13 março 2016 DEU NO JORNAL

O EX-GOVERNO E SEUS EX

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Mais uma vez, o mundo se curva ante o Brasil: nunca dantes na História universal um país teve a oportunidade de ser governado ao mesmo tempo por dois ex-presidentes. Se Lula virar ministro – de qualquer Ministério, até mesmo o da Pesca – Dilma terá deixado de ser presidente, embora continue no palácio, com mordomias, dieta Ravenna, passeios de bicicleta com seguranças e avião oficial. Lula, o ex-presidente, vira o governante de fato. Se a Bolívia não tem mar mas tem ministro da Marinha, se no Gabão há Ministério da Justiça, por que não podemos ser governados por dois ex-presidentes, ou por apenas um, ou nenhum?

Pode ser – mas só amanhã saberemos se o atual ex aceitou o convite da futura ex para assumir algum Ministério. Por que a demora? Porque, claro, a opinião pública maldosa talvez conclua que Lula terá sido nomeado ministro para ganhar foro privilegiado e assim escapar da caneta do juiz Sérgio Moro. Se a nomeação saísse nos últimos dias, a manifestação Fora Dilma, Fora PT deste domingo, que mostra potencial para ser a maior de todas, cresceria ainda mais. Melhor esperar.

Vladimir Putin governou a Rússia como presidente, ex-presidente e presidente de novo. Mas a Rússia é parlamentarista, tem primeiro-ministro, e o Brasil é presidencialista. Lula não é Putin. O preposto de Putin na Presidência, Dmitri Medvedev, não é Dilma. Aceitou bem seu papel de poste e não tentou escantear o líder.

Claro, prepostos sempre têm algo em comum: os discursos de Medvedev também são incompreensíveis. Mas só porque são em russo. É diferente.

Lembrando

Terminada a Segunda Guerra Mundial, em 1945, com a derrota das ditaduras, o ditador Getúlio Vargas balançou no poder, mas ainda tinha apoio para manter-se. Tentou reforçar sua posição: nomeou para o cargo mais importante da segurança pública, a chefia de Polícia do Rio, seu irmão, Benjamin “Beijo” Vargas.

Os generais rejeitaram a tentativa de golpe presidencial. Getúlio foi deposto.

Novidade

No PT, anunciou-se que Lula poderia ir para a Casa Civil, de onde comandaria o esforço para reerguer o Governo (Jaques Wagner iria para outro posto importante). Só que a Casa Civil carrega uma maldição: José Dirceu foi preso, Erenice Guerra foi demitida após acusação de favorecimento de parentes e amigos, Antônio Palocci foi demitido depois que se apurou a multiplicação de seu patrimônio.

Lula seria uma novidade: já assumiria submetido a várias investigações.

A hora da xepa

Como está o clima em Brasília? Ricardo Kotscho, que gosta pessoalmente de Lula, que foi seu secretário de Imprensa na Presidência, eleitor fiel do PT, define a situação do Governo como “fim de feira”. E tudo tende a piorar. Jornalistas políticos, como José Nêumanne, batem pesado: “Faltar à manifestação”, diz Nêumanne, “será favorecer o crime organizado”. Lojas se associam à convocação, como a rede de lanchonetes Habib’s. Há as delações do pessoal da Odebrecht, a homologação da delação de Delcídio, o interrogatório do marqueteiro João Santana e de sua esposa.

Na política, Renan Calheiros se uniu a Michel Temer, reunificando o PMDB, e o comando do partido decidiu agir de acordo com o PSDB. Nem chega a ser traição: o PMDB crê que Dilma não tem como se sustentar e é preciso cuidar do futuro. Se Dilma sofrer impeachment (ou renunciar), assume Temer. Se a chapa for cassada pelo TSE, quem assume é Eduardo Cunha, para convocar eleições. Não dá (veja abaixo: Cunha tende a enfrentar novos problemas).

Temer, num grande acordo partidário, seria a saída menos traumática.

Tiro ao Cunha

Lembra das contas na Suíça, com US$ 5 milhões, que alimentavam as despesas de Eduardo Cunha e família? São só o começo. O Supremo investiga, no total, 13 contas na Suíça e em outros países, nas quais, supõe-se, foram parar pouco mais de 50 milhões de acarajés. Quem indicou o caminho foi a Carioca Engenharia, responsável pelas obras do Porto Maravilha, no Rio. Cinco contas abastecidas com dinheiro de propina, dizem os delatores da Carioca, seriam com certeza de Cunha; sobre outras quatro não há certeza, mas a probabilidade é alta. E há as quatro já identificadas, das quais Cunha diz receber apenas os rendimentos.

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Liberdade, liberdade

Mas, apesar de tudo, não há apenas más notícias para os petistas mais próximos de Lula e Dilma. A Turma do Mensalão vai sendo silenciosamente liberada das punições a que foi submetida nos velhos tempos, quase esquecidos, do ministro Joaquim Barbosa. João Paulo Cunha, que foi presidente da Câmara, e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares acabam de ter a pena extinta pelo Supremo Tribunal Federal. José Genoíno, ex-presidente do PT, e Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL, receberam o benefício há um ano. Os próximos condenados, com boa chance de ter a pena extinta, são os ex-deputados Valdemar Costa Neto, ex-presidente do PL, Roberto Jefferson, ex-presidente do PTB (que fez a denúncia do Mensalão), Bispo Rodrigues, Pedro Henry e Romeu Queiroz; o advogado Rogério Tolentino; e o ex-vice-presidente do Banco Rural, Vinícius Samarane.

O ex-chefe da Casa Civil José Dirceu pediu o benefício, mas não foi atendido.

13 março 2016 DEU NO JORNAL

E VEM MAIS MERDA NO VENTILADOR…

Quem teve acesso à delação de Delcídio do Amaral diz que o ex-presidente Lula é a grande estrela dos depoimentos.

Ou, em outras palavras: Lula é a pessoa contra quem existe o maior número de elementos para um processo criminal.

Devido aos detalhes fornecidos por Delcídio sobre a operação para abafar a delação de Nestor Cerveró, envolvendo o filho de José Carlos Bumlai, a aposta é de que Lula terá que aumentar, e muito, sua banca de advogados para tentar sobreviver ao duro processo que enfrentará.

Além disso, a delação de Delcídio traz indícios da participação de Dilma Rousseff e de José Eduardo Cardozo no esquema formado para derrubar a Lava-jato no STJ através da nomeação do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas.

A avaliação é de que, do ponto de vista criminal, ainda é preciso avançar nas investigações para a formação de um juízo condenatório.

O problema mais imediato, no entanto, será a repercussão política da delação.

E, nesse caso, uma imagem valerá mais do que mil palavras.

Isso porque, se as revelações de Delcídio no papel já são chocantes, o vídeo em que ele narra as peripécias do governo para derrubar a operação será devastador.

Falando com firmeza e riqueza de detalhes, Delcídio não deixa dúvidas de que sabe exatamente o que foi feito contra a Lava-jato e passa uma enorme credibilidade a quem o assiste.

Quem conhece o material acredita que será muito difícil para Dilma e Cardozo manterem seus capitais políticos após a exibição do vídeo dos depoimentos.

* * *

Como se trata de dois tolôtes do mesmo pinico, o pinico vermêio-istrelado, tudo que Delcídio falar sobre o cumpanhero Lula deve passar pela verdade. E também deve ser a mais pura verdade o que ele diz sobre Dilma e Cardozo. Até porque ele sabe as consequências desastrosas de mentir numa colaboração premiada.

Ele fala com conhecimento de causa. E também com conhecimento da casa em que a quadrilha mora.

Eu mesmo estou ansioso pra tomar conhecimento deste vídeo.

Que será devidamente reproduzido aqui nesta gazeta escrota, um recanto de mundo onde entra tudo que não presta.

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Delcídio e Lula, uma parelha de malfeitores do mais alto calibre

12 março 2016 DEU NO JORNAL

JORNAL DA TV GAZETA

12 março 2016 DEU NO JORNAL

OBRANDO E ANDANDO

Agamenon Mendes Pedreira

A vida de desempregado no Brasil está cada vez mais difícil. Você passa o dia inteiro andando por Seca e Meca, de déu em déu, procurando algum “serviço”, um biscate, um bico. Qualquer coisa serve: uma negociata beneficente, uma verba inacabada, uma concorrência fraudulenta, uma palestra superfaturada. Eu tô topando qualquer parada pra arrumar algum “qualquer.” Mas tá duro… quer dizer, nem duro fica mais.

A culpa da recessão no Brasil não é do preço das commodities, da taxa de juros nas alturas nem do déficit público descontrolado. A culpa da recessão é do juiz Sérgio Moro, que não deixa ninguém mais roubar em paz, ganhar a vida fraudulentamente, com o suor dos outros, como sempre se fez neste país. O problema do Brasil são os costumes, os valores e a ética. Os costumes, porque já estamos acostumados; os valores, que não podem ser só de 20%; e a ética que tem que ser substituída pela ótica: ninguém viu nada! Com essa ética aí do Sérgio Moro não dá para um cidadão de bens, como o Marcelo Odebrecht, viver indecentemente.

Então, dia desses voltava eu mais cedo do meu desemprego numa boa, na paz. Subitamente, ao dobrar a esquina da Rua da Amargura, onde a minha residência, o Dodge Dart 73 enferrujado, se encontra estacionada, acabei levando um susto. Minha viatura de habitação estava cercada de tapumes! Centenas de operários se movimentavam incessantemente de lá para cá. Guindastes, gruas, betoneiras virando concreto, arquitetos, engenheiros e mestres de obras se debruçavam sobre plantas e planilhas enquanto gritavam ordens pra peãozada. Um caminhão da Kitchen’s aguardava o término dos trabalhos para instalar uma cozinha computadorizada de última geração.

Para entrar na minha própria casa, tive de me identificar, colocar um crachá e botar um capacete de obra. No quarto do casal, reparei na churreada Isaura, a minha patroa, e vi que ela tinha levado uma “geral” completa, com direto a reboco, botox e silicone. O “pobrema”, como diria o Lula, é que a Isaura, a minha patroa, estava levando uma “pintada” de um paraíba baixinho a título de “acabamento”.

Intrigado com aquilo tudo, cheguei a pensar que tinha me tornado mais uma vítima do Lata Velha do Luciano Huck. Eis que aparece o empreiteiro Leo Dinheiro, da Construtora Odecheque, para me explicar a situação cabulosa:

– Calma, Agamenon! Não é nada disso que você está pensando. Esta pequena reforma é apenas um auxílio desinteressado para que você possa suportar a sua penúria com mais conforto.

– Mas… e se o japonês da Federal aparecer? O que é que eu faço? – indaguei ao sagaz empreiteiro.

– Ora, Agamenon, se a Federal aparecer, você pega um pedaço de pau e dá na cabeça da Isaura, a jararaca da sua patroa. Mas tem que ser na cabeça, não adianta dar uma paulada no rabo! Em seguida, você convoca a imprensa e diz que o Dodge Dart não é seu, que você não sabe quem é a Isaura e se lança candidato a presidente em 2018! – desembaçou o empresário.

Agamenon Mendes Pedreira é a favor do Moro privilegiado.

12 março 2016 DEU NO JORNAL

O PEDALINHO É NOSSO

Guilherme Fiuza

O Brasil disse ao filho do Brasil: “Meu filho, um dia tudo isso será seu”. Até os pedalinhos de Atibaia já sabem que o herdeiro tomou posse de tudo.

Solidário, pegou a maior empresa de papai e despedaçou-a para enriquecer a família e os amigos. O filho do Brasil não pensa só em si. Seus filhos – os netos do Brasil – enriqueceram também. E seu compadre, seu advogado, sua amante, seu churrasqueiro, seus amigos de fé, seus correligionários, enfim, todo mundo se deu bem, porque o patrimônio de papai era colossal. Mas, e os brasileiros? Ora, esses são filhos da outra. Todo mundo sabe que o Brasil só teve um filho.

Agora uma elite branca egoísta está querendo perseguir o filho do Brasil. Inveja. Foram tantas as acusações ao legítimo herdeiro da nação, que esta semana ele se trancou sozinho no banheiro e perguntou: “Espelho, espelho meu: se o Brasil me ama, e eu sou o filho dele, então essa porra é toda minha mesmo, não é?” (o Brasil sempre se orgulhou do linguajar do filho: no que aparece alguém discordando, ele xinga e triunfa. O Brasil sabe que é na grossura que está a verdade).ES

O espelho nunca o deixou na mão, e deu-lhe a resposta definitiva: “Companheiro, manda eles enfiarem esses processos no custo da OAS”. O filho do Brasil obedeceu, dando só uma abreviada na sentença.

Mas a elite que não suporta ver o sucesso de um pobre – o menino Jesus passou pelo mesmíssimo problema – continuou a persegui-lo furiosamente. O filho do Brasil voltou para diante do espelho e perguntou-lhe se poderia haver algum fundamento nas acusações de que ele tinha enriquecido ilicitamente. O espelho nem entrou nesse mérito de legalidade, que é muito relativo, e foi categórico: “Companheiro, pode ficar tranquilo: você é um miserável. Um sujeito que vive toda uma vida se fazendo de vítima para conquistar mesada de empreiteira e terminar com uns pedalinhos personalizados é o quê? Um miserável. Relaxa.”

Mesmo vivendo nessa flagrante e proverbial miséria, o filho do Brasil continuou sendo acossado pela implacável brigada neoliberal. Essa gente sem coração resolveu implicar com a escolha de uma mulher sapiens para gerir o patrimônio da família – e com as sutis manobras dela para melar a Lava-Jato (operação que não reconhece o filho do Brasil como legítimo dono da Petrobras, do BNDES, do suor do contribuinte, enfim, dessa fabulosa fortuna acumulada por papai).

O pobre homem voltou a consultar o espelho, que respondeu: “Companheiro, não enche o saco. Já te disse que você é o messias. Vai consultar o pessoal da MPB.”

Sempre obediente ao espelho, o filho do Brasil foi perguntar a um seleto grupo de cantores, atores, jornalistas e intelectuais do bem se tinha problema ele ter regido o mensalão e o petrolão; se tinha algo errado no fato de ele ter tomado posse do patrimônio do Brasil, na condição de único herdeiro, e distribuído generosamente essa riqueza entre seus familiares e amigos.

Foi o melhor conselho que o pobre homem poderia ter pedido. O tal grupo de intelectuais e artistas (uma panela, muito mais barulhenta do que essas que a elite branca bate na varanda) não só lhe disse que estava tudo cristalinamente certo, como chamou para briga os brasileiros – esses filhos da outra que querem meter a mão no que não é deles. A panela já avisou: mexeu com o filho do Brasil, mexeu com o conto de fadas que nos sustenta.

Depois de desafiar as elites reacionárias e se pintar para guerra, a panela progressista se trancou sozinha no banheiro e perguntou aflita: “Espelho, espelho meu: se eu perder a moleza de bancar o herói social na garupa do filho do Brasil, que infelizmente foi descoberto pela polícia, o que será de mim?” O espelho respondeu sem rodeios: “Perdeu, playboy. Pega tudo que você investiu nessa demagogia vagabunda e enfia no custo da Odebrecht”.

O mais revoltante é que agora esse bando de filhos da outra está ameaçando sair às ruas. Quem os brasileiros pensam que são? Donos do país? No mínimo, vão querer estatizar o patrimônio do filho do Brasil, conquistado com tanto sacrifício – investimento suado em propaganda enganosa da melhor qualidade, manutenção impecável da rede de pixulecos (por dentro e por fora, em criteriosa alternância), reposição ágil do pessoal de tesouraria e marketing apanhado pela polícia, formação do maior caixa partidário do mundo.

Você não vai permitir que essa história bonita seja destruída por um bando de invejosos. Fique quieto em casa. Não fale a palavra impeachment nem ao seu cachorro. Deixe a companheira presidenta, enteada do Brasil, governar em paz o STF. Não atrapalhe essa rede democrática de destruição de provas, com o padrinho à solta oferecendo mesada a criminoso. E essa história de crise é balela – a renda nunca foi tão elevada para os trabalhadores que não trabalham: é tudo uma questão de escolher um bom partido, que indique com segurança onde tem truta.

Fique fora das ruas. A não ser que você tenha descoberto que o filho do Brasil é um filho da truta.

12 março 2016 DEU NO JORNAL

FALA, JOSELITO MÜLLER!

Após denúncia do MP, Dilma cria dois ministérios para nomear Lulinha e Dona Mariza

Lulinha

O Diário Oficial da União anunciou na edição de ontem a criação de dois ministérios, bem como a nomeação dos respectivos titulares para comandar cada um.

Trata-se do ministério dos “recursos financeiros auto-surgirvéis” e Ministério das Esposas.

O primeiro tem como função estimular, taxar e gerenciar eventuais recursos financeiros que surjam por si só, sem explicação plausível, algo que, segundo a presidente, tem se tornado comum no país nas últimas décadas.

O segundo visa fomentar políticas públicas para mulheres casadas.

As pastas serão ocupadas pelo filho do ex-presidente Lula, o Lulinha e pela sua mãe, Dona Mariza.

Sei que muita gente critica meu governo pela quantidade de ministérios, mas isso é uma forma de dar empregos, já que cada ministério desse tem vários cargos. Se não tivéssemos esses ministérios todos, o desemprego estaria maior”, declarou a presidente Dilma Rousseff.

Apesar da declaração, Dilma reconhece que talvez necessite reduzir o número de ministros e estuda a possibilidade de criar um ministério para planejar a redução do número de ministérios.

A oposição criticou a nomeação do filho e da esposa do ex-presidente Lula, alegando que se trata de uma manobra para evitar que o processo ajuizado contra eles tramite na primeira instância.

Com a nomeação, a competência para julgá-los passa a ser do STF.

Em resposta às críticas, Dilma declarou que “Fernando Henrique também tinha ministros no governo dele”.

12 março 2016 DEU NO JORNAL

LULA, MORO E A BASTILHA

ruy-fabiano

O pedido de prisão preventiva de Lula, diante apenas do que disse e fez após o depoimento que teve de prestar à Polícia Federal, semana passada, justifica-se plenamente.

Nem seria necessário – como não o foi para Al Capone, preso pelo imposto de renda, ou Fernando Collor, deposto por um reles Fiat Elba – ir ao conjunto da obra, que é vasto e cabeludo.

Nos exemplos citados – de Capone e Collor -, puniu-se o menos, já que o mais estava oculto. E a partir do menos chegou-se ao mais. O mais, no caso de Lula, são os indícios de que comandava uma quadrilha de empreiteiros e agentes públicos que, de sua posse em diante, lesaram o patrimônio público.

O sítio e o tríplex seriam o seu Fiat Elba.

Mas fiquemos com a sequência de delitos praticados por Lula da semana passada para cá: denegriu a imagem das instituições – Judiciário, Ministério Público, imprensa -, ofendeu um magistrado (Sérgio Moro), empresas jornalísticas e conclamou aliados a usar da violência. Nada menos.

Pior: no quesito incitação à violência, houve consequências, com uma sucessão de invasões a propriedades públicas e privadas e agressão gratuita a pessoas inocentes, por parte de algumas das entidades que nomeou: MST, MTST, CUT etc.

Incitação à violência é crime – e grave – e o flagrante está devidamente documentado. Lula destacou, por exemplo, sua ira contra a TV Globo, responsabilizando-a pelas mazelas do país.

No início desta semana, uma das afiliadas da emissora, em Goiânia, foi depredada por gente da CUT, com agressões a funcionários, fazendo-os reféns por horas. O mesmo o fez o MST com dois repórteres da TV Bandeirantes. E não foram apenas esses os casos registrados. A violência foi às ruas, como pediu Lula.

Desde então, o mantra de guerra civil passou a constar do discurso da militância, que ameaça tumultuar a manifestação de amanhã. O objetivo é intimidar e esvaziar o protesto, disseminando o pânico. Se o país tivesse uma efetiva lei antiterror – a recém-aprovada exclui de suas penas os “movimentos sociais” -, Lula e seus militantes estariam nela enquadrados.

Esse quesito – incitação à violência – consta do pedido de prisão, que será julgado pela juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, tida como “linha dura” por seus pares. Não é necessária dureza ou moleza, mas apenas fidelidade aos fatos – e à lei.

A reação de espanto e censura ao pedido de prisão, sobretudo por parte dos oposicionistas, evidencia a raiz da cultura da impunidade. O importante não é o delito, mas quem o pratica.

Lula, quando na presidência, opôs-se à responsabilização penal do ex-presidente José Sarney, pois, segundo ele, não se tratava de um “homem comum”, mas de um ex-presidente da República. Aqui, o dito “quanto maior a árvore, maior o tombo” não se aplica. Se a árvore é grande, não pode haver tombo.

Não é um pensamento apenas do PT: é também da oposição, de boa parte da mídia e da sociedade. Daí o estardalhaço que, se já foi grande diante de uma mera condução coercitiva – aplicada de resto a dezenas de outros implicados na Lava Jato -, tornou-se colossal com o pedido de prisão.

Em Portugal, o ex-primeiro ministro José Sócrates foi preso preventivamente, por meses, sem que o país falasse em guerra civil ou perseguição política. O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi detido e prestou depoimento sob vara por 14 horas. Nenhum grupo aliado falou em guerra civil ou perseguição política.

Em ambos os casos, os fatos – e a lei – falaram mais alto. E é disso que se trata. Ou a lei é para todos ou feche-se o Judiciário.

Os atos de Lula após a condução coercitiva expressam o desespero de alguém que não contava com a condição de “homem comum”. A tentativa de virar ministro – ideia que atribui a aliados, mas que se sabe que é dele mesmo – é de um ridículo atroz, inaugurando uma nova modalidade de exílio: o ministerial.

O destino às vezes é irônico. O partido que, ao longo de sua trajetória oposicionista, mais falou em pôr adversários na cadeia, o PT, vê-se agora diante dela. Os crimes que atribuía aos que a ele se opunham eram os que ele mesmo praticava, cumprindo à risca o que Lênin determinava à sua militância: “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.

A Lava Jato está promovendo uma revolução no país, sem um único tiro, sem um único discurso. No país da impunidade, cumprir o Código Penal é ato revolucionário, que choca até a oposição. É como se o oposicionista de hoje se visse no papel do governista de amanhã e receasse o estabelecimento de uma jurisprudência que lhe venha no futuro a ser adversa.

O argumento de que o impeachment traumatiza o país e pode piorar a economia – brandido por meses pela oposição – mostrou-se falso e infundado. Quanto mais se visualiza a queda do governo, menos gravosos os índices econômicos, o que mostra onde está o problema.

As manifestações de amanhã – as primeiras com o endosso formal dos partidos de oposição – representam um triunfo da sociedade (o país real) sobre o país oficial.

E aqui cabe citar, para resumir e finalizar, o que disse Machado de Assis desse abismo que define a esquizofrenia nacional: “O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco”.

Nada mais atual, a explicar Lula, o PT, a oposição e, sejamos sinceros, parte da própria imprensa. Sérgio Moro é a Bastilha às avessas: em vez de esvaziá-la, como no início da Revolução Francesa, trata de abastecê-la – e com gente graúda.

A Lava Jato irá além de Dilma e Lula – e isso explica a cautela oposicionista.

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A queda da Bastilha

12 março 2016 DEU NO JORNAL

ANTES E DEPOIS

Indultado por Dilma e perdoado pelo STF, Delúbio é a prova ambulante de que valeu a pena ser bandido no Brasil pré-Lava Jato

* * *

Valeu mesmo.

Daqui pra frente a história do Brasil vai ser dividida em ALJ e DLJ.

Antes da Lava Jato e Depois da Lava Jato.

Ou, ainda, AJM e DJM.

Antes do Juiz Moro e Depois do Juiz Moro.

DELUBIO SOARES

“Ah, ah, ah!!! No tempo do Mensalão não tinha Lava Jato, nem tinha Sérgio Moro. Viva Banânia!!!”

12 março 2016 DEU NO JORNAL

CRIMINALIZANDO GRANDES PATRIOTAS

A Justiça decretou bloqueio de bens e a quebra do sigilo bancário e fiscal do presidente do PT paulista Emídio Pereira de Souza em ação de improbidade.

Segundo a ação, o petista firmou convênio sem licitação com o Instituto Cidad, em 2010, no valor de 1,5 milhão de reais, quando exercia o mandato de prefeito do município de Osasco, na Grande São Paulo.

A decisão é do juiz José Tadeu Picolo Zanoni, segundo o qual a promotoria aponta “fatos graves que, realmente, justificam a concessão das medidas”.

A ordem, datada da última segunda-feira, atinge 4,2 milhões de reais, conforme pedido da promotoria, e alcança o petista e outros 12 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas.

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Emídio Pereira de Souza, presidente do PT em São Paulo

* * *

Mais um juiz tendencioso perseguindo o PT e fazendo da justiça um ato político. Bloqueando os bens e decretando a quebra do sigilo bancário e fiscal de um patriota que preside o Partido dos Trabalhadores no mais importante e rico estado da República Federativa de Banânia.

Juizes e membros do ministério público não tem mais outra ocupação senão criminalizar os bravos heróis do povo brasileiro que militam no partido que salvou eztepaiz da miséria.

Enquanto isto, a ladroagem dos tucanos é jogada pra debaixo do tapete e o mensalão mineiro não sai na grande mídia reacionária e golpista.

E o trensalão tucano???!!!

Que nojo…

Como disse Zica Caninana – componente do diretório municipal do PT em Palmares -, “No período em que Aécio Neves foi governador de Minas Gerais, o desvio da verba da saúde PODE ter sido em torno de R$ 7,6 BILHÕES de reais!

Zica fala que “pode” ter sido. Mas, como militante do PT só fala a verdade nua e crua, eu acho é que foi mesmo este valor.

E esta fortuna, 7,6 bilhões de reais, é infinitamente superior a tudo o que as operações Lava Jato e Zelotis apuraram até hoje de roubalheira do PT.

Enfim, os corruptos zazuis são bem piores que os corruptos vermêios, segundo garante a militância pró gunverno. E eu acredito piamente nos adeptos do PT, sempre desapaixonados, sérios, imparciais e que só lidam com fatos e dados concretos.

E, pra completar, tem ainda a amante de FHC, um escândalo absurdo, ao qual a mídia golpista não deu o devido realce.

Este FHC gastou com sua rapariga bem mais que os 100 milhões de dólares (atenção: DE DÓLARES), que o gerente Pedro Barusco, guabiru acoitado pelo PT, se comprometeu a devolver à Petrobras.

Aécio-e-FHC

“Fernando, tu fodeu a tua amante e eu fodo a paciência da militância do PT!”

12 março 2016 DEU NO JORNAL

A DESCONSTRUÇÃO DO MITO

Jorge Maranhão

Em sua seminal obra “Mito e realidade”, o filósofo romeno Mircea Eliade, longe de opor mito e realidade, como comumente fazemos, postula sua integração: “O mito é considerado uma história sagrada e, portanto, uma ‘história verdadeira’, porque sempre se refere a realidades. (…) o mito se torna o modelo exemplar de todas as atividades humanas significativas”. O pensador se referia principalmente às sociedades primitivas, mas essa compreensão é fundamental para o entendimento do mito no mundo moderno. Ser ou servir de exemplo é a chave utilitária do mito, tanto numa história fantástica, como personificado em alguém com projeção numa determinada sociedade. Este último caso é o que nos interessa no momento.

Todos os países têm os seus mitos. Personagens que servem de exemplo de conduta e de esperança no futuro. Sobretudo mitos políticos como condutores dos destinos de um povo. Nos Estados Unidos, Washington, Jefferson, Franklin, Lincoln, e mais recentemente Kennedy, tornaram-se protagonistas de narrativas de coragem e superação, lealdade e compromisso para com seus concidadãos, para além mesmo de seus predicados pessoais. Em comum a todos eles, o fato de que já estavam mortos ao serem alçados ao panteão dos mitos. E, assim, a sua desconstrução é tarefa difícil, na medida em que não estão mais sujeitos a erros triviais de conduta e de suas narrativas. Sua imagem passa a ser fantástica e “congelada” no tempo, nas mentes e corações do povo.

Já no Brasil, temos essa contradição em termos: nossos mitos estão – ou estavam – vivos quando de sua transmutação. Talvez pela tradição do sebastianismo, mas seguramente pela maior crendice e demanda pelo mágico, temos pressa em mitificar nossos líderes. A começar pelo imperador Dom Pedro II, alcunhado de “o magnífico”, mas que preferia ser chamado de “patrono das artes e ciências”. Ou o gaúcho Getúlio Vargas, o pioneiro e eterno “pai dos pobres” como se fez conhecido. E seu grande rival, Luiz Carlos Prestes, “o cavaleiro da esperança” – tão caro aos nossos progressistas narradores. Mais recentemente, o mineiro Juscelino Kubitschek, “o presidente bossa nova”, dos 50 anos em 5, encarnou a promessa máxima de nossa tradição populista de providencialismo.

Mas eis que, no estertor da ditadura, surge o maior dos nossos mitos políticos. O Lula lá iria nos redimir de ditadores, corruptos e ineptos. O nordestino forte e aguerrido, vencedor na vida, defensor dos pobres, primeiro trabalhador que chegou ao maior posto político da nação, dando um quinau nos ricos malvados e elitistas do país. Que bela imagem mística! Operando na realidade de que o mito se constrói para além dele mesmo, mais pela demanda dos crentes do que pelos seus atributos imanentes. O problema, todavia, é que Lula não morreu para congelar este enredo vitorioso de um povo que só experimenta derrotas. Está bem vivo, como ele próprio anda dizendo ultimamente. E então, vida seguindo, a desconstrução do mito fica inevitável. Não pela ação de seus desafetos políticos, mas por suas próprias decisões de não corresponder às demandas de seus eleitores. De mito das maiores virtudes morais do imaginário social, Lula passou a frequentar a mídia com os percalços e vícios do mais mortal dos homens. Mais um político típico de nossa fauna, a peça-chave da engrenagem de uma organização acusada de quebrar a maior empresa nacional, de tráfico de influência, de lavagem de dinheiro público, de rombos bilionários em fundos de pensão, de associação com ditaduras planeta afora, de empréstimos milionários a fundo perdido para governos amigos, de uma dívida pública trilionária. Sem falar do desemprego recorde, da inflação renitente e de um estado de caos social equivalente ao de muitos países em guerra. O príncipe que virou sapo. O rei que ficou nu.

Seu erro? O maior erro de um político: o de acreditar no próprio mito como se fosse infalível e perder o senso de limite e a prudência dos verdadeiros líderes. De achar que, como tal, estaria acima das leis e dos códigos de valores morais que regem todos os mortais. Que poderia ignorar um dos mais célebres ensinamentos de Kant, a regra de ouro das normas morais, a qual provavelmente ele nunca leu, mas cujo sentido certamente lhe legou Dona Lindu, sua humilde e honrada genitora: “Tudo o que não puder contar como fez, não faça”. Ungido como fenômeno de liderança civil num país e num mundo sedento de novas práticas e formas de representação políticas, o sindicalista versão latino-americana de Lech Walesa, caiu como uma luva no vazio de figuras carismáticas que o povo sempre cultivou no seu imaginário romântico-salvacionista. Mas, o que se pode atribuir cinicamente à deseducação do povo, não deve servir de álibi para a omissão de civismo de suas elites. Mais civismo, menos cinismo, como resumiu o roqueiro Paulo Ricardo.

Se Dom Pedro II, Getúlio, Prestes e Juscelino sempre tiveram consciência de que desempenhavam um papel mítico de um povo, nosso Lula acreditou que pudesse encarnar de fato “o cara”, na missão de “nosso guia”. Sem o pejo de desconfiar da ironia desses tratamentos. Este mesmo Lula que um belo dia achou que poderia até mesmo tripudiar da crença do povo, quando desafiava a opinião pública se aliando a figuras como Sarney e Maluf, na arrogância dos ignorantes de que pode negociar com o Diabo e permanecer santo, coisa que nem Padim Ciço ousou. Pois este mesmo Lula, na semana passada, no programa de TV de seu partido, disparou o velho discurso de ódio, tal qual um Quixote delirante, agigantando um inimigo inexistente para jactar mais ainda suas destrezas de herói. E jogou para a plateia: – “no fundo incomoda essa gente que não gosta de dividir as poltronas dos nossos aviões com o nosso povo”. Como se essa fosse de fato uma preocupação da classe média no Brasil, um país formado por cidadãos cada vez mais conscientes, os mesmos que dão à presidenta Dilmandona menos de 10% de aprovação. Um país reconhecidamente integrador, povoado e amado por múltiplas etnias e nacionalidades. Um consenso amplo de cordialidade, que vai de progressistas como Darcy Ribeiro a conservadores como Gilberto Freire.

Nosso ex-presidente, nosso ex-mito desencarnado em vida, tal qual o boneco inflado onipresente em manifestações de norte a sul do país, vergonhosamente alcunhado de Pixuleco, tem sido recebido ao som de panelaços e buzinaços. Lula ainda não entendeu que está ruindo junto com ele o próprio mito do Brasil potência, igualitarista, providencialista, de liberdades sem limites, direitos sem deveres e arremedos de welfare state – caro, ineficiente, injusto e que funciona apenas para os círculos próximos do poder, os tais 25 mil cargos comissionados aparelhados pela companheirada sindicalista cuja ideologia esquerdista e anacrônica já morreu.

O achincalhamento público reclamado por sua equivocada defesa resulta de sua própria irresponsabilidade política. O mito tinha pé de barro. E hoje se esfarela em plena praça, meio ao lamaçal das investigações criminais do Lava-jato. A cada dia, o “nosso guia” tem sido destratado como nunca antes na história deste país uma figura pública foi. O ex-herói que se desconstrói em nosso imaginário como o forçoso ingresso a se pagar para uma maioridade política de cidadãos livres e responsáveis pelas suas escolhas. Como postulava Eliade, “ser livre significa em primeiro lugar ser responsável para consigo mesmo”.

12 março 2016 DEU NO JORNAL

NEGATIVA DE RENÚNCIA EXPÕE FRAQUEZA DE DILMA

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A pior maneira que uma autoridade pública tem de demonstrar sua força é alardear que não irá renunciar ao cargo. Pois Dilma Rousseff, uma presidente que se dedica a fazer o pior o melhor que pode, achegou-se à boca do palco nesta sexta-feira justamente para jurar que não renunciará. “Não tenho o menor interesse, a menor propensão. E não há nenhuma justificativa. Para mim isso inclusive é uma ofensa… Agora, por favor, pelo menos testemunhem que eu não estou com cara de quem vai renunciar.”

O objetivo de Dilma foi passar a impressão de que está forte e tem a situação sob controle. Se suprimirmos os detalhes que impedem Dilma de fazer uma avaliação isenta sobre si mesma, podemos ser objetivos e positivos sobre qualquer avaliação que venha da presidente.

Assim, fora a iminente conversão de Lula de investigado em primeiro-ministro, o risco de novas delações na Lava Jato, a ebulição no PMDB, o chamego de Renan com o PSDB, as ciladas do Cunha, a paralisia econômica, a aversão do PT à reforma fiscal, o derretimento da base congressual do governo, a ressurreição do pedido de impeachment, os processos de cassação da chapa presidencial no TSE e os protestos de rua de domingo, afora tudo isso, nada faz surpor que Dilma tenha se tornado uma presidente desmoralizada e fraca.

A essa altura, quem observa a trajetória de Dilma no poder federal já deve ter aprendido que o poder é implacável. Quem só ambiciona o poder erra o alvo. Quem obtém o poder e não o exerce, vira alvo. Fora isso, Dilma é a presidente mais forte que Dilma conhece.

11 março 2016 DEU NO JORNAL

DE PAZ E AMOR A JARARACA

FERNANDO-GABEIRA2

A crise brasileira é tão asfixiante que às vezes preciso de uma pausa, ouvir música, ler algumas páginas de romance. Em síntese, recuperar o fôlego.

As crises assumem ritmos mais rápidos no seu final. A reação de Lula na entrevista coletiva, ao sair da PF, não me pareceu a de um candidato.

Em 2002 foi difícil vencer com o “Lulinha paz e amor”. Em 2018 será impossível vencer como jararaca. Um candidato não se identifica com uma cobra peçonhenta. Nem se considera a alma mais honesta do Brasil. Verdade que seu marqueteiro está na cadeia. Mas onde está a intuição política que sempre lhe atribuem?lula_cobra

Ele perdeu a cabeça e, com ela, a chance de representar a serenidade do inocente. Seu marqueteiro representou. Não evitou a cadeia, mas, pelo menos, era um script mais elaborado.

Lula queria ser algemado. O marqueteiro e a mulher, também. Eles colocaram as mãos para trás, incomoda menos que as algemas reais, mas não tem o mesmo efeito. No fundo, um tremendo esforço para se fazer de vítima, conquistar pela emoção a simpatia que os fatos liquidaram.

Na Justiça, a decisão vai trabalhar com os fatos. Se alguém, realmente, quer contestar sua provas, precisa argumentar também com evidências.

Nem sempre as decisões na esfera do crime são bem recebidas. Em muitos pontos do Rio, prisões resultam em protestos, queima de pneus e bloqueios. Alguns líderes religiosos, quando presos, também emocionam seu rebanho.

No campo da política, há sempre o cuidado com os conflitos sociais. Para quem viu conflitos sociais, o que aconteceu na sexta passada foi apenas uma briga de torcidas e, na verdade, mais pacíficas que as de futebol.

Leio num jornal brasileiro que iriam buscar, entre outros, um gesto de solidariedade de Nicolas Sarkozy. Leio num jornal francês que Sarkozy também está às voltas com a polícia. Sujou, bro.

Apesar de seu ritmo, os últimos dias têm trazido uma ponta de otimismo, mesmo nos mercados, que são tão voláteis. Esse otimismo está baseado na queda de Dilma, mas deve ser estendido também a Eduardo Cunha. Os dois são rejeitados pela maioria. Não se trata apenas de festejar uma queda, desfazer-se de uma pedra no caminho. É criar uma chance de, superando o impasse político, recuperar a economia.

O que move as pessoas no domingo não é só a unânime luta contra a corrupção, mas também a clareza sobre as dificuldades cotidianas. Elas podem não ter uma noção clara do que deva ser feito. Mas sabem que algo precisa ser feito. E urgente.

Sempre que foi preciso, a sociedade brasileira manifestou-se claramente. Será assim no domingo e, para dizer a verdade, não acredito em conflitos, como algumas vozes do PT sugerem e Dilma confirma, a seu modo, pedindo paz.

As coisas vão se resolver de forma tranquila e o bicho-papão não tem como amedrontar ninguém. Escaramuças pode haver, mas seriam mais um caso de polícia: mais gente presa e neutralizada.

É ingênuo supor que as pessoas, dando-se conta de que o país está à deriva, com um governo que se elegeu com grana da Petrobras, numa enorme crise econômica, vão ficar em casa só porque uns caras de camisa vermelha fazem cara feia ou gestos obscenos com o dedo.

Quando as pessoas denunciam a corrupção estão baseadas em fatos reais, documentados, investigados com rigor. Sabem que a Petrobras foi saqueada, sabem dos milhões de dólares que foram repatriados. Não adianta cara feia. Se isso fosse uma saída histórica, bastava saquear o país e dizer: não me prendam porque senão vamos para as ruas gritar; não apareçam para protestar porque estou bravo, viro uma jararaca.

Outro dia, o bispo auxiliar de Aparecida recomendou aos seus fiéis pisarem na cabeça da jararaca. E um juiz condenou um adversário do PT a pagar multa de R$ 1,00 por ter criticado o partido. E ironizou que é um partido que tem a pessoa mais honesta de todas.

O bispo via a luta contra a jararaca como a luta entre o bem e o mal. Quem se colocou como cobra venenosa foi o próprio Lula. E o fez num recado para a Justiça. É uma declaração subconsciente de culpa: jararaca eu sou, acontece que vocês não atingiram minhas funções vitais, sigo sendo uma cobra venenosa.

Dilma reclamou de injustiça, mas até hoje não defendeu Lula no mérito. Colaborou na forma: protestou pelo fato de a Lava Jato tê-lo levado a depor debaixo de vara.

Inconscientemente, Lula pediu para ser destruído. O bispo levou-o ao pé da letra. A Lava Jato certamente entendeu de outra forma. E optou pela pesquisa. São os fatos que já existem e os que ainda não foram divulgados que vão definir o destino do governo e de Lula.

Tanto parlamentares como juízes precisam saber claramente o que a sociedade pensa. Não trabalham com pesquisa e, de qualquer forma, não se antecipam nunca. São viciados no único estímulo: um sopro na nuca, de preferência um vento bem forte, 100 km por hora.

Em outras palavras, a manifestação de domingo pode ser o sopro que falta para romper o impasse político. Mas, de qualquer maneira, a vaca já foi pro brejo. Não há horizonte com o governo Dilma, exceto empobrecer mais, enquanto ela luta por se agarrar no cargo.

No domingo há, ainda, a chance de uma aproximação maior de todos os que querem mudança. É fundamental que estejam próximos durante a travessia até 2018. Esta, sim, já me preocupa mais que as bravatas de Lula. Precisa de um mapa do caminho para recomeçar em 2018 com a economia recuperada e um grau de consciência nacional que não deixe jamais o Brasil chegar ao ponto a que chegou.

Essa é minha esperança. Por ela vou às ruas. Não para me expressar, pois isso posso fazê-lo com liberdade na imprensa. Nem para flertar com a política, interesses partidários ou eleitorais. Vou para a rua porque acho que é o lugar onde devem estar todos os que queiram tirar o Brasil do buraco e encerrar este triste episódio histórico.

Vou para a rua porque é onde devem estar todos os que queiram tirar o Brasil do buraco.

11 março 2016 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEXTA-FEIRA – FICA, DILMA!

DILMA

A presidente Dilma Rousseff já reage com resignação quando confrontada com o diagnóstico, feito até por ministros da equipe dela, de que o governo pode não chegar ao final. “Eu tenho que combater o bom combate. Ganhar ou perder é o resultado”, afirma.

Dirigentes do PT e auxiliares próximos da presidente analisam que ela não teria a exata noção da gravidade da crise, protegendo-se no que chamam de “autismo”.

Ministros do núcleo mais próximo da presidente dizem que ela, na verdade, está serena.

A ideia de que o governo não chega a 2018 é praticamente consensual entre eles.

* * *

Eu é que não  estou conformado de modo algum.

Jumenta Falante tem que ir até o final e terminar o seu mandato. Mesmo com este tsunami de merda que ela provoca em Banânia.

Desmantelo só presta grande e desgraça pouca é bogagem.

Sem a Jumenta Falante no Palácio do Planalto, vai faltar bobagem e bestagens pra eu publicar no JBF.

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“Se eu não aparecer mais no JBF, tô fudida!!!”

11 março 2016 DEU NO JORNAL

NOTA DA APMP SOBRE O CASO BANCOOP/CONSTRUTORA OAS

APMP

A Associação Paulista do Ministério Público (APMP), entidade que representa mais de 3 mil promotores e procuradores de Justiça, da ativa e aposentados, do Estado de São Paulo, vem a público refutar as declarações feitas pelo Instituto Lula e pelo Advogado do ex-Presidente da República, Cristiano Zanin Martins, acerca da denúncia apresentada à Justiça, nesta quarta-feira (09/03), pelos Promotores de Justiça José Carlos Guillem Blat, Cássio Roberto Conserino e Fernando Henrique de Moraes Araújo, que tem entre os acusados o ex-presidente, sua esposa, Marisa Letícia Lula da Silva e um dos filhos do casal, Fábio Luiz Lula da Silva.

A atuação dos Membros do MP de São Paulo é pautada pela isenção e técnica processual. Por mandamento constitucional e legal os Promotores de Justiça são obrigados a propor a ação penal pública quando houver prova da materialidade e indícios de autoria de fatos criminosos – hipótese do presente caso – mandamento que, em uma República, se aplica independentemente de quem seja a pessoa do denunciado.

Lamenta a APMP que a tática de defesa, já desgastada, se verta em mero ataque às pessoas daqueles que detém o dever de guarda da Constituição Federal e da Lei, e que isto se faça em meio à evidente espetacularização dos fatos, com descabido discurso de vitimização política.

Cremos que o Brasil suplantará com absoluta normalidade este momento, sólidas que são as suas instituições. Mais do que isto, a sociedade brasileira já atingiu nível de maturidade para bem analisar fluidas negativas reverberadas com o mantra do “eu não sabia” ou com a sistêmica tentativa de desconstituição daqueles que tão somente cumprem com denodo os seus deveres constitucional, legal e processual.

Diretoria da Associação Paulista do Ministério Público

11 março 2016 DEU NO JORNAL

FALA, JOSELITO MÜLLER!

Lula pede à Justiça cela especial quando for preso, alegando ser Doutor Honoris Causa

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevendo um eventual mandado de prisão contra sua pessoa, ajuizou pedido de Habeas Corpus, na manhã de hoje, no qual diz que não quer “cair no calabouço” e pediu de antemão, ir para cela especial quando for encarcerado.A previsão legal de prisão especial invocada por Lula está no inciso VII do art. 295 do Código de Processo Penal, e assegura aos diplomados por qualquer faculdade superior da República tal direito.

Não tenho graduação, mas como sou Doutor Honoris Causa, tenho que ter direito a cela especial”, afirmou Lula.

Ele avalia que sua reivindicação pode encontrar divergências, o que poderia fazer com que o ex-presidente fosse levado para uma prisão comum.

É até uma sacanagem me colocar na prisão juntos com marginais comuns. Todo mundo sabe do que acontece nesses locais com os novatos, que geralmente são enrabados pelos donos das celas. Taí o famoso caso do menino do MEP que não me deixa mentir

Lula informou que, caso tenha seu pedido indeferido, vai assumir algum ministério para, a partir de então, voltar a ter foro privilegiado.

Se meu processo for para o STF dificilmente serei preso, pois temos ótimos advogados do PT ocupando cadeiras naquela Corte”, finalizou o ex-presidente sem citar nomes.

10 março 2016 DEU NO JORNAL

SÓ FALTA A JUSTIÇA DEFERIR

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* * *

Estes “mais quatro” são corruptos afortunados, gente de sorte. Nem olhei ainda quem são, mas posso garantir que são pessoas premiadas.

Premiadas porque entrarão para a História!

Mesmo que seja pela porta dos fundos, pelos tubos de esgoto, e mesmo que entrem para História no capítulo que trata que corrupção e ladroagem.

Eu avisei: o final de semana vai ser de alto astral pra banda decente do Brasil.

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10 março 2016 DEU NO JORNAL

ÓDIO PETISTA À IMPRENSA

Ronie Lima

O PT no poder perdeu a batalha das ideias. Atolado em denúncias de corrupção – algumas já comprovadas -, sem saber para onde correr, criou uma bandeira de ódio contra a imprensa que vem estimulando agressões a jornalistas.

Para tentar fugir da responsabilidade de explicar uma avalanche de indícios e dados sobre esquemas de corrupção deslavada, a cúpula petista repete o mantra de que o governo é perseguido por uma imprensa burguesa e golpista.MDF

O PT não entendeu que o buraco é mais embaixo. A imprensa não é feita apenas de donos, mas de jornalistas, repórteres, editores, trabalhadores de classe média que, em sua maioria, apoiavam o PT – ou, pelo menos, acreditavam que, no poder, o partido faria diferente do que sempre se fez no Brasil. Mas, para desilusão geral, o PT não fez diferente.

Nos anos 1980, com o ocaso da ditadura militar e o fortalecimento do Ministério Público e do PT, quando nós, repórteres, apurávamos denúncias contra algum poderoso de plantão, quase sempre recorríamos a promotores, militantes e parlamentares do PT. Conseguimos apurar grandes escândalos, do governo Sarney ao governo FH, em boa parte, devido a informações daqueles que considerávamos como pessoas do bem.

Alguns têm memória curta, mas a imprensa – alimentada pela veia investigativa dos repórteres – batia no governo Collor como bate no de Dilma. E só bate mais forte hoje porque tem a alimentá-la uma torrente de delitos que mais parece noticiário policial.

A imprensa nada mais faz do que refletir os anseios do pensamento hegemônico no Brasil, de pessoas que se sentiram traídas, em suas esperanças, pelos governos Lula e Dilma. E faz o que é seu dever fazer: fiscalizar o poder – às vezes, é bem verdade, com certo radicalismo pueril, que só enxerga o mal no lado do PT. Mas a culpa desse estado de coisas é, antes de tudo, dos métodos do PT no poder, não da imprensa.

Em 2009, testemunhei uma cena que simboliza esse desencanto dos jornalistas em relação ao PT, numa concorrida audiência pública na Câmara Federal. O então deputado José Genoino se aproximou, circulando entre os jornalistas. Todos fizeram questão de ignorá-lo. Uma repórter chegou a virar-lhe as costas! Meio sem jeito, Genoino se afastou. Logo ele que, antes do mensalão, era uma das fontes preferidas e mais paparicadas do jornalismo brasiliense e paulista.

Esse sentimento de decepção, que tomou conta de boa parte da imprensa, representa, na verdade, o desencanto de parcelas expressivas da sociedade brasileira. Afinal, não somos astronautas, fazemos parte da mesma massa de decepcionados com o PT no poder.

Não tem jeito. O PT matou nossos sonhos de construção de um sistema político melhor, mais arejado, menos corrupto.

Ser de “esquerda”, no Brasil, representou, na fase de redemocratização do país, integrar correntes democráticas de pessoas, socialistas ou não, unidas pelo ideal de um país mais justo, menos desigual, com um Estado aperfeiçoado, um capitalismo menos selvagem. Mas o sonho dessa esquerda já era. Lula matou a esquerda brasileira. Zé Dirceu foi o coveiro.

10 março 2016 DEU NO JORNAL

COISA DE BRANQUELOS GOLPISTAS

Às sombras, em voz baixa, auxiliares da presidente Dilma informam que as previsões do governo apontam na direção de manifestações gigantescas no próximo domingo. Estimam que a de São Paulo poderá superar a maior já registrada por lá desde junho de 2013.

Em Campo Mourão, município do interior do Paraná com pouco menos de 100 mil habitantes, um carro de som percorre desde ontem a cidade convocando todo mundo a ir para as ruas no domingo.

Uma gráfica imprimiu de graça os panfletos que estão sendo distribuídos como convites à manifestação pelo impeachment de Dilma. Locutor de rádio gravou de graça mensagens para animar o pessoal.

No sábado, haverá uma carreata para que ninguém se esqueça de comparecer.

* * *

Eu mesmo vou ficar em casa, quieto e calado, apreciando o tempo, tomando uma bicada e fazendo palavras cruzadas. Não sou bagunceiro, não sou desordeiro, não sou ingrato. 

Isto é coisa de coxinha reacionário, de golpista safado, de milionário que não se conforma  com o estrondoso sucesso do gunverno do PT, de sua pulítica econômica e seu magnífico e bem sucedido combate à corrupção, à inflação, ao desemprego e à crise.

Isto é safadeza de gente obtusa que não suporta ver pobre viajando de avião ou ver o grande Lula, O Honesto, descansando num sítio doado desinteressadamente por amigos empreiteiros.

Isto é sacanagem das zelites brancas, dos zoios zazuis.

Vejam, por exemplo, este branquelo alourado no vídeo abaixo:

Eu não irei de modo algum às manifestações do próximo dia 13 de março, um domingo que será de muito sol, segundo a meteorologia.

Mas, quem quiser ir, é só conferir na lista abaixo onde será na sua cidade.

No Brasil e no exterior.

* * *

ACRE

Rio Branco – 15h – Em frente do Palácio Rio Branco

ALAGOAS

Maceió – 9h – Praça Corredor Vera Arruda (Praia de Jatiúca)

AMAZONAS

Manacapuru – 15h – Avenida Boulevard Pedro Ratis

Manaus – 16h – Ponta Negra

Tonantins – 9h30 – Praça de Alimentação Onofre Rodrigues Nascimento

AMAPÁ

Macapá – 10h – Parque do Forte

BAHIA

Candeias – 8h – Rua Guanabara

Feira de Santana – 15h – Avenida Getúlio Vargas

Ilhéus – 10h – Prala Cairu

Itabuna – 15h – Jardim do Ó

Jacobina – 9h – Alto da Missão

Juazeiro – 9h – Praça do São Tiago Maior na Orla

Salvador – 10h  Farol da Barra

Sobradinho – Caravana para Juazeiro

Vitória da Conquista – 9h – Praça da Escola Normal

CEARÁ

Fortaleza – 15h – Aterro da Praia Iracema

Juazeiro do Norte – 15h30 – Praça Padre Cícero

Sobral – 16h – Avenida Doutor Guarani

Tabuleiro do Norte – 16h – Centro

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10 março 2016 DEU NO JORNAL

ENTRE FUGIR DA JUSTIÇA E SER EMPREGADO DE DILMA

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Triste destino, esse de Lula. Ou vira empregado de Dilma ou continuará sujeito a se explicar a um delegado aqui, um procurador da República ali, um juiz de primeira ou de segunda instância acolá.

Na próxima segunda-feira, ele já tem um encontro marcado com o juiz Sérgio Moro na condição de testemunha de defesa do empresário José Carlos Bumlai, seu amigo preso pela Lava-Jato.

Lula irá ao encontro com a pretensão de salvar Bumlai da encrenca de ter tomado dinheiro emprestado para financiar despesas ocultas do PT. Moro irá com a esperança de flagrar Lula em novas mentiras.

Em breve, outro juiz decidirá se aceita a denúncia oferecida contra Lula pelo Ministério Público de São Paulo, que o acusa de esconder patrimônio e de lavar dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

Vida insana a de Lula de algum tempo para cá. Foram suspensas as homenagens que recebia no exterior. Cessou o pagamento milionário por palestras e lobby desde que seus patrocinadores acabaram presos.

Mas tudo isso se dissipará de uma hora para a outra, basta que Lula aceite o convite que lhe fez Dilma para ser nomeado Ministro de Estado. Ministro do quê? Do que ele quiser. Em termos, naturalmente.

Ministro da Justiça não dá. Seus desafetos dirão que, ali, ele se dedicará ao controle da Polícia Federal e ao esvaziamento da Lava-Jato. Ministro das Relações Exteriores? Também não.

Imagine o constrangimento de chefes de Estado que lidaram com Lula quando ele era presidente… Como se comportarão diante de um Lula feito ministro de Estado só para escapar da Justiça comum…

Ministro tem fórum especial. Só deve satisfações ao Supremo Tribunal Federal. Só o Supremo pode condená-lo à prisão. Hoje, um tribunal de segunda instância pode pôr Lula atrás das grades. É isso o que ele teme.

Adiante. Chefe da Casa Civil? Lula poderia ser. Jaques Wagner, o chefe atual, aceitaria ser transferido para o Ministério da Justiça. Pensando melhor, contudo, Chefe da Casa Civil também não dá.

Dilma foi chefe da Casa Civil de Lula no primeiro e no segundo governo dele. Os papéis, agora, seriam invertidos. Lula não a chamaria mais para ordenar e ser obedecido. Ela é quem chamaria Lula.

Como Lula conviveria com os maus tratos que Dilma costuma reservar para seus ministros e assessores? Nisso os dois são muito parecidos. São grosseiros. Dizem palavrões. Humilham seus semelhantes.

Uma faxineira do Palácio do Alvorada foi demitida porque Dilma, aborrecida com a arrumação do seu guarda-roupa, atingiu-a com cabides. A faxineira reagiu e jogou cabides em Dilma.

Gente do PT que esteve com Lula, ontem, em Brasília, sugere que ele até concordaria em ser nomeado ministro desde que Dilma lhe garantisse total autonomia no cargo. Dilma não quer garantir.

Ameaçada pelo impeachment, com a Lava-Jato na iminência de bater à sua porta, falta coragem a Dilma para dizer a verdade aos que defendem Lula para ministro.

Dilma sabe que Lula ministro significaria o fim do seu governo. Ninguém lhe daria mais a menor atenção. Ela seria promovida a rainha. Lula seria o presidente de fato. Até o cafezinho que serviriam a Dilma chegaria frio.

A abdicar para Lula, ela prefere ser forçada a deixar o cargo por decisão do Congresso ou da Justiça Eleitoral.

No início do governo em janeiro do ano passado, o pessoal do PT foi para cima de Dilma com a proposta de empregar Lula como ministro. Ela fingiu aceitar. Empenhado em ganhar dinheiro, Lula não quis.

Lula não perdoa Dilma por ela não ter renunciado à reeleição, facilitando sua volta à presidência em 2014. Dona Marisa Letícia, mulher de Lula, muito menos a perdoa.

No último sábado, depois da visita de Dilma a Lula no apartamento de São Bernardo do Campo, dona Marisa sequer a acompanhou à porta do andar térreo do prédio.

Disseram que as duas se abraçaram. Cadê as fotos do abraço?

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10 março 2016 DEU NO JORNAL

EM EXCELENTES COMPANHIAS

O senador Delcídio Amaral citou pelo menos cinco colegas de Senado em sua delação premiada. Entre eles estão o presidente da Casa, Renan Calheiros, e Aécio Neves, principal nome da oposição e candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014.

Os outros citados são da cúpula do PMDB no Senado: Romero Jucá, segundo vice-presidente do Senado; Edison Lobão, ex-ministro de Minas e Energia; e Valdir Raupp.

Renan, Jucá, Lobão e Raupp já são formalmente investigados em inquéritos da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

* * *

Êita, que está ficando cada dia melhor!

O Cheirador Cheirosinho está num antro de primeira qualidade. O tucano não poderia arranjar companhias melhores que estas.

Cada guabiru mais gordo que o outro: Renan, Juca, Lobão e Raupp.

Um time da pesada que, agora, recebe o reforço de Aécio.

Esta Operação Lava-Jato tá ótima!!!

cheirosinho

“Cumpanhero Renan, Delcídio tá praticando um genocídio: tô lascado!”

10 março 2016 DEU NO JORNAL

BANÂNIA BRILHANDO NO ISTRANJEIRO

new york times

* * *

Meu patriótico coração fica aos pulos de alegria vendo eztepaiz brilhar nas manchetes de jornais istranjeiros.

Esta manchete aí de cima saiu no The New York Times.

Outras manchetes estão pipocando ao redor do planeta, na América, na Europa, na Asia e na Oceania, em vários idiomas.

Que lindo!!!

Devemos agradecer a Lula e ao PT este brilho que Banânia está tendo em todos os quadrantes do Planeta Terra!

le matin

el paisuk

10 março 2016 DEU NO JORNAL

CAFÉ AMARGO

Foi amargo o café da manhã oferecido ao ex-presidente Lula pelo presidente do Senado, Renan Calheiros. Estava depressivo e “muuuuito para baixo”, como acentuou um dos mais importantes senadores presentes ao encontro, que destacou o “clima de enterro”.

Lula manifestou o temor de ser preso por ordem do juiz Sérgio Moro, que, segundo ele, “força a barra” para isso. Ele pediu a reunião para expor aos aliados sua versão sobre as acusações contra ele.

Lula permaneceu calado, durante a maior parte do café da manhã, e ao contrário de outros encontros do gênero, ele não sorriu uma só vez.

Lula disse estar “muito preocupado” com a delação de Marcelo Odebrecht, por insistência do pai dele, Emílio.

E deixou claro que também não sairá ileso da delação de Leo Pinheiro, da OAS.

* *  *

O fato do Delinquente Maior estar preocupado, apreensivo e se cagando pelos cantos, com medo de pagar pelo que fez, como todo bom covarde, é uma notícia ótima e que levanta o astral da banda decente do Brasil

Renan recebeu o Palanque Ambulante e outros malfeitores investigados na Lava Jato para uma refeição paga com dinheiro público, na residência oficial. Um grupo de guabirus de grosso calibre, roedores insaciáveis do dinheiro público.

Na foto que registrou o final do deprimente encontro de corruptos, Renan presentou Lapa de Demagogo com um exemplar da constituição.

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Mesmo que soubesse ler, o Canalha Supremo jamais leria a Constituição, um texto que ele vive a desrespeitar sistematicamente, constantemente, regularmente.

Olhem bem a cara de cada um dos que aparecem no flagrante acima, com seus cínicos fucinhos, fazendo pose, sem o menor constrangimento!!!, ao lado da dupla Renan-Lula.

(O representante de Pernambuco, Humberto Pato-Rouco Costa, aparece, de dentes arreganhados e a cara lisa de sempre, bem nas costas de Renan; os dois formam uma dupla perfeita!)

É a foto de um tempo que está em decadência, um tempo que vai desaparecer do mapa, graças à firme e enérgica atuação de uma nova geração de componentes do Ministério Público, da Justiça Federal e da Polícia Federal.

O Delinquente Maior tomou um café da manhã amargo, e permaneceu calado, frouxo, covarde, amargurado, sem coragem de excretar suas costumeiras bravatas.

E, à noite, após a notícia de que havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, ele teve um jantar de gosto horrível, apimentado como um acarajé.

A depressão deste canalha indica que a banda decente do Brasil terá um final de semana excelente! 

10 março 2016 DEU NO JORNAL

DE “NÃO INVESTIGADO”, LULA PASSA A “DENUNCIADO”

Josias-de-Souza5

Em 20 de janeiro, falando a um grupo de blogueiros, Lula jactou-se: “Não sou investigado!” Embora estivesse rodeado de suspeitas, o ex-presidente petista autocongratulou-se: “Se tem uma coisa de que me orgulho é que não tem, nesse país, uma viva alma mais honesta do que eu.”ap

Passados 49 dias, a “alma viva mais honesta” passou da condição de “não investigado” para a de denunciado. Em peça protocolada na 4ª Vara da Justiça de São Paulo, o Ministério Público paulista acusou Lula e mais 15 pessoas pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

A denúncia se refere ao caso do já célebre apartamento tríplex do Guarujá. Subscritores do documento, os promotores Cássio Conserino, Fernando Henrique Araújo e José Carlos Blat sustentam que Lula é o verdadeiro dono do imóvel. Acusam-no de ocultar patrimônio.

Lula se recusou a depor. Alega que o promotor Cássio Conserino o pré-julgou ao antecipar à revista Veja que o denunciaria. Perdeu a oportunidade de contrapor argumentos capazes de derrubar os indícios colecionados pelos investigadores em uma centena de depoimentos.

A novidade vem à luz cinco dias depois de a Polícia Federal ter conduzido Lula coercitivamente para prestar depoimento em inquérito relacionado à Lava Jato. O tríplex é objeto também desta investigação. Mas a denúncia da Promotoria de São Paulo nada tem a ver com o processo presidido em Curitiba pelo juiz Sérgio Moro.

O alarme da suspeição continua soando, enquanto Lula diverte a plateia com sua tradicional desconversa. Nesta quarta-feira, ele repetiu para um grupo de 20 senadores, na casa do multi-investigado Renan Calheiros, que é “perseguido” pelo Ministério Público e pelo doutor Moro.

Lula ainda não se deu conta. Mas sua imagem tornou-se um problema urgente. Movido por um tipo de credo que exclui o ingrediente da dúvida, Lula alcançou a fase do pós-cinismo. Passou a acreditar piamente em todas as presunções que construiu a seu próprio respeito.

Isso inclui aceitar a tese segundo a qual Lula tem uma missão divina no mundo e, portanto, inquestionável. Não deve contas senão à sua própria noção de superioridade. Não é o cinismo de Lula que assusta. O cinismo é usual na política. O que assusta mesmo é a percepção de que Lula pode não estar sendo cínico. Ela acredita que sua missão especial no planeta lhe dá o direito de ignorar a Justiça.

9 março 2016 DEU NO JORNAL

DUAS NOTAS, DOIS VÍDEOS

O PT tentou intimidar os manifestantes do dia 13 de março.

Resultado?

O protesto cresceu exponencialmente.

A Folha de S. Paulo disse que o “mapa das redes sociais feito para o governo indicou disparada de adesões aos atos de 13 de março após a condução coercitiva de Lula”.

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Mega manifestação do dia 13/3 contra Dilma e o PT viralizou após ataques de Lula e Falcão

Os números para o protesto contra o governo Dilma e o PT já estão superando as expectativas, pelo menos é o que mostra as redes sociais em São Paulo. Já são mais de 3 milhões de paulistanos que confirmaram presença pelo twitter e facebook. Para que o leitor possa comparar, após o PT subir o tom com as manifestações irresponsáveis de Lula, Rui Falcão e seus asseclas, o número de confirmações subiu 50% entre sexta-feira e ontem.

É um número muito maior do que os registrados na primeira grande manifestação anti-Dilma, realizada há um ano. O jornal Folha de S. Paulo disse que o “mapa das redes sociais feito para o governo indicou disparada de adesões aos atos de 13 de março após a condução coercitiva de Lula”.

Em março de 2015, o protesto contra Dilma e o PT em Porto Alegre reuniu 100 mil pessoas nas ruas da cidade. Para esse próximo domingo já são esperados pelo menos o dobro, ou seja, os movimentos sociais esperam mais de 200 mil pessoas para protestar contra esse governo que esta acabando com o Brasil. Chega de PT!!!

9 março 2016 DEU NO JORNAL

DE VOLTA PARA O FUTURO

carlos-brickmann5

Na semana que vem, este evento fará 52 anos. Eu atravessava o centro de São Paulo a pé quando cruzei com impressionante multidão, liderada por uma freira, a Irmã Ana de Lourdes, mais o governador, deputados – na época, atraíam público. Dizem que até um metalúrgico, que ficaria famoso, marchou com Deus pela liberdade. Foi difícil passar pela massa, chegar à Folha e comentar: “Tem gente pra caramba”. Contestação imediata dos colegas de esquerda: na rua só havia milionários. Todos? Não: para fazer volume, tinham levado babás e empregadas.

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Nos dias seguintes, mais negativas. A cada general que se declarava contra o Governo de João Goulart, citava-se outro que defendia o presidente. Havia as Ligas Camponesas, que invadiriam as cidades para dar apoio a João Goulart. O dispositivo militar, generais de muitas estrelas, a Casa Militar, o 3º Exército, o 2º Exército do general Kruel, amigo de Goulart. Cabos e sargentos rejeitariam ordens superiores e defenderiam o regime. Tinha roubalheira em Brasília? Tinha, mas em São Paulo também havia. Luís Carlos Prestes, maior líder comunista, proclamava a vitória: “Já estamos no governo, só falta alcançar o poder”.

As Ligas Camponesas se evaporaram, o dispositivo militar não havia, o 3º Exército foi neutralizado, o general Kruel marchou contra o amigo Jango. Tivemos 21 anos de ditadura e sofrimento. Ninguém aprendeu, só esqueceu. Mudança? Em vez de chamar os adversários de gorilas, agora os chamam de coxinhas.

Parece familiar? E é. Mas Lula e PT parecem felizes de buscar o confronto.

O poeta é um vidente

A letra todos conhecem: “Mamãe, eu quero/ Mamãe, eu quero/ Mamãe, eu quero mamar (…)” Mas não são todos que sabem quem é o autor da letra desta música, sucesso de 1937: José Luís Rodrigues.

Seu apelido, famoso, é Jararaca.

Panela no fogo

Muitas coisas devem se precipitar nos próximos dias na área das investigações. Falta homologar a delação premiada de Delcídio, há o depoimento de Lula marcado para o dia 14, e há algo ainda mais explosivo: Marcelo Odebrecht, principal executivo da maior empreiteira do Brasil, foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a quase vinte anos de prisão. Mas Moro abriu-lhe uma possibilidade: embora já condenado, pode fazer delação premiada. E, se alguém sabe das coisas – e não apenas com relação ao PT, mas também à oposição, e não apenas com relação a Brasília, mas também a Governos estaduais – é Marcelo Odebrecht. Mesmo que ganhe benefícios a partir do cumprimento de um sexto da pena, serão quase seis anos de regime fechado, o que pode ser insuportável para alguém habituado a bom padrão de vida.

Traduzindo: como resistir à delação premiada?

O difícil convite

Lula e seus partidários reclamaram da condução coercitiva que lhe foi imposta para depor, alegando que ele, sempre que convidado, prestou declarações sem criar qualquer problema. Acontece que foi arrolado como testemunha de defesa do pecuarista José Carlos Bumlai e o oficial de Justiça estava tendo dificuldades para entregar-lhe a intimação.

Resultado: enquanto depunha à Polícia Federal, sob condução coercitiva, o oficial de Justiça entregou-lhe a intimação.

PMDB, PP e a ética do PT

Em 2004, muita gente e poucos animais foram vítimas do tsunami que atingiu a Indonésia. Boa parte dos animais percebeu que a região se tornaria perigosa e se refugiou em locais mais seguros.

A propósito, o PMDB deve afastar-se de Dilma. O PMDB apoia o PT desde 2003, quando Lula se elegeu. Agora reage à “má gestão”. E, segundo a proposta de ruptura, divulgada pela repórter Andréia Sadi, da Globonews, acha intolerável “a crise ética” que “avilta a nação”. O PP também deve romper com Dilma, também por motivos éticos. Paulo Maluf, que ao descobrir suas afinidades com Lula, Dilma e Haddad tinha virado pró-petista de carteirinha, lançou o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, à presidência da República.

PMDB e PP não suportam um ambiente sem ética.

Tudo acabou

Quando PMDB e PP largam um Governo, esqueça a ética. É que a teta secou.

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Dilma, a solitária

O problema de Dilma não se reduz aos partidos de sua base de apoio. O professor e ex-ministro Delfim Netto, que exerceu uma certa assessoria informal para Lula, critica abertamente o Governo. Empresários que sempre apoiaram o PT fazem hoje sérias restrições a Dilma. Um bom exemplo é Lawrence Pih, do Moinho Pacífico, talvez o primeiro empresário a apoiar os petistas: “A presidente perdeu a pouca capacidade de governar que lhe restou”.

Verdade verdadeira

Vale a pena ler ao menos este parágrafo da proposta de ruptura do PMDB com o Governo. Para quem sabe quem é quem, é uma delícia.

“Queremos, dentro do Partido e com a sociedade, debater e apontar soluções para o Brasil, que tenham sempre a questão ética e moral como base, criem um novo pacto federativo, reduzam a máquina pública e retomem o desenvolvimento econômico e social para todos os brasileiros, como vem sendo proposto por Michel Temer”.

Leia Chumbo Gordo

9 março 2016 DEU NO JORNAL

ESTEVÃO E ODEBRECHT SÃO RETRATOS DE DOIS BRASIS

Josias-de-Souza5

O ex-senador Luiz Estevão foi preso. Alvíssaras! Híbrido de empresário e político, Estevão é um condenado de outro tempo. Um tempo em que o cacique Antonio Carlos Magalhães mandava no Congresso, Luís Inácio ainda era o Lula e o acarajé não passava de uma iguaria da culinária baiana.

Nessa época, nenhuma revelação, por mais bombástica que fosse, conseguia abalar o prestígio de uma eminência empresarial brasileira. Mesmo depois de desmascarados, julgados e condenados, continuavam frequentando as colunas sociais, certos de que nada afetaria seu prestígio.

Hoje, é diferente. No Brasil que emerge das páginas dos inquéritos da Lava Jato, Marcelo Odebrecht, príncipe da plutocracia nacional, tornou-se uma espécie de anti-Estevão. Preso antes de ser sentenciado, já recorreu a todas as instâncias do Judiciário, do TRF ao STF. E nada.lemo

Contrariando os conselhos do patriarca Emílio Odebrecht, Marcelo recusou-se a fazer o papel de delator. Quis o destino que, nesta terça, mesmo dia em que Estevão foi trancafiado em Brasília, viesse à luz a sentença de Moro para o herdeiro da maior construtora da América Latina: 19 anos e 4 meses de cadeia. Marcelo recorrerá ao TRF. Deve perder. Continuará preso. Há outros processos. Virão novas condenações. Os fatos como que intimam Odebrecht a virar um delator.

Estevão entregou-se à polícia com pelo menos dez anos de atraso. Protagonista do caso dos desvios da obra do TRT de São Paulo, um escândalo da década de 90, o personagem coleciona condenações. Numa das sentenças, a mais salgada, arrostara 31 anos de cana.

Em 2006, já lá se vão dez anos, a decisão foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 3.ª Região. Mas Estevão continuava livre. Ninguém tinha a menor dúvida quanto às suas culpas. Mas ele protelava o castigo por meio de 34 recursos impetrados em tribunais superiroes. Um acinte.

Estevão foi recolhido ao cárcere graças a uma histórica e singela decisão do Supremo Tribunal Federal. Ficou estabelecido que as sentenças devem ser executadas a partir do momento em que forem confirmadas pela segunda instância do Judiciário. O sujeito pode continuar recorrendo. Mas os recursos não têm mais o famigerado “efeito suspensivo”.

Esse Brasil em que Estevão foi reduzido à condição de presidiário é outro país. O cacique ACM morreu sem poder. Renan Calheiros e Eduardo Cunha, seus similares, viraram condenações esperando para acontecer. Luiz Inácio, hoje um ex-presidente multi-investigado, já não é o mesmo Lula. Tem amigos demais e explicações de menos.

Como se fosse pouco, o acarajé —sinal dos novos tempos!— tornou-se a unidade monetária dos pagamentos clandestinos feitos pela Odebrecht para João Santana, o marqueteiro das campanhas presidenciais do PT.

Também nesta terça-feira, ganhou o noticiário a informação de que Maria Lúcia Tavares negocia com a força-tarefa da Lava Jato os termos de sua delação premiada. Não será uma delação qualquer. Maria Lúcia é a secretária da Odebrecht que zelava pela contabilidade dos “acarajé$” lançados na rubrica “feira”, apelido atribuído a João Santana e sua mulher Mônica Moura na escrituração paralela da construtora.

A decisão do STF que encurtou a execução das penas ajuda a explicar o boom das delações que tornaram o Brasil de Marcelo Odebrecht tão diferente do país de Luiz Estevão. Os encrencados mais graúdos da Lava Jato apressam-se em colaborar com a Justiça, para reduzir suas penas.

Delcído Amaral atirou para cima. Acertou em Dilma Rousseff e Lula. Os executivos da Andrade Gutierrez já moveram os lábios. Leo Pinheiro, mandachuva da OAS e provedor de inusitadas despesas de Lula, também afia a língua. A República treme só de pensar no que está por vir. Aquele Brasil em que nenhuma mutreta justificava a incivilidade de uma reprimenda pública não existe mais.

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9 março 2016 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUARTA-FEIRA – SATANÁS TÁ AMOLANDO A PICA

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O Palanque Ambulante obrou nas calças quando tomou conhecimento desta sentença histórica. A Mudinha teve que dar banho nele de mangueira, no banheiro do apartamento que não é deles. É de um amigo empreiteiro.

Já no Palácio do Planalto, Jumenta Falante mijou-se todinha, deu um esporro no seu ajudante-de-ordens, escoiceou a poltrona, rinchou desesperadamente, quebrou o vidro da mesa com um murro e ainda tentou enfiar o dedo no furico pra rasgar.

E dizem que vem mais sentença por aí no lombo deste corruptor ativo, Marcelo Odebrecht, o homem que causa pesadelos nos sonhos da Alva Viva Mais Mentirosa do Planeta Terra.

Abre o bico, Marcelo! Canta, passarinho!

BBD

Abençoado seja o Dr. Sérgio Moro. Daqui pra frente, a história desta terra vai ser medida na base do AD e DD. Antes Dele e Depois Dele.

Se preparem vocês corruptos que o bambu vai gemer, a jiripoca vai sapatear, o cancão vai piar, o cu vai fazer bico, o cacete vai tinir e a merda vai custar 10 tostões o dedal!

Enquanto isto, vamos invocar o Tranca-Rua, o tampa, o lasca, o lapa, o fodão, que é pra ele botar pra torar em tudo quanto é guabiru envolvido na Lava-Jato.

Corruptos, roedores, ladrões do dinheiro público e petro-guabirus, juntamente com seus defensores e eleitores, que se cuidem, abram os olhos e preparem o fedegoso: Cacete-de-Estrovenga tá pronto pra fazer sua parte, dentro e fora da cadeia e da carceragem de Polícia Federal em Curitiba. Abram os olhos pixulequeiros e embolsadores de pixulecos que ainda não foram enjaulados. Vão ajeitando o fedegoso e ajuntando os potes de vaselina. A caneta do Dr. Moro tá no ponto pra assinar mais outras sentenças.

Todos que fizeram fortuna do mesmo modo e na mesma velocidade que os filhos do exxx-prisidente Lapa de Demagogo que se preparem: Cramulhão-dos-Quintos tá ensaboando o caralho, enchendo os pulmões de fogo, aparando os cascos e se preparando pra entrar em ação.

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Satanás-de-Rabo amolando a pica e se preparando pra enrabar Lula, Dilma e os empreiteiros corruptores ativos que bancaram as campanhas dos dois

9 março 2016 DEU NO JORNAL

UM TRIO BOSTÍFERO

Pesquisa realizada pelo Instituto Paraná em todo o Brasil mostra que o ex-presidente Lula nem sequer chegaria ao segundo turno, caso a eleição fosse hoje e seus adversários o senador Aécio Neves e a ex-senadora Marina Silva.

A pesquisa, fechada antes da delação de Delcídio Amaral e do depoimento “sob vara” do ex-presidente, mostra que Lula não teria mais do que 16,8% dos votos.

A gatunagem na Petrobras, desmantelada pela Lava Jato, desgastaram Lula. Há um ano, ele ainda tinha 27,2% das intenções de voto.

* * *

Triste do país que tem de escolher o seu dirigente entre estes três tolôtes: Aécio, Marina e Lula.

Putz…

De qualquer forma, já é um fato confortador e cheio de esperanças saber que o povão começa a perceber que o Palanque Ambulante é uma farsa fenomenal.

Detalhe: a pequisa foi feita antes de estourar o esgoto Delcídio.

Depois deste estouro, a situação de Delinquente Incurável deve ter piorado mais ainda.

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Uma trinca de tolôtes pulíticos cuja existência só seria possível mesmo em Banânia

9 março 2016 DEU NO JORNAL

CENA QUADRILHEIRA AUTENTICAMENTE BANÂNICA

O presidente do Senado, Renan Calheiros, recebe o ex-presidente Lula para um café da manhã nesta quarta-feira (9), para uma conversa sobre a crise política. Lula tenta evitar que o PMDB decida romper com o governo Dilma, na convenção nacional marcada para o próximo sábado (12).

Renan deve receber Lula, na residência oficial, ao lado de outros senadores que compõem a chamada “governança” do Senado. Todos, incluindo o principal convidado, têm em comum o fato de serem investigados por crimes apurados na Operação Lava Jato e outros escândalos de corrupção.

O encontro coincide com entendimentos para que Lula assuma um ministério do governo Dilma, com o objetivo de ganhar novamente o chamado “privilégio de foro” e, assim, livrar-se da mão pesada do juiz federal Sergio Moro, que coordena a Lava Jato. Com Lula protegido por foro privilegiado, as investigações contra ele saem das mãos de Moro e sobem para o Supremo Tribunal Federal.

No café da manhã anterior, em 30 de junho de 2015, Renan recebeu Lula ao lado de vários senadores. De lá para cá, quase todos – a exceção é o ex-senador José Sarney – passaram a ser investigados em escândalos como o petrolão. E um deles, Delcídio do Amaral, chegou a ser preso.

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Lobão, Renan, Delcídio, Sarney, Lula, Jucá (todos soltos), num café da manhã de guabirus de grosso calibre no dia 30 de junho de 2015

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O exxx-prisIdente Canalha Total quer ser ministro do guverno da Jumenta Falante para escapar das malhas da lei.

E para conseguir este objetivo vai pedir arrego ao malfeitor Renan, investigado por grossa ladroagem.

No momento em que esta postagem está sendo publicada, eles estão tomando café da manhã em perfeita comunhão, já que estão no mesmo nível ético, pulítico e moral.

Vou repetir uma frase da notícia acima, que trata da reunião de um grupo de malfeitores enrolados com a justiça:

“Todos, incluindo o principal convidado, têm em comum o fato de serem investigados por crimes apurados na Operação Lava Jato e outros escândalos de corrupção.”

Meus caros ouvintes, não tenho nada a declarar.

Absolutamente nada. A ânsia de vômito não me permite dizer nada.

Vou pegar o pinico…

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9 março 2016 DEU NO JORNAL

DEZ ANOS DEPOIS…

José Casado

Dilma Rousseff, anteontem, em Caxias do Sul (RS), para militantes do Partido dos Trabalhadores: – O presidente Lula, justiça seja feita, nunca se julgou melhor do que ninguém.

Lula, sexta-feira, em São Paulo: – Antes deles (policiais, procuradores e juízes) já fazíamos as coisas corretas nesse país… Eu fui melhor que todos. Eu fui melhor que todos cientistas políticos, fazendeiros, advogados e médicos que governaram este país.

Lula é um hábil ator da política-espetáculo. Soube com antecedência e reagiu de forma estudada. “Vou ser preso ou vão fazer a minha condução coercitiva”, avisou na véspera a Gilberto Carvalho – contou o ex-secretário presidencial à repórter Natuza Nery.

O momento mais espontâneo da sexta talvez tenha sido a conversa gravada e divulgada pela aliada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Ao telefone com a presidente, Lula disse o que pensa sobre as instituições, sugerindo um rumo para o processo sobre corrupção na Petrobras: “Que enfiem…” Não se conhece resposta de Dilma.

Lula sabe, também, que deverá ser denunciado. É a tendência da procuradoria com base em evidências sobre as finanças de cinco grandes empreiteiras, responsabilizadas por quase 70% da corrupção comprovada em negócios da Petrobras durante o governo Lula. Entre outras transações, os procuradores descreveram pagamentos de R$ 560 mil mensais ao ex-presidente, de 2011 a 2014. Lula defendeu-as: “Já se deram conta de que o salário de muita gente na Justiça vem dos impostos que pagam essas empresas?”

Preferiu dever respostas substantivas, como se desejasse entregar-se às suspeitas. Reverberou contra as instituições e voltou a sinalizar que a História é ele. Arrematou com seu estado de espírito: “Indignado”, “magoado” e “perseguido”.

Por coincidência, neste março completam-se dez anos daquela que talvez tenha sido a maior das injustiças cometidas pelo Estado brasileiro contra um cidadão comum: Francenildo dos Santos. Aos 24 anos, ganhava por mês (R$ 370) quase 1.500 vezes menos do que Lula recebeu das cinco empreiteiras do caso Petrobras.

Caseiro no Lago Sul, em Brasília, em 2006 testemunhou cenas dos porões do poder, como o trânsito de malas de dinheiro em ambiente de festas libertinas. Num ano eleitoral marcado pelo inquérito do mensalão, confirmou à repórter Rosa Costa que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, frequentava a casa.

Convocado à CPI, foi silenciado pelo senador Tião Vianna (PT), que obteve uma liminar no Supremo. O número do seu CPF foi levado da Secretaria da Receita, comandada por Jorge Rachid, para o Palácio do Planalto. Ali, Lula se reunia com o ministro Palocci e o presidente da Caixa, Jorge Mattoso. À noite, o ministro recebeu de Mattoso um envelope com a violação do sigilo bancário de Francenildo na Caixa, relatou o repórter João Moreira Salles.

O governo espalhou cópias de extrato bancário onde constava depósito de R$ 30 mil. Tornou o caseiro suspeito de corrupção, a soldo dos “inimigos” eleitorais. A farsa não durou. Foi comprovado que o dinheiro fora doado pelo pai do caseiro, em parcelas, para ajudá-lo a comprar uma casa.

Desempregado e com a vida vasculhada, Francenildo aguentou firme. Até sugeriu que a devassa se estendesse ao seu voto na eleição de 2002: ajudara a eleger Lula presidente, de quem jamais recebeu sequer um pedido de desculpas.

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O caseiro Francenildo e o ministro do PT

8 março 2016 DEU NO JORNAL

DILMA GRUDOU OS PROBLEMAS DE LULA NO PLANALTO

Josias-de-Souza5

Dilma Rousseff tem um curioso senso de oportunidade. Afastava-se de Lula e do petismo sob o argumento de que precisava governar para todos os brasileiros. Absteve-se até de comparecer à festa de aniversário do PT. Ficou em cima do muro até a última hora. Quando não teve mais jeito, saltou para o lado errado. Grudou o drama político-judicial de Lula no casco do Palácio do Planalto, hoje reduzido à condição de sede de um governo à deriva.

Na última sexta-feira, em manifestação lida diante dos repórteres, Dilma disse ter ficado “indignada” com o fato de Lula ter prestado depoimento sob os rigores da condução coercitiva. Mas a menção a Lula soou protocolar num discurso 99% dedicado a rebater as acusações feitas pelo delator Delcídio Amaral contra a própria presidente.

Na sequência, Dilma voltou a criticar, num encontro com governadores, o tratamento “desrespeitoso” dedicado a Lula. Em pleno gabinete presidencial, ouviu o que não queria: “Entendo que não houve desrespeito, presidente. Ninguém está acima da lei”, disse o governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB).

No sábado, Dilma voou de Brasília até São Bernardo, para abraçar o problema. Ao lado de Lula e da ex-primeira-dama Marisa Letícia, a presidente da República acenou para um grupo de devotos que cultuava o ex-mito defronte do seu prédio. A oposição pedirá o ressarcimento das despesas dessa viagem, espetada num Tesouro Nacional em petição de miséria.

Nesta segunda-feira, Dilma agarrou-se novamente à figura de Lula numa cerimônia oficial de entrega de casas populares na cidade gaúcha de Caxias do Sul. Dessa vez, além de se queixar do método escolhido para interrogar seu criador – “sob vara”-, a presidente acusou a oposição de “dividir o país.” Apagou da memória o bordão criado por Lula: “Nós contra eles.” E desconsiderou as evidências de que a oposição, meio tonta, só conseguiu dividir a si mesma.

Dilma se apega à forma do depoimento de Lula sem atentar para o conteúdo. Sitiado por inquéritos, o personagem não consegue levar à balança da Justiça meio quilo de explicações. Ao enganchar o governo nas interrogações que rodeiam seu padrinho, a presidente empurra a encrenca para dentro do Planalto, autoconvertendo-se em parte do problema.

Errar é humano. Mas escolher o erro cuidadosamente, homenagear o erro em reuniões fechadas, meter-se em aviões e helicópteros para ir ao encontro do erro, posar para as câmeras ao lado do erro e render-se ao erro em discursos oficiais, só mesmo Dilma Rousseff, uma presidente fascinada pelo erro.

8 março 2016 DEU NO JORNAL

FRITA À MILANESA EM CURITIBA

Assim que soube que a Polícia Federal levou o ex-presidente Lula para depor, o restaurante Taisho, em Curitiba, não perdeu tempo.

Colocou um cartaz avisando que, para celebrar aquela “sexta maravilhosa”, iria dar um desconto de 50% no prato “Lula ‘frita’ à milanesa”.

O sucesso foi tanto que a promoção foi estendida a outras filiais da rede.

lula

* * *

Cuida-se aqui do maior e melhor restaurante de comida japonesa de Curitiba.

Atenção honestos leitores patriotas da capital paranaense – e também honestos leitores patriotas que visitarem esta bela cidade -, vamos prestigiar o Taisho.

Um estabelecimento que faz este tipo de promoção, merece toda a admiração da banda decente deztepaiz e das pessoas de bem.

Pros descerebrados da militância petralha ficarem completamente emputiferados, sugiro ao restaurante que invente um prato com o nome de Coxinha Frita. Eles vão meter o dedo na furico e rasgar, de tanta raiva!

Quem quiser conhecer a casa, basta clicar aqui.

Não sou consumidor usual de comida japonesa, mas confesso que já passei a gostar de uma “lula frita à milanesa“. Ô comida boa que só a porra!

Meus parabéns pela promoção e muito sucesso para a empresa!

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Restaurante Taisho, Av. Iguaçu, 1848, Rebouças, Curitiba, tel. (41) 3244-1129

8 março 2016 DEU NO JORNAL

LULA ISOLOU-SE DA REALIDADE EM SUA BOLHA PETISTA

Josias-de-Souza5

As pessoas ficam falando mal do Lula, mas, na verdade, ele só merece pena. É uma vida desgraçada a do ex-presidente petista. Está certo, dá dinheiro. Dá muito dinheiro. Dá dinheiro demais – R$ 30 milhões em palestras e doações ao Instituto Lula feitas por empreiteiras pilhadas assaltando a Petrobras, noves fora o salário e a aposentadoria do Estado. O excesso de liquidez é uma das misérias da ex-presidência petista.

Outros seres humanos vivem com rendimentos exagerados. Mas o ex-presidente do PT é dependente do exorbitante. É como aquelas pessoas doentes que, não podendo respirar oxigênio, são isoladas numa bolha. Lula sofre com a insensibilidade do Sérgio Moro com o seu vício pela anormalidade.

“[…] É forçoso reconhecer que se trata de valores altos para doações e palestras, o que, no contexto do esquema criminoso da Petrobras, gera dúvidas sobre a generosidade das empresas”, anotou o juiz da Lava Jato no despacho em que ordenou que Lula fosse retirado da bolha para ser interrogado no Brasil real.

No interior da bolha petista vigora uma monarquia absolutista. Ali, o ex-presidente Luís Inácio autoproclamou-se Dom Lula 1º (e único), o venturoso. Isolado do meio ambiente exterior, respira exorbitância, sua substância vital. Faz isso como se nada tivesse sido descoberto sobre o que ele fez nos verões passados.

Coisas estranhas sucedem com o ex-presidente no reino da bolha. Imóveis lhe caem no colo – um sítio do tamanho de 24 campos de futebol, um triplex à beira mar… Empreiteiras se oferecem para reformar as propriedades. Composta de gente incompreensiva, a força-tarefa da Lava Jato destila suspeição em documento oficial:

“A suspeita é que os valores com que o ex-presidente foi agraciado constituem propinas pagas a título de contraprestação pelos favores ilícitos obtidos no esquema Petrobras. A vantagem não precisa ser dinheiro, não precisar estar diretamente ligada ao ato. Nós podemos verificar que mesmo após o exercício da Presidência podem estar sendo pagos ainda vantagens ao ex-presidente.”

Arrancado “coercitivamente” do reino da bolha pela Política Federal, Dom Lula 1º (e único) se deparou nesta sexta-feira com a República, cuja proclamação ele passou a considerar um erro. Sobretudo depois que as instituições republicanas começaram a iluminar seus calcanhares de vidro, o sítio de vidro, o triplex de vidro, as palestras de vidro, o instituto de vidro, a biografia de vidro…

Depois de interrogado, o ex-presidente petista foi liberado para retornar ao mundo da bolha. Disse que, por algumas horas, se sentiu como um “prisioneiro”. Horas depois, declarou ter sido “sequestrado” pela Polícia Federal. O soberano estava de volta ao seu abiente (i) natural.

Uma claque de devotos realiza o trabalho humanitário, estimulando com urros e palavras de ordem um ex-presidente notoriamente despreparado para lidar com a realidade. A militância faz as vezes de qualquer mãe com seu filho problemático. Estimula-o a desfrutar de sua anormalidade.

Meio choroso, Lula acenou com a hipótese de trocar a bolha pelo Planalto em 2018, se o doutor Moro deixar. “Cutucaram o cão com vara curta. Eu quero oferecer a vocês esse jovem de 70 anos de idade, com tesão de 30, corpo de atleta de 20 anos. Não tenho preguiça de acordar às 6h e dormir as 22h. A partir de hoje a única resposta à insolência e ofensa que fizeram a mim é ir pra rua e dizer: ‘Eu tô vivo e sou mais honesto que vocês’.”

Alguma coisa subiu à cabeça do soberano petista. E não é nada que se pareça com sensatez. “Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo, porque a jararaca está viva.”

A jararaca é capaz de tudo, menos de dar explicações. Elitizada, declara-se perseguida pela “elite”. Quem não é devoto não consegue entender os efeitos que a prosperidade exerce sobre uma cobra criada no reino da bolha, respirando exorbitância.

7 março 2016 DEU NO JORNAL

JARARACA IRRELEVANTE

Elton Simões

A jararaca parece ser a novidade. Todos dizem que ela apanhou. Alguns dizem que a pancada pegou na cabeça. Outros juram que foi no rabo. Mas todos concordam. A jararaca parece não ter saído incólume.jararaca

Confesso que não lembrava exatamente o que era uma jararaca. Fui pesquisar. A original, segundo a Wikipédia, é uma serpente muito venenosa e responsável por grande parte das picadas de cobra em sua região de origem. Na natureza, tem jararaca de todo tipo e atendendo por muitos e diferentes nomes… Jararaca-do-campo, jararaca-do-cerrado, jararaca-dormideira, jararaca-preguiçosa e jararaca-verdadeira… E que todas gostam de ratos.

Já em sua forma humana, jararaca, na gíria, é Pessoa fofoqueira, traiçoeira. Qualidades adequadas para descrever a jararaca em questão. Esta, sem duvida alguma, foi atingida pela paulada metafórica. E virou noticia. Apesar do golpe, sobreviveu. Meio tonta, fez barulhos, esperneou, reclamou. Tem o direito.

Alguns podem achar que esta jararaca luta contra a extinção. É improvável. Ela provavelmente sobreviverá para ver o futuro, viver nele, testemunha-lo. Para esta jararaca, o futuro, especialmente o imediato, é importante. Para o futuro, é possível que a jararaca não tenha importância alguma.

Futuros são assim. Relegam a (no máximo) notas de rodapé personagens menores da trama. Lembram somente daquilo que vale a pena preservar. E, convenhamos, muita coisa e muita gente nos dias de hoje merecem ser esquecidos. Ou ignorados. A jararaca, inclusive.

Com sorte, em alguns anos, os ratos, as jararacas, o veneno, o bote, os ataques, enfim, estes tempo com muito calor e nenhuma luz talvez façam parte de passado distante que a gente possa ignorar. E dele levar somente o aprendizado para que nada disso se repita.

No meio tempo, a gente vai ter que ouvir e presenciar o estrebucho e barulho da jararaca. E entender que ela luta não pela sua sobrevivência. A jararaca (ou pelo menos esta jararaca) não está nem corre o risco de ser, extinta. Ela apenas perdeu a importância.

A gente já cansou dela. E prefere que ela continue sua caminhada relutante em direção ao ostracismo, enquanto, infelizmente, abusa da paciência, dos ouvidos e da boa educação. Continua viva. Mas cada vez mais esquecida. E irremediavelmente irrelevante.

7 março 2016 DEU NO JORNAL

OU LAVA OU RACHA

Ruth de Aquino

Agora, não há mais como escapar do julgamento da História, com letra maiúscula. A explosão de dois homens-bomba deixou o país perplexo e espalhou estilhaços no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto. Os homens-bomba não são meros doleiros, ou diretores de estatal, ou empreiteiros, mas líderes de nossa República, investigados pela Lava Jato no exercício de seus mandatos. O ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado, Delcídio do Amaral, (ainda) do PT, e o (ainda) presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, se tornaram reféns e protagonistas explícitos do grande esquema de corrupção e guerra suja de poder que apequenou a política brasileira e desacreditou seus maiores representantes.

Primeiro, como aperitivo, caiu em desgraça Eduardo Cunha, depois de um ano de manobras irritantes. Cunha foi, enfim, para felicidade geral da nação, transformado em réu pelo Supremo Tribunal Federal e por unanimidade: 10 votos a 0. É acusado de receber ao menos US$ 5 milhões desviados da Petrobras. Pouco mais de uma hora após ser proclamado réu, cinco partidos pediam seu afastamento da presidência da Câmara: PT, PSDB, PSOL, PPS e Rede. Cunha parecia o único capaz de reunificar o país – contra ele.

Ele perde o mandato se pelo menos 257 de seus 512 colegas quiserem, em votação aberta. Não há mais clima para Cunha se manter presidente da Câmara e driblar a cassação, a não ser que faça como Renan Calheiros, que renunciou para não perder o mandato – e voltou, como o afilhado favorito de José Sarney, à presidência do Senado. Sobre o correligionário Cunha, Renan já se pronunciou: “Me inclua fora dessa. Não me ponha nessa confusão”.

O maior homem-bomba explodiria logo depois, deixando a presidente Dilma Rousseff anestesiada, sem capacidade de reação imediata. A explosão veio em forma de palavras, trechos devastadores de um depoimento de 400 páginas que o senador petista Delcídio do Amaral teria dado ao procurador-geral da República, como parte do acordo para ser solto no dia 19 de fevereiro. Foram quase três meses de prisão, acusado de atrapalhar as investigações da Lava Jato e desmascarado em vídeo gravado num quarto de hotel pelo filho de Nestor Cerveró.

A revista IstoÉ antecipou sua edição para publicar com exclusividade o depoimento de Delcídio, ainda não formalizado pelo STF como delação. Collor e Nixon caíram por muito menos. Em vez de afirmar que as declarações publicadas são uma fraude e não passam de mentiras, Delcídio disse apenas “não reconhecer o teor, a origem e a autenticidade”, em nota assinada com seu advogado. Não confirmou o conteúdo, mas não o desmentiu.

O que veio à tona com o homem-bomba e ex-braço forte de Dilma e Lula no Congresso é um conjunto de crimes contra a democracia, que vão muito além da corrupção passiva ou compra de votos. Articulação para barrar a Lava Jato e sabotar a Justiça, nomear desembargadores simpáticos ao PT, influenciar o voto do Supremo Tribunal Federal, soltar presos como Marcelo Odebrecht. Complôs tendo Lula como mentor das mesadas para Cerveró calar a boca – mesadas que teriam saído do bolso do amigo pecuarista José Carlos Bumlai.

Se um terço desse depoimento ficar comprovado, o governo implodirá, por renúncia ou impeachment. Antes disso, cabeças rolarão – espero que essa expressão não passe de uma metáfora. Tem muita gente preocupada com a sobrevivência física e política. O filho de Cerveró deixou o país. O senador Delcídio tornou-se, para o PT, réu confesso, inimigo declarado do partido e do governo e forte candidato a ser cassado rapidamente.

Seja qual for o desfecho desse drama, Lula – que na sexta-feira começou a ser investigado oficialmente pela Lava Jato – e Dilma devem estar arrependidos ao menos de um detalhe: não ter escutado o conselho de Delcídio. “Presidente, é perigoso deixar os feridos pelo caminho.” O senador disse isso aos dois, Lula e Dilma, ao longo de anos, antes de ser preso e experimentar o veneno do PT. “Coisa de imbecil” e “burrada” – foi a reação de Lula ao vídeo que derrubou Delcídio. O PT ficou dividido entre a expulsão sumária e a suspensão do senador. Delcídio ficou desesperado com a traição e o isolamento.

O panorama, aliado a uma crise econômica quase sem precedentes, é sombrio, mas pode ser o início real de uma depuração nunca antes vista no país. Militantes apaixonados que sonham com “O Regresso” podem se tornar dissidentes, também passionais, caso a verdade seja assim tão suja. Agora, é lava ou racha.

7 março 2016 DEU NO JORNAL

BANDIDOS BANIDOS DAS RUAS

O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, foi hostilizado neste domingo, 6, ao deixar o restaurante japonês onde almoçou, acompanhado de sua mulher, Fátima, em Brasília.

Ao se dirigir para a saída do restaurante, uma cliente gritou: “Fora PT”.

O protesto acabou acompanhado por outros presentes que, em coro, começaram a entoar “Fora!”, “Ladrões!”.

* * *

Entre outros petralhas, já foram hostilizados em público Rui Falcão, Alexandre Padilha e Guido Mantega.

Agora, foi a vez de Jaques Babacão Wagner.

Já chegou o tempo em que estes cabras safados não podem mais botar os pés nas ruas, nem frequentar lugares públicos.

O chefão da quadrilha, Mentiroso Juramentado, já arranjou uma solução: só frequenta ambientes fechados e que tenham plateias compostas de antas amestradas à base de mortadela.

Atenção, fubânicos residentes em Brasília: o restaurante de onde Jaques Babacão Wagner foi expulso à força de gritos é o New Koto, especializado em comida japonesa. Fica na 212 Sul.

Um endereço que entrou para a história. A história da derrocada da quadrilha vermêio-istrelada.

O jeito é Jaques Babacão Wagner desistir de comida oriental e se contentar com o acarajé baiano, a comida que está na moda e que condiz perfeitamente com um ministro petralha.

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Restaurante New Koto, Brasília

7 março 2016 DEU NO JORNAL

AS PORTAS DE MARÇO

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O sítio Santa Bárbara, em Atibaia, tem um caseiro chamado Maradona e é um autêntico gol de mão, desses que se fazem na esperança de enganar o juiz. O sítio foi reformado, assim como o triplex de Guarujá, por duas empreiteiras envolvidas no Petrolão: OAS e Odebrecht. É um enigma como o triplex do Guarujá. Estávamos nos divertindo com os pedalinhos do sítio Santa Bárbara quando surgiu a delação premiada de Delcídio do Amaral, ex-líder do governo. São revelações tenebrosas de sabotagem da Lava Jato. Lula pagando à família de Nestor Cerveró para proteger seu amigo Bumlai. Dilma nomeando um ministro do STJ para libertar os empreiteiros.mario-5

Tudo isso acontece depois de o PT derrubar um ministro da Justiça e colocar outro com as iniciais WC para tentar conter a lama que chega ao Palácio do Planalto. O que significa controlar a Lava Jato, nesta altura das investigações? Há uma fila de delatores no pipeline. Novas informações virão à tona, as coisas ficarão mais claras ainda, como se ainda não fossem suficientemente claras. Na sexta, com novo ministro e tudo, a Polícia Federal, cumprindo determinações da Justiça, fez uma devassa no Instituto Lula e nas casas da família. Uma pessoa sensata diria que não é hora de brigar com a polícia e sim discutir coisas mais práticas com ela, como banho de sol, visita íntima.

O filme está acabando, e as revelações de Delcídio mostram uma realidade que já intuíamos: a luta surda contra a Lava Jato. Diziam que José Eduardo Cardozo caiu porque não controlava a Polícia Federal. Caiu, na verdade, depois de tentar o controle e fracassar. Esse juiz, Marcelo Navarro, que teria sido nomeado para liberar no STJ, já foi denunciado inúmeras vezes no site O antagonista como o homem que iria dar os habeas corpus. Bem que ele tentou: perdeu por 4 a 1.

Tentaram controlar o Supremo, a julgar pela delação de Delcídio, e falharam. Tentaram o STJ, perderam de 4 a 1. Fizeram de tudo e se esborracharam. As portas estão se abrindo. A começar pela tarefa urgente de derrubar Eduardo Cunha, transformado em réu pelo Supremo Tribunal Federal.

Cunha é um imenso trambolho no caminho. Se a Câmara não destitui da presidência um réu na Lava Jato, acusado em depoimentos de delatores e com contas na Suíça, então é uma tarefa que os próprios ministros precisam executar. Mas isso pode ser feito rapidamente na Câmara. Basta parar tudo e forçá-lo a sair. A oposição tem o dever de fazer isso e realizar uma nova eleição. Como conviver com a ideia de que um presidente da Câmara é, ao mesmo tempo, réu no maior processo de corrupção do país? É tão grave quanto conviver com um governo que se elegeu usando dinheiro do Petrolão para pagar seu marqueteiro. E tentou de várias maneiras sabotar as investigações da Lava Jato. Dilma e Cunha estão queimados, há um rastro de fumaça nos poderes da República. Os tribunais, Superior e Eleitoral, são as únicas forças de pé. Têm que dar uma resposta.

O que está se passando no Brasil pode ser visto de muitas formas. Mas é também humilhante viver num país em que dois poderes estão afundados no escândalo. Daí a importância de domingo que vem, dia 13 de março. É o momento em que a sociedade tem chance de mostrar como vê tudo isso. As pesquisas já indicam o sentimento majoritário.13

Manifestações são diferentes de cifras: pessoas de carne e osso expressando sua vontade de resolver a crise política. Elas sabem que desatar esse nó traz um alento para o combate em outro front assustador: a economia. Já se fala num cenário de moratória, no qual o Brasil não terá condições de saldar os seus compromissos. Quebradeira. Ainda é um cenário no horizonte. Torna-se mais provável quanto mais demorar a solução da crise política com a saída de Dilma e Cunha.

Dessa maneira vejo o 13 de março. Um dia não apenas para protestar contra Dilma e Cunha, pateticamente agarrados aos seus cargos, enquanto o país afunda. Mas para afirmar que esse é o passo inicial de um longo e áspero caminho para soerguer a economia. O PIB caiu 3,8% em 2015. As perspectivas são piores em 2016. As respostas positivas do mercado ao fim do governo indicam como o colapso dos dois podres poderes será um passo adiante. Entre outras, a vantagem de mudanças impulsionadas pela sociedade é a consciência coletiva da amplitude da crise econômica. Não posso garantir que esse será o caminho vitorioso. Apenas afirmo que as possibilidades de saída são muito maiores quando há sintonia entre um governo respeitável e uma população consciente da gravidade do momento.

Já disse isso de muitas formas. O Brasil está parecendo um pouco com aquele personagem do Castelo do Kafka que esperou anos diante de uma porta, para descobrir que estava aberta.

Quem sabe, domingo que vem?

6 março 2016 DEU NO JORNAL

PIMENTA NO DOS OUTROS, PODE

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Na última sexta-feira, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, foi a primeira voz de respeito a censurar a decisão do juiz Sérgio Moro favorável ao emprego da condução coercitiva para que Lula fosse depor aos procuradores da Lava-Jato.

“Condução coercitiva? O que é isso? Eu não compreendi. Só se conduz coercitivamente, ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão que resiste e não comparece para depor. E o Lula não foi intimado”, afirmou o ministro.pimenta_01

Condução coercitiva quer dizer condução obrigatória. De fato, Lula não fora intimado. Agentes federais amanheceram no seu apartamento de São Bernardo do Campo e o lavaram para depor em uma delegacia da Polícia Federal no aeroporto de Congonhas. Ele ficou ali por três horas.

Naquele dia, a prefeitos que se reuniram com ela no Palácio do Planalto, a presidente Dilma havia manifestado seu “absoluto inconformismo” com a “desnecessária” condução coercitiva de Lula, que “por várias vezes compareceu de forma voluntária para prestar esclarecimentos”.

Dito assim, parece que Lula saiu por aí batendo em portas de delegados e de procuradores se oferecendo para esclarecer isso ou aquilo. Não foi assim. Intimado a depor várias vezes, ele atendeu a algumas intimações. E conseguiu driblar outras.

Das dezenas de vozes que protestaram contra a condução coercitiva de Lula, entre elas as de juristas, a voz de Rui Falcão, presidente do PT, foi a mais inflamada, a ponto de provocar tensão entre generais do Alto Comando do Exército, em Brasília. Rui disse:

– A condução coercitiva de Lula representa um ataque à democracia e à Constituição. Trata-se de novo e indigno capítulo na escalada golpista que busca desestabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff, criminalizar o PT e combater o principal líder do povo brasileiro.

Tudo é golpe para o PT. Quando o escândalo do mensalão ameaçou encurtar o mandato de Lula, o PT falou em golpe. O pedido de impeachment de Dilma foi e é tratado como golpe. A humilhação de Lula foi mais um capítulo do golpe que está em marcha.

Está tudo bem, tudo muito bem, só não dá para entender uma coisinha: por que nenhuma das vozes que se revelaram inconformadas com a condução coercitiva de Lula se fez ouvir quando outros envolvidos com a Lava-Jato foram conduzidos coercitivamente para depor? Não repararam? Não se tocaram?

Só vale para os outros a condução coercitiva, para Lula, não? É capaz de valer para importantes empresários, alguns deles presos; ultimamente para políticos; e para gente comum. Aliás, para esse tipo de gente sempre valeu. Quem se incomoda com ela? Mas para Lula, não? Por quê?

Ex-presidente da República não tem direito a fórum privilegiado. Está sujeito à Justiça de primeira instância. Como os demais cidadãos, pode apelar de decisões da primeira instância às instâncias superiores da Justiça. E é só. Não tem direito a nenhum tratamento especial.

O mais espantoso é que Lula não foi o primeiro, nem o segundo, nem será o último suspeito da roubalheira na Petrobras a ser conduzido para depor “sob vara”, como prefere o ministro Marco Aurélio. Antes dele, 116 suspeitos foram alvo de condução coercitiva. Lula foi o 117º.

É como observa com razão a nota oficial distribuída, ontem, pela força-tarefa do Ministério Público encarregada da Lava-Jato:

“Houve no âmbito da Lava Jato 117 mandados de condução coercitiva. Apenas em relação à do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva houve manifestação de opiniões contrárias. Conclui-se que esses críticos insurgem-se não contra o instituto da condução coercitiva em si, mas sim pela condução coercitiva de um ex-presidente da República”.

Os procuradores reconhecem que Lula merece respeito, mas apenas “na exata medida do respeito que se deve a qualquer outro cidadão brasileiro”.

Estão certos.

Lula, somente ele, é o responsável pela situação em que se encontra. Não foram seus adversários que o levaram a prevaricar. Não foram as elites que o forçaram a se corromper. Ninguém o obrigou a jogar na lama sua fama de homem decente.

Lula é vítima de Lula, da sua ambição desmedida pelo poder, do seu encantamento por um mundo ao qual sempre quis pertencer, da falta de solidez dos seus compromissos com valores e princípios que dizia cultivar. É triste que termine assim.

6 março 2016 DEU NO JORNAL

DILMA SOFRE UMA CONTESTAÇÃO EM ENCONTRO COM GOVERNADORES

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Dilma Rousseff foi submetida a uma saia justa ao dizer, num encontro com governadores, que ficara “indignada” com o tratamento “desrespeitoso” dispensado a Lula por Sérgio Moro, juiz da Lava Jato. Um dos visitantes, Pedro Taques (PSDB), governador de Mato Grosso, retrucou a anfitriã: “Entendo que não houve desrespeito, presidente. Ninguém está acima da lei.”

Os governadores voaram até Brasília para discutir, na noite da última sexta-feira, o alongamento das dívidas dos seus Estados com a União. Horas antes, agentes da Polícia Federal haviam executado uma ordem de “condução coercitiva” de Lula, para prestar depoimento sobre a suspeita de receber vantagens de empresas pilhadas roubando a Petrobras.

Dilma enxergou na coerção ordenada por Moro um “abuso de autoridade”, pois “bastava convidar” Lula, que “não se negaria a prestar os esclarecimentos”. Ao contraditá-la, Taques chamou Dilma de “presidente”, não de presidenta, como ela prefere. Brindou-a, de resto, com um cerimonioso “vossa excelência”. Ex-procurador da República, ele sapecou:TaquesAMar

“Eu não sairia desta sala com a consciência tranquila e não respeitaria o bom povo de Mato Grosso, que me mandou aqui, se não expressasse minha opinião. Entendo que não houve abuso ou perseguição. Ninguém está acima da lei. Todos, inclusive eu, podemos ser investigados. A lei não pode servir para beneficiar amigos nem para prejudicar inimigos.”

Além das referências a Lula, Dilma tomou o tempo dos governadores para defender a si mesma das acusações feitas por seu ex-líder no Senado, Delcídio Amaral, hoje um delator premiado da Lava Jato. Delcídio disse, entre outras coisas, que Dilma sabia que a refinaria de Pasadena, no Texas, fora adquirida com sobrepreço pela Petrobras, para que a diferença fosse usada no pagamento de propinas.

Dilma presidia o Conselho Administrativo da Petrobras na época em que o negócio foi fechado. Contra o ataque de Delcídio, ela exibiu aos governadores decisão do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Em despacho de julho de 2014, o chefe do Ministério Público Federal arquivara representação em que um grupo de senadores pedia a abertura de inquérito para responsabilizar Dilma pelo prejuízo imposto à Petrobras – coisa de US$ 800 milhões.

Por mal dos pecados, Pedro Taques assinou a representação protocolada na Procuradoria contra Dilma. Na época, ele era senador pelo governista PDT. Viu-se compelido a mencionar o fato na reunião da última sexta: “Presidente, quero dizer a Vossa Excelência que eu, pessoalmente, redigi essa peça. Representei contra a senhora na Procuradoria. Meu nome está aí. Não posso esquecer o que assinei e redigi. Eu e colegas como Cristovam Buarque, Pedro Simon, Randolfe Rodrigues… Li a decisão do procurador-geral. Respeito a sua história. Mas não renego o que escrevi.”

“Você viu a minha resposta ao procurador?”, indagou Dilma, determinando a um auxiliar que entregasse cópia a Taques. O governador respondeu que já conhecia a peça. Não quis polemizar com a presidente. Autorizado, deixou a reunião antes do término.

Nenhum dos outros governadores ecoou as observações do colega matogrossense. Ao contrário. Vários endossaram o desagravo a Lula e solidarizaram-se com Dilma. Entre eles o alagoano Renan Filho (PMDB), o piauiense Wellington Dias (PT) e o cearense Camilo Santana (PT).

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), que também era senador e assinou a representação contra Dilma, preferiu silenciar. Vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti (Pros) representou o governador tucano Beto Richa. Disse na reunião de sexta-feira que os ataques a Dilma atingem a mulher brasileira.

Neste sábado, Dilma visitou Lula na cobertura dele em São Bernardo. Reiterou a tese de que seu padrinho político sofreu uma “violência injustificável”. Em nota, o juiz Sérgio Moro defendeu a ação envolvendo Lula. O Ministério Público tachou de “cortina de fumaça” o debate sobre o método empregado para ouvir Lula. em torno do ex-presidente.

6 março 2016 DEU NO JORNAL

ACIMA DA LEI E FORA DA LEI

Percival Puggina

Enquanto um punhado de militantes petistas protestava contra a ação da Polícia Federal que conduzira Lula ao aeroporto de Guarulhos, veio-me à mente imagem com a qual me deparei ontem no Google. Retrata um evento da campanha eleitoral de 2002. Lula, Genoíno, Mercadante, Berzoini e Alencar formam um abre-alas e marcham portando faixa, devidamente estrelada, com os dizeres “Quero um Brasil decente”. Fácil compreender a decepção de quantos creram que a faixa expressasse um sentimento real.

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Os fundadores do PT viam-se como agentes de um processo revolucionário. Frei Betto, em artigo de 2007, assim descreve os anseios dos vitoriosos de 2002: “A lua seria o nosso troféu. Haveríamos de escalar suas montanhas e, lá em cima, desfraldar as bandeiras da socialização compulsória”. O nome disso é revolução. E nenhuma causa revolucionária consegue ser compatível com o Estado de Direito. A revolução por dentro do regime democrático, sem sangue, como sonhou o PT, é uma lavoura que, entre outros requisitos, precisa ser irrigada com dinheiro.

Dinheiro para as campanhas eleitorais, para a militância e para os movimentos sociais controlados pelo partido, para manter operante um exército de jornalistas e formadores de opinião. É preciso ter e manter multidão de agentes que começam no sanduíche de mortadela, mas miram o topo da cadeia alimentar revolucionária, onde estão a lagosta ao thermidor e o Romanée-Conti. O sanduíche é meio e não fim de toda jornada socialista. Não conheço um só revolucionário que queira o comunismo para continuar batendo cartão e operando a mesma máquina.

Numa democracia, o poder é buscado dentro da regra do jogo, dentro da lei. No entanto, se o objetivo é revolucionário, pertence à própria natureza do processo que seus agentes se considerem acima da lei. A causa vem antes e lhe é superior. A lei que não convém à causa é iníqua e não merece respeito. Na primeira etapa, então, se instala esse sentimento de superioridade em relação à ordem jurídica. Face bem visível do que descrevo pode ser observada nos assim chamados “movimentos sociais”. Quem se opõe às suas ações é acusado de criminalizá-los. Por quê? Porque quem está acima da lei não comete crimes.

É aí que se começa a explicar o incomparável desastre moral que acometeu o PT. A mentira vira argumento. Calúnia, difamação e injúria ganham utilidade política. Fatos são substituídos por versões. A verdade perde interesse e utilidade. E por aí vai a decência para o brejo.

As reações que surgem nestas horas às ações da PF, do MPF e do juiz Sérgio Moro são motivadas pelo mesmo fenômeno. Ou seja, o petismo ainda não caiu em si. Na fala do presidente Rui Falcão, na gritaria dos militantes no aeroporto de Guarulhos, no posterior discurso de Lula à claque petista, percebe-se a mesma convicção: todos supõem ser devida a seus líderes e ao partido uma reverência que os tornaria inatingíveis pela Justiça. E à sombra dessa reverência deveriam ficar resguardadas as condutas mais suspeitas e a vertiginosa prosperidade pessoal e familiar de tantos. A infinita sucessão de escândalos não é entendida como conduta fora da lei, mas situação normal para quem está acima dela.


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