CONTEMPLAÇÃO

Mote de Astier Basílio
Glosas deste colunista

Numa casa de campo sem conforto
Meu pensar segue o seu caminho torto
Sem saber certamente onde vai dar
Acordado eu começo a sonhar
Com a paz palpitando o coracão
Uma luz clareando a imensidão
E amor habitando essa morada
A paisagem caminha abandonada
No esquadro fugaz da solidão.

Vejo a frente num morro esverdeado
Os sinais mais marcantes da natura
Vegetais que até pouco na secura
Só mostravam o seu tom acinzentado
Contemplando o meu sertão amado
Mais entendo e admiro este rincão
Busco eu neste ciclo uma lição
Pra lutar e seguir na minha estrada
A paisagem caminha abandonada
No esquadro fugaz da solidão.

A sequência de imagens que eu vejo
Nada forma, revela ou me traduz
Sigo só carregando a minha cruz
Mas buscando entender o que desejo
Sou um forte como bom sertanejo
Mas fraquejo as vezes sem razão
Perco a fé em momentos de emoção
Mas depois a tenho recuperada
A paisagem caminha abandonada
No esquadro fugaz da solidão.

A paisagem que a mim já se revela
Mas parece uma obra impressionista
Como um quadro pintado pelo artista
Que receia se demonstrar na tela.
Mas eu busco pintar minha aquarela
Com as cores que pintam a perfeição
Demonstrando a intensa sensação
Que min’alma por mim foi revelada.
A paisagem caminha abandonada
No esquadro fugaz da solidão.

O PROFETA DO SERTÃO E O CANTO DA INVERNIA

Mote de Zélio de Freitas (Grupo da Glosa)
Glosas do Colunista

Pássaro Carão

Em dezembro se espera pela a barra
Que se forma ao nascente no natal
Vem a chuva curando todo o mal
E a angústia do sertanejo esbarra
O nó cego da nuvem desamarra
E a água do céu já se desfia
O campônio recebe com alegria
O cantar da ave da previsão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia

Se em janeiro o seu canto ecoar
É a hora de preparar a terra
Desde o vale, o baixio até a serra
Só se ver é trator a aradar
Quando a terra é molhada é só plantar
Pois se sabe é boa a invernia
É arroz, milho, fava e melancia
Gerimum, mais abóbora e feijão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia.

Feveiro já tem feijão nascido
Melancia com rama a se espalhar
Pé de milho começa a pendoar
E o arroz já se mostra bem crescido
Sertanejo já reza agradescido
Escutando a alegre melodia
Da orquestra que ao raiar do dia
Se apresenta de graça no sertão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia.

Chega março do santo mais querido
São José que abençoa o Ceará
Se chover no seu dia se terá
Um inverno seguro e garantido
Pois se cumpre o que foi prometido
Quando o canto do pássaro se ouvia
Camponês que tem fé reverencia
Em novena, quermece e procissão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia.

Com a safra que já está segura
Não se vê nem pensar em sofrimento
Acabou-se o que um dia foi lamento
Pois agora o que impera é a fartura
O retrato da fome na muldura
Dá lugar a outra fotografia
Com o lindo romper de um novo dia
Com a neblina cobrindo a imensidão
O profeta do inverno é o carão
Quando está pra chover ele anuncia.

* * *

Pássaro Carão, composição de Zé Marcolino interpretada por Luiz Gonzaga

AUTO REFLEXÃO

Mote:

Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino

Autor: Poeta Zé Bezerra (Clube do Repente)

Glosas do colunista

Sou eu mesmo o autor da minha história
Construida aos poucos, passo a passo
Se o futuro me reservar fracasso
Ou um porvir loureado pela glória
Estará preservado na memória
Que a mim não faltou coragem e tino
Se tornei-me pacato ou ferino
Fui eu mesmo criador e criatura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino

Se o que fiz é motivo de louvores
Se as ações foram dignas e corretas
Se cumpri com meus planos, minhas metas
Os meus sonhos foram meus condutores
Meus princípios, meus idealizadores
Minha marca, meu jeito de menino
Persistência como a de Severino
Com a crença na paz que tudo cura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.

Quando eu erro é tentando acertar
Mas o erro me serve de lição
Aprendi a também pedir perdão
Ao irmão que aceita perdoar
Minha escola me ensina a admirar
A bravura do povo nordestino
Que suporta sem medo o sol a pino
E extrai toda força da quentura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino

“Forest Gump” não narra meu roteiro
Pois eu sei que pra mim “a vida é bela”
O meu conto não é de “cinderela”
Mas do riso e do drama tem o cheiro
Se pergunto “o que é isso companheiro?”
É porque pela causa eu me atino
Pois no oscar da vida eu tiro um fino
No cinema da minha desventura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.

Com Raul aprendi “tente outra vez”
Com Baleiro “você só pensa em grana”
No forró o meu idolo é Santanna
E a rainha se chama Marinês
Zé Ramalho cantando já me fez
Perceber “Avohai” como seu hino
Com música de Chico eu me fascino
Vendo a vida com os olhos da cultura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.

POESIA DO CLUBE DO REPENTE

A mulher que eu amo não é santa
Porque peca comigo todo dia.

Nossa casa é uma bela catedral
Onde a gente faz prece sem entrave
Nossa sala é o inicio da nave
Nosso quarto o altar da lateral
Nossa cama afasta todo o mal
Nosso encontro um louvor de alegria
Com o vinho que vem da sacristia
Nossa ceia de amor já está pronta
A mulher que eu amo não é santa
Porque peca comigo todo dia.

Mote: Heleno – Décima: Regiopidio Lacerda

* * *

Admiro o poeta repentista
Que do nada retira quase tudo
Não precisa de curso nem de estudo
Ou diploma que qualquer um conquista
Para mim é o principal artista
Que transforma o enredo da estrutura
Do infortunio faz a caricatura
Do progresso cantando de improviso
Cada estrofe que tira do juizo
É um pilar no castelo da cultura

* * *

Entre gregos e troianos
Morreram vários guerreiros.

Homero foi quem escreveu
Tucídides foi o seu crítico
Eu como mero analítico
Descrevo o que ocorreu
Mil navios no Egeu
Atitadores e arqueiros
Exército de forasteiros
E generais soberanos
Entre gregos e troianos
Morreram vários guerreiros.

A filha de Leda e Zeus
Foi o alvo do conflito
Pelo seu porte bonito
E por ser filha de um Deus
Era amada pelos os seus
Amigos e companheiros
Mas uns dois arruaceiros
Mudaram todos seus planos
Entre gregos e troianos
Morreram vários guerreiros

Mote: Acrísio de França – Glosas Regiopidio Lacerda

* * *

Quem planeja subir pisando alguém
Pode até chegar lá, mas cai depressa

Todo aquele que esquece o dom da ética
Do caminho do mal conhece a curva
Ao poder do dinheiro ele se curva
Sem lembrar dos principios da estética
Ignora o poder da dialética
Na mão única do mal segue com pressa
No abismo do do ódio se arremessa
Como quem se atira de um trem
Quem planeja subir pisando alguém
Pode até chegar lá, mas cai depressa

Mote: Zelio de Freitas – Glosa: Regiopidio Lacerda

JOGO DA VIDA

Meu viver foi por mim depositado
Na roleta da vida da ilusão
O banqueiro sem dó e nem perdão
Já previa o meu triste resultado
Eu pensei ter a sorte do meu lado
Mas de sorte não fui merecedor
Nessa vida sou só competidor
E vencer para mim é algo raro
No cassino da vida apostei caro
Por azar eu não fui um vencedor

Eu perdi dessa vida o meu guia
Que me dava o carinho e a proteção
Que mostrou-me o caminho da razão
Com o saber da sua filosofia
Meu maior professor de poesia
Entre todos o maior escritor
De três livros foi ele o autor
Sem meu pai eu fiquei sem meu amparo
No cassino da vida apostei caro
Por azar eu não fui um vencedor

Sou palhaço de um circo sem plateia
Um artista sem ter o que ofertar
Um poeta incompleto no rimar
Sou um drama sem público para estreia
Uma presa no meio da alcateia
Que só sente tristeza, medo e dor
No meu peito só mora meu rancor
Mesmo assim minha lida ainda encaro
No cassino da vida apostei caro
Por azar eu não fui um vencedor

Penso e ergo a cabeça e vou em frente
Pra no fim receber o que eu mereço
Vou pagando no jogo um alto preço
Sem saber se é justo realmente
Mas justiça de fato vem somente
Quando é justo também o julgador
Se até hoje fui eu um perdedor
Pra um futuro sombrio eu me preparo
No cassino da vida apostei caro
Por azar eu não fui um vencedor

A FORÇA DA “CAETANA”

A Onça Caetana, símbolo da Morte

Ela chega pra por ponto final
E acabar com qualquer uma existência
Quando o banco da vida abre falência
Concordata nenhuma dá sinal
Cada ser diferente fica igual
Nessa hora não tem separação
Tanto faz ser um pobre ou um barão
Não importa se é russo ou brasileiro
É a morte o incrédulo carcereiro
Que não livra ninguém dessa prisão.

Vê-se um cara suvino e avarento
E um outro aberto e perdulário
Um gastando o que ganha de salário
Pra acudir um irmão em sofrimento
Já o outro não escuta o lamento
Nem o choro sincero de um irmão
É de pedra o seu duro coração
Só a Caetana resolve esse entreveiro
É a morte o incrédulo carceireiro
Que não livra ninguém dessa prisão.

É quem dita as suas condições
Sem remorço, tristeza, dor ou culpa
Para agir só precisa uma desculpa
Pra causar nos mortais fortes tensões
Os que ficam relatam as emoções
Mas não podem medir a sensação
Do aperto que sente o coração
Ao saber do suspiro derradeiro
É a morte o incrédulo Carcereiro
Que não livra ninguém dessa prisão.

Confiante na força do poder
O político corrupto se alimenta
Com propina e desvio se sustenta
De conchavos e lobbys pra crescer
Faz do mundo do ter o seu viver
Sempre às custas das tetas da nação
Sem lembrar que no seu belo caixão
Não tem onde levar o seu dinheiro
É a morte o incrédulo carceireiro
Que não livra ninguém dessa prisão.

Um conselho pra quem quer ter a vida
Leve e solta e repleta de alegria
Valorize o amor e a companhia
Pra não ter só lamento na partida
Pois na hora da última despedida
Só nos resta a triste conclusão
Que a vida passou como tufão
Como um sopro de vento bem ligeiro
É a morte o incrédulo carceireiro
Que não livra ninguém dessa prisão.

SALVE CHUVA

A zona de convergência
Que é intertropical
De maneira natural
Forma uma turbulência
Traz do mar toda a essência
Com a evaporação
Segue uma condensação
Aumentando a umidade
E chuva acaba a maldade
Que a seca faz ao sertão.

O sertanejo festeja
Quando começa a chover
Renova a fé porque crer
Na safra que tanto almeja
O peito chega lateja
De alegria e emoção
Dá início a plantação
Pra colher prosperidade
E a chuva acaba a maldade
Que a seca faz ao sertão

Um Janeiro bem chovido
Traz de volta a esperança
De um período de bonança
Com o milho já crescido
O açude abastecido
Com o término do “verão”
E o canto do carão
Ecoa sonoridade
E a chuva acaba a maldade
Que a seca faz ao sertão

Quando chega fevereiro
Com o roçado já seguro
Não se teme o futuro
Que será alvissareiro
Se vê no Sertão inteiro
O matuto em louvação
Agradece em oração
Tem a Deus fidelidade
E chuva acaba a maldade
Que a seca faz ao sertão

Espera que o mês terceiro
Do querido São José
Seja de chuva até
O seu dia derradeiro
Pra em abril no terreiro
Poder bater o feijão
Se preparar pro São João
A maior festividade
E a chuva acaba a maldade
Que a seca faz ao sertão

HOMENAGEM A SILVINO PIRAUÁ

Descrevendo um pouco da Biografia
Do Mestre Silvino Pirauá de Lima
Que com sua verve, seu dom e seu clima
O nosso Nordeste encheu de alegria
Cantou Ceará, em Sergipe e Bahia
Foi no Amazonas cantar e encantar
Não teve um estado pra não escutar
O seu belo canto bem improvisado
Com verso e viola foi ele casado
Nos dez de galope da beira do mar

Eu estou falando do grande poeta
Que nasceu em Patos lá na Paraíba
Mas devido a seca e da pindaíba
Rumou pro Recife e traçou sua meta
Com versos na mente e a alma repleta
Cantou os seus versos em todo lugar
Fez da sua arte o seu labutar
Ganhou sua vida como um repentista
Da arte dos versos foi mais um artista
Nos dez de galope da beira do mar

Silvino Pirauá de Lima (1848-1913)

Em mil e oitocentos e quarenta e oito
Foi seu nascimento eu devo lembrar
Patos Paraíba seu berço seu lar
Viu esse poeta nascer meio afoito
Quando ele contava de idade dezoito
Já fazia versos pro povo escutar
Com o grande Romano foi se encontrar
Formou uma dupla de arte inconteste
Talvez a maior que já deu no Nordeste
Nos dez de galopes da beira do mar

Mas além de cantar com a sua viola
Escreveu histórias de forma rimada
Lançou o cordel nessa sua empreitada
Sendo um pioneiro também nessa escola
Não falta um folheto na sua sacola
Criou nova forma de romancear
Pôs cavalaria no seu versejar
Trazendo pra o povo o romance édico
Foi apelidado de “o enciclopédico”
Nos dez de galope da beira do mar

Dos seus folhetos que ganharam o mundo
Tem seu desafio com o grande Zé Duda
Um outro poeta de rima graúda
E tem a História Crispim e Raimundo
Um outro poema de tema profundo
O direito penal foi ele explorar
Provou que o poeta mesmo popular
Consegue escrever sobre tema granfino
Bastando ter força, coragem e ter tino
Nos dez de galope da beira do mar

É do seu acervo que é rico demais
O do capitão e seu grande navio
Que conta a historia em um mar bravio
Provando a todos de que é capaz
Três irmãs casando com um só rapaz
Que um casamento queria arranjar
E de uma maneira de se estranhar
Eram três mulheres e uma agonia
Tramando um casório com poligamia
Nos dez de Galope na Beira do mar

Tem o de Zezinho e de Mariquinha
Um outro folheto espetacular
Vingança do Sutão serviu pra mostrar
Sua inspiração e a forma em que vinha
Musa inspiradora sempre ele tinha
Estava com ele em todo lugar
Não tinha perigo de lhe abandonar
Pois a sua obra é a prova completa
Que o grande Silvino já nasceu poeta
Nos dez de galope da beira do mar

E na cantoria foi inovador
Criando a deixa e também a sextilha
Cantou sete linhas, cantou redondilha
Cantou pra matuto, pra padre e doutor
A todos os públicos de todo setor
Pois foi um poeta que soube agradar
Agora preciso também relembrar
Que é dele o martelo tipo agalopado
Criou esse estilo hoje consagrado
Nos dez de galope da beira do mar.

No ano de treze do século passado
A morte então veio para o cantador
Teve uma varíola sentiu grande dor
Mas o seu destino já estava traçado
De ser cantador pelo o povo adorado
De ser cordelista espetacular
E nossa Academia de forma exemplar
Confere ao rei dos poetas seu trono
Pois de uma cadeira ele é o patrono
Nos dez de galope da beira do mar.

AI QUE SAUDADE D’OCÊ!

Datafolha e ibope nos apontam
Que o rumo da pátria está errado
Que após esse golpe de estado
Os golpistas tiranos só aprontam
As mentiras que as revistas contam
Só constrangem e mogoam nossa gente
Pois quem fere, acusa, inventa e mente
Só demonstra total leviandade
As pesquisas confirmam a saudade
Que o Brasil tem do seu ex-presidente

Todo dia um escândalo com ministro
Toda hora é um erro de comando
Um ministro vive se desculpando
Por ter outro envolvido num sinistro
Só se Temer chamasse Jesus Cristo
Para ter um ministro competente
Pra curar um governo tão doente
E implantar um comando de verdade
As pesquisas confirmam a saudade
Que o Brasil tem do seu ex-presidente

Refletindo eu vos digo com certeza
Que o governo de hoje é ilegal
Que as notícias do jornal nacional
São repletas de signos de ardileza
Que o mundo de sonho e de beleza
Que viria depois de Dilma ausente
Transformou-se num estado demente
Corrompido sem dó nem piedade
As pesquisas confirmam a saudade
Que o Brasil tem do seu ex-presidente

O congresso se encontra ajoelhado
A mercê dos desmandos do planalto
Todo dia é feito um grande assalto
Toda vez que um direito é retirado
É o povo que está sendo lesado
Com reformas que visam tão somente
Proteger os maiores delinquentes
Que sonegam e lucram com a maldade
As pesquisas confirmam a saudade
Que o Brasil tem do seu ex-presidente

É por isso que em todos os cenários
Das pesquisas pras próximas eleições
As enquetes nos mostram as razões
Porque Lula não tem adversários
Os sem terra, sem casa e sem salários
Quando opinam colocam sempre a frente
O operário que foi um combatente
Que lutou por um sonho de igualdade
As pesquisas confirmam a saudade
Que o Brasil tem do seu ex-presidente.

Mote e glosas do colunista

SAUDADE

Eu escuto o lado B
Do LP da saudade

Mote e glosas do colunista

Eu ouço “naquela mesa”
Na voz de Nelson Gonçalves
Do Grande Ataúfo Alves
“Um tango para Tereza”
“Pra não morrer de tristeza”
Busco a felicidade
No saudosismo que invade
Meu peito de A a Z
Eu escuto o lado B
Do LP da saudade

Na linda voz de Altemar
Eu me fascino com as “brigas”
E nas músicas mais antigas
Sinto o peito palpitar
Eu aprendi a sambar
Com Portela e Mocidade
E com o samba sem maldade
De Martinho e Agepê
Eu escuto o lado B
Do LP da saudade

Em cordiais “Saudações”
Noel dos dá uma aula
Como Benito de Paula
Eu tenho palpitações
Quando eu escuto “emoções”
Eu Calculo a intensidade
Das emoções de verdade
Que Tim botou em “você”
Eu escuto o lado B
Do LP da saudade.

Dos cantores da Bahia
De Caetano eu ouço as “queixas”
E do Grande Raul Seixas
“Como vovó já dizia”
Gilberto Gil é meu guia
Em “aroma” e “a novidade”
Com Gal perco uma metade
E a outra fica à mercê
Eu escuto o lado B
Do LP da saudade.

É magnífico o trabalho
De Waldick Soriano
Do solo paraibano
Veio Elba e Zé Ramalho
A voz de Tacyo Carvalho
Me lembra a sonoridade
Que vem da simplicidade
Do vinil do LP
Eu escuto o lado B
Do LP da saudade.

QUERES ENTENDER O MUNDO? ESTUDE GEOGRAFIA!

É capaz de explicar
Como se forma um vulcão
A lava sob pressão
Quando começa a jorrar
Compostos que vão formar
As rochas e minerais
E os possíveis locais
Onde ocorre a turmalina
A geografia ensina
Tudo isso e muito mais.

A história da política
Econômica e social
A situação global
E a luta da geopolítica
Tem uma postura crítica
Dos conflitos mundiais
E das disputas locais
Onde o ódio predomina
A geografia ensina
Tudo isso e muito mais.

Explica porque a Terra
Tem constante movimento
Porque é que existe o vento
Que sopra do vale à serra
Onde começa e encerra
As calotas glaciais
E os espaços naturais
Onde o cerrado domina
A geografia ensina
Tudo isso e muito mais.

Na geografia humana
Estudamos as cidades
E como as sociedades
Produziram a zona urbana
A força que tem a grana
Nas demandas sociais
Sempre constam nos anais
Dessa nossa disciplina
A geografia ensina
Tudo isso e muito mais.

Numa base cartográfica
Se representa o espaço
Desenhando cada traço
Com o uso da informática
Cibernética, telemática
São recursos usuais
Programa, chip e canais
São usados com rotina
A geografia ensina
Tudo isso e muito mais.

MEU NORDESTE

Mote do colunista:

Tenho orgulho de ser um nordestino
Que enxerga as belezas do Sertão.

Tenho o sangue latente do roceiro
Percorrendo as veias do meu ser
Tenho a sorte é o prazer de conviver
Com coquista e poeta violeiro
Tenho o sonho de todo brasileiro
De erguer com firmeza esta nação
Pois em mim bate um forte coração
Firme e bravo como o de Virgulino
Tenho orgulho de ser um nordestino
Que enxerga as belezas do Sertão.

Um inverno chuvoso e “relampado”
Que transforma a roupa do vergel
Que inspira o saudoso menestrel
Que na seca ficava encabulado.
O caboclo partindo pro roçado
Escutando o canto do carão
Se esquece de fome e precisão
E acha graça do jeito dum menino
Tenho orgulho de ser um nordestino
Que enxerga as belezas do sertão

Se assunto é a criatividade
Não esqueço quem é poeta nato
Os repentes de Raimundo Nonato
E Ivanildo cantando a liberdade
Para mim a maior felicidade
É ouvir o grande Sebastião
Zé Viola cantando uma canção
E um causo de Jessier Quirino
Tenho orgulho de ser um nordestino
Que enxerga as belezas do Sertão

E se o tema for a literatura
Tem Raquel, Xico Sá e Jorge Amado
Castro Alves poeta consagrado
Patativa outro gênio da cultura
J. Borges e a xilogravura
Ariano, Luiz Berto e o mestre João
O Cabral que descreve a migração
De um forte e bravo Severino
Tenho orgulho de ser um nordestino
Que enxerga as belezas do sertão

O Nordeste encanta o mundo inteiro
Com o nosso fantástico artesanato
Tem a renda que é feita aqui no Crato
E a escultura que é feita em Juazeiro
Alpercatas de Espedito seleiro
Sua arte estampada no gibão
E os bonecos nos dava a impressão
Que eram vivos nas mãos de Vitalino
Tenho orgulho de ser um nordestino
Que enxerga as belezas do sertão .

A MORTE DE TEORI

Mote:

Delação, lava jato e roubalheira
Derrubaram o avião de Teori.

Glosas:

O avião teve pane no motor
E exalou o cheiro de combustível
E nos fez questionar: será possível?
Que só houve uma falha no rotor
Ou será que o ministro relator
Foi o alvo de alguém da CPI
Que escolheu a belíssima Paraty
Pra dar fim ao Ministro de carreira
Delação, lava jato e roubalheira
Derrubaram o avião de Teori.

Será uma ironia do destino
Ou só uma infeliz coincidência
Dois senhores de vida de decência
De firmeza, rigor coragem e tino
Foi Ulisses um grande peregrino
Personagem que não há mais aqui
E agora assustado descobri
Que o Juiz do supremo deu bandeira
Delação, lava jato e roubalheira
Derrubaram o avião de Teori.

Vem agora uma investigação
Pra saber o que tem na caixa preta
Decifrar a conversa sem mutreta
Pra depois se chegar a conclusão
Que de fato o que houve com o avião
Foi um erro humano que houve ali
Só parece com um filme que eu já vi
Na TV da política brasileira
Delação, lava jato e roubalheira
Derrubaram o avião de Teori

Já mais tarde no jornal nacional
Nós teremos a capa da manchete
Nos portais e nos blogs da internet
E na página primeira do jornal
O enredo da trama é sempre igual
Vou dizer o roteiro todo aqui
São três dias de foco e quiquiqui
Pra depois esquecer a vida inteira
Delação, lava jato e roubalheira
Derrubaram o avião de Teori

Nossa classe política “inteligente”
Vai agora buscar outro ministro
Com certeza será o mais sinistro
Dentre todos que se faz pretendente
Vai dizer foi um “terrível acidente”
Mas coloco meu pingo neste i
Vou dizer pra o juiz o que eu vi
E avisar que não sou de brincadeira
Delação, lava jato e roubalheira
Derrubaram o avião de Teori.


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