16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UM DEFUNTO BEM ENTERRADO

O PT estuda a criação de uma comissão especial de investigação para apurar denúncias de enriquecimento pessoal de filiados envolvidos em casos de corrupção.

A proposta faz parte do texto “Luta Contra a Corrupção”, de autoria de Valter Pomar, uma das que vão embasar os debates do 6º Congresso Nacional da legenda marcado para abril.

O congresso é visto como a tentativa do PT de se reconstruir depois da devastação provocada pela Operação Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff e a derrota histórica nas eleições municipais de 2016.

* * *

Eu gostei mesmo foi da expressão “se reconstruir” no último parágrafo.

Trata-se de uma tarefa inglória e sem qualquer chance de ter sucesso.

Este defunto não tem possibilidade alguma de ressurreição, desde que teve sua sentença de morte impiedosamente executada pela população brasileira nas últimas eleições municipais.

Requiescat in pace!

Uma frase desta notícia aí de cima merece destaque.

É onde está escrito que o extinto bando chamado PT – uma organização criminosa que teima em se dizer partido político -, vai apurar denúncias de “enriquecimento pessoal de filiados envolvidos em casos de corrupção“.

É o tipo de apuração cujos resultados já se pode prever. Que não vai ser apurado porra nenhuma a gente já sabe antecipadamente. Um bando que insiste em dizer que Lula não roubou e nem enricou, não vai investigar merda alguma dos seus ladrões internos.

O difícil mesmo vai ser o fubânico petista Ceguinho Teimoso concordar com esta afirmação de que gente do bando vermêio-istrelado ficou rica com os milionários pixulecos da lama corruptiva.

Quem conseguir botar na cabeça de Ceguinho que isto aconteceu mesmo, e que o PT humoristicamente diz que vai apurar, ganhará um brinde especial da Editoria do JBF.

Enquanto isto, vamos continuar rezando pela alma deste defunto que, a esta altura, está queimando no fogo mais quente das profundas dos quintos dos infernos.

“Se inté Ceguinho Teimoso passá a discunfiar d’eu e discubrí qui sô corrupito, tô fudido”

16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEGUNDA-FEIRA – VAI SE ALASTRAR

* * *

Esta aterrorizadora onda de rebeliões tende a se alastrar por todo o país.

Mais que ter celular e contato direito com o mundo externo, os presidiários tem acesso ao noticiário e sabem de tudo que acontece fora dos muros nesta imensa Banânia.

Segundo informantes bem posicionados do JBF, a próxima rebelião será no presídio de Curitiba, na última semana deste mês de janeiro.

Lá onde Lapa de Corrupto está sendo aguardado com ansiedade e muita festa.

Só que na cadeia da aprazível capital paranaense, com tanta gente de alta linhagem e gordos currículos atrás das grades – gente assim feito Palocci, Vaccari, Gim Argelo, Jorge Zelada, Luiz Argolo, André Vargas, Zé Dirceu e Cunhão -, ao invés daquelas fotos deprimentes de corpos ensanguentados e decapitados, os flagrantes irão mostrar cabeças coroadas da pulítica banânica servidas em bandejas de prata para o distinto público leitor.

“Tô decapitado, fudido e mal pago: minha cabeça no JBF. Que merda!”

16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UMA FRENTE CONTRA A BARBÁRIE

A constrangedora mediocridade com que o governo respondeu aos massacres no Norte não me surpreendeu. Num artigo que escrevi aqui jogava minhas esperanças no debate entre as pessoas que reconhecem a urgência do tema. Já existem muitas ideias sobre o que fazer com o sistema carcerário em crise. Outras devem surgir. Mas o interesse social pode, pelo menos, levar o governo a uma ação mais solidária em todos os níveis. Estancar o jogo de empurra, essa irresistível tendência de lavar as mãos e jogar a culpa nos outros.

Por que Temer se interessaria pelo tema? Todos os outros presidentes se esquivaram. O fracasso do sistema carcerário atravessa a História da República. O livro de Myrian Sepúlveda dos Santos Os Porões da República conta, por exemplo, a primeira tentativa brasileira de criar uma casa correcional no Vale dos Dois Rios, na Ilha Grande. Ela trata apenas do período entre 1894 a 1945. Mas é uma história dramática. Experiências em Fernando de Noronha e em Clevelândia também são um roteiro do fracasso.

De um ponto de vista político, o sistema carcerário é um abacaxi. Parece ser insolúvel e transita num espaço muito polarizado por defensores e críticos dos direitos humanos.

O mais confortável para Temer era empurrar com a barriga, como fizeram todos. E não percebeu que tudo isso poderia estourar na mão dele. Enfim, contou com a passagem do tempo, como se a História fosse mesmo escrita com empurrões de barriga.

Esta é a diferença que deveria mobilizar Temer: estourou nas suas mãos.

O massacre em Manaus foi o episódio mais bárbaro de que ouvi falar na história dos presídios brasileiros. A descrição do que aconteceu com os mortos, feita por pessoas da própria família, é cheia de detalhes tão macabros que diante deles a decapitação até parece um ato moderado.

O massacre me fez rever algumas ideias. Tinha tendência a superestimar o trabalho de inteligência. Percebi ali que a minha visão era parcial.

Tanto as autoridades do Amazonas como Temer sabiam da crise. Em Manaus já se conhecia o plano de atacar o PCC e ele foi revelado por vários relatórios da Polícia Federal, que realizou a Operação La Muralla e golpeou profundamente a Família do Norte.

Mesmo sem saber o que se passava em cada presídio, Temer foi informado sobre a guerra das organizações criminosas dentro e fora das cadeias. Seu homem de inteligência, o general Sérgio Etchegoyen, reuniu-se com parlamentares da Comissão de Segurança e relatou a possibilidade da guerra.

Dificilmente Etchegoyen deixaria de discutir o tema, em primeiro lugar, com o próprio Temer. Talvez não soubesse apenas, como sabiam as autoridades de lá, que a primeira batalha estava por acontecer em Manaus. É outro problema típico da burocracia. Ela anuncia grandes sistemas de inteligência integrados, chega a inaugurá-los, e nada acontece.

Em tempos de WhatsApp, era possível uma troca nacional convergindo para um pequeno grupo de análise que mapearia possíveis conflitos, orientaria transferências e outras medidas preventivas.

Temer está perdendo uma grande oportunidade de trilhar um caminho que outros recusaram. No auge da crise viajou para Portugal, onde foi ao enterro de Mário Soares. No fundo, está querendo dizer: não me envolvam muito com crise carcerária, estou aflito para passar esta fase de emergência, voltar a empurrar com a barriga, tratar dos temas que realmente me interessam.

Ele poderia ter-se reunido com parlamentares, mas não quis. Os deputados da chamada bancada da bala estavam interessados. Nessas circunstâncias, mesmo sem aceitar todas as suas premissas, os deputados desse grupo são interlocutores válidos. A segurança é sua bandeira e alguns são policiais experimentados.

Se fosse congressista, estaria discutindo com eles, pois o massacre de Manaus e a crise que ele explicita requerem um esforço nacional. Assim como é preciso superar a tendência de culpar uns aos outros, é preciso deixar para trás os tempos do nós contra eles.

Alguns temas, como esse dos presídios, são de tal gravidade que nos obrigam a reaprender a ideia de frente, do convívio entre posições distintas na busca de um denominador comum. Isso não significa abrir mão das próprias convicções. Apenas reconhecer que, num momento em que as organizações criminosas entram em guerra entre si, a sociedade unida tem uma excelente oportunidade para enfraquecê-las, dentro e fora das cadeias.

Pelo menos em tese, presidentes são pessoas que não deveriam recuar diante de um grande problema nacional. Eles têm uma chance maior de unificar a sociedade e apontar o caminho comum.

Mas, mesmo diante de uma grande ausência, como a de um líder nacional, a sociedade, depois do massacre de Manaus, despertou para a importância da reforma do sistema carcerário. Todos nós que trabalhamos nas ruas conhecemos a miríade de posições sobre o tema. A diversidade não impede soluções negociadas. O problema de segurança pública já é considerado pela maioria um dos mais graves do País.

Mesmo antes de Manaus já havia também uma compreensão crescente de que ruas e cadeias são relacionadas. A crise nos presídios transformou as eleições maranhenses numa grande ameaça de caos.

Nos conflitos no Amazonas, os presos concentraram sua energia em degolar e eviscerar seus inimigos. Ainda assim, fugiram 184. Com ferramentas para derrubar paredes, armas longas, oito túneis construídos, eles poderiam ter fugido em massa.

Com o surgimento do Estado Islâmico, também especialista em decapitar, ficou claro, pela série de atentados, que para eles somos todos iguais, não importa o que pensemos. Se somos iguais ante a barbárie, por que não nos igualamos na tarefa de nos defendermos dela?

16 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEGUNDA-FEIRA – CONVERSAS BANDIDAS

* * *

Hum…

Pulíticos e chefe de facção…

Segundo informante fubânico bem posicionado, uma destas gravações cuida das conversas de Lula, o pulítico ainda solto, com José Dirceu, o chefe de facção que está preso em Curitiba.

Dialógo entre bandidos vermêios-istrelados.

“Esta porra deste JBF num me deixa em paz nem aqui na cadeia. Puta merda!”

15 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O PAÍS DA GAMBIARRA

Desde a carnificina no presídio de Manaus, seguida pela matança em Boa Vista, especialistas na questão penitenciária são unânimes em criticar a ausência de planejamento para o setor. Nada de novo. O Brasil não tem plano nem para o sistema prisional nem para coisa alguma. É e sempre foi o país das gambiarras, dos remendos.

Mais de 100 mortes depois, o que se vê agora são medidas requentadas, muitas delas acertadas, mas que não precisariam ser emergenciais tivessem sido cumpridas em urgências anteriores e se tornado práticas permanentes.

Um exemplo é o esforço concentrado reivindicado pela presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, para que os Tribunais de Justiça dos estados acelerem o exame dos processos de presos, muitos deles sem julgamento ou com pena já cumprida. Em 2008/2009, o Mutirão Carcerário do Conselho Nacional de Justiça fez exatamente isso, libertando 45 mil presos. Não se sabe por que parou.

Como não são absorvidos como políticas de Estado, programas desse tipo, por mais bem intencionados, não prosseguem. E têm de ser reinventados quando as crises anunciadas explodem.

Outros, como a construção de novos presídios, são apenas mais do mesmo, já se sabendo, de antemão, que não têm o condão de resolver o problema.

O improviso não se limita à política carcerária. Está em todos os cantos, em todas as esferas de poder.

Em 2013, as megamanifestações de junho, inicialmente concentradas no congelamento das tarifas de ônibus urbanos, levaram a então presidente Dilma Rousseff a anunciar investimentos de R$ 50 milhões em mobilidade, com nada ou quase nada saindo do papel.

Dilma foi mais longe. Tirados sabe-se lá de onde, lançou cinco propostas inexequíveis, por ela apelidadas de pactos, sem dizer de quem com quem. Pacto pela responsabilidade fiscal, princípio para o qual o seu governo fazia pouco caso. Outro, pela saúde, incluía apenas a importação de médicos (a maioria cubanos) para solucionar as graves carências do SUS. O pacto pela Educação se limitava a dedicar 100% dos royaties do pré-sal à área, e o mais inusitado de todos, o da reforma política, viria por meio de uma Constituinte exclusiva.

Fora a desoneração na folha de pagamentos dos operadores de transporte urbano, nenhum dos demais pactos andou. Valeram apenas como marquetagem. Assim como várias obras do PAC, programa que se dizia revolucionário e empacou nas suas duas versões, lançadas com pompa e circunstância para satisfazer o calendário eleitoral.

A reforma política é a campeã nas gambiarras. Há décadas vem à tona como solução para todas as panes. Mas nunca ganha corpo. Só alguns remendos, a maior parte em benefício dos autores, aprofundando o abismo entre o eleitor e o eleito. Mexe-se no periférico – fundo partidário, tempo de propaganda no rádio e TV, prazo de desincompatibilização para ser candidato -, deixando de lado o essencial: sistema de votação, se proporcional, distrital ou misto, possibilidade de recall e voto facultativo.

Na área econômica não é diferente. O sistema tributário brasileiro é indecifrável. Sobre as costas do cidadão pesa uma das maiores cargas tributárias do planeta, embutida aqui e acolá. No final, ele não sabe o que paga, quanto paga e a quem paga.

A barafunda é tamanha que leis tributárias são criadas para corrigir erros de outras, sem que as anteriores sejam extintas. Um caso típico é a compensação dos Estados no caso de desoneração de ICMS. O Supremo teve de fixar prazo até o final deste ano para que o Congresso aprove a lei complementar prevista na Lei Kandir, de 1996, e que nunca foi feita.

O improviso, que nas artes se conecta com a criatividade, é, na política, fruto do desinteresse, da indiferença, do desdém – e da corrupção -, itens fartos no ambiente da coisa pública.

Predomina na educação, com políticas alteradas a bel prazer dos governantes da vez, seja na União, nos estados ou nos municípios. Nas obras de infraestrutura, na burocracia que atrasa e encarece a vida de muitos e enriquece alguns, na totalidade dos serviços que o Estado tem obrigação de colocar à disposição das pessoas.

O desprezo é de tal monta que a ausência de remédios ou médicos em postos de saúde é tida como natural, que soterramentos em épocas chuvosas são tratados como acidentes imprevisíveis, que esperar anos a fio faz parte da dinâmica de uma Justiça que sempre tarda, que homicídios têm de frequentar o cotidiano dos brasileiros.

Estão corretíssimos aqueles que reivindicam planejamento. Mas não só na questão carcerária, e sim na totalidade das áreas delegadas pela a sociedade à gerência do Estado. E há de se avançar além dos planos – anunciados com espalhafato e poucas vezes executados -, sem o que se perpetua o império do descaso.

15 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

HISTÓRIA QUE MEU PAI CONTAVA

* * *

Cresci ouvindo meu pai contar esta história acontecida na terra dele, há exatamente 100 anos, no dia 15 de janeiro de 1917. 

Ele pronunciava “hicatombe”.

Quando a “hicatombe” aconteceu, ele tinha 16 anos de idade.

Papai falava sobre este fato e citava muito o nome do “coronel” Júlio Brasileiro, prefeito de Garanhuns em 1917, cuja foto está abaixo:

Papai nasceu em Angelim, que naquele tempo pertencia ao município de Garanhuns.

Quando li hoje esta manchete, me bateu uma saudade enorme do velho Luiz Berto.

Um beijão, meu querido!

Quem quiser ler a reportagem completa, é só clicar aqui.

Um acontecimento trágico e sangrento de grande destaque na  história pernambucana.

15 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

NA MOITA É BEM MELHOR

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, revelou que desde 2009 – durante o governo Lula – o Palácio do Planalto, assim como o Palácio do Alvorada não têm câmeras de segurança internas. 

As retiradas foram feitas quando o Planalto passou por reformas, durante o governo Lula, mas após a conclusão dos serviços as câmeras não voltaram a ser instaladas.

Etchegoyen acredita que a retirada foi proposital.

Disse também que não quiseram a recolocação das câmeras, sugerindo que foi conveniente que o local passasse anos sem ter registros de imagens.

* * *

Lapa de Bocão, que é proprietário do PT e ídolo dos descerebrados, estava certíssimo.

Este negócio de transparência é coisa pra terceiro mundo, num é pra nossa adiantada República Federativa de Banânia

Mostrar quem tinha acesso às cavernas de Ali Bostão era um perigo para a ordem institucional e democrática.

“Na môita é munto mió pra trabaiá e maracutaiá…”

15 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

TRISTE FINAL FELIZ

Guilherme Fiuza

Donald Trump ainda não estreou, mas o pranto desesperado de Hollywood em memória de Barack Obama já é o Oscar de melhor comédia.

Não se sabe ao certo o que o agente laranja vai aprontar no poder. O que se sabe e se viu foram os lábios trêmulos e a voz embargada de Meryl Streep defendendo um governo marqueteiro, populista e medíocre. Cada um com a sua comoção.

Hollywood acredita em Robin Hood. Ou, mais precisamente: metade quer acreditar, e metade finge que acredita.

A Meca do cinema conhece o poder de uma lenda – tudo está bem se acaba bem (com bons personagens e muita emoção). Foi assim que alguns astros hollywoodianos ungiram Hugo Chávez e Nicolás Maduro como heróis dos pobres sul-americanos. O sangue derramado, a liberdade ceifada e a devastação econômica não entraram no filme. Não devem ter cabido no roteiro.

A lenda de Obama começa com um final feliz. Coisa de gênio, sem precedentes. No que pôs os pés na Casa Branca, o presidente foi agraciado com o Nobel da Paz – o primeiro Nobel pré-datado da história.

Quem haveria de contestar a escolha, diante do sorriso largo, da elegância e do alto astral do primeiro presidente negro dos EUA, exorcizando a carranca do Bush?

O problema de uma história que começa com final feliz é você ter que assistir ao resto de olhos fechados, para não estragar. Foi o que fez a claque mundial de Barack Obama nos oito anos que faltavam.

Os críticos dizem que foi um governo desastroso. Inocentes – não sabem o que é uma temporada com o Partido dos Trabalhadores.

O Partido Democrata fez um governo medíocre, recostado à sombra do mito. E para corresponder à mitologia, aumentou alegremente as taxações e a dívida pública (100%), porque é assim que faz um Robin Hood.

A diferença é que na vida real há uma floresta de burocratas no caminho, engordando com o dinheiro dos pobres. Uma Sherwood estatal.

Esse populismo perdulário, de verniz progressista, ancorado num líder identificado com os menos favorecidos – receita conhecida dos brasileiros – costuma ser muito saudável para quem está no poder. O problema é o bolso do eleitor, que não se comove com presidente fanfarrão, canastrão ou chorão.

As caras e bocas de Obama devem ter enchido os olhos de Meryl Streep – mas, quando esvaziam o bolso do contribuinte, não tem jeito. A economia americana engasgou com as prendas estatais do presidente bonzinho, e as urnas mandaram a conta.

Só que a lenda está a salvo disso tudo, e a claque não se entrega – como foi visto na histórica cerimônia do Globo de Ouro.

O transtorno da elite cultural americana é tal, que os bombardeios de Obama ficam parecendo chuva de pétalas – mesmo quando destroem um hospital.

Um cara tão gente boa não pode ser um dos presidentes que mais agiram contra as investigações da imprensa no país – e claro que o megaesquema de espionagem do caso NSA foi sem querer. Barack é do bem.

Dizem que Donald Trump vai provocar uma guerra mundial. É o chilique com efeitos especiais. Mas se isso acontecer, se o planeta virar mesmo um cogumelo, a claque do Obama estará de parabéns. Graças a ela, aos patrulheiros das boas maneiras ideológicas, aos gigolôs da virtude, enfim, a toda essa gente legal que vive de industrializar a piedade, o bufão alaranjado emergiu. Ele é a resposta dos mortais à ditadura dos coitados.

Só um caminhão de demagogia sobre imigrantes, impondo o falso dilema da xenofobia, poderia transformar um muro em protagonista eleitoral na maior democracia do mundo.

Xenófobos são sempre retrógrados – a civilização foi feita de migrações. Mas imigrantes e refugiados ganharam passaporte diplomático no mundo da lua dos demagogos, onde sempre cabe mais um.

Demagogia atrai demagogia – em igual intensidade e sentido contrário. Aí veio o troco do agente laranja, e agora Meryl Streep está fingindo que a escolha dos americanos discrimina Hollywood. É de morrer de pena.

É duro ver artistas esplendorosos fazendo papel de tolos com cara de revolucionários. Resta aos fãs fazer como eles: fechar os olhos para não estragar a história. E resta ao mundo parar de mimar os coitados profissionais. Eles custam caro.

Obama se despediu repetindo o “Yes, we can”. Não, companheiro. Não podemos mais viver de slogans espertos e governantes débeis.

A paz mundial não avançou um milímetro enquanto o Nobel pré-datado engatinhava em seu gabinete, entre outras gracinhas ensaiadas.

A Faixa de Gaza e o Estado Islâmico não têm a menor sensibilidade para as atrações da Disney.

Obama disse que Lula era o cara. A Lava-Jato provou que era mesmo. Cada um com sua lenda. E você com a conta. Mas não fique aí parado. Faça como a Meryl: chore.

15 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UMA APOSTA NO CINISMO

Dentro de seis dias, o PT deve deflagrar uma cruzada por eleições diretas e lançar a re-re-recandidatura de Lula. Numa reunião do diretório nacional do partido, o pajé do petismo aceitará o sacrifício de retornar ao Planalto para salvar o país. Não é propriamente um projeto político. Trata-se de uma aposta no poder de sedução do cinismo.

Só há uma coisa pior do que o antipetismo primário. É o pró-petismo inocente, que engole todas as presunções de Lula a seu próprio respeito. Isso inclui aceitar a tese segundo a qual o xamã da tribo petista veio ao mundo para desempenhar uma missão que, por ser divina, é indiscutível.

Todos os líderes políticos cultivam a fantasia da excepcionalidade. Mas nunca antes na história desse país surgiu um personagem como Lula. Dotado de uma inédita ambição de personificar a moral, acha que sua noção de superioridade anistia os seus crimes. E avalia que seu destino evangelizador o dispensa de dar explicações.

Não é a hipocrisia de Lula que assusta. A hipocrisia pelo menos é uma estratégia compreensível para alguém que é réu em cinco inquéritos e convive com o risco real de ser preso. Melhor ir em cana fazendo pose de presidenciável perseguido do que amargando a fama de corrupto.

O que espanta é perceber que, em certos momentos, Lula parece acreditar de verdade que sua missão sublime no planeta lhe dá o direito de cometer atentados em série contra a inteligência alheia. Desprezadas a lógica e as evidências, sobram o cinismo e a licença dada por Lula a si mesmo para tratar os brasileiros como idiotas. Mesmo sabendo que já não encontra tanto material.

14 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

A CARTADA FINAL DE LULA

Ruy Fabiano

Lula continua encenando o papel de presidenciável. Sabe que as chances reais de exercê-lo de fato são tão remotas quanto as de Dilma Roussef voltar à vida pública.

Lula é réu em cinco processos criminais – e em breve o será de outros mais, podendo ser preso a qualquer momento.

Queixa-se com frequência de que já não pode comparecer a locais públicos sem ouvir desaforos. Viajar em aviões comerciais, nem pensar. Viaja em jatos particulares, cedidos por amigos. Hoje, só fala a plateias amestradas – e mesmo aí já enfrenta resistências.

Na quinta-feira, por exemplo, num encontro em Brasília, foi vaiado pelo PSTU, legenda da esquerda radical que o considera um traidor da causa. E a causa, óbvio, é a revolução, abandonada ou negligenciada na medida em que Lula enriquecia e se aburguesava.

Com todas essas credenciais adversas, Lula insiste, como disse esta semana em Salvador, em que, “se for necessário”, voltará a disputar a presidência da República. Não esclarece que necessidade seria essa. Do país, seguramente, não é.

O rastro de destruição – política, econômica, social e moral – que o período por ele inaugurado, em 2003, e encerrado em 2016 com Dilma, deixou confere-lhe uma das maiores taxas de rejeição de toda a história. Dilma é parte de sua obra, concluída com um impeachment e a revelação do maior escândalo de corrupção já visto em todo o mundo. Corrupção e má gestão, soma fatal, que impôs ao país a crise atual, da qual procura acusar os que a herdaram.

Diante de tal cenário, sua candidatura a presidente só não é uma piada porque serve a uma causa real: sua blindagem, pessoal e política. Mantendo-se presente e atuante no cenário público, dá concretude àquilo que dele falou o presidente Michel Temer, a quem finge odiar, mas com cuja complacência tem contado.

Temer, numa recente entrevista ao programa Roda Viva, se disse contrário à prisão de Lula por achar que tumultuaria a paz pública. Com isso, conferiu-lhe um prestígio que já não tem – e o transfigurou em salvo conduto, inibindo, de maneira oblíqua, a ação dos que têm a responsabilidade de fazê-lo pagar por seus delitos.

Não parece ter sido por mera simpatia que o fez. Temer receia o que está por vir – as delações, sobretudo as da Odebrecht – e parece inclinado a estabelecer um armistício com o PT, de que dá testemunho a preservação de aliados da velha ordem em cargos estratégicos da administração pública.

PMDB e PT, afinal, foram parceiros. Embora o comando da Organização Criminosa (nas palavras de Celso de Melo, do STF) coubesse ao PT, o PMDB desfrutava de alguns feudos dentro da máquina pública, de que dão notícias operações da Polícia Federal.

A mais recente delas, ontem efetuada, flagrou uma rapina organizada dentro da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013, envolvendo o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o vice-presidente daquela instituição, Geddel Vieira Lima, até há pouco ministro do núcleo duro do governo Temer.

Para sorte de Temer, Geddel caiu antes desse escândalo, por outro comparativamente menor. Mas a lama do PT, como é óbvio, salpicou também – e com frequência – no PMDB.

Lula investe nisso ao atacar o governo Temer, ao tempo em que busca um protagonismo oposicionista, que o transfigure de mero (ou por outra, mega) gatuno em perseguido político.

É um jogo esquizofrênico em que, de um lado, pede a cabeça do presidente da República e, de outro, manda PT e aliados apoiar o candidato do Planalto à presidência da Câmara, Rodrigo Maia.

Claro está, portanto, que não postula a presidência para valer; quer apenas tornar mais complexa ou mesmo impossível a operação de colocá-lo atrás das grades. Joga sua cartada final.

14 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

VIAGEM DE MENDES COM TEMER PROVOCA BUCHICHOS MALDOSOS NA INTERNET

A questão aqui é se é ético ou não o ministro Gilmar Mendes, do STF, pegar uma carona no avião presidencial que levou Temer para Lisboa, onde os dois participaram do velório do ex-presidente Mário Soares. A viagem não seria tão criticada se o ministro não estivesse envolvido no processo que decidirá este ano se a chapa Dilma/Temer cometeu abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014. Caso as denúncias sejam confirmadas, o presidente pode ser cassado e novas eleições serão convocadas. Questionado, o ministro já contra-atacou. Disse que não via na viagem nenhum ato espúrio nem conflito de interesse. Com essas declarações acusa que as críticas já o incomodam.

A verdade é que soa muito estranho que Mendes tenha compartilhado a viagem com Temer a Portugal. Excetuado o exagero, seria a mesma coisa de Sérgio Moro aceitar um convite de Marcelo Odebrecht para uma solenidade no exterior no avião da sua empresa, depois de confirmadas as suspeitas de que o magnata das construtoras do Brasil estivesse envolvido em fraudes. Não se pode aqui levantar nenhum tipo de suspeita sobre a decisão de Mendes no julgamento que se aproxima do processo eleitoral da dupla, mas o certo é que não se sabe até que ponto esse colóquio aéreo pode influenciar numa decisão final.

Gilmar Mendes é uma peça diferenciada dentro do Supremo Tribunal Federal. Vive metido em polêmicas desde que assumiu a Corte no governo de Fernando Henrique Cardoso, de quem foi Advogado-Geral da União. Pelas atitudes ácidas contra o PT já foi identificado por seus militantes como um representante dos tucanos no tribunal. Ao contrário de alguns de seus pares dentro do STF, que se reservam ao anonimato, Mendes não tem papas na língua. Na polêmiica que envolveu o presidente do Senado, Renan Calheiro, e o ministro Marcos Mello, soltou um míssil que atingiu o colega, chamando-o de maluco. E em 2009 quase saiu aos tapas numa discussão com Joaquim Barbosa.

A viagem de Mendes no avião presidencial, pelo que se sabe até agora, não provocou nenhuma reação dentro do tribunal até porque seus colegas estão em recesso. Mas na rede social, acessada por milhões de brasileiros, essa pausa não existe. Por isso, o ministro está sendo condenado pelos internautas que desaprovam a sua viagem a bordo do avião da presidência.

Acostumado as polêmicas, Mendes não deu muita bola para o seu papel no processo eleitoral ao aceitar viajar com Temer. Mesmo sendo o responsável por definir a pauta de julgamento do Tribunal Superior Eleitoral e um dos integrantes da Corte que votará pela cassação (ou não) da chapa, ignorou a repercussão do seu ato.

Mendes pode até fazer ouvido de mercador e resistir as criticas pela viagem no avião presidencial. Não pode negar, entretanto, que o seu julgamento da chapa Dilma/Temer está agora seriamente comprometido. Se condenar vai amargar um descontentamento com o presidente, e se o absolver vai parecer coisa de conchavo. O melhor seria então era pagar do próprio bolso a viagem a Lisboa para evitar esse tipo de buchicho maldoso. Ou se considerar impedido para julgar o caso, depois desse evento desastroso que compromete seriamente o seu voto.

14 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO SÁBADO – UM GUNVERNO CHEIO DE ASSOMBRAÇÕES

* * *

Vôte!

É assombração que só a porra neste gunverno do Cara-de-Buceta.

E, já que estamos falando de fantasma, vamos ouvir Bezerra da Silva cantando “Assombração de Barraco

14 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UMA FRENTE CONTRA A BARBÁRIE

A constrangedora mediocridade com que o governo respondeu aos massacres no Norte não me surpreendeu. Num artigo que escrevi aqui jogava minhas esperanças no debate entre as pessoas que reconhecem a urgência do tema. Já existem muitas ideias sobre o que fazer com o sistema carcerário em crise. Outras devem surgir. Mas o interesse social pode, pelo menos, levar o governo a uma ação mais solidária em todos os níveis. Estancar o jogo de empurra, essa irresistível tendência de lavar as mãos e jogar a culpa nos outros.

Por que Temer se interessaria pelo tema? Todos os outros presidentes se esquivaram. O fracasso do sistema carcerário atravessa a História da República. O livro de Myrian Sepúlveda dos Santos Os Porões da República conta, por exemplo, a primeira tentativa brasileira de criar uma casa correcional no Vale dos Dois Rios, na Ilha Grande. Ela trata apenas do período entre 1894 a 1945. Mas é uma história dramática. Experiências em Fernando de Noronha e em Clevelândia também são um roteiro do fracasso.

De um ponto de vista político, o sistema carcerário é um abacaxi. Parece ser insolúvel e transita num espaço muito polarizado por defensores e críticos dos direitos humanos.

O mais confortável para Temer era empurrar com a barriga, como fizeram todos. E não percebeu que tudo isso poderia estourar na mão dele. Enfim, contou com a passagem do tempo, como se a História fosse mesmo escrita com empurrões de barriga.

Esta é a diferença que deveria mobilizar Temer: estourou nas suas mãos.

O massacre em Manaus foi o episódio mais bárbaro de que ouvi falar na história dos presídios brasileiros. A descrição do que aconteceu com os mortos, feita por pessoas da própria família, é cheia de detalhes tão macabros que diante deles a decapitação até parece um ato moderado.

O massacre me fez rever algumas ideias. Tinha tendência a superestimar o trabalho de inteligência. Percebi ali que a minha visão era parcial.

Tanto as autoridades do Amazonas como Temer sabiam da crise. Em Manaus já se conhecia o plano de atacar o PCC e ele foi revelado por vários relatórios da Polícia Federal, que realizou a Operação La Muralla e golpeou profundamente a Família do Norte.

Mesmo sem saber o que se passava em cada presídio, Temer foi informado sobre a guerra das organizações criminosas dentro e fora das cadeias. Seu homem de inteligência, o general Sérgio Etchegoyen, reuniu-se com parlamentares da Comissão de Segurança e relatou a possibilidade da guerra.

Dificilmente Etchegoyen deixaria de discutir o tema, em primeiro lugar, com o próprio Temer. Talvez não soubesse apenas, como sabiam as autoridades de lá, que a primeira batalha estava por acontecer em Manaus. É outro problema típico da burocracia. Ela anuncia grandes sistemas de inteligência integrados, chega a inaugurá-los, e nada acontece.

Em tempos de WhatsApp, era possível uma troca nacional convergindo para um pequeno grupo de análise que mapearia possíveis conflitos, orientaria transferências e outras medidas preventivas.

Temer está perdendo uma grande oportunidade de trilhar um caminho que outros recusaram. No auge da crise viajou para Portugal, onde foi ao enterro de Mário Soares. No fundo, está querendo dizer: não me envolvam muito com crise carcerária, estou aflito para passar esta fase de emergência, voltar a empurrar com a barriga, tratar dos temas que realmente me interessam.

Ele poderia ter-se reunido com parlamentares, mas não quis. Os deputados da chamada bancada da bala estavam interessados. Nessas circunstâncias, mesmo sem aceitar todas as suas premissas, os deputados desse grupo são interlocutores válidos. A segurança é sua bandeira e alguns são policiais experimentados.

Se fosse congressista, estaria discutindo com eles, pois o massacre de Manaus e a crise que ele explicita requerem um esforço nacional. Assim como é preciso superar a tendência de culpar uns aos outros, é preciso deixar para trás os tempos do nós contra eles.

Alguns temas, como esse dos presídios, são de tal gravidade que nos obrigam a reaprender a ideia de frente, do convívio entre posições distintas na busca de um denominador comum. Isso não significa abrir mão das próprias convicções. Apenas reconhecer que, num momento em que as organizações criminosas entram em guerra entre si, a sociedade unida tem uma excelente oportunidade para enfraquecê-las, dentro e fora das cadeias.

Pelo menos em tese, presidentes são pessoas que não deveriam recuar diante de um grande problema nacional. Eles têm uma chance maior de unificar a sociedade e apontar o caminho comum.

Mas, mesmo diante de uma grande ausência, como a de um líder nacional, a sociedade, depois do massacre de Manaus, despertou para a importância da reforma do sistema carcerário. Todos nós que trabalhamos nas ruas conhecemos a miríade de posições sobre o tema. A diversidade não impede soluções negociadas. O problema de segurança pública já é considerado pela maioria um dos mais graves do País.

Mesmo antes de Manaus já havia também uma compreensão crescente de que ruas e cadeias são relacionadas. A crise nos presídios transformou as eleições maranhenses numa grande ameaça de caos.

Nos conflitos no Amazonas, os presos concentraram sua energia em degolar e eviscerar seus inimigos. Ainda assim, fugiram 184. Com ferramentas para derrubar paredes, armas longas, oito túneis construídos, eles poderiam ter fugido em massa.

Com o surgimento do Estado Islâmico, também especialista em decapitar, ficou claro, pela série de atentados, que para eles somos todos iguais, não importa o que pensemos. Se somos iguais ante a barbárie, por que não nos igualamos na tarefa de nos defendermos dela?

14 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

COM LAMA PELO NARIZ, LULA FALA EM SAVAR O PAÍS

Alguma coisa subiu à cabeça de Lula ao discursar em Brasília num seminário sobre educação promovido por sindicalistas. Em meio a críticas ao governo de Michel Temer, o orador sapecou uma pergunta: “Quem é que vai tirar o país da lama?” E a plateia companheira: “Lula”. Entre os presentes, ironia suprema, estava o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.

Réu em cinco inquéritos – três dos quais relacionados ao petrolão -, Lula apresentou-se como a pessoa certa para livrar o país do pântano. Fez isso sob aplausos de Delúbio, um corrupto de mostruário, sentenciado no célebre julgamento do mensalão. Ou seja: Lula estava completamente fora de si.

Noutra passagem do seu discurso, a pretexto de alvejar Temer, Lula atirou contra o próprio pé: “Quem é o culpado de um jovem de 25 anos estar preso hoje? O que deram de oportunidade para ele quando ele tinha 8 anos? Se não dou educação, trabalho, essa criança vai fazer o quê da vida? A gente percebe que o dinheiro que se economizou na educação no passado está se gastando hoje para se fazer cadeia. E cada vez vai custar mais caro…”

Suponha que o personagem do enredo de Lula tenha acabado de chegar ao xilindró. Preso aos 25, fez aniversário de 8 anos em 2000. Quando Lula foi eleito para suceder FHC, em 2002, o garoto tinha dez anos. Quando Lula se reelegeu, o personagem era um adolescente de 14 anos. Na época em que Lula transformou Dilma de poste em sua sucessora, em 2010, já era um homem feito, com 18 anos na cara. Soprou as velinhas dos 22 anos em 2014, ocasião em que Lula atarrachou a luz do seu poste pela segunda vez. Somava 24 quando Dilma sofreu o impeachment.

Quer dizer: se o sujeito chegou à cadeia aos 25, guiando-se pelo raciocínio do morubixaba do PT, não poderá culpar senão os governos petistas de Lula e Dilma pela falta de “oportunidades” educacionais e funcionais capazes de retirá-lo do caminho do crime.

Lula sempre foi celebrado como um mágico da oratória. Entretanto, ao se apresentar como uma alternativa presidencial limpinha, comporta-se como um mágico tantã, que acredita na própria capacidade de tirar cartolas de dentro de um coelho. Alguma coisa subiu-lhe à cabeça. Não é sensatez. Parece alucinação.

14 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

NO MUNDO ENCANTADO DE LULA

Mesmo aos que detestam Lula, e principalmente a esses, recomendo acompanhar o que ele diz sempre que se reúne com seus correligionários ou concede entrevistas a jornalistas amestrados. Porque é só entre eles que Lula, hoje, consegue circular. E é só a jornalistas simpáticos às suas teses que ele mais fala do que responde a perguntas, nenhuma delas embaraçosa.

Que não se perca por preciosa e exemplar a oportunidade não muito comum entre nós de se ver um líder político empenhado em desenhar um mundo completamente distante daquele que de fato existe. Um mundo de ficção capaz de justificar seus atos passados e de sustentar suas aspirações futuras. É nesse mundo que Lula tenta sobreviver enquanto espera o desfecho do seu destino na Justiça.

Diante de sindicalistas que se juntaram, ontem, em Brasília, para ouvi-lo e concordar com tudo o que dissesse, Lula discorreu sobre a crise econômica que empurrou o país para o buraco, apagou as conquistas sociais dos últimos 13 anos e pouco, produziu mais de 12 milhões de desempregados e está muito longe de ser debelada. A crise não foi obra do desgoverno de Dilma, garantiu Lula.

Ela até pode ter errado quando promoveu desonerações à farta, mas o fez para preservar empregos. A crise é obra do governo golpista que derrubou Dilma, segundo Lula. Não importa que esse governo só tenha se estabelecido em definitivo há pouco mais de três meses. Ele veio para fazer o mal em contraponto aos dois governos de Lula e aos governos de Dilma que só fizeram o bem.

Quem impediu Dilma de adotar as medidas necessárias para impedir o agravamento da crise cujos primeiros sinais apareceram ainda no fim do segundo governo de Lula? Interessado em que seu período no poder ficasse para a história como “um período mágico”, Lula não foi. Tampouco Dilma ou o PT que lhe negou apoio. Foi Eduardo Cunha, afirma Lula, e as forças que ele controlava na Câmara.

Quanto à corrupção que como sócio, cúmplice ou beneficiário Lula viu alastrar-se por seus governos e atingir o pico nos governos de Dilma, nem uma palavra. Ou melhor, só uma palavra indireta em forma de pergunta. “Quem é que vai tirar o país da lama em que ele se encontra?” – provocou Lula. E a dócil e entusiasmada plateia respondeu em coro: “”Lula, Lula”.

Foi a deixa que ele queria arrematar sua peça de ficção: “Se cuidem porque, se eu voltar a ser candidato a presidente da República será para fazer muito mais do que nós fizemos. Tenho 71 aos e pareço um jovem de 30. Quem acha que vai me proibir de fazer as coisas, pode se preparar que eu vou voltar a andar este país para fazer as coisas importantes.”

Lula é réu em cinco processos. Poderá virar réu em outros. Está próximo o dia em que será condenado pelo juiz Sérgio Moro. Talvez lhe seja concedido o benefício de recorrer da decisão de Moro em liberdade. A decisão será confirmada pela Justiça em segunda instância. Ele se tornará inelegível e começará a cumprir pena. Então se reconciliará com o mundo real. Ou não.

14 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO SÁBADO – TUDO COMO DANTES

A Camargo Corrêa, uma das maiores empreiteiras do país, negocia com a Procuradoria-Geral da República uma segunda leva de delações, nos moldes do acordo feito pela Odebrecht, que deve envolver a colaboração de cerca de quarenta executivos e até acionistas e alcançar em torno de 200 políticos, inclusive expoentes do governo de Michel Temer.

A Camargo Corrêa promete até exumar o cadáver da Operação Castelo de Areia, que tinha a construtora no centro do escândalo – uma engrenagem que envolvia corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro – e que foi abortada pela Justiça. Quando isso ocorreu, porém, já se sabia que Temer aparecia 21 vezes nas planilhas, ao lado de outros figurões da República, como os ministros Gilberto Kassab (PSD) e Mendonça Filho (DEM) e os senadores Renan Calheiros (PMDB) e Romero Jucá (PMDB).

A superdelação também trará novos problemas para Antonio Palocci, principal interlocutor da empreiteira nas gestões do PT.

Se Brasília já não dormia pela expectativa da delação da Odebrecht, apelidada de “fim do mundo”, o clima vai ficar ainda mais tenso: o mundo pode acabar duas vezes.

* * *

Gostei da expressão que fecha esta notícia aí de cima: “o mundo pode acabar duas vezes“.

Dois finais de mundo é um fenômeno como só mesmo na República Federativa de Banânia seria possível acontecer.

E vejam que neste balaio estão guabirus, corruptos e ladrões de todos os partidos, de todos os lados e de todas as cores.

No pacote está incluído até mesmo o primeiro mandatário do momento, Michel Cara-de-Buceta Temer.

Esta fantástica quantidade de ratos roendo o mesmo queijo me lembrou um vídeo de determinado partido, na campanha de 2002.

Já lá se vão 15 aninhos…

13 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEXTA-FEIRA – ESCLARECIMENTO

Relatório da Polícia Federal aponta que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) atuava “em prévio e harmônico ajuste” com o ex-presidente da Câmara, deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para facilitar a liberação de empréstimos da Caixa Econômica Federal a empresas e, em troca, receber propina.

Geddel foi alvo de operação nesta sexta-feira (13), deflagrada para apurar um esquema de fraudes na liberação de créditos junto à Caixa entre 2011 e 2013. Ele foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa no período investigado pela PF.

Além da liberação de créditos da Caixa, as investigações apontam que os dois peemedebistas forneciam informações privilegiadas às empresas e aos outros integrantes do que o Ministério Público Federal chama de “quadrilha”.

Consta dos autos que, valendo-se do cargo de Vice-Presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima agia internamente, em prévio e harmônico ajuste com Eduardo Cunha e outros, para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas para que, com isso, pudessem obter vantagens indevidas junto às empresas beneficiárias dos créditos liberados pela instituição financeira“, diz o documento.

* * *

Se as fraudes aconteceram entre 2011 e 2013, não custa nada esclarecer aos bem informados leitores fubânicos que esta guabirutagem aconteceu nos gunvernos tucanos.

É só vocês conferirem as datas de vigência dos gunvernos nos últimos anos.

Esta putaria na Caixa Econômica Federal – banco estatal e de propriedade dos contribuintes brasileiros -, foi levada a efeito na administração de FHC.

Geddel e Cunhão, dois corruptos pmdebistas que roubavam com permissão dos tucanos

13 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

OS PREÇOS VARIAM DE UM PRESÍDIO PRO OUTRO

Presos da Casa de Prisão Provisória de Palmas chegam a oferecer R$ 6 mil para os funcionários da unidade facilitarem a entrada de objetos no local.

A informação é de um dos empregados da empresa Umanizzare, que administra a CPP de Palmas e o presídio Barra da Grota, em Araguaína.

Segundo o homem, que pediu para não ser identificado, existe uma “tabela de preços” oferecida pelos presos para a entrada de celulares e armas.

* * *

Se em Palmas a propina pros funcionários do presídio é de 6 mil reais, eu fico imaginando quanto não será em Curitiba…

Marcelo Odebrecht, Zé Dirceu e Palocci bem que poderiam dar esta dica pra gente.

Quanto será que eles pagam pra que deixem entrar na cela um revista em quadrinhos com as aventuras do Pateta?

Super PT-Teta

13 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

FEBRES COLORIDAS

Número de casos de febre amarela em Minas pode ser maior que o oficial.

Testes preliminares indicam que pelo menos oito óbitos no estado foram provocados pela doença transmitida pelo mosquito.

No entanto, decreto aponta 17 óbitos confirmados e, somente em Teófilo Otoni, foram notificados sete casos da doença e quatro mortes.

* * *

A febre vermelha já foi extinta e erradicada nas últimas eleições municipais.

Agora, vamos torcer pra que a febre amarela também seja banida do solo desta nação.

“Si fudemos-si; erradicaro nóis”

12 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – UM TRIO DO CARALHO

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais tempo para investigar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo por obstrução da Justiça nas investigações da Operação Lava Jato.

O pedido foi apresentado nesta terça-feira (10) pela PF e encaminhado ao relator do inquérito, ministro Teori Zavascki, responsável na Corte pelos casos do esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

* * *

Palmas e louvores para a nossa brava Polícia Federal, a mais republicana das instituições nesta fase que atravessamos.

O mais lindo desta manchete aí de cima é a foto ilustrativa.

Um trio de meliantes de grosso calibre de altíssima periculosidade.

Um trio como só mesmo em Banânia seria capaz de aparecer e gunvernar (Argh!!!)

Felizmente, para o bem da nação, já foram todos banidos do mapa.

E o Chefão, o Bandido-Mor, para deleite da banda decente deztepaiz, vai obrar de coca no boi de Curitiba em breve futuro.

12 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

ELE AINDA TÁ SOLTO???

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira em Salvador, durante encontro com militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que vai voltar a ser presidente da República. “Se preparem, porque, se necessário, eu serei candidato. Se eu for candidato, é para a gente ganhar as eleições. Nós vamos voltar a governar este país”, disse a uma plateia que usava bonés vermelhos com a inscrição “Estamos com Lula” e gritavam “Brasil pra frente, Lula presidente”.

O petista também afirmou que espera receber desculpas daqueles que o acusam hoje por crimes de corrupção. “A única coisa que eu peço a Deus é que essas pessoas, quando chegarem à conclusão de que não tem nada contra mim, peçam desculpas”, afirmou.

Segundo ele, o ódio construído contra seu governo está prejudicando o Brasil. “Não é possível que o ódio que eles têm de mim faça com que prejudiquem o País”, afirmou no discurso, no qual também criticou a gestão de Michel Temer (PMDB).

* * *

Ôxente!!!

Eu agora se espantei-me todinho com esta notícia aí de cima.

Quer dizer que Lapa de Corrupto continua cagando tolôtes orais pras plateias de antas amestradas de Banânia???

Pensei que este sujeito já estivesse obrando de coca no boi em Curitiba.

Pois o bandidão continua livre, leve e solto.

Num é de lascar???!!!

Vôte!

Que justiçazinha lenta pra caralho é esta nossa.

Devido a esta demora sem fim, o bandidão aposta na impunidade.

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12 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

INCANSÁVEIS MAMADORES

Parece que finalmente caiu a ficha: o Palácio do Planalto “desconfia”, aliás tardiamente, que o governo Michel Temer tem sido sabotado pelos petistas que continuam exercendo cargos de confiança na administração federal.

Havia a suspeita, mas a certeza certamente começa a se consolidar depois do vazamento de todas as senhas que permitem publicar fotos e informações em redes sociais do Planalto.

Políticos que apoiam o presidente Michel Temer estão cansados de advertir sobre riscos da permanência de petistas no governo.

Quando é confrontado sobre o excesso de petistas no governo, Michel Temer sempre alega que sua orientação é evitar a “caça às bruxas”.

Segundo estimativas de deputados do próprio PT, cinco mil petistas continuam ocupando cargos comissionados no governo Temer.

* * *

O ideal é que estes 5.000 petralhas mamadores – que chupam o Erário em qualquer governo -, também fizessem uma rebelião, a exemplo do que estão fazendo os presidiários banânicos.

E se matassem uns aos outros em busca de melhores peitinhos pra mamar o dinheiro de nós outros, os contribuintes.

Seria um lindo espetáculo para a banda decente do Brasil.

Os parasitas petralhas são incansáveis na mamação

11 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

FACÇÕES DO PODER E DOS PRESÍDIOS SE COMPLETAM

11 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUARTA-FEIRA – ESCLARECIMENTO NECESSÁRIO

O presidente Michel Temer afirmou nesta quarta-feira (11), ao comentar a crise no sistema penitenciário, que facções criminosas no país têm regras e códigos próprios.

Para ele, a crise nos presídios é uma questão que ultrapassa a área da segurança pública para “preocupar a nação como um todo”.

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Por medida de justiça, é imperioso esclarecer que o prisidente Temer não estava se referindo ao seu partido, o PMDB, quando falou em “facções criminosas“.

Muito menos estava Temer se referindo ao PT.

Embora sejam PT e PMDB dois bandos bem piores e que já causaram mais malefícios ao país do que as facções criminosas dos presídios, é uma medida de justiça fazer este esclarecimento.

“Esta gazeta escrota é phoda mesmo…”

11 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

BEM LONGE

Ingressos do Rock in Rio 2017 começam a ser vendidos em 6 de abril.

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Já anotei aqui a data e o local de venda destes ingressos.

Que é pra ficar bem longe dele.

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11 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

CELEBRAÇÃO ATRÁS DAS GRADES

Em meio à crise carcerária, imagens feitas em Pernambuco evidenciam a perda de controle de gestão em um presídio para mulheres.

Um vídeo, que teve autenticidade confirmada pelo Governo do Estado, mostra uma festa de com direito a álcool e drogas realizada pelas presas da Colônia Penal Feminina do Recife, no Engenho do Meio, na Zona Oeste da cidade.

Nas imagens, é possível ouvir as detentas chamando o evento de “Bonde do Prato”, em referência ao consumo de drogas, possivelmente cocaína.

Na gravação, presidiárias também aparecem com celulares e tiram fotos, enquanto dançam e ouvem música. A maioria se exibe com copos na mão e o clima é de animação.

* * *

Eu fiquei ancho que só a porra ao ver a minha querida cidade do Recife sendo notícia em destaque nacional.

Este assunto foi tema de reportagens em rádios, jornais e televisões de toda Banânia.

Meu peito bairrista ficou cheio de orgulho.

Quem não gostou muito desta história foi meu amigo de Palmares, Uriel Pé-de-Pistola, um cabra brabo e brigão que só a porra, apesar de ser aleijado e andar arrastando uma perna.

É que a rapariga dele, Maria Cu-de-Calo, é uma das detentas cuja imagem aparece neste vídeo aí de cima. Ela cumpre pena por tráfico de drogas. Lá em Palmares quem quisesse fumar maconha tinha que procurá-la.

Pois Uriel me telefonou ontem pedindo que o JBF proteste contra este absurdo. Este absurdo de proibir festa de aniversário, ou qualquer outra festa, dentro da cadeia. Que é que tem demais cheirar um pó, puxar um fumo ou tomar umas cachaças atrás das grades? pergunta Mané indignado.

Segundo ele, se senador do PT cheira o pó branco e o proprietário do partido enche o cu de aguardente, então as presidiárias também podem fazer o mesmo.

Pronto, Uriel, sua reclamação está publicada.

Disponha sempre.

11 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUARTA-FEIRA – ENRABAÇÃO ANIMALESCA

 

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De fato, este é um assunto de altíssima relevância para a ciência.

Um macaco enfiar a pica numa cerva virgem e indefesa é tema que merece um estudo profundo.

Um estupro animalesco digno de entrar para os compêndios das ciências biológicas.

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10 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

EFEITO TEQUILA À VISTA

Jose Roberto de Toledo

Falências disparando, vendas caindo e empregos sumindo – mas não para todos. Três instituições prosperam e se multiplicam na crise: partidos políticos, igrejas e, agora, facções criminosas. Cada uma no seu nicho de mercado e com estratégias distintas, mas usufruindo do sucesso que escapa a governos e empresas. Em comum, mantêm uma relação especial com o estado. Embora mantenham contabilidade detalhada, nenhuma recolhe impostos.

Há 35 partidos registrados oficialmente, e outros 50 na fila para ganharem acesso a lugar na urna eletrônica, ao horário de propaganda no rádio e TV e, mais importante, ao Fundo Partidário. O Congresso está tentando diminuir a concorrência – afinal, há que repartir tempo e dinheiro com os novatos -, mas, como mostraram os repórteres Mariana Diegas e Valmar Hupsel Filho, isso não intimidou os candidatos a cacique partidário.

Todos disseram não estar nem aí para a cláusula de barreira que os grandes partidos lhes querem impor. Seguem tentando lograr seu registro e, assim, usufruir da isenção fiscal e – entre outros benefícios – acesso à listagem com nome e dados pessoais de todos os eleitores brasileiros. Sim, inclusive os seus.

Partidos vendem esperança de uma vida melhor – quando não para todos, ao menos para seus filiados. Se não der para transformar a sociedade, que transforme a vida dos caciques e viabilize algum benefício para os seus chegados – um cargo público, talvez. Acenar com a prosperidade e uma virada na vida também é o atrativo de outra instituição em alta, com ou sem crise.

Pesquisa recente do Datafolha reconfirmou que igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais são as mais bem sucedidas na conquista de novos fiéis. Em duas décadas, duplicaram sua participação no mercado religioso. De 10% dos brasileiros em 1994 arrebanharam 22% em 2014 – e mantêm essa fatia desde então. Assim como os partidos, uma característica fundamental das igrejas emergentes é a sua pulverização.

Embora as denominações mais populares reúnam milhões de fiéis, outras dezenas de milhões de pessoas se definem genericamente como “evangélicos” ou pertencentes a um de centenas de grupos neopentecostais que, isoladamente, são pequenos demais para aparecerem nas tabelas do IBGE – mas, em conjunto, estão cada vez mais presentes no dia-a-dia da população.

Seu crescimento denota a incapacidade do estado e do mercado de oferecerem a um segmento populacional tão expressivo oportunidades suficientes de ascensão social e econômica. O dízimo promete suprir aquilo que os impostos não cobrem.

Nos últimos anos, explorando o crescimento das franjas mais marginalizadas do sistema, o crime se organizou a partir dos presídios. Segundo o repórter Alexandre Hisayasu, são pelo menos 27 facções que orbitam e guerreiam em torno das duas principais: o PCC e o Comando Vermelho. Também cobram mensalidade dos associados (em troca de “proteção”), movimentam centenas de milhões de reais por ano e buscam monopólio, do narcotráfico.

A resposta dos governos estaduais e federal foi complacente. Crime organizado derruba taxas de homicídio – porque inibe disputas paroquiais entre bandidos -, até irromper em massacres, como os de policiais em 2006 e os de detentos em 2016. Nessas crises, a complacência vira incapacidade. Mesmo sabendo que matanças viriam, as autoridades não conseguiram evitá-las.

É esperado que, em suas trajetórias emergentes, as facções criminosas e a política partidária se cruzem – como já se cruzaram denominações religiosas e partidos. Para antever no que isso vai dar, basta olhar para outros países latino-americanos.

9 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

AFRONTA

Temer, Sarney e Gilmar Mendes viajam para velório de Mário Soares.

Estão a caminho de Lisboa para participar das últimas homenagens.

* * *

Um estadista íntegro, decente e respeitável como foi Mário Soares, um sujeito de ficha limpa e bela biografia, não merecia uma afronta deste porte.

Putz!

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9 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

TÁ CHEGANDO A HORA…

Um acervo criminal e histórico de mais de 30 milhões de documentos, guardados em uma sala sem janelas com acesso controlado e monitorado 24 horas por câmeras na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, forma o banco de dados da Operação Lava Jato. A delação da Odebrecht, que deve ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre fevereiro e março, vai mais do que duplicar as investigações.

É o maior acervo de provas já produzido pela Polícia Federal em uma investigação contra a corrupção no Brasil. Às vésperas de completar três anos, em março, a Lava Jato teve 36 fases deflagradas, cumpriu 730 mandados de busca e apreensão até aqui e acumulou um total de 1.434 procedimentos instaurados.

No 3º andar da Superintendência em Curitiba, o centro nervoso da Lava Jato ocupa quatro salas interligadas por portas internas que formam um labirinto circular. A primeira sala guarda HDs de computador com cópias de segurança dos arquivos digitalizados. Nas prateleiras estão pastas de inquéritos, relatórios, apensos e análises dos mais de 400 inquéritos e procedimentos criminais já abertos pelos delegados.

Na segunda e na quarta salas trabalham equipes de analistas que passam o dia abrindo arquivos apreendidos em buscas, separando dados de relevância para as apurações e produzindo relatórios de análise – um grupo restrito de cerca de vinte investigadores. Cada equipe tem um chefe e está vinculada a um delegado da Lava Jato.

* * *

Segundo os irmãos Malamanhado e Malouvido – dois desocupados e queridos amigos meus de Palmares, ambos especialistas em enredos, boatos, escrachos e fuxicos -, não adianta nada Lula ficar demonstrando simpatias e enviando recados elogiosos para o Estado Islâmico.

Este acervo guardado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, que conta a maior história de corrupção e roubalheira já acontecida desde que Cabral chegou por aqui e Banânia foi descoberta, é à prova da ataques terroristas.

Não tem bomba ou arma química que dê fim ao material ali acumulado. O 3º andar da superintendência da PF em Curitiba é indestrutível.

E tem mais: a fortaleza descrita nesta notícia aí de cima é à prova de pragas rogadas por idiotas da militância, por descerebrados zisquerdóides e por babacas vermêios-istrelados.

“Tô fudido. Si lasquei-me mermo”

9 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UM APELO DESESPERADO DO EDITOR FUBÂNICO

Uma mensagem apreendida por investigadores da Operação Lava Jato mostra que o empreiteiro Marcelo Odebrecht pediu ao ex-ministro Antonio Palocci “espaços” para o então secretário executivo da Controladoria-Geral da União (CGU) Luiz Navarro no primeiro governo de Dilma Rousseff.

O e-mail foi encaminhado por Marcelo Odebrecht a diretores da empresa no dia 20 de dezembro de 2010, a 12 dias de Dilma tomar posse para seu mandato inicial como presidente.

Na mensagem, o ex-presidente da Odebrecht colou o conteúdo de um texto que enviaria a Palocci e no qual expressava seu interesse em ver Navarro no governo da petista.

Chefe, (…) não sei se você conhece Luiz Navarro, secretário executivo da Controladoria-Geral da União. A pessoa dele comandou de forma efetiva a CGU, e penso que isso é reconhecido de dentro e de fora do órgão. Acho que vale a pena você recebê-lo para avaliar como ele poderia se ajustar em espaços do novo governo“, diz a mensagem do empreiteiro incluída no e-mail aos diretores.

* * *

Que Marcelinho e sua empresa mandavam, desmandavam, cagavam e andavam nos gunvernos petralhas a gente já sabia há muito tempo.

Agora, aqui entre nóis, o que me causa raiva é que este carequinha precoce – com seus óculos de intelequitual corruptor -, não tenha nunca tentado comprar e corromper este gazeta escrota.

Atenção, prisioneiro Marcelo: este Editor continua aberto a propostas, subornos e propinas. Avise pros diretores da sua empresa que ainda não caíram nas garras do juiz Sérgio Moro.

Por apenas 0,5% do que tu gastavas com os corruptos passivos petralhas, eu boto o JBF inteirinho a favor da tua causa.

Entre em contato, por favor!!!

A situação financeira do Complexo de Comunicações Besta Fubana é de fazer chorar. Num dá nem pra exagerar.

Odebrecht e Palocci engaiolados: dois tolôtes do mesmo pinico

9 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

SOARES, TAL E QUAL

António Valdemar (Jornalista, antigo aluno do Colégio Moderno e de Mario Soares)

Era um animal político. Mal acordava, Mario Soares queria saber tudo o que acontecera. Mergulhava na leitura dos jornais e revistas. Portugueses. Franceses. Espanhóis. Entretanto, seguiam-se os telefonema. Organizava mentalmente essa informação para enfrentar mais outro dia.

O perfil do homem público não se diferenciava muito do homem no convívio íntimo. Nos afetos calorosos, nas aversões ferozes. Mudou, evidentemente, de opinião sem alterar princípios fundamentais. Há situações que, de momento, não vale a pena enumerar. Todavia, era espontâneo nas simpatias e antipatias. As reconciliações possíveis não erradicaram os motivos de cisão, de incompatibilidade, de afastamento. De corte de relações políticas. De relações pessoais. Ou ambas as coisas.

Não se adaptou à internet. O computador colocado na secretaria, do seu gabinete na Fundação, era apenas um elemento decorativo. Até ao fim, tudo o que leu tinha de ser em papel. Escrevia, com rapidez e fluência, na sua letra miúda. Cada vez mais miúda. Mas, em certas ocasiões, emendava muito. As secretarias, durante décadas, a Osita e a Maria José, habituaram-se a decifrar os manuscritos labirínticos, os «textos aracnídeos» conforme exclamei ao ver uma folha A4 repleta correções, de acrescentamentos, de cortes, de repuchos.

Ao falar-lhe nisso respondeu-me: «Procuro, apenas, ser claro». Insisti: “O seu mestre Prof Francisco Vieira de Almeida costumava advertir: ‘O simples não é o fácil'”. Soares olhou-me de alto a baixo e pediu para repetir. E acrescentou: «Eu que o diga…»

Era um homem de cultura. Apesar de nunca ter sido escritor na verdadeira aceção da palavra, frequentou tertúlias de Lisboa e de Paris e sentia-se em pé de igualdade ao lado dos outros intelectuais. Procurava estar ao corrente das novidades. Comprava tudo o que lhe interessava e alguns livros que, não fazendo parte das suas curiosidades habituais, já constituíam uma referência.

Além dos milhares de livros que tinha em casa, e nas casas de Nafarros e do Algarve, instalou no 4º andar do seu prédio, uma “nova biblioteca”. Perante aquele universo bibliográfico, devidamente, sistematizada por temas e autores, confirmei o prazer, mais do que isso, a volúpia de ter edições raras. Encadernações preciosas. Primeiras edições, de livros com dedicatórias dos autores e anotações dos possuidores.

Não esqueço o deslumbramento que manifestou ao visitar a biblioteca de Pina Martins, de folhear primeiras edições de Erasmo e Damião de Gois. “Estou esmagado. É demais… ” Nesse dia, ao jantar comigo e com o José Manuel dos Santos – seu colaborador direto, durante décadas e amigo muito próximo – embora houvesse matéria política escaldante, continuava dominado pela emoção que lhe causara a coleção de Pina Martins. E, de vez em quando, repetia: “Estou esmagado. … Estive para cheirar o papel mas o Pina deve usar inseticidas”.

Mario Soares toda a vida também frequentou livrarias e alfarrabistas. Mesmo quando era Primeiro-Ministro, Presidente da Republica, deputado do Parlamento Europeu. Incluiu entre os seus amigos poetas e escritores. Uns ainda da geração do pai, como Jaime Cortesão e Aquilino; da geração seguinte Rodrigues Migueis e Miguel Torga; outros da sua geração como Carlos de Oliveira, Cardoso Pires, Sophia, Natália Correia, Mario Cesariny ou Luis Pacheco. Outros ainda das gerações mais recentes.

O mesmo aconteceu com artistas plásticos. Admirava Columbano mas o seu apreço e convívio estenderam-se, por exemplo, a Júlio Pomar, a Vieira da Silva, a Jorge Martins. Escapava-lhe a música. Perguntava-me um dia: “Consegue escrever com música?”. “Sempre que estou em casa escrevo melhor com música”. “Mas que música?” – insistiu. “Com os clássicos. Quase sempre os mesmos”. “Compreendo perfeitamente…”

De todos os escritores portugueses o que mais admirava era Eça de Queiroz. Outra das suas admirações profundas era Teixeira Gomes. Várias vezes, na sua casa do Vau, partilhamos a leitura de páginas antológicas do Agosto Azul e de pequenos grandes textos acerca das metamorfoses da luz e da cor, das praias e do mar do Algarve, das pedras com memória e das terras com aromas.

Era um homem de coragem. Política e pessoal. Deu provas da sua determinação na resistência ao salazarismo, nas prisões que suportou. No verão quente de 75, ao insurgir-se contra outros totalitarismos. Em campanhas eleitorais, ao ser agredido na Marinha Grande. Ao assistir, no encerramento de um Congresso da Internacional Socialista, da qual era vice-presidente, ao atentado a Sartawi, observador da OLP e abatido por um membro de um grupo radical, do Abu Nidal, no Hotel de Montechoro.

Estava preparado para as situações mais diversas. Trágicas, cómicas, insólitas. Em 1990, como Presidente da Republica entregou o Premio de Poesia a Natália Correia e, ao mesmo tempo, aproveitou a oportunidade para a distinguir com a Ordem da Liberdade. Natália Correia ouvia o discurso com o seu ar desafiador.

Enalteceu, de início, em duas frases os méritos literários de Natália e os seus contributos para a Democracia, antes e depois do 25 de Abril. A seguir Mario Soares, numa breve nota pessoal, quando salientava, apenas e tão só, que Natália Correia fora «uma das mulheres mais belas da Lisboa dos anos 40 e 50» ouviu-se, em toda a sala, sem necessidade de microfone, a cólera vulcânica e impetuosa de Natália; “Lá está ele a falar do meu corpo. Olhou sempre para mim como uma fêmea. Nunca contemplou o meu espírito. Nem mesmo aqui… “

Era de mais. Excedera os limites aceitáveis. Ultrapassara broncas sucessivas que marcaram a sua presença na Presidência Aberta nos Açores. A cerimónia começava a perder a dignidade institucional. Mario Soares decidiu abreviar o discurso. Horas depois, num jantar reservado, riu. Riu imenso. Rimos todos com ele. A amizade manteve-se na íntegra. Continuou a prestar a Natália todas as homenagens. Em vida, por ocasião da morte e depois da morte.

Era um apreciador da boa mesa. A mulher é que tratava dos assuntos domésticos. Tal como acontecera com a mãe. Mas havia pequenas coisas que lhe davam satisfação. Ir comprar doces e alguns queijos. No tempo das castanhas, de regresso a casa, mandava o motorista parar numa esquina e comprava uma ou duas dúzias de castanhas para a sobremesa. Com tinto.

Frequentou os melhores restaurantes do mundo. Saboreou os pratos mais diversos. Evitava ementas sofisticadas. Gostava, sobretudo, de pratos tradicionais: uma sopa de legumes, a abrir; carne à jardineira; uma boa posta de pescada cosida; uma omelete cremosa, com salsa picada. Pastéis de bacalhau. Pataniscas com arrôs de feijão. Comida caseira portuguesa. E gostava de bons vinhos. Comia e bebia com moderação. Apreciava queijos. Olhava para a tábua com varias marcas como um filatelista percorria as folhas de um album. Jean Daniel, num jantar de família, ao experimentar vários queijos não se conteve perante um Serpa: “Ça c’ est le fromage”. Um sorriso, de orelha a orelha, traduziu o contentamento de Mario Soares ao verificar que os amigos, se sentiam bem recebidos, na sua casa e à sua mesa.

Deliciava-se, por exemplo, com pão-de-ló. Oferecia, generosamente. «Desculpe não gosto de doces!». Com o ar mais sério do mundo dizia: “Comprei por sua causa. Coma ao menos uma fatia?!”. Em face da minha recusa exclamava: “Então como eu. Está ótimo. Não sabe o que perde”. Repetia. E com uma colher de sopa rapava ainda o doce de ovos que estava dentro do pão-de-ló. Ficava regalado. Como uma criança. O menino de sua mãe.

Era um apaixonado pelas viagens. Nos anos 60 conheceu parte da Europa com a mulher e os filhos. De país em pais. Surpreendendo os contrastes das paisagens. Percorrendo monumentos e museus. Visitou o Brasil, após a fundação do Partido Socialista, para falar com exilados políticos, desde militares da Rotunda e seareiros que participaram na revolta do 7 de Fevereiro, como Sarmento Pimentel e Jaime de Morais, até Casais Monteiro, Vitor da Cunha Rego e Manuel Pedroso Marques.

Voltou ao Brasil em viagens de Estado, recebido com todas as honras. Foi noutras ocasiões fazer conferências e tomar parte em colóquios. Tinha relações pessoais com Jorge Amado, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Antonio Cândido, Celso Furtado, Cândido Mendes de Almeida, Antonio Houaiss, José Aparecido de Oliveira, entre muitas outras personalidades.

Era agora o que não queria ser. Das últimas vezes que esteve no Rio convidaram-no para uma jantar, com políticos e intelectuais. Ali se encontrou com Roberto Marinho, o diretor e proprietário do jornal O Globo, da Televisão O Globo, da rádio CBN, do Globonews, do maior império da comunicação social não só do Brasil, mas também da América Latina. Marinho com noventa e muitos anos que pareciam robustos fazia confusões tremendas. Ao cumprimenta-lo, Soares logo ficou intrigado quando Marinho o interpelou: “Sabe alguma coisa daquele político português, muito simpático, parece-me que se chama Soares e que foi ou ainda é Presidente da Republica? Ele está bem? Se estiver com ele apresente-lhe os meus cumprimentos…”

Com o melhor dos sorrisos disse: “Está bem. Muito bem… Darei. Darei…” Ao contar-me o que se passara com Roberto Marinho disse-me: “Estou a avançar para os 80. Espero que isto não me aconteça. Seria um horror”. Entre centenas de outras estórias, de um convívio de muitos anos, recordo-me deste episódio que o estarreceu. E agora nos choca. Profundamente. Basta evocar imagens da televisão, nas últimas aparições públicas. Deixou de ser quem era e do que sempre quiz ser. Já estava ausente de tudo e ausente de si próprio.

* * *

Nota do Editor:

O artigo acima – publicado originalmente no jornal português Expresso –, me foi remetido pelo colunista fubânico José Paulo Cavalcanti Filho, que é amigo de Antônio Valdemar, autor do texto e membro da Academia Portuguesa de Letras.

9 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

QUE FUTURO NOS AGUARDA

Ricardo Noblat

Um prodígio, o presidente Michel Temer e seu time de auxiliares. Empenhados em marcar distância de mais uma erupção da bestial violência que há décadas abala o apodrecido sistema carcerário brasileiro, eles conseguiram com espantosa facilidade justamente o contrário.

Ninguém de bom senso ligaria o governo atual ao que aconteceu no Amazonas e em Roraima. Então o governo meteu com gosto o dedo na tomada.

Primeiro foi Temer, que chamou de “acidente pavoroso” a morte e o esquartejamento de 57 presos numa penitenciária próxima de Manaus. Acidente é um fato casual.

Num país onde mais de 60 mil pessoas são mortas a cada ano e 11 Estados registraram decapitações desde a rebelião do presídio de Pedrinhas, em São Luís, em 2013, acidente pode ter sido a ascensão de Temer à presidência – não a chacina de Manaus.

Não se atribua o que ele disse a uma mera infelicidade na escolha das palavras. Temer é um homem culto, prudente e pensa muito antes de falar.

Nus, detentos passam por revista no pátio do presídio Raimundo Vidal Pessoa, após rebelião

Ao taxar um massacre de “acontecimento pavoroso”, quis isentar seu governo de qualquer responsabilidade e minimizar o acontecido. Foi duro, insensível, desastroso. Deixou-se levar pelo cálculo político mesquinho.

Depois de Temer, foi o ministro da Justiça. Além de apresentar um arremedo de plano para reformar o sistema carcerário sem dotação orçamentária e sem metas, negou que tivesse recusado ajuda ao governo de Roraima onde 30 presos foram decapitados ainda vivos e alguns tiveram corações e olhos arrancados.

O ministro mentiu. E mentiu de novo ao garantir que a situação dos presídios está sob controle. Controle de quem?

O caminhar voluntário do governo para o cadafalso na semana passada culminou com a intervenção do Secretário Nacional da Juventude que se apresentou como “um coxinha”, elogiou o “acidente” em Manaus e defendeu novas matanças.

Foi o único a ser demitido depois de incensado nas redes sociais. Mais de 50% dos brasileiros pensam como ele. E é aqui que reside o maior problema.

O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo, estimada em 640 mil indivíduos. A maioria dela é negra (60%), jovem e só tem o ensino fundamental completo (75%).

Cerca de 40% dos detentos aguardam julgamento. Por inocente, um terço será libertado. A taxa de aprisionamento cresceu 67% entre 2004 e 2014. Anualmente, um preso custa ao Estado R$ 30 mil reais – 13 vezes mais do que um estudante.

A saída?

A mais simples, cara e destinada ao fracasso é a construção de presídios. O governo promete mais cinco até 2018. O crime agradece. Se a multiplicação de presídios bastasse, o planeta seria uma beleza.

Serão mais cinco fortalezas para abrigar com relativa segurança os principais líderes das 27 facções que lutam pelo comando do crime organizado no país. Serão mais cinco escolas para a formação de novos líderes.

O sistema penitenciário virou uma máquina de moer pobres e de produzir criminosos. Pagamos para que o Estado mantenha preso quem nos ameaça.

E como não ligamos para o que ocorre nas masmorras, pagamos outra vez quando de dentro delas partem as ordens que tornam nosso mundo cá fora cada vez mais violento.

No Rio Janeiro, cerca de dois milhões de pessoas vivem em áreas dominadas pelo tráfico de drogas e pelas milícias. Sob estado de exceção, portanto.

Enquanto não formos capazes de refletir e de chegar a um acordo sobre como proceder em relação à criminalidade, nosso futuro, o dos nossos filhos e dos filhos deles será cada vez mais incerto.

9 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

PORQUE EU SE UFANO-ME DO MEU PAÍS

Um roteador de internet, um modem, nove pendrives, 155 celulares (além de 93 baterias, 58 carregadores e nove chips) foram encontrados em três operações pente-fino feitas pelo governo do Amazonas em três unidades prisionais entre quinta-feira e sábado. Também foram encontradas cem armas brancas (facões, facas etc), uma pistola calibre 380 e um rifle calibre 32.

As inspeções foram feitas no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no Ipat (Instituto Penal Antonio Trindade) e na Unidade Prisional do Puraquequara. “O principal objetivo é a retirada de materiais ilícitos que poderiam ser usados para desestabilizar a unidade e promover alguma alteração”, informou a administração estadual por nota.

* * *

Igualzinho ao que acontece nos presídios dos Zistados Zunidos, aquela terrinha cujo sistema carcerário é pior que o do mais lascado e pobre país africano.

Eu fico ancho que só a porra quando vejo nossa querida Banânia batendo recordes mundiais.

E os números contidos nesta notícia aí de cima referem-se a apenas um único estado!

Se for somar tudinho em todos os presídios banânicos, de norte a sul, de leste a oeste, roteadores, celulares, modems, pendrives, baterias, carregadores, chips, facões, facas, canivetes, revólveres, pistolas, cacetes, bombas, pedras, tacapes, rifles, metralhadores e mísseis, vamos bater o recorde galáxico!!!

8 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO DOMINGO – CONSUMIDOR POTIGUAR É LESADO

* * *

A guabirutagem nos presídios potiguares está uma merda.

Três mil reais é uma mixaria de fazer vergonha até ao sistema carcerário do Haiti.

E, ainda por cima, o cabra que pagou foi recapturado.

Tem que reclamar pro PROCOM.

Já no presídio de Curitiba, a cifra que os condenados oferecem pra fugir da cadeia chega à casa da centena de milhão.

Mas, até agora, as tentativas de fugas compradas foram todas sem resultado na capital paranaense.

Nem tesoureiro do PT conseguiria bater asas das celas.

A caneta-fechadura do Dr. Moro é impossível de ser arrombada.

8 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

BANDIDAGEM PROTEGIDA

Michel Temer, ontem, reuniu-se com Cármen Lúcia para tratar da crise carcerária.

O STF, em agosto de 2016, “considerou inconstitucionais leis de quatro Estados que obrigavam operadoras de celular a instalar bloqueadores telefônicos nos arredores dos presídios”.

Um dos votos contra os Estados foi o de Cármen Lúcia.

* * *

Bandido nesta República Federativa de Banânia é favorecido em tudo.

Pela lei, pelas otoridades e pelos teóricos que escrevem pros jornais.

Os contribuintes – que sustentam com seus impostos as despesas dos residentes em presídios -, é que devem lutar para ter as mesmas regalias da bandidagem atrás das grades.

8 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

QUANTA BARBARIDADE

Símbolos da falência do Estado, os massacres nos presídios de Manaus e Boa Vista, com quase nove dezenas de mortos, expõem outra barbaridade: apoios explícitos à matança.

E não só de irresponsáveis ou anônimos nas redes sociais. Nesse estágio de brutal incivilidade se enquadram o ex-secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio, para quem o melhor seria “uma chacina por semana”, e seus apoiadores de primeira hora, os deputados Fernando Francischini (SD-PR) e Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG).

Bruno Moreira Santos, transformado em Bruno Júlio por ser filho do deputado estadual mineiro Cabo Júlio, sempre foi um garoto problema. Seus antecedentes – duas investigações por agressão a ex-mulheres e uma por assédio sexual a uma funcionária – deveriam ter impedido o presidente Michel Temer de nomeá-lo. Teria evitado um fecho tão nojento e deletério para uma semana em que seu governo só perdeu.

Temer, que demorou a reagir, e quando o fez foi impróprio e infeliz ao classificar a carnificina como “acidente pavoroso”, permitiu que seu governo colecionasse equívocos. A começar pelos graves tropeços do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, useiro e vezeiro em meter os pés pelas mãos. Desta vez, primeiro disse que a governadora de Roraima, Suely Campos, não pedira ajuda federal, tendo de voltar atrás ao ser confrontado com os ofícios em contrário emitidos por ela.

Tudo que Temer não precisava era de Bruno Júlio e suas declarações pró-morticínio.

E vieram do PMDB, partido do presidente, as defesas mais ardentes dos pontos de vista do ex-secretário de Juventude.

Por mineiridade e proximidade, Newton Cardoso Júnior, filho do ex-governador mineiro Newtão, envolvido em várias denúncias de corrupção, disse que Bruno Júlio teve a “coragem de expressar a opinião e a indignação da maioria dos brasileiros”. Ex-secretário de Segurança do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), Francischini foi categórico: a sociedade aplaude quando bandido mata bandido.

O mais grave é que a maior parte da população crê mesmo que “bandido bom é bandido morto”. Pesquisa Datafolha para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada em novembro de 2016 dentro do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, aponta que 57% dos brasileiros concordam com a afirmativa, percentual que sobe para 62% nas cidades com menos de 50 mil habitantes.

Fruto provável da associação da exploração e da ausência do Estado, que cobra muito em impostos e nada ou quase nada devolve, e das curvas crescentes de criminalidade, o resultado da pesquisa traduz a descrença do cidadão no governo – em qualquer um, e em todas as esferas.

Mas, ao concordar com a premissa populista de morte ao bandido, esses parlamentares e outros da bancada da bala até podem agradar à plateia, mas prestam um gigantesco desserviço aos que dizem representar. Acirram o descrédito na cidadania, aguçam a violência, propagandeiam a medieval justiça com as próprias mãos, jogam a sociedade no colo das organizações criminosas.

A precariedade do sistema prisional brasileiro, seja nas instalações físicas, equipamentos e pessoal, seja nas estruturas de polícia e de Justiça, que não conseguem investigar, concluir inquéritos e processar em tempo razoável, não é culpa deste governo (de apenas cinco meses) ou exclusiva de um ou de outro. É de todos. Do Estado e da sociedade que só se atentam para o problema quando ele explode.

E ambos parecem só enxergar alternativas imediatistas – construir mais presídios, aumentar a segurança dos cárceres, discutir pena de morte.

Parecem não entender o que já foi testado e aprovado mundo afora. Nem prender mais nem matar mais pode solucionar o que só se resolve com o educar mais, principal matriz das nações desenvolvidas (e civilizadas).

Bandido bom é só o da literatura.

7 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

VAMPIRAGEM ATUCANALHADA

José Serra, codinome “Vizinho”, recebeu 23 milhões de reais do departamento de propinas da Odebrecht.

Seu arrecadador, Ronaldo Cezar Coelho, confessou à Folha de S. Paulo o recebimento do dinheiro no exterior.

* * *

Trata-se de um gordo pixuleco.

Com asas, penas coloridas e bico.

Como estamos falando de um vampiro, Serra deve ser “Vizinho” do Cão dos Infernos.

Vôte!

7 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

VISÕES DE LULA

Merval Pereira

Na conversa informal com seus seguidores, Lula faz um diagnóstico da crise que não deixa nada bem a ex-presidente Dilma Rousseff. Ele admite que o país “está quebrado” e o governo não tem capacidade de investimento, porque a arrecadação de impostos caiu. Diz, então, que a primeira solução seria aumentar os impostos, mas admite que isso não é possível.

Sugere fazer o que o presidente Michel Temer está fazendo: acabar com as desonerações que o governo Dilma concedeu a diversos setores que, segundo Lula, tiraram dos cofres da União R$ 500 bilhões. Não é um elogio à política econômica de Dilma, evidentemente.

Mas o ex-presidente vai mais adiante. Diz que outra solução seria “fazer uma dívida” de, sugere, R$ 300 bilhões, e aplicar tudo em obras de infraestrutura. Outra solução, diz ele, seria pegar uns US$ 100 bilhões de nossas reservas cambiais e investir em obras aqui no país. Muitos vão dizer que é inflacionário, adverte Lula, e logo rebate: “é inflacionário, mas eu prefiro inflação com emprego”.

Na mensagem de fim de ano, Lula volta a falar do desemprego,pede que o povo vá às ruas “para defenderseus empregos”, e diz que está na hora de voltar a sonhar,como se nem ele, nem os 13 anos de governo petista, tivessem a ver com os 12 milhões de desempregados.

Lula, na gravação, defende a ampliação do crédito e dá um exemplo do que considera ser a saída para a crise: “Está devendo? Pega um novo empréstimo”. E garante que sabe do que está falando, pois diz que fez isso por 12 anos, com aumentos de salários, incluindo como seus os quatro anos da ex-presidente Dilma. E o país quebrou, como ele mesmo admite.

Quanto ao uso das reservas cambiais, a proposta é tão absurda que nem a ex-presidente Dilma topou fazer quando o PT defendeu a mesma tese em nota oficial. Na ocasião, o economista Armando Castelar, do Ibre/FGV, ouvido por mim, desmontou a tese. “É mais um passe de mágica fiscal que tenta fazer de conta que é possível gastar sem ninguém pagar a conta. Conta que, já aprendemos, ou deveríamos ter aprendido, aparece daqui a pouco”. (Apareceu, e o país quebrou, segundo o próprio Lula).

Castelar lembrou que se o governo usar as reservas, transformando-a em dinheiro, “significa vender dólares no mercado local em troca de reais. Dados os valores envolvidos, significa que no curto prazo o real tenderia a se apreciar frente ao dólar (porque aumentariam a oferta de dólares e a demanda por reais), prejudicando as exportações das indústrias”.

Ao mesmo tempo, muita gente iria aproveitar a valorização do real para comprar dólares e colocar seu patrimônio fora. O setor privado ficaria com mais dólares, menos títulos públicos e a mesma quantidade de dinheiro. O Banco Central (BC) com mais títulos públicos e uma dívida maior em dinheiro. O Tesouro, com menos reservas (dólares) e mais dinheiro. O resultado final seria uma queda adicional da confiança, gerando mais queda do PIB e possivelmente mais inflação, analisou Castelar.

Do outro lado, vem a questão do que o governo faz com os reais que recebeu em troca das reservas. Se ele “tentar aquecer a economia”, significa que vai usar o dinheiro que, no fim das contas, foi emitido pelo BC para aumentar o gasto público. “Significa expansão fiscal e monetária”. Justamente o que nos levou à situação atual.

A capacidade dos líderes do PT de imputarem a outros os problemas que criaram nos 13 anos de governo revela-se agora na crise do sistema penitenciário. O presidente Michel Temer demorou a reagir, e quando o fez usou uma expressão infeliz para definir a tragédia de Manaus.

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, seguindo o que parece ser uma orientação oficial, teima em minimizar a guerra de facções criminosas, que é o grande problema para a segurança nacional. Mas é evidente que não é o governo Temer, que tem 4 meses como efetivo, o responsável pela crise penitenciária, nem pelos 12 milhões de desempregados.

Já em 2012, depois de dez anos de governos petistas, o então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo deu uma declaração polêmica: disse que preferia morrer a ficar preso em uma de nossas penitenciárias. Quatro anos se passaram depois da declaração, e o que foi feito? O resultado está aí.

7 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

COINCIDÊNCIA EM TEMPOS INTERNÉTICOS

Férias, praia, mar, aquela preguiça gostosa na areia e uma surpresa. Enquanto aproveitava os dias de folga a três mil quilômetros de casa, na Praia de Ponta Negra, no Rio Grande do Norte, a jornalista Francielly Azevedo, que mora em Curitiba, se deparou com a própria foto estampada em um carrinho de crepe.”Eu levantei e falei: sou eu, moço. Sou eu, e ele não acreditou”, contou a jornalista.

O carrinho de crepe francês é o sustento de um ambulante João Batista de Mendonça, de 36 anos. Desde 2000, ele trabalha na praia. Aleatoriamente, ele fez uma pesquisa na internet por “crepe francês mulher” e encontrou a foto da jornalista. Sem hesitar, decidiu colocar a foto para ajudar nas vendas na beira da praia.

Batista nem se importou com o fato do “figurino da modelo” estar destoante do cenário das vendas – blazer, blusa de lã e camisa.

A imagem foi postada pela própria jornalista, no Facebook, em 2013. Na ocasião, ela fez um registro de um dia de trabalho em meio à produção de uma reportagem para um programa de culinária na emissora em que trabalha.

* * *

Este mundo muderno, todo interneticado, é de lascar.

Isto é o que se pode chamar de coincidência do caralho.

Vôte!!!


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