1 maio 2012 DEU NO JORNAL

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Algum leitor fubânico saberia me informar em que já trabalhou o novo Ministro do Trabalho?

Vendo tudo parado, procurei saber o que estava acontecendo e me disseram que hoje é feriado, Dia do Trabalhador.

O neto de Brizola, cujo nome é Carlo Daudt, já teve algum emprego na vida ou exerce o ofício de Palrador Político e Azeitador do Eixo do Sol, como o avô?

Atenção: não é pegadinha. Tô falando sério.

Repito a pergunta: Em que trabalhou ou trabalha o novo Ministro do Trabalho?

“Pra começar minha gestão, quero informar que já sei que a carteira do trabalho é azul e que mandei soltar fogos pra comemorar este glorioso dia em que se coça o saco até a meia-noite” 

30 abril 2012 DEU NO JORNAL

EMPREGO GARANTIDO

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou neste domingo, em Genebra, na Suíça, seu relatório de perspectivas do emprego para 2012.

A Organização prevê que, até o final do ano, deverá passar de 202 milhões o número de pessoas desempregadas em todo o mundo.

* * *

A única profissão onde o índice de desemprego será zero, é na profissão de Pizzaiolo de CPI. Profissão já devidamente regulamentada pelo Congresso e sancionada pelo Palácio do Planalto.

Fabricante de pizza terá ocupação garantida.

E, quando trabalhando em dupla, terá também renda altíssima.

Isto no Brasil, evidentemente…

30 abril 2012 DEU NO JORNAL

UM FILME REPRISADO MILHARES DE VEZES

Dois atores cubanos que protagonizaram um filme sobre jovens que fugiam do país fizeram da história realidade ao desertar eles mesmos aos Estados Unidos.

Javier Nuñez Florián e Anailin de la Rúa, ambos de 20 anos, haviam desaparecido há quase duas semanas durante uma viagem de Cuba aos Estados Unidos para participarem do Festival de Cinema de Tribeca, em Nova York. Os dois atores reapareceram neste fim de semana em um programa de televisão em Miami após mais de dez dias desaparecidos.

O longa metragem Una Noche, que levou três prêmios no festival, conta a história de três adolescentes cubanos que desertam para os Estados Unidos.

* * *

Este casal de jovens fujões deu uma sorte arretada.

Primeiro porque não são lutadores de boxe. Segundo, porque não desertaram no Brasil. E, finalmente, porque o FBI americano não é chefiado por Tasso Genro.

Acabei de enviar uma carta pros dois atores pedindo que eles aguardem contato dos fubânicos socialistas-cumunistas, com mensagens pedindo pra que eles pensem melhor e voltem pra Ilha da Felicidade.

Javier e Anillan: dois ingratoss que fugiram do paraiso cubano e abandonoram o sonho de construção do socialismo (cujas obras já duram mais de 50 anos e estão no mesmo estágio dos estádios brasileiros pra Copa do Mundo…)

29 abril 2012 DEU NO JORNAL

SÃO TANTAS EMOÇÕES…

Adversários no passado, eles se aproximaram durante o governo Lula e, agora, a CPI do contraventor Carlos Cachoeira está unindo ainda mais os ex-presidentes Collor e Lula.

Eles estiveram juntos e estão em linha direta, trocando impressões por telefone.

Lula e Collor têm objetivos comuns na CPI e pretendem fazer um acerto de contas com setores sociais que hostilizaram seus governos.

* * *

Esta última frase da notícia aí de cima, “setores que hostilizaram seus governos“, explica muito bem porque estepaiz não vai pra frente.

Se existem setores “que hostilizam” dois estadistas deste porte, dois políticos populares e progressistas, duas figuras impolutas como Collor e Lula, significa que no Brasil tem gente safada, mesquinha e em cujas cabeças não cabem idéias grandiosas. Gente que é contra o progresso e a melhoria do povão.

Quem é contra Collor ou Lula, só pode ser retrógrado, reacionário, leso, safado, desonesto e ingrato.

E fiquem certos de uma coisa: uma pizza degustada entre dois amigos sinceros fica bem mais saborosa…

* * *

RECORDAR É VIVER

Enquanto isto, em 1992, quando se armava o impeachment de Fernando…

* * *

…já nos dias de hoje…

“Tu te lembra, amigo Lula, daquele tempo do impeachment, há apenas 20 anos, quando os teus fanáticos seguidores achavam que tu era mesmo contra mim e saiam gritando “Fora Collor”? Te lembra? Enquanto existir cabra besta neste mundo, nós sabidos estaremos sempre por cima e montados no cangote deles. Depois vamos pedir pro Editor do JBF botar Polodoro pra rinchar em homenagem a quem votou em nós dois

29 abril 2012 DEU NO JORNAL

FISCALIZAÇÃO RIGOROSA NO PIAUI

O governador do Piauí, Wilson Martins, nomeu sua própria mulher para conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Lílian Martins, que é deputada estadual e já era Secretária de Saúde do estado, agora irá fiscalizar as contas da administração do marido.

* * *

Ela foi nomeada com a aprovação da Assembleia e o aval da Justiça, que concedeu uma liminar sacramentando o arranjo. Trata-se de nepotismo com aval judicial. Cuida-se aqui de uma medida típica e rotineira do Brasil muderno e contemporâneo. Este Brasil que está nas mãos de um regime que, em apenas uma década, submeteu os outros dois poderes ao tacão do Executivo. Legislativo e Judiciário são apenas enfeites constitucionais.

Aqui em Pernambuco, o nosso gunvernador conseguiu emplacar a própria mãe como ministra do TCU, pra fiscalizar as contas do Executivo.

E não é mera coincidência: os dois gunvernadores, o do Piaui e o de Pernambuco, são ambos filiados ao glorioso Partido Socialista Brasileiro.

Exemplos vivos de políticos progressistas e revolucionários, idolatrados pelos socialistas tupiniquins.

29 abril 2012 DEU NO JORNAL

AS GRAVAÇÕES QUE REVELAM ESCÂNDALOS DA REPÚBLICA

Merval Pereira

Os vazamentos dos documentos sigilosos referentes à investigação da Polícia Federal sobre a relação do Senador Demóstenes Torres com o bicheiro Carlinhos Cachoeira que o Supremo Tribunal Federal enviou ao Congresso estão por toda a parte, e já nem são mais seletivos. Há fatos para todos os gostos.

Tanto a chamada “grande imprensa” quanto uma variedade imensa de blogs, de várias tendências políticas e com diversos interesses em jogo, estão divulgando sem parar documentos e gravações, para desespero, suponho, do senador autointitulado bedel da CPI.

Aliás, muitos dos documentos vazaram enquanto estavam sob a guarda do Supremo, e continuaram vazando mesmo antes de chegarem ao Congresso.

Eles demonstram mais uma vez que o relacionamento de jornalistas da revista Veja com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e seus asseclas nada têm de ilícito, ficando preservada, por tudo que se conhece até o momento, a tênue linha que separa a ética jornalística de atos que podem comprometê-la.

O caso do jornal popular inglês News of the World, que colocou seus diretores e proprietários no banco dos réus na Inglaterra, é exemplar dessa diferença: lá os jornalistas contratavam arapongas para espionar celebridades e políticos.

Aqui, até o momento está demonstrado que a revista se utiliza de gravações realizadas para revelar os escândalos da República.

E em diversos momentos, como revelam as gravações, a revista se colocou contra os interesses de sua fonte de informações, divulgando notícias que desagradaram o bicheiro e sua turma.

A já conhecida gravação em que Cachoeira se queixa de que o diretor da sucursal de Brasília da revista Policarpo Junior não dá nada em troca das informações que recebe é uma evidência disso.

O máximo que aparece nas novas gravações é um tratamento íntimo do bicheiro com o jornalista, e um pedido de uma notinha na revista, fatos que podem desagradar os que tentam politizar o caso para se vingar, mas não chegam a condenar a revista nem seus jornalistas.

As gravações mostram também, de maneira evidente, o trabalho do senador Demóstenes Torres de proteger a empreiteira Delta por interesse direto do bicheiro.

Tanto que o PSOL já decidiu aditar à sua representação contra Demóstenes no Conselho de Ética do Senado, todo o material que receber da investigação da Polícia Federal sobre o esquema Cachoeira, através do senador Randolfe Rodrigues, seu representante na CPI.

O Partido Socialismo e Liberdade, aliás, indica que terá nessa CPI um papel semelhante ao que o PT originalmente tinha quando estava na oposição.

Seus membros são praticamente todos oriundos da base petista, formados na dissidência primeiramente dentro do próprio partido, depois na formação de um novo partido que se quer distante do “pragmatismo” que passou a ditar as regras do governo Lula.

Por motivos errados a meu ver, pois o gatilho para a dissidência foi a reforma previdenciária que o ex-presidente Lula acertadamente tentou levar adiante no início de seu governo, o PSOL já pressentia os rumos que o PT no governo tomaria, e seus fundadores desembarcaram dele antes que estourasse o escândalo do mensalão, em 2005.

Embora insista em teses arcaicas como a implantação do socialismo no país, objetivo que o próprio PT deixou como letra morta em seu estatuto, o PSOL guarda uma certa indignação com as atitudes pouco republicanas na prática política brasileira que é saudável.

Seu instrumento de pressão, a maioria das vezes inócuo pelos próprios vícios do sistema em vigor, são as comissões de Ética e as CPIs no Congresso, como a reforçar a ideia de que o primeiro passo para uma reforma política seria a reforma de nossas práticas políticas.

O partido pretende ampliar o anexo de sua representação à Comissão de Ética com diálogos ‘pouco republicanos’ de Demóstenes com o contraventor, publicados na imprensa, segundo seu líder, o deputado federal Chico Alencar.

Ele contesta a tendência declarada pelo relator da Comissão de Ética, senador Humberto Costa, de desconsiderar as gravações, afirmando que “não se sustenta” a tese de que elas podem ser anuladas pelo Supremo.

Alencar utiliza-se do argumento do próprio Humberto Costa, que já declarou que o julgamento do senador de Goiás no Conselho é político, e não se cinge às tecnicalidades jurídicas.

“Portanto, tudo o que — sendo veraz, por óbvio — contribui para a análise política da quebra da Ética e do Decoro Parlamentar tem que ser levado em consideração. Assim cobraremos”.

Na análise do líder do PSOL, “há alguns parlamentares na CPMI que confiam uns nos outros, pois são independentes e não têm medo de seu passado e de seu presente, isto é, não têm ‘telhado de vidro’. Nem estão ali para blindar correligionários”.

O deputado Chico Alencar admite que “não são muitos os que não recuarão por conveniências políticas, é verdade”.

Mas acha que os “independentes” são em número suficiente para, em último caso, fazer um voto em separado, denunciando o que, na verdade, está em questão: “o padrão degenerado da política brasileira, no qual os interesses privados, legais e ilegais, imbricam-se com os negócios públicos, e capturam, para o enriquecimento ilícito de pessoas e empresas, as instituições”.

Chico Alencar considera que o caso guarda semelhanças, nesse aspecto da promiscuidade do público com o privado, com o caso do mensalão:

“Trata-se da tarefa de ‘republicanizar a República’, e a oportunidade é singular”, diz ele.

Ele chama a atenção para uma declaração do governador petista do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, segundo quem “tomar a denúncia como produto de uma conspiração é errado: é deixar de lado que o Estado brasileiro — historicamente cartorial, bacharelesco e barroco nos seus procedimentos, e forjado sob o patrocínio de um liberalismo antirrepublicano — tem um sistema político, eleitoral e partidário totalmente estimulante a desvios de conduta e a condutas que propiciam a corrupção”.

Genro, por sinal, foi uma das poucas lideranças petistas que, em decorrência do escândalo do mensalão, tentou liderar um movimento dentro do partido para sua “refundação”.

29 abril 2012 DEU NO JORNAL

CUMPRINDO A NOVA LEI

A prefeitura de Belo Horizonte destinou R$ 300 mil para patrocinar um evento de axé, que irá durá apenas dois dias. Enquanto são empregados R$ 300 mil de patrocínio do poder público a um evento como este, a prefeitura destinou bem menos à Defesa Civil. Foram R$ 167.138,92, conforme indicado no relatório resumido da execução orçamentária.

Além disso, os ingressos terão preços nada populares. Os valores serão de R$ 160 (inteira para um dia) a R$ 580 (passaporte para dois dias, em camarote), o que representa 93% do salário mínimo.

* * *

Acontece que um evento de axé tá cheio de afrodescendentes.

Já as vítimas da defesa civil, são todas branquelos azedos.

Pelas regras do politicamente correto do socialismo muderno, a prefeitura de Belo Horizonte agiu corretamente.

E agora, depois que o racismo foi transformado em lei pelo STF, ai da prefeitura se assim não fizesse…

  

29 abril 2012 DEU NO JORNAL

A PROFECIA DO CONSELHEIRO

Candidato a prefeito de São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) pediu o apoio dos sindicatos durante congresso sindical do partido. “Temos nossa primeira tarefa: mobilizar nossos sindicalistas para a campanha eleitoral deste ano.”

* * *

Os dois gunvernos de Lula foram os melhores da toda a história destepaiz para banqueiros e empreiteiros.

De modo que, seguindo a lógica, nada mais natural que sindicatos e sindicalistas venham a apoiar José Serra.

Vamos repetir a profecia de Antonio Conselheiro: o sertão vai virar mar…

“Num me lembro de nada disto…”

29 abril 2012 DEU NO JORNAL

QUATRO “GRAMPOS” DE SEPARAÇÃO

José Roberto de Toledo

A cada novo “grampo” vazado da Operação Monte Carlo se aprende um pouco mais sobre o funcionamento da República. Sabe-se, por exemplo, que o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) era um ágil despachante dos interesses do empresário preso Carlinhos Cachoeira: pedia favores, cobrava contrapartidas, intercedia junto a agentes públicos. Tudo em nome do amigo com quem manteve mais de 300 conversas telefônicas em curto período de tempo.

Aprende-se também que para ser nomeado para um cargo público de chefia no governo de Minas Gerais (e em Goiás, em Brasília etc) não é preciso nem currículo. Basta uma sequência de telefonemas entre poderosos e seus cupinxas e o emprego se materializa com rapidez de corar burocrata.

Mônica Vieira liga para o primo Carlinhos Cachoeira, que liga para o amigo Demóstenes Torres, que liga para o colega de Senado Aécio Neves, que obtém o aval do governador Antonio Anastasia para o secretário de Governo de Minas Gerais ligar para Mônica comunicando sua nomeação. O ciclo se fecha com 4 graus de separação, ou melhor, de conhecimento. Na contabilidade do repórter Fausto Macedo, bastaram 12 dias e 7 telefonemas.

Se todo brasileiro desfrutasse de tanta presteza e gentileza do poder público o Brasil não seria o Brasil.

Mônica disse à reportagem do Estado que foi nomeada para ser chefe regional da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas por sua “competência”, por seus 25 anos de carreira. Pode ser, mas quem apadrinhou sua nomeação não sabia disso.

Aécio perdera o currículo de Mônica. Foi o que Demóstenes relatou a Cachoeira, em telefonema na noite de 20 de maio do ano passado. Aos repórteres, o senador tucano disse desconhecer a origem do pedido de nomeação. Mesmo sabendo muito pouco ou quase nada, passou-o à frente. Talvez retribuísse algo, ou quisesse ficar com crédito junto a Demóstenes, contra quem até então “não recaía questionamento”, nas escolhidas palavras de Aécio.

Patrocinador da nomeação de Mônica, Cachoeira não enfatiza as qualidades profissionais da prima ao despachar com o amigo Demóstenes. O apelo é pessoal: “É importantíssimo pra mim. Você consegue por ela lá com o Aécio (…). Pô, a mãe dela morreu. É irmã da minha mãe”. Só se preocupam com o salário, que não pode ser menos do que R$ 10 mil -“se não estou perdida”, na expressão de Mônica. E quem não estaria? Uns 190 milhões de brasileiros.

Em outro “grampo”, descobre-se que Demóstenes – mais uma vez no papel de despachante de Cachoeira – deixou “intranquilo” Maguito Vilela (PMDB), um ex-governador de Goiás que agora é prefeito de Aparecida de Goiânia. A intranquilidade seria fruto de conversa do senador com o político goiano. Demóstenes relata ter dito que Cachoeira estava “uma onça” com Maguito, por causa da falta de celeridade no cumprimento de um acordo entre ambos.

Não fica claro o porquê de Demóstenes ser o intermediário da cobrança, de ser ele a dizer que seu representado estava uma fera, em lugar de o próprio Cachoeira arreganhar os dentes para Maguito. Pelo jeito, cada um com seu papel.

Entre um despacho e outro com Cachoeira, Demóstenes encontrava tempo para cobrar honestidade de seus pares, em entrevistas a meios de comunicação e em discursos na tribuna do Senado. Antes dos “grampos”, só essa parte de sua vida pública era de conhecimento público.

Com a CPI que se instala nesta quarta-feira, mais “grampos” devem ser desengavetados. Mais lições sobre o funcionamento da República serão oferecidas aos interessados. Mais bastidores da vida pública aparecerão.

O maior bem que a CPI pode fazer à sociedade é liberar todos os “grampos”. Os vazamentos pontuais implicam uns mas  podem omitir outros. O controle do fluxo de informações em escândalo dessa magnitude é o que todos os partidos buscam, para defenderem-se e atingirem os adversários. Só a liberação geral e irrestrita das gravações minimiza o uso político e eleitoral da CPI. A alternativa deixa o público a quatro ou mais “grampos” de separação da verdade.

28 abril 2012 DEU NO JORNAL

A REPÚBLICA BANANÍFERA DA PIADA PRONTA

O empresário do jogo Carlinhos Cachoeira afirmou não apenas à mulher, Andressa Mendonça, mas também a advogados e a amigos que o visitam que “está louco” para falar.

O mesmo interlocutor afirma que Cachoeira caiu na gargalhada ao ver a lista de parlamentares que fazem parte da CPI que o investigará. Afirmou estar curioso para saber as perguntas que alguns integrantes, que conhece, farão no dia em que ele for depor na comissão.

* * *

Não é só Cachoeira que cai na gargalhada quando confere a lista dos participantes da CPI que vai investigá-lo. CPI que tem entre seus membros o probo Senador Fernando Collor de Melo.

Eu também rio tanto que só falto me mijar nas calças. Rio pra esquecer que deveria chorar…

Vocês já pararam pra pensar: Collor, fiel aliado da base gunvernista, investigando corrupção, propinas, ladroagens e guabirus???!!! Investigando o dilúvio de dinheiro desviado no PAC via Delta???!!! Não há como negar: somos o país da piada pronta. Ou, melhor dizendo, o puteiro da piada pronta.

Eu fico a imaginar, por exemplo, Fernando Collor numa reunião da CPI, esticando o dedo na direção de Cachoeira, do mesmo jeitinho que ele fez com o Senador Pedro Simon, e gritando:

“Você não tem moral alguma pra falar do gunverno petista, que eu apoio e defendo, ou de qualquer dos seus integrantes. Engula e digira suas palavras, seu corrupto safado!”

Vamos rir junto com Carlinhos Cachoeira. Vamos gargalhar pra termos um feriadão hilário e pra seguirmos aquele sábio conselho de Marta Perua Suplicy:

 ”Em caso de estupro, se não conseguir reagir, relaxe e goze…” 

28 abril 2012 DEU NO JORNAL

O CONGRESSO ACABOU

Ruy Fabiano

O Congresso Nacional, aos poucos, vai deixando de existir como efetivo Poder da República, engolido pelos outros dois, Executivo e Judiciário.

O primeiro golpe foi dado ainda na Constituinte, 24 anos atrás, com a adoção do instituto das medidas provisórias, que transfere ao Executivo a prerrogativa soberana de legislar.

O Congresso, desde então, age como cartório do Planalto, chancelando decisões que não são suas – e que entram em vigor antes que dela tome conhecimento.

A medida provisória foi aprovada na suposição de que o país adotaria o parlamentarismo. Na reta final da Constituinte, o governo Sarney investiu na manutenção do presidencialismo, preservando as MPs, concebidas para os regimes de Gabinete, em que o Legislativo é também Executivo.

Argumenta-se que, ao tempo do regime militar, com os decretos leis, não era diferente. Em termos. Além de não terem tido a abrangência das MPs, os decretos leis cumpriam seu papel de expedientes ditatoriais, circunstância em que o Legislativo tinha mesmo papel meramente figurativo.

Na democracia, porém, isso é inadmissível, na medida em que é, por excelência, o regime da soberania dos três Poderes.

E aí está o paradoxo: o Congresso, hoje, consegue ter menos poderes que ao tempo da ditadura, quando era fustigado apenas pelo Executivo e tinha no Judiciário instância de socorro.

Hoje, o Judiciário disputa com o Executivo a usurpação de prerrogativas do Legislativo. O ativismo de toga não apenas transferiu para si a missão de legislar, como atribui tal circunstância ao próprio Congresso, acusando-o de negligente.

Pode-se acusar – e acusa-se – o Congresso de muita coisa, com justa razão. Mas confunde-se resistência parlamentar a determinados temas com negligência ou inoperância, quando, muito pelo contrário, é ato político deliberado.

Temas como casamento gay (na verdade, união civil), aborto de bebês anencéfalos ou cotas raciais, para ficar apenas nos mais recentes e polêmicos – e que dependiam de mudanças na lei -, não são aprovados pela maciça maioria da população, como o demonstram sucessivas pesquisas de opinião pública.

O Congresso é instituição que depende do voto popular e, por isso mesmo, jamais se coloca contra a opinião pública. Pode-se argumentar que o nível moral do Congresso não é lá essas coisas. Mesmo assim, pode ser recomposto, pelo voto, a cada quatro anos, sem esquecer o fato de que, com frequência, corta na própria carne, cassando seus próprios membros.

É, apesar de todos os pesares, um poder transparente, devassado diariamente pela mídia. Agora mesmo, a CPI do Cachoeira colocará no banco dos réus – como o fizeram, entre outras, a CPI do PC Farias, a dos Anões do Orçamento e as do Mensalão -, alguns de seus integrantes, sendo previsíveis novas cassações, com a oportuna liquidação de carreiras aviltadas.

O Judiciário não foi eleito por ninguém. Três quartos de sua atual composição decorreram da vontade solitária do então presidente Lula, que incluiu entre estes seu próprio advogado (e do PT), Antonio Dias Toffoli, e um amigo pessoal, Ricardo Lewandowski.

O atual presidente, Carlos Ayres Brito, é fundador do PT em Sergipe, e hospedava Lula quando este ia ao estado.

Há quem ache tudo isso irrelevante e argumente que o mesmo se deu com os presidentes anteriores. Não havia, porém, um dado que ressalta das recentes decisões: o engajamento com uma agenda partidária – no caso, a do PT.

Basta conferir a convergência entre as já mencionadas decisões do STF e o discurso e as propostas do partido hegemônico.

Além de decidir contra a letra da lei – e a própria Constituição (no caso da descriminação do aborto e da união civil homossexual) -, o STF agiu em consonância com a militância de grupos sociais, que sabiam que suas teses não teriam vez no Congresso, em decorrência da forte rejeição popular.

Daí o termo ativismo judiciário. O STF passou a ser instância para driblar o Congresso, ação facilitada pelo monumental desgaste moral a que a instituição parlamentar se presta.

No entanto, uma coisa nada tem a ver com a outra. A judicialização do processo político estabelece um padrão autoritário em plena democracia, tornando-a não mais que uma fachada.

Quando a Constituição é um detalhe, tem-se, na prática, o triunfo do “direito achado na rua”, que relativiza as leis a partir de argumentos ideológicos, que ignoram o processo legislativo e se nutrem de truques e subjetivismos.

Em reação a isso, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, por unanimidade, na quarta-feira, 25, proposta de emenda constitucional, de autoria do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), que permite ao Congresso sustar “atos normativos dos outros Poderes que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”.

É, sem dúvida, uma retaliação, que pode ter efeitos colaterais igualmente danosos à democracia, já que ameaça resoluções de tribunais, atos de conselhos, e decisões do Supremo com repercussão geral e até súmulas vinculantes.

A tanto chegou a democracia brasileira, oscilando entre a cruz e a espada. Haja insegurança jurídica.

28 abril 2012 DEU NO JORNAL

OS PROFETAS FUBÂNICOS

A pedido do ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff tentava fechar ontem, antes do Dia do Trabalho, o nome do novo ministro do Trabalho

E também ultimar um projeto isentando de Imposto de Renda os pagamentos a título de participação nos lucros.

* * *

Esta notícia é fresquinha.

Saiu no noticiário de hoje de manhã.

Todavia, os colaboradores do JBF continuam proféticos. Vejam esta charge do Padre Sponholz, publicada aqui ontem, sexta-feira:

Não se esqueçam nunca: vivemos no país da piada pronta.

Se, ao invés de “país”, você chamar de “Puteiro da Mãe Joana”, não faz diferença alguma.

28 abril 2012 DEU NO JORNAL

BOLSA TURISMO

Andrea Raftis, 24, pediu benefícios ao governo inglês por ser mãe solteira de duas crianças que não tinha como sustentar – ela não teria nenhuma fonte de renda. Autoridades, no entanto, viram no Facebook fotos da mulher em uma viagem exótica ao Egito, durante o período em que ela já recebia os benefícios.

Depois de encontrar as fotos no Facebook, as autoridades descobriram ainda que Andrea mora com o marido, Fawad Rahimi. Ele tem uma pizzaria e duas propriedades alugadas em uma região nobre de Londres.

No tribunal de Croydon Crown, Andrea declarou-se culpada das duas acusações de fraude. Ela foi condenada a oito meses de prisão. Além disso, ela terá de devolver ao governo toda a quantia que embolsou.

Andrea Raftis ao postar no Facebook fotos de sua viagem ao Egito com o dinheiro do Bolsa Família britânico

 * * *

Vejam como são diferentes as coisas lá no estrangeiro: aqui no Brasil, um bolsista-família fica coçando o saco e tomando cachaça com nosso dinheiro.  Lá naquela terra estranha, a bolsista-família vai fazer turismo no Egito… Diferenças culturais…

Me disseram que, pra dar este golpe no governo inglês, ela foi instruída por um vereador de Palmares que recebe o Bolsa Dilma.

O edil palmarense só esqueceu de alertar a moça que, lá na Inglaterra, este tipo de fraude, quando descoberta, além de dar cadeia, ainda tem uma coisa que não se usa no Brasil: devolver a quantia roubada do contribuinte. 

28 abril 2012 DEU NO JORNAL

CALOR NA BACURINHA

O rendimento médio do trabalho das mulheres brasileiras cresceu 13,5% em 2010 na comparação com 2000 – muito além dos 4,1% dos homens.

São dados do IBGE no Censo 2010.

* * *

E tem um detalhe: o incremento do rendimento feminino, no trabalho peculiar a toda fêmea, não teve qualquer adjutório químico. Ao contrário dos homens, que tomam Viagra pra render mais.

É puro fogo na tabaca mesmo!

 

Mulher brasileira do ano de 2010 pegando fogo e rendendo mais que no ano 2000

28 abril 2012 DEU NO JORNAL

UM CURRÍCULO INVEJÁVEL

O ex-prefeito da capital paulista Paulo Maluf sofreu uma derrota na Suprema Corte de Nova York, nos Estados Unidos, que negou o pedido feito pelo deputado federal para suspender a ordem internacional de prisão contra ele.

Maluf está na lista de procurados da Interpol há mais de dois anos. As acusações são fraude, roubo e lavagem de dinheiro. Os advogados de Maluf entraram com ação na Justiça americana para tentar tirar o nome dele da lista de procurados da Interpol.

A ordem de prisão vale nos 188 países membros Interpol, a polícia internacional.

* * *

Após esta negativa da justiça americana, a Presidenta Dilma estuda convidar Maluf pra integrar sua equipe. Deverá nomeá-lo para o Ministério dos Transportes, com direito a passaporte diplomático.

As acusações feitas ao deputado brasileiro na justiça americana, são um verdadeiro atestado de qualificação pra ser ministro do Socialismo Muderno destepaiz: fraude, roubo e lavagem de dinheiro.

Fora o resto que só nós sabemos…


 

27 abril 2012 DEU NO JORNAL

NOTÍCIA EXTRAORDINÁRIA! ! !

 “O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Britto, disse nesta sexta-feira (27/Abr), ao presidente da Academia Brasileira de Direito Constitucional, Flávio Pansieri, que o relator do processo do mensalão, ministro Ricardo Lewandowki, deve entregar o voto até o final de maio e com isso o processo entra na fase de julgamento no início de junho.”

* * *

Ou seja: a vida continua imitando a arte.

Mesmo quando se trata de uma vida abjeta, escandalosa e de baixíssimo nível como esta vida jurídica da suprema corte brasileira (nunca antes visto na história do Brasil), imitando uma arte nobre, digna e de altíssimo nível como a praticada pelos chargistas fubânicos.

Vejam esta profecia de autoria do Padre Sponholz, publicada aqui no JBF no último dia 24, terça-feira passada:

Sou obrigado a repetir o velho bordão:

Só tem malassombrado nesta gazeta da bixiga lixa!!!

27 abril 2012 DEU NO JORNAL

EXISTÊNCIAS IMATERIAIS

Nem os louros de olhos azuis dos EUA entenderam:

O Dieese, dos sindicatos, apurou inflação de 10,8%. O IBGE, do governo, 6,2%.

* * *

Quem num entendeu nada mesmo foi Goiano.

Ele garante que o IBGE e o Dieese apuram, todos os meses, um coisa que não existe, esta tal de inflação.

Inflação e Mensalão só existem nos traços dos chargistas. Daqueles que fazem suas criações dentro da linha surrealista.

Isto segundo Goiano, bem entendido.

E segundo mais uma tuia de gente que eu conheço.

27 abril 2012 DEU NO JORNAL

MUDOU DE CACHAÇA PRA ÁGUA…

Um dia após a reunião do ex-presidente Lula com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, os integrantes do PT na CPI Mista do Cachoeira se reuniram nesta quinta-feira para afinar o discurso e a estratégia de ação, já de acordo com as orientações do governo.

Agora, os petistas dizem que não desejam politizar as investigações e querem restringi-la à organização do bicheiro Carlinhos Cachoeira e sua infiltração no Estado. No caso da Delta, a maior empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), seria apurada só a relação da empresa com o contraventor.

Já desmascarar a “farsa” do mensalão, como pregou em vídeo o presidente do PT, Rui Falcão, não é mais admitido em público como objetivo na CPI.

* * *

Que mudança ligeira que só a gôta serena. Uma metamorfose ambulante e completa de um dia pro outro.

Pelo menos temos um excelente pretexto pra repetir duas charges geniais, uma de Duke e outra do Pelicano.

E também um pretexto pra repetir a sabedoria popular:

“Quem tem cu, tem medo”.

A propósito, muito a propósito mesmo, o presidente do PMDB, o maior aliado do gunverno petralha, um cabra por nome de Valdir Raupp, se arretou porque alguém ameaçou convocar um seu correligionário, o gunvernador do Rio Sérgio Cabral, pra depor na CPI da Cachoeira de Merda.

Vou transcrever do jeito que ele falou:

 “Convocar por que, se não há indício de favorecimento? Se for assim, tem de trazer meio mundo, ministro, presidência, o Lula”.

Hum… hum… que danado será que ele quis dizer com “trazer ministro, presidência, Lula“???

Que coisa mais sem cabimento. Afinal, estamos falando de um político de grosso calibre, presidente do maior partido da base aliada, bem informado, por dentro das gatunagens e íntimo dos batidores.

Vocês, leitores, sabem alguma coisa sobre isto que eu não sei???

26 abril 2012 DEU NO JORNAL

QUEM POSSUI FEDEGOSO TEME

Os petistas já não andam tão animados assim com a CPI mista do Cachoeira.

De 163 requerimentos protocolados por diferentes partidos (do governo e da oposição) na comissão, nenhum é assinado por integrantes do PT.

* * *

A sabedoria popular é infalível.

Já tem séculos que o Zé Povinho vive a repetir:

“Quem tem cu tem medo…”

Apesar de impunidade reinante e da expectativa de chuva de pizza, cu de petista deve ser o que mais tem medo no momento nestepaiz.

Como diz um grande filósofo da Base Aliada, “o futuro a Deus pertence e o tempo é o senhor da razão”.

26 abril 2012 DEU NO JORNAL

EU SE MIJO-ME TODINHO DE TANTO RIR

Depois de quase três décadas rompidos – e 20 anos sem nem mesmo se cumprimentaram protocolarmente, em eventos públicos – o governador Eduardo Campos, de Pernambuco e presidente nacional do PSB e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) reataram antiga amizade iniciada nos anos 80.

A conversa deles nada tem a ver com eleições municipais: o olho de Campos está em 2014, quando pretende que seu nome seja a grande alternativa de Dilma Rousseff para o Planalto. Tudo dando certo, Gilberto Kassab será seu candidato ao governo de São Paulo.

* * *

E eu rio que só a porra do radicalismo da militância tabacuda aqui embaixo, enquanto os grandalhões se entendem lá em cima. Em Pernambuco (como no JBF e na internet) os jurássicos socialistas ainda usam os termos “direita” e “esquerda”, “progressista” e “reacionário”. E ainda escutam programas com rádios de válvulas elétricas e TV preto-e-branco.

Os fubânicos de outros estados não têm nem idéia do que os abestados eleitores vermêios de Eduardo Campos falam da Jarbas. É a militância mais porra-louca destepaiz.

Jarbinhas e Dudu: o amor é lindo!

Garanto a vocês de outros estados: Eduardo Campos reatando com Jarbas Vasconcelos e os dois tomando umas canas, planejando o futuro e rindo dos bestas, podem gargalhar na cara da militância zisquerdista pernambucana que vale a pena. Vale a pena mesmo, acreditem.

E, enquanto vocês estão rindo, vou botar Polodoro pra rinchar. Especialmente pra uma figura muito conhecida aqui da redação:

 

“Hoje em vou rinchar em homenagem a Canalha Congênito, que adora Dudu e odeia Jarbinhas!”

26 abril 2012 DEU NO JORNAL

EMPRESARIANDO A PUTADA

A Comissão do Senado de reforma do Código Penal quer o fim de punições para os donos de prostíbulos.

Hoje, quem mantém prostíbulo no Brasil pode pegar de dois a cinco anos, mais multa.

* * *

Com esta mudança na lei, em breve futuro haverá carteira de trabalho, INSS, férias, 13º mês e tudo mais. E dependendo, vale-transporte, vale-refeição e plano de saúde. Direito de greve deverá ser regulamentado, não está decidido ainda.

Não há qualquer fundamento no boato garantindo que a Presidente Dilma, cumprindo ordens de Lula e Zé Dirceu, tenha pressionado a Comissão do Senado pra que tomasse esta medida.

O lobby foi feito por outros rufiões do Puteiro Brasil. 

25 abril 2012 DEU NO JORNAL

SOGRO E GENRO QUE EMBOLSAM UNIDOS…

Agora está confirmado: Ricardo Teixeira usou a empresa Sanud junto com João Havelange para receber comissões em nome da Fifa e não repassou os valores aos cofres da entidade. Os valores finais ainda não foram fechados pela Justiça da Suíça, mas os subornos podem ter passado de US$ 40 milhões. O escândalo está sendo investigado pelo Parlamento Europeu, que divulgou um relatório parcial esta semana.

Além da Sanud, empresa investigada na CPI do Futebol em 2001 (e que tem o irmão de Teixeira, Guilherme, como procurador, no Brasil) os dois brasileiros usaram também o fundo  Renford Investiments, e a empresa Garantie JH para coletar propinas na venda de direitos de transmissão dos jogos das Copas do Mundo “para um país da América do Sul”.

* * *

Havelange, em estado gravíssimo num leito de hospital, não tem mais condição alguma de aproveitar, na terra ou no céu, a fortuna que embolsou indevidamente.

Todavia, Ricardo Teixeira pode vir a ser um atuante parlamentar – deputado federal ou senador -, ou até mesmo gunvernador de estado. De qualquer estado destepaiz.

Aposto, garanto e assino em baixo que não vai faltar eleitor no curral nacional pra votar nele.

A comprovação documentada, pela justiça da Suiça, de que é mesmo um guabiru, credencia Ricardo Teixeira definitivamente pra ser um operante político do Brasil contemporâneo. Com pouco tempo e com muita propina, ele vai fatalmente acabar sendo ministro do gunverno Socialista Muderno.

Havelange falando pro genro Ricardo: “Liga praquele porra daquele Editor do JBF e diz que se ele num falar nada, a gente deposita um troquinho na conta dele”

25 abril 2012 DEU NO JORNAL

NUM VEJO PARECENÇA ALGUMA

Na revista Time sobre a presidente da Petrobras, um dos editores escreveu que Maria das Graça Foster ganhou um apelido especial devido a seus hábitos de trabalho. “Sua rotina incansável lhe rendeu o apelido de Caveirão, gíria para os carros blindados da polícia brasileira nas favelas”.

Originalmente - e o apelido já tem um bom tempo de vigência – é Maria Caveirão. Graça finge que não se importa, mas que ninguém se atreva a pronunciar a expressão na sua frente

* * *

Que apelido mais sem cabimento.

Eu fico puto com as injustiças que esse povo comete.

Nada nesta distinta senhora faz lembrar uma caveira…

24 abril 2012 DEU NO JORNAL

IMPRESSIONANTE E INEXPLICÁVEL PARECENÇA

Chico Buarque, que sempre teve uma participação política, levou muitos nomes da política pernambucana para seus shows no Recife.

Entre vários outros políticos, lá estava neste final de semana o Governador Eduardo Campos.

* * *

O nosso ilustre gunvernador tem muita semelhança com Chico Buarque.

Semelhança política e ideológica.

É uma parecença da gôta serena!

24 abril 2012 DEU NO JORNAL

PEGADINHA BANCÁRIA

Os clientes que foram na segunda-feira aos bancos para ter informações sobre as novas taxas de juros saíram decepcionados. A principal reclamação é que, para usufruir de menores percentuais anunciados nas propagandas, é preciso cumprir uma série de requisitos. As “pegadinhas” vão desde a aplicação do juro menor apenas para empréstimos de prazo muito curto até a exigência de um tempo mínimo de conta no banco.

Em uma agência visitada ontem em São Paulo, um cliente que não se identificou disse que “não é como está na propaganda”. Até os gerentes concordaram com o comentário dos correntistas e alertam que há “muitas pegadinhas” nos novos anúncios.

* * *

Os dois primeiros bancos a anunciar redução de taxas de juros foram o Banco do Brasil, no dia 4, e a Caixa Econômica, no dia 5.

Dois bancos do gunverno, com prisidentes nomeados pelo gunverno.

Logo, consequentemente, logicamente, não poderia ser coisa pra se levar a sério…

Quem quiser ler mais sobre esta tertúlia flácida pra adormecer bovinos, clique aqui.

 

A piada da hora: banco oficial abrindo mão de ganhar dinheiro do curral de correntistas; vamos rir!!!

23 abril 2012 DEU NO JORNAL

FRESCURA DE AMERICANO

A rede de notícias CNN trabalha silenciosamente para lançar um canal em português.

Eike Batista chegou a se oferecer para ser sócio do projeto, mas a CNN ficou ressabiada com a ligação do empresário com políticos brasileiros.

* * *

Como são estranhos esses americanos: não aceitam que uma TV exclusivamente noticiosa seja ligada a políticos.

Que besteira…

Certamente eles não conhecem como as coisas funcionam aqui no Brasil.

Em Banânia, até o gunverno tem estação de televisão. Que apresenta programa noticioso. Os galêgos precisam ver o tipo de notícia que é veiculada num canal chapa-branca…

23 abril 2012 DEU NO JORNAL

A FORÇA DE RAUL SEIXAS

Flávio Tiné

 

Quando o programa Roda Viva da TV Cultura anunciou o cineasta Walter Carvalho como atração da semana fiquei tentado a repetir comentário em que lamentava certa decadência do programa, outrora um dos mais importantes da TV brasileira, entrevistando grandes personalidades. Logo pensei: lá vem mais um ilustre desconhecido.  Depois que acompanhei a entrevista, e principalmente depois que vi o filme Raul, o início, o meio e o fim não tive mais dúvidas. Sou obrigado a pedir desculpas a Walter Carvalho por minha ignorância. Estávamos diante de figura importantíssima do cinema brasileiro.

É um problema típico de falta de atenção. Vi vários filmes em que ele foi diretor de fotografia,  assistente de direção, fotógrafo ou diretor, como Céu de Suely, Cazuza e Carandiru, entre outros. Não me dei ao trabalho de gravar o nome dos responsáveis pelo trabalho.

Quanto a Raul Seixas, nunca fui roqueiro. Sempre fui mais de assistir shows e programas de MPB. Era macaco de auditório de Elis Regina na TV Record e assistia também programas da Jovem Guarda, como obrigação de repórter.

Conhecia Raul Seixas através da repercussão de seu sucesso, mas subestimei sua imensa força junto a um público fiel e entusiasmado, conforme mostra o documentário de Walter Carvalho. O filme não tem aquela chatice do gênero. Ao contrário, os depoimentos são apresentados de forma a prender a atenção do espectador, sem aquele tom oficial de que se revestem os levantamentos em torno da vida pregressa do homenageado.  Uma das qualidades que deve ser ressaltada nesse filme é exatamente a notável junção das partes filmadas ou coletadas em arquivos, sem prejuízo da continuidade ou da história em desenvolvimento. Tudo é interligado com incrível propriedade, ao ponto de não se perceber a mudança de cenário, época  ou temática. As câmaras passeiam da maturidade à infância, com a mesma facilidade com que Raul troca de mulheres. Nesse caso, porém, o diretor concede um tratamento de mestre, colocando sempre o cantor como um poeta. E suas mulheres, em memoráveis depoimentos, tratam-no com a maior admiração e respeito, sem as brigas normais nesse tipo de comportamento.  O fato de ter tido várias mulheres é tratado com naturalidade. 

A inserção de Paulo Coelho na história ocorre no momento certo, quando Marcelo Nova promove 50 shows de despedida em Salvador, Rio de Janeiro e Brasília, numa ousada despedida do cantor-compositor. Mesmo não sendo fã, o espectador se envolve num clima de  admiração e respeito, comovendo-se com o drama do artista que jamais se livrou das drogas e do álcool.

Raul Seixas deixou uma legião de admiradores.  Walter Carvalho deixou um filme destinado a conquistar novos fãs para o cantor e quem sabe alguns prêmios. Afinal, não deve ter sido fácil reunir tantos depoimentos, selecioná-los e editá-los de forma inteligente. O único porém é a apologia às drogas e ao consumo do álcool, como se a criação artística dependesse de tais artifícios.

23 abril 2012 DEU NO JORNAL

UM DOADOR CONDIZENTE COM O PARTIDO

Mentor da CPI do Cachoeira, que só saiu graças à pressão que ele fez sobre líderes governistas no Congresso, o ex-presidente Lula pode virar um dos seus alvos: o advogado Rogério Buratti, amigo do ex-ministro Antonio Palocci, afirmou em depoimento à CPI dos Bingos, em 2005, que em parceria com “empresários dos jogos” do Rio e de São Paulo, o bicheiro Carlos Cachoeira teria dado R$ 1 milhão de caixa dois para campanha de Lula em 2002.

* * *

Mais uma razão pra que eu fique feliz e esperançoso com a pesquisa divulgada neste final de semana, mostrando que Lula é o preferido do eleitorado brasileiro pra voltar em 2014.

Francamente, vou torcer que só a porra pra que ele volte logo. Esta gazeta tá ficando muito monótona com a falta de assuntos enlameados e picantes. E que voltem, também, Zé Dirceu e Palocci pro ministério.

Pra refrescar a memória dos bem informados leitores do JBF, aqui vai a transcrição literal dos autos da CPI dos Bingos:

Rogério Tadeu Buratti afirmou de maneira firme e clara que o senhor Waldomiro Diniz, representando José Dirceu, arrecadou dinheiro de ‘bingueiros’ no Estado do Rio de Janeiro, e ainda da G-tech e do empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e que o valor arrecadado por Waldomiro seria algo em torno de R$ 1 milhão.”

Pra terminar: Buratti foi secretário do ex-ministro Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto (SP). Waldomiro Diniz, citado por ele, era braço direito do então ministro José Dirceu, que coordenou a campanha de Lula em 2002. A investigação da denúncia não foi realizada graças a uma manobra governista que impediu a quebra de sigilos bancários.

Rogério Buratti: ”Cachoeira doou 1 milhão pra campanha de Lula de 2002; pra campanha de 2014, depois que esta CPI não der em nada, ele vai doar 10 vezes mais, seus bestas”

22 abril 2012 DEU NO JORNAL

PROPINAS EM TERRAS ALENCARINAS

O Ministério Público Federal ajuizou, no Ceará, ação penal contra servidores da superintendência do Dnit no Estado e a Delta Construções. Deu-se nesta sexta-feira (20).

A petição aponta a prática de quatro crimes: formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa.

* * *

Ainda bem que não é só no Ceará. Como o Dnit tem jurisdição sobre todo território nacional, a Delta nada de braçada em todo estepaiz. E isto é motivo de orgulho pra todos nós!!!

Entre as acusações está a de que a Delta pagava uma “caixinha” ao guabiru chefe do Dnit cearense, órgão do Ministério dos Transportes que cuida da construção e conservação de estradas.

O triângulo das bermudas, ceroulas e cuecas

O que eu achei mais interessante na denúncia oferecido pelo Ministério público foi este um trecho onde estava escrito que o corrupto dnitiano “recebia propinas e uma espécie de mensalão.”

Agora, só falta o presidente petralha dizer que o mensalão cearense não passa de uma “farsa” inventada pelo MP.

Segundo o Ministério Publico, a Delta se apropriou de gabinetes do Dnit: “o espaço público no interior da sede do Dnit no Ceará servia a interesses privados”.

Pra encerrar esta postagem: a Delta recebeu do Tesouro Nacional, em 2011, R$ 48,5 milhões referentes a obras em estradas federais do Ceará.

22 abril 2012 DEU NO JORNAL

NUM VAI FALTAR ASSUNTO

Eleitor adora Dilma, mas, hoje, quer Lula em 2014.

É o que mostra pesquisa Datafolha publicada na edição do domingo 22 do jornal Folha de S.Paulo; governo bate mais um recorde de popularidade, com 64% de julgamentos ótimo/bom; quando a pergunta foi “Quem deve ser o candidato do PT a presidente”, porém, 57% marcara Lula e 32%, Dilma

* * *

Ganhou de Michel Teló e do Calcinha Preta!!!

E isto é porque a Folha, segundo os gunvernistas ideológicos fubânicos, faz oposição a Lula e Dilma. Imagine se a Folha fosse “progressista”… O índice subiria pra 94%!!!

Eu tô doido que chegue logo 2014. Sinto uma falta arretada dos pronunciamentos diários e da voz de Lula. E de todos os ministros que Dilma demitiu.

O JBF tem matéria garantida pros próximos anos.

Parabéns Lula! Parabéns Dilma! Parabéns eleitorado profissional brasileiro!

21 abril 2012 DEU NO JORNAL

QUEM PATENTEIA SUAS INVENÇÕES SÓ NO BRASIL SE DÁ MAL

Ruy Fabiano

Há dias, o paulista Mike Krieger, 26 anos, inventor de um aplicativo – o Instagram, que produz efeitos em fotos para tablets e permite compartilhá-las na internet -, foi figura central de uma das maiores negociações já feitas na Web: vendeu seu software ao Facebook por nada menos que 1 bilhão de dólares.

Como se associara a outro empreendedor, que bancou os custos operacionais de seu invento e detinha contratualmente 90% do produto, embolsou 100 milhões de dólares, correspondentes aos dez por cento de sua participação societária, mais que suficientes para turbinar sua carreira mundial de inventor.

Já o mineiro Nélio Nicolai, 72 anos, autor, entre outros, de três aplicativos mundialmente consagrados – o Bina (rebatizado pelas operadoras de telefonia de “identificador de chamadas”, para driblar a patente); o Salto (sinalização sonora que indica, numa ligação, que outra aguarda na linha); e o SMS Transações Bancárias -, luta há mais de 30 anos contra os que usurparam seus inventos e os comercializam mundialmente sem sua autorização.

O que diferencia o destino de Krieger do de Nélio? Simples: Krieger patenteou seu aplicativo nos Estados Unidos, para onde se transferiu aos 18 anos, enquanto Nélio registrou o seu no Brasil, onde permanece (mora em Brasília).

Nos Estados Unidos, direito autoral é coisa sagrada, que ninguém ousa violar.

No Brasil, muito pelo contrário…

O aplicativo de Krieger foi adquirido pelo Facebook, que temia sua crescente popularidade e inevitável concorrência. Se preferiu comprá-lo a pirateá-lo, não foi por bom mocismo, mas por uma razão simples: seria judicialmente condenado se agisse de outra forma. Ciente disso, nem cogitou de uma transgressão.

Já os usuários dos aplicativos de Nélio – as operadoras multinacionais de telefonia – não hesitaram em optar pela pirataria, e por uma razão também simples, exatamente inversa à do Facebook.

Aqui, afinal, é a terra do Capitão Gancho, onde pirataria dá certo. Então, por que pagar o autor?

Cada país tem sua lógica. Talvez por isso (talvez coisa nenhuma!), o Brasil responda hoje por apenas 0,1% da produção mundial de patentes. E essa minoria abnegada configura o que o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis, define como “alguns raros heróis que se aventuram por aí, sem contar com infraestrutura, nem estímulos concretos”.

Embora as patentes de Nélio estejam registradas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) desde 1979, cumprindo todos os requisitos legais, jamais lhe foi pago um só centavo.

Os diversos governos, desde então – do regime militar à redemocratização -, jamais se sensibilizaram com a situação, embora o país perca bilhões de dólares anuais em royalties e transferência de tecnologia.
Se patente não significa nada, por que não fechar então o INPI?

O Bina e o Salto são serviços cobrados pelas companhias telefônicas em todo o mundo. Em São Paulo, por exemplo, a identificação de chamadas custa a cada assinante R$ 12,70 ou US$ 6.

Nélio, solitariamente, enfrenta há anos esses gigantes, comprometendo saúde e patrimônio pessoal. O que ouve de gente do governo e de advogados das operadoras é sempre depreciativo. Chamam-no de louco, visionário e, pasmem, ambicioso.

Pior: uma das infratoras, a multinacional Ericsson, responsável pela maioria das centrais eletrônicas no Brasil, teve a caradura de impetrar processo no Tribunal Federal da 2ª Região do Rio de Janeiro, pedindo nulidade da patente brasileira. Nada menos.

Se não conseguiu a nulidade, operou uma proeza: transformou a vítima em réu. A Justiça proibiu Nélio de utilizar o próprio invento, enquanto não houver a sentença final, mas, enquanto isso, a ré pode continuar a usá-lo. Lógica interessante.

Ignorado no Brasil, Nélio coleciona títulos no exterior. Entre outros, uma comenda que, em qualquer parte do mundo, seria o tiro de misericórdia nas pretensões judiciais dos que lhe usurparam o invento: um diploma do World Intellectual Property Organization (WIPO), reconhecendo e recomendando suas patentes.

Se o Instagram – de uso gratuito e interesse restrito a uma parcela dos usuários das redes sociais -, vale 1 bilhão de dólares, quanto vale o Bina, usado (e cobrado) em todo o mundo?

Somente no Brasil, há hoje 250 milhões de usuários de celular (fora os de telefonia fixa) com o serviço Bina, que garantem faturamento mensal de 3 bilhões de reais às operadoras. Quanto o país perde com isso? Quantos PACs poderiam estar sendo financiados? Quantas escolas e hospitais? Perguntem ao governo federal, ao Judiciário e às operadoras.

21 abril 2012 DEU NO JORNAL

A HISTÓRIA PODE SE REPETIR

O senador Pedro Simon pediu garantia de segurança para o empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar uma quadrilha de jogos ilegais no Goiás. “O senhor Cachoeira é uma bomba ambulante”, disse. Para Simon, as informações que Cachoeira tem vão além das reveladas pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

O senador disse ainda que o bicheiro é “um arquivo ambulante” e o comparou com o Paulo César Farias, tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Ele também era um arquivo ambulante, todos tinham medo do que ele iria dizer e foi assassinado. Cachoeira está em situação mil vezes mais complicada”, afirmou.

* * *

Paulo César Farias é um bom exemplo de queima de arquivo na história brasileira recente.

E tem outro exemplo mais recente ainda: o ex-prefeito Celso Daniel, assassinado porque havia decidido entregar a cumpanherada que tava roubando na sua prefeitura.

Se é que eu conheço um pouco estepaiz, a bela e jovem esposa de Carlinhos Cachoeira corre um risco seriíssimo de ficar viúva…

21 abril 2012 DEU NO JORNAL

NA ERA DA MEDIOCRIDADE

Augusto Nunes

Precipitada pelas declarações de Cezar Peluso à revista Consultor Jurídico, consumou-se nesta sexta-feira, com a entrevista de Joaquim Barbosa ao Globo, a abertura da mais selvagem das frentes de combate que compõem a Guerra das Togas. Somada às batalhas paralelas, a troca de chumbo entre o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e o relator do processo do mensalão comprova que o que foi historicamente o corpo de elite do Judiciário vai sucumbindo aos estragos causados pela Era da Mediocridade na Praça dos Três Poderes. Está cada vez mais parecido com o Executivo e o Legislativo.

Enquanto os ministros foram escolhidos entre os melhores e os mais brilhantes, enquanto o preeenchimento das vagas no STF esteve subordinado à meritocracia e às exigências constitucionais que cobram dos indicados notável saber jurídico e reputação ilibada, nem o mais delirante ficcionista ousaria conceber um bate-boca semelhante ao protagonizado por Peluso e Barbosa. Ao queixar-se do “temperamento difícil” de Barbosa e qualificá-lo de “inseguro”, Peluso fez o papel do aluno brigão que provoca o colega no fim das aulas. O revide do provocado transferiu da porta do colégio para o botequim essa molecagem de gente supostamente adulta.

Na réplica ao desafeto, Barbosa temperou acusações de alta voltagem, incluindo a “manipulação de resultados de julgamentos”, com adjetivos insolentes ─ “ridículo”, “brega”, “caipira”, “tirano” e “pequeno”, por exemplo. Peluso não respondeu de imediato, mas a tréplica está em gestação. Embora recentes, parece anterior ao Descobrimento o Brasil em que os juízes só falavam nos autos. Agora falam em qualquer lugar. Falam tanto que lhes falta tempo para falar nos autos.

Se discursassem menos e julgassem mais, já teriam liquidado há anos o caso do mensalão, que segue estimulando barulhos em outras frentes da Guerra das Togas. Ao longo desta semana, todas registraram tiroteios retóricos. Numa das áreas conflagradas, ao repetir que o STF precisa definir o destino dos mensaleiros ainda neste semestre, Gilmar Mendes expôs-se ao contra-ataque de Marco Aurélio de Mello, para quem não faz sentido “julgar a toque de caixa” um escândalo descoberto há sete anos. Sem ficar ruborizado, Marco Aurélio garantiu que há na fila de espera pelo menos 700 processos tão relevantes quanto a roubalheira de dimensões siderais.

Vizinho de trincheira, Dias Toffoli murmurou que ainda não sabe se deve participar do julgamento que envolve velhos companheiros ou declarar-se sob suspeição. Como se a dúvida pudesse existir. Antes de virar ministro, Toffoli foi advogado do PT e, no governo Lula, chefiou a Advocacia Geral da União. Depois de ganhar a toga, sua namorada advogou em defesa de alguns mensaleiros. “Ele não tem o direito de ficar fora”, cobrou Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo. O parecer de Marinho atesta que, neste estranho Brasil, os companheiros é que decidem o que deve fazer um juiz do Supremo. Instado por outros ministros a apressar a entrega do serviço, Ricardo Lewandowski retrucou que ninguém o fará acelerar o ritmo de obra do PAC. Ele ainda não revelou quando vai concluir a revisão do processo ─ informação que, na avaliação mais recente, vale 1 milhão de dólares.

“Japona não é toga”, lembrou o senador Auro Moura Andrade aos ministros militares que, no fim de setembro de 1961, continuavam negando ao vice João Goulart o direito de instalar-se no gabinete abandonado pelo presidente Jânio Quadros. Com uma curta frase, o senador que presidia o Congresso ensinou que cabe ao Supremo Tribunal Federal lidar com assuntos constitucionais e reiterou a confiança dos democratas na sensatez dos ministros. Passados 50 anos, os focos de turbulência não envolvem brasileiros fardados. E os mais inquietantes se localizam na Praça dos Três Poderes.

A frase de Auro perdeu a validade num Brasil sobressaltado por juízes sem juízo. Se os ministros do STF agissem nos quartéis, haveria uma crise político-militar de meia em meia hora. Ainda bem que toga não é japona.

21 abril 2012 DEU NO JORNAL

JUROS BRASÍLICOS

Os bancos que estão fazendo grande carnaval em torno da queda de seus juros, na verdade, cumprem apenas sua parte nesse mis-en-scène que não levará a nada: primeiro, porque tudo tem de ser discutido com gerentes que, até para ir ao banheiro, consultam o computador; depois, são regras válidas só daqui para frente.

Os que estão enfiados em juros escorchantes, outros que já renegociaram ou estão inadimplentes, não ganham nada: eles que se virem – e paguem. Mais: juros de empréstimos consignados e financiamento de automóveis nunca foram mortais. Mortal é o juro de um cheque especial de grande banco que, ao ano, encosta em 300%. Esse continua igual – e pode até subir.

* * *

Deixem-me ler novamente…

Tô me lembrando das conversas que tenho com meu gerente, o xará Luiz, das quais eu saio com mais perguntas ainda do que quando começo a expor minhas dúvidas. E eu adoro ouvir a voz dele, quando liga aqui pra casa, me oferecendo empréstimos consignados, CDCs, adiantamentos de 13º, renegociações de rombos, seguro residencial, seguro de carro, e tantas outras bondades financeiras que só mesmo a desinteressada caridade do capitalismo nacional seria capaz de ofertar.

Socorro, Goiano, tô precisando de suas inspiradas e otimistas exortações de autoestima brasílica socialistas mudernas.

Tô levemente desconfiado que minha situação tem tudo a ver com isso que tá escrito nesta nota aí de cima.

Já quanto à charge, parece que o grande Humberto, do Jornal do Commercio, se inspirou em mim…

21 abril 2012 DEU NO JORNAL

ATENÇÃO, FUBÂNICOS CARIOCAS: É HOJE!

De olho na agenda nacional dos movimentos anticorrupção, o Movimento 31 de Julho vai realizar uma manifestação em Ipanema, Posto 9, no próxmo dia 21, às 11h.

Paralelamente, o movimento também está coletando assinaturas para o abaixo-assinado que pede o julgamento do Mensalão já! São duas ações que irão se desdobrar no dia 25/4, em Brasília, com a entrega deste abaixo-assinado ao ministro Ricardo Lewandowski, em audiencia agendada pelas entidades Transparência Brasil e Queremos Ética na Política entre outros.

Já foram coletadas assinaturas em Ipanema, em Copacabana, na Lagoa e no Leblon. Muitos param a corrida, saem da bicicleta ou descem do skate para assinar. Trabalhadores e servidores públicos participam. A adesão é de praticamente 90% das pessoas.

* * *

Os fubânicos do Rio de Janeiro devem aproveitar este sábado ensolarado, Dia de Tiradentes – um cabra que foi enforcado mas não se corrompeu -, pra assinar este documento cívico.

Na foto abaixo, um gari da Comlurb contribui com o abaixo-assinado, pedindo pressa no julgamento da “sofisticada quadrilha” comandada por Zé Dirceu.

Em se tratando de lixos humanos como os mensaleiros, nada mais apropriado que o movimento conte com a adesão de um gari.

20 abril 2012 DEU NO JORNAL

TONICO E TINOCO

A Câmara Municipal de Sao Paulo aprovou em primeira votação a proposta criada pelo prefeito Gilberto Kassab em fevereiro, que autoriza a concessão de um terreno da Prefeitura no centro da cidade, avaliado em R$ 20 milhões, para o  Instituto Lula.

* * *

Eu, pessoalmente, acho que os vereadores de São Paulo agiram certo e merecem meu aplauso. A dupla Kassab-Lula, sendo o Tonico e Tinoco da política, é o retrato do povo e do eleitorado brasileiro. E vereador tem que fazer a vontade e o gosto do povo e do eleitorado.

Sou adepto da carnavalização e da esculhambação dos costumes. Humorismo, hilariedade, sacanagem, gozação e coisas do gênero ajudam muito a gente a tocar o dia-a-dia.

A vida fica bem mais fácil de ser levada quando é na galhofa. Esse povo muito sério só vive com prisão de ventre e não consegue nem peidar.

“‘Brigadão mesmo pela doação do terreno, cumpanhero Kassab; agora só falta aquele porra daquele editor do JBF botar Polodoro pra rinchar novamente em homenagem aos nossos eleitores”

* * *

“É com muito prazer que rincho pros meus irmãos jumentos que votaram nesses dois aí de cima”

20 abril 2012 DEU NO JORNAL

DOIS NOTÁVEUS EX-PRISIDENTES

A CPI criada para investigar os negócios do empresário Carlos Cachoeira terá entre seus integrantes o ex-presidente Fernando Collor, que foi afastado do cargo por corrupção e hoje é senador

* * *

Collor é apenas o mais vistoso socialista muderno a integrar a CPI e que seguirá fielmente as ordens de Lapa de Demagogo pra não investigar porra nenhuma.

Além disto, nesta mesma CPI, falsamente criada pra apurar e denunciar ladroagens e irregularidades, estão mais 17 parlamentares com ficha suja, guabirutagem no prontuário e pendências graves na justiça. Oito deles são alvo de ações sob acusação, entre outras coisas, de improbidade administrativa e execução fiscal.

Entres eles, brilha impoluto o ex-líder dos gunvernos FHC, Lula e Dilma, Senador Romero Jucá. Sempre ele! Sempre em todas!

E pra que vocês tenham um excelente final de semana, vamos fechar esta postagem com um notícia de ontem, dia em que a CPI foi instalada:

O ex-presidente Lula começou a montar pessoalmente a “tropa de choque” petista na CPI mista que investigará os esquemas do contraventor Carlinhos Cachoeira. Além de querer emplacar o ex-líder do governo Cândido Vaccarezza (SP) na relatoria da comissão, ele articula a indicação, como membros, dos petistas Carlos Zarattini (SP), André Vargas (PR), Ricardo Berzoini (SP) e Henrique Fontana (RS).”

 

“Eu já estou arretado com esta imprensa reacionária; e se Polodoro rinchar pros meu eleitores e pros eleitores do cumpanhero Lula, eu vou absolver o correligionário Carlinhos Cacheira logo na primeira reunião da CPI”

* * *

“Nesta sexta-feira eu vou rinchar em homenagem aos eleitores de dois notáveus ex-prisidentes desta república de jumentos”

20 abril 2012 DEU NO JORNAL

A CPI QUE TODOS APLAUDEM

Sandro Vaia

Por alguns meses, vamos ter que aprender a pronunciar o nome Cavendish, a ouvir gravações inconvenientes de diálogos inconvenientes entre o contraventor e seus clientes políticos, e ver a troca de bolas de lama entre os defensores do governo e da oposição.

Uma CPI é sempre uma grande catarse midiática e popularesca, porque as pessoas adoram ver a desgraça alheia desfilando diante de seus olhos, principalmente quando em cena estão ex-poderosos que até pouco tempo atrás posavam como pais da pátria ou empresários cheios de poder, grana e influência.

Cada um é algoz de sua vítima predileta: os petistas querem ver lá na cadeira do dragão, Demóstenes, Perillo, Leréia e qualquer oposicionista que seja capaz de fornecer um alívio de consciência a quem, desde o mensalão, tem sido obrigado a carregar sozinho a cruz da desonra.

Gostariam de ver na cadeira também o dono da Veja e o repórter que trocou 200 telefonemas com Cachoeira, na esperança de comprovar a existência de uma sinistra conspiração midiática, que naturalmente não existia nos tempos em que eles carregavam a revista debaixo do braço para exibir as denúncias contra os governos Collor e FHC.

Os oposicionistas, numericamente esmagados na composição da Comissão por força da quase insignificância numérica de suas bancadas, sonham em fazer barulho em torno de Agnelo Queiroz,o governador do DF, e das ligações entre a poderosa empreiteira Delta , campeã das obras do PAC, seu ilustre consultor José Dirceu e outras instâncias do governo.

Embora tenha ficado bastante claro que a criação da CPI não alegrou muito a presidente da República, ciente da veracidade do velho bordão de que um evento desses “sempre se sabe onde começa mas nunca onde termina”, e que quem está no governo nunca tem a ganhar com seus desdobramentos, tomaram-se as devidas cautelas para que o trem não saia dos trilhos.

Um acaso do destino reuniu numa espécie de sub-palácio paulistano do Planalto, o hospital Sírio-Libanês, o convalescente mentor da CPI, ex-presidente Lula, e o “incomum” soba do Senado, José Sarney, que lá estava para ajustar alguns desarranjos biológicos de menor gravidade.

Lá os compadres políticos ajustaram os relógios estratégicos para que a CPI não saia do controle da esmagadora maioria governista, e para que ela cumpra sua função precípua de produzir barulho suficiente para ofuscar o provável julgamento do mensalão, se o ministro Lewandowsky resolver desengavetá-lo dentro desse prazo.

O fato é que todos, oposição e governo, comemoraram para as suas torcidas a instalação da CPI – cada um por suas razões.

Quem não tem muita razão para comemorar – e não comemorou – foi a presidente Dilma, que possivelmente conseguiu antever como será difícil evitar que o incômodo pelotão da interesseira base aliada – o poderoso PMDB à frente – passe a ter cada vez mais oportunidade de criar as suas dificuldades para vender as suas facilidades.

20 abril 2012 DEU NO JORNAL

FOPA FROUXO

O ex-presidente Lula recebeu anteontem no Hospital Sírio-Libanês vários parlamentares para discutir a CPI do Cachoeira.

Separadamente, despachou com o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o antecessor Cândido Vaccarezza (PT-SP) e os senadores Gim Argello (PTB-DF) e Renan Calheiros (PMDB-AL).

A despeito dos receios da presidente Dilma Rousseff, Lula disse que a CPI tem de ser feita “doa a quem doer“. Atribuiu a Carlinhos Cachoeira um “esquema” para destruir o seu governo, desde o caso Waldomiro Diniz, em 2004, passando pela denúncia de propina nos Correios – que resultou no mensalão -, um ano depois.

* * *

Sou forçado a mudar o título que concedi à Presidenta Dilma. Não dá mais pra chamá-la de “Dama da Priquita de Ferro“.

Depois que Lula saiu da clandestinidade e assumiu o comando político da Presidência escaradamente, talvez ela deva ser chamada de “Dama do Furico Afolosado“.

Ou, quem sabe, de “Dilma Babaca Roussef“.

Ou de “Dilma Pau-Mandado Roussef“.

Bom, deixo a critério dos leitores fubânicos o novo título da nossa obediente presidenta.

20 abril 2012 DEU NO JORNAL

TÁ SE OBRANDO-SE TODINHO…

“Fui afastado pela negociata de uma empreiteira e um contraventor”

Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit, diz que perdeu o cargo por contrariar os interesses da Delta e de Carlinhos Cachoeira.

Pagot: demitido por Carlos Cachoeira

* * *

Pagot foi demitido há quase um ano depois de uma catarata de denúncias de ladroagem. Um verdadeiro festival de “buracos de propina” na construção e na recuperação das estradas destepaiz.

Se ele diz que perdeu o cargo “por contrariar interesses da Delta e de Cachoeira“, pode-se concluir, sem sombra de dúvidas, que ele não foi demitido por um ato de vontade da Presidenta Dilma. Aquela que, segundo Hilary Clítores, criou um “padrão mundial” de combate à corrupção.

De entrevista dada por Pagot à revista Época, a gente conclui que ele foi demitido porque bateu de frente com Carlinhos Cachoeira, o sócio não tão oculto da Delta.

Usando a razão e a lógica, num exercício elementar de dedução, pode-se concluir que Cachoeira e a Delta são mais poderosos que o gunverno petralha. Ou, melhor ainda, estão acima do gunverno e têm poderes pra demitir um guabiru do segundo escalão que contrarie os seus interesses.

Aí então, de repente, não mais que de repente, é instalada uma CPI pra apurar os podres e os mal feitos de Carlinhos Cachoeira…

Tchan, tchan, tchan..

Agora vocês tão entendendo porque o Cara está tentando, desesperadamente, com unhas e dentes, controlar a CPI que foi instalada ontem???!!!!

Tão percebendo tudo, não é??? Pois é, então…

Não é só quando sonha com o julgamento do Mensalão que Lapa de Embromador se caga todinho.

A CPI do Carlinhos Cachoeira também faz com que ele mele a cueca sem a menor cerimônia.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa