FRASES BEM-HUMORADAS DE MÁRIO QUINTANA

“A psicanálise? Uma das mais fascinantes modalidades de gênero policial, em que o detetive procura desvendar um crime que o próprio criminoso ignora.”

“Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.”

“Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder minhas coisas.”

“E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando a vida dos insetos.”

“A arte de viver é simplesmente a arte de conviver… simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!”

“A verdadeira coragem consiste, apenas, em não nos importarmos com a opinião dos outros. Mas como custa!”

“No dia em que estiveres muito cheio de incomodações, imagina que morreste anteontem… Confessa: tudo aquilo teria mesmo tanta importância?”

“Quantas vezes a vida nos revela que a saudade da pessoa amada é melhor que a presença dela.”

“Acho que o céu deve ser muito chato, porque lá tem chatos de todos os séculos.”

“Quantas vezes a gente, em busca da ventura, procede tal e qual o avozinho infeliz: em vão, por toda a parte, os óculos procura tendo-os na ponta do nariz.”

“Oh, preguiça, por causa tua quantas más ações eu deixei de cometer.”

“Só o riso, o amor e o prazer merecem revanche. O resto, é mais que perda de tempo… é perda de vida. “

“Há uns que morrem antes; outros depois. O que há de mais raro, em tal assunto, é o defunto certo na hora exata.”

“Deixem o outro mundo em paz! O mistério está aqui!”

“Às vezes precisamos abandonar a vida que havíamos planejado porque não somos mais a pessoa que fez aquele plano.”

“Se eu pudesse, eu pegava a dor, colocava dentro de um envelope e devolvia ao remetente.”

“Que loirinha, que nada! Sensual é o gorilão. Ou não notaste que ele tem os peitos da Rachel Welch?.”… (Referindo-se a Jéssica Lange na segunda versão do filme King Kong)

“Eu, agora – que desfecho! Já não penso mais em ti… Mas será que nunca deixo de lembrar que te esqueci?”

“… E que fique muito mal explicado. Não faço força para ser entendido. Quem faz sentido é soldado…”

“Se tiver de me esquecer, me esqueça. Mas bem devagarinho.”

Mário Quintana (1906-1994) nasceu na cidade de Alegrete, no Rio Grande do Sul. Ele foi poeta, tradutor e jornalista. É considerado um dos maiores poetas do século XX. Mestre da palavra, do humor e da síntese poética, em 1980 recebeu o Prêmio Machado de Assis da ABL e em 1981 foi agraciado com o prêmio Jabuti. Mário Quintana não se casou nem teve filhos. Viveu de 1968 até 1980 no Hotel Majestic, no centro histórico de Porto Alegre. Nesta cidade, veio a falecer no no dia 5 de maio de 1994.

TROVAS DE GERALDO AMÂNCIO

“Meu Deus que faz o que quer
Se um dia pôde fazer
Algo melhor que a mulher,
Escondeu pra ninguém ver.”

“Quando a minha fé se cansa
Eu não lamento nem choro,
Há um bastão de esperança
Onde me firmo e me escoro.”

“Nas minhas manhãs preciso
Além dos beijos dos ventos,
Um sol feito de sorrisos
Nos meus amanhecimentos.”

“Ódio da Lembrança eu varro,
Rancor eu nunca guardei,
Por saber que eu vim do barro
E a ele retornarei.”

“Quem fez o mundo perfeito
Não há questão nem talvez,
Eu não sei como foi feito,
Só sei que foi Deus quem fez.”

“Quem costuma me invejar,
Achando orgulhoso e ruim,
Se ficasse em meu lugar
Não tinha inveja de mim.”

“Brechas na lei têm roteiro
Quando a justiça bambeia;
É por onde entra o dinheiro
E o dono sai da cadeia.”

“A classe pobre infeliz,
O que revolta e assusta,
É residir num país
Onde a justiça é injusta.”

Geraldo Amâncio Pereira é poeta, repentista, trovador, cordelista e contador de causos. Nascido no sítio Malhada da Areia, município do Cedro, Ceará, em 29 de abril de 1946. Cursou faculdade de História em Fortaleza. Começou com acompanhamento de viola em 1966. Participou de centenas de festivais em todo o país, e classificou-se mais de 150 vezes em primeiro lugar. Organizou festivais internacionais de repentistas e trovadores, além do festival Patativa do Assaré. É autor das três antologias sobre cantoria em parceria com o poeta Vanderley Pereira. Gravou 15 CDs ao longo da carreira, além de ter publicado cordéis em livros. Apresentou o programa dominical “Ao Som da Viola”, na TV Diário em Fortaleza.

PROVÉRBIOS GASTRONÔMICOS

“Comecei uma dieta, cortei a bebida e comidas pesadas, em 14 dias, perdi duas semanas.”

“Um excesso de vez em quando é ótimo, impede que a moderação seja um hábito.”

“Aquele que foge da abelha, não tem direito ao mel.”

“A leitura, como a comida, não alimenta senão digerida.”

“Por mais santo que seja o dia a panela tem de ferver.”

“Em velha gamela também se faz boa sopa.”

“Ao pé de um bom estômago, coincide sempre uma boa alma.”

“O amor é um molho, o que torna qualquer tipo de carne saborosa.”

“Excessos e tristeza não devem ir à mesa.”

“O peixe, para ser saboreado bem, deve nadar três vezes – em água, na manteiga e no vinho.”

“Beleza e formosura nem dão pão nem fartura.”

“Não há banquete por mais rico, em que alguém não jante mal. “

“A comida depois de passada a goela, o estômago que se entenda com ela.”

“Quem come salgado, bebe dobrado.”

“Não há guerra de mais aparato que muitas mãos no mesmo prato.”

“Todos os cogumelos são comestíveis, alguns só uma vez.”

“Faço a dieta da sopa: Deu sopa, eu como!.”

“Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza.”

“O melhor bocado não é de quem faz, é de quem come.”

A SAUDADE NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

“A saudade é sempre aquela
Da hora mais indevida
No espírito é uma mancha
Na carne é uma ferida
E quem de nada tem saudade
Não teve nada na vida.”

Rogério Menezes

“Quem tem saudade não diz
Mas o semblante revela
Aonde vai planta tristeza
E aonde foi deixou sequela
Ninguém faz medicamento
Que tire os defeitos dela.”

Ivanildo Vila Nova

“Eu também plantei saudade
Numa pequena panela
Só de quinze em quinze dias
É que eu botava água nela
Pra ela não crescer demais
E matar quem cuidava dela.”

Leonardo Bastião

“Eu sinto tanta saudade
Que certo dia parei
Perto de um velho chorando
Por que choras? Perguntei
Ele disse: é com saudade
E eu sendo vítima chorei.”

Dimas Bibiu

“Saudade é como ferida
Que depois que dói inflama
O seu correio não tem
Recado nem telegrama
Nem mesmo a pessoa atende
Quando o mensageiro chama.”

Severino Pereira

FRASES BEM-HUMORADAS DE LEON ELIACHAR

“O divórcio é uma chance que se dá ao indivíduo para errar outra vez.”

“Adultério: É isso que liga três pessoas sem uma saber.”

“Saca-rolha é esse instrumento que foi inventado pra empurrar a rolha para dentro da garrafa.”

“Procuro manter sempre o mesmo nível de humor, mas a culpa não é minha: tem dias que o leitor está mais fraco.”

“Um homem prevenido vale por dois, dois homens prevenidos não sobra nenhum.

“Como evoluiu a odontologia: cada dia se inventa um aparelho diferente pra provocar uma dor diferente.”

“Antigamente quando o homem olhava para o tornozelo da namorada era um audacioso. Hoje, um idiota.”

“Só uma coisa o homem faz questão de acompanhar durante toda a sua vida: a queda dos cabelos.”

“A alegria do geômetra é ver o círculo pegar fogo.”

“Faquir é esse sujeito que fica deitado sobre pregos pra ganhar o seu pão de cada 100 dias.”

“Liberdade de imprensa é fácil. Difícil é ser jornalista livre.”

“Humorismo é a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros. Há duas espécies de humorismo: o trágico e o cômico. O trágico é o que não consegue fazer rir; o cômico é o que é verdadeiramente trágico para se fazer.”

“O turfe não é um jogo de azar. A gente joga sabendo que vai perder.”

“Com a primeira folha de parreira surgiu o primeiro problema da moda feminina: onde colocá-la?”

“O chato da bebida não é o mal que ela nos pode trazer, são os bêbados que ela nos traz.”

“Só poderemos melhorar o mundo distribuindo a verdadeira fé entre todos os povos do mundo.”

“O cinema é uma arte complexa e inexplicável: de cada dez filmes americanos, um é ótimo, dois são bons, três regulares e quatro fracos. De cada dez filmes nacionais, todos dez são de boa qualidade.”

“A mulher ideal é a que gosta da gente como a gente gostaria que ela gostasse – isso se a gente gostasse dela.”

“Biquíni: Um pedaço de pano cercado de mulher por todos os lados.”

“Quando eu era menino queria ser médico, hoje, pelo menos teria um da minha confiança. Mas foi bom: eu talvez não fosse da confiança dos outros – e pra viver à minha custa era preciso que eu ficasse doente.”

Leon Eliachar (1922-1987) nasceu na cidade do Cairo, no Egito, no dia 12 de outubro de 1922. Veio muito pequeno para o Brasil e se tornou um dos melhores jornalistas da imprensa falada e escrita, após ter atingido a idade da razão – ou do disparate, como costumava dizer. Era tão brasileiro como qualquer brasileiro, embora conste que nunca tenha se naturalizado. Jornalista desde os 19 anos de idade, trabalhou em diversos jornais e revistas, fixando-se, por último no Última Hora, onde mantinha uma página com o título Penúltima Hora. Justificava o nome da página com a legenda “um jornal feito na véspera”.

PROVÉRBIOS SOBRE O DINHEIRO

“Quando o dinheiro não é dominado como servo, mas domina como senhor, transformar-se num grande e terrível tirano .”

“O dinheiro chega como a terra escavada com uma agulha e se vai como areia levada pela água.”

“Quem gasta mais do que tem, a pedir vem.”

“Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda sofrer com conforto.”

“Dinheiro público é igual a água benta; todos põem a mão.”

“Dinheiro emprestado a um amigo deve ser recuperado de um inimigo.”

“Não te cases por dinheiro, podes conseguir um empréstimo mais barato.”

“Se quiseres enriquecer alguém: não lhe dês dinheiro, tira-lhe ambições.”

“Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro.”

“Com dinheiro à vista, toda gente é benquista.”

“Dinheiro perdido, nada perdido; saúde perdida, muito perdido; caráter perdido, tudo perdido.”

“Com dinheiro você poderá comprar um relógio, porém não comprará o tempo.”

“O homem e o dinheiro exibem uma amizade mútua: o homem faz dinheiro falso e o dinheiro faz o homem falso.”

“Dinheiro compra pão, mas não compra gratidão.”

“É o homem que ganha o dinheiro… ou é o contrário?”

“Dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro.”

“Deve tomar-se o dinheiro por aquilo que ele vale.”

“Se dinheiro falasse, o meu diria tchau!”

“O dinheiro é como o tempo: não o percam e chegará.”

TRIBUTO POÉTICO A MANOEL XUDU

O poeta paraibano Manoel Xudu (1932-1985), antes de ser o grande cantador de viola que era, destacou-se pela profunda formação humanística. Respeitoso, espontâneo e modesto, esse gênio do repente era um exemplo de decência e coleguismo. Sua personalidade se impunha pela maneira educada e gentil de se comunicar. Inspirava admiração, respeito e cordialidade por todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer esse talentoso repentista do maravilhoso universo da poesia cantada.

O poeta e repentista cearense Geraldo Amâncio fez uma homenagem póstuma ao extraordinário Manoel Xudu glosando o seguinte mote:

“A viola vestida de saudade,
Pendurada na cruz da cantador.”

“Sendo vítima dos golpes da traição,
Da pessoa a quem tanto deu carinho,
De repente se vendo tão sozinho,
Resolveu enfrentar a solidão.
Por ser grande demais seu coração,
Não havia lugar para rancor,
Coração de poeta é como a flor
Machucada por pés, sem piedade,
A viola vestida de saudade,
Pendurada na cruz do cantador.”

“O seu estro foi puro como o lírio
Cujas pétalas muitos buscam tê-las
Tinha o brilho opalino das estrelas
Nas chapadas azuis do céu empíreo
Fora preso, que pena, por delírio.
Aos encantos do seu primeiro amor,
Quem nasceu com destino de condor,
Só na pátria de Deus tem liberdade,
A viola vestida de saudade,
Pendurada na cruz do cantador.”

SONHOS

Conta uma velha história ter o filho voltado à casa do pai, após 20 anos da sua partida, e na ocasião solicitou aconselhamento. Disse o filho que precisava muito ouvir a sabedoria do pai a respeito de solução para o enorme problema que estava enfrentando.

– Pai, estou sem forças, não aguento mais. São muitas barreiras colocadas à minha frente. Quando supero uma, logo aparece outra, às vezes maior ainda. Por favor, ajude-me! O que devo fazer, meu pai?

O pai refletiu por alguns minutos e, em seguida, convidou o filho para um passeio, levando-o até um grande lago onde havia uma barragem de usina. Chegando lá perguntou ao filho:

– Meu filho, qual é o seu maior sonho?

– Sonho, pai? Ora, sonho eu não tenho mais. As dificuldades acabaram com meus sonhos.

– Filho, quero que olhes para este lago. Isto aqui era um caudaloso rio até que se construiu aquela barragem e formou-se este lago.

– E daí, pai, o que isto tem a ver comigo?

– Tudo, meu filho. Diga-me, você sabe que esta água produz energia que ilumina e movimenta várias cidades, não sabe?

– Sim, pai, disse o filho sem ainda entender nada.

– Pois saiba que toda esta reserva de energia enorme, acumulada neste lago, vem do sonho da água que é chegar até o oceano, meu filho. Se a água não tivesse este sonho, ela também não teria esta energia. A barragem freia o sonho, mas a água continua a correr pelas turbinas para atingir seu sonho: chegar ao mar.

– Explique melhor, meu pai.

– Você possui fantásticas reservas de forças dentro de você, meu filho. Para soltar toda esta força você precisa ter grandes sonhos como a água e ousar vivê-los. Você permitiu que as dificuldades naturais da vida matassem seus sonhos. Se você sonhar de novo e lutar para tornar seus sonhos realidade, então, nada poderá detê-lo.

“Para realizar grandes coisas não basta apenas sonhar, é preciso sonhar e acreditar.”

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos e pela importância do assunto resolvi publicar no JBF.

MÁXIMAS E MÍNIMAS DO BARÃO DE ITARARÉ

“Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.”

* * *

“O Brasil é feito por nós. Estar na hora de desatar estes nós.”

* * *

“Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes.”

* * *

“O mal do governo não é a falta de persistência, mas a persistência na falta.”

* * *

“O homem cumprimentou o outro, no café.

– Creio que nós fomos apresentados na casa do Olavo.

– Não me recordo.

– Pois tenho certeza. Faz um mês, mais ou menos.

– Como me reconheceu?

– Pelo guarda-chuva.

– Mas nessa época eu não tinha guarda-chuva…

– Realmente, mas eu tinha… “

* * *

“Orçamento é uma conta que se faz para saber como devemos aplicar o dinheiro que já gastamos.”

* * *

“O menino, voltando do colégio, perguntou à mãe:

– Mamãe, por que é que pagam o ordenado à professora, se somos nós que fazemos os deveres?”

* * *

“Os vivos são e serão sempre, cada vez mais, governados pelos mais vivos.”

* * *

“Quem ama o feio é porque o bonito não aparece.”

* * *

“Devo tanto que, se eu chamar alguém de ‘meu bem’ o banco toma!”

* * *

“Que faz o peixe, afinal?… Nada.”

* * *

“O trabalho nobilita o homem, mas depois que o homem se sente nobre, não quer mais trabalhar.”

* * *

“Quem não muda de caminho é trem.”

* * *

“A primeira ação de despejo foi a expulsão de Adão e Eva do paraíso por falta de pagamento de aluguel e comportamento irregular.”

* * *

“A guerra é uma coisa tão absurda e incompreensível que, quando se registra um combate de amplas proporções, até as baixas são altas.”

* * *

“Quando o queijo e a goiabada se encontram na mesa do pobre, devemos suspeitar dos três: do queijo, da goiabada e do pobre.”

* * *

“A conversa prejudica o trabalho! Deixe, portanto, de trabalhar, sempre que quiser conversar!”

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“O meu amor e eu nascemos um para o outro, agora só falta quem nos apresente.”

* * *

“O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.”

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“Há heróis de dois tipos: Os que a pátria chora porque morreram e os que a pátria chora porque não morreram.”

* * *

Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, também conhecido por Apporelly e pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé (1895-1971), era gaúcho da cidade de Rio Grande. Ele foi jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro. Estudou medicina, sem chegar a terminar o curso, e já era conhecido quando veio para o Rio de Janeiro fazer parte do jornal “O Globo”, e depois de “A Manhã”, de Mário Rodrigues (pai de Nélson Rodrigues), um temido e desabusado panfletário. Logo depois lançou um jornal autônomo, com o nome de “A Manha”.

O BOM HUMOR NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

“Todo voto vinculado
Eu comparo com aquela,
Que o sujeito se casa
Com uma linda donzela,
Mas tem que morar na marra
Com toda família dela.”

Oliveira de Panelas

“Meu cumpade, a minha casa
É uma casa tão feia…
D’um lado é um cemitério
Do outro lado a cadeia
D’um lado se come terra
Do outro se come peia.”

Louro Branco

“Caminhão que vai passando
Por essa estrada sem fim,
Se encontrar uma mulher,
Branca do cabelo ruim,
Diga àquela desgraçada
Que não se esqueça de mim.”

Josué da cruz (1904-1968)

“Lá em casa a crise é tanta
Que não sei como resisto
A roupa que estou usando
É minha e de Evaristo
Quando eu não visto, ele veste
Quando ele não veste, eu visto.”

Afonso Pequeno

“Temos dois aniversários
Em idades diferentes:
O pai entre os pecadores,
O filho entre os inocentes;
O pai mudando os cabelos,
O filho mudando os dentes.”

José Alves Sobrinho (1921-2011)

UM EPISÓDIO BOÊMICO DE JOÃO PARAIBANO

João Pereira da Luz (1952-2014), conhecido como João Paraibano, destacou-se como poeta e repentista que descrevia de forma notável o Sertão, onde ao longo dos anos tornou-se especialista no assunto. Entretanto, seu grande talento contribuiu para dominar os diversos temas explorados no admirável mundo da cantoria de viola.

Certa vez, João Paraibano estava numa festa e devido uma confusão com sua mulher, por motivos de ciúme dela, foi preso. Conta-se que dentro do cárcere, o poeta, aos prantos e um pouco alcoolizado, declamou de improviso, os seguintes versos para o delegado:

“Doutor eu sei que errei
Por dois fatos: dama e porre,
Por amor se mata e morre.
Eu nem morri, nem matei,
Apenas prejudiquei
Um ambiente de classe.
Depois de apanhar na face
Bati na flor do meu ramo.
Me prenderam porque amo
Quanto mais se eu odiasse.

Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto.
Faz pena dormi no teto
Da morada de um bandido,
Se humilha, faz pedido
Ninguém escuta a voz sua,
Não vê o sol, nem a lua
Deixar o espaço aceso.
Por que um poeta preso
Com tantos ladrões na rua?

Sei que não sou marginal,
Mas por ciúmes de alguém,
Bebi para fazer o bem,
Terminei fazendo o mal.
Eu tendo casa, quintal,
Portão, cortina, janela,
Deixei pra dormi na cela
Com a minha cabeça lesa,
Só sabe a cruz quanto pesa
Quem está carregando ela.

Poeta é um passarinho
Que quando está na cadeia
Sua pena fica feia,
Sente saudade do ninho,
Do calor do filhotinho,
Da fonte da imensidade.
Se come deixa a metade
Da ração que o dono bota,
Se canta esquece da nota
Da canção da liberdade.

Doutor, se eu perder meu nome
Não acho mais quem o empreste,
A minha mulher não veste,
Minha filhinha não come
E a minha fama se some
Para nunca mais voltar.
Não querendo lhe comprar,
Mas humildemente peço:
Se puder, rasgue o processo
E deixe o poeta cantar.”

ESSA TAL FELICIDADE

Qual o conceito de felicidade para o ser humano? Esse questionamento é mais antigo do que possa parecer. Ele faz parte das primeiras reflexões filosóficas, ainda na Grécia Antiga. Um dos primeiros filósofos a tentar responder essa pergunta foi Aristóteles (384 – 322 a.C.). Segundo o sábio grego, a felicidade é o maior desejo da humanidade, e não está ligada a prazeres ou riquezas, mas à prática da razão. Com o passar dos anos, o conceito foi se modificando nos diversos campos de estudo tentando decifrar a sensação de bem-estar. Além da filosofia, áreas como religião, artes e sociologia arriscaram buscar a compreensão do que é ser feliz. Por exemplo, para o profeta iraniano Zoroastro (que viveu entre os séculos 6 e 5 a.C.), a felicidade na terra é “um lugar ao abrigo do fogo e dos animais ferozes; mulher; filhos; e rebanhos de gado”, enquanto para o budismo é a libertação do sofrimento.

Todos almejam a felicidade, que se torna objeto de desejo logo ao nascer. Apontam os especialistas a existência de uma confusão sobre o entendimento real do conceito – o que, às vezes, acarreta a sensação do bem-estar ser algo inatingível. Frequentemente, as pessoas acreditam que felicidade é um propósito alcançado ao final de um caminho, quando na realidade, trata-se de algo a ser vivenciado, todo dia, muitas vezes em pequenas doses.

Exatamente por essa razão, experimentar a sensação de contentamento é algo que pode ser ensinado e aprendido. A felicidade é uma escolha e nós podemos decidir por esse caminho. Para alcançá-la, precisamos, portanto, conhecer a nós mesmos. Ao iniciarmos o processo de autoconhecimento, poderemos nos apropriar de nossas qualidades, consequentemente, obtermos mais autoconfiança e autovalorização. Assim sendo, abandona-se a ideia da necessidade de responsabilizar os outros ou os acontecimentos externos por sentimentos e decisões de nossa vida.

Para manter a felicidade, precisamos de habilidades emocionais e sociais, como autopercepção, competência para aliviar os efeitos de sentimentos desagradáveis, discernimento para julgar se podemos mudar uma situação adversa e resiliência para buscar formas positivas de se adaptar a perdas. Essa tal felicidade está dentro de nós. Devemos ter a lucidez e a coragem para evoluir enfrentando a sombra de nossas imperfeições e descobrindo a luz de nossas virtudes.

FRASES MARCANTES DE MILLÔR FERNANDES

“O homem é um animal que adora tanto as novidades que se o rádio fosse inventado depois da televisão haveria uma correria a esse maravilhoso aparelho completamente sem imagem.”

“Você pode evitar descendentes. Mas não há nenhuma pílula para evitar certos antepassados”

“Morrer rico é extrema incompetência. Significa que você não usufruiu, ou pelo menos não usufruiu todo o seu dinheiro. Além disso, um rico que gasta tudo antes de morrer, livra os seus herdeiros do odioso imposto de transmissão.”

“Este é o país onde há a maior possibilidade de criar um mundo inteiramente novo. Caos não falta.”

“Aprenda de uma vez: Se você acordou de manhã é evidente que não morreu durante a noite. A felicidade começa com a constatação do óbvio.”

“Prudência: E devemos sempre deixar bem claro que nenhum de nós, brasileiros, é contra o roubo. Somos apenas contra ser roubados.”

“Quando os eruditos descobriram a língua, ela já estava completamente pronta pelo povo. Os eruditos tiveram apenas que proibir o povo de falar errado.”

“Um banqueiro pode escrever falsa literatura. Mas vá um escritor falsificar um cheque.”

“Nascer estadista em país subdesenvolvido é como nascer com um tremendo talento de violonista numa tribo que só conhece a percussão.”

“A infância não, a infância dura pouco. A juventude não, a juventude é passageira. A velhice sim. Quando um cara fica velho é pro resto da vida. E cada dia fica mais velho.”

“Há os que sobem por estupidez. E os que caem tropeçando na própria sabedoria.”

“A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu caráter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte.”

“A verdade é que a maior parte das pessoas foge de tentações que nem se dão ao trabalho de tentá-las.”

“Um homem que come carne por instinto é tão vegetariano quanto um homem que come vegetais por princípio. Afinal de contas a carne é a transubstanciação do capim que o animal comeu.”

“A economia compreende todas as atividades do país, mas nenhuma atividade do país compreende a economia.”

“Já vi gente cansada de amor, de trabalho, de política, de ideais. Jamais conheci alguém sinceramente cansado de dinheiro.”

“O ser humano ainda não tinha aprendido a amar o próximo e já tinha inventado a televisão que ensina a desprezar o distante.”

“Tudo na vida tem uma utilidade – se não fosse o mau cheiro quem inventaria o perfume?”

“Tanta plástica no rosto, no seio, na bunda e ninguém aí para inventar uma plástica no caráter.”

“Um pessimista é o único que está preparado para ser otimista quando seu pessimismo der certo.”

Milton Viola Fernandes (1923-2012). Autor e tradutor. Descobriu na adolescência que havia sido registrado erroneamente, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr. De humor singular, humanista e moderno, com visão cética do mundo, Millôr Fernandes foi considerado uma figura de proa do panorama cultural brasileiro: jornalista, escritor, artista plástico, humorista, pensador. Destacou-se em todas essas atividades. No teatro, empreendeu uma transformação no campo da tradução, tal a quantidade e diversidade de peças que traduziu. Escreveu, com Flávio Rangel – Liberdade, Liberdade – uma das peças pioneiras do teatro da resistência à ditadura militar, encenada em 1965. Em seus trabalhos costumava-se valer de expedientes como a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças dominantes, sendo em consequência confrontado constantemente pela censura.

TROVAS DE GERALDO AMÂNCIO

“O que o bom trovador faz
É mesmo impressionante
Numa trova ele é capaz
De eternizar um instante.”

“Se é boa a trova, de fato,
Eu nela admiro tudo.
Tão pequena no formato,
Tão grande no conteúdo.”

“Preso ao teu sorriso grácil
Separei-me sem saber,
Que te deixar era fácil,
Difícil era te esquecer.”

“Como começa se finda
A história da nossa vida,
Nada trazemos na vinda,
Nada levamos na ida.”

“Uns vivem bem, outros mal,
A vida tem duas faces,
O câncer no social.
Vem da divisão de classes.”

“Num egoísmo profundo
Penso, ao receber teus mimos,
Que Deus só fez esse mundo
Porque nós dois existimos.”

“Que saber o que é saudade?
Vá perguntar a quem sente,
É a falta da metade
De quem mais faz falta a gente.”

“Da saudade o que padeço
Sempre o culpado sou eu,
Que sou reimoso e esqueço
De esquecer quem me esqueceu.”

Geraldo Amâncio Pereira é poeta, repentista, trovador, cordelista e contador de causos. Nascido no sítio Malhada da Areia, município do Cedro, Ceará, em 29 de abril de 1946. Cursou faculdade de História em Fortaleza. Começou com acompanhamento de viola em 1966. Participou de centenas de festivais em todo o país, e classificou-se mais de 150 vezes em primeiro lugar. Organizou festivais internacionais de repentistas e trovadores, além do festival Patativa do Assaré. É autor das três antologias sobre cantoria em parceria com o poeta Vanderley Pereira. Gravou 15 CDs ao longo da carreira, além de ter publicado cordéis em livros. Apresentou o programa dominical “Ao Som da Viola”, na TV Diário em Fortaleza.

DITADOS POPULARES EXPLICADOS POR CÂMARA CASCUDO

Amigo da onça

Segundo estudiosos da língua portuguesa, este termo surgiu a partir de uma história curiosa. Conta-se que um caçador mentiroso, ao ser surpreendido, sem armas, por uma onça, deu um grito tão forte que o animal fugiu apavorado. Como quem o ouvia não acreditou, dizendo que, se assim fosse, ele teria sido devorado, o caçador, indignado, perguntou se, afinal, o interlocutor era seu amigo ou amigo da onça. Atualmente, o ditado significa amigo falso, hipócrita.

Fazer ouvidos de mercador

Orlando Neves, autor do Dicionário das Origens das Frases Feitas, diz que a palavra mercador é uma corruptela de marcador, nome que se dava ao carrasco que marcava os ladrões com ferro em brasa, indiferente aos seus gritos de dor. No caso, fazer ouvidos de mercador é uma alusão a atitude desse algoz, sempre surdo às súplicas de suas vítimas.

Santa do pau oco

Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos séculos XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado a Portugal.

Farinha do mesmo saco

“Homines sunt ejusdem farinae” esta frase em latim (homens da mesma farinha) é a origem dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável. Como a farinha boa é posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa comparação para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

Aquela que matou o guarda

Tratava-se de uma mulher que trabalhava para D. João VI e se chamava Canjebrina, que, como informam os dicionários, significa pinga, cachaça. Ela teria matado um dos principais guardas da corte do Rei. O fato não foi provado. Mas está no livro “Inconfidências da Real Família no Brasil”, de Alberto Campos de Moraes.

Pagar o pato

A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia é que pagava pelo animal sacrificado. Sendo assim, passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem ter qualquer benefício em troca.

Salvo pelo gongo

O ditado tem origem na Inglaterra. Lá, antigamente, não havia espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados para o ossário e o túmulo era utilizado para outro infeliz. Só que, às vezes, ao abrir os caixões, os coveiros percebiam haver arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo (catalepsia – muito comum na época).

Assim, surgiu a ideia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada num sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Desse modo, ele seria salvo pelo gongo. Atualmente, a expressão significa escapar de se meter numa encrenca por uma fração de segundos.

Comer com os olhos

Soberanos da África Ocidental não consentiam testemunhas ás suas refeições. Comiam sozinhos. Na Roma Antiga, uma cerimônia religiosa fúnebre consistia num banquete oferecido aos deuses em que ninguém tocava na comida. Apenas olhavam, “comendo com os olhos”. A propósito, o pesquisador Câmara Cascudo costumava dizer que certos olhares absorvem a substância vital dos alimentos. Hoje o ditado significa apreciar de longe, sem tocar.

O pior cego é o que não quer ver

Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, pois logo que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos.

O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver. Atualmente, o ditado se refere a alguém que se nega admitir um fato verdadeiro.

Mais vale um pássaro na mão do que dois voando

Significa que é melhor ter pouco que ambicionar muito e perder tudo. É tradição de antigos caçadores. Eles achavam melhor apanhar logo a ave que tinham atingido de raspão, antes que ela fugisse, do que tentar atirar nas que estavam voando e errar o alvo.

Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) foi historiador, antropólogo, advogado, professor universitário, jornalista e, principalmente, folclorista brasileiro. Era apaixonado pelas tradições populares, superstições, literatura oral e História do Brasil. Ele passou toda sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Faculdade de Direito de Natal, hoje Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) , cujo o Instituto de Antropologia leva seu nome. O conjunto de sua obra é considerável em quantidade e qualidade: ele escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro, em um total de 8.533 páginas, o que o coloca entre os intelectuais brasileiros que mais produziram. É também notável que tenha obtido reconhecimento nacional e internacional publicando e vivendo distante dos centros Rio e São Paulo.

PROVÉRBIOS SOBRE A SAUDADE

“Saudade é uma ferida que não sangra, mas também não cicatriza. É uma lâmpada que queima sem iluminar. Uma água que só molha sem limpar.”

“Quando a saudade é demais, não cabe no peito: escorre pelos olhos.”

“Saudade, não sei de onde veio nem para onde vai; só sei que da minha vida, sua lembrança não sai.”

“Quem planta vento, colhe tempestade; quem planta amor, colhe saudade.”

“Saudade tem rosto, nome e sobrenome. Saudade tem cheiro, tem gosto. Saudade é a vontade que não passa. É a ausência que incomoda. Saudade é a prova de que tudo valeu a pena.”

“A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas, mas atiça as fogueiras.”

“A grandeza de uma pessoa não se mede pelo espaço que ocupa em nosso coração, mas sim, pelo vazio que deixa quando está distante.”

“A velhice começa quando as saudades são mais fortes que a esperança.”

“Não tenha saudade do passado: irão pensar que você não está feliz com o presente.”

“A saudade é o imposto que a vida cobra de quem foi muito feliz por um instante.”

“Ás vezes, você só percebe a importância de um momento, quando ele se torna uma lembrança.”

“Dizem que se a saudade não vai embora, é porque o amor decidiu ficar. “

“O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo…”

“Faça da sua ausência o bastante para que alguém sinta sua falta, mas não prolongue-a demais para que esse alguém não aprenda a viver sem ti.”

“Talvez a saudade seja uma das mais belas formas de afinidade, sem ela não teríamos a alegria do abraço de alguém que mesmo distante nos faz bem.”

“Saudade não significa que estamos longe, mas sim que um dia estivemos juntos.”

“Nunca deixe que a saudade do passado e o medo do futuro estraguem a beleza de hoje, pois há dias que valem um momento e há momentos que valem por toda uma vida.”

“Ansiedade, muitas vezes, é meio uma saudade do que ainda não aconteceu.”

“VOLTA! – gritou a saudade.
LEMBRA! – disse a memória.
ESQUECE! – aconselhou a razão.”

REVISITANDO O LEGADO POÉTICO DE PINTO DO MONTEIRO E LOURIVAL BATISTA

Lourival Batista e Pinto do Monteiro

Severino Lourenço da Silva Pinto (1896-1991), conhecido como Pinto do Monteiro, foi um dos maiores representantes do maravilhoso universo do repente. Ele participou de Cantorias, Congressos e Festivais, onde era aclamado pelo público presente nesses eventos, como aconteceu no Teatro Santa Izabel, em Recife (PE), na noite de 05 de outubro de 1948. Naquele momento, o repentista Lourival Batista (1915-1992) cantou com Pinto do Monteiro para uma grande plateia que lotou o teatro, surpreendida com aquela forma de fazer verso. Lourival, entusiasmado com os aplausos, iniciou de improviso esta sextilha:

“A cantoria vai boa
E os versos são colossais”

Nesse instante, aproximou-se um fotógrafo, que, de cócoras, fez uma foto dos dois violeiros. E Lourival continuou:

“Pinto, aí da tua banda
Acocorou-se um rapaz
Assim nessa posição
Eu não sei o que ele faz?”

Pinto aproveitou a oportunidade e completou:

“Chegou ali o rapaz
Começou a se bulir
Focou na cara da gente
E eu vi a luz explodir
Pensei até que era um bicho
Que nos quisesse engolir.”

Lourival, instantaneamente, descreveu o desfecho da saga poética com versos criativos e bem-humorados:

“Pinto, eu não sei distinguir
Se ele é da praça ou da aldeia
Pois quando se acocorou
Meu sangue tremeu na veia
A foto pode ser boa
Mas a posição foi feia.”

QUEM PLANTA TÂMARAS NÃO COLHE TÂMARAS

Existe um ditado árabe que diz: “Quem planta tâmaras não colhe tâmaras!”. Isso porque, antigamente, as tamareiras levavam de 80 a 100 anos para produzir os primeiros frutos. Nos dias de hoje, com as técnicas de produção moderna, esse tempo foi bastante reduzido, todavia o ditado é sábio e continua atualíssimo. Conta-se que, certa vez, um senhor de idade avançada plantava tâmaras no deserto quando um jovem o abordou, perguntando:”Mas por que o senhor perde tempo plantando o que não vai colher?”. O senhor virou a cabeça e, calmamente, respondeu: “Se todos pensassem como você, ninguém comeria tâmaras”. Ou seja, não importa se você vai colher, o que importa é o que você vai deixar….Cultive, construa e plante ações que não sejam apenas para você, mas que possam servir para todos e para o futuro.

Nossas ações no presente refletem no futuro. Se o tempo não é de colher, bem, pode ser tempo de semear. Um aprendizado que poderemos extrair do provérbio consiste na solidariedade, no otimismo e na esperança para caminhar pelos tempos difíceis. Devemos crer que sempre haverá pessoas de bem para perpetuar a corrente de plantação de tamareiras, ou seja, indivíduos preocupados com aqueles que ainda nem existem, algo muito raro no mundo contemporâneo, principalmente nos países mais ricos. A nossa atitude é se aliar aos que lutam contra a destruição do meio ambiente com objetivos estritamente industriais e capitalistas. Infelizmente, o conceito de sustentabilidade não é levado a sério em muitos países.

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos, então, pela importância do assunto resolvi publicar no JBF.

A RELIGIÃO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

“A cada tarde Deus pinta
Um pôr do sol diferente
Nesse aspecto Deus parece
Um cantador de repente
Mas em vez de cantar
Pinta painéis no poente.”

Ivanildo Vila Nova

“Cristo, Tu és o emblema
Nas peças que o tempo faz
A neve que o vento leva
Os raios que a luz traz
Auxílio dos sofredores
Que choram pedindo paz.”

Zé Viola

“No varal do Infinito
Uma nuvem pendurada
Parece com uma roupa
Bem confeccionada
Deus coseu com maestria
Pra o corpo da madrugada.”

Raimundo Borges

“Se você dê uma flor
Pra criatura carente
Dormida a quem está com sono
Remédio a quem está doente
Sua alma tem lugar
No reino do Onipotente.”

José Cardoso

“Os teus sermões são ouvidos
Por teus admiradores
Tuas frases estão vivas
Na voz dos teus seguidores
Dando força aos que te seguem
Perdão aos teus traidores.”

Moacir Laurentino

CONSIDERAÇÕES SOBRE A FINITUDE DA VIDA HUMANA

No mundo ocidental a morte, frequentemente, é avaliada como algo imerecido e imprevisível. Existe uma compreensão de que se trata de um ponto final e não de uma etapa de um ciclo, como na cultura oriental. Dessa maneira é fácil compreender que a ideia de morte venha acompanhada de sensações desagradáveis, como angústia, tristeza, medo, agonia e uma sensação de desolação. Por estes motivos a finitude da vida humana, de maneira geral, pode ser encarada como um tabu e, consequentemente, todo assunto a ela associado é afastado da nossa mente.

O filósofo grego Sócrates (469 a.C – 399 a.C), antes de morrer, condenado a tomar cicuta (um veneno mortal), deixou excelente inspiração para uma reflexão sobre a morte: “Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas: Ou a morte não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do quer que seja. Ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e uma migração para a alma, deste lugar para outro”.

O seu pensamento demonstra que as duas maneiras de considerar o problema da morte podem ser satisfatórias. Quem não acredita na continuação da vida, a morte é o nada, a ausência completa de amarguras e desesperos, e significa o fim do sofrimento e desventuras. Para aqueles que creem na continuação da vida, a morte é a passagem dessa existência para outra melhor.

Um assunto desta complexidade merece ser ilustrado com os versos do talentoso poeta Manoel Filó (1930 – 2005):

“Quando eu parti desse abrigo
Seguir à mansão sagrada,
A morte está perdoada
Do que quis fazer comigo,
Quis que eu fosse igual ao trigo
Que ao vendaval se esfarela,
Mas eu vou passar por ela
De cabeça levantada
A morte está enganada,
Eu vou viver depois dela.”


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