5 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

RECEITA PARA MAU PAGADOR

Zuenir Ventura

Se você está inadimplente com a prefeitura do Rio, a solução é simples, desde que você atenda aos seguintes requisitos: ter uma casa num condomínio de luxo na Barra valendo mais de R$ 500 mil, um apartamento no mesmo bairro, dois terrenos em Angra, um em Cabo Frio, outro em Búzios e três carros – um patrimônio avaliado em cerca de R$ 1 milhão.

A fórmula funcionou pelo menos para o vice-prefeito Fernando Mac Dowell, dono das propriedades citadas, conforme constam na Justiça Eleitoral, e que há 15 anos não paga IPTU, acumulando uma dívida de R$ 215 mil, sem contar os R$ 235 mil de ISS e os R$ 137 mil de Imposto de Renda.

Ao defendê-lo esta semana, o prefeito Marcelo Crivella deu uma curiosa resposta quando lhe perguntaram se aquele não era um mau exemplo: “Se a pessoa é rica e não paga, é um mau exemplo. Agora, se não tem condições de pagar e não pagou, então, ela precisa negociar”. Para ele, esse seria o caso do seu vice, que estaria “passando por momentos difíceis. Tenho certeza que Deus vai abençoá-lo”.

Quando assumiu, Crivella mostrou-se preocupado com as distorções que encontrou nos pagamentos do IPTU e prometeu, sem aumentá-lo, rever e corrigir isenções e dívidas indevidas.

Para dar uma ideia: o município conta com dois milhões de imóveis cadastrados, mas seis em cada dez não pagam o Imposto Predial e Territorial Urbano.

Na condição de um desses inadimplentes, o vice não quis se explicar para a imprensa, alegando que era uma “questão de cunho pessoal”, esquecendo-se de que a dívida pública de um homem público é uma questão pública, não pessoal. Tanto é assim que os candidatos são obrigados a apresentar declaração de todos os bens particulares, como ele e o prefeito fizeram.

De um governante e de sua conduta, os eleitores têm o direito de saber tudo, principalmente se é capaz de cumprir seus deveres básicos de contribuinte.

A revelação meticulosa dessa história exemplar pelo repórter Luiz Ernesto Magalhães surtiu efeito imediato sobre o vice-devedor. Seu advogado anunciou que conseguiu parcelar a dívida do cliente em sete anos, os quais, somado aos 15 do atraso, resultam num acordo mais que vantajoso para quem ficou tanto tempo sem quitar a conta.

O que não se sabe é se todos os que realmente estão passando por “momentos difíceis” terão a mesma sorte.

5 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

HOMEM DE PALAVRA FIRME E VERDADEIRA

Quando registrou sua candidatura a senador em 2002, Sérgio Cabral Filho (PMDB) declarou ter pouco menos de R$ 380 mil em ativos. Era uma redução em relação a 1998, quando dissera à Justiça Eleitoral ter patrimônio de R$ 827.872,03.

A realidade, porém, era outra. Deputado desde 1991 e presidente da Assembleia Legislativa do Rio a partir de 1995, Cabral aumentara suas posses – e muito.

Acumulara ilegalmente US$ 2 milhões, equivalentes a R$ 5 milhões, na conta Eficiência, no Israel Discount Bank of New York, segundo as investigações da força-tarefa responsável pelas operações Calicute e Eficiência.

Em 2006, na disputa pelo governo, Cabral reconheceu ter no Brasil posses de R$ 647.875,61. Em outros países, de acordo com os investigadores, guardava secretamente US$ 6 milhões (R$ 13,7 milhões).

O contraste entre os patrimônios declarado e real do ex-governador, preso em Bangu 8 na Operação Calicute, chamou a atenção dos investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF).

Eles souberam da existência da fortuna em outros países – em dólares, euros, barras de ouro, ações e até diamantes – pela delação de Marcelo e Renato Chebar.

* * *

“Não é nada meu”, foi o que Cabral declarou quando procurado pela reportagem do JBF.

Cabral acrescentou que não tem apartamentos triplex em Ipanema, não tem sítios em Araruama e não tem jatinhos em hangares do Galeão.

Ele disse que nem mesmo a mulher que esta presa, Adriana Ancelmo, é dele!

E eu, este Editor que vos fala, que fiz a entrevista com Cabral, acredito em tudo que ele falou.

Recomendo a todos vocês: acreditem nele também.

É um homi que só fala a verdade. A mais pura e cristalina verdade.

É tão honesto quanto Jesus Cristo.

E tão injustiçado quanto outro grande inocente vítima de perseguição, o ex-prisidente Lula.

Sérgio Cabral, tanto quanto Lula, merece toda nossa confiança e respeito.

Sérgio Cabral vivendo uma cena típica de uma ditadura: preso injustamente num país sem lei, sem constituição, sem justiça e com juízes golpistas que assinam sentenças de prisão contra almas puras e inocentes

5 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

ENTRE O PÉSSIMO E O RUIM

Ruy Fabiano

Redução de danos tem sido palavra-chave para entender (e explicar) a política brasileira contemporânea. Trocar Dilma Roussef (PT) por Michel Temer (PMDB) foi, por exemplo, um desses momentos em que o princípio se impôs, goela abaixo.

Temer estava (está) longe de ser um modelo alternativo: presidiu o PMDB nos quatro governos petistas, foi adepto da “relação carnal” (expressão de José Dirceu) entre os dois partidos, compartilhando votos, cargos e delitos. Era (é) a personificação de seu partido. Mas Dilma superou as piores expectativas.

Com a economia em ruínas, desemprego galopante e o país em desordem, e a presidente convicta de que nada disso ocorria, a opção que se estabeleceu foi entre o abismo (Dilma) e a pinguela (Temer). Pinguela, pois – e nela estamos.

Exemplos equivalentes não faltam.

Na recente eleição para a prefeitura do Rio, o eleitor se viu, mais uma vez, entre o fogo e a frigideira, obrigado a escolher entre dois Marcelos: o Freixo (PSOL), patrono dos black blocs, adepto do estatismo alucinado, ou o Crivella (PRB), sobrinho do proprietário da Igreja Universal, bispo Macedo. Optou por Crivella, a frigideira.

Fiquemos com o caso mais atual: a escolha, na quinta-feira, de Edson Fachin para relator da Lava Jato no STF, em substituição a Teori Zavascki, morto mês passado em acidente de avião.

Temeu-se pelo fim da Lava Jato, já que as alternativas sucessoras – Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, integrantes da 2ª turma do STF – não parecem entusiastas da operação judicial em curso. Celso de Mello, tido como a escolha ideal, alegou questões de saúde, provavelmente para não a perder de vez.

Os integrantes da Lava Jato, incluindo o juiz Sérgio Moro, chegaram a celebrar a escolha. Mas não por sabê-la grande coisa, senão por ser a menos problemática – e menos explícita.

Fachin – e isso é constatável em vídeos na internet – foi um petista fervoroso, defensor do politicamente correto e dos movimentos sociais revolucionários (MST, CUT, MTST, UNE etc.).

Chegou a subir num palanque, em 2010, para pedir votos para a candidata Dilma Roussef, que, agradecida, viria a nomeá-lo ao STF em 2015, no início da crise do Petrolão. Cumpriu, quase sempre, o papel a que seus patronos o destinaram.

Aderiu, por exemplo, à tese do fatiamento do processo, levantada por Toffoli, reduzindo o papel do juiz Sérgio Moro. Com tal perfil, a que se somam diversos outros momentos, não haveria por que vislumbrar, com sua relatoria, maiores novidades.

Mas, a exemplo de Teori, de quem era amigo, não parece disposto a remar contra a maré e desafiar os fatos, como, por exemplo, já o fizeram Toffoli e Lewandowski, este chegando, inclusive, a fatiar um mesmo dispositivo da Constituição para preservar os direitos políticos de uma presidente cassada. Fachin sabe que relatará sob intensa pressão pública, interna e externa.

A Lava Jato, hoje, estende seus tentáculos para fora do país. A Odebrecht, cujas delações relatará, está sendo investigada e processada em diversos países da América Latina – Panamá, Colômbia, Equador e até Venezuela. Seus delitos (e estamos falando de uma só empreiteira; há diversas outras) começam a chamar a atenção de autoridades dos EUA. É só o começo.

As investigações, por meio de convênios, mobilizam outros países, dispostos a dar nome aos bois – e sobretudo a confiná-los.

Não por outro motivo, Teori decidira quebrar sigilos e dar sequência, sem concessões políticas, ao processo. Fachin, diz-se, não terá outra alternativa. A Lava Jato é maior que seus eventuais adversários – e não pertence a ninguém, senão ao país. Tornou-se o símbolo de uma ansiada nova era para a vida pública brasileira.

5 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

O ANGORÁ DE TEMER

Citado em trechos vazados de delações da Odebrecht, o secretário-geral da Presidência, Moreira Franco, pode até ser inocente. Se o é, insiste em parecer o contrário. Sua ascensão a ministro, com direito a foro privilegiado, não só aponta para culpa confessa como complica o presidente Michel Temer, que reincide no erro de proteger os seus quando há sobre eles forte suspeição.

Temer já apanhou com as escolhas imprudentes de Henrique Eduardo Alves (Turismo), Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência), ministros envolvidos na Lava-Jato, que tiveram de abandonar seus cargos ainda durante sua interinidade.

Sofreu ainda mais com Geddel Vieira Lima, que deixou a Secretaria do Governo depois de apertar o presidente em uma saia justíssima, tendo usado o cargo em benefício próprio, no caso, um apartamento milionário em Salvador.

Com Moreira, o “angorá” na planilha do departamento de propina da Odebrecht, mais uma vez Temer escolheu colocar seu governo, e de quebra o país, em risco.

A benesse a Moreira se materializou na quinta-feira. E atropelou vitórias importantes que o presidente arrancara com as eleições das mesas do Senado e da Câmara dos Deputados. Nelas, se viram maiorias sólidas, capazes de dar respaldo, e até celeridade, às reformas de que o impopular Temer e o agonizante Brasil tanto precisam.

Ofuscou ainda a entrada de corpo e alma do PSDB no governo – que Temer pretendia triunfal – com as posses de Antônio Imbassahy na Secretaria de Governo e de Luislinda Valois, no recriado Ministério de Direitos Humanos.

Com as alterações, a Esplanada que Temer queria ver reduzida bateu em 28, entre ministros, Banco Central, Procuradoria e secretários com status de ministros. Apenas três a menos do que a presidente deposta Dilma Rousseff deixou.

A petista chegou a ter 39 auxiliares no primeiro escalão, oito a mais que seu padrinho Lula, 18 acima do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Em 2015, quando a crise explodiu sua porta, Dilma reduziu para 31, retirando status de ministros de pastas que agora Temer repõe em nome não só de agrados a parceiros políticos, mas também do privilégio de foro.

Com atitudes assim, por mais que anuncie reformas e até vença no Congresso, rode o país e apareça em inaugurações, Temer dificilmente conseguirá construir credibilidade – quanto mais popularidade.

É fato que tem o que mostrar na área econômica. E muito.

Pela primeira vez desde maio de 2014 a inflação foi domada para dentro do teto da meta; os juros, ainda altos, baixaram por dois meses consecutivos, algo que não acontecia desde abril de 2013; a expectativa positiva nos meios produtivos aumentou.

E também na política.

Conseguiu aprovar o teto de gastos, tem chances de vencer, pelo menos parcialmente, nas reformas previdenciária e trabalhista. Com discrição e tato, colocou seus prediletos Rodrigo Maia (PMDB-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE) na presidência da Câmara e do Senado. Devido a uma fatalidade, vai indicar um ministro do Supremo, algo que jamais imaginou que poderia fazer.

Deveria saber que as sete vidas não passam de lenda. E que, por mais tinhoso que seja o bichano, não há gato que valha o risco de pôr tudo a perder.

5 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

NÃO CUSTA NADA LEMBRAR

Não foram os policiais federais e ou os procuradores, nem muito menos o juiz Sérgio Moro, que se locupletaram do cargo ou aceitaram sítios ou apartamentos a título de propina, tampouco receberam “doações” milionárias das mesmas empreiteiras que roubavam o Brasil.

* * *

Danado é mostrar esta obviedade pruma turminha de descerebrados renitentes.

É mesmo que dar conselho a doido: pura perda de tempo.

“Daqui num saio, daqui ninguém me tira”

4 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

LARÁPIOS ADMINISTRANDO O TESOURO

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, autorizou nesta quinta-feira (2) a soltura do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores Paulo Ferreira.

Preso em junho de 2016, ele é réu no processo que apura irregularidades nas obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, no Rio de Janeiro.

A denúncia cita os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

* * *

O PT bateu o recorde planetário em termos de tesoureiros presos.

Um fenômeno interessantíssimo.

E tesoureiro, como sabemos, é quem cuida do tesouro.

Tô falando apenas dos tesoureiros, sem contar os outros incarnados, como o prisioneiro Zé Dirceu.

Uma curiosidade que tem tudo a ver com o bando vermêio-istrelado.

Lendo esta notícia da soltura de um criminoso petralha, me lembrei no saudoso Joelmir Betting, falecido em 2012, um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro.

Vejam o que ele disse:

3 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

A INVEJA MATA

A União cobra R$ 22,7 milhões do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT) por sonegação fiscal. Em petição encaminhada ao juiz Sérgio Moro, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional alega que “é indiscutível que, dentre as diversas ilegalidades praticadas por José Dirceu, as quais o tornaram réu investigado em inúmeras ações penais no âmbito da Operação Lava Jato, existiram atos que implicaram no desrespeito de normas tributárias”.

Os cinco procuradores da Fazenda que subscreverem o requerimento a Moro argumentam, também, que as operações praticadas pelo petista, bem como a renda que ele obtinha com essas, não eram declaradas aos órgãos da administração tributária. Pela peça, a intensão de Dirceu em omitir o que gerou a sua renda configura-se em “crime de sonegação fiscal em diversas oportunidades”.

Um dos fundadores do PT, José Dirceu está preso em Curitiba, base da Operação Lava Jato, desde o dia 3 de agosto de 2015. Sérgio Moro o condenou a 20 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa no esquema de propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.

Ao pedir “tutela provisória de urgência cautelar”, a Procuradoria da Fazenda alerta Moro sobre o “risco de não satisfação dos créditos tributários” atribuídos a Dirceu.

* * *

Morro de inveja desta turminha.

Eu queria ter condições de dever à Receita Federal pelo menos o dobro do que Zé Dirceu deve.

Mas, infelizmente, num sou petista.

Que merda…

“Esta porra deste Editor do JBF num larga do meu pé…”

3 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEXTA-FEIRA – BANÂNIA NUM TEM JEITO MESMO

O peemedebista Moreira Franco é citado em delação premiada da empreiteira Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato e agora, como ministro, passará a ter foro privilegiado e só poderá ser investigado com autorização do Supremo Tribunal Federal.

* * *

Um febrento feito este Temer Cara-de-Tabaca tinha mesmo que ter sido vice na chapa da petêlha Vaca Peidona.

Agora, só falta o guabiru Moreira Franco imitar Ceguinho Teimoso, petista renitente, e dizer que esta perseguição em torno do seu nome é coisa dos “golpistas“,

Banânia num tem jeito mesmo.

É um caso perdido.

É ladrão que não acaba mais!!!!

Vamos ouvir música pra relaxar e aguardar o final de semana.

2 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

FALTA MAIS UM

O juiz federal Sérgio Moro condenou nesta quinta-feira o marqueteiro do PT João Santana e sua mulher, Mônica Moura, pelos crimes de lavagem de dinheiro no esquema de corrupção na Petrobrás alvo da Operação Lava Jato.

Os dois foram condenados a 8 anos e 4 meses de prisão.

Entre os nove crimes de lavagem, reconheço continuidade delitiva. Considerando a quantidade de crimes, elevo a pena do crime em 2/3, chegando ela a oito anos e quatro meses de reclusão e cento e oitenta dias multa”, escreve Moro na sentença.

* * *

O marqueteiro do PT já está justa e devidamente condenado.

Agora só falta condenar o proprietário do PT.

João Santana e seus dois marqueteados vermêios-istrelados

2 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA QUINTA-FEIRA – GUABIRUTAGEM AZUL-EMPLUMADA

* * *

Para quem tem seu bandido predileto, esta é uma excelente notícia.

Pra lamentar ou pra baixar o cacete.

Só mesmo aqui no JBF é que não tem vaga pra se elogiar corrupto de qualquer cor.

Agora, aqui entre nós: eu só queria saber com quem foi que Aécio aprendeu a rebater uma acusação de ladroagem com a afirmação de que “isto é um absurdo

Vocês sabem?

.

1 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

AJUDANDO UM BANDIDO

Ao pedir vistas da ação que discute se réu pode permanecer na linha sucessória da Presidência da República, Gilmar Mendes ajudou Renan Calheiros.

Apesar dos votos de Celso de Mello, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, outros cinco ministros já se manifestaram contra a presença de réus no comando da Câmara e do Senado.

Seguindo essa tendência e uma vez concluído o julgamento, Renan seria impedido de presidir a sessão de votação da nova mesa diretora do Senado.

* * *

Esse Gilmar Bocudo Mendes é cheio de presepadas mesmo.

Putz!

Um ministro do Supremo dar uma mãozinha pra um bandido do porte de Renan é sujar a biografia.

Mas, como estamos em Banânia, tudo é possível.

É phoda!!!

1 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

COMPANHEIRO EIKE

Hubert Alquéres

O salão de festas do legendário hotel Waldorf Astória, em Nova York, estava lotado pela nata do empresariado americano na noite de 21 de setembro de 2009. Lula era o pop star do jantar onde estava recebendo o prêmio Woodrow Wilson for Public Service, concedido a políticos e empresários.

Em seu discurso, o então presidente da República, falou do “momento mágico” que o Brasil vivia e cumprimentou nominalmente apenas três pessoas: Luiz Dulci, secretário Geral da Presidência; Rex Tillerson, presidente mundial da ExxonMobil e hoje Secretário de Estado de Donald Trump, o principal cargo do governo dos EUA depois do presidente; e “o nosso companheiro Eike Batista”.

Eike Batista era a principal grife da política de “campeões nacionais”.

De fato, turbinado por um empréstimo do BNDES de R$ 10 bilhões, Eike já era o sétimo homem mais rico do planeta, dono de uma fortuna de R$ 30 bilhões e “orgulho do Brasil”, como a ex Dilma Rousseff o chamava.
O empresário-padrão parecia um novo Midas. Tudo em que tocava virava ouro, sem nenhuma ironia com seu parceiro Sérgio Cabral.

O império de Eike ruiu abruptamente em 2013 quando a joia da coroa, a petroleira OGX, foi à bancarrota porque os poços perfurados não tinham petróleo. O prejuízo ficou para os credores e investidores, entre eles o BNDES e fundos de pensão, que caíram no conto do “petróleo dos tolos”.

Em suas mãos ficaram ações micadas, algumas das quais com valor de centavos.

Para se ter ideia do tamanho do golpe: ao surfar no otimismo da era Lula, Eike Batista captou R$ 27 bilhões no mercado de capitais.

Diante do rotundo fracasso do maior símbolo do “momento mágico” lulista, o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, procurou amenizar o colapso como “acidente”, ao qual o mercado estaria “acostumado”.

Explicação mais estapafúrdia só mesmo a do místico Eike Batista. A culpa, dizia ele, foi de uma conspiração dos astros.

Acidente de percurso coisíssima nenhuma. A derrocada do grupo Eike foi o corolário de uma sucessão de vexames da estratégia lulopetista de eleger um “núcleo de empresas vencedoras”.

Nesta aventura o BNDES jogou cerca de R$ 40 bilhões em transações no mínimo duvidosas, como a OI/Telemar (a supertele criada para concorrer com as multinacionais), a campeã de laticínios LBR (que simplesmente quebrou), o grupo Bertin (que deu um vexame bilionário nos segmentos de carnes e energia) ou, dentre tantos outros, o frigorífico Marfrig (que recebeu R$ 3,6 bilhões de dinheiro público em aportes em troca de ceder 19,6% de seu capital ao BNDESPar).

No auge dessa loucura, Coutinho tecia loas a Lula, chamando-o de “nosso grande timoneiro” e dava fundamentos teóricos à política de “campeões nacionais”. De pés juntos, jurava que não havia um “processo artificial de fabricação de empresas”.

Diante do rosário de fracassos, o BNDES jogou a toalha em 2013. Desistiu dessa política, sem que ela tivesse se traduzido em ganhos para o Brasil.

Na Coréia do Sul, o programa público de estímulo – que gerou gigantes como a Samsung – estabelecia que as empresas contempladas apresentassem ganhos de produtividade e de exportação. Quem não alcançasse a meta, perdia imediatamente os benefícios.

No Brasil, nada se exigiu em contrapartida. Bastava ser amigo do rei.

Irmã gêmea dos campeões nacionais, a estratégia de se fomentar a substituição das importações no setor de óleo e gás, gerou a enroladíssima Sete Brasil.

Como suporte de tantos desatinos, o Tesouro Nacional injetou 350 bilhões de reais no BNDES, em apenas quatro anos.

Um espanto: o Tesouro captava recursos a juros da taxa Selic (12,75% em 2009) ao ano e repassava ao BNDES a juros de longo prazo, 6% ao ano. Por sua vez o banco fazia empréstimos de pai para filho a grupos privados escolhidos seletivamente.

Assim foi criado o capitalismo de laços descrito no livro de Sérgio Lazzarini, professor do Insper. Nessa modalidade, a acumulação de capital não se dá pela via da concorrência, de ganhos de competitividade e produtividade, mas pelas conexões de seletos grupos com o Estado.

Eike Batista é filho legítimo deste capitalismo de compadrio. Não seria o que foi sem o “momento mágico“ de Lula, sem a “nova matriz econômica” de Dilma.

O empresário queridinho dos governos petistas se apresenta à Justiça disposto a abrir o bico. Tem muito a contar sobre a política de campeões nacionais.

E é possível que Lula e “o companheiro Eike”, que hoje já vive no complexo penitenciário de Bangu no Rio de Janeiro, voltem a se encontrar. Não mais no luxuoso Waldorf Astória.

1 fevereiro 2017 DEU NO JORNAL

EM BANÂNIA TUDO É POSSÍVEL

Por decisão do seu próprio partido, PMDB, e sob pressão dos demais, o senador Renan Calheiros foi vetado para presidir a poderosa Comissão de Constituição e Justiça do Senado, como ele pretendia.

Os líderes concluíram que seria um desgaste desnecessário entregar a presidência da CCJ a um senador que é réu e investigado 13 vezes.

A CCJ é a comissão mais importante do Senado porque define os projetos que vão tramitar até serem votados no plenário.

Também cabe à CCJ sabatinar indicados para ministro do Supremo Tribunal Federal e diretores de agências reguladoras, por exemplo.

* * *

Renan presidindo a Comissão de Constituição e Justiça do Senado – que é o órgão que sabatina os indicados para o STF -, seria assim como o réu interrogando os juízes.

Mas, como estamos em Banânia, nada é impossível.

Nada mesmo.

É bom não esquecermos nunca que somos um país que já teve na sua prisidência as figuras de Lula e de Dilma. Eleitos e (é phoda!!!) reeleitos!

Não esqueçam nunca disto.

Quanto a Renan, ele merece o mesmo destino de Lula e de Dilma: a lata de lixo.

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA TERÇA-FEIRA – TERTÚLIA FLÁCIDA PARA ADORMECER VACUNS

* * *

O sujo falando da mal lavada.

Os dois são tolôtes do mesmo pinico.

Dou um pelo outro e não quero torna.

Aquela turminha que tem seus safados prediletos se esquece que estes dois foram eleitos juntos,  na mesma chapa.

O fato é que rombo, rombo mesmo, existe é no furico de nós outros, os contribuintes.

“Fumos eleitos juntos, cumpanhero Temer. E juntos vamos butar pra fudê nesse povão que tá lá em baixo batendo palmas pra nóis dois”

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA TERÇA-FEIRA – O CULPADO

* * *

Segundo o fubânico petista Num-Quero-Enxergar-Nada – que adora gráficos, números e estatísticas -, esta fantástica taxa de desemprego é culpa dos tucanos.

É a herança maldita da desastrosa administração de FHC.

Os 13 (êpa!) anos de gunverno do PT nada tem a ver com isto.

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

UM CORRUPTOR ESPERTO

Os governos do PT abriram os cofres para financiar projetos do ex-bilionário Eike Batista, preso nesta segunda-feira (30) no Rio.

Até 2013, ainda no primeiro governo Dilma, o BNDES beneficiou ao menos onze empresas do “Grupo EBX”, de Eike, num total de R$10,4 bilhões em financiamentos diretos.

Outros negócios possibilitados pelos governos Lula e Dilma podem ter rendido ao menos R$20 bilhões ao empresário.

Eike ainda contava com as lorotas da cúpula do BNDES para explicar o dinheiro fácil, definindo os ativos da EBX como “sólidos e valiosos”.

O BNDES também utilizou recursos do FAT, o Fundo de Amparo ao Trabalhador, para bancar as aventuras de Eike Batista.

Lula se utilizou do jatinho de Eike em viagens, e Dilma visitou a EBX, quando em discurso disse que o empresário é “orgulho do Brasil”.

A ordem para financiar as aventuras de Eike com dinheiro público saía do Planalto, nos governos do PT, apesar dos sinais da derrocada.

* * *

Eike, Lula e Dilma, tudo farinha do mesmo bisaco.

Tudo tolôte do mesmo pinico.

O Corruptor Ativo sabia muito bem a ciência de arrancar o que quisesse da dupla de “estadistas” petralhas.

“Dilminha querida, quanto tu peidas o ar fica perfumado. Estou sentindo daqui. Hum… Que cheirinho gostoso! Agora, vê se arranja aí uma obra bem cara do governo pra eu fazer”

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

BILIONÁRIO BELGA FINANCIOU CAMPANHAS

Ethevaldo Siqueira

Este cavalheiro na foto abaixo é um dos “grandes amigos” de Lula, de Dilma e do PT. Seu nome: Albert Frère, um mega empresário belga e um dos homens mais ricos daquele país.

Financiou a campanha do Lula, o filme Lula, a campanha da Dilma…

E até há pouco, havia poucas provas do grande escândalo que estava por trás dessa “amizade”. Hoje há uma tonelada de provas e evidências.

O barão Albert Frère, um dos homens mais ricos da Bélgica

Qual é a razão da amizade estranha? Pura gratidão. Albert Frère era o dono da Refinaria de Pasadena, no Texas, por meio da Astra Transcor Energy, que foi comprada por U$ 42,5 milhões como sucata, em 2005, e vendida um ano depois por U$ 1,12 bilhão para a Petrobras.

Ou seja, por um preço 26 vezes maior. Mamãe Petrobras dos tempos de Lula e Dilma era bem generosa, não acham?

Albert Frère possui 8% das ações da GDF Suez Global LNG, ocupando a cadeira de vice-presidente mundial nesta mega organização, maior produtora privada de energia do planeta.

A GDF Suez possui negócios com a Petrobras no Recôncavo Baiano, mas seu principal negócio no Brasil é a Tractebel Energia, dona de um faturamento de quase R$ 6 bilhões anuais.

A empresa é dona de Estreito, Jirau, Machadinho, Itá e dezenas de hidrelétricas, termelétricas e eólicas. Por aí vemos como os “líderes de trabalhadores” e seus amigos se articulam sem que ninguém imagine como funciona a máquina da corrupção.

A Tractebel, que é da GDF Suez, tem como um dos principais acionistas o senhor Albert Frère, um dos donos da Astra Transcor Energy, o mesmo que passou a perna no Brasil em U$ 1,12 bilhão na grande maracutaia de Pasadena, e que correspondeu à generosidade dos governos petistas tornando-se grande doadora da campanha de reeleição de Lula, em 2006, com a doação modesta de R$ 300 mil – cuja legalidade chegou a ser contestada.

A mesma Tractebel foi uma das patrocinadoras do filme “Lula, Filho do Brasil” (eu quase errei ao escrever esse título, de “Filho do Brasil”…). Já em 2010, para a eleição de Dilma, a Tractebel doou quase R$ 900 mil.

Será que os próprios petistas (honestos e puros, se ainda houver alguns) não deveriam exigir a apuração rigorosa de tudo isso? Ninguém está inventando nada.

Essas denúncias foram publicadas na imprensa brasileira desde 2014, na Folha de S. Paulo e outros veículos. Clique aqui para ler.

31 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

EIKE CARECA É A FOTOGRAFIA DE UM BRASIL DIFERENTE

A imagem do ex-bilionário Eike Batista careca, uniformizado de preso, escoltado por policiais, sendo transferido de uma penitenciária para outra é o retrato de um Brasil em mutação. Um país ainda desanimador. Mas que já consegue expor as mazelas que comprovam uma evidência: esta é a nação onde há as mais fabulosas possibilidades de surgir um mundo inteiramente novo. Caos, matéria-prima básica dos grandes recomeços, não falta.

Eike voara para Nova York dois dias antes da decretação de sua prisão. Dispunha de dinheiro e de um passaporte alemão. Poderia tentar uma fuga. Preferiu retornar para “ajudar a passar as coisas a limpo”. Fez isso porque concluiu que já não é tão fácil ficar completamente impune depois de passar as coisas a sujo no Brasil – um país que ainda não é inteiramente outro, mas já está diferente.

* * *

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

CÁRMEN LÚCIA TOMOU DECISÃO QUE A CRISE EXIGIA

Franzina e baixinha, Cármen Lúcia tomou nesta segunda-feira uma decisão à altura da crise moral que o país atravessa. Educada em colégio de freiras, formada em universidade católica, a presidente do Supremo Tribunal Federal poderia ter confiado à providência divina o futuro da Lava Jato. Mas preferiu não dar sorte ao azar. Ao homologar as 77 delações da Odebrecht, a ministra manteve o ritmo da Lava Jato. Retirou do substituto de Teori Zavascki, ainda a ser sorteado, a chance de pisar no freio.

Cármen Lúcia contrariou interesses e opiniões dentro e fora do Supremo. No Planalto e no Congresso, políticos encrencados nas investigações apostavam que a morte do relator Teori lhes proporcionaria o refrigério de um atraso de pelo menos três meses na tramitação do processo. Na Suprema Corte, parte dos ministros era contra a urgência. Alegava-se que a homologação a toque de caixa era desnecessária e até desrespeitosa com o futuro relator, posto sob suspeição antes mesmo de ser escolhido. Não restou aos contrariados senão dizer “amém” à homologação. A presidente do Supremo cercou-se de todos os cuidados técnicos.

De plantão no Supremo durante as férias dos colegas, cabe a Cármen Lúcia decidir sozinha as pendências urgentes. Ela conversou com os juízes que trabalhavam com Teori. Soube que o relator da Lava Jato havia se equipado para homologar no início de fevereiro os acordos de colaboração da Odebrecht. Só faltava ouvir os delatores, para saber se suaram o dedo espontaneamente. Convidou o procurador-geral Rodrigo Janot para uma conversa. Acertou com o chefe do Ministério Público Federal o envio de uma petição requerendo a urgência nas homologações.

Munida da requisição de Janot, Cármen Lúcia autorizou a equipe de Teori a tocar as inquirições dos delatores. O trabalho foi concluído na última sexta-feira. Simultaneamente, a ministra realizou consultas aos colegas. Avaliou que as opiniões contrárias à homologação eram minoritárias. E escorou-se no regimento do Supremo para deliberar sozinha sobre a matéria, tratando-a com a urgência que a conjuntura requer. Fez isso um dia antes do encerramento do recesso do Judiciário. As férias terminam nesta terça-feira (31). Tomou um cuidado adicional: manteve o sigilo das delações.

A preservação do segredo, recebida com alívio no Planalto e no Congresso, pode ser inócua. Logo começarão os vazamentos dos trechos que ainda não chegaram ao noticiário. Mas Cármen Lúcia livrou-se de críticas, porque manteve o formato das decisões tomadas anteriormente pelo próprio Teori. O antigo relator só levantava o sigilo dos acordos de colaboração depois que a Procuradoria da República requisitava a abertura de inquéritos na Suprema Corte.

Com o aval de Cármen Lúcia, o Ministério Público pode dar sequência às investigações, equipando-se para processar e punir os envolvidos. Parte do material será enviada para Curitiba, onde são moídos os investigados que não dispõem do foro privilegiado do Supremo. A conjuntura intimava Cármen Lúcia a agir com destemor. E a ministra preferiu não transferir a tarefa para Deus.

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

QUADRILHA MINISTERIAL PMDEBEIRA-TEMERIANA

Dos 26 atuais ministros do presidente Michel Temer, 12 são réus, alvos de inquérito ou enrolados em algum escândalo.

A acusação mais comum é a de improbidade administrativa, que atinge quatro deles: Eliseu Padilha (Casa Civil), Helder Barbalho (Integração), Gilberto Kassab (Ciência) e José Serra (Itamaraty).

Os demais crimes envolvem corrupção, fraude de licitação, peculato e até falsidade ideológica.

Na delação, o ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo citou Moreira Franco e Bruno Araújo (Cidades). Outros citados já não são ministros.

Atribuíram “peculato” a Raul Jungmann (Defesa), mas a acusação já prescreveu. Ricardo Barros (Saúde) é acusado de fraudar licitação.

Maurício Quintella (Transportes) até foi condenado por desvio de merenda, e Marx Beltrão (Turismo) responde por falsidade ideológica.

* * *

É uma quadrilha de fazer inveja às facções do presídio de Alcaçuz.

Improbidade administrativa, desvio de merenda, corrupção, fraude de licitação, peculato e até falsidade ideológica.

Danô-se!!!

A administração da República Federativa de Banânia, na gestão pmedebeira-temeriana, está nas mãos de gente compatível com a nossa tradição.

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

AMOLEGAÇÃO PRA COMEMORAR A HOMOLOGAÇÃO

A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, homologou as 77 delações de executivos e ex-executivos da construtora Odebrecht. A homologação dá validade jurídica às delações.

Agora, o material será encaminhado para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que vai analisar os documentos para decidir sobre quais pontos irá pedir abertura de investigação.

Plantonista do STF no recesso do Judiciário, Cármen Lúcia usou a prerrogativa de presidente para homologar as delações dos dirigentes e ex-dirigentes da empreiteira.

Ela tomou a decisão para não atrasar o andamento das investigações da Lava Jato, na medida em que o relator do caso no tribunal, ministro Teori Zavascki, morreu em um acidente aéreo no litoral do Rio de Janeiro.

* * *

Já dei ordem pra Chupicleide, secretária de redação do JBF, pra ficar amolegando a pica do jumento fubânico Polodoro.

Nosso estimado jegue deve ficar de cacete duro pra enfiar no furico de tudo quanto é guabiru citado nas delações dos executivos odebrechtianos.

Se tiver bicho-de-saia entre eles, aí é que o nosso jumento vai ficar feliz mesmo.

Polodoro ficou tão ansioso e feliz com esta minha determinação que até rinchou de alegria!

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

COERÊNCIA DO PT VIRA UMA ROLETA-RUSSA SEM BALA

No PT, a coerência é apenas um outro nome para oportunismo. Há uma semana, o Diretório Naional do PT aprovara resolução sobre a eleição para as presidências das duas Casas do Congresso. Por 45 votos a 30, o órgão partidário havia liberado suas bancadas para apoiar candidatos governistas: Rodrigo Maia (DEM) ou Jovair Arantes (PTB) na Câmara; Eunício Oliveira (PMDB) no Senado. Com isso, o petismo garantiria cargos nas Mesas que dirigem o Legislativo e nas comissões setoriais. A decisão foi bombardeada nas redes sociais pela militância petista, inconformada com a perspectiva de apoiar personagens que a legenda tacha de “golpistas”.

Acordado pela gritaria virtual, o presidente do PT, Rui Falcão, dobrou os joelhos neste domingo. Em artigo veiculado no site do PT, Falcão fez algo muito parecido com um cavalo de pau. Reconheceu que a decisão do diretório nacional, que ele próprio articulara, “provocou o movimento de contestação e de pressão” interna. Deu o decidido por não decidido. E rodopiou na pista: “Minha opinião pessoal é que nos unamos aos parlamentares da oposição (PDT, PC do B, Rede e Psol) num bloco a ser encabeçado por alguém deste campo.” O petismo ensaia as candidaturas de Paulo Teixeira (PT-SP) na Câmara e de Lindbergh Farias (PT-RJ) no Senado.

A velocidade com que o PT muda de convicção torna divertido o acompanhamento do processo de autocombustão do partido. Num esforço para administrar seu instinto suicida, a legenda acaba de inventar um passatempo sui generis. No vaivém de suas posições contraditórias, os companheiros brincam de roleta-russa movidos pela certeza de que a coerência que manipulam está completamente descarregada.

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DA SEGUNDA-FEIRA – FALTA ALGUÉM ATRÁS DAS GRADES

O empresário Eike Batista chegou ao presídio Ary Franco, na Zona Norte do Rio, por volta das 11h15. Ele foi preso por agentes da Polícia Federal logo após desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, às 10h.

Eike não tem nível superior, então não poderia ser levado para Bangu 8, mesmo presídio em que está o ex-governador Sérgio Cabral. Segundo dados de dezembro do ano passado, o presídio Ary Franco está superlotado. A unidade, que tem capacidade para 968 presos, atualmente tem 2.129 presos.

* * *

O Corruptor Ativo, tanto quanto o Corrupto Passivo, não tem deproma de dotô.

Os dois vão obrar de coca junto com os outros bandidos do mesmo nível deles.

Tomara que mais novidades boas venham a público daqui pro carnaval.

Cena de um passado recente: “Companheiro Lula, tu vai ver como é gostoso mijar no banheiro do meu jatinho”

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

RECORDAR É VIVER: A AMBIÇÃO DESMEDIDA DE EIKE BATISTA

Rodrigo Constantino

Eike Batista foi do céu ao inferno em pouco tempo, da mesma forma que o ex-presidente Lula. Ambos chegaram a acreditar que nem o céu era mais o limite, tamanha a arrogância desses personagens. Como Ícaro, a queda foi brutal, pois a ambição fora desmedida. Do empresário mais rico do país e um dos mais ricos do mundo, Eike Batista virou um foragido procurado pela Interpol que estaria negociando os termos de sua rendição à polícia, já que sequer possuiria diploma superior. Lula anda acuado, e também pode ser preso a qualquer momento.

Segue um artigo que escrevi no Globo, em 2014, sobre essa ambição desmedida do fanfarrão ex-bilionário, com base na excelente biografia de Malu Gaspar. Recordar é viver, e é preciso entender que a ascensão e queda de Eike não tem muito a ver com o liberalismo, mas tudo a ver com o “capitalismo de laços” que os liberais tanto criticam e a esquerda, paradoxalmente, acaba endossando:

* * *

Ambição desmedida

Atuava no mercado financeiro, e acabara de sair de um almoço de um banco de investimentos que apresentou o case da primeira emissão de ações do grupo X, de Eike Batista. Ao término, conversando com investidores, quis saber quantos realmente acreditavam naquilo. Poucos. Era um tiro no escuro, uma grande aventura. Não obstante, a coisa toda viraria uma febre depois, e o empreendedor se tornaria o homem mais rico do Brasil.

O episódio me veio à memória ao ler o excelente livro-reportagem “Tudo ou nada” (Editora Record), em que a jornalista Malu Gaspar, de “Veja”, disseca a verdadeira história do mais excêntrico empresário brasileiro. Com mais de cem pessoas entrevistadas, a autora traz inúmeros relatos que reconstroem o dia a dia frenético da ascensão e queda do que foi o império de Eike.

Com espírito aventureiro e muita ousadia, o filho de Eliezer Batista, o poderoso ex-presidente da Vale, já havia tido uma experiência similar antes, no Canadá. Mas não absorveu lições importantes, ao menos não a ponto de impor maior cautela a um inveterado otimista disposto a “dominar o mundo”. É um típico caso em que megalomania pode ser confundida com autoconfiança.

De forma irresponsável, Eike foi ignorando alertas ao longo do caminho, e abraçando cada vez mais empreitadas em diversos setores diferentes. Malu chama a história do grupo X de “a epítome de um período do capitalismo brasileiro”. De fato, foi isso mesmo. Já fiz um paralelo, aqui nesse espaço, entre Eike e Lula em suas respectivas áreas. Se um virou o Midas da economia, o outro foi alçado ao patamar de gênio da política, ignorando-se que perdeu três eleições seguidas, duas delas no primeiro turno para Fernando Henrique.

Tanto um como o outro são carismáticos e muito ambiciosos. Mas ambos eram apenas a pessoa certa na hora certa, surfando uma onda que fora produzida fora do país, pelo crescimento chinês somado ao baixo custo de capital no mundo desenvolvido. Criou-se o ambiente perfeito de “tsunami monetário” para um país como o Brasil, com recursos naturais abundantes. O ciclo favorável das commodities explica os “fenômenos” Eike e Lula mais do que qualquer mérito individual de cada um deles.

Outra coisa que a autora faz com maestria é desvendar em riqueza de detalhes aquilo que já sabíamos em termos gerais: a enorme simbiose entre Eike e o governo. O empresário ficou obstinado em se transformar num “empresário do PT”, ao perceber que tal parceria lhe seria extremamente vantajosa. Com o BNDES presidido por Luciano Coutinho, que desde a década de 1980 defendia o fomento de fortes grupos nacionais dirigidos pelo Estado, o casamento seria inevitável.

“Mais do que um empresário símbolo do novo capitalismo que emergia no Brasil, Eike Batista era agora alguém de confiança do BNDES — o mais poderoso banco de fomento da América Latina. Se havia tal coisa como um ‘empresário do PT’, ele sem dúvida era um deles”, escreve. Foram bilhões injetados no grupo X pelo banco estatal. Eike diria pouco depois que o BNDES era “o melhor banco do mundo”.

O relacionamento promíscuo chegou ao ápice quando a própria presidente Dilma pediu, por meio de Coutinho, que Eike não desistisse do investimento na fábrica de semicondutores em Minas Gerais, empreendimento com a IBM em que o empresário aceitou entrar só para agradar ao presidente do BNDES. A autora revela que Eike sucumbiu à pressão política: “Não vai dar para sair da fábrica. Pelo menos não agora.”

A saga do grupo X, portanto, ilustra com perfeição as mazelas de nosso “capitalismo de compadres”, que já existia, mas que foi expandido pelo governo do PT. Quando a desgraça se tornou inevitável, porém, até o PT precisou encontrar um limite para o que poderia ser feito pelo governo para salvar o empresário. Quando Coutinho se negou a resgatar o estaleiro OSX, Eike não pôde segurar a decepção: “Baixou a cabeça, chorando, deu as costas e foi embora.”

Além de ótimo entretenimento, o livro de Malu Gaspar é extremamente relevante para mostrar como o Brasil ainda precisa avançar rumo a um modelo de economia de mercado, em que o sucesso ou o fracasso das empresas não dependam tanto das amizades com o governo. E deixa, ainda, um alerta sobre a ambição desmedida, que pode arruinar mesmo alguém que parecia ter tudo.

Eike tombou feio. Hoje é acusado de crimes financeiros e pode acabar até preso, como provavelmente seria o caso se o Brasil fosse um país em que o império das leis realmente valesse para todos, como ocorre nos Estados Unidos. Talvez chegue a vez de Lula tombar também.

30 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

DE CACETE ARMADO

O processo que pode levar à cassação do mandato do presidente Michel Temer (PMDB) já tem 15.000 páginas e reuniu evidências que não deixam margem a dúvida: dinheiro sujo, oriundo de múltiplos esquemas de corrupção, foi usado para reeleger Dilma Rousseff (PT).

Parte dessas transações já foi amplamente mapeada pela Lava Jato. A outra parte vai complicar a situação do peemedebista no Tribunal Superior Eleitoral, que julgará ação que pede a cassação da chapa.

O relator, ministro Herman Benjamin, decidiu requerer ao Supremo Tribunal Federal cópias dos depoimentos dos executivos da Odebrecht tão logo suas delações sejam homologadas. Pelo que já foi revelado, sabe-se que a empreiteira, além de comprometer Dilma e os petistas, relatou ter feito doações clandestinas ao PMDB, a pedido de Temer.

Os dois partidos, PT e PMDB, portanto, teriam se beneficiado fraternalmente do mesmo dinheiro ilegal, alcançado os mesmos benefícios e praticado os mesmos crimes eleitorais.

O conjunto das evidências de irregularidades ganhou um potente anexo na semana passada. Em relatório ao TSE, a Polícia Federal disse que parte dos valores desembolsados a gráficas pela chapa não resultou na prestação de nenhum tipo de serviço.

O dinheiro teria sido desviado para pessoas físicas e jurídicas “em benefício próprio ou de terceiros”.

* * *

A turminha que tem seus bandidos prediletos, os que defendem canalhas do PT e os que defendem canalhas do PMDB, podem até não gostar da minha ideia.

Mas eu vou dizer qual é:

Se o ministro relator do processo quiser, eu posso emprestar o jegue fubânico Polodoro.

Pra ele enfiar a sua pajaraca jumentícia bem no meio dos olhos dos furicos de Dilma e de Temer.

Pode até acontecer dos dois gemerem. Gemerem de prazer.

Mas a ideia é fazê-los chorar das lágrimas pingarem, com a dor da estocada da pica de Polodoro.

“Se precisarem de mim, estou às ordens”

29 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

A IRREVERSÍVEL LAVA JATO

A morte de Teori Zavascki aconteceu de uma forma que aciona dúvida do tipo que existe desde o Descobrimento: intencional ou por acaso? Como isso se resolve ao cabo de uma rigorosa investigação, o foco, a meu ver, é o destino da Operação Lava Jato. Ela deve prosseguir com o mínimo de atraso possível.

A delação da Odebrecht abalou a vida política de muitos países latinos. Em alguns deles já houve não só prisões, como também a decisão de expulsar a empresa.

Sou moderadamente otimista quanto ao futuro da Lava Jato. Homologar a delação não é complicado: apenas confirmar se os delatores falaram sem pressão e avaliar a redução das penas. Felizmente, a decisão de prosseguir os trabalhos com a equipe de Teori e a possibilidade de Cármen Lúcia, ela mesma, homologar resolvem o problema imediato.

Em outro plano está a escolha do novo relator. Tenho lido inúmeras possibilidades e a que mais temo é um sorteio como se todos estivessem no mesmo plano. Seria um pouco como levar a Lava Jato a uma decisão por pênaltis, em que tudo pode acontecer.

Francamente, grande parte das pessoas que foram às ruas acha que Lewandowski e Dias Toffoli, caso escolhidos, soltariam todo mundo e ainda mandariam prender quem acusou.

O caminho ideal seria um processo de negociação no qual o Supremo encontre um nome que se aproxime das posições de Teori e tenha credibilidade quanto à sua isenção. Esse é o caminho ideal, mas com base na realidade. A ideia do sorteio seria uma realidade baseada na ilusão de que todos, igualmente, apoiam a Lava Jato.

A terceira dimensão do problema: a substituição de Teori. O novo ministro terá de passar por uma sabatina no Senado: precisa mostrar firmeza diante de um Congresso que vê a Lava Jato como um perigo. Na tentativa de sabotá-la, o Congresso só produziu trapalhadas noturnas.

A Lava Jato tornou-se, sobretudo por causa da delação da Odebrecht, uma esperança continental de punir os políticos corruptos e desmontar seus vínculos com as empreiteiras. Pelo que ouço e vejo nos outros países, era algo de que sempre suspeitavam. Alguns jornalistas e mesmo procuradores já até haviam denunciado. Mas com a Lava Jato as coisas chegam na forma de provas, delações premiadas, agora, sim, é possível jogar areia na engrenagem.

Essa possibilidade animadora é uma contribuição da Lava Jato, que, por sua vez, está ligada à imagem do próprio Brasil. A exportação dessa esperança foi a melhor mensagem que o País enviou para o continente, num período em que tantas desgraças acontecem aqui, das decapitações à febre amarela.

Foi por acaso, pode-se argumentar. Aí voltaríamos às origens com a mesma pergunta do Descobrimento.

Por acaso ou intencional, a Lava Jato trouxe para o Brasil respeito em outros países. Às vezes esse respeito, como entre os empresários reunidos em Davos, é acompanhado de preocupação: a Lava Jato está sendo boa ou não para o mercado?

A criação de uma atmosfera de negócios com menos corrupção, mais segurança jurídica, em médio e a longo prazos, é uma grande vantagem que as pessoas com visão muito imediata nem sempre compreendem. Para muita gente, atrasar ou até melar a Lava Jato é um sonho de consumo. No entanto, a maioria do País considera o processo saudável e irreversível.

Duas razões me fazem duvidar da tese de atentado, no caso de Teori. Uma é a situação climática e as condições geográficas do aeroporto de Parati e, de certa maneira, também os de Angra dos Reis e Ubatuba. A outra é o próprio avanço da operação. Ela pode ser retardada, mas dificilmente neutralizada, como foram tantas outras no Brasil.

Não creio que os interessados em bloquear o processo ousem enfrentar o País de cara aberta. Estão sujeitos não só à prisão, porque muitos são investigados, mas também a um lugar vergonhoso na história.

Exceto o PT nos seus tempos de governo, são raros os que ousam defender a corrupção em nome de um ideal superior. Mesmo o Renan Calheiros, que gostaria de liquidar a Operação Lava Jato, publicamente a considera “sagrada”.

Posso parecer ingênuo. Mas procuro estar atento a todas as possibilidades num país com grande riqueza de expedientes sospechosos.

Quando Gilmar Mendes, num discurso no Congresso, praticamente ignorou a importância da Lava Jato, não deixei de criticar. Considero-o um juiz capaz e bem formado. No entanto, ignorar a maior operação de todos os tempos, com a mais ampla delação premiada, o maior volume de retorno do dinheiro roubado, mais influência positiva na vida dos outros países do continente, pareceu-me um movimento estranho.

E, mais ainda, ignorar que a lei de abuso de autoridade seria votada por um Congresso que tem um recorde histórico em número de investigados também é muito esquisito. No entanto, seu confronto com procuradores pode ter incluído um elemento de paixão, o que elimina as piores suspeitas.

A Lava Jato definiu um campo claro, pelo qual vale a pena lutar, sobretudo para quem não pretende deixar o Brasil.

A definição de um campo não significa maniqueísmo. Críticas à Lava Jato, aspiração por uma lei de abuso de autoridade, tudo isso pode acontecer e, às vezes, acontece entre pessoas que desejam um País melhor. No entanto, aquela conversa telefônica do Romero Jucá com o Sérgio Machado, na qual falavam em estancar a operação, com a ajuda do Temer, talvez não fosse repetida hoje. Tanto Jucá como Machado devem ter percebido que os inimigos da Lava Jato perderam o timing.

Ingênuo ou mesmo otimista, sigo acreditando que, apesar das desgraças que nos envolvem, será possível melhorar a atmosfera política a partir do legado da Lava Jato. Minha suposição é de que chegamos a um ponto em que não adianta matar ninguém para deter o processo: ele foi assumido pela Nação, não se mata a esperança nacional com um simples atentado.

29 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MEIO SÉCULO DE “CEM ANOS”

A comemoração dos 50 anos da publicação de “Cem anos de solidão“, a obra mais famosa do Nobel de Literatura colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014), começou nesta quinta-feira (26), com uma leitura coletiva em Cartagena, na Colômbia.

“Organizamos, no âmbito do Hay Festival, uma leitura coletiva com a ideia de abrir o ano em que se recorda esse sucesso, essa epopeia, que é ‘Cem anos de solidão'”, disse Jaime Abello, diretor da Fundação para o Novo Jornalismo Ibero-americano, criada por García Márquez, que também era jornalista.

Até este sábado (28), 60 pessoas lerão, em ciclos de duas horas, trechos do romance sobre a família Buendía, lançado em junho de 1967 pela editora Sudamericana de Buenos Aires.

* * *

Cem Anos de Solidão” foi um livro que me impressionou profundamente.

Tanto quanto fiquei impressionado com “O Evangelho Segundo Jesus Cristo“, de José Saramago, publicado em 1991, o primeiro livro que li da obra do português.

Os dois, Márquez e Saramago, foram merecidamente premiados com o Nobel de Literatura.

Apesar do peso e da importância de “Cem Anos de Solidão“, meu livro preferido de García Márquez é a novela “Crônica de Uma Morte Anunciada“, uma história e um enredo que acho fantástico, genial. Costumo reler de tempos em tempos.

O fato é que desde que tomei conhecimento das obras de Saramago e García Márquez, deixei de me considerar escritor e passei a me designar como contador de histórias.

Pra ser escritor, (escritor ficcionista, não custa nada ressaltar), eu acho que o cabra tem que estar no mesmo nível destes dois malassombrados da escrita. Se não estiver, é apenas um contador de histórias.

Não é Escritor, assim com letra maiúscula.

A edição de “Cem Anos de Solidão” que tenho aqui na minha estante é dos anos 70 do século passado, publicada pela Record, tradução de Eliane Zagury.

Reler o livro vai ser minha forma de comemorar os 50 anos de sua publicação. Já comecei ontem.

29 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

EMPRESÁRIO DE ESTIMAÇÃO

Em março de 2010, o ranking de bilionários da revista Forbes anunciava um feito extraordinário: Eike Batista subira 53 posições em apenas um ano, tornando-se o oitavo homem mais rico do mundo. Um vencedor, um exemplo – “nosso padrão, nossa expectativa, o orgulho do Brasil”, segundo a ex-presidente Dilma Rousseff.

O então megaempresário, que já criara constrangimentos ao petismo – além de dívidas impagáveis que todos os brasileiros já estão pagando -, quebrou um ano depois dos elogios de Dilma. Agora, diante de um mandado de prisão, é uma bomba que pode detonar a qualquer momento. Daquelas que o alto comando petista preferia ver protegida pela cidadania alemã de Eike.

Assim como tudo que se refere a Eike, a história de sua prisão também é megalômana, digna de best-sellers. Envolve política e corrupção, milhares de dólares, ouro, fuga, dupla nacionalidade, Interpol.

Alvo da operação Eficiência da Polícia Federal, Eike foi delatado por dois doleiros aos procuradores da Lava-Jato, no Rio de Janeiro. Apurou-se que ele pagou US$ 16,5 milhões de propina ao ex-governador Sérgio Cabral, hoje na penitenciária de Bangu. A transação teria sido feita em 2011, por meio de uma triangulação entre bancos do Panamá e do Uruguai, maquiada por um contrato de venda de uma mina de ouro.

Dois dias antes de o mandado de prisão ser expedido, Eike embarcou para os Estados Unidos – a negócios, segundo seus advogados – usando seu passaporte alemão. Simplesmente espetacular.

Como se sabe, Eike não está só.

Trazê-lo à tona pode fazer com que a Lava-Jato encaixe mais peças no sofisticado quebra-cabeça que tem revelado a institucionalização da corrupção no país desde as primeiras incursões do mensalão, vista hoje como um ensaio de amadores.

As palavras dele podem corroborar com informações coletadas em arquivos e delações de dirigentes de outras empresas pagadoras de propinas. Dinheiro farto para engordar campanhas eleitorais, assegurar maioria parlamentar, rechear bolsos, garantir conforto e delícias de inescrupulosos.

Mesmo que Eike nada fale, só a expedição do mandado de prisão escancara a criminosa associação da corrupção com a política de campeões nacionais, cuja conta, estima-se, supera R$ 200 bilhões, só no BNDES.

Dinheiro que garantiu o posto de homem mais rico do Brasil para Eike e fez a fortuna de escolhidos de Lula e Dilma. Dinheiro que não financiou milhares de empreendedores capazes de amenizar a crise e o desemprego. Dinheiro que está sendo pago por todos os brasileiros.

A lista dos amigos campeões não é extensa. São empresas frequentes no rol de escândalos ou de grandes devedores. Ou nos dois.

Nela, incluem-se empréstimos à criminosa confessa Odebrecht, à Friboi, enrolada com o José Carlos Bumlai, amigo de Lula, à Fibria e à Lactos Brasil. Também está a falida megaoperadora de telefonia Oi, que manteve negócios suspeitos com a Gamecorp de Fábio Luís, filho de Lula. E instalou uma estação de rádio base (Erb), antena exclusiva próxima ao sítio de Atibaia que Lula garante que não é dele, mas que, como no lobo da história infantil, tem olhos, focinho e boca que remetem ao ex.

Eike conseguiu torrar R$ 20 bilhões do BNDES.

Cinco meses depois de frequentar pela primeira vez o top ten da Forbes, o empresário de estimação do PT, a quem Lula conferiu privilégios de interlocução antes mesmo de fazer o seu primeiro discurso na ONU, arrematou em um leilão beneficente o terno que o ex usou na posse, em 2003. Pagou R$ 500 mil.

Queria moldar a imagem de empresário do bem. E, assim como Lula, usou o chapéu alheio.

29 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

TEMPOS IMPREVISÍVEIS

Ruy Fabiano

O presidente Michel Temer, diz o noticiário, pediu à presidente do STF, Cármen Lúcia, que não apressasse a homologação da Lava Jato. O motivo resume o Brasil de hoje: prejudicaria a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, incluídos entre os denunciados – e mesmo assim (ou por isso mesmo) apoiados pelo governo.

São eles, respectivamente, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira. O normal seria o contrário: pedir a homologação imediata para evitar que um dos eleitos viesse a arcar com o ônus moral de uma delação, ainda que blindado politicamente diante dela.

O pragmatismo político, no entanto, dispensa essas abstrações. O excesso de escândalos anestesia o senso moral, conferindo ao ambiente político aspecto de normalidade. E é nele, e nesses termos, que se move hoje o Brasil institucional.

É o inverso do princípio, muito repetido, que diz que à mulher de César não basta ser, mas tem de parecer honesta. Nos dias que correm, nem uma coisa nem outra: basta um foro privilegiado, uma composição favorável na mais alta Corte e bons advogados.

O resto fica por conta dos prazos, dos regulamentos, dos regimentos, das prescrições. Etc.

O país de hoje seria irreconhecível há alguns anos. Discute-se a sucessão no STF como no passado a escalação da Seleção. Hoje, o brasileiro médio talvez não saiba os nomes de todos os craques do escrete, mas sabe o nome dos juízes do STF, suas tendências e o que deles esperar. Isso pode ser bom: menos futebol e mais vigilância institucional. As instituições, porém, ainda não o perceberam.

A Temer, interessa viabilizar as reformas, sem dúvida urgentes, sobretudo para quem tem mandato meia-sola. Precisa de aliados fiéis e eficazes no Congresso e assim crê que o sejam os candidatos que apoia para presidir Câmara e Senado.

Pouco importa em que encrencas eventualmente se tenham metido. Eleitos, são intocáveis, como o demonstrou recentemente o próprio STF em relação a Renan Calheiros, preservando-o na presidência do Senado (e do Congresso) não obstante liminar em contrário expedida por um de de seus ministros, Marco Aurélio Mello.

Criou assim nova jurisprudência: o Legislativo pode ser presidido por um réu, mas, na eventualidade de este vir a ser chamado a ocupar a chefia do Executivo – já que está na linha sucessória -, não. Estabeleceu uma hierarquia entre os Poderes, à revelia da Constituição, focada na conveniência da hora.

O pragmatismo não é só do governo. A oposição, centrada no PT – cujo comando está há mais tempo no banco dos réus (alguns já na cadeia) -, decidiu apoiar os candidatos governistas às eleições da mesa diretora da Câmara e Senado.

Pouco importa que os candidatos governistas tenham apoiado o impeachment; pragmático não guarda mágoa. Com esse apoio, rejeitado pela base, mas vitorioso na cúpula, o PT garante cargos, influência e, mais que isso, blindagem, junto a seus ex-parceiros.

Vai precisar. O partido montou e chefiou a organização criminosa, apelidada de Orcrim, que protagonizou o maior escândalo de corrupção da história. E, em face dele, as prisões prosseguem.

Na quinta, prenderam Eike Batista, empresário formado na Era PT e apresentado por Lula e Dilma como modelo de empreendedor. Terá muito o que contar, ampliando o elenco de investigados, contribuindo para manter o ambiente sob tensão.

E eis o que temos: diante das delações da Odebrecht (e há outras em curso), que envolvem duas centenas de parlamentares, o presidente da República, os dois que o precederam no cargo (Lula e Dilma), além de ministros e ex-ministros, o político padrão dos dias de hoje acorda sem saber se embarcará no carro oficial ou no camburão; se irá à Praça dos Três Poderes ou à prisão.

Eike Batista, ainda foragido, irá para Bangu, onde está seu velho parceiro, Sérgio Cabral, que já sinaliza com uma delação premiada para livrar-se do desconforto habitacional.

Não restará a Eike outra opção, a menos que, valendo-se de sua dupla cidadania – é filho de uma alemã -, consiga chegar a Berlim e lá se estabelecer, sem riscos, já que a Alemanha não tem acordo de extradição com o Brasil e não deporta seus cidadãos. Nessa hipótese, gol contra: Alemanha oito a um.

Seus advogados, porém, garantem que voltará – e não quer ficar um dia sequer em Bangu. Ninguém quer. A alternativa é contar uma boa história às autoridades – a história completa e definitiva da Orcrim, da qual é peça-chave. Dispõe de elementos para desfazer as dúvidas que ainda restam. Sobretudo em relação ao BNDES, que bancou sua ascensão ao cargo fictício de empresário modelo.

Tempos interessantes. E imprevisíveis.

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

POBREZA LULO-FRANCISCANA

A Polícia Federal pediu ao Ministério Público Federal que o prazo para o encerramento de um inquérito contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja prorrogado.

De acordo com o despacho do delegado Márcio Anselmo, a investigação apura se um sítio no município de Atibaia, em São Paulo, pertence ao ex-presidente.

O sítio está registrado em nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios do filho do ex-presidente, Fábio Luis Lula da Silva. No entanto, os investigadores dizem que há indícios de que a propriedade pertenceria ao ex-presidente e de que a escritura apenas oculta o nome do verdadeiro dono.

A defesa de Lula nega que ele seja dono do imóvel.

* * *

O último parágrafo da notícia aí de cima já diz tudo: a defesa nega.

Lula também nega. O Instituto Lulalau nega com muita veemência.

Nada pertence a ele.

Até as cuecas que veste não são de sua propriedade.

A relação de bens na sua declaração anual de imposto de renda não tem uma linha sequer.

Além de ser mais honesto que Jesus Cristo, é também mais pobre que o Redentor. 

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

DILMA DIZ QUE NOVO GOLPE PODE MINAR A CANDIDATURA DE LULA OU ADIAR ELEIÇÕES

Dilma Rousseff encontrou nos últimos dias uma forma de preencher o vazio de sua rotina pós-impeachment. Dedica-se a espinafrar a democracia brasileira no exterior. Nesta sexta-feira (27), participou de um seminário na Universidade de Salento, em Lacce, no sul da Itália. A certa altura, denunciou um “segundo golpe” que estaria sendo tramado no Brasil, dessa vez para “retirar da eleição de 2018 Lula da Silva ou adiá-la, por algum motivo que eu ainda não consegui imaginar.”

A suposta trama golpista foi encaixada na última frase da palestra de Dilma como uma espécie de grand finale de uma locução confusa, que a tradução concomitante do dilmês para o italiano tornou enfadonha (assista à íntegra no vídeo disponível no no rodapé do post). Na antevéspera, Dilma dissera noutro seminário, na Espanha, que “há interesses escusos” na Lava Jato. Sem citar os cinco processos em que Lula figura como réu, mencionara o “grande risco de que eles tentem inviabilizar sua eleição, condenando-o.” Sobre adiamento da eleição, não havia falado ainda.

Paradoxalmente, Dilma disse crer na democracia brasileira. “Eu acredito na força do povo brasileiro para impedir esse golpe”, ela afirmou, sem esclarecer à plateia italiana que, por ora, há no Brasil mais gente na fila do seguro desemprego do que nas hipotéticas fileiras da resistência a um golpe que ninguém farejou. “O Brasil precisa de um banho de democracia”, sustentou. “Não é um acordo por cima, como é da nossa tradição política. Agora, é um acordo por baixo, que só o voto constroi.”

Dilma teve de fazer uma certa ginástica retórica para explicar aos italianos por que as praças no Brasil não estão apinhadas de manifestantes protestando contra o impeachment e clamando pelo seu retorno à Presidência. “Como se explica que a população brasileira tenha, de uma certa forma, sucumbido diante do golpe?”, ela perguntou a si mesma. Atribuiu o fenômeno sobretudo à crise. Nada a ver, naturalmente, com o seu governo. Dilma culpou o mundo.

“O mundo entrou em crise. Os países em desenvolvimento, emergentes, resistiram à crise. Mas acabaram sofrendo os efeitos dela a partir do terceiro trimestre de 2013. E a base fundamental dessa crise ocorreu em 2015.” Citando o economista Milton Friedman, que chamou de “pai do neoliberalismo”, Dilma disse que, sob crise, proliferam alternativas às políticas existentes, que ficam em evidência “até que o politicamente impossível se torne o politicamente inevitável.”

“No Chile foi o golpe [que guindou Augusto Pinochet ao poder]. Com a Margaret Thatcher [ex-primeira-ministra britânica], a guerra das Malvinas”, comparou Dilma, antes de incluir esta terra de palmeiras em sua inusitada analogia: “No Brasil, não foi [apenas] a crise econômica, foi sobretudo a crise política. A crise política teve um papel estratégico na inviabilização do governo, no enfrentamento da crise econômica.”

Sem citar nomes, Dilma sustentou que os algozes do seu governo, em conluio com a imprensa, fabricaram uma crise política, para “inviabilizar a saída da crise econômica.” As gestões petistas já tinham feito dois ajustes “para enfrentar problemas econômicos”, disse Dilma. “…Isso ocorreu em 2003, 2004 e metade de 2005. E ocorreu de 2010 para 2011. Nessas duas vezes, nós fizemos ajustes e conseguimos voltar a crescer, continuamos distribuindo renda. Nós acrerditávamos que conseguiríamos fazer o mesmo em 2015.”

Abstendo-se de mencionar que havia cerca de 11 milhões de brasileiros desempregados quando o impeachment foi consumado, Dilma atrasou o relógio: “Para vocês terem uma ideia, no final de 2014 a taxa de desemprego no Brasil era 4,6%, a mais baixa da história. Nós sabíamos que tínhamos de tomar medidas, reduzir alguns gastos, e sobretudo aumentar impostos.”

Sem perceber, Dilma acabou confessando na Itália ter praticado no ano eleitoral de 2014 um estelionato político. Sabia que o ajuste fiscal era inevitável. Tramava aumentar impostos. Mas prevaleceu sobre o tucano Aécio Neves nas urnas daquele ano vendendo a fantasia de um Brasil condenado à prosperidade, impermeável à crise.

A alturas tantas, Dilma pediu licença à plateia para “fazer uma reflexão”. Rodopiando em torno do óbvio, madame revelou: “Eu já percebi, acho que todo mundo percebe, que há um claro posicionamento de todas as sociedades contra impostos.” Espanto (!), pasmo (!!), estupefação (!!!). Madame notou que não há pessoa que goste de ser chamada de contribuinte depois que lhe arrancam tudo a força.

“Isso é jutificável até certo ponto”, pontificou Dilma. “Por quê? Porque também é inequívoco que há uma queda de tributação no mundo inteiro, sobretudo sobre as empresas. Não há a mesma queda proporcional em relação às rendas do trabalho.”

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Até Lula critica Dilma publicamente pela farra de desonerações tributárias que seu governo proporcionou a setores companheiros do empresariado. De resto, as observações soaram extemporânea nos lábios de Dilma, representante de um grupo político que passou 13 anos no poder e não se dignou a colocar em pé uma reforma tributária.

A palestra de Dilma flertou as contradições. Num trecho, criticou o governo “golpista” e “ilegítimo” por abraçar o neoliberalismo e impor à sociedade medidas impopulares como a emenda constitucional do teto dos gastos. Noutro insinuou que Michel Temer precisa enfiar um pouco mais a lâmina da faca nas costas dos brasileiros. Pregou a necessidade de um “aumento seletivo de tributação”.

“Não se sai da crise só por corte de gastos”, disse Dilma, distribuindo gratuitamente uma teoria que não conseguiu colocar em prática enquanto esteve sentada na poltrona de presidente. “Até é possível recuperar o crescimento. Mas o que está se vendo hoje é que se recupera o crescimento, mas não se recupera o bem-estar anterior. E é interessante porque é interditada essa discussão sobre impostos.”

Havia também na palestra de Dilma trechos impregnados do mais puro e legítimo dilmês, um idioma que os brasileiros abriram mão de tentar decifrar. A tradução era boa. Mas os italianos tampouco devem ter alcançado o nível de sofisticação da oradora. Vai abaixo, para quem tiver paciência, um trecho indecifrável do trololó:

“A razão primeira da crise, o fundamental da crise, da qual todos nós sofremos a consequência, é o processo de financeirização que tomou conta da economia. Entre outras coisas, explica porque a recuperação tem sido mais lenta e mais fraca. E isso coloca uma questão: nós, no Brasil estávamos contra a corrente. Nós vínhamos fazendo um processo de inclusão social, valorizando 200 milhões de população que temos, porque a população é um dos grandes recursos econômicos, políticos, sociais, morais e éticos. Mas é um valor econômico. Nós estávamos incluindo, quando o que fazia e o que ocorria com o capitalismo? Produzia a maior desigualdade de todos os tempos. O que explica as reações ao Brexit e à própria eleição americana. Por que isso? Porque é algo que, no Brasil, nós vivemos ao contrário. Enquanto as populações têm expectativas sobre o atendimento às suas demandas, a participação na forma pela qual as coisas vão ser decididas ou encaminhadas, a política, no sentido maior da palavra, é relevante. Quando uma nação, um país e o mundo se financeirizam e a resposta é o salário precário, salário baixo e falta de perspectiva, a política passa a ser irrelevante. E soluções mágicas, salvadores da pátria surgem.”

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

É GUABIRU QUE SÓ A PORRA NA FACÇÃO PMDEBISTA

As acusações do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho contra três ministros – Eliseu Padilha, Moreira Franco e Geddel Vieira Lima, já demitido – são “modestas”, comparadas às revelações dos demais 76 executivos da empreiteira.

Fonte ligada às investigações se espantou: “quase todo governo” está enrolado.

* * *

76 cabras abrindo o bico e espalhando tolôtes nos ares é bom demais!

Uma excelente notícia.

A corja do PMDB tá matando de inveja a aposentada corja do PT.

Sairam uns mamadores, entraram outros chupadores. Dou uns pelos outros e não quero torna.

Se todos os atuais ministros estiveram envolvidos em ladroagem, e o prisidente Temer não tiver ninguém no seu curral pra nomear, eu quero declarar que estou às ordens.

Acabei de enviar mensagem ao Palácio do Planalto me colocando à disposição de Sua Insolência.

Não sendo Fazenda, Justiça, Agricultura e outros que tais, pra mim qualquer ministeriozinho safado serve.

O Ministério do Aputiferamente Empobalizador Rolífero Sistêmico, por exemplo, eu administraria com o maior prazer e, modéstia adiada, com muita competência também.

Estou às ordens, prisidente!

Os guabirus do gunverno do PMDB ao redor do prisidente Cara-de-Tabaca

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

AS ÁGUAS VÃO ROLAR

As investigações da Lava Jato uniram novamente os marqueteiros Duda Mendonça e João Santana, que atuaram em diversas campanhas petistas entre 2002 e 2014.

Santana foi preso e passou a negociar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República.

Duda imaginou que poderia ter o mesmo destino do seu sucessor e procurou o MP para revelar o que sabia.

Santana promete entregar a prova definitiva de que Dilma tentou atrapalhar a Lava Jato. Ele e sua mulher, Mônica Moura, acusam a ex-presidente de vazar de dentro do Planalto informações sigilosas sobre o andamento da operação.

Os publicitários também pretendem revelar como receberam caixa dois da Odebrecht em contas no Brasil e no exterior.

João Santana e Duda Mendonça, os marqueteiros do PT

* * *

Eita que o desmantelo tá ficando melhor a cada dia que passa.

A merda vai ser jogada no ventilador e será vendida na praça ao preço de 13 tostões um dedal.

Como costuma dizer meu grande amigo palmarense Adolfo Dido, as águas vão rolar!

E vão rolar com muita abundânica daqui pro carnaval. Não vai ter seca que resista ao temporal que se avizinha.

Eu acho é pouco!!!

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

ACORDOS DE PETISTAS NO CONGRESSO ESVAZIAM DISCURSO DA DILMA

Os petistas, normalmente tão aguerridos quando têm que defender o partido, mergulharam. Hibernaram depois que o guia espiritual Luís Inácio Lula decidiu que os seus deputados e senadores devem apoiar os “golpistas” em troca de cargos na mesa diretora da Câmara e do Senado. O ex-presidente não deu bolas para a companheira Dilma quando teve que decidir pelo apoio, deixando-a falar sozinha pelos cantos contra os adversários que o partido agora apoia. Dilma, que já não apitava nada no partido, agora anulou-se de vez.

Nem bem a cadeira dela esfriou no Planalto, Lula já se articulava com lideranças do Senado e da Câmara para alojar os companheiros desempregados. O primeiro a ocupar um cargo no Senado foi Gilberto Carvalho, seu eterno chefe de gabinete, a quem pesa suspeitas pela morte do prefeito Celso Daniel. Carvalho alojou-se no gabinete da liderança da oposição, comandado por Lindbergh Farias, com salário de R$ 20 mil. Mesmo assim, não conseguiu persuadir o seu senador a apoiar os “golpistas”, deixando-o falar sozinho contra o acordo.

O PT, que em outras épocas se notabilizou pela defesa intransigente da ética na política, transformou-se no partido das boquinhas. Depois de se revelar como uma das agremiações mais fisiológicas entre as que existem no país, enveredou-se pelo caminho da corrupção e dos cargos públicos. E para isso, atropela a história para beneficiar seus militantes parasitas que se acostumaram a surrupiar o dinheiro do contribuinte.

Para apoiar a reeleição de Rodrigo Maia, do DEM, na Câmara e Eunício, do PMDB, no Senado, o PT quer as duas secretarias que têm orçamento para este ano de quase 10 bilhões de reais e mais de 40 cargos, com salários milionários, para serem ocupados por seus militantes que não conseguem emprego na iniciativa privada por notória incompetência. Para os petistas, a política virou um jogo, um meio de vida. Usá-la como meio de transformação da sociedade é apenas retórica. O que vale mesmo é o enriquecimento ilícito, o assalto aos cofres públicos e o dízimo que os militantes em cargos comissionados pagam ao partido.

O discurso da Dilma e de alguns de seus seguidores de que teria sofrido um golpe vai por terra, quando se assiste os petistas, liderados por Lula, fazendo acordos espúrios em nome do partido com parlamentares que até então eram considerados de direita, oportunistas, carreirista, aético e golpistas. Pelo menos esse foi e continua sendo o discurso da ex-presidente para esconder a incompetência administrativa e o maior escândalo de corrupção da história do país no seu governo.

Agora, exercendo um carguinho decorativo no partido, Dilma está definitivamente descartada dentro do PT, onde, na verdade, nunca foi aceita pelos militantes históricos. Mesmo assim, afetada por uma incurável obsessão, ainda mantém o discurso do golpe onde chega.

A aparente fortaleza na resistência ao impeachment era apenas fachada. Sabe-se nos bastidores que ao ser comunicada de que o seu afastamento era inevitável, implorou aos líderes do Senado para ser poupada de ter os direitos políticos cassados. Argumentava que deixar a presidência já era a sua maior punição. Pensava, e ainda pensa, em se candidatar a um cargo eletivo pelo Rio de Janeiro, onde, segunda ela, está a maioria dos seus eleitores.

Em um estado que elegeu Agnaldo Timóteo, Juruna, Cabral, Pezão e Garotinho tudo é possível.

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

EXTRA! EXTRA! FOLHA CHAMA CRIMINOSO DE… CRIMINOSO!

Rodrigo Constantino

A gente pega no pé da “fake news”, aplica a Caneta Desesquerdizadora nela, coloca os pingos nos is, cobra coerência e tudo mais. Mas quando a grande imprensa acerta, também precisamos reconhecer. Foi o caso dessa chamada no UOL da Folha:

Pode ser uma simples troca de estagiário? Pode, claro. Ou, como disse um amigo meu, jornalista de Goiás: “O que aconteceu com a Folha? Será que o Frias foi abduzido? Ela chama os bandidos que tentaram assaltar um shopping em Osasco de ‘bandidos’ e ‘criminosos’. Justo a Folha para quem todo bandido é ‘suspeito’ ou ‘jovem’, como ironizou um leitor”.

É verdade. Não foram adolescentes ou jovens que teriam sido “assassinados” pela política. Foram criminosos mortos mesmo! Parabéns! Tiro meu chapéu para a objetividade do jornal (a que ponto chegamos de celebrar isso?). Eis a notícia:

Dezenas de disparos foram ouvidos dentro e fora do shopping União, em Osasco (Grande São Paulo), na manhã desta sexta-feira (27), após uma tentativa de assalto. Na fuga, quatro bandidos – que estariam armados com fuzis – foram baleados, segundo a polícia.

Eles estavam em uma Tucson preta e bateram em um ônibus intermunicipal na avenida Presidente Altino, na altura da avenida Alexandre Mackenzie. Houve troca de tiros após o acidente e dois dos assaltantes morreram. Um outro veículo, um Veloster branco, onde estariam outros suspeitos, não foi alcançado. A polícia não sabe dizer quantos indivíduos estavam no veículo.

Dos feridos, um foi levado para o Hospital Regional de Osasco e outro para a Santa Casa, na capital, de acordo com a PM. Não há informações sobre o estado de saúde deles.

O grifo é meu, para destacar esse milagre! E vejam só as armas desses “jovens”, você que aplaude o “desarmamento” civil:

Continua aí, de boas, achando o máximo a política de “desarmamento” só dos cidadãos honestos…

Bem, pelo menos esse caso terminou bem, com os marginais mortos no confronto com a polícia, como deve ser. E parabéns ao jornal, que chamou as coisas pelo nome. Está vendo só, Frias, como não dói nada? Vê se a partir de agora obriga a rapaziada a chamar bandido de bandido e marginal de marginal, ok?

28 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

MANCHETE DO SÁBADO – UM GUABIRU PRESO E OUTRO AINDA SOLTO

O governo do Rio de Janeiro ingressou nesta sexta-feira (27) com ação no Supremo Tribunal Federal para pedir que deixem de ser aplicados artigos da Lei de Responsabilidade Fiscal que inviabilizem o acerto firmado com a União destinado a amenizar a crise financeira do estado.

Nesta quinta-feira (27), o presidente Michel Temer e o governador Luiz Fernando Pezão assinaram um termo de compromisso pelo qual enviarão ao Congresso e à Assembleia Legislativa as propostas que, se aprovadas, permitirão a formalização de um acordo.

Pelo termo de compromisso, o estado deixaria de pagar suas dívidas com a União por até 36 meses. Em troca, terá de adotar medidas para reduzir o déficit fiscal, entre as quais cortar neste ano R$ 9 bilhões em gastos públicos.

Ao STF, o Rio pediu aval para não ser obrigado a observar os limites de gastos com pessoal e o limite de endividamento a fim de continuar realizando operações de crédito e, com isso, impedir bloqueio de recursos em contas do governo.

* * *

Eu tinha que viver o bastante pra presenciar esta situação: o Rio de Janeiro mais fudido do que o Piaui e o Maranhão.

E pra chegar a esta impressionante penúria, o estado contou com a decisiva atuação guabirutífera de Sérgio Ladrão Cabral.

Aquele que é hoje presidiário e que, em campanha para ser reeleito gunvernador, ouviu embevecido, atrepado num palanque, um então prisidente da república dizer que “Votar no Sérgio Cabral é uma obrigação moral” (clique aqui para ouvir e se horrorizar novamente com este tolôte oral).

O guabiru preso – que aguarda a chegada de Lapa de Corrupto, o guabiru ainda solto -, contribuiu decisivamente pra fuder o Rio de Janeiro e, em consequência, fuder também a sua população e os seus contribuintes.

Sérgio Decente Cabral, um dos maiores especialistas em música popular brasileira, pai de Sérgio Ladrão Cabral, sempre foi um homem sério e honesto – hoje em dia devastado por um mal que faz com que ele fique desligado do mundo -, não tem conhecimento disto.

Sem saber de nada sobre o mundo real, ele costuma dizer que o filho morreu quando era ainda criança…

É um consolo este alheamento da realidade.

Talvez ele não resistisse ao ler o noticiário e tomar conhecimento de que o seu rebento está atrás das grades por grossa, por enorme, por inacreditável roubalheira.

Fecho a postagem sugerindo a leitura de mais uma triste notícia.

Basta clicar na manchete abaixo:

Crise faz ciência do RJ atrasar em até 10 anos, dizem pesquisadores

* * *

“Somos uma dupla fuderosa: eu fudi o Rio e ele fudeu o Brasil!”

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

NÃO HÁ COMO BRECAR DELAÇÕES

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

A ESSA ALTURA, DELAÇÃO DE CABRAL SERIA ZOMBARIA

Preso desde novembro, Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, tornou-se um frequês da Lava Jato. Ignorando seus desmentidos, os investigadores levaram à vitrine um esquema que lavou, engomou e enviou para fora do país pelo menos US$ 100 milhões desviados do erário fluminense. Um dos comparsas de Cabral, o ex-bilionário Eike Batista, é considerado foragido. Com o teto do seu bunker de fantasias a desabar-lhe sobre a cabeça, Cabral sinaliza a intenção de tornar-se um delator. Em troca, quer deixar o ambiente inóspito da hospedaria de Bangu’s Inn.

A delação tem mais lógica quando o peixe miúdo entrega os tubarões. Adepto do estilo ‘propina-ostentação’, Cabral não é propriamente uma sardinha. Tratá-lo como um personagem menor, a essa altura, seria como tentar acomodar uma baleia dentro de uma banheira jacuzi. Conceder-lhe benefícios judiciais num instante em que o governo do Rio, quebrado, reivindica socorro da União seria uma zombaria com a sociedade fluminense, com a populacão brasileira e com a própria lógica. Alguém tem que ser punido exemplarmente.

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

GUABIRUS, CORRUPTOS E LADRÕES: TUDO NO MESMO BISACO

27 janeiro 2017 DEU NO JORNAL

O ANIVERSARIANTE DO DIA

Preso desde novembro do ano passado e alvo de mais uma investigação relacionada à Operação Lava Jato, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral quer fazer acordo de delação premiada. A intenção de colaborar e negociar uma pena menor em eventual condenação foi repassada a aliados próximos.

Cabral foi preso no ano passado durante a Operação Calicute, por ter recebido mesadas de até R$ 850 mil das empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia.

Um dos motivos que o levaram a cogitar a delação premiada, segundo aliados, é o ambiente hostil no presídio de Bangu 8, na zona oeste do Rio, onde cumpre prisão preventiva.

Cabral, dizem interlocutores do peemedebista, admite ter reduzidas chances de se livrar da prisão pelos caminhos tradicionais – via habeas corpus – por causa da quantidade de provas contra ele reunidas pela Procuradoria da República e pela Polícia Federal.

* * *

Ótimo.

Será muito bem vinda esta delação do guabiru carioca.

Tomara que ele solte o verbo e diga tudo.

Deve ter coisa que só a porra pra contar.

“Vê si livra minha cara neça tua dedação, cumpanhero Serjo; já tô pra lá di fudido”

* * *

Enquanto aguardamos que o passarinho abra o bico, vamos cantar parabéns pro ilustre ladrão presidiário, o bem sucedido aprendiz da feitiçaria luleira, hoje em dia obrando de coca no presídio de Bangu.

Nesta data tão querida, 27 de janeiro, Serginho Lalau completa 54 bem vividas primaveras.

Vamos botar Xuxa pra cantar parabéns para um dos maiores guabirus já nascidos no Rio de Janeiro e no Brasil.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa