolvimento intelectual de qualquer criança. Esta mais que provado que a melhor fase de aprendizado lingüístico, para eficaz inserção no mundo globalizado, ocorre durante a infância e adolescência. Nesta, adolescência, ensinar lógica e interpretação de textos é fundamental para evitar o analfabetismo funcional. Sem esta base de conhecimento da língua portuguesa não há como entender conceitos matemáticos, físicos e etc. no ensino médio e superior.
A grade do ensino médio deveria oferecer cadeiras optativas e ter a matemática, português e inglês, esta a língua universal, como básicas e com maior carga horária, deixando física química e biologia no formato módulo em que o estudante optaria quando fazê-lo. Este formato módulo seria com aulas diárias e que pela minha avaliação, dará impulso a atividade intelectual dos alunos, trazendo-os ao conhecimento. Outra mudança que sempre venho defendendo ao longo dos anos é com relação à operacionalidade do ensino. Há que se alterar o regime semestral/anual pelo regime trimestral, motivo de um próximo artigo. Outra colocação que tenho feito e defendo é a desvinculação da administração da área educacional da estrutura de governo, tornando-a livre de ingerências políticas partidárias, inclusive de servir como moeda de troca para apoio político.
A importância da educação é tamanha que só agora, dada as imensas dificuldades de administrar o crescimento econômico brasileiro, veio à tona a nossa ineficiência de formação profissional, de tecnologia e de conhecimento cientifico. Estamos importando técnicos e profissionais para as principais atividades industriais e de serviços. Não é possível que não consigam enxergar essas deficiências instaladas no setor que deve ser o centro de produção de formação profissional, a nossa educação.

EDUCAÇÃO ESGARÇADA
Há muito venho escrevendo sobre a educação no Brasil. Há muito venho escrevendo que o cerne da questão educacional está na formação dos professores que são mal preparados pelos centros formadores. Há muito venho escrevendo que o efeito cascata disso tem levado à lata de lixo várias gerações de brasileiros. A educação no Brasil desfia-se na incompetência dos governos e na incapacidade política de resolver a questão. O problema, claramente perceptível, não está só no fato da incompetência e da incapacidade. Vai mais além, é parte da falta de preparo cultural e de conhecimento da maioria da nossa classe política. Como hoje estamos com fundamentos sociais baseados na corrupção, no ganho fácil, Ferrari, BMW, Gulfstream, Iate etc. preocupação em ter formação educacional de nível se tornou algo supérfluo, sem sentido, sem razão de ser. Inteligente é saber faturar com desvio, para não dizer furto, do dinheiro público.
As últimas declarações do Ministro da Educação são de dar pena. Após oito anos, descobriu que é necessário aumentar o número de horas das aulas ministradas. Pior, acredita que isso resolverá os problemas do aprendizado dos estudantes brasileiros. Em oito anos não deu para ele perceber que há um péssimo preparo dos educadores na sua formação. Não entendeu que o currículo escolar está defasado e improdutivo ante a realidade social do mundo hoje. Não percebeu que os livros oferecidos nas séries preparatórias de base são de baixa qualidade e pouco estimulantes ao exercício da mente, do raciocínio. Ele deixou de observar que o sistema semestral de ensino não é mais cabível diante do novo comportamento dos adolescentes na sua relação com o mundo.
Como não bastasse, começa a se mirar em formas asiáticas para servir de espelho a novos caminhos para a nossa educação. É um posicionamento errado se tiver como base, adotar o sistema coreano, por exemplo. Temos que adotar a filosofia, os princípios que nortearam o avanço da educação naqueles países. É o que faz a China hoje. A forma de aplicá-los exige respeito à condição peculiar de cada sociedade, a integração da educação familiar com a cultural e profissional. Aumentar em dez dias o calendário escolar não levará a nada se os fundamentos e equipamentos do sistema educacional não forem melhorados, mais aprimorados. Acreditar que dez dias a mais de aulas irá crescer em 44% o aprendizado de nossos alunos é grande piada de mau gosto. Pode até ser, se considerarmos que estamos a 0%, obter 0,44% é uma vitória, um achado. Aliás, Ricardo Paes de Barros é um mestre nessas tiradas de apoio político ao seu guru, o ministro Haddad.
Está em andamento no Congresso Nacional o projeto do senador Cristovão Buarque que pretende retirar o ensino universitário da esfera do Ministério da Educação. O ensino superior passaria a ter gestão do Ministério da Ciência e Tecnologia. Não deixa de ser uma mexida no tacho e que pode dar novo rumo ao ensino nas universidades, é uma possibilidade. Isto se não acontecer de ser um novo canal ou trampolim para candidatura política, é ver pra crer.
Defendo, desde os anos 80, que o Ministério da Educação deveria ser desvinculado da estrutura organizacional do Executivo, assim como é o Congresso Nacional e o Judiciário. Teria vida própria e seus membros diretivos compondo uma estrutura colegiada indicada eletivamente pelos representantes das instituições educacionais do Brasil de forma vitalícia, de reconhecido conhecimento e vivência na área educacional e de ilibada moral. Defendo também desde os anos 80 que o sistema de ensino tem que ser na forma trimestral contínuo. Este sistema é a melhor forma de imprimir produtividade no aprendizado, melhorar a capacidade de aplicação do ensino por parte dos professores, recuperar a tempo os alunos com dificuldades, executar mudanças eficazes no planejamento com rápidas respostas nos resultados, trazer maior integração aluno x escola evitando problemas de relacionamento e evasão escolar e por aí vai.
Muitas vezes, nos anos 80, tentei em minha instituição educacional implantar tal sistema projetado por mim, mas não assimilado pela maioria dos pais motivados pelos períodos de férias que seriam alterados. Que fazer? É o rol dos que aceitam passivamente, talvez até em razão do desconhecimento, e são os filhos que, com isso, pagam com o esgarçar da nossa educação.

TERRA ARRASADA
Esta semana o Brasil mostrou com muita clareza o que falamos em artigo anterior. Mais uma vez e em conta gotas está mostrando a sua cara. Os homens que fazem parte do governo brasileiro e que de uma forma ou de outra influem no nosso destino como cidadão, estão maculados e sem condições de participarem da administração pública. A bancada do PMDB, o maior partido no Congresso Nacional, não encontrou alguém com razoável condição de não oferecer constrangimentos a presidente com sua ficha corrida. Tentaram jogar o abacaxi na mão da presidente Dilma para se livrarem de futuros problemas com o novo indicado.
Como não podia deixar de ser, por livre e espontânea pressão, coube ao patriarca do submundo, a sina do Maranhão, escolher o novo Ministro. A presidente, com toda certeza, não se livrou de problemas na pasta do Turismo e isto terá novos desmembramentos em curto prazo. Oriundo do grupo Sarney, não há como estar com a ficha limpa. É da natureza dos políticos e da política do Maranhão, raras exceções, o uso do “banco” público como alternativa ao privado, e isto é histórico. Estão aí exemplos como as Fundações, helicópteros, empregos de parentes, publicações oficiais secretas etc. É uma questão de tempo.
Não há um único ângulo para se olhar sem que alguma podridão se manifeste. As dificuldades das obras na Copa não estão na incapacidade de execução pelas empreiteiras. Elas estão no ninho da corrupção, o governo e seus apoiadores. Os valores orçamentários das obras são difíceis de serem estabelecidos em função das propinas que os empresários obrigatoriamente têm que inserir em seus cálculos e que a cada dia aparece mais um para a lista dos favorecidos. O projeto executivo de uma obra não é bem visto. Não permite adendos constantes e intermináveis. É com certeza esta situação que tem provocado o atraso nas obras da Copa do Mundo.
A presidente Dilma Rousseff defende que o Brasil está fora do contexto de crise mundial. Até acredito, como muitos, que em um primeiro momento e avaliação podemos ser confiantes. Ocorre que os números da economia mundial estão, pela lógica, mostrando um viés vicinal que poderá nos levar a um precipício denominado “Buraco do Inferno”. Nossa economia está atrelada aos ditames do governo chinês. Isto se dá pela herança do governo Lulla na realização da proeza de afastar o Brasil dos melhores mercados consumidores de produtos manufaturado-industrializados. Já estamos no patamar de 80% de nossas exportações voltadas para a China.
Elas são todas sustentadas pelos produtos primários, commodities, e estão concentradas em soja, petróleo e minério de ferro que atendem a economia chinesa no seu crescimento alimentício, industrial, de empregos e riqueza nas suas exportações. O mundo está sugando a riqueza brasileira via exportação das commodities e investimentos especulativos que entram mascarados no mercado financeiro do Brasil como investimentos diretos – IED. Não bastassem, os produtos vindos da China encontram países parasitas tipo Vietnã, Tailândia, Argentina e outros “hermanos” para servirem de ponte nessa importação e com isso livram os chineses dos impostos do fisco brasileiro e concorrerem com preços baixíssimos com o similar nacional. Um dia isso vai babar.
De que é a culpa disso? De quem governa e quer saber apenas do caixa para bancar a corrupção. Futuro? Para que futuro? Fala-se tanto em obras, mas não se vê nada que justifiquem os bilhões orçados e liberados. Não existem obras de grande porte concluídas. Estradas matam aos montes por problemas de descaso na sua manutenção e nada se faz. É por essa razão que devemos voltar às ruas e exigir a faxina da presidente na administração pública e com isso tomar a consciência de que devemos fazer a nossa parte, como cidadãos, nas próximas eleições, a nossa faxina. Caso contrário eleitor, é terra arrasada.
Convocação: se auto convoquem todos os brasileiros, religiosos, ateus, prostitutas, drags, gays e simpatizantes, profissionais liberais, sindicatos sem fixa suja, Ongs, jornalistas e mídias e todo ser pensante honrado a procurar a organização em seu estado/cidade ou pela internet, para se informar do levante marcado para o dia 12 de outubro de 2011.

IDÉIAS FALTANTES
Durante meu período de menos anos de juventude, um dos fatores de valor dos grupos sociais era a formação, o preparo intelectual do jovem, de qualquer pessoa. Na minha geração, você era observado pelas suas ideias e forma de pensar somadas a uma cultura geral. A busca pela informação era intensa e ocorriam muitas reuniões para discussão de temas motivadores de comportamentos e do modo de vida. As informações recebidas ou absorvidas nesses encontros que não tinham um lugar definido, que podia ser em praia, bar ou mesmo em fim de noite sentado nas beiradas das calçadas ou bancos de praças, eram processadas e transformadas em conhecimentos.
Destes, surgiam as ideias aos milhares que, agrupadas e formatadas em novas informações que geravam novos conhecimentos, novas ideias. Assim, os conhecimentos obtidos provocavam as transformações que mudaram os destinos do mundo de forma radical e benéfica, retirando as pessoas da vida modorrenta e encaminhando-as para evolução na forma de pensar e agir. O progresso, ainda em fase evolutiva e de desafios aos comportamentos pré históricos como guerra, fome, destruição etc. vencerá, mas com sérios perigos a estagnação.
O mundo da internet, da tecnologia da informática, trouxe às novas gerações o risco de fazer das máquinas o meio de processar conhecimentos. A possibilidade de ter plena disposição da informação na internet está levando gerações a deixar de discuti-la e com isso motivar novos conhecimentos. Sem estes, as ideias deixam de ser abundantes e construtoras sequenciais de novos conhecimentos que processam novas ideias num contínuo crescer científico e de evolução social. O comportamento do ser humano está começando a ficar formatado, estanque. As novas gerações não percebem que é fundamental o seu trabalho na expansão e compilação das informações no seu crescimento intelectual. Não percebem que a evolução obtida pelo ser humano foi causa desta evolução intelectual, via que nos parece abandonada pelo rápido consumo da informação a disposição nos meios de comunicação atuais.
A disponibilidade da informação a qualquer momento e armazenada nos computadores/internet, retira dessas gerações a possibilidade de maiores debates o que dificulta o surgimento de grandes ideias. O cérebro para de ser atuante e o pensar dispensado e com isso estanca-se a criação, a vontade de inovar e construir um novo saber. O bem social está ficando restrito ao valor monetário e este ainda é fornecedor de energia a pequeno grupamento social. Impõe suas regras ao comportamento de grande massa populacional que o obedece e depreendem intensas atividades para gerar resultados ao pequeno grupo. A conseqüência disso é que muitas Nações sofrem das mais variadas implicações que se estendem desde a saúde, passando pela educação, pela qualidade de vida, relacionamento e por aí vai.
Ainda hoje os jornais estamparam notícias a respeito de duas irmãs que promoveram via internet, a caminhada contra a corrupção em Brasília. Com meta definida de ação voltada aos políticos, fica claro que não processaram qualquer conhecimento sobre política. “Vou procurar saber mais sobre a política” disse uma delas confessando nada saber a respeito. Pelo andar da entrevista, percebo que, apesar de toda disponibilidade da informação “on line”, fazem parte da geração que não trabalha as informações disponíveis para transformá-las em conhecimento e estes em geradores de ideias. Anos passados, movimentos deste porte, além de maior adesão, tinham vocações definidas que produziam efeitos em escala.
Assim, vamos caminhando para uma estagnação do pensar gerador de ideias o que leva a sociedade a uma forma mecânica de agir e de restritos horizontes. A monetarização social, representada pelo consumismo imposto até em propaganda oficial, vai ditando as regras de convivência. Transforma em alto valor o bem material em prejuízo da liberdade de viver e de se relacionar pelo seu valor humano, da sua capacidade de pensar, criar, inovar e ser verdadeiro instrumento no caminho da civilização. Até lá, a carnificina continua, entre países e pessoas, resultado da imposição monetarista, de conquista e submissão.

EDUCAÇÃO MADE IN BRAZIL
O Brasil mostrou sua cara. Os congressistas representam o povo brasileiro e ficou bem clara a situação moral e ética que vive o povo brasileiro. É um povo permissivo e, dada a miséria financeira, educacional e cultural, vai se moldando nas regras da imoralidade e com isso construindo um Congresso Nacional em que a maioria, como a população, abraça todos os princípios negativos. Com isso estabelece uma terra em que a lei e a moral são valores de menor importância na vida da Nação. Já não existe Instituição confiável em solo brasileiro. Os leitores terão a oportunidade desta constatação em breve na decisão de um dos maiores pilares da organização social de um povo, o judiciário.
Como dar solução a este quadro de podridão que assola a organização social e política brasileira? Vários são os caminhos e atitudes a serem tomadas. Em todas elas, há a necessidade do fator indignação e de consciência de que é imprescindível agir, mesmo que em minoria, para reverter a desmoralização do Estado brasileiro. Os próprios congressistas ainda não contaminados pelos desvios de personalidade, moral e ética deveriam ter uma postura mais agressiva nas suas atitudes ante os escândalos que são protagonizados quase que diariamente no quadrado do Congresso Nacional, transformado em balcão de negociatas de cargos, benefícios e corrupção. Apesar destes fatos estarem na mídia todos os dias, a safadeza vai sendo absorvida pela população que é dopada com falsos benefícios que a transforma em zumbis a vagar no sonho consumista e de riqueza. Está entorpecida por essa possibilidade mesmo que isso vá destruir, em breve, os sonhos de vida de milhares de seus filhos.
Um dos caminhos é a busca por uma ruptura com a situação vigente na área educacional, a mais importante área da vida de um país, de uma Nação. A ausência de educação no Brasil é um fato. Não podemos considerar algumas ilhas educacionais com bons resultados como exemplo de que estamos evoluindo. Mesmos estas ilhas apresentam certa grau de pobreza educacional. Os dados colhidos pela Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização) são alarmantes, inclusive na região sul onde apenas e tão somente 55% dos alunos aprenderam conteúdos previstos na grade de matemática. No norte e nordeste estes resultados foram uma calamidade. Em algumas escolas, os alunos não sabiam sequer escrever. Como é que chegaram ao terceiro ano do ensino fundamental? Isso é resultado de um descaso total e criminoso porque envolve a vida e o futuro dessas crianças. É condená-las ao infortúnio, é amputá-las do direito de ser, de existir. É povo marcado, assim como gado.
Uma das atitudes é promover radical alteração no útero da educação universitária, especificamente nos setores em que a vida de gerações é atividade fim dos cursos aplicados. A área de Pedagogia é a mais vulnerável para a educação brasileira. Além de depender da vontade política de oferecer uma solução aos instrumentos de ensino, a formação Pedagógica necessita de pessoas/alunos com muita consciência da importância deste segmento na construção da vida de milhares de crianças e jovens. Educar é construir o saber, é construir pessoas. Isso não é fácil. As universidades, como instituição de construção do saber, deveriam, como primeiro passo, promover essa conscientização.
E você, o que tem feito para mudar isso? Na hora do voto você pensa nisso? E você universitário, porque aceita tudo passivamente e ignora a conseqüência desta atitude na sua vida futura e de milhares de crianças brasileiras que esperam de vocês um caminho melhor, com perspectiva de vida decente e com mínimo de qualidade? Você professor universitário, quando vai levantar o traseiro dessa cadeira e lutar, não por salário, mas por um ideal de ensino com qualidade e com responsabilidade do futuro de um povo, da Nação? Lutem por instrumentalização da Universidade e deixem um pouco de lado os percentuais salariais. E vocês agentes de influência social, por que não agem em defesa da educação e saem de seus casulos luxuosos que um dia ainda poderão ser abrigos de miseráveis? Mirem-se na Líbia, de repente um exército de “descalçados” armados nas ruas. É possível, não sei. Você, leitor consciente, diria “eu te amo meu Brasil” sem um mínimo de constrangimento?

O DESASTRE BRASILEIRO
Passa ano entra ano, sai governo entra governo e assim por décadas a educação continua o processo de colocar muitas gerações de brasileiros na lata de lixo. De quem é o interesse disso? Seria fácil se tivéssemos um agente responsável. Bastaria substituí-lo e estaria tudo resolvido. Acontece que esse agente é disseminado em toda a estrutura de governo, executivo e legislativo. Os nossos governantes foram os jovens de ontem, ou seja, são estes que mal aprenderam na sua vida escolar que estão à frente dos destinos da Nação. Não me refiro apenas ao mandante maior da educação brasileira, mas a todo corpo político e diretivo do sistema educacional do Brasil, com raras exceções.
É a consequência da brincadeira do brasileiro com algo sério que é escolher os seus representantes. Assim, homens e mulheres sem qualquer preparo e menor visão possível de administração pública, estão hoje no comando e com isso desmerecendo, até por ignorância, as conseqüências que se refletem na população brasileira, a educação uma delas. É estarrecedor ver que, sem qualquer discriminação de minha parte, o Deputado Tiririca, um dos resultados dessa brincadeira, está fazendo parte da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal. Mal assina o nome e nas mãos dele, entre outros, está uma das comissões mais sensíveis para o povo. A Câmara é a representação do povo, diz a Constituição Federal. O sentido disso é de governar/legislar pelo povo e não de fazer dela um circo.
