12 novembro 2012 DEU NO JORNAL

BEM NO OLHO DO FURICO

José Dirceu é condenado a dez anos e 10 meses e cumprirá pena na prisão.

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Zé Dirceu não precisa se aperrear.

É só mostrar pra ele o noticiário policial dos últimos dias. Ele vai ver que poderá continuar comandando a sofisticada quadrilha de dentro da prisão.

Ao que me consta, Dirceu dispõe dos celurares mais modernos que o dinheiro pode comprar.

A quadrilha atrás das sofisticadas grades

12 novembro 2012 DEU NO JORNAL

DEFENSOR DE MENSALEIROS ABANDONA PLENÁRIO

Uma nova discussão entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, relator e revisor da Ação Penal 470, respectivamente, levou Lewandowski a deixar o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) logo no início da sessão de hoje (12). Os ministros trocaram acusações devido à inversão da ordem do julgamento. Barbosa havia anunciado, na semana passada, que o próximo núcleo que teria as penas fixadas seria o financeiro. Hoje, no entanto, começou a apresentar as penas do núcleo político.

Lewandowski se disse surpreso com o fato de Barbosa ter feito a inversão sem comunicar os demais. “Eu não aceito surpresas, senhor relator. A imprensa está surpresa porque anunciou que seria o núcleo bancário. Não é possível procedermos desta forma. Eu estou surpreendido, os advogados, e seguimos regras, da publicidade e da transparência”, criticou o revisor

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Quanto mais Joaquim Herói Brasileiro Barbosa deixar Livrandowiski puto, melhor pra cidadania e pro que resta da banda decente do Brasil.

Enfia o cacete, Negão !  !  !

Convido nossos sacânicos leitores pra se divertir vendo o vídeo que mostra Joaquim passando um pitu (do tamanho de uma lagosta…) em Livrandowiski que, completamente prostituto da existência por ter sido desmascarado e impedido de defender Zé Dirceu mais ainda, abandona o plenário feito criança birrenta. O vídeo está no final desta postagem.

Um conselho pra Livrandowiski: tome um chá de bateu-cagou junto com um cachete de Peidotil, cheire duas pitadas de torrado, amarre uma fita de cor bonina no pulso e bata três vezes nos peitos enquanto grita “Hei de Vencer, a vida não é tão ruim“. Não caia nunca na tentação de meter o dedo na bochecha e rasgar.

Por fim, espere a apaixonada defesa que Vossa Insolência terá aqui no JBF dos fubânicos gunvernista, admiradores incondicionais de mensaleiros. (na edição de hoje desta gazeta da bixiga lixa tem um primor de texto em vossa defesa; num deixe de ler; Lula, Dona Marisa e Paulo Maluf adoraram)

12 novembro 2012 DEU NO JORNAL

COISAS QUE IMPRESSIONAM

Impressiona o volume de multas que a Anatel já expediu neste ano contra as operadoras: 163, que somam 1,43 bilhão de reais.

Desse total, 75% das multas foram endereçadas a uma única operadora – a Oi. Mas a Oi não vai se apertar. Basta recorrer.

Hoje, há 7,4 bilhões de reais em multas aplicadas – e não pagas.

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Num dá nem pra gente dizer que vive num país de rapariga porque seria uma tremenda ofensa à honrada classe das putas.

Banânia tá uma merda mesmo…

“Num vou entrar no teu carro, cara; nosso código de honra proibe fazer programa com gente da área de comunicações desse gunverno”

12 novembro 2012 DEU NO JORNAL

O QUE 20 ANOS FIZERAM COM ZÉ DIRCEU?

Ruth de Aquino 

1992, texto escrito pelo deputado federal José Dirceu de Oliveira e Silva, membro da CPI de PC Farias, na orelha do livro Todos os sócios do presidente, dos jornalistas Gustavo Krieger, Luiz Antonio Novaes e Tales Faria:

“A Comissão Parlamentar de Inquérito do caso Paulo César Farias pertence ao país, particularmente à juventude. Não teria sido possível sem democracia. Pela primeira vez na história do Brasil, esse sentimento de revolta contra a impunidade encontrou eco no Parlamento e cresceu até tomar conta de todo o país. A CPI só saiu do papel graças ã pressão da sociedade organizada e às denúncias da imprensa, que deram sustentação à luta quase quixotesca que parlamentares travavam contra a corrupção no governo federal. A CPI revelou que o chefe da corrupção era o próprio Collor, envolvido em fatos incompatíveis com o cargo de presidente da República, recebendo vantagens econômicas ao longo de seu mandato, para si e seus familiares, através do esquema criminoso de PC. Mais grave ainda é que tudo isto foi possível porque recebeu o apoio de grande parte do empresariado brasileiro, o que revela o grau de decomposição ética das elites brasileiras, acostumadas à impunidade e ao assalto aos cofres públicos. Por tudo isso, não basta a CPI, é preciso que seu espírito tome conta do país. A verdade é que nosso povo novamente está caminhando. Está tecendo o fio da história, retomando a luta por dignidade e justiça, pela cidadania”.

***

2012, texto no blog escrito pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, réu condenado no escândalo do mensalão por corrupção ativa e formação de quadrilha, obrigado a entregar seu passaporte. Dirceu foi incluído pelo STF no Sinpi (Sistema Nacional de Procurados e Impedidos):

“A decisão do relator Joaquim Barbosa de apreender os passaportes é puro populismo jurídico e uma séria violação aos direitos dos réus ainda não condenados. (…) Os argumentos (de Barbosa) cerceiam a liberdade de expressão e são uma tentativa de constranger e censurar”.

***

Dirceu insiste que sua condenação foi baseada em indícios, diz que nunca fez parte nem chefiou quadrilha e que “as reuniões na Casa Civil com representantes de bancos e empresários são compatíveis com a função de ministro e, em momento algum, como atestam os testemunhos, foram o fórum para discutir empréstimos”. Diz que foi condenado como mentor de um esquema financeiro apenas “por ser ministro”.

E a imprensa brasileira, digna de elogios e salamaleques de Dirceu em 1992? Se, na visão do idealista Dirceu de 20 anos atrás, “a CPI só saiu do papel graças à pressão da sociedade organizada e às denúncias da imprensa”, por que hoje os jornalistas seriam os vilões da história? Por que Dirceu acusa a mídia de instigar o “clamor popular” pela condenação dos réus do mensalão? Por que Dirceu continua empenhado em defender a regulação da mídia como “uma das principais metas a ser conquistadas pelo Partido em 2013”?

Por que Lula se disse “traído” em 2005 e expulsou o tesoureiro Delúbio Soares? Lula se sentia traído por quem? Por seus companheiros? Que companheiros? Traído pela mídia, que saudou com orgulho a transição democrática de FHC para o primeiro operário presidente do Brasil? A mídia que publicou perfis laudatórios de Luiz Inácio Lula da Silva e torceu por uma política com ética e sem corrupção – a maior bandeira do PT, junto ao combate à fome e à miséria?

Por que Dirceu foi o primeiro a deixar o ministério de Lula, dez dias depois de o mensalão ser denunciado pelo deputado Roberto Jefferson? Se era inocente, por que saiu, saiu por quê? Ao se despedir, disse que, na Câmara, poderia esclarecer as denúncias infundadas” contra ele. Prometeu “percorrer o Brasil como militante dirigente para combater os que querem desestabilizar o governo Lula”. O governo que Dirceu chamou de “minha paixão e minha vida”.

“Tenho as mãos limpas. Sei lutar na planície e no Planalto. Não me considero fora do governo. Eu me considero parte integrante do governo.” Essas foram as palavras de Dirceu ao sair do gabinete há sete anos, abrindo o caminho para uma então improvável candidata à continuidade, Dilma Rousseff. Dirceu repetiria essas palavras hoje. Nisso, é coerente.

Se o PT, em seu estatuto, se compromete a expulsar os condenados por práticas ilícitas e improbidade administrativa – mas nada faz -, temos hoje no Brasil muito mais que um confuso cálculo de sentenças. Temos um impasse entre os Poderes Executivo e Judiciário: ou o governo expulsa Dirceu ou desafia o STF. Para o PT, o melhor seria Dirceu submergir em férias na Bahia, já que Caribe e Cuba estão fora de cogitação.
 

12 novembro 2012 DEU NO JORNAL

EM BOCA FECHADA, A PAJARACA SÓ ENTRA NO FURICO

Os mensaleiros já perderam a esperança.

Lula não vai clamar publicamente contra a “injustiça do STF”.

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E ele é besta de abrir a boca!!!!

O que ele declarou, falou, discursou e palrou na última década já é o bastante.

Quando chegar a vez dele – em futuro que a banda decente deseja próximo -, o silêncio de hoje vai ajudar, e muito, na suavidade de sua dosimetria (que ele pensa que é teste de bafômetro…)

12 novembro 2012 DEU NO JORNAL

COLEGA DE POLODORO VIRA NOTÍCIA

Há 10 anos, o ”jumento apicultor”, vestido com roupas de proteção, ajuda a retirar do apiário cerca de nove litros de mel por dia, segundo o dono do animal, Manuel Juraci, de 59 anos. “O Boneco é o único em todo o Brasil que faz esse trabalho”, diz o dono.

A região de Itatira é a maior produtora de mel no Ceará. Cerca de 120 apicultores chegam a colher aproximadamente 90 mil quilos de mel por ano. Mas ver o jumento Boneco vestido de apicultor está cada vez mais raro. A seca expulsou as abelhas do sertão cearense. Por isso, por enquanto, o dono suspendeu as atividades do jumento no apiário.

* * *

Essa Nação Nordestina é mesmo surpreendente. Tem de tudo por aqui.

Pra homenagear o valoroso jumento cearense Boneco, o nosso querido Polodoro, jumento fubânico, me pediu pra colocar esta música a seguir:

Autores: Luiz Gonzaga e José Clementino

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11 novembro 2012 DEU NO JORNAL

QUEREM DOMESTICAR A INTERNET

Elio Gaspari

Com mão de gato, puseram pelo menos dois cascalhos no projeto do marco regulatório da internet que permitirão a censura da rede. Coisa de mágicos. Veja-se o parágrafo 3º do artigo 9º:

“Na provisão de conexão à internet, onerosa ou gratuita, bem como na transmissão, comutação ou roteamento, é vedado bloquear, monitorar, filtrar, analisar ou fiscalizar o conteúdo dos pacotes de dados, ressalvadas as hipóteses admitidas na legislação”.

É o arcabouço do qual saiu o modelo chinês. A internet é livre, desde que cumpra as normas de serviço, portarias e regulamentos do governo. Felizmente o deputado Miro Teixeira apresentou uma emenda supressiva ao texto do comissariado, cortando-o a partir de “ressalvadas as hipóteses”.

Outro dispositivo diz que, para “assegurar a liberdade de expressão”, o provedor poderá ser responsabilizado civilmente se não cumprir uma ordem judicial que manda bloquear uma conexão. A coisa fica assim. O soldado Bradley Manning rouba 750 mil documentos secretos do governo americano, transmite-os para o site WikiLeaks por meio de um sistema impossível de ser rastreado (ele só foi descoberto porque contou sua proeza) e um juiz de Mato Grosso manda o Google esterilizar o link. Se não o fizer, pagará uma multa e seu gerente poderá ser preso.

O projeto, que poderá ser votado na terça-feira, fala na defesa da liberdade de expressão e de acesso à informação para aspergir limitações.

É a técnica da reunião que baixou o AI-5, na qual se falou 19 vezes em democracia e criou-se a ditadura.

11 novembro 2012 DEU NO JORNAL

É PRA FRENTE!

Eduardo Bezerra

 

Ei, meu bem! Olha pra ali! A vida é pra frente… E urgente! Amar é pra ontem. Aceitar é pouco. Algumas vezes pensar em si pra depois pensar no mundo. Por que dar tanta energia a quem está tão longe e nem entende teus dedos abaixo dos olhos molhados? Há tanta gente chorando e sofrendo aí do teu lado. Eu sei que é mais fácil lançar palavras pra quem não te escuta, limpar a consciência e depois dormir com a sensação de dever cumprido. As fotos são mais compreensivas que as pessoas reais. Pessoas reais precisam de ação. Pessoas reais precisam de toque. Isso só se faz na presença. Pare de querer construir um mundo novo e construa. Pare de querer um amor novo e ame. Pare de querer ser melhor e seja. Não exija pena nem solidariedade de ninguém.

O que aconteceu é pretérito. Perfeito. Guardado no pote do tempo. A vida se faz pra adiante. Não dá pra consertar. Não dá pra compensar. Essa moda de política compensatória é coisa de gente com peso de consciência de coisas que nem fez. Não traga isso pra vida não. Não espere pedidos de desculpas mas peça quando o coração disser que deve. A resiliência não é pacífica, assim como a paz não deve ser pasma. Abandone as bandeiras, os clichês, os jingles, as frases de efeito. Seja uma pessoa de verdade num mundo de verdade. Ninguém é livre. Democracia não existe. E olhe, se o comunismo ou o socialismo fosse alternativas viáveis ao mostro capitalista, creia em mim, já estava em voga de maneira muito suave.

O mundo não tem segredos. Estes são nossos, seres humanos dramáticos. Chuta o pau da barraca, sai gritando no meio da rua, tem pensamentos maus. Você é um ser humano. Às vezes precisa ser mesquinho, ruim. Você tem seus preconceitos e eles são feios sim, mas são seus. Se você for o primeiro a dizer que não tem os defeitos que tem… Ah, será muito falso! Não seja como esse pessoal politicamente correto. Tenha gosto, cheiro, textura. Faça merda. E conserte. Não tenha vergonha.

Bote a imaginação pra funcionar. Escreva cartas de amor eterno de uma semana. Guarde amores proibidos em compartimentos secretos de sua alma. Tenha raiva de quem você tiver de ter. Só não faça uma coisa. Não leve na sua bagagem coisa que não te acrescente. Ódio e rancor devem ser cuspidos, não merecem ficar na boca. Têm gosto acre, travoso. Escreva um livro pra pessoa amada, mesmo que só ela leia a história. Tenha filhos. Adote filhos. Uma pessoa sem família não tem medo de perder nada. Tenha sempre medo de perder algo pois assim você terá a certeza de que há algo de muito importante em sua existência. Tenha pelo que morrer e faça o viver valer a pena.

Meu bem, a vida está ali. Espera por você. Só não espere que seja boa. É querer demais por algo tão imprevisível. Em caso de dificuldade, faça o seguinte, viva alguns momentos felizes e guarde para quando precisar. A vida é andar num deserto com um cantil de alegrias. Mas só use se precisar. Alegria pode ser estiagem. Alegria pode ser enchente. Nunca vem em dose certa. Mas está ali na frente!

10 novembro 2012 DEU NO JORNAL

CONFORME O DITO POPULAR

No final do mês passado, a mulher do ex-ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB-MA), aquele que caiu depois que se descobriu que pagava festinha em motel com dinheiro público, foi assaltada, às quatro horas da madrugada, ao chegar de viagem na 302 Norte, em Brasília, área onde moram deputados.

* * *

Pedro Novais, vocês devem estar lembrados, foi Ministro do Turismo do gunverno do PT

Nomeado por Dilma, foi demitido pela grande mídia golpista, que investigou, provou e denunciou um grande esquema de corrupção no seu ministéro.

Segundo me disseram, os assaltantes que roubaram a mulher dele em Brasília terão cem anos de perdão.

Duas destacadas figuras do gunverno petista e do Socialismo Muderno, tomando posse juntas

10 novembro 2012 DEU NO JORNAL

VAI LÁ E TENTA EXPLICAR PRA ELE…

Lula quer que Dilma rompa a tradição de ir à posse do novo presidente do STF, dia 22, em represália ao trabalho de Joaquim Barbosa como relator do processo do mensalão.

O ministro ainda espera a audiência que pediu para entregar o convite pessoalmente a presidenta.

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A presença do Chefe de um dos três Poderes Constitucionais da República na posse de outro, não é um ato político-partidário.

É uma rotina administrativa, de altíssimo nível, prevista no cerimonial e que independe de quem, temporariamente ocupa os cargos. É um ato de Estado. Um ato que envolve Estadistas que merecem este título.

Uma ausência acintosa, por motivo político-partidário circunstancial, seria uma atentado à democracia e uma demonstração piramidal de incivilidade, de jumentalidade (sem qualquer ofensa aos jumentos…), de despreparo político e um atentado à cidadania. Além de uma palhaçada que serviria de deboche entre o restante dos paises civilizados do mundo. Seria uma verdadeira cagada banânica.

Agora, tente explicar isto pra Lula…

Vai lá, vai, tenta meter isso na cabeça dele e mostrar que Presidência da República é bem diferente de Presidência do Corinthians… Vai lá, vai…

* * *

PS: Esta postagem já estava editada quando vi na internet o texto que está abaixo transcrito, intitulado “O espanto foi banido”, da autoria de Ruy Fabiano. Parece que o cabra adivinhou meu pensamento… Leiam e vejam:

O ex-presidente Lula, segundo os jornais, teria protagonizado há dias mais um ineditismo: aconselhado a presidente Dilma Roussef a não comparecer à posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa.

Seria uma retaliação ao comportamento considerado hostil do relator do mensalão aos petistas. Como Lula não a desmentiu, a notícia, embora inimaginável, foi tida por verdadeira.

Felizmente, a presidente, ao que parece, não acatará o conselho – e nem pode: nem o cargo que ocupa, nem o que ocupará o ministro Joaquim Barbosa podem ser contaminados por idiossincrasias de qualquer espécie, em hipótese alguma. Acima de ambos, há as instituições que presidem. Dilma chefia um Poder, o Executivo, e Barbosa outro, o Judiciário, que, segundo a Constituição, além de independentes, devem ser harmônicos.

Em circunstâncias normais, tal informação jamais seria publicada. Morreria nas mãos do diretor de redação, por absurda. Mas, nos tempos que correm, não apenas é verossímil como acaba sendo publicada com destaque, lida e comentada até com certo tédio. O espanto foi banido da cena política.

O julgamento do mensalão expõe o desprezo institucional com que Lula e o PT se comportam diante de um Poder da República. O que já se declarou sobre a mais alta Corte de Justiça do país, desde o início do julgamento do mensalão, é inacreditável.

O STF já foi acusado de estar a serviço “de uma elite suja”, e de seus ministros estarem jogando para a plateia. Até o televisionamento direto das sessões, antes considerado um gesto de transparência, foi tido por antidemocrático. O PT confunde partido com governo – e governo com Estado.

Lula, quando assumiu a presidência, mandou desenhar na grama do Palácio da Alvorada – um bem público – a figura da estrela do PT e pintá-la de vermelho. Já não era mais um palácio do Brasil, mas de um partido. Essa visão distorcida explica o que ocorre.

No final de setembro, o senador Jorge Viana (AC) ocupou a tribuna do Senado para destilar sua verrina contra o Supremo. Considerou um absurdo que ministros nomeados pelo governo do PT “votassem contra o PT”, como se lá estivessem cumprindo missão partidária.

A declaração por inteiro é esta: “Só não vale nossos governos indicarem ministros do Supremo, e eles chegarem lá e votarem contra por pressão da imprensa”, disse ele.

Sobrou, como de costume, para os jornais.

Mesmo os réus já condenados tecem considerações críticas sobre a Corte que os condenou, esquecidos de que a condição de condenados, dentro do devido processo legal, lhes retira qualquer autoridade para se manifestar sobre o delito que cometeram.

Para tanto, dispuseram de advogados, aliás do primeiro time, que expuseram seus argumentos, mas, dentro do rito judiciário, não convenceram. Mesmo assim, estabeleceu-se a inversão dos papéis: os réus passaram a julgar os juízes – e a condená-los. Os exemplos são muitos; vejamos alguns.

José Genoíno diz que seu julgamento não foi isento. Ora, se não foi isento, não há outra hipótese: foi desonesto. Não há meia gravidez.

Já José Dirceu escreveu em seu blog que “a sede” do STF em condená-lo “mostra total desconsideração às provas contidas nos autos e que atestam minha inocência”. Ora, um tribunal que tem “sede de condenação” é um tribunal injusto – e, portanto, de exceção.

Mas não é só: o deputado Paulo Rocha, depois de declarar que “ninguém está negando que houve os empréstimos fraudulentos, os repasses” (e já podia parar por aí), protesta, indignado: “mas não teve compra de votos, foi para pagar conta de campanha.” Ah, bom.

O PT, por sua vez, anunciara que faria uma manifestação pública contra o Supremo. Foi desaconselhado por Lula, mas não por razões institucionais – e sim de ordem pragmática. Poderia não causar boa impressão ou agravar as condenações.

O que preocupa, em tal contexto, é a circulação de outro rumor: de que a próxima nomeação para o STF, na vaga do ministro Ayres Britto, que se aposenta semana que vem, recairia sobre um companheiro, que lá cumpriria missão partidária.

Fala-se no advogado Beto Vasconcelos, de 35 anos, que exerceu o ofício por apenas três anos e cuja maior credencial seria a de ser filho de um ex-companheiro de luta armada da presidente.

Beto pode até ser um gênio, mas não preenche o quesito de “notório saber jurídico”, até porque, até aqui, ninguém o notou, dentro ou fora da comunidade jurídica.

Notório saber não é uma abstração: implica reconhecimento público, um caminho já percorrido. Não é notoriamente o caso.

10 novembro 2012 DEU NO JORNAL

GARGALHADAS VINGADORAS

Nelson Motta

Tenho muito respeito e gratidão por quem me faz rir. Dou imenso valor aos comediantes que se expõem a todos os ridículos e constrangimentos só para nos divertir e alegrar. Acredito que rir, principalmente de si mesmo, ou refletido e identificado num personagem, ajuda muito a viver as durezas do cotidiano e a enfrentar as fraquezas e precariedades da condição humana.

Ao mesmo tempo acredito na força devastadora do humor como arma de crítica, que pode ser mais potente e eficiente do que a força bruta, porque é capaz de destruir pelo ridículo e pelo riso os mais sérios e sólidos adversários.

Porque basta ser humano e viver a vida para ser uma potencial fonte inesgotável de piadas e deboches para qualquer um com senso de humor e de crítica.

Mas o humor também é amor: já fiz os papéis mais ridículos só para divertir minhas filhas. E também pode ser rancor, dos que sempre perguntam: “Tá rindo de quê?”

Muitas vezes uma saraivada de piadas engraçadas pode ser mais contundente do que discursos inflamados. Mas as piadas têm que ser boas, e bem contadas, porque piada é timing. E não há nada mais triste do que piada mal contada, quando é gaguejada e perde o tempo e a graça.

Outras piadas só aparecem com o tempo. Hitler e Mussolini eram adorados pelas multidões nazifascistas como deuses olímpicos e épicos, mas hoje suas figuras grotescas gesticulando e gritando seus discursos histéricos são ridículas e hilariantes. Pena que tanta gente morreu para que se pudesse rir em liberdade.

O humor e as piadas corrosivas — porque engraçadas — tiveram um papel muito importante na resistência democrática, desmoralizando o autoritarismo e a truculência da ditadura e fustigando os políticos onde mais lhes dói, no orgulho e na vaidade, com piadas e apelidos devastadores e gargalhadas vingadoras.

O humor não é o forte dos políticos, mas justiça se faça a esse talento de Paulo Maluf. Ouvir aquela inconfundível voz anasalada cantando “olê olê olê olá, Lu-lá, Lu-lá” fez o Brasil gargalhar e teve uma carga de critica política mais poderosa do que qualquer discurso da oposição. Ou da situação.

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10 novembro 2012 DEU NO JORNAL

FUBÂNICOS SULISTAS

O Pacto Nacional pela Alfabetização em Idade Certa, que o governo lançou ontem, visará especialmente o Norte e o Nordeste, onde o problema aparece de forma mais impressionante.

Um exemplo: enquanto 35% dos alagoanos em idade escolar se alfabetizam depois dos oito anos de idade, no Paraná este percentual cai para 5% .

* * *

Não entendo a razão pela qual um estado tão avançado em termos de educação, como é o Paraná, tenha subido na estatística da quantidade de leitores fubânicos.

Pulou do sexto para o quinto lugar nos últimos trinta dias.

Um povo bem alfabetizado, feito o paranaense, deveria ler apenas coisas úteis e aproveitáveis. E ficam acessando um jornal escroto feito este…

Num entendo mesmo…

Flagrante feito num estádio de Curitiba, onde o Complexo de Comunicações Besta Fubana investiu em publicidade nas arquibancadas

9 novembro 2012 DEU NO JORNAL

QUEM TEM MEDO DA REGULAÇÃO?

Sandro Vaia

“É sempre preferível o ruído da imprensa ao silêncio tumular das ditaduras”.

A senhora presidenta disse isso durante a 15ª Conferência Internacional Anticorrupção em Brasília e não é a primeira vez que ela fala incisivamente em defesa da liberdade de imprensa.

Em uma dessas intervenções, logo depois de assumir seu cargo, disse que o único controle de imprensa admissível era o controle remoto.

É significativo – e com certeza não é coincidência – que esse pronunciamento tenha sido feito exatamente no momento em que as abelhas do enxame do partido do governo, notadamente seu presidente Ruy Falcão, e o condenado ex-ministro José Dirceu, zumbem com insistência a tese de que aquilo que eles chamam de “regulação da mídia” não pode passar deste ano.

Repete-se, como vem se repetindo “ad infinitum”, a confusão propositada entre a falta de regulamentação do artigo 225 da Constituiçao, que deveria fixar normas para outorga de concessões públicas e disciplinar a questão da propriedade cruzada dos meios de comunicação, com os conteúdos da mídia.

Os partidários da regulação insistem na tese de que ela nao deve ser confundida com censura. Dizem que os meios de comunicação agitam falsamente o espantalho da censura porque querem fugir da discussão.

É preciso deixar claro que um marco regulatório das telecomunicações está previsto na Constituição, é necessário e saudável. O sistema de outorga de concessões pode e deve ser regulado. A concessão de canais de televisão a igrejas e políticos e a propriedade cruzada de meios precisa ser revista.

Até aí, tudo bem.

Mas por que a discussão ressurge exatamente no momento em que a Suprema Corte está julgando o caso do mensalão?

O que tem a ver a cobertura que a imprensa faz do caso com regulação, se a intenção não é direcionar a opinião dos veículos de acordo com o que interessa ao partido hegemônico no poder?

Em maio deste ano, Ruy Falcão deixou claro que o embate nao tem nada a ver com marco regulatório das telecomunicações mas tem tudo a ver com o conteúdo das opiniões políticas que nao agradam ao partido do governo:

“(A mídia) É um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do (ex-presidente) Lula, e não contrasta só com o projeto político e econômico. Contrasta com o atual preconceito, ao fazer uma campanha fundamentalista como foi a campanha contra a companheira Dilma (nas eleições presidenciais de 2010) (…).

“(A mídia) produz matérias e comentários não para polarizar o País, mas para atacar o PT e nossas lideranças.” “O poder da mídia, esse poder nós temos de enfrentar.”

Não se trata, portanto, de regular. Trata-se de enfrentar. E enfrentar quem tem opiniões contrárias é controlar. E controlar é censurar.

9 novembro 2012 DEU NO JORNAL

BEM DIFERENTE DAQUI…

1) Centenas de milhares de argentinos saíram às ruas nesta quinta-feira (8), na capital argentina e em várias outras cidades do mundo, para protestar contra as políticas do governo da presidente Cristina Kirchner, em um megapanelaço supranacional organizado através das redes sociais.

Batizada de “8N” – numa referência à data, 8 de novembro– a mobilização reuniu mais de 500 mil pessoas só em Buenos Aires, em um momento em que a presidente argentina, reeleita no ano passado, sofre uma queda na popularidade em meio às críticas da forte intervenção estatal na economia.

“Está muito mal, está muito mal, mentir para o povo em cadeia nacional”, cantava a multidão, em coro, concentrada ao pé do Obelisco portenho, cartão-postal e epicentro das manifestações na capital argentina.

* * *

2) Buenos Aires, que havia parado anteontem por falta de eletricidade, parou ontem à noite por excesso de gente da rua. Foi a maior manifestação popular contra o governo nos últimos dez anos, reunindo centenas de milhares de participantes.

As gigantescas  avenidas centrais de Buenos Aires pareciam pequenas para acomodar a massa de gente que tocava bumbos e bradava críticas contra o governo cada vez mais capenga da Presidente Cristina Fernández de Kirchner.

Como a situação econômica e política no país vizinho vai ficando cada vez pior, motivos de protesto é que não faltaram aos manifestantes: falta de segurança; inflação acelerada, crescimento desprezivel,  crise na saúde, crise na educação, crise nos transportes, apagões freqüentes, cerceamento da liberdade de expressão e, fechando tudo, a desfaçatez da presidente de querer mudar a Constituição para tentar emplacar um terceiro mandato. São as mazelas da frente bolivariana atacando o Mercosul

* * *

O atual gunverno argentino é o sonho de muito cabra que conheço aqui em Banânia. Uma Democradura que chegou ao poder pelo voto (e foi reeleita), e hoje fecha jornais, sufoca a liberdade de expressão e entra num estatismo de fazer inveja ao mais obtuso zisquerdinha petelho. E tá brigando por um terceiro mandato…

A diferença é que por lá o povo vai pra rua, bota a boca no trombone e protesta. As fotos das manifestações de ontem, contra, entre outras coisas, a corrupção, o estatismo e o sufocamento da imprensa, são impressionantes. Pra reunir no Brasil uma multidão como esta que está na foto aí de cima, só é possível em paradas de xibungos e em manifestações pra liberar a maconha.

Que diferença do passivo curral de antas destepaiz verde-vermêio-amarelo… No ano passado Cristina Kirchner tinha mais de 70% de aprovação. Atualmente, está num patamar de 25%. Dizem que o povo de lá lê e se informa bem mais que o povo de cá…

Sempre considerei os argentinos prepotentes, arrogantes e metidos a ser o que nunca foram e não são. Diz-se até que a melhor maneira de ganhar dinheiro é comprar um argentino pelo preço que ele realmente vale e revendê-lo pelo valor que ele acha que tem.

Mas não tenho como negar: em termos de consciência política e de cidadania, eles estão bem à frente do eleitorado de uma republiqueta que eu conheço…

Panelaço nas ruas de Buenos Aires, com os argentinos metendo a “pá nela”, Cristina Kirchner 

9 novembro 2012 DEU NO JORNAL

CINISMO MEDIDO EM LÉGUAS

Além do pedido do ministro-relator Joaquim Barbosa para que os 25 réus condenados no julgamento do mensalão entreguem seus passaportes, o STF (Supremo Tribunal Federal) pediu também à Polícia Federal que fiscalize as fronteiras do país para evitar a fuga dos condenados.

* * *

Fugir do pais é o de menos. O que eles gostam mesmo é de fugir do assunto. Do mérito da questão.

Quem se der ao trabalho de ler a nota que Zé Dirceu soltou ontem, falando em “populismo jurídico”, vai entender o que tô dizendo.

A cara-de-pau do sujeito aumentou desmesuradamente depois que o STF enfiou a pajaraca no furico dele. A dosimetria do cinismo desse cabra só dá pra ser medida em quilômetros.

Aliás, em falando no gerente da “sofisticada quadrilha” que Lula criou, quando é que sai a dosimetria deste valoroso Guerreiro do Povo Brasileiro???!!!

Tô curioso pra saber…

9 novembro 2012 DEU NO JORNAL

QUASE PERFEIÇÃO EM REGIME DE EMAGRECIMENTO

“Cadialina”. Esse foi o “medicamento” indicado por um médico para uma dona de casa de Salvador combater dores no fígado e conseguir emagrecer. A paciente, Adriana Santos, 33, diz que, ao perguntar sobre onde encontraria o remédio, o médico José Soares Menezes recomendou que ela procurasse um ferreiro e comprasse seis cadeados.

“Um para a sua boca, outro para a geladeira, outro para o armário, outro para o freezer, outro para o congelador e outro para o cofre de casa”, relata a mulher. O caso ocorreu na semana passada em um posto móvel da Fundação José Silveira (conveniada à Secretaria de Saúde da Bahia) no bairro do Uruguai, onde Adriana mora, na periferia de Salvador.

“Ele ainda falou que, se eu não quisesse os cadeados, o jeito seria fazer jejum em quatro dias da semana. E, nos outros três, só beberia água.”

Procurado, o médico limitou-se a responder: “Só usei uma linguagem figurada. Infelizmente, ela vive numa comunidade que não tem capacidade de abstrair as coisas”, afirmou o médico.

* * *

Como a saúde pública baiana está nas mãos do PT, presumo que esta receita de cadeado esteja dentro daquele parâmetro da “quase perfeição” estabelecido por Lapa de Demagogo. Convenhamos: não existe um regime pra emagrecimento mais próximo da perfeição do que lacrar a boca. Preferencialmente com um cadeado da marca Pado.

Pelo contorcionismo explicatório da declaração do médico, de que usou na receita “linguagem figurada”, ele já está credenciado para ser comentarista pró gunverno vermêio aqui no JBF. Vai se juntar a um time imbatível de explicadores.

Isto se antes ele não for convidado pra ser porta-foz do PT pra dar explicações sobre as notas e pronuciamentos do presidente Rui Falcão e as declarações de Zé Dirceu depois de condenado.

Sugiro que a Polícia Federal e o Ministério Público usem este médico pra explicar porque foi arquivada a investigação sobre as falcatruas de Lulinha (vide postagem “Investigação Arquivada”, logo aí abaixo). Afinal, cadeado na boca não serve apenas pra parar de comer; serve também pra calar explicações sobre o inexplicável.

Adriana e a receita: cadeado pra boca da paciente por recomendação do candidato brasileiro ao Prêmio Nobel de Medicina

9 novembro 2012 DEU NO JORNAL

SÓ FALTA A METADE…

Petista de coração e amigo de Lula, o cantor, compositor e escritor Chico Buarque, acompanha o processo (e as condenações) do mensalão pelos jornais.

Nada de assistir as transmissões do Supremo. “Quem errou deve ser punido”, repete e ainda estica, dizendo que gostaria muito de ver outros tantos casos de corrupção da política brasileira ir a julgamento.

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Chico Buarque deve estar radiante porque, logo na abertura do processo do Mensalão, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, lançou mão de uma música de sua autoria, a celebrada composição “Vai passar“, pra botar sem cuspe e sem pena no fiofó dos mensaleiros:

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De modo que Chico tem mesmo que torcer pela punição de “quem errou”, como eufemisticamente chama a incrível ladroagem petralha.

Com esta postura, Chico Buarque chega ao patamar de 50% no índice de bom senso e de melhoria da cegueira. Para conseguir a outra metade e chegar aos 100%, Chico precisa fazer como fez o escritor português José Saramago.

Vou explicar pra quem não se lembra:

Saramago, que morreu em 2010, único Prêmio Nobel de Literatura em lingua portuguesa, cumunista de carteirinha, era um ceguinho zisquerdista típico (não foi por acaso que escreveu a obra-prima “Ensaio Sobre a Cegueira“).

Era fiel, devoto, seguidor e adorador de Cuba e de Fidel Castro, assim como Chico Buarque. Até que em 2003, após mais uma onda de perseguição e execução de dissidentes, Saramago escreveu um artigo intitulado “Cheguei até aqui”, publicado no jornal espanhol El  Pais, em abril de 2003. Condenava a matança por crime de discordância e pensamento e rompia com o regime cubano. Embora não tenha deixado claro se, antes de chegar “até aqui”, tenha concordado com as matanças anteriores…

Pois bem. Quando Chico Buarque também pronunciar o seu “Cheguei até aqui” com relação à admiração que tem por Fidel e pela ditadura cubana, ele terá atingido o patamar dos 100% de bom senso e estará com a cegueira totalmente curada.

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CHEGUEI ATÉ AQUI – José Saramago

Cheguei até aqui. De agora em diante, Cuba seguirá seu caminho e eu fico. Divergir é um direito que se encontra e se encontrará inscrito com tinta invisível em todas as declarações de direitos humanos passadas, presentes e futuras. Divergir é um ato irrenunciável de consciência. Pode ser que divergir conduza a traição, mas isso sempre tem que ser demonstrado com provas irrefutáveis. Não acredito que se tenha agido sem deixar margem à duvidas no julgamento recente de onde sairam condenados a penas desproporcionais os cubanos dissidentes. E não se entende, se houve conspiração, porque não foi expulso o encarregado da Seção de Interesses dos EUA em Havana, a outra parte da conspiração.

Agora chegam os fuzilamentos. Sequestrar um barco ou um avião é um crime severamente punível em qualquer país do mundo, mas não se condena a morte os sequestradores, principalmente tendo em conta que não houve vítimas. Cuba não ganhou nenhuma batalha heróica fuzilando esses três homens, mas perdeu minha confiança, quebrou minhas esperanças, traiu meus sonhos. Cheguei até aqui.

Quem quiser ler o artigo em espanhol, diretamente da página internética do jornal El Pais, basta clicar em Hasta aquí he llegado

Os ditadores cubanos Fidel e Raul, a tirânica parelha de irmãos “humanistas”, preparando um humano pra ser fuzilado porque pensava diferente deles…

8 novembro 2012 DEU NO JORNAL

OS POSTES SAÍRAM DO ARMÁRIO

Guilherme Fiuza

“O interruptor é bem aqui: se eu apertar, ele acende”

O resultado da eleição em São Paulo confirma: se a economia brasileira não derrapar feio até lá – e nada indica que isso vá acontecer -, Dilma Rousseff deverá ser reeleita em 2014. Nesse caso, o Brasil será governado pelo PT por 16 anos, no mínimo. Getúlio Vargas, com ditadura e tudo, só conseguiu ficar 15 anos seguidos. E não tinha Valério, Delúbio e companhia no palácio. A ditadura Vargas era o Estado Novo. A democracia petista é o Estado Velho – e doente.

Poderia ser pior. Lula e Dilma mantiveram as instituições funcionando (até aqui), não tentaram nenhuma guinada autoritária explícita (só as dissimuladas, como o mensalão), cumpriram contratos e não caíram na tentação dos calotes, como seus parceiros argentinos. Isso não é pouco. Ou melhor: é pouco, mas é essencial. Pior se o país tivesse caído nas mãos de franco-atiradores como Brizola, Ciro Gomes e outros inspirados por ideólogos da salvação, como Mangabeira Unger.

Em 2000, o PT discutia se valia a pena embarcar na quarta candidatura presidencial de Lula. O filho do Brasil ainda não tinha nascido. Quem existia era o bastardo, o perdedor, que a cada quatro anos repetia seu disco de reclamações contra tudo e era descartado pelo eleitorado. Lula trabalhara bravamente para desacreditar o Plano Real, que seu partido tentou sabotar no Congresso Nacional. Depois da sua terceira derrota como presidenciável, boa parte do PT queria outro candidato em 2002 – o nome do ex-governador Cristovam Buarque era o mais cotado.

Aí o Brasil foi abalroado pela crise da Rússia, que agravou a anterior, no Sudeste Asiático, e José Dirceu teve a idéia de aparecer com o projeto Lulinha Paz e Amor. Em lugar do barbudo rancoroso – espécie de João Pedro Stédile urbano -, Lula apareceria como um conciliador, jogando fora suas próprias bandeiras de ruptura.

Foi um sucesso. A eleição foi ganha, e o perdedor ranzinza que ninguém aguentava mais (nem o próprio PT) virou messias. Com a economia nacional arrumada e o início de um período sem tormentas externas, os brasileiros passaram a acreditar que a vida estava melhorando porque Lula era pobre, e tinha consciência social. O PT ganhou na loteria – e está até hoje administrando o prêmio.

Prêmio que, vale lembrar, é colossal. O governo popular bateu seguidamente seus próprios recordes de arrecadação, com uma carga tributária entre as maiores do mundo. O país gigante deu a Lula e Dilma uma fortuna para administrar, e eles cumpriram sua missão: gastaram pesado com a máquina – que emprega os companheiros e os aliados dos companheiros (até terceiro grau ou aonde a vista alcançar). Derramaram as bolsas gratuitas pelo território inteiro, enriqueceram a floresta de convênios picaretas com os ministérios (como se viu nos Esportes, no Turismo e no Trabalho), que servem para a manutenção de uma infinidade de boquinhas com altos dividendos eleitorais. Torraram dinheiro grosso com a propaganda do governo dos coitados.

Esse é o Estado Velho do PT, que o Brasil resolveu eternizar. Um Estado que não precisa se preocupar em planejar nada, porque o país não lhe cobra isso. Infra-estrutura? A receita é a mesma: usina-dinossauro de Belo Monte, trem-bala imaginário, e o futuro vai sendo empurrado com a barriga e o marketing. Não há ninguém trabalhando para modernizar um dos países mais burocratizados do mundo, ninguém gastando neurônios com um planejamento tributário decente, ninguém projetando a organização das metrópoles caóticas – que dependem do governo federal para os grandes projetos viários, mas que receberão a Copa do Mundo cheias de remendos e disfarces.

O prefeito eleito Fernando Haddad achou engraçado se dizer o segundo poste de Lula (Dilma é o primeiro), e perguntar quem será o próximo. Não há dúvida: haverá um próximo, ou mais de um, para continuar torrando o prêmio lotérico do messias. O crime é tão perfeito que os postes já estão resolvendo sair do armário.

A defesa de Dirceu pediu ao STF a redução da sua pena, considerando o alto “valor social” do réu que combateu a ditadura. Antes de discutir se esse valor social será cotado em reais ou em dólares, seria o caso de perguntar ao ex-sequestrado e seus amigos qual o valor do resgate do Estado sequestrado por eles.

8 novembro 2012 DEU NO JORNAL

UM HOMEM GRATO

Se alguém que não acompanha o mensalão escutasse o voto de Ricardo Lewandowski sobre Ramon Hollerbach pensaria que ele estava dando uma medalha de honra ao mérito ao corrupto e não fixando uma pena de prisão, tamanho os elogios ao caráter e à competência do criminoso.

Ainda bem que, no caso de José Dirceu, Lewandowski não poderá fazer nova exaltação ao corrupto.

Como ele o absolveu, não participará da dosimetria.

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O Ministro Livrandowiski foi indicado para o STF por nossa simpática ex-primeira dama, Dona Marisa, mais conhecida nas rodas sociais por Mudinha.

Ela era muito amiga da família do ministro antes dos Silvas chegarem ao poder, ser canonizados e habitarem o reino dos céus. Lula acatou a sugestão conjugal e deu a canetada. Um critério perfeitamente possível, convenhamos, em se tratando dessa família.

Digo e repito: pode-se acusar Livrandowiski de tudo, menos de ingratidão.

É um homem que sabe dar o devido retorno a quem lhe deu a mão.

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PS: Esta notícia é fresquinha. É de hoje:

O revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski, e o ministro Dias Toffoli reclamaram nesta quinta-feira (8) da decisão que estabeleceu a pena de Ramon Hollerbach, ex-sócio do empresário Marcos Valério. Ele foi condenado a quase 30 anos de prisão, além de multas que chegam a R$ 2,5 milhões. Porém, os dois ministros acharam injusto o fato de a pena ter sido calculada pela soma de cinco crimes realizados entre o início de 2003 e a metade de 2005 – período em que ocorreu a compra de votos no Congresso Nacional, durante o governo Lula. “Quando é a pena mais favorável ao réu não se aplica”, disse Lewandowski ao justificar sua posição. Hollerbach foi condenado por formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e peculato.

Ramon Hollerbach já tem prática de ser preso junto com seu sócio e colega no processo do Mensalão: ele é o que que aparece de camisa preta, à frente de Marcos Valério, rumo ao xilindró, no final do ano passado; ainda bem que esta dupla de cidadãos impolutos encontrou dois advogados de notável saber jurídico e reputação ilibada pra defendê-los no STF, Livrandowiski e Toffinho, os ministros do peito de Lula

8 novembro 2012 DEU NO JORNAL

DE BIMBA NA MÃO

O relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, acatou nesta quarta-feira (7) o pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para recolhimento do passaporte dos 25 réus condenados no julgamento do mensalão.

Os 25 condenados terão 24 horas para entregar o documento.

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Uma fonte bem posicionada me garantiu que o próximo passo de Joaquinzão será pedir que sejam entregues, em 48 horas, os atestados de sanidade mental dos que ainda acreditam em Lula e garantem que o Mensalão não existiu…

Quanto à entrega dos passaportes por parte dos criminosos mensaleiros, não custa nada lembrar que, em outubro passado, o petralha Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil, viajou para a Europa. Enquanto que o ex-deputado Romeu Queiroz foi ao Caribe com a mulher.

Agora, quero chamar a atenção de vocês para um detalhe. É o seguinte: logo após sentirem a grossa pajaraca do STF adentrando nos seus furicos, dois quadrilheiros fizeram declarações interessantíssimas. Zé Dirceu disse ter sido “vítima de um tribunal de exceção“. E Zé Genoino declarou que as decisões do Supremo “não são verdades irrefutáveis“.

Pois bem. Ontem, ao fundamentar sua decisão de mandar recolher os passaportes dos quadrilheiros, o ministro Joaquinzão foi de uma sutileza elefantina, ao escrever o seguinte:

“Considero que alguns dos acusados vêm adotando comportamento incompatível com a condição de réus condenados e com o respeito que deveriam demonstrar para com o órgão jurisdicional perante o qual respondem por acusações de rara gravidade. Uns, por terem realizado viagens ao exterior nesta fase final do julgamento. Outros, por darem a impressão de serem pessoas fora do alcance da lei, a ponto de, em atitude de manifesta afronta a este Supremo Tribunal Federal, qualificar como ‘política’ a árdua, séria, imparcial e transparente atividade jurisdicional a que vem se dedicando esta Corte, neste processo, desde o dia 2 de agosto último”.

E escreveu mais esta pequena pérola:

“A proibição de o acusado já condenado ausentar-se do país, sem a autorização jurisdicional, revela-se, a meu sentir, medida cautelar não apenas razoável como imperativa”

Cababom que só a porra!  Isso é que é ser um canetada da mulesta dos caxorros.

O Ministro Joaquim Herói Brasileiro Barbosa é mesmo que o Cão do Segundo Livro entrando no terreiro da gangue e segurando a pica com a mão direita. Ao lado dele, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, na figura do Cabôco Papa-Cu, carregando na mão esquerda um tabaqueiro de chifre de bode cheio de vidro moído.

Vai ter corrupto e quadrilheiro gemendo que só porco na faca e mais agoniado do que bacorinho em caçuá.

Palmas pro Procurador Geral, que pediu o confisco dos passaportes, e palmas pra Joaquinzão Herói Brasileiro, que atendeu ao pedido.

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