Especialista em generalidades, extremista de centro, peruador sem compromisso, dono de um currículo sem qualquer
saliência digna de nota, autor de uma obra perfeitamente dispensável, azeitador do eixo do sol, ensacador de
fumaça, fiscal de feiras, carnavalesco e cachacista, Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja
A fim de me proteger Na Sé, comprei uma imagem, Num cantinho da bagagem Guardei, depois de benzer. Também não pude esquecer De pôr na minha maleta Um papel, uma caneta Pra compor nossa canção, Mas deixei meu coração Preso na tua gaveta.
Há mais duma explicação Para o que houve entre nós: Primeira, foi tua voz Que tocou meu coração; Segunda, foi a visão Mais bela deste Planeta. Teu sorriso é a “proveta” Pela qual eu renasci, Mas devolva o que esqueci Dentro da tua gaveta!!!
(Mote de autoria desconhecida enviado pelo Poeta Zé Ilton)
Não critique a atitude De quem só quer ajudar Pois se um dia precisar Vai encontrar quem lhe ajude Não prejudique a saúde Com cigarro ou “baseado” Não compre nada roubado Nunca xingue o reverendo Não faça nada sabendo Que está fazendo errado.
Não dê asilo a ladrão Não critique a vizinhança Não tente puxar pra dança Dama com anel na mão Evite entrar em questão Com alguém muito abastado Não desacate soldado Quem fez isso está sofrendo Não faça nada sabendo Que está fazendo errado.
Fale pouco e ouça mais Aprenda com o erro alheio Nunca queira está no meio De conflitos conjugais Honre o nome dos seus pais Não se venda a deputado Que um dia o cabra safado Vai acabar lhe vendendo Não faça nada sabendo Que está fazendo errado.
Glosas: Wellington Vicente. Porto Velho, 24/04/2010.
Eu nasci no Nordeste e sou feliz Por contar as histórias do sertão.
(Mote do poeta Antônio Alves) Sou um fã de Antônio Conselheiro, O primeiro comunista do Brasil, Admiro Marinês, Gonzaga, Gil E o suingue de Jackson do Pandeiro. Sei da vida de Pinto do Monteiro, O maior cantador desta Nação, Mestre Zinho, Jacinto e Azulão São os nomes da música de raiz. Eu nasci no Nordeste e sou feliz Por contar as histórias do sertão.
Sei da saga do grande Virgulino, O reinado mais intenso do cangaço, Sei que o barro depois dum leve traço Ganha o sopro vital de Vitalino. Sei que Cícero Romão teve o destino De ser santo sem a canonização, Que um ritmo conhecido por baião Deu a fama a Humberto e “Seu” Luiz. Eu nasci no Nordeste e sou feliz Por contar as histórias do sertão.
No país verde e amarelo, Tá preto pra muita gente.
(Mote de autoria desconhecida)
Se de um lado a seca mata, Do outro a água destrói. Oh!Meu Jesus como dói, Ver o buraco na mata. Casa sem teto e sapata, Berços boiando na enchente. O grito de um inocente, Num lamento de flagelo. No país verde e amarelo, Tá preto pra muita gente.
Se você tem é roubado, Se não tem é vagabundo. Pra respirar um segundo, Algum imposto é cobrado. Sertanejo respeitado, Vira um urbano indigente. Se a polícia “passa o pente”, Só prende o pé de chinelo. No país verde e amarelo, Tá preto pra muita gente.
Escravo da solidão Tornei-me há dias atrás São espetadas demais Em meu velho coração Até o meu azulão Virou meu consolador Sempre que ver meu clamor Ele começa a trinar. Quer ver a ave cantar Dê-lhe notícia de dor.
É bem triste o meu cenário Amei e não fui amado Hoje só sou consolado Quando escuto o meu canário Que sabendo do fadário Deste pobre sonhador Fica imitando um tenor Só para me consolar. Quer ver a ave cantar Dê-lhe notícia de dor.
A patativa golada Canta que se arrepia Ao notar tanta agonia Dentro da minha morada Seu canto na madrugada Espanta todo o pavor Mas a lembrança do amor Ela não pode apagar. Quer ver a ave cantar Dê-lhe notícia de dor.
Glosas: Wellington Vicente. Po rto Velho, 20/10/2009.
Sou meu próprio jardineiro, Meu salário é meu prazer, Sou muito feliz sem ter Quantitativo em dinheiro. Sou filho de violeiro, Desconheço a regalia, Porém a minha alegria Vem da palavra rimada. Vou aguando a estrada Com gotas de poesia.
Como matuto que sou Vivo muito humildemente Agradeço a Deus, contente, Pelo que me reservou. Quando errei, me perdoou, Quando chorei, Ele via Que não era covardia, Era da Graça alcançada. Vou aguando a estrada Com gotas de poesia.
Cada palavra que vem Do livro do Firmamento Penetra em meu pensamento E eu repasso a alguém. Sempre, sempre encontro quem Enxerga nisso magia Agradeço todo dia A arte que me foi dada. Vou aguando a estrada Com gotas de poesia.
Glosas: Wellington Vicente Porto Velho, 24/08/2007.
Pego, à noite, o teu retrato Dou um beijo e vou dormir.
Nesta vida passageira De sonhos e fantasias Procuro passar meus dias Como alma aventureira Guardo na minha carteira A tua foto a sorrir Agora vou te pedir: - Guarde em segredo este fato! Pego, à noite, o teu retrato Dou um beijo e vou dormir.
Este é meu ritual Sete dias da semana Tua aparência cigana Toca o emocional Comovido, fico mal Mas ninguém pode me ouvir Dá vontade de sair Mas me falta o aparato Pego, à noite, o teu retrato Dou um beijo e vou dormir.
Dormir é só expressão… Porque a cada cochilo A saudade como um grilo Trila no meu coração E o grito da solidão Distante dá pra ouvir Pareço até um faquir Nunca mais peguei num prato Pego, à noite, o teu retrato Dou um beijo e vou dormir.
Autor: Wellington Vicente Porto Velho, 15/09/2007.
Escuta aqui, bacharel! Jogue no mato o canudo E venha ter um estudo Com um grande menestrel O brilho do teu anel Vai sair muito ofuscado Por quem já é doutorado Em poesia matuta Só aceite esta disputa Se entender do traçado.
As leis dos meus tribunais Você não conhece bem Mas vou ensinar a quem Não folheou os anais Da poesia que faz O leitor ser transportado Do aceiro do roçado À selva bonita e bruta Só aceite esta disputa Se entender do traçado.
Por isso, preste atenção Quando se disser Poeta Precisa seguir a seta Que eu lhe apontar com a mão Depois que eu der a lição Faça a tarefa, calado Porque só sai diplomado Se dedicar-se à labuta. Só aceite esta disputa Se entender do traçado.
Autor: Wellington Vicente Porto Velho, 16/11/2007.
Não deixemos que o jumento Vire um “Negócio da China”.
Uma Nação milenar Duma cultura avançada Hoje se acha tentada Ao estranho paladar De querer saborear A nossa carne asinina Peço a Nação Nordestina Que engrosse o movimento: Não deixemos que o jumento Vire um “Negócio da China”.
Luiz Gonzaga cantou “O jumento é nosso irmão” Desbravador do sertão Que tanto nos ajudou Sua força demonstrou Em serra, vale e colina Com bastante disciplina Sem exigir pagamento Não deixemos que o jumento Vire um “Negócio da China”.
Vamos lutar em defesa Do nosso amado jerico. Se a China é país rico Coma “bife à milanesa”! Compre para a sua mesa A nossa carne bovina, Pescada, anchova ou corvina Para ter como alimento. Não deixemos que o jumento Vire um “Negócio da China”.
Autor: Wellington Vicente Porto Velho, 15/03/2012.
O Autor da Criação Quando inventou a mulher Sabia do seu mister Na companhia de Adão E pôs a compreensão Como a sua Estrela Guia O ser que nos contagia Apenas com um sorriso Por isso, parabenizo As mulheres por seu Dia.
Pois Adão observando Que todos os animais Viviam com seus iguais Dia a dia procriando Um dia se lamentando Por não ter a companhia D e quem trouxesse alegria… Disse: – Senhor eu preciso! Por isso, parabenizo As mulheres por seu Dia.
E desde aquele momento Que a mulher foi criada Duma costela tirada Do parceiro sonolento Foi gerado o sentimento Da paixão que irradia Quem não teve uma Maria Pra atentar-lhe o juízo??? Por isso, parabenizo As mulheres por seu Dia.
Dependemos desde cedo Da proteção feminina Que alimenta e ensina E nos faz enfrentar o medo Ninguém descobre o segredo Desta porção de magia Se eu pudesse teria Duzentas no Paraíso. Por isso, parabenizo As mulheres por seu Dia.
Autor: Wellington Vicente. Porto Velho, 08/03/2007.
Você rir por me ver chorando tanto Mas um dia você chora e me ver rir.
(Mote de Firmo Batista)
Os carinhos que um dia dediquei Foram puros como a alma dum menino. Meu querer? O querer mais cristalino Das centenas que feliz eu lhe ofertei. Mas nas suas ações só encontrei As mentiras que chegaram a me ferir, Até hoje perco o sono a refletir Nas mazelas que contém o seu encanto. Você rir por me ver chorando tanto Mas um dia você chora e me ver rir.
O sorriso estampado no seu rosto Como chuva de verão vai acabar, O inverno dos prazeres vai passar Dando vaga ao período do desgosto. Você pode até pensar que é encosto Que está atrapalhando o seu porvir, Mas lembrando do que fez irá sentir O remorso lhe atacando em todo canto. Você rir por me ver chorando tanto Mas um dia você chora e me ver rir.
Glosas: Wellington Vicente. Porto Velho, 01/09/2008.
Jure que quando me avista Seu peito não acelera Que nunca encarou de vera Esse jogo de conquista Diga pro seu analista Que só quer me humilhar Fale que ao me ligar A ligação não prossegue Negue tudo, mas não negue Meu direito de amar.
Diga que seus sentimentos Nunca passam de rompantes Que os melhores instantes São apenas fingimentos Fale que nos aposentos Nunca conseguiu entrar Sustente que ao me beijar Nunca se sentiu entregue Negue tudo, mas não negue Meu direito de amar.
Vontade de assistir Um sábado de Zé Pereira De um papangu na feira Fazendo o povo sorrir O sol quente refletir Na copa do trapiá De ver um anumará Comer xerém no terreiro Não prefiro outro roteiro “Isso d’uns tempos pra cá”.
Ver um samba de latada Uma sanfona gemendo A benzedeira benzendo A parte que tá inchada Uma rede grande armada Debaixo dum pé de ingá Tira-gosto de preá Com uma dose de Pitú: Imagens do meu baú… “Isso d’uns tempos pra cá”.
Tenho sentido saudade Do meu tempo de menino De um boi de Vitalino Na minha propriedade Do amor da mocidade Que há muito deixei por lá E aquele pé de juá Se for vivo é testemunha A lembrança me acabrunha “Isso d’uns tempos pra cá”.
Mote: Trecho de uma música do mestre Chico César, comentado pelo poeta Brás Costa. Glosas: Wellington Vicente Porto Velho, 19/02/2012.
(Final de sextilha de João Paraibano enviada por Josemar Rabelo)
O cruel Capitalismo Com suas garras potentes Transforma os bons ambientes Em arenas de egoísmo Enterra todo o civismo E raízes culturais Rasga todos os anais Que retrataram o passado. Está com o fundo rasgado O saco do querer mais.
Nossos jovens brasileiros Grande massa alienada Esquecem a cultura herdada E copiam os estrangeiros Até mesmo os forrozeiros Presentes nos arraiais Perderam as credenciais Do Baião e do Xaxado. Está com o fundo rasgado O saco do querer mais.
Na política, nem se fala O poder do vil metal Troca o antigo ideal Pelo “miolo” da mala Nas reuniões da sala As câmeras mostram demais Que os políticos rivais Comem do mesmo bocado. Está com o fundo rasgado O saco do querer mais.
Quando cruzaste a esquina Da viela do meu peito Senti o terrível efeito Desta saudade ferina Que transformou em ruína Tudo o que se construiu. Até a pressão caiu Por causa da soledade. Você não mede a saudade Que deixou quando partiu.
Até os nossos retratos Dos momentos animados Já estão amarelados, Também sentiram os maltratos. O CD de Os Nonatos, Que você, sorrindo, ouviu, Lá da estante sumiu Em solidariedade. Você não mede a saudade Que deixou quando partiu.
Ninguém calcula o penar E a dor que estou sentindo Forçosamente cumprindo Prisão Domiciliar. Já entrei com Liminar, O juiz indeferiu E o júri consentiu Privar-me da liberdade. Você não mede a saudade Que deixou quando partiu.
Autor: Wellington Vicente Porto Velho, 29/09/2008.
Dentre os seres naturais Foi ele o requisitado Para viver num reinado De cores passionais Gosta daquilo que faz Sem pensar em pagamento Todo relacionamento Para ele é uma entrega Todo poeta carrega Um fardo de sentimento.
Seus amores do passado Nunca deixam sua mente Mesmo que sirvam somente Para deixá-lo inspirado Sofrer parece seu fado O verso é seu alimento A pena seu instrumento A musa sua colega Todo poeta carrega Um fardo de sentimento.
Quando o poeta se inspira Os anjos na amplidão Capricham na afinação Cada um na sua lira A terra que tanto gira Diminui o movimento Até o mar violento Fica bom pra quem navega Todo poeta carrega Um fardo de sentimento.
Glosas: Wellington Vicente Altinho-PE, 07 de fevereiro de 2011.
Já vivi na bebedeira, Fui sambista e mestre-sala, Hoje só tenho a bengala Como minha companheira. Choro por qualquer besteira A cada emoção vivida, Quando penso em despedida Sinto aumentar minha dor. Todo dia muda a cor Do quadro da minha vida.
Hoje sou prisioneir o Das lembranças do passado Desprezei, fui desprezado, Vivi como aventureiro, Tracei um novo roteiro Da meta a ser percorrida, Mesmo tendo uma ferida No coração sonhador. Todo dia muda a cor Do quadro da minha vida.
A cada hino que canto Diminui minha aflição E sinto em cada oração Um alívio, um ac alanto. Quando recorro ao meu santo E à Virgem Concebida Uma voz vem e convida A semear o amor. Todo dia muda a cor Do quadro da minha vida.
Mote: Zé de Cazuza Glosas: Wellington Vicente Porto Velho, 10/03/2008.
Quem “mulesta” é que se esquece Da primeira “furunfada”?
Nunca mais tive notícia De Rita de Zé Galego Que no auge do chamego Foi meu painel de carícia E me adestrou na perícia Da transa bem ritmada Naquela fase arretada Quase que a gente enlouquece Quem “mulesta” é que se esquece Da primeira “furunfada”?
Na fazenda Santo Antônio Do velho Pedro Assunção Eu fui a um mutirão Com Rita, Zefa e Petrônio Eu falando em matrimônio Por cima da terra arada Disse: – Vamos à latada! Respondeu: – Bem, nem carece! Quem “mulesta” é que se esquece Da primeira “furunfada”?
Numa eleição em Altinho Eu e Mecino Maurício Fomos farrar num comício Do grande Dr. Carrinho Rita veio do Sobradinho Já quase de madrugada Aí dei-lhe uma cantada Pra votar no PDS Quem “mulesta” é que se esquece Da primeira “furunfada”?
Eu no forró do Mercado, Festa de São Sebastião Agarrei na sua mão E entrei meio avexado Mas discuti com Bordado Que pastorava a entrada Quis dar uma revistada Mas eu gritei: – Não me estresse! Quem “mulesta” é que se esquece Da primeira “furunfada”?
No dia em que aportei Na terra de Vitalino Musas entoaram um hino Avisando que cheguei Lembro quando me banhei Nas águas da santa pia Com pingos de maestria Saí de lá batizado Vou viajando escanchado No lombo da poesia.
Depois segui para Altinho No agreste pernambucano Onde Deus mandou-me o plano De seguir no bom caminho Tendo o apoio e o carinho Da família, todo dia E ouvindo a melodia De um pinho bem afinado Vou viajando escanchado No lombo da poesia.
Hoje sou um retirante Da minha terra adorada Mas enfeito a minha estrada Com inspiração constante Que vem a qualquer instante Ser a minha companhia E espanto a agonia Com verso metrificado Vou viajando escanchado No lombo da poesia.
Autor: Wellington Vicente Porto Velho, 06/11/2007.
Depois de passar dez anos Querendo um amor perfeito Resolvi achar um jeito De fugir dos desenganos Revi conceitos e planos Pra viver no dia-a-dia O padre da freguesia Garantiu: – Não é pecado! Hoje vivo amancebado Com a dona Poesia.
Tentei amar Salomé, Lucinha, Dalva e Anália Rosinha, Esther e Amália Rita, Rose e Nazaré Mas vi que não dava pé Aquilo que eu pretendia Pois cada uma queria Que eu vivesse encarcerado Hoje vivo amancebado Com a dona Poesia.
Nos meus piores momentos Dona Poesia chega E o meu peito se aconchega Nos melhores sentimentos Espalho pros quatro ventos A rima e a melodia Numa rede de magia Adormeço apaixonado Hoje vivo amancebado Com a dona Poesia.
Fiz um p acto de amor, Ela assinou o contrato Dizendo: – Jamais maltrato Meu poeta sonhador! Nunca mais eu senti dor, Desprezo e melancolia. O vírus da agonia Pra sempre está deletado! Hoje vivo amancebado Com a dona Poesia.
Autor: Wellington Vicente. Porto Velho-RO, 07/04/2007.
Só porque nosso cordel Tem raízes populares, Alguns poetas vulgares Já posam de menestrel Danificando o painel Sagrado da poesia, Sem rima , sem simetria E mensagem deturpada, Ô! Coisa desmantelada Um cordel sem harmonia.
Não precisa ter estudo Para escrever um cordel, Mas nem todo bacharel Consegue erguer o escudo. Pensa que sabe de tudo Porém, da rima desvia, Serve até de “anarquia” Sua letra fabricada, Ô! Coisa desmantelada Um cordel sem harmonia.
Nosso Rubênio Marcelo, Poeta que tem visão, Levantou esta questão E arrebentou o elo Que segurava o castelo Onde reina hipocrisia. Poeta de academia, Não siga por esta estrada! Ô! C oisa desmantelada Um cordel sem harmonia.
Tente escrever um artigo, Uma crônica, um simples conto Mas não queira ganhar ponto Onde a rima tem abrigo. Pois isso aí, meu amigo, O poeta traz da pia. Patativa já dizia Naquela época passada: Ô! Coisa desmatelada Um cordel sem harmonia.
Rima “amor” com “afirmou”, “Maracujá” com “amar” E não consegue contar As rimas que fabricou. Quem no site navegou Notou a pirataria, Daí vem antipatia Pela página visitada, Ô! Coisa desmatelada Um cordel sem harmonia.
Cordel desarmonioso É igual sertão sem bode, É favela sem pagode, É como sexo sem gozo. É igual fruto amargoso Provocador de azia, Frio igual bucho de gia, Doído feito estrepada, ô! Coisa desmantelada Um cordel sem harmonia.
Glosas: Wellington Vicente Porto Velho, 27/02/2004.
“Apesar das belezas da cidade, eu prefiro as imagens do sertão”.
(Mote de autoria desconhecida)
Sou matuto, pois nasci no pé da serra Como dizem: “Onde canta o sabiá!” Pela ordem de destino vim de lá E a saudade todo dia me faz guerra Minha voz quando canto já emperra Imprensada pela força da emoção A lembrança me traz tanta pressão Que afeta minha frágil sanidade Apesar das belezas da cidade Eu prefiro as imagens do sertão.
Sinto falta dum banho de açude, Dum festejo, de uma pescaria, De um leite bem puro todo dia, Elixir natural para a saúde. Esta vida na cidade não me ilude Vivo aqui, mas não tenho vocação Só desejo rever o meu torrão Vendo tudo o que vi na mocidade Apesar das belezas da cidade Eu prefiro as imagens do sertão.
Glosas: Wellington Vicente Porto Velho, 05/12/2011.
Espere aí, seu Dotô! Qui eu falo sem demora E escute nessa hora Uma históra de amô. Eu sempre fui sonhadô, Mai pru isso já paguei, Pruquê nunca imaginei Qui adispôis de aduto Eu fosse levá um chuto Da muié qui mais amei.
Viví toda a minha vida De casa para o roçado, Porém sempre interessado Em tê a muié quirida Pra torná-la a margarida Desse jardim qui sonhei, Inté qui um dia encrontei Essa pessoa importante Qui foi derna aquele instante A muié qui mais amei.
Se chamava Mariá, Tinha uns zói apaixonado E coipo mais torniado Qui móve coloniá. Quando batí o oiá Im riba dela, gostei, Ligeirim me apaixonei E ela pru eu gamô: Daí ganhei o amô Da muié qui mais amei.
Cum uns três mês de namôro Nói maiquemo o casamento, Sentí naquele momento Dono do maió tesôro. Drumino im beuço de ôro Vivia iguamente um rei, Mas cum o tempo notei Qui a minha felicidade Morria na farsidade Da muié qui mais amei.
À leitora Eliana Berto, pelos contatos e incentivo.
Eu disposto a inovar Para fugir da rotina Conheci uma menina Em uma mesa de bar E querendo me mostrar Passei a procuração Ela me tendo na mão Quase, quase me abate. Paguei um caro resgate Pra salvar meu coração.
Igualmente um garimpeiro Que encontra um diamante Pensei que aquela amante Fosse meu amor primeiro E me entreguei por inteiro Àquela nova paixão Mas descobri que o filão Não possuía quilate Paguei um caro resgate Pra salvar meu coração.
E neste cárcere privado Vivi por quase dois anos Escravo dos desenganos Pela paixão algemado Meu irmão preocupado Ligou para o Batalhão Que deixou de prontidão O efetivo do G.A.T .E Paguei um caro resgate Pra salvar meu coração.
Na condição de refém Daquele amor traiçoeiro Sofri esse tempo inteiro Nas mãos de um falso bem Como não tinha ninguém Que soubesse a direção Daquela minha prisão Acionaram a SWAT Paguei um caro resgate Pra salvar meu coração.
Estava quase perdendo Meu sonho de liberdade Mas minha tenacidade Acabou aparecendo E já fui me desprendendo Daquele horrível grilhão Graças a Deus a razão Deu-me a vitória no embate Paguei um caro resgate Pra salvar meu coração.
Estou livre das paixões Voltei a sorrir de novo Venho agradecer ao povo A força das orações Falarei às multidões O que tirei da lição Passar anticorrosão Neste meu peito de vate Paguei um caro resgate Pra salvar meu coração.
Autor: Wellington Vicente Porto Velho, 18/04/2007.
“O inquérito daPolícia Federal que apura o envolvimento do deputado Valter Araújo (PTB) e do ex-secretário-adjunto de Saúde , José Batista, num suposto esquema de corrupção que funcionaria em órgãos como o Detran, Secretaria de Justiça e Sesau, deve abranger muito mais pessoas do que as constantes da relação até agora divulgada pela PF na Operação Termópilas, desencadeada na sexta-feira, 18. O inquérito apura suposto esquema de loteamento de licitações entre empresas prestadoras de serviço do Governo do Estado em áreas como fornecimento de alimentação para presídios e hospitais e serviço de limpeza de órgãos e repartições públicas.
Entre os presos estão autoridades do Poder legislativo e Executivo, além de empresários e assessores governamentais que ocupavam cargos no Detran, na Governadoria, na Controladoria, Sesau e Sejus, entre outros. Valter é acusado pela PF de chefiar a suposta quadrilha.
Além de Batista e Valter Araújo, presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia, foram presos mais 13 acusados, mas, segundo a Polícia Federal, pelo menos cinqüenta outras pessoas serão intimadas a partir da semana que se inicia para prestar esclarecimentos, algumas como já indiciadas.
Este é o caso de um grupo de parlamentares que inclui os deputados estaduais Jean Oliveira, Flávio Lemos, Zequinha Araújo, Ana da 8, Euclides Maciel, Saulo da Renascer e Epifânia Barbosa. Todos são acusados pela PF de receber mensalão para dar sustentação política a Valter Araújo, que, até a manhã deste sábado, estava na sede da Superintendência da Polícia Federal em Porto Velho, enquanto seus advogados preparavam um habeas corpus a ser impetrado junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).” (Fonte: Tudo Rondônia)
As glosas seguintes já foram publicadas nesta coluna há mais de um ano, infelizmente continuam atuais.
Após ouvir a música PEGA LADRÃO! Composição de Gabriel, O Pensador, Tiago Mocotó, Aninha Lima e Liminha, retirei da letra o seguinte mote:
“A miséria só existe Porque tem corrupção.”
Seguem as glosas:
No País dos mensaleiros, Das grandes negociatas, Ouço acordes de chibatas No lombo dos brasileiros. Quem cuida dos galinheiros São raposas que estão Deixando a população Mais desesperada e triste. A miséria só existe Porque tem corrupção.
Falou-se do Picaretas, Da turma do Ali Babá, Mas quem falou, vive lá Mamando nas mesmas tetas. Brasília mantém provetas Gerando alienação E o restante da Nação Paciente, só assiste. A miséria só existe Porque tem corrupção.
Aquela enorme fazenda Que o deputado comprou Foi da verba que faltou Para comprar a merenda. Mas se fosse um Zé da Venda Que fizesse tal ação, Vinha um doutor valentão Dizendo, com o dedo em riste: - A miséria só existe Porque tem corrupção!
Autor: Wellington Vicente. Porto Velho, 11/04/2009.
Se não fosse o poeta violeiro Quem cantava as belezas do sertão?
(Mote de Pedro Ernesto/CE)
Se não fosse o cantar de um Marinho, Serrador, Aderaldo e Zé Faustino, De um Louro, Otacílio e Vitorino, Zé Vicente, Xudu e Passarinho, Expedito, Pinto, Canhotinho, Ivanildo com a sua inspiração, Zé Cardoso, Os Nonatos, Sebastião (O da Silva foi quem chegou primeiro) Se não fosse o poeta violeiro Quem cantava as belezas do sertão?
Se não fosse um João Paraibano Desenhando os seus versos multicores A beleza poética dos amores Rabiscados por um Rogaciano O embalo dum Martelo Alagoano A estética contida num Mourão As paixões tão presentes na Canção Pondo lágrimas no rosto do roceiro Se não fosse o poeta violeiro Quem cantava as belezas do sertão?
Digam a mim quem foi que disse Que saudade não dói nada.
Quero saber no momento Quem foi o ingênuo autor Para dizer que a dor Da saudade é fingimento Pois esse mau elemento Tem memória limitada Ou nunca levou lapada Da parceira da velhice Digam a mim quem foi que disse Que saudade não dói nada.
Quem não guarda na lembrança Recordações imortais Dos antigos matinais Tão comuns quando criança Do grupo escolar, da dança Duma quadrilha ensaiada Da primeira namorada Cópia fiel duma miss Digam a mim quem foi que disse Que saudade não dói nada.
De uma canção bonita No parque de diversão Do cantar de Gonzagão Entoando “Facilita” Duma sanfona perita Animando uma latada Da mocinha comportada Tão repleta de meiguice Digam a mim quem foi que disse Que saudade não dói nada.
Devido aos pedidos de amigos e conhecidos do meu pai, Poeta Zé Vicente da Paraíba, segue a letra original que o imortalizou, em parceria com o Poeta Passarinho do Norte.
Quanto é Grande O Autor da Natureza (Zé Vicente da Paraíba – Passarinho do Norte)
O que prende demais minha atenção É um touro raivoso na arena, Uma pulga do jeito que é pequena Dominar a bravura de um leão: Na picada ele muda a posição Pra coçar-se depressa, com certeza, Não se serve da unha e nem da presa, Se levanta da cama e fica em pé, Tudo isto provando quanto é Poderosa e suprema a Natureza.
Admiro demais o beija-flor Que com medo da cobra inimiga Só constrói o seu ninho na urtiga Recebendo lição Do Criador. Observo a coragem do condor Tendo os montes rochosos como empresa, Urubu empregado da limpeza, Como é triste a vida do abutre… Quando encontra um morto é que se nutre Quanto é grande O Autor da Natureza.
A abelha por Deus foi amestrada Sem haver um processo bioquímico, Até hoje não houve nenhum químico Pra fazer a ciência desvendada. Um buraco pequeno na morada Facilita a passagem, com franqueza, Uma é sentinela de defesa E as outras se espalham no vergel, Sem turbina, sem tacho fazem mel. Quanto é grande O Autor da Natureza.
Não há pedra igualmente a diamante Nem metal tão querido como o ouro, Não existe tristeza como o choro Nem reflexo igual ao do brilhante Nem comédia maior que a de Dante Nem existe acusado sem defesa Nem pecado maior que avareza Nem altura igual ao firmamento Nem veloz igualmente o pensamento Nem há grande igualmente à Natureza.
Não há forte igualmente às vitaminas Nem fraqueza igual debilidade Não há tempo igualmente à mocidade Nem soldados iguais aos caça-minas. Não há fontes iguais às cristalinas Nem cidades mais lindas que Veneza, Não há língua igualmente à Portuguesa Nem pecado igualmente original Nem amor igualmente ao maternal Nem há grande igualmente à Natureza.
Não existe ladrão igual a rato, Não existe leal como o cachorro, Não existe liberto como o forro, Não existe ligeiro como o gato, Não existe tão bom como sensato, Não existe cruel como tristeza, Não existe emoção como surpresa Nem um rei igualmente a Salomão Nem há força igualmente a de Sansão. Nem há grande igualmente à Natureza.
*LP Repentes e Repentistas Discos Rozenblit – Recife-PE, 1973.
* * *
Uma interpretação de Ruy Mauryti para os versos de Zé Vicente da Paraíba e Passarinho do Norte.
O corneteiro de penas Toca alegre a alvorada O nambu pia saudoso Numa moita na baixada E o sol chega e expulsa As sombras da madrugada.
Numa cerca de arame Tiziu faz acrobacia, Um cachorro desembesta Farejando uma cotia E a patativa canta Louvando o raiar do dia.
Um canário cantador Faz sua vez de artista Canta pra outro canário Que ali por perto avista Parecendo um desafio De poeta repentista.
Vê-se um galo de campina Na copa do umbuzeiro Um bem-te-vi solta um grito Imitando um mensageiro E a sua roupa amarela Nos faz lembrar o carteiro.
A ema grasna distante O punaré sai da loca A galinha chama os pintos Pra comerem uma minhoca E o roceiro assobia Entretido na destoca.
No curral um bezerrinho Apoja o peito da vaca Um anum pula inquieto Na cabeça duma estaca E um moleque confere O que tem na arataca. As ovelhas se encostam Numa cerca de aveloz Comendo os brotos, nem sentem O efeito do leite atroz Na mata que ainda resta Tem música de curiós. Seguindo em fila indiana Ovelhas seguem ligeiro Para comerem o capim Que cresce junto ao barreiro No cume da serra ecoa O aboio do vaqueiro. Um cuscuz bem fumegante Incensando o ambiente Queijo de coalho na brasa Um bule com café quente São as coisas mais comuns Naquela terra da gente.
Tantas imagens guardadas Como se fossem postais Que estão na minha mente E nem o tempo desfaz Digo a você, meu irmão: - O amanhecer do sertão É diferente demais!
Autor: Wellington Vicente Porto Velho, 23/10/2011.
Herói de muitas batalhas, Muita luta pouco ganho E por seu valor tamanho Merece muitas medalhas Convive com tantas falhas De um sistema opressor Mas mesmo assim seu valor Jamais será abalado E o que tenho galgado Devo tudo ao Professor.
Estressante é sua lida Em meio a tantas pressões Exercícios, correções, Uma noite mal dormida. Mas é exemplo de vida E o fruto do seu labor Faz nascer cada doutor Que às vezes o ignora… O que aprendi outrora Devo tudo ao Professor.
Nas diversas disciplinas Da grade curricular Tem o prazer de ensinar Erguendo novas cortinas Nas escolas campesinas Ou qualquer outro setor É o grande propulsor Na vida de muita gente E até o meu repente Também devo ao Professor.
Justina de Zé de Neco No dia que me encarou Meu coração disparou Que quase que eu tinha um treco Ela me disse: – “Amoreco”, Vou querer uma aliança! Eu caí feito criança No conto da vigarista. Não há amor que resista À falta de confiança.
Pois não é que inventei De me casar com Justina Porque na minha retina Só sua imagem guardei. Para o casório chamei O tocador Zuza França Mas vi Justina na dança Piscando pra Zé Paulista. Não há amor que resista À falta de confiança.
Eu sei que passei um ano Aguentando a presepada Daquela desmiolada Doida pelo “pé-de-pano”. Ela fugiu com um cigano Dizem que foi pra Bragança… Meu coração já balança Por Zita de Biu Coquista! Não há amor que resista À falta de confiança.
A fim de me proteger Na Sé, comprei uma imagem, Num cantinho da bagagem Guardei, depois de benzer. Também não pude esquecer De pôr na minha maleta Um papel, uma caneta Pra compor nossa canção, Mas deixei meu coração Preso na tua gaveta.
Há mais duma explicação Para o que houve entre nós: Primeira, foi tua voz Que tocou meu coração; Segunda, foi a visão Mais bela deste Planeta. Teu sorriso é a “proveta” Pela qual eu renasci, Mas devolva o que esqueci Dentro da tua gaveta!
Numa cena de cinema
Ela me fez seu ator
Sou meu próprio diretor
Roteiro não é problema
Até já fiz um poema
Para ela bem cedinho
Ela falou: – Meu neguinho
Sem teu amor não sou nada!
Nos braços da minha amada
Quase morri de carinho.
A morena do sertão
Atraiu-me de um jeito
Tomou posse do meu peito
Até nem faço questão
Quando sinto a sua mão
Me afagando de mansinho
Fico igual um passarinho
Sobre os ombros duma fada.
Nos braços da minha amada
Quase morri de carinho.
Eu não sei nem descrever
O quanto a gente se ama
Não é só amor de cama
É amor de bem viver
Quando ela quer dizer
Eu fico bem caladinho
Se falo é com um jeitinho
Para não vê-la zangada.
Nos braços da minha amada
Quase morri de carinho.
Glosas: Wellington Vicente
Porto Velho, 27/08/2009.
A aranha faz rapel
Na cumeeira da casa,
A abelha não atrasa
A confecção do mel,
Sabiá bica um cordel
Para o ninho em construção,
Na chã o pássaro carão
Canta pra chover mais cedo.
A Natureza em segredo
Mostra a sua perfeição.
O galo é o corneteiro
Do quartel do Criador,
O magnífico condor
Faz a vez de Brigadeiro.
João-de-barro, o engenheiro
Do Autor da Criação
Faz sua edificação
Na copa do arvoredo.
A Natureza em segredo
Mostra a sua perfeição.
O pequeno uirapuru
Quando canta, a selva cala,
Papagaio imita a fala:
“Currupaco, caruru”.
O inquieto tatu,
Perito em escavação,
Sempre muda a direção
Pra desviar do lajedo.
A Natureza em segredo
Mostra a sua perfeição.
Mote: Clóris Andrade.
Glosas: Wellington Vicente.
Porto Velho, 13/10/2008.
Quanto mais canto o sertão
Mais tem sertão pra cantar!
(Mote de Domínio Público)
Quanto mais eu imagino
Mais diminui a distância
Imagens da minha infância
Aventuras de menino
De um bravo boi Torino
Num formigueiro a cavar
Chamando para brigar
Um vizinho barbatão
Quanto mais canto o sertão
Mais tem sertão pra cantar!
Da parelha de garrotes
Aos cuidados do carreiro
Aprendendo no terreiro
A dar os primeiros trotes
Dum cantador com seus dotes
Numa bodega a glosar
Fazendo o povo parar
Para prestar atenção
Quanto mais canto o sertão
Mais tem sertão pra cantar!
De uma festa junina
Debaixo duma latada
Da zabumba ritmada
No baião da concertina
Fumaça de lamparina
Cachaça para esquentar
Uma morena a dançar
Pelos cantos do salão
Quanto mais canto o sertão
Mais tem sertão pra cantar!
Glosas: Wellington Vicente
Porto Velho, 11 de setembro de 2011.
Por ti eu chorei, fiz preces, jejum,
Troquei o meu pão por uma bebida
E puto da vida com a própria vida
Afoguei-me em copos de 51.
Tornaram-se rubros os meus olhos limpos,
Andei pelos cultos, varei madrugadas,
Habitei as pontes, dormi nas calçadas,
Freqüentei terreiros, vaguei nos garimpos.
A cada minuto fui teu caçador
Cujo prêmio era caçar teu amor
No rádio, jornal, floresta, no gueto…
Percebi que aquilo não ajudaria…
Folheando o livro da minha agonia
Vi teu endereço num simples soneto!
Três coisas que não discuto:
Bola, crença e eleição.
Nunca vou me permitir
A trilhar este caminho,
Por um motivo mesquinho
Sair ferido ou ferir.
Prefiro não discutir
A alheia opinião,
Pois se dá satisfação
Abençoado é seu fruto,
Três coisas que não discuto:
Bola, crença e eleição.
Não discuto, nem arengo,
Também não puxo o lençol
Pra discutir futebol,
Pois tenho massa no quengo.
Não vou dizer que o Flamengo
É melhor que o Vascão,
Nem afirmar que o Timão
Tem plantel absoluto.
Três coisas que não discuto:
Bola, crença e eleição.
“A Fé remove montanhas”
Alguém disse: – Está escrito!
Mesmo crendo, eu me conflito
Com certas coisas estranhas:
As grandes quantias ganhas
Usando a religião,
Padre e Pastor, já estão
Fazendo o próprio estatuto.
Três coisas que não discuto:
Bola, crença e eleição.
E no mundo da política
Como há hipocrisia…
Quem foi inimigo, um dia,
Hoje partilha da crítica.
Minha visão analítica
É a mesma do cidadão:
A falta de punição
Favorecendo ao corruto.
Três coisas que não discuto:
Bola, crença e eleição.
Três nomes que admiro:
Jesus, Maria e José.
Bondade, Irmandade e Fé
São três ações que sugiro.
Três coisas que não prefiro:
Fila, jiló, chimarrão.
Me causam admiração:
Sertão, Cordel e Matuto.
Três coisas que não discuto:
Bola, crença e eleição.
Essa química primitiva
Que possui o teu perfume
Além deste mau costume
Quase me deixa à deriva
A minha mente cativa
Do teu odor feiticeiro
Entrou em teu cativeiro
Depois as grades fecharam
Minhas narinas ficaram
Dependentes do teu cheiro.
Meu olfato te procura
Pelas ruas da cidade
Buscando a saciedade
No coquetel da loucura.
Tem a semelhança pura
Com cachorro perdigueiro
Farejando o dia inteiro
Por onde teus pés pisaram
Minhas narinas ficaram
Dependentes do teu cheiro.
Comprei um contraveneno
Num grande laboratório
Mas se tornou irrisório
Perante o grande veneno
Que tem teu corpo moreno
Esbelto, lindo, trigueiro,
Já devolveram o dinheiro
Pois nesta cura falharam
Minhas narinas ficaram
Dependentes do teu cheiro.
Autor: Wellington Vicente
Porto Velho, 01/07/2007.
Na soma das minhas eras
Eu já cheguei a setenta
A mente já não aguenta
Carregar tantas quimeras
Pois com tantas primaveras
Olho para o meu jardim
Em vez dum pé de alecrim
Só enxergo desenganos
Depois dos setenta anos
É ela quem manda em mim.
Mocidade, moça bela,
Com o tempo foi se afastando
E por querer desbotando
Cores da minha aquarela
A dentição amarela
(Já foi da cor de alfenim)
A mulher diz não ou sim
Na decisão dos meus planos
Depois dos setenta anos
É ela quem manda em mim.
Quando vou sair de casa
A mulher já recomenda:
- Volte logo pra merenda
Veja se não se atrasa!
Eu saio com o peito em brasa
Doido pra tomar um Gim
Mas vou tomar Buferin
Para evitar novos danos
Depois dos setenta anos
É ela quem manda em mim.
Glosas: Wellington Vicente
Porto Velho, 15/08/2011.