FILÉ AO MOLHO DE QUÁ-QUÁ-QUÁ-QUÁ

Sabe aquelas roscas-sem-fim de quá-quá-quá que de vez em quando dá na gente? Pois um dia desses, num restaurante, almoçava um casal, a um sopro de vela de mim. Desses casais de conversa puxada na manteiga. Falava baixinho sobre alguma coisa ou sobre alguém e de olho no olho feito galo de briga – sem briga. De repente, no arremate dum detalhe, o rapaz, em sinal de reserva reservadíssima, requisitou o ouvido esquerdo da moça, se reclinou por sobre a mesa e cochichou alguma coisinha… um fiapozinho de cochicho refogado em risadagem. Pronto: foi o puxão do quá-quá-quá do almoço. Aí a mulher começou:

– Quá-quá-quá-quá-quá!

E o rapaz:

– Quáhhhh-quáhhhhhh-quáhhhhhh-quáhhhhh-quáhhhhhh!

E a moça:

– Quá-quá-quá-quá-quá!

E o rapaz:

– Quáhhhh-quáhhhhhh-quáhhhhhh-quáhhhhh-quáhhhhhh!

E a moça:

– Quáhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh-quá-quá-quá-quá!

Eu tou dizendo só três porções de quá-quá-quás, mas é pra não gastar papel.

Aí, num respirar profundo, o cabra botou ri-ri na boca e deu um sério militar no assunto. A moça, sem freio e sem embreagem, fez do sério um tobogã e desceu de quá-quá-quá:

– Quá-quá-quá-quá-quá!

Numa fala puxativa de freio-de-mão, o rapaz disse:

– Isso é qué ser besta!

E a moça:

– Quá-quá-quá – e outras expressões quá-quá-quativas.

No moído do ataque e querendo se desculpar. Ele virou-se pra mim e disse:

– Isso é qué ser besta, nenão???

E eu de voz de peixe… Calado.

Daqui a pouco, a mulher começou a dizer “AI!!!”. Mas não era “AI” de dor, não. Era AI de cansaço; cansaço mesmo: estômago-gargalhativo com espasmos de quá-quá-quá. Deu de garra dum guardanapo, e fez dele pano-de-face, secando o córrego lacrimogêneo.

Não tendo mais quá-quá-quá para quá-quá-quar, pediram a conta e saíram quá-quá-quando aos solavancos… Felizes feito um cego brindado à visão perpétua.

(Crônica do livro Berro Novo. Se foi mentira eu estopore!)

LEI DE AMPARO AO PEQUENO E MÉDIO CORRUPTOR

– ARTIGO ÚNICO

Baseado no ditado popular:
“Um dia é da caça, o outro é da cueca”,
Todo pequeno ou médio corruptor
Afrontado com juiz ou promotor,
Deve receber da justiça:
Um pacote de chá de camomila
Uma fralda para adulto (da boa)
E tem todo direito de permanecer cagado.

LEI DO ESTRANGULAMENTO FISCAL (ou Lei do Basta)

Fica proibido desperdiçar, com o parlamentar
um-vintém-de-mel-coado além do dentifrício.

Portanto (por conta da muda) só será pago:

Desodorante
Sabonete
Escova de dente
e BASTA.

Emenda:
Itens obrigatórios de vestimenta e Ética parlamentar:

Terno, gravata até o talo
E vergonha na cara. *

* Tá bem! Tá bem! Aqueles que não pissuem
(dependendo da tramóia), pode continuar sem pissuir.

ASSUNTO DE NOVELA NO SERTÃO

Taliquá assunto de novela, vez por outra uma matuta virgem “facilita” prum cabra esperto e azeiteiro, e, na hora agá, joga a culpa no coitado do namorado em busca de casamento.

Isso aconteceu com uma moça do alto sertão da Paraíba, ou melhor, ia acontecendo, se não fosse a interferência do matuto Zé Pedro, pai do rapazote namorado, já denunciado de autor da “desgraça”.

No momento da denúncia, o delegado perguntou à moça:

– Como foi que aconteceu esse defloramento, menina?

– Eu não me alembro não seu delegado! Na hora eu tava dormindo!

Zé Pedro, com venta de bezerro, despejou um caminhão de batata de protesto:

– ÊPA!! Não pode, seu delegado! Tá camulesta! Não pode não!!!!

O delegado surpreendido questiona:

– E não pode por quê? Então o senhor acha que uma moça não pode ser deflorada durante o sono?

– Pode não sinhô! Porque se eu tiver dormindo nu abestalhado e alguém passar um fiapo de capim-mimoso no meu fundo, eu meto os pés, quanto mais um cepo de aroeira!!!

DOIS BRINCOS RECÉM-TIRADOS

Na cabeceira da cama
Dois brincos recém-tirados
Dois brilhos fundos nos olhos
E um xodó bem começado.

Duas pessoas sozinhas
Qual duas casas vizinhas
Com biqueiras encostadas.
São vidas parede-meia
E a bica correndo cheia
Nessa hora de invernada.

Artilharia pesada
Tum-tum-tum de coração
Emoção ali campeia
Abrem-se regos nas veias
Só pra sangue de paixão.

Ali não há pára-choque
Nem outro tipo de pára.
De forma quero-maisista
É tudo mar de conquista
Bonito e cor de arara.

Sem meias e a meia-luz
Meia tiragem de roupa
É gesto suficiente
Prum casal enrabichado.

Rendidos, de mãos ao alto
E pernas pra que me queres
É aquele cabritismo:
Eu quero o que tu quiseres
Aquele chamar na chincha
Aquele corruchiado.

Nu com nu e sós com sós
E o quarto tando fechado
Exploram terreno livre
E também campo minado.

Publicado no livro Bandeira Nordestina Ed. Bagaço – 2006

DOMINGO NA PRAIA

Saí de Campina montado num jegue
Rumando pra Ilha de Itamaracá
Dezoito semanas sem nem descansar
Cheguei numa praia cheinha de fême
Vestida somente de óleo e de creme
Na parte de baixo um fio-dentá
Olhei pra direita achei um casá
Roçando um no outro deitado na areia
Valei-me São Jorge que a coisa tá feia
Tou vendo um galope na beira do mar.

Galope era tanto que o mar se calava
O vento soprava pro lado de lá
A onda quebrava, mas bem devagar
O povo passava e não dava fé
Porque em carícia de homem e mulher
De tudo se faz pra não estragar
O sol se escondia pra não esquentar
Não vinha ninguém dizer que não pode
E o noivo e a noiva – a cabra e o bode
Fazendo galope na beira do mar.

Tem água de coco, laranja, sorvete
Cerveja gelada pra gente tomar
Cachaça da boa, din-din, guaraná
Esteira, toalha, sombrinha e chapéu
Pro raio de sol caindo do céu
Tem óleo de bronze pra pele queimar
Tem moça passando pra lá e pra cá
Tem nego morrendo de sol e de porre
Olhando pra moça levanta e não morre
Cantando galope na beira do mar.

Tem gente buchuda correndo na areia
Fazendo de tudo pro bucho baixar
Cachorro maluco querendo brincar
Matuto molhado tirando retrato
Tem véio caduco que vem de sapato
Se banha no raso pra não se afogar
A véia enxerida querendo nadar
Mergulha no fundo, levanta engasgada
O véio caduco solta uma risada
Cantando galope na beira do mar.

Tem barco de vela, tem lancha, jangada
Moleque brincando na câmara de ar
Menina na pedra querendo pescar
A mãe acenando pra hora do rango
Sacode, no prato, farofa de frango
Doce de goiaba, suco de cajá
O pai pega o rango e vai se deitar
Na sombra gostosa que vem do coqueiro
Reclama a falta de um paliteiro
Cantando galope na beira do mar.

Tem jogo de bola, de chute e raquete
Tem homem e mulher querendo jogar
Tem rede de arrasto pra gente puxar
Menino correndo pra cima e pra baixo
Perdi o meu óculo na areia e não acho
Dou cinco mil contos pra quem encontrar
Tou vendo embaçado não posso enxergar
A moça bonita de bunda de fora
Assim desse jeito prefiro ir-me embora
Cantando galope na beira do mar.

Do livro Paisagem de Interior – Ed. Bagaço 1996

O MATUTO E O CORONÉ

A DEPRAVAÇÃO DAS MÁQUINAS

Já tem caminhão macho
Se transformando em caçamba
E o jipe que era o bamba
Não segura a camionete.

Camionete adolescente
De farolzinho inocente
Mãe de camionetinha.

Motos rodando a bolsinha
Pro matuto aboiador
Deixando burro e jumento
Sem assunto, sem sustento
Sem futuro e sem valor.

A tal da Honda doutor
Véve pra riba e pra baixo!
Como não tem Honda-macho
Ninguém vai prostituí-la.

Se ela fosse uma Catepíla
Amarelada ou sem côr
Era a puta dos motor
De dia tava aplainando!…
De noite tava fungando
Agarrada com um trator!!!!

MOVIMENTO DOS SEM-PÉ-NEM-CABEÇA

Eu sou do time dos sem mala e sem malemolência
Sem aparência aprisionada filha do botox
Sem prato inox, sem finesse e sem BMW
Sem um alfarrábio num caderno pra tirar xerox.

Sou Movimento dos Sem-Pé do pé 47
Sou canivete sem a lâmina que perdeu o cabo
Quase me acabo pra matar o mosquetão dum cano
E entrei no cano justamente pra fugir de um cabo.

De cabo a rabo estou no muro dessa honoris causa
Com a menopausa menstruada da rapaziada
Cravei zoada na memória de um pensamento
E o Movimento Sem Cabeça deu com o Pé na estrada.

Puxei a trança avermelhada de um sansão careca
Com a terereca da firmeza dessa nossa luta
Filhos da puta! Supliquei de voz aveludada
Pois sem veludo na cabeça um pé não se disputa.

E a caravana dos Sem-Pés seguiu de espora avante
Causa gigante dos anões dos fundos everestes
Marrom-celeste é o dolorido de nossa bandeira
A verdadeira bananeira que esse Adão me veste.

Se eu for eleito inelegível, serei coroado
Com os pés rachados pelas plumas dessa nossa sina
E a purpurina gente fina feito um baobá
Tibungará na vermelhura desse azul-piscina.

PAISAGEM DE INTERIOR

UM VARAL EMPESTADO DE CALCINHA

Um varal empestado de calcinha
Aviventa o respiro da paixão

Quando ela me faz uma cosquinha
Dou risada que afrouxo a suspensão
Amolengo o espinhaço e o coração
E navego num beijo apaixonado
Faço um verso jeitoso e afinado
Mais bonito que letra de baião
Vendo a roupa estendida num cordão
Silhueta de minha malandrinha
Um varal empestado de calcinha
Aviventa o respiro da paixão.

Aviventa o respiro e o doidejo
Catuaba pra alma estimular
Mandacaru eclipsando o luar
Nas barrancas profundas do desejo
Estradando nas molas do molejo
Baticum ritimando o coração
E as bandeiras que voam em branquidão
São enxágües  que  brilham na festinha
Um varal empestado de calcinha
Aviventa o respiro da paixão.

É uma peça rendosa e refinada
Modelada pros traços da viola
Não é calça, calção e nem caçola
Camisola, anágua ou “baby-dó”
Este traje é dos trajes o menor
Provoqueiro, faceiro e brincalhão
Cobre o ímã-do-mundo com razão
Mas com ela é melhor do que nuinha
Um varal empestado de calcinha
Aviventa o respiro da paixão.

PAPAI NOEL FUNERÁRIO

Agora, agorinhazinha, de guidom bem segurado e ciclista magricela, passou aqui em frente de casa, em Itabaiana, uma bicicleta-de-som, dessas de vender disco-pirata, propagandando a promoção de Fim de Ano da Funerária Rosa Master.

Acredita???

Promoção: Uma moto zero quilômetro que será sorteada no Natal.

Levando-se em conta que os motos-taxista são quem mais comem mulher casada na região – sujeito a um tei-bei no zuvido e que, defuntamento de indivíduo por se lascança de moto no asfalto é o termômetro de morte mais agirafado da cidade, a promoção é justa, legítima e camumbembada.

Pra asseverar a conversa, pedi ao meu assistente que desse um pulinho lá e ele conferiu: a moto está ao lado do birô de atendimento, cheia de bolas brancas de aniversário e caixão em posição de sentido por todo lado. Se for mentira eu estopre!!

PS. Melhor do que isto, só o nome de uma funerária lá de Itamaracá: TOU DE OLHO EM VOCÊ!

CONSELHO DE ÉTICA E DE COURO PARLAMENTAR

Durante o debate, cada autoridade pode sacudir
1Kg. de má-criação nos peitos do conselheiro opositor.
(Tudo ao respiro da ética e da decência nacioná)

– De honra, decoro e ética
É composto este Conselho.
Não pode ter um grupelho
A fim de tagarelar.

– Êpa! Epíssima! Olhe lá!
Grupelho é Vossa Excelência!
E aviso: minha clemência
É couro em parlamentar.

– Couro bom de pezunhar
Do zóvo até o cangote
Vossa Excelência não bote
Capacho no meu cruzar.

– A mais ilógica… Ou quiçá
A mais “peba” da indecência
É Vossa felaputência
Querer nos moralizar.

– Dou-lhe um pega-pra-capar
E um grito de “teje-preso!”
Seu corno do chifre aceso
Bisturi de vegetá.

– Se for pra esculhambar
Escute Excelência Vossa:
Devolva a moral que é nossa
Que seu traquejo é roubar.

– Meu nível, eu não vou baixar
Ao chorume da carcaça
Sua Excelência não passa
De um ladrão de Bagdá.

– Tou cagando pro azar
Porque meu fundo é de ema
E trago um par de algemas
Pra Vossa Excelência usar.

– É melhor nós se acalmar…
Pouco mais tá dando um causo
Pois nós véve dos aplauso
Do povo desse lugar.

– Não é véve!
É convéve!
É por isso que eu me arreto!
Vossa Excelência é esperto
Mas não vale um grão de sá.

PAISAGEM DE INTERIOR

MISS FEIURA NENHUMA

É O XERÉM TRITURADO DA SAUDADE NO ANGU REQUENTADO DA ILUSÃO

Dez Altemares Dutras não me bastam
Num luar de cebola em serenata
Choro resmas de lágrimas nesta data
De algarismos do nunca-mais-voltar
Fico léguas, parado a ruminar
As palavras “se achegue” se achegando
A palavra “lindeza” se enfeitando
E a palavra “aliança” em sua mão
Lembro dela em tão doce comunhão
Que o açúcar é doado em caridade
É o xerém triturado da saudade
No angu requentado da ilusão.

Num pensar de silêncio acabrunhante
No azedume de um riso amarelado
Imagino nós dois amadrinhados
Qual ponteiros no vão do meio-dia
Duas valsas dançando poesia
Cinderelo abrandando a Cinderela
Um desfecho choroso de novela
Sem o “livrai-nos do mal” da extrema-unção
E um papel despautado de colchão
Com nós dois em sinal de igualdade
É o xerém triturado da saudade
No angu requentado da ilusão.

O MATUTO E O ENGENHEIRO

RASGA-RABO BAGUNÇADOR DE BAGUNÇA

CAMINHÃO DE MUDANÇA

Vai pela estrada um caminhão repleto de mudança
Levando a herança de herdeiros de poucos herdados:
Os engradados de uma cama finalmente em pé
Arca e Noé prisioneiros desse estaqueado
Encaixotados os tecidos, mimos e quebráveis
E os incontáveis cacarecos soltos remexidos
Dois falecidos num retrato olham pra paisagem
Guardando imagens e lembranças dos seus tempos idos.

Um velho espelho já trincado mostra o azul do céu
E o mundaréu ensolarado se faz de carona
Uma meia-lona sobreposta com o melhor arrojo
Se faz de estojo pra relíquia da velha sanfona
Uma poltrona escancarada de pernas pra cima
Fazendo esgrima com cadeiras, bancas e tramelas
De sentinela dois pilões de bojo carcomido
E um retorcido pé de bucha de flor amarela.

Em dois colchões almofadados dorme a bicicleta
E duas setas de uma caixa mostram dois achados:
Um emoldurado de retrato com um Jesus sereno
E o último aceno de saudade de um cortinado.
Desbandeirado segue o carro rumo a seu destino
Um peregrino pitombado de grande esperança
Vai, na boleia, um passageiro carregando sonhos
Vai, na traseira, dez carradas de velhas lembranças.  

Poema desenvolvido a partir duma visão poética repassada pelo cumpade David Sento-Sé.

MALANDRO NA ELEIÇÃO

* * *

Historinha de um pleito eleitoral – BÊ-Á-BÁ para as crianças sem partido.

Era uma vez um malandro
Que fugiu da detenção
Em tempos longes, mofados
De roubo e depravação
De malandragem finória
Daria até outra história
Não fosse a convocatória
Duma bendita eleição:

É que o malandro Moleza
Como era conhecido
Se escondeu num caminhão
Pra mode não ser detido.

E deu-se então uma fuga
De grande sabedoria
Pois tinha sido traçada
Com toda geometria:
Fugia ali de carona
Por debaixo duma lona
Por sobre a carroceria.

E já no fim da viagem
Quando o caminhão parava
Moleza foi espiar
Mais ou meno onde é que tava.

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AGORA, FALANDO SÉRIO

Tão inventando uma lei
Que ao pobre parlamentar não é permitido mais:

Botar a família pra viajar num teco-teco por conta da muda
Não pode dar uma banguela numa obra
Não pode arrumar uma boquinha dentro dum esquema
Num pode construir um castelo
Não pode comer bola
Não pode flanar na Europa com o cartãozão do governo
Não pode receber por fora mode gastar nas campanhas
Não pode pular de galho em proveito partidário
Não pode se dar bem num negócio mutucado
Não pode mentir pro povo
Empregar mulher, não pode
Empregar filho, não pode
Não pode empregar amante…

Tá com a molesta!!!

Acabou milho, acabou pipoca!

Quer que o cabra faça o quê?

Que vá trabalhar pro povo?
Que trabalhe por louvor?

Mas eu já vi o doutor
Desdizendo em contraponto:

– Nesse negócio de lei…
O cabra tem que ser macho.
Porque lei é feito cerca:
Foi fraca, passa por cima
Foi forte, passa por baixo

E priu.

Poema publicado em 2010 no livro Berro Novo

COISAS PRA SE DIZER BENZÓ-DEUS

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No lugar que caxete é comprimido
Tem coisa de se dizer benzó-Deus!
Da sabença de tantos Zebedeus
Ao rinchar dum jumento intumescido
Cangapé dum moleque mal-ouvido
Ou história dos que não têm história
Um Jesus bem cristoso e chei de glória
Protegendo nações de deserdados
Sanfoneiros com seus tarrabufados
Cantadores com suas trajetórias.

Sá-Zefinha ser mãe de tantos filhos
Bem dizer sendo uma zefinharia
Boiadeiro aboiando em sintonia
Com o blém-blém do chocalho que chocalha
Juremas com escoliose nas galhas
Respirando num solo ressequido
Um café bem torrado e bem fervido
Que agrada monarcas e plebeus
São coisas que se diga benzó-Deus!
No lugar que caxete é comprimido.

Benzó-Deus pra horta Chica Roxa
Verdezinha, pinicada de azulão
Pra bravura da mula em bestidão
Trabalhando sem nunca se enfarar
Benzó-Deus pra coalhada do luar
Despejando um manjar resplandecido
Pro matuto feliz e divertido
A despeito de ser tão maltratado
Cavucando uma roça no roçado
Esperando um inverno prometido.

Benzó-Deus quando o cochicho do vento
Despenteia e penteia o capinzal
Quando a loja serena de um  varal
Se alvoroça e sacode  a estamparia
Benzó-Deus pro carro-de-boi que chia
Imprimindo seu nome em chão-batido
Pro silêncio mais alto que o ruído
Feito um tempo amuado e mal-com-Deus
Benzó-Deus  pro marrom dos olhos teus
Faiscando um olhar enternecido.

ZÉ QUALQUER E CHICA BOA

BANDEIRA NORDESTINA

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capa12

A bandeira nordestina
É uma planta iluminada
É qualquer raiz plantada
Mostrando o caule maduro

É quando o sol varre o escuro
Com luz e sombra no chão
É quando germina o grão
É quando esbarra o machado
É quando o tronco hasteado
É sombra pra o polegar
É sombra pro fura-bolo
É sombra pro seu-vizinho
É sombra para o mindinho
É sombra prum passarinho
É sombra prum meninote
É sombra prum rapazote
É sombra prum cidadão
É sombra para um terreiro
É sombra pro povo inteiro
Do litoral ao sertão.

Essa bandeira que eu falo
Tem cores de poesia
Tem verde-folha-voada
Amarelo jaca-aberta…

Em tudo que é vegetal
Tem bandeira desfraldada
No duro da baraúna
No forte da aroeira
No panejar buliçoso
Das frondosas bananeiras
Nas bandeirolas dos coentros
E na marca sertaneja:

O rijo e forte umbuzeiro.

YOGA DE FOGUETE – BRASIL

O Brasil, meu cumpade,
Gigantão do jeito que é
E com as riquezas que tem
Era pra se mostrar profundo
De elegância aprumada
Feito yoga de foguete.

Mas não.
Fica ali acuado
Feito terreno de pé de barreira:

Muita frente e pouco fundo
As ribanceiras caindo
E aceitando qualquer basculho:

Catemba de coco
Lata véa, papelão
Molambo de encher Judas
Pneu de trator ao molho de dengue
Poste de alta tensão fraturado
Casca de cururu
Casca de cobra de deputado
Chocalho cascavélico de senador
Sujeira de ministro
Tênis mindinho com desejo de creche
Caixas de merenda vencida
Droga lacrada em coma profundo
Caco de copa do mundo
Imundícia-braba de esgoto
Pipa de linha-cortante de um garoto
Propaganda rasgada de Garotinho
Saco plástico voando fora da faixa de pedestre E uma placa de relevo capital:
NÃO JOGUE LIXO NESTE LOCAL

MANÉ CABELIM E A INTERNET

AVE-MARIA DAS MANGUEIRAS

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 7 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

* * *

Canta Marcela Quirino, filha do colunista Jessier

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O MATUTO E A MACONHA

BOA NOITE GENETON

Vinte e três de Agosto de dois mil e dezesseis

Por falta de aumentativo para denominar o trabalho do jornalista Geneton Morais (1956/2016), fico com: “de altíssimo nível”. Mas, tão alto, tão alto, que ultrapassou a fronteira das alturas e partiu.geneton

O jornalismo brasileiro está bem mais pobre.

No principiar deste ano de 2016, exatamente domingo, 03 de janeiro, Geneton passou aqui em casa, em Itabaiana, (indo pra fazenda da família que fica próximo), e, não me encontrando, deixou um bilhete.

Posteriormente tratamos do assunto: incluir um fragmento da canção Bolero de Isabel (de minha autoria), na trilha sonora do documentário Boa Noite Solidão. Um belíssimo filme gravado em Solidão PE, que, como disse bem dito, “extrapola o mero registro jornalístico e passa a ser uma aventura pessoal.”

Boa Noite Solidão procura entender pessoas, que, por livre escolha, nunca deixaram a cidade de Solidão, no sertão pernambucano, (lugarejo próximo a Afogados de Ingazeira), e se destacam por características incríveis.

Pra ficar só num exemplo, mostra um homem semi-analfabeto que construiu um veículo de carga (com jeitão de caminhão) com peças de oito carros diferentes. Hoje, entre outras coisas, presta serviços de abastecimento d’água à comunidade. O documentário foi exibido e reprisado pela Globo News.

Eu, orgulhoso de tê-lo conhecido, e, ancho feito peru fazendo roda, digo, digo e redigo: sou um homem de sorte: Tenho um trisco de uma música minha, num filme dirigido por Geneton Marais Neto, que trata com zelo a imagem do homem do Sertão.

PESQUISA REVELA O CROMOSSOMO DO ARIGÓ-DA-VAZANTE

Pesquisa detalhada:

Pesquisador: De onde vem a religião de vocês?
Arigó: A reza da gente vem de nós mermo.

P: Aqui tem lazer, diversão?
A: A diversão daqui somo nós mermo.

P: Aqui tem médico?
A: Os médicos daqui somo nós mermo.

P: Aqui tem escola?
A: A escola daqui somo nós mermo.

P: Aqui tem transporte?
A: O transporte daqui somo nós mermo.

P: Aqui tem corrupto enganador?
A: Os corrupto vieram aqui e saíram num transporte. Prometeram trazer: médico, escola, ônibus, diversão, mas já tão cercado.

P: Cercado por quem?
A: Pelos crocodilo.

P: E aqui tem crocodilo?????
A: Tem sim sinhô. Os crocodilo daqui somo nós mermo.

P: Por que vocês são assim?
A: Ah! Somo cromossomo.

(OBS. Acorda!!!! Abra-do-olho pro sortimento de ladrão)

O DR. JUÍZ E A ESCRIVÃ DO REGISTRO CIVIL DA CIDADE DE SOUSA – PB

Hoje não, mas na década de cinqüenta, fazer uma eleição no interior era lasca. Era pau-com-formiga bem formigado e o juiz tinha que se virar. Em 1957, quando os títulos eleitorais passaram a ter retrato, o Juiz de Direito de Sousa na Paraíba; um bom Juiz, dotado de humor e garra, cuidou do assunto com eficiência e gosto. Como a Justiça Eleitoral, pelo interior, não era suficientemente aparelhada, convocou as professoras primárias do Estado para a prestação de serviço à Justiça Eleitoral. O salão do antigo Sousa Ideal Clube era o local dos trabalhos, que seguia madrugada adentro.

O eleitor era obrigado a preencher a petição e não apenas datar e assinar o nome. A última coisa que fazia era a colocação da impressão digital na segunda parte do título e folha.

A Dona Maria escrivã (que gosta de dormir muito cedo), começou a cochilar, e, já pela meia-noite, espragatada numa preguiçosa e assoprando um cochilo, deixou passar dois eleitores sem colher a sua impressão digital.

Fui aí que o juiz, no oco do salão, alertou a escrivã com um vozeirão fornido e bem gritado:

Dona Maria!!!!! Desse jeito não pode ser, a senhora dormindo com as pernas abertas, e o povo saindo sem botar o dedo?!! Assim não pode.

(OBS. Adaptada do livro: Humorismo Souzense de: Plinio Leite Fontes e José Luciano Gadelha)

CONVERSA DE MANICURE

LEI DE COMBATE À ESCULHAMBAÇÃO

Toda e qualquer esculhambação
político-partidária
(para ser posta em plenário),
deve, primeiramente:
ser desesculhambatizada
para depois entrar no cacete.

Posteriormente,
já retirado os copos,
varrido os cacos e espanado a farinha
vai para o marceneiro da mesa,
por fim começa o diálogo.

Se ninguém cuspir na cara do outro vira Lei.

MANÉ CABELIM LTDA.

PAPEL-DE-BODEGA-

Faixa 14 do disco Papel de Bodega, que é parte integrante do livro de mesmo nome, publicado pelas Edições Bagaço.

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VÉSPERA DE FEIRA

São circos velhos quadrados, montados sem picadeiros
Pá,pá,pá e tome prego
Pá,pá,pá e tome prego
Puxa e repuxa arame; tome-lhe cunha e martelo.
Depois vem a empanada… assim, sem pano e sem nada.

Pi-bit! – Buzina os beiços
Avança um carro de mão, na mão e na contra-mão
Cachaça sem água tônica conduzindo a condução.

Óh o mei!…Óh o mei!….Óh o mei!!!
Passa um trem de chapeados
Um doido mamando gelo debocha dos desgraçados
É o pega-pa-ca-pá  que começa  incapetado.

Feirantes, galinhas e catrevagens
Se debulham da espiga duma velha lotação
Boléia deselegante de  alma chevrolezante
Travesti de caminhão.
Chega a discriminação discutir com dois pneus:
É um vira-lata rajado, magro, desqualificado
Que nem sabe onde nasceu.

Caçula sem caçulagem, fala com sua vidinha:
Eu não posso mais comigo… Filho de nada é nadinha!!
Ô calorzão aloprado! – Fala o pai, de mão inchada
Aterrando com farinha as tripas enfastiadas
E um lipigute de cana, duma garrafa à paisana
Aprumando a cusparada.

Cascas das primeiras frutas abrem escalas pelo chão
Causando ascensão e queda do primeiro escorregão.
Ah! Ah! Ah! Diz o sorriso… – Qualé a graça que há?
Todo cristão abusado tem queda pra escorregar!

Melancias: beiços verdes de sorridão encarnado
Jacas: peitinhos duros, abacates barrigudos do verde e do roxicado
As cabeleiras dos milhos, e carradas de cajus com castanhinhas no colo
E rabos de abacaxis  cheios de não-me-toques
Para tanta alegoria vão precisar de reboques!

É isso mesmo meu chapa! Todo feirante dá duro!
Encosta numa rudia, e é  noite em claro… no escuro.
No bate-asas dos galos, sacode toda preguiça feito cachorro molhado
Penteia a pessoa dele assim mei descangotado
Engole qualquer mastigo, diz que tá de sangue novo
E vai todo esprivitado
Caçar os últimos trocados da luta braba do povo.

O NÃO DO AMOR

Uma caboca faceira
Esqueletou meu juizo
Pousou sem nenhum aviso
No corpo nu da paixão.

Uma fofinha malvada
Uma fofura morena
Uma almofada de pena
De sobre-cu de pavão.

Meu tangedor de viver
Ganhou um trote seguro
Escutando com apuro
A fala dessa mulher
Nem escura nem acesa
Água quebrada a frieza
Na fonte do bem-me-quer.

Contorniei as fronteiras
Do corpo da caboquinha
Que nem a fada madrinha
Com varinha de condão
Que mesmo dizendo NÃO
Só parecia que sim
Pois NÃO de amor é assim
Se engana com o coração.

Porque o NÃO do amor
Tem sentido diferente
Um NÃO bem forte diz: NÃO!
Depois um NÃO displicente
Traz dez NÃOZINHOS manhosos
Pra bem juntinho da gente.

MATUTO DOENTE DAS PARTES

No tronco do ser humano
Nos finá mais derradêro
Tem uma rosquinha enfezada
Que quando tá inflamada
Incomoda o corpo intêro.

Se tossir se faz presente
Se chorar se faz também
O cabra não pode nada
Com nada se entretém
Eu lhe digo meu cumpade
Não deseje essa maldade
Pra rosca de seu ninguém.

Não sei o nome da cuja
Desta cuja eu tiro o “ja”
O que resta é quase nada
Bote o “nada” na parada
Quero ver tu agüentar.

Eu lhe digo meu cumpade
Que é grande humilhação
Um cabra do meu quilate
Adoecido das parte
Fazer uma operação.

Não suportando mais dor
O meu ato derradeiro
Foi procurar um doutor
Do “Bocá do Arenguêro.”

Do Bocá do Arenguêro
Fejoêro, Fiofó
Bufante, Frescó e Lôrto
Apito, Brote e Bozó.

De Furico, Fedegoso
Piscante, Pelado e Bóga
Fosquete, Frinfra e Sedém
Zuêro, Ficha e Vintém
De Ás de Copa e de Fóba.

De Oití, Ôi de Porco
Ané de Couro e Caguêro
De Gira-Sol e Goiaba
Roseta, Rosa, Rabada
Bôto, Zero e Mialhêro.

De Nó dos Fundo e Buzéco
De Sonoro e Pregueado
Rabichol, Furo e Argola
Ané de Ouro e de Sola
Boca de Véia e Zangado.

Um doutô de Aro Treze
De Peidante e Zé de Bóga
Que não aperte o danado
Nem deixe com muita folga.

Um doutô piscialista
Em Bocá da Tarraqueta
Doutô de Quinca e Dentrol
Zebesquete e Carrapeta.

Doutô de Rosca, Rosquinha
Tareco, Frasco e Obrom
Ceguinho, Butico e Zero
Tripa Gaitêra e Fom-Fon.

Mialhêro e Mucumbuco
Buraco, Brôa e Boguêro
For Ever, Cruaca, Urna
Gritadô, Frande e Fuêro.

Cano-de-Escape e Pretinho
Rodinha, X.P.T.O.
Zerinho, Subiadô
Tripa Oca e Fiofó.

Um doutô de Helidório
Ou de Boca de Caçapa
Que não seja inimigo
Também não seja meu chapa.

Tratador de Canto Escuro
De Boréu ou de Cheiroso
De Formiróide e Alvado
De Parreco e de Manhoso.

De Chambica e Cibazol
Apolonio e Fobilário
Bilé, Briôco e Roxim
Fresado, Anílha e Cagário
Vazo Preto, Zé Careta
Olho Cego e Espoleta
Fuzil, Fiôto e Fuário.

Não é doutô de ovário
É doutô de Oriol
De Cá-pra-nós e Bostoque
De Futrico e de Ilhó.

De Culiseu e Caneco
Roscofe, Forno e Botão
De disco, de Farinheiro
De Jolí, Fundo e Fundão
De Quo-Vadis e Fichinha
Que não venha com gracinha
E que que não tenha dedão.

Um doutô de Zé de Quinca
Canal 2 e Cagadô
Buzina, Vesúvio e Cego
Federá e Sim-sinhô
Fagulhêro e Zé Zoada
Rosquete, Fim de Regada…
…Eu só queria um doutor.

O doutô se preparou-se
Parecia Galileu
Aprumou um telescópio
Quem viu estrela fui eu
Ele disse arribe as perna
– Tenha calma, sonho meu
A partir daquela hora
Perante Nossa Senhora
Não sei o que sucedeu.

C’as força da humildade
Já me sinto mais milhó
Me desejo um anus novo
Cheio de verso e forró
Pros cumpade, com franqueza
Desejo grande riqueza:
Saúde no fiofó.

PENSAMENTO SERTANEJO

Tou pensando nos pássaros sertanejos
Quero-quero e anum carrapateiro
Tou pensando no canto boiadeiro
Êh êh êh…rê ! Malhada e Ventania !
Tou pensando no sapo, rã e jia
Orquestrando o amem da hora santa
Na insônia do grilo que me encanta
Na leveza dum fole bem tocado
No vergel que se espalha no roçado
No prazer de ver planta que se planta.

Trago no assoalho da garganta
O entalo de lindos pensamentos
Da tristeza amuada dos jumentos
Tais e quais um bruguelo desbriado
Do vexame bem dispranaviado
Do doidim que traz água na ancoreta
Do cachimbo de Dona Mariêta
Numa reza de limpa de quebranto
Do espelhinho, missal, de terço e santo
Na banquinha do lado da maleta.

Tou pensando na sala e na saleta
Com jarrinho de flor bem aguádo
Na fachada triângulo bem pintado
Rodeado de traços em relevo
Vira-lata mijão fazendo frevo
Quando avista seu dono despresente
Lavadeira batendo lentamente
Tricoline, fustão, bramante e linho
E um menino caçando passarinho
Badocando e pisando mansamente.

Tou pensando no homem paciente
Com direito de ali nunca ter nada
Do trabalho arrastado na enxada
Cavucando o terroso continente
E apesar de sofrido este valente
Solta um riso risido e clareado
Faz um verso na hora improvisado
Tão inédito que nunca é repetido
Quem não  presta atenção sai ressentido
De perder o que nunca é reprisado.

Tou pensando no cego ter falado
Que a idade não capa pensamento
Que fumaça não tapa firmamento
Que igreja não capa o vigário
Que cadeia não cura o salafrário
Que senado não pune o deputado
E o ceguinho fazendo o pontiado
E molhando a palavra numa cana
No balcão da bodega de Mãe Nana
Com cerquinha pros copos emborcados.

Tou pensando aqui com meus lembrados
No aconchego da casa praciana
No terraço se tira uma pestana
Depois dum almocim bem palitado
Essa casa tem jeito alpendrado
Tem o dom de não ter uma garagem
Tem um muro baixinho e arvoragem
E o ambulante gritando: Garrafeeiro!!!
Êh  jornal, êh  garrafa, êh litro e meio!
E os moleque juntando a miudagem.

MATUTO BOM DE CAMA

O matuto, véio-madurão da casca grossa, casou-se com uma matutinha bem mais nova que ele. No primeiro parto da mulher, nasceram três bruguelinhos, desses de dar gosto de olhar.

O Doutor trouxe as crianças, uma a uma, e colocou dentro dum cesto grande, forrado de branco e sapecou a pergunta:

– O senhor é o marido dessa senhora que teve três crianças?

– Sô sinhô!

– Mas que velhinho danado é o senhor! Fazendo três filhos de uma só vez?!

– Ah Doutor, e é porque a cama lá na hora, pufo!!! se quebrou… Se não tivesse se quebrado a gente tinha enchido esse balaio!

.

UMA PAIXÃO PRA SANTINHA

Xanduca de Mané Gago
Tinha querença mais eu
Me vestia de abraço
Bucanhava os beiço meu
Era aquele tirinete
Parecia dois colchete
Eu in nela e ela in nêu.

No apolegar das tetas
Nos chamego penerado
Nas misturação das perna
Nos cafuné do molengado
Nos beijo mastigadinho
Nos açoite de carinho
Nós era bem escolado.

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UM SONHADOR MAGINANDO

Música da autoria deste colunista, interpretada com Dominguinhos.

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