22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

NAS MÃOS DE CÁRMEM LÚCIA

José Casado

Com a ausência do juiz Teori Zavascki abre-se um novo ciclo para 364 pessoas e empresas investigadas por corrupção na Petrobras e outras empresas estatais.

É a presidente do tribunal, Cármen Lúcia, quem vai decidir o destino das oito dezenas de inquéritos, nos quais se destacam 48 políticos acusados e com processos em andamento. Será uma determinação solitária – e, talvez, a mais relevante – a ser tomada por essa mulher de 62 anos, disciplinada nos hábitos espartanos de uma família de portugueses pobres que migraram para Montes Claros, Minas Gerais.

Ela possui alternativas dentro do regimento do tribunal. Qualquer que seja, porém, terá o traço característico de uma Corte onde os 11 juízes são políticos de toga – nos últimos anos alguns deles têm feito questão de acentuar essa peculiaridade, até correndo o risco de carbonização das próprias biografias.

Uma das possibilidades é a presidente do Supremo alegar excepcionalidade e até avocar os casos, acumulando a tarefa de relatoria que estava com Teori com a presidência do STF. Outra é aguardar a substituição de Zavascki, iniciativa que a Constituição reserva ao presidente Michel Temer.

Uma terceira opção, que em Brasília era considerada a mais provável, é a redistribuição da relatoria dos casos por sorteio eletrônico entre os integrantes da segunda turma de julgamento do tribunal, onde estavam Zavascki, os inquéritos e processos sobre corrupção nas empresas estatais. Cármen Lúcia seria provocada por um requerimento do procurador-geral Rodrigo Janot. A segunda turma está hoje composta pelos ministros Gilmar Mendes, que a preside, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.

Para a vaga aberta seria deslocado um dos ministros da primeira turma – possivelmente, Edson Fachin. A lógica da escolha seria a de que a segunda turma do STF já tem o conhecimento, a jurisdição e já tomou uma série de decisões nos inquéritos e processos (no jargão jurídico, está “preventa”).

Em qualquer decisão, porém, o regimento terá de ser aplicado em fina sintonia com uma realidade política, na qual o Supremo tende a zelar por sua imagem. Tudo indica que haverá uma inflexão no caso Lava Jato. Por enquanto, é impossível determinar o rumo.

Por isso, as apostas feitas ontem por líderes políticos interessados no desfecho dos inquéritos e processos contêm dose de sapiência similar à da compra de um bilhete de loteria.

A única certeza está estabelecida na Constituição: Michel Temer estava destinado a cumprir o mandato sem indicar um só ministro para compor o STF, mas desde a tragédia de ontem está em busca de um substituto para Teori Albino Zavascki, 68 anos, o juiz que saiu de Faxinal dos Guedes (SC) para a Praça dos Três Poderes, onde se destacou pela técnica e sobriedade.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

É SÓ PROCURAR

“Torço para que o acidente tenha sido acidental. Não gostaria de ser órfão de um pai assassinado.”

Francisco Zavascki, advogado, filho do ex-ministro Teori.

* * *

Também torço para que não tenha nenhum sinistra imagem celso-danielesca por trás deste acidente.

Mas, enfim, vivemos numa Banânia que foi gunvernada por mais de 13 (Argh!!) anos por um bando criminoso.

Vejam o que disse a irmã de Teori, Delci Zavascki Salvadori, uma senhora de 70 anos, moradora da cidade de Faxinal dos Guedes (SC), onde o ministro nasceu:

Tenho medo de que possa ter muita coisa por trás. Quero que façam uma boa investigação. A nossa família sempre esteve muito preocupada com o trabalho dele na Lava Jato, mas o Teori sempre nos dizia para ter calma, porque andava com muitos seguranças.”

Prevenido, o falecido não dispensava os seguranças. Infelizmente, ele só não tinha poder sobre segurança aérea e segurança de aviões.

Em maio de 2016 o Dr. Francisco Zavascki, filho de Teori, escreveu assim na internet:

Atenção, autoridades e investigadores, conforme disse o filho do ministro, “vocês já sabem onde procurar“.

Mãos à obra.

Vão lá e procurem.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

RATOS AÉREOS

Era abril de 2014 quando um homem chegou ao hangar de uma empresa de táxi-aéreo em Brasília.

Carregava uma mochila nas costas e, sem delongas, mostrou ao funcionário um bolo de dinheiro vivo. Sacou a seguir uma máquina para contar as cédulas. Somavam R$ 105 mil.

O dinheiro se destinava a pagar pelo uso de um jatinho, dias antes, para uma viagem a Punta del Este, Uruguai. Quem pagou foi Pedro Medeiros, que fazia o papel de homem da mala para seu primo influente, o empresário Benedito de Oliveira Neto, o Bené, delator na Operação Acrônimo (da Polícia Federal, para investigar lavagem de dinheiro para campanhas eleitorais).

O principal convidado do voo era Fernando Pimentel, então pré-candidato ao governo de Minas Gerais e amigo de Bené.

A viagem a Punta del Este é um símbolo da próspera relação entre o petista Fernando Pimentel, Bené e o grupo imobiliário JHSF, de São Paulo.

De um lado, Pimentel ganhou a viagem, doações eleitorais e R$ 1 milhão em caixa dois, segundo admitiu à Polícia Federal um executivo da JHSF.

Em troca, a empresa tinha em Pimentel um lobista dentro do governo Dilma – ele era ministro do Desenvolvimento e tinha poder sobre o BNDES.

* * *

A paixão dos ratos petralhas de alta linhagem por aviões de empreiteiros é coisa proverbial

Pimentel apenas segue a linha de ação de Lula, o Rei dos Jatinhos, quando usa e abusa da “bondade” dos corruptores ativos.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MORO, NÃO PEGUE AVIÃO

Ruth de Aquino

É inédito no Brasil o sentimento de orfandade pela morte de um juiz. Um juiz sereno e fechado do Supremo Tribunal Federal. Um juiz que raramente sorria ou estrelava manchetes, tão discreto e dedicado ao Direito como missão de vida. “O Teori morreu!”, ouvia-se pelas ruas, de gente simples, triste e chocada como se fosse parente. “O Teori estava no avião que caiu!” “Será que foi mesmo acidente?”

Num país que começa 2017 machucado pelo caos na segurança pública e pela ousadia cruel de facções criminosas – dentro e fora dos presídios, nos ônibus, nas praias, nas praças -, num país com famílias empobrecidas pelo desemprego e pela falência de estados mal geridos, com paralisação de obras e serviços essenciais, é impressionante o luto aturdido que tomou conta das ruas. O artigo definido antes do nome denota intimidade. “O” Teori tinha se tornado muito mais que um juiz togado do STF, num Brasil ansioso por punir as quadrilhas de poderosos que roubaram do povo e das estatais.

Mistura de poloneses e italianos, catarinense de origem, gremista apaixonado, viúvo, pai de três filhos – dois advogados e um médico -, Teori Zavascki tinha fama de “ministro técnico”. Dizia ignorar se isso era “elogio ou crítica”, em seu humor irônico.

Com perdão da generalização, o caráter nacional é exibicionista. Toda hora tem fulaninho ou fulaninha que corre para os holofotes e fala para os repórteres. Teori ficava na dele, morava sozinho em apartamento funcional em Brasília desde a morte da mulher, também juíza, há três anos. Sempre que dava, ia a Porto Alegre para visitar os filhos e a cidade onde se formou.

Teori foi abatido pelo destino em pleno voo. Aos 68 anos, estava em curva ascendente, prestes a desempenhar seu maior papel, como relator e guardião da Lava Jato: tinham sido marcadas para a próxima semana as delações premiadas de 77 executivos da Odebrecht. Depoimentos que envolveriam em malfeitos o maior número de políticos já visto na História de nossa República.

Esses depoimentos devem ser cancelados até que um novo relator substitua Teori. Para ter uma ideia do que estava a cargo de seu gabinete, eram 800 depoimentos, 40 inquéritos e três ações penais. Tudo associado aos desvios da Petrobras. Teori não permitiu que o recesso de janeiro parasse totalmente os trabalhos. Ganhou a ajuda de uma força-tarefa.

Dá para entender a comoção diante da perda irreparável de um homem honesto e dedicado. A morte súbita, na queda de um bimotor sofisticado, a apenas 2 quilômetros da cabeceira da pista em Paraty, a apenas 2 quilômetros da continuidade da vida, é difícil de absorver. Teori talvez não estivesse consciente do que simbolizava para o Brasil: a garantia de um desfecho isento para o gigantesco processo de corrupção multimilionária envolvendo políticos e empreiteiros. Um processo que, a cada delação, enoja a todos, mas nos dá a esperança de que o assalto aos cofres públicos não se repetirá, caso os meliantes de colarinho branco sejam punidos.

Nem mesmo a investigação rigorosa do acidente de avião deveria atrasar a Lava Jato mais que o necessário. Passa a ser ainda mais crucial o papel da presidente do STF, Cármen Lúcia, que pode redistribuir os processos da Lava Jato entre os juízes da Segunda Turma, mais familiarizados com a investigação. São quatro os ministros: Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Celso de Mello.

Ninguém melhor que a mineira Cármen para liderar essa transição e descobrir o caminho menos pedregoso e escorregadio. Nisso, temos muita sorte. Espero que o processo da Lava Jato não fique nas mãos do novo ministro do STF a ser nomeado por Michel Temer. Seria outro acidente pavoroso, outro desastre, outra tragédia.

Como disse uma vez Teori a repórteres, explicando por que não poderia se manifestar quando a defesa de Lula recorreu à ONU: “Cada macaco no seu galho”. Se cada macaco ficar no seu galho, se não apelarmos para soluções estranhas, como entregar o processo da Lava Jato ao ministro de Temer ou ao juiz Sergio Moro, temos chance de manter o legado de Teori.

Entre suas decisões no Supremo, Teori acatou a liminar que afastaria Eduardo Cunha da presidência da Câmara. O mesmo Teori permitiu a absolvição de José Dirceu no mensalão e, anos depois, rejeitou o pedido de José Dirceu para deixar a cadeia. Criticou vazamentos das delações, mas revogou sigilo nas investigações sobre a Petrobras.

Foi Teori quem sugeriu o nome de Sergio Moro para ajudar a ministra Rosa Weber no julgamento do mensalão em 2005. Acertou. Por favor, Moro, não entre em aviões pequenos, mesmo os sofisticados. “Sem Teori, não haveria Lava Jato”, disse Moro. Sem Moro, também não. Nesse capítulo de nossa História, ambos são insubstituíveis, cada um a seu jeito.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

BRASILEIROS PREFEREM TEORIA DA CONSPIRAÇÃO PARA MORTE DE TEORI

Oitenta e três por cento dos brasileiros acham que a morte de Teori Zavascki foi um atentado, segundo o Instituto Paraná de Pesquisa. E por mais que se negue, ninguém jamais vai acreditar que o homem que tinha o poder de manter os poderosos na cadeia teria sofrido um acidente, uma mera fatalidade. Para dissipar toda as dúvidas, o governo precisa se empenhar em elucidar o caso com uma investigação consistente e minuciosa que prove por a mais b que o ministro não foi assassinado pelas mãos de mercenários a serviço do crime organizado. A primeira reação da população ao acidente aéreo de Teori foi a de uma morte planejada, a exemplo do que ocorria na operação Mãos Limpas, na Itália, quando os mafiosos assumidamente explodiam juízes. Aqui, se houve um atentado, nenhuma organização jamais vai assumir porque, em matéria de crimes misteriosos, evoluímos à sofisticação inimaginável.

Assim como você que me lê, eu também tenho dúvidas que me levam a crer na teoria da conspiração por alguns erros que se cometem em casos como esses de repercussão internacional, que poderiam ser chamados de queima de arquivo. Senão, vejamos algumas curiosidades: já que todos os passageiros foram declarados mortos, por que não esperar uma perícia especializada para remover os destroços da aeronave de modo a não se perder vestígios de um provável atentado? A exemplo do PC Farias, o local foi desfeito dificultando uma investigação científica do caso. Os pedaços do avião foram retirados do mar atabalhoadamente, sem o menor critério para um caso como esse que deixou o mundo perplexo e vai sempre suscitar dúvidas.

Por que o ministro não era protegido por agentes federais, já que alegou diversas vezes que sofria ameaças de morte, como ele próprio revelou, e seu filho confirmou? Se estava escudado por agentes, por que eles também não embarcaram na aeronave? Como esse avião foi preparado para a viagem do ministro? Quais os técnicos aeronáuticos que deram o sinal verde para o voo? Há quanto tempo esta viagem estava programada? Quem programou e quem sabia antecipadamente desse percurso? Por que a demora em identificar o piloto, quando se sabe que a identificação é registrada na saída do aeroporto, como é de praxe? E o mais grave: por que Teori iria descansar na casa do empresário Carlos Alberto Ferreira Filgueiras, dono do avião, sócio do BTG Pactual, cujo presidente André Esteves fora solto por ele na operação Lava Jato?

Se a gente for analisar o caso da morte do ministro apenas pela teoria da conspiração, muita gente poderosa e endinheirada tinha motivos para planejar um atentado contra ele. No próximo mês, Teori já havia comunicado que iria quebrar o sigilo de toda delação premiada da Odebrecht, onde seriam revelados nomes de autoridades comprometidas com a corrupção no país, a maior do que se tem notícia no mundo. O ministro, tido como casca grossa, manteve quase cem por cento todas as sentenças do juiz Sérgio Moro e não relaxou prisão de réus da Lava Jato, com exceção de André Esteves. Ao contrário de alguns de seus pares que gostam de plateia, atinha-se a forma da lei com a discrição que cabe a um integrante da suprema corte do país.

O caso em que o ministro trabalhava, o da corrupção de bilhões de reais em vários países, é um dos mais nebulosos do mundo. Envolve pessoas do mais alto quilate: empresários, políticos, presidentes e ex-presidentes; banqueiros e altos executivos de empresas estatais e privadas, muitos ainda engaioladas e sem chances de liberdade. Portanto, dinheiro não faltaria para alguém encomendar a morte do chefe de um processo como esse que até então caminhava para levar aos presídios dezenas de magnatas envolvidos com propinas.

Os mercenários estão por toda parte. Normalmente, esses grupos, veteranos de guerra, trabalham a soldo do crime. São especialistas em atentados que não costumam deixar rastros dos seus atos pela perfeição com que os cometem. Dinheiro para essas empreitadas é que não faltaria.

Se existem controvérsias quanto a morte acidental do ministro e seus acompanhantes, o governo precisa dar transparência ao caso para que não pairem dúvidas quanto à seriedade das investigações. Costuma-se, no Brasil, evocar o sigilo em processos como esses para que tudo caia no esquecimento. Os membros do Supremo Tribunal Federal não devem permitir que isso aconteça porque todos agora estão vulneráveis enquanto as investigações não chegarem a uma conclusão convincente sobre a morte de Teori.

Pela teoria da conspiração, os brasileiros já deram seu veredicto: o ministro foi alvo de um atentado. E ponto final.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

DE PONTA CABEÇA

Um pedreiro aposentado construiu uma casa de cabeça para baixo, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. A construção, que tem quartos, banheiro e cozinha, tem chamado a atenção dos moradores da cidade.

Por dentro, a casa parece normal, com todos os cômodos de uma construção tradicional. Mas, do lado de fora, tudo é invertido para parecer que a casa está de ponta cabeça.

O telhado fica na parte de baixo, encostado no gramado. A chaminé e até a caixa d’água também se apoiam no chão, para dar sustentação à construção.

As janelas e as portas foram colocadas no alto da casa, também na posição invertida. E como a porta é apenas um “enfeite”, sem serventia, a entrada da casa fica na parte de trás.

* * *

Segundo apurou o JBF, o pedreiro – que é um homem sábio e chefia uma linda família -, declarou que a casa representa o Brasil pós-PT.

A parelha satânica Lula/Dilma virou esta terra de cabeça pra baixo.

Vôte!

Vou aproveitar o tema da postagem pra botar no ar a música “De cabeça pra baixo“, de autoria do saudoso Raul Seixas.

E começarmos o domingo com música!

21 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

AGUARDANDO O STF

21 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO SÁBADO – XALEIRANDO O GALEGÃO

* * *

Faço questão de dar destaque ao novo prisidente dos Zistados Zunidos e botar nesta gazeta escrota a notícia de que ele dançou ontem com Melania no baile de posse.

Informantes fubânicos bem posicionados me disseram que o rela-bucho prisidencial foi tão arroxado que Trump saiu do salão da pau duro.

Xaleiro, corto jaca, babo ovo e puxo saco descaradamente do cabra mais puderoso do Planeta Terra, na esperança de que ele descole alguns pixulecos dolarificados pra tirar esta gazeta escrota da miséria em que ela se acha.

Vou enviar esta postagem para a Casa Branca ainda hoje de manhã.

Quem quiser dar um passeio na página da Uaite Rause, é só clicar aqui.

Ou, mais ainda, quem quiser ver um vídeo com 5 horas de duração (é isto mesmo: 5 horas!) sobre as festas de posse do galegão, clique aqui.

Fecho a postagem com Frank Sinatra cantando My Way, título em inglês da canção francesa Comme d’habitude, da autoria de Claude François. A música que o amostrado Trump dançou com a inxirida Melania no baile prisidencial.

Aliás, esta música tem uma particularidade: a letra começa dizendo que “E agora que o fim está próximo…“.

Vôte!

Num se esqueça d’eu não, Seu Trump!!!!

Chuplicleide, secretária da redação, tá rezando pelo seu sucesso!!!

21 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O ESPÓLIO DE TEORI ZAVASCKI

Ruy Fabiano

A sucessão de Teori Zavaski no STF é a mais politizada de que se tem notícia, num tribunal que, embora não exclua a política, não a tem (pelo menos não a deveria ter) na sua essência institucional.

Pela primeira vez, os partidos se envolvem ferozmente na indicação de um ministro daquela Corte – e isso, claro, deriva da Lava Jato. A vaga de Teori tem carga dupla: agrega à de ministro a de relator dos processos da Lava Jato com direito a foro privilegiado. Estão em jogo, na verdade, duas vagas.

Teori morreu dias antes de homologar as delações premiadas de 77 executivos da empreiteira Odebrecht, que, entre outros, cita o presidente da República, Michel Temer, alguns de seus ministros e ex-ministros, os dois ex-presidentes da República que o precederam (Lula e Dilma) e cerca de duas centenas de parlamentares – do alto e do baixo clero, indistintamente – em delitos diversos.

Sobra pouca gente. Daí o indisfarçável teor político de sua sucessão. Quem herdará esse espólio explosivo? A dobradinha PSDB-PMDB postula, com a simpatia de Temer, a indicação do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que há dias teve sua demissão pedida pelo PT (o que lhe conferiu mais prestígio que problemas).

Carmem Lúcia, presidente da Corte, quer, no entanto, uma mulher naquela vaga, a advogada Geral da União, Grace Mendonça, vista como simpatizante da velha ordem petista, mas apresentada ao presidente como um quadro técnico.

Temer se inclina por Alexandre. Com ele, mataria dois coelhos de uma só vez: se livraria de um ministro da Justiça boquirroto, sem perfil executivo, e garantiria um aliado no STF, que pode vir a julgá-lo e a alguns de seus mais eminentes colaboradores.

E ainda: quer que o sucessor de Teori herde também a relatoria da Lava Jato. Carmem Lúcia e a maioria do STF, não. A lei atende a ambos os lados: permite também que os processos sejam redistribuídos ao plenário enquanto o rito sucessório, que envolve Executivo e Senado, se processa.

O Regimento do STF, em dois artigos (38 e 68), menciona como situações excepcionais para a redistribuição imediata dos processos a necessidade de não atrasá-los. É o caso.

Pode haver também, com o consenso do plenário, a opção por um nome, sem sorteio, hipótese vista como a mais provável, em que os mais cotados são os do decano Celso de Melo e de Edson Fachin.

A OAB, por meio de seu presidente, Cláudio Lamachia, endossa essa solução interna imediata, pela redistribuição dos processos. E aponta ainda outro problema, de ordem ética e política, para se contrapor ao desejo do Planalto de preencher as duas vagas com o mesmo nome, a ser indicado pelo presidente:

“Nas circunstâncias singulares deste momento, em que os condutores do rito de nomeação – Executivo e Senado – têm alguns de seus integrantes mencionados nas delações, optar por essa alternativa (a de atribuir ao ministro a ser nomeado o espólio processual de Teori) é dar margem a controvérsias e questionamentos, que não contribuem para a paz social.”

Seja como for, Alexandre de Moraes já tem um cabo eleitoral no STF, que o defende abertamente: o ministro Marco Aurélio Mello.

Procurador da República, professor de Direito Constitucional (titular em duas faculdades eminentes de São Paulo (a do Largo de São Francisco e a Mackenzie), Moraes é autor de obras de referência, citadas, inclusive, no STF. Os que o patrocinam o veem como alguém desperdiçado num cargo avesso a seu perfil (ministro da Justiça), quando sua bagagem jurídica o credencia aos tribunais.

Não há dúvida de que Moraes atende ao requisito constitucional de notório saber jurídico. O único problema é que essa bagagem foi contaminada pela política: não apenas serviu a governos tucanos, mas é filiado ao PSDB, aliado do governador Alckmin.

Não seria o primeiro a chegar ao STF com carteira partidária: Carlos Ayres Britto foi fundador do PT em Sergipe, Dias Toffoli advogado do PT e ex-chefe de gabinete de José Dirceu, Nélson Jobim foi deputado pelo PMDB e ministro da Justiça de FHC. Etc.

O agravante é que Alexandre de Moraes chega numa hora em que os partidos, inclusive o seu, estarão no banco dos réus. Pode até chegar, mas não herdar, sem provocar controvérsia, o espólio de Teori, transmutando-se dessa forma em juiz dos que o nomearam.

21 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O REI DO ÓLEO DE PEROBA

Renan Calheiros virou fenômeno de antagonismo nas redes sociais.

Conseguiu ser hostilizado por mais de mil comentários na publicação onde ele lamenta a morte do ministro Teori Zavascki.

* * *

Cara-de-pau não é Renan.

O Rei do Óleo de Peroba é outra tenebrosa figura banânica.

O que Lapa de Cínico postou na internet dá ânsias de vômito.

Confesso a vocês que corri pro meu pinico quando acabei de ler o que ele botou nos ares (num texto escrito por um assessor, claro)

Vejam:

21 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO SÁBADO – EDITOR INXIRIDO

A primeira-dama Marcela Temer, embaixadora do programa Criança Feliz, passará da fase preparatória para o estágio de mobilização do programa e participará, nesta segunda-feira (23), em Brasília, de um evento com gestores do Criança Feliz na região Centro-Oeste.

Como embaixadora, o papel da primeira-dama é divulgar o programa e promover eventos e reuniões com estados e municípios.

* * *

Ai, ai, ui, ui…

Chega se assuspirei-me quando olhei a foto da nossa Primeira Dama.

Se eu pudesse, viraria criança e estaria lá no evento na próxima segunda-feira.

Suspiros, suspiros…

Ai, ai…

20 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O PESAMENTO VOA

Levantamento feito pelo Instituto Paraná Pesquisas revelou que 83,1% dos brasileiros acreditam que a morte do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki foi resultado de um crime.

Para os entrevistados, a queda da aeronave que levava o ministro relator da Lava Jato foi proposital.

* * *

Como é mesmo a letra daquela música?

Hein?

“O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa, quando começa a pensar…”.

Pois é.

Quando eu vi o resultado desta pesquisa aí de cima, se alembrei-me logo do assassinato de Celso Daniel.

Num sei mesmo a razão…

Vôte!

Mergulhador para o piloto do barco: “Aqui tem coisa…”

20 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEXTA-FEIRA – ELEIÇÕES E POSSES PELO MUNDO

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Informo aos distintos leitores desta gazeta escrota que ainda neste corrente ano de 2017 publicaremos mais duas notícias sobre posses de prisidentes istranjeiros.

Cuba e Coréia do Norte terão eleições prisidenciais nos próximos dias.

O JBF vai enviar o repórter fubânico Num-Quero-Enxergar-Nada para cobrir os dois eventos.

Ele irá nos informar com detalhes tudo sobre as eleições nestas duas grandes potências democráticas do planeta Terra.

Por uma incrível coincidência, as eleições nestes dois países serão realizadas no próximo dia 30 de fevereiro.

Raul Castro e Kim Jong-un irão dar posse aos seus sucessores – ambos escolhidos pelo eleitorado dos seus paises em eleições livres, diretas e democráticas -, no dia 1º de abril

20 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

HUM… QUE ESTRANHA COINCIDÊNCIA…

O filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, que morreu nesta quinta-feira (19) num acidente aéreo, havia denunciado ameaças a sua família em maio do ano passado.

Em post nas redes sociais, Francisco Prehn Zavascki, expressou preocupação pela segurança de membros da sua família, poucos dias depois do afastamento da ex-presidente Dilma do cargo, no processo de impeachment.

Francisco Zavascki escreveu:

* * *

Sei não, sei não…

Muito estranho mesmo este “acidente”…

Como costuma dizer o fubânico petista Num-Quero-Enxergar-Nada, este povo tá enxergando jacarés embaixo da cama.

“Tanto lugar decente pra eu aparecer, e minha foto sai logo nesta merda desta gazeta escrota. Putz”

20 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

HERÓI BRASILEIRO

NOTA DE PESAR DO JUÍZO DA 13ª VARA FEDERAL DE CURITIBA

“Tive notícias do falecimento do Ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki em acidente aéreo. Estou perplexo. Minhas condolências à família. O ministro Teori Zavascki foi um grande magistrado e um herói brasileiro. Exemplo para todos os juízes, promotores e advogados deste país. Sem ele, não teria havido a Operação Lavajato. Espero que seu legado, de serenidade, seriedade e firmeza na aplicação da lei, independente dos interesses envolvidos, ainda que poderosos, não seja esquecido.”

Curitiba, 19 de janeiro de 2017
Sergio Fernando Moro
Juiz Federal
13ª Vara Federal de Curitiba

19 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

ACIDENTE??? A MORTE DE TEORI ZAVASKI

19 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O NOVO RELATOR DA LAVA JATO

19 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

RATO NO CHORORÔ

A situação da Sérgio Cabral anda chamando atenção de quem é pago para vigiá-lo.

Preso em Bangu, o ex-governador continua completamente deprimido.

As piores crises de choro, com soluços em alto volume, podem ser ouvidas por carcereiros que ficam a até 50 metros de distância da cela de Cabral.

* * *

Francamente, me dá uma pena danada.

Não posso ver um corrupto chorando que eu também caio no choro.

Choro mais que um crocodilo.

Xiuf, xiuf, snif, snif…

“O pior não é chorar: o pior é sair chorando nesta porra deste jornaleco escroto”

19 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

POSSE DE VEREADORES É ESPELHO DO PAÍS

19 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – O PÃO DELES DE CADA DIA

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A Presidência da República lançou três editais que preveem R$ 356 mil para a compra de pães, croissants, frutas, verduras e queijos que deverão ser servidos ao longo deste ano nas dependências do Palácio do Planalto e em pequenos eventos no Distrito Federal.

As licitações estão marcadas para 25 de janeiro.

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Acabei de enviar mensagem pro prisidente Michel Cara-de-Tabaca sugerindo que esta aquisição panífera seja feita na Padaria Brasil, em Palmares, de propriedade do meu amigo Necão.

Além da compra sair mais barata, o JBF, servindo como atravessador, ainda receberia uns pixulecos por fora.

Já daria pra pagar o décimo terceiro de Chupicleide, secretária da redação, e ainda sobraria uns trocados pra este Editor fazer a feira.

Chupicleide: “Tô fudida mesmo; este 13º num sai nunca; que jornal escroto que só a porra”

19 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

PRESTANDO UMA MERECIDA HOMENAGEM

O STF deve homologar o acordo de Marcelo Odebrecht com a Lava Jato nos próximos dias.

Em seu depoimento, ele contou que usou o dinheiro roubado da Petrobras para comprar o terreno do Instituto Lula e a cobertura do ex-presidente em São Bernardo do Campo.

Esse depoimento será imediatamente anexado ao processo contra Lula.

Ainda em janeiro, portanto, a justiça terá todos os elementos para julgar o recebimento de propina e a lavagem de dinheiro por parte de Lula.

* * *

Vamos botar Polodoro pra rinchar.

Já faz tempo que o nosso querido jumento fubânico não recebe serviço.

Vamos botá-lo pra rinchar em homenagem a todos os alienados mentais que elegeram e (como se isto não bastasse!!!) reelegeram Lula.

E, mais que isso, Polodoro vai rinchar em homenagem aos alienados mentais que, até hoje, canonizam, batem palmas e carregam o andor com  imagem de Lapa de Corrupto.

Carregam o andor pisando na lama fétida que sai do caudaloso esgoto alimentado pela ladroagem e pelo cinismo do maior guabiru que Banânia já teve, desde o seu descobrimento.

Os débeis mentais carregam o andor sem o menor pudor, sem o menor constrangimento, sem um pingo de vergonha no fucinho!!!!!!

Vamos lá, Polodoro, vamos prestar uma homenagem à altura destes tabacudos.

Rincha, Polodoro!

18 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

NO MESMO PINICO

Um dos principais aliados do governo Dilma Rousseff, que se posicionou contra o impeachment, o PCdoB decidiu apoiar oficialmente a candidatura de Rodrigo Maia (DEM) à presidência da Câmara.

A decisão foi tomada na terça-feira, 17, após uma reunião da bancada – formada por 12 deputados.

* * *

Não custa nada ressaltar e escrever por extenso: PCdoB é a sigla do Partido Comunista do Brasil.

Já o mauricinho bochechudo, o Rodrigo Maia, é figura de destaque e um dos cabeças do DEM, aquele partido que é representante da direita deztepaiz.

Uma união de siglas que muito enaltece e dignifica estas duas merdas banânicas: DEM e PCdoB.

É tudo tolôte do mesmo pinico.

O socialista, progressista, revolucionário e zisquerdista PCdoB não pode, de modo algum, ficar fora da ansiada e ofegante pilhagem que se faz em torno dos cargos disponíveis na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

A colunista fubânica Jandirão que o diga.

18 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUARTA-FEIRA – ATRÁS DO BALCÃO DE NEGÓCIOS

* * *

Negociar é uma palavrinha que está sempre associada a estas bostas nacionais chamadas de partidos políticos.

Todas as siglas vivem negociando.

Mas nunca antes um verbo esteve tão bem associado a uma sigla como neste manchete aí de cima: PT e negociar.

Uma organização criminosa e a mercantilização: um casamento perfeito.

18 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUARTA-FEIRA – PROCURADOS

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Já os procurados nacionais foram mais felizes.

Os que tem triplex na beira da praia e sítio em aprazíveis paisagens bucólicas, estão a salvo de qualquer aperreio.

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18 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUARTA-FEIRA – PREJUÍZO MILIONÁRIO

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Como disse Ceguinho Teimoso, a devolução desta fortuna à nossa espoliada estatal só foi possível graças ao ex-prisidente Lula, o mais probo mandatário que Banânia já teve desde o seu descobrimento.

Foi Lula quem mais deu ordens pra combater a corrupção e punir os ladrões. 

Ordens severas, ordens gritadas.

Se não fosse Lula, a Lava Jato não existiria. Foi Lula quem mandou prender Zé Dirceu, Palocci, João Vaccari e André Vargas. Sem falar do aliado Cunhão.

E tem mais: Lula declarou esta semana em Salvador que o próximo que ele vai mandar pra cadeia é Rui Falcão, pra que ele não fale mais tantas mentiras.

Lula, como vocês sabem, é aquele mesmo impoluto que jurou não ter havido o Mensalão. Ele só fala a verdade e a realidade.

Não custa nada esclarecer aos bem informados leitores fubânicos que a guabirutagem envolvendo a Rolls Royce com a Petrobras vem dos tempos de Juscelino Kubitschek, conforme provou Ceguinho Teimoso esta semana.

Guabirutagem que foi fantasticamente acentuada durante o gunverno tucano de FHC. Estes 81 milhões de reais que a Rolls Royce está devolvendo agora foram todos surrupiados no reinado do sociólogo metido a doutor.

Vocês podem procurar que no luxuoso apartamento triplex de FHC, em Ipanema, tem um Rolls Royce de luxo estacionado na garagem.

E que tem na placa o nome do corrupto tucano e o número do seu partido:

17 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

NA CRISE DAS CADEIAS, MASSACRE À VERDADE

17 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

CADEIA PRO VAGABUNDO

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, foi detido na manhã desta terça-feira (17) durante reintegração de posse de terreno ocupado em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo.

Boulos foi detido por desobediência judicial e incitação à violência.

Ele foi levado ao 49º Distrito Policial e falou à imprensa que a detenção era “injustiça”.

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Se este vagabundo fosse comprar a crédito numa loja, não conseguiria nunca apresentar um comprovante de renda, uma carteira de trabalho ou um comprovante de residência.

O ideal seria prender esta bandido no presídio onde acontecerá a próxima rebelião.

Mas, como estamos em Banânia, daqui pro final do dia vai estar livre, leve e solto pra cometer mais atrocidades contra a lei e contra a propriedade privada.

Uma pisa com cipó de goiabeira ainda seria muito pouco pra este desocupado.

17 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

QUAL A DIFERENÇA?

Carlos Eduardo Novaes

Houve uma época – durante o regime militar – em que havia somente dois partidos políticos no país (Arena e MDB).

Houve também uma época – mais recente – em que o Brasil tinha apenas duas facções criminosas (CV e PCC).

Com o correr do tempo e o andar da carruagem, os partidos políticos foram se multiplicando feito coelho, e as facções criminosas acompanharam este milagre da multiplicação.

Hoje, o país abriga 35 partidos políticos e 25 facções criminosas.

Nunca ninguém moveu uma palha – muita conversa fiada apenas – para conter o crescimento dos partidos e das facções.

Os partidos são representados no Congresso e nas Assembleias, enquanto as facções são representadas nas cadeias e penitenciárias.

Tanto os partidos quanto as facções são organizações de alcance nacional, com seus símbolos, estatutos e conselhos.

O Partido Popular (ex-PPB), por exemplo, se propõe à construção de uma sociedade justa, livre, democrática, solidária e pluralista. Já o código de conduta da facção Família do Norte (FDN) propõe “luta, união, justiça, respeito e liberdade”.

Como ocorre entre os partidos, nas facções também há grandes e pequenas agremiações.

A facção do PCC, por seu tamanho e capilaridade, é considerada o PMDB da bandidagem (sem colarinho branco). As minúsculas facções Cerol Fino e Consórcio do Crime são comparadas ao Partido Pátria Livre.

Como ocorre entre os partidos, as facções também fazem alianças. Agora mesmo, no massacre de Manaus, descobriu-se que o CV e a FDN se aliaram contra o PCC.

Não há noticias de nenhum membro das diversas facções presente nas Câmaras e Assembleias Legislativas. Mas todos sabemos que vários representantes de partidos políticos estão presentes em cadeias ou na penitenciária em Curitiba.

Tanto os representantes dos partidos quanto os das facções estão atrás das grades porque, é obvio, cometeram algum tipo de delito.

Caso, no entanto, seja feita uma pesquisa, ela vai revelar que boa parte dos detentos jogados como animais nas penitenciárias cometeu crimes menores do que os membros de partidos instalados no Complexo Penal de Pinhais.

O presídio tem capacidade para abrigar 700 presos. Sabe quantos estão engaiolados lá dentro? 700! As penitenciárias que mantêm as facções transbordam, com mais de 200 mil apenados acima de suas capacidades. No espaço reservado para um detento estão espremidos cinco!

Conclui-se então – mais uma vez – que aquele texto constitucional que afirma que “todos são iguais perante a lei” é pura cascata.

Quer uma prova?

José Dirceu foi flagrado com um carregador de celular em sua cela e foi castigado: 20 dias sem receber visitas. Entre a rapaziada de chinelo e camiseta que é apanhada com celulares – algo que quase nunca acontece -, o castigo é outro: uma temporada na “solitária” e cancelamento do tempo que estava contando para redução da pena.

As semelhanças são muitas; mas as diferenças, maiores ainda.

Os bem-nascidos detentos de partidos não precisam ir além do tráfico de influência. A bandidagem das facções mata, esfola, degola, trafica armas e drogas e nem sabe pronunciar “Odebrecht”.

17 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

CEGUINHO RESOLVE ESTA PARADA

Como a Odebrecht, a megadelação premiada da Camargo Corrêa vai implicar cerca de duzentos políticos de todos os partidos, mas um dos principais atingidos deve ser o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), cuja reputação de honestidade poderá sofrer sérios danos.

Fontes ligadas à Lava Jato suspeitam que a Camargo teria atuado como “tesouraria” na campanha presidencial de Alckmin, em 2006.

Há relatos de distribuição de dinheiro vivo na sede da Camargo Corrêa, em 2006, a políticos indicados pelo comitê de Alckmin.

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Alckmin e seus adoradores devem fazer igualzinho fazem Lula e seu adorador Ceguinho Teimoso: desmentir tudo.

Desmentir e dizer que Alckmin, assim como Lula, é um santo modelo de probidade e de incorruptibilidade. De preferência com números, datas, tabelas e estatísticas.

Simples assim.

“Si importe não, cumpanhero Alckmin, besta pra defender nóis dois é o qui num farta; vô ti apresentá Ceguinho Teimoso”

17 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O PAÍS DA PIADA PRONTA

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou em artigo publicado no site da legenda nesta segunda-feira, que os militantes petistas devem opinar publicamente sobre a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser novamente candidato à Presidência da República.

A expectativa é que com as manifestações públicas de apoio ao ex-presidente, Lula possa ser lançado candidato no Congresso Nacional do PT, programado para ocorrer de 7 a 9 de abril, afirmou Falcão.

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Eu acho que Rui Tabacudo Falcão errou de data.

Se o lançamento será em abril – e em se tratando da candidatura de Lapa de Mentiroso -, o dia não deveria ser 7 ou 9.

Deveria ser 1º de abril!!!

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16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

CÚMPLICE, O PT SILENCIA SOBRE CUNHA E GEDDEL

Um dirigente do PT tocou o telefone para parlamentares do partido, no final de semana, para sugerir o uso das revelações mais recentes da Lava Jato como munição na guerra política contra “o governo golpista” de Michel Temer. Classificou de “bombástica” a acusação de que Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, íntimos de Temer, trocavam empréstimos da Caixa Econômica por propina. Um dos destinatários da sugestão indagou: “A farra ocorreu na gestão da Dilma, esqueceu?”

Os petistas sentem um prazer quase orgástico cada vez que a Polícia Federal e a Procuradoria penduram um amigo de Temer nas manchetes de ponta-cabeça. Mas a maioria silencia para não passar a vergonha de ter de explicar por que os inimigos de hoje plantaram bananeira dentro dos cofres públicos durante os governos do PT. A Lava Jato tornou a corrupção um fenômeno tão abrangente que a ética virou um valor órfão na política.

Nunca um escândalo teve tantos cúmplices. Considerando-se tudo o que os investigadores já jogaram no ventilador, a desfaçatez foi generalizada. Tudo muito deplorável. Mas quase ninguém no universo da política pode dizer isso sem ruborizar a face. Não há mais inocentes em Brasília, só comparsas.

16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MÃOS À OBRA

Nelson Motta

No país da piada pronta, mesmo em seus períodos mais conturbados, o que dá para chorar também dá para rir.

O deputado Marcelo Aguiar (DEM-SP), cantor de gospel, apresentou projeto para obrigar operadoras telefônicas a criar dispositivos que bloqueiem todos os conteúdos de sexo virtual, de prostituição e sites pornográficos da internet.

Ou bem ele não sabe o que é internet, ou não sabe o que é sexo. E pensar que lhe pagamos R$ 33 mil por mês, um gabinete com 20 funcionários, viagens… para isso:

“Há viciados em conteúdo pornô e masturbação. Os jovens são mais suscetíveis a desenvolver dependência e já estão sendo chamados de autossexuais – pessoas para quem o prazer com sexo solitário é maior do que o proporcionado pelo método, digamos, tradicional.”

Desde os tempos bíblicos de Onan, o padroeiro dos onanistas, os autossexuais nunca precisaram de conteúdo pornô para se satisfazerem, bastava a imaginação, que é a força irresistível que impulsiona o desejo sexual.

O deputado se preocupa com os que preferem o manejo do sexo autossustentável. Uma vantagem seria não terem que telefonar para si mesmos no dia seguinte… rsrs.

Tim Maia fez um paralelo do onanismo com a gravadora independente, que dava prazer, mas não dinheiro.

“Sabe quando você está com aquele tesãozinho e pensa em chamar umas garotas… e aí pensa na grana que vai gastar… e toca uma punhetinha? Produção independente é assim, você não gasta nada, mas não come ninguém.”

E pobres de nós, adolescentes de 1960, que tínhamos que nos inspirar com os “catecismos” de Carlos Zéfiro ou revistas de naturismo suecas com senhoras pacatas e brochantes. Ainda assim, a média entre a turma era quatro por dia, com a força da imaginação e da fantasia a serviço do prazer, como vem sendo desde que o primeiro homem e a primeira mulher descobriram as delícias que podiam se dar, com autossuficiência, independência, liberdade e descompromisso. Sendo pecado ou proibido, o prazer era ainda maior. E não há lei que dê jeito nisso.

Em tempos duros, tensos e nervosos, não há nada melhor para relaxar. O Ministério da Saúde deveria recomendar.

Deputado Marcelo Aguiar (DEM-SP)

16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

QUANDO A CIVILIZAÇÃO RETROCEDE

Ney Carvalho

Neste início de 2017, o Brasil assiste, perplexo, ao trágico episódio de execução de presos em masmorras da Região Norte. O que mais impressiona é a forma bárbara da degola.

O Estado Islâmico (EI), recentemente, internacionalizou o método. Mas os objetivos das facções em guerra nos presídios, tanto quanto os do EI, são de fato demonstrar poder maior do que efetivamente possuem e, sobretudo, chocar a opinião pública pela brutalidade do processo.

No entanto, esse suplício tem longa tradição na história brasileira. Mais especificamente nos relatos da atuação de gaúchos em alguns fatos históricos. Os sulistas primaram pela execução de inimigos por degola.

O ritual consistia em fazer o prisioneiro ajoelhar-se de mãos atadas às costas e, com um súbito golpe de faca, cortar-lhe a garganta de um lado ao outro, secionando-lhe as carótidas, fazendo-o sangrar até a morte. Tanto quanto se abatiam as ovelhas para o churrasco do dia, alimento básico do gaúcho nas lides campestres.

A Revolução Farroupilha, dos anos 1830/40, pode ser considerada a gênese de tal prática. Seguiu-se a Guerra do Paraguai, com ampla participação de incontáveis contingentes gaúchos. Em ambos os episódios, a degola de prisioneiros antagonistas foi autêntico lugar-comum.

Após a Proclamação da República, em 1889, seguiu-se a Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul, cujo ponto culminante foi a morte do almirante Saldanha da Gama pela infamante execução por degola. Hoje saudado como um baluarte republicano, o então governador Júlio de Castilhos foi o comandante em chefe deste autêntico morticínio.

Logo adiante, ocorreu a Guerra de Canudos, em que tropas gaúchas praticaram a degola em seguidores de Antônio Conselheiro, inclusive mulheres.

Há, ainda, relatos de que os feridos da Coluna Prestes, nos anos 1920, tinham pânico de ficar para trás, pois a degola dos adversários era amplamente praticada pelas tropas regulares que perseguiam o grupo.

Mais tarde, já nos anos 1930, o país tomou conhecimento, através de uma fotografia macabra, da decapitação de Virgulino Ferreira, o Lampião, e seu bando de cangaceiros, no interior de Sergipe. Apenas se seguia, no Nordeste, a tradição nacional da degola de inimigos.

No século XXI, por incrível que pareça, o país retoma essa mórbida e trágica forma de execução. Desta vez, em disputas de poder carcerário entre facções do crime organizado, em presídios do Norte do país. Estamos retrocedendo em termos de civilização.

Fotografia icônica mostra as cabeças de Lampião (última de baixo), Maria Bonita (logo acima de Lampião) e outros cangaceiros do bando. No canto esquerdo superior, uma placa lista os nomes e indica a data em que eles foram mortos

16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UM DEFUNTO BEM ENTERRADO

O PT estuda a criação de uma comissão especial de investigação para apurar denúncias de enriquecimento pessoal de filiados envolvidos em casos de corrupção.

A proposta faz parte do texto “Luta Contra a Corrupção”, de autoria de Valter Pomar, uma das que vão embasar os debates do 6º Congresso Nacional da legenda marcado para abril.

O congresso é visto como a tentativa do PT de se reconstruir depois da devastação provocada pela Operação Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff e a derrota histórica nas eleições municipais de 2016.

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Eu gostei mesmo foi da expressão “se reconstruir” no último parágrafo.

Trata-se de uma tarefa inglória e sem qualquer chance de ter sucesso.

Este defunto não tem possibilidade alguma de ressurreição, desde que teve sua sentença de morte impiedosamente executada pela população brasileira nas últimas eleições municipais.

Requiescat in pace!

Uma frase desta notícia aí de cima merece destaque.

É onde está escrito que o extinto bando chamado PT – uma organização criminosa que teima em se dizer partido político -, vai apurar denúncias de “enriquecimento pessoal de filiados envolvidos em casos de corrupção“.

É o tipo de apuração cujos resultados já se pode prever. Que não vai ser apurado porra nenhuma a gente já sabe antecipadamente. Um bando que insiste em dizer que Lula não roubou e nem enricou, não vai investigar merda alguma dos seus ladrões internos.

O difícil mesmo vai ser o fubânico petista Ceguinho Teimoso concordar com esta afirmação de que gente do bando vermêio-istrelado ficou rica com os milionários pixulecos da lama corruptiva.

Quem conseguir botar na cabeça de Ceguinho que isto aconteceu mesmo, e que o PT humoristicamente diz que vai apurar, ganhará um brinde especial da Editoria do JBF.

Enquanto isto, vamos continuar rezando pela alma deste defunto que, a esta altura, está queimando no fogo mais quente das profundas dos quintos dos infernos.

“Se inté Ceguinho Teimoso passá a discunfiar d’eu e discubrí qui sô corrupito, tô fudido”

16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEGUNDA-FEIRA – VAI SE ALASTRAR

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Esta aterrorizadora onda de rebeliões tende a se alastrar por todo o país.

Mais que ter celular e contato direito com o mundo externo, os presidiários tem acesso ao noticiário e sabem de tudo que acontece fora dos muros nesta imensa Banânia.

Segundo informantes bem posicionados do JBF, a próxima rebelião será no presídio de Curitiba, na última semana deste mês de janeiro.

Lá onde Lapa de Corrupto está sendo aguardado com ansiedade e muita festa.

Só que na cadeia da aprazível capital paranaense, com tanta gente de alta linhagem e gordos currículos atrás das grades – gente assim feito Palocci, Vaccari, Gim Argelo, Jorge Zelada, Luiz Argolo, André Vargas, Zé Dirceu e Cunhão -, ao invés daquelas fotos deprimentes de corpos ensanguentados e decapitados, os flagrantes irão mostrar cabeças coroadas da pulítica banânica servidas em bandejas de prata para o distinto público leitor.

“Tô decapitado, fudido e mal pago: minha cabeça no JBF. Que merda!”

16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UMA FRENTE CONTRA A BARBÁRIE

A constrangedora mediocridade com que o governo respondeu aos massacres no Norte não me surpreendeu. Num artigo que escrevi aqui jogava minhas esperanças no debate entre as pessoas que reconhecem a urgência do tema. Já existem muitas ideias sobre o que fazer com o sistema carcerário em crise. Outras devem surgir. Mas o interesse social pode, pelo menos, levar o governo a uma ação mais solidária em todos os níveis. Estancar o jogo de empurra, essa irresistível tendência de lavar as mãos e jogar a culpa nos outros.

Por que Temer se interessaria pelo tema? Todos os outros presidentes se esquivaram. O fracasso do sistema carcerário atravessa a História da República. O livro de Myrian Sepúlveda dos Santos Os Porões da República conta, por exemplo, a primeira tentativa brasileira de criar uma casa correcional no Vale dos Dois Rios, na Ilha Grande. Ela trata apenas do período entre 1894 a 1945. Mas é uma história dramática. Experiências em Fernando de Noronha e em Clevelândia também são um roteiro do fracasso.

De um ponto de vista político, o sistema carcerário é um abacaxi. Parece ser insolúvel e transita num espaço muito polarizado por defensores e críticos dos direitos humanos.

O mais confortável para Temer era empurrar com a barriga, como fizeram todos. E não percebeu que tudo isso poderia estourar na mão dele. Enfim, contou com a passagem do tempo, como se a História fosse mesmo escrita com empurrões de barriga.

Esta é a diferença que deveria mobilizar Temer: estourou nas suas mãos.

O massacre em Manaus foi o episódio mais bárbaro de que ouvi falar na história dos presídios brasileiros. A descrição do que aconteceu com os mortos, feita por pessoas da própria família, é cheia de detalhes tão macabros que diante deles a decapitação até parece um ato moderado.

O massacre me fez rever algumas ideias. Tinha tendência a superestimar o trabalho de inteligência. Percebi ali que a minha visão era parcial.

Tanto as autoridades do Amazonas como Temer sabiam da crise. Em Manaus já se conhecia o plano de atacar o PCC e ele foi revelado por vários relatórios da Polícia Federal, que realizou a Operação La Muralla e golpeou profundamente a Família do Norte.

Mesmo sem saber o que se passava em cada presídio, Temer foi informado sobre a guerra das organizações criminosas dentro e fora das cadeias. Seu homem de inteligência, o general Sérgio Etchegoyen, reuniu-se com parlamentares da Comissão de Segurança e relatou a possibilidade da guerra.

Dificilmente Etchegoyen deixaria de discutir o tema, em primeiro lugar, com o próprio Temer. Talvez não soubesse apenas, como sabiam as autoridades de lá, que a primeira batalha estava por acontecer em Manaus. É outro problema típico da burocracia. Ela anuncia grandes sistemas de inteligência integrados, chega a inaugurá-los, e nada acontece.

Em tempos de WhatsApp, era possível uma troca nacional convergindo para um pequeno grupo de análise que mapearia possíveis conflitos, orientaria transferências e outras medidas preventivas.

Temer está perdendo uma grande oportunidade de trilhar um caminho que outros recusaram. No auge da crise viajou para Portugal, onde foi ao enterro de Mário Soares. No fundo, está querendo dizer: não me envolvam muito com crise carcerária, estou aflito para passar esta fase de emergência, voltar a empurrar com a barriga, tratar dos temas que realmente me interessam.

Ele poderia ter-se reunido com parlamentares, mas não quis. Os deputados da chamada bancada da bala estavam interessados. Nessas circunstâncias, mesmo sem aceitar todas as suas premissas, os deputados desse grupo são interlocutores válidos. A segurança é sua bandeira e alguns são policiais experimentados.

Se fosse congressista, estaria discutindo com eles, pois o massacre de Manaus e a crise que ele explicita requerem um esforço nacional. Assim como é preciso superar a tendência de culpar uns aos outros, é preciso deixar para trás os tempos do nós contra eles.

Alguns temas, como esse dos presídios, são de tal gravidade que nos obrigam a reaprender a ideia de frente, do convívio entre posições distintas na busca de um denominador comum. Isso não significa abrir mão das próprias convicções. Apenas reconhecer que, num momento em que as organizações criminosas entram em guerra entre si, a sociedade unida tem uma excelente oportunidade para enfraquecê-las, dentro e fora das cadeias.

Pelo menos em tese, presidentes são pessoas que não deveriam recuar diante de um grande problema nacional. Eles têm uma chance maior de unificar a sociedade e apontar o caminho comum.

Mas, mesmo diante de uma grande ausência, como a de um líder nacional, a sociedade, depois do massacre de Manaus, despertou para a importância da reforma do sistema carcerário. Todos nós que trabalhamos nas ruas conhecemos a miríade de posições sobre o tema. A diversidade não impede soluções negociadas. O problema de segurança pública já é considerado pela maioria um dos mais graves do País.

Mesmo antes de Manaus já havia também uma compreensão crescente de que ruas e cadeias são relacionadas. A crise nos presídios transformou as eleições maranhenses numa grande ameaça de caos.

Nos conflitos no Amazonas, os presos concentraram sua energia em degolar e eviscerar seus inimigos. Ainda assim, fugiram 184. Com ferramentas para derrubar paredes, armas longas, oito túneis construídos, eles poderiam ter fugido em massa.

Com o surgimento do Estado Islâmico, também especialista em decapitar, ficou claro, pela série de atentados, que para eles somos todos iguais, não importa o que pensemos. Se somos iguais ante a barbárie, por que não nos igualamos na tarefa de nos defendermos dela?

16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEGUNDA-FEIRA – CONVERSAS BANDIDAS

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Hum…

Pulíticos e chefe de facção…

Segundo informante fubânico bem posicionado, uma destas gravações cuida das conversas de Lula, o pulítico ainda solto, com José Dirceu, o chefe de facção que está preso em Curitiba.

Dialógo entre bandidos vermêios-istrelados.

“Esta porra deste JBF num me deixa em paz nem aqui na cadeia. Puta merda!”

15 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O PAÍS DA GAMBIARRA

Desde a carnificina no presídio de Manaus, seguida pela matança em Boa Vista, especialistas na questão penitenciária são unânimes em criticar a ausência de planejamento para o setor. Nada de novo. O Brasil não tem plano nem para o sistema prisional nem para coisa alguma. É e sempre foi o país das gambiarras, dos remendos.

Mais de 100 mortes depois, o que se vê agora são medidas requentadas, muitas delas acertadas, mas que não precisariam ser emergenciais tivessem sido cumpridas em urgências anteriores e se tornado práticas permanentes.

Um exemplo é o esforço concentrado reivindicado pela presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, para que os Tribunais de Justiça dos estados acelerem o exame dos processos de presos, muitos deles sem julgamento ou com pena já cumprida. Em 2008/2009, o Mutirão Carcerário do Conselho Nacional de Justiça fez exatamente isso, libertando 45 mil presos. Não se sabe por que parou.

Como não são absorvidos como políticas de Estado, programas desse tipo, por mais bem intencionados, não prosseguem. E têm de ser reinventados quando as crises anunciadas explodem.

Outros, como a construção de novos presídios, são apenas mais do mesmo, já se sabendo, de antemão, que não têm o condão de resolver o problema.

O improviso não se limita à política carcerária. Está em todos os cantos, em todas as esferas de poder.

Em 2013, as megamanifestações de junho, inicialmente concentradas no congelamento das tarifas de ônibus urbanos, levaram a então presidente Dilma Rousseff a anunciar investimentos de R$ 50 milhões em mobilidade, com nada ou quase nada saindo do papel.

Dilma foi mais longe. Tirados sabe-se lá de onde, lançou cinco propostas inexequíveis, por ela apelidadas de pactos, sem dizer de quem com quem. Pacto pela responsabilidade fiscal, princípio para o qual o seu governo fazia pouco caso. Outro, pela saúde, incluía apenas a importação de médicos (a maioria cubanos) para solucionar as graves carências do SUS. O pacto pela Educação se limitava a dedicar 100% dos royaties do pré-sal à área, e o mais inusitado de todos, o da reforma política, viria por meio de uma Constituinte exclusiva.

Fora a desoneração na folha de pagamentos dos operadores de transporte urbano, nenhum dos demais pactos andou. Valeram apenas como marquetagem. Assim como várias obras do PAC, programa que se dizia revolucionário e empacou nas suas duas versões, lançadas com pompa e circunstância para satisfazer o calendário eleitoral.

A reforma política é a campeã nas gambiarras. Há décadas vem à tona como solução para todas as panes. Mas nunca ganha corpo. Só alguns remendos, a maior parte em benefício dos autores, aprofundando o abismo entre o eleitor e o eleito. Mexe-se no periférico – fundo partidário, tempo de propaganda no rádio e TV, prazo de desincompatibilização para ser candidato -, deixando de lado o essencial: sistema de votação, se proporcional, distrital ou misto, possibilidade de recall e voto facultativo.

Na área econômica não é diferente. O sistema tributário brasileiro é indecifrável. Sobre as costas do cidadão pesa uma das maiores cargas tributárias do planeta, embutida aqui e acolá. No final, ele não sabe o que paga, quanto paga e a quem paga.

A barafunda é tamanha que leis tributárias são criadas para corrigir erros de outras, sem que as anteriores sejam extintas. Um caso típico é a compensação dos Estados no caso de desoneração de ICMS. O Supremo teve de fixar prazo até o final deste ano para que o Congresso aprove a lei complementar prevista na Lei Kandir, de 1996, e que nunca foi feita.

O improviso, que nas artes se conecta com a criatividade, é, na política, fruto do desinteresse, da indiferença, do desdém – e da corrupção -, itens fartos no ambiente da coisa pública.

Predomina na educação, com políticas alteradas a bel prazer dos governantes da vez, seja na União, nos estados ou nos municípios. Nas obras de infraestrutura, na burocracia que atrasa e encarece a vida de muitos e enriquece alguns, na totalidade dos serviços que o Estado tem obrigação de colocar à disposição das pessoas.

O desprezo é de tal monta que a ausência de remédios ou médicos em postos de saúde é tida como natural, que soterramentos em épocas chuvosas são tratados como acidentes imprevisíveis, que esperar anos a fio faz parte da dinâmica de uma Justiça que sempre tarda, que homicídios têm de frequentar o cotidiano dos brasileiros.

Estão corretíssimos aqueles que reivindicam planejamento. Mas não só na questão carcerária, e sim na totalidade das áreas delegadas pela a sociedade à gerência do Estado. E há de se avançar além dos planos – anunciados com espalhafato e poucas vezes executados -, sem o que se perpetua o império do descaso.

15 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

HISTÓRIA QUE MEU PAI CONTAVA

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Cresci ouvindo meu pai contar esta história acontecida na terra dele, há exatamente 100 anos, no dia 15 de janeiro de 1917. 

Ele pronunciava “hicatombe”.

Quando a “hicatombe” aconteceu, ele tinha 16 anos de idade.

Papai falava sobre este fato e citava muito o nome do “coronel” Júlio Brasileiro, prefeito de Garanhuns em 1917, cuja foto está abaixo:

Papai nasceu em Angelim, que naquele tempo pertencia ao município de Garanhuns.

Quando li hoje esta manchete, me bateu uma saudade enorme do velho Luiz Berto.

Um beijão, meu querido!

Quem quiser ler a reportagem completa, é só clicar aqui.

Um acontecimento trágico e sangrento de grande destaque na  história pernambucana.

15 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

NA MOITA É BEM MELHOR

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, revelou que desde 2009 – durante o governo Lula – o Palácio do Planalto, assim como o Palácio do Alvorada não têm câmeras de segurança internas. 

As retiradas foram feitas quando o Planalto passou por reformas, durante o governo Lula, mas após a conclusão dos serviços as câmeras não voltaram a ser instaladas.

Etchegoyen acredita que a retirada foi proposital.

Disse também que não quiseram a recolocação das câmeras, sugerindo que foi conveniente que o local passasse anos sem ter registros de imagens.

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Lapa de Bocão, que é proprietário do PT e ídolo dos descerebrados, estava certíssimo.

Este negócio de transparência é coisa pra terceiro mundo, num é pra nossa adiantada República Federativa de Banânia

Mostrar quem tinha acesso às cavernas de Ali Bostão era um perigo para a ordem institucional e democrática.

“Na môita é munto mió pra trabaiá e maracutaiá…”


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