28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

É GUABIRU QUE SÓ A PORRA NA FACÇÃO PMDEBISTA

As acusações do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho contra três ministros – Eliseu Padilha, Moreira Franco e Geddel Vieira Lima, já demitido – são “modestas”, comparadas às revelações dos demais 76 executivos da empreiteira.

Fonte ligada às investigações se espantou: “quase todo governo” está enrolado.

* * *

76 cabras abrindo o bico e espalhando tolôtes nos ares é bom demais!

Uma excelente notícia.

A corja do PMDB tá matando de inveja a aposentada corja do PT.

Sairam uns mamadores, entraram outros chupadores. Dou uns pelos outros e não quero torna.

Se todos os atuais ministros estiveram envolvidos em ladroagem, e o prisidente Temer não tiver ninguém no seu curral pra nomear, eu quero declarar que estou às ordens.

Acabei de enviar mensagem ao Palácio do Planalto me colocando à disposição de Sua Insolência.

Não sendo Fazenda, Justiça, Agricultura e outros que tais, pra mim qualquer ministeriozinho safado serve.

O Ministério do Aputiferamente Empobalizador Rolífero Sistêmico, por exemplo, eu administraria com o maior prazer e, modéstia adiada, com muita competência também.

Estou às ordens, prisidente!

Os guabirus do gunverno do PMDB ao redor do prisidente Cara-de-Tabaca

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

AS ÁGUAS VÃO ROLAR

As investigações da Lava Jato uniram novamente os marqueteiros Duda Mendonça e João Santana, que atuaram em diversas campanhas petistas entre 2002 e 2014.

Santana foi preso e passou a negociar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República.

Duda imaginou que poderia ter o mesmo destino do seu sucessor e procurou o MP para revelar o que sabia.

Santana promete entregar a prova definitiva de que Dilma tentou atrapalhar a Lava Jato. Ele e sua mulher, Mônica Moura, acusam a ex-presidente de vazar de dentro do Planalto informações sigilosas sobre o andamento da operação.

Os publicitários também pretendem revelar como receberam caixa dois da Odebrecht em contas no Brasil e no exterior.

João Santana e Duda Mendonça, os marqueteiros do PT

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Eita que o desmantelo tá ficando melhor a cada dia que passa.

A merda vai ser jogada no ventilador e será vendida na praça ao preço de 13 tostões um dedal.

Como costuma dizer meu grande amigo palmarense Adolfo Dido, as águas vão rolar!

E vão rolar com muita abundânica daqui pro carnaval. Não vai ter seca que resista ao temporal que se avizinha.

Eu acho é pouco!!!

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

ACORDOS DE PETISTAS NO CONGRESSO ESVAZIAM DISCURSO DA DILMA

Os petistas, normalmente tão aguerridos quando têm que defender o partido, mergulharam. Hibernaram depois que o guia espiritual Luís Inácio Lula decidiu que os seus deputados e senadores devem apoiar os “golpistas” em troca de cargos na mesa diretora da Câmara e do Senado. O ex-presidente não deu bolas para a companheira Dilma quando teve que decidir pelo apoio, deixando-a falar sozinha pelos cantos contra os adversários que o partido agora apoia. Dilma, que já não apitava nada no partido, agora anulou-se de vez.

Nem bem a cadeira dela esfriou no Planalto, Lula já se articulava com lideranças do Senado e da Câmara para alojar os companheiros desempregados. O primeiro a ocupar um cargo no Senado foi Gilberto Carvalho, seu eterno chefe de gabinete, a quem pesa suspeitas pela morte do prefeito Celso Daniel. Carvalho alojou-se no gabinete da liderança da oposição, comandado por Lindbergh Farias, com salário de R$ 20 mil. Mesmo assim, não conseguiu persuadir o seu senador a apoiar os “golpistas”, deixando-o falar sozinho contra o acordo.

O PT, que em outras épocas se notabilizou pela defesa intransigente da ética na política, transformou-se no partido das boquinhas. Depois de se revelar como uma das agremiações mais fisiológicas entre as que existem no país, enveredou-se pelo caminho da corrupção e dos cargos públicos. E para isso, atropela a história para beneficiar seus militantes parasitas que se acostumaram a surrupiar o dinheiro do contribuinte.

Para apoiar a reeleição de Rodrigo Maia, do DEM, na Câmara e Eunício, do PMDB, no Senado, o PT quer as duas secretarias que têm orçamento para este ano de quase 10 bilhões de reais e mais de 40 cargos, com salários milionários, para serem ocupados por seus militantes que não conseguem emprego na iniciativa privada por notória incompetência. Para os petistas, a política virou um jogo, um meio de vida. Usá-la como meio de transformação da sociedade é apenas retórica. O que vale mesmo é o enriquecimento ilícito, o assalto aos cofres públicos e o dízimo que os militantes em cargos comissionados pagam ao partido.

O discurso da Dilma e de alguns de seus seguidores de que teria sofrido um golpe vai por terra, quando se assiste os petistas, liderados por Lula, fazendo acordos espúrios em nome do partido com parlamentares que até então eram considerados de direita, oportunistas, carreirista, aético e golpistas. Pelo menos esse foi e continua sendo o discurso da ex-presidente para esconder a incompetência administrativa e o maior escândalo de corrupção da história do país no seu governo.

Agora, exercendo um carguinho decorativo no partido, Dilma está definitivamente descartada dentro do PT, onde, na verdade, nunca foi aceita pelos militantes históricos. Mesmo assim, afetada por uma incurável obsessão, ainda mantém o discurso do golpe onde chega.

A aparente fortaleza na resistência ao impeachment era apenas fachada. Sabe-se nos bastidores que ao ser comunicada de que o seu afastamento era inevitável, implorou aos líderes do Senado para ser poupada de ter os direitos políticos cassados. Argumentava que deixar a presidência já era a sua maior punição. Pensava, e ainda pensa, em se candidatar a um cargo eletivo pelo Rio de Janeiro, onde, segunda ela, está a maioria dos seus eleitores.

Em um estado que elegeu Agnaldo Timóteo, Juruna, Cabral, Pezão e Garotinho tudo é possível.

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

EXTRA! EXTRA! FOLHA CHAMA CRIMINOSO DE… CRIMINOSO!

Rodrigo Constantino

A gente pega no pé da “fake news”, aplica a Caneta Desesquerdizadora nela, coloca os pingos nos is, cobra coerência e tudo mais. Mas quando a grande imprensa acerta, também precisamos reconhecer. Foi o caso dessa chamada no UOL da Folha:

Pode ser uma simples troca de estagiário? Pode, claro. Ou, como disse um amigo meu, jornalista de Goiás: “O que aconteceu com a Folha? Será que o Frias foi abduzido? Ela chama os bandidos que tentaram assaltar um shopping em Osasco de ‘bandidos’ e ‘criminosos’. Justo a Folha para quem todo bandido é ‘suspeito’ ou ‘jovem’, como ironizou um leitor”.

É verdade. Não foram adolescentes ou jovens que teriam sido “assassinados” pela política. Foram criminosos mortos mesmo! Parabéns! Tiro meu chapéu para a objetividade do jornal (a que ponto chegamos de celebrar isso?). Eis a notícia:

Dezenas de disparos foram ouvidos dentro e fora do shopping União, em Osasco (Grande São Paulo), na manhã desta sexta-feira (27), após uma tentativa de assalto. Na fuga, quatro bandidos – que estariam armados com fuzis – foram baleados, segundo a polícia.

Eles estavam em uma Tucson preta e bateram em um ônibus intermunicipal na avenida Presidente Altino, na altura da avenida Alexandre Mackenzie. Houve troca de tiros após o acidente e dois dos assaltantes morreram. Um outro veículo, um Veloster branco, onde estariam outros suspeitos, não foi alcançado. A polícia não sabe dizer quantos indivíduos estavam no veículo.

Dos feridos, um foi levado para o Hospital Regional de Osasco e outro para a Santa Casa, na capital, de acordo com a PM. Não há informações sobre o estado de saúde deles.

O grifo é meu, para destacar esse milagre! E vejam só as armas desses “jovens”, você que aplaude o “desarmamento” civil:

Continua aí, de boas, achando o máximo a política de “desarmamento” só dos cidadãos honestos…

Bem, pelo menos esse caso terminou bem, com os marginais mortos no confronto com a polícia, como deve ser. E parabéns ao jornal, que chamou as coisas pelo nome. Está vendo só, Frias, como não dói nada? Vê se a partir de agora obriga a rapaziada a chamar bandido de bandido e marginal de marginal, ok?

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO SÁBADO – UM GUABIRU PRESO E OUTRO AINDA SOLTO

O governo do Rio de Janeiro ingressou nesta sexta-feira (27) com ação no Supremo Tribunal Federal para pedir que deixem de ser aplicados artigos da Lei de Responsabilidade Fiscal que inviabilizem o acerto firmado com a União destinado a amenizar a crise financeira do estado.

Nesta quinta-feira (27), o presidente Michel Temer e o governador Luiz Fernando Pezão assinaram um termo de compromisso pelo qual enviarão ao Congresso e à Assembleia Legislativa as propostas que, se aprovadas, permitirão a formalização de um acordo.

Pelo termo de compromisso, o estado deixaria de pagar suas dívidas com a União por até 36 meses. Em troca, terá de adotar medidas para reduzir o déficit fiscal, entre as quais cortar neste ano R$ 9 bilhões em gastos públicos.

Ao STF, o Rio pediu aval para não ser obrigado a observar os limites de gastos com pessoal e o limite de endividamento a fim de continuar realizando operações de crédito e, com isso, impedir bloqueio de recursos em contas do governo.

* * *

Eu tinha que viver o bastante pra presenciar esta situação: o Rio de Janeiro mais fudido do que o Piaui e o Maranhão.

E pra chegar a esta impressionante penúria, o estado contou com a decisiva atuação guabirutífera de Sérgio Ladrão Cabral.

Aquele que é hoje presidiário e que, em campanha para ser reeleito gunvernador, ouviu embevecido, atrepado num palanque, um então prisidente da república dizer que “Votar no Sérgio Cabral é uma obrigação moral” (clique aqui para ouvir e se horrorizar novamente com este tolôte oral).

O guabiru preso – que aguarda a chegada de Lapa de Corrupto, o guabiru ainda solto -, contribuiu decisivamente pra fuder o Rio de Janeiro e, em consequência, fuder também a sua população e os seus contribuintes.

Sérgio Decente Cabral, um dos maiores especialistas em música popular brasileira, pai de Sérgio Ladrão Cabral, sempre foi um homem sério e honesto – hoje em dia devastado por um mal que faz com que ele fique desligado do mundo -, não tem conhecimento disto.

Sem saber de nada sobre o mundo real, ele costuma dizer que o filho morreu quando era ainda criança…

É um consolo este alheamento da realidade.

Talvez ele não resistisse ao ler o noticiário e tomar conhecimento de que o seu rebento está atrás das grades por grossa, por enorme, por inacreditável roubalheira.

Fecho a postagem sugerindo a leitura de mais uma triste notícia.

Basta clicar na manchete abaixo:

Crise faz ciência do RJ atrasar em até 10 anos, dizem pesquisadores

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“Somos uma dupla fuderosa: eu fudi o Rio e ele fudeu o Brasil!”

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

NÃO HÁ COMO BRECAR DELAÇÕES

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

A ESSA ALTURA, DELAÇÃO DE CABRAL SERIA ZOMBARIA

Preso desde novembro, Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, tornou-se um frequês da Lava Jato. Ignorando seus desmentidos, os investigadores levaram à vitrine um esquema que lavou, engomou e enviou para fora do país pelo menos US$ 100 milhões desviados do erário fluminense. Um dos comparsas de Cabral, o ex-bilionário Eike Batista, é considerado foragido. Com o teto do seu bunker de fantasias a desabar-lhe sobre a cabeça, Cabral sinaliza a intenção de tornar-se um delator. Em troca, quer deixar o ambiente inóspito da hospedaria de Bangu’s Inn.

A delação tem mais lógica quando o peixe miúdo entrega os tubarões. Adepto do estilo ‘propina-ostentação’, Cabral não é propriamente uma sardinha. Tratá-lo como um personagem menor, a essa altura, seria como tentar acomodar uma baleia dentro de uma banheira jacuzi. Conceder-lhe benefícios judiciais num instante em que o governo do Rio, quebrado, reivindica socorro da União seria uma zombaria com a sociedade fluminense, com a populacão brasileira e com a própria lógica. Alguém tem que ser punido exemplarmente.

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

GUABIRUS, CORRUPTOS E LADRÕES: TUDO NO MESMO BISACO

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O ANIVERSARIANTE DO DIA

Preso desde novembro do ano passado e alvo de mais uma investigação relacionada à Operação Lava Jato, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral quer fazer acordo de delação premiada. A intenção de colaborar e negociar uma pena menor em eventual condenação foi repassada a aliados próximos.

Cabral foi preso no ano passado durante a Operação Calicute, por ter recebido mesadas de até R$ 850 mil das empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia.

Um dos motivos que o levaram a cogitar a delação premiada, segundo aliados, é o ambiente hostil no presídio de Bangu 8, na zona oeste do Rio, onde cumpre prisão preventiva.

Cabral, dizem interlocutores do peemedebista, admite ter reduzidas chances de se livrar da prisão pelos caminhos tradicionais – via habeas corpus – por causa da quantidade de provas contra ele reunidas pela Procuradoria da República e pela Polícia Federal.

* * *

Ótimo.

Será muito bem vinda esta delação do guabiru carioca.

Tomara que ele solte o verbo e diga tudo.

Deve ter coisa que só a porra pra contar.

“Vê si livra minha cara neça tua dedação, cumpanhero Serjo; já tô pra lá di fudido”

* * *

Enquanto aguardamos que o passarinho abra o bico, vamos cantar parabéns pro ilustre ladrão presidiário, o bem sucedido aprendiz da feitiçaria luleira, hoje em dia obrando de coca no presídio de Bangu.

Nesta data tão querida, 27 de janeiro, Serginho Lalau completa 54 bem vividas primaveras.

Vamos botar Xuxa pra cantar parabéns para um dos maiores guabirus já nascidos no Rio de Janeiro e no Brasil.

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O POLÍTICO QUE MULTIPLICAVA

José Casado

Estava feliz naquela noite de primavera, quinta-feira 7 de outubro de 2010. Há apenas quatro dias garantira a reeleição ao governo estadual no primeiro turno, com 66,08% votos. Agora seguia no voo 455 da Air France para descanso em Paris, com escala em Londres.

Escolheu um hotel no lado oeste da capital do Reino Unido, perto do Hyde Park, onde em 1855 Karl Marx subiu num caixote – para não pisar em solo inglês, conforme a tradição – , e discursou sobre a revolução proletária para uma plateia de ingleses reformistas.

Na suíte, telefonou ao Rio ordenando o envio de 20 mil libras esterlinas (cerca de R$ 80 mil hoje). O carioca Marcelo, um dos herdeiros da mesa de câmbio Hasson Chebar, passou numa agência do banco israelense Hapoalim, e levou o dinheiro ao governador reeleito. Na antessala, viu e cumprimentou a primeira-dama.

“Mr. Santos”, era o nome que registrara no livro de hóspedes do hotel. Ele gostava de disfarces. Vivia uma rotina de clandestinidade. Tinha outro codinome, que restringia às conversas por um telefone (21-9972-33315) na privacidade do Palácio Laranjeiras: Nelma. No catálogo telefônico, Nelma de Sá Saraça.

Santos e Nelma, na vida real, eram Sérgio de Oliveira Cabral Santos Filho, que hoje completa 54 anos numa cela no presídio de Bangu, onde a temperatura de verão oscila acima de 40 graus.

Tinha metade desse tempo de vida quando emergiu das urnas como deputado, nos anos 90.

Terminou o terceiro mandato com pelo menos US$ 2 milhões (ou R$ 6,8 milhões) em contas secretas no exterior, conforme descritos nos inquéritos e processos em andamento na Justiça Federal.

Por cada ano na Alerj, recebeu em média US$ 166 mil de origem suspeita.

Elegeu-se senador com 4,2 milhões de votos. No período em Brasília (2003 a 2006), seu patrimônio oculto fora do país subiu para US$ 7 milhões (R$ 23,8 milhões). Como senador passou a receber US$ 1,2 milhão por ano – aumento de 653% em relação ao tempo de deputado.

Disputou e ganhou o governo estadual. Eleito, permaneceu entre 1º de janeiro de 2007 a 3 de abril de 2014. Passou o cargo ao vice, Luiz Fernando Pezão, nove meses antes do fim do segundo mandato.

Não precisaria mais usar o codinome Santos para desfrutar a fortuna que Nelma arrecadara na solidão do Laranjeiras, ao telefone com executivos das empresas de Eike Batista e de Marcelo Odebrecht, entre outras.

Multiplicara sua riqueza 21 vezes no espaço de 84 meses. O movimento nas contas encobertas em bancos estrangeiros saltou de US$ 7 milhões para US$ 152 milhões (R$ 517 milhões).

Como governador, coletou US$ 18,1 milhões, em média, a cada ano no palácio – 138% acima do patamar que alcançara quando era senador, e 10.803% mais que a arrecadação na Assembleia.

No país do real, Cabral foi um meio-bilionário por um tempo. Voltou à realidade em Bangu

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

CORRUPTO APAVORADO COM A POSSÍVEL PRISÃO DO CORRUPTOR

O ex-presidente Lula tem motivo de sobra para se preocupar com o pedido de prisão de Eike Batista.

Foi no governo Lula que o grupo empresarial de Eike faturou como nunca com recursos públicos.

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O corruptor ativo Eike Mauricinho Batista sempre faturou.

E muito.

Em tudo quanto é gunverno.

Mas esta notícia aí de cima resume tudo:

Ele “faturou como nunca” no gunverno de Lapa de Meliante.

“Pelamordedeus, Eikinho, se tu for cagar de coca na cadeia, num entrega o nosso padrinho não; devemos tudo a ele e temos o dever da gratidão; e fica tranquilo que o fubânico petista Ceguinho Teimoso vai defender nós três”

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

LAVA JATO DEVE EXPLICAÇÃO SOBRE VIAGEM DE EIKE

A ordem de prisão de Eike Batista consta de um despacho assinado pelo juiz federal Marcelo Bretas em 13 de janeiro de 2017. Mas só nesta quinta-feira (26), 13 dias depois da expedição do mandado judicial, os agentes federais foram à mansão do ex-bilionário, no Rio. Não o encontraram. Informou-se que decolara para Nova York dois dias antes, na noite de terça-feira.

Tacio Muzzi, delegado da Polícia Federal, saiu-se com uma explicação singela: “Em relação à viagem do senhor Eike Batista, não havia prévio conhecimento. Estava-se acompanhando a movimentação dos investigados e, na madrugada de hoje (26), chegou ao conhecimento que poderia ter saído para fora do país na data do dia 24, na parte da noite.” Hummmm.

A fala do doutor contém um paradoxo que resulta num déficit de explicação. Ora, se “estava acompanhando a movimentação dos investigados”, por que a Polícia Federal não teve “prévio conhecimento” do deslocamento do investigado-mor? Por que a força policial precisou de quase duas semanas para executar a ordem que os investigadores requisitaram ao juiz?

Advogado de Eike, Fernando Teixeira Martins, que trabalhou como agente da Polícia Federal de 2004 a 2015, acompanhou a batida de busca e apreensão na mansão do seu cliente. Disse que ele deseja retornar ao Brasil “o mais rápido possível” e tem a disposição de colaborar. Pode ser. Entretanto, se não for alcançado pelo Interpol, Eike só retorna se quiser. Leva no bolso um passaporte alemão. E não lhe faltam recursos.

A exemplo da Polícia Fderal, também a Procuradoria renderia homenagens aos controibuintes se dissesse meia dúzia de palavras sobre a mobilidade de Eike. Afinal, o juiz Marcelo Bretas anotou em seu despacho: “Caberá ao MPF [Ministério Público Federal] as providências devidas à execução das medidas.” Entre elas a prisão de Eike Batista.

Polícia Federal demorou 13 dias para procurar Eike Batista em sua mansão no Rio! Por quê?

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26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – UMA NOTÍCIA AUTENTICAMENTE BANÂNICA

O Vice-prefeito do Rio de Janeiro e secretário Municipal de Transportes, Fernando Mac Dowell, não paga IPTU desde 2001.

Segundo reportagem do jornal “O Globo” nesta quinta-feira (26), Mac Dowell acumula mais de R$ 215 mil em dívidas de IPTU com a Prefeitura do Rio.

A reportagem traz a lista de pendências do vice-prefeito e diz que a prefeitura cobra na Justiça o imposto da casa de Mac Dowell na Barra da Tijuca.

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O vice-prefeito da cidade não paga o imposto recolhido pelo município, o IPTU, há 16 anos!!!!

E isto não é lá em Palmares.

Não é em Chapadinha, no Maranhão. Ou na cidade de Jacaré dos Homens, nas Alagoas.

É fato acontecido numa das principais capitais de deztepaiz, a nossa querida Cidade Maravilhosa.

E o sujeito ainda teve a cara-de-pau de informar que não comentaria o assunto porque “se trata de uma questão de cunho pessoal.”

Uma sonegação, uma calhordagem, uma guabirutagem íntima, um assunto exclusivo de sua consciência.

Isto é a República Federativa de Banânia em estado puro. Puríssimo

Esta não dá pra comentar.

Só dá pra rir mesmo.

26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

“HÁ INTERESSES ESCUSOS” NA LAVA JATO, DIZ DILMA

Um dia depois de Lula ter declarado que a Lava Jato “tem dedo estrangeiro”, Dilma Rousseff ecoou o criador ao discursar num seminário na Espanha, nesta quarta-feira. Expressando-se num idioma próprio, que mistura português com espanhol, a presidente deposta declarou que “há interesses escusos” na Lava Jato. Disse que a operação tem o deliberado propósito de “inviabilizar empresas” brasileiras. “Não é algo gratuito”, ela acrescentou. O objetivo, insinuou Dilma, é beneficiar empresas estrangeiras.

Dilma injetou a Petrobras em sua prosa: “As grandes empresas brasileiras de construção, hoje, estão sem dúvida nenhuma interditadas. Aí acontece algo muito interessante: a Petrobras abre um processo licitatório recente. Quem comparece? Nenhuma das grandes empresas brasileiras. Por quê? Porque estão presas. Quem comparece? Grandes empresas internaciomais de construção. Entra-se na internet. Coloca-se o nome de cada uma das emrpesas. E coloca-se corrupção ao lado. Aparecerão todos os processos em que elas foram julgadas. E estão, inteiras, participando.”

Dilma tratou o Brasil como um país exótico: “O Brasil tinha grandes empresas construtoras. Nos Estados Unidos, na Europa, em todos os lugares do mundo se combate a corrupção não destruindo as empresas, mas prendendo os executivos. Prendem-se os excutivos, punem-se os executivos. Eles têm de ser punidos, não as empresas, que são instituições, nem os partidos também.”

Madame soou como se estivesse alheia ao que se passa em seu país. Absteve-se de recordar que os executivos das construtoras foram presos. Alguns permanecem atrás das grades, como o agora delator Marcelo Odebrecht. Outros encontram-se em prisão domiciliar.

Dilma fingiu desconhecer também o fato de que empresas como a Odebrecht firmaram acordos de leniência no Brasil e em outros países – entre eles os Estados Unidos. Por meio desses acordos, as construtoras purgam os seus crimes, devolvem dinheiro amealhado à margem da lei e se credenciam para voltar a operar. Tudo conforme previsto em legislação aprovada e sancionada durante o governo da própria Dilma.

A ex-presidente petista participou, na cidade espanhola de Sevilha, de um seminário chamado “Capitalismo neoliberal, democracia sobrante”. Nesse título, “sobrante” é aquilo que é deixado de lado. Dilma repetiu além-mar todo o lero-lero que os brasileiros já se fartaram de ouvir: foi vítima de um “golpe parlamentar”, o governo do PMDB é “ilegítimo”, o PSDB fez parte da trama, só eleições diretas restabelecerão a democracia, Lula é perseguido e todo aquele imenso etcétera.

“Creio que é possível que haja uma tentativa de golpe dentro do golpe”, afirmou Dilma a certa altura. “É inviabilizar a eleição democrática prevista no Brasil para 2018.” Como assim? “Uma pessoa surge com uma grande possibilidade de ser reeleito: Lula da Silva. Lula é para eles, golpistas, um grande perigo, porque tem toda sua carga de realizações e o reconhecimento de uma parte da população.”

Sem mencionar os cinco processos em que Lula figura como réu, Dilma prosseguiu: “Tentaram destrui-lo de todos os jeitos. Fazem pesquisas. E ele está na frente. Então, há grande risco de que eles tentem invabilizar sua eleição, condenando-o. Para que ele não seja candidato, tem que condená-lo duas vezes.”

Nessa versão propalada por Dilma no exterior, Lula iria em cana apenas porque tem pontos demais nas pesquisas de opinião. Nada a ver com as acusações de tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Esse Brasil do discurso de sua ex-presidente, uma autêntica República de bananas, não orna com o país que se esforça para punir os responsáveis pelo maior escândalo de corrupção de toda a sua história. Um escândalo que tem raízes na gestão Lula e continuou dando frutos na administração Dilma.

26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – DISPUTA ACIRRADA ENTRE DOIS GUABIRUS

Eike Batista pagou US$ 16,5 milhões em propina ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral por meio de um falso contrato, declararam à Justiça Federal dois operadores que fecharam acordo de delação premiada.

O empresário é o principal alvo da Operação Eficiência, novo desdobramento da Lava Jato, deflagrada na manhã desta quinta-feira (26).

Nesta ação, a Polícia Federal investiga crimes de lavagem de dinheiro na ocultação no exterior de aproximadamente U$ 100 milhões, cerca de R$ 340 milhões.

O esquema era comandado pelo ex-governador fluminense.

* * *

Não custa nada ressaltar que a Operação Eficiência – esta que está botando no furico de Eike Jatinho Batista -, é um desdobramento da Operação Lava Jato, aquela que foi denunciada na ONU pelos petralhas como sendo uma injusta perseguição a Lapa de Corrupto.

E atenção, leitores fubânicos: são 16,5 milhões.

De dólares!!!!

Nada de reais.

Informante fubânico bem posiconado acabou de me dizer que, tendo em vista a fantástica e piramidal guabirutagem de Sérgio Cabral, a cúpula do PT, na próxima reunião do diretório nacional da facção vermêio-istrelada, irá propor a formalização de uma aliança com o PMDB.

A ideia é formar uma chapa com os dois partidos para a eleição prisidencial do ano que vem.

Uma chapa com Lula na cabeça e Cabral na vice.

Desde já aviso que podem contar com o meu voto!!!

Não faltará assunto nunca nesta gazeta escrota quando a dupla impagável (êpa!) estiver gunvernando Banânia.

Vai ser um espetáculo imperdível.

“Tu robô pra caraio, Serjo; si apurare mai, tu vai acabá ganhando d’eu”

26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UM COMPORTAMENTO INQUALIFICÁVEL

Em ação tão oportunista quanto mórbida, o PT prepara campanha junto à militância para atribuir o eventual falecimento da mulher de Lula ao juiz Sérgio Moro, ao PSDB e à Operação Lava Jato, nesta ordem.

Paulo Okamoto, espécie de porta-voz de Lula no Sírio Libanês, disse que a tensão da Lava Jato provocou o AVC de Marisa Letícia.

São uns malandros.

Há 14 anos ela teve um aneurisma, que era acompanhado clinicamente. Agora estourou. Aconteceria de qualquer maneira.

* * *

Chega dá nojo este tipo de comportamento dos petralhas.

Putz.

Torço pra que Dona Marisa se recupere e fique boa o mais depressa possível.

Enquanto aguardo que ela tenha alta e volte pra casa, vou ali buscar meu pinico.

Estes petralhas sempre me dão ânsias de vômito.

26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

BOA DISCÍPULA

Enquanto o Brasil vive uma crise financeira sem precedentes, com demissão de trabalhadores e empresas falindo, a ex-presidente da República Dilma Rousseff passeia na Espanha divulgando a candidatura de Lula para voltar a ser presidente.

Em entrevista à Rádio Sevilla, ela falou que não disputará mais uma candidatura à presidência da República e que agora o candidato é Luiz Inácio Lula da Silva.

Não explicando que foi cassada, ela ainda mentiu aos espanhóis ao dizer: “As pessoas têm hora e vez, tudo tem hora e vez, a já foi a minha. Não serei eu, será Lula da Silva o candidato”. Adiantou ainda que continuará fazendo política.

Dilma atacou o presidente Michel Temer (PMDB), falando que o processo de impeachment no Brasil foi “traumático”.

Também sobrou para o presidente Donald Trump:

– Esses salvadores da pátria põem em risco a democracia.

* * *

Para ser uma fiel discípula de Lula, é indispensável que Dilma também saiba cagar tolôtes pela boca-furico.

Vaca Peidona é uma aluna nota 10!

Ou, melhor dizendo, uma aluna nota 13.

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26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – TÁ CHEGANDO PERTO DELE…

Polícia Federal está na casa de Eike Batista, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, para cumprir mandado de prisão pela Operação Eficiência, segunda fase da Calicute, braço da Lava Jato.

Os policiais chegaram à casa do empresário por volta das 6h da manhã desta quinta-feira (26).

Eike é acusado de pagar propina para o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que foi preso na mesma operação, para conseguir vantagens para seus negócios no Rio.

Contra ele também está sendo cumprido mandado de busca e apreensão.

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Mais um corruptor ativo vai ver o sol nascer quadrado.

A prisão de Eike nesta quinta-feira é por conta de um ladrão do PMDB.

Em breve, o tempo de cadeia será acrescido por conta do ladrão-mor do PT.

Tá chegando cada vez mais perto de Lapa de Corrupto…

Vamos torcer pra que antes do Carnaval tenhamos a excelente notícia.

“Quando nóis dois tivé na cadeia, vô sinti sodade do teu jatim, Eike…”

* * *

Ficou pra trás aquele tempo em que só preto, pobre e puta iam obrar de coca no boi: em tempos de Lava Jato, até os bilionários, como estes dois aí da foto, estão tomando no olho do toba

 

25 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

URGÊNCIA NA DELAÇÃO

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25 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

CONTINUA AFIADA EM DIZER BOBAGENS E INVERDADES

Ricardo Noblat

Em Sevilha, na Espanha, onde participa de um seminário internacional, a ex-presidente Dilma Rousseff voltou a disparar uma bateria de bobagens e de inverdades sobre o que se passa no Brasil. Vamos a elas.

“O segundo golpe, depois do meu impeachment, é impedir que Lula seja candidato, pois as pesquisas mostram que ele estaria na dianteira e ganharia a eleição”.

(A mais recente pesquisa Datafolha, de 12 de dezembro último, mostrou que Marina Silva (REDE) é a líder nos cenários de segundo turno na eleição presidencial de 2018. Derrotaria Lula por uma diferença de nove pontos. Em cenários de segundo turno contra Geraldo Alckmin, José Serra ou Aécio Neves, o quadro é de empate técnico com uma pequena vantagem numérica para Lula. O que impediria Lula de ser candidato seria sua eventual condenação pela Justiça, a mesma Justiça que avalizou a correção do processo de impeachment de Dilma.)

Dilma chamou Michel Temer de golpista, e seu governo de “ilegítimo”. “Perdemos a batalha, mas não podemos perder a democracia”, afirmou.

(O discurso do golpe está morto e enterrado por aqui. Lula autorizou o PT a negociar com os partidos que apoiam Temer cargos de direção no comando da Câmara dos Deputados e no Senado. O governo ainda está repleto de petistas no segundo e no terceiro escalões. O PT tem participado no Congresso da votação de matérias de interesse do governo. A democracia não está ameaçada. Dilma reclama da cassação do seu mandato, mas nada diz sobre a decisão do Senado que preservou seus direitos políticos.)

“Não se pode usar uma investigação sobre corrupção como arma de combate político e ideológico”. (…) “Não se pode construir uma justiça do inimigo, que é aquela que não exige provas, bastando as convicções para condenar ou acusar alguém”.

(As condenações da Lava-Jato foram referendadas por instância superior da Justiça ou estão à espera de ser. O que as investigações apuraram até agora foi suficiente para abertura de processos contra empreiteiras brasileiras em mais de meia dúzia de países, inclusive nos Estados Unidos.)

Sobre a Odebrecht: “Lamento que se destrua uma empresa só por se tratar de uma grande empresa brasileira”.

(A Odebrecht é a única responsável por sua própria degradação. Ninguém a obrigou a se corromper e a corromper. Dilma poderia ter aproveitado a ocasião para explicar por que, como presidente da República, ao se encontrar com Marcelo Odebrecht no México, aconselhou-o a não voltar ao Brasil para escapar de ser preso. Ele voltou e foi preso.)

25 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O DOUTORZINHO E O LOUCO NA ARTE DE RUA DE SÃO PAULO

Quando eu estava pesquisando a vida da psiquiatra Nise da Silveira para o meu filme Olhar de Nise, estive no hospital do Engenho de Dentro, no Rio. Lá, fui apresentado a um paciente que se encarregou de ciceronear a minha visita. Vimos celas, corredores, enfermarias, pátios, almoxarifados e, finalmente, entramos numa sala de recreação. O louco parou, olhou para mim e, emocionado, disparou:

– Ali, naquela parede vazia, caiada de branco, existiam várias pinturas nossas. Mas um doutor novo chegou aqui e mandou apagar tudinho.

Foi naquele hospital, entre as décadas de 1950 e 1960, que a psiquiatra alagoana Nise da Silveira e o pintor Almir Mavignier descobriram, entre centenas de doentes mentais, grandes talentos da pintura brasileira como Fernando Diniz, Adelina, Carlos Petrus, Emigdio e Raphael, que se perpetuaram na arte. Felizmente, naqueles tempos não apareceu por lá nenhum doutorzinho para apagar as suas belas pinturas que correram o mundo.

O que o prefeito de São Paulo está fazendo com a arte de rua da cidade se assemelha muito com a atitude do doutorzinho do Engenho de Dentro. Sem consultar a população, ele decidiu tornar ainda mais cinzas as paredes das ruas da cidade antes tão coloridas pelos mãos dos talentosos grafiteiros, que decidiram humanizar a selva de pedra com seus pincéis mágicos e as suas pinturas multicoloridas, de conceitos concretos e abstratos, admiradas no mundo.

João Doria, o prefeito, responsável pela tragédia cultural da livre criação, é o nosso Trump tupiniquim. Eleito no primeiro turno das eleições paulista, substituiu um petista que bateu todos os recordes de rejeição. Mas conseguiu chegar ao topo da administração de uma das maiores cidades da América Latina sem nunca antes ter sido testado nas urnas, vendendo à população o discurso do não político. E, surpreendentemente, age como os políticos carimbados com demagogia e populismo barato.

Ao tomar posse transformou-se em gari, pedreiro e ciclista. Uniformizou-se e foi para as ruas catar lixo. Não demonstrou nenhuma habilidade na nobre tarefa de limpar a cidade nem na de pedreiro e muito menos na de ciclista. Mostrou-se incapaz até para imitar o ex-prefeito Jânio Quadros, o exótico político, fabricado também pelos paulistas, que governava (?) com uma vassoura.

Doria, que se diz apolítico, quer cativar a população com demagogia. Quer parecer igual à massa que o elegeu. Quer passar por todas experiências para governar tomando as decisões acertadas, nada mal para um executivo forjado dentro de um escritório. Até terminar o mandato ainda pode ser trocador de ônibus, leão de chácara, motorista de táxi, vendedor ambulante, feirante, garçom, entregador de pizza, ambulante, chincheiro e cozinheiro. Com tantas atividades, certamente, não vai sobrar tempo para São Paulo.

Se para administrar o seu torrão, ele precisa fazer essas piruetas para mostrar a população que é um simples mortal, mesmo para quem declara um patrimônio 180 milhões de reais, espera-se dele um certo equilíbrio para não ir ao extremo nas suas elucubrações e se jogar do Martinelli, um dos maiores arranhas céus de São Paulo, como experiência final da sua administração.

O mais preocupante de tudo isso é que a equipe do prefeito pensa igualzinho a ele, como agiam os soldadinhos do Plínio Salgado. Uma turma de serviçais que diz amém aos seus atos esdrúxulos. Não à toa, o JN mostrou o seu secretário de Cultura assinando em baixo a decisão do doutorzinho. Justificava que outras pinturas “seriam preservadas” ao tempo em que obedecia as ordens dele e mandava apagar os desenhos e as pinturas que suavizavam o amontoado de concreto de São Paulo.

O que se pode esperar de um prefeito que começa o mandato vandalizando a própria cidade? Ele acha que os votos que recebeu dão-lhe o direito de tomar decisões monocrática e intempestivas próprias de quem não sabe exercer o cargo ouvindo o povo de onde emana o poder.

24 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MELIANTE EM DESASSOSSEGO

Réu em cinco processos que podem somar condenações de quase 150 anos de prisão, o ex-presidente Lula continua com dificuldades para dormir, comer e cuidar da saúde.

Os amigos andam preocupados.

* * *

Zé Dedinho era uma figura da minha infância que eu admirava muito, malandro de jogo, picareta, golpista e camelô nas horas vagas.

Pois eu vou receitar pra Lapa de Corrupto um chá que Zé Dedinho vendia na feira de Palmares.

Era o Chá de Pau-Barbado.

Um ótimo remédio pra curar caganeiras provocadas pelo pavor de ser preso e ir obrar de coca no boi da prisão de Curitiba.

Fora isto, acabei de enviar pra Mudinha uma mensagem sugerindo que ela dê pra Lapa de Corrupto um remédio por nome de Salsa, Caroba e Cabacinha.

Um tônico milagroso que meu saudoso compadre Tira-Teima, grande poeta popular e camelô de profissão, vendia nas feiras, conforme detalhado no livro “O Romance da Besta Fubana“:

“Salsa, Caroba e Cabacinha não é fabricada com ouro, nem brilhante, nem notas de contos de réis. Salsa, Caroba e cabacinha é fabricado com salsa, caroba, cabacinha, velame, sucupira, jalapa, batata marapuama, goma arábica, cabeça-de-negro, batata-de-fruta, pega-pinto, parreira amargosa, velame do campo, catuaba, catingueira rasteira, mamelis, casaca sagrada, benjoim, alecrim do campo, capim santo, erva cidreira, quina-quina, pimenta d’água esquentada, boldo do Chile, anis estrelado, chapéu-de-couro, podofilina, cipó cabeludo, pau-de-resposta, rajinha e bateu-cagou.”

24 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

DEPOIS DE PERDER O PODER, PT APOSENTA O PUDOR

Devolvido à oposição pelo impeachment de Dilma, o PT mandara fixar um cartaz na parede, atrás do balcão da legenda. Nele, estava escrito: “Não negociamos com golpistas”. De repente, após reunião em que o diretório nacional petista discutiu seu papel na disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, apareceu uma folhinha tapando o “Não”. E os petistas passaram a torturar a semântica.

Quando vê a cúpula do PT esgrimindo argumentos para justificar o apoio a aliados de Temer para comandar a Câmara e o Senado, a plateia sabe que está diante de uma crise de significados ou numa roda de cínicos. Quando os petistas defendem na Câmara a adesão ao ‘demo’ Rodrigo Maia ou ao relator do impeachment Jovair Arantes – o que der mais cargos na Mesa e nas comissões— todos se convencem de que a crise é mesmo terminal.

Lula, enquanto tenta se livrar da cadeia, sobe no caixote para anunciar a agrupamentos companheiros que será candidato ao Planalto para livrar o país dos “golpistas”. Alguém poderia dizer que o morubixaba do PT também é vítima da confusão semântica. Mas quando se verifica que Lula participou da reunião em que o diretório decidiu que só não barganha a mãe porque não tem como oferecer certificado de garantia, fica claro: o partido e seu líder, depois de perderem o poder, aposentaram completamente o pudor.

24 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MAIS DE UM SÉCULO

Quase um ano após os investigadores da Operação Lava Jato identificarem servidores da Odebrecht na Suíça, parte das informações da empreiteira sobre pagamentos de propinas pelo mundo continua em segredo.

Sem conseguir acessar os dados, protegidos por uma série de códigos e chave de segurança, a Procuradoria-Geral da República recorreu até ao FBI, órgão de investigação dos Estados Unidos.

A resposta dos americanos, porém, não foi nada animadora.

Em comunicado ao procurador-geral, Rodrigo Janot, o FBI disse que, mesmo usando toda a sua tecnologia disponível, precisaria de 103 anos para superar as sofisticadas camadas de proteção dos servidores da Odebrecht.

* * *

Eu e Lula estamos orgulhosos e com o peito batendo de patriotismo.

Esta informação deixou nós dois com a caixa torácica em festa e o coração a gargalhar.

Uma empresa nacional monta um esquema de ladroagem que desafia até o FBI, a legendária e eficiente polícia federal dos Zistados Zunidos.

Mais de um século, exatamente 103 anos pra decifrar o lamaçal da corruptibilidade lulo-odebrechtiana.

Se tirarmos o algarismo zero do número 103, restará apenas o 13 (Argh!!!!!!!!)

As coincidências do destinos às vezes são cruéis.

“Us zamericanus du FBI num chega nem perto de nóis pra dicifrar a guabirutagem qui eu e minha quirida Odebrexiti montemos”

24 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UM ABATIDO E O OUTRO APAVORADO

Relatos de quem esteve com o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em Curitiba, onde ele está preso, indicam que o ex-presidente da Câmara está mais abatido.

Cunha apostava todas as fichas em conseguir um habeas corpus no final do ano passado, por uma decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal.

Mas ele perdeu a esperança após a análise ser levada ao plenário pelo ministro Teori Zavascki, que morreu na semana passada após acidente aéreo.

Análise realista aponta que a chance de Cunha ser solto pelo plenário do STF é praticamente nula.

* * *

Cunhão abatido na cadeia de Curitiba e Lula se cagando de medo com a possibilidade bem real e concreta de ir pra lá.

Uma dupla de ratos em apuros.

Recomendo aos dois que se levantem, sacudam a poeira e deem a volta por cima.

Como é sugerido nesta letra de Paulo Vanzolini, interpretada pela militante petêlho-luleira Beth Carvalho.

23 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

TAREFA INGLÓRIA

Pedro Simon disse ao jornal Correio Braziliense que a morte de Teori Zavascki, às vésperas da homologação da delação da Odebrecht, é um indício de que Deus não é brasileiro, mas duvida de que alguém consiga frear a Lava Jato.

“Só o Lula não entende que o Brasil é outro, mas ele está enganado. O processo não é contra o PT, o PMDB, o PSDB. O mundo mudou, a sociedade mudou. O país tem democracia, liberdade, imprensa livre, promete e faz apuração. As ruas não vão deixar a Lava Jato parar.”

* * *

Tem uma tarefa mais ingrata do que fazer Lula entender alguma coisa.

É tentar fazer um seguidor de Lula entender alguma coisa.

Tentar isto é querer realizar o impossível.

23 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MAMADORES

O PT tenta minimizar a perda de milhares de boquinhas no governo federal e nas prefeituras, após a derrota humilhante nas urnas em 2016.

A ideia é fechar acordos que lhes garantam cargos, para acomodar seus principais assessores e conter a debandada.

Na Câmara, o PT apoiará Rodrigo Maia em troca de boquinhas, e não vai atrapalhar a eleição de Eunício Oliveira (PMDB-CE) para presidente do Senado, na expectativa de ganhar cargos na Mesa e nas comissões.

A meta do PT, definida com Lula, é de 100 cargos no Congresso para acomodar petistas, perdidos como cachorro que caiu do caminhão de mudança.

Assim como pediu a Rodrigo Maia a 1ª secretaria da Câmara, em troca de apoio, o PT exige o mesmo cargo no Senado Federal.

Na 1ª secretaria, o PT controlaria no Senado um orçamento de R$ 4,2 bilhões e vinte cargos que pagam até R$ 22 mil por mês, cada.

O PT quer a chave do cofre: o orçamento da 1ª secretaria da Câmara soma R$ 5,9 bilhões e os cargos são de R$ 17 mil por mês.

* * *

Teste para os leitores fubânicos: dar o nome de cada um dos mamadores senatoriais.

Na foto abaixo aparecem todos os petralhas caça-boquinhas do Senado Federal.

A tarefa dos argutos leitores fubânicos é dizer o nome de cada um deles.

Aliás, pensando melhor, isto é coisa que não vale a pena.

Pronunciar o nome dos componentes desta corja faz a boca entortar e provoca ânsias de vômito.

Deixa pra lá.

23 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UMA INDICAÇÃO EXCELENTE

Paulista de Tietê, o presidente Michel Temer assumiu compromisso tácito com seu Estado para nomear um conterrâneo para uma eventual vaga no Supremo Tribunal Federal.

Isso é o que fortalece a opção pelo ministro Alexandre de Moraes (Justiça) para a vaga do ministro Teori Zavascki, morto quinta-feira (19) em desastre aéreo.

Temer também teria compromisso com o próprio Moraes de nomeá-lo.

* * *

Em sendo esta gazeta escrota um jornal do mais alto nível moral, intelectual, político e jurídico, aprovo e apoio com entusiasmo a nomeação do careca Alexandre de Moraes para o STF.

Só assim teremos um Supremo Magistrado pra ser chamado de Ministro Cabeça-de-Pica no JBF.

“Ao invés da pajaraca, vou enfiar a cabeça no furico dos condenados”

23 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

TÁ DIFÍCIL…

Faveco Corrêa

O ano começou com a bruxa solta. Matança nos presídios de Manaus, Boa Vista e Natal, elevando a mais de cem o número de mortos; fugas em massa de bandidos infernizando a população que está morrendo de medo de sair de casa; represália de criminosos contra a transferência de presos queimando ônibus e carro do governo, numa clara demonstração de que quem manda são eles; bagunça em São Paulo capitaneada pelo MTST; dez policiais mortos no Rio de Janeiro nos primeiros quinze dias do ano; bandidos assaltando e matando pelo Brasil afora com uma tranquilidade de arrepiar os cabelos, demonstrando a falência total dos estados no controle da criminalidade, inclusive em São Paulo onde o governador diz que está tudo bem; a convocação das Forças Armadas para entrar no jogo sujo, numa prova de que finalmente caiu a ficha de que estamos em guerra aberta contra a marginalia e que a insegurança nacional virou tema de segurança nacional, na tentativa de evitar que o Brasil se transforme numa Colômbia dos anos oitenta. Tudo isso vem ofuscando as possíveis comemorações dos primeiros resultados positivos da economia, como a queda da taxa Selic para 13%, o aumento da confiança dos empresários, os sinais de que a inflação poderá ficar no centro da meta e a notícia de que a gestão Temer foi mais produtiva em poucos meses do que a de Dilma em 5 anos. Mesmo assim, está difícil a sociedade recuperar seu otimismo.

Não bastasse tudo isso, o jornalista Claudio Humberto revela que Renan Calheiros está pressionando Temer para, depois de deixar a presidência do Senado, ocupar um ministério, preferencialmente o da Justiça, para não “perder autoridade” e a boca rica das mordomias ministeriais, incluindo jatinho que, aliás, ele usou até quando foi fazer implante de cabelo. Se isso acontecer, aí sim ficaremos bem perto do fim do mundo. Infelizmente, esta não é uma possiblidade desprezível, já que está ficando patente a dificuldade do governo de conseguir arregimentar fichas limpas para compor os seus quadros. Haja vista a nomeação do novo secretário da juventude, que é acusado de enriquecimento ilícito.

E agora cai essa bomba: a trágica morte do Ministro Teori Zavaski em desastre aéreo em Paraty. A sociedade brasileira sentirá a perda da figura humana rica em qualidades e do culto, discreto, independente, devotado e exemplar servidor da justiça, que merece, por todos os títulos, o luto oficial de três dias.

Dele só não vão sentir saudades os políticos citados nas delações da Odebrecht. Sua ausência precoce lança uma pesada nuvem de incerteza sobre o futuro da Operação Lava Jato, da qual era relator. Segundo especialistas, seja quem for o novo relator, os possíveis criminosos ganharão pelo menos mais um ano para gozar de uma liberdade que não merecem.

O “imbróglio” sobre quem será o sucessor de Teori Zavaski no processo da Lava Jato já está instalado.

Será ele o novo ministro a ser indicado pelo Presidente Michel Temer, cujo nome já apareceu nos vazamentos de delações?

Será através de sorteio entres todos os ministros remanescentes no STF?

Ou o sorteio será apenas entre os integrantes da segunda turma (Gilmar Mendes, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli)?

Vejam só o risco que estamos correndo.

Nós, a sociedade, devemos ficar vigilantes para que o novo relator da Lava Jato não nos retire o orgulho que sentimos da toda a Operação, que sob a liderança de Teori Zavaski avançou com segurança e celeridade, aproximando do cárcere, como nunca tinha antes acontecido na história deste país, conhecidos meliantes que roubam do povo há tantos anos.

Oremos.

23 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEGUNDA-FEIRA – BANDIDOS E FACÇÕES

Todos os dias, a empresa contratada para fornecer alimentação aos cerca de 1.300 detentos deixa as quentinhas na portaria da penitenciária de Alcaçuz.

Naquele momento, agentes chamam um preso, conhecido como “pagador”, que tem um carrinho já preparado para levar os alimentos aos colegas.

Sim, são os presos que distribuem a comida entre si – podendo decidir, inclusive, quem se alimenta.

Essa é só uma das rotinas que mostram o domínio dos presos na penitenciária onde, no dia 14 de janeiro, houve um massacre com pelo menos 26 mortes de detentos.

* * *

Criminosos e facções controlando tudo nesta incrível Banânia é coisa rotineira.

Desde o parlamento federal até chegar às cadeias.

Dominar e tomar conta de um presídio é fichinha.

Teve uma organização criminosa que gunvernou eztepaiz por mais de uma década…

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

TRUMP NÃO ESTÁ SÓ

Usados com fartura pelo recém-empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, populismo e xenofobia, animados por pregações ufanistas, se tornaram ingredientes quase indispensáveis no caldeirão de ideologias extremadas, sejam de direita ou de esquerda. À fórmula, que nada tem de nova, se agregou mais um elemento: a demonização da política e dos políticos, como se o feiticeiro pudesse negar o feitiço quando dele se beneficia.

Vitoriosos em um planeta virado ao avesso, em que chineses comunistas defendem a globalização e capitalistas, o inverso, os adeptos dessa farsa de fazer política dizendo o contrário envenenam o mundo livre com soluções simplistas, discriminatórias, totalitárias.

Não raro, são pessoas que arrogam para si méritos extraordinários, que se consideram acima do bem e do mal, ungidas pela divindade – incriticáveis.

Trump e seus seguidores mais aguerridos dizem pregar a união, mas atiram pedras em qualquer um que se arvore em reprovar suas falas e seu comportamento. A imprensa é o diabo, a oposição, desprezível.

Apegam-se ao resultado eleitoral – ainda que Trump tenha sido derrotado no voto popular – como se a vitória conferisse ao eleito o condão de agir sobre todas as coisas, até acima dos princípios que regem a nação. Cabe aqui lembrar os direitos constitucionais das minorias, algo de que Trump faz pouquíssimo caso.

No Brasil, o ex Lula, sua sucessora deposta, Dilma Rousseff, e o PT têm práticas semelhantes. Quando dominavam o cenário, com aprovação nos píncaros, faziam chacota da minoria oposicionista, espaço que agora ocupam e para o qual corretamente exigem respeito. À mídia, exceto aos jornalistas domesticados, sempre atribuíram os piores adjetivos. Dizem-se democratas, mas tratam os discordantes como inimigos. Consideram golpe um impedimento constitucional, conduzido de acordo com a Constituição e aprovado nas devidas instâncias.

Os muitos disparates de Trump contra as mulheres ao longo da campanha também não ficam longe dos pensamentos de Lula. Em janeiro de 2010, o ex não deixou dúvidas quanto ao espaço reservado no seu íntimo ao sexo oposto: “uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida. Tem que ser submissa porque gosta dele”.

No mundo de Trump, da direita fundamentalista que cresce na Europa e da esquerda latino-americana, a não-política se faz com a política de nacionalismo exacerbado, com fechamento de fronteiras e protecionismo. Como se possível fosse dar um cavalo de pau no sistema econômico mundial, nas mazelas e dores – e nas delícias – do mundo globalizado.

É dizer não à tecnologia e à conexão interplanetária, à internet e às redes sociais, incluindo o Twitter que Trump tanto preza.

Ditas de forma chula – “a carnificina americana acaba aqui” – e com excesso de lugares comuns – “Os Estados Unidos começarão a triunfar novamente, como nunca antes” -, as palavras de Trump no seu discurso de posse não se diferem muito das de Adolf Hitler ao convocar arianos para construir “o triunfo de uma nova Alemanha”.

De Hitler a Vladimir Putin, de Getúlio Vargas a Juan e Evita Perón, de Hugo Chávez a Evo Morales e os Kirchners, de Fidel Castro a Lula, todos e outros tantos beberam ou ainda bebem na fonte populista em maior ou menor dose. Para tal, interpretam e distorcem fatos ao bel prazer, abusam da mentira, do vale-tudo.

Trump não está só.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

NAS MÃOS DE CÁRMEM LÚCIA

José Casado

Com a ausência do juiz Teori Zavascki abre-se um novo ciclo para 364 pessoas e empresas investigadas por corrupção na Petrobras e outras empresas estatais.

É a presidente do tribunal, Cármen Lúcia, quem vai decidir o destino das oito dezenas de inquéritos, nos quais se destacam 48 políticos acusados e com processos em andamento. Será uma determinação solitária – e, talvez, a mais relevante – a ser tomada por essa mulher de 62 anos, disciplinada nos hábitos espartanos de uma família de portugueses pobres que migraram para Montes Claros, Minas Gerais.

Ela possui alternativas dentro do regimento do tribunal. Qualquer que seja, porém, terá o traço característico de uma Corte onde os 11 juízes são políticos de toga – nos últimos anos alguns deles têm feito questão de acentuar essa peculiaridade, até correndo o risco de carbonização das próprias biografias.

Uma das possibilidades é a presidente do Supremo alegar excepcionalidade e até avocar os casos, acumulando a tarefa de relatoria que estava com Teori com a presidência do STF. Outra é aguardar a substituição de Zavascki, iniciativa que a Constituição reserva ao presidente Michel Temer.

Uma terceira opção, que em Brasília era considerada a mais provável, é a redistribuição da relatoria dos casos por sorteio eletrônico entre os integrantes da segunda turma de julgamento do tribunal, onde estavam Zavascki, os inquéritos e processos sobre corrupção nas empresas estatais. Cármen Lúcia seria provocada por um requerimento do procurador-geral Rodrigo Janot. A segunda turma está hoje composta pelos ministros Gilmar Mendes, que a preside, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.

Para a vaga aberta seria deslocado um dos ministros da primeira turma – possivelmente, Edson Fachin. A lógica da escolha seria a de que a segunda turma do STF já tem o conhecimento, a jurisdição e já tomou uma série de decisões nos inquéritos e processos (no jargão jurídico, está “preventa”).

Em qualquer decisão, porém, o regimento terá de ser aplicado em fina sintonia com uma realidade política, na qual o Supremo tende a zelar por sua imagem. Tudo indica que haverá uma inflexão no caso Lava Jato. Por enquanto, é impossível determinar o rumo.

Por isso, as apostas feitas ontem por líderes políticos interessados no desfecho dos inquéritos e processos contêm dose de sapiência similar à da compra de um bilhete de loteria.

A única certeza está estabelecida na Constituição: Michel Temer estava destinado a cumprir o mandato sem indicar um só ministro para compor o STF, mas desde a tragédia de ontem está em busca de um substituto para Teori Albino Zavascki, 68 anos, o juiz que saiu de Faxinal dos Guedes (SC) para a Praça dos Três Poderes, onde se destacou pela técnica e sobriedade.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

É SÓ PROCURAR

“Torço para que o acidente tenha sido acidental. Não gostaria de ser órfão de um pai assassinado.”

Francisco Zavascki, advogado, filho do ex-ministro Teori.

* * *

Também torço para que não tenha nenhum sinistra imagem celso-danielesca por trás deste acidente.

Mas, enfim, vivemos numa Banânia que foi gunvernada por mais de 13 (Argh!!) anos por um bando criminoso.

Vejam o que disse a irmã de Teori, Delci Zavascki Salvadori, uma senhora de 70 anos, moradora da cidade de Faxinal dos Guedes (SC), onde o ministro nasceu:

Tenho medo de que possa ter muita coisa por trás. Quero que façam uma boa investigação. A nossa família sempre esteve muito preocupada com o trabalho dele na Lava Jato, mas o Teori sempre nos dizia para ter calma, porque andava com muitos seguranças.”

Prevenido, o falecido não dispensava os seguranças. Infelizmente, ele só não tinha poder sobre segurança aérea e segurança de aviões.

Em maio de 2016 o Dr. Francisco Zavascki, filho de Teori, escreveu assim na internet:

Atenção, autoridades e investigadores, conforme disse o filho do ministro, “vocês já sabem onde procurar“.

Mãos à obra.

Vão lá e procurem.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

RATOS AÉREOS

Era abril de 2014 quando um homem chegou ao hangar de uma empresa de táxi-aéreo em Brasília.

Carregava uma mochila nas costas e, sem delongas, mostrou ao funcionário um bolo de dinheiro vivo. Sacou a seguir uma máquina para contar as cédulas. Somavam R$ 105 mil.

O dinheiro se destinava a pagar pelo uso de um jatinho, dias antes, para uma viagem a Punta del Este, Uruguai. Quem pagou foi Pedro Medeiros, que fazia o papel de homem da mala para seu primo influente, o empresário Benedito de Oliveira Neto, o Bené, delator na Operação Acrônimo (da Polícia Federal, para investigar lavagem de dinheiro para campanhas eleitorais).

O principal convidado do voo era Fernando Pimentel, então pré-candidato ao governo de Minas Gerais e amigo de Bené.

A viagem a Punta del Este é um símbolo da próspera relação entre o petista Fernando Pimentel, Bené e o grupo imobiliário JHSF, de São Paulo.

De um lado, Pimentel ganhou a viagem, doações eleitorais e R$ 1 milhão em caixa dois, segundo admitiu à Polícia Federal um executivo da JHSF.

Em troca, a empresa tinha em Pimentel um lobista dentro do governo Dilma – ele era ministro do Desenvolvimento e tinha poder sobre o BNDES.

* * *

A paixão dos ratos petralhas de alta linhagem por aviões de empreiteiros é coisa proverbial

Pimentel apenas segue a linha de ação de Lula, o Rei dos Jatinhos, quando usa e abusa da “bondade” dos corruptores ativos.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MORO, NÃO PEGUE AVIÃO

Ruth de Aquino

É inédito no Brasil o sentimento de orfandade pela morte de um juiz. Um juiz sereno e fechado do Supremo Tribunal Federal. Um juiz que raramente sorria ou estrelava manchetes, tão discreto e dedicado ao Direito como missão de vida. “O Teori morreu!”, ouvia-se pelas ruas, de gente simples, triste e chocada como se fosse parente. “O Teori estava no avião que caiu!” “Será que foi mesmo acidente?”

Num país que começa 2017 machucado pelo caos na segurança pública e pela ousadia cruel de facções criminosas – dentro e fora dos presídios, nos ônibus, nas praias, nas praças -, num país com famílias empobrecidas pelo desemprego e pela falência de estados mal geridos, com paralisação de obras e serviços essenciais, é impressionante o luto aturdido que tomou conta das ruas. O artigo definido antes do nome denota intimidade. “O” Teori tinha se tornado muito mais que um juiz togado do STF, num Brasil ansioso por punir as quadrilhas de poderosos que roubaram do povo e das estatais.

Mistura de poloneses e italianos, catarinense de origem, gremista apaixonado, viúvo, pai de três filhos – dois advogados e um médico -, Teori Zavascki tinha fama de “ministro técnico”. Dizia ignorar se isso era “elogio ou crítica”, em seu humor irônico.

Com perdão da generalização, o caráter nacional é exibicionista. Toda hora tem fulaninho ou fulaninha que corre para os holofotes e fala para os repórteres. Teori ficava na dele, morava sozinho em apartamento funcional em Brasília desde a morte da mulher, também juíza, há três anos. Sempre que dava, ia a Porto Alegre para visitar os filhos e a cidade onde se formou.

Teori foi abatido pelo destino em pleno voo. Aos 68 anos, estava em curva ascendente, prestes a desempenhar seu maior papel, como relator e guardião da Lava Jato: tinham sido marcadas para a próxima semana as delações premiadas de 77 executivos da Odebrecht. Depoimentos que envolveriam em malfeitos o maior número de políticos já visto na História de nossa República.

Esses depoimentos devem ser cancelados até que um novo relator substitua Teori. Para ter uma ideia do que estava a cargo de seu gabinete, eram 800 depoimentos, 40 inquéritos e três ações penais. Tudo associado aos desvios da Petrobras. Teori não permitiu que o recesso de janeiro parasse totalmente os trabalhos. Ganhou a ajuda de uma força-tarefa.

Dá para entender a comoção diante da perda irreparável de um homem honesto e dedicado. A morte súbita, na queda de um bimotor sofisticado, a apenas 2 quilômetros da cabeceira da pista em Paraty, a apenas 2 quilômetros da continuidade da vida, é difícil de absorver. Teori talvez não estivesse consciente do que simbolizava para o Brasil: a garantia de um desfecho isento para o gigantesco processo de corrupção multimilionária envolvendo políticos e empreiteiros. Um processo que, a cada delação, enoja a todos, mas nos dá a esperança de que o assalto aos cofres públicos não se repetirá, caso os meliantes de colarinho branco sejam punidos.

Nem mesmo a investigação rigorosa do acidente de avião deveria atrasar a Lava Jato mais que o necessário. Passa a ser ainda mais crucial o papel da presidente do STF, Cármen Lúcia, que pode redistribuir os processos da Lava Jato entre os juízes da Segunda Turma, mais familiarizados com a investigação. São quatro os ministros: Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Celso de Mello.

Ninguém melhor que a mineira Cármen para liderar essa transição e descobrir o caminho menos pedregoso e escorregadio. Nisso, temos muita sorte. Espero que o processo da Lava Jato não fique nas mãos do novo ministro do STF a ser nomeado por Michel Temer. Seria outro acidente pavoroso, outro desastre, outra tragédia.

Como disse uma vez Teori a repórteres, explicando por que não poderia se manifestar quando a defesa de Lula recorreu à ONU: “Cada macaco no seu galho”. Se cada macaco ficar no seu galho, se não apelarmos para soluções estranhas, como entregar o processo da Lava Jato ao ministro de Temer ou ao juiz Sergio Moro, temos chance de manter o legado de Teori.

Entre suas decisões no Supremo, Teori acatou a liminar que afastaria Eduardo Cunha da presidência da Câmara. O mesmo Teori permitiu a absolvição de José Dirceu no mensalão e, anos depois, rejeitou o pedido de José Dirceu para deixar a cadeia. Criticou vazamentos das delações, mas revogou sigilo nas investigações sobre a Petrobras.

Foi Teori quem sugeriu o nome de Sergio Moro para ajudar a ministra Rosa Weber no julgamento do mensalão em 2005. Acertou. Por favor, Moro, não entre em aviões pequenos, mesmo os sofisticados. “Sem Teori, não haveria Lava Jato”, disse Moro. Sem Moro, também não. Nesse capítulo de nossa História, ambos são insubstituíveis, cada um a seu jeito.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

BRASILEIROS PREFEREM TEORIA DA CONSPIRAÇÃO PARA MORTE DE TEORI

Oitenta e três por cento dos brasileiros acham que a morte de Teori Zavascki foi um atentado, segundo o Instituto Paraná de Pesquisa. E por mais que se negue, ninguém jamais vai acreditar que o homem que tinha o poder de manter os poderosos na cadeia teria sofrido um acidente, uma mera fatalidade. Para dissipar toda as dúvidas, o governo precisa se empenhar em elucidar o caso com uma investigação consistente e minuciosa que prove por a mais b que o ministro não foi assassinado pelas mãos de mercenários a serviço do crime organizado. A primeira reação da população ao acidente aéreo de Teori foi a de uma morte planejada, a exemplo do que ocorria na operação Mãos Limpas, na Itália, quando os mafiosos assumidamente explodiam juízes. Aqui, se houve um atentado, nenhuma organização jamais vai assumir porque, em matéria de crimes misteriosos, evoluímos à sofisticação inimaginável.

Assim como você que me lê, eu também tenho dúvidas que me levam a crer na teoria da conspiração por alguns erros que se cometem em casos como esses de repercussão internacional, que poderiam ser chamados de queima de arquivo. Senão, vejamos algumas curiosidades: já que todos os passageiros foram declarados mortos, por que não esperar uma perícia especializada para remover os destroços da aeronave de modo a não se perder vestígios de um provável atentado? A exemplo do PC Farias, o local foi desfeito dificultando uma investigação científica do caso. Os pedaços do avião foram retirados do mar atabalhoadamente, sem o menor critério para um caso como esse que deixou o mundo perplexo e vai sempre suscitar dúvidas.

Por que o ministro não era protegido por agentes federais, já que alegou diversas vezes que sofria ameaças de morte, como ele próprio revelou, e seu filho confirmou? Se estava escudado por agentes, por que eles também não embarcaram na aeronave? Como esse avião foi preparado para a viagem do ministro? Quais os técnicos aeronáuticos que deram o sinal verde para o voo? Há quanto tempo esta viagem estava programada? Quem programou e quem sabia antecipadamente desse percurso? Por que a demora em identificar o piloto, quando se sabe que a identificação é registrada na saída do aeroporto, como é de praxe? E o mais grave: por que Teori iria descansar na casa do empresário Carlos Alberto Ferreira Filgueiras, dono do avião, sócio do BTG Pactual, cujo presidente André Esteves fora solto por ele na operação Lava Jato?

Se a gente for analisar o caso da morte do ministro apenas pela teoria da conspiração, muita gente poderosa e endinheirada tinha motivos para planejar um atentado contra ele. No próximo mês, Teori já havia comunicado que iria quebrar o sigilo de toda delação premiada da Odebrecht, onde seriam revelados nomes de autoridades comprometidas com a corrupção no país, a maior do que se tem notícia no mundo. O ministro, tido como casca grossa, manteve quase cem por cento todas as sentenças do juiz Sérgio Moro e não relaxou prisão de réus da Lava Jato, com exceção de André Esteves. Ao contrário de alguns de seus pares que gostam de plateia, atinha-se a forma da lei com a discrição que cabe a um integrante da suprema corte do país.

O caso em que o ministro trabalhava, o da corrupção de bilhões de reais em vários países, é um dos mais nebulosos do mundo. Envolve pessoas do mais alto quilate: empresários, políticos, presidentes e ex-presidentes; banqueiros e altos executivos de empresas estatais e privadas, muitos ainda engaioladas e sem chances de liberdade. Portanto, dinheiro não faltaria para alguém encomendar a morte do chefe de um processo como esse que até então caminhava para levar aos presídios dezenas de magnatas envolvidos com propinas.

Os mercenários estão por toda parte. Normalmente, esses grupos, veteranos de guerra, trabalham a soldo do crime. São especialistas em atentados que não costumam deixar rastros dos seus atos pela perfeição com que os cometem. Dinheiro para essas empreitadas é que não faltaria.

Se existem controvérsias quanto a morte acidental do ministro e seus acompanhantes, o governo precisa dar transparência ao caso para que não pairem dúvidas quanto à seriedade das investigações. Costuma-se, no Brasil, evocar o sigilo em processos como esses para que tudo caia no esquecimento. Os membros do Supremo Tribunal Federal não devem permitir que isso aconteça porque todos agora estão vulneráveis enquanto as investigações não chegarem a uma conclusão convincente sobre a morte de Teori.

Pela teoria da conspiração, os brasileiros já deram seu veredicto: o ministro foi alvo de um atentado. E ponto final.

22 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

DE PONTA CABEÇA

Um pedreiro aposentado construiu uma casa de cabeça para baixo, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. A construção, que tem quartos, banheiro e cozinha, tem chamado a atenção dos moradores da cidade.

Por dentro, a casa parece normal, com todos os cômodos de uma construção tradicional. Mas, do lado de fora, tudo é invertido para parecer que a casa está de ponta cabeça.

O telhado fica na parte de baixo, encostado no gramado. A chaminé e até a caixa d’água também se apoiam no chão, para dar sustentação à construção.

As janelas e as portas foram colocadas no alto da casa, também na posição invertida. E como a porta é apenas um “enfeite”, sem serventia, a entrada da casa fica na parte de trás.

* * *

Segundo apurou o JBF, o pedreiro – que é um homem sábio e chefia uma linda família -, declarou que a casa representa o Brasil pós-PT.

A parelha satânica Lula/Dilma virou esta terra de cabeça pra baixo.

Vôte!

Vou aproveitar o tema da postagem pra botar no ar a música “De cabeça pra baixo“, de autoria do saudoso Raul Seixas.

E começarmos o domingo com música!

21 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

AGUARDANDO O STF

21 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO SÁBADO – XALEIRANDO O GALEGÃO

* * *

Faço questão de dar destaque ao novo prisidente dos Zistados Zunidos e botar nesta gazeta escrota a notícia de que ele dançou ontem com Melania no baile de posse.

Informantes fubânicos bem posicionados me disseram que o rela-bucho prisidencial foi tão arroxado que Trump saiu do salão da pau duro.

Xaleiro, corto jaca, babo ovo e puxo saco descaradamente do cabra mais puderoso do Planeta Terra, na esperança de que ele descole alguns pixulecos dolarificados pra tirar esta gazeta escrota da miséria em que ela se acha.

Vou enviar esta postagem para a Casa Branca ainda hoje de manhã.

Quem quiser dar um passeio na página da Uaite Rause, é só clicar aqui.

Ou, mais ainda, quem quiser ver um vídeo com 5 horas de duração (é isto mesmo: 5 horas!) sobre as festas de posse do galegão, clique aqui.

Fecho a postagem com Frank Sinatra cantando My Way, título em inglês da canção francesa Comme d’habitude, da autoria de Claude François. A música que o amostrado Trump dançou com a inxirida Melania no baile prisidencial.

Aliás, esta música tem uma particularidade: a letra começa dizendo que “E agora que o fim está próximo…“.

Vôte!

Num se esqueça d’eu não, Seu Trump!!!!

Chuplicleide, secretária da redação, tá rezando pelo seu sucesso!!!

21 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O ESPÓLIO DE TEORI ZAVASCKI

Ruy Fabiano

A sucessão de Teori Zavaski no STF é a mais politizada de que se tem notícia, num tribunal que, embora não exclua a política, não a tem (pelo menos não a deveria ter) na sua essência institucional.

Pela primeira vez, os partidos se envolvem ferozmente na indicação de um ministro daquela Corte – e isso, claro, deriva da Lava Jato. A vaga de Teori tem carga dupla: agrega à de ministro a de relator dos processos da Lava Jato com direito a foro privilegiado. Estão em jogo, na verdade, duas vagas.

Teori morreu dias antes de homologar as delações premiadas de 77 executivos da empreiteira Odebrecht, que, entre outros, cita o presidente da República, Michel Temer, alguns de seus ministros e ex-ministros, os dois ex-presidentes da República que o precederam (Lula e Dilma) e cerca de duas centenas de parlamentares – do alto e do baixo clero, indistintamente – em delitos diversos.

Sobra pouca gente. Daí o indisfarçável teor político de sua sucessão. Quem herdará esse espólio explosivo? A dobradinha PSDB-PMDB postula, com a simpatia de Temer, a indicação do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que há dias teve sua demissão pedida pelo PT (o que lhe conferiu mais prestígio que problemas).

Carmem Lúcia, presidente da Corte, quer, no entanto, uma mulher naquela vaga, a advogada Geral da União, Grace Mendonça, vista como simpatizante da velha ordem petista, mas apresentada ao presidente como um quadro técnico.

Temer se inclina por Alexandre. Com ele, mataria dois coelhos de uma só vez: se livraria de um ministro da Justiça boquirroto, sem perfil executivo, e garantiria um aliado no STF, que pode vir a julgá-lo e a alguns de seus mais eminentes colaboradores.

E ainda: quer que o sucessor de Teori herde também a relatoria da Lava Jato. Carmem Lúcia e a maioria do STF, não. A lei atende a ambos os lados: permite também que os processos sejam redistribuídos ao plenário enquanto o rito sucessório, que envolve Executivo e Senado, se processa.

O Regimento do STF, em dois artigos (38 e 68), menciona como situações excepcionais para a redistribuição imediata dos processos a necessidade de não atrasá-los. É o caso.

Pode haver também, com o consenso do plenário, a opção por um nome, sem sorteio, hipótese vista como a mais provável, em que os mais cotados são os do decano Celso de Melo e de Edson Fachin.

A OAB, por meio de seu presidente, Cláudio Lamachia, endossa essa solução interna imediata, pela redistribuição dos processos. E aponta ainda outro problema, de ordem ética e política, para se contrapor ao desejo do Planalto de preencher as duas vagas com o mesmo nome, a ser indicado pelo presidente:

“Nas circunstâncias singulares deste momento, em que os condutores do rito de nomeação – Executivo e Senado – têm alguns de seus integrantes mencionados nas delações, optar por essa alternativa (a de atribuir ao ministro a ser nomeado o espólio processual de Teori) é dar margem a controvérsias e questionamentos, que não contribuem para a paz social.”

Seja como for, Alexandre de Moraes já tem um cabo eleitoral no STF, que o defende abertamente: o ministro Marco Aurélio Mello.

Procurador da República, professor de Direito Constitucional (titular em duas faculdades eminentes de São Paulo (a do Largo de São Francisco e a Mackenzie), Moraes é autor de obras de referência, citadas, inclusive, no STF. Os que o patrocinam o veem como alguém desperdiçado num cargo avesso a seu perfil (ministro da Justiça), quando sua bagagem jurídica o credencia aos tribunais.

Não há dúvida de que Moraes atende ao requisito constitucional de notório saber jurídico. O único problema é que essa bagagem foi contaminada pela política: não apenas serviu a governos tucanos, mas é filiado ao PSDB, aliado do governador Alckmin.

Não seria o primeiro a chegar ao STF com carteira partidária: Carlos Ayres Britto foi fundador do PT em Sergipe, Dias Toffoli advogado do PT e ex-chefe de gabinete de José Dirceu, Nélson Jobim foi deputado pelo PMDB e ministro da Justiça de FHC. Etc.

O agravante é que Alexandre de Moraes chega numa hora em que os partidos, inclusive o seu, estarão no banco dos réus. Pode até chegar, mas não herdar, sem provocar controvérsia, o espólio de Teori, transmutando-se dessa forma em juiz dos que o nomearam.


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