MEU CORAÇÃO

Meu coração de poeta
Parece “lelé da cuca”:
Vive voando esquisito
Igualzinho uma mutuca.
Sofre, se machuca alguém…
Chora, quando se machuca.

.

UM CAVALO SEM VAQUEIRO

Cavalo se despede do dono morto em acidente e comove velório na Paraiba

O vaqueiro e seu cavalo
Parceiros do mesmo trono
Um partiu pro sono eterno
O outro perdeu o sono
Pois ficou a relinchar
Tentando acordar o dono.

.

CREPÚSCULO AMAZÔNICO

Jaci surge exuberante
Sobre o céu da Amazônia
Traz consigo a Airumã
Como parceira de insônia.
As colegas do plantão
Expulsam a escuridão
Que paira sobre Rondônia.

Estrada da Areia Branca, Porto Velho, Rondônia – Foto: Kátia Cilene

TRIBUTO A ANANIAS

ananias

Ananias

Gol Histórico

No dia 19 de novembro de 2014, entrou para a história ao marcar o primeiro gol na partida de inauguração da nova arena do Palmeiras, a Allianz Parque.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Foi chamado “Ananiesta”
Por seu futebol grã-fino
Foi no Real Salvador
Que surgiu inda menino
E em cada atuação
Trouxe bastante emoção
Ao Esquadrão Leonino.

Siga em paz, Guerreiro!

CREPÚSCULO

crepusculo

Longe da terra natal
Que vivi quando menino
Voltei a voar nas asas
Ligeiras do meu destino
Pra fotografar a hora
Do crepúsculo nordestino.

PELOS SERTÕES POTIGUARES…

sertoes

Assisti o Astro-Rei
Na passagem do plantão:
Deixou bem limpa a guarita,
Pendurou o macacão,
Fez continência a Jesus
E foi emprestar a luz
Para o Luar do Sertão.

AMANHECER

jp

O sol surge em João Pessoa
Espanta sombras e queixas
Se enfeita que nem moça
Organizando as madeixas
Igualzinho um candeeiro
Ilumina o seresteiro
Que tá na Ponta do Seixas.

NA FAVELA DA MARÉ

nfm (1)

Um País que tem por norma:
“O mundo é do mais esperto!”
Que deixa o dono do morro
Matar quem passa por perto
Sem revide do Estado.
Posso até tá enganado
E ainda ser tachado
Como “militarizado”…
País com este legado
De ter bandido afamado
Tem tudo pra não dar certo!

8 ANOS DE SAUDADE

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No dia 9 de maio de 2016, se completaram oito anos que o poeta Zé Vicente da Paraíba (meu pai), foi cantar nos palcos do Criador.

Num encontro recente com o poeta paraibano Alberto Quintans, em Porto Velho, Rondônia, ele me fez a seguinte pergunta:

– Poeta, com quem ficou a viola de Zé Vicente?

Valendo-me do mote abaixo, de autoria do poeta Valdir Teles, fiz as seguintes glosas:

Essa Viola tem sido
Sofredora como Eu!

Parece até um parente
Feita de arame e madeira…
A grande amiga estradeira
Do cantador Zé Vicente.
A Paraíba inda sente,
Pernambuco entristeceu
O filho adotivo seu
Está desaparecido.
Essa Viola tem sido
Sofredora como Eu!

Igual a uma imigrante
Que chora na caminhada,
A pedido foi doada
Para Hérlon Cavalcanti.
Hoje por morar distante
De quem sempre a acolheu
Parece que percebeu
Que nada mais tem sentido.
Essa Viola tem sido
Sofredora como Eu!

Nossa sina emparelhada
Em nada nos envaidece:
Eu choro, faço uma prece;
Ela, não toca mais nada.
E vamos por esta estrada
Que o Destino escolheu
O pranto dela e o meu
Ficou muito parecido.
Essa Viola tem sido
Sofredora como Eu!

NO ROÇADO DA CULTURA

chi

Vamos meter a chibanca
No roçado da cultura.

Mote de Hélio Crisanto

Enquanto os seres humanos
Se agridem com cusparadas
Eu canto pelas estradas,
Cultivando os meus arcanos.
Traço metas, faço planos,
Me lanço nessa aventura,
Bebo da literatura,
Nada de mal me atravanca;
E vou metendo a chibanca
No roçado da cultura.

Hélio Crisanto

Enquanto Pedro Primeiro
Discursa lá no Senado,
Eu corro feito um danado
Ao redor do meu terreiro,
Perto tem um formigueiro
Tá assim de tanajura!
Para servir de mistura
Na dose de Serra Branca.
Vamos meter a chibanca
No roçado da cultura.

Wellington Vicente

SAUDADES DO SÃO JOÃO

SJ

Quando lembro às vezes passo mal
De saudade das coisas lá de nós.

(Mote de Bebé de Natércio)

Eu recordo as antigas gravadoras
Apostando nas festas de São João…
Em abril já lançavam Gonzagão,
Anastácia e Marinês, grandes cantoras.
Nas feirinhas as lendárias difusoras
Espalhavam pelo ar novos forrós
A magia invadindo os cafundós
E o Baião sendo o tema principal
Quando lembro às vezes passo mal
De saudade das coisas lá de nós.

QUIOSQUE DA POESIA

Um projeto cultural inspirado no que já acontece no mercado da Madalena, em Recife, e está iniciando em João Pessoa, num esforço dos amigos Nelson Farias e Melchior Sezefredo, na Praça Wanda Braga de Lucena, Jardim Oceania (proximidades da praia do Bessa).

Venham beber poesia,
Forró, chorinho e repente,
Sentir a nossa cultura
Que tanto emotiva a gente
Na terra que deu três Zés:
Da Luz, Ramalho e Vicente.

w1-horz w3-horz w5-horz

SEBASTIÃO DO ROJÃO

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Sebastião do Rojão, figura grandiosa do meu Sumé. Emudecidas ficam a sanfona e o violão alegre do Alto Alegre de Sumé

Sinceros votos de pesar à toda família.

Quando morre um tocador
Alguém guarda o seu chapéu
Na estante fica exposto
O derradeiro troféu
E Deus aumenta o elenco
Dos cantadores no Céu.

SAUDADE MATADEIRA

saudade

O assovio do vento
Na janela do meu quarto
O sorriso em uma foto
Que até chorando, reparto
E a saudade, doendo
Muito mais que a dor de um parto.

Dayane Rocha

De sofrer já estou farto
Penso que dessa maneira
A solidão pede um voto
E a peste da roedeira
Saiu de vice na chapa
Da saudade matadeira.

Wellington Vicente

SAUDADE COM “L”

SL

Alguém escreveu “saldade”
Com “L”, eu achei normal…
Analisando a grafia,
(Desprezando o radical),
Percebe-se que, na verdade,
Esta palavra saudade
Tem mesmo gosto de sal!

FLOR DE MANDACARU

fm

Foto: Enéas Bispo

Quando a chuva cai e o rio
Enche a primeira represa
O mandacaru se veste
Com a farda da natureza
E dança ouvindo a cantiga
Da flauta da correnteza.

CHUVAS NO NORDESTE

A terra sorriu bebendo
O pranto que o céu chorou.

Mote de Hélio Crisanto

sa

O trovão, pai da coalhada,
Ribomba em cima da serra,
No baixio o gado berra
Já prevendo a trovoada.
Ribaçãs em revoada
Passam fazendo o seu show,
O alazão esquipou
Porque viu o boi correndo.
A terra sorriu bebendo
O pranto que o céu chorou.

Uma vela a São José
No oratório é acesa,
No paredão da represa
O campônio aumenta a fé.
Um porco faz finca-pé
Onde o chiqueiro alagou,
Um canarinho trinou
Como que agradecendo.
A terra sorriu bebendo
O pranto que o céu chorou.

As antigas previsões
Dos meteorologistas
Não mais circulam nas listas
Das principais estações.
Pois a fé das procissões
Que o povo acompanhou
Com certeza superou
O que vinha se prevendo.
A terra sorriu bebendo
O pranto que o céu chorou.

SÃO JOSÉ DO EGITO

FN

Filhos, noras e netos de Zé Vicente da Paraíba com Bia Marinho

Festival pelos 101 anos de Louro do Pajeú e 60 anos de Zeto, de 3 a 6 de janeiro de 2016 em São José do Egito-PE.

Eu deixei a capital
Com seus turistas felizes
Pra conhecer as raízes
Do Poeta Lourival.
Estudar o cabedal
De Zeto, Job e Xudu,
Ouvir um Maracatu
Pelos “Meninos de Bia”,
Eu vim beber poesia
Na beira do Pajeú!

VERSOS NATALINOS

Na frieza da gruta o Deus Menino
Teve o bafo de um boi por cobertor.

Mote do poeta Raymundo Asfora

BOI

Foi por ordem d’O Autor da Criação
Que Jesus se fez homem neste mundo,
Para ser o primeiro sem segundo
No papel de pregar a salvação.
E Maria foi a grande ligação
Do terreno com O Ser superior,
São José foi o pai e o tutor
Do Cordeiro de Deus, O Pai Divino!
Na frieza da gruta o Deus Menino
Teve o bafo de um boi por cobertor.

Os pastores daquela cercania
Avisados por um anjo já correram,
Numa simples manjedoura conheceram
O menino de José e de Maria.
A estrela servindo como guia
Aos 3 magos que vieram em seu louvor,
Ajoelhados adoraram O Salvador
Sabedores do poder dO Pequenino.
Na frieza da gruta o Deus Menino
Teve o bafo de um boi por cobertor.

RIO DOCE

rd

O homem em sua ambição,
Insensível igual motor,
Fere de morte a natura
Sem escutar seu clamor.
E sem tempo pra parar
Consegue fazer chorar
A presa e o predador.

PERSONALIDADES

Mote:

Fui feito pra ser assim
Não vale a pena mudar.

Pode até caber censura
Ao meu estilo de vida
Mas não há língua comprida
Que mude a minha postura
Sou feito madeira dura
Que faz serrote envergar
Que além de não empenar
Não racha e nem dá cupim
Fui feito pra ser assim
Não vale a pena mudar.

Gregório Filomeno Menezes

Sou aço inoxidável
Que a ferrugem não come
Preservo bem o meu nome
Podendo, sou agradável,
Porém me torno intragável
Com gente que quer “se achar”
Não consigo refrescar
O lombo de cabra ruim
Fui feito pra ser assim
Não vale a pena mudar.

Wellington Vicente

20 DE OUTUBRO – DIA DO POETA

violeiros

Capa do 1º disco do gênero Repentismo lançado no Brasil pelo selo Mocambo. Recife-PE, 1955

Não há poeta pequeno
Em noite de inspiração.

Mote de José Lucas de Barros

As musas descem voando
Em direção ao poeta
Que sem saber se projeta
Em tudo que está cantando
A platéia admirando
O poder de criação
Do matuto do sertão
Devoto dO Nazareno.
Não há poeta pequeno
Em noite de inspiração.

As palmas são combustível
Para o vate violeiro
Cada canto do terreiro
O aplaude em alto nível
Parece que um dirigível
O guia em cada canção,
O vento presta atenção,
O calor se torna ameno,
Não há poeta pequeno
Em noite de inspiração.

Os matutos e doutores
Dos setores mais diversos
São levados por seus versos
Às paisagens multicores
As lembranças dos amores
Guardadas no coração
Retomam a ebulição
Mesmo no frio sereno.
Não há poeta pequeno
Em noite de inspiração.

MINHA 1ª COMUNHÃO

PC

Foi setenta e cinco, o ano
Que ocorreu a conquista;
George era o retratista,
O padre: Pedro Solano.
O Bispo Diocesano
Dom Augusto, com alinho;
O prefeito: “Seu” Zezinho;
Sacristão: Zé da Viagem…
Eis a antiga “paisagem”
Da cidade do Altinho!

ESTÓRIA DE PESCADOR

nino

Beira do Rio Madeira, Porto Velho-RO

O tempo está tão sisudo
Neste meu Norte querido
Que cinquenta graus à sombra
É o que tem ocorrido
Juro, não é brincadeira:
O tambaqui do Madeira
Já é pescado cozido.

.

LEMBRANÇA

Cada dose de cachaça que eu bebo
Dou uns cinco suspiros por você.

Já tentei lhe esquecer, mas não tem jeito,
Já busquei pela rua outros eventos
Que pudessem imitar os bons momentos
Que rolaram nos lençóis do nosso leito
Mas em todos eu encontro algum defeito
E não passam mais de um dia em meu AP
Só seus beijos possuem um certo “quê”
Que fascina por demais este mancebo.
Cada dose de cachaça que eu bebo
Dou uns cinco suspiros por você.

JACI

kc

Foto: Kátia Cilene

Jaci no papel de estrela
Surgiu imponente e forte
E a Parahyba do Norte
Alegrou-se ao recebê-la.
Sua luminosidade
Tinha um “quê” de divindade
Num show totalmente franco
E como sempre seduz
Jogava fachos de luz
Sobre o mar de Cabo Branco.

.

DEDÉ MONTEIRO

Dedé Monteiro

Foto: Josa Rabelo

O Poeta deu um susto,
Mas está recuperado.

Mote de Paulo Matricó

Quando eu soube que o autor
De “A Tampa do Tabaqueiro”
Teve um “ataque” ligeiro
Meu rosto mudou de cor
Por saber do seu valor
No verso cordelizado
Rezei num canto ajoelhado
Pedindo a bênção do Justo!
O Poeta deu um susto,
Mas está recuperado.

DIA DOS PAIS

Ao Poeta Zé Vicente da Paraíba

Zé Vicente

Sete anos e alguns meses
Que Jesus te recebeu
Pra cantar no Paraíso
O melhor poema teu
Hoje deves está cantando
Os anjos te admirando
E nós na terra lembrando:
Mamãe, a viola e eu!

ROEDEIRA

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E até hoje eu não vi ninguém roendo
Que não sinta vontade de beber!!!

Mote de Marquinhos da Serrinha

Que é que tem que eu beba, cante e roa
Numa praça rompendo a madrugada,
Se roer e cantar não custam nada
Vou cantar e roer, bebendo à toa!
Se do porre a ressaca não é boa
Eu não vou nem lembrar, pra não sofrer
Que quem tem por saudade um bem querer
Bebe, roe, canta e chora padecendo,
E até hoje eu não vi ninguém roendo
Que não sinta vontade de beber!!!

Lima Júnior

Quem ouvia Waldick Soriano
E curtia “Eu não sou cachorro não”,
Encostado numa esquina de balcão
Degustando cachaça com Cinzano
Hoje em dia tem Zezé e Luciano
Descrevendo os sintomas do roer,
Tem o Pablo mostrando o proceder
Das paixões que não vão arrefecendo.
E até hoje eu não vi ninguém roendo
Que não sinta vontade de beber!!!

Wellington Vicente

LAMPIÃO

lampião

Mote do colunista:

Faz setenta e sete anos
Que mataram Lampião.

Vila Bela, o lugarejo,
Que viu nascer o menino
Por nome de Virgolino,
Um autêntico sertanejo.
Nasceu trazendo o lampejo
De iluminar o sertão
Fazendo a “revolução”
Nos rincões pernambucanos.
Faz setenta e sete anos
Que mataram Lampião.

Formou sua cabroeira
Com os seus irmãos Livino,
Ezequiel “Ponto Fino”
(De pontaria certeira),
O bravo Antônio Ferreira
Pediu para deixar João
Seguir outra profissão
Diferente dos seus manos.
Faz setenta e sete anos
Que mataram Lampião.

A Coluna Prestes estava
Correndo o país inteiro
E o padre de Juazeiro
Há muito já receava
Que em breve a tropa riscava
Pela sua região
Deu armas ao “Capitão”
E aos seus “milicianos”.
Faz setenta e sete anos
Que mataram Lampião.

Por ordem do Presidente
Getúlio Dornelles Vargas
Tropas receberam cargas
De munição mais potente.
Foi João Bezerra, o tenente
Chefe da operação
Quem regeu toda a “canção”
Dos fuzis alagoanos.
Faz setenta e sete anos
Que mataram Lampião.

João Pessoa-PB, 28 de julho de 2015

DESAFIO

ds

Sei falar sobre Lutero
Na Reforma Protestante
Do gênio escritor Dante
E na Odisseia de Homero
Do Rei pérsico Assuero
De Cristo em Jerusalém
Da idade de Matusalém
Superman homem de aço
Só faz assim como eu faço
Se for poeta também!

Laci De Paula Chaves

Falo sobre Jesuíno,
Cangaceiro potiguar,
De Gonzagão a cantar
As letras de Marcolino.
Do cantador nordestino
Que assim que o mote vem
Com a glosa encanta quem
Assiste naquele espaço.
Só faz assim como eu faço
Se for poeta também!

Wellington Vicente

LEMBRANÇA ESTRADEIRA

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Foto de Osman Ferreira -Altinho-PE

Nas terras do meu avô
Quem passar pela cancela
Num tronco de baraúna
Depois da casa amarela
Vai avistar duas letras
Que um dia esculpi com ela.

MEU SÃO JOÃO DE ANTIGAMENTE

são joão

Mote:

Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

No meu tempo de menino
Assim que junho chegava
O meu rádio só tocava
Som do Trio Nordestino.
Com trajes de Virgolino
A quadrilha era envolvente
Fazendo com que a gente
Percorresse a redondeza.
Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

Bandinha do Genivaldo
Solava Jorge de Altinho
Eu, com o dinheiro curtinho,
Bebia Pitú com caldo.
Não tinha conta, nem saldo
Mas dançava sorridente
Que o rádio de Zé Vicente
Tocava “Dona Tereza”.
Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

“Pitiguari”, “Chililique”,
“Na Emenda”, “Rio Una”,
(Dancei ouvindo a “riúna”)
“Severina Xique-xique”.
Zabumbeiro no repique
Fazia o forró mais quente
E o sanfoneiro na frente
Foleava com destreza.
Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

CENSURADO

Z

Campina se faz pequena
Ao desprezar Zé Ramalho.

Mote de Aluísio Lopes

Não consigo imaginar
Que o povo da Prefeitura
Tenha adotado a “censura”
De José se apresentar.
Ele com o seu cantar
Fez do violão o malho
Para forjar seu trabalho
Pondo a Paraíba em cena.
Campina se faz pequena
Ao desprezar Zé Ramalho.

É a tese que “o Profeta
Não tem honra em sua terra”
A politicagem emperra
Quem for de encontro à meta.
Enquanto isso, o Poeta
Vai buscar outro agasalho
Que sirva de assoalho
À sua verve serena.
Campina se faz pequena
Ao desprezar Zé Ramalho.

GLOSANDO

É melhor viver sozinho
Do que mal acompanhado.

O bem-te-vi, prevenido
Não dá trela a passarinho
Que não serve pra vizinho
Como o gavião bandido
Escorraça o atrevido
Sob seu bico aguçado
Depois fica de soldado
Guarnecendo o próprio ninho.
É melhor viver sozinho
Do que mal acompanhado.

Gregório Filomeno de Menezes

Tive como companheira
Joana de Antônio Bento
Foi esse o maior tormento
Que tive em minha ribeira.
Ela pegava “o da feira”
Mas não ia pro mercado,
Gastava aquele trocado
Com Pitú, cigarro e vinho.
É melhor viver sozinho
Do que mal acompanhado.

Wellington Vicente

TARDE PARAIBANA

TPB

Foto: Kátia Cilene

Antes de o dia findar
O arco-íris se exibe,
Traz água do Jaguaribe
E deposita no Mar.
Antecedendo o luar
Da noite de lua cheia,
Um seresteiro ponteia
Seu violão afinado
Qual marujo apaixonado
Pelo cantar da sereia.

João Pessoa, 07 de maio de 2015

INSPIRAÇÃO

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Minha musa andou sumida
Não sei dizer o motivo
E eu que dependo dela
Para escrever o que vivo
Roguei pela sua volta
Ao meu mundo criativo.

Fiquei igual um cativo
Que espera a liberdade
Acho que a correria
Que oferece a cidade
Corrói, de maneira brusca,
Nossa sensibilidade.

Por isso a minha vontade
É voltar para o sertão
Para ouvir de novo o canto
Do inquieto azulão,
Canários e patativas
Cantando no meu oitão!

SOLEDADE

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Ao amigo Pedro Herculano (na foto acima) seresteiro nordestino radicado em São Paulo

Este sino traz saudade
Da brisa do meu sertão.

Mote de Helenice Leite

Sentado defronte a Sé,
Na capital bandeirante
Lembro o quanto está distante
Minha querida Sumé.
Rezo pra manter a fé
Suportando a provação,
Aí vejo o sacristão
Chamando a comunidade.
Este sino traz saudade
Da brisa do meu sertão.

As badaladas do sino
São convites para a reza
Mas a saudade hoje pesa
Muito mais do que o sino.
Mesmo assim rezo ao Divino
E nessa minha oração
Percebo que o coração
Se livra da soledade.
Este sino traz saudade
Da brisa do meu sertão.

Sou na terra da garoa
Apenas mais um anônimo
Uso até um pseudônimo
Mais pareço outra pessoa.
Este badalar ressoa
Trazendo a recordação
Da querida região
Que viu minha mocidade.
Este sino traz saudade
Da brisa do meu sertão.

Porto Velho, 07/11/2009

SORRIA…

SRR

Ouviram o que o Cid disse,
Será que foi com a gente?
Ô! Cearense aloprado!
Tem que ser mais paciente.
Por isso tem o ditado:
“Sabe de nada, Inocente!”

PAJEÚ

pj

A poesia tem cheiro
Das flores do Pajeú.

Mote de Dedé Monteiro

* * *

Berço de tantos talentos
Da poesia rimada,
Da viola ponteada
Mexendo com sentimentos.
Seus poetas nos eventos
Tiram rima do baú,
Palco do grande Xudu,
Louro e Pinto do Monteiro.
A poesia tem cheiro
Das flores do Pajeú.

Wellington Vicente

Na trajetória do rio
Tem cachoeiras de rimas,
O vento gera bons climas,
Na invernada ou estio;
E nessa estrofe que envio,
Contém sabor do imbu,
A doçura do caju;
Ou da fruta de facheiro,
A poesia tem cheiro
Das flores do Pajeú.

Carlos Aires


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