31 março 2012 DEU NO JORNAL

RELIGIÃO E POLÍTICA

Ruy Fabiano

Religião e política formam uma mistura que, embora frequentemente problemática, jamais deixou de vigorar, ao longo da história das nações. E não há sinais de que venha a deixar.

Nos países muçulmanos, são indissociáveis. Nos países cristãos, há separação formal entre Igreja e Estado, o que não torna necessariamente o quesito religião ausente do processo político.

Na Inglaterra, mesmo sendo laico, o Estado mantém a tradição que faz da rainha chefe da Igreja Anglicana e exibe em sua bandeira uma vistosa cruz cristã.

Na Argentina, é o arcebispo de Buenos Aires quem recebe o juramento do presidente da República, de, perante “Deus e os Santos Evangelhos”, cumprir a Constituição.

No Brasil, não há esse formalismo, o que não significa que a sociedade é menos sensível a questões religiosas. Elas envolvem valores, cultura e tradições. Por isso mesmo, a primeira providência das revoluções, desde a francesa, no século XVIII, é investir contra as religiões.

Não é casual que, no decorrer das campanhas eleitorais, os candidatos brasileiros façam fila junto aos dirigentes dos principais cultos, participando de ritos, quando não assumindo-se publicamente como fiéis convictos, mesmo não sendo.

Basta lembrar as últimas eleições. O tema do aborto surgiu da manifestação espontânea de pastores evangélicos e de prelados católicos, preocupados com a tramitação de propostas no Congresso, de iniciativa de parlamentares do PT.

Além da questão do aborto, havia (há) uma proposta de lei, o PL 122, em tramitação no Senado, que pune manifestações, inclusive religiosas, contra a prática homossexual, também de autoria de uma petista, a senadora Marta Suplicy.

Lideranças desses cultos passaram a recomendar a seus adeptos que não votassem em candidatos vinculados àquelas propostas, pois ferem frontalmente os seus princípios doutrinários. Baseavam-se em vídeos e entrevistas de parlamentares do PT, sobretudo da então candidata Dilma Roussef, posicionando-se claramente em favor do aborto.

Tanto bastou para que, em vez de sustentar sua convicção, a candidata armasse uma contraofensiva, com visitas sucessivas a igrejas católicas e evangélicas, depois reproduzidas em seu material de campanha, jurando que jamais havia dito não apenas o que estava impresso, mas também o que estava filmado.

O PT acompanhou-a nessa cruzada eclesiástica, embora protestando contra a presença daquele tema na campanha, atribuindo-o ao que seria um golpe baixo do adversário José Serra, que, no entanto, em momento algum o explorou.

Apenas, quando perguntado – e o foi diversas vezes -, se posicionava contra. Se foi sincero ou não, só ele e Deus sabem, mas não havia nenhum depoimento seu em contrário, como no caso de Dilma.

Uma vez vitoriosa, Dilma liberou seu governo a retomar o tema, nos termos antes denunciados pelos dirigentes religiosos. A recém-nomeada ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, não só defendeu abertamente o aborto, como revelou já tê-lo feito. Descobriu-se depois que, inclusive, fizera um curso na Colômbia, onde tal prática é crime, de “auto-aborto”.

Antes, o então ministro da Educação, Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo, providenciara um kit gay, para ser distribuído à rede escolar pública de ensino fundamental (sete a 13 anos), em que, entre outras coisas, fazia-se a apologia do bissexualismo.

A reação social fez com que o kit fosse recolhido, a mando da presidente.

A militância acusou-a de capitulação aos religiosos, mas as reações foram de toda a sociedade, que em sua maioria é religiosa.

É previsível, pois, que esses temas voltem a constar da campanha municipal deste ano. Pesquisas recorrentes mostram que a sociedade brasileira é paradoxal: convive naturalmente com manifestações ousadas, como os espetáculos de nudez do carnaval, mas é conservadora em questões comportamentais.

A maioria absoluta, segundo as pesquisas, é contra alguns dos temas principais da agenda comportamental do PT: liberação do aborto, casamento gay e proibição de símbolos religiosos em locais públicos.

Não é casual que a união civil dos gays tenha sido obtida no Supremo Tribunal Federal. No Congresso, não passava.

Embora nenhum partido vocalize explicitamente o pensamento conservador, todos os que estão fora do governo exploram esses temas, mais empenhados em queimar os seus concorrentes que propriamente defender princípios.

31 março 2012 DEU NO JORNAL

TÁ TUDO CALCULADO, MR. BLATTER

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, criticou o atraso nas obras preparatórias para a Copa do Mundo de 2014. Ele chamou a atenção do Brasil para que agilize as construções de estádios, aeroportos e infraestrutura no Mundial.

“Convidamos o Brasil a continuar o desenvolvimento do que eles começaram. Pelo menos votaram a lei no Congresso. A bola está no campo deles agora para jogar. Queremos atos e não mais só palavras”, afirmou.

* * *

Alguém precisa explicar pra Mr. Blatter que tudo vai ficar pronto a tempo e a Copa será realizada nas datas previstas.

O atraso é proposital e calculado. Deixando tudo pra última hora, licitações e cuidados com os preços serão dispensados. E aí, empreiteiras, políticos e corruptos do gunverno farão a festa, ou melhor, farão sua própria Copa particular, levantando uma taça de ouro cheia do nosso rico dinheirinho.

Não é por mero acaso que me divirto muito com o que acontece neste país que me serviu de berço.

Aqui no Recife, o que genericamente se chama de “obras da Copa”…

Bom, deixa pra lá. Depois a gente conversa sobre isto.

O gringo Joseph Blatter num faz idéia do ninho de lacraus e guabirus em que se meteu…

31 março 2012 DEU NO JORNAL

NEM MESMO UM CORRUPTO BRASILEIRO CONSEGUIRIA TANTO DE UMA VEZ SÓ

Uma aposta feita em uma casa lotérica em Baltimore County, no estado de Maryland, nos EUA, ganhou, na madrugada deste sábado (31), o maior prêmio já pago na história das loterias em todo o mundo: US$ 640 milhões (equivalente a um valor de cerca de R$1, 1 bilhão)

* * *

Eu li e reli esta notícia, buscando um pretexto pra esculhambar os americanos. Era pra ajudar os leitores muderninhos e puliticamente corretos a cumprir a tarefa diária de meter o cacete nos imperialistas ianques.

Mas acho que tô sem inspiração e passo a incumbência pra vocês.

Limito-me apenas a reproduzir os números sorteados na noite desta sexta-feira (30), em Atlanta, nos EUA. Pode ser que sirvam de inspiração pra apostar hoje no jogo do bicho, aqui no Brasil, que está nas primeiras páginas de todos os jornais, graças ao probo Senador Demóstenes Torres, expoente do DEM. Aos sábados, a extração é feita conforme os números sorteados pela Loteria Federal.

 

Os números da loteria americana que valeram um prêmio de 1 bilhão de reais

Pra complementar a postagem e alegrar o dia, ofereço a vocês um vídeo feito ontem, 30 de março, que mostra um baitola americano, um doador do orifício pecaminoso do estado do Texas. Ele fez sua aposta pra ganhar 640 milhões de dólares e, assim, puder comprar uma pajaraca de aroeira maciça, com 640 mm de extensão, pra enfiar furico a dentro.

31 março 2012 DEU NO JORNAL

ABAIXO ASSINADO

Apesar do foco em Demóstenes Torres, os internautas não se esqueceram do Mensalão. Corre nas redes sociais um abaixo assinado eletrônico pedindo que o STF coloque o caso em votação. Tudo para evitar a possibilidade de prescrição.

O documento conta com 2.840 assinaturas.

* * *

Se algum leitor fubânico souber o endereço deste abaixo assinado mande aqui pro JBF, por favor.

Esta causa é do interesse de todo cidadão que ainda tem vergonha na cara.

PS: Foi só botar a postagem no ar, e já apareceu o endereço que eu pedi. Turma boa da bixiga lixa é essa comunidade fubânica!!!

Pra assinar a petição, basta clicar na imagem abaixo:

30 março 2012 DEU NO JORNAL

PÉSSIMO EXEMPLO

Ele já trabalhou como agricultor, como técnico em contabilidade, empreendedor na área de comércio, se formou em Administração e em Pedagogia, mas nunca desistiu do sonho de ser bacharel em Direito.

Aos 84 anos, o baiano Leur Teixeira realizou esse desejo. No dia 10 de março deste ano ele se formou em Direito pela Faculdade Dom Pedro II, em Salvador.

* * *

Este senhor já está na idade criar juizo e pensar no futuro.

Ele deve saber que, no Brasil de hoje, estudar, se formar e tirar diploma não dá futuro a ninguém. O mais politicamente correto é ser ignorante, não ler porra alguma (até porque dá azia) e falar miolo-de-fossa em toda oportunidade que se apresente.

Péssimo exemplo pra juventude, este baiano está na contramão do Brasil contemporâneo.

(Foto do arquivo pessoal do formando)

30 março 2012 DEU NO JORNAL

DANDO DEDO

Ministro amigo de Dilma não se importa que ela grite com assessores. O maior medo dele é que um servidor humilde (manicure, garçom etc)  grave no celular uma das broncas humilhantes que levam da presidenta.

“Seria devastador, acabaria com a imagem dela”, aposta.

* * *

Pois eu acho que seria o contrário.

Se viesse a público uma gravação com Dilma gritando “vá tomar no cu”, “filho da puta”, “foda-se” e coisas mais baixas (que eu fico com vergonha de botar no JBF…), isto alavancaria mais ainda a popularidade da Dama da Priquita de Aço.

Teve mandatário que alcançou quase 100% de aprovação com um inocente “Sifu”. Imagine um “vá se fuder, seu puto”

Não se esqueçam: estamos no Brasil do Socialismo Muderno.

“Puta que pariu!!! Fudeu a buceta de Xolinha. Esse porra deste chupão num larga do meu pinguelo. Vai pra casa do caralho, fela da puta!!!!”

29 março 2012 DEU NO JORNAL

DUAS NOTÍCIAS HILÁRIAS

1) Os senadores aprovaram em plenário na tarde desta quarta-feira (28) o projeto que cria o fundo de previdência complementar para os servidores civis da União. Com isso, os funcionários que entrarem no serviço público daqui para a frente não terão mais a garantia de aposentadoria integral. Para ganhar acima do teto do INSS, será necessário contribuir à parte.

2) Nesta manhã, no plenário da CCJ do Senado, Humberto Costa foi obrigado a fazer uma análise demolidora de uma das bandeiras petistas dos velhos tempos, a defesa do funcionalismo público. Costa admitiu que o PT errou ao ser contra mudanças na Previdência quando era oposição ao governo FH. Como não poderia ser diferente, Costa foi sonoramente vaiado por sindicalistas que acompanhavam a reunião da CCJ.

* * *

A informação de que um senador petista foi ”vaiado por sindicalistas” soou como uma linda música, uma doce valsa, nos meus ouvidos.

O meu sádico coração se põe a gargalhar quando vejo o PT botando bem no olho do furico de professores e funcionários públicos, duas classes que são sustentáculos históricos do bando estrelado-vermêio.

Operários, camponeses e outras classes de trabalhadores não perdem por esperar: a batata deles também tá assando.

29 março 2012 DEU NO JORNAL

DISCRIMINAÇÃO

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil pagarão as despesas de um evento festivo do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS) na segunda-feira, no Theatro Municipal de São Paulo.

A CEF desembolsará R$ 150 mil e o BB, R$ 75 mil.

* * *

Não vejo nada demais os dois bancos bancarem festinha de juizes.

O que acho chato é a Caixa e o BB não liberarem nem um tostãozinho pras festas do JBF. E olhe que as sentenças exaradas por esta gazeta da bixiga lixa são bem mais letais e perigosas que a dos magistrados.

Faz tempo que tô pedindo uma verbinha pra fazer uma festa durante um congresso fubânico, no final do ano, e não recebo nem satisfação.

Isso é discriminação!

28 março 2012 DEU NO JORNAL

VIVA MILLÔR!

José Paulo Cavalcanti Filho

 

Era uma vez um menino de subúrbio, que cedo perdeu mãe e pai, criado então por uma avó italiana. Começou a trabalhar bem cedo, como grande parte da multidão informe que cerca nossas cidades. A casa pobre em que morava, definia como “borda de piscina” – que mal chegava, noite alta, e logo saia madrugada ainda. Dura luta pela sobrevivência. Apesar dessa trajetória, igual à de tantos, seu destino seria outro, alto e raro; tanto que, aos vinte anos era já o maior salário do jornalismo brasileiro. Tudo muito natural quando se é gênio.

Millôr Fernandes era singular e plural. No nome e na trajetória. Ou nem uma coisa nem outra. Singular não, único. O único Milton que virou Millôr. Trapalhada do tabelião ou a mão providencial do destino, nunca se saberá. E Fernandes, no plural, era quase a antevisão de que ele seria muitos, no papel. Em O Cruzeiro foi Notlim (o contrário de Milton, claro), Adão Júnior (em que falava o diabo das Evas brasileiras), Patrícia Queiroz (só para fazer raiva a Raquel) e Emanuel Vão Gogo (mistura de Emanuel, como Kant; Vão, de inútil; e Gogo, doença de galinha – tudo reunido, mistura de filósofo alemão com o pintor holandês Vincent Van Gogh), nome com que escrevia duas páginas semanais de humor – O Pif Paf. Desde cedo, e até ontem, sendo a presença mais moderna, inteligente e revolucionária da imprensa brasileira.

O humor de Millôr era como faca. Fim de jantar no Ouro Verde e Paulo Francis quis agradar – “Você é o maior escritor vivo da língua portuguesa”. Só prá ouvir Millôr responder – “E por que esse restrição?” Paulo, vermelho, parecia não entender. E Millôr completou “Por que vivo? E por que só em língua portuguesa?”. Outro dia, no apartamento de Chico Caruso, fez discurso de aniversário. Disse que, considerando nossas idades (todos bem mais moços que ele, vale a lembrança), “claro que a festa não se repetiria por muitos anos mais”. Baixou a cabeça, como se fosse chorar. Protestos gerais. Então levantou e disse “Faz mal não. É dura essa vida. Mas saibam que, quando o último de vocês morrer, e eu tiver que comemorar aniversário sozinho, vou sentir muitas saudades”. Só faltava essa. O tempo, bem pesado, não parecia lhe incomodar. Quando Barbosa Lima fez cem anos, escreveu elogiando; e completou, dizendo que quando fosse a vez de também ele fazer cem, esperava ter lembrança igual do amigo. Essa lembrança não terá, que Barbosa não vai dar e ele não vai poder receber.

Homem reto, apesar dos desvios na coluna. Amigo certo de amigos incertos. Magro no corpo e gordo nos sentimentos. Especialista em falar de graça. Apreciador de bolos de rolo – também, para ser justo, de bolos e de rolos. Amigo certo de amigos incertos. Homem de dores e todos os seus derivativos – especialmente ardores, andores, pendores, penhores e pecadores. Homem justo em uma vida injusta, onde os dias passam tão devagar e os anos passam tão depressa. Em resumo, um iluminado. Que teve somente um medo, nessa vida; o de, apesar do tanto que já escreveu, passar a história apenas por ter sido, como foi, o inventor do… frescobol.

Dia desses, novidade, apareceu com um celular. Algo quase incompreensível, para alguém como ele. Só que nunca atendia. Numa vez, angustiado por não conseguir falar, lembro que deixei recado na memória do aparelho:

De que vale um avião
Prá quem tem medo de altura
De que vale a alma pura
Prá quem não quer redenção
De que vale ter irmão
Se ele não lhe socorrer
De que vale saber ler
Quem não tem onde morar
De que vale um celular
Se Millôr não lhe atender.

O celular virou enfeite. Agora é que ele não vai atender mesmo. Só de pirraça.

Saudades do amigo Millor.

28 março 2012 DEU NO JORNAL

IM-PUM-NIDADE

É impressionante como no Brasil quem se apropria mais do alheio e consequentemente tem mais “recursos” para comprar pessoas e a justiça, grande justiça brasileira, acaba saindo incólume de tudo o que apronta.

Sei que “apropriamento” (indébito) é uma palavra generosa, mas todos entenderam.

* * *

Parabéns pra quem escreveu esta nota.

Eu nunca tinha lido, num texto tão curto, alguém discorrer com tanta delicadeza e eufemismo sobre corrupção e impunidade nestepaiz…

28 março 2012 DEU NO JORNAL

A CULTURA É A ALMA DE UM POVO

Cacá Diegues

Vira e mexe, a ministra Ana de Hollanda é atacada pelos jornais, através de artigos e manifestos, como uma Geni da cultura. Esta semana, texto subscrito por professores universitários, no jornal “O Estado de S. Paulo“, e entrevista do ex-ministro Juca Ferreira, na “Folha de S.Paulo“, pareciam petardos sincronizados, como numa campanha bélica bem tramada.

Não sou especialista em administração pública. Mas conhecendo a ministra e acompanhando de longe sua ação à frente do ministério, me estarreço com a violência praticada contra ela. Chego a pensar que não estamos acostumados à política exercida com discrição e serenidade, gostamos da tradição dos berros e dos murros na mesa, confundimos delicadeza com fragilidade.

São tão tortuosos e pouco sólidos os rumos desses desaforos, tão clara sua voracidade política, que seria mais simples se os agressores declarassem logo: “É que não vamos com a cara dela.”

Juca Ferreira, o ministro do projeto autoritário da Ancinav, não esconde contra o que se bate: “Num estado com pouco controle social como o Brasil, você diz e faz o que quiser”, declara em tom de lamentação, sobre algo que devia nos orgulhar. Antes dele, os professores liderados por Marilena Chauí listam várias expressões acadêmicas que gostariam de ouvir vindas do MinC e exigem dele uma participação criativa que não lhe cabe ousar ter. O velho e místico sebastianismo brasileiro ainda pensa que é o estado que produz e deve produzir cultura.

Ora, para os que já se esqueceram dele, lembro trechinho do belo discurso de posse da presidente Dilma Rousseff: “A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade. Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais.” E então fui me informar do que anda fazendo o MinC de Ana de Hollanda para atender a esse programa anunciado pela presidente. Aqui transmito algumas respostas ouvidas por mim.

Em 2011, o MinC não só conseguiu dar conta de um enorme passivo de compromissos que ficaram a descoberto em 2010, como alcançou uma execução recorde de 98,98% dos limites autorizados para empenho. Isso significou R$1,069 bilhão em investimentos diretos, o maior número já alcançado pelo Ministério no que se refere ao efetivamente investido.

Ao contrário do que se tem dito, o orçamento do MinC, na gestão da presidente Dilma, é maior e mais realista do que o de gestões anteriores. O total de investimentos é de R$1,24 bilhão. Somando-se a isso os R$400 milhões a serem incorporados através do Fundo Setorial do Audiovisual, chega-se a R$1,64 bilhão, um recorde sem precedentes na pasta. E não se computa aqui o investimento indireto através das leis de incentivo, como a Rouanet.

E para onde têm ido esses recursos?

Os Pontos de Cultura encontravam-se sem pagamento desde o mês de março de 2010. Na atual gestão, o MinC já pagou cerca de R$100 milhões. O crescimento do orçamento do Programa Cultura Viva tem permitido a criação de novos Pontos de Cultura, o revolucionário projeto inaugurado por Gilberto Gil. Em 2010 o investimento nos Pontos de Cultura era de R$50 milhões. Em 2011, o primeiro ano da gestão atual, foram empenhados R$62 milhões e em 2012 esse valor saltou para R$114 milhões.

Em fevereiro deste ano, a ministra aprovou, junto à presidência, uma lista de programas prioritários que já estão em execução: o Brasil Criativo, que visa a ampliar as possibilidades de emprego e renda, a partir do potencial criativo; o Mais Cultura & Mais Educação, em parceria com o Ministério da Educação, para investir em cultura nas escolas; o PAC das Cidades Históricas, atuando em 125 cidades que possuem sítios históricos ou bens tombados; o de Praças dos Esportes e da Cultura, na periferia de 345 cidades, para construção de parques esportivos, bibliotecas, salas de espetáculo, cineclubes.

O ministério está investindo no processo de implantação do Sistema Nacional de Cultura, que pulou de 337 municípios e um estado integrados até 2010, para 782 municípios e 17 estados hoje. Na área do audiovisual, a aprovação recente da lei 12.485 vai permitir a presença do produto nacional independente nas televisões por assinatura e o crescimento dos recursos do Fundo Setorial. Um instrumento de remissão do cinema brasileiro.

Além disso, o MinC, com o apoio da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura, se empenha na aprovação, pelo Congresso, de leis como as do Vale Cultura, do Procultura e sobretudo da revisão dos Direitos Autorais. Sou internauta e sei que não é mais possível nem desejável recolher esses direitos como se fazia no passado. Mas também não estou disposto a entregar o que sai de minha cabeça ao Creative Commons, um projeto de marketing de empresa esperta.

Foi isso o que me contaram e eu ouvi do MinC. Se alguém não concorda, que apure e se manifeste. Não precisa trucidar quem está do outro lado.

28 março 2012 DEU NO JORNAL

CELAS FECHADAS

Em viagem histórica a Cuba, Papa Bento XVI defende “sociedade aberta”.

Diante da presença de Raúl Castro, Bento XVI também defendeu a dignidade do ser humano

O  pontífice acrescentou que, de maneira especial, pensava nos jovens, nas crianças e nos idosos, nos doentes e nos trabalhadores, nos presos e em seus parentes, assim como nos pobres e necessitados.

* * *

Mais do que pedir uma “sociedade aberta”, Bentão deveria pedir as “celas abertas”.

O que mais tem é “subversivo” mofando nas prisões políticas da Ilha da Felicidade.

28 março 2012 DEU NO JORNAL

APLICAÇÕES CONCRETAS

A presidente Dilma Rousseff voltou a vetar projeto aprovado no Congresso que permitia o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em obras da Copa do Mundo de 2014.

O veto foi publicado nesta segunda-feira (26) no “Diário Oficial da União”.

A possibilidade não estava no texto original da MP enviada por Dilma ao Congresso, e foi incluída pelos parlamentares no Congresso.

 * * *

Quem $erá que “fez a cabeça” dos parlamentares pra incluir este pequeno detalhe na Medida Provisória? Hein? Hein? Quem $ouber, pa$$e o bizu aqui pra gente.

O que eu sei mesmo é que Dilma está certíssima ao vetar a artimanha, pois este projeto trocou as bolas.

O caminho correto é este: os recursos públicos para as obras da Copa do Mundo deverão ser usados para aplicações fora do Brasil. Aplicações financeiras, bem entendido.

Preferencialmente em paraisos fiscais.

27 março 2012 DEU NO JORNAL

RENUNCIE AO MANDATO, SENADOR

Augusto Nunes

A reação do timaço de comentaristas à descoberta do lado escuro do senador Demóstenes Torres escancarou o abismo que separa o Brasil que presta do país reduzido pela Era Lula a um imenso clube dos cafajestes. Confrontados com as ligações promíscuas entre o parlamentar do DEM goiano e o delinquente Carlinhos Cachoeira, reveladas por Veja, os brasileiros decentes não engoliram as desculpas indigentes gaguejadas pelo amigo de bicheiros. Continuaram a ver as coisas como as coisas são. E enxergaram no que parecia um oposicionista engajado no combate à corrupção  mais um prontuário em ação na Casa do Espanto.

Conforta-me a leitura dos comentários que enriqueceram o primeiro post sobre Demóstenes Torres. Os textos não escondem a decepção e a perplexidade dos brasileiros que respeitam a lei, os valores morais e as normas éticas. Mas nenhum cede à tentação de justificar o injustificável. Nenhum escorrega no farisaísmo, na hipocrisia e na pouca vergonha que orientam a contra-ofensiva que inevitavelmente mobiliza pais-da-pátria e soldados rasos quando um bandido de estimação é pilhado em flagrante.

Para o país que pensa, o que já foi revelado é suficiente para a incorporação de Demóstenes à bancada dos desmoralizados. Nenhum comentarista berrou que todos são inocentes até o julgamento do último recurso. Ninguém exigiu mais provas, nem rabiscou outro poema celebrando o “devido processo legal”. Isso é conversa de devoto da seita que primeiro inocenta e depois canoniza todos os culpados do rebanho.

Demóstenas capitulou? Paciência. A rendição não virá, e o vazio deixado pelo desertor começa a ser preenchido pelo senador Pedro Taques, do PDT de Mato Grosso. Também originário do Ministério Público, Taques avisou nesta segunda-feira que não tratará com indulgência o colega com quem vivia dividindo projetos e ideias.  “Vou tomar as minhas providências”, informou. “Não podemos proteger os amigos e prejudicar os inimigos”.

Numa das conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, a advogada Flávia Coelho, mulher do senador, conta a Carlinhos Cachoeira que o marido estava sob o assédio de cardeais do PMDB interessados em anexá-lo ao que Ciro Gomes qualificou de “ajuntamento de assaltantes”. Flávia e Cachoeira parecem muito animados com a ideia, que por algum motivo gorou. Pior para Demóstenes. Se tivesse atendido aos desejos da dupla, estaria neste momento sob a proteção de Lula, amparado por Dilma Rousseff e  transformado pela turma da esgotosfera em mais uma vítima da mídia golpista.

Como se trata de um político da oposição, as milícias festejaram histericamente a chance de recitar, de novo, o bordão celebrizado por Chico Anysio quando encarnava Tavares, o canalha. “Sou, mas quem não é?”. Nós não somos, retrucam os textos do timaço dos comentaristas. Canalhas são os que tentaram impedir o despejo dos ministros ladrões e tentam agora garantir o emprego de um Fernando Pimentel. Canalhas são os que fazem do assalto aos cofres públicos um instrumento eleitoreiro. Esses têm tanta autoridade para atacar o senador goiano quanto teria um pedófilo para fazer palestras sobre educação infantil.

Demóstenes já foi condenado à morte política pelo eleitorado que traiu. Restam-lhe duas opções. A primeira é ignorar as provas e evidências, apostar no corporativismo da Casa do Espanto e vagar feito zumbi pelo Congresso até ser formalmente sepultado na próxima eleição. A outra é pedir desculpas aos eleitores ultrajados, devolver o cargo e voltar para casa. A segunda alternativa é menos indigna. E ofereceria à multidão de decepcionados o consolo de saber que alguns políticos ainda conseguem envergonhar-se dos pecados cometidos.

Renuncie ao mandato, senador.

27 março 2012 DEU NO JORNAL

DOIS TEMPOS

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso visitou nesta terça-feira (27) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no hospital Sírio-Libanês.

O encontro começou às 11h e durou cerca de 50 minutos.

* * *

Os xiitas hidrofóbicos de ambos os lados, da direita e da esquerda, vão ficar prostitutos da existência com a foto do encontro de FHC com Lula, que já está na rede internética do mundo todo e que será notícia na imprensa nas próximas horas.

Como o meu sádico coração adora fazer raiva aos extremistas, além da foto do encontro de hoje vou acrescentar a esta postagem uma foto de muitos e muitos anos atrás.

Uma foto de um tempo em que vigorava o regime militar e os dois, FHC e Lula – ambos do mesmo lado do balcão -, iam pras portas das fábricas distribuir panfletos, exigir “diretas já” e pedir democracia no Brasil.

Meu time de leitores fubânicos xiitas sofre duplamente: além da visão, perderam também a memória. Imaginem como eu choro e fico triste com o sofrimento deles… Xiuf, xiuf, snif, snif…

FHC e Lula em dois tempos: à esquerda, no século XXI, e à direita, no século XX; cresceram, venceram na vida e chegaram ao Planalto; enquanto isto, a cabeça da militância radical continua na Planície e na idade da pedra

27 março 2012 DEU NO JORNAL

A TORCIDA DE OTACÍLIO

Autoridades norte-americanas indenizaram as famílias de 17 afegãos mortos em um atentado feito pelo sargento do exército americano, Robert Bales, na província de Kandahar. A informação foi repassada por um membro de uma das famílias e por um líder tribal neste domingo (25).

Afegãos teriam recebido cerca de US$ 50 mil para cada pessoa morta e cerca de US$ 10 mil para cada ferido nos tiroteios em duas aldeias no início deste mês.

* * *

Otacílio, o filósofo Palmarense, me disse que, pra receber uma indenização destas, vai torcer pra que  o exército americano invada a nossa cidade e apareça um militar americano surtado, atirando pra matar sua mulher, sua sogra e seus 7 cunhados.

Sargento Robert Bales, autor do massacre no Afeganistão: se não for condenado à pena de morte, vai aparecer em Palmares pra quebrar o galho de Otacílio…

27 março 2012 DEU NO JORNAL

DA FALA AO GRUNHIDO

Ferreira Gullar

Desconfio que, depois de desfrutar durante quase toda a vida da fama de rebelde, estou sendo tido, por certa gente, como conservador e reacionário. Não ligo para isso e até me divirto, lembrando a célebre frase de Millôr Fernandes, segundo o qual “todo mundo começa Rimbaud e acaba Olegário Mariano”.

Divirto-me porque sei que a coisa é mais complicada do que parece e, fiel ao que sempre fui, não aceito nada sem antes pesar e examinar. Hoje é comum ser a favor de tudo o que, ontem, era contestado. Por exemplo, quando ser de esquerda dava cadeia, só alguns poucos assumiam essa posição; já agora, quando dá até emprego, todo mundo se diz de esquerda.

De minha parte, pouco se me dá se o que afirmo merece essa ou aquela qualificação, pois o que me importa é se é correto e verdadeiro. Posso estar errado ou certo, claro, mas não por conveniência. Está, portanto, implícito que não me considero dono da verdade, que nem sempre tenho razão porque há questões complexas demais para meu entendimento. Por isso, às vezes, se não concordo, fico em dúvida, a me perguntar se estou certo ou não.

Cito um exemplo. Outro dia, ouvi um professor de português afirmar que, em matéria de idioma, não existe certo nem errado, ou seja, tudo está certo. Tanto faz dizer “nós vamos” como “nós vai”.

Ouço isso e penso: que sujeito bacana, tão modesto que é capaz de sugerir que seu saber de nada vale. Mas logo me indago: será que ele pensa isso mesmo ou está posando de bacana, de avançadinho?

E se faço essa pergunta é porque me parece incongruente alguém cuja profissão é ensinar o idioma afirmar que não há erros. Se está certo dizer “dois mais dois é cinco”, então a regra gramatical, que determina a concordância do verbo com o sujeito, não vale. E, se não vale essa nem nenhuma outra – uma vez que tudo está certo -, não há por que ensinar a língua.

A conclusão inevitável é que o professor deveria mudar de profissão porque, se acredita que as regras não valem, não há o que ensinar.

Mas esse vale-tudo é só no campo do idioma, não se adota nos demais campos do conhecimento. Não vejo um professor de medicina afirmando que a tuberculose não é doença, mas um modo diferente de saúde, e que o melhor para o pulmão é fumar charutos.

É verdade que ninguém morre por falar errado, mas, certamente, dizendo “nós vai” e desconhecendo as normas da língua, nunca entrará para a universidade, como entrou o nosso professor.

Devo concluir que gente pobre tem mesmo que falar errado, não estudar, não conhecer ciência e literatura? Ou isso é uma espécie de democratismo que confunde opinião crítica com preconceito?

As minorias, que eram injustamente discriminadas no passado, agora estão acima do bem e do mal. Discordar disso é preconceituoso e reacionário.

E, assim como para essa gente avançada não existe certo nem errado, não posso estranhar que a locutora da televisão diga “as milhares de pessoas” ou “estudou sobre as questões” ou “debateu sobre as alternativas” em vez de “os milhares de pessoas”, “estudou as questões” e “debateu as alternativas”.

A palavra “sobre” virou uma mania dos locutores de televisão, que a usam como regência de todos os verbos e em todas as ocasiões imagináveis.

Sei muito bem que a língua muda com o passar do tempo e que, por isso mesmo, o português de hoje não é igual ao de Camões e nem mesmo ao de Machado de Assis, bem mais próximo de nós.

Uma coisa, porém, é usar certas palavras com significados diferentes, construir frases de outro modo ou mudar a regência de certos verbos. Coisa muito distinta é falar contra a lógica natural do idioma ou simplesmente cometer erros gramaticais primários.

Mas a impressão que tenho é de que estou malhando em ferro frio. De que adianta escrever essas coisas que escrevo aqui se a televisão continuará a difundir a fala errada cem vezes por hora para milhões de telespectadores?

Pode o leitor alegar que a época é outra, mais dinâmica, e que a globalização tende a misturar as línguas como nunca ocorreu antes. Isso de falar correto é coisa velha, e o que importa é que as pessoas se entendam, ainda que apenas grunhindo.

27 março 2012 DEU NO JORNAL

CELEBREMOS

Petistas ligados à facção Construindo um Novo Brasil (CNB), que é majoritária no PT, planejam lançar logo após as eleições municipais de outubro o movimento ‘Volta, Lula’, cujo objetivo é construir a candidatura do ex-presidente a um terceiro mandato. O movimento será lançado somente no final do ano para não atrapalhar as eleições municipais, nem o tratamento de Lula contra o câncer.

Entusiasta do movimento “Volta, Lula”, ex-líder do governo na Câmara Cândido Vaccarezza (PT-SP) contou a novidade à cúpula do PMDB. Articuladores acham que o movimento “Volta, Lula” deverá crescer muito, no rastro da insatisfação dos aliados com o governo Dilma.

A facção CNB, desgostosa com o jeito Dilma de governar, é liderada pelo ex-presidente Lula e seu ex-chefe da Casa Civil José Dirceu.

* * *

Tem algum leitor aí na platéia que ainda se lembra da campanha “Chega pra lá“, sobre a qual eu falava logo após a posse de Dilma?? Tem???

Pois é.

Teve gente da comunidade fubânica que, na época, duvidou. Teve gente que achou impensável e impossível.

Pois é. Eu acho que conheço a alma petralha um pouquinho melhor que alguns dos meus incrédulos leitores.

Celebremos. Toda e qualquer briga entre as facções desse bando é benéfica pra cidadania.

“Vocês vão se fuder, bando de felas-da-puta. Vou enfiar o meu biliro no furico de vocês tudinho!!!!”

26 março 2012 DEU NO JORNAL

DORMINDO COM O INIMIGO

A Locanty e a Toesa, duas das quatro empresas denunciadas pelo “Fantástico“, foram contratadas pela Superintendência da Polícia Federal do Rio apesar de serem investigadas pela Delegacia de Polícia Fazendária (Delefaz) da própria PF, desde 2006, por suspeitas de crimes que vão de falsificação de notas fiscais em concorrências públicas a superfaturamento.

* * *

Segundo Natan, isto é apenas um ardil da Polícia Federal republicana do Socialismo Muderno para investigar, mais a fundo, as empresas corruptoras. Cuida-se aqui da tática denominada “combater o inimigo por dentro”.

Aliás, em falando deste tema diário e rotineiro – corrupção, corruptores e corruptos -, aproveitem e vejam a última da imprensa safada e golpista.

Saiu ontem no Fantástico (sempre ele…) e envolve um dos últimos ministros nomeados por Dilma. Um nordestino da Paraiba, para nosso grande orgulho.

Clique aqui e divirta-se.

26 março 2012 DEU NO JORNAL

MARANGOGI FICA NO ESTADO DE ALANGOAS

A estatal aeroportuária Infraero afixou em seus aeroportos cartazes produzidos a pretexto de divulgar quatro destinos turísticos, mas comete um erro grosseiro: em vez de praia de Maragogi (AL), um dos mais belos e frequentados paraísos do litoral brasileiro, o cartaz menciona “Marangogi”, como se pode verificar na foto abaixo, no exemplar afixado no seroporto de Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

* * *

Parece até que esse povo não sabe quem é que nomeia os administradores da Infraero…

Lugar onde tem aquela turminha no comando – aquela turminha velha conhecida nossa -, até as palavras são erradas.

O que eu queria saber mesmo era quanto faturou a empresa que confeccionou estes cartazes.

26 março 2012 DEU NO JORNAL

VAI AUMENTAR O PREÇO DO COMBUSTÍVEL

A presidenta da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que se o preço do barril de petróleo seguir no atual patamar de US$ 120, o que é previsto por alguns analistas, será “inexorável” fazer um reajuste nos combustíveis.

* * *

A notícia é feia que só uma briga de foice. É horrível!

Mas quem deu a notícia… eu num sei não…

26 março 2012 DEU NO JORNAL

HISTÓRIAS DE ALEX MADUREIRA

Paulo Vinicius

Quem conhece essa figuríssima sabe bem de quem estou falando.

Ele é um misto do maluco beleza Raul Seixas, do exímio guitarrista Jimmy Hendrix, do humor de Patropi e da irreverência de Jovem (personagem de Chico Anísio), do produtor musical Quincy Jones e, mesmo sem ter ainda publicado nenhum livro, Alex Madureira acumula vastos conhecimentos sobre a história da Paraíba. Quem se interessar em saber mais sobre esse artista multimídia, clique aqui.

Morando aqui na praia do Cabo Branco, pertinho de mim, vez em quando vou à sua casa e invariavelmente encontro Alex Madureira, de quem sou também comparsa musical com muito orgulho em algumas obras, debruçado sobre suas produções musicais, em frente ao computador, rodeado de parceiros, instrumentos e outros apetrechos adredemente distribuídos sobre uma grande mesa redonda em sua sala onde funciona o seu estúdio em meio a uma bagunça sempre organizada e de onde flui perenemente sua produção de música experimental.

Numa dessas vezes em que por lá eu estava, não contive a gargalhada que veio em seguida a uma de suas tiradas.  Em meio à execução de uma música que acabara de ser criada, Alex interrompe seu trabalho pra atender ao telefone logo ao lado. Era uma daquelas ligações de telemarketing, com aquela vozinha de rapariga de luxo, que adivinham as horas mais impróprias pra ligar e tiram a paciência até do Dalai Lama:

- Alô, boa taaaardje.. é o Sr. Alex Madureira?

- Sim, pode falar…

- O meu nome e Valeska, do Banco Santander, quero inicialmente comunicar que nossa conversa está sendo gravada ok, Sr. Alex?

- Que massa !!! ta sendo gravada??? !!! Aê, galera vamo continuar tocando, agora é pra valer viu? Tem uma mulher aqui dizendo que tá gravando tudo!!!

E deixou a mulher pendurada na ligação por mais de 5 minutos, enquanto a música rolava ao vivo. No final voltou ao telefone para comprovar:

- E então? gravou? gostou?

- Sr. Alex… eu poderia ligar em outro horário?

- Ah não… não me diga que você não gravou…pô,  assim não dá né? A gente tava a fim  que alguém gravasse hit e você você não gravou? ligue mais não ta? bye bye, baby.

E desligou.

26 março 2012 DEU NO JORNAL

DESCOBRINDO O ÓBVIO ULULANTE

Às vésperas da viagem a Cuba, Papa Bento XVI ataca marxismo.

“É evidente que hoje dia a ideologia marxista como era concebida já não corresponde à realidade. É necessário encontrar novos modelos, com paciência e de forma construtiva”, avaliou. . 

* * *

Se todo mundo tiver que chegar a ser Papa pra concluir que o marxismo tá falido, o mundo tá fudido…

 Dois símbolos de modernidade: o Papa católico e o carro “marxista” cubano

25 março 2012 DEU NO JORNAL

A PROPINA E O GOVERNO FANTÁSTICO

Guilherme Fiúza

A corrupção continua surpreendendo o governo Dilma. A reportagem do “Fantástico” mostrando uma rede de propinas entre fornecedores de hospitais públicos chocou a presidente e seus ministros.

A imprensa vive dando notícia ruim para o governo popular.

Dilma e seus companheiros nem desconfiavam dos superfaturamentos no Dnit. Não faziam idéia da máfia das ONGs nos Esportes e no Trabalho. Não supunham que o Turismo tinha virado fábrica de convênios piratas. Não podiam imaginar o tráfico de influência na Agricultura e nas Cidades.

Graças a Deus, sempre aparece um repórter para contar tudo a eles.

Aí a turma da faxina entra em ação. A denúncia do esquema de fraudes na Saúde ressuscitou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Não se ouvia falar nele desde que anunciou a criação de UPPs pelos quatro cantos do país (projeto que continua firme na literatura governamental).

Agora Cardozo ressurge, indignado. Diante dos holofotes, em tom grave, anunciou que as denúncias são intoleráveis e precisam ser apuradas.

Eis aí uma boa notícia: o ministro da Justiça assiste ao “Fantástico”.

Aloísio Mercadante, ministro da Educação, também gritou. Disse que “o MEC está à disposição” da UFRJ para a investigação das denúncias no hospital universitário. Não precisava ser tão corajoso assim.

Para moralizar as compras na saúde, Mercadante também anunciou a criação da empresa brasileira de serviços hospitalares. Perfeito. Todos sabem que, diante da corrupção no Estado, o melhor a fazer é criar mais uma estatal.

O novo ninho de companheiros há de aprender rápido a “ética do mercado”, revelada pela microcâmera do “Fantástico”.

Chega a ser comovente a capacidade do governo popular de se indignar com o fisiologismo que patrocina.

A imagem-síntese é Dilma Rousseff, de braço dado com José Sarney, anunciando um basta ao toma lá, dá cá no Congresso.

O Brasil acredita nisso. E o coelhinho da Páscoa vem aí (se o “Fantástico” não desmascarar).

25 março 2012 DEU NO JORNAL

LOROTA BOA

Não gosto desse negócio do toma lá dá cá. Não acho justo e não vou deixar que isso aconteça no meu governo.

(Presidenta Dilma Rousseff, em entrevista à revista Veja)

* * *

Sou obrigado a concordar com o time dos muderninhos: a grande imprensa só publica mentira.

24 março 2012 DEU NO JORNAL

O CAMINHO DE VOLTA

Ruy Fabiano

Há substanciais diferenças entre o cerco parlamentar imposto a Dilma Roussef e o que enfrentou Fernando Collor, quando na presidência da República. Collor não tinha base social e dispunha de um partido fictício, o PRN, criado para registrar sua candidatura.

Surgiu do nada na campanha presidencial de 1989, sem passado, sem história e sem programa. Venceu graças a uma engenhosa campanha de mídia e ao temor que os dois outros candidatos competitivos, Lula e Brizola, ainda infundiam à classe média e ao empresariado.

Dilma, embora também neófita em política partidária, integra um partido, o PT, que, goste-se ou não, possui sólidas raízes na sociedade civil organizada e uma história atuante de mais de três décadas. A crise, portanto, dá-se entre entidades concretas.

Collor não tinha aliados. Chegou a propor ao PSDB que assumisse o governo, nomeando todos os ministros. Graças à intervenção enérgica de Mário Covas, na época a liderança maior dos tucanos, o convite foi rejeitado. Mas quase foi aceito.

Lula, patrono de Dilma, além de ter exercido por duas vezes a presidência, com índices expressivos de popularidade, tem forte inserção no universo partidário, o que lhe garante interlocução, mesmo em momentos agudos como o atual.

Collor não tinha nada disso. Propôs-se estabelecer interlocução direta com a sociedade, explorando exatamente a imagem desgastada dos políticos, o que o isolou ainda mais de seus interlocutores.

O que os governos Collor e Dilma têm em comum, isto sim, é um vasto prontuário de escândalos – e aí, reconheça-se, Collor foi bem mais modesto.

As façanhas de PC Farias parecem estrepolias de escoteiro diante do mensalão, com seu cortejo de dossiês e aloprados, que marcaram o governo anterior.

O governo Dilma herdou esse passivo, expresso nas alianças parlamentares e nas nomeações ministeriais que fez. A vantagem de Dilma em relação a Collor é que não há um PT na oposição.

E isso confirma o que já se sabia: Collor não caiu pela corrupção, que serviu apenas de pretexto para derrubá-lo e, por isso mesmo, lhe sobreviveria até chegar ao paroxismo dos dias atuais. Caiu por falta de interlocução político-partidária, falta de base social.

A maioria elege, mas não fornece governabilidade. Esta depende de articulação política, que, no presidencialismo de coalizão, traduz-se por loteamento de cargos.

Foi com base nele que Lula governou e elegeu Dilma, desconhecida da maioria da população até às vésperas da campanha. O paradoxo que Dilma construiu – e que terá de superar – é o de tentar se livrar de quem a levou ao poder.

Até aqui, ao expor esses aliados à execração pública, apenas dificulta o caminho de volta, para o qual não tem alternativa: nem a oposição aderirá a seu governo, nem os aliados hão de se regenerar, nem é possível manter o ambiente de impasse presente. É recuar ou recuar.

As pesquisas mostram que a presidente ganhou popularidade com o enfrentamento, mas isso não lhe dá governabilidade. O público percebe a crise como ato de coragem, quando é apenas de destempero, inaptidão para a ação política.

Não conecta as pontas do processo, não vê que os atuais adversários da presidente são os que a levaram aonde está e que lhe garantiram que chegasse até aqui.

Por quanto tempo, porém, será possível manter esse quadro ilusório? Em algum momento a chamada Realpolitik, que Lula maneja tão bem, se imporá, e o caminho de volta será feito. Nenhuma das partes tem outra saída.

24 março 2012 DEU NO JORNAL

FAZENDO A SUA PARTE

Zuenir Ventura

A reportagem de Eduardo Faustini no “Fantástico”, revelando as fraudes no sistema de saúde, prova que a imprensa está fazendo a sua parte.

Sem qualquer protecionismo ou espírito corporativo, pode-se afirmar que não há um grande escândalo no país que não seja denunciado ou noticiado por algum jornal, revista, emissora de rádio, de TV ou site.

Ela pode pecar por excesso, não por omissão. O trabalho de Faustini desfaz a lenda saudosista de que hoje não há mais lugar na mídia para grandes reportagens, que bom era o jornalismo de antigamente. Engano.

Com criatividade, paciência e argúcia, ele fez um dos mais contundentes libelos contra a corrupção, sem aparecer e sem precisar usar um adjetivo sequer, passando a palavra aos próprios personagens para se confessarem e se incriminarem. Nada é contado por ele, mas mostrado ao telespectador sem mediação ou retoque, didaticamente.

Assim, desvenda-se não só o mecanismo dos desvios — a técnica, o modus operandi — como a cultura que envolve seus autores. Em meio a gargalhadas, a pândega representante de uma das empresas corruptas recorre, na maior desfaçatez, à “ética do mercado”; o sócio de outra fornecedora fala com orgulho no exemplo de conduta que “deixo pros meus filhos”.

O terceiro detalha como será entregue o dinheiro, disfarçado em “caixas de uísque”. Tudo muito natural, como se fossem práticas legítimas realizadas em clima de absoluta normalidade.

Assistiu-se a um impressionante festival de hipocrisia, cinismo e escárnio que deveria estarrecer e revoltar nossas instituições republicanas.

Por que a Justiça (e também o Congresso) não faz a sua parte? Para só ficar nesse caso — deixando de lado os muitos e velhos escândalos famosos que continuam impunes — das quatro empresas corruptas mostradas no “Fantástico”, pelo menos duas — Locanty e Rufolo — vêm há 15 anos lesando hospitais e prefeituras, negociando propina para obter vantagens.

Será que o destino delas e de todas as outras comprometidas até o pescoço é não pagar pelo mal que fizeram? Não é normal que, apesar das evidências que a mídia costuma escancarar, o Brasil continue sendo o país do “nada ficou provado”.

23 março 2012 DEU NO JORNAL

BEBER É PRA QUEM É DO RAMO

O Ministério Público Estadual de Minas Gerais instaurou inquérito civil para investigar repasses feitos pelo governo do Estado à Rádio Arco-Íris entre 2003 e 2010, época em que o tucano Aécio Neves comandou o Executivo mineiro.

Além de Aécio, também consta no inquérito o nome de sua irmã, Andrea Neves, atual presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social e coordenadora do Núcleo Gestor de Comunicação Social do governo, responsável pelo controle do gasto com comunicação, inclusive a publicidade oficial, durante a gestão do irmão.

A propriedade da rádio por parte de Aécio e Andrea veio a público em abril do ano passado, quando o senador teve a carteira de habilitação – vencida – apreendida e foi multado em R$ 1.149,24 após se recusar a fazer o teste do bafômetro ao ser parado em uma blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro.

Ele dirigia o Land Rover placas HMA-1003, comprado em novembro de 2010 em nome da emissora, que detém uma franquia da Rádio Jovem Pan FM em Belo Horizonte.

* * *

A família que mama unidade nos peitinhos do erário, permance unida pra sempre. Eis aqui um belo exemplo de amor fraternal desta parelha de irmãos mineiros influentes, Aécio e Andrea.

Este episódio só vem reforçar uma convicção: quem é amador não deve beber.

Beber é coisa pra profissional, pra gente do ramo.

Ou bem o sujeito é político safado e corrupto, ou bem é cachacista militante e homem de bem. São duas atividades mutuamente excludentes.

Se tivesse ficado só com as pitadas do rapé branco, não teria sido pilhado pelo bafômetro

23 março 2012 DEU NO JORNAL

UM LOBISOMEM CARA-DE-PAU

Quando José Serra descumpriu promessa que fez por escrito em 2004 (de cumprir até o fim o mandato de prefeito da capital paulista, caso eleito), sua carreira política deveria ter sido abalada. Isso não ter ocorrido explica a última bofetada que desferiu nos paulistanos.

Ao dizer, agora, que a promessa que fez reiteradas vezes durante aquela campanha eleitoral – e que confirmou por escrito mais de uma vez, naquele ano – foi “apenas” uma assinatura em um “papelzinho”, ao menos esta sentença deveria pulverizar suas novas pretensões eleitorais.

* * *

Este cabra safado é um político profissional, formado desde o tempo de sua militância estudantil zisquerdista na extinta Ação Popular e na política estudantil, onde chegou a presidente da atualmente jurássica e gunvernista UNE.

Assinar embaixo de um compromisso, e depois não cumprir o que estava escrito, é prática usual de políticos profissionais. Agora, vir a público e dizer que apenas assinou “um papelzinho” (ou “verbalizar”, como dizem os psicólogos…), é um avanço fantástico na prática da putaria política nacional. Cuida-se aqui de um progresso tão grande no mau caratismo demagógico-palavroso que chegou a deixar pra trás até mesmo os disparates de Metamorfose Ambulante.

Em homenagem ao curral que elegeu esta excrescência governador de estado, prefeito de São Paulo, senador da república e deputado federal, vamos botar Polodoro pra rinchar

Rincha, Polodoro!

“É com muita alegria que saúdo meus irmãos paulistas e paulistanos que votaram em José Serra”

*  * *

PS: A seguir, o restante do texto de Eduardo Guimarães que abriu esta postagem lá em cima:

Políticos fazem promessas para tentarem se eleger e ninguém sabe se irão cumpri-las. A grande dúvida do eleitor e o seu melhor critério de escolha de candidatos, portanto, deveriam ser o grau de cumprimento das promessas que um político faz.

Em tese, flagrar um político em uma mentira deveria desmoralizá-lo. O político que mente e é desmascarado ou que descumpre promessas sem se importar com o que prometeu, deveria ser visto como um mau político, pois se descumpriu uma promessa deverá descumprir todas.

Clique aqui e leia este artigo completo »

23 março 2012 DEU NO JORNAL

CENA BRASILEIRA

Parece que foi ontem: o Tribunal de Contas da União aponta suspeitas de corrupção em contratos para serviços de limpeza e conservação em hospitais federais, que envolvem o grupo Rufolo e outras oito empresas. E poderia ter sido esta semana: a Locanty figura como investigada em processos que apuram irregularidades em licitações. O detalhe é que os casos acima tiveram origem em 1996, nada menos do que 15 anos atrás.

E, na prática, de lá para cá, quase nada mudou: Locanty e Rufolo são duas das quatro empresas cujos representantes foram flagrados pelo “Fantástico” nos últimos dois meses negociando propina para conseguir vantagens num suposto certame de um hospital universitário federal.

* * *

Segundo o diretor do hospital onde a matéria da Globo foi gravada, quem desvia dinheiro da saúde pública deveria ter uma pena maior e mais pesada, pois está matando doentes pobres e sem quaisquer recursos.

Esta nota aí de cima tem tudo a ver com a Enquete JBF que está no ar. A nota diz que as irregularidades nas licitações das quais estas duas empresas participavam já existiam há mais de 15, em pleno gunverno FHC. Tudo a ver com a pesquisa do Data Besta.

Vá aí do lado direito do blogue, logo abaixo do relógio, e confira. Aproveite e dê seu voto.

Corruptores das empresas Locanty e Rufolo combinando com o “servidor” corupto o percentual da propina, que pode ser paga até em dinheiro japonês

22 março 2012 DEU NO JORNAL

“AI TATU, TATUZINHO…”

Com a bebida liberada e um tatu como mascote da Copa, a cachaça Tatuzinho, produzida em São Paulo, antevê dinheiro caindo do céu.

* * *

Quando li esta nota numa coluna internética, chega suspirei com a saudade que me invadiu o peito.

Já tomei muita Tatuzinho, cantando o seu refrão:

Ai tatu, Tatuzinho, me abre a garrafa e me dá um pouquinho…”

22 março 2012 DEU NO JORNAL

AQUELE TIME AFUNDOU, MAS A FARRA CONTINUA

José Cruz

O time que começou o jogo da Copa 2014 no Brasil não está mais em campo.

Três dos quatro titulares, abaixo – Orlando Silva, José Roberto Arruda e Ricardo Teixeira (de costas) – caíram vergonhosamente pelo mesmo motivo: denúncias de corrupção. Quanta coincidência!

Mas ficou este registro histórico de um tempo em que eles conseguiam rir. De quem?

Imagine o que Ricardo Teixeira teria dito para provocar gargalhadas.

Para não perder a esportiva, escolha uma das alternativas ou acrescente a sua:

a) Ai eu falei pro Sarney: esquece as denúncias daquele jornalista escocês, um tal de Andrew Jennings… Ele e o Juca tão gagá…kkkkkkk

b) Aí eu disse pro Lula: Vamos trazer a Copa pro Brasil … Vai ser uma festa!!! kkkkk

c) Aí eu perguntei pro Orlando Silva: Guardou a receita do Pan 2007? kkk

d) Ô Arruda: o Campeonato Candango, que já tem 622 torcedores por jogo, tá merecendo um estádio para 72 mil pessoas… faz alguma coisa, pô!

Não dá pra rir, não.

É de chorar.

22 março 2012 DEU NO JORNAL

…SE FICAR O BICHO COME

Nos últimos dez anos, o PT se consolidou como o partido de maior força no país, alcançando a presidência da República por três eleições consecutivas e garantindo eleições de governos estaduais e municipais.

Mas em meio à regra, há uma exceção: em Alagoas, o partido não possui sequer um prefeito ou deputado federal no poder, sofre da pouca barganha política e vive à sombra dos três senadores que dominam a política local.

* * *

Êita povo sem sorte…

Ter que optar entre PT ou então Collor/Renan é um sina triste. Vale aqui, com toda justeza possível, o antigo ditado: “se correr o bicho pega…”

Tá cum pena??? Fique não. Foi o povo de lá que quis assim.

Vamos botar Polodoro pra rinchar em homenagem ao eleitorado alagoano.

Rincha, Polodoro!

“Minhas saudações aos eleitores da Terra dos Marechais!!!”

* * *

 

Uma opção da porra: encarnado ou azul? Merda ou bosta?

22 março 2012 DEU NO JORNAL

DESMANTELO SÓ PRESTA GRANDE

De 211 municípios paraibanos, 94,3% (199) estão em situação difícil, ou crítica, no que diz respeito à eficiência na gestão orçamentária das prefeituras.

Entre os 500 piores resultados do país, quase a metade está na Paraíba.

* * *

Minino, mais de 94% é quase a totalidade!

Ainda bem que Palmares fica em Pernambuco. 

Senão esta estatística chegaria a 100%.

A prefeitura mais eficiente em gestão orçamentária do Brasil

21 março 2012 DEU NO JORNAL

A WONDERFUL GASTRONOMIC FESTIVAL

Pernambuco irá receber um dos eventos gastronômicos mais importantes do País.

Reunindo 48 restaurantes, o Festival Pernambuco Restaurant Week 2012 acontece entre os dias 26 de março e 15 de abril.

Nesta edição, o Festival traz uma novidade. Chega pela primeira vez ao Sertão do Estado, com a inclusão de um restaurante de Petrolina em seu roteiro.

* * *

This festival will take place at Recife, Olinda, Porto de Galinhas, Gravatá, Petrolina e Fernando de Noronha. Isn’t it fôfo???!!!

Pra um estado onde as lojas já anunciam suas liquidações de estoque na base do “Sale – 10% off” e onde os restaurantes que servem buchada e carne-de-sol botam anúncio dizendo que fazem “Delivery“, uma Restaurant Week é o de menos. No último carnaval, os bonecos gigantes de Olinda foram vestidos com roupas criadas por um frango importado diretamente da São Paulo Fashion Week.

Já tivemos até uma página internética, com apoio oficial do poder público, por nome de “Pernambuco Body Count”, que contabilizava diariamente as vítimas da violência neste nosso estado muderninho, tão parecido com o Texas. O pessoal da cidade de Chicago ficou com tanta inveja que inaugurou por lá um sítio batizado de “Contador de Defuntos“.

Este tal “Pernambuco Restaurante Week“, que irá acontecer até no alto sertão, terá no cardápio iguarias como roast goat, bull’s culhões, sun meat, baião of two, ox foot e goat buchada. Com certeza serão feitos muitos downloads sobre o evento, que serão enviados através de thousand of e-mails na forma de links. O Restaurant Week terá muitos gossips no Facebook. E merecerá reportagens do The New York Times e do London Daily.

It will be a glorious week for the Lion of the North! ! !

* * *

 

Access gate to…

…and theme song of Pernambuco Restaurante Week 2012

21 março 2012 DEU NO JORNAL

O CASO HOUAISS

Ernani Ssó

Ai, ai, ai. O MPF quer tirar o Houaiss de circulação por, acredite se quiser, racismo contra os ciganos. Mesmo consultando o Houaiss e o Caldas Aulete, os dois melhores dicionários em português que conheço, nunca tinha lido o verbete de cigano. Depois da notícia, fui conferir.

Lá está: adjetivo que apareceu escrito em português pela primeira vez em 1521, “relativo ao ou o próprio povo cigano”. Mais abaixo fico sabendo que por analogia a palavra significa “vendedor ambulante de quinquilharias, mascate”. Até aqui, tudo bem, senhora marquesa. Mas é a quinta acepção que levou o procurador Cléber Eustáquio Neves a pedir a cassação do dicionário, mais duzentos mil cobres de indenização por danos morais coletivos.

Com medo que seu Eustáquio queira me processar também, vou logo avisando que não tenho nada contra os ciganos, até fui colega de uma cigana na faculdade de jornalismo. Por sinal, ela leu minha mão e disse, entre outras coisas, que eu ia ganhar muito dinheiro. Até hoje não ganhei coisa nenhuma. Mas não penso processá-la. Quem mandou acreditar em quiromancia?

A quinta acepção vem sob o rótulo de “Uso pejorativo”. Em 1899, apareceu escrita pela primeira vez a palavra cigano com o sentido de “aquele que trapaceia; velhaco, burlador”. Isso, segundo o seu Eustáquio, é crime: “Ao se ler em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura cigano significa aquele que trapaceia, velhaco, entre outras coisas do gênero, ainda que se deixe expresso que é uma linguagem pejorativa, ou que se trata de acepções carregadas de preconceito ou xenofobia, fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação”.

Um dicionário, seu Eustáquio, registra o sentido que o povo, através dos tempos, dá a uma determinada palavra. Deixar de registrar que em 1899 apareceu, pela primeira vez, o termo cigano com sentido pejorativo é uma falha. Não fica claro eme nenhuma o dito caráter discriminatório. Ficaria se o verbete dissesse algo assim: “Uso pejorativo carregado de razão”.

Acho que certo tipo de gente devia folhear ou acessar o Houaiss ou o Caldas e ler o significado da palavra lógica. Entre as várias acepções, devia prestar atenção à quarta, que vem sob o rótulo de “Derivação: por extensão de sentido”. Transcrevo pros preguiçosos: “maneira rigorosa de raciocinar”.

Mas seu Eustáquio prossegue: “Trata-se de um dicionário. Ninguém duvida da veracidade do que ali encontra. Sequer questiona. Aquele sentido, extremamente pejorativo, será internalizado, levando à formação de uma postura interna pré-concebida em relação a uma etnia que deveria, por força de lei, ser respeitada”. Não, não, meu nego (na acepção carinhosa), ninguém internaliza nada lendo dicionário. O cara se torna racista se é incapaz de raciocinar com rigor, se absorve sem questionamentos os preconceitos dos pais, vizinhos, professores, publicitários e demais formadores ou deformadores de opinião. Para mais detalhes, consultar um psicanalista, um sociólogo e um historiador.

Seu Eustáquio destacou que: “o direito à liberdade de expressão não pode albergar posturas preconceituosas e discriminatórias, sobretudo quando caracterizadas como infração penal”. Concordo. Só não vejo como o registro dos sentidos existentes de palavras, coisa que é a função dos dicionários, possa ser taxado de preconceituoso e discriminatório. Pelo discurso do seu Eustáquio, a gente é levada a pensar que os dicionaristas são uma gangue de ultradireitistas que está introduzindo verbetes escusos no seio da sociedade para corromper a juventude inocente. Isso me parece absurdo, na primeira acepção: “que se opõe à razão e ao bom senso; que é destituído de sentido, de racionalidade”.

Essa tentativa de esterilizar a linguagem é mostra do quê? Na melhor das hipóteses, de impotência. Diante de uma realidade brutal, em que pouco podemos intervir de modo efetivo, nos agarramos a detalhes. É como o cara que perde milhões por dia e economiza no uso de palitos.

Tudo isso me deu uma ideia. Confesso que foi ao ler duzentos mil reais de indenização por danos morais. Quando eu era menino, tive uma galinha nanica, ou melhor, uma galinha prejudicada verticalmente. Será que não posso processar todos os autores de dicionários e suas editoras? Afinal, a palavra galinha designa prostituta ou moças e rapazes que vivem trocando de parceiros. Minha galinha, juro, era a virtude em pessoa: foi galinha de um galo só até o dia em que foi pra panela. Acho uma afronta taxar a falecida de galinha.

21 março 2012 DEU NO JORNAL

E COMO MUDOU…

Em junho de 1992, quando se soube que um Fiat Elba a serviço da Casa da Dinda fora comprado por Paulo Cesar Farias, Fernando Collor começou a deixar de ser presidente. Era dinheiro de quadrilha.

O senador Fernando Collor poderia ter comprado 11 Fiat Elba modelo 1992 com os R$ 69.694,73 que torrou em janeiro e fevereiro deste ano de 2012. O dinheiro foi desviado da “Verba Indenizatória” distribuída pelo Senado, patrocinada involuntariamente pelos pagadores de impostos.

* * *

Lembro-me bem, quando estourou o “escândalo do Fiat Elba”, da zuada e da gritaria que o PT e o seu grande líder fizeram, esculhambando Collor e pedindo sua cabeça. O barulho que percorreu a pátria brasileira foi ensurdecedor

Vinte anos depois, no escândalo da “verba indenizatória”, bem mais caudaloso que o do Fiat, a cumpanherada não só manteve um silêncio tumular, como, mais ainda, blindou o probo parlamentar da base aliada. Nem na tribuna, nem nas ruas ouviu-se uma única voz de protesto.

Há uma pequena propaganda dos vermêios, que foi ao ar na semana passada nos canais de televisão, que diz que “O PT está mudando o Brasil“.

E como mudou… Mudou tudo. O encarnado virou azul, e o azul virou encarnado. O mar virou sertão, e o sertão virou mar. E nós viramos um gigantesco curral de idiotas passivos. A gatunagem, que antigamente era às escondidas e feita com muito cuidado, virou prática política normal e às claras. Tá em voga o bordão do programa televisivo humorístico: “Sou. Mas quem não é???”. Os fubânicos gunvernistas vão postar comentários garantindo que corrupção e ladroagem existem desde os tempos de Getúlio Vargas, então…

É… Mudaram mesmo o Brasil…

21 março 2012 DEU NO JORNAL

CONTINUA A SATÂNICA GUERRA DOS PICARETAS DA FÉ. UMA ARENGA DOS DIABOS!!!

Há alguns meses, toalhinhas milagrosas, como as que Valdemiro Santiago usa para enxugar o rosto em suas pregações, começaram a ser vendidas por ele e pelos demais pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus pela televisão. Cada uma custa R$ 1 mil e a promessa é que o fiel deve usá-la diariamente, “tirando do rosto e do corpo maus fluidos e afastando demônios que ficam impregnados”. Pede-se depósito no Banco do Brasil.

Agora, tem um martelo dourado, que também custa R$ 1 mil, pode ser comprado mediante depósito no mesmo BB. O martelo “quebra todas as pedras que aparecem na sua vida”.

* * *

Continua a guerra dos estelionatários da fé, que já foi motivo de postagem aqui no JBF (clique aqui e confira). De Bíblia em punho e citando capítulos e versículos, é um querendo botar no furico do outro, sem pena e sem cuspe. E vice versa.

No segundo vídeo aí embaixo, veja o reclame que um pastor faz do martelo milagroso que “quebra as pedras” atravancadoras dos caminhos das antas que frequentam a igreja de Valdemiro. Pelo módico preço de mil reais.

Já o primeiro vídeo, é o próprio Valdemiro se dirigindo às antas que frequentam o seu supermecado relilgioso. Ele encena uma performance hilária e grotesca a um só tempo, tentando rebater a reportagem do jornalista Marcelo Rezendo, que foi ao ar na televisão de Edir Macedo.

Cachorrada evangélica dos seiscentos diabos!!!! Vamos torcer pra que esta guerra satânica continue.

 

21 março 2012 DEU NO JORNAL

UM CABRA CORAJOSO…

Dilma não quis mais Romero Jucá (PMDB-RR) como Líder Governo no Senado.

Mas não mexe no vice-líder: seu amigo Gim Argelo (PTB-DF).

* * *

Gim Argelo é amigo da Presidente Dilma até o talo.

E bote amigo e talo nisso!

Os bem informados leitores do JBF já tiveram pistas desta história.

Quem quiser saber, é só consultar duas postagens feitas nesta gazeta da bixiga lixa, ao tempo em que Dilma era apenas ministra do gunverno Lula e estava em campanha pra presidência. É só clicar nos títulos abaixo:

1) SE CONHECENDO MELHOR

2) O GIGANTE DO ORÇAMENTO

Gim Argello olhando nos olhos da Presidente Dilma: se morasse em Palmares, onde todo mundo tem um apelido, o senador seria conhecido por “Pica Doce”

21 março 2012 DEU NO JORNAL

O PAREDÃO SONORO

Bráulio Tavares

O poeta Jessier Quirino desencadeou um movimento, na cidade de Itabaiana, em defesa do carnaval pacífico da população, ameaçado por uma prática tenebrosa do mundo de hoje: a invasão das ruas, das praças e das praias por carros munidos de gigantescas e ensurdecedoras aparelhagens de som. Segundo Jessier, os responsáveis por essa calamidade estacionam os carros, colocam seus “paredões” um ao lado do outro e fazem uma disputa pra ver quem consegue tocar música num volume mais alto. Não é preciso dizer que qualquer bloco ou troça carnavalesca não consegue ser ouvida (ou ouvir a si própria) se estiver no raio de algumas centenas de metros desse apocalipse sonoro. Resultado: ninguém na cidade brinca mais carnaval, somente uma dúzia de donos de “paredões”, que se instalam no centro da cidade, e produzem um tsunami de decibéis de tal ordem que algumas casas de Itabaiana tiveram suas paredes rachadas.
 
Isso não passa do crescimento de uma tendência que há muitos anos vem incomodando a Paraíba. (Incomoda o Brasil inteiro, mas fiquemos por enquanto no nosso raio de escuta.) Qualquer sujeito que tem dinheiro para comprar um carro e enchê-lo dos altofalantes mais potentes do mercado considera tão importante essa façanha que a cidade inteira precisa tomar conhecimento dela. Em João Pessoa estou cansado de ver, no calçadão da praia, o carro estacionado no meio-fio, todas as portas abertas, a tampa da mala levantada, o som bradando num volume insuportável, e o cara sentado na mureta, tomando cerveja sozinho e olhando pro carro. Não existe imagem mais patética da solidão urbana.
 
Claro que não são somente os solitários. Tem os folgados que andam de turma. Encostam o carro num bar cheio de pessoas conversando, escancaram as portas do carro, ligam o som em todo volume. Sentam os 4 ou 5 numa mesa, pedem duas águas e um prato de tiragosto. Trazem do carro um isopor cheio de latas de cerveja bem geladas e ficam ali, bebendo e ouvindo Chico Buarque ou Mozart em todo volume. E ai de quem for pedir para que eles abaixem o volume. Na melhor das hipóteses, ouve um “Você sabe de quem eu sou filho?”. Na pior, leva uma camada de pau.
 
Aliás, não é Chico Buarque nem Mozart que esse pessoal escuta, mas, mesmo que fosse, a grosseria e a estupidez seriam as mesmas. A poluição sonora produzida por esse pessoal (e juntem a eles os insuportáveis carros-de-som de propaganda, que fazem o que querem) é o indício de uma época em que manda quem tem dinheiro e truculência. No século 20 temia-se que as hordas selvagens (os pobres da periferia) destruíssem a sociedade. No século 21, as hordas são de ricos; o mundo será destruído de cima para baixo.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa