31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA TERÇA-FEIRA – TERTÚLIA FLÁCIDA PARA ADORMECER VACUNS

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O sujo falando da mal lavada.

Os dois são tolôtes do mesmo pinico.

Dou um pelo outro e não quero torna.

Aquela turminha que tem seus safados prediletos se esquece que estes dois foram eleitos juntos,  na mesma chapa.

O fato é que rombo, rombo mesmo, existe é no furico de nós outros, os contribuintes.

“Fumos eleitos juntos, cumpanhero Temer. E juntos vamos butar pra fudê nesse povão que tá lá em baixo batendo palmas pra nóis dois”

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA TERÇA-FEIRA – O CULPADO

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Segundo o fubânico petista Num-Quero-Enxergar-Nada – que adora gráficos, números e estatísticas -, esta fantástica taxa de desemprego é culpa dos tucanos.

É a herança maldita da desastrosa administração de FHC.

Os 13 (êpa!) anos de gunverno do PT nada tem a ver com isto.

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UM CORRUPTOR ESPERTO

Os governos do PT abriram os cofres para financiar projetos do ex-bilionário Eike Batista, preso nesta segunda-feira (30) no Rio.

Até 2013, ainda no primeiro governo Dilma, o BNDES beneficiou ao menos onze empresas do “Grupo EBX”, de Eike, num total de R$10,4 bilhões em financiamentos diretos.

Outros negócios possibilitados pelos governos Lula e Dilma podem ter rendido ao menos R$20 bilhões ao empresário.

Eike ainda contava com as lorotas da cúpula do BNDES para explicar o dinheiro fácil, definindo os ativos da EBX como “sólidos e valiosos”.

O BNDES também utilizou recursos do FAT, o Fundo de Amparo ao Trabalhador, para bancar as aventuras de Eike Batista.

Lula se utilizou do jatinho de Eike em viagens, e Dilma visitou a EBX, quando em discurso disse que o empresário é “orgulho do Brasil”.

A ordem para financiar as aventuras de Eike com dinheiro público saía do Planalto, nos governos do PT, apesar dos sinais da derrocada.

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Eike, Lula e Dilma, tudo farinha do mesmo bisaco.

Tudo tolôte do mesmo pinico.

O Corruptor Ativo sabia muito bem a ciência de arrancar o que quisesse da dupla de “estadistas” petralhas.

“Dilminha querida, quanto tu peidas o ar fica perfumado. Estou sentindo daqui. Hum… Que cheirinho gostoso! Agora, vê se arranja aí uma obra bem cara do governo pra eu fazer”

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

BILIONÁRIO BELGA FINANCIOU CAMPANHAS

Ethevaldo Siqueira

Este cavalheiro na foto abaixo é um dos “grandes amigos” de Lula, de Dilma e do PT. Seu nome: Albert Frère, um mega empresário belga e um dos homens mais ricos daquele país.

Financiou a campanha do Lula, o filme Lula, a campanha da Dilma…

E até há pouco, havia poucas provas do grande escândalo que estava por trás dessa “amizade”. Hoje há uma tonelada de provas e evidências.

O barão Albert Frère, um dos homens mais ricos da Bélgica

Qual é a razão da amizade estranha? Pura gratidão. Albert Frère era o dono da Refinaria de Pasadena, no Texas, por meio da Astra Transcor Energy, que foi comprada por U$ 42,5 milhões como sucata, em 2005, e vendida um ano depois por U$ 1,12 bilhão para a Petrobras.

Ou seja, por um preço 26 vezes maior. Mamãe Petrobras dos tempos de Lula e Dilma era bem generosa, não acham?

Albert Frère possui 8% das ações da GDF Suez Global LNG, ocupando a cadeira de vice-presidente mundial nesta mega organização, maior produtora privada de energia do planeta.

A GDF Suez possui negócios com a Petrobras no Recôncavo Baiano, mas seu principal negócio no Brasil é a Tractebel Energia, dona de um faturamento de quase R$ 6 bilhões anuais.

A empresa é dona de Estreito, Jirau, Machadinho, Itá e dezenas de hidrelétricas, termelétricas e eólicas. Por aí vemos como os “líderes de trabalhadores” e seus amigos se articulam sem que ninguém imagine como funciona a máquina da corrupção.

A Tractebel, que é da GDF Suez, tem como um dos principais acionistas o senhor Albert Frère, um dos donos da Astra Transcor Energy, o mesmo que passou a perna no Brasil em U$ 1,12 bilhão na grande maracutaia de Pasadena, e que correspondeu à generosidade dos governos petistas tornando-se grande doadora da campanha de reeleição de Lula, em 2006, com a doação modesta de R$ 300 mil – cuja legalidade chegou a ser contestada.

A mesma Tractebel foi uma das patrocinadoras do filme “Lula, Filho do Brasil” (eu quase errei ao escrever esse título, de “Filho do Brasil”…). Já em 2010, para a eleição de Dilma, a Tractebel doou quase R$ 900 mil.

Será que os próprios petistas (honestos e puros, se ainda houver alguns) não deveriam exigir a apuração rigorosa de tudo isso? Ninguém está inventando nada.

Essas denúncias foram publicadas na imprensa brasileira desde 2014, na Folha de S. Paulo e outros veículos. Clique aqui para ler.

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

EIKE CARECA É A FOTOGRAFIA DE UM BRASIL DIFERENTE

A imagem do ex-bilionário Eike Batista careca, uniformizado de preso, escoltado por policiais, sendo transferido de uma penitenciária para outra é o retrato de um Brasil em mutação. Um país ainda desanimador. Mas que já consegue expor as mazelas que comprovam uma evidência: esta é a nação onde há as mais fabulosas possibilidades de surgir um mundo inteiramente novo. Caos, matéria-prima básica dos grandes recomeços, não falta.

Eike voara para Nova York dois dias antes da decretação de sua prisão. Dispunha de dinheiro e de um passaporte alemão. Poderia tentar uma fuga. Preferiu retornar para “ajudar a passar as coisas a limpo”. Fez isso porque concluiu que já não é tão fácil ficar completamente impune depois de passar as coisas a sujo no Brasil – um país que ainda não é inteiramente outro, mas já está diferente.

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30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

CÁRMEN LÚCIA TOMOU DECISÃO QUE A CRISE EXIGIA

Franzina e baixinha, Cármen Lúcia tomou nesta segunda-feira uma decisão à altura da crise moral que o país atravessa. Educada em colégio de freiras, formada em universidade católica, a presidente do Supremo Tribunal Federal poderia ter confiado à providência divina o futuro da Lava Jato. Mas preferiu não dar sorte ao azar. Ao homologar as 77 delações da Odebrecht, a ministra manteve o ritmo da Lava Jato. Retirou do substituto de Teori Zavascki, ainda a ser sorteado, a chance de pisar no freio.

Cármen Lúcia contrariou interesses e opiniões dentro e fora do Supremo. No Planalto e no Congresso, políticos encrencados nas investigações apostavam que a morte do relator Teori lhes proporcionaria o refrigério de um atraso de pelo menos três meses na tramitação do processo. Na Suprema Corte, parte dos ministros era contra a urgência. Alegava-se que a homologação a toque de caixa era desnecessária e até desrespeitosa com o futuro relator, posto sob suspeição antes mesmo de ser escolhido. Não restou aos contrariados senão dizer “amém” à homologação. A presidente do Supremo cercou-se de todos os cuidados técnicos.

De plantão no Supremo durante as férias dos colegas, cabe a Cármen Lúcia decidir sozinha as pendências urgentes. Ela conversou com os juízes que trabalhavam com Teori. Soube que o relator da Lava Jato havia se equipado para homologar no início de fevereiro os acordos de colaboração da Odebrecht. Só faltava ouvir os delatores, para saber se suaram o dedo espontaneamente. Convidou o procurador-geral Rodrigo Janot para uma conversa. Acertou com o chefe do Ministério Público Federal o envio de uma petição requerendo a urgência nas homologações.

Munida da requisição de Janot, Cármen Lúcia autorizou a equipe de Teori a tocar as inquirições dos delatores. O trabalho foi concluído na última sexta-feira. Simultaneamente, a ministra realizou consultas aos colegas. Avaliou que as opiniões contrárias à homologação eram minoritárias. E escorou-se no regimento do Supremo para deliberar sozinha sobre a matéria, tratando-a com a urgência que a conjuntura requer. Fez isso um dia antes do encerramento do recesso do Judiciário. As férias terminam nesta terça-feira (31). Tomou um cuidado adicional: manteve o sigilo das delações.

A preservação do segredo, recebida com alívio no Planalto e no Congresso, pode ser inócua. Logo começarão os vazamentos dos trechos que ainda não chegaram ao noticiário. Mas Cármen Lúcia livrou-se de críticas, porque manteve o formato das decisões tomadas anteriormente pelo próprio Teori. O antigo relator só levantava o sigilo dos acordos de colaboração depois que a Procuradoria da República requisitava a abertura de inquéritos na Suprema Corte.

Com o aval de Cármen Lúcia, o Ministério Público pode dar sequência às investigações, equipando-se para processar e punir os envolvidos. Parte do material será enviada para Curitiba, onde são moídos os investigados que não dispõem do foro privilegiado do Supremo. A conjuntura intimava Cármen Lúcia a agir com destemor. E a ministra preferiu não transferir a tarefa para Deus.

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

QUADRILHA MINISTERIAL PMDEBEIRA-TEMERIANA

Dos 26 atuais ministros do presidente Michel Temer, 12 são réus, alvos de inquérito ou enrolados em algum escândalo.

A acusação mais comum é a de improbidade administrativa, que atinge quatro deles: Eliseu Padilha (Casa Civil), Helder Barbalho (Integração), Gilberto Kassab (Ciência) e José Serra (Itamaraty).

Os demais crimes envolvem corrupção, fraude de licitação, peculato e até falsidade ideológica.

Na delação, o ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo citou Moreira Franco e Bruno Araújo (Cidades). Outros citados já não são ministros.

Atribuíram “peculato” a Raul Jungmann (Defesa), mas a acusação já prescreveu. Ricardo Barros (Saúde) é acusado de fraudar licitação.

Maurício Quintella (Transportes) até foi condenado por desvio de merenda, e Marx Beltrão (Turismo) responde por falsidade ideológica.

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É uma quadrilha de fazer inveja às facções do presídio de Alcaçuz.

Improbidade administrativa, desvio de merenda, corrupção, fraude de licitação, peculato e até falsidade ideológica.

Danô-se!!!

A administração da República Federativa de Banânia, na gestão pmedebeira-temeriana, está nas mãos de gente compatível com a nossa tradição.

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

AMOLEGAÇÃO PRA COMEMORAR A HOMOLOGAÇÃO

A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, homologou as 77 delações de executivos e ex-executivos da construtora Odebrecht. A homologação dá validade jurídica às delações.

Agora, o material será encaminhado para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que vai analisar os documentos para decidir sobre quais pontos irá pedir abertura de investigação.

Plantonista do STF no recesso do Judiciário, Cármen Lúcia usou a prerrogativa de presidente para homologar as delações dos dirigentes e ex-dirigentes da empreiteira.

Ela tomou a decisão para não atrasar o andamento das investigações da Lava Jato, na medida em que o relator do caso no tribunal, ministro Teori Zavascki, morreu em um acidente aéreo no litoral do Rio de Janeiro.

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Já dei ordem pra Chupicleide, secretária de redação do JBF, pra ficar amolegando a pica do jumento fubânico Polodoro.

Nosso estimado jegue deve ficar de cacete duro pra enfiar no furico de tudo quanto é guabiru citado nas delações dos executivos odebrechtianos.

Se tiver bicho-de-saia entre eles, aí é que o nosso jumento vai ficar feliz mesmo.

Polodoro ficou tão ansioso e feliz com esta minha determinação que até rinchou de alegria!

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

COERÊNCIA DO PT VIRA UMA ROLETA-RUSSA SEM BALA

No PT, a coerência é apenas um outro nome para oportunismo. Há uma semana, o Diretório Naional do PT aprovara resolução sobre a eleição para as presidências das duas Casas do Congresso. Por 45 votos a 30, o órgão partidário havia liberado suas bancadas para apoiar candidatos governistas: Rodrigo Maia (DEM) ou Jovair Arantes (PTB) na Câmara; Eunício Oliveira (PMDB) no Senado. Com isso, o petismo garantiria cargos nas Mesas que dirigem o Legislativo e nas comissões setoriais. A decisão foi bombardeada nas redes sociais pela militância petista, inconformada com a perspectiva de apoiar personagens que a legenda tacha de “golpistas”.

Acordado pela gritaria virtual, o presidente do PT, Rui Falcão, dobrou os joelhos neste domingo. Em artigo veiculado no site do PT, Falcão fez algo muito parecido com um cavalo de pau. Reconheceu que a decisão do diretório nacional, que ele próprio articulara, “provocou o movimento de contestação e de pressão” interna. Deu o decidido por não decidido. E rodopiou na pista: “Minha opinião pessoal é que nos unamos aos parlamentares da oposição (PDT, PC do B, Rede e Psol) num bloco a ser encabeçado por alguém deste campo.” O petismo ensaia as candidaturas de Paulo Teixeira (PT-SP) na Câmara e de Lindbergh Farias (PT-RJ) no Senado.

A velocidade com que o PT muda de convicção torna divertido o acompanhamento do processo de autocombustão do partido. Num esforço para administrar seu instinto suicida, a legenda acaba de inventar um passatempo sui generis. No vaivém de suas posições contraditórias, os companheiros brincam de roleta-russa movidos pela certeza de que a coerência que manipulam está completamente descarregada.

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEGUNDA-FEIRA – FALTA ALGUÉM ATRÁS DAS GRADES

O empresário Eike Batista chegou ao presídio Ary Franco, na Zona Norte do Rio, por volta das 11h15. Ele foi preso por agentes da Polícia Federal logo após desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, às 10h.

Eike não tem nível superior, então não poderia ser levado para Bangu 8, mesmo presídio em que está o ex-governador Sérgio Cabral. Segundo dados de dezembro do ano passado, o presídio Ary Franco está superlotado. A unidade, que tem capacidade para 968 presos, atualmente tem 2.129 presos.

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O Corruptor Ativo, tanto quanto o Corrupto Passivo, não tem deproma de dotô.

Os dois vão obrar de coca junto com os outros bandidos do mesmo nível deles.

Tomara que mais novidades boas venham a público daqui pro carnaval.

Cena de um passado recente: “Companheiro Lula, tu vai ver como é gostoso mijar no banheiro do meu jatinho”

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

RECORDAR É VIVER: A AMBIÇÃO DESMEDIDA DE EIKE BATISTA

Rodrigo Constantino

Eike Batista foi do céu ao inferno em pouco tempo, da mesma forma que o ex-presidente Lula. Ambos chegaram a acreditar que nem o céu era mais o limite, tamanha a arrogância desses personagens. Como Ícaro, a queda foi brutal, pois a ambição fora desmedida. Do empresário mais rico do país e um dos mais ricos do mundo, Eike Batista virou um foragido procurado pela Interpol que estaria negociando os termos de sua rendição à polícia, já que sequer possuiria diploma superior. Lula anda acuado, e também pode ser preso a qualquer momento.

Segue um artigo que escrevi no Globo, em 2014, sobre essa ambição desmedida do fanfarrão ex-bilionário, com base na excelente biografia de Malu Gaspar. Recordar é viver, e é preciso entender que a ascensão e queda de Eike não tem muito a ver com o liberalismo, mas tudo a ver com o “capitalismo de laços” que os liberais tanto criticam e a esquerda, paradoxalmente, acaba endossando:

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Ambição desmedida

Atuava no mercado financeiro, e acabara de sair de um almoço de um banco de investimentos que apresentou o case da primeira emissão de ações do grupo X, de Eike Batista. Ao término, conversando com investidores, quis saber quantos realmente acreditavam naquilo. Poucos. Era um tiro no escuro, uma grande aventura. Não obstante, a coisa toda viraria uma febre depois, e o empreendedor se tornaria o homem mais rico do Brasil.

O episódio me veio à memória ao ler o excelente livro-reportagem “Tudo ou nada” (Editora Record), em que a jornalista Malu Gaspar, de “Veja”, disseca a verdadeira história do mais excêntrico empresário brasileiro. Com mais de cem pessoas entrevistadas, a autora traz inúmeros relatos que reconstroem o dia a dia frenético da ascensão e queda do que foi o império de Eike.

Com espírito aventureiro e muita ousadia, o filho de Eliezer Batista, o poderoso ex-presidente da Vale, já havia tido uma experiência similar antes, no Canadá. Mas não absorveu lições importantes, ao menos não a ponto de impor maior cautela a um inveterado otimista disposto a “dominar o mundo”. É um típico caso em que megalomania pode ser confundida com autoconfiança.

De forma irresponsável, Eike foi ignorando alertas ao longo do caminho, e abraçando cada vez mais empreitadas em diversos setores diferentes. Malu chama a história do grupo X de “a epítome de um período do capitalismo brasileiro”. De fato, foi isso mesmo. Já fiz um paralelo, aqui nesse espaço, entre Eike e Lula em suas respectivas áreas. Se um virou o Midas da economia, o outro foi alçado ao patamar de gênio da política, ignorando-se que perdeu três eleições seguidas, duas delas no primeiro turno para Fernando Henrique.

Tanto um como o outro são carismáticos e muito ambiciosos. Mas ambos eram apenas a pessoa certa na hora certa, surfando uma onda que fora produzida fora do país, pelo crescimento chinês somado ao baixo custo de capital no mundo desenvolvido. Criou-se o ambiente perfeito de “tsunami monetário” para um país como o Brasil, com recursos naturais abundantes. O ciclo favorável das commodities explica os “fenômenos” Eike e Lula mais do que qualquer mérito individual de cada um deles.

Outra coisa que a autora faz com maestria é desvendar em riqueza de detalhes aquilo que já sabíamos em termos gerais: a enorme simbiose entre Eike e o governo. O empresário ficou obstinado em se transformar num “empresário do PT”, ao perceber que tal parceria lhe seria extremamente vantajosa. Com o BNDES presidido por Luciano Coutinho, que desde a década de 1980 defendia o fomento de fortes grupos nacionais dirigidos pelo Estado, o casamento seria inevitável.

“Mais do que um empresário símbolo do novo capitalismo que emergia no Brasil, Eike Batista era agora alguém de confiança do BNDES — o mais poderoso banco de fomento da América Latina. Se havia tal coisa como um ‘empresário do PT’, ele sem dúvida era um deles”, escreve. Foram bilhões injetados no grupo X pelo banco estatal. Eike diria pouco depois que o BNDES era “o melhor banco do mundo”.

O relacionamento promíscuo chegou ao ápice quando a própria presidente Dilma pediu, por meio de Coutinho, que Eike não desistisse do investimento na fábrica de semicondutores em Minas Gerais, empreendimento com a IBM em que o empresário aceitou entrar só para agradar ao presidente do BNDES. A autora revela que Eike sucumbiu à pressão política: “Não vai dar para sair da fábrica. Pelo menos não agora.”

A saga do grupo X, portanto, ilustra com perfeição as mazelas de nosso “capitalismo de compadres”, que já existia, mas que foi expandido pelo governo do PT. Quando a desgraça se tornou inevitável, porém, até o PT precisou encontrar um limite para o que poderia ser feito pelo governo para salvar o empresário. Quando Coutinho se negou a resgatar o estaleiro OSX, Eike não pôde segurar a decepção: “Baixou a cabeça, chorando, deu as costas e foi embora.”

Além de ótimo entretenimento, o livro de Malu Gaspar é extremamente relevante para mostrar como o Brasil ainda precisa avançar rumo a um modelo de economia de mercado, em que o sucesso ou o fracasso das empresas não dependam tanto das amizades com o governo. E deixa, ainda, um alerta sobre a ambição desmedida, que pode arruinar mesmo alguém que parecia ter tudo.

Eike tombou feio. Hoje é acusado de crimes financeiros e pode acabar até preso, como provavelmente seria o caso se o Brasil fosse um país em que o império das leis realmente valesse para todos, como ocorre nos Estados Unidos. Talvez chegue a vez de Lula tombar também.

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

DE CACETE ARMADO

O processo que pode levar à cassação do mandato do presidente Michel Temer (PMDB) já tem 15.000 páginas e reuniu evidências que não deixam margem a dúvida: dinheiro sujo, oriundo de múltiplos esquemas de corrupção, foi usado para reeleger Dilma Rousseff (PT).

Parte dessas transações já foi amplamente mapeada pela Lava Jato. A outra parte vai complicar a situação do peemedebista no Tribunal Superior Eleitoral, que julgará ação que pede a cassação da chapa.

O relator, ministro Herman Benjamin, decidiu requerer ao Supremo Tribunal Federal cópias dos depoimentos dos executivos da Odebrecht tão logo suas delações sejam homologadas. Pelo que já foi revelado, sabe-se que a empreiteira, além de comprometer Dilma e os petistas, relatou ter feito doações clandestinas ao PMDB, a pedido de Temer.

Os dois partidos, PT e PMDB, portanto, teriam se beneficiado fraternalmente do mesmo dinheiro ilegal, alcançado os mesmos benefícios e praticado os mesmos crimes eleitorais.

O conjunto das evidências de irregularidades ganhou um potente anexo na semana passada. Em relatório ao TSE, a Polícia Federal disse que parte dos valores desembolsados a gráficas pela chapa não resultou na prestação de nenhum tipo de serviço.

O dinheiro teria sido desviado para pessoas físicas e jurídicas “em benefício próprio ou de terceiros”.

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A turminha que tem seus bandidos prediletos, os que defendem canalhas do PT e os que defendem canalhas do PMDB, podem até não gostar da minha ideia.

Mas eu vou dizer qual é:

Se o ministro relator do processo quiser, eu posso emprestar o jegue fubânico Polodoro.

Pra ele enfiar a sua pajaraca jumentícia bem no meio dos olhos dos furicos de Dilma e de Temer.

Pode até acontecer dos dois gemerem. Gemerem de prazer.

Mas a ideia é fazê-los chorar das lágrimas pingarem, com a dor da estocada da pica de Polodoro.

“Se precisarem de mim, estou às ordens”

29 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

A IRREVERSÍVEL LAVA JATO

A morte de Teori Zavascki aconteceu de uma forma que aciona dúvida do tipo que existe desde o Descobrimento: intencional ou por acaso? Como isso se resolve ao cabo de uma rigorosa investigação, o foco, a meu ver, é o destino da Operação Lava Jato. Ela deve prosseguir com o mínimo de atraso possível.

A delação da Odebrecht abalou a vida política de muitos países latinos. Em alguns deles já houve não só prisões, como também a decisão de expulsar a empresa.

Sou moderadamente otimista quanto ao futuro da Lava Jato. Homologar a delação não é complicado: apenas confirmar se os delatores falaram sem pressão e avaliar a redução das penas. Felizmente, a decisão de prosseguir os trabalhos com a equipe de Teori e a possibilidade de Cármen Lúcia, ela mesma, homologar resolvem o problema imediato.

Em outro plano está a escolha do novo relator. Tenho lido inúmeras possibilidades e a que mais temo é um sorteio como se todos estivessem no mesmo plano. Seria um pouco como levar a Lava Jato a uma decisão por pênaltis, em que tudo pode acontecer.

Francamente, grande parte das pessoas que foram às ruas acha que Lewandowski e Dias Toffoli, caso escolhidos, soltariam todo mundo e ainda mandariam prender quem acusou.

O caminho ideal seria um processo de negociação no qual o Supremo encontre um nome que se aproxime das posições de Teori e tenha credibilidade quanto à sua isenção. Esse é o caminho ideal, mas com base na realidade. A ideia do sorteio seria uma realidade baseada na ilusão de que todos, igualmente, apoiam a Lava Jato.

A terceira dimensão do problema: a substituição de Teori. O novo ministro terá de passar por uma sabatina no Senado: precisa mostrar firmeza diante de um Congresso que vê a Lava Jato como um perigo. Na tentativa de sabotá-la, o Congresso só produziu trapalhadas noturnas.

A Lava Jato tornou-se, sobretudo por causa da delação da Odebrecht, uma esperança continental de punir os políticos corruptos e desmontar seus vínculos com as empreiteiras. Pelo que ouço e vejo nos outros países, era algo de que sempre suspeitavam. Alguns jornalistas e mesmo procuradores já até haviam denunciado. Mas com a Lava Jato as coisas chegam na forma de provas, delações premiadas, agora, sim, é possível jogar areia na engrenagem.

Essa possibilidade animadora é uma contribuição da Lava Jato, que, por sua vez, está ligada à imagem do próprio Brasil. A exportação dessa esperança foi a melhor mensagem que o País enviou para o continente, num período em que tantas desgraças acontecem aqui, das decapitações à febre amarela.

Foi por acaso, pode-se argumentar. Aí voltaríamos às origens com a mesma pergunta do Descobrimento.

Por acaso ou intencional, a Lava Jato trouxe para o Brasil respeito em outros países. Às vezes esse respeito, como entre os empresários reunidos em Davos, é acompanhado de preocupação: a Lava Jato está sendo boa ou não para o mercado?

A criação de uma atmosfera de negócios com menos corrupção, mais segurança jurídica, em médio e a longo prazos, é uma grande vantagem que as pessoas com visão muito imediata nem sempre compreendem. Para muita gente, atrasar ou até melar a Lava Jato é um sonho de consumo. No entanto, a maioria do País considera o processo saudável e irreversível.

Duas razões me fazem duvidar da tese de atentado, no caso de Teori. Uma é a situação climática e as condições geográficas do aeroporto de Parati e, de certa maneira, também os de Angra dos Reis e Ubatuba. A outra é o próprio avanço da operação. Ela pode ser retardada, mas dificilmente neutralizada, como foram tantas outras no Brasil.

Não creio que os interessados em bloquear o processo ousem enfrentar o País de cara aberta. Estão sujeitos não só à prisão, porque muitos são investigados, mas também a um lugar vergonhoso na história.

Exceto o PT nos seus tempos de governo, são raros os que ousam defender a corrupção em nome de um ideal superior. Mesmo o Renan Calheiros, que gostaria de liquidar a Operação Lava Jato, publicamente a considera “sagrada”.

Posso parecer ingênuo. Mas procuro estar atento a todas as possibilidades num país com grande riqueza de expedientes sospechosos.

Quando Gilmar Mendes, num discurso no Congresso, praticamente ignorou a importância da Lava Jato, não deixei de criticar. Considero-o um juiz capaz e bem formado. No entanto, ignorar a maior operação de todos os tempos, com a mais ampla delação premiada, o maior volume de retorno do dinheiro roubado, mais influência positiva na vida dos outros países do continente, pareceu-me um movimento estranho.

E, mais ainda, ignorar que a lei de abuso de autoridade seria votada por um Congresso que tem um recorde histórico em número de investigados também é muito esquisito. No entanto, seu confronto com procuradores pode ter incluído um elemento de paixão, o que elimina as piores suspeitas.

A Lava Jato definiu um campo claro, pelo qual vale a pena lutar, sobretudo para quem não pretende deixar o Brasil.

A definição de um campo não significa maniqueísmo. Críticas à Lava Jato, aspiração por uma lei de abuso de autoridade, tudo isso pode acontecer e, às vezes, acontece entre pessoas que desejam um País melhor. No entanto, aquela conversa telefônica do Romero Jucá com o Sérgio Machado, na qual falavam em estancar a operação, com a ajuda do Temer, talvez não fosse repetida hoje. Tanto Jucá como Machado devem ter percebido que os inimigos da Lava Jato perderam o timing.

Ingênuo ou mesmo otimista, sigo acreditando que, apesar das desgraças que nos envolvem, será possível melhorar a atmosfera política a partir do legado da Lava Jato. Minha suposição é de que chegamos a um ponto em que não adianta matar ninguém para deter o processo: ele foi assumido pela Nação, não se mata a esperança nacional com um simples atentado.

29 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MEIO SÉCULO DE “CEM ANOS”

A comemoração dos 50 anos da publicação de “Cem anos de solidão“, a obra mais famosa do Nobel de Literatura colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014), começou nesta quinta-feira (26), com uma leitura coletiva em Cartagena, na Colômbia.

“Organizamos, no âmbito do Hay Festival, uma leitura coletiva com a ideia de abrir o ano em que se recorda esse sucesso, essa epopeia, que é ‘Cem anos de solidão'”, disse Jaime Abello, diretor da Fundação para o Novo Jornalismo Ibero-americano, criada por García Márquez, que também era jornalista.

Até este sábado (28), 60 pessoas lerão, em ciclos de duas horas, trechos do romance sobre a família Buendía, lançado em junho de 1967 pela editora Sudamericana de Buenos Aires.

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Cem Anos de Solidão” foi um livro que me impressionou profundamente.

Tanto quanto fiquei impressionado com “O Evangelho Segundo Jesus Cristo“, de José Saramago, publicado em 1991, o primeiro livro que li da obra do português.

Os dois, Márquez e Saramago, foram merecidamente premiados com o Nobel de Literatura.

Apesar do peso e da importância de “Cem Anos de Solidão“, meu livro preferido de García Márquez é a novela “Crônica de Uma Morte Anunciada“, uma história e um enredo que acho fantástico, genial. Costumo reler de tempos em tempos.

O fato é que desde que tomei conhecimento das obras de Saramago e García Márquez, deixei de me considerar escritor e passei a me designar como contador de histórias.

Pra ser escritor, (escritor ficcionista, não custa nada ressaltar), eu acho que o cabra tem que estar no mesmo nível destes dois malassombrados da escrita. Se não estiver, é apenas um contador de histórias.

Não é Escritor, assim com letra maiúscula.

A edição de “Cem Anos de Solidão” que tenho aqui na minha estante é dos anos 70 do século passado, publicada pela Record, tradução de Eliane Zagury.

Reler o livro vai ser minha forma de comemorar os 50 anos de sua publicação. Já comecei ontem.

29 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

EMPRESÁRIO DE ESTIMAÇÃO

Em março de 2010, o ranking de bilionários da revista Forbes anunciava um feito extraordinário: Eike Batista subira 53 posições em apenas um ano, tornando-se o oitavo homem mais rico do mundo. Um vencedor, um exemplo – “nosso padrão, nossa expectativa, o orgulho do Brasil”, segundo a ex-presidente Dilma Rousseff.

O então megaempresário, que já criara constrangimentos ao petismo – além de dívidas impagáveis que todos os brasileiros já estão pagando -, quebrou um ano depois dos elogios de Dilma. Agora, diante de um mandado de prisão, é uma bomba que pode detonar a qualquer momento. Daquelas que o alto comando petista preferia ver protegida pela cidadania alemã de Eike.

Assim como tudo que se refere a Eike, a história de sua prisão também é megalômana, digna de best-sellers. Envolve política e corrupção, milhares de dólares, ouro, fuga, dupla nacionalidade, Interpol.

Alvo da operação Eficiência da Polícia Federal, Eike foi delatado por dois doleiros aos procuradores da Lava-Jato, no Rio de Janeiro. Apurou-se que ele pagou US$ 16,5 milhões de propina ao ex-governador Sérgio Cabral, hoje na penitenciária de Bangu. A transação teria sido feita em 2011, por meio de uma triangulação entre bancos do Panamá e do Uruguai, maquiada por um contrato de venda de uma mina de ouro.

Dois dias antes de o mandado de prisão ser expedido, Eike embarcou para os Estados Unidos – a negócios, segundo seus advogados – usando seu passaporte alemão. Simplesmente espetacular.

Como se sabe, Eike não está só.

Trazê-lo à tona pode fazer com que a Lava-Jato encaixe mais peças no sofisticado quebra-cabeça que tem revelado a institucionalização da corrupção no país desde as primeiras incursões do mensalão, vista hoje como um ensaio de amadores.

As palavras dele podem corroborar com informações coletadas em arquivos e delações de dirigentes de outras empresas pagadoras de propinas. Dinheiro farto para engordar campanhas eleitorais, assegurar maioria parlamentar, rechear bolsos, garantir conforto e delícias de inescrupulosos.

Mesmo que Eike nada fale, só a expedição do mandado de prisão escancara a criminosa associação da corrupção com a política de campeões nacionais, cuja conta, estima-se, supera R$ 200 bilhões, só no BNDES.

Dinheiro que garantiu o posto de homem mais rico do Brasil para Eike e fez a fortuna de escolhidos de Lula e Dilma. Dinheiro que não financiou milhares de empreendedores capazes de amenizar a crise e o desemprego. Dinheiro que está sendo pago por todos os brasileiros.

A lista dos amigos campeões não é extensa. São empresas frequentes no rol de escândalos ou de grandes devedores. Ou nos dois.

Nela, incluem-se empréstimos à criminosa confessa Odebrecht, à Friboi, enrolada com o José Carlos Bumlai, amigo de Lula, à Fibria e à Lactos Brasil. Também está a falida megaoperadora de telefonia Oi, que manteve negócios suspeitos com a Gamecorp de Fábio Luís, filho de Lula. E instalou uma estação de rádio base (Erb), antena exclusiva próxima ao sítio de Atibaia que Lula garante que não é dele, mas que, como no lobo da história infantil, tem olhos, focinho e boca que remetem ao ex.

Eike conseguiu torrar R$ 20 bilhões do BNDES.

Cinco meses depois de frequentar pela primeira vez o top ten da Forbes, o empresário de estimação do PT, a quem Lula conferiu privilégios de interlocução antes mesmo de fazer o seu primeiro discurso na ONU, arrematou em um leilão beneficente o terno que o ex usou na posse, em 2003. Pagou R$ 500 mil.

Queria moldar a imagem de empresário do bem. E, assim como Lula, usou o chapéu alheio.

29 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

TEMPOS IMPREVISÍVEIS

Ruy Fabiano

O presidente Michel Temer, diz o noticiário, pediu à presidente do STF, Cármen Lúcia, que não apressasse a homologação da Lava Jato. O motivo resume o Brasil de hoje: prejudicaria a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, incluídos entre os denunciados – e mesmo assim (ou por isso mesmo) apoiados pelo governo.

São eles, respectivamente, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira. O normal seria o contrário: pedir a homologação imediata para evitar que um dos eleitos viesse a arcar com o ônus moral de uma delação, ainda que blindado politicamente diante dela.

O pragmatismo político, no entanto, dispensa essas abstrações. O excesso de escândalos anestesia o senso moral, conferindo ao ambiente político aspecto de normalidade. E é nele, e nesses termos, que se move hoje o Brasil institucional.

É o inverso do princípio, muito repetido, que diz que à mulher de César não basta ser, mas tem de parecer honesta. Nos dias que correm, nem uma coisa nem outra: basta um foro privilegiado, uma composição favorável na mais alta Corte e bons advogados.

O resto fica por conta dos prazos, dos regulamentos, dos regimentos, das prescrições. Etc.

O país de hoje seria irreconhecível há alguns anos. Discute-se a sucessão no STF como no passado a escalação da Seleção. Hoje, o brasileiro médio talvez não saiba os nomes de todos os craques do escrete, mas sabe o nome dos juízes do STF, suas tendências e o que deles esperar. Isso pode ser bom: menos futebol e mais vigilância institucional. As instituições, porém, ainda não o perceberam.

A Temer, interessa viabilizar as reformas, sem dúvida urgentes, sobretudo para quem tem mandato meia-sola. Precisa de aliados fiéis e eficazes no Congresso e assim crê que o sejam os candidatos que apoia para presidir Câmara e Senado.

Pouco importa em que encrencas eventualmente se tenham metido. Eleitos, são intocáveis, como o demonstrou recentemente o próprio STF em relação a Renan Calheiros, preservando-o na presidência do Senado (e do Congresso) não obstante liminar em contrário expedida por um de de seus ministros, Marco Aurélio Mello.

Criou assim nova jurisprudência: o Legislativo pode ser presidido por um réu, mas, na eventualidade de este vir a ser chamado a ocupar a chefia do Executivo – já que está na linha sucessória -, não. Estabeleceu uma hierarquia entre os Poderes, à revelia da Constituição, focada na conveniência da hora.

O pragmatismo não é só do governo. A oposição, centrada no PT – cujo comando está há mais tempo no banco dos réus (alguns já na cadeia) -, decidiu apoiar os candidatos governistas às eleições da mesa diretora da Câmara e Senado.

Pouco importa que os candidatos governistas tenham apoiado o impeachment; pragmático não guarda mágoa. Com esse apoio, rejeitado pela base, mas vitorioso na cúpula, o PT garante cargos, influência e, mais que isso, blindagem, junto a seus ex-parceiros.

Vai precisar. O partido montou e chefiou a organização criminosa, apelidada de Orcrim, que protagonizou o maior escândalo de corrupção da história. E, em face dele, as prisões prosseguem.

Na quinta, prenderam Eike Batista, empresário formado na Era PT e apresentado por Lula e Dilma como modelo de empreendedor. Terá muito o que contar, ampliando o elenco de investigados, contribuindo para manter o ambiente sob tensão.

E eis o que temos: diante das delações da Odebrecht (e há outras em curso), que envolvem duas centenas de parlamentares, o presidente da República, os dois que o precederam no cargo (Lula e Dilma), além de ministros e ex-ministros, o político padrão dos dias de hoje acorda sem saber se embarcará no carro oficial ou no camburão; se irá à Praça dos Três Poderes ou à prisão.

Eike Batista, ainda foragido, irá para Bangu, onde está seu velho parceiro, Sérgio Cabral, que já sinaliza com uma delação premiada para livrar-se do desconforto habitacional.

Não restará a Eike outra opção, a menos que, valendo-se de sua dupla cidadania – é filho de uma alemã -, consiga chegar a Berlim e lá se estabelecer, sem riscos, já que a Alemanha não tem acordo de extradição com o Brasil e não deporta seus cidadãos. Nessa hipótese, gol contra: Alemanha oito a um.

Seus advogados, porém, garantem que voltará – e não quer ficar um dia sequer em Bangu. Ninguém quer. A alternativa é contar uma boa história às autoridades – a história completa e definitiva da Orcrim, da qual é peça-chave. Dispõe de elementos para desfazer as dúvidas que ainda restam. Sobretudo em relação ao BNDES, que bancou sua ascensão ao cargo fictício de empresário modelo.

Tempos interessantes. E imprevisíveis.

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

POBREZA LULO-FRANCISCANA

A Polícia Federal pediu ao Ministério Público Federal que o prazo para o encerramento de um inquérito contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja prorrogado.

De acordo com o despacho do delegado Márcio Anselmo, a investigação apura se um sítio no município de Atibaia, em São Paulo, pertence ao ex-presidente.

O sítio está registrado em nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios do filho do ex-presidente, Fábio Luis Lula da Silva. No entanto, os investigadores dizem que há indícios de que a propriedade pertenceria ao ex-presidente e de que a escritura apenas oculta o nome do verdadeiro dono.

A defesa de Lula nega que ele seja dono do imóvel.

* * *

O último parágrafo da notícia aí de cima já diz tudo: a defesa nega.

Lula também nega. O Instituto Lulalau nega com muita veemência.

Nada pertence a ele.

Até as cuecas que veste não são de sua propriedade.

A relação de bens na sua declaração anual de imposto de renda não tem uma linha sequer.

Além de ser mais honesto que Jesus Cristo, é também mais pobre que o Redentor. 

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

DILMA DIZ QUE NOVO GOLPE PODE MINAR A CANDIDATURA DE LULA OU ADIAR ELEIÇÕES

Dilma Rousseff encontrou nos últimos dias uma forma de preencher o vazio de sua rotina pós-impeachment. Dedica-se a espinafrar a democracia brasileira no exterior. Nesta sexta-feira (27), participou de um seminário na Universidade de Salento, em Lacce, no sul da Itália. A certa altura, denunciou um “segundo golpe” que estaria sendo tramado no Brasil, dessa vez para “retirar da eleição de 2018 Lula da Silva ou adiá-la, por algum motivo que eu ainda não consegui imaginar.”

A suposta trama golpista foi encaixada na última frase da palestra de Dilma como uma espécie de grand finale de uma locução confusa, que a tradução concomitante do dilmês para o italiano tornou enfadonha (assista à íntegra no vídeo disponível no no rodapé do post). Na antevéspera, Dilma dissera noutro seminário, na Espanha, que “há interesses escusos” na Lava Jato. Sem citar os cinco processos em que Lula figura como réu, mencionara o “grande risco de que eles tentem inviabilizar sua eleição, condenando-o.” Sobre adiamento da eleição, não havia falado ainda.

Paradoxalmente, Dilma disse crer na democracia brasileira. “Eu acredito na força do povo brasileiro para impedir esse golpe”, ela afirmou, sem esclarecer à plateia italiana que, por ora, há no Brasil mais gente na fila do seguro desemprego do que nas hipotéticas fileiras da resistência a um golpe que ninguém farejou. “O Brasil precisa de um banho de democracia”, sustentou. “Não é um acordo por cima, como é da nossa tradição política. Agora, é um acordo por baixo, que só o voto constroi.”

Dilma teve de fazer uma certa ginástica retórica para explicar aos italianos por que as praças no Brasil não estão apinhadas de manifestantes protestando contra o impeachment e clamando pelo seu retorno à Presidência. “Como se explica que a população brasileira tenha, de uma certa forma, sucumbido diante do golpe?”, ela perguntou a si mesma. Atribuiu o fenômeno sobretudo à crise. Nada a ver, naturalmente, com o seu governo. Dilma culpou o mundo.

“O mundo entrou em crise. Os países em desenvolvimento, emergentes, resistiram à crise. Mas acabaram sofrendo os efeitos dela a partir do terceiro trimestre de 2013. E a base fundamental dessa crise ocorreu em 2015.” Citando o economista Milton Friedman, que chamou de “pai do neoliberalismo”, Dilma disse que, sob crise, proliferam alternativas às políticas existentes, que ficam em evidência “até que o politicamente impossível se torne o politicamente inevitável.”

“No Chile foi o golpe [que guindou Augusto Pinochet ao poder]. Com a Margaret Thatcher [ex-primeira-ministra britânica], a guerra das Malvinas”, comparou Dilma, antes de incluir esta terra de palmeiras em sua inusitada analogia: “No Brasil, não foi [apenas] a crise econômica, foi sobretudo a crise política. A crise política teve um papel estratégico na inviabilização do governo, no enfrentamento da crise econômica.”

Sem citar nomes, Dilma sustentou que os algozes do seu governo, em conluio com a imprensa, fabricaram uma crise política, para “inviabilizar a saída da crise econômica.” As gestões petistas já tinham feito dois ajustes “para enfrentar problemas econômicos”, disse Dilma. “…Isso ocorreu em 2003, 2004 e metade de 2005. E ocorreu de 2010 para 2011. Nessas duas vezes, nós fizemos ajustes e conseguimos voltar a crescer, continuamos distribuindo renda. Nós acrerditávamos que conseguiríamos fazer o mesmo em 2015.”

