CUPIDOVITAMINADO@QUALQUERPESSOA

Zefinha nasceu no mato
Lá no Alto da Farinha
Nem parece ser do mato
Nem parece ser Zefinha.

Usa brinco que balança
Atende no celular
É fã de Paralabamba
Pata-pata e coisa e tá
Mas segundo o pessuá
Nunca teve namorado
Nunca dançou colado
Nunca foi de passear.

Quando chega a conversar
Só fala coisa educada
Amostra as unhas pintada…
Só vendo o seu gestuá.
Negócio pra Ipanema
Uma coisa de cinema
Quase um audiovisuá.

Quando me encontro com ela
Formo um casal bem-grudado
Ensopado de luxúria
Feito um paiol de pecado.

De coração pintalgado
De efeito luminoso
Me sinto retemperado
Corado, forte e garboso:

Nesse banquete de agrado
Nos beijos sou almoçado
Na fala sou fastioso.

É O XERÉM TRITURADO DA SAUDADE NO ANGU REQUENTADO DA ILUSÃO

Dez Altemares Dutras não me bastam
Num luar de cebola em serenata
Choro resmas de lágrimas nesta data
De algarismos do nunca-mais-voltar
Fico léguas, parado a ruminar
As palavras “se achegue” se achegando
A palavra “lindeza” se enfeitando
E a palavra “aliança” em sua mão
Lembro dela em tão doce comunhão
Que o açúcar é doado em caridade
É o xerém triturado da saudade
No angu requentado da ilusão.

Num pensar de silêncio acabrunhante
No azedume de um riso amarelado
Imagino nós dois amadrinhados
Qual ponteiros no vão do meio-dia
Duas valsas dançando poesia
Cinderelo abrandando a Cinderela
Um desfecho choroso de novela
Sem o “livrai-nos do mal” da extrema-unção
E um papel despautado de colchão
Com nós dois em sinal de igualdade
É o xerém triturado da saudade
No angu requentado da ilusão.

O IMPOSTO DO CUPIDO

Nos braços da minha amada
Sou inventor de carinho
Tal qualmente um bem-te-vi
Mimando um bem-te-vizinho
Eu chega fico alesado
Feito um bacorim mamado
Pro riba dos bacorinho.

É aquele enganchamento
De perna de boca e mão
Aquele agrado de coxa
É aquela alisação
E se acaso ela der sopa
Descascadinha de roupa
Virge-Maria!… Sei não!

O falar da minha amada
É aquele meio-tom
Aquela vozinha fofa
Que nem um talco pom-pom
Na orelha desse ouvido
É aquele sustenido
Fazendo cochicho bom.

Meu peso sem gravidade
Me manera vento afora
Eu em formato de doido
Esqueço o dia e a hora
E se ela disser: – Menino!
Vambora fazer menino?
Menino, eu digo: – Vambora!

O imposto do cupido
Eu pago só o varejo
Aparecendo um fiscal
Declaro dois ou três beijos
E sonego o apurado:
Chamego luxurioso
Os fósco que acende a chama
Palavreado de cama
Os apelido dengoso
Os meus saldos de balanço
Curruxiado e gracejos
E aviso a fiscaiada
– Se multar a minha amada
Tá multando meus desejos.

REFORMA ELEITORAL

Retirar as poltronas giratórias do parlamento e trocar por tamboretes.

Vá lá que o cabra não faça nada, mas ficar encostado e rodando já é demais!

ALTO NÍVEL DO DEBATE POLÍTICO NACIONÁ

Cada candidato dirige um desaforo ao adversário com direito a uma réplica de dois segundos:

- …Saiba Vossa Excelência que na minha cabeça ninguém caga.

- Pois fique sabendo que comigo a parada é dobrada, escreveu não leu o pau comeu.

- Comigo não tem pescoço, tudo é gógó.

- Comigo ninguém tira leite com espuma.

- Pois vamos emendar as camisas pra ver a tapa voar?

- Eu emendo sim as camisas, pois quando me abufelo madeira sobe de preço.

- Pois fique sabendo que eu sou uma pessoa que nunca morreu e não tem inveja de quem morre.

- E eu sou uma pessoa que nunca morreu e nem tem inveja de quem Deus já matou.

- Pois pise no meu pé e diga quantos murros quer.

- Pise no meu e veja quem se fodeu.

- Retire essa palavra do debate.

- Minha palavra é feito peido, não tem retorno; pronto.

COISAS PRA SE DIZER BENZÓ-DEUS

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

No lugar que caxete é comprimido
Tem coisa de se dizer benzó-Deus!
Da sabença de tantos Zebedeus
Ao rinchar dum jumento intumescido
Cangapé dum moleque mal-ouvido
Ou história dos que não têm história
Um Jesus bem cristoso e chei de glória
Protegendo nações de deserdados
Sanfoneiros com seus tarrabufados
Cantadores com suas trajetórias.

Sá-Zefinha ser mãe de tantos filhos
Bem dizer sendo uma zefinharia
Boiadeiro aboiando em sintonia
Com o blém-blém do chocalho que chocalha
Juremas com escoliose nas galhas
Respirando num solo ressequido
Um café bem torrado e bem fervido
Que agrada monarcas e plebeus
São coisas que se diga benzó-Deus!
No lugar que caxete é comprimido.

Benzó-Deus pra horta Chica Roxa
Verdezinha, pinicada de azulão
Pra bravura da mula em bestidão
Trabalhando sem nunca se enfarar
Benzó-Deus pra coalhada do luar
Despejando um manjar resplandecido
Pro matuto feliz e divertido
A despeito de ser tão maltratado
Cavucando uma roça no roçado
Esperando um inverno prometido.

Benzó-Deus quando o cochicho do vento
Despenteia e penteia o capinzal
Quando a loja serena de um  varal
Se alvoroça e sacode  a estamparia
Benzó-Deus pro carro-de-boi que chia
Imprimindo seu nome em chão-batido
Pro silêncio mais alto que o ruído
Feito um tempo amuado e mal-com-Deus
Benzó-Deus  pro marrom dos olhos teus
Faiscando um olhar enternecido.

MALANDRO NA ELEIÇÃO

Historinha de um pleito eleitoral – BÊ-Á-BÁ para as crianças sem partido.

Era uma vez um malandro
Que fugiu da detenção
Em tempos longes, mofados
De roubo e depravação
De malandragem finória
Daria até outra história
Não fosse a convocatória
Duma bendita eleição:

É que o malandro Moleza
Como era conhecido
Se escondeu num caminhão
Pra mode não ser detido.

E deu-se então uma fuga
De grande sabedoria
Pois tinha sido traçada
Com toda geometria:
Fugia ali de carona
Por debaixo duma lona
Por sobre a carroceria.

E já no fim da viagem
Quando o caminhão parava
Moleza foi espiar
Mais ou meno onde é que tava.

Ficou então espantado
Sem muita compreensão
Pois o caminhão parava
No meio duma multidão.

A multidão se empurrava
Com festa e reboliço
Afinal, ali chegava
O palanque do comício
De onde os home ia falar
E pra Moleza escapar
Ia ser um estrupiço.

Com pouco mais foi subindo
Aquelas arturidade
Pra mode falar pro povo
De suas capacidade.

E por debaixo da lona
O malandro observou
A tal da politicagem
Por detrás dos bastidor.
Pra sua grande surpresa
Viu esperança acesa:
A política lhe chamou:

Ouviu um homem falando
Com a voz de Senador:
– Hoje vai ser moleza
Digo a você com certeza
Já temos dez orador.

Escutou um esquerdista
E agitador sindicá:
– Nós exigimo Moleza
Pro setor industriá!

Ouviu depois uma dama
Com vozeirão de artista
Era líder feminista
E dos Direito das Mulé
Que dizia com brabeza:
– Os home só quer Moleza
Mas nós mulé também quer!!

Esse magote de gente
Usava da esperteza
Em nome da capitá
E também da redondeza.

Uns falava abaixadinho
Mas demonstravam franqueza.
De tudo não se sabia
Mas lá no fundo se via
Que só queria Moleza.

Ouvindo aquele chamado
De tamanha envergadura
Moleza viu liberdade
No lugar da captura
No mei da fuga acuada
Findava sendo lançada
A sua candidatura.

Pra mode sair bonito
No pape de orador
Moleza foi se alembrando
Do que era sabedor:

Aproveitou sua fama
De ser grande atirador
E se lançou: Pistolão
De todos os eleitor.

O cartaz era uma pistola
Sobre título eleitorá
E uma frase que dizia:
Ou você dá voto a mim
Ou então vai se lascar.

E pegou o microfone
Com a maior desenrolança
Falou de roubo, de jogo
De traficança e matança
Partiu no mei três partido
Partiu depois no comprido
Dobrou e fez uma trança.

Fez de forma democrática
Um acordo partidário
Concorda quem é medroso
Discorda quem é otário
Assim tornou-se prefeito
Seu vice não foi eleito
Pois faleceu dum disparo.

Pra começar o governo
Criou logo um estatuto
Onde o produto do roubo
E o roubo do produto
Ganhava o mesmo valor
Pois a ordem dos trator
Não altera o viaduto.

Devolveu os objeto
De quem já tinha roubado
Deu maconha e cocaína
Pro eleitor viciado
Empregou a mulherada
Dos marido que matou
Pagou o bicho roubado
De cem mil apostador
Findou cercando o currá
De apoio eleitorá
E se fez governador.

* * *

Salomão Schwartzman fala sobre Jessier Quirino na Rádio BandNews FM (7/Out/2012):

POLITICAGEM – TIRE SEU POLÍTICO DO CAMINHO – DE DOMINGO AGORA A OITO

A tal da politicagem?
É o acento circunflexo da palavrinha cocô
É feito brigar com um gambá
Pois mesmo o cabra ganhando
Sai arranhado e fedendo
É dirigir dando ré
O cabra tem três espelhos
E ainda olha pra trás
E pode prestar atenção:
Na boca do candidato é o mesmo Mané Luis
Trabalho, honestidade
Trabalho, honestidade
Por quê?
Porque o povo gosta de mentira!
Seu Manezinho Boleiro
Suplente de merda viva
Foi dar uma de sincero
Dizendo o que pretendia
Trabalhar de terça à quinta
E roubar só o normal
Teve uma queda de votação tão pra baixo
Que até hoje ainda é suplente
Taí, fila da puta!

Tire seu político do caminho
Que eu quero passar com o eleitor
Hoje, pra esses peste eu sou Chiquinho
Fí de Seu Chico aboiador
Mas amanhã sou Chico véi que não dá trégua
Assim, táqui pra tu, fí duma égua

De domingo agora a oito
É dia de eleição
É dia do pleiteante
Do fundo do coração
Perguntar: o que desejas?
A quem tem de louça um caco
De terra só tem nas unhas
E mora de inquilino
Numa casa de botão
De domingo agora a oito
É dia “arreganha-cofre”
É de ajudar os que sofrem
É dia do estende a mão
E se agarrar com farrapos
De mastigar vinte sapos
E não ter indigestão
É dia de expor na fala
Que bem conhece o riscado
Ninguém come mais insosso
Ninguém bebe mais salgado
De domingo agora a oito
Não relampeja e nem chove
É o dia que nos comove
É o grande dia “D”
Agora, o dia “fuD”
Vai ser de domingo à nove.

CONVERSA DE MANICURE

COMÍCIO DE BECO ESTREITO

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Pra se fazer um comício
Em tempo de eleição
Não carece de arrodei
Nem dinheiro muito não
Basta um F-4000
Ou qualquer mei caminhão
Entalado em beco estreito
E um bandeirado má feito
Cruzando em dez posição.

Um locutor tabacudo
De converseiro comprido
Uns alto-falante rouco
Que espalhe o alarido
Microfone com a flanela
Ou vermelha ou amarela
Conforme a cor do partido.

Uma gambiarra véia
Banguela no acender
Quatro faixa de bramante
Escrito qualquer dizer
Dois pistom e um tarol
Pode até ficar melhor
Uma torcida pra torcer.

Aí é subir pra riba
Meia dúzia de corruto
Quatro babão cinco puta
Uns oito capanga bruto
E acunhar na promessa
E a pisadinha é essa:
Três promessas por minuto.

Anunciar a chegança
Do corruto ganhador
Pedir o “V” da vitória
Dos dedos dos eleitor
E mandar que os vira-lata
Do bojo da passeata
Traga o home no andor.

Protegendo o monossílabo
De dedada e beliscão
A cavalo na cacunda
Chega o dono da eleição
Faz boca de fechecler
E nesse qué-ré-qué-qué
Vez por outra um foguetão.

Com voz de vento encanado
Com o VIVA dos babão
É só dizer que é mentira
Sua fama de ladrão
Falar do roubo dos home
Prometer o fim da fome
E tá ganha a eleição.

E terminada a campanha
Faturada a votação
Foda-se povo, pistom
Foda-se caminhão
Promessa, meta, programa…
É só mergulhar na brahma
E curtir a posição.

Sendo um cabra despachudo
De politiquice quente
Batedorzão de carteira
Vigaristão competente
É só mandar pros otário
A foto num calendário
Bem família, bem decente:

Ele, um diabo sério e honrado
Ela, uma diaba influente
Bem vestido e bem posado
Até parecendo gente
Carregando a tiracolo
Sem pose, sem protocolo
Um diabozinho inocente.

GAVETA DE BUGIGANGA

A

ABREVIAÇÃO

O cabôco beradeiro desacerta nas palavras, mas acerta nas idéias:

Sou mais Pêdo Balaieiro, com seu balaio de verbos sem nunca ser dado ler, do que o cabra estudado, aprendido e letrejado, diplomado em nunseiquê, com cabeça de minhoca, dos que abrevia pipoca parando na letra “C”.

ASSUNTO DO ANO

O assunto do ano foi o palco gigantesco que o prefeito construiu na praia; tanto que batizou com o sugestivo nome de: Assunto.

O problema: Ninguém queria tocar no Assunto.

B

BOFETE COM CIDADANIA

Hoje, não se pode dá um bofete em ninguém sem autorização judicial.

BOLE BOLE

As coisas que realmente bolem comigo são: gangorra, rede e cadeira de balanço, catabi…

C

CAUBY

Cauby Peixoto é um dos maoires Frank Sinatras do Brasil.

CHIQUÊ DE MACACO

Macaco chique só come morango. Morangotango.

D

DESIGUALDADE SOCIAL

Um morava na Rua do Meio.

O outro no meio da rua.

E

ENERGIA

Decepcionado feito quem brinca com luz de vela e PUFO! Chega energia.

ESPINGARDA

O cabra espingardeou o braço esquerdo, pegando o cano invisível, envergou o dedo num gatilho invisível na frente da venta; elevou o cotovelo direito na altura do ombro e disparou um tiro de boca: PÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Foi pena pra todo lado.

F

FIM DE ANO

Hoje em dia, novembro ta que é Dezembro puro: Marca-se tempo pra tudo… Ninguém tem tempo pra nada. Dezembro é festa acabada.

FADIGA DO FATIGADO

Estava tão fatigado que só rezava pra santo que estivesse sentado.

G

HISTÓRIA CENSURADA

História do padre tatuado na virilha que esqueceu o celular no motel e engoliu a lente de contato misturado com um Engov.

H

hossada de Dinossauro
Se tirar o agá, sai o dinossauro e ficam os ossos.

I

Iê-iê-iê da tartaruga
A tartaruga, bicho
É um bicho que mora nela, morou?
Sua cara não passa da carapaça.
Já Roberto, bicho
É um cara que mora onde a brasa mora

J

JASMIN

Era um branco esverdeado feito Quisuko de jasmin.

JOVENS

Os jovens precisam cumprir a lei de responsabilidade bimbal.

K

Kadeia com K

Só para crimes do canudinho branco

L

LAMPIÃO era calmo, mas tinha um bufete aparecendo por baixo do gibão

M

MOTE SENSURADO

Um pecado embrulhado na calcinha
Acha logo um estojo peniano.

N

NERO

…Aquela história do incêndio foi nera coincidência.

NU ARTÍSTICO é moldura e um pouco de fora. Mostrou muito é sacanegm.

O

OLIMPÍADAS DO VOVÔ

Vovô vencia catorze netos com barreira.

OFTALMOLOGISTA

Quando um cisco entra no of do oftalmologista são ofos do ofício.

P

PIPOCO

O “esse” fazia: Ssssssssssssss!!!! Se preparando pro pipoco. POU!

PORTO SEGURO

O chão é o subsolo do céu; o porão do paraíso. Um grande porto seguro, sem batida de urubu, sem pigarro de avião, sem fino de meteoro, sem foguete voador.

Q

Por que o “Q” não perde o cordão umbilical?

QUEM AMIGA AVISO É

Num vá que você se lasca.

Foi, lascou-se.

R

REFORMA ELEITORAL

Retirar as poltronas giratórias do parlamento e trocar por tamboretes.

Vá lá que o cabra não faça nada, mas ficar encostado e rodando já é demais!

OUTRA: Instituir a Sobrada Parlamentar; que consiste em arrancar uma perna do tamborete toda vez que o cabôco disser besteira na tribuna.

OUTRA: Tornar inelegível o parlamentar que não souber dizer a palavra inelegibilidade, sem ler e sem ser soprado.

OUTRA: Tornar Crime Eleitoral o uso de Photoshop pra maquiar retrato de campanha: Evitar que o cabôco mafioso, empata-foda e enchouriçado apareça Frei Bonzinho, amiguinho e encantador.

S

SAL

Tão prudente e comedido que estava ficando pálido bem dizer da cor de sal; com pouco sal.

T

TIBUNGÃO CULTURAL

Pra tibungar na cultura, pule na piscina de vinte e cinco mil livros da Biblioteca de José Mindlin. Cabôco tibungador.

TEM CADA UMA QUE DÁ DEZ

Alzira ficou alzirada com seu nome de casada:

Chamava-se Alzira Mandaí Almeida Braga. Casou-se com um peruano de sobrenome Garrafa. Tirou o “Braga” do nome e acrescentou Garrafa.

Botaram na identidade: Alzira Mandaí A. Garrafa. Aí ela pegou ar…

U

URGENTE

Vende-se um Lava-Jato a jato.

V

VENDA SUPERFATURADA

Vende-se, uma fábrica de empilhadeira de empilhar corrupção. 

VISGO DE JACA

Maria Visgo-de-jaca formou-se em esparadrapo na melhor escola de enfermagem da Califórnia. Era uma das maiores esparadrapistas dos Estados Zunidos.

Foi limpar a janela do apartamento ficou grudada na fachada… Morreu!

W

WAQUEJADA DO WAVÁ

Fatuuuuuura pião! $$$$

X

Xexenta por xento dos pernambucanos chia. Só não chia em banana. Mas, nas caxcas!!! 

Y

IPSILONE

Sem um ipsilone a mais ou a menos: prefeito andando na periferia é feito uma cadela no cio: andando e puxando a cachorrada.

Z

ZANGA

Primeira palavra de Seu Lunga:  bu-bu-danado!

A CUMEEIRA DE AROEIRA LÁ DA CASA GRANDE

QUATRO PERNAS PENDURADAS NO PREGO DA SEDUÇÃO

Botei na trouxa da mão
Um casá de aliança
Finalmentando a pidança
Do meu pedido de mão.

Se amarremo na saúde
Na doença e no viver
Botemo pra derreter
E tome sussurração.

Sussurro velorioso
Como manda o figurino
No derretês do mais fino
Falei denganças de amor:

Minha manteiguinha Turvo
Meu vidro de lambedor
Estátua de paciência
Meu alpendre ventador
Profundas das jardinagem
Mistéria das aromagem
Do perfumismo do amor.

Nós somo dois Shakespeare
Shakespearando a paixão
Com a toalha do luar
Luarando a imensidão
Duas vida emparreada
Quatro perna pendurada
No prego da sedução.

FARINHA DE AIPIM

Se o espírito não me engana
Acho que eu vi um espírito!
E era um espírito fême
De mansidão esquisito.

Dona de carícia branca
Qual farinha de aipim
E nascia e desnascia
A quatro dedo de mim.

Era um gozo de cabôca
O seu corpo era um roçado
Seu rosto um lerão viçoso
Adubadinho e manhoso
E eu era todo um arado!

Eu arava,  ela fofava
E agricultava  bonito
Me molecava nos braços
Que’u batia no infinito.

Entre o colchão e o arado
Que nem um papel carbono
De abano bem lavrado
Esse roçado espritado
Já era um poema escrito
Cujo verso mais bonito
Já tava todo orvalhado.

APEGO DE TANGEDOR

Vaqueiro que é bom vaqueiro
Cabôco trabalhador
Se apega pela boiada
Na vida de tangedor
Pulum boi, puluma vaca
Véve naquela fuzaca
Num causo grande de amor.

Com Nena de Zé de Shell
E com a vaquinha Amarela
Divide sua paixão
Chama na xinxa a donzela
Bem distante da cancela
Pra não se ver traição.

Adoece de avexo
Vendo o patrão sem amor
Negociar a boiada
Mode comprar um trator
Chora no pé da cancela
Vendo a vaquinha Amarela
Saindo pro matador.

O MATUTO E O CORONÉ

AGRURAS DA LATA D’ÁGUA

 

…E eu que fui enjeitada
Só porque era furada.
Me botaram um pau na boca,
Sabão grudaram no furo,
Me obrigaram a levar água
Muitas vezes pendurada,
Muitas vezes num jumento.

Era aquele sofrimento,
As juntas enferrujadas.
Fiquei com o fundo comido.
Quando pensei que tivesse
Minha batalha cumprido,
Um remendo me fizeram:
Tome madeira no fundo
E tome água e leva água,
E tome água e leva água.

Daí nasceu minha mágoa:
O pau da boca caía,
Os beiços não resistiam.
Me fizeram um troca-troca:
Lá vem o fundo pra boca,
Lá vai o pau para o fundo.
Que trocado mais sem graça
Na frente de todo mundo.
E tome água e leva água
E tome água e leva água.

Já quase toda enfadada,
Provei lavagem de porco,
Ai mexeram de novo:
Botaram o pau na beirada.
E assim desconchavada,
Medi areia e cimento,
Carreguei muito concreto
Molhado duro e friento,
Sofri de peitos abertos,
Levei baque dei peitada.

Me amassaram as beiradas,
Cortaram minhas entranhas.
Lá fui eu assar castanha,
Fui por fim escancarada.
Servi de cocho de porco
Servi também de latada.

Se a coisa não complica,
Talvez eu seja uma bica
Pela próxima invernada.
E inverno é chuva, é água,
E eu encherei outras latas
Cumprindo minha jornada.

CONTRA CACHIMBO DA PAZ

De morreres de amores tu fingiste
Meu juízo pacífico alopraste
Meu castelo de sonhos tu ruíste
Meu chuvisco sereno  trovoaste
Meus colchetes do peito tu abriste
E os passeios venosos, pressionaste
Se os meus doze por oito tu subiste
Minhas fibras cardíacas enfartaste.

O sofrer de minh`alma tu poliste
Contra teu próprio sangue guerreaste
Baionetas e adagas preferiste
Meu cachimbo da paz tu apagaste.

Nossos trilhos dormentes dividiste
Nossas camas sedosas encrespaste
Nossos vinhos e jantas consumiste
Teus caninos rangentes palitaste
Quietude e sossego sacudiste
No motim que tu mesma deflagraste
Uma estátua de ódio esculpiste
Na avenida, que, sem pudor, barraste.

A TABA DA SARVAÇÃO

Meu cumpade, o que eu escuto
Derna de pequininim
É que o Brasil brasileiro
Pra sair dos atoleiro
Tá faltando tanto assim.

Tá faltando tanto assim
E nós tudo se afogando
Os doutor de vez em quando
Corruto, dos bigodão
Corre pra televisão
Beija os pobre, dá risada
E anuncia a chegada
Da Taba da Sarvação.

E grita os povo na rua:
– Foi o fim dos militar!
Já podemo festejar
O fim da submissão!!!

É bandeira dos partido
Correndo de mão em mão:
– Bem que aquele home disse
Que a gente se assubisse
Na Taba da Sarvação!

Com pouco mais tá de novo
O povo desmiolado
Satisfeito isprivitado
Folgado nas alegria:

– Foi um tá de Anistia
Que sortou-se da prisão!
Vi dizer que o home é quente
E agora chegou pra gente
A Taba da Sarvação!!!

Mas nem demora de novo
Os povo torna a gritar
Um tá de “Direta Já”
E “Agora o Brasil Mudou”
“Já temo os Doutor
Nos destino da nação!
Vamo acabar com as greve
Que agora é Tancredo Neve
A Taba da Sarvação!”

Os povo batero in riba
Correram atrás dos bombeiro
Fizeram um tá choradeiro
Pra mode ver um caixão
Eu não sei pro que razão
Depois de tanto mistério
Levaram pro cemitério
A Taba da Sarvação.

Mas pelas força de Ulysses
Teve a Constituição
E a Taba da Sarvação
Voltava em forma de Lei.

Não sei pra que tanta Lei
Mas os povo acreditaram
Que aqueles papé letrado
Dava toda solução.
E dizia: “Meu cumpade,
Esses papé, na verdade,
É a Taba da Sarvação!”

Pra resumir a questão
Foram vindo os presidente
E os povo besta e contente
Confiaram nos gangão
Se não tivesse os dedão
Dos vivaldino de sempre
Nós até seria crente
Na Taba das Sarvação.

Agora mando um recado
Pros dotorzão federá
Arranjar outras mentira
Pra mode nos enganar
Pois as lorotas de sempre
Tamo canso de escutar:

–Vamo acabar cu`s bandido
Vamo acabar cu`s babão
Vamo acudir as escola
Reformar as eleição
Menos abocanhamento
Menos ônibus ferrugento
Mais trabalho pros cristão…

Fim das esculhambação!
Credo-cruz, Ave-Maria!!
Isso quase todo dia
Enche o saco, meu patrão
Já que a gente não tem vez
Empurre no de vocês
A Taba da Sarvação.

CONVERSADOR DE POTOCA

Biuzinha de Pêdo Crôa
É titulada em quenguice
O cumpade Zé Migué:
Punheteiro de alugué
Derna da Meninice.

Disnurtiando o assunto
Quiroca minha patroa
Ta com a língua maior
Do que rabo de pavoa:

Espalhou que Meia-foda
Era um cabra exigente
E que morreu de repente
De morte do coração.

Exigente ele não era.
E preste bem atenção:
Ele morreu de avexo
C`a braguilha dando um fecho
Bem nos couro dos cunhão.

E só queria magrinha
Mesmo que fosse carnuda.

Dos peito pequinininho
Mesmo que fosse peituda.

Da barriguinha celada
Mesmo que fosse buchuda.

Que a pele fosse macia
Mesmo que fosse cascuda.

Que fosse bem peladinha
Mesmo sendo cabeluda.

Mas fosse uma Virgem Santa
Ou mesmo um Deus noz acuda.

MEUS PECADOS PREDILETOS

A letra é minha e a música é do meu filho Vítor Quirino.

Com a participação especial do cumpade Xangai.

Está no livro Berro Novo, Editora Bagaço.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

xangai1

RASGA RABO

Trupizupe oia tu num me assusta
com a fama da tua valentia
porque esta macheza é freguesia
e até nem me parece tão robusta
uma boa palmada não me custa
pois no fundo eu te acho delicado
se tu és um valente escolado
eu quebrei no cacete a tua escola
o teu mestre saiu de padiola
e teu supervisor invertebrado.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

No jardim de infância eu fui valente
e o nome da escola era bufete
no primário estudei no canivete
no ginásio no bote de serpente
como eu era um aluno inteligente
logo cedo já tinha me formado
Lampião tinha sido reprovado
por froxura e por falta de frieza
hoje, pós-graduado em malvadeza,
vendo pena de morte no mercado.

Eu sou topada de unha encravada
Sou gilete no mei do tobogã
Sou o flagra da foda no divã
Sou feiúra dum talho de inchada
Sou um choque no furo da tomada
Sou ferrugem na agulha de injeção
Sou judeu se vingando de alemão
Cata-vento voando num comício
Sou a falta de droga num hospício
Queimadura de larva de vulcão.

Clique aqui e leia este artigo completo »

COMO RAPAR UM CALDEIRÃO DE CANJICA NO DESMANCHADO DA TARDE DE UM 23 DE SÃO JOÃO

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 13 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

PREVISÃO DOS TEMPOS

A difusora – pau do fuxico – já se preparava pra espalhar o boato meteorológico da semana: “Tempo de muito pasto e pouco rasto. Domingo, dia 20, chuvinha esfarofada na região… Segunda, 21 de fevereiro, cerração-chuvosa e chuva virada na mulésta, acompanhada de relâmpago, ventania de entronxar prego, pipoco de trovão e o diabo a quatro em forma de tempestade…” O presidente da Câmara protestou:

- Logo segunda-feira que é a convenção do partido! Vou falar com o prefeito pra mandar botar sol nessa porcaria de previsão.

A matutada assuntava e palestrava em roda de calçada: “Tem chovido uns caroço d`água pros lado de Cumpade Jerome e sube que caiu uma liblina pra cumpade Dedé. Aqui, se preparou, escureceu, peidou, peidou, peidou, no final puffft!”

“Ehh… Mas eu sube que pescaram umas curimatã, ovadas dos dois lados da barriga; pegaram uma feme de tatu com quatro tatuzinho; eu vi uns aruá da serra  se trepando em mato alto; e hoje, bem cedo, vi um bode espirrando, uma acauã cantando e o gado dando os quarto pro nascente. Hoje, com certeza vai ter uma chuvona de inverneira.”

Segunda 21, Itabaiana amanheceu de espinhela caída, enfadada que só conversa de crente novo, e os ambulantes cozinhando seus milhos aleijados filho do chuvisco. O rio, apesar da água, mais parecia um bocejo entre dois cochilos.

De meio-dia pra tarde, meu cumpade!… O tempo foi ficando amuado feito um esquerdista no palanque e mais estranho do que o silêncio repentino das mulheres: Uma galinha comeu uma raposa, uma lebre matou um caçador, o prefeito teve um surto de honestidade, e, no umbigo da tarde, começou uma reviravolta de tempo meio esquisita. O vento parou, as folhas viraram pedras. Tome nuvem de chuva que mais parecia um cardume de poeira de carvão. Estas bichonas vieram pro lado da Rainha do Vale com um jeitão assombroso.  A parte de cima era alva feito vela de igreja. No meio, era roxa feito vela de enfeite e a parte de baixo era pretona  feito vela de macumba. Como se não bastasse, vinha acelerada feito galinha choca atrás de gato novo e soltando relâmpago fazedor de clarão causando sobrosso em mulher, menino, gato e cachorro. A molestada do tamanho duma fofoca grande parou sobre Itabaiana e soltou um toró de trás pra frente, feito mijada de bicho macho.

Foi girafa pedindo socorro, cururu pedindo boia, foi esgoto engoiando lixo…  A placa da prefeitura passou zunindo com destino à capital, que parecia papel celofane. Era chuva de pingo grosso feito cabo de formão e temperada com vento, trovão e relâmpago, dando chapoletada no espinhaço da cidade. As árvores, coitadas, balançavam mais do que cardan de mulher dama. Um trovão aparentado a um coice de dinossauro bateu no cucuruto do Banco do Brasil que foi funcionário escorregando na frouxura dum jeito, que passou dez dias emprestando dinheiro a xexeiro do PMDB.

Um matuto me disse: “Eu juro pelos bruguelo que nunca tive, que nunca vi uma chuva  amolestada como essa aqui em Itabaiana”. Foi água trazendo festa, pro resto da semana, e os políticos derrotados com o fim da seca em véspera de eleição, articulavam derrotar São Pedro, prometendo chuva de bacorim e toicim barato para cinco anos. Tomara!

COCO DO PÉ DE MANGA

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 15 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

Com a participação especial de Maciel Melo.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

PRU-QUI-PRU-LI, PRU CULÁ

Pru-qui-pru-li,  pru culá
Se via Zé  e Ditinha
Pru-qui-pru-li,  pru culá
Dando sombra  no luar
Tava o cumpade Chepinha.

E Zé foi bigodeado
Eu lhe digo seu doutor
A noiva que ele tinha
O Chepinha carregou
Na alfândega dos chamego
Paraibidade falsa
Disfarçada em pó de arroz
Foi-se embora e não voltou.

Num deserto de afeto
Zé sofria no varejo
Enchendo tonel sem fundo
Chorando a falta dum beijo.

Eu disse a ele: – cumpade!
Não se murche tanto assim!
És um pneu infurave
Pra toda rodagem ruim!
Eu quero te ver rodando…
Isso existe derna quando
King-Kong era sagüim…

…És um cara afuturado
Não vai te faltar amor
Tu sois forte e extremido
Engole esse comprimido
Que cura seja o que for!
E ele de voz pequena
Disse a minha Cibalena
– “Não quero tu nessa dor”…

“…Não existe um só remédio
Pra tapar minha ferida
Pru-qui-pru-li,  pru culá
Se danem a procurar
A minha amada querida
Vê se salva a honra dela
Pois mode eu morrer por ele
Só falta eu perder a vida.”

Pru-qui-pru-li,  pru culá
Revistemo pau-de-arara
Quarto, sala e camarinha
Surremo macho na cara
Prendemo pau perigoso
Porque buraco ocioso
Fareja ponta de vara.

Num areal sombreado
Junto dum pé de juá
Achemo um rasto esquisito
Pro-qui; pro-li;  pro-culá!

Da conclusão que tiremo
Do cumpade eu tive dó
Pru-qui-pru-li,  pro culá
Arrodeando o falar
Eu pigarrei o gogó…

E disse: – Cumpade velho!
Se prepare pro pior:
O Rasto que voz tá vendo
Digital não tem melhor:
São duas marcas de joelho
A bunda dum mulheraço
Um rego de espinhaço
E uma marca de cocó.

MANÉ CABELIM LTDA.

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 14 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS ESQUERDOS HUMANOS

 ATENDENDO AO CHAMADO DE BENEDETTI

“…no sería hora, de que
iniciáramos una amplia
campaña internacional por
los izquierdos humanos?”

Mario Benedetti –  Poeta e escritor uruguaio

O cabôco pode ter todo defeito do mundo:
Ser assoprador de velas antes do parabéns
Aborteiro do amor
Cacundeiro de político
Pode ser desmancha-samba
Dizedor de palavrão.

Pode ter vício, desvio:
Ser tomador de cachaça
Putanheiro, maconheiro
Vivaldino, fanfarrão.

Ter tido uma desventura: Ser corno dum mulherão.

E também ser diferente: um domador de serpente
Mais pra lá do que pra cá, peneirinha, chibateiro.

Apoucado de tamanho:
Metade de Nelson Ned
Ou mesmo um caga-baixinho.

Mulher pode ser:
Megera, concordante, oferecida
Moita-crespa ao deus-dará
Ser tabaco-militar, das que só pega soldado.

O cabôco ser machista, moralista, de direita…
Não interessa:

Têm todo o esquerdo do mundo
De ser tratado dentro do vão dos direitos.
Pois o lado direito de quem olha
É o lado perfeito e benfazejo
Do esquerdo e sensível coração.

ENXERIDA NO CONTEXTO

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 12 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

* * *

Interpretação de Túlio Borges

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

PANO DO LEITE

Não-sei-o-que-é-que-eu-tenho
Pra gostar tanto de leite
Minto!
Eu sei:
É a cor; é o cheiro; é o sabor.

Minha mãe já me dizia:

“- Sente aí um bocadinho,
Que eu vou esfriar o leite…”

Tudo com leite é deleite.

Desde quando vinha vindo
Da madrugada pro dia
Com seu anúncio leitoso
Na voz do entregador:
Óh o leite!!!!

E o branco-branco em cascata
Derramava-se em natura
Do pescoção da botija
Pro caneco medidor.

Do caneco pra panela
E por fim pra caçarola
Decantando a fazendola
No fino pano do leite.

Bem que a gente deveria
Postar em boa moldura
O algodãozinho asseado
Desse pano coador
E preservar nessa tela
Os ciscos da vacaria
Digitais do dia-a-dia
Marquinhas de interior.

HISTÓRIA PRA DOIS DORMIR

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 11 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

O BODEGUEIRO E O BÊBO

Tá lá o bodegueiro limpando o balcão da venda e chega o bêbo:

- Bota uma lapada de cana aí!

- Aqui não tem cachaça não.

- Oxen! Não tem cachaça?! Mas devia ter!

- Mas não tem.

- Mas devia ter, por que toda bodega tem cachaça!

- Mas aqui não tem, ora!!!!

- Pois fique com sua porqueira de bodega que eu vou-me embora.

- Vá com Deus, com Nossa Senhora e com a puta que o pariu!!!!!

SOU FÃ DO BILHETISMO DO AMOR

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 10 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

BAIXE AS ARMAS, COMEDOR

Oh morena, oh moreninha
Deixa de morenação
Larga dessas invenção
De nós dois sozim ficar
Mode evitar confusão
Larga dessas invenção
Pense da zabumbação
E se teu pai desconfiar?

E vai que tu pega enxaqueca
E vai que eu sou bom de curar
E vai que tu arrisca um verbo
E vai que eu saiba verbiar
Vai que eu vire flecha doida
E vai que tu quer se flechar
Vai que tu seja espoleta
E vai que eu seja um malagueta

Feito goela de dragão

E vai que tu vem toda bela
De laço e fita amarela
Vai que tu se passarela
Vai que eu seja o rés do chão
Vai que tu arriba a saia
Vai que eu veja o essenciá
Vai que tu pede embreagem
Vai que eu saiba debrear

Vai que tu venta pro norte
Vai que sou todim jangada
Vai que eu seja um taboleiro
E vai que eu seja cocada
Vai que tu se enrouxinó-las
Vai que eu seja passarinho
Vai que eu saia da gaiola
Vai que amostre o ninho

E vai que tu sois moça anja
Vai que eu seja um pecador
Vai que tu sois gozo eterno
Vai que eu sou rojão do amor
Vai que teu ?ui ui, meu bem?
Acorde o véi roncador
Vai que esse véi grite brabo
Com o revolver no meu rabo:

- Baixe as arma, comedor!

LEI SECA NO SERTÃO

Na última sexta feira, 21 de março, Itabaiana quente feito caminho de camelo, botei este Quirino no rumo do sertão da Paraíba. Fui, de poesia em punho, fazer um espetáculo pra Fundação Ernani Sátyro na cidade de Patos (que estava comemorando chuva) e voltei à noite. Na ida, passando por São José da Mata, distrito de Campina Grande, vi o mundão de uma vaquejada, dessas que o cabra só derruba o boi de Minas Gerais pra baixo. Mesmo sendo véspera da corrida, tinha vaqueiro solto e cachaça comendo no centro.

Na viagem de volta, às 23:30, próximo a Juazeirinho (atento aos carros dando sinal de luz), cruzamos com uma blitz da Lei Seca armada no pátio de um posto de gasolina, pegando, à laço, os bebinhos motorizados voltando da vaquejada.

A blitz, particularíssima, tinha o seguinte aspecto:

- Mil e quinhentos matutos assistindo a operação
– Cinco viaturas da polícia rodoviária
– Três ambulâncias do SAMU
– Duas vans a paisana
– Um estacionamento de cavalo
– E um cardume de motocicleta (com vaqueiro e sem vaqueiro).

Na periferia da blitz (na logística do ataque), menino vendendo: amendoim, castanha, rolete de cana, rede, DVD pirata, refrigerante, pipoca, carregador de celular, baldes de imbu e jabuticaba, uma barraca de carne guisada e um borracheiro trabalhando.

No acostamento: uma fila indiana de gente no rumo da operação, uma fila americana de carro no sentido do sertão, um rebanho de bicicleta e um ônibus apitombado de gente.

No mais, meu cumpade, era luar de serenata e gente sendo multada.

COMO RETRATAR A BONDADE DE UM JUMENTO

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 8 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

AVE-MARIA DAS MANGUEIRAS

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 7 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

* * *

Canta Marcela Quirino, filha do colunista Jessier

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

UM CD ASSINADO AO PORTADOR

Vez por outra, de braço bem estendido e aperto de mão bem dado, eu recebo pessoas aqui em casa em formato de: turista, aluno, professor, dizedor de recado, entregador de encomenda, fã, repórter, cumpade e tudo mais.

Agora em janeiro chegou um rapaz passando com destino a Crateús no Ceará. Entrou em Itabaiana, segundo ele, incumbido de comprar um livro que faltava na coleção de Seu Luiz de Deus – freguês de caderneta e declamador de Jessier Quirino naquelas bandas do Ceará que fica na divisa com o Piauí.

Conversamos um pouco e fui pegar o material. Quando voltei, ele foi logo perguntando:

- Ô Doutor, o senhor se incomoda de falar com Seu Luiz de Deus aqui pelo celular?

Eu disse “claro que não meu cumpade”. Ele apertou os pitocos do telefone, esperou um pouquinho (de atenção bem prestada) e disse:

- Seu Luiz! Sou eu! Olhe, eu já cheguei em Itabaiana, agora, fale aqui com o proprietário da poesia.

Pelo rótulo de “proprietário da poesia” me abri feito romã no mormaço, falei um dedal de prosa com Seu Luiz e entreguei, de presente, um CD novinho e assinado ao portador.

TEMPO DA PEDRA LASCADA

Que a verdade seja brita:

Há de haver um dia
Que ninguém lasque mais pedra
No quengo de seu ninguém.

E o homem há de ter bondade
E há de almoçar beiju
E há de dizer rasgado:
Yabadabadu!!!

I LOVE YOU MATUTADO

PAPEL DE BODEGA

Faixa 5 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

* * *

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Meu cumpade, eu não lhe conto
O que foi que deu in nêu
Quando vi, da vez primeira
A fia do Arinêu
A cabôca mais bonita
Uma virgenzinha escrita
Que pra mim apareceu.

Foi me dando uma gastura
Me faltou suspiração
Fiquei todo escabriado
Sulerou o coração.

No juízo, um friviôco
Nos estrombo, um brubuim
Fui ficando avermelhado
Foi me dando um farnizim
Que eu lhe digo, meu cumpade
Se foi coisa dos amor
Perante Nosso Senhor
Os amor bateu em mim.

Tou agora apaixonado
Tá sem ela é um castigo
Dou de garra com o trabalho
Mas trabalhar não consigo.

Tou dengoso e alesado
Só pensando nos amar.
Ontem mesmo eu chiqueirando
As novilha no currá
Com pouco mais eu me vejo
Quase, quase dando um beijo
Nos beiço do boi fubá.

Vou me desfolhar pra ela
Vou dizer como é que eu tou
Que nem filme de novela
Vou cantar música de amor.

Vou fazer uma cantiga
Amostrando o que ela fez
Que amor é feito bexiga
Só dá na gente uma vez
Já que eu sou mei aprendiz
Me diga como se diz:
I love you em inglês.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa