ZÉ VICENTE: PARAÍBA E PERNAMBUCO NA VIDA DO POETA

 

José Vicente do Nascimento, ou simplesmente, Zé Vicente da Paraíba, nasceu em Pocinhos-PB, foi criado em Taperoá, no Cariri paraibano e moldado na poesia popular nas escolas de Itapetim e São José do Egito, ambas na região do Pajeú pernambucano. Recrutado pelo Exército Brasileiro, serviu a Pátria nos anos de 44/45, em Caruaru-PE. Ao largar o fuzil, abraçou a viola, que foi sua companheira até os últimos dias de sua vida. Dos oitenta e cinco anos vividos, quarenta e cinco deles foram em Altinho, no agreste meridional pernambucano, onde, em 2005, recebeu o título de “Cidadão Altinense”. Em um dos momentos de inspiração, como forma de agradecimento ao Estado e à cidade que o acolheu como filho, escreveu:

Sou nordestino de raça,
Pernambucano deveras,
Vivo sem temer as feras
Que venham de qualquer praça.
No Brasil só acho graça
Neste pedaço de chão,
O Estado por ser Leão,
A cidade por ser querida:
Pernambuco é minha vida,
E Altinho minha razão!

VERSANDO…

Eu sei quando o verso presta,
Só não sei como é que faz!

Mote de Pedro Silva

Li Rogaciano Leite,
As letras de Marcolino,
Ao ler Diniz Vitorino
Senti enorme deleite.
Versos repletos de enfeite
Com rimas tão magistrais
Que já não se ouvem mais
Em cantoria ou seresta.
Eu sei quando o verso presta,
Só não sei como é que faz!

Eu já li Pedro Fernandes,
O mestre Zé Adalberto,
Sei que não passo nem perto
Dos versos dos vates grandes.
Já visitei os estandes
De inúmeros festivais:
Braz Costa, Dudu Morais
Poetas que vêm à testa.
Eu sei quando o verso presta,
Só não sei como é que faz!

Não tenho como citar
Poetas que admiro.
Por isso mesmo, prefiro
Neste momento louvar
A quem vive a cultivar
Poemas sentimentais
Enumerando o que faz
A vida ser uma festa.
Eu sei quando o verso presta,
Só não sei como é que faz!

* * *

Este colunista com o Poeta Pedro Fernandes – Quiosque da Poesia, João Pessoa-PB

AMIGOS

Sobre a partida do poeta Chico Crizanto:

Pra outro plano te elevas
Onde há paz em vez de queixas,
Na tua partida deixas
Mais saudade do que levas.
Trocaste o mundo das trevas
Num céu santo e reluzente.
Peço ao Pai onisciente
Para um anjo acompanhar-te.
Em cada amigo que parte,
Parte um pedaço da gente.

Geraldo Amâncio

É um pedaço de nós
Que deixamos de tocar
E ficamos a lembrar
Dos gestos, risos, da voz.
A dor de ficarmos sós
No peito esquerdo é latente,
Quando partiu Zé Vicente
Eu quase tive um enfarte.
Em cada amigo que parte,
Parte um pedaço da gente.

Wellington Vicente

MEU SÃO JOÃO FOI RESGATADO

Parabéns, prefeito Orlando
Pela sensibilidade
O São João que foi saudade,
Finalmente está voltando.
Ouvi o povo cantando
Os forrós de Assisão,
Jorge, O Príncipe do Baião,
Sob o troar da “reúna”,
Cantando o seu “Rio Una”,
“Vivência” e “Separação”.

Aqui não houve sofrência,
Chororô nem traições…
Ouvimos muitos baiões
Com mil “watts” de potência.
Preservando a existência
Do que plantou Gonzagão,
Distinta situação
Ocorreu nesta cidade:
São João não virou saudade;
Saudade virou São João!

Festival de Repentistas,
Quadrilhas, Bacamarteiros,
Milhares de forrozeiros
Enchendo todas as pistas.
Feliz com tantas conquistas
O povo veio animado,
Coco, baião e xaxado
Fizeram a grande mistura
Quem sorriu foi a cultura:
– Meu São João foi resgatado!

FESTAS JUNINAS

Quando o fole “pé-de-bode”
Der um acorde na serra
Até ancião de oitenta
Se levanta e desemperra,
Sai dançando no salão,
Festejando o São João
Que vai ter na minha terra.

PONTO DE VISTA

Mote:

Não discuto o seu gosto musical,
Só lhe peço que devolva o meu São João.

Se você é chegado ao “breganejo”,
Se adora as meninas de Goiás,
Se é fã de Wesley e outros mais
Travestidos de estilo sertanejo.
Eu só peço que respeite o lugarejo
Onde tenha a bandeira do baião
Hasteada no mais alto pavilhão
Demonstrando sua marca cultural.
Não discuto o seu gosto musical,
Só lhe peço que devolva o meu São João.

Cada tipo de cultura tem seu meio:
Carimbó representa o Grão-Pará,
Parintins é a Meca do Bumbá
E Barretos é a terra do rodeio.
Nós gostamos da sanfona no floreio,
Da zabumba repicando no salão,
Do triângulo relembrando Gonzagão,
Da fogueira esquentando o arraial.
Não discuto o seu gosto musical,
Só lhe peço que devolva o meu São João.

INTERCÂMBIO POÉTICO

Para qualquer enrascada
Que surgir em sua vida.
Força, ação e coragem
São as portas de saída.

Ademar Rafael Ferreira

Armadilhas surgem na vida,
Precisamos de muita atenção.
Muitas delas deixam feridas
Marcadas no coração.

Carlos Costa

Eu tenho a opinião
Que quando a fé nos anima
Até nosso coração
Acelera a autoestima.

Wellington Vicente

Enquanto estiver por cima
Leve a vida com decência
Pra na mudança de clima
Não sofrer por consequência.

Gregório Filomeno de Menezes

Observe que a prudência
Nos leva a portos seguros
Enquanto a incoerência
Nos deixa sempre em apuros.

Danizete Lima

EM TODO LUGAR

Em todo lugar eu sinto
O cheiro da tua ausência!

Mote: Nelson Nunes Farias

Lembro os bancos da igreja
O coreto da pracinha
Quando a gente, “criancinha”
Começou nossa peleja…
Foste ao céu. Bendita seja,
Nossa eterna residência!
Me aguarde, paciência,
Nosso amor não foi extinto!
Em todo lugar eu sinto
O cheiro da tua ausência!

Adilson Medeiros

São mais de trinta janeiros
Distante do teu sorriso
Meu coração indeciso
Sofreu danos verdadeiros.
Até pros catimbozeiros
Falei da tua existência…
Me receitaram a essência
De rosas com vinho tinto
Em todo lugar eu sinto
O cheiro da tua ausência!

Wellington Vicente

REALIDADES…

Falta paz e consciência,
Falta amor entre os mortais.

Mote de José Tiburtino

Falta o fermento do amor
No pão da humanidade,
Falta mais fraternidade
Na alma do pecador.
Falta bala no tambor
Das armas dos marginais,
Nas manchetes dos jornais
Sobra ódio e violência.
Falta paz e consciência,
Falta amor entre os mortais.

Glosa: Hélio Crisanto

Falta mais um censo crítico
Nesse povo ignorante,
Falta um “cabeça pensante”
No ambiente político.
Falta rigor analítico
Nas esferas sociais,
Pra não elegerem mais
Candidato sem decência.
Falta paz e consciência,
Falta amor entre os mortais.

Glosa: Wellington Vicente

INVERNADA

Da janela do nascente
Avisto um céu nebuloso
Um vento cheirando a chuva
Me deixando esperançoso
Levando o bafo das trevas
Desse verão tenebroso.

Hélio Crisanto

Meu São José, santo esposo
Da sagrada Mãe Maria,
Peça com fervor a Deus
Pra que abra a franquia
E nos dê bônus de chuva
Findando a nossa agonia.

Wellington Vicente

UM BAIÃO À BEIRA-MAR

Este colunista com Jorge de Altinho, Praia do Bessa, João Pessoa-PB.

Fui rever Jorge Assunção,
Um conterrâneo arretado,
Relembrar seu principado
Na história do baião.
Marcou minha geração
De forma espetacular,
Puxou também Alcymar,
Nando Cordel e Novinho.
Fui ver Jorge de Altinho
Num baião à beira-mar.

Jorge foi o pioneiro
Do forró metalizado,
Dando um novo “swingado”
Ao estilo brasileiro.
De São Luiz a Monteiro
Botou gente pra dançar,
Conseguindo misturar
Sax, trombone e trompete,
Ancião, moço e pivete
Num baião à beira-mar.

Quem não lembra “Confidência”,
“Petrolina-Juazeiro”,
Todo povo forrozeiro
Jamais esquece “Vivência”.
“Rio Una” é a essência
Da infância em seu lugar,
“Santo Antônio” e “Devagar”
“Sou Feliz”, “Vida Viola”,
“Nem Ligue” inda me consola
Num baião à beira-mar.

UNS E OUTROS

O nada pra uns é tudo
O tudo pra uns é nada.

Mote de Nelson Farias

Tenho visto muita gente
Reclamando prejuízo
Dizendo que está liso,
Que passou a decadente.
Já outro alegre se sente
Ao receber roupa usada
Dando cada gargalhada
Que deixa invejoso mudo.
O nada pra uns é tudo
O tudo pra uns é nada.

Um recorre ao “Caixa Dois”
Ou outra contravenção,
Sem nem pensar na prisão
Que pode ocorrer depois.
Outro só tem pro arroz,
Mas tem moral ilibada
E a sua vida regrada
É seu principal escudo.
O nada pra uns é tudo
O tudo pra uns é nada.

MENINOS

Capa do CD “Moleque da Rua Preta”, de Valdir Santos

Mãe dava o nó no dindim
Num saco com um buraco…
Uma irmã minha aparava,
A outra dava cavaco
E eu pastorava a bacia
Lambendo o fundo do saco.

Manoel Cavalcante

Eu enchia meu bisaco
Com pedras pra baleeira
Para caçar passarinhos
Por dentro da capoeira
Sem saber que era pecado
Agir daquela maneira.

Wellington Vicente

MARCOLINIZANDO

Indo rever o torrão
Que deixei inda menino
Parei por alguns instantes
Na terra de Vitalino
Para parabenizar,
Sorrir muito e abraçar
A filha de Marcolino.

MEU CORAÇÃO

Meu coração de poeta
Parece “lelé da cuca”:
Vive voando esquisito
Igualzinho uma mutuca.
Sofre, se machuca alguém…
Chora, quando se machuca.

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UM CAVALO SEM VAQUEIRO

Cavalo se despede do dono morto em acidente e comove velório na Paraiba

O vaqueiro e seu cavalo
Parceiros do mesmo trono
Um partiu pro sono eterno
O outro perdeu o sono
Pois ficou a relinchar
Tentando acordar o dono.

.

CREPÚSCULO AMAZÔNICO

Jaci surge exuberante
Sobre o céu da Amazônia
Traz consigo a Airumã
Como parceira de insônia.
As colegas do plantão
Expulsam a escuridão
Que paira sobre Rondônia.

Estrada da Areia Branca, Porto Velho, Rondônia – Foto: Kátia Cilene

TRIBUTO A ANANIAS

ananias

Ananias

Gol Histórico

No dia 19 de novembro de 2014, entrou para a história ao marcar o primeiro gol na partida de inauguração da nova arena do Palmeiras, a Allianz Parque.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Foi chamado “Ananiesta”
Por seu futebol grã-fino
Foi no Real Salvador
Que surgiu inda menino
E em cada atuação
Trouxe bastante emoção
Ao Esquadrão Leonino.

Siga em paz, Guerreiro!

CREPÚSCULO

crepusculo

Longe da terra natal
Que vivi quando menino
Voltei a voar nas asas
Ligeiras do meu destino
Pra fotografar a hora
Do crepúsculo nordestino.

PELOS SERTÕES POTIGUARES…

sertoes

Assisti o Astro-Rei
Na passagem do plantão:
Deixou bem limpa a guarita,
Pendurou o macacão,
Fez continência a Jesus
E foi emprestar a luz
Para o Luar do Sertão.


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