Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
ESPECIALISTAS EM PASSA-MOLEQUES

Pode ser somente devaneio de um cérebro devastado pela ociosidade, mas, ao ler o livro “Os Meninos de Ouro”, escrito por Daniel James Brown contando os dramas e as tragédias vividas pelos nove integrantes da equipe norte-americana de remo na categoria “oito com” (oito remadores e um timoneiro) que sobrepujaram obstáculos quase intransponíveis para ganhar a medalha de ouro na Olímpiada de 1936 realizada em Berlim, na Alemanha dominada pelo nazismo de Adolf Hitler, me deparei com uma estranha coincidência que aproximava aquela história a um evento acontecido 78 anos depois aqui no Brasil, paralisado pelo petismo de Lula da Silva.

Em terras germânicas, determinado em esconder do resto do mundo o sanguinário projeto de dominação ariana em andamento, a Renânia desmilitarizada já havia sido invadida, o “Fuhrer” viu na grandiosidade daquele evento esportivo a oportunidade perfeita de mostrar às delegações estrangeiras, aos turistas e à imprensa internacional uma Alemanha democraticamente consolidada e voltada apenas para o desenvolvimento do seu povo. No entanto, dissociado do embuste engendrado seguia célere o processo de purificação dos alemães.

Abduzidos pelo carisma do comandante supremo, somente os purificados eram capazes de ouvir a voz tonitruante de Hitler ordenando que se asilassem nas profundezas do nacionalismo inconsequente. Almas ainda adolescentes transbordavam de júbilo. Mentes ainda em formação recitavam extasiadas o mantra vagabundo e assassino que prometia hegemonia e poder, mas que entregaria somente vergonha e dor: “Queremos um povo obediente, vocês devem praticar a obediência. Diante de nós está a Alemanha. Dentro de nós arde a Alemanha. Atrás de nós, segue a Alemanha!”.

Confiante na passividade inglesa, na fragilidade francesa e no desinteresse norte-americano, comportamento que as autoridades dessas nações viriam a lamentar profundamente, incumbiu seu ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, de colocar em prática a mais fraudulenta campanha publicitária até então por ele elaborada, com a única finalidade de mostrar aos críticos do nazismo a face mais bonita do país. Cumpliciado com a cineasta Leni Riefensthal, vendeu com excepcional competência a imagem de uma Alemanha livre do antissemitismo e imbuída da mais pura índole pacifista. Manchetes como “O judeu é a desgraça da Alemanha!”, publicada meses antes pelo jornal “Der Sturmer” foram habilmente trocadas por matérias mais amenas, saudando a igualdade proporcionada pelo esporte e dando boas vindas aos visitantes.

Extasiados com a magnificência alemã encarnada na figura de Hitler, os governantes da Inglaterra, da França e dos Estados Unidos da América não foram capazes de vislumbrar nas entrelinhas daquelas peças de publicidade a confirmação dos cada vez mais distorcidos anseios nazistas. Não perceberam que a utopia do espírito esportivo havia chegado ao seu destino, onde cerveja e sangue judeu fluíam em abundância e os robôs hitlerianos atormentavam os mortos-vivos. Milhões de Reichsmarks investidos em propaganda conseguiriam sepultar a barbárie em curso nas valas da insensibilidade oficial enquanto perdurasse a competição. Entretanto, tão logo os Jogos Olímpicos terminassem, seus túmulos seriam profanados e os mortos voltariam a perambular pelo cotidiano da Alemanha real.

1936 foi o ano em que Adolf Hitler e Joseph Goebbels aplicaram um passa-moleque nos líderes das nações mais poderosas do planeta.

No Brasil, 78 anos depois, aconteceria uma competição diferente, que transcendia o universo esportivo e se enveredava pelos caminhos nem sempre retos da política. Apesar de distintos, os dois acontecimentos traziam nos seus enredos uma similaridade inquietadora. A busca incessante pelo domínio absoluto.

O desespero batia à porta do Partido dos Trabalhadores. A vitória dada como certa no primeiro turno das eleições presidenciais não se confirmou e a possibilidade de uma derrota no segundo já não mais se apresentava como uma quimera fugaz. Suas principais lideranças tinham ciência de que um fracasso nas urnas traria consequências desastrosas. Além de verem cair por terra o projeto de dominação perseguido com método e perseverança durante os últimos doze anos, sabiam, também, que uma devassa nas contas do governo poderia arrastar quadros de alta patente do partido às barras dos tribunais.

Sem perda de tempo convocaram o ministro honorário responsável pela propaganda do governo e que nas horas vagas emprestava (por 70 milhões de reais!) seus serviços à legenda partidária. Despudoradas quantias de reais foram disponibilizadas para que João Santana elaborasse um plano dedicado a mostrar a face mais bonita do partido. Parido nos laboratórios da hipocrisia e legitimado pelo santanismo desvairado, desembarcava na disputa o protótipo do petista perfeito, inquestionável senhor das virtudes e incontestável proprietário da verdade. Estava inaugurada a temporada de caça ao inimigo, iniciando aquela que seria considerada a mais sórdida campanha de nossa história política.

Apostando na farta distribuições de benesses, na potencialidade eleitoral dos benefícios, na gratidão aterrorizada dos beneficiados e na devoção remunerada da militância, João Santana recorreu a elaboração de filmes tecnicamente primorosos, mas com seus conteúdos deturpados desde a sua criação pelo descompromisso com a verdade vendendo a imagem da presidente competente e enaltecendo a pureza da candidata ética. Espontâneos flashbacks oriundos do longínquo 1936 teimavam em vadiar pela minha memória: “Queremos um povo submisso. Vocês devem implantar a submissão. Diante de nós está o poder. Dentro de nós arde o poder. Atrás de nós segue o Brasil!”.

Perseguindo fielmente as pegadas do seu criador e sentada confortavelmente no colo do seu ventríloquo, a candidata reverberava nos palanques os desatinos perpetrados por aquele que a criara, e, na televisão, reagia ao comando daquele que a manipulava. De dedo em riste e caráter em baixa, acusava: “O meu adversário é o candidato dos banqueiros. “Se ele for eleito, preparem-se para o aumento dos juros”. “Ele é representante da direita”, como se a direita fosse a desgraça do Brasil.

Confirmada sua reeleição, o primeiro ato da presidente foi elevar a taxa de juros. Com mais quatro anos de mandato garantido, mandou o constrangimento às favas e, tresloucada, saiu à procura de algum banqueiro que topasse ser seu ministro da Fazenda. Esperta, absteve-se de comparecer à entrevista coletiva convocada para confirmar o nome do banqueiro Joaquim Levy como ministro da Fazenda do seu governo. Insatisfeita com o tamanho da perfídia imposta aos seus eleitores, convidou a senadora Kátia Abreu, uma das mais importantes representantes da “desgraça do Brasil”, para chefiar o ministério da Agricultura. A utopia do socialismo do bem havia chegado ao seu destino, permitindo fluir em abundância de suas entranhas corrompidas uma torrente inesgotável de mentiras vis e promessas vãs.

2014 foi o ano em que Dilma Rousseff e João Santana aplicaram um passa-moleque em pouco mais de 51% dos eleitores da nação mais poderosa da América do Sul.

A vida passa, a hora passa, até a uva passa. No entanto, mais dia menos dia, em algum lugar da história sempre é barrada a passagem dos especialistas em passa-moleques. O que sobra, então, são só suas biografias. No mais das vezes, degradadas.


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VENEZUELANOS SUPLICAM POR SOCORRO!

Vou deixar por barato e chamar de displicente a nauseabunda má vontade que a imprensa brasileira, principalmente a televisiva, vem dando à cobertura da gravíssima crise política e humanitária que abala ainda mais as precárias estruturas democráticas da Venezuela e flerta despudorada com o desastre de uma guerra civil. Inexplicavelmente, os principais canais de televisão, jornais e revistas atuam como reles auxiliares das CNNs da vida engrossando a campanha torpe visando destruir o governo de Donald Trump nos USA ,dedicando-se, no entanto, a abordar apenas superficialmente o terror que se avoluma na nação vizinha. O número de feridos e mortos pela polícia de Maduro e pelo colectivos assassinos criados por Chavéz, são criminosamente manipulados pelo governo venezuelano. Pensando bem, melhor assim, pois quando a abordagem é um pouco mais próxima da realidade não consegue disfarçar o viés bolivarianista da pauta.

Nem mesmo os profissionais da imprensa que são agredidos, intimidados e arbitrariamente presos pela repressão governista merecem, se não um grito de repulsa, ao menos um gesto de solidariedade.

O terror bolivariano se espalhou por toda a Venezuela. Enquanto numa ponta massacram seus jovens que são barbaramente espancados, violados e assassinados pela GNB (Guarda Nacional Bolivariana) de Maduro, na outra, não poupa sequer a população que é cassada à bala nas ruas, e até mesmo dentro de suas casas, pelas milícias chavistas e pelo aparelho repressor e violento conhecido como Colectivo que, segundo denúncias de grande parte da população daquele país, é comandado por agentes cubanos enviados por Fidel e Raul Castro e mantidos por Hugo Chavéz e Nicolás Maduro.

Os relatos dos jovens venezuelanos e as imagens da reação estúpida e sanguinária das autoridades venezuelanas aos protestos da oposição que foi às ruas para reivindicar por direitos básicos em qualquer sociedade medianamente evoluída como alimento, remédio, segurança, liberdade, entre outros pleitos, mostram a farsa do bolivarianismo concebido na insanidade de Hugo Chávez, instigado no escravismo de Fidel Castro e arrematado no oportunismo de Lula da Silva! Jovens exigiram respeito, tiveram canos de fuzil a violá-los. Adultos gritaram por justiça, ganharam gás de pimenta a asfixiá-los. Idosos pediram mais projetos sociais, receberam mais projéteis letais. Juntos clamaram por liberdade, deram-lhes o fundo frio do cárcere vil. Furiosos, milhares de venezuelanos invadiram a internet e através das redes sociais manifestaram sua indignação com a psicopatia de Maduro, com a presença do aparato cubano em solo venezuelano e com o apoio de Lula ao presidente venezuelano.

“Descarado asesino !!! Fuera no te queremos …”, desabafou Piedad Marina Blas-Lizarazo, indignada com o desequilíbrio de Nicolás Maduro.

“Traidor de la patria estos perros si tienen patria la patria de ellos es cuba”, afirmou Leyda Vargas sobre a violência da GNB.

“Otro coño de madre .muerete Lula el cáncer del mundo”, disse Leunam Montt Gonzalez, desesperada com a mensagem solidária enviada por Lula a Maduro.

Duas expressivas lideranças latino americanas com pensamentos e valores diametralmente distintos se pronunciaram sobre a Venezuela. A igualá-los, apenas o fato de terem sido presidentes de seus respectivos países: Oscar Árias, ex-presidente da Costa Rica, disse estar preocupado com a América Latina e que a Venezuela vive o inferno da perseguição. Lula da Silva, ex-presidente da República Federativa do Brasil, afirmou que Maduro tem as melhores intenções e que na Venezuela tem democracia demais. Em 1987, por ter pacificado a América Central, Oscar Árias ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Em 2011, três meses, se tanto, depois de deixar a presidência da República, por ter se fantasiado de palestrante internacional, Lula da Silva ganhou seu primeiro milhão. Oscar Árias Sanchéz sempre será reverenciado como cidadão da América Latina. Luiz Inácio Lula da Silva dificilmente escapará de entrar para a história como um dos principais sócios dela.

A reação destemida dos venezuelanos à carnificina patrocinada por Maduro e Raul Castro, e consentida pelo governo brasileiro no silêncio obsequioso e covarde da então presidente Dilma Rousseff (o governo Temer tem criticado duramente a violência desmedida dos orgãos repressores oficiais venezuelanos) e no apoio irrestrito e camarada de Lula, acrescida pelas contundentes derrotas eleitorais sofridas recentemente por Nicolás Maduro, na Venezuela, Manoel Zelaya, em Honduras, Rafael Correa, no Equador, Cristina Kirchner, na Argentina, Michelle Bachelet, no Chile e, mais recentemente, Lula, no Brasil, somadas à crescente insatisfação que se espalha por todo o centro-sul da América, são indícios de que os latinos americanos já estão se cansando do modelo político opressor, autoritário, violento e que não admite ser contestado a que foram submetidos nos últimos 15 anos. Ainda que lentamente, estão descobrindo que são eles que fornecem o pão que as autoridades usam para chantageá-los. Aos poucos, vão percebendo que são eles os donos do circo. Alvíssaras!


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O MELHOR AMIGO DE LULA

Caros amigo do JBF, em agosto de 2013 eu escrevi o texto abaixo falando sobre a obediência canina que o PT presta a Lula. Quatro anos depois, publico novamente o mesmo texto, sem alteração ou atualização. Lamentavelmente, se houve alguma alteração naquela realidade, foi para pior.

* * *

O MELHOR AMIGO DE LULA

Mais ao sul da América, localiza-se um país de dimensões continentais conhecido como Brasil. Privilegiado por uma geografia cúmplice, destaca-se não só pela beleza selvagem de matas intocadas, refúgio sagrado da fauna e da flora, mas, também, pela sinuosidade de serras bucólicas entrecortadas por rios piscosos de águas cristalinas cujo silêncio arrebatador dá o toque final à tela esplendorosa que, no auge da inspiração, a natureza pintou. A emoldurá-la, a costa litorânea exuberante.

Desde os primórdios de sua descoberta há mais de 500 anos, seus habitantes destemidos sempre resistiram bravamente às incursões criminosas de aventureiros originários de paragens longínquas, porém, inexplicavelmente, jamais conseguiram demonstrar a mesma valentia no enfrentamento aos seus governantes via de regra corruptos e oportunistas que têm solapado suas riquezas e lhes impingido uma sequência notável de revezes e humilhações ao longo desses cinco séculos.

Acerca de uns trinta e poucos anos, surgia no cenário trabalhista desse gigante tropical uma figura diferente que representava a outra face dos rígidos padrões cultos e elitistas da época, pois sua origem fora parida nas profundas desletradas dos movimentos sindicais de então. Embasbacados com a surpresa, os intelectuais e a imprensa encantaram-se com aquela novidade rústica e de comportamento quase pré-histórico encurtando sua trajetória rumo à notoriedade pessoal e à ascensão social, contribuindo de forma decisiva na consolidação de uma das mais meteóricas, e controversas, lideranças políticas. No entanto, apesar das mesuras e dos afagos que se multiplicavam, seu semblante invariavelmente embrutecido parecia alimentar-se de um ódio incontrolável que denunciava o brilho fosco da alma deserta de alegria e vazia de paz.

Com o passar dos anos firmou-se como proprietário absoluto do partido político que criara e que o conduziria a etapas de sua existência que a origem humilde jamais ousara sonhar. Tornara-se presidente da República! Havia chegada a hora do ajuste de contas com as zelites preconceituosas, com os loiros de olhos azuis e, mais particularmente, com um certo professorzinho cultuado pela intelectualidade internacional que lhe havia aplicado duas humilhantes derrotas em outras eleições, ambas no primeiro turno.

Extasiado com o conto de fadas inesperado do qual era caroneiro ocasional, desfez-se de vez da fantasia de socialista convicto e mergulhou de cabeça nas delícias e nos prazeres propiciados pelo capitalismo. Insatisfeito em ser apenas dono de uma legenda partidária, alçou voos mais ousados e, determinado em acrescentar a propriedade de um país ao seu já vasto acervo particular, juntou-se à escória que perambulava pelo submundo da política local exercendo um dos governos que, se não o mais corrupto – uma multidão afirma que foi – com certeza o mais promíscuo que se teve notícias em plagas brasileiras. Entretanto, nem mesmo seu desempenho notável nas urnas conseguindo reeleger-se presidente e eleger sua sucessora foi capaz de aplacar o rancor que ainda consome suas entranhas, quase todo devotado àquele senhor octogenário de educação esmerada que povoa os seus mais terríveis pesadelos.

Vitimado por essas ciladas do destino, recentemente foi acometido por uma enfermidade que debilitou-lhe as cordas vocais, seu principal instrumento de trabalho. Conformado, decidiu que continuaria a exercitar sua supremacia através de bilhetes. Foi aí que se deu conta da inutilidade dos diplomas que ganhara às baciadas de universidades ordinariamente vassalas.

Foi nesse período de provação que estreitou, ainda mais, seu relacionamento com o velho amigo de campanhas memoráveis, aliás, o único que goza até hoje de sua confiança plena. Trata-se do cãozinho de estimação que ganhou no dia de sua primeira posse presidencial ao qual deu o nome de Petê. A fidelidade canina acima de qualquer suspeita transborda o seu orgulho e é sob as luzes dos holofotes e das câmeras televisivas que gosta de exibir o domínio que exerce sobre o animal. Faz questão de convocar a imprensa, a militante, para demonstrar as habilidades do companheiro. Basta um único comando seu e Petê realiza a proeza:

– Em pé! Incontinente, Petê levanta ávido para satisfazer a vontade do dono.

– Deita! Abanando o rabo de felicidade, Petê deita, submisso.

– Senta! De imediato Petê senta, obediente.

– Rola! Instintivamente Petê rola, sem contrariar a ordem.

Porém, consternado com a doença degenerativa gravíssima que há oito anos devasta seu parceiro de estripulias, diagnosticada pelos veterinários como “corruptelas mensalérias”, o único comando que o proprietário de Petê jamais deu ao inseparável amigo foi o de “se finge de morto, Petê”. Ele sabe que, por uma questão de sobrevivência, desde 2005 Petê se finge de vivo.

Atendido pelos mais renomados médicos especialistas do Hospital Circo Libanês recuperou a saúde da voz roufenha e, plenamente curado, voltou com as forças redobradas a fazer aquilo que sempre fez de melhor: assombrar as instituições, disseminar o ódio entre os brasileiros e praticar políticalha rasteira. A tiracolo, o dócil e servil camarada.


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AGORA E NA HORA DO NOSSO VOTO. NAS ELEIÇÕES DIRETAS DE 2018!

O desencanto que devasta minha esperança de ver o Brasil reconciliar-se, pelo menos nos próximos dez anos, com sua vocação natural para liderar, vai muito além da crise política e institucional que não cessa. A essa, que define as administrações petistas-peemedebistas desde 2003, a sociedade parece que já se habituou. Lamentavelmente, a deformação supera a politicalha institucionalizada e avança célere pelos meandros da moral!

A moral em tela não é aquela que deixa indignadas beatas empedernidas, nem, menos ainda, a que exacerba a ira santificada de religiosos profissionais. É muito mais profunda! É a consagração da falência do escrúpulo, da banalização da vida, da vergonha de ser honesto, da vergonha de ter vergonha, da atrofia do caráter. O caos comportamental! Nesse ambiente putrefato locupletam-se governo e oposição e conluia-se com essa degenerescência uma parcela significativa de representações civis.

Crápulas que por décadas a fio cultivaram um ódio feroz recíproco como poucos ousaram odiar, renderam-se às facilidades e ao deslumbramento que o poder enseja e, debochados, estabeleceram o mais abjeto dos armistícios. Aliançados no oportunismo rasteiro que os identifica, mas que jamais irá sobrepujar a reciprocidade odiosa que os move, dividem faceiros o mesmo ambiente sórdido regido pela promiscuidade asquerosa e trocam juras de amor fraternal escancarada em uma harmonia farsesca ditada por interesses desabridamente confessados. Especializaram-se na arte de acanalhar-se. Nesse cenário de horror, navegam nas mesmas águas turvas setores que num passado ainda recente primavam pela independência e pela combatividade.

Nestes tempos em que somos torpedeados pela mediocridade e enfrentamos a pior das provações democráticas, tudo indica que, estimulado pelo governo, o instinto de sobrevivência encontrou no solo fértil da servidão o mais eficiente dos adubos para se alastrar e, infelizmente, a julgar-se pelo torpor coletivo que se estende há vários anos, não podemos esperar muito de uma sociedade alienada que teima em eleger e reeleger políticos reconhecidamente corruptos, cujas folhas corridas deixariam ruborizadas as mais altas patentes do crime organizado.

Como não sucumbir à desesperança ao tomarmos conhecimento de que a sexta economia mais rica do planeta patina entre os países mais atrasados quando cotejada à luz dos índices de desenvolvimento humano e educacional com nações infinitamente mais pobres?

Como apascentar os temores nossos de cada dia ao testemunharmos o descompromisso com a verdade de ministros que não demonstram nenhum constrangimento em manipular números e informações para que, de forma fraudulenta, as metas estabelecidas pelo governo (PT-PMDB) sejam atingidas?

Como refrear a apreensão quando presidentes da República, que deveriam ser a inspiração de todos os brasileiros, naufragam estrepitosamente sob as águas bravias e pútridas do mar da poluição e, buscando proteção no escudo fragilizado de suas biografias degradadas, lutam desesperadamente para não se tornarem companheiros, se não de cela, ao menos de presídio?

O estupor se agiganta quando a maior liderança trabalhista já produzida em solo verde e amarelo tem sua renda atrelada ao soldo advindo de patrões poderosos, expoentes máximos do que há de mais selvagem no capitalismo rudimentar. Como compreender que o pai do mais pobre entre os mais pobres vulgarizou-se, sem pudor, em lobista chulo do mais rico entre os mais ricos? Uma liderança que sobrevive da farsa, sustentado por um partido que se alimenta da hipocrisia!

A perplexidade se avoluma, ao assistirmos cenas da mais pura barbárie como as mostradas no vídeo em que um jovem é brutalmente assassinado por um “di menor” mesmo depois de render-se ao seu algoz. Mas o assassino tinha ainda a protegê-lo por mais alguns dias a lei que lhe facultava o direito de ter ao menos um cadáver à sua disposição até que completasse 18 anos.

Do jornalismo politicamente correto, pouco, ou quase nada, podemos esperar. Salvo raras exceções, parcela significativa já acostumou a ajoelhar-se ante o poder central da vez e a maioria, mais que ajoelhar-se, já envergou a espinha e ampara o tronco com as palmas das mãos. Com a pena da perfídia profissional, suas Redações doutrinadas pela ideologia que sufoca a ética escrevem, parágrafo por parágrafo, o epílogo triste da liberdade que as simboliza.

Se nada for feito para deter a delinqüência política petista, temo pelo futuro dos brasileiros. A próxima geração já está inexoravelmente desgraçada vítima da sede de poder de Lula e seus lacaios. Insensíveis, sobrevivem como hienas repugnantes rondando sorrateiros os dejetos da miséria humana, em todas as suas formas e definições. Rejubilam-se, orgulhosos, da façanha de terem conseguido em pouco mais de um decênio, manter sob a tutela acintosamente populista e eleitoreira do estado quase que a metade da população brasileira. Zombeteiros, tripudiam sobre a dignidade dos mais vulneráveis condenando-os, através de decreto presidencial, à humilhante condição de novos nababos da pobreza erradicada na marra a um custo de R$ 72,00 por cabeça. Poderia ser cômico se não mostrasse o esboço sombrio de uma tragédia anunciada.

A continuar nessa toada, não nos restará outra alternativa a não ser, subjugados pelo bolivarianismo imbecilizado, assistirmos a solenidade de empalhação da maior empulhação política de nossa história. Depois de tudo isso, ainda estaremos expostos ao risco de sermos assombrados pelo canto roufenho de algum carcará possuído vagando feito alma penada pelos escombros da democracia brasileira.

Como lenitivo, me apego à expectativa derradeira de que a reação contundente de brasileiros e brasileiras manifestando sua indignação com os rumos do Brasil, seja suficiente para, através das urnas, dar um basta à ensandecida viagem petista pelas águas pútridas do autoritarismo, cuja rota traçada por seu capitão aponta como ancoradouro definitivo o porto trevoso da dominação absoluta.

Que assim seja. Agora e na hora do nosso voto. Nas eleições diretas de 2018!


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ELES NÃO SÃO MUITOS E NEM SABEM VOAR!

Vivemos perigosos dias de provação democrática e temo pelas (in)consequências.

Mais do que simplesmente causar polêmica, a soberba incontrolável de Lula fascina boa parte da sociedade brasileira, não só servindo de inspiração ao que há de pior na política, na produção intelectual, na imprensa e no empresariado, mas, também, transformando-se no combustível que move a autoconfiança excessiva de petistas pelegos fantasiados de sindicalistas determinados em provar a improvável castidade do seu amo e senhor.

Certos de que a proteção de Lula é o bastante para lhes garantir a impunidade, não demonstram o menor vestígio de temor ao tentar intimidar o Judiciário, nem de constrangimento ao se atribuir uma força que não detêm, usando a ameaça sórdida de um imaginário levante popular para querer inocentar na marra os quadrilheiros do Petrolão. Só não esperavam topar de frente com um brasileiro com a coragem do juiz Dr. Sérgio Moro. Ardilosos, buscam encontrar no impeachment de Dilma Rousseff a sobrevivência do partido. Covardes recorrem a declarações espetaculosas e greves oportunistas visando envergonhar o governo dos outros usando como ferramenta de convencimento a vergonha que seria sua, caso a possuísse. A má fé companheira descobriu em Michel Temer o redentor do partido.

Pode demorar, mas está cada vez mais próximo o dia em que toda a nação brasileira descobrirá que a assinatura que chancela o documento registrado em cartório contando estórias imaginárias de um Brasil Maravilha urdido, arquitetado e manipulado por Lula é falsa e não teve sua firma reconhecida e, então, se dará conta de que o Brasil de verdade foi tomado por uma horda corrupta e irresponsável. E ela (a horda) reagirá a essa descoberta, com certeza, como reagiu o déspota venezuelano Nicolás Maduro, que se nega a abrir mão do poder achando ser mais condizente com a pureza democrática bolivariana deixar um rastro de horror pelos quatro cantos da Venezuela, regado a sangue, movido a assassinatos e alimentado pela desolação, cuja barbárie não tem poupado sequer crianças, mulheres grávidas e idosos, do que render-se à vontade e à indignação popular.

O relacionamento amistoso mantido pelo principal líder petista com o ditador venezuelano ao menos sugere que eles (os petistas) não deixarão o núcleo do poder nem, menos ainda, aceitarão o ostracismo distribuindo rosas à população. O simples exercício da lógica é o suficiente para pressupormos que a reação desesperada e irresponsável a uma possível condenação de Lula é, por definição, um robusto indicador avisando que não aceitarão pacificamente uma derrota nas urnas em 2018. Não estão preparados para isso!

Eles sabem o que fazem, sim. Sempre souberam, desde antes de 1.º de janeiro de 2003. Seria ingenuidade creditar somente ao acaso a fenomenal evolução petista rumo a hegemonia, excrescência que é o símbolo da degenerescência estrelada e que foi parida junto com o partido no início dos anos 80.

A marcha célere que sempre teve como objetivo único a dominação plena só não está em um estágio mais avançado devido ao contratempo do mensalão. Mas, do alto de sua soberba, avaliam esse episódio como um simples percalço e o contabilizam como etapa vencida, superada que foi pelo assistencialismo vulgar que lhes é congênito, pela propaganda nazicomunista.que viabilizou a fraude que lhes garantiu o poder por mais de treze anos e pela inconsequência delituosa que lhes é natural. Sem o menor vestígio de rubor vestem a fantasia da indignação conveniente denunciando o “golpe”, quando, no entanto, agradecem aos deuses das profundas nebulosas que lhes presentearam com o impeachment de Dilma Rousseff implorado em suas preces e sem o menor pudor usarão visando amenizar o constrangimento inevitável da reedição em 2018 da derrota acachapante nas eleições municipais de 2016. Sabem que os dois anos e meio que faltavam para o término do mandato de Dilma Rousseff seriam devastadores e colocariam em xeque a sobrevivência do todo poderoso Partido dos Trabalhadores.

Não devemos nos iludir. Na ótica dos comandados de Lula, quem está do outro lado desse muro indecente é considerado inimigo e, como tal, deve ser abatido. Sem clemência. Porém, essa réplica rota do fracasso comunista ruirá antes de sua consumação, pois está sendo construída no solo movediço da insensatez e sua edificação não se sustentará sob as frágeis colunas erigidas com as areias instáveis da mentira e sedimentada no lodo pantanoso da corrupção.

É óbvio que me preocupo com o desdobramento de tanta insanidade, porém, não temo pela sorte nessa peleja. Eles não são muitos e nem sabem voar!


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SOB O ENCANTO DA VOZ ROUFENHA

Não se trata simplesmente de gostar, ou não, até mesmo porque o viés personalista da preferência poderia colocar sob suspeita alguma relevância que porventura a acompanhasse. É apenas uma constatação: o PT já estava deteriorado antes de nascer. Para ser parido, primeiro ocupou-se de trair os trabalhadores.

No auge das greves em São Bernardo do Campo patrocinadas por um sindicato classista, pude acompanhar de perto os confrontos entre trabalhadores e a Força Pública, hoje Polícia Militar. De todas as manifestações de rua que tive a oportunidade de testemunhar, mais notadamente na Marechal Deodoro, principal via da São Bernardo de então, jamais detectei a presença de alguma liderança de alta patente do movimento para dividir o ônus da causa. Elas estavam ocupadas em usufruir, sob as asas protetoras da fraude ou da batina, ou de ambas, do bônus da glória repentina.

Preocupadas em assegurar um lugar de confortável destaque e de segurança conveniente no novo Brasil que se configurava, não hesitaram em dar às costas aos trabalhadores antecipando a fundação de um partido político em detrimento das reivindicações que davam voz, vida e credibilidade ao movimento. Esse erro estratégico foi fatal, tanto para o PT, como para a CUT. Um, jamais conseguiu legitimar-se como representante político da classe trabalhadora.

Intelectualizou-se para pior. A outra, sempre esteve distante de ser a liderança trabalhista no campo da política. O máximo que conseguiu foi ser porta voz das vicissitudes partidária ou governista. Nada além disso.

Ao estabelecerem como prioridade das prioridades as vantagens pessoais propiciadas pelo engajamento político, os líderes sindicais de São Bernardo não foram fiéis ao levante de Vila Euclides. Matreiros e covardes elevaram à importância de primeira baixeza as necessidades e as esperanças dos trabalhadores de todo o País que se julgavam representados naquela insurgência capitaneada pelos metalúrgicos são-bernardenses. Sucumbiram à facilidade que a fidelidade abomina e renega.

Por sua vez, o PT desonrou seu histórico comprometimento ideológico ao consolidar a falta de ética como ideário da legenda, apequenou-se ao eleger a perfídia como avalista de sua caminhada em busca do poder absoluto e naufragou nas águas pútridas da promiscuidade ao estabelecer a corrupção como programa de governo. Ao longo desses quase quarenta anos persegue, às vezes com a avidez dos desesperados, a maturidade que jamais alcançará, pois, corrompido ainda na gestação, nunca deixará de ser um vulgar feto mimado, birrento e irresponsável. Juntos, petistas e sindicalistas traíram a boa fé do povo brasileiro aliançando-se ao que havia de pior na política e no empresariado nacionais.

De braços dados com a farsa e a empulhação, PT e CUT cumprem a patética missão de serem emissários vulgares das novas – que invariavelmente não são boas e cuja celeridade dos malfeitos não permite que se tornem velhas -, advindas do feudo lulista.

Submissos, curvam-se ao poder emanado das profundas da voz roufenha que os encanta e vicia.

24 fevereiro 2017 MAURO PEREIRA - PERISCÓPIO


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SÓ DEPENDE DE NÓS

Tomo por óbvio que nas hostes petistas há de ter pessoas de bem e profissionais do bem. Se até no PSTU e no PCO é bastante provável que tenha, por que no PT não haveria de ter, não é mesmo? No entanto, o desempenho do Partido dos Trabalhadores, ou o que restou dele depois de 2005, ao longo dos mais de treze anos que comandou o destino do Brasil, me fez acreditar que não existe nada mais perigoso do que um petista bem intencionado. Via de regra, a boa intenção encenada nada mais é do que um truque barato visando camuflar mais uma patifaria consolidada. É usada, também, como refinada tática de evasão.

Vítimas da própria soberba e estimulados pela imprensa companheira, os petistas não se deram conta de que pairava no ar um irreversível sentimento de mudança.

Quem acompanhou a trajetória do PT desde a sua fundação, sabe que os escândalos do mensalão e do petrolão o devastou de forma definitiva. O que sobrou do outrora partido que se proclamava senhor inquestionável das virtudes e dono absoluto da verdade, transformou-se num ajuntamento de celerados arrogantes e autoritários que sempre trouxeram na alma o objetivo de apoderar-se definitivamente do estado e, depois da posse consumada, estabelecer como expressão possível apenas aquela traduzida na insanidade que prospera somente sob a égide de um estado de exceção e, determinar como livre, apenas o pensamento que emana de sua índole totalitária.

A perpetuação no poder é o que os move; e, para tanto, não titubearam em manchar a história da legenda e trair o passado do partido compartilhando essa jornada ao centro da destruição de um país com inimigos viscerais de sempre como Paulo Maulf, José Sarney, Delfim Netto, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Collor de Mello e Waldemar Costa Neto, entre outros titãs da democracia brasileira.

Lula e seus sectários encontraram na mais abjeta promiscuidade a possibilidade derradeira de sobrevivência política. O PT de Lula estabeleceu a tramóia política e a trapaça financeira como tábuas de salvação para se reerguer do terremoto provocado pelo Mensalão, escândalo que sacudiu suas estruturas e o jogou ao chão. Dizem que a fênix petista executou o voo da galinha: renasceu das cinzas do mensalão para ser definitivamente incinerada no mega-incêndio do Petrolão.

Embora desprezível sob todos os aspectos, a corrupção nada mais é do que a sinopse da degenerada índole humana. Como nesta vida tudo tem um significado, ela não deixa de ser didática. Entre outros ensinamentos, nos mostra o quanto há, ainda, a ser percorrido nessa infindável peregrinação em busca do aperfeiçoamento. Abreviar a distância, só depende de nós.

Não eleger políticos corruptos e não assistir, não acessar, nem ler jornalistas apaixonados por dinheiro e por políticos corruptos seria um ótimo começo.


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
FOTO PARA A POSTERIDADE!

Seguindo a trilha do desperdício, tudo indica que 2016 cumprirá a triste sina de pulverizar-se na inexplicável necessidade do cidadão latino-americaribenho de ter só para si um pai-dos-pobres para prestar a mais servil obediência e um messiânico redentor dos miseráveis para justificar sua fome cotidiana, carregando para as profundas do irrecuperável outra ocasião para saudar o principiar de um novo tempo, arejado pelos ventos libertários da democracia.

Ao que tudo indica, jogaremos no lixo da história a oportunidade ímpar que a morte de Fidel Castro, um dos mais sanguinários ditadores produzido em solo americano, nos proporcionou de nos reencontrarmos com o sonho de liberdade nosso de cada dia. Fracos por natureza, mais uma vez faremos ecoar pela imensidão da América devastada o som estridente do nosso silêncio acovardado e deixaremos escapar pelos vãos da sujeição a oportunidade histórica de fazer repercutir pelos vastos campos da indignação o repúdio vigoroso aos proto-ditadores reunidos em Havana por ocasião do funeral do proprietário da ilha famosa.

Praticamente toda Cuba se engalanou para recepcionar uma horda de aventureiros que tem se sucedido na tarefa de assolar tudo o que fica mais ao centro e ao sul do continente americano. Ao definir a realidade brasileira afirmando que sob o domínio do lulopetismo o Brasil perdeu muito mais do que 13 anos, a notável Valentina de Botas também traduziu, ainda que inadvertidamente, os desmandos centenários que têm forjado ao longo da história o esplendor de nossa latinidade aleijada.

Cada troca de afagos entre Raul Castro, Nicolás Maduro e Lula da Silva significa um distanciamento relevante entre a América Latina e a mais ínfima esperança de avanço democrático e de desenvolvimento social. Cada gentileza retribuída é a certeza de que avançamos com celeridade para os mais profundos grotões do subdesenvolvimento e quando sorriem, no mais das vezes manifestam o júbilo de terem sufocado o grito daqueles que ousaram gritar por liberdade. São virtuosos apenas em manipular a verdade e vesti-la de acordo com os seus projetos e interesses, quase sempre escusos. Não há uma mentira que não saibam usar com extrema competência. São até mesmo capazes de trajá-la com as vestes da verdade.

Juntos, representam a escória da democracia e compõem o mais sinistro trio de ferro que mantém vários milhões de seres humanos submissos ao mais fenomenal atraso. Unidos, sentem-se fortes, poderosos. Porém, cotejados à luz da verdade, sabem que são nada menos que vulgares predadores ferozes de esperanças e usurpadores inescrupulosos de sonhos. Sós, não passam de lideranças falsificadas que sempre estão dispostas a fazer qualquer trambique para se manter no poder.

Na foto, além de ditadores sanguinários como Raul Castro (de farda; não esqueçamos que a ditadura cubana sempre foi militar) e Nicolás Maduro, da Venezuela, aparecem os aspirantes a déspotas Daniel Ortega e Evo Morales (não se sabe o por quê, mas, estranhamente, Correa, do Equador, não aparece). Entretanto, o espoucar dos flashes guardava o melhor do seu registro fotográfico, juntando no mesmo ensaio ninguém menos do que Lula e Dilma, Vagner Freitas (da CUT), Guilherme Boulos (do falso movimento social MTST) e João Pedro Stedile (do falso movimento social MST). De boné, o indefectível Fernando Morais. Para encerrar com chave de ouro (de tolo) esse encontro de democratas do fim do mundo, valeu até a presença de investigado da lava jato, como o lugar-tenente de Zé Dirceu e editor de blog na chamada rede suja, Breno Altman (ao lado de Stédille).

Mais do que esclarecer que CUT, MST e MTST são organizações hierárquicas e autocráticas de esquerda, covardemente escondidas por detrás de movimentos sociais auto-proclamados “revolucionários”, que atuaram no reinado petista como correias de transmissão partidária, o retrato de famiglia também dissipa qualquer dúvida sobre a vocação dos chefes petistas para a ditadura.

A América Latina e o Caribe ainda sangram a mercê dos seus algozes.

“Nova Temporada: Walking Dead Cuba, com astros especialmente convidados…” (Renato Jannuzzi Cecchettini


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JÁ NÃO É MAIS UMA QUESTÃO DE TEMPO!

Desde quando o PT assumiu a presidência da República em 1.º de janeiro de 2003, me incumbi da missão de chamar a atenção dos brasileiros, e das brasileiras, para a temeridade do resultado da eleição ocorrida em 2002. A partir daquele dia fatídico, venho escrevendo reiteradamente que os petistas não deixariam o governo distribuindo rosas. Faz parte do seu DNA o fascínio pela destruição bárbara como modelo de protesto, da violência insana como forma de convencimento e da utopia insustentável, como método de imposição. Só não é utópico o ódio que sustenta e imbeciliza seus cães de guerra. Não nos enganemos com a desmoralizada conversa mole do golpe, pois, ainda que tivessem sido alijados do poder através das urnas, a reação seria a mesma. De forma patética, se insurgem contra o presidente que eles elegeram. Não nasceram para viver longe do poder. Não aceitam menos do que o poder!

Os treze anos e meio de desmandos do governo petista, sustentados no devaneio do lulopetismo remunerado, empurraram a parte da sociedade que não admitia ser cúmplice de sua incompetência administrativa, para um beco cuja única saída seria o levante social. Acuada, ela se levantou. Ainda um tanto quanto atordoada pela devastação a que foi submetida anos a fio, e, tateando pela vastidão do vácuo de lideranças que se estabeleceu, deixou claro que é senhora do seu destino e fez ressoar pelos quatro cantos do Brasil o seu repúdio veemente ao jugo do estado, pouco importando a cor do seu pavilhão ou o matiz do seu ideário. Ecoou pelas avenidas do Brasil de verdade o brado engasgado há mais de uma década, deixando um recado definitivo aos candidatos a messias redentoristas que não se deixa encantar pela bonança oportunista oferecida por redentores mercenários. Esbanjou vigor e sede de justiça.Dilma impeachment Paulista

Demorou, mas a onda de protestos que se esparramou por todo o País e reacendeu a chama da cidadania, avisou aos petistas que havia chegado o tempo do ajuste de contas. Ao serem estrepitosamente escorraçado das ruas, seu habitat natural, por uma multidão cansada de colecionar humilhações, aturdidos, sentiram pousar sobre o seus semblantes acintosamente arrogantes o olhar gélido do ocaso anunciando o princípio do fim de uma das mais penosas etapas de nossa história política. Com as bandeiras arriadas a inteiro pau se deram conta de que não eram mais os donos das ruas, e, menos ainda, do povo brasileiro, e que estavam definitivamente abaladas as estruturas do Brasil Maravilha que ainda lhes concedia asilo e que a ruína épica avançava inexorável, cumprindo a sina de devolver o Brasil aos brasileiros e sepultar na mesma cova rasa rasgada no solo árido da mentira uma divindade desprovida de luminescência, os proféticos neo-comunistas do século 21 e os arautos do pós-marxismo capitalizado na Bolsa de Valores.

Confiantes por demais no acolchoado eleitoral representado pela servidão de programas assistencialistas, pela proliferação de cotas e pela ditadura das minorias, governantes e políticos, na sua maioria, perderam o respeito pelo cidadão. Vencidos pela soberba, se juntaram no poleiro da promiscuidade de onde prestaram a mais ordinária vassalagem ao rei do terreiro e perpetraram uma sequência interminável de patifarias. Se auto-proclamaram brasileiros de fina estirpe, inatingíveis, acima do bem, do mal e da justiça. Se deram conta da imunidade pífia, quando as vaias estridentes que superlotaram os estádios da Copa da Vergonha e a voz vibrante emanada das ruas os fizeram compreender que eram apenas patifes.

“Os desatinos que vêm assolando nosso país há praticamente nove anos, infelizmente, demandarão o esforço de gerações para recolocá-lo nos trilhos do desenvolvimento”, escrevi há algum tempo. Encerrei aquele texto afirmando que “no entanto, apesar de todos os percalços, haveremos de ver triunfar a lisura e a retidão. Ainda que tardia, despida da toga servil maculada pela gratidão irrestrita, a história se incumbirá de fazer justiça a esses vendilhões da pátria.

É só uma questão de tempo”. Já não é mais!

24 fevereiro 2016 MAURO PEREIRA - PERISCÓPIO


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DIAS DE INQUIETUDES NOS ESPREITAM

Esse sistemático assalto aos cofres públicos que vem sendo perpetrado por importantes agentes do governo e por lideranças que ocupam cargos expressivos na hierarquia dos partidos que o sustenta, mais acentuadamente a partir de 2005, ultrapassa as raias da imoralidade e a desenvoltura desses quadros relevantes do governo federal e do Congresso Nacional no relacionamento com a corrupção reproduz uma das quadras mais doloridas e repugnantes da história recente do nosso País.

Nossa jovem democracia, que é aviltada diariamente, definha sob a sanha inescrupulosa de congressistas imorais, ante a inércia da justiça que precisa ser provocada para agir e a sutil, porém não menos covarde, aquiescência dos presidentes da República desde 2003, principais responsáveis pela indicação dos nomes desses crápulas como gestores fundamentais na aplicação de suas políticas de governo, se por ventura existir alguma. O juramento de defender os interesses soberanos da sociedade assumido perante toda a nação por ocasião de suas posses, naufragou espetacularmente fazendo emergir do pântano da corrupção o emputrecido e denso lodaçal que conspurca o relacionamento das instituições e acomoda o mais sórdido e inominável jogo de interesses. O pouco de dignidade que ainda teima em resistir, esvai-se lentamente pelos ralos desse vendaval de promiscuidade.

Movidos pela arrogância própria dos incompetentes, tanto Executivo como Legislativo, aqui há que se fazer justiça à exceção, ainda que rara, desfilam pela passarela da auto-confiança sua pouca, ou quase nenhuma, capacidade de gerir com um mínimo de sensibilidade social os recursos auferidos dos impostos escorchantes. Nas suas mentes pouco privilegiadas é perfeitamente natural enxergar uma realidade completamente diferente daquela que mostra o cotidiano dramático de de milhões de brasileiros, mais acentuadamente crianças e idosos que expostos diuturnamente aos efeitos devastadores exalados dos esgotos a céu aberto e à ingestão da água apodrecida que lhes é oferecida como a única, contam a mais suas perspectivas de morte.

Zombam desses passageiros da agonia quando, inebriados pelo poder que julgam inesgotável e irresistivelmente atraídos pelo acesso fácil ao dinheiro sempre à disposição, em nome de uma justiça canhestra que passa ao largo da vontade de grande parte da população, única e legítima proprietária desse dinheiro, sequestram metade da verdade e, fantasiados de restauradores da história, premiam com bilhões de reais assassinos confessos e empijamados guerrilheiros de festim como paga mercenária de serviços perfeitamente ajustados à vergonha do soldo ordinário.

Percorrem as veredas do inconcebível ao tentarem justificar a construção do megalomaníaco trem-bala, com custo incerto e não sabido, mas com a certeza do lucro fácil e tangível, desrespeitando a memória dos mortos produzidos aos milhares diariamente pela estrepitosa e avassaladora falência do SUS. Ao procurarem a cura para suas doenças físicas nos caríssimos hospitais da rede particular e nos mais avançados centros médicos que o dinheiro pode pagar, sinalizam que a opção pelos pobres não ultrapassa os limites de uma bolsa ou outra. Nesse viés chulo do assistencialismo eleitoreiro buscam, e encontram, repouso para suas consciências e paz para seus espíritos.

Embora tenha sido reconfortante a reação de boa parte dos brasileiros que responderam ao programa político do PT, levado ao ar dia 23 (terça-feira), com um estridente e constrangedor panelaço, ainda é preocupante a apatia de uma parcela significativa da população que teima em eleger e reeleger figuras exponenciais do submundo da política. Predomina a sensação de que a capacidade de indignar-se desses brasileiros exauriu-se sob os efeitos da nazi-propaganda oficial, vislumbrando nas suas entrelinhas, de forma inquietante, uma leniência recém-adquirida, advinda do ensaio de lavagem cerebral coletiva praticado ao longo de mais de treze anos.

Urge que a sociedade se levante e dê um basta à orgia institucional que assola nosso País. A manifestação popular marcada para o próximo dia 13 de março, que deverá acontecer praticamente em todo o País, exigindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff é uma excelente oportunidade de sairmos às ruas para dizer a Lula e ao PT que o povo brasileiro nunca compactuou com esse interminável desfilar de escândalos.

Não podemos nos conformar com esse cotidiano de desmandos consentido por presidentes e protagonizado por deputados federais, senadores da República, ministros de estado e funcionários graduados. O Brasil está no fundo do poço e somente nossa indignação será capaz de trazê-lo à tona novamente. Dos covardes, a história também cobrará o seu tributo.

Dias de inquietudes nos espreitam. Nos assombra a era mais perversa dos dias obscuros.

13 fevereiro 2016 MAURO PEREIRA - PERISCÓPIO


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O DIA EM QUE SONHEI QUE ERA FILÓSOFO E INTELECTUAL PETISTA

Dia desses, senti na pele tornar-se realidade um ditado que minha santa e analfabeta mãezinha sempre me dizia: “meu filho, quem dorme de dia sonha com o “cuizarruim”.

Tudo aconteceu na quarta-feira de cinzas. A tarde arrastava-se monótona, sonolenta e infindável. Deitado no sofá tentando me restabelecer de uma ressaca braba não resisti e, desprezando o sábio conselho de mamãe, caí no maior sono. Não demorou muito e eu sonhei, e não foi com o “cuizarruim” não , foi pior. Eu sonhei que era petista! E como desgraça pouca é bobagem, nesse pesadelo eu era um intelectual. Um filósofo de esquerda, quase um… Emir Sader! Para encerrar esse meu calvário, entrei em desespero quando me descobri um fãzaço de Dilma Rousseff. Essa viagem alucinante às portas do caldeirão flamejante que incendeia as profundas do reino do cão deve ter começado assim que adormeci, pois aqueles breves minutos pareceram uma eternidade.

Nesse universo regido pelo imponderável, eu estava sentado em frente à tela do computador e determinado a ameaçar algum leitor incauto com mais um daqueles textos que a intelectualidade petista costuma nos infernizar quando estamos acordados. De feições contraídas, fazia questão de não esconder que estava indignado com uma meia dúzia de jornalistas invejosos. Me dirigia aos companheiros de partido pedindo apoio e denunciando ser vítima de uma perseguição impiedosa da mídia capitalista.

Pernas cruzadas e com aquele ar de intelectual embolorado, comecei a martelar o teclado. Eu não me lembro com precisão, afinal era um pesadelo, mas foi mais ou menos isso o que eu escrevi (quero deixar bem claro que eu não tenho nenhuma responsabilidade, só servi de cavalo para o meu outro eu):

“Meus companheiros de partido e de cruzada demagógica. Todos são testemunhas que eu sempre fui um dos principais defensores do estado demagógico de direito porque acredito que a liberdade de expreção é um dos pilares da demagogia. Porém, a campanha insidioza de que certos jornalistasinhos de certa revistinha semanal que circula invariavelmente toda semana e um escritorzinho metido à besta vêm fazendo contra minha pessoa já ultrapassa as raias do suportável.

Companheiros, oussam a voz da experiência e cuidem-se. Esse quarteto é perigoso. O Ricardo, que já saiu da revista, mas não perdeu a mania de me atormentar, pousa de cavalheiro com sua escrita suave e clássica, mas quando percebemos ele já “pintou o setti” com a gente. Tem um tal de Augusto Nunes que além de nos desancar com seus textos humilhantes, encerra com um “fora o resto” desmoralizante; e, para completar, tem o tal Reinaldo Azevedo que é a encarnação mal acabada dos dois primeiros. Tudo piora quando um nordestino desbocado e sem educação põe um jumento de pajaraca em riste pra zoar com a minha cara. Não satisfeitos, abrem espaço para que um bando de ienas travestidos de comentaristas nos chinguém à vontade. São prá mais de trezentos, companheiros, todos os dias. Um desses degenerados teve a petulância de me chamar de demiurgo. Eu não sei o significado disso, mas sei que me senti profundamente ofendido. Nosso Brasil vai muito mal!

Tentam pregar em mim a pecha de analfabeto, só que não vai colar pois os companheiros sabem, de sobejo, que eu tenho mais estudo do que todos eles juntos. Sou um devoto da boa leitura, prova é que sou cliente preferencial de uma das livrarias mais conseituadas do Brasil, a Editora Saravá. Não me constraje o nome da empresa porque em termos de religião eu sou absolutamente pernóstico. Como demagogo convicto apóío a diversidade religiosa.

Invejosos, não se conformam com meu suceço e buscam me estigmatizar como comunguista. Ora, eu sempre me declarei um demagogo assumido, portanto, não comungo com o comunguismo, até porque, há que se fazer justiça, quem começou essa história de luta de classe não fui eu. Foi um alemão chamado Carlos Marques, que devia ser filho de algum judeu português. Com o decorrer do tempo, juntaram-se à utopia Marquessista umas pessoas famosas, como um ruço muito doidão que adorava ler um livro antes de fusilar gente e que eu não me lembro como se chamava, um outro alemão de nome Adolfo Ritler que apelava feio se alguém dissesse que ele era judeu e por último um político chinês infezado que odiava concorrência e tinha como slogam de governo a frase lapidar: “para viver bem, vote no Mao”. Como podemos notar, eu não tenho absolutamente nenhum envolvimento com isso.

Passado algum tempo, uniu-se a essa tríade de revolucionários do fim do mundo o proprietário de uma ilha caribenha que durante um bom tempo foi nosso guru. Sim, foi, porque hoje prestamos vassalagem exclusiva ao nosso querido chefe, que em reconhecimento à sua grandeza inquestionável recebeu recentemente, para a desventura dessa minoria direitista, golpista e reacionária, o merecidíssimo título de “O Apedeuta”. Aproveito a oportunidade para desejar saúde à espiriteira do mundo (apud Marilena, minha deusa) caso ele espirre e eu não esteja por perto.

Como não sou egoísta, vou repartir um pouco de minha cultura com os caros companheiros. Aproveitem porque a aula é de grátis. O nome do proprietário daquela ilha que me referi é Fidel Castro. Aprendam: Fidel quer dizer Fiéu. Quanto ao Castro é melhor deixar do geito que está porque não tenho o costume de fazer referências as particularidades alheias”.

Eu era somente passageiro da agonia lenta que o traíra do meu subconsciente engendrara. Padecendo de calafrios sob os efeitos daquele espetáculo de horror interminável entrei em desespero quando, depois de reler pela enésima vez o atentado, murmurei, entredentes: “Cacete, acho que comecei essa disgraceira pelo meio e agora não consigo terminar. Vou deletar e começar tudo de novo”. Com certeza meu instinto de defesa me acordaria, assustado, banhado pelo suor e aos gritos. Não foi necessário. Despertei com o som mavioso dos berros da minha dona me xingando de vagabundo pra cima e perguntando se eu não tinha vergonha de roncar com o sol quase a pino.

Apesar dos impropérios, me ajoelhei aos seus pés, agradecido. Aos prantos, beijei suas mãos e pedi perdão à minha santa mãezinha. Jurei às duas que nunca mais dormiria à tarde.

Principalmente nas quartas-feiras de cinzas.


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JOGA MERDA NO PSDB, MALDITO PSDB!

Realmente o PT é uma fonte inesgotável de matérias que abastecem o noticiário político-policial. Algumas das vezes como caçador de políticos desonestos, noutras, e aí manifesta-se a maioria, como caça de instituições honestas. Atualmente invade a mídia exercitando a primeira alternativa. Desnecessário discorrer sobre o fascínio natural pelas possibilidades que infestam a vastidão da oportunidade.

No campo da política, jamais renegou suas origens e até hoje usa a mesma máscara de paladino da justiça que sempre tentou disfarçar o caráter torpe que caracteriza a personalidade desvirtuada de seus maquiavéis autodidatas especialistas em urdirem na calada da ética planos mirabolantes para destruírem seus adversários, mas mostram-se pateticamente incapazes de se sustentarem no poder sem a utilização da mentira como forma de convencimento e da miséria como método de persuasão.

Administradores de comprovada inépcia gerencial, são incompetentes para ao menos amenizar o caos que assola a Saúde, a Educação, a Segurança, o Saneamento Básico e igualmente desqualificados para estancar a corrupção que, se numa ponta os enriquece, na outra tripudia sobre a dignidade ao negar o acesso de grande parte da população às mais comezinhas condições de sobrevivência digna, oferecendo-lhes como alternativa a caridade de programas sociais de viés escandalosamente eleitoreiros.

Na esfera policial, de tanto conviverem com os corruptos, seus e de seus aliados, aprenderam a contornar o imenso lodaçal que os sufoca, distribuindo afagos aos seus bandidos de estimação, absolvendo-os de crimes eventualmente praticados mesmo antes que a Justiça se pronuncie. Os exemplos abundam e demandaria um espaço extraordinário para elencá-los.

Desmoralizados pelas manifestações populares que vêm lotando as ruas do País desde o início do ano passado, exigindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff, foram tomados pelo pânico e se lançaram à tarefa de vasculhar os porões da podridão política à procura de algum fragmento de sujeira de seus adversários para sentirem-se redimidos dos seus pecados.

Embora tenham tentado disfarçar o êxtase incontido, festejaram como nunca quando estourou na imprensa notícia envolvendo o governo dos tucanos em São Paulo, denunciando o suposto envolvimento de nomes como Fernando Capez, Deputado Estadual e presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e Duarte Nogueira, Deputado Federal e Secretário de Transportes do Estado de São Paulo, no escândalo da merenda escolar. O “Merenda Gate” foi a deixa para os representantes da bancada petista da Assembléia Legislativa paulista remendarem a maltrapilha fantasia de honoráveis defensores da lisura no tratamento da coisa pública e saírem à caça de uma CPI redentora. “Vamos pedir, imediatamente, a criação de uma CPI para apurar essas denúncias. As contra Capez são gravíssimas”, bradou o líder da bancada petista. Oportunistas juramentados, por pouco não iniciaram a coleta de assinaturas para a instauração de uma investigação parlamentar antes que a imprensa divulgasse o rumoroso caso.

É óbvio que a instauração de uma CPI é o caminho natural para apurar as acusações contra os políticos peessedebistas e, depois de uma investigação séria, isenta e profunda, havendo culpado, desprezada sua graduação ou importância, que seja formalmente denunciado e levado às barras da Justiça para responder por seus atos. Cristalino parece-me, também, que a crise de honestidade que se abate sobre as hostes petistas tem como objetivo principal as eleições municipais de 2016. Perder a prefeitura de São Paulo, único símbolo da força petista, seria desastroso para o futuro político do PT e de Lula, pois poderia sinalizar o crepúsculo da aventura petista rumo à perenização no poder e a desmoralização definitiva de sua maior liderança. E a treva cairá sobre o mundo marilenicamente pequeno.

Bastante experimentados na arte da empulhação, é quase certo que se fantasiarão de democratas indignados e procurarão passar para a sociedade a figura escandalizada de donzelas pudicas e devotadas seguidoras de nossa senhora da virgindade, quando é notório que, em se tratando de pureza, encontrariam sérias dificuldades para se empregarem até mesmo como cortesãs de bordéis de quinta categoria, que lhes fechariam as portas preocupados em preservar a integridade de suas prostitutas.

Coléricos, bradarão: “joguem merda no PSDB, corrupto PSDB”, sabendo de antemão de onde virá o excremento a ser jogado nos políticos tucanos denunciados. Só não conseguirão disfarçar o fedor que emanará dessa fossa que não esgota e os equivalerá.

Se comprovadas as denúncias, os petistas estarão fadados a experimentar o gosto amargo da vitória, pois perceberão tarde demais que a dedicação que sempre demonstraram desde 1994, recitando versos estilizados para provar que eram, no mínimo, iguais aos tucanos, apenas os fará descobrir, com mais de vinte anos de atraso, que os tucanos que eram, no máximo, exatamente iguais a eles.

No imaculado universo habitado pelos petistas e santificado por Lula, testemunhas para garantir a conduta criminosa dos tucanos não faltarão. José Dirceu, Erenice Guerra, Antonio Palocci, José Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha, Rosemary Noronha, João Vaccari Neto, André Vargas e outras personagens de caráter ilibado e abaixo de qualquer suspeita estarão à disposição. É só escolher.


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ERAM DEUSES O PETISTA!

Encerradas as comemorações das festas de fim de ano, sobrou a sensação de que pelo menos no âmbito dos acontecimentos internacionais, 2015 poderá ficar marcado como o ano em que a população latino-americana, ou parte dela, começou a despertar do sono dos resignados que a prostrou desde sempre, porém, mais acentuadamente nos últimos quinze anos, e resolveu dar um basta a ensandecida jornada bolivariana rumo ao centro da pátria socialista. As derrotas, dolorida para o kirchnerismo na Argentina de Cristina Kirchner e desmoralizante para o chavismo venezuelano de Nicolás Maduro, aumentam a esperança de que o sol da liberdade começa a espargir seus raios purificadores pelo centro-sul do continente americano.

Entretanto, aqui no Brasil não deixará saudades e certamente será lembrado como um dos anos mais medíocres de nossa história, ou o ano em que, encurralado pelo caos econômico em que está atolado o país, o governo federal não teve outra saída a não ser apresentar aos brasileiros mais jovens o flagelo da inflação, introduzindo no dia a dia da dona de casa e do trabalhador os pesadelos da carestia e do desemprego, respectivamente, além de produzir um clima de desconfiança que arrasta brasileiros e brasileiras para bem próximo do desespero nesse início de século seviciado pela maneira petista de governar.

Como tem acontecido, sistematicamente, o governo federal manteve sua aposta no turbilhão de propaganda como meio mais eficaz de mascarar o calvário que tem sido sobreviver à era da mediocridade que simboliza com muita propriedade o flagelo administrativo que se abateu sobre os brasileiros nos últimos treze anos. Nem mesmo a contratação de artistas famosos foi capaz de acrescentar alguma credibilidade à manjada manipulação oficial e amenizar o desmantelamento moral que o persegue desde 2003.

Apresentando como protagonistas do delírio oficial nada menos que presidentes e ex-presidentes vendendo, através de vídeos na internet e pronunciamentos no Brasil e em terras estrangeiras, a imagem falsificada do país de mentira que construíram para satisfazer somente a maioria dos crédulos cuja fé não fortalece a alma, mas abarrota o bolso; não enobrece a biografia, mas satisfaz a gratidão; não consolida a cidadania, mas apascenta o estômago. Trilhando pelas veredas do desrespeito, subestimaram a inteligência dos brasileiros fazendo de conta que os mega-escândalos do mensalão e do petrolão, se existiram, não foram produzidos por suas administrações. No auge da empulhação, inovaram na pilantropia e inauguraram a roubalheira do bem.

Debochados, riram da coragem dos eleitores que os repudiaram nas urnas e foram às ruas por todo o Brasil para deixar claro que não suportavam mais o desempenho medíocre de um governo corrupto e incompetente. Chegaram bem próximos do êxtase ao perceberem que os milhões de brasileiros e brasileiras que desde 2006 ousam reverberar um metódico e cada vez mais contundente não à desgovernança escancarada haviam sido abandonados ao próprio azar por uma oposição omissa que se escondeu atrás de pretensa preservação da ordem institucional e, como tributo à covardia, se qualificou como a principal avalista do clima de desordem que hoje paira sobre as instituições. Pusilânime, cada mesura explicitada por suas lideranças cobriu com o véu da desonra os votos que lhes foram confiados. Medrosa, contentou-se em ser expectadora privilegiada da farra bilionária com o dinheiro público proporcionada por graduados funcionários governamentais e altas personalidades do Partido dos Trabalhadores cujas diferenças nas patentes e na ideologia não foram suficientes para esconder a simétrica vocação para o desonesto.

Ao entrarmos no décimo quarto ano do governo petista pouco há a ser comemorado. Nessa passarela dos horrores, como não sentir náuseas ao lembrar dos jornalistas que se engalanaram para encenar mais um abominável ato de bajulação explícita ao governo usando como pretexto apenas “um café com a presidenta” para exercitar a militância profissionalizada. A selfie da vergonha mostrando a claque oficial travestida de profissionais da imprensa implorando por um mimo da presidente, sugere que a seca ética no jornalismo brasileiro é tão severa que por falta de reserva técnica as editorias se valem do arquivo morto estratégico que mantém em suas Redações para a cobertura de matérias pautadas pelos patrocinadores. A continuar nessa toada, vai ser longo e sofrido o processo de recomposição da reserva moral e a desmilitatização da imensa maioria dos jornalistas brasileiros; íngreme e árduo também deverá ser o caminho a ser percorrido pelos jornais (impressos, televisados e eletrônicos) na busca pela recuperação do nível de confiança que gozavam junto à sociedade num passado ainda recente. A foto que indignou o Brasil que presta dá a dimensão exata do modelo de imprensa sonhado por Lula, Dilma e a horda que os paparicam.

Espancando despudoradamente a verdade, em vídeo que bombou nas redes sociais, Lula apresenta números fantásticos do Brasil Maravilha que ele registrou em cartório cujo sucesso, além de matar de inveja norte-americanos e europeus, não deixará outra alternativa ao governo federal a não ser a da criação do programa “Mais Miséria” negociando com alguns companheiros proprietários de país, a importação de profissionais da mendicância para recompor o estoque de miseráveis. Os nossos fixaram residência nas asas da Pannair.

Dilma Rosseff, por sua vez, não resistiu à empáfia petista e escolheu a reunião de abertura dos trabalhos da ONU para escandalizar o mundo afirmando que a economia brasileira é forte e sólida e, portanto, rica o suficiente para superar a crise econômica que teima em recrudescer cada vez mais. Pirotecnia demais e verdade de menos, mera manobra visando minimizar a realidade crua que denuncia o enorme vazio que separa dezenas de milhões de brasileiros dessa riqueza que, oficialmente, abunda.

É desumano o júbilo que reveste a 7ª riqueza mais pobre do mundo. Não pode haver alegria quando os números do Brasil de verdade apontam para um cenário desolador que dá visibilidade aos milhões de filhos da fortuna petista que padecem sob o flagelo da miséria. É imoral justificar qualquer presunção de sucesso econômico quando estima-se que mais da metade da população não tem a garantia de direitos elementares como o acesso ao esgoto tratado e à água potável enquanto outra parcela considerável da sociedade já há algum tempo desfila pela avenida da submissão o estandarte da pobreza remunerada.Torna-se quase impossível distinguir onde termina o programa social do governo e começa o interesse eleitoral do partido.

Da mesma forma, é inadmissível vangloriar-se de uma fortuna que abarrota os cofres do governo, mas não chega até a uma parcela significativa de crianças e adolescentes que, desassistidos, perambulam entre a miséria e o analfabetismo, realidade assustadora que coloca em xeque o futuro da nação e destrói no nascedouro o sentimento de nacionalidade. É triste constatar que a brasilidade que deveria enaltecer e orgulhar a raça, reduziu-se aos devaneios de filósofas à beira de um ataque de ódio que perseguem obstinadas o fim da escuridão do mundo e à olimpiana pretensão de sexólogas doidivinas que não se incomodam em contrariar a concordância sustentando que, sim, eram deuses o petista!

Eleita com os votos da maioria esmagadora desse contingente humilhado pela dependência que não finda, a presidente Dilma Rousseff deixou escapar uma oportunidade única de reconciliar-se com o seu mandato esquivando-se da responsabilidade de, ao comunicar à nação e ao resto do mundo o sucesso da economia brasileira, manifestar seu pesar pela incompetência na gestão dos recursos financeiros disponíveis e, solidária aos miseráveis, expressar sua vergonha pela ação criminosa de ONGs companheiras, pelo desvio de dinheiro público que passou de bilhão praticado por seus ministros, funcionários e apoiadores. E para concluir o ritual de reconciliação, olhar nos olhos dos milhões de jovens, adultos, crianças e idosos – uns, subjugados pela fome que avilta, outros, atormentados pela falta de perspectivas que desespera – e, em seu nome e do seu antecessor, pedir-lhes perdão por todas as promessas assumidas, mas que ficaram perdidas em algum lugar da campanha.

Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff são a confirmação inequívoca de que em se tratando de desenvolvimento humano a 7.ª economia mais poderosa do planeta ainda tem muito o que pode ser piorado.


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LIBERDADE, LIBERDADE ABRA AS ASAS…

O mega escândalo do Petrolão, que segundo burburinho corrente no universo jurídico remete o “Mensalão” ao tribunal de pequenas causas, escancara uma realidade indisfarçável: torna-se cada vez mais doloroso sobreviver ao mar de denúncias que rege o cotidiano desta república de celerados que o governo petista, a base alugada e os escombros da ex-imprensa independente estão transformando o Brasil, ou que ainda resta dele. O ambiente está tão degenerado que somos tomados pelo espanto quando o espaço entre uma denúncia de corrupção e outra excede a uma semana e a demonstração de submissão irrestrita da mídia televisiva, principalmente, ultrapassa um hiato de 24 horas.

Manipuladores por natureza, desdenham da condenação imposta pelo STF às suas principais lideranças partidárias sustentando a fantasiosa ilusão de que nunca houve o mensalão. Safos por interesse, atribuem a queda de ministros e funcionários de alta patente envolvidos em maracutaias a uma conspiração midiática objetivando dissolver a base parlamentar governista. Autoritários por conveniência, sonham em reeditar a censura amordaçando a imprensa através da implantação do abominável Marco Regulatório da Mídia. O conceito de liberdade dessa horda a serviço do atraso e do subdesenvolvimento transformaria em um dos mais puros democratas o mais empedernido general da ditadura que assolou o Brasil num passado não muito remoto.

No entanto, o Brasil maravilha exaltado pelos lulopetistas, e que se materializa apenas na indecorosa campanha publicitária praticada ao longo dos últimos treze anos, revela a face mais perversa do efeito Lula sobre o conceito de pátria, antes tão amada, hoje vilipendiada, traída e entregue à própria sorte. Inspirados por seu líder maior, vulgarizam a Constituição, debocham das leis e pairam, insensíveis e cafajestes, acima da miséria social que castiga grande parte do povo brasileiro e das tragédias das enchentes, dos deslizamentos de terra e do perturbador número de assassinatos que ano após ano cobrem de luto as famílias e de vergonha a sociedade. Criaram para si uma nação particular, onde só são felizes os que se beneficiam dela ou os que se submetem a eles. Às vezes, nem esses.

Em 2005, no auge do rumoroso escândalo do mensalão, o ex- governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, afirmou que o PT teria que ser re-fundado. Porém, com a reeleição do seu candidato à presidência da República, apesar de toda a lama que conspurcava sua candidatura, parece que os próceres petistas reconsideraram essa possibilidade e apostaram todas as suas fichas na execução de um outro plano, muito mais significativo e ambicioso: juntar o que havia sobrado do ex-partido mais puro e mais ético “dahistóriadestepaiz”, e, valendo-se do resultado das urnas, colocar a agremiação estrelada sob o comando e o País sob a tutela de um líder único e supremo. Dos escombros do antigo partido salvou-se, por pura estratégia, diga-se, somente a sigla.

O trânsito livre entre trabalhadores, empresários e políticos – condição que já ostentava antes mesmo de se tornar presidente do Brasil – encaminhou a escolha para o “sindicalista” Luiz Inácio Lula da Silva, a espiriteira marilênica e o deus de Martha, coroando-o como líder supremo do pretenso partido dos trabalhadores. Como desgraça pouca é bobagem, mais do que testemunharmos a consolidação da Era da Mediocridade iniciada em 1.º de janeiro de 2003, fomos ludibriados pela circunstância ingrata que nos transformou em privilegiados expectadores da implantação do flagelo do lulopetismo. E as peças desse tabuleiro escabroso começaram a ser movimentadas. Sem a genialidade dos mestres enxadristas, é verdade, mas com a insana eficiência peculiar à intelectualidade engajada.

Era óbvio que apesar de emblemático o status de ex-metalúrgico, dissociado de um espectro mais amplo e abrangente, não sustentaria sua ascensão ao posto de comandante supremo da nação lullopetista em marcha e, então, iniciou-se uma das mais insidiosas campanhas visando a mitificação do ex-presidente. Bilhões de reais foram queimados em propagandas de conteúdo no mínimo duvidoso e instalou-se um dos mais vergonhosos balcões de trambiques e negociatas envolvendo governo e Congresso Nacional. Nessa orgia institucional concebida sob a égide da promiscuidade e da vassalagem a ordem era cooptar e, não importando o custo financeiro da degenerescência, sempre às expensas do erário, é lógico, estabelecer a base de sustentação governista com parlamentares que estivessem disponíveis, descartando-se dessa seleção desqualificada qualquer restrição, quer fosse ela de ordem ética, de pureza ideológica ou, sequer, de retidão moral. O mais lamentável é que a disponibilidade nas duas Casas era descomunal!

A primeira etapa dessa insânia estava consumada, revestida de sucesso absoluto. Restava, no entanto, subjugar os miseráveis juntando-os todos num mesmo programa de onde pudessem vigiá-los, ainda que dissimuladamente, além de sujeitar a imprensa. Com os miseráveis controlados e a mídia abastecida, de propaganda!, prenunciava-se a iminência do cheque-mate. Estava estabelecida a federação hegemônica dos lulopetistas! E foi nesse Brasil de araque, cultivado no solo fértil do ego mitômano de seu líder e concretizada nos estúdios de alguma agência de publicidade sempre à mão, que eles se encontraram com a nação lulopetista e se reencontraram consigo mesmos. Nessa pátria bizarra, confraternizam-se, desde então, ex-guerrilheiros e ex-caçadores de guerrilheiros. Trocam afagos e juras de amor eterno ex-reacionários e ex-caçadores de reacionários. Convivem na mais abjeta harmonia sindicalistas pelegos e adesistas, empresários desonestos, políticos indecentes. Flanam faceiros tesoureiros corruptos de partidos políticos corrompidos.

O conjunto da obra me leva a concluir que raro é o bem feito que persevere na administração do PT. Pouco é o que não se corrompa no contato com o petismo. Torna-se difícil até mesmo recorrer à máxima da excepcionalidade.

Na democracia perseguida com obstinação pelo PT, a exceção é o código de regras que cultuam e o pilar de sustentação do estado que aspiram. A devoção à hegemonia é de sua natureza e está gravado em alto-relevo no seu DNA. Só acreditam na sua castidade democrática os crédulos vocacionados, os políticos cumpliciados e os oportunistas atocaiados. Ninguém além deles.

Chego ao final de 2015 com a certeza de que se nem o Congresso nem a Justiça forem capaz de parar Lula e seus lacaios, haveremos de, inspirados nos purificadores ventos da liberdade que sopram sobre esse lado do continente americano, impormos nas urnas uma derrota desmoralizante em 2018 ao candidato oficial, seja ele quem for, assim como foram desmoralizados o kerchnisno de Cristina e o chavismo de Nicolás nas recentes eleições realizadas na Argentina e na Venezuela, respectivamente, enterrando na vala rasa da história a saga bolivarianista que cobriu de sangue, atraso e sofrimento praticamente todo centro e sul da América.

Liberdade, liberdade abra as asas…


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NA URNA É MAIS GOSTOSO!

Seguramente, o Brasil vive hoje um dos mais conturbados períodos de sua história política. E o início desses dias de insanidade deu-se em 1.º de janeiro de 2003, com a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito pelo Partido dos Trabalhadores. A reeleição de Lula em 2006, apesar do mar de lama que cobria sua administração com a eclosão do escândalo do Mensalão, deu-lhe a certeza de que, ele e os seus, eram intocáveis e o fez acreditar na bajulação patética de Martha Suplicy elevando-o à condição de deus. Traído pelo ego descomunal, creu, também, que era o detentor do poder absoluto e definitivo.

No entanto, logo descobriu que divindades iguais a ele pululavam às dúzias pela esgotosfera do acirrado mercado da prostituição política e estavam abertas à negociação pelo melhor preço oferecido. Talvez tenha sido a partir desse episódio que decidiu sacanear a ex-senadora petista, hoje no PMDB. Percebeu, então, que para eternizar-se no poder seria necessário fazer algumas concessões, mesmo que isso custasse a derrocada ética, moral e ideológica do Partido dos Trabalhadores. Sem o menor trauma de consciência, mandou às favas a história partidária e a reputação pessoal. Possesso, não titubeou em reduzir a pó a instituição Presidência da República, deixando de ser presidente de todos os brasileiros para se comportar como mero chefe político e das profundezas dos palanques da discórdia não se absteve de pregar a cizânia, se necessária, para garantir a vitória dos seus candidatos.

Em 2010, a custa do comprometimento da estabilidade econômica do país, que viria mostrar todo o seu potencial de destruição em 2015, ergueu seu primeiro poste elegendo Dilma Rousseff presidente do Brasil. A consumação do desvario se confirmou em 2014, na campanha que a reelegeu, tocada a muita grana, nenhuma ética e pouca verdade.

Convencido de que pairava acima dos rigores da lei, vulgarizou a política, tripudiou sobre a verdade, ridicularizou os Poderes constituídos, corrompeu. E corrompeu-se. Humilhou-se ante Paulo Maluf e redimiu-se sob Gilberto Kassab. Em 2012 credenciou mais um poste para espargir a luz que ilumina o submundo da política brasileira e clareia a saga purificadora dos “comunistas do século 21”. Nesse novo modelo de sociedade, até mesmo Maluf sentir-se-ia à vontade para recorrer ao seu passado dedicado à causa marxista e se proclamar o farol predestinado a nortear os descaminhos dessa nau da insensatez.

Tão inexorável como a desfaçatez dessa horda comunista de direita representada por luminares do regime militar e comandada por Lula, também se consolida a certeza de que Gilberto Kassab foi, e continua sendo, a maior revelação dos socialistas novéis. Kátia Abreu surpreendeu, mas não chegou nem perto do desempenho formidável do ex-prefeito de São Paulo.

Aluno dedicado, na eleição para prefeito da capital paulista de 2012 superou às expectativas dos seus mestres e aplicou com êxito os ensinamentos inseridos na cartilha formulada por Marighella. Astuto, induziu seu aliado para a emboscada e, amoitado na tocaia da covardia, foi preciso ao apertar o gatilho da traição. O serviço contratado estava consumado. A derrocada moral, irreversível.

Ainda que eu me deixe levar pela repulsa à trajetória das administrações petistas e ceda à indignação quanto a atuação de políticos e lideranças ligadas diretamente ao poder, mesmo assim, não acredito que o legítimo processo de impeachment em andamento na Câmara dos Deputados e, menos ainda, que a ação homologada pelo PSDB junto à justiça eleitoral exigindo a cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff, ambos com a aprovação da maioria dos brasileiros, prosperem rumo a um desfecho favorável.

Melhor assim. O PT conta com o impeachment da presidente. Os resultados das recentes eleições em dois dos três mais importantes países que comandam a farsa apelidada de bolivarianismo, vulgar mistificação criada para ludibriar incautos – emblemático na Argentina e desmoralizante na Venezuela -, agravados pelos baixíssimos índices de aprovação da presidente Dilma Rousseff, indicam o fim do assistencialismo populista que assola a América Latina.

E reforçam a certeza das lideranças estreladas de que, assim como aconteceu com os dois países cúmplices, é bastante provável uma derrota acachapante nas eleições de 2018, resultado que inviabilizaria qualquer tentativa de desqualificar a vitória da oposição e os desdobramentos desse revés poderiam significar até mesmo, se não o desaparecimento do partido, com certeza seu esfacelamento. Enquanto que num ambiente de impeachment se sentiriam legitimados para buscar na implantação do caos – através da atuação de seus cães de guerra -, a redenção do partido e, acima de tudo, a blindagem de sua estrela mais fulgurante, procurando evitar, ou postergar o máximo possível, que ela algum dia tenha que dar bom dia ao japonês da Federal.

Sem contar que a derrota, no voto, do PT e de seus satélites, além de prolongar o martírio da alma petista no purgatório da história, nos redimiria do sofrimento que foi sobreviver cada segundo desses anos todos no inferno criado por Lula cujo cenário de desolação possivelmente nem Dante, em seus melhores dias de inspiração, ousou imaginar.

Tudo leva a crer que a presidente Dilma Rousseff não se entregará à imolação pacificamente e se vencer o braço de ferro, não com a oposição, mas com setores do seu partido, é quase certo que seu insepulto cadáver político se dedicará à tarefa de assombrar Lula e seus devotos até o último dia do seu mandato!

Ao longo desse interminável calvário, provamos que não nos deixamos intimidar nem pela patética divindade lulista nem, menos ainda, pela verve pérfida das kátias e dos kassabs dissimulados. Se não forem barrados antes pelo Congresso Nacional ou pelo TSE, que venham, então, os cavaleiros do apocalipse. Entrincheirados na brasilidade que nos resta, e não é pouca, estaremos prontos para derrotá-los em 2018 com a mesma arma com que hoje ousam nos ameaçar. O voto!

Além do mais, na urna é mais gostoso!


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INIMIGOS ÍNTIMOS

Embora celebre o contraditório, quanto mais eu me esforço para não ceder à indignação radicalizada ao analisar o PT e o governo petista, mais eu me sinto indignado e radical. Torna-se praticamente impossível manter a serenidade quando assistimos prosperar a sanha destrutiva de um governo irresponsável e descaradamente mais comprometido com o projeto de perpetuação no poder em andamento do que com o futuro do País. É desalentador quando as principais autoridades de uma nação se encantam com a promiscuidade política, têm a corrupção estampada em alto relevo em cada célula de seus DNAs atrofiados e, envolvidas pela degenerescência ética que lhes é peculiar, entoam inspiradas odes à mediocridade.

Comandado com mão de ferro por Lula, o Partido dos Trabalhadores fincou raízes profundas nos grotões da insanidade. Para ver triunfar o propósito de dominação plena engendrado, suas lideranças não se deram por satisfeitas apenas com a prática rasteira do paternal assistencialismo populista e eleitoreiro cultivado no solo árido da servidão e adubado com o flagelo do atraso social. Foram mais além. Desencadearam um ensaio de lavagem cerebral coletiva ancorado em campanhas publicitárias bilionárias e de conteúdos inverossímeis. E para consolidar a hegemonia almejada, vulgarizaram o mérito, banalizaram a honra, erradicaram a virtude e ridicularizaram a verdade. Registre-se que desse cenário desolador a competência conseguiu escapar intacta. Não por iniciativa de algum comandante partidário ou representante governista. É que nunca tiveram acesso a ela.

Ainda pequeno, ou menos expressivo, desde os tempos de São José dos Campos nos idos de 1993, essa intimidade com o lado podre da política já se manifestava vigorosa no jeito PT de administrar. Dissimulados, sempre que flagrados em nova falcatrua seus dirigentes recitam os mesmos versos paupérrimos de inspiração mas riquíssimos em rimas torpes que compõem o decorado poema da desfaçatez responsabilizando a mídia a serviço das elites e a oposição golpista pelo mar de lama que cobre o governo que representam e a legenda que dirigem. Do partido imaculado concebido na pureza que jamais fora ousado sequer sonhar na política brasileira, restou apenas um ajuntamento de bisonhos socialites cubrasileiros corruptos e decadentes que a mídia engajada festeja e de brasileiros de ocasião, solidários na corrupção e na indecência, que a conveniência capitalista encanta.

Desde que acampou no Palácio do Planalto no dia 1.º de janeiro de 2003, o PT tem movido céus e mundos para se perpetuar no poder e consagrar seu principal líder, Luiz Inácio Lula da Silva, além de o maior democrata da história da humanidade, como o estadista que a política internacional jamais sonhou existir. E para alcançar esses objetivos em tempo algum envergonhou-se de ter perdido a vergonha.

Nesta saga predominantemente absolutista iniciada há mais de doze anos, não se importou em macular seu passado ao descompromissar-se com a ética, afastar-se da verdade, transgredir os limites da moralidade e deixar ao longo do caminho um rastro imenso de sórdida corrupção. Usou de todos os artifícios, a maioria ilícitos, para ludibriar os incautos, abusou de artimanhas desonestas para conseguir a peso de ouro um certificado de honestidade e mostrou sua face mais perversa quando em nome da redenção da miséria, subjugou os miseráveis. Desnudou-se por inteiro ao celebrar a promiscuidade aliando-se ao que havia de pior no submundo da política. Agigantou-se na pequenez odiando na mais perfeita e lucrativa harmonia inimigos viscerais de antanho.

Deslumbrados com a popularidade, tão estupenda quanto fictícia, de seu maior líder, petistas e agregados se deixaram enlevar pelo ego superdimensionado e passaram a acreditar que, sob a proteção de Lula podiam pairar, atrevidos, acima da lei. Contaminados pela soberba lulista deixaram de lado a prudência e não demonstraram nenhum temor ao ridicularizarem a Justiça menosprezando ministros do STF, desqualificando Procuradores da República, subestimando juízes federais . Tripudiaram sobre nossa inteligência ao conduzirem à presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados um dos denunciados – e posteriormente condenado! – pelo Ministério Público como participante da quadrilha do Mensalão. Nos humilharam outorgando honrarias a mensaleiros. Insatisfeitos com o conjunto da obra pavorosa, atingiram o êxtase nos relegando à condição de vulgares analfabetos honoris causa.

Nessa ilha da mediocridade cercada pelas águas pútridas da falta de caráter, do total desapego à lisura e do distanciamento da honra e da responsabilidade, convivem sem o menor trauma de consciência áulicos e vassalos, ambos comparsas da mesma horda que há praticamente treze anos tomou de assalto o governo federal e tem protagonizado um dos maiores e mais perversos ciclos de corrupção envolvendo autoridades diretamente ligadas à presidência da República jamais percebidos ao longo de toda história política brasileira. Pelo menos que eu saiba, não com essa intensidade.

Certos de que realmente eram intocáveis desprezaram de vez o bom senso mandando às favas a previdência e transformaram o governo federal em um celeiro inesgotável de escândalos. Porém, as alvas nuvens da ventura nas quais planavam arrogantes e absolutos repentinamente começaram a escurecer avisando que a época da colheita farta de tempestades que semearam durante mais de uma década se avizinha. Os incautos já não se mostram tão cordatos, o certificado de honestidade demorou mas foi considerado falso pelo STF e os miseráveis não escondem mais o incômodo do jugo remunerado. Os inimigos íntimos já estão se arregimentando e, valendo-se do apurado instinto de preservação desenvolvido pelos ratos, prontos para evacuarem a nau dos desesperados antes mesmo da consumação da inevitável e melancólica ordem de “abandonar o navio”. Nem mesmo a promiscuidade resistirá ao naufrágio.


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AS MORTES DO BRASIL VELHO E DA IMPRENSA NOVA

Acometida por uma degeneração conceitual insofismável, a imprensa brasileira já há alguns anos vem derrapando no solo escorregadio da credibilidade. Premida pela necessidade financeira que ameaça sua subsistência e devastada pela chaga da ideologia que assola suas Redações, paulatinamente quedou-se à vontade dos detentores do poder permitindo pautar sua linha editorial de acordo com as exigências e os interesses de quem a financia. Na verdade, a maioria dos órgãos informativos já está regulamentada, não por força de lei, mas por imposição da milionária verba federal disponível.

Acredito que essa constatação se viabiliza na vergonhosa blindagem levantada em torno de Lula desde o episódio do Mensalão, dando contornos de entrevista a amigáveis bate-papos previamente elaborados e mais preocupados em transformar cada pergunta em passe magistral do entrevistador e, a cada resposta do ídolo, seu semblante embevecido não esconde a vontade de gritar golaço!, recusando-se a enxergar que de apoteótico restou apenas a incrível performance do entrevistado na arte da manipulação dos fatos e na subtração da verdade.

Em se tratando de opinião de jornalista, então, minha precaução é redobrada, principalmente se ele for da intimidade de Lula ou referir-se à Dilma Rousseff como presidenta. Quando se vê sem saída e é obrigado a opinar sobre um assunto que revela a enorme capacidade de corromper-se do governo que o sustenta fica nítido o constrangimento e no mais das vezes o profissional sucumbe à militância e deixa transparecer em seus textos a necessidade de encontrar uma saída honrosa àquela situação desconfortável, capaz de aplacar a dor que consome sua alma atribulada, cuja angústia só se dissiparia caso o ex-presidente, ou a presidenta, se dignasse a dar alguma satisfação à sociedade. E ela (a satisfação), ainda que seu conteúdo fosse inverossímil, seria definitiva, como também seria definitivo o reencontro com a paz que seu espírito ansiava. Só não sei se seria finito o acerto de contas com sua consciência.

Desavergonhados, proprietários de carreiras longevas prestam-se a tarefa miúda, mas muito bem paga, ressalte-se, de defender aqueles que os mantém. Velhos jornalistas recorrem à artimanhas pueris buscando mascarar os efeitos devastadores da realidade geriátrica. Vasculham os grotões da ética paupérrima que sempre os identificou à procura da inspiração que nunca os acompanhou e, inconformados com essa triste constatação, partem para agressão gratuita. Imaginando-se ainda na puberdade, vagueiam pela vastidão do êxtase premeditado, por exemplo, ao tentar ridicularizar companheiros de profissão, líderes oposicionistas e ministros do Judiciário. Exultam à traquinagem! Desses, o tempo se incumbirá de fazer justiça, pois a história irá ignorá-los, solenemente. São só ex-profissionais que o acúmulo de anos envileceu.

É mais cômodo, e conveniente, enxergar no horizonte uma guerra sem fim criada somente para desilustrar a imagem de Lula. E quem teria interesse em denegrir a imagem santificada do deus de Marta Suplicy e prejudicar a luminosidade do lanterna do mundo de Marilena Chauí? É nessa hora que o subconsciente o trai e a resposta é instintiva: FHC!

O rosário interminável de escândalos que tem sido a marca do governo petista fica por conta da ficção inventada pela mídia conservadora e golpista. A fileira vergonhosa de ministros que foram retirados de seus cargos por envolvimento com os mais variados escândalos também é invencionice de uma meia dúzia de brasileiros despeitados e invejosos. A traição à história do partido juntando-se com o que há de pior no selvagem submundo do capitalismo nacional e internacional fica por conta do desespero de uma oposição rancorosa e irresponsável. Tivéssemos uma oposição disposta a exercer pelo menos 50% da selvageria que o PT dedicou à sua atuação parlamentar por cerca de vinte anos, certamente Lula não resistiria ao mar de lama que flagelou seus dois mandatos e sua carreira política teria sido abreviada já em 2005. Os desdobramentos da hecatombe lulista ficam por conta da imaginação de cada um.

A cada edição encerrada da maioria dos jornais, pouco importa se impressos ou televisivos, fica sempre a expectativa de novas patifarias na próxima, anunciando de forma melancólica a proximidade do marco derradeiro de uma imprensa outrora formada por jornalistas notáveis e valentes que em algum lugar da história lutaram por liberdade e independência e que hoje vê as redações serem tomadas de assalto por uma horda medíocre e oportunista que teima em fantasiar-se de jornalistas sérios. São, na verdade, míseros arautos da indigência profissional e safos emissários remunerados do apocalipse ético.

Profissionais da notícia que ainda se mantém de pé afirmam que o ciclo do lulopetismo está se encerrando e, também, que está morrendo o Brasil velho. Que as profundas do esquecimento não sejam rasas para soterrar a imprensa nova (pos-ditadura). Vade retro!


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O DIA EM QUE O MUNDO CONHECEU O REINO ENCANTADO DE DILMA

Inconformados em inaugurar apenas a Era da Mediocridade, o governo petista e sua base alugada resolveram se superar e impuseram a Época da Confusão. Meu Brasilzão velho de guerra está tão confuso que eu ainda não cheguei à conclusão se está tudo de ponta cabeça ou de cabeça para baixo. Sei não, mas acho que as duas alternativas estão corretas. Não descarto, também, a possibilidade de ele estar de pernas para o ar.

Tem alguns aspectos nessa brasiléia desvairada que chegam a ser pitorescos. Por exemplo: eu sempre considerei a música religiosa apenas um apelo à louvação, mas só me dei conta do lado profano desse mercado bilionário quando uma poderosa gravadora global resolveu investir pesado nesse filão inesgotável da fé contratando para o seu cast privilegiado os principais cantores, cantoras e compositores evangélicos. E as promessas viraram show business. Música gospel. Você compra, a Som Livre adora!

No plano político, certa de que conseguiu convencer todos os brasileiros que um pais rico é um pais sem miséria e que uma sociedade culta é uma sociedade sem cultura, nossa presidente alçou voos mais espetaculosos e se autopromoveu consultora de países desenvolvidos, tomando para si a responsabilidade de ensinar a americanos, alemães e franceses como sair da crise enganando toda uma população impunemente. Tendo como companheiro o entusiasmo e aliada a inconsequência, fantasiou-se de conselheira do mundo e, em entrevista coletiva um dia antes de falar na abertura da Assembleia-Geral da ONU, o mundo inteiro foi testemunha do seu lamento criticando enormemente os ataques americanos aos terroristas do EI.

Mahatmamente intencionada, mas, dilmisticamente equivocada, partiu do princípio de que o EI teria alguma legitimidade para que se lhe fosse oferecida alguma forma de apoio, sapecou, sem “guspe”: “O Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU”. Estupefata, a humanidade acabava de conhecer o reino encantado de Dilma Rousseff. Envergonhados, vimos a diplomacia brasileira jogada no chão!

Esse mundão de meu Deus realmente dá muitas voltas e reviravoltas. Nem mesmo o mais crédulo dos cristãos imaginaria que aquela que na sua mocidade aterrorizou os brasileiros, na velhice aterrorizaria as grandes potências mundiais. A política gira, e atordoa!

De volta para o nosso cotidiano, ainda sob a influência maléfica do signo do lulalato, o Brasil talvez esteja enfrentando a sua pior crise institucional desde o fim da ditadura. Analisado com mais esmero, torna-se inevitável ao menos presumir que as três instituições que por determinação constitucional deveriam ser independentes entre si, simplesmente resolveram se amasiar na mais promíscua e indecorosa relação. Nesse triângulo insólito, o Legislativo dispensa maiores comentários. Ter suas duas casas rebatizadas como Casa do Espanto e Pensão da Dona Dilma, respectivamente, não é um feito reservado a simples amadores. Unidos, deputados e senadores conseguiram extrapolar os limites do inusitado e provaram que é necessário, sim, muita competência para se sobressair no exercício pleno da incompetência. Embora contrariado, sou obrigado a lhes conceder o crédito da façanha.

Porém, o que mais açoda minha preocupação é a estreiteza indecorosa que tem permeado o relacionamento entre o Executivo e setores importantes do Judiciário. Louvando-se as exceções de sempre, a imprensa, mais concentrada na cruzada salvacionista visando evitar o impeachment que assombra a presidente Dilma Rousseff e predisposta a minimizar qualquer notícia que desabone a conduta do ex-presidente Lula, faz vistas grossas a episódios gravíssimos e que colocam sob suspeição o ordenamento jurídico que rege nossa sociedade.

Como acreditar na isenção do Judiciário, quando membros de sua principal Corte, última reserva moral da nação e bastião derradeiro da esperança dos democratas, trazem consigo o estigma da toga agradecida? Como ficar alheio à ação inusitada de associações de magistrados que invadem de forma temerária a seara da excepcionalidade admitindo que há sim cidadãos acima da lei, deixando transparecer pelos vãos da toga um inquietante fulgor ideológico?

Às vezes, sob os protestos veementes dos meus três neurônios, todos pingaiadas assumidos e adeptos do ócio perpétuo, me ponho a meditar e chego até a admitir a possibilidade de que os três poderes estariam determinados em reescrever nossa história e transformar o Brasil em uma Venezuela cubanizada. Estaríamos nós condenados a chamar Lula de “dotor-mi-comandante” e a prestar reverência a Simon Bolivar? Realmente, de uns tempos para cá ser brasileiro tem sido uma tarefa tão desafiadora que eu tenho a impressão que até o Todo Poderoso, prudentemente, resolveu não interferir nos destinos dessa república de celerados. Estamos por nossa conta e risco!

Pode até estar entremeada por algum sintoma de resignação esta minha afirmação, mas os malfeitos se reproduzem numa velocidade tamanha que em determinadas circunstâncias chego a colocar o Mensalão – o pai de todos os escândalos – e o Petrolão – o escândalo de todos os escândalos – num segundo plano, ainda que temporariamente. A expectativa sobre a próxima denúncia de corrupção envolvendo representantes de alta patente do governo federal e da base aliada, confesso, chega a ser emocionante. Qual ministro será o protagonista da vez? Quem do Congresso Nacional estampará a capa de Veja? E o Judiciário? Ficará fora dessa disputa acirrada ou será solidário aos outros dois Poderes? Senhoras e senhores façam suas apostas. Quem será o grande vencedor desse ordinário reality show da promiscuidade?

A grande derrotada, sem dúvidas, será a democracia. Infelizmente.


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
SONHO

Lula sonhava eternizar-se como o maior dos brasileiros. Terá de contentar-se em ser o que de melhor o petismo foi capaz de produzir

Não sei, não, mas uma desconfiança minha, até antiga, a cada dia se robustece mais.

Eu desconfio que foi esse “dizinfiliz” do Lula que comeu o papagaio de Graciliano Ramos e colocou a culpa no lesado do Fabiano! Acho que não, deve ser mais um factóide criado por essa minha mente que já demonstra sinais de degeneração, subjugada pela ação inexorável da idade e vítima inocente que tenta desesperadamente sobreviver nos escombros do que um dia foi um cérebro com algum lampejo de vida inteligente, mas que não resistiu aos encantos e ao assédio da “mardita” cachaça.LD

Se foi o flagelo do Garanhuns ou não, eu não sei; eu só sei que, temendo uma reação truculenta do mal- encarado dono da cadela Baleia, ele “vazou” para as bandas do Sul. Bom de lábia desde tenra idade, não encontrou maiores dificuldades para se instalar por aqui e logo começou a trambicar com uns generais entediados. Foi mais ou menos nessa época que conseguiu convencer os metalúrgicos de que era sindicalista e viciou-se na bebida “derrubando” vários litros de Cavalo Branco em reuniões com empresários aterrorizados, em cujos orifícios de passagem de excremento não passava nem uma agulha sequer.

O final dessa história é de conhecimento geral. Todos os brasileiros foram testemunhas do seu desfecho, mas não custa nada relembrar: cansado de perseguir viúvas pelos corredores dos sindicatos da vida, traiu o levante da Vila Euclides e apostou todas suas fichas na fundação de um partido político capaz de assegurar o sucesso de sua carreira política. A ascensão financeira e social seria somente consequência. E como foi!

É triste assistir ao prelúdio do ocaso de um líder parido no ventre das massas populares, que tinha tudo para eternizar-se como o governante hábil e pacificador que uniu uma nação sob o manto da liberdade, da igualdade e da brasilidade. No entanto, derrotado pelo ego, arrisca-se a entrar para a história como um farsante que, consumido pelo rancor incontrolável, preferiu acreditar em suas próprias mentiras disseminando a fábula fazendo crer que foi por sua vontade que os pobres começaram a viajar de avião assiduamente e a comer filé mignon pelo menos duas vezes por semana, estigmatizando-os como os “burgueses bolivarianos” criados pelo socialismo do século 21.

Diz a lenda que Lula amou tanto a pobreza que fez dela sua companheira inseparável. Sustentam, ainda, as más línguas, que era durante as campanhas eleitorais que esse sentimento mostrava o quanto era grande o seu amor pelos pobres.

Símbolo maior do apogeu apoteótico dessa jornada ao centro da (des)governança corrupta e irresponsável capitaneada pelo ex-presidente e que aterroriza os brasileiros há praticamente treze anos, Dilma Rousseff traduz com perfeição a dimensão do mal que o maior de todos os petistas impôs a toda uma nação. Nessa viagem ao encontro do caos, alguns, inconformados com o papel de meros passageiros da alegria, foram além. Aliançaram-se. Outro tanto, ousou mais. Tornou-se cúmplice!

Uns têm Lula como deus. Outros, como diabo. Particularmente, não o acho nem um nem outro. Eu o tenho somente como um embusteiro oportunista que a sorte, tudo indica, está se cansando de bafejar e já não se preocupa mais em esconder que ele envelheceu apenas fisicamente. A alma guarda o mesmo frescor de trinta anos atrás. O ódio a preservou da ação do tempo.

Da mesma forma que lhe aguçou a inteligência, a raiva companheira lhe solapou a sabedoria. Perdeu o Brasil, perdemos nós. Infelizmente.


Viajando de Itapeva a Brasília. Com escala em Ribeirão dos Pradas
O GRITO DOS INDIGNADOS!

Como resultado natural da inexorável ação do tempo, a idade vai se acumulando e nos transforma em testemunhas privilegiadas de um conjunto de fatos e acontecimentos que constroem nossa história. Até aí, nada de extraordinário. No entanto, ainda que inadvertidamente, esse estoque fabuloso de informações captadas pelas nossas retinas ao longo de nossa existência e arquivadas no HD de capacidade ilimitada do nosso cérebro espetacular, nos dá a falsa sensação de que somos guardiões da sabedoria e, vencidos pela soberba, em determinados momentos chegamos até a imaginar que já vimos de tudo nessa fugaz experiência terrena.

Ledo engano. Em sua infinita benevolência a natureza nos concede o dom da longevidade, mas, impõe como contrapartida o exercício da humildade. E nesse aspecto ela é pródiga em nos ensinar que por mais longeva que seja nossa caminhada a vida se renova e renasce todos os dias revelando eventos que julgávamos inconcebíveis. Jamais imaginei, por exemplo, que assistiria a uma das mais degradantes etapas de nossa história política. Mas os quase treze anos da desastrada administração petista provam que o malfeito de ontem se reinventa a cada amanhecer, cada vez mais bem feito.

Paralisado pela incompetência crônica que não perdoa nenhum dos quase quarenta ministérios e sufocado por um rosário interminável de denúncias de corrupção, o governo federal e sua base alugada dedicam mais tempo tentando minimizar os estragos da bandalheira institucionalizada do que na solução dos graves problemas conjunturais que se acumulam e ameaçam perigosamente o futuro do País. Acuados, refugiam-se covardemente nas maravilhas de um país de araque que existe apenas no imaginário deturpado dessa malta que, liderada por uma das maiores fraudes políticas que já se teve notícia, utiliza-se da mais indecente campanha publicitária para ludibriar os brasileiros.

Nesse país de faz de conta, a miséria foi definitivamente erradicada, foram construídas milhões de creches, todo brasileiro tem direito a um aeroporto pessoal, a universidade é a extensão do lar do estudante e a Petrobras realizou investimentos de tamanha monta que garantiu a extinção do desemprego. No Brasil de verdade, entretanto, nos deparamos com um cotidiano assustador que convive com a falência da Saúde, o caos da Educação, a cruel indiferença com o Saneamento Básico e a absoluta falta de Segurança Pública, entre outros desastres. A corrupção desenfreada emoldura essa aquarela monocolorida devastadoramente carregada de cinza.

Dissimulados, procuram desesperadamente esconder a dura realidade retratada no suplício de milhões de pessoas que têm como única fonte de renda, e de sobrevivência, uns trocados advindos de programas sociais direcionados mais para a preservação de algum ganho eleitoral do que resgatar a dignidade dos seus beneficiários. As reportagens mostrando o desespero de municípios que imploram por hospitais e equipamentos médicos, agravadas pelos dados imorais publicados pelo IBGE dando conta de estados brasileiros onde praticamente inexiste a implantação de rede de tratamento de esgoto, dimensionam com exatidão o atraso e o subdesenvolvimento a que estamos atrelados.

A implantação de um estado de exceção legalizado pelo resultado das urnas, então, é uma realidade que nem em sonho ousei admitir. Mas o paternalismo indecente das bolsas-qualquer-coisa indica que pode! Nessa democracia indecente o lulopetismo entoa odes inspiradas saudando as bem-aventuranças de uma sociedade pluralista; entretanto, sucumbe à contradição quando recorre à prática do contorcionismo gramatical valendo-se da perfeição homônima do vocábulo “poder”. Às vezes, admite-o como verbo apenas para massagear o ego e conjugá-lo somente no presente da primeira pessoa do singular: Eu posso! O tempo todo, porém, revoga o abstrato e o cultua como artigo definido combinado com substantivo concreto: O poder! O som dessa combinação ordinária os fascina e dita o ritmo frenético que emprestam à marcha hegemônica que dá curso aos seus delírios ideológicos. Maquiavélicos irrecuperáveis, louvam a liberdade de expressão defendendo a volta da censura à imprensa.

Apesar de estupefato e temeroso com as consequências dessa nova concepção comportamental e de retrocesso democrático, reconheço, porém, que nada supera a oportunidade ímpar de ter assistido a evolução da mais infeliz das etapas da política brasileira. Jamais sequer cogitei da possibilidade de conviver com uma casta de políticos tão ineptos, irresponsáveis, oportunistas e corruptos e, concomitantemente, testemunhar o desempenho medíocre de um governo que, além de amasiar-se com a promiscuidade ideológica e flertar despudoradamente com a prostituição política, não se envergonha de recorrer ao flagelo da fome e ao suplício da miséria para amealhar algum dividendo eleitoral.

Nunca na história deste pais se contabilizou tantas denúncias de corrupção, gestão temerária e ação fraudulenta como as colecionadas pelos facínoras que têm comandado a nação brasileira. Embora poucos (ou quase nenhum) encontram-se presos, em tempo algum tantas autoridades foram levadas às barras da justiça. Mais dia menos dia a casa cai e eles terão de prestar conta dos seus atos. É só uma questão de tempo. Infelizmente, o Brasil foi transformado na pátria dos vigaristas, no reduto de vendilhões e no paraíso de velhos (e novos) comunistas que abominam o capitalismo e detestam a burguesia, mas não abrem mão da felicidade, nem da facilidade, que ambos propiciam.

Atônita ante a nova configuração social que se vislumbra, com a confiança ainda um tanto quanto abalada no que se refere a ação do Judiciário e aturdida diante desse desenrolar interminável de falcatruas, a maioria da sociedade parece que abriu mão de ser uma metamorfose ambulante para ter uma opinião formada sobre nada. Amorfa, tem se mostrado incapaz de reagir às provocações debochadas que lhe são disparadas diariamente contribuindo, dessa forma, para que seus agressores a considere definitivamente subjugada ou, pior, cúmplice de suas patifarias. A reeleição de Dilma Rousseff lhes deu a certeza de que estava tudo dominado!

O Brasil que presta tem saído às ruas e feito retumbar por todo esse mundão verde e amarelo o grito dos indignados avisando que mais cedo do que se imagina será esse governo que nos infelicita que estará dominado. Com certeza a agudez desse grito carregado de revolta chegará aos ouvidos moucos daqueles que têm ultrajado a nossa pátria e coberto de vergonha toda uma nação e os fará perceber no horizonte da esperança o raiar de um novo tempo. O da decência. Que venha esse tempo!


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