2 maio 2016 DEU NO JORNAL

É DIFÍCIL EXPLICAR O BRASIL

jorge-oliveira

As TVs locais aqui em Portugal mostraram um pronunciamento da Dilma em que ela fala de um “golpe especial” para retirá-la do poder. Os patrícios não entenderam muito bem e insistiram para que eu explicasse que modalidade é essa de “golpe especial”, já que por aqui não existem variações de golpes. Foi difícil explicar, mas procurei o atalho mais simples: a presidente do Brasil é assim mesmo: uma pessoa destrambelhada, confusa, mente turva, não consegue juntar bem as palavras. Disse que ela vai continuar batendo na mesma tecla do golpe porque não consegue justificativa para o caos que provocou na economia e para o maior escândalo de corrupção da história do país em que ela e o seu partido se envolveram.

Disse também para alguns amigos por aqui que o governo petista atrasou o Brasil em mais de vinte anos, depois de pegar o país com as finanças equilibradas, inflação baixa e pleno crescimento. Agora, na saída da Dilma, eles tentam, como aves de rapina, limpar mais ainda os cofres. Se não fosse a intervenção do ministro Gilmar Mendes, do STF, a Dilma iria torrar 85 milhões de reais em propaganda institucional da presidência como se o país estivesse nadando em dinheiro. O pedido extraordinário desses recursos foi feito ao Senado e, em bom tempo, o ministro barrou a farra ao apagar das luzes.

Os patrícios por aqui, como a gente aí, já se convenceram de que o Brasil só sairá do buraco com a saída da Dilma e da quadrilha petista que continua assaltando os cofres públicos. Eles não entendem, contudo, como o Eduardo Cunha, outro corrupto de carteirinha, continua presidindo a Câmara dos Deputados. Explico que a assepsia também chegará a ele que responde a dezenas de processos no Supremo Tribunal Federal por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Eles acham, contudo, que com a posse de Michel Temer dificilmente Cunha será punido porque, a exemplo de Lula protegido por Dilma, a tendência de Temer é livrar a cara de Cunha com a conivência do STF. Irrespondível.

Atualizados com as notícias sobre o Brasil, segundo eles, uma das maiores potências econômicas do mundo, os patrícios discutem sobre o destino político da nação e ficam surpresos e, até perplexos, com as notícias que chegam daí. Por exemplo, eles não entendem como um ex-governador faz um discurso nas suas bases chamando um ministro do STF de “corno” e o Procurador-geral da República de “ladrão” e nada acontece. Tento explicar que os irmãos Gomes, lá do Ceará, são desbocados, afetados por um profundo complexo de inferioridade. Estão acostumados a dizer impropérios contra as instituições e as autoridades e nada acontece pela passividade da nossa justiça.

Eles acham que o Brasil está passando por uma crise moral e ética (irrespondível). Os poderes, segundo eles, estão decadentes e, por isso, pessoas como o ex-governador Cid e o irmão dele, o Ciro, destratam as pessoas dessa forma sem que haja punição exemplar. É verdade, não se entende essa falta de respeito contra o ministro Teori Zavascki, do STF, e o procurador Rodrigo Janot, responsáveis pela apuração da operação Lava Jato. Entramos no fundo do poço, numa anarquia geral.

Outros patrícios que conheço por aqui, homens de negócios, escritores e jornalistas também estão assustados com a demência do país, o vazio e o abandono das instituições. Eles são unânimes em afirmar que o governo não só acabou como fechou os ministérios. Explico-lhes que existem vários ministérios sem os titulares porque as pessoas se negam a ocupar as pastas. Temem ter seus nomes ligados ao governo corrupto do PT. Preferem se preservar a se envolverem nas maracutaias que já levaram muitos à cadeia.

Não faz muito tempo, eu fazia perguntas semelhantes a esses mesmos patrícios de como Portugal tinha chegado ao fundo do poço, com a sua economia destroçada. Existia por aqui, à época, um clima de pessimismo e de derrota quando José Sócrates, ex-Primeiro Ministro, e a sua turma, estavam no poder. Agora, Sócrates e seus amigos, estão na cadeia e a economia do país em franco desenvolvimento. Somos irmãos siameses.

2 maio 2016 DEU NO JORNAL

FIGURAS PÚBLICAS DE BANÂNIA

Há no Supremo Tribunal Federal 65 inquéritos que envolvem ao menos 92 parlamentares e autoridades com foro privilegiado, investigados na Operação Lava Jato.

Todo esse trabalho vem sendo coordenado pelo ministro-relator Teori Zavascki, sob segredo de Justiça, e mostra que o maior escândalo de corrupção da História, iniciado no governo Lula, em 2004, e desbaratado no governo Dilma, em 2014, está longe de acabar.

São investigados no âmbito do STF políticos como os presidentes da Câmara, deputado Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros.

Eduardo Cunha soma oito inquéritos no STF, até agora, mas há quem aposte: em breve, ele ultrapassará Renan Calheiros, hoje com nove.

* * *

Tem mais outros números interessantes.

Na Câmara, mais da metade dos deputados (58%) responde a algum tipo de processo na justiça.

No Senado, este número cai um pouco: “apenas” 55,5% dos senadores estão enrolados nas malhas da lei.

Detalhe de suma importância: todos eles, todos sem exceção, desde Renan e Cunhão, passando por senadores e deputados, todos eles foram eleitos pelo voto livre, direto e secreto das populações dos seus estados.

Os mesmos votantes que elegeram e reelegeram Lula e Dilma.

Um eleitorado autenticamente banânico.

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2 maio 2016 DEU NO JORNAL

UM FINAL MELANCÓLICO

No ato pró Dilma em Belo Horizonte, sobrou pão com mortadela.

Dos milhões esperados, compareceram cerca de duzentas pessoas.

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Pão sobrando em BH

* * *

E não foi só em Belo Horizonte. O fracasso foi de norte a sul, de leste a oeste.

Aqui no Recife, chega fazia pena: meia-dúzia de gatos pingados segurando faixas e cagando tolôtes orais pela boca.

Em Brasília não chegou a 400 pessoas. Em Vitória 200, em Goiânia 150 e em Cuiabá bateram o recorde: 50 famintos mortadeleiros foram ao evento.

Isto merece uma música pra gente comemorar este final melancólico do desgoverno Dilma.

2 maio 2016 DEU NO JORNAL

A RECONSTRUÇÃO COMO FOCO

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Neste momento em que palavras se liquidificam e argumentos tornam-se cusparadas, até por dever de ofício sempre me pergunto o que é importante e como não perder o foco. O processo de impeachment segue seu rumo no Congresso, é hora de apressar o processo de reconstrução econômica, buscar atrair investimentos mais rapidamente, atenuar a crise no mercado de trabalho.

Os diagnósticos já conhecidos parecem convergir para um objetivo de retomada do crescimento com proteção dos mais vulneráveis. Uma das críticas ao Bolsa Família era a ausência de foco nos mais vulneráveis, precisamente para alcançar o melhor efeito com o dinheiro. A dispersão do modelo petista traz mais votos, mas tem menos eficácia. Vamos esperar a dança dos nomes e a chegada do momento em que possamos reagir, saindo logo desse pesadelo nacional. Uma capa de revista com cartaz “help” na estátua de Cristo expressa esse sentimento.

A energia de reconstrução talvez seja mais leve do que dos embates políticos do momento. Um segundo e importante front é a transparência sobre o que se passou no governo. Só a Lava-Jato colheu 65 delações premiadas. Num único fim de semana, três importantes depoimentos apareceram. Um deles, da publicitária Danielle Fonteles, revela como o esquema de propina sustentou a propaganda do PT e a folha dos blogueiros chapa-branca. Em outro, Mônica Moura, mulher de João Santana, revela que recebeu dinheiro por interferência do ex-ministro Guido Mantega. Finalmente, o dono da Engevix, José Gomes Sobrinho, revelou seu esquema de propinas pagas ao PT e ao PMDB, citando Renan e Temer. Todo esse conjunto de dados vai estar à disposição para que todos se interessem, leiam e saibam como operou o governo, como se venceram as eleições. Depois de tudo isso digerido, será mais fácil conversar. De vez em quando chegam críticas pesadas. No mesmo tom raivoso das ruas. Para alguns deles, sou velho e amargurado. Minhas ideias são medidas pelos anos e não pela sua consistência.

Bobagem. Quando todas as cartas estiverem na mesa, será mais fácil mostrar como se enganam os que veem em 2016 uma repetição de 1964. Talvez pressintam isso, mas são prisioneiros da tese de que Dilma sofreu um golpe e não um impeachment. O próprio Lula parece não compreender a diferença entre um golpe militar e um impeachment. Afirma que não entende pessoas perseguidas e exiladas pela ditadura apoiarem o impeachment. Como se estivéssemos apoiando censura, prisões, exílios e banimentos. A tese de que isto é uma repetição de 64 iguala o pensamento da esquerda ao de Jair Bolsonaro, que, no seu discurso, disse “vencemos em 64, vencemos de novo”, como se os tanques do General Mourão marchassem contra o Planalto.

O Brasil mudou, vivemos um momento diferente. A própria Guerra Fria, a atmosfera envolvente da época, foi embora com a queda do Muro de Berlim. No entanto, existe um dado na experiência pós-64 que ainda me intriga. Depois da derrota do populismo de esquerda, os jovens fizeram uma pesada crítica aos líderes, uma grande renovação, a partir do movimento estudantil que buscou um outro caminho, equivocado, mas um outro caminho. Hoje, os populistas levam o país para o buraco e ainda convencem seus seguidores que a derrota é fruto da maldade do adversário. Um dos artifícios é fragmentar a realidade, fixar-se numa era de bonança internacional, escamoteando uma longa gestão perdulária que acabou resultando nisto: retrocesso econômico, desemprego. Assisti no século passado ao fim do socialismo real. Agora assisto aos últimos suspiros do chamado socialismo do século XXI, com as mesmas filas para comprar produtos essenciais. Minha rápida incursão na Venezuela, já na fronteira, indicava o fracasso boliavariano. Ainda no lado brasileiro, em Pacaraima, via pessoas com imensos maços de notas em busca de reais ou dólares. Os caminhões de carne brasileiros voltavam cheios porque já não conseguiam pagá-los.

Aceitar a realidade não significa amargura. Talvez por isso tanta gente se refugie na ilusão e persiga tantos moinhos. Aceitar a realidade abre caminho para novas ideias, reinvenções. No século passado, foi possível abrir novos caminhos para uma esquerda limitada pela luta de classes. Ao cooptar as lutas emergentes e colocá-la sob sua asa financeira no Estado, a esquerda conseguiu levar algumas dessas lutas à caricatura. De todos os princípios que tentei preservar do desastre do século passado, ao lado da preocupação com o meio ambiente, os direitos humanos, a redução da desigualdade social, um deles é básico: a democracia como objetivo. Por mais que fale em democracia, o governo do PT a utilizou para seus próprios fins, esgrimiu seu nome sempre que isto era bom para ele.

Quando passar toda essa emoção, pode estar aí um bom roteiro para descobrir o ovo da serpente. Não adianta brigar ou cuspir, mas tentar entender a ruína do próprio projeto político. O governo vai dizer que caiu por suas qualidades. O marketing exige assim. Uma sociedade malvada rejeitou seus salvadores. É uma canção de ninar. Sofremos na terra, mas será nosso o reino dos céus. Perdemos mais uma batalha, mas será nossa a vitória final. Se conseguir interessá-los por esse paradoxo, talvez tenha valido a pena ouvir os seus insultos.

1 maio 2016 DEU NO JORNAL

O BUFÃO DA CORTE BANÂNICA

A lorota de “golpe” perde consistência até entre os petistas.

O advogado geral de Dilma, José Eduardo Cardozo, mencionou a expressão apenas duas vezes.

Como é próprio no PT, a estratégia é desqualificar os adversários políticos: agora atacam o relator do impeachment.

* * *

Aqui no JBF, o fubânico petista Ceguinho Teimoso já atacou o relator e continua insistindo na lorota de “golpe”.

Claro que tinha que ser assim. Senão, perderia a graça.

Todo circo tem que ter um bufão.

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1 maio 2016 DEU NO JORNAL

NADA A COMEMORAR

Mary-Zaidan

Com 11 milhões de desempregados, 22% a mais do que em dezembro e quase 40% (39,85%) acima dos 7,9 milhões que procuravam ocupação no primeiro trimestre de 2015, o Brasil nada tem a comemorar neste 1º de Maio. Ainda assim, São Paulo – a capital do trabalho e hoje do desemprego – vai cair na folia sob o patrocínio das milionárias centrais sindicais e do governo Dilma Rousseff, que, mesmo findo, quer se aproveitar da data para distribuir bondades que o país não pode pagar.

Incluem-se aí os reajustes dos valores pagos ao Bolsa-Família e da tabela do imposto de renda. Bombas que Dilma pretende lançar para explodir no colo do vice Michel Temer, que ela e o PT insistem em dizer que não tem legitimidade para assumir a Presidência por não ter voto popular. Por absoluta má-fé, não contam ao distinto público que ao vice são contabilizados os mesmos votos do titular. E que a figura do vice só existe para assumir em caso de vacância do presidente, seja por viagem, doença, impeachment ou morte.triste_palhac

Entre idas e vindas, vou e não vou, Dilma deverá anunciar os presentinhos de última hora ao lado do ex Lula no palanque montado pela CUT no Anhangabaú, área central de São Paulo. Fará de conta que nada tem a ver com a crise e os milhares de desempregados. Ali o “não ao golpe” e “a defesa da democracia” se confundirão com os shows de Chico César, Luana Hansen e Detonautas. E aos sambas de Martinho da Vila e Beth Carvalho.

Na Zona Norte da cidade, a Força Sindical promete shows de Michel Teló, Paula Fernandes e outros ícones da música sertaneja, além de sorteios de 19 carros zero. Para tal, conseguiu patrocinadores-patrões, como a Hyundai, e o apoio oficial do governo do estado de São Paulo. Como contabilizou vaias em anos anteriores, o governador Geraldo Alckmin deve passar longe do palco do Campo de Bagatelle.

Menos dispendiosa, mas impactante, a UGT inaugura uma exposição fotográfica ao ar livre – “Os trabalhadores e os 100 anos de samba” -, com painéis gigantes instalados na Avenida Paulista. Por lá devem passar o ex-prefeito, ex-ministro de Dilma e dono do PSD, Gilberto Kassab, e o candidato a prefeito Andrea Matarazzo.

Assim como Dilma, que há tempos acionou o mecanismo de defesa que a mantém desconectada da realidade, as centrais sindicais não têm mais qualquer sintonia com os seus representados.

A maior parte dos trabalhadores quer se ver livre delas. Ligam-se aos sindicatos – e, consequentemente, às centrais – não por vontade, mas por imposição da lei. Discordam do imposto compulsório que enchem as burras de quase 11 mil associações sindicais, federações, confederações e centrais.

Em 2015, mais de R$ 59 milhões chegaram à CUT, outros R$ 47 milhões à Força, e R$ 44 milhões à UGT. Números que caem com o desemprego, mas que, ainda não contabilizadas as contribuições obrigatórias dos empregados, só feitas no final de abril, já respondem por mais de R$ 5 milhões só nos dois primeiros meses do ano.

Uma fortuna que sai do patrão e do salário do trabalhador e que, por decisão do governo no período em que Lula presidia o país, está livre de qualquer auditoria. Corre livre, leve e solta.

Mais: mesmo entregando ao imposto sindical um dia de labuta, trabalhador algum opina quanto à posição política de sua representação sindical. Nem a UGT, nem a Força, nem a CUT perguntam aos seus filiados quantos apoiam ou não o afastamento da presidente Dilma. E se eles topam o alinhamento automático.

Ainda assim, a CUT empunha seus balões vermelhos contra o “golpe”, é linha auxiliar do PT. Custeia com dinheiro dos trabalhadores que não foram consultados as manifestações pró-Dilma, como se tivesse aval de seus associados para fazê-lo. Torra o imposto compulsório do trabalhador a seu bel prazer, em uma causa que só interessa aos seus dirigentes.

E isso é só um pedaço da república sindical que nestes 13 anos de petismo viu multiplicar sua força, seu poder e sua grana. Já o trabalhador…

1 maio 2016 DEU NO JORNAL

LOROTA TRABALHISTA

O que é mesmo que Lula, Dilma e a pelegada da CUT têm a dizer aos 11,1 milhões de desempregados, neste Dia do Trabalho?

Que é “golpe”?

* * *

À falta do que dizer, Dilma, Lula e a pelegada cutal bem que poderiam cantar uma música pros desempregados.

Como adoram lorotas, a música deveria contar esta palavra, “lorota”…

“Lorota Boa”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, com Dominguinhos e Waldonys:

1 maio 2016 DEU NO JORNAL

OS GUABIRUS ESTÃO TODOS PULANDO FORA DO BARCO

Nos últimos dias, crescem os telefonemas que o staff de Michel Temer vem recebendo de pessoas que ocupam cargos de confiança no Planalto.

Falam que nunca gostaram do pessoal do PT e que estavam ocupando cargos apenas por profissionalismo e por serem técnicos.

* * *

Vocês intenderam tudo direitinho, num é?

Pois é.

Nunca gostaram” do pessoal do PT e, secretamente, sempre adoraram o pessoal do PMDB, sobretudo o pessoal de Temer…

Depois dos ratos pulíticos, agora é a vez dos ratos “técnicos” pularem fora do navio petralha em pleno processo de naufrágio.

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Está bem perto de chegar o dia em que no PT restarão apenas Lula, Dilma e Ceguinho Teimoso.

E eu vou sentir uma saudade danada…

30 abril 2016 DEU NO JORNAL

BRUXAS À SOLTA

ruy-fabiano

Michel Temer prometeu que, uma vez no cargo, não promoverá uma “caça às bruxas”. Ocorre que, se não o fizer, será ele mesmo caçado pelas bruxas que promete proteger. Não terá meios de governar se não o fizer.

O PT, reduto das bruxas, com seus conhecidos tentáculos – MST, MTST, CUT, UNE – já avisou que não fará qualquer rito de transição, procedimento básico na mudança de governo.

E não apenas por birra ou vingança, mas, sobretudo, porque a transição exporá o estado de terra arrasada em que deixou a administração pública e a economia do país. Não há um só cofre público imune ao espírito predador da Era PT.BS

Habitualmente, associa-se caça às bruxas à perseguição ideológica, típica das tiranias. Daí o sentido negativo que o termo adquiriu. Não é o caso. As bruxas, no presente contexto, não foram movidas por ideias ou ideais, mas pela ambição revolucionária de se perpetuar no poder. Um projeto, este sim, tirânico, baseado na rapina ao Estado e na divisão da sociedade brasileira.

Não apenas isso: uma rapina que, com recursos públicos brasileiros (onde está a CPI do BNDES?), financiou projeto idêntico em países vizinhos, hoje dominados, em grau mais avançado, por governos tirânicos e ineficazes, sem condições de prover a população de alguns dos itens mais elementares de consumo, como comida, papel higiênico e energia elétrica.

Venezuela e Bolívia – cujos governantes tiveram a audácia de ameaçar o Brasil de invasão armada – tornaram-se símbolos desse padrão governativo nefasto, concebido pelos luminares do Foro de São Paulo, instituição fundada em 1990 por Lula e Fidel Castro, para unir pela esquerda a América Latina.

De lá, segundo depoimento do próprio Lula, emergiram lideranças como Hugo Chavez, em parceria com organizações criminosas como as Farc, da Colômbia, que Lula sugeriu se transformassem em partido político e disputassem eleições.

São essas as bruxas que não podem ser poupadas, ou continuarão a assombrar a vida pública brasileira.

Se Temer não expuser o estado em que se encontra o país e os responsáveis pela obra – as tais bruxas -, terá dificuldades de encontrar receptividade às medidas impopulares que terá de implementar para que o país comece a se reerguer.

Será erro político imperdoável. Dilma Roussef está deixando a presidência da República pelo mais ameno de seus delitos: os crimes de responsabilidade. Mas há um manancial de outros, de natureza penal, que brotam das múltiplas delações da Lava Jato, que, em uníssono, desautorizam a imagem de honesta e honrada que tenta impingir à opinião pública.

Os delitos que fizeram de Eduardo Cunha persona non grata à sociedade brasileira decorrem da mesma matriz em que Dilma, Lula e o PT sujaram as mãos: a Petrobras.

Cunha tem a seu favor o fato de que roubou menos. Eram parceiros na divisão do botim, e a ele, figura menor na quadrilha, coube menos. Feitas as contas, o que recebeu foram migalhas. E mais: já se sabe onde depositou parte da rapina, em contas (não mais) secretas na Suíça. De seus parceiros, mais vorazes – e que ora o acusam, ocultando o fato de que era cúmplice -, ainda não se sabe nem o valor total, nem as contas em que o guardaram.

Há pistas, razoáveis, algumas já confirmadas. Sabe-se, por exemplo, que parte substantiva alimentou os cofres das campanhas da reeleição de Lula e das duas eleições de Dilma.

Ela pode não a ter colocado em conta pessoal, como Cunha, mas isso não a torna mais honesta, nem mais honrada. De certa forma, a torna pior, já que lhe deu destino mais predador, ao usá-la para chegar ao poder e nele levar o país à bancarrota, com seu cortejo de dramas e mazelas sociais.

Cunha já está pagando, ainda que parcialmente, por seus atos: será cassado pelo Conselho de Ética e sentenciado pelo STF. Já não tem como tirar sua reputação do lixo e não terá como voltar à vida pública. Acabará preso – e sabe disso.

Não dispõe de um palácio para reunir sua militância e fazer-se de vítima. Não possui palácio ou militância, nem desfruta do benefício da dúvida, já que dúvida a seu respeito não há. Está sentenciado pela opinião pública, sem consolo moral.

Dilma e Lula, não. Têm ainda defensores fervorosos dentro e fora do país, agregados a um projeto político que, em nome da defesa dos pobres, aumentou a faixa de pobreza.

Não foram, como diz a propaganda, 30 milhões de pobres que ascenderam à classe média, mas o contrário. O desemprego aumenta na classe média. Já se contabilizam, até aqui, mais de dez milhões, que ainda purgam a falta de expectativa de que as coisas melhorem no curto prazo.

O esperneio do PT e da presidente, apelando à retórica insustentável do golpe, é, este sim, um golpe – e, antes de mais nada, contra a inteligência e a paciência da população.

Felizmente não há bruxaria que mude o curso dos acontecimentos. A menos, claro, que Temer decida mesmo deixá-las à solta.

30 abril 2016 DEU NO JORNAL

A MULHER QUE SE ACHAVA FILHA DE GETÚLIO E A ÓRFÃ DO GOLPE

Augusto Nunes

Já contei aqui a história da doida mansa que, no começo dos anos 60, apareceu no portão da minha casa em Taquaritinga para buscar a chave do Banco do Brasil. Ouvi a campainha, vi pela janela da sala de jantar uma mulher negra, franzina e maltrapilha e saí para atendê-la. Ela quis saber se eu era filho do prefeito. Disse que sim. Ela informou que era filha de Getúlio Vargas. Achei que aquilo era assunto para gente grande e fui chamar minha mãe.

Antes que dona Biloca dissesse alguma coisa, ela se identificou novamente e revelou que o pai lhe deixara como herança o Banco do Brasil. Com o suicídio, tornara-se dona da instituição financeira, incluídos bens imóveis e funcionários – além do mundaréu de dinheiro, naturalmente. O doutor Getúlio avisara que a chave de cada agência ficava sob a guarda do prefeito. Quando quisesse ou precisasse, bastaria solicitá-la ao chefe do Executivo municipal.

Era por isso que estava lá, repetiu ao fim da exposição. Meu pai estava na prefeitura, entrei na conversa. A herdeira do banco disse que esperaria no portão. Dona Biloca percebeu que aquela maluquice iria longe se não passasse a pendência adiante e decidiu transferi-la para o primogênito – que, para sorte de ambas, trabalhava no Banco do Brasil de Taquaritinga. Depois de ensinar o caminho mais curto, recomendou-lhe que fosse até a agência, procurasse um moço chamado Flávio e transmitisse o recado: “Diga que a mãe dele mandou dar um jeito no problema da senhora”.

O jeito que deu confirmou que meu irmão mais velho era mesmo paciente e imaginoso. Ao saber com quem estava falando, dispensou à visitante as deferências devidas a uma filha do presidente da República, ouviu o caso com cara de quem está acreditando em tudo e, terminado a narrativa, pediu licença para falar com o gerente. Foi ao banheiro e voltou cinco minutos depois com a informação: a chave estava no cofre da agência, não na casa do prefeito. Mas só poderia entregá-la se a filha de Getúlio confirmasse a paternidade ilustre.

“A senhora precisa buscar a certidão de nascimento no cartório”, explicou Flávio. Ela pareceu feliz, levantou-se da cadeira e avisou que em meia hora estaria de volta com o papel. Ressurgiu três ou quatro meses mais tarde, mas de novo no portão da minha casa, outra vez atrás do prefeito. De novo foi encaminhada ao moço da agência, que liquidou a questão do mesmo jeito. O ritual teve quatro reprises em menos de dois anos. Até que um dia ela saiu em direção ao cartório e nunca mais voltou.lula_sonho2

Lembrei-me da doida mansa que coloriu minha infância quando o presidente Lula registrou em cartório um Brasil inexistente. Conferi o calhamaço e fiquei pasmo. Tinha trem-bala, aviões pontuais como a rainha da Inglaterra, rodovias federais de humilhar motorista alemão, luz e moradia para todos, três refeições por dia para a nova classe média, formada pelos pobres dos tempos de FHC. Quem quisesse ver mendigo de perto que fosse até Paris e se contentasse com algum clochard.

A transposição das águas do São Francisco havia exterminado a seca e transformado o Nordeste numa formidável constelação de lagos, represas e piscinas. O sertão ficara melhor que o mar. Os morros do Rio viviam em paz, os barracos valiam mais que as coberturas do Leblon. E ainda nem começara a exploração do pré-sal, que promoveria o Brasil a presidente de honra da OPEP. Faltava pouco para que a potência sul-americana virasse uma Noruega ensolarada.

No país do cartório, o governo não roubava nem deixava roubar, o Mensalão nunca existira, os delinquentes engravatados estavam todos na cadeia, os ministros e os parlamentares serviam à nação em tempo integral e o presidente da República cumpria e mandava cumprir cada um dos Dez Mandamentos. Lula fizera em oito anos o que os demais governantes não haviam sequer esboçado em 500.

Quando conheci aquela mistura de Pasárgada com filme épico, bateu-me a suspeita: daqui a alguns anos, é possível que um filho do prefeito de São Bernardo do Campo tenha de lidar com um homem gordo, de barba grisalha, voz roufenha e o olhar brilhante dos doidos de pedra, exigindo a devolução da maravilha que sumiu. A filha de Getúlio tropeçara na falta da certidão de nascimento. O pai do país imaginário estará sobraçando a papelada cheio de selos, carimbos, rubricas e garranchos.

Lembrei-me de novo da filha de Getúlio ao ver o que Dilma Rousseff anda fazendo para continuar no emprego que já perdeu. Depois do comício de todas as tardes, a alma penada atravessa a noite e a madrugada uivando o mantra: “É golpe”. É muito provável que, daqui a alguns anos, apareça na porta da casa do prefeito de Porto Alegre a mulher de terninho vermelho, calça preta e cara de desquitada de antigamente que, com aquele andar de John Wayne, zanza pelas ruas repetindo o grito de guerra: “Foi golpe!”

Apesar do juízo avariado, nem ela vai querer que lhe devolvam o Brasil que destruiu. Só exigirá as chaves do Palácio do Planalto e do Palácio da Alvorada. Os filhos do prefeito da capital gaúcha poderão livrar-se sem dificuldades da visitante. Bastará pedir-lhe que mostre o certificado de deposição arbitrária com as assinaturas de pelo menos três golpistas de alta patente – todas com firma reconhecida em cartório – e presenteá-la com um exemplar da Constituição.

ap

30 abril 2016 DEU NO JORNAL

FALÊNCIA MÚLTIPLA DOS ÓRGÃOS GUNVERNAMENTAIS

Com a presidente Dilma dedicada exclusivamente a tentar salvar a própria pele, seu governo dá sinais de falência múltipla de órgãos: o próprio diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (DNIT), Valter Silveira, assina um documento em que propõe a paralisia de 61 importantes obras de construção rodoviária, além da suspensão de 40 contratos de supervisão.

Tudo por falta de dinheiro.

O documento ‘Relato 123/2016’, do DNIT, mostra ser impossível pagar R$ 19 bilhões do custo das obras: dispõe apenas de R$ 6 bilhões.

* * *

Besteira, tolice, baboseira

Se este tal diretor do DNIT tivesse conversado com o fubânico petista Ceguinho Teimoso, não teria feito esta proposta absurda.

Segundo Ceguinho, o gunverno do PT – o melhor que eztepaiz já teve desde o seu descobrimento -, jamais deixaria faltar dinheiro pras nossas rodovias.

Jamais!

Nem pras rodovias, nem pra saúde, nem pra segurança, nem pra educação, nem pra nada.

Tem dinheiro, sim. Só falta este idiota procurar onde está a bufunfa. Qualquer guabiru federal sabe onde está o dinheiro.

ROUBALHEIRA-DNIT-RATOS

29 abril 2016 DEU NO JORNAL

UM CONHECE O OUTRO

Eduardo Cunha, sobre os ataques que têm sofrido de Dilma e do PT:

“Esse desespero está sendo colocado por esse partido assemelhado a uma organização criminosa, que não tem autoridade moral para atacar quem quer que seja e fica tentando. Funciona como um punguista na praça, que bate a carteira e sai gritando ‘pega ladrão’ para desviar a atenção.

Ladrão reconhece ladrão.

* * *

Cunhão declarar que o PT é assemelhado a uma “organização criminosa” é um fato que serve pra alegrar enormemente nosso final de semana. Não esqueçam que ele fala com enorme conhecimento de causa. Um conhecimento indiscutível e especializado, não custa nada ressaltar.

Uma arenga deste porte, um ladrão X uma quadrilha, é coisa que está mesmo à altura do ponto a que chegamos na pulítica socialista muderna desta Banânia surpreendente.

Cunhão fazer piada dizendo que o partido de Lula e Dilma é feito o batedor de carteira que grita “pega ladrão” pra desviar a atenção, é pra gente se mijar-se de tanto se rir-se.

Num é phoda mesmo???!!!

ptc

“Pronto, Cunha: eu com a medalha de chefa dos ratos e tu com a medalha de guabiru; é roedor contra roedor; estamos empatados, cara!!!”

29 abril 2016 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEXTA-FEIRA – OS CULPADOS

desemprego

* * *

Números oficiais, números fresquinhos, divulgados pelo IBGE na manhã desta sexta-feira.

Uma triste realidade neste país sofrido e espoliado.

O que o IBGE não divulgou, mas que os leitores fubânicos ficarão sabendo agora, são os causadores desta triste estatística.

Isto é culpa de FHC e dos tucanos, com toda certeza!!!

TUCANOS

Os culpados pela existência de mais de 11 milhões de desempregados em Banânia

28 abril 2016 DEU NO JORNAL

OS EX-MISERÁVEIS SOMEM DOS AEROPORTOS

Demanda por transporte aéreo cai pelo oitavo mês seguido.

A demanda doméstica por viagens aéreas recuou 7,3% em março na comparação com o mesmo mês de 2015, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

A entidade reúne os dados das principais companhias aéreas brasileiras (TAM, Gol, Azul e Avianca).

* * *

A demanda por viagens aéreas caiu porque os ex-pobres que passaram a viajar de avião depois que o PT chegou ao puder, subiram todos pra a classe alta altíssima, após a chegada de Dilma ao Palácio do Planalto.

E na classe alta altíssima, eles só viajam de jatinhos alugados. Ou, em trechos mais curtos, de helicópteros.

Segundo a Infraero informou à reportagem fubânica, os cagadores dos terminais aéreos estão bem mais limpos depois que a mundiça sumiu dos aeroportos.

Esta queda nas vendas de passagens, em viagens aéreas domésticas, só vai ter fim quando Michel Temer assumir, o PT sair do puder, a direita reacionária neo-liberal voltar a administrar e, em consequência, o Brasil voltar a ter pobres e miseráveis como antigamente, que largarão os jatinhos e helicópteros e voltarão a usar Gol, Tam, Azul e Avianca.

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28 abril 2016 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – UMA NOVA ESTATAL

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* * *

Segundo apurou o Departamento de Fuxicos do JBF, estes “líderes” estão pressionando a prisid-Anta pra que seja criada uma nova empresa estatal.

Um estatal que detenha o monopólio da fabricação de mortadela.

A prisidências, as diretorias, as gerências e todos os demais cargos, evidentemente, seriam ocupados pelos furiosos protestadores por eles indicados.

O cargo de enchedor do saco mortadelífero terá uma gratificação especial.

Aproveitando o desespero em que se encontra a Jumenta Falante, eles também estão exigindo que o cachê-protesto aumente de 30 para 90 reais.

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28 abril 2016 DEU NO JORNAL

FALA, JOSELITO MÜLLER!

CONHEÇA SERGINHO DO DCE, JOVEM DE 43 ANOS QUE LUTA CONTRA O GOLPE NO BRASIL

Serginho

Acadêmico do quinto período do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade Federal de Lapão Roliço, Sergio Santiago dos Santos Souza Silva Salomão Salinas, mais conhecido como Serginho do DCE, é um dos muitos brasileiros que se engajaram na luta contra o golpe.

Serginho do DCE ganhou este apelido pela sua intensa participação nos movimentos sociais, especificamente no movimento estudantil de sua universidade, onde já compôs gestão do Diretório Central dos Estudantes por mais de sete vezes.

Já fiz vários cursos aqui na universidade: ciências sociais, sociologia, pedagogia, mas não concluir nem um sequer ainda, porque fui jubilado por motivos políticos ideológicos, por causa da minha combativa atuação em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade”, declara orgulhoso o militante.

Serginho, atualmente com 43 anos de idade, diz que dessa vez pretende se formar e, segundo suas palavras, “prosseguir na luta em outra frente, ao que tudo indica, a sindical”.

Ele, juntamente com seus colegas de gestão do DCE, fundaram o “Comitê da juventude contra o golpe de direita no Brasil”, entidade que tem por objetivo conscientizar s estudantes do perigo que a ascensão fascista representa para as universidades públicas.

Estamos realizando esse importante trabalho voluntariamente, porque ninguém está nos apoiando financeiramente. Estamos correndo atrás de apoio governamental para prosseguir nessa importante luta” explica.

Assim como muito de seus companheiros de militância, Serginho mora com a mãe e nunca trabalhou de carteira assinada.

Não quero vender minha força de trabalho para produzir mais-valia e enricar ainda mais os capitalistas”.

Apesar de todas as dificuldades, Serginho é otimista e acredita que Dilma cumprirá seu mandato sem problemas e que Lula será reeleito em 2018.

Estamos engajados no movimento, porque sabemos que a democracia brasileira não tolera mais golpes de estado”.

Questionado o conteúdo das interceptações envolvendo o ex-presidente Lula e a presidente Dilma, Serginho insiste que as mesmas são ilegais e devem ser desconsideradas.

Se elas comprovam que eles cometeram algum crime, não importa. O que importa é que o vazamento foi ilegal e ponto final.”

Ele esclarece que recentemente um amigo o mostrou fotos de sua namorada participando de uma suruba, mas foi rechaçado ao responder negativamente a pergunta de Serginho sobre a legalidade das imagens: “A justiça autorizou a divulgação dessas fotos?”, questionou.

A namorada de Serginho também participa do comitê contra o golpe.

28 abril 2016 DEU NO JORNAL

AJUDA NÓIS, SINHÔ PRISIDENTE!!!

Uma das primeiras medidas do governo Michel Temer será cortar toda a publicidade de blogs, plataformas digitais ou até mesmo revistas consideradas do segundo time que vivem apenas para divulgar atos do governo e defender a presidente e o PT.

* * *

Isso mesmo, Temer! Enfie a pajaraca no furico desses mamadores.

Só de fazer o blog 247 e outro similares chapas-brancas se fuderem, já estará prestando um grande serviço à decência e à cidadania deztepaiz. 

Meta a tesoura nessa cambada e repasse a metade de tudo aqui pro JBF.

Aliás, num precisa nem ser a metade de tudo.

Basta depositar na conta do JBF a metade do que mamam dos cofres públicos a revista Carta Capital e o blogueiro da esgotosfera Paulo Henrique Amorim, que eu já me dou por muito bem satisfeito. Mas muito satisfeito mesmo!!!

Esta gazeta escrota, por qualquer pixuleco liberado por Vossa Insolência, vai passar o dia todo elogiando a lisura do vosso gunverno e a beleza da vossa esposa.

Veja só uma pequena amostra do baba-ovismo que iremos levar a efeito:

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Marcela e Michel: o casal mais lindo desta linda república; um dupla de elegantes fofinhos

28 abril 2016 DEU NO JORNAL

DITADO

Deputados do PCdoB propuseram ontem, numa reunião no Palácio do Planalto com Ricardo Berzoini, um gesto de rara perspicácia política: a obstrução total da pauta do Congresso daqui até a votação do impeachment no Senado.

Até que alguém com mais senso de realidade lembrou que boa parte das propostas que seriam obstruídas são do próprio governo.

* * *

Isto só confirma aquele antigo ditado:

Quem não é esquerdista na juventude, não tem coração. Quem continua esquerdista depois de adulto, não tem cérebro.

Vamos botar Polodoro pra rinchar em homenagem à bancada de parlamentares do PCdoB.

Rincha, Polodoro!!!

28 abril 2016 DEU NO JORNAL

VAI FAZER FALTA

Dilma Rousseff não enfrentou tempo fácil na entrevista com a bam-bam-bam da CNN, Christiane Amanpour, gravada ontem e que vai ao ar hoje, quinta-feira.

Uma amostra da conversa, divulgada no Twitter da repórter, mostra a presidente contra a parede. A pergunta, por si, é um cruzado de direita:

Não há jeito fácil de fazer a pergunta: a senhora foi considerada uma das piores líderes do mundo, sua popularidade hoje está abaixo de 10% – e isso é muito, muito baixo -, o impeachment passou no Congresso por uma maioria ampla que surpreendeu até mesmo seus apoiadores, você não parece ter muitos amigos no Congresso. Você acha que vai sobreviver ao impeachment no Senado?

Dilma ensaia uma resposta dizendo que popularidade não é razão para impeachment e que os líderes do processo na Câmara têm diversas acusações de corrupção, ao que é cortada:

Eu entendo o que você está dizendo, mas você acha que vai sobreviver?

Ao que parece, o clima entre a imprensa internacional não está tão favorável quanto o governo tenta fazer crer.

* * *

A jornalista Christiane Amanpour, que segundo as antinhas da militância zisquedóide é um expoente da “grande mídia golpista” do istranjeiro, botou pra fuder em cima da ensacadora de vento. 

Francamente, eu já estou com saudades da Jumenta Falante. Este tal de impíximan vai tirar do ar uma das minhas maiores fontes de diversão.

Ela e seus tolôtes orais vão fazer uma falta danada.

Cada vez que ela caga um excremento pela boca, nós temos uma postagem garantida nesta gazeta escrota.

27 abril 2016 DEU NO JORNAL

NÃO VAI TER GOLPE

Gustavo da Rocha Schmidt

Não pode resultar na prisão do governante e nem é julgado por juiz togado. É infração políticoadministrativa, cujo exame compete ao Parlamento, podendo levar, apenas, ao impedimento para o cargo. Por isso mesmo, a sua caracterização não exige prova da prática de atos de corrupção.

Isso é relevante para o Direito penal; não para o processo de impeachment. Tanto assim que, muito embora Collor tenha sido absolvido na Justiça comum, jamais se questionou a legitimidade do processo contra ele deflagrado no Congresso.

O crime de responsabilidade, como bem diz o nome, guarda relação com o dever dos governantes de cumprir as suas responsabilidades com observância das leis e da Constituição. E uma das obrigações presidenciais de maior relevo é respeitar as leis orçamentárias.

Entendeu a Câmara dos Deputados que a irresponsabilidade da presidente, no campo do Orçamento público, com a abertura, por decreto, de créditos suplementares e a prática das “pedaladas fiscais”, é causa suficiente para a abertura do processo. Caberá agora ao Senado definir se houve crime de responsabilidade.

O julgamento, como é da essência parlamentar, será eminentemente político. E o eventual impedimento da presidente não importará em qualquer mácula à democracia. O impeachment é instrumento típico do sistema de separação de poderes e foi concebido, precisamente, para coibir o exercício abusivo do poder.

A preservação do regime democrático, neste caso, é assegurada pelo cumprimento dos ritos legais e constitucionais, isto é, pelo respeito às regras do jogo democrático.

Respeitado o procedimento previsto na Constituição e definido pelo Supremo Tribunal Federal, Dilma poderá sofrer o impeachment, se for a decisão de dois terços do Senado. Seja qual for o resultado, não vai ter golpe.

27 abril 2016 DEU NO JORNAL

TUDO É ESTRANHO DENTRO DO ESGOTO PETRALHAL

Dilma reafirmou nesta terça-feira que acha estranho ser julgada no Congresso por políticos acusados de corrupção.

Citou Eduardo Cunha, o notório presidente da Câmara.

Realmente, é tudo muito estranho. A começar pelo fato de que, até ontem, os corruptos estavam alinhados com o governo, plantando bananeira dentro dos cofres públicos.

27 abril 2016 DEU NO JORNAL

UMA EXCELENTE NOTÍCIA PROS PERNAMBUCANOS

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou nesta terça-feira (26) aumento médio de 9,99% na tarifa de energia dos clientes da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe). O reajuste começa a valer na próxima sexta-feira (29).

Para a baixa tensão (residências e comércio), o aumento médio será de 11,66%. Já para a alta tensão (indústria), a média do aumento será de 6,77%.

A distribuidora atende cerca de 3,5 milhões de consumidores. 

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* * *

Esta notícia é fresquinha. A Aneel fez o anúncio ontem, terça-feira.

Mas tem um detalhe muito importante e que não foi divulgado.

É o seguinte: o aumento das contas dos pernambucanos só vai valer pra quem votou pela reeleição de Dilma.

E eu acho é pouco!!!

O percentual do aumento deveria ser de 13% (êpa!)

27 abril 2016 DEU NO JORNAL

DUPLA ABJETA

Como pode o presidente do Senado se reunir com Dilma enquanto uma comissão de senadores examina os crimes atribuídos a ela?

* * *

Claro que pode. Pode sim.

Quem fez esta pergunta se esqueceu de que vivemos num país chamado República Federativa de Banânia.

Não só o prisidente do Senado se reuniu com Dilma, em pleno andamento do processo de impíxima, como, mais ainda, Renan se reuniu ontem com Lula, o ministro-impedido da Casa Covil petêlha..

Apenas isto. Somente isto. Nada mais que isto.

Vejam só que lindo o flagrante do encontro dos dois ontem, na residência oficial da prisidência do Senado.

Vejam que parelha perfeita de aliados éticos e pulíticos, constatem como um canalha completa o outro:

Renan Calheiros se reúne com o ex-presidente Lula

Não custa nada lembrar que tanto Renan quanto Lula são ambos investigados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Fecho a postagem com um nota que li n’O Antagonista:

“Renan Calheiros precisa ser preso o quanto antes, assim como Lula.

Só a Lava Jato nos salvará dessa dupla abjeta.”

27 abril 2016 DEU NO JORNAL

O PELOTÃO DOS LANÇADORES DE CUSPE

Augusto Nunes

A cusparada como instrumento de combate a normas constitucionais foi inaugurada pelo deputado Jean Wyllys na sessão da Câmara que aprovou o impeachment. Depois de acusar de “canalhas” os parlamentares favoráveis ao despejo de Dilma Rousseff, o belicoso BBB recorreu ao disparo de saliva para revidar um comentário ofensivo do desafeto Jair Bolsonaro.

Na sexta-feira, a cuspida em Brasília foi reprisada em São Paulo pelo ator José de Abreu. Devoto do PT e coadjuvante de novelas da Globo, o canastrão que mais gargalhadas provoca quanto mais capricha em cenas dramáticas vive buscando no noticiário político-policial o espaço que jamais terá nas páginas reservadas a artistas talentosos. Ele resumiu no Twitter o que fizera.

“Acabei de ser ofendido num restaurante paulista. Cuspi na cara do coxinha e da mulher dele! Não reagiu! Covarde”. O vídeo que registra o incidente desmonta a bazófia. Depois da cusparada, Zé de Abreu usou um escudo de garçons e seguranças para escapar do contra-ataque do agredido. No recesso do lar, voltou a gabar-se do gesto beligerante, que considerou uma homenagem ao pioneiro Jean Wyllys.

“Bravo, Zé!”, saudou a deputada federal Jandira Feghali. O entusiasmo da turma avisa que pode estar aí o embrião de uma unidade de elite do exército do Stédile: o pelotão dos lançadores de cuspe. (Pelo conjunto da obra e pela fachada, Jandira deveria alistar-se na tropa para ensinar aos recrutas a arte do puxão de cabelo. Combina com cusparadas).

A inovação, louvada por Abreu também no Domingão do Faustão, pode ser testada na prática caso o falastrão aceite a proposta formulada pelo também ator Alexandre Frota no vídeo abaixo. Coxinha assumido, Frota convidou o colega a encontrá-lo pessoalmente e cuspir-lhe no rosto, sem detalhar o que viria em seguida. Ele duvida que Abreu se arrisque a tanto, mas reza para que o cuspidor tope o desafio.

O Brasil decente também. Farta de bravatas, a plateia nacional gostaria de saber com quantas palmadas se seca a boca de um poltrão fantasiado de valente.

27 abril 2016 DEU NO JORNAL

EX-ALIADOS AGORA SÃO “QUADRILHA”

Josias-de-Souza5

LulaMao

Mal comparando, Lula vive situação análoga à do sujeito que, desabituado de olhar-se no espelho, leva uma eternidade para perceber que a mulher casara-se com ele por dinheiro. Em sua primeira manifestação depois do Waterloo da Câmara, o sábio da tribo do PT declarou que “uma verdadeira quadrilha legislativa”, unida à imprensa e à oposição, “implantou a agenda do caos” no país. O pajé acrescentou que a quadrilha “foi comandada pelo presidente da Câmara dos Deputados, réu em dois processos por corrupção, investigado em quatro inquéritos e apanhado em flagrante ao mentir sobre suas contas escondidas no exterior.”

Lula demorou quase 14 anos para notar que os companheiros do PP, PR, PTB, PMDB e assemelhados coligaram-se com os governos do PT não por amor, mas pelos mensalões e petrolões. Só agora, depois de arrombadas todas as arcas, Lula se deu conta de que seus aliados eram traidores que ainda não tinham reparado na sensualidade do Michel Temer. Mais um pouco e o morubixaba do petismo vai acabar percebendo que o dinheiro da Petrobras só saiu pelo ladrão porque o governo permitiu que o ladrão entrasse no cofre. Sem isso, não haveria Lava Jato nem dinheiro do Eduardo Cunha na Suíça.

Pobre Lula! Sem perceber, tornou-se um típico político brasileiro. Grosso modo falando. Demorou quase 14 anos para reconhecer que “base aliada” era apenas um eufemismo para “quadrilha”. Antes, Lula dizia: “Falem-me de infidelidade que eu puxo logo o talão de cheques.” Agora, com a Lava Jato a aquecer-lhes a nuca, os quadrilheiros exclamam: “Falem-nos de lealdade que puxamos logo o coro do impeachment: ‘por minha família…’, ‘pelos meus filhos…’, ‘pelo papagaio…’.” Noutros tempos, Lula exclamava: “falem-me em rebelião que eu puxo logo um bom discurso”. Agora, os aliados exclamam: “Falem-nos em lero-lero que nós puxamos logo um ronco.”

26 abril 2016 DEU NO JORNAL

A IMPRENSA ESTRANGEIRA NÃO VÊ GOLPE

Pedro Doria

Há uma imensa confusão rondando as redes sociais a respeito do que dizem ou não os jornais estrangeiros sobre a crise brasileira. Tornou-se comum, por algum motivo misterioso, afirmar que lá fora há um movimento condenando o que a presidente Dilma Rousseff chama de “golpe”. Não é verdade.

Qualquer jornal ocidental divide o que publica em dois grupos. Há notícia e há opinião. Notícias são matérias (mais curtas) ou reportagens (longas, em geral com apuração de fôlego) que saem do trabalho de um ou mais repórteres que tentam relatar os fatos e como as opiniões se dividem a seu respeito. Opinião é outra coisa. Há editoriais (a opinião do jornal), colunas (pessoas que o jornal contrata para manifestar sua opinião com frequência) e artigos avulsos, para quando alguém tem uma opinião para manifestar. Por fim, ali no meio do caminho entre a notícia e a opinião, estão as análises, que sem manifestar uma preferência pessoal tentam ajudar o leitor a compreender o contexto no qual um fato se dá.

É assim que se organizam jornais brasileiros, do resto das Américas e da Europa.

Um dos textos mais citados é “A razão real pela qual os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment”, publicado pelo jornal britânico “The Guardian”. É um artigo de opinião avulso, assinado por David Miranda. Não é a opinião do jornal. É a opinião de um cidadão brasileiro.

Mas o “Guardian” manifestou sua opinião em editorial, publicado com o título “Uma Tragédia é um Escândalo” e no qual aponta os que considera responsáveis pela crise em que nos encontramos: “transformações da economia global, a personalidade da presidente, o PT ter abraçado um sistema de financiamento partidário baseado em corrupção, o escândalo que estourou após as revelações, e uma relação disfuncional entre Executivo e Legislativo”. Sem poupar em momento algum o Congresso ou Eduardo Cunha, em nenhum momento o jornal britânico sequer cita o termo “golpe”.

Outros órgãos de imprensa importantes se manifestaram em editoriais.

O do “Washington Post” começa assim: “A presidente brasileira Dilma Rousseff insiste que o impeachment levantado contra ela é um ‘golpe contra a democracia’. Certamente não o é.” A partir daí, desanca tanto o governo Dilma quanto o Congresso Nacional. O único elogio que os editorialistas do “Post” conseguem fazer ao Brasil é que, no fundo, “este é um preço alto a pagar pela manutenção da lei – e, até agora, esta é a única área na qual o Brasil tem ficado mais forte.”

A revista “The Economist” também opinou a respeito. “Em manifestações diárias, a presidente brasileira Dilma Rousseff e seus aliados chamam a tentativa de impeachment de Golpe de Estado. É uma afirmação emotiva que mexe com pessoas além de seu Partido dos Trabalhadores e mesmo além do Brasil.” Adiante, seguem os editorialistas, “a denúncia de Golpes tem sido parte do kit de propaganda da esquerda.” O tom é este. Para a “Economist”, o problema é que Dilma perdeu a capacidade de governar, e, em regimes presidencialistas, quando isso ocorre a crise é sempre grave.

O francês “Le Monde” intitulou o seu editorial “Brasil: este não é um Golpe”, que suscitou críticas do editor responsável pela relação do jornal com seus leitores, Frank Nouchi. Ele considera a cobertura de seu periódico boa mas o editorial pouco equilibrado. Suas críticas sugerem o jornalisticamente óbvio: os editorialistas não levaram em conta o outro lado e passaram batidos, por exemplo, pelo envolvimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em escândalos próprios. Nouchi não pede desculpas, como sugerem alguns. O que o ombudsman cobra é um editorial mais parecido com o dos outros veículos, capaz de mostrar por inteiro o fundo do poço brasileiro.

As mesmas críticas generalizadas às instituições políticas brasileiras estão no editorial mais recente, publicado pelo americano “The Miami Herald”. “Os brasileiros não devem se distrair. O crime que trouxe o país abaixo é roubo por parte de quem ocupa cargos públicos. Que sigam atrás dos bandidos e deixem para os eleitores o destino de políticos incompetentes.” Para os editorialistas, a incompetente é Dilma, e bandidos, os políticos envolvidos em corrupção.

Há também uma série de manifestações avulsas de opinião. Dentre as mais populares dos blogueiros governistas está a entrevista concedida pelo jornalista americano Glenn Greenwald a Christiane Amanpour, da CNN. Greenwald, que vive no Brasil e é casado com com o autor do artigo do “Guardian”, é também um premiado e respeitado jornalista que se especializou na difícil relação entre direitos civis e tecnologias digitais. Nas redes sociais, é um crítico contumaz da solução do impeachment. À CNN, disse que “plutocratas veem agora uma chance de se livrar do PT por meios antidemocráticos.” Cita, como contexto, o extenso envolvimento de inúmeros deputados, a começar pelo presidente da Câmara, com escândalos de corrupção. Mas, mesmo quando questionado diretamente por Amanpour, evitou o termo “golpe”.

A análise mais favorável à presidente foi assinada pelo correspondente da principal revista de língua alemã, a “Der Spiegel“, e publicada em seu site. Jens Glüsing é o único a criticar a Operação Lava-Jato, de acordo com uma versão traduzida, afirmando que “o sucesso subiu à cabeça (do juiz Sérgio) Moro”. Ele atribuiu “aos partidários de Lula” a advertência de que se prepara “um golpe frio contra a democracia brasileira”.

No principal jornal espanhol, “El País”, seu antigo correspondente e ainda colaborador no Brasil, Juan Arias, também escreveu uma análise. “Aquilo que para o governo e seus seguidores no PT é visto como um Golpe, para a oposição parece uma oportunidade de mudança de rumo político após 13 anos de poder.” Arias ressalta que Eduardo Cunha está envolvido em escândalos de corrupção, observa que há polarização política cada vez mais aguda, mas, em momento algum, endossa a versão do governo. Esta é a opinião do PT e pronto, não que a oposição seja inocente.

A cobertura estrangeira é boa, é detalhista, com muita frequência põe o dedo em nossas feridas mais abertas. Nenhum dos editoriais de grandes veículos é superficial. Todos veem a estrutura política brasileira derretendo. E nenhum compra a ideia de que há um golpe em curso.

26 abril 2016 DEU NO JORNAL

NUM FOI NADA DISTO

O espanhol El País ironiza o “golpe” apregoado por Dilma.

Diz que ela viaja em avião oficial, com assessores e aparato diplomático, deixa o suposto “golpista” em seu lugar, não decreta Estado de Emergência e nem convoca as Forças Armadas para defendê-la. E o resto do governo aproveita o feriadão para ir à praia.

A comitiva de Dilma Rousseff na ONU era composta de 52 pessoas.

Do lado pessoal, uma governante e uma assistente: cabelos, make-up, passar roupas e cuidar do cardápio matinal.

* * *

Isto é mentira do El País, um jornal que pertence à grande mídia golpista istranjeira.

O fubânico petista Ceguinho Teimoso já desmentiu esta notícia.

Ceguinho disse que a comitiva dílmica tinha apenas 51 pessoas.

E não 52, como publicou este jornaleco espanhol sem compostura.

26 abril 2016 DEU NO JORNAL

UMA TRINCA DA PESADA

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enumerou em petição ao Supremo Tribunal Federal 11 motivos para o ‘necessário e imprescindível’ afastamento do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, do mandato de parlamentar e de líder da Casa. O documento foi entregue ao STF em dezembro de 2015, mas a Corte ainda não tomou uma decisão.

Na sexta-feira, 22, após uma palestra na Universidade de Harvard nos Estados Unidos, Janot disse acreditar que não deve demorar para que o futuro do presidente da Câmara seja definido.

“Nós enviamos várias denúncias contra ele e mais duas devem ser consideradas em breve pelo Supremo. Não podemos admitir que o terceiro homem na linha sucessória tenha um passado como o dele”, afirmou.

* * *

Ótimo.

Depois de Dilma, Cunhão deve ser a próxima excrescência a ser afastada.

Renan, fiel aliado da corja istrelada, aguardará na fila.

TRINCA

26 abril 2016 DEU NO JORNAL

NUM FOI POR FALTA DE AVISO…

Enquanto os deputados demoraram mais de seis horas para votar o impeachment de Dilma domingo passado, em 1992, só foram necessárias duas para aprovar o impedimento de Fernando Collor.

Apenas 33 parlamentares mencionaram suas famílias na ocasião, contra 145 este ano. Outra diferença é que, naquela época, Deus não não foi lembrado em um discurso sequer. E só dois parlamentares dedicaram seus votos aos evangélicos: Matheus Iensen e Francisco Silva, um dos mentores de Eduardo Cunha.

Um Jair Bolsonaro mais contido e de fala mansa votou a favor do impeachment de Fernando Collor – e sequer provocou reação dos colegas.

Ainda em seu primeiro mandato na Câmara, o folclórico deputado foi objetivo:

– Representando e expressando também a vontade dos militares, que são povo, voto sim.

O hoje ensandecido Bolsonaro era um pouco mais comportado. Já fazia algumas loucuras, mas de certo modo ainda não tinha saído totalmente do armário.

* * *

Esta nota aí de cima usou dois adjetivos que enquadram Bolsonaro com perfeição: folclórico e ensandecido.lcc

É pena que a face folclórica fique ofuscada e quase desapareça frente à face ensandecida deste sujeito.

Saber que ele ganhou o seu mandato pelo voto direto do eleitorado é desolador.

Mas preocupante mesmo é saber que tem gente torcendo e fazendo campanha pra que ele seja prisidente.

Pra um eleitorado que já elegeu Jânio Quadros, Collor, Lula e Dilma, eu não duvido mais de nada…

Nos últimos dias, os leitores fubânicos de extrema direita, defensores da candidatura de Bolsonaro para a prisidência, estão tremendamente decepcionados e putos com este Editor.

Falta de aviso não foi: eu já cansei de avisar que, pelo fato de fazer oposição ao PT, não me devem tomar, de modo algum!, como favorável a qualquer posição de “direita”. Até mesmo porque o PT enterrou nas profundas o conceito de “esquerda” nesta terra banânica.

Tenho sempre na cabeça o que disse o filósofo espanhol Ortega y Gasset:

“Ser de esquerda é, como ser de direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser um imbecil: ambas, em efeito, são formas da hemiplegia moral”.

Volto a recomendar a leitura de uma postagem de maio de 2014, na qual digo tudo o que penso sobre Bolsonaro. Quem quiser ler, basta clicar aqui.

25 abril 2016 DEU NO JORNAL

A DEMOCRACIA EXIGE RESPEITO

Mary-Zaidan

Alívio. Nas Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff poupou o Brasil do vexame da denúncia de um golpe que não é golpe que ela insiste em dizer que é golpe. Foi prudente, comedida e elogiada. Não pelo que falou, mas pelo que não disse. Poucas horas depois, pôs tudo abaixo. Na entrevista à imprensa internacional despejou lamentações contra a “injustiça”, proclamou-se vítima, rogou ao Mercosul e à Unasul punições ao Brasil caso ela seja deposta – como se os dois organismos fossem de importância crucial para o país – e voltou a decretar a ilegitimidade de seu vice, Michel Temer.

Não parou por aí. Jogou lama nas instituições brasileiras, criticando ministros da Suprema Corte que rechaçam a tese de golpismo, engendrada e propagada pela presidente e pelo PT, e a Câmara dos Deputados, que, por maioria mais do que absoluta, aprovou a admissibilidade do impedimento constitucional contra ela.

Talvez por ter lutado contra uma ditadura para tentar impor outra, Dilma tenha dificuldades para entender o conceito de democracia na sua amplitude. Fala sempre de seus 54 milhões de votos como se eles fossem garantia perene. Na sua tacanhice de visão, democracia se restringe ao ato de votar. Para ela, a vitória no sufrágio condena o eleitor a engolir o escolhido, mesmo que o eleito não seja digno da representação recebida.

Finge desconhecer que a Constituição confere a ela e a seu vice a mesma legitimidade. Goste-se ou não do vice. E que a Carta tem instrumentos – ainda que rígidos – para proteger o eleitor quando o eleito fere os seus preceitos.

Não há dúvidas de que pedaladas e empréstimos não autorizados pelo Parlamento aconteceram. O próprio governo admitiu isso ao pagar os débitos pedalados no ano fiscal seguinte ao crime. Tanto que calca sua defesa na afirmação de que todos os governos anteriores cometeram delitos idênticos. Ainda que fosse verdade, se mantida a premissa de um crime justificar outro, não só a proliferação delituosa seria endêmica como se tornaria impossível qualquer punição em qualquer época.

Mas é fato que as pedaladas não são as responsáveis pelo repúdio popular a Dilma e ao PT. Ainda que sejam definidas como crime de responsabilidade previsto na Constituição, elas estão longe de ser compreendidas pela maioria. Mas, assim como a sonegação fiscal, um crime dito menor, acabou com o lendário Al Capone, elas têm a capacidade de banir Dilma, o PT, Lula e todo rastro de imoralidades que eles patrocinaram.

O brado contra o golpe fictício e a vitimização acabaram se tornando os únicos e derradeiros tiros. Só que além dos públicos cativos eles não atingiram outros alvos. Na mídia internacional, onde Dilma imaginou ter fôlego para a sua pregação contra o “golpe”, pouco conseguiu arregimentar fora do eixo bolivariano.

No máximo, Dilma colheu a defesa de eleições gerais na The Economist. Não por se renderem à sedução da presidente vítima, mas por entenderem que nem Dilma nem ninguém na linha de sucessão direta – Temer, Eduardo Cunha (que a revista inglesa desconhece estar legalmente impedido de assumir a Presidência da República por ser réu no STF), Renan Calheiros e outras dezenas de parlamentares – teriam ficha limpa para assumir o poder.

A prestigiada revista semanal inglesa acerta na sintonia com a demanda popular, mas erra na viabilidade, inclusive constitucional, da execução de um pleito extra.

O fora tudo é agradável e simpático de ser defendido. Parece ser a solução para todas as coisas. Mas não é. Muito menos está no escopo político de quem defende eleições já. No projeto protocolado na semana passada no Senado, a proposta de novo pleito se restringe a presidente e vice para um mandato tampão de dois anos. Não inclui os demais – nem deputados nem senadores, que não emprestariam dois terços de maioria para votar contra si.

Ou seja, cada defensor da ideia malandra de diretas já, da dona da Rede, Marina Silva, ao PT, Lula e Dilma, sabe da impossibilidade da tese.

Eleições extraordinárias têm ritos a serem seguidos. O esforço de animar a galera com elas quando se sabem improváveis é tão danoso quanto o engodo da pregação do golpe. Ambos os discursos tentam ludibriar o público. Pior: o fazem em nome da democracia, enxovalhando-a.

25 abril 2016 DEU NO JORNAL

QUINTETO BEM VOTADO

A presidente Dilma lidera o ranking de petições do site Avaaz que pedem cassação de mandato. Assinaturas pró-destituição da petista já ultrapassam a marca de 1,915 milhão.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aparece em seguida: mais de 1,5 milhão de assinaturas.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-AL), é o terceiro: mais de 1,291 milhão querem cassar o seu mandato.

São vários os motivos alegados para abaixo-assinado contra políticos: corrupção (Dilma), “Senado limpo” (Renan) e falta de decoro (Cunha).

Quase 71 mil já pedem a cassação de Jean Wyllys (Psol-RJ) por quebra de decoro, após cuspir no deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Quase 149 mil pedem a cassação de Bolsonaro, que homenageou um coronel acusado de tortura, ao votar pelo impeachment de Dilma.

* * *

Dilma, Renan, Cunhão, Aero Wyllys e Bolsonaro…

Um quinteto da porra.

Cinco tolôtes cuja existência só seria mesmo possível num país que tem o eleitorado de Banânia.

Putz…

Chega dá vontade de vomitar.

dilma-horz

25 abril 2016 DEU NO JORNAL

ABILOLAMENTO TOTAL

a doida

A Presidência da República reservou R$ 3,6 mil para compra de remédios para tratamento de taquicardia, depressão, insônia, amidalite, entre outras enfermidades. No total, segundo a ONG Contas Abertas, foram 50 ampolas de adenosina (taquicardia), 1.200 ampolas de água destilada, 280 comprimidos de amoxicilina (antibiótico para bactérias), 10 frascos de lidocaína (anestésico), 100 ampolas de midazolam (sedação e insônia) e 120 comprimidos de quetiapina (anti-psicótico).

No início do mês, a revista IstoÉ revelou que a presidente Dilma, dominada por sucessivas explosões nervosas, estava consumindo medicamentos controlados, tipo tarja preta. A revista contou que Dilma, “além de destempero, exibe total desconexão com a realidade do País”.

A adenosina, conforme descrição da internet, é um remédio antiarrítmico cardíaco utilizado para tratar taquicardia. A quetiapina é um medicamento anti-psicótico. Ele é usado para tratar o transtorno bipolar (psico maníaco depressiva) em adultos e crianças que tenham pelo menos 10 anos de idade. A quetiapina também é usada em conjunto com medicamentos antidepressivos para tratar transtorno depressivo maior em adultos. Já o maleato de midazolam é um medicamento de uso adulto indicado para tratamento de curta duração de insonia.

remédio

* * *

Jumenta Falante está no mesmo nível mental dos que votaram nela: completamente abilolada, estocando vento na cabeça, babando furor pelos cantos dos beiços e cagando tolôtes orais cada vez que abre a boca.

E escoiceando diuturna e noturnamente.

Se depender de mim, ela vai direto do palácio para o manicômio, bem amarrada numa camisa de força.

O vídeo abaixo é um retrato sem retoques do abestalhamento desta idiota.

25 abril 2016 DEU NO JORNAL

UMA PARELHA BANÂNICA

Políticos do PMDB, inclusive aqueles mais leais ao presidente do Senado, não conseguem entender o apego de Renan Calheiros a Dilma Rousseff. Esses amigos têm advertido, de maneira crua, que a presidente “já morreu” politicamente, e que a saída dela é inevitável. Mas Renan parece apostar em uma sorte lotérica: afinal, caso consiga “salvar Dilma”, como tem dito a amigos, será dele o bilhete premiado.

Um dos mais leais “renanzistas” do Senado, Romero Jucá (RR) também não entende o “abraço de afogados” de Renan em Dilma.

“Há quem ache Renan grato à ‘ajuda’ de Dilma ao governo do filho”, diz Romero Jucá, “mas ela jamais liberou um só tostão para Alagoas”.

A posição dos eleitores não explica a extremada lealdade de Renan: pesquisas em Alagoas revelam rejeição a Dilma superior a 80%.

Renan tem dito que gosta de Dilma. Quem a conhece não gosta dela, como mostraram os votos de ex-ministros favoráveis ao impeachment.

* * *

Pois eu entendo tudo perfeitamente bem.

Cuida-se aqui de farinha do mesmo bisaco.

De bosta do mesmo pinico.

Dois tolôtes sempre se dão bem um com o outro.

parelha

“Eu e Renan num semos uma linda parelha? Beijos para todos os fubânicos!!!”

24 abril 2016 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO DOMINGO – DEBANDADA GUABIRUTÍFERA

PREFEITOS

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A janela de filiação partidária aberta no mês de março e a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff impulsionaram o movimento de debandada de prefeitos petistas para outros partidos políticos.

A seis meses das eleições municipais, levantamento feito no sistema de filiação do Tribunal Superior Eleitoral aponta que, de cada cinco prefeitos do PT eleitos em 2012, um deixou o partido.

* * *

Estes guabirus municipais desertores, além de terem sido filiados ao PT, tem outro defeito gravíssimo: são ingratos e mal agradecidos.

Agora, estão pulando fora do Titanic petralha carregando as arcas cheias do dinheiro público.

RATOS QUE ABANDONAM NAVIO5

Francamente, isto é de cortar o coração. Eu fico aqui morrendo de pena.

Morrendo de pena de Dilma, de Lula, de Rui Falcão e do PT.

Todo mundo sabe que eu gostaria que o PT ficasse mais uns 13 anos no puder…

Me comovo a ponto de ficar com os olhos cheios de lágrimas.

Xiuf, xiuf, snif, snif…

lagrimas-de-crocodilo

24 abril 2016 DEU NO JORNAL

O MITO ESTRAÇALHADO

Francisco Weffort

Luiz Inácio Lula da Silva vai chegando ao fim do caminho. Mesmo ele é capaz de perceber que está acabando o terreno à sua frente. Antes do petista, tivemos casos semelhantes desses meteoros da política que vêm não se sabe de onde, passam por grandes êxitos, alcançam rapidamente o topo e depois caem miseravelmente. Já nos esquecemos de Jânio Quadros? Lula é diferente de Jânio em um ponto: veio de mais baixo na escala social e conseguiu uma influência mais organizada e duradoura na política do país. Dilma Rousseff, embora pareça um meteoro, não é propriamente um caso político. O fato de ela ter chegado à Presidência da República foi apenas um enorme erro de Lula cometido em um dos seus acessos de personalismo. Erro, aliás, que o empurra com mais rapidez para o fim. “O cara”, de que falou Barack Obama quando Lula tinha 85% de aprovação, não é mais aquele…lula-o-mito-estracalhado

Há algum tempo, muitos gostavam de ver em Lula um “filho do Brasil”. Era o seu primeiro mandato, quando se pensava que surgia no país uma “nova classe média”. Com a crise dos dias atuais, essa “nova classe” provavelmente desapareceu. Outra das veleidades grandiosas do petista, já no fim do seu governo, foi um suposto plano para terminar com a fome no mundo. Também naqueles tempos, alguns imaginavam que o Brasil avançava para uma posição internacional de grande prestígio.

Muitos desses sonhos deram em nada, mas, para o bem e para o mal, Lula foi um filho do Brasil. Aliás, também o foram os milhares, milhões de jovens fruto do “milagre econômico” dos anos Médici, assim como, antes deles, os filhos da democracia e do crescimento dos anos JK, ou, se quiserem, algumas décadas mais atrás, da expansão aluvional das cidades que assinala o nosso desenvolvimento social desde os anos 1930. No Brasil, temos a obsessão permanente do progresso, assim como uma certa vacilação, também permanente em nosso imaginário, entre a ditadura e a democracia. Lula foi uma variante desse estilo brasileiro de vida. Queria resolver as coisas, sempre que possível, com “jeitinho”, ao mesmo tempo que sonhava com as benesses do “Primeiro Mundo” e da modernidade.

Na política brasileira, porque vinha de baixo, o petista tinha traços peculiares que se revelam em sua busca de reconhecimento como indivíduo. Nesse aspecto está o seu compromisso com a democracia, aliás muito aplaudido no início de sua vida como político. O sindicato foi seu primeiro degrau e, mais adiante, uma das raízes de seus problemas. É que, a partir desse ponto, Lula passou a buscar seu lugar como cidadão numa instituição aninhada nos amplos regaços do Estado. Ele começou em uma estrutura às vezes repressiva e muitas vezes permissiva, que dependia, sobretudo, como continua dependendo, dos recursos criados pelo Estado por meio do “imposto sindical”. A permissividade maior vinha do fato de que tais recursos não passavam, e ainda não passam, pelo controle dos tribunais de contas.

O maior talento pessoal de Lula foi sair do anonimato, diferenciando-se dos parceiros de sua geração. No sindicalismo, falou sempre contra o “imposto”. E talvez por isso mesmo tenha logrado tanto prestígio como sindicalista combativo e independente que não precisou fazer nada de concreto a respeito. Na época das lutas pelas eleições diretas e pelo fim do autoritarismo reinante sob o Ato Institucional nº 5, dizia que “o AI-5 dos trabalhadores é a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT”. Mas em seu governo não só manteve o imposto e as leis sindicais corporativistas como foi além, generalizando para a CUT e demais centrais sindicais os benefícios do imposto.

O que tem sido chamado, em certos meios, de “carisma” de Lula foi sua habilidade de sentir o seu público. Chamar essa “empatia”, uma qualidade que qualquer político tem, em grau maior ou menor – e que, aliás, sempre faltou a Dilma -, de “carisma” é uma impropriedade terminológica. Em sociologia, o fenômeno do “carisma” pertence ao universo das grandes religiões, raríssimo no mundo político, e, quando ocorre, é sempre muito desastroso. Os fascistas de Mussolini diziam que “il Duce non può errare” (“o Duce não pode errar“), para exaltar uma suposta sabedoria intrínseca ao ditador. Não era muito diferente das fórmulas típicas do “culto da personalidade” de raiz stalinista. Embora tais fórmulas estejam superadas na esquerda há tempos, os mais ingênuos entre os militantes do PT ainda se deixam levar por coisas parecidas. Consta que, no mundo de desilusões e confusões do “mensalão”, um intelectual petista teria dito: “Quando Lula fala, tudo se esclarece”. Não ajudou muito…

Luiz Inácio Lula da Silva foi uma das expressões da complexa integração das massas populares à democracia moderna no Brasil. É da natureza da democracia moderna que incorpore, integre a classe trabalhadora. No Brasil, como em muitos países, isso sempre se fez por meio de caminhos acidentados, entre os quais o corporativismo criado em 1943, no fim da ditadura getuliana, e mantido pela democracia de 1946, como por todos os interregnos democráticos que tivemos desde então. O corporativismo se estende também às camadas empresariais, assim como a diversos órgãos de atividade administrativa do Estado brasileiro. Favoreceu a promiscuidade entre interesses privados e interesses públicos e certa medida de corrupção que, de origem muito antiga, mudou de escala nos tempos mais recentes com o crescimento industrial e a internacionalização da economia brasileira. Nessa mudança dos tempos, Lula passou de “sindicalista combativo” a lobista das grandes empreiteiras. Um fim melancólico para quem foi no passado uma esperança de grande parte do povo brasileiro.

24 abril 2016 DEU NO JORNAL

LISTA VARIADA E ECLÉTICA

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de procedimento para uma apuração da “superplanilha” com a indicação de pagamentos feitos pela empreiteira Odebrecht a centenas de políticos, encontrada no mês passado pela força-tarefa da Operação Lava Jato na casa do ex-presidente de Infraestrutura da empreiteira Benedicto Barbosa Silva Junior, no Rio de Janeiro. A partir de agora, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidirá se pede ou não a abertura de inquéritos sobre políticos relacionados na planilha.

A planilha, que contém cerca de 300 nomes ligados a 24 partidos políticos, é a maior relação de políticos e partidos associada a pagamentos de uma empreiteira capturada pela Lava Jato desde o início da operação, há dois anos.

Zavaski também devolveu ao juiz federal Sérgio Moro, que coordena os processos da Lava Jato na primeira instância em Curitiba, as investigações da Operação Acarajé, que mirou os marqueteiros João Santana e Mônica Moura, e da 26ª fase, chamada de Xepa, que investiga a existência de um departamento para o pagamento de propinas na empreiteira Odebrecht.

O ministro entendeu que autoridades com foro privilegiado não foram investigados nessas duas fases da operação e que Moro não violou a competência do STF durante as investigações.

* * *

Moro não só não violou a competência do STF como, mais ainda, não violou lei alguma.

E mais: todas as suas sentenças, verdadeiras pajaracas de grosso calibre nos furicos dos corruptos, são reconhecidas em instâncias superiores e ele nunca teve qualquer decisão contestada.

E isto é ótimo, é excelente para a banda decente do Brasil.

Esta tal “superplanilha” da Odebrechet está uma belezinha. Tem guabiru de todas as cores e tendências.

Um verdadeiro presente de final de semana pros gunvernistas que vivem repetindo que “num é só nóis que rouba“. A militância petralhal tá numa alegria da porra.

Entre vários e muitos outros nomes, vejam que lista arretada:

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), José Serra (PSDB-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ), Aécio Neves (PSDB-MG) e Humberto Costa (PT-PE), o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB-RJ), o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), o deputado Paulinho da Força (SD-SP) e a prefeita de Campos e ex-governadora do Rio, Rosinha Garotinho (PR).

Num tá linda esta relação de guabirus???!!!

Muito boa a decisão do careca bochechudinho Teori Zavascki.

tz

24 abril 2016 DEU NO JORNAL

TUCANOS REPETEM O PT

ruy-fabiano

É claro que Michel Temer não é o presidente dos sonhos da imensa maioria dos que saíram às ruas pedindo o impeachment de Dilma Roussef. Mas é o que há. A tese de eleições diretas como coroamento da deposição da presidente é sedutora, não há dúvida.

Seria (será) a melhor maneira de oxigenar o ambiente político e oferecer novas e melhores alternativas ao país. Ocorre que não é possível, sem quebra das regras constitucionais, impô-la de imediato, a menos que o vice optasse pela renúncia.

Como não é possível obrigá-lo a tanto – renúncia é ato unilateral de vontade -, o jeito é absorvê-lo e trabalhar com os dados objetivos dessa realidade. Os que cercam Temer sustentam que essa transição, embora sem nenhum apelo popular, é necessária, pois, antes que o país mergulhe numa campanha eleitoral de tal porte, que o manteria paralisado, precisa de um interregno para que a economia possa sair da UTI.tucano_e_lama

A simples expectativa da queda do governo Dilma já estimula o mercado e melhora os índices da economia. Investidores de dentro e de fora querem a retomada da normalidade, ainda que provisória, de modo que a campanha sucessória não se dê em ambiente de terra arrasada e de extremismos políticos.

A missão de Temer é das mais difíceis. E se complica ainda mais quando se sabe que não terá em seu governo quadros de todos os partidos que o levaram ao cargo. Sobretudo do PSDB.

O partido promete apoiá-lo no Congresso, mas desautoriza seus integrantes a ocupar ministérios. É um apoio de meia-tigela, sem maiores garantias – e repete, de certa forma, o que fez o PT, em 1992, em relação a Itamar Franco.

Há mais esperteza que coerência – e compromisso cívico – em tal gesto. Ao empenhar-se na deposição do atual governo, o PSDB não ignora o fato do que virá na sequência – e da responsabilidade que tem no encadeamento dos fatos.

Se quer a derrubada da presidente, está inevitavelmente comprometido com o que daí ocorre: a ascensão do vice. Michel Temer não terá chances se não reunir em torno de si a mesma massa de apoio que o levou ao cargo. Negar esse apoio pode ser uma maneira oblíqua (e intencional) de levá-lo ao fracasso e, por essa via, à renúncia. Mas, aí, que se dane o país.

É a leitura inevitável.

Figuras de relevo do tucanato, como Armínio Fraga, Henrique Meireles e Marcos Lisboa, já declinaram do convite para integrar o ministério de Temer. Não o fariam se a cúpula do partido lhes garantisse apoio. Mas, bem ao contrário, figuras de projeção da legenda, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já se manifestaram contra a presença do partido no governo.

Não houve ainda – e não se sabe se haverá – manifestações de José Serra, Aécio Neves ou FHC quanto ao assunto. O silêncio, em casos como esse, tem eloquência própria. O que se constata é que o partido está de olho na sucessão – e não a descarta para antes de 2018. Por isso mesmo, não quer correr riscos.

Sabe que o país terá de se submeter a medidas impopulares, que poderão ter reflexo nas urnas. Temer, que promete encerrar sua carreira ao fim de seu mandato, quando terá 79 anos, tem as condições de arcar com o ônus da impopularidade, mas não com o do isolamento político – e a tanto o condenam os tucanos.

Com isso, o país corre o risco de ficar nas mãos do PMDB, coadjuvante do PT desde os governos de Lula. Não é essa a expectativa das ruas, que anseia pela volta à normalidade.

O ideal são eleições diretas – e só elas irão consumar a limpeza iniciada com o processo de impeachment. Mas, se é inevitável uma transição com Temer, que cada qual assuma sua parte. A única chance do futuro governo é dispor de figuras de peso, acima de querelas partidárias, apoiadas pelo conjunto das forças que o levaram ao poder.

Não terá tempo de consertar o país, mas terá de promover medidas cirúrgicas de emergência para que o paciente sobreviva e possa postular algum futuro. É disso que se trata.

24 abril 2016 DEU NO JORNAL

ESTAMOS FALANDO DA MESMA COISA?

FERNANDO-GABEIRA2

Acordei na segunda-feira com um travo na garganta. A Câmara dos Deputados votou o impeachment. Era o desejo da maioria. Mas a maneira como o fez, com aquela sequência de votos dedicados à família, a filhos, netos e papagaio, com Bolsonaro saudando um torturador… fui dormir como se estivéssemos entrando na idade das trevas.

Entretanto, quando me lembro das grandes demonstrações, sobretudo nas áreas metropolitanas do Brasil, constato que os deputados inventaram um enredo próprio para o impeachment. Não há sintonia com a realidade das ruas. Isso é demonstrado pela própria reação nas redes sociais.

O Brasil parece ter descoberto um Congresso que só conhecia fragmentariamente. Isso dói, mas em médio e longo prazos será bom.

Na segunda passada, na minha intervenção radiofônica, previ essa cantilena. Foi assim no impeachment de Collor. De lá para cá, o Congresso, relativamente, decaiu em oratória e cresceu em efeitos especiais. Houve até uma bomba de papel picado no plenário.EC

Durante anos as coisas se degradaram por escândalos no aumentativo: mensalão, petrolão. No impeachment, os 511 deputados passaram por um raio X do cérebro, diante de cerca de 100 milhões de expectadores.

Visto de fora, abstraindo a causa das ruas, foi um espetáculo grotesco.

Isso implica consequências. Agora todos têm ideia ampla da Câmara real. Durante os debates, viram vários dedos apontados para Eduardo Cunha. Numa escala de golpista, corrupto e gângster. E Cunha ouviu tudo, gélido, apenas esfregando as mãos.

Tem de ser o próximo a cair. Sua queda une os dois lados do impeachment, sem muros. Nem que se tenha de pedir socorro ao Supremo, tentar comunicar aos ministros a sensação de urgência da queda de Cunha.

O descompasso entre a sociedade, que pede uma elevação no nível político, e a Câmara pode levar a um novo comportamento eleitoral.

O impeachment é uma tentativa de iniciar o longo caminho para tirar o Brasil da crise. Algumas pessoas choraram pelo resultado, outras, como eu, choraram apenas pelo texto.

Compartilho parcialmente a sua dor. Mas os generais da esquerda as levaram para uma batalha com a derrota anunciada. Mascararam de perseguição política um processo policial fundamentado, com provas robustas e até gente do PT na cadeia. Ao classificarem como golpe o impeachment, tentaram articular o discurso salvador que pudesse dar-lhes algum abrigo dos ventos frios que sopram de Curitiba.

Sobraram motivos para ressaca do day after. O essencial, se tomarmos a crise como referência, é que o processo siga seu curso da forma que prevê o rito, que é razoavelmente rápida.

Muito brevemente o centro do processo será Michel Temer. As coisas que vazam de seu refúgio não são animadoras. Por exemplo, consultar um ex-ministro da Comunicação de Dilma que propunha uma articulação do governo com a guerrilha na internet. O próprio ex-ministro deveria ser mais leal a Dilma.

Aliás, o rosário de traições na Câmara foi deprimente. Um deputado do Ceará disse: desculpe, presidente, mas voto pelo impeachment. É um espetáculo da natureza humana que me fez lembrar as traições a Fernando Collor. Gente que jantou com ele na noite anterior ao impeachment.

Costumo deixar essas considerações gerais para domingo. O foco é o processo de impeachment como esperança de dar um passo para enfrentar a crise. Deixo apenas esta lembrança para exame posterior: com 90 deputados investigados, a Casa Legislativa que existe legalmente cassou Dilma. Mas agora que todos os conhecem, não seria o momento de questionar o foro privilegiado?

Ao longo de 16 anos de Congresso, sempre defendi privilégio para o direito de voz e voto, como na Inglaterra. Fora daí, Justiça comum.

É um fragmento de uma reforma política que pode vir de baixo, como a Lei da Ficha Limpa. E a mensagem é clara nestes tempos de Lava Jato: a lei vale para todos.

Se os processos de impeachment, no Brasil, acontecem de 20 em 20 anos, creio que este foi o último a que assisti. Privilégios da idade.

É preciso pensar agora na transição. A de Itamar era mais leve. Ele não tinha partido forte, não era candidato. Temer tem uma energia pesada em torno dele. A começar por Cunha.

Em tese, precisa tocar o barco e contribuir para que alguns corpos caiam no mar. Se não contribuir, vão cair de qualquer maneira, só que de forma mais embaraçosa. O que está em jogo é o destino de muita gente, um projeto para sair da crise.

Já que decidiu ficar calado por um tempo, Temer deveria pensar. O cavalo que chega encilhado à sua frente é um cavalo bravio. Para montá-lo é preciso coragem.

A vitória do impeachment na Câmara dos Deputados foi resultado do movimento de milhões de pessoas indignadas com a corrupção, castigadas pela crise econômica.

Se considerar apenas o resultado da Câmara, não tocará nos dois temas ao mesmo tempo. Mas se considerar o esforço social que levou a esse resultado, não pode ignorar o problema da corrupção, como se ela estivesse indo embora com os derrotados de agora.

Com mais faro para o desastre, o PMDB pode organizar melhor que o PT a sua retirada. Compreender, por exemplo, que não está chegando ao poder, mas se preparando para sair dele com estragos menores nos seus cascos bombardeados pelos canhões da Lava Jato.

É uma transição na tempestade até 2018. Nenhuma força política sabe se chegará lá ou como chegará. Diante da vigilância social, o jogo ficou mais complicado.

Mas esse é o nível do nosso universo político. Do salão verde para o azul, espera-se uma ligeira melhora no Senado. Ainda assim, é longo e espinhoso o caminho de uma renovação política no Brasil.

23 abril 2016 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO SÁBADO – UM EXCELENTE FINAL DE SEMANA

ATIBAIA

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Uma excelente notícia pra fechar este lindo dia de sábado.

É sinal de que teremos um domingo radioso e que o final de semana será em altíssimo astral.

Parabéns pra força-tarefa da Lava Jato.

Receba os calorosos cumprimentos da banda decente do Brasil.

“Ai, ai, ai ai… Está chegando a hora…”

lula_na_cadeia

23 abril 2016 DEU NO JORNAL

AGORA FUDEU TUDO MESMO…

Dois vice-líderes do governo Dilma anunciaram nesta sexta-feira (22), da Tribuna do Senado Federal, apoio ao impeachment da presidente Dilma.

Os senadores Hélio José (PMDB-DF) e Wellington Fagundes (PR-MT) disseram apoiar o processo, que deve ser analisado no plenário do Senado nas primeiras semanas de maio.

Fagundes, que é titular da comissão de análise do pedido, ainda não havia se posicionado em relação ao processo, mas deixou claro que não concorda com o discurso do PT e do governo de que seu impeachment é “um golpe”.

Já Hélio José, que é substituto na comissão de impeachment, adiantou que é a favor da admissibilidade do pedido de impeachment.

* * *

Pronto: num falta mesmo nada.

Até os vice-líderes do gunverno petralha estão pulando fora da esculhambação dilmífera.

Os guabirus estão se mandando do navio da Jumenta Falante.

O naufrágio está bem próximo.

Que sorte pro Brasil e pra sua banda decente.

ADEUS DILMA E PT


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa