SOU FÃ DO BILHETISMO DO AMOR

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 10 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

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BAIXE AS ARMAS, COMEDOR

Oh morena, oh moreninha
Deixa de morenação
Larga dessas invenção
De nós dois sozim ficar
Mode evitar confusão
Larga dessas invenção
Pense da zabumbação
E se teu pai desconfiar?

E vai que tu pega enxaqueca
E vai que eu sou bom de curar
E vai que tu arrisca um verbo
E vai que eu saiba verbiar
Vai que eu vire flecha doida
E vai que tu quer se flechar
Vai que tu seja espoleta
E vai que eu seja um malagueta

Feito goela de dragão

E vai que tu vem toda bela
De laço e fita amarela
Vai que tu se passarela
Vai que eu seja o rés do chão
Vai que tu arriba a saia
Vai que eu veja o essenciá
Vai que tu pede embreagem
Vai que eu saiba debrear

Vai que tu venta pro norte
Vai que sou todim jangada
Vai que eu seja um taboleiro
E vai que eu seja cocada
Vai que tu se enrouxinó-las
Vai que eu seja passarinho
Vai que eu saia da gaiola
Vai que amostre o ninho

E vai que tu sois moça anja
Vai que eu seja um pecador
Vai que tu sois gozo eterno
Vai que eu sou rojão do amor
Vai que teu ?ui ui, meu bem?
Acorde o véi roncador
Vai que esse véi grite brabo
Com o revolver no meu rabo:

- Baixe as arma, comedor!

LEI SECA NO SERTÃO

Na última sexta feira, 21 de março, Itabaiana quente feito caminho de camelo, botei este Quirino no rumo do sertão da Paraíba. Fui, de poesia em punho, fazer um espetáculo pra Fundação Ernani Sátyro na cidade de Patos (que estava comemorando chuva) e voltei à noite. Na ida, passando por São José da Mata, distrito de Campina Grande, vi o mundão de uma vaquejada, dessas que o cabra só derruba o boi de Minas Gerais pra baixo. Mesmo sendo véspera da corrida, tinha vaqueiro solto e cachaça comendo no centro.

Na viagem de volta, às 23:30, próximo a Juazeirinho (atento aos carros dando sinal de luz), cruzamos com uma blitz da Lei Seca armada no pátio de um posto de gasolina, pegando, à laço, os bebinhos motorizados voltando da vaquejada.

A blitz, particularíssima, tinha o seguinte aspecto:

- Mil e quinhentos matutos assistindo a operação
– Cinco viaturas da polícia rodoviária
– Três ambulâncias do SAMU
– Duas vans a paisana
– Um estacionamento de cavalo
– E um cardume de motocicleta (com vaqueiro e sem vaqueiro).

Na periferia da blitz (na logística do ataque), menino vendendo: amendoim, castanha, rolete de cana, rede, DVD pirata, refrigerante, pipoca, carregador de celular, baldes de imbu e jabuticaba, uma barraca de carne guisada e um borracheiro trabalhando.

No acostamento: uma fila indiana de gente no rumo da operação, uma fila americana de carro no sentido do sertão, um rebanho de bicicleta e um ônibus apitombado de gente.

No mais, meu cumpade, era luar de serenata e gente sendo multada.

COMO RETRATAR A BONDADE DE UM JUMENTO

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 8 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

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AVE-MARIA DAS MANGUEIRAS

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 7 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

* * *

Canta Marcela Quirino, filha do colunista Jessier

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UM CD ASSINADO AO PORTADOR

Vez por outra, de braço bem estendido e aperto de mão bem dado, eu recebo pessoas aqui em casa em formato de: turista, aluno, professor, dizedor de recado, entregador de encomenda, fã, repórter, cumpade e tudo mais.

Agora em janeiro chegou um rapaz passando com destino a Crateús no Ceará. Entrou em Itabaiana, segundo ele, incumbido de comprar um livro que faltava na coleção de Seu Luiz de Deus – freguês de caderneta e declamador de Jessier Quirino naquelas bandas do Ceará que fica na divisa com o Piauí.

Conversamos um pouco e fui pegar o material. Quando voltei, ele foi logo perguntando:

- Ô Doutor, o senhor se incomoda de falar com Seu Luiz de Deus aqui pelo celular?

Eu disse “claro que não meu cumpade”. Ele apertou os pitocos do telefone, esperou um pouquinho (de atenção bem prestada) e disse:

- Seu Luiz! Sou eu! Olhe, eu já cheguei em Itabaiana, agora, fale aqui com o proprietário da poesia.

Pelo rótulo de “proprietário da poesia” me abri feito romã no mormaço, falei um dedal de prosa com Seu Luiz e entreguei, de presente, um CD novinho e assinado ao portador.

TEMPO DA PEDRA LASCADA

Que a verdade seja brita:

Há de haver um dia
Que ninguém lasque mais pedra
No quengo de seu ninguém.

E o homem há de ter bondade
E há de almoçar beiju
E há de dizer rasgado:
Yabadabadu!!!

I LOVE YOU MATUTADO

PAPEL DE BODEGA

Faixa 5 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

* * *

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Meu cumpade, eu não lhe conto
O que foi que deu in nêu
Quando vi, da vez primeira
A fia do Arinêu
A cabôca mais bonita
Uma virgenzinha escrita
Que pra mim apareceu.

Foi me dando uma gastura
Me faltou suspiração
Fiquei todo escabriado
Sulerou o coração.

No juízo, um friviôco
Nos estrombo, um brubuim
Fui ficando avermelhado
Foi me dando um farnizim
Que eu lhe digo, meu cumpade
Se foi coisa dos amor
Perante Nosso Senhor
Os amor bateu em mim.

Tou agora apaixonado
Tá sem ela é um castigo
Dou de garra com o trabalho
Mas trabalhar não consigo.

Tou dengoso e alesado
Só pensando nos amar.
Ontem mesmo eu chiqueirando
As novilha no currá
Com pouco mais eu me vejo
Quase, quase dando um beijo
Nos beiço do boi fubá.

Vou me desfolhar pra ela
Vou dizer como é que eu tou
Que nem filme de novela
Vou cantar música de amor.

Vou fazer uma cantiga
Amostrando o que ela fez
Que amor é feito bexiga
Só dá na gente uma vez
Já que eu sou mei aprendiz
Me diga como se diz:
I love you em inglês.

FOTO DO QUIPROCÓ DE ASSENOITE

Um dos maiores cus de boi já registrados pela imprensa

Na parte de cima, aparece João desaparecendo em bufete e um cano de espingarda cuspindo grilo de ferro: Pá, pá, pá!

Dona Bia, dona do forró, feito galinha assustada, pipoca, repipoca e cambaleia, e se acocora no chão vasculhando por razão sem entender a razão.

Seu Biu-garçom leva um cascudo de punho fechado feito mão de pirangueiro, que fica sete minutos sentindo-se um autêntico Sub-Biu.

No palco, um músico tocando “fuga-de-uma nota-só” e o pobre do zabumbeiro de beiço inflado a tabefe, acudido por uma bisnaga de iodo e um pacote de algodão.

Um casal apaixonado (da fina flor do cangaço) despetalando um cinto de bala:

Malfeitor, benfeitor

Malfeitor, benfeitor.

Um bebê de aparência feroz mastigando um talo de urtiga, sentindo o primeiro ódio do mundo.

O surdo-mudo, jazigo de palavras, gritando: – Vala-me Padre Piu de Penicilina!

E, do lado de fora, o padre e a multidão a sós…

O padre de fone no ouvido rezando:

- Glorioso Santo Antônio, fazei com que São Pedro atenda esse celular…

A beata: – Calma, meus pessuá! Chega de tanta bala! O relâmpago também é tiro de Deus.

Napoleão, de raiva e arrancação, arranca um coqueiro com uma mão e dá uma coqueirada no jipe da polícia que só escapa mesmo capota porque é de nylon puro.

Na rua, a torcida desorganizada

A aplaudir o napolimento de Napoleão:

Bota o Napoleão na cacunda

E o bandido sai se rindo

Cacundido pelo povo.

PAPEL DE BODEGA

PAPEL DE BODEGA

Faixa 6 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

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Papel de bodega do pé da balança
De cores tão cinza, tão verde e encarnado
Que fica do lado do papel de seda
Que até a manteiga embrulhava em retalhos.

Papel, eu te quero nos supermercados
Nas lojas de grife, em tudo afinal
Prefiro esse embrulho que a moda rejeita
Dizendo tratar-se de um embrulho banal.

Papel encorpado de açougues e frios
Melhores que os plásticos que vivem a voar
São plásticos da noite que sobram nas ruas
Que entopem bueiros e afogam o lugar.

Papel de bodega, tu não avalias
Tamanha alegria trarias porque
Aceito o teu jeito faceiro e fecundo
E aqui nesse mundo faz falta você.

MOVIMENTO DOS SEM-PÉ-NEM-CABEÇA

Eu sou do time dos sem mala e sem malemolência
Sem aparência aprisionada filha do botox
Sem prato inox, sem finesse e sem BMW
Sem um alfarrábio num caderno pra tirar xerox.

Sou Movimento dos Sem-Pé do pé 47
Sou canivete sem a lâmina que perdeu o cabo
Quase me acabo pra matar o mosquetão dum cano
E entrei no cano justamente pra fugir de um cabo.

De cabo a rabo estou no muro dessa honoris causa
Com a menopausa menstruada da rapaziada
Cravei zoada na memória de um pensamento
E o Movimento Sem Cabeça deu com o Pé na estrada.

Puxei a trança avermelhada de um sansão careca
Com a terereca da firmeza dessa nossa luta
Filhos da puta! Supliquei de voz aveludada
Pois sem veludo na cabeça um pé não se disputa.

E a caravana dos Sem-Pés seguiu de espora avante
Causa gigante dos anões dos fundos everestes
Marrom-celeste é o dolorido de nossa bandeira
A verdadeira bananeira que esse Adão me veste.

Se eu for eleito inelegível, serei coroado
Com os pés rachados pelas plumas dessa nossa sina
E a purpurina gente fina feito um baobá
Tibungará na vermelhura desse azul-piscina.

CURRICULUM VIXE!

PAPEL DE BODEGA

Faixa 4 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

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* * *

SEVERINO ABUFELADO

Curriculum Vixe!

Sempre fui um manteiga derretida (fervilhando)
Um cabôco estabanado
Cascavélico, parrudo, malino e espalha-brasas.

Já fui:
Hércules de feira
Afrouxador de porca de Mercedes
Fui domador de onça
Carregador de piano
Trocador de alvo em estande de tiro (45 e bazuca)
Flanelinha de estacionamento de crocodilo
Degustador oficial da cachaça Lasca-tudo (daquela do rótulo azul)
Pretendente de guerra do lado de dentro
Lançador de rojão e marcador de quadrilha do São João de Bagdá
Nunca aprendi a voar, mas tenho um primo chamado Falcão.

Durante o capim da infância, comi pólvora com maisena
Purezinho de tutano com pó de osso e rapadura
Raspa de chaminé de navio e prega de cu de búfalo.

Já pintei muito sete em fama de delegado
Já acertei três tiros (pé de pinto) em alvo de vinte metros
Assisti muito filme de Maciste mastigando quebra-queixo
Fui arrancador de mourão e esmagador de quase-tudo.

Atualmente, por força da idade, ando domesticado:

Sou presidente da Academia Amolestada de Letras
E reco-requista festivo de zoológico:

Alegro as criancinhas arrastando uma vareta na jaulinha dos leões.

SONHOS DE UMA CIDADEZINHA MAIS OU MENOS

PAPEL DE BODEGA

Faixa 3 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

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OBRA INACABADA DE UMA COLHER DE PEDREIRO

PAPEL DE BODEGA

Faixa 2 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

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CARROSSEL NA CHUVA

PAPEL DE BODEGA

Faixa 1 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

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BEM DIZER, ELA CANTOU

Cantou ou não cantou?

Da altura de um bocal
De atarraxar lua cheia
Era a paixão que eu sentia
Por Hermegilda Candeia.

Uma das tais Hermegildas
Que fez meu peito emergir…
Patativinha de igreja
Dessas que a voz estreleja
As noites do Cariri.

Tinha o cabelo comprido
Feito o vestido de Eva
Tinha a pele cor de unha
Antes de o esmalte iludir
Pra mode ser uma princesa
Stephanie ou Diana
Só lhe faltava a alfândega
Carimbar que era dali.

Eu, franciscano em dinheiro
Gravetozinho na vida
Já me sentindo garapa
Não me afoitava dizer-lhe
De fala, tantinho assim…

Criei braveza e audácia
Desembainhei toda a alma
Fechei os olhos e os pulsos
E disse pre`la me ouvir:
– Gildinha, canta pra mim !!!???

Ela disse:
– NÃO!! Pra não te pôr mau-olhado
E nem cair em pecado!

Bem dizer, ela cantou
Cantou ou não cantou?????

BANDEIRA NORDESTINA

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capa12

A bandeira nordestina
É uma planta iluminada
É qualquer raiz plantada
Mostrando o caule maduro

É quando o sol varre o escuro
Com luz e sombra no chão
É quando germina o grão
É quando esbarra o machado
É quando o tronco hasteado
É sombra pra o polegar
É sombra pro fura-bolo
É sombra pro seu-vizinho
É sombra para o mindinho
É sombra prum passarinho
É sombra prum meninote
É sombra prum rapazote
É sombra prum cidadão
É sombra para um terreiro
É sombra pro povo inteiro
Do litoral ao sertão.

Essa bandeira que eu falo
Tem cores de poesia
Tem verde-folha-voada
Amarelo jaca-aberta…

Em tudo que é vegetal
Tem bandeira desfraldada
No duro da baraúna
No forte da aroeira
No panejar buliçoso
Das frondosas bananeiras
Nas bandeirolas dos coentros
E na marca sertaneja:

O rijo e forte umbuzeiro.

CREDO E CRUZ DO SENADOR

Creio na teia da lei
Que prende as moscas faltosas
E se rompe melindrosa
Com o besouro roubador.

Assim pensava o doutor
Em ser intrancafiável
Como qualquer senador.
Trancou-se na coerência
Fez um discurso e morreu.

Politicamente morreu

Desceu, bem fundo aos infernos,
Ressuscitou ao terceiro dia
Subiu aos céus
Tentou falar com Deus Pai todo-poderoso
E vive pra lá e pra cá
Roubando os vivos e os mortos.

BOI DE FOGO NO VELÓRIO DO CANEIRO

Andava calmo o velório, do cumpade Caboré, uns rezavam outros choravam, outros tomavam café, outros se riam baixinho, sem muito qüé-ré-qüé-qüé, e num caixão enfeitado, o Caboré espichado olhando o dedão do pé.

A única coisa que perturbava, era um casal de mosca amorudo, que teimava em sentar praça no buraco da venta do falecido, numa fodança esvoejante, como se ali fosse um motel de zero estrela.

A viúva Michela de Zé Tambor – uma gordalhuda bonitota – soprava e abanava com um lenço, e as moscas nem… Voavam uma coisinha e voltavam a chamegar. As beatas rezadeiras, rezavam e abanavam com as mãos, e o casal de mosca ali na maior priapada de gozo, voando, pousando e chamegando.

Os veloristas ficaram meio constrangidos, assistindo aos voejos circulares, e a sodomia moscal, na venta defuntica do cumpade Caboré, que apesar de morto não era lá essas coisas todas: Em vida, nunca deu um prego numa barra de sabão, e era o maior conhecedor das bundas vadias da região. Brincalhista de plantão e cachacista, só tomava dois tipos de bebida: nacional e importada, se esta última passasse engarrafada em sua frente.

Como se não bastasse, vivia metido em fodistério ilegal, com tamanqueiras de baixa cotação, e também nunca enjeitou um brecha nos peitos de mulher mamalhuda, mesmo que fosse em velório lamentoso e bem chorado. Por isso, aquela se-mostrança do casal de mosca não era motivo pra tanta melindrez por parte dos veloristas.

Num dado momento, a viúva disse: “– Basta!” Foi lá dentro, armou-se de uma bomba de Detefon, e bradou um grito de guerra:

- Garanto que vai ser hoje
Que o defunto se sacode
Mas este casá de mosca
Na venta dele não fode!!!!

E tome fu… fu… fu… de arma química. Detefonou a cara do falecido que ameaçou espirrar, mas foi impedido pelo lenço vermelho do Bispo Dom Ricardo, que temia mais uma invencionice de beata com esses casos de milagre bem milagrado. O bispo já não agüentava os santos de carne que elas inventavam, quanto mais um possível São Detefon ou Santa Michela de Zé Tambor que fez o defunto espirrar.

Diante da arma química, o casal de mosca pensou que a terceira guerra havia começado e caiu num óbito de torar.

Uma velorista rezadeira e choradeira, que estava num ora-pro-nobis concentrado da gota-serena, achou a reza desimportante diante de tamanha heresia, chamou a viúva na grande, e disse-lhe:

- Quem sois tu mezenga? Quem sois tu pra detefonar a cara do falecido só mode o sassarimbar dum casá de mosca? Eu sei que sois viúva, que tais anecessitada de sentimento, que tais a beira de um esgoto-nervoso e destress, de tanto sofrer nas mão desse femeeiro e cachaceiro defuntento duma figa, que Deus o tenha! Mas arrepara que tu também não sois melhor do ele não! Tu sois é mulher fregona, freguesada pra macharia, e não tens nem um pinguim de moral pra essas moscas chameguentas, muito menos pro falecido Caboré!

A viúva, ferida na viuvez e na moral, partiu pra cima da velha que nem um leiloeiro raivoso pra cima da banqueta, e disse com voz metralhosa, com dentes trincados, com meia boca e entronchando os beiços:

- Dou-lhe uma! Dou-lhe duas! E dou-lhe três!

Fez da bomba de detefon um martelo, e acunhou por três vezes o tambor de lata na cara da rezadeira, que ficou com a marca de óleo salada do flandre estampada na fuça. A bomba se abriu, e a velha levou uma dedetizada tão da gota, que passou uns vinte anos sem piolho do tanto de veneno que se banhou. Foram três chapoletadas tão seguras, que a pedra dum anel da viúva zuniu e foi se enfiar num geremum caboclo que tinha em cima do petisqueiro.

Os veloristas tomaram partido, e a trincheira, era o caixão de defunto, com o falecido de mãos postas e um riso nos dentes. Do lado do contra, estava uma bruaca noitista, também viúva-rameira de Caboré. A bicha tirou o véu preto que disfarçava a cara, jogou pra trás do vestido também preto, atracou-se com uma vela do castiçal feito uma espada, e que nem um Zorro de cera ferido na viuvez de quenga, deu vaza a toda valentia, e gritou:

- Assassina de defunto!!! Viúva envenenista! Rapariga de soldado! Serás da SUCAN por acaso? Sua hipopota bixiguenta do istopor! Passe pro lado de cá e venha me detefonar que eu tou aqui vê-i-vi vê-a-vá e lhe cor-tê-o-tó de gilé-te-é-té!!!

Como capoeirista de bordel, e cheia de cachaça, a bruaca tentou desaplicar um rabo de arraia mal aplicado e findou acertando uma rasteira no tamborete de baixo do caixão, e o defunto, POFE!… danou-se no chão, com caixão, tamborete e tudo. Com o território sem trincheira, uma saraivada de bufete se seguiu, que se enrolou feito ninho de cancão. O boi de fogo era tão grande que tinha gente procurando por si mesmo. Michela de Zé Tambor que sempre foi dessas bichona nadeguda, deu uma sobrada de bufete, caiu sentada e afundou o mapa-munde da bunda na cara dum rezador de setenta anos, que por pouco não virou minuto de silêncio.

No meio dessa alegria de doido, Dom Ricardo, cheio de Ricardia, tentava sem êxito acalmar os ânimos, e jangadeava pra lá e pra cá no mar de tapa-olho, puxavante, bufete, rasteira e abusamento. Gritou uma hora de camaíííí!!! até a briga acabar.

O catacumbista chegou, fechou o caixão de segunda com tampa desadornada, escurecendo por dentro, a morada do cachacista Caboré. Enquanto isto, a viúva toda sentida e arranhada, atarraxava a rosca das trancas. De repente, ouviu-se de dentro do caixão, aquela fala abafosa e desamplificada:

- Michela meu bolofote
Teu veneno me amarga
Nem que tu feche esta rosca
Esse casá de mosca
De tua saia não larga!!!!

As moscas saíram de dentro do caixão, voando atrás da viúva que endoidou com medo até de mosquito. Caboré ficou ali verdadeiramente entregue às moscas, sem viúva e sem parente. Teve tudo que sonhou pra depois de morto: duas latas de sardinha que serviam de castiçal pra duas velas sisudas que insistiam em não chorar, e um lote de cachaceiro que veloriava uma garrafa de cana na tampa do caixão que virou mesa. Na hora do enterro o cortejo de terceira parou em cinco vendas, para reabastecimento, e nos dois quilômetros descampados da Reta do Valentão no prumo do cemitério, foram socorridos pelo último pedido de Caboré: duas garrafas de cana estrategicamente colocadas dentro do caixão para uma bicada no céu. Na hora de baixar sepultura, o cachacista orador pediu a palavra. Com pernas de compasso de um lado a outro nos dois beiços da cova, devidamente espinafrado, discursou:

- Caboré, cumpade véio de guerra!… Caboré, cumpade véio de guerra!…Caboré, cumpade véio de guerra!… tomaste nu cu, cumpade véi!

O MATUTO E O ENGENHEIRO

PAISAGEM DE INTERIOR

MEU NOME NÃO TEM SUSTANÇA

Eu quero trocar meu nome
Prum nome mais verdadeiro
Pois, Nuca de Zé Bedêu
Não tem sustança nem cheiro
Quero um nome de Doutor
Graúdo, respeitador:
Astragildo de Medêro.

Astragildo de Medêro
Ô nomezim arretado!
Com ele bem adubado
Eu era um filosofeiro
E dia em toda altura:
-O raso não tem fundura
No planeta brasileiro!

O raso não tem fundura
Ia pro Repórter Esso
Ia ser grande sucesso
A minha filosofura
Os doutor na altura
Espalhava o boateiro
E dizia: – Meu cumpade
O dono dessa verdade
É Astragildo de Medêro.

Já um nome apeiticado
Já um nomezim reimoso
Já não é considerado
Já não pode ser famoso.

O raso não tem fundura!
Com bravura digo eu
Os doutor logo adverte:
- Pelo que se asucedeu
A má palavra se herda
Pois quem falou essa merda
Foi Nuca de Zé Bedêu.

CPI DO PREQUETÉ

Discurso pra ficha suja, ficha limpa, ficha mais-ou-menos e fichinha

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Meu prefeito foi cassado no vão do TRE
Ninguém pode fazer um caquiado
Se um juiz invocado não quiser.

Ninguém mais pode entrar numa gandaia
Num esquema político de primeira
Ninguém pode fundar uma empreiteira
Pra ganhar concorrência viciada
Ninguém pode assinar uma papelada
No birô do oitão de um cabaré
Desviar: pão, feijão, milho e café
Nem tampouco uma grana apalavrada
Ninguém pode fazer hoje mais nada
Se um juiz invocado não quiser.

Ninguém pode usurpar nenhum bregueço
Que a imprensa sacode a tirania
Tudo aquilo que antes se fazia
Construindo os arrimos do progresso,
Hoje em dia termina em processo
Nesse vão que se diz TRE
Um juiz todo chei de prequeté
Vem pro meio qual tripa atravessada
Ninguém pode fazer hoje mais nada
Se um juiz invocado não quiser.

Ninguém pode afanar um cadeado
Dar um agá no dinheiro da saúde
Construir, de mentira, dez açudes
Desfalcar um lixão terceirizado
Tudo isso que nunca foi pecado
Hoje em dia é tratado por mundé
Alazão se transforma em pangaré
Na visão dessa lei mumificada
Ninguém pode fazer hoje mais nada
Se um juiz invocado não quiser.

Rapinar, ninguém pode rapinar
Extorquir, ninguém pode extorquir
Se o cristão desejar subtrair
Tem ir pra justiça carimbar
É a lei que não sabe onde vai dar
É a busca que busca o busca-pé
É a raspa fajuta de um rapé
Sufocando uma venta honestizada
Ninguém pode fazer hoje mais nada
Se um juiz invocado não quiser.

TODOS: (Cabaré, busca-pé, pangaré, prequeté)

Meu prefeito foi cassado no vão do TRE
Ninguém pode fazer um caquiado
Se um juiz invocado não quiser.

ESCUTAÇÃO DE MEI DE FEIRA

Feira Nordestina – Militão dos Santos

– Olha o jerimum cabôco!
– Olha aí o abacaxííí !
– Brinco de menina fême!
– Traíra, coco e siri !
– É califon e caçola
que tá no risco da moda!
– Vamo abrindo aí a roda…
…afastaí brocoió!!!
– Cura muxicão de urêia
ferradura de abêia
mijadura de potó
remedia cuspe grosso
reumatismo no osso
quizumbice e catimbó!
– Dernantonte que’u não drumo!
– Taí um jumento bom!
– Uma rodada de cana!
– Só ta quebrado o guidon!
– Quedê Pêdo Pirangueiro?
– Te acocora e passa o grau!
– Dez mireis de mel coado!
– Só abastava ter dado
uma camada de pau.

– Oxente, taqui pra tu!
– Tocou Alcides Gerarde!
– Tem popeline estampado?
se tiver quero mais tarde
– Arrupinou a comida!
– Balinheira? É no mangaio!
– Ô ruge-ruge da gota!
– Tô liso, pra que balaio!
– Enxada só tramuntina!
– Embucharam Ambrosina
de viver de gaio em gaio.

– E os preço cuma tão?
– Tão pulas hora da morte!
– Visse os peito de Maria?
– E eu lá tenho essa sorte!
– Foi cinco junta de boi
três nuvía e um garrote.

– Cana grande foi sanoite…
quase que não se acabava:
lá no peba comi peba
lá na fava comi fava
lá em Bruxa comi Bruxa
e o dia não manheçava.

ESPASMOS DE GAFIEIRA

A madrugada sonâmbula
Desperta de cara inchada
E quando espreguiça os braços
Espalha brechas de luz.

Pelas gretas da janela
Assisto a uma cena bela
Musicada a rouxinol
É uma aurora escanchada
De pele rubra borrada
Parindo gema de sol.

Có-ró-có-cós espaçados
De galos gogós-de-sola
E encarrilhados tô-fracos
Dos guinés, frangos-de-angola
Mugidos, silvos, trinados
E restos de conversados
Ruídos de mundo afora.

Canecos dão seus tibungos
Lá no pote da biqueira
E banham lerões de nylon
Com seus Colgates pastosos
De hálitos brancos frescosos
Nos céus-das-bocas riseiras.

E o sino alegre blom-blim-bla
Um blom-blin-blá animado
E as velhas de boca funda
Que insistem em ter pecado
Mastigam seus Pai-nossos
E Credos, bem mastigados.

Cá pra nós os pecadores
Uma brisa viajeira
Trás um cheiro de pão doce
Crioulo, brote e carteira
Mas não haverá café…

…Sinto um fervor de fogueira:
No arame, tua saia
Maldosamente ensaia
Espasmos de gafieira.

POLITICAGEM – TIRE SEU POLÍTICO DO CAMINHO – DE DOMINGO AGORA A OITO

A tal da politicagem?
É o acento circunflexo da palavrinha cocô
É feito brigar com um gambá
Pois mesmo o cabra ganhando
Sai arranhado e fedendo
É dirigir dando ré
O cabra tem três espelhos
E ainda olha pra trás
E pode prestar atenção:
Na boca do candidato é o mesmo Mané Luis
Trabalho, honestidade
Trabalho, honestidade
Por quê?
Porque o povo gosta de mentira!
Seu Manezinho Boleiro
Suplente de merda viva
Foi dar uma de sincero
Dizendo o que pretendia
Trabalhar de terça à quinta
E roubar só o normal
Teve uma queda de votação tão pra baixo
Que até hoje ainda é suplente
Taí, fila da puta!

Tire seu político do caminho
Que eu quero passar com o eleitor
Hoje, pra esses peste eu sou Chiquinho
Fí de Seu Chico aboiador
Mas amanhã sou Chico véi que não dá trégua
Assim, táqui pra tu, fí duma égua

De domingo agora a oito
É dia de eleição
É dia do pleiteante
Do fundo do coração
Perguntar: o que desejas?
A quem tem de louça um caco
De terra só tem nas unhas
E mora de inquilino
Numa casa de botão
De domingo agora a oito
É dia “arreganha-cofre”
É de ajudar os que sofrem
É dia do estende a mão
E se agarrar com farrapos
De mastigar vinte sapos
E não ter indigestão
É dia de expor na fala
Que bem conhece o riscado
Ninguém come mais insosso
Ninguém bebe mais salgado
De domingo agora a oito
Não relampeja e nem chove
É o dia que nos comove
É o grande dia “D”
Agora, o dia “fuD”
Vai ser de domingo à nove.

COISAS PRA SE DIZER BENZÓ-DEUS

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No lugar que caxete é comprimido
Tem coisa de se dizer benzó-Deus!
Da sabença de tantos Zebedeus
Ao rinchar dum jumento intumescido
Cangapé dum moleque mal-ouvido
Ou história dos que não têm história
Um Jesus bem cristoso e chei de glória
Protegendo nações de deserdados
Sanfoneiros com seus tarrabufados
Cantadores com suas trajetórias.

Sá-Zefinha ser mãe de tantos filhos
Bem dizer sendo uma zefinharia
Boiadeiro aboiando em sintonia
Com o blém-blém do chocalho que chocalha
Juremas com escoliose nas galhas
Respirando num solo ressequido
Um café bem torrado e bem fervido
Que agrada monarcas e plebeus
São coisas que se diga benzó-Deus!
No lugar que caxete é comprimido.

Benzó-Deus pra horta Chica Roxa
Verdezinha, pinicada de azulão
Pra bravura da mula em bestidão
Trabalhando sem nunca se enfarar
Benzó-Deus pra coalhada do luar
Despejando um manjar resplandecido
Pro matuto feliz e divertido
A despeito de ser tão maltratado
Cavucando uma roça no roçado
Esperando um inverno prometido.

Benzó-Deus quando o cochicho do vento
Despenteia e penteia o capinzal
Quando a loja serena de um  varal
Se alvoroça e sacode  a estamparia
Benzó-Deus pro carro-de-boi que chia
Imprimindo seu nome em chão-batido
Pro silêncio mais alto que o ruído
Feito um tempo amuado e mal-com-Deus
Benzó-Deus  pro marrom dos olhos teus
Faiscando um olhar enternecido.

UM NERVOSO E O OUTRO SAI DO MEI

Um japonês entra num ônibus que vai de Campina Grande pra Recife e diz ao motorista:

- Olhe, seu motorista, eu tou indo pra Olinda, mas como eu tou muito cansado, vou dar um cochilo e temo não acordar e passar do ponto. Gostaria que, antes de chegar em Recife, o senhor me acordasse na passagem por Olinda, ta certo? Se eu acordar meio afobado, se, até mesmo eu xingar o senhor, não ligue, eu sou assim mesmo. Pode me botar pra fora na marra. Eu quero é descer em Olinda, ta legal?

- Ta legal! Pode deixar comigo, Seu Japa!

Só que, quando o japonês acorda, pra sua surpresa, dá de cara com o terminal de Recife, lá no Curado, pra lá da Caixa-Prego, e, de venta acesa, parte pra cima do motorista com cachos de fela-da-puta, corno e seu bosta irresponsável.

Um passageiro vendo a cena comenta com o passageiro do lado:

- Mas que japonêzinho nervoso da gota!!!!

E o passageiro retruca:

- Nervoso? Ora bom basta! Cê tinha que ver o outro japonês que o motorista botou pra fora lá em Olinda… Aquele sim…

GAVETA DE BUGIGANGA

A

ABREVIAÇÃO

O cabôco beradeiro desacerta nas palavras, mas acerta nas idéias:

Sou mais Pêdo Balaieiro, com seu balaio de verbos sem nunca ser dado ler, do que o cabra estudado, aprendido e letrejado, diplomado em nunseiquê, com cabeça de minhoca, dos que abrevia pipoca parando na letra “C”.

ASSUNTO DO ANO

O assunto do ano foi o palco gigantesco que o prefeito construiu na praia; tanto que batizou com o sugestivo nome de: Assunto.

O problema: Ninguém queria tocar no Assunto.

B

BOFETE COM CIDADANIA

Hoje, não se pode dá um bofete em ninguém sem autorização judicial.

BOLE BOLE

As coisas que realmente bolem comigo são: gangorra, rede e cadeira de balanço, catabi…

C

CAUBY

Cauby Peixoto é um dos maoires Frank Sinatras do Brasil.

CHIQUÊ DE MACACO

Macaco chique só come morango. Morangotango.

D

DESIGUALDADE SOCIAL

Um morava na Rua do Meio.

O outro no meio da rua.

E

ENERGIA

Decepcionado feito quem brinca com luz de vela e PUFO! Chega energia.

ESPINGARDA

O cabra espingardeou o braço esquerdo, pegando o cano invisível, envergou o dedo num gatilho invisível na frente da venta; elevou o cotovelo direito na altura do ombro e disparou um tiro de boca: PÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Foi pena pra todo lado.

F

FIM DE ANO

Hoje em dia, novembro ta que é Dezembro puro: Marca-se tempo pra tudo… Ninguém tem tempo pra nada. Dezembro é festa acabada.

FADIGA DO FATIGADO

Estava tão fatigado que só rezava pra santo que estivesse sentado.

G

HISTÓRIA CENSURADA

História do padre tatuado na virilha que esqueceu o celular no motel e engoliu a lente de contato misturado com um Engov.

H

hossada de Dinossauro
Se tirar o agá, sai o dinossauro e ficam os ossos.

I

Iê-iê-iê da tartaruga
A tartaruga, bicho
É um bicho que mora nela, morou?
Sua cara não passa da carapaça.
Já Roberto, bicho
É um cara que mora onde a brasa mora

J

JASMIN

Era um branco esverdeado feito Quisuko de jasmin.

JOVENS

Os jovens precisam cumprir a lei de responsabilidade bimbal.

K

Kadeia com K

Só para crimes do canudinho branco

L

LAMPIÃO era calmo, mas tinha um bufete aparecendo por baixo do gibão

M

MOTE SENSURADO

Um pecado embrulhado na calcinha
Acha logo um estojo peniano.

N

NERO

…Aquela história do incêndio foi nera coincidência.

NU ARTÍSTICO é moldura e um pouco de fora. Mostrou muito é sacanegm.

O

OLIMPÍADAS DO VOVÔ

Vovô vencia catorze netos com barreira.

OFTALMOLOGISTA

Quando um cisco entra no of do oftalmologista são ofos do ofício.

P

PIPOCO

O “esse” fazia: Ssssssssssssss!!!! Se preparando pro pipoco. POU!

PORTO SEGURO

O chão é o subsolo do céu; o porão do paraíso. Um grande porto seguro, sem batida de urubu, sem pigarro de avião, sem fino de meteoro, sem foguete voador.

Q

Por que o “Q” não perde o cordão umbilical?

QUEM AMIGA AVISO É

Num vá que você se lasca.

Foi, lascou-se.

R

REFORMA ELEITORAL

Retirar as poltronas giratórias do parlamento e trocar por tamboretes.

Vá lá que o cabra não faça nada, mas ficar encostado e rodando já é demais!

OUTRA: Instituir a Sobrada Parlamentar; que consiste em arrancar uma perna do tamborete toda vez que o cabôco disser besteira na tribuna.

OUTRA: Tornar inelegível o parlamentar que não souber dizer a palavra inelegibilidade, sem ler e sem ser soprado.

OUTRA: Tornar Crime Eleitoral o uso de Photoshop pra maquiar retrato de campanha: Evitar que o cabôco mafioso, empata-foda e enchouriçado apareça Frei Bonzinho, amiguinho e encantador.

S

SAL

Tão prudente e comedido que estava ficando pálido bem dizer da cor de sal; com pouco sal.

T

TIBUNGÃO CULTURAL

Pra tibungar na cultura, pule na piscina de vinte e cinco mil livros da Biblioteca de José Mindlin. Cabôco tibungador.

TEM CADA UMA QUE DÁ DEZ

Alzira ficou alzirada com seu nome de casada:

Chamava-se Alzira Mandaí Almeida Braga. Casou-se com um peruano de sobrenome Garrafa. Tirou o “Braga” do nome e acrescentou Garrafa.

Botaram na identidade: Alzira Mandaí A. Garrafa. Aí ela pegou ar…

U

URGENTE

Vende-se um Lava-Jato a jato.

V

VENDA SUPERFATURADA

Vende-se, uma fábrica de empilhadeira de empilhar corrupção. 

VISGO DE JACA

Maria Visgo-de-jaca formou-se em esparadrapo na melhor escola de enfermagem da Califórnia. Era uma das maiores esparadrapistas dos Estados Zunidos.

Foi limpar a janela do apartamento ficou grudada na fachada… Morreu!

W

WAQUEJADA DO WAVÁ

Fatuuuuuura pião! $$$$

X

Xexenta por xento dos pernambucanos chia. Só não chia em banana. Mas, nas caxcas!!! 

Y

IPSILONE

Sem um ipsilone a mais ou a menos: prefeito andando na periferia é feito uma cadela no cio: andando e puxando a cachorrada.

Z

ZANGA

Primeira palavra de Seu Lunga:  bu-bu-danado!

A CUMEEIRA DE AROEIRA LÁ DA CASA GRANDE

DELITO CHUMBREGADOR

Vi uma feme pernosa
Do mocotó de bacia
No bafo do meio dia
Mais parecendo miragem
Apreciando a paisagem
Dessa fulanez-de-tal
Mulher nos prumo, nos grau
Sem falha, sem defeitura…
Dei por fé formosura
Da sujeitice humanal.

Da sujeitice humanal
Descobri o que é o amor:

É um coice nos incômodo
É um ligar de motor
É um avôo de condor
É injeção de fogueira
É gá-gá-gá de gagueira
É lua no meio dia
É verso, é poesia
É alegria, é frescor
É colapso intupidor
É dismái, é faniquito
É mei camim prum delito
Delito chumbregador.

UMA CARTA DE PERAÍ

O amor, quando é maduro e bem-gostado, é feito bambu de lagoa: pode envergar, mas não tomba.

Ouvi dizer que paixão
É um salto duplo e mortal
De um amor aventurado
Pulando em riba um do outro
Às cegas e embriagado.

Paixão blu-blu-amoreco
Paixão pom-pom vermelhado
Paixão bolinho-com-Fanta
Paixão xaxim-aguado
Paixão arranca-porteira
Paixão do quengo-virado
Paixão ninho-de-vexame
Paixão demônia, vulcânica
De brasa, de gamação
Contramãozinha-em-paixão
Paixão de baú guardado.

A nossa era pura e alva
Feito delírio de lírio
De fuloreio nevado:

Um letreirão luminoso
De branco sebo-lavado
Com graça, luz e perfume
Sem voragem de ciúme
Sem desfavor, sem pecado.

Mas num regaço de um dia
O marimbondo da cisma
Trouxe um ferrão venenado:

Brigamos de teimosia
E ouvi daquela Maria
Este toró macriado:

 “Paixão é feito fumaça
Embaça o zói e sufoca
Quando da fé, ela passa!”

Ao ver suas nádegas gêmeas
Por capricho se afastar
Meu picadeiro da insônia
Tornou-se sala-de-estar.

Eu era casca de alpiste
Fora do cocho, assoprada
Imprestável pra semente
Pra bico da passarada
E ela, uma margarida
Dessas de plástico sem vida
De folha dura aramada.

De corpo manco, incompleto
Inflei meu orgulho reto
Pra disfarçar meu saci
Me aboletei na boleia
Duma marinete véia
Que transporta o Cariri.

Mas, no agá do vambora,
Sem nem saber pr`onde ir
Chegou em riba da hora
Com mil nasceres de aurora
Uma carta de peraí.

RASGA RABO

Trupizupe oia tu num me assusta
com a fama da tua valentia
porque esta macheza é freguesia
e até nem me parece tão robusta
uma boa palmada não me custa
pois no fundo eu te acho delicado
se tu és um valente escolado
eu quebrei no cacete a tua escola
o teu mestre saiu de padiola
e teu supervisor invertebrado.

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No jardim de infância eu fui valente
e o nome da escola era bufete
no primário estudei no canivete
no ginásio no bote de serpente
como eu era um aluno inteligente
logo cedo já tinha me formado
Lampião tinha sido reprovado
por froxura e por falta de frieza
hoje, pós-graduado em malvadeza,
vendo pena de morte no mercado.

Eu sou topada de unha encravada
Sou gilete no mei do tobogã
Sou o flagra da foda no divã
Sou feiúra dum talho de inchada
Sou um choque no furo da tomada
Sou ferrugem na agulha de injeção
Sou judeu se vingando de alemão
Cata-vento voando num comício
Sou a falta de droga num hospício
Queimadura de larva de vulcão.

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QUATRO PERNAS PENDURADAS NO PREGO DA SEDUÇÃO

Botei na trouxa da mão
Um casá de aliança
Finalmentando a pidança
Do meu pedido de mão.

Se amarremo na saúde
Na doença e no viver
Botemo pra derreter
E tome sussurração.

Sussurro velorioso
Como manda o figurino
No derretês do mais fino
Falei denganças de amor:

Minha manteiguinha Turvo
Meu vidro de lambedor
Estátua de paciência
Meu alpendre ventador
Profundas das jardinagem
Mistéria das aromagem
Do perfumismo do amor.

Nós somo dois Shakespeare
Shakespearando a paixão
Com a toalha do luar
Luarando a imensidão
Duas vida emparreada
Quatro perna pendurada
No prego da sedução.

A TABA DA SARVAÇÃO

Meu cumpade, o que eu escuto
Derna de pequininim
É que o Brasil brasileiro
Pra sair dos atoleiro
Tá faltando tanto assim.

Tá faltando tanto assim
E nós tudo se afogando
Os doutor de vez em quando
Corruto, dos bigodão
Corre pra televisão
Beija os pobre, dá risada
E anuncia a chegada
Da Taba da Sarvação.

E grita os povo na rua:
– Foi o fim dos militar!
Já podemo festejar
O fim da submissão!!!

É bandeira dos partido
Correndo de mão em mão:
– Bem que aquele home disse
Que a gente se assubisse
Na Taba da Sarvação!

Com pouco mais tá de novo
O povo desmiolado
Satisfeito isprivitado
Folgado nas alegria:

– Foi um tá de Anistia
Que sortou-se da prisão!
Vi dizer que o home é quente
E agora chegou pra gente
A Taba da Sarvação!!!

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VERSOS PRA DOMINGUINHOS

jessier e dominguinhos

Dominguinhos

 é uma cachoeira de virtuose

 que deixa poças de modéstia ao seu redor.

COMÍCIO DE BECO ESTREITO

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Pra se fazer um comício
Em tempo de eleição
Não carece de arrodei
Nem dinheiro muito não
Basta um F-4000
Ou qualquer mei caminhão
Entalado em beco estreito
E um bandeirado má feito
Cruzando em dez posição.

Um locutor tabacudo
De converseiro comprido
Uns alto-falante rouco
Que espalhe o alarido
Microfone com a flanela
Ou vermelha ou amarela
Conforme a cor do partido.

Uma gambiarra véia
Banguela no acender
Quatro faixa de bramante
Escrito qualquer dizer
Dois pistom e um tarol
Pode até ficar melhor
Uma torcida pra torcer.

Aí é subir pra riba
Meia dúzia de corruto
Quatro babão cinco puta
Uns oito capanga bruto
E acunhar na promessa
E a pisadinha é essa:
Três promessas por minuto.

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DE DOMINGO AGORA A OITO

De domingo agora a oito
É dia de eleição
É dia do pleiteante
- Do fundo do coração -
Perguntar: o que desejas?
A quem tem de louça um caco
De terra só tem nas unhas
E mora de inquilino
Numa casa de botão.

De domingo agora a oito
É dia arreganha-cofre
É de ajudar os que sofrem
É dia do estende-a-mão
De se abraçar com farrapos
De mastigar vinte sapos
E não ter indigestão.

É dia de expor na fala
Que bem conhece o riscado:
- Ninguém come mais insosso
Ninguém mais bebe salgado!

De domingo agora a oito
Não relampeja nem chove
É dia que nos comove
É o grande dia D.

Agora o dia fu-D
Vai ser de domingo a nove.

 Este poema  foi feito em agosto de 2005 publicado no livro Bandeira Nordestina (Ed. Bagaço ) em 2006

MERENDA CORRIQUEIRA

Do jeito que a vida vem eu me agrado. E me agrado mais ainda com as lembranças confeitadas do passado. Uma delas é aquele cheirinho da lancheira do meu tempo de criança.

Ah, se minh’aula retornasse
Pro giz da minha infância
Pro meu caderno encapado
E o meu nome escancarado:
EU, Primeiro Ano A.

Ah, Primeiro ano A!

A professora: “Bom-dia!!!”
A bolsa, a banca, a folia
A turma do dia-a-dia
A lei da Diretoria
A sineta, a correria
A hora de merendar…

Ah, se minh’aula retornasse
Pro meu recreio de infância:
Pro ritual da lancheira
Da merenda corriqueira:
O copo – irmão da garrafa
O bolo, o ponche, a toalha,
Goiaba, biscoito, pão…

Não há no mundo dos cheiros
Na mais antiga distância
Cheiro melhor que a fragrância
Dessa lancheira de infância.

Não há no reino das cores
Nos arco-íris, bandeiras
Nos frutos das romãzeiras
Amora, amor que avermelha,
Um rubro mais colorido
Que o tom da minha lancheira.

Enganam-se os poetas
Trovadores, seresteiros
Que celebram Chão de Estrelas
Versejando sem razão
Ao dizer, de vão em vão
“Que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão”.
É não!!!
A mais doce ventura desta vida
É a lancheira, os recreios e a lição.

VÉSPERA DE FEIRA

São circos velhos quadrados, montados sem picadeiros
Pá,pá,pá e tome prego
Pá,pá,pá e tome prego
Puxa e repuxa arame; tome-lhe cunha e martelo.
Depois vem a empanada… assim, sem pano e sem nada.

Pi-bit! – Buzina os beiços
Avança um carro de mão, na mão e na contra-mão
Cachaça sem água tônica conduzindo a condução.

Óh o mei!…Óh o mei!….Óh o mei!!!
Passa um trem de chapeados
Um doido mamando gelo debocha dos desgraçados
É o pega-pa-ca-pá  que começa  incapetado.

Feirantes, galinhas e catrevagens
Se debulham da espiga duma velha lotação
Boléia deselegante de  alma chevrolezante
Travesti de caminhão.
Chega a discriminação discutir com dois pneus:
É um vira-lata rajado, magro, desqualificado
Que nem sabe onde nasceu.

Caçula sem caçulagem, fala com sua vidinha:
- Eu não posso mais comigo… Filho de nada é nadinha!!
- Ô calorzão aloprado! – Fala o pai, de mão inchada
Aterrando com farinha as tripas enfastiadas
E um lipigute de cana, duma garrafa à paisana
Aprumando a cusparada.

Cascas das primeiras frutas abrem escalas pelo chão
Causando ascensão e queda do primeiro escorregão.
Ah! Ah! Ah! Diz o sorriso… – Qualé a graça que há?
- Todo cristão abusado tem queda pra escorregar!

Melancias: beiços verdes de sorridão encarnado
Jacas: peitinhos duros, abacates barrigudos do verde e do roxicado
As cabeleiras dos milhos, e carradas de cajus com castanhinhas no colo
E rabos de abacaxis  cheios de não-me-toques
Para tanta alegoria vão precisar de reboques!

É isso mesmo meu chapa! Todo feirante dá duro!
Encosta numa rudia, e é  noite em claro… no escuro.
No bate-asas dos galos, sacode toda preguiça feito cachorro molhado
Penteia a pessoa dele assim mei descangotado
Engole qualquer mastigo, diz que tá de sangue novo
E vai todo esprivitado
Caçar os últimos trocados da luta braba do povo.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa