1 março 2017 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
SOB O ENCANTO DA VOZ ROUFENHA

Não se trata simplesmente de gostar, ou não, até mesmo porque o viés personalista da preferência poderia colocar sob suspeita alguma relevância que porventura a acompanhasse. É apenas uma constatação: o PT já estava deteriorado antes de nascer. Para ser parido, primeiro ocupou-se de trair os trabalhadores.

No auge das greves em São Bernardo do Campo patrocinadas por um sindicato classista, pude acompanhar de perto os confrontos entre trabalhadores e a Força Pública, hoje Polícia Militar. De todas as manifestações de rua que tive a oportunidade de testemunhar, mais notadamente na Marechal Deodoro, principal via da São Bernardo de então, jamais detectei a presença de alguma liderança de alta patente do movimento para dividir o ônus da causa. Elas estavam ocupadas em usufruir, sob as asas protetoras da fraude ou da batina, ou de ambas, do bônus da glória repentina.

Preocupadas em assegurar um lugar de confortável destaque e de segurança conveniente no novo Brasil que se configurava, não hesitaram em dar às costas aos trabalhadores antecipando a fundação de um partido político em detrimento das reivindicações que davam voz, vida e credibilidade ao movimento. Esse erro estratégico foi fatal, tanto para o PT, como para a CUT. Um, jamais conseguiu legitimar-se como representante político da classe trabalhadora.

Intelectualizou-se para pior. A outra, sempre esteve distante de ser a liderança trabalhista no campo da política. O máximo que conseguiu foi ser porta voz das vicissitudes partidária ou governista. Nada além disso.

Ao estabelecerem como prioridade das prioridades as vantagens pessoais propiciadas pelo engajamento político, os líderes sindicais de São Bernardo não foram fiéis ao levante de Vila Euclides. Matreiros e covardes elevaram à importância de primeira baixeza as necessidades e as esperanças dos trabalhadores de todo o País que se julgavam representados naquela insurgência capitaneada pelos metalúrgicos são-bernardenses. Sucumbiram à facilidade que a fidelidade abomina e renega.

Por sua vez, o PT desonrou seu histórico comprometimento ideológico ao consolidar a falta de ética como ideário da legenda, apequenou-se ao eleger a perfídia como avalista de sua caminhada em busca do poder absoluto e naufragou nas águas pútridas da promiscuidade ao estabelecer a corrupção como programa de governo. Ao longo desses quase quarenta anos persegue, às vezes com a avidez dos desesperados, a maturidade que jamais alcançará, pois, corrompido ainda na gestação, nunca deixará de ser um vulgar feto mimado, birrento e irresponsável. Juntos, petistas e sindicalistas traíram a boa fé do povo brasileiro aliançando-se ao que havia de pior na política e no empresariado nacionais.

De braços dados com a farsa e a empulhação, PT e CUT cumprem a patética missão de serem emissários vulgares das novas – que invariavelmente não são boas e cuja celeridade dos malfeitos não permite que se tornem velhas -, advindas do feudo lulista.

Submissos, curvam-se ao poder emanado das profundas da voz roufenha que os encanta e vicia.

24 fevereiro 2017 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
SÓ DEPENDE DE NÓS

Tomo por óbvio que nas hostes petistas há de ter pessoas de bem e profissionais do bem. Se até no PSTU e no PCO é bastante provável que tenha, por que no PT não haveria de ter, não é mesmo? No entanto, o desempenho do Partido dos Trabalhadores, ou o que restou dele depois de 2005, ao longo dos mais de treze anos que comandou o destino do Brasil, me fez acreditar que não existe nada mais perigoso do que um petista bem intencionado. Via de regra, a boa intenção encenada nada mais é do que um truque barato visando camuflar mais uma patifaria consolidada. É usada, também, como refinada tática de evasão.

Vítimas da própria soberba e estimulados pela imprensa companheira, os petistas não se deram conta de que pairava no ar um irreversível sentimento de mudança.

Quem acompanhou a trajetória do PT desde a sua fundação, sabe que os escândalos do mensalão e do petrolão o devastou de forma definitiva. O que sobrou do outrora partido que se proclamava senhor inquestionável das virtudes e dono absoluto da verdade, transformou-se num ajuntamento de celerados arrogantes e autoritários que sempre trouxeram na alma o objetivo de apoderar-se definitivamente do estado e, depois da posse consumada, estabelecer como expressão possível apenas aquela traduzida na insanidade que prospera somente sob a égide de um estado de exceção e, determinar como livre, apenas o pensamento que emana de sua índole totalitária.

A perpetuação no poder é o que os move; e, para tanto, não titubearam em manchar a história da legenda e trair o passado do partido compartilhando essa jornada ao centro da destruição de um país com inimigos viscerais de sempre como Paulo Maulf, José Sarney, Delfim Netto, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Collor de Mello e Waldemar Costa Neto, entre outros titãs da democracia brasileira.

Lula e seus sectários encontraram na mais abjeta promiscuidade a possibilidade derradeira de sobrevivência política. O PT de Lula estabeleceu a tramóia política e a trapaça financeira como tábuas de salvação para se reerguer do terremoto provocado pelo Mensalão, escândalo que sacudiu suas estruturas e o jogou ao chão. Dizem que a fênix petista executou o voo da galinha: renasceu das cinzas do mensalão para ser definitivamente incinerada no mega-incêndio do Petrolão.

Embora desprezível sob todos os aspectos, a corrupção nada mais é do que a sinopse da degenerada índole humana. Como nesta vida tudo tem um significado, ela não deixa de ser didática. Entre outros ensinamentos, nos mostra o quanto há, ainda, a ser percorrido nessa infindável peregrinação em busca do aperfeiçoamento. Abreviar a distância, só depende de nós.

Não eleger políticos corruptos e não assistir, não acessar, nem ler jornalistas apaixonados por dinheiro e por políticos corruptos seria um ótimo começo.

21 dezembro 2016 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
FOTO PARA A POSTERIDADE!

Seguindo a trilha do desperdício, tudo indica que 2016 cumprirá a triste sina de pulverizar-se na inexplicável necessidade do cidadão latino-americaribenho de ter só para si um pai-dos-pobres para prestar a mais servil obediência e um messiânico redentor dos miseráveis para justificar sua fome cotidiana, carregando para as profundas do irrecuperável outra ocasião para saudar o principiar de um novo tempo, arejado pelos ventos libertários da democracia.

Ao que tudo indica, jogaremos no lixo da história a oportunidade ímpar que a morte de Fidel Castro, um dos mais sanguinários ditadores produzido em solo americano, nos proporcionou de nos reencontrarmos com o sonho de liberdade nosso de cada dia. Fracos por natureza, mais uma vez faremos ecoar pela imensidão da América devastada o som estridente do nosso silêncio acovardado e deixaremos escapar pelos vãos da sujeição a oportunidade histórica de fazer repercutir pelos vastos campos da indignação o repúdio vigoroso aos proto-ditadores reunidos em Havana por ocasião do funeral do proprietário da ilha famosa.

Praticamente toda Cuba se engalanou para recepcionar uma horda de aventureiros que tem se sucedido na tarefa de assolar tudo o que fica mais ao centro e ao sul do continente americano. Ao definir a realidade brasileira afirmando que sob o domínio do lulopetismo o Brasil perdeu muito mais do que 13 anos, a notável Valentina de Botas também traduziu, ainda que inadvertidamente, os desmandos centenários que têm forjado ao longo da história o esplendor de nossa latinidade aleijada.

Cada troca de afagos entre Raul Castro, Nicolás Maduro e Lula da Silva significa um distanciamento relevante entre a América Latina e a mais ínfima esperança de avanço democrático e de desenvolvimento social. Cada gentileza retribuída é a certeza de que avançamos com celeridade para os mais profundos grotões do subdesenvolvimento e quando sorriem, no mais das vezes manifestam o júbilo de terem sufocado o grito daqueles que ousaram gritar por liberdade. São virtuosos apenas em manipular a verdade e vesti-la de acordo com os seus projetos e interesses, quase sempre escusos. Não há uma mentira que não saibam usar com extrema competência. São até mesmo capazes de trajá-la com as vestes da verdade.

Juntos, representam a escória da democracia e compõem o mais sinistro trio de ferro que mantém vários milhões de seres humanos submissos ao mais fenomenal atraso. Unidos, sentem-se fortes, poderosos. Porém, cotejados à luz da verdade, sabem que são nada menos que vulgares predadores ferozes de esperanças e usurpadores inescrupulosos de sonhos. Sós, não passam de lideranças falsificadas que sempre estão dispostas a fazer qualquer trambique para se manter no poder.

Na foto, além de ditadores sanguinários como Raul Castro (de farda; não esqueçamos que a ditadura cubana sempre foi militar) e Nicolás Maduro, da Venezuela, aparecem os aspirantes a déspotas Daniel Ortega e Evo Morales (não se sabe o por quê, mas, estranhamente, Correa, do Equador, não aparece). Entretanto, o espoucar dos flashes guardava o melhor do seu registro fotográfico, juntando no mesmo ensaio ninguém menos do que Lula e Dilma, Vagner Freitas (da CUT), Guilherme Boulos (do falso movimento social MTST) e João Pedro Stedile (do falso movimento social MST). De boné, o indefectível Fernando Morais. Para encerrar com chave de ouro (de tolo) esse encontro de democratas do fim do mundo, valeu até a presença de investigado da lava jato, como o lugar-tenente de Zé Dirceu e editor de blog na chamada rede suja, Breno Altman (ao lado de Stédille).

Mais do que esclarecer que CUT, MST e MTST são organizações hierárquicas e autocráticas de esquerda, covardemente escondidas por detrás de movimentos sociais auto-proclamados “revolucionários”, que atuaram no reinado petista como correias de transmissão partidária, o retrato de famiglia também dissipa qualquer dúvida sobre a vocação dos chefes petistas para a ditadura.

A América Latina e o Caribe ainda sangram a mercê dos seus algozes.

“Nova Temporada: Walking Dead Cuba, com astros especialmente convidados…” (Renato Jannuzzi Cecchettini

6 setembro 2016 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
JÁ NÃO É MAIS UMA QUESTÃO DE TEMPO!

Desde quando o PT assumiu a presidência da República em 1.º de janeiro de 2003, me incumbi da missão de chamar a atenção dos brasileiros, e das brasileiras, para a temeridade do resultado da eleição ocorrida em 2002. A partir daquele dia fatídico, venho escrevendo reiteradamente que os petistas não deixariam o governo distribuindo rosas. Faz parte do seu DNA o fascínio pela destruição bárbara como modelo de protesto, da violência insana como forma de convencimento e da utopia insustentável, como método de imposição. Só não é utópico o ódio que sustenta e imbeciliza seus cães de guerra. Não nos enganemos com a desmoralizada conversa mole do golpe, pois, ainda que tivessem sido alijados do poder através das urnas, a reação seria a mesma. De forma patética, se insurgem contra o presidente que eles elegeram. Não nasceram para viver longe do poder. Não aceitam menos do que o poder!

Os treze anos e meio de desmandos do governo petista, sustentados no devaneio do lulopetismo remunerado, empurraram a parte da sociedade que não admitia ser cúmplice de sua incompetência administrativa, para um beco cuja única saída seria o levante social. Acuada, ela se levantou. Ainda um tanto quanto atordoada pela devastação a que foi submetida anos a fio, e, tateando pela vastidão do vácuo de lideranças que se estabeleceu, deixou claro que é senhora do seu destino e fez ressoar pelos quatro cantos do Brasil o seu repúdio veemente ao jugo do estado, pouco importando a cor do seu pavilhão ou o matiz do seu ideário. Ecoou pelas avenidas do Brasil de verdade o brado engasgado há mais de uma década, deixando um recado definitivo aos candidatos a messias redentoristas que não se deixa encantar pela bonança oportunista oferecida por redentores mercenários. Esbanjou vigor e sede de justiça.Dilma impeachment Paulista

Demorou, mas a onda de protestos que se esparramou por todo o País e reacendeu a chama da cidadania, avisou aos petistas que havia chegado o tempo do ajuste de contas. Ao serem estrepitosamente escorraçado das ruas, seu habitat natural, por uma multidão cansada de colecionar humilhações, aturdidos, sentiram pousar sobre o seus semblantes acintosamente arrogantes o olhar gélido do ocaso anunciando o princípio do fim de uma das mais penosas etapas de nossa história política. Com as bandeiras arriadas a inteiro pau se deram conta de que não eram mais os donos das ruas, e, menos ainda, do povo brasileiro, e que estavam definitivamente abaladas as estruturas do Brasil Maravilha que ainda lhes concedia asilo e que a ruína épica avançava inexorável, cumprindo a sina de devolver o Brasil aos brasileiros e sepultar na mesma cova rasa rasgada no solo árido da mentira uma divindade desprovida de luminescência, os proféticos neo-comunistas do século 21 e os arautos do pós-marxismo capitalizado na Bolsa de Valores.

Confiantes por demais no acolchoado eleitoral representado pela servidão de programas assistencialistas, pela proliferação de cotas e pela ditadura das minorias, governantes e políticos, na sua maioria, perderam o respeito pelo cidadão. Vencidos pela soberba, se juntaram no poleiro da promiscuidade de onde prestaram a mais ordinária vassalagem ao rei do terreiro e perpetraram uma sequência interminável de patifarias. Se auto-proclamaram brasileiros de fina estirpe, inatingíveis, acima do bem, do mal e da justiça. Se deram conta da imunidade pífia, quando as vaias estridentes que superlotaram os estádios da Copa da Vergonha e a voz vibrante emanada das ruas os fizeram compreender que eram apenas patifes.

“Os desatinos que vêm assolando nosso país há praticamente nove anos, infelizmente, demandarão o esforço de gerações para recolocá-lo nos trilhos do desenvolvimento”, escrevi há algum tempo. Encerrei aquele texto afirmando que “no entanto, apesar de todos os percalços, haveremos de ver triunfar a lisura e a retidão. Ainda que tardia, despida da toga servil maculada pela gratidão irrestrita, a história se incumbirá de fazer justiça a esses vendilhões da pátria.

É só uma questão de tempo”. Já não é mais!

24 fevereiro 2016 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
DIAS DE INQUIETUDES NOS ESPREITAM

Esse sistemático assalto aos cofres públicos que vem sendo perpetrado por importantes agentes do governo e por lideranças que ocupam cargos expressivos na hierarquia dos partidos que o sustenta, mais acentuadamente a partir de 2005, ultrapassa as raias da imoralidade e a desenvoltura desses quadros relevantes do governo federal e do Congresso Nacional no relacionamento com a corrupção reproduz uma das quadras mais doloridas e repugnantes da história recente do nosso País.

Nossa jovem democracia, que é aviltada diariamente, definha sob a sanha inescrupulosa de congressistas imorais, ante a inércia da justiça que precisa ser provocada para agir e a sutil, porém não menos covarde, aquiescência dos presidentes da República desde 2003, principais responsáveis pela indicação dos nomes desses crápulas como gestores fundamentais na aplicação de suas políticas de governo, se por ventura existir alguma. O juramento de defender os interesses soberanos da sociedade assumido perante toda a nação por ocasião de suas posses, naufragou espetacularmente fazendo emergir do pântano da corrupção o emputrecido e denso lodaçal que conspurca o relacionamento das instituições e acomoda o mais sórdido e inominável jogo de interesses. O pouco de dignidade que ainda teima em resistir, esvai-se lentamente pelos ralos desse vendaval de promiscuidade.

Movidos pela arrogância própria dos incompetentes, tanto Executivo como Legislativo, aqui há que se fazer justiça à exceção, ainda que rara, desfilam pela passarela da auto-confiança sua pouca, ou quase nenhuma, capacidade de gerir com um mínimo de sensibilidade social os recursos auferidos dos impostos escorchantes. Nas suas mentes pouco privilegiadas é perfeitamente natural enxergar uma realidade completamente diferente daquela que mostra o cotidiano dramático de de milhões de brasileiros, mais acentuadamente crianças e idosos que expostos diuturnamente aos efeitos devastadores exalados dos esgotos a céu aberto e à ingestão da água apodrecida que lhes é oferecida como a única, contam a mais suas perspectivas de morte.

Zombam desses passageiros da agonia quando, inebriados pelo poder que julgam inesgotável e irresistivelmente atraídos pelo acesso fácil ao dinheiro sempre à disposição, em nome de uma justiça canhestra que passa ao largo da vontade de grande parte da população, única e legítima proprietária desse dinheiro, sequestram metade da verdade e, fantasiados de restauradores da história, premiam com bilhões de reais assassinos confessos e empijamados guerrilheiros de festim como paga mercenária de serviços perfeitamente ajustados à vergonha do soldo ordinário.

Percorrem as veredas do inconcebível ao tentarem justificar a construção do megalomaníaco trem-bala, com custo incerto e não sabido, mas com a certeza do lucro fácil e tangível, desrespeitando a memória dos mortos produzidos aos milhares diariamente pela estrepitosa e avassaladora falência do SUS. Ao procurarem a cura para suas doenças físicas nos caríssimos hospitais da rede particular e nos mais avançados centros médicos que o dinheiro pode pagar, sinalizam que a opção pelos pobres não ultrapassa os limites de uma bolsa ou outra. Nesse viés chulo do assistencialismo eleitoreiro buscam, e encontram, repouso para suas consciências e paz para seus espíritos.

Embora tenha sido reconfortante a reação de boa parte dos brasileiros que responderam ao programa político do PT, levado ao ar dia 23 (terça-feira), com um estridente e constrangedor panelaço, ainda é preocupante a apatia de uma parcela significativa da população que teima em eleger e reeleger figuras exponenciais do submundo da política. Predomina a sensação de que a capacidade de indignar-se desses brasileiros exauriu-se sob os efeitos da nazi-propaganda oficial, vislumbrando nas suas entrelinhas, de forma inquietante, uma leniência recém-adquirida, advinda do ensaio de lavagem cerebral coletiva praticado ao longo de mais de treze anos.

Urge que a sociedade se levante e dê um basta à orgia institucional que assola nosso País. A manifestação popular marcada para o próximo dia 13 de março, que deverá acontecer praticamente em todo o País, exigindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff é uma excelente oportunidade de sairmos às ruas para dizer a Lula e ao PT que o povo brasileiro nunca compactuou com esse interminável desfilar de escândalos.

Não podemos nos conformar com esse cotidiano de desmandos consentido por presidentes e protagonizado por deputados federais, senadores da República, ministros de estado e funcionários graduados. O Brasil está no fundo do poço e somente nossa indignação será capaz de trazê-lo à tona novamente. Dos covardes, a história também cobrará o seu tributo.

Dias de inquietudes nos espreitam. Nos assombra a era mais perversa dos dias obscuros.

13 fevereiro 2016 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
O DIA EM QUE SONHEI QUE ERA FILÓSOFO E INTELECTUAL PETISTA

Dia desses, senti na pele tornar-se realidade um ditado que minha santa e analfabeta mãezinha sempre me dizia: “meu filho, quem dorme de dia sonha com o “cuizarruim”.

Tudo aconteceu na quarta-feira de cinzas. A tarde arrastava-se monótona, sonolenta e infindável. Deitado no sofá tentando me restabelecer de uma ressaca braba não resisti e, desprezando o sábio conselho de mamãe, caí no maior sono. Não demorou muito e eu sonhei, e não foi com o “cuizarruim” não , foi pior. Eu sonhei que era petista! E como desgraça pouca é bobagem, nesse pesadelo eu era um intelectual. Um filósofo de esquerda, quase um… Emir Sader! Para encerrar esse meu calvário, entrei em desespero quando me descobri um fãzaço de Dilma Rousseff. Essa viagem alucinante às portas do caldeirão flamejante que incendeia as profundas do reino do cão deve ter começado assim que adormeci, pois aqueles breves minutos pareceram uma eternidade.

Nesse universo regido pelo imponderável, eu estava sentado em frente à tela do computador e determinado a ameaçar algum leitor incauto com mais um daqueles textos que a intelectualidade petista costuma nos infernizar quando estamos acordados. De feições contraídas, fazia questão de não esconder que estava indignado com uma meia dúzia de jornalistas invejosos. Me dirigia aos companheiros de partido pedindo apoio e denunciando ser vítima de uma perseguição impiedosa da mídia capitalista.

Pernas cruzadas e com aquele ar de intelectual embolorado, comecei a martelar o teclado. Eu não me lembro com precisão, afinal era um pesadelo, mas foi mais ou menos isso o que eu escrevi (quero deixar bem claro que eu não tenho nenhuma responsabilidade, só servi de cavalo para o meu outro eu):

“Meus companheiros de partido e de cruzada demagógica. Todos são testemunhas que eu sempre fui um dos principais defensores do estado demagógico de direito porque acredito que a liberdade de expreção é um dos pilares da demagogia. Porém, a campanha insidioza de que certos jornalistasinhos de certa revistinha semanal que circula invariavelmente toda semana e um escritorzinho metido à besta vêm fazendo contra minha pessoa já ultrapassa as raias do suportável.

Companheiros, oussam a voz da experiência e cuidem-se. Esse quarteto é perigoso. O Ricardo, que já saiu da revista, mas não perdeu a mania de me atormentar, pousa de cavalheiro com sua escrita suave e clássica, mas quando percebemos ele já “pintou o setti” com a gente. Tem um tal de Augusto Nunes que além de nos desancar com seus textos humilhantes, encerra com um “fora o resto” desmoralizante; e, para completar, tem o tal Reinaldo Azevedo que é a encarnação mal acabada dos dois primeiros. Tudo piora quando um nordestino desbocado e sem educação põe um jumento de pajaraca em riste pra zoar com a minha cara. Não satisfeitos, abrem espaço para que um bando de ienas travestidos de comentaristas nos chinguém à vontade. São prá mais de trezentos, companheiros, todos os dias. Um desses degenerados teve a petulância de me chamar de demiurgo. Eu não sei o significado disso, mas sei que me senti profundamente ofendido. Nosso Brasil vai muito mal!

Tentam pregar em mim a pecha de analfabeto, só que não vai colar pois os companheiros sabem, de sobejo, que eu tenho mais estudo do que todos eles juntos. Sou um devoto da boa leitura, prova é que sou cliente preferencial de uma das livrarias mais conseituadas do Brasil, a Editora Saravá. Não me constraje o nome da empresa porque em termos de religião eu sou absolutamente pernóstico. Como demagogo convicto apóío a diversidade religiosa.

Invejosos, não se conformam com meu suceço e buscam me estigmatizar como comunguista. Ora, eu sempre me declarei um demagogo assumido, portanto, não comungo com o comunguismo, até porque, há que se fazer justiça, quem começou essa história de luta de classe não fui eu. Foi um alemão chamado Carlos Marques, que devia ser filho de algum judeu português. Com o decorrer do tempo, juntaram-se à utopia Marquessista umas pessoas famosas, como um ruço muito doidão que adorava ler um livro antes de fusilar gente e que eu não me lembro como se chamava, um outro alemão de nome Adolfo Ritler que apelava feio se alguém dissesse que ele era judeu e por último um político chinês infezado que odiava concorrência e tinha como slogam de governo a frase lapidar: “para viver bem, vote no Mao”. Como podemos notar, eu não tenho absolutamente nenhum envolvimento com isso.

Passado algum tempo, uniu-se a essa tríade de revolucionários do fim do mundo o proprietário de uma ilha caribenha que durante um bom tempo foi nosso guru. Sim, foi, porque hoje prestamos vassalagem exclusiva ao nosso querido chefe, que em reconhecimento à sua grandeza inquestionável recebeu recentemente, para a desventura dessa minoria direitista, golpista e reacionária, o merecidíssimo título de “O Apedeuta”. Aproveito a oportunidade para desejar saúde à espiriteira do mundo (apud Marilena, minha deusa) caso ele espirre e eu não esteja por perto.

Como não sou egoísta, vou repartir um pouco de minha cultura com os caros companheiros. Aproveitem porque a aula é de grátis. O nome do proprietário daquela ilha que me referi é Fidel Castro. Aprendam: Fidel quer dizer Fiéu. Quanto ao Castro é melhor deixar do geito que está porque não tenho o costume de fazer referências as particularidades alheias”.

Eu era somente passageiro da agonia lenta que o traíra do meu subconsciente engendrara. Padecendo de calafrios sob os efeitos daquele espetáculo de horror interminável entrei em desespero quando, depois de reler pela enésima vez o atentado, murmurei, entredentes: “Cacete, acho que comecei essa disgraceira pelo meio e agora não consigo terminar. Vou deletar e começar tudo de novo”. Com certeza meu instinto de defesa me acordaria, assustado, banhado pelo suor e aos gritos. Não foi necessário. Despertei com o som mavioso dos berros da minha dona me xingando de vagabundo pra cima e perguntando se eu não tinha vergonha de roncar com o sol quase a pino.

Apesar dos impropérios, me ajoelhei aos seus pés, agradecido. Aos prantos, beijei suas mãos e pedi perdão à minha santa mãezinha. Jurei às duas que nunca mais dormiria à tarde.

Principalmente nas quartas-feiras de cinzas.

2 fevereiro 2016 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
JOGA MERDA NO PSDB, MALDITO PSDB!

Realmente o PT é uma fonte inesgotável de matérias que abastecem o noticiário político-policial. Algumas das vezes como caçador de políticos desonestos, noutras, e aí manifesta-se a maioria, como caça de instituições honestas. Atualmente invade a mídia exercitando a primeira alternativa. Desnecessário discorrer sobre o fascínio natural pelas possibilidades que infestam a vastidão da oportunidade.

No campo da política, jamais renegou suas origens e até hoje usa a mesma máscara de paladino da justiça que sempre tentou disfarçar o caráter torpe que caracteriza a personalidade desvirtuada de seus maquiavéis autodidatas especialistas em urdirem na calada da ética planos mirabolantes para destruírem seus adversários, mas mostram-se pateticamente incapazes de se sustentarem no poder sem a utilização da mentira como forma de convencimento e da miséria como método de persuasão.

Administradores de comprovada inépcia gerencial, são incompetentes para ao menos amenizar o caos que assola a Saúde, a Educação, a Segurança, o Saneamento Básico e igualmente desqualificados para estancar a corrupção que, se numa ponta os enriquece, na outra tripudia sobre a dignidade ao negar o acesso de grande parte da população às mais comezinhas condições de sobrevivência digna, oferecendo-lhes como alternativa a caridade de programas sociais de viés escandalosamente eleitoreiros.

Na esfera policial, de tanto conviverem com os corruptos, seus e de seus aliados, aprenderam a contornar o imenso lodaçal que os sufoca, distribuindo afagos aos seus bandidos de estimação, absolvendo-os de crimes eventualmente praticados mesmo antes que a Justiça se pronuncie. Os exemplos abundam e demandaria um espaço extraordinário para elencá-los.

Desmoralizados pelas manifestações populares que vêm lotando as ruas do País desde o início do ano passado, exigindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff, foram tomados pelo pânico e se lançaram à tarefa de vasculhar os porões da podridão política à procura de algum fragmento de sujeira de seus adversários para sentirem-se redimidos dos seus pecados.

Embora tenham tentado disfarçar o êxtase incontido, festejaram como nunca quando estourou na imprensa notícia envolvendo o governo dos tucanos em São Paulo, denunciando o suposto envolvimento de nomes como Fernando Capez, Deputado Estadual e presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e Duarte Nogueira, Deputado Federal e Secretário de Transportes do Estado de São Paulo, no escândalo da merenda escolar. O “Merenda Gate” foi a deixa para os representantes da bancada petista da Assembléia Legislativa paulista remendarem a maltrapilha fantasia de honoráveis defensores da lisura no tratamento da coisa pública e saírem à caça de uma CPI redentora. “Vamos pedir, imediatamente, a criação de uma CPI para apurar essas denúncias. As contra Capez são gravíssimas”, bradou o líder da bancada petista. Oportunistas juramentados, por pouco não iniciaram a coleta de assinaturas para a instauração de uma investigação parlamentar antes que a imprensa divulgasse o rumoroso caso.

É óbvio que a instauração de uma CPI é o caminho natural para apurar as acusações contra os políticos peessedebistas e, depois de uma investigação séria, isenta e profunda, havendo culpado, desprezada sua graduação ou importância, que seja formalmente denunciado e levado às barras da Justiça para responder por seus atos. Cristalino parece-me, também, que a crise de honestidade que se abate sobre as hostes petistas tem como objetivo principal as eleições municipais de 2016. Perder a prefeitura de São Paulo, único símbolo da força petista, seria desastroso para o futuro político do PT e de Lula, pois poderia sinalizar o crepúsculo da aventura petista rumo à perenização no poder e a desmoralização definitiva de sua maior liderança. E a treva cairá sobre o mundo marilenicamente pequeno.

Bastante experimentados na arte da empulhação, é quase certo que se fantasiarão de democratas indignados e procurarão passar para a sociedade a figura escandalizada de donzelas pudicas e devotadas seguidoras de nossa senhora da virgindade, quando é notório que, em se tratando de pureza, encontrariam sérias dificuldades para se empregarem até mesmo como cortesãs de bordéis de quinta categoria, que lhes fechariam as portas preocupados em preservar a integridade de suas prostitutas.

Coléricos, bradarão: “joguem merda no PSDB, corrupto PSDB”, sabendo de antemão de onde virá o excremento a ser jogado nos políticos tucanos denunciados. Só não conseguirão disfarçar o fedor que emanará dessa fossa que não esgota e os equivalerá.

Se comprovadas as denúncias, os petistas estarão fadados a experimentar o gosto amargo da vitória, pois perceberão tarde demais que a dedicação que sempre demonstraram desde 1994, recitando versos estilizados para provar que eram, no mínimo, iguais aos tucanos, apenas os fará descobrir, com mais de vinte anos de atraso, que os tucanos que eram, no máximo, exatamente iguais a eles.

No imaculado universo habitado pelos petistas e santificado por Lula, testemunhas para garantir a conduta criminosa dos tucanos não faltarão. José Dirceu, Erenice Guerra, Antonio Palocci, José Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha, Rosemary Noronha, João Vaccari Neto, André Vargas e outras personagens de caráter ilibado e abaixo de qualquer suspeita estarão à disposição. É só escolher.

13 janeiro 2016 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
ERAM DEUSES O PETISTA!

Encerradas as comemorações das festas de fim de ano, sobrou a sensação de que pelo menos no âmbito dos acontecimentos internacionais, 2015 poderá ficar marcado como o ano em que a população latino-americana, ou parte dela, começou a despertar do sono dos resignados que a prostrou desde sempre, porém, mais acentuadamente nos últimos quinze anos, e resolveu dar um basta a ensandecida jornada bolivariana rumo ao centro da pátria socialista. As derrotas, dolorida para o kirchnerismo na Argentina de Cristina Kirchner e desmoralizante para o chavismo venezuelano de Nicolás Maduro, aumentam a esperança de que o sol da liberdade começa a espargir seus raios purificadores pelo centro-sul do continente americano.

Entretanto, aqui no Brasil não deixará saudades e certamente será lembrado como um dos anos mais medíocres de nossa história, ou o ano em que, encurralado pelo caos econômico em que está atolado o país, o governo federal não teve outra saída a não ser apresentar aos brasileiros mais jovens o flagelo da inflação, introduzindo no dia a dia da dona de casa e do trabalhador os pesadelos da carestia e do desemprego, respectivamente, além de produzir um clima de desconfiança que arrasta brasileiros e brasileiras para bem próximo do desespero nesse início de século seviciado pela maneira petista de governar.

Como tem acontecido, sistematicamente, o governo federal manteve sua aposta no turbilhão de propaganda como meio mais eficaz de mascarar o calvário que tem sido sobreviver à era da mediocridade que simboliza com muita propriedade o flagelo administrativo que se abateu sobre os brasileiros nos últimos treze anos. Nem mesmo a contratação de artistas famosos foi capaz de acrescentar alguma credibilidade à manjada manipulação oficial e amenizar o desmantelamento moral que o persegue desde 2003.

Apresentando como protagonistas do delírio oficial nada menos que presidentes e ex-presidentes vendendo, através de vídeos na internet e pronunciamentos no Brasil e em terras estrangeiras, a imagem falsificada do país de mentira que construíram para satisfazer somente a maioria dos crédulos cuja fé não fortalece a alma, mas abarrota o bolso; não enobrece a biografia, mas satisfaz a gratidão; não consolida a cidadania, mas apascenta o estômago. Trilhando pelas veredas do desrespeito, subestimaram a inteligência dos brasileiros fazendo de conta que os mega-escândalos do mensalão e do petrolão, se existiram, não foram produzidos por suas administrações. No auge da empulhação, inovaram na pilantropia e inauguraram a roubalheira do bem.

Debochados, riram da coragem dos eleitores que os repudiaram nas urnas e foram às ruas por todo o Brasil para deixar claro que não suportavam mais o desempenho medíocre de um governo corrupto e incompetente. Chegaram bem próximos do êxtase ao perceberem que os milhões de brasileiros e brasileiras que desde 2006 ousam reverberar um metódico e cada vez mais contundente não à desgovernança escancarada haviam sido abandonados ao próprio azar por uma oposição omissa que se escondeu atrás de pretensa preservação da ordem institucional e, como tributo à covardia, se qualificou como a principal avalista do clima de desordem que hoje paira sobre as instituições. Pusilânime, cada mesura explicitada por suas lideranças cobriu com o véu da desonra os votos que lhes foram confiados. Medrosa, contentou-se em ser expectadora privilegiada da farra bilionária com o dinheiro público proporcionada por graduados funcionários governamentais e altas personalidades do Partido dos Trabalhadores cujas diferenças nas patentes e na ideologia não foram suficientes para esconder a simétrica vocação para o desonesto.

Ao entrarmos no décimo quarto ano do governo petista pouco há a ser comemorado. Nessa passarela dos horrores, como não sentir náuseas ao lembrar dos jornalistas que se engalanaram para encenar mais um abominável ato de bajulação explícita ao governo usando como pretexto apenas “um café com a presidenta” para exercitar a militância profissionalizada. A selfie da vergonha mostrando a claque oficial travestida de profissionais da imprensa implorando por um mimo da presidente, sugere que a seca ética no jornalismo brasileiro é tão severa que por falta de reserva técnica as editorias se valem do arquivo morto estratégico que mantém em suas Redações para a cobertura de matérias pautadas pelos patrocinadores. A continuar nessa toada, vai ser longo e sofrido o processo de recomposição da reserva moral e a desmilitatização da imensa maioria dos jornalistas brasileiros; íngreme e árduo também deverá ser o caminho a ser percorrido pelos jornais (impressos, televisados e eletrônicos) na busca pela recuperação do nível de confiança que gozavam junto à sociedade num passado ainda recente. A foto que indignou o Brasil que presta dá a dimensão exata do modelo de imprensa sonhado por Lula, Dilma e a horda que os paparicam.

Espancando despudoradamente a verdade, em vídeo que bombou nas redes sociais, Lula apresenta números fantásticos do Brasil Maravilha que ele registrou em cartório cujo sucesso, além de matar de inveja norte-americanos e europeus, não deixará outra alternativa ao governo federal a não ser a da criação do programa “Mais Miséria” negociando com alguns companheiros proprietários de país, a importação de profissionais da mendicância para recompor o estoque de miseráveis. Os nossos fixaram residência nas asas da Pannair.

Dilma Rosseff, por sua vez, não resistiu à empáfia petista e escolheu a reunião de abertura dos trabalhos da ONU para escandalizar o mundo afirmando que a economia brasileira é forte e sólida e, portanto, rica o suficiente para superar a crise econômica que teima em recrudescer cada vez mais. Pirotecnia demais e verdade de menos, mera manobra visando minimizar a realidade crua que denuncia o enorme vazio que separa dezenas de milhões de brasileiros dessa riqueza que, oficialmente, abunda.

É desumano o júbilo que reveste a 7ª riqueza mais pobre do mundo. Não pode haver alegria quando os números do Brasil de verdade apontam para um cenário desolador que dá visibilidade aos milhões de filhos da fortuna petista que padecem sob o flagelo da miséria. É imoral justificar qualquer presunção de sucesso econômico quando estima-se que mais da metade da população não tem a garantia de direitos elementares como o acesso ao esgoto tratado e à água potável enquanto outra parcela considerável da sociedade já há algum tempo desfila pela avenida da submissão o estandarte da pobreza remunerada.Torna-se quase impossível distinguir onde termina o programa social do governo e começa o interesse eleitoral do partido.

Da mesma forma, é inadmissível vangloriar-se de uma fortuna que abarrota os cofres do governo, mas não chega até a uma parcela significativa de crianças e adolescentes que, desassistidos, perambulam entre a miséria e o analfabetismo, realidade assustadora que coloca em xeque o futuro da nação e destrói no nascedouro o sentimento de nacionalidade. É triste constatar que a brasilidade que deveria enaltecer e orgulhar a raça, reduziu-se aos devaneios de filósofas à beira de um ataque de ódio que perseguem obstinadas o fim da escuridão do mundo e à olimpiana pretensão de sexólogas doidivinas que não se incomodam em contrariar a concordância sustentando que, sim, eram deuses o petista!

Eleita com os votos da maioria esmagadora desse contingente humilhado pela dependência que não finda, a presidente Dilma Rousseff deixou escapar uma oportunidade única de reconciliar-se com o seu mandato esquivando-se da responsabilidade de, ao comunicar à nação e ao resto do mundo o sucesso da economia brasileira, manifestar seu pesar pela incompetência na gestão dos recursos financeiros disponíveis e, solidária aos miseráveis, expressar sua vergonha pela ação criminosa de ONGs companheiras, pelo desvio de dinheiro público que passou de bilhão praticado por seus ministros, funcionários e apoiadores. E para concluir o ritual de reconciliação, olhar nos olhos dos milhões de jovens, adultos, crianças e idosos – uns, subjugados pela fome que avilta, outros, atormentados pela falta de perspectivas que desespera – e, em seu nome e do seu antecessor, pedir-lhes perdão por todas as promessas assumidas, mas que ficaram perdidas em algum lugar da campanha.

Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff são a confirmação inequívoca de que em se tratando de desenvolvimento humano a 7.ª economia mais poderosa do planeta ainda tem muito o que pode ser piorado.

1 janeiro 2016 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
LIBERDADE, LIBERDADE ABRA AS ASAS…

O mega escândalo do Petrolão, que segundo burburinho corrente no universo jurídico remete o “Mensalão” ao tribunal de pequenas causas, escancara uma realidade indisfarçável: torna-se cada vez mais doloroso sobreviver ao mar de denúncias que rege o cotidiano desta república de celerados que o governo petista, a base alugada e os escombros da ex-imprensa independente estão transformando o Brasil, ou que ainda resta dele. O ambiente está tão degenerado que somos tomados pelo espanto quando o espaço entre uma denúncia de corrupção e outra excede a uma semana e a demonstração de submissão irrestrita da mídia televisiva, principalmente, ultrapassa um hiato de 24 horas.

Manipuladores por natureza, desdenham da condenação imposta pelo STF às suas principais lideranças partidárias sustentando a fantasiosa ilusão de que nunca houve o mensalão. Safos por interesse, atribuem a queda de ministros e funcionários de alta patente envolvidos em maracutaias a uma conspiração midiática objetivando dissolver a base parlamentar governista. Autoritários por conveniência, sonham em reeditar a censura amordaçando a imprensa através da implantação do abominável Marco Regulatório da Mídia. O conceito de liberdade dessa horda a serviço do atraso e do subdesenvolvimento transformaria em um dos mais puros democratas o mais empedernido general da ditadura que assolou o Brasil num passado não muito remoto.

No entanto, o Brasil maravilha exaltado pelos lulopetistas, e que se materializa apenas na indecorosa campanha publicitária praticada ao longo dos últimos treze anos, revela a face mais perversa do efeito Lula sobre o conceito de pátria, antes tão amada, hoje vilipendiada, traída e entregue à própria sorte. Inspirados por seu líder maior, vulgarizam a Constituição, debocham das leis e pairam, insensíveis e cafajestes, acima da miséria social que castiga grande parte do povo brasileiro e das tragédias das enchentes, dos deslizamentos de terra e do perturbador número de assassinatos que ano após ano cobrem de luto as famílias e de vergonha a sociedade. Criaram para si uma nação particular, onde só são felizes os que se beneficiam dela ou os que se submetem a eles. Às vezes, nem esses.

Em 2005, no auge do rumoroso escândalo do mensalão, o ex- governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, afirmou que o PT teria que ser re-fundado. Porém, com a reeleição do seu candidato à presidência da República, apesar de toda a lama que conspurcava sua candidatura, parece que os próceres petistas reconsideraram essa possibilidade e apostaram todas as suas fichas na execução de um outro plano, muito mais significativo e ambicioso: juntar o que havia sobrado do ex-partido mais puro e mais ético “dahistóriadestepaiz”, e, valendo-se do resultado das urnas, colocar a agremiação estrelada sob o comando e o País sob a tutela de um líder único e supremo. Dos escombros do antigo partido salvou-se, por pura estratégia, diga-se, somente a sigla.

O trânsito livre entre trabalhadores, empresários e políticos – condição que já ostentava antes mesmo de se tornar presidente do Brasil – encaminhou a escolha para o “sindicalista” Luiz Inácio Lula da Silva, a espiriteira marilênica e o deus de Martha, coroando-o como líder supremo do pretenso partido dos trabalhadores. Como desgraça pouca é bobagem, mais do que testemunharmos a consolidação da Era da Mediocridade iniciada em 1.º de janeiro de 2003, fomos ludibriados pela circunstância ingrata que nos transformou em privilegiados expectadores da implantação do flagelo do lulopetismo. E as peças desse tabuleiro escabroso começaram a ser movimentadas. Sem a genialidade dos mestres enxadristas, é verdade, mas com a insana eficiência peculiar à intelectualidade engajada.

Era óbvio que apesar de emblemático o status de ex-metalúrgico, dissociado de um espectro mais amplo e abrangente, não sustentaria sua ascensão ao posto de comandante supremo da nação lullopetista em marcha e, então, iniciou-se uma das mais insidiosas campanhas visando a mitificação do ex-presidente. Bilhões de reais foram queimados em propagandas de conteúdo no mínimo duvidoso e instalou-se um dos mais vergonhosos balcões de trambiques e negociatas envolvendo governo e Congresso Nacional. Nessa orgia institucional concebida sob a égide da promiscuidade e da vassalagem a ordem era cooptar e, não importando o custo financeiro da degenerescência, sempre às expensas do erário, é lógico, estabelecer a base de sustentação governista com parlamentares que estivessem disponíveis, descartando-se dessa seleção desqualificada qualquer restrição, quer fosse ela de ordem ética, de pureza ideológica ou, sequer, de retidão moral. O mais lamentável é que a disponibilidade nas duas Casas era descomunal!

A primeira etapa dessa insânia estava consumada, revestida de sucesso absoluto. Restava, no entanto, subjugar os miseráveis juntando-os todos num mesmo programa de onde pudessem vigiá-los, ainda que dissimuladamente, além de sujeitar a imprensa. Com os miseráveis controlados e a mídia abastecida, de propaganda!, prenunciava-se a iminência do cheque-mate. Estava estabelecida a federação hegemônica dos lulopetistas! E foi nesse Brasil de araque, cultivado no solo fértil do ego mitômano de seu líder e concretizada nos estúdios de alguma agência de publicidade sempre à mão, que eles se encontraram com a nação lulopetista e se reencontraram consigo mesmos. Nessa pátria bizarra, confraternizam-se, desde então, ex-guerrilheiros e ex-caçadores de guerrilheiros. Trocam afagos e juras de amor eterno ex-reacionários e ex-caçadores de reacionários. Convivem na mais abjeta harmonia sindicalistas pelegos e adesistas, empresários desonestos, políticos indecentes. Flanam faceiros tesoureiros corruptos de partidos políticos corrompidos.

O conjunto da obra me leva a concluir que raro é o bem feito que persevere na administração do PT. Pouco é o que não se corrompa no contato com o petismo. Torna-se difícil até mesmo recorrer à máxima da excepcionalidade.

Na democracia perseguida com obstinação pelo PT, a exceção é o código de regras que cultuam e o pilar de sustentação do estado que aspiram. A devoção à hegemonia é de sua natureza e está gravado em alto-relevo no seu DNA. Só acreditam na sua castidade democrática os crédulos vocacionados, os políticos cumpliciados e os oportunistas atocaiados. Ninguém além deles.

Chego ao final de 2015 com a certeza de que se nem o Congresso nem a Justiça forem capaz de parar Lula e seus lacaios, haveremos de, inspirados nos purificadores ventos da liberdade que sopram sobre esse lado do continente americano, impormos nas urnas uma derrota desmoralizante em 2018 ao candidato oficial, seja ele quem for, assim como foram desmoralizados o kerchnisno de Cristina e o chavismo de Nicolás nas recentes eleições realizadas na Argentina e na Venezuela, respectivamente, enterrando na vala rasa da história a saga bolivarianista que cobriu de sangue, atraso e sofrimento praticamente todo centro e sul da América.

Liberdade, liberdade abra as asas…

12 dezembro 2015 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
NA URNA É MAIS GOSTOSO!

Seguramente, o Brasil vive hoje um dos mais conturbados períodos de sua história política. E o início desses dias de insanidade deu-se em 1.º de janeiro de 2003, com a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito pelo Partido dos Trabalhadores. A reeleição de Lula em 2006, apesar do mar de lama que cobria sua administração com a eclosão do escândalo do Mensalão, deu-lhe a certeza de que, ele e os seus, eram intocáveis e o fez acreditar na bajulação patética de Martha Suplicy elevando-o à condição de deus. Traído pelo ego descomunal, creu, também, que era o detentor do poder absoluto e definitivo.

No entanto, logo descobriu que divindades iguais a ele pululavam às dúzias pela esgotosfera do acirrado mercado da prostituição política e estavam abertas à negociação pelo melhor preço oferecido. Talvez tenha sido a partir desse episódio que decidiu sacanear a ex-senadora petista, hoje no PMDB. Percebeu, então, que para eternizar-se no poder seria necessário fazer algumas concessões, mesmo que isso custasse a derrocada ética, moral e ideológica do Partido dos Trabalhadores. Sem o menor trauma de consciência, mandou às favas a história partidária e a reputação pessoal. Possesso, não titubeou em reduzir a pó a instituição Presidência da República, deixando de ser presidente de todos os brasileiros para se comportar como mero chefe político e das profundezas dos palanques da discórdia não se absteve de pregar a cizânia, se necessária, para garantir a vitória dos seus candidatos.

Em 2010, a custa do comprometimento da estabilidade econômica do país, que viria mostrar todo o seu potencial de destruição em 2015, ergueu seu primeiro poste elegendo Dilma Rousseff presidente do Brasil. A consumação do desvario se confirmou em 2014, na campanha que a reelegeu, tocada a muita grana, nenhuma ética e pouca verdade.

Convencido de que pairava acima dos rigores da lei, vulgarizou a política, tripudiou sobre a verdade, ridicularizou os Poderes constituídos, corrompeu. E corrompeu-se. Humilhou-se ante Paulo Maluf e redimiu-se sob Gilberto Kassab. Em 2012 credenciou mais um poste para espargir a luz que ilumina o submundo da política brasileira e clareia a saga purificadora dos “comunistas do século 21”. Nesse novo modelo de sociedade, até mesmo Maluf sentir-se-ia à vontade para recorrer ao seu passado dedicado à causa marxista e se proclamar o farol predestinado a nortear os descaminhos dessa nau da insensatez.

Tão inexorável como a desfaçatez dessa horda comunista de direita representada por luminares do regime militar e comandada por Lula, também se consolida a certeza de que Gilberto Kassab foi, e continua sendo, a maior revelação dos socialistas novéis. Kátia Abreu surpreendeu, mas não chegou nem perto do desempenho formidável do ex-prefeito de São Paulo.

Aluno dedicado, na eleição para prefeito da capital paulista de 2012 superou às expectativas dos seus mestres e aplicou com êxito os ensinamentos inseridos na cartilha formulada por Marighella. Astuto, induziu seu aliado para a emboscada e, amoitado na tocaia da covardia, foi preciso ao apertar o gatilho da traição. O serviço contratado estava consumado. A derrocada moral, irreversível.

Ainda que eu me deixe levar pela repulsa à trajetória das administrações petistas e ceda à indignação quanto a atuação de políticos e lideranças ligadas diretamente ao poder, mesmo assim, não acredito que o legítimo processo de impeachment em andamento na Câmara dos Deputados e, menos ainda, que a ação homologada pelo PSDB junto à justiça eleitoral exigindo a cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff, ambos com a aprovação da maioria dos brasileiros, prosperem rumo a um desfecho favorável.

Melhor assim. O PT conta com o impeachment da presidente. Os resultados das recentes eleições em dois dos três mais importantes países que comandam a farsa apelidada de bolivarianismo, vulgar mistificação criada para ludibriar incautos – emblemático na Argentina e desmoralizante na Venezuela -, agravados pelos baixíssimos índices de aprovação da presidente Dilma Rousseff, indicam o fim do assistencialismo populista que assola a América Latina.

E reforçam a certeza das lideranças estreladas de que, assim como aconteceu com os dois países cúmplices, é bastante provável uma derrota acachapante nas eleições de 2018, resultado que inviabilizaria qualquer tentativa de desqualificar a vitória da oposição e os desdobramentos desse revés poderiam significar até mesmo, se não o desaparecimento do partido, com certeza seu esfacelamento. Enquanto que num ambiente de impeachment se sentiriam legitimados para buscar na implantação do caos – através da atuação de seus cães de guerra -, a redenção do partido e, acima de tudo, a blindagem de sua estrela mais fulgurante, procurando evitar, ou postergar o máximo possível, que ela algum dia tenha que dar bom dia ao japonês da Federal.

Sem contar que a derrota, no voto, do PT e de seus satélites, além de prolongar o martírio da alma petista no purgatório da história, nos redimiria do sofrimento que foi sobreviver cada segundo desses anos todos no inferno criado por Lula cujo cenário de desolação possivelmente nem Dante, em seus melhores dias de inspiração, ousou imaginar.

Tudo leva a crer que a presidente Dilma Rousseff não se entregará à imolação pacificamente e se vencer o braço de ferro, não com a oposição, mas com setores do seu partido, é quase certo que seu insepulto cadáver político se dedicará à tarefa de assombrar Lula e seus devotos até o último dia do seu mandato!

Ao longo desse interminável calvário, provamos que não nos deixamos intimidar nem pela patética divindade lulista nem, menos ainda, pela verve pérfida das kátias e dos kassabs dissimulados. Se não forem barrados antes pelo Congresso Nacional ou pelo TSE, que venham, então, os cavaleiros do apocalipse. Entrincheirados na brasilidade que nos resta, e não é pouca, estaremos prontos para derrotá-los em 2018 com a mesma arma com que hoje ousam nos ameaçar. O voto!

Além do mais, na urna é mais gostoso!

5 dezembro 2015 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
INIMIGOS ÍNTIMOS

Embora celebre o contraditório, quanto mais eu me esforço para não ceder à indignação radicalizada ao analisar o PT e o governo petista, mais eu me sinto indignado e radical. Torna-se praticamente impossível manter a serenidade quando assistimos prosperar a sanha destrutiva de um governo irresponsável e descaradamente mais comprometido com o projeto de perpetuação no poder em andamento do que com o futuro do País. É desalentador quando as principais autoridades de uma nação se encantam com a promiscuidade política, têm a corrupção estampada em alto relevo em cada célula de seus DNAs atrofiados e, envolvidas pela degenerescência ética que lhes é peculiar, entoam inspiradas odes à mediocridade.

Comandado com mão de ferro por Lula, o Partido dos Trabalhadores fincou raízes profundas nos grotões da insanidade. Para ver triunfar o propósito de dominação plena engendrado, suas lideranças não se deram por satisfeitas apenas com a prática rasteira do paternal assistencialismo populista e eleitoreiro cultivado no solo árido da servidão e adubado com o flagelo do atraso social. Foram mais além. Desencadearam um ensaio de lavagem cerebral coletiva ancorado em campanhas publicitárias bilionárias e de conteúdos inverossímeis. E para consolidar a hegemonia almejada, vulgarizaram o mérito, banalizaram a honra, erradicaram a virtude e ridicularizaram a verdade. Registre-se que desse cenário desolador a competência conseguiu escapar intacta. Não por iniciativa de algum comandante partidário ou representante governista. É que nunca tiveram acesso a ela.

Ainda pequeno, ou menos expressivo, desde os tempos de São José dos Campos nos idos de 1993, essa intimidade com o lado podre da política já se manifestava vigorosa no jeito PT de administrar. Dissimulados, sempre que flagrados em nova falcatrua seus dirigentes recitam os mesmos versos paupérrimos de inspiração mas riquíssimos em rimas torpes que compõem o decorado poema da desfaçatez responsabilizando a mídia a serviço das elites e a oposição golpista pelo mar de lama que cobre o governo que representam e a legenda que dirigem. Do partido imaculado concebido na pureza que jamais fora ousado sequer sonhar na política brasileira, restou apenas um ajuntamento de bisonhos socialites cubrasileiros corruptos e decadentes que a mídia engajada festeja e de brasileiros de ocasião, solidários na corrupção e na indecência, que a conveniência capitalista encanta.

Desde que acampou no Palácio do Planalto no dia 1.º de janeiro de 2003, o PT tem movido céus e mundos para se perpetuar no poder e consagrar seu principal líder, Luiz Inácio Lula da Silva, além de o maior democrata da história da humanidade, como o estadista que a política internacional jamais sonhou existir. E para alcançar esses objetivos em tempo algum envergonhou-se de ter perdido a vergonha.

Nesta saga predominantemente absolutista iniciada há mais de doze anos, não se importou em macular seu passado ao descompromissar-se com a ética, afastar-se da verdade, transgredir os limites da moralidade e deixar ao longo do caminho um rastro imenso de sórdida corrupção. Usou de todos os artifícios, a maioria ilícitos, para ludibriar os incautos, abusou de artimanhas desonestas para conseguir a peso de ouro um certificado de honestidade e mostrou sua face mais perversa quando em nome da redenção da miséria, subjugou os miseráveis. Desnudou-se por inteiro ao celebrar a promiscuidade aliando-se ao que havia de pior no submundo da política. Agigantou-se na pequenez odiando na mais perfeita e lucrativa harmonia inimigos viscerais de antanho.

Deslumbrados com a popularidade, tão estupenda quanto fictícia, de seu maior líder, petistas e agregados se deixaram enlevar pelo ego superdimensionado e passaram a acreditar que, sob a proteção de Lula podiam pairar, atrevidos, acima da lei. Contaminados pela soberba lulista deixaram de lado a prudência e não demonstraram nenhum temor ao ridicularizarem a Justiça menosprezando ministros do STF, desqualificando Procuradores da República, subestimando juízes federais . Tripudiaram sobre nossa inteligência ao conduzirem à presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados um dos denunciados – e posteriormente condenado! – pelo Ministério Público como participante da quadrilha do Mensalão. Nos humilharam outorgando honrarias a mensaleiros. Insatisfeitos com o conjunto da obra pavorosa, atingiram o êxtase nos relegando à condição de vulgares analfabetos honoris causa.

Nessa ilha da mediocridade cercada pelas águas pútridas da falta de caráter, do total desapego à lisura e do distanciamento da honra e da responsabilidade, convivem sem o menor trauma de consciência áulicos e vassalos, ambos comparsas da mesma horda que há praticamente treze anos tomou de assalto o governo federal e tem protagonizado um dos maiores e mais perversos ciclos de corrupção envolvendo autoridades diretamente ligadas à presidência da República jamais percebidos ao longo de toda história política brasileira. Pelo menos que eu saiba, não com essa intensidade.

Certos de que realmente eram intocáveis desprezaram de vez o bom senso mandando às favas a previdência e transformaram o governo federal em um celeiro inesgotável de escândalos. Porém, as alvas nuvens da ventura nas quais planavam arrogantes e absolutos repentinamente começaram a escurecer avisando que a época da colheita farta de tempestades que semearam durante mais de uma década se avizinha. Os incautos já não se mostram tão cordatos, o certificado de honestidade demorou mas foi considerado falso pelo STF e os miseráveis não escondem mais o incômodo do jugo remunerado. Os inimigos íntimos já estão se arregimentando e, valendo-se do apurado instinto de preservação desenvolvido pelos ratos, prontos para evacuarem a nau dos desesperados antes mesmo da consumação da inevitável e melancólica ordem de “abandonar o navio”. Nem mesmo a promiscuidade resistirá ao naufrágio.

2 dezembro 2015 MAURO PEREIRA


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AS MORTES DO BRASIL VELHO E DA IMPRENSA NOVA

Acometida por uma degeneração conceitual insofismável, a imprensa brasileira já há alguns anos vem derrapando no solo escorregadio da credibilidade. Premida pela necessidade financeira que ameaça sua subsistência e devastada pela chaga da ideologia que assola suas Redações, paulatinamente quedou-se à vontade dos detentores do poder permitindo pautar sua linha editorial de acordo com as exigências e os interesses de quem a financia. Na verdade, a maioria dos órgãos informativos já está regulamentada, não por força de lei, mas por imposição da milionária verba federal disponível.

Acredito que essa constatação se viabiliza na vergonhosa blindagem levantada em torno de Lula desde o episódio do Mensalão, dando contornos de entrevista a amigáveis bate-papos previamente elaborados e mais preocupados em transformar cada pergunta em passe magistral do entrevistador e, a cada resposta do ídolo, seu semblante embevecido não esconde a vontade de gritar golaço!, recusando-se a enxergar que de apoteótico restou apenas a incrível performance do entrevistado na arte da manipulação dos fatos e na subtração da verdade.

Em se tratando de opinião de jornalista, então, minha precaução é redobrada, principalmente se ele for da intimidade de Lula ou referir-se à Dilma Rousseff como presidenta. Quando se vê sem saída e é obrigado a opinar sobre um assunto que revela a enorme capacidade de corromper-se do governo que o sustenta fica nítido o constrangimento e no mais das vezes o profissional sucumbe à militância e deixa transparecer em seus textos a necessidade de encontrar uma saída honrosa àquela situação desconfortável, capaz de aplacar a dor que consome sua alma atribulada, cuja angústia só se dissiparia caso o ex-presidente, ou a presidenta, se dignasse a dar alguma satisfação à sociedade. E ela (a satisfação), ainda que seu conteúdo fosse inverossímil, seria definitiva, como também seria definitivo o reencontro com a paz que seu espírito ansiava. Só não sei se seria finito o acerto de contas com sua consciência.

Desavergonhados, proprietários de carreiras longevas prestam-se a tarefa miúda, mas muito bem paga, ressalte-se, de defender aqueles que os mantém. Velhos jornalistas recorrem à artimanhas pueris buscando mascarar os efeitos devastadores da realidade geriátrica. Vasculham os grotões da ética paupérrima que sempre os identificou à procura da inspiração que nunca os acompanhou e, inconformados com essa triste constatação, partem para agressão gratuita. Imaginando-se ainda na puberdade, vagueiam pela vastidão do êxtase premeditado, por exemplo, ao tentar ridicularizar companheiros de profissão, líderes oposicionistas e ministros do Judiciário. Exultam à traquinagem! Desses, o tempo se incumbirá de fazer justiça, pois a história irá ignorá-los, solenemente. São só ex-profissionais que o acúmulo de anos envileceu.

É mais cômodo, e conveniente, enxergar no horizonte uma guerra sem fim criada somente para desilustrar a imagem de Lula. E quem teria interesse em denegrir a imagem santificada do deus de Marta Suplicy e prejudicar a luminosidade do lanterna do mundo de Marilena Chauí? É nessa hora que o subconsciente o trai e a resposta é instintiva: FHC!

O rosário interminável de escândalos que tem sido a marca do governo petista fica por conta da ficção inventada pela mídia conservadora e golpista. A fileira vergonhosa de ministros que foram retirados de seus cargos por envolvimento com os mais variados escândalos também é invencionice de uma meia dúzia de brasileiros despeitados e invejosos. A traição à história do partido juntando-se com o que há de pior no selvagem submundo do capitalismo nacional e internacional fica por conta do desespero de uma oposição rancorosa e irresponsável. Tivéssemos uma oposição disposta a exercer pelo menos 50% da selvageria que o PT dedicou à sua atuação parlamentar por cerca de vinte anos, certamente Lula não resistiria ao mar de lama que flagelou seus dois mandatos e sua carreira política teria sido abreviada já em 2005. Os desdobramentos da hecatombe lulista ficam por conta da imaginação de cada um.

A cada edição encerrada da maioria dos jornais, pouco importa se impressos ou televisivos, fica sempre a expectativa de novas patifarias na próxima, anunciando de forma melancólica a proximidade do marco derradeiro de uma imprensa outrora formada por jornalistas notáveis e valentes que em algum lugar da história lutaram por liberdade e independência e que hoje vê as redações serem tomadas de assalto por uma horda medíocre e oportunista que teima em fantasiar-se de jornalistas sérios. São, na verdade, míseros arautos da indigência profissional e safos emissários remunerados do apocalipse ético.

Profissionais da notícia que ainda se mantém de pé afirmam que o ciclo do lulopetismo está se encerrando e, também, que está morrendo o Brasil velho. Que as profundas do esquecimento não sejam rasas para soterrar a imprensa nova (pos-ditadura). Vade retro!

23 novembro 2015 MAURO PEREIRA


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O DIA EM QUE O MUNDO CONHECEU O REINO ENCANTADO DE DILMA

Inconformados em inaugurar apenas a Era da Mediocridade, o governo petista e sua base alugada resolveram se superar e impuseram a Época da Confusão. Meu Brasilzão velho de guerra está tão confuso que eu ainda não cheguei à conclusão se está tudo de ponta cabeça ou de cabeça para baixo. Sei não, mas acho que as duas alternativas estão corretas. Não descarto, também, a possibilidade de ele estar de pernas para o ar.

Tem alguns aspectos nessa brasiléia desvairada que chegam a ser pitorescos. Por exemplo: eu sempre considerei a música religiosa apenas um apelo à louvação, mas só me dei conta do lado profano desse mercado bilionário quando uma poderosa gravadora global resolveu investir pesado nesse filão inesgotável da fé contratando para o seu cast privilegiado os principais cantores, cantoras e compositores evangélicos. E as promessas viraram show business. Música gospel. Você compra, a Som Livre adora!

No plano político, certa de que conseguiu convencer todos os brasileiros que um pais rico é um pais sem miséria e que uma sociedade culta é uma sociedade sem cultura, nossa presidente alçou voos mais espetaculosos e se autopromoveu consultora de países desenvolvidos, tomando para si a responsabilidade de ensinar a americanos, alemães e franceses como sair da crise enganando toda uma população impunemente. Tendo como companheiro o entusiasmo e aliada a inconsequência, fantasiou-se de conselheira do mundo e, em entrevista coletiva um dia antes de falar na abertura da Assembleia-Geral da ONU, o mundo inteiro foi testemunha do seu lamento criticando enormemente os ataques americanos aos terroristas do EI.

Mahatmamente intencionada, mas, dilmisticamente equivocada, partiu do princípio de que o EI teria alguma legitimidade para que se lhe fosse oferecida alguma forma de apoio, sapecou, sem “guspe”: “O Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU”. Estupefata, a humanidade acabava de conhecer o reino encantado de Dilma Rousseff. Envergonhados, vimos a diplomacia brasileira jogada no chão!

Esse mundão de meu Deus realmente dá muitas voltas e reviravoltas. Nem mesmo o mais crédulo dos cristãos imaginaria que aquela que na sua mocidade aterrorizou os brasileiros, na velhice aterrorizaria as grandes potências mundiais. A política gira, e atordoa!

De volta para o nosso cotidiano, ainda sob a influência maléfica do signo do lulalato, o Brasil talvez esteja enfrentando a sua pior crise institucional desde o fim da ditadura. Analisado com mais esmero, torna-se inevitável ao menos presumir que as três instituições que por determinação constitucional deveriam ser independentes entre si, simplesmente resolveram se amasiar na mais promíscua e indecorosa relação. Nesse triângulo insólito, o Legislativo dispensa maiores comentários. Ter suas duas casas rebatizadas como Casa do Espanto e Pensão da Dona Dilma, respectivamente, não é um feito reservado a simples amadores. Unidos, deputados e senadores conseguiram extrapolar os limites do inusitado e provaram que é necessário, sim, muita competência para se sobressair no exercício pleno da incompetência. Embora contrariado, sou obrigado a lhes conceder o crédito da façanha.

Porém, o que mais açoda minha preocupação é a estreiteza indecorosa que tem permeado o relacionamento entre o Executivo e setores importantes do Judiciário. Louvando-se as exceções de sempre, a imprensa, mais concentrada na cruzada salvacionista visando evitar o impeachment que assombra a presidente Dilma Rousseff e predisposta a minimizar qualquer notícia que desabone a conduta do ex-presidente Lula, faz vistas grossas a episódios gravíssimos e que colocam sob suspeição o ordenamento jurídico que rege nossa sociedade.

Como acreditar na isenção do Judiciário, quando membros de sua principal Corte, última reserva moral da nação e bastião derradeiro da esperança dos democratas, trazem consigo o estigma da toga agradecida? Como ficar alheio à ação inusitada de associações de magistrados que invadem de forma temerária a seara da excepcionalidade admitindo que há sim cidadãos acima da lei, deixando transparecer pelos vãos da toga um inquietante fulgor ideológico?

Às vezes, sob os protestos veementes dos meus três neurônios, todos pingaiadas assumidos e adeptos do ócio perpétuo, me ponho a meditar e chego até a admitir a possibilidade de que os três poderes estariam determinados em reescrever nossa história e transformar o Brasil em uma Venezuela cubanizada. Estaríamos nós condenados a chamar Lula de “dotor-mi-comandante” e a prestar reverência a Simon Bolivar? Realmente, de uns tempos para cá ser brasileiro tem sido uma tarefa tão desafiadora que eu tenho a impressão que até o Todo Poderoso, prudentemente, resolveu não interferir nos destinos dessa república de celerados. Estamos por nossa conta e risco!

Pode até estar entremeada por algum sintoma de resignação esta minha afirmação, mas os malfeitos se reproduzem numa velocidade tamanha que em determinadas circunstâncias chego a colocar o Mensalão – o pai de todos os escândalos – e o Petrolão – o escândalo de todos os escândalos – num segundo plano, ainda que temporariamente. A expectativa sobre a próxima denúncia de corrupção envolvendo representantes de alta patente do governo federal e da base aliada, confesso, chega a ser emocionante. Qual ministro será o protagonista da vez? Quem do Congresso Nacional estampará a capa de Veja? E o Judiciário? Ficará fora dessa disputa acirrada ou será solidário aos outros dois Poderes? Senhoras e senhores façam suas apostas. Quem será o grande vencedor desse ordinário reality show da promiscuidade?

A grande derrotada, sem dúvidas, será a democracia. Infelizmente.

16 novembro 2015 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
SONHO

Lula sonhava eternizar-se como o maior dos brasileiros. Terá de contentar-se em ser o que de melhor o petismo foi capaz de produzir

Não sei, não, mas uma desconfiança minha, até antiga, a cada dia se robustece mais.

Eu desconfio que foi esse “dizinfiliz” do Lula que comeu o papagaio de Graciliano Ramos e colocou a culpa no lesado do Fabiano! Acho que não, deve ser mais um factóide criado por essa minha mente que já demonstra sinais de degeneração, subjugada pela ação inexorável da idade e vítima inocente que tenta desesperadamente sobreviver nos escombros do que um dia foi um cérebro com algum lampejo de vida inteligente, mas que não resistiu aos encantos e ao assédio da “mardita” cachaça.LD

Se foi o flagelo do Garanhuns ou não, eu não sei; eu só sei que, temendo uma reação truculenta do mal- encarado dono da cadela Baleia, ele “vazou” para as bandas do Sul. Bom de lábia desde tenra idade, não encontrou maiores dificuldades para se instalar por aqui e logo começou a trambicar com uns generais entediados. Foi mais ou menos nessa época que conseguiu convencer os metalúrgicos de que era sindicalista e viciou-se na bebida “derrubando” vários litros de Cavalo Branco em reuniões com empresários aterrorizados, em cujos orifícios de passagem de excremento não passava nem uma agulha sequer.

O final dessa história é de conhecimento geral. Todos os brasileiros foram testemunhas do seu desfecho, mas não custa nada relembrar: cansado de perseguir viúvas pelos corredores dos sindicatos da vida, traiu o levante da Vila Euclides e apostou todas suas fichas na fundação de um partido político capaz de assegurar o sucesso de sua carreira política. A ascensão financeira e social seria somente consequência. E como foi!

É triste assistir ao prelúdio do ocaso de um líder parido no ventre das massas populares, que tinha tudo para eternizar-se como o governante hábil e pacificador que uniu uma nação sob o manto da liberdade, da igualdade e da brasilidade. No entanto, derrotado pelo ego, arrisca-se a entrar para a história como um farsante que, consumido pelo rancor incontrolável, preferiu acreditar em suas próprias mentiras disseminando a fábula fazendo crer que foi por sua vontade que os pobres começaram a viajar de avião assiduamente e a comer filé mignon pelo menos duas vezes por semana, estigmatizando-os como os “burgueses bolivarianos” criados pelo socialismo do século 21.

Diz a lenda que Lula amou tanto a pobreza que fez dela sua companheira inseparável. Sustentam, ainda, as más línguas, que era durante as campanhas eleitorais que esse sentimento mostrava o quanto era grande o seu amor pelos pobres.

Símbolo maior do apogeu apoteótico dessa jornada ao centro da (des)governança corrupta e irresponsável capitaneada pelo ex-presidente e que aterroriza os brasileiros há praticamente treze anos, Dilma Rousseff traduz com perfeição a dimensão do mal que o maior de todos os petistas impôs a toda uma nação. Nessa viagem ao encontro do caos, alguns, inconformados com o papel de meros passageiros da alegria, foram além. Aliançaram-se. Outro tanto, ousou mais. Tornou-se cúmplice!

Uns têm Lula como deus. Outros, como diabo. Particularmente, não o acho nem um nem outro. Eu o tenho somente como um embusteiro oportunista que a sorte, tudo indica, está se cansando de bafejar e já não se preocupa mais em esconder que ele envelheceu apenas fisicamente. A alma guarda o mesmo frescor de trinta anos atrás. O ódio a preservou da ação do tempo.

Da mesma forma que lhe aguçou a inteligência, a raiva companheira lhe solapou a sabedoria. Perdeu o Brasil, perdemos nós. Infelizmente.

26 agosto 2015 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
O GRITO DOS INDIGNADOS!

Como resultado natural da inexorável ação do tempo, a idade vai se acumulando e nos transforma em testemunhas privilegiadas de um conjunto de fatos e acontecimentos que constroem nossa história. Até aí, nada de extraordinário. No entanto, ainda que inadvertidamente, esse estoque fabuloso de informações captadas pelas nossas retinas ao longo de nossa existência e arquivadas no HD de capacidade ilimitada do nosso cérebro espetacular, nos dá a falsa sensação de que somos guardiões da sabedoria e, vencidos pela soberba, em determinados momentos chegamos até a imaginar que já vimos de tudo nessa fugaz experiência terrena.

Ledo engano. Em sua infinita benevolência a natureza nos concede o dom da longevidade, mas, impõe como contrapartida o exercício da humildade. E nesse aspecto ela é pródiga em nos ensinar que por mais longeva que seja nossa caminhada a vida se renova e renasce todos os dias revelando eventos que julgávamos inconcebíveis. Jamais imaginei, por exemplo, que assistiria a uma das mais degradantes etapas de nossa história política. Mas os quase treze anos da desastrada administração petista provam que o malfeito de ontem se reinventa a cada amanhecer, cada vez mais bem feito.

Paralisado pela incompetência crônica que não perdoa nenhum dos quase quarenta ministérios e sufocado por um rosário interminável de denúncias de corrupção, o governo federal e sua base alugada dedicam mais tempo tentando minimizar os estragos da bandalheira institucionalizada do que na solução dos graves problemas conjunturais que se acumulam e ameaçam perigosamente o futuro do País. Acuados, refugiam-se covardemente nas maravilhas de um país de araque que existe apenas no imaginário deturpado dessa malta que, liderada por uma das maiores fraudes políticas que já se teve notícia, utiliza-se da mais indecente campanha publicitária para ludibriar os brasileiros.

Nesse país de faz de conta, a miséria foi definitivamente erradicada, foram construídas milhões de creches, todo brasileiro tem direito a um aeroporto pessoal, a universidade é a extensão do lar do estudante e a Petrobras realizou investimentos de tamanha monta que garantiu a extinção do desemprego. No Brasil de verdade, entretanto, nos deparamos com um cotidiano assustador que convive com a falência da Saúde, o caos da Educação, a cruel indiferença com o Saneamento Básico e a absoluta falta de Segurança Pública, entre outros desastres. A corrupção desenfreada emoldura essa aquarela monocolorida devastadoramente carregada de cinza.

Dissimulados, procuram desesperadamente esconder a dura realidade retratada no suplício de milhões de pessoas que têm como única fonte de renda, e de sobrevivência, uns trocados advindos de programas sociais direcionados mais para a preservação de algum ganho eleitoral do que resgatar a dignidade dos seus beneficiários. As reportagens mostrando o desespero de municípios que imploram por hospitais e equipamentos médicos, agravadas pelos dados imorais publicados pelo IBGE dando conta de estados brasileiros onde praticamente inexiste a implantação de rede de tratamento de esgoto, dimensionam com exatidão o atraso e o subdesenvolvimento a que estamos atrelados.

A implantação de um estado de exceção legalizado pelo resultado das urnas, então, é uma realidade que nem em sonho ousei admitir. Mas o paternalismo indecente das bolsas-qualquer-coisa indica que pode! Nessa democracia indecente o lulopetismo entoa odes inspiradas saudando as bem-aventuranças de uma sociedade pluralista; entretanto, sucumbe à contradição quando recorre à prática do contorcionismo gramatical valendo-se da perfeição homônima do vocábulo “poder”. Às vezes, admite-o como verbo apenas para massagear o ego e conjugá-lo somente no presente da primeira pessoa do singular: Eu posso! O tempo todo, porém, revoga o abstrato e o cultua como artigo definido combinado com substantivo concreto: O poder! O som dessa combinação ordinária os fascina e dita o ritmo frenético que emprestam à marcha hegemônica que dá curso aos seus delírios ideológicos. Maquiavélicos irrecuperáveis, louvam a liberdade de expressão defendendo a volta da censura à imprensa.

Apesar de estupefato e temeroso com as consequências dessa nova concepção comportamental e de retrocesso democrático, reconheço, porém, que nada supera a oportunidade ímpar de ter assistido a evolução da mais infeliz das etapas da política brasileira. Jamais sequer cogitei da possibilidade de conviver com uma casta de políticos tão ineptos, irresponsáveis, oportunistas e corruptos e, concomitantemente, testemunhar o desempenho medíocre de um governo que, além de amasiar-se com a promiscuidade ideológica e flertar despudoradamente com a prostituição política, não se envergonha de recorrer ao flagelo da fome e ao suplício da miséria para amealhar algum dividendo eleitoral.

Nunca na história deste pais se contabilizou tantas denúncias de corrupção, gestão temerária e ação fraudulenta como as colecionadas pelos facínoras que têm comandado a nação brasileira. Embora poucos (ou quase nenhum) encontram-se presos, em tempo algum tantas autoridades foram levadas às barras da justiça. Mais dia menos dia a casa cai e eles terão de prestar conta dos seus atos. É só uma questão de tempo. Infelizmente, o Brasil foi transformado na pátria dos vigaristas, no reduto de vendilhões e no paraíso de velhos (e novos) comunistas que abominam o capitalismo e detestam a burguesia, mas não abrem mão da felicidade, nem da facilidade, que ambos propiciam.

Atônita ante a nova configuração social que se vislumbra, com a confiança ainda um tanto quanto abalada no que se refere a ação do Judiciário e aturdida diante desse desenrolar interminável de falcatruas, a maioria da sociedade parece que abriu mão de ser uma metamorfose ambulante para ter uma opinião formada sobre nada. Amorfa, tem se mostrado incapaz de reagir às provocações debochadas que lhe são disparadas diariamente contribuindo, dessa forma, para que seus agressores a considere definitivamente subjugada ou, pior, cúmplice de suas patifarias. A reeleição de Dilma Rousseff lhes deu a certeza de que estava tudo dominado!

O Brasil que presta tem saído às ruas e feito retumbar por todo esse mundão verde e amarelo o grito dos indignados avisando que mais cedo do que se imagina será esse governo que nos infelicita que estará dominado. Com certeza a agudez desse grito carregado de revolta chegará aos ouvidos moucos daqueles que têm ultrajado a nossa pátria e coberto de vergonha toda uma nação e os fará perceber no horizonte da esperança o raiar de um novo tempo. O da decência. Que venha esse tempo!

13 julho 2015 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
FORA, PEDRO MULA!

Dia desses, fui surpreendido por uma correspondência que eu jamais imaginei que receberia. O remetente era ninguém menos do que João Loco, o terror dos animais e o amansador de político corrupto de Ribeirão dos Pradas. Não me perguntem como ele conseguiu o meu endereço. Como eu já disse, o ribeirãopradaense é mestre em desmoralizar o crível.

Entre outros assuntos, na missiva João Loco faz questão de afirmar que está preocupado com o meu sumiço de Ribeirão, fala de sua tristeza pelo fim da amizade com seu compadre Ado, do clima tenso da política local e da saudade das domingueiras futebolísticas. Impossibilitado momentaneamente de realizar outra expedição pelos meandros do imponderável que rege o cotidiano de Ribeirão dos Pradas para atender os reclamos do meu amigo, publico a íntegra de sua carta.

“Reberão dus Prada, hoji.

Prezadu prefessô Mauro Perera, tá grandi u falatóriu aqui em Reberão sobri u seu sumissu. Uns tão dizenu qui u sinhor levô grana du prefeitu Pedru Mula prá num vortá mais aqui i pará di pegá nu pé deli. Otros, tem certeza qui u sinhor afinô feiu prá prefessora Paula da Mata Barata. Eu aquerditu qui num é nenhuma coisa nenhotra.

Eu tô muitu tristi, prefessô. Num gostu nem di sialembrá, mais acunteceu uma fatalidadi qui mi dexô abatidu purdimais. U sinhor si alembra du meu cumpadri Ado? Intão, nóis era amigu desdi criançinha, inseparáver. Duma ora prá otra ele desatô a amizadi cumigu. I eu num tivi curpa, prefessô, eli qui é um lesado das idéia e malagradicidu.

É u siguinti: O Ado si inscreveu nu concursu organizadu pela prefeitura prá contratá umas pessoa prá sê pulicia secreta. Aí, intão, eli pidiu prá eu ajudá. Cumbinamu qui nu dia du exami nóis ia usá um daqueis apareiu qui sempri tem nus firme di pulícia secreta, qui coloca um escutadô bem piquinininhu nuzovidu e fala nu relógiu. Eli ia falandu as prigunta i eu ia pesquisá no Gugo prá passá as resposta. Ia sê moleza i meu amigo Ado ia sê o primeru puliciar secretu de Reberão. O únicu pobrema é qui Ado é muito mais anarfabetu e disnortiadu du qui eu. Ispia só, prefessô, u qui acunteceu nu dia da prova:
Ansim qui entrô na sala, Ado disfarçô i si comunicô pramodi di testá us apareio.

– Alô cumpadri Juão, vosmissê tai?

– Alerta i vigilanti, arrespondi.

– Intão, pesquisa aí a premera prigunta: “Quar é a capitar da Ucrânia?

– Pesquisei, e rapidinhu retornei prá eli. “É Kiev, Ado”. Eli iscreveu na foia di pregunta

– É qui é, viado!

– Tá respondidu, cumpadri, dissi eli tudu alegri. Agora vai a segunda questão: “Iscreva argu sobri sua vida pessoar”.

– Essa num careci di pesquisá, falei preli. Iscreva sobri a Ana, ocê ta namorandu cuela, num tá? Capricha na iscrita e fala tamém da sua irmã Juliana, prá dá um crima di famía, isso amoleci u coração dus examinador.

– Grandi idéia, cumpadri. Feis posi di intelectuar e sapecô:

– Namorada de Ado, Ana mora na morada de Ado. Irmã de Ado, Juliana mora na morada de Ado. Ana e Juliana moram na morada de Ado.

– Todu cheiu di prosa pur iscrevê suzinhu aquela coisa doida sobri sua famiagi, Ado dispensô minha ajuda na prigunta siguinti.

– Cumpadri, essa eu num pricisu di vossa ajuda. É fácir.

– A prigunta era anssim: Acrescenti sua opinião pessoar à frase “Um coração imaculadu qui si abre para uma aventura nova jamais será u mesmu”. Sem perdê tempu eli mandô vê:

– Um cú tamém!

Comu o sinhor podi vê, prefessô, eu num atrapaiei in nada. Eu só quis ajudá aqueli ingratu. Atorduadu pur num passá no exami, vê só a carta desaforenta qui eli iscreveu sortandu a cachorrada toda im cima di mim:

“Ex-cumpadri Juão Locu. Num vô lhi desejá bão dia purquê já é di tardi i eu tô cum réiva du sinhor. Num cumungu mais da vossa amizadi i comu ex-comungadu, afirmu qui u sinhor é um traíra. Ficô mais qui craru qui naquela oportunidadi da prova, vossa inveja di eu sê um pulícia secretu us mau presságiu atraíra. Sinto dizê, mais u sinhor num é merecedor da minha amizadi i sua alegria nu finar da prova é prova di qui u sinhor a traíra. U cumpadri, meiór dizenu, ex-cumpadri, iscoieu a via da perfídia prá mi prejudicá. Ondi havia confiança só ficô decepção. Minha namorada Ana mi alertô da vossa mardade, mais só ela a via. Di uma veiz pur toda, risqui meu nomi du seu caderno, já num soporto u infernu… xepa seu, poparáporaí cuessa viadage. Tô cum cumichão dusinfernu di mandá o sinhor pra putaquipariu, mais num vô mandá im respeitu a cachacera da vossa mãe qui é difunta. Otra coisa, minha namorada e minha irmã num são sapatão não, seu fofoqueru. I tem mais uma coisa. Mandei o sinhor, sim. Prontu, num passei vontadi! Num vô siqué mi dispedi, pois quem si dispédi qué vortá i iu disconjuru.

Num si fenji di surpresu. Qui si dani seu estupor. Ado”.

Mais, dexanu meus probrema particular di ladu, prefessô du céu, a coisa ta feia pru prefeitu Pedru Mula e pela premera veiz na história du municípiu us papudo dus Prada tão arriscadu di i morá na Papuda. U negóciu é u sigunti: Sob u lema “A cachaça é nossa!”, u maior orguio du nosso povu é a CAGA-DA (Cooperativa Agrícola Gotas do Alambique-Derivados Alcoólicos) qui fabrica nossa cachaça sagrada i sigundu eu fiquei sabenu u prefeitu andô fazendu umas trapaça das brava cuá impresa. Paresqui ele gastô um caminhão di dinheru púbrico num canaviar qui num valia nem siqué uma carriolinha i já si fala inté no fechamento da CAGA-DA. Eli podi robá u quantu eli quisé qui boa parti do povão num tá nem aí, mais si fartá cachaça a coisa vai fedê prus Prada, podi iscrevê! Tomara qui feda memu!

Poizé prefessô, otra cunversa moli qui rola sempri qui u prefeito tá invorvidu im arguma maracutaia é a vorta du grorioso GEG – Gloriozo Esporte e Globalização.O lavorento du Pedro Mula já mandô seus pau mandado espaíá qui u retorno do GEG istá por pocus dia. Eu num caio mais nessas mentiraiada, mais qui seria bão si u Groriozo vortassi, issu seria. Dispois qui eli si acabô, o futebór perdeu a graça. Tudu bem qui u timi era a vergonha municipar, mais u qui fazia valê a pena era us seus jogador. Elis era muitu ingraçadu. Era a sarvação dus dumingu.

Pur exemplu, u Zé Galinha, nossu goleru, nóis chamava eli di mega-anão, purque ele era um anão cum metro i oitenta di artura. Eli era anão só da cintura pra baxo. Coisdiloco. O center-arfo, o Gertrudo, tinha uma perna mecânica, i di veiz inquano eli ia chutá a bola i a perna avuava longi. Duía a barriga di tanto ri. Mais u mais fenomenar era u ponta-isquerda, o Dereiteru. Eli era ambidestru. Não qui eli chutava cos duis pé. Ele caía cos duis pé. Ele tinha duis pé dereitu, purisso u apilidu de Dereiteru. Quano ia corrê atráis da bola, os duis pé se inroscava e eli ia di boca nu chão. Alevantava um baita dum puerão i eli ralava a cara interinha nus pedreguio qui tinha nu campu. Eu si mijava de tanto dá risada! Mais si findô, agora é só sardade.

Otro qui comentô u vossu sumissu foi u Purunga. Eli dissi qui tem um monti di causu prá contá i qui senti farta das pingaiada qui u sinhor pagava pra eli lá no Bar do Galu.

Prá terminá, inté purquê já tá duendu minha mão di tanto iscrevê, corri forti u disqui-disqui qui a Câmara Municipar aprovô a instalação di uma tar di CPI prá investigá as cagada du prefeito nas conta da CAGA-DA.

U sinhor pricisa vortá u mais rápidu prá ixpricá prá nóis u que qui significa a tar da CPI i contá detaies du resurtadu dessa isquisitissi. Eu achu qui é otro ingana troxa, mais é isperá prá vê u qui acunteci, né memu?

Inté.

Juão Locu”.

É, realmente, de acordo com as notícias enviadas por João Louco, a política está pegando fogo em Ribeirão dos Pradas. Urge que eu encontre um tempo e dê uma passada por lá. Só a possibilidade de ver a rataiada se debatendo apavorada em busca de uma solução que evite impetchman do prefeito e a derrocada definitiva dos Pradas vale todo o cansaço que a viagem exige.

Me aguarde, Ribeirão dos Pradas. Breve estarei por aí. Por enquanto, deixo ecoar pelas ondas extrassensoriais que me ligam aos pradaenses o meu solidário FORA MULA!

8 maio 2015 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
VIVA, IMPRENSA LIVRE!

Realmente, está cada vez mais difícil sobreviver à orgia política, à mixórdia ideológica e ao mar de lama que dão forma e sustentação à República da Bandalheira que o governo petista, a base alugada e os escombros da ex-imprensa independente estão transformando o Brasil, ou o que ainda resta dele. O ambiente está tão degenerado que somos tomados pelo espanto quando o espaço entre uma denúncia de corrupção e outra excede a uma semana e a demonstração de submissão irrestrita da mídia televisiva, principalmente, ultrapassa um hiato de 24 horas. Nesse antro de cafajestes, deputados eleitos pelo partido que se autodenomina “dos trabalhadores” votam de acordo com os interesses do governo e traem a classe trabalhadora. Jornalistas, uns a soldo do poder central, outros entorpecidos pelo canto da ideologia e a soldo do poder central, traem a profissão e desdouram suas biografias atuando como reles esbirros de políticos abaixo de qualquer suspeita.

A decomposição toma proporções alarmantes e arrasta para esse oceano da promiscuidade grandes expoentes da imprensa nacional, reduzindo a um grupo limitadíssimo os órgãos de informação nos quais podemos creditar a veracidade da notícia veiculada. A maneira escancaradamente parcial exercida pelos jornais impressos e televisivos procurando minimizar as manifestações de março e abril que levaram alguns milhões de brasileiros e brasileiras às ruas e o entusiasmo dedicado à missão de diminuir a importância dos dois eventos, agravada pela manobra asquerosa de fazer o leitor e o telespectador acreditarem que os protestos eram contra a corrupção e não contra o governo – como se um não fosse (in)consequência do outro –, por exemplo, apenas confirmou o viés ideológico que emporcalha a profissão e vulgariza as Redações nesses tempos sombrios em que padecemos sob o signo do lulopetismo e lutamos para sobreviver ao império da mediocridade.

Tem, inclusive, aqueles que preferem o atalho da desinformação, ou, em outras palavras, recorrem à tática cafajeste de desvirtuar o sentido da notícia quando ela reproduz alguma denúncia envolvendo alguém para quem são muito caros(!). Nesses momentos, buscam desesperadamente desqualificar o denunciante, atribuindo o escândalo à inveja e ao ódio de pelo menos metade da população brasileira a um partido político e a um ex-presidente. Para um deles, o panelaço que ecoou por todo o Brasil durante o programa de televisão do PT terça-feira última, dia 5, foi só a reação impensada de um povo ingrato e a revolta dos ricos inconformados com a alta do dólar o que teria encarecido a passagem de avião para Miami. Arrogância demais de um jornalista importante de menos que desdenha da capacidade de indignar-se da população e tenta medir a integridade do brasileiro com a mesma régua podre que mede o caráter seu e de seu guru. Profissional de carreira longeva, a visão já prejudicada certamente não viu a chuva de PTrodólares que caiu sobre o plenário da Câmara dos Deputados. Bem treinados, os ouvidos convenientemente moucos não ouviram o coral de vozes saudando a traição do Partido dos Trabalhadores: “PT pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão!”. Épico!

Um dos princípios basilares da atividade jornalística informativa, presumo, é levar ao leitor a informação como ela é. Imaculada, sem interferência. É a consagração da ética, da seriedade e da competência profissional. Não há dificuldade, nem facilidade, apenas o extrato fiel de um fato, acabado ou não. Quem encara a missão de informar como um fardo demasiadamente difícil não traz no espírito o imprescindível estigma da vocação. Portanto, deveria encontrar outro tipo de ocupação, que fosse capaz de equacionar algum conflito de identidade e que expressasse com mais fidelidade seus verdadeiros dotes e suas legítimas qualificações.

Acredito, também, que o profissional da informação realmente vocacionado e comprometido não pode se dar o direito de achar difícil a missão de informar, pois, se não, seu espírito fragiliza-se e o comprometimento ético se banaliza, abrindo caminho para a prática nefasta da manipulação, do direcionamento e da distorção da notícia, dependendo dos interesses daqueles a quem porventura esteja representando. A dramaticidade ou não da notícia é intrínseca a ela própria; não tem, nem admite, participação alguma do profissional que está a ela vinculado por conta do exercício do seu trabalho. Ele não gera o fato, apenas o retrata. Tem que existir, isso sim, o inequívoco comprometimento com a verdade e com a lisura de quem vai reportar algum acontecimento. Em outras palavras, respeito ao leitor e honra à profissão.

Achar difícil a missão de informar, certamente é prerrogativa reservada àqueles que não resistem ao assédio e sucumbem aos encantos ou afagos, mesmo que sejam eles efêmeros e fúteis, às vezes até desfigurados pela manifestação chula da troca de interesses. Nesse momento o ego se avoluma e a ética é ferida de morte, transformando o solo sagrado da Redação em mais um reles e fétido prostíbulo de quinta categoria perdido por esse imenso rincão verde e amarelo.

Nesse ambiente, certamente a dificuldade de informar viceja e prolifera enquanto o profissional, lamentavelmente, se degenera. Configura-se, então, a disseminação da prática vil de um jornalismo desprovido de valores morais, vulgar e mercenário. Nada além disso, infelizmente.

No governo dos militares a imprensa era perseguida e calada à bala. No Brasil do lulopetismo é condenada à liberdade e a falar à bola. Viva a imprensa livre! Viva?

23 abril 2015 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
O PT COMO ELE É

Definitivamente, o PT disse adeus à sanidade. Ao que tudo indica, o partido comandado por Lula concluiu de forma irrevogável que recorrer à publicações de resoluções delirantes é o bastante para justificar as falcatruas perpetradas por seus líderes desonestos e purificar o caráter tíbio de seus tesoureiros corruptos. Arrogantes por natureza, suas lideranças menosprezam as consequências de suas decisões e, através de seus lacaios, usam desse expediente para buscar impor a pauta de sua ensandecida jornada contra o regime democrático, elegendo prioridades digamos, pouco republicanas, como:

a) construção de uma frente político-social unindo o partido, os sindicatos e o MST;

b) a convocação da bolivariana constituinte exclusiva destinada a efetuar a reforma política;

c) do alto dos quase 120 milhões de reais que deverão sair dos cofres públicos para abarrotar seus cofres através de recursos repassados pelo fundo partidário, estratégica e pornograficamente triplicado recentemente por decisão da presidente Dilma Rousseff, posa de virgem purificada reforçando a pregação do desgastado discurso defendendo o financiamento público de campanha. Como afirmou o ex-ministro Joaquim Barbosa “com um repasse desses, quem precisa ser financiado por empresas?”

d) esperto, defende o voto em lista, que na prática caça dos brasileiros o direito de escolher seus deputados. Populista, aposta na desmoralizada arenga da luta de classes apresentando medidas penalizando aqueles que julgarem ricos. Menos seus líderes e os amigos dos seus líderes, é óbvio;

e) mobilização contra o PL 4330, das terceirizações, o que só é bom para os sindicalistas, e

f) mobilização contra as PECs 371, que trata da redução da maioridade penal e é do interesse, antes de tudo, da bandidagem e 215, que dá ao Legislativo uma participação mais efetiva na demarcação de terras indígenas, que é do agrado dos picaretas.

O desvario petista, salvo engano, retomou, com mais vigor, a temporada de ódio à democracia. Uma leitura mais minuciosa do conjunto da obra do partido estrelado ao longo desses mais de doze anos à frente da política brasileira e do tom sempre belicoso adotado por suas lideranças nos comunicados oficiais, permitem vislumbrar nas entrelinhas uma advertência sombria caso seja apeado do poder, chamando atenção para a possibilidade de uma ruptura marcada por dias de tensão, cujo desenlace poderá desembocar em grave retrocesso democrático. Estampa, ainda, nuances da fragmentação de um partido político que não suportou a grandeza democrática que jamais teve e sobrevive da ética diminuta que sempre o acompanhou. Sua trajetória conturbada fala por si.

Cansada da mesmice política que predominava no período pós-ditadura, e guardando a esperança de que algo inovador se apresentasse, a sociedade brasileira se pegou encantada com a mensagem muito bem articulada de um partido que, comandado por um ex-trabalhador, se intitulava o emissário do Brasil renovado, senhor de todas as virtudes, arauto da magnificência administrativa e cidadela indevassável da retidão. Para convencer os eleitores que a salvação do Brasil passaria inexoravelmente pelo virtuosismo petista, seus dirigentes não desperdiçaram uma única oportunidade de ocuparem os espaços generosos que a mídia lhes proporcionava. Astutos, foram preenchendo o vácuo político que se formou depois da morte do presidente Tancredo Neves entrincheirando-se na mais selvagem oposição que o Congresso já abrigou. A desestabilização a qualquer preço era o mote. E a tática mostrou-se eficaz: em janeiro de 2003, o PT chegou ao poder.

Forjada na têmpera podre da falsidade, a decantada probidade dos petistas não resistiu a mais do que dois anos à frente do governo. Os rastros deixados pelo dinheiro sujo derrubou a máscara que escondia a verdadeira face dos democratas de araque e deu visibilidade a ação devastadora da mais sórdida canalha instalada nos porões da politicalha. Visando perpetuar-se no poder, os companheiros atuaram com a desenvoltura dos cafajestes e arquitetaram um dos mais atrevidos esquemas de corrupção da história republicana cujo sucesso passava necessariamente pela compra do apoio de partidos que porventura estivessem à venda. Talvez até mesmo os próprios petistas tenham se surpreendido com disponibilidade tamanha. Estava inaugurado o mensalão.

A partir desse episódio que manchará sua história para sempre, o partido estrelado experimentou um processo célere de degeneração e o desgaste evidente serviu de justificativa para que seus dirigentes intensificassem uma campanha avassaladora que tinha como objetivo a dominação absoluta. Para atingir tal fim, os meios, liberados, encontraram na receita da promiscuidade o fermento mais indicado para fazer crescer aquela massa indigesta. Sem o menor trauma de consciência, cercaram-se de inimigos viscerais para inaugurar a forma mais abjeta de amizade, trouxeram para debaixo de suas asas parte significativa da imprensa e fizeram da miséria seu maior trunfo eleitoral. Dispostos a percorrer as últimas instâncias da inconsequência, desbravaram os caminhos da corrupção como ninguém jamais ousara.

Num repente, encantaram-se com a biografia de José Sarney e o consagraram como político respeitável. Este, por sua vez, fez do Maranhão uma extensão do palanque petista e da presidência do Senado reduto dos interesses do governo federal. Uma mão suja emporcalha a outra. Defensores intransigentes da liberdade de imprensa a favor, se dispuseram a patrocinar jornais televisivos, principalmente os de alcance nacional, e blogs na internet abrindo os cofres das estatais e dos ministérios.

Embora viesse a ser reconhecido alguns anos depois como projeto embrionário que abriria o caminho para o bilionário esquema de corrupção batizado como Petrolão, evento que feriu com gravidade e enlameou um dos principais símbolos do orgulho nacional, ainda assim o episódio do mensalão serviu para desencadear um vendaval de denúncias envolvendo o partido comandado pelo ex-presidente Lula e aqueles que formavam a base de apoio ao seu governo em um rosário interminável de falcatruas, cujo acúmulo de malfeitos resultou na queda de quase duas dezenas de ministros de Estado em menos de dez anos. Muitos deles exonerados por envolvimento em casos de corrupção. Pelo menos um, condenado e preso.

Em pouco mais de doze anos, o Partido dos Trabalhadores conseguiu transformar o propalado conjunto de políticos notáveis acima de qualquer suspeita que o mantinha em mero ajuntamento de notórios trambiqueiros, abaixo de qualquer moral, que o sustenta. O PT como ele é.

23 março 2015 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
SEM A VALORIZAÇÃO DO MUNICÍPIO FICA IMPOSSÍVEL GARANTIR DESENVOLVIMENTO E JUSTIÇA SOCIAL!

Dentre as inúmeras distorções que marcam o perfil republicano do nosso País, pelo menos uma se destaca das demais, pois, além de ter influência direta na vida dos brasileiros, reveste-se de gravidade singular já que trata da injustiça a que está submetido o município como instituição. Célula única e, portanto, fundamental não só na consolidação do sentimento de brasilidade, mas, principalmente, na produção das riquezas em todo o território nacional e que tem na figura do prefeito seu principal interlocutor e legítimo gestor – credenciado que foi pela da sociedade que o elegeu – suficientemente preparado para transferir à sua comunidade os benefícios dessa riqueza ou, em outras palavras, fazer valer o texto constitucional que garante ao cidadão o acesso a direitos elementares como saúde, educação, segurança, transporte e lazer de qualidade, entre outros, que, infelizmente, materializam-se apenas no imaginário da imensa maioria dos brasileiros.

Até aí tudo parece normal, já que uma linha de raciocínio mais acurada nos levará à conclusão de que pelo conhecimento adquirido e pelo relacionamento mais estreito, ninguém estaria mais preparado que o prefeito para saber das reais necessidades do seu povo e das prioridades do seu município, pois é no âmbito das divisas municipais que nasce, vive e morre o cidadão e é ali que ele constitui sua família, perpetua suas gerações e escreve, com a tinta do seu suor, a história de uma nação.

Partindo dessa premissa, é lícito imaginarmos, então, que entre as três instâncias da administração pública (federal, estadual e municipal), somente através do município – e do prefeito como gestor -, será possível a efetivação de uma distribuição de renda equilibrada e socialmente justa, subtendendo-se, daí, ter ele (o município) o maior peso na composição do orçamento federal. Mas nesse Brasil dos absurdos acontece exatamente o contrário e nessa tríade eivada de interesses políticos, partidários e pessoais, o município tem sua importância aviltada e de forma torpe é relegado à condição de expectador inexpressivo, obrigado a contentar-se com as migalhas que caem da mesa farta da arrecadação nacional.

Esta situação começou a se deteriorar a partir da última década do século passado e aumentou drasticamente sua gravidade nos últimos 15 anos, com o governo federal se distanciando cada vez mais do seu comprometimento com o pacto federativo, deslocando para os prefeitos apenas os compromissos que o mandato enseja e a constituição determina, esquivando-se do seu comprometimento com a respectiva transferência de recursos capazes de proporcionar aos administradores municipais as condições mínimas de atender as necessidades mais elementares de seus municípios. A prova incontestável dessa aberração está expressa na declaração do presidente da Associação Paulista de Municípios, Marcos Monti, denunciando que a União fica com 57% do bolo arrecadatório, os Estados com 26% enquanto que o município, que produziu 100% da riqueza arrecadada, tem que contentar-se com humilhantes 17%. Salvo as exceções de praxe, todos os prefeitos, principais vítimas dessa imoral concentração de recursos, enfrentam situação similar, sendo transformados em bodes expiatórios da inconsequência federal e nos principais alvos da ira do funcionalismo, do descrédito popular e do cinismo da oposição, que no mais das vezes é descompromissada com os problemas que afligem o município, e por extensão seus próprios eleitores, pois tem olhos somente para o horizonte da próxima eleição.

Para que possamos entender um pouco mais a delicada situação vivenciada por grande número de prefeitos e os efeitos nocivos da perversa concentração de recursos nas mãos do governo federal, vamos usar como exemplo um município com 25.000 habitantes com um orçamento de 20 milhões de reais, números que, presumo, representam a realidade da maioria dos mais de cinco mil municípios espalhados pelo Brasil. Se estabelecermos como parâmetro a Secretaria Municipal da Saúde que tem definido por lei o investimento de 15% desse orçamento, que resulta em R$ 3.00.000,00 e dividirmos esse valor pelos 25 mil habitantes teremos R$ 120,00/ano por cidadão. Dividimos essa quantia por 365 dias e chegaremos aos incríveis 0,33 (trinta e três centavos) por pessoa. É exatamente esse o dinheiro disponível per capita que a municipalidade tem para garantir diariamente os serviços de atendimento médico, hospitalar, ambulatorial, odontológico, modernização tecnológica, salários, manutenção da frota e dos prédios etc. Em município maiores, na faixa dos 100 mil moradores, e com orçamentos em torno de 130 milhões de reais, poderemos observar que nesses casos os alcaides são mais privilegiados e terão à sua disposição a bagatela de R$ 0,42 (quarenta e dois centavos) diários para distribuir saúde de qualidade aos munícipes. Que prefeitos bem-aventurados!

Particularmente, entendo que para os prefeitos só existe uma saída: exigir do governo federal um comportamento mais respeitoso para com os municípios e dos deputados e senadores a contrapartida dos votos recebidos e deixar bem claro que se quiserem o mesmo tratamento em pleitos futuros que tratem de demonstrar mais empenho e engajamento à causa municipalista. É inconcebível que o prefeito, elo imprescindível entre a riqueza produzida e a justa distribuição de seus benefícios, não tenha autonomia para sequer reformar uma simples ponte e tenha que sujeitar-se de forma humilhante ou à boa vontade dos congressistas, via de regra alinhados às benesses do poder, ou ao comprometimento ético de ministros cuja independência está sempre limitada ao humor e à vontade do chefe.

Os chefes dos executivos municipais não podem mais capitular ante a intransferível responsabilidade de, em nome dos cidadãos que representam, romperem – quer seja através de sua entidade representativa ou no surgimento de novas lideranças – com esse estado de coisas, pois já ultrapassou o limite do tolerável a irritante indiferença palaciana. Urge posicionarem-se com firmeza contra o desperdício de vários bilhões de reais que se esvaem pelos ralos da corrupção que grassa pelos ministérios governamentais e congresso nacional, enquanto boa parte dos brasileiros, principalmente os jovens, que têm como perspectiva de futuro apenas os achaques do bolsa família, vão definhando à míngua nas periferias das cidades.É nesse ambiente que, desesperançados, buscam abrigo e oportunidade de uma vida menos pior nas asas “protetoras” do crime organizado.

Se nesse teatro da vida real os prefeitos não assumirem a condição de astros de primeira grandeza e atores principais que são e continuarem se sujeitando a reles condição de coadjuvantes inexpressivos, antes que se deem conta haverá de chegar o dia em que, frustrada, a sociedade se renderá a alternativa de creditar na já debilitada conta política desses senhores e senhoras, se não a pecha de coniventes, com certeza, o estigma de lenientes. Ou ambos, o que é pior.

3 março 2015 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
MUITO ALÉM DO VOTO

Ser presidente de um país é privilégio reservado apenas a alguns mortais acima da média. Até aí, sem novidades, pois acredito que esta afirmação somente faz ressoar pela vastidão da convergência a opinião da maioria. Porém, Lula e Dilma Rousseff são provas tangíveis de que a média sempre pode ser rebaixada. Depois de doze anos à frente do Executivo Federal, me parece cristalino que são diferentes apenas no gênero, mas idênticos no número de escândalos e solidários no grau de incompetência.Lula_e_Dilma

Torna-se praticamente impossível separar uma administração da outra, pois, ainda que com o espírito desarmado de qualquer sintoma de preconceito, até o presente momento não percebi absolutamente nada que as diferencie. Escrito com as letras minúsculas do despreparo, o contexto grafado pelos erros e desacertos maiúsculos da incúria escancara a mesmice cínica que louva o desperdício e dá vida e conteúdo a essa dúzia de anos de dominação petista. Solidários na vergonha, percorreram os caminhos tortuosos da desmoralização espargindo sobre seus governos o lodo fétido de mensalões e petrolões.

Nessa quadra de tempo que se mostra interminável sob o flagelo do lulopetismo, assistimos predominar, absolutas, a mesma desenvoltura em cercar-se de ministros, políticos e funcionários de alta patente inescrupulosos talhados para a desonestidade, pródigos em produzir a metade, mentir o dobro e roubar o triplo. A mesma vocação para o populismo barato regado à bolsas e votos. A mesma insensibilidade social incapaz de enxergar a possibilidade bastante tangível de toda uma geração ser dizimada pelo tormento das drogas e que ignora a penúria de uma multidão de brasileiros e brasileiras que padece à beira dos esgotos a céu aberto. Vítimas da desesperança, tateiam sem rumo pelas trevas da ignorância.

Indiferentes, planam faceiros pelo subterrâneo desse inferno que é permeável à ação nefanda de samaritanos de ocasião e tem nos títulos eleitorais o condutor das chamas que o caracteriza. Proprietários inquestionáveis da verdade definitiva, exalam a mesma arrogância que massageia os egos exacerbados e veem na insanidade do trem-bala a redenção dos miseráveis. Inconsequentes, professam o mesmo fascínio por bandidos de estimação. Confesso que às vezes me sinto confuso por demais, a ponto de não ser capaz de distinguir se o Brasil foi comandado por um búlgaro retirante do nordeste europeu ou se está sendo dirigido por uma nordestina imigrante do leste brasileiro.

Por mais contraditório que possa soar, apesar da tática inescrupulosa de enganar seus eleitores, aterrorizar os beneficiários do Bolsa Família e difamar seu adversário, o resultado das eleições de outubro último foi generoso com a presidente Dilma Rousseff proporcionando-lhe a derradeira oportunidade de iniciar em 2014 o governo para o qual foi eleita em 2010. O som horripilante das correntes arrastadas pelo fantasma da inflação e o bocejar preocupante do flagelo do desemprego avisam que o futuro do Brasil e dos brasileiros não pode, e não deve, sucumbir à gratidão que fragiliza e desampara, à ideologia que cega e mente, menos ainda, à torpeza do voto vinculado que avilta e humilha. Urge que a presidente se liberte dos grilhões da submissão e comece a apagar as pegadas indeléveis do seu criador que ainda assombram seu governo. O tempo já se mostra escasso.

Atormentada pelo peso descomunal de uma realidade que jamais sonhou e para qual sujeitou-se à vontade que originariamente nunca foi sua, vê-se encurralada pelas alternativas de reescrever sua biografia e eternizar-se na história política brasileira como grande estadista venerada por seus feitos e honrada por sua coragem, ou, então, conformar-se em ser a veneranda liderança de segunda-mão que tem sido até aqui e entrar para a posteridade como vocacionada procuradora cartorial de interesses de terceiros. Para a felicidade geral da nação, gostaria de dizer ao povo que ela será eterna e coberta de honrarias. Mas não me atrevo ousar tanto. Quem tem Lula como padrinho sempre estará exposto ao vassalo rito da bênção.

Reeleger-se presidente é mero resultado condicionado às circunstâncias, e, em absoluto, servirá de pretexto para redimir administrações medíocres, nem, muito menos, para resgatar biografias de corruptos. Tomo por óbvio que vitória eleitoral pode até servir para amenizar improváveis traumas de consciência, mas não revoga as ilicitudes dos vitoriosos e não tem a prerrogativa de absolver os eleitos de suas falcatruas. A remissão dos desonestos vai muito além do voto.

18 fevereiro 2015 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
OS ARAUTOS DA ERA DA MEDIOCRIDADE

Confesso aos amigos do JBF que meu problema de saúde, mais a reeleição de Dilma Rousseff, principalmente, me arrastaram para um estado de letargia que eu desconhecia. Está muito difícil escrever, não que eu tenha desaprendido, é que eu não sei se vale a pena. Peço que relevem qualquer escorregão.

Depois de superados os anos de governo militar, a sociedade brasileira viu reacender a chama da liberdade e sonhou o mais candente dos sonhos democráticos, embalado por mais de duas décadas sob o signo da exceção. Com a alma lavada pelas águas purificadoras da democracia, preparou-se para o pleno exercício da cidadania, mas percebeu cedo demais que as premissas de um porvir venturoso seriam subjugadas pelo desencanto proporcionado por administrações civis medíocres, desastradas e corruptas. Umas perdulárias e inconsequentes, outras autoritárias e irresponsáveis, mas todas siamesas na corrupção.

Da esperança da edificação de um Brasil renovado restou apenas a alma marcada pelo gosto acre da desilusão, vilipendiada que foi pela ação nefanda de velhos políticos envilecidos pelo tempo, mas rejuvenescidos pela prática. Aturdidos, os brasileiros viram acumular-se o desperdício de oportunidades, avolumando-se a sensação de que o país do futuro ainda encontrava-se perdido em algum canto remoto de 1986.

Às custas de muito sacrifício, superamos as nefastas administrações de Sarney e Collor de Mello. Apesar de espezinhada por políticos desprezíveis a política sobreviveu, mas já não conseguia encobrir inequívocos sinais de exaustão. Devastada, sob o flagelo do lulalato não resistiu e foi sobrepujada pela delinquência. O que se seguiu foi o recrudescimento de um dos períodos mais sórdidos da política nacional, que teve início na conversão de José Sarney ao lulopetismo, alcançou o ápice no engajamento de Collor de Mello e culminou de forma espetacular na perfídia de Gilberto Kassab, não sem antes testemunhar a paixão repentina e avassaladora de Lula por Paulo Maluf. Satisfeita, a devassidão cobrou o seu preço, fazendo cair sobre o Brasil uma das etapas mais vergonhosas e corruptas de sua história.

Aliás, se eu me dispusesse a elencar todos os escândalos gerados na incrível fábrica de corrupção do PT e do seu governo em apenas doze anos, muitos deles criados no núcleo principal do poder e envolvendo figuras de alta patente, tanto do governo, como do partido, demandaria várias colunas e consumiria um tempo desmesurado. O fato dos petistas terem dedicado mais tempo em se defender das sucessivas denúncias de maracutaia envolvendo alguma figura do partido ou da base aliada do que em definir um programa de governo fala por si. Mais do que na cara do “cara”, a esbórnia correu solta nas barbas do “Barba”, mas ele jura que não viu nada e sabe desses assuntos menos ainda.

Nossa memória ainda guarda frescas as imagens de um Lula compungido e acuado, pedindo desculpas à Nação pelas falcatruas praticadas por seus companheiros mensaleiros, dizendo-se traído. Refeito do baque, mandou às favas a compostura e colocou em prática uma campanha salvacionista visando purificar aqueles a quem acusara de tê-lo apunhalado pelas costas. Descerrou o véu de suas piores intenções se juntando ao que havia de pior no submundo da política. A custa de muitos cargos, da chave do erário e de sua biografia, elegeu José Sarney, Fernando Collor de Mello, Paulo Maluf, entre outros brasileiros de escol, os arautos da era da mediocridade e, generoso com o dinheiro público, escolheu a pelegada sindical, a intelectualidade empalhada, os artistas engajados às verbas polpudas das propagandas oficiais e os blogs mantidos com dinheiro público para formar sua tropa de apóstolos das bem-aventuranças e fiadores do Brasil Maravilha por ele inventado.

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Pelos descaminhos do imponderável, quis o destino que três dos piores presidentes que já passaram pelo Palácio do Planalto se reunissem em algum ponto da história. De acordo com os seus interesses, Lula, José Sarney e Collor de Mello protagonizam a confirmação de um triunvirato poderoso, quase imbatível, só mais frágil do que a promiscuidade indecente que lhe dá sustentação. Atocaiados nas sombras do oportunismo, se odeiam na mais abjeta harmonia. Pérfidos por natureza, estão preparados para empunharem a espada da traição ao primeiro sinal de perigo. São mestres no seu manuseio. A admiração recíproca que encenam para a platéia amestrada e os une sob a bandeira da ambição é o veneno que os mantém conectados, porém, mais dia, menos dia, não resistirão aos apelos de suas índoles desvirtuadas e se envenenarão uns aos outros. É da natureza deles.

Separados, Sarney, Collor e Lula são a confirmação do quanto pode ser ordinária a política. Juntos, expressam com magistral simetria o quanto pode ser sórdido o político.

1 dezembro 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
ESPECIALISTAS EM PASSA-MOLEQUES

Pode ser somente devaneio de um cérebro devastado pela ociosidade, mas, ao ler o livro “Os Meninos de Ouro”, escrito por Daniel James Brown contando os dramas e as tragédias vividas pelos nove integrantes da equipe norte-americana de remo na categoria “oito com” (oito remadores e um timoneiro) que sobrepujaram obstáculos quase intransponíveis para ganhar a medalha de ouro na Olímpiada de 1936 realizada em Berlim, na Alemanha dominada pelo nazismo de Adolf Hitler, me deparei com uma estranha coincidência que aproximava aquela história a um evento acontecido 78 anos depois aqui no Brasil, paralisado pelo petismo de Lula da Silva.

Em terras germânicas, determinado em esconder do resto do mundo o sanguinário projeto de dominação ariana em andamento, a Renânia desmilitarizada já havia sido invadida, o “Fuhrer” viu na grandiosidade daquele evento esportivo a oportunidade perfeita de mostrar às delegações estrangeiras, aos turistas e à imprensa internacional uma Alemanha democraticamente consolidada e voltada apenas para o desenvolvimento do seu povo. No entanto, dissociado do embuste engendrado seguia célere o processo de purificação dos alemães.

Abduzidos pelo carisma do comandante supremo, somente os purificados eram capazes de ouvir a voz tonitruante de Hitler ordenando que se asilassem nas profundezas do nacionalismo inconsequente. Almas ainda adolescentes transbordavam de júbilo. Mentes ainda em formação recitavam extasiadas o mantra vagabundo e assassino que prometia hegemonia e poder, mas que entregaria somente vergonha e dor: “Queremos um povo obediente, vocês devem praticar a obediência. Diante de nós está a Alemanha. Dentro de nós arde a Alemanha. Atrás de nós, segue a Alemanha!”.

Confiante na passividade inglesa, na fragilidade francesa e no desinteresse norte-americano, comportamento que as autoridades dessas nações viriam a lamentar profundamente, incumbiu seu ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, de colocar em prática a mais fraudulenta campanha publicitária até então por ele elaborada, com a única finalidade de mostrar aos críticos do nazismo a face mais bonita do país. Cumpliciado com a cineasta Leni Riefensthal, vendeu com excepcional competência a imagem de uma Alemanha livre do antissemitismo e imbuída da mais pura índole pacifista. Manchetes como “O judeu é a desgraça da Alemanha!”, publicada meses antes pelo jornal “Der Sturmer” foram habilmente trocadas por matérias mais amenas, saudando a igualdade proporcionada pelo esporte e dando boas vindas aos visitantes.

Extasiados com a magnificência alemã encarnada na figura de Hitler, os governantes da Inglaterra, da França e dos Estados Unidos da América não foram capazes de vislumbrar nas entrelinhas daquelas peças de publicidade a confirmação dos cada vez mais distorcidos anseios nazistas. Não perceberam que a utopia do espírito esportivo havia chegado ao seu destino, onde cerveja e sangue judeu fluíam em abundância e os robôs hitlerianos atormentavam os mortos-vivos. Milhões de Reichsmarks investidos em propaganda conseguiriam sepultar a barbárie em curso nas valas da insensibilidade oficial enquanto perdurasse a competição. Entretanto, tão logo os Jogos Olímpicos terminassem, seus túmulos seriam profanados e os mortos voltariam a perambular pelo cotidiano da Alemanha real.

1936 foi o ano em que Adolf Hitler e Joseph Goebbels aplicaram um passa-moleque nos líderes das nações mais poderosas do planeta.

No Brasil, 78 anos depois, aconteceria uma competição diferente, que transcendia o universo esportivo e se enveredava pelos caminhos nem sempre retos da política. Apesar de distintos, os dois acontecimentos traziam nos seus enredos uma similaridade inquietadora. A busca incessante pelo domínio absoluto.

O desespero batia à porta do Partido dos Trabalhadores. A vitória dada como certa no primeiro turno das eleições presidenciais não se confirmou e a possibilidade de uma derrota no segundo já não mais se apresentava como uma quimera fugaz. Suas principais lideranças tinham ciência de que um fracasso nas urnas traria consequências desastrosas. Além de verem cair por terra o projeto de dominação perseguido com método e perseverança durante os últimos doze anos, sabiam, também, que uma devassa nas contas do governo poderia arrastar quadros de alta patente do partido às barras dos tribunais.

Sem perda de tempo convocaram o ministro honorário responsável pela propaganda do governo e que nas horas vagas emprestava (por 70 milhões de reais!) seus serviços à legenda partidária. Despudoradas quantias de reais foram disponibilizadas para que João Santana elaborasse um plano dedicado a mostrar a face mais bonita do partido. Parido nos laboratórios da hipocrisia e legitimado pelo santanismo desvairado, desembarcava na disputa o protótipo do petista perfeito, inquestionável senhor das virtudes e incontestável proprietário da verdade. Estava inaugurada a temporada de caça ao inimigo, iniciando aquela que seria considerada a mais sórdida campanha de nossa história política.

Apostando na farta distribuições de benesses, na potencialidade eleitoral dos benefícios, na gratidão aterrorizada dos beneficiados e na devoção remunerada da militância, João Santana recorreu a elaboração de filmes tecnicamente primorosos, mas com seus conteúdos deturpados desde a sua criação pelo descompromisso com a verdade vendendo a imagem da presidente competente e enaltecendo a pureza da candidata ética. Espontâneos flashbacks oriundos do longínquo 1936 teimavam em vadiar pela minha memória: “Queremos um povo submisso. Vocês devem implantar a submissão. Diante de nós está o poder. Dentro de nós arde o poder. Atrás de nós segue o Brasil!”.

Perseguindo fielmente as pegadas do seu criador e sentada confortavelmente no colo do seu ventríloquo, a candidata reverberava nos palanques os desatinos perpetrados por aquele que a criara, e, na televisão, reagia ao comando daquele que a manipulava. De dedo em riste e caráter em baixa, acusava: “O meu adversário é o candidato dos banqueiros. “Se ele for eleito, preparem-se para o aumento dos juros”. “Ele é representante da direita”, como se a direita fosse a desgraça do Brasil.

Confirmada sua reeleição, o primeiro ato da presidente foi elevar a taxa de juros. Com mais quatro anos de mandato garantido, mandou o constrangimento às favas e, tresloucada, saiu à procura de algum banqueiro que topasse ser seu ministro da Fazenda. Esperta, absteve-se de comparecer à entrevista coletiva convocada para confirmar o nome do banqueiro Joaquim Levy como ministro da Fazenda do seu governo. Insatisfeita com o tamanho da perfídia imposta aos seus eleitores, convidou a senadora Kátia Abreu, uma das mais importantes representantes da “desgraça do Brasil”, para chefiar o ministério da Agricultura. A utopia do socialismo do bem havia chegado ao seu destino, permitindo fluir em abundância de suas entranhas corrompidas uma torrente inesgotável de mentiras vis e promessas vãs.

2014 foi o ano em que Dilma Rousseff e João Santana aplicaram um passa-moleque em pouco mais de 51% dos eleitores da nação mais poderosa da América do Sul.

A vida passa, a hora passa, até a uva passa. No entanto, mais dia menos dia, em algum lugar da história sempre é barrada a passagem dos especialistas em passa-moleques. O que sobra, então, são só suas biografias. No mais das vezes, degradadas.

14 novembro 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
A REELEIÇÃO DE DILMA FEZ BEM À NOSSA BRASILIDADE!

Pouco se lixando com o repúdio de parte significativa de nossa sociedade, a irracional arrogância do PT jamais se preocupou em esconder o encantamento natural que nutre por perfídias oportunas, nem sequer em disfarçar a atração mórbida por conspiratas estratégicas, às vezes não poupando nem mesmo companheiros com longas folhas de serviços prestados à causa. O sugestivo título do editorial do Estadão afirmando que o lulopetismo desconstrói Dilma Rousseff deixa transparecer o grau de periculosidade de aventureiros instalados no Congresso e no Palácio do Planalto. É de lá, e adjacências, que alguns prestam consultoria, muitos se locupletam e, juntos, manipulam o submundo da politicalha de acordo com seus interesses e necessidades.

No entanto, parece que a ironia se permitiu travestir-se de justiceira e das profundezas dessas duas instituições, até recentemente consideradas símbolos do orgulho nacional, fez com que os petistas se defrontassem com uma realidade bastante hostil às suas pretensões de se perpetuarem no poder. Tomados pelo pânico, pois sabiam das consequências calamitosas – inclusive com desdobramentos no âmbito da justiça -, de uma derrota nas eleições presidenciais que se avizinhavam, retornaram às suas origens e deflagraram guerra à sanidade exercitando com extrema desenvoltura uma das mais sórdidas campanhas eleitorais já registradas em nossa história política. Sem demonstrar o menor vestígio de constrangimento, mentiram sobre dados econômicos e sociais do governo escamoteando números que confirmavam seu fracasso, como a escalada inflacionária e o aumento da miséria, por exemplo. Indiferentes às exigências da ética, chafurdaram no chiqueiro da indecência ao usarem da infâmia para denegrir a honra e ao levantarem aleivosias sobre a vida pessoal do candidato adversário. Alheios à futilidades como respeito à dignidade, desbravaram os inóspitos caminhos da indigência moral ao extorquirem os eleitores mais vulneráveis exigindo deles a garantia do voto em troca de bolsas.

Ao que parece, nem mesmo a vitória nas eleições presidenciais de outubro último foi capaz de amenizar a ira petista devotada à metade do eleitorado que teve a ousadia de negar o voto a Dilma Rousseff, pois a reação dos próceres estrelados foi imediata e, como sempre, ameaçadora. Uma leitura mais aprofundada de recente publicação assinada pelo presidente de direito e autorizada pelo presidente de fato do Partido dos Trabalhadores deixando claro que a hegemonia é o sonho de consumo do partido, permite presumir indícios preocupantes de uma jornada inglória ao centro da ruptura do estado de direito, ensejando a proliferação do caos social e propiciando o cenário mais que perfeito para a consolidação de gravíssimo retrocesso democrático.

Se o histórico de patifarias perpetradas pelos súditos de Lula não me dá o direito de subestimá-los, do mesmo modo, a fanfarronice daqueles que se julgam donos do Brasil não torna ilegítima a conclusão de que o destempero verbal de lideranças petistas de alta patente, agravado por críticas contundentes de miniministros e ex-miniministros esculhambando com a presidente Dilma Rousseff, responsabilizando-a, inclusive, pela perda de credibilidade do governo, e, por extensão, do partido, evidencia a fragmentação de uma legenda partidária que sempre manteve acesa a chama do absolutismo e perseguiu o tempo todo o sonho de implantar um governo pautado somente por seus valores, que em tempo algum homenagearam a retidão, guiado por seus princípios, que jamais reverenciaram a ética e inspirado em suas verdades definitivas, que, no entanto, se prestaram somente para convencer uma horda de oportunistas e assaltantes do erário e intimidar milhões de miseráveis. A debandada coletiva dos miniministros da presidente, enquanto eu escrevia este texto o exército de retirantes já batia o número de 15, pode ser um indicativo de que a fidelidade presumida deu lugar à sobrevivência instintiva.

Presunçosos por natureza e convictos de que pairavam acima do bem e do mal, não se deram ao trabalho de esgotar o manancial de escândalos que se acumularam de forma avassaladora ao longo de pouco mais de uma década. Porém, cometeram a imprudência de desdenhar da capacidade de indignar-se do povo brasileiro. Descobriram tarde demais que metade do eleitorado não se deixou encantar pela fábula asquerosa contada em verso e prosa pelos big brothers da empulhação garantindo que eleição é igual a qualquer reality show fuleiro, só um pouco maior.

Agora, presos na própria ratoeira, procuram por uma porta de saída que os conduza à auto-redenção recorrendo à manjada tática de desqualificar a reação de 51 milhões de brasileiros que disseram um retumbante nao! à farsa em andamento e reafirmaram sua disposição de não pagar o preço absurdamente alto fixado pelos arquitetos do autoritarismo. As manifestações populares ocorridas em vários estados brasileiros logo após o encerramento das eleições exigindo uma devassa nas urnas eletrônicas e seriedade e celeridade nas investigações do escândalo do petrolão, que segundo fontes bem informadas faz do mensalão uma brincadeirinha de amadores, avisam que a vigilância será permanente e a cobrança sem tréguas. Deixam claro, também, que se algum representante da oposição quiser se firmar como líder dessas manifestações, primeiro terá que se deixar liderar pela pauta de reivindicações oriundas das ruas para depois dar-lhe forma, rumo e consistência, caso contrário será solenemente ignorado e enviado à vala do esquecimento.

Montanhas de dinheiro público se esvaíram pelos ralos insaciáveis dos interesses escusos e engordaram as contas bancárias de agentes governamentais desonestos, de políticos inescrupulosos e de empresários poderosos. Ainda assim, o que resta dessa encenação forjada na mentira é a realidade crua que escancara os desvarios assacados contra os brasileiros durante 12 anos por um governo regido por incompetentes, sustentado por mentirosos e consagrado por corruptos.

Pode ser que das urnas não ressurgiu um Brasil renovado, mas, com certeza, delas renasceu um povo disposto a lutar por um País mais higienizado e arredio a governos hegemônicos, de viés populista e permeáveis à corrupção.

Pode até soar um tanto quanto contraditório, mas acredito que não está tão difícil de constatar que a reeleição de Dilma Rousseff, além de fazer justiça condenando o PT a purgar por quatro anos na ante-sala do inferno, tempo esse que deverá ser dedicado a contagem angustiante de cada dia sobrevivido ao vexame de ter que pagar por suas falcatruas e a experimentar a desmoralização em pleno exercício do poder, fez um bem danado à nossa brasilidade!

2 novembro 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
POUCO A SER COMEMORADO

Como era previsível, e de direito, assim que a reeleição de Dilma Rousseff foi confirmada pelo TSE, os petistas invadiram o centro de São Paulo para comemorar a sofrida vitória. Extasiadas, milhares de pessoas lotaram a Avenida Paulista para extravasar sua alegria. Orgulhosas de sua brasilidade, inundaram a mais paulista das avenidas de um vermelho que se perdia no horizonte.festa-vitoria-dilma-

Quase chegaram ao orgasmo quando, em homenagem à pátria mãe gentil, cantaram o Hino Nacional desfraldando com incontido frenesi o augusto pendão que simboliza sua indisfarçável sanha patricida: a bandeira do PT!

E o vermelho, praticamente escondido durante a campanha, disse adeus ao rubor cobrindo de tinto os céus do Brasil, ainda que por um curto espaço de tempo. A lamentar, apenas o resultado da eleição ter sido tão apertado, o que teria inviabilizado o canto da internacional socialista. Aquele cenário alulado revelou por inteiro a alma desvairada de patriotas de ocasião e confirmou a sórdida campanha de desbrasilização em andamento. Seria muito triste, senão fosse tão grave.

No entanto, os líderes petista, leia-se Lula, sabem que foi uma vitória de pirro e que o partido saiu bem menor das eleições recém-encerradas. As performances bisonhas de seus candidatos no pleito do dia 05 de outubro deixou evidente que perder também a presidência da República significaria um desastre de proporções incalculáveis, não descartando a possibilidade de transformar o todo poderoso PT em nada mais que uma legenda mequetrefe, sustentada apenas na sua história de mais de trinta anos, porém, desmoralizada e decadente.

A vitória de Dilma nem de longe faz do PT um vitorioso. Ao contrário, aponta a insustentável fragilidade que corrói o partido de Lula a cada eleição, obrigando-o a apelar para expedientes repulsivos para se manter no poder. Todos os números apontam para essa realidade, senão vejamos: sua bancada na Câmara de Deputados diminuiu, Suplicy foi defenestrado do Senado da República, foi pulverizado no Estado de São Paulo, vencendo em apenas 1 dos 545 municípios paulistas, foi espezinhado em Brasília, não conseguindo sequer eleger para o segundo turno seu governador que buscava a reeleição, foi humilhado no Rio Grande do Sul, amargando a derrota fragorosa de um de seus nomes mais badalados. A debacle se consumou ao perder justamente para o seu arquirrival, o PSDB, a até então insuperável condição de campeão dos votos de legenda. A vitória fortuita em Minas Gerais e a reeleição a fórceps de Tião Viana no Acre, não são suficientes para disfarçar as nuvens sombrias que envolvem o futuro do partido estrelado.

A estreiteza do resultado me leva a presumir que sem o poderoso aparato do estado colocado a serviço de sua candidata, sem apelar para uma das campanhas mais sórdidas de nossa história política e sem achacar e aterrorizar os eleitores beneficiários de algum programa do governo, o verde e amarelo não teria sido agredido com tamanha desfaçatez, ninguém se sentiria tentado a entoar a internacional socialista, Dilma estaria cumprindo os últimos dias do seu mandato e Lula, finalmente, deixaria o Brasil em paz.

A forma virulenta com que Lula e seus sequazes se entregaram à tarefa de reeleger sua candidata, apenas evidencia que o Partido dos Trabalhadores respira através dos tubos do aparelho estatal. Não conseguir eleger um único deputado federal em 6 Estados distribuídos pelo Norte e Nordeste onde Dilma obteve uma massacrante média de 70% dos votos dispensa maiores considerações. As populações de Amazonas, Pernambuco, Roraima, Rondônia, Rio Grande do Norte e Tocantins repudiaram todas as opções apresentadas pelo Partido dos Trabalhadores para a Câmara Federal. A vermelhidão que se espraiou pela Avenida Paulista não foi suficiente para esconder o tamanho do encolhimento petista.

Entretanto, o barulho da festança encarnada mostrou-se incapaz de sufocar o recado vigoroso emanado das profundezas das mesmas urnas que reelegeram Dilma Rousseff, deixando claro que mais de 51 milhões de brasileiros e brasileiras não mais estão dispostos a assistir passivamente aos desmandos do governo federal. Mais de 48% dos eleitores mandaram avisar que se a presidente persistir na insanidade de querer transformar sua administração em um fuleiro gueto a serviço dos interesses do seu partido haverá reação e as ruas serão tomadas de novo. Saudosas das tardes-noites de junho do ano passado, as ruas clamam por invasão.

Enquanto a sobrevivência de uma parte significativa da população estiver condicionada aos pruridos éticos e morais do governo da vez; enquanto o Brasil permanecer no topo do ranking mundial de adultos analfabetos ostentando a vergonhosa 9.ª colocação apresentando resultados mais pífios do que os de países como Indonésia e Congo; enquanto houver um único eleitor oprimido pela ignorância, nenhuma eleição, principalmente a que tem seus fundamentos consolidados na obrigatoriedade do voto, cumprirá por inteiro os ritos da moral e, menos ainda, consagrará a justeza do seu resultado.

Nesse ambiente de dependência crônica e de ignorância estratégica, a sobrevivência sempre prevalecerá, e, subjugada pelo instinto, a razão sucumbirá, tornando o pleito injusto e desigual. Esse círculo viciado e pernicioso gera eleitos, mas não produz vencedores. Só há justiça na distribuição do dolo. Perdemos todos!

Nas estreitas veredas da cidadania temos ainda um longo caminho a percorrer!

27 outubro 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
E OS FINLANDESES FORAM ÀS URNAS!

O resultado da eleição presidencial encerrada ontem, dia 26, não se destacou apenas pela campanha eleitoral que o precedeu e que deixará como lembrança a sombria constatação de que ficará marcada nos anais de nossa história política como uma das mais sórdidas e rasteiras que a sociedade brasileira já testemunhou. Deixou transparecer, também, um insólito fenômeno quase imperceptível mostrando que embora vivamos sob a égide da mesma bandeira e da mesma Constituição, dois povos distintos conviveram simultaneamente durante um pequeno lapso temporal realidades antagônicas nos grotões desse imenso território verde e amarelo.

De um lado, seduzidos pela notável capacidade de convencimento da candidata reeleita, 54 milhões de brasileiros e brasileiras acreditaram que eram finlandeses e que viviam na Finlândia, um dos países mais desenvolvidos do mundo e, por conta disso, reverenciado internacionalmente pelo elevado padrão de vida que oferece à sua população, além de se sobressair como uma das nações com os menores índices de corrupção do planeta. Entorpecidos pela sensação inusitada, os lapões tupiniquins foram às urnas e não desperdiçaram a oportunidade de extravasar a extensão do seu contentamento com o poder central, outorgando à sua presidente mais um mandato de quatro anos.

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Helsinque, a capital da Filândia

E nem poderia ser diferente, afinal estavam convictos de que habitavam uma nação onde a miséria praticamente inexiste, o índice de criminalidade é ínfimo, a média do salário dos trabalhadores permanece consolidada bem próxima de três mil dólares mensais e a imensa maioria é valorizada com empregos decentes, tudo isso assentado em um crescimento econômico vigoroso e constante. Em reconhecimento a números e dados de tamanha envergadura, decidiram, então, que tinham a obrigação moral de retribuir com o voto aos benefícios advindos do bem elaborado plano habitacional que assegura a praticamente 100% da população o acesso à casa própria, ao privilégio de terem à disposição um primoroso programa de assistência médica e hospitalar e à constatação de que os aposentados são homenageados com a contrapartida do salário digno.

Orgulham-se de seus governantes que durante todo o mandato conservaram intacto o imaculado manto da honestidade mantendo-o impermeável à prática nefanda da corrupção e que com habilidade reservada somente aos grandes estadistas conseguiram consolidar, sem precisar lançar mão da excrescência da cooptação ou de qualquer outra ilicitude, uma maioria sólida no Congresso Nacional suficientemente capaz de garantir a implementação de ousado e moderno projeto de governo concebido para atender as justas demandas do seu povo.

Não fazem questão de disfarçar o ufanismo incontido que lhes eleva a auto estima ao revelarem ao mundo a inatacável retidão de caráter de seus representantes no Executivo Federal, cujo exemplo de ética se evidenciou ao coibirem com veemência o uso da máquina do Estado no desenrolar da campanha não permitindo que o eleitor fosse achacado com a ameaça da perda de benefícios sociais caso votasse no candidato adversário e ameaçando, inclusive, exonerar qualquer ministro que se atrevesse a tirar proveito de sua privilegiada condição para angariar vantagens eleitorais.

A fulgência desse cenário resplandecente apascenta suas consciências, uma vez que seus idosos são venerados, seus jovens têm garantido o acesso a uma Educação de altíssimo padrão e suas crianças podem manifestar todo o saudável esplendor de sua morenitude nórdica, preservadas que são por uma intransponível malha protetora que as mantém incólumes à ação devastadora de fossas cépticas imundas, distantes de águas apodrecidas e salvas das barbáries da exploração sexual e do trabalho infantil.

Do outro lado, restou aos 51 milhões de miscigenados brasileiros orgulhosos dessa mistura, além de manifestarem sua brasilidade, assistirem com indisfarçável ponta de inveja a justa festa da vitória que recepcionou a madrugada inebriante iluminando-a com a exuberância dos fogos de artifícios que riscaram os céus da avatárica República Federativa da Finlândia dos Trópicos.

Felizmente, me mantive imune à sedução e, como prêmio, não fui convidado para essa comemoração!

Tomo por óbvio que, a bordo do trem bala que a acomodou, essa multidão ainda viaja pelos trilhos da insolitude e curte inebriada as últimas paisagens dessa aventura pelo interior gelidamente ensolarado da Finlândia tropicana que se refugiou; entretanto, não me parece desonesto presumir que superada a festança, o êxtase se dissipará e a grande maioria dessa procissão composta por brasileiros que jamais tiveram o menor contato com o significado da palavra cidadania será remetida de volta à dura realidade que a cerca, obrigando-a a encarar novamente, e com a mesma submissão, a crueza do cotidiano que a mantém refém da chantagem oficial, vítima da pilantropia inescrupulosa do governante de plantão e escrava de sua triste ignorância. Talvez na próxima eleição apareça alguém hábil o suficiente para reunir outros 54 milhões de eleitores e fazê-los sentirem-se finlandeses outra vez, nem que seja por um curto espaço de tempo. Quem sabe?

No Brasil real, lamentavelmente, entre brancos, nulos e abstenções feriram-se todos.

24 outubro 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
MUITO ALÉM DAS ELEIÇÕES

Muito embora tenha vindo a público na quinta-feira, a denúncia estampada na capa da revista Veja me trouxe à lembrança a frase demolidora do jornalista Augusto Nunes avisando que toda sexta-feira é dia de pânico entre aqueles que têm culpa no cartório. E desta vez não foi diferente. As revelações do doleiro Alberto Youssef à Polícia Federal confirmando que Lula e Dilma Rousseff sabiam de tudo sobre o assalto à Petrobras comandado por diretores da estatal são estarrecedoras e têm elementos suficientes para estremecer a República. Deveria, ao menos.

No entanto, entendo que a gravidade das revelações do doleiro não pode ser reduzida a mero instrumento político-eleitoral. A contundência da delação e seus desdobramentos vão muito além das eleições e projetam dias extremamente tensos, permeados de acontecimentos importantes e impensáveis num passado ainda recente como, por exemplo, o encaminhamento de Lula às barras dos tribunais e até mesmo o impeachment da presidente Dilma Rousseff, caso ela se reeleja. Não descarto a possibilidade dos envolvidos recorrerem à manjada tática da vitimização e, abrigados nas asas protetoras de governos aliados e organizações companheiras, como o MST, entre outros, saírem de punho cerrado mundo afora pregando uma conspiração da imprensa vendida e um golpe de estado patrocinado pela direita esbranquiçada e que tem horror a pobre.

Tomo por óbvio que seria desonesto de minha parte não creditar à reportagem de Veja alguma influência na decisão do eleitor na hora de votar, mas não a reputo como fator preponderante numa vitória de Aécio Neves. Ao contrário, penso que servirá mais como justificativa para uma eventual derrota petista. Particularmente, confio que as declarações de Romário, senador eleito pelo Rio de Janeiro com quase cinco milhões de votos, no programa político de quarta-feira e de Neymar, futebolista com uma imensidão de seguidores nas redes sociais, em vídeo publicado ontem na internet confirmando voto e apoio ao candidato tucano, terão uma repercussão muito mais expressiva nas urnas.

Parafraseando o inesquecível Chacrinha, eleição só acaba quando termina, mas entendo que a vitória de Aécio se mostrou bastante palpável na quarta-feira, com as manifestações de apoio ao candidato peessedebista que arrastaram multidões às avenidas e praças desse brasilzão de meu Deus. E aquela inimaginável e surpreendente mobilização das forças oposicionistas apavorou os petistas. Os fiéis da seita lulopetista não estavam preparados para reagir à tamanha ousadia daquela gente ingrata. Quando se deram conta do tamanho da insatisfação de dezenas de milhões de brasileiros já era tarde demais. Restou apenas intensificar os ataques covardes ao adversário transformando a campanha política em uma das mais baixas e sujas que já se teve notícia. Apavorados ante a possibilidade de serem alijados do poder, não lhes sobrou outra alternativa a não ser constatarem, incrédulos, que nem mesmo os esforços dos data-qualquercoisa e ibopes da vida seriam suficientes para reverter o clima de mudança que tomou conta do País.

Querer subestimar a histórica edição de Veja reduzindo-a a mero apetrecho de disputa eleitoral é um despropósito, pois, além de vulgarizar o estupendo e corajoso trabalho dos jornalistas que a produziu, desmerece a jornada épica de Aécio Neves que sobreviveu ao ostracismo político vaticinado pelos institutos de pesquisas e à indiferença arrogante de grande parte da imprensa para chegar ao final das eleições presidenciais com chances tangíveis de ser eleito.

A reportagem vai além da disputa política e será eternizada pelo simbolismo histórico que a reveste, pois registra o momento em que Lula se viu desalojado da redoma que o blindava e, despojado da aura divina que o consagrava como entidade acima do bem e do mal, se viu arrastado inapelavelmente para o pântano da corrupção no qual naufragaram o PT e seu governo. As declarações do doleiro prenunciam o ocaso de um mito criado em algum laboratório muito bem remunerado.

Fica a esperança de que o impeachment da presidente Dilma Roussef seja decretado domingo próximo pelos eleitores, encerrando, dessa forma, o ambicioso projeto de poder de um agrupamento de cafajestes que estabeleceu uma das etapas mais vergonhosas já experimentada por nossa jovem democracia.

Lula e Dilma podem até vencer as eleições do dia 26, faz parte do jogo democrático, mas ambos têm certeza de que o Brasil, e o PT, jamais serão os mesmos depois que os brasileiros descobriram que eles sabiam de tudo.

13 outubro 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
COVARDE CORAÇÃO VALENTE

Mesmo que os brasileiros deem um basta à ensandecida jornada da patética versão lulomalufista do comunismo do século 21 ao centro do poder eterno elegendo Aécio Neves presidente dia 26 próximo, o rastro de destruição deixado pelos governos de Lula e Dilma Rousseff é um indicador bastante forte de que certamente o Brasil ainda vai padecer muito para superar os estragos deixados pelo vendaval que o assola ao longo desses doze anos de jugo petista.

No entanto, apesar do cenário de terra arrasada que herdaria, tomo por óbvio que uma vitória do candidato tucano seria naturalmente um fator positivo na hercúlea tarefa de reconstruir o País. A sensação de bagunça generalizada e de falta de comando na administração de Dilma Roussef, me levam a presumir que, entre outras decorrências positivas, uma mudança no comando do governo federal teria como resultado imediato a interrupção das negociatas engendradas por corruptos e corruptores que mamam à vontade nas tetas generosas dos governos de Lula e Dilma desde janeiro de 2003.

Respaldado em uma bilionária máquina de propaganda concebida nos moldes nazistas, o governo sempre vendeu à sociedade a imagem mentirosa de um país desenvolvido socialmente, solidificado democraticamente e desassociado da miséria. Esse Brasil Maravilha não passa de apenas mais um embuste articulado pelo Partido dos Trabalhadores e sustentado a peso de ouro pela vassalagem ordinária alugada. Nada mais que outra empulhação concebida pela sanha autoritária do ex-ministro da comunicação social Franklin Martins e que encontrou no solo fértil e devidamente adubado do egocentrismo exacerbado de sua principal liderança a condição ideal para florescer e vicejar.

Entretanto, o retumbante NÃO! que a grande maioria dos brasileiros disse à presidente-candidata e ao lulopetismo no primeiro turno da eleição presidencial do dia 06 último, mostra de forma cabal que a farsa caminha para o seu desmantelamento e os primeiros resultados das pesquisas no segundo turno indicam que é grande a possibilidade do deus de Marta e astro-rei do universo marilênico ter de curvar-se ao restabelecimento da verdade imposto pelo veredito das urnas. O recado enviado por cerca de 60% dos eleitores brasileiros foi claro e direto: Nem todo o Brasil é feito de tolos.

Ficou mais do que nítido o estupor que tomou conta das hostes petistas com a espetacular reação do candidato tucano Aécio Neves. Linchado eleitoralmente pelos institutos de pesquisas que de forma acintosa passaram a ignorá-lo e condenado por antecipação ao ostracismo político pela mídia que deliberadamente o asilou no esquecimento, o senador mineiro ressurgiu das cinzas para qualificar-se como a principal referência da insatisfação manifestada por várias dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras que não estavam dispostos a submeterem-se aos desmandos petistas, cuja soberba já não conseguia esconder a certeza da vitória no primeiro turno do pleito.

Atônitos, viram desmoronar, também, a possibilidade do enfrentamento com Marina Silva na eleição do dia 26 de outubro próximo. Consternados, sentiram escapar por entre os dedos a concretização apoteótica do ideário petista e a consolidação definitiva do estado lulopetista. À elite malvada e aos brancos de olhos azuis restaria somente como alternativa assistir o ápice da consagração de Lula representada por duas vertentes do PT decidindo qual ala do partido subiria a rampa do Palácio do Planalto.

Debatendo-se em mais uma enxurrada de denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras e os Correios, o partido liderado por Lula já deixou claro logo no primeiro programa político do segundo turno que não abrirá mão daquilo que sabe fazer de melhor quando pressente o menor sinal de ameaça ao seu projeto de tomada definitiva do poder. Sob as bênçãos do sumo pontífice da seita, a santanidade do mago do marketing político não se constrangerá em tentar convencer o eleitorado das virtudes de um coração valente. Resta saber se ele terá competência suficiente para esconder o vazio ético de uma alma covarde.

Mais uma vez, assistiremos ao mais refinado espetáculo da sordidez. O debate de alto nível com a apresentação de propostas dará lugar a um rosário interminável de mentiras, de armações, de ataques pessoais, de manipulação dos fatos visando ludibriar o eleitor. Uns por necessidade, muitos por interesse, se deixarão encantar pelo mantra à empulhação escrito por João Santana e recitado à exaustão por Dilma. Mais que desconstruir o adversário, urge destruir o inimigo. Porém, tudo indica que a sociedade brasileira já se cansou desse modo canhestro de fazer política e a recepção festiva ao apoio à candidatura de Aécio Neves de lideranças expressivas, entre elas Renata Campos, viúva do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e Marina Silva, terceira colocada no primeiro turno com mais de 20 milhões de votos, sinaliza a chegada de dias de mudanças.

“Os desatinos que vêm assolando nosso país há praticamente nove anos, infelizmente, demandarão o esforço de gerações para recolocá-lo nos trilhos do desenvolvimento”, escrevi há algum tempo. “No entanto, apesar de todos os percalços, haveremos de ver triunfar a lisura e a retidão. Ainda que tardia, despida da toga servil maculada pela gratidão irrestrita, a história se incumbirá de fazer justiça a esses vendilhões da pátria. É só uma questão de tempo”. Hoje, esse tempo de ajuste de contas legitimado pelos votos não está tão distante quanto me parecia em 2010.

2 outubro 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
TRIBUTO A UM VENCEDOR!

A eleição presidencial marcada para o dia 5 de outubro próximo, certamente entrará para a história como uma das mais renhidas e rasteiras que já se teve notícia. Patrocinada pela máquina de moer reputações do PT, a baixaria desfilou faceira pelo subsolo da politicalha.

Inexorável, o tempo avança célere pelos meandros dos eventos que constroem o cotidiano e mostra-se alheio às suas implicações e consequências. Se retornarmos a um passado ainda recente, recordaremos da desordem que a morte prematura de Eduardo Campos causou às campanhas mornas que se arrastavam num ritmo lento e entediante até serem sacudidas pelo infausto acontecimento. Não é difícil lembrar, também, do pânico que invadiu as hostes petistas. A reeleição aparentemente tranquila da presidente-candidata já no primeiro turno de repente se viu ameaçada com a espetaculosa entrada de Marina Silva naquilo que se tornaria uma vulgar rinha eleitoreira.

Desesperado com a súbita e meteórica evolução da substituta do neto de Miguel Arraes e diante da possibilidade bastante plausível de seu poste número um ser derrotado nas urnas, Lula voltou a perambular pelos palanques da insanidade recorrendo à manjada tática de responsabilizar a imprensa e as elites pelas agruras de Dilma e, principalmente, pelo vexame de Alexandre Padilha em São Paulo. Inconformado com a ousadia de brasileiros dispostos a levar a disputa para um segundo turno inesperado, não se fez de rogado e rasgou a maltrapilha fantasia de democrata de ocasião deixando transparecer sua vocação para tiranete. Sem Malufes para abraçar, reservou seu abraço pateticamente demagógico aos destroços da Petrobras. Sem Kassabes para negociar alguma perfídia de última hora, restou como alternativa derradeira ressuscitar o chefe de facção que emporcalhou as eleições de 2010 entoando o mesmo sórdido mantra segregacionista do “nós” e “eles”.

Dilma Rousseff, por sua vez, deixou claro que não estava brincando quando afirmou que “faria o diabo para vencer as eleições”. Abalroada por Marina, mandou a ética às favas e não se preocupou sequer em disfarçar o desembarque da máquina governamental na sua campanha. O apavoramento era tamanho que às vezes não dava para distinguir com clareza a presidente-candidata da candidata-presidente. Assim como agem aqueles que padecem da falta de argumentos, apostou na disseminação do medo como instrumento capaz de convencer o eleitor de suas virtudes administrativas. Se a estratégia abjeta urdida pelo mago João Santana surtiu o resultado desejado só saberemos domingo, depois das cinco horas da tarde. Eu, particularmente, não me deixei intimidar.

Já, Marina, deslumbrada com a súbita ascensão a algoz da antiga companheira de partido, se imaginou eleita por antecipação e preferiu acreditar nas declarações de lideranças evangélicas que atribuíram o sucesso de sua candidatura a uma intervenção direta do Todo Poderoso. Aí, traída pelos quase trinta anos de militância petista, cedeu ao deslumbramento e interpretou com raro talento a insustentável personagem de entidade messiânica profetizada por pastores e defumada por pajés. Com ares de redentora insofismável dos políticos brasileiros, a política velha reivindicou para si a tarefa de purificar a velha política. Sua performance no papel de reformadora ungida não foi bem recebida pela maioria do eleitorado. Sua atuação como carpideira voluntária tentando mostrar aos brasileiros que sua dor pela morte de Eduardo Campos era maior do que a da viúva oficial causou constrangimento até mesmo entre os mais sonháticos dos marineiros.

Os estratagemas adotados pelos marqueteiros das duas concorrentes pareciam que estavam corretos. Disparadas nas pesquisas, Dilma e Marina aglutinavam quase que 100% das intenções de votos e o reencontro de ambas no segundo turno eram favas contadas. Os rojões espoucavam pela vastidão da arrogância petista. “Para vencer o PT, somente um outro PT”, exultava a vassalagem ordinária, enaltecendo a origem petista da candidata peessebista. Ainda que de forma indireta, a hegemonia de Lula sobre a política brasileira estava assegurada.

Entretanto, quanto mais as pesquisas e a mídia se esforçavam para colocar Dilma e Marina no confronto do dia 26 de outubro, mais aumentava minha confiança na candidatura de Aécio Neves. E por um motivo simples: nenhuma delas resistiria a “higienização eleitoral” que os grandes jornais – impressos e televisivos – e os blogs patrocinados impuseram a Aécio depois do desastre aéreo que vitimou o ex-governador de Pernambuco.

As primeiras duas semanas após o acidente com o então candidato do PSB foram devastadores para a campanha do tucano. Trinta dias antes do pleito, mais de vinte pontos porcentuais o separava da liderança na corrida eleitoral. Dado como carta fora do baralho, foi covardemente defenestrado do noticiário que cuidou da oferecer à Marina e à Dilma uma super-ultra-megaexposição, apostando que o representante do PSDB estaria condenado a amargar dias de extrema humilhação vagando pelas veredas obscuras do micro-universo reservado aos nanicos.

Apesar de nesse período específico ser citado esporadicamente, Aécio Neves mostrou-se um portento político e, para desespero dos seus adversários, da mídia e dos institutos de pesquisas, manteve-se no jogo o tempo todo. É bastante provável que se submetidas ao mesmo linchamento praticado contra Aécio, Dilma e Marina teriam sido consumidas pelo ostracismo e virado pó!

Diferente do pássaro que ilustra a história narrada na mitologia grega, o fênix das Alterosas não se deixou morrer. Astuto, provocou a auto-combustão daqueles que o menosprezaram e ressurgiu das cinzas da presunção acintosamente debochadas de seus oponentes para, numa jornada épica, contrariar todas as probabilidades e chegar às eleições em pé de igualdade, cotado, inclusive, como um dos nomes com reais chances de estar presente num provável segundo turno.

Seja qual for o resultado das eleições de 05 de outubro, um fato se manterá inquestionável: a resistência de Aécio é um ato de heroísmo, e, por isso, considero que esses 20% que o Data Folha lhe atribui às vésperas das eleições têm mais peso moral e consistência eleitoral do que os 67% acumulados pelas duas candidatas do PT.

As preocupações dos dirigentes do PT e do PSB vão além das delações em curso e da prestação de contas sobre o avião sinistrado. O motivo da insônia dilmarinista é um só e ele atende pelo nome de Aécio Neves!

Frias por natureza e indiferentes quanto ao resultado da votação ou se haverá segundo turno ou não, no entanto, domingo próximo as urnas abrirão uma exceção e, rendidas à bravura do senador mineiro, prestarão seu tributo a um vencedor, consolidando-o como uma das mais importantes lideranças políticas nacionais.

Aécio Neves sairá destas eleições bem maior do que entrou.

29 setembro 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
MAY DAY! MAY DAY! À DERIVA, O BRASIL PEDE SOCORRO!

Nestes tempos em que somos torpedeados pela mediocridade e enfrentamos sombrias etapas de provações democráticas, tudo indica que, estimulado pelo governo, o instinto de sobrevivência encontrou no solo fértil da servidão o mais eficiente dos adubos para se alastrar e, infelizmente, a julgar-se pelo topor coletivo que se estende há vários anos, não podemos esperar muito de uma sociedade alienada que teima em eleger e reeleger políticos reconhecidamente corruptos, cujas folhas corridas deixariam ruborizadas as mais altas patentes do crime organizado. Quanto mais se acumulam denúncias de desmandos e de corrupção, mais a presidente-candidata sobe nas pesquisas. Será que perdemos a capacidade de nos indignarmos?

A alma se mostra insuficiente para suportar a dor de assistir, ao longo de pouco mais de uma década, o paulatino desmonte da sétima maior economia do planeta patrocinado por um dos governos mais incompetentes e corruptos de nossa história republicana. Nada funciona a contento nesse Brasil descoberto por Lula em 1.º de janeiro de 2003 e devastado pelo petismo desde o seu descobrimento. As notícias publicadas diariamente por órgãos especializados em economia são aterradoras. O fantasma da inflação volta a assombrar o assalariado, o flagelo do desemprego bate à porta e tira o sossego do trabalhador. O vendaval de desatinos faz uivar tenebroso o vento da recessão.

Nada escapa ao desvario e à incompetência petista. É calamitoso o serviço de saúde oferecido à população. Pacientes empilhados nos corredores dos hospitais aguardando atendimento em camas improvisadas e macas em péssimo estado de conservação expõem o descalabro da insuficiência de leitos hospitalares. A longa e desumana espera pela realização de exames médicos contribui para o agravamento do mal que aflige e mata o doente. A afirmação de Lula garantindo que o SUS está próximo da perfeição redimiu a vassalagem abjeta que repete como mantra essa mentira pilantra.

A precariedade da educação é uma das faces mais perversas dos desgovernos de Lula e Dilma. Ensino de baixíssimo nível transformou o Brasil em frequentador assíduo das últimas colocações nos índices educacionais publicados por instituições internacionais. Salários vergonhosos, patrulhamento do sindicalismo pelego e a ideologização da grade curricular têm desestimulado boa parte dos professores. As recorrentes e impunes agressões dos alunos elevou o exercício do magistério à categoria de profissão de risco e, como consequência inevitável, têm contribuído significativamente para a diminuição do número de heróis que se aventuram a encarar a missão de ensinar. Os caminhos já não são mais suaves.

A segurança pública, ou a falta dela, é a consagração do fracasso das administrações petistas. Deixada ao Deus dará, as fronteiras brasileiras são um convite ao tráfico de armas e drogas. Sob o olhar complacente – que resvala perigosamente nos limites da cumplicidade – de nossas autoridades, países limítrofes ao Brasil aumentam sua produção de coca. Dão-se por satisfeitos com a justificativa de que o plantio da erva é destinada apenas para consumo interno. Essa farsa se desmonta na contundente e desmoralizadora declaração do senador boliviano Roger Pinto Molina afirmando categoricamente que “as relações entre Brasil e Bolívia estão narcotizadas”. Às vezes tenho a sensação de que o alinhamento ideológico é mais importante do que o enfrentamento aos narcotraficantes, responsáveis diretos pela destruição dos nossos jovens e adolescentes.

A política externa, então, virou vergonha nacional e motivo de chacota internacional. Aparelhado, o outrora imponente e respeitado Itamaraty perdeu seu brilho e viu-se relegado a vulgar condição de esbirro da paranóia ideológica perseguida pelo lulopetismo. A cada ação de seus diplomatas, há exceção, ou a cada pronunciamento da presidente Dilma Roussef, mais se esfarela a credibilidade do Brasil perante as nações mais desenvolvidas. A entrevista concedida por nossa presidente terça-feira última (23) censurando os ataques dos EUA e aliados aos bárbaros cortadores de cabeças do EI (Estado Islâmico) e o discurso escandalosamente de candidata em campanha proferido na abertura da Assembléia Geral da ONU, na quarta, ilustram com clareza a miséria ética em que agoniza moribunda a diplomacia brasileira.

Massacrado há praticamente doze anos sob o tacão petista, o Brasil às vezes dá sinais que sucumbiu à corrupção que não cessa, apequenou-se ante à irresponsabilidade que o sufoca e curvou-se à miséria moral que o destrói. Com a conivência de grande parte dos brasileiros, o País caminha para submergir fragorosamente no mar de lama que o inviabiliza e degrada.

Ao mesmo tempo em que torna-se cada vez mais vigorosa a percepção de que a Nação está por sua conta e risco no enfrentamento dessa tormenta que não amaina, também me constrange por demais essa utópica profecia que me invade alertando que somos 200 milhões de passageiros de uma nau abandonada à própria sorte que, sem comando, navega ao encontro do seu naufrágio. Indiferente aos arroubos de profetas da utopia amadores, pelas frestas de nossa aquiescência os profissionais do caos nos espreitam, prontos para dar o bote.

May Day! May Day! À deriva, e seriamente avariado, o Brasil pede socorro!

15 setembro 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
A REDENÇÃO DA MISÉRIA OU A RENDIÇÃO DOS MISERÁVEIS?

Criado em meados da década de 90 do século passado com o nome (um deles) de Bolsa-Escola, sob o manto imaginário da malha de proteção social do então presidente Fernando Henrique Cardoso, a partir de 2003 – sob o governo Lula -, tornou-se mais abrangente e foi rebatizado de Bolsa-Família, programa de largo alcance social e princípios nobres na concepção, mas que, pela longevidade, já começa a gerar contestação quanto à sua execução. Setores representativos da sociedade brasileira sustentam que iniciativas dessa dimensão, até mesmo pelo desdobramento político que enseja, têm que ser encaradas pelas autoridades, independentemente do matiz que tinge seu ideário político e/ou ideológico, como exceção de causa e não como programa de governo.

Cúmplices de um equívoco conceitual histórico, nossos governantes entendem, uns por ingenuidade e a maioria por pura má-fé, que ações sociais como o Bolsa-Família são instrumentos de distribuição de renda. Ledo engano. O máximo que conseguem é dar um lampejo de dignidade à miséria proliferada, além de encurtarem a distância que separa os cofres públicos da sanha voraz e insaciável de agentes corruptos e desqualificados.

Sem o menor constrangimento, procuram dar sustentabilidade a esses programas valendo-se de propagandas caríssimas que nos remetem ao desconforto de assistirmos ao pior espetáculo de celebração à face mais perversa da vigarice indômita, mostrando famílias concebidas nos laboratórios oficiais reunidas ao redor de uma mesa farta onde mães felicíssimas, próximas do arrebatamento, apresentam suas crianças muito bem vestidas que, ostentando todo o apogeu esplendoroso de sua saúde gambeta, servem-se de alimentos sabidamente inacessíveis aos pífios reais que recebem e que paulatinamente vêm sendo subtraídos do prato da classe média. Por mais que me esforce, ainda assim não consigo vislumbrar o menor resquício de beleza no cotidiano cruel e contraditório que castiga uma multidão milionária de brasileiros e brasileiras paupérrimos. Por presunção, acredito que eles, e elas, também não.bolsa_familia_charge

É pouco ambicioso, mais que isso, medíocre, o governo que se encanta com sua generosa verve filantrópica e cultua a indigência como um dos seus maiores feitos. Extasiado com o domínio que exerce sobre multidões recolhe-se sob a couraça impermeável da insensibilidade e não se dá conta de que pouco a pouco avoluma-se aos milhões as pessoas que sucumbem à vala comum da servidão, subjugadas que são pela sensação crônica de dependência aliada ao mais primitivo dos instintos: o da sobrevivência.

Na minha modesta capacidade de análise, programas com esses perfis, principalmente quando mantidos por tempo demasiado, jamais trouxeram – e nem trarão em tempo algum -, qualquer vestígio de justiça social até porque, analisados com mais acuidade, revelam-se apenas meros paliativos desprovidos de consistência e substância à medida em que vulgarizam a dignidade ao abrirem mão da contra-partida indispensável. É nessa fina e delicada fresta que o solo árido da promiscuidade fertiliza-se e a metamorfose acontece, transformando a proteção almejada em submissão adquirida. Antes de redimir os miseráveis, de forma dissimulada prestam-se apenas à asquerosa tarefa de institucionalizar a pobreza. Depois de institucionalizada, o poder central sempre a manterá monitorada, disponível para ser manipulada como importante trunfo político e eleitoral, ficando sua utilização, ou não, a mercê do comprometimento com os princípios éticos e morais do hóspede da vez do Palácio do Planalto.

Mais que o risco político, a perenização de programas com essa proporção extraordinária, não pela sua excelência, mas pela sua abrangência, por mais bem intencionados que sejam além de estimular o flerte despudorado com a prática nefanda do assistencialismo vulgar, traz no seu bojo outro perigo iminente e não menos grave. Tendo como geratriz a cruel realidade de penúria estatizada, poderemos testemunhar, impotentes, toda uma geração ser consumida pelos efeitos devastadores do ócio, arrebatada que foi da mais comezinha perspectiva de futuro.

Como apascentar minha inquietação ante a constatação de que a manter-se nessa toada, num futuro não muito distante praticamente a metade de toda população do País estará sobrevivendo exclusivamente da generosidade do governo federal? A confirmar-se esse quadro sombrio, caminharemos céleres para a consumação da mais abjeta tutela do estado, cujo desdobramento deixará como herança às gerações que hão de vir apenas os escombros de uma sociedade vilipendiada pela falência das instituições e alquebrada pela agonia lenta e dolorosa da democracia.

Talvez o que penso se exauri na relevância, mas o presidente do Brasil a ser escolhido nas eleições de outubro próximo terá minha admiração eterna se até o final do seu mandato reduzir o número de brasileiros e brasileiras assistidos pelo Bolsa-Família, tendo como compensação, é óbvio, a garantia de reintegrá-los, intactos, ao setor produtivo com a auto-estima restaurada através da profissão definida, do emprego decente e do salário justo.

O resto é só politicagem barata, eleitoreira e desumana.

8 setembro 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
FIQUE BRAVA, GENTE BRASILEIRA!

Como resultado natural da inexorável ação do tempo, a idade vai se acumulando e nos transforma em testemunhas privilegiadas de um conjunto de fatos e acontecimentos que constroem nossa história. Até aí, nada de extraordinário. No entanto, ainda que inadvertidamente, esse estoque fabuloso de informações captadas pelas nossas retinas ao longo de nossa existência e arquivadas no HD de capacidade ilimitada do nosso cérebro espetacular, nos dá a falsa sensação de que somos guardiões da sabedoria e, vencidos pela soberba, em determinados momentos chegamos até a imaginar que já vimos de tudo nessa fugaz experiência terrena.

Ledo engano. Em sua infinita benevolência a natureza nos concede o dom da longevidade, mas, impõe como contrapartida o exercício da humildade. E nesse aspecto ela é pródiga em nos ensinar que por mais longeva que seja nossa caminhada a vida se renova e renasce todos os dias revelando eventos que julgávamos inconcebíveis. Jamais imaginei, por exemplo, que assistiria a uma das mais degradantes etapas de nossa história política. Mas os quase doze anos da desastrada e corrupta administração petista provam que o malfeito de ontem se reinventa a cada amanhecer, cada vez mais bem feito.

Nada mais me surpreende neste grande bordel que um dia foi a promissora República Federativa do Brasil. O mais lamentável é que são raros os indícios de um porvir mais venturoso. É desalentador ver uma nação naturalmente vocacionada para conduzir, ser conduzida por porteiros de casas de tolerância de quinta categoria. O gigante continua deitado, só que não mais em berço tão esplêndido. Apequena-se com a disseminação da desfaçatez e sente diminuir seu fulgor ante a sanha destruidora dos que teimam em reduzí-lo a mais uma mera republiqueta terceiromundista.

Prova disso é a reportagem publicada sábado último pela revista Veja relatando as denúncias do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, envolvendo autoridades de grosso calibre da República em um dos mais escabrosos casos de corrupção já perpetrado contra a estatal, arrastando para o fundo do pântano da desmoralização deputados federais, senadores da República, ministros de Estado, presidentes, ex-presidentes. Nem mesmo personagens que a tragédia se incumbiu de beatificar foram poupadas. A República ruiria se já não estivesse no chão!

Apesar de estupefato com as revelações do ex-diretor, que gozava da intimidade de Lula, ressalte-se, reconheço que nada supera a oportunidade ímpar de ter assistido ao longo de mais de uma década a evolução da mais infeliz das etapas da política brasileira. Jamais sequer cogitei da possibilidade de conviver com uma casta de políticos tão ineptos, irresponsáveis, oportunistas e corruptos e, concomitantemente, testemunhar o desempenho medíocre de um governo que, além de amasiar-se com a promiscuidade ideológica e flertar despudoradamente com a prostituição política, não se envergonha de recorrer ao flagelo da fome e ao suplício da miséria para amealhar algum dividendo eleitoral.

PauloRobertoCosta

O ex-diretor que gozava da intimidade de Lula

Infelizmente, o Brasil foi transformado na pátria dos vigaristas, no reduto de vendilhões e no paraíso de velhos (e novos) comunistas que abominam o capitalismo e detestam a burguesia, mas não abrem mão da felicidade, nem da facilidade, que ambos propiciam. Nunca na história deste pais se contabilizou tantas denúncias de corrupção, gestão temerária e ação fraudulenta como as colecionadas pelos facínoras que têm comandado a nação brasileira. Embora poucos (ou quase nenhum) foram presos, em tempo algum tantas autoridades foram levadas às barras da justiça. Mais dia menos dia a casa cai e eles terão de prestar conta dos seus atos.

Em repúdio a mais um escândalo de grandes proporções envolvendo as principais autoridades da República, o Brasil que presta haverá de fazer retumbar pela vastidão das urnas o grito dos indignados. Com certeza ele chegará aos ouvidos moucos daqueles que têm ultrajado a nossa pátria e coberto de vergonha toda uma nação e os fará perceber no horizonte da esperança o raiar de um novo tempo. O da decência. Desmoralizados, descobrirão que restará como alternativa apenas rastejarem na sarjeta da mediocridade que a desonra lhes reservou e, de lá, rezarem aos céus implorando, como imploram os covardes, para que a justiça dos homens seja clemente ao julgá-los. Sabem que a toga da história é impermeável à gratidão.

Ou nos levantemos contra a era da mediocridade que nos sufoca desde 2003 e estanquemos o mal que essa malta vem fazendo ao nosso País, ou não nos restará sequer o consolo de sonharmos com um Brasil decente, soberano, desenvolvido e democrático.

Fique brava, gente brasileira! Sem temor, sem ser vil!

12 agosto 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
A KRYPTONITA DO SUPER LULA

Por esses dias, tive o prazer de reler excelente artigo assinado por Carlos Alberto Sardenberg estabelecendo um comparativo entre os ex-presidentes do Brasil, General Ernesto Geisel e Luiz Inácio Lula da Silva. Com texto predominantemente didático e absoluto conhecimento do conteúdo proposto, Sardenberg nos brindou com uma aula sobre as diferenças que tornaram Geisel e Lula iguais.

Ainda que louvando o fértil saber do articulista renomado, me permito a licenciosidade de percorrer a contramão do seu raciocínio e apontar algumas das diferenças que mantiveram Fernando Henrique Cardoso e Lula diferentes.

Talvez a única semelhança entre eles se expresse no fato de ambos terem desfrutado de dois períodos de quatro anos à frente do Executivo Federal, mas até essa igualdade, beneficiada pelo princípio da naturalidade, se esvai na decisão do então ministro da Educação, e atual prefeito de São Paulo, proclamando que nem sempre o resultado de quatro mais quatro é oito.

Baseado nesse inovador conceito matemático, entendo ser perfeitamente honesto presumir que os próprios petistas se incumbiram de mantê-los diferentes, o que pode ser creditado como uma das maiores contribuições de Fernando Haddad para o enriquecimento da biografia de FHC.

As diferenças

Vou passar o mais distante possível de qualquer avaliação individualizando a produção intelectual ou a formação acadêmica, pois seria pura perda de tempo. Uma eternidade os separa. Acho menos acachapante iniciar este breve paralelo a que me propus invocando o respeito que devotaram à instituição Presidência da República.

Se FHC restituiu a esse símbolo nacional sua importância e sua dignidade depauperadas pelas passagens devastadoras de Sarney e Collor com a postura de chefe de Estado, Lula, no entanto, o remeteu de volta àquele período sombrio vulgarizando-o com o comportamento de chefe de facção. As desigualdades poderiam muito bem ser sintetizadas apenas nesse episódio específico que por si só já seria cabal, mas o exemplo utilizado, como poderemos constatar, é só uma pequena amostragem.

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A única semelhança entre eles: terem desfrutado dois períodos de quatro anos à frente do Executivo Federal

Se FHC revolucionou as comunicações abrindo o caminho para a popularização do telefone, até então privilégio reservado aos ricos, e estruturou o país para ingressar na modernidade da internet que batia à porta, Lula, por sua vez, acenou com uma bolsa-banda larga que não saiu do papel e, em nome de uma estranha democratização da informação, buscou o tempo todo censurar a imprensa.

Se FHC deixou como legado os fundamentos de uma política econômica vitoriosa que derrotou a inflação estratosférica que prejudicava somente os mais pobres e cuja estabilidade propiciou a reintegração do Brasil ao convívio das nações desenvolvidas, além de garantir o retorno dos investimentos internacionais em praticamente todos os setores da produção, Lula, como contrapartida, legou à sua sucessora um buraco considerável nas contas federais que prejudicou a administração da presidente Dilma Rousseff e desacelerou obras do PAC, festejadas, ressalte-se, somente nas propagandas oficiais e nos confins do Brasil Maravilha registrado em cartório, território este habitado apenas pelo lulopetismo delirante.

Se FHC, apesar de algumas derrapadas infelizes destacando-se o advento da reeleição, que na minha opinião não deveria ter acontecido, registre-se, e a desastrada declaração de apoio à liberação do consumo da maconha, ainda é reconhecido até hoje por sua preocupação constante com os ditames constitucionais e pelo relacionamento respeitoso com os outros dois Poderes, Lula, por sua vez, ganhou notoriedade pelo pouco apego à Constituição, pelo descarado aparelhamento do Judiciário e pela determinação de suprimir o Legislativo. Se não conseguiu, andou bem próximo disso.

Se FHC se empenhou em criar uma malha de proteção social, Lula se incumbiu de instalar uma rede de servidão eleitoral.

Do comportamento humano à lisura no desempenho político

Prosseguindo, a diferença entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva se revela contundente em todos os aspectos passíveis de análise, desde o comportamento humano à lisura no desempenho político, passando pela celebração da ética até ao exercício da competência, culminando no estadista que FHC foi sem nunca ter reivindicado e que Lula, descartando-se a vassalagem, sempre quis ser sem jamais ser reconhecido.

Quanto ao quesito honestidade, prefiro não me aventurar pelo solo movediço da suposição. Na verdade, quem está devidamente credenciado para emitir qualquer parecer sobre temas perigosos como corrupção, aparelhamento do estado e avanço patrimonial envolvendo Fernando Henrique Cardoso é o PT, afinal, já se vão quase doze anos que seus especialistas em finanças públicas têm à disposição as prestações de conta do ex-presidente. Partindo do pressuposto que a condescendência jamais foi uma das virtudes do partido comandado por Lula, o imobilismo justiceiro petista, mesmo com o livre acesso a essa formidável coleção de documentos oficiais garantido, convenhamos, não deixa de ser significativo. 

Encerrando, tomo por evidente que se FHC é criticado por seu muito ter sido pouco, Lula o contrapõe por seu pouco ter sido muito. Simplificando, é mais edificante saudar o pouco concreto e realizado do que recorrer à exuberância manipulada do muito, abstrato e malandro, que se materializa apenas no inferno improdutivo das boas intenções. Simples. Não para os petistas, é óbvio.

29 julho 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
FILHOS

Vira e mexe e a estupenda performance empresarial do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta à baila.

Agora é o pastor Silas Malafaia o autor da ofensiva contra o primeiro-filho. Visivelmente indignado, o religioso afirmou que a igreja que dirige – a Associação Vitória em Cristo -, vem sofrendo sórdida perseguição da Receita Federal. Conhecido pela contundência dos seus pronunciamentos, o religioso subiu o tom e cobrou do fisco o mesmo rigor com “o filho de Lula que era pobre e virou milionário”. Posso estar enganado, mas acredito que é menos difícil o pastor se converter à seita lulista do que ter seu pleito atendido. 

Extasiados com a resplandecência emanada dessa ilha de desenvolvimento e de justiça social concebida nos estúdios de alguma agência de publicidade engajada e consolidada somente no conteúdo inverossímil das bilionárias peças publicitárias que abrigam o fantasioso Brasil Maravilha inventado por Lula, os lullopetistas orgulham-se de terem eleito e reeleito um presidente semi-analfabeto e vangloriam-se da escandalosa esperteza dos filhos do ex-mandatário.

Para eles, o processo em andamento de canonização do potentado de Garanhuns deflagrado pelo PT em 2003 e com a santificação vaticinada para 1.º de janeiro de 2019 com sua volta triunfal, justifica a apropriação indevida de programas de outros governos, a descarada vassalagem consentida e a espetacular trajetória empresarial da prole divinal. 

Agradeço aos céus por não ter me convertido à essa nova ordem, pois, como o ex-presidente, também sou um iletrado funcional com diploma apenas do antigo curso primário, mas – sem nenhuma intenção de comparar-me a ele, até mesmo porque a única semelhança da qual compartilhamos é a distância dos bancos escolares -, consciente da minha desídia crônica para os estudos, jamais me permiti orgulhar-me dessa condição de indigência educacional e, buscando apascentar minha consciência e conciliar-me com a redenção, dediquei-me à tarefa de convencer minhas filhas e meu filho de que os princípios fundamentais da realização pessoal e do sucesso profissional estavam visceralmente atrelados ao conhecimento adquirido no imensurável universo da educação.

Nesse mister parece que me saí razoavelmente bem, pois minha filha Débora é formada em RH pela Faculdade Metodista de Itapeva (SP), Bárbara, a do meio, concluiu o curso de Designer de Moda em 2012 pela Universidade Estadual de Londrina (PR) e terminou o Mestrado pela USP(SP) em 2013 e Silas Gustavo, o meu caçula, em maio passado formou-se em Administração pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR).

Se meus filhos são espertos, ou não, não sei; só sei que sacia na sua plenitude o meu orgulho sabê-los inteligentes e íntegros.

Débora, Bárbara e Silas Gustavo me redimiram. Preciso mais?

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Da esquerda para a direita: Bárbara, Silas Gustavo e Débora

20 junho 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
MUDAR OU ESTOCAR PAPEL HIGIÊNICO?

Por mais que Lula e seu rebanho tentem disfarçar, fica nítido que os números das pesquisas eleitorais apontando o derretimento de sua candidata à reeleição nas eleições presidenciais de 5 de outubro próximo levaram o desespero para dentro do universo petista. Aturdido com a inesperada reviravolta no quadro político que até pouco tempo dava como irreversível a reeleição de Dilma Rousseff ainda no primeiro turno, o Partido dos Trabalhadores recorreu a velha prática inescrupulosa de terceirizar sua incompetência administrativa responsabilizando aqueles que não rezam de acordo com a sua cartilha pelo retumbante fracasso do seu governo.

O PT pode passar toda a eternidade desfrutando das delícias do poder, mas, ainda assim, jamais deixará de ser uma caixinha de obviedades. Imune a frescuras como constrangimento, quando se veem acuados os petistas dão adeus à vergonha e na maior cara dura recorrem a expedientes pouco recomendáveis. E aí avolumam-se os desvarios: do alto da branquitude esplendorosa de suas lideranças denunciam a implacável perseguição da elite branca e preconceituosa, fazem o sinal da cruz ao contrário, negam Marx quantas vezes forem necessárias, celebram a promiscuidade tornando-se inimigos íntimos de amigos que odeiam fraternalmente, inventam golpes de estado, criminalizam a vítima, vitimizam o bandido. Com extrema maestria, batem a carteira e gritam pega o ladrão! No entanto, é quando tentam se passar por vestais que jamais foram se escondendo atrás do pudor que nunca tiveram que escancaram o pouco apreço dedicado a valores como ética e moral.

O pudico e respeitador Lula, por exemplo, ficou inconsolável com o xingamento dirigido à presidente Dilma Rousseff por parte da torcida brasileira durante o jogo entre Brasil e Croácia na abertura da “Copa das Copas”. Oportunista convicto, o deus de Marta não perdeu a oportunidade de tentar reverter a situação e capitalizar algum dividendo eleitoral. Consternado com a indelicadeza daquela ingrata “brancaiada bonita e de mão descalejada” disparou: “Educação se recebe dentro de casa. Eu nunca tive coragem de faltar com respeito a um presidente da República”.

Opa!, devagar com o andor, seu doutor!, não é bem isso que a história nos conta. Todo brasileiro minimamente informado sabe que o repertório de grosserias de Lula, além de vasto também se sobressai pela diversificação.

É praticamente impossível não lembrar daquela passagem em que, furioso com o jornalista americano que o chamara de pé-de-cana, exigia sua expulsão sumária do País. Alertado pela vassalagem que o jornalista era casado com uma brasileira e, por isso, a Constituição vedava sua expulsão, reagiu no melhor estilo Lula de ser: “foda-se a Constituição!”. Isso pode. É poesia para ouvidos marilenicamentes sensíveis. Mandar Dilma ir catar caju, não! É baixaria da elite branca e raivosa.

Seu repentino respeito quase devocional a um presidente da República manifestou-se naquele episódio deprimente publicado pela imprensa em maio de 1993, se não me engano, em que ele chamou o então presidente Itamar Franco de “filho da puta”. Longe de mim enveredar pelos caminhos presunçosos do prejulgamento, mas ao aceitar como verdadeira a afirmação de Lula sustentando que educação se recebe dentro de casa, não estarei afrontando a verdade se concluir que ele foi criado em algum orfanato.

Através de sua assessoria, Itamar Franco respondeu: “gostaria de saber o que aconteceria se a situação fosse inversa, ou seja, se este indivíduo arrogante e elitista fosse o presidente da República e alguém lhe chamasse disso. O Sr. Luiz Inácio Lula da Silva me chamou de filho da puta. Minha mãe se chamava Itália Franco. Mas fosse eu efetivamente um filho da puta, certamente teria pela minha mãe o mesmo amor filial”. Qualquer outro que não Lula, com certeza se sentiria desmoralizado. Mas ele é Lula e sua divindade o desobriga da sujeição a essas amenidades.

Apavorado ante o crescente sentimento de rejeição do eleitorado  e o fortalecimento de candidatos da oposição à corrida presidencial, o PT mandou  a compostura às favas e tratou de acelerar seu projeto de tomada definitiva do poder antecipando a edição do nefasto e golpista decreto 8.243 instituindo o governo de partido único, escorado em uma espécie de sovietes castro-descendentes. Visivelmente desnorteados com a reação do Congresso Nacional e de parte da imprensa condenando o tal decreto, os petistas piraram de vez e, aproveitando a abrangência e a celeridade das redes sociais, publicaram uma  propaganda no mínimo inusitada convidando a população para ocupar o governo.

De uma vez por todas, eu desisto da minha saga trintenária de querer compreender os desígnios da alma petista. Em junho do ano passado quando a população estava disposta a ocupar o governo, a dadivosa presidente que hoje está determinada a acolher o povo em seu colo quase maternal, convocou o Exército para impedir que a ocupação se consumasse. Freud deve estar agradecendo aos céus por não ter nascido nesses cinzentos anos de lulopetismo.

Não sei se algum dia eu vou deixar de denunciar as mistificações de Lula, a subserviência de Dilma e a delinquência do PT. Só depende deles. No entanto, quanto mais eles se alinharem para tomar de assalto o estado brasileiro, mais me convencerei ser essa missão uma obrigação moral minha para com o meu País.

Ou nas eleições de outubro nos preocupemos em escrever um futuro mais alentador do que esse que o PT prepara para o Brasil, ou, então, que comecemos a estocar papel higiênico.

2 junho 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
O QUE ELES FIZERAM!

Às vezes eu tenho a sensação que sou um pessimista contumaz, pois ao longo dos últimos onze anos e meio não dediquei um parágrafo sequer elogiando nossas autoridades federais. Ninguém consegue ser incompetente o tempo todo, nem mesmo se tratando do governo do PT, conjecturei.

Diante dessa incerteza, resolvi me despir de quaisquer preconceitos, fossem eles de ordem política ou ideológica, e realizar uma pesquisa mais aprofundada sobre as realizações das administrações de Lula (2003-2006/2007-2010) e de Dilma, em andamento desde 1.º de janeiro de 2011. Porém, logo no começo da consulta concluí que por mais honesta que fosse a boa vontade, se analisada por esse prisma minha opinião continuaria inalterada.

Foi aí, então, que tive uma ideia, digamos, um tanto quanto inusitada: concentrar minha busca naquilo que Lula e Dilma deixaram de fazer. Seguindo essa linha de raciocínio, talvez eu encontre naquilo que não fizeram a solução para o meu drama de consciência e a chance de elogiá-los, avaliei. Respeitando a hierarquia, me debrucei sobre os dois mandatos de Lula e iniciei minha saga redentorista.

Ele não faria a cafajestagem de trair o seu passado e se unir aos donos do capital para se eleger. Ele fez!

Ele não faria a desfaçatez de se apoderar das realizações de governos anteriores e esquecer de dar os devidos créditos. Ele fez!

Ele não faria a bobagem de se deixar fascinar pelo poder e, como decorrência, achar que é o único ponto de luminosidade democrática na obscura história da humanidade. Ele fez!

Ele não faria da traição sua ferramenta principal para manter-se no poder se juntando a inimigos históricos como José Sarney, Fernando Collor de Mello, Renan Calheiros, Paulo Maluf, entre outros. Ele fez!

Ele não faria da cizânia instrumento de persuasão eleitoral, afinal ele foi eleito para ser o presidente de todos os brasileiros. Ele fez!

Ele não faria do assistencialismo degradante seu principal programa de governo e potencializá-lo como curral eleitoral. Ele fez!

Já um tanto quanto desanimado com o desenrolar da pesquisa, fui sacudido por uma última esperança. Ele não afrontaria a sociedade brasileira privilegiando familiares, parentes e amigos mais próximos. Última e vã. Ele fez!

Quanto à administração da presidente Dilma Roussef, pouco há para discorrer. Eleita na esteira da popularidade muito bem articulada de seu padrinho político, encontrou na cartola sem fundo das bolsas familiares brasileiramente carinhosas a variante mais eficaz para encurtar a distância entre o eleitor e o voto e nos bolsos com fundos de representantes do capitalismo selvagem a forma mais eficiente de financiamento de campanha.

Seguindo as pegadas do seu mentor, nesses três anos e meio de desgoverno, ela também fez o que não deveria ter feito. Confiante, imaginei: ela não vai fazer da gratidão eterna a desculpa perfeita para dar continuidade aos desmandos do seu criador. Ela fez!

Desisto, cansei de procurar algo que seja intangível. Nessa minha busca infrutífera, pude perceber que ambos foram extremamente capazes de fazer em seus governos o que a virtude desaconselha e não fazer em seus mandatos aquilo que a competência pressupõe. Meu cansaço, no entanto, serviu como lenitivo para aplacar minha consciência inquiridora.

Definitivamente, na arte da incompetência, a competência do PT é insuperável!

19 maio 2014 MAURO PEREIRA


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É A LEI DO PT. É A LEI DE LULA!

Assim que o resultado das urnas confirmaram Fernando Haddad como prefeito eleito de São Paulo em 2012, escrevi um artigo afirmando que por mais que o os petistas se dispusessem a super-dimensionar a vitória na capital paulista, ela seria incapaz de aplacar a frustração pelos naufrágios de Recife, Salvador, Porto Alegre, Manaus e, principalmente, Diadema. Sozinha, não se faria suficiente para mascarar a curva descendente que já se manifestava com alguma vitalidade não só no poderio eleitoral do PT, mas, sobretudo, na popularidade de Lula.

Sob ataque de devotos indignados, garanti que Lula saiu daquela eleição menor do que entrou. Um ano e meio depois, às vésperas da eleição presidencial, a crescente rejeição à candidata do Partido dos Trabalhadores e o cada vez mais evidente sinal de esgotamento da divindade de sua principal liderança demonstram que eu não estava distante da verdade.

Como eu havia previsto, embora fosse o único que lhes restara, São Paulo tornou-se o símbolo da superioridade petista. São arrogantes, está no DNA, para admitirem publicamente o fracasso nas últimas eleições municipais, mas não são idiotas, ao contrário. Foram espertos o bastante para entender que nas eleições de 2012 a sociedade enviou um recado em alto e bom som para Lula e seus lacaios, alertando-os que o tempo das vacas gordas se aproximava do fim e que o alimento que haviam estocado, além de ser de péssima qualidade, era insuficiente para resistir à temporada das vacas magras que despontava no horizonte. Talvez aterrorizados pelo futuro acinzentado que se esboçava viraram as costas ao razoável e buscaram a solução mais simples disponível. Entre lamentos e maldições, descobriram tarde demais que Lula cometera a temeridade suicida de consagrar Paulo Maluf o Zafenate-Panéia do PT. Ficaram sabendo rapidamente que Maluf não sabia decifrar sonhos, mas era perito em piorar pesadelos.

Imaginaram que o representante-mor da nova ordem comunista de direita se daria por satisfeito somente em apoiar Haddad. A primeira fatura foi apresentada imediatamente após a contagem dos votos e teve que ser paga com a moeda do constrangimento. Maluf foi um dos primeiros a subir no palanque da vitória petista. Utilizaram as mais ordinárias estratégias para escondê-lo. Não conseguiram sequer calá-lo. Uma gargalhada em tom de chiste ecoou pela imensidão da Avenida Paulista antecipando o deprimente som do sotaque meio sírio, meio libanês, cantando  olê, olê, olê, olá… Lula, Lula! Dizem, também, que, perfeitamente à vontade naquele universo que sempre lhe foi hostil, ensaiou até um grito de “ganhamu cumpanherada!”.

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Desde então, tornou-se praticamente impossível não perceber o mal-estar permanente que inundou as hostes petistas. O tempo não foi capaz de apagar dos semblantes dos dirigentes do partido o acúmulo de rugas trazidas pela preocupação, minimizando a alegria que deveria iluminar os rostos daqueles que se apresentam até hoje como os grandes vitoriosos daquele pleito. E é nessas situações de dificuldade que atropelam a sensatez e, apostando na imbecilidade do brasileiro, tentam mascarar suas mazelas evidentes, recorrendo a publicações de notas oficiais truculentas e bravatas pueris se auto proclamando o maior instrumento de construção de uma sociedade justa e igualitária. Ser um dos maiores jamais será cogitado. Só que desta vez apostaram errado. As derrotas devastadoras nas principais capitais brasileiras e em redutos tidos até então como inexpugnáveis, fizeram troar potente a voz dos brasileiros gritando para quem quisesse ouvir: imbecís, são vocês!

Sempre souberam que o resultado de São Paulo foi uma vitória de Pirro, pois se dependesse só deles, o brinquedinho de Lula encontraria sérias dificuldades para sobreviver ao primeiro turno. Matreiros, perambularam pelas veredas da politicalha e da contra-informação propagando que a performance na cidade mais importante do País, além de expiar seus malfeitos e desagravar seus mensaleiros, serviria inapelavelmente para consolidá-los como a força política a ser reverenciada e obedecida. Certos de que um desempenho consagrador do partido nas demais capitais passava necessariamente por uma atuação maiúscula em São Paulo, abandonaram definitivamente a ética e dedicaram todos os esforços na destruição do seu adversário constituindo talvez o maior e mais promíscuo arco de apoio já visto em torno de uma candidatura. E, desvairada, a paulicéia lulo-malufou.

No entanto, o que conseguiram foi uma vitória magérrima, sem brilho, reproduzida no palanque dos horrores montado para a comemoração. Passados quase vinte meses, ainda ruminam o gosto amargo daquela vitória. A sequência de derrotas desmoralizantes em capitais e cidades importantes de norte a sul do País deu a extensão exata da empulhação paulistana. A soberba petista sucumbiu ante a humilhação imposta por Eduardo Campos em Recife e as vitórias retumbantes de ACM Neto em Salvador e Artur Vergílio em Manaus se incumbiram de remeter o supercampeão de votos à sua real dimensão.

 E para tornar ainda mais desesperador esse cenário sombrio, acompanharam estupefatos a popularidade da presidente Dilma virar fumaça. Atropelados pela nova realidade que os banaliza e ameaça destruir o projeto de se eternizarem no poder, perderam a mão de vez e se descuidaram permitindo a consagração nas redes sociais do constrangedor jargão “aonde a Dilma vai, a vaia vai atrás”. Ao que tudo indica, nem mesmo a infame estratégia do medo utilizada pelo mago dos marqueteiros no programa político do PT apresentado na televisão quinta-feira passada conseguiu sensibilizar os eleitores. Não são poucos os que sustentam que o tiro acabou saindo pala culatra.

Além de deixar transparecer nítidos sinais de desespero diante da reviravolta no quadro político e eleitoral, a deprimente entrevista concedida por Lula a uma jornalista portuguesa afirmando que os mensaleiros presos na Papuda não são gente de sua confiança, somada à utilização do programa do partido no horário político para mandar um recado em rede nacional ao ainda deputado André Vargas, que não é mais do PT mas continua petista, avisando que todos aqueles que cometeram erros têm que pagar, me levam a pressupor que se no desenrolar da campanha surgir embaraços que possam de alguma forma prejudicar o projeto do partido de perpetuar-se no poder, frescuras como remorso serão descartadas e as carcaças dos companheiros serão abandonadas pelo meio do caminho. É a lei do PT. É a lei de Lula!

10 maio 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
O PAÍS DO DESCOMPASSO

O Partido dos Trabalhadores passou a maior parte de sua história sustentando que era um partido diferente. E realmente o foi, aliás, até mesmo antes de sua fundação. Contrariando todas as expectativas que o precedia, preferiu primeiro preservar o futuro político e pessoal de suas lideranças sindicais criando um partido político para abrigá-las dando início a mais desprezível dinastia partidária-sindical que se consolidaria ao longo de mais de trinta anos. Somente depois de certificar-se que seus valentes jamais necessitariam ter de voltar a pisar num chão de fábrica se dispôs a considerar a criação de uma central sindical. Aí já era tarde. Maculada na sua essência pela perfídia perpetrada por Lula e seus sequazes, as lendárias greves do final dos anos 70 do século passado, que se revelaram para os trabalhadores como o princípio das oportunidades, não passaram de um embuste histórico cujo legado restringiu-se a consolidação de uma elite classista inepta debilitada pela vassalagem ordinária e que tem seus valores éticos e padrões morais determinados de acordo com as necessidades de sindicalistas pelegos e de políticos oportunistas e venais. PT Che arney II

No primeiro embate de dimensão nacional, mostrou à sociedade brasileira o quanto não era igual às demais legendas. Surfando na crista da onda mais alta do revolto mar da mesquinharia, não se importou em flertar perigosamente com o retrocesso e colocar em risco o processo de redemocratização do Brasil negando-se a participar da histórica eleição que, além de consagrar Tancredo Neves como o primeiro presidente pós-ditadura, encerrou o período de exceção que vigorava há mais de duas décadas. Assim como traíra os trabalhadores, não hesitou em trair os brasileiros estabelecendo como prioridade difundir o seu fracassado projeto de confirmação ideológica que o decorrer inexorável do tempo se incumbiria de desmistificar mostrando que toda aquela encenação medíocre tratava-se apenas de pano de fundo para mascarar a manobra torpe que convergia para o encurtamento do caminho que o separava do poder e ajustava as coordenadas da rota do partido na insana jornada ao centro da hegemonia.

E assim foi se firmando vendendo a idéia de que era um partido diferente, esgueirando-se, no entanto, por detrás de uma pureza ideológica de araque muito bem articulada, mas que revelou-se mero atalho para viabilizar sua estratégia de domínio absoluto. Vencida esta etapa, desfez-se dos farrapos ideológicos que ainda o mantinha atrelado à arenga socialista que havia sido tão útil, mas que poderia ser um entrave ao seu plano de perpetuar-se no poder, e deixou transparecer  toda a dimensão de sua diferença ao apoderar-se indevidamente das realizações de governos anteriores, ao romper com o seu passado e aliançar-se  com o que havia  de pior na política nacional,  ao juntar-se com a fina flor do capitalismo selvagem e ao consumar, sem vergonha,  o maior curral eleitoral que já se teve notícias.ctr

Por direito conquistado nas urnas, coube aos petistas, liderados pelo presidente eleito, a missão de dar andamento a decantada maneira diferenciada de executar a administração pública e os acontecimentos que se sucederam desde 2003 provaram que eram diferentes até mesmo na prática da corrupção. Inovaram na forma de estabelecer a maioria no Congresso Nacional inventando o mensalão e se superaram ao desprezar os métodos antiquados praticados por outros presidentes que dedicavam, ainda que minimamente, algum lampejo de decência na hora de costurar acordos políticos para fortalecer suas bancadas no Senado e Câmara dos Deputados lançando o revolucionário sistema de aluguel de base de sustentação política. No transcorrer dessa parceria indecente, tornou-se evidente algum desacerto na fixação do preço ajustado quando da redação do texto pactuado, pois virou rotina locatários coléricos manifestarem publicamente sua indignação com o descumprimento de cláusulas contratuais por parte do locador que, ressalte-se, sempre agiu com presteza reajustando os preços a contento o suficiente para selar a paz nesse antro de promiscuidade. Pelo menos enquanto a cólera não agitar novamente essas águas putrificadas, proibidas para o consumo dos políticos honestos.

Sempre perseguindo o rastro da diferenciação, em toda nossa história republicana nenhum outro presidente teve a coragem de ser tão diferente quanto a que Lula ousou ter. Passou os oitos anos dos seus dois mandatos alegando não saber de nada, mas sempre carregou na alma o indisfarçável desejo de apoderar-se de tudo. Atenta, a regra exigiu a exceção que lhe é devida e, como castigo, fez de Paulo Maluf a única igualdade na diferença petista. Lula é exatamente igual a ele!

Na verdade, a revolucionária diferença cantada em verso e prosa pela cáfila petista atingiu seu ápice no confuso jogo de palavras da presidente Dilma Roussef quando ela afirmou que o Brasil não é o “Joãozinho do passo certo, nem o Joãozinho do passo errado”. Sem nenhum trauma de consciência, um brasileiro mais atento poderia deduzir que, segundo suas palavras, o Brasil é o país do descompasso.

2 maio 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
A NAU DOS PESADELOS

Pode ser apenas coincidência, mas as recentes reações destrambelhadas de figuras proeminentes do Partido dos Trabalhadores, agravadas por pronunciamentos de autoridades federais carreados de indisfarçável apelo eleitoreiro, deixaram transparecer que os resultados das últimas pesquisas de intenção de votos para presidente da República apontando a contínua e vertiginosa queda livre da presidente-candidata à reeleição, Dilma Roussef, causaram sérios abalos nas estruturas do universo petista, elevando ainda mais a temperatura naquele espaço que se notabiliza pelo permanente estado de ebulição.
 
Se analisadas à luz da razão, não será difícil concluir que a entrevista concedida pelo  ex-presidente Lula a uma jornalista portuguesa e a mensagem da presidente Dilma Rousseff em rede nacional de rádio e televisão homenageando o Dia do Trabalho, revelaram a dimensão exata do desespero que se abateu sobre as hostes petistas. A razia substituiu a razão e o que se sucedeu é de conhecimento de todos. O olimpo dedicado a Lula foi declarado área conflagrada. No meio do fogo amigo cruzado zanza atônita a democracia, potencial vítima a ser encontrada pelas balas da decência perdida.
 
Na condição de líder máximo da seita, Lula tomou a iniciativa nessa batalha estrelada disparando contra seus companheiros os cartuchos poderosos da perfídia. Flanando faceiro pelos céus da ingratidão, pousou sua valentia em terras lusitanas. Na segurança da distância, criou coragem para constranger toda uma nação ao declarar que os prisioneiros do mensalão não eram gente de sua confiança. Porém, a natureza reagiu de pronto à sandice de Lula e se incumbiu de lhe fazer justiça. Exatamente no dia dedicado ao trabalhador, um dos fundadores e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores era reconduzido à penitenciária da Papuda.

Dilma Rousseff, por sua vez, sentindo-se encurralada contra-atacou utilizando como munição os devastadores projéteis da insurreição. Perambulando meio trôpega pelo front da alforria, buscou guarida na trincheira da sobrevivência política afirmando que seria candidata à reeleição com ou sem o apoio do seu partido e da base aliada. Estrategicamente posicionada, mostrou o dedo do meio da mão para seus companheiros adversários avisando que estava disposta a adorná-lo com a aliança da discórdia.

Enquanto eu escrevia este texto, fiquei sabendo que Lula e Dilma tinham marcado para hoje, sexta-feira, uma reunião cuja agenda seria dedicada à elaboração dos termos e à assinatura do armistício visando selar a paz entre os petistas. No entanto, o pronunciamento da presidente Dilma em cadeia, opa!, em rede nacional de rádio e televisão originariamente concebido para homenagear os trabalhadores brasileiros pelo dia a eles dedicado, me levou a presumir  que naquele território hostil à sanidade tudo havia voltado à normalidade. Anormalidade é a minha incontrolável presunção de tentar entender o que se passa pela alma petista e imaginar que o desfecho daquela recaída libertária presidencial seria diferente.

Exercitando com extrema perícia o incomparável jeito petista de ser, a presidente não se fez de rogada e deu uma banana à responsabilidade ao se aproveitar do episódio para descambar para o discurso de candidata em campanha, sem se preocupar em encobrir o viés eleitoreiro do seu pronunciamento. Aluna aplicada, não decepcionou o mestre e apresentou aos brasileiros as delícias do Brasil Maravilha inventado por Lula e gerenciado por ela.

Confiante que a pelegada sindicalista correria em seu auxílio, mais uma vez prejudicou a classe trabalhadora reajustando o Imposto de Renda abaixo da inflação. Utilizando-se de um recurso de retórica enviesada e de honestidade um tanto quanto duvidosa no seu objetivo, usou e abusou da palavra mudança, causando inveja até mesmo ao mais acirrado palanque oposicionista. Sem demonstrar o menor vestígio de rubor garantiu que não permitirá que destruam a Petrobras, uma conquista do trabalhador brasileiro. Pode até parecer implicância, mas eu fiquei com a impressão de que ela estava querendo pautar o discurso de Aécio Neves e Eduardo Campos. Sei lá, pode ser que tenha restado algum resquício daquela súbita crise de rebeldia, avaliei.

Pura ilusão. Logo Dilma voltou ao seu estágio natural e tratou de um tema que ela tem certeza que domina e conhece a teoria profundamente: Miséria. Disposta a não permitir que se vinculasse à sua alma caridosa a menor conotação oportunista, rendeu-se à índole populista e sapecou 10% de aumento para o Bolsa-Família. Alguma medida para encontrar uma porta de saída para esse programa mais preocupado em preservar a submissão do eleitor do que resgatar a dignidade do cidadão, nenhuma palavra.

Sobre a inflação que bate à porta, sobre o pibinho renitente, sobre o desastre na saúde, sobre a falência da educação, sobre o caos na segurança pública, por exemplo, o mais sepulcral dos silêncios, afinal, ela dissertava sobre o Brasil Maravilha empulhado por Lula e lá essas irrelevâncias foram superadas faz muito tempo.
 
No Brasil de verdade, entretanto, sequestrada pelo discurso samaritânico do governo federal, parte significativa da população se dá por satisfeita com a verve filantrópica e eleitoreira do estado. Tangida pelo mais desenvolvido dos instintos, o da sobrevivência, pouco se importa com quem a comanda. Sem perspectivas, não consegue visualizar um futuro além do oferecido pela servidão das bolsas que alicia e encontra no ócio a única referência da pátria mãe gentil e traz no número do cartão de benefícios fragmentos de sua cidadania.

Há praticamente doze anos, uma horda de políticos venais tem se esforçado para perenizar esse estado decadente, desumano e opressor, que descobriu na miséria do povo a fórmula ideal para se perpetuar no poder.  A mediocridade é a nação que os identifica e lhes dá asilo e a corrupção é a justiça que os rege e os iguala.
 
O que me faz manter viva a esperança de que haveremos de retomar o País das mãos desses embusteiros, é que, apesar de suas dimensões continentais, ainda assim, o Brasil se mostrará pequeno para acomodar tantos egos exacerbados movidos a ambição desenfreada.  Já se pode notar no horizonte, até pouco tempo tão calmo, os primeiros sinais de autofagia.
Prudentes por natureza, os ratos já começaram a abandonar os porões imundos dessa nau dos pesadelos. 

22 abril 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
UMA IMPRENSA PARA CHAMAR DE MINHA

Eu tenho sido um crítico severo do PT provavelmente desde a fundação do partido, não só por sua capacidade de conviver pacificamente durante décadas a fio com a mentira, com a arrogância, com o cinismo e mais recentemente com a corrupção, mas, sobretudo, por sua concepção vesga de democracia. Porém, há que se fazer justiça, a agremiação estrelada não é um deserto de virtuosos. Olhados sem as lentes do preconceito, é possível perceber que os petistas têm uma virtude: eles são praticantes da praticidade! Pelo menos é o que indica a solução prática a que sempre recorrem quando um dos seus está envolvido em algum escândalo. Fiéis ao virtuosismo solitário, juram que é muito mais prático silenciar a imprensa do que se livrar dos seus corruptos.

Nesse atribulado universo convivem numa paz infernal petistas, peemedebistas e outros lulistas menos importantes, mas, nem por isso, menos predadores. Embora seja quase impossível destacar quem é o melhor pior entre tantos políticos e servidores públicos abaixo de qualquer suspeita, duas personalidades chamam minha atenção. O ex-ministro de comunicações do governo Lula, Franklin Martins, e o deputado federal eleito pelo PT do Ceará, José Guimarães. Não que eles sejam os melhores piores, até porque, querer determinar quem é o mais imoral nesse reduto onde valores e preço quase sempre têm o mesmo significado seria uma temeridade e, certamente, eu premiaria a injustiça.

Na verdade, o que os destaca de seus companheiros de partido e de seita é a defesa intransigente da mesma causa: A imposição da censura à imprensa, obscenidade edulcorada pelo pomposo codinome Regulação Social da Mídia. Um é o criador da excrescência, enquanto o outro é o seu defensor e propagador mais entusiasmado.

Apontado como mentor e executor de um dos planos mais sórdidos para amordaçar a imprensa brasileira e de lambujem garantir um espaço mais amplo para difundir a campanha exigindo que Lula seja laureado com o Prêmio Nobel da paz e reconhecido internacionalmente como o maior estadista que a humanidade pariu, definitivamente, a intimidade de Franklin Martins com o núcleo gerador das vontades do governo federal não só o desabilita como regulador do que quer que seja, como, também, avisa que não é ele o democrata mais apropriado para emitir conceito ou opinião sobre o tema imprensa livre. Sua corrompida visão de liberdade padece de confiabilidade e se exauri ante ao quanto o estado estaria disposto a avançar sobre as liberdades individuais para amoldá-la às suas necessidades.

O livre exercício da informação, e como decorrência também o da opinião, é uma das faces mais civilizadas da democracia, portanto, não pode, e nem deve, ser regulado. Nesse aspecto a sociedade deve ser intransigente. Abre-se uma concessão aqui outra acolá e, quando menos se percebe, o nó da mordaça está consumado!

Por mais bobagem que a imprensa livre faça, ainda assim, ela sempre será muito menos imoral do que a pretendida pelo ex-ministro. Idealizada pelas mentes mais brilhantes a serviço da causa petista e concebida nas profundezas das vicissitudes governamentais, a essência da “progressista” regulação se desmoraliza na sua origem. Dificilmente a imprensa sonhada por Franklin Martins escaparia de ser reduzida a um fuleiro balcão de negócios formatado para intermediar os interesses do Executivo Federal e as necessidades dos departamentos financeiros de órgão informativos. A lisura da notícia seria mero detalhe. Ademais, cabe à justiça penalizar os maus profissionais, não ao governo. A este, cabe vigiar para que seus gestores inescrupulosos não tenham acesso às chaves do cofre.

Um jornalista capaz de afirmar que “a liberdade de imprensa só garante uma coisa: que a imprensa é livre. Que a imprensa é boa, não garante. A imprensa livre faz muita besteira, faz bobagem, desinforma”, convenhamos, não repousa seus princípios libertários na naturalidade que o convívio com o contraditório exige e tampouco formou-se para ilustrar a profissão. Quando muito, nasceu talhado para fabricar mitos de araque e vagar pelas redações dos Grammas da vida. Nada além isso.

Menos ilustre na hierarquia petista, porém, não menos perigoso, José Guimarães não dispõe de probidade suficiente para ser o avalista e o garantidor de que essa abjeção jamais se ocupará de pautar os conteúdos originados na área da informação e produzidos no campo do pensamento. O episódio envolvendo seu assessor flagrado com a cueca abarrotada de dinheiro não o recomenda. Aliás, vivêssemos em um país medianamente sério esse senhor estaria em qualquer outro lugar do planeta, menos perambulando pela Câmara dos Deputados.

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Lulista empedernido, avisa à nação que, quer ela queira, ou não, “após a reeleição de Dilma” o PT irá implantar o famigerado controle social da mídia. Pouco chegado a ruborizar-se, não procura esconder que, além de impedir que as malandragens de seus companheiros robusteçam as páginas político-policiais, o motivo mais relevante de sua cruzada é blindar o chefe da seita que professa. “A mídia e a elite querem criminalizar Lula e isso o PT não irá permitir”, ameaça, deixando claro que o deus de marta está acima de irrelevâncias como legislação eleitoral e Código Penal e que a sociedade brasileira deve vassalagem inquestionável ao seu mentor. Os rigores da lei é dedicado somente à oposição invejosa, à elite golpista e, principalmente, à direita entreguista e lacaia do império ianque.

Entusiasmado, propaga aos quatro ventos que “Lula é patrimônio da democracia brasileira e merece respeito!”. Aí depende do ponto de vista de cada um. Eu, por exemplo, acredito que Lula é, no máximo, patrimônio do desvario petista, portanto, eles (os petistas) que lhes dê a dose de respeito que acharem adequada. A democracia não pode ser usada como cúmplice da inconsequência política e ideológica.

A despeito da arenga ordinariamente vassala do deputado cearense, eu creio que não estaria sendo injusto nem mentiroso se considerasse que uma significativa parcela de nossa sociedade acredita piamente que pelo menos parte do patrimônio de Lula é que seria patrimônio do povo brasileiro.

Transpirando o cinismo que hidrata seu organismo alulado, debocha de nossa inteligência e convida: “Vamos debater, sem medo, o controle social da mídia”. Debater com quem?, com democratas da estatura de Franklin Martins, de Marilena Chauí, de Emir Sadler, de José Sarney, de Fernando Collor de Melo, de Paulo Maluf? Debater aonde? No Congresso Nacional, antro dominado por deputados e senadores que depositam no silêncio da imprensa a certeza da impunidade? Ou nas universidades, sabidamente devastadas pela ideologização do ensino e reduzida a um vagabundo centro de doutrinação dos estudantes? O debate proposto é tão desatinado, que nem mesmo o pátio da penitenciária da Papuda deve ser descartado.

Alunos aplicados, os petistas e seus companheiros de falcatruas aprenderam na escola da calhordice como esconder por detrás da valentia que nunca tiveram a paúra que sempre os acompanhou. Dissimulados, alardeiam que topam debater qualquer tema, desde que sejam eles os vencedores do debate. Na deformidade conceitual que baliza a moral do lulismo, o mais bem intencionado dos fiéis tem certeza de que a melhor definição de imprensa livre é se ver livre da imprensa.

A volúpia que Franklin Martins, estrela de altíssimo brilho do pensamento governista, e que José Guimarães, lídimo representante da pior safra de deputados e senadores que já passaram pelo Congresso Nacional, dedicam à tresloucada jornada ao centro da censura escancara a pouca fé depositada na divindade de Lula para ao menos amenizar as agruras que diariamente atormentam o planeta PT. Devota, mas não idiota, a horda petista despe-se de qualquer vestígio de constrangimento e deixa transparecer a realidade que sempre procurou escamotear: ter uma imprensa só para ela é mais do que um sonho de consumo. É uma necessidade premente e vital. Para alguns, é a certeza da tomada definitiva do estado. Para a imensa maioria, é a garantia de liberdade incondicional.

15 abril 2014 MAURO PEREIRA


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
ACORDA, BRASILEIRO. OU ENFORQUE-SE!

Pode soar um tanto quanto avatárico, mas hoje minha consciência acordou primeiro do que eu e sem ter muito o que fazer, resolveu perambular livre, leve e solta,  pelo meandros do atribulado universo petista entregando-se à inglória missão de encontrar pelo menos uma alma virtuosa naquele território hostil, desvirtuado e perigoso.

Tomada por uma aguda crise celsomeliana, infringiu os cânones do bom senso e mais uma vez decidiu, por sua conta e risco, provar que o PT não é esse antro de corrupção que a mídia direitista e golpista teima em alardear. Ostentando aquele semblante característico de dona da verdade, afirmou: “Ninguém é capaz de ser cínico, arrogante, corrupto e despudorado o tempo todo, nem mesmo o petista”. Não se preocupou sequer em disfarçar o sorriso matreiro que iluminava sua face ao sentenciar, sem dó nem piedade: “Quando despertar, esse panaca do Mauro Pereira olhará o partido do Lula com outros olhos. Os da compreensão”.

Sem vergonha, fez-se maltrapilha e singrando destemida os mares revoltos do desvario solicitou ao grego Diógenes – que reencarnaria alguns milênios mais tarde na pessoa de Thomas Alva Edson -, o empréstimo de sua lanterna redentorista. “Eu entrego os pontos se nem mesmo a filosofal luminescência dessa ferramenta antológica for capaz de descobrir um único petista dado ao hábito da lisura”. Ressabiada, não descartou a possibilidade de topar com um ou outro petista liso. “Faz parte”, justificou.

Amulambada e de lanterna em punho como requeria a personagem, fez ecoar pela imensidão daquele cenário devastado por um eclipse sololunar que não tem fim, seu berro ideliano à procura de alguma alma de boa índole. Não demorou muito para certificar-se que sua peregrinação redentora estava bem próxima de experimentar um retumbante fracasso. Lá pelas tantas, cansada e desiludida percebeu que seu ânimo, sempre animado quando a parada é redimir o PT, já dava mostra de arrefecimento. Mesmo contrariada, passou a considerar com carinho a hipótese de encerrar aquela busca infrutífera. Osso duro de roer, não se deu por vencida, sussurando:  “Tudo bem, há que se levar em conta que encontrar virtuosidade no ambiente putrefato em que jaz moribunda a política nacional hoje em dia é uma tarefa quase impossível”. Esperança renovada, reiniciou a faina ingrata segura de que vislumbraria pelo menos algum lampejo de virtuosismo naquele deserto de virtuosos. Repentinamente, foi tomada por uma euforia inaudita e, no auge de sua perfídia impudica, deu uma sonora banana para a greciosidade de Diógenes atirando-se despudoradamente oferecida, nos braços do siracuso Arquimedes,  vociferando: “Eureca!, minha busca terminou! A praticidade é a virtude do PT!”.

Ardilosa, assim que percebeu que eu iria despertar, recolheu-se à sua insignificância disposta a me atazanar tão logo eu me levantasse. Dito e feito. Sem saber o por quê, instintivamente me senti impelido a  reconhecer que o partido de propriedade de Lula não era formado só de trapaças. Ele também haveria de ter sua porção de nobreza, por menor que fosse. Deve ser o efeito do sono mal dormido, conjecturei. Invadido por uma desconfortável sensação de estar sendo manipulado, como que manobrado por um controle remoto invisível, dediquei-me a analisar o cotidiano quase sempre ebúlico do mundo petista sabendo de antemão a obviedade da resposta: Realmente, o PT era prático! A percepção do uso me agoniava. Mas, conformado, aquiesci.  O que está feito, está feito. 

Lula, por exemplo, escancarou o avançado estágio de sua praticidade cínica quando adotou o slogan “eu não sabia de nada” para explicar a corrupção endêmica que tem sido a marca dos seus três governos e se escondeu atrás de um silêncio obsceno para falar sobre uma tal Rosemary. Prático em alopragem, Ricardo Berzoini, por sua vez, garantiu que apesar da Petrobras ter pago 1,18 bilhão de dólares por uma refinaria que havia custado a bagatela de 42 milhões das verdinhas ao antigo proprietário, a negociata foi bastante lucrativa para a estatal e seus acionistas. Coisas dos amantes da praticidade.

Eu, que não sou adepto dessas frescuras, acho mesmo é que foi pura trambicagem. E das grandes! Até porque, convenhamos, ninguém, nem mesmo o mais iluminado dos petistas, consegue ser só incompetente quando uma transação financeira coberta pelo véu da suspeição supera a casa do bilhão de dólares. São ou não são dois práticos?

Nesse ambiente arquimediogiano que a irresponsável da minha consciência me arrastou, contra minha vontade, reitero, descobri que a prática da praticidade só é superada pelo exercício da lógica. O ainda deputado federal paranaense André Vargas, que o diga. Afinal, nada seria mais ilógico do que viajar com a família para o Nordeste a bordo de um caríssimo e desconfortável avião de carreira se, com primeiríssimas intenções, um parceiro de estrepolias colocasse à sua disposição um modernoso e todo equipado jatinho. E de graça, é lógico!

O que eu sei é que entre a samaritanidade da minha consciência, sempre predisposta a ser boa com o PT, e a praticidade lógica dos petistas, eu fico mesmo é com o meu Brasil. Dele não abro mão e o aceito de volta, alegremente. Seria uma honra poder ajudar, ainda que timidamente, na cura de todas as suas feridas acumuladas nesses quase doze anos de flagelo petista. Acorda, brasileiro. Ou enforque-se!


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