CARDEAL HARDY GUEDES – CURITIBA-PR
O GÊNIO CHICO ANYSIO
Caro Berto,
Estava escrevendo um artigo chamado O GÊNIO AGONIZA, para falar sobre Chico Anysio. Pelas últimas informações que havia lido, sua situação se mostrava irreversível. Dificilmente se recuperaria.
Eu queria dizer algumas palavras sobre a sua genialidade.
Infelizmente, antes de terminar e enviar o artigo, ele faleceu.
No artigo, eu lembrava da única ocasião que o vi ao vivo. Foi há alguns anos, num aeroporto. Não lembro se no Rio ou São Paulo. Sei que, de certa forma, foi um choque: ele estava num terno bege impecável, elegantíssimo, mas numa cadeira de rodas, empurrado por um dos filhos.
Estavam no início os seus problemas de saúde.
Em parte por timidez e em parte por respeitar a intimidade de todo artista, apesar da imensa vontade de cumprimentá-lo, fiquei apenas olhando de longe.
Os demais passageiros, que aguardavam a hora de embarcar, também não se aproximaram dele, que ficou conversando com o filho.
Até hoje, tenho dois corações quando me lembro deste fato. Estive pertinho de um dos maiores gênios brasileiros de todos os tempos, tanto pelos personagens que criou, quanto por suas demais atividades de escritor, ator, compositor, artista plástico… e o mínimo que desejaria fazer era cumprimentá-lo. Mas por respeito e timidez, não o fiz.
Acho que o fato dele estar numa cadeira de rodas, sendo uma pessoa tão ativa, tão criativa, de certa forma me inibiu também.
Perdi uma das únicas chances na vida de cumprimentar um gênio, pessoalmente. Não é todos os dias que a gente encontra alguém tão especial em lugar público.
Mesmo porque não existem tantos gênios dando sopa por aí. Ou pode ser que eu não saiba reconhecer um pois, conforme ouvi de Elis Regina, o difícil de se reconhecer um gênio é que preciso que se seja um gênio também.
Hoje, todas as artes brasileiras estão chorando copiosamente.
Um abraço
R. Meu caro, como o JBF não é uma página jornalística, daquelas que são obrigadas, por dever de ofício, a dar as últimas notícias aos seus leitores, eu havia decidido que só iria falar sobre Chico Anysio amanhã, sábado.
Mas como Chico era um dos ídolos e um dos cabras que eu mais admirei na minha vida, vou publicar sua carta hoje ainda.
O talentoso fubânico Padre Sponholz já deu seu recado sobre a partida desse cearense da bixiga lixa, através da sua genialidade na arte da charge.
Veja:

E vou aproveitar pra trancrever a mensagem via celular que acabei de receber do Poeta Jessier Quirino, que está em viagem pelo sertão paraibano, cumprindo sua agenda de recitais. Jessier, assim como você, é também colunista do JBF e Cardeal da Igreja Sertaneja.
Veja o que ele me mandou:
“Surge uma nova cor no céu: Azul-anysio.
Cor de todos os risos e todas as artes”

Chico Anysio conversando com o Cardeal Jessier Quirino – Julho/2008, camarim da Rede Globo, São Paulo