DICAS PARA ESCREVER UM CORDEL

SONETEANDO

São diversas as formas de sonetos,
E a ordem em que os versos são rimados,
Porque podem rimar entrelaçados
Ou se alternam formando os dois quartetos.

Quando estamos montando os dois tercetos
Temos versos rimando emparelhados,
Porém, podem rimar sequenciados,
Fabricados conforme os esqueletos.

Quanto aos versos, quatorze é regra antiga;
Quanto à métrica, a mesma lei obriga:
Cada verso co’ a mesma quantidade.

Então, corra buscando a inspiração,
Pra botar emoção na construção
E o poema ficar com qualidade.

QUADRA ENQUADRADA

Quatro versos numa Estrofe
Formam a famosa Quadra,
Havendo mais de uma forma
Nas quais a rima se enquadra.

Rimando o segundo verso
Com o quarto, pra fechar,
O primeiro e o terceiro
Podem ficar sem rimar.

O segundo com terceiro
Pode ser a rima usada,
Rimando quarto e primeiro
Pra quadra ficar montada.

E se desejar, de vez,
Desse assunto ficar farto,
Rime verso um com três,
Depois segundo com quarto.

Sete sílabas se usam em cada verso,
Para o mesmo ficar metrificado,
Mas podemos também versar com dez
Sem deixá-lo ficar de pé quebrado.

SEXTILHAS SEM PÉ QUEBRADO

Para uma estrofe em sextilha
Ficar bem metrificada,
Basta colocar seis versos,
Com sete sílabas em cada,
E observar suas rimas
Para vê-la bem formada.

Ela pode ser armada
Sem perder o seu contexto,
Porque tem a oração
Pra dar beleza a seu texto,
Com versos mantendo a rima
No segundo, quarto e sexto.

Sendo assim não há pretexto
Pra se fazer verso errado,
Basta treinar um pouquinho
Pra ficar acostumado
E deixar os seus poemas
Sem verso de “pé quebrado”.

Pra ficar mais arrumado,
Seguindo as normas acima,
Podemos usar a “deixa”,
Feita na última rima,
Pra fazer do seu poema
Tentativa de obra-prima.

A ESTROFE EM SEPTILHA

A estrofe em septilha,
Feita com sabedoria,
Tem a sequência de rimas
Que parece melodia.
Seguindo bem seu traçado,
Quem for poeta inspirado,
Dará brilho à poesia.

Quando a estrofe se cria
Se obedece à condição:
Sete sílabas por verso
Para metrificação.
E, pra ficar bem formada,
Ela deve ser montada
Com a seguinte armação:

Suas rimas seguirão,
Tendo seus versos postados
Com segundo, quarto e sétimo
Rimando e metrificados,
E, pra fechar bem o texto,
Rimando quinto com sexto,
Ficarão bem enquadrados.

Pra ver seus versos fechados
E dispostos com destreza,
Coloque a “regra da deixa”
Que lhe dará mais beleza.
E assim, para terminar,
Você vai poetizar
Com emoção e firmeza.

NOS OITO PÉS A QUADRÃO

O cordel tem qualidades
Em suas modalidades
Para as criatividades
De quem tem inspiração.
Agora nós vamos ver
Como se deve fazer
Quando se quer escrever
Nos oito pés a quadrão.

Esse estilo é coisa rica!
Nele, a gente metrifica,
Verseja e não se complica,
Se prestar bem atenção.
É uma forma gostosa,
Onde o poeta se entrosa,
Com oito versos por glosa,
Nos oito pés a quadrão.

O poeta cordelista,
Igualmente ao repentista,
Não deve perder de vista
Como é feita a armação.
Se fizeres oito linhas
Como tenho feito as minhas
Saberás como caminhas
Nos oito pés a quadrão.

Faço sem ficar disperso
Sete sílabas por verso
Porque em todo universo
É seguido esse padrão.
E pra não sair do trilho
O poema tem mais brilho
Findando com o estribilho:
Nos oito pés a quadrão.

Pra fazer a obra prima
O terceiro verso rima
Igualmente aos dois de cima
Com muita imaginação.
Mergulhado no contexto
Rimo os versos quinto e sexto
E o sétimo segue o pretexto
Dos oito pés a quadrão.

Pra estrofe terminar
É preciso observar
Que ainda faltam rimar
Dois versos da construção.
Rimando quarto e oitavo
O poema eu alinhavo
Como a abelha faz o favo
Nos oito pés a quadrão.

A DÉCIMA METRIFICADA

Uma décima pra ser feita
Também tem uma armação,
Onde os versos seguirão
Mantendo a rima perfeita.
Cada verso se sujeita
A uma dada sequência,
E quem faz com paciência
Logo, logo se aprimora,
Aprende e faz sem demora
A décima com competência.

O primeiro verso rima
Com o quarto e com o quinto,
Porém de um jeito sucinto,
Para não perder o clima.
Fechando a parte de cima,
Rimam segundo e terceiro.
Já o oitavo, bem matreiro,
Ao nono vai se encaixar
E, depois, é só rimar
Sexto, sétimo e derradeiro.

Rime verso um com três.
E verso dois com o quatro
Depois rime cinco e seis
Pra dar show no seu “teatro”.
Se quer ficar bem nos “pés”,
Rime o sete com o dez
Pra que todo mundo aprove…
E assim, para completar,
Só falta você rimar
Verso oito com o nove.

UM DECASSÍLABO BEM FEITO

Pra fazer decassílabo bem feito
É preciso dez sílabas por linha,
Pois se não for assim ele definha
E a estrofe termina com defeito.
Pra seu ritmo ficar quase perfeito,
Deixe a nota marcada na terceira.
E depois, pra seguir nessa carreira,
Marque a sexta com outra nota forte.
Pra fechar sua estrofe nesse norte,
Ponha força também na derradeira.

GALOPE EXPLICADO

Fazer um galope não é complicado,
Apenas precisa ter muita atenção,
Porque tem o ritmo que dá condução
Pra cada um dos versos ficar bem montado.
Segunda é a sílaba em que o tom é marcado,
Depois vem a quinta também a soar;
Seguindo, a oitava não pode falhar
Pra décima primeira fechar o poema,
Porque nesse barco é assim que se rema,
Nos dez de galope da beira do mar.

NOS OITO PÉS A QUADRÃO

O cordel tem qualidades
Em suas modalidades
Para as criatividades
De quem tem inspiração.
Agora nós vamos ver
Como se deve fazer
Quando se quer escrever
Nos oito pés a quadrão.

Esse estilo é coisa rica!
Nele, a gente metrifica,
Verseja e não se complica,
Se prestar bem atenção.
É uma forma gostosa,
Onde o poeta se entrosa,
Com oito versos por glosa,
Nos oito pés a quadrão.

O poeta cordelista,
Igualmente ao repentista,
Não deve perder de vista
Como é feita a armação.
Se fizeres oito linhas
Como tenho feito as minhas
Saberás como caminhas
Nos oito pés a quadrão.

Faço sem ficar disperso
Sete sílabas por verso
Porque em todo universo
É seguido esse padrão.
E pra não sair do trilho
O poema tem mais brilho
Findando com o estribilho:
Nos oito pés a quadrão.

Pra fazer a obra prima
O terceiro verso rima
Igualmente aos dois de cima
Com muita imaginação.
Mergulhado no contexto
Rimo os versos quinto e sexto
E o sétimo segue o pretexto
Dos oito pés a quadrão.

Pra estrofe terminar
É preciso observar
Que ainda faltam rimar
Dois versos da construção.
Rimando quarto e oitavo
O poema eu alinhavo
Como a abelha faz o favo
Nos oito pés a quadrão.

UM DECASSÍLABO BEM FEITO

Pra fazer decassílabo bem feito
É preciso dez sílabas por linha,
Pois se não for assim ele definha
E a estrofe termina com defeito.
Pra seu ritmo ficar quase perfeito,
Deixe a nota marcada na terceira.
E depois, pra seguir nessa carreira,
Marque a sexta com outra nota forte.
Pra fechar sua estrofe nesse norte,
Ponha força também na derradeira.

SEXTILHAS SEM PÉ QUEBRADO

Uma estrofe de sextilha
Pra ficar metrificada
Basta colocar seis versos
Com sete sílabas em cada
E observar as rimas
Pra ver a glosa formada.

Ela pode ser armada
Sem perder o seu contexto
Porque tem a oração
Pra dar beleza a seu texto
Com versos mantendo a rima
No segundo, quarto e sexto.

Sendo assim não há pretexto
Pra se fazer verso errado,
Basta treinar um pouquinho
Pra ficar acostumado
E deixar os seus poemas
Sem verso de “pé quebrado”.

Pra ficar mais arrumado,
Seguindo as glosas acima,
Podemos usar a “deixa”
Feita na última rima
Pra fazer do seu poema
Tentativa de obra-prima.

A DÉCIMA METRIFICADA

Uma décima pra ser feita
Também tem uma armação
Onde os versos seguirão
Mantendo a rima perfeita.
Cada verso se sujeita
A uma dada sequência,
E quem faz com paciência
Logo, logo se aprimora,
Aprende e faz sem demora
A décima com competência.

O primeiro verso rima
Com o quarto e com o quinto,
Mas de um jeito sucinto
Para não perder o clima.
Fechando a parte de cima
Rimam segundo e terceiro
Já o oitavo, bem matreiro,
Ao nono vai se encaixar
E depois é só rimar
Sexto, sétimo e derradeiro.

Rime verso um com quatro
E verso dois com o três.
Depois rime cinco e seis
Pra dar show no seu “teatro”.
Se quer ficar bem nos “pés”
Rime o sete com o dez
Pra que todo mundo aprove…
E assim, para completar,
Só falta você rimar
Verso oito e verso nove.

COINCIDÊNCIA OU PLÁGIO DE SEU LUNGA?

Meus amigos, em 10 agosto 2009, eu publiquei o cordel SEU LUNGA – TOLERÂNCIA ZERO!, no blog JORNAL DA BESTA FUBANA. (Clique aqui para ler)

Em abril de 2010, eu e o poeta Felipe Júnior, gravamos o CD CAUSOS E CORDÉIS, onde eu declamo esse poema sobre Seu Lunga.

Agora, recebi um e-mail de um amigo que encontrou esse vídeo no YouTube, AS MAIS NOVAS DE SEU LUNGA, postado por um cidadão chamado Olliver Phirmo Brazil, em 15/Out/2012, contando as mesmas piadas que eu contei, inclusive usando os mesmos nomes que inventei para os personagens das piadas.

Sei que existem mais de cem cordéis sobre Seu Lunga, mas nenhum se parece com o meu, pois não plagiei ninguém, nem ninguém havia me plagiado com esse cordel.

Será que é mais um “poeta” que faz sucesso com os trabalhos dos outros?

Em agosto de 2010, um novo cordelista plagiou meu cordel NO NORDESTE É DIFERENTE, É ASSIM QUE A GENTE FALA. Agora me aparece esse. É fogo!

Ouçam o vídeo dele e comparem com meu CD e vejam se as piadas de seu poema não são as mesmas que eu contei.

Seu Lunga – Tolerância Zero! Ismael Gaião: (clique aqui para ouvir)

A DOR QUE UM POETA SENTE

Hoje vemos a matança
Dos nossos adolescentes,
Nas mãos de exterminadores
Que traficam entorpecentes,
Mas não vemos governantes
Com ações edificantes
Pra salvar os inocentes.

Políticos incoerentes
Prometem tudo fazer,
Mas esquecem o prometido
Quando chegam ao poder.
Botam dinheiro nas meias,
Saem de cuecas cheias,
Pois só querem enriquecer.

Como é triste a gente ver
Imperar a impunidade
E saber que no país
Não se tem seriedade.
Já jogaram no monturo
O que seria o futuro
Da nossa sociedade.

Só a sensibilidade
Mostra as virtudes da gente.
E o mundo em que a gente vive
Seria bem diferente,
Se os políticos nos ouvissem
E os governantes sentissem
A dor que um poeta sente.

De maneira inconsequente,
Vão destruindo a Nação.
Rouba quem está no poder
E quem é oposição.
E o povo que quer mudar,
Sem ter em quem confiar,
Hoje está sem opção.

No país da enganação,
Se as pessoas não mudarem,
Nós jamais teremos Leis
Para os homens enxergarem
Que alguém precisa agir
E a todo custo impedir
Os governantes roubarem.

A ÁRVORE QUE MEU PAI PLANTOU

Meu pai foi um homem simples,
De sorriso encantador,
Simpático com todo mundo
E muito respeitador.
Por isso, em nossa cidade,
Fez um círculo de amizade
De invejar qualquer doutor.

Gostava de dizer loas
Quando bebia aguardente.
E os versos que ele dizia
Eu tenho todos na mente.
Os seus olhos tinham brilho
Quando dizia a um filho
Que o homem sério não mente.

Com mais de sessenta anos,
Meu pai não se acomodou.
Filhos, já tinha à vontade,
Mas livro não publicou,
Pois seu estudo era pouco,
Porém já cansado e rouco,
Uma árvore plantou.

Em uma pequena praça
Da Rua José Gaião
Meu pai cavou um buraco,
Dando enxadadas no chão
E plantou uma mudinha
Com esterco de galinha
Chegando terra com a mão.

Com muita satisfação
Da plantinha ele cuidava.
Fez uma cerca de arame
Limpava o mato e regava.
Espiava todo dia
Pra ver como ela crescia
E vez por outra adubava.

Foi um pé de Pau Brasil
Que ele plantou nessa praça,
Na frente de nossa casa,
Onde muita gente passa.
Mas alguém matou a planta…
Senti um nó na garganta
E a praça ficou sem graça.

UMA “MULHER CONSCIÊNCIA”

Tive o primeiro contato com a poesia de Salete Maria, em 2009, pela internet, através do blog Jornal da Besta Fubana e fiquei encantado com sua verve poética, “profundamente (ins)pirada”, como ela mesma define.  Passei a acessar seu blog Cordelirando, título do qual tenho uma inveja sadia, pela genial criatividade, onde conheci diversos cordéis de sua autoria e me encantei ainda mais com seus poemas feministas e libertários, provando que “MULHER TAMBÉM FAZ CORDEL” e com bastante qualidade.

Resolvi me comunicar com a poeta para elogiar seus trabalhos, assim, surgiu uma amizade ao primeiro e-mail, empatia que se consolidou quando descobri que, além de brilhar como cordelista, Salete se destacava como advogada, política e professora universitária que “faz da voz e da escrita um instrumento de denúncias e pronúncias sobre o macro e o microssocial”.

Salete Maria é uma figura humana iluminada, altamente comprometida com sua gente e suas causas, além de ser uma irmã, amiga e conselheira. Mesmo à distância, e ainda sem nos conhecermos pessoalmente, tenho o privilégio de gozar de sua amizade e, a cada dia, admiro mais sua garra nas lutas pela “visibilidade das questões marginais, vulneráveis e periféricas”.

Aproveitando-me de sua bondade, por duas vezes, busquei seus conselhos sobre angústias e constrangimentos que passei na política e no curso de doutorado. Em ambos, superei as dificuldades graças aos seus ensinamentos.  

Como poeta cordelista, sou ainda mais seu fã, pois conheço poucos poetas que usam a nossa arte em defesa de causas sociais tão importantes e com tanta firmeza, sem deixar de lado a poesia e a beleza de seus versos.

Temos algo em comum em nossas vidas poéticas, pois tivemos influências dos nossos “núcleos familiares, onde a literatura de cordel foi a principal modalidade artística acessada pelos nossos ascendentes”. Porém, Salete tem uma arte assumidamente política, militante, participante, com ênfase na luta pelos direitos humanos, sobretudo de mulheres e homossexuais, mostrando que aí também é “LUGAR DE MULHER”; Essa é a marca de sua coragem e firmeza, desde sua iniciação no cordel com o “DESABAFO ACADÊMICO MATUTO”, onde a mesma, com um humor que lhe é peculiar, brincou: “Esse curso de Direito só vai me desmantelar”.

A partir da participação de Salete, nas lutas sociais e na literatura de cordel, podemos dizer que “AGORA SÃO OUTROS QUINHENTOS” e todos poderão ouvir “O GRITO DOS ‘MAU’ ENTENDIDOS”.

São essas características que fazem de Salete Maria uma cidadã especial, abraçada e respeitada por todos, e principalmente, merecedora dos melhores elogios e aplausos que agora lhe proporcionamos.

A evidente importância de seu trabalho, na literatura de cordel, está na celebração de seus 20 anos de Cordelírio e nos cordéis premiados pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. Nesses 20 anos Salete Maria trouxe ao público sua poesia emancipatória e contra preconceitos, a qual temos o privilégio de ler, em folhetos ou na tela de um computador. Em tudo o que ela escreve deixa sua identidade genuinamente nordestina, para desfrute do Brasil e do mundo, levando em consideração o alcance da internet e os acessos ao seu blog.

Em seus cordéis, a poeta Salete Maria vagueia pela história e estórias do seu querido torrão natal, como vemos em “JUAZEIRO FAZ CEM ANOS E A LUTA CONTINUA”; pela política e politicalha do país, e pelas madeixas do Direito, que muitas vezes, deixam nossa sociedade indignada, buscando um modelo de sociedade diferente deste no qual vivemos, “UM SONHO EM QUE O DIREITO COMBATE PRECONCEITOS”.

Em cada um deles, Salete transmite uma mensagem de esperança, acreditando que “ainda é possível uma mudança nesse vergonhoso e deprimente estado de coisas que vivenciamos”.            

Meus parabéns, poeta Salete Maria, espero participar dos festejos dos seus 40, 60 e até mais anos de Cordel Feminista e Libertário.  

Abraços e sucesso sempre, Seu fã, Poeta cordelista Ismael Gaião.

FEMININO, INSURGENTE E LIBERTÁRIO

Aos 20 anos de Cordel Feminista e Libertário da poetisa Salete Maria – Juazeiro do Norte-CE

bruxinha

A mulher sem fronteira, visceral,
Bacharela em Direito e professora;
É também a fiel pesquisadora,
Que estuda a vivência social.

Poetisa de cunho marginal,
Das revoltas, tornou-se a escritora.
Sendo assim, a proposta inovadora
De uma rica cultura regional.

É Salete Maria a grande artista,
Dos Direitos Humanos, ativista
Que possui sentimento literário,

Merecendo com jus esse troféu:
Festejar vinte anos de cordel
Feminino, insurgente e libertário.

EXPLICANDO O SONETO

São diversas as formas de sonetos,
E a ordem em que os versos são rimados,
Porque podem rimar entrelaçados
Ou se alternam formando os dois quartetos.

Quando estamos montando os dois tercetos
Temos versos rimando emparelhados,
Porém, podem rimar sequenciados,
Fabricados conforme os esqueletos.

Quanto aos versos, quatorze é regra antiga;
Quanto à métrica, a mesma lei obriga:
Cada verso co’ a mesma quantidade.

Então, corra buscando a inspiração,
Pra botar emoção na construção
E o poema ficar com qualidade.

LEMBRANÇAS DA MINHA INFÂNCIA

Eu tenho recordação
Dos meus carros de madeira,
Do meu pião que girava
Enrolado com ponteira
E de caçar passarinhos
Com minha baleadeira.

No sítio do meu padrinho
Eu ia de madrugada,
Botar ração para o gado,
Buscar leite pra coalhada
E beber leite fresquinho
Da minha vaca malhada.

Eu ainda hoje fico
Recordando esse passado,
Quando vivi minha infância
Na cidade de Condado.
Meu pai trabalhava muito,
Mas filho fez um bocado.

Nunca fiquei com sequelas
Das carreiras que levava,
Quando meu pai me batia,
Por artes que eu praticava.
Quanto mais ele batia
Muito mais dele eu gostava.

Sempre tinha em minha janta
Inhame com charque assada,
Macaxeira com manteiga
E sopa bem misturada,
Com a sobra do almoço
Que mãe deixava guardada.

Eu escutava o escrete
Num rádio de minha tia.
Para acompanhar os jogos
Porque TV não havia
E acompanhava a novela
Que uma rádio transmitia.

Mamãe deitava galinhas,
Quando eu lembro me comovo,
De ver um pinto nascendo
Bicando a casca do ovo…
Ah, se eu pudesse viver
A minha infância de novo!

GALOPE EXPLICADO

Fazer um galope não é complicado,
Apenas precisa ter muita atenção,
Porque tem o ritmo que dá condução
Pra cada um dos versos ficar bem montado.
Segunda é sílaba em que o tom é marcado,
Depois vem a quinta também a soar;
Seguindo, a oitava não pode falhar
Pra décima primeira fechar o poema,
Porque nesse barco é assim que se rema,
Nos dez de galope da beira do mar.

MINHA MOCIDADE

Fui feliz com a minha juventude,
Mas aos poucos percebo ela acabar.
Meus cabelos começam pratear
E o que foi tão suave hoje está rude.

Já não posso co’o peso que já pude
E meus passos estão mais devagar.
Muitas vezes eu tento me enganar,
Mas o peso do corpo não me ilude.

Nessa nova política, o que é correto,
Para mim, é apenas desafeto,
A velhice não é melhor idade.

Não me engano co’a frase tão patética…
Se é bonita e correta, é só poética,
Pois melhor era a minha mocidade.

CARNAVAL DE PERNAMBUCO

caboclo-de-lanca-maracatu-carnaval-nazare-da-mata

Pernambuco com seus Frevos
Sempre arrasta multidões,
Por entre ruas e becos
Parecendo procissões,
Que caindo na folia
Esquecem as desilusões.

Temos o Frevo de Rua,
Dos metais endiabrados
E o lindo Frevo de Bloco
Com seus corais afinados
E também Frevo Canção
Dos poemas orquestrados.

Orquestra de Frevo de Rua

Os blocos contagiantes
Vêm de todos os caminhos.
Da Zona da Mata Norte
Temos Cavalos Marinhos
E também vêm de Goiana
Os famosos Caboclinhos.

Aqui tem Samba do Veio
No sertão, em Petrolina,
Bonecos do São Francisco
– Zé Pereira e Vitalina -
E por todos os recantos
Tem Mateus e Catirina.

BONECOSGIGANTES

Só Pernambuco tem festa
Que é multicultural
Ao som de Coco e Ciranda,
Que dão graça ao Carnaval,
Além de nossas Escolas
Com um Samba Original.

Bonitos Maracatus,
De Baque Solto e Virado,
Que com força e poesia
Recordam triste passado,
Com Chocalhos e Tambores
Deixando o povo encantado.

BLOCO LÍRICO

Nós temos Blocos e Troças
Que nenhuma terra tem.
Ursos, Bois e Mascarados
De todos os cantos vêm.
Homens saem nas Donzelas
E nas Catraias também.

papangu10[1]

Caretas e Papangus
Tornam a festa mais linda.
As “La Ursa” e as Caiporas
São de uma beleza infinda.
Como os Bonecos Gigantes
Pelas ladeiras de Olinda.

QUADRA

Quatro versos numa Estrofe
Formam a famosa Quadra,
Havendo mais de uma forma
Nas quais a rima se enquadra.

Rimando o segundo verso
Com o quarto, pra fechar,
O primeiro e o terceiro
Podem ficar sem rimar.

O segundo com terceiro
Pode ser a rima usada,
Rimando quarto e primeiro
Pra quadra ficar montada.

E se desejar, de vez,
Desse assunto ficar farto,
Rime verso um com três,
Depois segundo com quarto.

Sete sílabas se usam em cada verso,
Para o mesmo ficar metrificado,
Mas podemos também versar com dez
Sem deixá-lo ficar de pé quebrado.

SER POETA CORDELISTA

Admiro quem deseja
Escrever uma poesia
E tenho visto, hoje em dia,
Muita gente na peleja.
Porém quando se almeja
Ser poeta cordelista
É preciso que se invista
Nas regras que o cordel tem
Para desempenhar bem
E não dar muito na vista.

Não é só saber rimar
E já partir pro papel,
Pois pra fazer um cordel
Temos que metrificar.
Assim devemos contar
As sílabas, poeticamente,
Porque quem faz diferente
Fere o ouvido de quem sabe
As sílabas que o verso cabe
Pra ser um verso decente.

PERDI UM GRANDE AMIGO E O PAJEÚ UM GRANDE POETA!

Ismael e Zé de Mariano

O colunista e Zé de Mariano

Tive a felicidade de ter a participação do o poeta Zé de Mariano no lançamento do meu livro na UFRPE, em 2011, e maior felicidade ainda, de dividir o palco com esse grande poeta, no 5º Pajeú em Poesia, em 2012, na cidade de Afogados da Ingazeira. Agora recebo a triste notícia de seu falecimento em um trágico acidente.

O acidente ocorreu na manhã de ontem, na PE-320, município de Flores, no Sertão do Pajeú, Pernambuco. Na ocasião, faleceu o poeta tabirense Zé de Mariano, juntamente com sua esposa, uma filha e um cunhado.

A colisão ocorreu nas proximidades do Sítio Riacho Fundo, envolvendo três veículos: um caminhão que transportava telhas, um carro de passei e uma motocicleta.

O carro seguia pra Tabira (Sertão do Pajeú – PE), ultrapassando a moto, quando foi surpreendido pelo caminhão. No carro, estavam o poeta Zé de Mariano (motorista), sua esposa, sua filha e um cunhado dele. O motociclista, de Flores, também faleceu no local.

Muitos poetas, amigos e admiradores de Zé de Mariano, descreveram suas tristezas em poesias, pela internet. Eu não consegui fazer melhor que esses simples versos:

A tristeza invadiu meu coração
E calou minha voz por um segundo,
Quando eu soube que foi pro outro mundo
Um amigo que eu tinha no sertão.
Um poeta de muita inspiração
Que tão bem declamava poesias…
O sertão vai sofrer por muitos dias
Pela perda de um grande ser humano
E os poemas de Zé de Mariano
Serão temas de muitas cantorias.

Eis um lindo soneto do grande poeta Zé de Mariano:

O amanhã

Ah! Como será meu amanhã?
Eu serei nobre, aplaudido, feliz?
Não quero a sorte de algum talismã
Só quero apenas o que eu sempre quis.

Não quero a fama constrangendo fã
Quando esta fama não mostra o que diz;
Nem quero a casca podre da maçã
Pra que mais tarde possa pedir bis.

Quero ser da paz, rios de grandezas,
De honestidade e ser rico em belezas
E ser o maior exemplo de vida,

Pra quando algum dia ao me despedir
Deixar com vocês, sem os ressentir
A minha presença, mesmo na partida.

Gonga Mariano e Dedé declamando 2

 Gonga Monteiro, Zé de Mariano e Dedé Monteiro

MOBILIDADE URBANA NÃO DÁ LUCROS, NEM VOTOS!

Mobilidade é mais um termo que virou moda. Já está enchendo o saco. Eu não aguento mais escutar essa palavra. Todos os governantes e candidatos falam nisso e fingem fazer alguma coisa para melhorar o trânsito. O Recife tem um trânsito caótico, um dos piores do Brasil. Os governantes e responsáveis pela “mobilidade” urbana fazem ações paliativas, que não resolvem nada, e criam notícias e propagandas de terem feito “grandes ações” para solucionar o problema do trânsito da capital.

A solução é mais simples do que a maioria pensa, basta criar um transporte público de qualidade. Os governantes sabem disso, mas isso não é interessante para os políticos e empresários do transporte “público”. Esse transporte de qualidade se resume a um número de ônibus suficiente em todas as linhas, para que não fosse preciso esperar horas e horas nas paradas. Fiscalização eficiente, que punisse os motoristas que “queimam” paradas e as empresas que não colocassem ônibus em quantidade suficiente para atender à demanda. Ônibus confortáveis, com ar condicionado e sem superlotações. Se assim fosse, todo mundo deixaria seu carro em casa e iria ao trabalho de ônibus.

Tão simples assim, e por que não fazem? Primeiro, porque os empresários do transporte financiam as campanhas dos políticos e segundo porque as obras “paliativas” como pontes, viadutos, corredores e sistemas BRT (Bus Rapid Transit), dão lucro aos empresários da construção civil, que também financiam campanhas, e aos administradores que superfaturam as obras, além de criarem um novo visual eleitoreiro com “grandes obras” de cimento e cal.

Desde que cheguei ao Recife, em l978, já vi a destruição e reconstrução das paradas de ônibus da Avenida Caxangá, umas dez vezes. Um prefeito faz e o outro desmancha e faz de novo. Todos sabem que é assim, mas ninguém faz nada pra mudar.

Não adianta construírem tantas obras e não oferecerem um transporte coletivo digno. Se querem melhorar a mobilidade, por que não visitam e imitam o sistema de transporte público de Barcelona, que funciona bem e respeita a população? Até quando vão insistir em paliativos e abandonar a qualidade do transporte público?

Agora inventaram os “controladores de tráfego”, mais um paliativo para enganar os recifenses. Esses, não melhoram em nada a “mobilidade”, apenas servem para empurrar carros quebrados ou de pequenos abalroamentos para as ruas próximas. Isso os próprios motoristas já faziam, mas a propaganda é estonteante!

ROUBO É ROUBO!

Roubar para si, para o partido (caixa 2), para comprar votos de adversários e aliados, ou para qualquer outra finalidade, é roubar do mesmo jeito.jb10

E esse roubo é do meu dinheiro porque eu pago, todo mês, mais de 25% de Imposto de Renda e mais de 11% de Seguridade Social, além de pagar tributos altíssimos sobre tudo que consumo.

O Brasil tem uma das cargas tributárias mais caras do mundo e nós, o povo, pagamos caro por isso. O PT era contra esse absurdo, mas no poder continuou com a mesma cobrança de impostos, exagerada.

Os corruptos do PT que não usam o nosso dinheiro para enriquecimento ilícito, usam para se manter no poder e isso continua sendo roubo do mesmo jeito.

Todo corrupto é ladrão, não interessa o partido e todo ladrão tem que ir para prisão.

NÓS VAMOS ROUBAR PORQUE / FHC JÁ ROUBOU!

Este mote foi sugerido pelo Editor do JBF em 26 de março de 2009 e foi por mim glosado na postagem IMACULADO na coluna Deu no Jornal. Glosei novamente no dia seguinte, 27 de março de 2009, na postagem MOTES, em minha própria coluna.

Já chegamos ao poder
Vamos enganar o povo,
Sem fazer nada de novo
Tratemos de enriquecer.
Vamos logo esquecer
Tudo que o povo sonhou,
Pois nossa hora chegou
Diz a turma do PT:
Nós vamos roubar porque
FHC já roubou!

Enrolem nossa bandeira
De abaixo a corrução,
Hoje a nossa função
É entrar na bandalheira,
Roubar de toda maneira
Mais do que já se roubou.
Com Collor que já chegou
E o PMDB…
Nós vamos roubar porque
FHC já roubou!

É UM REVOLUCIONÁRIO

Por eu falar a verdade,
Que o PT não me engula,
Mas por dinheiro e poder
Esse partido tem gula.
E enganando os brasileiros
O chefe dos mensaleiros
Só pode ter sido Lula.

Ladrão não pode ser burro
Como é um petista nato.
Um ladrão inteligente
Age como Pizzolato,
Que antes da decretação,
Fugiu sem ir pra prisão,
Logo ao primeiro boato.

Todo político corrupto
É ladrão, reacionário,
Fascista, conservador
Elitista e mercenário,
Mas se ele for do PT
Alguém diz para você:
É um revolucionário!

NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS…

Tinha que haver um começo. Nunca na história deste país, a gente tinha visto a prisão de alguém da elite política, agora vimos e espero ver muito mais. Nós que pagamos impostos, muitos impostos, somos os assaltados e precisamos ver muito mais bandidos do quilate de Genuíno e José Dirceu na cadeia.

O que mais me impressiona é o cinismo dos petistas ao falarem em “condenação feita pela elite”. Você conhece alguém entre os condenados que não seja da elite brasileira?

Impressão

Todos eles formam a elite intelectual, financeira e política do Brasil. Pela primeira vez na história do país houve a prisão de doze “ladrões de dinheiro público”, de uma só vez, e, entre eles, não havia nenhum pobre, nenhum favelado, nenhum semianalfabeto, nenhum negro e nenhuma prostituta. Ou havia?

Pra mim lugar de ladrão,
Seja petista ou tucano,
É dentro de uma prisão,
Vivendo junto com os “mano”.
Eu não voto em nenhum deles
Pra não entrar pelo cano.

SOL QUADRADO

Verem o sol nascer quadrado (2)

A TORCIDA MAIS APAIXONADA DE PERNAMBUCO

Um dos candidatos a presidente do Clube Náutico Capibaribe, em uma entrevista numa rádio do Recife, no meio dessa semana, teve a petulância de dizer que “a torcida mais apaixonada de Pernambuco não é a do Santa Cruz, é a do Náutico, porque está há dez anos sem ganhar títulos e consegue botar vinte mil torcedores no estádio”.

Com essa demagogia, ou esse candidato a presidente é idiota ou pensa que os alvirrubros são. Tudo bem que todo político seja demagogo, mas dizer que a torcida do Santa Cruz não é a mais apaixonada de Pernambuco é, no mínimo, um ato de imbecilidade.

Apesar de ficar, há dez anos, sem títulos, o Náutico joga na série A do campeonato brasileiro e tem um time muitas vezes mais caro do que o do Santa Cruz. O Santinha chegou a ser chamado de “time fora de série”, justamente porque ficou fora até da série D, e permaneceu nessa faixa, série D, série C, durante seis anos.

Além disso, o glorioso Santinha, levou ao Arruda, não apenas vinte mil torcedores, mas sessenta mil. E não foi apenas uma vez, foram várias vezes. Portanto, antes de se candidatar a presidente do Náutico, esse politiqueiro deveria aprender a ser político, pois mentir é uma das “façanhas” dos políticos, mas toda mentira tem que ter coerência porque, apesar de se fazerem de inocentes, os eleitores não são idiotas.

Na verdade, o título da torcida tricolor não é o de “A torcida mais apaixonada de Pernambuco”, e sim de “A torcida mais apaixonada do Brasil”, e isso não é obra do acaso, é um fato, inclusive reconhecido nacionalmente pela maioria dos comentaristas de todo o país. E viva o glorioso Santinha!

SER LOUCO É SER MAIS FELIZ

(Revista e atualizada)

Eu tenho quase certeza
Que quem é louco é feliz,
Porque não enxerga um palmo
À frente do seu nariz.
E assim não sabe as mentiras
Que o mundo todo nos diz.

Louco não fica infeliz
Se um pobre for pra prisão
Por ter roubado um trocado
Pra poder comprar um pão,
Enquanto nossos políticos
Roubam sem ter punição.

Não vê a enganação
Nas campanhas e eleições
Onde todos os políticos
Gastam reais, em milhões,
Pra depois tirar em dobro
Através das comissões.

Não vê as condenações
De alguns juízes julgados,
Por seduzirem meninas
Em troca de alguns trocados,
Recebendo a “punição”
De ficarem aposentados.

Doido não vê magistrados,
Corruptos e ilegais,
Vendedores de sentenças
Pra gangs e marginais,
Ganharem por “punição”
Mais de vinte mil mensais.

Não vê impostos demais
Nos salários e proventos,
Enquanto nossas igrejas,
Com mercados opulentos,
Livram pastores de impostos
Nos seus enriquecimentos.

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A INSUPORTÁVEL INTERNET!

A internet está insuportável! As mensagens que recebemos ao abrir o Yahoo, Facebook ou Google são uns porres. Tiram a paciência de qualquer cristão.

Antes que consigamos ver as mensagens dos amigos, encontramos umas propagandas chatas e repetitivas que nos tiram do sério. Que saco! E ainda têm aquelas mensagens, com vírus, “Minha mãe ganha não sei quanto”. Eu acho que as mães desses camaradas devem estar fazendo ponto nas zonas.

Também existem aqueles convites pra jogar um bocado de porcarias. Como eu queria acabar com esses convites. Já usei de todas as fórmulas que me ensinaram, mas nada resolveu. Todo dia eu recebo esse tipo de convite pelo Facebook. É de uma cretinice que ninguém merece.

Daqui a uns dias eu desisto de entrar na internet e volto a escrever cartas e enviar fax pros amigos ou então, procuro os números dos telefones deles para entrar em contato. Ah! Esqueci que as operadoras de celular no Brasil também não prestam. Mas como podem prestar se o Brasil não tem governo? Todos estão no poder só para mamar e beneficiar as empresas que patrocinam suas campanhas.

Afinal, pra onde eu devo ir? Talvez, comprar uma terrinha num interior bem distante da civilização. Seria o ideal. Mas esse lugar ainda existe?

PROMESSAS PRA CONCEIÇÃO

No início de dezembro,
Com fé e muita emoção,
Os fiéis sobem a ladeira
Do Morro da Conceição.
Enchendo ruas e praças
Muitos vão lá render graças
E alguns só pra trabalhar.
É que o bom comerciante
Nesse momento importante
Também precisa lucrar.

Para começar a festa
Tudo começa a mudar
A prefeitura de empenha
Manda limpar, capinar.
Até mesmo os moradores
Passam a ser vendedores
De tudo que se procura.
Vendem fitas coloridas,
Terços, relógios, bebidas,
Salsichão e rapadura.

Casas ganham gambiarras
E recebem tinta nova.
Com coloridos bonitos
Que qualquer turista aprova.
Quem tem criatividade
Vira artesão de verdade
Com pouca imaginação
Fazendo santos de barro,
Miniaturas de carro,
E até de Frei Damião.

A festa começa cedo,
Ainda no Marco Zero,
De onde sai a procissão
Comandada pelo clero.
Com cânticos e orações
Fiéis pedindo perdões
Por todos os seus pecados…
E a procissão segue andando
Com solteironas rezando
Para arranjar namorados.

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GLOSA

“Tô sozinho, triste, liso,
Esquecido e abandonado”

(Tema de Marcelo Santos, transformado em mote).

Eu não tenho outra saída,
Vou beber mais aguardente,
Pra me’squecer do presente
E das tristezas da vida.
Minha noite é mal dormida
Sem ter alguém ao meu lado,
Já não tenho me alegrado
Faltando o que mais preciso…
“Tô sozinho, triste, liso,
Esquecido e abandonado”.

EU TENHO PENA DE MIM

 (Adaptação de textos de Cleide Canton e Rui Barbosa)

Eu tenho pena de mim…
Por ter sido um sonhador,
Por lutar por nosso povo
Que ainda é tão sofredor,
Por ter sempre batalhado
Por justiça, com pudor.

Por sempre compactuar
Com a honra e a honestidade…
Por querer que nosso povo
Primasse pela verdade
E por vê-lo enveredar
Pela desonestidade.

Eu tenho pena de mim…
Por ter feito parte um dia
De uma era que lutou
Em prol da democracia.
Por sonhar com a liberdade
Que pra seus filhos queria.

Eu tenho pena de mim…
Por entregar, simplesmente,
A derrota das virtudes
Nas mãos dos filhos da gente,
Pra se julgar a verdade
Com insensatez, somente.

Por permitir que a família,
Seja negligenciada
Pensando apenas no “eu”
De forma demasiada
E na tal “felicidade”
A qualquer custo, buscada.

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O CAOS NA BR-101 SUL

Da saída do Recife (Imediações da Vila dos Milagres – Ibura, logo após a CEASA), até o Cabo de Santo Agostinho.

Onde estão Geraldo Júlio (Prefeito do Recife), Elias Gomes (Prefeito de Jaboatão dos Guararapes), Vado da Farmácia (prefeito do Cabo de Santo Agostinho), Eduardo Campos (Governador de Pernambuco), Dilma Russeff (Presidente da República) e o Superintendente do DNIT em Pernambuco, Euclides Bandeira, que não veem isso?

Esse trecho fica engarrafado, a partir das cinco horas da manhã (fotos), de segunda a sexta-feira, atrasando a vida de todos que precisam ir ao trabalho nas cidades do Litoral Sul e Mata Sul de Pernambuco. As outras fotos são de hoje, domingo, sem chuva e sem trânsito.

Souberam colocar semáforos eletrônicos (fábricas de multas), de palmo em palmo, a partir da CEASA, mas não viram a desgraça que é o asfalto nesse trecho, nem o prejuízo que isso causa aos donos dos veículos e aos trabalhadores que pegam ônibus nessa linha.

Também souberam fazer remendos na BR 408, caminho da Arena da Copa, para obedecer às ordens da Fifa, mas ao povo pernambucano eles não dão satisfação. Onde estão os deputados de Pernambuco e os vereadores do Recife que não enxergam isso? Está todo mundo calado, por quê?

Por que a imprensa de Pernambuco não mostra isso? Atenção Globo Nordeste, TV Jornal, TV Tribuna, Diário de Pernambuco, Jornal do Comércio, Aqui PE. Façam alguma coisa!

1 - 1. BR 101 Domingo 13horas Inicio da buraqueira

Início da buraqueira, logo após a CEASA (Recife)

2 - 2. BR 101 Domingo 13 horas Inicio da buraqueira

O asfalto do lado esquerdo acabou e os buracos e a lama jogam os motoristas para uma única faixa

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PÓS-GRADUAÇÃO NA UFRPE / 40 ANOS DE CONQUISTAS

 Autores: Ismael Gaião (IG) e Dedé Monteiro (DM)

CAPA DO CORDEL - PÓS-GRADUAÇÃO NA UFRPE

IG – Eu nasci na cidade de Condado,
Sou matuto, pois sou da Mata Norte.
Fabricar poesia é meu esporte
E a caneta é enxada em meu roçado.
Na Rural eu já sou pós-graduado,
Porém nunca me fiz um menestrel,
Sou apenas Gaião ou Ismael,
Um sujeito esquisito e sem juízo
Que é maluco por versos de improviso,
Por soneto e folhetos de cordel.

DM – E eu nasci num recanto do Sertão,
Em Tabira, pequena feito um ovo,
Onde a seca aumentando a dor povo
Transformou-se na minha inspiração.
Meu café é um verso de Cancão,
Meu almoço um de Pinto ou Lourival.
Pouca coisa me trás à capital,
Mas aqui eu me sinto em bom abrigo
E hoje eu venho a convite deste amigo
Declamar um cordel sobre a Rural.

IG – Em novecentos e doze,
Surge uma Rural neném,
Que este ano, alegremente,
Entrou na faixa dos cem!
Lutando a luta da paz,
Preocupou-se demais
Em ter vez, respaldo e voz.
O tempo foi se passando,
E hoje ela está festejando
Quarenta anos de PÓS!

DM – Foi na “década de setenta”,
Com cursos embrionários,
Vendo atos importantes
E muitas vezes hilários,
Que diversos professores,
Ardentes pesquisadores,
Deram início à trajetória,
Como contribuição
Para a Pós-Graduação
Que hoje está fazendo história.

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EU SOU MELHOR DO QUE TU!

Ismael Gaião X Júnior Vieira
 Poetas Ismael Gaião (IG) e Júnior Vieira (JV)

IG- Eu sou um furo de espinho
Que entra como uma cunha
Entre o couro e a unha
Pelo seu dedo mindinho.
Sou um prego no caminho
Entrando no seu pé nu,
Sou almoço de urubu,
Sou o chulé no sapato…
Eu sou o mijo do rato,
Mas sou melhor do que tu.

JV- Sou um carrasco sem pena,
Eu sou o cocô do gato,
Sou um prego no sapato,
Sou sobejo de hiena.
Eu sou a gota serena,
Pior que cobra urutu,
Sou a bufa do timbu,
A mijada da ticaca,
Veneno de jararaca,
Mas sou melhor do que tu!

IG- Sou membro do mensalão
E a pregação de um crente.
Eu sou uma dor de dente
E a mágoa da traição.
Sou um petista ladrão.
Sou um corte com bambu.
Sou filho de belzebu,
Marido de uma “gaieira”
Sou sócio de Cachoeira,
Mas sou melhor do que tu!

JV- Eu sou a pior megera,
Doença que cai a língua.
Sou a mula que dá íngua,
Faço medo a besta fera.
Sou a doença que impera
No couro do cururu,
Serrote de caititu,
Que arranca os dedos da mão.
Sou o câncer de pulmão,
Mas sou melhor do que tu!

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NA JANELA DO TEMPO

Lançamento do livro NA JANELA DO TEMPO, de Zezé Freire, em homenagem ao grupo da terceira idade, VIDA NOVA, Pesqueira – PE, 18 de maio de 2013.

É “NA JANELA DO TEMPO”
Que a gente vê a saudade.
Parabenizo a ZEZÉ
Pelo gesto de bondade,
Permitindo ao “VIDA NOVA”
Ficar para eternidade.

UM POETA DO MUNDO

(Prefácio do livro “Nas águas do Pajeú” do poeta Genildo Santana)

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Um professor e poeta popular da melhor qualidade, mas acima de tudo, um amigo e ser humano de alma pura. Alguém que a gente tem o prazer de conhecer e a enorme satisfação de reencontrar sempre. Num mundo conturbado em que vivemos, ter um amigo com o coração e a bondade de Genildo Santana é ter sempre alguém em quem podemos nos espelhar e nos renovarmos com forças para viver.

Um poeta que brilha por sua genialidade e por seus sentimentos de fraternidade, perseverança e amor ao próximo. Um exemplo de cidadão da humanidade e poeta do mundo.

O Pajeú das Flores não poderia nos dar um poeta melhor para “cantar” as figuras poéticas e culturais do seu chão, repleto de poesias e encantamentos.

Obrigado, meu poeta Genildo, por sua amizade e por nos dar tanta alegria com seus versos maravilhosos. Um grande abraço do seu fã.

A TODAS AS MÃES

ggiSoneto para Mamãe

PT: ELE ROUBA, MAS FAZ!

O Diretório Nacional do PT tentou impor o silêncio da imprensa, através de um tal de “marco regulatório”, imitando a censura realizada pelos Atos Institucionais dos governos da ditadura militar que o PT tanto condenou.
 
Depois, a Câmara Federal, com apoio do PT, tentou extinguir o poder de investigação do Ministério Público, para que seus políticos corruptos não fossem investigados.
 
Achando pouco, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, outra vez com o apoio do PT, tentou submeter o Supremo Tribunal Federal ao julgamento do Congresso Nacional, uma entidade desmoralizada publicamente depois de tantas denúncias de envolvimento de seus deputados e senadores em atos de corrupção.
 
Agora, que os petistas condenados no julgamento do processo do mensalão estão novamente na mídia, porque encerrou o prazo para apresentem recursos ao Supremo Tribunal Federal, o PT usa seu horário político de rádio e televisão para tentar convencer o povo de que os governos de Lula e Dilma fizeram muito pelo povo brasileiro, ou seja, eles querem dizer: o PT rouba, mas faz!
 
Um cidadão atento percebe muito bem que tudo que o PT condenou no passado, durante os governos da “direita”, pratica agora. Os petistas fazem corrupções, se aliam à “direita” e a todos os políticos que antes condenavam. Tentam enganar o povo com esmolas. Fazem propaganda enganosa. E ainda tentam silenciar a imprensa e impedir as investigações do Ministério Público.
 
Só falta o PT dar um golpe e começar a governar com Atos Institucionais. O que dizem os militantes petistas que tanto pregavam seriedade e democracia?

VILA BELA VIROU SERRA TALHADA

Glosando no mote do poeta Henrique Brandão

A princesa mais linda do Sertão
Na cultura já tem o seu espaço.
Capital do xaxado e do cangaço,
É a terra do grande Lampião.
De Arnaud, de Ruy Grudi e Assisão,
E outros grandes poetas filhos dela.
Nessa terra Deus fez com aquarela
Uma serra bonita e bem cortada…
“Vila Bela virou Serra Talhada,
Mesmo assim nunca deixa de ser bela”.

TÔ SOFRENDO MUITO MAIS

Com grande arrependimento
Até hoje me comovo,
Devido à língua do povo
Desmanchei meu casamento.
Só aumentei meu tormento
Com a falta que ela me faz,
Pois eu vivia na paz,
Mesmo traído por ela.
Agora com a falta dela
Tô sofrendo muito mais!

O BBB E SEUS HERÓIS

Quando se chama a atenção,
Na internet ou jornal,
Mostrando que o BBB
É sem cultura, imoral,
Tem alguém que diz assim:
- Quem tiver achando ruim,
É só mudar de canal.

Eu acho fenomenal
Abrir esta discussão
O problema é que a TV
É quem domina o povão.
Faz da verdade mentira…
E quando quer, bota e tira
Presidente na Nação.

Ela forma a opinião
De um povo sem consciência,
Faz destruir a família,
Nossa cultura e ciência
E faz o povo votar,
Muitas vezes, pra botar
Um ladrão na Presidência.

Só promove a indecência
E a falta de compostura.
Não incentivando os jovens
A ter gosto por leitura.
Não divulga a nossa arte,
Mas está em toda parte
Acabando com a cultura.

Uma TV sem censura
É o que a gente sempre quis,
Mas é preciso respeito
No que a TV mostra e diz.
O que é que Bial constrói
Chamando um “nada” de herói,
Para enganar o país?


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa