A VIOLA NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

João Paraibano (1952-2014)

“Das coisas que eu mais preciso
Deus me deu três, eu aceito
O chão para os meus pés
A viola presa ao peito
E um castelo de sonhos
Pra ruir depois de feito.”

João Paraibano

* * *

“Me orgulho por ser dono
Da viola que comprei
Não dou, não troco e nem vendo
Que se fizer isto eu sei
Que estou vendendo a segunda
Mãe dos filhos que criei.”

Zé Viola

* * *

“Viola que me ensinou
A consertar coisas tortas
Ressuscitando esperanças
Que achei que estivessem mortas
Viola pra mim tem sido
A chave de muitas portas.”

Luciano Leonel

* * *

“Venho desde inocente
Nesse grande labirinto,
Passei por muitas torturas,
Passei momentos faminto,
Porém cantando no pinho,
Esqueço as dores que sinto.”

Sebastião da Silva

* * *

“Alcancei o que mais quis
E arranjei conhecimento,
Afinando as 7 cordas
Tocando o meu instrumento,
Eu sinto a marca divina
Ligada em meu pensamento.”

Moacir Laurentino

DITADO POPULAR

“A carne só é fraca quando o caráter não é forte.”

“Dinheiro e mulher bonita é que governam o mundo.”

“Cara feia pra mim é falta de maquiagem.”

“Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é tolo ou não tem arte.”

“A medida de encher nunca transborda.”

“Nunca puxe o tapete dos outros, afinal você também pode estar em cima dele.”

“Atrás de quem corre não falta valente.”

“As porcelanas mais resistentes são as que vão ao forno mais vezes.”

“Deixa estar, jacaré, que a lagoa há de secar.”

“Galinha que canta é que é a dona dos ovos.”

“Não ria do mal do vizinho, que o seu está a caminho.”

“Um chato nunca perde o seu tempo, perde sempre o dos outros.”

“Quando a carroça anda é que as melancias se ajeitam.”

“Quanto maior é o coqueiro maior o tombo do coco.”

“Não adianta gritar por São Bento, depois que a cobra mordeu.”

“O homem é senhor do que pensa e escravo do que fala.”

“Quem não pode morder não mostre os dentes.”

“Se a jabuticaba é pouca, a gente engole o caroço.”

“Urubu quando está infeliz cai de costas e quebra o nariz.”

O VALOR DA BELEZA

Todos os seres humanos possuem a sua beleza natural e, se observassem bem, cuidariam da saúde para manter a vitalidade por meio de prática de exercícios, alimentação adequada e bom senso na convivência diária. Não existem homens e mulheres feios. Existem aqueles insuficientemente amados, mal tratados e com baixa autoestima. Esses fatores contribuem para que tais pessoas busquem, numa fuga, aquilo que é exótico ou uma aberração, entretanto o objetivo é ser o centro de atenções. E assim vão vivendo pelo ter e esquecem completamente o ser.

Atualmente, quantas pessoas estão perdendo a vida por buscar um beleza artificial? E esta é implacável, não poupa aqueles que a procuram, pois, quando o corpo reage a estímulos negativos, surge um grande risco de o organismo não suportar a agressão feita a sua fisiologia. A beleza vem de dentro para fora. Vem dos pensamentos, dos sentimentos, das boas ações e da ética.

O repentista Geraldo Amâncio deu uma grande lição sobre o valor da beleza quando descreveu numa sextilha a saga do grande astro americano Michael Jackson:

“Na vida de Michael Jackson
Eu sei o que aconteceu
Não tinha fama arranjou
Era pobre, enriqueceu
Era preto, ficou branco
Mudou de cor e morreu!”

O PODER TERAPÊUTICO DA MÚSICA

Escutar uma música faz esquecer a dor. Isso acontece porque a região do cérebro que trabalha na interpretação dos sons, que serão reconhecidos como agradáveis, é a mesma que atua quando sentimos dor. Como os circuitos responsáveis não podem processar estímulos diversos a um só tempo, basta ouvir uma bela melodia para que a percepção da dor logo dê lugar à sensação de relaxamento.

Munido de preciosas informações sobre reação que cada tipo de som desperta no organismo, o musicoterapeuta é capaz de conseguir benefícios mais adequados do que conseguiríamos ouvindo nossa canção favorita em casa. Existem melodias que propiciam uma agradável sensação de relaxamento, enquanto ritmos muito marcados ou dissonantes causam excitação; solos de violino, por exemplo, podem eliminar dores de cabeça e enxaqueca.

Os sons podem acalmar ou gerar desespero. Podem causar sonolência ou despertar paixões. Ou ainda nos deixar tensos ou extasiados. Enfim, são capazes de detonar uma cascata de reações que alteram o estado geral do organismo. É o caso do som incômodo de uma sirene, que nos põe em alerta e faz com que o corpo libere adrenalina para se proteger de um provável ameaça. As canções são eficazes para colocar à tona sentimentos e impressões que evitamos trazer à consciência, que ficam bloqueados, porém interferem sem dúvida em nosso estado de espírito – são os sentimentos contidos.

A terapia através da música se baseia justamente nesse princípio: os sons produzem efeitos biológicos que podem tratar doenças, sejam elas físicas ou mentais. Instrumentos, cantos e ruídos são recursos que têm sido usados com deficientes físicos, estudantes com dificuldades de aprendizado, fala ou audição e usuários de drogas. Há alguns momentos em que as palavras não podem ser pronunciadas ou nem se consegue mais pronunciá-las, então as canções falam a respeito dos sentimentos e experiências para os pacientes. Isso ajuda a processar perdas e aflições reprimidas.

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos, então, pela importância do assunto resolvi publicar no JBF.

SEXTILHAS SOBRE A POESIA

“Poesia, uma das flores
Que só Deus beija a corola
Joia que a mão não segura
Não se aprende na escola
Imagem que a gente amarra
Com dez cordas de viola.”

João Paraibano (1952 – 2014)

“Quando ouço a poesia
Fico que não me governo,
O poeta sem cantar
Padece um desgosto eterno,
É mesmo que o sabiá
Passar calado o inverno.”

Zé de Cazuza (José Nunes Filho)

“Eu gosto tanto do xote
E da poesia divina,
Quando eu começo a cantar
Sinto que a voz se afina,
Penso que nunca adoeço
E que a vida nunca termina.”

Moacir Laurentino

“Quando tudo começou
O criador pensou bem
Só ele pode dizer
O que a poesia tem
E quando ele fez o mundo
Fez a poesia também.”

Sebastião Dias

“Poesia é voo da alma
Nas asas da inspiração,
Por isso não há poeta
Mofando na escravidão;
Se foi poeta escravo,
Foi livre no coração.”

Dom Edmilson da Cruz

FRASES BEM-HUMORADAS DE MILLÔR FERNANDES

“Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado.”

“Há duas coisas que ninguém perdoa: nossas vitórias e nossos fracassos.”

“Pode ser que haja vida inteligente em qualquer outro planeta. Neste, positivamente, só há a mais profunda estupidez.”

“Você pode desconfiar de uma admiração, mas não de um ódio. O ódio é sempre sincero.”

“Achamos que os padres também devem casar. Não há nenhum motivo para que conservem o privilégio do celibato.”

“A única diferença entre a loucura e a saúde mental é que a primeira é muito mais comum.”

“Está bem. Deus é brasileiro. Mas pra defender o Brasil de tanta corrupção só colocando Deus no gol.”

“Se durar muito tempo, a popularidade acaba tornando a pessoa impopular.”

“Não é que com a idade você aprenda muitas coisas; mas você aprende a ocultar melhor o que ignora.”

“Em geral as pessoas que se perdem em pensamentos é porque não conhecem muito bem esse território.”

“Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo.”

“O Brasil já está à beira do abismo. Mas ainda vai ser preciso um grande esforço de todo o mundo pra colocarmos ele novamente lá em cima.”

“Depois de bem ajustado o preço, a gente sempre deve trabalhar por amor à arte.”

“As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades.”

“É muito fácil viver com pouco desde que a pessoa não gaste muito para ocultar que tem pouco.”

“Quando, afinal, nos acostumamos com uma moda é porque ela já está completamente em decadência.”

“Um homem começa a ficar velho quando prefere andar só do que mal acompanhado.”

“Se você acha que está maluco é porque não está. Mas, se você acha que todo o mundo está maluco, então está .”

“Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto.”

“O último refúgio do oprimido é a ironia, e nenhum tirano, por mais violento que seja, escapa a ela. O tirano pode evitar uma fotografia, não pode impedir uma caricatura. A mordaça aumenta a mordacidade.”

Milton Viola Fernandes (1923 – 2012). Autor e tradutor. Descobriu na adolescência que havia sido registrado erroneamente, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr. De humor singular, humanista e moderno, com visão cética do mundo, Millôr Fernandes foi considerado uma figura de proa do panorama cultural brasileiro: jornalista, escritor, artista plástico, humorista, pensador. Destacou-se em todas essas atividades. No teatro, empreendeu uma transformação no campo da tradução, tal a quantidade e diversidade de peças que traduziu. Escreveu, com Flávio Rangel – Liberdade, Liberdade – uma das peças pioneiras do teatro da resistência à ditadura militar, encenada em 1965. Em seus trabalhos costumava-se valer de expedientes como a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças dominantes, sendo em consequência confrontado constantemente pela censura.

