O PODER DESPUDORADO

Frank Underwood é um ambicioso congressista norte-americano. Calculista, frio, vingativo, ele foi traído pelo presidente que ajudou a eleger, e isso não vai ficar assim. Com a ajuda da sedutora esposa, de uma jornalista ambiciosa e de um político alcoólatra, ele age para enfraquecer seus adversários políticos e, em um futuro próximo, conquistar a almejada presidência dos Estados Unidos.

A luta de Frank Underwood em busca do seu destino tem trazido muitos benefícios à audiência da Netflix, que vinha exibindo as peripécias do político, mas agora, após seis anos de apresentação será esta a última temporada da série House of Cards.

A decisão, comenta-se, teria sido tomada por denúncia de assédio sexual contra o ator Kevin Spacey, o intérprete de Frank Underwood, que teria molestado o também ator Anthony Rapp quando este ainda era adolescente.

Sabe o que acontecerá em consequência de uma medida dessas?

Surgirá uma oportunidade ímpar para o Brasil mostrar seu valor. Ao se ver privado das traquinadas de Frank Underwood, que não passa de mera ficção, o telespectador brasileiro tenderá a abandonar o “streaming”, transferindo, desta forma, a audiência não só para a televisão, mas para diversos meios de comunicação brasileiros.

Pense na emoção: em lugar dos monótonos malfeitos do congressista ficcional, lances emocionantes de uma casta real, que enriquece à sombra do mandato conferido pelo povo, voltando-se contra este mesmo povo para ludibriá-lo.

Enquanto na Netflix a ficção tem “The End”, no Brasil, mais pujante do que nunca o “reality show” do desavergonhamento continuará a ser mostrado, ao vivo e em cores, com cenas tragicômicas como a de um deputado saracoteando com uma maleta contendo R$ 500 mil reais ou estarrecedoras caixas de dinheiro vivo localizadas em um apartamento desocupado em um subúrbio de Salvador.

Para ver esse show cotidiano, basta, a qualquer hora, ler jornal ou revista, sintonizar qualquer emissora de rádio ou de televisão, ou ainda acessar os portais noticiosos da internet.

E o que é pior, em vez de ficção tudo baseado em fatos reais.

AH, COMO É REPETITIVA A HISTÓRIA…

Desculpe o lugar-comum, mas, como você sabe, para Karl Marx a história se repetia primeiro como tragédia e depois como farsa. Fosse ele contemporâneo da política brasileira, veria que aqui ela se sucede obstinadamente como farsa a caminho de uma tragédia. As vitórias sucessivas dos protagonistas dessas comédias sem graça são demonstrações seriíssimas de como um país não deve ser conduzido.

A votação da semana passada, por exemplo, em que o governo obteve votos bastantes para estancar a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República bem diz o que é a nossa realidade. A vitória do presidente Michel Temer na Câmara custou a bagatela de R$ 45 bilhões que nós vamos pagar. Mais vitórias dessas, o Brasil estará aniquilado. Serão nada mais do que vitórias de Pirro, expressão nascida quando o exército de Pirro, rei do Épiro, venceu as legiões romanas nas batalhas de Heracleia e Ásculo.

A vitória fora importante, mas levara à conclusão de que outra vitória como aquela arruinaria o rei completamente. De fato, Pirro perdera uma parte enorme das suas forças, inclusive quase todos os seus amigos íntimos e principais comandantes; não havendo outros homens para formar novos recrutas. Por outro lado encontrou seus aliados na Itália recuando.ao passo que os romanos preenchiam rapidamente a necessidade de novos soldados, todos sem deixar sua coragem ser abatida pela perda que haviam sofrido mas, sim, extraindo da própria derrota força para prosseguir na guerra.

Apesar de tantas menções à guerra, a expressão “vitória de Pírro” não é aplicável exclusivamente em contexto militar. Usa-se também em economia, justiça, literatura, arte, esporte, política e tanto mais para descrever luta similar, dessas prejudiciais ao vencedor.

A propósito, porque a história se repete, aconselha-se ter em mente que, mesmo sem nenhum interessado em derrubar o governo, um presidente que só tem frágeis 7% de aprovação está sob permanente ameaça. Em outras palavras, tem uma espada de Dâmocles sobre a cabeça, segura por apenas um fio de crina da cauda de um cavalo, em uma alusão à insegurança dos que detêm poder que lhes pode ser tomado sem delongas, quando conquistado de forma sufragânea.

A ABSOLVIÇÃO

Entre as quatro paredes do Senado tudo é permitido, disso estão convictos os nossos egrégios senadores. Por razões óbvias, todas as vezes que tal plenipotência é contrastada, as desavenças dão lugar à ação conjunta para restabelecer as fronteiras de cada, digamos, “nação’. É o caso do senador Aécio Neves, um homem que, ontem, teve de volta o seu mandato senatorial, por decisão do Senado.

Como tudo começou já é sabido. O Supremo Tribunal Federal decidiu cassar-lhe o direito de frequentar a Casa senatorial – o que na prática seria cancelar o mandato – e ainda o instruiu a abrir mão dos prazeres noturnos, estivessem eles em Brasília, em São Paulo ou no Rio de Janeiro.

O fato é que, dono de indiscutível talento, ele iludiu 51 milhões de eleitores prometendo-lhes um governo probo quando, em verdade, parecia ter para o País um governo oprobrioso.

Condenar Aécio Neves pela doação, empréstimo, propina, subtração ou seja lá o quê, seria condenar-se. As práticas são as mesmas, ora, e têm uso intensivo na vida política nacional, presente nas campanhas que vão de vereadores de cidades quase inexistentes à disputa da presidência da República.

Foi aí que, “com movimentos espiralados, a suína criatura contorceu o apêndice pós-anal que encerra a porção terminal da coluna vertebral” ou, para dizer mais claramente, foi aí que “a porca torceu o rabo”.

A Praça dos Três Poderes tremeu. As ogivas carregadas com megatons de arrazoados cruzavam os céus brasilienses, que naqueles dias mais se assemelhavam a Pyongyang esperando uma guerra total. Muito barulho por nada, diria Shakespeare.

Restabelecido o mandato do senador Aécio Neves, ficou estabelecido que qualquer medida cautelar envolvendo deputados e senadores deverá ter o “nihil obstat” do poder Legislativo.

Se tem que se submeter ao crivo do Legislativo, para que envolver o Judiciário que, na prática, teria, em lugar de uma atuação soberana, uma importância meramente sufragânea?

Tem mais uma coisa: será que, se a moda pegar, qualquer hora dessas o senhor Luiz Inácio pleiteará que as sentenças passem pelo crivo do PT?

O JURISCONSULTO REDIVIVO

Semana passada o juiz federal Valisney de Oliveira, titular da Décima Vara em Brasília, tornou réu o senhor Luiz Inácio da Silva, pela venda de medida provisória prorrogando incentivos fiscais para a indústria automobilística. Mais do que debilitar o Erário e trazer as indesejáveis consequências, a desmedida medida provisória ressuscitou – espera-se que também provisoriamente – o jurisconsulto do ABC, como ao ex-presidente Luiz da Silva se referia o jornalista Zózimo Barrozo do Amaral.

O hermeneuta não se fez esperar. Logo interpretou, com sua notória sapiência, os motivos da decisão em seu desfavor.

Como fulcro de seu parecer, ele arguiu o analfabetismo político dos delegados federais, observação feita diretamente ao delegado Leandro Daiello, diretor da Polícia Federal, embora admitindo que às vezes, pelo menos às vezes, surgem jovens bem intencionados e bem formados, mas que logo passam a se imaginar julgadores do mundo.

Mas, data vênia, também não será ele um pretenso julgador?

Ora, além de repetir ad nauseam, que eles (os que lhe são contrários) jogam lama nas pessoas e depois não conseguem pedir desculpas, porque pedir desculpas é uma palavra grande, concluiu, sem se dar conta de que ‘pedir desculpas’ contém duas palavras e não uma, que só pede desculpas e reconhece seus erros quem tem grandeza e não é todo mundo que tem grandeza.

Para coroar a fala ex-presidencial, veio, então, consubstanciado em pouquíssimas palavras, o douto parecer sobre a Medida Provisória: Essa da Medida Provisória é a excrescência da excrescência da excrescência.

O nascimento da ciência jurídica dorme na noite dos tempos, mas, mesmo assim, frase tão inspirada nunca foi dita. O direito brasileiro está enriquecido.

DODGE E LAVA-JATO

Um e outro muito têm em comum. Complementam-se. E se antagonizam. Complementam-se quando no aspecto estritamente automobilístico, antagonizam-se quando os termos dão nome às relações entre a Operação Lava-Jato e uma perigosa quadrilha que se assenhorou do Brasil. Os termos, pois, servem para abordar a ação do que resta de honesto na vida pública brasileira. Até mesmo muitos dos carros que circulam no país poderão servir de lembretes repetidos à exaustão de que a Operação não pode morrer.

Ao passar na frente de uma igreja, por exemplo, cada cidadão deverá lembrar-se que enquanto do lado de Ka alguém reza, do lado de lá Mercedes-Benz. Ou sempre que Cruze as ruas, considerar que o pavimento poderia ser melhor, não fossem os desvios de verbas. Ao escolher joias, por exemplo, diante de peças de Onix e Opala, lembrar-se dos carros e, consequentemente, da Lava-Jato.

Terminou? Ainda não. São muitas as lembranças, como diria famoso cantor brasileiro…

Digamos que você vai ao estádio, o time do seu coração vaza a meta adversária no último segundo da partida e, em uma explosão de alegria você grita Gol! a plenos pulmões. Gol também é carro, e carro vai a lava-jatos…

No outro dia, feliz pela vitória do seu time você vai visitar seus clientes, e um deles é o senhor Benedito Mendonça Wanderley. Sabe como ele assina os documentos internos da empresa? Com as iniciais do seu nome: BMW que, aliás, é marca de carro e carro lembra que a Operação Lava–Jato existe e é pelo desempenho à frente dela que o Brasil reconhecerá a potência, a velocidade, a segurança da procuradora-geral Raquel Dodge.

