30 março 2016 DEU NO JORNAL

A OLIGARQUIA DEPENOU O PT

Elio Gaspari

O PMDB nunca pensou, não pensa em sair do governo e sente-se ofendido se alguém admite essa hipótese. Quem corre o sério risco de sair do governo é o PT. O partido que foi de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves e hoje é de Eduardo Cunha e Renan Calheiros quer apenas tirar uma licença de alguns meses, até o início do governo de Michel Temer, seu atual presidente.

A ideia de que o PMDB resolveu sair do governo não tem nexo nem propósito e destina-se apenas a esconder um objetivo. Os doutores querem que se creia que nada têm a ver com a ruína e pretendem retornar ao poder como se Michel Temer fosse o sucessor constitucional da senhora Rousseff por ocupar a vice-presidência do Flamengo, não a da República, eleito por duas vezes, sempre compartilhando a chapa.frango_depenadp

O PMDB sai do governo para continuar no poder, dando esperanças a oposicionistas que não tiveram votos e a todos os gêneros de maganos tementes da Operação Lava-Jato. Ninguém sabe quais são os planos dessa coalizão para um eventual dia seguinte à posse de Temer, mas seu objetivo essencial está claro: trata-se de desossar a Lava-Jato.

A armação oligárquica precisa sedá-la, pois há barões na cadeia e marqueses temendo a chegada dos homens de preto da Federal.

O PT e Dilma reagiram às investigações das ladroeiras com uma conduta que foi da neutralidade-contra à pura hostilidade. Se hoje a rua grita o nome do juiz Sérgio Moro e pede “Fora PT”, isso se deve em parte à incapacidade dos companheiros de perceber que se tornaram fregueses num jogo viciado.

O comissariado acorrentou-se à própria falta de princípios. Desprezou a lição trazida pelas sentenças do mensalão e achou que pularia a fogueira do petrolão. A cada um desses lances de soberba jogou n’água uma parte de suas bases populares. Confiando na própria esperteza, foi para um carteado com jogadores profissionais e um baralho viciado. Os oligarcas depenaram-no. (Refresco para a crise: Quem quiser pode ver “Cincinatti Kid”, com Steve McQueen e Edward G. Robinson num de seus melhores momentos. Nessa mesa o baralho era honesto.)

Sem cartas, Lula compara-se a Getúlio Vargas e seu comissariado grita “Golpe”. Tudo parolagem. Getúlio foi encurralado por uma rebelião militar a partir de um caso em que membros de sua guarda pessoal tentaram matar o principal líder da oposição. Getúlio era um homem frugal. Ao contrário de Lula, nunca teve apartamento na praia e sua fazenda vinha de herança familiar. Não pode ser golpe o cumprimento de um dispositivo constitucional seguindo-se o ritual da lei, sob as vistas do Supremo Tribunal.

Resta uma questão: as pedaladas fiscais não seriam motivo suficiente para o impedimento de um presidente. Além das pedaladas, há sobre a mesa otras cositas más. Admita-se que essas cositas fazem parte de outro processo. Na atual etapa, tudo desemboca numa questão político-aritmética: a Câmara só poderá decidir a abertura do processo contra a doutora pelo voto de dois terços mais um de seus deputados. Como Dilma, eles foram eleitos pelo povo, e a Constituição diz que é deles a decisão nessa fase do julgamento. Sem os dois terços, não haverá impeachment. Com eles, haverá. Ademais, era nesse Congresso que o PT cevava sua maioria, a famosa base de apoio.

30 março 2016 DEU NO JORNAL

FALA, JOSELITO MÜLLER!

BNDES APROVA EMPRÉSTIMO PARA EX-NAMORADA DE DILMA REABRIR LOJA DE 1,99

ex-de-dilma

No meio da grave retração financeira pela qual passa o Brasil, nem todas as notícias são más.

O Diário Oficial da União de hoje divulgou a aprovação da linha de crédito no montante de dezenove milhões novecentos doze reais e dezessete centavos para ex-namorada da presidenta Dilma Rousseff, Berenice Barbalho Barretão, reabrir a já antológica loja de 1,99.

Fiquei muito feliz com a aprovação do crédito, porque tenho esperança que dessa vez a loja tem tudo pra dar certo, graças ao Real desvalorizado e o Dólar alto”, explicou.

Com esse câmbio, dá pra importar produtos de terceira qualidade pagando em Dólar e vender em Real por um valor irrisório, o que com certeza vai agradar o consumidor”.

Questionada os motivos pelos quais a antiga loja, então gerenciada por Dilma, foi à falência, Barretão explicou que “naquele tempo nós não entendíamos nada de economia”.

A loja ainda não tem endereço, nem data para começar a funcionar.

30 março 2016 DEU NO JORNAL

UM NÚMERO ABSURDAMENTE BAIXO

ibope

Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (30) mostra os seguintes percentuais de avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff (PT):

– Ótimo/bom: 10%
– Regular: 19%
– Ruim/péssimo: 69%
– Não sabe: 1%

* * *

Pesquisa fresquinha, divulgada agora há pouco, às vésperas do impeachment…

Quer dizer, então, que apenas quase 70% acham que o gunverno da Jumenta Peidona é Ruim/Péssimo.

Um número incrivelmente baixo. Baixíssimo.

Eu pensei que já estava na casa dos 99%.

Mas, como é coisa do Ibope…

DILMA - O JBF VAI ME FUDER

“Este porra deste Editor do JBF quer acabar de me fuder…”

30 março 2016 DEU NO JORNAL

DEPRIMENTE DEBANDADA

No dia em que o PMDB anunciou seu rompimento com o governo federal, o senador Walter Pinheiro, um dos fundadores do PT, pediu nesta terça-feira ao diretório regional da Bahia e ao Tribunal Regional Eleitoral sua desfiliação do partido.

Ele estava na sigla há 33 anos e nos últimos tempos havia decidido adotar uma posição de independência em relação ao governo Dilma Rousseff, o que acabou gerando atrito com demais quadros petistas.

* * *

Esta notícia me deixou profundamente comovido. Profundamente abalado.

Walter Pinheiro, há 33 anos atolado no petelhismo e, de repente, pede pra cagar e sai.

Não são apenas os ratos das outras siglas que estão pulando do navio. Os vermêio-istrelado também estão caindo fora.

Estou comovido e abatido.

Confesso a vocês que fui às lágrimas.

Xiuf, xiuf, xiuf, snif, snif, snif…

wp

“Cumpanheros, quem insistir em ficar no partido vai levar no furico uma pajaraca deste tamanho, sem cuspe, sem vaselina e enrolada em arame farpado”

30 março 2016 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUARTA-FEIRA – MASSACRE MIDIÁTICO

cartel

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra sete executivos das empresas Alstom e CAF. Eles são acusados de formação de cartel e de fraudar uma licitação de trens, em 2009, durante o governo de José Serra, do PSDB.

A concorrência era para a compra e reforma de 288 locomotivas e vagões para uma das linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

* * *

Teve início durante o gunverno do lobisomem José Serra, mas continuou nas administrações tucanas que vieram depois.

Esta notícia foi manchete ontem no Jornal Nacional, da malfadada Rede Globo.

Também saiu em destaque na página Internética da revista Veja.

Veja e Globo são os principais órgãos promotores do massacre midiático neztepaiz.

Mas, além da Veja e da Globo, esta notícia também foi publicada em todos os grandes jornais e páginas internéticas. E continua repercutindo até hoje.

O fubânico petista Ceguinho Teimoso está certíssimo: esta grande mídia golpista é uma merda mesmo. Uma odiosa campanha de “perseguição sistemática“, fundamentada apenas em calúnias e mentiras.

Esta imprensa sem qualquer controle social não dá paz nenhuma pros guabirus e vive publicando uma calúnia após outra contra estes pobrezinhos indefesos.

30 março 2016 DEU NO JORNAL

VEM AÍ “NOVO GOVERNO”, COM PHS, PEN, PTN…

Josias-de-Souza5

JaquesW

O ministro petista Jaques Wagner veio à boca do palco para informar que o governo enxergou um lado bom no rompimento do PMDB. E nem precisou procurar muito. “A decisão chega em boa hora porque oferece à Dilma a ótima oportunidade de repactuar o seu governo.” Vem aí “um novo governo…”

Segundo Wagner, Lula ajuda a costurar a nova aliança. No lugar do PMDB, haverá uma dose extra de PP e PR, além de pitadas de Pros, PHS, PEN, PTdoB, PSL, PTN e qualquer outra legenda que se disponha a trocar cargos por votos contra o impeachment.

Como se vê, é absolutamente natural que o ministro celebre a perspectiva de construir algo novo. Dilma está mesmo diante da possibilidade de criar um governo inteiramente novo. Caos não falta.

29 março 2016 DEU NO JORNAL

FALA, JOSELITO MÜLLER!

LULA ENTRA COM HABEAS CORPUS PARA CONTINUAR USANDO SÍTIO EM ATIBAIA

Lula

Em meio a polêmicas e suspeitas de ocultação de patrimônio, o ex-presidente Lula, juntamente com seus advogados de defesa, ajuizaram na tarde de hoje um pedido de habeas corpus junto ao Supremo Tribunal Federal com a pretensão de garantir ao ex-presidente o direito de continuar usando o sítio em Atibaia, que não pertence a Lula.

Segundo os advogados, o pedido foi motivado pelo fato de o verdadeiros dono do imóvel ter “ficado assustado com a investigação e pedido para Lula não mais frequentasse o local até o arquivamento do inquérito”.

A decisão do amigo de Lula o irritou, ensejando o ajuizamento do HC, mediante fundamento de que já estava deveras acostumado a frequentar o sítio.

Um trecho da petição diz o seguinte:

Assaz evidente que o pleito deve ser deferido, uma vez que o ex-presidente já estava habituado a frequentar o local, sendo uma afronta ao seu direito de ir e vir impedi-lo, seja lá por qual motivo for, de continuar indo passar os finais de semana no imóvel”.

O pedido também enfatiza o valor da amizade, afirmando que o dono do sítio tem sido muito camarada ao permitir que Lula tenha ido visitá-lo cento e onze vezes e espera que até mesmo antes do julgamento do mérito do writ o amigo reveja seu posicionamento de recomendar que Lula não frequente o local.

Um amigo é pra acudir outro”, declarou o ex-presidente.

29 março 2016 DEU NO JORNAL

O CHÁ QUE DILMA NÃO TOMOU

Percival Puggina

Na tarde do dia 10 de março, Dilma estava inquieta. As últimas semanas não lhe traziam menos do que pesadelos. De um lado, sua base de apoio parlamentar esfarelava. Acabara o dinheiro. Ele fora, até bem pouco, a argamassa que lhe dava solidez. De outro, o apoio popular que o partido poderia buscar não significava grande coisa. Movia-se a grana. Grana para o transporte, para gratificar os que aderissem e para o tradicional sanduba de mortadela, isca e energético das massas de manobra que seu governo dizia privilegiar.

Os ventos de Curitiba sinalizavam borrasca e a atmosfera lhe parecia sinistra, como se impregnada de um cheiro de pólvora que ela não sentia desde quando usava codinome e sua cama escondia um arsenal. O inesperado estava acontecendo. Nem mesmo os torreões formados por quatro dezenas de ministérios, na maior parte criados só para isso, garantiam seu bastião do assédio que estava por vir. Certo, certo, fizera o diabo durante a campanha de 2014, mas o capeta estava cobrando alto demais. Enquanto pensava, Dilma ia de vez em quando até a janela, mas não havia sinal daqueles por quem aguardava.

O chá fora solicitado para quando chegassem e até um bolo de milho, na melhor receita mineira, reservado para a ocasião. Três dias mais tarde haveria imensa mobilização popular contra ela, seu governo e seu partido. As instituições da República, os congressistas e os ministros do STF atribuíam incontornável significado ao que estava por acontecer. E todas as informações davam conta de que, desta vez, ainda mais do que antes, a nação iria rugir. Seria, seu segundo mandato, como um implante em irreversível processo de rejeição? Ameaças de violência emitidas por seus aliados nos movimentos sociais não pareciam atenuar as motivações que levariam milhões de pessoas às ruas. Apoiadores tradicionais, como a OAB, voltavam-se contra ela. Os movimentos sociais eram demasiadamente carimbados pelos coletes da CUT e bonés do MST para serem confundidos com “nosso povo na rua”. Povo não se veste assim. João Santana já os havia alertado a esse respeito.

No ano passado, três dias antes das manifestações do dia 15 de março, a cúpula da CNBB fora visitá-la levando seu apoio e proclamara com firmeza não reconhecer motivo para impeachment. Quantos católicos foram desmobilizados por causa daquela visita? E agora? Não apareceriam novamente para lhe levar apoio? O chá esfriava. O bolo perdia a fragrância do recém feito.

Não, leitor, a CNBB não apareceu. Naquele exato dia em que Dilma deveria estar avaliando a situação em seu gabinete, onde o chá e o bolo foram elaborados pela mera imaginação deste cronista, seu Conselho Permanente emitiu uma “Nota sobre o momento atual do Brasil” que pode ser lida clicando aqui. O que diz? Fala em crise, discernimento, serenidade, responsabilidade. Atribui ao Congresso e aos partidos o dever de “fortalecer a governabilidade”… Fala em “suspeitas de corrupção” (arre!), que devem ser investigadas e “julgadas nas instâncias competentes”. Afirma a prevalência das necessidades dos mais pobres em relação à “lógica do mercado” e aos interesses partidários. Por aí vai, com mais rodeios que festa campeira. E o que não diz? Pasmem. A nota sequer menciona a palavra governo! Silencia sobre a organização criminosa que saqueou a nação em detrimento dos mais desvalidos, para benefício de uma parcela corruptora do empresariado nacional mancomunada com agentes públicos da estrita confiança dos governantes. Sobre essa conduta hedionda e delinquente não há no texto uma palavra sequer.

Como leigo católico, constranjo-me. Por isso, desabafo.

29 março 2016 DEU NO JORNAL

DILMA PRECISA CONTAR O QUE FAZ PARA “DORMIR BEM”

Josias-de-Souza5

Desde que o governo Dilma começou a deslizar para o caos, o país espera por um sinal de que o fim está próximo. O desembarque do PMDB, nesta terça-feira (29), talvez fique, no resumo do ocaso da gestão petista, como uma apoteose às avessas da impotência que desgoverna o Brasil. Convém dizer “talvez” para não correr o risco de carbonizar a língua. A qualquer momento pode surgir uma antiapoteose mais marcante.DilmaMagra

A crise se arrasta há tanto tempo que já existe uma coleção de episódios que poderiam funcionar como bons epílogos. Mas quando a coisa parece estar mal, tudo fica muito pior. No instante em que o Planalto assimila a notícia de que o Delcídio foi gravado tentando comprar o silêncio do delator Cerveró, vem a revelação de que o senador também suaria o dedo.

Na hora em que as denúncias do ex-líder do governo ganham as manchetes, fica-se sabendo que o Mercadante foi gravado oferecendo vantagens a Delcídio para que travasse a língua. No momento em que o ministro mais chegado à presidente ofende a inteligência alheia com o lero-lero de que agira por razões humanitárias, a presidente resolve dar um autogolpe, nomeando o Lula para a Casa Civil.

A plateia mal havia digerido a conversão do foro privilegiado em “desaforo privilegiado” e o Sérgio Moro enrolou na garganta de Lula as fitas do grampo em que o morubixaba petista soa fora de si, escancarando o que tem por dentro.

Ainda soava no noticiário o diálogo em que Dilma informa a Lula que está enviando pelo “Messias” o ato de nomeação – para ser usado “em caso de necessidade” – quando sobreveio a liminar do Gilmar Mendes. Nela, o ministro do STF susta o salvo-conduto e devolve Lula à “República de Curitiba”. O juiz Moro não teve nem tempo de saborear o retorno, já que o Teori Zavascki mandou silenciar os grampos até que o Supremo decida o que deve ser feito.

Assim tem sido a rotina de Dilma. Quando conserta a antena do Planalto, estoura a privada do Alvorada. Não passa dia sem que haja um novo problema. Como se não bastasse a divisão interna do PT e todo o resto, o PMDB anuncia que irá para a oposição nesta terça-feira. O PP ameaça desembarcar na sequência. O PR e o PSD também.

Dilma repete aos auxiliares algo que disse na semana passada a jornalistas estrangeiros: “Não sou uma pessoa depressiva. Eu durmo bem à noite”. Não sei quanto a você, mas eu quero uma porção do que Dilma está comendo, bebendo ou inalando, seja o que for. Diante de tudo o que se passa, quero viver no país que embala o sono da presidente da República, seja ele onde for.

29 março 2016 DEU NO JORNAL

O TUCANO TÁ FUDIDO

Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) está descartado como candidato a vice-presidente na chapa tucana que se prepara para disputar as eleições de 2018.

O senador paulista, derrotado por Dilma na chapa encabeçada por Aécio Neves (PSDB-MG), em 2014, foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal por integrar esquema de corrupção que roubou bilhões da Petrobras.

Independentemente de quem seja o candidato do PSDB à presidência, as chances de Aloysio reocupar a posição de vice na chapa de oposição foram reduzidas a zero.

É que cúpula tucana não tem garantias de que o senador Aloysio terá condições políticas e legais de disputar as eleições. Não se sabe se ele estará preso pela participação no esquema que afanou bilhões da Petrobras, alvo de investigação do Ministério Público Federal. Fontes ligadas ao comando do partido garantem: Aloysio “está queimado” e sua candidatura, inviabilizada.

* * *

Como é que um tucano faz a mágica de integrar o esquema que roubou bilhões da Petrobras administrada pela istrêla vermêia, a gente só consegue mesmo entender porque é o PT, de Lula e de Dilma, que guverna Banânia.

Isso é que é um desmantelo guabirutífero da porra!!!

Pensaríamos ser um filme surrealista (ou de terror…) se não soubéssemos quem é a organização criminosa que neste momento “administra” eztepaiz azarado.

Tucano mamando na mesma vaca que petralha cuida.

Putz…

an

“Que merda… Se fudi-me todinho… Pixulecar ao lado do PT sujou minha ficha pra sempre”

28 março 2016 DEU NO JORNAL

OS RATOS ESTÃO PULANDO FORA DO NAVIO

mg

* * *

As executivas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo também já tomaram a mesma decisão.

Em Minas foram 12 votos pró cair-fora e uma abstenção. Uma unanimidade.

E, neste caso particular das Minas Gerais, tem um fato que merece destaque.

É o seguinte: Newton Cardoso, ex-gunvernador e guabiru de grosso calibre, conclamou o PMDB do seu estado a deixar o gunverno da Jumenta Peidona porque, segundo ele, “nunca viu nada de tão corrupto“.

Já imaginaram???

Um rato gordo do calibre de Newton Cardoso declarando isto do gunverno do PT comandado por Lula e gerenciado por Dilma?

RATOS

O fato é que o ratos estão pulando fora do navio petralha.

A corrida pra pular n’água está sendo feita numa ligeireza impressionante.

Amanhã será a vez do diretório nacional dizer adeus à ladroagem vermêio-istrelada. E aguardar para embarcar na próxima ladroagem a ser instalada.

A debandada é geral!!!

E eu tô morrendo de pena da Jumenta Peidona. Hoje chorei foi muito…

Xiuf, xiuf, xiuf, snif, snif, snif…

lagrimas-de-crocodilo

28 março 2016 DEU NO JORNAL

VAI ABRIR O CAGATÓRIO ORAL E SOLTAR UMA BOMBA

Vai cair ministro, procurador, promotores, juízes, não vai ficar um em pé. Eu sei de muita coisa e estou pedindo pra me deixar de canto

O estado de nervos de Lula é dos piores. Em recente conversa de bastidores, tentando convencer o PMDB a se manter na base de Dilma, ameaçou contar tudo o que sabe e detonar todo mundo se vier a ser preso.

A ameaça deve ter deixado não só PMDB, mas meia Brasília em pânico. Afinal, não deve ter negócio nebuloso, malcheiroso ou ilícito na política brasileira nos últimos 14 anos que o Chefão não tenha conhecimento ou, quem sabe, maior envolvimento.

Se cumprir o que disse, Lula vai explodir uma bomba nuclear sobre o mundo político brasileiro. Ruim para os corruptos, bom para o Brasil. Só podemos torcer para que a ameaça se cumpra com todos os seus horrores.

* * *

Agora é que entendi uma nota publicada na última quinta-feira, 23, por Ricardo Noblat, um cabra pra lá de bem informado.

Ele escreveu o seguinte:

“A dois líderes do PMDB, com os quais conversou nas últimas 48 horas, Lula, o bom de gogó, disse, em meio a uma conversa até ali amena:

– Se eu cair, não cairei sozinho.

Para ser exato: ele não usou o verbo “cair”. Usou outro, mais de acordo com sua habitual maneira de se expressar.”

Na sua proverbial contenção de linguagem e dentro de sua reconhecida boa educação, Lula disse mesmo foi que “Se eu me fuder, não me fodo sozinho“.

Minino, seria ótimo se isto acontecesse. Seria uma maravilha!!!

Duas excelentes coisas aconteceriam: Lula se fuder e fuder mais um monte de outros guabirus junto com ele.

Seria um fato pra se festejar com muita euforia.

Vou fechar a postagem repetindo a última frase da notícia transcrita aí em cima:

Só podemos torcer para que a ameaça se cumpra com todos os seus horrores.

bomba

28 março 2016 DEU NO JORNAL

FAÇAM SUA ESCOLHA, SENHORES!

ricardo-noblat6

Se não conseguir abortar o desembarque do PMDB do governo marcado para amanhã, restará a Dilma oferecer os cargos que ficarão vagos a deputados e senadores dispostos a votar contra o impeachment.

Um dos alvos preferenciais de Dilma é o PR do ex-deputado Valdemar Costa Neto, o mensaleiro em prisão domiciliar que jura controlar 40 votos. Dilma precisa de 172 votos na Câmara para ficar no cargo.

Costa Neto é um velho conhecido da presidente. Para garantir o apoio do PR, Dilma já demitiu um ministro de quem gostava e deu a Costa Neto o ministério que ele queria.

Na época, Costa Neto despachava na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Ele joga duro e cobra caro. Em 2002, por exemplo, cobrou ao PT R$ 6 milhões pelo apoio do seu então partido, o PL, à eleição de Lula. Levou.

O PMDB tem sete ministérios e, no mínimo, 600 cargos no governo. Dilma não poderá dispor de todos eles porque ainda imagina que contará com a ajuda de uma fatia do PMDB na votação do pedido de impeachment.

O fisiologismo puro, descarado, assumido, é a última esperança dela para não ser derrubada. O impeachment entrou no modo arrastão e parece difícil barrá-lo.

Ninguém em torno da presidente acredita que ela completará seu mandato. Ninguém. Nem Lula acredita.

No começo, o governo tratou o impeachment como uma espécie de terceiro turno desejado pela oposição. Depois, como uma chantagem do deputado Eduardo Cunha. Ultimamente, como algo que interessa, sobretudo, ao juiz Sérgio Moro e à sua turma.

Não o reconhece como uma exigência de quase 70% dos brasileiros que desaprovam o desempenho de Dilma e a culpam pelo mar de lama escavado pela Lava-Jato.

A tentativa do governo de desqualificar o impeachment chamando-o de golpe vem sendo repelida por ministros do Supremo Tribunal Federal. O impeachment ganhou o aval da Ordem dos Advogados do Brasil.

O medo costuma ser indutor de soluções. Banqueiros e empresários estão com medo da crise e da falta de iniciativa do governo para superá-la.

Partidos receiam ser varridos do mapa nas eleições de 2018. Os encrencados na Lava-Jato sentem-se desprotegidos e anseiam por um governo que os proteja. E os brasileiros simplesmente temem dias piores.

Salvo o imprevisível, há três cenários possíveis para a superação do impasse em que se encontra o país – e nenhum deles configura golpe contra a democracia.

O primeiro: o impeachment de Dilma pelo Congresso. O segundo: a impugnação da chapa Dilma-Temer se o Tribunal Superior Eleitoral acatar ações que ali tramitam. O terceiro: a permanência de Dilma na presidência.

A aprovação do impeachment depende do voto favorável de 342 deputados de um total de 513, da aceitação pelo Senado do pedido de impeachment e, mais tarde, dos votos de metade mais um dos 81 senadores. Todo esse caminho ou só parte dele deverá ser percorrido até maio.

A impugnação da chapa pelo TSE ficará provavelmente para 2017. Se acontecer, o Congresso elegerá um novo presidente.

Dilma perdeu a chance de sair mediante a realização, este ano, de uma eleição presidencial. Foi aconselhada por amigos a propor isso ao Congresso. Descartou por arrogância e erro de cálculo.

Uma eventual renúncia só serviria para apressar a posse de Temer. Ao completar 50 anos, o PMDB está perto de governar de fato. Dará certo? Bem, o que está aí deu errado.

NCB

28 março 2016 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEGUNDA-FEIRA – MAIS UM COXINHA GOLPISTA

sanch

Para o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Sydney Sanches – que presidiu o julgamento do impeachment de Fernando Collor, em 1992, no Senado – o impeachment de Dilma tem fundamento jurídico

A grande diferença entre o caso do ex-presidente e o da atual, Dilma Rousseff, é o apoio político. Collor estava numa posição de muito isolamento e pertencia à época ao minúsculo PRN.

Já Dilma conta com a sustentação de seu partido, o PT, de parcelas do PMDB, e de outros aliados.

“Para se obter dois terços na Câmara e no Senado, não vai ser tão fácil assim”, prevê.

* * *

Muito estranho isto…

Tudo quanto é ministro e ex-ministro do STF, tudo quanto é dotô ispicialista em Constituição está dizendo que o impeachment é legal.

É coxinha golpista que só a porra neztepaiz!

Vôte!!!

28 março 2016 DEU NO JORNAL

FALA, JOSELITO MÜLLER!

TICO SANTA CRUZ TEM CARTEIRA FURTADA LOGO APÓS TIRAR SELFIE COM LULA

TICO

O talentoso músico Tico Santa Cruz, considerado por muitos como “o Chuck Berry branco e tatuado do rock brasileiro”, foi vítima de furto ao visitar o Instituto Lula na tarde de ontem.

Tico, que foi até o referido local para prestar solidariedade ao ex-presidente, notou que sua carteira foi subtraída logo após bater uma selfie com o amado “Filho do Brasil”.

Vim prestar solidadriedade ao Lula, porque sei que ele é honesto, mas minha carteira sumiu logo depois que eu bati a foto com ele. Não tinha mais ninguém por perto, mesmo assim acredito na inocência do Lula”, declarou.

Apesar do ocorrido, Tico informou que não pretende procurar a polícia e que vai tirar segunda via dos documentos.

Fora os documentos, não tinha nada de valor na carteira. Somente umas ações da Petrobrás e uns editais da Lei Rouanet. Quem levou (a carteira) devia estar precisando mais do que eu”, finalizou o músico.

28 março 2016 DEU NO JORNAL

O OUTONO DE NOSSA CONFUSÃO

FERNANDO-GABEIRA2

Percebi que, aos poucos, a luz está ficando mais suave. Daqui a pouco, a água esfria e entramos nas maravilhosas manhãs de abril e maio. O verão foi embora e quase não nos demos conta dele, ouvindo discursos da Dilma, vendo Lula fugir da polícia e Eduardo Cunha mover-se como um velho dinossauro nos tapetes do Salão Verde. Ele nos trouxe uma sinistra novidade: o vírus Zika surgido no bojo do crescimento das doenças causadas pelo Aedes aegypti.

Verão do El Niño, verão confuso o bastante para contaminar o outono. Nessa chuva de argumentos e versões, é uma tarefa importante desfazer os mitos. Dilma e seus aliados dizem que o impeachment é um golpe. Ministros do Supremo afirmam que impeachment não é golpe, quando realizado de acordo com a Constituição. Quem disser que o impeachment é golpe estará ignorando a própria Constituição, ou se rebelando contra ela. Daqui a pouco, os governistas dirão que as pedaladas não são um crime de responsabilidade. A Lava Jato já expôs a base legal da queda de Dilma. Sua campanha usou dinheiro do Petrolão. As provas são os recursos que a Odebrecht pagou ao marqueteiro João Santana, e mais detalhadas ainda ampliam-se na delação premiada da Andrade Gutierrez. Para não abandonar a expressão golpe, o governo terá de lançar mão do mesmo oximoro inventado após a queda de Fernando Lugo no Paraguai: golpe constitucional.

Num discurso para sindicalistas, Lula pede à oposição uma trégua de seis meses para o Brasil voltar a ser alegre. Não sei a que tipo de alegria ele se refere. Com mais seis meses de Dilma, estaremos arruinados e não restará nem vestígio da alegria brasileira. Pelo que vi no Congresso, o impeachment segue seu rumo. O único incômodo, para mim, é ver Eduardo Cunha presidindo o processo. O Supremo poderia nos ajudar, tirando-o de lá. Há provas abundantes. Haveria apenas um pequeno transtorno, desses que vemos nas obras: desculpem, mas é para o próprio bem do usuário.

A Lava Jato segue, sob pressão intensa. O vazamento da lista de mais de 200 políticos na planilha da Odebrecht foi uma tentativa de deslegitimizá-la, ampliando o front dos descontentes. A lista só teria valor se houvesse clareza sobre a legalidade da doação. Houve um tempo, não muito longe, em que a Odebrecht era considerada uma doadora legítima. Conferia até certo prestígio à lista das doações. No mesmo período em que a lista vazou, a Odebrecht comunicava que faria uma contribuição definitiva, uma delação premiada. Isto sem combinar com os procuradores, nem iniciar negociações com eles. Quando a lista for adequadamente investigada, será preciso separar quem recebeu doações legais, quem recebeu ilegais e quem tinha influência nas obras tocadas pela Odebrecht.

O Brasil amadureceu para não cultivar bandidos de estimação, nem no governo nem nas forças contrárias a ele. Tudo será esclarecido sem que se perca o foco: os saqueadores da Petrobras e um governo que afunda o país a cada dia.

A aliança das empreiteiras com governos no Brasil é antiga. No meu entender, é responsável pela fragilidade de nosso planejamento. São elas que ditam o rumo. Estavam organizadas num cartel chamado Sport Clube Unidos Venceremos. Unidos perderam. E naufragaram junto com o governo do PT que as levou a um nível de sofisticação e deboche sem paralelo na História. Os próprios apelidos com que os diretores da Odebrecht tratavam os políticos agraciados revelam como viam todo o sistema de doações como uma farsa. O discurso público era de viabilizar eleições democráticas.

Numa semana mais calma, comparada às que virão, posso refletir um pouco sobre como o impeachment é apenas uma condição para que o Brasil comece a mudar na direção de uma verdadeira democracia. Os que defendem Dilma em nome da democracia omitem o mensalão e o Petrolão, verdadeiros ataques à democracia. O que adiantava estar no Congresso debatendo com deputados previamente comprados pelo governo? De que adianta fazer campanha contra máquinas poderosas, azeitadas pelo dinheiro da corrupção? Este tipo de democracia é uma fraude. Sei porque vivi intensamente todos esses anos, desde a retomada da democratização.

Na verdade estou até escrevendo um livrinho, “Democracia Tropical, cadernos de um aprendiz”. A expressão aprendiz não é fortuita. No século passado, desprezávamos a democracia e lutávamos pela ditadura do proletariado. Quando vejo um militante de esquerda, como Guilherme Boulos, dizer que seu movimento vai incendiar o país em caso de impeachment, leio incendiar o país contra a Constituição. Só espero que a violência contra a democracia seja tratada com todos os instrumentos democráticos. Não cair na tentação de atropelar a lei. O consenso democrático é uma força tranquila, à altura da paz dominical das grandes manifestações pelo impeachment. Não creio que a oposição dará a Lula seis meses de trégua. Sinceramente, daqui a seis meses ninguém sabe onde estará. Começou o outono, e de Curitiba costumam soprar ventos frios.

28 março 2016 DEU NO JORNAL

BRASILEIROS COMO QUAISQUER OUTROS

Um dos sinais reveladores do declínio da presidente Dilma no poder tem sido a aproximação dos chamados setores “de Estado” com a oposição. Representantes do Itamaraty, inconformados com a nova condição brasileira de “anão diplomático”, e a significativa interlocução com chefes militares, em geral muito discretos. Todos se mostram preocupados, mas concordam em um ponto: o governo Dilma acabou.

Um dos comandantes das três Forças pediu reunião urgente com o Líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP). Será nesta terça (29).

A inquietação dos comandantes militares reflete a caserna, onde estão brasileiros indignados clamando por mudança como quaisquer outros.

Os chefes militares rejeitaram a idéia do Planalto de decretar “Estado de Defesa” para coibir e reprimir manifestações, como na Venezuela.

As discussões sobre o “Estado de Defesa”, cogitado por Dilma, foram reveladas a políticos da oposição nas conversas com chefes militares.

* * *

Informante fubânico bem posicionado em Brasília já havia me passado estes bizus, sobre o fato dos comandantes militares terem procurado a oposição e afirmado que seguiriam estritamente a Constituição, já aceitando tranquilamente que o gunverno de Dilma estava extinto, defunto, acabado, findo, morto.

E esta conversa entre milicos e pulíticos foi exatamente depois que Jumenta Peidona cogitou em aplicar o “Estado de Defesa”, apavorada com a manifestação de 13 de março, a maior de toda a história do Brasil.

Aliás, esta medida, este tal “Estado de Defesa”, já foi defendida aqui no JBF por fubânicos vermêio-istrelados. Uma medida sem qualquer cabimento nas atuais circunstâncias, eis que as manifestações são calmas, ordeiras e pacíficas. Embora indignadas, como não poderia deixar de ser.

Nada de golpes, apenas o estrito cumprimento da lei, garantiram os quatro-estrelados aos seus interlocutores.

Agora, a informação é confirmada pelo jornalista Cláudio Humberto, um cabra que sabe das coisas e dos segredos de bastidores.

Excelente notícia pra banda decente do Brasil.

Péssima notícia pros desordeiros da CUT  e péssima notícia pro que Lula chamou de “exército do cumpanhero Stédile”.

lp

“Não vai ter golpe. Vai ter o cumprimento da Constituição. Tudo dentro da Lei”

28 março 2016 DEU NO JORNAL

REFLEXÕES DE UM SUPOSTO COXINHA

Artur Xexéo

Ando sensível. Acho que já contei isso aqui. Choro à toa. Antes era com comercial de margarina, cenas de novela, trechos do filme. Agora, é lendo jornal. Cada notícia da Lava-Jato, de início, me enche de indignação. Em seguida, fico triste. É aí que choro. Ando tendo vontade de chorar também em discussões com amigos. Gente que tempos atrás dividia comigo a mesma ideologia hoje se comporta como inimiga. Ou sou eu o inimigo? De qualquer maneira, num mundo que derrubava muros, de repente, um muro foi erguido para me separar desses amigos. Tento explicar como vejo o trabalho de Sergio Moro e nunca consigo terminar o raciocínio. No meio da discussão, me emociono, fico com vontade de chorar e prefiro interromper o pensamento. “Coxinha”, me xingam nas redes sociais. Bem, se o mundo está obrigatoriamente dividido entre coxinhas e petralhas, não tenho como fugir: sou coxinha!

Leio na internet que “coxinha” é uma gíria paulista cujo significado se aproxima muito do ultrapassado “mauricinho”. Mas, desde a reeleição de Dilma, esse conceito se ampliou. Serviu para definir de forma pejorativa os eleitores de Aécio Neves. Seriam todos arrumadinhos, malhadinhos, riquinhos e votavam em seu modelo. Isso não tem nada a ver comigo. Mas, nesta briga de agora, estou do lado que é contra Lula, logo sou contra os petralhas, logo sou coxinha.

Gostaria de falar em nome da democracia. Mas não posso. A democracia agora é direito exclusivo dos meus amigos que estão do outro lado do muro. Só eles podem falar em nome dela. Então, como coxinha assumido, deixo uma pergunta. Vocês acharam muito normal o ex-presidente Lula incentivar os sindicalistas para os quais discursou esta semana a irem mostrar ao juiz Sergio Moro o mal que a Operação Lava-Jato faz à economia brasileira? Vocês acreditam sinceramente nisso? O que a Operação Lava-Jato faz? Caça corruptos pelo país. Não importa se são pobres ou ricos. Não importa se são poderosos. Não era isso o que todos queríamos, quando estávamos todos do mesmo lado, quando ainda não havia um muro nos separando, e fomos às ruas pedir Diretas Já? Não era no que pensávamos quando voltamos às ruas para gritar Fora Collor? E, principalmente, não era nisso que acreditávamos quando votamos em Lula para presidente uma, duas, três, quatro, cinco vezes!!! Não era o Lula quem ia acabar com a corrupção? Ele deixou essa tarefa pro Sergio Moro porque quis.

Como, do lado de cá do muro, me decepcionei com o ex-líder operário, o lado de lá deu pra dizer que sou de direita. Se for verdade, está aí mais um motivo para eu estar com raiva de Lula. Foi ele quem me levou pra direita. Confesso que tenho dificuldades de discutir com qualquer petralha que não se irrita quando Lula diz se identificar com quem faz compras na Rua 25 de Março. Vem cá, já faz tempo que os ternos de Lula são feitos pelo estilista Ricardo Almeida. Será que Ricardo Almeida abriu uma lojinha na rua de comércio popular de São Paulo? Por mim, Lula pode se vestir com o estilista que quiser. Mas ele tem que admitir que o discurso da 25 de Março ficou fora do contexto. A gente não era contra discursos demagógicos? O que mudou?

Meus amigos petralhas dizem que é muito perigoso tornar Sergio Moro um herói. Que o Brasil não precisa de um salvador da pátria. Mas, vem cá, não foi como salvador da pátria que Lula foi convocado para voltar ao governo? Não é ele mesmo quem diz que é “a única pessoa” que pode incendiar este país? Não é ele mesmo quem diz que é a “única pessoa” que pode dar um jeito “nesses meninos” do Ministério Público? Será que o verdadeiro perigo não está do outro lado do muro? Não é lá que estão forjando um salvador da pátria?

Há muitas décadas ouço falar que as empreiteiras brasileiras participam de corrupção. Nunca foi provado. Agora, chegou um juiz do Paraná, que investigava as práticas de malfeito de um doleiro local, e, no desenrolar das investigações, botou na cadeia alguns dos homens mais poderosos do país. Enfim, apareceu alguém que levou a sério a tarefa de desvendar a corrupção que há muitos governos atrapalha o desenvolvimento do país. E, justo agora, quando a gente está chegando ao Brasil que sempre desejamos, Lula e seus soldados querem limites para a investigação. Pensando bem, rejeito a acusação de ser coxinha, rejeito ser enquadrado na direita, rejeito o xingamento de antidemocrata, só porque apoio o juiz Sergio Moro e a Operação Lava-Jato. Coxinha é o Lula que se veste com Ricardo Almeida e mantém uma adega de razoáveis proporções no sítio de Atibaia. E, para encerrar, roubo dos petralhas sua palavra de ordem: sinto muito, mas não vai ter golpe. Sergio Moro vai ficar.

27 março 2016 DEU NO JORNAL

A DEMOCRACIA, NÃO O DEMO

Mary-Zaidan

Frequente em discursos de muitos, até daqueles que por ela não nutrem qualquer apreço, a democracia vem sendo vítima do governo brasileiro, um serial killer obstinado que finge o inverso, mas tudo faz para aniquilá-la.

Cotidianamente, a doutrina que rege mais da metade das nações do mundo tem sido espancada por aqueles que teriam a obrigação maior de praticá-la e protegê-la, mas que só se importam em preservar a própria pele.

Democracia é um conceito complexo. Exige muito de todos. Até os países que exibem maturidade e solidez derrapam. Levantamento da revista The Economist, Democracy Index 2015, aponta que apenas 20 dos 96 países enquadrados como democracias exercem o regime em sua plenitude. O Brasil aparece entre as “democracias imperfeitas”, em 51ª posição, com notas que vêm decrescendo a cada ano. Em 2006, quando a série iniciou, o país alcançou 7.38 pontos. Agora, 6.96, com perdas significativas na participação popular e no funcionamento do governo.democracia_3

Uma imperfeição que a presidente Dilma Rousseff, o ex Lula e o PT têm feito questão de acentuar.

“Em defesa da democracia”, Dilma usa o Palácio do Planalto para bradar “não vai ter golpe” e outras palavras de ordem contra o seu impeachment. De uma só vez cede a sede do governo ao seu partido e golpeia de morte a instituição Presidência da República, que dela quer se afastar e não sentirá saudade alguma quando ela se for.

“Em defesa da democracia”, movimentos autoproclamados populares ameaçam incendiar o país caso a presidente seja legalmente afastada.

“Em defesa da democracia”, Dilma e o PT atropelam tudo e todos para fazer o ex Lula ministro e, assim, poupá-lo de eventual prisão iminente.

“Em defesa da democracia”, Lula solicita regalias a ministros para se safar da “perseguição” da Lava-Jato e denuncia que parte da oposição prepara um golpe, como se impeachment, com regras definidas pela Suprema Corte, fosse inconstitucional. E repete que ele, sempre ele, vai tirar Dilma dessa.

Tudo feito “em defesa da democracia”.

No palanque montado em um encontro de sindicalistas, na quarta-feira, 23, Lula expôs por completo a sua visão autocrática, mítica e mística. Um papel que em nada combina com a democracia. Depois de explicar que a elite conservadora tem dificuldade para aceitar que o povo cresceu em consciência e maturidade política e que isso foi fundamental para elegê-lo presidente, disparou a máxima: “Eu sou o resultado da consciência política dos homens e mulheres deste país”.

Fraca no que diz respeito à governança, a posição mediana do Brasil no ranking mundial de democracia começou a ser ameaçada em outra frente: a liberdade de expressão, que desde a primeira pesquisa conferiu as maiores notas ao país. Mas a insistência dos autointitulados defensores da democracia em acusar a mídia pelos dissabores de Dilma, Lula e seus asseclas, pode pôr isso a perder.

Useiros e vezeiros em inverter os sinais, os valores e o sentido das palavras, Dilma, Lula e os seus não enxergam outra saída a não ser a de tudo misturar. Todos são culpados pelos erros que eles e só eles cometeram e continuam a cometer. Polícia, Justiça e a maioria dos brasileiros, instigados pelas elites – exceto a elite de amigos presos em Curitiba – e pela mídia golpista são os responsáveis por todos os males, por todas as crises, pelo desemprego, pelo PIB negativo.

Ao insistir na insustentável existência de um complô de direita – um adjetivo que determina o lado físico e que na geografia política mundial nada mais diz – escorraçam o Direito, substantivo que define aquilo que é justo, reto e em conformidade à lei.

À democracia, preferem o demo (demônio, diabo), verbete que a antecede no dicionário.

27 março 2016 DEU NO JORNAL

PLANTÃO DO MADUREIRA

27 março 2016 DEU NO JORNAL

HILARIEDADE BANANEIRA SULAMERICANA

Seria cômico se não fosse trágico: figuras como Evo Morales, Rafael Correa e Nicolás Maduro estão unidos na denúncia de um “golpe” contra Dilma e na defesa da “democracia” no Brasil.

São figuras que prendem cidadãos que querem exercer sua liberdade de expressão e criam mini-exércitos para combater oposicionistas. E destroem países.

São conhecidos em todo mundo.

* * *

Como diz a nota aí em cima, a babaquice destes tristes tiranetes é conhecida em todo o mundo civilizado.

São tão babacas e despóticos que não causa qualquer espanto saber que são admirados pela canalha zisquerdóide de Banânia e que estão falando em “golpe” contra Dilma.

Para todos os idiotinhas, nacionais ou istranjeiros, que andam falando em “golpe contra Dilma”, este Editor dedica, com muito amor e carinho, esta linda canção:

27 março 2016 DEU NO JORNAL

CADA DIA UMA AGONIA

FERNANDO-GABEIRA2

Pensei que esta seria uma semana de trégua. E é, de certa forma, no plano nacional. Na verdade, o atentado em Bruxelas mostrou a face covarde da guerra. Ao considerá-la assim, uma semana de trégua, lembrei-me de uma grávida que entrevistei num bairro infestado de mosquitos em Aracaju: “Graças a Deus, o que tive foi chikungunya”.

Os fatos da semana passada não me permitiram tratar de escutas telefônicas. Tenho experiência disso. Nas eleições de 2008, um repórter ouviu ligação minha e divulgou uma frase em que dizia que uma deputada estadual era suburbana. Isso num contexto sobre implantação de aterros sanitários, que, para mim, deveriam ter um enfoque metropolitano. Reclamei de forma, mas não me detive nisso porque havia algo mais importante a tratar: o conteúdo.

O adversário na época, Eduardo Paes, fez uma grande campanha em torno disso. Vestiram camisetas com a inscrição Sou suburbano com muito amor. Ainda hoje as fotos me fazem rir.

A reação de Dilma e seus defensores foi dissociar a forma do conteúdo e discutir só aquela. A tentativa de explicar o diálogo gravado foi ridícula, segundo o New York Times. Patética para outros, que observam o fluxo dos últimos acontecimentos. No caso, não se trata de um grampo, mas de levantar o sigilo de um processo. Moro investigava Lula e o conjunto das gravações indicava a busca de um ministério para escapar do processo. O último áudio apenas foi uma espécie de CQD.

A Lava Jato é, para mim, a maior e mais bem-sucedida operação realizada pela polícia brasileira. Sua atuação é espetacular, mas, se comparamos com o futebol, é possível jogar uma partida magnífica e ainda assim cometer algumas faltas.

No meu entender, elas estão no levantamento do sigilo de áudios que tratam de assuntos pessoais, sem importância real no processo. Eu deparo com esse problema no trabalho cotidiano. Outro dia entrevistei uma cozinheira e ela disse que se casou com o primo por falta de alternativa. Minutos depois me procurou para que apagasse esse trecho da entrevista. Atendi imediatamente. Que interesse teria isso para a história que estava para contar? Nenhum.

O que é irrelevante para o público pode ter enorme repercussão na vida da pessoa. Uma frase mal colocada, absolutamente inócua para o espectador, pode desatar inúmeros dramas familiares, suspeitas, rancores.

Com escritores, juristas, tanta gente de talento defendendo Dilma, ninguém trata do conteúdo do processo levado por Moro, o que, na verdade, interessa mais ao povo. Falam em defesa da democracia, mas ignoram o mensalão, o escândalo na Petrobrás, dois ataques violentos à própria democracia.

Fui deputado alguns anos e me sinto enganado por ter de discutir com parlamentares que foram comprados pelo governo. Não há debate real. As posições foram pagas no guichê do palácio. Para mim, isso é a real negação do processo democrático. E os dados estão aí: a Petrobrás foi arrasada, apenas em 2015 teve um prejuízo de R$ 43,8 bilhões; só a Operação Lava Jato conseguiu bloquear R$ 800 milhões no exterior.

Que tipo de democracia é esta em que você compete com campanhas milionárias sustentadas com grana roubada de empresas estatais, via propinas das empreiteiras?

As delações premiadas da Andrade Gutierrez e de Marcelo Odebrecht vão demonstrar tudo isso. No caso de Odebrecht, é preciso ver ainda o que tem a falar, porque sua resistência acabou provocando um avanço da Lava Jato sobre os segredos mais guardados da empresa.

Outra discussão que reservei para a semana de trégua: a condução de Lula. Tenho amigos que a criticam, na verdade, tenho amigos que até são contra o impeachment. A Lava Jato, a esta altura, fez 130 conduções coercitivas. Mas Lula estava disposto a depor, dizem. E os outros, se chamados, também não estariam dispostos? O que determina a medida é análise dos fatos, a lógica da investigação.

Outros lembram: Lula é um símbolo. Respondo que a lei vale para todos. Está escrito na Constituição. Teríamos de redigir a emenda: a lei vale para todos, menos para os símbolos.

Aliás, o termo símbolo é muito vago. Eventualmente um homem desconhecido pode se tornar símbolo de algo. O pedreiro Amarildo transformou-se num símbolo. Um jovem negro assassinado os EUA vira símbolo do conflito racial.

É surpreendente ver como Lula se transformou, na realidade, num líder conservador: a esperança dos corruptos de melar a Operação Lava Jato. Deixando de lado o machismo, que não é novidade, suas falas gravadas mostram um personagem típico: sabe com quem está falando? Seu ataque à autonomia da Polícia Federal é simplesmente reacionário. Ainda mais, articulado com frases em que condena a busca de autonomia em outros setores. “Só Dilma não consegue governar, não tem autonomia”, diz ele.

Uma visão realmente política não culpa a oposição pela imobilidade do governo. Seria o mesmo que Lenin, derrotado num bar do Quartier Latin, afirmar que a revolução fracassou por causa dos mencheviques.

Dilma não consegue governar, concordo com Lula. Mas o problema não está na oposição, está nela. Lula reconhece isso nos seus discursos, pedindo que Dilma sorria pelo menos algumas vezes. Acho um apelo inútil, como os que encontramos em algumas lojas: sorria, você está sendo fotografado.

Se Lula reconhece que Dilma não é capaz de presidir, terá de reconhecer também que errou ao lançá-la. E toda essa imensa máquina petista teria de compreender que não se inventa um quadro político, ele se faz na história cotidiana, ao longo de mandatos, no fascinante jogo político, um jogo tedioso para quem não gosta dele.

Isso são reflexões de uma semana de trégua. Não há futuro para o governo. Toda a sua energia se consome na defesa do impeachment, no medo da Lava Jato. Cada dia que um projeto fracassado consegue sobreviver é mais um dia em que o Brasil afunda. Isso parece não ter nenhuma importância para eles.

Lamento.

27 março 2016 DEU NO JORNAL

NÃO VAI TER GOLPE: VAI SER TUDO DENTRO DA LEI

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau alerta que qualificar o processo de impeachment de golpe é “uma agressão à Constituição brasileira” e defende a legalidade de um julgamento. Em uma declaração assinada neste sábado, durante uma viagem pela Europa, o ex-ministro insiste que “quem não é criminoso enfrenta com dignidade o devido processo legal, exercendo o direito de provar não ter sido agente de comportamento delituoso”.

Em sua declaração enviada aos organizadores de um evento no Largo de São Francisco no dia 4 de abril, Grau explica o artigo 85 da Constituição, indicando “crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra si, especificando sete espécies de ilícitos penais”. Ele ainda aponta como o artigo 86 prevê que o chefe de Estado será submetido a julgamento perante o Senado Federal, caso a acusação seja aceita por dois terços da Câmara dos Deputados.

“A afirmação de que a admissão de acusação contra o presidente da República por dois terços da Câmara dos Deputados consubstancia um golpe é expressiva de desabrida agressão à Constituição, própria a quem tem plena consciência de que o Presidente da República delinquiu, tendo praticado crimes de responsabilidade”, declarou o ex-ministro nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2004 e que ocupou o cargo até 2010.

“Quem procedeu, procedeu corretamente e não teme enfrentar o julgamento do Senado Federal”, disse. “Já o delinquente faz de tudo procurando escapar do julgamento. A simples adoção desse comportamento evidencia delinquência”, declarou.

Em sua avaliação, “a conduta tendente a impedir o estrito e rigoroso cumprimento do que dispõe a Constituição do Brasil consubstancia desabrida confissão de prática de crime de responsabilidade pela Presidente da República”. “Cai como uma luva, no caso, a afirmação de que quem não deve não teme. Apenas o delinquente esbraveja, grita, buscando encontrar apoio para evitar que a Constituição seja rigorosamente observada, escusando-se a submeter-se a julgamento perante o Senado Federal”, escreveu em uma carta assinada em Paris em 26 de março.

“Aprendi no Largo de São Francisco que a regra do honesto viver a todos vincula e não merece o privilégio de pisar o chão das arcadas e frequentar o Salão Nobre quem se disponha a investir contra regras expressas da Constituição do Brasil”, concluiu.

Eros Grau Ayres Brito Ellen Gracie

Eros Grau ao lado de Ayres Brito e Ellen Gracie

* * *

Nada a declarar. Nada a comentar.

Vou apenas repetir um trecho da carta escrita por Eros Grau:

“Cai como uma luva, no caso, a afirmação de que quem não deve não teme. Apenas o delinquente esbraveja, grita, buscando encontrar apoio para evitar que a Constituição seja rigorosamente observada, escusando-se a submeter-se a julgamento perante o Senado Federal.”

Pra fechar a postagem, um vídeo com o ministro Celso de Mello, decano no Supremo Tribunal Federal.

Escutem o que ele diz:

26 março 2016 DEU NO JORNAL

O OCASO DE UM MITO

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Neste momento em que a Operação Lava Jato desconstrói a imagem de Lula, depurando-a de todos os artifícios, instala-se uma espécie de assombro geral nos meios intelectuais e artísticos do país, onde ainda reina forte resistência aos fatos.

Tal depuração baseia-se em alentados registros – e o mais eloquente vem da própria voz de Lula, captada nos recentes grampos telefônicos, autorizados pela Justiça, em que exibe solene desprezo pelas instituições, em especial o Judiciário.

Não se deve apenas aos truques do marketing político-eleitoral a construção da imagem do falso herói. Bem antes do advento dos Duda Mendonça e João Santana, hoje às voltas com a Justiça, Lula já desfrutava de altíssimo conceito redentor, esculpido no âmbito universitário, onde o projeto do PT foi engendrado.OCASO

E aqui cabe repetir o bordão lulista: nunca antes neste país, um presidente da República foi brindado com tantos títulos honoris causa por parte de universidades, mesmo sem ter dado – ou talvez por isso mesmo – qualquer contribuição à atividade intelectual.

Ao contrário: Lula e seus artífices difundiram o culto à ignorância e ao improviso, submetendo a atividade intelectual à condição subalterna de mera assessora de um projeto populista.

A epopeia de alguém que veio de baixo e galgou o mais alto cargo da República fascinou e comoveu a intelligentsia brasileira, que o transfigurou em gênio da raça. Pouco interessava o como e o quê fez no poder – questões que agora se colocam de maneira implacável -, mas o simples fato de que a ele chegou.

O símbolo falsificava o ser humano por trás dele. E o país embarcou numa ilusão de que agora, dolorosamente – e ainda com espantosas resistências, – começa a desembarcar.

Fernando Henrique Cardoso, símbolo da nata acadêmica nacional, deixou suas digitais nesse processo. A eleição de Lula, em 2002, contou com sua colaboração. Como se recorda, FHC desengajou-se da campanha presidencial de José Serra, dizendo a quem quisesse ouvi-lo: “Agora, é a vez de Lula”.

Conta-se que, naquela ocasião, ao recebê-lo em Palácio, chegou a oferecer-lhe antecipadamente a cadeira presidencial. Era o sociólogo sucedido pelo operário, ofício que Lula já não exercia há mais de duas décadas. As cenas da transmissão da faixa presidencial, encontráveis no Youtube, mostram um Fernando Henrique ainda mais deslumbrado que seu sucessor.

Lula, na ocasião, disse-lhe: “Fernando, aqui você terá sempre um amigo”. No dia seguinte, cessou o entusiasmo: o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, em sua primeira entrevista, mencionava a “herança maldita” do governo anterior, frase repetida como mantra até os dias de hoje.

E o “amigo” não mais pouparia seu antecessor, por quem cultiva freudiana hostilidade. A erudição, ao que parece, o incomoda, embora a vida lhe tenha proporcionado meios bem mais abundantes de obtê-la que a outros grandes personagens da cultura brasileira, de origem tão modesta quanto a sua, como Machado de Assis, Gonçalves Dias e Cruz e Souza, mestiços que, em plena escravidão, ascenderam ao topo da vida intelectual do país.

O mito Lula começou ainda na década dos 70, em pleno governo militar – e contou com a cumplicidade do próprio regime, que, por ironia, o viu como peça útil na desconstrução da esquerda, abrigada no velho MDB e em vias de defenestrar eleitoralmente o partido governista, a Arena. O regime extinguiu casuisticamente o bipartidarismo, de modo a esvaziar a frente oposicionista.

A frente, em que a esquerda tinha protagonismo, entendia que não era oportuno o surgimento de um partido de base sindical, que a esvaziaria, diluindo os votos contrários ao regime. Lula foi peça-chave nesse processo, concebido pelo general Golbery do Couto e Silva, estrategista político do governo militar.

Há detalhes reveladores em pelo menos dois livros recentes: “O que sei de Lula”, de José Nêumanne Pinto, que cobriu as greves do ABC pelo Jornal do Brasil naquele período, e com ele conviveu; e “Assassinato de Reputações”, de Romeu Tuma Jr., cujo pai, o falecido delegado Romeu Tuma, então chefe do Dops, foi carcereiro de Lula, no curto período em que esteve preso.

Tuma e Nêumanne convergem num ponto: Lula foi informante do Dops, o que lhe facilitou a construção do PT, a cujo projeto se agregariam duas vertentes fundamentais – a esquerda universitária paulista e o clero católico da Teologia da Libertação.

Essa gênese explica a trajetória vitoriosa do partido: o clero proporcionou-lhe a capilaridade das comunidades eclesiais de base e os acadêmicos prestígio e acesso à grande mídia.

A ambos, o PT retribuiu com Lula, o símbolo proletário de que careciam para forjar o primeiro líder de massas que a esquerda brasileira produziu e que a levaria, enfim, a vencer eleições presidenciais. Deu certo – e deu errado.

Lula chegou lá, mas corre o risco de concluir sua trajetória na cadeia. Os acertos de seu primeiro governo derivam da rara conjunção de uma bonança econômica internacional com os ajustes decorrentes do Plano Real. Finda a bonança e desfeitos os ajustes, restou a evidência de que não havia (nunca houve) um projeto de governo – e tão somente um projeto de poder.

A Lava Jato, ao tempo em que reduz Lula a seu exato tamanho, político e moral – e, ao que se sabe, há ainda muito a vir à tona -, mostra o que fez, à frente do PT e do país, para que esse projeto se consolidasse e o eternizasse como pai dos pobres – uma caricatura de Vargas, com mais dinheiro e menos ideias.

De gênio político, beneficiário de uma conjuntura que desperdiçou, lega à posteridade sua grande obra: Dilma Roussef, personagem patética que tirou do anonimato para compor um dos momentos mais trágicos da história da República.

O historiador do futuro terá o desafio de decifrar o que levou a inteligência do país – cujo dever de ofício é antever e evitar tais desvios – a embarcar num projeto suicida, a serviço da estupidez, não hesitando em satanizar os que a ele se opõem.

26 março 2016 DEU NO JORNAL

ERA O QUE FALTAVA: LULA AGORA ATRIBUI O DESEMPREGO A MORO, JUIZ DO PETROLÃO

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Preso há nove meses em Curitiba, condenado a 19 anos de cadeia e prestes a amargar novas sentenças, Marcelo Odebrecht revelou o desejo de alistar-se na infantaria dos delatores da Lava Jato. A força-tarefa do petrolão trata a novidade como rendição, não delação. Para obter benefícios judiciais, o príncipe regente da Odebrecht terá de dedurar até a sombra. A exposição das relações promíscuas da maior empreiteira do país com Lula é ponto de honra para os procuradores. Querem detalhes sobre as palestras, o tráfico de influência internacional, os repasse$ ao Instituto Lula, a reforma do sítio de Atibaia, tudo e mais um pouco.

O hálito quente dos executivos da Odebrecht na nuca de Lula aqueceu-lhe a placa do processador. Durante discurso para uma plateia de sindicalistas na noite desta quarta-feira, em São Paulo, o sábio da tribo do PT ofendeu o bom-senso. Responsabilizou o doutor Sérgio Moro pelo desemprego. Fez isso horas depois de o IBGE informar que a taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país cresceu de 7,6% em janeiro para 8,2% em fevereiro. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o flagelo é bem maior: 20,8%. Em cada cinco jovens, um encontra-se no olho da rua.

“A Operação Lava Jato é uma necessidade para esse país”, disse Lula, antes de revelar suas reais intenções: “Agora, eu queria que vocês procurassem a força-tarefa, procurassem o juiz Moro pra saber se eles estão discutindo quanto essa operação já deu de prejuízo à economia brasileira.”

Lula pediu aos sindicalistas que perguntem ao juiz da Lava Jato “se não é possível fazer o combate à corrupção sem fechar as empresas, sem causar desemprego.” Escorou sua pregação num organismo que costumava satanizar: “Segundo o FMI, 2,5% da queda do PIB se deve ao pânico criado na sociedade brasileira.” Numa evidência de que sua placa ferveu, Lula declarou: “Quando tudo isso terminar, você pode ter muita gente presa, mas você pode ter também milhões de desempregados nesse país.”

O mensalão e o petrolão nasceram na administração Lula. Se o morubixaba do PT não tivesse repartido as diretorias da Petrobras entre seus cleptoaliados, não haveria Lava Jato. Mas ainda assim existiria a ruína econômica, porque essa parte do desastre nacional está associada a outra criação de Lula: o mito da gerentona. Superando as previsões mais pessimistas, Dilma revelou-se um fiasco gerencial sem precedentes. No momento, arrasta pelos corredores do poder as correntes da impopularidade. É reprovada por 69% dos brasileiros, informa o Datafolha.

O ruim pode ficar muito pior. Lula revela-se decidido a “ajudar” sua criatura. “Nem que seja a última coisa que eu faça na vida, vou ajudar a Dilma a governar esse País com a decência que o povo merece.” Barrado por uma liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF, o salvador ainda não conseguiu assumir nem a Casa Civil. Mas acha que está exercendo seu terceiro mandato.

Lula deu a entender que algo lhe subira à cabeça na sexta-feira da semana passada, quando discursou no coração de São Paulo, na manifestação que o sindicalismo e os movimentos sociais convocaram para apoiá-lo e para se contrapor ao impeachment. “A impressão que tive na Avenida Paulista foi que vocês estavam me dando posse.”

Há 14 dias, numa palestra para empresários paranaenses, Sérgio Moro soou como se antevisse as críticas de Lula. Declarou-se “consternado com esse quadro econômico de recessão e de desemprego.” Mas disse não não dar crédito à tese segundo a qual “a culpa é da Lava Jato.” Mencionou os “movimentos favoráveis no mercado”, com oscilações positivas nos índices da Bolsa de Valores, quando há diligências policiais. “Para mim é um indicativo de que a Lava Jato não é exatamente um problema.” Reiterou: “Trabalhar contra um quadro de corrupção sistêmcia é algo que só nos traz ganhos. Não tenho nenhuma dúvida quanto a isso.”

Moro afirmou que só há dois caminhos à disposição. E a “sociedade democrática brasileira” terá de optar por um deles. “Podemos fazer como se fez muito: varrer esses problemas para debaixo do tapete, esquecer que eles existem” ou “enfrentar os problemas com seriedade e da forma que eles devem ser enfrentados.” Para o magistrado, “a primeria alternativa não é aceitável.”

No Brasil, sempre que uma investigação ameaça a aliança que une as oligarquias econômica e política, fabricam-se crises e teses para avacalhar os inquéritos. Lula faz pose de alternativa. Mas frequenta a cena política como principal operador da turma do tapete. Age para esconder a sujeira. Vale a pena ouvi-lo de novo: “Quando tudo isso terminar, você pode ter muita gente presa, mas você pode ter também milhões de desempregados nesse país.” Lula está mais próximo da cadeia do que do emprego de presidente que gostaria de reconquistar em 2018.

26 março 2016 DEU NO JORNAL

JOGÃO DE FUTEBOL ARRETADO!

Além do jogo do Brasil contra o Uruguai ontem à noite, tem também este outro jogo:

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26 março 2016 DEU NO JORNAL

PERDA TOTAL

Nelson Motta

Depois de um ano negando “veementemente” qualquer malfeito, a Odebrecht finalmente vai assumir suas responsabilidades no “sistema ilegítimo e ilegal de financiamento do sistema partidário-eleitoral” tentando uma delação “definitiva” que salve seus sócios e executivos da cadeia.

Reparem: quando negam “veementemente” ou ordenam “rigorosa” investigação, é sinal de mentira grossa.

Quando uma grande empreiteira contribui, ainda que legalmente, para mais de 200 políticos de todos os partidos, há algo de muito podre no sistema partidário-eleitoral do país. Óbvio que não contribui por patriotismo e espirito público, mas porque, como sabem todas as outras grandes empresas que sustentam esse sistema, quem paga a conta é que diz a hora que terminou o jantar.

O que dizer então de uma planilha com propinas pagas a políticos, funcionários e empresários, em dinheiro vivo e no exterior, com o nome e o apelido de cada um? Parece que o pessoal que paga a propina, seja como suborno ou achaque, expressa seu desprezo por quem recebe com apelidos debochados, que devem lhes ter provocado boas risadas em tempos mais risonhos.

Drácula, Nervosinho, Viagra, Candomblé, Caranguejo, Múmia, não é uma quadrilha de bandidos da Rocinha, são os homens que comandam a política brasileira, fazendo da vida pública, privada. Piada velha, mas mais atual do que nunca.

Como reconstruir um sistema politico-eleitoral quando a Lava-Jato revela ao país que dele só sobraram ruínas e escombros, que a perda é total? Como podem reconstruí-lo justamente os que o destruíram, financiados por um cartel de empreiteiras que saqueava o país e contribuía para fraudar eleições e apodrecer as instituições democráticas ?

Como o ovo e a galinha, quem veio primeiro, o político achacador ou o empresário corruptor? Tanto faz, o que interessa é que os dois se combinaram como um sádico e um masoquista, numa perfeita integração para assaltar os cofres públicos e aviltar a vida política do país, porque uns confiavam no seu dinheiro e outros no seu poder para sentirem-se acima de todos, da Constituição e das leis. Pelo menos até a Lava-Jato.

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26 março 2016 DEU NO JORNAL

BRASIL X DILMA

O início foi promissor, mas o Brasil permitiu que o Uruguai buscasse o empate na Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, nesta sexta-feira (25).

Depois de Douglas Costa e Renato Augusto abrirem vantagem, Cavani e Suárez aproveitaram falhas de David Luiz para conseguirem a igualdade para os uruguaios: 2 a 2 placar final.

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Não vi o jogo. Aliás, não vejo jogo algum. Fui ver um filme e tomar umas bicadas.

Como sempre tem acontecido nos últimos tempos, o melhor mesmo não estava dentro de campo, mas na torcida.

Um leitor fubânico que estava no estádio me mandou esta foto:

JG

E outro leitor me mandou os dois vídeos abaixo.

Recife, assim como o resto do Brasil, aderiu ao “Fora Dilma, Fora PT”.

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25 março 2016 DEU NO JORNAL

FALA, DANILO GENTILI!

25 março 2016 DEU NO JORNAL

LÓGICA DE AVESTRUZ

Percival Puggina

Há poucos dias, numeroso grupo de estudantes e profissionais do Direito reuniram-se na tradicional faculdade do Largo de São Francisco (USP) para defender o mandato da presidente Dilma Rousseff. No entendimento de todos, Dilma é um modelo de virtudes, o PT é vítima da maledicência de uma oposição golpista e a 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba é uma câmara de tortura onde pessoas honradas são extorquidas até em seus míseros e bem havidos bilhões.

A mim não impressionam os camisas vermelha, militantes a privilégio, soldo e sanduíche. Impressiona-me a conduta de quem estuda e ensina Direito. Impressiona-me a indignação postiça, a seriedade estudada, a pose de injustiçados com que certos deputados petistas se manifestam na Comissão Especial do Impeachment. Impõem-se, por dever de ofício, um ar de dignidade ultrajada, como se excelsas virtudes sangrassem sob os punhais de injustificáveis acusações. Me poupem!

Para o bem do Brasil, entendem tais cavalheiros, a faxineira Dilma deve prosseguir sua faina moralizadora do governo e da administração pública. No entender deles, não foi o carrossel de mentiras de sua campanha eleitoral que deu o primeiro impulso à imensa rejeição popular. Não foi de sua imprudência, imperícia e incompetência, que resultou a crise econômica. Não foi a ineficiência de suas políticas que produziu a estagnação e, agora, o retrocesso dos indicadores sociais. Não foi por entre seus dedos que a Economia escoou, a receita se foi, o orçamento drenou, o investimento minguou, o emprego acabou. Não foi sob seus olhos que a corrupção alcançou níveis multibilionários contaminando, numa extensão ainda não calculada, o conjunto da administração e do governo. Foi nada disso.

Para o ilustrado público do Largo do São Francisco e para os bem remunerados bajuladores dos recentes atos palacianos, o Brasil renascerá das zelosas mãos da “presidenta”. As crises em maçaroca que seu governo gerou, serão vencidas – não é uma feliz coincidência? – sob sua prudente supervisão, habilidosa capacidade de gestão e negociação, intolerância para com toda ilicitude e lealdade exclusiva à letra da lei e ao bem do pátria. “Duela a quien duela”, como anunciou certa vez Fernando Collor. Dilma, uma gestora sem compadre, padrinho e afilhado.

A indignação de tais doutores nem de passagem encara os crimes praticados à sombra do governo, volta-se, isto sim, contra a laboriosa atividade de um cidadão que o país reverencia: Sérgio Moro, um juiz convencido – suprema audácia! – de que a lei vale para todos.

No auditório da nobre faculdade, as falas e gritos de ordem rugiam para os próprios ouvidos de quem rugia. Costuma ser assim: mentiras e falsidades metabolizam falsidades e mentiras. Ganham corpo de merengue na batedeira da enganação. Assistindo aquilo em vídeo no YouTube pude perceber o quanto fica inviável o entendimento civilizado com pessoas cujos alinhamentos políticos e ideológicos turvam a visão quanto a tudo mais. Creia, leitor: sequer os mais altos escalões da magistratura nacional estão livres desse mal. Preferem não ver nem saber.

25 março 2016 DEU NO JORNAL

NÃO VAI TER GOLPE?

Agamenon Mendes Pedreira

Os tempos estão difíceis, o único consolo é que sabemos que, um dia, tudo isso vai piorar. Ontem mesmo acordei cedo em busca da minha sobrevivência cotidiana me alimentando de “furtos” silvestres ou praticando a caça predatória de notícias quando alguém me disse que acabara de sair o Listão das Propinas da Empreiteira Odebrecht. Uma réstia de luz se abriu em minha vida, uma lufada de esperança varreu a minha alma. Corri até o computador mais próximo para conferir se o meu nome constava do listão pagador. Li nome por nome de cabo a rabo. Principalmente o rabo (aliás, todos presos) e, para meu profundo desgosto e desalento, constatei desolado que meu nome, Agamenon Mendes Pedreira, não constava. Não fora agraciado nem com um mísero centavo das polpudas verbas de campanha, obras superfaturadas ou concorrências fraudulentas que a empreiteira Odecheque empreitava a juros extorsivos.

Nem um codinome eles inventaram para a minha pessoa, como fizeram com os grandes nomes da política. Aliás, uma pergunta ficou no ar: se o Jacques Wagner era conhecido como Passivo, quem seria o ativo na coalizão?

A ausência do meu nome no Listão da Odebrecht é a prova cabal e irrefutável do meu fracasso, da minha incompetência e da minha insignificância. Ficar de fora do Listão da Odebrecht é como ficar fora da lista dos Dez Mais Ricos da Forbes ou do concurso Faz a Deferência, promovido pelo O Globo.

Como fazer? Como sobreviver? Tenho defendido “algum qualquer” participando de passeatas. Contra ou a favor do governo, tanto faz, empunhando faixas ou sanduíches de mortadela. Nas manifestações contra o governo não pagam nada, mas, em compensação, no final da passeata sempre dá para comer alguém. As manifestações do PT Dilma são melhores. Tem condução de graça, uniforme, suco e sanduíche de mortadela. Por falar nisso, não aguento mais tanta mortadela. Será que não dava para mudar o cardápio das manifestações? Será que o objetivo final do socialismo é mortadela para todos? Será que a fábrica de mortadela também não pertence ao filho do Lula?

Como todo jornalista combativo e investigativo que se preza, vivo de golpes, grandes ou pequenos, tanto faz. O meu preferido é o Golpe do Paco que hoje anda meio fora de moda. O problema é que os lulopetistas ficam gritando que “não vai ter golpe”! E eu, como é que fico nesta história? Vai ter golpe, sim, senhor! Ou então vão ter que inventar algum programa de inclusão social só pra mim, o Bolsa Agamenon. No desespero, falei até com Lula pedindo para ele me arrumar um blogue para falar mal do governo com verbas públicas, mas, infelizmente, o meu telefonema não foi gravado pela Polícia Federal.

Como não vai ter golpe? Tem que ter golpe! Imagina o governo da Dilma sofrendo um golpe! Com certeza nossos irmãos latino-bolivarianos vão vir correndo nos acudir! Já posso ver os exércitos da Bolívia pelo oeste e o Exército da Venezuela pelo norte invadindo o Brasil de roldão, num irresistível movimento de pinça, para a Dilma salvar o Lula e salvar o PT.

À frente dessas duas potências militares sul-americanas, os seus comandantes Evo Morales e Nicolás Maduro vão prender o juiz Sérgio Moro, acabar com a Lava Jato, soltar o Zé Dirceu, o João Vaccari Neto, o Feira e a Dona Xepa e quem mais for guerreiro do povo brasileiro. O sítio de Atibaia vai virar embaixada da Bolívia (mas quem usa é o Lula). A Odebrecht, a Camargo Corrêa, a OAS e todas as outras empreiteiras seriam contratadas para salvar a Petrobras. Só assim o Brasil voltaria à sua anormalidade, de onde, aliás, nunca deveria ter saído.

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A ausência do meu nome no Listão da Odebrecht é a prova cabal e irrefutável do meu fracasso, da minha incompetência e da minha insignificância. Ficar de fora do Listão da Odebrecht é como ficar fora da lista dos Dez Mais Ricos da Forbes ou do concurso Faz a Deferência, promovido pelo O Globo.

Agamenon Mendes Pedreira é uma brasa, Moro?

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25 março 2016 DEU NO JORNAL

ENCURTANDO O PRAZO

“Vou fazer um manifesto semana que vem para deputados e senadores: Deem para a gente seis meses de paciência que a gente vai provar que esse vai ser o país da alegria.”

Lula, em discurso pra sindicalistas, última quarta-feira, 23

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Mais seis meses de prazo…

No total, 13 anos e mais seis meses.

Mas eu acho que esta alegria vai chegar bem antes dos seis meses pedidos por Lapa de Mentiroso.

Eu acho que o Brasil inteiro vai se alegrar e rir muito já no próximo mês de abril próximo.

Eu acho…

25 março 2016 DEU NO JORNAL

JUSTIÇA DE OLHOS ABERTOS

Carlos Alberto Sardenberg

Imagine que uma autoridade do Executivo ou do Judiciário decida colocar sob sigilo os dados sobre desemprego. Não faltam “argumentos” que, aliás, já foram utilizados por outros governos. Em ambiente de desemprego alto e crescente, com forte queda da renda, como acontece neste momento no Brasil, os consumidores gastam menos, por insegurança, e os empresários param de investir ou mesmo fecham seus negócios, por falta de mercado. E a economia piora mais. O país está parando, tal é a sensação nos diversos setores econômicos.

Portanto, temos aí um ambiente de intranquilidade social, talvez uma ameaça à segurança nacional, de tal modo que, em nome da paz e da legalidade, convém proibir a divulgação de dados tão negativos.

Que tal?

Pode-se ir mais longe. Como sempre existe a possibilidade de vazamentos subversivos, seria mais eficiente vetar a própria coleta e elaboração dos dados. Também já foi feito, no Brasil, inclusive. No regime militar, dados sobre inflação foram manipulados para tornar o número mais palatável. Números feios foram escondidos – o governo negava porque negava que havia uma recessão em 1982.

Já no regime civil, governos trocavam os índices “oficiais” de inflação, escolhendo os que mostravam resultados menores.

Na Argentina, o regime dos Kirchner derrubou o índice de inflação e simplesmente proibiu os números sobre a pobreza. Argumento: traziam um sentimento de inferioridade entre os pobres, era uma ofensa para eles.

Absurdos, não é mesmo?

Então por que estamos falando disso?

O leitor já terá percebido. Ocorre que essa atitude de esconder o fato, suspender a informação ou tentar eliminar seus efeitos parece menos absurda quando se vai para a política ou para os tribunais.

O grampo captado pela Lava Jato – na conversa entre Dilma e Lula – sugere que houve tentativa de obstrução de Justiça. Foi com base nesse indício que o ministro Gilmar Mendes, do STF, tornou nula a posse de Lula como ministro, por considerá-la uma manobra para que o ex-presidente escapasse da jurisdição de Curitiba e caísse no foro privilegiado da Suprema Corte.

A decisão de Mendes está pendente de análise do pleno do STF – e esse será um debate interessante.

Mas o que quer a dupla Dilma/Lula? Cancelar o grampo, torná-lo sigiloso e invalidá-lo como prova. No fundo, foi esse o sentido da reclamação apresentada pela defesa da presidente ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF. A decisão de Teori, neste momento, agradou ao governo, pois chamou todo o processo para Brasília, livrando Lula (e Dilma) da jurisdição de Sérgio Moro – de novo, por enquanto.

O ministro baseia sua decisão no fato de o grampo ter apanhado Dilma, circunstância em que o processo deveria ser imediatamente enviado ao STF, única instância na qual a presidente pode ser investigada. E se é assim, claro que Teori condena a divulgação do grampo, autorizada por Moro. Aliás, o ministro decretou sigilo.

A decisão é provisória, precisa passar pelo crivo da Procuradoria-Geral da República e do pleno do próprio STF. Quais as possibilidades?

Há duas questões aqui, uma formal, outra de conteúdo, para simplificar. O conteúdo: várias conversas, já conhecidas de todo mundo, indicando uma tentativa de obstrução da Justiça.

Agora, no aspecto formal: suponha que o STF conclua que o grampo foi ilegal e que, portanto, não pode ser utilizado em qualquer investigação envolvendo a presidente Dilma.

Fica uma situação estranha, não é mesmo? Sabe-se que houve uma fraude, sabe-se quem a cometeu, mas não se pode fazer nada.

Ou, há inflação, há recessão, mas isso não pode ser dito nem usado contra o governo.

Até há pouco, essa era uma linha preferida por advogados brasileiros: anular a prova no processo. Quantas investigações caíram por isso. Ainda agora, advogados de envolvidos na Lava Jato usaram exatamente esse argumento: não importa o que diz a planilha ou o bilhete; têm que ser eliminados do processo, afirmam, por terem sido obtidos fora da praxe da lei.

Daí se entende por que o juiz Moro dá publicidade a tudo. Como ele disse, os governados sempre têm o direito de saber o que fazem os governantes.

Mas não é o pensamento conservador, digamos, que preza o sigilo nas investigações envolvendo autoridades. O presidente do Senado, Renan Calheiros, é alvo de nove inquéritos no STF, todos em segredo de justiça. Vamos convir: não faz o menor sentido.

Como não faz o menor sentido a presidente alegar que o grampo em que ela aparece ameaça a segurança nacional. Não seria o contrário? Uma ilegalidade eventualmente cometida pela presidente é que ameaça a estabilidade.

Também não faz sentido a presidente sustentar que o grampo, mesmo se tivesse sido autorizado pelo STF, deveria permanecer em sigilo.

Por que o povo não pode ou não deve saber que seu presidente está sendo investigado por tais e quais motivos?

25 março 2016 DEU NO JORNAL

A GUABIRUZADA ESTÁ TODINHA NO MESMO PINICO

Atleta (Renan Calheiros, PMDB), Escritor (José Sarney, PMDB), Caranguejo (Eduardo Cunha, PMDB), Nervosinho (Eduardo Paes, PMDB), Cacique (Romero Jucá, PMDB), Viagra (Jarbas Vasconcelos Filho, PMDB), Avião (Manuela D’Ávila, PCdoB).

É assim, com esses codinomes, que alguns influentes políticos brasileiros são identificados em planilhas da Odebrecht apreendidas pela Polícia Federal em mandados de busca expedidos contra diretor-presidente da construtora, Benedicto Barbosa Silva Júnior, conhecido como BJ, na 23ª fase da Operação Lava Jato.

As planilhas são o mais completo acervo de repasses feitos pelo conglomerado do herdeiro Marcelo Odebrecht a políticos de 18 partidos. A cada nome, o documento da empreiteira atribui cifras.

Entre muitos nomes, são citados nas planilhas: o ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), os senadores José Serra (PSDB), Lindbergh Farias (PT), Aécio Neves (PSDB) e Humberto Costa (PT), o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), o deputado Paulinho da Força (SD) e a prefeita de Campos e ex-governadora do Rio, Rosinha Garotinho (PR).

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Que coisa linda!

Tem gente do PT, do PSDB, do DEM, do PMDB, do PCdoB e até da PQP.

Petista, cumunista, tucanista, zisquerdista, direitista, o caralho a quatro.

A petralhada, tanto a cúpula quanto a militância, que vive repetindo o lema “Teu corrupto e pior que o meu“, está tendo verdadeiros orgasmos com esta lista.

Só não estão conseguindo gozar mais do que este Editor, que não tem preferência por qualquer tipo de ladrão, estejam em que partido estiverem, estejam de qualquer lado do balcão: baixo o cacete em todos indistintamente.

Eu chega se mijo-me todinho de tanto se rir-se-me ao ver no mesmo pinico tolôtes do porte de Sarney, Manuela D’Ávila, José Serra, Lindbergh Farias, Aécio Neves, Humberto Costa e Renan Calheiros, entre vários outros.

Fica este registro, por enquanto. Oportunamente voltarei ao assunto.

25 março 2016 DEU NO JORNAL

“ACABOU!”

Para Delfim, desfecho está dado e Dilma deve ser tirada do governo.

“Acabou! Não tem governo”, disse o ex-ministro Delfim Netto, após assistir ao “Encontro com Juristas pela Legalidade e Defesa da Democracia”, realizado no Palácio do Planalto.

