RESPOSTA

Respondendo à indagação de um amigo da classe artística.

Queria só fazer uma pergunta aos candidatos: qual é o projeto para a cultura? ( Samuel Santos)

Minha resposta:

Usar artistas idiotas pra formar opinião daqueles mais idiotas que esses bostas pra votar neles. Depois de chegar lá, empregar tecnocratas burros e insensíveis nos órgãos de cultura para serem bajulados pelos artistas oportunistas, venais e sem moral, tratar artista como lixo, dar chá de cadeira, e só contratar os mais medíocres que beijam suas mãos porcas. Fazer dos projetos de fomento ferramenta de acumulação de poder e humilhar a classe artística com essas migalhas que pertencem a toda sociedade e que eles tratam como se fosse deles. Para esses filhos da puta, cultura se resume a mega eventos no marco zero e as festas do calendário: natal, carnaval, são joão, etc..

AS VERBAS DA CULTURA

“Um quadriênio tenebroso para quem realmente faz cultura” . (depoimento de um produtor, diretor de teatro e ator Samuel Santos numa postagem de rede social recentemente)

Cultura, segundo a carta magna é direito do cidadão e dever do estado. Em sociedades em que a cidadania e seus direitos são respeitados, o fomento aos bens imateriais é quase que uma norma natural.

Fácil para povos com situação econômica estável e sociedade realmente democrática. No nosso caso, vivemos ainda uma caricatura de república onde funciona o estado de direito, porém, viciada pela apropriação desse mesmo estado pelos interesses corporativos que estão invariavelmente por trás de todo arcabouço de estruturação orçamentária.

Nisso aí, resta pra cultura uma cifra magérrima dos orçamentos federais, estaduais e municipais, cabendo aos gestores administrar a escassez de recursos. Os mecanismos de renúncia fiscal de fomento às artes demonstraram até agora serem paliativo ante a inapetência dos gestores públicos em dar ao mundo da cultura e das artes a verdadeira valoração que estas deveriam ter no processo de construção social e histórica.

Mas também ao estado não cabe tudo, o restante da sociedade deveria tomar pra si essa tarefa levando em conta o paradigma de responsabilidade social.  Por que é tenebroso? A classe artística deixou-se ficar refém das iniciativas públicas de fomento. Nos anos 80 não havia editais,os mecanismos viciados que hoje tem dos funcultura da vida, mesmo assim não deixava de existir produção cultural no Recife. Onde estão os empreendedores? Tenebroso também é a falta de inciativa de romper com essa dependência que muitos voluntariamente criaram em torno dos poderes públicos.

ESTROFES DO MEU AFETO

Tu não tiras minha paz
Se estás perto nesse instante
Se bem perto estivesse
Bem seria interessante
Uma coisa sei ao certo
Minha paz não tiras perto
Tiras se estás distante

Meu afeto é perene
Isso sei que é verdade
Sentimento permanece
E não morre com a idade
E assim não é meu caso
Sentimento não tem prazo
Pra perder a validade

A CAPITAL DO TELÓ

Um Teló e um Calypso
Ô forró onde estás tu?
Pois em ano de eleição
Eleitor tangido é: muuuu
Na cultura a sodomia
Pra fazer demagogia
Aqui jaz Caruaru

Um Queiroz que trabalhista
Nessa hora com malícia
Bota lixo cultural
Como tosca imundícia
Se à cultura desacata
E assim forró se mata
Voto fácil é uma delícia

ESTROFE

Baseada em poema de Heldemárcio Ferreira

Vida virtual imagem
Para o mal e  para o bem
Como espelho é a vida
Ida a e volta que ela tem
Tudo que em vida inflete
Como espelho ela reflete
Traz de volta e não retém

SAUDAÇÃO A UMA AMIGA DE PETROLINA

Muito quente tua terra
Pode dar ensolação
Mas também com pouca chuva
A causar desolação
Um calor do cão se sente
Só não é assim mais quente
Que as xoxotas do sertão

SHOW MUSICAL OU KARAOKÊ

Tocar em bares é muitas vezes uma tarefa que nos exige ter atitude. Nosso compromisso como nosso público, manter o nível de nosso trabalho, acredito deva ser nossa meta, assim como deve ser de todo profissional de qualquer ramo de atividade.

É por demais comum aparecerem colegas nossos e outras pessoas que são músicos nos ambientes nos quais nos apresentamos, muitas vezes outros músicos nos pedem uma chance de usar nosso palco para divulgar sua arte. Eu sempre abri e abro espaço pra esses amigos e colegas de profissão, afinal é sempre de bom tom uma quebra de estilo e sonoridades, quebrando a feição monocórdia que é um só artista por um tempo longo em mesmo palco.

O problema é quando aparecem pessoas que não possuem a mesma performance, dessas que os amigos elegem como artista da turma, que em eventos privados dão seu show pra seu público doméstico e que julgam que em espaço público terão a mesma acolhida. Tempos atrás conheci uma aspirante à cantora. Foi num evento num espaço onde a acompanhei cantando pra pessoas conhecidas, ela agrada mais pela simpatia, é uma mulher bonita, mas do ponto de vista musical é deficitária, desafina um pouco e tem dificuldades de ritmo, atravessando em relação ao acompanhamento musical.

Mercado da Boa Vista,lugar onde toco desde março de 2008. Hoje temos um grupo bem entrosado tocando lá: eu de voz e violão, Paulinho Cantor nosso vocalista e Gel de São José, nosso talentoso percussionista. Conseguimos montar um repertório bastante dinâmico e que tem agradado em cheio ao variado público que lá freqüenta. Nossa política de abrir espaço para outras pessoas ocuparem nosso palco leva sempre em conta o fator de essa intervenção não quebre a dinâmica, já que nosso público é bastante exigente e não recebe muito bem quem não segura a onda direito.

Essa moça que gosta de cantar apareceu lá querendo se apresentar. Eu expliquei pra ela que ali é um espaço público, com grupo ensaiado, no qual não há condição de colocar pessoas que não tenham a mesma qualidade musical do grupo e dos outros músicos que nós eventualmente convidamos pra dar uma canja em nosso palco. Foi complicado, ela alterou-se, disse que sempre é ovacionada por onde se apresenta, que as pessoas perguntam onde ela costuma se apresentar,etc., etc.

Eu me limitei a ouvir e disse na lata: – tudo bem, mas você atravessa e desafina demais, e eu não vou colocar no meu palco quem não tem afinação e ritmo, isso é meu espaço de trabalho, construí isso aqui com quatro anos de muito esforço junto com meus parceiros de palco. Nós aqui fazemos um show, não fazemos karaokê. Mas como Narciso acha feio o que não é espelho, ouvi seus impropérios irados e me retirei pra voltar ao palco e encerrar mais um domingo como faço desde 2008.  Como diria Brecht: – nós que pregamos o bem, nem sempre podemos ser bons.  Fazer o que?

IRONIA

Ironia santa ira quem diria
Pra dizer sutilmente o escambau
E deixar outro alguém a ver navios
Sem ação sem razão pra dar de pau
Ironia coisa simples nesse instante
Ironia é uma forma elegante
Que a gente tem assim para ser mau

ESTROFES ON-LINE

ALLAN SALES

Se leão , coral ,timbu
Boto em mesma sacola
Três timecos sim senhor
Que lá fora só degola
Um futebolzinho peba
Nessa trinca só pereba
Que não dão um show de bola

ÉSIO RAFAEL

Um dos dois já se atola
Com isso não me comovo
Timezinhos de galinha
Todos três têm goro ovo
Os cartolas ganham tudo
E quem se fode é o povo.

ALLAN SALES

Na Alemanha no Kosovo
Ou na terra de Andaluz
Futebol sim tem pereba
Que mal joga eu supus
Torcedor daqui maluco
Pobre do meu Pernambuco:
Coisa, Barbie e o Santa cruz

LINHA DO TEMPO

Eu já vi noutro tempo diferente
Hoje vejo, você nada mudou
Permanece do jeito que ficou
Na essência, pois tem a mesma mente
Mas a vida caminha só pra frente
E a gente percebe e muito bem
Transformar, transmudar e ir além
Pra quem tem mesmo afeto mesma essência
Quem não tem, vade retro, paciência
Só se perde aquilo que se tem

CAMPANHA PELA QUALIDADE MUSICAL RADIOFÔNICA

Como podemos obrigar ou até mesmo sugerir a inserção de música qualidade nas rádios comerciais?

São empresas constituídas e referendadas pela lei de concessão de canais de radiodifusão. Teoricamente deveriam ter compromisso social com o desenvolvimento cultural do país. Mas estão nas mãos de pessoas cujos interesses imediatos não passam por esse fomento.

Breganejos, forró de plástico, funk bizarro, e toda sorte de música medíocre que esse país produz vende fácil e fomenta a letargia mental das massas, o que interessa e muito ao sistema alienado e alienante em que vivemos.

MINHA NETA

Eu aqui feliz da vida
Novamente sou poeta
Eduardo com Diana
Mesmo teto e mesma meta
O casal novo e contente
Que nos deu lindo presente
Ísis Sales minha neta

ESTADO LAICO, A QUEM INTERESSA?

O único caminho que os evangélicos tem de fazer pressão sobre o estado é o parlamento. Basicamente as igrejas neo-pentecostais que usam os fiéis como massa de manobra e rebanho eleitoral, tem sem dúvida um projeto de poder no qual a feição de estado laico que hoje é o Brasil não lhes interessa. Tolerância não é prática deles nem religiosa muito menos política,são essencialmente auto referentes e impositivos com relação aos que

Uma teocracia com toda certeza é o modelo que esses “profetas” do apocalipse da pluralidade do pensamento querem e perseguem.A cada eleição acumulam mais força parlamentar, investem pesado nas suas expansões de seus credos obscurantistas. Já teve caso deles que propuseram criminalizar os adeptos dos cultos afro brasileiros. Uma facção fascista, sumamente intolerante e autoritária. Hoje tem poder econômico via doação dos rebanhos evanjegues, poder de mídia através das redes de TV, poder político com suas bancadas.Um dia vão querer o poder armado para reprimir os que não concordarem com seus valores e visão do mundo, uma xiitização do processo político está a caminho.

GLOSA

Lei da causa e do efeito
Como Newton assim mostrou
Nossa vida demonstrou
A verdade do conceito
Tudo que por nós é feito
Vamos nós assim pensando
E vivendo observando
Como a vida assim é feita
Não reclames da colheita
Mude o que estás plantando

SALVE NENA QUEIROGA

 

Cantora cosmopolita que não cai no caminho das pedras do regionalismo como religião estética.

Nena Queiroga ama a boa música de todos os povos, nordestinamente universal, até em outras línguas está lá presente em sua afinada voz nosso ethos de nordestinidade, sem perder a chance de sempre ser uma ponte entre a musicalidade que nos é própria com o resto do mundo interligado pela globalização. Um pedaço do primeiro mundo estético encravada nos mangues e praias do Recife.

Do frevo e maracatu, baiões e xotes, transmigra para as sutis melodias da bossa nova, com a mesma naturalidade, emprestando sua voz cristalina e sua interpretação sempre cuidada por uma alma musical do mais profundo refinamento estético, nada devendo às grandes divas da canção endeusadas pela mídia dominante no Brasil.

Nena Queiroga canta “Minha Pintura”, de Xico Bizerra:

ESTROFE

Para um amigo que luta pela criação inútil do dia do orgulho hétero:

Deixe eles Rafael
Um atrás eles na frente
Pois o cu pertence a eles
Cada um faz como sente
Eu nem ligo nem me acabo
Deixa eles dando o rabo
Sobra mais mulé pra gente

NENA QUEIROGA: CIDADÃ PERNAMBUCANA

Salve Nena Queiroga ! ! !

Nova Cidadã Pernambucana, título recebido ontem, 18 de abril de 2012, na Assembléia Legislativa.

Nena Queiroga canta o Frevo-Canção “Bom Danado”, da autoria de Luiz Bandeira e Ernani Séve

Vem do frevo da bossa de do baião
E nasceu da matriz do seu Queiroga
Mas raiz que se tem não se revoga
E brotou da raiz do mesmo então
A Maria de nós é da canção
No talento de voz mais genuína
Toda graça sonora e feminina
Quem na voz encantou o mundo inteiro
Quem nasceu lá no Rio de Janeiro
Tem raiz e tem alma nordestina

Cidadã desta terra vem pra ter
O direito civil no bom intento
Pra saudar toda luz do seu talento
Para o mundo inteiro conhecer
Nossa Nena Queiroga vai dizer
Pois encanta a todos nos fascina
Com a voz pura bela e cristalina
Seu cantar nordestino e brasileiro
Quem nasceu lá no Rio de Janeiro
Tem raiz e tem alma nordestina

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TORCIDAS

Cidadão se estarrecendo
Vendo tanta excrescência
Gente tosca pelas ruas
Espalhando tal demência
O que antes foi torcida
Transformada enfurecida
Organiza a violência

São assaltos arrastões
Coletivos depredados
Os do bem sempre assustados
Maloqueiras multidões
Entre eles tem ladrões
Combater e com urgência
Acabou-se a paciência
Clama a paz pra nossa vida
Transformada enfurecida
Organiza a violência

São um bando de animais
Fracassados perdedores
E suínos seus pendores
Os seus modos bestiais
Os apelos sociais
Pra barrar tal indecência
Sem moleza e leniência
Com tal gente poluída
Transformada enfurecida
Organiza a violência

São bandidos desgraçados
A posar de torcedores
Este circo de horrores
Em que somos arrastados
Os lazeres maculados
Com tamanha incongruência
Um modelo vê falência
Desta turba enlouquecida
Transformada enfurecida
Organiza a violência

São um bando de frustrados
Como um lixo social
Com o seu pendor fecal
Onde tem os celerados
Porcos tão deseducados
Turba lhes dá anuência
Se tem pouca inteligência
Tal gentalha embrutecida
Transformada enfurecida
Organiza a violência

DEZ POR CENTO

Uns que bate desespero
Tem a fé por tosco alento
Outros são tão fariseus
Novo e velho testamento
Seus milagres e lorotas
Pra lograr sempre idiotas
Aleluia em dez por cento!!

MEU AMIGO CORONEL PM ADALBERTO LINS SALES

Dos meus doze aos meus dezoito anos eu fui aluno do CPM, Colégio da Polícia Militar de Pernambuco. Este foi fundado em 1967 com o intuito de ser preparatório e encaminhar jovens para o oficialato da nossa PM. Tinha a mesma formatação do Colégio Militar do Recife, do Exército Brasileiro e demais congêneres espalhado Brasil afora.

Por pressão de minha mãe, que me queria milico de todo jeito, a matriarca, quando eu tinha onze anos de idade perguntou se eu queria estudar em qual dos dois colégios militares que existiam no Recife, sem opção de estudar como todo jovem normal em algo menos neurótico do que as duas únicas opções que ela me colocou. Terminei prestando exame no CPM, onde eu estudara a quinta série de admissão ao ginasial, justamente num curso preparatório mantido por um major aposentado da PM e que funcionava dentro das instalações do colégio.

Até o terceiro ginasial eu fui de comportamento exemplar, sempre tive boas notas, estando sempre entre os primeiros de minha turma. A partir da quarta série, eu comecei a aprontar demais disciplinarmente e assim forçar minha expulsão já que perdera completamente a vontade de um dia ser militar. Novamente, a matriarca pegou pesado, tive que encarar o restante dos sete anos de colégio de milico. Foi nessa fase conturbada em que o jovem Tenente Sales, chegou para trabalhar no colégio, justamente na sessão de instrução, responsável pelas punições disciplinares dos alunos perturbadores da ordem.

Eu apesar das notas altas, das minhas promoções a aluno tenente e a aluno capitão, passara a esculhambar demais no colégio. Ridicularizar professores, sair na porrada com vários colegas, desacatar sargentos monitores sem falar no meu vocabulário de rapazola desbocado, inclusive em sala de aula quando alguém me torrava o saco. Foi uma punição atrás da outra, meu conceito disciplinar baixando, levei umas broncas feias em casa por causa do excesso de molecagem. Foi aí que o Sales entrou em cena.

O então capitão Sales me chamou pra conversar, com minha ficha na frente, segundo da minha turma, só passava por média. Ele me perguntou uma coisa bem simples:- fora perturbar o juízo dos outros, o que você mais gosta e sabe fazer? Eu respondi:- jogar xadrez. Ele prontamente me encaminhou para a incipiente equipe de xadrez do colégio, onde dois irmãos cearenses e mais um outro rapaz do Recife dominavam a cena. Fui colocado para treinar com eles, quando um dos titulares da equipe foi expulso do colégio por ter chamado um sargento de filho da puta e saído na porrada com ele, eu me candidatei a ocupar sua vaga.

Ganhei o torneio de acesso à vaga deixada pelo colega aloprado dei uma parada com as molecagens por uns tempos. Em 1976, quando jogávamos o campeonato estudantil do estado, eu levei uma punição de três dias de suspensão. Uma semana antes dos jogos estudantis, durante a formatura antes das aulas, eu levara um radinho de pilha pro colégio. Durante a formatura eu liguei o rádio, que tocava um forró bem animado, e eu meu colega de equipe de xadrez Aércio dançamos um xaxado. Flagrados pelo nosso monitor, levamos uma parte, e numa segunda feira, soubemos que fomos suspensos das aulas em plenos jogos estudantis.

Minha mãe ficou louca quando soube, eu chegara no limite atingir o comportamento mau, e daí para ser expulso, bastava só uma simples repreensão. Ela foi ao colégio reclamar com Sales, como é que um menino defendendo o nome do colégio em competição era punido daquele jeito? Ela disse que por ela, eu não jogaria mais pelo colégio. Sales, que é psicólogo também, abriu calmamente sua gaveta, e mostrou pra minha mãe pelo menos 10 partes dos sargentos com meu nome. E disse pra ela: – olhe, essa do xaxado é alteração mais leve que ele deu esse mês. Os sargentos vivem aqui reclamado porque ele não é punido. Justamente pelo fato da equipe de xadrez estar indo bem, eu encaminhei essa, mas o coronel mandou punir com três dias seu filho.

E foi assim que ao final de mais duas semanas, ao ganhar o vice-campeonato de xadrez e no ano seguinte o campeonato estudantil, primeira conquista de ouro do CPM, que meu grande amigo Sales me livrou de ser expulso por indisciplina do colégio.

Minha promoção a major aluno foi vetada pelo subcomandante nesse mesmo ano, pois um dia, depois de perder uma partida de tênis de mesa, eu dei um berro pavoroso no pátio colégio,um sonoro puta que pariu, em seguida dei pique e dei um chute numa parede azulejos do recinto de jogos, quebrei pelo menos uma três azulejos com essa pesada. O major, mandou-me conversar com o novo chefe da disciplina que era linha dura e me detestava. Mais uns três dias em casa pra acalmar meu juízo. Dessa vez não fui expulso porque meus feitos na equipe de xadrez me renderam uma série de elogios no boletim disciplinar, coisa que anulava as punições disciplinares que acumulara naqueles tempos.

Os dois últimos anos eu parei com essa coisa toda, tinha que estudar pro vestibular e isso me tirava energia demais pra perder meu tempo com essa rebeldia sem futuro.

TRECHO DO MEU NOVO CORDEL

O Brasil capitania
Um Brasil de escravidão
Do açúcar produção
Cativeiro a tirania
O atraso e a porfia
Os castigos bestiais
Negros como animais
Repressões fortes viris
Sem projetos pro país
Só projetos pessoais

O Brasil ouro das minas
Prosseguiu na exploração
A manter vil condição
Das ganâncias mais ferinas
As senzalas tão suínas
Lucro de barões feudais
Tradições porcas demais
Que aplaudem pedem bis
Sem projetos pro país
Só projetos pessoais

O Brasil Pedro Primeiro
De império tresloucado
Negro ainda escravizado
No penar de um cativeiro
Todo traficar negreiro
As rotas comerciais
Os quilombos fraternais
Onde todos são zumbis
Sem projetos pro país
Só projetos pessoais

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BELEZA E TALENTO

Valquíria Janie, violoncelista da Orquestra Sinfônica do Recife, e membro do grupo musical feminino Flor do Muçambê

Quando vejo essa guerreira
Empunhando o instrumento
Eu viajo assim demais
Ao curtir lindo momento
Com seus ares de princesa
O talento da beleza
Com a beleza do talento

GLOSAS

Quem tira nossa energia
Quem enche bem nosso saco
Quem derruba nosso taco
Quem nunca tem serventia
Quem vive na vilania
Quem nos rouba nossa paz
Quem nosso céu o desfaz
Quem nossa vida atenta
Quem nada nos acrescenta
Nenhuma falta nos faz

Gente assim é uma desgraça
Veio ao mundo a perturbar
Nada faz para mudar
Adora ser da trapaça
Gente ruim vem e passa
Hiena ruim contumaz
Nossa derrota o compraz
Lorota besta que inventa
Quem nada nos acrescenta
Nenhuma falta nos faz

Quem nada novo propõe
Quem sempre dá mau pitaco
Quem possui juízo fraco
Quem lado negro supõe
Quem tira e não repõe
Quem é fujão contumaz
Quem faz o mal e refaz
Quem tem a alma nojenta
Quem nada nos acrescenta
Nenhuma falta nos faz

GLOSAS

Mote achado no facebook

Quem tira nossa energia
Quem enche bem nosso saco
Quem derruba nosso taco
Quem nunca tem serventia
Quem vive na vilania
Quem nos rouba nossa paz
Quem nosso céu o desfaz
Quem nossa vida atenta
Quem nada nos acrescenta
Nenhuma falta no faz

Gente assim é uma desgraça
Veio ao mundo a perturbar
Nada faz para mudar
Adora ser da trapaça
Gente ruim vem e passa
Hiena ruim contumaz
Nossa derrota o compraz
Lorota besta que inventa
Quem nada nos acrescenta
Nenhuma falta no faz

Quem nada novo propõe
Quem sempre dá mau pitaco
Quem possui juízo fraco
Quem lado negro supõe
Quem tira e não repõe
Quem é fujão contumaz
Quem faz o mal e refaz
Quem tem a alma nojenta
Quem nada nos acrescenta
Nenhuma falta no faz

ROTINA DE TOCADOR DE BOTECO

Tocar na noite é como ser um garçom que serve música. As pessoas vão na expectativa de ouvir aquilo com o que se identificam, isso varia com idade, origem social , grau de instrução , etc. É muito difícil agradar e /ou atender a todos os pedidos musicais que as pessoas geralmente fazem, muitas vezes sem perceber qual o perfil de quem está se apresentando. É como se pedissem pra comer um sushi estando em cantina italiana.

Felizmente, nos locais nos quais eu me apresento hoje, no Bar do Dedé (sábados,18h, na Vila do IPSEP desde janeiro de 2012) e Mercado da Boa Vista(11:30h,nos domingos desde 2008), os dois públicos são muito educados e compreendem sem grandes polêmicas quando não é possível atender a um desses pedidos. Mas, tem vezes que acontece algo fora desse padrão, tem pessoas que fazem abordagens agressivas e deseducadas quando não compreendem nossa impossibilidade de atender suas demandas , a gente tenta ser diplomata, mas tem hora que tampa da panela de pressão entra em colapso e gente é obrigado a dar uma regulada nesse tipo de gente sem noção.

Pois é, uma vez eu tocava num boteco na Imbiribeira , fazia um repertório de MPB, coisas de nosso Gonzaga ,Alceu Valença, Fagner, Geraldo Azevedo, Chico Buarque, Tom Jobim, Noel Rosa , Pixinguinha etc. Uma dupla de rapazes jovens e bem musculosos, esse tipo que anda em academia malhando, andam com camisetas cavadas,exibindo a marra pro povo. Chegaram pra beber lá e um deles da mesa me pedia para eu cantar uma música de Fábio Junior.Como esse compositor não está listado em meu repertório, eu, educadamente, disse ao jovem que não conhecia peças musicais do mesmo.

Antes de ir embora, um deles veio até meu palco, com toda grosseria peculiar de gente imbecil me disse: – esse seu repertório é uma merda, por que você não aprende as músicas de Fábio Junior? Eu calmamente respondi:- meu amigo, a música que esse cabra faz é pra agradar menininhas retardadas e baitolas. Fechou o tempo, ele só não brigou porque o bar ficava cerca de 150 metros de uma base comunitária da PM.

NO BAR DO DEDÉ: O KUAZE BAR

Um amigo e talentoso violonista chamado Tom do Violão a quem a avistei durante as últimas semanas de 2011 que me fez o convite. No caso ele disse que estava se apresentando no famoso Bar do Dedé na Vila do IPSEP todos os domingos a partir das 17h.

No caso, o formato que ele apresentava lá é bastante inusitado, Tom é essencialmente um instrumentista, canta, mas não é sua especialidade, preferindo acompanhar cantores e cantoras com seu eficiente violão seresteiro com pitadas de sons da jovem guarda que faz com muito gosto.

Num domingo, o segundo de dezembro eu apareci por lá, reencontrando um grande número de pessoas que foram clientes do extinto Calçadão do Seu Borges, outro simpático boteco na Imbiribeira no qual eu o Tom já tocamos em 2010.

Fora esses amigos e amigas que sempre seguem o Tom aonde ele for tocar, o povo da Vila do IPSEP,lugar aprazível do Recife no qual passei momentos felizes de minha adolescência e início da minha vida adulta até por volta dos meus 25 anos de idade. Identifiquei de pronto algumas pessoas da vila que fazia anos que não avistava. Alguns eu cumprimentei e eles ali pedindo para que eu me apresentasse, coisa que aconteceu do meio pro fim da apresentação do Tom que me chamou ao palco.

Foi bacana demais eu ali no palco de uma bar na Vila do IPSEP, comecei contando ao microfone da minha alegria de estar ali, o repertório que escolhi foram canções que eu e minha turma de amigos e amigas apreciávamos nas vezes em que nos encontrávamos para curtir nossos momentos em comum. Foi bacana ter cantado “Menina da ladeira” ( menina que mora na ladeira, passa ,passa, passa…), passou um filme na minha cabeça dos tempos em que ficava com minha turma varando noites nos botecos e praças do IPSEP, tocando violão, cantando e enchendo a cara.

O fato bom disso tudo é que meu amigo Tom pavimentou o caminho para o Tadeu Santana, o proprietário do bar, que me contratou para tocar todo sábado. Estou lá desde janeiro deste ano, começando pontualmente às 18h e terminando às 22h para não incomodar a vizinhança como mandam os bons costumes. Sejam todos bem vindos!

ONDE ENFIARAM O PROJETO DE PAÍS?

Projeto de casa grande nós temos ,está aí desde 1500, intocável,o que se faz no Brasil hoje é uma manipulação populista pra acalmar a revolta social,esse modelo tem prazo de validade,as demandas sociais crescem em ordem exponencial e eles dão esmolas em escala linear, as curvas divergem muito.

O modelo de tampão populista, é saída contra uma ruptura do status quo,o bom e velho pacto de elites, que o grande Nelson Werneck Sodré tão bem descreveu:façamos a revolução antes que o povo a faça.

Fizemos nossa independência pondo no poder o filho do nosso opressor português,sem ruptura.

Fizemos a república, mantendo os vícios do império, sem mexer no modelo econômico,a revolução de 30, manteve a exploração das massas, fez somente a mudança do eixo de dominação internacional, mudando para mãos americanas nossa dependência.

A redemocratização depois do estado novo se fez seguindo ditames da guerra fria, com o sistema de espoliação das massas intocado.

Quando o povo finalmente se organiza e questiona o modelo e Goulart sinaliza com mudanças tímidas da matriz social e produtiva , uma ditadura vem e acaba com tudo.
 
E aqui estamos nós , sem reforma agrária, sexta economia do mundo com o 56º índice de IDH do mundo, isso é insustentável a longo prazo para criar um país de ponta. Até quando o tampão de medidas populistas paliativas vai permanecer?

CRISE IBÉRICA

Portugal que foi potência
Caravela com canhão
Saqueou coisas no mundo
Promoveu a escravidão
O poder que fez com arma
Hoje vem pagar seu carma
Pobre com pires na mão

Alemanha muito rica
Reticente em ajudar
Teus escudos já não valem
Só reais de além mar
Índia livre com Mahatma
Tu só tens virgem de Fátima
Só Jesus pra te salvar

Espanhóis por outro lado
Não nos tratam muito bem
Achacando brasileiros
Que ali vão sem vintém
Como os lusos na proposta
Vão nadar na mesma bosta
Vão no cu tomar também

ASSIM FALAVA TIM MAIA

O país não vai dar certo
Traficante se deleita
Cheiro pó e se vicia
Prostituta então se deita
Por cliente se apaixona
Cafetão ciúme à tona
E o pobre é de direita

TEXTO PERTINENTE

Medicina causa nobre
Que a vida determina
Juramento de Hipócrates
De nobreza genuína
Do Brasil, da Rússia, Aruba
Dos states ou de Cuba
Não tem pátria a Medicina!

* * *

Doutor João Veiga

Esse debate sobre o processo de equivalencia de diplomas de medicina de países do cone sul ficou generalizada por conta de muitos pernambucanos que foram para Cuba fazer medicina patrocinada ou indicada por partidos políticos. Não entendo como se nivela por baixo uma coisa séria como a saúde de todos nós. Eu duvido que qualquer defensor desta causa queira que um filho de 10 anos, com febre há 2 dias, com dores abdominais e diarréia, seja examinado e tratado por um médico com formação em Cuba ou na Bolívia. As faculdades na Bolívia não tem a menor condições de ter o aprendizado prático. A Faculdade de Medicina de Havana tem problemas para alimentar os alunos, ler o livro de Samarone. Eu recebia alunos cubanos no HR e sei as suas precariedades.

Estamos precisando de obstetras para conduzir uma gestação de alto risco, esse é nosso gargalo, afirmo que nenhum médico com formação cubana e boliviana sabe conduzir. As gestantes de alto risco em Cuba e Bolívia tem o índice de mortalidade maior que o nosso, e é muito.

Precisamos de neonatologistas para poder salvar essas crianças de gestação de alto risco e para isso faz-se necessário preparo técnico e tecnologia, pois senão o paciente morre.

No nosso Brasil, uma criança prematura na rede pública tem maior chance de morrer que uma criança na rede privada.

O que precisamos na atenção básica é de médico com uma excelente formação e pós-graduado e que saiba usar tecnologia. As patologias atuais não comportam médicos sem uma boa formação. Por não ter atualmente essas características os médicos da atenção básica, estamos com um “batalhão” de pacientes com AVCs na rede de alta complexidade.

Médico da atenção básica tem que saber que paciente com AVC com menos de 3 horas pode ser tratado e ficar sem sequela no Hospital Pelópidas Silveira.

ASSASSINANDO O VERNÁCULO NA REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES

Uma ferramenta poderosa de comunicação propagando através de uma postagem engraçada um erro de português.

Só que não é mal gosto. Mal é advérbio de modo cujo antônimo é bem.

Mau gosto é o termo correto, já que mau é adjetivo cujo antônimo é bom.

FESTA DA JUVENTUDE ACHACANDO A MEMÓRIA GONZAGUEANA

Prefeito sem compromisso com a cultura, eleito por um povo burro sem noção de quem escolher como seus gestores.Essa coisa de terra de ninguém é uma praga também em Jaboatão, cidade que como o Cabo tem imensos contingentes de eleitores ignorantes que geram gestores desta natureza. Imagino a cabeça que deve ter o secretário de cultura, que chancela uma aberração dessas de associar o nome do mestre Luiz ao que há de mais pobre e estúdio esteticamente em termos de música popular.

Isso tudo é apenas efeito da decadência das políticas culturais em todo Nordeste. O interior afora é um festival de coisas semelhantes. Isso ocorre em meio ao atraso cultural e ignorância das massas, causada pelo baixo nível de educação desse povo que não fica indignado com esse tipo de coisa.Essa porra vai lotar, os babacas vão adorar e carrear louros da vitória para os cretinos que gestaram essa aberração em nome da cultura. FESTA DA JUVENTUDE BURRA E ALIENADA.

Aqui no Recife trouxeram Sandy e Junior no começo do segundo mandato de João Paulo. Foi a maior gritaria das mentes conscientes, razão pela qual os petistas nunca mais ousaram repetir semelhante coisa. Mas pelo visto o povo do Cabo não tem em sua população um contingente de gente consciente e pensante que seja massa crítica para fazer o poder repensar suas ações.É uma questão de correlação de forças. Quantas prefeituras realmente progressistas o povo do Cabo elegeu até hoje??

ADEMILDE FONSECA

Ademilde foi embora
Lá no céu segue cantando
Sua voz no choro foi
Um Brasil vocalizando
O Brasil canta no coro
Pois calou-se a voz do choro
E o chorinho está chorando

 

Ademilde Fonseca canta “Choro chorão”, (de Martinho da Vila)

INTERNETÊS

Se “vc” era você
Na internet atual
O “tb” nosso também
Um “XD” débil mental
Português é estuprado
“Tlg” é tô ligado
Maloqueiro virtual

MALAfaia

Malafaia pregador
Com um monte de tutu
Vem pregar no meu Recife
Expulsar o Belzebu
Dizer monte de besteira
Falar mal de saboeira
E neguim que dá o cu

ESTROFE DE UM DEVEDOR

Devo tanto nesta vida
Que perdi até a soma
Devo grana pra caralho
Que meu saldo está em coma
E assim vou sem vintém
Se eu chamar tu de meu bem
Vem o banco então e toma

SOCRATIZANDO O MOTE

Mote de Clécio Rimas

Disse Sócrates somente
Ao deitar filosofia
Era assim que ele fazia
Fazedor de tanta mente
Pois se Sócrates não mente
Ao ditar vistosa lei
Fundador da nobre grei
Que no mundo ainda existe
“Todo meu saber consiste
Em dizer que nada sei”

E socrático seguindo
Pelo mundo o pensamento
Do saber todo fomento
A idéia aqui surgindo
Sou socrático tinindo
Mas não quero virar frei
O saber que alcancei
No meu quengo ele insiste
“Todo meu saber consiste
Em dizer que nada sei”

Feito Clécio vou rimando
Vou socratizando o mote
No poema dando bote
E aqui poetizando
Cada glosa vem chegando
E com Sócrates me dei
O que mais aqui direi
Só vontade aqui persiste
“Todo meu saber consiste
Em dizer que nada sei”

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GLOSAS

Mote de Lima Junior

É fácil quando tem grana
Difícil é quando ser liso
É fácil quando tem piso
Difícil é quando embanana
É fácil em Copacabana
Difícil é lugar mirim
É fácil pra Tom Jobim
Difícil quem não tem Tom
“É fácil ser bom, no bom
Difícil é ser bom, no ruim”

É fácil quando embalado
Difícil se a vida trava
É fácil com mente brava
Difícil se encagaçado
É fácil se inspirado
Difícil se é chinfrim
É fácil se qual cupim
Difícil se não tem som
“É fácil ser bom, no bom
Difícil é ser bom, no ruim”

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A HISTÓRIA DOS TRÊS PORQUINHOS

Ano de 1991, o produtor Pedro Portugal me procura numa sexta feira no Teatro do Parque, me entrega um texto para que eu em uma semana produza seis músicas para o espetáculo. Deu tudo certo dentro das apertadas condições orçamentárias de que produzia teatro nos anos 90, sem o concurso das atuais leis de incentivo nas quais grande parte da produção cultural de hoje vive se cercando. O espetáculo até hoje é encenado, sendo o mais longevo espetáculo infantil em cartaz em Pernambuco, e que me deu 3 prêmios de melhor trilha musical.

Pois é,lembrar que isso começou em 1991 com eu e Pedro recém casados, com filho bebê e morando com a sogra.Grande emoção em me lembrar da nossa vitoriosa criação, tive menos de uma semana pra compor, com um elenco que não sabia cantar. Tinha um ator de voz bem grave (um lobo mau viado) que não conseguiu cantar como lobo no estúdio,terminava desmunhecando e dando pinta nas partes mais altas da melodia, razão pela qual Pedro arretou-se dizendo:- puta que pariu, vou em fuder todo pagando hora de estúdio com esse filho da puta que consegue cantar essa porra.Aí em entrei em cena e gravei lobo, um dos porquinhos cujo ator também não cantava.Bons tempos,apesar das vacas magras.

POEMA ILUSTRADO


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