Tratando-se de mulher preparada, experiente e Captiva da lei, você pode ter a certeza de que ela já abraçou a Idea de dedicar seu Tempra a combater sem tréguas a pilhagem que tem assolado o país. Decerto ela acumulará sucessos, e o povo brasileiro fará a Fiesta. Ao menos insistindo na lembrança de que a pilhagem deve ser duramente combatida.

UM ARTIGO DE MARCOS SCHNEIDER

Os dias são sombrios. Chove sobre o Brasil, mesmo quando faz sol abrasador. É chuva de escândalos, de desfalques, de impudência, de desvergonhamento. É tempo, pois, de ler ou reler as sábias palavras do geógrafo Marcos Schneider.

* * *

Diferença entre as Nações Pobres e Ricas não é a Idade da Nação. – Marcos Schneider

Isto pode ser demonstrado por países como Índia e Egito, que têm mais de 2000 anos e são países pobres ainda. Por outro lado, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que há 150 anos atrás eram insignificantes, hoje são países desenvolvidos e ricos.

A diferença entre a nação pobre e rica não depende também dos recursos naturais disponíveis.

O Japão tem um território limitado, 80% montanhoso, inadequado para a agricultura ou agropecuária, mas é a segunda (terceira) economia do mundo. O país é como uma imensa fábrica flutuante, importando matéria-prima de todo o mundo e exportando produtos manufaturados.

Segundo exemplo é a Suíça, onde não cresce cacau mas produz os melhores chocolates do mundo. Em seu pequeno território ela cuida de suas vacas e cultiva a terra apenas por quatro meses ao ano, não obstante fabrica os melhores produtos de leite. Um pequeno país que é uma imagem de segurança que se tornou o banco mais forte do mundo.

Executivos de países ricos que interagem com seus homólogos dos países pobres não mostram nenhuma diferença intelectual significativa.

Os fatores raciais ou de cor, também, não têm importância: imigrantes fortemente preguiçosos em seus países de origem, são altamente produtivos em países ricos da Europa.

Então, qual é a diferença?

A diferença é a atitude das pessoas, moldadas durante muitos anos pela educação e cultura.

Quando analisamos o comportamento das pessoas dos países ricos e desenvolvidos, observa-se que a maioria obedece à Ética como princípio básico, à. Integridade, à Responsabilidade, ao Respeito pela legislação e regulamentação, ao respeito da maioria dos cidadãos pelo direito, ao Amor ao trabalho, ao Esforço para poupar e investir, à Vontade de ser produtivo, à Pontualidade.

Nos países pobres, uma pequena minoria segue esses princípios básicos em sua vida diária.

Não somos pobres porque nos faltam recursos naturais ou porque a natureza foi cruel conosco.

Somos pobres porque nos falta atitude. Falta-nos vontade de seguir e ensinar esses princípios de funcionamento das sociedades ricas e desenvolvidas.

Estamos neste estado porque queremos levar vantagem sobre tudo e todos.

Estamos neste estado porque vemos algo feito de forma errada e dizemos – “não é meu problema”

Deveríamos ler mais e agir mais! Só então seremos capazes de mudar nosso estado presente.

(Se você não encaminhar esta mensagem nada vai acontecer com você. Seu animal premiado não vai morrer, você não vai ser demitido de seu emprego, não vai ter azar por sete anos, nem vai ficar doente. Mas, se você ama seu país tente fazer circular esta mensagem para que o máximo número de pessoas reflita sobre o assunto).

O DESFILE DA INDEPENDÊNCIA

A parada militar deste Sete de Setembro não registrou, como é de costume, aplausos para as nossas Forças Armadas. Desta feita eles foram dedicados à Polícia Federal, com merecimento, diga-se, embora com a ressalva de que Exército, Marinha e Aeronáutica continuam a merecer o aplauso dos brasileiros.

Por que, então, as palmas para a Polícia Federal?

Elementar, meu caro leitor, diria este borra-papéis, se fosse Sherlock Holmes. Simplesmente porque, na verdade, ela tem mostrado, de modo inequívoco, que o braço da lei, longo e forte, alcança a todos, e não mais adianta perguntar ao policial se ele sabe com quem está falando. Sabe, sim, e muito bem, tanto que já chega com as algemas à mão, levando muitos dos que se acreditavam acima dos incômodos braceletes a varar noites insones, pensando no que poderá vir com o alvorecer…

A propósito, recentemente circulou na internet imagem de página do jornal Zero Hora, o maior do Sul brasileiro, edição de 11 de março de 1983, noticiando que o então presidente do Brasil, general João Batista Figueiredo, recusara ser o país sede da Copa do Mundo de 1986. É fato. E para responder a João Havelange, o presidente da Fifa, que fora a Brasília levando-lhe a proposta, ele só precisou fazer três perguntas ao interlocutor:

Você conhece uma favela do Rio de Janeiro? Você já viu a seca do Nordeste? E você acha que eu vou gastar dinheiro com estádio de futebol?

Mais não disse. Nem precisava.

O tempo mostrou que o general tinha razão.

TEMERIDADE

Em meio às tantas decisões que trem tomado, muitas plausíveis, o presidente Michel Temer resolveu retirar a proteção às áreas verdes. Os protestos se sucedem, há indignação em todos os estratos sociais, os pensamentos se voltam para a Amazônia com a sua rica biodiversidade. O que será dela? Como ficará a maior floresta tropical da Terra? Ora, se com proteção é a cada dia mais dramático o desmatamento, como será sem as amarras legais?

O passado talvez tenha a resposta.

Na primeira metade dos anos 1700, quando os europeus chegaram à Ilha de Páscoa, então Rapa Nui, quase não encontraram seres humanos. O que teria acontecido?

Estudando o que sobrara da vida naquela ilha, os restos de pessoas, animais e plantas, constataram que fundamentais fontes de alimentos eram o mar e os vegetais. Mas como plantar e colher naquela natureza árida? O mar, por acaso, ficara sem peixes? Claro que não.

A resposta mais acatada na comunidade científica é que os nativos morreram de inanição. Para fazer os moais, as esculturas gigantes, eles simplesmente devastaram todas as árvores existentes. O resultado é que o solo ficou erodido e em consequência eles não tinham como plantar, não podendo plantar árvores não podiam fazer canoas, e não tendo canoas não poderiam pescar.

É óbvio que não se busca estabelecer paralelo entre Rapa Nui e a Amazônia, mas, de qualquer maneira, liberar a exploração daquele rico território do Brasil é uma temeridade.

Temeridade! É isso mesmo!

UM DIA NA VIDA DO BRASILINO

No começo dos anos 1960, circulava um opúsculo em que o protagonista se chamava Brasilino, um brasileiro néscio que supunha ser dele, tudo o que, na verdade, era das multinacionais que exploravam o Brasil. Do despertar ao dormir, ele dava lucros às multinacionais.

Ocorre que Brasilino despertou de um longo sono, está mais vivo do que nunca, e tem uma nova história a contar. Para começar, ele é rico, muito rico. É dono, como todo brasileiro, de fortuna incomensurável em ouro, prata, metais estratégicos, petróleo, pedras preciosas, biodiversidade e dezenas de outras riquezas. Dizem até que o país é abençoado por Deus que, não por acaso, é brasileiro.

Ocorre que Brasilino está cercado de más companhias, que vivem a dilapidar o seu patrimônio. Ouro, prata, metais estratégicos, petróleo, pedras preciosas, qualquer coisa que se transforme em dinheiro serve, embora o melhor mesmo seja depósito bancário em algum paraíso fiscal.

Assim, ano após ano, Brasilino vai ficando mais pobre, e para se manter gasta um dinheiro que não tem. O que faz ele? Recorre aos bancos, endividando-se a cada dia mais.

Mas não tem problema, pensa ele. Vende-se ao truste internacional aquela fábrica, aquele banco, aquela mineradora… Qual é a dificuldade, se temos tanto a vender? São portos, aeroportos, indústrias, minas, hidrelétricas… Agora mesmo, o governo federal está pensando em vender a Eletrobrás, incluindo a Chesf.

Vender, por si, não é um problema, já que, como está provado copiosamente, o governo é péssimo gestor. As empresas geridas por ele sempre resultam em cabides de emprego, moeda importante no mercado eleitoral. E os prejuízos logo chegam, é lógico. Enquanto isso, as privatizadas prosperam, dão lucros, recolhem impostos. É só comparar a Vale de ontem à de hoje. O problema é que ao vender o patrimônio e continuar esbanjando o dinheiro, chega o dia em que não se tem patrimônio nem dinheiro. O que será feito, então, deste país?

Que se venda patrimônio, sim, para eliminar o défice, mas que não se criem outros défices. Exaurido, Brasilino precisa fugir do círculo vicioso do vender, gastar, vender mais, gastar… entretanto os famélicos parlamentares querem mais despesas. Agora mesmo, pretendem obter do acuado governo cerca de R$ 8 bilhões para aplicação em um poço sem fundo chamado Fundo de Financiamento para a Democracia. A propósito, qual será o benefício para os duzentos milhões de Brasilinos? Eleições limpas? Transparência? Dignidade?

Ora democracia…

PRODIGALÍSSIMOS MILAGRES

Muitas vezes, fé demais (o cacófato é intencional) não cheira bem. Torna-se razão de desconfiança. A proliferação de igrejas e a consequente avalanche de milagres, por exemplo, do jeito que as coisas vão chegará o dia de sobrar templos mas faltar fiéis.

Na pouco falada Igreja Plenitude do Trono de Deus, diga-se, as promessas de paraíso – e não necessariamente o paraíso celeste – se sucedem ante um simples toque no pé da augusta bispa Ingrid Duque, mulher do apóstolo Agenor Duque que, segundo se propala, já teria ressuscitado uma pessoa. Trata-se do líder espiritual daquela igreja, etéreo embora sempre atento aos assuntos terrenos, como o Ferrari e o jato particular que possui.

Daí, sempre que os seguidores buscam soluções para os seus problemas o milagre tem seu preço. Afinal, alguém já sentenciou que templo é dinheiro, e para o rogo do milagre alcançar o Todo-Poderoso há que ter muita fé, mas, por via das dúvidas, também dinheiro.

Para tal, sentada numa poltrona a bispa deixa os pés ao alcance do seu rebanho, lembrando que para alcançar a graça basta o fiel tocar no seu (dela) pé descalço mas, que a fórmula só funciona com uma oferenda mínima de R$ 100,00.

Curioso é que os sagrados pés bispais estão edemaciados, apesar de ela garantir não ser problema renal, mas apenas retenção de líquidos, calor ou talvez gordura localizada. Não estariam eles intumescidos de curas? Afinal, capaz de curar dor de cabeça, enxaqueca e até impotência, a bispa é a panaceia universal.

HÁ SINCERIDADE NISSO?

Somando-se ao valioso patrimônio representado pela língua portuguesa, as legiões romanas nos legaram também deploráveis exemplos. Um deles é que em Roma Antiga, ao cinzelar o mármore os escultores, por mediocridade ou desonestidade, ou por associação dos dois defeitos, corrigiam as trincas e outras imperfeições do material ou do artesão valendo-se de uma cera especial que escondia os defeitos das estátuas, deixando-os imperceptíveis para a maioria dos compradores.

Ocorre que não se enganam os consumidores todo o tempo, e logo eles foram percebendo as imperfeições, concluindo que se tratava de uma escultura cum cera.

Os escultores talentosos e honestos, por seu turno, faziam questão de assegurar que suas estátuas eram sine cera, ou seja, perfeitas, sem defeitos ocultos. E eram. Dos contrastes de dois tipos de escultores, pois, vieram as expressões latinas – cum cera e sine cera – dando origem à palavra sincera.

Mas por que esta divagação etimológica? – você, com razão, há de querer entender.

Explique-se: o deputado paraense Wladimir Costa, aquele que comemorou com champanhe o impeachment de Dilma Rousseff tatuou no ombro o sobrenome do presidente da República em conjunto com a bandeira verde-amarela. Logo surgiram os que a reputaram cum cera, enquanto outros asseguraram ser sine cera.

A discussão não bastou para dirimir a dúvida, requisitando-se a opinião do mais afamado tatuador de Brasília, que sentenciou não ser cum cera nem sin cera, mas cum hena, um processo delével.

Fica algo a ponderar: terá um deputado que dedica o seu tempo à bajulação consciência da importância do seu mandato? A resposta sin cera é não.

AGOSTO

Não, o assunto não é o célebre romance de Rubem Fonseca. É o mês que começa amanhã, para muitos aziago. De péssima reputação, pois. Dizem-no até ser o mês em que as bruxas andam soltas. A sabedoria galega, porém, assegura não crer em bruxas, embora elas existam – Yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay. Como cautela não faz mal a ninguém, se você examinar um calendário de efemérides vai encontrar em agosto acontecimentos nada a gosto. Quer ver? Passeemos aleatoriamente pelo tempo e pelo mundo.

Para começar, 6 de agosto foi o dia em que o mundo conheceu o pesadelo nuclear. Hiroshima foi reduzida a escombros. E se você pensar que aquela bomba que matou instantaneamente quase cem mil pessoas é, comparada às existentes nos arsenais das grandes potências, o equivalente a um prosaico fogo junino…

Em compensação, em agosto, de 1709, o padre brasileiro Bartolomeu de Gusmão criou o primeiro balão inflado a ar quente. Já em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, ocorreu o massacre de Badajoz, em que quatrocentas pessoas foram mortas em repressão aos republicanos. Em 1914 foi inaugurado o Canal do Panamá, ligando o Atlântico ao Pacífico, para promover o desenvolvimento do comércio internacional.

Agosto de 1572 marcou o início do massacre da Noite de São Bartolomeu, em que foram mortos cerca de cem mil protestantes. Agosto marcou também o enfarte fulminante de Agamenon Magalhães, a renúncia de Jânio Quadros, e o suicídio de Getúlio Vargas, momentos em que o clima político do país se tornou sombrio.

Nem tudo é imperfeito, no entanto. Foi em agosto de 1911 que a Mona Lisa foi roubada, mas em 1913 resgatada. Foi também em agosto, de 1592, que, como a provar que elas existem, aconteceu um dos julgamentos das Bruxas de Salem. E para terminar, foi em agosto de 1774 que o cientista britânico Joseph Priestley casualmente descobriu o oxigênio. Ao recolher o gás proveniente de uma reação química que ele provocara, notou que a respiração ficava mais fácil com o gás.

Por falar nisso, é imprescindível oxigenar o Brasil. O mau cheiro está sufocante.

UM BRASIL CONTRASTANTE. AINDA BEM

Ainda bem que existe um Brasil sem esses saqueadores empanturrados de dinheiro, essa chaga a cada dia mais purulenta.

Pena ser somente nas camadas dos menos favorecidos, dos joões-ninguém, dos sem eira nem beira, dos sem representatividade, que se encontram os melhores exemplos. Mesmo diante de tantas dificuldades cotidianas, frequentemente se verificam atitudes que dignificam o ser humano.

Um modesto mecânico cearense, por exemplo, nos dá uma importante lição. Seu nome, José Ewerton Ribeiro, um anônimo, não corresse em suas veias um raro tipo de sangue, denominado Bombaim ou Falso O.

Há alguns dias, ele, lutador de jiu-jitsu, quase fazia uma tatuagem, mas pouco antes de fazê-la lembrou-se de que, como doador, especialmente de um sangue tão raro, estaria impedido durante um ano de fazer nova doação. E se alguém precisasse dele? – pensou. Parecia estar pressentindo algo.

Semana passada, alguém precisou. Alguém cuja vida, ainda no início, estava prestes a ser ceifada pela necessidade urgente do sangue Falso O, sim, o mesmo raro tipo de sangue do cearense José Ewerton Ribeiro, aquele que abrira mão do seu desejo de ser tatuado.

José Ewerton foi localizado pela Opas – Organização Pan-Americana de Saúde, a colombiana Ana Sofia, de apenas quinze meses de vida, recebeu a transfusão e, em um final feliz, foi salva. Um brasileiro pôde retribuir, enfim, a solidariedade de um povo que muito fez por nós quando do desastre da Chapecoense e que nos dá ainda mais, transmitindo uma valiosa lição: Medellín, cidade onde vive Ana Sofia, outrora tão marcada pela violência, hoje é dedicada a festejar a vida.

Enquanto isso, no Brasil, a sede continua. Não a do benfazejo Falso O, mas a do fim dos falsos salvadores da pátria, dos falsos honestos, dos falsos heróis, enfim, que com sua impostura têm sugado o sangue dos brasileiros que trabalham honestamente e fazem o bem.

Como José Ewerton Ribeiro, o modesto mecânico do Ceará.

OLLANTA O MALA

Decerto afeito a lençóis de algodão egípcio, Ollanta o Mala, aliás Humala, ex-presidente do Peru, e sua esposa, Nadine Heresia, aliás Heredia, experimentaram a primeira noite dormida na prisão, decerto sem a maciez a que estavam afeitos. O motivo, prosaico entre nós, lavagem do dinheiro recebido da onipresente Odebrecht para a campanha eleitoral.

A dormida aconteceu em cela existente no Palácio da Justiça, mas em caráter provisório, já que o ilustre casal brevemente será transferido para centros prisionais separados. Em vez dos afagos matrimoniais, o Mala, aliás Humala terá como companheiro de cela o seu talvez desafeto-mor, o também ex-presidente Alberto Fujimori, alvo de sua rebelião em 2000 quando militar. Como ficará o relacionamento entre duas pessoas que, obrigatoriamente, juntas viverão anos?

Alberto Fujimori, que cumpre pena por corrupção e crimes contra a humanidade e dedica seu tempo à jardinagem poderá ter longas conversas com o Mala, aliás Humala, e descobrir o que terá dado errado na estratégia desses dois mestres da locupletação.

No Peru, nos últimos vinte e cinco anos, cinco presidentes se envolveram em escândalos de corrupção e olhe que não estamos falando de um enorme e rico país saqueado incansavelmente, desde que a esquadra cabralina avistou o monte Pascoal.

O atual presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, diz que aquela nação adotou medidas drásticas e rápidas, impedindo que os acusados

O Mala, aliás Humala cumpre confinado o seu primeiro castigo, enquanto em um rico e gigantesco país vizinho o senhor Luiz da Silva, autointitulado a alma viva mais honesta do Brasil, se dedica a blasonar e fazer sua campanha eleitoral.

Ollanta e Lula, dois malas sulamericanos

REGOZIJAI-VOS, SENHORES LARÁPIOS

É simplesmente estarrecedor! Segundo o jornalista Gilberto Prado, quase todos os 513 deputados federais do Brasil, estariam sendo investigados. Quer mais? Dos 39 ainda ministros, 4 também estariam sob investigação. Não para aí. Dos 81 senadores, 78 estariam monitorados. E para complementar números tão imorais, há 2 ex-presidentes investigados e, o que é ainda mais dramático, um presidente, em pleno exercício de suas funções, acusado de corrupção pelo procurador-geral da República!

Curiosamente, neste instante o efetivo da Polícia Federal dedicado à Operação Lava- Jato sofre uma rigorosa redução, o que, para os procuradores daquela Operação é um retrocesso, já que prejudica as investigações e dificulta o prosseguimento do trabalho com o mesmo padrão de eficiência verificado até agora.

Só como exemplo, dizem os procuradores que são milhares de documentos carecentes de análise e que assim permanecerão por longo tempo, a clamar que o fim do grupo exclusivo da Lava-Jato não contribuirá para priorizar ainda mais as investigações. Dizem mais, que a ausência de exclusividade na Lava Jato prejudica a especialização do conhecimento e da atividade, o desenvolvimento de uma visão do todo, a descoberta de interconexões entre as centenas de investigados e os resultados, o que parece evidente. Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, basta de hipocrisia. Não há mais espaço pra a apatia. Ou caminhamos juntos contra essa vilania que abastarda a política ou estaremos condenados a uma eterna cidadania de segunda classe, servil e impotente contra aqueles contra aqueles que deveriam nos representar com lealdade.

Enquanto isso, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, sapientíssimo, declara que a Operação Lava-Jato é uma ameaça à democracia, na medida que está desfazendo a classe política.

Não, ministro. Suas palavras estão ultrajando a verdade. Não é a Operação Lava-Jato que está desfazendo a classe política, mas própria classe política. Quer um exemplo?

Voltemos ao começo desta conversa: são quase 513 deputados, 4 ministros,79 senadores, 2 ex-presidentes investigados e, para finalizar estatísticas tão vergonhosas, o presidente da República é acusado de corrupção.

Com números tão gritantes, dá para acreditar que são, mesmo, os procuradores da Lava-Jato as ameaças a democracia?

UMA GUERRA SINGULAR

Os que têm olhares cúpidos para a Amazônia revelam preocupação com o propósito brasileiro de ampliar a exportação de dendê. Para os sábios do jornal inglês The Guardian, a floresta amazônica corre grande perigo ante o nosso possível protagonismo na exportação do fruto.

Esclareça-se, desde já, que o uso do dendê não se atém às fronteiras amazônicas nem aos limites culinários do acarajé e conexos. Ele é importante na produção de sabão, vela, graxas, lubrificantes, nas indústrias siderúrgica, farmacêutica e cosmética, colaborando, neste caso, para deixar as mulheres ainda mais bonitas, o que é por si um bem para o meio ambiente. O problema é que a terra apropriada para o cultivo do dendezeiro está exatamente na Amazônia, uma região que, segundo os poderosos, pertence à humanidade e não exclusivamente do Brasil.

Aí, a questão do dendê traz à lembrança uma história correlata.

Nos primeiros anos do século 20, a superpotência do mundo era a Inglaterra. As disputas, no entanto, cresciam, e a Alemanha buscava a hegemonia marítima, além de querer, a qualquer custo, uma redistribuição das colônias da África. Acendeu-se, então, o estopim da Primeira Guerra Mundial.

Sim, mas o que têm a ver a Primeira Guerra e o dendê? ─ você pode estar perguntando, com razão.

É que naquela quadra da história mundial, ao partir para a guerra os oficiais ingleses avaliavam que sob o calor da África Oriental iriam derreter que nem sorvete, valendo à conflagração o apelido de A guerra do sorvete. Aqui, sem guerra e sem violência, lembra-se aos povos cobiçosos que o calor amazônico também é grande e azeite de dendê, em excesso, causa idas sucessivas ao banheiro.

Neste caso, teremos uma guerra escatológica e não – desculpe a forma tão direta – e não a guerra do sorvete, mas a guerra do tolete.

A PÁTRIA

Olavo Bilac, com intromissões deste colunista

O poeta Olavo Bilac, um dos mais significativos representantes do Parnasianismo brasileiro, tem A Pátria como um os seus poemas mais aplaudidos.

Nele, o autor fala de um Brasil de outros tempos, e não destes em que vivemos, razão por que, como meros instrumentos de atualização, introduzimos adaptações em alguns versos, mais condizentes com este país vilipendiado em que vivemos.

Ama, com fé, embora sem motivo para orgulho, este Brasil em que nasceste!
Criança, não verás nenhum país como este!
Aqui verás que céu! que mar! que rios! que floresta!
E um grupo de gente desonesta a surrupiar a Pátria!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
E a sociedade boquiaberta diante de tanto desalinho
É um seio de mãe a sangrar pela ausência de carinho.

Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
E uma quadrilha de brasileiros desonestos
Vê que grande extensão de matas, onde imperava
Fecunda e luminosa, a primavera!
E hoje não é mais que uma quimera
É só uma terra que nega tudo a quem trabalha
Mesmo o pão que mata a fome e o teto que agasalha…
Quem com o seu suor a umedece,
Sem ver pago o seu esforço, sem ser feliz, enquanto o ladrão enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Não imita a mesquinhez da terra em que nasceste!

DODGE EM LUGAR DE TRATOR

Justiça seja feita. Nos últimos anos o Ministério Público Federal tem se mostrado operoso, sem temer os ricos e poderosos. Sob o comando de Rodrigo Janot, porém, há que se reconhecer, mais do que antes intensificou-se de forma destemida o combate à corrupção. Chegou ao ponto de arrostar o presidente da República, isto em um regime presidencialista, especialmente no presidencialismo brasileiro que, como se sabe, é imperial. Amparado na lei, contudo, à qual estamos todos submetidos, ele acusou o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal, por corrupção passiva.

No próximo setembro, quando terminará seu mandato, Rodrigo Janot será substituído por Raquel Dodge. O nome lembra carros confortáveis, mas a julgar pelas palavras da nomeada, não se deve esperar tratamento ameno da parte dela, assegurando um “compromisso de integral e plena continuidade do trabalho contra a corrupção da Lava-Jato, Greenfield, Zelotes e todos os demais processos em curso, sem recuar nem titubear”

Atual subprocuradora-geral, Raquel Dodge será a primeira mulher a comandar o Ministério Público Federal. Espera-se que a mudança seja para melhor, e que contribua para pôr o Brasil no caminho da decência e da igualdade de direitos e deveres. 

O BRASILEIRO MISTERIOSO QUE SUPEROU O HERÓI FRANCÊS

Pierre Cambronne, último dos generais de Napoleão, foi tão importante que tem o nome inscrito, com destaque, no Arco do Triunfo. Era tão ligado ao imperador, que o acompanhou no exílio na ilha de Elba e com ele retornou ao continente para, em março de 1815, reiniciar a quadra final da glória bonapartista.

Ferido na decisiva batalha de Waterloo, que sepultaria a glória da lenda napoleônica, com o exército francês despedaçado e seriamente ferido, Cambronne teria sido instado a render-se ao general inglês Charleslville, a quem teria respondido que a Guarda francesa morreria, mas não se renderia. Ante a insistência do inglês, então, o e, em teria aconselhado, altaneiro, a ir à merda, “à la merde!”, no original.

Recentemente um brasileiro anônimo fez mais do que o general francês. Mostrou que a história pode se repetir não necessariamente como farsa ou como tragédia. Não se limitou a verbalizar la merde, mandou-a para o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, em um protesto sobretudo pacífico, embora repugnante. Em vez de enviar uma carta-bomba, como fazem em muitas partes do mundo, optou por remeter uma carta-merde… Ao que se comenta, outros deputados também teriam recebido o excrementício regalo, talvez inaugurando uma nova forma de protesto, mas nada disseram. Não revelaram a cor da tinta – se é que se pode dizer assim – mas a mensagem foi clara.

De pronto, o presidente determinou que a polícia legislativa encontre o verdadeiro culpado, e após os primeiros passos já foram identificados um remetente falso e o conteúdo do envelope. Aconselha-se, porém, que os investigadores se preparem para enfrentar muito trabalho, já que, diante dos atos desonestos, dos escândalos que se perpetuam e se ampliam no tempo, envolvendo, invariavelmente, políticos, sobretudo os legisladores, o culpado pode ser qualquer um dos quase duzentos milhões de brasileiros que trabalham e pagam os escorchantes impostos a que são submetidos.

Presidente, a medida cabível neste caso é comprar muito papel higiênico para assear o Congresso Nacional. Mãos a la merde, pois.

DEUS NÃO É BRASILEIRO

Uma antiga piada um tanto sem graça conta a história de uma reunião convocada pelos principais líderes do mundo, presente, além deles, os líderes, ninguém menos que Deus. Isto mesmo. Deus. Pessoalmente. O motivo para tal encontro teria que ser, mesmo, muito relevante. E era. Os líderes mundiais buscavam saber por que o Brasil não era flagelado por terremotos, tornados, ciclones, tsunamis e outros desastres do gênero, enquanto eles eram tão atingidos.

Provavelmente achando ser pouco a renitente seca nordestina, Donald Trump, o impetuoso presidente dos Estados Unidos, ameaçou não mais permitir a entrada de católicos em território norte-americano enquanto o problema não estivesse sanado, o que lhe valeu um cutucão de Theresa May, a primeira-ministra inglesa, lembrando-lhe que a máquina de guerra estado-unidense de nada vale contra a vontade divina.

Sabe o que Ele fez?

Reuniu o grupo e sintonizou, um a um, os telejornais. Em todos, praticamente a totalidade do tempo de duração do programa era ocupado pela ladroagem, pelo estelionato eleitoral, pelas práticas desonestas que, em suas várias faces, todas perversas, destroem a autoestima do país.

Na sala só se ouvia um silêncio consternado, só interrompido, enfim, pela voz do Criador: Vocês viram por que não dei terremotos, não dei tsunamis, não dei essas tragédias naturais ao Brasil? Quando viram os telejornais vocês prestaram atenção ao povo que botei lá?

Triste Brasil. Neste país que a cada biênio promove uma eleição, esse mesmo povo vai reeleger todos os políticos que só pensam em seus interesses e pouco estão ligando para quem os elegeu.

Você está acabando de ler uma historieta, apenas isso, mas tratando-se do Brasil, ela é verdadeira, como as urnas têm demonstrado tempo afora.

A propósito, você viu como Michel Temer se saiu bem no Tribunal Superior Eleitoral?


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