O BOM HUMOR NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

“Todo voto vinculado
Eu comparo com aquela,
Que o sujeito se casa
Com uma linda donzela,
Mas tem que morar na marra
Com toda família dela.”

Oliveira de Panelas

“Meu cumpade, a minha casa
É uma casa tão feia…
D’um lado é um cemitério
Do outro lado a cadeia
D’um lado se come terra
Do outro se come peia.”

Louro Branco

“Caminhão que vai passando
Por essa estrada sem fim,
Se encontrar uma mulher,
Branca do cabelo ruim,
Diga àquela desgraçada
Que não se esqueça de mim.”

Josué da cruz (1904-1968)

“Lá em casa a crise é tanta
Que não sei como resisto
A roupa que estou usando
É minha e de Evaristo
Quando eu não visto, ele veste
Quando ele não veste, eu visto.”

Afonso Pequeno

“Temos dois aniversários
Em idades diferentes:
O pai entre os pecadores,
O filho entre os inocentes;
O pai mudando os cabelos,
O filho mudando os dentes.”

José Alves Sobrinho (1921-2011)

UM EPISÓDIO BOÊMICO DE JOÃO PARAIBANO

João Pereira da Luz (1952-2014), conhecido como João Paraibano, destacou-se como poeta e repentista que descrevia de forma notável o Sertão, onde ao longo dos anos tornou-se especialista no assunto. Entretanto, seu grande talento contribuiu para dominar os diversos temas explorados no admirável mundo da cantoria de viola.

Certa vez, João Paraibano estava numa festa e devido uma confusão com sua mulher, por motivos de ciúme dela, foi preso. Conta-se que dentro do cárcere, o poeta, aos prantos e um pouco alcoolizado, declamou de improviso, os seguintes versos para o delegado:

“Doutor eu sei que errei
Por dois fatos: dama e porre,
Por amor se mata e morre.
Eu nem morri, nem matei,
Apenas prejudiquei
Um ambiente de classe.
Depois de apanhar na face
Bati na flor do meu ramo.
Me prenderam porque amo
Quanto mais se eu odiasse.

Poeta mesmo ofendido
Sabe oferecer afeto.
Faz pena dormi no teto
Da morada de um bandido,
Se humilha, faz pedido
Ninguém escuta a voz sua,
Não vê o sol, nem a lua
Deixar o espaço aceso.
Por que um poeta preso
Com tantos ladrões na rua?

Sei que não sou marginal,
Mas por ciúmes de alguém,
Bebi para fazer o bem,
Terminei fazendo o mal.
Eu tendo casa, quintal,
Portão, cortina, janela,
Deixei pra dormi na cela
Com a minha cabeça lesa,
Só sabe a cruz quanto pesa
Quem está carregando ela.

Poeta é um passarinho
Que quando está na cadeia
Sua pena fica feia,
Sente saudade do ninho,
Do calor do filhotinho,
Da fonte da imensidade.
Se come deixa a metade
Da ração que o dono bota,
Se canta esquece da nota
Da canção da liberdade.

Doutor, se eu perder meu nome
Não acho mais quem o empreste,
A minha mulher não veste,
Minha filhinha não come
E a minha fama se some
Para nunca mais voltar.
Não querendo lhe comprar,
Mas humildemente peço:
Se puder, rasgue o processo
E deixe o poeta cantar.”

ESSA TAL FELICIDADE

Qual o conceito de felicidade para o ser humano? Esse questionamento é mais antigo do que possa parecer. Ele faz parte das primeiras reflexões filosóficas, ainda na Grécia Antiga. Um dos primeiros filósofos a tentar responder essa pergunta foi Aristóteles (384 – 322 a.C.). Segundo o sábio grego, a felicidade é o maior desejo da humanidade, e não está ligada a prazeres ou riquezas, mas à prática da razão. Com o passar dos anos, o conceito foi se modificando nos diversos campos de estudo tentando decifrar a sensação de bem-estar. Além da filosofia, áreas como religião, artes e sociologia arriscaram buscar a compreensão do que é ser feliz. Por exemplo, para o profeta iraniano Zoroastro (que viveu entre os séculos 6 e 5 a.C.), a felicidade na terra é “um lugar ao abrigo do fogo e dos animais ferozes; mulher; filhos; e rebanhos de gado”, enquanto para o budismo é a libertação do sofrimento.

Todos almejam a felicidade, que se torna objeto de desejo logo ao nascer. Apontam os especialistas a existência de uma confusão sobre o entendimento real do conceito – o que, às vezes, acarreta a sensação do bem-estar ser algo inatingível. Frequentemente, as pessoas acreditam que felicidade é um propósito alcançado ao final de um caminho, quando na realidade, trata-se de algo a ser vivenciado, todo dia, muitas vezes em pequenas doses.

Exatamente por essa razão, experimentar a sensação de contentamento é algo que pode ser ensinado e aprendido. A felicidade é uma escolha e nós podemos decidir por esse caminho. Para alcançá-la, precisamos, portanto, conhecer a nós mesmos. Ao iniciarmos o processo de autoconhecimento, poderemos nos apropriar de nossas qualidades, consequentemente, obtermos mais autoconfiança e autovalorização. Assim sendo, abandona-se a ideia da necessidade de responsabilizar os outros ou os acontecimentos externos por sentimentos e decisões de nossa vida.

Para manter a felicidade, precisamos de habilidades emocionais e sociais, como autopercepção, competência para aliviar os efeitos de sentimentos desagradáveis, discernimento para julgar se podemos mudar uma situação adversa e resiliência para buscar formas positivas de se adaptar a perdas. Essa tal felicidade está dentro de nós. Devemos ter a lucidez e a coragem para evoluir enfrentando a sombra de nossas imperfeições e descobrindo a luz de nossas virtudes.

FRASES MARCANTES DE MILLÔR FERNANDES

“O homem é um animal que adora tanto as novidades que se o rádio fosse inventado depois da televisão haveria uma correria a esse maravilhoso aparelho completamente sem imagem.”

“Você pode evitar descendentes. Mas não há nenhuma pílula para evitar certos antepassados”

“Morrer rico é extrema incompetência. Significa que você não usufruiu, ou pelo menos não usufruiu todo o seu dinheiro. Além disso, um rico que gasta tudo antes de morrer, livra os seus herdeiros do odioso imposto de transmissão.”

“Este é o país onde há a maior possibilidade de criar um mundo inteiramente novo. Caos não falta.”

“Aprenda de uma vez: Se você acordou de manhã é evidente que não morreu durante a noite. A felicidade começa com a constatação do óbvio.”

“Prudência: E devemos sempre deixar bem claro que nenhum de nós, brasileiros, é contra o roubo. Somos apenas contra ser roubados.”

“Quando os eruditos descobriram a língua, ela já estava completamente pronta pelo povo. Os eruditos tiveram apenas que proibir o povo de falar errado.”

“Um banqueiro pode escrever falsa literatura. Mas vá um escritor falsificar um cheque.”

“Nascer estadista em país subdesenvolvido é como nascer com um tremendo talento de violonista numa tribo que só conhece a percussão.”

“A infância não, a infância dura pouco. A juventude não, a juventude é passageira. A velhice sim. Quando um cara fica velho é pro resto da vida. E cada dia fica mais velho.”

“Há os que sobem por estupidez. E os que caem tropeçando na própria sabedoria.”

“A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu caráter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte.”

“A verdade é que a maior parte das pessoas foge de tentações que nem se dão ao trabalho de tentá-las.”

“Um homem que come carne por instinto é tão vegetariano quanto um homem que come vegetais por princípio. Afinal de contas a carne é a transubstanciação do capim que o animal comeu.”

“A economia compreende todas as atividades do país, mas nenhuma atividade do país compreende a economia.”

“Já vi gente cansada de amor, de trabalho, de política, de ideais. Jamais conheci alguém sinceramente cansado de dinheiro.”

“O ser humano ainda não tinha aprendido a amar o próximo e já tinha inventado a televisão que ensina a desprezar o distante.”

“Tudo na vida tem uma utilidade – se não fosse o mau cheiro quem inventaria o perfume?”

“Tanta plástica no rosto, no seio, na bunda e ninguém aí para inventar uma plástica no caráter.”

“Um pessimista é o único que está preparado para ser otimista quando seu pessimismo der certo.”

Milton Viola Fernandes (1923-2012). Autor e tradutor. Descobriu na adolescência que havia sido registrado erroneamente, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr. De humor singular, humanista e moderno, com visão cética do mundo, Millôr Fernandes foi considerado uma figura de proa do panorama cultural brasileiro: jornalista, escritor, artista plástico, humorista, pensador. Destacou-se em todas essas atividades. No teatro, empreendeu uma transformação no campo da tradução, tal a quantidade e diversidade de peças que traduziu. Escreveu, com Flávio Rangel – Liberdade, Liberdade – uma das peças pioneiras do teatro da resistência à ditadura militar, encenada em 1965. Em seus trabalhos costumava-se valer de expedientes como a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças dominantes, sendo em consequência confrontado constantemente pela censura.

TROVAS DE GERALDO AMÂNCIO

“O que o bom trovador faz
É mesmo impressionante
Numa trova ele é capaz
De eternizar um instante.”

“Se é boa a trova, de fato,
Eu nela admiro tudo.
Tão pequena no formato,
Tão grande no conteúdo.”

“Preso ao teu sorriso grácil
Separei-me sem saber,
Que te deixar era fácil,
Difícil era te esquecer.”

“Como começa se finda
A história da nossa vida,
Nada trazemos na vinda,
Nada levamos na ida.”

“Uns vivem bem, outros mal,
A vida tem duas faces,
O câncer no social.
Vem da divisão de classes.”

“Num egoísmo profundo
Penso, ao receber teus mimos,
Que Deus só fez esse mundo
Porque nós dois existimos.”

“Que saber o que é saudade?
Vá perguntar a quem sente,
É a falta da metade
De quem mais faz falta a gente.”

“Da saudade o que padeço
Sempre o culpado sou eu,
Que sou reimoso e esqueço
De esquecer quem me esqueceu.”

Geraldo Amâncio Pereira é poeta, repentista, trovador, cordelista e contador de causos. Nascido no sítio Malhada da Areia, município do Cedro, Ceará, em 29 de abril de 1946. Cursou faculdade de História em Fortaleza. Começou com acompanhamento de viola em 1966. Participou de centenas de festivais em todo o país, e classificou-se mais de 150 vezes em primeiro lugar. Organizou festivais internacionais de repentistas e trovadores, além do festival Patativa do Assaré. É autor das três antologias sobre cantoria em parceria com o poeta Vanderley Pereira. Gravou 15 CDs ao longo da carreira, além de ter publicado cordéis em livros. Apresentou o programa dominical “Ao Som da Viola”, na TV Diário em Fortaleza.

DITADOS POPULARES EXPLICADOS POR CÂMARA CASCUDO

Amigo da onça

Segundo estudiosos da língua portuguesa, este termo surgiu a partir de uma história curiosa. Conta-se que um caçador mentiroso, ao ser surpreendido, sem armas, por uma onça, deu um grito tão forte que o animal fugiu apavorado. Como quem o ouvia não acreditou, dizendo que, se assim fosse, ele teria sido devorado, o caçador, indignado, perguntou se, afinal, o interlocutor era seu amigo ou amigo da onça. Atualmente, o ditado significa amigo falso, hipócrita.

Fazer ouvidos de mercador

Orlando Neves, autor do Dicionário das Origens das Frases Feitas, diz que a palavra mercador é uma corruptela de marcador, nome que se dava ao carrasco que marcava os ladrões com ferro em brasa, indiferente aos seus gritos de dor. No caso, fazer ouvidos de mercador é uma alusão a atitude desse algoz, sempre surdo às súplicas de suas vítimas.

Santa do pau oco

Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos séculos XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado a Portugal.

Farinha do mesmo saco

“Homines sunt ejusdem farinae” esta frase em latim (homens da mesma farinha) é a origem dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável. Como a farinha boa é posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa comparação para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

Aquela que matou o guarda

Tratava-se de uma mulher que trabalhava para D. João VI e se chamava Canjebrina, que, como informam os dicionários, significa pinga, cachaça. Ela teria matado um dos principais guardas da corte do Rei. O fato não foi provado. Mas está no livro “Inconfidências da Real Família no Brasil”, de Alberto Campos de Moraes.

Pagar o pato

A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia é que pagava pelo animal sacrificado. Sendo assim, passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem ter qualquer benefício em troca.

Salvo pelo gongo

O ditado tem origem na Inglaterra. Lá, antigamente, não havia espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados para o ossário e o túmulo era utilizado para outro infeliz. Só que, às vezes, ao abrir os caixões, os coveiros percebiam haver arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo (catalepsia – muito comum na época).

Assim, surgiu a ideia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada num sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Desse modo, ele seria salvo pelo gongo. Atualmente, a expressão significa escapar de se meter numa encrenca por uma fração de segundos.

Comer com os olhos

Soberanos da África Ocidental não consentiam testemunhas ás suas refeições. Comiam sozinhos. Na Roma Antiga, uma cerimônia religiosa fúnebre consistia num banquete oferecido aos deuses em que ninguém tocava na comida. Apenas olhavam, “comendo com os olhos”. A propósito, o pesquisador Câmara Cascudo costumava dizer que certos olhares absorvem a substância vital dos alimentos. Hoje o ditado significa apreciar de longe, sem tocar.

O pior cego é o que não quer ver

Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, pois logo que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos.

O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver. Atualmente, o ditado se refere a alguém que se nega admitir um fato verdadeiro.

Mais vale um pássaro na mão do que dois voando

Significa que é melhor ter pouco que ambicionar muito e perder tudo. É tradição de antigos caçadores. Eles achavam melhor apanhar logo a ave que tinham atingido de raspão, antes que ela fugisse, do que tentar atirar nas que estavam voando e errar o alvo.

Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) foi historiador, antropólogo, advogado, professor universitário, jornalista e, principalmente, folclorista brasileiro. Era apaixonado pelas tradições populares, superstições, literatura oral e História do Brasil. Ele passou toda sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Faculdade de Direito de Natal, hoje Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) , cujo o Instituto de Antropologia leva seu nome. O conjunto de sua obra é considerável em quantidade e qualidade: ele escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro, em um total de 8.533 páginas, o que o coloca entre os intelectuais brasileiros que mais produziram. É também notável que tenha obtido reconhecimento nacional e internacional publicando e vivendo distante dos centros Rio e São Paulo.

PROVÉRBIOS SOBRE A SAUDADE

“Saudade é uma ferida que não sangra, mas também não cicatriza. É uma lâmpada que queima sem iluminar. Uma água que só molha sem limpar.”

“Quando a saudade é demais, não cabe no peito: escorre pelos olhos.”

“Saudade, não sei de onde veio nem para onde vai; só sei que da minha vida, sua lembrança não sai.”

“Quem planta vento, colhe tempestade; quem planta amor, colhe saudade.”

“Saudade tem rosto, nome e sobrenome. Saudade tem cheiro, tem gosto. Saudade é a vontade que não passa. É a ausência que incomoda. Saudade é a prova de que tudo valeu a pena.”

“A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas, mas atiça as fogueiras.”

“A grandeza de uma pessoa não se mede pelo espaço que ocupa em nosso coração, mas sim, pelo vazio que deixa quando está distante.”

“A velhice começa quando as saudades são mais fortes que a esperança.”

“Não tenha saudade do passado: irão pensar que você não está feliz com o presente.”

“A saudade é o imposto que a vida cobra de quem foi muito feliz por um instante.”

“Ás vezes, você só percebe a importância de um momento, quando ele se torna uma lembrança.”

“Dizem que se a saudade não vai embora, é porque o amor decidiu ficar. “

“O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo…”

“Faça da sua ausência o bastante para que alguém sinta sua falta, mas não prolongue-a demais para que esse alguém não aprenda a viver sem ti.”

“Talvez a saudade seja uma das mais belas formas de afinidade, sem ela não teríamos a alegria do abraço de alguém que mesmo distante nos faz bem.”

“Saudade não significa que estamos longe, mas sim que um dia estivemos juntos.”

“Nunca deixe que a saudade do passado e o medo do futuro estraguem a beleza de hoje, pois há dias que valem um momento e há momentos que valem por toda uma vida.”

“Ansiedade, muitas vezes, é meio uma saudade do que ainda não aconteceu.”

“VOLTA! – gritou a saudade.
LEMBRA! – disse a memória.
ESQUECE! – aconselhou a razão.”

REVISITANDO O LEGADO POÉTICO DE PINTO DO MONTEIRO E LOURIVAL BATISTA

Lourival Batista e Pinto do Monteiro

Severino Lourenço da Silva Pinto (1896-1991), conhecido como Pinto do Monteiro, foi um dos maiores representantes do maravilhoso universo do repente. Ele participou de Cantorias, Congressos e Festivais, onde era aclamado pelo público presente nesses eventos, como aconteceu no Teatro Santa Izabel, em Recife (PE), na noite de 05 de outubro de 1948. Naquele momento, o repentista Lourival Batista (1915-1992) cantou com Pinto do Monteiro para uma grande plateia que lotou o teatro, surpreendida com aquela forma de fazer verso. Lourival, entusiasmado com os aplausos, iniciou de improviso esta sextilha:

“A cantoria vai boa
E os versos são colossais”

Nesse instante, aproximou-se um fotógrafo, que, de cócoras, fez uma foto dos dois violeiros. E Lourival continuou:

“Pinto, aí da tua banda
Acocorou-se um rapaz
Assim nessa posição
Eu não sei o que ele faz?”

Pinto aproveitou a oportunidade e completou:

“Chegou ali o rapaz
Começou a se bulir
Focou na cara da gente
E eu vi a luz explodir
Pensei até que era um bicho
Que nos quisesse engolir.”

Lourival, instantaneamente, descreveu o desfecho da saga poética com versos criativos e bem-humorados:

“Pinto, eu não sei distinguir
Se ele é da praça ou da aldeia
Pois quando se acocorou
Meu sangue tremeu na veia
A foto pode ser boa
Mas a posição foi feia.”

QUEM PLANTA TÂMARAS NÃO COLHE TÂMARAS

Existe um ditado árabe que diz: “Quem planta tâmaras não colhe tâmaras!”. Isso porque, antigamente, as tamareiras levavam de 80 a 100 anos para produzir os primeiros frutos. Nos dias de hoje, com as técnicas de produção moderna, esse tempo foi bastante reduzido, todavia o ditado é sábio e continua atualíssimo. Conta-se que, certa vez, um senhor de idade avançada plantava tâmaras no deserto quando um jovem o abordou, perguntando:”Mas por que o senhor perde tempo plantando o que não vai colher?”. O senhor virou a cabeça e, calmamente, respondeu: “Se todos pensassem como você, ninguém comeria tâmaras”. Ou seja, não importa se você vai colher, o que importa é o que você vai deixar….Cultive, construa e plante ações que não sejam apenas para você, mas que possam servir para todos e para o futuro.

Nossas ações no presente refletem no futuro. Se o tempo não é de colher, bem, pode ser tempo de semear. Um aprendizado que poderemos extrair do provérbio consiste na solidariedade, no otimismo e na esperança para caminhar pelos tempos difíceis. Devemos crer que sempre haverá pessoas de bem para perpetuar a corrente de plantação de tamareiras, ou seja, indivíduos preocupados com aqueles que ainda nem existem, algo muito raro no mundo contemporâneo, principalmente nos países mais ricos. A nossa atitude é se aliar aos que lutam contra a destruição do meio ambiente com objetivos estritamente industriais e capitalistas. Infelizmente, o conceito de sustentabilidade não é levado a sério em muitos países.

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos, então, pela importância do assunto resolvi publicar no JBF.

A RELIGIÃO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

“A cada tarde Deus pinta
Um pôr do sol diferente
Nesse aspecto Deus parece
Um cantador de repente
Mas em vez de cantar
Pinta painéis no poente.”

Ivanildo Vila Nova

“Cristo, Tu és o emblema
Nas peças que o tempo faz
A neve que o vento leva
Os raios que a luz traz
Auxílio dos sofredores
Que choram pedindo paz.”

Zé Viola

“No varal do Infinito
Uma nuvem pendurada
Parece com uma roupa
Bem confeccionada
Deus coseu com maestria
Pra o corpo da madrugada.”

Raimundo Borges

“Se você dê uma flor
Pra criatura carente
Dormida a quem está com sono
Remédio a quem está doente
Sua alma tem lugar
No reino do Onipotente.”

José Cardoso

“Os teus sermões são ouvidos
Por teus admiradores
Tuas frases estão vivas
Na voz dos teus seguidores
Dando força aos que te seguem
Perdão aos teus traidores.”

Moacir Laurentino

CONSIDERAÇÕES SOBRE A FINITUDE DA VIDA HUMANA

No mundo ocidental a morte, frequentemente, é avaliada como algo imerecido e imprevisível. Existe uma compreensão de que se trata de um ponto final e não de uma etapa de um ciclo, como na cultura oriental. Dessa maneira é fácil compreender que a ideia de morte venha acompanhada de sensações desagradáveis, como angústia, tristeza, medo, agonia e uma sensação de desolação. Por estes motivos a finitude da vida humana, de maneira geral, pode ser encarada como um tabu e, consequentemente, todo assunto a ela associado é afastado da nossa mente.

O filósofo grego Sócrates (469 a.C – 399 a.C), antes de morrer, condenado a tomar cicuta (um veneno mortal), deixou excelente inspiração para uma reflexão sobre a morte: “Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas: Ou a morte não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do quer que seja. Ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e uma migração para a alma, deste lugar para outro”.

O seu pensamento demonstra que as duas maneiras de considerar o problema da morte podem ser satisfatórias. Quem não acredita na continuação da vida, a morte é o nada, a ausência completa de amarguras e desesperos, e significa o fim do sofrimento e desventuras. Para aqueles que creem na continuação da vida, a morte é a passagem dessa existência para outra melhor.

Um assunto desta complexidade merece ser ilustrado com os versos do talentoso poeta Manoel Filó (1930 – 2005):

“Quando eu parti desse abrigo
Seguir à mansão sagrada,
A morte está perdoada
Do que quis fazer comigo,
Quis que eu fosse igual ao trigo
Que ao vendaval se esfarela,
Mas eu vou passar por ela
De cabeça levantada
A morte está enganada,
Eu vou viver depois dela.”

FRASES POÉTICAS DE PAULO LEMINSKI

“Amor, então também, acaba? Não, que eu saiba. O que eu sei é que se transforma numa matéria-prima que a vida se encarrega de transformar em raiva. Ou em rima.”

“O destino quis que a gente se achasse, na mesma estrofe e na mesma classe, no mesmo verso e na mesma frase.”

“Nesta vida pode-se aprender três coisas de uma criança: Estar sempre alegre; nunca ficar inativo; e, chorar com força por tudo aquilo que se quer .”

“A vida não imita a arte. Imita um programa ruim de televisão. “

“Tudo é vago e muito vário, meu destino não tem siso, o que eu quero não tem preço. Ter um preço é necessário, e nada disso é preciso.”
“planeta.”

“Aqui jaz um grande poeta. Nada deixou escrito. Este silêncio, acredito, são suas obras completas.”

“Quando vi você tive uma ideia brilhante, Foi como se eu olhasse de dentro de um diamante e meu olho ganhasse mil faces num só instante.”

“Acordei e me olhei no espelho ainda a tempo de ver meu sonho virar pesadelo.”

“Vim pelo caminho difícil, a linha que nunca termina, a linha bate na pedra, a palavra quebra uma esquina, mínima linha vazia, a linha, uma vida inteira, palavra, palavra minha.”

“Quem nasce com coração? Coração tem que ser feito. Já tenho uma porção Me infernando o peito.”

“Você nunca vai saber o que vem depois de sábado, quem sabe um século muito mais lindo e mais sábio, quem sabe apenas mais um domingo.”

“A partir desta data, Aquela mágoa sem remédio É considerada nula E sobre ela, silêncio perfeito.”

“Aqui nessa pedra, alguém sentou para olhar o mar O mar não parou para ser olhado Foi mar pra tudo que é lado. “

“O amor, esse sufoco, agora a pouco era muito, agora, apenas um supro. Ah, troço de louco, corações trocando rosas e socos.”

“Sei quando uma pessoa está por dentro ou está por fora. Quem está por fora não segura um olhar que demora…”

“Vai me ver com outros olhos ou com os olhos dos outros?”

“Não discuto com o destino, o que vier eu assino.”

“O tempo parecia pouco, e a gente parecia muito.”

“Bonito é gostar das pessoas por dentro.”

“Bem no fundo no fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela – silêncio perpétuo extinto por lei todo o remorso, maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás…”

* * *

Paulo Leminski Filho (Curitiba, 24 de agosto de 1944 – Curitiba, 7 de junho de 1989) foi um escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor brasileiro. Ele tornou-se conhecido por ter criado seu próprio jeito para escrever poesias, fazendo trocadilhos ou brincando com ditados populares. Lewinski teve poemas e textos publicados em diversas revistas, escreveu letras de músicas com uma grande influência de MPB chegando fazer parceria com Caetano Veloso.

ORGULHO

Uma pessoa orgulhosa é considerada como sendo forte. O orgulho é uma autoadmiração. Em termos psicológicos, é um caminho de retroalimentação da energia do nosso senso de identidade, realidade e personalidade. Quanto mais orgulho, maior é a força do Ego. Porém, uma pessoa orgulhosa acaba não vendo seus próprios desacertos, ou não admitindo novos caminhos, ou qualquer coisa que venha do exterior, ou ainda, que ameace a plenitude da sua individualidade. A pessoa, assim, se fecha em seu próprio erro, em sua própria imaturidade e, ao não admitir coisas externas, entra em um ciclo que pode levar a algo bem negativo.

Uma pessoa com uma autoimagem forte vai considerar suas características como qualidades. Isso pode acarretar a demora em perceber que um desses atributos está levando-a para um mal caminho ou prejudicando outra pessoa. Aliás, quando algo acontece e esse orgulho e autoimagem se quebram, o tombo é grande. Quando uma pessoa acredita firmemente que seu jeitão de viver é o certo e, de repente, percebe que está errado, custa a admitir ter vivido uma mentira e sofre porque não quer se desafazer da imagem construída por seu Ego.

O repentista Gilberto Alves construiu uma sextilha criativa, simples e bela sobre o orgulho e a vaidade, pois ambos são muito próximos:

“Nós não devemos querer
Orgulho nem vaidade
Porque bens materiais
Não trazem felicidade
Quem mais goza aqui na terra
Sofre na eternidade.”

DITADO POPULAR

“A felicidade é algo que se multiplica quando se divide.”

“Por causa de peso e medida, tem muita alma perdida.”

“Rico em casa de pobre é perdição da galinha.”

“Boa fama granjeia quem não diz mal da vida alheia.”

“Entenda primeiro, e fala derradeiro.”

“Quem com cão se deita, com pulgas se levanta.”

“Cavalo de cachaceiro conhece o caminho da bodega.”

“Por mais santo que seja o dia, a panela tem que ferver.”

“Quem nasceu para ser tatu, morre cavando.”

“Ninguém quer ser velho nem morrer novo.”

“Por causa de uma esporada, perde-se a vaquejada.”

“Quando a barriga está cheia, toda goiaba tem bicho.”

“O seguro morreu de velho e o desconfiado ainda está vivo.”

“Não cortar a pata do burro por um único coice.”

“Falar mal dos outros é fácil, difícil é falar bem.”

“Quem quer agradar a todo o mundo, no fim não agrada a ninguém.”

“Antes morrer de azia do que de barriga vazia.”

“Quem sofreu o mal pode esquecê-lo, mas quem o fez nunca se esquece.”

“Quanto maior é o coqueiro maior o tombo do coco.”

“Ainda que sejas prudente e velho, não desprezes o conselho.”

INSETOS NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

“Dos animais que conheço
Eu admiro é o grilo:
De carne não tem um grama;
De osso, nem meio quilo;
Mas no lugar onde canta
Não tem quem durma tranquilo.”

Geraldo Amâncio

“Admiro cem formigas
Um besouro carregando.
Sessenta escanchadas em cima,
Quarenta embaixo arrastando;
Aquelas que vão em cima
Pensam que vão ajudando.”

Manoel Xudu (1932-1985)

“A mosca e a muriçoca
São dois bichos que aborrece;
A mosca anda o dia inteiro,
Se esconde quando anoitece;
Mas quando um cão vai embora,
A outra peste aparece.”

Leonardo Bastião

“A pixilinga tem sido
Um dos insetos mais graves
Que suja sem aparelhos
Voa sem aeronaves
E vive através do sangue
Que tem na vida das aves.”

Geraldo Pereira

“A barata tem excesso
No mau cheiro e na feiura,
Não tem fosfato no cérebro;
Nas pernas não tem gordura;
Nunca planta um pé de cana,
E é doida por rapadura!”

Luisinho de Irauçuba

FRASES ANÔNIMAS BEM-HUMORADAS

“O mundo precisa de mais gênios humildes, hoje em dia somos poucos.”

“Quem disse que dinheiro não compra felicidade não sabe onde fazer compras.”

“A hierarquia é como uma prateleira:quanto mais no alto, mais inútil.”

“Se você consegue se manter calmo quando todos perderam a cabeça, provavelmente não entendeu a gravidade da situação.”

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que molha tudo.”

“Um pé de coelho pode não mudar sua vida, mas vai mudar a vida do coelho.”

“Se um dia te chamarem de ninguém. Fique feliz. Ninguém é perfeito.”

“Se não puder ajudar, atrapalhe, afinal o importante é participar.”

“O mundo é bom porque é uma bola! Se fossem duas seriam um saco…”

“A mulher mais feliz do mundo é a namorada do saci, pois ela sabe que se levar um pé na bunda, quem cai é ele.”

“Quando não restar nenhuma outra opção, leia o manual.”

“Tem gente que diz que joga lixo na rua para garantir o emprego do gari, mas morrer para dar trabalho ao coveiro ninguém quer, né?”

“Jamais consulte um médico sem saber antes que tipo de doença ele prefere.”

“Há duas ocasiões na vida em que uma pessoa não deve jogar: quando não tiver posses para isso, e quando tiver.”

“Um milionário deve sempre viver um pouco além de suas posses para manter a credibilidade.”

“Nunca empreste dinheiro a amigos. Causa amnésia!”

“Meu gato morreu em miados do ano passado.”

“Os músicos da banda do hospital só tocam em Ré médio.”

“Um chato nunca perde o seu tempo. Perde o dos outros.”

“Se chiar resolvesse, Sal de Frutas não morria afogado.”

ENFRENTAMENTO DO LUTO

Religiosidade à parte, não existe dúvida de que uma das experiências mais dolorosas é a morte de uma pessoa pela qual se tem um sentimento relevante e profundo. Ela dá origem ao processo de luto que tem como base o relacionamento de duas pessoas. Dessa maneira, considera-se que quanto maior o grau de ligação afetiva e intimidade maior será a dor e o sofrimento.

O luto pode ser descrito como a reação emocional e física que um indivíduo experimenta após a morte de um ente querido. A forma como ele é vivido, assim como o tempo, varia de pessoa para pessoa, porque está associada a sua capacidade de compreensão emocional, experiências e habilidade de lidar com perdas.

Reagimos de forma diferente à morte e empregamos mecanismos pessoais de defesa para enfrentar a dor. A maioria das pessoas pode se recuperar da perda por conta própria através da passagem do tempo, com apoio social e hábitos saudáveis. Entretanto, algumas pessoas podem ter dificuldade com a dor por longos períodos. Aqueles que sofrem de forma severa podem estar passando por um luto complicado e devem procurar ajuda de um profissional especializado. O apoio psicológico é importante porque permite a pessoa expressar todas as emoções sem ter receio de incomodar o ouvinte ou de ter de reprimir o que sente e pensa para não magoar outras pessoas.

Considera-se que um ombro amigo sempre é bom para quem vivencia o luto. A presença solidária, mesmo em silêncio, pode fazer toda a diferença para que a pessoa consiga se sentir melhor. A superação da perda pode ser o catalisador para um renovado senso de significado oferecendo um propósito e uma direção à vida.

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos, então, pela importância do assunto resolvi publicar no JBF.

FRASES POÉTICAS DE ADÉLIA PRADO

“Deus de vez em quando me tira a poesia e eu olho pedras e vejo pedras mesmo…”

“Eu quero depois, quando viver de novo, a ressurreição e a vida escamoteando o tempo dividido, eu quero o tempo inteiro.”

“Pior que medo de alma do outro mundo é o medo da alma do outro.”

“É verdade, experimento o ruim e acho que o mundo desabou.”

“Tudo aquilo que a memória amou já ficou eterno.”

“Eu ponho o amor no pilão com cinza e grão de roxo e soco. Macero ele, faço dele cataplasma e ponho sobre a ferida.”

“A gente tem sede de infinito e de permanência, então, esse ser que assegura a permanência das coisas, é que eu chamo de Deus. É o absoluto.”

“O amor me fere é debaixo do braço, de um vão entre as costelas, atinge o meu coração é por esta via inclinada.”

“Era raiva não. Era marca de dor.”

“Um corpo quer outro corpo, uma alma quer outra alma e seu corpo. Este excesso de realidade me confunde.”

“Beleza não é luxo. É uma necessidade!”

“Se pudesse, hoje, varria, isso mesmo, varria as pessoas todas com vassoura, como se fossem ciscos.”

“Há sempre uma razão, embora não haja nenhuma explicação.”

“Quanto a mim, dou graças pelo que agora sei e, mais que perdôo, eu amo.”

“Dor não tem nada haver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito para a gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade.”

“Não quero faca, nem queijo. Quero a fome.”

“Estremecerei de susto até dormir, e no entanto é tudo tão pequeno. Para o desejo do meu coração, o mar é uma gota.”

“Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento.”

“O transe poético é o experimento de uma realidade anterior a você. Ela te observa e te ama. Isto é sagrado. É de Deus. É seu próprio olhar pondo nas coisas uma claridade inefável. Tentar dizê-la é o labor do poeta.”

“Fui dormir umas vezes tão feliz, que, se soubesse minha força, levitava. Em outras, tanta foi a tristeza que fiz versos.”

* * *

Adélia Luzia Prado de Freitas nasceu em 1936 em Divinópolis – MG, onde cresceu e se educou. Formou-se em Filosofia e trabalhou como professora. Em 1971, publicou o livro de poemas “A Lapinha de Jesus”, junto com Lázaro Barreto. Cinco anos depois foi que publicou sozinha seu primeiro livro, “Bagagem” (1976), revelando uma artista de extrema originalidade e lirismo. Publicou depois “Coração Disparado” (1978), coletânea que trouxe a consagração merecida, trazendo-lhe o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro de São Paulo. Seus textos literários retratam o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único.

PROVÉRBIOS SOBRE A VIDA

“A gente vive esperando que as coisas mudem, que as pessoas mudem. Até que um dia a gente muda e vê que nada mais precisa mudar .”

“Terminado o jogo. O rei e o peão voltam para à mesma caixa.”

“A vida é um eco. Se você não está gostando do que está recebendo, observe o que está emitindo.”

“A vida é um empréstimo que temos a pagar em data incerta.”

“Jamais se desespere em meio às sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda.”

“A juventude não é uma época da vida, é um estado de espírito.”

“Se você que saber como foi seu passado, olhe para quem você é hoje. Se quer saber como vai ser seu futuro, olhe para o que está fazendo hoje.”

“Boa fama granjeia quem não diz mal da vida alheia.”

“Objetivo da vida: Ser uma pessoa melhor, não perfeito, apenas melhor do que ontem!”

“A vida é um jogo em que Deus embaralha as cartas, o diabo corta o baralho e nós temos de fazer os pontos.”

“Se você quer ser feliz por uma hora, tire uma soneca; por um dia, vá pescar; por um mês, case-se; por um ano, herde uma fortuna; pela vida inteira, ajude os outros .”

“A vida é uma cadeia de desenganos por meio dos quais se vai adquirindo experiência.”

“Beber a grandes tragos extingue a sede; beber em pequenos goles prolonga o prazer da bebida. Assim é também com relação ao prazer do amor. E com tudo o mais na vida.”

“Espere o melhor, prepare-se para o pior e receba o que vier.”

“Temos uma boca e dois ouvidos, mas jamais nos comportamos proporcionalmente.”

“O bem que se faz num dia é semente de felicidade para o dia seguinte.”

“Mais importante do que vigiar os outros é controlar os próprios passos.”

“Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e e a oportunidade perdida.”

“Podemos escolher o que plantar, mas somos obrigados a colher o que semeamos.”

BREVE REFLEXÃO SOBRE O TEMPO

Percorremos grande parte da nossa vida ocupando a consciência com o passado e o futuro, então findamos nos esquecendo do tempo presente. Ruminamos coisas do passado, geralmente nos culpando porque acreditamos que deveriam ter ocorrido de outra maneira. Quando pensamos no futuro, preenchemos nossa consciência com circunstâncias preocupantes que poderão estar acontecendo.

Nessa perspectiva, a nossa intenção é a de que tudo aconteça de uma forma exata e pertinente porque não desejamos ter problemas ou viver situações desgastantes. Acontece que nós vivemos enclausurados entre a culpa (passado) e a preocupação (futuro). O que passou não pode ser retificado, entretanto o futuro pode ser diferente.

A maioria das pessoas gasta uma grande quantidade de tempo preocupando-se com o futuro. Sem nenhum proveito. Nem um único momento de desassossego tornará a realidade melhor. A grande questão sobre a preocupação é que ela gera ansiedade e expectativa sobre como será o futuro, como as coisas serão encaminhadas. Ninguém sabe ao certo como será o dia de amanhã, pois existem contratempos que modificam qualquer programação e esforço pessoal. Enfim, a preocupação só irá contribuir a fim de que sejamos ineficientes para lidar com o presente.

Vamos utilizar um poema de Mário Quintana (1906-1994) para proporcionar uma visão simples, sintética e sábia sobre a importância de se viver o momento presente:

Seiscentos e sessenta e seis

“A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio,
seguia sempre, sempre em frente…

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.”


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