17 maio 2012 A COLUNA DE TÉTA BARBOSA
- Atenção passageiros com destino à poltrona C13, favor ocupar seus lugares.
Deve ter sido isso que a moça de sombra azul (para combinar com o lencinho no pescoço) e batom rosa falou no microfone do aeroporto antes do embarque. É a única explicação.
A minha poltrona era a 13A que, estranhamente e seguindo uma lógica que só aeromoças e duendes de jardim entendem, fica ao lado do assento 13C. Do outro lado do corredor, você desavisado, pode imaginar que ficam as cadeiras 13B e 13D, certo? Errado, lá estão localizadas as poltronas 13D e 13F. Onde danado foi parar a 13B ou a 13E eu não sei e, sinceramente, no momento não me interessa.
13A eu, 13C o resto do avião. Exagero, ok. Vamos aos fatos (que no fim do dia é o que menos interessa):
Sentei, me espalhei naquela poltrono “enorme” do avião e fiquei ali na esperança, quase certeza, de que a poltrona 13C ficaria vazia. Vazia não, com minha mochila, meus dois livros e um pedaço da minha perna. A esperança, que é uma característica linda, porém ilógica do ser humano, tinha suas razões: o avião estava vazio.
Mas, logo, logo chegou a moça magrinha dona da 13C.
Ok, no panic. Magrinha, cara de legal, razoavelmente bem vestida. Dava para engulir sem muito drama.
Levantei, ela passou (13C é janela), sentou, colocou o cinto e relaxou quando… chegou o outro dono da poltrona 13C.
- Com licença, a minha cadeira é a 13C.
- Não, a minha é 13C, olha aqui meu bilhete.
Eu? Em pé no corredor esperando o vencedor do duelo levantar a espada e dizer “eu tenho a força”. Não, não, esse é outro filme, esquece.
Chamaram a aeromoça, os bilhetes eram iguais. De uma lado do octógono a magrinha sentada, do outro o homem com uma camisa cor de abóbora (jerimun, para os íntimos) . A moça com cara de choro, o abóbora com cara de “ninguém vai tomar meu lugar” e a aeromoça com cara de aeromoça.
Eu?
- Allow pessoal, o avião está v-a-z-i-o. E essa poltrona 13C nem é tão legal assim. Decide logo senão quem vai mudar de lugar sou eu. Vocês num querem marcar um jantar para resolver essa disputa judicial?
Ganhou o homem jerimum com o argumento de que ele ia até Manaus e não queria ficar mudando de assento a cada escala. A magrinha levantou, humilhada e levemente deprimida.
Eu?
- Bora pessoal! Resolvido? Abraço de amigos. Não?
O Jerimun sentou, suou, comeu e, claro, roncou.
”E esse Dramin que não faz efeito?” era a única coisa que vinha na minha cabeça quando cheguei ao meu destino.
O vencedor da disputa ficou lá, feliz com sua vitória, a caminho do seu destino final. Saí do avião com um certo alívio e uma pergunta que não me sai da cabeça:
- Quem, em sã consciência das faculdades mentais, compra uma camisa cor de jerimum?
*Texto sem correção e sob efeito do Dramin (demorô). Favor desconsiderar erros. Em minha defesa: “a culpa é da reforma ortográfica”.
















































