17 maio 2012 A PROPÓSITO - Marcelo Alcoforado

Brasília sempre foi considerada uma cidade segura, ao menos quanto aos delitos de pequena monta. Tão segura, aliás, que muita gente cansada da violência das metrópoles, almeja se mudar para lá. Isso sem se falar dos políticos de outras cidades, que estão sempre ávidos por uma cadeira no Senado ou na Câmara, um ministério ou, em última análise, um cargo comissionado qualquer. Para estes, protegidos pela couraça dos carros oficiais e da segurança armada, Brasília é Shangri-la, porém, se você é uma pessoa comum, recomenda-se mudar de ideia e não de cidade.
Segundo relata a Veja da semana passada, o aumento de assaltos e sequestros-relâmpagos tem angustiado os brasilienses, privados que estão de passear à noite pelos parques do Plano Piloto. Nos últimos dez anos — e aqui não vai nenhuma insinuação de natureza política — o crime, em todas as suas faces, ficou robustecido. Tráfico e porte de drogas triplicaram, homicídios e assaltos se multiplicaram. O craque, esse verdadeiro flagelo que tivera apreendido pela polícia, em 2007, apenas meio quilo, teve apreendidos, em 2011, 63 quilos. Enquanto isso, os sequestros-relâmpagos setuplicaram e indicam estar em pleno avanço. Basta dizer que no ano passado houve 675 casos e este ano, de janeiro a abril, já foram 300 as ocorrências.
Em outras palavras, Brasília, que só operava no atacado, como, por exemplo, o famoso mensalão, passou a abrigar também o pessoal do varejo, o que, com as devidas adaptações, remete à célebre indagação do dramaturgo Bertolt Brecht: “O que é um assalto a banco comparado à fundação de um banco?”
Por paráfrase, o que é a ação de um assaltante comparada a uma corrupção galopante?









