BREVE REFLEXÃO SOBRE A AMIZADE

Somos seres sociais e enquanto crescemos e desenvolvemos nossos relacionamentos, mais congestionados eles ficam. A amizade é um poderoso vínculo afetivo, muitas vezes mais significativa do que um grau de parentesco. Amigos são os parentes que nós escolhemos . Eles participam da nossa vida, apoiando nos momentos de crise e comemorando nossas conquistas.

Amigos verdadeiros nos admiram apesar das limitações e nos respeitam apesar das discordâncias. Eles acham que sempre merecemos o melhor nesta vida e sofrem quando alguém nos magoa. Amigos são as maiores conquistas que podemos fazer na vida. Cada um deles é um tesouro. Eles são sócios nas lembranças mais felizes e queridas.

É uma questão de qualidade e não de quantidade. Alguns vão ficando para trás durante a jornada, enquanto outros vão chegando. De vez em quando, alguém desembarca de paraquedas. Quando nos damos conta, os laços de amizade já estão profundamente fortes. Uma amizade verdadeira, às vezes, é difícil de encontrar, mas é essencial em nossas vidas.

Machado de Assis (1839 – 1908) retrata de forma poética a beleza da amizade com estes versos belos e filosóficos:

BONS AMIGOS

“Abençoados os que possuem amigos,
os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos,
os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos,
os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que
acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raiz, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade.

Há pessoas que choram por saber
que as rosas têm espinhos.
Há outras que sorriem por saber
que os espinhos têm rosas.”

CONHECIMENTO E SABEDORIA

Dois discípulos procuraram um mestre para saber a diferença entre conhecimento e sabedoria. O mestre disse-lhes: “Amanhã, bem cedo, coloquem dentro dos sapatos 20 grãos de feijão, 10 em cada pé. Subam, em seguida o monte que se encontra junto a esta aldeia, até o ponto mais elevado, com os grãos dentro dos sapatos”. No dia seguinte, os jovens começaram a subir o monte. Lá pela metade, um deles estava padecendo de grande sofrimento: seus pés estavam doloridos e ele reclamava muito. O outro subia naturalmente a montanha. Quando chegaram ao topo, um estava com o semblante marcado pela dor; o outro, sorridente. Então, o que mais sofrera durante a subida perguntou ao colega: “Como você conseguiu realizar a tarefa do mestre com alegria, enquanto para mim foi uma verdadeira tortura?” O companhe iro respondeu: “Meu caro colega, ontem à noite cozinhei os 20 grãos de feijão”.

Não confunda conhecimento com sabedoria. Um ajuda a ganhar a vida; o outro a constrói. Saibamos cozinhar nossos feijões. Conhecimento é o ato ou efeito de abstrair a ideia ou noção de alguma coisa, como por exemplo: conhecimento das leis; conhecimento de um fato (obter uma informação); conhecimento de um documento; termo de recibo ou nota em que se declara o aceite de um produto ou serviço; saber, instrução ou cabedal científico (homem com grande conhecimento).

A sabedoria consiste em saber o que fazer com qualquer conhecimento, como utilizá-lo de forma prudente, moderada, profícua e útil. A sabedoria expressa-se justamente no fato de mantermos a serenidade diante do inesperado. Ingredientes infalíveis não existem, estratégias seguras é ilusão, caminho protegido oferece perigo, certeza absoluta não é garantia de nada, expectativa positiva não assina contrato, influência sedutora não preserva acordos. Não se esqueça de lembrar que o inesperado ronda, espia, cerca, ofusca, aparece, desaparece, faz-se presente, faz-se ausente, espreita todos os passos, até mesmo aqueles que consideramos seguros. Portanto, sejamos cautelosos. É na cautela que reside a ch ance maior do acerto.

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos, então, pela importância do assunto resolvi publicar no JBF.

FRASES POÉTICAS DE LYA LUFT

“Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce.”

“Uma coisa não podemos perder, e se perdermos vamos recuperar, e se nunca tivemos é preciso aprender: o humor, sem o qual tudo acaba com cheiro de naftalina em armários longamente fechados.”

“Cultivo alegrias no jardim onde estamos eu, os sonhos idos, os velhos amores e seus segredos.. .”

“Nem acredites se pensas que te falo: palavras são meu jeito mais secreto de calar.”

“A vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada, eventualmente reprogramada, conscientemente executada, muitas vezes ousada.”

“Sonhos são feitos de espuma.”

“Não saber exatamente o que queremos, mas procurar, achar e perder, e continuar buscando, na mais saudável inquietação, é que torna a vida tão fascinante, e faz valer a pena.”

“Ardo na minha contradição, desabrocho na minha dúvida, faço da vida um presságio e da verdade um pressentimento.”

“O mal parece não ter conserto: corrige aqui, piora ali.”

“Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade .”

“Meu território é outro… faço parte da manada que corre para o impossível!”

“O Bosque existe: é um dos lugares mágicos, onde minha imaginação anda de mãos dadas com a realidade.”

“Podemos inventar qualquer coisa que nos dê alegria, um amigo, um caminho. Qualquer coisa que nos ajude a escapar.”

“Que a gente se divirta sem se matar, que ame sem se contaminar, que aprenda sem se enganar, que viva sem se vender.”

“Andamos tão desencantados que ser decente parece ser uma virtude, ser honesto ganha uma medalha e ser mais ou menos coerente merece aplausos.”

“Penso em ficar só, mas minha natureza pede diálogo e afeto.”

“E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.”

“Mudar, por pouco que seja, faz parte da nossa pequena guerra individual e cotidiana.”

“Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.”

“Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega.”

* * *

Lya Fett Luft nasceu em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, no dia 15 de setembro de 1938. Sua produção literária reúne poesias, ensaios, contos, literatura infantil, crônicas e romances. Foi tradutora e professora universitária e, atualmente, é colunista da Revista Veja. Em 2013, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, com a obra “O Tigre na Sombra” , eleita a melhor obra de ficção de 2012 na categoria romance.

SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO

A síndrome do coração partido, também conhecida como cardiomiopatia de takotsubo, é uma enfermidade rara que provoca sintomas semelhantes aos de infarto, como dor no peito, falta de ar ou cansaço, e surge em períodos de grande estresse emocional, como durante uma separação ou após falecimento de uma pessoa da família, por exemplo. Esta enfermidade surge em mulheres com idade perto de 40 anos, em geral, porém pode surgir em qualquer idade, afetando também homens. A miocardiopatia do estresse, outra denominação dessa patologia, é considerada uma doença psicológica, entretanto, estudos hemodinâmicos mostram que, durante a síndrome, os ventrículos do coração não contraem corretamente, resultando numa imagem semelhante a um coraç ;ão partido.

Ponderando ser o amor extremamente presente em nossas vidas e a temática desses relacionamentos amorosos constituir uma de sua áreas mais importantes, o fim de um romance pode fazer o coração sofrer e debilitá-lo de tal forma que pode ser confundido com um ataque cardíaco. A síndrome do coração partido é uma metáfora exorbitante e bastante utilizada para esclarecer uma decepção amorosa real, comum aos relacionamentos românticos infelizes. A ansiedade, a depressão e o estresse pelo fim de uma convivência afetiva podem prejudicar a saúde cardíaca. Guardar mágoa, ódio ou rancor pode afetar de forma negativa o organismo, pois permite a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol que em níveis elevados são prejudiciais. Por outro lado, armazenar sentimentos negativos reduz a produç&at ilde;o de hormônios benéficos ao organismo e que proporcionam a sensação de bem-estar, como a serotonina.

Sofrer pode fazer mal ao coração, então, é fundamental para nós, seres emocionais, o autoconhecimento, o reconhecimento de nossas imaturidades e a utilização da lucidez. O poeta Edmilton Torres, conhecedor profundo da alma humana, enviou-me um poema com uma excelente descrição do instigante tema.

SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO

“Eletrocardiograma
Não detecta essa lesão
Esse mal do coração
Ataca quando se ama
Queima o peito como a chama
De um fogo devastador
Não há droga nem doutor
Que cure um desiludido
Com um coração partido
Por desengano de amor.”

PROVÉRBIOS SOBRE O AMOR

“Em amor, a ausência, quando não é o maior dos males, é o melhor dos remédios.”

“O amor olha de tal maneira que o cobre lhe parece ouro.”

“Quando a pobreza bate à porta, o amor sai pela janela.”

“A lua e o amor, quando não crescem, diminuem.”

“Amor com amor se paga, e com desdém se apaga.”

“Amor é que nem fogo: quanto mais abafado, melhor.”

“Se o teu amor for doce, não o comas todo.”

“Amor que volta é doçura; amor que parte é saudade.”

“Da vida, o amor é o mel, do amor o ciúme é o fel.”

“O amor faz passar o tempo, e o tempo faz passar o amor.”

“Jamais se extingue o ódio com o ódio. O ódio só se extingue com o amor; esta é a lei eterna.”

“Em coisas de amor, o que se diz não se escreve.”

“Melhor é um prato de hortaliça, onde há amor, do que o boi gordo, e com ele o ódio.”

“Lembre-se de que grandes realizações e grandes amores envolvem grandes riscos.”

“O amor morre mais de indigestão do que de fome.”

“Em amor, como em política, não há tratado de paz: tudo são tréguas.”

“O amor é um sonho, e o casamento um despertador.”

“O amor é um passarinho que não aceita gaiola.”

“O amor é na mocidade o que a mocidade é na vida, o que a vida é na eternidade, isto é, um relâmpago.”

O AVC DE MANOEL XUDU

Manoel Lourenço da Siva (1932-1986), conhecido na cantoria de viola por Manoel Xudu, foi acometido por um acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI). O AVCI é caracterizado pela falta de sangue em determinada área do cérebro, que acontece por consequência de obstrução de uma artéria.

Pode ocorrer um bloqueio ou redução brusca do fluxo, prejudicando a circulação sanguínea. Placas de gorduras e coágulos são as principais causas.

Não é novidade que hábitos saudáveis de vida e alimentação evitam doenças. Manoel Xudu, às vezes, exagerava no consumo de bebida alcoólica, e a intensa atividade de repentista não permitia refeições nutritivas. Esse somatório de fatores contribuiu para a enfermidade provocar uma pausa nos seus compromissos na arte de improvisar versos.

O poeta estava hospitalizado para se recuperar dessa patologia que, felizmente, não deixou nenhuma sequela, quando recebeu a visita de um colega, tendo este feito o seguinte comentário:

“Essa goela de Xudu
Muita cachaça engoliu.”

Xudu, com a velocidade do pensamento que tem o repentista, concluiu:

“Mas o doutor proibiu
Deu tomar cachaça e Brahma
Hoje, eu bebo somente
Deitado na minha cama
Algumas gotas de lágrimas
Que minha esposa derrama.”

FRASES E REFLEXÕES DE MÁRIO LAGO

“É impossível viver sem ter falhado em alguma coisa. A menos que você viva tão cuidadosamente que não tenha vivido nada.”

“Evidentemente cometi erros, sofri dúvidas, mas sempre procedi de acordo com a opção tomada. Acho que posso encarar de frente a companheira, os filhos, os amigos, companheiros, colegas, gente que acredita em mim e me respeita.”

“Fiz o que quis e fiz com paixão Se a paixão estava errada, paciência. Não fiquei vendo a vida passar, sempre acompanhei o desfile.”

“Tudo na vida é risível. É só você prestar a atenção. As coisas têm sempre um lado debochado.”

“Não tenho estilo, tenho jeito de escrever.Quero pôr a mão no ombro do leitor. Sei que não sou um escritor enxuto, mas tenho o gosto da palavra. Ela é manga madura que deve ser bem saboreada.”

“Eu fiz um acordo com o tempo… Nem ele me persegue, nem eu fujo dele… Qualquer dia a gente se encontra e, dessa forma, vou vivendo intensamente cada momento…”

“Quando deixamos de ter esperança é melhor apagar o arco-íris.”

“A Lapa foi o chão de todos os meus passos. Na busca de caminhos e no encontro de atalhos que descaminham, na primeira ânsia e no último nojo, no último desencanto e na primeira afirmação.”

“O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades.”

“Eu estou diariamente levando a vida na flauta. Pra ela sentir que não me amedronta. Porque o pior de tudo é quando a vida sente que você tem medo dela. “

“Estava escrito nas estrelas! Se eu soubesse que era tão bom, teria casado antes.”

“Nós estamos condicionados a pensar que nossas vidas giram em torno apenas de grandes momentos. Todavia, os grandes momentos frequentemente nos pegam desprevenidos, e ficam maravilhosamente guardados em recantos que os outros podem considerar sem importância. E da mesma forma ocorrem outros momentos…”

“Não fui guarda-livros da vida para juntar dever e haver. Eu vivi. Não fiz contabilidade para anotar prejuízo e lucro. Viver apenas já foi lucro.”

“Os caminhos da lembrança estão cheios de vielas e transversais. Quando a gente menos espera, essas vielas e transversais despejam carga no que vinha servindo de pensamento central. “

“O sol pode apagar, o mar perder a voz, mas nunca morre um sonho bom dentro de nós.”

“Gosto e preciso de ti, mas quero logo explicar, não gosto porque preciso. Preciso sim, por gostar.”

“A vida tem que ser feita lá no fundo. Tem que ir até a pirosfera. Chegar até o fundo do poço pra ver. Se, no fundo do poço, você continuar com paixão, continua. Se não, procura outro poço.”

“Eu nasci inconformado. Eu sou vocacionalmente rebelde.”

“O Rio é vício realmente, você é dependente dele…É a beleza… As montanhas do Rio têm contorno de mulher, uma mulher deitada. O Rio de Janeiro é um orgasmo.”

“Até os 70 anos, você paga a conta.Viveu mais além, é gorjeta pro garçom. Estou satisfeito de pagar gorjeta pro garçom.”

* * *

Mário Lago (1911-2002) foi poeta, radialista, advogado, letrista e ator brasileiro. Ele teve destaque nas diversas áreas que atuou. Mário Lago começou com a poesia desde os 15 anos, quando teve seu primeiro poema publicado. Além de dedicar-se a poesia, Mário formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais no Rio de Janeiro, onde teve seu primeiro contato com a área política, pois começou a militar no Centro Acadêmico da faculdade. Depois de formar-se em Direito, se envolveu também com o teatro, onde começou a escrever, compor e atuar.

Ele foi autor de de sambas populares e muitos conhecidos, como “Ai que saudades da Amélia” e “Atire a primeira pedra”, lançados na década de 40 e 50, mas que fazem sucesso até hoje. Em seu currículo, Mário Lago fez diversas novelas, e sua última participação foi na novela “O Clone”, em 2001.

DITADOS POPULARES EXPLICADOS POR CÂMARA CASCUDO

Com o rei na barriga

A expressão provém do tempo da monarquia em que as rainhas, quando grávidas do soberano, passavam a ser tratadas com deferência especial, pois iriam aumentar a prole real e, por vezes, dar herdeiros ao trono, mesmo quando bastardos. Em nossos dias refere-se a uma pessoa que dá muita importância a si mesma.

Tapar o sol com a peneira

Peneira é um instrumento circular de madeira com o fundo em trama de metal, seda ou crina, por onde passa a farinha ou outra substância moída. Qualquer tentativa de tapar o sol com a peneira é inglória, uma vez que o objeto é permeável à luz. A expressão teria nascido desta constatação, significando atualmente um esforço mal sucedido para ocultar uma asneira ou negar uma evidência.

Colocar panos quentes

Significa favorecer ou acobertar coisa errada feita por outro. Em termos terapêuticos, colocar panos quentes é uma receita, embora paliativa, prescrita pela medicina popular desde tempos remotos. Recomenda-se sobretudo nos estados febris, pois a temperatura elevada pode levar a convulsão e problemas daí decorrentes. Nesses casos, compressas de panos encharcados com água quente são um santo remédio. A sudorese resultante faz baixar a febre.

Sangria desatada

Diz-se de qualquer coisa que requer uma solução ou realização imediata. Esta expressão teve origem nas guerras, onde se verificava a necessidade de cuidados especiais com os soldados feridos. É que, se por qualquer motivo, se desprendesse a atadura posta sobre as feridas, o soldado morreria, por perder muito sangue.

Cor de burro quando foge

A frase original era “Corra do burro quando ele foge”. Tem sentido porque, o burro enraivecido, é muito perigoso. A tradição oral foi modificando a frase e “corra” acabou virando “cor”.

Elefante branco

A expressão vem de um costume do antigo reino de Sião, situado na atual Tailândia, que consistia no gesto do rei de dar um elefante branco aos cortesões que caiam em desgraça. Sendo um animal sagrado, não podia ser posto a trabalhar. Como presente do próprio rei, não podia ser vendido. Matá-lo, então, nem pensar. Não podendo também ser recusado, restava ao infeliz agraciado alimentá-lo, acomodá-lo e criá-lo com luxo, sem nada obter de todos esses cuidados e despesas. Daí o ditado significar algo que se tem ou que se construiu, mas que não serve para nada.

Como sardinha em lata

A palavra sardinha vem do latim sardina. Designa o peixe abundante na Sardenha, conhecida região da Itália. É um alimento apreciado e nutritivo, de sabor bem peculiar. As sardinhas, quando enlatadas em óleo ou em outro molho, vêm coladas umas às outras. Por analogia, usa-se a expressão sardinha em lata para designar a superlotação de veículos de transporte público.

Bicho-de-sete-cabeças

Tem origem na mitologia grega, mais precisamente na lenda da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das doze proezas realizadas por Hércules. A expressão ficou popularmente conhecida, no entanto, por representar a atitude exagerada de alguém que, diante de uma dificuldade, coloca limites a realização da tarefa, até mesmo por falta de disposição para enfrentá-la.

Com a corda toda

Antigamente, os brinquedos que possuíam movimento eram acionados torcendo um mecanismo em forma de mola ou um elástico, que ao ser distendido, fazia o brinquedo se mexer. Ambos os mecanismos eram chamados de “corda”. Logo, quando se dava “corda” totalmente num brinquedo, ele movia-se de forma mais agitada e frenética. Daí a origem da expressão.

Chorar as pitangas

Pitangas são deliciosas frutinhas cultivadas e apreciadas em todo o país, especialmente nas regiões norte e nordeste. A palavra deriva de pyrang, que, em tupi-guarani, significa vermelho. Sendo assim, a provável relação da fruta com lágrimas, vem do fato dos olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas, quando se chora muito.

* * *

Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) foi um historiador, antropólogo, advogado, professor universitário, jornalista e, principalmente, folclorista brasileiro. Era apaixonado pelas tradições populares, superstições, literatura oral e história do Brasil. Ele passou toda sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Faculdade de Direito de Natal, hoje Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande de Norte (UFRN), cujo o Instituto de Antropologia leva seu nome. O conjunto da sua obra é considerável em quantidade e qualidade: ele escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro, em um total de 8.533 páginas, o que o coloca entre os intelectuais brasileiros que mais produziram. É também notável que tenha obtido reconhecimento nacional e internacional publicando e vivendo distante do s centros Rio e São Paulo.

TROVAS DE GERALDO AMÂNCIO

“Não erra aquele que almeja
Possuir bem, progredir,
Talvez o pecado seja
O não saber possuir.”

“O amor toma tempo, tanto
Que o próprio tempo não soma,
Seja eterno ou por enquanto,
Vale o tempo que nos toma.”

“Existem menos defeitos,
Mais justiça e menos danos,
Entre os humanos direitos
Que nos direitos humanos.”

“Criador das unidades,
Porto de infinito cais,
Raiz das pluralidades,
Deus é isso e muito mais.”

“Quando o prepotente desce
Ao sepulcro onde se instala,
Seu próprio orgulho apodrece,
Sua arrogância se cala.”

“Metade da humanidade
Infelizmente não come;
E não dorme a outro metade,
Temendo os que passam fome!”

“Eu pouco penso em morrer.
A morte não me estarrece;
O meu medo é não saber
Depois dela o que acontece!”

“Sono de velho parece
Mulher descompromissada,
Que chega quando anoitece,
Mas foge de madrugada.”

* * *

Geraldo Amâncio Pereira é poeta, repentista, trovador, cordelista e contador de causos. Nascido no sítio Malhada da Areia, município do Cedro,Ceará, em 29 de abril de 1946. Cursou faculdade de História em Fortaleza. Começou com acompanhamento de viola em 1966. Participou de centenas de festivais em todo o país, e classificou-se mais de 150 vezes em primeiro lugar. Organizou festivais internacionais de repentistas e trovadores, além do festival Patativa do Assaré. É autor das três antologias sobre cantoria em parceria com o poeta Vanderley Pereira. Gravou 15 CDs ao longo da carreira, além de ter publicado cordéis em livros. Apresentou o programa dominical “Ao Som da Viola”, na TV Diário em Fortaleza.

PROVÉRBIOS SOBRE A VELHICE

“Os velhos amigos são os melhores. E não são como o vinho que quanto mais velho melhor, mas sim como um velho par de sapatos – cada vez mais ajustados para nossa caminhada.”

“O falador diz tudo que sabe. O desajuizado apenas o que não sabe. Os jovens, o que eles fazem. Os velhos, o que eles fizeram. E os tolos, o que pretendem fazer”

“Um diplomata é um homem que sempre se lembra do aniversário de uma mulher, mas nunca da sua idade.”

“Tropeiro, fala de burro; boiadeiro, de boi; moça, de namorado; velho, do que já foi.”

“A velhice imprime mais rugas no espírito que no rosto.”

“Mais vale estrada velha do que vereda nova.”

“Nunca falta um chinelo velho para um pé manco.”

“Perde-se o velho por não poder e o novo por não saber.”

“Quem quiser ser muito tempo velho, comece-o a ser mais cedo.”

“Vinho, azeite e amigo, quanto mais velho. melhor.”

“Ainda que seja prudente, o velho não despreza o conselho.”

“A velha galinha faz gorda a cozinha.”

“Não há sábado sem sol. Nem jardim sem flores. Nem velhos sem dores. Nem moças sem amores.”

“A velhice é uma estranha enfermidade, trata-se para fazer curar.”

“Idade suaviza algumas pessoas, outras faz podre.”

“Nunca te julgues velho demais para aprender.”

“As mulheres preferem os homens mais velhos: gastam mais e as gastam menos.”

“Mais quero o velho que me ame do que o moço que me assombre.”

“Velho é como panela, rede e balaio: só se acaba pelos fundos.”

“Macaco velho, não trepa galho seco.”

FRASES E REFLEXÕES DE LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

“Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.”

“A família não nasce pronta; constrói-se aos poucos e é o melhor laboratório do amor. Em casa, entre pais e filhos, pode-se aprender a amar, ter respeito, fé, solidariedade, companheirismo e outros sentimentos. “

“Tem muita gente honesta neste país. Só não se identificam para não ficar de fora se aparecer um bom negócio.”

“Descobri vivendo que sofrer não deixa nada mais dramático, que chorar não alivia a raiva e que implorar não traz ninguém de volta… a palavra é valor!”

“Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.”

“Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma, é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo. Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?”

“Ninguém é o que parece ou o que aparece. O essencial não há quem enxergue. Todo mundo é só a ponta do seu iceberg.”

“O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida é que faz toda a diferença. A vida muda quando você muda.”

“Quem tem autoestima tem muita coragem, se mete em tudo, não tem medo de errar.”

“O que nos leva a escolher uma vida morna? A resposta está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos bom dia, quase que sussurrados.”

“Não duvido que São Francisco de Assis conversasse com os pássaros, eu só me admiro de eles terem tido assunto. Se a comunicação entre animais da mesma categoria já é difícil, imagine entre espécies diferentes.”

“… Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.”

“A principal matéria-prima para a crônica são as relações humanas. O modo como as pessoas se amam, se enganam, se aproximam ou se afastam num ambiente social definido. Ou qualquer outra coisa.”

“Dedico-me aos clássicos: Sófocles, Virgílio, Shakespeare e ao picolé de coco.”

“A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer escrever claro não é certo mas é claro, certo?”

“Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar, tanto quanto precisamos respirar… é nossa razão de existir. “

“Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.”

“A vida é a arte de tirar conclusões suficientes de dados insuficientes.”

“Para os erros, há perdão… Para os fracassos, chance. Para os amores impossíveis, tempo. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, e que o medo impeça de tentar!”

“O fato de viver numa casa em que havia livros e o livro era uma coisa importante. Determinou o meu gosto pela leitura e, eventualmente, meu trabalho. A escola teve pouco a haver com isso. Eu era um péssimo aluno e aproveitei muito pouco da escola. Era ótimo em geometria e nunca mais precisei da geometria na vida.”

Luís Fernando Veríssimo nasceu em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É o escritor que mais vende livros no Brasil. Famoso por suas crônicas e contos de humor. É também jornalista, tradutor, roteirista de programas para televisão e músico. Ele adaptou para minissérie o seu livro Comédias da Vida Privada. O programa recebeu prêmio de crítica como o melhor da TV brasileira. É filho do escritor Érico Veríssimo.

A RELIGIÃO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

“Sempre vejo a mão de Deus
No botão de flor se abrindo
No berço onde a criança
Sonha com Jesus, sorrindo
A mão caçando a chupeta
Que a boca perdeu dormindo.”

João Paraibano (1952 – 2014)

“Eu rogo a Nossa Senhora,
À Virgem da Conceição
Para levar uma nuvem
Dentro da palma da mão
E derramar suas águas
Nas terras do meu sertão.”

Agostinho Lopes dos Santos (1906 – 1972)

“Numa expressão de bondade
Teus atos são concluídos
Jesus, Tu és claridade
Refúgio dos excluídos
Tecido fino das pétalas
Dos paraísos perdidos.”

Chico Viola

“Quando voltar para a terra
O Messias prometido
Acha tudo diferente
Do chão onde foi nascido:
Mais Judas, mais Barrabás,
Mais Pilatos, mais bandido.”

Ivanildo Vila Nova

“A minha mãe pra mim é
Igual a Nossa Senhora,
Nas minhas vitórias ri,
Nas minhas derrotas chora,
Eu vou falecer por dentro
Quando ela morrer por fora!”

Raimundo Nonato

POETISA DA SAUDADE

Rafaelzinha

Maria Rafael dos Anjos Ferreira, carinhosamente conhecida como Rafaelzinha, foi uma poetisa que perpetuou, em versos, aquele momento de plenitude íntimo, intenso e feliz denominado de saudade.

Saudade é uma das palavras mais utilizadas nas poesias de amor e nas músicas românticas da nossa língua. Ela não tem tradução literal em muitos idiomas.

Segundo a lenda, a saudade surgiu no período dos descobrimentos e definia a solidão que os portugueses, vindos para o Brasil, tinham de sua terra e dos seus familiares. Eram atacados por uma melancolia ao se sentirem sozinhos e distanciados do seu grupo familiar, dos amigos e do torrão natal.

Rafaelzinha, no ano de 1973, morava em Sobradinho/BA, e sentindo saudade de sua cidade – São José do Egito/PE -, fez estes versos:

“Quem quiser sentir saudade
Faça do jeito que eu fiz
Deixe seu torrão natal
Sem querer como eu não quis
Saia por necessidade
Que depois você me diz.

Para fazer como eu fiz
Não precisa ter coragem
Depende da precisão
Fazer de tudo embalagem
Se subir no caminhão
Chorar durante a viagem.

Foi de cortar coração
Na hora da despedida
Saí de onde nasci
Pra terra desconhecida
Por contraste a incerteza
De arrumar o pão da vida.

Foi na hora da partida
Quem assistiu lamentava
Era bem de tardezinha
Uma chuva se formava
Para o lado do nascente
Aí era que eu chorava.

Quanto mais longe eu ficava
Mais saudade crescia
Olhava tanto pra trás
Que o pescoço me doía
Pra ver se ainda avistava
A casa que eu residia.

Era tão grande o meu pranto
Que Joãozinho se comovia
De vez em quando eu olhava
Me ajeitava, me pedia
Lelê não chore tanto
Nós vamos voltar um dia.

FILOSOFIA DE PARA – CHOQUE

“As duas coisas mais difíceis de dizer na vida são olá pela primeira vez e adeus pela última.”

“O café deve ser: negro como o demônio, quente como o inferno, puro como um anjo e doce como o amor…”

“Mulher de estrada e freio de mão… só na emergência”

“Dinheiro nóis num tem não … , mas paixões e prestações nóis tem demais.”

“Em casa de ferreiro, o espeto é … pra fazer churrasco!”

“Até as flores dependem da sorte. Umas enfeitam a vida, outras, a morte.”

“Escreveu, não leu? Então é burro.”

“Não perca o bom humor, pois quem achar não devolverá.”

“Eu sonhava ter um caminhão. Agora nem durmo…”

“A vida é um barato, o povo é que acha caro!”

“Costurar é para modista! Permaneça na sua faixa!”

“Ame sua pátria! Ela não tem culpa dos filhos que tem.”

“Quando você passar na rua e ficarem te olhando, não se sinta o máximo… Pois o feio e o ridículo também chamam a atenção.. .”

“Não me considere o chefe, considere-me apenas um colega de trabalho que tem sempre razão.”

“Aprenda uma coisa: o mundo não gira em torno de você… Só quando você bebe demais.”

“Todo mundo que fumar o cachimbo da paz. Mas ninguém traga.”

“Não falo com a minha esposa há mais de um ano! Não quero interrompê-la…”

“Quando teu indicador aponta para teu irmão há sempre três dedos apontados para ti.”

“Pra quem não tem nada, metade é o dobro.”

“Se dinheiro falasse… o meu diria tchau!”

ASSEMBLEIA NA CARPINTARIA

Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembleia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar suas diferenças.

O martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho, e, além do mais, passava todo tempo golpeando. O martelo aceitou sua culpa, porém pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo.

Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atrito.
A lixa acatou, com a condição que se expulsasse a trena, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora a única perfeita.

Nesse momento, entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o seu trabalho! Utilizou o martelo, a lixa, a trena e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel. Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembleia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse:

– Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, todavia o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos e concentremo-nos em nossos pontos fortes.

A assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar as asperezas e a trena era precisa e exata. Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos.

Ocorre o mesmo com os seres humanos. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.

É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Esse traço que a maioria de nós portamos pode, igualmente, ser usado para identificar qualidades. Essa mudança de foco pode ser proporcionada pela transformação para melhor dos pensamentos, sentimentos e atitudes pessoais..

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos, então, pela importância do assunto resolvi publicar no JBF.

AEROFOBIA

A aerofobia ou fobia de voo é um medo intenso e desproporcionado de estar num avião ou outro aparelho que voe, como um helicóptero. Viajar de avião é algo que desafia a lei da gravidade e provoca na maioria das pessoas uma excitação e um nervosismo de fácil compreensão.

Os estímulos da aceleração, velocidade, altitude, vibração e os ruídos característicos numa viagem aérea, desencadeando sensações físicas, ativam naturalmente o sistema nervoso. Além disso, o simples fato de não se tratar de uma situação de rotina, porque não fazemos viagens diariamente, pode ser suficiente para provocar mais estresse.

O desafio é distinguimos a ansiedade normal que pode está relacionada com qualquer viagem de avião, do medo irracional ou fóbico. A fobia do voo limita a vida e se transforma em problema quando a irracionalidade domina a situação. Neste caso, a viagem começa originar aflição e sofrimento descontrolados.

O medo de voar, sem qualquer conotação patológica, foi bem descrito na música de Belchior e Gilberto Gil, um clássico da Música Popular Brasileira.

Medo de Avião

Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez na tua mão
Um gole de conhaque, aquele toque em teu cetim
Que coisa adolescente, James Dean.

Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez na tua mão
Não fico mais nervoso, você já não grita
E a aeromoça sexy, fica mais bonita.

Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez na tua mão
Agora ficou fácil, todo mundo compreende
Aquele toque Beatle, I wanna hold your hand
Agora ficou fácil, todo mundo compreende
Aquele toque Beatlhe, I wanna hold your hand.

NISE – O CORAÇÃO DA LOUCURA

O filme Nise – O coração da Loucura sobre Nise da Silveira (1905 – 1999), torna bem definido a representatividade dessa pesquisadora para o progresso da psiquiatria brasileira. Ela teve a vida marcada pelos estudos sobre o comportamento humano e a terapêutica de patologias psicológicas.nise-da-silveira

Revolucionou o tratamento dos doentes mentais, usando técnicas artísticas – pintura e desenho, por exemplo -, como terapia. Pioneira na pesquisa das relações emocionais entre pacientes e animais, defendia o fim dos tratamentos tradicionais como o eletrochoque, o uso de drogas e o confinamento clínico.

Nise da Silveira – formada em 1926, na Faculdade de Medicina da Bahia, sendo a única mulher de uma turma de 157 alunos – desenvolveu um importante trabalho junto a pacientes psiquiátricos internados no Hospital Pedro II, antigo Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro, na década de 1940. Ela assumiu o setor de Terapia Ocupacional e Reabilitação, em 1944, e passou a desenvolver atividades livres artísticas com a criação de ateliês de pintura e modelagem para os pacientes. Em 1952, fundou no Rio de Janeiro, O Museu do Inconsciente, para abrigar esse acervo. E, em 1956, a Casa das Palmeiras, um centro de reabilitação para enfermos egressos de hospitais psiquiátricos.

O filme mostra a corajosa médica questionando práticas como a lobotomia e o choque elétrico, procedimentos que, à época, eram tidos como fundamentais para a consolidação da psiquiatria como especialidade médica. Na contramão dessas tendências, estimulou seus pacientes a buscar uma forma de comunicação através da arte. Nise da Silveira empenhou-se numa aproximação com a psicanálise, estudando com profundeza as teorias de Carl Gustav Jung (1875 – 1961). Ela chegou a escrever ao famoso psiquiatra e psicanalista suíço, que fundou a psiquiatria analítica, comentando a evolução de seus pacientes através dos trabalhos artísticos e recebeu respostas incentivadoras.

Vale a pena assistir a grande contribuição do cinema para conhecer a trajetória da saúde mental no Brasil.

FRASES FILOSÓFICAS DE MACHADO DE ASSIS

“Cada qual sabe amar ao seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.”

“Não é amigo aquele que alardeia amizade: é traficante; a amizade sente-se, não se diz….”

“Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”

“Creia em si, mas não duvide sempre dos outros.”

“A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente.”

“Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.”

“A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal.”

“Defeitos não não fazem mal, quando há vontade e poder de os corrigir.”

“Muitas coisas melhor se diz calado, pois o silêncio não tem fisionomia, mas as palavras sim têm muitas faces.”

“Convém que os homens digam o que não sabem e, por ofício, o inverso do que sabem. Assim se forma esta outra incurável: a esperança.”

“Tudo é aliado do homem que sabe querer.”

“Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies.”

“Não se luta contra o destino; o melhor é deixar que nos pegue pelos cabelos e nos arraste até onde queira alçar-nos ou despenhar-nos.”

“A gratidão de quem recebe um benefício é sempre menor que o prazer daquele de quem o faz.”

“O maior pecado, depois do pecado, é a publicação de pecado.”

“Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.”

“Alguma coisa escapa ao naufrágio das ilusões.”

“Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem.”

“A ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce pronto.”

“O dinheiro não traz felicidade – para quem não sabe o que fazer com ele.”

machado-de-assis

Joaquim Maria Machado de Assis (1839 – 1908) foi um escritor brasileiro, amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Escreveu praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a República substitui o Império. Ele foi um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época. norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único. Machado de Assis foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em 1896. É aclamado presidente e por unanimidade, logo na primeira reunião, é eleito presidente. Ocupou a cadeira de número 23. Em sua homenagem, a Academia é chamada de “Casa de Machado de Assis” ;.

PROJEÇÃO LÚCIDA

A projeção lúcida é o termo que se refere à percepção consciente de um determinado estado ou condição enquanto dormimos, resultando em uma experiência da qual poderemos ter uma recordação clara e nítida. Normalmente, aparenta termos tido controle e capacidade direta sobre nossas ações. Sair do corpo físico durante o sono é um atributo inerente ao ser humano. Entretanto, há pessoas que nascem com essa habilidade, por já tê-la exercitada em existências anteriores; e outras, necessitam tempo, esforço e dedicação no seu desenvolvimento na presente vida.

Nossa formação cultural e científica leva-nos a dedicar excessiva atenção ao corpo físico. No máximo, a ciência convencional cuida do psiquismo e a religião, da alma. Para estudar o fenômeno da projetabilidade, é necessário o entendimento de vários corpos: físico, energético, emocional e mental. Esses veículos de manifestação da consciência estão justapostos entre si, cada qual em uma própria dimensão.

Ao sair do corpo físico com lucidez, é que verdadeiramente a pessoa tem a oportunidade de se conhecer e redescobrir o mundo sob uma nova ótica. Essa experiência nos desafia a empreender mudanças no temperamento, valores e princípios pessoais. ampliando o entendimento de que nossa capacidade assistencial vai muito além do grupo familiar e de pessoas mais próximas.

Vamos utilizar a poesia para dar uma visão mais objetiva, simples e sucinta sobre a lucidez durante os estados oníricos:

PROJEÇÃO LÚCIDA

Se ver fora do corpo
Tem nome de projeção
Ocorre durante o sono
Existe lucidez na ação
Vai lhe pôr em contato
Com a outra dimensão.

É bom ampliar a visão
Perdendo medo de morrer
Quando estiver projetado
Aproveite pra aprender
Quem estiver sofrendo
O seu amparo vai ter.

Tenha foco no socorrer
Use o estado projetado
Só deve voltar ao corpo
Após trabalho acabado
Fazendo assistência
Você é sempre ajudado.

FRASES DE CAMISETAS

“O mundo precisa de mais gênios humildes! Hoje em dia somos poucos.”

“Deixei meu coração no Rio, e também relógio, cordão, carteira, máquina fotográfica…”

“Queria ser poeta, mas não pode ser. O poeta pensa muito, e eu só penso em você.”

“Adoro trabalho: sou capaz de ficar horas simplesmente olhando para ele.”

“Economize água: tome banho comigo!”

“Não deixe para amanhã quem você pode amar hoje.”

“Já perdi muito tempo. Agora, procuro alguém que me faça perder a noção do tempo.”

“Existem dois tipos de mulher: as que me amam, e as que ainda não me conhecem.”

“Vingança é para os fracos. Destrua seus inimigos com um simples sorriso!”

“Não procuro trabalho, porque tenho medo de encontrar!”

“Sou inocente… mas não me importo se você me levar pro mau caminho.”

“Comecei uma dieta, cortei a bebida e comidas pesadas, e em quatorze dias perdi duas semanas…”

“Você finge que não me vê… mas sabe o que está escrito na minha camiseta.”

“Acho você um tremendo cara de pau, safado, egoísta, ciumento, inseguro… – E o pior é que eu gosto!”

“Matam meu salário, continuo trabalhando. Destroem nosso país, continuo sonhando. Ignoram nossa música e eu sigo dançando.”

“Trago a pessoa amada em três dias. Não aceito devolução.”

“O fracasso é um desvio, não uma rua sem saída.”

“Penso em ti, logo existo. Meu sentimento é verdadeiro, não Descartes!”

“Se você não entende a importância do tempo de plantar nunca vai desfrutar do tempo de colher.”

“Não estou ficando velho. Estou me tornando um clássico.”

CRÔNICAS DE DOM HÉLDER CÂMARA

A CEPE – Companhia Editora de Pernambuco e o IDHeC – Instituto Dom Hélder Câmara lançaram, no dia 10 de abril, na Igreja das Fronteiras, rua Henrique Dias, s/n, bairro da Boa Vista, o volume Meus Queridos Amigos, que reúne 200 crônicas de Dom Hélder Câmara. O livro, organizado por Tereza Rozowykwiat, teve seus textos selecionados a partir dos mais de 2,5 mil comentários que o arcebispo fez na Rádio Olinda entre 1974 e 1983. Na época, as crônicas eram uma das poucas formas do grande humanista se comunicar com o público por conta da repressão, Ele abordava a religião, a solidariedade, as injustiças sociais, a política e até música e literatura.

Vamos transcrever trecho da crônica Urbanização desumana para observar que os problemas inerentes ao modo de vida daquele tempo continuam bem atuais:

“O povo diz… o povo pode… o povo quer… É tão fácil falar em nome do povo! Mas, de tantos que falam em nome do povo quantos se deram ao trabalho de escutar, de fato, o povo? Não falta quem ache que o povo não tem nada que ser ouvido porque não estudou, não está preparado, não sabe pensar, não sabe o que quer. (…) Onde vai dar o egoísmo de ir varrendo os pobres sempre para mais longe? Por que o progresso dos ricos vai ser sempre feito à custa do sofrimento dos pobres? Sonho com o dia que eles se juntem, se unam, não para fazer mal a ninguém, não para pisar nos direitos de ninguém. Mas para não deixar que os direitos dos pobres sejam pisados.”

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A NATUREZA NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

“Tem coisa da natureza
Que eu vejo e fico surpreso:
Uma nuvem carregada
Sustentando aquele peso;
De dentro um bolo d’água
Saltar um corisco aceso!”

Manoel Xudu (1932 – 1985)

“Quando o inverno aparece
O clima na terra muda;
A formiga pequenina
Pega uma folha graúda;
Quando não pode com ela
Vem uma tropa e lhe ajuda.”

Geraldo Amâncio

“O que Deus faz é perfeito:
No mar pôs mais de um cardume;
No céu colocou estrelas;
Nas rosas botou perfume
E eletrizou a floresta
Nos faróis do vaga-lume.”

Raimundo Caetano

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João Paraibano (1952/2014)

“A noite parindo o dia
Não tem filme mais bonito,
Parece que a mão de Deus
Sem provocar dor nem grito
Arranca o dourar do sol
Do ventre do infinito.”

João Paraibano (1952 – 2014)

“Quem contra a terra investiu
E retirou seus minerais,
Tocou fogo nas florestas,
Espancou os animais,
Atingiu a natureza
Com quatro golpes mortais.”

Daudeth Bandeira

MOCINHA DE PASSIRA É PATRIMÔNIO VIVO DE PERNAMBUCO

mocinha

Mocinha de Passira

A repentista Mocinha de Passira, a Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense e o cineasta Lula Gonzaga agora são os três Patrimônios Vivos de Pernambuco. As escolhas foram realizadas pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural (CPPC), em 21 de julho.

A disputa pelos postos foi realizada entre 55 candidatos, por meio de conteúdo recolhido e analisado pela CPPC, como também pela fase de defesa oral. Os três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco somam aos 36 já existentes no Estado. Além de bolsas vitalícias, os mestres recebem programas de ensino-aprendizagem, como cursos, concursos, palestras, oficinas, entre outros.

Maria Alexandrina da Silva, conhecida como Mocinha de Passira, excelente repentista, extraordinária poetisa e, praticamente, a única representante de destaque nacional a altura dos demais cantadores de viola. Os versos de Mocinha de Passira estão espalhados em 12 CDs e dois LPs, em antologias e na memória dos que apreciam a poesia dos repentistas. O seu talento descobriu ainda criança e conseguiu dominar a arte brasileira baseada no improviso cantado.

Os versos sobre os direitos da mulher, gênero martelo alagoano, de Mocinha de Passira tornaram-se inesquecíveis. Vejamos uma estrofe:

“Venho em nome da mulher brasileira
Exibindo os direitos que ela tem
Sou mulher canto livre, vivo bem
A viola é minha companheira
Deus permita que eu viva a vida inteira
Defendendo o mais forte ser humano
Que carrega no ventre quase um ano
A semente da nossa geração
Não lhe ama quem não tem coração
Nos dez pés de martelo alagoano.”

PROVÉRBIOS RELACIONADOS À CULINÁRIA

“Em terra onde não há carne, espinha de peixe é lombo.”

“Caldo requentado e amigo reconciliado nunca dão bom bocado.”

“Guarda que comer, não guardes que fazer.”

“Mais vale um ovo hoje que galinha amanhã.”

“Panela em que muitos mexem não dá bom caldo.”

“Engolir um boi e se engasgar com um mosquito.”

“Quem guarda o pirão, chama o ladrão.”

“À boda e ao batizado, não vá sem ser convidado.”

“Não quero saber se o pato é macho, eu quero é quebrar o ovo.”

“Vim aqui para socar o milho, não para quebrar o pilão.”

“Quem se faz de mel, as abelhas picam.”

“É preciso saber comer o mingau pelas bordas.”

“É no frigir dos ovos que a manteiga chia.”

“Acabou-se o que era doce, quem comeu, arregalou-se.”

“Não vá com tanta fome à carne, nem com tanta sede ao pote.”

“O pão jamais cai com o lado da manteiga para cima.”

“Dize-me o que comes, e te direi quem és.”

“Em casa onde não há pão, todos brigam e ninguém tem razão.”

“Ovos e juras são feitos para quebrar.”

“Não há carne sem osso, nem galinha sem pescoço.”

TRISTEZA NÃO É DEPRESSÃO

A tristeza é um estado afetivo não confortável, vivido como um sentimento de pesar, de dor psíquica e moral. Geralmente relacionado a algo que contraria o que o indivíduo acredita ansiar. Ela pode produzir um sentimento de impotência, vontade de chorar e expectativa negativa quanto a eventos futuros, entre outros comportamentos. Vivenciar a tristeza permite que o indivíduo trabalhe suas perdas e se organize internamente, podendo superar a fase de dificuldade de maneira saudável.

Existem grandes diferenças entre tristeza e depressão; enquanto a primeira é sinal de saúde, a segunda é sinal de enfermidade. A doença do século, muitas vezes confundida com um sentimento de tristeza, deve ser diagnosticada o mais rápido possível para evitar danos irreversíveis ao paciente.

A depressão é um distúrbio cujas características vão muito além da tristeza. O indivíduo sente-se infeliz na maior parte do tempo, mesmo sem causa aparente. Começam a surgir sentimentos de apatia, indiferença, desesperança, falta de perspectivas ou prazer pela vida. A depressão é doença séria e, se tratada no início, terá uma cura rápida.

O repentista Job Patriota (1929-1992) demonstra sabedoria quando, em seis versos, explica de forma simples, objetiva e didática a necessidade do homem conviver com sentimentos de tristeza e alegria:

“Dor, tristeza e alegria
É tudo do mesmo tanto
Felicidade completa
Só conheço em quem é santo
Pois em cada gole de riso
Há cem mil gotas de pranto.”

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Job Patriota

FILOSOFIA DE PARA-CHOQUE

vidadepobre

“Ainda sou criança, só troquei o brinquedo.”

“Sonhos não têm pernas, mas você tem. Corra atrás deles.”

“Há mulheres cujo ciúme é o único laço que ainda as prende aos maridos.”

“Discurso é igual a vestido de mulher, quanto mais curto melhor.”

“Quando a saudade não cabe no peito, ela transborda pelos olhos.”

“Quem gosta de motorzinho é dentista!”

“Doei todos os meus órgãos: o coração já está em seu nome .”

“A distância mostra como é bom estarmos juntos.”

“Do frio do sul ao calor do norte, montado na morte, à procura da sorte.”

“Já que a primeira impressão é a que fica, use uma impressora à laser .”

“Nunca soube o que era ser feliz até me casar. Aí, já era tarde demais…”

“Se não puder ajuda, atrapalhe, afinal, o importante é participar.”

“A culpa é minha e eu coloco em quem quiser.”

“Preguiçoso é o dono da sauna, que vive do suor dos outros.”

“Você já cheirou Coca? … Tem o mesmo cheiro da Pepsi!”

“Rico tem veia poética; pobre tem varizes.”

“Suba na vida, mas não faça ninguém de escada!”

“Todos os cogumelos são comestíveis. Alguns só uma vez.”

“Uma das funções do Espírito Santo é aumentar a distância entre o Rio e a Bahia.”

“O amor não tem idade porque está sempre nascendo.”

QUAL O VALOR DO SERVIÇO DE UM PROFISSIONAL COMPETENTE?

Conta-se que uma grande fábrica nos Estados Unidos, funcionando por 24 horas continuamente, plena de mecanismos sofisticados, máquinas avançadas e equipamentos hidráulicos de última geração, ocorreu uma pane desconhecida. Imediatamente, sem qualquer aviso, todo sistema ficou paralisado. Agora, cada minuto era precioso, tendo em vista a perda acelerada de dólares que a parada causava. A engenharia de manutenção e o suporte técnico foram imediatamente chamados, os especialistas examinaram todas as estruturas possíveis, os relatórios informatizados e as planilhas de operação foram vasculhados e, nada… O defeito não era localizado.

Passa-se um dia, dois e, no terceiro, com a direção já desesperada, prefere-se convocar dois técnicos do Japão que, um dia após a chegada e a inspeção, já tinham desistido. No sexto dia, tarde da noite, reúne-se a desanimada diretoria, à beira de um colapso criativo e próximo a buscar soluções esotéricas para sanar o imenso prejuízo acumulado; num determinado momento um dos diretores diz: “Lembrei-me de uma coisa! Há um velho encanador que trabalha há mais de 50 anos nesta cidade. Quem sabe, como recurso extremo, ele nos ajuda”. Sem alternativa, chamam o antigo profissional, que, com sua pequena maleta de ferro já desgastada, caminha silencioso por toda a fábrica e, de repente, perto da área central, para, abaixa-se, coloca o ouvido no piso e dá um leve sorriso. Tira da maleta um martelo de borracha e, com ele, dá uma pancada no chão. Tudo volta a funcionar. Uma grande satisfação de contentamento toma conta de todos os presentes.

O gerente financeiro, depois de abraçar com entusiasmo o encanador, pergunta pelo custo do serviço; ele responde que são mil dólares. O gerente atordoado, contesta: “Mil dólares por uma martelada? Não dá; não vão aceitar. Faça, por favor, uma nota fiscal detalhando todo o seu trabalho aqui”. O velhinho não se incomoda; preenche o documento e o entrega ao gerente, que lê a discriminação:

“a) dar uma martelada, 1 dólar;

b) saber onde dar a martelada, 999 dólares”.

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos, então, pela importância do assunto resolvi publicar no JBF.

ALGUMAS DAS MELHORES FRASES DE CECÍLIA MEIRELES

“É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.”

“Se não chegas nem pelo sonho, por que insisto em te imaginar?”

“Se em um instante se nasce e um instante se morre, um instante é o bastante pra vida inteira.”

“Entre mim e mim, há vastidões bastantes para a navegação de meus desejos afligidos.”

“Quanto mais me despedaço, mais fico inteira e serena.”

“Dai-me Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo, um ponto de partida para um novo avançar.”

“Onde é que dói na minha vida para que eu me sinta tão mal.”

“Hoje desaprendo o que tinha aprendido até ontem e que amanhã recomeçareu a aprender.”

“Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve.”

“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”

“Ah! se eu nem sei quem sou, como posso esperar que venha alguém a gostar de mim?”

“Em que espelho ficou perdida a minha face?”

“Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento de transitoriedade de tudo é o fundamento da minha personalidade.”

“Em mim, não vejo começo nem fim.”

“A maior pena que eu tenho, punhal de prata, não é de me ver morrendo, mas de saber quem me mata.”

“Se você errou peça desculpas…
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?”

“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.”

“Tudo em ti era uma ausência que se demorava,
uma despedida pronta a cumprir-se.”

“A minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e, foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão.”

“Provação. Agora eu entendo o que é provação. Provação significa que a vida está me provando. Mas provação significa também que estou provando. E provar pode se transformar numa sede cada vez mais insaciável.”

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Cecília Meireles (1901-1964) foi uma poetisa e jornalista, e é considerada uma das maiores escritoras brasileira. Foi a primeira voz feminina de grande expressão da nossa literatura, com mais de cinquenta obras publicadas. Com dezoito anos estreia na literatura com o livro “Espectros“. Participou do grupo literário da Revista Festa, grupo católico, conservador e antimodernista. Dessa vinculação herdou a tendência espiritualista que percorre seus trabalhos com frequência.

ARIANO SUASSUNA EM QUATRO TEMPOS

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Ariano Suassuna (Jun/1927 – Jul/2014)

1. Um amigo de Ariano Suassuna (1927 – 2014) ao encontrá-lo, falou: “Você, Ariano, eu nem elogio mais. É chover no molhado!”, disse, com uma demonstração calorosa, abraçando-o.

Ao que o escritor retrucou, veemente: “Não senhor! Eu gosto de ser festejado! Passe pra cá meu elogio! Quero tudo que tenho direito! Se não recebo dos meus amigos, dos inimigos é que os aplausos não me chegam!”

2. O autor de O Auto da Compadecida achava que era muito feio quem falava dos outros pela frente e explicava a razão: “É constrangedor para quem fala e também para quem está sendo falado. Muito mais correto é esperar a pessoa sair para que ela vire o assunto.”

3. Na véspera da encenação de sua peça A Farsa da Boa Preguiça, pela Rede Globo, Ariano Suassuna disse ao jornal O Globo: “Televisão é como um machado. Se for usado para cortar lenha a fim de aquecer quem está com frio, sou a favor dele. Se for para lascar a cabeça de um menino, sou contra.

4. O nosso consagrado teatrólogo e escritor pertencia a duas Academias de Letras, a Pernambucana e a Brasileira. Era, pois, imortal duplamente, embora dizia ele, preferia ser imorrível.

MAMONAS ASSASSINAS

Mamonas-Assassinas

Uma fatalidade colocou um ponto final na carreira e na vida dos integrantes da banda Mamonas Assassinas. No dia 2 de março de 1996, enquanto voltavam de um show realizado em Brasília, o jatinho Learjet em que viajavam, modelo 25D prefixo PT-LSD, chocou-se contra a Serra da Cantareira, localizada ao norte da cidade de São Paulo. O enterro, no dia 4 de março no cemitério Parque das Primaveras, em Guarulhos/SP, fora acompanhado por mais de 65 mil fãs, e transmitido na televisão, com canais interrompendo sua programação normal.

O grupo alcançou sucesso nacional com canções cômicas e extrovertidas (como Pelados em Santos e Sabão Crá-Crá), arrastando multidões de todas as idades e batendo recordes de venda. Com agenda lotada entre participações em programas de televisão, rádios e shows, logo o fenômeno chamou a atenção do público. Muitos fãs ainda hoje revivem o sucesso dos meninos de Guarulhos.

A dupla de emboladores Pinto e Rouxinol tristes com o acidente aéreo, que matou os integrantes do conjunto Mamonas Assassinas, escreveu uma poesia de cordel, Uma Homenagem aos Mamonas Assassinas, que fala da tragédia dos jovens. Selecionei estes versos do criativo tributo à alegria e ao humor irreverente desses ídolos inesquecíveis:

“P’ros Mamonas Asssassinas
A gente tira o chapéu;
Eles que nos alegraram
Merecem nosso troféu;
Na terra não cantam mais
Mas estão cantando no céu.

Se eu tivesse o poder
De ressuscitar um saguim,
O mundo era diferente,
Mamonas não tinham fim
E só caía avião
Cheio de político ruim.

Pois este planeta terra
É mesmo uma expiação,
Quem é bom viaja logo,
Quem é mau passa um tempão;
É por isso que o Brasil
Está cheinho de ladrão.”

QUAL O VALOR DO SERVIÇO DE UM PROFISSIONAL COMPETENTE?

Conta-se que uma grande fábrica nos Estados Unidos, funcionando por 24 horas continuamente, plena de mecanismos sofisticados, máquinas avançadas e equipamentos hidráulicos de última geração, ocorreu uma pane desconhecida. Imediatamente, sem qualquer aviso, todo sistema ficou paralisado. Agora, cada minuto era precioso, tendo em vista a perda acelerada de dólares que a parada causava. A engenharia de manutenção e o suporte técnico foram imediatamente chamados, os especialistas examinaram todas as estruturas possíveis, os relatórios informatizados e as planilhas de operação foram vasculhados e, nada… O defeito não era localizado.

Passa-se um dia, dois e, no terceiro, com a direção já desesperada, prefere-se convocar dois técnicos do Japão que, um dia após a chegada e a inspeção, já tinham desistido. No sexto dia, tarde da noite, reúne-se a desanimada diretoria, à beira de um colapso criativo e próximo a buscar soluções esotéricas para sanar o imenso prejuízo acumulado; num determinado momento um dos diretores diz: “Lembrei-me de uma coisa! Há um velho encanador que trabalha há mais de 50 anos nesta cidade. Quem sabe, como recurso extremo, ele nos ajuda”. Sem alternativa, chamam o antigo profissional, que, com sua pequena maleta de ferro já desgastada, caminha silencioso por toda a fábrica e, de repente, perto da área central, para, abaixa-se, coloca o ouvido no piso e dá um leve sorriso. Tira da maleta um martelo de borracha e, com ele, dá uma pancada no chão. Tudo volta a funcionar. Uma grande satisfação de contentamento toma conta de todos os presentes.

O gerente financeiro, depois de abraçar com entusiasmo o encanador, pergunta pelo custo do serviço; ele responde que são mil dólares. O gerente atordoado, contesta: “Mil dólares por uma martelada? Não dá; não vão aceitar. Faça, por favor, uma nota fiscal detalhando todo o seu trabalho aqui”. O velhinho não se incomoda; preenche o documento e o entrega ao gerente, que lê a discriminação:”a) dar uma martelada, 1 dólar; b) saber onde dar a martelada, 999 dólares”.

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos, então, pela importância do assunto resolvi publicar no JBF.

ARIANO SUASSUNA EM QUATRO TEMPOS

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1. Um amigo de Ariano Suassuna (1927-2014) ao encontrá-lo, falou: “Você, Ariano, eu nem elogio mais. É chover no molhado!”, disse, com uma demonstração calorosa, abraçando-o.

Ao que o escritor retrucou, veemente: “Não senhor! Eu gosto de ser festejado! Passe pra cá meu elogio! Quero tudo que tenho direito! Se não recebo dos meus amigos, dos inimigos é que os aplausos não me chegam!”

2. O autor de O Auto da Compadecida achava que era muito feio quem falava dos outros pela frente e explicava a razão: “É constrangedor para quem fala e também para quem está sendo falado. Muito mais correto é esperar a pessoa sair para que ela vire o assunto.”

3. Na véspera da encenação de sua peça A Farsa da Boa Preguiça, pela Rede Globo, Ariano Suassuna disse ao jornal O Globo: “Televisão é como um machado. Se for usado para cortar lenha a fim de aquecer quem está com frio, sou a favor dele. Se for para lascar a cabeça de um menino, sou contra.

4. O nosso consagrado teatrólogo e escritor pertencia a duas Academias de Letras, a Pernambucana e a Brasileira. Era, pois, imortal duplamente, embora dizia ele, preferia ser imorrível.

MAMONAS ASSASSINAS

Mamonas-Assassinas

Uma fatalidade colocou um ponto final na carreira e na vida dos integrantes da banda Mamonas Assassinas. No dia 2 de março de 1996, enquanto voltavam de um show realizado em Brasília, o jatinho Learjet em que viajavam, modelo 25D prefixo PT-LSD, chocou-se contra a Serra da Cantareira, localizada ao norte da cidade de São Paulo. O enterro, no dia 4 de março no cemitério Parque das Primaveras, em Guarulhos/SP, fora acompanhado por mais de 65 mil fãs, e transmitido na televisão, com canais interrompendo sua programação normal.

O grupo alcançou sucesso nacional com canções cômicas e extrovertidas (como Pelados em Santos e Sabão Crá-Crá), arrastando multidões de todas as idades e batendo recordes de venda. Com agenda lotada entre participações em programas de televisão, rádios e shows, logo o fenômeno chamou a atenção do público. Muitos fãs ainda hoje revivem o sucesso dos meninos de Guarulhos.

A dupla de emboladores Pinto e Rouxinol tristes com o acidente aéreo, que matou os integrantes do conjunto Mamonas Assassinas, escreveu uma poesia de cordel, Uma Homenagem aos Mamonas Assassinas, que fala da tragédia dos jovens. Selecionei estes versos do criativo tributo à alegria e ao humor irreverente desses ídolos inesquecíveis:

“P’ros Mamonas Asssassinas
A gente tira o chapéu;
Eles que nos alegraram
Merecem nosso troféu;
Na terra não cantam mais
Mas estão cantando no céu.

Se eu tivesse o poder
De ressuscitar um saguim,
O mundo era diferente,
Mamonas não tinham fim
E só caía avião
Cheio de político ruim.

Pois este planeta terra
É mesmo uma expiação,
Quem é bom viaja logo,
Quem é mau passa um tempão;
É por isso que o Brasil
Está cheinho de ladrão.”

CORA CORALINA E SUA LIÇÃO DE VIDA

cora coralina

Toda pessoa tem seu conceito do que é viver bem, e Cora Coralina (1889-1985) conhecia muito bem sobre essa questão filosófica. Além de poeta, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, o nome verdadeiro de Cora Coralina, era também uma ótima cronista. Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade.

Uma mulher simples, doceira de profissão, alheia a modismos literário, produziu uma obra poética baseada no cotidiano do interior brasileiro, principalmente dos becos e ruas históricas de Goiás. Certa vez, um repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem. Ela lhe disse:

“Eu não tenho medo dos anos e não penso na velhice.
E digo pra você, não pense.

Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo.
Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.

É claro que quando eu preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.

O bom é produzir sempre e não dormi de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.

Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo que estou cansada. Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida
fica.

Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago
comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu
sou?

Posso dizer que sou a terra e nada mais quero ser.
Filha dessa abençoada terra de Goiás.

Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus
direitos.

Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.

Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e
amizade.

Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.

Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar, porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa