SER PROFESSOR

Ensinar é fazer a realidade 
Flutuar pelo céu do pensamento

Mote de Pedro de Oliveira

Quem ensina escancara os caminhos
Abre as portas que dão pra o horizonte
Quem aprende bebendo desta fonte
Colhe flores, se livra dos espinhos
Para os mestres, afagos e carinhos
Como paga por seu conhecimento
No saber um degrau pra o crescimento
E na mente a busca pela verdade
Ensinar é fazer a realidade
Flutuar pelo céu do pensamento

Quem ensina ao outro sempre aprende
Numa troca constante de valores
Os alunos se tornam professores
E o mestre é discente pois entende
Que ninguém esse todo compreende
Mas o sábio possui discernimento
Pra saber que se aprende no momento
Em que a mente se abre com humildade
Ensinar é fazer a realidade
Flutuar pelo céu do pensamento

Não importa se é a matemática
Se é química ou física ou história
O saber é o que nos leva a glória
Resolvendo qual seja a problemática
No entanto não é com uma gramática
Que se aprende a ler o fimamento
Pois se aprende também estando atento
A natura e sua complexidade
Ensinar é fazervabrealidade
Flutuar pelo céu do pensamento

Mas se queres é entender o mundo
De uma forma completa e não vazia
O caminho é o da Geografia
O saber mais complexo e mais profundo
A ciência que investiga a fundo
Que é capaz de explicar com sentimento
Furacão, tempestade, chuva e vento
E os porquês que explicam a humanidade
Ensinar é fazer a realidade
Flutuar pelo céu do pensamento.

DESILUSÃO

Mote de João de Zeca

Por você eu mudei de endereço
Tomei banho e até botei perfume
Suportei seu mal gosto e seu ciume
E por isso eu paguei um alto preço
Começei a trilhar desde o começo
O caminho do mal, mas eu não tinha
A nocão que você não era minha
Pois pensava que ia me amar
Se você não queria se casar
Porque fez eu vender a bacurinha

Eu perdi a princesa do chiqueiro
Só porque me iludi com um falso amor
Eu sorri quando vi o comprador
Hoje eu choro olhando pro dinheiro
Se eu soubesse da história o seu roteiro
Não teria entregue minha bichinha
Como agora a tristeza é minha vizinha
Só me resta então lhe perguntar
Se você não queria se casar
Porque fez eu vender a bacurinha?

Nada mais me restou em minha mão
A não ser cinco dedos pra fazer
Eu achar um momento de prazer
E esquecer que estou na solidão
Hoje sofro abraçado com o barrão
No chiqueiro por traz lá da cozinha
Não esqueço a antiga ladainha
E é por isso que eu insisto em lhe culpar
Se você não queria se casar
Porque fez eu vender a bacurinha?

Porque foi que você não disse logo
Que estava a fim de um passatempo
Eu pensando que tinha todo tempo
Comprei traques e bomba e soltei fogo
Se eu soubesse que a peça era um monólogo
Não teria subido nessa rinha
Não teria trocado minha porquinha
Por aquela quantia tão vulgar
Se você não queria se casar
Pra que fez eu vender a bacurinha?

O CADERNO DA SECA

A miséria escreveu necessidade
No caderno da seca do Sertão

Mote de Acrísio de França

Todo ano a história se repete
No discurso que mídia alardeia
Radio globo transmite em cadeia
E o G1 a mostrar na internet
Os políticos daqui jogam confete
Porque sabem que a seca é uma benção
Para aquele que está de prontidão
Pra lucrar sobre essa infelicidade
A miséria escreveu necessidade
No caderno da seca do Sertão

Quando em março não tem água caindo
O roceiro se vê sem esperança
Se acaba o projeto de bonança
E começa o tormento mais infindo
Nordestino sem terra e pão sentindo
Que a fome chegou sem permissão
Perde o tino, a coragem e a razão
E sem rumo emigra pra cidade
A miséria escreveu necessidade
No caderno da seca do sertão.

Sertanejo é um forte e eu sei disso
No entanto essa luta é desigual
Pois jamais o governo federal
Fez com o povo um sincero compromisso
Ao contrário esteve sempre omisso
Nunca pôs na agenda essa questão
Nunca foi interesse da nação
Dá um fim a essa calamidade
A miséria escreveu necessidade
No caderno da seca do sertão

O SUDENE não cumpre a sua agenda
O DENOCS jamais deu resultado
Só serviram de fato para o estado
Fazer deles dois órgãos de legenda
Construiram açudes em fazenda
De um líder qualquer de ocasião
Pra manter a política da opressão
Contra aqueles que sofrem de verdade
A miséria escreveu necessidade
No caderno da seca do sertão

Muitas obras que foram prometidas
Nunca deram o retorno necessário
Mais serviram pra tirar do erário
Muitas verbas pra serem divididas
Pagamento de obras garantidas
Sem jamais se fazer a construção
Um exemplo é essa transposição
Que está longe de ser realidade
A miséria escreveu necessidade
No caderno da seca do sertão.

LEMBRANÇAS

“Na parede da sala do meu peito
Têm retratos da vida pendurados”

Mote de Adauberto Amorim

Contemplando o passado eu me recordo
Dos momentos mais tenros e felizes
O lugar que plantei minhas raízes
Chegam a mim toda vez que eu me acordo
Um vez pai me disse e eu concordo
Filho meu não esqueça os meus recados
Seja firme e não pense nos pecados
Tenha em mente que ninguém é perfeito
“Na parede da sala do meu peito
Têm retratos da vida pendurados”

Cada cômodo que eu vejo é uma história
De uma vida em casa transformada
O passado está pela calçada
Como um risco no piso da memória
As janelas que marcam a trajetória
Hoje são dois buracos já fechados
Na dispensa estão os cadeados
Que se abrem com a dor desse sujeito
“Na parede da sala do meu peito
Tem retratos da vida pendurados.”

Vejo mãe conversando no terreiro
Do casebre de onde eu fui criado
Bode e cabra berrando no cercado
E galo cantando no puleiro
Vejo pai conversando com o vaqueiro
Sobre pastos, cavalos e roçados
E os bezerros que foram separados
Se engalfinham no curralzinho estreito
“Na parede da sala do meu peito
Tem retratos da vida pendurados”

Minha mente um museu tá parecendo
Recheada da mais bela lembrança
Brincadeiras do tempo de criança
Que com o tempo vão desaparesendo
O passado que vivo revivendo
Tem folguedos dos meus antepassados
Tem ciranda, pião e são marcados
Pelas marcas que o tempo tem me feito
“Na parede da sala do meu peito
Tem retratos da vida pendurados”

SIGAMOS!

Mote de Heleno Alexandre

Sigo em frente aprendendo com o passado
Cada dia que passa, uma lição
Sem temor de pegar a contramão
Nem tampouco de ser ultrapassado
Não humilho pra não ser humilhado
Mas não baixo a cabeça por pensar
Que um ser é austero se lutar
E por isso que eu sigo assim lutando
Na estrada da vida eu vou andando
Sem saber onde e quando eu vou parar

Sei que a vida é melhor se for vivida
Sem ganância, sem ódio ou desavença
Para alguns tem sentido sem ter crença
Para outros com um deus é dividida
Para mim basta ter uma guarida
Com uma rede e uma noite de luar
Não invejo quem busca no comprar
A razão para seguir caminhando
Na estrada da vida eu sigo andando
Sem saber onde e quando eu vou parar

O futuro pra todos é incerto
Não nos cabe fazer conjectura
O presente nos dá a estrutura
Pra seguirmos talvez no rumo certo
O porvir é esse caminho aberto
Que por ele devemos caminhar
Mesmo sem ter certeza onde vai dar
E o que é que está nos aguardando
Na estrada da vida eu sigo andando
Sem saber onde e quando eu vou parar

NOSSA PÁTRIA?

Mote de Bastinha Job

Num lugar onde o povo é massacrado
Por um bando que chegou ao poder
Através de um golpe pra poder
Controlar os recursos do estado
Onde o povo que luta é acusado
De ser gente vadia e baderneira
E a elite que vê dessa maneira
Ainda aplaude cofisco de direito
Um país que é cumplice do malfeito
A vergonha é o emblema da bandeira

Como um câncer que está despecebido
Degradando o corpo da nação
Dessa forma vejo a corrupção
Com a pátria nas maos de um bandido
Esse grupo devia ser banido
Para o início do fim da roubalheira
No entanto nossa nação inteira
Fica inerte aguardando o outro pleito
“Um país que é cúmplice do malfeito
A vergonha é o emblema da bandeira”

Um país onde o povo que trabalha
Não é mais contemplado na partilha
No congresso o que existe é uma quadrilha
No planalto o que tem é um canalha
O senado é um antro que avacalha
E o supremo não castra a bandalheira
Nosso povo iludido com besteira
Vê a globo e acha satisfeito
“Um país que é cumplice do malfeito
A vergonha é o embkema da bandeira”

A manchete estampada no Jornal
Só nos mostra que o roubo permanece
Novamente essa tal JBS
Nos revela um escândalo sem igual
Mais um áudio gravado é um sinal
Que o Brasil tá descendo a ribanceira
E eu vi gente dizer dessa maneira
Tira a Dilma que o mais fica perfeito
“Um país que é cumplice do malfeito
A vergonha é o emblema da bandeira”

A ganância pra alguns é um corcel
O poder para outros é altar
Não importa a forma de chegar
O importante é cumprir o seu papel
Nesse mundo de crime de aluguel
A decência é jogada na lixeira
Se em Brasilia passarmos a peneira
Sobra um, mas ainda é um suspeito
“Um país que é cumplice do malfeito
A vergonha é o emblema da bandeira”

LULA PELO O BRASIL

Este Agosto foi o mês
Que entrou para a história
Pois marcou a trajetória
Do líder que o povo fez.
O humilde camponês
O negro universitário
Pintaram um novo cenário
Com o povo que se irmana
Pra saudar a caravana
Do presidente operário.

O povo aplaude de pé
Quem criou nosso Fies
Nos dando um outro viés
Sem nunca perder a fé
Na educação que é
Arma revolucionária
Tão forte, tão necessária
Para o empoderamento
Pra livrar do sofrimento
A pobre classe operária.

A Bahia o acolheu
E Alagoas sorriu
O segipano aplaudiu
Na hora que recebeu
O Presidente que deu
Ao povo grande atenção
O que guiou a nação
Para o rumo do progresso
Iniciando o processo
De paz, amor e união.

Lula mostrando que é forte
Não para de percorrer
O chão que lhe viu crescer
Lutando e vencendo a morte
No Rio Grande do Norte
Foi maior a comoção
Pois o povo do Sertão
Aplaudindo pediu bis
Lembrando ser bem feliz
Com Lula na direção.

Dezoito universidades
Minha casa, minha vida
Deram saber e guarida
E transformaram as cidades
Em todas localidades
Nós vimos o crescimento
Pois o desenvolvimento
Do período não se anula
Porque nos tempos de Lula
Aqui teve investimento.

Portanto não adianta
Blá, blá, blá de invejoso
Ou o linguajar asqueroso
De quem a discordia planta
A mídia falsa que implanta
O ódio, o terror e a guerra
Verá que seu tom encerra
Um discurso ultrapassado
De um país do passado
Que foi extinto da Terra.
Regiopidio Lacerda

CINE SERTANEJO

O cenário é embaixo da latada
E o terreiro é o set de filmagem
Nosso filme é um longa metragem
Que se passa na noite enluarada
Uma dupla de astros convidada
E o roteiro é um texto em poesia
Na plateia se enxerga a alegria
Logo após o início da sessão
O cinema maior do meu Sertão
É um show de viola e cantoria

Não existe em solo americano
Um artista tão nobre e grandioso
Como é o perfeito Zé Cardoso
Como foi nosso joão paraibano
Aprendi com Ivanildo e com Caetano
A essência que tem a melodia
Do estilo coqueiro da bahia
Do galope, sextilha e do mourão
O cinema maior do meu sertão
É um show de viola e cantoria.

O Nordeste promove os festivais
Com os maiores poetas repentistas
É a praça o teatro onde os artistas
Se projetam com versos geniais
Tão inéditos que nunca são iguais
Pois quem faz não imita nem copia
O repente é um verso que se cria
Sem ensaio e sem preparação
O cinema maior do meu Sertão
É um show de viola e cantoria.

O elenco de atores escolhido
Tem Rogério Menezes com Valdir
Tem Geraldo, Hipólito e Moacir
João Lourenço com um traje colorido
Jairo Silva está comprometido
Em chamar Zé Viola e Zé Maria
E Edmilson me disse que viria
Pra ganhar o trofeu de campeão
O cinema maior do meu Sertão
É um show de viola e cantoria.

Não precisa roteiro ou direção
Contra regra e nem cinegrafista
Basta ter um poeta cordelista
E um outro cantando uma canção
É possivel também se abrir mão
Da pessoa que faz fotografia
Pois o filme da arte ninguém guia
A não ser a musa da inspiração
O cinema maior do meu sertão
É um show de viola e cantoria.

Festival de repentistas de Felipe Guerra – RN

MEU SERTÃO

Contemplando o sertão eu sinto o cheiro
Dessa rosa chamada poesia.

Mote do colunista

Quando a tarde é chegada no sertão
Sinto nele a presença do divino
Na pintura de um quadro nordestino
Vejo o sol se esconder na imensidão
Logo mais vai chegar a escuridão
Contrastando com a lua que alumia
Vejo pássaros saldando o fim do dia
E as galinhas subindo no puleiro
Contemplando o sertão eu sinto o cheiro
Dessa rosa chamada poesia.

Vem a noite trazendo a branda brisa
Que alivia a quentura sertaneja
Se escuta no fone da igreja
Uma ave maria que eterniza
O momento em que o céu confrarteniza
O sentido real da alegria
Ligo o rádio pra ouvir a cantoria
Bem sentando no banco do terreiro
contemplando o sertão eu sinto o cheiro
Dessa rosa chamada poesia.

De manhã chega o sol que clareando
Vai enchendo o sertão de energia
Pois o quente do sol quando irradia
Contagia um pássaro que cantando
Já saúda cedinho festejando
O nascer de um dia de magia
Eu campônio escutando a melodia
No instante em que acende um fogareiro
Contemplando o sertão eu sinto o cheiro
Dessa rosa chamada poesia

No caminho estreito do roçado
Minhas pernas trançando o verde mato
O orvalho molhando o meu sapato
Que do uso se encontra desbotado
A enxada pendendo para o lado
E a cabaça levando a água fria
Pra merenda farinha na bacia
Pro descanço uma cama de balceiro
Comtemplando o sertão eu sinto o cheiro
Dessa rosa chamada poesia

Vou pra casa na hora do almoço
Esperando encontrar na refeição
Um manjar de costela com pirão
Onde a carne sozinha sai do osso
Um feijão nem salgado nem insosso
E depois uma doce melancia
Nem seara, friboi e nem sadia
Nem tampouco sardinha da coqueiro
Contemplando o sertão eu sinto o cheiro
Dessa rosa chamada poesia.

ALEITAMENTO MATERNO

Uma ex-aluna minha que hoje cursa enfermagem me pediu um texto sobre a importancia do aleitamento materno, eis o resultado que compartilho com os leitores fubânicos!

* * *

A importância do aleitamento materno nos seis primeiros meses de vida

É de suma importância
Seu filho poder mamar
Para o bebê desfrutar
De saúde na infância
Para sentir a fragância
Do aroma da liberdade
E ter a felicidade
Estampada no olhar
É importante amamentar
Até seis meses de idade.

É demosntração de amor
Da mãe por sua criança
Pois amamentar não cansa
Também não provoca dor
Faz desabrochar a flor
Com maior intensidade
Dando a oportunidade
Do infante deslanchar
É importante amamentar
Até seis meses de idade

No leite tem calorias
Para nutrir o bebê
Tem vitamina A e C
Que previnem alergias
Protege contra avarias
E ajuda de verdade
Combate a mortalidade
Se você quer constatar
É importante amamentar
Até seis meses de idade.

É importante também
Pra formar a dentição
Porque faz a vedação
Dos lábios, pra fechar bem
Dessa forma o bebê tem
Fluxo sem dificuldade
Aumenta a imunidade
Pare um um pouco pra pensar
É importante amamentar
Até seis meses de idade.

O leite materno é
Um completo alimento
Dispensando complemento
De vitamina B e E
Por isso a mãe que tem fé
Age com serenidade
E desde a maternidade
Sabe do filho cuidar
É importante amamentar
Até seis meses de idade

Neste semestre primeiro
Não precisa oferecer
Nada pro filho beber
Nem alimento caseiro
O leite já é inteiro
Não tem a necessidade
De complementariedade
Não precisa icrementar
É importante amamentar
Até seis meses de idade

Pra doenças prevenir
Pra o bom desenvolvimento
Para um pleno crescimento
Não permita se iludir
Não deixe de garantir
O condão da afinidade
Pois quem amamenta invade
A veia do verbo amar
É importante amamentar
Até seis meses de idade

Por isso eu digo a você
Que planeja a gravidez
Não esqueça de dar vez
Ao bem estar do bebê
Não é discurso glichê
Nem tampouco uma inverdade
É sinal de lealdade
Da mãe com quem vai chegar
É importante amamentar
Até seis meses de idade.

MÃE

Para dona Tudinha

O colunista e sua mãe, Dona Gertrudes Gonçalves

O carinho que eu sinto toda hora
Toda vez que vislumbro o seu sorriso
O carinho real que eu preciso
No momento em que eu estou indo embora
Pois eu sei que o que fica pra senhora
É a imagem de um anjo querubim
Quando eu saio a senhora pensa assim:
É meu filho um presente de um Rei Mago
Nem que eu viva mil anos eu pago
O carinho que mãe já deu a mim.

Um carinho impossivel de pagar
Porque é dado de todo coração
Tem carinho em forma de perdão
E carinho em forma de agradar
Tem carinho quando vai reclamar
Tem carinho no não e tem no sim
Tem carinho nas horas de pantim
Que no bojo no peito ainda trago
Nem que eu viva mil anos eu não pago
O carinho que mãe já deu a mim

E o melhor é que todo esse carinho
Sempre é dado sem querer nada em troca
É o amor verdadeiro que ainda toca
O meu peito quando eu estou sozinho
O amor que ilumina o meu caminho
O amor que perfuma o meu jardim
O amor bem mais rubro que o carmim
Que reflete em meu peito e eu propago
Nem que eu viva mil anos eu não pago
O carinho que mãe já deu a mim.

BELCHIOR

O colunista ouvindo Belchior em casa, ao som do vinil. LP Alucinação

Sextilha: “Não leve flores para a cova do Inimigo”

Pópulos hoje sente falta
De seu dono, o seu amigo
E a cultura de massa
Perdeu o seu inimigo
Pois “meu coração selvagem”
Repousa no seu jazigo.

Mote em sete: “De primeira Grandeza”

Mote:

“Hoje morreu um pedaço
Do corpo da poesia”

Poeta Zé Bezerra ( SHULUPA)

Hoje a arte está de luto
Pela perda incalculável
Deste poeta louvável
De coracão impoluto
Recebeu salvo conduto
O cantor da rebeldia
Que esbanjou filosofia
Com arte e desembaraço
Hoje morreu um pedaço
Do corpo da poesia.

Quem “na hora do almoço”
“Não morreu pela tristeza”?
Quem enxergava a beleza
Mesmo sendo muito moço?
quem roeu o duro osso
Lutou pela melhoria
Protestou quanto podia
Mas faleceu de cansaço
Hoje morreu um pedaço
Do corpo da poesia.

“Galos noites e quintais”
E “conheço meu lugar”
“Paralelas” pra mostrar
Assim “como nossos pais”
“Aluninacão” tem mais
Mensagem de alforria
E entre a música e a cantoria
Estabeleceu um laço
Hoje morreu um pedaço
Do corpo da poesia.

Compôs “medo de avião”
E na foto três por quatro
Fez o seu autoretrato
Fazendo a revelação
Desse nosso mundo cão
De vileza e covardia
E com sua melodia
Nos mostrou o seu compasso
Hoje morreu um pedaço
Do corpo da poesia.

Assim como Tom Jobim
Também se chamava Antônio
E seu maior patrimônio
Foi nunca ter dado um sim
Àqueles que estavam afim
De comprar sua alegria
Pois ele sempre dizia
Minha vida eu mesmo faço
Hoje morreu um pedaço
Do corpo da poesia.

O colunista e amigos com Belchior na cidade do Crato, em 2005

GLOSAS

Mote de Dayane Rocha (Tabira-PE)

Somos nós a escoria pra essa gente
Que alvita, massacra e nos reprime
Que institui de repente o seu regime
Num regime que muda de repente
Que falseia, engana rouba e mente
Mas que têm o condão que nos conduz
Que nos deixam pregados numa cruz
Com a desgraça servindo de madeira
Somos nós a carniça brasileira
Sob os olhos dos nosso urubus

Se acaso esse povo protestar
Vem a mídia e diz: que absurdo!
Nosso povo caminha cego e surdo
Sem ouvir, enxergar e sem pensar
Nossa gente, uma úlcera a sangrar
Sem poder estancar o próprio pus
Internada na UTI do SUS
Sem ter soro, agulha nem mangueira
Somos nós a carniça brasileira
Sob os olhos dos nossos urubus

No congresso se vê a cada instante
Um complô pra tirar nossos direitos
Se elaboram conxavos tão perfeitos
Por quem tem esperteza meliante
Para o povo esse inferno de Dante
Para eles um condomínio plus
Para nós a ausência de uma luz
Para eles, a claridão inteira
Somos nós a carniça brasileira
Sob os olhos dos nossos urubus

Que façamos então a diferença
Numa luta feroz, intransigente
Contra quem manipula nossa mente
Para termos de novo a esperança
De uma vida de paz e de bonança
Sem temores, rancores ou tabus
Onde o povo enxergue a olhos nus
Uma pátria suprema e verdadeira
Somos nós a carniça brasileira
Sob os olhos dos nossos urubus.

CONTEMPLAÇÃO

Mote de Astier Basílio
Glosas deste colunista

Numa casa de campo sem conforto
Meu pensar segue o seu caminho torto
Sem saber certamente onde vai dar
Acordado eu começo a sonhar
Com a paz palpitando o coracão
Uma luz clareando a imensidão
E amor habitando essa morada
A paisagem caminha abandonada
No esquadro fugaz da solidão.

Vejo a frente num morro esverdeado
Os sinais mais marcantes da natura
Vegetais que até pouco na secura
Só mostravam o seu tom acinzentado
Contemplando o meu sertão amado
Mais entendo e admiro este rincão
Busco eu neste ciclo uma lição
Pra lutar e seguir na minha estrada
A paisagem caminha abandonada
No esquadro fugaz da solidão.

A sequência de imagens que eu vejo
Nada forma, revela ou me traduz
Sigo só carregando a minha cruz
Mas buscando entender o que desejo
Sou um forte como bom sertanejo
Mas fraquejo as vezes sem razão
Perco a fé em momentos de emoção
Mas depois a tenho recuperada
A paisagem caminha abandonada
No esquadro fugaz da solidão.

A paisagem que a mim já se revela
Mas parece uma obra impressionista
Como um quadro pintado pelo artista
Que receia se demonstrar na tela.
Mas eu busco pintar minha aquarela
Com as cores que pintam a perfeição
Demonstrando a intensa sensação
Que min’alma por mim foi revelada.
A paisagem caminha abandonada
No esquadro fugaz da solidão.

O PROFETA DO SERTÃO E O CANTO DA INVERNIA

Mote de Zélio de Freitas (Grupo da Glosa)
Glosas do Colunista

Pássaro Carão

Em dezembro se espera pela a barra
Que se forma ao nascente no natal
Vem a chuva curando todo o mal
E a angústia do sertanejo esbarra
O nó cego da nuvem desamarra
E a água do céu já se desfia
O campônio recebe com alegria
O cantar da ave da previsão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia

Se em janeiro o seu canto ecoar
É a hora de preparar a terra
Desde o vale, o baixio até a serra
Só se ver é trator a aradar
Quando a terra é molhada é só plantar
Pois se sabe é boa a invernia
É arroz, milho, fava e melancia
Gerimum, mais abóbora e feijão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia.

Feveiro já tem feijão nascido
Melancia com rama a se espalhar
Pé de milho começa a pendoar
E o arroz já se mostra bem crescido
Sertanejo já reza agradescido
Escutando a alegre melodia
Da orquestra que ao raiar do dia
Se apresenta de graça no sertão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia.

Chega março do santo mais querido
São José que abençoa o Ceará
Se chover no seu dia se terá
Um inverno seguro e garantido
Pois se cumpre o que foi prometido
Quando o canto do pássaro se ouvia
Camponês que tem fé reverencia
Em novena, quermece e procissão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia.

Com a safra que já está segura
Não se vê nem pensar em sofrimento
Acabou-se o que um dia foi lamento
Pois agora o que impera é a fartura
O retrato da fome na muldura
Dá lugar a outra fotografia
Com o lindo romper de um novo dia
Com a neblina cobrindo a imensidão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia.

* * *

Pássaro Carão, composição de Zé Marcolino interpretada por Luiz Gonzaga

AUTO REFLEXÃO

Mote:

Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino

Autor: Poeta Zé Bezerra (Clube do Repente)

Glosas do colunista

Sou eu mesmo o autor da minha história
Construida aos poucos, passo a passo
Se o futuro me reservar fracasso
Ou um porvir loureado pela glória
Estará preservado na memória
Que a mim não faltou coragem e tino
Se tornei-me pacato ou ferino
Fui eu mesmo criador e criatura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino

Se o que fiz é motivo de louvores
Se as ações foram dignas e corretas
Se cumpri com meus planos, minhas metas
Os meus sonhos foram meus condutores
Meus princípios, meus idealizadores
Minha marca, meu jeito de menino
Persistência como a de Severino
Com a crença na paz que tudo cura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.

Quando eu erro é tentando acertar
Mas o erro me serve de lição
Aprendi a também pedir perdão
Ao irmão que aceita perdoar
Minha escola me ensina a admirar
A bravura do povo nordestino
Que suporta sem medo o sol a pino
E extrai toda força da quentura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino

“Forest Gump” não narra meu roteiro
Pois eu sei que pra mim “a vida é bela”
O meu conto não é de “cinderela”
Mas do riso e do drama tem o cheiro
Se pergunto “o que é isso companheiro?”
É porque pela causa eu me atino
Pois no oscar da vida eu tiro um fino
No cinema da minha desventura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.

Com Raul aprendi “tente outra vez”
Com Baleiro “você só pensa em grana”
No forró o meu idolo é Santanna
E a rainha se chama Marinês
Zé Ramalho cantando já me fez
Perceber “Avohai” como seu hino
Com música de Chico eu me fascino
Vendo a vida com os olhos da cultura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.

POESIA DO CLUBE DO REPENTE

A mulher que eu amo não é santa
Porque peca comigo todo dia.

Nossa casa é uma bela catedral
Onde a gente faz prece sem entrave
Nossa sala é o inicio da nave
Nosso quarto o altar da lateral
Nossa cama afasta todo o mal
Nosso encontro um louvor de alegria
Com o vinho que vem da sacristia
Nossa ceia de amor já está pronta
A mulher que eu amo não é santa
Porque peca comigo todo dia.

Mote: Heleno – Décima: Regiopidio Lacerda

* * *

Admiro o poeta repentista
Que do nada retira quase tudo
Não precisa de curso nem de estudo
Ou diploma que qualquer um conquista
Para mim é o principal artista
Que transforma o enredo da estrutura
Do infortunio faz a caricatura
Do progresso cantando de improviso
Cada estrofe que tira do juizo
É um pilar no castelo da cultura

* * *

Entre gregos e troianos
Morreram vários guerreiros.

Homero foi quem escreveu
Tucídides foi o seu crítico
Eu como mero analítico
Descrevo o que ocorreu
Mil navios no Egeu
Atitadores e arqueiros
Exército de forasteiros
E generais soberanos
Entre gregos e troianos
Morreram vários guerreiros.

A filha de Leda e Zeus
Foi o alvo do conflito
Pelo seu porte bonito
E por ser filha de um Deus
Era amada pelos os seus
Amigos e companheiros
Mas uns dois arruaceiros
Mudaram todos seus planos
Entre gregos e troianos
Morreram vários guerreiros

Mote: Acrísio de França – Glosas Regiopidio Lacerda

* * *

Quem planeja subir pisando alguém
Pode até chegar lá, mas cai depressa

Todo aquele que esquece o dom da ética
Do caminho do mal conhece a curva
Ao poder do dinheiro ele se curva
Sem lembrar dos principios da estética
Ignora o poder da dialética
Na mão única do mal segue com pressa
No abismo do do ódio se arremessa
Como quem se atira de um trem
Quem planeja subir pisando alguém
Pode até chegar lá, mas cai depressa

Mote: Zelio de Freitas – Glosa: Regiopidio Lacerda

JOGO DA VIDA

Meu viver foi por mim depositado
Na roleta da vida da ilusão
O banqueiro sem dó e nem perdão
Já previa o meu triste resultado
Eu pensei ter a sorte do meu lado
Mas de sorte não fui merecedor
Nessa vida sou só competidor
E vencer para mim é algo raro
No cassino da vida apostei caro
Por azar eu não fui um vencedor

Eu perdi dessa vida o meu guia
Que me dava o carinho e a proteção
Que mostrou-me o caminho da razão
Com o saber da sua filosofia
Meu maior professor de poesia
Entre todos o maior escritor
De três livros foi ele o autor
Sem meu pai eu fiquei sem meu amparo
No cassino da vida apostei caro
Por azar eu não fui um vencedor

Sou palhaço de um circo sem plateia
Um artista sem ter o que ofertar
Um poeta incompleto no rimar
Sou um drama sem público para estreia
Uma presa no meio da alcateia
Que só sente tristeza, medo e dor
No meu peito só mora meu rancor
Mesmo assim minha lida ainda encaro
No cassino da vida apostei caro
Por azar eu não fui um vencedor

Penso e ergo a cabeça e vou em frente
Pra no fim receber o que eu mereço
Vou pagando no jogo um alto preço
Sem saber se é justo realmente
Mas justiça de fato vem somente
Quando é justo também o julgador
Se até hoje fui eu um perdedor
Pra um futuro sombrio eu me preparo
No cassino da vida apostei caro
Por azar eu não fui um vencedor

A FORÇA DA “CAETANA”

A Onça Caetana, símbolo da Morte

Ela chega pra por ponto final
E acabar com qualquer uma existência
Quando o banco da vida abre falência
Concordata nenhuma dá sinal
Cada ser diferente fica igual
Nessa hora não tem separação
Tanto faz ser um pobre ou um barão
Não importa se é russo ou brasileiro
É a morte o incrédulo carcereiro
Que não livra ninguém dessa prisão.

Vê-se um cara suvino e avarento
E um outro aberto e perdulário
Um gastando o que ganha de salário
Pra acudir um irmão em sofrimento
Já o outro não escuta o lamento
Nem o choro sincero de um irmão
É de pedra o seu duro coração
Só a Caetana resolve esse entreveiro
É a morte o incrédulo carceireiro
Que não livra ninguém dessa prisão.

É quem dita as suas condições
Sem remorço, tristeza, dor ou culpa
Para agir só precisa uma desculpa
Pra causar nos mortais fortes tensões
Os que ficam relatam as emoções
Mas não podem medir a sensação
Do aperto que sente o coração
Ao saber do suspiro derradeiro
É a morte o incrédulo Carcereiro
Que não livra ninguém dessa prisão.

Confiante na força do poder
O político corrupto se alimenta
Com propina e desvio se sustenta
De conchavos e lobbys pra crescer
Faz do mundo do ter o seu viver
Sempre às custas das tetas da nação
Sem lembrar que no seu belo caixão
Não tem onde levar o seu dinheiro
É a morte o incrédulo carceireiro
Que não livra ninguém dessa prisão.

Um conselho pra quem quer ter a vida
Leve e solta e repleta de alegria
Valorize o amor e a companhia
Pra não ter só lamento na partida
Pois na hora da última despedida
Só nos resta a triste conclusão
Que a vida passou como tufão
Como um sopro de vento bem ligeiro
É a morte o incrédulo carceireiro
Que não livra ninguém dessa prisão.

SALVE CHUVA

A zona de convergência
Que é intertropical
De maneira natural
Forma uma turbulência
Traz do mar toda a essência
Com a evaporação
Segue uma condensação
Aumentando a umidade
E chuva acaba a maldade
Que a seca faz ao sertão.

O sertanejo festeja
Quando começa a chover
Renova a fé porque crer
Na safra que tanto almeja
O peito chega lateja
De alegria e emoção
Dá início a plantação
Pra colher prosperidade
E a chuva acaba a maldade
Que a seca faz ao sertão

Um Janeiro bem chovido
Traz de volta a esperança
De um período de bonança
Com o milho já crescido
O açude abastecido
Com o término do “verão”
E o canto do carão
Ecoa sonoridade
E a chuva acaba a maldade
Que a seca faz ao sertão

Quando chega fevereiro
Com o roçado já seguro
Não se teme o futuro
Que será alvissareiro
Se vê no Sertão inteiro
O matuto em louvação
Agradece em oração
Tem a Deus fidelidade
E chuva acaba a maldade
Que a seca faz ao sertão

Espera que o mês terceiro
Do querido São José
Seja de chuva até
O seu dia derradeiro
Pra em abril no terreiro
Poder bater o feijão
Se preparar pro São João
A maior festividade
E a chuva acaba a maldade
Que a seca faz ao sertão


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