Abstendo-se de mencionar que havia cerca de 11 milhões de brasileiros desempregados quando o impeachment foi consumado, Dilma atrasou o relógio: “Para vocês terem uma ideia, no final de 2014 a taxa de desemprego no Brasil era 4,6%, a mais baixa da história. Nós sabíamos que tínhamos de tomar medidas, reduzir alguns gastos, e sobretudo aumentar impostos.”

Sem perceber, Dilma acabou confessando na Itália ter praticado no ano eleitoral de 2014 um estelionato político. Sabia que o ajuste fiscal era inevitável. Tramava aumentar impostos. Mas prevaleceu sobre o tucano Aécio Neves nas urnas daquele ano vendendo a fantasia de um Brasil condenado à prosperidade, impermeável à crise.

A alturas tantas, Dilma pediu licença à plateia para “fazer uma reflexão”. Rodopiando em torno do óbvio, madame revelou: “Eu já percebi, acho que todo mundo percebe, que há um claro posicionamento de todas as sociedades contra impostos.” Espanto (!), pasmo (!!), estupefação (!!!). Madame notou que não há pessoa que goste de ser chamada de contribuinte depois que lhe arrancam tudo a força.

“Isso é jutificável até certo ponto”, pontificou Dilma. “Por quê? Porque também é inequívoco que há uma queda de tributação no mundo inteiro, sobretudo sobre as empresas. Não há a mesma queda proporcional em relação às rendas do trabalho.”

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Até Lula critica Dilma publicamente pela farra de desonerações tributárias que seu governo proporcionou a setores companheiros do empresariado. De resto, as observações soaram extemporânea nos lábios de Dilma, representante de um grupo político que passou 13 anos no poder e não se dignou a colocar em pé uma reforma tributária.

A palestra de Dilma flertou as contradições. Num trecho, criticou o governo “golpista” e “ilegítimo” por abraçar o neoliberalismo e impor à sociedade medidas impopulares como a emenda constitucional do teto dos gastos. Noutro insinuou que Michel Temer precisa enfiar um pouco mais a lâmina da faca nas costas dos brasileiros. Pregou a necessidade de um “aumento seletivo de tributação”.

“Não se sai da crise só por corte de gastos”, disse Dilma, distribuindo gratuitamente uma teoria que não conseguiu colocar em prática enquanto esteve sentada na poltrona de presidente. “Até é possível recuperar o crescimento. Mas o que está se vendo hoje é que se recupera o crescimento, mas não se recupera o bem-estar anterior. E é interessante porque é interditada essa discussão sobre impostos.”

Havia também na palestra de Dilma trechos impregnados do mais puro e legítimo dilmês, um idioma que os brasileiros abriram mão de tentar decifrar. A tradução era boa. Mas os italianos tampouco devem ter alcançado o nível de sofisticação da oradora. Vai abaixo, para quem tiver paciência, um trecho indecifrável do trololó:

“A razão primeira da crise, o fundamental da crise, da qual todos nós sofremos a consequência, é o processo de financeirização que tomou conta da economia. Entre outras coisas, explica porque a recuperação tem sido mais lenta e mais fraca. E isso coloca uma questão: nós, no Brasil estávamos contra a corrente. Nós vínhamos fazendo um processo de inclusão social, valorizando 200 milhões de população que temos, porque a população é um dos grandes recursos econômicos, políticos, sociais, morais e éticos. Mas é um valor econômico. Nós estávamos incluindo, quando o que fazia e o que ocorria com o capitalismo? Produzia a maior desigualdade de todos os tempos. O que explica as reações ao Brexit e à própria eleição americana. Por que isso? Porque é algo que, no Brasil, nós vivemos ao contrário. Enquanto as populações têm expectativas sobre o atendimento às suas demandas, a participação na forma pela qual as coisas vão ser decididas ou encaminhadas, a política, no sentido maior da palavra, é relevante. Quando uma nação, um país e o mundo se financeirizam e a resposta é o salário precário, salário baixo e falta de perspectiva, a política passa a ser irrelevante. E soluções mágicas, salvadores da pátria surgem.”

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

É GUABIRU QUE SÓ A PORRA NA FACÇÃO PMDEBISTA

As acusações do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho contra três ministros – Eliseu Padilha, Moreira Franco e Geddel Vieira Lima, já demitido – são “modestas”, comparadas às revelações dos demais 76 executivos da empreiteira.

Fonte ligada às investigações se espantou: “quase todo governo” está enrolado.

* * *

76 cabras abrindo o bico e espalhando tolôtes nos ares é bom demais!

Uma excelente notícia.

A corja do PMDB tá matando de inveja a aposentada corja do PT.

Sairam uns mamadores, entraram outros chupadores. Dou uns pelos outros e não quero torna.

Se todos os atuais ministros estiveram envolvidos em ladroagem, e o prisidente Temer não tiver ninguém no seu curral pra nomear, eu quero declarar que estou às ordens.

Acabei de enviar mensagem ao Palácio do Planalto me colocando à disposição de Sua Insolência.

Não sendo Fazenda, Justiça, Agricultura e outros que tais, pra mim qualquer ministeriozinho safado serve.

O Ministério do Aputiferamente Empobalizador Rolífero Sistêmico, por exemplo, eu administraria com o maior prazer e, modéstia adiada, com muita competência também.

Estou às ordens, prisidente!

Os guabirus do gunverno do PMDB ao redor do prisidente Cara-de-Tabaca

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

AS ÁGUAS VÃO ROLAR

As investigações da Lava Jato uniram novamente os marqueteiros Duda Mendonça e João Santana, que atuaram em diversas campanhas petistas entre 2002 e 2014.

Santana foi preso e passou a negociar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República.

Duda imaginou que poderia ter o mesmo destino do seu sucessor e procurou o MP para revelar o que sabia.

Santana promete entregar a prova definitiva de que Dilma tentou atrapalhar a Lava Jato. Ele e sua mulher, Mônica Moura, acusam a ex-presidente de vazar de dentro do Planalto informações sigilosas sobre o andamento da operação.

Os publicitários também pretendem revelar como receberam caixa dois da Odebrecht em contas no Brasil e no exterior.

João Santana e Duda Mendonça, os marqueteiros do PT

* * *

Eita que o desmantelo tá ficando melhor a cada dia que passa.

A merda vai ser jogada no ventilador e será vendida na praça ao preço de 13 tostões um dedal.

Como costuma dizer meu grande amigo palmarense Adolfo Dido, as águas vão rolar!

E vão rolar com muita abundânica daqui pro carnaval. Não vai ter seca que resista ao temporal que se avizinha.

Eu acho é pouco!!!

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

ACORDOS DE PETISTAS NO CONGRESSO ESVAZIAM DISCURSO DA DILMA

Os petistas, normalmente tão aguerridos quando têm que defender o partido, mergulharam. Hibernaram depois que o guia espiritual Luís Inácio Lula decidiu que os seus deputados e senadores devem apoiar os “golpistas” em troca de cargos na mesa diretora da Câmara e do Senado. O ex-presidente não deu bolas para a companheira Dilma quando teve que decidir pelo apoio, deixando-a falar sozinha pelos cantos contra os adversários que o partido agora apoia. Dilma, que já não apitava nada no partido, agora anulou-se de vez.

Nem bem a cadeira dela esfriou no Planalto, Lula já se articulava com lideranças do Senado e da Câmara para alojar os companheiros desempregados. O primeiro a ocupar um cargo no Senado foi Gilberto Carvalho, seu eterno chefe de gabinete, a quem pesa suspeitas pela morte do prefeito Celso Daniel. Carvalho alojou-se no gabinete da liderança da oposição, comandado por Lindbergh Farias, com salário de R$ 20 mil. Mesmo assim, não conseguiu persuadir o seu senador a apoiar os “golpistas”, deixando-o falar sozinho contra o acordo.

O PT, que em outras épocas se notabilizou pela defesa intransigente da ética na política, transformou-se no partido das boquinhas. Depois de se revelar como uma das agremiações mais fisiológicas entre as que existem no país, enveredou-se pelo caminho da corrupção e dos cargos públicos. E para isso, atropela a história para beneficiar seus militantes parasitas que se acostumaram a surrupiar o dinheiro do contribuinte.

Para apoiar a reeleição de Rodrigo Maia, do DEM, na Câmara e Eunício, do PMDB, no Senado, o PT quer as duas secretarias que têm orçamento para este ano de quase 10 bilhões de reais e mais de 40 cargos, com salários milionários, para serem ocupados por seus militantes que não conseguem emprego na iniciativa privada por notória incompetência. Para os petistas, a política virou um jogo, um meio de vida. Usá-la como meio de transformação da sociedade é apenas retórica. O que vale mesmo é o enriquecimento ilícito, o assalto aos cofres públicos e o dízimo que os militantes em cargos comissionados pagam ao partido.

O discurso da Dilma e de alguns de seus seguidores de que teria sofrido um golpe vai por terra, quando se assiste os petistas, liderados por Lula, fazendo acordos espúrios em nome do partido com parlamentares que até então eram considerados de direita, oportunistas, carreirista, aético e golpistas. Pelo menos esse foi e continua sendo o discurso da ex-presidente para esconder a incompetência administrativa e o maior escândalo de corrupção da história do país no seu governo.

Agora, exercendo um carguinho decorativo no partido, Dilma está definitivamente descartada dentro do PT, onde, na verdade, nunca foi aceita pelos militantes históricos. Mesmo assim, afetada por uma incurável obsessão, ainda mantém o discurso do golpe onde chega.

A aparente fortaleza na resistência ao impeachment era apenas fachada. Sabe-se nos bastidores que ao ser comunicada de que o seu afastamento era inevitável, implorou aos líderes do Senado para ser poupada de ter os direitos políticos cassados. Argumentava que deixar a presidência já era a sua maior punição. Pensava, e ainda pensa, em se candidatar a um cargo eletivo pelo Rio de Janeiro, onde, segunda ela, está a maioria dos seus eleitores.

Em um estado que elegeu Agnaldo Timóteo, Juruna, Cabral, Pezão e Garotinho tudo é possível.

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

EXTRA! EXTRA! FOLHA CHAMA CRIMINOSO DE… CRIMINOSO!

Rodrigo Constantino

A gente pega no pé da “fake news”, aplica a Caneta Desesquerdizadora nela, coloca os pingos nos is, cobra coerência e tudo mais. Mas quando a grande imprensa acerta, também precisamos reconhecer. Foi o caso dessa chamada no UOL da Folha:

Pode ser uma simples troca de estagiário? Pode, claro. Ou, como disse um amigo meu, jornalista de Goiás: “O que aconteceu com a Folha? Será que o Frias foi abduzido? Ela chama os bandidos que tentaram assaltar um shopping em Osasco de ‘bandidos’ e ‘criminosos’. Justo a Folha para quem todo bandido é ‘suspeito’ ou ‘jovem’, como ironizou um leitor”.

É verdade. Não foram adolescentes ou jovens que teriam sido “assassinados” pela política. Foram criminosos mortos mesmo! Parabéns! Tiro meu chapéu para a objetividade do jornal (a que ponto chegamos de celebrar isso?). Eis a notícia:

Dezenas de disparos foram ouvidos dentro e fora do shopping União, em Osasco (Grande São Paulo), na manhã desta sexta-feira (27), após uma tentativa de assalto. Na fuga, quatro bandidos – que estariam armados com fuzis – foram baleados, segundo a polícia.

Eles estavam em uma Tucson preta e bateram em um ônibus intermunicipal na avenida Presidente Altino, na altura da avenida Alexandre Mackenzie. Houve troca de tiros após o acidente e dois dos assaltantes morreram. Um outro veículo, um Veloster branco, onde estariam outros suspeitos, não foi alcançado. A polícia não sabe dizer quantos indivíduos estavam no veículo.

Dos feridos, um foi levado para o Hospital Regional de Osasco e outro para a Santa Casa, na capital, de acordo com a PM. Não há informações sobre o estado de saúde deles.

O grifo é meu, para destacar esse milagre! E vejam só as armas desses “jovens”, você que aplaude o “desarmamento” civil:

Continua aí, de boas, achando o máximo a política de “desarmamento” só dos cidadãos honestos…

Bem, pelo menos esse caso terminou bem, com os marginais mortos no confronto com a polícia, como deve ser. E parabéns ao jornal, que chamou as coisas pelo nome. Está vendo só, Frias, como não dói nada? Vê se a partir de agora obriga a rapaziada a chamar bandido de bandido e marginal de marginal, ok?

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO SÁBADO – UM GUABIRU PRESO E OUTRO AINDA SOLTO

O governo do Rio de Janeiro ingressou nesta sexta-feira (27) com ação no Supremo Tribunal Federal para pedir que deixem de ser aplicados artigos da Lei de Responsabilidade Fiscal que inviabilizem o acerto firmado com a União destinado a amenizar a crise financeira do estado.

Nesta quinta-feira (27), o presidente Michel Temer e o governador Luiz Fernando Pezão assinaram um termo de compromisso pelo qual enviarão ao Congresso e à Assembleia Legislativa as propostas que, se aprovadas, permitirão a formalização de um acordo.

Pelo termo de compromisso, o estado deixaria de pagar suas dívidas com a União por até 36 meses. Em troca, terá de adotar medidas para reduzir o déficit fiscal, entre as quais cortar neste ano R$ 9 bilhões em gastos públicos.

Ao STF, o Rio pediu aval para não ser obrigado a observar os limites de gastos com pessoal e o limite de endividamento a fim de continuar realizando operações de crédito e, com isso, impedir bloqueio de recursos em contas do governo.

* * *

Eu tinha que viver o bastante pra presenciar esta situação: o Rio de Janeiro mais fudido do que o Piaui e o Maranhão.

E pra chegar a esta impressionante penúria, o estado contou com a decisiva atuação guabirutífera de Sérgio Ladrão Cabral.

Aquele que é hoje presidiário e que, em campanha para ser reeleito gunvernador, ouviu embevecido, atrepado num palanque, um então prisidente da república dizer que “Votar no Sérgio Cabral é uma obrigação moral” (clique aqui para ouvir e se horrorizar novamente com este tolôte oral).

O guabiru preso – que aguarda a chegada de Lapa de Corrupto, o guabiru ainda solto -, contribuiu decisivamente pra fuder o Rio de Janeiro e, em consequência, fuder também a sua população e os seus contribuintes.

Sérgio Decente Cabral, um dos maiores especialistas em música popular brasileira, pai de Sérgio Ladrão Cabral, sempre foi um homem sério e honesto – hoje em dia devastado por um mal que faz com que ele fique desligado do mundo -, não tem conhecimento disto.

Sem saber de nada sobre o mundo real, ele costuma dizer que o filho morreu quando era ainda criança…

É um consolo este alheamento da realidade.

Talvez ele não resistisse ao ler o noticiário e tomar conhecimento de que o seu rebento está atrás das grades por grossa, por enorme, por inacreditável roubalheira.

Fecho a postagem sugerindo a leitura de mais uma triste notícia.

Basta clicar na manchete abaixo:

Crise faz ciência do RJ atrasar em até 10 anos, dizem pesquisadores

* * *

“Somos uma dupla fuderosa: eu fudi o Rio e ele fudeu o Brasil!”

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

NÃO HÁ COMO BRECAR DELAÇÕES

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

A ESSA ALTURA, DELAÇÃO DE CABRAL SERIA ZOMBARIA

Preso desde novembro, Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, tornou-se um frequês da Lava Jato. Ignorando seus desmentidos, os investigadores levaram à vitrine um esquema que lavou, engomou e enviou para fora do país pelo menos US$ 100 milhões desviados do erário fluminense. Um dos comparsas de Cabral, o ex-bilionário Eike Batista, é considerado foragido. Com o teto do seu bunker de fantasias a desabar-lhe sobre a cabeça, Cabral sinaliza a intenção de tornar-se um delator. Em troca, quer deixar o ambiente inóspito da hospedaria de Bangu’s Inn.

A delação tem mais lógica quando o peixe miúdo entrega os tubarões. Adepto do estilo ‘propina-ostentação’, Cabral não é propriamente uma sardinha. Tratá-lo como um personagem menor, a essa altura, seria como tentar acomodar uma baleia dentro de uma banheira jacuzi. Conceder-lhe benefícios judiciais num instante em que o governo do Rio, quebrado, reivindica socorro da União seria uma zombaria com a sociedade fluminense, com a populacão brasileira e com a própria lógica. Alguém tem que ser punido exemplarmente.

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

GUABIRUS, CORRUPTOS E LADRÕES: TUDO NO MESMO BISACO

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O ANIVERSARIANTE DO DIA

Preso desde novembro do ano passado e alvo de mais uma investigação relacionada à Operação Lava Jato, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral quer fazer acordo de delação premiada. A intenção de colaborar e negociar uma pena menor em eventual condenação foi repassada a aliados próximos.

Cabral foi preso no ano passado durante a Operação Calicute, por ter recebido mesadas de até R$ 850 mil das empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia.

Um dos motivos que o levaram a cogitar a delação premiada, segundo aliados, é o ambiente hostil no presídio de Bangu 8, na zona oeste do Rio, onde cumpre prisão preventiva.

Cabral, dizem interlocutores do peemedebista, admite ter reduzidas chances de se livrar da prisão pelos caminhos tradicionais – via habeas corpus – por causa da quantidade de provas contra ele reunidas pela Procuradoria da República e pela Polícia Federal.

* * *

Ótimo.

Será muito bem vinda esta delação do guabiru carioca.

Tomara que ele solte o verbo e diga tudo.

Deve ter coisa que só a porra pra contar.

“Vê si livra minha cara neça tua dedação, cumpanhero Serjo; já tô pra lá di fudido”

* * *

Enquanto aguardamos que o passarinho abra o bico, vamos cantar parabéns pro ilustre ladrão presidiário, o bem sucedido aprendiz da feitiçaria luleira, hoje em dia obrando de coca no presídio de Bangu.

Nesta data tão querida, 27 de janeiro, Serginho Lalau completa 54 bem vividas primaveras.

Vamos botar Xuxa pra cantar parabéns para um dos maiores guabirus já nascidos no Rio de Janeiro e no Brasil.

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O POLÍTICO QUE MULTIPLICAVA

José Casado

Estava feliz naquela noite de primavera, quinta-feira 7 de outubro de 2010. Há apenas quatro dias garantira a reeleição ao governo estadual no primeiro turno, com 66,08% votos. Agora seguia no voo 455 da Air France para descanso em Paris, com escala em Londres.

Escolheu um hotel no lado oeste da capital do Reino Unido, perto do Hyde Park, onde em 1855 Karl Marx subiu num caixote – para não pisar em solo inglês, conforme a tradição – , e discursou sobre a revolução proletária para uma plateia de ingleses reformistas.

Na suíte, telefonou ao Rio ordenando o envio de 20 mil libras esterlinas (cerca de R$ 80 mil hoje). O carioca Marcelo, um dos herdeiros da mesa de câmbio Hasson Chebar, passou numa agência do banco israelense Hapoalim, e levou o dinheiro ao governador reeleito. Na antessala, viu e cumprimentou a primeira-dama.

“Mr. Santos”, era o nome que registrara no livro de hóspedes do hotel. Ele gostava de disfarces. Vivia uma rotina de clandestinidade. Tinha outro codinome, que restringia às conversas por um telefone (21-9972-33315) na privacidade do Palácio Laranjeiras: Nelma. No catálogo telefônico, Nelma de Sá Saraça.

Santos e Nelma, na vida real, eram Sérgio de Oliveira Cabral Santos Filho, que hoje completa 54 anos numa cela no presídio de Bangu, onde a temperatura de verão oscila acima de 40 graus.

Tinha metade desse tempo de vida quando emergiu das urnas como deputado, nos anos 90.

Terminou o terceiro mandato com pelo menos US$ 2 milhões (ou R$ 6,8 milhões) em contas secretas no exterior, conforme descritos nos inquéritos e processos em andamento na Justiça Federal.

Por cada ano na Alerj, recebeu em média US$ 166 mil de origem suspeita.

Elegeu-se senador com 4,2 milhões de votos. No período em Brasília (2003 a 2006), seu patrimônio oculto fora do país subiu para US$ 7 milhões (R$ 23,8 milhões). Como senador passou a receber US$ 1,2 milhão por ano – aumento de 653% em relação ao tempo de deputado.

Disputou e ganhou o governo estadual. Eleito, permaneceu entre 1º de janeiro de 2007 a 3 de abril de 2014. Passou o cargo ao vice, Luiz Fernando Pezão, nove meses antes do fim do segundo mandato.

Não precisaria mais usar o codinome Santos para desfrutar a fortuna que Nelma arrecadara na solidão do Laranjeiras, ao telefone com executivos das empresas de Eike Batista e de Marcelo Odebrecht, entre outras.

Multiplicara sua riqueza 21 vezes no espaço de 84 meses. O movimento nas contas encobertas em bancos estrangeiros saltou de US$ 7 milhões para US$ 152 milhões (R$ 517 milhões).

Como governador, coletou US$ 18,1 milhões, em média, a cada ano no palácio – 138% acima do patamar que alcançara quando era senador, e 10.803% mais que a arrecadação na Assembleia.

No país do real, Cabral foi um meio-bilionário por um tempo. Voltou à realidade em Bangu

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

CORRUPTO APAVORADO COM A POSSÍVEL PRISÃO DO CORRUPTOR

O ex-presidente Lula tem motivo de sobra para se preocupar com o pedido de prisão de Eike Batista.

Foi no governo Lula que o grupo empresarial de Eike faturou como nunca com recursos públicos.

* * *

O corruptor ativo Eike Mauricinho Batista sempre faturou.

E muito.

Em tudo quanto é gunverno.

Mas esta notícia aí de cima resume tudo:

Ele “faturou como nunca” no gunverno de Lapa de Meliante.

“Pelamordedeus, Eikinho, se tu for cagar de coca na cadeia, num entrega o nosso padrinho não; devemos tudo a ele e temos o dever da gratidão; e fica tranquilo que o fubânico petista Ceguinho Teimoso vai defender nós três”

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

LAVA JATO DEVE EXPLICAÇÃO SOBRE VIAGEM DE EIKE

A ordem de prisão de Eike Batista consta de um despacho assinado pelo juiz federal Marcelo Bretas em 13 de janeiro de 2017. Mas só nesta quinta-feira (26), 13 dias depois da expedição do mandado judicial, os agentes federais foram à mansão do ex-bilionário, no Rio. Não o encontraram. Informou-se que decolara para Nova York dois dias antes, na noite de terça-feira.

Tacio Muzzi, delegado da Polícia Federal, saiu-se com uma explicação singela: “Em relação à viagem do senhor Eike Batista, não havia prévio conhecimento. Estava-se acompanhando a movimentação dos investigados e, na madrugada de hoje (26), chegou ao conhecimento que poderia ter saído para fora do país na data do dia 24, na parte da noite.” Hummmm.

A fala do doutor contém um paradoxo que resulta num déficit de explicação. Ora, se “estava acompanhando a movimentação dos investigados”, por que a Polícia Federal não teve “prévio conhecimento” do deslocamento do investigado-mor? Por que a força policial precisou de quase duas semanas para executar a ordem que os investigadores requisitaram ao juiz?

Advogado de Eike, Fernando Teixeira Martins, que trabalhou como agente da Polícia Federal de 2004 a 2015, acompanhou a batida de busca e apreensão na mansão do seu cliente. Disse que ele deseja retornar ao Brasil “o mais rápido possível” e tem a disposição de colaborar. Pode ser. Entretanto, se não for alcançado pelo Interpol, Eike só retorna se quiser. Leva no bolso um passaporte alemão. E não lhe faltam recursos.

A exemplo da Polícia Fderal, também a Procuradoria renderia homenagens aos controibuintes se dissesse meia dúzia de palavras sobre a mobilidade de Eike. Afinal, o juiz Marcelo Bretas anotou em seu despacho: “Caberá ao MPF [Ministério Público Federal] as providências devidas à execução das medidas.” Entre elas a prisão de Eike Batista.

Polícia Federal demorou 13 dias para procurar Eike Batista em sua mansão no Rio! Por quê?

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26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – UMA NOTÍCIA AUTENTICAMENTE BANÂNICA

O Vice-prefeito do Rio de Janeiro e secretário Municipal de Transportes, Fernando Mac Dowell, não paga IPTU desde 2001.

Segundo reportagem do jornal “O Globo” nesta quinta-feira (26), Mac Dowell acumula mais de R$ 215 mil em dívidas de IPTU com a Prefeitura do Rio.

A reportagem traz a lista de pendências do vice-prefeito e diz que a prefeitura cobra na Justiça o imposto da casa de Mac Dowell na Barra da Tijuca.

* * *

O vice-prefeito da cidade não paga o imposto recolhido pelo município, o IPTU, há 16 anos!!!!

E isto não é lá em Palmares.

Não é em Chapadinha, no Maranhão. Ou na cidade de Jacaré dos Homens, nas Alagoas.

É fato acontecido numa das principais capitais de deztepaiz, a nossa querida Cidade Maravilhosa.

E o sujeito ainda teve a cara-de-pau de informar que não comentaria o assunto porque “se trata de uma questão de cunho pessoal.”

Uma sonegação, uma calhordagem, uma guabirutagem íntima, um assunto exclusivo de sua consciência.

Isto é a República Federativa de Banânia em estado puro. Puríssimo

Esta não dá pra comentar.

Só dá pra rir mesmo.

26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

“HÁ INTERESSES ESCUSOS” NA LAVA JATO, DIZ DILMA

Um dia depois de Lula ter declarado que a Lava Jato “tem dedo estrangeiro”, Dilma Rousseff ecoou o criador ao discursar num seminário na Espanha, nesta quarta-feira. Expressando-se num idioma próprio, que mistura português com espanhol, a presidente deposta declarou que “há interesses escusos” na Lava Jato. Disse que a operação tem o deliberado propósito de “inviabilizar empresas” brasileiras. “Não é algo gratuito”, ela acrescentou. O objetivo, insinuou Dilma, é beneficiar empresas estrangeiras.

Dilma injetou a Petrobras em sua prosa: “As grandes empresas brasileiras de construção, hoje, estão sem dúvida nenhuma interditadas. Aí acontece algo muito interessante: a Petrobras abre um processo licitatório recente. Quem comparece? Nenhuma das grandes empresas brasileiras. Por quê? Porque estão presas. Quem comparece? Grandes empresas internaciomais de construção. Entra-se na internet. Coloca-se o nome de cada uma das emrpesas. E coloca-se corrupção ao lado. Aparecerão todos os processos em que elas foram julgadas. E estão, inteiras, participando.”

Dilma tratou o Brasil como um país exótico: “O Brasil tinha grandes empresas construtoras. Nos Estados Unidos, na Europa, em todos os lugares do mundo se combate a corrupção não destruindo as empresas, mas prendendo os executivos. Prendem-se os excutivos, punem-se os executivos. Eles têm de ser punidos, não as empresas, que são instituições, nem os partidos também.”

Madame soou como se estivesse alheia ao que se passa em seu país. Absteve-se de recordar que os executivos das construtoras foram presos. Alguns permanecem atrás das grades, como o agora delator Marcelo Odebrecht. Outros encontram-se em prisão domiciliar.

Dilma fingiu desconhecer também o fato de que empresas como a Odebrecht firmaram acordos de leniência no Brasil e em outros países – entre eles os Estados Unidos. Por meio desses acordos, as construtoras purgam os seus crimes, devolvem dinheiro amealhado à margem da lei e se credenciam para voltar a operar. Tudo conforme previsto em legislação aprovada e sancionada durante o governo da própria Dilma.

A ex-presidente petista participou, na cidade espanhola de Sevilha, de um seminário chamado “Capitalismo neoliberal, democracia sobrante”. Nesse título, “sobrante” é aquilo que é deixado de lado. Dilma repetiu além-mar todo o lero-lero que os brasileiros já se fartaram de ouvir: foi vítima de um “golpe parlamentar”, o governo do PMDB é “ilegítimo”, o PSDB fez parte da trama, só eleições diretas restabelecerão a democracia, Lula é perseguido e todo aquele imenso etcétera.

“Creio que é possível que haja uma tentativa de golpe dentro do golpe”, afirmou Dilma a certa altura. “É inviabilizar a eleição democrática prevista no Brasil para 2018.” Como assim? “Uma pessoa surge com uma grande possibilidade de ser reeleito: Lula da Silva. Lula é para eles, golpistas, um grande perigo, porque tem toda sua carga de realizações e o reconhecimento de uma parte da população.”

Sem mencionar os cinco processos em que Lula figura como réu, Dilma prosseguiu: “Tentaram destrui-lo de todos os jeitos. Fazem pesquisas. E ele está na frente. Então, há grande risco de que eles tentem invabilizar sua eleição, condenando-o. Para que ele não seja candidato, tem que condená-lo duas vezes.”

Nessa versão propalada por Dilma no exterior, Lula iria em cana apenas porque tem pontos demais nas pesquisas de opinião. Nada a ver com as acusações de tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Esse Brasil do discurso de sua ex-presidente, uma autêntica República de bananas, não orna com o país que se esforça para punir os responsáveis pelo maior escândalo de corrupção de toda a sua história. Um escândalo que tem raízes na gestão Lula e continuou dando frutos na administração Dilma.

26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – DISPUTA ACIRRADA ENTRE DOIS GUABIRUS

Eike Batista pagou US$ 16,5 milhões em propina ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral por meio de um falso contrato, declararam à Justiça Federal dois operadores que fecharam acordo de delação premiada.

O empresário é o principal alvo da Operação Eficiência, novo desdobramento da Lava Jato, deflagrada na manhã desta quinta-feira (26).

Nesta ação, a Polícia Federal investiga crimes de lavagem de dinheiro na ocultação no exterior de aproximadamente U$ 100 milhões, cerca de R$ 340 milhões.

O esquema era comandado pelo ex-governador fluminense.

* * *

Não custa nada ressaltar que a Operação Eficiência – esta que está botando no furico de Eike Jatinho Batista -, é um desdobramento da Operação Lava Jato, aquela que foi denunciada na ONU pelos petralhas como sendo uma injusta perseguição a Lapa de Corrupto.

E atenção, leitores fubânicos: são 16,5 milhões.

De dólares!!!!

Nada de reais.

Informante fubânico bem posiconado acabou de me dizer que, tendo em vista a fantástica e piramidal guabirutagem de Sérgio Cabral, a cúpula do PT, na próxima reunião do diretório nacional da facção vermêio-istrelada, irá propor a formalização de uma aliança com o PMDB.

A ideia é formar uma chapa com os dois partidos para a eleição prisidencial do ano que vem.

Uma chapa com Lula na cabeça e Cabral na vice.

Desde já aviso que podem contar com o meu voto!!!

Não faltará assunto nunca nesta gazeta escrota quando a dupla impagável (êpa!) estiver gunvernando Banânia.

Vai ser um espetáculo imperdível.

“Tu robô pra caraio, Serjo; si apurare mai, tu vai acabá ganhando d’eu”

26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UM COMPORTAMENTO INQUALIFICÁVEL

Em ação tão oportunista quanto mórbida, o PT prepara campanha junto à militância para atribuir o eventual falecimento da mulher de Lula ao juiz Sérgio Moro, ao PSDB e à Operação Lava Jato, nesta ordem.

Paulo Okamoto, espécie de porta-voz de Lula no Sírio Libanês, disse que a tensão da Lava Jato provocou o AVC de Marisa Letícia.

São uns malandros.

Há 14 anos ela teve um aneurisma, que era acompanhado clinicamente. Agora estourou. Aconteceria de qualquer maneira.

* * *

Chega dá nojo este tipo de comportamento dos petralhas.

Putz.

Torço pra que Dona Marisa se recupere e fique boa o mais depressa possível.

Enquanto aguardo que ela tenha alta e volte pra casa, vou ali buscar meu pinico.

Estes petralhas sempre me dão ânsias de vômito.

26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

BOA DISCÍPULA

Enquanto o Brasil vive uma crise financeira sem precedentes, com demissão de trabalhadores e empresas falindo, a ex-presidente da República Dilma Rousseff passeia na Espanha divulgando a candidatura de Lula para voltar a ser presidente.

Em entrevista à Rádio Sevilla, ela falou que não disputará mais uma candidatura à presidência da República e que agora o candidato é Luiz Inácio Lula da Silva.

Não explicando que foi cassada, ela ainda mentiu aos espanhóis ao dizer: “As pessoas têm hora e vez, tudo tem hora e vez, a já foi a minha. Não serei eu, será Lula da Silva o candidato”. Adiantou ainda que continuará fazendo política.

Dilma atacou o presidente Michel Temer (PMDB), falando que o processo de impeachment no Brasil foi “traumático”.

Também sobrou para o presidente Donald Trump:

– Esses salvadores da pátria põem em risco a democracia.

* * *

Para ser uma fiel discípula de Lula, é indispensável que Dilma também saiba cagar tolôtes pela boca-furico.

Vaca Peidona é uma aluna nota 10!

Ou, melhor dizendo, uma aluna nota 13.

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26 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – TÁ CHEGANDO PERTO DELE…

Polícia Federal está na casa de Eike Batista, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, para cumprir mandado de prisão pela Operação Eficiência, segunda fase da Calicute, braço da Lava Jato.

Os policiais chegaram à casa do empresário por volta das 6h da manhã desta quinta-feira (26).

Eike é acusado de pagar propina para o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que foi preso na mesma operação, para conseguir vantagens para seus negócios no Rio.

Contra ele também está sendo cumprido mandado de busca e apreensão.

* * *

Mais um corruptor ativo vai ver o sol nascer quadrado.

A prisão de Eike nesta quinta-feira é por conta de um ladrão do PMDB.

Em breve, o tempo de cadeia será acrescido por conta do ladrão-mor do PT.

Tá chegando cada vez mais perto de Lapa de Corrupto…

Vamos torcer pra que antes do Carnaval tenhamos a excelente notícia.

“Quando nóis dois tivé na cadeia, vô sinti sodade do teu jatim, Eike…”

* * *

Ficou pra trás aquele tempo em que só preto, pobre e puta iam obrar de coca no boi: em tempos de Lava Jato, até os bilionários, como estes dois aí da foto, estão tomando no olho do toba

 

25 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

URGÊNCIA NA DELAÇÃO

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25 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

CONTINUA AFIADA EM DIZER BOBAGENS E INVERDADES

Ricardo Noblat

Em Sevilha, na Espanha, onde participa de um seminário internacional, a ex-presidente Dilma Rousseff voltou a disparar uma bateria de bobagens e de inverdades sobre o que se passa no Brasil. Vamos a elas.

“O segundo golpe, depois do meu impeachment, é impedir que Lula seja candidato, pois as pesquisas mostram que ele estaria na dianteira e ganharia a eleição”.

(A mais recente pesquisa Datafolha, de 12 de dezembro último, mostrou que Marina Silva (REDE) é a líder nos cenários de segundo turno na eleição presidencial de 2018. Derrotaria Lula por uma diferença de nove pontos. Em cenários de segundo turno contra Geraldo Alckmin, José Serra ou Aécio Neves, o quadro é de empate técnico com uma pequena vantagem numérica para Lula. O que impediria Lula de ser candidato seria sua eventual condenação pela Justiça, a mesma Justiça que avalizou a correção do processo de impeachment de Dilma.)

Dilma chamou Michel Temer de golpista, e seu governo de “ilegítimo”. “Perdemos a batalha, mas não podemos perder a democracia”, afirmou.

(O discurso do golpe está morto e enterrado por aqui. Lula autorizou o PT a negociar com os partidos que apoiam Temer cargos de direção no comando da Câmara dos Deputados e no Senado. O governo ainda está repleto de petistas no segundo e no terceiro escalões. O PT tem participado no Congresso da votação de matérias de interesse do governo. A democracia não está ameaçada. Dilma reclama da cassação do seu mandato, mas nada diz sobre a decisão do Senado que preservou seus direitos políticos.)

“Não se pode usar uma investigação sobre corrupção como arma de combate político e ideológico”. (…) “Não se pode construir uma justiça do inimigo, que é aquela que não exige provas, bastando as convicções para condenar ou acusar alguém”.

(As condenações da Lava-Jato foram referendadas por instância superior da Justiça ou estão à espera de ser. O que as investigações apuraram até agora foi suficiente para abertura de processos contra empreiteiras brasileiras em mais de meia dúzia de países, inclusive nos Estados Unidos.)

Sobre a Odebrecht: “Lamento que se destrua uma empresa só por se tratar de uma grande empresa brasileira”.

(A Odebrecht é a única responsável por sua própria degradação. Ninguém a obrigou a se corromper e a corromper. Dilma poderia ter aproveitado a ocasião para explicar por que, como presidente da República, ao se encontrar com Marcelo Odebrecht no México, aconselhou-o a não voltar ao Brasil para escapar de ser preso. Ele voltou e foi preso.)

25 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O DOUTORZINHO E O LOUCO NA ARTE DE RUA DE SÃO PAULO

Quando eu estava pesquisando a vida da psiquiatra Nise da Silveira para o meu filme Olhar de Nise, estive no hospital do Engenho de Dentro, no Rio. Lá, fui apresentado a um paciente que se encarregou de ciceronear a minha visita. Vimos celas, corredores, enfermarias, pátios, almoxarifados e, finalmente, entramos numa sala de recreação. O louco parou, olhou para mim e, emocionado, disparou:

– Ali, naquela parede vazia, caiada de branco, existiam várias pinturas nossas. Mas um doutor novo chegou aqui e mandou apagar tudinho.

Foi naquele hospital, entre as décadas de 1950 e 1960, que a psiquiatra alagoana Nise da Silveira e o pintor Almir Mavignier descobriram, entre centenas de doentes mentais, grandes talentos da pintura brasileira como Fernando Diniz, Adelina, Carlos Petrus, Emigdio e Raphael, que se perpetuaram na arte. Felizmente, naqueles tempos não apareceu por lá nenhum doutorzinho para apagar as suas belas pinturas que correram o mundo.

O que o prefeito de São Paulo está fazendo com a arte de rua da cidade se assemelha muito com a atitude do doutorzinho do Engenho de Dentro. Sem consultar a população, ele decidiu tornar ainda mais cinzas as paredes das ruas da cidade antes tão coloridas pelos mãos dos talentosos grafiteiros, que decidiram humanizar a selva de pedra com seus pincéis mágicos e as suas pinturas multicoloridas, de conceitos concretos e abstratos, admiradas no mundo.

João Doria, o prefeito, responsável pela tragédia cultural da livre criação, é o nosso Trump tupiniquim. Eleito no primeiro turno das eleições paulista, substituiu um petista que bateu todos os recordes de rejeição. Mas conseguiu chegar ao topo da administração de uma das maiores cidades da América Latina sem nunca antes ter sido testado nas urnas, vendendo à população o discurso do não político. E, surpreendentemente, age como os políticos carimbados com demagogia e populismo barato.

Ao tomar posse transformou-se em gari, pedreiro e ciclista. Uniformizou-se e foi para as ruas catar lixo. Não demonstrou nenhuma habilidade na nobre tarefa de limpar a cidade nem na de pedreiro e muito menos na de ciclista. Mostrou-se incapaz até para imitar o ex-prefeito Jânio Quadros, o exótico político, fabricado também pelos paulistas, que governava (?) com uma vassoura.

Doria, que se diz apolítico, quer cativar a população com demagogia. Quer parecer igual à massa que o elegeu. Quer passar por todas experiências para governar tomando as decisões acertadas, nada mal para um executivo forjado dentro de um escritório. Até terminar o mandato ainda pode ser trocador de ônibus, leão de chácara, motorista de táxi, vendedor ambulante, feirante, garçom, entregador de pizza, ambulante, chincheiro e cozinheiro. Com tantas atividades, certamente, não vai sobrar tempo para São Paulo.

Se para administrar o seu torrão, ele precisa fazer essas piruetas para mostrar a população que é um simples mortal, mesmo para quem declara um patrimônio 180 milhões de reais, espera-se dele um certo equilíbrio para não ir ao extremo nas suas elucubrações e se jogar do Martinelli, um dos maiores arranhas céus de São Paulo, como experiência final da sua administração.

O mais preocupante de tudo isso é que a equipe do prefeito pensa igualzinho a ele, como agiam os soldadinhos do Plínio Salgado. Uma turma de serviçais que diz amém aos seus atos esdrúxulos. Não à toa, o JN mostrou o seu secretário de Cultura assinando em baixo a decisão do doutorzinho. Justificava que outras pinturas “seriam preservadas” ao tempo em que obedecia as ordens dele e mandava apagar os desenhos e as pinturas que suavizavam o amontoado de concreto de São Paulo.

O que se pode esperar de um prefeito que começa o mandato vandalizando a própria cidade? Ele acha que os votos que recebeu dão-lhe o direito de tomar decisões monocrática e intempestivas próprias de quem não sabe exercer o cargo ouvindo o povo de onde emana o poder.

24 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MELIANTE EM DESASSOSSEGO

Réu em cinco processos que podem somar condenações de quase 150 anos de prisão, o ex-presidente Lula continua com dificuldades para dormir, comer e cuidar da saúde.

Os amigos andam preocupados.

* * *

Zé Dedinho era uma figura da minha infância que eu admirava muito, malandro de jogo, picareta, golpista e camelô nas horas vagas.

Pois eu vou receitar pra Lapa de Corrupto um chá que Zé Dedinho vendia na feira de Palmares.

Era o Chá de Pau-Barbado.

Um ótimo remédio pra curar caganeiras provocadas pelo pavor de ser preso e ir obrar de coca no boi da prisão de Curitiba.

Fora isto, acabei de enviar pra Mudinha uma mensagem sugerindo que ela dê pra Lapa de Corrupto um remédio por nome de Salsa, Caroba e Cabacinha.

Um tônico milagroso que meu saudoso compadre Tira-Teima, grande poeta popular e camelô de profissão, vendia nas feiras, conforme detalhado no livro “O Romance da Besta Fubana“:

“Salsa, Caroba e Cabacinha não é fabricada com ouro, nem brilhante, nem notas de contos de réis. Salsa, Caroba e cabacinha é fabricado com salsa, caroba, cabacinha, velame, sucupira, jalapa, batata marapuama, goma arábica, cabeça-de-negro, batata-de-fruta, pega-pinto, parreira amargosa, velame do campo, catuaba, catingueira rasteira, mamelis, casaca sagrada, benjoim, alecrim do campo, capim santo, erva cidreira, quina-quina, pimenta d’água esquentada, boldo do Chile, anis estrelado, chapéu-de-couro, podofilina, cipó cabeludo, pau-de-resposta, rajinha e bateu-cagou.”


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