Pela televisão Delfim ouviu o discurso da presidente Dilma Rousseff durante a solenidade, quando ela sustentou – “Eu jamais renunciarei” – e disse por várias vezes que “o que está em curso é um golpe contra a democracia”.

* * *

Delfim, homem forte no tempo da ditadura militar e guru de Lula pra assuntos aconômicos, é uma raposa octogenária cheia de experiência, que sabe das coisas e que sente o cheiro do desmantelo de longe.

Quando ele diz que “Acabou. Não tem governo“, nada mais é preciso acrescentar.

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Lula, o “esquerdista”, e Dilfim Netto, o homem forte no tempo do guverno dos milicos

25 março 2016 DEU NO JORNAL

O BRASIL (E NÃO BANÂNIA!) BRILHANDO LÁ FORA

O juiz federal Sérgio Moro aparece na 13ª colocação do ranking de “maiores líderes do mundo”, elaborado pela revista norte-americana “Fortune” e divulgado nesta quinta-feira (24).

Ele é o protagonista da versão brasileira e real de ‘Os Intocáveis‘”, descreve a publicação, referindo-se ao filme dirigido por Brian De Palma, de 1987.

A lista tem 50 nomes e é liderada por Jeff Bezos, fundador da Amazon. Moro é o único brasileiro a figurar na relação.

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Isto foi lá fora. Nos zistranjeiros.

Numa das publicações mais prestigiadas do mundo.

Aqui dentro das fronteiras de Banânia, teve um demagogo tabacudo que disse que Moro é o responsável pela “crise econômica”. Aquela crise provocada pelos 13 (êpa!) anos de gunverno petista.

Quando a operação Lava Jato estiver totalmente concluída e o Palanque Ambulante estiver cumprindo pena em Curitiba, certamente o Dr. Moro voltará ao ranking da revista Fortune em breve futuro.

No primeiríssimo lugar!

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24 março 2016 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – É DE FAZER CHORAR

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O desemprego ficou em 9,5% no trimestre encerrado em janeiro e atingiu mais uma vez o maior patamar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Os números foram divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mesmo período do ano anterior, o índice havia batido 6,8%.

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Números oficiais, números de uma entidade do governo, o IBGE. 

Neste mesmo período do ano passado, o desemprego ficou em 6,8%. Agora, em 2016, 9,5%. Um progresso autenticamente dílmico petralhal.

É de lascar, é de arrasar, é de fazer chorar.

É a precisão batendo na porta de quase 10 milhões de compatriotas.

Agora, só falta o grande Cabra Safado vir a público e dizer que a culpa é da Operação Lava-Jato, é do juiz Sérgio Moro, é das elites brancas, é da “grande mídia”, é da Rede Globo e da revista Veja que publicam estes números do IBGE, é dos coxinhas e é da herança maldita de FHC.

Este porra merece uma música…

24 março 2016 DEU NO JORNAL

REUNIÃO DE EMERGÊNCIA

24 março 2016 DEU NO JORNAL

TANGENCIANDO AS RAIAS DO ENDOIDECIMENTO

A OAB vai protocolar na próxima segunda-feira (28) seu pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

O documento será assinado pelo presidente da entidade, Claudio Lamachia, será entregue no protocolo da Câmara.

A peça será praticamente o voto vencedor que decidiu pelo impeachment no Conselho Federal da Ordem e trará como motivos para o impedimento, além das pedaladas, a renúncia fiscal concedida à FIFA e a nomeação de Lula à Casa Civil.

* * *

Pra quem não sabe o que significa a sigla OAB, vamos escrever por extenso: Ordem dos Advogados do Brasil.

Advogado, também pra quem ainda não sabe, é aquele indivíduo que…

Ah, deixa pra lá…

O fato é que, se a Ordem dos Advogados do Brasil vai entrar com um pedido de impeachment contra Dilma, é mais ou menos assim como se o Conselho Federal de Medicina atestasse, firmasse e diagnosticasse que o gunverno do PT está com uma doença incurável e em fase terminal.

Todavia, mas, porém, pra tudo existe defesa, jeito e explicação. Mesmo que esta defesa, este jeito ou esta explicação seja absurda ou hilária.

Vejam o que escreveu hoje, aqui no JBF, o fubânico petista Explicante Desesperado, a respeito desta constitucional e legítima tentativa de  impichar a Jumenta Falante. Vou transcrever do jeitinho que ele digitou:

“O que está-se instalando é O ESTADO DE EXCEÇÃO, esse que usa leis para legitimar ilegalidades.”

Vocês intenderam, num é?

Usar leis para legitimar ilegalidades“.

Isto em plena vigência da Constituição Cidadã de 1988, em pleno estado democrático de direito e com todas as instituições funcionando livre e abertamente.

Congresso Nacional, Assembleias de todos os estados da federação e Câmaras de Vereadores de todos os municípios do país funcionando livre e abertamente.

Todos os juízes atuando normalmente em todo o país, desde juizes lá no interior da Amazônia, passando pelos desembargadores estaduais até chegar ao STF, tudo funcionando livre e abertamente.

Todos os vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e a presidenta da república exercendo seus cargos, todos eleitos pelo voto direto e secreto do povo.

Imprensa livre e plena liberdade de opinião e manifestação, apesar do esforço hercúleo dos obscurantistas, como Rui Falcão, pedindo censura e bradando por restrições.

De modo que, lendo-se o que escreveu Explicante Desesperado, constata-se que o desespero da nação vermêio-istrelada está tangenciando as raias do endoidecimento furioso e babatório.

Se vocês num intenderam o que ele escreveu, não se preocupem: não vale a pena perder tempo tentando intender. Quem escreve este tipo de coisa é eleitor do PT e ainda acredita no que Lula fala.

Logo, então, consequentemente, não merece que se pare pra pensar, debater ou discutir sobre o que sai de sua cabeça em defesa da Ocrim.

Por ter parido esta fantástica frase, Explicante Desesperdo merece uma salva de palmas!!!

24 março 2016 DEU NO JORNAL

VERGONHA NA CARA

Luiza Nagib Eluf

Acredito que os brasileiros tenham sofrido um impacto muito grande quando, em 28 de maio de 2007, um ministro japonês de Agricultura, Floresta e Pesca cometeu suicídio, enforcando-se em sua casa com uma corrente de guiar cachorro, por estar sob suspeita de corrupção. Seu nome era Tashikatsu Matsuoka, tinha 62 anos e era acusado de ter recebido US$ 107 mil de empresas do ramo de construção com interesses na área de sua pasta. À época do suicídio, praticado horas antes de seu depoimento perante um comitê parlamentar, Matsuoka contava com 41% de aprovação entre os japoneses.

O impacto que suponho tenham os brasileiros possivelmente sofrido não se restringe à violência do suicídio, mas ao seu motivo. Parece impossível que exista no mundo nação tão correta, bem organizada e apegada à honra e ao bom caráter como o Japão. É claro que estar sob suspeita de corrupção deve causar vergonha, depressão, arrependimento, no caso de os atos criminosos terem realmente ocorrido. Mas, no Brasil, o sujeito que subtrai dinheiro público, mesmo sendo condenado e preso, é fotografado e filmado externando as mais esdrúxulas reações: rindo, fazendo gestos obscenos, levantando o punho cerrado (insinuando ameaças do tipo “esperem o meu retorno”, ou “minha vingança não tardará”, ou “fiz e farei de novo”, ou “vão se danar, idiotas”). Isso eles fazem a caminho da carceragem ou da penitenciária!

ministro japonês

Tashikatsu Matsuoka, Ministro da Agricultura, Bosques e Pesca do Japão, suicidou-se ao ser acusado de ter recebido propina

Acima de tudo, é impactante um sujeito suspeito de corrupção e com pedido de prisão já formulado pelo Ministério Público ser convidado e aceitar assumir um ministério com o fim de escapar dos rigores da lei e da Justiça, e, mais especificamente, subtrair-se ao rigor judicante do excelente magistrado Sérgio Moro. E quem faz o convite é nada menos que a presidente da República, que tem o menor índice de aprovação da História recente do país.

O Brasil de hoje se apresenta ao mundo como uma crônica do absurdo. O povo, inconformado com tanta desmoralização, sai às ruas várias vezes, em passeatas pela moralidade, pela Justiça, pelo fim da corrupção generalizada, pela paz social e pela recuperação da economia. Os governantes surpreendem-se com o gigantismo dos protestos, mas não se sentem em situação de pedir para sair. Parece que os brios acabaram, venceu a pouca-vergonha. Querem o poder pelo poder, nada de trabalhar pela nação, pelo desenvolvimento e pela segurança do povo. Nada de espírito público, de respeito ao que pertence aos outros ou ao Estado, nada de responsabilidade, seriedade, caráter. A gestão pública foi pelos ares, estamos sob o império da “cara de pau”. O que se lê nas entrelinhas é: eu roubei, mas você também roubou; não venha tirar meu cargo senão eu vou tirar o seu; vamos ver quem pode mais e não me provoque, que eu mando matar você… Enfim, nada se faz pelo povo, qualquer coisa se faz para salvar a própria pele.

Os prefeitos Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT de Campinas, e Celso Daniel, de Santo André, tiveram morte violenta, respectivamente, em 10/9/2001 e 18/1/2002. Várias testemunhas desses casos foram sendo assassinadas no decorrer dos processos judiciais. Os casos não foram esclarecidos, ou seja, ainda não se identificou a autoria, mas a motivação política dessas mortes salta aos olhos. Estamos enfrentando uma verdadeira desgraça moral.

O último homem público a mostrar preocupação com sua imagem, em terras brasileiras, foi Getúlio Vargas. Ele cometeu erros, mas pagou-os com a própria vida. Foi ditador, entregou Olga Benário, grávida, aos nazistas, mas Luiz Carlos Prestes, em lamentável conduta posterior, aceitou dialogar com ele. Getúlio era autoritário, mas ao menos prezava sua honra, tinha brios de homem público e não admitia ser deposto. Semelhante aos governantes de hoje, achava governar para o povo, era o “pai dos pobres”, porém seu governo derreteu antes de chegar ao fim. Seu maior mérito foi ter deixado o cargo quando ficou sem saída. Acabou com a própria vida, e isso não é pouco. Em atitude diametralmente oposta, os governantes atuais preferem acabar com a vida dos outros.

Quem se dispõe a ocupar cargo público deve saber que fará sacrifícios pessoais e terá de pensar no povo antes de cuidar de si. Terá de perceber a grandeza de sua missão e submeter-se às necessidades da nação. Precisará compreender serem as benesses do cargo apenas facilitadoras dos encargos de quais deverá desincumbir-se. Terá de ser consciente da extrema responsabilidade de um(a) político(a) escolhido(a) pelo povo para gerir um país, um Estado, um município. Abraçar a verdadeira política é ser abnegado, altruísta e, acima de tudo, cioso de suas obrigações.

É por isso que o combate à corrupção deve ser amplo, geral e irrestrito, perdurando para sempre na nossa cultura. Nesse sentido, torna-se louvável a posição assumida pela Ordem dos Advogados do Brasil, em reunião de seu Conselho Federal pleno, apoiada pela Associação dos Advogados de São Paulo, que se pronunciaram de forma uníssona pela instauração do processo de impeachment da presidente, asseverando a observância do devido processo legal. Neste momento de crise, a nós cabe lutar pela decência.

Jânio renunciou, Collor renunciou, mas Dilma declarou que “não tem cara de quem vai renunciar”. Nem com 6 milhões de pessoas em passeata, protestando. Nem com a popularidade despencando a cada minuto. Nem com o país afundando economicamente. Nem com a carestia, a dengue, a zika, a inflação, o desgoverno, o desemprego, as pressões. Nem com a bancarrota da Petrobras e com os escândalos da Lava Jato. Nem com nada. Pena não sermos o Japão.


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