DESARMANDO AS RATOEIRAS

Aproveitando o silêncio da madrugada, como diria o grande Luiz Ayrão, em um de seus memoráveis sambas, a Câmara de Deputados acaba de aprontar mais uma presepada.

Contrariando a tudo e a todos – inclusive o bom senso – e o que é mais grave, desfazendo o que passaram grande parte do ano legislativo costurando, os “exemplares” parlamentares modificaram o projeto contra a corrupção e aprovaram um verdadeiro manto legal, cuja finalidade principal é protegê-los sempre que forem flagrados “com a mão na massa”.

Resta-nos torcer e exercer pressão dentro dos parâmetros legais e democráticos para que o Senado não siga o mesmo caminho, aprovando aquele lamaçal.

Todos nós sabemos que não é fácil aprovar medidas que desagradem ou atinjam boa parte dos integrantes daquela Casa Legislativa, principalmente, sendo presidida por quem é.

Quem sabe, agora, que ele se tornou réu em um processo no Supremo, o cenário não muda um pouco? Quem acreditar que os poderes da República são independentes e harmônicos, conforme diz a Constituição, pode responder.

SÓ É FEIO NOS OUTROS!

Sou eleitor há mais de 50 anos. Sempre fui considerado meio do contra. Se o candidato em quem voto, ganha uma eleição, trato de arranjar defeitos para botar nele. Acho melhor estar na oposição, de que ficar batendo palmas para quem está no poder. Tenho espírito oposicionista.

E por falar em oposicionista, devo relatar que durante muitos anos, ouvi socialistas, comunistas, petistas, esquerdistas de um modo geral, condenando o “jeito perverso” como os políticos da direita conseguiam ganhar eleições. Seja dando dinheiro, oferecendo vantagens, empregos, bolsas de estudos, passagens para São Paulo, sementes para plantar (isso quando havia inverno), e outras coisas mais.

Mas como tudo na vida passa, aos poucos, a turma da “esquerda” começou a ganhar eleições majoritárias e, consequentemente, a ocupar prefeituras, governos estaduais até chegar à Presidência da República. E não é que esquecendo os discursos anteriores, eles – sem querer, talvez – entraram na onda do “É DANDO QUE SE RECEBE”, quase duplicaram o números de ministérios e criaram mais de 10 mil cargos comissionados só na esfera federal.

Nesse episódio que os governistas chamam de GOLPE, está acontecendo um verdadeiro leilão para conquistar votos de parlamentares oportunistas, sem escrúpulos e sem vergonha, no sentido de evitar a queda de Dilma.

Não foi sem motivos, que aquele grandalhão estadista francês disse nos anos de 1950; “O BRASIL NÃO ERA UM PAÍS SÉRIO”. Dá para imaginar o que ele diria agora?

HOMENAGEM AO FREVO

Até parece ironia do destino, o DIA DO FREVO coincidir com uma terça-feira de Carnaval, justamente, o último dia de folia, pelo menos, oficialmente.

Citar os nomes daqueles que, compondo, tocando ou cantando, contribuíram para a divulgação desse gênero musical genuinamente pernambucano, é uma tarefa muito difícil e aquele que se arriscar a fazê-lo, correrá sérios riscos de cometer imperdoáveis injustiças.dia_frevo

Sabe-se que datas assim, não são exatas, pois é humanamente impossível determinar quando expressões culturais nascidas em festejos populares surgiram pela primeira vez.

Mas, alguém tinha que fazer algo que contribuísse para que as entidades encarregadas da missão coordenar os festejos do imaginário DIA DO FREVO. E esse alguém foi o grande folclorista, pesquisador, compositor, e, acima de tudo, amante das coisas ligadas às artes e à nossa cultura.

Refiro-me ao inesquecível EVANDRO RABELLO, homem simples, nascido no interior, que ainda jovem, enveredou pelos difíceis e muitas vezes incompreendidos caminhos que levam o homem a se interessar pelas manifestações folclóricas e culturais de sua gente.

Diante do exposto, neste sagrado dia em que os pernambucanos festejam o DIA DO FREVO, todos nós devemos prestar as nossas homenagens àquele que, em suas incansáveis pesquisas, localizou o que seria a primeira publicação com o a palavra FREVO, na edição do dia 09 de fevereiro de 1907, do Jornal Pequeno, órgão de marcante atuação na imprensa pernambucana daquela época.

Para mim, modesto matuto pesqueirense, conhecer EVANDRO RABELLO, foi um dos acontecimentos mais importantes que poderiam ocorrer.

Isto se deu justamente, quando mais uma vez, fui à Loja Passa Disco, no Recife, em busca de informações pertinentes aos movimentos musicais e ao mesmo tempo adquirir algo que pudesse escutar durante o carnaval que estava chegando e EVANDRO chega acompanhado de sua dedicadíssima esposa.

Depois de ser apresentado a ele pelo sempre dedicado batalhador Fábio Cabral, conversamos por mais de duas horas. Evandro pediu que anotasse o meu endereço e poucos dias depois, recebi pelo correio, um exemplar do seu memorável livro MEMÓRIAS DA FOLIA.

Mesmo sem estar mais entre nós, EVANDRO, através do seu trabalho, permanecerá sendo lembrado por todos os que tiveram a honra de conhecê-lo.

PÁTRIA ENGANADORA

Em vez de pátria educadora, o Brasil vem se transformando em uma entidade meramente enganadora, em todos os sentidos.

Tal e qual ocorre com os times de futebol que mudam constantemente de treinadores e os resultados são sempre pífios, o governo federal já trocou três vezes os ministros da educação e da fazenda. Como melhorar? Só milagre.

Os Estados da Federação estão transferindo o ensino fundamental para as prefeituras e os resultados, fatalmente, serão negativos. Quem duvidar é só verificar que 90% dos municípios brasileiros são mal administrados.

Sem falar que por ficarem próximos dos prefeitos, os professores se tornam peças mais vulneráveis no tocante à perseguição política.

CONCORDO COM MIELE

No domingo passado, (25 de outubro), precisamente às 15 horas, o Canal Brasil exibiu uma entrevista concedida pelo grande artista Miele ao excelente ator e apresentador Lázaro Ramos.

Não sei precisamente quando o programa foi gravado, mas tenho certeza de que foi bem próximo de sua “viagem para o andar de cima”, como ele gostava de se expressar, ao se referir à morte.

Já quase no final do programa, ele lamentou o fato de sua idade não lhe permitir ver o Brasil em situação melhor. Embora um pouquinho mais novo de que o renomado show-man, eu também já externei a minha idéia pessimista em relação ao nosso País. Só que ninguém viu, nem ouviu, porque não sou importante e, justamente por isso, não sou entrevistado.

Com o meu antecipado pedido de desculpas aos mais crentes no futuro do Brasil, respeitosamente, faço as seguintes indagações:

Como confiar em um Congresso onde negociar é a palavra mais pronunciada?

Quem, de bom senso, pode esperar melhoras neste País onde os governantes descumprem leis que eles mesmos defenderam ou aprovaram certos de que nunca serão punidos, porque os membros dos tribunais que irão apreciar as suas contas ou julgar os seus deslizes foram escolhidos pelos seus partidos?

Tem mais: em situação idêntica à de CUNHA, qualquer pessoa de bom senso, já estaria afastada do cargo a fim deixar que as coisas fossem encaminhadas sem sua interferência. Mas, pelo jeito, dá até pra desconfiar de que ele é quem vai presidir o próprio julgamento. Interferindo na pauta, ele já está há tempo.

O momento político atual mostra o quanto os nossos políticos falam uma coisa e fazem outra bem diferente. O embate entre o governo federal o Legislativo representado por Eduardo Cunha, expõe a cumplicidade de ambos.

Nota-se, abertamente, que as brigas são ensaiadas, mas não passam disso, ao que parece, porque todos, como se diz por aqui, estão devendo na venda.

Desse modo, acredito que enquanto existirem cargos importantes para serem preenchidos, os ‘desentendimentos’ continuarão sendo resolvidos na base do toma lá dá cá e os brasileiros de boa índole, permanecerão “chupando o dedo”. Melhor dizendo: pagando a conta.

AH BRASIL!

HOMENAGEM A CARTOLA

cartola

Cartola (11/Out/1908 – 30/Nov/1980)

Nesta data, os amantes da boa música devem prestar homenagens a um dos maiores compositores da MPB, que se vivo estivesse, festejaria 107 anos com muito samba e boa dose de boemia.

ANGENOR OLIVEIRA, homem simples, pouco letrado, que partiu cedo, mas teve tempo para compor e deixar um legado de músicas excepcionais para o Brasil e para o Mundo.

Passou boa parte de sua vida no anonimato, mas quando apareceu, fez bonito ao mostrar as suas canções feitas com letras bem articuladas e melodias apaixonantes.

Sua vida artística foi praticamente salva pelo jornalista Sérgio Porto e por D. Zica, que também preencheu uma lacuna em seu coração, fazendo-o mais feliz e inspirado para compor.

Foi figura de destaque na fundação da Estação Primeira de Mangueira, fato que lhe rendeu um lugar de honra nas galerias da Escola de Samba.

* * *

Paulinho da Viola interpreta “As Rosas não Falam”, de Cartola:

DIA DO COMPOSITOR BRASILEIRO

No dia de hoje – sete de outubro – comemora-se o Dia do Compositor Brasileiro, numa tentativa de prestar homenagem àqueles que queimam as suas pestanas, perdem noites de sono, em busca de inspiração para escrever letras e articular harmonias, a fim de entregar uma pérola musical aos amantes da música.

Enquanto alguns enaltecem, outros maldizem o amor. Temos os grandes defensores da dor de cotovelo. Não faltam canções falando do ciúme. Existem os autores especializados em canções carnavalescas. Não podemos esquecer-nos dos sambistas, dos autênticos forrozeiros e muito menos, dos chorões.

Hoje em dia, lamentavelmente, os autores das músicas estão cada vez mais sendo esquecidos, porque as emissoras de rádio, por não possuírem mais discotecas – tudo é armazenado em computadores – não divulgam quem fez a música, só dizem quem é o intérprete, o que é uma grande injustiça.

São raros os artistas que ao se apresentarem, destacam quem é o compositor das canções. Muitos deles, por sinal, gravam coletâneas inteiras dedicadas a determinados autores, atitude, sem dúvida, merecedora de elogios. Segundo dizem, o cantor Orlando Silva, sempre que cantava uma canção, fazia questão de anunciar o seu autor, que segundo ele, era o grande responsável pela qualidade da obra.

A cidade de Pesqueira-PE, teve e tem grandes compositores, entretanto, por questão de justiça, aproveitamos a data para homenagear a quem julgamos ser o maior deles: Nelson Valença – o meu, o nosso grande professor. Este, sim, era um artista completo. E o mais importante é que não se negava a dar dicas de como fazer uma música, escrever uma peça teatral, um arranjo, etc.

Finalizando, pedimos a quem gosta de música que preste a sua homenagem ao compositor de sua preferência, neste grande dia.

É BRIGANDO QUE A GENTE SE ENTENDE

A frase acima parece fazer parte daquele gênero de samba-canção composto por Lupicínio Rodrigues ou Dolores Duran. É apenas semelhança.

No nosso entender, essa baderna que envolve a classe política começa assim e acaba em negociata. Segundo o que noticiam diversos veículos da imprensa nacional e internacional, esse bate-boca todo gira em torno de cargos e poder. Os cargos são oferecidos sem se levar em conta as aptidões dos interessados e nós, os coitados dos contribuintes, acabamos pagando do nosso bolso e sofrendo na pele a falta de competência e de compromisso desses oportunistas, com o bem-estar dos cidadãos.

Até quando continuaremos pagando essa altíssima conta?

Os governantes erram, nós sofremos as consequências. Aplicam erradamente o dinheiro surrupiado do bolso do contribuinte, ele paga, Deixam de fiscalizar os gastos efetuados por órgãos entregues a agentes inescrupulosos,o ônus sobra para todos os cidadãos que nada têm a ver com os desmandos.

Quando isso irá mudar?

Nunca, pois os políticos de plantão não vão querer mudar uma coisa que está dando certo pra eles.

O POVO QUE SE DANE, ORA POIS!

REBAIXAMENTO

A Pátria Educadora, acaba de ser rebaixada para a série “B”.

Tudo por causa do “excesso de sabedoria” de um falso rei e da falta de competência da rainha que herdou o trono e se transformou numa “Madre Superiora” sem traquejo para ser educadora e muito menos, disciplinadora.

Deu no que deu!

E vai piorar, tenho quase certeza.

Agora, em vez de “Pátria Educadora”, o Brasil se transforma numa nação enganadora e sem crédito.

Na condição de um brasileiro que trabalha há quase SESSENTA ANOS que cresceu e envelheceu pensando num futuro melhor, isto, sem dúvida, é extremamente frustrante.

COMEMORAR O QUÊ?

Há exatamente 72 anos, em pleno Estado Novo, Vargas criava a Consolidação das Leis Trabalhistas.

No segundo semestre de 1962, entrava em vigor a Lei 4.090, que dava aos trabalhadores, o direito de receberem o Décimo Terceiro Salário. Estávamos no cambaleante governo Jango.

Pela Lei 5.107, de agosto de 1966, estabelecia-se a obrigatoriedade de um depósito vinculado na conta de cada empregado a partir de janeiro de 1967. Nascia, assim, – no meu modo de entender – a mais importante das leis que regem as relações de trabalho – O FGTS. Quem governava o Brasil? Castelo Branco, primeiro presidente do regime militar imposto em 1964.

Um pouquinho mais tarde, em setembro de 1970, ainda sob a presidência de um militar – Emílio G. Médici – Cruz Credo -, nascia o Programa de Integração Social – PIS-PASEP – destinado a criar um fundo patrimonial para os trabalhadores.

A data de hoje, até nos governos militares, era comemorada pela classe trabalhadora, notadamente, com os sindicatos nas ruas festejando suas conquistas. Havia, também, protestos de algumas classes insatisfeitas. Mas, sinceramente, não tenho lembranças de que nenhum presidente tenha se escondido e evitado se pronunciar e cumprimentar a quem produz.

Hoje, em “pleno” governo do PT, a presidente se omite por não ter nada de positivo a dizer àqueles que são as peças mais importantes dessa máquina produtiva que já foi o Brasil.

Na minha modesta opinião, por já ter atuado nos dois lados do balcão – como empregado e empregador – muitas dessas conquistas estão se diluindo devido à má gestão dos governantes de plantão, cujo objetivo maior é permanecer no poder.

LUIZ BANDEIRA

LUIZ-BANDEIRA 

Luiz Bandeira  (25/Dez/1923 – 22/Fev/1998)

Hoje é dia de prestar homenagem ao grande compositor pernambucano que, forçado por necessidades profissionais, ausentou-se várias vezes de sua terra natal, mas nunca a esqueceu.

Bandeira nasceu no ano de 1923, na capital pernambucana, numa data especial: 25 de dezembro. Viveu parte de sua infância e juventude em Maceió. Foi um homem boêmio e romântico. A prova está em suas músicas, pois é fácil constatar que o sentimentalismo está presente tanto nos frevos como em outros gêneros musicais que ele compôs.

No exercício de sua vida artística, desempenhou vários papéis: compositor, cantor, violonista, diretor artístico, etc. Dentre suas obras mais conhecidas, podemos lembrar: Voltei Recife, Novamente, Onde Tu Tá Neném, É de Fazer Chorar, frevos que o folião sabe cantar em todos os tons, já que são o mais executados seja nas prévias ou nos dias dedicados a Momo.

Voltei Recife (com Alceu Valença):

Convém salientar que ele não foi apenas um compositor de frevos. Presenteou-nos com boleros, baiões e vários sambas que fizeram sucesso no Brasil inteiro, como Apito no Samba e Na Cadência do Samba.

Como bom nordestino, foi autor de canções como Maria Joana, O Que Os Olhos Não Vêem, Viola de Penedo, Romance Matuto, entre outros.

Viola de Penedo (com Clara Nunes):

Luiz Bandeira participou da fundação da Academia Pernambucana de Música, sendo, portanto, o primeiro ocupante da cadeira nº 15, quem tem como patrono Luiz Gonzaga e atualmente é ocupada pelo atuante médico, compositor e produtor musical Luiz Guimarães.

Quis o destino que o seu falecimento ocorresse no dia 22 de fevereiro de 1998, um Domingo de Carnaval que jamais será esquecido pelos seus fãs e amantes da música carnavalesca feita com letra e melodia de primeira qualidade.

Voltei Recife, Novamente e Recado de Olinda, são obras suas que falam da volta às origens, trazido pelos braços da saudade.

Homenagear um grande artista como Luiz Bandeira não é favor, é mais que uma obrigação, pelo que ele fez em defesa do nosso cancioneiro popular.

Viva Luiz Bandeira!

Apito no Samba (com Marlene):

VAMOS FREVAR?

DIA-DO-FREVO

Hoje é o DIA DO FREVO. A data é simbólica, pois segundo os cronistas especializados no assunto, foi no dia NOVE DE FEVEREIRO DE 1907, que a palavra frevo foi publicada pela primeira vez com o significado de gênero musical carnavalesco.

Dentre esses cronistas, encontramos o pesquisador Evandro Rabello, que elaborou uma importantíssima obra em que reproduz todas as notícias sobre o carnaval pernambucano publicadas nos jornais do Recife, entre os anos de 1822 a 1925.

E, conforme está lá no alto da página 167, do seu livro Memórias da Folia – O Carnaval do Recife pelos olhos da imprensa – foi o Jornal Pequeno que com o intuito de orientar os foliões, noticiou a programação de uma agremiação carnavalesca, na qual aparece a palavra Frevo.

É, por esta razão que os pernambucanos devem aproveitar para ouvir seus frevos preferidos, já que não fazem em outros dias do ano, a não ser no período momesco.

O ideal seria que todas as emissoras de rádio do Estado destinassem um bom espaço à execução do Frevo em suas programações musicais.

Na minha modesta condição de apreciador do nosso principal gênero musical, rabisquei este simples texto, na expectativa de que neste e nos próximos carnavais, os nossos gestores culturais dediquem maiores atenções às criações de Edgard Moraes, Nelson Ferreira, Capiba, Luiz Bandeira, Carlos Fernando, Levino Ferreira, Antônio Maria, Dozinho, Lourival Oliveira, Getúlio Cavalcanti, Cláudio Almeida, Severino Araújo, Maestro Duda, João Santiago, Clovis Mamede Zé Meneses e outros mais.

Considero importante lembrar que em Pernambuco existem inúmeras orquestras de frevo de elevada qualidade, que poderiam ser incluídas na programação do nosso carnaval. Isto já ocorreu em outras ocasiões e os principais interessados na qualidade da folia – os foliões – adoraram.

MEXENDO NO TIME

Por absoluta falta de assunto, já andei misturando futebol com política em algumas crônicas que escrevi para a Rádio Jornal e para o Jornal Pesqueira Notícias.

Neste comecinho de ano, observando que no Brasil – tanto no futebol como na política – o que mais os dirigentes fazem é mexer em suas equipes, volto a tocar no assunto, por entender que os motivos são os mesmos: a busca por resultados e as cobranças das torcidas.

Observamos também que, seja na política ou no futebol, os dirigentes não desfrutam de plena liberdade quando desejam convocar ou contratar alguém para ser seu pupilo. No futebol, são os empresários que tiram o sossego dos cartolas e treinadores oferecendo “suas jóias”. Na política, o assédio dos correligionários, companheiros de palanque e os compromissos de campanha impedem que o gestor – prefeito, governador e presidente – faça a escolha de seus auxiliares usando apenas o critério competência e isto, sem dúvida, tem prejudicado muito a administração pública.

Quem assistiu à cerimônia de posse da Presidente da República está apto para avaliar o saco de gatos que os dirigentes partidários “cederam” à D. Dilma e ela teve que aceitar.

Os maldosos afirmam que ela foi forçada a convidar até gente que não votou nela para os ministérios mais importantes, por não encontrar ninguém com capacidade entre seus companheiros. Resta-nos torcer para que a sintonia entre a chefona e seus comandados dure ao menos dois carnavais.

Aqui em Pernambuco, o governador recém-eleito está o usando o já manjado expediente de convocar parlamentares para compor o seu secretariado, a fim de acomodar alguns suplentes que “não chegaram lá”. Entra governo, sai governo, mas o famoso “jeitinho” continua na moda.

Conforme era esperado e desejado, o nosso prefeito está substituindo alguns secretários. No meu entendimento e da maioria dos pesqueirenses, ele demorou muito para tomar essa atitude, pois os resultados dois primeiros anos de sua administração não agradaram nem a gregos nem troianos.

Não queremos dizer que ele não está trabalhando, mas algumas obras deixam muito o desejar no que tange à qualidade. As rampas feitas nas calçadas para facilitar o acesso dos usuários de cadeiras de rodas encabeçam a lista. Mesmo antes de concluídas, já estão se desmanchando. Os reparos feitos no calçamento também apresentam falhas gritantes. O estacionamento para motos que inventaram na Rua Duque de Caxias, ao que parece, foi feito com massa sem a essencial mistura com cimento. Está se diluindo.

São detalhes simples que poderiam ser evitados se houvesse fiscalização por parte de quem contrata e paga por esses serviços prestados.

Torcemos para que a nova equipe seja mais eficiente e atenta. Só deve pagar uma obra, depois de constatar se foi feita dentro das normas.

Tem gente que não aceita críticas, mas se ele alterou a sua equipe é porque não estava satisfeito com seu desempenho e ponto final.

VALE A PENA VER DE NOVO?

Sinceramente, acho que não. Peço desculpas àqueles que pensam o contrário. Neste finalzinho de 2014 e nos primeiros dias do esperado 2015, a pisadinha vai ser essa: você liga a TV e só vê coisa ruim e já rodada. E haja paciência para aturar. Também, pudera, aconteceu algum fato digno de ser rememorado? Que eu me lembre apenas as conquistas do SPORT. Mas foram tão suadas que é melhor não renovar o sofrimento.

Começando pelo futebol – paixão nacional – quem vai arriscar o coração outra vez, assistindo aos jogos da Seleção? Na Copa, foi uma piada e nos amistosos, pra ver o “gênio” Dunga com aquela cara de quem chupou umbu verde? Os torcedores dos chamados times grandes, tenho quase certeza de que não vão encarar novamente os fiascos de suas milionárias equipes.

Quem terá coragem para assistir outra vez Faustão apresentando as músicas mais tocadas do ano? Pelo que vi domingo, é dose para engasgar elefante.

Difícil vai ser fugir da retrospectiva política, considerando que estamos saindo de um ano eleitoral, todo ele calcado em promessas, mentiras e desconstrução.

Pois é, neste ano que graças a Deus está indo pro brejo, as eleições apresentaram uma novidade: em vez de prometerem construir escolas, pontes, barragens, viadutos, estradas e outras coisas úteis, os candidatos e seus seguidores preferiram desconstruir os opositores. Quanta baixaria! Meu Deus!

É nessas horas que bate uma saudade danada de Ulisses Guimarães, Marcos Freire, Cid Sampaio, Franco Montoro, Tancredo Neves, Miguel Arraes, Juscelino Kubitscheck, acho que só.

Em outras eras, as retrospectivas de final de ano, mostravam as realizações ou a luta dos políticos acima citados pela redemocratização do País. Assistíamos inúmeras vezes sem cansar, a história da chegada do homem à Lua, as Copas de 58, 62 e 70. A construção de Brasília.

Lembram-se das músicas carnavalescas mais cantadas nos clubes e nas ruas? A Cabeleira do Zezé, Aurora, Evocação, Pó de Mico, Passei no Vestibular, Casinha Pequenina, OH Bela, Ressaca, Você Gostou de Mim, Micróbio do Frevo, Voltei Recife, É de Amargar, Boneca, e outras mais.

Para fugir das repetições indesejadas, já escolhi o que vou rever: TOQUINHO – um DVD gravado na Itália em 1983; GILBERTOS SAMBA AO VIVO; BRASILEIRINHO, com os maiores astros do choro; BETH CARVALHO – A MADRINHA DO SAMBA; o programa SR. BRASIL no qual Boldrin recebe Paulo Cesar Pinheiro, sua esposa Luciana Rabelo e filhos, além de Proveta, que toca com o seu pai e outros cobras da música instrumental.

Aposto que tem gente dizendo: VELHO É BICHO BESTA! EU ACHO É POUCO.

NELSON FERREIRA

O grande pianista, maestro e compositor pernambucano Nelson Heráclito Alves Ferreira nasceu na cidade de Bonito no dia 09 de dezembro de 1902 e faleceu em 21 de dezembro de 1976.

Iniciou sai carreira musical como pianista nos cinemas e casas noturnas recifenses, onde, por ser menor de idade, tocava apenas até meia-noite.nelson ferreira

Trabalhou na Rádio Clube de Pernambuco, ocupando a direção artística da emissora, tendo importante papel na escolha das músicas carnavalescas da época.

Embora tenha composto outros gêneros, foi no carnaval que ele encontrou a sua verdadeira “praia”, emplacando grandes sucessos interpretados pelos maiores cantores da era de ouro do rádio.

Nelson além de ter animado os carnavais recifenses, marcou presença em outras praças nordestinas, e para surpresa de todos, desbancou “monstros sagrados” do carnaval carioca, quando em 1957, a sua composição Evocação – uma despretensiosa marcha de bloco – galgou o primeiro lugar.

Em 1955, com O Frevo de Rua Come e Dorme, Nelson fez a sua estreia na etiqueta Mocambo. Em 1959, deu início à gravação de vários LPs na voz de Claudionor Germano, alcançando enorme sucesso.

Dentre suas composições mais conhecidas, fora a citadas acima, temos Casá-Casá, Gostosão, Gostosinho, Isquenta Muié e Gostosura (Frevos de Rua); Pernambuco Você é Meu, O Dia Vem Raiando, Chora Palhaço, Frevo de Saudade, Juro (Frevos-Canção); Evocação nº2 e Evocação nº3 (Frevos de Bloco).

É mais que justo, que hoje, data em que o grande maestro nos deixou há 38 anos, lembremos o excelente artista, agradecendo por tudo o que ele fez pela música carnavalesca de Pernambuco.

O REI DO BAIÃO

Se vivo estivesse, LUIZ GONZAGA, nascido na Fazenda Caiçara – Exu, no dia 13 de dezembro de 1912 estaria festejando o seu aniversário neste sábado.

Ele foi, sem sombra de dúvida, o maior divulgador da música e da cultura nordestina no Brasil e no exterior. A sua iniciação musical se deu acompanhando o pai – Januário – que lhe ensinou a tocar Zabumba. Mas foi a sanfona que exerceu grande fascínio no jovem que dentro de pouco tempo, deu provas de que iria empreender vôos bem altos no campo da música.Luiz+Gonzaga

Em 1930, ingressou nas fileiras do exército como voluntário, onde foi corneteiro. Logo após a sua baixa das Forças Armadas, iniciou a vida artística cantando vários gêneros musicais nas feiras livres, bares e programas de calouros.

Conseguiu conquistar a simpatia dos irmãos nordestinos, que saudosos da terra natal, matavam a saudade ouvindo LUIZ cantar xaxados, baiões, chamegos e tudo que lembrasse a região de onde saíram para tentar a vida no eixo Sul-Sudeste.

Encontrou muitas dificuldades para se apresentar como cantor porque os diretores artísticos das rádios e gravadoras achavam a sua voz feia.

Em 1947, gravou pela RCA, o clássico ASA BRANCA, que fez em parceria com Humberto Teixeira, e se constituiu no seu maior sucesso.

Na década de 50, Paulo Gracindo que tinha um concorridíssimo programa de auditório na Rádio Nacional do Rio aos domingos, anunciava LUIZ assim: “E COM VOCÊS, LUIZ GONZAGA, SUA SANFONA E SUA SIMPATIA”.

Passou parte da década de sessenta, meio apagado por causa do surgimento da Bossa Nova, mas nos anos setenta, voltou às paradas de sucesso e permaneceu em cartaz até bem próximo de sua morte, fato raro de acontecer com os artistas, que geralmente, ao envelhecerem, caem no esquecimento.

Zé Dantas, Nelson Barbalho, Humberto Teixeira, João Silva, Onildo Almeida, Nelson Valença, Klécius Caldas, Janduhy Finizola e José Marcolino, foram seus maiores parceiros.

Do pesqueirense Nelson Valença, gravou mais de dez músicas, sendo que O Fole Roncou e Coronel Pedro do Norte, figuram entre as mais conhecidas.

Luiz Gonzaga, certa vez, perguntado por um apresentador se sabia fazer um si bemol na sanfona, respondeu com a maior simplicidade que não e que tocava tudo de ouvido, pois nada estudara sobre teoria musical. Imaginem se tivesse estudado!

É comovente ver nos programas de TV, astros como Dominguinhos, que acompanhou Luiz durante muito tempo, Elba Ramalho, Alcimar Monteiro, Flávio José, Fagner e outros tantos fazerem referências elogiosas e se emocionarem quando falam sobre a importância do Rei do Baião para o cancioneiro nordestino, inclusive, quebrando o preconceito que existia de forma até humilhante com os artistas que representavam a nossa região.

Neste dia 13 de dezembro, é mais que justo que todas as emissoras de rádio e TV, prestem homenagem àquele que não teve vergonha de cantar os costumes nordestinos através de suas músicas, sempre acompanhado de sua sanfona.

O FEITIÇO DA VILA

Ele morreu jovem, mas viveu intensamente o tempo que lhe foi concedido pelo Criador. Soube misturar o ardor dos românticos com a vontade de gozar a vida daqueles que são sempre jovens.noel rosa

NOEL ROSA mesmo tendo vivido tão pouco, conseguiu tempo para ser boêmio e compor em alto estilo tantas músicas de elevada qualidade. Sem falar nas desconhecidas que ele vendeu a aproveitadores.

Há quem o considere um humorista, pois suas músicas alegraram o bairro de Vila Isabel, o Rio de Janeiro e o Brasil. Ele inovou, mas teve a aceitação dos conservadores.

Nascido em 11 de janeiro de 1910, aos vinte anos já levava uma vida de boêmio apaixonado, talvez para fugir das tragédias que abalaram a sua família.

Noel era um autor cujos versos e melodias surgiam de forma espontânea, de conversas informais, nas farras e nas horas difíceis.

No seio familiar ele conviveu com o drama e a alegria que o inspiravam para compor suas músicas. Os tipos populares, os anônimos e os frequentadores dos botequins e tudo o mais que parecesse desinteressante, serviram de base para a construção de sua obra. Amor, boêmia e ironia alimentaram seus versos.

Foi, talvez, o primeiro autor a protestar contra a corrupção nos serviços públicos através do samba Onde Está a Honestidade? Numa letra cheia de “veneno”, Noel condena os costumes das novas elites e do governo.

Em vez de optar pelo caminho mais fácil e tradicional, ele preferiu o mais difícil: subiu o morro ao encontro de novos parceiros e abraçou poetas negros como Cartola e Ismael Silva e outros.

Quando ele e Vadico se conheceram nos estúdios da Odeon em 1932, o samba e a música popular ganharam uma nova cara.

A polêmica musical que manteve com Wilson Batista foi muito boa para o samba e melhor ainda para o novo sambista que saiu do anonimato.

Assim foi Noel Rosa, irreverente, engraçado, ora triste, ora tomado pela alegria e extremamente irresponsável no que tange à vida desregrada que levou mesmo sabendo ser portador de uma doença tão grave naquela época como a tuberculose.

Último Desejo, Palpite Infeliz, Feitiço da Vila, Feitio de Oração, Pastorinhas, Conversa de Botequim, Três Apitos e tantas outras, ele fez sozinho e em parceria com João de Barro, Vadico, Heitor dos Prazeres, Ismael Silva, Cartola, Francisco Alves, Lamartine Babo e Almirante. Essas músicas foram e ainda são gravadas por intérpretes das mais variadas tendências musicais. E geralmente são bem aceitas pelo público e pela crítica.

No dia 05 de maio de 1937, o Poeta de Vila Isabel encerra o seu ciclo aqui na Terra. O cantor, compositor e violonista parte antes de completar 27 anos de idade, deixando uma lacuna impreenchível no meio musical.

VINTE ANOS SEM O TOM

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No dia 8 de dezembro de 1994, o Brasil e o Mundo perderam um de seus maiores compositores. Há quem considere que ele viveu pouco, mas se levarmos em conta a intensidade com que ele levou a vida e o que fez pela música, produziu o suficiente para ser admirado e respeitado por todos que conhecerem ao menos uma pequena parte de sua obra.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro em 25/Jan/1927. Foi criado em Copacabana e Ipanema.

Estudou piano com vários professores. Iniciou o curso de Arquitetura na Universidade do Brasil em 1946, mas largou para ser pianista em casas noturnas da cidade. Em 1949, casa-se com Thereza e vai morar em pequeno apartamento alugado. Passa a trabalhar na gravadora Continental fazendo arranjos e transcrevendo para a pauta, músicas de outros compositores.

No ano de 1953, começou a gravar as suas composições e já em 1954, consegue emplacar o seu primeiro sucesso nacional – Thereza da Praia – feito em parceria com Billy Blanco. Neste mesmo ano, compôs com Billy, a Sinfonia do Rio de Janeiro, lançada pela Continental em LP de 10 polegadas.

A parceria com Vinícius de Moraes se iniciou quando foi apresentado ao “Poetinha” que procurava alguém quem musicasse a sua peça Orfeu da Conceição, cuja estreia se deu em 25/Set/1956, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Se Todos Fossem Iguais a Você, fez parte do repertório da peça.

O lançamento pelo Selo Festa, do LP Canção do Amor Demais, gravado por Elizete Cardoso em 1958, com músicas da dupla Tom Jobim/ Vinícius, contou com a participação de João Gilberto no acompanhamento em duas faixas. Com a nova batida do samba apresentada por João, o público conheceu o que mais tarde seria batizado como Bossa Nova, gênero que teve Tom como um dos seus maiores expoentes.

O samba A felicidade, de Tom e Vinícius, foi destaque em 1962, do filme Orfeu Negro do cineasta francês Marcel Camus, que arrebatou a Palma de Ouro de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Garota de Ipanema, também da dupla, gravado em 1962, transpôs fronteiras e foi apresentada em Nova Iorque, ocasião em que foi lançada a Bossa Nova nos Estados Unidos.

Convidado por Frank Sinatra grava em dueto com ele (1967-71), álbuns que abriram as portas do mundo para as suas mais de trezentas composições. As longas temporadas lá fora, lhe valeram inúmeros prêmios.

Segundo li no livro Então, Foi Assim, vol. 1, de Ruy Godinho, uma de suas parcerias com Dolores Duran foi casual. Em março de 1957, num encontro nos corredores da Rádio Nacional do Rio, depois de ouvir uma música que Tom levava para o seu parceiro habitual, Dolores, pegou um guardanapo, um lápis de sobrancelha e fez a letra de Por Causa de Você.

Tom mesmo gostando, disse-lhe que Vinícius já estava incumbido dessa tarefa. Dolores pegou o papel de volta e escreveu no verso: “Vinícius, esta é a minha letra para esta música. Se você não concordar, é covardia”. Vinícius, claro, concordou e a música foi lançada pela própria Dolores em 1958, vindo a ser uma das mais importantes do seu repertório.

* * *

Clique aqui e veja na íntegra o filme A Musica Segundo Tom Jobim (1:14)

O DIA NACIONAL DO SAMBA

O Dia Nacional do Samba é comemorado em 02 de dezembro. A escolha da data se deu por um motivo mais de que especial. O grande compositor Ary Barroso, mesmo sem nunca ter ido à Bahia, escreveu no ano de 1938, o samba antológico – Na Baixa do Sapateiro. Anos depois, resolveu conhecer a terra dos Orixás, justamente num dia 02 de dezembro. Isto foi suficiente para que um vereador chamado Luiz Monteiro da Costa sugerisse que naquela memorável data fosse instituído o Dia Nacional do Samba, decisão esta só adotada a partir do ano de 1963. As comemorações em praça pública tiveram início em 1972 e lamentavelmente, estão restritas às cidades do Rio de Janeiro, Salvador São Paulo e Recife.

O Samba Carioca – através dos títulos samba de terreiro, de partido-alto e samba-enredo – foi incorporado ao Patrimônio Cultural Imaterial com inscrição no Livro de Registro das Formas de Expressão, mediante aprovação do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.

O Samba de Roda do Recôncavo Baiano – uma das principais manifestações musicais, poéticas e festivas da cultura brasileira – foi inscrito no mesmo livro em outubro de 2004. Em 2005, foi proclamado Obra-Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Sinhô – um dos pioneiros – brilhou nas rodas de samba bem antes de aparecerem Noel Rosa, Ataulfo Alves, Wilson Batista e Geraldo Pereira.

Ele, juntamente com Donga, João da Baiana, Pixinguinha (este mais ligado ao choro), deram nova fisionomia ao samba, numa época em que as polêmicas e as acusações mútuas de “roubo de música”, eram fatos corriqueiros entre os sambistas, pois tudo era feito na hora e em grupo. O mais esperto, registrava a obra em seu nome, sob a seguinte alegação: “Samba é como passarinho, o dono é quem pegar primeiro”.

O conhecido samba Pelo Telefone foi registrado por Donga em parceria com Mauro de Almeida, cujo trabalho foi segundo contam, organizar os versos. Houve muitas reclamações de Sinhô, que também se dizia autor de parte dessa música que antes se chamava Roceiro.

Em 1918 Sinhô editou e gravou seu primeiro samba – Quem são Eles? Este também fez parte da polêmica musical travada entre os compositores, que resolviam suas diferenças sem brigas, fazendo letras provocativas, que normalmente recebiam respostas no mesmo nível. Foi uma disputa saudável que rendeu excelentes sambas. Suas composições impulsionaram as carreiras de Francisco Alves e Mário Reis, de quem foi professor de violão no ano de 1929.

Os sambas compostos por Sinhô que alcançaram maior sucesso são: Gosto Que Me Enrosco, Jura, A Favela Vai Abaixo e Amar Uma Só Mulher.

Para não cometer injustiças, queremos através de Zé Keti, cantor e compositor de uma geração que além de valorizar muito o samba, enfrentou a dureza do regime militar vigente entre os anos de 1960 a 1980, prestar homenagem a todos os sambistas pela passagem de tão importante data.

zeketi

Zé Keti (Out/1921 – Nov/1999)

VAMOS COMEMORAR?

Sivuca

Sivuca: “Não existe música velha, nem nova. Existe música boa e música ruim”

No dia 22 de novembro, no Brasil, comemora-se O DIA DA MÚSICA. Na mesma data, presta-se homenagem à protetora dos músicos – Santa Cecília.

Segundo os entendidos, a música é a arte de combinar os sons. Isto, se feito com harmonia, resulta em composições melódicas. Muitas delas são acrescidas de letras, fato que permite que as mesmas ganhem mais admiradores, principalmente se transmitirem mensagens de amor.

Tenho a impressão de que 99,9% dos habitantes do nosso Planeta gostam de música. Não é por acaso quer as pessoas românticas relacionam suas relações amorosas com uma canção.

Atualmente, os pediatras já recomendam que os pais coloquem um aparelho de som com o volume bem baixinho no quarto do recém-nascido. O grande filósofo grego Aristóteles sugeriu que a música fosse ensinada às crianças, por ela ter grande influência na formação do caráter.

Por sua vez, o eminente pensador chinês Confúcio, disse o seguinte: “Se alguém desejar saber se um reino é bem ou mal governado, se sua moral é boa ou má, examine a qualidade de sua música que obterá a resposta”.

É de Dorival Caymmi, compositor baiano, o samba cuja letra diz:

“Quem não gosta de samba
bom sujeito não é
ou é ruim da cabeça
ou doente do pé”.

O exímio instrumentista e compositor paraibano Sivuca, em brilhante participação numa homenagem aos cem anos de Pixinguinha, falou: “Não existe música velha, nem nova. Existe música boa e música ruim. A ruim, o povo esquece rapidamente e a boa, é eterna e sempre lembrada”.

Há poucos dias, encontrei esta frase em algum lugar: “A música é o amor à procura de uma voz”. Infelizmente, ainda não sei quem é o seu autor.

Assim, aqui e acolá, encontramos opiniões ou palpites de quem gosta de música.

Eu por exemplo, sou arriado os quatro pneus por música. Mas confesso que sou meio exigente, mesmo sem entender muito da arte. Mas, de uma forma ou de outra, devemos aproveitar a data e procurar escutar uma boa composição, seja cantada ou apenas instrumental, pois só assim, tornaremos o nosso dia mais agradável.

Devemos, portanto, render nossas homenagens aos autores, intérpretes, arranjadores, instrumentistas e, ao mesmo tempo, agradecer às emissoras de rádio que ainda se preocupam em dedicar parte de sua programação à música de boa qualidade.

ANTÔNIO MARIA ARAÚJO DE MORAIS

Antônio-Maria

Antônio Maria (Mar/1921 – Out/1964)

Nasceu no Recife em 17 de março de 1921 e amou a sua cidade até os últimos instantes de sua vida, mesmo tendo que deixá-la por causa da profissão que abraçou e exerceu em toda a sua plenitude.

Pertenceu a uma família que desfrutava de boa situação financeira, razão pela qual estudou em bons colégios. Aos 17 anos já era boêmio de carteirinha e escrevia as suas primeiras crônicas para os jornais da capital pernambucana.

Antônio Maria como jornalista fez de tudo. Atuando nos jornais, no rádio ou na televisão, passou por diversas funções. Redigiu crônicas impecáveis, foi locutor, animador de auditório, narrador esportivo e diretor.

Escolheu a música como forma de expressar a sua saudade pela cidade que o viu nascer. Em 1951, iniciou a sua brilhante trajetória como compositor com o frevo-canção intitulado Frevo nº 1 do Recife, composição que lhe abriu as portas para o sucesso.

Mais tarde, escreveu outros frevos para homenagear o Recife e ao mesmo tempo enveredou por outros gêneros musicais, caprichando notadamente no samba-canção, ao qual deu profundos sintomas de dor de cotovelo, a impiedosa roedeira que maltrata sem pena a todos aqueles que se arriscam a amar sem limites.

 

Deixou para o nosso cancioneiro pouco mais de 60 canções. Boa parte feita em parceria com os melhores compositores de sua época, mesmo sendo bamba tanto fazendo letras como melodias.

Manhã de Carnaval de sua autoria em parceria com Luiz Bonfá e Ninguém me Ama, figuram entre as suas composições mais gravadas no Brasil e lá fora.

Fez mais dois frevos para homenagear a sua terra natal: Frevo Número 2 do Recife e Frevo Número 3 do Recife. No quesito samba-canção, apesar de poucos, a qualidade do produto preencheu as exigências tanto dos críticos, quanto dos apreciadores das músicas com forte carga sentimental e, acima de tudo, dançantes.

Além das já citadas, merecem destaque Portão Antigo, Menino Grande, O Amor e a Rosa, Samba de Orfeu, Pense em Mim, Fulana de Tal, Valsa de Uma Cidade e Suas Mãos, entre outras.

Com muita honra, assisti ao relançamento do CD AO AMOR, ONDE O AMOR FOI DEMAIS, gravado pela excelente cantora DALVA TORRES, no dia 17 de março de 2011, no auditório da Fundação Joaquim Nabuco. Naquela data, ele completaria 90 anos.

Aos mais interessados pela obra desse importante pernambucano, cuja morte ocorreu no dia 15 de outubro de 1964, sugiro que leiam no Jornal do Commércio de ontem (14/Out), a excelente matéria assinada pelo competentíssimo José Teles, que além de jornalista é boêmio. (Clique aqui para ler

DUAS CARAS

Cresci ouvindo os mais velhos dizerem: “Fulano tem duas caras”. Atualmente, acho que são raríssimas as pessoas que possuem apenas duas. E se a figura pertencer à classe política, certamente deve ter pra mais de trinta.
 
Como estamos em início de campanha, sem dúvida teremos o desprazer de conhecer as diferentes faces dos famigerados caçadores de votos.
 
Agora, todos são simpáticos, sorridentes, agregadores, de fácil convívio (ou como diria o saudoso Luiz Leite: fáceis de tanger), caridosos, carismáticos, disponíveis pra tudo.   
 
Fazem questão de comparecer a todo tipo de evento, ou reunião social, desde clube de dominó, a festinha de primeira comunhão, dançam ao som das músicas de Xuxa e participam até de aniversário de boneca. Tudo isso, sempre acompanhados dos inseparáveis xeleléus.
 
Apesar de se declararem  abstêmios, não recusam uma boa dose, seja de cachaça, de batida, de vinho de jurubeba, tomam cerveja quente e tudo o que lhe oferecem. E o tira-gosto? Podem botar sarapatel de três dias, charque ardida, buchada mal preparada, tripa assada cheirando ao recheio natural e qualquer tipo de mortadela, que eles traçam. Político em campanha toma até iogurte com data de validade vencida e ainda lambe os beiços, fingindo satisfação.
 
Passadas as eleições, a coisa muda de feição. Os perdedores fecham a cara e a casa. Não recebem nem carteiro. Chamam a todos de traidores e culpam até os parentes.
 
Os candidatos de fora desaparecem e só voltam no próximo pleito, fazendo parte de outra legenda, falando mal dos ex-aliados, acompanhados de outros cabos eleitorais e certos de que somos uns bobos.
 
E os eleitos? Bem, esses, a gente raramente encontra. Estão sempre apressados, esquecem as promessas, os compromissos, o convívio social, as reais necessidades da população e dão prioridade às obras eleitoreiras em detrimento das de interesse geral.
 
Dizem ser democratas, mas não aceitam críticas e muito menos, opiniões contrárias.
 
Logo que começam a surgir os comentários negativos sobre o seu desempenho, respondem com aquela manjada desculpa: herdei uma instituição falida. Os que atuam no poder legislativo arranjam sempre um jeito de justificar a sua fraca atuação como parlamentar.
 
Aproveitando que estamos no período do riso fácil, dos beijinhos, tapinhas nas costas, apertos de mão, dentaduras à mostra, etc. e tal, devemos cobrar deles que dediquem mais atenção aos problemas que afligem a população e que fiscalizem tudo o que mandarem fazer para que nada saia mal feito, como sempre ocorre com os serviços realizados com verbas públicas.

A todos aqueles que nos procurarem em busca do nosso voto, principalmente, se a figura já for velha conhecida de outros carnavais (ou eleições) e não cumpriu nadinha do que prometeu, temos o pleno direito de responder nas urnas com um categórico NÃO.

TUDO PRONTO!

É verdade, gente? É, presidente. Respondem seus bajuladores. Quem se lembra de seu Luiz do capucho? Ele gostava de contar umas “histórias furadas”, mas nada que prejudicasse a ninguém. Suas mentiras eram apenas engraçadas, sem qualquer maldade.
 
Acho que já deu para desconfiar de que estou fazendo alusão às obras da Copa. Conforme já afirmei em outra oportunidade, fui dos poucos a alertar sobre os encargos impostos pela FIFA e a respeito das prioridades dos brasileiros e, principalmente, da falta de responsabilidade dos governantes.
 
Todos eles, na maior cara de pau, estão festejando a chegada do início do Campeonato da FIFA e a entrega dos estádios (ou arenas), como queiram. E os melhoramentos que faziam parte dos pacotes de cada cidade-sede? O gato comeu.
 
Esperamos que a mesma imprensa que se omitiu na hora de opinar, mesmo sabendo dos sacrifícios que seriam impostos aos brasileiros, tenha coragem de mostrar tudo o que não foi feito em benefício das populações atingidas pelas obras, já quem tem gente que ainda espera pelas obras de mobilidade e urbanização, como é o caso específico do Recife.
 
E por falar no Recife, haverá tempo suficiente para fazer uma faxina geral na capital e nas cidades da região metropolitana? Por acaso, se os turistas acharem por bem dar uma esticadinha até o Agreste, a fim de conhecer os encantos cantados em verso e proza nas peças publicitárias governistas? Vai ser um “Deus nos acuda”, podem crer.
 
Estradas em precário estado de conservação, cidades mal iluminadas, ruas esburacadas, esgotos estourados, o diabo a quatro. Mas tem muita gente pensando que os turistas serão iludidos com o clima festivo do período junino. Pura ilusão!
 
Quem achar que estou sendo pessimista ou exagerado é só assistir aos programas de rádio e de TV que cobrem o interior, a começar de Caruaru “a capital do forró”. A maior parte dos horários é tomada por reclamações relacionadas com o saneamento, melhor pavimentação das ruas, ausência de sinalização nas vias públicas, iluminação e atendimento hospitalar.
 
Como não podia deixar de acontecer, vou falar sobre a nossa querida e há muito tempo maltratada Pesqueira. Antes os brasileiros perguntavam vai ter Copa? Agora, os pesqueirenses encontram motivos de sobra para indagarem: VAI HAVER SÃO-JOÃO?
 
Sei não, isso é lá com Santo Antônio. Mas, em todo caso, aconselho aos moradores a tomarem a iniciativa de dar uma “geral” seja limpando o mato, varrendo as ruas e retirando o lixo e entulhos, pois só assim, talvez saiamos melhor na fita.
 
Se por acaso a empresa encarregada da limpeza pública resolver assumir esse serviço que sugeri aos cidadãos é só me procurar que darei uma relação das ruas onde além de muito lixo, existem buracos para serem tapados e mato precisando ser capinado. Garanto não cobrar nada por esse trabalho de fiscalização que exerço há mais de dez anos, mesmo tendo que  enfrentar cara feia.

O CHORO

pixinguinha (1)

Pixinguinha, que nasceu a 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro, é o grande homenageado no Dia do Choro

A chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil em 1808, provocou mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais. Com a Corte, vieram funcionários e familiares que trouxeram para cá instrumentos e hábitos musicais diferentes daqueles que já eram executados aqui.

A música instrumental já existia no nosso território, pois os indígenas muito antes, já usavam flautas, cornetas, taquaras, trompas, cabaças e outros instrumentos feitos de madeiras ocas e outros materiais.

Aos poucos, notava-se a presença do sotaque brasileiro na maneira de tocar os instrumentos e os ritmos trazidos pelos europeus, até que em 1845, no Teatro Imperial de S. Pedro (atual Pedro Caetano), aconteceu a primeira apresentação musical da polca como dança.

Foi assim que provavelmente surgiu o CHORO, com influências mais diretas da polca e do lundu. A polca virou moda. Era só que se dançava e se tocava nos encontros e rodas musicais realizados na cidade do Rio de Janeiro.

Atribui-se a JOAQUIM ANTÔNIO DA SILVA CALLADO JÚNIOR (1848-1880) a façanha de ter introduzido o CHORO no cenário musical brasileiro a partir de 1870, mais ou menos. Foi CALLADO, flautista e compositor, o fundador do primeiro grupo musical do gênero, ao qual se deu a denominação de “O Choro Carioca”. Por ter pertencido à primeira geração de chorões e ter atuado bastante tocando e ensinando essa maneira plangente de executar o choro, recebeu o título de “Pai dos Chorões”.

O DIA DO CHORO é comemorado no dia 23 de abril, em homenagem a PIXINGUINHA (1897-1973) maior expoente da música popular brasileira. Filho de músico, o iluminado instrumentista e compositor deixou verdadeiras joias para enriquecer o nosso cancioneiro. Lamentos, Rosa, Vou Vivendo, Naquele Tempo e Carinhoso são algumas delas.

Marisa Monte e Paulinho da Viola interpretam “Carinhoso”, de Pixinguinha:

O CHORO apesar de ter passado uma época meio esquecido, aos poucos, retomou o seu lugar, graças à luta de grandes nomes da música instrumental, seja interpretando ou compondo.

Em Pernambuco o choro é produto de primeira qualidade. Isto tem motivado comentários elogiosos de Ícones como Paulinho da Viola, Pedro Amorim, Maurício Carrilho, Hamilton de Holanda, Henrique Cazes, Guinga, Reco do Bandolim e Luciana Rabello.

DIA DO CHORO-RADIO JORNAL

Este colunistas na Rádio Jornal de Pesqueira, PE, hoje, homenageando o Dia do Choro

Marco César, Adalberto Cavalcante, Henrique Annes, Bozó, Dalva Torres, Inaldo Moreira, Carlos Dantas, José Arimatea e Luiz Guimarães trabalham diuturnamente na divulgação desse gênero que teve João Pernambuco, Rossini Ferreira e Luperce Miranda como precursores.

Não devemos esquecer a importância dos clubes do choro em algumas cidades brasileiras e a existência de escolas como a Portátil de Música do Rio de Janeiro e a que funciona na sede da Cruzada Feminina de Pesqueira, de onde estão surgindo verdadeiras promessas, justificando, assim, a fama de “berço” de grandes “chorões”.

BIBLIOGRAFIA:
(Dicionário Cravo Albin da MPB).
Encartes de CDs (inúmeros)
Agenda do Samba & Choro.

AGORA VAI!

Um amigo de inteira confiança me telefonou hoje cedinho para dar algumas notícias. Confesso que vibrei tanto quanto em 1956, ano em que Eraldo Maciel conseguiu o que seria o meu primeiro emprego na Loja Sant’ Águeda, onde trabalhei durante cinco anos.

Organizadíssimo, o interlocutor separou os fatos ligados ao nosso município, colocando-os em primeiro plano; em seguida, relatou as boas novas relacionadas com o Estado de Pernambuco; por fim, fazendo um pouco de suspense, o caboclo antecipou uma série de medidas que certamente deixarão os brasileiros bem otimistas.

Sem mais delongas, vamos às mais importantes: No âmbito municipal, tem-se como certo que os contratos com as empresas que fazem a coleta do lixo e a limpeza urbana serão rescindidos e esses serviços ficarão a cargo de outras (e até das mesmas), desde que se equipem adequadamente e sejam escolhidas mediante rigoroso processo de licitação. Medida idêntica será adotada em relação à empreiteira que cuida dos calçamentos.

Disse, ainda, o informante, que a prefeitura – como fazia nos velhos tempos – vai colocar fiscais a fim de verificar se as obras estão sendo realmente bem feitas.

A melhor de todas as informações é que a Câmara de Vereadores de Pesqueira acaba de aprovar o novo Código de Posturas do Município e daqui por diante, as nossas ruas estarão rigorosamente limpas, sinalizadas, monitoradas por câmeras, as construções serão fiscalizadas, as calçadas ficarão livres dos tabuleiros das lojas, as vias públicas deixarão de ser depósitos de lixo, entulhos e materiais de construção e quem sujar, será multado. Que legal!

Lembrou também que nesta terça-feira, impreterivelmente, teremos a inauguração oficial da mini-academia situada bem ali na Praça Joaquim Mota Valença. Devemos comparecer para ajudar a retirar aquelas placas que estão lá há quatro anos sem nenhuma serventia.

O governador Eduardo Campos estará em Pesqueira antes de deixar o governo, com a finalidade de assinar a ordem de serviço que autoriza a obra prometida em 2009, pelo então presidente da COMPESA Sr. João Bosco de Almeida. Já esqueceram? Eu não.

Na esfera estadual, soubemos que a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, o governo de Pernambuco vai proibir que as repartições públicas, inclusive escolas, comprem água mineral embalada em garrafinhas e garrafões. Toda a água necessária para o consumo será fornecida pela eficiente estatal conhecida como COMPESA.

De Brasília, temos notícias excelentes: A presidente Dilma, apesar de abalada com a repercussão negativa causada pela compra da refinaria americana chamada Pasadena e sabendo que foi o ex-ministro de Minas e Energia- hoje o seu maior desafeto-, quem implantou o fracassado projeto das Usinas de Biodiesel em 2005, resolveu ressarcir o dobro do que o município de Pesqueira investiu naquele monstrengo erguido na margem da BR-232.

Fontes fidedignas do Planalto afirmaram que os rombos encontrados nas contas da PETROBRAS, foram motivados por insignificantes erros nos computadores.

E por falar em contas, o Ministério dos Esportes garante que depois da Copa, “no máximo” dentro de uns vinte anos, os brasileiros ficarão sabendo quanto foi gasto pelos Estados e pela União nas arenas destinadas a esse torneio muito lucrativo para a dona FIFA, que apesar de receber tudo de mão-beijada, ainda bota gosto ruim.

Ainda sobre a Copa do Mundo, o Ministro do Turismo, baseado em dados das Secretariais Estaduais e Municipais da área, informa que todas as cidades dos Estados onde haverá jogos, estão prontas para receber os turistas e garante que ninguém será explorado.

Ficou assustado com tanta notícia positiva? Tem mais, só que o espaço acabou.

Acalme-se e dê uma olhadinha no calendário.

“OS INOCENTES”

O título acima passa a impressão de que vou comentar um filme inglês produzido em 1961, estrelado pela premiadíssima atriz Deborah Kerr. Mas como falar sobre uma película cinematográfica que não assisti?

Pretendo, sim, tentar analisar algumas trapalhadas encenadas pelos nossos políticos, que poderiam ser transformadas em comédias se as suas consequências não fossem tão trágicas para as futuras gerações.

O mensalão, escândalo político que envolveu a cúpula do governo, teve como cenário uma sala bem próxima ao local de trabalho do presidente, mas ele não viu.

O Banco Rural, com sede em Brasília e dirigido por gente da inteira confiança dos governantes de plantão, permitiu saques e transporte de milhões de reais em sacos e sacolas, sem que ninguém visse. Ainda bem, que depois de dez anos sendo a principal manchete nos veículos de comunicação daqui e de fora, o caso resultou na condenação e prisão de políticos, empresários e outras espécies de espertalhões.CDN

O Ministério da Saúde andou “derrapando” ao adquirir ambulâncias por preços exorbitantes, episódio que ficou conhecido como “operação sanguessuga”.

Alguém se lembra de um acordo celebrado entre Lula e um espertinho chamado Hugo Chaves? Ele morreu sem nunca ter aplicado um centavo, mesmo considerando a Venezuela sócia da Refinaria Abreu e Lima. E tem mais: a obra ainda está bem longe de ser concluída enquanto que seus custos subiram que só foguetão em dia de comício.

Outro “negócio da China” foi a compra de uma refinaria americana chamada Pasadena por preço acima do seu valor real, transação que, segundo os entendidos, resultou num baita prejuízo para o Brasil.

O espantoso endividamento da PETROBRAS nos últimos anos vem ocupando consideráveis espaços nos jornais do Brasil e do exterior.

E os gastos com as arenas e a realização da Copa do Mundo? Isto, saberemos depois do evento. Por enquanto, tudo está registrado em “confiáveis” rascunhos.

Todos esses trambiques aconteceram de 2003 para cá e contaram com a participação de figurões da república, cujo guia fez carreira arrotando santidade.

Mas, como a mentira tem pernas curtas e não existe mal que dure para sempre, aos poucos, a verdade está sendo exposta e as desculpas são as de sempre: Lula já disse mais de uma vez que não sabia. Dilma, sua aluna e seguidora, sem a menor cerimônia declarou que assinou os contratos sem ler. Achando pouco, justificou que os pareceres técnicos em que se baseou continham falhas.

No meu entender, procedimentos assim, abrem perigosos precedentes para que governadores e prefeitos “gastem os tubos” como se diz por aqui, e depois apresentem as mesmas justificativas. E os tribunais de contas nada poderão fazer já que perante a lei os políticos são todos iguais. E ainda há quem ache que esse PAÍS tem futuro.

MAS RAPAZ!

“Fazendo a barba com a torneira aberta, hein?”. Hoje, decorridas mais de três décadas, ainda me lembro dessa advertência exibida na televisão em que um ator de voz grave, dono de um volumoso bigode branco, flagrava um jovem se barbeando no banheiro, sem se dar conta do desperdício de água causado pelo seu ato.

Um pouco antes, em janeiro de 1967, fui a Recife a fim de tirar a minha carteira de identidade e vi em um restaurante localizado perto das Lojas Viana Leal, um funcionário controlando o fluxo da torneira enquanto os clientes lavavam as mãos.

Tudo isto, por causa da impiedosa seca que castigava a Região Nordeste. Com tristeza e ao mesmo tempo, revolta, sou forçado a dizer que daquela época até os dias atuais, quase nada mudou.

O desequilíbrio ecológico causado pelo crescimento das cidades há muito vem mostrando que o Homem não ficará impune pelos crimes praticados contra a Natureza.

Só os governantes fingiram ignorar esse desastre amplamente anunciado. As secas sempre ocorreram, mas agora as consequências são maiores, porque aumentaram as áreas e o número de pessoas atingidas.

Para os políticos, a saída mais cômoda é colocar a culpa nos longos períodos de estiagem. Mas por que não fizeram a parte deles?

No caso de São Paulo, por exemplo, no início deste mês, um cidadão bem informado disse a um repórter de renomado telejornal que a SABESP tempos atrás, deixou de investir em projeto mais promissor para a capital paulista e preferiu apostar no já exausto sistema Cantareira, por sair um pouco mais barato. Os resultados estão aí.PAO-DE-AÇUCAR

Dando um “pulinho” da maior metrópole brasileira para a nossa Pesqueira, encontramos situação semelhante em se tratando de descaso governamental.

A construção da Barragem de Pão de Açúcar no início da década de 1980, quando o governador era o Dr. Roberto Magalhães, constava de um projeto que previa outras barragens ao longo do Rio Ipojuca. Mas a ideia não saiu do papel, porque os governadores que o sucederam não quiseram e os pesqueirenses e habitantes dos outros municípios que seriam beneficiados pela obra, tão omissos e acomodados quanto nós, simplesmente não exigiram.

Os belo-jardinenses, sempre na vanguarda, quando os interesses de seu município estão em jogo, lutaram e conseguiram uma barragem no leito do Ipojuca.

Diante dessa situação de penúria que passamos por não termos água nas torneiras devido à falta de ação dos políticos, perguntamos: Onde estavam as nossas lideranças que assistiram passivamente essa maneira absurda utilizada para abastecer o nosso município? Já faz quase trinta anos que a água de pão de açúcar desce rio abaixo, percorre dezoito quilômetros até o sítio Caianinha e de lá é bombeada para a nossa estação de tratamento, operação que seria simplificada com a instalação de uma adutora.

O pior é que nesse percurso, além dos desvios, ocorrem também a evaporação e a contaminação por tudo quanto é nocivo ao ser humano. Sem falar no desperdício!

É nessas ocasiões que lembramos e sentimos muita falta do cidadão Othon Almeida, zeloso funcionário do IBGE e acima de tudo um pesqueirista de primeira.

E você aí, rapaz, continua lavando sua moto, seu carrão e o seu terraço usando a mangueira do jardim? Quanta falta de solidariedade meu caro pense também nos outros.

PREVINA-SE

Dados reais comprovam que no período carnavalesco aumentam os acidentes no trânsito, a propagação de doenças contagiosas, os índices de violência urbana e até as crises conjugais. Mas, em contra partida, surgem novos romances, ou relacionamentos, como se diz hoje em dia.

Nos carnavais de antigamente, eram feitas várias recomendações às pessoas que brincavam, seja nas ruas ou nos clubes.CAIPORAS

Lembro-me apenas de umas que recomendavam usar óculos, não passar onde estavam dando banho com tintas, substâncias sujas, oleosas ou que irritassem a pele.

Alguém poderá perguntar: usar óculos por quê? Porque houve um tempo em que foliões mais afoitos jogavam talco e lança-perfume nos outros e quando atingiam os olhos, o caboclo via estrelas. Dava até briga.

De uns tempos para cá, o teor das dicas mudou bastante. O Ministério da Saúde, por exemplo, preocupado com as doenças sexualmente transmissíveis, passou a sugerir aos jovens que, por precaução, levem consigo determinados adereços que nada têm a ver com o carnaval, mas provavelmente surtirão alguns efeitos positivos.

Se qualquer vivente menos avisado me indagasse o que deveria usar para se proteger neste carnaval que está começando, sem pestanejar, aconselharia um repelente, já que ainda não existe vacina para tal.

Creio ser do conhecimento de 95% da população (brincante ou não), que este ano teremos eleições. Em razão desse acontecimento que geralmente só é benéfico para os políticos, as ruas, os palcos, as festinhas familiares, os blocos e troças serão invadidos pelos inconvenientes caçadores de votos. O assédio eleitoral é uma praga quase inevitável.

Essa turma tem a mania de abraçar, apertar a mão, beijar e falar no pé do ouvido da gente e isto, acreditem, representa um enorme perigo para a nossa saúde. Acho, portanto, que o melhor jeito de se defender é manter distância. Na impossibilidade, encurte o papo.

Agora, se não conseguir evitar o contato, fique blindado aplicando o REPELENTE, cuja fórmula é a seguinte: demonstre total desinteresse pela conversa, seja contestador, defenda com firmeza seus pontos de vista e comece a fazer cobranças relacionadas com promessas feitas por ele – o candidato, seus correligionários ou corta jaca – em outras oportunidades.

Essa sua atitude, certamente o fará perder o rebolado e procurar outra paróquia a fim de tentar enganar os incautos.

Não se descuide e tenha um bom carnaval.

NOVE DE FEVEREIRO

Frevo Canção
Autores: Walter Jorge/Itamar Leite

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Corram pras ruas
João, José e Maria
Para festejar o dia
Do frevo e aproveitar
Vamos ouvir Capiba
Levino e Luiz Bandeira
Edgard e Nelson Ferreira
A frevança comandar

Mostrando ao mundo inteiro
O que é frevar
Em nove de fevereiro
É só alegria no ar
Mostrando ao mundo inteiro
O que é frevar
Em nove de fevereiro
É só alegria no ar

Que bonito é
Sentir a magia que faz bem
No bloco o povo é só alegria
Na grande folia não para ninguém
Ser pernambucano
É receber a energia que o frevo tem
Povo e frevo com euforia
Pelo seu dia
Que é meu também.

YES, NÓS TEMOS ARENAS

Vai voltar tudo de novo. É por isso que dizem: velho é bicho besta. Mal começa janeiro, eu fico a me lembrar daquelas marchinhas carnavalescas dos anos cinquenta e sessenta, que por terem sido muito tocadas no rádio, ficaram “remoendo” na minha cabeça.

Seus autores, notáveis cronistas sociais, conseguiram enorme sucesso por causa das letras feitas com o intuito de criticar as situações vivenciadas nas metrópoles brasileiras, aproveitando-se sempre do período de carnaval, quando as multidões estavam nas ruas e nos clubes.

A grave crise do fornecimento de água e luz no Rio de Janeiro serviu de inspiração para que Paquito compusesse a marcha Tomara que Chova. Victor Simon e Fernando Martins presentearam os foliões com Cidade Que Nos Seduz.

João de Barro não deixou por menos e fez Yes, Nós Temos Bananas, em parceria com Alberto Ribeiro. Confesso que não sei a que problema essa música fazia referência, mas ela alcançou relativo sucesso a partir do ano de 1937.

João Roberto Kelly, autor de inúmeros sucessos carnavalescos, marcou um gol de placa ao compor a marcha A Cabeleira do Zezé, que segundo ele, surgiu de uma brincadeira com um conhecido garçom do Copacabana Palace, porque sua cabeleira chamava a atenção naquela época. O apelido Zezé é fictício. Coube a Jorge Goulart gravar e conquistar o Brasil com o seu vozeirão. Ainda hoje é uma das mais cantadas.

Estivessem os compositores carnavalescos contemporâneos mais atentos, não faltariam motivos nos dias atuais para servirem de temas para frevos e marchinhas.

Essa irresponsável invenção de fazer uma Copa do Mundo aqui no Brasil, por exemplo, seria um prato cheio para os antigos compositores, principalmente os cariocas.

O Mensalão, a falta d’água e os constantes desligamentos de energia elétrica no Rio e outras cidades brasileiras, certamente não passariam em branco. As mentiras dos políticos, os discursos de Lula e Dilma, o “reinado” da família Sarney, a santidade do casal Garotinho, as “verdades” de Maluf, o Rio novamente sem água e energia, também dariam bons enredos..   Mudando um pouco o rumo da conversa, neste início de semana, emissários da FIFA voltaram a fiscalizar as obras projetadas para a Copa do Mundo.

Embora o governo negue, sabemos que a maioria do que foi prometido não sairá do papel. Os governantes juraram que não entraria dinheiro público, mas está ocorrendo justamente o contrário. Tudo em nome da emergência. As empreiteiras estão adorando! 

O certo é que teremos as arenas, os jogos e tudo mais relacionado com o maior torneio de futebol do Globo, entretanto, grande parte da população brasileira continuará sem contar com boas escolas públicas, nossas universidades cada vez mais sucateadas, a saúde pública sem atender às carências dos cidadãos mais pobres, os aeroportos recebendo “puxadinhas” em vez de melhoramentos, a nossa malha rodoviária em estado deplorável e os presídios transformados em depósitos de gente.

E tem mais um detalhe: depois da Copa, alguns estádios (ou arenas), ficarão sem serventia e provavelmente em pouco tempo estarão em ruínas, numa gritante afronta à pobreza que campeia em boa parte do território brasileiro.

OLHA O NÍVEL, GENTE BOA!

Pois é, a campanha mal começou e a turma já está se estranhando. Começou é um modo de falar, pois todos estão carecas de saber que desde 2010, esse bate-boca vem rolando.

Quem seria capaz de dizer quando foi que Dilma deixou de fazer campanha? E Eduardo, ao dar emprego aos adversários que ficaram sem mandatos não estaria também cabalando votos?

No meu modo de entender, tudo caminha mais ou menos de acordo com o figurino. Sempre foi assim e não mudará tão cedo.

Mesmo considerando a atual situação política brasileira como normal, não dá para aceitar a forma como antigos aliados estão preparando suas caminhadas em palanques opostos com o objetivo de assumir o comando deste Brasil cansado de guerra.

Alguém acha decente a maneira como Dilma e Eduardo (PT e PSB) estão agindo? Como o povão irá encarar tantas agressões verbais e retaliações entre líderes partidários que até bem pouco estavam no mesmo palanque trocando tapinhas nas costas e elogios?

Num regime democrático as divergências são mais que necessárias. Os cidadãos desfrutam do pleno direito de expressar suas opiniões. Mas tudo deve ser feito de forma coerente e respeitosa, o que verdadeiramente não vem acontecendo.

A propósito, nos últimos dias do ano que findou, assisti a uma entrevista que o ex-presidente Fernando Henrique deu a um canal de TV. A certa altura, o entrevistador fez de tudo para que FHC abordasse um episódio desagradável largamente explorado pela mídia há poucos dias envolvendo o também ex-presidente Lula e membros de seu partido, mas a velha raposa agiu com elegância.

Não quero aqui santificar ninguém, entretanto considero correta a sua conduta sempre que se refere aos petistas que o substituíram no poder. Suas críticas são restritas ao campo político e nunca atingem o lado pessoal.

Acho que se Jarbas e Eduardo tivessem sido mais corteses entre si tempos atrás, a união agora ensaiada por ambos, teria uma repercussão mais leve. Os dois, até prova em contrário, não estão muito à vontade para aparecer na frente do eleitor como aliados.

Os políticos e as autoridades em geral têm o dever de dar bons exemplos às populações mais jovens. A moçada de hoje anda muito desligada da política e isto – tenho a impressão – é consequência do mau comportamento da maioria dos grandalhões deste país.

A DESPEDIDA

Toda despedida tem o seu lado melancólico. O término de um ano, por mais que tentemos, não conseguimos fugir do clima de incertezas que vem ao notarmos que o calendário está prestes mudar.

Posso estar exagerando, mas acho que no cômputo geral, o ano que está chegando ao seu ocaso, não vai deixar muitas saudades. Mesmo que pessoalmente nada tenhamos a reclamar.

O Mundo sofreu catástrofes de grandes proporções e várias nações não conseguem vislumbrar a possibilidade de ver as coisas melhorarem tão cedo.

O Brasil, além dos problemas gerados pelas fortes chuvas em umas regiões e a seca em outras, está sendo fortemente castigado pela violência urbana, gerada, talvez, pela impunidade, pelo descaso e incompetência dos poderes públicos.

No aspecto político, é provável que as manifestações públicas tenham despertado os nossos governantes para realizações mais arrojadas. O governo federal faz muita propaganda de suas obras, mas nem sempre conclui as mesmas.

Os diversos programas sociais amplamente divulgados pela mídia não passam de paliativos e vários deles, dependem da participação dos municípios com verbas e gestão.

Os pernambucanos assistem o segundo governo de Eduardo Campos caminhar para o seu final sem que tenham ocorrido melhorias no sistema viário do Estado. A educação também padece da falta de ações que tornem o ensino mais eficiente. Os cidadãos do interior continuam “passeando” nas ambulâncias à procura de atendimento hospitalar.

No caso específico do Município de Pesqueira, não há como esconder que reina grande frustração na maioria de seus habitantes. Esperava-se mais.

Os munícipes cobram e com razão, mais eficiência no serviço de coleta do lixo. Já está ficando repetitivo falar sobre os problemas do trânsito da cidade. Até parece que estamos numa metrópole.

Mais uma vez, insistimos na necessidade de providências no sentido de organizar a ocupação dos espaços públicos, não só no centro como na periferia.

Por falar em periferia, tomamos a liberdade de pedir aos secretários de obras, urbanismo e turismo que deem uma voltinha pelas ruas Presidente Carvalho, Carlos da Silva Leitão, Adalberto de Freitas, São Vicente, Avenidas D. Adalberto Sobral, Dr. Joaquim de Britto, F. Pessoa de Queiroz, Manoel Borba, Travessa da Vitória. Conhecendo as mazelas ao vivo, fica melhor para solucioná-las e isto deve ser feito sem falta, antes da Festa de Santa Águeda e do Carnaval, se quisermos sair melhor na fita.

A falta de entendimento entre a COMPESA e a prefeitura é outra pendência que exige solução urgente. No bairro de Pedra Redonda temos um exemplo claríssimo, como diria Aprígio Amaral: A estatal abriu o calçamento para colocar nova tubulação, a pavimentação ficou esburacada e isto já provocou alguns acidentes de motos. Por se tratar de uma via de grande movimento, até que decidam quem vai consertar, o local deve ser sinalizado o mais rápido possível.

Vamos ficando por aqui com tanta reclamação. Desejamos que em 2014, nossos governantes façam aqueles ajustes que suas equipes merecem e as coisas melhorem.

Feliz Ano Novo, com saúde, paz, harmonia e dinheiro também.

CONCEITOS SOBRE RIQUEZA (ONTEM E HOJE)

A iminente derrocada desse bilionário de mentirinha chamado Eike Batista está me deixando cheio de lembranças dos tempos de menino, quando junto com os amiguinhos, brincávamos com maços de cigarro vazios como se fosse dinheiro. Éramos ricos, mas não tínhamos grana nem para comprar uma cocada ou mesmo uma mariola.

Naqueles velhos tempos, ao vermos alguns garotos se divertindo em local à parte, já sabíamos, eram os filhos dos ricos que evitavam se misturar com os pobres. O danado é que as melhores brincadeiras eram as coletivas e eles acabavam se juntando aos menos favorecidos e se divertiam às pampas.

Quem eram os ricos daquela época? Bem, sempre que ouvíamos falar que fulano era rico, a ideia que vinha à nossa mente era de que aquela pessoa tinha muito dinheiro (em casa e em um banco da capital), joias, terras a perder de vista, pra lá de mil cabeças de gado, pertencia a uma família geralmente numerosa e de boa aparência, não devia a ninguém, apesar de ter muito crédito.

Na sua fase áurea, a SUDENE forjou inúmeros ricaços aqui no Nordeste, “irrigando” suas empresas (muitas de fachada) com dinheiro dos bancos oficiais, em troca de apoio político. Quando chegava a oportunidade de quitarem os débitos bancários e recolher impostos ao Estado e ao município, dos quais receberam incentivos, elas se mudavam para outra sede, onde passavam a gozar dos mesmos benefícios.

Modernamente, o conceito de rico está banalizado e além do mais, deixando os abestalhados cheios de pose, julgando-se imortais, acima de tudo e de todos, muito bajulados pelos políticos de plantão e, por conseguinte, vivendo de ilusões.

Há poucos dias, os jornais e revistas daqui e de fora do país dedicaram páginas e mais páginas a um cara que era considerado como dono da maior fortuna desta terra de Cabral. Suas empresas eram representadas por siglas estranhas que normalmente escondiam a identidade de seus acionistas e as atividades exploradas.

Mas, como se diz aqui no interior, a mentira tem pernas curtas. De uma hora para outra, MMX, MPX, OGX e mais algumas, começaram a entrar em estado de insolvência e a bomba estourou. Eike está tendo dificuldades para cumprir os compromissos financeiros. Os milhões de reais que o BNDES e diversos bancos estatais lhe emprestaram, dificilmente serão recuperados. Este tipo de calote não é novo.
O episódio em pauta acaba por gerar uma dúvida: se as empresas desse grupo estavam inadimplentes com a Previdência e demais órgãos arrecadadores, como conseguiam as certidões negativas exigidas para realizar tantos financiamentos? Sei não. Aí tem coisa!
Por uma estranha coincidência, o falso rico figura entre os grandes doadores de dinheiro para campanhas políticas não muito remotas.

E assim, uma dinheirama que daria para ajudar a centenas de empresas de pequeno porte, foi colocada nas mãos desse megalomaníaco, com o consentimento do governo e, ao que tudo indica, o “pepino” vai sobrar para os contribuintes. Seus ex-empregados certamente ficarão desamparados.

Como dizia certo humorista da TV: “É bonito isso?”.

O DIA NACIONAL DO SAMBA

Nesta segunda-feira, 2 de dezembro, comemora-se em todo o Brasil, O Dia Nacional do Samba. O Estado da Bahia foi o primeiro a festejar a data para prestar homenagem ao compositor mineiro Ary Barroso, autor dos sambas Na Baixa do Sapateiro, Aquarela do Brasil e outras preciosidades musicais do gênero conhecido como samba exaltação.

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O samba – dança popular brasileira cantada e música de compasso binário tem suas ligações com os ritmos batucados, acompanhados por palmas dos bailes folclóricos denominados sambas.

Embora tenha nascido na Bahia no século XIX e a sua origem seja marcada pelos batuques africanos, foi no Rio de Janeiro, apesar das perseguições que lhe foram impostas, que o samba conseguiu espaços apropriados para evoluir, fato que fez com que vários compositores baianos passassem a residir na Cidade Maravilhosa.

No início do século XX, o samba foi conseguindo seus espaços e ao mesmo tempo ganhando estilos diferentes, segundo os autores e intérpretes que foram surgindo.

O SAMBA DE BREQUE tem ritmo sincopado e é cantado com paradas súbitas para que o sambista conte uma piadinha ou faça um comentário engraçado.

O SAMBA-CANÇÃO surgiu na década de 1920, com a composição Iaiá (Ai, Ioiô), de Henrique Vogeler, Marques Porto e Luis Peixoto. Tem andamento lento e sua melodia marcada quase sempre pelo romantismo.

SAMBA CARNAVALESCO – Nome dado aos sambas feitos para serem dançados e cantados nos festejos carnavalescos.

SAMBA-CHORO – sua melodia é feita tendo como base o fraseado do choro.

SAMBA-ENREDO – Modalidade feita por compositores ligados às escolas de samba. Seu aparecimento se deu no início da década de 1930 e é cantado durante os desfiles carnavalescos. A composição de Felisberto Martins e Henrique Mesquita – Natureza Bela -, gravada por Gilberto Alves em 1940 pela Odeon, figura como o primeiro samba do gênero.

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SAMBA-EXALTAÇÃO – tem melodia longa e sua letra aborda temas patrióticos. Seus intérpretes são acompanhados por orquestras e os arranjos complexos.

Segundo alguns sambistas, Getúlio Vargas teve grande influência na divulgação do samba exaltação, ao sugerir aos compositores que fizessem músicas explorando a beleza e as riquezas do país a fim de despertar o interesse dos turistas estrangeiros.

SAMBA DE GAFIEIRA – de característica instrumental e ritmo sincopado.

SAMBA DE MORRO – criado por frequentadores dos morros do Rio de Janeiro, sua interpretação exige a presença de pandeiro, cuíca, surdo e tamborim.

SAMBA DE PARTIDO ALTO – mistura a dança de batuque com os improvisos dos sambistas conhecedores dos segredos do samba.

Nota-se que o samba tem evoluído e adquirido denominações que variam de acordo com a sua época, existindo ainda outras tantas modalidades menos conhecidas.

Pelo Telefone é o título do primeiro samba gravado. Constam como seus autores os nomes de Donga e Mauro de Almeida. Houve várias reclamações sobre sua autoria.

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Segundo Dorival Caymmi, “Quem não gosta de samba/bom sujeito não é”.

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FONTE: Enciclopédia da Música Brasileira – PUBLIFOLHA.

CARA DE TACHO

Quase todos os dias, entre dezesseis e dezessete horas, dou uma fugidinha do trabalho e vou à minha casa. Quando não ligo o computador, recorro à TV em busca de um programa que valha a pena assistir.

Terça-feira – dia doze de novembro -, mantive a rotina, mas dei azar. Devido ao cansaço, deixei o computador pra depois, acionei o controle do televisor e o único canal que me atraiu a atenção foi a TV Senado.

O motivo é simples: naquele momento, estava na pauta de votação a PEC do Orçamento Impositivo de autoria do senador paraibano Cícero Lucena, que determina a inclusão de mais recursos para a saúde pública.

Cheguei a ficar animado. A maioria votando a favor, fazendo discursos bonitos para justificar o seu voto, parecendo coisa séria.

Infelizmente, devido à minha imaturidade política não desconfiei da cara sorridente do presidente da casa – Renan Calheiros -, que ao dar a sessão por encerrada, não escondia a sua satisfação com o resultado.

Só aí, percebi que não tinha havido quorum suficiente para aprovar a emenda, devido a uma armação da base governista, cujo interesse era impedir a aprovação da matéria. Muitos parlamentares se ausentaram na hora e outros, simplesmente não compareceram.

Tudo – depois foi que entendi -, em obediência às ordens vindas do Palácio do Planalto, cuja ocupante não se cansa de dizer uma coisa diante dos holofotes e fazer outra quando está em seu gabinete.

O mais irritante é saber que esse apoio conseguido nas duas casas do Congresso Nacional é trocado por empregos, participação na distribuição de verbas orçamentárias e outras coisas mais.

Ao que parece, a dita emenda ainda será votada na Câmara e no Senado. Entretanto, em face do cenário político ora reinante nesse país do faz de conta, perdi a esperança de vê-la aprovada.

Ao mesmo tempo, encontrei motivos de sobra para acreditar que o mensalão existiu e talvez ainda não tenha acabado totalmente.

Para amenizar a minha revolta, procurei um CD de Miltinho e coloquei pra tocar aquele velho samba de Luís Reis e Haroldo Barbosa chamado Palhaçada, cuja letra diz: “Cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço, foi este o meu amargo fim”.

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O SONHO QUE DEU CERTO

O Brasil vivia a Era de Ouro do Rádio. Em 1948, a Empresa Jornal do Commércio inaugura no Recife a Rádio Jornal do Commércio. Empolgado com o sucesso do empreendimento, o empresário F. Pessoa de Queiroz, começou a sonhar com a possibilidade de implantar emissoras de rádio fora da capital.

Em pouco tempo, o vitorioso projeto de interiorização da radiofonia em Pernambuco virou realidade. Primeiro, foi a Rádio Difusora de Garanhuns; em seguida, a de Caruaru; logo depois a de Pesqueira e finalmente, um pouquinho mais tarde, Limoeiro ganhou a sua estação de rádio.

Esse acontecimento foi tão importante para os municípios contemplados, que serviu de marco na História dos mesmos.

Pesqueira naquela época tinha um comércio regular e as fábricas estavam no auge de suas atividades, tanto na zona rural como nos parques industriais.

A emissora inaugurada em 15 de novembro de 1951, além de fazer propaganda das empresas locais, divulgava firmas de Arcoverde, Belo Jardim e São Bento do Uma.

Tínhamos uma vida cultural relativamente movimentada e com a chegada da Rádio, nossos poetas, cronistas, seresteiros e músicos em geral foram conquistando seus espaços na emissora e ao mesmo tempo, ganhando experiência e prestígio, devido ao contato com artistas da capital pernambucana, do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Os jogos de futebol locais passaram a ser transmitidos por uma eficiente equipe esportiva. Os programas de auditório semanais serviram de laboratório para os jovens cantores, que aos poucos foram ficando mais conhecidos na região.

“Rapazes de ontem” como dizia certo apresentador, formaram um grupo de serestas e devido à projeção dada pelas transmissões, ganharam fama e começaram a receber convites para apresentações em outras cidades.

Os irmãos Nelson e Roberto Valença, coadjuvados por Rossini Moura escreveram radionovelas e a nossa rádio incluiu na sua programação diária. O elenco de radioatores era composto por gente da casa. Alguns seguiram a carreira em centros mais adiantados, graças ao aprendizado na ZYK-25.

Veio a modernidade e com ela os satélites e a internet. Agora somos Rádio Jornal Pesqueira e falamos em cadeia para o restante do Mundo.

Nesta data tão importante, estamos todos felizes e em festa pelos sessenta e dois anos alcançados.

Parabéns à Rádio Jornal! Parabéns, Pesqueira!

PARADA DE SUCESSOS

Esse episódio pré-eleitoral ora encenado no Brasil poderia ser narrado através de joias da MPB, cujas letras falam de brigas, separação, roedeira, despedida, etc. e tal.

Foi dessa maneira que DU, chegou perto de DI e cantou: “Tudo acabado entre nós, já não há mais nada”.

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DI, em cima do ato, aconselha: “Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida, já anuncias a hora de partida, sem saber mesmo o rumo que irás tomar”.

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LU, antigo rei, disfarçado de aposentado, dá o seu recado: “Quem sou eu, pra ter direitos exclusivos sobre ela”.

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DU reinicia o diálogo e solta a voz: “Seu mal é comentar o passado, ninguém precisa saber, o que houve entre nos dois”.

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Aí, DI que detesta ficar calada, responde: “Risque, meu nome do seu caderno, já não suporto o inferno, do nosso amor fracassado”.

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Por sua vez, DU, romântico e ao mesmo tempo vingativo, retruca: “Você é que pensa que poderá viver sem mim”.

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DI, geniosa desde criancinha, descarrega sua ira: “Vai, vai mesmo, eu não quero você mais, nunca mais”.

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LU sai do seu silêncio e adverte: “Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei”.

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DU, já em nova companhia, solta uns versinhos: “Quem nos vê brigar, quase a nos matar, há de pensar que essa louca, não gosta de mim”.

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DI, demonstrando sua ironia: “Quem é você que não sabe o que diz?”.

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Finalmente, DU, tenta encerrar a discussão: “Devolveste cartinhas, bilhetes, tudo mais que te dei com prazer, porém, o que mais me interessa, isso jamais poderás devolver”.

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DI, certa de que o papo será encerrado, diz: “Devolvi tudo, só não posso devolver, a saudade cruciante que amargura o meu viver”.

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A essa altura, a plateia fingindo nada entender fica no aguardo de que as coisas se normalizem, para finalmente tomar a sua decisão.

MÚSICAS E COMPOSITORES:

Tudo Acabado (J. Piedade/Osvaldo O. Martins).
O Mundo é um Moinho (Cartola).
Matriz e Filial (Lúcio Cardim).
Segredo (Herivelto Martins/Marino/Pinto).
Risque (Ary Barroso).
Você é que Pensa (Roberto Roberti/Dunga).
Vai, mas vai mesmo (Ataulfo/Alves).
Esses Moços (Lupicínio Rodrigues).
Amigo Ciúme (Lupicínio Rodrigues/Onofre Pontes).
Palpite Infeliz (Noel Rosa).
Devolva-me (Irmãos Orlando).
Devolvi (Adelino Moreira).

O DIA DO FREVO DE BLOCO

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Edgard Moraes (1904 – 1973) 

É hoje. Sabem por quê? Porque há 109 anos, no dia 1º de novembro, nascia Edgard Moraes, aquele que mais tarde ficaria conhecido e seria homenageado como um dos maiores expoentes do frevo.

Edgard Moraes e seu irmão mais velho Raul, dois músicos recifenses muito ligados à boêmia e às serestas, logo cedo, se descobriram amantes do carnaval e o que é mais importante, começaram a compor. E assim, a festa dedicada ao Rei Momo, ficou mais rica, musicalmente falando. De início, compuseram frevos de rua e canção e ainda na primeira metade do século XX, lançaram o frevo de bloco. Os foliões e os críticos especializados aprovaram.

Mesmo com a “partida” de Raul, Edgard não esmoreceu. Também pudera, já estava consagrado e não dava para deixar de compor as melodias e letras com as quais conseguiu arrebatar corações, ganhar a admiração de quem realmente amava a folia e conquistar inúmeros prêmios nos concursos promovidos por órgãos da imprensa e pela prefeitura.

Ser um exemplar chefe de família, um cidadão ligado ao trabalho, compositor carnavalesco, boêmio e seresteiro, não bastavam a esse poeta do frevo chamado Edgard. Ele foi um grande colaborador dos diversos blocos que surgiram quando o lirismo era a tônica do carnaval do Recife. Alguns, felizmente, ainda resistem ao tempo e à “modernidade”.

É simplesmente prazeroso escutar um frevo de bloco feito por Edgard Moraes, Capiba, Nelson Ferreira, Romero Amorim/Maurício Cavalcanti Heleno Ramalho, Cláudio Almeida/Humberto Vieira, Getúlio Cavalcanti, José Menezes/Neuza Rodrigues, entre tantos outros.

Onde quer que estejamos, ao ouvirmos um frevo de bloco, sentimos a sensação de estar no Recife Antigo presenciando centenas de senhores e senhoras de cabelos grisalhos, “anestesiados” pela sonoridade dos acordes que soam das orquestras e dos corais, esquecerem a tristeza e a idade e capricharem naquela dança de passos cadenciados que só o pernambucano da gema sabe o segredo. A emoção é imensurável.

Por tudo isso e mais alguma coisa, tomamos a liberdade de sugerir aos apreciadores, que escutem hoje e sempre, os seguintes frevos: A Dor de Uma Saudade, Bloco das Ilusões, Evocação Nº 1, Flabelo das Ilusões, Aurora de Amor, Sonho do Poeta, Você Gostou de Mim e Ingratidão.

Bloco da Saudade – Evocação Nº1

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Claudionor Germano – Flabelo das Ilusões 

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Bloco da Saudade – Aurora de Amor 

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Bloco da Saudade – Sonho de Poeta 

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Bloco da Saudade – Ingratidão 

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OBRAS CONSULTADAS:

Compositores Pernambucanos – Renato Phaelante
Música e Músicos Pernambucanos – Leny Amorim
CD Carnaval sua História, Sua Glória – Vol. 32 – Revivendo Músicas.

REFORÇO DE CAIXA

Os caciques e coronéis que dominam a cena política brasileira não tiveram sossego nos últimos instantes da semana recém-finda.

Movidos apenas pelo “espírito patriótico”, estavam todos envolvidos numa atividade que não é nova, mas pelo menos em outras eras, usavam-se métodos bem diferentes dos atuais.

Enquanto uma frente se empenhava na formação de novos partidos, a outra facção, já confortavelmente instalada nas macias poltronas do poder, tratava da “penosa tarefa de pescar adesistas”.paixao4

Na lógica deles, quanto mais, melhor. Sempre cabe mais um, principalmente, se o cooptado for titular de uma gorda conta bancária.

Alguém se lembra daqueles velhos tempos em que o PTB era o partido da classe trabalhadora, o PSD, das oligarquias, o PC, dos comunistas e o PSB abrigava apenas seguidores da doutrina socialista? Tudo isso é coisa do passado.

Até os anos oitenta, salvo engano, as siglas partidárias acolhiam em suas fileiras somente pessoas identificadas com o seu programa, desfrutassem de prestígio junto às suas comunidades e estivessem disponíveis para enfrentar qualquer parada.

Como o número de agremiações era bem menor, dava para os eleitores, por mais leigos que fossem em matéria de política, identificar quem é quem, o que pensava, como agia e quais as companhias ou líderes daquele que demonstrava o desejo de disputar um cargo eletivo.

Agora, na terra descoberta por Cabral temos trinta e duas legendas. A maioria serve apenas para dar suporte às negociatas e ajudar a esticar o horário eleitoral gratuito dos grandes.

Achando pouco os repasses feitos pelo TSE, tem “dono” de partido empreendendo uma verdadeira caçada aos capitalistas. De nada importa que eles nunca tenham sido testados nas urnas, mas se gostam de gastar com política é o que vale. Tudo, por amor ao Brasil, podem acreditar.

A rejeição do pedido de registro da REDE liderada por Marina Silva deixou muita gente desconfiada. Ela, sem perda de tempo, vestiu uma camisa vermelha, juntou-se ao time capitaneado por Eduardo Campos e está pronta para entrar no jogo. Essa aliança de última hora, segundo afirmam, provocou enorme rebuliço nos bastidores palacianos de Brasília.

CAMINHANDO PARA O BREJO

A expressão “a vaca foi pro brejo” é muito usada nos meios futebolísticos para indicar que um time não foi bem numa competição. Não sei quem a introduziu no folclore esportivo. Deve ter sido uma pessoa espirituosa, um cronista da bola, talvez.

A situação dos considerados grandes aqui em Pernambuco é crítica. Mesmo em divisões diferentes, cada um está procurando fazer mais feio que o outro. Parece até que há uma competição entre seus dirigentes a fim de mostrar quem é menos competente.

O Santa Cruz há muito vem batalhando para voltar à elite do futebol e embora a sua torcida mereça porque colabora comparecendo aos jogos, em campo, a irregularidade é gritante. A falta de grana nos cofres constitui-se no principal obstáculo para que o Santa volte aos seus dias de glória.

Ainda bem que a sua diretoria não faz loucuras. Ao contrário, procura agir dentro das limitações de seu apertadíssimo orçamento. Isto, sem dúvida, se reflete no nível do plantel e os resultados não poderiam ser diferentes, não há milagres no futebol.

O Náutico, apesar de ter dado a impressão de que faria uma boa campanha, desandou depois da saída do treinador Gallo. Vem colecionando resultados negativos e sua torcida não está nada satisfeita, o desânimo é geral.

Acho que as falhas do timbu começam no comando. Formar um colegiado com quase duas dezenas de participantes para gerir o futebol foi uma mancada e tanto. Ninguém se entende e isto repercute no emocional da moçada que corre atrás da bola. Ao alvirrubro, falta também um maior número de jogadores de melhor nível.

E o SPORT? De propósito, deixei o Leão por último. Quem me conhece sabe que sou seu torcedor desde o tempo em que a bola tinha pito. Entretanto, essa paixão tão antiga não me engana. A crise leonina é muito grave, seus gastos são elevadíssimos.

Com um elenco formado por veteranos que parecem desmotivados e alguns jovens inexperientes como no momento, permanecer na Segunda Divisão já é um prêmio. O que se vê em campo é um grupo sem alma, desorganizado, que não demonstra qualquer vestígio de confiança mútua entre os seus componentes.

Os sucessivos erros nas contratações de técnicos e boleiros problemáticos e em fim de carreira só poderiam dar nisso: Desperdício de tempo e dinheiro. O vexame é iminente e vergonhoso. O Sport hoje é um arremedo de equipe.

Podem achar que é pessimismo, mas pra mim, Sport e Santa não mudarão de divisão, a não ser pra baixo e o Náutico não permanecerá onde está. Se me perguntarem quem são os culpados, responderei sem qualquer receio de errar: Os diretores.

Esses cartolas, além de desprezarem as divisões de base, submetem-se às pressões dos empresários trazendo futebolistas e treinadores totalmente desligados da nossa realidade, tanto no aspecto futebolístico, como no financeiro.

Ninguém precisa ser gênio para saber que gestões assim oneram bastante as agremiações, com o rompimento de contratos antes do prazo, gerando dívidas trabalhistas, comprometendo as futuras administrações e o patrimônio social.

Os conselheiros também têm culpa. Além de eleger, assistem passivamente aos desmandos praticados por quem está no comando e não cumprem o papel de fiscais.

Os legisladores precisam aprovar uma lei que responsabilize solidariamente a “cartolagem” pelos prejuízos causados aos clubes. Talvez assim, sejam evitados esses atos desastrosos e absurdos que deixam as associações esportivas em estado de falência.


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