O resultado desse comportamento e de ter na direção da educação brasileira homens que objetivam fazer do Ministério da Educação, Secretarias Municipais e Estaduais um trampolim para a política, só pode ter como resultado o que está na mídia. A pesquisa publicada, fruto da Prova ABC – Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização dá, com extrema clareza, em que condição está a educação no Brasil. É assustadora, de trazer lágrimas nos olhos, principalmente para quem por quase vinte anos trabalhou na área da educação. Gostaria que os responsáveis pela política educacional, Executivos e legislativos, tivessem a hombridade e a decência de irem até uma escola pública brasileira e olhar nos olhos das crianças/estudantes para conhecerem os próximos que irão para a lata de lixo, para a criminalidade. Quem sabe, desperta a consciência de que é preciso ser honesto com esse futuro.
Tal pedido também se estende àqueles que votam sem saber o que estão fazendo, que não usam de seriedade ao marcar o seu voto nas urnas. Dêem uma chegada em alguma escola pública e até mesmo particular e procure averiguar como anda a educação nessas Instituições educacionais. A corrupção, um mal proveniente dessa péssima qualidade da educação, está em todo o governo e a reação popular contra essa aberração no ensino, provado pela pesquisa, não existe. Nem mesmo como apoio aos atos que a presidente está tomando contra a corrupção. Sem uma reação popular, a classe de corruptos acredita que o povo aceita tal permissividade.
São inadmissíveis os resultados apurados pela pesquisa quando constatam que crianças que concluíram o terceiro ano do ensino fundamental em escolas públicas e privadas não tem os conhecimentos básicos e necessários em leitura (44%), em escrita (46,6%) e matemática (57%). Estes resultados tem uma definição em imediato futuro: a exclusão social com as conseqüências em explosão no momento atual. Caso regionalizemos os resultados, o norte e nordeste se tornam uma aberração. É literalmente um crime contra essas crianças, motivo de algemas e cadeia. E toma de criar universidades para escutarmos o trotar das ferraduras. Não há como entrar e sair das universidades sem o som delas na forma em que está a educação no Brasil. O cerne, repito pela enésima vez, está na formação dos professores. Nos cursos de Pedagogia das universidades. Como aprender se quem ensina mal sabe para consumo próprio? Culpa deles? Lógico que não. Culpa de quem governa e não oferece qualidade no ensino universitário, médio e fundamental. É uma sucessão desastrada o que torna a educação neste país, um desastre brasileiro.

VARRE, VARRE, VASSOURINHA DILMA
“Ali só tem bandido”, palavras do Oscar Jucá, ex diretor da Companhia Nacional de Abastecimento- Conab, referindo-se ao próprio órgão em que era Diretor. O seu irmão, velho velhaco da política nacional e eterno líder de governo, seja lá qual for o presidente, apressou-se em desqualificar o mano que pelo andar da carruagem sabia e tinha certeza do que dizia: “Ali só tem bandido”. É verdade, mas esta afirmativa não se restringe apenas a Conab. Como um câncer, está disseminado, em processo de metástase, por todo o corpo do governo brasileiro. É um verdadeiro “ratazal” em um paiol de milho, loucos para pegar seu milhão e roer sem dó a riqueza nacional.
O mais interessante neste nicho de malfeitores é que a substituição, de qualquer deles, gera sensibilidades políticas e beicinhos dos chefes dos partidos. O grave de tudo é que a presidente está correndo alto risco de se conformar com a turma de ratazanas da cúpula política brasileira. Não sei se é uma estratégia para não ferir “brios” dos situacionistas que ela faz uso do famoso “dá um tapa e assopra”. Porém, é inaceitável concordar que a chefe maior de Estado faça, publicamente, elogios e defesa de quem colocou até criminosos fazendo uso de forma ilegal da estrutura de Ministério para promover falcatruas. Isto sem citar as suspeitas de irregularidades na atuação do demitido Ministro da Agricultura na Conab e Companhia Docas do Estado de São Paulo-Codesp. Dilma está pisando no tomate.
Sob pretexto da governabilidade, os partidos de apoio ao governo começam tomar posição de colocar a presidente na parede. Precisam desse duto financeiro da corrupção para financiamento das campanhas mesmo sabendo que a maior parte do dinheiro apurado está indo para bolsos privados e promovendo uma fantástica rede de desvios de dinheiro público. Essas consideráveis migalhas que caem ao lado do prato da corrupção é que não permitem a aprovação de reformas imprescindíveis ao sistema tributário e, principalmente, ao sistema político e eleitoral no Brasil. Partidos, na forma existente, são meros instrumentos de pano de fundo para ações maléficas de determinados grupos. Dentre todos seus membros, estes é que se sobressaem no comando da Instituição governo.
É visível que jamais virá um levante contra a governabilidade. Será acontecimento inédito os afetados deixarem o “osso”, os cargos federais. Mesmo sendo escorraçados da estrutura de comando governamental, estes partidos farão o jogo de cena tipo “vamos ser independentes”, estamos livres para tomar posição ante os atos e projetos do Executivo. Para tal, “colocamos todos os cargos a disposição da presidente”, palavras e posicionamento hilário do Partido da República-PR, através do Senador, seu presidente, e ex ministro Jalin Rabei. Não vão jamais deixar o paiol, excluídos aqueles que prezam pela moralidade.
Os brasileiros, mesmo os que pouco percebem e entendem do processo político e por isso acham que tudo está podre e não tem nada a ver com eles, estão na verdade exauridos e sem forças de reação a esse processo de corrupção que domina a administração pública. Não bastasse, assistem impassíveis a grita dos defensores da maracutaia contra as algemas postas nos usurpadores da riqueza nacional, como se tal ação policial, fosse mero capricho da Polícia Federal que cumpre determinação da Justiça, de uma ordem judicial. Com o grito procuram aplacar a imoralidade de seus pares e cúmplices. O judiciário, através do Ministério Público, tem que continuar nessa toada de “desratização” da administração federal. A presidente Dilma não pode se vergar diante de ameaças de grupos montados para promover desvios do dinheiro público.
O que mais entristece nesse bolo dos acontecimentos, é ver a nossa juventude paralisada. Estão à parte dos fatos e não apresentam qualquer reação de contestação ou mesmo de apoio às medidas de correção apresentadas pelo governo. As atitudes da presidente se chocam com o comportamento do ex presidente que deixou o paiol a disposição das ratazanas e por isso não se manifesta a não ser para apaziguar os beneficiados que procuram fazer “marolinhas”. É para dar um ar de injustiçados ante as atitudes de demissão de seus apaniguados que dilapidam o patrimônio do Brasil. Aos provados inocentes, a liberdade e o respeito.

CONFUSÃO MENTAL
Fico a imaginar a difícil situação de formação de personalidade que passa a juventude em nossos dias. A minha geração tinha metas definidas, não em razão de se encontrar com argumentos e fundamentos tirados dos movimentos sociais e de sua formação intelectual inovadora promovida pela educação escolar, mas motivada pela formação familiar muito consistente à época. Era uma geração mais contida ante a falta de instrumentos de informação muito restrita aos tablóides, aos jornais. O repórter Esso era o irradiador das notícias em “tempo” real. É verdade que já fiz parte do final desses tempos e tive meu início “revolucionário” com o movimento social provocado pelos Beatles, impulsionadores da era Elvis Presley.
A forma de contestação tinha por base a negação de regras sociais constituídas e exercidas pelo pátrio poder, onde cabia aos filhos a árdua tarefa de somente atender e promover a continuidade e o respeito às regras emanadas pela “lei” familiar recebida. Naqueles anos da revolução social, a atitude era de demonstrar insatisfação através do linguajar e da forma de vestir. Lembro-me de amigas que levavam nas bolsas ou sacolas, as mini saias que trocavam nos bares ou nos “toilett” onde eram realizadas as festas. Os meninos usavam cabelos “compridos” que mal cobriam as orelhas e muitos deles faziam verdadeiras artes para espichar alguns fios até a ponta delas.
Foi dessa forma que mobilizamos o mundo e o mudamos. Foi com a música e com a maneira de vestir que quebramos conceitos arcaicos e libertamos a juventude. No rastro disso vieram os enrustidos que não conseguiam abraçar a causa de liberdade social e traçaram viés pela política, estimulados pelo confronto proposto pelo comunismo e suas variantes ditatoriais via Stalin, Castro e Cia. De uma motivação de governo que provocava guerras na defesa de interesses de cúpula, começaram a surgir as movimentações de massa, mobilizadas por correntes ideológicas ou partidárias na defesa de seus pontos de vistas que aos poucos enveredaram para os tumultos de violência e intransigência das partes envolvidas. Até então tal confronto estava, em grande parte, restrito aos sindicatos na defesa de interesse de trabalhadores na sua relação com os empregadores.
Passados os anos e os jovens da revolução social se tornaram os pais de gerações atuais. Acontece que a grande maioria deles não acompanhou e não fez avançar a evolução oferecida. Grande parte se embrenhou na luta pelo poder político e arraigados aos ensinamentos teóricos ideológicos, sem visão de transformação, pararam no tempo. Isto acarretou conflitos internos e emocionais de como proceder na educação dos filhos. O que oferecer no papel de pai: as “leis” do pai/avô em que a não aceitação de discórdia era e é imperativa ou tomar atitude de acompanhar a ruptura social e de comportamento instalada pela força e velocidade da comunicação virtual e do mundo globalizado.
Este conflito do atual comandante familiar, que já divide o comando em iguais proporções com a ajudante de ordens, a mãe, criou uma instabilidade no quadrado familiar o que tem afetado de forma considerável o fator relacionamento interno e externo. A juventude, ante o quadro estabelecido em enorme número de famílias, sai a campo em busca de seu espaço e de formação de base a sua vida. Surge então, com força, o risco de confronto, com o quadro de dirigentes sociais e políticos, entre o que ela procura acionada pela intensa rede de informação virtual e o que está sendo oferecido pela organização social.
Os governos não conseguem acompanhar esta evolução da juventude e raros tem a sua visão equilibrada com a forma de pensar deles, juventude, raiz para revoltas como a que estamos vendo nos países mais avançados culturalmente. Há um fosso entre os jovens de hoje e os organizadores sociais representados pelos governos e suas instituições, movimentos organizados etc. Tudo isto é agravado pela corrupção, falta de educação com qualidade, capacidade de geração de empregos e não subempregos, saúde e por aí vai. É uma frustração que gera revolta e traz aos jovens uma grande e maléfica, o que só vai piorar o quadro, confusão mental.

SER EMPRESÁRIO
No período de menos anos da nossa juventude, eu e muitos dos meus amigos tínhamos um sonho: ser empresário. Uns com objetivos de ganhar muito dinheiro, outros em ser socialmente um vencedor e alguns, como eu, em montar algo, construir uma empresa em cima de um ideal de realização. Quando fundei a minha pequena empresa educacional, convidei todos os funcionários a participar com cotas no empreendimento. Ninguém compareceu já que todos preferiram a segurança salarial e não a “aventura” de ser empresário. É bem verdade que poucos conseguem, até hoje, ter uma visão do empreender. Nada é mais seguro que o seu próprio negócio, desde que bem administrado e em um País de regras firmes e menos voraz no campo fiscal.
Neste caso, fiscal, o Brasil não se enquadra e nas regras balança. A voracidade que o governo parte para cima do empreendimento privado é algo de dar medo ao dragão chinês. Isto derruba expectativas de muitos que estão gerando sonhos de participarem do grupo e setor empresarial. As notícias diárias dos jornais transmitem a impressão de que só se vence empresarialmente no Brasil se a empresa tiver participação dos membros do poder público, os chamados contratos de gaveta ou de participação de laranjas, ou então fazer distribuição de parte do bolo que arrecada apenas com sua condição de empresa de fachada. Outra imagem que fica é que não há caminho fora do arco da corrupção para sobreviver. É raro encontrar empresas que, de alguma forma, não burlam ou encontram desvios para fugir da fome de arrecadação do governo. Às que corretamente agem com o fisco tem curta sobrevivência.
Nessa luta de gato e rato, o empresário não encontra alternativas para acumular capital de forma a investir no desenvolvimento de seu negócio. Até para mudar um telhado de sua empresa, há necessidade de alteração de planta junto aos órgãos de governo, e paga-se por isso. Existe então uma necessidade de fazer com que o setor empresarial tenha maior espaço de mobilidade financeira de forma a atender seus planos de crescimento e expansão. Já que o governo não pode prescindir da arrecadação existente o que daria maiores condições de alargamento da faixa de empregos, há necessidade de inovação na área de produção e trabalho.
Uma idéia que, penso eu, pode ser útil a este tipo de visão é a mudança no campo de produção, trabalho e emprego. A proposta tem por base a permanência do “status quo” da relação trabalhista, produtiva e fiscal em vigor, alterando-se apenas o período de funcionamento do tempo de trabalho. Para os trabalhadores inseridos nas quarenta horas semanais, esta seria reduzida para 32 horas semanais, ficando, portanto, o período semanal de trabalho de segunda a quinta feira. Nos três dias restantes da semana, terá uma legislação especial apenas nas relações fiscais entre a iniciativa privada industrial e produtiva e o governo, mantendo-se as mesmas bases de calculo salarial de horas trabalhadas e outras normas legais que impliquem em defesa do trabalhador.
Nesta “mini semana”, de forma controlada pelo fisco, não caberia incidência de impostos ou tributos de qualquer natureza na produção como forma de incentivar o investimento e aumentar a capacidade produtiva/industrial. Caberia a empresa apenas o recolhimento da parte do empregado em relação ao FGTS. A incidência da parcela de contribuição do INSS será recolhida na ponta final de consumo da produção gerada nesse período da “mini semana”, tipo Contribuição sobre Movimentação Comercial de Produto Industrial como forma de contrabalançar os custos. Sei que tal colocação será recebida como uma bomba. Há que se entender que tal contribuição seja irrelevante ao consumidor, mas relevante para o trabalhador brasileiro.
Esta proposta, de forma mais explicita e completa, já teve análise do setor de assessoria da Câmara Federal que não a recusou, mas fez ressalva das dificuldades de aprovação pelos senhores congressistas citando que alguns pontos necessitarão de emenda constitucional. Fico a pensar, qual é o papel/finalidade do Congresso Nacional? Estão lá, em síntese, exatamente para avaliar, estudar e promover e aprovar normas e medidas na defesa dos interesses do cidadão, da Nação. Acredito que o que está sendo e foi colocado por mim tem algo a ver com o interesse popular e empresarial. Portanto, passível de avaliação e caso comprovado de eficácia, de aprovação.

ACREDITAR PARA REALIZAR
Pelo visto dos últimos acontecimentos, o Partido da República – PR não precisou nem de ensaio para a dança das festas juninas. Os fatos e assuntos ainda a eclodir nos levam a pensar que o poço é mais fundo que o fundo imaginado. O PR é resultado da escolinha do Lulla que ao longo dos oito anos de governo aplicou, com maestria de pós doutorado, os ensinamentos de como se proceder e exercer o comando de um governo em um País de subdesenvolvidos cultural e educacionalmente. O Brasil é composto de massa consistente no bojo dos analfabetos funcionais.
Chega a ser patética a reação dos senhores deputados líderes de partidos da situação ante a decisão da presidente em levar a cabo a faxina. Ameaças estão à solta. Exigem tratamento igualitário nas penas aos malversadores do patrimônio público, dos larápios do cofre estatal. Não conseguem aceitar isoladamente o peso da roubalheira que grassa desde 2003. Um deles chega a exigir que tais procedimentos tenham efeitos em todo o escalão ministerial, em todos os Ministérios. Acreditar que irão “peitar” as decisões do planalto nesta faxina passa a ser irreal. É assinar a própria sentença de morte política.
Não há como enfrentar situação eleitoral futura caso os partidos abracem a defesa dos pares flagrados com a mão na botija. É defender o código de ética dos ladrões, aquele a que se referiu o advogado do assassino do estudante da USP em abril passado. Na época do governo anterior, esse procedimento era o adotado sempre, com o argumento de que ninguém sabia de nada, e pronto, estava justificado e nada acontecia. Quando muito eram considerados aloprados. A atitude da presidente está definindo que os caminhos serão outros e as estradas vicinais, aquelas dos desvios, serão bloqueadas, no mínimo terão barreiras, o que já representa algo.
A forma de governar atual não permite, pelo que se vê, que o dinheiro público sirva de suporte para estabelecer parcerias políticas e eleitoreiras. O presidente anterior fazia e usava do cofre estatal como se fosse uma conta privada e da qual podia se utilizar livremente. Com distribuição farta de favores e dinheiro, o ex presidente construiu um nome de areia que aos poucos vai se desfazendo. Isso é visível quando manifesta a sua intenção de visitas aos estados e pessoas de projeção popular, como forma de manter sua imagem na mídia. “Vou viajar por todo o Brasil”, diz ele com certa preocupação ante o crescimento nas pesquisas da nova ocupante da presidência.
Esse apoio da sociedade as ações da presidente Dilma, em fazer a faxina na estrutura de governo, obriga os partidos da situação em frear seus ímpetos de revide ou mesmo de cobranças. O povo, mesmo com pouco grau de formação, tem resquícios de inteligência e sabedoria para perceber que está certa a ação do governo em promover uma limpa dos corruptos dos seus quadros. Ficou claro nas atitudes presidenciais que o quarto poder, a imprensa, tem que assumir a sua vocação de ser investigativo e dar caminhos ou indicações sobre onde e quem deva ser exonerado a bem do serviço público. Não há melhor instrumento que a informação e publicação de ações corruptas pelos ocupantes de cargos públicos.
Todo procedimento da presidente neste novo norte que está se direcionando seu governo será bem visto por toda a sociedade, principalmente pela nova geração que passa a ter esperança de que o seu futuro pode ser melhor. Para realizar, é preciso acreditar e me parece que é essa a postura da presidente. Ela acredita no que faz. É verdade que não será uma tarefa fácil, ante os vícios de anos de malversação do dinheiro público, de desmandos e farra com os órgãos de governo. Está na hora de dar um tratamento sério a liturgia do cargo, de maior respeito, fé e crença. De gerar confiabilidade naquele que está à frente dos interesses da Nação, do povo brasileiro.

PRESIDENTE DILMA EM TESTE
Assisti ao depoimento, melhor, explanação do Sr Pagot, diretor em férias do DNIT- Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte, à comissão do Senado convocada para escutá-lo. Tecnicamente, o diretor Pagot recebeu nota 10 ao expor didaticamente todo o funcionamento do DNIT. Amarrou com perfeição cirúrgica todos os membros deixando claro que o erro de um é de todos e sanções para um devem ser estendidas ao corpo diretivo, incluso o atual ministro dos Transportes, Sr. Passos. Interessante a estratégia e a maestria utilizada, a mesma quando pego em flagrante recebendo da Hermasa do senador Blairo Maggi e do dinheiro público via salário do Senado como assessor do finado senador Jonas Pinheiro. Como disse Lulla, quem não faz isso? A lei, ora a lei.
Fora a colocação de que o Senador Blairo trabalhou com ele, Pagot, no mais, foi bem explicativo. Esta explicação refinada deixou de lado alguns pontos que não podem deixar de serem colocados à reflexão. Talvez até possam ter sido mencionados nos momentos em que me afastei da internet. Um deles é referente à cobrança de propina pelo Partido da República- PR para seu caixa de campanha.
Acredito até que o Sr. Pagot não tenha participado diretamente de tais procedimentos. Mas o detalhe que me intriga é que sendo um dos representantes do PR na estrutura de governo, não tenha Pagot conhecimento de que tal procedimento de arrecadação ilícita de recurso se processava nos contratos do DNIT com as empresas prestadoras de serviços ao órgão. Como disse o próprio Pagot, em trecho do seu depoimento, é conversa para boi dormir. Que é um “homem bomba” todos sabemos, só que o detonador, pelo que nos parece, está nas mãos do Senador Blairo Maggi.
Os contratos sempre foram perfeitos e todos os atos de termo aditivos também o são, está na lei. Este acontecimento de obras dobrando de preço está com falha na contratação com base em projeto básico. É algo a ser revisto. Como disse o Sr. Pagot, os preços estão de acordo com a tabela de preços de referência do governo federal. Há, entretanto, um porém levantado pela Revista Veja, o “superfaturamento oculto” descoberto pela Polícia Federal na composição de valores dessa tabela.
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BNDES, PRECISO DE CINCO BILHÕES
O BNDES está virando casa de “mãe Joana”, mas só para os ricos. Lembro-me quando atendi um empresário no período em que atuei no escritório de Luiz Eduardo da Gama e Silva, Gama & Gama Advogados, no Rio de Janeiro. Dizia ele que a melhor forma de atuar junto aos bancos, principalmente oficiais, é dever muito. Sempre vão te arrumar mais alguns porque o medo de que você quebre é grande e ninguém quer assumir esse passivo, gerente nenhum. Mantenha sempre sua dívida alta e terá o banco muito solícito, pronto para novos aportes.
A facilidade que os administradores do dinheiro público tem para realização de benesses só encontra similar na Venezuela e Cuba. Como são “companheiros”, tal procedimento está sendo importado e adotado em larga escala e em todos os níveis da administração do Brasil, vide obras da Copa do Mundo, obras do setor elétrico, financiamentos oficiais, liberação de emendas e por aí vai. Percebe-se que a presidente tem lutado para conter os tais procedimentos instalados no governo anterior, o qual os transformou em corriqueiros, normais. São visíveis os paredões impostos à presidente pelo grupo que forma a “base” de apoio a sua administração. Tentam a todo custo manter o toma lá dá cá do governo Lulla. Já não existe na face, ou melhor, na cara de qualquer parlamentar da base governista o mínimo rubor em transformar sua atuação e do congresso em um grande campo de negociatas e de favores.
Este comportamento dos congressistas, em sua maioria, obriga o empresariado a trabalhar por caminhos escusos, não justificaveis, como forma de viabilizar sua empresa e então criar atalhos que possam favorecê-los na execução de obras públicas. Dessa forma é que surgem as situações expostas pela revista Veja sobre o superfaturamento nas obras do governo. Chegaram a maestria de fazer do ilegal um procedimento legal e que não estava deixando pistas de como agiam para ganhar e ter dinheiro para pagar as comissões às ratazanas. O preço mínimo oferecido pelo governo nas licitações já estava superfaturado. Coisa de mestre.
Refem de grupelhos/camarilhas comandadas pelos Sarney, Collor, Renan, Barbalho, Jucá e turma, a presidente Dilma tem demonstrado capacidade de, aos poucos, minar a resistência desse setor podre da nossa política. Tenho percebido que ela sempre está postergando certas atitudes como forma de dar sinais que algo vai ser mudado, apesar de levar algum tempo. Este tempo poderia ser menor não fosse a participação do ex presidente que demonstra apoio as atitudes dos congressistas que vivem e sobrevivem mamando nas tetas do governo. Eu creio e não acredito estar errado, que a presidente não irá demorar muito em começar a mudar o rumo da política no Brasil. Não é difícil notar que um terço do Congresso é o grupo que provoca todos os desvios de ética e de respeito com a coisa pública. Ao adiar certas medidas ou tomadas de decisão, Dilma mostra-se capaz para atuar nesse serpentário.
Não é fácil trabalhar dentro desse emaranhado de incompetências que foi obrigada a absorver em respeito ao seu antecessor. A equipe de governo anterior, sempre foi, em sua grande maioria, de notória incapacidade para administrar. Nesse número sem fim de ministérios, poucos se salvam. Como disse Nelson Mota, se dependesse de currículo, nenhum deles estaria empregado em qualquer empresa privada. E assim o Brasil vai caminhando, jogando fora enorme possibilidade de se estabelecer como economia forte e de avançado campo tecnológico.
O posicionamento e comportamento dos dirigentes políticos comprometem a evolução da Nação. Criam campos negativos e de maléfica influência social e educacional. Chega ao abismo e ao ridículo com o discurso do governador do Rio de Janeiro em querer estabelecer um “Código” de conduta, como se não estivesse a decência prevista na Constituição brasileira. Já que tudo vale, não custa fazer meu pedido: BNDES, preciso de cinco bilhões, incluso altas possibilidades de comissões.

COMO NOS VELHOS TEMPOS
Quarta-feira, 22 de junho de 2011, a verdade foi, finalmente, restaurada. O único time brasileiro de grife internacional voltou ao patamar de onde nunca deve sair. O Santos mostrou, nestes últimos dois anos, como deve ser conduzida uma administração que está voltada a realizar, a ser vencedora. O time da Vila Belmiro ganhou quatro das cinco disputas em que participou: Dois campeonatos paulista, Copa do Brasil e Libertadores da América. Digo mais, só não ganhou o campeonato brasileiro de 2010 porque teve um técnico que queria ser maior que o próprio Santos. Dorival “demorô” a cair fora. Enganam-se os que pensam que com ele teríamos evoluído. Tivemos que dar um passo atrás para dar dois à frente.
Ainda temos este ano dois títulos em disputa. O brasileirão e o mundial de clubes. Mesmo com todas as trapalhadas do calendário futebolístico de nossa terra, o Santos é favorito para a disputas das duas competições. Isto porque existe na administração do clube uma direção empresarial, com visão do sucesso e como alcançá-lo. Mais, imprime no “governo santista” a ética, moralidade e respeito para com o torcedor. Ao mesmo tempo em que atua com atitudes empresariais, a diretoria tem como objetivos dar alegria a massa de torcedores e promover a arte de jogar futebol, daí a grife que vem desde os anos 50, com pequenos recessos.
Ganhar o brasileirão 2011 vai exigir criatividade e inteligência. Isto tem de sobra na direção do clube Santos. São vários os jogadores de alta qualidade que estão a caminho da Vila Belmiro. Todos vem para somar aos existentes e manter o alto padrão futebolístico que o time tem apresentado nesta década, quatro vezes campeão paulista, duas vezes brasileiro, uma Copa do Brasil e uma Libertadores. Uma média de quase um título por ano, não inclusos os de vice campeão.
Os “doídos” estão torcendo pelo sucesso dos estrangeiros para retirarem do Santos seus maiores ídolos. Acreditam que com a saída deles o time vai se desmoronar, assim como pensaram quando Robinho, Diego, Paulo Almeida, Elano, Léo, Alex, Renato e tantos outros se foram. O mesmo pensamento vigorou há pouco com a saída de André, Wesley, Robinho e outros. Rei morto, Rei posto. Temos nas categorias de base inúmeros garotos de altíssima qualidade para serem lançados. Alguns já sentindo os sabores do time profissional.
Ganhar o título mundial pode ser mais fácil que o brasileiro por vários motivos. Um deles se refere a arbitragem que no ano de 2007, quando perdemos para o Cruzeiro o título, o Santos, além do inadmissível erro arbitral que levou o time a derrota em jogo pré decisivo com o próprio Cruzeiro, teve no transcorrer do campeonato 19 gols legais anulados trazendo um prejuízo de mais de 12 pontos na tabela de classificação. Era o período de Luxemburgo, muito visado pela arbitragem. Eu creio que jogar com o Barcelona uma final é garantia, não muito fácil, de faixa no peito.
O Barcelona, na minha visão é um time formatado, computadorizado e qualquer criatividade, de hacker, pode desmontá-lo por completo. Criatividade o Santos tem de sobra, é a natureza do jogador brasileiro, principalmente dos existentes no plantel santista e que serão complementados com as novas aquisições. Tenho informação, via um ex craque brasileiro, que serão de peso, só a falta de sorte das negociações para que isto não aconteça. Com Muricy a qualidade e criatividade técnica e tática está garantida, perdeu apenas um jogo em três messes mesmo assim com o time reserva, apesar da maioria dos jogos sem os titulares absolutos como Ganso e Neymar.
O Santos é considerado pela FIFA o melhor clube das Américas do século XX. O único clube brasileiro a conquistar um título estadual, nacional, continental e mundial em um único ano (1962). De 1960 a 1969, o Santos conquistou 22 títulos oficiais. Em 1999 foi o primeiro clube da história do futebol a atingir a marca de 10 mil gols, e em 2005 com o gol do cuiabano Geílson atingiu a marca de 11 mil gols. Bons salários, ética, moralidade e vontade política de realizar fazem do Santos um time vencedor. Um bom exemplo para muitos, inclusive governantes.

SOCORRO PRESIDENTE DILMA
Seriam cômicos se não fossem sérios os escritos de José Simão ao expressar que “o Supremo liberou. Os véinhos tão doidão! Supremo e Fernando Henrique. Eu vou lançar a maconha geriátrica para melhor idade”. Não dá para entender o que está acontecendo com o Supremo Tribunal Federal-STF nestes últimos tempos. Depois de Battisti agora a maconha. O argumento em que se baseia para liberar a marcha pela maconha é a liberdade de expressão que seria válida não fosse tal marcha uma luta por uma causa e não por um modo de expor pensamentos, idéias ou manifestar-se pelos atos de cultura.
A marcha por uma causa, motivo do movimento, tem por objetivo fazer com que se concretize um fato, que algo exista. Quer determinar um acontecimento. Implica em mobilização que é uma ação física de imposição contra norma expressa e legal. Dentro dos fundamentos da decisão do STF, realizar quebra-quebra em suas dependências não pode ser considerado ato ilícito se for pré-fundamentado como ação de expressão popular.
Ao permitir tal movimento, o STF está enviando sinais de que poderá sim vir a ser legalizado o uso da droga. Basta que tais usuários, que podem e irão ser financiados pelo tráfico e seus cartéis, comecem a marcha contra a regulamentação legal que proíbe o uso das drogas. A primeira etapa para tal já foi vencida. A Constituição Federal em seu Título II, capítulo I, art. 5º – II, reza que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”.
A lei existe e proíbe tal movimento. Em seu inciso IX diz que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação independente de censura ou licença”. Onde a marcha da maconha se encaixa aí? Considerar a marcha como comunicação é transformar Tiririca em Veríssimo. É concordar que ética também existe no crime, na bandidagem.
O que mais me chama a atenção é que o STF não tem sido eficiente no combate a corrupção como foi unânime na liberação da marcha. Acredito que a melhor atitude da presidente Dilma nos dias de hoje é convocar o Congresso e Judiciário e fazer uma proposta: Vamos obedecer de hoje em diante o que preceitua a Constituição Federal? Respeitar as leis e toda decisão emanada pelos tribunais? Vamos revigorar moral e eticamente o corpo político, jurídico e administrativo do Brasil? Não creio que melhor atitude poderá exercer a presidente. Chegamos ao ponto do “êxtase” do sofrimento. Estamos nos organizando economicamente, mas destruindo a célula que dá organização ao resultado.
É preciso mais seriedade nas atitudes das Instituições que organizam o País. Elas estão a caminho de esgarçamento e com ela o social. Daí atos de vandalismo com o dinheiro público. A perda de respeito e medo até daqueles que deveriam zelar pela coisa pública como é o caso dos acontecimentos com relação às obras públicas, o superfaturamento legal exposto pela revista Veja. A tramóia está dentro do corpo administrativo do governo e o dinheiro some sem qualquer conseqüência e penalização aos atores tanto externa como internamente ao poder publico. A presidente precisa convocar essa reunião. É uma tentativa de moralização e do vigor da lei.
Para processar avanços de contenção a essas imoralidades, a presidente obrigatoriamente tem que abrir os olhos para a Educação brasileira e tomar por base o que de bom está sendo feito nas políticas educacionais de outros países. Construir o Brasil de forte alicerce educacional evitará todos esses males que hoje proliferam em razão do fosso de aprendizado dos últimos anos que jogou no lixo varias gerações.
O fato constatado em um programa de TV no domingo último me trouxe lágrimas nos olhos ao ver que todo o auditório não sabia quem proclamou, em que dia e ano, a República. Essa é a atual juventude brasileira que não sabe quais países são fronteiriços ao Brasil e muito menos escrever e ler corretamente, raízes para outras marchas das drogas. Socorro presidente Dilma.