PERNAMBUCANOS ILUSTRES (QUE VOCÊ DESCONHECIA) – IV

Iniciamos esta série com dois pesos pesados na Comunicação e nas Artes. E para não dizer que tratamos apenas de entretenimento, incluímos um peso, talvez mais pesado ainda na área da Ciência. Porém, sem abdicar das Artes, pois é sabido que o velho Schenberg era também um grande crítico de arte. Prosseguimos com uma volta ao cerne da Comunicação (jornalismo) e, de novo, sem abdicar das Artes. Nelson Rodrigues nasceu jornalista, mas onde pontificou mesmo foi nas Artes, como vemos a seguir.

Nelson Rodrigues (1912-1980)

Nasceu no Recife em 23/08/1912. Jornalista, cronista, romancista e dramaturgo, é considerado o iniciador do teatro moderno brasileiro. Aos quatro anos a família se muda para o Rio de Janeiro, para se juntar ao pai Mario Rodrigues, deputado federal e jornalista que deixou o Recife indisposto com os políticos tradicionais. Aos sete anos pediu à mãe para entrar na escola, onde no ano seguinte participou de um concurso de redação. O tema era livre e o melhor trabalho seria lido na classe. A professora quase desmaiou ao ver sua redação: era uma história de adultério. Na infância suas leituras eram de adulto, romances onde a temática era uma só: a morte punindo o sexo ou o sexo punindo a morte.

Aos 13 anos “botou calças compridas” para trabalhar como repórter de polícia no jornal de seu pai “A Manhã”, onde também trabalhavam alguns de seus 13 irmãos. No jornal manteve contatos com colaboradores ilustres: Monteiro Lobato, Agripino Grieco, Ronald de Carvalho, José do Patrocínio, Aparício Torelly, Mauricio Lacerda etc. O jovem jornalista impressionou os colegas com sua facilidade em dramatizar pequenos acontecimentos. Ágil na escrita, logo ganhou uma coluna assinada e publica seu primeiro artigo em fevereiro de 1928. O título era “A tragédia da pedra…” com as famosas reticências que lhe acompanharam em tantos outros artigos. Depois exercitou seu lado sombrio com a crônica “O rato…”, onde descreve a morte de um rato atropelado por um carro. Em seguida começa a “bater” em Ruy Barbosa, para desespero de seu pai. No segundo artigo esculhambando a “Águia de Haia”, perdeu a coluna e foi rebaixado para a seção de polícia. O jornal, mal administrado e cheio de dívidas é vendido ao sócio. Pouco depois, seu pai lançou um novo jornal “Crítica”, em fins de 1928, que fez muito sucesso com uma circulação de 130 mil exemplares.

Nesta ocasião dá-se o assassinato de Carlos Pinto, repórter do jornal “A Democracia”. Correu a notícia que o mandante do crime foi um dos Rodrigues, e a policia prende todos eles: pai, mãe e os filhos. Nelson escapou porque estava no Recife, passando uma temporada para se livrar de uma depressão. Junto aos primos conheceu o Recife, Olinda, Boa Viagem e a zona do Cais do Porto, tida como a maior da América do Sul. Sua prima Netinha, com mantinha um namoro por carta quando estava no Rio, tirou-o da depressão e ele voltou para a redação do jornal “Crítica”. Em 26 de dezembro de 1920 o jornal estava sem assunto para a primeira página e Mario Rodrigues estampou o desquite de um casal famoso: Sylvia e José Thibau. No outro dia Sylvia entra na redação procurando o editor. Não encontrando-o pede para falar com seu filho Roberto e dá-lhe um tiro. Nelson, com 17 anos, estava ao lado e assistiu a cena. A família ficou traumatizada com a morte violenta.

Dois meses após, Mario Rodrigues sofre uma trombose cerebral e falece aos 44 anos. Como diz o ditado que “desgraça pouca é bobagem” estoura a Revolução de 30. Em 24 de outubro o Governo é deposto e todos os jornais do velho regime foram invadidos e empastelados. Pouco depois voltaram a circular, exceto “Crítica” o jornal dos Rodrigues. A família inteira passou um perrengue que durou uns meses, até que surgiu uma oportunidade. Em 1931 Roberto Marinho convida seu irmão Mario Filho (que dá nome ao Estádio do Maracanã) para assumir a página de esportes do jornal “O Globo”. Em 1932 Nelson, também, é contratado com um ordenado de 500 mil réis por mês. Com uma vida desregrada e fumando muito, pegou uma tuberculose e ficou 14 meses, entre 1934-1935, internado em Campos de Jordão, para onde retornaria outras vezes.

Casou com Elza Bretanha, também jornalista d’O Globo, com quem namorava há 2 anos, em 1940 sem avisar as famílias, e foi morar no Engenho Novo. Era a volta ao subúrbio levando uma vida de penúria. Um dia, ao passar em frente ao Teatro Rival, viu uma enorme fila para assistir A família Lerolero, de Raimundo Magalhães Júnior, e ouviu o comentário: “Esta chanchada está rendendo os tubos”. Parou e pensou: por que não escrever teatro? Em meados de 1941 é concluída sua primeira peça: A mulher sem pecado, que só foi encenada no fim de 1942. Não foi um sucesso de público, mas alguns críticos elogiaram. No ano seguinte, escreve Vestido de noiva e distribui cópias entre os jornalistas, críticos e amigos. Manuel Bandeira elogiou e, com este aporte, conseguiu elogios em quase todos os jornais. Mas falavam que a peça era muito complexa, que exigia um cenário de alto custo; portanto dificilmente alguém se proporia a encená-la. Até que a peça caiu nas mãos de Zbignew Ziembinski, um ator e diretor polonês recém-chegado ao Brasil. “Não conheço nada no teatro mundial que se pareça com isso”, foi o comentário de Ziembinski.

A partir daí começa a ficar famoso, odiado e amado pela crítica e pelo público. Porém, ainda com dificuldades financeiras e procurando outro emprego. Em 1945, através de David Nasser, é apresentado a Freddy Chateaubriand, da revista “O Cruzeiro”. Passa a trabalhar na revista com um salário de cinco mil cruzeiros, sete vezes mais do que ganhava n’O Globo. Assume o cargo de diretor de redação das revistas “Detetive” e “O Guri”. Depois soube que Freddy Chateaubriand estava querendo um folhetim para levantar a tiragem d’O Jornal. Ele se ofereceu para escrevê-lo e assim nasceu “Suzana Flag”, o pseudônimo que assinava a novela Meu destino é pecar. O folhetim alavancou as vendas do jornal e tornou-se um livro, cuja venda ultrapassou 300 mil exemplares. Isto estimulou-o a escrever outro folhetim: Escravas do amor, outro retumbante sucesso.

Sua terceira peça – Álbum de família – surge em 1946. A peça, com o incesto como tema central, foi proibida pela censura e só foi liberada 19 anos depois, em 1965. Nos anos seguintes teve suas peças interditadas pela censura, passou a ser sinônimo de obsceno e tarado e ficou conhecido como autor maldito. Ainda em 1946 aproveitou o sucesso de “Suzana Flag”, publicando sua “autobiografia”, intitulada Minha vida e foi outro sucesso de vendas. Evidentemente não era do conhecimento do público que se tratava de um pseudônimo. Em 1948 estréia mais uma peça: Anjo negro, gerando mais polêmica e consagrando-o como “maldito”. Seguem-se Senhora dos afogados (1948) e Dorotéia (1949).

Fanático torcedor do Fluminense, foi um grande cronista esportivo, ao mesmo tempo que escrevia reportagens policiais e folhetins romanescos. Em 1950 passou a trabalhar no jornal “Última Hora”. O dono do jornal, Samuel Wainer, propôs que ele escrevesse, com pagamento extra, uma coluna diária tratando de um fato qualquer, mas que fosse real. O título proposto foi Atire a primeira pedra. Nelson não gostou e propôs outro: A vida como ela é. Tal como nos folhetins anteriores, foi um grande sucesso que ajudava bastante a vender o jornal nas bancas. No ano seguinte, e aproveitando o sucesso dos folhetins, relançou Suzana Flag em O homem proibido. Sem sombra de dúvida foi a autor de romances de maior sucesso, publicados na forma de folhetins em jornais.

Em 1953 estreia no Teatro Municipal “A falecida” uma comédia chamada de “tragédia carioca” para atrair o público. Por esta época sua vida financeira já estava bem equilibrada ao ponto de manter outra família. Manteve um romance com Yolanda que durou cinco anos e lhe rendeu três filhos, que ele não reconheceu como seus. Para melhorar a situação financeira, a família Rodrigues ganha, em 1955, uma ação contra o Governo de indenização pela destruição do jornal “Crítica” e recebem uma boa bolada. Nelson compra um apartamento em Teresópolis e um carro para a mulher, a legítima. Esse período de prosperidade durou pouco. Teve um problema de vesícula e após a operação de alto risco ficou três meses sem publicar suas colunas nos jornais. A coluna publicada em “A Manchete Esportiva” foi interrompida de novembro de 1958 a março de 1959.

Em seguida cria outro personagem de folhetim, mais um sucesso: Engraçadinha, que entreteve os leitores da “Última Hora” até fevereiro de 1960. Depois, repetindo o sucesso que teve com Suzana Flag, foram publicados dois livros biográficos: Engraçadinha – seus amores e seus pecados dos doze aos dezoito e Engraçadinha – depois dos trinta. Certo dia conheceu um motorista de ônibus, malandro exibido que tinha todos os dentes de ouro. Ele misturou o cara com outro conhecido, o bicheiro carioca Arlindo Pimenta, e criou o personagem “Boca de ouro”. Como nas peças anteriores, tem problemas com a censura, mas fez grande sucesso em 1961, com Milton Moraes no papel principal.

Surge nova amante, mulher casada que logo se separa do marido, e dois anos depois ele também separa-se de Elza. O fato causou comoção entre os amigos Otto Lara Resende, Fernando Sabino e Claudio Mello e Souza, pois a esposa Elza chegou a tentar suicídio. Pode-se dizer que ele viveu uma “tragédia Rodrigueana” na própria pele. A nova esposa deu um trato em sua aparência, e logo começou a participar do programa esportivo “Grande resenha Facit”, da TV Rio, dirigido por Walter Clark. Era o primeiro programa tipo mesa-redonda da televisão brasileira. Isto não o impedia de continuar com suas peças: Beijo no asfalto (1960), Bonitinha, mas ordinária (1962), Toda nudez será castigada (1965) etc. Algumas delas passaram para a tela do cinema. Sua penúltima peça – Anti-Nelson Rodrigues – foi encenada em 1973, com direção de Paulo César Pereio. A última foi A serpente, escrita em 1979. Quase todas elas vêm sendo encenadas até hoje.

O início da década de 1970 marca também os “anos de chumbo” da ditadura. Nelson mantinha um relacionamento com alguns militares. Precisou deles para tirar seu filho Nelsinho, preso politico, da cadeia. Conseguiu com o presidente Médici um indulto para que ele saísse do País, mas Nelsinho não aceitou o privilégio. Sua fama de reacionário no meio politico não eram menor que a de “maldito” ou “pornográfico”. Não obstante isso, batalhou para para localizar e libertar alguns amigos, entre eles Hélio Pellegrino e Zuenir Ventura. Em 1974 a saúde se complica de novo. É operado de um aneurisma da aorta. Apesar da proibição médica, voltou a fumar. Em 1977 é novamente internado com uma arritmia ventricular grave e insuficiência respiratória. Em tais condições, consegue que a esposa Elza volte para casa. Bem antes disso já andavam se encontrando quase todas as noites no restaurante “O bigode de meu tio”, na Vila Isabel. Em fins do mesmo ano, com a saúde abalada, reuniu algumas crônicas e publicou seu último livro: O reacionário: memórias e confissões. Mesmo doente, aceitou um convite para fazer o lançamento numa livraria em Florianópolis. Como não viajava de avião, foram 15 horas de carro junto com uma irmã, que lhe servira como enfermeira. Passou a tarde inteira sentado ao lado de uma pilha de livros, de caneta em punho, aguardando a chegada dos interessados num autógrafo. Não apareceu ninguém, nenhum livro foi vendido naquela tarde.

A viagem de volta foi marcada por um silêncio constrangedor, o qual marcou seus últimos anos de vida. Faleceu em 21/12/1980, manhã de domingo. Naquele mesmo dia fez 13 pontos na Loteria Esportiva, num “bolão” junto com seus amigos do jornal “O Globo”. À tarde a seleção brasileira jogava contra a Suíça, em Cuiabá. No meio da partida, o Brasil inteiro assistiu pela TV o juiz Arnaldo César Coelho interrompendo o jogo com um minuto de silêncio para homenagear o grande dramaturgo.

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Otto Lara Resende entrevista Nelson Rodrigues

JUDEUS NO RECIFE E MANHATTAN: O FILME

Vasculhando os compêndios da história de Pernambuco deparo com a chegada da colônia judaica no Recife com a vinda de Mauricio de Nassau. Foi uma segunda diáspora empreendida pelos judeus de origem portuguesa que viviam em Amsterdam. Acharam que aqui poderiam viver em paz com sua religião sob a proteção de um governo tolerante. Era também uma oportunidade para voltar às suas origens ibéricas. Eram aproximadamente 600 judeus dispostos em 150 famílias, o que representa quase metade da população civil branca do Recife na época. Dizem que havia mais judeus no Recife do que em Amsterdam. Trata-se de uma elite judaica que ajudou Nassau no estabelecimento de uma nova civilização nos trópicos. Quando Nassau estava para ser demitido pela Companhia das Índias Ocidentais, em 1644, eles foram procurá-lo perguntando quanto ele recebia de salário pelo seu emprego de administrador daquela região. Estavam dispostos a cobrir a quantia, caso ele permanecesse na cidade.

Nassau regressou para a Holanda e os judeus amargaram mais 10 anos de convivência forçada com os portugueses até 1654, quando foram expulsos após a derrota dos holandeses na Batalha de Guararapes. Como se tratava de uma elite composta por homens de “bens”, a coroa portuguesa dispensou-lhes um tratamento diferenciado: deram-lhes 90 dias para deixar o Brasil. Os judeus, então, fretaram 17 navios e partiram de volta à Holanda. O retorno foi uma verdadeira epopéia. Um dos navios, a fragata “Valk” se desgarrou da frota e foi assaltada por piratas. Resgatados por um navio francês, foram levados para um entreposto da Companhia das Índias Ocidentais, em Nova Amsterdam (atual Nova Iorque).

Se estabeleceram numa ilha na foz do Rio Hudson, mais tarde chamada de Manhattan, e ajudaram a fundar os Estados Unidos da América. Aqui começa a história dos judeus na América, cuja participação foi relevante para fazer dos EUA o país que é hoje. Pois os descendentes destes judeus que foram expulsos do Recife ajudaram George Washington na independência do país e, mais tarde, na criação da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Até hoje eles mantém um cemitério próximo ao Central Park e reverenciam aqueles pioneiros fundadores da cidade. Esta história é contada nos livros ao mesmo tempo em que é esquecida na história do Brasil. Tem sido mais lembrada na história dos EUA, onde todo ano os judeus norte-americanos comemoram a data e reverenciam os patrícios sepultados naquele cemitério.

Aguçado pela curiosidade, fui na Internet procurar mais informações sobre a colônia judaica em Pernambuco. O volume de dados e informações é enorme. Aí encontrei um filme contando essa história de modo pormenorizado: O Rochedo e a Estrela, realizado pela cineasta pernambucana Katia Mesel com os recursos da Lei Rouanet. O filme de 85 minutos foi rodado nos EUA, Holanda, Curaçao e Brasil. Em 2004 fizeram uma versão de 30 minutos apresentada em Nova Iorque, por ocasião dos 450 anos da chegada dos judeus de Pernambuco. Mais tarde foi exibido no 15º Cine PE Festival de Audiovisual, em maio de 2011. O trailer do filme pode ser visto na Internet.

Mas como ver o filme inteiro? Empreendi uma longa caçada na Internet, mas encontro apenas o trailer. Não encontro nem lugar onde pudesse comprá-lo. Assim, passei a procurar a diretora do filme na intenção de adquiri-lo. Encontrei-a no Facebook, peço um contato e longo tempo depois recebo resposta. Assim conheci Katia Mesel, que me falou das dificuldades enfrentadas na distribuição do filme. Perguntei-lhe o que vem impedindo sua distribuição no circuito dos grandes cinemas, e conversamos sobre as dificuldades da exibição de filmes não comerciais. Avancei um pouco mais e perguntei se existem forças conspiratórias impedindo a distribuição do filme. Pois trata-se de um documento relevante para a história de dois países: Brasil e EUA. Sua resposta foi imediata:
– “É isso, Brito: existe uma má vontade em exibir o filme.

Manifestei o interesse em adquirir o filme para vê-lo e distribuir entre os amigos. Ela providenciou cinco cópias, das quais ainda tenho uma em DVD, que posso disponibilizá-la aos leitores fubânicos. Toda essa história está melhor contada no site Tiro de Letra.

Cartaz do filme:

Obs.: “Rochedo de Israel” é o nome da Sinagoga Kahal Zur Israel, no Recife

PERNAMBUCANOS ILUSTRES (QUE VOCÊ DESCONHECIA) – III

MARIO SCHENBERG (1914-1990)

Nasceu no Recife, em 02/07/1914. Porém há informação segura que nasceu em 1916. A data foi alterada visando a entrada na escola mais cedo do que o permitido. Físico, crítico de arte, político, pacifista e fotógrafo. Concluído os cursos primário e secundário, entrou na Faculdade de Engenharia do Recife em 1931. No 3º ano foi transferido para a Escola Politécnica, em São Paulo, sob a influência de seu professor Luís Freire, notável instigador de talentos. Em 1935 formou-se em engenharia elétrica e, no ano seguinte, em matemática na recém fundada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras-FFCL. Neste período esteve em contato direto com os professores Giuseppe Occhialini, Giacomo Albanese, Luigi Fantappié e Gleb Wataghin, que o convida para desempenhar a função de preparador de física geral e experimental na Escola Politécnica. Em 1937 deixou esse cargo para se tornar assistente de física teórica da FFCL.

A diversificação de interesses data de sua infância e foi influenciada pelas viagens feitas com seus pais à Europa. Desde cedo mostrou também notável capacidade para a matemática, encantando-se com a geometria, que teve forte influência em seus trabalhos posteriores. O interesse pela política, e particularmente o marxismo, começou também na adolescência.

Como pode uma pessoa ter se destacado em áreas tão distintas como a ciência, as artes e a política? Para saber sobre o “físico que estudava as artes com o olhar de cientista e pesquisava a física com a criatividade da arte”, uma historiadora realizou uma pesquisa de fôlego sobre sua produção na área científica e nas artes. A conclusão a que chegou é que a arte surgiu primeiro em seu horizonte. “Quando o jovem Schenberg abriu seus horizontes para a geometria, era pela razão de o auxiliar na utilização de suas percepções visuais”.(¹)

Em 1939 partiu para a Europa, onde passou uma breve temporada trabalhando no Instituto de Física da Universidade de Roma com o físico italiano Enrico Fermi; em Zurique, com Wolfgang Pauli e em Paris com Frédéric Joliot-Curie no Collège de France. Em 1940, já de volta ao Brasil, obteve uma bolsa da Fundação Guggenheim para passar uma curta temporada nos EUA, junto ao astrofísico George Gamow. Aí fez uma de suas principais descobertas: o “Processo Urca”. Trata-se de um estudo para entender o colapso de estrelas supernovas.

Outra de suas descobertas recebeu o nome de “Limite Schenberg-Chandrasekhar”, realizada num trabalho junto com o físico indiano Subrahmanyan Chandrasekhar. Schenberg calculou, em 1942, a massa que pode ter o núcleo de uma estrela em que não mais ocorram reações de fusão nuclear, mas que consiga suportar o peso das camadas mais externas. Para um núcleo de hélio, valores típicos desse limite são de 10% a 15% da massa da estrela. Devido a tais descobertas, Albert Einstein o apontou como um dos dez mais importantes cientistas de sua época. É considerado, ainda hoje, o maior fisico teórico do Brasil.

Em 1944 já exercia a crítica de arte de modo regular; mais dois anos é contratado para inaugurar a cadeira de Mecânica Racional e Celeste da FFCL, atual instituto de Física da USP. Isto confirma o modo simultâneo como exercia ambas as atividades. Anos mais tarde, dirigiu por oito anos o Departamento de Física da Universidade de São Paulo-USP (1953-1961). Seu curriculum na área científica é extenso: Trabalhou com mecânica quântica, termodinâmica e astrofísica. Publicou mais de uma centena de trabalhos em física teórica, física experimental, astrofísica, mecânica quântica, mecânica estatística, relatividade geral, teoria quântica do campo, fundamentos de física, além de escrever muitos trabalhos em matemática. Foi membro do Institute for Advanced Studies de Princeton e do Observatório Astronômico de Yerkes. Em Bruxelas, trabalhou em raios cósmicos e mecânica estatística. Criou o Laboratório de Estado Sólido da USP, instalou o primeiro computador da universidade, criando o curso de computação, e presidiu a Sociedade Brasileira de Física de 1979 a 1981.

Em 1969 foi o único latino-americano convidado para um congresso internacional sobre física de altas energias, em Kioto, Japão. Neste mesmo ano foi aposentado compulsoriamente pelo Governo, através do Ato Institucional nº 5. Na área política seu envolvimento não foi menos intenso, sendo eleito duas vezes deputado estadual de São Paulo (1946 e 1962) pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1947, sob a liderança do economista e empresário Caio Prado Júnior, a bancada aprovou o Artigo 123 da Constitução do Estado de São Paulo, instituindo os fundos de amparo à pesquisa no estado para impulsionar o seu desenvolvimento científico e tecnológico. Esse projeto levou mais tarde à concepção da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Era considerado um orador influente, chegando a mudar a orientação da bancada por diversas vezes. Devido a tais atividades, foi cassado e preso mais de uma vez pela ditadura militar brasileira.

Após a aposentadoria compulsória é proibido de frequentar a USP e passa por um período de isolamento e cerceamento de qualquer atividade política-social. Este período é compartilhado com sua amiga e conterrânea Clarice Lispector numa carta: “Desde 1970, minha situação geral se modificou bastante, em consequência do isolamento em que passei a viver, como resultado de minha aposentadoria e da impossibilidade de exercer a crítica de arte militante. Foi um desafio tremendo, mas creio que pude reagir de um modo criativo, não só retomando com maior energia as pesquisas anteriores sobre teoria da Gravitação e o problema das relações entre Física e Geometria, como também fazendo estudos filosóficos mais sistemáticos. Publiquei três trabalhos longos de Física, e aprofundei bastante o meu pensamento sobre Arte. Agora estou escrevendo um pequeno ensaio sobre a crise atual das artes plásticas, que talvez seja um ponto de partida para um ensaio mais longo”.

Como crítico de arte mantinha grande interesse por artes plásticas, tendo convivido com artistas brasileiros como Di Cavalcanti, Lasar Segall, José Pancetti, Mário Gruber, Cândido Portinari, Antonio Bandeira, Carlos Scliar etc. e também estrangeiros, como Bruno Giorgi, Marc Chagall e Pablo Picasso. Escreveu diversos artigos sobre artistas contemporâneos brasileiros como Alfredo Volpi, Lygia Clark e Hélio Oiticica etc.

Era considerado um “mecenas das artes” não no sentido de financiar artistas, pois não era rico; e sim de aconselhá-los e ampará-los num período difícil da política brasileira. Foi casado com Julieta Bárbara Guerrini, ex-mulher do poeta Oswald de Andrade, e com a artista plástica Lourdes Cedran. Teve uma única filha, a geneticista Ana Clara Guerrini Schenberg. Em 1979, com seus direitos políticos reabilitados com a abertura que se nciava, voltou para a USP e lecionou alguns cursos. Recebeu o título de Prof. Emérito em 1982 e, em 1984, foi homenageado com um Simpósio Internacional, no Instituto de Física, e a publicação de um número especial da Revista Brasileira de Física pelos 70 anos. Pouco depois, os sintomas de uma doença degenerativa acentuaram-se. Faleceu em 10 de novembro de 1990.

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(¹) VEIRA, Alecsandra Matias de. Schenberg – Crítica e Criação. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. 

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PERNAMBUCANOS ILUSTRES (QUE VOCÊ DESCONHECIA) – II

Antes de prosseguir com os ilustres pernambucanos é preciso um esclarecimento. Até porque já fui advertido que essa mania que temos de “gozar com a pica dos outros” está indo longe demais. “Já chegou na Ucrânia! Assim também é demais!” Foi o que me disseram, mas eu explico: Clarice Lispector veio da Ucrânia para o Brasil com pouco mais de um ano. “Nunca botei os pés naquela terra, lá só andei no colo”, declarou. Ficou no Recife até os 12 anos. Ou seja, foi lá que passou toda a infância, a época de formação e definição da pessoa. Foi lá que aprendeu a escrever, e escreveu alguma coisa. Ou seja, o germe de sua escrita (e sua personalidade) surgiu no Recife. Depois foi morar no Rio de Janeiro e tornou-se jornalista. Burilou a escrita e tornou-se escritora. Depois ganhou o mundo (ou foi o mundo que a ganhou?) e entrou para a literatura universal. Além do mais, ela própria se disse pernambucana mais de uma vez. E se ela o disse, quem há de contradizer?

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Clarice Lispector – (1920-1977)

Nasceu em Chechelnyk, Ucrânia, em 10/12/1920 e veio para o Brasil com pouco mais de um ano. A família de origem tradicional judaica é obrigada a emigrar devido a Guerra Civil Russa e a perseguição aos judeus. Com muito custo, conseguiram passaporte para o Brasil e, após uma estadia em Maceió, se instalam no Recife, onde foram melhor acolhidos pelos patrícios. Passaram a viver no bairro da Boa Vista, onde a família conquistou um certo padrão de vida. Aos 7 anos Clarice já era uma leitora habitual seguindo o costume das famílias judaicas. Aos 8 anos foi ao Teatro pela primeira vez e ficou encantada com a encenação. Tanto que em seguida escreveu uma peça – Pobre menina rica – que, infelizmente se perdeu. Aos10 anos passou a escrever contos e se animou em enviá-los ao suplemento infantil do “Diário de Pernambuco”. O jornal não publicou porque não pareciam contos infantis; não continham fadas ou piratas; referiam-se mais a sensações.

Em 1930 sua mãe falece ainda jovem, aos 42 anos. Clarice e suas duas irmãs mais velhas passam por alguns perrengues, mas a família se mantém unida e tocando a vida.

Fez o curso primário na Escola João Barbalho, demonstrando interesse por matemática e chegando a dar aulas aos filhos dos vizinhos com dificuldades na matéria. Em 1932 Clarice entra no Ginásio Pernambucano e no ano seguinte, conforme sua declaração, “tomei posse da vontade de escrever”. Nesta época, um dos livros que lhe causou impacto foi O lobo da estepe, de Hermann Hesse. A ânsia de escrever foi se alargando e chegou a escrever um conto enorme, que não acabava nunca e não chegou a ser concluído. Também lia muito, misturando tudo e escolhendo os livros pelos títulos. Lia livros de mocinhas e Dostoiévski ao mesmo tempo. Em seguida, com a vida estabilizada, o pai compra uma casa e passam a morar na Avenida Conde da Boa Vista, área central do Recife. Mantinham bons contatos familiares com Agamenon Magalhães, professor de sua irmã e mais tarde governador do Estado. Por essa época, Clarice aprendeu hebraico no Colégio Hebreu-Iídiche-Brasileiro.

Em 1935, o pai resolveu alavancar seus negócios e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde esperava que as filhas encontrassem bons maridos no círculo judaico carioca. Foram morar no bairro da Tijuca, onde Clarice concluiu o ginásio no Colégio Silvio Leite. Em 1937 entrou numa escola preparatória para a Faculdade de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ), não obstante a discordância de seu pai. Ela era mulher e não pertencia a elite carioca. Mas seu desejo de mudanças sociais levaram-na a isso. A vivência no Recife deixou marcas, e sem orientação profissional se interessou pelo curso de Direito. Tinha como objetivo estudar advocacia para reformar as penitenciárias, declarou mais tarde.

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PERNAMBUCANOS ILUSTRES (QUE VOCÊ DESCONHECIA)

Falar dos pernambucanos ilustres é chover no molhado, pois são muitos e há muito tempo falados. Mas tendo em vista o Bicentenário da Revolução agora em março de 2017 – que antecedeu em 5 anos a Independência do Brasil – é hora de lembrarmos os nomes e feitos destes conterrâneos que ajudaram a fazer a História do Estado e do Brasil. Comecemos pelos nomes menos conhecidos como pernambucanos e muito conhecidos em todo o Brasil.

Incluiremos também alguns nomes que não são nativos, mas que muita gente acha que é pernambucano, tais como Miguel Arraes, Dom Hélder Câmara, Ariano Suassuna etc. Certa vez um cearense disse que “os pernambucanos gostam de gozar com a pica dos outros”. Ele está certo, os dois primeiros são do Ceará e o terceiro é paraibano, mas não podia nem ouvir falar o nome da cidade João Pessoa. De qualquer modo, viveram e fizeram carreira em Pernambuco, e daí vem a justificativa da apropriação que faremos.

Toda 3ª Feira a coluna divulgará um nome num verbete conciso e completo. Está visto que a empreitada é coletiva dos leitores fubanicos, que quiserem colaborar enviando nomes, os respectivos verbetes e sugestões. Eu sozinho não vou poder fazer uma grande lista. Iniciemos com os nomes que tenho e fico no aguardo das colaborações, que certamente virão dos leitores.

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JOSÉ ABELARDO BARBOSA DE MEDEIROS (Chacrinha)

Chacrinha (Set/1917 – Jun/1988)

Nasceu em Surubim, em 30/09/1917. Filho de um comerciante não bem sucedido. Porém, e não obstante as sucessivas crises financeiras da família, teve uma infância tranquila. Quando menino gostava de brincar montando “teatrinhos”. Esta habilidade levou-o a trabalhar como vitrinista da loja do pai em Caruaru, onde a família se estabeleceu. Aos 10 anos partiram para Campina Grande em busca de negócios mais promissores. Ao completar 17 anos foi estudar no Recife, e logo entrou na Faculdade de Medicina. Dotado de certa desenvoltura, teve uma breve experiência como locutor na Rádio Clube do Recife aos 18 anos. No ano seguinte foi dar uma palestra sobre alcoolismo na Radio Clube de Pernambuco, ampliando seus contatos com o mundo da comunicação.

Por essa época tocava bateria e integrava o “Bando Acadêmico” junto com seus colegas de faculdade e não demonstrava muito interesse pela Medicina. Aos 21 anos decidiu dar um rumo diferente a sua vida como músico e embarcou no navio Bagé rumo à Alemanha. No entanto, naquele ano (1939) estourou a Segunda Guerra Mundial, impedindo o prosseguimento da viagem. Foi obrigado a desembarcar no Rio de Janeiro, onde se estabeleceu e passou a trabalhar como locutor. Passou por diversas Rádios, mas o carregado sotaque nordestino não combinava bem com a função de locutor comercial. Na Rádio Clube de Niterói, deu-se conta que sua “praia” não era aquela e pediu à direção da emissora para fazer um programa de música carnavalesca tarde da noite. A Rádio funcionava numa chácara próxima do Cassino de Icaraí. O programa “O Rei Momo na Chacrinha” foi ao ar em 1942 e foi um sucesso. Ganhou fama de “doido” e o programa passou a se chamar “O Cassino da Chacrinha”. Irreverência era o que não faltava no programa, dando origem ao personagem que adquiria fama no Rádio. No programa ele simulava entrevistas com gente famosa e recriava a atmosfera de um cassino com diversos efeitos sonoros, incluindo galos e outros bichos. Ao mesmo tempo em que comandava o programa gravou diversas músicas de carnaval, enquanto a fama se alardeava. O programa foi efetivado como “Cassino do Chacrinha”.

Em 1945 passou a trabalhar na grande Rádio Nacional apresentando os programas “Noite dançante” aos sábados, e “Tarde dançante melhoral” aos domingos, quando não havia futebol. Mas tudo indicava que seu talento era mesmo a “chacrinha”. Assim, o programa voltou ao ar em outras rádios até chegar na Rádio Globo, em 1947. Nos anos seguintes trabalhou em outras rádios e gravando marchinhas de carnaval, até 1956 quando estreou na TV Tupi com o programa “Rancho alegre”. Mas como estava predestinado ao papel de “doido”, voltou a apresentar o “A Discoteca do Chacrinha” e a “Hora da buzina” nas TVs Rio, Excelsior, Tupi e Globo. Em 1959 já era considerado o programa mais popular da TV brasileira. Mesmo fazendo sucesso na TV não abandonou o Rádio, o que só veio acontecer em 1967 quando foi contratado pela TV Globo para apresentar dois programas: “Discoteca do Chacrinha” às quartas-feiras, e “A Hora da Buzina”, aos domingos, rebatizado em 1970 como “Buzina do Chacrinha”.

Tudo indica que o contrato com a Globo não ia tão bem quanto o sucesso, e ele voltou para a TV Tupi em 1972. Anos depois passou a atuar na TV Bandeirantes (1978) e só voltou à TV Globo em março de 1982 para apresentar seu maior sucesso, o “Cassino do Chacrinha” nas tardes de sábado. Era uma mistura de programa de auditório, atrações musicais – lançou diversos cantores de grande sucesso – e show de calouros, dirigido pelo filho José Aurélio “Leleco” Barbosa e Helmar Sergio. Apresentando-se sempre com roupas espalhafatosas, rodeado de belas “chacretes” e atirando bacalhau na plateia, o programa tornou-se uma poderosa atração da TV atingindo altos índices de audiência. Era reverenciado como um gênio da comunicação pelo Diretor da Rede Globo, José Bonifácio Sobrinho, o poderoso Boni, devido as frases e bordões que soltava no ar: “Na televisão nada se cria, tudo se copia”; “Eu vim para confundir, não para explicar!” e “Quem não se comunica, se trumbica!” entre outros.

No auge de sua carreira surgiu o Movimento Tropicalista, e ele passou a ser adorado pelos seus protagonistas (Gilberto Gil e Caetano Veloso). Em 1986 recebeu o título de “Doutor Honoris Causa”, da Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro. Em 1988 foi descoberto um câncer no pulmão e teve que se ausentar do programa alguns sábados, quando foi substituído pelos humoristas Paulo Silvino e João Kleber. Em 2 de junho voltou a comandar o programa ainda não totalmente restabelecido. Adorava o palco e dizia que gostaria de morrer em serviço. Por pouco isto não chegou a acontecer: faleceu 28 dias depois aos 70 anos. Cerca de 30 mil pessoas foram dar adeus ao “Velho guerreiro” no saguão principal da Câmara dos Vereadores, no Rio de Janeiro.

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FEITOS & FATOS PERNAMBUCANOS II

Recebemos dos leitores muitas contribuições na tarefa de relacionar os “Feitos & Fatos Pernambucanos”. Porém, tivemos que descartar duas. A primeira refere-se a criação do Oceano Atlântico, que teria nascido a partir da foz dos rios Beberibe e Capiberibe. Isto é apenas um acidente geográfico que beneficia e embeleza o Estado, mas não é um feito pernambucano. A segunda refere-se a fundação de Nova Iorque, atribuída aos judeus que foram expulsos do Recife em 1654. Também não procede. A cidade foi fundada pelos holandeses um pouco antes e recebeu “apenas” uma ajuda de 23 judeus que saíram do Recife, cujos descendentes contribuíram substancialmente na formação dos EUA e na criação da Bolsa de Valores de Nova Iorque.

Quero agradecer particularmente ao colega Carlos Eduardo dos Santos, colunista do JBF, que enviou diversos feitos e vieram engrossar a listagem abaixo:

1 – Surgimento do primeiro texto literário do Brasil, conforme Capistrano de Abreu e José Veríssimo.

2 – Recife torna-se a primeira cidade planejada urbanisticamente das Américas. A primeira “cidade mundial” do continente americano, com o governo de Mauricio de Nassau.

3- Além da história e decorrente destes fatos, ocorreram outros feitos, tais como:

1- 1ª Igreja do Brasil (Igarassu, 1535)
2- 1ª Santa Casa de Misericórdia do Brasil (Olinda, 1540)
3- 1ª Câmara Municipal (Olinda, 1548)
4- 1º Farol Marítimo (Olinda, 1548)
5- 1º Convento Franciscano (Olinda, 1577)
6- 1º Convento Carmelita (Olinda, 1588)
7- 1º Poema brasileiro (“Prosopopéia”, 1601)
8- 1ª Sinagoga das Américas (Kahal Zur Israel, 1636)
9- Primeiras imagens das américas (Franz Post e Eckhout, (1638)
10-1º Observatório astronômico do hemisfério sul (Palácio Friburgo, 1639)
11- 1ª Assembléia Legislativa da América do Sul (1640)
12- 1ª Fábrica de cerveja do Brasil (1641)
13- 1ª ponte de grande porte do Brasil (Ponte Mauricio de Nassau, 1643)
14- 1º Zoológico das Américas (Governo Mauricio de Nassau)
15- 1º Jardim Botânico das Américas (idem)
16- 1º Museu Natural das Américas (idem)
17- 1º Corpo de Bombeiros das Américas (idem)
18- Primeiras moedas cunhadas no Brasil (1646)
19- 1º Cemitério Judaico das Américas (1646
20- Berço do Exército Brasileiro (Batalha de Guararapes, 1654)
21- 1º Grito de República (Guerra dos Mascates, 1710)
22- 1ª Loja Maçônica do Brasil (Itambé, 1801)
23- 1ª Independência do Brasil (Revolução Pernambucana, 1817)
24- 1ª Operação cesariana (1817)
25- 1º Governo Republicano (1824)
26- 1º Jornal diário da América Latina (Diário de Pernambuco, 1825)
27- 1ª Escola Pública (Ginásio Pernambucano, 1825)
28- Primeiros Cursos Jurídicos (junto com SP, 1827)
29- 1ª Ponte pênsil das Américas (Caxangá, 1842, destruida em 1869)
30- 1ª Linha regular de vapores para a Europa, (Treviot, 1852)
31- 1ª Farmácia do Brasil (Drogaria Conceição, 1861)
32- 1º Trem urbano (Maxambomba, 1867)
33- 1º Mercado público do Brasil (Mercado de São José, 1873)
34- 1º Restaurante ainda ativo do Brasil (Restaurante Leite, 1882)
35- 1º Cardeal da América Latina (Cardeal Arcoverde, 1905)
36- 1ª Radio do Brasil (Radio Clube de Pernambuco, 1919)

A ideia é reunir estas efemérides e divulgá-las ao público na comemoração do Bicentenário da Revolução Pernambucana, que teremos agora em março de 2017.

Não posso dizer com certeza se a lista está completa. Os leitores é que dirão, e caso haja algo a acrescentar, solicito a gentileza de enviar para a coluna.

Vamos animar essa festa.

FEITOS & FATOS PERNAMBUCANOS

Quando os radialistas do Recife alardeavam com voz tronituante o prefixo de suas emissoras, e emendavam cheio de orgulho: “De Pernambuco para o Mundo!”, o pessoal do sudeste ria e gozava da mania de grandeza daquela gente. Achavam que era apenas prepotência e orgulho desprovidos de razão, quando na verdade tais sentimentos se baseiam em fatos e feitos reais.

O fato real é a condição histórica e geográfica de ser a primeira metrópole brasileira de caráter mundial mais próxima da Europa e da América. No plano histórico, o protagonismo confirma-se em diversas áreas, conforme os feitos descobertos até o momento:

1 – Para começar foi em Pernambuco que surgiu o primeiro texto literário do Brasil, conforme Capistrano de Abreu e José Veríssimo.

2 – Na sequência, Recife torna-se a primeira cidade planejada urbanisticamente das Américas. A primeira “cidade mundial” do continente americano, com o governo de Mauricio de Nassau.

3 – Decorrente destes fatos, ocorreram outros feitos, tais como:

a) 1ª Sinagoga das Américas (Kahal Zur Israel, 1636)
b) 1º Observatório astronômico do hemisfério sul (Palácio Friburgo, 1639)
c) 1ª ponte de grande porte do Brasil (Ponte Mauricio de Nassau, 1643)
d) 1º Zoológico das Américas (Governo Mauricio de Nassau)
e) 1º Jardim Botânico das Américas (idem)
f) 1º Museu Natural das Américas (idem)
g) 1º Corpo de Bombeiros das Américas (idem)
h) Berço do Exército Brasileiro (Batalha de Guararapes, 1654)
i) 1ª Emancipação nacional, independência do Brasil (Revolução Pernambucana, 1817)
j) 1º jornal diário da América Latina (Diário de Pernambuco, 1825)
k) 1ª ponte pênsil das Américas (Ponte da Caxangá, 1842. (Destruida em 1869)
l) 1º mercado público do Brasil (Mercado de São José, 1873)
m) Primeira Radio do Brasil (Radio Clube de Pernambuco, 1919)
n) 1ª linha regular de vapores para a Europa, (Treviot, 1852)

A ideia é reunir estas efemérides e divulgá-las ao público na comemoração do Bicentenário da Revolução Pernambucana, que teremos agora em março de 2017.

Estou certo que a lista acima não está completa e para isto, gostaria de contar com a colaboração dos leitores do JBF no envio de outros feitos & fatos pernambucanos para animar a festa.


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